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Introdução Aparece agora a público o segundo volume de Documenta- ção Ultramarina Portuguesa — GULBENKIAN A IV. Continua assim a publicação de importantes códices respeitantes à his- tória da presença portuguesa no mundo. São dois os códices que constituem o presente volume. Per- tence o primeiro à Biblioteca Nacional de Madrid, onde tem o n.° de 3015. Encontra-se o segundo no Museu Britânico, na colec- ção Egerton, com o n.° 1131. Lidam ambos com factos passados na primeira metade do século XVII. Contêm ambos documentação variadíssima refe- rente a todas as parcelas cio ultramar português de então: Bra- sil, Africa, Oriente e Extremo-Oriente. Um acontecimento de suma gravidade perpassa por alguns documentos: a perda de Ormuz, em 1622. Ê fácil de imaginar o choque produzido por tal desastre. Era Ormuz um dos pilares em que se estribava o poderio lusitano do Indico. Perdida a praça, em circunstâncias verdadeiramente inesperadas e trági- cas, perdida, igualmente a hegemonia do oceano, sulcado em todas as direcções por navios inimigos de várias procedências, era necessário enfrentar a nova conjuntura. Os holandeses, em primeiro lugar e, logo a seguir, os ingleses, ocupam assim, neste volume, lugar de capital relevo. A braços com a decadência e desiludido pelo agir da dinastia filipina, Portugal foi obrigado a atravessar difíceis anos de luta e de concorrência. Os holandeses pareciam ameaçar os portugueses em toda a VII
parte, não esquecendo o Brasil. Eis a angústia que se desprende de toda esta documentação, agora oferecida aos estudiosos. O códice de Madrid é de leitura razoável, embora não rareiem as dificuldades. O códice de Londres, por seu lado, é manifestamente de difícil leitura. A caligrafia constitui o pri- meiro obstáculo. O facto de se encontrar truncado, em várias partes, dificulta ainda mais a leitura. Indicam-se algumas erratas. Mas as leitoras-paleógrafas, a quem se confiou a tarefa da sua leitura e cópia, estão conven- cidas de que várias outras haverá. O códice 3015, da Biblioteca Nacional de Madrid, foi copiado pela leitora-páleógrafa D. Esther Trigo de Sousa; o códice 1131, colecção Egerton, do Museu Britânico, pela leitora- -páleógrafa D. Maria de Lourdes Lalande. Pertence-lhes igual- mente o trabalho da revisão de provas e da elaboração dos índices. A ambas desejo exprimir o meu sincero agradecimento pelo carinho e entusiasmo que dedicam a este incessante labor em que está empenhado o Centro de Estudos Históricos Ultrama- rinos. Ã Fundação Calouste Gulbenkian renovamos os nossos agradecimentos. Lisboa, 10 de Junho de 1962 A. da Silva Rego VIII
90 91 92 101 126 133 152 155 179 209 220 228 234 236 245 250 265 284 300 305 310 314 337 338 345 363 365 379 412 423 430 482 517 536 PRINCIPAIS ERRATAS Linha Lt-se Deve ler-te 27 ucas uvas 27 querem quererem 1 nu eU 41 vesinho vesinhos 27 bengivre gengivre 29 Estee Estes 45 croco oraco 4 taxaco bavaco 9 cidde cidade 29 aaturales naturales 27 loq eu lo que 28 robblones doblones 33 mucra mucha 4 matron mataron 12 lhana lhama 23 perto puerto 43 1 el 25 Magestade • Mag es tad 20 hobre sobre 15 Magestad Magestade 47 Magestad Magestade 4 Verona Norofia 1 Capia Cópia 10 haviam havian 44 cosas casas 2 recobar recobrar 10 socoro socorro 41 ChistovSo ChristovSo 38 deseeo desseo 26 rales reales 19 casa casas 9 suva suia 4 Fernado Fernando 27 1 11
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ÍNDICE Mrs. 3015 — Biblioteca Nacional de Madrid Págs. 1. Descripcion de la Província dei Brasil 1 7 a) Brasil 2 b) Rio Grande ... ... ... 3 c) Paraíba 3 d) Itamaraca 3 e) Pernambuco 4 f) Cirigeppe dei Rei ... 4 g) Bahia de Todos os Santos 4 h) Ilheos 5 i) Puerto Seguro ... 5 i) Spiritu Sancto 5 l) Rio de Janeiro ... 6 m) Angla de los Reys. o S.'° Antonio 6 n) Sancto Vicente 6 o) Cananea 7 p) Sancta Ana 7 q) Diupava 7 2. Apuntamentos... 8 17 3. Relação de todos os officios da Fazenda e Justissa que ha neste Estado do Brasil, e quaes pertencem do provimento de Vossa Magestade, e aos dos donatários em vida, ou por tempo limitado para cuja inteligência se hão de de supor os promissos se- guintes 18 19 4. Capitania de Pernambuco he de donatário vila d'Olinda 20 39 a) Villa dos Sanctos Cosme, e Damião de Ygarossu capitania de Pernambuco 25 b) Ilha de Itamaraca vila de N* S* da Conceipção 26 c) Paraíba cidade felippea de Nossa Senhora das Neves cappitania de Vossa Magestade 27 d) Rio Grande cidade do Natal cappitania de Vossa Magestade ... 28 e) Seregipe dei Rey cidade de São Christoval capitania de Vossa Magestade 29 XI
Pâga f) Bahia de Todos os Sanctos cidade do Salvador cabeça do Estado capitania de Vossa Magestade 29 g) Capitania dos Ilheos he de donatário 32 h) Capitania de Porto Seguro he de donatário 33 i) Capitania do Spirito Santo villa de Nossa Senhora da Vitoria de donatário 34 j) Capitania do Rio de Janeiro cidade de São Sebastião de Vossa Magestade 35 í) Capitania de S. Vicente he de donatário; villa de Santos 38 m) Vila de S. Paulo da capitania de San Vicente 39 Vila de Tinhae cappitania de San Vicente 39 5. Estado da India, e aonde tem o seu principio 40 48 a) Reys da primeira enseada 41 b) Do Padre Nicolao Espinola sobre cousas da Índia 44 6. Relação breve da Ilha de Ternate, Tydore, e mais ilhas Malucas. aonde temos fortalezas, e presidios, e das forças, naos, e fortale- zas, que o enemigo olandes tem por aquelas partes 49 56 a) Das ilhas em comum 49 50 b) Da Ilha Ternate que he a primeira .„ 50 51 c) Do volcão di fogo que tem esta Ilha de Ternate 52 53 d) Da lha Tydore e do que nella temos, e tem o rey delia amigo nosso e o enemigo olandes 53 54 e) Do que nella tem o rey e os mouros amigos nossos 54 [) Do cravo que esta ilha produz 54 55 g) Da Ilha Montiel, e da força enemiga que nella ha 55 56 7. Descripção breve da fortaleza de Malaca, e seus muros; e artelharia mandada fazer pelo Bispo dela Dom Gonsalo da Siiva 57 58 b) Relação da fortaleza, poder e trato com os chinas, que os olan- deses tem na Ilha Fermosa dada por Salvador Diaz natural de Macao, que là esteve cativo e fugio em huma soma em Abril do anno de mil e seiscentos e vinte e seis 61 64 9. Acerca do trato aberto entre os chinas e olandeses ao qual se não puser remedio com o tempo depois o não tera 65 68 10. De Ia corte del Gran Mogor y sus grandezas 69 78 a) De los hijos y deudos de el rey 70 71 b) Como y quantas veses el rey se dexa ver a los suios, y la orden de su cassa 7] 72 c) Las mujeres que tiene este rey el servicio de su palacio y atavio de su perçona 73 74 d) Gastos de la casa real ... , ... 74 e) Gastos de los animates y otras cosas de su servicio ......... 74 75 [) Tessouros, y rentas deste rey 75 76 g) De sus capitanes y sus grandezas ... ..." ... 76 77 h) Los reynos de que es sefior este rey ... ... 77 78 11. Do principio do Reyno de Ormus, e reys que até ho)e teve, como temos alcansado de suas escripturas, e mouros antiguos e sábios, com que ali por espacio de onze annos comunicamos 79 95 8. Descripção do Rio Grande ... a) Os capitães que ali alcancei 59 64 60 XII
pass. a) Formão de doação que el rey Sargolxà fez da alfandega de Ormus aos reys de Portugal 83 84 b) Treslado da doação que el rey Farracoxà rey de Ormus fez da Alfandega aos reys de Portugal 84 86 c) Treslado de hum capitulo do regimento do viso rey Dom Antão de Noronha sobre as mocarrarias, que se pagão na alfandega de Ormus ao Xatamàs e outros reys vezinhos tirado do livro do regimento, que elle fez, que está na feitoria de Ormus a folhas 10, e 11 86 88 d) Declaremos brevemente que cousas sejão mocarrarias 88 89 e) Dos trece reys cegos que João de Barros diz que Afonso de Albu- querque mandou pera Goa 89 90 f) Descripçâo da ilha de Ormus e o que nella há 90 95 12. Rey da Persia 96 97 13. Cabo de Comorim 98 102 a) Mogor ... 100 102 14. Idalcão e Nisa Maluco 103 106 a) Reyno de Bisnaguer Gentio 104 106 15. Reys da segunda enseada do Estado da Índia 107 109 16. Reys da terceira enseada 110 111 a) Rey da China ... ... 110 111 17. Riquesas que produs o Estado da índia, pimenta, anil, algodão 112 117 a) Seda da China, marfim da Ethiopia, cavallos e seda da Persia •. 113 114 b) Riquesas do Japão e China 114 115 c) Mais riquesas do Oriente 115 116 d) Sunda, e Samatra ^ 116 117 18. Ceilão ... L. ... ... ... ... 118 132 a) Pico do Adão 142 b) Da real geração da casta do Sol que os chingallás de Ceillão tem por divinos de que procedem os reys de Ceillão segundo suas fabulas 124 125 c) Das varias opiniões, que ouve entre os geographos sobre qual seja a Trapobrana de Ptolomeo, e das rezões, que hà pera ser esta Ilha de Ceillão, e dos nomes que sua canella tem entre todas as nações 125 132 19. Das opiniões, ritos e cerimonias, de todos os gentios da India, que jazem entre o Rio índio, e Gange, e do que contem o original de suas escripturas que os seus letrados ensinão em suas es- colas 133 138 a) Das outras tres partes de seus originaes, e de todos os mais ritos, e costumes destes gentios, e dos seus tres regentes, e do engano, que alguns tiverão em averem que tiverão conhecimento dá Santíssima Trindade, e da differénça das castas de todos os gentios, o que farei com a mayor brevi- dade possível 139 144 XIII
20. Costa da India Págs. 145 146 21. Rendimento do Estado da índia 147 22. Descripçâo da cidade, e barra da Paraiba de Antonio Gonçalves Pasiboa piloto natural de Peniche, que há vinte annos, que reside na dita cidade 148 150 23. Relação do que há no grande Rio Amazonas novamente des- cuberto 151 153 24. Declaração do que contem o mapa dos portos do Rio das Amazonas até à Ilha de Santa Margarida, donde se pescâo as pérolas 154 156 25. Relacion dei estado en que quedavam las cosas de la índia, sacada de las cartas, que escrivio el virrey Dom Hieronymo de Azevedo en las naos que agora llegaron 157 159 26. Demarcação da Ilha de Mombaça e da barra delia feita por Manuel Monteiro 160 27. Apontamentos pera Vossa Magestade ver sobre as cosas do Estado da India, e Reyno de Monomotapa por frey Agustinho d'Aze- vedo da Ordem de Santo Agustinho, que veyo por terra da índia 161 164 28. [Sem titulo: sobre domínios na índia] 165 170 29. Informação, que fez o governador geral Diogo da Cunha de Castel Branco por mandado do conde viso rey pera Sua Magestad ser informado do estado da conquista das minas de prata do Estado de Cuama 171 177 30. Breve informação sobre algumas cosas das ilhas da China ... 178 181 31. [Sem titulo: sobre o Reino de Angola] 182 188 32. Roteiro de Pernambuco ao Maranhão, jornada que fizemos da capi- tania de Pernambuco com a armada em que veyo por capitão mor Alexandre de Moura à conquista do Maranhão e trouxe por piloto na capitana a Manoel Gonçalves o Regefeiro de Leça 189 194 33. Para el rey nosso senhor do Bispo de Malaca 195 199 34. Descripcion dei Puerto de Arda 200 205 35. Papel de Yeronimo Castafio 206 36. [Sem titulo: Artículos acordados entre los seflores dei Suppremo Consejo de los Estados Generales de Holanda, y el sefior Fran- cisco Barreto, etc.] ... 209 213 a) Condiciones tocantes a la milícia 211 213 37. Traduzido de un papel impresso en la villa de Amsterdam en lengoa flamenca: Hecho por Julio Andrea Moarbaceq, dirigido al conde Mauricio y todos deputados de los rebeldes de Olanda ... 214 223 XIV
Pâga. 38. Discurso en razon de la Compafiia Oriental que tlenen los rebeldes de Olanda, i, ingleses 224 232 39. Relacion dei sitio que el rey de Arracan, y el de Tangú, pusieron por mar y tierra sobre la fortaleza de Serion en la índia de Portugal el afio de 1607 233 241 40. Descripcion de la fortaleza de Diu 242 41. Descripcion de la Isla de Ormuz 243 42. Descripcion y noticias de Ia província de la Transsilvania ... 244 249 a) Origen, calidades, y costumbres de los tártaros 247 249 43. Persia 250 260 Mss. N.° 1131— Colecção Egerton Museu Britânico PAPELES VÁRIOS DE PORTUGAL 1619-1626 1. Sobre proposta do Conde António Xerley acerca do comércio das índias Ocidentais e Orientais 263 Abril 1619. 2. Copia do consulta dos Condes de Gondomar e Benavente acerca do mesmo assunto 263 a 268 Madrid. 22 de Outubro 1619. 3. Relação das fortalezas e feitorias que os holandeses e ingleses pos- suíam na índia 269 a 270 4. Informação de João de Gamboa sobre um empréstimo de 65 mil cru- zados feito à Casa da índia; outro, feito à da Inqui- sição e quintas de Portugal e mais coisas, para despesas da via- gem do rei a Portugal. Consulta do Conselho 270 a 273 Madrid, 15 de Agosto. 1&10 5. Ordem ao Duque de Villa Hermosa, para pagar mil anegas de trigo. que se enviaram a Mazagão 273 Madrid, 22 de Julho de 1622. 6. Carta de Rui Freire de Andrade para el rei sobre a necessidades de socorrer a Índia 274 a 275 12 de Fevereiro del621. 7. Consulta de Mendo da Mota, sobre a carta de Rui Freire de Andrade e as coisas de que informa 275 a 276 6 de Agosto 1621. XV
PáKS 8. Carta dc Nuno Alvares de Portugal, Bispo Conde e Diogo de Cas- tro, sobre a conservação das coisas da Índia ... 276 a 277 Lisboa, 9 de Outubro de 1621. 9. Idem. Mesmo assunto 277 a 279 Lisboa, 22 de Outubro de 1621. 10. Carta do vice-rei da Índia, para os governadores de Portugal sobre a arribada da armada de Portugal na Índia ... ." 279 Valsan, 22 de Outubro de 1621 11. Informação de Martin de Arozteguim, sobre o socorro que se há-de enviar à índia 280 17 de Novembro, 1621. 12. Resoluções do Conselho de Estado sobre o estado de Ormuz e socor- ros para a Índia 280 a 281 20 de Novembro de 1622. 13. Ordem aos governadores sobre o socorro da índia 281 s. d. 14. Propostas dc Duarte Gomes Solis, sobre o comércio da Índia 281 a 282 s. d. 15. Carta de Pedro Alvares Pereira, para el rei, sobre Duarte Gomes Solis e as suas propostas 283 a 286 Madrid. 7 de Janeiro de 1622. 16. Relação sumária sobre informações dos preparativos holandeses para atacar o Brasil 287 s, d. 17. Sobre informações do Conde da Vidigueira acerca do comércio das Filipinas com a China e o Japão 288 Madrid, 15 de Fevereiro de 1622. 18. Sobre as prevenções a tomar no Brasil, para assegurar a sua defesa e expulsar os holandeses 288 a 289 s. d. 19. Carta de M. Gaspar de Sousa para el-rei, acerca do Brasil, suas possibilidades de defesa e estado em que se encontram as suas capitanias 289 a 290 Madrid, 21 de Janeiro de 1622. 20. Consulta de Portugal sobre o dinheiro do socorro para enviar à Índia 290 a 291 Madrid, 26 de Fevereiro de 1622. 21. Informações sobre o mesmo assunto, num papel assinado por Mendo da Mota 291 a 293 21 de Fevereiro de 1622. 22. Consulta do Conselho de Portugal sobre Domingo de Almeida e Fer- nando Cron acusados de negociarem com os ingleses e holan- deses 293 a 294 26 de Fevereiro de 1622. 23. Parecer do Licenciado Melchior de Molina sobre o mesmo assunto 294 a 300 Madrid. 31 de Março de 1622. XVI
Pága. 24. Sobre os renegados de Argel ... 300 a 301 16 de Junho de 1622. 25. Idem. Parecer do Duque de Monteleon 302 Madrid, 25 de Junho (de 1622?). 26. Idem. Sobre a melhor maneira de cumprir as ordens relativas a este assunto 303 a 304 s. d. 27. Sobre ordens que o governador de Ceuta. D. Luis de Noronha, pede para resolver no caso de Muley Hamet se refugiar na fron- teira 305 a 306 Madrid, 10 de Setembro de 1622. 28. Sobre dinheiros a procurar para a empresa da Mina e parecer da junta sobre a preparação desta mesma empresa 306 a 308 Madrid, 25 de Novembro de 1622. 29. Informações das coisas da Índia, tiradas de cartas de Fernão de Albuquerque e mandadas a el-rei 308 a 312 Madrid, 23 de Novembro de 1622. 30. Consulta e parecer do Conselho sobre o estado das coisas da Índia 312 a 313 s. d. 31. Idem 314 s. d. 32. Idem 314 a 315 Madrid, 29 de Janeiro de 1623. 33. Relação do estado das coisas da Índia, tirada das cartas do gover- nador Fernando d'Albuquerque 316 a 319 s. d. 34. Parecer de António de Vilela, sobre alguns navios de holandeses que passavam para a Índia 319 Madrid. Dezembro de 1622. 35. Sobre a reunião das armadas de índia e Manilha 320 23 de Novembro de 1622. 36. Sobre o mesmo assunto e mais navios que se estão armando em Holanda para ataque à Índia 320 a 321 Madrid. 2 de Dezembro de 1622. 37. Sobre consultas do Conselho de Portugal, relativas a expulsar os holandeses da Índia. Parecer da junta 321 a 322 Madrid, 21 de Dezembro de 1622. 38. Sobre o ataque a holandeses e reunião das duas armadas 322 39. Cópia da carta do capitão de Ormuz Simão de M. Pereira 323 a 327 Mascate, 10 de Junho de 1622. 40. Cópia da carta de Manuel Borgues de Sousa, para el-rei 327 a 330 Mascate, 15 de Junho de 1622. 41. Cópia do assento que se tomou em Ormuz, para os galeões não saírem ao mar 330 a 331 Ormuz, 15 de Fevereiro de 1622. XVII
Págs. 42. Cópia de um requerimento feito pelo povo de Ormuz, para que os galeões nSo saissem do porto 331 a 333 Ormuz, 26 de Fevereiro de 1622. 43. Cópia de um assento para se abrirem as vias de sucessão da armada e do requerimento que se fez aos capitães dela 333 a 335 Ormuz, 27 de Fevereiro de 1622. 44. Cópia do assento que se fez para que os galeões de Ormuz não partissem para a índia 335 Ormuz, 2 de Março de 1622. 45. Cópia do assento que se fez em Ormuz, para se tomar emprestado o dinheiro da Casa da Misericórdia " 336 Ormuz, 3 de Março de 1622. 46. Cópia do parecer de Luis de Brito Barreto, almirante dos galeões, sobre se varar com eles em terra 337 Ormuz, 10 de Março de 1622. 47. Cópia do assento que se fez para varar com os galeões em terra 337 a 338 Ormuz, 10 de Março de 1622. 48. Cópia do assento novo que se fez para se varar em terra os galeões ... 338 a 339 Ormuz, 31 de Março de 1622. 49. Cópia do certificado que se passou da notificação que o feitor dei rei e o escrivão foram fazer a D. Manuel de Sousa por ordem do governador de Ormuz 339 a 340 Ormuz, 28 de Abril de 1622. 50. Cópia do acto de menagem que o capitão e governador Simão de Melo Pereira tomou ao almirante Luís de Brito Barreto 340 a 341 Ormuz. 30 de Abril de 1622. 51. Cópia da relação da conjuração que fizeram os soldados e casados da fortaleza de Ormuz 341 a 342 Ormuz, 2 de Maio de 1622. 52. Cópia de um certificado do escrivão da feitoria de Ormuz Domin- gos de Freitas 343 s. d. 53. Cópia do certificado do capitão da artilharia 343 Ormuz, 12 de Abril de 1622. 54. Cópia da lista que os capitães dos galeões e o almirante deram, da sua gente 343 a 344 55. Cópia da um certificado do feitor Francisco Monteiro Leite sobre as coisas que havia nos armazéns 344 Ormuz, 22 de Março de 1622. 56. Cópia de outro certificado do escrivão dos armazéns, da pólvora que recebeu dos galeões 344 a 345 XVIII
Pága. 57. Cópia do certificado de Domingos de Freitas, escrivão da Fazenda e feitoria da Fazenda de Ormuz Ormuz, 2 de Maio de 1622. 58. Cópia de outro certificado do escrivão Domingos de Freitas 345 a 346 Ormuz, 2 de Maio de 1622. 59. Cópia de outro certificado do escrivão Domingos de Freitas 346 a 347 Ormuz, 3 de Maio de 1622. 60. Cópia de um certificado do escrivão da alfândega de Ormuz, Gaspar de Amorim Pereira 34' Ormuz, 2 de Maio de 1622. 61. Cópia de outro certificado do escrivão da feitoria de Ormuz. Domingos de Freitas Ormuz, 2 de Maio de 1622. » 62. Cópia de um certificado do escrivão Domingos de Freitas 348 Ormuz, 2 de Maio de 1622. 63. Cópia do acto que se fez dos amotinados e revoltas que se fize- ram contra o capitão Simão de Melo Pereira 348 a 33U Ormuz, 1 de Maio de 1622. 64-65. Sobre as cartas escritas por Simão de Melo Pereira relatando a perda de Ormuz . 350 a 364 s. d. 66. Ordem respondendo à primeira consulta sobre o successo de Ormuz 364 Madrid, 30 de Outubro 1622 (?) 67. Parecer dos membros do Conselho, sobre o socorro a envia^ a Ormuz 364 a 300 9 de Janeiro de 1623. 68. Parecer dos membros do Conselho de Estado sobre o socorro a enviar a Ormuz 8 Lisboa, 6 de Janeiro de 1623. ... 370 a 373 69. Idem ••*••• Madrid, 13 de Janeiro de 1623. 70. Sobre a resposta dos governadores, acerca do soccorro para mandar à índia * 8 71. Cópia da carta dei rei, para o Conselho de Estado sobre _ e o socorro a enviar à índia 3/3 a s. d. 72. Carta do Conselho de Portugal para el rei sobre ordens e reso- luções a tomar quanto aos socorros a mandar à índia ... 3/8 a 3õo Madrid, 16 de Janeiro de 1623. 73. Consulta do Conselho de Portugal, sobre Ormuz e socorro para a índia 386 8 387 14 de Janeiro de 1623. XIX
H&g». 74. Consulta a el rei, sobre uma carta de Fernão d'Albuquerque e as informações que dá do estado em que se encontra a índia 387 a 388 Madrid. 8 de Janeiro de 1623. 75. Cópia da carta do governador Fernão de Albuquerque 388 a 389 Goa, 20 de Fevereiro de 1622. /4. Parecer do Conde de Faro sobre as informações enviadas pelo governador Fernão de Albuquerque 390 a 391 // Consulta do Conselho de Portugal sobre a navegação e comércio ^ Ma'aca 391 a 392 s. a. 78. Parecer dos membros do Conselho de Estado, sobre a perda de Urmuz e socorros a enviar para a índia 392 a 402 Madrid, 20 de Janeiro. 79. Uma informação do Conde de Faro. enviando consultas do Con- selho de Portugal, sobre o mesmo assunto 402 a 403 Lisboa, 14 de Janeiro de 1623. 80. Cópia de uma carta do Conde de Faro, sobre a perda de °rluuz 403 a 407 s* d. ç 81. Parecer do bispo Conde sobre socorros para a India e pessoas a enviar neles 4n» 4in Lisboa, 7 de Janeiro 1623. 82. Parecer do bispo inquisidor geral, D. Frei Martins Meneses (7) sobre dinheiro a arranjar para o socorro da índia 410 a 411 Lisboa, 8 de Janeiro de 1623. 83. Sobre a data em que os socorros devem partir para a índia 411 a 412 s. d. 84. Sobre os meios a empregar para socorrer a India com a maior brevidade possível 413 a 421 85. Sobre os dinheiros resultantes da venda da pimenta, pertencente ao Convento da Encarnação 421 a 422 31 de Janeiro de 1623. 86. Informação de D. João de Vilela sobre o mesmo assunto ... 422 a 424 Madrid, 16 de Fevereiro de 1623. . . 87. Sobre socorros para a praça de Mazagâo . 424 = 4S2 Madrid. 4 de Julho de 1623. " * W 88. Informação de Brás Teles de Meneses sobre a praça de Maza- ga°... ... .. ... 425 a 426 3 de Junho de 1623. 89. Sobre o Conde da Vidigueira 426 Madrid, 13 de Junho de 1623. 90. Consulta do Conselho de Portugal sobre o sucesso do Conde da Vidigueira e Madrid, 7 de Junho de 1623. XX
Pigs. Parecer do Conselho de Estado, sobre este mesmo assunto 427 a 430 Madrid. 22 de Maio de 1623. 91. Sobre o mesmo assunto *31 a *33 16 de Maio de 1623. 92. Sobre as cartas dadas pelo príncipe de Gales 433 a 434 26 de Abril 1623. 93. Parecer do Conselho sobre este assunto 434 a 438 Madrid, 29 de Abril de 1623. 94 Consulta sobre socorros e enviar à índia. Dinheiro de socor- ros «8 a *39 26 de Abril de 1623. 95. Parecer do Conselho sobre a consulta anterior ... ... 439 a 440 Madrid, 21 de Abril 1623. 96. Consulta sobre socorros para a India em que a Coroa de Castela deve colaborar... 441 a 443 Madrid, 3 de Abril de 1623. 97. Tradução desta consulta em castelhano 443 a 444 98. Sobre a armada que deverá escoltar os navios para a índia 444 a 445 Madrid, 11 de Fevereiro de 1623. 99. Consulta sobre a compra de alguns navios em Biscaia e sobre escolta de navios **® 19 de Março de 1623. 100. Sobre esquadras a acompanhar os navios da índia ... ... 447 Madrid, 1 de Junho de 1623. 101. Sobre dinheiros para apresto das naus ... ... 447 a 449 1 de Fevereiro de 1623. 102. Sobre a recuperação de Ormuz e socorros a juntar em Mascate ... 449 Madrid, 18 de Março de 1623. 103. Propostas sobre os meios que se devem tomar para a reedificação do comércio de Ormuz ou restauração daquela fortaleza, apre- sentados por João Pereira Corte Real 450 a 457 10 de Fevereiro de 1623. 104. Sobre Ormuz 458 a 461 s. d. 105. Sobre nomeações de pessoas para Cacheu 461 a 463 4 de Junho de 1624. 106. Idem, sobre o mesmo assunto ... ...' 463 s. d. 107. Sobre gente a tirar-se das fronteiras de Africa e a enviar para socorrer o Brasil ,.i 464 10 de Agosto de 1624. 108. Parecer do Conselho sobre este assunto 464 a 465 Madrid, 18 de Agosto de 1624. XXI
Págs. 109. Informações sobre intentos holandeses quanto ao Brasil ... 465 a 466 29 de Junho de 1624. 110. Parecer da Junta de Guerra sobre este assunto 466 Madrid. 18 de Julho de 1624. 111. Parecer do Conselho de Guerra, acerca de uma consulta de Portu- gal sobre enviar gente de Andaluzia para Africa substituindo a que daqui se mandar ao Brasil ... 466 a 467 18 de Agosto de 1624. 112. Sobre CristovSo Luís e Filipe de Sousa, acusados de inteligências com os holandeses 467 s. d. 113. Ordem para que se mande prender Cristóvão Luis e trazer a Portugal 467 a 468 29 de Fevereiro de 1624. 114. Informação de Mendo da Mota, sobre este assunto 468 a 469 Madrid, 25 de Fevereiro de 1624. 115. Parecer do Conselho de Estado sobre assuntos da India e como se podem reparar 469 a 472 Madrid. 11 de Dezembro de 1623. 116. Sobre o estado das coisas da India e seu socorro. Recomendações aos governadores sobre o apresto de 4 galeões 472 a 473 2 de Dezembro de 1623. 117. Perigos na índia. Socorros urgentes 473 a 474 Madrid, 13 de Dezembro de 1623. 118. Sobre o apresto dos 4 galeões 474 s. d. 119 — Informações de movimentos inimigos, na India e parecer do Con- selho de Estado sobre o assunto 474 a 476 2 de Dezembro de 1623. 120. Sobre o dinheiro para o apresto de galeões que hão de partir para a India e entrega dos que estão embargados em Sevilha a Gaspar Barbosa 477 Madrid, 24 de Novembro de 1623. 121. Idem sobre o mesmo assunto 478 Madrid, 7 de Dezembro de 1623. 122. Informações da fortaleza da Mina, enviadas por Manuel da Cunha de Teive, seu capitão ... 479 Madrid, 3 de Novembro de 1623. 123. Cópia da carta do capitão da Mina, traduzida em castelhano 479 a 483 a. d. XXII
P&gs. 124. Consulta do Conselho de Portugal, sobre as cartas recebidas do governador da fortaleza da Mina com informações do estado da fortaleza 484 s. d. 125. Sobre os escravos que pretendessem a liberdade 484 a 485 s. d. 126. Sobre um escravo, e sua pretençSo à liberdade. Intromissão dos alcaides nestes assuntos 485 a 486 Madrid, 20 de Novembro de 1623. 127. Sobre o itinerário a seguir pelos galeões de socorro à índia ... 486 Madrid. 27 de Novembro de 1623. 128. Parecer do Conselho sobre assuntos de Macau 487 a 489 Madrid. 11 de Novembro de 1623. 129. Sobre o itinerário a seguir pelos galeões de socorro à índia 489 s. d. 130. Sobre direitos de mercadorias das viagens pertencentes ao Con- vento da Encarnação 490 s. d. 131. Consulta a el rei sobre o mesmo assunto 490 a 491 Madrid, 3 de Outubro de 1623. 132. Sobre armada de socorros, a Malaca. Prémios aos que se distin- guiram em Macau 491 a 492 Madrid, 21 de Dezembro de 1623. 133 Parecer do Conselho de Estado de Portugal, sobre socorros a Malaca •» 492 a 494 29 de Outubro de 1623. 134. Sobre 4 navios da armada do Oceano que se hão de juntar à armada de Portugal, para impedir progressos inimigos 494 a 495 Madrid, 13 de Junho de 1623. 135. Sobre o Forte da Lagem da Baia e sua construção 495 a 496 Madrid, 28 de Julho de 1623. 136. Sobre o estado das coisas do Brasil 496 Madrid, 1 de Julho de 1623. 137. Informações sobre projectos de ataques inimigos 496 a 498 Madrid, 23 de Junho de 1623. 138. Informações sobre possibilidades de defesa dos portos do Bra- sil_ ; 498 a 500 139. Sobre a construção do forte da Bala ... 500 a 501 140 Papel de D. Maria Coutinho, filha do Conde da Vidigueira 501 XXIII
PágM. 141. Parecer sobre a resolução a tomar quanto ao Conde da Vidi- gueira 501 a 502 Madrid. 26 de Julho de 1623. 142. Relação do sucedido no combate que o Conde da Vidigueira travou com naus inimigas 502 a 504 143. Consulta remitida à Junta de Armadas, sobre a armada de Portugal poder ir esperar a que vai chegar da índia 504 a 505 144. Parecer do Conselho de Estado sobre informações vindas da India e estado das suas coisas 505 a 508 Madrid. 23 de Outubro de 1623. 145. Informações sobre desígnios inimigos. Propostas sobre soluções a tomar quanto a remediar e atalhar ataques futuros. Parecer do Conselho 508 a 510 29 de Setembro de 1623. 146. Idem. Sobre o mesmo assunto 510 Madrid. 6 de Novembro de 1623. 147. Parecer do Conselho de Estado sobre o socorro a enviar à índia 511 a 513 Madrid, 21 de Junho de 1623. 148. Avisos de Henrique Sinel sobre intentos de holandeses 514 2 de Setembro de 1624.. 149. Idem. Sobre o mesmo assunto 514 Madrid. 29 de Setembro de 1624. 150. Sobre intentos holandeses contra o Brasil. Socorros a enviar 514 a 515 12 de Outubro de 1624. 151. Avisos de D. Andres de Prado, sobre um socorro de 40 navios holandeses para o Brasil. Declaração de um marinheiro holan- dês sobre o assunto ... 515 a 517 Madrid, 19 de Outubro de 1624. 152. Parecer do Conselho de Portugal e de Estado sobre socorros a enviar à índia 517 a 519 16 de Junho de 1623. 153. Consulta, pedindo os 4 navios embargados em Sacavém 520 14 de Agosto de 1624. 154. Idem. Sobre o mesmo assunto 520 Madrid. 27 de Agosto de 1624. 155. Sobre informação da Câmara de Lisboa, acerca dum pedido dos governadores para se arranjar contribuição de dinheiros para o socorro ■ 520 a 521 2 de Setembro de 1624. 156. Parecer do Conselho sobre este assunto 521 a 523 Madrid, 27 de Setembro de 1624. XXIV
P iga. 157. Consultas dos Conselheiros de Estado e Portugal sobre as forças que convirá preparar para expulsar os holandeses do Bra- sil 523 a 532 Madrid, de Agosto de 1624. 158. Relação das provisões de gente e mantimentos que leva a armada do Brasil 532 9 de Dezembro de 1624. 159. Declarações acerca de planos holandeses, feitas pelo holandês que se aprisionou 532 a 533 s. d. 160. Sobre os agradecimentos a dar-se aos governadores de Portugal, cidades e Duques de Caminha e Bragança, pela sua colabora- ção na preparação dos socorros 533 a 534 Madrid. 21 de Dezembro de 1624. 161. Papel de Francisco de Lucena sobre a reforma das vias de sucessão do cargo de vice rei da índia 534 Monção, 11 de Março de 1626. 162. Sobre uma consulta do Conselho de Portugal acerca da formação de uma armada de 10 navios de guerra para proteger os que vêm do Brasil ••• 535 Madrid. 20 de Setembro de 1624. 163. Resolução do Conselho de Guerra, quanto à reforma das vias de sucessão para o lugar de vice rei da índia 536 11 de Março de 1626. 164. Consulta de Portugal enviando relação de provimentos mandados às cidades de Ceuta. Tanger e Mazagão •... 537 11 de Setembro de 1629. 165. Relação do provimento para as cidades de Tanger, Ceuta e Ma- zagâo .. 537 a 538 Lisboa, 5 de Setembro de 1625. 166. Sobre as consultas do Conselho de Portugal acerca do pau Brasil. açúcar, tabaco e escravos, etc., que vêm na armada do Brasil 539 s. d. 167. Sobre destino a dar às mercadorias vindas do Brasil e seus direitos 539 a 540 23 de Outubro de 1629. 169. Sobre despachos vindos da índia 540 17 de Fevereiro de 1625. 170. Relação das informações mandadas por Nuno Alvares Batelho e Rui Freire de Andrade sobre as coisas dos Estreitos da Pérsia 541 a 542 Fevereiro e Maio de 1625. 171. Sobre informações de Fernando de Sousa governador de Angola. acerca do acontecido em Bengala. Parecer do Conselho 543 30 de Maio de 1626. XXV
Págs. 172. Sobre o acontecido cora os 2 capitães de Bengala. Parecer dos conselheiros 544 Madrid, 27 de Junho de 1626. 173. Sobre a ordem dada aos governadores para que entregassem 8 peças de artilharia a Diogo Luis de Oliveira 544 20 de Junho de 1626. 174. Parecer do Marques de La Inojosa, sobre este assunto 544 a 545 Madrid. 14 de Junho de 1626. 175. Sobre as peças de artilharia pedidas para o Brasil. Ordem 546 27 de Junho de 1626. 176. Sobre uma consulta acerca das Companhias do Comércio da índia 546 a548 s. d. 177. Sobre a consulta enviada à Junta das Companhias da India e Norte 548 18 de Outubro de 1626. 178. Sobre formação de uma companhia de comércio 549 a 550 11 de Novembro de 1626. 179. Sobre as companhias para o Norte 550 a 551 12 de Novembro de 1626. 180. Resposta da Junta sobre este assunto 551 16 de Novembro de 1626. 181. Parecer do Conselho acerca deste assunto 551 Madrid, 22 de Novembro de 1626. 182. Parecer de D. Jorge Mascarenhas, sobre estes assuntos em carta ao rei 552 a 556 23 de Outubro de 1626. 183. Sobre se as arribadas e outras percas hão-de ser por conta da Companhia a rata 557 a 560 s. d. XXVI
1. [1] DISCRIPCION DE LA PROVÍNCIA DEL BRASIL A Don Carlos de Aragon y Borja Duque de Vilia Hermosa Conde de Ficalho dei Consejo de Esta- do de Su Magestad su gentil hombre de Camara veedor de Hacienda, y presidente dei Consejo Supremo de Portugal Ex.mo Senor Esta relacion breve de grandes sitios, y pequena muestra de maravillosas obras de naturalesa, pongo a los pies de V. E.a por saber que a la grandesa de su capacidad no es menester mas noticia para que lo comprehenda todo propongo como en tabla donde sin- dario de la verdad, aunque con menos cabo de la largueza se repre- zentan los mares y las tierras de lo que he visto y experimentado en la costa del Brazil dando me por premiado de todos mis trabajos con que sean admitidos de V. E.a a quien guarde Dios con la vida y salud, estado que V. E.a y este su criado lo desean. Madrid, 30 de Septiembre de 1629. * * * Descripcion de 1.038 léguas de tierra dei Estado del Brazil conquista del Maranon, y Gran Para, por sus verdaderos rumbos y de setenta léguas que tiene de voca el Rio de las Amaçonas, que estan en la linea equinocial y de 46 léguas que tiene de voca [1 v.] el Rio de la Plata que esta en 36 grados de vanda dei sur de la dicha linea equinocial como todo se muestra abaxo. En un grado I de la vanda dei norte de la linea equinocial esta el cabo que se dice del Norte donde empieça el rio de las Almaçonas, y la tierra de las índias Occidentales yendo para lueste, en este cabo esta un pueblo grande de ingleses, y olandeses que labran tabaco, y otros fructos de la tierra sin contradicion de nadie. Del Cabo dei Norte, 70 léguas al sueste esta el Cabo dei Mara- cana, que es en la linea equinocial, y en ella empieçan las tierras de la conquista dei Maranon, y Gran Para, y las dichas 70 léguas 1
son las que tiene de voca el dicho rio de las Amaçonas de ancho en la qual, y por el ariva y una delias que se dize de los Yuames, tiene 70 léguas de largo, y diez de ancho, este rio se navega 900 léguas, y a 400 léguas crece (?) la marca (?). a quatro brazas dei Cabo de Maracaná, al sur sudueste 35 léguas, esta la ciudad de Navidad del Gran Para en dos grados australes es govierno subjecto al Maranon dei Cabo Maracano 120 léguas, a leste, quarta al sueste esta el Cabo de Cuma en dos grados australes y en el empieça la boca dei Rio Maranon que tiene 20 léguas de ancho y en Ias dichas 120 léguas de costa ay muchos rios caudalosos los seis principales se dizen Cutipuro, Carteg, Guaripicaravata, Yuricuma, pero no tienen puertos porque ay muchos vaxios y poco fondo. Del Cavo de Cuma 20 léguas al este quarta al sueste [2] esta el Cabo de la Perea en dos grados australes, y es la voca dei dicho rio y en ella esta la isla que tiene 15 léguas de largo y 10 de ancho, donde esta la ciudad cabeza dei Maranon y en la misma altura. Del Cabo de la Perea 120 léguas al este, quarta al sueste (?), en la misma altura esta el Cabo y Rio di Siara y en ellos muchos rios, los principales se dizen Paracamosi, Yeracoa, Quara, Ombuco, Siara, aqui haze una encenada donde esta el pueblo y castillo que se dize Santiago. Deste govierno de Siara que es sujeto al Maranon en la dicha costa no ay puertos para vaxeles, y en la ensenada de Siara dan fondo todos los que quisieren. Desde Siara 100 léguas al es sueste esta el Cabo de Peranduba, aqui acaba el distrito dei Maranon y empieça el dei Brasil, y en esta costa ay muchos rios los principales son três, y se dizen Yago- ribe, Goamare, y de la Miei. Y estos tres goviernos dei Para, Mara- non, y Siara, tienen de distrito 392 léguas, y em particular no esta senalado a cada uno lo que hade tener, valen los diezmos dellos 2 mil escudos, tienen de carga 40 mil escudos, vale el comercio par- ticular dellos 40 mil escudos que se compone de algodon, tabaco, azucar, madera, y otros generos y tienen ya dos ingenios de açúcar, y buenas tierras para hazer otros y se puden fabricar cada ano en estos goviernos doze galeones de a mil toneladas cada uno pueden venir cargados de madera labrada para hazer otros [2 v.] galeones en Espana, porque ay muchos y mui buenas, y faciles de traer adonde se hubiere de hazer la fabrica, y costara 4 mil escudos de a diez reis cada una toneladas por el precio de la tierra, beneficiado este precio la mitad menos. Brasil Del Cabo de Peranduba, ado (sic) enpieça el Estado del Brazil a les sueste, 40 léguas, esta la fortaleza dei Rio Grande en cinco grados australes. y cercada de agua toda y desde alli a media légua esta la ciudad de los Reys que es govierno sujeto al Brazil, y tiene 50 léguas de districto por la marina y quatro puertos que se dizen, 2
Rio Grande, Punta Negra, Puerto de Bucios, y Bahia Fermosa de tres y quatro braças de baxamar, su comercio es interior, y se com- pone de ganado, algodon, açúcar y ambar y los ingenios de açúcar valen los diesimos 750 escudos y las cargas 9 mil escudos es govierno dei Rey. Rio Grande Cinco léguas des le castillo para el norte estan los baxios que se dicen de San Roque 60 léguas deste castillo al es nordeste esta la Isla de Fernan de Norona adonde los holandeses van a haser a agua y refrescar de carnes que tiene muchas, y espalmar sus baxeles para ir arrovar a la costa dei Brasil, y a las índias Orientales y Occi- dentales tiene mui lindo puerto para ello. [3] Parayba Del Rio Grande al susueste 40 léguas esta el Cabo Blanco y antes dei, quatro léguas esta el Rio de la Paraíba y en el el fuerte dei Cabo de Loy, del a quatro léguas por el rio arriba la ciudad de Philipea de Nuestra Senora de las Nieves que es govierno sujeto al Brazil, y esta en seis grados y dos tercios de grado, y tiene 20 léguas de districto por la marina, y dos puertos que se dicen Parayba, y Vahía de la traicion de quatro brazas de fondo de baxamar. Su comercio vale 600 mil escudos, y se compone de açúcar, tabaco, paio Brasil, algodon, y otros generos menudos cargan en el treyenta navios cada ano para Portugal de los fructos de la tierra, valen los fructos cada ano 10 mil escudos, puedense fabricar cada ano dos navios de a 300 toneladas cada uno sin hacer dano a los ingenios tiene 24 ingenios de açúcar. Itamaraca Del Cabo Blanco 20 léguas al susueste esta el Cabo de San Agustin en 9 grados entre estos cabos en ocho grados esta la Isla de Itamaraca, y en ella la villa de Nuestra Senora de la Concepcion, que es govierno dei conde de Monsanto y sujeto al del Brazil, y entre esta villa y la Paraiva ay dos puertos sin el de la isla principal capazes de navios de todo fondo que se dizen puertos de los fran- ceses y Catuama tiene 13 léguas de districto por la marina vale su comercio 300 mil ducados, y se compone de lo mismo que el de la Paraiva [3 v.] adonde, y a Pernambuco vam los frutos a cargar, y aqui cargan solamente quatro navios para Portugal al ano de a 120 toneladas cada uno, valen los diezmos 7 mil escudos al ano y tiene de cargas 900 escudos al ano, tiene 18 ingenios de açúcar, puenden fabricar cada ano dos vaxeles de a 300 toneladas. 3
Pernambuco Quatro léguas para el sur de la villa de Nuestra Senora de la Goncepcion esta la villa de Olinda cabeça dei Govierno de Pernam- buco que es de Duarte de Albuquerque y mas al sur una légua, su puerto en ocho grados y medio y se dize el Arrecife de três braças de fondo todos es sujeto al govierno dei Estado del Brazil, tiene 50 léguas de districto su comercio se compone de lo mismo que el de la Paraiva y Tamaraca, y se estima cada ano en dos millones y medio sin los retornos, solo de los frutos de la tierra porque tiene 150 ingenios de açúcar, y valen los diezmos 50 mil ducados al ano, y tiene de cargas 45 mil escudos, cargan para Portugal todos los anos 120 vaxeles de a 120 toneladas dei Cabo de San Agustin 40 léguas al sudueste quarta dei sur esta el Rio de San Francisco en 10 grados y medio y en esta costa ay muchos rios los principales son siete que se disen poçuia, y una légua del a leste esta la Isla de San Alejo, rio Serina, en una Rio Fermoso, Santo Antonio asu (?) y Camaragibe, y luego dicho Rio San Francisco que tiene 4 léguas de ancho, y en el acaba el [4] districto de Pernambuco, y todos estos rios no son capaces de tener en si vaxeles porque tienen poco fondo. Cirigippe det Rey Del Rio de San Francisco 20 léguas al sudueste, y quarta al hueste esta Sirigipe dei Rey en 11 grados australes y en el r'o la ciudad de San Christoval que es govierno dei Rey y sujeto al dei Brazil y en esta costa es la ensenada que se dize de Vacilabaniles mui nombrada por su peligro, tiene 40 léguas de districto por la marina, su comercio se compone de tabaco, ganado algodon, tiene unas minas de metal que es entre plata y estano, que se dise intunaga los diezmos van incluídos con los de la Vahia de Todos Santos, tiene de cargas 500 escudos. Bahia de Todos Santos De Sirigippe dei Rey 35 léguas al sudueste esta la Vaya de Todos Santos cabeça dei Estado del Brazil que es dei Rey, de la punta de Santo Antonio una légua al norte esta la ciudad dei Sal- vador en 13 grados australes y desde la dicha punta Santo Antonio seis léguas al sudueste quarta al oeste que es lo ancho de la voca de la Vahia hase la punta de Tinare y en esta costa esta el Rio Real y la Torre de Gracias de Villa, y unas dunas de arena blanca a que se dize Sabanas y una isla que se dize Tapoan, y cerca delia el Rio Bermejo tiene 40 léguas de distrito por la marina y dos puertos el principal de seis braças de baxamar, el otro se dize Toagaripe, tiene poco fondo, su comercio se compone [4 v.] de açúcar, tabaco, algo- don, paio Brazil, ytacoranda, ambar, azeite, vallena, y se estiman 4
en dos millones de que cargan cada ano 8 baxeles de 120 toneladas cada uno, ay 80 ingenios de açúcar, valen los diezmos 60 mil escudos en que van incluídos los de los demas goviernos dei sur, puedese fabricar cada ano en la Bahia una nao de la índia, o quatro galeones de 800 toneladas cada uno, sin dano de los ingenios. Illeos De la punta de Tinare 25 léguas al sur en 14 grados y dos tercios de grado esta la villa de San Jorge, que es govierno de los Illeos de Francisco de Saa de Meneses, y en estas 25 léguas esta el mórro de San Paulo, y el Camamú, tiene 50 léguas de districto, y tres puertos capaces de navios de 400 toneladas, y se dizen Illeos, Tambepe, y Tepe, su comercio interior se compone de açúcar, paio de Brasil, tabaco, algodon y harinas de paio, de que se hace el caçabe, quatro ingenios de açúcar y 500 escudos de cargas, pueden fabricar cada ano quatro galeones de a 400 toneladas cada uno sin dano de los ingenios. Puerto Seguro De los Illeos 35 léguas al sur esta Puerto Seguro y en el dicho puerto se hazen tres rios capazes todos de baxeles de todo fondo, porque tiene 50 braças de baxamar el uno se llama Sancta Cruz adonde estava la poblacion antigua en lo del medio, esta la pobla- cion nueva, y en medio de este [5] govierno de Puerto Seguro que esta en 16 grados y medio, y es de Dom Affcnso de Alencastro hermano dei Duque de Avero y tiene en el titulo de Marques, y en los Illeos ay tres rios, el uno se dize Rio Grande, Curil, Ruique (?): Santo Antonio tiene 50 léguas de distrito por la marina, su comercio es de algodon, tobaco, y maderas, y paio Brazil, tiene 500 escudos de cargas puedense fabricar cada ano quatro galeones de a 800 tone- ladas cada uno, y su govierno es subjecto al del Brazil. Spiritu Sancto De Puerto Seguro 25 léguas al sur esta el Cabo de Corumbabo y dei dicho cabo 35 léguas al sur, quarta al sudueste en 20 grados esta la villa del govierno del Spiritu Santo, que es de Francisco de Aguiar Coutino subjecto al del Brazil, y en medio destos dos govier- nos esta el Rio de las Caravelas tiene 40 léguas de districto por la marina, y un puerto del mismo nombre, y otro dei Rio de las Cara- belas, su comercio se compone de açúcar, tabaco, algodon, y made- ras, cargan ocho navios de a 120 toneladas cada uno, ay ocho inge- nios de açúcar, vale el comercio 150 mil escudos al ano puedense fabricar quatro baxeles de a 160 toneladas cada uno, sessenta léguas, al huessudueste ay unas minas de esmeraldas. 5
Rio de Janeiro Del Spiritu Sancto 45 léguas al sur esta el Cabo de Santo Thome en 22 grados y medio, del Cabo de Sacto Thome 22 léguas al sudueste quarrta al sur esta el Cabo Frio 15 léguas al hueste, esta el Rio de Janeiro en la misma altura, es govierno sujeto [5 v.] al del Brazil, la ciudad se llama San Sebastian tiene 30 léguas de districto, su puerto capaz para navios de todo fondo, su comercio vale 100 mil escudos, y es de açúcar, tabaco, conserva de membrillos, y gengibre, paio Brazil, maderas, ganado, y arinas de paio, cuero, para Angola, 5 mil escudos de carga, tiene 60 ingenios de açúcar cargan cada ano 25 navios de a 120 toneladas, puedense fabricar cada ano, seis galeones de a 600 toneladas cada uno sin dano de los ingenios. Angla de los Reys, o S.10 Amaro Del Rio de Janeiro 40 léguas al vueste, quarta al sudueste esta Cunipare, y antes dei 22 léguas esta la Angla de los Reys, y alli la villa de Nuestra Senonra de la Concepcion, que es un govierno poco poblado, por otro ncmbre se dize de Santo Amaro de la con- deça de Vimieiro, sujeto al del Brazil, esta en 23 grados y medio, tiene 16 léguas de districto, y dos puertos para pequenos vaxeles que se dizen Toxuca, Paratabir, en la Angla de los Reys van a espalmar, y refrescar los enemigos que van para el sur, no tiene mas comercio que en lanchas com el Rio de Janeiro, y Sancto Vicente el qual se compone de harinas de paio, maderas, ganados y outras minuden- cias. Sancto Vicente Del Rupare 12 léguas al hueste quarta al sudueste, esta el govierno de Santo Vicente, y la villa que se dize de Santos en 24 grados, y un tercio 12 léguas al hueste desta villa [6] de Santos estan las sierras de Paranaba, Piacaba, en la cumbre, y llamo delias esta la villa de San Paulo adonde estan unas minas de óro, mui bue- nas, y se saca poco por la pereça de la gente de la tierra, y es el mas subido que se sabe; este govierno de San Vicente es dei conde de Monsanto tiene 12 léguas de districto, tres puertos que se dizen, Sancto Vicente, Capivari, y Bertioga, todos capazes de navios de todo fondo porque tienen seis, ocho y dez braças de fondo de baxa- mar puedense fabricar cada ano en ellos seis galeones de a 800 tone- ladas cada uno, cargan en el 12 navios para Angola, y la costa del Brazil de los fructos de la tierra, que son trigo, açúcar, conser- vas de todo genero, algodon y lienços dei para todo servicio, hierro, y muchas carnas; vale su comercio 50 mil escudos, y cargas 500 escudos, tiene dos ingenios de açúcar, y tres herrarias. 6
Cananea De Sacto Vicente 23 léguas al sudueste esta el govierno de la Cananea su pueblo en 25 grados australes, tiene 40 léguas de dis- tricto, y un puerto que se dize Iacatuara capaz de vaxeles de a 150 toneladas, y es de la condeça de Vimieiro subjeto al del Brazil, esta poco poblado, y assi vale poco su comercio que no lo tiene mas que con Sancto Vicente, y se compone de algodon, favoco, harinas de paio, carnes, y pescado de que es mui fértil, no tiene mas cargas, que lo que se da a un clérigo puedense fabricar cada ano seis pata- ches, o caravelas de 150 toneladas, porque tiene maderas de todo genero [6 v.] para estos. Sancta Ana De la Cananea 70 léguas al sudueste en 29 grados australes esta el rio y tierras de Upava, y antes dei en 27 grados esta otro govierno que se dize Sancta Ana y se llama la tierra de los Pactos, tiene 40 léguas de districto por la marina, dos puertos para vaxeles de 200 toneladas, que se dizen Baysagasuy, y su parabu, es dei conde de Monsanto que las empieça agora a poblar, desde Santo Vicente con quien tiene solamente comercio, puedense fabricar en el cada ano seis navies de a 200 toneladas cada uno, ay aqui muchos indios naturales de la tierra nuestros amigos, la mayor parte dellos podrian ser de mucha utilidad assi para ellos, como para los espa- noles su amistad, y combersacion. Diupava Noventa y seis léguas al sudueste quarta dei sur esta el Rio Grande en 23 grados australes, es angcsto a Ia boca, y poco fondo, y mui ancho, la tierra adentro y 60 léguas por el arriva, ay unas minas de cobre de mucha importância, y toda esta tierra de la Cananea asta el Rio de la Plata que son 234 léguas de distancia por la marina es mui poblado de indios naturales de la tierra, y los mas dellos no son domésticos pero seria fácil traellos a nuestra amis- tad, con grande aumento de la cultibacion de sus almas. Desde el Rio Grande 10 léguas al sudueste esta el Cabo de Maldonado, de esta Isla de Maldonado acaban las tierras dei Brazil [7] y comiença la voca del Rio de la Plata es ya govierno dei Piru. Del Cabo de Maldonado 46 léguas al sudueste, que es la voca del dicho Rio de la Plata esta el Cabo de Sancto Antonio en 36 grados y medio, y dei dicho Cabo de Maldonado 30 léguas al hueste, esta Montevideo por el Rio de la Plata arriva. De Montevideo 30 léguas al hueste quarta al sudueste atravesando el rio esta la ciudad de Buenos Ayres en la tierra de la vanda del sur dei dicho rio, en 36 grados se el Peru. 7
2. [9] APUNTAMENTOS A un papel de advertências tocantes al socorro dei Estado dei Brasil por El doctor Bartolome Ferreira Lagarto adminis- trador que fue de aquel districto Haviendo llegado a mis manos este papel de advertências tocantes al socorro dei Estado dei Brasil y pareciendome de persona zelosa dei servido de Su Magestad si bien no muy practica en la navegacion de aquel parage, ni en el conocimiento dei sitio, y sus commodidades, por que su buen deseo no quede sin el premio de la noticia que merese, me parecio esforcarle con estos apuntamien- tos, guiados de la que tengo de las cosas de aquel Estado de 26 anos a esta parte, y la que se puede elegir para su mas fácil socorro, y conservacion, y mas avistada al servicio de Su Magestad, y bien de aquellos vasallos. Advertência 1." § 1." En ocho grados de la vanda dei sur esta la villa de Panão- bucco, y en 13 la ciudad de la Baia al mismo sur dei mismo Cabo de San Agustin por costa, la qual corre de nordeste a sudueste, por donde se navega facilmente con las mociones las quales son con nordestes, les nordertes y lestes, suestes, sur y sudueste. 2." § 2.° Los nordestes cursan desde los primeros de Octubre hasta los últimos de Abril, y con ellos se van desde Parnãobucco a la Baia en 4,0 5 dias y 3 algunas vezes, y de la misma manera se viene con los contrários que cursan desde los últimos de Abril hasta los primeros de Octubre. En estas mociones no solo los vientos ajudan a la nave- acion mas tambien las aguas que en su favor corren con gran fuerça en aquella costa. 8
3.' § 3." Fueron los olandeses a Pernãobucco en el mes de Febrero por ser el mes de mas bonança en aquellas partes, y en que los baxeles de todo porte pueden surgir con mui buen hondo y con un solo cable mui cerca de tierra. 4.a § 4." Desembarcaron y hiceronse senores de la villa de Olinda, Puerto dei Recife, por el modo que se represento a Su Magestad. 5.» § 5." Vino la nueva de aquesta perdida en el mes de Mayo, y luego se llamaron personas praticas en la guerra, y cosas de aquel Estado y se concluio (segun se ha entendido) que para restauracion de aquella [9 v.] plaça convenia gran poder y fuerça, que consideradas las impossibilidades deste Reino no se pueden aprestar con la bre- vedad que combiene, principalmente haviendo de ser el viaje a Per- nãobucco que no tiene barra para que puedan entrar vaxeles de mas de 300 toneladas, ni costa en que puedan surgir al momento que entran los vientos suestes de los últimos de Abril en adelante. 6 • § 6." Esta fue la razon por que los olandeses luego que quedaron senores de Pernãobucco no dexaron baxel ninguno de consideracion fuera dei puerto, si bien dexarian algunos baxeles chicos que andu- viessen a la vela al pillage. 7." § 7." Y assi supuesto que este socorro general no es possible que parta deste Reino en el mes de Septembre deste presente ano para aver de llegar a Pernãobucco a tiempo que se pueda aprovechar, a lo menos de quatro meses de verano de aquella costa, ya no podra partir sino em Septiembre de 631 con que quedan quasi dos anos en medio tiempo mas que bastante para fortificarse y ampliarse los enemigos en el Estado dei Brasil, y aun para emprender nuevas conquistas, porque la commodidad dei sitio en que estan, les ofrece, y la poca resistência de nuestra parte los facilita, haciendo mucho mayor la perdida de Pernãobucco por las consequências delia, porque sera bastante el aprieto y desaurio en que los moradores dei Brasil se veran en el enemigo de puertas adentro, sin sperança próxima de socorro para abrir las puertas a mayores ruinas. 9
5." § 8.° Y para que en algun modo se pueda acurrir a tantos danos (que aun son mayores de lo que se representa) parece que Su Magestad deve mandar aprestar con toda brevedad, hasta 20 galeones por lo menos con buena artilleria y bastimentos, capitan general y capi- tanes experimentado, y gente de mar y guerra no reparando en que sean de Espana y Portugal, y que estos partan con mucha brevedad derechos a la Baia donde podran ser de mucho effecto para la conservacion de aquel Estado, quando ya no lo sean para restaura- cion dei, porque primeramente en su asistencia quitaran las espe- ranças a los olandeses de acometer la Baia, como ya lo hicieron en tiempo que no teniam tanto conocimiento de aquel Estado, ni occupa- do plaça alguna dei. Demas desto aseguran los asucares de la Baia Spirito Sancto, Rio de Janero, y de las demas capitanias dei sur, para que no puedan ser tomados de los enemigos en las mismas po- blaciones, o en sus barras, y delias podran salir a la sombra de los dichos galeones hasta el mar largo, donde seguiran su viage con mayor seguridad. 9." § 9." Porque los olandeses aunque tengan dobladas fuerças no sal- dran como no salem al mar largo a encontrarse con las enbarcaciones particulares que vienen fuera de flota cargadas de azucares y de otras mercadurias, por la incerteza que tienen de toparias y mucho menos lo haran estando los 20 galeones en la Baia, con cujo receio es de creer que no se atreveran adivirtirse por no debilitar su poder, antes estaran el districto de Pernãobucco con gran cuidado por no arriesgaren algun encuentro [10] la dicha armada, en que queden de peor condicion, y que no son las armas que menos offenden el cuidado que se pone al enemigo, como los mismos olandeses consi- deran hallando que ende vertir a Su Magestad (siendo en poder y grandeza tan superior) es el mayor dano que le pueden hazer. Saliendo pues con esta orden los azucares de aquellas tierras a la vista destes 20 galeones, y viniendo seguros a este Reino, sin em- gargo que sean poços seran de mucha utilidad para las aduanas, y dependências delias, en razon de los derechos reales que se augmentaran igualmente con el valor de los dichos azucares, y qui- tase a los olandeses el inferes de aquesta mercaduria que ellos tanto estiman, y para que no venga algun azucar a sus manos deve Su Magestad mandar a la Parayba que por aora no labre azucares, porque los galeones de la Baia no le podran socorrer, por quedar Pernãobucco en el medio; y demos que Pernãobucco en el medio; e demas que Pernãobucco los labre (de que ay hucha duda) creible es que los naturales no dexaran aprovechar dellos a los enemigos. 10
porque siendo quasi todos los ingenios por la tierra adentro y se sirven con carros facilmente los podran defender, pues siendo la Baia mucho mas accomodada, par ir ellos a los ingenios por estar todos cerca dei agua, no lo pudieran hazer sino mon mucho dano suio en el tiempo que alii estuvieron, y lo que se ha considerado acerca de los azucares se entendera tambien en el paio del Brazil, y en el tabaco, porque faltandoles estas haziendas, que solo da el Brasil, y para que meten tanto caudal, consideren lo que mas les conviene, porque sus- tentar aquella plaça con tanto gasto y sin utilidad alguna, no es medio apto para su conservacion: demas que sabiendo que entrando suestes no pueden ellos entrar en Pernãobucco, y que nuestros baxe- les en todo tiempo pueden estar en la Baia quedando a barlavento con ellos en Pernãobucco para poder ir alia en quatro dias, y echar gente en tierra se les pareciere, sindo assi que ellos no pueden ir a la Baia ni doblar el Cabo de S. Agustin porque dar de sotaviento con los dichos suestes. Tambien por aquesta via se les podran impe- dir y tomar los vastimientos de la mar, supuesto que no se pueden valer de los de la tierra, porque estando nuestra armada en la Baia muchas vezes puede tener occazion de correr la costa sabiendo los desígnios de los enemigos que facilmente se pueden saber por la communicacion que los de Pernãobucco tienen con los de la Baia embiando correo por tierra, que van en doce o quince dias de una parte o otra. Demas que no sera de menor effeto el de los dichos galleones la seguridad de la (sic) embarcaciones que fueren deste Reyno para aquellas barras donde tienen el mayor peligro el qual se podra evitar mandando que todas vaian deséchas a la Baia a rece- vir la orden dei general de aquel estado y la seguridad dei general de la armada la qual Su Magestad queda teniendo alii con gente de mar y guerra, practica y experimentada para poderse unir con el socorro general que se embiara deste Reyno si aun fuere menester. 10.' § 10.' Ultimamente se adverte, que supuesta la necessidad que se entiende ay de gran socorro y armada para la restauracion de aquel Estado y la dificuldad que no menos se conoce, para aprestarse con la brevedad que conviene, sera el apresto mas fácil y possible divi- dido en [10 v.] dos tiempos y dos esquadras porque como esta pri- mera hade ir derecha a la Baia sin avistar a Pernãobucco ni al Cabo de San Augustin puede partir en todos los meses dei ano. 11.' § 11.' Este papel se hizo luego que aqui llego la nueva de Pernão- bucco. Ahora emos sabido que era passada a Cadiz la armada dei mar Occeano, con que parese queda facilitada la expidicion de la 11
primera esquadra porque vienen en esta armada muchos baxeles de fuera, de los quales con algunos desta corona se puede hazer el numero de los 20 galeones, mandando Su Magestad que se de la ayuda y favor que de su real grandeza se deve esperar. Respuesta a Ias dudas destas advertências Apuntamiento 1° § 1° A lo primero y segundo: que Pernãobuco, lo que es la villa de Olinda y el puerto dei Recife estan en siete grados y dos tercios de la vanda dei sur de la linea enquinoctial y el Cabo de San Augus- tin esta en ocho grados, y la ciudad dei Salvador, Baia de Todos Sanctos esta en 13 grados y dos tercios, distante de Pernãobucco por mar 100 léguas, por tierra 120 corre la costa en este parage, nordeste, sudueste; cursan cinco meses dei ano desde Abril, Mayo, Junio, Julio y Agosto los ayres sueste, sur, sudueste y en ellos las aguas para el norte, y en los otros siete meses que son del verano cursan los ayres nordeste, leste, lesnordeste y con ellos las aguas para el sur. De suerte que con estas mociones se navega destas capitanias a otras en tres 4 dias facilmente, y contra moncicnes ay mas dilacion en llegar, como son quince, 20 dias poco mas o menos, porque como la tierra es de buen templesa mas ay peligro (J) en la mar que se tema peligro a las embarcaciones grandes, porque pueden ir en la buelta de la mar, y las chicas se pueden recoger en qualquier puerto de los muchos que ay en el districto destas 100 léguas, adonde tam- bien ay la barra dei Canindé que esta al sur de Pernambucco 20 léguas adonde se dize el Puerto Caibo en la qual pueden entrar los mayores galeones dei mundo. Apuntamiento 2.® § 2." A lo tercero se responde que en todo el ano se puede surgir cerca de la barra y villa del Recife y Olinda, dos y tres léguas mucha quantidad de embarcaciones que ay bindo hondo como los pilotos sean practicos en la costa que los ay hartos porque como ya mas cursa ayre trabesia no puede aver peligro porque solo es el leste que en la fuerça dei verano cursa algunas vezes con tanta suavidad que mas sirve de alentar y aliviar que de enfado, ni riesgo, y con el se entra la barra dei Recife en popa [11]. (') Entrelinhado: tormenta. 12
3." § 3." A lo quinto digo que conviene gran poder y fuerça para desa- lojar al enemigo y que a Pernãobuco ade ir derecho el socorro y no a otro parage ninguno porque ay la comodidad que digo, que es cosa infalible, y porque dise que no puede ser con la brevedad que com- biene, digo que con el socorro que se embio de gente y municiones, y con lo demas que se va imbiando y la nuevas que ay de que los nuestros tienen ya oprimidos a los enemigos que no salgan de las plaças de armas adonde estan diré el tiempo en que ya puede y se pondra todo a punto de acudir en su lugar que aqui se deve advertir que estando occupada la barra como esta no pueden entrar baxeles grandes ni chicos, y unos y otros ande surgir fuera, y quan- do Dios sea servido que se aguarde al invierno que comiença en el mes de Abril hasta Septiembre no ay los peligros que amenaza, y se los ay para nuestros baxeles tambien los ay para los dei enemigo. Y quando por nuestros peccados nuestra armada no concluya la restauracion daquella plaça en los siete meses de verano (que Dios sera servido que sea mucho mas brevemente) siempre en el fin del verano como en el dei invierno no aprietan los ayres (segun las mociones) antes ay variedad cursando con suavidad de una y otra parte, a que se llama en aquella costa camboeiros, y lo certo es que en todo el ano se navega de una a otra parte aunque sea contra mo- ciones, porque no ay la terribilidad de tiempos que ay en Portugal, y en la índia Oriental, quanto mas que no estan las índias de Cas- tilla tan libres destos enemigos que con sus armadas de ordinário Ias infestan, que no queda muy a proposito partir la armada desde Pernãobucco en los primeros de Abril y estar alia en quinze, o veinte dias y traer la plata a Espana segura con el favor divino como este ano, y a la esquadra de Portugal, no le faltan caminos muy necessá- rios que hazer, quando no lo sea acompanar la de Espana, y para su adereço en este intervalo de mociones tiene el dicho puerto Ca- nindé adonde espalmar y dar carenas haciendo guardia unos a otros, como los es en la Baia de Todos los Sanctos. 4." § 4." A lo sexto digo que no fue esta la razon por que los enemigos luego que entraron en el puerto dei Recife no dexaron ninguno de sus baxeles fuera sino que recogieron en el puerto (que tenian por suyo) los que podian entrar que no son los de mucho porte; y como tan practicos, y gente que solo vive de conquistar y robar lo ageno (sic) embiaron los demas, unos a las índias de Castilla, otros a la de Santa Elena a esperar las naos de la India, y a los demas pillages de su trato y compania, y porque tambien entendian que no les Ser- vian alli, pues no podian ir alii tan presto nuestros navios con que chocar. 13
5." § 5." A lo 7.° que el socorro y armada de fuerça no conviene que parta en Setiembre de 631 [11 v.] como lo apunta el papel, sino en el mes de Mayo, para que en Setiembre este alia y goze de todos los siete meses de verano: y digo que tanto se ande fortificar los ene- migos en los seise meses primeros, como en dos y três anos, y nunca dexaran, segun los socorros que tubieron de emprender nuevas con- quistas y de impedir el comercio de todo aquel Estado, tanto por aprovecharse de las presas, quanto, por impossibilitamos a nosotros quitandonos las haciendas y baxeles como lo advierte el papel. Con- todo digo que aunque los vecinos dei Brasil no vean en dos y tres anos (lo que no sera possible) la armada real y socorro poderoso, no por esso daran entrada al comercio dei enemigo, porque aunque (como poco cursados en el exercício de la guerra) se retiraron, ellos estan ya tan animados y deseosos de volver por su tierra y emplear el valor de su nobleça en la restauracion de su patria y hacienda, que ya lo muestran, pues le van matando muchissima gente con las em- boscadas, y experimentando con los socorros de gente y bastimentos que Su Magestad les embia cada dia que no les puede faltar el de la armada real a su tiempo y sazon. 6." § 6." A lo 8 que me parece mui conforme a razon lo que dize de que se embien 20 galeones con mucha brevedad con buen general capita- nes y marineros practicos, y gente de guerra y conocidos en aquellas costas empero no como dice, en derechura a la Baia, en lo que mues- tra non ser practico en la navegacion de la costa dei Brasil, porque como es sabido de Septiembre hasta fin de Março cursan los ayres y mociones dei nordeste para el sudueste, como los quiere meter en la Baia? Donde no puedan bolver (como el dize) hasta Abril, antes se ad advertir que llegando a la costa dei Brasil desde Septiembre hasta Março ande ir buscando el Rio Grande, que esta 60 léguas al norte de Pernambucco limpiando aquella costa y metiendo los navio (s/c) marchantes en la Paraíba, Isla de Yamaraca y por aqui todo el socorro necessário para Pernambucco, y passando a la vista de los enemigos ir correndo la costa, sulcando desde la orilla hasta 20, treinta léguas a la mar, metiendo por los puertos que ay desde Pernambucco hasta la Baia, algunos baxeles con bastimentos y ropas y cosas necessárias para el uso de los vezinos, y para que por los rios adentro carguende azucares para la vuelta hazerles espaldas hasta ponerlos fuera de peligro de la costa dei Brasil, y esto muy de espacio que el tiempo que alcançaren dei verano andan a la vista de Pernambucco, Paraíba, Cabo de San Agustin, con que aseguren la entrada y salida de nuestros baxeles, y las plaças y no goze el 14
enemigo de tanta holgura que pueda embiar sus baxeles a correr aquella costa con ellos, y llegando a la dicha costa estos galeones en el inbierno quando cursan las mociones dei sur justo parece que vayan d[ere]chos a la Baia y dende alli naveguen limpiando la costa de los cosarios y metiendo en nuestros puertos los navios marchantes, y de vuelta hazer espaldas a los que vinieren cargados de azucares hasta assegurallos de aquella costa, y esto en los pos- treros del imbierno que viene, porque en esa saçon parece que deve llegar alli nuestra armada con que se unira. 7.» § 7." En lo 9." se tiene respondido a la primera parte enquanto a la entrada y salida de los azucares y embarcacicnes que fueren deste Reino: a lo que toca dezir que deve Su Magestad mandar a la Paraíba que no labre azucares y que duda de que Pernambucco los puede labrar: digo que lo que mas conviene es que todos labren azucares y que Su Magestad lo encargue a sus menistros con el encarecimiento possible, ordenando que con estos galeones (que conviene infaliblemente vaian con brevedad) vayan embarcaciones de Lisboa, Porto, Biana, y Islas, con todo recado de azeite, cobre y hierro, ropas ordinárias, [12] vino y sal, porque demas que es utilidad de Su Real Hazienda tanto por los diezmos, quanto por los derechos de las aduanas. Para animarse los hombres de la mar y mercaderes, viendo que tienen en que ganar su vida, yacudan con muchas mercadurias y bastimentos para la abastansa de los mora- dores blancos y negros y de los soldados de la armada y seguridad delos dicenos que sabiendo que ade aver comercio de ropas y otras cosas tendran azucar con que comprarias y remediar sus necesidades, porque es cierto que se dexan de labrar un ano, de ay a tres no pue- den volver a labrar demas que como el puerto de la Paraíba, y el de Ytamaraca pueden con la asistencia en aquesta costa destos 20 galeones estar seguros, a ellas pueden ir los navios y alli cargar los azucares de Pernambucco y de los demas ingenios que por tierra podran ir en carros y en barcos, que aunque passen por Pernam- bucco siendo en el invierno, van con mociones, y en dos oras de noche passan a la mar sin que los vean ni puedan hacer dano los enemigos que dentro dei puerto nunca lo pueden hazer, y fuera so saleran, sabiendo que tienen por su barlovento a nuestros galeo- nes. Y porque es cierto que no los dexaran moler los capitanes por, parecerles que aquella gente que se ade ocupar en la labor les puede hazer falta para hacer guerra al enemigo: digo que para la defensa ay harta gente que no travaia demas de la que va de socorro cada dia y para la ofensa no se ade hazer sino despues de llegada la armada como fue en la Baia, y en esto se deve advertir con cuidado, y por la misma manera deve Su Magestad ordenar a los capitanes 15
y governadores de todo el Estado y no obliguen a la guerra, sin estrema (?) necessidad a los moradores que labran harinas, legum- bres, mays, y arroz porque son mantinimientos de muchissima im- portância para todo genero de gente y que aya muchos para la llegada de la armada, para lo que ayuda mucho el labor de los azu- cares, porque la miei de la azucar es de gran sustento para los negros y blancos y sin aquestos bastimentos no puede aver gente para la guerra. De suerte que puede el aviso ser de grande utilidad, en razon que los legumbres, y arroz se plantan con las primeras aguas, que en Diziembre por Santa Lúcia se empieça a plantar y se coge por Abril, de suerte que ay tiempo para aprovecharse la armada dei. Y volviendo a la respuesta de no hacerse azucares no labrar tabaco para que el emigo no pueda goçar de nadie, digo que pri- mero se quitan con esto las fuerças al Reino que a los enemigos, lo que importa es que vengan seguros en flotas con escolta de navios de armada que es lo que se advierte muchos anos ha, porque haviendo dos esquadras una para venir en Henero, otra para venir en Agosto con todos los azucares de aquella costa orde- nando Su Magestad que ninqun navio vaya al Brasil con menos de doze piezas de artillerria con todos sus pertrechos y calibre, mandando a los officiates de Su Real Hazienda les tasen los fletes, y que a los que no las llevaren les pongan precio tan baxo que la necesidad y enteres les obligue a todos a llevarlas. Y para que se vea como quien pelea escapa de las manos de los enemigos vease lo que passo ogano con 14 baxeles que partieron de la Baya que los 4 que pelearon eescaparon con 4 mil caxones de azucar y los demas fueron robados, y los de presente con estos galeones que se trata, despues de restaurado Pernambucco, [12 v.] que con el favor divino, sera restaurada con la armada pero sin ella no me parece que se puede emprender, porque ni la vila de Olinda ni el Recife se pueden sitiar, sin aver primero artilleria de porte y machinas superiores con que batir sus trincheas y fuerças sin embargo que la villa esta fundada en terreno que no se puede hazer volar con minas, empero el Recife, no porque es arena y al primer estado agua, y para ayuda de todos estos gastos no son maios los reditos dei Brasil que al todo valen mas de un millon a Su Magestad, y a sus vasallos mas de 6 con que se sustentan y pueden ayudar en esta ocasian con lo que fuere possible pues es cierto que la plaça que mas conviene libertar es esta, pues delia y su libertad depende la conservacion de esta monarchia, porque demas de lo que rinde, delia depende el Reino de Angola y el de Nuevo Mundo de las índias Occidentales y sosiego de las Orientates, y finalmente el comercio y remedio de todos los portugueses, credito y authoridad de Espana. Y no se puede poner por exemplo el mucho ayre que soplo quando llego la real armada de vuelta de la Baia a Pernambucco, porque el mal hondo que fomaron algunos baxeles adonde avia 16
raton que les corto los cables y el deseo que algunos tenian de dexar la compania les dificulto la asistencia, porque aunque yamas se avisto tal ayre en aquel parage, contodo no peligro ningun baxel, ni dexaron de ir y venir con todo refresco y todo recado los barquillos y barcas, y al otro dia se quedo todo sosegado como un rio muerto. Madrid 27 de Agosto de 1639. Frei Bartolomeu Ferreira Lagarto ■ ' in 'Co ■ í ^*^0. • ■ sí*ioqm! sraugt& Êlçocpi svjo cBn y/.a ota
3. [15] RELAÇAO DE TODOS OS OFFICIOS DA FAZENDA E JUSTISSA QUE HA NESTE ESTADO DO BRASIL, E QUAES PERTENCEN DO PROVI- MENTO DE VOSSA MAGESTADE, E AOS DOS DONATÁRIOS EM VIDA, OU POR TEMPO LIMI- TADO PARA CUJA INTELIGÊNCIA SE HAO DE SUPOR OS PREMISSOS SEGINTES: 1 — Que todos os officiaes da Fazenda geralmente neste Estado são do provimento de Vossa Magestade, posto que sejão nas capi- tanias dos donatários, e o mesmo os da Justiça, nas cidades que lhe pertenssem, a saber, Bahia, Rio de Janeiro, cidade de São Christo- vão chamada commummente Seregippe dei Rey, Paraíba, e Rio Grande. 2 — Que o provimento de todos os da Justiça, orfãos, e das Camaras nas capitanias dos donatários são de sua aprezentassão por rezão das doações na conformidade das quaes somente podem prover em vida porquanto as vagantes, e serventias pertencem aos governadores geraes do Estado em nome de Vossa Magestade hate os donatários proverem de propriedade. 3 — Que neste Estado não ha officio algum da Fazenda ou Justiça, que de sua natureza se proveja por tempo limitado [15 v.] somente Vossa Magestade o fas nos que são de seu provimento, e os governadores geraes em seu nome, naqueles cujos proprietários falecerão ou estão impedidos emquanto se não provem de propriedade. 4 — Que a mayor parte dos precalços que levão os officiaes são introduzidos por eles mesmos sem provizão ou Regimento de Vossa Magestade. E assi cada pessoa que novamente vem provida na propriedade dos tais officios os acrecentão como lhe paresse ao que Vossa Magestade deve mandar acodir, porque posto que eu tratey de o remediar, se pegão ao costume ou para melhor dizer corrupte la, e assy não pude alterar o estado em que achey as couzas neste particular sem expreça ordem de Vossa Magestade. 5 — Que por Vossa Magestade ter mandado por sua provizão ao governador Dom Diogo de Menezes em rezão das muitas queixas que avia pelo excesso de alguns selarios, e precalços dos oficiais da Fazenda, e Justiça que fizesse hum regimento do que devião levar, o governador Gaspar de Souza fes estando na Bahia o dito regi- mento o qual se enviofu] a Vossa Magestade, dirigido ao Consselho do Paço sobre que ategora não ouve reposta alguma importando 18
muito não se retardar tanto tempo, pois com isso ficarão as cousas assentadas de maneira que sessem as queixas das partes, e o serviço de Vossa Magestade se faça como convém. 6 — Que aos escrivães e meirinhos no que escrevem, e diligen- cias que fazem se lhes não conta mais que conforme a ordenação, ao que parece se deve aeodir na conformidade do regimento que assina se aponta pela grande caristia que ha geralmente em todo o Estado, pelo muito preço que nele tem os mantimentos, e couzas de vestir que vem do Reino, e [16] nas diligencias que os officiais vão fazer fora da vila pelo termo levarem excessivo trabalho pela dificuldade, e asperaza dos caminhos, e perigo de suas pessoas por cauza dos negros levantados alem do muito que gastão nos que con- sigo levão, e fabrica com que caminhão, ao que tudo se respeitou no dito regimento. 7 — Que neste Estado ha muitos officios da Justiça e Fazenda nas capitanias que se forão criando de novo que são de Vossa Ma- gestade; os quais proverão os governadores que naquele tempo ser- virão e hategora não estão providos de propriedade nem os da Fazenda em algumas capitanias dos donatários, e por os tais não terem provizões en que se lhes limite ordenado lhe mãodou Vossa Magestade declarar o que foi servido na folha geral do assenta- mento deste Estado que trouxe comigo quande vim a ele conforme a qual se lhes pagua a contia que lhes vay lançada, e que da mesma maneira alguns officiais que servem de propriedade cujas cartas lhe não nomeão também ordenado vem outrosi lançados na dita folha com o que nella se declara em cuja conformidade ao seu pagamento. 19
4. [16 v.] CAPITANIA DE PERNAMBUCO HE DE DONATÁRIO VILA D OLINDA Officials da Fazenda Provedor da Fazenda vagou por morte de Diogo Cimesenico Manbel de Matos por hum alvara que tinha de Vossa Magestade pera o proverem de propreidade no primeiro officio que vagasse de Justissa, ou Fazenda neste Estado sobre que tenho avizado a Vossa Magestade largamente. Tem de seu ordenado trezentos e sincoenta mil reis em cada hum ano por conta da Fazenda de Vossa Magestade. Precalços De despacho de cada navio que sae deste porto trezentos, e vinte reis. Quarenta reis de cada pessoa que leva alguma carga no dito navio conforme ao pcrte do qual e ao numero das pessoas que nele carregão he o proveito que lhe resulta do tal navio partem de ordi- nário, 120, 130 cada ano. Tem quarenta reis de cada sello que poem nas certidões ou sen- tenças. Tem trinta reis de cada pessa de escravos que vem a este porto do Reyno de Angola pela oubrigassão que [17] lhe corre de ir ao navio com os mais officiais, tomar conta do numero dos escravos que tras pera se confirir com avença e despacho, e ver se vem alguns fora dele pode lhe render isto cada ano conforme a cantidade das pessas que costumão emtrar cem mil reis. Tem quatro reis de cada quintal de pao Brazil que se carrega por conta dos contretadores pelo trabalho de lhe ir assistir ao pezo, e conforme aos dez mil quintaes que se carregão pelo contrato pre- zente lhe importa cada ano 40 mil reis e serão menos segundo a parte que se carregar na Bahia dos ditos dez mil quintaes. Custuma levar de propina pela arematassão do contrato dos dizemos cada ano cem mil reis, e he mais ou menos, segundo a von- tade do contretador. De cada engenho que se reforma pera gozar da liberdade inteira leva ordinariamente 20 mil reis, que sera pouco ou muito conforme o numero dos engenhos que se reformarem cada ano. 20
Feitor, e almoxarife da Fazenda de Vossa Magestade serve de propriedade Tem cada ano de seu ordenado trezentos mil reis que se lhe pagão por conta da Fazenda de Vossa Magestade. Precalços Tem quatro reis de cada quintal de pao que se carrega por conta do contrato na conformidade assima do provedor. [17 v.] Costuma da mesma maneira levar de propina pela arematassão dos dizemos cada ano cem mil reis. De cada engenho que se reforma para gozar de liberdade inteira tem ordinariamente 20 mil reis que sera pouco ou muito conforme ao numero dos engenhos que se reformarem cada ano. Escrivão da Fazenda serve de propriedade E tem de ordenado em cada hum ano 250 mil reis que se lhe pagão por conta da Fazenda de Vossa Magestade. Precalços De cada pessa de escravos que vem de Angola leva 30 reis na conformidade do provedor. Da mesma maneira quatro reis por cada quintal de pao por conta do contrato. Leva de cada hum dos soldados do prezidio desta vila e Recife quatrocentos reis pelo assento da matricola, e verba que lhe poem a margem de como ouverão pagamento. De cada navio em que se carregou pao 640 reis po (s/c) hum termo de fiança que fas ao mestre, e certidão que lhe passa do pao que leva. Pelas verbas que ao tempo do pagamento poem as margens das provizões das pessoas seculares, e eclesiásticas que por elas tem mantimento ou ordenado da Fazenda de Vossa Magestade e assy dos registos das taes provizões leva por arbítrio o que [18] lhe parece porquanto como atras se diz no 4.° promisso de nenhumas dos precalços ha provizão, ou regimento de Vossa Magestade que os limite. Tem pela arematassão dos dizemos cada ano cem mil reis de propina na forma que atras se diz do provedor e almoxarife. Escreve em alguns papeis e demandas ordinárias entre partes como escrivão da provedoria que se lhe contão na forma de orde- nação. De cada engenho que se reforma para gozar de liberdade inteira leva ordinariamente 20 mil reis que sera pouco ou muito conforme ao numero dos engenhos, que se reformarem cada anno. 21
Escrivão d alfandega, e almoxarifado serve de propriedade Serve ambos juntamente huma soo pessoa, e não tem ordenado algum da Fazenda de Vossa Magestade. Precalços Leva de entrada de cada navio que vem a este porto quatro- centos reis e atras se tem apontado que costumão entrar 120, 130 cada ano. Pela vizita de cada navio redondo antes que comesse a tomar carga mil reis. [18 v.] De cada caravela pela mesma rezão quinhentos reis. Pelo despacho de cada navio redondo que sae deste porto qua- tro mil reis. Pelo despacho de cada caravela dous mil reis. De cada pessoa que carregou na tal embarcassão cem reis com- forme ao porte da qual, e o numero das pessoas que nela carregão he o provisto que leva afora a porção d'entrada e saida e vizita como assima se contem. Pelo despacho de qualquer barco que sae desta capitania pera outra cem reis. De cada certidão das alfandegas do Reyno e outras partes do despacho das fazendas que cada pessoa tras nos taes navios para constar como vem despachadas e as poder tirar d'alfandega livre- mente. De cada pessa de escravos que vem a este porto do Reino de Angola leva 40 reis pelas rezões que atras se apontão no titolo do provedor rende lhe segundo o numero das pessas que costumão entrar 120, hate 140 mil reis. Leva de cada conhecimento dos soldados e mais pessoas que tem pagamento na Fazenda de Vossa Magestade 40 reis. Escreve nas couzas do mar, e outras entre partes que perten- cem ao provedor como juiz d'alfandega o selario das quaes se lhe conta na forma da ordenassão. Meirinho d'alfandega. e do mar [19] serve de propriedade O meirinho do mar serve juntamente de contador e enqueredor do Juízo da Provedoria d'alfandega, e não tem ordenado algum da Fazenda de Vossa Magestade. 22
Precalços Leva da vezita de cada navio redondo que entra neste porto na conformidade do escrivão d'alfandega mil reis, e de cada caravela quinhentos reis. De cada embarcassão que sae 320 reis. Leva de cada pessa de escravos que vem de Angola 40 reis a saber hum vintém pelo trabalho de ir com o provedor e mais oficiais a conta las como atras se tem dito, com o outro vintém de descarre- gar do navio as pessas em terra em barcos que para isso da para ali se contarem importa lhe o mesmo que ao escrivão d'alfandega. Leva dez mil reis de cada engenho que se reforma pelas teste- munhas que pergunta pêra se fazer a reformassão como emquere- dor do Juízo do provedor, rendera mais ou menos cada ano segundo os engenhos que se reformarem. Guarda dos livros, e porteiro d'alfandega serve de propreidade O guarda dos livros, e porteiro d'alfandega serva [19 v.] jun- tamente de juiz do peso do pao Brazil, e escrivão das execussões dante o provedor não tem ordenado alguma fazenda de Vossa Magestade somente tres mil reis cada ano que se lhe dão para penas e tinta. • Precalços Leva hum vintém de cada pessa de escravos que vem de Angola pode lhe render cada ano 60, 70 mil reis. Leva dez reis pelo sello de cera de cada pessa de roupa ou pano de linho Olanda ou outro qualquer lenço, e assi das meãs que entrão nesta alfandega aonde tudo tem obrigassão d entrar posto que venha despachado do Reyno, e outra qualquer parte, pode importar de 120, ate 140 mil reis cada ano. Leva 14 reis de cada quintal de pao do Brazil que se carrega pelo contrato a que assiste como juiz do Peso que conforme aos dez mil quintais o que o contretador pode carregar cada ano lhe importa 140 mil reis, e sera menos segundo a cantidade que se carregar na Bahia a conta dos dez mil quintais. Ressebe ensi os panos da meza do despacho d'alfandega que todos os anos se poem de novo a custa do contratador dos dizemos. Toma as sarapilheiras e cordas em que vem envoltas as fazen- das que he o que se chama n'alfandega de Lisboa taras que la pertencem ao provedor. As diligencias que fas, e o que escreve em rezão dos ditos offi- cials se lhe contão conforme a ordenação. 23
[20] Procurador dos Feitos da Fazenda e Coroa de Vossa Magestade serve de propriedade Não tem ordenado algum da Fazenda de Vossa Magestade somente o contratador dos dizemos quando os arremata cada ano lhe da de propina por arbítrio o que lhe parece. Oficiais da Justiça O ouvidor he letrado, e trianal na forma da orde- nação como são todos os dos donatários Tem de ordenado em cada hum ano outenta mil reis a custa da fazenda do donatário que ele mesmo lhe da por sua provizão. Precalssos Leva de toda aussão que passa de sinco mil reis ora caiba na sua alçada ou não, e assy de toda a cauza crimen que ele proprio apela, cem reis e a de menos contia 50 reis. Tem seis escrivãis que escreven ante ele, e servem juntamente no crime, e nas notas. Levão pelas escrituras e papeis que escrevem, e [20 v.] diligen- cias que fazem o que se lhes conta na fcrma da ordenação com que se não podem sustentar commodamente pelas rezões apontadas no 6.° premisso. E assi costumão sair culpados nas rezidencias que lhes tomão por levarem mais da contagem, e esta mesma rezão corre nos mais oficiais que vão declarados abaixo. Meirinho deante o ouvidor, e seu escrivão Dous enqueredores distribuidores, e contadores, hum dante o ouvidor, outro dante os juizes ordinários. Meirinho do campo, e seu escrivão. Alcaide carssereiro, e seu escrivão d'apresentassão do alcayde mor o qual o he também do donatário. Alcayde do lugar do Recife, e seu escrivão. Prometor de Justissa serve hum dos mesmos escrivães. Juiz dos Órfãos Ao juiz dos Órfãos, e aos seus oficiais que vão abaixo se lhe não costuma pagar pelos inventários e partilhas que fazem na con- formidade da ordenação, mas alvidra se lhes a cada hum deles o que parece segundo a distancia do lugar onde vão fazer os tais inventários e cantidade da fazenda que se parte a qual avaliassão comummente he excessiva porque ou a fazem os mesmos avaliadores, 24
ou o juiz ordinário, e o selario que se lhes pagua se tira do monte do casal. Dous escrivães deante ele estribuidor, enqueridor, e con- tador. [21] Escrivão da Camara que o He também da impossissão dos vinhos que entrão no porto desta vila de Olinda serve junta- mente o oficio de chancerer da capitania. Tem de ordenado por assento dos oficiais da Camara 60 mil reis em cada hum ano que se lhe pagão da renda do Consselho, e assy mais 8 mil reis de propinas das quatro procissões ordinárias. Leva de tudo o que rende a impossissão a rezão de 3 por 100 que ordinariamente importa cada ano 130 até 150 mil reis. De cada licença que despachão os officiais da Camara 40 mil reis. De cada fiança que toma aos vendideiros, padeiras, taverneiros, e outras pessoas que pelas posturas da Camara são obrigados a dar a tal fiança de 240 reis. De cada regimento aos officiais macanicos 80 mil reis. De cada certidão da filação dos pezos cada seis mezes, 120 reis. Da filação de vara e covado medidas de vinho, e azeite de cada huma das ditas couzas, 50 reis. De cada sello que poem nas sentenças dos juizes, e ouvidor como chancerer, 20 reis, que lhe importara cada ano mais de 40 mil reis. Do pano da meza, e treslad'c das posturas da Camara que cada ano da o rendeiro do Consselho leva a contia en que se concertão. Escrivão dalmotaceria Leva de cada escrito d'almotaçaria, hum vintém. Hum de mercador com seu escrivão que o he também das datas. Não tem selario limitado levão por cada braça das medições o que se consertão com as partes. [21 v.] Vitta dos Sanctos Cosme, e Damião de Ygarossu capitania de Pernambuco Dous tabalyães do publico judicial, e notas que escrevem diante dos juices ordinários da dita vila. A estes oficiais e aos mais da Justiça que vão a margem do que escrevem, e deligencias que fazem se lhes contão seus selarios na forma da ordenassão. Alcayde de carssereyro, e seu escrivão. Enqueredor, contador, e estribuidor. 25
Meyrinho, e seu escrivão que o he juntamente d'almote- çaria. Escrivão da Camara serve juntamente de escrivão dos orfãos. Ilha de Itamaraca vila de Nossa Senhora da Conceipção Officials da Fazenda Provedor da Fazenda, e Alfandega serve de propriedade. Tinhão pela carta da criação dos ofícios o dito provedor, escri- vão, e almoxarife, 2 por 100 de tudo o que a capitania rendesse, para a Fazenda de Vossa Magestade porem deixou lhes de pagar por causa de huma provizão, porque Vossa Magestade mandou que nenhuns officials de sua Fazenda vencessem [22] semelhantes orde- nados, neste Estado, paga se lhe 40 mil reis cada ano que lhe vem lançados na folha geral do assentamento que trouxe comigo desse Reyno, a sua provizão declara que levara o mesmo que seus ante- cessores de que se não acha noticia por faltarem muitos livros dos registos. Escrivão da Fazenda, Alfandega, e Almoxarifado serve de pro- priedade. Da mesma maneira se refere a sua provizão ao selario que leva- rão seus antepassados de que não consta pagão se lhe cada ano 30 mil reis da Fazenda de Vossa Magestade que lhe vem lançados na dita filha (sic) do assentamento. Almoxarife da Fazenda de Vossa Magestade he de ser- ventia. Vence cada ano de seu ordenado 50 mil reis por conta da Fazenda de Vossa Magestade; que também lhe vem lança- dos na dita folha por quanto não tem provizão en que se lhe declare limitadamente. Meyrinho do mar de serventia. Não tem de ordenado nenhuma fazenda de Vossa Magestade nem outro algum precalço por não entrarem navios neste porto. Da mesma maneira o não tem os mais officiais da Fazenda pela rezão sobredita. Oficiais da Justiça Ouvidor da capitania. Não he letrado, e assi não tem ordenado algum nem outro precalço. [22 v.] Tem todos os mais oficiais como na vila de Olinda excepto que são somente dous tabaliães dos quais serve hum tam- 26
bem de escrivão dos orfãos, e o escrivão da Camara juntamente d'almotaçaria que não tem ordenado da Camara, nem outro algum precalço. Os selarios destes oficiais se contão na forma da ordenação nos quaes corre a mesma rezão que atras se aponta nos de Pernam- buco. Paraíba cidade felippea de Nossa Senhora das Neves cappitania de Vossa Magestade Officials da Fazenda Provedor da Fazenda, e Alfandega he serventia provida por Vossa Magestade serve juntamente do provedor dos defuntos, e auzentes também de serventias. Este oficio não tem limitado por carta ou provizão ordenado algum pagão se lhe 70 mil reis cada ano da Fazenda de Vossa Magestade que lhe vão lançados na folha geral do assentamento que Vossa Magestade mandou fazer nesse Reyno, e trouxe comigo. Os precalços são na mesma forma que os de provedor da Fa- zenda de Pernambuco se bem muito menos en cantidade por não entrarem mais nesta capitania cada ano que de 15 até 20, navios. Escrivão da Fazenda, Alfandega, e Almoxarifado serve de propriedade. Tem cem mil reis de ordenado por provizão de Vossa Mages- tade. Os precalços são os mesmos que levão os officiais [23] de Per- nambuco que em respeito da capitania não ter igual frequência de navios são de muito menos importância. Almoxarife serve de propriedade. Tem de ordenado em cada hum ano 50 mil reis por provizão de Vossa Magestade. Não tem precalços alguns. Porteiro d'Alfandega não he officio que se proveja, os prove- dores fazem ad libitum quem lhe parece. Não tem de ordenado da Fazenda de Vossa Magestade senão somente 3 mil cada ano para penas, e tinta. Precalços Leva de cada selo das Fazendas, que entrão na alfandega da dita capitania dez reis na forma en que os leva o de Pernambuco. Officiais da Justiça Ouvidor não he letrado. Não tem ordenado algum da Fazenda de Vossa Magestade, nem outros precalços por rezão de não ser letrado como se aponta. 27
Tres tabaliães do publico judicial e notas servem de proprie- dade. Enqueredor, contador, estribuidor serve de serventia. Meirinho dante o servidor de propriedade, e o seu escrivão de serventia [23 v.}. Alcayde de cassereiro, e seu escrivão d'aprezentassão do alcaide mor. Meirinho do campo, e seu escrivão de serventia. Demercador, e escrivão das datas, e demarcassões de serventia. Escrivão da Camara, e Almotaçaria de propriedade. Regula se nos precalços pelo escrivão da Camara de Pernam- buco, e assi no ordenado que leva de escrever na receita e despeza da Imposissão que ha nesta cidade porem não tem nenhum da Ca- mara en rezão do officio. Juiz dos Orfãcs de propriedade. Escrivão dos Órfãos de propriedade. A todos os officiais da Justissa que vão asima se lhe conta o que escreve, e diligencias que fazem na forma da ordenassão excepto aos dos orfãos que se segue o mesmo que nos de Pernam- buco no particular de alvidramento dos inventários. Rio Grande cidade do Natal cappitania de Vossa Magestade Provedor da Fazenda de serventia. Não tem ordenado algum da Fazenda de Vossa Magestade, nem outros precalços dela, nem das partes por ser capitania nova e ir em pouco augmento. Escrivão da Fazenda e Alfandega, e Almoxarifado de serventia. [24] Não vence ordenado algum por provizão de Vossa Ma- gestade vão lhe porem lançados na folha do assentamento, 50 mil reis cada ano que se lhe pagão por conta da dita Fazenda. Precalços Leve de cada soldado pelo assento da matricula verbas, e conhessimentos que lhe faz na folha por onde se lhes pagua 200 reis. Almoxarife he de serventia provida por Vossa Magestade. Não vence ordenado limitado pela sua provizão pagão se lhe 60 mil reis cada ano per conta da Fazenda de Vossa Magestade que lhe vão lançadas na folha geral do assentamento. Officiais da Justiça Huum juis ordinário que serve juntamente dos orfãos por não aver moradores bastantes, na forma da ordenação pêra o aver sepa- rado. 28
Hum tabalião do publico judicial e notas, e orfãos de serventia. Meirinho, e seu escrivão de serventia. Alcaide carssereiro de serventia. Contador enqueredor, e estribuidor de serventia. Escrivão da Camara, e Almotassaria, de serventia. Seregipe dei Rey cidade de São Christoval capitania de Vossa Magestade [24 v.] Officiais da Fazenda Esta capitatnia tem todos os oficiais da Fazenda, custumados excepto almoxarife os quais são de serventia. Não tem ordenado algum da Fazenda de Vossa Magestade nem precalços porquanto não entrão embarcassões nesta capitania. Officiais da Justiça Ouvidor não he letrado. Pelo não ser não tem ordenado algum e outros precalços. Tres escrivãis do publico judicial, e notas hum deles de pro- priedade o qual serve também de escrivão da Camara. Tem todos os mais officiais da Justiça como as outras capitanias e são de serventia. Levão de seus salarios dos papeis que escrevem, e diligencias que fazem o que se lhe conta na forma da"ordenasão. Bahia de Todos os Sanctos cidade do Salvador cabeça do Estado capitania de Vossa Magestade Provedor mor da Fazenda de Vossa Magestade de serventia por falecimento do proprietário. Tem de seu ordenado per provizão de Vossa Magestade, 400 mil reis, e nenhum outro precalço excepto as propinas que o con- tratador dos dizemos lhe da ao tempo do arrendamento. Escrivão da Fazenda de propriedade. [25] Tem de seu ordenado por provizão de Vossa Magestade 150 mil reis. Precalços t—y De cada soldado pelas verbas, e assentamento da matricula huma pataca. Pelas verbas que ao tempo do pagamento poem as margens das provizões das pessoas seculares, e ecleziasticas que por elas tem mantimento ou ordenado da Fazenda de Vossa Magestade, e asi do registo das tais provizões não leva couza certa por não aver regi- mento que lha limite como se declara no 4.° premisso. 29
Almoxarife das almazens de serventia. Tem de ordenado em cada hum ano por provizão de Vossa Magestade sincoenta mil reis. Escrivão dos Almazens he de propriedade. Tem de ordenado cada ano 30 mil reis por provizão de Vossa Magestade. Solicitador dos Feitos da Fazenda de serventia. Tem 15 mil reis de ordenado por provizão de Vossa Magestade. [26] Porteiro d'Alfandega, e dos Contos de propriedade. Não tem ordenado algum da Fazenda de Vossa Magestade, so tem 3 mil reis que se lhe dão cada ano para tinta e penas pela folha geral do asentamento. Precalços Tem os mesmos precalços que o porteiro d'alfandega de Per- nambuco no que toca aos sellos, e sarapilheiras. Procurador dos índios forros de propriedade. Tem 30 mil reis de seu ordenado por provizão de Vossa Ma- gestade Ofícios da Justiça Não se trata dos ministros da Relação porquanto de prezente ha somente o chançarer e quatro dezembargadores en que entra o ouvidor geral, e poderá Vossa Magestade mandar acrecentar ou diminuir o numero como lhe paresser. Guarda mor da Relassão que serve juntamente de escrivão dos Feitos da Coroa he oficio de propriedade. Tem 50 mil reis de ordenado cada ano por provizão de Vossa Magestade. O ouvidor geral fas oficio de ouvidor da cappitania, o qual avia antes da Relassão com a vinda do qual se extingio. Tem de ordenado 350 mil reis por provizão de Vossa Mages- tade. As asinaturas, como ouvidor letrado. Meirinho dante o Ouvidor geral de propriedade, e seu escrivão também de propriedade. Tem cada ano 83 mil reis de seu ordenado por provizão de Vossa Magestade para si, e os seus homens. Precalços As diligencias que fas se lhe contão conforme a ordenassão. [26 v.] Meirinho da Relassão de propreidade, e seu escrivão. Tem 16 mil reis de seu ordenado para si, e seus homens por provizão de Vossa Magestade. 31
Precalços As diligencias que fas se lhe contão conforme a ordenassão. Meirinho da cidade de propriedade, e seu escrivão. Meirinho do campo de propriedade, e seu escrivão. Alcaide cassereiro d'aprezentassão do alcaide mor e seu escrivão. Estribuidor, contador, e enqueredor dante os juizes ordinários, e escrivão d'almotaçaria de propriedade. Estribuidor, contador, e enqueredor dante o ouvidor geral de serventia. Escrivão das appelações, e agravos eiveis de propriedade. Escrivão das apelações e agraves crimes de propriedade. Escrivão dante o ouvidor geral esta o proprietário do Reino. Quatro tabaliães do publico judicial, e notas de propriedade escrevem também diante o ouvidor geral, igualmente com o seu escrivão. A todos os officiais asima se lhes contão suas diligencias na forma da ordenassão. Escrivão da Camara que o he também dos orfãos de proprie- dade, escreve juntamente na imposissão dos vinhos. Responde nos precalços ao escrivão da Camara de Pernambuco. Juiz dos orfãos de propriedade. Partidores, e avaliadores dos orfãos. Demarcador, e seu escrivão. Escrivão da Chancelaria esta o proprietário no Reino. Tem de ordenado en cada hum ano 40 mil reis por provizão de Vossa Magestade. [27] Porteiro e ressebedor da Chancelaria de propriedade. Tem de ordenado en cada hum ano 20 mil reis por provizão de Vossa Magestade. Capitania dos Ilheos he de donatário Officiais da Fazenda Provedor da Fazenda de Vossa Magestade de serventia. Esta capitania dos Ilheos he de fraquíssimo rendimento e anda arrendada juntamente em massa com a da Bahia, fas se orsamento dela para conforme a ela se pagar a redizema ao donatário, e posto que o dito orsamento ha de alterar todos os anos segundo a contia do arrendamento Vossa Magestade na folha do assenta- mento gêrâl mandou reduzir o dito orsamento a 260 mil reis a res- peito dos quais vem lançados na dita folha sete mil e outocentos reis que se pagão ao provedor da Fazenda a rezão de 3 por 100 que tantos tem de ordenado com o dito cargo. 32
Almoxarife da Fazenda de Vossa Magestade de serventia Tem na mesma conformidade do provedor a 3 por 100, 7 mil 800, dos 260 mil reis en que esta orsada a capitania que tantos lhe vem lançados na dita folha. Escrivão da Fazenda, Alfandega e Almoxarifado de serventia serve também das datas, e sesmarias. Tem 5 mil 200 reis a rezão de 2 por 100 que tantos lhe vem lançados na dita folha. Porteiro da Alfandega Se pagão pela dita folha geral do assentamento 3333 reis. Estes ofícios não tem precalços alguns pela capitania não ser de comercio. Officials de Justissa Ouvidor não he letrado, e anda anexo juntamente ao cargo de capitão. [27] Não tem ordenado limitado nem outros precalços alguns por não ser letrado. Tres tabaliãis do publico judicial e notas, hum deles serve jun- tamente de escrivão dos orfãos, e outro de escrivão da Camara. Todos estes ofícios são de fraquíssimo rendimento em rezão da pobreza da capitania contão se lhe seus selarios do que escrevem e diligencias que fazem na forma da ordenassão. Enqueredor, contador, e estribuidor. Meirinho e seu escrivão. Alcayde cassereiro e seu escrivão. Juiz dos orfãos. Capitania do Porto Seguro he de donatário Officials da Fazenda Provedor da Fazenda de serventia Nesta capitania corre a mesma rezão que atras se aponta na dos Ilheos, vem orsada na folha geral em 80 mil reis a respeito dos quaes tem de seu ordenado o provedor a rezão de 3 por 100, 2 miJ 400 reis. jsizso ssuoo sJiini! aril snp n» Almoxarife de serventia Vão lhe lançados na folha geral do assentamento, 2 mil 400 de seu ordenado a rezão de 3 por 100 dos 80 mil reis en que a cappitania esta orsada. 3 33
Escrivão da Fazenda, Alfandega e Almoxarifado de Serventia Vão lhe lançados na folha geral do assentamento 1600 reis seu ordenado a rezão de 2 por 100, dos 80 mil reis en que a capita- nia esta orsada. Nenhum destes ofícios próis nem precalços, se bem fora escu- zado apontar se porque a pouquidade dos ordenados principaes esta por dizimas (?). [28] Officials da Justiça Ouvidor não he letrado, e anda anexo juntamente ao cargo de capitão. Não tem ordenado nem precalssos alguns pelo não ser. Esta capitania tem os mesmos oficiais que a dos Ilheos, e na maneira que la se declarão excepto que hum dos juizes ordinários o he tãobem dos orfãos. Capitania do Spirito Santo villa de Nossa Senhora da Vitoria de donatário Officiais da Fazenda Provedor da Fazenda de serventia Vão lhe lançados na folha geral do assentamento 24 mil reis de seu ordenado por quanto não ha provizão de Vossa Magestade pela qual se lhe limite couza certa. Precalços Leva 640 reis da entrada e sayda de cada navio. Outenta reis de cada pessoa que leva alguma carga nas embar- cassões que partem para o Reyno, e sera muito ou pouco conforme o numero das pessoas, e porte dos navios. Leva dous vinténs de cada pessa que vem de Angola. Escrivão da Fazenda, Alfandega e Almoxarifado de serventia Vão lhe lançados na folha do assentamento 24 mil reis de seu ordenado por não ter outro sy (sic) provizão de Vossa Magestade en que lhe limite cousa certa. Precalços De despacho de cada navio leva 800 reis, e so he de duas gavias 120 (?) reis os que carregão para o Reyno. 34
[28 v.] Leva de cada pessa que vem de Angola hum vintém. Os papeis que escreve se lhe contão conforme a ordenassão. Almoxarife de serventia Vão lhe lançados na folha geral do assentamento 24 mil reis de seu ordenado porquanto não tem provizão de Vossa Magestade em que se lhe limite declaradamente. Meirinho d'Alfandega Não tem ordenado algum da Fazenda de Vossa Magestade. Precalços Costuma por os selos as fazendas que do Reino leva de cada hum dez reis. Leva de cada peso de Angola hum vintém. Officials da Justissa Ouvidor não he letrado, e serve juntamente de ordinário tam- bém de capitão. Não tem ordenado certo e o donatário lhe paga se lhe parece, e não tem precalço algum. Três tabaliães do publico judicial, e notas. Escrivão da Camara; e dante o ouvidor, e almotaçaria que todos serve huma soo pessoa. Contador, enqueredor e estribuidor. Meirinho e seu escrivão. Alcaide cassereiro d'aprezentação do alcaide mor. Juiz dos orfãos. Escrivão dos orfãos. A todos estes oficiais se lhe conta na forma da ordenação os papeis que escrevem, e diligencias que fazem. Capitania do Rio de Janeiro [29] cidade de São Sebastião de Vossa Magestade ... ... . . ... ... . . Officials da Fazenda Provedor da Fazenda, e Alfandega he de serventia provida por Vossa Magestade. Tem de ordenado por provizão de Vossa Magestade 80 mil reis. 35
Precalços De cada navio que entra neste porto, e torna a sair dele carre- gado d'entrada e saida e vizitas leva 1600 reis. De asinar, e sellar huma certidão cem reis. Do despacho das fazendas que vem do Reino leva de cada parte cem reis. De cada pessa de escravos de Angola quarenta reis. Escrivão da Fazenda de propriedade Vão lhe lançados na folha geral do assentamento 17 mil 400 reis de seu ordenado por não ter provizão de Vossa Magestade que lho limite. Precalços Da matricula dos soldados, e verbas que lhe poem não tem couza certa leva o que cada hum lhe quer dar. E o mesmo nos registos das provizões, e verbas das outras pes- soas que vencem ordenado da Fazenda de Vossa Magestade, e os papeis que escreve entre partes se lhe contão conforme a ordenação. Escrivão d'alfandega, e almoxarifado de serventia dizem que esta provida por Vossa Magestade a propriedade. Vão lhe lançados na folha geral do assentamento 30 mil reis de seu ordenado por provizão de Vossa Magestade digo por não ter ategora provizão de Vossa Magestade que lho limite. Precalços [29 v.] Leva da entrada, sahida, e vizitas de cada navio 1 mil 600 reis na conformidade do provedor. De cada certidão que passa cem reis. De cada parte que despacha fazendas n'alfandega que lhes vem do Reino cem reis. Dos despachos que lança em livro, e fiança que faz aos navios que vão para o Reyno, e certidão do despacho que leva o mestre 1200 reis. De cada pessa d'escravos que vem de Angola 40 reis. Dos cõnhçssimentos que fas na folha dos soldados leva de cada hum o que lhe quer dar. O que escreve, e diligencias que faz entre partes lhe contão na forma da ordenação. loq ablvoiq sjlr.svia?. »b EgàbíkllA a .cbnassí #b 1 i . . 08 íoq o. 36
Almoxarife da Fazenda de Vossa Magestade de serventia Vão lhe lançados na folha geral do assentamento 50 mil reis de seu ordenado por não ter provizão de Vossa Magestade que lhe limite declaradamente, e não tem outro algum precalço. Meirinho do mar de propriedade Não tem ordenado algum da Fazenda de Vossa Magestade. Precalços Da entrada, saida, e vezitas leva 1 mil 600 reis de cada navio na conformidade do provedor, e escrivão. De cada escravo que leva de Angola leva hum vintém. De cada selo das fazendas que se despachão na alfandega dez reis. Porteiro da Alfandega, este oficio provem os mesmos prove- dores em quem lhes parece. [30] Vão lhe lançados na folha geral do assentamento 3200 cada ano. Precalços Leva dez mil reis de cada pesa d'escravos que vem de Angola. As sarapilheiras e cordas dos fardos en que vem as fazendas. Oficiais da Justiça Ouvidor não he letrado. Não tem ordenado algum nem outros precalços por não ser letrado. Escrivão dante o ouvidor de propriedade. Tres tabaliães do publico judicial, e notas, hum deles he escri- vão da Camara. Contador, enqueredor, e estribuidor. Meirinho da cidade, e seu escrivão. Meirinho do campo, e seu escrivão. Alcaide cassereiro com seu escrivão d'aprezentação do alcaide mor. Juiz dos orfãos. Escrivão dos orfãos. A estes oficiais lhe conta o que escrevem, e diligencias que fazem conforme a ordenação. 37
Capitania de S. Vicente he de donatário: villa de Santos Offiziais da Fazenda sdl 9iig '.b.i '• 6. - V -jb .ivov; is) oiiíj oq orsn ^no usa Provedor da Fazenda, e Alfandega de serventia Vão lhe lançados na folha geral do assentamento seis mil, e 400 reis a rezão de 3 por 100 dos 210 mil reis en que esta orsada [30 v.] a dita cappitania por não aver provizão de Vossa Magestade en que se lhe lemite ordenado como se declara no titulo do prove- dor da capitania dos Ilheos. Nem se trata de precalços por esta capitania não ter comercio do Reino; e o mesmo se diz nos mais oficiais da Fazenda que abaxo se seguem. Escrivão da Fazenda, Alfandega e Almoxarifado de serventia Vão lhe lançados na folha geral do assentamento 6 mil 400 pelas rezões que asima se declarão. Almoxarife da Fazenda de Vossa Magestade Vão lhe lançados na folha geral do assentamento, 20 mil reis, respeitando ao trabalho que tem de ir dar suas contas a Bahia por não aver provizão de Vossa Magestade que lhe lemite ordenado declaradamente. Meirinho do mar de serventia Não tem ordenado da Fazenda de Vossa Magestade nem pre- calços alguns. Officials de Justissa Ouvidor da cappitania toda que juntamente anda anexo ao cargo de capitão não he letrado. Não tem ordenado algum nem outros precalços. Escrivão dante o ouvidor. Dous tabaliães do publico judicial, e notas, e hum deles serve de escrivão dos orfãos, e da Camara. Alcayde cassereiro com seu escrivão. Juiz dos orfãos. A estes oficiais se lhes conta o que escrevem, e diligencias que fazem comforme a ordenassão. 38
Vila de S. Paulo da capitania de San Vicente [31] Dous tabaliães do publico judicial, e nottas. Escrivão da Camara. Meirinho da ouvedoria, e seu escrivão. Meirinho do Campo, e seu escrivão. Alcayde e cassereiro. Hum estribuidor, contador, e enqueredor. Juiz dos orfãos. Escrivão dos orfãos. A estes oficiais se lhe conta o que escrevem, e diligencias que fazem conforme a ordenação. Vila de Tinhae cappitania de San Vicente Hum tabalião do publico judicial, e notas que serve também de escrivão da Camara. Não tem mais outros alguns oficiais. Estas são todas as capitanias que Vossa Magestade tem neste Estado exeito as províncias do Seara, Maranhão, e Para de que aquy se não trata por não aver ainda nelas republicas formadas com menistros, e oficiais necessários pelo pouco tempo que são con- quistadas. 39
5. [33] ESTADO DA INDIA, E AONDE TEM O SEU PRINCIPIO O Estado da índia tem principio no Cabo da Esperança, que dista ao sul 34 grãos e meyo largos, e fenece atè o presente na ponta da enseada do Nanquim da China, que dista 34 grãos ao norte, em que se comprehende toda a costa da Asia descuberta, que contem inclusivamente tres mil novecentos, e dezaseis legoas medidas pelos padrões das cartas de marear feitas na India, que são as melhores, e as mais cartas do mundo, no que toca a toda esta costa, e mar de Asia; e esta medida se entende não entrando pellas enseadas, e bocas de estreitos e rios; porque então monta mui- tas mais leguoas, senão medindo enseadas, rios de ponta a ponta. Nesta costa de Asia faz o mar tres enseadas polia terra adentro a modo de arcos chamados enseadas. A primeira enseada tem prin- cipio no mesmo Cabo da Boa Esperança, e fenece no Cabo de Camorim, aonde começa a segunda enseada, e acaba no rio Fer- moso alem de Malaca aonde começa a 3." enseada, que acaba na dita ponta do Nanquim alem da China. Esta 3." enseada com- prehende novecentas legoas, e a do meio novecentas, e quarenta e huma entrando por algumas enseadas. E a primeira comprehende duas mil, e setenta e cinco legoas, e costeando os estreitos de Meca e o de Ormus, monta toda a costa de Asia descuberta [33 v.] cinco mil e cento e trinta e seis legoas; porque o Estreito de Meca contem por ambas as costas de Ethiopia, e Arabia setecentas e vinte legoas começando das portas do Estreito pera dentro o Estreito de Ormuz por ambas as costas da Arábia e Persia começando do Cabo de o Salgate pera dentro contem quinhentas legoas. Dilatão se ao longo desta costa de Asia innumeraveis ilhas, porque só na de Maldiva se contão onze mil ilhas, e das outras as principaes são as de S. Lourenço que tem 287 legoas de compri- mento e 95 de largo, e seiscentas, e oitenta e duas em redondo. A outra ilha he a fermosa, e rica, Trapobana chamada Ceillão, que tem de comprido 75 legoas, e de largo 50, e 195 em redondo, e a fermosa Áurea Chersonesso chamada Samatra que tem 220 legoas de cumprido, 75 de largo, e 25 em redondo. A Java por ambas as costas 275 legoas, e outras duas ilhas entre ella é Timor; a primeira tem 42 léguas de comprido, 30 de largo e 125 em redondo, e a Oma- caçar tem de comprido 145 legoas e 320 em redondo. Ceirão junto a Amboino 63 legoas de comprido, 15 de largo, e 140 em redondo. 40
Borneo 175 legoas de comprido, e 460 em redondo. A Batochina de Maluco 240 de redondo; e a Ilha Grande das Papuas, fronteiro da Nova Guinea, que dista 70 léguas [34] a leste de Bachão, que está 20 legoas de Ternate que chamamos Maluco pera a parte do norte, a qual Ilha Grande tem 125 legoas de comprido, e as duas principais ilhas de Japão 140 legoas de comprido e 515 em redondo, e deixo outras muitas ilhas que o rey de Japão possue por serem pequenas e muitas em quantidade. Dilatão se mais ao longo desta costa muy rica e fertilissimas províncias em que ha poderosos reys, de que alguns quiserão ao principio resistir ao nosso poder, que os opprimiu, e obrigou a fazer pazes com que se ouverão por mais seguros, e outros cosentirão fazer lhes fortalezas em seus portos e outros as derão, e aos de peor desistão as tomarão, e alguns se fizerão vasalos dei Rey nosso se- nhor, e outros irmãos em armas com que ficarão os mais tão oppri- midos, que não podem ter navios de esporão, nem navegar sem licença dos nossos visso reys ou capitães aonde os ha pera o que avia no principio muy puchantes armadas, com que se guardava o mar, e resistia aos rebeldes da terra, e com o tempo foi tudo afroxando de maneira que ya hoje se trata na índia mais de mercancia que da malícia, e os vizo reis que dantes hião a merecer naquelle Estado, hoje vão buscar nelle com que em Portugal acresentem muitos mil cruzados de renda, e assi despois que os mouros e gentios daquellas partes forão enxergando en nos cobiça e interesse forão perdendo o respeito, de maneira que por esta ocassião [34 v.] está hoje aquelle Estado perdido. Nos mais importantes pontos desta costa, tem hoje trinta e seis fortalezas, e cidades com fortalezas, e tranqueras bas- tantes pera os portugueses se defenderem, ou offenderem., de modo que por este poder são os vizo reys, e capitães visitados de seus vezi- nhos poderosos reys, e senhores por meio de seus embaixadores bem acompanhados representadores de muitos e ricos presentes, os quaes ha alguns annos que os padres da Companhia ouverão pro- visão dei rey Dom Sebastião pera serem seus e elles os arrecadão ou se concertão com os viso reys que lhe dão hum tanto por elles cada anno. Reys da primeira enseada Avemos de imaginar em todo este marítimo império, hum so emispherio, e hum clima em cada huma das três sobreditas ensea- das y mar e terra, porque cada huma differe das duas em certa ma- neira assi das creaturas racionaes como das mais que a natureza obra por meio de suas dominantes operações. Soposto isto digo que o Cabo da Boa Esperança, aonde começa a primeira enseada, he em forma piramidal, e tem seu pee polia parte do Oriente no Cabo de Guardafey, que dista hum do outro 1225 legoas, e outro pee polia parte occidental tem no Estreito de Gibraltar. Nestas 1225 41
legoas se [35] compreende a Ithiopia pello sertão, em que jaz o famoso Reyno de Abexim, Preste João da India, que excede na anti- guidade de christandade a todos os que ouve e hà, confina pello sertão austral, com o senhorio do Benemotapa, e cafraria que se dilata pella costa que corre por Moçambique e Melinde ao longo do Mar Roxo, afirma se que terá o rey de Abexim dous contos (sic) de gente esforçada e bem armada, e muita delia de bons cavalos, e mulas, e alguns delles bem acubertados mas todos desferra- dos; tem muitas espingardas, e nenhuma artilheria, nem for- taleza artificial e muitas naturaes e e inexpugnáveis. O rey se chama entre elles Lugus vocablo caldeo, e o proprio do que hoje reyna he Galla Deus, que quer dizer criado de Deus. Teve este reyno comerciado dos portugueses por comissão dei rey de Por- tugal ('), que pretendeo instroi lo, na fee, ritos, e policia christãa o que não ouve effeito porque lhe tomarão os turcos a serventia da costa do Mar Roxo ate hoje he o Turco senhor de todo aquelle estreito pella costa de Ethiopia, e Arabia, com o que o Abexim ficou muito quebrantado e seu poder muy diminuído. Os abexins christãos tem tres fogos hum sobre o nariz entre as sobranselhas e dous no cabo das sobranselhas, e os que não são christãos tem o fogo sobre o naris somente. Dos confins do sertão deste reyno pera o Cabo da Boa Espe- rança ocupão os cafres, de quem he outo vezes Emperador o Rey de Benemotapa senhor das minas do ouro que cerve pella Mina da outra banda Occidental de longo, e por Çofalla e temos noticia de outras de prata, por cuya oceana falda hà [35 v.] muitos reys, senho- res, xeques mouros, gentios que lhe obedecem, quando e como que- rem, e sempre a nossos portugueses por comunicação de trato, vasa- lagem ou irmandade como tem jurado o rey de Melinde, que rece- beo, e deu ocasião a nossas primeiras naos descubrirem na costa da India a cidade de Calicut. E muitos destes habitão em ilhas por serem mais frescas que a terra firme, entre as quais temos a forta- leza de Çofalla mais metida pello sertão, que todas, e a de Moçam- bique 580 léguas do Cabo da Boa Esperança; e a fortaleza de Mom- baça na costa de Melinde que Sua Magestade mandou fazer sendo viso rey da índia Mathias de Albuquerque. He também este Bene- motapa senhor das fontes do Nilo, que passa polia terra do Abexim, por onde os antiguos dividirão a Africa de Asia, não advertindo ser mais comodo pello Estreito de Ormus, e Baçorá, de cuyo fim ao Mar Mediterrâneo ha menos distancia que das fontes ao oceano, com o que ficava Asia mais comedida e Africa mais estendida, com ambas as Arabias a huma parte, pois o clima parece hum por conformarem seus habitadores em proporção, lindeza de cavalos, gado, e todas as outras alimarias até das zevras í1) A margem: el Rey Dom Manuel e el Rey Dom Jo3[o]. 42
e reinoceretes, ermicormos que não ia (sic) em outras pro- víncias. Sendo este Rey Benemotapa muy afabel aos portugueses, o foi convidar com a Se o Padre Gonçalo Coutinho da Companhia de Jesus, o qual foi delle muito bem recebido, e se baptisou com sua mãy e alguns principaes da sua casa, e vendo os mouros o perjuiço que disso se lhe seguia a seu trato e credito ordenarão inducilho com peitas, e a seus privados que matassem ao padre, porque como fei- ticeiro pretendia [36] com orações que fazia por hum livro tomar lhe el rey de Portugal o reyno com as minas; pello que foi conde- nado a secreta morte cometida a vinte cafres, que por duas vezes lha não ousarão dar, ate que huma noute o afogarão dormindo, e caindo depois el Rey no erro que fizera por exortação dos portugueses jurou de matar, como matou os culpados no dito induzimento, e guardou bem hum retablo de Nossa Senhora da Graça, que lhe o padre tinha dado. Do Cabo de Guardafui pera dentro do estreito he o turco se- nhor de ambas costas de Ethiopia e Arabia, e junto do seu fim está a cidade de Judaa em 21 grãos e meio largos ao norte edificada em memoria de Judão primeiro filho de Jacob quando o seu tribu se salvou com os mais do poder de Farão, atravesando o Mar Roxo. Rodeando toda esta costa de Arabia atè Cabo de Rosalgate, que está em 22 grãos e meio ao norte não ha que fazer conta mais deste cabo pera dentro vay o Estreito de Ormuz aver fim na cidade de Baçorá que posto que he do Turco, tem os moradores delia, e daquellas partes comercio com os nossos portugueses de Ormus, posto que Sua Magestade deste comercio interesse poco; porque estes vasalos do turco trazem todos os annos aos muj (sic) dous milhões de prata amoedade, e quebrada, sem de entrada pagarem direito a el Rey, nem das fazendas que comprão pagão saida, mais que das roupas que he huma renda a que chamão dos corvios, que não importara a el Rey cada anno cinco mil cruzados podendo inte- ressar se lhe por ter (?) direitos na prata, e dinheiro da entrada cinco ou seis por cento, e na saida de todas as fazendas contia de mais de cento e quarenta mil cruzados cada anno, e tantos da de proveito a estes vasalos dei Turco a [36 v.] quem por provisões muy antiguas he defezo este comercio com os muy, nem entrão ali, senão como mercaderes da Persia, e os capitães nos cartazes, que lhes passão não dizem que vão pera Baçorà, senão pera Machuz (?), que he hum lugar da costa da Persia no Reyno de Lara, e os capi- tães de Ormuz por deixarem ter este comercio aos de Baçorà lhe puserão hum costume a que chamão licenças pera Bacoras, que elles sejão obrigados de cada mil cruzados que comprarem de fazendas a comprar cento na sua feitoria a mais quince por cento do que valer polia terra, e que de cada fardo de anil, e de cada quintal de cravo, ou qualquer outra droga que levarem paguem ao capitão da saida quatrocentos e cincoenta reis, que he hum pardao de cinco laris; isto he o que a cobiça dos capitães tem introducido em Ormus de muitos 43
annos a esta parte, pello que por todas as rezões vinha bem a el Rey por direitos no dinheiro que vem de Baçorà a Ormus, e nas fazendas que dahi vão pera lá. Ormus dista do norte 27 grãos, cuyo rey he vasalo dei Rey nosso senhor, possue ambas as costas de Persia, e Arabia, o qual foi ja muito poderoso, e diminuio polia resistência que nos fez em principio, e por alguma treição, que cometeo, e também porque a cobiça dos ministros dei Rey creceo naquela fortaleza e se executou nelle e em seus vasalos e terras; e pois estamos em Ormus tratemos de seu principio de que até hoje ninguém tem escrito. [37] Do Padre Nicolao Espinola sobre cousas da índia Por aver estado treinta anos en Ia índia Oriental ocupado en predicar à los gentiles, è en los otros ministérios, que usa nuestra Compaiiia en aquellas partes para gloria de Nuestro Senor, exal- tacion de la santa fée catholica, y bien de las almas. Y por aver en este tiempo visto y savido, y tocado con las manos algunas cosas, que me parece son provechosas para la conservacion de aquel impé- rio de Vuestra Magestad por cumplir con la obligacion, que yo, y todos los de la Compaiiia tenemos a su real servido, las dirè aqui brevemente, y con toda verdad, y llaneza, como hombre, que no pre- tende, sino la gloria de Dios, y el bien de aquellos tan estendidos reynos, que el mismo senor encomendo a Vuestra Magestad. El império de la índia es grandíssimo, riquíssimo, y de mucha reputacion y autoridad por la grande communicacion de tantas y tan varias y estranas nacioines, como concurren en el. Porque desde Moçambique hasta la China y Japon ay casi tres mil léguas. Tiene Vuestra Magestad casi treinta fortalezas, en las quales ay grande trato y casi todas las cosas preciosas, que ay en el mundo. Porque en la conquista de Monomotapa ay oro, plata, y marfil. En las forta- lezas de Bombassa, y [37 v.] Mascate, y en la costa de Melinde ay mucho marfil y ambar. En la fortaleza de Diu ay todo genero de mercaduria, y ropa fina en grande abundancia, y el alhondiga que alli ay rende mucho a Vuestra Magestad. La fortaleza de Ormus he tambien de mucha estima por los cavallos, mercaduria y renta, que de ella se sacan; y lo mismo podia decer de Ias fortalezas de Chaul, Baçain, Daman, Tanor, Bandora, y otras, a las quales viene mucha mercaduria de Cambaya. En Goa donde reside el virrey viven mas de tres mil portugue- ses; alli vienen todos los diamantes de la India, y otras muchas rique- ças, y le está sujeta Ia Isla de Salcete con su fortaleza que rende mucho a Vuestra Magestad. De Goa hasta Cochin tiene seis, o siete fortificaciones (1), o fortalezas donde se saca mucha pimenta, y de I1) Intercalado no documenta 44
Cochin hasta Coulan ay tierra de mucho trato, y se cargan dos, o tres navios de pimienta, y ay muchos portugueses, especialmente en Cochin, donde avra casi mil portugueses, casados. En la costa de Pescaria se pescan las perlas y ay fortaleza y tambien en Manar, y en la Isla de Ceylan, y de alli se sacan todos los rubies, ojos de gato, y toda la canela. De la ciudad de Nagapatan, y de la de Santo Thomas en la qual ay mas de mil portugueses se sacan muchos man- tenimientos, y muchas mercadurias muy ricas, que se lhe llevan à Malaca, Cochin y Goa. Tiene mas la fortaleza de Pegu, y su con- quista, y todo Bengala, donde estan mas de dos mil portugueses. Tiene Malaca, donde viene toda la pimenta, massa, sandalo, piedras, bezares calamba, calain [38], y otras muchas cosas por el mucho trato que avia en la dicha fortaleza, que en gran parte ha cessado con la venida de los olandeses. E neste mismo império de la índia estan las Malucas de donde se trae el clavo. Tambien podemos poner los reynos de la China, y de el Japon por el comercio, que tenemos con ellos de donde se saca mucho oro, almiscle, cobre y toda la seda, que se gasta en la índia. Esta es la primera causa qu toca à la juris- dicion, y mando que tiene Vuestra Magestad en la India y a las ren- tas temporales, que se pueden sacar para no dexar perder un impé- rio tan grande, tan rico y poderoso. Però para Vuestra Magestad que es príncipe tan cathoh'co, y tan poderoso ccmo piadoso, y deseoso de la gloria de Dios, y bien de tantas almas como ay en este dilatado império, no dudo que ten- drá mas fuerça el respeto de la christiandad que dei interesse tem- poral aunque sea tan grande. Y esta es la 2.a causa y la mas princi- pal. Porque en el Japon ay casi un million de almas y entre ellos muchos príncipes y senores, que estan a cargo de los padres de la Compania. como lo estan tambien todos los christianos de la China, Maluco, Pegu, Bengala, y otras diversas partes que seran al numero de trecientos y sessenta mil christianos, por dexar a los de Goa, Preste Juan, y otras partes dei norte, que deven llegar a otros qua- trocientos y sesenta mil con un gran numero de iglesias, y toda esta christiandad, que por el gran cuidado de los reys, predecessores de Vuestra Magestad, y por el valor de los portugueses [38 v.] sudores y travajos de los padres de la Compania, y de algunos otros poco religiosos tanto hasta a ira florecio, esta en peligro de perderse con todo lo temporal si Vuestra Magestad con prestesa y efficacia no attende a ponerle remedio. 3* - ' Is ; 1 — Las causas destes aprietos son primeramente ser poços los portugueses, los soldados y presidios que ay en la índia. 2 — La entrada que han echo los olandeses sin hallar al prin- cipio resistência, y regosbados de sus ganancias y interesses, buelven cada vez con mas fuerça y poder. A. 3 — El averse echo los soldados y capitanes de Vuestra Ma- gestad mas mercaderes, que guerreros, llevando sus navios mas car- regados de mercadurias para ganar con ellas, que no de armas para 45
pelear, y por esto los soldados portugueses no pelean ya con el valor y brio que solian. A. 4 — El aver perdido los virreys y senores, o vassallos de Vuestra Magestad o amigos y aliados el respeto que deven a su grandesa, y estar à la mira de lo que puede suceder para allagarse à la parte donde puedan tener mas seguridad y provecho y declararse contra Vuestra Magestad y su monarchia en offreciendoseles ocasion. 5 — Porque la Hacienda de Vuestra Magestad passa por mu- chas manos y se hurta y menos cava, y no se pagan los soldados [39] que se mueren de hambre, y desesperados se van a la tierra de los gentiles, ni tanpoco se paga à los eclesiásticos, religiosos y pobres lo que para su sustento Vuestra Magestad les manda dar. 6 — Por la poca justicia que ay en el govierno, y por los otros vicios, que faltando ella necessariamente hande entrar y reynar en la republica, por los quales enogado Dios Nuestro Senor, embia sus castigos al mundo, y quita los reynos y los dà a quien es servido, y permite que una gente hereje, baxa y soez como son los olandeses turbe la India, y tenga puestos en tan grande confusion aquellos tan grandes, y tan ricos Estados de Vuestra Magestad que si con presteza (ccmo dixe) no se pone remedio se puede temer, que se acabaran de perder. 1.° — Los médios que a mim se me ofrecen para remedio de tantos males, es primeramente acudir à Dios Nuestro Senor, y supli- carle, que per su misericórdia nos perdone, y ponga su mano para que no se prendan tantas almas, que el compro con su sangre, y enfrene y castigue los herejes sus enemigos. Para esto mandar hacer muchas oraçiones por todo el Reyno. 2.°— Escoger virreys y governadores valerosos , prudentes, y amigos de justicia sin la qual ningun reyno se puede conservar, y honrrar y hacer mercedes à los que hicieren bien su officio, y cas- tigar severamente a los que hicieren lo contrario. [39 v.] 3.°—Haver un veedor general de la Hacienda de Vuestra Magestad hombre entero, deligente, y temeroso de Dios para que no se pierda Ia hacienda en sus manos ni se deshaga en la de los otros ministros. Y las armadas necessárias para la defensa de la India que se pueden hacer à sus tiempos. 4.° — Mande Vuestra Magestad que sus soldados sean bien tratados y que sus capitanes no hagan agravios, y a los que se avan- tejaren en su real servicio, hagales mucha merced, porque aunque el amor natural que tienen à su rey, puede moverlos mucho para que le sirvan y den su vida por el, mucha mas fuerça tiene en los hombres el interesse proprio, y el ver que sus travaxos son estimados y pre- miados de su mismo rey. 5.° — Creo que seria acertado dividir los goviernos y fortificar muy bien la fortaleza de Mozambique, y poner en ella un governa- dor à cuyo cargo está la conquista de Monomotapa, y las minas 46
de oro y plata, que alii ay y tenga su Obispo y las naves determi- nadas, para que puedan passar en todo tiempo. En Goa su virrey, cuyo domínio se estendera hasta Ceylan, y en Malaca otro gover- nador, y estes tres tengan su jurisdicion distinta, y sus rentas ciertas con obligacion de acudir, y socorrerse unos a otros en tiempo de necessidad. [40] 6.° — Mandara Vuestra Magestad al virrey y al gover- nador de Malaca que cada ano se embarquen y salgan à la mar, so pena de perder la hazienda y la vida; porque de otra manera no haran nada, y embarcandose ellos todos los demas se embarcaran, y bolvera a revivir el valor y brio português, con el qual hà obrado Dios Nuestro Senor cosas tan grandes en la índia. 7.° — Conviene tenir gran cuenta con la Isla de Ceylan. y que se acave la conquista con la armada que fuere para Malaca, porque por nuestros pecados, si Dios permitiese algun desastre en la índia, teniendo aquella isla avra siempre esperança de cobrar Io perdido. 8.°—Mande Vuestra Magestad à todos los capitanes, que tienen à cargo sus fortalezas que velen mucho y esten atentos; porque estan cercados de gentiles, y moros, que no duermen aguar- dando en que paran estes negocios y el remedeo que pone Vuestra Magestad para declarar su animo en la primera ocasion que tubiere. 9.° — Seria cosa importantíssima hacer en la índia veinte galeones, desta manera. En Coulan y en la costa de Travancor seis, en Cochin otros seis, em Daman y Baçaim los demas que se pudieren hacer en un ano por la abundada que ay de^madera y de las otras cosas necessárias para armadas fuera de marineros y artellaria: lo qual se puede embiar con las naves de la carrera de Lixboa, hasta que de la China se traiga bronce para fundiria en la India y tam- bien se podran [40 v.] embiar en las mismas naves 400 ma- rineros por cada galeon, que los demas se podran sacar de los christianos, moros y gentiles que ay en la índia. Esta armada se podra dividir en dos partes, la una para la parte dei sul, que sera de 14 galenoes, 30 fustas y dos galeras; y la otra da parte de el norte des 6 galeones, 30 fustas, v dos galeras; porque si fueren necessá- rias mas la ay em Goa, Cochin y Baçain. En estas armadas se hade procurar que los soldados no sean muchachos ni criados, ni gente vil sin honra sino gente honrada y de sangre en el ojo que sea muy bien tratada y pagada e proveida de todo lo necessário y mucho mas los capitanes y caveças e que las dichas armadas vayan abastadas de puisiones de municiones, basti- mentos y armas, y todos los otros petrechos de guerra, y que tengan cuenta particularmente de castigar y destruir a los moros gentiles que recibieren à los olandeses en sus puertos, o en qualquier manera lo ayudaren porque sin esta ayuda no podran los enemigos estar mucho tiempo en la mar sin perecer de hambre o de sed. Y porque hacer estas dos armadas y proverias como conviene sera de mucha costa y podria ser que el património de Vuestra Ma- 47
gestad estuviesse alcansado. Todo lo que aqui he dicho sera de poco effeto, se Vuestra Magestad no se resuelve en isto para socorrer con tiempo a esta necessidad, y si no pone gran cuidado en escoger por virreys y governadores de la India, y administradores de su Hazienda personas Christianas desinteresadas de pecho y valor, y que no ten- gan otro blaneo (?) sino el servicio de Dios y el de Vuestra Mages- tad de quien hande esperar el galardon de sus buenos servidos que Vuestra Magestad los deve remunerar liberalmente para que los que sirvieren bien queden pagados y los otros con esperanças de semexantes mecerdes se animen servir bien. Nuestro Senhor guarde a Vuestra Magestad y le guie y ampare en esto y en todo lo que pusiere su real mano, y despues de muy largos y bienaventurados anos de la vida y despues da eterna retri- buicion. y >i» j . jii'.i i 2 i.•.; « 'n fi tj ia oiiositoum _ . svcr: . - .. -v i v j j!d \'U. . etl sup 3 y eínsliqaa rol esm odaum y otaaaesssa o! cbol ah : ' •• y, eibale 's - [Of : "■ - . . -z "r .• Bfipn i s p y i" i -••••- i'0 - :::' oJy.,j - zdnsrn V Jaog " i i s' 33K3 AzsrjBo: ts.i.'plaup , o,«cm » tu ) >1 3-, '..".>31 aup ■jr.333 se ••.«3X13 I iito-. on ebuys : ni.» aupz . nsisbuya ot - srrs *noD ofi" o eafoavoiq y rc ira ec ^ ~ zi supioq Y -I BZSi" • " rjm «232 48
G. [41] RELAÇAO BREVE DA ILHA DE TERNATE. TYDORE, E MAIS ILHAS MALUCAS, AONDE TEMOS FORTALEZAS, E PRESIDIOS, E DAS FORÇAS, NAOS, E FORTALEZAS, QUE O ENE- MIGO OLANDES TEM POR AQUELAS PARTES Por me parecer, que fazendo esta breve descripsão das ilhas Ternate, Tydore, e mais a ellas annexas no tempo que nellas andei colhendo dos naturaes, e mais pesoas cursadas per longo espaço de tempo nellas, o que a boamente pude alcansar, dou pello menos satisfação aos curiosos que quando não for de gosto pêra ânimos ocupados em couzas mais altas, e de tudo mais alevantado não cuido, que o deixara de ser pera os pensamentos daquelles que se tem por taes, me despus a faze la, pcsto que por hum rasteiro e baixo estilo, dando relação em suma das fortalezas e presidios assi da gente espa- nhola, como dos naturaes christãos, que temos nas ditas ilhas e seu destricto, e quantidade delia proseguindo também com artelharia, que nas ditas fortalezas, e presidios temos, e o modo como se faz nella o cravo. E outrosi das forças, fortalezas, lugares, naos, e arte- lharia, que o enemigo olandes tem, e trás por aquelas partes, e jun- tamente o numero da gente que tem em cada força sua espalhada. E quando por isto mereça algumas reprehenções, todas me atrevo a sofrer com gosto, pois he cousa divida, que o atrevido sofra seme- lhantes, por fazer [41 v.] serviço aos que gostão delle. Das ilhas em comun He pratica comua e averiguada entre os naturaes da terra serem as Ilhas Malucas por todos once mil, aonde hà muita gente, e de diversas nações, e costumes; porem toda barbara, tirando alguma que he sojeita ao rey de Tydore amigo nosso, que por ser vezinha a elle, se lhe fez sojeita de seu motu proprio: mas a principal causa de sua sojeição e vassallagem hè o medo que tem dos nossos espa- nhoes. Esta gente he moura por lhe aver passado ya ha anos Cassiz, a lhe ensinar a maldita seita de Mafamede. Em alguma destas ilhas habitão os paquas, que se querem ase- melhar a cafres, e he presunção entre elles dizerem, que tem guerra com a cafraria, o que não pode ser, por ser ella muy distante destas ilhas, que estão na parte Oriental e a cafraria na Occidental, como todos sabemos que pera terem comunicação com ella, tinhão neces- 4 49
sidade de larga navegação. He gente domestica, e tem comunicação comnosco, e o mantimento que trazem pera seu sustento he sagú, (que he farinha de hum pao semelhante ao do Brasil) alguns pássa- ros celestes e tartarugas. Dizem os mesmos naturaes que entre estas ilhas ha huma, e parece ser certo por mo afirmarem alguns christãos, chea de muita pedraria, dizem ser encantada porque não aparece senão de noite pello grande esplendor que de si lança [42] com o qual alumia mui- tas leguoas fora delia. Conto aqui isto por mo dizerem, e não pollo ter visto, que a minha tenção he semente dar rezão das que chamão Malucas. As principaes delias são quatro, e não darei relação mais que de três, por aver de que falar nellas. E a primera he Ternate; a segunda Tydore e a tercera a de Moutiel; dista huma da otra duas léguas; são muito altas, que se deixão ver vinte legoas ao mar; hà nellas muito cravo; das quaes tem o milhor o enemigo olandes; chove nella ordinariamente; porem no tempo e monção que nace o cravo são muito quentes e morre muita gente espanhola de huma doença que chamão berebere, por falta de mantimento, e não ter de que sostentar, mais que de algum, que assima fica dito por serem muito faltas de arroz; soposto que no tempo que la andei não faltava por ter ido em abundancia do Malavar, que os portugueses levarão em galeotas; e os espanhees em fragatas, que todos os anos vão seis sete; mas comtudo miseravelmente se sustentõo; são estas ilhas porem abundantes de fruita. I - ■ Da Ilha de Ternate que he a primeira Esta he a principal e a primeira ilha a qual tem oito legoas em roda, temos nella a nossa cidade que he murada toda em torno, e tem por nome a do Rosario; assi [42 v.] tem nella ordinariamente trezentos homens brancos espanhoes entre cazados, e soldados, tem seis baluartes em circuito (a que os espanhoes chamão cavaleiros) os quaes de ordinário tem vinte peças de artelharia de bronce e muito boas, e de porte, por fora da cidade tem outros baluartes, nos quais residem os pampagos naturaes de Manilla homens de guerra e esfor- çados, e o numero delles sera cento e sincoenta. E tem mais cem homens christãos naturaes, casados, que peleijão de espada o que elles chamão campilão carasca, afora outros que chamão bizuas, que por todos serão entre homens, e molheres duas mil almas chris- tans residentes nesta cidade de Ternate. Temos nella quatro igrejas; a saber huma freiguesia que he a igreja matrix donde ha vigário da vara, e tres conventos de religiosos, a saber São Francisco, e o Col- legio da Companhia de Tesus, e o de Santo Agostinho, e hum hospi- tal pera os doentes e feridos, que socedem aver. Nesta mesma ilha de Ternate temos huma força que chamão a de Dom Gil, e tem nella hum companhia de sessenta soldados com 50
hum capitão, e tem em roda tres baluartes com quatro pezas de arte- lharia; estes ordinariamente estão fechados [43] nella, por causa estar muito vesinha da do enemigo olandes, e a divisão que hà da nossa a sua não he mais, que hum alto, que fica de permeio, que sera de meia legoa. Hà entre nos alguns assaltos, porque os olan- deses sahem a nos fazer, e nos a elles. Tem esta força a roda huma lagoa de aguoa não muito longe do mar, e he de tão sobejo fundo, que he capas de poderem surgir nella embarcações, (ainda as de alto bordo) o que intentarão os portugueses com cs naturaes ha ya tempos, e querendo romper a pe- quena distancia que hà delia ao mar (que sera tres o quatro braças) verteo agoa em sangue, cosa que pos em espanto a todos, e quise- rão dizer alguns que denotava aquillo muitas guerras sanguinolentas que ouve, e ha de aver pello tempo em diante, e não errou em dize- rem isto, porque de doze annos a esta parte tem se morto mais de seis mil homens christãos espanhoes, portugueses, afora muita gente da terra, e o mesmo vemos nestes presentes cada dia. A força do enemigo olandes que asima trato está da nossa meia leguoa nesta mesma ilha e chama se a força do Malaio. Os naturaes delia vivem à sombra do enemigo está em demasia fortificada, [43 v.] e fortalecida que mete pavor e espanto a quem a vê, he cidade mas não ccmo a nossa, tem tres baluartes, o primeiro chamão de Orange, e tem nelle dezasete pessas de artelharia de bronze muito grossas, e he muy fechado. Mas avante junto deste está outro, que elles cha- mão a Ponta Real, tem nelle dez peças de artelharia, e outro terá oito pessas, e toda esta artelharia he bca e grossa, e não tem os nos- sos comparação com este, porque são de pedra, e cal, e fortes sem bateria nenhuma da parte do mar; salvo por terra com muito tra- balho. Esta força he a principal de toda quantas os olandeses tem nesta ilha, e residirão nella melhoria de duzentos homens afora os japões, que tem debaixo da sua bandeira que trazem do lapão, que serão cento e sincoenta, e alguns duzentos chins, a que elles chamão sengles, que tomão em somas, e embarcações que vem da China a Manilha com ouro e seda a mercancearem a força d'armas; por esta causa dizem que he a guerra toda com os espanhoes quais lhes tem tomado algumas embarcações, e feito algum destroço nelles. [44] Tem o enemigo olandes outra força junto da assima dito a que chamão Tonloco en la qual residem vinte homens com quatro pessas de artelharia, e tem nella hum baluarte forte e bom. Tem outra mais junto a nossa do Rcsairo que chamão Tacome aonde residem trinta homens com seis pessas grossas, que he fechada, e muito forte, e desta força nos fazem muito dano, por respeito de estar à mira das nossas embarcações quando entrão e de ordinário tem alli naos, que sahem a ellas, e nos dão muito que fazer. 51
Do cravo que esta ilha produce Tenho tratado diffusamente da Ilha Ternate, de tudo quanto nella ha, e pera distinção de se saber o modo com que se colhe o cravo nella, apartei esta declaração para se ver de por si. Ha duas monções em que se da o cravo nesta ilha a primeira he a comua e ordinária que he de anno em anno. A segunda chamão elles mon- ção grande, que he de dous em dous annos. Na monção comua dara de cravo melhoria de quatrocentos bares; e na grande seiscentos e muito mais dera se se não esperdisara. Este cravo que [44 v.] he por estaremos muito em braços com o enemigo, e elles comnosco que nem elles se atrevem a colhe lo por medo nosso, nem nos por medo delles e quando o querem fazer sahem quando muito ao rede- dor de suas forças, pouca distancia, e o mesmo fazemos nos e por muitas vezes forão là os indios naturaes a vareja lo. Mas não tornão, porque os enemigos os matão deixando os corpos mortos levão as cabezas. E isto não fazem somente nos montes, mas ainda abaixo da nossa fortaleza a nossa vista, o que he costume delles. E nos da nossa parte também trabalhamos pera fazer o mesmo com muito risco nosso, e por cada cabeça que hum dos nossos indios tras se lhe da hum certo premio, que são des panos, e em falta delles des patacas, pello qual interesse se aventurão muitos, e se arriscão por trazerem huma cabeça alhea a deixarem là seus corpos sem vida. He costume também fazerem os nossos alguns assaltos contra os olandeses, e vão juntos cento e duzentos de noite as suas forças e embrenhão se pellos matos pera que polia menhã em saindo os olandeses fora cortarem madeira, (o que costumão muitas vezes fazerem) pera casas e fortificações de [45] suas forças darem nelles com ímpeto, y de sobresalto. E assi hà muitas mortes de parte a parte, de que os nosos espanhoes levão sempre o melhor. Do vulcão di fogo que tem esta ilha de Ternate Por me parecer este vulcão cousa digna de notar, o quis por nesta relação; o qual está nesta ilha cousa digna de muito espanto. E he hum outeiro de tão estranha altura e grandeza, quão estranho foi pera mim, e pera muitos ve lo, e faz este outeiro em partes muitas quebradas, e em todo o alto huma semelhante a huma caldeira funda, e o centro delia he composto de emxofre, e de quando em quando caem muchas pedras, e terra nella, dentro nesta quebrada a que chamão caldeira, e parão no fundo delia, e como he de emxofre por tal modo e arteficio lança de si tão grandíssimas labaredas de fogo, que subem as nuvens y com tão grão ruido e estrondo que não parece outra couza mais, senão que se despara muita artelharia grossa junta he causa tremer na terra, e isto he certo pello eu ter visto e notado por hum dos mais horrendos e notáveis casos que vi. 52
E querendo eu particularizar o caso mais por ser tão estranho dos naturaes, e de outras muitas pessoas [45 v.] fidedignas, disse- rão me que aquillo não acontecia sempre senão por tempos e mor- mente, quando quer soceder alguma nova, que serve aquillo de pro- nostico, porque me disserão também que quando morreo o governa- dor de Manilha Dom João da Sylva em Malaca socedeo arrebentar este vulcão, e segundo disserão fora a primeira vez que apareceo, e ouve tanta cinza que este vulcão deitou que se cobrio a terra, e os homens andavão empoados delia. E por ser hum caso tão estranho como digo, notarão homens dia e hora, veyo se a saver que no mesmo tempo falecera o dito Dom João da Sylva. Estas notas fazem quando o vulcão arrebenta, de maneira que não socede sem aver causa, e eu o vi no tempo que lá estive de 1618 que elle arrebentou, que também notado o tempo achou se que fora por causa da perda dos galiões de Manilha e tem outra propriedade consigo este vulcão, e hè que se algum atrevido sobe a elle não apa- rece mais, porque fica la consumida, e no alto delle donde faz a sobredita quebrada he razo pella quentura do fogo não consentir que se crie nele herva alguma. Esta he a descripção da ilha Ternate que em suma notei, colhi dos naturaes e vi no tempo que [46] là andei. E tratarei agora da de Tydore que he junto delia, e das forças que nella temos, e das do enemigo olandes que também as tem e juntamente relatarei o modo como se colhe o cravo nella, que ainda he com mais trabalho do que atras fica dito. . Da ilha Tydore e do que nella temos, e tem o rey delia amigo nosso e o enemigo olandes Esta Ilha Tydore dista da de Ternate atras relatada legoa e meia pouco mais, ou menos, e tem seis legcas em torno, aonde tem huma força os olandeses que por nossos peccados nos la tomarão, e por isso a chamão elles marisco dos Portugueses', e matarão nella sincoenta homens. Tem em si esta força tres baluartes fechados, e tem nelles dezasete pessas de artelharia, entre as quais tem huma muito grossa, a que nos chamavamos o Raymundo, em guarda delia tem de ordinário sesenta homens, e he huma das mais fortes, que elles tem a roda delias, tem huma estacada de madeira, e da banda de dentro delia estan as casas dos indios e gente de serviço. Nos temos junto a esta outra força, e andamos sempre em guerra com estes enemigos por estarmos tan perto. [46 v.] Temos nesta ilha outra força nossa a que chamamos Tomarina, aonde residem quarenta espanhoes e não temos nella mais que tres pessas de artelharia, he ella muy combatida destes enemigos: mas não na podem tomar em nenhuma forma por estar situada em hum alto e ter de guarda mais de trezentos homens todos 53
naturaes da terra, todos de mosquetes, e soldados belicosos e são de muita utilidade pera os espanhoes. Tem outra grande cantidade de gente de espada, e fortemente peleijão em huma ocasião de guerra. Tem nesta mesma ilha de Tydore os espanhoes huma cidade pequena adonde também estão portugueses, e junto a ella está huma força grande a que eles chamão de Thaula, he em maneira forte, e inexpugnável, e não pode ser tomada salvo quiserem os naturaes delia por cerco dando seu favor aos olandeses, contudo ha de aver muito trabalho pera a tomarem por estar muito alta e ter em si boa gente, e ser ella toda amurada, residem pera sua guarda quarenta soldados, e com hum capitão jogão nelle des pesas de arte- lharia. Temos mais hum baluarte junto desta forssa, que chamão de Principe adonde residem dez soldados com seu alferes, o qual tem em si tres pessas de artelharia pera as ocasiões que se offerece- rem. Nesta ilha temos huma igreja aonde está hum clérigo vigairo, e outra casinha [47] mais adonde diz missa htim religioso da Com- panhia. Do que nella tem o rey e os mouros amigos nossos Ç Esta ilha de Tydore tem em si hum rey, e outros mouros seus vasallos todos amigos nossos, tem huma força sua muy fortificada, na qual tem vigia, como tem os espanhoes nas suas, e tem nella algu- ma artelharia posto que pouca, a saber tres pessas de escolher, e dez, ou doze falcões, que como está no alto, nada lhe pode fazer najo, e ella com qualquer couza pode fazer muito a quem quiser intentar tema la, e bem se pode dizer que com pedras se podem defender, e offender, impedindo a subida a ella; e esta está defronte da nossa. Tem este rey de Tidore dous mil homens mosqueteiros, e outros tantos de campilão carrasca, que são humas armas terribeis nas quais todos são destríssimos no uso delias que não lhe fazem ventagem os espanhoes, e andão algum tanto soberbos por respeito de termos pouca força de gente, e não termos armada nestas partes pera os domar, e faze los mais sojeitos a nos, serão por todos quatro mil homens pouco mais, e todos são vassalos dei rey de Tydore. Do cravo que esta ilha produz Produz esta ilha muita mais cantidade de cravo, que à de [47 v.] Ternate, porque em cada monção se cogem delia seis, setecentos bares, e mais ainda afora muito que se esperdiça per ficar caido da banda da fortaleza dos olandeses, que atras fica dito, do qual elles se aproveitão, e acontece muitas vezes perderam vida de parte a parte, quando chegão a colhe lo porque cada hum procura pera si. No tempo da colheita que os naturaes sabem pello ver maduro, 54
que he em espaço de oito ou nove meses, vão estes indios naturaes alimpão o mato quanto a grandeza de arvore ocupa debaixo delia por causa de se não perder o que primeiro amadurece porque em sendo amarelo cae, e assi não se perde por estar ya o chão limpo, e o mais colhem a mão; porque os que o vão fazer vão ao cume da arvore com huma corda cingida, e dependurada por ella, e assi vão colhendo por fora nos mais delgados ramos que ser pode, e por este respeito he agora o cravo sujo; porque o tyran o com pacs de mis- tura, e pera elle ser curado e perfeito estenden no pello chão ao sol, e assi se vay secando, e quando elle falta e hay chuva fazem grande fogueira pera com ella emxugarem e depois de seco o tornão a mesturar com area pera crecer em pezar e ha tão grande emgano na compra e venda delle, que se compramos trinta cates no cabo de quince dias se torna em vinte, e com ver este tão claro emgano nunca deixão [48] os homens de o comprarem. He esta ilha de Tidore muito alta e aguda, e no cume delia ha hum tanque de agua fria cousa estranha, porque em muitos lugares baixos ay falta delia, e he este estanque dos mouros tan venerado, que todos vão a elle em romeria e là fazem suas novenas com suas cerimonias, que prometem quando se achão doentes, cegueira grande em que os falsos ministros de Mafamede os tem postos e na subida desta serra gastão em todo o caminho dous dias, e querem dizer que o tanque asima dito não no he perfeitamente mais que huma lagoa, que se asemelha a tanque muito aprasivel e fermosa a vista no baixo delia arrebenta a aguoa quente, que serve de banhos pera muitas enfermidades. Tem também em partes alguns poços de aguoa fria, mas de ruim sabor, he ella abundante de muita frescura e mui- tas arvores fructiferas, e hay tempos que se enchem de frutas toda proveitosas pera o uzo humano. Da Ilha Moutiel. e da [orça enemiga que nella ha Tenho tratado largo nas duas ilhas atras, per haver muito nellas de que falar, e cousas notáveis que alcancei, notei, e vi, e desta de Moutiel que assi he chamada peles naturaes tratarei resumidamente por não aver nella de que, e juntamente por não fazer nella historia, e prolixa de [48 v.] escritura. Tem quatro leguoas em tor- no, e nella tem os olandeses huma força somente, na qual residem sempre setenta homens com vinte pessas de artelharia de presidio, he toda sua, e não temos nella nada e do cravo que ella produz se senhoream os olandeses se senhoream em companhia dos naturaes desta ilha que sempre estão unidos, dara de cravo na monção qua- trocentos bares pouco mais, ou menos, do qual elles gozão como tenho dito. Da quarta ilha que atras dezia não hay que tratar, por não aver em si notabilidades, de que se haya de fazer sobre ella menção; a 55
qual se chama Batuchina, que he pouco cursada, e assim bem basta pera quem quiser ouvir e saber de Maluco o pouco que delle tenho praticado neste breve relatório, conforme a noticia que andando por suas partes, alcansei, vi e pratiquei com os naturaes, e mais gente que por aquellas ilhas residem; e com isto fica concluído este sumario de suas cousas o que fiz mais por obedecer a quem me mandou o fizesse, que por mostrar curiosidade. Escrito em Malaca a 28 de Novembro de 1619 annos. 56
7. [49] DESCRIPSAO BREVE DA FORTALEZA DE MALACA, E SEUS MUROS; E ARTELHARIA MAN- DADA FAZER PELO BISPO DELA DOM GON- SALO DA SILVA Tem o muro desta força seiscentas e setenta e nove braças e mea e dous palmos em roda; a porta principal da cidade que vay para a banda que de ordinário chamão (Malaca) que caie sobre o rio, tem doze palmos de larguo, e duas braças, e dous palmos, e meo de alto. De Mora ao norte e quarta de noroeste, corre o muro ao longo do mar ate o canto da courassa que tem trinta, e sinco braças: e a courassa quarenta em quadra; e por dentro do vão ao comprido do norte ao sul vinte, e de largo sinco e meia de Mora o direito ao este, e a mea partida do noroeste tem esta courassa onze pessas de arti- lharia de bronze a saber dous canhõis hum de vinte libras otro de catorse hum pedreiro de marca de trinta, outro de [49 v.] onze; dous sagres cada hum de nove huma columbrina arrebentada; e com a boca cortada de catorse. Da courasse ate o canto do hospital vay correndo o muro a noventa, e duas braças tem hum lugar sobre o mesmo muro ao modo de hum redulozinho em que esta huma columbrina de vinte, e quatro libras joga para o mar de Mora o seu direito a sueste. Deste lugar ate o beluarte de Sanctiago ha de muro sesenta e nove braças; neste baluarte fica hum postiguo muito pequeno pera o serviço, e he por baixo tem este lanço de muro nove palmos de grosura por sima, e por baixo doze, o baluarte he de vinte braças em roda, e he redondo de vão sinquo, e mea, de mora o seu direito ao sul, e a mea partida do sueste, tem sinco pessas dous canhõões, hum de vinte, e sinco libras, outro de dozouto duas bastardas, mais hum de nove; hum pedreiro de marca mayor de onze, bate o mar nele defende em parte não em todo o surgidoiro das naos. Deste lugar ate o cubelo que se diz das Onze Mil Virgens que esta emprefeito, ha sesenta, e duas braças neste lanço de muro fica huma porta que se diz de Sancto Antonio, e por ela vão ao campo tem hum [50] reves que se fecha com outra entre ambas ficâo den- tro humas ceifeiras pera alcanzias de fogo he de grossura este muro de vinte, e tres palmos por arriba, e pelo pee vinte e sete dele corre avante o lanço pela banda da terra o lugar donde se ha de fazer este cubelo que esta ymperfeito tem outo braças jogão dele tres pessas hum sagre de outo libras, dous pedreiros de marca mayor de trinta, hum deles tem a boca arrebentada demora o seu direito a leste e à quarta de sueste. 57
Deste cubelo pera o baluarte que se diz da Madre de Deus ha sesenta, e nove braças da mesma largura ya dita, e este baluarte da Madre de Deus he redondo tem trinta, e outro braças de Mora seu direito a leste saie muito fora do muro he muito baixo, avera mester trezentos homens para se defender ficou muito descompas- sado tem onze pessas a saber dous canhõis de vinte, e seis libras cada hum, duas bastardas hum barroquo de onze, de pedra, tres pedreiros de marca mayor de trinta e dous sagres pequenos de sinco mais hum pedreiro descavalgado de onze, demora o seu direito a leste vareja sua artilharia a todos os rumos tirando ao este que fica para a cidade tem de vão treze braças, do baluarte de Sanctiago [50 v.] ate este tem o muro de alto trinta, e dous palmos; deste baluarte da Madre de Deus corre o lanço do muro ate o de São Domingos; e ha neste lanço outenta, e huma braça, e meia de mura- lha o beluarte de São Domingos he quadrado tem vinte e quatro braças em roda, de vão de tres, e meia, tem sinco pessas a saber huma agia de trinta, e seis libras arrebentada, tres sagres de onze hum pedreiro de marca mayor de trinta de Mora o seu direito a oeste e a leste; de norte a sul por todas as partes vareja a sua artilharia. Deste baluarte vay correndo o muro para a primeira porta ja dita da cidade pela banda do rio, dele ate hum postigo que se dis de S. Domingos tem quarta, e sinco braças, e daqui vay avante ate a mesma porta, tem sesenta, e outo braças, he de nove palmos; por baixo doze tem pouca altura; e de queda não tem mais que duas braças e mea a razão foi por ser fundado sobre vaza mas esta fixo asse de a levantar mais. Esta fortaleza quanto diz da porta da cidade ya declarada ate o baluarte de Sanctiago não poderá nunca ser entrada por bater nela o mar, e ter huma restinga muito grande da banda dele, e pela de terra não sera possível ser minada por ser tudo agoa alegadissa de seu natural, e chover em Malaca quasi todos os dias. [51 ] A fortaleza em que vivem os capitães foi feita por Afonço de Albuquerque esta tem em roda noventa, e sinquo braças o vão do pateo em cada quadra treze, a grossura do muro he de sete palmos e meyo a torre tem trinta, e tres braças de alto, e de largura nove palmos, e meyo. Esta he a breve descripção da fortaleza de Malaca tam nomeada no mundo tam requestada de enemigos europeus tam dezejada de a tornarem a tomar os reis de Yor vezinhos seus, em que se cança- ram muito, e morrerão com este dezejo, e agora nestes últimos tem- pos el rey do Achem, pelo que se vera nesta relação não tem mais que trinta, e seis pessas força de tanta importância na India com tam poucas pessas que hum galeão bem artilhado tem mais; he muito de conciderar, e não tinha mais ate o ano de 627 em que delia me vim, o de quantas tem necessidade; em outro tratado particular sobre o mais que ela tem, e tem necessidade mostrarey. 55
8. [53] DESCRIPÇAO DO RIO GRANDE A fortaleza do Rio Grande he a mayor, e mais bem traçada que ha no Estado do Brasil, está situada na terra firme sobre arre- cifes da banda do sul do rio, mas de modo que de marea chea fica por todas as partes rodeada de mar, e de aguoas vivas, se não pode ir a ella senão depois que abaixa a marea. Não pode entrar pollo barra mais que hum navio como em o recife de Pernambuco, porem de qualquer parte que seja poderá entrar por ser esta barra muito mais funda. Tem esta fortaleza trinta e tres peças de artelharia grossa, nove de bronce, que jogão de dez até catorce libras de bala, e as demais de ferro; das quaes sós quatro estão boas, e as demais muy ruins; porque como estão na muralha ao tempo estão muyto gastadas de ferruge. Ha nesta fortaleza duas casas matas, tem cada huma sua pessa de ferro, que jogão oito libras de bala, e da banda de dentro da porta, jogão duas peças pera a mesma porta, e estas são as pessas de ferro, que estão boas por estarem debaixo de telha reparadas do tempo e do mar. Tem hum fermoso corpo de guarda todo lageado e com seu tabernáculo de madeira, hum terreiro muy fermoso, no meio do qual está huma casa de polvora a modo de torre fundada sobre qua- tro arcos de pedra. Tem [53 v.] huma portinha falsa pera o rio, em defensa da qual joga huma pessa da banda de dentro do terreiro ao redor do qual estão as casas dos soldados e capitão todas de sobrado muito boas com suas chimines ficando por baixo delias huns fermosos almazens; a huma parte (?) do terreiro fica a igreja com seu alpendre, com hum retabolo dos Santos Reys, que he a invo- cação desta fortaleza; falta lhe porem o milhor que he huma cis- terna, cousa tão necessária e de que se não ouvera de esquecer quem atégora governou aquelle Estado que se não pode escusar também de culpa da grande falta de monições, e polvora que continuada- mente padece aquella praça. Hà nesta fortaleza oitenta prassas das quaes o governador Gaspar de Sousa, que Deos aya ordenou Sendo governador que as cincoenta actualmente servisem e o dinheiro das trinta se gastava eem hacer hum contramuro a dita fortaleza pella banda do mar; o qual está meio feito, e he cousa muy importante que se acabe pello 59
rigor com que aquelles mares batem aquelles muros cuya obra cessou despois que os olandeses tomarão a Bahia. He este rio o mais fértil de peixe que hà na Bahia digo no Brasil, e nelle se faz muito grandes pescarias, e as mesmas pella costa no verão, de que vay muito peixe salgado a Praiva, e a Per- nambuco. Hum quarto de legoa da fortaleza esta a povoação que chamão a Cidade do Natal tem huma bca igreja [54], Porem a pavoação (sic) he muy limitada respeito dos moradores estarem e morarem nas suas fazendas, onde tem muitos delles suas casas muy nobres; na cidade assiste sempre hum juis ordinário, e hum ouvidor e os mais dos officiaes da Camara. Havera em toda esta capitania até trezentos moradores, e os mais delles com sua família, e escravos e seus curraes de gados de toda a sorte, que he o meneo desta gente; e algumas religiões e pes- soas particulares moradores na Paraíba. Tem muitos curraes de gado nesta capitania. Ha nella dous emgenhos de asucar hum real, e outro de pallitos não ha pêra canas boas terras, ainda que pera manti- mentos as tem bastantes. Desa gente se fazem duas companhias de ordenança com seus capitães, e officiaes, são destros em suas armas, porque os mais delles forão soldados na fortalesa e huma esquadra de atè quarenta homens de Cavallo. Do gentio da terra havera pouco mais de 300 frecheiros repar- tidos em quatro aldeotas, sendo assim que havia aqui tanta quantidade delles que lhe não saiba o numero; e ainda estes cada dia vão fugindo pera o Seara pello ruim trato que aqui lhe fazem os capitães, e pello bom que no Seara lhe faz o capitão Marfim Soares que so em huma aldea tem 900 frecheiros. Os capitães que ali alcancei forão Hieronymo de Albuquerque por serviços do Brasil. [54 v.] Lourenço Peixoto Cirne cavaleiro do Habito de Christo por serviços da armada. Estevão Soares d'Albergaria também do Habito por serviços da índia. Ambrósio Machado de Carvalho por serviços de armadas. Andre Pereyra Themudo por serviços do Maranhão. Francisco Gomes de Mello serviços de armadas. Bernado da Mota que hoje está servindo cavaleiro do Habito por serviços de seu pay e alguns seus que fez na índia. Fabião Pita Porto Carrero que lã está ya para entrar ser- viços das armadas, e por ir a Bahia nesta ocasiam dos olandeses. Domingos da Veiga. 60
[55] Relação da fortalesa, poder e trato com os chinas, que os olandeses tem na Ilha Fermosa dada por Salvador Diaz natural de Macao, que là esteve cativo e fugia em huma soma em Abril do anno de mil e seiscentos e vinte e seis Aos vinte de Abril deste presente anno Salvador Diaz china natural e nacido nesta cidade de Macao onde tem pay e mãy no anno de 1622, indo pera a Manilha no navio de João Bautista Inasi foi tomado dos olandeses, e levado cativo à Ilha dos Pescadores onde esteve dous annos na fortaleza, que alli tinhão os olandeses, e depois no anno de 1624, deixando este lugar se passarão pera a Ilha Fer- mosa ao ponto chamado Taivan e levarão consigo o dito Salvador Diaz onde esteve com elles dous annos, e por ser china natural e saber as letras da China os olandeses se servião delle de lingoa com os chinas nas compras e vendas, e mais negocios que com os chinas tinhão, hindo com os ditos olandeses ao Chincheo a tratar seus negocios com os governadores da China, os quaes por o dito Salvador Diaz fazer bem seu officio lhe derão huma dignidade a moda da China, com que entre os chinas tinha mais autoridade. E por quanto sempre teve intento de fugir avendo ocasião foi sempre notanto (sic) e escrevendo em hum livro de letra china todos os negocios, que passavão entre os olandeses e chinas, e outros de im- portância. E assi mais todas as chapas [55 v.] de favor, que os governadores do Chincheo passavão aos ditos olandeses. pera quando Nosso Senhor o trouxese à terra de catholicos, desse de tudo fiel e verdadeira relação pera o que fosse necessário, o qual livro quando chegou a esta cidade entregou ao capitão geral das partes da China Dom Francisco Mascarenhas, que o tem em seu poder, e o dito Salvador Diaz aos 16 de Abril deste anno fugio da Ilha Fer- mosa com mais tres christãos e doze chinas gentios em huma soma pequena, que pera este effeito tinha comprado aos chinas pescado- res sem o saberem os olandeses, e chegou a esta cidade em quatro dias aos 20 do dito mes de Abril e com juramento dos Santos Evan- gelhos em que pus a mão como christão disse que em tudo falaria a verdade dando fiel e verdadeira relação do que sabia aserca dos olandeses, e do que passava na dita ilha e porto de Taivan onde ao presente estão, por saber bem tudo de rais, por quanto estava sem- pre entre os ditos olandeses e os negocios dos chinas com elles lhe correrem polas mãos por ser sua lingoa, dis pois o seguinte. Primeiramente os olandeses da Ilha de Pescadores tinhão huma fortaleza com quatro baluartes, e artelharia. E per quanto esta ilha pertence ainda as terras da China, o chumpim capitão geral da província de Toquiem, onde esta o Chincheo foi là ter com os olandeses, sendo terceiro entre elles hum china christão arenegado chamado Situam, que da Manilha fugira com outros chinas por duvidas, e se fora pera o Japão onde se ajuntou com os olandeses 61
em Sirando por via deste disse o chumpim [56] aos olandeses que aquella terra era del rey da China portanto se pasassem dali pera a Ilha Fermosa, onde lhes abriram trato e comercio, se o não fizes- sem lhes fariam guerra. Os olandeses vierão nisso, e se passarão pera a Ilha Fermosa a hum porto chamado Taivam aonde agora estão cuyo retrato está pintado avante. Este porto de Taivan he huma enseada grande penetrante pella terra dentro mais de duas leguoas de leste oeste; sua barra a boca está a ponente e estreita casi de largura do rio do porto de Macao. Tem hum canal na entrada de treze peis de fundor e de largura de quatro e cinco navios, na qual tem baligas de canas pera os navios que entrão de virem ao canal, todo o demais da barra e restinga he baixio, terra à enseada, em roda oito, ou nove legoas, pouco mais, ou menos da parte do sul dentro da enseada e tudo baixio, onde não podem surgir os navios da banda do norte tem fundo de tres, ou quatro braças onde surgem os navies e naos dos olandeses, e junco dos japões, e de navios dos chinas da boca da barra pera o norte distante huma leguoa. Tem hum esteiro de mar com restingas na boca, o qual corre casi de leste a oeste e se vai meter na enseada; per ella entrão também navios da China peque- nos e podem entrar gales, e fustas mas com piloto da terra china pescador dos quaes ali ay muitos. Na ponta da banda do sul da entrada da barra em hum lugar mais eminente fizerão os olandeses huma fortaleza com quatro ba- luartes quodrados que descobrem o mar de fora, e a entrada da barra e teda a enseada a roda cada baluarte tem seis pezas de arte- lharias as mais delias de ferro, as paredes do muro são de barro e pedra, e os cantos do baluarte de tizolo cosido. A grandesa da for- talesa he [56 v.] de 200 passos comuns e cento de largo que Sal- vador Diaz mesmo mediu. Dentro da fortaleza tem casco com parede de tizolo cosido, cubertas de telha, e cafeladas de cal, e agora tinhão os chinas pera lhes fazerem cal de ostra pera cafelarem todas as paredes do muro ao pe da fortaleza a entrada da barra ao lume d'aguoas; tem seis peças de artelharia de bronce de 24 libras de pilouro postas entre sestoens pera defensão da entrada da barra. Trazem nas obras que trabalhão ordinariamente cento e vinte e quatro chinas alugadas por oito condorins cada dia. No fim da enseada da parte do leste tem feito hum forte pequeno, ou baluarte com quatro pessas de artelharia respeito dos naturaes da terra. Aqui tem os olandeses criação de vacas e cavai- los que trouxe de Japão, e de cabras e ovelhas, junto a este forte está huma povoação de chinas ladrões, e pescadores com casas algu- mas cubertas de palha, e outras de telha, chama se este lugar Checan. Entrando pella barra dentro a mão direita da parte do norte distante da barra casi como desta cidade a outra banda do rio está huma povoação de chinas pescadores e ladrões e mercadores com 62
casas cubertas de palha defronte da qual surgem os navios dos chi- nas, que trazem fazendas, mantimentos, pescados e outras cousas de vendas onde de presente entre mercadores e os demais chinas avera passante de cinco mil pessoas cada dia entrão e saem embar- cações dos chinas com fazendas mantimentos tudo o demais. Hindo correndo mais avante pella praya emseada [57] tem os olandeses huma logea, e casa sobradada que serve de feitoria cuberta de palha, e as paredes de taboa. Está esta feitoria cercada a roda com hum sebe de canas. Aqui mora a cabeça dos olandeses, e feitor da armação chamado Comedor Dallite aqui pezão a seda e comprão as demais fazendas, e a recolhem nas naos e na forta- leza. Na entrada da cerca desta feitoria tem de cada banda cinco berssos que trovaerão de Japão. Tem mais tres, ou quatro pedra- neras, pistoletes, espadas e lanças; aqui nesta feitoria morava Sal- vador Diaz sobre o qual sempre trazião olho pêra que não fugisse, e por veces lhe derão busca no fato se tinha cartas de Macao, pera o acusarem que carteava e avisava a esta cidade do que là passava, e lhe quiserão dar tratos. Este feitor dis que he catholico, e que esteve annos em Espanha onde tem huma irmã freyra, e foi a Roma, e visitou os lugares santos, e lhe derão huma Bulla pera sete annos de perdões, e mostrou a Salvador Diaz secretamente hum relicário d'ouro com a Bulla que tinha no seu escritório: porem contemporisa com os hereges, por não ser sentido por catholico. De fronte desta feitoria está o surgidouro das naos dos olan- deses, que tem de fundo quatro braças. De presente estan alli quatro naos com 24 pessas de artelharia cada huma, as quaes estão sempre prestes, [57 v.] huma delias veio de Japão com mantimentos as outras estavão alli. Está mais hum patacho, que foi de Heitor Homem, e huma galiota de esporão e não tem ali mais outros navios. Mais avante pella praya está hum bangasal de japges com casi- nhas cubertas de palha e defronte surto o junco, em que vierão de Japão cento e sessenta japões entre mercadores, marinheiros e cria- dos afora seis que ali tem envernavão dous, ou tres annos vierão dous, ou tres juncos com sessenta chinos mercadores, e esperavão por outro junco de Feijó que ainda não era chegado. Os olandeses quiserão fazer pagar aos japões, e chinas a dez por cento, mas elles não quiserão. De presente estão ali atè duzentos e vinte homens olandeses entre grandes, e pequenos, dos quais estão na fortaleza cento com seu capitão, o qual antes de lhe vir a mão de socorro de Japão, teme- roso que os castelhanos dessem sobre elles pera os lançarem dali, e dezia abertamente que se viessem se avia de entregar aos caste- lhanos e ainda agora estão com medo os mais dos olandeses, parte estão repartidos pellas estancias e navios. Na feitoria estão oito no forte, ou tranqueira onde tem o gado estão dez, os demais estão nas ureas e navios [58] a mayor parte delles desta gente he baixa, vil e muito suja. 63
Na parte do Norte onde está a pavoção dos chinas feitoria, e japões não ha agoa pêra beber mas toda se vai tomar com embar- cações da outra banda ao pe da fortaleza onde está huma fonte. Toda a praya de fora, e costa assi da parte do norte da boca da enseada, e Costa Brava, onde se não pode desembarcar por ser tudo baixio, salvo em barcas pequenas da parte da fortaleza pera o sul, distante duas, ou tres leguoas se pode desembarcar e vir marchando por terra. Em hum lugar chamada Gueicão que he o porto, e o mesmo da parte do norte destante da barra, está hum esteiro de aguoa salgada por onde também entrão somas de chinas pequenas, como dissemos mas na boca tem restingas, e he necessá- rio o piloto da terra; mas ao norte distante seis ou sete leguoas está o porto de Bancan. A roda da enseada tudo he terra plana sem montes (?) os quaes deitão pella terra dentro longe, e assi a fortaleza não tem padrasto nestas campinas, e nos matos hà infinidade de veados que os olan- deses vão cassar a pé, e a cavallo. A gente natural da terra he de cor baça e montesinha, e à roda enseada pello sertão dentro da parte de loeste e norte tem pavoa- ções, não tem rey, e o mais poderoso [58 v.] em cada lugar se faz cabeça delle, vem vender algumas cousas, e os olandeses e chinas lhes dão cangas em rescate; meterão os olandeses nas aldeas vesi- nhas meninos e moços de pouca idade pera aprenderem a lingoa da terra, a qual já falão. 64
9. ACERCA DO TRATO ABERTO ENTRE OS CHI- NAS E OLANDESES AO QUAL SE SE NAO PUSER REMEDEO COM TEMPO DEPOIS O NAO TERA O Chumpim capitão geral que agora he da província de Can- tão foi estes tempos atras chumpim capitão geral da província do Chincheo; este foi o que por via de Lituan de que assima falamos fez com os olandeses que se passassem na Ilha dos Pescadores pera a Ilha Fermosa onde agora estão, e por isso começou a abrir trato com elles por temer do mal que podião fazer as suas armadas e na- vios de trato da costa do Chincheo, o dito Lituan deu conselho aos olandeses que peitasem este chumpim pera fazer com os governa- dores da China, que derrubassem os muros de Macao, e pera esse efeito derão de peita ao dito chumpim três mil taeis de prata, como Salvador Diaz soube de certo depois dos muros derrubados, e o dito chumpim o mudarão pera esta província de Cantão, e no tempo que se desfazião os mures assistio em Ancão [59] com a gente de guerra por mar, e por terra atè se acabarem de derrubar. O chumpin que lhe socedeo no Chincheo naquelle tempo que este là estava era seu companheiro e almirante e agora de novo depois de entrar no cargo tornou abrir e confirmar comercio com os olandeses com ordem do Tutão do Chincheo com o qual comercio corre hum capitão china por nome Simso, o qual tem duzentos homens, que o sirvem, e faz levar à Ilha Fermosa a seda, pessaria e mais cousas aos olandeses e japões, de que o chumpin tira muito proveito, e continuamente vão do Chincheo embarcações com fazendas com que o trato se vai muito emgrosando e ja tinhão levado ao dito porto de Tatuão mais de trezentos picos de seda, e muita pessaria, istan esperando que lhe tragão outra tanta pera o qual tinhão dado os chinas mercadores prata pera o trazerem, porque havia no Chincheo ao presente setecentos picos de seda, o Lituan que corria com este contrato morreo o anno passado em o Japão agora corre em seu lugar o capitão assima dito Sinso. De Japão como fica dito veo huma só urca com mantimentos, as demais naos que la estavão forão direitas à yacatra com provi- mento e munições por estarem de guerra com o rey da Java que lhe não de mantinmentos e por isso estão my faltos delles em apreto. [59 v.] Tem ainda intento conforme praticão de tornar sobre Macao vingar se da matança passada vindo lhes gente, e armada de Jacatra, e Olanda que esperão elles. Os olandeses sabem meu- s 65
damente as cousas de Macao e Manilha por via de chincheos e por via delles tinhão ja concertado pera mandar duas cartas a este capi- tão olandes, que aqui está cativo, e dando trinta taeis de prata pera aqui olugarem, ou comprarem huma trinca (?) pera este capitão se acolher, e avisar as naos, que por aqui passão suas e pera saber em tudo o demais que passa em Macao com promessa que se nego- ciassem os chincheos o que lhe emcomendavão que lhes pagarião muito bem; mas outros chincheos meterão medo a estes, com que se desfez o negocio por aquella via, e não sei se por outra o tem feito; porque são muy letigantes em fazer seus negocios não per- doão nada ao gasto; sabe também como os muros de Macao se derrubarão, e que ficarão as de fora com licença do rey, e gover- nadores da China. Olanda tinhão por novas frescas, que estava em grande apreto com os exércitos que lá tem el rey nosso senhor, e que tomarão pouco ha huma, ou duas cidades de 36 muradas, que tem Olanda e que o Infante Dom Carlos era chegado à Flandes e que era mestre de campo Dom Fernando de Alva filho do Duque de [60] Alva, e que huma cidade apretada do cerco, e falta de mantimentos se queria entregar pedindo as vidas, mas hum capitão francês estava com soldadesca não quis. Conforme ao comércio continuo que ali ay de navios dos chi- nas com fazendas, roupas, mantimentos, pescado e matericões pera as obras e chinas officiaes, e trabalhadores, gente vadia trabalha- dores e ladrões, que ali se recolhem à cantidade de prata que ali acode dos olandeses, e dos japões chinas mercadores da China em abrir o comercio assi pello proveito que tem disso como pello medo dos olandeses. Sedo se fara ali hum famoso império com a povoação e cidade populosa, e se irão os olandeses fortificando grandemente, e ja com muita diligencia vão apercebendo os materiaes pera isso a passa- gem da China ali ser muy fácil de espaço de dous dias atè o Chin- cheo passando n ida e a vinda pella Ilha dos Pescadores que está no meio, e os chinas a cada passo escondidamente passão com fazendas, e os mandarins da China cada vez andão a facilitar o despacho pello proveito dos despachos e peitas que tirão e os mui- tos direitos as alfandegas do rey da China iran rendendo cada vez mais principalmente como aquella terra não he da China, da se lhe pouco que os olandeses esten nella, e os naturaes da Ilha Fermosa se vão domesticando. E cs olandeses os tratão bem, e por isso lhes trazem os mantimentos que ha na ilha. [60 v.] E courama de veados pera Japão veniaga muy boa de que ay grande abundancia na ilha, e como a terra he espaçosa e liberta, e os da terra não tem rey e cabeça grande que os possa unir e fazer guerra os olandeses an de cultivar as terras com trigo, arroz, legumes, outras de fruita de toda sorte e farão fazendas de modo que se possão sustentar muito bem. E se com tempo se não 66
acode a bota los dali, antes que acabem de arreigar sem duvida em breve se parava ali o trato da China, e ficarão os olandeses japões, e chincheos senhores delle, e dali armarão pera todas as partes de Oriente, principalmente pera os chincheos ser gente atrevida, que pera todas as partes deste Oriente entre os chinas somnte navega e como sua província he pobre há infinidade de gente que concorre ali a povoar e a cultivar a terra, e ira toda a sorte de officiaes tesse- lões de seda etc, pois não ha no Oriente quasi parte, onde não haya chincheos com que o comercio de Macao e Manilha se vira a perder, quasi de todo sem remedio, se com prestesa se lhe não der o que elles muito areceão, e por isso se dão grande pressa a se fortificar. E será agora fácil bota los dali, pois, Olanda, estam em apreto, e não lhes poderão mandar socorro de importância: e assi antes que lho possão mandar unir se esta cidade por huma parte com a Manilha indo sobre [61] elles emquanto sua força he pouca, sem duvida os acabarão, pois não são mais que duzentos e vinte homens espalhados; e esses a mayor parte gente vil, e baixa, e miserável, e por outra parte procurar com os governadores da província de Cantão com memoriaes bem feitos pera que impidão o comercio, que lhes não de fazendas, mostrando lhe o perigo que há pera a China estarem ali os olandeses e japões seus enemigos, e unidos com os chincheos ladrões, que lhes servirão de guia pera muito mal da China, e juntamente mostrando aos governadores, e naturaes de Cantão em como passando se o trato desta província ao Chincheo han de faltar os rendimenos das alfandegas reaes, pera sustentar armadas, e mais gastos da província, como atégora se faz, e o povo empobrecera sem trato como aconteceo no tempo dei rey Chino, em que por outra ocasião o trato se passou de Cantão ao Chincheo: e esta província empobreceo grandemente, e hum chaem deu a el rey hum memorial acerca disso com que o trato se começou a continuar de novo em Cantão atégora, e se pode também tocar com os mandarins de armas do Chincheo levados de interece das peitas e tratos favorecerem os olandeses em grande prejuízo do Reyno da China, que se não acudirem a por remedio por via del rey, que depois do fogo ateado não poderiam ainda que queirão. He certo que de presente se não poderia achar milhor enforma- ção e mais certa do que passa neste negoceo, que aqui [61 v.] se dá pois era seu lingoa sabia todas suas traças e parece que Deos me trouxe de lá pera isto, e vierão comigo dous pilotos chinas, que sabem muito bem toda aquella costa, e portos da Ilha Fermosa, se os tratarem bem pagando lhes descubrirão tudo quanto quiserem, e juntamente veja se o livro, e papeis que trouxe comigo, que em- quanto lá estive fui ajuntando com grande diligencia movendo me Deos a isso pera dar lume de tudo, porque estes papeis pode ayadar muito, e dar noticia pera falar os mandarins. Os mandarins principaes desta província que nisto podem fazer muito, e quem se pode dar memorial são este Tutão primeiramente. 67
porque este estando no Chincheo governando teve alguma culpa neste negocio, pella qual teve trabalhos pera que não encubra, e dissimule, no segundo lugar se dara também ao Chaem, que sem duvida a de avisar ao rey, e o Lutão sera obrigado a fazer o mesmo. No terceiro lugar ao Pochem seu veedor mor da Fazenda desta província. No quarto ao Ancan justiça mor delia. No quinto ao Aitão. No sexto a Ancão immediato a Macao. Finalmente he certo que com minha fugida, que os olandeses han de estar com grande modo, e arreceo que eu informe cá de seu pouco poder, e do demais, e por eu saber tudo, e que antes de lhe vir socorro da outra [62] parte vão dar sobre elles por sua gente ser pouca e fraca, e se os chincheos que ali estão darem seguro e os tratarem bem han se de tornar contra elles pera escaparem, e apanharem o que puderem. Certifico eu Salvador Diaz natural desta cidade de Macao, que avera quatro annos hindo pera a Manilha em hum cho de João Bautista, e ansi me cativarão os olandeses, e estive com elles quatro annos dous na Ilha dos Pescadores e dous na Ilha Fermosa no porto de Taivão, onde fui sua lingoa entre elles, e os chinas, por eu saber a lingoa entre elles e os chinas e suas letras, e assi corria com seus negoceos. E a esse respeito o chumpim capitão geral da provinda de Toquiem me deu huma dignidade militar dita muy pachum. E por merce de Deos, que me deo tam boa ocasião, que me podesse livrar delles, e fugir pera esta cidade com mais tres christãos, e doze chinos gentios em huma soma que pera este effeito comprei secretamente sem o saberem os olandeses, que sobre mim sempre trazião o olho pera que não fugisse. E agora tenho por sem duvida que com minha fugida han de estar muy tristes, e medrosos por eu saber seus negoceos, han de ter arreceo, que com minha informação se va sobre elles com armada. Certifico e juro aos Santos Evange- lhos, em que pus a mão, que tudo isto passa na verdade e que a relação asima escrita que tenho dado que daquelle porto, trato e mais cousas conteudas na ditta relação estão todas na verdade puntualmente como passa [62 v.] e assi o afirmo com juramento que tenho feito como christão, que sou que de feito todo o bem dos christãos, pois Nosso Senhor, e Virgem Nossa Senhora me fez tanta merce, que me tirou do poder daquelles herejes, e me trouxe à terra de christãos catholicos, e por tudo passar na verdade, e ser fielmente relatada me asinei aqui, hoje 26 de Abril de 1626 annos. Vay meu sinal. Achara China. E por não saber escrever português. 68
10. [63] DE LA CORTE DEL GRAN MOGOR Y SUS GRANDEZAS El rey Lamguir Gran Mogor tiene su corte, y asistencia en la famosa ciudad de Agra tan celebre y conocida por todo el mundo, por ser de las mas ricas de todo el Oriente; es la maior, y mas opu- lenta de todos sus reynos; queda en medio de todos ellos, y assi le queda fácil la administracion, y govierno de todas las demas provín- cias, y ciudades de aquella gran monarquia, es el rey mui aficionado a esta ciudad por su benigno temperamento, mucha frescura ameni- dad y sano cielo. Tiene esta famosa ciudad su asiento junto a un hermoso y fresco rio, que baxa de una cierra que dista de ella ocho dias de camino hazele el rio mas agradable ser pobladas sus margenes de muchas ciudades y lugares mui poblados muchas huertas y jardines, sus aguas son claras y saludables y corriendo blandamente, va a perder su nombre en el gran rio Ganges que en el rio de Bengala entra en el mar occeano. Tiene la ciudad mas de quattro léguas en circuito, no tiene mu- ros esta cercada toda de frescas huertas, y jardines tiene una her- mosa y grande fortaleza que llaman Drabá que es el palacio donde el rey habita, y tiene su cassa, cuia gran fabrica es toda de canteria colorada hecha con mucha curiosidad; es obra romana; aqui tiene el rey mui grandes thesoros, y todas sus mugeres; y hijos, y ai den- tro tres grandes palacios donde viven sus tres hijos maiores; y mu- chos aposentos, y moradas para muchos capitanes grandes de aquel reyno, y otras muchas personas que siempre asisten a su servicio. Dizen que tiene esta ciudad mas de um millon de personas de toda suerte de gentes y no es posible menos por la mucha que cursa a todas oras dei dia, y de la noche per todas Ias calles que apenas se puede andar por ellas con elefantes, cavallos, camellos, carretas, y bueies de servicio. Las casas de los capitanes, sodagares hombres ricos mercaderes, y principales son mui grandes, y buenas de piedra y ladrillo, mas las de la gente comun no son vistosas que son de tapia cubiertas de paja. [63 v.] No se puede numerar la mucha gente que todos los dias entra y sale assi cafilas de mercaderes, como capitanes con sus esquadras: colonnes que son arrendadores de las tierras.. no es do menos admiracion el gran servicio que ai en esta ciudad de carretas 69
camellos y otros muchos animales, dc cavalleria y de carga que para toda las província se alquilan, y quien quisiere de un dia para otro mill carretas, mill camellos cavallos mulos para Persia, para Cambaya, para Bengala, o para otros reynos mui distantes luego hallara quanto quisiere y mucho mas y en ninguna ciudad del mundo como en esta con tanta prestesa y abundancia. En esta ciudad ai mas de cien mill cavallos muchos elefantes, y camellos, carretas de servicio, sin quento y mas de diez mill bueies, que acarrean agua del rio para vender en grandes cueros. Es esta corte lugar de grande comercio, y se hallan en ella todas las mercaderias dei mundo, y mercaderes mui caudalosos, y ricos moros y gentilles, y gente de todas la[s] naciones. De los hijos y deudos de el rey Tiene este rey ocho hijos sinco varones, y três hembras, a saver Sultan Cusoro que es el mayor a este tiene preso y quitada la vista por aver querido quitarle el reino, el segundo que agora es príncipe heredero de llama Sultan Paravy este asiste en la guerra que su padre tiene con los dequines es capitan de doce mil cavallos con los quales es senor de muchas tierras y goça mui grandes rentas porque no es otra cosa ser capitan de doce mill cavallos que goçar tantas tierras en feudo que basten a sustentar promptos el numero de cavallos, tiene tan grande cassa y estado como su padre, muge- res, criados, y eunuchos, porteros, cavallos, elefantes, camellos, y carretas que es cosa inumerable. El hijo tercero es Sultan Corroy, este tiene aposentado en el Draba per la aficion que le tiene vive en un palacio tan [64] grande como el padre, o el Real, y es capitan diez mil cavallos con ellos tiene mui grandes rentas, y grande Estado. El quarto es Sultan Xarcar, es infante de seis anos, criasse en el real palacio de su padre tiene grande estado. Llamasse el quinto Sultan Drabo es infante de quatro anos ciasse en el real palacio. Las tres infantas viven dentro dei palacio real con grande estado, gozan grandes rentas y tienen riquíssimas jóias de grande valor. Estas senoras fueron pedidas a su padre por mugeres dei Xaa rei de la Percia y de otros poderosos príncipes de Oriente, mas de sobervia y arrogancia no las ha querido dar, dize que no ai en el mundo quien las memesça, y no sera mucho que de esta sober- via, y vanidad proceda su ruina aun tiene este rey madre que ama mucho, vive en un grandioso palacio dentro dei Drabá entiendese que esta mui rica, y ha juntado grandes thesoros, de sus grandes rentas es servida con grande magestad y respeto. Tiene el rey tres hermanas senoras de grande authoridad, hijas dei rey Acabar su padre, y de diferentes madres, el palacio de estas senoras es junto 70
al Real, en el Draba nunca cassaron, por la causa dicha son mui ricas, y se tratan con grande magestad. De sus três hijos maiores que son cassados tiene quatro nietos varones, y hembras todos de tierna edad. Quatro sobrinos le quedaron de dos hermanos suios los tres hijos Demgirá que murio de veneno estando en la guerra de los daquines, y ha tres anos qu'el rey permitio que se hiciesen chris- tianos, el mayor se llama Dom Phelippe, el segundo Dom Carlos, el tercero Dom Henrique el menor de todos Dom Duarte cuio padre estando en prission le mando matar con veneno. En prission tiene un primo hermano suio hijo de un hermano dei rey Acabar su padre a quien se espera deste barbaro el fin que suele a sus deudos. El cuerpo dei rey Acabar su padre pusso en un sumptuoso edi- fício, que hizo para su entierro esta une légua fuera de la ciudad, esta reputada por obra maravillosa en el mundo, por su grandeza perfecion, y riquesa, aun no esta acabada, y dicen que ha gastado en ella mas de dos millones. Como y quantas veses el rey se dexa ver a los suios, y la orden de su cassa [64 v.] No es servido ningun príncipe dei mundo con tanta magestad, pompa y respecto, y es tanto assy que los grandes dei reyno, y la mas plebe le adora quassi como a cosa divina, porque, tres veses que se muestra cada dia al pueblo, y una cada noche es immensa el alegria lisongera en todos commumente, y a quien el rey habla se echa en el suelo haciendo otras muchas cortesias a su uso puniendo la mano en el suelo y luego en la cabeça, dizen mu- chas alevassas de su estado, y nobleza, dizenle que es único senor dei mundo, y rey de todos los reys dei. La primera ves que se muestra a los suios es a las siete dei manana, en unas ventanas riquíssimas guarnecidas de oro batido obra costosissima, caen a la parte dei rio, y tienen debaxo un bello jardin, y luego una espaciosa plaça por la qual le pasean hermosos leones, y sueltan elefantes que corren tras cavallcs, y los acosan: deste lugar se recoge el rey a entretenerse con sus mujeres de donde se va a comer, y a medio dia ha dormido las sista; levantado de dor- mir a esta hora en puncto se pone en otra eventana tan ricas como las primeras, en esta asiste dos oras viendo pelear elefantes unos con otros, y gamos, y ombres con leones, despues desto salen danças, bailes y otros juegos de recreacion, de aqui se recoge al quarto de sus mujeres donde assiste grande rato con mucha magestad. A las quatro de la tarde se pone el rey a una ventana adereçada ricamente, que sale a una grande, y hermosa plaça que esta delante de palacio, de aqui haze mucha merced a los suios, da audiência a todos disponiendo varias cosas, y recive para la guerra los solda- dos que offrecen a servirle y el tiempo que resta vee jugar las armas. 71
y pelear los gamos de que tiene gran gusto, y le passean, y corren hermosos cavallos y elefantes. En este mimo lugar le offrecen los suios presentes, a que 11a- man sauguates cossa mui usada en aquella monarquia, traenle cosas de mucho valor, joyas y pieças de oro, y plat a; pedreria, cavallos, y elefantes, y otros animales, y tambien cosas de menos valor que nada desestima, y todo recive. Debaxo destas ventanas ay un cercado de rejas coloradas [65] dentro del no pueden entrar sino capitanes de hasta cinco mill caval- los, y otras perçonas de grande estado, y dei servicio de su cassa y hijos y deudos de reies sus vassallos, que sus passados conquis- taron, y cada uno tiene su lugar cierto conforme su calidad, y estado. Junto a este cercado ay otro mas grande en que estan capita- nes soldados y hombres dei servicio dela Cassa Real; y le colorines arrendadores de las tierras cada uno en su lugar sinalado; per la parte de afuera estan los criados en lo restante de la gran plaça capaz de tener treinta mill hombres; al ponerse el sol se entra el rey a un sitio quadrado en forma de claustro; por lo alto cerrado en que ay riquíssimos aposentos; y pieças ricamente ataviadas de pinturas y lacerias; y cossas de mucha estima; aqui se detiene un espacio conversando con los mas llegados a su perçona hasta que se buelve al quarto de las mujeres donde se detiene hasta las ocho de la noche; advirtase que en este paralelo los dias son quasi iguales con las ncches todo el ano; y en el discurso dei hace el sol poca diferencia. A esta ora se va el rey assentar en un puesto cercado de rejas donde entran algunos de su Consejo, come con ellos algunas fructas, y beve su vino. En el tiempo que aqui se detiene trata matérias de estado de guerra, y govierno leenle cartas que de varias partes le vienen, y embian sus capitanes y vassalos. A las dies sale de aqui, y se recoje a una grande sala que tiene en circuito ricos aposentos, en el medio esta un hermosso jardin aqui viven sus mujeres con ellas se detiene algun tiempo entrete- niendose, y de aqui se va a cenar, de la pieça en que cena se recoje al quarto en que duerme que es riquíssimo: aqui le assisten algunos hombres de buenos dichos y otros vistos en historias que con buena relacion se las quentan y nuebas del munudo con que provoca al sueno. Al amanecer se levanta, y quando sale el sol le haze la Namaça, que es cierta adoracion, esta, solo este rey [65 v.] y su padre la hizieron entiendese que no es moro, ni gentil, ni se le conoce creen- cia sierta, es un barbaro que vive en las leies de su gustes lleno de sobervia, y vana gloria entiende que el solo es senor dei mundo, es mui vengativo, y cruel sin piedad. 72
La mujeres que tiene este rey el servicio de su palacio y atavio de su perçona Tiene este rey quinientas mugeres con quien es cassado con- forme a sus ritos, estas son hijas de vassallos suios grandes de su reino capitanes, rajas gentiles, y tambien de perçonas de poca cali- dad, y para subirias a esta dignidad no tiene otro favor ni dote mas que el de la hermosura, y partes, y para eso tiene por todos sus reynos perçonas que le avisan donde ay alguna mujer digna por su hermosura de serio suia, y luego se la traen aunque sea de baxo estado, y contentandole la pone en el numero de las demas. Entre ellas ay algunas a quien por tenerles mas aficion son mas veneradas, y tratadas con mas respeto, a estas quedan inferio- res las demas y hacen la Salama que es cierta cortesia de aqui pro- ceden grandes enfados y disgusted entre ellas, y grandes pendên- cias que el ataja tomando informacion del caso, y a las que halla con culpa las castiga con prission, que para esse effecto tiene con su carcelera, y otras que sirvem de ministros para estas ejecuciones, y castigos açotandolas y suelen estar algunas en apertadas prissio- nes muchos meses, dandole la comida y bevida por onças hasta que piden mizericordia por intersecion de las validas y queridas del rey y de otro modo no se podrian concervar. Estas tienen tres mil criadas que las sirven de puerta a dentro las mas esclavas del rey para todas las cosas necesarias [66], y cada una tiene disputadas las que le ande asistir, en el quarto destas mujeres no entra hombre, ni aun eunucho que todos los reys moros son mui celozos, y recatados pues ni aun sus proprios hijos dexan estar con sus próprias madres en llegando a cierta edad; y mui pequenos se los quitan, y ponen cassa con todo servicio y estado. Cosa seria increible decir las riquesas de los trajes jóias pedre- ria, oro y plata dei servicio y adorno destas mugeres; y no solo en ellas mas aun de las criadas, y esclavas que las sirven, y anda esto en tanta abundancia aun en estas que quien no las conociere enten- dera que son grandes senoras. Valen las jóias y pieças de oro y plata destas mujeres dei rey mas de cinquenta millones de nuestra moneda. No se puede numerar ni decir el numero de las vaxillas jaeses y pieças dei servicio deste rey, no se sabe que las tenga tales otro dei mundo porque todo lo bueno dei Oriente va a sus manos pre- sentado, o comprado por sus vassallos y capitanes; estan estimados en mas de otros cinquenta millones. Para el servicio dei palacio real tiene el rey mui grande nu- mero de eunuchos que acuden a todas las cossas necesarias, y tienen sus preheminencias, y pueden entrar hasta ejertas pieças dei palacio que a los demas criados es prohibido por su fidelidad, y confiança que dellos se hace, y de algunos que son hombres de mucho respecto fia el rey cossas de importância, destos ay algunos grandes capita- 73
nes, y de muchos cavallos, y muchas rentas, y se tratan con grande ostentacion, y a otros cujo cargo es acompanar las mugeres del rey quando salen a holgarse, y hacer jornada todos los senores y perço- nas grandes deste reyno tienen muchos en su servicio. Gastos de la caza real Gasta el rey mas todos los anos en la família de su cassa, mugeres y hijos pequenos atavios de su perçona y criados doze mil- lones de nuestra moneda, por ser cossa tan grande como [66 v.] avemos dicho, no entran en esta los gastos los de su madre y her- manas ni los de sus hijos maiores, que estos tienen grandes rentas en las quales les sobra mucho de que hazen grandes thesoros. Las limosnas ordinárias que haze todos los dias, y se reparten en pobres, y perçonas nesecitadas valen cada ano cinquenta mill rupies que son de nuestra moneda 250 mil escudos de a doze reales que es una moneda de oro que llaman pagodes. Gasto de los animates y otras cosas de su servicio Ai quarenta mill hombres de servicio como son faraces que curan de los cavallos, cornacas que mandan y curan los elefantes, porteros, bueies que assi los llaman a los que cargan los palanquines que son siertos andores que llevan una perçona, y con cada uno cargan quatro hombres, carreteros de las carretas en que se camina tiradas de hermosos bueies que andan velozmente, y son mui galonas y bien lavradas, otros que con animates acarrean agua para el palacio, barredores y otros muchos que se ocupan en varias cossas dei servicio: y todos tienen su salario senalado, que todo vale docien- tos mil escudos cada ano — 2000 mil escudos. Los elefantes son sinco mil cossa hermosissima algunos son de mucho precio estos sirven en la guerra y para otros servidos, y para los espectáculos de las fiestas gastan cada ano—2 mil mil- lones. Son los cavallos doze mill ai muchos entre ellos de mucha esti- ma gasta cada ano un millon docientos mil escudos — 1.200 mil. Siete mill camellos gastan — 0 300 mil. Siete mil bueies y vacas de servicio gastan — 0 250 mil. Ochocientas mulas y machos de servicio gastan — 00 20 mil [67] 1 mil 5000 gamos de pelea para sus fiestas gastan — 8 mil. Cien leones gastan — 10 mil. Docientas onças de caça mil 800. Trecientos perros de caça gastan — 00 0 2 mil. Docientos puercos manços — mil 200. I mil 100 paxaros de bolateria — 3 mil 900. 8 mil palomas manças — 9 mil. 100 gatos — mil 200. 74
E en adereços de sillas, y frenos de cavallos y herraduras, y en panos de seda para ornato de los elefantes, y otros adereços que se les ponen; en adereços de carretas que son sus coches; y palanquines castillos de los elefantes adereços de tiendas de cam- pana, tapicerias colgaduras y alhombras; y en estanar el cobre dei servicio de los animales, y otras cosas a este modo gasta todos los anos 150 mil ducados. Gastasse en salário de officiales que ordi- nariamente trabajan en las obras reales dei palacio, como son pla- teros de oro y plata, lapidados, pintores, herreros, polvoristas, fun- didores de artilleria, caldereros, tejedores de telas ricas de çeda y oro, y de varias cosas de allhombras, bordadores, doradores, syl- leros, y otros muchos officios que sin interpelacion trabajan todo el ano — 250 mil ducados. Suman todos estos gastos de hombres, y animales todos los anos quattro millones y quattrocientos mill y ochocientos escudos de oro de a doze reales. Tessoros. y rentas deste rey No ay en el mundo rey aunque sea mui poderoso que tenga tantos y tan grandes thesoros ni los de muchos reys juntos se igua- laran con los de este porque en discurso de noventa anos que tan- tos ha que los reys de los Mogores empeçaron a conquistar los rei- nos desta monarquia que oy possen los hallaron mui ricos y opu- lentos; con cuias riquesas han hecho crecidos thesoros, y los fue- ron augmentando con las grandes rentas y imposiciones que les pussieron, y con el [67 v.] uso que tienen como los mas reies moros de heredar de todos sus vassalos; y como los capitanes governado- res, y todos los principales son mui tiranos en los cargos, y tienen por costumbre sacar mucha hacienda con extorciones, y fuerças de los que estan debaxo de su jurisdicion con estas tiranias se hacen riquíssimos, y quando mueren todo viene a la corona, y quedan sus mujeres y hijos desheredados sin otra cosa que lo que pueden ocultar con grande secreto por no incurrir en la pena que para este caso estan puestas, estos para ocupar los puestos de sus padres sirven y merecen por sus perçonas, y sigun el valor de cada uno se leda (?) el premio, y lugar; son sus privansas poco firmes, y con mui poca causa son los privados aniquilados, y se les quita la vida, en el thesoro que se començo ha ochenta annos (?) siempre entraron riquesas, y nunca salio nada ni ha sido menester que para los gastos hordinarios de la guerra, y dei palacio ay otro deposito mui grande con sus oficiales, aqui se recojen las rentas, y otras cosas tocantes a sua corona. » Tiene unas mui grandes casas en medio de su palacio con una levantada torre cubierta de laminas de oro, estas no (sic) sirven de otra cosa que un thesoro secreto a que no se llega y quien hizo 75
esta relacion que es un religioso de la Compania de Jesus vio esta torre. Dizen perçonas fidedignas que en pedreria, oro y plata por lavrar tiene el rey quinientos milliones, y no es este mucho antes se puede entender que sea mas por los muchos thesoros que sus passados juntaron que eran mui poderosos, y opulentos, y como digo a los thesoros no llega antes los augmenta con mui grandes canti- dades que todcs los anos le sobran despues de hechos los dispêndios horinarios, anse avaliado las rentas de sus reinos, y las herencias de sus vassallos en cinquenta millones cada ano, de aqui salen los gastos de las guerras que sustenta en varias partes de sus fronteras y los de su casa que son [68] quales hemos dicho, lo restante se aplica a las Casas de Thesoro. El rey Acabar padre deste, a que llamamos Gran Mogox y tambien sus antecessores tenian inpuestos ciertos derechos de en- tradas, y salidas en sus reynos que le valia todos los dia (sic) 500 mil de oro otros dicen que valia um millon cada dia porque son mu- chos los reinos y el comercio el maior dei mundo, y las cafilas mui ricas, pero el rey Lamguir hizo livres los puertos, y entran, y salen livremente sin derechos ni tributos, y dixo que no convenia siendo el senor dei mundo que tubiesen oppresion los que se amparavan con su favor solo a instancia de sus capitanes concedio que pagasen en los puertos de mar medio por ciento, no por lo que importa mas porque los suios deste modo le puedan dar noticia de las pieças riquas que entran que el compra mui a placer de quien se las vende, y muchos mercaderes se Ias llevan de partes mui remotas, y no se save que dexase de comprar ninguna por costosa y cara que fuese. De sus capitanes y sus grandezas Los capitanes a que llaman Grandes son ciento cada uno de a 5 mil cavalos es esta la maior dignidad a que pueden llegar destos lo biente son mui poderosos y tienen tan grande estado como reyes ay algunos destos que tienen en su servicio a tres y a quatro mil hombres en sus palacios en que entran esclavos y eunuchos, faraces que curan los cavallos, y cornacas que traen los elefantes y otros peones al muchos senores destos que tienen en sus cavallariças mill y a dos mil cavallos, y a trecientos y quattrocientos elefantes y en baxillas yoias, y de sus mujeres, y otras ricas pieças dies millones, y algunos se les halla por su muerte athesorado a treinta y a qua- renta milliones todo salido de sus rentas son tambien Grandes los capitanes de quatro mill tres mil hasta [68 v.] mill y llegando a este numero son grandes senores y se tratan como tales goçan de grandes immunidades, y preminencias. Ay otros capitanes menores de 800 hasta cien cavallos tambien se tratan costosamente y con authoridad y tienen buenas rentas, y estados de sus perçonas y casas. 76
A los capitanes menores de cien cavallos abaxo llaman Biste destos tiene muchos, estos tambien tienen authoridad assy en la Corte como fuera de ella. Los reynos de que es sefior este rey Los reynos de que este monarcha es senor son mui ricos, y de grande comercio, y los mejores dei Oriente producen muchos y buenas mercaderias porque son mui ccnocidos y buscados por mar y tierra con grueças cafilas y muchos baxeles de partes mui apar- tadas por esto no es maravilla que valiesen los derechos lo que atra diximos en esta grande monarchia no se entiende cosa que no sea deste rey y todos sus reynos estan unidos y communican unos por otros son los sigientes: El Reyno de Cabul que confina por una parte con la Persia, y por otra con los Ysbequez. El Reyno de Candar que esta en la sierra deste mismo nombre, y llaman las Puertas de Persia El de Quixímir El de Moltan El de Laor El de Doli y Agra El de Sir y Briampor El de Vandou Los Reinos de Bengala que son muchos y empiçan de Patane adelante. El de Veraia que es llano y frontera de los Dequinies [69] los Reynos de Cambaya El de Junager El de Sinde Sumaria y abreviadamente se han relatado las grandezas y monarquia del Gran Mogor, hizose este tratado el ano de 1610, por perçonas religiosas, y fidedignas que en su corte asistieron muchos anos, y el rey los trata amigablemente, y son tratados como los mejores dei reyno y les da para su iglesia rentas y permite la dilatacicn de nuestra Sancta Fee en sus reynos. El venerando Padre Geronimo Xavier perçona de conocida virtud, y Sobrino dei Bienaventurado San Francisco Xavier assistio en esta corte beinte tantos anos, y fue deste rey mui querido y tra- tado con mucha estimacion, este padre aprovo todo lo aqui dicho por verdad, y dixo que lo dicho era poco para lo que se podia dezir, y el Padre Manuel Pinero de la Compania de Jessus que hizo esta relacion asistio muchos anos en esta corte dize que por no dar ocas- sion a que la tengan por fabuloza dexa de dezir muchas cosas, que en nuestra Espana pareceran dudosas, y pareseran increybles. 77
No haze este rey ninguna estimacion de los que se hazen moros, y dize que quien dexa la ley en que nacio no sera firme en la agena, y todos los que reniegan en sus tierras viven y acaban mal y mize- rablemente. Como save por la relacion en este reyno los maiores senores, tienen tilo (sic) de capitanes de gente de cavallo, que en sus guerras no ay infanteria, y conforme el numero de cavaílos de cada uno, tienen maiores, o menores las rentas, y estado y por una lista que aqui no se pone por evitar prolixidad se vee quantos son los capi- tanes, y el numero de cavallos que tiene cada uno a sua cuenta, y sus rentas, estas rentas estan cituadas en las províncias, repartidas por los pueblos, y tierras de sus districtos. Son los capitanes en numero 4 mil 986 La gente de a cavallo 923 mil 150 La renta de todos 87 millones de escudos de oro 961 mil 495 [69 v.] Aqui se incluien la renta de los infantes que tambien son capitanes. Todos los capitanes, que estan en la corte acompanan al rey quando sale en publico, y con su gente quando sale a la guerra esta gente que es bien pagada esta siempre a punto, y açude puntual- mente todas las vezes que es llamada sin dilacion. 78
11. [71] DO PRINCIPIO DO REYNO DE ORMUS, E REYS QUE ATÉ HOJE TEVE, COMO TEMOS ALCANSADO DE SUAS ESCRIPTURAS, E MOU- ROS ANTIGUOS E SÁBIOS, COM QUE ALI POR ESPACIO DE ONZE ANNOS COMUNICAMOS No anno de nossa redempção de 1293 reynando na Persia (') Abagahan filho do Grão Tartaro Alehan a que casi todos los escri- tores chamão Alacu e outros Alà, ono e outros Hulan, sendo este rey senhor de todo o estreito pérsico, ao menos de todas as ilhas d além hum senhor que chamava Malec Cais, e tinha seu asento na Ilha de Cais, que está pello estreito dentro alem de Ormus pera Baçora quasi 40 léguas pegada a costa da Persia naquella parte a que os natruares chamão Dolestan: e neste mesmo tempo que este rey navão era senhor do Mogostão, e de tudo aquillo que jaz no sertão de Ormus da banda da Persia atè o Cabo Jazques hum mouro chamado Groduxaà, que tinha seu asento em huma cidade chamada Ormus, que he a de que Ptolomeu faz menção em suas taboas, da qual ainda hoje se vem algumas ruinas junto de huma fortaleza que se chama Cruxtac, a que a corrupção da lingoa chama hoje Costeca, ainda que outros dizem, que mais o parecem outras ruinas, que se vem em hum lugar chamado Menau ou Menejão que jaz sobre hum rio que atravessa por [71 v.] todo o Mogostão, que he a terra firme deste reyno da banda da Persia fronteira a nova Ormus aonde hoje estamos. Este Groduxà envejoso do grande comercio e trato do senhor de Cais pello grande concurso de naos que de cotino avia na sua ilha, que a ella corrião de todas as partes do Oriente desd' a pro- víncia da China até o Estreito do Mar Roxo, donde se levantão todas as drogas, roupas, sedas, pedraria, e todas as mais riquezas e louçainhas de todas as partes, e dali se espalhavão pera a Persia, Grécia e toda Europa con cuyas entradas aquelle senhor de Cais estava muito rico. Desejoso Groduxaà de fazer algum porto adonde avocasse aquelle trato e naos, vendo que tinha o senhor de Cais huma ilha deserta pegada a seu senhorio, chamada Geram, per cuya porta passavam todas as naos, que entravão do estreito para dentro, e (*) A margem: Reyno de Ormuz. 79
dissimulando o que tinha no peito tratou con aquelle senhor de Cais, que lhe vendesse aquella ilha, pois lhe não servia de nada, e era tão esteril, que nem dava huma sò erva verde, nem tinha em si mais que serras de sal, e emxofre sem aguoa, e sem outra cousa alguma de que se podesse aproveitar como ainda hoje he. O Malec Cais não caindo na pretenção do Groduxaà lhe ven- deo a Ilha de Geru, posto que contra vontade de sua mãy, que dizem lhe profetizou o que despois veo a ser. Emfin feito Groduxa senhor da ilha mandou a logo [72] povoar, e formou armada, com que começou a avocar à ella todas as naus, que hião pêra o Cais, fazendo grandes favores aos mercadores nos direitos e nas compras, e vendas de suas fazendas, com que se começou aquelle porto a fre- quentar, e faltar na Ilha de Cais todas as cousas. Sobre isto se moveo guerra entre aquelles dous mouros, mas como Groduxaà estava ya rico, e poderoso, não sò se defendeo delle, mas ainda lhe foi tomar a Ilha de Cais, fazendo se senhor de todo o seu Estado. Era este Melacais vasalo dei Rey da Persia, e tinha lhe man- dado pedir socorro pera contra o imigo, e quando lhe chegou ja tinha perdido o Estado. Os persas que vinhão de socorro contra o Groduxaà, entrarão lhe oelo senhorio, e senhorearão logo, e o Gro- duxaà se acolheo pera a Ilha de Ormus, donde mandou embaixadores a Persia com muitas pessoas, e dinehiro, offerecendo lhes vasa- lagens. Isto abrandou de feição ao Rey da Persia, que lhe tornou a restituir seu Estado, e dahi por diante ficou vasalo dei Rey de Persia com obrigação de pareas cada anno, e que de cinco em cinco annos mandasse seus embaixadores a Persia à dar obediên- cia a el rey. Vendo se Groduxaà quieto, começou a fazer caveça de seu reyno aquella Ilha Gerum, fundando nella huma cidade a que pos nome Ormus, como a que tinha no Mogostão, engrandecendo a tanto com o comercio e trato das naus que a ella avocou, que fez huma das mais celebradas do Oriente. [72 v.] Reynou este Groduxà no Reyno de Ormus trinta anos; ficarão lhe dous filhos o primeiro Turuxaà, que revnou 24, e outro Mohametxaà que socedeo ao irmão, que reynou 29 anos. a este sucedeo Cobadexa seu filho que reynou 30 anos, ficarão lhe dous filhos Leixadinxaà, que reinou 25 anos, y Turuxaà que herdou o reyno por não ficarem filhos ao irmão que reynou 30 annos. A este ficarão 4 filhos Maguedxàa (?), Xabadim, Sargotaà, e Xaves, que todos reynarão violentamente, tirando Maguedxaà mais velho que reynou dez annos. Xabadim reynou once, e Xaves que era o derradeiro anno e meio: porque o Sargol, que era o mais velho estava fugido em Lassà, porque o irmão se levantou contra elle e lhe tomou o reyno e de lá com ajuda daquelle rey de Lassà veio con- tra o irmão, e o lansou fora do reyno ficando elle rey em que viveo 30 annos. Y este Sargolxá reynava quando Afonso de Albuquerque 80
sendo capitão mor daquelle estreito foi ter a Ormus os annos de 1507. Falleceo este rey sem deixar filhos e os povos levantaró por rey a Ceifadim filho de Xaves aquella que o irmão lançou fora do reyno, o qual então era menino de dez annos. Este reynava, quando Afonso de Albuquerque sendo governador da índia os anos de 1514, ganhou aquelle reyno, e o fez vasalo dei rey de Portugal. Este Leisadim reinou dez anos e socedeu lhe seu irmão Turuxaà, que reynou 8 annos, a este socedeu Mohametxaà, que reinou nove annos, e era filho de Leisadim, por morte deste, socedeo Sargolxaà filho de Turuxaà [73] que foi o que Nuno da Cunha, governador que foi da índia nove annos, mandou trazer de Ormus por evitar devi- sões do reyno, e o teve em Cochim aonde ouve hum f lho chamado Turuxaà em huma molher abexim chamada Bibigazella, porque dizem que tinha os olhos de gazella; este Sargolxaà mandou despois Nuno da Cunha pera ir soceder no Reyno de Ormus vindo lhe novas da morte dei rey Leisadim. Este Sargolxaà foi o rey que concedeo a Alfandega de Ormus a el Rey de Portugal, como adiante diremos. Este faleceo em Novembro de 1543. E logo em Marzo o Guasil, e pessoas principaes do reyno mandarão pedir ao gover- nador Martim Afonso de Sousa que lhe desse Turuxaà seu filho, que estava em Goa pera herdar o reyno, por não aver outro her- deiro, o qual era de idade de doze annos; pello que logo o alevantou por rey com a mayor solemnidade, e aparato que pode ser, dando elle depois de alevantado homenagem nas mãos do governador dizendo que recebia aquelle reyno pera o ter e governar emquanto el rey de Portugal o ouvesse por bem: e feita esta ceremonia despachou logo o governador a Luís Falcão pera ir entrar por capitão da for- taleza de Ormus de que era provido, dando lhe hum galião, e o dia que se delle despidio lhe entregou o rey, pera que o levasse a Ormus, e o metesse de posse do seu reyno, acompanhando o o governador até a rua. [73 v.] Este rey Turuxaà reynou muitos annos foi o milhor rey e mais bem inclinado, que teve Ormus muito affeiçoado aos portugueses, e ainda hoje os que o conhecerão sospirão por elle, e os reys de Ormus o tem retratado em sua casa, como eu vi muitas vezes ao que hoje governa. Este Turuxaà morreo sem filhos; posto que despois muitos annos de sua morte sendo capitão de Ormus Mathias de Albuquerque se quis com certo favor introducir por filho deste rey hum xeque Juete filho de huma molher da Ilha de Queixome e vindo a Goa em tempo do viso rey Dom Duarte de Meneses a habilitar sua pessoa morreo, dizem que de peçonha apre- sadamente. Deste xeque Joete ficou hum filho pequeno, que em Ormus sendo capitão D. Jerónimo Mascarenhas o anno de 593 o fez chistão, e se chamou D. Jerónimo Joete, o qual vindo a Goa por ordem do viso rey Math as de Albuquerque foi mandado reco- lher no nosso convento de Santo Agostinho, pera alli aprender e ser 81 6
doutrinado, e as$i ficava ainda recolhido o anno de 1600, em que a segunda vez viemos da India. E o anno seguinte de 1601, tomou o hábito de Santo Agostinho em o convento de Goa. E por pi rey Turuxaà morrer sem herdeiro socedeo Mamuxaà seu primo que estava em Goa, e não viveo no reynado mais que catorze dias, e a este socedeo (sendo capitão de Ormus Dom Pedro de Sousa) hum filho seu por nome Faracoxaà, que he o rey que hoje governa, e ha 39 annos homem ja de idade de setenta annos muy descuidado [74] e inhabil no governo, sogeito a vinho, e outras mesinhas que o fazem perder muitas vezes o juiço, e no seu modo de proceder parece que não trata senão de consumir de todo aquellas relíquias de reyno; porque sendo hum dos mais opulentos daquellas partes, os descuidos dos viso reys, forças de capitães, e ministros dei Rey o tem tão tiranizado, que ja nelle não ha mais que misérias, e trabalhos, males, que tem consumida toda a índia: porque faltou a justiça, e creceo a cobiça nos ministros que a governão, de ma- neira que tudo he interesse proprio, e roubar a el rey pera si, e aos homens pera el rey. E ja que estamos com as cousas de Ormus entre mãos, me pareceo bem por aqui as doações que os reys daquelle reyno fizerão da alfandega aos reys de Portugal, as quaes eu tirei dos mesmos livros da alfandega, que estan nos mesmos livros da feitoria de Orums, o que servia muito pera Sua Magestade saber o como os do seu Conselho e seus viso reys se han de aver no requerimento que el rey de Ormus tem com os viso reys da índia acerca das mocarrias, ou pareas, que se cada anno pagão ao rey da Persia, e ao de Lara, e a outros declarados nel formõis das doações dos ditos reys. O anno de 1543 partio pera Ormus de Goa o licenciado Anto- nio Cardoso secretario do Estado da índia por mandado do gover- nador Nuno da Cunha, e chegou a Ormuzz em Setembro , e logo tratou de tirar devaça do capitão da fortaleza, que era Martim Afonso de Mello por averem dado capítulos contra elle ao gover- nador, e achou ser tudo informações ruins e aleives cousa mui ordi- nária na índia, porque Martim Afonso era fidalgo de muitas partes, merecimentos e virtudes. Acabada a devaça tratou logo com el rey [74 v.] Sargolxaà, que quisesse largar os rendimentos daquella alfandega a el rey de Portugal seu senhor, porque aquelle era o meio milhor para el rey de Ormus ficar desindividado e desobrigado da muita cantidade de dinheiro, que estava devendo das pareas a el rey de Portugal. Emfim ajuntarão se a isto muitas cousas pre- sente o capitão da fortaleza e o guasil, e o licenciado Antonio Car- doso, que hia com poderes de veador da Fazenda, e presentes todos fez el rey Sargolxaà doação dos rendimentos daquella alfandega a el Rey de Portugal com as condições seguintes: 1* — Que el rey de Ormus largava a alfandega daquella Ilha Gerum em solido a el rey de Portugal com condição que lhe qui- 82
taria todas as dividas, que até então lhe devesse de que logo lhe fizerão quita em publica forma, que eu também vi nos mesmos livros, donde tirei estes capítulos, quando com as mais enformações e doa- ções, e origem e fundação do Reyno de Ormus mandei huma relação a Diogo do Couto casado em Goa, as quaes me mandou pedir pera a continuação das suas Décadas. 2.» — Que el rey de Portugal lhe mandaria dar do mesmo rendimento as cousas seguintes: Quorenta leques que são mil e oitocentos cruzados cada anno na alfandega pera vestiaria de sua pessoa: dozentos e sincoenta leques mais que são nove mil, e trinta e seis cruzados para pagar as mocarrarias, que são as parcas, que se pagão ao rey da Persia e a outros, os quaes se entregarião ao guasil, que avia de ser juiz daquella alfandega, pera os repartir. 3* — Que lhe darião mais todas as tenças, moradias, que paga- va a seus criados. 4.® — Que os ofifciaes mouros que tinha na alfandega havião [751 de ficar sempre correndo com os cargos, os quaes os reys de Ormus proveriam nas pessoas que quisessem. Destes capítulos se fizerão autos assinados por todos, e se regis- tarão nos livros da feitoria daquella fortaleza com o regimento da alfandega donde eu os tirei e alem disto pasou el rey de Ormus hum formão chapado da sua chapa real pello qual conced a aquella alfandega aos reys de Portugal, que estava no mesmo livro da fei- toria e he o seguinte: Formão da doação que el rey Sarqolxà fez da alfandega de Ormus aos reys de Portugal Formão sem nenhum a elle outro igual, ao qual mando que todos obedeção, pera que saibão, que minha propria vontade e determinação he polia muito grande amizade, conformidade, e obri- qação, que ha entre mim. e o meu senhor rey de Portugal Dom João, que em grandeza chega aos ceos, e tem poder sobre toda a redondeza da Terra: e em Estado he igual ao rey da China, ven- cedor de todas as guerras humanas, grande rey de justiça mayor que todos os reys do mundo, chave do tisouro, que ia (sic) sobre a Terra, que he a virtude e nobreza, contas por onde se reza o saber reynar, limpeza de todo o mar do reynado, edificador da pavoaçao dos moradores, boceta onde se encerra a muito fina, e preciosa esmeralda, alto baluarte, e defensor de todos, sol de justiça e ver- dade, fonte limpa, que mantém a limpeza da Terra, assi o povoado, como o deserto, esperança em hum sò Deos, e nelle muito confiado, alto rey Dom João a quem Deos sostepha no seu reyno descan- sado e sosegadamente, que sempre com os seus bens remedea [75 v.J a pobresa do mundo, a cuyo emparo estou chegado, e a minha boaventura está em ser cercado de sua nobreza e acolher de 83
minha esmerada fruta, que he regada com a agoa das suas merces, e sei certo que a graça do meu rey de Portugal está comigo, e me tem posto em mu.to grandes esperanças, assi que por todas estas vias vi que sou obrigado a ser conforme as suas couzas, e por o reyno e fazenda por seu serviço e o nobre praso dei rey de Portugal have lo por minha propria morada, e naturesa, e não me afastar hum so cabello da minha obrigação. E porque isto que faço he o que devo, meu proposito he, que o rendimento da Ilha Gerum depois de arre- cadadas as mocarrarias, e tenças de fidalgos de minha casa, proes e precalsos dos officiaes da Alfandega assi mouros, como portu- gueses, pello costume ordinário, tudo o mais, que render aquella alfandega, mando que se entregue aos officiaes dei rey de Portugal em pago das pareas que sou obrigado a lhe pagar, e mando a todos os officiaes de meu reyno, que contra este meu formão não troquem hum cabello. Dado na Lua de Moharam da era de Mafamede de 948, que são a 27 de Fevereiro de 1543 da era de Nosso Senhor Jesu Christo. E logo o capitão e veador da Fazenda e officiaes dei Rey forão a Alfandega e tomarão posse delia, e de então pera ca se arrecada pellos reys de Portugal. E com este formão forão os reys de Portugal arrecadando esta alfandega até que el rey Farracoxa lhe concedeo outro. Trestado da doação que el rey Farracoxà rey de Ormus fez da Alfandega aos reys de Portugal Este rey he o que ainda hoje governa e reyna. [76] Formão da doação El Rey Farracoxà faço saber a todos os officiaes deste Reyno de Gerum, que a mi me foi mostrado o formão que el rey Sargoíxà, rey que foi deste nobre reyno largou os rendimentos deste porto, e alfandega a el rey de Portugal meu senhor feito na Lua Mohar- ram de novecentos e quarenta e oito annos da era de Mafamede e da nossa he a 27 de Febreiro de 1543, posto que esta palavra de a largar no estê no d to formão tão declarada como devera estar, e isto por rezão dos benefícios, que de Sua Alteza tinha recebido, e por viver debaixo de sua obediência, sombra e amparo, e outras rações no dito formão conteudas. E porem fez nelle algumas decla- rações, de modo que o serviço não ficou de todo perfeito, especial- mente em declarar, que o que ficasse dos rendimentos da dita alfan- dega, pagas as couzas, e despezas no dito formão conteudas, se en- tregasse aos feitores do dito senhor para pagamento dos soldados desta fortaleza; e porque os serviços feitos aos reys de Portugal de cuya mão nos temos os que reynamos este reyno, e estamos, a sua 84
sombra, e merce hão de ser limpos e verdadeiros sem condições de di- versos entendimentos; porque estes taes tem muitos diferentes huns dos outros. E fazendo me ora o capitão Dom Pedro de Sousa disto relação do fallecimento do dito formão passado de como era ser- viço em parte e não inteiro; e tendo respeito a obrigação, que tenho a Sua Alteza muito mayor que os reys passados por rezão de alevan- tar por morte dei rey Turuxàa por rey a meu pay Mamuxàa [76 v.] que por ser velho e doente morreo em breves dias; e por seu falleci- mento o dito capitão Dom Pedro me alevantou por rey em nome dei rey de Portugal meu senhor com as obrigações, e vasalagem em que os reys de Ormus ao de Portugal são obrigados emquanto reynão, que tudo visto por mim; e principalmente as obrigações de meu pay e minhas por tamanhas honras, como são fazer nos rey liberalmente sem outros meios, que nestas cousas muitas vezes se acresentão de pareas e novos tributos, e imposições, que pellos supe- riores aos inferiores muitas vezes são acresentados. Por este novo formão, confirmo quanto à posse o de formão dei rey Sargolxaà; porque alargou os rend mentos da dita alfandega, tirando, e revo- gando as ditas condições, e clausula da dita alfandega nelle postas pello dito rey, porque todas, e cada huma delias derrogou, e que- brou, e hey por nenhumas, e de nenhum vigor do dia e tempo, que este primeiro formão do dito rey Sargolxà foi feito até este presente que hora novamente faço e quero, e me praz fazer serviço ao dito senhor rey de Portugal meu verdadeiro senhor da dita alfandega, e rendimentos delia com todo mero e mixto império, que elle como proprio rey deste Reyno de Gerum nella pode ter e por qualquer v'a lhe pertença, renunciando e pondo nas mãos de Sua Alteza toda e qualquer posse, que os reys passados de Ormus nella tiverão, e eu como rey que hora sou nella posso ter, e que todo o rendimento da maneira que está arrecadado pellos officiaes de Sua Alteza do tempo atras até o presente seja bem arrecadado, e por tal o declaro, e confirmo, e o mesmo se arrecade daqui em diante pera sempre emquanto o Sol durar pella guisa e maneira, que os viso reys, e governadores [77] ordenarem por seus regimentos, e provisões, tirando somente as tenças, e mocarrarias dos reys, e senhores meus visinhos, e minha vestiaria, e dos f dalgos, e officiaes da minha casa, e da dita alfandeza, porque nestas cousas ficava o primeiro formão do tido rey Sargolxà em todo o seu vigor. Portanto vos guasil, e officiaes compri enteiramente este meu formão sem ir contra elle hum so cabello assi do tempo passado como presente, e vindouro emquanto o Sol durar sem contradição alguma nem outro entendimento feito na Lua Mabiaquel da era de novecentos e setenta e tres anos. Rex Nurandim Guadix de Ormuz o mandou escrever. — Foi tirado este formão del Rey do livro 7.° dos registros da feitoria de Ormus as folhas 149 — té a volta o ano de 97 — 85
E porque sobre estas mocarrarias que se pagão ao Xatamas, e a outros reys e senhores vezinhos avia em Ormus grandes diffe- renças entre el rey e os capitães, e veadores da Fazenda cometeo o viso rey Dom Antão a enformação deste caso a Gaspar Pirez de Matos veador da Fazenda em Ormus, e com a informação fez o capitulo seguinte. Trestado de hum capitulo do regimento do viso rey Dom Antão de Noronha sobre as mocarra- rias, que se pagão na alfandega de Ormus ao Xatamàs e outros reys vezinhos tirado do livro do seu regimento, que elle fez, que está na feitoria de Ormus a folhas 10, e 11, está o capitulo seguinte: No regimento primeiro está declarado que se de em cada hum anno do rendimento da dita alfandega dozentos e cinco leques [77 v.] e treze azares para pagamento dos reys, e senhores comar- quãoes ao dito Reyno de Ormus, e embaixadores seus, que ali vim arrecadar as ditas dadivas e despeza que com elles fazem o tempo que andão na sua arrecadação, tirado o rey de Baçora, que o não ha. E por eu ter por informação que muita parte destas mocarrarias se davão da Fazenda de Sua Alteza individamente por se poder escusar por não ser necessário mandei a Gaspar Pirez de Matos sendo veador da Fazenda na dita fortaleza de Ormus (*) que se informasse disso muito bem, e meudamente, e sobre isso fizesse todas as dili- gencias necessárias pera saber a clareza desas cousas, e se ordenar a despesa que verdadeiramente se havia de fazer por isto importar muito à Fazenda de Sua Alteza o que elle assi fez, e de tudo me mandou autos das ditas diligencias ( e certidões, e treslados de re- gimentos, e inquirições de testemunhas sobre isto tiradas, e o mais que cumpria pera bem do dito negoceo, os quais forão vistos por mim com as ditas pessoas e officiaes com que tratei este regimento pelos quaes constou o Xatama e seus embaixadores, e officiaes de sua corte terem sesenta e seis leques, e sesenta e seis azares do dito dinheiro, o qual Xatama largou a dita mocarraria a Turuxá rey de Ormus já defunto por se tornar à sua ceita de Mortazali, e o for- mão que o Xatama disto [78] lhe passou, se tresladou em Ormus (i) Nota: segue-se um riscado que não é a continuação do texto, e assim vem indicado: — como presente e vindouro, emquanto o sol durar sem contradi- ção alguma nem outro entendimento feito na Lua Rabiaquel da era de novecentos e setenta e tres annos Rex Nuradim Guasil de Ormus o mandou escrever. Foi tirado este formão del rey do livro 7° dos registos da feitoria de Ormus as folhas 149 — té a volta o ano de 97 — no vale- o ris- cado com este titulo que se segue. 86
por mandado do dito veador da Fazenda a nove de Setembro deste presente anno de 1568 como he declarado no dito processo. E assi que os reys de Reixel tinhão de mocarraria dezanove leques, e trinta e dous azares na dita copia assi elles como os seus embai- xadores, e officiaes de sua casa, o qual rey sendo Martim Afonso de Mello capitão de Ormus o dito Xatama mandou sua gente sobre elle, e o prenderão com suas molheres e filhos e parentes, e todos forão mortos na corte do dito Xatamá por seu mandado, por dizer que se elevantara contra elle, aonde o dito capitão o mandou socor- rer quando a dita gente foi sobre elle, e do dito tempo pera cà não ouve rey do dito Reixel, e está lá às veces hum criado do Xaà, e as vezes do Mira do Xira, que nem tem casa, nem aparato, nem com- nosco prestança, nem amizade, porque não vem por suas terras as cafillas, nem outra cousa de que Ormus pudesse receber favor, el rey do Maçarão, e seus embaixadores e officiaes de sua casa tinhão seis leques e noventa e cinco azares nas ditas mocarrarias, por este ser senhor dos nautaques, e aver de favorecer as cousas de Ormus, o qual fez e faz o contrario por elle sostentar estes noutaques, e os favorecen por andarem a furtar neste estreito de Ormus, e ter parte no (sic) seus furtos, e tendo lhe amostrado este caso nunca quis prover nisto, por onde não está em rezão que haya a dita [78 v.] mocarraria elle nem cousa sua, nas quaes tres adições o dito Xata- ma, e el rey de Reixel, e do rey de Mocarrão se montão noventos e tres leques e tres azares, que elles tinhão das ditas mocarrarias que se assentou por todos os ditos officiaes, que os não devião de aver; pello qual hey por bem e mando que ós não hayão, nem lhe seja dado dos ditos nove de Setembro de 568 em diante, por onde ficão agora que se han de dar para as ditas mocarrarias cento e doze leques somente em cada hum anno de rendimento da alfan- dega, assi como for rendendo pera se repartir pellos outros reys senhores comarcãos como se fazia por seus embaixadores; os quaes cento o doze leques se entregarão ao guasil do dito Reyno de Ormus en cada hum anno dos rendimentos dos ditos nove de Setembro em diante pera elle fazer os ditos pagamentos, como sempre fez, e para isso fara sua obrigação nova por escritura publica em que se obligue a fazer os ditos pagamentos, como sempre fez, e pera isso fara sua obrigação nova por escritura publica em que se obrigue a fazer os ditos pagamentos, na qual declaração os reys e senhores, e pessoas a que se ha de fazer, e o que ha de vir a cada hum com tal entendi- mento, que pello tempo em diante socedendo cousa por onde alguns delles nãa ajão de aver, ou elle pagar, isto menos arrecadara da Fazenda de Sua Alteza na dita contia, a qual obrigação [79] o dito feitor cobrará e a fara registar na dita feitoria do dito guazil seus conhecimentos de que assi lhe entregar por sua conta, o qual capitulo todo de verbo ad verbum aqui está tresladado assi e da maneira que no dito livro está escrito. 87
E por quanto no dito regimento e capitulo delle não declara o que cada hum dos ditos reys e senhores han de aver declaradamente cada hum por si, como he declarado nas três adições atras declara- das no dito capitulo do regimento, provi, o libro do Tombo, que está na feitoria de Ormus, e nelle a folhas 112 está huma obrigação nova, que o guasil fez conforme he mandado no dito capitulo atras, e por elle consta pagarem se as ditas mocarrarias pella maneira se- guinte: despois das três adições atras declaradas pagasse a el rey de Lara, e officiaes de sua casa cada anno de mocarrarias sincoenta e dous leques, e 92 azares; ao soltão do Xirás e officiaes de sua casa 19 leques 96 azares; e a Miraquebiar senhor de Mazongua, e offi- ciaes de sua casa dous leques, e outo azares; e a Mira Samacadim; e a Ariamira de Zarão sete leques, e 26 azares, e estas declarações tirei do tido livro da feitoria de Ormus, posto que ja hoje a alguns sultães destes se não paga, porque o tempo o foi extinguindo. E por me parecer, que vinha a proposito falando nas cousas de Ormus, meti aqui as doações daquella [79 v.] alfandega, pêra que se saiba o titulo com que os reys de Portugal a possuem ha tan- tos annos, e que rezões ouve pera que os reys daquelle reyno faze- rem a tal doação. E pois tratamos das cousas de Ormus, e tantas vezes lalamos em mocarrarias declaremos bre- vemente que cousa sejão Pouco ha que demos rezão das couzas do Reyno de Ormus, e de sua fundação, e de como Groduxà senhor do Mogostão se fez rey daquella ilha Gerum. Foi depois disto correndo o tempo andan- do aquelle reyno senpre em seus descendentes como fica dito. Com as muitas mudanças que ouve no Reyno da Persia sendo huma vez conquistado de tartaros sendo seu emperador Chegiscan, e depois do Grão Tamorlão, depois do Grão Sofi, tiverão os reys de Ormus lugar pera se izentarem dos reys da Persia, e delles toma- rem ainda muitas cousas, que acresentarão em seu Estado, como foi o Reyno de Barém, e o de Catifa, que depois o turco lhe tomou da outra banda da Arabia; com isto, e com o comercio daquella ilha creceo o rey de Ormus muito em rendas, e como de todas as partes do Oriente hião alli fazendas, acudião de todo o sertão da Persia, Coraçone Gorgia, e de todos os mais reynos até o de Moscovia grandes cafillas de mercadores com outros a comutar e vender suas fazendas, as quaes cafillas erão muitas vezes impedida pellos cami- nhos dos reys de Xiras de Lara, e de outros senhores [80] do sertão por onde elles passavão, o que era perda notável pera aquella Ilha de Ormus pella falta que fazião suas entradas, pello que foi forçado a el rey de Ormus concertar se com todos aquelles reys e senhores por cuyas terras as cafillas passavão, pera que lhe não impedissem 88
os caminhos, dando a huns tantos leques cada nno, não ja em modo de pareas, senão de presentes a que elles chamão mocarrarias, nas quaes no fundamento do Reyno de Ormus tratei sem declarar o que erão. E isto era o que aquelle embaixador da Persia vinha arrecadar que lhe mandou mostrar huns cestos de pilouros, e ferros de lanças dizendo que aquellas erão as pareas que aquelle reyno que era dei Rey de Portugal pagava, a quem as pedia. E porque el rey Sar- golxa, ou por não poder, ou por outros respeitos deixou de pagar alguns anos estas mocarrarias ao rey dos Xiràs, por isso tanto que Sargolxa morreo veyo o rey dos Xyras com dez mil homens as ter- ras do Mogostão defronte de Ormus a cercar as fortalezas, e senho- rear as terras, sendo capitão Martim Afonso de Mello, mas com dano seu foi o rey lançado fora delias com bem poucos portugue- ses, que ali fizerão feitos heróicos, e dignos de sempre estarem em lembrança, o que deixo pera os cronistas a quem a historia da índia está encomendada continuando as Décadas de João de Barros pera o que muitas vezes me pedirão relação das cousas de Ormus, e eu lha dei bem larga das couzas daquellas partes, que até hoje estiverão ocultas a todos aquelles que as escreverão. [80 v.] Dos trece reys cegos que João de Barros diz que Afonso de Albuquerque mandou pera Goa Em onze annos que estive em Ormus por vezes tratando sempre com el rey, guasil, e mouros graves, e letrados principais, vi todas as caronicas, e antiguades de Ormus em em todas ellas não achei me- moria destes reys cegos que João de Barros aponta em suas Décadas, nem ouvi nunca cegase nenhum rey pera outro lhe tomar o reyno depois de ser ja rey. E inquirindo eu isto com muita curiosidade e devagar pera muitas vezes a letrados e mouros curiosos e antiguos, e principalmente a hum por nome Coiesadim cego de cento e vinte e três annos, que no tempo, que ali fora Afonso de Albuquerque, era ja homem, e depois morreo estando eu em Ormus o anno de 589, sendo capitão Dom João Pereyra, que agora he conde da Feira, e achei que nenhum dos cegos que nestas tres torres hoje estão em pee, mas muy desbaratadas foi rey, mas forão irmãos e primos comir- mãos filhos de Moguedxà, e de Xabadim, e de Sargolxa e Xaves, daquelles quatro irmãos, e primos e comirmãos filhos de Turuxa que todos reynarão huns apos outros, porque costumavão aquelles reys tanto que socedião cegarem aos irmãos primos e parentes que podian ter pretenção no reyno os quais cegavão com huma pasta de metal tirada do fogo ardente, e passada por diante dos olhos, cuya força lhe apagava a vista fiquando lhe os bugalhos claros e inteiros o que fazião por se não recearem delles, e tanto rey cego, como João de Barros diz não podião soceder em tão pouco tempo 89
[81], e achando os todos vivos como achou Afonso de Albuquer- que, e eu conheci em Goa que se lembravam ainda de dous destes cegos, de que se alguns governadores descuidarão tanto que chega- rão a pedir esmola, e afirmava me hum cidadão antiguo de Goa, que vira hum delles naquelle terreiro da misericórdia de Goa debaixo de hum arvore grande que alli estava naquelle tempo, o qual como outro Belisário pedia esmola, dizendo dai esmola a este a quem cega- rão por lhe tomarem o reyno, e não he de espantar tanta crueldade, que a ambição, a mayores crimes da ousadia. Descripção da ilha de Ormus e o que nella há A Ilha de Ormus antiguamente pellos mouros chamada Gerum dista ao norte em 27 grãos tem de compirdo de ponta de Tunebaque até a ponta de Cauru e em redondo duas léguas e meya, está situada no Estreito chegada a terra firme da Persia duas legoas, e da costa da Arabia dez legoas, está lançada a modo de cotovello, he alta polia banda do mar, e muito sogeita a tremores, não tem em si mais que terras de sal, que vay crecendo cada anno, e ribeiras do mesmo sal, que correm muita parte do anno, e no verão se congelão, como caramello muito alvo. Há algumas serras e minas de bom emxofre aguoa nenhuma, mais que huma ribeira pequena e salobra que el rey Faracoxá descubrio na sua horta de Turumbaque o anno de 1593, da qual aguoa fez alguns estanques na horta, que fabricou naquelle lugar, e ha polia ilha algumas cisternas de aguoa de chuva, toda a agoa que se gasta vem em embarcações da terra firme e das [81 v.] ilhas ali vesinhas com muito provimento de trigo, sevada e gado, frutos e muitas galinhas e tudo em muita abundancia, mui- tos marmelos, ucas, melões, peras, pesegos, ameixas e nozes, e mui- tas outras frutas das nossas maduras e secas para sãos e doentes, as quaes vem da Persia, e terras alli vecinhas. Tem el rey nesta ilha huma muy soberba fortaleza bem arti- lhada, e provida de monições, e cisternas, estanques de agoa, e en genhos de polvora que de contino se lavra, donde vem todos os annos muita pera a índia. Tem Sua Magestade nesta fortaleza qui- nhentos soldados portugueses de obrigação de paga, afora outros muitos que se pagão, e cada tres meses tem seu quartel, que se lhe paga do rendimento da alfandega. Tem ribeira de fustas e galio- tas para a armada das ordinárias que alli se fazem pera guarda daquelle estreito em vigia dos turcos e pera trazerem, e levarem as cafillas, embarcações que vem e vão com fazendas pera aquella alfandega. Havera nesta cidade 200 portugueses casados e muita gente da terra christãa e casada, que serão passante de sete mil almas, afora os portugueses mercadores, que vam, e vem, afora soldados que ali residem. Haverá entre mouros judeus e gentio passante de 90
quarenta mil almas, afora pérsios, turcos, mogores, e outros infiéis mercadores, que ali vão, e vem a fazer suas mercancias. Tem Sua Magestade em Ormus huma alfandega da qual os reys de Ormus f.zerão doação aos reys de Portugal com as decla- rações conteudas nos dous formões [82] que atras deixamos. E posto que os reys não fizerão esta doação sempre a alfandega, era dos reys de Portugal porque os reys de Ormus por força de armas se fizerão vasalos de Portugal, e despois de se rebelarem huma vez os tornou Afonso de Albuquerque a sojeitar a 2." vez o anno de 1514. Alem disto, como os reys de Ormus ficarão sojeitos aos de Portugal, e nos com fortaleza ali, e elles sem liberdade poderem trazer armas, não ficavão os reys de Ormus podendo franquear o mar aos mercadores, que ali vinhão com suas fazendas a pagar direitos, porque a principal rezão por que os reys podem em suas alfandegas levar direitos he porque são obrigados o franquear o mar aos mercadores com armada contra os cosarios e a terra com justiça E como estas armadas erão dos reys de Portugal despois que tomarão Ormus, e fizerão vasallo aquelle rey, ficavão direita- mente os direitos sendo dos reys de Portugal, e não dos de Ormus, que não franqueão o mar de ladrões, e por força de armas, e depois de huma vez se rebelarem forão 2." vez feitos vasallos a obediência dos reys de Portugal. E nestas rezões se pode Sua Magestade hoje fundar pêra não pagar de sua fazenda as mocarrarias ao rey de Persia, e aos mais conteúdos no formão dos reys de Ormus, pellos quaes doarão a alfandega. E esta questão fora bom que Sua Ma- gestade mandara averiguar no seu Conselho, porque os seus viso reys na índia não vacilassem em querem fazer a Sua Magestade tribuario ao rey de Persia e ao de Lara, e a outros, e não deixar isto á disposição dos viso reys, que conforme lhe canta el rey de Ormus, e o guasil assim cortão polia fazenda dei Rey, mandando as vezes pagar as mocarrarias a este rey sem Sua Magestade ter obrigação [82 v.] de as pagar. Esta alfandega de Ormus rende todos os annos a el Rey pas- sante de dozentos mil cruzados, e se seus officiais não forão tão devassos em furtar direitos todos os annos rendera mais de trezentos e cincoenta mil cruzados e se poser direitos no dinheiro, que vem de Baçora, e a prata quebrada que todos os annos ali entra daquel- las partes de Baçora ainda que não seja mais que a cinco por cento e ordenar que se lhe paguem saídas das fazendas que estes turcos comprão, vendera Ormus a el Rey quinhentos mil ducados ao menos pella ordem que em hum tratado escrevi dando alguns avisos neces- sários, e importantes a Fazenda del Rey, e bom governo do Estado da índia, o qual está na mão de Pedr'Alvarez Pereyra, e na do governador da Casa do Porto. E de caminho advirto, que algum viso rey ou por não saber mais da índia, ou por outros respeitos secretos intentou 91
arrendar a alfandega de Ormus, e se nu não acudira a isso estava arrendada por menos de cem mil cruzados cada anno, e as liberdades que se davão aos rendeiros importavão trinta mil cruzados cada anno, e como elles havião de pagar os ordinários da fortaleza não ficava el Rey interessando de fora vinte, nem quinze mil cruzados, o que convém he que a alfandega da índia se arrecade por conta de Sua Magestade, e os viso reys sigão a ordem que tenho dado pera se não furtarem direitos. As ordinárias que cada anno se pagão em Ormus podem em- portar sessenta mil cruzados ao todo entrando aqui os ordenados de capitão e veador da Fazenda e mais officiaes, e religiosos, e cle- r'g°s, e os quatro quartéis dos soldados, e vigias e bombardeiros [83] armadas, mantimentos, e monições necessárias pera a fortaleza e outras cousas necessárias, e as mocarrarias dei rey de Lara, e doutros. E a fortaleza de Mascate pode gastar a el rey todos os annos com ordenados de capitão, paga de soldados, e munições dez mil cruzados, que também se pagão do rendimento da alfandega de Ormuz, e o mais dinheiro vay pera a índia, ou se despende pella ordem que os viso reys querem. Eu vi ja dous viso reys na índia que em hum anno quebrarão de merces particulares pera Ormus noventa mil pardaos, e outro que em menos de dous annos quebrou provisões de merces e dividas velhas de cento e outenta mil pardaos. E no tempo que os viso reys hião a índia ganhar honra, não que- bravão hum cruzado de merces, nem dividas velhas em Ormus por- que como aquella alfandega nunca falta, dali costumavão mandar vir o dinheiro junto pera na índia fazerem suas armadas. E porque hoje tudo se gasta em merces de parentes, pagamentos de dividas velhas ao terço, e as vezes a mais de a metade, e não se poem ordem no furtar dos direitos, por isso o tesouro dei rey está sem tranca e suas alfandegas quebradas. Que el rey devia mandar por em consideração, e tratar de acudir aquelle Estado, pois sem gasto seu o pode restaurar, e crecer suas rendas que não faltão pera el Rey, senão porque crecem pera seus ministros, e com a cobiça crece o descuido em sua fazenda. O comercio de Ormus he o mayor de toda a índia, porque ali vem todos os annos muitos ginetes de Persia e Arabia, dos quais se prove toda a índia assi christãos como gentio, e mouros. São gine- tes muito fermosos bem arendados e principalmente os arabios que vem por Mascate e Barém que são muy ligeiros e de muita galla Muitas sedas e veludos [83 v.] da Persia, e alcatifas, e ruibarbo, e outras muitas couzas em quantidade, e muito dinheiro. O que dali levão os pérsios são roupas de toda a sorte, porçolana, calaim, asu- car, e algumas drogas, e anil. De Baçora vem muito dinheiro amoedado, e prata quebrada muitos chamalotes de toda a loja, rossamalha, muito açafram, papel, panos, e por esta via de Baçora vem também os venecianos con 92
muitos vidros e brincos, e outras cousa de que el rey tem bem pouco proveito na alfandega. O que vay de Ormus pera Baçora e todas aquellas partes de Assíria, Mesopotamia, e Turquia, e Ar- menia, he cravo, maça, nos, cannela, cardamomo e roupas, e porso- lana, e tudo isto em muita quantidade e muito anil de maneira que todas as fazendas, que de qualquer parte vem a índia tem escala por Ormus pera todo o mundo até a pimenta que por mais defesas que haya passão todos os annos muita cantidade delia por aquelie estreito, e se gasta por toda a Arabia, e por alli se comunição outras drogas polia mayor parte do mundo. E sendo Ormus huma ilha tão seca, he tão fértil de todas as couzas, que os antiguos lhe chamarão emporium mundis. E os pér- sios vesinhos e naturaes dizem que o mundo que he hum anel, e que Ormus he a pedra preciosa que nelle está engastada, porque alem do grande comercio de mercadores, que de todo o mundo correm, a elle vem de diversas partes todas as cousas salutiferas e medicamen- tos. Ali vem da Persia o milhor ruibarbo, e macina que ha no mundo, muitas ervas cheirosas, agoa de cheiro, ali vem da Persia as mi- lhores pedras do bazar que ha no mundo, e assi valem dobrado tres vezes que as de Malaca. Por este Estreito dentro está a fresca Ilha de Barém [84] aonde se pescão as melhores, e mais pérolas do mundo, e em muita canti- dade até a Ilha da Maceira, que está do Estreito pera fora ha gran- des pescarias de perlas, e aljofre e de todo o milhor he o de Mascate. E com esta Ilha de Ormus em si ter calmas insofríveis que obri- gão de Mayo até Setembro aos homens a dormir de noite em terra- dos altos descubertos ao vento, e de dia estar muitos em estanques de aguoa em sua casa. Há dali dez legoas huma serra na terra firme da Persia que se está vendo de Ormus, que nestes meses está cuberta de neve, como eu vi muitas vezes, e mandei vir dali a neve no verão que fora grande refrigério pera as calmas té ali que serão de alia (?). Em Mayo e Junho venta ali, e por aquella costa ate avante de Mascate hum vento a que chamão Sori e na nossa lingoa Sudueste o qual he tão quente e seco que tudo o em que da abre e empena. E sendo vento tão quente e desabrido faz neste tempo agoa tão fria, que escasamente se pode beber como se fora em Janeiro. O remedio que os homens tem para este vento he fechar as janelas e agoar as casas e vjstir se muito bem, e desta maneira toda a parte em que o vento não dá está fria. Muitas cousas havia que contar desta ilha que deixo porque parecerão incríveis aos que as não virão so de ver dos cafarates de Mascate. Junto à fortaleza de Mascate duas Ipgoas pella costa entre o rio das duas bocas e Mascate ha huma povoação de arabios mouros feiticeiros a que os da terra chamão cafarates. Estes com a vista comem as entranhas a toda cousa que querem, e são muito conheci- 93
dos, e assi se tem nelles grande vigia em Mascate. Sendo capitão de Ormus Mahtias de Albuquerque, estando hum com elle na sua varanda lhe trouxerão os mouros presa uma molher desta casta, e porque no mesmo tempo lhe trouxerão da outra banda humas patecas [84 v.] grandes e fermosas, que cá chamamos valência, e disse Mathias de Albuquerque a esta molher, que se atrevia a correr por dentro huma daquellas patecas, respondeo ella que si, e logo com os olhos nella em espaço de hum quarto de hora disse ella que mandasem abrir a pateca, e abrindo a trouse (?) toda vazia por dentro. Despois dahi a alguns annos na segunda vez que fui a Índia fis huma viagem pera Ormus, e nella co ntempo me perdi a 19 de Marzo, e depois de me salvar com trabalho fui cami- nhando com os companheiros mercadores e marinheiros polia costa da Arabia, cheguei a Curiate que he huma fortaleza junto a Mas- cate, aonde sendo agasalhado do mouro que nella estava por capi- tão por me festejar me disse que fosse à praia com os companhei- ros e que viria dar fundo a hum cafatar, que lhe tinha comido as entranhas a hum irmão que eu ainda achei já agonizando e sendo o cafatar levado em grande guarda, e bem atado se meterão todos com elle na embarcação pera lhe irem dar fondo no mar, e sendo já afastados de terra hum aro de espera em sete braças de fundo tomarão o catafar atado e com grandes pesos nos peis o lançarão no mar, e no mesmo instante que o lançarão veio ter comigo a praia aonde eu o estava vendo, e muy desagustado, e rindo se foi andando seu caminho. Despois dahi a tres annos invernando eu em Mascate parti em huma nao em Julho pera a India, e por falta de vento surgi com a nao defronte da povoação destes feiticeiros que se chama Ity; e em surgindo se cortou huma amarra, e assi todas as mais com que surgíamos, e por nos vermos com a viagem por fazer, e sem ancora, pera tomar a costa da índia, nem pera esperar naquella de Arabia, mandamos pedir f 85] a Mascate mergulhadores dos que pescão o aljofre que mergulhão em trinta braças de agoa; pera que estes fos- sem ao fundo lançar cabos grossos nas ancoras que estavão con suas bóias para podermos tirar algumas; e mergulhando estes homens despois de irem ya descubrindo as ancoras vinhão asima todos ensanguentados e feridos: dizendo que sobre as ancoras estavão huns homens, que os não deixavão chegar a ellas. Desconsolados assi por nos vermos a merce da agoa e dos ventos sem ancoras, tratamos de fazer huma de pao que he remedio desesperado, e fo- mos a terra alguns companheiros a buscar huma arvore grossa, e achamos huma muito grande e rija, e havendo ja hum dia que dous carpinteiros cortavão nella com machados chegou a nos hum mouro desta costa e disse que não trabalhasemos em vão, que aquella ancora avia de ser vam, e as ancoras que botasemos no mar em- 94
quano ali estivéssemos defronte da sua povoação tudo avião de cortar. Acabada de cortar a arvore e achamos toda vasia e oca por dentro como se estiverão lavrando a muito devagar. Estes mouros são dos naturaes muy aborrecidos e são tam conhecidos, que em apontando hum logo toda a terra se alevanta contra elles, e as pe- dradas, e como podem as lanção de si, mormente em Mascate aonde são vecinhos, e tem mais comunicação, posto que os capitães os vão extinguindo quanto podem. 95
12. [85 v.] REY DA PERSIA O Xatamá rey da Persia, com cuyos vasalos comunicamos como antiguo e tão poderoso foi antiguamente, que nunca o Turco o cometeo com seus exércitos, que não se tomassem desbaratados, posto que hoje não he assi. Vivendo o terceiro avô do que agora reyna privadamente no tempo da nossa entrada na India sahio a pregar com a espada na mão novos ritos, e arações em louvor de Ali genro de Mafamede, avendo o por seu verdadeiro sucessor, e seguindo as gentes suas novidades favorecidas da fortuna, que ajuda aos ousados, foi em breves annos senhor daquella monarchia, cuyo trisneto pay do que agora reyna foi também afortunado, que logo alimpou o reyno de alguns que lho querião usurpar, e teve grandíssimas vitorias contra os turcos como foi o anno de 577, em que o Turco mandou a Mos- tafa Baixa com quarenta mil homens a fazer huma fortaleza no lugar de Cargue, estremo de ambos os senhorios aonde foi des- baratado dos persas, que lhe matarão sete Baixas, e trinta e tantos Sonis e Usbeques, e a mayor parte da gente com todo o despojo, e 400 peças de artilheria de bronce que lhe ficarão, e Mostafa se salvou ferido na cidade de [86] Hoão, e logo mandou a Pialá Baixa com outro exercito entrar a Persia por a Gorgia, e se achar resistência até a cidade de Tabris sojeita e perto do senhorio de Rezuão vasalo do Persa, que por huma parte confina com a Górgia, e por outra com o Mar Caspio, a que os antiguos chamão a Lagoa Meotis. Começou a fortificar alli seu campo, e fazer nova fortaleza por lhe obedecer o senhor da terra, que era da ceita mahametica, sobre os quais mandou o Persa trinta mil cavallos com federados com os Roxos que por todas as partes lhe impedirão os mantimen- tos e tomarão quince mil cavallos carregados delles e de dinheiro, e muita gente de socorro com que os turcos se virão em tanta neces- sidade, que cometerão paz, salvas as vidas, em que o Persa não consentio, mandando aos seus capitães que o não dessem a nenhum e assi foi. Todavia despois de tantas vitorias, que o Persa teve, foi des- pois o Turco tendo outras contra elle, de maneira que algumas cida- des principaes lhe tem tomado em que tem presidios de contino, como he na cidade de Tauris, e depois com as vitorias que o Turco teve foi o Xatamá afranquando muito, e os seus se forão alevan- 96
tando, mormente em vida deste que hoje reyna, posto que de alguns anos pêra cà foi sogeitando algumas terras suas, e alguns alevan- tados se lhe sogeitarão, e hoje está o Xatama ocasinodo à tornar [86 v.] a recuperar suas terras. Destes persas não tem os portu- gueses ainda recebida nenhuma desgraça mas correrão sempre em amizade e comunicação de grosas cafillas de Ormus, comunicando se comnosco por embaixadores e grosso trato. Rodea a falda marí- tima da boca do estreito Cabo de Jacques, que dista 26 grãos do norte até a boca do Rio Indo, que divide o Reyno de Sinde, donde volta outra vez o Estado deste rey da Persia pera a banda do sul, em cuya costa e ilhas dificultosas de navegar, e entrar aonde vivem como ladrõis. 7 97
13. CABO DE COMORIM O Cabo de Comorim fim da primeira emseada tem figura pira- midal, como o de Boa Esperança, e tem o seu pee pella parte orien- tal no Rio Ganges, na província de Bengalla; e pella occidental no Rio Indo, que divide o Reyno do Sinde doutros da falda da Per- sia, e ambos se presume saírem do paraíso terreal, pello que os daquellas partes hão a sua agoa por tão santa, que se tem por bem- aventurado o que acaba nella, ou com ella deitando lha polia boca. E deste Rio Indo se presume que tomou a índia o nome, o qual se comprehende da boca do Indo até a do Ganges, e outros dizem, que ainda começa na boca do Rio Indo, e acaba no Cabo [87] Comorim, e esta he a mais certa opinião. Deste Cabo de Comorim começa a grande seara do Guate, que correndo de seis até onze le- goas ao longo do mar vay fenecer nas terras de Damão por duzentas e sincoenta léguas, e alguns passando mais adiante estendem esta serra ate oitocentas legoas. Montara o pee deste promontorio por direito caminho de ponta a ponta mais de trezentas legoas, e por mar passante do dobro, dentro do qual hà muitos reys, e senhores, de que faço o primeiro o rey de Sinde, que sendo dantes muito pode- roso posto que de gente fraca he hoje vasallo do Grão Mogor desde o anno de 92, que lhe tomou o reyno por armas. Estes reys do Sinde não costumavão, a edificar edifícios sumptuosos pera os vivos senão pera os mortos, e assim a mais sumptuosidade que tem he huma de sepulturas, nas quais consiste toda a sua policia, e os reys o mais do tempo costumavão habitar em muy ligeiras y pulidas embarca- ções em que passavão o tempo no Rio Indo, que he muito fresco grande e de muito fundo, e muy acomodado pera recreações, mas agora he tudo do Mogor, e os reys ordinariamente andão com elle, e o Reyno do Sinde he governado por regedores que o Mogor ali tem. Prosseguindo a costa vão adiante huns reys, e senhores de pouca conta até começar o Reyno de Cambaya (') com cuya falda temos a cidade e fortaleza de Damão e Baçaim. Foi este Revno de Cambaya tão rico que temendo hum rey ser entrado do Grão Mogor, deu a guardar [87 v.] ao governador da India que era Nuno da Cunha sete contos de ouro os quaes despois o governador lhe tornou P) A margem: Reyno de Cambaya. 98
enteiros, o que não sei se acontecera agora neste tempo. Tinha este rey tão grossa artilheria, que por façanha mandou o mesmo gover- nnador huma peça a Portugal que no almazem de Lixboa sohia estar e deixou outras em Dio, que despois se disfizerão em meudas por não servirem por sua grandeza. Sendo este reyno muy abundante de todas as couzas, carece tanto de lenha que rende a horta do gado que serve delia sesenta mil pardaos cada anno. Tem este rey huma cidade marítima de grande trato chamada Cambarete, de cuya nobreza, e riquesa se dizem grandes novidades. Eu estive nella, as casas desta cidade comummente são de dous, ou três sobrados, e algumas portas e janellas muito lavradas douradas, e marechetadas de marfim, e pao preto, e muitas delias com altos corucheos d'azulejos, e por dentro grandes pinturas douradas, e na casa do rey não se admite compa- ração em grandeza, riquesa e artificio. Tem grandes pátios por diante, jardins e aposentos pera muitas molheres por detrás. Os naturaes são gentios chamados baneanes, que não matão, nem comem cousa que padeça morte, sostentada com arroz, legumes, herbas e leite; professão a ley natural mas não no mal acquerir. Tem hum hospital de grande fabrico sostentado de esmolas, em que curão toda a sorte de aves mansas e bravas que enfermão por qual- quer via que sej[a] e [88] quando sabem de alguma que lhe não querem entregar comprão na aos moços, e curão na. Ao sertão desta cidade estão onze, ou doze leguoas delia outra metropo- litana do rey, chamada Amadavà, em qne comunmente residião os reys, pello que he muito mayor em cantidade, riqueza, e nobreza e sumptuosidade de edifícios, e cercada de forte muro e muitos ba- luartes, que ocupão cinco legoas em torno. Forão os arrebaldes desta cidade divididos em capitanias de tantos vesinhos que afirmão não decer a mais pequena de cinco mil fogos. E a mayor parte desta nobreza, e doutras muitas cidades, villas e lugares do reyno estão disertas, porque como ha muitos annos, que não tem rey, este Reyno de Cambaya por ser tiranizado de capitães e lascarins estrangeiros de que toda aquella costa se encheo pera ruina de seus fracos natu- raes, contendião huns com os outros a custa do pobre povo com que começou a vaixar pera reynos comarcãos, até que o Gran Mogor o conquistou de hum repentino asalto o anno de 1572 sem lhe custar ferida nem homem nenhum, donde levou muita riquesa, e artelharia e quatro mil escolhidas molheres com que o reyno se acabou de des- pejar de gente pelebeia, que não pode sofrer a tirania dos vencedores. Temendo o viso rey Dom Antonio de Noronha, quando o Mogor veio sobre Surrate, que elle perjudicasse a nossa fortaleza de Da- mão, se foi là pera lho impedir com poderosa armada onde o Mogor o mandou visitar [88 v.] a qual visita foi recompensada, e asentada paz por hum formão do rey. E ja que tratamos no Mogor direi algumas cousas de seu 99
Estado, porque averiguadamente o temos hoje pello mayor se- nhor, e mais rico do mundo, porque sò de costa a costa, atra- vessando a terra da costa do Sinde, ou de Cambaya até a de Bengalla he senhor de novecentas legoas, e pella terra dentro he infinito o seu poder. Mogor Mogor quere dizer místico polias muitas mesturas de gente de que a sua he composta, descendo este rey dos fartados senhores do reyno, e cidade de Caboles, que jaz entre os persas e sitas, que são tão poderosos, que se estendem até os confins da China, onde se contão por tártaros por serem todos mesturados. Falecendo Bacol Soltão filho do Grão Tamarlão lhe ficarão muitos filhos, de que hum lhe socedeo no império, e os mais se sai- rão com temor delle, e por não terem que comer, em que entrou hum Babor Padexa com hum filho do mesmo nome, que em habito peregrino veyo ter ao Reyno do Dely poderoso em cantidade de terra e gente posto que muy débil, pello que se ajuntou com outros do mesmo habito de peregrino, e começou a roubar de tal maneira que crecendo seu poder de pouco em muito venceo o rey do Dely em batalha, ficando senhor do reyno, que por sua morte deixou ao filho Babor Padexa, contra quem se armarão [89] os patanes senho- res do Reyno de Agraà, aos quais venceo e tomou o reyno, de que afirmarão, que juntara setecentos mil homens de cavallo, e de pee, não avia contos, morrendo este lhe socedeo nos dous famosos reynos seu filho Amâo do Achebar, que oy reyna, contra o qual Amão se levantarão cinco hermãos seus que também desbaratou pouco, e pouco, e ficando pacifico conquistou o Reyno de Moltão, cuya cabeza he a cidade de Laor; conquistou mais o Reyno de Guales, o de Puruia, todos gentios, e intentando tomar o de Cambaya se recolheo menoscabado, pello que lhe sairão os patanes ao emcontro, e o des- baratarão com o que se foi pedir socorro ao Rey da Persia que mandou com elle hum seu filho com quorenta mil de cavallo que lhe cobrarão tudo, e ganhou mais o Reyno de Chitor e o de Baza- maldeo gentios, cuya cabeza era Zotta por donde sahião duzentos mil de cavallo mas nunca viveo quieto, por ficarem deste rey trinta filhos, que sempre lhe derão que fazer. Por morte deste Amão soce- deo em seus sete reynos seu filho Aquebar de que tratamos quarto neto do Tamorlão, que conquistou mais os reynos de Mandu, o de Sinde, do Mirão, de Cambaya, de Laor, de Adeguir e o de Panulla, todos da banda da índia menor, e dahi até o outro mar do Sul, con- quistou o Reyno de Bengalla, o de Orixá, o de Chãodecão, Bacalá, o de Hornagão e outros muitos en tanto que afirmão os seus, que he senhor de sesenta reynos, o que se deve de entender com senhores [89 v.] livres e reynos peqeunos sojeitos aos grandes, e não con- 100
tente com estes sospira pello de Decção, especialmente pellos dous nossos vezinhos ldalcão vesinho a Goa, e Nixa Maluco vesinho a Chaul que tremem delle pello que lhe aceitavão Cabaia que he sinal de vasalos a senhor, e lhe sairão à alaguns annos a receber seu embaixador passante de huma legoa da cidade pello qual lhes mandou dizer, que o encomendassem primeiro Deus nas mes- quitas que a elles, e medissem pella sua medida e peso, e acunhas- sem sua moeda com sua chapa, e não bebessem vinho, nem levas- sem direitos dos portos marítimos e secos aos próprios mouros, como se faz em suas terras, e a toda a outra gente so porque lhes bastavão os foros das terras e outras cousas semelhantes; a qual embaixada recebeo, e muitas cousas destas ficarão guardando. Todos estes reynos conquistou este barbaro em 18 annos sem ferida, sem artelheria nem espingardaria, so com seu fatal destinto acelerada brevidade, e impensados asaltos com que asombrava de tal maneira aos cometidos, que nenhum lhe mostrou o rosto com mão armada. Ajuntou este rey todos os tisouros que ganhou em que entravão alguns de reynos que nunca forão conquistados e vos fechou em certas fortalezas, com que fica sendo o mais rico senhor mundano que se sabe. Fez cabeza do Reyno de Agra, e ahi pousa por ser o mais poderoso [90] de todos os seus reynos, e ficar no meyo dos outros confinando pella parte septentrional com os per- sas e tartaros, e polia meridional com o mar, e outro grande reyno junto de Pegú chamado Sanàlloquoprabata, que quer dizer cento e vinte e cinco mill serras, onde ha muitos reynos povoados de huma gente chamada Utradis gentílica alguma grande e bem proporcio- nada, e de tanta verdade, que por elle sem outro exame pagão seus foros ao (sic) reys, os quais frequetão muito Agraà com seu trato, porque possuem todos os metaes, que a natureza criou pera os homens, e as mais das drogas medicinaes e pera Cambaia nos vem, e outras muitas cousas, que por ser a terra fertilissima as sedas que decern por Bengalla. He o Mogor muy benigno, e afavel pello que he bemquisto dos seus, até de alguns reys, e senhores cativos, que tras consigo; posto que he notado de mísero. Edificou uma opulenta cidade pera seu aposento em huma serra doze Ieguoas de Agraà, a qual cidade pos nome Tatepur, que quer dizer vitoria, donde a ouve de todos os reynos que conquistou nesta cidade. Tem huma fortaleza aonde vi- vem muitas molheres suas amigas, e as mais filhas de reys. A cidade de Agraà cabeça de seu império será de [90 v.] trinta mil vesinho, tem boa fortaleza, e poucas casas de pedra, e muitas de madeira, e parte a pello meio o Rio Indo, que a faz mais famosa. Tem ordinariamente o Mogor mil e duzentas mulheres, e as mais delias vivem em Tatepur, e dali as manda vir, e todas filhas de reys e senhores de seus reynos. Tras ordinariamente o Mogor con- sigo trezentos mil homens de Cavallo e dos pee não se faz conta dez mil elefantes, vinte mil camellos, e dezasseis mil cavalos em sua 101
estrebaria.e catorze mil criados de que os quatro mil são nacidos em sua casa, e quinze mil correos de ordinário, porque sabe breve- mente o que passa por suas terras, e vinte mil de cavalo, que aos quartos vigião todas as noutes de redor de seu Passo, e quinhentos elefantes brancos com elles na mesma vigia; tem dez mil bois de carretas grandes andadores, e corredores, que por aquellas partes servem como cá servem as mulas, os mais delles de pelo branco, e negro.. Tem setecentas onças de caçar encarretadas con cinco homens cada huma, e muitos veados adestrados pera .sso ensinados a caçar, e quarenta mil bravos em huma defesa junto a sua casa, e trinta mil corças pera caçar, e quinhentos mil pombos de cada dia gasta gran numero em sua mesa afora muitos que trás ensinados a bailhar, e voltear. He este Mogor muy curioso, de saber, e exce- der a todos em tudo e a todos os outros reys, e em beri (?) he muito affeiçoado a policia christãa e [91] desejou sempre de trazer portu- gueses em sua corte, e religiosos como tem ha annos dous da Com- panhia de Jesus, mas todav.a não se converte. Este Mogor faz ceita por si, e por isso tras em sua corte de todas as nações e de cada huma toma hum costume, manda se ado- rar todos os dias pella menhã, e pera isso sae a huma varanda alta; e dali se mostra, e todos o vão adorar por sua ordem. Sospira muito por ter entrada nas nossas terras da India, pera o que o anno de 98 mandou fazer muitas gales, e quinhentas galeotas e fustas, das quaes tem algumas no fim,e outras em Laor, que he a cidade do Reyno do Agraà, aonde também o Mogar muitas vezes reside, e sospira muito por Ormus e Mascate que são suas vesinhas pello fin de lhe ficar muito perto, e de longe vai este imigo fazendo suas pre- parações, levando os capitães, e viso reys com presentes e merca- dorias de suas terras com mostras de amizade, e todavia suas prepa- rações não cessão, e tanto que ya em Ormus aonde sempre tem feitores que sabem bem o que podemos ali, e o estado em que aquella fortaleza está. O guasil lhe aceita cabaia que he sinal de vasalagem, e todos tremem delle. E os viso reys tão cegos com seus interesses, que não fazem nenhuma prevenção, fiando se do Mogor, como se fora amigo. Mas não sei para que he cansar com avisos sobre o Estado da índia, pois la vemos claro que se vão ordenando as cou- sas delle pera muito sedo tornar a ser de cuyo foi dantes. 102
14. [91 v.] IDALCAO E NISA MALUCO O Idalcão e Nisa Maluco são tão poderosos reys em quanti- dade, e esforço de bem exercitada gente, boas fortalezas, e espan- tosa artelharia, e muitos e bem armados elefantes, que se atreverão a decer a famosa e dificultosa Serra do Gatte, cosa impensada da gente por sua notável aspereza. E o Idalcão cercou a Ilha de Goa, sua comarquã o anno de 11 sendo viso rey Dom Luis de Tayde, (sic) e depois foi conde d'Atouguia, e morreo na índia sendo viso rey segunda vez o anno de 80, hum dos valerosos capitães, que teve a Nação Portuguesa. Este cerco que o Idalcão pos a Ilha de Goa trouxe trinta mil homens de cavallo e sesenta mil de pee, e setecentos elefantes seus, e quatrocentos de seus capitães e passante de trinta peças de arte- lheria, com que derribou o castello de Banastariam na lha de Goa, e ocupava todos os montes em torno do rio da ilha, e o que ali fize- rão os portugueses deixo aos curiosos que podem ver os cercos que andão impresos. Neste mesmo tempo cercou o Nisa Maluco a cidade de Chaul, que ainda então não tinha mouros em campo razo com trinta mil de cavallo, e cincoenta mil de pee, e muitos elefantes, e trinta e duas pessas grossas de artelharia em que havia huma de comprimento de hum basalisco, que tirava pilouro de pedra de cinco palmos em roda, que conforme a seu peso levava em cada tiro hum quintal e tres arro- bas e meia de polvora; a este tiro chamavão [92] os mouros ras- padilho; outro tiro trazião de treze palmos de comprido, e hum na grosura da boca cuyo pilouro de pedra era de sete palmos e meio em roda, dos quais hoje estão dous a porta de Cambray en Ixa no alpendre, e ha infinitos polio India, e conforme ao pilouro levava por sua conta esta pessa en cada tiro dez arrobas e meia de polvora, e nenhum delles decia de vinte tiros por dia, que valem 350 arrobas de polvora cada dia, e dando outro tanto a todas as outras trinta pes- sas que ficão fazem setecentas arrobas de polvora cada dia que mul- tiplicadas pellos dias de nove meses que os cercos durarão fazem cento e outenta e nove mil arrobas que valem quarenta e sete mil e duzentos e cincoenta quintaes de polvora. E não sendo os portue- gueess em Chaul mais que oitocentos com alguns escravos e chritãos da terra lhe deu Deos miraculosa victoria, e resistência; porque tes- tificarão alguns mouros, que no derradeiro, e mais perigoso combate, lhe resistiu muito huma fermosa molher vestida de branco de cima 103
da tranqueira, que estava junto da Casa da Santa Misericórdia, e um frade com hum cayado d[e] cima do Mosteiro de Santo Do- mingos ao qual ninguém ousava de chegar. O general deste cerco de Chaul era o Conde Dom Francisco Mascarenhas, que despois foi viso rey da índia; os das estancias erão Fernão Telles de Meneses, e Ruy Gonçalves da Camara, Dom Gonçalo de Meneses, Dom Duarte de Lima, Dom Nun'Alvares Pereyra, e outros que todos ali fizerão maravilhas. E depois o anno de 93 em Abril sendo viso rey Mathias de Albuquerque tornou o Idalcão a por cerco a Chaul, fazendo huma soberba, e [92 v.] grande fortaleza em hum morro de terra firme que fica defronte de Chaul a tiro de falcão da outra parte do rio o qual durou até 2 de Setembro de 94 em que Deos foi servido de dar huma miraculosa victoria aos portugueses não sendo entre por- tugueses e gente da terra mais que dous mil homens poserão a ferro dezaseis mil dos infiéis cativando ao general Fratecão, que despois com sua molher se fez christão, e morreo christão: e o mais que ali aconteceo fique aos coronistas, pois não trato mais de dar luz do Estado da India, e dos reys, e senhores principaes, que nelle ha, com os quais algumas vezes tivemos guerra, e riquesas que neste Estado se produzem. Rey no de Biznaguer Gentio O Reyno de Bisnaguer, a que chamamos Bisnagá foi famoso em cantidade de terra e gente como em tesouro de muito ouro, e riquíssima pedraria; porque atravessa como França todo o sertão do pee do promontorio Comorim, cingindo o de mar a mar levando sempre as costas no Reyno do Decão a quem obedecem muitos dos reys, e senhores, que se dilatão pella ribeira do mar donde ha a sustancia do Malavar que tem a força da pimenta e começando pello Canaráe entre a raynha de Ancolaá, a de Garsopà, a de Batecalaà, a do Camboim, a de Olaia; o rey de Banguel, o de Tolar, e o de Cape, o de Condegate, o de Carnate, coda Serra; o de Balalá de Penambur; o rey [93] de Cumbia; o príncipe do Canhaxoto, o rey de Cananor; o de Calicut; o de Chalé; o de Tanor; o de Craganor, o de Cochim, e o de Porquaà; e o da pimenta o rey de Coulão, e outros mais metidos pello sertão, afora os que vão diante do Cabo de Comorim, em que ha algumas povoações dos nossos portugueses, em que entrão o de São Thome, em que está a casa que fabricou e sepultou o bemaventurado Apostolo com outras muitas pelo sertão dentro, ornadas de muita christandade feita por seus discípulos, governadas por bispos arménios havendo ser sua aquella adminis- tração polia antigua posse que tem, e governarão ategora com auto- ridade pontifical; mas todos erão cismáticos, e tinhão mil erros. A estes foi reformar o Arcebispo Dom Aleixo de Meneses Primas 104
da India o anno de 99 e fez Synodo em que juntos todos os cassa- nares que são como clérigos; porque muitos erão nestorianos, e agora tem Bispo Padre da Companhia. Chama se este Reyno Bisnaguer, ou Bisnaga por sua principal cidade se chama assi, e tão rica, e opulenta que ocupa cerca de cinco leguoas em torno e he rodeada de huma pequena serra casi de pedra donde se tira toda a sorte de columnas, tem entrepoladas grandes e frescas lapas, em que se refrescão no tempo das calmas em huma abundante ribeira de agoa, que se dilata pella mayor parte da cidade a que derão entrada e saida cortando a serra. Este Rey de Bisnaga em tempo do viso rey Dom Afonso Noronha cercou a inespugnavel [93 v.] fortaleza de Rachol situada entre o seu reyno e o do Idal- cão, que lha tinha tomado, a qual he cercada de forte muro de huma legoa em redondo com muitos baluartes edificados em tão forte sitio, que sera impossível toma la senão a fome, como a tomou o Idalcão pasados tres meses de cerco, que foi tal, que se entregou o capitão com setenta homens, que lhe ficarão de seis mil os quaes se manti- verão muito tempo com huma man chea de linasa cada dia sem outra cousa. Tinha neste arraial cincoenta mil de cavallo e trezentos e cincoenta mil de pee, a quem seguia huma tão fermosa rainha, que trazia 300 fermosas damas, do seu serviço tão ricamente guarneci- das, e em cavalgadas em seus bem paramentados palanquis que lhe não fazião a ventagem as molheres do rey. Fazia esta rainha per si outro copioso exercito, porque pagava seis mil homens de armas alem da gente de seu serviço, que somente a que servia de levar os palanquis em que hião as damas montava mil e oitocentos homens gentios. Foi sua vitoria ocasião de sua perdição; porque como não tinha artelharia pera bater o muro, pediu ao Nissa Maluco o fosse ajudar com a sua como foi, passando a por grandes serras detrás do Reyno do Idalcão, e como o sitio da fortaleza não era comodo pera se bater, tornou se com muitas joyas e trezentos mil cruzados, que o gentio lhe deu, e cobiçoso do que lhe ficava pera se vingar da offensa que lhe fizera em ajudar ao Idalcão a bota lo fora do reyno, fez liga com o mesmo Idalcão, dando lhes ambos batalha. Foi o rey gentio de Bisnaga [94] preso por a gente do Niza Ma- luco, que lhe mandou cortar a cabeza, e mostra la a trezentas mo- lheres que levava. Ficarão a este rey gentio dous irmãos, entre os quais ouve am- bição de reynar e divisão, pello que não ouve quem resistisse ao Idalcão, que lhe tornou a tomar a dita fortaleza de Racho! com outras muitas, e huma chamada Bemcapor, de modo que leva o caminho do Reyno de Cambaya, porque casi todo está destruído, sendo dan- tes o mais opoulento da índia. E despois tomamos nos esta fortaleza ao Idalcão, e a possuímos hoje com muita quietação governando o Estado da índia Francisco Barreto. Foi hum destes dous irmãos sobre a cidade de São Thome, que até ali fora libertada de todo o tributo, e mandando sair aos moradores se aposentou em suas casas, 105
donde se tornou levando alguns principaes em refens de cem mil cruzados que lhe prometerão de conhecença de que lhe pagarão a metade, e outra lhes quitou a instancia do viso rey Dom Constantino. Tornando a cidade a povoar se dos moradores, que lhe tinhão saido, não se achou em nenhuma casa danificamento nem falta alguma de quanto nella, deixarão, nem consentio que nas igrejas se fizesse nenhuma desgraça. As molheres gentias deste reyno, e de todo o de Charamandel costumão quando lhe morrem os maridos ataviarem se, e festejarem nas os seus parentes, e embebebedam nas, e as per- suadem a se queimar vivas em huma cova que fazem chea de lenha a que poem o fogo, que ellas andão rodeando com bailes, e cantos, ajudadas de muita gente até que o fogo está bem acezo, e então se botam nelle, e se tardão botão nas os parentes, por [94 v.] ficão infames se assi o não fazem, e o mesmo costume tem algumas castas dos baneanes de Cambaia. 106
15. REYS DA SEGUNDA ENSEADA DO ESTADO DA INDIA A 2.a enseada (') tem grandes portos, e rios, em que entra o Ganges, em cuya agoa morrem todos os que hão, que se podem salvar, está sobre elle o tropico de Cancro, que o Artico passa pella cidade grande de Datigão, aonde temos grande trato, e subimos pello Ganges assima com nossas naos, sessenta legoas sem ver mui- tas vezes terra de huma, e outra banda. Ha também nesta costa de Bengala a cidade de Orixá cercada de forte muro de duas legoas em torno afora huma que ocupão os Passos do rey, e rodeados de hum grande rio. Há também nesta costa de Bengala outros reys e reynos que são destruídos, e vindos ao poder do Grão Mogor, apos os quais está o Reyno de Pegu, do qual veio a ser rey hum capitão do rey de Patane, que confina com a China, o qual conquistou outros seis, ou sete reynos com que he tão poderoso que com hum conto, e outocentos mil homens de cavallo e de a pee atravesou cento e vinte e cinco legoas de muy espesos matos, largos rios, e altos mon- tes pêra ir conquistar a cidade de Sião poderoso rey, no da terceira enseada, pera tomar ao rey de Sião hum elefante branco de que se prezava tanto, como de hum reyno, e assi o tinha tão autorizado, que todo seu serviço, e d outro com que venceo a batalha, e perdeo hum dente nella [95] he de prata e seda, e quando estes elefantes hião a passear pera sua recreação levava cada hum seu paleo de seda e outros elefantes, que os servião; mas ja hoje não he assi, porque guerras tem estes reys muy consumidos. He o rey de Pegú rico em tesouro, e tem o rey huma casa muito grande aonde todos os annos manda por huma estatua sua, de ouro maciso, e com muita pedraria de muito preço, e isto he costume antiguo daquelles reys, e assi pellas estatuas que cada hum pos se sabe quanto reynou; e estas estatuas são do mesmo tamanho dos reys, que as mandão fazer, e este he o mayor tesouro que há em Pegu. Afora isto ha infinita pedraria, robis e diamantes, mas ha ja muito pouca gente da que costumava aver dantes, pello que este rey ficou menos poderoso. Monta este caminho do Reyno de Pegú por mar 525 legoas, e possue este rey, Patane, Lagão, Dava, e he senhor de Tanasarim, (») A margem: Costumes de Bengala. 107
e toda esta multidão de gente vai sem paga por ser obrigada a servi lo. Do porto de los Mim aonde sorgem as naus lhe vão a Pegú até as casas do rey se gastão sete dias por hum muy fresco rio assima, e os quatro delles continuão por muito populosas e ricas cidades situadas por huma, e outra parte sobre a agoa com infinidade de embarcações do serviço orbanal. Tem as casas do rey tão grande circuito como de huma grande cidade cercadas de alto, e forte muro com muitos baluartes e cava chea de aguoa com quatro portas de quatro braças de altura e tres de largura, e a huma muy dourada e pulidamente lavradas que quatro grandes capitães tem a cargo assi pera a guarda como pera a limpeza sua, e da parte do muro que lhe cabe consistem os aposentos em mais de cento e cincoenta torres de madeira muito altas e de sutil macenaria lavradas com varandas de humas as outras, muy ricamente [95 v.] douradas, tudo he cuberto de telha a modo de curucheos sobre que ha grande vigia, por que não passe, nem se ponha nenhuma ave en sima, porque o toma o rey por afronta, pera o que tem frechas pera lhes tirarem, e sinos, e bacias pera os espantar. Ouve o rey de Pegú partes todas as menhãs e tardes perante quem se determinão verbalmente as causas com tanta sutileza de engenho pera se saber a verdade, que os nossos portugueses se es- pantão. Nenhuma parte aparece diante do rey a primeira vez sem lhe apresentar alguma cousa pequena, ou grande o que se estima em quatro mil pardaos por dia. Tem este rey hum grande sino da nossa feição a huma das portas, em que somente tocão os agravados quando querem que os ouça, ao que acodem logo, e lhes faz justiça de tal maneira, que ninguém nega a verdade, e vivem todos conten- tes. Quando este rey vai passear levão no em huma cadeira esti- mada em cento e sincoenta mil pardaos, e vao diante seis ou sete mil nobres com grande silencio descalsos e bem vestidos, e sua guarda de dous mil. A raynha vai em huma carreta da mesma ri- quesa, aparamentada de sedas com trezentas ou quatrocentas no- bres damas em carretas do mesmo ou em hum certo modo de andas tirado por homens, ou cavalos. Há nesta cidade passante de sete mil templos a que os peguns chamão varelas, de forma piramidal mas redondas a modo de pães de asucar maciças, e de pedra, e barro encafilladas por fora e muitas delias douradas de alto a baixo, de tanta grossura no pee que afirmão passarem algumas de 400 braças em torno, e cincoenta em alto. Tem algumas, junto da ponta hum grosso debrum, como touca mourisca, e dali pera sima são casi todas bem douradas; e os annos passados [96] mandou el rey a forrar a sua mais famosa de chapa de ouro, e todas as suas tem em sima hum grande sombreiro de latão de sesenta palmos em roda; em sima de cada huma huma grande e resplandecente pedra de fogo, e as mais soberbas tem em torno do pee hum poial de huma braça de altura e poquo mais de largura, afastado tres, ou quatro delias; e por fora alguns apo- 108
sentos de seus ministros, e dentro se presume aver bons tesouros sepultados. Dizem que tem este barbaro huma fonte de que mana hum licor espesso como borra de azeite, que posto com fogo em qualquer edifício o consume sem lhe valer nenhum defensivo, e que he o rey mais rico depois do Mogor de quantos hoje se sabem. Com este rey temos algum comercio, e comunica se comnosco por seus embai- xadores, e vão, e vem là nossos mercadores com navios. Nesta costa de Pegu até à nossa Malaca não ha que dizer de reys famosos, que nella haya. De Pegu que dista em 16 grãos e hum quarto do norte volta a terra pera Malaca, que dista em 2 grãos delia junto da qual está o Reyno de Quedaà, que tem boa copia de pimenta, e o Reyno de Pera, e Barruas com grande copia de calaim, donde vem a Malaca, e dahi se espalha por toda a índia. Os peguns trazem huns cascavéis, a que chamão buchões enxeridos em seus membros ginetais, que foi invenção de huma raynha pera prohibir o peccado nefando, que tinhão huns com outros, deixando as molhe- res, a quem juntamente mandou vestir os panos por tai modo, que sempre ficassem mostrando muita parte de huma das pernas por a banda de dentro, com que se provocavão os homens a deixar o mau uzo; e assi se pratica e guarda hoje em dia. 109
16. [96 v.] REYS DA TERCEIRA ENSEADA A 3." enseada tem muitos reys, e reynos. O de Pam, Patane, Lugor ou Lugão, e Sião, que foi muy afamado, e assi o era a sua principal cidade chamada, que em grandeza, e riqueza pudera com- petir com as mayores do mundo. Dilata se por a ribeira de hum grande rio, por que sahem nossas naos de 30 legoas, e tera este Reyno de S ão em comprido trezentas legoas e passante de cento de largo e gente de guerra sem conto com mais de trinta mil elefantes, porque ha muitos na terra, e era finalmente este rey tão poderoso, que não se lhe dava nada que seus vasalos mudassem ley, dizendo que desse cada hum a alma a quem quizesse, que a elle lhe bastava ser senhor dos corpos. Apos este está o Reyno de Cambaia: e todos estes reys de Pegú até a China são gentios, e tem suas principaes cidades de madeira fabricadas sobre jarras na agoa, eo mesmo he no Reyno de Borneo. Rey da China O rey da China foi senhor de todos os reynos desta 3." ensea- da, e muito adiante de Malaca. E posto que seja ya muito dimi- nuído, ainda o conhecemos por hum dos mayores de Asia, e Africa sem lhe aplicar nenhuma conquista, nem adquirido senhorio, por- que sem isso passa o seu reyno de quinhentas legoas de comprido, e trezentas de largo. He este reyno fertilissimo e regado de innu- meraveis rios doces, e amargos, tão navegados de var as, e innume- raveis invenções de embarcações que fazem espanto a gente, que [97] parece que ali se inventou a invenção das embarcações, e do navegar delias polia necessidade e comodidade e grande engenho dos habitadores da terra, de quem também se presume que teve principio o estampar, imprimir, e compor das leys, e da fundação do cobre, e ferro, e do pintar. Nunca este reyno foi conquistado, nem ouve nelle fome, nem peste, e dividi se dos outros por humas continuas serras em que ha hum passo que tem fortificado com hum grande muro e gente de guarnição em que se presume aver alemães a que os mesmos chinos chamão alaminis. He dividido em doze províncias com cada huma sua famosa cidade metropolitana em que ha audiência real, e em nenhuma destas deixão entrar nenhum es- 110
trangeiro, por não saberem o que vay na terra, nem introduzirem costumes novos nellas. Os principais senhores que as governão são os mayores letrados, e por isso entre todas as suas artes he esta a mais eminente. Tem grande ordem em suas cadeas publicas, e cas- tigão com grande rigor os ladrões, e malefícios procedidos de ma- lícia, e todo o castigo e justiça se faz com hum bambuco, que açou- tão, e pêra prohibir furtos tem as cidades grande ordem por cada rua, com que todos vivem seguros e contentes. Guardão tanto a ordem de não deixar sair nenhum natural fora do reyno, que o não deixão entrar sem grande exame; em tanto que nunca se consentio entrar huma embaixada com hum rico presente, que el rey Dom João mandava ao rey da China a fim de poder ter la entrada o padre mestre Francisco da Companhia de Jesus, e os portugueses pouco a pouco forão tomando posse do porto de huma ilha chamada Macao, aonde corrião os da cidade de Cantão, cuya necessidade das nossas espec arias, marfim, prata, rosamalha, e outras [97 v.] cou- sas os fez dissimular comnosco, e com hua grande cidade que ya temos feita no dito porto muy nobre, e opulenta. De Cantão contão os nossos portugueses mercadores cousas grandes, entre as quais foi que temendo se de hum assalto de hum cossario que fazia muitas proezas pella costa recolheo se a gente com tanta pressa de hum pedaço de arrebalde pêra dentro, que ao entrar do porto se afogarão mais de setecentas pessoas, e por isso, e por- que a seu requerimento o desbaratou Luis de Mello da Sylva, que na China estava por capitão e com muita facilidade, e poucos por- tugueses ficarão tam atemor zados do nosso esforço, que por se ase- gurarem de hum e do outro ajuntarão em tres meses pedra, e cal com que fizerão nelles hum muro en torno do arrebalde de mea legoa de comprido, e a quatro braças de alto e casi tres de largo segun comum estimativa dos que de fora virão pellos não deixarem entrar a medir, e affirma que lhe sobejou materia pera outro tanto. 111
17. [98] RIQUESAS QUE PRODUS O ESTADO DA INDIA, PIMENTA, ANIL, ALGODAO Hà na India tres sortes de plantas, humas que producem algo- dão, que se dà em pequenas moutas; e a outra a modo de edra (sic), que trepa e produz a pimenta preta, e branca. A 3." he como linho canamo com folhas como as de mangericão, de que se faz o est mado anil, das quaes tres plantas se comunica o fruto nas tres partidas do mundo, estimando se nas mais afastadas; tanto que seu preço excede ao das mais propinquas, assi por o nosso Portugal, como pellos estreitos, Roxo e Persico, e atravessando a terra em bóies, camellos mulas de carga por outras alheas do nosso uso, e por mar até a China septentrional. O algodão sae na mor parte dos Reynos da Camabaia, e de Bengala, e da ribeira dantre ambos. A pimena sae do Reyno do Nisa Maluco, e por todos os do Malavar até o Reyno de Coulão, que he o coração do Estado, e muita sae também da Sunda, e Sama- tra, e de algumas partes de Java. O anil sae do Reyno de Cambaya, de que ha menos cantidade, que das outras mercadurias. E por isso vai mais que todas. Do algodão se fazem todas as sortes de roupas da India; e alguns panos se fazem tan finos que se não enxergão tendidos e molhados sobre as hervas, de tal maneira que levando hum mercador huma coria delles a Malaca não achava quem lha [98 v.] comprasse, porque pedia por ella dous mil cruzados a cento por pessa, e zombando da fama dos mercadores dahi, que não podião comprar huma coria de roupa, lha comprou hum Quelim mercador natural de Maleca (sic), e a queimou em huma fogueira, que mandou fazer de aguila e sandalo, d zendo lhe que lha não compravão: porque não servia pera nada; mostrando se muito sentido de o por- tuguês dizer que não avia em Malaca quem pudesse comprar huma coria de roupa, e ainda agora se fazem em Cambaia, e em outras partes panos de trinta covados para Pegú, que vai cada hum duzen- tos até trezentos pardaos. 112
Seda da China, marfim da Ethiopia, cavallos, e seda da Persia Segundo a mais comun opinião sae da cidade de Cantão na China huns annos por outros pera o nosso porto de Machao quatro mil quintaes de seda branca em fio, de que levão cada anno pera outro porto de Japão, dous mil e duzentos quintaes, e os mais vem a Malaca, e dahi a índia, agora outra muita cantidade de seda grossa que vai de Sião, de que se fazem em Cambai [a] as pasolas que correm e se gastão por todo Oriente, e he este trato de seda tão grosso, que também se comunica por grosso pezo, a que na China chamão picos, de que tres fazem hum bar da India, que tem três quintaes, e dahi se vende por mais de 24 arrarteis de que vem deza- seis mãos a obrar, que responde outocentos [99] pardaos o bar, a rezão de cincoenta a mão, e as vezes chega ella a valer a cento. Vem da China infinitos veludos de todas as laias, muitos tafetans, e damascos, e toda a mais sorte de seda lavrada. Vem também da Persia muita cantidade de seda cruda a Ormus, e dahi se espalha por toda a India, e toda a sorte de seda, e brocados. O marfim se pudera bem escusar, porque o mais se gasta em brincos, ao que a natureza afeiçoou tanto aos gusarates de Cambaya e aos chinos, que o consumem todo a grande preço. E na cafraria donde elle vem, não serve mais que de tapumes das herdades, e dahi vão pera a índia huns annos por outros quarenta e sincoenta mil dentes grandes e meãos, para o que lhe he necessário que morrão quarenta e sincoenta mil elefantes machos e brancos, porque os não tem as femeas nem os usão no? domésticos. Os cavalos he de notar que sendo a terra firme da índia muito fértil, fresca, e chãa pera se criarem, pos a natureza em tanta neces- sidade delles aos seus habitadores, que os comprão a grande preço e restringio a virtude do seu clima que não produz senão rocins dedicados a trabalho, posto que nacidos depois, e mais castiços, e estrangeiros ou naturais, e tanto he isto mais de admiração, quanto os estrangeiros se fazem mais fermosos fortes, e ligeiros do que erão em [99 v.] sua natureza, o que deve proceder das aguoas e pastos serem mais sustanciais pera criar. Saem da Persia, e de Barém e de Mascate na Arabia junto a Ormuz huns annos por outros em as naos de Ormus e de Mascate mil e quinhentos cavalos ginetes que entrão na cidade de Goa, Chaul e em outras partes, dos quais resulta mais proveito aos reys, e aos homens, que de nenhuma outra couza porque alem do proveito que teve quem os criou, e que lhos vendeo, faz cada hum de despesa des que se embarca, da praya da sua terra até chegar a Goa, pas- sante de quarenta mil reis de que vem a el rey nosso senhor de proveito de cada hum digo de direitos de cada hum dezanove mil e quinhentos reis. 113 8
Tem os cavallos três preeminências, a primeira que somente elles e a pedraria se vende por pardao de ouro posto que se não declare a calidade do pardau. A 2." que como hum navio parte de Ormus com dez, posto que no caminho lhe morrão, não paga ne- nhuns direitos de toda a curta fazenda que leva para a India. A 3.* que também são forros todos os atavios e jaezes que entrão, ou saem da cidade. E com o grande trabalho que estes cavalos passão na embarcação de Ormus e Mascate a Goa e mais partes, e na embar- cação se afinão e apurão, como ouro na [100] fragoa, e ficão muy mansos, e sem nenhuma ruim manha, e antes de os embarcarem sangrão nos, e na embarcação poem nos tan juntos e atados, que não pode hum bolir, que o não fação muitos, e o mesmo he no cair dos enfermos que sostentão com fundas e perfumes e purgão nos, sangrão nos, e curão nos muito bem despois que desembarcão. E emquanto vem no mar sempre vem em pee e nunca se deitão em toda a viagem, e assi dormem os cavallos arabios que saem de Mascate e Barém e outras parte da Arabia, são milharese de mais valia, que os da Persia, e pêra mais trabalho. Riquesas do Japão e China As ilhas de Japão derradeiras do nosso Indico mar, são muito montuosas e frias, e tem seus habitadores posta sua felicidade na guerra havendo se por mal aventurado o que não acaba nella, e assi são taes espingardeiros que não errão hum coquo despedido da mão, como huma bola, e com a espada são muy ligeiros. Gastão se em hum soo porto chamado Bugo os dous mil e duzentos quintaes, que disse de seda branca, em fio, no que parece que tem pouco fio, e muita policia, e gastar se hia mais se nossos navios navegassem a outros portos mais tempestuosos, que por alli hà, e o retorno disto, e doutras cousas he fina prata, que os nossos portugueses de la trazem, e os mais estimados moços, e moças que ha na índia, lanças, espadas e adargas a seu modo de muita lindeza, leques de riquíssimo e mui sotil [100 v.] feitio de obra enlevada, e pintados casois de veados e outros brincos, e estas são as platarias.por que os castelha- nos sempre sospirão. Da China vem a seda branca, que ja disse, e muita de cores com muito retrós, e infinitas peças de veludo, e de toda a sorte, damascos, tafetas, brocadilhos, finas touquinhas, toda a sorte de dourados, toda a laia de porsolanas, que correm por todo o mundo, muito asso, e cobre e ferro, canfora, calaba, almisquar infinito, muito ruibarbo, vermelhão, azougue, latão em pasta, e obra de multa diversidade, muita pedra hume, salitre, emxofre, lindas peças de prata, muitos brincos delia, e de ouro tirado pella fieira, posto que a obra de Ormus de po de oro e prata he a mais linda e bem aca- bada de todo o mundo. Muitas pezas de marfim que excedem a toda 114
a obra de Cambaia e Ceillão, diamantes, aljôfar, rosalgar, asucar em pó, e candil à mais cantidade, que se pode imaginar, porque ay naos, e embarcações, que todos os annos vem carregadas da China que são infinitas, muito arrebique e alvaialde, muito linho, muitos panos pintados por armas casas toda a sorte de abanos pêra abanar, papel. E eu vi em Ormus porcelanas antiguas da China, e na casa del rey e do guasil muito grandes em cantidade, que os mouros principaes costumão ter em contareiras, que fazem polias paredes a modo de janellas, que he a mais rica armação, que entre elles e em toda a Persia se usa, e avia peça entre estas, que estava avaliada en duzentos e trezentos cruzados. Também vem de la o medicinal pao.que chamamos da [101] China, e o gante com que se toma pera não o pilar, leitos dourados, e cadeiras, escritórios, caixões, e mil modos de cofres, e bocetas, e tudo tão barato, como se não custara nada a fazer, e tudo em tanta abundancia que a quem o não vio parece incrível. Vem também da China toda a laia de frutas, peras, maçãs em conserva, castanhas, nozes, como nos vem da Persia a Ormus, mas não em tanta cantidade, muios rosinois e pasaros de gaiola, que falão bem, e huns ratinhos brancos que tem os olhos como finos rubis, e a principal fazenda que pera la corre he prata fina, pimenta, e marfim grosso, e do mais meudo, e não corre la outra moeda senão prata, que se corta, e peza, e tudo o que se compra e vende he a pezo: os reales e prata que os portugueses la levão em chegando a China bate se em pasta delgada, e cada pessoa tras consigo balança e tisoura pera cortarem a prata, e a pezarem quando comprão alguma cousa, porque se não usa la moeda. Mais riquezas do Oriente Da Cochinchina sae o milhor calambá, e aguila que se sabe, muita seda, e ninhos de passaros feitos de ovos de tartugas, que pera isso desfião ao modo de letria, e os tessem e forrão de pena a qual lhe tirão ao lavar, e cosidos e temperados ficão tão boa igua- ria, que a levão de mercancia pera comerem na China. De Camboja sae pao sapão, a que em Portugal chamão do Brasil, almíscar, sera, courama, arroz, porcos, e galinhas. De Sião sae o mesmo pao sapão, almíscar, e [101 v.] beijoim, aguila, seda grossa en fio, e de cores, panos verdes, lacre, salitre, e estanho, chumbo, muita obra de latão, e cobre, as milhores jarras que ha, muito azeite mas não de oliveira, que as não ha em todo o Estado da índia, muito arroz, e sal, e outras fuitas couzas, e agora começão a fazer anil. De Patane sae ouro, diamantes, pimenta, lacre, e diversos panos de seda ricamente lavrados e cadilhados de ouro, e seda ao bastidor, muitos escravos e vaquas. 115
De Pão os mesmos panos, ouro, diamantes, pimenta, confora, aguila, calamba, e dizem que sae este ouro de huma pedraria branca, que tem humas gretas rubicundas, que parece serem guarnecidas dele, donde cae em grãos, e ha muitas e boas pedras de bazar; mas não tarn f.nas, e de tanto preço, como as da Pérsia; gerão se estas pedras nos buchos das cabras silvestres e gazellas da Persia. E em Pão, e por aquellas partes do sul, gerão se de cabras, e em bugios, e ha mais aqui as pedras de porco espinho. Da Jentana sae camfora, beijoim, e estanho. De Bintão vem muito ferro. De Muar junto a Malaca vem muito beijoim, estanho, orracas. De Pera vem beijoim, estanho, e pello rio de Malaca por estas partes dece alguma aguila, calambà e beijoim. De Quedà vem pimenta preta e branca, estanho, sangue de dragão. De Maluco, Amboino e Banda saem todas as especiarias, cravo, noz, maça, muita noz en conserva [102] de vinagre, que em a índia convertem na de asucar, que he muito estimada. De Amboino vem mui lindos panos, das folhas das nipeiras estimados na índia. De Banda vem os passaros mirrados de que se fazem esti- mados penachos. De Borneo sae ouro bornante digo manante. Das Ilhas do Cubo, e de outras de aquelle archipelago bons diamantes de roca velha, perlas, aljôfar, canfora, tartaruga; boas obras de bastidor, escravas perfeitas da mesma obra de bastir e blostar, muita sera, muito vinho de frutas chamadas tampois, e orracas, esteiras finas de rota; e hoje correm ali muitas cousas da China. Do Machafar sae ouro, camfora, sandalo, aguila, e tartaruga. De Timor sae ouro em muita cantidade, cobre, sandalo, enxo- fre, sera como em Borneo, e boas fibres. De Java muita pimenta, canella, gengivre, tamarinho, sandalo, sal, mel, asucre, arros vaquas, patos, pavões, que em toda a índia são infinitos, e muita outra cassa, grandes galinhas, e muitas sortes de aves, muito azeite de lerzelim, e de coquo, boa louça de barro, e finas esteiras de rota, e outras muitas pessas, e cousas que seria infinito contar. Ha muita e boa madeira, e em tanta abundancia todas as cousas que daqui se pro- vêem Malaca e outras partes. Sunda, e Samatra A Ilha da Sunda, e a de Calapa propinquas à Samatra tem muita pimenta. Samatra tem muito ouro [102 v.], prata, pimenta, canfora, beijoim, cobre, e estanho, salitre, enxofre, e outras cousas que não vão aos nossos portos, porque muitas vezes temos guerra, posto que agora estão de tregoas. Em esta ilha de Samatra se ouvera de fazer conquista, e não em outras, que consumem a el rey, e aos homens sem proveito. Passado o Reyno de Malaca, que são estas terras que deixa- mos, está o Reyno de Tanaçarim, e Martavão, e Pegú, em que ha 116
tanto ouro, que corre pastas delle por moeda a que chamão bissas. Sae também deste Pegu muita prata, e cristal, e toda a sorte de pedraria solta, e em obra. De Condana sae estanho, chumbo, ferro, salitre, e o milhor almíscar, lacre, que ha de carregação, e muitas pessas de diversas sortes lavradas, e douradas, e outras em branco de muita lindeza, muita jarraria, e mantimentos, e infinidade de vinhos de nepeiras. Segue se logo a costa de Bengala, que contem somente dous portos, por os mais estarem perdidos, donde muitas naos nossas carregão todas as sortes de roupas finas de algodão, e crua com seda e sem ella; e muita diversidade de pessas ricas sutilmente lavradas, e colchoadas, e muito arros, e sera, lacre, pimenta longa; e cada anno ordinariamente saem dali pera a índia cento e vinte mil arro- bas de asucar em po ao menos, muita farinha, carne, azeite não de oliveiras, manteiga, e muito fio, e cordas, e gunes de linho, e cânha- mo que se vende pera os navios, e naos da India, e outras muitas [103] cousas dos confins desta costa corre té o Cabo de Como- rim. A demais da segunda enseada que tem diversos nomes, segundo lhe tocão os das províncias, de que saem diversas sortes de roupas de boas cores e pintadas. E todo o aljofre meudo que vem nas naos da índia pera Portugal he desta ilha onde temos fortaleza. > 117
18. CEILÃO Da antiguidade da pavoação da Ilha de Ceilão, do principio, e origem de seus reijs, e de todos os que teve até Boonegabaopandar que reynava o anno de 37 A Ilha de Ceilão foi sempre ao Estado da índia outra Cartago a Roma, porque pouco a pouco o foi consumindo em despesas, gente, e artelheria, tanto que ella so tem gastado com suas guerras mais que todas as outras conquistas do Oriente. E porque he ilha tão nomeada me pareceo dar rezão do principio de sua povoação, e da origem de seus reys, cousa de que atégora não achamos escrip- tura. E por me parecer materia nova quis dar luz delia aos curiosos, não reprendendo porem aos nossos coronistas portugueses a quem a origem desta ilha esteve atégora escondida, e a mim me custou bem de trabalho ver e inquirir as próprias escripturas com homens curiosos que [103 v.] sabião bem a lingoa pêra de tudo dar luz a Dioguo do Couto coronista das cousas da índia, de quem por vezes pera isto, e pera as cousas de Ormus foi solicitado. Sincoenta annos antes da vinda de Christo reynando no Reyno de Acota (a que hoje chamamos Tanaçarim) hum fey gentio, que então prossuia o mayor império do Oriente, porque tinha debaixo de seu cetro tudo o que jaz da ribeira do Ganges até a Cochinchina, e pello sertão até casí quarenta grãos ao norte. Este rey tinha hum filho chamdo Vigia Rasa herdeiro do reyno tão avesso, e de tão estragada natureza que em todos os senhorios do pai lhe não esca- pava molher casada, ou donzela, que desejasse que lhe não fosse logo trazida, afrontando as, e deshonrando as, matando, e espe- daçando os que as querião defender, e usando outras inhumani- dades brutaes, com que escandalizou tanto a todos, que de ja o não poderem sofrer se ajuntarão os povos, e forão clamar ao pai, e a pedir lhe justiça de tanta afronta e crueza, e como elle estava escan- dalizado do filho por lhe não sentir emenda tendo o ja muitas vezes amoestado, mandou em segredo negocear muitas embarcações e meter lhe dentro mantimentos, e cousas necessárias; e tendo tudo prestes tomou o filho de sobresalto, e embarcou o com setecentos mancebos da sua idade, e criação que naquellas torpezas sempre lhe forão companheiros: porque era costume naquelle reyno o dia 118
que nacia o filho herdeiro [104] mandar el rey por todos seus reynos escrever e matricular todos os filhos machos, que no mesmo dia na- cerão, os quais trazião a corte de sete annos pera serem criados em companhia do príncipe, e o dia que este naceo se achou huma grande soma delles; dos quais erão ainda setecentos vivos. Depois de el rey enbarcar o filho lhe disse que se fosse pello mundo buscar terras que povoasse, e que não tornase ao seu reyno, que o avia de matar a elle e a todos os mais. Partido este príncipe deu a vella, e foi a vonade dos ventos sem saber por onde hia, e em poucos dias foi a ver vista de huma ilha deserta, que he esta de Ceilão, a qual tomou pella banda de dentro em hum porto que se chama Percaturé, que esta entre Triquelimale e a ponta de Jafa- napatrão, e desembarcado em terra ficarão muito satisfeitos da sa- vida (sic) de seus cheiros, da brandura de seus ares, da fresquidão das suas ribeiras, e da fermosura de seus arvoredos, pello que deter- minarão de se deixarem alli ficar, e começarão a fazer suas pavoa- ções. A primeira cidade que fundarão foi naquella parte de Matota defronte a Manar onde se ficarão sostentando alguns tempos de muito pescado do mar, e dos rios, e das muitas e muy excelentes frutas dos matos que todos erão de laranjas, limas e limões, e de outras de diferentes sortes muy suaves ao cheiro, e saborosas ao gosto; e polia grande fertilidade que acharão de tudo, poserão aquella ilha Lacão, que he vocábulo que vem responder ao paraíso terreal, e este foi o primeiro nome que teve, e o seu verdadeiro que ainda conserva. [104 v.] Havendo alguns meses que estes estrangeiros ali estavão forão ter aquella parte humas embarcações da outra costa a pescaria do aljofre de que ay ali grande cantidade, e vindo a falia com os que nellas hião souberão serem de un reyno, que ficava da outra banda da terra firme hum dia de caminho, no qual reynava hum senhor Cholea Raià, e tomando a informação de seu Estado e poder, tratou com o príncipe de se aparentar com elle, pello que despidiu nas mesmas embarcações alguns embaixadores, pellos quaes lhes mandou pedir, que pois ficavão tão vezinhos, que ouvesse por bem, que lhe comunicassem, e se ajuntassem em parentesco dando lhe huma filha em casamento, e algumas outras de pessoas nobres, e de seus reynos pera molheres de aquelles homens, que trazia em sua companhia. Estes embaixadores chegarão a outra costa, e forão levados a el rey, que os recebeo bem e sabendo do príncipe e cuyo filho era por seu pai muito conhecido por todo o Oriente, ouve se por ditoso em se querer aparentar com elle respondendo lhe a prepo- sito, e mandando lhe fazer muitos comprimentos, e despois de pas- sarem visitas de parte a parte lhe mandou huma filha pera elle muito bem acompanhada de donas, e donzellas, e huma soma de filhas de homens nobres pera os de sua companhia, celebrando se as vodas entre todos com grande solemnidade. 119
Dali por diante continuarão, e comunicarão de huma parte a outra passando se muitas pesoas a viver aquella ilha principalmente officials de toda a mecanica e agricoltores com seus arados, semen- tes e gados, e todas as mais cousas necessárias [105] pêra a vida humana. E disto se começou aquella ilha a engrandecer, e povoar pello sertão fazendo se grandes e fermosas cidades e povoações pello sertão porque aquellas gentes ali forão degradadas lhes cha- marão os da outra costa gallus, que he o mesmo que desterrados. Vendo aquelle príncipe como as cousas daquella ilha crecião se intitulou por emperador da Ilha Lacão, posto que também os estrangeiros lhe chamarão Illenarè, que em lingoa malavar quer dizer o reyno da ilha, que he o segundo nome que teve, e como estes des- terrados falavão a lingoa tanaçarim, que era sua propria depois que se ajuntaron por casamentos com as molheres da outra costa que falavão malavar, que he a mais usada lingoa que ay naquella costa do Canará, misturando se estas duas lingoas vierão a formar a que hoje usão; posto que os mais fallão malavar estreme. Viveo este rey vinte, e cinco annos, e por não ter filhos deixou o reyno a hum irmão seu, que em sua vida mandou pedir ao pay, porque logo que asentou viver naquella terra se comunicarão, e comerciarão huns com os outros. Este irmão que lhe socedeo tem muitos filhos em cuyos des- cendentes andou aquelle reyno novecentos annos sem sair da linha. Passados elles foi ter o poder de hum chamado Dambadine Pandar Pracuramobago, ou Bao, de que logo tratarei. Daqui por diante começou esta ilha a ser famosa no mundo pella muito fina [105 v.] canella, que seus matos dão. E como os chinos forão os primeiros que navegarão pello Oriente, tendo noticia da canella, acudirão muitos juncos aquella ilha a carregar delia, e dali a levarão aos por- tos da Persia e da Arabia, donde passou a Europa, como adiante direi, e assi ficou esta ilha tão continuada dos juncos da China, que todos os annos hião a ella grande copia delles dos quais se deixarão ficar muitos chinos na terra, e se misturarão com os casamentos com os naturaes, de entre os quais nacerão huns mistiços, que se ficarão chamando cingallas, ajuntando os nomes dos naturaes que era gallàs ao dos chins, cuyo proprio nome he cin, e formarão aquelle que hoje corretamente chamamos chingalas, os quais vierão por tempo a ser tão famosas, que derão o seu nome a todos os da ilha, e assi como procedem dos chins, que são os mais falsos gentios do Oriente, e dos degradados que forão lançados de suas terras por maos, e cruéis, assi são todos os desta ilha por mais falsos, fracos, e enganhosos, que ha em toda a índia; porque nunca ate hoje em chingalla se achou fee, nem verdade. E como os chins ficarão continuando o comercio desta ilha, e são maos, como digo, foi ali ter huma armada sua sendo rey Dambadine Pandar, que asima nomeei, e não se receando dos chins o dia que se quiserão embarcar cativarão o rey, e saquerão lhe a cidade, e levando delia muy grossos tesoros se 120
forão pêra a China, e apresentarão o rey cativo ao seu. Isto sentio elle muito pella treição, que seus vasallos fizerão a hum rey, que os agasalhava na [106] sua terra, e logo lhes mandou que sopena de morte o tornassem a por em seu reyno, pera o que mandou orde- nar huma armada em que o embarcou muito honradamente. Tinha este rey cativo huma filha viuva que com dous filhos meninos, que tinha, quis sua ventura, que escapase aos chins o dia do saco, e se foi com elles por el sertão. Embarcados os chins como não ficou filho ao rey, lançou mão do reyno hum gentio chamado Alagezerem, a quem o mesmo rey tinha dado o governo do reyno; este vendo se naquelle estado, fazendo a cobiça de reynar seu officio, trabalhou muito por aver a princesa com os filhos príncipes a mãos pera os matar e ficar seguro no reyno. Esta senhora foi avisada deste nego- cio, e querendo segurar os filhos passou com elles as partes de Cei- tavaca em trajos mudados e em tanto segredo que se não fiou de ninguém; ali se deixou estar sostentando pobremente os filhos. O tredor havendo os moços por mortos coroou se por emperador de toda a ilha, e havendo pouco mais de dous annos que governava chegou a armada da China, que trazia o seu rey, e foi tomar o porto de Columbo. O tyrano o foi receber com mostras muito enganosas, e levando o pera a cidade aquella noite o matou ficando elle rey, em que viveo dez annos. Deste tyrano não ficarão filhos, e ficou o governo do reyno a hum Chagabar, homem sábio, e de boa vida, segundo seus costumes. Este a primeira cousa que fez foi mandar buscar os princ pes que andavão desterrados ja sem mãy, e sendo trazidos diante delles os recolheo e recebeo como senhores jurando logo por emperador ao mais [106] velhd que se chamava Mahà- pracuramabugo, que ja seria de dezaseis annos, e o casou com huma filha do senhor de Candia seu parente e vasallo, e ao outro que se chamava Madunepracuramabago deu el rey o Estado das quatro corlas. Este Mahàpracuramabagpo mudou sua corte pera a cidade da Cotta, que fundou de novo pella mesma maneira e ocasião, que os reys de Decão; tanto depois fundarão a cidade de Xarbedar, e orde- nou,que todos os seus herdeiros se coroassem nella polia engran- decer. Este rey não teve filho macho: mas teve huma filha que foi casada com Choleà Raia, da geração dos antiguos reys, da qual teve hum filho, que o Arão jurou por herdeiro do reyno. No tempo deste foi ter a cidade da Cotta hum panical da casta daquelles reys, o qual vinha da outra costa, homem de grande esforço e conselho, o qual el rey agazalhou, e o cazou com huma molher principal, da qual ouve dous filhos, e huma filha. Estes mo- ços se forão criando em companhia do príncipe, com o qual também andava hum primo comirmão destes moços, filho de huma irmã de sua mãy. Estes três moços vierão a crecer, e a ter tanta posse no reyno, que sentio el rey nelles huma alteração de animo, pello qual receou que por sua morte lhe matassem o neto, e dissimulando 121
con isto tratou de os dividir como fez mandando aos dous irmãos que lhe fossem sogeitar o Reyno de Jafanapatão, que lhe estava rebelado, dando ao mais velho, que se chamava Equebapernal [107] titulo de rey daquelle Estado com obrigação de vassalagem. Este homem que era muito grande cavaleiro, e de mayor corpo, e forças, que em seus dias avia em poucos dias se sonhorio daquelle Estado. O emperador Mahàpracura Mabago Pandar, socedeo no Estado havendo anno e meio, que este reynava faleceo outro senhor das corlas. e el rey deu aquelle Estado ao irmão do ray de Jafa- napatão. Este emperador Javirá casou com uma princesa das Sete Corlas, que era do sangue real ja viuva, da qual ouve hum f lho que naceo doudo, e huma filha de que as suas coronicas não falão, por- que devia de falecer menina. Viveo este rey poucos annos, e huma irmã sua chamada Manicà Pandar tomando o sobrinho doudo nos braços o fez jurar por rey, e ella por tutora, e governadora do reyno que era muito prudente e varonil. Havendo dous annos, que esta senhora governava o reyno, vendo que era necessário rey varão, porque avia ja algumas alterações, e o sobrinho era incapaz do reyno mandou com muita pressa chamar Equebar Pernal Rey de Jafana- patão pera lhe dar o reyno por ser o mais valeroso de todos os prín- cipes da ilha. Isto foi ter as orelhas do irmão rey das Corlas, que acudio logo a este negoceo, pretendendo o reyno pera si, mas como o irmão chegou posto que tiverão muitas differenças, ficou Equeba Pernal rey, e mudado o nome chamou se dali en diante [107 v.] Boenegabao Pandar, que quer dizer rey por força de braço; este casou com huma molher fidalga que lhe el rey de Candia deu por sua filha, não o sendo, mas nomeava por essa polia criar de menina. Desta ouve hum filho chamado Cuipura Pandar, que por morte do pay ficou herdando o reyno. Este não foi coroado mais de quatro vezes, porque costumavão aquelles reys coroarem se cada anno huma vez no proprio dia, em que a primeira forão coroados, e por aqui se con tão os annos do seu governo polias vezes que forão coroados. Este sendo ja coroado quatro vezes o matou o rey das Corlas e se levantou por força por emperador, e mudou o nome cha- mando se Lavirà Pracura Mabago Pandar. Este tinha ja quatro filhos e não foi coroado mais que tres vezes; por sua morte socedeo no império o filho mais velho chamado Draemà Pracurà Mabago, o qual casou com huma senhora da casta dos antiguos reys, da qual ouve tres filhos. Neste tempo falleceo hum dos irmãos del rey a que fica- rão quatro filhos e duas filhas, e a mãy se casou com outro irmão do marido chamado Boenegabo Pandar, que era senhor de Reigão. Este rey despois de ser coroado outo vezes faleceo deixando tres filhos meninos dos quais lançou o tio mão, e em Agredo os matou, ficando lhe a elle so o direito do reyno, coroando se logo por empe- rador criando em sua casa os tres enteados, que disse, que [108] também erão seus sobrinhos filhos do seu irmão, os quais se cha- 122
mavão Boenegabo Pandar, Mandune Pandar, e Reigão Pandar, este era o do meio. Em tempo deste rey Boenegabo Pandar foi Dom Lorenço d'Almeyda filho do viso rey Dom Francisco d'Almeyda os annos do Senhor de 1505 ter aquella ilha e mandando a terra fazer agoa, e lenha lha quiserão defender, pello que mandou a dous galeões atirar algumas bombardas, com que o espantou de maneira, que se meterão pello sertão, por não serem aquelles naturaes costu- mados a ouvir aquelle infernal estrondo: porque neste tempo nenhu- ma espingarda avia em toda a ilha, e depois, que nos os portugue- ses nela entramos com a continuação da guerra que lhe fizemos se vierão a fazer tão destros como hoje estão, e a fundir a milhor e mais fermosa artelharia do mundo, e fazer milhores espingardas, que as nossas de que hoje ha na ilha de aventajem mais de trinta mil. E esta era a rezão por que Seipião era de parecer que se não fizesse sempre guerra a huma mesma nação, porque se não fizessem destros, como nos temos feito aos chingalàs malavares, que pello continuo uso, o estão hoje mais que todas as nações do Oriente, e assim tem dado mais trabalho ao Estado da India que todas. E tornando ao que hia contando tanto que este rey soube da armada portuguesa, que estava em seu porto, foy o seu medo tama- nho, que mandou cometer pazes a Dom Lourenço, e offerecer vassa- lagem, que lhe [108 v.] aceitou com quatrocentos bares de canella que são mil, e duzentos quintais de pareas cada anno. Forão estes três infantes, sobrinhos e enteados deste rey, e crecendo e fazendo se homens moceçando se o si tio e padrasto a pezar tanto com elles, que tratou de os matar, como ja o fizera a outros três sobrinhos pri- mos comirmãos destes; mas não faltou quem avisasse aos moços, pello que fugirão a ira do tio pêra o Reyno de Candia. Dalli com o favor daquelle rey e de outros senhores sairão com grandes exér- citos, e derão no Cotta matando o tio e tomando lhe o reyno. Estes como ainda a enveja, e cobiça não tinha lugar por ser ainda aquelle negoceo em fresco repartirão entre si o império ficando ao mais velho que se chamava Boenegabo Pandar o Reyno da Cotta, que era a cabeça, e ao do meio, que chamavão Reigão Pandar lhe coube o Reyno de Reigão, com aquella cidade aonde primeiro foi cabeça do império, e ao mais moço chamado Madune Pandar lhe ficou a cidade de Ceitavaca com seus termos, jurando se todos três por reys da- quelle que lhes coube. O da Cotta casou com huma bisneta dei rey Javirá Pracura Mabago. Despois que esta partição dos reynos soce- deo foi ter a esta ilha o Governador Lopo Soares o anno do senhor de 1517, e fez a fortaleza de Columbo, ficando aquelle rey da Cotta renovado a vassalagem com obrigação de trezentos bares de canella cada anno pêra el rey e dezaseis anéis de rubis, e çafiras, e seis elefantes para o serviço da Ribeira de Cochim, as quaes pareas se pagarão alguns annos, até que de todo se perderão, por descuido, o, interesse dos viso reys, e capitães. 123
[109] Pico do Adão Esta Ilha de Ceilão he tão fresca, que tem os seus naturais por apinião que foi alli o paraíso terreal, e que quando Adão foi lançado delle pos o pee na ponta de hum alto pico, que por isso lhe chamão o Pico de Adão. E outro pee em Pegu, o qual pico he muy alto e redondo, o no seu remate está huma grande lagea com duas pegadas de homem metidas tanto pella pedra e tanto ao vivo, que parecem frescas, e de nove atè dez palmos cada huma de comprido, e parece que se moverão a creer este abuso polia grande frescura da terra, que tem o mato muito frutífero cheo de arvores de espinho e canella, e sapão que he o que chamamos pao do Brasil, e de linho e ferro e os mais animosos, e entendidos elefantes que ha em toda a firme (?); pello que lhe excedem muito na valia, os quais são conhecidos por terem a tromba tão comprida, que lhes arroja pello chão, e as outras não chegão. As terras de Ceillão são de pedraria, e os rios e ribeiras são de ouro e prata e o mar de riquesas pérolas, e coral preto, e por isso são muy lindas daqui as peças de curo, e outras de cristal e marfim; ha mais a fina canella e duas sortes de lacre em que entra huma amarella tão pouca e fina, que não abrange a mais que as mutras dos reys, e a outra cor he de carregação. Produz esta ilha huns passaros brancos e vermelhos, que são contra peçonha provada. Sua Magestade na conquista desta ilha de Ceillão anda enganado por que lha fazem de pouco rendimento sendo ella capaz de dar a el Rey todos os annos quinhentos mil cruzados de rendimento ao menos. [109 v.] Da real geração da casta do Sol que os chingallás de Ceillão tem por divinas de que procedem os retjs de Ceillão segundo suas fabulas Dizem as caronicas dos reys de Ceillão, e eu o ouvi muitas veces cantar a alguns naturaes em verso ao seu modo, que hum enterprete me hia declarando, que vivendo todos os gentios daquella parte do Ganges pêra fora em tudo o que hoje comprehende os Rey- nos de Pegú, Tanaçarim, Sião, Cambaya, e em todos os mais daquelle sertão, sem reys, sem ley, sem policia alguma que os differenciasse dos brutos, agasalhando se por lapas e covas, comendo hervas, e raizes sem ter conhecimento de agricultura, nem grangearia dos cam- pos, e que estando aquelles naturaes de Tanaçarim hum dia pella menhã ao nacer do sol, vendo sua fermosura, e ferindo os seus pri- meiros rayos na terra de improviso a virão abrir, e sair de dentro delia hum fermosissimo homem grave na pessoa de presença veneranda, e em todas as mais feições differentes de todos os ho- mens, ao qual acudirão todos os que o virão admirados daquella maravilha; e com grande humildade lhe perguntarão que homem 124
era, e que queria, ao que respondeo na lingoa tanaçarim que era filho do Sol e da Terra, e que Deos o mandava aquelles reynos pera os reger e governar; o que ouvido por todos lançarão se pello chão, e adorarão no, dizendo que estavão prestes pera o receberem e segui- rem, e aceitarem suas leys, e costumes.E dali foi levado ç posto em hum lugar supremo e lhe derão obediência como a rey, e elles os começou a mandar e governar. E a primeira cousa que fez foi tira los dos [110] matos, e ordem pera fabricarem casas, e lavrarem os campos, e depois a lhe dar leys suaves e brandas, com que se forão achando bem. e a viverem diferente do que atè então. Reynou este rey muitos annos, e deixou muitos filhos, com quem repartio seus reynos, em cuyos descendentes andarão mais de dous mil annos. E a todos os herdeiros que socedião lhe chamavão Suriavás, que quer dizer de casta do Sol. Destes vinha direitamente Vigia Raiá, que foi (como já disse) degradado povoar aquella Ilha de Ceillão i em cuyos herdeiros o Império delia andou direitamente, e anda atè hoje, porque el rey Dom João que está entre nos, e he o verdadeiro herdeiro de toda a ilha procede desta casa e soo nesta Ilha de Ceil- lão se conservou por linha direita de herdeiro, em herdeiro, o que não foi nos outros reynos aonde ella começou, porque todos por tempos forão ter as mãos de tyranos, e totalmente he extinguida, e apagada. E soó em el rey Dom João se conserva hoje e nelle se acabara, porque não tem filhos e netos, como na verdade se acabou. E assi se jactão tanto todos os reys de Ceillão de procederem da- quella casta que se havião pellos mais honrados de todo o gentio do Oriente. E assi elles todos lhe conhecem huma certa superiori- dade, e lhe mandão pedir suas filhas pera se casarem. Desta casta vinha direitamente este príncipe que o rey da Cotta casou com sua filha, posto que era desherdado e pobre. Das varias opiniões, que ouve entre os geographos sobre qual seja a Trapobrana de Ptolomeo, e das rezões, que hà pera ser esta Ilha de Ceillão, e dos nomes que sua canella tem entre todas as nações [110 v.] Ja que mostrei o principio da pavoação de Ceillão, e origem de seus reys, e os nomes que os naturaes derão a esta ilha convém que mostre também todos os que teve entre os estrangeiros. E como he esta a verdadeira Trapobrana de Ptolomeo sobre que tanta confusão ouve entre os geographos, e as rezões por que todos cuidarão ser esta a Ilha de Samatra. Plínio falando da Trapobrana diz que he de seis mil estádios de comprido, e cinco mil de largo, e que casi era tida por hum novo mundo, e que em tempo do emperador Cláudio se descubrira, e que hum rey daquella ilha lhe mandara embaixadores, e que as 125
naos que hião demandar aquella ilha não se regiam por estrellas, porque não vião os polios. Estrabão falando da Trapobrana a far do tamanho que a faz Plinio. Onesicrito capitão de Alexandre Magno que navegou a costa da índia diz que a Trapobrana he de cinco mil estádios sem dizer se de longitude nem de latitude, e que estava apartada dos povos Prasis, sobre o Ganges navegavão de vinte jornadas, e que entre a India, e ella avia outras muitas ilhas mas que esta mais que todas estava pera o meio dia. Arriano autor grego no tratado que fez da navegação da índia diz que quem partir da costa de Cornara, e Poduca iria ter a huma ilha que estava ao ponente chamada Pallesimonda, e dos antiguos Tapobrana, a qual todos tinhão por hum novo mundo, e em seu tempo fora muito conhecida e que nella se criavão os melhores e mais ricos elefantes em grandeza, que todos os da índia. Arastotenes autor grego diz que a Ilha Trapobrana está no mar de Hoó entre Orto e [111] Occaso ao encontro da índia, por vinte jornadas de navegação da Persia. Ptolomeo nas suas Taboas mete a Ilha Trapobrana na costa da índia de fronte ao Cori promontorio, o qual por corrupção do vocábulo chamamos agora Comorim; o qual promontorio situa em treze grãos e meio do norte. E Plinio lhe cha- ma Colaicum Promontorium, e que antes delle se chamava esta ilha Cimonda, nome de Ceilão, mas que no seu tempo se nomeava por Salica, e seus naturaes por Salim, e que tinha de comprido novecen- tas e trinta milhas, que são legoas nossas dozentas e dez e que nesta ilha nacia muito arroz, mel, bengivre, herilo, jacinto, e outras muitas sortes de pedras, e metais que soo hà na Ilha de Ceillão. Vamos aos geographos, que fazem ser esta Trapobrana a Ilha de Çamatra. Meser Pogio florentino secretario que foi de hum Papa homem docto, que escreveo por mandado do Summo Pontífice a viagem que Nicolao de Conti veneziano fez por terra por toda a índia até o Cataio, diz nella, que foi ter este veneciano à Çamatra antiguamente Trapobrana. Maximiliano transilvano varão também docto, e secretario de hum emperador em huma carta que escreveo ao Ceardeal salzuburgense, em que lhe dava conta da primeira via- gem que os portugueses fizerão a índia diz que forão ter as praias de Calecut, e dali a Çamatra, que antiguamente se chamava Tra- pobrana. Benedito Bordone no seu Insulario diz que a Ilha de Ma- gadascar, que he a de São Lourenço estava ao ponente de Ceillão mil e trezentas milhas, e ao sul da Trapobrana mil e outenta. E outros muitos geographos que tem o mesmo, que deixo oor escusar prolixidade, soó o nosso João de Barros homem doctisimo na profissão da Geographia falando nas suas Décadas na Ilha de Ceillão diz que he a Trapobrana de Ptolomeo [111 v.| como mais largamente provava nas suas tavoas da Geographia, as quais de- pois de sua morte desaparecerão. E posto que bastava esta sua 126
■autoridade pera prova bastante de ser Ceillão a Trapobrana, e mete la Ptolomeo na costa da India do Gange pera dentro, o que se não pode entender de Çamatra, que esta do Gange tanto pera fora; todavia examinarei os geographos antiguos e verei como todos fa- lão de Ceillão, e não de Çamatra. Plinio diz que a Trapobrana he de seis mil estádios de com- prido que são dozentas e dez legoas e que no tempo do emperador Cláudio fora descuberta por hum Oliberto de Aniopoclanio, que andando ao longo da Arabia em hum navio fora arrebatado dos ponentes e em quinze dias passara alem da Carmania, e chegara a Trapobrana, e que aquelle rey o agasalhara muito bem, e elle lhe dera algumas moedas, que levava das [que] em Roma corrião, que tinhão a imagem do emperador [ese]ulpida e que el rey man- dara com elle seus embaixadores [a] [vjisitar aquelle emperador. Por todas estas cousas hei de pr[ov]ar ser esta a Ilha de Ceillão. Quanto a grandeza da Ilha he a [m]esma que Ptolomeo lhe dá, porque em suas tavoas alcansa até passar equinocial dous grãos da banda do sul porque parece, que em seu tempo teve a mesma gran- dura, e os naturaes affirmão, e tem por averiguado por suas escri- turas que ja esta ilha fora tamanha, que pegara com as Ilhas de Maldiva, e por tempos gastara o mar por aquella parte, e cobrindo a da maneira que se hoje vêe, e que as partes mais altas ficarão se- paradas em muitas ilhas, como hoje estão lançadas todas as em huma corda pello rumo [112] a que os mareantes chamão norueste, sueste, em que afirmão aver mais de trinta mil ilheos, e hoje não sabemos, que haya mais de onze mil, que as mais parece que o mar as foi cobrindo, como algumas aparecem em baixos a flor do mar, e ya em tempo do mesmo Ptholomeo que concorreo nos annos do Senhor de 143, parece que o mar começava a fazer este estrago, porque diz que deredor da Trapobrana avia 1317 (?) ilhas, e ser levado Oliberto de Anio dos ventos desta Arabia em quinze dias até a Trapobrana muy claramente se vee fallar de Ceillão, que está quinhentas legoas da costa da Arabia, que he o mais que em quince dias podia navegar com os ventos ponentes, com os quais eu ja parti em fim de Agosto da costa de Arabia, e vim em hum navio em cinco dias a Goa que são perto de trezentas legoas. E outra vez parti em huma nao, e vim em outo dias a Goa com muita pouca vella. Atem disto esta Ilha de Ceillão está na costa da índia alem de Carmania, e Çamatra está fora de toda a India, e alem do Gange muitas legoas, e soo pera ir de Ceilão a Çamatra ha mister outros quince dias de vento em popa, e sobre todas estas rezões achamos hoje em Ceillão sinaes de edifícios romanos, que parece que ja tive- rão comunicação naquella ilha, e ainda digo mais, que se acharão nella as mesmas moedas que este Oliberto levou. Sendo capitão de Manar em Ceillão João de Mello de São Payo os anos do Senhor de 75 abrindo se huns edifícios que estão 127
da outra banda nas terras que chamão Mattota, ainda hoje apare- cem muy grandes ruinas as partes de obra romana de cantaria, e andando huns homens [112 v.] trabalhadores tirando pedra derão em o fundo de hum pedaço de alicerse, e rebolvendo acharão huma cadea de ferro de tão estranha feição, que não ouve em toda a índia official, que se atrevesse a fazer ouro com ella. E assi acharão duas moedas de cobre huma toda gastada e outra de ouro baixo gastada de huma banda, e da outra se enxergava ainda hum bulto de hum homem dos peitos pera sima com hum pedaço de letreiro a roda gastado em algumas partes, mas ainda se enxergava claramente no começo esta letra C. E as continentes qastadas, e voltava a roda o letreiro em que se vião estroutras letras R. M. N. Rx. Esta cadea e medalhas forão levadas a João de Mello, que as estimou muito, e as levava pera o Reyno pera as dar a el Rey, e na viagem se perdeo o anno de 592 na nao São Bernardo na armada em que vinha o governador Manoel de Sousa Coutinho, e cousa he muy possível que fossem estas moedas das que alli levou Oliberto do Anio, e que nos seis meses que esteve naquella ilha daria ordem aquelles edifícios a uso romano, e que lançaria nos fundamentos aquellas moedas, couza muy ordinária em toda a Europa. E con- siderando eu, e alguns curiosos as letras da moeda, e tendo lido muitos letreiros antiguos principalmente em Condeixa a Velha junto a Coimbra me pareceo e a todos os que vimos a moeda que esta letra C he a primeira do nome de Cláudio, e que nas continentes que estavão gastadas avia de dizer Imperatori porque as [113] outras R. M. N. Rx claramente se vee doze Romanorum. Outra moeda como esta se achou nas índias de Castella, que descobrio Pedro Colon segundo refere Lucio Marino Ciculo no livro das cousas memoráveis de Espanha, na vida dos Reys Catholicos andando se abrindo outros alicerces como este o qual tinha a imagem de Cesar Augusto. Esta moeda ouve Dom João Roufo Arcebispo de Co... e a mandou ao Summo Pontífice, que Lucio Marino inferiu que os romanos navegarão ya por aquellas partes, mas tornando a nossa ordem se he verdade o que diz Laguna que em tempo do Papa Paulo l.# fora achado hum pao de canella, que estava em Roma guardado como cousa preciosa, a qual por hum letreiro que tinha se via que ficara do tempo do emperador Archadio, filho de Theodosio, que socedeo no Império os anos do Senhor de 397 que foi 126 annos depois de Cláudio, que imperou os de 271. Bem podia ser que fosse levada de presente por aquelles embaixadores que forão com Oliberto. E deixando Plinio vamos ao Nesicrito. Diz este autor que a Trapobrana era de cinco mil estádios e que estava apartada dos povos Prasis sobre o Ganges por navegação de vinte jornadas, e que entre a India, e elle avia muitas ilhas, mas que estava esta mais pera o meio dia. Quanto ao tamanho confirma com Ptolomeo a ser apartada do Ganges, por vinte jornadas, e aver entre ella, e a índia 128
muitas ilhas, claramente mostra falar de Ceilão, porque esta do Ganges as mesmas jornadas, esta ao sul de toda a costa da índia, e ay muitas ilhas que diz são as de Mamale e [113 v.] Maldiva, e as outras todas, de que Ptolomeo faz menção, e Çamatra estão ao levante, da índia muito afastada delia. Arriano autor grego diz que quem partir da costa de Cornara, e Poduca ao ponente iria tomar a Trapobrana, bem claro se vee fallar de Ceillão, porque Cornara e Poduca mete Ptolomeo nas suas taboas em catorze grãos e meio na costa da India do promontorio corre pera dentro, e parece ser São Thome, ou Negapatão, por quem partir daquella costa pera ir buscar Ceillão ha de navegar ao ponente, e pera Çamatra ao levante, e a Ilha de Ceillão sabido he que cria os mayores e melhores elefantes de todos os da índia como o mesmo Arriano diz. E tanto he assi que todos os outros lhe conhecem huma superioridade que vendo qualquer delles hum de Ceilão assi lhe vão fogindo, que parece, que vay o diabo nelle, o que cada dia vemos nos que el rey trás em Goa do serviço da sua Ribeira de differentes terras. Arostotenes autor autor grego diz assi: a Trapobrana está no mar de Hoò entre o Orto, e Occaso apartada por vinte jornadas da navegação da Persia ao encontro da índia. Este ainda falia mais claro de Ceillão, que está em outo grãos do norte entre levante e ponente, e por muito vento que huma nao leve não fara mais caminho partindo da boca do Estreito Persico, que chegar nos vinte dias a Ceillão, que são quinhentas legoas, e Çamatra não está no Mar Hoó senão [114] debaixo da equinocial, e por aqui ficar claramente provado ser Ceillão a Trapobrana, e não Çamatra como alguns mal entenderão. Vamos agora aos geographos modernos que sem consideração, fazem Çamatra ser a Trapobrana. Estes todos buscando esta ilha Trapobrana debaixo da equinocial aonde Ptolomeo a poem porque em seu tempo como disse lançava dous graus da banda do sul, e dis correndo por toda a costa da índia até alem do Ganges não achando outra senão Çamatra sem outra consideração a fizerão Trapobrana, como também desafinadamente lançarão o Rio Indo na enseada de Cambaia. Estando elle no Sinde que he de Cambaia pera Ormus cento e tantas legoas e ahi entra no mar por duas bocas em o Estreito Pérsico. E considerando Benedeto Bardone aquelle lugar de Plinio falando da Trapobrana aonde diz septentrion non cemitur. Na annotação que sobre isso faz reprehende Plinio, por dizer que nella se não via estrella do pollo árctico, que diz que os que virem na Trapobrana pera a parte do promontorio Colaico vem este pollo alevantado por treze grãos, e que assi conforme as alturas, em que os daquella ilha vivem assi verão sua' elevação. Mas que os que vivião debaixo da equinocial nem hum pollo nem outro podião ver no que se emcontra, porque faz Çamatra a Trapobrana. E esta Ilha de Çamatra corta a equinocial pello meio e não lança de huma parte 129 »
[114 v.] e da outra pera os polios mais de cinco grãos, porque os que vivem na ponta de Daia que he a mais septentrional não vem aquella estrella alevantada mais que por cinco grãos, e polia mesma maneira os que vivem na outra pera a banda de Árctico, escasa- mente a enxergão, o que he ao contrario em Ceillão, porque os que vivem na ponta de Jafanapatão vem o pollo árctico alevantado por outo grãos e meio, e os que habitão a ponta de Alem, que he a mais meridional, a vem alevantado por cinco, por onde claramente se vê ser esta a Trapobrana, que naquelle tempo se estendia ate dous grãos do sul, e que o Colaico Promontorio de Plínio, o Cori de Ptolomeo será o Cabo Comorim por sem duvida se tem porque naquelle tempo e muitos annos depois o Reyno de Coulão foi o mayor de todo o Malavar, e se estendia até quasi os baixos de Chilao, e como aquelle Cabo Comorim ficava daquelle reyno, e he hum dos famosos do mundo foi nomeado de Plínio por Colaicum Promontorium, como dizer o promontorio do Coulão, e chamar lhe Ptolomeo Cori Promontorio pode bem ser por o lugar de Titecori, que estava adiante delle, que naquelle tempo seria couza grande e continuada dos estrangeiros, pello que daria Ptolomeo àquelle cabo o nome do lugar Titi Corini, e por esta rezão, e por outras que deixo, me parece que também esta Ilha de Ceilão, he aquella de Jambolo, de que Diodoro Ciculo faz menção no fim do 2." livro da abreviação da sua [115] historia, a qual Bautista Ramnunsio, e outros fazem Çamatra. E não me tem dado pouco trabalho querer saber este nome de Trapobrana donde teve principio e origem; por- que em toda a Ilha de Ceilão não ha porto nem bahia, cidade, villa, promontorio, fonte nem rio, que tenha alguma semelhança com este nome, nem em suas caronicas, nem nas dos canaràs, nem em lingoa alguma da índia tem significação, nem se conhece, por onde me parece que he nome grego imposto por Ptolomeo, que queria significar alguma grandeza, ou propriedade daquella ilha, porque também o nome de Ceillão foi imposto daquelles baixos em que os chins se perderão junto daquella ilha que ficarão tão famosos de então pera ca, que ja se não conhecia a ilha por seu nome proprio, senão pollo dos baixos; porque como os persas, e arabios na nave- gação pera aquella ilha hião temerosos dos baixos sempre os tra- zião na imaginação dizendo que hião pera Cinlao, ou que vinhão de Cinlao, que quer dizer, que hião, ou vinhão dos baixos dos chins. E assi mudando se por tempos as letras se ficou aquella ilha chamado Ceillão, e isto basta pera prova de ser aquella ilha de Ceillão a Trapobrana, e pera se saber bem sua origem e seus nomes, o que me custou muito trabalho inquirir e alcansar de suas historias e livros de sua antiguidade com [115 v.] o que tenho alumiado muito a certo historiador que pretende continuar as Décadas de João de Barros por mandado de Sua Magestade. E porque tratei de Ceillão não he justo que passe sem mostrar os nomes, que tem a sua canella, assi os que lhe derão os gregos, 130
latinos, pérsios, arabios, como os que tem entre todas as nações do Oriente, e mostrarei a corrupção, que o tempo nelles fez, do que nasceo aver entre todos os medicos grande confusão. A canella nesta Ilha de Ceillão aonde nace a melhor de todo o Oriente se chama corundo potri, que quer dizer arvore de casca; os malavares onde se cria a mais ruim e grossa lhe chamão caroa potri, que he o mesmo que arvore de casca, porque a casca que os chingallas de Ceillão chamão corundo chamão os malavares caroa; os arabios lhe chamão carfã. Este nome anda corrupto entre os nos- sos medicos, porque huns lhe chamão quirfe, outros quirfà. Os pérsios a nomeão por dar cin, que quer dizer pao da China, por- que como os chins forão os primeiros, que levarão ao Estreito da Persia as drogas, roupas e louçainhas do Oriente, e dali por mãos dos persas passou tudo a Europa com os nomes que lhe elles derão pellos quais erão conhecidas estas cousas, e não pellos seus proprios que em suas terras tinhão, ficavão os nomes muy diversos. [116] Sarapio interpreta este dar cin, e diz que quer dizer arvore da China, porque cuidou ave las naquella provncia, por se achar a canella em mãos dos chins como dissemos. Da mesma maneira se emganou Arriano em dizer que a cassia gingivre erão certas sortes de canella, que nascião em alguns lugares da Troglodita, e que dali as levavão os mercadores a Grécia; no mesmo erro caio Plinio, que diz, que o cinamomo nascia em Ethio- pia vesinha à Troglodita, e que aquella parte pella qual corria a equinocial era chamada dos autores antiguos Cinamomifera, que quer dizer terra que produze o cinamomo, o que parece que naceo de esta canella lhe ir ter as mãos por via do Mar Roxo pella dos mercadores arabios, que vivião naquella parte da Troglodita, e não perguntando na Grécia onde nascia esta droga, avião que se dava na terra dos arabios que lha levarão, como também alguns escritores antiguos, porque vião ir a canella pella via de Alepo lhe chamarão cinamomo alepiano, e por esta confusão, não sabemos hoje que sortes de especiarias, e cheiros são duaca, macroto, e moto, magia e asiplii, que diz nacerem na Arabia, e na Ethiopia, nem o nicato gaballo, e tarro, que Plinio nomea por cheiros da Arabia, aonde nunca até hoje se sabe mais que ensenso, e toraque (?) e mir- ra, que possível he que sejão estes de Plinio, nem em todas as Ethio- pias ouve nunca otra droga senão gengivre, e este bem ruim, e este so no Reyno de Damive (?). E tornando aos nomes da canella, os malaios [116 v.] de Malaca lhe chamão caiomanis, que em sua lingoa quer dizer pao doce, que he o caisman, ou caesmanis dos gregos, porque parece que também foi ter a elles com este nome malaio e lho corromperão. Chamão lhe também os gregos casca lignea, nome que em nenhu- ma nação destas do Oriente achei inquirindo o bem por todos os medicos gentios e mouros, e lançando o meu juiço me parece que ha de dizer caislignea que he o mesmo que pao de cais, porque 131
antiguamente antes do Reyno de Ormus se passar pera a Ilha Gerum aonde hoje está era cabeça e império de todo aquelle estreito a Ilha de Cais, que esta adiante de Ormus pello estreito dentro. E como naquelle tempo continuavão os mercadores da Europa na- quella Ilha de Cais como hoje fazem na de Ormus, levando dalli a canella que os chins lhe trazião, parece que na Grécia dezião que a levavão da Ilha Cais e que por isso lhe chamarião caislignea. E isto que tenho dito he o que melhor me pareceo e mais che- gado a rezão, e prova da verdade, que pretendo nesta materia alcan- sar pera desfazer a confusão e variedade, que nestas matérias anda escrita por trezentos mil livros compostos mais por enformações mentirosas, que por verdades claras, como aqui tenho mostrado a custa de meu trabalho, e experiência de muitos annos da índia, aonde sempre por fugir de historiadores mentirosos procurei quanto pude inquirir a origem, e verdade das couzas. 132
19. [117] DAS OPINIÕES, RITOS E CERIMONIAS, DE TODOS OS GENTIOS DA INDIA, QUE JAZEM ENTRE O RIO ÍNDIO, E GANGE, E DO QUE CONTEM O ORIGINAL DE SUAS ESCRIP- TURAS QUE OS SEUS LETRADOS ENSINAO EM SUAS ESCOLAS Como tenho tratado de algumas curiosidades da India que atè hoje se não escreverão, pellos nossos coronistas nem por outros curiosos, que fazem profissão de cousas novas, pareceu me que convinha tratar da gentilidade da India, que habita do Gange pera dentro, e se for comprido desculpar se a materia assi por ser novi- dade nunca por outro ate hoje tratada neste nosso lingoajem, como por ser materia de muita curiosidade, sobre que grandes letrados tinhão rezão de fazer grandes volumes pera confusão destes gentios, e também nos servirão de darmos graças ao altíssimo Deus da merce que nos fez em nos dar conhecimento de si mesmo, vendo os brutos ritos, e abominações e ceremonias, e barbaras opiniões destes legos gentios, que forão significados naquella diversidade de animais inmundos, que São Pedro vio naquella visão do vaso cheo delles, como se lê nos Actos dos Apostolos, pello que se hão de saber, que entre toda a gentilidade do Oriente se guarda e sostenta huma sò opinião no conhecimento de Deos, criação e corrupção das creaturas que he lição que se leê nas escolas pelos seus bragmenes que são os mestres de sua religião. Disto tem muitos livros, e seu latim, a que chamão Geredão, que contem [117 v.] tudo o que han de creer, e todas as ceremonias que han de fazer. Estes três livros são repartidos por corpos, membros, e artículos, cuyos origens são huns a que elles chamão Veados, os quais são repartidos em quatro partes. Éstee em outras cincoenta e duas partes, por esta maneira: seis a que chamão Xastrà, que são os corpos, dezoito a que chamão Puranà, que são os membros, 28 chamados Aganeon (?) que são os articulos. De todos estes farei distinção brevemente pera melhor se emtenderem. A primeira parte destes quatro origenes trata da primeira causa da matéria prima dos anjos, das almas, do premio do Bem, da pena do Mal, da geração das creaturas, de sua corrupção, que cousa seja pecado, como se pode remir, e absolver e porque a 2." parte trata dos regentes a que dão o domínio sobre todas as cousas. 133
A 3.* he toda doctrina moral, conselhos que exhortão a virtude, e obrigação a aborrecer o vicio. E assi da vida monástica, e politica que são activa, e contemplativa. A 4." parte trata das cerimonias dos seus pagodes, dos sacri- fícios, e de suas festas; e neste também metem os encantamentos, feitiçarias, adevinhações e arte magica, porque a todas estas cousas são muito dados. Todos estes livros são escritos em versos muy heroicos e pom- posos em palavras, invenção, que o demonio ordiu pera que a modu- lação e suavidade delles os obrigasse a ouvi los pera se lhe afeiçoa- rem, e assi o são tanto que a qualquer bragmene que lhe quer fazer creer huma mentira em a pondo em verso fica posta em tanta vene- ração e authoridade, que não havera cousa que lha tire da cabeça. E tanto he isto assi, que historias a que nenhuma origem [1181 sabem, e de cousas que ainda repugnão sua propria ley e costumes, pello uso de as cantarem em verso, assi lhes dão fee, como se as virão com o olho. /sto lhes nace de não defenderem nem sustenta- rem por rezões cousa alguma das que crem, antes em todas se atão aos mestres que lhas ensinarão, e aos livros em que andão escritas, e assi como não disputão, he gente muy sogeita a rezão, e fácil de converter a nossa sancta fee catholica. E com esta gente temos na índia muito pouco trabalho, o que he contrario em os mouros, que professão a falsa e diabólica ley de Mafamede. Desta arte de poesia tem grandes escolas e gerais, cada verso destes gentios tem sessenta e cinco sillabas. Deixando isto tornemos as distinções das quatro partes dos seus Veados. A primeira que trata da causa prima segundo os livros que tem chamados Tonem, Mandramolé e Trivaxigao, que são humas summas de sua theologia, que leem nas escolas. Dizem que esta causa prima he Deos, e que este he hum espiritu puro incor- póreo, infinito cheo de todo o poder e saber, e verdade, e que está em todas as partes ao qual chamão Xarves Zibarú, que quer dizer criador de tudo. Trata mais esta primeira parte da matéria dos anjos a que chamão Monixerarum, que quer dizer os Santos, os quais dizem que não forão criados, e que são ab eterno com o mes- mo Deus. Destes anjos fazem tres Estados huns limpissimos que acompanhão, e servem a Deos, outros menos puros, dos quaes são as almas, que informão nos corpos humanos pera nelles se pur- garem. Os 3.°* inmundos, estes servem de ministros da Justiça de Deus, e de carcereiros do Inferno, que elles confessão aver, como se vera em seu [118 v.] lugar. As almas tem que são inmortais; mas que se tem peccados como hum morre sua alma se passa ao corpo de qualquer alimaria, onde os andão purgando, até que mereção subir ao Ceo, e de toda as almas as que se metem nas vacas tem por mais ditosas; e por isso são veneradas de todo o gentio como cousa sagrada. Chega 134
sua bruteza a tanto que quando hum está em passamento lhe chegão huma vaca a cama, e lhe metem o rabo na mão como candea, pera que em despedindo a alma do corpo entra logo na vaca, por que o não fação em outro animal mais suzio. Por onde parece que tem pera si, que suas almas se metem no animal que está mais perto, e por isso não matão os persobejos, nem pulgas nem piolhos da cabeça. Em dezanove annos que andei na índia por ambas as vezes que la fui, nunca acabei de entender esta veneração, que tem as vacas, nem a deidade que lhe atribuem, nem elles o sabem bem de- clarar. Muitas vezes vi, e ouvi na índia em algumas terras aonde estive de assento, e de passagem mormente em Cambaia, as vacas ourina- rem pellas ruas, e acodirem os baneanes homens e mulheres e apa- rarem as mãos e tomarem a ourina, e lançarem na por sima das cabezas como nos fazemos a aguoa benta dizendo algumas pala- vras. Dizem mais, que as almas dos mais pecadores e mofinos se trespassam aos corpos dos animais suzios, e inmundos e a do mais pecador de todos no cão, e que conforme aos merecimentos de cada hum assi lhe cabe a sorte, e estado de rico ou pobre, alto ou baixo, são, ou enfermo, e que de corpo em corpo andão purgando seus peccados, atè que de todo tenhão satisfeito, e que mereção passar a gloria. Esta opinião brutal he tão antigua que Empédocles Agrigentino disse que os spiritus que malvivião o ar, o mar, a terra os lançavão de si, e que de lugar em lugar [119] andavão purgando suas culpas até passarem a gloria. Quanto ao premio dos bens, e castigo dos males ha infin tas opiniães, porem está averiguado aver gloria e pena, mas qual seja esta pena e onde no se acabão de determinar. Tem também pera si, que em nascendo hum homem logo vem destinado pera o bem, ou pera o mal, e que forçado lhe ha de acon- tecer o pera que nasceo, e que não está na sua mão poderem lhe fugir, no que negão o livre alvedrio. Daqui vem dizerem a tudo o que lhe socede, que he seu naabo. Muitos dizem que a gloria e pre- mio, que se dà aos virtuosos em satisfação de penitencias, e sacrifí- cios são riquesas, e honras, dignidades e filhos, e que morrendo hum, que tem estes bens, se viveo bem torna a logra los em outro corpo. E assi medem a virtude pellos bens, que cada hum possue. Outros que se tem por mais atinados [a ver]dade dizem, que no segundo ceo ha hum lugar a que chamão Xoruagò, no qual han de ir descansar os que bem viverem, e que no centro da Terra ha outro a que chamão Novacá (?), que he todo de fogo e tormentos, onde se vão pagar os peccados. E que neste lugar ha tanto genero de tormentos quantas forão as diversidades de culpas. Dizem mais que os anjos da terceira ordem são os ministros destas penas, e a estes pintão elles com todas as fealdades que podem, como nos fazemos ao Demonio, e os nomeão por muitos nomes, e os princi- 135
pais Diagal e Saytan, nome por que he bem conhecido em toda a parte, e que até entre estes brutos elle não quis perder. Alguns tem pera si, que os tormentos não são perpétuos senão por tempo limitado, e que conforme as culpas de cada hum assi sera o termo do degredo, e passado elle tornara a nacer de novo e tomara outro corpo no qual tornara a viver no mundo. E que assi tantas vezes ira, e vira do Inferno [119 v.] atè que faça obras dignas de ir ao Ceo... No meio destes dous lugares superior, e inferior, dizem que ha outro pera as almas, que não merecem pena, nem gloria, não tratando de inocentes, mas dizem que se huma alma teve hum peccado por que mereça o Inferno, e por outra parte se teve alguma virtude por onde mereça a gloria, como dizemos foi hum inconti- nente, mas caridoso com os pobres em igual grao, em tal caso se pollo mal mereceo o Inferno, e pello bem o Paraíso então ficará no lugar do meio aonde não tera pena, nem gloria. Quanto à criação do primeiro homem dizem os seus letrados, que procedem de huma geração dos deuses inmortaes; outros dizem que forão formados dos elementos, e que estes forão feitos da pri- meira materia que he eterna, e que todos os elementos tem mistura huns dos outros, somente o fogo que he simples, e sem mistura. Outros afirmão, que da propria materia de que o mundo foi com- posto o foi também o homem, por onde não dizem como alguns cuidão, que o mundo he eterno, senão a maça de que se fabricou, e nesta criação contão fabulas, e disparates sem fundamento. E con- cluindo com esta primeira parte com a materia dos pecados, e da absolvição delles, quatro cousas tem que são peccados muy vedados e aborrecidos. A primeira matar, a 2.® furtar, e neste não se entende onzenar e ganhar com enganho, porque isto tem elles por religião. A 3.® bever vinho, a 4." tomar molher alhea. Todos estes peccados aunque se satisfazem por outras quatro maneiras. A primeira por romagens a pagodes aonde se vão offerecer com rezes, e alguns fazem sacrifícios de si cortando se [120] e cauterizando se, e dedi- cando os filhos e filhas a perpetua servidão dos idolos. He tão grande o concurso das gentes em suas festas a se offe- recerem aos pagodes com grossas dadivas que he espanto. Os principaes pagodes, e demais veneração, que ha em todo o Industan são os de Ramananior defronte de Manar junto aos baixos de Chi- lao, o de Xilabarão oito legoas de Negapatão, o de Triquinimale no Reyno de Gigi no sertão de Negapatão, o de Caiavarão duas jor- nadas da cidade de São Thome, o de Tripiti no Reyno de Bisnaga, o de Tremei no mesmo reyno, o qual tem grosissimo thesouro, o de Jagarnate no Reyno de Orixá, o de Vixanate en Bengala. Este he a cabeça de todos os de mayor romagem, fas se sua festa em Setembro, e dura perto de dous meses, e a gente que em todo este tempo se ajunta as festas he tanta, que se afirma ocuparem suas estancias de redor de seis legoas. Cada pessoa se offerece com o que pode, e ouve alguns que se pezarão a ouro, e prata, e afirma se que 136
o seu thesouro he infinito. Tem mais o pagode de Tanavare em Ceillão, e do Pico de Adão, e o pagode de Jaquete, e outros some- nos infinitos, aonde o demonio he bem venerado. O 2.® modo de penitencias são esmolas a peregrinos iogues pera fabricas de pagodes pera abrir tanques en lugares públicos, fazer casas nos caminhos pera os viandantes fabricar hospitaes pera pás- saros. Hum hospital está na cidade de Cambaiete muito pera notar, porque tem enfermarias separadas pera as castas que ali recolhem. São as paredes levantadas sobre arcos abertos por todas [120 v.] as partes tapadas com redes sutis de arame. Tem grandes corre- dores de huma, e outra banda, vão as cellas em que estão recolhi- dos e tem emfermeiros que correm com aquillo; tem rendas e mui- tas esmolas pera a fabrica, e despeza. Eu vi hum baneane na cidade de Chaul criado entre os por- tugueses muito rico; a este quando falleceo lhe fez o seu testamento hum tabellião português por nome Gaspar Rosado, no qual deixava a todas as confarias de Chaul trinta pardaos a cada huma de esmo- la, e pera o espital dos passaros de Cambaia quatro mil pardaos. Tem este hospital certos homens a que se dão tenças e comedias, que são obrigados a andar pellos campos, e pellas ruas das cidades buscando passaros doentes, aleijados, cegos, e de qualquer outra enfermedida pera os levarem ao hospital, e outros tem cuidado de visitarem as praças, aonde os mouros caçadores vão vender os pas- saros, os quais comprão todos, e os tornão a lançar a avoar. Fazem também curraes para as alimarias velhas e-doentes em que as areco- lhem e curão, e pera as buscarem tem outros deputados; estes em achando a bufara velha, o cavallo, a mula e outros animaes com chagas logo são levados ao seu curral, e curados com grande chari- dade mas se achar a hum homem paralítico, e tolhido caido pello chão não lhe darão a mão pera se alevantar, ainda que o vejão trilhar dos homens, e das bestas porque dizem que aquelle por seus pecados chegou aquelle estado. Resgatão aos passaros como disse- mos, e não o farão a hum cativo ainda que seja seu pay. [121] O 3.® modo de absolvições são jejuns em que este gentio são austeríssimos, porque em todo o dia não comem, e ha alguns que os tomão por espaço de dias sem em todos comer cousa alguma. O 4.® modo de absolvição são sacrifícios, e de so os tres tratarei. O primeiro na lua nova de Outubro em que celebrão huma festa em memoria das vitorias, que seus idolos tiverão cà no mundo. A este sacrifcio chamão elles manuvoa. Neste dia os reys gentios man- dão matar de noite alguns vassallos em segredo pera eleição dos seus brâmanes que pera isso não elegem muitas vezes senão os que lhe aborrecem, e mandão por o fogo a algumas casas que se queimão com quantos dentro estão: e a este chamão elles sacrifício de sangue e fogo. Outro sacrifício tem chamado Choora, que he o da vaca, por que o dia que se celebra a matão com tan grandes ceremonias, e 137
despesas que soò os reys o podem fazer, e ainda huma soò vez na vida. Este tem pello remedio mais efficaz que todos para purgar gravíssimas culpas. Outros estremos de penitencias fazem, que me- tem medo, porque alguns chegão a se deitarem de bruços no chão pera passarem por sima delles huns carros em que vão os idolos tamanhos que quinhentos homens os movem com trabalho, e ficão ali espedaçados, e suas relíquias são recolhidas de todos com grande veneração. Outros trazem celicios de ferro cingidos, que quasi os cortão pello meio. Outros se dependurão no ar pellos lombos em huns ganchos de asso muy agudos, e ali estão cantando versos em louvor dos idolos. A estes todos podemos chamar martyres do Diabo, os quaes elle com grande cuidado procura ter, porque como sempre estudou em contrafazer as obras divinas, trabalha [121 v.] por exprimir em seus maos, o que Deos obra em os seus bons. E o que os martyres de Christo fazem polia virtude, fazem estes pella men- tira, e huns e outros pello fruto se conhecem. E praza a Deos que não aja assi hipócritas christãos, que imitem a estes cegos e desven- turados gentios, e outros, que pera privarem com os reys, e senhores mundanos, e pera alcansarem delles merces, que acabão com a vida se fação muy fortes sofrendo muitos trabalhos, e as vezes afrontas e pera o serviço de Deus muito mimosos, e empapelados, trocando os bens do Ceo, que sempre durão pellos da terra, falsos e menti- rosos, que acabão, trocando a graça do rey eterno que os criou, e que não pode faltar polia privança dos reys da terra, que emfim são homens, e com a morte hão de ficar todos iguais, pois ella tudo aplana, e tudo iguala. E ja a min na índia tratando com certos gen- tios sobre conversão, estranhando lhes seus jejuns e penitencias, me responderão que se eu lhe dezia que erão martyres do Diabo, como se desvelavão alguns portugueses tanto em privarem com os viso reis e capitães, sofrendo mal trabalhos a esta conta, e na d'infamias o que não fazião por amor de Deos, e que pera privarem com estes roubavão o mundo pera si, e para elles, e que os pobres perecião, e as igrejas estavão por fazer; e nisto não erravão, porque os pecca- dos da índia são muy públicos. E como nella não ha segredo logo se divulgão, e ya eu vi hum governador naquelle Estado que a hum homem que lhe entregou huma irmãa viuva lhe fez merce de nove mil pardaos. E no mesmo tempo que acabou de asinar a [122] pro- visão, lhe levou hum certo religioso huma petição em que lhe pedia mandasse pagar as ordinárias que el rey costuma dar aos mosteiros, e a resposta que deu foi que el rey estava pobre e não tinha com que pagar a tantos religiosos, e o que se lhe pedia não chegava a duzentos pardaos. E porque os mouros e gentios daquellas partes tem experimentado a devacidão com que alguns viso reys, e capi- tães roubão a el rey pera si, e ao povo pera el rey, nos respondem as vezes que os deixemos, e vamos a pregar a estes, pois sendo da nossa ley seguem a sua, couza que he muito pera chorar e muito mais pera sentir. 138
Das outras tres partes de seus originaes, e de todos os mais ritos, e costumes destes gentios, e dos seus tres regentes, e do engano, que alguns tiverão em averem que tiverão conhecimento da Santíssima Trindade, e da diffcrença das castas de todos os gentios, o que farei com a mayor bre- vidade possível Dizem estes cegos gentios que aquella primeira causa que co- nhecem por Deos he tal e tão poderosa, que por se não ocupar nas cousas debaixo entregou o governo de todas as cousas celestes para que os movessem e governassem dando a cada esphera seu regente, e cada hum delles [122 v.] seu apetite incitativo, que os obriga a governar àquillo que tem por officio, y este apetito fingem ser molher, donde tomarão motivo os seus theologos pêra dizerem, que todos os ministros de Deos tinhão molheres. A este supremo que dizem ser Deos o nomeão por infinitos nomes, e tem disso hum livro particular a que chamão Tivarum. Estes regentes dizem que são cinco por esta maneira. Ao primeiro que governa o primeiro ceo que contem todos os planetas Xadaxivão e sua molher Humani. O 2.° que governa a região do fogo Rudrà, e sua molher Parvadi. O 3.° que rege o ar Maèsura e sua molher Maenomadim. O 4.° rege o elemento da agoa, Bismum e sua molher Lacamin. O 5.° que gover- na a Terra, Braheemaà e sua molher Xarasradi. Estes cinco dizem que governão toda a cousa criada, mas os tres delles adorão como deuses, que são Brahemaà, Bisnum, e Rudràà, que são os regentes da terra, agoa e fogo, porque hum cria, outro aumenta (?), e outro consume. E porque são a causa de geração, criação, e corrupção de tudo, a estes tres chamão por hum só nome Mahamurta, que quer dizer os tres superiores, e affirmão serem gerados do mesmo Deus. E assi os pintão juntos, hum corpo com tres rostos, como vimos no pagode do Elefante aonde está aquella figura na sua capella mor, a qual he de vulto tamanho como hum grande tonel da cinta pêra sima somente lavrada naquella pedra como mármore de lavores tão primos e sotis, que ha espanto, e tem na cabeza huma mitra redonda de tres altos, [123] como são as dos Santos Pontífices de obra tão rara, que excede a todas as que vimos lavradas em pedra, e tal que se pode contar entre as maravilhas do mundo todo quelle pagode em que notamos muitas cousas admiráveis. Em huma capella deste pagode vimos o Anjo lançar do paraíso terreal os nossos primeiros pais, e ali logo a rainha Pacifae, quando se deitou com o touro tudo de vulto em hum esteo do corpo do templo que sera tamanho como Nossa Senhora da Graça de Ixa. Vimos o gigante Briazeo com cem braços como os poetas o pintam. He esta casa de tres naves, e se bem me lembra tem cinco, ou seis esteios cada nave, e cada hum delles he de altura da mesma casa tão grossas como mastos das naos da carreira da índia, em cada 139
hum ha figuras de bulto tamanhas como os mesmos esteos, e tem outros muitas cousas muito pera notar, e ver. Chama se esta ilha donde está este pagode a do Elefante, porque tem sobre hum teso que se emsserga do mar hum elefante de pedra do tamanho que elles são. E tornando a nossa ordem dos regentes de que hia tratando, trazem os gentios em memoria daquelles taes outros tantos fios de linho de algodão que lhe pende de hum hombro e vai por baixo do outro braço a tiracolo e quando se lhe dão seus juramentos he na- quella linha. Disto tomarão alguns religiosos doctos na índia motivo para cuidarem que tiverão estes gentios conhecimento da Santíssima Trindade, e assi se emganavão o nosso João de Barros e Damião de Goes, porque não tiverão a pratica dos theologos gentios como eu, e ainda hoje se emganão muitas [123 v.] pessoas praticando com os bramenes, ouvindo lhe dizer que assi como os christãos adorão tres pessoas em huma soò assi o fazem elles, a outras tres debaixo de hum soò que he o Mahamurtè, que assima disse. Esta idolatria parece que se estedeo por todo o Oriente dos antiguos egípcios, que adoravão os mesmos elementos, porque estes não tendo em seu principio nenhum conhec mento de Deos considerando o movimento e fermosura das luminárias celestes começarão a hon- ra las por deuses chamando ao Sol Osiris, e a Lua Isis, e vendo quão necessários erão os elementos à vida humana ãttribuindo lhe divindade os vierão a venerar deba xo de nomes que lhe derâo, chamando ao ar Jupiter, ao fogo Vulcano, a agoa Neptuno, e a Terra Ceres. Estes nomes mudarão estes gentios de que trato em outros com a mesma significação. Da 3a parte destes originais que he a doctrina moral tratarei algumas couzas. A primeira que nas escolas ensinão aos moços são o nome dos idolos, e depois que passão o A. B. C. le leem huns preceitos moraes de bem viver, e huns provérbios e avisos pera a vida politica, com muitos adagios, e comparações, que todos usão como balisas do estado que han de seguir de lavradores, soldados, mercadores, ou letrados depois de se perfeiçoarem no leer, e escrever, dan lhe cousas pera estudar como pontos de sua ley, ceremonias, historias, senten- ças graves, e daqui nasce saírem das escolas todos muito resolutos em seus ritos, e muito astutos em seu viver. Apos isto le leem outros livros de conselhos, e preceitos moraes pera conservação da vida humana. Hum livro tem elles de hum homem havido entre elles por mui docto chamado Voluver natural da cidade Maliavapor que cor- reo no mesmo tempo do Apostolo São Thome [124] o qual livro contem 1330 versos, em que trata do conhecimento de hum soò criador, da reverencia que se lhe deve, do louvor da penitencia, humildade, e abstinência, e do desprezo dos idolos, pellas quaes couzas, e por outras que ali escreve se presume que foi doctrinado pello Apostolo São Thome. A 4* parte de seus originaes que he a 140
derradeira trata das ceremonias e sacrifícios que ja disse, e aqui soò tratarei de seus encantamentos, e primeiro direi huma cousa que se me hia esquecendo, para que saiba a malícia dos bramenes. Em toda a índia ha muitos templos levantados a todos los ído- los, como ja disse, somente ao Brahemàà não ha hum soò sendo ao que elles attribuem o governo da terra. E isto he porque lhe tem elles usurpado o seu lugar, e honra, porque dizem que descendem delle, e metem em cabeça aos simples, que os ajuntamentos e luga- res em que moram, que são sempre separados são dedicados ao Brahemàà e fazem se adorar em seu nome, e assi nas partes que escolhem pera sua vivenda não lhe entra outra casta alguma por nenhum caso, e sempre estes lugares são soòs em valles sombrios a longo de ribeiras, bosques, cerrados de arecaes, de bretães, jaquei- raes, mangueiraes, e de outras muitas arbores de fruto, e frescas, porque como não comem carne, nem peixe em nenhuma forma, a mayor parte de seus mantimento são as frutas destas arvores. .Aos portugueses soò não vedão a entrada de seus cercados, ou por respeito que lhe terão ou por outra alguma rezão oculta que elles sabem, e não soò nas terras de nossa juridição, mas ainda pello sertão dentro nas alheas. A mi me aconteceo sendo viso rey da índia Dom Duarte de Meneses no seu segundo anno indo eu pera Chaul em huma almadia desembarcar as veces, e estar todo o dia em [124 v.] terra em pavoações daquella costa, e quando chegava a lugares de bramenes, agasalhavão me nelles, sem embargo de as vezes a min e aos companheiros não nos querião dar de comer, senão o que elles comião, e do grande resguardo e ceremonia com que os comunicavão, porque nos agasalhavão em varandas, que tem na face dos aposentos, e fazião o comer dentro em suas casas a sua vontade, e quando o trazião, o punhão no cham afastado de nos dez ou doze passos, e tornavão se a recolher, e nos o hiamos a buscar, e depois tornávamos os pratos a seu lugar, os quais elles arrecadavão e trazião vasos cheos de agoa, que deitavão por cima primeiro que os tocassem, e depois que nos hiamos fazião muy grandes purificações lavando se com muitas ceremonias, e embos- teando as varandas cousa muy usada entre elles, como se foramos feridos de algum mal contagioso. E porque tem feito crer aos simples que quem adora a hum bramene o faz ao seu Brahemàà, lhe vierão a ter tamanha veneração como ao mesmo idolo. E os reys os trazem sempre por este respeito a par de si, pera com elles fazerem suas eleições porque lá sente o demonio hum não sei que neste peccado da hipocrecia, que ate entre estes bárbaros reyna e governa. A causa por que os bramenes chegarão a tanto respeito he porque se derão à especulação das cousas naturaes dos signos e planetas, cursos, calidades, conjunções, opposições, no que são tam espertos, que de maravilha erão hum ponto, pelo que muitas vezes predizem dilúvios suas fomes, guerras, e outros acontecimentos. 141
e quando os ignorantes vem sondar o que elles dizem o notão por milagre, espirito de profecia, e os adorão por deuses. E pera cobra- rem mayor credito e autoridade com [125] todos, porque são os mayores hipócritas do mundo, ajudão se pera tudo da arte magica, feitecerias familiares, benziduras, e de lançadores de espiritus maos, e tudo isto fazem com exteriores medonhos, unturas de cinza, que he o sinal que o Demonio lhe tem dado pera quando se quiserem valer delle. Fazem todos os annos repertórios novos pera eclipses do Sol e da Lua, e tem hum perpetuo que chamão Panchagão que lhe serve de declarar seus agouros. Usão de sortes e feitiçarias em hum quadrangulo em que tem por sua ordem os doze signos do Zodíaco com nomes que lhe derão, mas com as próprias figuras e significações, que as dos antiguos egypcios. Dizem que ha sete ceos e que de hum a outro ha de vacuo cem mil jornadas, e cada jornada dezaseis mil legoas, que vem a fazer seiscentas mil legoas, e dizem que este primeiro ceu tem em si as estrelas fixas, e os planetas. No 2.° ceo que chamão Maulougão di- zem que vivem os deuses com suas molheres. No 3.° chamado Mana- lougão dizem que estão os penitentes. E no 4.° chamado Ginalougão os anjos. E no 5.° chamado Tapalougão dizem que estão os religio- sos, que professarão castidade e pobresa. E no 6.° chamado Jatalou- gão repartem elles em tres partes, em cada huma delias hum daquel- les regentes, que ja disse. Estes ceos dizem que os rodea outro, que tem de grossura hum cento de jornadas. E toda esta machina esphe- rica afirmão, que os sustenta sobre seus hombros huma molher cha- mada Adarasati, que quer dizer verdade, e assi o interpretão seus letrados. Tem pera si que o mundo não he hum soò, senão catorze, os sete superiores que assima disse, e os outros inferiores, e sobre isto contão abusões sem ordem alguma. Dizem os seus letrados [125 v.] que todas as criaturas que Deos criou assi racionaes como iracio- naes, e a onda vegetativa, que tudo avia no ceo primeiro que Deus fizesse o mundo, e que isto debaixo que foi hum retrato de sima. Negão os antípodas, e dizem que o sol não se metem por baixo da terra, senão que anda ao redor, erro em que outros mais políticos cairão, o qual el rey Dom Manoel de gloriosa memoria desfez, por meio daquelle valeroso, e intrépido capitão Dom Vasco da Gama, que descobriu o mundo, e quantas couzas a elle estavão encubertas navegando primeiro que todos o perigoso mar de Portugal atè a índia nunca dantes por d'outrem navegado, cuyos perigos se inda agora com tantos annos de viagem, tanta experiência, tantos rotei- ros e cartas de marear aos muito versados nelle fazem grandes medos asombrando aos que nelle navegão. Quantos mayores sofre- ria este valeroso capitão, que foi o primeiro que o navegou sem experiência, sem officiaes, e sem outros estromentos, que agora são muy comuns. E assi os que tem passado algumas vezes esta via- gem com verdade podem afirmar que Dom Vasco da Gama foi o 142
mais animoso e ousado capitão que teve o mundo, pois emprendeo descubrir terras e mares, que por nenhuma nação estavão descuber- tos. E assi se pode dizer que com mais rezão se deve a elle a con- quista da índia, pois descobrio, e facilitou os meios mais importan- tes, sem os quaes ella se não podia conquistar, do que se deve aos que depois por armas o segirão. Afirmão mais estes gentios não se sustentar a terra no ar, por nenhuma cousa natural, o milagrosa; senão que está sobre certas cabeças de serpente e que aquellas também estão sobre certos ele- fantes, que os tremores que as vezes socede na terra são por causa das cobras [126] bolirem com outras parvoíces sem fundamento. Todas estas brutalidades andão escritas em verso. E assi as crem como cousas muito certas, e não aceitão nenhumas rezões contra o que seus mestres lhes emsinarão: aferrão se aos livros e aos mes- tres de quem aprenderão. São todos tão cativos do Demonio, que nem pêra remedearem suas necessidades podem dar hum soò passo sem sua licença, cativando lhes as liberdades com superstições sem conto de bons, e maos dias, de boas e màs horas: de feição que mui- tas vezes por deixarem passar huma hora em que acharão ruim agouro, perdem grandes negocios de fazendas, e ainda o remedio pera as vidas e infirmidades, porque nenhuma cousa fazem sem registarem com seus bramenes. Esta he a mayor opressão, que os povos tem em seus negocio? com os reys, esperarem por boas horas. Estes agouros casi em todas as criaturas os notão nos homens, quando em principio de seu nego- cio algum lhe da hum espirro soò, deixão logo tudo. Se por hum caminho encontrão com huma soo pessoa, tem no por tão ruim sinal, que se tornão pera casa, o huivar dos cães, he havido por sinal fúne- bre; e assi mesmo o cantar do mocho sobre suas casas. A gralha se atrevessa por diante do que caminha he sinal muito ruim, e nas mais aves considerão o voo, se pera a parte esquerda, se dereita, e assi tem seu agouro. Dos bichos no cantar na osga tem mais tento que em tudo, e querendo fazer algum negocio se em principio lhe canta afirmão, que terão ruim sucesso, e destas cousas tem grandes livros de juicios. Quanto as castas o mayor impedimento que ha na conversão dos gentios he a supertstição que guardâo em suas castas sem se po- derem tocar, nem misturar com outros que não [126 v.] serão da profissão sua, e de sua mesma casta, como superiores com inferiores, os de hum rito com os de outro, e são nisto tão abomináveis, que ya aconteceo chegarem muitos ao estremo da vida, soò por no toca- rem no comer do outro, nem em suas cousas com medo de não per- derem a casta e ficarem inmundos. As pessoas com quem mais guar- dâo esta ceremonia he com os portugueses, porque comem vaca, em fallando com hum delles, ou tocando nelle, logo se vão purificar como antiguamente fazião os judeus com os de Samaria. Nos casa- mentos por nenhum modo se podem misturar, nem mudar estado. 143
o çapateiro com a filha do outro, o ourives o mesmo. E assi todos os mais officios e estados couza em que também Licurgo teve muito tento na reformação de sua Republica Espartana. Nisto me não meterei porque no nosso Portugal anda isto muy corrupto. Fazem estes gentios seus casamentos em certos tempos do anno com gran- des ceremonias, e durão suas festas por espacio de quince, ou mais dias com grandes ceremonias, e ellas por nenhum caso podem fallar com os maridos, nem elles com as molheres diante dos pais, nem podem nomear hum ou outro diante da gente, nem comer juntos, o que guardão tão infalivelmente que ainda despois destes se fazerem christãos, guardão o mesmo costume com suas molheres, mas este interdicto não dura mais que emquanto não tem filhos. Em todo este Oriente ha quatro castas, que precedem a todos segundo hum livro que tem chamado Jadegual Tutan, que quer dizer pomar de castas que he o seu livro de nobresas. A primeira casta he a dos rayàs que he huma nação nobilíssima, de que todos os reys do Canará procedem, que se tem por tão antiguos e famosos nas armas [127] nestas partes, como nas de Europa os godos, e destes se tem tamanha confiança, pella muita fidelidade em que atégora se tem sotentado assi na paz, como na guerra, que servem de guarda da pessoa dos reys. Estes tem opinião, que es melhor perderem antes as vidas, que as armas, e assi ganhão soldom soldo dobrados. São homens de boa conversação, corteces, fàcis e bem acostumados. A 2.a casta a dos bramenes ainda que elles querem preceder aos outros, assi pello sacerdócio, como letras, sobre o que entre elles ha tantas ques- tões, como entre os nossos doctos, sobre qual precede se as armas se as letras. A 3.a casta he a dos chatins, que são mercadores gros- sos de ouro, prata, pedraria, sedas, roupas, e outras fazendas de preço. Destes fazem em todos estes reynos muita conta polios pro- veitos, que dão as suas rendas. A ■4." casta hè a dos bolalas, que são os lavradores, estes são estimados, que podem os reys casar com suas filhas, porque dizem que são homens, que sustentão os reynos. Destas quatro castas se derivão cento e noventa e seis. E estas também repartem em duas partes, a que chamão valange, e talan- gem, que quer dizer os da mão direita, e os da esquerda, e estes como inferiores aos outros, nem polias ruas lhe podem passar com suas procissões, nem casamentos, e como estes privilégios de casta são antiguos, nem os mesmos gentios se sabem determinar, de que casta sejão. 144
20. COSTA DA INDIA Do promontório, e Cabo de Comorim começa a correr a costa [127 v.] da India, que he da primeira enseada, e a primeira for- taleza he a de Coulão donde sae todos os annos para Portugal huma nao de pimenta que ay vai a carregar, que as vezes importa a pi- menta, que traz no poram da nao sete, e outo mil quintaes, conforme he a nao. Saem dali mais panos ricos de seda de cores. Logo adiante está a cidade de Cochim muy nobre por grosso trato aonde carre- gão as nossas naos de pimenta, e todas as mais especiarias, drogas, e roupas, e riquezas, aljôfar, e pedraria, que da índia costumão vir pera Portugal. Comprava el rey nosso senhor esta pimenta a dez cruzados o bar, que tem cada hum tres quintaes e meio, e três arrá- teis, e hum bom jantar aos que a trazião a Cochim com alguns barretes vermelhos aos principais das embarcações, e ao rey do mesmo Cochim dava a meio cruzado por bar. E ao principal rey que chamão da pimenta, por a mayor parte vir do seu reyno dava el rey trezentos cruzados de tença cada anno e ao rey de Porquá duzen- tos, e ao de Diampor dozentos. E aos Fetànquis, que são como reys ciento (?), e a dous Laimais, que são também como reys outro tanto, E a cada hum destes reys mais huma cabaia de graan ou quatro covados delias e outra de veludo, ou oito covados, e huma dúzia de barretes vermelhos, e outra de gorras vermelhas, e outra de bainhas de facas, salvo aos Fetànquis, e Carnais (?), que não tem mais que huma com os barretes, gorras e facas assima. E os contratadores pagão na agora a dezoito São Tomes de ouro, ou vinte e dous de prata, que montão oito mil, e cem reis por contrato, pello que não pagão mais tenças que o meio cruzado. Estas goras (?) pagava el rey aos sobreditos por favorecerem [128] e não impedirem correr por suas terras a pimenta, que antes se levava pera Meca, e Baçorá, e dahi em cafillas por terra à Alexandria, e outras partes. Ha quatro sortes de pimenta preta, branca, longa, e outra que chamão de canarim. E na Ilha do Cubo ha outra nascida de humas moutas, que dão hum fruto verde tão grosso, e comprido como hum meio dedo, he tenrra, e queima como a pimenta preta, e depois de madura se faz roxa, e abre ficando em casca com muitos grãos brancos dentro do tamanho do coentro. t Cinco legoas de Cochim pera Goa está o nosso castello de Craganor, donde sai muita pimenta. Tem muitas igrejas e christãos de São Thome, porque ali andou o sagrado Apostolo. De Cananor 145 10
sae muita pimenta, gengivre, e cardamomo, boas roupas a que cha- mão carias, lindas mesas, e a estimada louça de barro. De Batecalla sae muita roupa fina, asucar, arroz do melhor que ha na Índia, muitas conservas. De Mangallor, Barcellor, e Onor que são tres fortalezas, que temos naquella costa do Malavar sae pimenta, roupas, e muito arroz pêra a cidade de Goa, e outras partes. E deixando Goa de cuyas grandezas farei tratado apartado, adiante sessenta legoas pera a parte do Norte está a cidade de Chaul grosissima en trato de mercadores, e de toda a sorte e nação muy opulenta e rica, e comerciada com todas as mercadorias do Oriente, e logo avante outo legoas por hum rio dentro está Tanna que no tempo passado foi das famosas cidades da índia, da qual saem muitas sortes de roupas, e diversas peças de sedas de toda a cor, muitas tafiaras volantes, muito trigo, e arroz, muito lacre, e toda a sorte de escritórios, e mesas, e o mesmo he o de Baçaim [127 v.] e Damão. Dos portos de Cambaia sae afora o que fica dito muitas roupas finíssimas, bofetas e canequins muito açúcar, e anil, e muy rica pedraria de toda a sorte de muito e pouco preço, verdadeiras e falsas muitas pedras de sangue, de leite, muito cristal e jaquequas, e obra de marfim, muitos alambres, e coraes, brincos de tartaruga, alabastro, madrepérola, e outras multas calidades de brincos ene- migos das bolsas, e amigos dos olhos. Da nossa cidade de Dio sae o mesmo, e muitos acolchoados de seda, e de algodão, mármores pera as casas da vida e campas pera as da morte. Do Sinde que he nos confins desta costa sae muita roupa finís- sima, muito mesturada, com seda e linho, toalhas adamascadas como as de Frandes, muitos couros perspontados e lavrados pera camas, e estrados, muitas obras de marchete muy prima e de muita sutileza, e muitos azulejos todos mantimentos em abastança, muito enxofre e salitre, e de tudo esta costa he muy provida, quasi todo íenhorea o Mogor. Daqui adiante entre o Reyno de Guadel e os da Persia: os quais com o Rio Indo que passa pello Sinde se ficão dividindo do Estado do Mogor. Sae mais do Sinde muito asucre em pedra, e em poò, todas as couzas que vem de Bengala, e algum almiscre posto que pouco. 146
21. RENDIMENTO DO ESTADO DA INDIA O Estado da índia rende là todos os annos hum milhão [129] e quatrocentos mil pardaos, que cada pardo (sic) vale sete reales e meio. E as vezes rende mais, conforme correm as cafilas, e rendi- mentos das alfandegas, mas isto he o menos. Gasta se no Estado da índia em armadas provimentos, soldos, quartéis, ordenados, do secular, e eclesiástico setecentos mil pardaos, e quando socede haver algumas armadas extraordinárias chegara a despeza a 5>000 00 par- daos, dos seiscentos mil pardaos, que crecem cada anno, folgara eu de saber, que saida dão os viso reys, pois el rey nunca no the- souro tem hum real, nem a Ribeira provida do necessário como convém. Sua Magestade na materia dos direitos he roubado todos os annos em mais de duzentos mil cruzados, que eu com muita facili- dade sem gastar hum vintém me atrevo a remedear, e com isto, e com hum alvitre em que não se arrisca mais que huma provisão, poderá ter todos os annos de acresentamento na índia mais de quotrocentos mil cruzados em sua Fazenda porque só em Ormus me atrevo a lhe dar cada anno mais do que rende a alfandega du- zentos mil cruzados sem dar opressão a seus vassalos, e sem tomar mais, que aquillo que he seu, que se perde por falta de quem entenda o como el rey deva ser servido. 147
22. [131] DESCRIPÇAO DA CIDADE, E BARRA DA PARAÍBA DE ANTONIO GONÇALVEZ PASI- BOA PILOTO NATURAL DE PENICHE, QUE HÁ VINTE ANNOS, QUE RESIDE NA DITA CIDADE He capitão da Paraiva Antonio de Albuquerque filho de Hiero- nymo de Albuquerque, que conquistou o Maranhão, provido por el rey nosso senhor, e passa de tres annos que serve he solteiro sera de idade de 35 annos pouco mais ou menos. A cidade da Paraiva tem hum rio que vem decendo do certão do rumo de loes sudueste, en este rumo desemboca no mar à les nordeste. A cidade da Paraiva esta situada em hum monte alto tres legoas da boca da barra ao rumo do loes sudueste, até o sudueste, que fica em huma paraje ao pee da mesma cidade. Por este rio podem entrar navios com aguas vivas de até tre- centas tonelladas carregados, e vão surgir junto à mesma cidade tão longe delia como de São Roque ao mar, ou mais perto, e daqui para cima não podem passar, senão barcos de carga de cem caixas de assucar, que servem no trato da mesma costa do Brasil, e estes vão asima da cidade tres legoas aonde esta o passo donde se reco- lhem os asucares, que vem dos engenhos, pera se meterem nos navios. A barra deste rio se senhala, e conhece pellos arrecifes, que lança delia pera o sul até perto do Cabo Branco, que serão tres leguoas. E pera o norte ate a ponta de Lucena, que he huma ponta raza com o mar que serão duas legoas e meia pouco mais ou menos, em todas estas seis legoas de recifes não pode entrar navio nenhum grande senão pella barra dentro, nem podem dar fundo senão afas- tados [131 v.] ao mar dos ditos arecifes fora hum tiro de mosquete, e com muito grande risgo. Entrando pella barra dentro, que se entra com suas vigias por aver algumas coroas de area e restingas tres quartos de legoa da barra da parte do sul da banda donde está a cidade está huma for- taleza de barro sobre hum areal fortíssima e antigua cuberta de telha e folha de palma, que tem vinte e tantas pessas de artelharia de ferro coado muito boas algumas delias que arrojão pelouro de doze, ou catorze livras e logo defronte delia da banda do rio a loeste fica huma ilha dos padres de Sam Bento, que terá em redondo mais de meia legoa acostada a outra parte da terra da banda do noroeste 148
por onde entre ella e a terra não pode passar senão hum barco de remos, porque a may (sic) do rio fica entre a dita ilha. Este he o canal por onde sobem as embarcações, porem todas as podem alcan- sar a artelharia da dita fortaleza por quanto delia a ilha não avera mais distancia, como de São Roque ao outro da Boavista. Esta fortaleza pode ser socorrida de dentro da cidade por terra de gente de pee e cavallo dentro em tres horas, porque quando ha ocasião de enemigos se tira huma pessa de rebate, que se ouve muito bem na cidade, e se pode conhecer por ella que ha enemigos na barra, e da mesma maneira com outra pessa de rebate, que se tira na cidade podem os moradores de emgenhos que estão a tres, e a quatro legoas acudir a cidade, He capitão desta fortaleza proprietário por Sua Magestade João de Matos homem antiguo de idade de 80 annos, e que criou ali ha muitos annos, e que se criou ali ha muitos annos, (sic) e se achou em todas as guerras que ouve na Paraiva com os índios, porem hoje serve em seu lugar, e assiste na fortaleza Simão de Albuquerque de Mello seu genro homem fidalgo de idade de 30 annos deligente e capaz do cargo que tem [132] como mostrou o anno de 627 em defensão de hum navio de Viana, que se socorreo a fortaleza per- seguido de quatro navios de enemigos, que a fortaleza fez retirar. B o remedio que tem os navios perseguidos de enemigos he acostar se à fortaleza em que ordinariamente assistem 20, 30 homens das companhias da ordenança afora os bombardeiros, e alguns solda- dos pagos por el rey, que poderão ser perto dos dez, ou doze, e o capitão sempre assiste com elles de morada com sua molher e filhos. Passando os navios a fortaleza pera a cidade pode desembar- car gente até huma paragem que chamão o Jacaré, que fica da parte do sul da banda da cidade, porque tudo o demais he huma parte, e da outra são mangrais, e arvore da serrada com o mesmo rio, onde se não pode desembarcar, por respeito dos muitos braços que faz o rio com muito grandes lamas. E ainda em caso, que os enemigos desembarquem na paragem asima dita não podem chegar a cidade por respeito de huma grande alagoa, que a cerca que de inverno está chea de agoa, e de verão de lodo, e não tem mais que huma passagem, e hum areal que he o caminho por onde se vay por terra a fortaleza e ao Cabo Branco, que com huma trincheira se pode defender o passo. Por maneira, que por terra não podem os enemigos tomar a Paraiva, porque com pouca gente se defendera os passos, e será forçado pera a averem de tomar ir com os navios pello rio asima até surgirem defronte da cidade, que no porto da desembarcação dos navios, que sera da cidade como do Terreiro do Passo ao Cas- tello ladeira asima. Tem junto ao mar dous fortes hum com dez pessas, e outro com oito de ferro coado ficando hum sobre o outro a modo de duas andaimos de artelharia afastado hum do outro trinta passos de modo que o de dez pessas, que he de pedra de can- 149
taria com suas trincheiras fica ao lume d'aguoa, e outro que [132 v.] he terra pleno de barro fica por sima senhoreando o de baixo, e cada hum destes fortes tem seu capitão, e artilheiros, mas não pagos por el rey, porque o de baixo fez hum senhor de emgenhos chamado Manoel Pirez Correa a sua custa, ha cinco ou seis annos, e o sus- tenta, e outro fez o capitão mor a custa d'el rey havra hum anno, que está acabado com pessas mandadas de Lisboa. Por maneira que com artelharia destes dous fortes, e trinchei- ras, que estão de huma parte e da outra pêra mosqueteria se pode defender a desembarcação, e tudo o mais de huma parte e da outra são arvoredos que entrão no mesmo rio adonde se não podem desembarcar em nenhum tempo. Tem a cidade dentro em si cem homens que podem tomar armas, e no recôncavo de huma até quatro leguoas havera quinhen- tos homens brancos, que dentro em meio dia estarão todos na cidade, e dentro em huma hora podem ser na cidade 800 até 900 índios frecheiros, com seus capitães indios, que estão situados até huma legoa da cidade. Esta gente branca está repartida em três companhias, com tres capitães de infanteria, e huma companhia de gente de cavallo, e isto afora os capitãs de cavallo que tera de 60 até 70 homens gente lúcida com seu capitão e boa gente de cavallo, isto afora os capitães dos fortes. Por maneira que não havendo descuido no capitão mor nem na gente da terra não se poderá tomar a Paraiva pellos enemigos por ser muy defensável e ter gente pêra se defender. Da banda do norte da fortaleza do Cabedelo cem legoas está a Bahia da Treição donde podem desembarcar os enemigos e mar- char pêra os engenhos, que estão nas fronteiras da Paraiva. p fazer lhe dano por ser a terra de campinas, porem não podem [133] che- gar a cidade; porque fica da banda do sul do rio e pera rodearem por terra han de caminhar dez legoas na dita Bahia da Treição. Ha hum lago de agoa doce aonde podem fazer aguada, e meia legoa ao sul do lago está o rio de por onde os olandeses vão com chalupas pello rio asimes (sic) tres, e quatro legoas: e chegão aonde estão os currais das vacas, e se podem prover de carnes se lhas não defenderem, e nesta paragem foi o recontro que a nossa gente teve com os olandeses o anno que a armada real foi a Bahia. Tirada do original feito judicialmente por ordem do governo o anno de 1630. 150
23. [135] RELAÇAO DO QUE HA NO GRANDE RIO DAS AMAZONAS NOVAMENTE DESCUBERTO Primeiramente depois que o capitão mayor Alexandre de Moura deu fim no Maranhão ao que tocava ao serviço dei rey em deitar fora ao enemigo como fez, e tendo a terra pacifica, e povoadas as fortalezas como lhe pareceo necessário, pos por obra mandar fazer este novo descobrimento do grande Rio das Amazonas, e pera tam- bém se saber o que avia no Cabo do Norte, conforme à ordem que pera isso levava do governador geral do Brasil Gaspar de Sousa. E assi mandou 150 homens em tres companhias, e por capitão mor delias a Francisco Caldeira de Castel Branco em tres embarcações. Partimos pera esta jornada dia de Natal passado, em que se deu principio a esta era de 1616, correndo sempre a costa e dando fundo todas as noites tomando as conhecenças da terra, e sondando sempre fazendo roteiros pello piloto Antonio Vicente Cochado de que elle dara boa relação per ser o a quem o dito capitão mor Alexandre de Moura mandou por piloto mor deste descobrimento, e está nesta corte. Chegados a este grande rio, tendo andado 150 leguoas pella costa, e o rio tem de largo 120 leguoas [135 v.] tudo agoa doce até entrar no mar 60 legoas, e naquelle tempo trazia muy furioso corrente por ser inverno entrou a armada por hum braço estreito que está na ponta a que chamão de Saparara, na parte de leste, e não dando fee da mais largura do rio fomos sempre por antre ilhas caminhando pello rio assima, e falando com o gentio, que avia naquellas partes, que facilmente com boa vontade aceitava nossa amisade, dizendo, que nos éramos os verdadeiros valentes pelo muito que tínhamos feito com os franceses, e mais nações, que naquella costa eram nossos enemigos. Por todas aquellas partes mostravão as terras serem fertilise- mas de madeiras, e na bondade delias cheas todas as ilhas de muita cassa. E chegando no sitio aonde fizemos fortaleza por el rey nosso senhor, que será 35 leguoas pello rio asima pera o sul, por parecer alli ao capitão mor bom sitio trabalhando nella se soube de hum francês, que alli andava fugido aos do Maranhão, como em humas aldeas do gentio, que estam pello rio mais asima andava hum framengo, que alli tinhão deixado outros pera ter aprendido a lingoa, e adquirido assi o gentio pera seus tratos, e que também esperava por hum irmão seu pera povoarem naquella parte onde 151
agora está a nossa fortaleza, e donde avia poucos dias se tinhão ido tres [136] embarcações de framengos, como ao depois confes- sou o mesmo framengo. O capitão mor Francisco Caldeira, o mandou vir a este dito framengo, do qual tivemos certa relação dos enemigos olandeses, e framengos que estão no Cabo do Norte, de que tínhamos muita noticia, e como estarião 250 homens até 300 repartidos em duas fortalezas de madeira, e como tinhão dous engenhos de assucar de que carregavão alguns navios, com o mais que a terra dá de si. Soubemos mais de alguns gentios, que de muito longe pello rio asima vinhão a ver os portugueses e ser seus amigos, como ao pé de humas serras, que estarão da nossa fortaleza 150 leguoas, estavão 15 vellas com muita gente fortificando se, tendo molheres consigo, como ya vinhão a esse effeito. Estas serras dis o gentio, que são escalvadas sem mato, e alguns homens experimentados dizem que estas são as serras, que alli vem dar do Perú como mui- tas cartas de marear também o mostrão, e que ha ouro nellas, e mais metais. Teve o capitão mor duas pérolas, querendo mandar avisar disto a Sua Magestade as quais diz hum capitão francês que alli foi digo as quais lhe deu hum indio [136 v.] que disse as achara comendo ostras assadas, e as deitava fora não estimando o que era, dizendo que as ostras que tinhão muito daquilo havia 70 leguoas pello rio assima em fundo de huma braça. Ao senhor Marques d'Alemquer vierão estas duas pérolas algum tanto escuras por serem assadas na forma que digo, e a casca das outras em que ellas na- cem he madrepérola muy fina. Neste rio se achão também duas pedras antes de virmos a elle de muito gruesso, as quais dis hum capitam francês que alli foi por lingoa forão roubadas de hum ingres ao francês, que as levava, e corre demanda em Inglaterra sobre ellas, e que estão avaliadas em muitos cruzados. O rio parece capaz pera muy grandes couzas por ser da lar- gura que digo, as terras muito fertilissimas, com muita diversidade de madeiras, como as do Brasil, e mais aventajadas, por serem arvo- res notavelmente grandes, entre as quais ha hum pao a que o gentio chama cotiara muy lindamente debuxado e gracioso a vista. Há neste rio em todas as partes delle muito gentio por estremo de diversas nações, o mais delle muy bem encarado sem barba; trazem os homens cabello comprido como as molheres, e de muy perto o parecem de que [137] pode ser nasceria o emgano, que dizem das Amazonas, pois não ha outra cousa de que a este proposito se pudesse deitar mão. As mercadurias, que este gentio vende aos olandeses são, algo- dão, tinta de croco, que he como gram, alguma pitta, e este pao cotiara com outras sortes de madeiras, que não faltão, tabaco, dizem 152
que ha castores, e este capitão francês, que alli nos serve de lingoa disse lhe derão huma pelle de hum muy fina. Das entradas, e saidas deste rio do fundo e tudo o mais que he necessário pera entrar armada, o sair delle tem o piloto Antonio Vicente feito seus roteiros em forma de que dara rezão, pois he arte sua. Havendo o capitão mor Francisco Caldeira de Castello Branco de mandar disto aviso a Sua Magestade depois de teremos feito a fortaleza em que fica com a gente dita nos mandou a Andre Pereyra, e a Antonio de Fonseca capitão de infanteria cada hum de sua companhia das daquelle presidio, parecendo lhe acertava assim, e por no descurso da viagem aver entre elles paixões, Antonio da Fonseca se ficou na Ilha Terceira, não querendo dar fim a sua via- gem na conformidade que vinhão na nao em que em Santo Domingo se embarcarão, sendo muy segura, e se deixou ficar com alguns papeis que tinha em sua mão, sendo [137 v.] requerido se embar- casse pello que importava ser el rey avisado, e não querendo dar os papeis ao dito Andre Pereyra se veio na dita nao, trazendo consigo o piloto que pera a entrada deste rio era necessário, e esta mostra que trouxe ao senhor Marques d' Alemquer, e viso rey de Portugal, por cuya via lhe foi enviada do capitão mor Francisco Caldeira. Esta he a verdade, e o que há neste famoso rio, sem aver nos papeis que ficarão na mão do outro capitão cousa alguma mais de consideração somente a petição que se faz. de socorro pera aquella gente, e que Sua Magestade faça nisto o que por servido como cousa sua etc. O capitão Andre Pereyra 153
24. [139] DECLARAÇÃO DO QUE CONTEM O MAPA DOS PORTOS DO RIO DAS AMAZONAS ATÉ A ILHA DE SANTA MARGARIDA. DONDE SE PESCAO AS PÉROLAS Primeramente se advierte, que todos los nombres, que en la dicha mapa se hallan figurados por color bermejo son en la forma que se nombrão por los salvajes indianos y son rios mas principales, que los olandeses andando el tiempo pretenden poblar, começando de arriba de las Amazonas abaxo hasta la Margarita, y todos los cabos estan ansi mismo puestos y senalados de color vermejo, segun estan conocidos en las mapas de Espana. Los rios pequenos nombrados en la dicha mappa con tinta negra tan chicos, que no pueden dar entrada a baxeles grandes, sino por chalupas, o barcas chicas. Los rios assi nombrados de vermejo, como de negro que no estan serrados, y sin punta al cabo, son los que no se saven: quan adelante penetran en el pays, la buelta de medio dia. Aunque por los rios de Orenoque, y Viapoco han navegado la buelta de la linea equinocial mas de quarenta legoas, y particularmente en el de Orenoque hasta el rio de Carony, y en el de Viapoco, hasta la ter- cera baxada, o cayda dei dicho rio, la qual en cada una llega de trecientos pies, y se han de subir llebando acuestas arriba unas barcas llamadas caroas con que se navega de una subida à otra, en donde afirmão [139 v.] los salvajes Talos, que quieren llegar a una mar, que ba pera Manoa ciudad principal en el Reyno de Guiana adonde el hermano de Atabalipa establecio su reyno, y es mas abundante en oro, que qualquier otra parte de todo el mundo, y por los rios chicos ha navegando el sobredicho capitan una vez y otra vez quatro léguas por cada uno dellos conforme la orden que llebava de sus superiores el ano de 1599 dende el qual tiempo se ha compuesto la mappa verdadera, que han tenido secreta quanto han podido, y es la que va aqui figurada y sacada de la original, por onde han empezado a poner en platica las colonias arriba dichas, por el precedente aviso, y por lo que se dira aqui abaxo. .Sobre lo qual se hà de advertir, que la mapa imprida nueva- mente en Austradama de la invencion de Pedro Palacio ministro geographico principal autor de todas las navegaciones de las índias Orientales y Occidentales, residente em Austradama, está falsificada adrede, para que no costen las embarcadurias de los rios, y puertos 154
principales de los de Viapoco, y Orinoque, recelando el rio que ya está poblado por los anabatistas llamado Caena, donde el dicho capitan con ochenta personas ha estado ocho meses donde se carga el heve rellanoto (?) y taxaco, y es abundantíssimo de todos viveres, de carne, pescado y annanas y otras frutas deleitosas. Enquanto toca al trato, y comercio sobre la índia [HO] Orien- tal, se tiene por aviso seguro que los mayores que tienen à cargo el gasto dei dicho trato en Olanda han ultimamente en la Junta de los Estados de Olanda en la Haya en fin del mes de Deziembre 1615 representado que en el seguimiento de aquel trato avian gas- tado desde el ano de 1597 hasta dicho dia en lo de la guerra mas de diez millones de florines, tanto que no podian mas sustentaria, no obstante que dichos Estados les avia socorrido de quando en quando con tres a quatro baxeles de guerra guarnecidos de gente y bastimento naval por onde insistian pêra que dichos Estados, quisiessen tomar assi dicha guerra con todo el trato y comercio al pie que Su Magestad catholica lo hacia en Portugal; pêro sobre ello no se tomò ninguna resolucion, y se remitio hasta la primera Junta, que seria despues de llegados los embaxadores de los reyes y príncipes confederados, de lo qual se tomará lengua, y se avisara a su tempo. Theodoro Claessen morador de Amstradama fuera de la puerta vieja de Halen à la insignia del burgo de Leyderi, establece colonia en el rio de Viapoco y en el de Caene ya empeçado con cien hom- bres repartidos em ambas partes, que juntan alli el hicucleli que es cierta seda que nace sobre canas, tabaco, y paio de litre vermejo con manchas negras y distan entre si dos grados. El dicho hombre partio el penúltimo de Desiembre de 1614 para la Haya de Olanda, pidiendo à los Estados que tomassen em si la empresa de establecer colonia en los puertos de las índias [140 v.] Occidentals avia de tener progresso, para que el con su compania de anabaptistas, pudiesse acudir a ella con duzientos mil ducados, sobre que dichos Estados le dieron nihil; pero de boca le ordenaron acudiesse a reynar, o, Paulo burgomestre de Amstra- dana de quien entenderia llanamente su intencion; el qual relato de boca al dicho Theodoro, que los Estados no podian sobre ello alguna declaracion por agora hasta ver si en lo porvenir se avia de continuar, o, no, que quando los embaxadores de los reys, e prín- cipes confederados traerian la resolucion sobre la cession, o conti- nuacion de la guerra de Juliers, que conforme a ello se determinaria, igualmente el rompimiento de la trégua universal, o continuacion de ella, sobre que dicho Theodoro replicò que en esta platica se podia gastar un ano, à qual le respondio el dicho burgomaestre, que mi- rasse y se acordasse quã poco tiempo de siete semanas, gastó el almirante general digo de Hesereque en lebantar una armada de veinte y siete baxeles, haciendo el effeto con ellos en el Estrecho de Gibaltar el ano de 1609. Y insistiendo el dicho Theodoro pêra 155
que los Estados de las dichas islãs le otorgassen alguna artelharia, polvora y municiones de guerra pera poder guarnecerse dichas das colonias arriba dichas, tubo por respuesta que no avia lugar hasta ver si se han de romper las tréguas o no, y todo esto sabe el sobre- dicho del proprio Theodoro, y esto es lo que para la empresa dei [141] establecimento de las colonias para la índia Occidental. Todavia el almirante y cavos de la armada de los avisos preceden- tes, quedan en ser con los dineros de las levas y bastimentos hasta saberse las tréguas, si se han de continuar, o no. Tambien es digno de advertimiento que en Pernambuco junto de Brasil hà un monasterio muy rico de diez millones de oro y joyas preciosas, que los que emprendieron la poblacion de la America pretenden luego saquear a sua llegada primero so pretexto que está mas alia de la linea equinocial, y lo mismo pretenden hacer de otro monasterio muy rico que está cerca de Truxillo la buelta de la Isla de la Margarita à la buelta de la costa de la Abana, segun mexor se acuerda el dicho capitan. Por la parte septentrional la buelta de Groulandia han ido veinte y ocho viscaynos el ano de 1614 à la pescaria de las ballenas, sendo alquilados por los amstradama a San Juan de Luz, jurisdicion de Francia, por aver bedado el rey de Francia so pena de la vida, de que sus súbditos ninguno fuesse a buscar esta pesqueria fuera de su reyno: los quales bolvieron la vispera de Todos los Sanctos, car- gados de la pasta de las dichas ballenas con doce vaxeles y ganan- cia de cinco por uno alien deja demas de los dos gastos, y entiende continuar la dicha navegacion, y trato por los dichos viscaynos cada [141 v.] ano, sin ayuda de los quales no la saben acertar. 156
25. [143] RELACION DEL ESTADO EN QUE QUE- DAVAM LAS COSAS DE LA INDIA, SACADA DE LAS CARTAS, QUE ESCRIVIO EL VIRREY DOM HIERONYMO DE AZEVEDO EN LAS NAOS QUE AGORA LLEGARON Salio el virrey de Ceylan en 6 de Noviembre de 612 en quatro fustas, y en la fortaleza de Manar acresentou ocho navios mas con que passò a Cochin. Dexò en Ceylan à Don Francisco de Meneses capitan mayor del campo y su lugar teniente pera conquitar la guerra, hasta embiar capitan general de autoridad como pensava hacerlo. Quedava sojuzgada la mayor parte da isla, a là qual deter- minava embiar seis navios en Marzo deste ano con los materiales necessários pera hazer dos fortalezas en Triquilimale y Baticalu, con que se quedaria impidiendo à los olandeses Ia entrada en ella. Avisa que andando en Abril de 612 con lo interia del Reyno de Candia, llegò alii un olandes, que se intitulava Embaxador de los Estados Unidos; el qual le imbio una carta por otro olandes, intimandole arrogantemente la paz con aquel reyno, y que desistiesse de guerrearle, porquanto los Estados le avian recebido en su vas- sallagen. Que embio luego à un puerto de mar dar sobre la embar- cacion en que havian passado, donde no se hallaron mas que dos companeros suyos, que fueron muertos, tomada su [143 v.] roupa, y el presente, que llebavan al rey de Candia y que el embaxador no pudo ser cogido porque los naturales le escondieron en la sierra. Hasta la partida del virrey de Ceyllan no havia llegado por alia olandeses, despues tubo aviso que quedavan dos navios à la Punta de Gale, sobre los quales determinava embiar dos galeones, que franquiassen el passo à los navios que suelen ir demandar aquel paragen, que fuessen despues invernar à Triquilimale, y ayuadar la obra de la fortaleza. Desde el camino socorrio à la ciudad de Meliapor (por otro nome S.to Thome adonde está el cuerpo del St0 Apostol y es en el Reyno de Bisnaga) estubiese apercebida de manera, que pudiesse resistir al rey de Bisnaga de quien se temia, y a los olandeses, que pretendian satisfazerse dei dano recebido en Paliacate (un puerto en el mismo reyno adonde los olandeses teniam factoria) y quedavan ya alli dos naos suyas aguardando por otras dos. Llegado el virrey à Cochin compuso las diferencias, que avia entre el obispo de aquella ciudad y el Arcebispo de Cranganor, 157
y los religiosos de la Compania. Viose con el rey de Cochin, y asentaron algunas cosas importantes al peso de la pimenta, y al despacho de las naos y à la amistad y buena correspondência que combiene que haya ayuda pêra la guerra que tiene con el Çamorin rey de Calicut. [144] De Cochin hasta Goa fue el virrey visitando proveyendo, y haciendo reedificar todas las foralezas que hallo muy danificadas, sin verse con los reys de aquella costa i porque no se hallaria con fuerzas necessárias pera obligarlos, a que guar- dassen las pazes, como escrive, que pensava haverlo, bolviendo alTi con armada poderosa. Entrò en Goa a 28 de Deziembre de 612 y en el mismo dia tomò possession del govierno, y Ruy Lourenço de Tavora que acavó de servir de virrey se quedò allà en prendas de algunas deudas que havia echo, tomando dineros prestados sobre su credito pera ocasiones dei servicio de Su Magestad y aunque el virrey dio todas las ordenes y provisiones necessárias pera satisfacion de los acree- dores, escrive, que no quiso Ruy Lorenzo partirse hasta que eiioa fuessen enteramente pagados. En llegando a Goa tubo aviso de que en Chaul se avia empe- zado guerra con los capitanes dei Nisamaluco, procedida de algunas desordenes de los moradores de aquella ciudad; y porque en Goa se hallavan embaxadores dei mismo rey, tomó con ellos cierto acuerdo pera que se suspendiessen las armas con intento de soldar aquella quiebra por no ser tiempo de despertar nuevos enemigos. Del Mogor se entendia, que no estava firme en la amistad dei Estado por aver pedido algunas condiciones injustas fiandose en el nuevo comercio, que los ingleses [144 v.] han começado en el puerto de Surrate que es suyo adonde estavan dos naves inglesas; y sobre ellas avia Ruy Lorenco de Tavora embiado quatro galeones, de que fue por capitan mor Nuno da Cuiía y aunque pelearon con ellos se escaparon por su mucha ligeresa. Bolvieron despues à tener otro reencuentro de que salieron los ingleses muy destrozados, y con mucha gente muerta, y por las senales de tristeza que hicieron se entendio, que llebavan muerto al general. No se sabia pera donde fuessen. Dize el virrey que este ano pensava passar con armada pode- rosa al Norte a reforçar las fortalezas, enfrenar al Magor, y pro- curar encontrarse con los ingleses, que pensava no se le escaparian, para lo que quedava tratando de fabricar navios de que avia gran falta. Y pide con instancia que se le imbie socorro de artellaria, dineros, e gente, que todo es muy menester. De la fortaleza de Ormuz dize que esta bien apercevida y con buen capitan, y de las cosas de Persia trata largamente, de que se há de hacer relacion particular. Del Sur, y de Malaca no avian venido nuevas frescas al tiempo de la partida de las naves; pero escrive el virrey, que aquella ciudad se và fortificando y está proveida de gente de manera que las naves 158
de olandeses, que alli fueren no le podran hacer dano, y que havia [145] ordenado a Manuel Mascarenas Homem que se viniesse, por no ser en Malaca capitan mayor de la mar, ni armada ordinária, mas solamente embiar cada ano algunos galeones que vayan y buel- van con las naves dei trato como el pensava hacerlo. La armada con que fue à la China Miguel de Sosa Pimentel no avia buelto y tenia orden de juntarse con Don Juan de Sylva contra los olandeses, y apunta el virrey, que por esta manera se podrian echar de aquellas partes, ordenandose, que a un mismo tiempo se juntassen las fuerças de Castilla y Portugal, y que se deve permitir el comercio de Manila pera Malaca en que ay grandes conveniências dei servicio de Su Magestad y bien de sus vassallos, cerrando de todo el de Japon y Philipinas; porque de continuarse proceden muy contrários effectos, y está la ciudad de Macao em términos de despoblarse. En la China se entendia, que iba muy adelante la conquista de la conversion de las almas, y que eran de mucho effeto los reli- giosos de la Compania de Jesus, y advierte el virrey, que no con- viene, que envien alli otras religiones, porque con las differencias que podrian resultar, se impedirian tan buenos princípios. De la Ithiopia, que es império dei Preste Juan de las índias avia nuebas, que hacian mucho fruto los mismos religiosos de la Com- pania conservando en la [145 v.] obediência de la Iglesia Romana à los descendientes de portugueses que alli ay, que son gran numero de gente y aquel emperador quedava em paz con sus vezinos. De la conquista de Manomotapa adonde ay las minas de oro y plata, se avia mandado alçar las manos, ordenando à Don Estevan de Atayde, que se recogiese à la India. Y de la capitania de Moçam- bique foi proveydo Don Juan de Azevedo hermano dei virrey, pera que sirva mientras no fuere alguno de los proprietários. 159
26. [147] DEMARCAÇAO DA ILHA DE MOMBAÇA E DA BARRA DELLA FEITA POR MANOEL MONTEIRO Mombaça está em altura de quatro grãos e hum terço da banda do sul he terra baixa ao longo do mar, tem da banda do norte tres montes na terra firme por conhecença. A Ilha de Mombaça tem dous rios onde podem entrar naos: = pera naos grandes o Rio de Tuaqua, que tem aguoa bastante assim em preiamar, como baixamar pera poder entrar sirvem lhe todos o® ventos do nornordeste até o susudueste, porque pello canal vai a proa à loeste e quarta do sudueste, e à loeste a quarta do noroeste, e à loeste; este he o mais do caminho, e chegar a banda do bal- ravento dando resguardo aos baixos. A nao que entrar dara resguardo a restinga da banda do nor- deste, e por a proa à loeste, e a quarta do sudueste, e descubrira a ponta da entrada de Tuaqua da banda do norte, hira tiro de falcão do padrão, que tem na ilha, que he boa marca, achara nove braças, pedra, e descubrira huma aberta de duas serras pello sertão a dentro. [147 v.] Hindo pella proa assima, tanto que o padrão demo- rar ao norte achara oito braças area, e pedra. Demorando o meio do rio à loeste, e a quarta do noroeste, e como o padrar demorar a quarta do nordeste chegar pera a ilha hirão pellas sete braças tiro de falcão da' ilha, e da terra firme do sudueste hira tiro d'espera; desta banda he baixo, sera bom ter embarcação desta banda em cinco braças, e meia, e por antre ella he a ilha, vay a nao bem por sete braças e vay por meio canal chegado a ilha he mais alto. A distancia que ay da ponta do baixo das cinco braças a ilha, onde se ha de por a balisa sera tiro de falcão; por este meio a de ir a nao entrando por antre a ilha e a terra firme, tudo he alto hirão por meio rio a vinte braças, e mais, e menos no mais estreito, onde está hum alcorão pequeno na ilha, hira a nao quasi tiro de berço, e da terra firme outro tanto e até muito perto da terra he alto. Onde he bom surgir, onde esteve a nao, que chamão a passa- gem, onde estão humas casas mais chegado a ilha em doze braças areia. Esta demarcação féz la Manoel Monteyro por mandado do senhor conde. Em Mombaya (sic) [48] a primero de Abril de noventa e sete. 160
27. [149] APONTAMENTOS PERA VOSSA MAGES- TADE VER SOBRE AS COSAS DO ESTADO DA INDIA E REYNO DE MONOMOTAPA POR FREY AGUSTINHO D'AZEVEDO DA ORDEM DE SANTO AGUSTINHO, QUE VEYO POR TERRA DA INDIA O Reyno de Monomotapa, e Rios de Cuamà podem importrar a Vossa Magestade muito não lhe frutando agora nada que posta, que pareça darem cento e sincoenta mil cruzados por tres annos a Vossa Magestade, que antes não rendiam; pellos quais cento e sincoenta mil cruzados os arrendou Dom Jorge de Meneses de com- panhia com seus criados: contudo a Vossa Magestade lhe vem muy pouco interesse deste contrato e perde muito em o arrendar, por ser esta terra de muito mais ouro, que toda a da Mina Agrim, Hemfé, e Brumi; as quais todas eu vi arrendar Vossa Magestade o que facilmente se pode fabricar fica o ipteresce todo dos rendei- ros, e se fazem muitos desserviços de Nosso Senhor e arrisca àle- vantar se a terra pella tyrania dos rendeiros, e perder Vossa Ma- gestade tudo. Pera Vossa Magestade ter proveito deste ouro e da riquesa desta terra, não tem que conquistar, nem ha mister gente armada, semente dar Vossa Magestade licença que os portugueses levem suas mercadorias pellos Rios, e que quando vierem paguem em Moçambique os quintos do ouro, e do mais quft trouxerem. E sendo este trato aberto sera tanto o ouro que ha de vir pellas mer- cadorias, que estes quintos importem muito mais do que eu posso dizer, e que em huma so monção renda mais a Vossa Magestade do que lhe os rendeiros dão em tres annos; porque hum pano, que em Chaul vale duas tangas vai em Sena hum mitigai e muitas vezes dous, e a este [149 v.] respeito as mais mercadorias, que vão da India e do Reyno. E ainda que parece valem la assi estas cousas agora, porque as não ha e havendo trato largo abaterão pella muita quantidade, que delias ira, não he assim: porque a terra he muy larga; e os negros andão nus, por não acharem panos pera se ves- tir, e todos buscarão ouro com que comprar os panos e mais mer- cadorias, e quantas mais forem mais ouro vira e sera muito mais proveito de Vossa Magestade ter estes quintos sem mais fabrica que manda los arrecadar, que não mandar fazer este trato por seus feitores nem contratadores. 161 li
Pera este trato correr, e se arrecadar bem os quintos deste ouro, e a demais fazenda que vier pêra Vossa Magestade se deve ordenar alfandega em Moçambique com livro e cofre em que se meta este ouro, e officiaes fieis a que se entregue; e o feitor a quem se entregar o deve trazer no mesmo cofre a este Reyno, e a elle vir dar conta, sem que o visorrey o gaste na India. E por este modo em poucos annos vera Vossa Magestade quanto importa que á índia o Reyno de Monomotapa pera que pella costa vem per outra parte se possa devassar este trato. E deve se evitar que não vão a elle italianos, venecianos, judeus, nem mouros nem moquoques da índia: porque sempre os ardis destes e seus maos exemplos forão danosos a índia, pera isto ser bem governado se devia ordenar que ouvesse nesta terra governador, que fosse fiel vassallo a Vossa Magestade e hum bispo em Moçambique que governe e faça seu officio como deve, o governador prudente obrando, que a gente da terra, mais se move per amor e brandura que com mostras de domínio, o bispo zeloso, porque atentara a que creça [150] a christandade, e a ceita de Mafamede não divulgue tanto per estas novas terras, que este foi o mal de Francisco Barreto cultar (sic) ya la mouros, que lhe causaram a morte, e agora que os portugueses estão em paz, e em posse destas terras, e tratão como amigos com os negros havendo quem proveja no espiritual acrescentara Deos Nosso Senhor todo o temporal a Vossa Magestade. Toda esta terra alem de ter muito ouro tem muitos mantimentos, arroz, milho, gergelim, galinhas, perdices, veados, porcos, bóies, e outros muitos animais, muitos arvoredos de que se fazem panganios luzios, almadias. e se podem fazer casas, e o demais que necessário for hindo bispo, o qual he muy necessário lá pode estar em Moçambique, e visitar todas estas terras, e a ilha de Quirimba, tudo em tres meses, e com facilidade, e descargar os emcargos do Arcebispo de Goa ao qual não he possí- vel visitar estas terras, e os clérigos que manda por visitadores entrão pobres, e tornão ricos e carregados de emcargos, deixando os pec- cados em peor estado do que estavão. Nestas terras de Moçambique, Cuama, e Monomotapa ha muitos mouros que vão com muito cui- dado comprando moços gentios, e doutrinando os na maldita seita de Mafamede por não aver prelado, e os que la vão serem merce- nários por onde veja Vossa Magestade o risco a que se poem estas novas terras; pois os ministros de Mafamede acodem com tanto zelo, que se agora se não prover sera depois deficultoso remedear se. Nestas terras de Monomotapa andei hum anno da qual vim a ín- dia do estado delia não aviso porque Vossa Magestade deve por mui- tos avisos, o meu so he fazer lembrança, que Vossa Magestade man- de que nas armadas vão religiosos bastantes pera confessar, porque me achei em huma [150 v.] armada de que hera capitão Hieronymo de Sousa no Malavar, não havia outro confessor senão eu, e me foi necessário andar de noite de fusta em fusta a confessar os feridos. 162
Da India vim a Ormuz: o qual está muy perigoso polia deva- sidão com que entrão nelle assim judeus, arménios, e turcos, como venecianos, os quaes todos dão muito dano as partes da India, e fazenda de Vossa Magestade vindo a Ormuz polia via de Turquia: porque per esta parte levão a especiaria, drogas, perlas, roupas e o melhor da India a Veneza adonde correm ingreses, e herejes a bus- car esta fazenda, e a carga que se ha de trazer nas naos pera o Rey- no vay a Mascate, e Ormus, e dahi a levão os venesianos as terras dos turcos e mouros de Ormus a Baleava e juntamente, com a mer- caduria levão muitos christãos comprados, e outros enganados pera Turquia onde os fazem ser turcos, e isto por não aver em Ormus hum bispo que com cuidado vigie sobre as almas, donde vem muito dano a fazenda de Vossa Magestade, e perigo a índia, porque estes renegados sabem os portos, e são os que dão os avisos de como podem vir as armadas a índia, o turco a custa de Vossa Mages- tade se faz mais poderoso com as riquesas da India, que por esta parte passão a Turquia venecianos que por entrada e saida lhe vão pagando grossos direitos. E alem disso os venecianos trazem em suas naos, quando de Venesa vão pera Ormus muitas espingardas, chumbo, e outras monições de guerra, pera nisso ganharem a ida, e a vinda, e de Ormus nas terradas em que os venecianos vem se traz salitre, e emxofre, e lanças pera Turquia, e vem em sua com- panhia [151] os rumes, dizendo que são agames e persianos, sendo os mayores enemigos que temos. Destes venecianos não tem Vossa Magestade proveito algum, porque as mercadurias que trazem a Ormuz são vidrios, espelhos, e papeis pintados, e perlas falsas, que os panos e sedas ficão aos turcos, e alguns chamalotes, que vem em sua companhia são dos turcos com quem elles trazem trato, e a troquo disto levão o milhor da India, a saber, perlas e pedraria, cravo, canella, pimenta, bei- joim, almiscre, roupas, anil, hafetido, sandalo, ruybarbo, e o mais precioso da India, e em tanta cantidade que vi quando vim estar a carga cinco naos venecianas no porto de Escandarona, que por outro nome chamão Alexandreta de que se pagava cada huma de frete somente vinte mil cruzados e pello deserto vi caravana de mais de seis mil camellos, carregados destas mercadurias da índia pera as naos de Veneza, e pera outras de França, Angalaterra que a este porto vem, de que nace as naos, de que an de vir ao Reyno faltar lhe a carga, e assim não partirem a tempo com que possam cá che- gar, e valer muito caro tudo na índia pera carrega das naos, que han de vir. Se Vossa Magestade quer ter proveito da India, e assegura la de enemigos mande fechar a porta de Ormus, e a de Mequa, que segundo la ouvi não he menos danosa que a de Ormus, o que tudo he fácil, segundo, que os prudentes conselheiros de Vossa Mages- tade aos quaes me remeto, que como religioso só faço este serviço 163
das lembranças como quem com os olhos vio, o que diz, podem deter- minar. O spiritual neste Reyno de Ormus, e Moçambique [151 v.] tem muita necessidade de remedio pella falta que tem de bispos. Eu como frade lembro a Vossa Magestade acuda a isto fazen- do estes dous bispos, pera que se não percão como vão a Turquia. E Nosso Senhor inspire a Vossa Magestade o que mais seu santo serviço for em todas as couzas. Frey Agustinho d'Azevedo 164
28. [153] El domínio mayor y mas principal que Vuestra Mages- tad tiene en la índia de Portugal es el de la mar, con lo que se susten- ta y conserta todo lo demas: e entendiendolo assi los reys predecesso- res de Vuestra Magestad (desde el rey Don Manuel de gloriosa me- moria que ha dado principio aquella conquista ha dento e doze anos) le han frequentado siempre a costa mucha sangre, y con tan insignes y valerosos hechos, como es notorio; y con tal império que ningun príncipe, rey*, ni potentado de Europa ha intentado la navegacion de aquella mar; ni lo han permitido à los Reyes Católicos (aunque tan unidos por amistad y deudo) quando quisieron continuar la nave- gacion de la Nueba Espana por la mar dei Norte de la índia Orien- tal susodicha. La misma superioridad e império han adquirido, y tuvie- ron siempre respeto de los emperadores y reys de Oriente: porque siendo el Mogor emperador dei grande império de Cambaya: y el Samorin dei Malavar; el rey de Cochin de mucha tierra; el Idalcan tan poderoso: y otros muchos potentados inferiores, ninguno puede navegar en qualquiera embarcacion que sea, sin cartas y licencia dei virrey de aquel Estado, ó de quien su poder huviere. Tan poco el Turco con todo su poder pudo jamas violentar aquella navegacion, y aunque diversas vezes lo ha intentado con grandes armadas por el estrecho dei Mar Roxo, siempre han sido vencidas, y castigado su atrevimiento; como ultimamente se ha visto (reynando la Magestad del rey Don Phelippe que está en el cielo padre de Vuestra Magestad) pues quatro galeras, y una galeota dei mismo Turco que salieron por la costa de Melinde, para impe- dir con el fabor de los reys delia aquel comercio, fueron estos cas- tigados con perdida de las vidas, y sus Estados! y la armada y turcos que en ella venian vencidos, muertos, y captivos. Por manera que los reys de Portugal predecessores de Vuestra Magestad jamas han consentido, ó admitido compania de otras naciones en aquella mar de Ethiopia occidental, ó oriental, ni de la índia. [153 v.] Deste domínio que los reyes predecessores de Vuestra Magestad han tenido y conservado por la mar, ha resultado a aquel Estado (aliende dei grande credito, honra y reputacion cerca de tantos reyes, y emperadores) muy grandes provechos. El principal fue hazef, y conservar siempre todas aquellas fortalezas y castillos, (aunque estan en las tierras y domínios de los mismos reyes, y se- 165
nores) y muchos dellos pagan tributos, y son vasallos de aquella Corona de Portugal con grande gloria del mismo reyno. Y es esto tanto assi, que aunque aora viene navegar a su alvidrio los olan- deses por aquella mar, no osan moverse, siendo los portugueses, y todo lo que aquella corona possee en la India tan [poco] respeto de los dichos reyes, y emperadores: y de aqui es que se dera [bien] entender como aquel Estado solo se sustenta en el credito, reputa- cion, y [mucho] valor de los mismos portugueses. El segundo es que con aquel domínio y pujança en la mar se ha continuado y conservado el comercio con los vassallos de Vuestra Magestad, y ellos le (?) tuvieron siempre en todas las partes con mucha quietud de que resulto el principal rendimiento de las adua- nas, y sustento de las fortalezas, y armadas que en cada [un] ano se hazen. El tercer provecho es que por este medio se augmenta y conserva principalmente la christandad en aquellas partes de la índia: con- sintiendo los reyes infieles ò por amor, ò por temor que entren en sus tierras religiosos, y predicadores del Evangelio, que cada dia convierten a nuestra sancta fee millares de almas: y es esto muy urgente indicio para que esperemos por este medio una universal conversion, y union de toda aquella gentilidad; que es lo que mas desea y pretende Vuestra Magestad. Presupuesto esto, con las capitulasiones de las tréguas, todas aquellas cosas perdera aquella corona, y las adquiren los rebeldes. [154] Porque desde Ethiopia Occidental hasta la Oriental no ay sino costas, puertosi bayas, y lugares de reyes, príncipes, y potentados en los quales Vuestra Magestad no tiene domínio, sino solo dei comercio: y se possee algunos son poços. Y en la mar de la índia caminando por la costa asia el norte três y quatro léguas de Goa ay puertos del Idalcan, Dabul, y Danda: y mas alia de Chaul un puerto del Melique, Baroche, Surrate, y Cambaya, que son de Mogor. Caminando desde la costa dei Malavar asia el sul queda Ban- guel, Garsopà, Olaia, Cambolim, Cunale, Calecut, y passando Cochim, Travancor. En la grande Isla de Ceilan ay algunos puertos que aun no estan por Vuestra Magestad y de aqui viene el dano todo de aquella conquista. Asia el sul en la costa de Choromandel ay los reynos de Ben- gala, Pegúu, Quedá, Pedir, Dachen, y toda la Isla de Samatra de entrambas partes, los dos puertos de Andregui, y Yambe, Sian, Pera, Pam, Jor, Pattane, Sunda, Java, Banda, y muchos puertos y reynos en el Archipelago del Maluco, y el puerto que se dize dei Pinai seis léguas mas alia de Machao en la China. Los quales puer- tos son todos de reys, y príncipes que no son vassallos de Vuestra Magestad. 166
Por manera que segun las dichas capitulaciones de las tréguas, podran los rebeldes libremente contratar, sin que los vassallos de Vuestra Magestad se lo puedan estorbar, ni a los que lo consintie- ren, ò huvieron consentido; y quedan los dichos rebeldes en eífeto gozando de toda la Índia, ò de lo mejor delia. Ni es materia de duda que los reyes, y príncipes de aquellas partes les recojeran, y se holgaran de darles entrada en sus puertos, pues los olandeses les tratan como companeros, sin hazerles instan- cia para que dexen la ley en que viven, y sus ritos, y ceremonias y de aqui viene que son bien vistos y oydos de todos. [154 v.] Deste comércio pues, queda aquel Estado sin aquel credito y reputacion que hasta aora le ha sustentado y conservado: y permittiendose a los rebeldes que puedan navegar libremente por aquella mar de que los portugueses solos eran senores, los reyes de aquellas partes procuraran impedir la navegacion de los vassallos de Vuestra Magestad e sus reales armadas, cercaran las fortalezas y ciudades, naganlo los unos bastimentos, los otros marineros que de sus tierras suelen venir; y las demas cosas de que aquel Estado, y fortalezas dei se proveyan; con lo qual quedara à mucho riesgo. Es tambien cosa cierta que aquel comercio de los rebeldes im- pedira grandemente la conversion de la gentilidad, ò sera su totai ruina; no solo porque los ministros que delia tratan no poderan hazerlo libremente, ò no se lo consentiran con el fabor de aquellos rebeldes; pero tambien porque estos les persuadiran a que vivan en sus anchuros (por sus intentos): donde resultara tambien que les recojeran de mejor gana: con lo qual no solo se perdera el fructo que se espera de los que aun no se han convertido sino tam- bien se puede temer que cayeran los ya convertidos por ser muy bien se puede temer que cayeran los ya convertidos por ser muy flaços y vários. Mucha menos duda ay en que se quitara e impidira con este trato e comercio de los rebeldes el de los vassallos de Vuestra Ma- gestad, y juntamente el total remedio de que viven, pues no tienen otro alguno: por no aver alia rentas de bienes rayzes, juros, ni otras. Y si los olandeses fueren comprar mercaderias a gentiles, y venderles las que han menester libres de derechos; quedan ellos sin necessidad de llevarlas y comprarias como suelen en los puertos de Vuestra Magestad donde les pagan. Y los vassallos de Vuestra Magestad para llevar las suyas, y continuar su comercio han de acudir a los mismos puertos que los rebeldes, como hasta agora hizieron: por- que de otra manera no solo los vassallos de Su Magestad vendran a grande pobreza, pero los rendimientos de las aduanas (que es la principal sustancia de la Real Hazienda en aquel Estado) proba- blemente vendra à tanta mengua, que no podran [155] continuarse las armadas ordinárias; y faltando ellas sera fuerça que Vuestra Magestad embie otras de aquel reyno tales, y tan proveydas de las cosas necessárias que basten para conservar aquel Estado. 167
Otro dano de mucha consideracion resulta dei comercio de aquellos rebeldes y es que la principal mercaderia con que contra- tan, son armas, con lo qual los enemigos de aquel Estado quedan poderosos à quienes los dichos rebeldes ensenan com mayor perfi- cion la arte militar. Aliende que se puede temer que ayudados de los rebeldes intentaran poner en cerco las fortalezas de Vuestra Magestad pues sin estas ayudas, y con ocasiones diferentes, y en tiempo que aquel Estado tenia otras fuerças lo han hecho con tan poderosos cercos como es notorio. Por lo contrario los olandeses ganan grande credito y repu- tacion, no solo cerca los reyes y senores de aquellas partes, sino con los de Europa, y mayor de lo que los portugueses solian tener: pues con el absoluto domínio que las tréguas les dan por la mar, (como queda dicho) se lo quitan a los portugueses para si, y los demas reyes y senores: los quales por este respeto teneran, y haran grande caudal de los rebeldes, reconosciendo de ellos la libertad de la navegacion, y creyendo que ellos sujetan a los portugueses, y podran mientras duran las dichas tréguas dar licencias a los navios de los dichos reyes y senores, y à sus vassallos, (como el virrery de la India solia hazer) para que puedan continuar sus nave- gaciones: con lo qual quedaran inhabilitados los vasallos de Vuestra Magestad para poder castigar a los unos, y los otros: y los rebeldes adquiriendo dominio, honra, reputacion, y credito. La utilidad que los olandeses reciven deste comercio es mucha; porque en los quertos del Idalcan ay rescate de pedreria; en Surrate y Cambaya de ropas para el sul, con lo que recojeran toda la pi- mienta de Samatra, de Sunda, clavo de Maluco, nues y masa de Banda que le queda aora [155 v.] de mejor condicion, porque hazen su rescate con ropas, y les queda assi mas barato que si le compra- ran à dineros, como hasta aora hazian. En Calicut, Cunale, Cambolin, Olaia, Garsopa, y Banguel tie- nen mucha pimienta, y la mejor de la índia. En los puertos de la Isla de Ceylan (que aun no estan obedientes a Vuestra Magestad) tienen rescate de canela, y en otros muchos todas las cosas de aquellas partes, sin que tenga necessidad de yr a los puertos de Vuestra Magestad, ni de los amigos, y confederados de aquel Estado. Traeran a Europa las mercaderias de mayor inferes, de que sacaran ganancia infinita por averlas comprados en la fuente (como dizen) y sin pagar derechos. Continuaran tambien este comercio con menor gasto, y mucha seguridad pues con las tréguas quedan escusando los gastos que hazian y grandes maquinas, y prevenciones militares, convertiendo todo en el trato, con lo qual, y con la grande seguridad de su nave- gacion (pues no ay quien se la impida y la pueden hazer en los tiempos, y con la cantidad de naos y navios que quisieren) se haran tan ricos, y poderosos, y vendran à confederarse de tal manera con 168
los reyes, y senores de aquellas partes assi enemigos, como amigos, y a tener tal correspondência con ellos que con mucha difficultad, o nunca podran ser echados delias, ni tenerse esperança de que se redusgan y se deve temer que acabadas las tréguas haran mayores danos. Frequentaran mucho este trato y comercio, y crescera gran- demente, como muestra la experiência, assi por aver experimentado los grandes interesses que dei sacan, como porque los confessos de Portugal (que tienen mayor noticia de aquello) se han retirado y retiran en gran cantidad a las províncias rebeldes: y se puede entender que (aliende de lo que hazen por temor de sus culpas y libertad en el vinir) lo haran tambien porque en ellas [56] hallan oy el trato de cosas de la India que les obligava à vivir en Portugal, y estos con gruesso caudal les ayudaran a los rebeldes a que conti- nuen el comercio, y confederacion con los naturales vezinos de la índia, por gozar dei grande provecho que dello sacan: el qual es tal que aun viviendo en Portugal contribuyan para las armadas de los rebeldes, como affirmo un catholico que se huyo delles para Malaca; de lo qual el ano de 604 se envio relacion, y se dio quenta a Vuestra Magestad. Demas desto son grandes las perdidas que en aquel reyno se reciben: porque la pimenta y mas drogas, y cosas que los vassallos de Vuestra Magestad solian traer de la India, sin duda vendran à tan grande baxa que no sean de algun provecho y desto resul- tara la falta de los derechos que se pagavan en la Casa de la índia, y faltara el caudal para comprar la pimienta que de alia viene en cada ano, ò se comprara à precio tan excessivo que sera mas barato no traerla, y compraria aca por el precio que corriere: pues los olan- deses viendo los precios grandes en que la vendian aca los portu- gueses, y la compravan para llevarla ellos à otras muchas partes, y por divertiria de que no la truxessen à Portugal, no se les dà nada de compraria alia a mayor precio de lo que por quenta de Vuestra Magestad se compra para la carga de las naos de aquel reyno: y tambien los que la venden, buscan por este mismo respeto mill modos para darsela a los dichos rebeldes. Y si faltare este comercio a los portugueses, y derechos que dei se pagan en la Casa de la índia: falara tambien la fabrica de las naos: y por este camino en brieve tiempo se extinguira el comercio, y navegacion de aquel reyno para la India; y los olandeses quedaran senores delia, adqui- riendo por medio de la trégua, lo que en otra manera les fuera muy difficultoso; y que virisimilmente jamas pudieren alcançar: sien- do cierto que ò por fuerça ò de grado en breve tiempo dexaran esta pretension, la qual solo sonsistia en que le desbarataran la armada que alia trayan: lo que se podia esperar, llevando Dios à salvamiento el resto de la armada dei conde de Feyra, y los galeones que llevo el virrey Ruy Lorenço de Tavora, con otro algun socorro que Vues- tra Magestad embiasse desde Portugal, y otro que en la índia avria. 169
[156 v.] y desbaratados otra vez los rebeldes, y castigados los reyes de quien tuvieron fabor no ay dudas que no podrian suplir los grandes gastos que hazen, los quales hasta aora han sustentado mas con las presas que han hecho que con el comercio. Porque como Vuestra Magestad yva socorriendo aquellas partes de la India, y en la mar dei Sul andavan continuamente armadas de aquel Estado de la misma India, con lo que les hazian fuerça a que su armada anduviesse siempre junta, no podrian dividirse para tratar dei comercio, y mucho menos les convendria hazerlo para cojer algunas presas, si se diesse guarda a las naos que tienen comercio en el Sul, y China, como estava determinado. Por lo qual, y porque aquellos reyes en tal caso no osaran contratar con los rebeldes a la descubierta, y porque tambien les faltarian ropas, sin las quales no podian tener interes de consideracion, les quedava muy difficil el comercio de las drogas pues como quedavan rescatandolas à dine- ros, y en el principio por acreditarse y cojer mercadorias avian subido mucho el precio, era fuerça yrle continuando de la misma manera. Estos mismos danos e inconvenientes ay respeto de las demas conquistas ultramarinas. Demas desto con el exemplo de que los olandeses vayan a aquel comercio en virtud de las dichas capitulaciones, haran lo mismo los reyes de Francia, e Inglaterra, y los demas reyes, potentados de Italia: y se ha visto en los ingleses, que ya comiençan a hazerlo, y vinieran presos algunos en el galeon que vino de la índia este ano. Aliende que se puede temer que encontrandose los unos y los otros con las naos y navios de Vuestra Magestad y de sus vassallos, hallandose con mas pujança les robaran, como hazen los olandeses, y se tiene representado a Vuestra Magestad por consulta deste con- sejo: y quando conosceran que son inferiores en fuerças diran que son navios de paz, apoyandose con las dichas capitulaciones y tréguas. No huveran sido las tréguas y capitulaciones tan danosas, si se capitulara con aquellos rebeldes que les fuera licito contratar y tener comercio en los puertos y fortalezas de Vuestra Magestad solamente: porque demas que con esto se ganavan los derechos que huvieran pagado en las aduanas: contrataran y comerciaran [157] con algun limite, y menos descrédito de aquel Estado, y quando quisieran guerra, fuera de menor inconveniente, y con mas cierta esperança de que dexaran la empresa, como se puede esperar de la grandeza de Vuestra Magestad. 170
29. [1591 INFORMAÇÃO, QUE FEZ O GOVERNA- DOR GERAL DIOGO DA CUNHA DE CASTEL- BRANCO POR MANDADO DO CONDE VISO REY PERA SUA MAGESTAD SER INFORMADO DO ESTADO DA CONQUISTA DAS MINAS DE PRATA DO ESTADO DE CUAMA Sendo Diogo Simões Madeira mercador nos Rios de Cuama, teve entrada nas terras do Mambo, Monomotapa em guerra com outros pretencores do reyno, que o tinhão treranizado do assento real (chamado Zimbauhe) e pretendendo prevalecer contra seus pre- tensores com favor dos portugueses, teve o dito Diogo Simões, intelligencias de estarem as minas de prata nas cerras da Chicova, com o que procurou doação delias pera Vossa Magestade obrigando se a o meter de posse do dito Zimbauhe. Desta doação foi Vossa Magestade informado e com a fama das minas o Arcebispo Dom Frey Aleixo de Meneses, sendo gover- nador deste Estado, mandou passar aos Rios Dom Nuno Alveres Pereyra, o qual entrando nelles com gente de guerra (ocupando o o dito Dioguo Simões) deu ajuda ao dito Monomotapa pera cobrar o assento real com o que teve effeito o comprimento das condições da doação, que o dito Dioguo Simões delle ouve pera Vossa Mages- tade e querendo Dom Nuno Alvarez passar as minas foi mandado vir pera a India, e depois delle vindo o viso rey Dom [159 v.] Ruy I.ourenço de Tavora fez contrato com Dom Estevão de Zaide, e o mandou proseguir a conquista como fez até ser mandado vir por ordem de Vossa Magestade. Sendo vindo dos Rios de Cuama Dom Estevão de Zaide o anno de 621 ficou nelle por capitão mor da conquista das minas da prata Diogo Simões Madeira, o qual chegando ao lugar da Chicova distante da foz do rio 180 legoas formou nas terras do Monomo- tapa hum forte de madeira (chamado na lingoa dos cafres Chuambo) a que pos por nome de São Miguel, por achar que deste sitio se tiravão algumas pedras de prata, e fortificando se nelle com presidio de soldados veio a descobrir alguma, que se cavava neste limite, com que se rompeo fama de estarem minas descubertas, e Vossa Magestade foi avisado pello dito Diogo Simões do estado em que estava o descobrimento delia com as mostras da que se achava. Foi neste tempo eleito por viso rey deste Estado Dom Hiero- nymo de Azevedo e Diogo Simões continuando o descobrimento. 171
sustento (sic) o forte, e pedio provimentos de roupa assi pera o presi- dio como pera dar aos cafres, e sendo desamparado de todo o socor- ro deceo abaixo a Tette as feitorias do capitão, que então era Dom João de Azevedo, e lhe tomou as que nellas tinha com fundamento de o viso rey seu irmão o não prover [160] e Vossa Magestade o mandar continuar a conquista ate que chegou desse reyno o anno de 614 Ruy de Mello de Sampayo em cuyo tempo sucederão nau- frágio nas naos do trato com que Diogo Simões teve mayores faltas (sem contudo desemparar o forte) esperando socorro da India, e chegarão os soldados com fome a se manter de tamarinho tendo assalto dos cafres de que se defenderão por muitas vezes. No anno de 615 ordenou o viso rey Dom Hieronimo de Aze- vedo mandar o licenciado Francisco da Fonseca Pinto à fortaleza de Moçambique, e que passasse aos Rios, e chegando à Chicova verificasse à certeza das minas, averiguando se se daquelle sitio sahia a prata, de que o dito Diogo Simões imviava as mostras, ou usava d'algum emgano pera assi se evitarem as grandes despezas, que se fazião, e poder Vossa Magestade ser informado com todo o fundamento necessário a negocio tão importante. Chegando o licenciado Francisco da Fonseca a fortaleza tirou delia insidiosamente a Ruy de Mello de Sampayo pretendendo que quebrando lhe o contrato entraria nos Rios, nomeando todos os cabedaes, por conta da Real Fazenda de que era vedor. E por- que lhe pareceo impedimento para seu intento ficar com obrigação de prover Diogo Simões, tratou de o intimidar pera se não fiar delle e com a gente que levava pera lhe emtregar deu em huma emtem- ba sua (que he aldeia de seus escravos, e lhe matou alguns e prendéo hum seu sobrinho que lhe tinha mandado para o guiar [160 v.] e acompanhar pello caminho com o que Dioguo Simões o avisou que se não avia de fiar delles que podia ir que no forte ficavão soldados, que mostrarião os lugares de que a prata sahia e como o dito Francisco da Fonseca tinha o intento no rescate do ouro se tornou de caminho e fazendo processos contra Dioguo Simões o julgou por alevantado: com o que o fez desamparar o forte, que foi queimado pellos cafres, e o lugar delLe, circunvesinhos ocupados por mandado do Monomotapa pera ficar mais dificultoso ganhado outra vez, e fez o dito licenciado instrumento de testemunhas falsas, averiguando que não avia prata, e que Diogo Simões tinha mal infor- mado a Vossa Magestade. Chegando o conde a esta cidade, se enformou do estado das minas e da sem justiça, que se usara com Dioguo Simões que com medo de o matarem por ordem de Francisco da Fonseca se acolheo pera o rey de Zambara na Botonga, e entendendo o conde aue con- vinha ao serviço de Vossa Magestade restitui lo a seu officio de capitão mor das minas, e que proseguisse a conquista delias, man- dou na monção de Janeiro do anno passado de 618 roupa pera levar gente derigindo as a mim em falta do governador, que desse 172
reyno se esperava. E eu provi na forma em que me foi mandado, com que ficou restituído ao tempo em que me parti, e elle com os soldados, que ajuntou o fazia pera [161] à Chicova, a ganhar o lugar do forte avisando ao conde dos provimentos, que erão neces- sários pera proseguimento da empresa, pera onde de presente parte Dom Nuno Alvarez Pereyra, que Vossa Magestade manda por governador, e conquistador das minas sendo vindo da Ilha de Ceilão, de quem se pode esperar, que de fim a empreza de tantos annos proseguida com o zello com que costuma empregar se no serviço de Vossa Magestade. Pello que tenho alcansado com a experiência daquellas partes entendo a variedade das informações que Vossa Magestade tem destas minas de prata; porque as pessoas que nellas falão as dão conforme ao intento de seu parecer e pretenções, e sendo grande o perjuiso que se segue a Real Fazenda de Vossa Magestade direi acerca delias o que na realidade passa com a verdade, que devo de Vassallo e ministro do officio em que a Vossa Magestade sirvo. De muitos annos à esta parte se tem noticia de haver nos Rios de Cuama minas de prata, e com a fama delias foi eleito governa- dor de sua conquista Francisco Barreto, que partio do Reyno o ano de 69 com muitas prevenções de guerra e soldados, e falecendo nos Rios despois de ter alguns emcontros com os cafres lhe socedeo Vasco Fernandez Homem, e despois Dom Fernando de Monrroy, e por se gastar a gente com o trabalho da guerra e clima da terra e estar ainda emcuberto o sitio donde se tirarão algumas pedras de prata (que neste tempo se resgatavão) se pos por alguns annos em esquecimento o tratar se do [161 v.] descobrimento delias. Prevale- cendo comtudo a fama de as aver tornou o Arcebispo Dom Frey Aleixo de Meneses (como fica proposto) a mandar Dom Nuno Alveres Pereyra e o viso rey Ruy Lourenço de Tavora Dom Estevão de Zaide, que sendo mandado vir ficou por capitão mor o dito Dioguo Simões, e como era pessoa intelligente nas terras do Mo- nomotapa veio averiguar que a prata de que havia as mostras (que tinhão sahido à luz em todo o tempo atraz) se tirava do lugar da Chicova aonde fez o forte ô Chuambo, de que faço menção no prin- cipio desta relação, e havendo nelle o presidio que fica dito, o pode sostentar por espaço de dous annos contradizendo lho o Monomo- tapa por guerra de que foi emcarregado seu filho mayor per nome Sachicova com fundamento (segundo ha noticia) de lhe fazerem crer os seus feiticeiros de que usa muito, que o fim do seu império estava no descubrimento desta prata mas cavando no discurso deste tempo nos lugares em que podião, tiravão varias pedras de prata finíssima, e em tanta quantidade, que fes com ella muitos meses paga aos soldados faltando lhe os provimentos de roupas, até que com a ida do licenciado Francisco da Fonseca foi o forte desam- parado dos soldados, e ocupado dos cafres. 173
No discurso dos dous annos em que sustentou o forte se foi trazendo a prata que se tirava pera as povoações de Tette, Sena, e Moçambique, e os moradores forão fazendo delia vários vasos e peças que todas (conforme as informações que tomei importarão ao menos dous mil [162] marcos não dando lugar os cafres com a guerra que fazião aos soldados do presidio se alargarem muito do forte, e assi com muita pressa, vigia e arcabuzes no rostro cava- vão pouco a terra, achando ordinariamente em o livel (sic) a pouca altura as pedras, que trazião, as quaes fundidas lançarão da primera fundição mais fina prata, que a de reales respondendo huma com duas partes do pezo e outras com a metade. Eu vi huma pequena que pezando dezoito onças ficou em dezaseis sem quebrarem mais que duas; mas até o presente não ouve mineiros, que entendessem se a terra junto a estas pedras era de fundição nem hà certeza de ser sitio onde se achão minas correntes, pera o que he precisamente necessário virem officiaes peritos de experiência das do Pirú, que conheção estas; porque emquanto não vierem se não averiguara à certeza que he necessária em materia de tanta importância, e pera que são necessárias grandes despezas. He certo que acavandose se acha terra meia coalhada, que mostra ir se convertendo se em prata: mas fazendo se com ella no fogo experiência por ourives, que là forão ficava em escoria somente. As pedras que se tem achado erão de diferente grandeza: porque algumas ouve de hum arratel, até huma arroba, e eu trouxe huma, que Diogo Simões tinha de duas arrobas menos quatro arra- tes de que o conde deve dar rezão a Vossa Magestade a qual se entende tem de prata mais [162 v.] de 70 marcos, todas estas se achão apartadas huma das outras, e se as mostras delias dão cer- teza de aver minas grosas nos lugares donde saem, podem se ter por certas porque não ha duvida em se averem tirado daquelle sitio da Chicova. He também cousa certa afirmarem alguns cafres haver em dis- tancia de meia jornada de caminho do forte de São Miguel serras de viva prata sogeitos os lugares delias a tres fumos (como chamão os cafres a seus governadores) hum delles por nome Chevemachagà que quer dizer na lingoa dos cafres senhor da prata; porque aquelle seu sitio he de prata, e outro Ottavo, e outro Faceira todos tres em destrictos contíguos, e jurdições apartadas, mas como Diogo Simões não teve poder de gente, e cabedal de gente, e cabedal de roupa pera chegar a ellas, não ha mais certeza, que a fama delias, e ter Diogo Simões preso o filho do Chevemachagà, que afirma ser ver- dade, que no destricto de seu pay estão as serras referidas, e que he contente que o matem se assi o não acharem levando o à elle meio dia somente de caminho; mas nesta materia não ha mais até o presente, que o dito destes cafres em que pode aver falta, não havendo nehuma de se ter achado toda a mais no sitio da Chicova. 174
Há varias preíenções nos moradores de Moçambique e povoa- ções dos Rios pera huns encubrirem a prata que se tem achado, e outros abonarem as minas conforme à amizade e odio que tem com Diogo Simões, e outros o fazem escandalizados [163] de lhes ter tomado a fazenda. Mas como na prata que se tem achado ha evidencia, e o que he visto por muitos não pode emcubrir se, não ha quem duvide have la: mas dizem são pedras soltas as que se tirão, e que podendo ser não aver minas de muita importância se arriscão grandes despesas, podendo se só tratar do ouro que he muito. Em todas as terras (navegando pello rio assima da banda do sul) chamadas Botonga, e Mocranga da entrada da foz até à Chi- cova, que são 180 leguoas senhoreadas por diferentes reys, de que os mais reconhecem o Monomotapa se achão vários metaes alem do ouro, que he o mais ordinário em todas; porque ha muito ferro, cobre muy fino, asso, e chumbo, e principalmente nas serras de Lupata sogeitas ao rey Nongaz, com os antepassados do qual teve guerras o governador Francisco Barreto, sem em nenhuma delias se achar prata alguma, senão no destricto da Chicova, e nas circum- vecinhas, e não só da banda do Monomotapa, mas da outra do rio pera o norte chamada Bozoro nos limites do rey Sapão na altura da dita Chicova (posto que aqui em pouca cantidade). Mas vi pederneiras desta paragem, e dentro delias veias de prata viva, e como estas estão tanto ao sertão, e o rio deixa de ser navegável do forte de São Estevão pera sima quatro jornadas por aver grandes rochedos foi causa porque nos tempos atráz faltou a noticia da prata havendo a de todos, ou outros metaes, e nacerão por essa rezão a dificuldade de a poder cavar, o que não fora se se o rio navegara nesta paragem; mas posto que tudo isto denota proba- bilidade das minas requererem a importância gastos que são neces- sários pera a conquista, que officiaes muy experimentados segurem à certeza delias; porque sem esta experiência precisamente necessá- ria [163 v.] hà a Real Fazenda pellas rezões seguintes padecer muito detrimento. A fortaleza de Moçambique (cuya guarda e segurança he tão importante) não tem mais rendimento pera as ordinárias, e susten- tação do presidio que os 300 000 mil crusados que os capitães pagão de penção quando os ha provido com o contrato dos Rios, e se estan sem contrato os ministros da Fazenda os abrem a quintos e ordi- nariamente se hão na arrecadação dos reaes direitos com pouca fidelidade do que se segue que se não tirara do resgate mayor ren- dimento do que importa a penção, e havendo de haver na fortaleza os trezentos soldados do regimento que Vossa Magestade manda são todos necessários pera elles, pagando se as mais ordinárias de capitão, ministros, religiosos, clérigos, e ficasse havendo mister de fora toda a despesa da comquista em que se faz a paga dos solda- dos em roupas, que he o ordinário, dinheiro que naquellas partes 175
corre pêra compra de todo o provimento, e havendo somente na conquista 500 soldados são necessários 250 bares de roupa forros de todas as custas por vencer cada soldado em hum anno meio bar; e estes 250 bares valem postos nos Rios 40 000 mil crusados não se contando os ordenados do governador, capitão, e outros ministros, que hão de importar mais de dez, e como esta despeza he grossa com que o Estado não pode por haver grandes quebras nas alfan- degas e direitos reaes, se segue que a conquista ha de dar muito cuidado ao viso rey ficando à sua conta os provimentos por onde me parece que com muita brevidade devem vir desse reyno officiaes das minas, para que verificado que as ha do proveito que as infor- mações dão a entender se tire delias cabedal com que [164] se sus- tente a conquista. As terras dos Rios de Cuama são fertilissimas e muy largas, e producem muy grande copia de arroz, e outros mantimentos e legumes nos lugares em que os sameão mas por falta de gente casi todas ficão por cultivar por cuyo respeito, quando nelles entra mayor numero, que de ordinário socedem grandes faltas e vem a morrer de fome os soldados: porque todos os mantimentos que se levão de fora se vendem por excessivos preços, e os mais delles acabão miseravelmente, sendo muita causa a destemperança do clima de aquellas partes. Por estas rezões as pessoas de experiência parece que a con- quista se deve fazer com pouca gente, e muita roupa, e he parecer este também de Dioguo Simões, porque com ella se faz mais guerra aos cafres, que com armas, sendo todos muy levados do interesse, e basta darem se presentes aos regullos para desistirem das armas, e os fazer andar entre si com ellas sendo de muita utilidade gastar se nestes presentes a despeza que se ha de fazer com a gente desne- cessária escusando com elles o risco dos soldados se não ha difficul- dade que se não vença, dando se aos cafres panos de que são em todo estremo muito codiciosos. A mais gente que as pessoas experimentadas entendem ser necessária são duzentos homens effectivos, e sendo todos bem arma- dos de arcabuzes são bastantes pêra todo o poder do Monomotapa a experiência o mostrou bem no tempo que Dioguo Simõis sustentou o Chuambo com quarenta soldados por espaço de dous annos estan- do sempre de guerra: porque sendo o Chuambo [164 v.] de madeira prevaleceo contra o filho do Monomotapa, e o fizera muito mais tempo se fora socorrido e o não obrigarão ao desamparar faltando lhe com o socorro, e com duzentos portugueses emtendem todos que se podem seguramente correr todas as terras do dito Mono- motapa, e reconhecer todas as terras de Chicova, principalmente pei- tando os fumos e senhores dos destrictos circumvizinhos tendo em fronteira da outra banda do rio o rey Sapo poderoso enemiqo nosso. Do relatado nesta informação que faço a Vossa Magestade com as particularidades nella referidas resultão por remate as espe- 176
ranças que se devem ter de haver minas muy grossas de prata, e sendo com o favor divino descubertas se seguira a restauração deste Estado, cuyas forssas estão muy diminuídas por falta de dinheiro, e escrevem nelle obrigações com que não pode, e que até o presente não ouve mais certeza que se acharão sem haver mineiros que o entendão, que tenho por principal fundamento de toda a prepara- ção da conquista que Vossa Magestade foi servido de mandar ordenar. Goa 7 de Fevereyro 1619. Diogo da Cunha de Castelbranco 13 177
30. [165] BREVE INFORMAÇÃO SOBRE ALGUMAS COSAS DAS ILHAS DA CHINA As ilhas que estão na boca do rio de Cantão são innumeraveis, porque ha muitos ilheos e ilhas pequenas as quais são desaprovei- tadas, mas também ha muitas varzeas de agoas vivas, e na enver- nada se alagão, e por ser a enchente da aguoa do rio, e lhes não che- gar a salgada dão por este respeito grandes novidades de arroz, e por este territoreo ser tão retalhado da agoa he o mais fértil de todo o marítimo da China. Entre todas as ilhas deste archipelago ha tres ilhas de que temos notícia serem as mayores que entre ellas ha por nellas estarem as residências que não estão em outras. Huma destas he a ilha que chamão Anção por respeito de huma nobre vila murada, que nesta está situada, que em Espanha seria huma boa cidade, e na porta desta ilha está situada a povoação de Amação que está e maltura de 22 grãos e meyo largos do norte; e esta ilha he a que na traça vai pintada de vermelho, e na cabeça redonda da banda do sul está a dita povoação de Amação, que com huma ilha que tem pella banda de ponente faz hum muito bom porto em que sorgem as naos e navios, que andão nesta nave- gação. E por ser bom porto se servião os ladrões delle antes de nos passarmos pera esta ilha de Lampacao ilha pequena em que antes residíamos, que dista desta ponta, em que está Amação oito legoas: porque as ilhas de Sãochoão em que antes rezidiamos, e donde se passavão pera a de Lampacão dista delia once, ou doze leguoas. E em outra ponta que esta ilha tem he que Amação esta que bota pera o ponente está situada a villa de Anção [165 v.]. A borda (?) da aguoa, que dista da pavoação de Amação oito ou nove legoas de Espanha andadas por terra, porque os chinas fazem este caminho de doze pees que respondem cada leguoa e meya de Espanha pola experiência de quem andou este caminho e outros na China, e por outras conjesturas. Ao leste da ponta desta pavoação de Amação dista algumas tres leguoas huma ilha não grande mas alta a que o comun chama Nantao: e logo da outra banda começa a ponta de huma ilha, que he a que na traça vay pintada d'azul, a qual ponta chamão os chi- nas Nanto, por respeito de huma pequena vila deste nome que nella está da banda do mar pera o sul em huma emseada não segura. E na outra ponta que esta ilha bota pera leste da banda da terra firme 178
está huma muy nobre e popolusa cidade que chamão Tancoão de muito nobres e ricos moradores povoada, aonde ay provedor das armadas do mar faz prestes todas as armadas, pera o que tem de contino na Ribeira muitas madeiras, e todos os mais aviamentos necessários pera ellas. Está esta cidade do Tancoão situada em huma ilheta, que está encostada a ilha de maneira que a agoa doce do rio de Cantão a rodea toda por hum pequeno espaço de travessa, e tão pequeno que ao longo da auguoa da outra banda he toda a praya povoada em roda de arabalde por a cidde com outro arrebalde ter ocupada toda a ilheta, que em roda he toda navegável; posto que de huma das bocas se servem pera as armadas; o que a ciadde tem murado he pequeno; porque como ella se estende de pouco tempo para cá, e por dantes não estar em conto de cidade [166] se não tem murado o que mais se acresentou. Dizem que sera esta ilha como huma e meya desta de Ancão, porque nos não temos mais noticia delia, que sabermos onde começa, e acaba. He muito fértil, e abastada, e nella vive muita da nobreza da província de Cantão e muitos ricos e generosos mercadores. Defronte da cidade de Cantão, que está en altura de vinte e três grãos e hum terço está outra ilha que he a que na traça vay pintada de verde em a qual da banda do sul está huma vila como a de Ancão a que chamão Sunte a qual ilha he toda casi huma var- sea, e por isso muito retalhada de esteiros, que o rio faz e muy fer- tilissima de arroz por esse respeito. E por ser tão alagada se não caminha por terra por ella pera Cantão.quando daqui de Macao vão po rterra; porque até Anção se vay por terra, e dahi a passa- gem, e em barcas pera Cantão. Rodeando a dita ilha de Sunte e ficando a mão direita posto que também se pode ir pella outra banda. Outra ilha dizem que ha muito mais grande, que nehuma des- tas; mas o por onde se ella faz ilha da parte de terra firme não o sabemos mais que de informação; a qual he a que na traza vay pintada de amarello, ha nella três nobres cidades, como a do Tan- coão, a que chamão Sinoxhancão, etc. E alem disso tem na ponta fronteira a São João a fortaleza a que chamão Conay, na qual de contino está guarnição de soldados no nome e de armadas, por respeito dos ladrões, que por aquella parte os salteavão antes [166 v.] de termos metido o pee nesta ilha. Quando de Amação vão por mar a Cantão fazendo dous cami- nhos , hum chamado de dentro, que he ir costeando esta ilha, em que está Amação pella banda de ponente por Anção a demandar a ilha de Sunte, e costando a fica a mão direita, voltando sobre ella vão a Cantão. E ao outro caminho chamão da banda de fora, que he ir costeando esta ilha em que está Amação pella banda de leste, e atravessando hum golfosinho vão dar em ilhetas, e delias a ilha de Sunte, e costeando também sobre a mão direita vão a Cantão, e a vinda tomão os mesmos caminhos, e o de fora se não venta leste 179
he mais aprestado porque se não espera por tantas mares neste como no outro. Pera entraren naos grandes pêra Cantão huma só entrada se sabe atègora, que he pella ponta de Nante da ilha do Tanção ficando a ponta a mão direita hindo pera là, e dali se ha de ir demandar a ponta da ilha de Sunte da banda de leste. E ficando ella a mão esquerda se ha de entrar pella barra de Cantão, que he por onde o senhor padre Alonso Sanches voltou pera ir ao Tancão, aonde o Aytão estava. Da qual barra a Cantão ha duas leguoas de Espa- nha e delia ao Tancão sete, ou outo, e por aqui entrou pera Can- tão Fernão Peres d'Andrade, e depois seu irmão Simão d'Andrade com naos grandes. Quanto aos mais caminhos que sabemos não são pera naos, somente se diz que por ante o Tancoão e a terra firme podem tam- bém ir naos; porque navegão por aqui bancoes muito grandes car- regados de [167] sal, e já hum junco nosso atravesou por aqui vindo de Japão com temporal, e veyo sahir sobre a ponta de Nanto sem saber por onde vinha. E isto he o que somente temos noticia desta entrada pera Cantão. Todas estas ilhas da China que mais ao mar estão não tem restinguas nem cousa de que se possa temer mais do que se vir, somente tem huma cousa que são muito mas de conhecer, quando se saem demandar de mar em fora pellas muitas amostras que fazem. E por estarem muitas delias em huma mesma altura, e principal- mente as que estão de Sanchoão pera Ainão. E por muitas mostra- rem huma mesmas amostras se emganarão muitos pilotos com ellas, e cuidando que estavão com estas se acharão com as outras. Mas ya agora por terem mais experiência das agoas, e do caminho atinão melhor com ella. As ilhas que jazem de Amacao pera leste dizem que tem pe- guado consigo fundo de corenta braças e que de Amacao pera San- choão ha dez, ou doze leguoas ha trinta braças, e fundo de vaza ate o ilheo Branco, que está em vinte e dous grãos e meyo, e vinte legoas de Amacao, e quatro, ou cinco da contra costa do Tancão; porque delle em diante a restingua de Lamao, a que os chinas cha- mão Lambo he o fundo cascalho tirando a restinguoa, que he de area preta meuda. Na costa que está do Tancão tè Lamao está hum rio onde se faz todo o sal, que gastão as províncias que tem a China da banda do ponente: porque em todo o marítimo desta terra da China não ha mais sal, que o que se faz neste rio, e no de Liampo que está na outra costa que bota pera o [167 v.] norte donde se provem as províncias que jazem da banda de levante e a mayor renda que esta província de Cantão tem he a do sal, que deste rio sahe, e he tão grossa que de contino se recolhe muita prata no thesouro desta renda. 180
Os ventos que nesta costa ventão são norte e sul, e seus cola- teraes; posto que o vento leste reyne todo o anno, porque não ha lua em que se não entremeta dous ou tres, e quatro dias, e as vezes mais, e isto principalmente no verão, quando venta a moção do sul, que he moção fraca por o vento leste ter mais força. Os nortes en- trão em Outubro, e despedem se té meado Março, quando o sol volta. E na despedida e entrada destas moções se emtremete muito leste. O ponente direito não venta nunca, senão he com temporaes, os quaes são muy grandes posto que já forão mayores; porque despois que o corpo de Nosso Senhor Jesus Christo se emserrou em custodia nesta povoação se tem visto que os demonios se retrahirão de com este elemento nos perseguirem, por o Senhor assim o permitir — como dantes perseguião, chamão se estes temporaes tufões por os chinas chamarem o vento grande tufan —. Dão no verão nos meses de Junho, Julho, e Agosto, quando o sol se torna a passar, e principal- mente em Julho derão as mais das vezes; posto que já derão em Setembro, e Outubro, mas poucas vezes. Conhecem se ao por do sol, e na agoa do mar, que está quente, quando han de dar. E por outros sinaes de que forão avisados muitos pilotos, e com isso se aparelharão de maneira que escaparão. Este clima tem extremos de frio, e quentura: [168] mas no tempo de frio he muito mais sadia: e então se achão os homens des- postos pera qualquer trabalho: porque posto que haya annos em que ha grandes frios; todavia não os ha de contino; senão nas con- junções das luas quando ventão noroestes, nanoroestes: e neste tempo he melhor cometer a empresa, que não no quente. Cantão não tem aguoa bebem todos seus moradores agua dos possos cozida com huma herva que chamão chaseca; e em inverno, e verão a bebem quente. A aguoa do rio he muito ruim, e muito turba, e alem disso trás de contino muitos corpos mortos. A serra a que Cantão está acostado tem alguma aguoa boa, mas pouca, e no mamilo que a cidade em si tem desta serra está hum nosso de boa aguoa, de que bebemos, quando himos a Cantão. Todas as ilhas que não são razas tem agoa, e boa. Ao longo da cidade de Cantão ha fundo pera surgirem naos; mas pera se navegar por este rio he necesario, que o faça quem tenha experiência de baixos, que tem por algumas partes, sem a qual nem isto nem outras muytas cousas se atinarão. Os baixos que vão pintados na traça que começão em dezasete grãos não são todos descubertos, he importante em Marzo irem se descubrir com hum navio de remo porque tem muitos canaes de aguoas vivas, e de preamar se cobrem muitos delles. Digo que he importante, porque quando der hum temporal nas armadas, que se saibão per onde se ha de correr, e por onde se pode atravesar. 181
— en las tierras de Cambambe tiene grandes thesoros. — en las tierras de Calumga. — en la tierras de Cabuco Cambilo. — en las tierras de Andala Muquila. — en las tierras de Cabango Cangolamo, y Aito. — en las tierras de Quiloange Quianimonge. — en las tierras de Carilambanza. —1 en las tierras de Angola Dumbo a Pebo. —Estos todos son negros cavalleros de la tierra que cada uno dellos tiene su repartimiento de por si con demarcacions. Posseen mucha quantidad de gente, porque todo el Reino de Angola esta repartido en este modo, y estos tienen en sus tierras estas minas, y solo sacan delias lo que dan al rey cada un anno de tributo, y es publica bos y fama que la quantidad de plata que el rei tiene en su ciudad, es de los tributos que estos le pagan. Porque el dicho rei le defiende que no se aprovechen de las minas para otra cosa. — Y ansi toda la dicha tierra de Angola tiene por uso acudir a su rei con el tributo en la especie del fructo que da su tierra. Los que tienen minas llevan plata, otros pagan cobre, otros hierro y estano de que ay gran copia, y los que carecen de metales dan gana- dos y otros fructos, mas en efecto cada uno hade reconocer a su rei cada seis meses embiandole los dichos fructos, lo qual es cosa cierta y noto [ria], — Y pues es asi, obligado esta Vuestra Magestad a [170] poner los ojos affectuosamente en esta conquista para que se acuda con el remedio como lo pide tan gran necesidad, que de presente se podra restituir lo perdido y ganar mucho mas facilmente, lo que despues sera mui dubdoso, advertiendo a Vuestra Magestad que los casarios tiene noticio desta tierra y han llegado ya cinquenta léguas de ella, y por no poder atravesar el rio de Congo por falta de pilotos que les ensenasen la facilidad con que se puede pasar se bolvieron de alii, y tomaron dos naves en la dicha costa el afio pasado de 98. ■— Dos cosas se continene en este memorial, la una ganar Vuestra Magestad el thesoro dei cielo por el augmento de la sancta fe catholica que se puede hacer en aquel reino, y la otra el thesoro de la tierra que en el tiempo presente se ha tanto menester. — Y el tercero es que mandando Vuestra Magestad adquerir y aprovechar este tan gran império, sera bien que se aplique (pues es para se poder aplicar, a qualquiera de los príncipes infantes que Nuestro Senor dara a Vuestra Magestad. — Y para que en poços dias Vuestra Magestad veace (?) fructo de todo esto conviene que la jornada se haga con efecto para lo qual sera menester proveerse de las cosas aqui referidas. En Madrid a 5 de Setiembre de 1599. [Assinatura ilegwel] 183
[171] Adviertese a Vuestra Magestad en este papel que sera de importância mandar acudir con diligencia al Reino de Angola, y adquerir y ganar el de Bengela: que los dos reinos subjectos y comerciados sera gran monarchia, y apercevirse con effecto las cosas aqui referidas para que se hagan dende luego, y partan de Lisvoa a tiempo devido que es hasta primero de Março de seiscientos y es men ester lo siguiente: — Lo primero quatro barcas como las que traginan em Aldeã Gallega y Alcochete de aquel porte, y fortalesa con su cubierta levadiça, y sus aparejos doblados, y en cada una de las dichas bar- cas quatro marineros y un piloto. Las quales hande servir dei Reino de Angola al de Bengela onde esta nuevamente hecha una fuerça de madera por Vuestra Magestad, que hasta oj se no pudo hacer por defensa dei gentio, y ha costado mucha sangre sin se poder hacer la dicha fuerça, oj que esta hecha conviene reforçaria con gente i municion para denfensa de la tierra e de cosarios. — Y que traginen de alli para Angola los frutos de la tierra que son en gran numero. El cobre, marfil, y bastimientos que la tierra tiene, en lo que no ay que contradecir ni lo puede aver, que la verdad es esta, y asi se hade procurar que se consiga esta adver- tência i se ponga por obra sin contradicion alguna, ni la puede dar quien tratare dei servicio de Vuestra Magestad desapasionada- mente. — Estas barcas serviran tanbien por el rio Quansa hasta Ma- cangano, y traginaran la gente y bagajes, y bastimentos que hande ir a las minas: porque de Macangano queda facilmente llevar los dichos bagajes por tierra hasta las minas de Cambambe que son ocho léguas, y sesenta por el rio. — Hande llevar municiones y bastimientos y bagajes hasta el dicho Macangano por que desta manera quando lleguen los sol- dados a las minas, que van marchando por tierra y a pié tan gran [171 v.] camino para sustentar la salud sallen alia bastimientos y socorros para que no se enfrasquen en los bastimientos e aguas que los corronpen. — Conviene que se apresten três mil quintales de viscocho de buen triguo que no sea de la mar, en lo qual no se hade tocar hasta llegar a las minas ensacado en costales en parte i lugar que no se corrompa. — Hanse de llevar mil botijas de ascite de media a nova cada una, y dos mil de vino y vinagre, y dos mil quesos: todo esto ha de ir de sobrecelente hasta las minas para sustentacion de la gente que va dei reino fresca, y que no se corrompa con el pan de mijo, y agua, que corrompe mucho por ser de metales, y con este sustento sufriran mejor el travajo de la tierra para no enfermar como hasta aora han hecho, y si acaso aconteciese passar adelante que junto al sitio dei rei de Angola pudiesen caminar y llevar bastimientos para 184
sustentarse de solo viscocho y azeite y vinagre que es el mas seguro de todos i mas sano. — Y no se contradiga esto por se decir que el rei de Angola pide las pazes, que con esta son quatro las vezes que las pedio afir- mativamente y la postrera ves que el governador Pablos Dias le embio presentes por los portugueses, y aceto las pazes, despues de llegados alia los comio a todos, entre los quales fueron Jorge Men- dez Castano, y Pedro, j Diego Castanos sus hermanos, y otros siete o ocho portugueses y les tomo las haciendas. Y exmeplo es este para se ir atiento con el dicho rey de Angola que es gentil, y incons- tante y despues se desculpa que las muertes que ha hecho hasta aora fue inducido por el rei de Congo que no es buena desculpa. — Tambien se advierte que en el reino de Angola no ai mas que ducientos portugueses de mas de dois mil que alia enbiaron de poco tiempo aca. Los quales no se han muerto, antes despues de llegados al puerto sin les hacer caminar adelante se van escondida- mente, y enbarcan [172] para el Brasil y para índias, Congo y Santo Thome de los quales ducientos no ai ciento de arcabus. Y convendra que se mande socorro prefecto por esta vez que por lo menos seam mil y quinientos honbres, y que estos sea gente buena, y no vagamundos, y inmundicias que hasta aora se enbiaron alia por que se pueda tanbien proveer la fuerça dei Reino de Bengela, y enfrenar el rei de Congo, y por esta ves mediante buen govierno, y los gentiles de aquellas tierras se rendiran y subjectaran a la corona real con grandes provechos que dello resultan. — Porque es gente mui timida quando hechan de ver una entrada en la tierra como esta que sin gasto de una onza de polvora me asseguro que las sesenta léguas que se rebelaron contra Vuestra Magestad, buelvan todas a obedecer y otros muchos, ajudando mà gente y campo contra el rei de Angola, y esto es cosa muj cierta en que no ai, ni puede aver falência. — Y podria acontecer que la mitad de la gente nuestra que aora va, llegada que sea a las minas de Cambambe, se partiese en dos esquadras, y que la una fuesse visitar al rei de Angola al sitio de Dongo, o Cabaça que es treinta léguas adelante, y le contasen las caxas grandes, y muchas que tiendo estado llenas de plata que recive y le pagan de tributo sus vasallos que residen en las tierras donde ai minas, de que se tiene bastante satisfacion y se ha visto. — Tambien se advierte que en la dicha jornada se hade em- biar un pagador con credito de mercadurias de treinta mil ducados nara las pagas de la gente que llevan con mandato expreso que no pague sueldos sino despues que la gente marchare caminando su jornada, por que se ha visto hacer quatro y cinco pagas en el puerto anticipadas, y con ellas se pasan los soldados al reino de Congo a hacer sus tratos escondidamente sin bolver a Angola, y se van para otras partes [172 v.]. — Y conviene que se busquen quarto mineros examinados en 185
esta corte para la jornada, y que se compren los proveimientos necesarios para su officio de fundicion que aunque es verdad que algunos destos fueron a Angola no se hallaron suficientes ni sabian dei menester, ni llevavan ministérios, y convendra que en esto se ponga diligencia en tiempo devido para que vaian percevidos. —Otra advertência se offresce de importância que es mandarse traer de Flandes quinientas escopetas hechas de sobremano de quatro palmos y medio cada una delias, y todas de una bala por- que se ha visto que los archabuses que se dan en Lisvoa en los almagazenes no son de provecho, ni lo han sido, y no sirven de mas llegados alia que de haser clavazon para los navios, y de ciento no se hallan quatro que sirvan, y esto se pidio siempre hasta aora como es notorio y parecera por cartas de Pablos Dias siendo bivo, que hacia en esto mucha instancia. — Y las dichas escopetas siendo tales y venidas de Flandes hechas aposta con sus aparejos, las tomaran los soldados con mucha voluntad al doble de la costa en desquento de sus sucedos, y ellos las llevan por la mar limpias y a buen recaudo, y es punto este de consideracion y importância. — Lo mismo se hade ver e examinar la polvora que sea la mas subida y furiosa por respeto que pasada la linea equinoctial pierde la mitad de la fuerça y falta el effecto al tiempo necesario como se ha visto por experiência, y que se mande traer de Alemana, y Nápoles toda en perfecion en barriles de a dos libras como suele venir, porque siendo asi va bien tratada, y se da por quenta a los soldados por precio cierto porque de otra manera todo es perdicion faltar la polvora y no ser buena. [173] —Y siendo asi no se corrompe estando en la tierra y de otra manera se corrompe. — Hase de mandar hacer doze pieças de artilleria de a tres quintales cada una cerradas com sus carretas camperas y ferradas para se llevaren a las minas por la via de Macangano, y las otras a la fuerça de Bengela, y que vaian proveidas de artilleros y muni- cion para ellas. — Ha Vuestra Magestad de ser servido que en el dicho reino se bata moneda, y que para eso vaian dos officiales, y que por tiempo de diez anos no se pague de las minas mas tributo que de diez uno, que con esto se conseguira el descubrimiento con maior facilidad tomandose por exemplo las larguesas que se hicieron en las índias quando fue su descubrimiento. — Y se considere ante todas cosas que la tierra de Angola esta mui desviada deste reino y que en ir y venir a ella se gastan dos anos por lo menos, y aunque es asi todavia la gran commodi- dad que los hombres tienen les conbida a sufrir tan lexos con- quista. — Y para que assistan y hagan poblociones y lleven sus famí- lias es menester mucha larguesa, y quanto mas fuere maiores pro- 186
vechos vendran al património real, pues hemos visto que todo aquel reino de Portugal esta falido de sus conquistas que no tiene de suio ni tuvo otra alguna cosa sino las dichas conquistas. — Y de todo esto no tienen cosa de importância, pues esta perdido lo de Sancto Thome, Isla del Principe, y lo mismo esta lo de la Mina, y costa de Malageta y Sanaga, y solo quedo lo dei Brasil y no se trata de la India que va caminando para peor cada dia. — Y porque todas las sesenta léguas aqui referidas es cosa cierta reducirse mandara Vuestra Magestad que el [173 v.] gover- nador que fuere lleve titulo de virrey, y con facultad que pueda dar y repartir estos que se reducen que se llaman sobas, que cada uno dellos tiene su reparticion de negros en mucha quantidad, çn tal manera que con su gente de guerra pone campo contra su rei de Angola. — Y que cada uno destos sobas lo pueda dar el virrey a la per- sona que le pareciere para que le reconosca y le tenga subjecto, para quando le oviere menester para el servido real a el y a su gente sim que le de mal trato, ni le ponga excesivo tributo, que desta ma- nera avra siempre paz, y concórdia, y la tierra subjecta y obediente. — Y porque es cosa verdadera y cierta que la maior parte de las persecuciones y muertes de los portugueses que ha ávido hasta oy en la conquista de Angola de todo fue causa el rei de Congo dando ardides y arbítrios al de Angola incitandole contra los por- tugueses por falsos médios como se ha visto en aquel reino por experiência. — Para lo qual mande Vuestra Magestad dar remedio en esto con que en el reino de Congo se ponga un lugar teniente de gover- nador, y que de alli avise lo que conviene al de Angola y si asi fuere yran las espaldas seguras en la jornada, que la experiência ha mostrado por diversas veses que el rei de Congo hiço campo for- mado en favor de los portugueses, y confiados en su palabra vinien- do al efecto de la obra al tiempo dei pelear los negros de Congo se pusieron contra nuestro campo tomandolos en medio como trai- dores declarados y esto hicieron por muchas vezes. — Y para remedio desto se assegura con el teniente de gover- nador como dicho es, y para justificacion deste caso [174] mande Vuestra Magestad al Consejo de la Hacienda de Portugal que se le enbie el traslado de una provision que Sua Alteza dei rei Dom Henrrique passo que esta escrita en el libro cerrado dei património real por saver todas las traiciones dei rei de Congo, mando que sopena de muerte y perdimiento de bienes ninguna persona de Congo entrasse en Angola por la tierra firme, y que todos viniesen primero de entrar en el dicho reino de Angola en la fatoria de Vuestra Magestad que reside en el dicho puerto, y basta solo que se mande dar a devida execucion la dicha provision real que fue mandada hacer pelo dicho senhor rei Don Henrrique, la qual hasta 187
aora se no uso delia, siendo como es el total remedio y seguridad de aquellos reinos. — Tanbien se advierte que para esta empresa y socorro yr en perfecion y se acabar por esta ves, se mandasen llevar de la Isla de Cavo Verde y dei Brasil cinquenta o sesenta cavallos. Porque aunque es verdad que fueron a Angola veinte dellos son muertos los dies, y los que quedaron no sirven de mas que de se andar a montear con ellos, mas en efecto los negros temen mucho la gente de a cavallo porque son grandíssimos corredores a pie y mà gente les no puede alcançar y la de a cavallo los siguen mucho y sera esto de mucha importância para assegurar de todo aquella tierra con gente de a cavallo que seguramente camina por el reino sin riesgo alguno. — Y por no quedar imperfecto el dicho socorro se dise tambien que se hara mucho fructo si se embiesen una [174 v.] dosena de mulas para yren cargadas dei puerto de Angola hasta las minas que serian de harta importância llevar en ellas las municiones necesarias por tierra, y las armas y bagaje de soldados, que si asi fuesse cami- naran mui differentes jornadas y con mas prestesa acudiran a los ministérios, y estas mulas podran yr y venir de las minas al puerto de Angola que estan a sesenta y ochenta léguas dei puerto de la mar, y podran traginar el fructo de las minas, y los metales de cobre que son en gran numero y que brevemente vuestra real Hazienda goce el fructo de lo que despende. 188
32. [176] ROTEIRO DE PERNAMBUCO AO MARA- NHAO. JORNADA QUE FIZEMOS DA CAPITA- NIA DE PERNAMBUCO COM A ARMADA EM QUE VEYO POR CAPITAO MOR ALEXANDRE DE MOURA A CONQUISTA DO MARANHAO E TROUXE POR PILOTO NA CAPITANA A MANOEL GONÇALVES O REGEFEIRO DE LEÇA Sahimos de Pernambuco em huma segunda feira, que forão cinco dia do mes de Outubro de 625 annos e como montamos os bai- xos de Santo Antonio fomos caminhando ao nordeste. Aos 6 dias do dito mes fomos caminhando ao noroeste, e à huma hora depois de meio dia estávamos 8 leguoas ao sul da Bahia Fermosa duas ou tres leguoas ao mar pouco mais ou menos, e fomos sondando athé estar leste, ou este com à dita Bahia Fermosa, e achamos de fundo em toda a derrota 12 braças, e 19, e 16 — e tinha por sinaes o dito fundo comedouro de peixe groso como confeitos vermelhos, e também entremetida area grosa. Aos 7, que foi à quarta feira caminhamos ao norte [176 v.] athe a ponta dos Buzeos. E daly por diante ao noroeste, e ao loes no- roeste athé onde se diz a Petinguà sempre por cousa de 7 ou 8 leguoas ao mar pouco mais, ou menos sondando e achando de fundo cousa de 15 braças, e em partes 18, e 20 — e tinha por sinaes o fundo manchas de area, e pedra, e em algumas partes orneyro. E por esta derrota em todo o mais fundo pedra, e isto viemos trazendo pella faldra dos baixos de São Roque. Aos 8 do dito mes, que forão quinta feira não vi a terra, e tomei o Sol neste dia ao meyo dia, e achei a altura de tres grãos e hum terço, e foi caminhando pello noroeste, e tinha por sinaes o dito fundo em 19 braças area grossa com cascalho mesturado, e ao nosso parecer estaríamos 8 pêra 9 leguoas ao mar, e neste proprio dia anoitecemos com a ponta de Ubaranna, e dahi fomos caminhando caminho do noreste e a loes noroeste, e tanto que nos amanheceo fize- mos o caminho de leste, ou este afastados da terra 6- 7- legoas ao mar e achamos per sinaes de fundo nesta derrota em 13 braças pedra, e tãobem em algumas partes orneyro por 18 braças todo este fundo igual. Aos 9 do dito mes, que foi à sesta feira fui caminando todo o dia por oesnoroeste afastado de terra 6 pera 7 leguoas ao mar, os 189
sinacs de que fundo por 18 braças area grosa entre manchas com algum cascalho mesturado; esta noite andamos ao pairo de norte sul, e fomos ao mar [177] caminho de 15 leguoas, e tomamos de fundo 20 braças e vindo pera a terra em 18- area limpa e por 16- e por 15 e por 12 e por 8 braças todo este fundo limpo. Aos 10 dias, que foi ao sabado amanheci 8- leguoas a leste des- cara afastado de terra 2- pera 3 leguoas, por fundo de 12 braças, e por 11, e 10- e 8- todo limpo, e caminhando de leste ou este, este dia entramos por as 11 horas neste porto e fomos achando limpo athe cinco braças, adonde nos amarramos na boca delle. Ao meio dia tomei Sol, e está em altura de três grãos e hum sexmo (sic) Estivemos nelle ao sabado e o domingo pagando os soldados daquelle presidio. E na segunda feira nos desamarramos do dito porto que forão aos 12 dias do dito mes, e fomos caminhando per loes noroeste athé estar norte sul com a ponta do paramerin, que ha na derrota 12 legoas e fui afastado de terra 6- 7- legas (sic) ao mar profundo de 8 braças e o sinal por area branca, e por dez braças area preta. E nordeste, sudueste com a ponta de Catagiba achamos por 12- braças pedra, e comedouro como confeitos verme- lhos. He isto em derrota de 8- legoas. Anoiteci avante deTagabia, e fui sondando toda a noite afastado de terra 7- pera 8- leguoas ao mar caminhando por o noroeste; e por loesnoroeste por 19 e 18 braças, caminhando de 10 leguoas todo limpo, e daqui por diante por 11- 16- e por 15 braças comedouro de peixe, e a parte pedra em derrota de 7- pera 8- legoas de caminho athé estar na paragem de Giricoacoara, e por esta derrota pera o parcel dos Acaraques [177 v.] por 8- braças pedra, e comedouro de peixe grosso. E per este mesmo fundo em partes como confeitos e pedresinhas verme- lhas, e por este ruim fundo desuvamos a derrota pello noroeste, e pello nororoeste, sobre manhã fomos o loes sudoeste, não ha que dar conta a tantos rumos quantos fizemos pello respeito das muitas sondas, que tomávamos humas altas e outras baixas, e a mais pouca aguoa que achamos forão 6- braças e meia, e os sinaes do fundo todo pedra. A 3.* feira que forão 13 do dito mes fomos caminhando à loeste afastados da terra cinco, e 6- legoas ao mar por 20 braças por 12- e por 10- os sinaes do fundo he comedouro de peixe como pedresi- nhas vermelhas, e em algumas partes pedra, e manchas de area preta. Neste dia tomei o Sol, e fiquei em altura de 2- grãos e hum quarto, nesta paragem vimos hum montesinho redondo pella terra dentro, e de aqui por deante toda a terra he iguoal e raza manchada de areas sem arvoredo nenhum. Todo este dia fomos caminhando a loeste, e a quarta do noroeste pello mesmo sinal destas manchas de area sem mato duas tres leguoas ao mar tudo limpo, por fundo de 8- 10, e 12- braças. Esta noite de 3.a para 4." feira andamos ao pairo, e fuimos ao mar 34 legoas por fundo de 12 e 15 braças e por 14 tudo limpo 190
por nos dizer hum piloto que hia no barco que estávamos perto da preya, e emganou se. Aos 14 dias do oito mes fomos caminhando a loeste afastados de terra 2- pera 3- leguoas, por 10, 12- braças [178] tudo he limpo, e pella costa areas limpas com manchas de matos. A 5.a feira, que forão 15 do dito mes demos em areas que disserão serião 25 leguoas de comprimento, e demos trava como enseada, viemos caminhando à loeste por 8- braças limpo afastados de terra cousa de tres pera quatro legoas. Esta propria noite de 5." feira largamos ancora e estivemos amarrados até tres horas depois da meia noite por não passarmos o Pereia, e ir dar nos bancos delle. E o dia sesta feira que forão 16 do dito mes fomos caminhando à loeste couza de duas leguoas ao mar por 12 e 13 braças tudo limpo e pelas 7 pera as 8 horas do dia se nos acabarão as ditas areas, demos logo em arvo- redo de mangaes (?), que serião 6- o 7- leguoas de comprimento delles sobre a barra do Pereia, fomos caminhando à loeste athé chegarem a ponta da dita barra, e serião once horas e meia do dia, e encoramos en 10 braças tudo limpo, e logo em sendo meio dia tomey o Sol, e está esta ponta em altura de dous grãos e cinco mi- nutos demostrando a costa de leste ou este.E no dito dia mandou o dito capitão mor Alexandre de Moura ao sargento mor Diogo de Campos a sondar a barra, e que entrasse com navios pequenos e que ao outro dia tivesse duas balisas posteis nella pera entrar a armada pello meio, e assi se fez. Ao sabado, que forão 17- do dito mes fomos entrando por esta barra do Pereia, e hum barco diante da armada caminhando ao sudueste, e fomos fundo de 7- braças, e por 6- e por 5- e por 3 e em partes 3- e meia, e logo demos em dous [178 v.] braças que nos parecerão 15 palmos, e hindo por antre o batel e a lancha, mas quiz Dios que não tocamos tocando outro navio da armada, que nos ficou o canal mais à loeste que tem mais fundo, e como fomos da banda de dentro demos em fundo de 5 pera 6- braças tudo limpo, fomos dar fundo no porto do Pereia onde está a cruz da banda do nordeste. Pera sahirmos fora deste porto do Pereia onde entramos foi necessário mandar o capitão mor Alexandre de Moura ao piloto mor Manoel Gonçalvez Regeifeiro com o piloto da almiranta Gas- par Rodrigues a sondar os canaes de ahy até a Ilha de Santa Ana que por outro nome se chama a do Almazem, por não aver nenhum piloto dos que trouxemos nem dos que cá estávamos que se atreves- se a meter tamanhas naos, por dentro, e pera isso tinha mandado aos pilotos das ditas naos que fossem descubrir o canal de dentro e de fora. E da nova que trouxerão do dito fundo, e outra nova barra que descobrirão por onde sahimos, quero avisar pera outros que cá podem vir. Pera sahirmos fora deste porto nos arrumamos à ponta d'area da banda de leste, porquanto achamos por alli mais fundo, e esta 191
ponta de area está no começo da barra da banda de leste, e daqui fomos governando ao norte, e ao noroeste, à quarta do norte hindo caminhando pera estes caminhos achamos o fundo de 6 braças, e 9- e 7- e em partes 10-. E daqui por diante achamos quatro braças, e no mais pouco fundo achamos tres que era [179] no banco, e como passamos logo tornamos a dar em fundo de 8- e 7- braças, e logo por 12, e dahi per diante fomos multiplicando o fundo, e conforme fomos navegando e a derrota que levamos, quero avisar pera outros que podem vir fazer a mesma viagem; porque assi o fize- mos. Terás sentido que marques huma ilha que nos também a mar- camos, e pelo sinal, que nos deu de bom navegar sabei que esta ilha he a que bota mais ao mar pella parte de bombordo que pello rumo te demora à loesnoroeste, e quando te demorar a este rumbo do loesnoroeste ya está fora de mao conveniente e terás o mar por teu pera ires por onde quiseres. Aviso fe que quando sahires fora deste porto do Pereia seya na preamari porque quando vasa agoa te desvia das cabezas de sotavento, que são da banda de loeste. E com vasar te vão grivando pera o nordeste, e este he bom caminho, e guarda te não sayas fora do porto com emcher mare; porque corre risgo perderes te, quando enche a mare te arruma as cabezas, portanto guarda te disto; e quando vieres tomar a dita barra de mar em fora, seja em crecente de aguoa, porque então te he boa, e tudo isto fizemos nos. E na saida fora que tens o mar por teu se quiseres ir para a ilha, que fica dita Santa Ana vay governando â loes noroeste, estando les nordeste, e o sudoeste com a ilha que atraz digo de Marques, hiras caminhando a loeste, e de quando en quando guinhando a loes noroeste: e por esta derrota iras reconhecendo a ilha que está botada de nordeste sudueste comprimento de huma leguoa, que não pode ter mais, [179 v.]. Esta se diz a de Santa Ana, e ao tempo que vas despe- dindo veras pella proa arrebenttar huns parseis feitos ao modo de triangulo repartidos em tres canaes, vay caminhando te ao sudueste arrumando e a elles, e não hayas medo, por- que aos pees delle ha 7- o 7- braças e podes entrar per quaisquer destes canaes, e se for de noite, ou quero dizer que te anoiteça sobre elles não deixes de os embocar e surgir entre elles com bom cabre, porque elles te obrigão da força do mar; porque tudo he limpo em 10 e 12 braças e em parte 18-. E assi o fizemos nos também, e não ha de que guardar, senão daquillo que vires arrebentar, e se for de dia vay teu caminho ao sudueste até te demorar a boca do rio ao sueste, e se emcher a mare seguiras em 10- ou- 12- braças, e não entraras em este porto com emcher a mare salvo se tiveres vento em popa, porque a mare quando enche te arruma as cabeças de sotavento que estão da banda de loeste da barra, e se for briza espera quando vaze a mare e como começar a vazar vay entrando e caminhando ao sueste porque atégora te griva pera o canal que 192
fica da banda do leste e vás por fundo de 5- 4 e tres braças e meia à arrumar te à ponta d'area da banda de leste e acharás fundo de 6- e 7- braças, e dahi pera sima, entrando dentro surgiras aonde de parecer, porque ai tudo he limpo. Desta ilha de Santa Ana aonde entramos tornou o capitão mor Alexandre de Moura a mandar o dito piloto mor Manoel Gon- çalves Regefeiro e a Gaspar Rodrigues piloto da almiranta sondar os canais, e parseis que havia de ahi pera [180] a ilha de São Luis; onde estavão os franceses, os quaes forão na lancha, que a dita armada levava e do aviso que trouxerão sahimos fora. Agora pera tornares fora desta ilha de Santa Ana pera a de São Luis pera o mar, trazendo navios grandes aviso te, que não podes vir senão por fora das cabeças, e pera isto faras esta derrota, que a que te quero avisar. Arruma te a ponta da area desta ilha, que está da banda de leste, mas será no descabesante d'agoa, e dahi te desamarraras, e iras governando com vazar a agoa ao noroeste iras a teu prazer por fundo que atras te fica ditto. E assi como entraste sahiras. Aviso te que quando sahires fora desta ilha de Santa Ana, seja com vazar a mare, e se te for necessário ir pera o mar largo sera por fora das cabeças; e seja quando vazia a aguoa; porque se o tomares os canais, quando encher te perderas, que as agoas com emcher te arrumarão as cabezas que te ficão pella banda de bom- bordo, e com vazar te griva ao nordeste, e vás mais seguro pera a derrota que te quero avisar. Assi como entraste sahiras, e se quiseres, ir pera a ilha de São Luis levando navio grande vay governando pera fora das cabeças pelo noroeste, e pello nororoeste emboando por antre os canaes. que entraste; e depois disto ao noroeste e se puder ser pello norte, tudo o que puderes de ló com cuidado de prumo na mão até des- pedir a tralha de todos os baixos por começo de 18- e 20- braças, e 11- e 7- e 4 e 3- braças, e 3- e meia e logo tornamos a dar em 14, e 15- e 20- e logo damos em 8- 9- e 10- e tornamos a dar em 6- braças. São tantos os negocios [180 v.] deste fundo que fazem medo. e he necessário não descuidar com o prumo, e o melhor que tem que he tudo area limpa, e em partes vaza, e como fores despedindo isto iras governando a loes noroeste 3- ou 4- relogos, levares sempre em vista as cabeças que te han de ficar pella banda do sul e hiras por este camino perdendo o fundo e quando tomares sonda sera 20- ou 30- braças, e iras tua derrota de loes noroeste, e como fores despe- dindo as cabezas vay a loeste, e a loes sudueste a reconhecer a ponta de Tapuitapera muito bem a teu prazer, que he a terra firme da banda de loeste, e logo vindo governando ao sudueste, e como esti- veres pouco menos de meia bahia vay governando ao sul até embo- cares, e logo iras ao sudueste e iras dar com o porto de São Luis que está arrumado da banda de lesnordeste de huma ilha que está na entrada do porto vay entrando, e arrumando te a ponta d'area 793 13
que está da banda de leste, e quando entrares seja de modo que sejão tres quartos d'agoa chea, ou preamar, e quando entrares seya de modo, que des resguardo ao fundo, que ouveres mister da tua nao, e isto por amor de huma restinga d'area, que te fica da banda d'estibordo, meteres de ló ao longo d'area, da banda de dentro delia larga ancora perto de terra, ou aonde quiseres; porque tudo he limpo diante do forte Santiago, que está na ponta. Aqui tomei o Sol, e está este porto em altura de dous grãos e hum terço e vindo pera elle de Marim embarcações de pouco fundo podem vir por dentro dos baixos de São Roque até dentro a Pereia sempre a vista de terra tomando os portos que quizer, e do Pereia [181] podem vir por dentro das ilhas ao coartel de São Joseph donde está a nossa gente, e dahi ao forte São Luis, e querendo sahir de São Luis pera Portugal sera pella menhã e ira a anchorar em Reyacu, e na outra maré se desamarrara, e ira pello noroeste, e pello norte tudo quanto puder de ló, porque leva o dia por seu, e guardando se do que vir arrebentar, e de hum baixo que está quorenta legoas deste porto ao noroeste. Também dizem que há outro 300- legoas a leste da Bermuda. Esta ilha de São Luis da banda de loeste se corre de nordeste sudueste, e dahi pera terra firme ha tres para quatro legoas. E esta viagem que fizemos do Pereia a Sana Ana e de Santa Ana a esta ilha de São Luis se espantarão todos os franceses, geralmente por sermos os primeiros navios de portugueses, que entrarão no Mara- nhão. Esta he a viagem que fizemos de Pernambuco a esta terra do Maranhão. Manoel Gonçalves Regeifim. 194
33. [197 v.l PARA EL REY NOSSO SENHOR DO BISPO DE MALACA [198] Senhor A costa de Gine dadonde Vossa Magestade he senhor core ce de norte sul. n Ytem — O primeiro cabo que montamos he o Cabo Branquo que esta junto ao Rio do Oiro tropico de Canquere. Ytem — E logo dahi vinte legoas esta a bara de Sonaga adonde ha muitas naos de olandeses e francezes e ingrezes com muito grande comercio. Ytem — Dahi ao Cabo Verde avera trinta legoas pouco mais ou menos. Ytem — Do Cabo Verde a Brezegixhe avera quatro ou sinco legoas adonde o olandez tem huma fortaleza com prezideo de sol- dados com muita fazenda com que fazem seu comercio. Ytem — Neste ilheo ao longuo d'augua tem o olandez huma prataforma com sete ou oito peças de artelharia couza muito forte. Ytem — Desde Berzegixhe ao Aresife ha quatro legoas pouco mais ou menos. Ytem — Neste Aresife he porto do rei de Encalhor, e por outro, nome Budumel. Ytem — Aqui ha comersio de brancos portugueses olandezes e francezes e inglezes. Ytem — Deste Aresife ao Cabo dos Mastros ha nove legoas. Ytem — E dos Cabos dos Mastros ha porto Dale ha duas legoas; neste porto Dale ha portuguezes frarncezes e imgreses e olandezes ha nelle muito grande comercio. Ytem — Deste porto Dale ao porto de Ioale ha nove legoas adonde ha o mesmo comercio que em porto Dale. Ytem — Deste porto de Ioale ao porto da Palmeirinha bara de Bacamgamor rio de Borcalo ha trez legoas. Ytem — Da bara de Bacangamor ao rio de Gambia ha doze legoas. Ytem — E do rio de Gambia ao Cabo ha trez legoas, ha o mar deste porto Combo legoa e mea estão os baixhos de Santa Maria adonde se ja perderão navios portugueses [ 198 v.]. Ytem — Destes baixhos a mata de Sanha rio de San João ha vinte legoas pouco mais ou menoz. 195
Ytem — Deste rio de San João aos baixhos de São Pedro ha seis legoas. Ytem — E dos baixos de São Pedro a bara de Cazamansa, ha oito legoas. Ytem — da bara de Cazamansa ao Cabo Roxho, havera seis legoas ou sete. Ytem — Do Cabo Roxho as Bareiras Vermelhas, havera duas ou três legoas donde fazem as marquas da bara de Caxheu. Ytem — E das Bareiras Vermelhas a Caxheu ha doze legoas navegando a leste ha nesta bara muitos baxhos e dous banquos que se não passão senão com agoa de imxente por respeito de não tocar nos banquoz. Ytem — Estas legoas que ha de huns portos a outros são esma- das pella fantezia que podem ser mais ou menos pella esquadria. Ytem — Este rio de Caxheu tem dentro outros muitos com que se reparte a não serem pratiquos os homens que ahi vão se per- dem muitas vezes. Ytem — Esta povoação de Caxheu esta asutuada de leste a veste. Ytem — Su grandeza he como da porta dos Contos a porta da Caza da índia pera a banda do mar tem huma tabanqua digo esta- quada de paos a pique e por fora delles huma cova que de premar se enxhe de agoa con que nos defendemos dos negros gentios que dela pera fora tudo he do gentio. E este gentio biliquozo amigo de novidades emtereceiro contentamo lo con dadivas que lhe damos que he deça nao que ahi vai huma pipa de vinho, hum baril de pão, quatro resteas de alhos, outras tantas de sebollas, duas caixhas de marmellada pera o rey da terra; e assim mais huma piroleira de vinho pera o seu alcaide, isto he quanto ao rey grande. Ytem — Ao fidalgo que he rey de Manpatas que outro mais pequeno se lhe da hum quarto que he mea pipa com as mesmas menudencias que asima digo. [199] Mais abaixho que he o rio do Ouro tropiquo de Can- quere ali tem o olandes grande comercio donde tira coirama goma arabia oiro sera marfi e oitras muitas drogas. Ytem—-Montado o Cabo Branco digo rio porto de Sanagra ha grande comercio de olandez que tirão goma arabia coirama sera marfi ambre. De Brozogixhe tira o olandez ouro ambre sera marfi coirama. Ytem — Do Aresife tira o mesmo que dos outros portos. Neste Aresife ha des ou doze portugueses em que entrão alguns indeos e olandezes e ingrezes e francezes. Ytem — No porto Dale ha ingrezes francezes e olandezes e portuguezes. Daqui se tira muita coirama marfi sera ambre oiror roupa pera outros comércios e alguns escravos. Ytem — Em Iola ha portuguezes olandeses franceses emgre- zes. Deste porto de Iola se tirão negros coirama sera marfi e oiro Ytem — Do porto de Bozolo se tirão negros roupa e coirama. 196
Ytem — Do rio de Gambia adonde Ha o maior comercio havera couza de vinte portuguezes os mais delles framengos crioilos que são mulatos. Neste rio Gambia se tira oiro sera marfi negros muita coirama. Os portuguezes que vive por este rio vivem misticamente con o gentio da terra nas suas povoaçõez. Ytem — No rio de Cazamansa ha sera marfi escravos coirama e roupa. Ytem — No rio de São Domingos povoação de Quasheo se tirão negroz com que se despachão as naos de registo que vão pêra índias cidade de Carrtagena e pêra Cabo Verde e pera este Reyno adonde se junta todo este comercio. Ytem — Do rio de Geba se tirão negros roupas marfi e sera. Do rio Grande se tirão negros e sera roupa e marfi. Ytem — Do rio do Nuno se tirão negros tintas de que ha muito grande [199 v.] resgate que se levão a Quaxheu con que fazem o mantimento com que se sustentão a povoação de Quaxheu tam- bém se tira deste rio do Nuno marfi e algum oiro. Ytem — Dos Cagacais se tira marfi colla e oiro e negros. Do rio Coces Sera Lioa se tira colla de que ha muito grande comercio e caregação navios que trazem ao rio da Geba. Ytem — Sera de muito grande validade vir esta colla a povoa- ção de Caxheo porque se fizera mais comercio e mais upoulenta vindo ali estes navios que tratão nesta colla porque da mesma Sera Lioa vão ao rio da Geba, e do rio da Geba a Sera Lioa sem daren obediência nem conhecerem os capitõnes de Vossa Magestade. Ytem — Do porto de Milombo Sera Lioa he terra muito fértil e sadia muito regalada muito boas agoas tem muito oiro marfi muito pao preto melhor que o do Brazil muitas pedras e mui boas e de muito valor muitas serás de cristal muitos matos de larangeiras de limons cidras amoras (?) d'espinho isto en tanta cantidade que andão sinco seis dias por debaixho destes mattos. Ytem —Nesta Sera tem os olandezes e ingrezes suas cazas e feitorias e caregâo dez doze naos cada anno de pao marfy sera oiro e outras muitas drogaz tem ahi feito alguma cazas como na sua terra. Ytem — Aqui se dão canas de asucar e mais grosas e de mais proveito que as do Brazil. A terra em si he terra alta tem roxhas e ribeiras como neste nosso Portugal. Pode Vossa Magestade ali fazer hum novo Brazil com muito pouco custo porque he aqui a porta e não se passa a linha e he vinte e sinco dias de viagem. Ytem — Estas são as terras que Vossa Magestade avera de vedar o proivir ao olandez e quando Vossa Magestade lhe tire estas terras e comercio lhe tira todo o rendimento que tem os Estados de Frandes porque a verdade he que do Casttello de Argi como asima digo ate o Castello de São Jorge da Mina tudo he dos olan- dezes. 197
Vossa Magestade pode fazer e vedar este comercio aos olan- dezes com muito pouco custo e sera muito grande proveito. [200] Ytem — E dos navios pequenos que não são naos se lhe paga meo quarto de vinho ou huma saca de algodão e com outras muitas dadivas que lhe da o capitão por aumentar aquelle comercio e por se emgrozar que haja muito resgate pera que Vossa Mages- tade tenha rendimento. Ytem — Esta povoação tem dez ou doze peças de artelharia postas no xão sem carrretas com que nos defendemos do gentio. Ytem — Tem mais dous baluartes de paus a pique cada hum delles com duas peças de artelharia de ferror e tudo esta quaido. A caza que Vossa Magestade ali tem he feita de adobes da terra e cuberta de palha. Ytem — Deixemos esta povoação e o seu lugar; tornemos a barra de Quaxheo e vamos caminhando caminho do sul como a costa se core. Ytem — Do Cabo Roxho pella costa abaxho estão as Ilhas dos Bigagos que entre ellas e a de Bossis ha quanal por donde se vai ao porto do Bisão rio da Geba, adonde se fazem tres maquareos que emxhe a mare em tres oras e vaza em nove. Ytem — Este rio do Geba ha grande comercio de portuguezes com os negros mandigas com a cola que trazem da Sera Lioa a este rio. Ytem — E deste rio se navega pera a Sera Lioa, parando aqui tornando as ilhas dos Bigagos que são muitas e os nomes são os seguintes Ytem — Primeiramente he a ponte Caraxha, Camona, Ura- quão. Uno, Orango, Hilha Roxa, Barabo, Xogo, hilha das Gali- nhas, Bulama, e ha outras a que não sei os nomes. Ytem—-E por fora destas hilhas sinco ou seis legoas ao mar ha muitas allagoas adonde areão todos os pillotos que lá vão dar, por ante estas hilhas se vai ao rio Grande e por fora delias. Ytem — E neste rio Grande ouve antigamente povoação de portuguezes em que havia feitor e muito grande comercio hoje ha muito pouco porquanto ali não vão navios mais que os que navegão pera a Serra Lioa. Ytem — Por emtre estas hilhas Bigagos se vai pera o rio do Nuno que he [200 v.] deste porto no Grande sesenta legoas pouco mais ou menos, neste rio do Nuno ha muito grande comercio de escravos e tintas e marfi, estas tintas trazem a Caxheu pera fazerem mantimento pera comerem. Ytem — Deste rio do Nuno pella costa abaxho ha hum porto que chamão os Cagacais que deve aver sesenta legoas hum a outro. Ytem — Deste porto Cagaçais ao Cabo da Verga avera trinta legoas pouco mais ou menos. Ytem — Do Cabo da Verga aos ídolos avera dez ou doze le- goas a serteza delias não as sey. 198
Ytem — Destes ídolos ao rio Cocis avera des ou doze legoas; neste rio ha grande comercio de colla. Ytem — Deste rio Cocis ao rio Mitombo avera nove ou des legoas. Ytem — Deste rio Mitombo ha augueda (?) ilha de Taco havera duas legoas pouco mais ou menos. Ytem — Desta ilha de Taco a Magrabomba avera trinta legoas. Ytem — Desta Magrabonba a costa de Malagueta avera se- senta legoas. Ytem — Desta costa Malageta ao Castello de São Jorge da Mina avera sem legoas pouco mais ou menos porque são asma- das (?) pella fantezia. Ytem — Deste Castello de São Jorge porto da Mina ha forta- leza de Moure que he do olandes ha tres legoas. Ytem — Donde o olandes tira todos os annos sesenta mil livras de ouro em póo de vinte e quatro quilates e de vinte e sinco que vem a ser com sua liga mais de cento e sincoenta mil libras. Ytem — Deixemos a Mina em seu lugar tornemos a referir os portos que asima digo. Digo senhor Ytem — Que no castello de Argi que he do senhor conde de Atouguia que hoje esta pello olandez. Delle se tira goma arabia negros algum oiro muito pescado que ahi se vai pescar [201 ] e pouca despeza que são quatro galions dous pataxhos mil infantes pessoas praticas bem providas de mo- niçõns bastimentos pera seis mezes do anno boa artelharia de doze até dezaseis libras de balas farão muito grande despeza e tomadias obrigara Vossa Magestade a que o olandes que venha naquillo que Vossa Magestade levar gosto e asi o entendo em Deos e em concienssia que he grande servisso de Deos e de Vossa Magestade: Este roteiro fez Francisco Pirez de Carvalho pella muita expe- riência que tem desta costa. O roteiro da Serra Lioa que diz algumas couzas importantes ao servisso de Vossa Magestade tem o senhor conde de Castro que he antigo que nem ha outro mais que hum que tem o senhor conde de Sabugal. Tenho muitos alvitres que dar a Vossa Magestade quando for tempo e Vossa Magestade me apremear dos muitos ser- vissos que tenho feito a Vossa Magestade nestas partes de Ginne* Em Lisboa anno 1635. 199
34. DESCRIPCION DEL PUERTO DE ARDA Arda es un puerto en la costa de Guinea al sul de la Sierra que llaman Leona en altura de diez grados de longetud de la equino- cial capaz de bajeles de mediano porte quedando entre el Cabo Verde y el de Las Palmas. Tiene trato por aludiren alli algunos mer- caderes y van de Portugal navios feltados con las mercadorias que suelen llevar aquellas partes de la Mina, S. Tome y Angola, que dan a truque de las que produze la tierra, traen deste puerto canti- dad de algalia, malageta, negros y oro, y otras cozas particularez por traierenlo a el los mercaderes que vienen de la ciudad Tim bó~ quutu que le queda a la parte dei Oriente en distancia cien legras (sic) poco mas o menos a la parte dei norte; deste puerto le queda Ja província [201 v.] Faloph por donde passa el grande rio Sanorgo de Dexomdo regado lo interior de Africa dezemboca en el Oceano Ythiopico devidiendose en três grandez braços que se entran en el por junto al Cabo Verde y Sierra Leoa. Viene a esta ciudad Tamboquutu mucho numero de mercaderez con gran cantidad de oro de las províncias mandinga tafila y dio que lo produzen en grand cantidad donde se llevan a la Mina y a trueque dei cargan de sal y lo condujen a estas dichas provindas de Arda buelve la costa a Ia parte de leste sin aver en ella puerto considerable asta la Mina que le queda en distancia poco menos de ciento y sincoenta legoas en altura de quatro grados de la dicha parte dei norte de la equinoxial quedando este dicho puerto de Arda entre el Cabo Verde refirido y la Mina. [202] Dize Hieronimo Castano que ha muchos anos que se tiene noticia de la mucha importância que seria comerciar y con- quistar el reino de Angola, y ovo en esto graves e grandes contra- didones por aver respetos particulares que impedian el curso de aquella empresa contradiciendola, y ansi nunqua los reies pasados de Portugal se dispusieron a mandar poblar aquellas tierras por quenta de su Hacienda y que se descubriesen los thesoros que en ellas estavan encubiertos, y estava esta tierra tan barbara y agreste sin poderse en ella hacer fructo alguno, que aunque el rey Dom Juan el tercero de Portugal dio licencia al infante Don Luis su her- mano que pudiesse mandar rescatar en aquella tierra con las nuevas, y informaciones que tuvo de aver plata en ella. Mando armar para esso dos naos que llegaron alia, las quales fueron desbaratadas. 200
y los que en ellas yvan sin hacer provecho alguno. Y quedo la dicha tierra como estava sin poderse comerciar, y no se trato mas della por espacio de muchos anos, mas siempre se tuvo la mira que en el dicho reino avia muchos metales sin nunqua se poner por obra el descubrimiento dellos, ni ovo quiende eso tratasse. Solamente en el ano de setenta y tres se ofrecio un particular a conquistar la dicha tierra a su costa con que se le diese en pro- priedad ciertas léguas de costa con jurisdicion civil y criminal el qual se llamava Pablos Dias de Novaes hombre soltero y de flaco caudal, mas tenia noticias de aquellas partes. Y para este efecto el dicho Pablos Dias se concerto con el dicho suplicante Hiaronimo Castano, que le proveiese y ajudasse, y ansi lo hiço prometiendole parte de lo que adquiriesse. El qual le proveio a su costa y de sus valedores en tal manera que partio de Lisvoa en Otubro de setenta y quatro con nueve naos y quatrocientos hombres, y muchas muni- ciones, y llego al reino de Angola adonde hiço guerra a los negros en tal modo que conquisto y subjecto sesenta leguoas de tierra firme y grande numero de gentilidad que quedo subjeta y obediente a la Corona Real pagandole tributo todos los meses para Su Magestad. Y esto estuvo ansi hasta el ano de setenta e ocho, y se sacaron dei reino de Angola en este tiempo mas de cinquenta mil esclavos de rescate que inchieron el Estado dei Brasil y labraron [202 v.] tan gran quantidad de açucares que rendiendo hasta aquel tiempo dos quentos de reis a la Corona de Portugal, oy valen por respeto de Angola mas de sesenta quentos cada ano. Y va esto en tanto creci- mento que brevemente valera el doblé solamehte a la Real Hacienda adernas dei bien commu de los vasallos causado deste bene del reino de Angola, y alien de este tan gran provecho que dio el dicho Pablos Dias con el adjutorio que tuvo dei suplicante descubrio y gano las minas de la plata de Angola que son las mas ricas que ay en el universo por la experiência que se hiço de las dichas minas que davá cada quintal de piedra setenta marcos de plata de la mas subida en lei que puede ser. Y en esto consumió el suplicante todo lo que tenia por le sus- tentar y mostrar a Su Magestad la misma plata y manillas y le certificar destos thesoros que Pablos Dias adquirio a esta Corona, y fue el suplicante muj vexado despues de gastar su hacienda toda y consumiria en la dicha tierra y perder tres hijos, hermanos, sobri- nos y muchos parientes que alia embio que todos murieron, mas con todo eso con su travajo industria y diligencia, mantuvo la con- quista hasta el ano de setenta y ocho, sin que de la hacienda de los reies passados se gastase un solo real ni el le pedio para este effecto, antes para sustentar al dicho Pablos Dias en las minas tomo muchos diner [os] de partes sobre si, y su credito de amigos y vale- dores. Y finalmente le ajudo a tene[r] la dicha tierra conquistada hasta el dicho tiempo dei aiio de 78. Y en el ano de 79 siendo infor- 201
mado el rei Dom Henrique de las grandes moléstias que se le hacian al suplicante por ajudar a este negocio por su Altesa saber los emulos que encontraron esto para n[o] poder conseguir la dicha empresa, mando hacer préstimos al dicho Pablos Dias que sobre fianças le fueron hechos. Y ansi fue esto una biva persecucion en tanto que hasta los arrendadores dei contrato Santo Thome por si y sus valedores se opusieron contra la dicha empresa, y hicieron venir de aquella isla agentes al Reino a contradecir tanbien por su parte que no ubiesse comercio en Angola, y hicieron con el rej de Congo que se quexasse por el dicho modo embiando para ello muchos embaxa- dores en sus nombre, y el postrero fue un negro que vino a esta corte que sin embargo de la honrra y merce que Vuestra Magestad le mando [203] aqui hazer, fue rebolver todo el Reino de Congo contra los portgueses, que esto es lo menos que tiene hecho el dicho rei de Congo a que Vuestra Magestad mandara dar el remedio que el caso requiere, de manera que siempre todo fue contrastar este negocio como dicho es por tantos médios, en tal modo que el rei Don Henrique con su mucha virtud y prudência no se atrevio por si solo ni pudo dar remedio a esto sino por via ordinária de justicia oidas las partes que contradecian se diese sentencia en el caso con forme a derecho y justicia, y mando ajuntar todos los papeies, y embaxadas de Congo y de la Isla de Santo Thome, y de los con- tratadores delia y de das casas de Lisvoa que tanbien fueron partes. Y todo junto nombro por juez sin apelacion al dotor Pedro Bar- bosa con los mas adjuntos que le pareciese que determinase finalmen- te la causa, y ansi jusgo por sentencia difinitiva que fuese por delante la dicha conquista de Angola, y se dividiese dei contracto de Santo Thome en el qual andava junta y no se juntase mas en tiempo alguno, la qual sentencia el dicho senor rei confirmo por sus provi- visiones y mando registrar en los libros de su Hacienda y património de la Corona para que en todo tiempo se viese y entendiese este caso donde se podran ver. Y con esto cesaron las calumnias y persecu- ciones de aquel Estado, que se quieto con la dicha sentencia tan util y provechosa al remedio y sustento de aquella tierra. Y esto solo basta para se ver quan contrastada cosa fue la conquista de aquella tierra que se puede decir que las cosas grandes no pueden costar poco. En esto travajo el suplicante en tal manera que es notorio que ningun hombre con fuerças humanas pudiera assistir y sufrir lo que en esto passo arriscando la vida despues de tener gastado la hacien- da. y todos estos trabajos passaron enquanto el dicho senor rei Henrique fue bivo nue ajudo mucho y favorecio al dicho Pablos Dias y al suplicante en tal manera que para verificar si en el Reino de Angola avia las dichas minas de las quales vinieron a Lisboa mil marcos de plata en manillas despachada en la fatoria de Angola y 202
pagados los quintos a su Hacienda como se vera por los libros que estan en esta corte. Luego le fue dicho que su real persona era enganada por el suplicante Hieronimo [203 v.] Castaiio que mandara venir la dicha plata de las minas de Guadalcanal, y por descargo de su consciên- cia como rei christianissimo y justo mando sobrestar en este caso, y que se despachase navio de aviso a Angola, y le traxesen las piedras de las próprias minas de Cambambe y le fue traida, y de- lante de su real persona mando haser delia fundicion, siendo pre- sente Alvaro Peres secretario de la Hacienda y los ministros de la Casa de la Moneda, y se verifico que en el universo no avia mas rica cosa que respondió cada quintal de piedra que vino de las dichas minas setenta marcos de plata como dicho es limpia subida de lei, que mando dar al monasterio de Belen que hicieron delia cálices que sirven en la dicha casa adonde mando hacer muchos ofí- cios en gracias de la merced que Dios hiciera a aquel Reino de Por- tugal en descubrirle tan grande thesoro y en este medio tiempo fal- lecio de la vida pr[esente], Sucedió Vuestra Magestad en aquella corona y en las juntas que mando hacer para el buen govierno de aquel reino. La primera cosa que se propuso fue que se tornasse el Estado de Angola a subjectar a la Isla de Santo Thome sin hacer caso de lo que en esto era pasado tan poços dias avia, dando de mano a todo y que- riendo persuadir al provedor Francisco Duarte que estava en las dichas juntas que esto era serviço de Vuestra Magestad y de mas importância. Y si el dicho Francisco Duarte no estorvara el negocio con la mucha instancia que hiço para que no se efectuasse sin dubda se deshiciera, y consulto a Vuestra Magestad lo que se pretendia en la dicha junta, y que llevaran en ella fin differente de lo que el rei Dom Henrique por sus provisiones tenia assentado. Y Vuestra Magestad por esta causa mando scbreestar en el negocio, y lo remitio al presidente de Castilla Rodrigo Vasconcelos que viesse esto y lo que estava assentado por el rei Don Henrique, y el dicho presidente estuvo muchos dias tomando informacion dei caso, y aviso a Vuestra Magestad que no convenia bullir con la dicha em- presa, ni innovarse de lo que estava hecho, y se jusgara por sentencia de ministro tan recto como era el dotor Pedro Barbosa. Y con esto cesaron y no ubieron efeto las [204] provisiones que estavan hechas y entregadas a Manuel de Fonseca hermano de Antonio Muniz de Fonseca secretario de la Camara dei Con- sejo de Portugal en esta corte. En este Estado se puso este negocio perseguido por tantas vias y porque el suplicante lo defendio caio en las misérias en que oy bive offendido y odiado de muchas gentes. Y es tal el numero de las matérias que sobre esto son pasadas que por no hacer volumes no trata delias porque son notorias a todos. Ni si trata aqui de las grandes quantias de dineros que son 203
gastadas en este negocio despues de mandaren que el supplicante no entendiesse en el que fue la mas cierta paga que se da de seme- jantes servicios, y ansi quedo esto en poder de los dichos ministros de Portugal y en el dicho tiempo que quedo en su poder estava subjecto, conquistado y obediente setenta léguas de tierra firme como dicho es que lisamente pagavan tributo y parias todos los me- ses, y oi esta todo esto perdido y asolado y entregado al rei de Angola. Y tan buena orden se dio en los capitanes y socorros que alia enbiaron despues deste dicho tiempo que se tiene gastado y despen- dido de la Hacienda Real un millon y medio de oro demas de la obligacion que Vuestra Magestad tiene a gastar otro tanto y de mandar conquistar de nuevo y restituir a su património lo que se le dexo perder por la dicha manera al puro desamparo. Para lo qual esta dispuesta aquella tierra para se gemar lo que se perdio, y se gosaran los thesoros que son tan notorios que se no pueden negar por mas que digan, y sera este bien mucho maior ganandose de todo el Reino de Bengela por el fructo que dei se puede coger y resultaria si los dichos reinos se uniesen uno con otro y sujetasen hacer Vuestra Magestad la maior monarchia de todas las que son descubiertas por su padre y abuelos. Y demas desto el rei de Bengela se quier subjetar que hasta aora asi el como el rei de Congo fueron los principales que perse- guian y matavan la gente portuguesa, y todo esto les hase [204 v.] hacer el travajo presente en que estan puestos por los negros jagas jagas (sic) que se vienen allegando junto a ellos y por asi ser piden socorro a Vuestra Magestad por el grande temor que dellos tienen que vienen abrasando la tierra toda y los comen en tal manera que los comparan y son peores que vehrdadera langosta. Y por estas rasones esta subjeta y dispuesta para se hacer en ella muy gran fructo y mucho maior en el Reino de Bengela que parte con el de Angola dei qual reino se pueden sacar muj grandes números de quintales de cobre que por gentilidad el gentio tiene arrumadas en sus sepulturas de cuias muestras vinieron a Vuestra Magestad en quantidad, y ay abundancia de marfil que se rescata en el dicho reino, y no se habla en los muchos mantenimientos que la tierra tiene con que el puerto de Angola sera bastecido y las naos que alii portaren, y con esto se assegura el Reino de Angola, y se enfrena el de Congo que quando no precedieran las demas occasio- nes aqui referidas esta sola bastava para Vuestra Magestad embiar alii una persona de grande confiança para hacer presidio en la fortaleza que ja alli esta y rehacella y sustentalla para evitar los grandes inconvenientes que adelante pueden suceder si los cosarios tuviesen noticia de Bengela o de la bahia de Las Vacas que esta alli junto que con facilidad seran todo el ano senores dei Cavo de Buena Esperança como se dira siendo necesario en bos biva. Servira esta narracion tan summaria y verdadera para que 204
Vuestra Magestad mande ver en su Concejo y Junta de Estado el estado presente del Reino de Angola para le mandar acudir con gran diligencia sin meterse tiempo en medio, y no se consumir sin provecho [205] lo que esta gastado, mas que el rescate de los ne- gros que se hace en el puerto de Angola, sin se osar a salir de alii y respetando las necesidades presentes desta Corona que se podrian remediar con facilidad si Vuestra Magestad pusiere los ojos affec- tuosamente en este caso mandando que sin oir rasones ni inconve- nientes se provea luego en esto sin estrépito alguno que lo con- tradiga porque esto es lo que ymporta, y que desde luego se effec- tue este socorro para que parta de Lisboa con las naos de la índia de Março. 205
35. [205] PAPEL DE YERONIMO CASTA53O [206] Razones que el padre Alexandro Vali- gniano visitador de la Compania de Jesus en la Índia Oriental y Japon embio al ano de 1583 par a no yr por agora a Japon otros religiosos sino de la Compania Aunque ya Japon esta despuesto para se abrir la puerta a la conversion en todos los reynos donde fuessen los nuestros aviendo obreros, y modo para se sustentar, y por esso se puede offrecer que ya que nosotros no podemos con tanto, es bien que se embien a Japon otros religiosos, con todo esso ni está Japon dispuesto para que por agora vayan a el otras religiones, ni conviene en ninguna manera que vayan tan presto por las razones seguientes: 1 .a — Una de las principales cosas que mueve los japonês a dexar sus seitas, y a tomar nuestra ley, es ver la diversidad que ay entre las sectas de los japonês, y entre los bonzos de unas mesmas sectas, y por otra parte la conformidad en todo lo que nosotros dezi- mos, no hallando entre nosotros adguna diíferencia, por donde con- cluyen que las cosas de sus sectas son mentiras y invenciones de los hombres, y las nuestras verdaderas, y cosas de Dios pues son tan ciertas; y si agora fuessen otras religoines con diversos hábitos, diverso modo de proceder y diversas opiniones, aunque no sea en las cosas que son de fé, como los japonês no se pan hazer tanta distinccion, qualquiera contrariedad que entre otros religiosos, y nosotros uviesse, sin duda creerian que somos de distinctas sectas, y que tambien las cosas que nosostros dezimos son opiniones inven- tadas de los hombres varias y inciertas, especialmente porque sus sectas todas adoran a Amyda, y Xaca, y tienen por su escritura como sagrada los mesmos libros, y con todo esto variaron las opi- niones, y las sectas, y por esso aunque todas las religiones tenga- mos el mesmo Evengelio, y prediquemos el mesmo Dios, y salvador Jesus Christo, no haze al caso para ellos, porque bastara la con- trariedad de muchas opiniones, y la differencia de los hábitos, y modo de proceder, para les hazer creer que somos sectas distinctas. 2." — En una christiandad tan nueba, y tan libre, y poco acus- tumbrada al jugo y observância de preceptos divinos o humanos, y que esta mescla day esparzida entre tanta gentilidad, es necessária mucha prudência, y mucha experiência, y mucho tiento en predicar- 206
les nuestra sagrada dotrina, y en obligarlos a los preceptos huma- nos, y es necessária mucha uniformidad en las opiniones, en la deci- sion de los casos, en la predicacion y publicacion de muchas cosas, en las dispensaciones que se ande conceder, o [206 v.] negar, en el castigo y penitencias que se les pueden dar como es en admitir- los a los sacramentos, o en el excluirlos de la Iglesia, o de la eccle- siastica sepultura, pues no tenenmos ahy otra jurisdicion que esta para poderios governar; y finalmente aun en las sciencias humanas es necessária en esta christandad tan nueba uniformidad y prudên- cia en elegir las opiniones que se les deven ensenar, porque muchas de las que corren entre nosotros, aun en estas sciencias humanas, danarian mucho a los japonês, y esta mesma eleccion hade aver en todo genero de sciencias que se ande comunicar a los japonês, porque ellos no tienen ni pueden tener otros libro», sino los que nosotros les damos, y esta uniformidad y eleccion en todas estas cosas en ninguna manera la puede aver, aviendo en el Japon diver- sas religiones, porque cada una se guiara a su modo como vemos que lo hazen agora donde las hay, y assi las dispensassiones que se negarian en unas iglesias, se concederian en las otras, y los que se excluyessen en unas iglesias, se admittirian en las otras, y lo que a unos no pareciesse bien publicar, publicarian otros y lo que unos determinassen en unos casos, otros desharian y los preceptos a que unos quisiessen obligar, no querian obligar los otros, y desta ma- nera en todas las iglesias se causaria scisma, y division, y escân- dalos, que sin duda desharian mucho mas, que por otra parte se podria hazer acrescentandosse el numero de los obreros con embiar otras religiones; y si estas contrariedades que uno entre algunos en la primitiva iglesia, donde avia tanta santidad, y dotrina, estando [tan] cerca el Sumo Pontífice superior de todos, y juntandosse tan facilmente tantos concil[i]os, para que quedasse siempre uniforme, y limpia la mesma dotrina, basta para causar tan grandes scismas, y heregias, bien se entiende lo que se puede seguir con esto en japon, que esta tan apartado, y tan fuera de todo esso. 3." — Las qualidades, custumbres y modo de prócer de los japonês son tan differentes, y contrários a los nuestros, que no es aun japon capaz dei modo de proceder que tienen otras religiones de Europa.y como esto no pueden bien entender sino despues de mucho tiempo, y mucha experiência, viniendo ellas a Japon ande hazer primero los yerros que nosotros [hajzimos al principio que seran agora peores, y no ayudaran para mas que deshazer lo que nosotros despues de haver tomado mucha experiência de Ia tierra passando por muchas tribulaciones vamos agora haziendo. 4 a — Como ariba diximos no es Japon tal que se pueda hazer fundamento de governarse por medio de estrangeros porque no es gente de tan poco brio, ni de tan poco saber que suff...esso y por esso no se hade hazer cuenta sino de criar naturales, y dexarles des- pues a ellos el govierno de sus iglesias, y para esso hasta una sola 207
religion para comencarlos en caminar, y esto se confirma y prueva muy claramente con la gran difficuldad que hay en unir los ânimos de los nuestros con los japonês, y de los japonês con los nuestros por la mucha contrariedad que hay en todas las cosas, en las quales estan ellos tan [207] puestos que en ninguna cosa se quieren acco- modar con nosotros, antes es necessário que nosotros nos accomo- demos a ellos en todo, y es a mucha costa nuestra, y no nos acco- modando a ellos desta manera, perdemos el credito, y no se haze provecho. 5.* — Los que uvieren de yr al Japon de otras religiones o ande ser poços o muchos, si fueren con esto poços, poco aprovecharan, y podran danar mucho por lo que se ha dicho, y se fueren muchos ande tener mucha renta, porque ni pueden, ni deven vivir en Japon de limosnas que esperen de los japonês por muchas razones, y el perdirla seria cosa por agora muy danosa escandalosa y muy incon- veniente,p orque demas de ser la tierra tan pobre, y la christan- dad tan nueba que no se puede esperar nada delles, no conocen por virtud nuestra pobreza evangélica, sino por necessidad natural como la tienen ellos, y tomaran de aqui occasion los bonzos, y los gentiles de verificar lo que ha tanto tiempo que dizen que so capa de perdi- car el Evangelio, vamos a buscar modo de vivir en Japon; y si uvie- rem de vivir de renta, no se como podran acudir a los grandíssimos gastos que ternan en Japon, pues nosotros no podemos con ellos, y no haran poco Su Sanctidad, y Su Magestad en darnos lo que es necessário para no perderse lo que esta hecho en Japon. 6.*— Hasta agora muchos senores dei Japon tuvieron grande receio de que nosostros machinassemos en Japon algun mal y que si ellos permittiessen hazerse sus reynos christianos, nos podriamos despues llevantar con ellos por el rey que en Japon nos mantiene no se podiendo persuadir que quieran los reyes hazer tanto gasto, sino es con pretender tornalo despues a ganar tomando su tierra, y esto dixeron muchas vezes claramente diversos senores porque esta es una de las cosas que predican contra nosotros los bonzos, y si agora que saben que se unieron los reynos de Castilla, y de Portugal, viessen yr al Japon otras religiones a ellos estranas, se aumentaria en ellos mucho esta sospecha, y los podria mover a hazer algun mal juego contra los christianos, e contra nos. Por estas rezones me parece delante de Nuestro Senor cosa muy perniciosa y danosa para Japon yr alia otro ninguno genero de religiosos, fuera de los nuestros enquanto este rey no estuviere en el estado en que agora esta, y esto sabe Nuestro Senor que por pura su gloria lo digo, y por la experiência que tengo de Japon, y lo mismo diria estando en el articulo de muerte, por entender que es assi mayor servicio de Nuestro Senor y bien de la christandad de Japon. 208
36. [215] Artículos acordados entre los senores dei Suppremo Consejo de los Estados Generales de Holanda, por ellos propuestos tocante al Brasil y el senor Francisco Barreto Maestre de Campo General y Gobernador por Su Magestad el rey de Portugal en que se entregan al dicho senor Maestre de Campo en Pernambuco las plaças de Morice, Recif, ã otras fortaleças adjacentes, y las que tenian a la parte dei Norte, como son la Isla de Fernando de No- rona, Siara, Rio Grande, Parayba, y la Isla de Itamaraca, todo esto ajustado por los comissários de las dos partes. 1.° — Primeramente que el dicho senor Maestre dei Campo ponga en olvido, todas las hostilidades que ha ávido por mar y tierra entre los vasallos delos, digo por los sujetos a los Estados Generales contra los portugueses desde el principio y las borras de su memoria, como si no hubieran pasado. 2.° — Que se incluiran en este acuerdo todas las naciones de qualquier calidad o religion que sean a quien es (sic) perdona aunque hayan sido reveldes a la Corona de Portugal y lo mismo acuerdo con los sudios, que estan en Recif y Morice. 3." — Conceda a todos los dichos vasallos de los senores Es- tados, y a todas las personas debajo de su gobierno todos los bienes muebles que lo çan (sic) al pressente. 4.° — Acuerda con dichos vasallos darles todos los navios, que estan en el puerto de Recif, que fueren capaces de pasar la linea con la artilleria que pareciere suficiente a dicho senor Maestre de Campo para su defensa entre la qual avra alguma de bronce en cum- plimiento de lo que acordo con el senor general Segismundo Schop en el capitulo de las condiciones militares. 5.° — Acuerda con los que estan casados con mugeres portu- guesas, o aaturales en estos países sean tratados como si lo estubie- sen con flamencas y puedan sacar a sus dichas mugeres como ellos quieran. 6.° — Que todos los que quisieren quedar debajo de la obediên- cia de las armas portuguesas seran tenidos y estimados como portu- gueses y enquanto a la religion tratados como los demas estrange- ros en Portugal. 7.° — Que los fuertes que ay al rededor de Recif y el Castillo Morice que son el de las cinco puntas, la cassa de la buena viuda el de la iglesia de San Antonio, el Rat de Morice, el de las tres pun- 209 14
tas, el Bun con su reduto, el castillo de San lorje, el de la mar y qualesquiera otras casas fuertes y baterias, seran entregados a orden do dicho senor Maestre de Campo con toda la artilleria y municion que tienen al pressente luego que los artículos fueren formados. 8.° — Que los vasallos de los dichos senores Estados, que quedaren en Recif y Morice puedan residir en dichos lugares hasta pasados três meses como entreguen luego todas las armas que se pondran en un magacen de orden de dicho senor Maestre de Campo durante dicho tiempo, y quando quisieren embarcarse (aunque sea antes dei dicho termino) se las daran para su defensa y tanto con las dichas fortaleças entregaran a Recif y al Castillo Morice y los dichos habitantes en las dichas villas podran comprar de los por- tugueses todo genero de viveres que hubieren menester. 9.° — Las negociaciones y ventas que los dichos vasallos tubie- ren durante el tiempo de los dichos tres meses seran valeduos como ya se há expecificado. 10.°—'Que el dicho senor Maestre de Campo y su exercito se podran alojar y marchar donde [215 v.] les pareciere como no hagan oppresion alguna a los vasallos de los senores Estados antes les asistira en caso de necesidad, y durante dichos tres meses podran tratar todas las deferências que tubieren entre ellos delante de los ministros de Justicia. 11.° — Acuerda con los vasallos de dichos senores Estados Generales que puedan sacar todos los papeies que tubieren de qual- quier calidad que sean como tambien de los bienes y muebles como el dicho senor Maestre de Campo les ha otorgado en el tercero articulo. 12.° — Que puedan dexar lor dichos bienes y muebles que no pudieren vender hasta el tiempo de su partida a las personas que quisieren darles poder para ello como queden debajo la obediência de las armas portuguesas. 13.®—Concedeles todos los viveres que hubiere en los maga- cenes de Recif asi secos como m[u]jados que fueren de servicio para su viaje dexando a los soldados los que hubieren menester para su subsistência y viaje pero no les concede betun y brea para los navios por que promete darselo quando estubieren promptos a partir a Holanda. 14.® — Sobre el derecho y pretenciones que los dichos vasallos de los senores Estados tienem con los portugueses acuerda lo que fuere servido de hacer el Rey de Portugal en ello habiendo oido las partes. 15.® — Acuerda que los navios que tocaren a los dichos vasal- los de los Estados que llegaren al puerto, o fuera dei pasado el ter- mino de los primeros quatro meses sin que tengan noticia deste acuerdo en el lugar donde salieron quedan volver a Holanda sin que se les ponga embaraço alguno. 210
16.° — Acuerda con los dichos vasallos de los Estados puedan llamar los navios que tienen en las costas vecinas, y que en el puerto de Recif se puedan embarcar en ellos con sus bienes muebles. 17.° — Enquanto a la pretension que los dichos vasallos de los Estados tienen de que este acuerdo no pueda ser en perjuicio de las convenciones que se podrian ajustar entre Su Magestad el Rey de Portugal, y los senores Estados antes que supiesen este acuerdo, no viene en nada el dicho Maestre de Campo ni se mete en las con- venciones que podran haberse hecho porque al pressente tiene bas- tante fuerça para reducir todo lo que quisiere emprehender a la recuperacion de cosa tan justa. Condiciones tocantes a Ia milícia 1.° — Que todas las ofensas y hostilidades antes cometidas por los senores Estados Generales se olvidaran como se ha dicho por nuestra parte. 2.° — Acuerda el dicho senor Maestre de Campo que los sol- dados de Recif y Castillo Morice y otros fuertes salgan con sus armas mecha encendida vala en boca vanderas desplegadas, con condicion que luego que hubieren pasado por delante dei exercito português apagaran las mechas y quitaran las piedras de las cara- vinas y pondran dichas armas en el magacen que nombrare dicho senor Maestre de Campo de que hara se tenga cuidado para que se les entreguen quando se embarcaren, y los officiales que daran con sus armas y luego que se embarcaren seguiran su viaje derecho yendo a los puertos de Nantes, o Rochela, e otros de las Províncias Unidas sin entrar en ninguno de la Corona de Portugal, y para seguridad desto han dexado en Reenes tres personas [216] un official mayor de guerra, una persona del Suppremo Consejo y uno de los habitantes vasallos de los senores Estados Generales y los officiales de guerra y soldados desta plaça de Recif, y otros fuertes vecinos se embarcaran juntos en compania dei senor general Segis- mundo Schop con tal que se hayan entregado antes a los portugue- ses las plaças y fuerças de Rio Grande, Parayba, Itamaraca, para cuyo effeto dexaran veenes en cumplimiento de todo lo dicho en este capitulo. 3.° — Acuerda con el dicho senor general Segismundo Schop que despues que fueren entregadas todas las plaças con toda la artilleria que tenian antes y despues de la llegada de la armada, que esta aora en Recif, pueden sacar veinte cânones de mteal de hasta quatro a diez y ocho libras de vala demas de los cânones de yerro que fueren menester para la defensa de los navios, que fueren en Ia compania cavalgados y municionados bastantemente con todo lo demas dei tren de la artilleria y la municion se distribuirá por orden dei senor Maestre de Campo General. 211
4.° — Concedeles dicho senor Maestre de Campo todos los navios que fueren menester para el viaje como dicho es. 5.® — Concedeles los viveres segun el articulo tercero y en caso que no basten promete darles mas. 6.® — El senor Maestre de Campo acuerda con el senor Segis- mundo Schop pueda vender goçar y enagenar y embarcar algunos bienes muebles, o tierras que hubíere en Recif y los esclavos que tubiere y la misma gracia se concede a los officiales de guerra en los bienes que legitimamente goçaren hasta la llegada de la armada, y que puedan tambien vinir en las casas donde estubieren hasta la ora de su partida. 7.® — Permite que los soldados heridos y emfermos queden en el hospital hasta estar buenos, y en estado de embarcarse. 8.® — Que el tiempo que los soldados dei senor general Segis- mundo estubieren en dicho lugar no seran maltratados de persona alguna; y en caso que se les haga alguna ofensa tomara a su cargo el senor Maestre de Campo el castigaria y hara castigar a los que contravinieren a estas ordenes. 9.®—No acuerda ningun paraje con los soldados que se hubieren hecho prisoneros antes deste acuerdo porque ya a satisfe- cho a lo que les prometio en las capitulaciones quando se rindieron. 10.® — Perdona todo a los reveldes particularmente a Antonio Mendiz y a todos los indianos residentes en las plaças y fortaleças de Recif a los dei Brasil mamalucos y negros, pero les priva a dichos reveldes de la honrra de salir con sus armas. 11.®—Luego que las capitulaciones sean firmadas se entrega- ran a orden dei senhor Maestre de Campo General las plaças de Recif Castillo Morice y todos las demas con sus municiones y tren de artilleria. Y el senor Maestre de Campo promete dar guarda para la persona del senos general Sigismundo Schop y oíiciales durante el tiempo acordado. 12.® Enquanto a la pretension del dicho senor General y soldados tocantes a las convenciones que pueden haberse hecho entre Su Magestad de Portugal y los senores Estados Generales antes de saber este acuerdo no viene en nada no pudiendo entremeterse entre las cosas, teniendo al presente fuerça bastante para la recuperacion de cosa tan justa. [216 v.] Sobre todas las condiciones arriba especificadas se han obligado los senores dei Supremo Consejo residentes en Recif a entregar a disposition de dicho senor Maestre de Campo, las plaças de la Isla de Fernando de Norofia, Siara, Rio Grande, Parayba y la Isla de Itamaraca, con todas sus fuerças y artilleria, que tenian hasta la llegada de la armada, que al pressente esta a vista de Recif, y el tren de la artilleria y otras municiones con condicion que los habitantes y soldados de dichas plaças y fortaleças gocen de los mismos privilégios y condiciones acordadas a los habitantes y sol- dados de Recif el senor Maestre de Campo se obligara imbiar a Siara 212
un navio bastante para embarcarse asi los habitantes como los sol- dados de dicho lugar vasallos de los senores Estados Generales con los bienes aqui antes especificados, el qual no llevara ningunos viveres para el sustento de las personas, que se embarcaren en Siara, y todos los navios que se hallaren en dichos puertos de Rio Grande, Parayba, Itamaraca, capaces de pasar la liena se los concede para su viaje y transporte de sus bienes, pero no llebaran artilleria de bronce, sino solo la de yerro, que bastare para su defensa, conforme a todo lo que reciprocamente se han obligado, el dicho senor Maestre de Campo, y los senores dei Supremo Consejo residentes en Recif, y el senor general Segis- mundo Schop los quales artículos han sido firmados por los dipu- tados de dichos senores, embiados a la Campana de la Taberda para los dichos acuerdos de la reducion de Recif, y otras plaças aqui nombradas, y los dichos senores dei Suppremo Consejo, lo han firmado en 26 de Henero de 1654. NOTA — Escrito em sentido vertical está: Artículos acordados entre Ho- landa y Portugal tocante a la entrega de algunas plaças dei Brasil. 213
37. [2171 TRADUZIDO DE UN PAPEL IMPRESSO EN LA VILLA DE AMSTERDAM EN LENGUA FLAMENCA: HECHO POR JULIO ANDREA MOARBACEQ, DIRIGIDO AL CONDE MAURI- CIO Y TODOS DEPUTADOS DE LOS REBEL- DES DE OLANDA Rasones porque la Compania de las índias Occi~ dentales avia de pescurar de quitar al rei de His- pana la terra del Brazil Siendo formada la dicha Compania no puede echar mano a cosa mas provechosa y util que quitar al rei de Hispana la dicha terra del Brazil, y apoderarse delia, por muchas rasones de que dire algunas. 1 Porque esta tierra se habita y possea de dos naciones brasílicas y portuguesas, hasta agora no exercitadas en cosas militares, que pelo conseguinte no tendran pratica, ni animo para defenderse contra el poder y fuerças de la dicha Compania: y assi sera cosa fácil el vencerlos, particularmente acometendolos con animo baronil y valor belgico.buena ordem y providancia, y isto, si es possible al improviso. 2 La nacion portuguesa que es la que podia hazer mas resistência sen muchos dellos de la nacion judaica, y assi mismo nascidos immortales enimigos de la nacion hispanolla pelo que todos ellos de conformidad se rendiran facilmente debaxo de la obediência de Vuestra Excelência, e por lo menos se deixaran con facilidad reducir a ello o bien defenderan con poco animo al bien de la Corona de Hispana: e nesta su tierra de Sueste (?) que sin duda la dicha Com- pania se apoderara en poco tiempo de todo el Brazil, para cujo effecto sera muy necessário que la dicha Compania trate con mucho amor y blandura a la dicha nacion portuguesa dando y prometiendo a cada uno libertad de religion y procurando d'estabeleser buenas leies y policia y de hazer y adminystrar a todos buena jostiça. 214
3 Y aunque todo el Brazil es mayor que toda Alemania, Françia, Inglaterra, Hispania, Escócia, y Irlanda, y las 17 províncias juntas: y que los portugueses ocopan a la orilla de la mar quatrocientas leguas de tierra del Brazil, siendo tambien muchos milhares en numero todavia no ay sino dos plaças principales en la [217 v.] dicha tierra, y es a saber, la Bahia, y Pernanbuquo, las quales aven- dose ganado y fortifi[cado] y echo en algunas partes fuertes, y juntamente siendo providas con guerniciones no solo sera la dicha Compania de las índias Occidentales dueno de toda esta tierra, pero guardara la possession della. Estos dos lugares, particularmente la Bahia y Pernanbuquo, en los quales, esta gran tierra consiste no son de particular fuerça; de manera que con la gracia de Dios seran faciles de ganar como se experimenta cada dia y mas si la dicha Compania embia gente de valor y buenos soldados, ingenieros experimentados, y petrechos de guerra necessários. 5 Porque estas dos ciudades estan a la-orilha de la mar, a las quales la dicha Compania puede llegar facilmente con los dichos soldados y petrechos de guerra, pelo qual los puefden] entrar y saltar sin temer que por mucho marchar tierra a dientro areguen (?) su exercito, ny ser desapoderados de sus navios en los quales se podran reco[jer] en tiempo de nessecidad, y de donde han de sacar sus vituallas y otras cosas nesseçarias demas que por estas como- didades destes dos lugares, particularmente siendo hecha la empresa al proviso se les podra dar asalto y vencelos. 6 Y porque al acometer de sus inimigos se ha de tener particular cuidado de poder g[uardar] y mantener Ias plaças y lugares que se tomaren, y assi mismo de poderles assistir y so en tiempo de neces- sidad en todo lo necessário como tambien defenderlos, quando dei inimigo fuesen sitiados hara Vuestra Excelência poniendole en consideracion que la dicha Compania no solamente podra vencer y ganar, y guardar estos dos lugares, es a saver Bahia y Pernanbuquo pero tambien es de nescessidad si el rei de Hispana les pusiesse sitio assistirles metiendo en ellos lo necessário para su defensa y tambien con mucha comodidad y sin peligro alguno constrinirle a que alce su si [tio]. 215
7 Porque el rei de Hispana nuestro inimigo possee estas tierras y villas del Brazil injustamente aviendolas quitado al legitimo senor dei Reino de Portugal debajo de cuja jurydicion esta el Brazil con- tra rason, y christiandad y frustando dellos hasta agora al ligitimo herde [roj el príncipe de Portugal, estando al presente en esta corte de la Haya y assi es mas rason que para tener favor alia la hóstia divina que la dicha Compania de las índias Occidentales enpiesse por ali, as osanas en el dicho Brazil perteneciendo la Corona de Portugal. 8 Todos buenos patriotas assi los que viven dentro de la patria o fuera delia participando en la dicha Compania desean que ella se forme de todo punto no dudando de que el rei de Hispana se hav[ra] con ella notable damno, y a esta republia notorio servicio, y alivio en sus guerras, rogando a Dios Nuestro Senor dia y noche de para ello su santa bendicion la qual [218] imploraron bendicion y oracion del pueblo no sera de poca importância ny de mucha con- sideracion y assi para gosar delia dicha bendicion imploracion y oracion, es mui necessário en conformidad delia ponerlo en execu- tion particularmente en dano de Hispana y beneficio destos paisses y por lo conseguinte apoderarse de la dicha tierra del Brazil. 9 La dicha Compania vendra por aqui a conseguir sin duda un gran tesouro assi de navios, como de mercadorias que se hallaran en los dichos lugares al tiempo dei assalto, los quales navios y mer- cadorias no se podran esconder ni meter la tierra a dientro como bien se podra hacer al dinero de contado jóias, plata y oro. 10 El rei de Hispana (') los ecclesiasticos y tambien los mercado- res portugueses teniendo en aquellas partes mucho caudal, rendas, trattos, deudas y mercadorias no mui adentro de la tierra, pêro al rededor dei los dichos lugares, podran assi mismo que los de la dicha Compania ser tomados y confiscados. (J) A margem: El rey de Hespafia. 216
11 Como los portugueses ocupano a la orilla de, la mar quatrocien- tas legoas de tierra del dicho Brazil adonde por esto con mucha faci- lidade se puede llegar con gente de guerra y dan en planatr y hazer açúcar, sembrar tabaco, genbibre, y otros fructos que ellos venden a los mercadores de Portugal y se los imbian alia ay en la dicha tierra mucha gente rica y poderosa sobre la qual por causa de la conquista se inpodran inposiciones en beneficio de la dicha Com- pania que no se agastaron (?) poco y se pagaran sin mucha oposi- cion en consideracion de las dichas personas, como tambien la nacion portuguesa seran en truque dello libres de la tirania hespanhola y ynquisicion y puesta debaxo de la obidiencia de Vuestra Exce- lência y tambien porque tendran sus vituallas a mejor preçio, pos- searan sus haziendas con mas seguridad y gosaran de otros bene- fícios muchos poso referir. 12 Pera donde consta bastantemente que la dicha Compania den- tro de poco tiempo bolnera a recoperar los gastos que huviera echo, particularmente de los despojos que se halleran en la tomada destos lugares y otros visinos que seran de mercaderias, navios, petrechos de guerra, trattos, rentas, y deudas como esta dicho, lo qual no podran quitar a la Compania los soldados ni marineiros que todavia alcançaran otros muchos despojos assi de dineiros, plata labrada, vestidos custosos, lienços, que de otras cosas atento que estos lugar- res estan visinos de la mar [218 v.] y mui a la mano y por lo con- seguiente podran ser prevenidos dei inimigo sin que tengan lugar de llevar esconderlo, ou embarcarlo en otros portos y con la per- mission deste caço ganera la Compania tanta reputacion que en todo tiempo hallara la gente que tibiere menester. 13 Ni es de poca consideracion que los despojos y tambien los retornos ordinários que la dicha Compania tendra desta tierra po- dran suprir los gastos de fletes, y en esta conformidad fera su armada grande y poderosa y por lo conseguinte bastante para tomar y guardar el dicho lugar sin salirles mui costoso porque cada arca de açúcar paga de flete de ordinário del Brazil a Portugal 20 flo- rines, y de Portugal aca 8 de manera que cada arca de açúcar costa de flete 28 o 30 florines demas de otro tanto que el rei de Hispana leva de derechos de entrada y salida de Portugal. 14 Desta tierra del Brazil (1) se puede cada anno trazer aca y gas- {1) A margem: nota cada tonel de oro vale 400.000 reales. 217
tar y destribuir 602 arcas de açúcar que contados una tercia parte bianco, y otra maschabado, y otra tercia panelo cada arca a 500 libras de açúcar, comprados alia, el bianco a 8, el mascabado a 4, y el panelo a 2 gruessas cada libra como alia vale de ordinário, y aca vendiendolos, el bianco a 18, el mascabado a 12 y el panelo a 8 gruesas cada libra descontados 12 florines de cada arca, por el flete y otros gastos, vienesse a ganar en ello cerca de 35 florines de oro. Item, las dichas 602 arcas de açúcar costan en el Brasil con- forme a la compra ariba referida cerca de 35 toneles de oro los quales la dicha Compania poderá pagar la major parte en merca- dorias en que ganaran pelo menos 30 por 100 y a un d...sos mer- cadorias 30 por 100 mas barato de lo que solian los portugueses, en que vendra la dicha Compania otros 10 toneles de oro. Item, la madera del Brazil que toca al rei de Hispana en cada un anno vale 1 £ tonel de oro limpio. Item, indifferentes otras mercadorias como tabaco gengibre y ropas confeitos... tendra la dicha Compania aun de ganancia en cada un anno 4 toneles de oro. [219] Item, los diesmos de los fruttos que goçan los eccle- siasticos bien vale en cada un anno 3 ou 8 toneles de ouro. Item, tierras confiscadas dei rei y de los eccleciasticos valran tambien al anno 3 ou 4 toneles de oro. Todo lo qual monta junto cerca de 175 toneles de oro los quales la dicha Compania podra sacar para si en cada un ano de la dicha tierra (?), quitando de aqui gastos ordinários de cada un ano para la guerra por mar y por tierra para conservar estos gastos en obe- diência (') y defenderlos contra al rei de Hispana cerca 175 toneles de oro que da ganancia para la dicha Compania en cada un ano 50 toneles de oro que ella ganara con enplear para ello menos de otro tanto de principal em caso que con buen consejo, industria y destreza se governara la dicha Compania. A la republica o pueblo delia no sera menos provechosa y util esta conquista porque de flete y obras gastos que como dicho es avera de pagar la dicha Compania vendran a ganar los particula- res cujos navios y personas se enplearen en esto en cada un anno 8 toneles de oro. Iten, de los gastos de la guerra particularmente pagandose a los soldados, marineiros la major parte de su sueldo despues de buel- tos en Holanda y enpleando en ello los menos estrangeiros que se (') A margem: 175 35 875 525 6.125 218
pudiere para que todo se quede en la provinça (?) gosaran los par- ticulares delia bien 20 toneles de oro. Iten. el rafinare de los asuqueres morenos particularmente prohibiendo Vossa Excelência la saca dellos destas províncias profitaran en ello los refinados en cada anno 5 ou 6 toneles de oro. Iten, la venta de la major parte de los açuqueres para fuera de la tierra lo que solo se hara por particulares destas províncias assi para Alemania, Francia, Inglaterra, Italia, Irlanda, Polonia, Manchoria y en otras tierras, le vendra a ganar pelo menos 8 ou 10 toneles de oro. Todo lo que junto monta mais de dl toneles de oro que al comum sacara cada anno daquellas tierras demas de los dichos 50 toneles de oro que la dicha Compania vendra a tener de ganancia [219 v.] demas de los salarios que los officiales piones marineiros y otros deste genero vendran sacar daqui por su travajo. Y con esta negociacion se aumentara en estas províncias todo o genero de trato y offici... y tambien muchas personas que de ordi- nário suelen salir destas províncias a otras tierras y reinos tendran ocasion de quedar-se o de irse se (sic) al dicho Brazil y assi que quedfan] debajo de la jurisdicon de Vuestra Excelência sogeitos a las cargas y imposissiones de dineros y por este medio quedarse. 15 (?) En estas províncias las artes e otros officios y platicas que semejantes personas solian lleva[r] consigo en otras tierras no seran en ellas tan comunes, si no antes vendranse a nadie (?) que aumentara demais que por aqui muchas personas y sus caudales de todas partes se vendran recoger, en estas províncias para enplear- se en esta nueva negociacion y trafico y del que dello depiende y enriquiserse y tanbien las muchas destas províncias que desta ahora han embiando de su dinero a Francia, Inglaterra, Irlanda y otras partes empleandoles alia a su major provecho por falta de buenas y avantejad[as] occasiones de aca, tendran por bien de recoger a cosa para emplearles en açúcar madeira del Brazil, gengibre, tabaco y otras mercadorias que viene[n] dei dicho Brazil o bien en navios o en otras mercaderias de que la dicha Compania tendra nessecidad en que el comum tendra su ganancia. Y muchas personas de poco caudal boscaran por aqui su for- tuna y iran a vivir alia algunos annos para plantar canas dulces, hazer tabaco, gengibre, asucar ganar y otros trattos, poner tiendas, ó hazer otros trattos para grangear alguno caudal y con el bolverse a la patria como se ve que lo hazem los de Hispania con lo qual el pueblo se enrrequecera demas de qué por esta nueva conquista las mercaderias destas províncias subiran de precio. Item, bien se tendra por aqui mas complidamente el trato de Cabo Verde, Guinea y Angola, y los navios que ordinariamente 219
vienen de Guinea vasios podran venir por el Brazil para cargar asu- queres y tanbien se tendra el trato de los negros que en el Brazil son mucho menester para hazer el asuquer y otros travajos y otros navios tratando en Cabo Verde Guinea y Angola en el passar por el Brazil y podran traer consigo y si con [220] de la dicha Com- pania no lo quisieren hazer, ellos mismos podran premitirlo a otros, pagandoles 4 mil reales por cada negro, que es el mismo alcavala que el rei de Hispana gosa de los demas de lo que la navegacion destas províncias vendran por aqui en mucha augmentacion porque todo lo que los portugueses han tenido para el Brazil, Cabo Verde, Guinea, y Angola la tendra los destas províncias, y en lugar de que muchos ingleses, franceses, y los de Olanda levan muchos açuque- res de Portugal para Italia y Francia, Inglaterra, Escócia, y Olanda y a otras tierras despues se hara todo esto solo pelos destas pro- víncias y las mercaderias que estas naciones traen destas tierras en los navios a Portugal y se compran pelas aquellas partes pelos de nuestra nacion, ou mercadores con sus navios. Y las escoltas de la entrada y salida y tambien todas as otras imposiciones desta republica vendran por esto de tiempo en tiempo augmentarse y no solamente se aumentara por aqui el lustre y a republica, y sera mas estimada de todos reies princepes y potenta- dos como prosseindo esta gran tierra, pêro asegurara su Estado res- peito del gran damno que su inimigo el rei de Hispana por ali vendra a sufrir y de los grandes incovenientes que de aqui resul- taran como adelante referire de modo que vendra a tener menos fuerças para hazernos la guerra y contrario nosotros asernos pode- roso mas fuertes, mas riquos para defendemos loq ue no puede sino causar una buena fin de nuestra armada. 16 El rei de Hispana perdera por aqui gran parte de sus índias Occidentales con todas las tierras, rentas, trattos, redditos, imposi- ciones de por alia. Iten, todos sus derechos y alcavallas de los asuqueres que dei Brazil se traen en Portugal y tambien dellos que de alia se embian para otras partes siendo casi de 30 por 100 de entrada y salida. Iten, todas sus alcalavas de las mercadorias que los estrangei- ros traen en Portugal y los mercaderes alia compren para embiar- las al Brazil [220 v.] que monta tambien de entrada y salida 30 por 100. Iten, todos sus derechos alcavallas de los negros cada ano se traen en el Brazil y siendo 4 mil reales de cada negro. Iten, el rei de Hyspana perdera por aqui la mitad de su nave- gacion que oj tiene y la nacion portuguesa por el tratto del Brazil, Cabo Verde, Guinea, Angola que es de mucha consideracion para ensi quitar a el rei de Hispana sus navios marineiros y por el con- 220
seguinte tener mas comodidad para tomar sus otras tierras en las índias Occidentales las quales necessariamente avra de assistir y soccorer por mar. El rei de Portugal (*) vendra por aqui a emprovrecer, y arui- narse porque todo su bien depende de la negociacion del Brazil sola- mente pues dei trato de las índias Orientales, Cabo Verde, Guinea y Angola, la maior parte les esta aquitado pela Compania de las índias de Portugal cosa particular por donde el rei de Hyspana sera obligado de descargar do dicho Reino de diferentes sus rentas reales. Iten, la Corona de Portugal le vendra por aqui a ser de largo, porque muchos particulares dei dicho reino han prestado al rei muchas e grandes sumas de dineros sobre sus alcavalas, gosando dello solamente la renta las quales sumas avra de bolver tan presto que esta tierra de Brazil le fuere quitada atento que sus alcavalas de aquellas partes vendran a cessar sin que tenga de que poder pagar los interesses de las dichas sumas principales, por otra parte sera obrigado el rei de hazer en el dicho Reino mas fortalezas castillos y de proverlos de guamiciones y resferca los antiguos, y tambien de dar a los grandes de aquel reino mas rentas y benefícios para tenerlos en obiencia, o ha de tener que hallandose frustados de sus trattos y negocios podrian rebelar contra el y pedir favor a V.a Ex.a y para prevenir esto sera necessário que gaste muchos dineros como dicho es. Iten, los ingleses, franceses, escoseses, los de Olanda, y de Denemarca dexaron presto de negociar en el Reino de Portugal, porque [221] no hallaran mas alia los asuqueres, ni poderan por el mismo caso vender alia sus mercaderias y assi vendran a faltar al rei en tiempo de necessidad los navios y marineros dellos que no les sera poca descomodidad porque por esto no solo seria obliguado a fabricar navyos en que gastara mucho de su dinero pero aun no los tendra aparejados, mas los tubiere menester pues siempre alguno vendra de faltar. Iten, el dicho rei de Hespana tendra por esta causa grande excesso nos gastos no solo en ajuntar una grande armada naval pero tambien un rasurable exercito por terra para procurar recuperar la dicha terra del Brazil. Iten, a todas sus otras tierras de las índias Occidentales sera obligado proverias con buenas guamiciones fortificaciones artelha- ria muchos petrechos e outras prevenciones de guerra, assi nel mar dei sur, como en el dei norte en caso que quesere defender las dichas tierras contra la dicha Compania y no perderias lo que aun le sera impossible como representare a V. Ex.* para lo qual tendra solo menester las rentas de aquellas índias pues todo le vendra a salir mui caro. (1) A margem: El rey de Portugal. 221
Iten, el credito que el rei de Hispana tiene para sus nego- ciantes vendra coon esto en mucha mengua de maneira que sera obligado a tomar outra forma en sus guerras de Flandres refor- mando la mitad desta gente de guerra por onde esta republica no solo sera libre de temor de guerra pero aun tendra medio y ocasion en poner en Iibertad las restantes províncias de los Estados Baxos. Iten, lo susodicho causara competentia entre la nacion portu- guesa y hispanola sobre recuperar de la dicha tierra del Brazil por- que por una parte queira el rei emplear en ello hispanoles, y otras naciones a que se hallara obligado atento que la dicha nascion por- tuguesa como dicho es mui poco cursada en cousas militares y no les fiara mucho y por otra [221 v.] parte los de Portugal entienden y mantien que esto todo se hade hazer pelos de su nacion como mas llegado a rason, se el rei emplea para ello a los portugueses hara poco effeitto y no podra recuperar las dichas tierras y se embia hispanoles hade temer que los portugueses en el Brazil se ajuntaran y concordaran (?) con la nuestra Compania de maneira que no puede considerar que buen trato vendra a tener delia. (1). 18 Por esto constara a todo el mundo claramente al animo inven- cible de V. Ex." y tambien la grande y atrevida resolucion desta Compania como tambien su buen governo lo que sin duda causara gran temor con los coraciones de nuestros inimigos, animo a nuestros súbditos y una viva esperança a todos los amigos y confederados. 19 Por aqui ha dicha Compania tendra médios ocasion para con commodidad y sin peligro ni gastos quitar al rei de Hispana sus otras tierras y reinos porque con los provechos que sacare dei trato del Brazil podra sostentar grandes y poderosas armadas y muchos melhares de soldados y desde el Brazil se a por delante del mar dei Norte y por detrás en el mar del Sur con gente de refresco y navios al improviso darles o solto y ganarlos. 20 Por el mucho trato que ai en estas tierras del Brazil y mucho dano de asuqueres y otras mercaderias que de alia vienen tendra esta Compania alli siempre muchos navios aos quales empleandose juntamente con los navios ordinários de guerra que la dicha Com- pania para su defensa alia siempre hade tener les sera fácil defender [222] la dicha tierra contra el poder dei rei de Hespanha. (') Nota: Falta o 17. 222
21 Finalmente sera esto poner la piedra fundamental para tamblen poner en liberdad las demas províncias de Flandes respeto que el rei de Hispana sera obliguado de reformar la mitad de la gente de guerra que tienen en estas partes por cuja causa que tendra adonde emplear su dinero, y a sustentar guerra en las índias Occidentales contra la dicha Compania por lo qual V. Ex.* con su gran poder podra ganar y libertad de las dichas tierras como todos hombres entendidos lo hande confessar. Mas rasones a este proposito pudiera allegar pêro julgando lo referido bastante no diremos. * 223
38. [223] DISCURSO EN RAZON DE LA COMPANIA ORIENTAL QUE TIENEN LOS REBELDES DE OLANDA, I, INGLESES Cossa es sabida que los rebeldes de Olanda, y ingleses (') no llevan a la índia Oriental otra cosa sino reales de a ocho, i quatro, assi porque para aquellas partes no sirven los fructos, i manifa- cturas de sus tierras, como por el gran interes de los dichos reales, porque como cada real de a ocho vale en las partes dei Oriente doce reales ganan cinquenta por ciento, que es el mayor interes que se saca de aquel viaje, i que mas obliga a los hombres de negocio arriesgar sus haciendas en viajes tan largos, i peligrosos, para lo qual combiene que Vuestra Magestad en sus Estados obedientes de Flandes levante los reales, bien entendido que los reales de a ocho valgan sessenta placas que son doce reales, los de a quatro treyenta placas que son seis reales, i los de a dos quince placas que son tres reales, porque desta manera haze Vuestra Magestad de un golpe perder a la Compania de los reveldes, i ingleses cinquenta por ciento cada ano, i la esperança de se poder conservar con tan grande dano no imaginado. Y para que se vea que acrecentar Vuestra Magestad los reales en aquellos Estados no solamente es medio para aruinar las dichas Companias de los rebeldes, e ingleses mas antes los [223 v.] dichos Estados obedientes reciben grande provecho, cosa es cierta que valiendo en los Estados obedientes un real de a ocho sessenta pia- das que son doze reales todos los que huviere en los Estados rebel- des, Inglaterra, i Francia i mas potentados circunvezinos ande acudir alli por causa dei crecimiento interes de la moneda, i de fuerça el dinero se ade quedar en la tierra, i el valor dello lo sacaran en niercaderias comprando las de los vassallos de Vuestra Magestad assi de las manifacturas, que alli se labran como otras que vendran de otras partes por ocasion de la moneda, pues es propriedad dei dinero que todos lo vayan a buscar despreciando los peligros de la vida las quales compras, i ventas son todas en beneficio de la Real Hacienda, pues la pagan sus derechos, y assi la moneda se ficara en los Estados de Vuestra Magestad que como niervo de la guerra í1) A margem: Os rebeldes de Olanda e ingleses. 224
es bueno para todo el subcesso que las tierras de Vuestra Magestad tengan dinero, i no las de los enemigos, pues los reyes, i potentados dei mundo solo con el levantar moneda procurar por la adquerir, i de tener en sus Estados. Y es esto tan odinario en aquellas partes dei norte, que soi testigo de vista que todos los anos que estuve en Flandes y Francia donde he estado tambien algunos, vide prematicas sobre las mone- das levanatndo unas, i baixando otras, i con ser en prejuicio de muchas personas baxar la moneda por la cantidad con que se hallan algunas. Todavia se executa porque [224] siempre combiene de todos males elegir el menor y en principio atajar los danos cortando la mala raiz que crece, lo que no tiene lugar, levan- tando la moneda porque muchos de los vassallos ganan, i ninguno pierde, i como tendo dicho no es cosa nueva en aquellos Estados, i quando lo fuera se huviera de executar assi por lo util de los obe- dientes como por decipar, i cortar los disinios de los rebeldes, i sus coadjutores que con esta navegacion de la índia pretenden en aquel- las partes dei Oriente inquietar los Estados i conquistas de Vuestra Magestad. Y en la Europa hacense senores de un comercio tan noble, i de tanta importância como este, por medio del qual los reys y emperadores de partes tan remotas vinieron a conocer el valor ilustres hazanas de los vassallos de Vuestra Magestad i como tales son reputados. Y puesto que lo que esta dicho sobrê los reales basta para arruinar las dichas Compaííias de los rebeldes, i ingleses, i enno- bleser a los Estados abedientes inchiendolos de moneda advirtire otra cosa, i es que pues Vuestra Magestad gasta todos los anos en Flandes um millon de oro, y es forçado imbiar dineros, deve Vues- tra Magestad mandar aquellas partes su pimienta como hacian anti- guamente los reys de Portugal, i ponerla por precio mas baxo de que los rebeldes venden la suya veyente por ciento, a trueque de hacer quenta que en lugar de un millon es necessário remetir mas ciento [224 v.] o ducientos mil ducados, quanto y mas que como este dinero sirve alli para pagamiento dei exercito. Estos veyente por ciento que Vuestra Magestad perdiere los ganara en lo que ahorra en el cambio que le llevan los asentistas lo qual causava dos nota- bles danos a las companias de los rebeldes, y ingleses. Lo primero es que con esta vaxa que Vuestra Magestad diere a la pimienta, o ande dexar de vender su pimienta que como cosa que tiene merma y corrucion les sera de grande dano uno, o dos anos que dexen de venderia, i no menor tenerla alli empleado tan gran suma de dinero por lo mucho que consumen los câmbios y interesses. Lo otro sera que si por evitar estos danos quisieren vender la dicha pimienta en lugar de los veyente que Vuestra Magestad baxare an ellos de baxar a mas de veyente i cinco por ciento porque 225 is
la de Vuestra Magestad tiene de bondad mas de cinco, i seis por ciento de manera que perdiendo los rebeldes en la pimienta veyente cinco por ciento, y en los reales cinquenta son setenta y cinco por ciento natable dano, el qual no se puede recuperar con los retornos, i empleos de la India pues en todos los anos que ha que dura la dicha Compaiiia asta oj no llego a tener de provecho setenta i cinco por ciento, quanto y mas perdiendo esta cantidad cada ano. Grandes dos incombenientes parece que contradicen este cre- cimiento [225] de los reales en Flandes. Lo primero que luego que los reyes i potentados circunvezinos, i principalmente los rebeldes por conservar la dicha Compania levantaràn lor dichos reales, dos 0 três por ciento mas, i desta manera tornaràn a adquerir la moneda 1 desbarataràn nuestro disignio. Lo segundo que levantando Vuestra Magestad tanto de precio los dichos rales con gran brevedad se sacara de Espana toda la plata que es gran dano. Tercero tocante a la pimienta, tambien se pone por inconbiniente que es gran incomodidad esperar que se venda la pimienta, i que delia se saque dinero que sea menester para pagar effectivamente al exercito, i que los gastos, i despensas de officiales, i fatores con- sumen mucho, i que es necessário de caudal para sustentar este negocio, mas de quinientos mil ducados. Quantto a lo primero que luego los rebeldes, i circunvezinos levantaran los reales mas de otros tres por ciento, i que desta ma- nera tornaran adquirir la moneda para conservaria en sus tierras i maximamente la dicha Compania, i assi desvarataran nuestro disi- nio, digo que quando levantaren los reales en Flandes no serviera demas que de dar ocasion a que los reveldes los levanten a un precio, alto, por el propio respeto se huviera de hazer pues la [225 v.] quenta nos muestra, que huviendo Vuestra Magestad los reales cinquenta por ciento precio tan exsecivo que no lo podia sufrir la ganancia de la índia Oriental, llevandole los rebeldes qualquier cossa mas tanto mas se degollan i mayor dano reciven para no poder conservar la dicha Compania por lo qual parece que este incombe- niente no es vastante antes es combiniente, i justo executar lo que digo. Lo segundo que levantando Vuestra Magestad tanto de precio los reales con gran brevedad se sacara de Espana toda la plata, yo lo confieso, i no era justo que por restaurar el Estado de la índia, ni por otro mayor respecto se diera ocasion a que Espana reciviesse tan gran dano si con dexar de levantar los dichos reinos. Espana es segura de que no le sacaran la plata, mas la esperiencia nos muestra que la plata que viene en una flota la sacaran, i consumen antes que llegue outra, i pues este dano no se remedia con dexar de levantar los dichos reales, no es razon que se dexe de acudir a ne- gocio tan importante como este dicipando la Compania de los rebel- des con la qual se dieron a conocer i estimar de los reyes, i poten- 226
tados del mundo, i con que cada dia se van mas enrriqueciendo com- bocando a sus províncias deversas naciones, i personas ricas, que son las que inquietan los mares, i conquistas de Vuestra Magestad con las companias de particulares mercaderes [226] riquíssimos que cada dia hazen en aquellas partes por causa de florecer en ellos los negocios, i tratos mercantiles, i sobre todos este de la India Oriental y assi cessando la causa cessara el efecto, que es si Vuestra Magestad le arruinare los tratos i comércios como está dicho enfla- queceran las companias que cada dia se hazen, las quales son las que fomentan, i fabrican las armadas que van a negociar, i junta- mente rovar, i conquistar, que esta es la mayor fortaleza que tienen los reveldes i lo mejor de todos fuera que desta acasion la tomara Vuestra Magestad para con un... atajar dos males pues algunas vezes acontece que con el que se aplica a una nueva enfermedad se cura juntamente otra bieja, y queda el cuerpo sano de ambas, si assi puede acontecer que queriendo Vuestra Magestad acudir al dano que se reuve en que los olandeses vayan a la índia Oriental subiendo los reales en Flandes suba Vuestra Magestad la plata en Espana. Y esto bastara para nos asegurar de que no se sacara plata de Espana, e por lo menos no tanta cantidad, i hara perder a las companias de los rebeldes, i ingleses los mismos cinquenta por ciento cada ano como si en Flandes se levantasen los reales, i puedese hazer en la manera siguiente. Primeramente en todos los reinos dei mundo y en los de Vues- tra Magestad vale mas la plata que en este de Castilla, siendo fuente donde se reparte para todos los demas porque [226 v.] aqui sola- mente vale un real treinta i quatro maravedis, i luego en toda esta Corona que llamamos Espana puesto que contiene diferentes reinos como son Aragon, Valencia, Catalunia, Navarra, Província valen 36 maravedis i en Portugal quarenta, e assi parece que podria Vuestra Magestad ligar o levantar la plata veinte por ciento que es el precio de Portugal, i lo mismo que vale en Francia, Flandes, i Inglaterra, i que a este precio passe en todos los reinos de Vuestra Magestad arriva dichos, que pues todos juntos los nombramos por Espana, i todos estan devajo de una misma corona de Vuestra Magestad no es injusto que passe en todos la valor de una misma moneda, i que todo lo que mas creciere se aplique a la Real Hacienda pues Vuestra Magestad tiene tantas armadas, i presidios tan im- portantes a que acudir. Por manera que subiendo o ligando Vuestra Magestad la plata veinte por ciento en Espana, i diez que tiene de riesgo de la mar, i diez dei cambio, que dexa de ganar el que la lleva en espesia a reinos extranos, son quarenta por ciento, luego ninguna persona la puede sacar destos reinos, si no fuere para ganar otros diez, por lo menos que hazen cinquenta por ciento, pues dexa de ganar en el cambio diez por ciento, sin los riesgos peligros de juezes i officiales de sacas, rivaldarias de patrones, de navios, i peligros de la mar, 227
que aunque se seguran las haziendas si se pierden los navios, ni por esso se cobran todas las vezes los seguros, i assi esta provado [227] que levantando o ligando Vuestra Magestad la plata en Espana veinte por ciento se aseguran estos reinos de que no sacaran la plata sin la qual la Compania de la India no pueda ser continuada por los flamencos, ni ingleses, i la que se sacare conforme la verdadera quenta que aqui propongo biene a ser tan cara que ricivira de dano los cinquenta por ciento en cada ano como si en Flandes se levan- tasen los reales, i esta cuenta es tan clara que esta bien mostrando la total ruina de las dichas companias de los rebeldes i ingleses. Y pareciendole a Vuestra Magestad que se suba la plata en Espana sera en esta manera subiendo los reales, de a ocho i quatro, i ligando los cencillos, i de a dos imitando en esto lo que se usa en reinos estranos de Vuestra Magestad. Porque en Cartaxena de índias se ussa en lugar de moneda de unos pedaços de plata que por ser mas vaxa que la coriente que viene a Espana es remedio para que quando de alli salen las flotas, i traen todo el oro, i plata esta de los pedaços por ser mas vaxa se queda en la tierra con la qual los vezinos de aquella tierra se goviernan comprando, i vendiendo hasta que le viene otra en manera que le sirve de moneda que nunca sale de la misma tierra, i las barras de oro, i plata en aquellos reinos de índias de moneda i mercaduria, e en Portugal el mismo effecto hazen los tostones médios tostones i vinteis que por ser plata mas vaxa que la de los reales siempre [227 v.] se fica en el mismo reino (') en Francia, Flandes, Inglaterra, Italia. Y todo el mundo cada reino i província tiene sus monedas de plata i oro las quales de ordinário se conser- van alli, i no las sacan para fuera, i solamente los roblones i reales de a ocho i quatro que van destos reinos eceto alguna parte que se vate en moneda de las mismas tierras, lo demas por la estimacion, i valor que le suben se queda en especia. Y desta manera sirven de moneda i mercaderia generalmente por todos los demas reinos pas- sando las de una en otra parte donde mas valen haciendo desto ga- nancia como en mercaderia, por manera que suviendo Vuestra Ma- gestad los reales de a acho y quatro servira de moneda y mercaduria para que de todo en todo no se cierre la comodidad de los negocios de que en cada uno quisiere ussar, pues no puede ser la saca tan grande que dexe de quedamos en el Reino mucha plata demas de los sencillos, y reales de a dos por ser ligados los quales nos serviran como a los de Cartajena los pedaços de plata vaxa, y a Portugal los tostones y médios tostones y vinteis y a los demas reinos como moneda varida en ellos que siempre le queda en cassa. Y assi parece, que no podran estos reinos de Espana quedar exhaustos de plata como se vio a poços anos que valia el trueque de vellon a plata diez (') A margem: Francia. Flandes. Inglaterra, Italia. 228
por ciento, y oy en dia vale en los puertos marítimos cinco y seis [228] por causa de la saca. Lo tercero tocante a la pimienta que es grande incomodidad esperar que se venda la pimienta y que delia se saque dinero que sea menester para efetivamente pagar el exercito y presidios que Vuestra Magestad tiene en Flandes siendo cosa ordinária, que las mercadurias por buenas que sean, ni siempre se venden de con- tado y con la brevedad que a veses se requiere, i que gastos de offi- ciates, y factores consumen mucho, y sobretodo a menester de cau- dar para sustentar este negocio mas de quinientos mil ducados, digo que antes en Flandes se vendera com mas brevedad, i provecho porque ay en aquellas partes los mas ricos mercaderes de toda la Europa, i los que la compran en Portugal es para efecto de em- biarla a Flandes donde como mantenimiento se gasta la mayor parte de toda la que a Vuestra Magestad viene de la índia, demas de la que los rebeldes traen, i por lo mucho que en ella se gana y no allegando exemplos peregrinos sino de lo que Vuestra Mages- tatd usa en esta misma materia, parece que es justo executar lo que propongo. Porque Vuestra Magetad embia todos los anos a la índia Oriental cerca de cien mil ducados de los quales te traen diez mil quintales de pimienta que al precio de veyeinte i cinco ducados que oj la vende Vuestra Magestad en Portugal cada quinai son dusientos, i cinquenta mil ducados, pues si por el util que la Real Hacienda [228 v.] recive de ciento i cinquenta- mil ducados Vuestra Magestad arriesga en viaje tan largo, i peligroso cien mil ducados i todo passa por manos de officiates, y factores no reparando a gastos, i despensas, i peligros de la mar, con quanta mas razon deve Vuestra Magestad embiarla a Flandes, por la esperança de desba- ratar las companias de los rebeldes, i ingleses, matando el incêndio que cada dia va creciendo, tanto sin medida pues el dia que ellos dexaren dicha navegacion importara a la Real Hazienda cada ano, mas de trecientos o quatrocientos mil ducados, que tantos pierde Vuestra Magestad de quinze anos a esta parte dei precio que enton- ces valia que era setenta ochenta ducados cada quintal, a lo que oi vale, que son dichos vyente cinco. Y ultra de aqueste particular provecho son tantos, i tan grandes los que reciben los reinos de Vuestra Magestad assi dei Oriente por la quietud que ganan, i los tratos, i comércios que tornaran a recivir por estar oy en aquellas partes mui enflaquecidos como estos de Espana, i Estados obedien- tes, en que de Lisboa, i Amberes se reparian las especearias para los demas reinos como antiguamente solia, pues a estas dos ciudades como a fuentes únicas las ivan a buscar, que no tiene estimacion maximamente desbaratando estas companias de los rebeldes, i ingle- ses sin arriesgar armas [229] ni exércitos de gente que son los danos que se deven sentir, assi por lo que toca a la perdida de los vassallos como por la reputacion demas dei grande gasto, i despesa 229
de dineros, que quando a Vuestra Magestad le faltara pues este negocio no topa en otra cosa era justo, que Vuestra Magestad se empenara. Y no es razon que acostumbrando Vuestra Magestad hechar millones en la mar, que para semejante negocio se repare en dineros aunque fueran mayores cantidades, por ser materia de tanta consideracion que con arte mercantil usurpan os fructos de Vues- tra Magestad, pues es cosa sabida, que de la índia Oriental de Vuestra Magestad traen especiarias, no con otra cosa sino con los reales de las índias Occidentales de Vuestra Magestad por manera que siendo las propriedades de Vuestra Magestad ellos gozan el fructo delias, cosa que no se huviera de permitir aunque se arries- gara el resto quanto mas que nunca puede traer dano experimentar este negocio con boz de que Vuestra Magestad lo hace por los grandes câmbios que llevan los assentistas, porque quando lo tra- xera no es obligacion ser perpetuo porque solamente, dos o tres annos bastaran para arruinar, i desenganar a los rebeldes, i ingleses con que desarmen una vez, que es todo lo que importa, que lo mucho no se alcança sin trabajo, i caudal. Y quando lo de la pimienta no aya lugar por estos o otros respectos, que a Vuestra Magestad mejor pareciere por lo menos el acrecentamiento de los rebeldes en Flandes o Espana en la manera que está dicho se deve executar, pues es negocio que no ha menester caudal officialles, ni factores, i cosa mui usada en aquellas partes. [229 v.] Y Vuestra Magestad ha poco que lo mando en estos reinos subiendo el oro, y veemos por experincia que fue mui acertado para no se sacar de Espana de lo qual resulta que oi ay tantos doblones, i escudos, que mas procuran los pagamentos en vellon que no oro, i assi parece que hara el mesmo effecto levantar, i ligar la plata en Espana porque demas de que sera ocasion de estos reinos no quedaren tan pobres de plata se executa lo que pretendemos haciendo perder a la Com- pania de los rebeldes, i ingleses los cinquenta por ciento en cada ano con lo que es imposible poder conservar la dicha navegacion oriental. Y quando las cosas se puedan alcançar con arte y mana no combiene llevarlas por fuerça de armas en los quales la vitoria no es cierta, i segura antes dudosa, porque assi como el valeroso cappitan antes de sitiar la plaça reconoce el puesto, i el prudente medico antes de aplicar el remedio procura la enfermedad, i natu- raleza dei enfermo, assi combiene conocer primero el umor, i natu- raleza de los rebeldes i cometerles por la parte que mas le puede ofender como acontecio en una ciudade Gracia (sic), que haviendo los ciudadanos salido a un socorro se revelaran sus proprios escla- vos, i echos senores de la ciudad no vasto para subjetarlos la gran mortandad que hizieron en filos. Por consejo de un ciudadano de los mas ancianos el dia siguiente cometieron la ciudad llevando en 230
las manos açotes en lugar de armas con los quales entraron açotan- do los esclavos, i de manera que pudieron mas que las armas. Posto qual poderosíssimo senor si Vuestra Magestad quiere destruir a los reveldes no ay para que hazerles guerra con armas gastando millones [230] de oro, i de vassallos pues es nacion mas despreciadora de la muerte por su obstinacion,, que hasta oy se tiene hallado. El remedio a de ser açotarlos como a esclavos reve- lados, arruinandole sus tratos i mercancias, que son los juros rentas, vinas, i olivares, de que se sustentan, i tan amigos del interes que en tiempo de las guerras ellos vendian las armas i municiones, que havian de servir contra ellos mismos, i obligados desta ced dei dinero ban pasar mares, i climas tan prejudiciales a sus naturalezas, i poniendolos Vuestra Magestad en este aprieto sin falta los con- fundira. Y es tanto mayor la gloria que se deve tener en desbaratar, i destruir las companias de los reveldes i ingleses por este camino i no por guerra la qual no se puede hazer sin dano de muchos que parece que la misma razon obliga a Vuestra Magestad no ussar de otro, pues el açote que los de Grécia buscaron para subjetar sus esclavos, i los treinta por ciento que Vuestra Magestad puso en las haziendas i manufaturas de los rebeldes el ano de 603 para cuya conservacion era necessário tener propicias las voluntades de los reyes de Francia, Inglaterra i potentados de Alemania (*). cossa tan impossible como se vio por Ultra de que en aquellas partes es cossa fácil alcançar millares de passaportes falsos con los quales entravan en Espana las haziendas de los reveldes, i en este particular todolo puso Dios en manos de Vuestra Magestad hacien- dole senor absoluto, i soverano de estos dos generos plata, i pimienta, frutos de que solo Vuestra Magestad es senor coxidos de sus índias Orientales, i Ocidentales, a los quales Vuestra Ma- gestad puede poner los precios que quisiere levantando i baxando como fuere servido asegurado [230 v.] de que los reyes de Fran- cia ('), Inglaterra, i potentados de Alemania, i de todo el mundo e neste particular pueden hazer ni deshazer cossa alguna contra el gusto, e servicio de Vuestra Magestad como juez supremo que tiene la valança en la mano, ni es negocio este que se puede pacifi- car con passaportes falssos como hazian a las manifaturas de Olanda. I esta es la verdadera guerra que a los reveldes puede ofender i dar cuidado en la qual la victoria es cierta, i segura i en las armas dudossa. I todo lo que sobre este particular mas puedo encarecer se prueva diciendo que en los siete dones dei Espirito Santo pri- mero se pone la saviduria entendimento i consejo que la fortaleza, i assi porece que la fortaleza de armas se escusa quando con la í1) A margem: Reyes de Francia e Inglaterra. (1) A margem: Reyes de Francia, Inglaterra. Potentados de Alemaflia. 231
saviduria entendimento i buen consejo se puede alcançar la vitoria, i conseguir el fin que se pretende. Y pues esta materia de remediar la navegacion oriental a dado ocasion para tratar del remedio que puede haver para que no se saque plata destos reinos dire, i juntamente como me parece que se podia evitar la metida de los quartos con el menos dano que fuere possible, i para la gran christandad de Vuestra Magestad no admite servicio con dano de sus vassallos para que no lo aya o que seria impossible si de golpe se baxan. Puede Vuestra Magestad dar tiempo limitado como passe de un ano, o dos senalando dia cierto, i que passado dicho dia queden avatidos dichos quartos a un precio antiguo. La razon es porque como por la mayor parte todas las rentas encomiendas, i contratos se hazen por quatro, o ocho mezes, i lo mas largo por un ano los contratos que ya estan hechos tienen tiempo para se cumpliren sin dano de las partes, i los que de nuevo se huvieren de hazer, assi el comprador como el vendedor hara su cuenta para lo futuro, i desta manera advertidos de tanto tiempo atras no havran lugar de quexarse nadie pues se da tiempo largo para que cada uno se prevenga, i haga sus contratos respetando el fin. Y porque la gran prudência dei Consejo de Vuestra Mages- tad mui mejor determinara estas cosas que aqui advierto todavia haviendo algunas dificuldades a que sea necessário satisfazer a las razones que digo no estando bien declarados; supplico a Vuestra Magestad sea servido se me de noticia de lo que se offreciere, por- que podria ser que de palaba satisfazere mejor, que mi pluma. Dios Nuestro Senor lo encamine todo a su santo serviciov y de Vuestra Real Magestad. Amen. 232
39. [231] RELACION DEL SITIO QUE EL REY DE ARRACAN, Y EL DE TANGÚ, PUSIERON POR MAR Y TIERRA SOBRE LA FORTALEZA DE SERION EN LA INDIA DE PORTUGAL EL ANO DE 1607 H Aviendo yo entendido que el rey de Arracan, vénia sitiar esta fortaleza con todo su poder y armada, di orden a Pablo Rego Pinero, para que con siete navios y tres sanguiceis bien municionados de todo lo necessário, saliese de aqui a la buelta de Arracan, y (pudien- do ser) llegasse hasta la primera barra o puerto, y le hiziesse el dano que le fuesse possible en sus tierras, y que en qualquiera parte que encontrase su armada invistiesse co nella. Pero como la armada enemiga a causa dei mal tiempo no pudiesse navegar mas que hasta Camalan, que esta en medio camino antes de llegar a dicha primera barra de Arracan, or- deno el capitan mayor de nuestros navios que los tres sanga- ceis diesen en ciertas aldeas de Arracan- y tomassem algunos para que assi se supusse su disinio de la armada. Hizieronlo luego y dando en la aldeas mas cercanas pássa- ro ntodos a cuchillo y las quemaron y aunque tomaron algunos no se ha podido penetrar cosa. Visto esto volvio a embiar los sanguiceis y tres navios de los mas ligeros con ordem que trou- xesen otros de que pudiesse haver lengua, y noticia cierta de lo que se pretendia. Estos dieron en Caranci, (que esta cerca de la dicha primera barra) en donde hisieron notable dano sin dexar cosa viva, y alli han entendido como el rey estava en Arracan con toda su armada en Pontho (que es una de sus barras) y con esto se retiraron los nuestros a Negrais por hallarse fal- tos de bastimentos, de que me aviso, y luego se le acudio con todo lo necessário, ordenandole que estuviesse en Negrais, o Falço (que queda cinco léguas de Negrais), y alli aguardasse el enemigo, pero el capitan mayor no aguardo ni respuesta, y socorro que le embiava, antes se vino por las Gangas dexando dos sanguiceis en la barra a la mira. Y viendo ellos otro dia, que a armada dei Moguo entrava, se venieron recojiendo; de donde vino, que el capitan mayor (i) Ã margem: Del governador de la fortaleza Felipe de Brito. 233
no encontro mi recando y socorro, qut dio en manos de los moguos todo, siendo todavia ya avia llegado el rey [231 v.] de Arracan con todo su poder, el príncipe su hijo, el dey de Cho- goria, y grandes del reyno. i?epresentole el capitan mayor la batalla, quel (sic) enemigo rehuso arribandose a tierra entre risco y penascos sitio seguro para ellos, y de gran riesgo para los nuestros. Viendo esto los nuestros se pusieron en frente del enemigo a tiro de falcos y porque los mogos no salian, los nuestros viendo muchas barcas de bastimientos volvieron sobre ellas, pero socor- ridas la armada ligera con la qual travaron guerra, y ganaronla y alia de maruja, capitan myor que vénia de vanguardia, y le ma- taron con mucho sentimiento del rey. Tomaron aqui un português, y del supieron el intento del mogo. En esto gastaron los dias, con que la armada nuestra se ha recogido a esta fortaleza por de fuera, y se ha puesto en la punta de Digun, con mas una escusa galera, y un sanguicel, que de aqui se le enbio. Llego el enemigo a la punta de Digun con toda su armada en 25 de Março, y luego embio sus embaxadores a los hijos dei rey de Tangu que estavan aguardando su venida, en la ciudad de Pegú. Hize que les saliessen al camino, y les matassen, y quitassen las cartas, en ellas les dava el rey quenta de su venida, y que avi- sasse delia a su padre y embiasse algunos cavallos para que con su escolta pudiessen ir sus embaxadores seguramente. Mientras esto se hazia, el enemigo puso en orden su armada, hasiendo sus txincheas en tierra adonde recogieron los bastimientos que trayan, y su persona. En 29 dei dicho mes, hiso el enemigo pasar su armada gruesa a la punta dei Digun, poniendose a vista de la nuestra a tiro de espera. El postrero dei dicho a las tres de la tarde de nuestra armada se resolvio en dar la batalla, y estando ya a pique de executarlo, sobrevinieron truenos y mucra llubia que duro mas de ora y media, pero en cessanfdo] envistio con la dei enemigo que estava amar- rada a quatro cavos por ambas las partes de Ganga, teniendo las proas hazia el rio y algunas embarcaciones mas fuertes estavan de la misma manera en medio de Ganga. A/uestra armada combatio con la contraria hasta las diez oras de la noche saquendo muchos navios, [232] pero como era noche no se han atrevido nuestros pegús a llegar con la armada ligera que Uebavan, por lo qual no truxo la armada ningun navio, de los saquedos, porque la armada ligera dei enemigo era mucha, y se lo impidia. Huvo esta noche en la batalla muy gran confusion y destroço en el enemigo, tal que el rey se entro en embarcaciones ligeras para huirse y los suyos despues de haverse recogido nuestra armada, quedaron peleando unos con otros dos horas. La perdida que el enemigo ha perdido esta noche fue dei Cora- 234
gari capitatn mayor de toda su armada, muchos deudos dei rey, y mugelis, Cutupo capitan de todos los moros, con otros muchos capitanes de navios y gente que seria hasta três mil entre muertos y heridos. Recuperamos três portugueses que estavan cautivos en poder de los enemigos, mataronnos catorse hombres, de los quales los quatro eran capitanes de navios, tomaronnos un sanguicel pero salvosse la gente del, y huvo mas hasta sesenta soldados heridos. Huvieramos recevido mas dano dei enemigo, si non fueron las redes que nuestros navios llevavan; y si los enemigos no lo recibieron mayor, fue porque venian bien petrechados contra nuestro fuego. El dia siguiente por la mariana, reforço el enemigo su armada gruesa sacando de la mucha que traya ligera, hasta meter en ella alguno gente de su guarda, dexando catorze navios sin gente de los mayores. Nuestra armada se proveyo de gente de la fortaleza y municiones quedando los sanguiceis desarmados. El primero de Abril havia echado en tierra el rey Milyquias pegús y bramas, para que hisiessen una trenchea en la punta de Degun. Nuestros pegús quedaron muy afrentados, por no haver hecho aquella noche lo que deseavan; fueronse cinquenta dellos al campo con sus rodelas, por ver que hazian los otros, y dieron sobre ellos y mataron setenta, y entre ellos el capitatn mayor con otros tres grandes. Truxeron quatro capitanes cautivos a esta fortaleza, quitandoles algunas [232 v.] armas, hasiendoles hechar otras en Ganga. En quatro de Abril a las 9 horas dei dia, el enemigo acometio nuestra armada, que estava en esta Ganga de Serian. El capitan mayor dividio la suya en dos partes, y envestio la dei enemigo, que vénia tambien dividida en la misma forma. Ganaron a los contrários nuestros pegús ocho navios que tenian ya en su poder (y estavan estos en la esquadra dei capitan mayor) y la otra desbarato al enemigo. Vendo pues el capitan mayor siguiendo la victoria, en en- trando por la punta de Digun, dio su navio en dos estacas, donde no pudo jamais de salirse pero uno de los navios suyos lo dio cavo dos veses, y como vido que no podia sacarlo de alli, le dixo que passase aí dicho navio y le dava cavo; lo que el capitan mayor no quiso haser, y luego los enemigos cargaron sobre el con muchas bombardas y ollas de polvora, que encendiaron la dei navio, que era mucho, porque llebava para sy y para socorrer a los demas navios. Y los pegus que estavan en los dichos navios, le rogaron mucho que saltasse en tierra con sus companeros que le llebarian a la fortaleza Con el mucho fuego murieron todos los que estavan desde el mastil a la popa, y entre ellos el Padre Natal Salerno, que ya a esta sazon estava herido de una bombarda en un braço quedando al pie dei mastil el capitan mayor, quemado por las espaldas y los que se 235
hallavan en proa saltaron en tierra, y alii pelearon con los enemigos valerosamente y murieron todos a espada sin que escapasse con vida de todos los que ivan en el navio mas de un soldado, que des- pues dio nueva de todo. Y matron tambien al capitan dei navio que le avia dado cavo, con otros quatro o cinco soldados, hiriendo otros muchos. Quedando pues los nuestros sin capitan mayor, retiraronse a esta fortaleza, peleando siempre con la armada ligera que les seguia. [233] En seis de Abril me escrivio una carta el príncipe de Arrancan (que en esta fortaleza estuvo cautivo). Desiame, que pues Pablo de Rego era muerto, seria bueno venir apartido con su padre offreciendosse a que el seria el medianero, pues se hallava en tiempo para agradecerme las buenas obras que yo le avia hecho en esta fortaleza. f?espondile, que le agradecia la voluntad, que yo guar- dava a Su Alteza para mayores cosas, y si le parecia que por falta de un capitan pereceria la fortaleza, que el discurso de la guerra le desenganaria. A los ocho dei dicho mes, vino la armada enemiga llegandose por la parte de Serian, donde hiso una muy grande trinchera orillas dei agua, y a sombra delia recogio el enemigo toda la armada gruesa, pêro mientras la hazia, le costo alguna gente en los asaltos que hise darle. El dia sigiente hiso otra trinchera mas cerca, de la fortaleza junto a un rio, aunque le custo mucha gente; alli se arrimo su armada gruesa. El mismo dia nombre capitan para los asaltos con veinte com- paneros para que juntamente con los pegus se empleassen en ellos; y passando los enemigos el rio hazia la fortaleza con intento de hazer otra trinchea los nuestros dieron en ellos, ubo una trabada escaramuça y quedo erido muy mal el capittan y algunos de los nuestros, y de los contrários murieron mas de duzientos. Dos dias despues, llegaron los tres hijos dei rey de Tangu, y un hermano dei mismo rey con 600 cavallos y diez y ocho ele- fantes y diez y seis mil hombres de guerra. Esta gente y la dei rey de Arracan se apoderaron de un alto, endonde estava la igle[sia] de Nuestra Senora dei Monte, y quemandola hisieron en ella una [233 v.] trenchea muy fuerte. Este dia los nuestros mataron a los de Tangu quatro cavallos y alguna gente le cautivaron y mataron muchos de los de Arrancan; y pareciales a los enemigos que haviendo ganado aquel puesto era ya suya la fortaleza. Entre aquel alto y puesto, que assi ocupo el enemigo, y nuestra fortaleza, avia una punta ,que quedo de la ciudad vieja y entra en el rio, y por la tierra adentro una varela muy alta, donde los ene- migos senoreandola podrian hazernos mucho dano. En los dos pues- tes hiso poner dos pieças de artilleria y un capitan con veinte hom- bres, es a saber, en la punta, y en la varela adernas de hazerla a 1 lanar un poco, hize guarneceria con dies hombres y su capitan y 236
alguns mosquetes. Y todo fue de grande effecto, porque el enemigo desistio de su intento, que era venir poco a poco, acercandose y senorando la fortaleza. Tambien intento algunas veses con mucha fuerça hazer una trinchea entre la guarita, y varela, en un alto que alli esta a propositto para ello: porque como nuestra armada andava por la mar, pareciale que no avia gente en la fortaleza que podi[ese] defenderia; y a medio dia con mucha instancia y gente, assi suya como de Tangu, intento la empresa, pêro luego de la fortaleza salie- ron algunos arcabuzeros portugueses, y los pegus y siguiendolos, les mataron mas de 300 hombres de los principales, y fue tal la pruessa que muchos largaron las armas. Em dies y nuebe dei dicho mes, el rey de Arracan mando investir con nuestra armada que estava en frente de la fortaleza ocupando todo el rio, y dividiendola en quatro partes, las três de navios gruesos y la otra ligera en esta manera. Las dos partes de la gruesa y la ligera vinieron en [234] a la buelta de nuestra armada por la otra parte de la fortaleza mas alia de un penasco grande que esta en medio del rio. Nuestros navios que eran so los seis, y la escusa galera, vinie- ron arrimandosse a la fortaleza, dando lugar a que passase la arma- da dei enemigo, estando a la mira el tercio de la gruesa; la ligera se puso en medio de la Ganga; luego nuestros navios volvieron sobre la gruesa, quedando la ligeira atras, y hisieron grande estrago en los enemigos, ganaron un navio mayor,„y los otros se acercaron a tierra por la otra parte casi vencidos. Viendo el rey esto mando al otro tercio de la armada gruesa, que juntamente con la ligera socorriesse los otros; y los enemigos cobra- ron animo, con lo que los nuestros ya cansados, se han recogido a la fortaleza, y el navio que le aviamos quitado, por ser grande con la marea fue descayendo muy abaxo de la fortaleza, con un solo san- guicel que le tenia asilo Pero acudiendo toda la armada ligera dei enemigo le cobro, y el sanguicel se recogio con harto riezgo, y aquella noche hecho el enemigo cinco jangadas de fuego en nuestra armada, por quemarla, y con travajo se libro. El dia segiente, escrivieron tres padres que alia estavan cauti- vos el uno de Santo Agustin, y los dos clérigos, una carta induzidos del mismo rey, en ella dezian, que yo era causa de que ellos estu- viesen cautivos, y los demas; que el rey era muy benigno, y siempre havia hecho grandes vienes a los portugueses, aconsejandome, me fuesse a hechar a los pies del rey, que me perdonaria, y me daria esta fortaleza; pues no podíamos escapar, porque el Tangu avia vaxado con todo su poder; y haria pazes. .Respondi, que ya yo avia jurado pazes con el, las quales no avia cnmplido, usando mal de su juramento, y quien dei se fiasse, se hallaria en el estado de cautivo como ellos, y los demas estavan; y que yo avia dado [234 v.] ome- nage de la fortaleza a Su Magestad. 237
Quanto a haver vajado el rey de Tangu, que ya avia experi- mentado sus fuerças y las dei rey de Arracan, que lo bueno seria aconsejarle hisiesse llamar otros reyes amigos, porque entonzes que- daria esta fortaleza con mayor credito y honrra; y esperava en Dios que lo que avia usado conmigo, verle a el en el estado en que su hijo avia estado en esta fortaleza. Sintiosse mucho el enemigo desta respuesta y me embio a dezir que el no jurara falso, que Dios le cumpliria sus deseos que eran verme en su poder; que si el avia jurado falso Dios le castigaria y haziendo una platica a los suyos les manifesto la grande afron[ta] que yo le havia hecho con tal respuesta preguntandoles si tenian mayor temor de mi espada, si de la suya, que siempre la tenia sobre sus cuellos, y se persuadissen todos que solo el y su hijo yrian a Arracan, que los demas no le desagraviando moriarian todos. El dia segiente acometio la armada enemiga, gruesa y ligera, la nuestra, que se arrimo a la fortaleza dexandole livre el paso, aunque con perdida de los capitanes, uno de la escusa galera, otro de un navio y mucha parte de nuestra esquipacion; los cinco navios que quedaron revolvieron sobre los enemigos, y les obligaron a arri- marse un a otros con gran confusion y embaraço, hechandoles un navio a fondo y haziendo en ellos grande dano. Viendo el rey isto mando que socorriessen su armada, veinte navios que quedaron a la mira. Los nuestros volvieron a recogerse arrimandosse a la fortaleza, con perdida de diez hombres y muchos heridos haviendo ganado un navio que trouxeron consigo. Animandosse los enemigos con el socorro todos juntos acome- tiefron] nuestros navios que estavan raiz de la fortaleza, adonde se renovo la batalla que fue muy grande: llebando pues la marea [235] el navio que los nuestros avian ganado, fue a parar al pie de un puesto que teniamos guarnecido de gente en un alto (como queda dicho) y para impedirles que no le llebasen le matamos alli mucha gente, que passo de quinientos hombres, como supimos despues de aquellos que cautivamos, ayudando a esto muchos arcabuseros que salieron de la fortaleza. /íallamos en esto navio una media espera de metal y siete pieças de artilleria pequenas treze petos fuertes, y quarenta arcabuses. Viendo yo, que nuestra armada, no podia resistir a la dei ene- migo por la muerte de todos los capitanes delia; y los mejores sol- dados que avia en la fortaleza, hise que se recogiesse en fossos, fortificando un muelle con madera, donde los navios se defendran, que fue esto de mucho effecto, alli he puesto un capitan con treinta hombres quatro falcones, y dos médios falcones, y los pegús nues- tros hisieron otra trinchera, por ser estrecha la que tenian, la qual dividi, guarniciendola de portugueses e pegus, dando a cada uno su puesto. El rey de Pre, pretendiendo conservar nuestra amistad me presto cien negros para ayudar a remar en la armada, y casi 235
cada dia me embiava nueba de los asaltos que mandava dar al rey de Arracan con su gente, assi por mar, como por tierra. El dia que me han muerto el capitan mayor se hallaron aqui sus embaxadores, de los quales el rey de Pre, procuro entender, que mudança avia hecho en mi su muerte, y en mi gente, y le certificaron, que ninguna, y como estávamos todos mas firmes y constantes para defendemos: y fue esto de grande aliento para este rey continuar en darme la ayuda e socorro que yo le pedia; y era que hisiesse dar asalto en las trincheas que Arracan avia dexado en el camino con bastimientos elefantes y cavallos, y tambien en la de Digun, en que el mismo rey de Arracan estava, como en effecto, hiso el de Pre. Y en la de Digun que estava [235 v.] mas cerca le mataron mucha gente, y le ganaron al de Arracan alguna artilleria, pequena: quemaron las casas del rey y sus andas, acuchillaronle seis elefantes de manera que dello murieron; y continuando en los asaltos vinieron a tomar todas las olas (esto es cartas) quel rey de Arracan enviara y las que de su reyno le venian. Dos dias despues de retirada nuestra armada, en los fossos, y mu[elles] (?) embio recado el rey de Arracan , a los hijos dei rey de Tangú diziendoles quel dia siguiente determinava hazer una trinchea ha (?) la vanda de leste, arrimada a un puesto donde llegaria la trin[chea] de nuestros pegús: y al fin junto sus fuerças, con las dei Tangú para este effecto: y aunque los nuestros querian impedirles, viendo y (?) que era mucha la fuerça enemiga por mar y tierra no he querido aventurar la mia, con* todo los nuestros ma- taron este dia muchos (?) dei Tangú. Desta trinchea intentaron sacar una manga de gente, y hazer otras trincheas mas adelante: y haviendo dado principio a una, sobrevinieron en la tarde grandes trufenes] y Iluvia, los nuestros passaron un rio a nado, mataron mucha gente, y hecharonlo hecho en la trinchea por tierra, y si la lluvia durara mas, lo mismo hisieran de la otra. Viendo el rey esto, y como avia perdido tanta gente princip[al] de su guarda, despacho su hijo, y un sobrino suyo que se dize Ana- poran para que se aboccassen con los hijos dei rey de Tangú y resolviessen lo que se havia de haser. El dia siguiente volveron a hazer otra ves la trinchea que aviamos derribado, y se hallaron en ello los mismos príncipes assi de Arracan, como de Tangú, los nues- tros que Io impidian mataron muchos ha [zen] doles tirar sin que rudiessen hazer la trinchea. El enemigo determino hazer una muy grande trinchea [2361 un poco lejos de la fortaleza, diziendo que en ella avia de imbernar su hijo: pareciendole que con esta vos quedarian nuestros pegus llenos de temor, y dexandonos, se passarian a el, o, al de Tangú. Ayudava esto con embiarle olas de muchas promessas, y como la trinche [a] avia de ser muy grande, no se pudo acabar aquel dia; y assi a la noche al quarto dei alva hize dar en ella; los nuestros lo 239
hizieron valerosamente matando muchos y obligando a otros a que se hechassen en la Ganga, y quemaron toda la trinchea. A1 fin pasaron a haser trinchea de la otra parte del rio, en frente de la fortaleza, por impedimos el passo, y a los de Pre, que cada dia venian con recaudos. Pareciendole pues al enemigo que no teniamos ya gente, y viendo nuestra armada, recogida en el muelle, acomettio la fortaleza con toda su armada, y los hijos del rey de Tangu con algunos mogos por tierra pêro fueron hechados de alii con mucho dano de los hiyos. Nuestros navios que estavan en sus fosos, siempre los he tenido enpavesados, y con sus redes armadas y remos metidos, y todo era de gran confusion al enemigo, el qual haviendo visto el poco dano que en este sitio nos avia hecho se resolvio en yrse; y por remate acomettio la fortaleza, y las trincheas que estavan orillas de Ganga. Vmo pues toda su armada, trayendo muchas valas de paja para quemar nuestros navios, mas desde el muelle y fortalexa les recivie- ron, como convenia, en el muelle por desgracia tomaron fuego catorze camaras, y las que estavan puestas en los falcones y estando a la sazon treinta de los nuestros peleando permittio Nuestro Senor que no ofendiesse ninguno dellos. El rey que estava a la mira mando que toda su armada acome- tiesse el muelle otra vez pareciendole que estava todo quemado, pero hallando todo bien apercebido mando que se retirase. [236 v.] Los padres de los pegús mientras duro la guerra dexaron los hábitos y se hizieron soldados, entre ellos ubo uno de gran valor y esfuerço, que Uevando consigo 30 pegus con algunas ollas de polvora dieron una manana en las embarcaciones donde estava el príncipe de Arracan y quemaron una, y entraron otra, livrando a un português que en ella estava cautivo con grillos en los pies, esposas en las manos pescueso y cintura, y le han traydo a cuestas media légua. Los hisos dei rey de Tangu, estavan media légua desta for- taleza atrincherados por la mucha lluvia y en 9 de Mayo vino la gente de guarnicion a nuestras trincheras por recojer su gente. Los nuestros que avia quatro dias que no peleavan, les salieron hasiendolos retirar a su trinchea, matando muchos, y fue tal el miedo y priesa con que huyan que se hecharon por en [cima]? de las trincheas, pero como era ya tarde, los nuestros no le fueron en el alcance. Esto mesmo dia al anochecer se embarcaron los mogos y lar- garon todas las trincheas. Yuntose la armada con el rey y el dia siguiente por la manana que fueron diez de Mayo se partieron todos, quedando nossotros tales que no podíamos seguirles y tambien por estar el invierno muy adelante, y porque no podian llebar mu- chos navios, los dexaron quemando, y hechando a fondo otros. Hise que les siguiesen mis espias, hasta quel rey desembarfcase] en Saraa, que esta cinco jornadas desta fortaleza y dexando alli la 240
mayor parte de su armada, assi gruesa como ligera se fue por tierra en su reyno, llevando por mar doze galeotas de setenta y cinco que truxo, y de mil y tantas embarcaciones que trahia llebo duzentas y cinquenta, dexando [237] mucha artilleria por la costa y hechando otra en la mar que despues vinieron a buscar. Truxo el enemigo en su armada tres mil y quinientas pieças de artileria gruesa y pequena poco mas o menos, esperas, camaletes, y falcones. De las galeotas la que menos traya era doze pieças de artilleria bien petrechadas de paveses, xaretas, y gente, que seria en toda 30 mil hombres poco mas o menos, en que entravan, moros, patanes, parceos, y moros malabares, con ocho mil arcabuzes poco mas o menos. Despues supe por aviso que vino de Arrancan, como en esta guerra faltaron al rey diez mil hombres, y entre ellos muchos capi- tanes principales y la mejor gente que traya, porque esta era la que se hallava en las occasiones que ubo, y particularmente los mas de los moros malabares y de Masulipatan. Al rey de Tangu faltaron seis elefantes, quarenta cavallos y algunos 1500 hombres y entre ellos capitanes principales, y siente este rey mas la perdida de un hombre quel otro de Arrancan diez por los poços que tiene. Tiene Su Magestad obligacion de gratificar con honrras y mercedes a estos pegus por lo mucho que hizieron en la defensa desta fortaleza y hambre que aqui han padecido, que llegaron a tal estre- mo que se sutsentavan de yerbas malas y cueros cozidos, dexando muchos bastimientos, honrras ã mercedes y dadivas de oro (que es su Dios) que les offrecia el rey de Arranca y el de Tangu, prueba clara y bastante del amor con que los tratto y he tratado siempre dandole mucho de lo que es nuestro en todas las ocasiones para por este medio conservarles en fidelidad. Movido de curiosidad hize saber con diligencia el numero cierto y calidad de los mogos que los nuestros cautivaron en los asaltos de tierra y los que degollaron trayendo aqui sus cabeças y halle avian sido por todos 800 en que entran grandes capitanes y algunos topazes que venian induzidos dei rey para hazer alguna traicion. [237 v.] En todo el discurso de la guerra nos han muerto diez capitanes, conviene a saber Pablo de Rego primero capitan mayor, Pablo Pereira da Silva capitan de la escusa galera, Damian de Figueiredo, Antonio Rodriguez, Pantalion Ribero, José Vieira, capitanes de navios, Pablo Adan, y Baltasar Herrera, capitanes de sanguiceis, Simon Rodriguez el Tigre, segundo capitan de la escusa galera, Duarte de Lemos capitan en los asaltos y 80 soldados mas 17 pegus de nombre y mucha chusma de navios. is 241
40. [238] DESCRIPCION DE LA FORTALEZA DE DIU Es la cyudad de Dio muy nombrada en las Historias portu- guesas por los grandes sitios y assaltos de que se ha defendido y las notables defensas, que han hecho los portugueses, y tambien por su conquista. Es isla, y está en el Reyno de Cambaya sujeto al Mogor. Es plaça inexpugnable assi por arte, como por naturaleza, por- que está fundada sobre unas penas, a las quales bate Ia mar, y es su figura la que los geómetras llaman porcion de zirculo mayor o segmento mayor, y la vasis desta circunferência es una pequena linea recta. El terreno que cerca este mar tiene sus murallas, y la linea recta que corta este pedaço de circunferência, que mira a la villa tiene três baluartes, fundados sobre penas grandes y espaciosas por de dentro en forma de cubos sin angulo alguno con su fosso y estrada encubierta, y al fin de esta ay otros tres baluartes, que estan en el altura inferiores a los de dentro, que los cogen de alto abaxo a los de afuera que tambien tienen su fosso y estrada encubierta y perdiendose los primeros, queda la retirada de los se- gundos, resistiendo a los de abaxo no solamente a tiro de arcabuz, mas a tiro de flecha. La materia de que estan labrados y el terreno lo es tambien, y por esto incapaz de minas, ni de abrir trincheras. 242
41. [240] DESCRIPCION DE LA ISLA DE ORMUZ Es Ormus una isla, que está veintiocho grados de altura de la parte dei norte metida en el Mar Persico dos léguas de tierra firme de la costa de Persia en frente de un puerto en la misma Persia que se llama el Comoron. Su forma es casi circular, su circunferência será dos léguas de levante a poniente corre casi la costa de Persia por el poniente tiene el mar que pára en Baçorá, y en el entran los rios Tigris y Eufrates; por el Oriente el mar que desenboca en el occeano, por noate a Persia; por el sul al mismo mar pérsico por lo ancho que se termina en la costa contrapuesta, que es Arabia la Feliz, que dista de la misma isla diesiseis léguas. Tiene algunas montanuelas asperas de sal arbol alguno, más que algunos espinos es tan esteril, que aun agua no tiene, porque la trahen de Persia en barcos, y la coxen en la isla 11o vedira en cister- nas. Tiene tanto nombre porque era y es una escala ó feria a que concurrian muchos navios y mercaderes, unos de la índia, otros de las Arabias y Siria, y enfin de toda Asia, y parte de Europa a con- tratar. El primero que gano esta isla fue Alonso de Albuquerque al rey de Ormuz, que lo era desta isla y de otras tierras que tenia en la costa de Persia y de Arabia la Feliz. Hizo en una punta de ella, donde tenia un puerto algo espacioso para poder surgir un castillo de quatro baluartes de angulo agudo con su falsa braga. Las três cortinas van a la már y la otra tiene un fosso con sus cuchillo (sic). puerta, o inclusas por donde entra la marea, y se llena de agua con una contra escarpa bien labrada a la parte dei norte asta la isla, y junto al castillo la cyudad a menos de tiro de arcabuz (*). (i) A margem: Sacada de la relacion manuscripta. que escrivio de su Ada el capitan Domingo de Toral y Valdez. 04 7
42. [242] DESCRIPCION Y NOTICIAS DE LA PRO- VÍNCIA DE LA TRANSILVANIA La Transilvania, que antiguamente se llamó Dacia, tiene este nombre por las muchas selvas, que en ella se veen, porque banadas en sangre, hizieron celebres los victoriosos triunfos de los antiguos emperadores de Roma. Fue digno assumpto, que las mas insignes y excelentes plumas de los antiguos historiadores se ocupassen en escrivir su historia. Banala por el lado izquierdo el Gran Danúbio, por ella entra en el ancho mar, dividiendo por aquella parte la missia superior de la inferior . Confina con la Valachia al medio dia: por la una parte con la superior Ungria, y por la otra con el gran Reyno de Polonia. Esta noble y famosa província por su sitio natu- ral es muy fuerte, porque está rodeada de altíssimos montes, e inac- cessibles, y de campanas grandes y espaciosas, con que fuera insu- perable de armas estrangeras, si sus mismas sediciones no abriessen las puertas a sus ruynas tantas vezes lloradas. Casi toda ella es liana, agradable y fertill, y produze en abun- dância los granos más necessários. Tiene no obstante algunas coli- nas faciles de subir, donde a la parte del medio dia ay gran cosecha de buen vino, y en los bosces se crian muchos generos de animales. En los montes grandes ay ricas minas de oro y de plata, e de otros metales menos preciosos, y fuera de mucha sal y buena, que en ellos se coge, en uno de ellos ay un cierto betun, que aprovecha para dos cosas muy necessárias, porque poniendolo al fuego de lo más denso y viscoso, se haze una cera de color obscuro, de que haviendo velas ó cirios, hecha de si tan suave y agradable, olor, que conforta no solo los sentidos, sino preserva tambien de pestilência a los que le huelen. De lo que queda desto que es liquido y ralo se haze una materia muy buena para untar las ruedas de los carros, y para qualquiera otra semejante ocurrencia. [242 v.] En las selvas y los bosces fuera de la caza de ciervos y gamos, se crian ossos, bueyes y cavallos silves- tres con muy largas clines de fiereza indómita. Puedese tam- bien considerar la abundancia y riquesa desta província no solo de la gran cantidad de ganado vacuno y cavallar, sino tambien dei ovejuno, que es tan numeroso, que llena el paiz de carnes muy sabrosas, y de excelentes lacticínios. Tiene tambien fuentes claras y limpias, y cristalinos rios, donde fuera de la mucha pesca se coge 244
mucha cantidad de oro, y muchas vezes se han aliado granos tan grandes como nuezes, y adernas de todo esto se crian bellissimo cavallos, no solo para rua, sino para aprovecharse de ellos en el tra- baxoso exercício de la guerra, y son ventajosos a los de las provín- cias cercanas, y casi igualan a los de Turquia y Berberia. Dizen los saxones que ellos poblaron aquella província, y que descienden todos sus habitadores de aquellos nobles alemanes, que en tiempo de Carlo Magno arrivaron alii y la poblaron de colonias tudescas, y para prueva desto, no solo trahen la lengua y el nombre, sino tambien las mismas leyes y costumbres, llamandose ellos saxo- nes, ablando casi claro aleman, guardando casi de ordinário las leyes imperiales, y viviendo a la tudesca, de donde la província se liana Tainven Burghen, que en nuestro idioma dize siete cyudades por otras tantas habitadas de dichos saxones. Tres naciones principales habitan esta província, y la principal delias y más culta es la de los saxones muy dados a la agricultura, y a otra qualquiera arte. La segunda es la de los siculos, tenidos y reputados por verdaderas relíquias dei rey Atila, a quien llamaron Açote de Dios, de donde la region se llama Siculia. La tercera es de los ungaros, a quien se puede juntar cierta otra gente diferen- tíssima en leyes y costumbres, que con el nombre de Valaca, parte poblada de excelentes lugares, y parte casi yerma, abusando la practica de los otros pueblos por conservar su natural ferocidad, guardan la religion y leyes de Grécia. . Los siculos, como tambien los ungaros descienden de aquellas indómitas seytas [243] que deseando más feliz morada que la pro- pia, salieron a poblar gran parte de aquel clima, y ocupando una no pequena de la Transilvania le pusieron por nombre Scitulia, y cor- rompido este se llamó despues Siculia. Estos son ferozes, intrépidos y despreciadores de los peligros, aficionados a la guerra, y en gran manera deseosos de la gloria militar. Acrecienta su natural fero- cidad el sitio del paiz que habitan que es por la mayor parte fragoso con inaccessibles montes, tanto por los espesos bosces como por los estrechos passos, que tienen bien guardados y guarnecidos. Su lengua es como la de los ungaros, pêro libertad, y leyes parti- culares; y como los elvecios se goviernan por cantones, assi estos dei mismo modo se rigen por condados y juezes. Militan a su costa quando se lo pide el príncipe de la Transilvania, y el numero se regula segun la necessidad, porque algunas vezes de estos pueblos, que se glorian de ser el braço derecho de la Transilvania, se han formado exércitos de veinte mil y más combatientes. Los ungaros que en el trage y lengua se diferencian poco de los siculos, son en el natural muy diferentes, porque como estos professan mantener su palabra y fee lealmente con efetos genero- sos, y en defensa de su príncipe natural ponen a riesgo sus vidas, aquellos por el contrario siendo mudables, mudando senores (en aquella provinda) segun los tiempos, son notados de perjuros, 245
instablcs e inconstantes, y más rebeldes, que otra ninguna nacion contra sus senores, y finalmente de animo tan inexorable, como en las ocasiones cobarde, abatido, y lleno de vileza. Aunque en esta província ay muchas cyudades, las mas prin- cipales, son ocho. Cibinio, Brakovia, Colusvar, Bistrivia, Segesvar, Meges, Zebeso, y Alba Julia. Esta ultima es la metrópole de toda la província, y corte de sus príncipes. Los rios mas principales son ele Marucio, el Samos, el Crisios, el qual tiene este nombre por las arenas de oro que tiene, y los de aquella tierra le llaman Aragnes; el primero y ultimo dan cada ano de feudo ciento y cincuenta mil escudos, porque el Aragnes fuera de la saca, que en el se haze de oro, desbocando no lexos de Torda [243 v.] en el Marusio, lleva a los paizes de Turquia muchissima sal con utilidad comun assi de los pueblos vezinos, como apartados. Pero entre tantas riquezas, y grandezas de tan fuerte pro- víncia, estan sus pueblos oprimidos de una miserable seguedad, viviendo en una sacrílega apostasia, digna de llorar, porque apar- tandose de la verdadera religion católica apostólica romana, siguen las execrables doctrinas de Arrio, Luthero y Calvino, y assi no es de maravillar, si este miembro apartado dei cuerpo de la Santa Iglesia padece tan grandes accidentes, como trahe consigo la guerra, pues voluntariamente se ha apartado y buscado su propria ruyna, irritando contra si mismo la ira del gran rey de los exércitos, para que sacando la espada vengadora, execute en ella castigos tan merecidos. En esta província sucintamente ya descrita fuera de los graves incêndios, y ruynas se representarán en esta historia, como en lugubre y trágico theatro grandes mortandades, infaustos sucessos, infelicíssimos accidentes, sucedidos en breve espado de tiempio por la inconstância de la fortuna y trueque de las humanas acciones. Veranse en ella como actores y personajes principalissimos. Segis- mundo Bakori de Somlio, Miguel Vaivada de Valacchia, Andres Batori el Cardenal, y el conde Jorge Basta. El primero valesoro y feliz, mientras regulo sus acciones con prudência y constância, fue por descendência, y verdaderos méritos príncipe de la Trasilvania. El segundo de valor barbaro, famoso en fingir y dissimular. El tercero príncipe de nacimiento y cardenal de la Santa Iglesia, pero de grandíssima ambicion. El quarto Caval- iere italiano, hijo de padres nobles, gentilhombre y feudatario alba- nês, fiel, invicto y glorioso, que refernó el sobervio orgulho, y exe- crable ambicion y la inconstância precipitada de aquellos, atemorisó las traydoras armas dei Boschai cabo de los rebeldes, y confederado con los turcos, les quitó de las manos la suprerior Ungria, y la Tran- silvania, que injustamente possehian y la reunió a la augusta corona del invictissimo y siempre excelso emperador Rodulfo. 246
[244] Origen, calidades, y costumbres de los tartaros Salieron los tartaros belicosos de la septentrional y elada Sci- thia, y cubriendo de robos, estragos e incêndios la Persia, Armenia, Gorgonia y las demas províncias de la Asia finalmente se apodera- ron de todo, y desde alii passando los montes Riscios ganando la belicosa Sarmacia destruyeron la Rascia matando los polacos y cunos, y yendose engrossando, y formando numerosos exércitos llegaron a los confines de la Gothia y de la Dania. Escriven algunos que esta gente fue tributaria en tiempos anti- guos de un rey de la India, queriendola sujetar a la milícia se levan- taron contra su rey haziendo su capittan a uno llamado Languista, y armandose con troncos de arboles, y con flechas assaltaron todo el reyno sin perdonara sexo alguno, ni edad, matando a su senor y a sus hijos, dexando solo con vida a una nina hermana suya, con quien se casó su capitan. Apoderados ya del reyno, emprendieron hazerse senores de todo el mundo. Embiaron una sobervia embaxada a los corasmitas gentes de la Asia sus convezinos, diziendoles tributassen todos los anos, y a no quererlo hazer, esperassen su ruyna, y universal fin de todo el paiz. Estos mataron, e hizieron pedazos a los emba- xadores, con que se vino a las armas, y peleando fueron vencidos los corasmittas, y huyeron a los Montes Caspios, de donde los tro- politanos los echaron, y mataron. Apoderarohse tambien los tartaros en algunas facciones de Sassa cyudad principal dei reyno de Persia, la qual no mucho tiempo posseyeron, y siquiendo el curso de sus victorias vencieron a Coun rey de la Iberia y de la Albania. Pelean- do en la Palestina los christianos con el Soldan pideron socorro a los tartaros, y con su ayuda alcançaron victoria, y recuperaron la santa cyudad de Hierusalem, profanando con sangre, estrupos, y diversos robos aquellos santos lugares. Son los tartaros de fierissimo aspecto, y la mayor parte de ellos de pequena estatura. Tienen los ojos grandes y saltados, cubiertos de muy grandes pestanas, y no muy abiertos, con que parecen [244 v.] mas pequenos. La nariz, frente, y toda la cara disforme y larga. No tienen casi pelos en la barva, y solo se les vee un poquito de boço, cinense el cuerpo con un tosco cenidor muy apretado. De una cien (sic) a la otra se rapan sino es en lo alto de la cabeça, donde deran de industria un mechon de cabellos negros y toscos, y de alii con muchas bueltas de dexan caer sobre la una, o sobre la otra oreja. Son ligeros y agiles para andar a cavallo, en que se exer- citan desde ninos, y raras vezes. Sus cavallos son castrados dociles, y diestros, tienen las nari- zes largas y hendidas, no osan de freno, ni comen jamas cevada. Quando ablan parece que rinen, como si de cólera no pudieran pronunciar las palabras. Si cantan si puede dezir que mugen como 247
bueyes, o ahullan como lobos. Sus estancias, y moradas son incier- tas e instables por lo que de ordinário habitan en tiendas y en cho- zas. El verano viven en las montaiias, y el invierno en la marina. Exercitanse en la lucha, y se industrian en tirar flechas y asta a los ninos no les dan las madres el sustento, si primero con una saeta no le aciertan. Son grandíssimos cazadores, y envisten a qual- quiera fiera por feroz que sea y no ay animal tan ligero, que si ellos le veen no le maten con sus flechas. No tienen lumbre de religion, ni saben rezar oraciones algunas. Solamente hazen unas pequenas imagines con humana forma con pechos de muger, las quales trayendolas en ambos lados del pecho dizen son sus deoses, y defensores, y que tienen cuydado de sus ganados, y que los aumentar, y quando hazen algun combite (y los suelen hazer abundantes de diversas carnes) les ofrecen las premicias de lo que viene a la mesa. Delante de la tienda de su rey acostumbran poner una gran estatua, a quien ofrecen algunos cavai- los, en que ninguno puede despues montar, y tienen por ley invio- lable al passar por delante de aquella efígie inclinarse y postrarse en tierra. Dizen que rehusó hazer esta ceremonia Miguel Duque celebre de los rascianos, y que luego al punto le mataron e hizieron pedaços. Dos interpretaciones tiene su ley aunque es sola una ceremonia. Dexanse llevar de tal manera de la impiedad y arrogancia, que dizen que su gran Can os hyo de Dios y le dan aquellas honras y culto que a las cosas divinas se [dan] [245], Son tan lassiva- mente luxuriosos, que no contentandose solo con las mugeres, usan muy de ordinário el pecado nefando. No le parece se hade llamar muger la que no ha parido, y asta entonces el marido no recive el dote, y repudian a las esteriles. Quando sitian alguna plaça procuran con muchas lizonjas que se les rindan los sitiados, y prometen muchas cosas, de las quales despues no cumplen alguna, porque estan acostumbrados a pelear mas con enganos, que con fuerzas. Quando se apresentan para salir en campana, poquissimos llevan lanças ni adargas, porque los más usan arcos y saetas, cubriendo los braços de un duro cuero, ò de unas planchas de hierro. Montan a cavallo y fiados en la ligeresa de los suyos, emprenden qualquiera faccion. En llegando a vista dei enemigo avançan al principio con grandíssimo valor, y si reconecen les hazen resistência, procurando salir dei riesgo se retiran por lo menos tres jornadas, y despues tomando sitio más ventajoso se detienen asta tener aviso que el enemigo se ha dividido, para poder despues de improviso dar sobre el y derrotarle. En viendo que el enemigo pelea fuertemente le dan lugar para que pueda huyr. pareciendoles podran vencer mejor el que huye, que el que pelea. 248
Quando se determinan en hazer algunas correrias marchan a largas jornadas, y procuran llegar a los confines de noche, y se emboscan en los montes, y al amanecer, echan en lo llano algunos batidores, los quales vistos por los de aquellos pueblos, procuran retirarse los montes por assegurarse, y dan de pechos en los embos- cados. Quando reconocen ventaxa en el pelear, buelven las espaldas, y huyendo disparan sus flechas con mayor fuerza y retirandose en esta forma de improviso, se buelven arehazer, y buelven contra los que los seguran, con que los vencen y matan. 249
43. [246] PERSIA De la description de Persia, y las províncias a ella sujetas (J) Es Persia, segun Estrabon, aquella tierra, que está baxo de la Parthia y Carmania entre las províncias de Media y Hircania (si hemos de creer a Pedro Appiano) dexando al medio dia la Arabia. Y dize el Botero en sus relaciones (y dize bien) que es Persia pro- priamente la tierra, que aora llaman Parsi, ó Parsistan, cuyos tér- minos son el rio Syrtho, y el Lyedro, y se estiende desde los con- fines de Carmania, que aora se dize Quierman, hasta los de la antigua Media, que oy se llama Gerban, que es distancia de mas de quatrocientas léguas. La principal ciudad metropoli y cabeça de la Persia es, Xinas ciudad puesta sobre las riveras dei rio Bendeamir, que antiguamente se llamó Persepolis, abrasada por Alexandre Magno, aunque aora no de mucho menor poblacion, pues dentro de lo murado tiene mas de sesenta mil vezinos. Y aunque Zosaphat barbaro le da veinte millas de circuyto, yo que la ê andado y medido, me parece que con latitud y longitud de huertas y jardines (porque no ay casa en ella, que no tenga jardin) tendra de circunferência y casas, quatro léguas castellanas. Es esta ciudad de grande comercio, por passar los mercadores dei Zagatay a la índia por medio delia, y ter como una aduana, ó perto seco y per- tencen al Parsi, ó Parsistan los Estados de Lar. Y yncluyesse tam- bien a esta província el Reyno de Sofian, cuya cabeça es la ciudad de Suster, puesta sobre el rio Zeymara, tierra tan caliente, que los hombres en el tiempo de la mayor canicula, se meten en el agua hasta la garganta, para poder passar el cuerpo dei dia. Sobre el Reyno de Persia, está (como diximos) Ia Parthia, que es oy el Reyno de Harac, cuya cabeça es la ciudad de Espahan adonde tienen su corte [246 v.] los reyes de Persia, y de donde nosotros salimos para venir a Espana, y es de grande poblacion, que la llaman Nispechahan, que quiere dezir medio mundo. (') A margem: Persia. Esta descripcion está sacada de Ias relaciones de Don Juan de Persia impressas en Valladolid, afio de 1604, á foi. 4. 250
Pero reduzida a numero cierto, su vezindad sera de ochenta mil vezinos, antes mas que menos. El concurso es notable, y podrase ver por las casas do mesones, que tiene en sus entradas, que son seiscientos, que alia llaman car- vançara, y trezientas casas de vanos, que alia llaman haman. Es tierra baxa algo pantanosa, y por su mucha humedad, no bien sana. Está cercada toda de un rio, que llaman Senderu, y tiene dies mil tiendas de mercaderes de vestidos, como de vastimentos de comidas, que se llaman bazar. Pero con todo desde su primero principio tuvo estrella de ser corte de reyes: Pues segun Estrabon Espahan es la antigua Ecatom- pyle, que quiere decir ciudad de cien puertas, Y aora dei numero de ciento, tiene otra cosa muy notable, que tiene en diferentes estan- cias cien torres, ó atalayas tan altas, que demas de hermosearla con sus estranos labores y pirâmides, se ven desde sus ventanas, mas de seis léguas de longitud. Y la mayor torre de estas está en la cavalle- riza real, cuyo chapitel es tan grande, y de tan estrana materia, que es hecho de treinta mil calaveras de benados y ciervos, muertos por el rey Tahamas, en un dia de oxeo, en que affirman, que de solos caçadores llevo vente mil personas. Criase en la comarca de Espahan, mucha seda, y la brase bien, particularmente en las ciudades de Argistam, Cassan, y Eit, Gom y Saba. Hazia el mar Caspio está el Reyno de Casbin, donde hasta aora han tenido los reyes su corte, despues dé la ruyna de la famosa ciudad de Tauris. Está Casbin a la parte de la tramontana mas al Septentrion. Es tierra fertilissima de grandes huertas y jardines, poblacion de mas de cien mil vezinos (y para que se entienda su grandeza) yo he contado por curiosidad muchas vezes las mez- quitas de Casbin, y passan de quinientas. La casa y palacio real, es sumptuosíssimo, es tan grande, que se anda por dentro de el dere- chamente la quarta parte de una légua. Y tiene el Reyno de Casbin veinte ciudades muradas, y mil lugares abiertos. Entre Casbin y Curdistan, está el Reyno de Amadan, que tendrá de travesia cinquenta léguas, quinze [247] ciudades, es toda gente de tratantes. , Acercandose mas al Mar Caspio, está el Reyno de Guylan, cuya cabeça es la ciudad de la Hichan, que tendra de poblacion setenta mil vezinos. Es tierra monctuosa y aspera, muy enferma (por razon de los dos princípios, de calor y humedad, que lo son de corrupcion, donde quiera que predomina este temperamento). Las mugeres de la tierra son muy gordas, y los hombres muy flacos. Tendra hasta treinta ciudades dç no demasiada poblacion, las casas de madera, aunque por el sitio algo inexpugnables. Mas adelante costeando el Mar de Baccu para el septentrion, entre la Arabia, y Tartaria, está el Reyno de Zerban, província que tendra de longitud cien léguas espanolas, es su poblacion de hasta 251
quinze ciudades. Es la ciudad de Zerban, cabeça, y metropoli dei reyno, de cantidad de cinquenta mil vezinos, es toda la tierra sana de claros ayres, de trato de mucha seda, y los campos de mucha caça, particularmente de venados. Bolviendo mas al poniente por la parte septentrional, dexando el Mar Caspio, la tramontana está hazia la Tartaria mayor el Reyno de Estarabat, de quien toma el reyno el nombre junto con el Reyno de Caraçan. Tiene Estarabat sesgnta léguas, escasas de travesia, tiene el reyno doze ciudades, y la de Estabat mas de cinquenta mil vezinos, y es su trato por una boca de un rio a la navegacion dei Mar de Baccu, siguese el Reyno de Mazandaran, tierra de cinquenta léguas de longitud, tiene veinte y cinco ciuda- des, su cabeça Mazandaran, poblacion de cinquenta mil vezinos, tierra fria y de muchos montes, nunca llegan los frutos a madurar. El Reyno de Coraçan es de las mayores províncias que tienen sujetas los reyes persianos, porque tiene mas de duzientas léguas de travesia. Tiene mas de treinta y cinco ciudades de muy grande poblacion, cuya cabeça es la ciudad de Hiery, cuya poblacion es tan grande, que passa de cien mil vezinos, y con los jardines y casas de plazer, que estan continuas con las murallas, tiene de circun- ferência mas de seis léguas. Es tierra llena y bien poblada, y la gente mercaderes tratantes en la India Monovia, y [247 v.] las dos tar- tarias. Mas al Oriente ay un reyno, que llaman Candahar, y sus mo- radores son vassallos dei Preste Juan. Es la tierra riquíssima, tiene de travesia sesenta léguas. La ciudad mas principal tomando el proprio nombre dei reyno se llama Candahar, tiene setenta mil vezinos, tierra calida y gente tratante. En el medio dia algo hazia el Oriente, ay un reyno que se llama Cistan, tiene de travesia cinquenta léguas. Su cabeça y ciu- dad principal se llama Cistan. Tiene quinze ciudades, la poblacion de la ciudad principal, cinquenta mil vezinos, tierra mui humeda, enferma y montuosa, y de gente de guerra. Mas al medio dia está la ciudad de Guyenche, cabeça de aquel reyno, que tomó el nombre de la misma ciudad, el qual tendrá de longitud escasas quarenta léguas, poblada de siete ó ocho ciudades. Y la de Guyenche será, de hasta cinquenta mil vezinos de poblacion, La tierra es muy fria pero Ia gente muy belicosa. Tiene la ciudad de Guyenche una cosa notable, y por esso la pongo aqui, que es una torre hecha desde los cimientos para la pyramide de arriba, de calaveras de cabeças de turços, que deven de ser el numero, mas de cinquenta mil, que mezcladas con Ia piedra y argamassa, hazen una monstruosa torre, la qual labró el Can Ciadogli, aviendo ven- cido en una batalha campal al turco. Mas al poniente se sigue el Reyno de Haderbaichan, cuva cabeça es la ciudad famosa de Tauris tan conocida, por aver sido e'la y su reyno, en quien ha procurado la casa ottoma satisfazerse 252
de los sophianos persas. Es su reyno poblado de mas de treinta ciudades, cuya cabeça es Tauris, que antes que los turcos la arruy- naran (como despues veremos) era su poblacion de mas de ochenta mil vezinos. Es tierra apacible, abundante de carne y fruta, al modo de Espana, aunque mayores, porque los carneros son como las ter- neras de aca, de las quales se hazen cinco quartos. Es la gente muy belicosa inclinados à guerras, la nobleza mucha. Tendrá la tierra de longitud, ciento y cinquenta léguas. Mas hazia el medio dia y poniente, está [248] el Reyno de Curdistan, aunque ay otro Reyno de Curdistan mas hazia Babi- lónia. El Reyno de Curdistan de quien aora hablamos, confina con el Reyno de Haderbaichan. Su metropoli es la ciudad de Coysalma, cuya poblacion es de treinta mil vezinos, y la demas tierra tiene quinze ciudades. La gente no es muy politica, pero gente inclinada a las armas. Viven la mitad dei ano en tiendas en los campos, al modo de los alarbes, aunque ellos lo son harto. Luego se sigue el Reyno de Malaga, ó de Maraga, que es el otro reyno de Curdistan. cuya cabeça es Maraga, y confina con otro reyno llamado tambien Curdistan, cuya cabeça es la ciudad de Cormaba, y este reyno confina con el de Babilónia llamado Bagdat. Tendran de longitud estos tres reynos trezientas léguas. Son bien poblados y de gente belicosa, y que jamas les faltan guerras con los turcos sus vezinos, de suerte, que dando la buelta por el medio dia, bolviendo a caminar por el signo pérsico, y dividiendo el mar el Reyno de Ormuz dei Reyno de Lar, se acaban los senorios y províncias sujetas a los reyes persas, abrasando sus Estados los dos mares Caspico y Persico por la latitud, y estendiendose su longitud desde la antigua Caldea, Syria, y Mesopotamia, llamado oy Diar- bech, entre el Eufrates y el Tigris, hasta los confines de la Gurgia, ó Georgia Menor, y la Tartaria Septentrional, y parte de Moscobia, a los fines dei Rio Éder, dicho comunmente Bolga, por la tramon- tana, y por las tierras meridionales de las dos Arabias, de suerte, que si queremos hazer un circulo imaginário dei Mar Caspio al Persico, y dei Lago Gioco al Tigre, y al rio Osso, ó Abiano, hasta el Reyno de Cambaya, hallaremos una circunsferencia y ambitu de todos los reynos sujetos oy a la corona de los persas, espacio tan grande, que encierra mas de veinte, y un grados de levante à poniente, y mas de diezyocho del septentrion al medio dia. [250] Muito alto, e poderoso senor posto que por todo tempo atras não faltarão a esta cidade cousas de que dar conta à vossa catholica Magestade tocantes a seu serviço e bem comum destes vossos Estados, que sera hoje, pois tão contínuos vemos serem nelles gente dessa Europa enemigos do nome christão, e alevantados do suave jugo de Vossa Magestade, e pois só delia, e por sua via espera todo este Oriente por remedio confiados estamos em Deos senhor 253
de tudo, terá Vossa Magestade un Estado, e com tão prósperas vitorias, que o tempo lhe de lugar a por os olhos em nós, e ouça nossas misérias, das quaes diremos somente as que tocam a esta cidade, e mais fortalezas do Sul, porque da cidade de Goa, e sua costa deve Vossa Magestade ter meudamente novas pera em tudo prover como vir que he mais seu serviço. Da armada que esses alevantados olandeses pera estas partes botarão o anno de 604, vierão à barra de Goa em Setembro do mesmo anno dez naos, e o por que viram nella não podião fazer quanto dano querião, ou por trazerem seu intento em outra cousa de menos custo, se fizerão na volta deste sul, e segundo despois tive- mos por novas com pretenção de virem a esta fortaleza, mas por falta dos ventos que naquelle tempo são contrários não se puderão meter por dentro da Ilha de Samatra que [250 v.] he o caminho. E hindo por fora forão ter à Sunda aonde depois de dar ordem as suas pretençóes se fizerão na volta do mar das Ilhas de Maluco, e hindo primeiro ter a Amboino aonde estava hum Gaspar de Mello por capitão a tomarão a dez dias do mes de Marzo de 605 annos, o qual se lhe entregou por nam terem polvora, nem monições como o mesmo capitão, e casados dão por desculpa, e pera mais mágoa jurarão nella o Principe de Orange cousa tão nova na nação por- tuguesa. Isto passou em Marzo como temos referido. No Fevereiro do mesmo anno, vindo da China duas naos de mercadores com hum galeão de Vossa Magestade que la foi pera lhe dar guarda no meio do caminho da China pera esta fortaleza lhe quebrou o leme, e nãc tendo remedio se foi a Patane, que he hum porto de malaios que erão nossos amigos, aonde acharão duas naos olandesas velhas que cà tinhão envemado, e a tomarão com partirem a fazenda os olan- deses e malaios por onde o porto ficou quebrado, donde vinhão muitos mantimentos a esta cidade de Vossa Magestade a qual não importava nesta alfandega trinta mil cruzados de direitos, e na de Goa cincoenta mil cruzados. Yoôr de que Vossa Magestade deve estar emformado o que basta he hum porto de malaios trinta leguoas desta fortaleza aonde a Ilha Samatra com esta nossa terra firme junto ccm Joór faz hum estreito de feição que hum homem em Brasuro pode [251] botar huma pedra de huma terra a outra; e por este tão pequeno mar passão todas as embarcações que vão à China, Syão, Patane, Cam- baia, e Maluco hindo polia via de Borneo, e outras muitas partes. Este reyno despois que os antiguos portugueses lhe tomarão esta cidade de que tinha muitas rendas nunca foi nosso verdadeiro amigo, posto que fingido muitas veses a tempos, nos quaes foi tomado, e queimado muitas veces, e ainda no tempo que a magestade dei rey Dom Phelippe vosso pay de gloriosa memoria nos governava, foi tomado, e queimado tres veses, huma por Dom Paulo de Lima, 254
sendo capitão desta fortaleza João da Silva, e duas em tempo de Dom Diogo Lobo. E depois fazendo paces com esta fortaleza as guardou fingindo se até que sendo Fernão d'Albuquerque capitão as veo a quebrar como vio olandeses no seu porto aonde lhe tomarão com sua ajuda a nao da China de Bastião Serrão casado em Goa que cà temos por novas, que está em hum porto de Inglaterra. Também tomarão hum junco, que vinha da China com provi- mento pera Andre Furtado, e huma naveta que vinha de Cochim- china do mesmo Andre Furtado, e por o estreito ser como temos dito toda a embarcação que por elle passare corre muito risco, espera se este negro rey mais se alevantar este mesmo Fevereiro de que himos tratando parecendo a Andre Furtado, que por capitão está desta fortaleza tinha forças bastantes pera o castigar se fez prester nesta cidade com muito custo dos casados delia ajudando huns com sua fazenda, com que tão contínuos [251 v.] são no serviço de Vossa Magestade que despois que a estas partes passão estes enemigos, e outros embarcando se com suas pessoas, e alguns com navios a sua custa com suas armas não faltando nunca nenhum, quando se offerece algumas ocasiões semelhantes. E tomando o capitão Andre Furtado de Mendonça no caminho a nao que escapou que vinha da China, de que era capi- tão João Casado de Gamboa, que vinhão de fazer a viagem de Japão, e o galeão de Vossa Magestade que dissemos fora a China pera dar guarda às naos que de la viessem, se foi a Joor aonde esteve a bateria com os malaios oito dias,- e gastou vinte pipas de polvora, sem no cabo delles poder fazer nada por achar os enemigos muy fortes. Mas antes lhe ferirão passante de cem portugueses e matarão quarenta, que pera estas remotas partes, onde os vasalos de Vossa Magestade são tão poucos he perda de sentir, e a ocasião de nossos enemigos aver tanta resistência foi de terem dentro muitos enemigos da nação destes indios, e sobretudo olandeses que servem de bombardeiros aos enemigos e lhe davão ordem pera se fortificarem por onde a nossa artelharia abria algum lanço de muro por onde o dito capitão se tornou a recolher a esta fortalesa aonde com pouco gosto está esperando até Mayo que vem pera que venha capitão provido por Vossa Magestade com ella. Neila envernarão as duas embarcações que temos dito que vinhão da China por não ser possível passar a índia por a detença que [2521 fizerão em Joor. Por nos parecer cumpria ao serviço de Vossa Magestade tra- tarmos tão miudamente do Reyno de Joór o fazemos e ainda agora, que tornamos a fazer lembrança que afora o estreito, que temos dito chamado Sincapura faz a mesma Ilha Samatra outro chamado Sábam pegado com este metendo se no méio muitas ilhas por onde vem todas as embarcações, que vem das ilhas de Java, Maluco, Ban- da, Timor, e mais partes do Sul aonde he muito necessário andarem 255
sempre armadas nossas pera recolherem as embracações assi nossas, como das gentes nossos amigos, que a esta fortaleza vem pagar direi- tos, e também pera impedirem a estes enemigos de Joòr, Patane, Pam, e outras nações, que se não metão por entre estas ilhas, e vão aos rios, que faz a Ilha de Samatra, aonde temos portos do lambe, Andragui, Campa, Polibam inimigos desta coroa. Sobretudo cumpre muito ao serviço de Vossa Magestade e bem comum destes Estados dar Vossa Magestade ordem como de todo se destina e desbarate este Reyno do Joor; por quanto metendo se nestes estreitos que temos dito, naos olandesas, como se metem, claro se ve quão poucas serão as embarcações que lhe escapem como a experiência nos tem mostrado com tanta perda nossa e proveito seu. As naos olandesas que temos dado conta foram a Amboyno eram sete, porque parece as tres ficarem na Sunda, ou forão pera outra parte; as quaes depois de tomarem a fortalesa, se fizeram prestes pera irem sobre a de Maluco da qual tinhão muita confiança se lhe não poderia defender [252 v.] por ser muito fraca, e tam- bém porque hindo estas sete naos da Sunda pera Amboyno no cami- nho tomarão Dom Manoel de Mello que hia em huma naveta sua que nesta cidade comprou pera ir entrar por capitão da fortaleza de Tydore que he Maluco, e nella levava todos os provimentos e monições d'ambas as fortalesas. Convém a saber Amboyno e Maluco o qual largaram com a naveta e vindo roubado em hum estreito dos que temos dito, achou huma nao das que cà andavão de emvernada olandesa, e o tornou a roubar até dos vestidos de sua molher que em sua companhia trazia. Destas naos olandesas, que ficarão em Amboyno fazendo se prestes pera ir a Maluco não tivemos novas de Marzo até fim do mes de Outubro, que sendo a monçam do sul, vindo alguns portu- gueses, que estavão na Gooa (?) nos dão por novas, as quaes souberão por alguns negros, que forão as Ilhas de Banda, que a ellas fora ter huma embarcação dei rey de Tidore nosso amigo que he senhor donde está a nossa fortaleza os quaes contarão que des- pois da tomada de Amboyno os olandes (sic) petrecharão à forta- leza, e nella meterão cento e cincoenta homens e as naos duas se forão pera Banda, e as cinco pera irem tomar Maluco, as quaes che- gando à fortaleza de Vossa Magestade, peleijarão com ella cinco dias sem a poderem tomar. E de dous galeões, que lá estavão de Vossa Magestade lhe meterão huma sua nao no fundo, que era a almiranta, e que depois se queimarão dous galeões, e que se não sabe a certeza. Quando estas cinco naos olandesas chegarão a Tidore acharão la duas naos de Inglaterra, as quaes tinhão ido r253] de Amboyno, aonde se tinhão mandado oferecer ao capitão da fortaleza dizendo que se não entregassem que elles a ayudarião a defender; por quanto os olandeses erão alevantados, e elles andavão em trato de paces 256
com Espanha, os quais falavão verdade; pello que despois sucedeo, mas o capitão Gaspar de Mello se não fiou delles. Estes ingreses forão primeiro a Maluco que os ladrões olan- deses avisarão a nossa fortaleza do sucedido em Amboyno, e fizerão os mesmos oferecimentos de monições e pessoas das quaes Pedr'Al- vares d'Abreu, que estava por capitão da fortaleza lhes aceitou trinta barris de polvora, escusando se não lhe aceitar o mais, dizendo lhes, que com os portugueses bastava, e com a gente da terra. E dei rey como tivesse monições, a estes ingreses se deve muito despois de Deos, por quão bem o fizerão estas quatro naos despois de desbaratadas, se forão nam se sabe pera onde mas sospeitamos que forão pera a China, não sabemos que la farião. As outras duas naos que ficarão em Amboyno despois de faze- rem o que dissemos na fortaleza se forão pera Banda, aonde des- pois também vierão ter as naos enemigas aonde se afirma que humas, e outras carregarão passante de dous mil e setecentos bares de especearias, convém a saber, nos, massa, e cravo em numero bastante assim emchera Europa. Andre Furtado de Mendoça como largamente se tem ya en- formado a Vossa Magestade partio da Goa o anno de 601 com armada bastante pera a impressão, que vinha mas logo no golfo de Ceilão lhe ficou quasi toda, que foi principio [253 v.] de pouco fruto, que neste Sul fez. E vindo ter a esta cidade foi à Sunda dei- xando atras o Achem, que por mingoa de se não cumprirem man- dados de Vossa Magestade está perecendo £ tantos annos ocasião, que nunca se offereceo aos reys de Portugal vossos antecessores sendo delles e seus capitães tão desejada. E o que mais se arrecea hé, que vindo estes cossarios a pessui lo, e ter nelle fortaleza, como desejão ha Vossa Magestade na empresa de ter muitos gastos de sua fazenda com arriscar muitos vasalos, o que hoje não fora que- rendo lançar mão da ocasião. O que mais passou Andre Furtado de Mendoza na empresa da Sunda, e Ilhas de Maluco, não hé pera que se diga, pois se tem feito por tantas vias a Vossa Magestade, sò lhe fazemos a saber como vindo de lá tomou posse desta fortaleza como lhe era feito merce por Vossa Magestade nella está ha perto de dous annos e meio sem em todo este tempo aver nenhum em que lhe sucedesse cousa de guerra, que seja digna de dar conta a Vossa Magestade, porque como perdeo a empresa de Joòr cosa em que trazemos os olhos não ouve mais pera que se arriscar mas o que faz he fazer- mos lembrança, que todos fortifiquemos esta fortaleza do que com muito cuidado nos não descuidamos, e as nossas custas com pes- soas, e escravos o fazemos, e vamos fazendo, posto que he com paos, de feição que destas ocasiões e outras, que por todo este tempo atras não faltarão e também por estes enemigos nos empedirem a navegação do mar que he o de que cá vivemos esta cidade, e for- taleza de Vossa Magestade de feição que não ha homem nella, que 257 17 '
E pois tratamos da fortificação parece rezão fazermos lem- tenha de comer, sendo dantes alguns muito ricos, brança a Vossa Magestade do que he seu serviço esta fortaleza ha muitos annos que se vay cercando esta ainda mais [254] de a metade de lá por cercar sem ter mais que hum muro de taipa por fora delia, vamos fazendo agora outro de madeira sem ter mais ren- dimentos que hum por cento, e se acerta de não ir naos à China não há nenhuma cousa como sucedeo este anno de 605. Pello que temos escrito a Vossa Magestade muitas veces nos faça merce de huma viagem de Japão pera ayuda de cercar esta vossa cidade e for- talesa, os annos atras fomos respondidos e remitidos ao viso rey Aires de Saldanha do qual não tivemos nenhuma resposta, nem despacho de Vossa Magestade. Pello que todo este pouco lhe pede com muita instancia ponha seus piadosos olhos em nos, nos despache com esta viagem, e quan- do não dê ordem como tenhamos algum remedio, pois samos (sic) seus vasalos tão leais, e tão contínuos em seu serviço, e parecendo lhe a Vossa Magestade que he justo e seu serviço do que nos fizer merce nos mande patente, ou carta assinada de sua mão, e muy afincadamente lhe tornamos a pedir por merce, nos não remeta a conselheiros, nem menos espere de ver de nos procurador em sua corte, nem quem por nos solicite: porque posto bem entendemos não sera muito necessário mandar à Espanha hum homem por estarmos tão remotos, e sobretudo tão pobres, e desbaratados o não fazemos cousa que não sucedera em nenhuma outra cidade da índia. E quanto remeter nos Vossa Magestade ao viso rey, ou a qual- quer outro capitão da fortaleza destas partes aos taes despache Vossa Magestade por lhe pagar serviços, pello que tanto que se vende posse dos taes cargos, não pretendem mais que ajuntar dinheiro, e o peor he que se a estas fortalezas lhe não vem fazendas como servirão pera que elles ganhem, e vão muito ricos, os pobres de vossos vasalos o pagão, porque com achaque do serviço de Vossa Magestade acrecentam dereitos, ou lhe pedem da fazenda que tem, e o que com muita rezão podemos chorar, que a Vossa Magestade [254 v.] de cada vez o vemos peor servido e seus thesouros nunca tem dinheiro. Alem da merce, que esta cidade pede a Vossa Magestade da viagem de Japão pera sua forteficação também lhe pedimos nos faça merce de nos libertar como seus vasallos que somos dos capi- tães, que vem a ella dão ordem, pera que não atravesem as especia- rias, que os estrangeiros trazem a ellas, as quaes lhe tomão se hum bar vale cento por cincoenta e quando vay a pagr em vez de lhe dar dinheiro lhes da roupa contraria da sorte que elles querem, e se as taes roupas valem dez lhes dão por vinte: e esta he a causa por onde os jauos que vão a Maluco, e à Banda, buscar estas espe- cearias se lá achão olandeses, ou quem lhas compre, antes lhas que- 258
rem vender, que traze las a esta cidade, do que resulta grande perda a fazenda de Vossa Magestade e seus direitos, e nos seus vasallos não termos nenhum remedio, pello que sera grande merce que Vossa Magestade fara a esta cidade e proveito de sua fazenda mandar nos huma provisão, que todo o estrangeiro que a ella vier possa ven- der suas fazendas despois de pagar os direitos a quem lhe mais der por ellas, e os capitães, que se não metão em lhas atravessar por força, sob pena de vinte, ou trinta mil cruzados pêra a fortificação desta sua cidade, os quaes acabado o tempo a justiça de Vossa Ma- gestade executarão, e emtregarão aos officiaes dos que correm com o dinheiro de hum por cento, que he pera a mesma fortificação, e fazendo nos Vossas Magestade esta merce seja huma provisão muito aspera, porque como cá he tam longe muitos capitães vem que não nas querem guardar as que temos dos reyes antecessores de Vossa Magestade nem suas, e de seus viso reyes, e vão avante com isto pello pouco castigo que vem dar a quem elles sucedem. Espera que Vossa Magestade se mova [255] pera nos fazer esta merce que pedimos lhe fazemos lembrança que Malaca se pode agora ter por huma das fortalezas de Africa fronteira, não somente a todos estes enemigos deste Sul, pera que nos bastasse somente a todos à fortificação que tínhamos, mas de novo nos vierão estes enemigos de quem não há para que fazer comparação, pois vemos à tantos annos o impetu de toda a Europa os não pode soju- gar, e se ategora nos sustentamos foi porque fomos gastando a fa- zenda que tínhamos parte em sustentar armada e parte nos forão levando superiores pellos modos que asima temos tocado de feição, que nos achamos em tempo que somos todos huns, e só nos falta sacrificar a vida em serviço de Deos e de Vossa Magestade o que sempre se entendera de nos estar muito prestes. Pello que ya agora he necessário mandar Vossa Magestade fortificar esta fortalesa com artelharia e polvora. e mais petrechos, porque de tudo está fraca e tem muita necessidade: por quanto a que tinha se lhe foi tirando nas naos dos capitães prosupuesto o que de tudo temos dado conta a Vossa Magestade que nos pareceo ne- cessário compria ser avisado pera mandar prover como lhe parecer. Sobretudo lhe fazemos lembrança que quando os intereses e ren- dimentos que saen deste Oriente são tam fracos o não moverem a com presteza prover com remedio o que se vay acabando, não deixe con- tudo de poer seus benignos olhos e veja a multidão da christandade que por cá ha afora a portuguesa, cousa em que os reys de Portugal, e Espanha tanto trazião os olhos, e para que Vossa Magestade saiba que será [255 v.] da mais índia, esta sua cidade que he das mais pequenas, deixando aparte a See com seus conegos, e Bispo quatro mosteiros das Ordens mendicantes, tem mais sete fregue- sias que cada huma tem melhoria de mil e quinhentos fogos, onde cada dia se fazem novos christãos, e elles, e nos ajudamos aos reli- giosos, cujas orações sem mais força a rogar a Deos nos guarde a 259
pessoa de Vossa Maagestade, assi senhoreando nos, e a mais christandade tenha poder pera debaixo de seu amparo nos livrar de seus enemigos Amen. Escrita em Camara aos 3 dias do mes de Dezembro de 1605. Eu Paulo Mendes de Vasconcelos escrivão da Camara que o escrevi. Fraiano Rodrigues de Castel Branco. Bertolameu Lopes. Miguel da Cunha. Thome Fernãodez. Ambrósio Ferrão de Castel Branco. Sebastião Delgado de Brito. 260
PAPELES VÁRIOS DE PORTUGAL MUSEU BRITÂNICO Mss. n.° 1131 — Colecção Egerton Existente na Filmoteca Ultramarina Portuguesa R 1 — G 2 — D 10
1. [2] En abril el ano de seiscientos y diez y nuebe antes que Su Magestad que Dios tenga en el cielo fuese a Portugal, el Conde Don Antonio Xerley propuso cierto medio que con ponerlo en execucion libertava las índias Occidentales y Orientales y las Phi- lipinas de las contrataciones poblaciones y insultos de los rebeldes y ingleses y de qualquiera nacion estrangera, fue remitida por man- dado del rey a una ajunta de los Condes de Benavente y de Gon- domar y al secretario Don Andres de Prada: mucho se trabajo en el negocio: y enfin se remitio la consulta al rey a Portugal a aonde se hundio: es negocio de los mas graves que se an tratado o se pue- den tratar: y aunque la consulta se perdio, la minuta delia no puede faltar. Vossa Senoria sera servido de procurar con el governador Don Balthazar que los mismos que estan nombrados en esta junta para el negocio de la mar llamen por la dicha minuta y traten de nuebo de el negocio. Enfin y esto uno por ciento que los flamencos y ingleses recogen em Sevilla San Lucar y Cadiz sobre todas las mercadurias que manijan con titulo de obra pia es un arma de tanto poder que destruilos hunde todas quantas propoziciones an sido hechas en el siglo pasado en perjuicio delia y en provecho de Su Magestad y bue (sic) exemplo [y] prueva es dello el negocio de la mar que a cinco anos que a sido tratado en esta gente y siempre a sido atra- vesado por Don Pedro Mexia de Tobar y Juan de Gamboa: y esta otra consulta se hundio. El Presidente de Hazienda El Conde de Castrillo Nuno? de Aroztegui Senor 2. [3] En cumplimiento de lo que Vuestra Magestad fue servido mandar por su real decreto de 31 de Julio passado se junta- ron el Conde de Benavente y el de Gondomar para oyr al Conde Dom Antonio Sirley el qual en los papeies que ha dado y referido a boca representa largamente con el ceio que muestra dei servido de Vuestra Magestad el trabajoso estado en que se alia esta monar- chia y en particular desde que se hizo la trégua con los reveldes de Olanda, lo que estes han crecido con ella asi en fuerças marítimas 263
como en trato y lo que han decaydo las de Vuestra Magestad y de sus vassallos y súbditos mostrando con evidencia quan poderosos estan en la índia Oriental y quan cerca de perderse todo lo que Vuestra Magestad possue en aquellas partes si con tiempo no se açude al remedio. Refiere los danos que se han seguido y pueden seguirse a esta monarquia de no hazer mas caudal de lo mucho que olandeses, franceses y yngleses procuran yntroducirse y apoderarse de las índias Orientales y dei trafico de la China y de la Persia, apunta [3v.] las fuerças que tienen en aquellas partes assi [en] tierra como en mar y las factorias que han puesto en las Malucas y quan superiores esta[n] en todo aquel archipelago con dano notable de ... domínio que Vuestra Magestad tiene en el porque ya son senores de la mayor parte dei clavo y especerias y tienen supeditato el trato y comercio [con] todas aquellas regiones y a las Islas Phili[pinas] en estado que si el socorro y armada que trata [de] embiarse este ano no llega a tiempo seria muy po... perderse todo. Representa tambien la instancia que los ing[leses] hazen con el Rey de Persia para que reso ... el trato de las sedas las ofertas que se han echo ... armadas por mar para conquistar a Ormuz pro- [cu]rando por todas las vias que pueden aniquilar y disminuir las fuerças de Vuestra Magestad h[aciendo] odioso su real nombre en aquellas partes y propo[niendo] para remedio de todo los puntos seguientes: El primero que supuesto que yngleses y ol[an]deses tienen superiores fuerças a las nuestras en aq[uellos] mares y no se puede echalos de alli si no es con grueso numero de gente y vaxeles y de pres[ente] no pareze medio ni forma con que juntar lo [uno] [4] ni lo otro por estar la Real Hazienda tan apurada y exausta conviene usar de la industria y mana atravesandoles el comercio y trato que es el nervio de sus fuerças y el medio con que han llegado a la altura en que oy se hallan lo qual le parece, se puede hazer en dos maneras: la primera permitiendo Vuestra Magestad que se pueda lle- var a la Persia la pimienta y canela que alli estan, prohividas y for- mando una compania de mercaderes caudalosos a imitacion de la Olanda y asentando con el Rey de Persia que en trueco de las dro- gas y especierias que se llevaren a su reyno desde la índia, de las sedas que en el tiene poniendo a cada cosa precio fixo y comodo para que el trato sea durable y reciproco con lo qual pasaran las especierias a la Moscovia y Turquia y se estenderan por las nacio- nes setentrionales que agora se proveen de las que los olandeses llevan al puerto de Santo Nicolas y a Levante y vendra a césar su trato dellos forçossamente porque en no vendiendo las mercaderias que traen de la India y Malucas, o dandolas al precio que el Persiano las puede destribuyr es fuerça que se deshaga la Compania de Olanda porque no han de poder sustentar la costa [4 v.] costa grande que oy les tiene como se prueva con evidencia. 264
La segunda quitando a los ingleses el trato de Sura[te] cegan- doles el puerto en que oy recogen sus naves que es la escala donde los cargan y hazen su mayor trato. Y esto se puede hazer con mucha facilidad ordenando al virrey de la India que con pilotos práticos dei canal estrecho por donde se entra hechen en el dos naves viejas cargadas de piedras con que quedaran impossibilitados o, por lo menos sujetos a que nuestras fustas les quiten el trato porque for- çossamente han de cargar y descargar en sus lanchas con tan larga distancia que no puedan defenderias con la artilleria. Que se procure asi mismo introduzir en la Nueva Spania en el puerto de Acapulco o Guacapul[co] otra compania por medio de mercaderes ricos de los que ay en Sevilla para que traten en las Ma- lucas y con las naves que suelen venir de Phily[pinas] traygan las especierias que recogieren que seran muchas segun el caudal que pusieren y estas las traygan a Sevilla con las flotas de Nueva Es- pana y de alli las pasen al final donde puede Vuestra Magestad hazer estanco delias y contrattarlas con toda Italia y Alemania y con esguizan [5] y grissones obligando estas dos naciones por medio deste trato a mas estrecha union y dependência dela que oy tienen con esta corona que sera facilissimo. Viendo el util que se les sigue y que si Vuestra Magestad haze el puerto dei final pondra en freno a toda Italia y quitara a venecianos y ginoveses la mayor sustancia de sus rentas y el trato de Lierna que alli ha yntroducido el Gran Duque menguara tambien que son los tres potentados mas poderosos por la mar y de quien se puede vivir con cuidado en Italia en tiempo de revoluciones aunque los dos últimos corren oy bien con Vuestra Magestad y estan muy interesados con su real corona. Otras muchas razones anade para corrovoracion de su propuesta que no se refieren aqui por haverias visto Vuestra Magestad, en los papeies que el dicho Conde Sirley ha dado y reservarse para quando Vuestra Magestad se sirva de resolver que se execute el parecer de la junta, que es el que se sigue. Haviendo visto la junta lo que el Conde Sirley refiere en sus papeies oydole con atencion y considerado el fondo de su propuesta el beneficio grande que se puede sacar de la India, Japon, y Malucas el que los reys de Portugal sacaron por lo pasado y que oy no solo no tira Vuestra Magestad ningun [5 v.] provecho sino que ha me- nester proveer dineros de otras partes para sustentar los presidios y fuerças que alia tiene y que de Nueva Espana se remiten sumas de consideracion para conservar las Philipinas y que todo aquello esta a pique de perderse por el pie que olandeses, yngleses y fran- ceses han puesto alia governando [1] trato y cosas de manera que ya los índios y[do]latras que temblavan dei nombre de Vuestra Magestad y de sus fuerças han dexado nuestra amistad y [to]mado la de nuestros enemigos con tanta mengu[a] de la autoridad y repu- tacion desta coro[na] por verlos mas poderosos, y los que han re- 265
[civido] el agua del Santo Baptismo y admitido el Evangelio y pre- dicacion de nuestra santa fée catholica hazen lo mismo, y desmayan viendo [nuestra] omission y negligencia y la ambicion con que pro- ceden los ministros de Vuestra Magestad en aquellas partes cosas todas senor para llorar con lagrimas de sangre. Y desseando la jun- ta (?) acertar en cosa que tanto importa teniendo este n[egoceo] por uno de los mas graves que de presente se ofresc [en] y que dei acierto dei se pueden seguir grandes bienes en aumento de la real corona de Vuestra Magestad [6] y dano de sus enemigos, ha procurado infor- marse con mucha particularidad de personas praticas que han venido de la India y de la Persia y de las Philipinas dei estado que tienen las cosas de Vuestra Magestad en aquellas províncias, y conferido con ellas la propuesta dei Conde Sirley y el modo en que se podria executar el pro y contra que tiene con todo lo demas que pueda ser a proposito para hechar los ingleses y olandeses de la índia Oriental y atravesarles la infinita ganancia y provecho que de alli sacan con que nos hazen la guerra alia y aca tan a su salvo. Y todos conquerdan en que si Vuestra Magestad no açude con brevedad a esto y pone prompto remedio en ello hechando los olan- deses, ingleses y franceses de aquellas partes hora sea por indus- tria atravesandoles el trato como apunta el Conde Sirley hora por fuerça de armas, no ay que hazer quenta de que Vuestra Magestad tiene índias Orientales ni Occidentales y el perder império tan estendido como Vuestra Magestad possee (sic) en ambas partes y que con tanto trabajo y costa conquistaron los gloriosos progenitores de Vuestra Magestad sera gran mengua y mucha desautoridad y mas en el felice tiempo de Vuestra Magestad que con tan gran ceio y cuidado desea no solo conservar lo heredado [6 v.] sino ensanchar los limites desta monarchia con aumento y exaltacion de nuestra santa fee catholica la qual se perde[ra] en aquellas regiones si Vuestra Magestad no atiende como deve a su conservacion y corre- ria por cuenta de Vuestra Magestad con gran scrupulo de su real conciencia la perdida de tantas almas como se aventuraran si los herejes prevalece [ren] alli contra Vuestra Magestad y sus reales armas por no haver acudido al remedio. Parecele a la junta que los médios que el Conde Sirley propone de assentar con el rey de Persia el trato de las especirias y drogas por las sedas seria de gran util si pudiesse efectuarse. Lo primero porque con esto se prendera el P[er]siano a que sea amigo nuestro y enemigo del Tur[co] y de todos los enemigos de Espana con que se asy ... y Reyno de Ormus. Lo segundo que no admitira los olandeses, y ingleses ni les dara este trato que tanto desean aunque por la via de Olanda se save. Y lo menos lo han publicado asi los que vinieron en la [7] nave que llego a Inglaterra de la índia este verano que dexavan asentado el trato de las sedas con el Persiano. Lo terzero que con esto sera Vuestra Magestad senor de todas 266
las sedas del mundo y se repartiran por su mano con grande prove- cho de sus reynos. Y el cegar el puerto de Surat (sic) no parece dificultoso a la junta y si bien considera que aunque no se atajara luego el dano que se rezive de los olandeses, yngleses y franceses con atravesarles el trato mientras no ay fuerças en la mar que guarden y asseguren las mercancias, todavia juzga les sera de mucho dano y gran mengua en la ganancia aumentandose la de Vuestra Magestad que son dos benefícios. Y el introducir y formar la compania en Nueva Espana para las Malucas, abrir puerto en el final y hazer alii estanco de las specierias para repartirias a las naciones que apunta no se puede negar que seria de gran beneficio y interes para Vuestra Mages- tad y aunque parece que con esto podria menguar el trato de Por- tugal con la Yndia y venir aquello en gran diminucion se ha [7 v.] enterado la junta de personas inteligentes y praticas que es cosa dis- tinta y que no sera de ningun perjuizio pues nadie sino Vuestra Magestad puede traer pimienta ni otras drogas e especias de la India y siendo dueiio de todo lo podra disponer y distribuyr con su mayor beneficio y de sus vassallos sin dano de los portugueses y por acavar la Compania de Olanda y quitar a olandeses, ingleses y franceses de las unas y otras índias se deve usar de todos los mé- dios y diligencias que se pudiere[n] aunque sea cortando el brazo como dizen por sanar el cuerpo. Pero porque sin armas y fuerças todos estes médios y discursos tendran difícil execucion y esta ha de correr por los Consejos de las índias y el de Portugal, parece a la junta que siendo Vuestra Magestad servido se podria remitir a ella para que alli se trate de la forma en que se abra de executar encar- gandoles muc[ho] el cuidado, o ordenar que se haga una junta par- ticular en que entren algunos ministros los mas práticos de los dichos Consejos [8] y esto tiene la junta por mejor para que en ella se con- fiera y ajuste el remedio que se podra poner en caso que tanto im- porta como la conservacion de las unas y outras índias e destruicion de los enemigos desta corona remetiendo a ella todos los papeies y proposiciones dei Conde Sirley. Y los demas que se han juntado en la materia mandando jun- tamente que los que Vuestra Magestad nombrare para ella oygan a las personas que se allan en Madrid peritos y práticos de aquellas províncias para que con mas luz puedan consultar a Vuestra Ma- gestad lo que les pareciere conveniente. Tambien pareze a la junta que se agradezca al Conde Sirley su buen ceio y el cuidado con que se desvela en servir a Vuestra Ma- 267
gcstad y advertir de lo que se le ofreze como hombre tan inteligente y pratico de las cossas dei mundo y que se tiene alguna pretension sera justo que Vuestra Magestad le mande hazer en pila la merced que huviere lugar para que buelba contento a su puesto. Vuestra Magestad mandara en todo lo que mas convenga a su real servicio. En Madrid a 22 de Octubre 1619 No verso: A Junta, A 22 de Octubre 1619. Copia de la consulta dei Conde mi senor y dei de Gondomar sobre las cosas de la índia Oriental, la Persia y Filipinas. Al senor secretario Antonio de Arrostigui dei Conssejo de Es- tado de Su Magestad. Haga se orden de Su Magestad pera que se continue aquella materia en la junta de agora. 268
3. [10] RELACION DE LAS FORTALEÇAS Y FAC- TOR1AS QUE TIENEN LOS OLANDESES EN LA INDIA Y INGLESES 1 — En las Yslas Malucas tienen la Ysla de Motiel y una fuerça con doce pieças de artilleria y 60 olandeses y toda la ysla esta por suia. 3 — En la Ysla de Maquien que es suia tienen tres fortaleças, una con 20 pieças y 80 olandeses, otra con 12 pieças y 90 olandeses, otra con 7 pieças y 29 olandeses. 1 — En la Ysla de Bachian otra fuerça con 16 pieças y 60 olandeses. 2 — En la Ysla de Batachina dos fuerças, una con 8 pieças y 60 olandeses, otra con 9 pieças y 29 olandeses y para los bastimen- tos tienen presidio con soldados en dos lugares. 1 —En la Ysla de Tidore una fuerça con 17 pieças y 60 olandeses y los Castellanos tienen tres fuerças y lo mas restante de la ysla esta por los Castellanos. 4— En la de Ternate tienen los olandeses 4 fuerças una con 32 pieças y 200 olandeses, otra con 8 pieças y 70 olandeses, otra con 9 pieças y 20 olandeses ,otra con 3 pieças y 20 olandeses. Los Castellanos tienen 4 fuerças la principal con 24 pieças e 80 espanoles, otra con 4 pieças y 20 espanoles, otra con lo mismo, y otra con 3 pieças y 30 espanoles y con todo esto los olandeses goçan lo mas de esta ysla y tienen el mejor puesto. 1 — En la Ysla de Berenulo tienen olandeses una fuerça con 3 pieças y 20 soldados y en otro lugar delia una fatoria. 2 — Em la Ysla de Amboino tienen los olandeses 2 fuerças, la prin- cipal con 24 pieças, y 120 olandeses, y otra de 6 pieças con 19 soldados y toda la ysla es suya, aunque alguns becinos se les rebelaron. 2 — En la de Banda tienen olandeses 2 fuerças, la principal con 37 pieças y la otra con 8 y en entrambas 190 olandeses. 269
1 — En la Ysla de Polibay tienen olandeses una fuerça con 10 pieças y 80 soldados. 1 — En la Japona Mayor tienen olandeses una fuerça con 24 pieças y 190 soldados. Tenian una fatoria en otro lugar delia que deja- ron en el ano de 618. 2 — En Ban tan J1) tienen olandeses fatoria y casa fuerte adonde juntan todas las mercadurias y despachan la naves para Olanda y otras partes porque en todas tienen comercio. [10 v.] En la Ysla de Polurun tienen yngleses una fuerça con 20 pieças y 70 yngleses y [forjtificaron en 619 y en Macasa tie- nen fatoria y sobre esto y otras cosas discordaron olandeses pero desde el ano de 620 estan unidos todos. En Paliacate siete leguas de Miliapor tienen los olandeses una fuerça de 4 balu[artes] con 28 pieças y 190 olandeses: aqui haçen las ropas y traen las espeçiarias las [qua]les no pudieron comerciar sin las dichas ropas. Y mas por estenso se diran los nombres, y sitios, y comersio destas yslas y fortale[ças] quando se quisiera. 4. Senor [11] Por una horden senalada de la real mano de Vuestra Magestade en 8 deste se sirvio de mandarme bea la consulta inclusa del Consejo de Portugal sobre los 65 mil cruzados que se sacaron de la cantidad del servicio que hizo a Vuestra Magestad aquel reyno y se combirtieron en el despacho de las naos de la Yndia y pues tengo entendida esta materia avise a Vuestra Magestad lo que se me offrece cumpliendo lo que se manda. Digo que estando Vuestra Magestad en Portugal huvo necesi- dad de dinero para los gastos de las casas reales y otras cosas com- benientes al real servicio y a la asistencia en aquel reyno, porque el dinero del servicio que offrecieron las camaras quando se trato la primera vez de hir a el Vuestra Magestad no estava pronto, ni el Consejo de la Hazienda proveia, como se prometio y Vuestra Ma- gestad lo mando para las despensas reales y habiendose tratado en la junta que Vuestra Magestad mando hacer en la celda del padre confesor, y dicho por mi que se devia dar horden para que de las fincas de las rentas de aquel reyno y particularmente de 100 mil cru- j1) A margem: 20 fuerças olandesas. 270
Áo zados que decian montavan las fincas de las Alfandegas de Lisboa, Porto, Biana, Abero, Algarve, Setubar, Portos Mojados dei ano de 618 se tomase lo que fuese necesario para suplir aquella necesidad pues las rentas heran de Vuestra Magestad y devian combertirse en los gastos de las despensas y necesidades reales que devian pre- ferir. A todo replico el Duque de Villa Hermosa y los demas dei Conssejo de Purtugal que se hallavan en la junta diciendo que dende Madrid yban aquellas fincas aplicadas para hacer artilleria en aquel reyno, resolviose que se tomasen destas fincas por bia de empres- tido 30 mil cruzados, y Vuestra Magestad se sérvio de dar decreto para ello y em virtud dei se entregaron por el thessorero maior a Antonio Ximenez que lo fue de la jornada como constara dei des- pacho cuya copia es la ynclusa y no se trato de dar por resguardo ni en pago desta suma que se tomo prestada artilleria, ni cobre para hacerla, y buscandose mas dinero para yr supliendo Ia necesidad, el ynquisidor mayor ofrecio que mandandolo Vuestra Magestad proveeria 40 mil cruzados de las condenaciones fechas a los christia- nos nuevos culpados en Ia fe [ 11 v.] y aunque se hicieron muchas tiQ contradiciones diciendo no estavan, los bienes condenados y si lo estavan, no se [ha]bian publicado las sentencias y que tenia incom- benie[nte] tomar el dinero antes, sin embargo el inquisidor ma[yor] afirmo que con ligitima y sigura conciencia Vuestra Magestad se p[uede] valer de aquellos 40 mil cruzadosy demas cantidad. Y assi Vuestra Magestad mando se resciviesen como se hiço y se entregaron a A[nto]nio Ximenez sin que se tratase de tomar este dinero prest[ado] ni en satisfacion de los 65 mil cruzados que se havian prestado [del] servicio a la Casa de la Yndia para el apresto de las na[ves] ni con pacto de dar artilleria. El Duque de Villa Hermosa propuso en la junta que sfe de]bian prestar a la Corona de Portugal, algunas pieças de [ar] tilleria de la de Castilla de que havia mucha necesidafd en] el armada de la guarda de aquel reyno y Vuestra Magestad man [do] que se hiciese assi; el Marques de la Ynojosa dira si [se] executo. De lo dicho resulta que no fueron mas de 70 mil cruzados los q[ue] por las hordenes de Vuestra Magestad se dieron a Antonio Ximene[z] los 30 mil de fincas de rentas dei ano de 618 y los 4[0 mil] de los bienes confiscados por la Ynquisicion, y el Consfejo] tie Portugal en ÍO que dice en su consulta rescive equibocafdamente] si siente como parece y da a entender que se dieron otros ... mas, estos 70 mil que se rescivieron no devian servir ni [a]plicarse a los 60 mil 409 cruzados que se prestaron dei servicio a [la] Casa de la Yndia que si las Camaras de Lisboa y del reyno ...corrieron con lo que monto el servicio para los gastos de [«la ] jornada, no beo causa para que las rentas de Portugal [que] son reales y próprias de Vues- tra Magestad no le sirvan ni socorran para tan grandes gastos como se hicieron en la jornada. Fue [la] primera que hiço Vuestra Mages- 271
tad a bisitar aquel reyno y a que tod[os] sus naturales y ministros debieron acudir. Como lo hiço Vuestra Magestad lo save, y en la apretada necesidad que nos bimos ... combino buscar dinero pres- tado y mandar compeler [por]tugueses que prestasen 100 mil cru- zados y no se executo por lig[iti]mas causas, y para los gastos de la buelta combino h [ir] corriendo las casas con dinero embiandolo por la posta, [para] que por ningun modo se hallase ayuda en los minis [tros] de Hazienda de Portugal aunque Vuestra Magestad se lo man[dase] por dibersos decretos y yo los ynste para ello y debfen] contentarse los ministros de aquella corona con que de lo servicio mando Vuestra Magestad en beces prestarles 377 mil 677 cruzados [que] sirvieron para lo que los fueron aplicando utiles a aq[uella] corona sin tener en esta mas noticia de que se entrega [se] [12] y que lo que se pago dellos fue en pimienta que se balvo (sic) y pago a la Casa de la Yndia a 45 cruzados el quintal y se perdio en cada uno 16 cruzados y medio y en toda 114 mil 493 cruzados y de los 100 mil cruzados que se entregaron dei dicho servicio para yr con ellos desempeiiando y creciendo los juros situados en las rentas de aquella corona que no se hiço ni se save en que se combirtieron ni gastaron ni yo, aunque lo procure, lo pude aberiguar. Vuestra Magestad por dibersos decretos como constara de la copia ynclusa mando al Consejo de Hazienda de Portugal que de las rentas reales proveíese cada mes para los gastos de las despensas reales 14 mil reis y paja, cevada, leria carbon dulces y especias, y aunque destos generos proveyeron algo, dei dinero nada que en el tiempo que Vuestra Magestad se detubo en aquel reyno ymporta- ron los 14 mil reis cosa de 70 mil y estos deven ser los que podria el Conssejo de Portugal pedir se conpensen y den por satisfechos con los 70 mil que como ba dicho se dieron y quando Vuestra Magestad se sirviese de benir en ello deben y estan por satisfacer los 65 mil 409 cruzados que se prestaron dei servicio a la Casa de la Yndia. Con la umildad y reberencia que devo supplico a Vuestra Mages- tad se sirva de mandar que con lo dicho, se considere que la mayor combenencia del real servicio y la conserbacion de los reynos de la monarchia consiste a mi entender en que los ministros dellos se conformen en procurar sin oposiciones y competências acudir todos ayudandose los unos a los otros a socorrer las necesidades y me- nesteres generales y particulares sin deshacer los unos lo que hacen y proponen los otros. Y si en Portugal tiene la Corona de Castilla artilleria o cobre de la Havana, que no sea mui necesario para la Corona de Castilla y sus armadas, se deve prestar a la Corona de Portugal y que sepan en aquel reyno se hara asi adelante en todo quanto hubiere menester deste y que ellos an de hacer lo mismo con Castilla pues unos y otros reynos son de Vuestra Magestad y deven ser amparados, defendidos y socorridos que los danos que resulta- ren de no hacerlo se an de padecer por los reynos y basallos como oy se padecen en tierra y en las Yndias que como Vuestra Mages- 272
tad save estan con grandes riesgos y se perdera todo si no se hace lo que supplico con mucha brevedad y las rentas de Portugal que antes de unirse con esta corona tenian en defensa el reyno, la mar v las Yndias y en gran punto y reputacion y sustentaban la mages- tad de los reys, reynas e ynfantes, oy Vuestra Magestad save que no prestan para lo muy forçoso; la mar [12 v.] esta perdida y sin defensa sustancial porque el y[m]puesto del Consulado que susten- tava las armadas, el donatibo de las tercias aplicadas par las fabricas que se gasta en ellas todo lo cobra y administra el Cons[ejo] de la Hacienda y nada dello presta a lo necesario aplica con naturaleça y clama por remedio la gen[te] de guerra que se ocupa en aquel reyno en la gu[arda] y defensa de su entrada y castillos, perece de ho[mbres] y es tan combiniente a aquel reyno como se ve y es justo que de sus rentas y Hazienda se de consignacion al sueldo desta gente como se a consultado a Vuestra Magestad la junta que se hiço en Portugal por los ministros que se n[onbraron] para esto que uno dellos fuy yo, y con licencia [de] Vuestra Magestad no beo caussa para que los ministros de Portugal [con]tradigan lo que es tan necesario a la guarda y quietud [de] aquel reyno. Vuestra Magestad con sus reales y piadosos ... lo mande ber y acordar lo que combiniere al servicio [de] Nuestro Senor y Vues- tra Magestad y sus reynos. Madrid, 15 de Agosto. Juan de Gamboa No verso: Juan de Gamboa a Su Magestad. 15 de Agosto de 1620 — respondiendo a las consultas dei Consejo de Portugal. — sobre los 65 mil cruzados que se prestaron a la Casa de la India dei servicio. — y lo que se echo para las despensas reales, de fincas de Por- tugal y la Inquisicion. — outras cosas. 5. [15] Al Duque de Villa Hermosa Don Fadrique de Melo ha escrito que aviendole representado la nescesidad en que estaba la plaza de Mazagan la ha socorrido con mil anegas de trigo buscandolas prestadas. Dareis orden para que luego se paguen pela Corona de Portugal pues es justo para que en otra ocasion semejante haga lo mismo que agora. 273 18
[15 v.] No verso: Al Duque de Villa Hermosa en Madrid a 22 de Julio de 1622. Se de orden para pagar mil anegas de trigo que se enbiaran a Mazagan 6. [16] Não ei de cansar a Vossa Magestade com resitar lhe o susesso de Jasques, pera cuja ocazião. me embarquei com tanto guosto, porque o faso a Sua Magestade que rezolva em acuidir a India, que perde ordenando delia, aja armadas em forma e compri- mento a suas instrucçõis, a que qua se não da effeito, tratando as pessoas a quem toca a execusão, de anteporem particulares, e com- veniensias próprias a toda a materia por grave que seja do serviso de Sua Magestade que anda mui destraido, pedindo castiguo de tan- tas exurbitansias, e maos exemplos, com que ficarão bem removidos a melhor obrar, as pesoas que tiverem animo de o fazer, de que se achão tam poucos; que dos estremos de velho em que esta o guoverno, a mosos se não conhesen meio e muitos no mercansear, perdendo de maneira o temor a Deos, e a Sua Magestade o respeito, que se tem por impróprio de nobreza, indiatiça não frequentar o mesmo exersisio que trouxe a fortaleza, ao mais mizeravel estado que pode ser ficando sem agoa, a disposisão da do ceo ou vontade dos mouros darem a da terra, o que vão fazendo por muita estiba, esperando entre o verão, que se guaste a da chuva, sem os menistros acudirem a tanto mal, requerendo eu por muitas vezes se fizese o forte de Queixome, e me paguasem gente e fustas, pera a tal obra e pasar Arabia, a que respondem com impossibelidades, e falta de navios que sobejão pera tratos e mercansias que são os maiores opozitos que acho e Sua Magestade tem contra seu serviso; e emquanto o dito senior não cas- tiguar em fazienda e pessoas, as que faltão a suas obriguasois, não emmaguine que pode a índia pervaleser, aonde os ânimos são am- besiozos e as justas venais! Os Estados que estão nas ribeiras do mar, e tem nelle fortalezas tam distantes, como Sua Magestade neste, não se podem conservar sem armadas, nem ordenados; se o dito seiior não acuidir com ellas [16 v.] perder se ha a India, e as prasas, e primeiro que todas esta. Vossa Magestade per... zelo e cristandade ajude a remediar hum mal tamanho lembr[an]do se que falo com experiensia de annos, sem pertensõis nestas part [es] em que estou por Sua Mages- tade me mandar, dezejando de mereser lhe em outfros] com justa rezão as que me fizer que tenho mui certas sendo Vossa Magestade meu [projtector cuja saúde seja perfeita. Na forma em que estou em Ormus, não ganho openião porque os soldados que com as armas se querem melhorar, hão de busca [r] ocaziõis com ellas, em que mostrem seu talento. Esas não faltão nesta [rejgião porem emflue ella tal sogeito nos homens que se não 274
achão como ... ses nos offisios que ocupão e dahi vem faltarem socorros e apre[stos] pera bem obrar, e a muitos o guosto do serviso, vendo que trabalhão [a] custa de sua homrra, que como he mais nobre que a vida se deve an [te] por a todos os respeitos dela. Pelo que senhor ordenando Sua Magestade as cou[sas] da índia em forma a que esta o corpo mais disposto que nunqua e q[uando] asi não seja me de lisensa que pase a outro lugar aonde dis com ser portuguezes, me não obriguem, o desejar não se lo e sem- pre cativo ... Vossa Magestade a quem peso disculpe meu atrevi- mento que o tenho adquerido no gu[os]to com que Vossa Mages- tade me homrra, cuja pessoa guarde Deos. 12 de Fe[vereiro] de 1621 annos. Rui Freyre d'Andrade À margem: Aqui vera Vossa Senhoria que no soi yo solo sin- gular en mi opinion. 7. [17] Aprieta tanto por todas las part [es] la miséria publica, que obliga a los hombres de bien a dar bozes a Su Magestad que acuda a sus reinos y a sus estados. Yo lo hago en la forma q[ue] puedo por medio de Vuestra Senoria y le offresco el pensamiento que va resumido en esse papel, para que jusgando Vuestra Senoria con su mucha prudência y zelo que es conveniente y necessário, lo pueda tratar con Su Magestad para que lo ordene como fuere ser- vido y sabe Dios con quanto mas animo le offereciera mas bidas, por que no se perdiera una almena de sus estados, quanti mas tanto credito, fuerças, y reputacion quanta se tiene perdido en esta mo- narchia. Por esta carta de Rui Freire que Vuestra Senoria aiuda a embiar a Ormus, poderá Vuestra Senoria jusgar el estado de la índia: tuvo sangrienta briga con los ynglezes en Jasques: la relacion delia se embiara a Su Magestad que se deven estar discifrando las cartas. La armada de Portugal, que el rei nuestro senor con mil cartas suias tiene prevenido saliese con tiempo que puedo ser de conside- racion, esta [17 v.] por salir en Agosto: la armada de la Yndia de que el ano passado fue por capitan maior Nuno Alvres Botelho no era llegado a aquel Estado: demas de lo que yngleses y olandezes tienen occupado en las Malucas, en Amboino, en Surrate, en Choro- mandel y en la Persia. De nuevo tienen los de Dinamarcha echo fuerte y colonia en una parte de la Isla de Ceilan. En Madrid andan corenta fidalgos portuguezes, los mas dellos, con pretensiones sin ninguna razon los de la Yndia, como Vuestra Senoria vera por essa carta, occupados en mercancias. Si algunos quieren hazer el dever tienenlos por locos. Cada uno trata de su interes: nadie trata las partes d'el rei, ni de la republica: a nadie tomo por tes[ti]go desta verdad, sino a 275
Vuestra Senoria, si de quantas personas entram todas las horas hablar a Vuestra Senoria para sus pre[ten]siones, ha entrado alguna a tratar con animo puro y sinzillo del remedio publico! Hablo con Vuestra Senoria con el amor que todos devemos al servicio de Su Magestad: y con la verdad que devo hablar a Vuestra Senoria es tiempo, senor, de dezenganhar los zanganos: de alentar las abejas: pensar e tratar mui deveras en la restauracion d'Espanha: que por todas las partes amanza grandes trabajos: si Dios por su ynfinita bondad y misericórdia [18] no los ataja. Por las cartas de Bras Teles de Menezes capitan de Mazagan, tera Su Magestad y Vuestra Senoria entendido los intentos de oían- dezes com Mulei Zidan. Confiesso a Vuestra Senoria que quando me acuerdo de lo que anda estampado en la cédula de la expulsion de los moriscos: de la armada que el rei de Francia hizo venir con Barbaroxa para las guerras que traia com el emperador, de la resolucion que tomou Sci- pion en passar con su exercito en Africa quando Annibal andava mas pujante en Italia, se desfalece el juizio pensando que podria succeder lo mismo en Espanha. Dios nos valga por su infinita bondad y nos guarde a Su Ma- gestad, y a Vuestra Senoria de los anos de bida y fuerças que todos sus servidores y amigos le deseamos y pedimos. De casa 6 de Agosto 1621. Mendo da Motta No verso: [18 v.] Mendo de Motta. [19 v.] A Mendo da Mota de Valadares, do Comselho de Estado de Sua Magestade Rui Freire de Andrade 8. [20] Senhor Por outra carta tratamos das cousas da índia propondo a Vossa Magestade o que nos parece que ellas pedem porquanto importa a conservação delias pêra a conservação da monarchia de Vossa Ma- gestade. Espera os inimigos delia não prevalecere com tão grande poder como lhes resultará de terem livremente as riquesas do Oriente. Entendemos que pera se fazer o serviço de Vossa Magestade nesta materia tão fundadamente como pede o aperto em que estão todas as cousas daquelle Estado (que não permite de prezente que se lhe errem a cura) convém que se o Concelho de Portugal, que Vossa Magestade tem junto a sy tiver diferente opinião nas cousas 276
sobre que escrevemos a Vossa Magestade se nos comuniquem as rezões que ouver em contrario, porque ouvindo nos Vossa Magestade sobre ellas poderá Vossa Magestade com mais clareza eleger e apro- var a milhor resolução, e seja Vossa Magestade servido considerar com sua grande prudência que este governo informa a Vossa Ma- gestade do que esta vendo e palpando por sy e sabendo pelos tri- bunaes a que tocão os negócios e polias pessoas de mais confiança e noticia e que polia que nos temos das mesmas cousas não se podem atrever a informar mal e alem disto somos nos muito interes- sados no serviço de Vossa Magestade, porque á nossa conta estão os bons efeitos delle. E polia confiança que Vossa Magestade faz de nos. E as pessoas que estão no Conselho se hão de informar de outros (porque não sabem por sy nada do que caa passa) nos quais pode ser que faltem todas estas cousas e que se movão por com res- peitos particulares. Nesta lembrança tratamos do serviço [20 v.] de Vossa Mages- tade com a pureza que a elle devemos e em materia de muita impor- tância. Deos guarde a católica pessoa de Vossa Magestade. Lisboa, 9 de Outubro 621. Nuno Alvares de Portugal Bispo Conde 'Diogo de Castro 9. [21] Conhecendo a particular obrigação em que estamos de representar a Vossa Magestade o que nos parecer que mais convém a seu real serviço por Vossa Magestade nos aver posto neste logar trabalhamos quanto em nos he, por cumprir com ella inteiramente como fazemos nesta ocasião com a confiança divida. Que Vossa Ma- gestade quererá que em nenhum tempo se saiba que esta materia sahio de nos, porque seria de grande inconveniente polia calidade delia e polias razões que são prezentes a Vossa Magestade. O Estado da India he de tanta importância, por quanto dano causará o que nelle se receber que obriga a se tratar desta materia com toda consideração e assi nos metemos nella por esta considera- ção (na forma que Vossa Magestade veja se o fazemos) por seu serviço. Com a ocasião de Dom Afonso de Noronha aver arribado pode Vossa Magestade alterar a nomeação que tinha feito nelle para viso rei da índia, avendo Vossa Magestade que convém a seu ser- viço, pera o que representamos a Vossa Magestade que a sua eleição não foi bem recebida e que geralmente se tem que não he a que con- vém. E a nos nos parece isto mesmo, principalmente nos termos em que estão as cousas daquelle Estado e não informamos a Vossa Ma- 277
gestade mais em particular das razões que para isso temos porque Vossa Magestade deve de aver por seu serviço que entendemos que Vossa Magestade nos fará merce de conhecer que falíamos com bastante fundamento e com o zelo que devemos ao serviço de Deos e de Vossa Magestade. E querendo Vossa Magestade fazer mudança nesta nomeação da elle ocasião a ella com se aver por muito doente de asma e [21 v.] de outros achaques com que nos disse que não se atrevia a partir neste mes pera a Jndia. Concorri pera Vossa Magestade querer que Dom Afonso con- tinue [no] cargo de viso rei estar nomeado nelle e aver começado a fazer viaje e cumprir muito a conservação da índia [o] partir este mes viso rei pelas razõis que em outra car [ta] representamos a Vossa Magestade e parece que nenhuma outra pe[ssoa] poderá partir tão prontamente como elle; Vossa Magestade res[ol]vera o que mais convém a seu serviço sendo lhe presentes humas e outras razões. E porque convém não aver delação em Vossa Magestade se resolv[er] diremos a Vossa Magestade o que se nos ofrece de dous sugeitos que entendemos que milhor poderão servir naquellas par- [tes] por terem experiência e serem pessoas que desde aqui podem hir traçando o governo da India que he o que mais con [vem] no estado em que ella de presente está. E indo pessoa ... que a índia aja de ensinar como a ha de governar pode[ra] ser sua total ruina. Hum sugeito he Dom Jeronimo Coutinho o qual Vossa Mages- tade nome [ou] este ano para viso rei da India e posto que em efeito não mereceo nisso a Vossa Magestade estima lo e te lo em mo[r] conta, pois pode Vossa Magestade conhecer delle que não tratou sen [do] do serviço de Vossa Magestade em querer hir com o necessário pera Vossa Magestade poder ser bem servido esque- cendo se a este respeito de todos [os] outros que o puderão obrigar a hir. He pessoa que tem muito conhecimento daquellas partes e das cous[as] delias, bom soldado e conhecido e estimado dos da In [dia] e que gastara a fazenda de Vossa Magestade em seu serviço com muita verdade e procurará gasta la onde seja de mais efeito e saberá onde mais convém que se gaste e dos que tem experiência da índia; não tem Vossa Magestade pessoa que mais mereça este [22] lugar que elle. Terá duvida Dom Jeronimo em hir quando Vossa Magestade escuzar seu sobrinho Dom Afonso pelo que tratando Vossa Mages- tade de o mandar convém escrever lhe Vossa Magestade em tal forma que se aja elle por obrigado a hir sem se poder escuzar e aos governadores o que Vossa Magestade for servido para o poderem obrigar com a razão divida e com a ocasião presente. Outro sugeito he o Conde da Vidigueira em quem concorrem muita experiência e conhecimento daquellas partes e das cousas delias porque tem governado aquelles Estados onde se fez res- 278
peitar e tam natural inclinado a aquellas matérias esteve no Con- selho da India e com mais pessoas para servir no estado pre- sente do que podem pezar os defeitos que nelle se notam e por o entendermos assi o nomeamos obrigados do serviço de Vossa Ma- gestade. Parece que em nenhuma maneira va viso rei que não tenha experiência e conhecimento da India e destes so estes dous sugeitos se nos ofrecem. E também que nem estes nem outros sugeitos se disporão a hir sem levarem duzentos mil cruzados e considerando se com que Vossa Magestade quererá acudir a índia em outro estado para a restaurar parecerá pequena esta contia para a conservar. Ja tem cem mil cruzados que levava Dom Afonso o menos com que este ano se podia socorrer he outros cem mil cruzados e assi o que mais se representa agora a Vossa Magestade são cem mil cruzados. Esta contia poderá ser de efeito e as pequenas nenhum farão; e acu- dindo lhe Vossa Magestade este ano de vinte e dous e o de vinte e tres pode ser que não seja necessário mais se o socorro for da consideração que dizemos e apoz isto se poderá colher grosso fundo como sempre deu o Oriente. Deos guarde a católica pessoa de Vossa Magestade. Lisboa 9 de Outubro de 621. Nuno Alvres de Portugal Bispo Conde Diogo de Castro 10. [22 v.] Los governadores de Portugal. 9 de Outubro de 621. Sobre la arribada de la armada de Portugal la índia [23] Las dos cartas de Vuestras Senorias de 9 deste ha reci- vido Su Magestad y a mim me ha mandado dezir a Vuestras Seno- rias que estima como es justo el cuydado con que atienden a las cosas de su servicio advertiendose lo que offrece con tan buen zelo y particularmente lo que se le ha propuesto acerca de la ari- bada de Don Alonso de Noronha a Lisboa en que con lo que Vues- tras Senorias han advertido ha sido servido de tomar la resolucion que por el Consejo de Portugal avisaran a Vuestras Senorias y queda Su Magestad muy seguro de que Vuestras Senorias dispon- dran lo que falta de manera, que se consiga el mismo effetto que si huviera caminado la armada sin arribar. [23 v.] A los governadores de Portugal. De Valsan a 22 de Outubre de 1621 Virrei de la índia 279
11. [24] Portugal—17 de Noviembre 1621 Sobre el socorro que se ha de embiat a Ormuz [25] En conformidad de lo que Vuestra Excelência manda ha visto el senor Dom Dioao Brochado la consulta v caneles ynclusos y le parece que se podria responder a ella lo contenido en el papel senalado de su senoria que ba aqui. He hablado a Joan Curcio sobre lo de la artilleria y hasta agora no ha elejido el sitio para la fabrica ni reconocido deverse (') ni traído los oficiales que han de venir de Flandres para que le ayuden y para todo sera necessário anteciparle dinero y saver a como querra que se le de por cada quintal nele pedido e na relacion de todo y se le dare a Vuestra Excelência. Oy 20 de No- viembre 1621. Martin de Arozteguim 12. [26] Aviendo visto la consulta dei Consejo de Portugal y las cartas y papeies inclusos y la que embia el Consejo para firmar de Su Magestad y considerando el estado apretado en que se alia Ormuz respecto dei largo sitio que los enemigos le tienen puesto por mar y tierra y que si no se açude promptamente con socorro partiendo en la moncion de Hebrero por aver ya passado la de Otubre y Noviembre corre peligro de perderse. Parece que en conformidad de lo que se dize en la consulta se ordene a los gover- nadores apresten y pongan en orden três galiones de los que se allaren mas promptos y fueren mas ligeros y a proposito y tres caravelas procurando que bayan reforçados de gente artilleria y municiones y que partan en todo Hebrero porque aunque la mon- cion verdadera [26 v.] es la de princípios de Março [se]ra acer- tado dezir a los gove[ma]dores que anticipen el despa[cho] por Hebrero con orden que [ba]yan via recta a Ormuz sep... do de las naos de la India [em]biando delante el que lleb[ba] este socorro la una dos o to... tres caravelas a reconocer [el] estado de aquella plaça [para] que si fuesse perdida no s[e aven]turen los galeones y sino ...re y la armada dei enemigo se aliasse superior comunique por medio de las caravelas el capitan de la plaça las... ma que se podra tener para ... ter el socorro que se le emb[ia] por que las caravelas con s[u li]gereza quando topen con la armada dei enemigo no [cojrreran el peligro que los [na]vios de alto bordo y llebeflos] que en casso que la plaça fu[era] perdida buelba con aquel [so]corro a Goa y guarde la que ...diere el virrey y en casso (l) Palavra de leitura hipotética. 280
que se topasse en el camino o en[tre] [27] mares de Ormuz con Ruy Freyre de Andrada general de la armada que alii asiste comu- niquen entre los dos la forma que se a de tener en deshazer la arma- da del enemigo y socorrer aquella plaça y si les pareciere escusen las caravelas y embien las fustas de la armada de la India a reco- nocer y meter el socorro que lo podran hazer con mas seguridad y brebedad que las caravelas dandoles el Consejo de Portugal la orden que ambos an de tener respecto de la calidad de las personas y officios acerca de la subordinacion y govierno por evitar las dife- rencias y encuentros que en semejantes ocasiones ofrecen entre dos cabeças. Y porque la paga de la gente de mar de Portugal no es mas de dos cruçados combendria ordenar que se les de por este viaje a razon de quatro cruzados que es menos de lo que se da en la armada dei Mar Occeano porque el Consejo de Estado de Portugal [27 v.] haze instancia sobre esto crecimiento y parece que es forçosso para que se alie gente que baya a servir de buena gana... Madrid a 20 de Noviembre de 1621. Rubricas ilegíveis 13. [28] Ordeneseles todavia a los governadores que cumplan lo que les esta ordenado y que el socorro sea por lo menos de dos galeones y dos carabelas y que vayan en derechura a Ormuz y que embien adelante a reconecer, una carabela, o ambas para tomar lengua de la armada de Ruy Freyre, y dei estado de la plaza de Ormuz, y de las nuebas que ay de enemigos para poderse gover- nar mejor en todo. 14. [29] Las propuestas de Duarte Gomez Solis contienen en sustancia lo seguiente 1) — Un papel sobre las perdidas de las naves de la India que dize que el remedio es que se entreguen las naves a mercaderes poderosos que las apresten a tiempo. 2) —Que se buelva el Consulado a los hombres de negocios, assi como se empeço quando se instituyo de nuevo para que corran las causas civiles de entre hombres de negocios por los juezes dei Consulado: y que apresten y provean la armada para recibir las naves de la India, y guardar la costa; deziendo que enquanto corrio por ellos estava todo bien proveido y que despues aca han sucedido muchos danos de averseles quitado. 281
3) —Que el precio de los câmbios en las ferias se haze por los hombres de negocios que en cada feria se eligen para ello: y que los mas ricos y poderosos le hazen poner siempre en provecho suyo y dano de los pobres: y que demas desto cambian siempre por mas y menos, como les parece: y que coatro ferias son de mucho dano y aprieto contra los que tomam el dinero que son los mas pobres y que menean el trafico dei comercio: y que para remedio de todo con- viene que el precio de las ferias le pongam uno o dos dei Consejo, oyendo y comunicando primero los corretores y a los hombres de negocios, para que se ponga sin respeto al interes particular; y que las ferias sean dos cada ano de seis a seis mezes y para lugares de Espana: y que no se puede cambiar fuera de las ferias, y solamente se pueda dar dinero de reyno a reyno, a pagar a la vista, o a plazo senalado, sin interes real por real; y que los corretores sean obliga- dos a tener libros refrendados por algun ministro publico, en que assienten todas las partidas que passaren por ellos, para que no pueda aver las fraudes que aora hay poniendosse una grave pena a los corretores que dexaren de assentar en sus libros alguna par- tida. 4) — Que la moneda de plata que ha de servir en el comercio y uso ordinário dei reyno se ligue al modo que se ligan las placas en Flandres, porque con esta moneda se escusará salir de Espana ni entrar moneda de cobre falsa; porque para todo servira esta moneda ligada y que solamente se labren reales de a 4 y a 8 finos para el comercio de la India que con esto quedará la plata en su precio como aora esta; y que la saca dellos no se conceda a portu- gueses sino con obligacion de cargarlos para la India y de repartirlos por los cargadores. 5) — Que se cumpla a la gente de la nacion hebrea el contrato que hizieron para poder vender sus haziendas y salir fuera dei reyno, pues dieron dozientos mil ducados por ello, y que los dexen comerciar en la India y más partes ultramarinas sin vexarlos ni molestados más que los otros vassallos de Su Magestad. 6) — Que para restituir el comercio de la India que esta muy acabado y quitarle a los enemigos de Su Magestad convendrá con- ceder y permitir a los judios que viven en tierras de turcos y moros y de herejes que tengan en la índia sus juderias assi como las tienen en Roma y otras partes de Italia, porque con esso se passaran allá todos y crecerá el comercio y las rentas de Su Magestad. Duarte Gomez 282
15. [30] Senor Vuestra Magestad fue servido de mandarme que oyesse a Duarte Gomez Solis en algunas propuestas que trae y que diesse cuenta a Vuestra Magestad de lo que se me offreciesse, acerca delias. Assi lo hize y vi los papeies que ha dado sobre ellas: y traté y conferi con el muy en particular todo lo que propone. Y porque lo que dize, lo mescla con muchas cosas agenas de la materia con que lo confunde y escurece todo, me pareció necessário reduzirlo a pun- tos ciertos y fixos en que se resumiesse la sustancia de lo que queria dezir, y assi lo hize en su presencia, y el lo firmo y son los inclusos. Y enquanto al primero, no contiene cosa en particular de que se pueda sacar provecho alguno, porque siempre se procuraron para este contrato del apresto de las naves los mejores y mas acreditados mercaderes de la plaça. Pero de anos a esta parte no hay quien le quiera contratar por ser contrato de mucha costa y riesgo, y de muy limitada ganancia: y aunque en esto hay openiones de que no con viene contratarias y que se apresten por cuenta de Vuestra Mages- tad como aora se haze, yo siempre he entendido que es mucho mas conveniente contratarias; y assi lo tiene mostrado la experiência. Pero enquanto las cosas de la mar no mejoraren acerca de los ene- migos, no havra quien se atreva a entrar con tanto riesgo en este contrato. En el segundo que trata dei Consulado, no me parece que dize bien; porque quando se impuso de nuevo este derecho dei Consulado que es de tres por ciento de salida y otros tantos de entrada, por adulçar los ânimos de la gente dei estado mercantil, para consintir en el y le llevar con más gusto, se les concedio una forma de juizio breve, para sus pleitos civiles de los casos mercantiles, entendien- dosse que esto les seria de mucho beneficio, acortando los pleitos y trapaças que solia aver entre ellos con mucho dano dei comercio. Y tambien se les concedio que el prior y cônsules cobrasen el derecho; y aprestassen con el las armadas; y para ello nombrasen los officiales necessários. Esto corrio assi algunos anos, asta que con la experiência se vino a entender que aquella forma de juizio en los pleitos, no era de beneficio a la contratacion, antes de dano; y que los mas ricos y poderosos entre los que por la mayor parte venian a ser los juezes, oprimian mas a los pobres y que no bastava un juez superior que se les dió, que era un dezembargador de palácio; antes con su mano y authoridad quedavan los casos particulares con menos remedio. Y en las cuentas que se tomaron de lo que avia rentado el Consu- lado, y de lo que avian despendido en las armadas, se halló que el prior y cônsules y los demas officiales, se avian quedado con mu- chos bastimentos y municiones y otras cosas que importavan mucho dinero. Y por estas y otras muchas causas justas mandó el rey, que 283
está [30 v.] en gloria aguelo (sic) de Vuestra Magestad que se extinguiesse aquel juizio particular y que corriessen las causas mer- cantiles via ordinária como siempre se hizo y que el Consulado se cobrasse, y las armadas se aprestassen [por] sus officiales reales y assi se haze; y no veo que Duarte Gomez ap[resen]te causas bas- tantes para esto se alterar. Demás de que el habla de [su] cabeça sola y no muestra poder de los hombres de negocios en que lo [pi]- dan antes pienso que lo contradiran. Y quando lo pidiessen y apun- ta[ssen] la forma y condiciones, entonces se podria mandar ver y tratar la [mate]ria, oyendo al Consejo de Hazienda en Lisboa y a los governadores y pareciame que se podria dezir a Duarte Gomez que presente poder, [y] forma en que piden esto, para se le poder responder. En el tercero me parece todo lo que dize de mucha considera- cion; y deve Vuestra Magestad ser servido de mandar que algunos dei Consejo de Haziefnda] se junten con otros dei de Portugal, por tocar la materia a entrambos los reynos. Y que conferida y tra- tada con la especulacion necessária, y cediendo informacion de los hombres de negocios de entrambas p[artes] de Lisboa y Madrid se consulte a Vuestra Magestad lo que pareciere. Y [muchos] dias ha que yo di un papel al rey que esta en gloria padre de Vuestra Mages- tad [so]bre se reduziren las coatro ferias a dós solamente; y dentro de los Reynos de Espana con que cessaria la salida dei dinero para fuera dellos y [que] daria el comercio entre los vassallos de Vuestra Magestade y saldria de las ma [nos de] los estrangeros que le traen usurpado de manera que han empobrecido [y] acabado todas las casas que solia aver muy acreditadas de mercad[eres] espanoles. Y esta es una de las cosas en que más se deve mirar, ... tiendo que los estrangeros por los médios que ellos saben, es comun ope[nion] que tienen tomados todos los puertos en semejantes matérias, para [que] o no se traten, o se passe por todo; y, o sea por esto, o por la necessidad [que] dellos se tiene, los vemos senores absolutos desta plaça, sin que se pu[eda] hazer ninguna provision sin ellos; y siempre será bueno verse [y] tratarse del remedio que esto puede tener, pues importa tanto. En el quarto que trata de que se ligue al modo de las placas de Flan[dres la] moneda de plata usual para el comercio, me parece esta materia [gran]de, y dependente de la otra que se trata dei crecimiento de la plata, [la] qual, el rey que está en gloria tenia cometida a una junta de la [qual] fuy yo uno de los nombrados; y porque eran muchos y de differences tri]bunales y professiones se offrecieron dudas en las precedências, se [man]dó que cada uno diesse su parecer por escrito, y assi lo hize. Y no he [sabida] la reso- lucion que se tomò. Pero este punto de Duarte Gomez es [en al]guna manera nuevo, y que puede traer algunas conveniências [aunque] tambien tendra sus inconvenientes, como los hay en todo. 284
Pero [viose] que siendo en Flandres la plata de las placas de ley mas baxa que [toda?] me dizen que es por lo contrario en la plata de pasta de que se labran [las] pieças que se hazen allá, porque es aun de mejor ley que los reales [y que] vemos que toda la plata se passa allá, y que los assientos que Vuestra Magestad [tienel es a pagar en placas, de que resulta una ganancia excessiva de [los] assentistas: y assi convendria que esto se viesse y se acabasse de tom [ar re] medio en esta materia, porque en la forma que corre, vemos que la plata [se vay] toda fuera del reyno sin poderse reme- diar. [31] En el quinto que trata de que se cumpla el contrato que se hizo con los de su nacion hebrea para salir fuera dei reyno se ha de advertir que la primera vez que se prohibio a esta gente salir dei reyno, ni vender sus haziendas, fue en tiempo de el rey Don Sebastian, informado de que se ivan a tierra de moros y de herejes adonde judaizavan publicamente en dano de sus almas y de sus hijos menores. Pero, el Cardenal Infante Don Henrique, inquisidor general, tanto que succedió en el reyno, revocó luego aquella ley, jusgando por mejor dexar salir aquella gente conocida por pertinaz en su error, y que en el criavan a sus hijos; y que los tales que por temor del Sancto Officio se salian, era mas sano y seguro para el mismo reyno dexarlos ir y limpiarle desta mala gente; y que los que quedassen serian los buenos. Y fue el rey Don Henrique tan (*) y tan prudente, y tenia tanta experiência desta gente por los muchos anos que fué inquisidor general, que quien se arrimare a su parecer no errará. Despues, en el ano de 586, poco mas a menos siendo governador dei reyno y inquisidor general el senor Archiduque Alberto, viendosse que eran muchos los que desta gente se salien dei reyno se bolvió a hazer nueva ley desta prohibicion: de que esta gente se fue siempre quexando por las moléstias y afrentas (sic) que resultavan contra todos, sin destincion de buenos ni maios; y acudieron a Su Magestad dei rey padre de Vuestra Magestad sobre elo: v Su Magestad, por las mismas razones del rey Don Henrique, y por lo que constava de las vexaciones que padecian con pretexto de la dicha ley, hizo con elos un contrato de revocarla, como revocó, y por ello le servieron con duzientos mil ducados. Y passados algunos anos se revocó con pretexto que usavan mal de la licencia saliendosse muchos, y en esto no me hallé porque estava entonces fuera del Consejo. Y, puesto que la materia es de opiniones, la mia es que los deven dexar salir y que los que fueren condenados por el Sancto Officio, demas de las otras penas, sean desterrados para fuera de los Reynos de Espana. Pero Vuestra í1) Em branco, no texto. 285
Magestad tiene remetido a una junta, que se haze en casa del padre su confessor, en que yo no entro, las propuestas que hazen los de la nacion hebrea, y esta deve ser una delias; y por esso me parece que con lo que la dicha junta consultare, podrá Vuestra Magestad mejor tomar la resolucion que tuviere por demás servido de Dios e suyo. En el sexto me parece la propuesta aspera y indigna en la parte que toca a se permitir que los judios que siendo christianos bapti- zados se passaron de Portugal a tierra de infieles, puedan en el habito, y profession de judios bivir en la índia en tierras de Vuestra Magestad y tener alli sus juderias, que es cosa indigna a mi parecer de se oyr, aunque para lo que toca al crecimiento dei trato y comer- cio temporal, podrá ser de algun provecho. Pero permitirselas a los que nacieron judios y lo son, tenemos exemplo de Roma, y de otras muchas republicas. Y no obstante esto me parece que no se deve oyr, ni tratar desta propuesta. Y tambien me parece que se deve tratar y oyr a Duarte Gomez, con advertência de que ha sido tan falto de govierno y assiento, que se le ha quitado su hazienda, y una hija que tiene, [31 v.] y todo está a la administracion de su suegro Hector Men[des] y assi lo bueno que dize por la experiência que tiene del tiempo [que] estuvo en la India y tenia sus negociaciones y credito es as [si] mesclado con muchas impertinências y desigual- dad, que procede dei poco assiento que tiene en su juizio y modo de pro [ce] der. Pero muestra buen zelo con noticia de muchas cosas. Vuestra Magestad visto todo mandara lo que huviere por mas conveniente a su servicio. Madrid a 7 de Enero de 622. PedrAlvares Pereira No verso. Pedro Alvares Pereira a 7 de Enero de 1622. Sobre lo que passo con Duarte Gomez Solis. 286
16. [33] RELACION SUMARIA DE LOS AVISOS QUE HA ÁVIDO EN RAZON DE LAS PRETEN- CIONES QUE SE HACIAN EN OLANDA PARA EL BRASIL Por mano de Manuel Sueyro se tubo aviso que de Jesel en Olanda partirian con brevidad la buelta de Samalo tres navios de guerra donde se juntarion con otros dos navios de franceses y que en el mismo puerto estava lebantada gente para enbarcarse en estos navios y por su cabo Don Christoval de Portugal; que esta preben- cion se hacia para el Brasil y con el governador que era dei se trayan praticas secretas. Encargose a Manuel Sueyro que apurase bien este negocio y siempre ha ydo escriviendo lo mismo. Tambien encargo Su Magestad por Noviembre pasado al Mar- ques de Mirabel que aberiguase con secreto si en Samalo se juntavan estos navios y gente y siendo cierto lo avisase con correo espreso y hiciese officios para estorvar [33 v.] el yntento U). Tambien se escrivio por esta via al nuebo governador dei Brasil que estub[iese] con cuydado en todo su govierno de no recivir dano de algunos na- vios de guerra sin ... clararle mas y que viese ... de quien se faria. El Marques de Mirabel en carta de 28 dei pasa[do] respon- diendo a lo que se le [es]crevio dize que ha entendi [do] que Mau- ricio da cinco navios de guerra a Dom Manuel [de] Portugal con los quales y otros dos se encaminarfan] a la India y que olandeses tratan de apoderarse de lo pu[er]to de Arapor. Manuel Sueyro en carta de 27 de Diziembre avisa que [los] navios que en Olanda se prebenian para la empresa dicha dei Brasil avian partido ya para Samalo. El Marques de Bedmar en carta de 10 de Enero [34] que avia platicas entre los estados rebeldes de embiar una armada al Brasil con um hijo de Don Manuel de Portugal y en otra carta de 2 de Hebrero escrivio que ya avia partido para Francia este hijo de Don Manuel. [34 v.] Relacion de lo que ha ydo entendiendo acerca de las prebenciones que en Olanda se ha- cian para el Brasilt C) À margem — De Io referido hasta las rayas se dio quenta al Duque de Villa Hermosa por ordem dei sefior comendador (?) mayor d Leon. 287
17. [35] Senhor Entre outros papeis do Conde da Vidigueira que Vossa Mages- tade com ordem particular mandou remetter a este Conselho veo hum memorial sobre o comercio de Filippinas com a China e Jappão; e porque a materia he de grande importância a toda esta monar- chia; e para a trattar tinha el rey nosso senhor que Deos tem sinalado aos ministros que entrão na Junta de Persia, com mais dous oydores do Conselho de índias, que o presidente delle nomearia, o que se não executou ate agora por o presidente não vir em fazer a nomeação, e não ha outro meo de se entender e accabar de com- por negocio tão grave. Lembra o Conselho a Vossa Magestade que deve ser servido de mandar que a ordem dada passe adiante e se cumpra, e o presidente de índias sinale com effeitto os ministros da- quelle Conselho que se hão de achar na junta, ou Vossa Magestade os mande nomear, para que ella sem mais dilação se possa fazer, e conferido tudo o que ha por hua e outra parte se consulte a Vossa Magestade para tomar a resolução que for mais de seu real ser- viço. Em Madrid a 15 de Fevereiro de 622. Rubricas ilegíveis 18. [36] Que se poblase Ia costa que corre dei Brasil hasta Santo Tome de Guayana y vocas del Prago y de los demas rios y los que fueren tan anchos que no alcance la artilleria de una parte a otra se fortifiquem y aunque esta conquista es de la Corona de Castilla se podria encomendar a la de Portugal por venirles mas a quento. Y que por la noticia que ay de que en la otra costa ay poblaciones de ingleses y olandeses se podria embiar a reconozer y conforme lo que huviere se podra tomar resolucion y prevenir lo necessário para echarlos. Que para la seguridad de las flotas de las índias Ocidentales conviene reconocer que poblaciones han hecho los ingleses y olan- deses a la margen dei Rio de las Amazonas y desalojallos de alli antes que fortifiquen mas haziendo en las vocas de los rios y en los puertos y vayas las fuerças necessárias sin dexar a los enemigos puerto ni abrigo ninguno, que esto podria correr por mano dei go- vernador dei Brasil, porque el de Maranon solamente podra hazer desde el Rio de las Amazonas que cae en su distrito el descubri- miento que se dize de si ay por alia naciones dei Norte dandose a la persona que embiare con algunos indios ynstrucion de lo que ha de hazer y reconozer, y que el aviso lo lleve al governador dei Brassil [36 v.] al qual se le ordenara que en Pernambuco apreste una armada para desalojar a los enemigos de manera que quando le lle- 288
gare el avisso de lo que se ha reconecido este previnida la armada y parta luego, llevando orden para yr ocupando lo primero la parte dei Norte y haziendo alguna fortaleza en parte conveniente, que, con- forme al sucesso que se tuviere y al caudal que se pudier[e] sacar de la Corona de Portugal ayudando la de Castilla, se podria con- tinuar. 19. [37] Senor He visto el papel yncluso que Vuestra Excelência me enbio y bolve con este y maiores secretos fio de mi el abuelo y padre de Su Magestad que Dios guarde teneendo yo menos canas. Quien a hecho esta advertênsia deve tener poqa notisia y cono- simiento de la costa dei Brasil; porque en toda ella lo que solo podia hazer algun dano a la navegasion de los yndios era el Maranon, lo qual yo conquiste y esta por nuestro aunque enflaqosido por des- cuido de nuestra parte asi en artelleria como en buena fortifiqasion a lo moderno y falta de soldados y munisiones y capitan o governa- dor, y el que para alia esta nonbrado tiene ochenta anos y nenguna notisia de la gerra ofensiva ni defensiva que alli se usa ni platiqa de la tierra y gente dela; a esto es menester que se prevenga non- brando persona sufisiente, de que yo podria apuntar algunas siendo Su Magestad servido conforme a los sugetos que conosqo; esta tal podria partir luego en dos o tres navios piqenos llevando las muni- siones nesesarias y los soldados que andan en Lisboa de aqella con- qista que no son poqos ni maios: y mandar luego descubrir por mar toda aqella costa del Gran Rio Pará de anbas partes hasta el Cabo dei Norte con soldados y yndios platiqos delia; para que achandolos en tierra en siertos pasajes traigan lengua de otros de lo que ubiere (?); y ansi se alcansará presente notisia de todo, y de otra manera no. Con esto se sabra clara y distintamente lo que ai dende el Maranon hasta el Cabo do Norte y se alcansará conosimiento de algunos puertos si los ubiere donde se podrian fabriqar algunas fuer- sas [37 v.] siendo nesesarias; y allandose echas algunas de enemi- gos avisarse por tierra al gobernador dei Brasil para que prevenga la armada nesesaria y yndios para la conqista delias porque sin indios de nuestra faccion no se puede hazer nada que seea de prove- cho en aqellas partes; y avisan[do] aqa por la mar de todo; porque la nabegasion dei Maranon al Brasil es tan dificultosa, como fasel dei Brasil para el Maranon, respeto dei corriente de las agoas y bientos. Y en lo que toqa a la costa dei Brasil tiene la siudad de la Ba [ia] (?) que es la cabesa de aqel Estado sus fuertes rasonables aunque mal probeidos de artilleria como lo estan todos los demas ultramarinos. La capitania de Pernambuqo la he dexado con mas rason de fuersa, de la mesma manera la dei Rio Grande aunque 19 289
tanbien tiene falta de artilleria y sistema que no se pudo aqabar en tienpo de mi go[bie]rno. La capitania del Rio de Yanero esta for- tificada mejor y todas deven tener falta de artilleria y munision. Estas son solas las capitanias de aqel Estado que estan algo fuertes; pero la del Espiritu Santo y Puerto Seguro que estan en medio de la costa de aquel Estado no [tienen] fortifiqasion alguna, y poblandolas qualqiera enemigo que le sera fasil tomallas; son los puertos delias mui defensables con qualquiera fortalesa que se les haga, y podran ynpidir todo el comercio de aqel Estado con fasilidad q tanbien la capitania de la Paraíba que esta hasta el Nor [te] tiene mui buen puerto y flaqa fuersa que lo defienda por ser solamente de tierra y faxena (?) con poqa artilleria y de poqo alcanse [39] sobre todo esto he escrito a Su Magestad estando en aqel govierno sin se me defirir a coza alguna que creio seria por falta del Consejo de la India que estonses se extingio con harto dano dei servisio de Su Magestad y la sentiran adelante mas sus estados ultramarinos si no se bolviere a poner. Conbiene abisarse con brevidad al gobernador dei Brasil, y al capitan de Pernambuqo enbiandole munisiones y polbora para acudir con ellas a las partes dei Norte y dei Sur de toda aqella costa que contiene setesientas legoas preveniendole para que todos los capi- tanes esten sobre aviso a lo que se ofresiere. Para todo qisiera hallarme alia ate biejo como soi, y porque cartas son mensajeros muertos qe no repliqan yre al Pardo para lo mas que Vuestra Excelência de mi qisere saber, a quien Dios guarde con la bida y salud que sus serbidores le desean. Madrid oi 21 de Enero de 622. La letra mala perdone Vuestra Excelência por ser de mano propria y guardar el secreto encargado. M. Gaspar de Sosa [41 v.] Consejo de Portugal Sobre la execucion de la junta que se ha mandado hazer para trattar dei comercio de Filipinas con la China y Jappon. Para luego. 20. [42] Senor Ha visto Don Agustin Mesia como Vuestra Magestad ha man- dado la consulta inclusa dei Conssejo de Portugal y el papel que vino con ella de Mendo da Mota, que todo trata de los effectos en que se deve emplear el dinero dei socorro que se ymbia a la India, y se conforma con lo que parece a Mendo da Mota de que se acuda en 290
primer lugar a lo de Malaca por ser lo que mas riesgo corre de per- derse y necesita de socorro y por las demas razones que apunta, y pone en consideracion si seria bien pues el rey de Inglaterra se halla tan satisfecho de las demostraciones que Vuestra Magestad ha hecho y haze a su instancia con el en las cosas de su hierno, hazer liga con el dicho rey para echar de toda la índia ós [42 v.] olandeses pues son los mas poderosos enemigos de aquel[la] parte aunque sea dando en el [la] algo a ingleses, de que tam[bi]en se sacaria otro provecho no pequeno que el enemig[o...] tar mas estas dos naciones... Vuestra Magestad lo mandara veer y prove[er] lo que mas fuere servido. En [Madrid] a 26 de Hebrero 1622. < a) Rubrica ilegível 21. [43] Esta menhã se rubricou no Conselho huma consulta en que se trata dos effeitos en que se ha de empregar o dinheiro do socorro da India que Sua Magestade mandou dar ao Conde de Vidi- gueira. E por ser a materia tão importante, e a substancia e fim de tudo o que se dispende neste socorro não pude deixar de representar a Vossa Excelência, quanto convém qualificar se bem a differensa de pareceres que ha acerca disto, para que Sua Magestade possa con mui inteira notícia tomar a resoluçam que julgar por mais conve- niente a seu real serviço. O Conselho do Estado de Portugal dis que este dinheiro se deve empregar en duas emprezas: convém a saber a de Surrate, que he na costa do norte do Reino de Cambaia; e a de Paleacate, que he huma fortaleza que os olandezes tem fabricado con gente e artilharia na costa de Choromandel. E passa o Conselho de Estado por alto o que he mais impor- tante e necessário a saber socorrer se a cidade de Malaca, e ir con poderosa armada ao Sul aonde os olandeses trazem o maior numero das suas naos, e fazem maiores dannos, não somente àquela cidade, mas também às ilhas Philipinas, e às de Maluco, e aos comércios do Japam e da China. E aonde en substancia consiste todo o pezo da guerra e males que os olandeses nos fazem, e aonde correm maior risco os estados que Sua Magestade ali possua. Mas porque esta empreza assi como he mais importante e mais necessária, assi tam- bém he mais fastidioso e mais arriscado, applicar se de ma vontade os viso reis a ella, e Sua Magestade consuma a fazenda que não tem en socorros, indo sempre as cousas daquelas partes de mal en peor, por falta de boa detriminaçam e de boa execuçam [43 v.] e pela dissimulaçam e relaxaçam que ha en tudo, na consulta deste Conselho se apontam en sum [ma] as razois pera se diffirir por agora a empreza de Surrate, supposto que os ingrezes não tem ali forta- 291
leza, nem en nenhuma outra parte da India e se converterem as for- ças contra os olandezes que sam os que tem fabricadas fortalezas e tomado outras, e procuram fundar império na índia deitando os portugezes (sic) e vasalos de Sua Magestade [de] la. E ainda en Paleacate ha muito que reparar, supp[os]to que aquela fortaleza esta en mui boa defensam con muita soldadesca e mui boa artilharia, q[ue] se não pode tomar senão por cerco e por combates os quais os olandezes sabem mui bem defender. E se o viso rei a não tomar, se acabara de consumir de todo a reputaçam. E tomando a (o que não poderá ser sem muito sangue) poderam fabricar logo outra en qualquer outra parte daquella mesma costa donde levam as roupas que dali levam para o Sul, como aconteceu ja en outra que lhe tomou o Bispo de Miliapor en lugar da qual fabricaram logo esta que agora tem en Paleacate, seis legoas do lugar en que tinham a primeira. A empreza de Malaca e do Sul, demais de ser mais importante e necessária, por consistir ali o maior risco dos enemigos he occa- sionada a maiores e milhores sucessos, porque achando no mar as naos olandezas poderá peleijar con ellas con boa esperansa de vito- ria. E quando não, poderá acabar a fortificaçam de Malaca, fazendo o forte da Ilha das Naos, que ficara sendo a chave daquela cidade, poderá mandar dali algum socorro a Filipinas e a Maluca, [y] dar calor aos comércios do Japam e da China, que tudo de presente esta en mui apertado e miserável estado e poderá dar algum castigo a el rei do Dachem cruel [44] e continuo enemigo da cidade de Malaca. Ormus tem o socorro que leva Martim Affonso de Ouli- veira. O comercio dos inggrezes en Surrate he cousa que por hora se pode dissimular. Paleacate he cousa que pode esperar. Malaca e tudo o que Sua Magestade tem no Sul esta en mui grande risco de se perder. Supposto isto Vossa Excelência escolhera como milhor lhe pare- cer con presupposto que os homens deste tempo querem o que lhe he mais conveniente para si, e que Sua Magestade deve ordenar o que he mais necessário pêra seu real serviço e defensam de seus estados. E ainda que en todas as ordens dei rei se entende sempre a clausula de que Julio Caesar usava nas que mandava aos seus legados: Fac quod e (sic) republica erit, contudo não tira isso que aja Sua Majestade de ordenar por maior que emprezas devem os seus viso reis fazer, porque se deixar tudo nelles, ham de tratar mais de si que de arriscar se no serviço d'el rei. Nos tempos antigos, quando os rumes invadiram a índia, man- davam os reis que os fosem buscar os viso reis para peleijarem con elles. Isto mesmo fizeram quando os turcos a invadiram e deu- -lhes Deos gloriosas vitorias contra elles. Nos tempos presentes mandou el rei que esta no ceo a Andre 292
Furtado ao Sul, e despois ao viso rei Martim Affonso de Castro; ao mesmo mandava Dom Jerónimo de Azevedo, que elle não cum- prio. Dom Joam da Silva vao (sic) de Filipinas a Malaca. Ali con- siste a substancia de tudo. Deos guarde a Vossa Excelência como desejo, e lhe inspire en tudo o milhor. De casa, 21 de Fevereiro, 1622. Mendo da Mota [45 v] Don Agustin Messia a 26 de Hebrero Inclusa una consulta dei Conssejo de Portugal e un papel de Mendo da Mota 22. [45] Portugal — 26 Hebrero 1622 El consejo de Portugal consulta al rey nuestro senor que aya gloria sobre la causa contra Domingo de Àlmeyda que fue conde- nado a muerte, por sospechas de que trattava con los olandeses. Propuso tres cosas: la primera que todos los ingleses olandeses, y otras naciones dei Norte, sospechas se traygan a Portugal — 2.a Que tambien se traga preso Fernando- Cron por sospechas que huvo contra el y se le embargasse sus bienes. 3." Que los christianos nuebos de Portugal tambien se saquen, de alia. Su Magestad aprobo esta consulta y despues con otra ocasion, la pidio al rey nuestro senor que Dios guarde y la remitio a Mel- chor de Molina para que diga lo que se le offrece y dize: 1.° — Que al primer punto que toca a los estrangeros a general, que a los princípios se deviere aver tenido cuydado para que no entraran ni se aveziudaran a la índia, pêro que ya ave- ziudados, no parece que es justo traelos aqui, sin mucha causa, y que se podria ordenar para adelante que no dexen entrar otros y que se buelva averiguar si ay culpa contra los dichos estrangeros en materia de iníidelidad por persona de satisfación que no sea de los que primero intervenio en ello o embiare persona a pro- pósito de Portugal y que segun lo que se hallare assi se proceda contra los dichos estrangeros, embiando las debasas que tuvieren. (') 2a — Que a Hernando Cron le parece que se cometa su causa a persona de satisfación que buelva a hazer las averiguaciones em- bargando sus bienes y que proceda contra el y los demas culpados (') A margem: Lo primeiro y tercero por orden. Al segundo omitillo. 293
desde luego a prision, y embargo de bienes y Hallando indícios al tormento y en las causas los remitan aqui y si no huviere alia per- sona de satisfacion se embiç de Portugal. Quanto a los indios que tiene tratto con estrangeros se con- forma con lo que parece al Consejo de Portugal de que se haga averiguaciones y que se pueden cometer a quien hubiere de hazer las demas. [46] El Consejo de Portugal hizo al rey mi senor mi padre que[aya] gloria la consulta inclusa sobre traer preso de Goa a Portugal a Fernando Cron, y a otros estrangeros, y sobre demas puntos que contiene la dicha consulta vos la vereis, y me direis lo que se os (sic) offreciere acerca dellos, y particularmente sobre la culpa que resulta contra el Fernando Cron. Rubrica do rei Filipe En Madrid a 16 de Março de 1622 Melchor de Molina 23. [47]Senor Domingo de Almeyda português que reside em la Yndia en la ciudad de Goa y que se avia passado a los olandeses de Palia- cate fue preso em la dicha ciudad de Goa por sospecha de espia de los enemigos. Nas declaraciones que hiço en el tormento contra Fernando de Cron y otros estrangeros que rçsiden en la Yndia dieron causa a la prision dei dicho Fernando de Cron; y a que el viso rey de la índia Conde de Redondo mandase hacer dos de- bassas en pesquissas generales contra los que teniam trato se- creto y comunicacion con las naciones estrangeras. La una en que escriviese Benito de Baena desenbargador en la dicha ciudad de Goa y otra el inquisidor mas antiguo. Y aviendo muerto el viso rey y sucedido en el govierno Her- nando de Albuquerque, se vieron en su presencia por los desem- bargadores de la Relacion de Goa las dichas pesquissas, y los autos y demas diligencias hechas en el casso. Y por todos se resolvio uniformemente, que dello no resultava culpa, por que se deviese proceder contra Fernando de Cron, y se mando soltar, sin dar aviso dello a Sua Magestad, ni esperar su orden por la dilacion que hu- biera en esto, y otras consideraciones, que para ello dicen que tu- bieron. Y el governador y Benito de Baena desenbargador y los de- senbargadores de la Relacion de Goa escrivieron sobre el casso. 294
y diligencias que en el se avian hecho, y resolucion que se avia tomado con Fernando de Cron, abonandola y diciendo que la avian tenido por conviniente al servicio de Su Magestad, y a justicia; y enviaron copia de la debassa que con las dichas cartas y lo demas que devio de benir con ellas se vio en Lisboa por el Desenbargo de Pazo; que en cinco de Hebrero de 621 consulto lo que se le ofrecia ser necesario proveerse en materia tan importante; enviando tanvien copia de una relacion, que de la dicha devasa y autos avia sacado por su orden el Dotor Dinis de Melo y aviendose visto en el Consejo de Portugal consultaron a Su Magestad lo que les pa- recia que se hiciese, enviando la copia de la dicha relacion; a que Su Magestad respondio entonces que se hiciese como parezia al Consejo. Y Vuestra Magestad por ser la materia tan ymportante asi en justicia como en estado a tenido por vien que se trate de nuevo dello, y me a mandado que vea las consultas ynclusas sobre traer presso a Fernando Cron, y a otros estrangeros, y sobre los demas puntos que contienen; y diga lo que se me ofrece cerca dellos: y particularmente sobre la culpa que resulta contra Fernando Cron. [47 v.] Lo que anvas consultas contienen, y se saca de la re- lacion de la pesquissa, y autos que se hicieron en Goa contra Do- mingo de Almeyda, se reduzen tres puntos principales, como tan- vien lo dice la consulta dei Consejo de Portugal. El primero es general, que toca a los flamencos, olandeses, in- gleses y otras naciones dei Norte, que viven y residen en las ciu- dades y fortaleças de la Yndia; y de lo que en esto conviene que se haga por la sospecha que ay dei trato que tienen con los estran- geros enemigos. Y no era esta materia de que se tratase entonces de nuevo; porque en la ynstruicion que se avia dado al virrey de la India, y en una carta que se le avia escrito en 4 de Março de 619 se le avia mandado que no consintiese la [enjtrada de estrangeros en aquella tierra con color de mercaderias, y que si alguno viviese en ella antiguo y cassado, que fuese perjudicial, lo enviase luego a Portugal sin esperar a dar quenta dello. El segundo punto es de la culpa que resulta contra Fer- nando Cron de los yndicios por que fue preso. Y el tercero punto es sobre los christianos nuevos portu- gueses de nacion ebrea, si conviene tanvien sacarlos de aquellas províncias por el receo de la misma comunicacion con estrangeros: y tanpoco es nueva esta sospecha y tratarse dei remedio dello; pues tanbien en la dicha carta de 4 de Março de 619 se adbirtio al vir- rey, que hiciese diligencia para saver si los christianos nuevos de nacion ebrea que vivian en aquel Estado, y en el Reyno de Portugal tratavan con los estrangeros en sus conp[a]nias y comércios; y que todos los anos diese quenta de todo lo que resultase de aquellas diligencias. Y para poder decir lo que se me ofrece en todos tres pun- tos es necesario primero, que sepa Vuestra Magestad, como en an- 295
bas consultas ynclusas se dice y se adbierte por la relacion, que saco el Dotor Dinis de Melo de la pesquissa que se hiço en Goa, y deve aun de parezer mas claro por ella misma; que la dicha debassa o pes- quissa, y las preguntas, y diligencias que en ella hicieran, y en los autos de la prision y declaraciones de Domingo de Almeyda, todo fue diminuto; y no se hiço con el cuidado ni adbertencia que merecia negocio de tanta ymportância pues en el se tratava de [la] conser- vacion de la Yndia, província grande, y rica, y tan apartada de la caveza de su govierno; ni se hicieron a los exsaminados las pregun- tas que devieran hacerse; ni se exsaminaron los testigos que cita- ron sobre las cossas en que los citavan; y que asi mismo pareze que los que trataron dello no tenian la pratica criminal que se riquiere para [48] poder averiguar cossas, que se hacen con tanto secreto y recato y que aun en alguna manera tuvieran mas voluntad y gusto, de lo que se permitia a jueces de hallar ynocente a Fernando Cron, y a los demas yndicados en aquella pesquisa lo qual aun entiendo que se manifestaria mas viendo la misma pesquissa, y demas autos, y papeies, y cartas que se enviaron, y vinieron de Goa, que el Con- sejo consulto a Su Magestad, que envien que se trujese ai Consejo que yo anado que conviene que se envie con ella, si vino, la otra pes- quissa que hiço en Goa el ynquisidor por orden de virrey por que no conta por estes papeies si la relacion dei Dotor Dinis de Melo fue tanvien delia. Y con este presupuesto el Consejo en el primer punto consulta, que le pareze por las raçones que dice, que todos los estrangeros que viven en aquellas partes flamencos, yngleses, olandeses, y otras naciones dei Norte se manden enbarcar para el Reyno de Portugal; execucandolo sin estruendo y con mucha prudência, y començando por los que parezieren mas suspechosos y residieren en lugares y partes mas suspechossas y que de aqui adelante no se permita que entren estrangeros en aquellas tierras. Y en este punto me parece que la entrada se hubiera de aver prohivido [a] todo genero de estrangeros naturales de aquellas pro- víncias, con quien esta corona tiene guerra, o no segura paz. y que asi deve hacerse en lo de adelante pues la fuerça de la ynclinacion natural es tal que no puede vivirse con seguridad, admitiendo en nuestros reynos y provinzias a personas devotas de nuestros enemi- gos, que an de dolerse de sus males, y desear y procurar sus bienes, pêro no haviendo sospechas behementes y indícios provados que me- rezcan castigo, y expulsion suia, no me pareze que se puede justi- ficar el mandado de sacarlos de las tierras donde se admitieron y an asentado cassa, y aveciudados y por casamientos. Y que para poderse hacer esto conviene, que preceda mayor averiguacion que la que resulta de la pesquisa passada; para que si las sospe- chas de su trato, comunicacion, y comercio con los estrangeros vecinos (?) e naturales suios lo justificaren puedan executarse justamente su castigo, o la espulsion pues aun en el traerlos 296
de presente al Reyno de Portugal puede aver ynconveniente, por los avissos que de mas cerca, y con mas vehemencia daran como ofendidos a los que infestan la India, y a los vassalos de Vuestra Magestad en ella. Y el quererlos tener en los reynos de Vuestra Magestad despues de maltratados (en fiança que no pueden asegurar los danos mayores, como lo dice la con- sulta, [48 v.] dei Desenvargo de Pazo) no puede ser conveniente en ninguna raçon de Estado; porque se hallare prueba de delito de magestad contra ellos es justo que pasen por la pena del: y la dei confinarlos en Portugal es muy grande sin aver pecado.y pe- quena si hubiesen dilinquido mayormente que para resolver este punto con satisfacion, y ajustandole con la regia de las conve- nencias o ynconvinientes que pueden resultar dei sacarlos de la India, y encerrados en Portugal, quando vien se pudiese y se passase de lo que permiten las raçones de la justicia, que sera siempre la primera en el animo de Vuestra Magestad; seria ne- cesario que se supiese quantos, y quales son los estrangeros que ay en aquellas partes que tanto a que viven en ellas; con que se an ynteressado y travado con los vasallos naturales de Vuestra Magestad que estado y condicion tienen,... que hacienda y si los lugares donde viven son marítimos acomodados y faciles para las correspondências con los enemigos y si entraron con licencia, o con algun color dei vien se haga publico y servido de la corona y que por la visita se sepa como an procedido porque con la con- sideracion de todas estas calidades se a de hacer el juicio de la convenencia (sic) o inconviniente que tiene el expelerlos de los lugares y fortaleças donde viven; y que tanto pesa el dano que puede resultar de su expulsion; y temerse de su ofensa, y desa- comodamiento. Asi parece, que por agora no se haga novedad, sino que mande Vuestra Magestad que se haga nueva devassa, y pes- quisa general sobre la vida de los estrangeros que residen en aquellas partes; y sobre lo que se sospecha [delia] dei trato, comu- nicacion, y comercio que tienen con las naciones que ynfesten aquellos mares y costas dellos, y sobre las cossas que me pareze conviene que se sepan antes de hacerse resolucion en el casso. Y que esto se haga por la persona que nonbrare el nuevo virrey de la India, que no sea de los que entendieron en la passada, ni dependiente dellos, o que se enbie de Portugal para esto, y para la caussa de Fernando Cron e los demas yndiciados, porque la materia es tal, que pide qualquiera [trajbajo, y cos- ta que se ponga en ella, pues se trata del sosiego y seguridad de província tan ympcrtante a esta corona, que delia le biene tan gran caudal para sustentar su grandeça y que para poderse hacer como se deve la averiguacion sobre este punto y los otros dos siguientes se entreguen a la tal persona las pesquisas passa- 297
das, y la relacion, y consultas, y las cartas, y papeies que vinie- ron de Goa [que] si halla se hubieren tomado, o faltaren los ori- ginales, para que haciendose con eso mas senor de la materia; e con los adbertimientos [49] de la relacion, y consultas, saviendo mejor los defetos que hubo en las averiguaciones passadas, pueda poner en claro la verdad de todo, y que en particular se procure que la persona a quien se encargare tenga larga experiência y noticia de causas criminales, y opinion delia y que la misma pes- quisa se haga por el capitan y gobernador que esta en San Tome contra los vasallos daquella província que tubieren comercio con los olandeses de Paliacate, y que proceda contra los culpados en- barcandolos para Portugal. En el segundo punto de la culpa contra Fernando Cron pa- reze que hubo diferentes parezeres en el Consejo. El de três con- sejeros fue que en justicia avia bastantes yndicios para proceder contra el, y secrestarle sus bienes, y darle tormento, o a lo menos llegar a la cominacion dei por la calidad dei delito de Su Magestad de que se trata y que no conviene aventurar aquella republica por salvar un particular y conformase en esto con el parezer de los dos desenbargadores do Pazo en la consulta ynclussa, que se en- vio de Lisboa, que dicen no fue bien considerado mandarle sol- tar sin hacerle cargo y que se librase. Don Francisco de Bragança uno dei Consejo de Portugal confiesa quan defetuossa fue la pesquisa que se hiço en Goa y que se devia cometer al virrey que retire a partes seguras los yn- diciados, y donde no tengan comunicacion, y que se haga nueva pesquissa por dos ynquisidores, que uno escrivã, y otro exsamine, por que no padezcan sin culpa y que esto se deve fiar dei virrey pues se le fia la conservation del Estado. Pero contra Fernando Cron dice, que resulta menos presun- cion porque es aleman y no flamenco y que tiene dado buena quenta de si en muchos anos que a que esta (sic) en aquellas tierras, donde sérvio en muchas cossas de fidelidad, y por ellas fue honrado con Avito de Christo, y que de los autos no resultava culpa, por que se deviese proceder contra el. — Y en esto, aviendo considerado la relacion de la pesquisa de Goa, y lo que se dice que ay en ella contra Fernando Cron, y lo que dixo Domingo de Almeyda contra el en las dos primeras declaraciones en tormento aunque no se ratifico fuera del y que en el tercero le nego todo me parece que hubo yndicios bastan- tes para proceder a prision y hacerle cargo y processo abierto y que la caussa se justificara mas bastantemente de parte dei fisco y el fuera oydo para librarse y purgarse de aquellos yndicios por que los que resultan dei trato y comunicacion con estrangeros no estan bastantemente provados para proceder a mas que a prision. Y aun que sea delito de magestad en primera caveza es necesa- 298
rio que los yndicios sean ligitimos, y se prueben ligitimamente si bien hubo como e (sic) dicho descuido grande en las averigua- ciones, y que asi no le devieran mandar soltar los desenvargadores [49 v.] de la Relacion. sin dar primero quenta dello; pues si lo hicieran se hechara de ver como agora quan deminuta estava la pesquisa, y quan fria y flexamente se avia[n] hecho las pregun- tas, diligencias, y averiguaciones delias y se probeiera en el casso lo que convenia en negocio de tan grande ymportancia, para lo qual no puedo dejar de poner antes los ojos de Vuestra Magestad un aforismo sacado de lo que escrive Cornélio Tácito en el libro quince de sus anales, en una causa que se hiço contra una muger llamada Epícaris acussada de delito de conjuracion contra el prín- cipe y presa por yndicios no provados, que con todo eso no quiso el príncipe que la soltasen, por sospechar que no eran falsas dei todo aquellas cossas que no se provava ser berdaderas, como pare- cio despues quando dei todo se descubrio la conjuracion. Y dice el aforismo, que en negocios de conjuracion o rebe- lion contra el príncipe aun que los yndiciados dei delito no se pue- dan convencer con entera prueba, no es cossa segura dejarlos libres, tiniendo consideracion a la grandeça del crimen de que son acussados porque en estas cossas el tiempo suele con nuevas ocasiones ser el mejor testigo de todos. De manera que en tales delitos la prision, a de ser fácil, la soltura dificultosa, y tardia, por lo que puede manifestar el tiempo, y por el peligro que puede resulfer de ella; y la condena- cion madura y considerada, y asi en esta caussa de Fernando Cron y de los demas, contra quien resultan yndicios de aquella pesquisa y declaraciones de Domingo de Almeyda, lo que me parece que conviene es, que Vuestra Magestad envie orden al virrey para que por mano de ministro muy confidente, y que no sea de los que entendieron en lo passado ni dependiente suyo, y que sea gran criminalista, se haga nueva pesquisa contra Fer- nando Cron y los demas yndiciados, con vista de las passadas, y supliendo las preguntas, y repreguntas, y averiguaciones que en aquellas faltaron; tirandolos a partes seguras; y teniendolos sin comunicacion, y secrestandoles sus bienes en todas partes; para que no tengan mas comodidad que par [a] defenderse legitimamente. Y que acavada la pesquisa, y averiguaciones delia, se les haga cargo, y reciva su descargo, y si alia parecieres que resultan yn- dicios bastantes para tormento o cominacion dei, se les ... y con la copia de todo lo processado se envien a Lisboa presos, para que alli se bea y determine su caussa por los jueces que Vuestra Magestad nonbrare y si no pareciere Cjue en la índia puede aver persona de quien fiar esto, que se envie [ra] persona que sea de confiança y qual conviene que lo haga, y proceda en la dicha (?) forma porque ni lo processado hasta agora permite que puedan 299
ser dados por libres de delito tan grave ni ay prueba tanpoco que vasta para con[de]narlos. En el tercero punto sobre los christianos nuevos de nacion hebrea des[ia] el Consejo de Portugal, que avia muchos dias que se avia dado quenta a Vuestra Magestad que ellos [tenian] trato y correspondência con la compaiiia de mercaderes que ay en los estados [50] rebeldes; y que aunque se avia hecho en Lisboa pesquisa sobre ello por juezes particulares, y no se avia hallado culpa no cesavan las sospechas contra aquella gente. Y que le parecia al Consejo conviniente que se mandase a los dos ynqui- sidores de la India que con todo secreto ynquiriesen por via de visita, si los christianos nuevos residentes en ella y en otra qual- quiera parte tenian correspondência con olandeses, yngleses, y estrangeros y que hallando algunos yndiciados procurasen ave- riguado y haviendo yndicios para prenderlos se remitiesen a los carceles reales para que se procediese contra ellos enviando jun- tamente la pesquisa que se hubiese hecho. Y en este punto me pareze, que conviene, que Vuestra Ma- gestad mande que se execute lo que el Consejo consulto; y que la pesquisa se haga juntamente con la que se a de hacer hobre el primer punto, y por la misma persona, y en la misma forma; pues en la disimulacion de qualquiera de estas cossas ay peligro; y mas aviendose començado a tratar de la materia por la ruin yn- clinacion humana, y por la que se conoze en particular de esta gente, Vuestra Magestad mandara en todo lo que mas convenga a su real servizio. En Madrid postrero de Março de 1622. El licenciado Mclchor de Molina 24. [53] Portugal — 16 de Junio 1622 Un cautibo que anda aqui português dio un papel, sobre reduzir a los renegados d'Argel. Y aviendose embiado al Consejo de Portugal respondeu, (sic) que no es este buen medio ni bastante para trattar desta materia tan importante y que debria ser por diferentes pareceres (?) y que aviendo de bolver este a Argel no conviene ni aun oyrle Ia platica para que alia no la estrague y la publique con mucho dano delia misma. (*) i1) À margem — Sin que se entienda quien trata disto se sepa dei Duque de Maqueda y el Obispo de Sirene lo que se les offrecer sobre ello. hablando a cada uno de por si sin que ninguno sepa lo que dize el otro. 300
AI Duque de Maqueda el senor António de Arostegui. Al Duque de Monteleon que e ora. Enviose al Duque de Monteleon en 21 de Junio 1622 este su parecer a la buelta. [53 v.] Al Duque de Monteleon a quien se comunico este negocio tambien le parece que para tan grande empresa es pe- queno el medio pero que suele Dios por caminos desta calidad encaminar cosas grandes y que assi se podria saver si ay en Argel, algun religioso prudente y zeloso para que con este esclavo português tentase las aguas, y avisasse a lo que se le offreciesse, o que se sepa dei senor Duque de Maqueda dandole quenta dei negocio si tendria alli algun confidente de quien se pudiesse fiar esto. Dalle o senor y que vaya y avise dei estado en que allare aquellas cosas. [54] Senhor Manda Vossa Magestade por ordem rubricada de sua real mão de 9 do presente, que se veja em Conselho o papel, que vinha com ella, e vay incluso, sobre reduzir aos renegados de Argel, e havendo-se tratado a materia, se consulte a Vossa Ma- gestade com brevidade o que parecer; no papel se refere em sustancia a ordem, que se deve ter, para trazer ao serviço de Vossa Magestade todos os renegados que vivem em Argel, e os meos que se offrecerão, por onde este negocio venha a effeito. Ao Conselho parece, que o marinheyro cattivo da nao da India que veo de Argel, e deu o papel referido, não he pessoa de sustancia, para fiar delle negocio tam grave, e arriscado, nem esteve em Argel tempo bastante, para que os renegados se lhe abrissem, e dessem mostras de seus ânimos, nem os meos porque elle apponta que se ha de encaminhar a empresa, são falliveis, e de que se possa lançar mão, e muyto menos de consul francês que não he vassallo de Vossa Magestade, sendo tam notoria a amizade entre franceses e turcos. E assi não ha fundamento al- gum, no que este cattivo propoem, (sic) nem se deve falar com elle na materia, porque de o fazer só poderia resultar, que hindo a Argel, alterasse humores em muyto dano dos cattivos, e de ou- tros desenhos, que por meos mais adequados, se podem intentar para castigo daquelles cossarios. S Em Madrid a 16 de Junho de 1622 Rubricas ilegíveis 301 U-V 1
25. [55] SEftOR Visto el papel que Vuestra Magestad fue servido mandar- ine remitir con su real decreto de 25 del presente, y hablado largo de la materia que contiene con el cautivo português autor del, dire en ello lo que se me offrece. El fundamento principal que da para que sea sustancial su proposicion consiste en que los renegados en Argel son muchos, poderosos, y que entiende se dexaron persuadir a obrar confor- me se desea, con las circunstancias que el representa (pues los cautivos christianos podran ser de servicio enquanto fuere coope- rar en la execucion con ellos) y queriendo apurar hasta donde llegavan las congeturas que se lo persuadian hallo que no ha hablado con mas de ocho o diez, y no me acavo de persuadir que ni aun con estos quede el negocio en el estado que se desea. Y assi me parece que la calidad de la negociacion, el peso della, la mana, autoridad, y diligencias que se requieren, se com- padece, y proporciona poco con la persona que lo trata, aunque parece de razonable ingenio, y buenos desseos, pêro por ser cosa tan importante, y que a vezes las tales suele Dios encaminar por médios que apoya poco la prudência humana, tendria por acer- tado que se sirviese Vuestra Magestad de mandar se procurase tener noticia si en Argel hay algun religioso prudente, y zeloso que hallandose alii por algun rescate se le pudiese encargar (por el medio que segun quien fuere se tuviesse por mas a proposito) que comunicase con el português, y tentando las aguas pudiesse con mas probalidad dar informacion de lo que en la materia se le offreciere. Y quando por falta de persona este expidiente no pudiese tener effecto, juzgo (sic) que convendria hablar dei negocio con el Duque de Maqueda, porque es imposible que no tenga corres- pondências en Argel, y el dirá si alguno delles seria a proposito para executar lo que arriva digo, y no me determino que convenga [55 v.] hazer caudal del Consul de Francia porque las conve- niências dei servicio de Vuestra Magestad en el buen subcesso serian grandes senaladamente agora que abunda tanto Arg[el] de cossarios que inquietan estas costas, obligan a muchos gastos, y hazen ... poco estorvo al comercio, y aunque el zelo dei servicio de Dios ha de ... mas que todo, y a la corona de Vuestra Ma- gestad le es tan devida de la de Francia ... buena correspondên- cia, la razon de Estado suelle a vezes injustamente ser la mas pod- erosa], Vuestra Magestad mandara disponer en todo lo mas acertado. Em Madrid, a 25 de Junio de ? El Duque de Monteleon 302
26. [56] El orden que se deve tenet en traer al servisio de Su Magestad a los renegados que biven en Argel y conpendio de las cossas que se me oferesen para el dicho efeito Item. Em la siudad de Argel avera mas de des mil renega- dos y fian tanto dellos los turcos que les entregan todo el go- bierno de la dicha tierra. Estos renegados son de diferentes nasio- nes y la maior cantidad son espanoles unos por les cautivarem ninos y outros por fuerssa y falta de rescate y otros por bicios que es el camino de la perdicion; los mas principales renegados son como digo espanoles y estos son muy ricos e senelados sus- posto que todo lo que tienen son dineros y esclavos cristianos que los sirven en las cocas (') di la terá y andar en corsso ganado pera ellos sus sueldos y deve de aver en el dicho Argel mas de seis mil cautivos espanoles avendoo (sic) otros muchos de va- rias naciones como son escorseses y secilianos malhorquines napo- litanos serdenos y otros muchos genoveses y de otros potentados de la confederation de Buestra Magestad y flamencos e franseses ingleses que todos con los espanoles deve de ser vinte mil cautivos. Item. Lo que me parese devo haser pera estos renegados al servicio de Su Magestad y desponer el negocio de manera que los cautivos puedan ajudar aviendo ocasion es lo seginte {sic) con el favor Dios. Item. Yo e venido de Argel enbiado a Su Magestad por or- den de Dona Antónia de Acosta y de los mas cautivos que los turcos cautivaraon (sic) en la nao de la India que quemaron y quedo la dicha Dona Antónia i outros cautivos por mi a que bol- beria con resposta de sus rescates aasta fin de Agosto a lo mas tardar y asin me debo partir lueguo i llevar un seguro real y promesa de Su Magestad pera que todos los renegados que se redusiren (?) a la fe católica y servicio de Su Magestad les hara muchas mercedes i sus azendas y dineros se quedaran con todo y los que tubieren ofícios Su Magestad los conservara en ellos y tabien se deve de llevar cartas sin sobreescritos [56 v.] pera los principales renegados y los primeros que tomaren la vos [de] Su Magestad. Todos estos papeies con los mas ordenes que Su Magestad fuer servi [do] se devem entregar en Argel, al consul de los franceses a quien Su [Magestad] deve escriver (sic) y el Enbaxador de Fransia y o hara oficio de corred... conociendo los ânimos de los renegados y avisando dello al dicho [con]sul y devo con el mismo de cortar la dicha Dona Antónia y algunos [de] los cautivos mas principales y con el corte puodo bolver di- sendo [que] vengo a buscar los dineros de sus rescates y con (J) Coca — embarcação dos sees. XIII e XIV. 303
esta ocasion puedo [bolv]er pera dar a Su Magestad cuenta de todo. Item. Y tanto que Dios fuer cervido que estos renegados o algunos de [lios] se buelvan al servido de Dios y de Su Mages- tad se deve tratar con ellos ... pren y enpleen sus dineros en los cautivos espanoles y Su Magestad los deve lueguo aiudar pera que com mas caudal puedan compr[...los] y armalos segu- randoles que todos los dineros que enpleen en los dichos cautivos se los bolvera Su Magestad con ganacias y estos [todos] cautivos deve de ser los de mas porvecho pera el dicho efesto (sic) y [es]to que es lo bieremos siertos de que algunos se redusgan aiudar en los Consejos botaron lo que nos combenga y se fueren capitanes [de] castilhos los entaragaran (sic) poniendo en elos renega- dos de nostro ... y siendo capitanes dei artillaria la enclavaran y tini[eran] cantidad [d]e cristianos cautivos y bien armados y [teni]endo los turcos sus armadas en la mar y la tiera por essa ocasion nos fursa (s/c) y de nostra parte los moros de las montanas que de[se]an muncho ver este lugar de Argel en poder de cristianos por munchas avexaviones que los turcos les hasen y ordenada nfuestra] armada ccn la fuersa que fuere posible y todo a tienpo y a la vis [tal de nuestra armada fixar por las plasas de Argel perdones de [Su Sajntidad y de Su Magestad y com promessas de que les aran mercedes que vera Dios consumir y acabar este imfierno [57] de Argel y dar Dios a Su Magestad esta vitoria obligando a Dios y a sus vasallos y a toda la cris- tiandad y sera principio de otras mui grandes vitorias que Dios le dara con largos anos de vida a su santo serviciio (sic). Item. Y siendo Su Magestad servido que este pobre cautivo baia con esta vox de Dios a este negocio de Su Magestad Di- vina y umana deve Su Magestad ser servido de declarar la mer- ced que ara a su muger pues faltandole marido que segun el riesgo a que le pone esta mas sierta su muerte que su vida y pa- rese que en consencia no puede dexar su muger sin remedio y teniendo efecto este negocio que va Argel y buelva con vida es- pera de Ia grandesa y climencia de Su Magestad que le hara la merced que fure (s/c) servido. Item. Parese que poderá ir mas libre para poder servir a Su Magestad en neste negocio y libre de su patron llebando su resgaste que son seis mil reales los coales se pueden enviar al Governador de Orán por donde yo detrimino entrar y salir y de coalquiera manera hare lo que Su Magestad fuere servido y con- benga a su servisio. [57 v.] Consejo de Portugal Sobre el papel incluso que tratta de reduzir los renegados de Argel. 304
27. [60] Senhor Dom Luis de Noronha, governador, e capitão geral de Ceita escreve a Vossa Magestade, que se diz, que Muley Hamet, está em Alcacere muy temeroso da vezinhança de seu irmão, o qual trás também intento de o castigar, por se lhe haver levantado com aquella cidade, e outros povos, e para que lhe não possa fugir, tem Muley Abdala, mandado por outro caminho muita gente de pé, e de cavallo, sobre Alcacere. E que em caso, que Muley Hamet, peça a Vossa Magestade seguro, para se passar a Espa- nha (como se affirma) lhe pareceo lembrar a Vossa Magestade que tem o dar se lhe por materia de Estado, porque a quietação do reyno de Muley Abdala, he de muyta importância para aquel- las fronteiras de Vossa Magestade com quem, aquelle rey mos- trou querer toda boa correspondência, e tal a conservou com elle Dom Luis nas pazes, que lhe offereceo em Tangere, de que deu conta a Vossa Magestad que haja gloria, e ficando em Berberia Muley Hamet, he contingente escapar a seu irmão, e como os mouros são tão amigos de novidades, por qualquer cousa leve o tornarão a admitir, e receber, para inquietar a Muley Abdalá, o que não pode ser se huma vez se vier para Espanha, quanto mais que pode ser também a sua mudança meo, para a fazer de ley e tomar Deos esta occasião para instrumento de sua con- versão. Quando no anno de 612 Muley Xeque rey de Fez pay de Muley Abdalá, e Muley Hamet, que agora contendem sobre o reyno esteve alojado perto de Tangere no sitio em que o matta- rão, havia ordenado el rey, que haja gloria, que se elle se viesse a amparar de alguma das fronteyras, fosse admittido com pouca gente tendo se esta ordem em segredo, para que se não retirasse senão obrigado da necessidade. E vendo se agora o que Dom Luis de Noronha escreve, pareceo a Dom Antonio Pereira que Vossa Magestade por seu officio real, e por sua grandeza, tem obrigação de favorecer aos que oprimidos de seus enemigos, se [60 v.] vem valer do amparo de Vossa Magestade; posto que es- tranhos, e que o [não] hajão merecido. E por esta parte faz o costume das fronteyras donde sem- pre forão abrigados, os mouros que accudirão a [favo]recer se nellas, pelo que se deve ordenar aos capitães, que fa[zen]do o Muley Hamet, o recolhão com pouca gente, e proced[ão] com elle, com a cautela, e cuidado que convém avisando Vossa Ma- gestade para mandar o que for servido. Mendo da Mota, e Dom Francisco de Bragança lemb[rão] a Vossa Magestade, que havendo Muley Abdalá, que de pre- sente] possue a Fez, tido sempre boa correspondência com as fronteiras, e importando ao bem delias te lo obrigado e satis- feito, deve Vossa Magestade mandar que se considere com par- 305 20 '
ticular attenção o que se fara com Muley Hamet seu irmão em quem passa tudo pello contrario, para que se não falte [a] amiza- de de Abdalá, tendo se também respeito a que se [Ha] met se recolhesse, e passasse a Hespanha, se haveria de [fazer] com elle despeza de importância sem esperança de tirar de [la] frutto algum. Ao Duque de Vilha Hermosa presidente parece que se d [eve] dar ordem em segredo aos capitães das fronteiras para q[ue] se em alguma rota, e caso repentino Muley Hamet demandar aquel- las praças, e amparar se delias, o reco[Ihão] com pouca gente, e trattando da segurança do lugar com o recato, e vigia que a assistência de tais vezinhos [re]quere, avisem a Vossa Mages- tade para mandar o que for servi [do]. Porem, que se elle, por resolução de suas comodidades, e o obrigar necessidade (?) pre- cisa se quizer recolher, lhe respondão, [que] não tem ordem de Vossa Magestade para o receber, e que a pedir [ão]. Em Madrid a 10 de Setembro de 1622. Varias rubricas ilegíveis 28. [61] Portugal — 7 de Novembro de 1622 Sobre que no sea posible sacar de aquel reyno 70 mil duca- dos para la jornada de la Mina. Es menester que se haga esfuerço grande para prober estos 70 mil ducados y que el Consejo y los governadores dispongan esto pues qualquiera dificultad se deve venzer para remediar cosa tan perniciosa a aquel reyno y a mi servicio y esta mitad y la otra se ha de disponer segun pareciere a Don Fadrique de Toledo. 29. [62] Senor En 12 dei pressente se sirvio Vuestra Magestad de remitir a esta junta la ynclusa conssulta dei Consejo de Portugal sobre las dificultades que se le ofrecen para contribuyr con la mitad que toca a aquella corona de los 140 mil ducados que entre la de Castilla y ella tiene Vuestra Magestad mandado que se pro- vean para el gasto de los ocho navios y dos o três caravelas que se an de armar y embiar el ano que viene a procurar desalojar los olandeses de la Mina. Y para responder a Vuestra Magestad con mas claridad, ha parecido referir primero las circustancias de lo resuelto sobre esta materia de que ya se ha avisado a Don Fadrique de Toledo por carta de 28 de Ottubre para que desde luego vaya dispo- 306
niendo con el secreto possible lo que de su parte se ha de pre- venir para que llegado el tiempo de salir a navega [r] esta squa- dra el ano que viene no falte cossa de las que fueren menester para la empresa y advirtiasele lo seguiente: Item. Que ha de correr por su orden el apresto y despa- cho de los dichos ocho navios que an de ser de 390 a 400 tone- ladas y an de ir con ellos las dichas dos o três caravelas para entrar en los Rios y reconocer lo que huviere en ellas tripulando todos estos baxelos con la gente de mar e guerra victuallas para seys meses y la artilleria armas y municiones necessárias encar- gando la facion a uno de los generales Don Antonio de Oquendo (o Martin de Vallecilla). Item. Que la empresa se ha de hazer por la mar( como estubo resuelto en tiempo de Don Luis Fajardo que lo hi- ziese por su persona) procurando limpiar aquella costa y desalojar a los enemigos que estan apoderados de la fuerza de Boure y qui- tales el trafico de que les resulta tan gran beneficio. Item. Que supuesto que seran menester para este apresto y despacho los dichos 140 mil ducados y que ha de contribuyr con la mitad deste gasto la Corona de Portugal se hazia diligencia con los governadores para que desde luego viesen de donde podran sacar los 70 mil ducados que les tocan y para quando los tendran prontos. Item. Que la otra mitad se ha de sacar de la consignacion de la [62 v.] armada dei Mar Occeano pues los quatro navios la mayor parte de la gente y de los mandadores an de salir delia, y estando junto este dinero se ha de distribuyr por ordenes de Don Fadrique, y las victuallas [muni]ciones sueldos de la gente y lo demas que se huviere de [pre]venir para el viaje sin que los ministros de Portugal se entremetan en ello mas que en dar el dinero y dexar obrar a los de Castilla. Item. Lo referido es lo que en substancia se le escrivio demas(?) de otros puntos sobre la execucion de la empresa en conformidad de lo que Vuestra Magestad, tiene resuelto. Item. Y assi parece aora a la junta que para que se execute [la] faction en que es tan ynteresado el servido de Vuestra Ma- gestad y aquella corona combiene responder a la consulta ynclusa que el Consejo de Portugal haga buscar y proveer los 70 mil ducados que le tocan porque ellos y los otros 70 que se an de [sacar] de la consignacion de la armada se an de distribuyr por ordenes de Dom Fadrique en prevenir las victuallas pagar los sueldos 307
aprestar los navios y disponer todo que tocare a aquel despacho como queda referido y [si la] corona no acudiese con su mitad (aunque aya de dar navios y la artilleria que se dize) no se po- dria de ninfguna] manera executar lo que esta resuelto. En Madrid a 25 de Noviembre de 1622 Rubricas ilegíveis À margem — Diego Brochado, Juan de Pedroso, Miguel de São Penareta, (?) [Mar]tin de Aroztegui. 29. [62] Senor Das cartas de Fernão de Albuquerque governador da índia que trouxe a nao capitana que agora chegou a Lisboa se tirou a relação inclusa, polia qual Vossa Magestade se inteirara em geral dos termos em que fiquavão as couzas daquellas partes, e em huma carta particular diz o governador, que das mais que escreve entendera Vossa Magestade o aperto a que as couzas estão reduzidas, e o pouco que la se pode fazer nellas por a gran- de falta, e impossibilidades, que em tudo se padece por não che- garem em dous anos naos do reyno, e a multidão de enemigos que aquellas partes são passados trazer occupado os mares assy do Norte, como do Sul, fazendo (como tem feito) muitas prezas de grande importância. E que dizendo a Vossa Magestade com toda a verdade, e liberdade, com que em semelhantes occasiões devem os vassalos, e criados fallar a seu rey, e senhor, o que nesta se lhe reprezenta, e sente delia, pois sua idade, experiência, e zelo do serviço de Vossa Magestade lhe dão também licença, diz que não fiqua a índia em estado que sofra nenhuma dilação em se lhe accudir com remedio, e cabedal sufficiente para ata- lhar a ruina que esta ameaçando, em cuja falta, a teme muito, por não ver poder para contrastar o muito que os enemigos tem mettido naquellas partes, pois nenhuma couza desemparada de forças próprias, e rodeada, e contrastada, como a índia hoje estáa de tantos contrários, assy vezinhos, como estrangeiros, se pode conservar muito tempo. Lembrando mais a Vossa Magestade que aquelle Oriente he hum riquíssimo, e muy opulento império, de todas as mayores riquezas, e couzas preciosas do mundo, e que hoje estão todos mais descubertos, e patentes do que nunca estiverão, de maneira que se os enemigos o não infestarão fora muy grande o rendi- mento [63 v.] que dera, e que se por elles andarem agora la occupados não [mo]lestão nem inquietão as costas de Hespanha, como fazião ... da navegação da índia, se pode e deve temer o 308
muyto mayor [tra]balho que despois darão cheos de tantas ri- quezas. E havendo estas considerações outra mayor, e mais pro- pria para mover [o] catholico, e real peito de Vossa Magestade, que he a muy copiosa [chris]tandade que há por aquelle Oriente, e o muito que Deos [se] sirvira de tudo o que se fizer por sua conservação, deve por todos estes tão grandes respeitos, fazendo todo o mayor [es]forço possível, e ajudando se de todos os meos que ouver ... mandar por ambas as Coroas de Portugal, e Cas- tella aj[udar] (?) a mayor armada de alto bordo que puder ser, a cargo d[e pesjsoa de huma ou outra coroa, donde mais a propósito se achar [com] ordem que passe logo em dereitura ao Sul, e vá deman[dar] os enemigos, desaloja los, e lança los daquellas partes don[de] com tanto cabedal, e assistência tra- balhão por se intro[duzir] e occupar tudo, e o tem posto nos termos que fiqua ditto. Havendo se visto em Conselho o que o governador da ín- dia particularmente apponta na carta referida, e o que contem mais em que da conta pormenor do estado das couzas, que [em] sustancia he o que se pode ver da relação inclusa, pare[ce me] dizer a Vossa Magestade que de todas se colhe fiquar a índia en gran[de] aperto, e evidente perigo, por terem crescido muito as forças dos ingrezes, e olandezes no Norte, e no Sul, e estar a [guer]ra rota com el rey de Persia, e armar em favor de [olan]- dezes contra Malaca el rey de Achem que são os do [is] enemigos naturais mais poderosos, e que dão mais cuidado, que o Estado da índia tem os quais se preseverarem [em] favorecer os estrangei- ros, e se unir com elles, sera impo[ssi]vel por meos humanos pre- valecer contra tantos, e [perdi]dos Ormuz e Malaca (o que Deos não permita) em [tudo] o mais havera pouca resistência pello que a salvação e deffensão daquelle Estado que os reys predecesso- res de Vossa Magestade com tanta gloria do nome christão e seu, e tamfbem] [64] de seus vassalos ganharão, e dilatarão até os últimos termos do mundo, depende de Vossa Magestade se dispor a lhe mandar acudir com remedios promptos, e convenientes a grande necessidade em que se acha, e executando o com aquella mayor diligencia, e brevidade que em tão larga distancia pode haver, pois por muito que se anticipem, a respeito dos termos a que tudo estava reduzido e do que se gastava em uzar delles, sem- pre sera mais tarde do que he necessário, e que supposto, que não he possível contrastar por força tantos e tais, enemigos, para o que a índia não tem cabedal, nem de cá se lhe pode enviar por mais que se procure soccorre la, se deve lançar mão de todos os meos de manha, e de prudência, para que ella supra o que as forças não alcançarem, tratando de desunir os enemigos, com fa- zer comodidades a huns, dissimular com outros e desconfiar a todos dos estrangeiros, e deixando a parte o que toca aos olande- 309
res, e cousas do Sul que se consulta a Vossa Magestade parti- cularmente. Trattando agora de Ormuz que polia frequência com que os ingrezes accodem aquelle estreito e por fiquar de guerra com el rey de Persia e elle haver retido aos ingrezes a carga de seda, ate ver o que fazião em dano daquella praça, obriga de prezente o mayor cuidado, e pede, que se anticipe accudir lhe posto que o Conselho espera em Deos, que encontrando se Ruy Freire de Andrade com elles, lhe daria o bom succeso que se deseja, parece que pois se não pode logo socorrer com armas, navios, e gente, para que he necessária fazenda, e monção, se deve pollo menos fazer com avisos, e conselho, e sera de grande importância en- viar por terra em toda dilengencia pessoa de satisfação e confiança, que leve reposta de tudo o que toca a embaixada do Xá que trou- xe Dom Roberto Shirley, e procure entreter lo e prende lo com a amizade de Vossa Magestade para que largue da mão os ingre- zes, que não sera muito difficultoso de encaminhar, se elle não ouver tirado de sua ajuda contra Ormuz os effeitos que preten- dia, ordenando juntamente [64 v.] a Ruy Freire, e ao capitão de Ormuz e viso rey da India, que pois Dom Carlos Coloma avi- zou que os ing[rezes] hião com animo de não fazer hostilidade aos vassallos de Vossa Magestade. Se lho não fizessem, sendo assi dissimulem por agora com elles, com o que os obrigarão a não concorrerem em favor do Xá, e apar- tando os delle, poderá Ormuz respirar e reservar se para milhor occasião, lança los por força [da]quellas partes, se persevera- rem em comerciar nellas, o [que] todavia se deve entender, se o tempo, e as forças com que [Ruy] Freire se achar lhe não de- rem occasião sigura de se mi ... rar, que se ha de deixar a sua elleição, e das pessoas ... que lhe estaa ordenado que se aconse- lhe, para que faça o [que] tiver por mais conveniente ao serviço de Vossa Magestade confor[me] ao estado das couzas presen- tes, e também em caso que os ingrezes não queirão tomar pee, e fazer fortaleza em Jaques, ou em qualquer outra parte da Per- sia, que isto se não deve consentir nunca, antes impedir lho por todos os [meios] de força, e de manha que se offerecerem, e jul- gando se por conveniente, occupar primeiro, aquelle posto como ja tem advertido ao viso rey da índia em cartas que f[orão] por terra executa lo logo assy. E porque esta materia he da qualidade que pede que so- [bre] ella mande Vossa Magestad a el rey de Inglaterra huma em[bai]xada extraordinária, a fim de lhe dar a entender que contra a paz, e amizade que tem com Vossa Magestade, he o que os vassallos fazem na navegação, e comercio da índia, obriga lo a que de todo os faça disistir delia, e castigue [rigorosamente aos que de aqui em diante o intentarem, [lem]bra o Conselho a Vossa Magestad que assi convirá que se faça, e que [des]ta 310
demonstração encaminhando se bem se poderia [tirar] muita utilidade. Parece mais, que para o viso rey da índia ter com que soc- correr Ormuz, e reforçar a armada de Ruy Freire, e tantas ou- tras partes que o hão mister [de]ve fazer todo o esforço por buscar, e lhe enviar dinheiro [nas] naos que hão de partir em principio do ano que vem, procu[reis] que partão cedo, e assegu- rem a viagem, levando b ... [65] voluntária, e de idade conve- niente para o exercício das armas, e se encarregue muito aos governadores a execução de tudo. Dom Antonio Pereira, se conforma com o Conselho nos mais pontos, porem no de se haver de dessimular com os ingrezes lhe parece que a mayor hostilidade que elles podem fazer ao Estado da India, he tiraren delle sem risco e ventura de balas as rique- zas que o governador Fernão de Albuquerque apponta, demais do comercio da seda, com as quais dobrarão as forças, e arma- das em tal forma, que venhão a senhores daquelle Estado (o que Deos não permita). Polio que pois Vossa Magestade gasta tanto de sua fazenda em sustentar armadas de alto bordo, e de remo em Ormuz, de que Ruy Freire capitão pratico, e de valor he capi- tão geral, se lhe deve encarregar, que como outras vezes, tente aventura com as armas, posto que se ache com menos poder ao dos enemigos pondo na contingência de huma bala lhe dar hum bom successo, e principalmente achando se de prezente, demais de quatro galeões, hum pataxo, e huma gale com quatorze navios de remo que a fortaleza de Ormuz tem de ordinário para sua guarda, com os quais se poderá ajudar, e cometter qualquer fac- ção importante, e isto demais do soccorro que da índia lhe foy, salvo quando com conselho das pessoas a que o ha de pedir se entender que totalmente as forças fossem tão desiguaes as dos enemigos que se julgasse por temeridade comete los, porque não sera razão que a vista das armadas de Vossa Magestade nos levem as riquezas da índia, juntamente com o credito, e reputa- ção sem primeiro se tentar a fortuna. E porquanto a amizade do Mogor, e tratto das suas terras, são aos ingrezes de grande utilidade, assi pollo abrigo, e descanso, que achão em Surratte, adonde vão fazer scala, no fim da viagem de Europa, e reparar se (sic) para passar a Jasques, como por tirarem de aly as roupas com que negoceão no Sul, e sem as quais não poderião [65 v.] continuar aquelle comercio, e segundo o que se aviza de [que] o Mogor havia mandado prender aos que se achassem em terra, e soquestrar lhes as fazendas, que se não cumprio, po[llo] favor que tiverão de hum seu filho, não estaa muy segura a amizade, e accolhida que aly tem, e seria de grande effei [to] para tudo mover o Mogor a execução do que ordenado, e por ventura se conseguiria por meo dos religiosos da Companhia que residem em seus reynos, e tem lugar ... elle, ordenando lhes 311
o viso rey da India que o procure [is] persuadir a que os lance de suas terras, e obriga lo com lhe conceder alguns favores, e li- berdades para as suas naos [que] vão ao Mar Roxo. He de parecer o Conselho que assi se lhe deve encarregar, escrevendo lho logo por terra, porque alcançando se seria de muito mayor importância, que a liança [dos] reys Melique, Idalcão, e Catabuxa contra olandezes e ingrezes, de que se trattava, posto que se não deve desprezar antes procurar, e fomentar muito, polio mayor poder, e [como]didade que tem o Mogor para lhes empecer, e que também se advirta ao viso rey que com toda a destreza encaminhe que a guerra entre o Mogor, e o Xá movida sobre Candar pas [se] adiante, para ter embaraçados estes dous enemigos, e a[dvir]tir ao Persa de Ormuz, e ao Mogor de se avizinhar [mas] a Goa, como o pretende ha anos. E porque ajudara muito a dissuadir aos estrangeiros [da] navegação, e comercio da índia facilitar lho em Hesp[anha] evi- tando, e castigando as vexaçães e moléstias que se lhe [fa]zem, e forão a primeira causa, que os obrigou a hir buscar longe e com tanto risco, e trabalho o que de antes achavão [nos] portos de Vossa Magestade com muita comodidade sua, lembra o Conse- lho a Vossa Magestade (como o tem feito outros muitas vezes) que deste ponto se deve trattar como muy essencial [reme]dio dos danos que se padecem, para que de huma vez [se] componha, e entendendo os estrangeiros, que ganha [rão] em comerciar antes em Hespanha que na índia, [o faz] [66] com elles mais a sua conveniência do que ate agora o tem feito a força, e resistência que la achão. Em Madrid a 23 de Novembro de 1622. Rubricas ilegíveis 30. [63] Consejo de Portugal Senhor Va inclusa una relacion dei estado en que quedavan las cosas de la índia sacada de las cartas dei gobernador Fernando de Albuquerque, que en una particularmente encarece el grande aprieto y peligro en que todo se hallava y lo mucho que impor- tava dilatar el remedio y soccorro que de aca se espera y orde- nare que se junten las fuerças de entrambas coronas en el Sur para expelere de aquellas partes los enemigos estrangeros. El Consejo representa el evidente peligro de perderse a que estaa reduzido aquel Estado y la precisa necessidad que hay de accudirle y que suppuesto que las fuerças no son bastantes a con- trastar tantos enemigos se deve usar de mana y prudência aju- dando a Ormuz que estaa mas peligroso com abisos y consejos pues no se puede soccorrer luego con navios y gente; embiando 312
por tierra persona de confiança que lleve al Xa respuesta de la embaxada de Don Roberto y procure entretenerle y desunirle de los ingleses, ordenando a los capitanes de Vuestra Magestad que si ellos no hizieren hostilidad, no se la hagan hasta mejor occasion; lo que todavia se deve entender si Ruy Freire no se hallare tan superior en fuerças que tenga por cierto el buen suc- cesso lo qual se ha de dexar a su elecion, o si los ingleses no qui- sieren fundar fortaleza en Jasques o otra parte de la Persia, que esto se les ha de estorbar por todas vias, y que Vuestra Mages- tad embie una embaxada extraordinária al rey de Inglaterra, para procurar que prohiba a sus vassalos la navegacion y comer- cio de la India y se haga todo esfuerço por juntar dineros para embiar al virrey en las naos dei ano que viene y se procure que partan temprano encargandolo mucho a los governadores de Por- tugal. Y a D. Antonio Pereira parece que viendo (?) como la mayor hostilidad que los ingleses pueden hazer es traer sin guerra las riquezas de la India, con que doblaran las fuerças y lo occuparan todo, por esto y por la reputacion se ordene a Ruy Freire que aun- que tenga menos poder tiente la fortuna, salvo hallandose tan inferior que sea temeridad. Parece mas al Consejo que por los religiosos de la Compa- nia que assisten junto al Mogor se tratte de quitarles su fabor y la comunicacion de Surratte, no despreciando la liga de los otros reys, de la índia contra estrangeros que se fomente la guerra entre el Mogor y el Persa, y en Espana se facilite el comercio a los estrangeros pues las moléstias que sobre el se les hazian les llevaron a la índia. Para luego. Rubricas ilegíveis [67] La Junta de Armadas buelve la inclusa consulta dei Con- sejo de Portugal, sobre la dificultad que alli se pone en contribuyr con la mitad de los HO mil ducados que monta el gasto de la jornada de la Mina. Lo que parece a la Junta se dize el ultimo capitulo desta consulta que en substancia es que se execute la facion, y que el Consejo de Portugal provea los 70 mil ducados que le tocan, que los otros 70 mil saldran de la consignacion de la armada dei Oceano cuyo general ha de disponer el apresto y despacho de la squadra. » Rubrica ilegível Martin da Aroztegui 313
[69] De parte del cappitan y sargento mayor Francisco Rodrigues, se me ha representado para que pues voelba. [69 v.] Consejo de Portugal Sobre ta orden que piede Don Luis de Verona general de Ceuta para en caso que Muley Hamete se venga a recojer en aquella frontera. Para luego. 32. [70] En la Conssulta dei Conssejo de Portugal sobre el estado de las cossas de la índia El senor Mendo da Mota dize de la gran consideracion que tienen las cosas de la índia lo mismo que la conssulta y por que si se pierde tienen los enemigos tanto mayor poder y fuerzas contra las demas coronas de Su Magestad. Que por esta conssulta y avisos que vinieron con ella se vee el muy maio y peligroso estado en que estavan. Que despues se an puesto en mucho peor con la perdida de Ormuz con que es muy de temer que abran pasado los enemigos a mayores empresas, mayormente aviendo estos dias llegado avisos que avia en la índia mas de cien naos para tomar a Goa, y que aunque a sido bien mandar que se invie el socorro que a ido a ordenar el Conde de Portalegre y en ello se a hecho lo posible, no lo es deffender Su Magestad la índia de dos tan poderosos enemigos como el Persa y el rey de Inglaterra unidos especialmente estando el de Inglaterra aunado (sic) con olandeses. Que por mar no vee que tenga Su Magestad mas enemigos que a Inglaterra y olandeses y supuesto que por fuerzas es imposible deffender la índia de ambos enemigos de tierra y mar mayormente sin hacienda aunque se haga lo que consulto el Conssejo por estar ya las cosas en otro estado, entiende que sera cordura que Su Magestad se una con uno de los dos, o con el Persa o con el de Ingalaterra (sic). Que el Duque de Alva dezia paz con Inglaterra y guerra con todo el mundo, y assi le parece que el unirse sea con Inglaterra sobre las cosas de la índia en la mejor forma que se pudiere porque todo lo que sin esta liga se haze o hiziere entiende no sera de provecho. A margem: Esto se esta tratando con el enbajador de Ingala- terra por el marquez de Montes Claros con el de Gondomar y Mendo da Mota. 314
[70 v.] El senor Antonio de Aroztegui, le parece que esta consulta se buelva ao Conssejo de Portugal para que se buelva a ver luego en el y de nuevo diga lo que le pareciere despues dei suceso de Ormuz. El senor Don Fernando Jiron dize que por la falta tan grande que ay de hazienda aunque es fácil el aconsejar es muy dificcel executar, y que segun el estado de las cosas le parece que con- vendra que Su Magestad hiziese liga con Inglaterra dando algo en la India, y que fuesse a prisa pues es ocasion y le offrece el embajador que aqui esta y tiene poder para ello y que esto sea como este bien a ambos. Que aunque es acerta [do] que vaya a la índia lo que a ydo a ordenar el Conde de Portalegre pero que no ay que pensar que sea aquel bastante socorro ni de que tiene ninguna esperanza. Que conviene que Su Magestad haga mucho esfuerzo en las cosas de la India, pero que mientras no se hiciere liga con Ingala- terra (sic) no lo tiene por efficaz, aunque conviene que vayan los socorros que se pudier. El senor Don Agustin Mesia dize que esta conssultado se haga liga con Inglaterra, y que si no se haze aora no sera despues a tiempo y conviene se haga, y que pues es sazon se vaya empe- nando en el tratado y que no se pierda tiempo. Madrid 29 de Enero de 1623. • Rubricas ilegíveis 315
33. [71] RELACION DEL ESTADO, EN QUE QUE- DAVAN LAS COSAS DE LA INDIA, SACADA DE LAS CARTAS DE FERNANDO DE ALBUQUER- QUE, GOVERNADOR DE AQUELLAS PARTES. QUE VINIERON EN LA NAO CAPITANA QUE AGORA ENTRO EN LISBOA, HAVIENDO PAR- TIDO DE GOA EN PRINCIPIO DE MARÇO DESTE ANO En los mares del Sul, havia gran cantidad de naos olandesas, de que andavan dos de tal suerte, que ni las galeotas podian ya navegar seguramente, por traer tambien pataches muy ligeros, que acometian qualquiera embarcacion; y el rey de Achen (*) armava 300 velas, y estava confederado con olandeses, e ingleses, contra Malaca. Y dei Japon se escrevia que havia alia 12 naos olandesas, cuyas capitanes publicavan, haver de venir sobre Malaca, la qual se aliava con muchas necessidades, y sin rendimiento alguno para acudir a ellas, y Antonio Pinto de Fonsecca, que alli esta ser- viendo de capitan general, encarecia mucho la importância de pas- sar al Sur, una armada de alto bordo, poderosa para demandar los enemigos, y pelear con ellos, en qualquiera parte, en que estu- bieren. A doze galeotas que veniam de la China, con el caudal, y empleo de dos anos, las dio una tormenta tan resia, que desapa- rejaron todas, y encontrandosse con dos naos olandesas, tomaron três, dos llegaron a Malaca, y de las otras no se sabia, El governador de la índia havia mandado que se desocupasse Malaca de las esclavas, y esclavos inutiles, que eran en demasiada quantidad; se talassen los palmares, y arboles vezinos a la ciudad, para que no se pudiessen aprovechar dellos los enemigos en una occasion de cerco, y se hiciessen otras prevenciones importantes a la deffensa, y tambien havia el governador enviado soccorro en quatro galeotas, con algunas pieças de artilleria, bastimientos, y municiones, que llegaron a salvamiento y la fortificacion de la (') A margem El Rey de Achen uno de los de Samatra poderoso y anti- guo enemigo de Malaca. 316
ciudad (*) se iva continuando con tanto cuidado, que faltava sola- mente para acabar un lianço de muro, y se tratava de dar luego principio al fuerte de la Isla de las Naos, aplicandole particular consignacion. En la ciudad de Meliapor (2), no havia cosa de nuevo, ni se aviza que los olandeses de Paleacate se ubiessen mejorado. La Isla de Ceilan se hallava quieta, por ser accabados los natu- rales que la alteravan, y huido a la otra costa el levantado Ma- dune, y de capitan general de aquella conquista, servia Jorge de Albuquerque, hijo dei governador, si bien los dinamarqueses se sustentavam todavia, en el puesto que tomaron en tierras dei Nai- que de Vanjaor, donde se hallavan algunos poços recogidos, en una factoria. El reyno de Jafanapatan (3), se conservava, en obediência de Vuestra Magestad y Phelipe de Olivera, que ally sirvia de ca- pitan mayor, havia alcançado victorias de consideracion en su deffensa. Proseguiasse la guerra, que ha anos dura entre el rey de Cochim y el rey de [71 v.] Calecut (*) con poco calor, de parte dei de Cochin, por querer encargarla toda al Es[tado] de la índia. El Idalcan procedia bien con el Estado aunque alguns capi- tanes suyos havian hecho desordenes, y el se hallava con re- ceio de que el Mogor le moviesse de nuevo [guerjra, por haverle mandado pedir una mina de pedraria, que se descubrio en sus tierfras] en el Reyno de Xarebeder que conquisto ha poco tiempo. (s) El reyno de el rey Melique (?) que es de poca edad, se governava por Melique [Am]bar capitan experimentado, y de va- lor a cujo buen cuidado, y industria se [atrijbuye no haver el Mo- gor occupado ya aquel reyno (®). El Mogor haviendo proseguido la empresa de conquistar el Reyno dei M[elique] hiço ultimamente paz con el, y con el Idal- can, la qual costo al Idalcan trezifentos] mil pagodes, y havia el Mogor passado a la ciudad de Laor, por accu[dir] a la guerra, que el rey de Persia le haze sobre Canelar. Con el estado de la ... tenia buena correspondência, y aunque estuvo desavenido t1) A margem —... de las Naos esta a frontera de Malaca ... el abrigo que tlenen las naos ... respeto se ha mandado fortifique deffienda el surgidoro. (2) A margem — Esta ciudad de Vuestra Magestad en la Costa de Coro- mandel deposito de las relíquias dei apostol Santo Thome. (s) A margem — Reyno de Jafanapatam es en [la Is] la de Ceilan de la parte que ... a la costa de Choromandel. (<) A margem — Los reys de Cochin y Calicut son en Ia costa del Malavar. (®) À margem — El Idalcan, rey moro uno de los dei Reyno de Decan vezino de Goa. (6) A margem — El Melique rey moro que confina con el Idalcan y con Ias ciudades de Chaul y Baçaln. 317
con los ingleses que ... den a Surratte, y havia mandado prender los que se hallassen en tierra y [seques Jtrarles las haciendas, no tubo effecto por faborecerlos un hijo dei mismo rey. (*) El embaxador ordinário del Idalcan, que reside en Goa, havia propuesto [ao] gobernador de la India, que su rey, el Melique y Catabuxá, (2) hallandosse [muy] scandalizados de olandezes, y inglezes, assy en respeto de las naos, que el ano atras passado les tomaron como por entender, que no eran gentes, de que pudiese [ha]cerse caudal, estavan resueltos de no darles entrada, ni admi- tirlos en sus [puerjtos, y querian que el Estado de la índia entrasse en la liança para hacer[les] todo mal, y el governador le aprovo mucho este intento, animandole a la execu[cion]. Siendo avizado el governador que en Surratte, se hallavan diez naos inglesas lle- gadas de nuevo de Europa, demas de las quatro con que Ruy Freire [havia] peleado, con intento de passar al Estrecho de Or- muz appresto un soccorro para ... a Ruy Freire de treze navios con trezientos soldados y algunos marineros ba[stimien]tos, y mu- niciones, y le despacho a cargo de Symon de Melo Pereyra, Cava- llero [de] confiança y valor conocido, que ha servido muchos cargos, el qual se di[zia] de buena gana a la jornada, haviendo de quedar subordinado a Ruy Freire y de camino tomo otro navio mas en Chaul, demas de otros dos que havia embfiado] delante, el capitan de Diu, que hazia numero de 16 y todos se entendia eran ya llegados a Ormuz, y por cartas de los últimos de Deziem- bre dei ano [fin]do, de Ruy Freire, dei capitan de Ormuz, y dei veedor de Hazienda, que [el] gobernador havia recebido, se avi- zava, que todavia durava el sitio dei ffuerte] de Queixome, sin bastar a que se levantasse, el mucho dano, que los persas reci- bian, y se entendia no desistirian dei, hasta ver el sucesso de lo [72] que esperavan, que ingleses hiciessem en su fabor y que el Xá, para obligarlos havia mandado, no se les diesse carga de seda, sin que primero fuessem a Ormuz y ellos estavan en Jasques, con cinco galeones, dos pataches, y dos galeotas de gavia: hallandosse Ruy Freyre en Ormuz con quatro galeones y un patache con ve- las metidas, y a punto, esperando la gente de la armada dei soc- corro, que llevo Symon de Melo, y resuelto de buscar los ingleses y pelear con ellos, y se esperava, que les daria Dios buen successo, y que haviendo Ruy Freire embiado la galeota y navios de remo que tenia contra un grande numero de terradas, que de parte de el rey de Persia estavan juntas para dar en la misma armada de remo. y desbarataria, quedaran las terradas todas quemadas. En la fortaleza de Mascatte se havia puesto nuevo capitan. f1) A margem — El Mogor rey moro muy poderoso que confina con el Melique y el Persiano. (2) .A margem — Catabuxa rey moro vszino dei Idalcan y el Melique. 318
soldado platico con gente y las demas cosas necessárias a sua deffensa. (*) La conquista de Monomotapa estava todavia a cargo dei go- vernador Don Nuno Alvares Pereyra, que havia buelto de las sierras, desenganado de minas, y en Moçambique assistia por capitan Jacome de Moraes Sarmiento de cuyo proceder havia buenas relaciones, y se trabajava con cuidado en la fortificacion de aquella praça. Las cosas de la cristandad, caminavan con prospero suc- cesso y se havian convertido muchos gentiles, y el governador escrive que los prelados y religiosos procedian en esto con parti- cular satisfacion. 34. [73] Aviendose entendido que pasaban a la índia algunos nabios de olandeses, se me consulto por el Consejo le Portugal que por no tener aviso cierto de la parte adonde irian, y ser tantas y tan esparzidas las de la índia, seria imposible prevenir- ias todas, no obstante que se despacharian dos caravelas a Mo- çambique con algun socorro, y con orden que desde alli se de aviso a las demas partes. Y que la mas segura y mejor prevencion seria el juntarse en Malaca las armadas de la índia, de Portugal, y la de las Philippinas como otra vez se mando por el rey nuestro senor mi padre que aya gloria, con que se podrian hechar de uma vez del mar dei Sur los olandeses, y desalojarlos de la parte donde estuviessen. Y por que esta junta de armadas poderia ser de mu- cha consideracion para los effettos que dize el Consejo de Por- tugal lo he resuelto assi. Sera bien que por esse Consejo se den las ordenes nescessarias para lo que toca a la armada de las Philipinas, ajustandolo primero con el Consejo de Portugal para que por aquella via se ordene a la armada de la índia lo que ha de hazer, y tambien se trattara en Consejo de la persona que podria ser a proposito para governar ambas armadas, porque el aver dos caveças, no atrase los buenos effettos que podrian resultar, y comu- nicado con el de Portugal se me dara quenta dello. En Madrid a (2) de Deziembre 1622 Antonio (?) de Villela 35. [74] Portugal — 23 de Noviembre 1622 Aviendose embiado al Consejo de Portugal los avisos que embio el Cardinal de la Cueba de 17 nabios de olandeses que pa- sariam a Mozambique o al Mar de Sur. (1) A margem — Fortaleza de Vuestra Magestad en ... Arabia a la entrada [do] Estrecho de Ormuz. (2) Nota — Não tem data. 319
Represento el Consejo la incertidumbre de semejantes avisos que no dizen parte cierta y que convenia tenerlos mas ciertos porque como las costas de la India son tan estendidas no se podia acudir a todos, y que la Corona de Portugal no tenia fuer- ças para resistir, a tantos enemigos como cargaban? despues de la union con la Corona de Castilla discurren en la jornada que les parece que haran olandeses y dizen que les parece que para pre- venir lo que toca a Portugal se despachan luego dos carabelas, a avizar a Mozambique o llebando algun socorro, para alii. Y que se avise a las demas partes de la India para que se prevengan, y que para echar de una vez los olandeses dei Sur se junten en Malaca las fuerças de entrambas coronas a cargo de un capitan de qualquier delias [74 v.] como otra vez se mando siendo vir- rey de la India Don Geronimo de Azevedo y Don Juan de Silva, governador de Philipinas que no levou effetto. Y que se ordene que ambas armadas no dexen esto de la mano hasta echar de una vez a todos los olandeses. A esta consulta respondio Vuestra Magestad. Esta bien lo que parece. Agora dize el Consejo que se le comunique lo que se ordene al de índias para la execucion de lo resuelto de juntarse las dos armadas de la India y de Manilla para que se vaya todo ajus- tando, escojiendo de los sujetos de ambas coronas el que fuere mas a proposito. 36. [75] Senhor Foi Vossa Magestade servido de approvar o que na consulta inclusa se lhe propos, com occasião dos avisos, que enviou o Car- deal de la Cueva, dos navios que se armão em Olanda, e porque o ponto mais importante he o de se ajuntarem em Malaca as for- ças da India, e da Manila, com armadas de alto bordo, para lan- çarem aos olandeses do Sul, e se ha de mandar executar por via deste Conselho e do de índias, para o que he necessário que haja comunicação dos ministros de ambas as partes, e que as ordens se confirão, e ajustem, antes de se enviarem, de modo que se assegure o comprimento delias. Pareceo lembrar a Vossa Mages- tade que o deve ordenar assy; e que se avise a este Conselho, das ordens que se derem ao de índias, e a quem se ha de accudir, para os despachos, que convém se fação com muito segredo, e vão nas naos que em principio do ano que vem, hão de partir para a índia, advertindo que deve hir nomeado logo por Vossa Mages- tade o capitão desta jornada, vendo sse os sogeitos que há em 320
ambas as coronas, de que se possa lançar mão, para que se escolha o mais a proposito. Em Madrid a 2 de Dezembro de 1622. Varias rubricas dos conselheiros de Portugal 37. [76] Senor Como Vuestra Magestad lo embio a mandar por su real de- creto de 10 deste se vieron en la junta que se haze en casa del Marques de Montes Claros las inclusas consultas dei Consejo de Portugal, y la orden que buelve con ellas para el governador dei de índias y se ha ydo tratando en ella como lo consulto a Vuestra Magestad en consulta de trece, los médios de que se podria usar para desalojar los olandeses de la índia Oriental y mar dei Sur y se pidieron al Duque de Villa Hermosa las consultas que el Cons- sejo de Portugal hizo a Vuestra Magestad en razon desto, quando Su Magestad (que aya gloria) mando juntar en Malaca para el dicho effecto al virrey de la India Don Geronimo de Acebedo y al governador de Philipinas Don Juan da Silva. Y haviendose visto las unas y las otras con mucha atencion y conferido lar- gamente en la materia como cosa tan importante y necessária parecio a la junta repressentar a Vuestra Magestad lo seguiente. Que el Conssejo de Portugal previno con tanta advertência en las consultas que hizo a Su Magestad (que aya gloria) todo lo que es necessário para aquella empresa y discurre tan prudente- mente en las que aqui buelven que a la junta no le queda que anadir porque la sustancia dei negocio es una misma y la necessi- dad mayor agora que entonces y lo sera mas cada dia sino se trata de atajar el dano que oy se recibe en aquellas províncias de los olandeses y mas naciones setemptrionales y aunque en la forma de la execucion puede aver [pag. 76 v.] alguna mudança y variacion, como a su tiempo se dirá a Vuestra Magestad. Lo que agora parese conveniente es que Vuestra Magestad se sirva de responfder] luego al Conssejo de Portugal que con toda brevidad y cuydado vaya mirando que fuerças [se] podran juntar en la índia para esta jorna [da] que cantidad de navios y otros baxeles, que gente de mar y guerra, que pertrechos y municiones y de que se podra sacar el dinero necessário para todo, que por el Conssejo y Junta de Gu[erra] de índias se hara la misma diligencia para el socorro y armada que se huviera de juq[tar] por la Corona de Castilla. Y visto lo que por ambas partes se consultare a Vues- tra Magestad tom[en] la ultima resolucion de lo que conveniere hazerse, advirtiendole tanbien que cons[ulte] a Vuestra Magestad 321 21
las personas que le parecieren a prop[osito] para la empresa yendo el virrey de las I[ndias] en persona, o no. Y si Vuestra Magestad fuere servido que se vea despues en esta junta lo que el dicho Conssejo consultare se dira a Vuestra Magestad lo que tuviere por mas conveniente a su real ser[viçio] assi en la gente y armada que se huviere de juntar por esta corona como de donde se [puede] proveer el dinero para ello, que de todo el ... la junta con particular cuydado. En Madrid a 21 de Diziembre de 1622. Várias rubricas dos conselheiros [77] La junta ...de Deciembre de 1622 Sobre las consultas inclusas dei Conssejo de Portugal tocan- tes a desaloxar los olandeses de la India e mar dei Sul. Parece a la junta se responda al Consejo de Portugal que vea que fuerzas se podran juntar en la índia para este effecto y que personas de aquella corona ay a proposito para yr con ellas y lo consulte luego a Vuestra Magestad. 38. [78 v.] Consejo de Portugal Acuerdase que mande Vuestra Magestad comunicar al Con- sejo, lo que se ubiere de ordenar por el de índias para la exe- cucion del que por la consulta inclusa Vuestra Magestad tiene resuelto acerca de la jornada que se ha de hazer contra olande- ses juntando las fuerças de los Estados de la India, y de Manila, para que vaya todo ajustado y se cumpla mejor, y que es menes- ter nombrar el capitan desta empresa esgogiendo de los sujetos de entrambas coronas el que fuere mas a proposito. Para luego Al Consejo de índias se ha embiado orden conforme a la resolucion que he tomado y que sobre la execucion se entienda con esse Consejo y assi sera bien que los dos Consejos se comu- niquen y se me avise lo que se acordare. Rubrica do Rei. 322
39. [80] Copia. Para Vuestra Magestad Copia de la carta dei capitan de Ormuz Simon de Melo Pereira de 10 de Junio 622 Fue Dios servido que al fin de 35 anos, que tantos ha que sirvo a Vuestra Magestad siempre con buenos successos, dexasce de hir al Malavar, y viniesce a Ormuz con onze navios de socorro a tiempo que alie al capitan Don Francisco de Sosa en estado que en breves dias fue Dios servido llevarlo succediendole yo en el mismo cargo por orden que para esto havia y fue a 29 de Henero de 622 y a lcs 30 llegaron las siete naos y dos pataches inglezes. La gente con que me halle en la fortaleza se podra ver por los ascientos que embio lo que hice en proveer a Ruy Freire de An- drade enquanto no se rindio, escrivira el, y deve hacer lo mismo sobre no haver embarcadosce en su armada, pues en esto estuvo la perdida desta plaça de Ormuz y en la covardia de su almirante Luis de Brito Barreto que en los Consejos negava la polvora y gente por no hir a pelear. Lo mas se sabra de los ascientos que embio, y certeficaciones de la entrega de la polvora que tenian y ped;an y de la gente de mar que se pago, quedando mas de cincuenta por pagar, y dei asciento, se vera la poca que confessa- van tener. Y si estos galeones se puzieron entre Ormuz y el Como- ran, no pudieron passar los inglezes con las embarcaciones peque- nas dei Persa a la isla porquanto se lo deffendieran los galeones y nuestros navios que bastavan solos doze o treze que andavan en la mar para impedir a que los inimigos con sus embarcascio- nes no echasen ciente en tierra, si los capitanes de los navios s'gu'eran a Don Gonçalo de Silveira y hicieron todos lo que devian al servcio de Vuestra Maoestad. Mas todo fue al contrario, y asy loncaran en tierra a los 21 dei mes de Hebrero cinco o seis mil hombres, de la gente mas lúcida que el Persa tenia en 110 embar- cac'ones pequenas y dos navios sin haver quien se los impediera porquanto la gente de la fortaleza hera muy poca, y 380 soldados noco mas o menos que hav'an venido de Queixome, llegaron desarmados por los inglezes haverles tomado los mosquetes, y muy desanimados dei successo passado, y quando mucho pudie- ron sustentar dos horas un sitio que estava con tranqueras que desempararon luego y se recoqieron en el terrero, que tambien dexaron luego, recogiendosce el almirante a la mar con todos los soldados y solo me quedaron en tierra unos poços que hice meter en las casas dei vedor de Hacienda y en la Aduana por ver si le pcd;a deffender por haver en ella mucha hacienda. Y quando mucho no se pudo hacer, salvo aquella noche en que los persas se mejoraron de lugar y al otro dia echaron a los nuestros del que ocupavan con que les fue fuerça recogerse a la fortaleza que recogio luego en el lugar delia que tuvo por mas conveniente a la 323
gente que no era de servicio que puesto que tenia alguna deffensa de pipas, no fue de mas effecto que meter tiempo en medio para que la gente con su pobresa se passasce al asenal junto del pos- tigo de la fortaleza, y los soldados como vieron que los persas entravan el terreno y sus fossos, se recogieron a los galeones y mas navios de remo y solos dies y ocho recogi en la fortaleza no siendo la culpa tanto suya, como de los capitanes que hicie- ron tan poco por servir a Vuestra Magestad. No dexo de entender la grande falta que tenia la fortaleza [80 v], por tener ciego el fosso dei baluarte Santiago o que no puede ser bue- no porque en el breve tiempo [que] tuve no pude hacer mas que meter arros en la fortaleza de que estava tan falta, como se vera de certificacion dei factor, y no tuvo tiempo para meter Costales de algodon, tablas y otras maderas nescefssarias] porquanto ni para esto aliava gente si en persona no lo hacia, porquanto cada uno de los casados mercaderes tratavan solo de sus cosas por saber la falta que en la fortalesa havia de mantimentos quanto mas que aunque quizera abrir el fosço no tenia tiempo para hacello ni las [cosas] nescessarias para la execucion por tener por de- baxo una pared muy fuerte, y en los gam[azenes] (sic) no aver un açaden ni pala ni cesto como se vera de la certificacion dei fac- tor ni haver [persona] alguna que viesce el fosço abierto; y con- traminar la primera mina en que con un açad[en] que solo havia en la fortalesa, con que se enterravan los muertos, y per cestos los bafldes] de los navios que alie en las gamazenes (sic). Y assy recogido en la fortaleza alie que nella havia mas de siete pipas de polvora, y ocho en un estanque a que llamavão el thesoro ...da, de manera que no podia servir, sin trabajarse en ella, la artilleria tenia tales repai[ros] que ninguna pieça aguardo mas que el primer tiro, y esto se puede ver de la certeficacion [dei] capitan de artilleria; que havia en la fortaleza madera para sies o siete reparios y r... de la artilleria, artillero mayor uno de sessenta anos y ningun otro; provision para ...da dos arros seco y pece salado sin manteca, ni carne, ni legumbre alguno, solo cinquenta pipas de biscocho, que yo truxe de Goa, que quedaron serviendo para los enfermos; y [estando] ? la fortaleza en este estado, se quizo auzentar delia el almirante Luis de Brito Barreto, [con] tres galeo- nes, en que llevava todos los soldados, y parte de los cazados, lo qual visto por el pu[eblo] me vino a requerir que no le dexasce hir porquanto se perdia la fortaleza, yo le mande [requerer] por el vedor de Hacienda, escrivano y factor, y viendo que no queria obedecer: se tomo Consejo que va con esta carta en que se as- cento se abriescem las vias de la succescion en que yo [...] y assy mande recoger luego los galeones junto a la fortaleza, y des- pues de hacerlo se tomaron accuerdos que tambien embio. Los persas vinieron llegandosce a la fortaleza por baxo dei [sue- lo] en espacio de seis dias, y en este tiempo heran ya mas de dies mil, 324
y otra tanta gente mas de servido, y... los lugares vezinos que vénia a ayudarle, y como con el artilleria no se le podia evitar, a la murralla y la gente era en tanta quantidad pretendieron subiria, a lo que acudi con todos remedios possibles, mas ninguno basto para dexar de minarse la muralla dei baluarte [Santiago] de la parte de adentro le limpie el fosso y fui tocando en la misma muralla lo qual [viendo] el enemigo metio polvora y dio fuego con que bolo una parte de la muralla dia de Paschua [de] flores por la manana y cometio el baluarte peleando de aquella hora hasta las nueve de la noche sin descansar en porfiar el asçalto ni de nuestra parte en defenderselo, llegando a estado que nos tuvo ganada la guarita dei baluarte, adonde acudi en persona a echarles y no con p[oco] credito de la gente que se hallava conmigo. De nuestra parte murieron aquel dia de veinte [a] veinticinco soldados los mejores y heridos otros tantos, de la parte dei enemigo confeso [81] el passaron los muertos, de qui- nientos y los heridos y quemados de sietecientos en que entraron algunos ingleses. Luego fortifique el baluarte con Costales de arena, y me fui apercebiendo para otras minas, mandando hacer algu- nas salidas por divertir al enimigo en quien uno solo llevamos la mejor, y por tener poca gente no consenti que saliescemos fuera, haviendo en la fortaleza bien en que entender por ser solo y no tener persona alguna que por voluntad quiziesce servir a Vuestra Magestad salvo Juan de Melo da Silva, Don Gonçalo de Silveira, y Nuno Fernandes. Y yendo contraminando di con una mina, y adentro desta fortaleza cerca de la sistema con que el enemigo vénia y le hice bolver atras hasta la muralla peleandosce en la mina bien de entrambas partes, y de alli a quatro o cinco dias dieron fuego a otra mina en el mismo baluarte que tambien le tenia contraminado y metiendo polvora en la muralla dieron fuego a una y otra con que llevaron la muralla dei baluarte y sobre lo que cayo me hice fuerte por deffenderle la entrada, con costales de arena lo que pretendieron minar segunda vez de alli a ocho dias y en una carga dei mismo lugar le contra- mine y dandole fuego fue de poco effecto y lo mismo le aconte- cio al enemigo en un pano de traves que me quedo en el mismo fosço en que hize una tranqhera a que tambien me dieron fuego y a la postre de todo puzieron escaleras a una parte dei baluarte que queda a la parte de la mar y per un agujero que estava encu- bierto fueron contraminando la muralla mas de quinze palmos de alto, sin haver con que estorvarselo mas que con una pieça dei baluarte S. Pedro que no fue bastante para derribar la muralla y en el mismo tiempo minaron el baluarte S. Pedro algunos persas passando por el fosso sin que la muralla se le pudiesce defender por ser hecha de invencion que de arriba no se le hecha de ver el principio ni dechi (sic) a quatro estados y en cinco dias limpie el baluarte en que ellos empeceron a trabajar tocando ya en Ia mu- 325
ralla y dieron fuego dentro delia con que llevaron un pano del baluarte en que no uvo peligro de nuestra parte lo que visto por ellos dieron fuego a la mina que tenian encaminado al baluarte Sanctiago en que tenia puesto por capitan a Balthasar de Cha- ves, Cavallero de mas confiança que en aquella ocasion tenia y otra estancia a Don Gonçalo de Silveira, y en las cazas de la polvora que en el mismo baluarte estavan arazadas y descubertas de manera que no le podia hacer dano el artilleria, a Francisco Munis da Silva capitan de un galeon. En la misma ocasion estava yo ocupado en hazer ave- riguacion del agua que havia, quando se dio fuego a la mina y remetieron los persas con tanto ímpeto que no basto morir en la deffensa del baluarte Balthasar de Chaves para que dexascen de entrar las tranqheras no siendo los soldados que se lo podian deffender mas de quarenta. En esta occasion acudi luego y no fueron bastantes dos heridas peligrosas que re- cevi en la caveça, para dexar de recobrar la mitad de las casas, y ascy quedamos unos y otros en ellas por espacio de quatro dias en que el enemigo se apodero del traves del baluarte, en que quedava superior y por el vinieron [81 v.] con sus minas poniendo dos al baluarte superior, y con dos me salieron en la sistema y no podian los soldados sustentar un combate que se le dio en las casas las dexaron recogiendose a una tran[queira] fortificada con costales de arena que yo tenia hecho abaxo delias teniendo ya el artilleria ... to que so podia servir y el lienço de la muralla que corre del baluarte hasta el superior e... suelo. Y en la fuerça deste combate me dexo desanparado Martin Alfonso de Sosa el [balujarte S. Pedro de que era capitan y se fue al navio que estava para partir a la India, de [la] muger del capitan passado en que tambien estava su hijo Don Manuel de Sosa, con li[cencia] del governador de la India para llevar su madre y dandossele solamente para llevar dos... se fui el navio con mucha mas gente. Haviendoscele nodeficado que no le hiciesse neste [mo] mento se me fueron el padre prior de Nuestra Senora de Grassa de la Orden de S. Agostin, tiendo Consejo, el vicário y mas clérigos del Habito de S. Pedro y los carmelittas descalços que pluguiera a Dios que ninguno dellos se aliara en aquella plaça ni en nin- guna otra que [estuviesse] sitiada porque no sirven demas que de quebrantar el animo a los soldados sin haver [reme] dio para impe- dirselo. Solo dos religiosos de la compania que havian venido nesta nescessidad son para la guerra por guardar bien instincto? y no me- terse en el govierno ni en mal animar a los soldados y lo que hicieron en la occasion de la conjuracion se podra ver de la [certi]ficacion que embio, lo que en general hicieron en esta occasion los caval- leros e se podra Vuestra Magestad mandar informar por pesquisa hecha por los inquisidores y de las certificaciones [que] embio vera Vuestra Magestad la conjuracion y llevantamiento que con- 326
tra ml ubo para entregarse la fort[aleza] a los ingleses estando yo en estado que ni de la caveça me podia menear ni del brazo derecho haviendosseme huido para los ingleses el almirante Luis de Brito con quien estava con ... y otro Cavallero llamado Anto- nio (?) Borges y con esto hiço el pueblo entrega de la fortalez[a aos] inglezes en tres de Mayo passado metiendoles por las par- tes cahidas de la muralla prome[tiendoles] las vidas y embarca- ciones con que ponerlos en tierra de christianos como hicieron y c[omo] busque siempre la muerte dilante de todos los peli- gros y fui tan mal afortunado, que no le ... para morir con honra y no bivir sin ella y si de lo que escrivo a Vuestra Magestad certeficaciones ... en los que embio se aliara alguna cosa en con- trario mandeme Vuestra Magestad cortar la cabeça por traid[or] y quando de mi parte no se haya faltado, justificada esta ver- dad aun me siento en estado q[ue] pueda sacrificar la vida en el real servicio de Vuestra Magestad. De Mascate 10 de Junio. Simon de Melo Pereira 40. [83] Copia de la carta de Manuel Borges de Sousa para Su Magestad de 15 de Junio de 1622 Vuestra Magestad me tiene mandado le avise por mar y tierra lo que tengo hecho por vezes de lo que me parece ser de su real servicio. Ruy Freyre de Andrade fue en fin de Mayo de 621 princi- piar el fuerte, que Vuestra Magestad mando se hiziesse en Quei- xome, para las aguadas de la fortaleza de Vuestra Magestad de Ormuz para lo que se le dio todo lo que el edeficio requeria. Y tiniendole hecho en la mejor manera que pudo, y el tiempo permitio vinieron los persianos vasallos dei Xá en Setiembre con poder grande sobre el, teniendole en cerco hasta principio de He- brero de 622. Y se confederaron con los piratas ingleses, que eran llega- dos a Jasques a buscar su seda, en fin de Deziembre de 621 con nueve naos entre grandes y pequenas, y en principio de Hebrero de 622 surgieron en el Fuerte de Queixome, que se havia hecho poniendosse a bateria con el, de mar y tierra. Se vino a entregar, por se haver, que de una parte arenosa estava aruynada y no se podia deffender, fueron los capitanes y soldados de comun parecer se entregasse a los piratas, para lo que se dize opprimieron el capitan mayor Ruy Freire, como hemos visto por los capítulos que desto enviaron. Y assy llevaron al capitan mayor Ruy Freire y a algunos capitanes de las estancias, que estavan en el dicho fuerte en sus tres naos que fueron a Surratte, diziendo que alia los soltarian, 327
y como ya tengo escritto y la soldadesca se fuesse para Soar, o Mascatte haziendosse este concierto en 8 de Hebrero del pre- sente ano. Y en veynte del mismo Hebrero vinieron las seis naos que estavan entre el Comoran y Queixome de los piratas con cosa de 160 o mas ferradas, y quatro navios llenos de tur- cos persas, en que se dize vinieron de ocho hasta nueve mil moros, y otros dizen que aun mas. Desembarcaron en la isla que se llama Cauru, y se apposaron de la poblacion acogiendosse la gente a la fortaleza adonde empeçaron luego a minar el suelo derechos a la fortaleza, metiendosse debaxo de la artilleria que quedo luego. Y picaron los muros por los dos baluartes, que quedan en la fronteria de la poblacion adonde hizieron sinco o seys minas con que dieron con el baluarte Santiago abaxo [83 v.] de manera que les fue fácil la subida adonde uvo muy entricada guerra, de que uvo muchos muertos y heridos de parte a parte. Y assy en todas las minas que mas uvo, de veynte de He brero que se apossaron de la tierra hasta tres de Mayo, que duro la bateria, que davan los piratas de tierra ... de assestaren su artilleria y en el postrer de Hebrero começaron a bater los galeo- nes y fortaleza, teniendo sus naos navios y ferradas repartidas por las bam... para que nadie entrasse ni saliesse ayudandosse mas de los navios nuestros que tomaron surtos debaxo de la artil- leria de noche que no fue possible [pojderlos traher por estaren en seco en la ribera. Y con su artilleria metieron el galeon San Martin en fondo y pusieron fuego al galeon San Pedro, estando surtos junto a la fortaleza con lancha [s] una noche obscura con artifícios de fue- gos sin la artilleria de los galeones ni [de] la fortaleza lo poder impedir, puesto que se dize, que le mataron mucha gente un capitan que sentieron veniendo una espia que fue tomada, con ... ser mandado por los piratas a reconoscer la gente que dor- mia en los galeones que los querian venir aqueronar (1), veniendo los persas con muchas esca[leras] poniendosse fuego a una mina, cometemos por todas partes, para que ocup[ar]las fuesse fácil su intento. Por lo que verificada la materia se assento se mettiessen los dos galeones y un [pa]tache a fondo por estaren passados y des- troçados tirandoles la artilleria c[omo] lo hize y se tener assen- tado no salir los galeones por la falta que dezian tener [de] gente estar repartida en el Fuerte de Queixome, como tambien en la fo[rta]leza y galeones y ser mucha muerta ansy de la guerra como de enferm[ida]des. Y en veynte y siette de Abril de la presente era perdieron <1) Quereria: parte do navio da cinta até à quilha. 328
el ultimo co[mbate] con la ultima mina quedando mas fácil la subida y durando el [comba]te dos dias con su noche de que ubo tantas muertes y heridos de nuestra [parte] que quedamos impos- sibilitados para podermos acudir a los dos balua[rtes] por tam- bien el de San Pedro con una mina que se le dio quedar fácil la su[bida] y nos cometieren por ambos con mucho impetu y poder de gente teni[endo] nos ganado el baluarte Santiago. Se amotino la mas gente que havia en la fortaleza pegando de leq... diziendole que la fortaleza se no podia deffender en el estado en que esta y tan falta de gente, de que hizieron papeies firmados por ellos. Con g[ran] [84] struendo viniendo todos con motin grande me mety entre ellos y el capitan echandoos por dos vezes, diziendoles se quietassen que cada hora llegaria nuestra armada que esperávamos por momentos, bolvieron ter- cera vez teniendome recogido, de manera que prendieron al ca- pitan. Y en la noche passada se tenia lançado por la muralla abaxo por sogas que amarraron en la boca de una pieça donde se metieron três cazados de Ormuz un artillero, y un guardian de uno de los galeones en un navio que se dezia estar prevenido para llevar quarenta o sinquoenta soldados y gente de mar pro- vocados por persona que tenia lugar y titulo de almirante, que de la índia havia embiado en Noviembre o Diziembre de 621. Y siendo avisado el capitan de la fortaleza fue al baluarte y yo con el para evitarmos tan grande absurdo, que fue parte para no se hiren como estavan detreminados puesto que en la misma noche se fueron algunos por sogas y al otro dia otros para los piratas ingleses adonde dixeron a sus capitanes que viniessen a la fortaleza tomar los que en ella quedaron, que eran muge- res, ninos y gente inútil que se querian entregar antes a ellos que al rigor de los parsios que estavan magoados de la mucha gente que se le tenia muerta y herida. Y en este tiempo enviaron a de- zir los turcos capitanes dei Xáa al capitan de la fortaleza que bien veya el estado en que ella estava, y que no tenia 50 soldados sanos, como se lo havian dicho muchos que se havian hido para ellos, y la fortaleza estava entrada y ganado el principal baluarte, se saliesse luego delia en termino de três horas y la entregasse y no lo haziendo serian puestos todos ansi hombres como mugeres y ninos al rigor de la espada y por estaren ya los ingleses en la fortaleza que havian entrado por la ruina dei baluarte S. Pedro se salio el capitan de la fortaleza con ellos y los mas que en ella estavan dandoles los ingleses embarcaciones para que fuesse la gente lançada en Soar o Mascatte adonde hize esta con tan poco gusto como falta de salud, porque no digo otras particularidades que en el discurso dei tiempo uvo. Costantino de Proensa francês que ha anos que reside en estas partes se offrecio a hir a sua costa, sabiendo no haver en 329
la Hazienda Real [84 v.] con que se dispidiesse esta triste nueva por lo que me parecio ser merecedor de Vuestra Magestad le hazer merced. Guarde Dios a la catholica persona de Vuestra Magestad como la christiandad ha menester, de Mascatte a 15 de Junio de 1622. Manuel Borges de Sosa 41. [86] Copia del assiento que se tomo para que los galeo- nes no saliessen a pelear A los 15 dias del mes de Hebrero de 1622 en el corredor de la fortaleza de Ormuz, e siendo precente el capitan y gover- nador delia Simon de Melo Pereira, y Manuel Borges de Sosa veedor de Hacienda de Su Magestad y Domingos de Sosa oidor y los reverendos padres. Fray Guilhermo de Santa Maria prior dei Convento de Santo Agostin y el vicário Francisco Hernan- des todos juntos dei gobierno desta fortaleza y tambien Luis de Brito Barreto, capitan mayor del armada de alto bordo de los estrechos y soccorro de la India, en auzencia dei capitan mayor Ruy Freire de Andrade y Francisco Munis de Silva, capitan dei galeon S. Pedro; Miguel Perera Borrallo capitan del galeon S. Martin, y Baltasar de Chaves capitan dei galeon S. Lorenço. Luego por el dicho capitan y governador fue dicho, que la gente dei Fuerte de Queixome era venida a esta fortaleza y se affirmava ser mas de 280 soldados, que con los que avria en la tierra, llegarian a quinientos y que en los galeones estavan dozientos hombres de la mar que era gente bastante para en tiempo de tanta nessessidad y aprieto y de tanto credito de los vassallos de Su Magestad dar todos sus pareceres, se seria conveniente que los galeones, con la gente susodicha fuescen encontrar al enemigo ingles, que se aliava en el Comoran dos léguas desta fortaleza y pelear con el impediendole con esto, el intento que se affirmava tenia de echar gente en esta Isla de Ormuz en compania de duzientas embarcaciones pequenas de persas que te- nia en su compania, y que el dicho capitan mayor y mas capita- nes declarasen la polvora y balas que tenian los galeones y la que seria menester para pelear con el enemigo. A lo qual respon- dieron con juramento, que en los cinco galeones avria 160 bar- riles de polvora y 3600 balas teniendo los dichos galeones 150 pieças de artilleria de que las 100 eran de 14 hasta 24 libras de bala sin veinte pieças mayores que llevavan doblada carga con- forme a la qual eran nescessarios mas 140 barriles de polvora, que venian a hazer numero de 300 y algunas balas mas y que con estas cosas hirian demandar el enemigo, lo qual visto por todos y constar de una certeficacion dei factor de la fortaleza no haver en ella mas de quinze pipas de polvora, fueron de comum parecer 330
que los galeones se recogiescen y en ellos todos los soldados que quedascen despues de proveida la armada de remo, y estuviescen sobre amarra cerca de la fortaleza para pelear con el enemigo en caso que el viniesce a demandados o hazer lo que la nescessidad los obligasce y deste parecer fueron todos, y lo firmaron en el dia y mes sobredicho. Simon de Mello Pereira — Manuel Borges de Sosa — Domin- gos de Sosa— Fray Guillermo de Santa Maria— Luis de Britto Barreto — Baltazar de Chaves — Francisco Munis da Silva — El vicário Francisco Fernandes. 42. [68 v.] Copia de un requerimiento hecho por el pueblo de Ormuz sobre no auzentarse los galeones Requerimiento que hace el pueblo todo desta fortaleza de Ormuz a Simon de Melo Pereira capitan y governador delia. Primeramente, suplican a Vuestra Merced y se lo requieren de parte de Su Magestad que no consienta ni [de lijcencia a estos cinco galeones para auzentarse desta fortaleza, por el mucho prejuizio que [su] auzencia causara a esta plaça de Su Magestad y a las razones que ellos dan para no poder desen[barcar] respondera el pueblo por los apuntamientos abaxo, y como po- dran ser proveidos de agoa y ... La principal razon porque se le conçedia la licencia de hirse era por no haver agoa [en la] fortalesa con que sustentarlos, a lo que responde el pueblo que de los mismos soldados de l[os] galeones se pueden sacar los nescessarios para en ocho o dies navios pasçar a la Arabia, y de alia en seis o siete dias quando mucho (sic) agoa, carnes, pescados y manteca con que ja ... los galeones y fortaleza porque como este viage es breve y se puede intentar y venir ... y entrar en la fortaleza por el postigo nunca el enemigo podra impedido. En caso que falten personas que aconpanen estos navios ascy capitanes como solda [dos] los moradores y casados desta plaça se offrecen a hacerlo y porque no falten marine[ros] requiere este pueblo a Vuestra Merced da parte de Su Magestad que ordene que los navios que agora se va[n] dexen la quantidad dellos que a Vuestra Merced pareciere porquanto en este tiempo se navega b[ien] a la India y qualesquiera marineros podran servir, demas de que tenemos noticia y [infor]macion cierta que los dichos navios llevan mas marineros de los que tienen nescessi- dad por respeto que los de los galeones y otros por ausentarse dei peligro huyen todos en navios a lo. que Vuestra Merced deve acudir, con valor y instancia por lo mucho que va en esto. Declara mas este pueblo que en los navios en que Vuestra Merced embia la gente inútil desta [fortaleza] van embarcados 331
muchos soldados para con secreto, pasçarse a la índia de donde sin duda se pasçaran a tierra firme como lo custumbran hazer por auzentarse de los peligros y ... el castigo y lo mismo han de hazer los soldados de los galeones si Vuestra Merced los dexa passa[r a la] India y tambien los officiales dellos y ascy es cierto quedar los galeones desampa[rados] y inhabilitados para bolver con el soccorro que se piensa vendra descercamos con que ... grandíssima falta y Vuestra Merced como se lo pedimos de parte de Nuestro Senor considere bien este pfedido] porque es el todo dei remedio desta plaça y dei socorro que se aguarda de la índia. Tambien entiende este pueblo que hace a Vuestra Merced este requerimiento, que tanto que el enemigo ... zentes los galeo- nes, que tomara mas atrevimiento para lo que intenta. Y quanto al impedimiento que se pora en decir que para pasçar los navios a la Arabia [es preciso] ter dinero y caudal para paga de la gente de mar y guerra, declara este pueblo, que en es[ta forta]leza hay mucho dinero, que se puede tomar por emprestido, por ser de particulares y en los [casos] [87] desta qualidad ser fuerça atender mas al remedio que a otros respetos aunque sea por caminos mas rigurosos, y el caso de que se tratta es tal que no se offrecera otro de mas importância a la índia y Su Magestad tan poderoso que en breve podra pagar lo que se tomare por emprestido (sic) a sus duenos. Y enquanto a lo que se dice que el enemigo puede tomar algunas estancias y delias dar bateria a los galeones se responde que ellos pueden estar surtos por detrás desta fuerça con sus amarras a dos partes con que quedan seguros aun de los tempo- rales e que cada ves seran menores. Puede tambien succeder desencontrarse estos galeones se fueren a la índia, de los que vinieren de soccorro como se espera, con que vendra a ser de poco effetto ni se puede presumir que de una fuerça que esta en tan evidente peligro se consienta auzen- tarse el remedio aunque pequeno y en la índia, bien considerado, se ha de hazer cuenta deste soccorro con el que se aguarda. Demas de que entiende este pueblo que viendo el enemigo que nos aprovechamos de los navios que passan a la Arabia divertiran sus intentos y nosotros nos animaremos mas, juntamente con los arabios amigos con quien faltando comunicacion y viendo esta plaça en tanto aprieto mudaran de parecer sugetandosce al Persa. Con todo lo que queda referido y que este pueblo reprezenta a Vuestra Merced de parte de Dios y de Su Magestad se repre- zente a Vuestra Merced lo mucho que va en no auzentarse los galeones desta plaça y el dano que de lo contrario se seguira de que es cierto que Su Magestad se havra por mal servido. Y como se remediaran las faltas que se publica tienen los galeones, por 332
todo lo qual suplica este pueblo a Vuestra Merced de nuevo se sirva de venir en todo lo que propone, no dando oidos a otros pareceres que es cierto proceden de causas particulares y no dei zelo de servir a Su Magestad y que se deve a sus vassallos. De la sustancia deste papel se hicieron dos, firmados por la mayor parte del pueblo y por los hermanos de la Santa Casa de la Misericórdia y provedor delia como cabeça del mismo pueblo, y protestan de en ningun tiempo series dado en culpa ni adver- tir a Vuestra Merced de lo que entendemos con tantas y tales razones. Dios Nuestro Senor ayude a Vuestra Merced para governamos como entendemos lo procurara con su mucha pru- dência. En 26 de Hebrero de 622. El provedor, Salvador de Campos, Vicente Fernandes, Bal- tasar Graces, Francisco Ribero Teixeira, Valentim da Costa. Vi- cente Valente, Gaspar Fernandes, Baltasar Borges. Alvaro Bana, Antonio de Lemos de Carvalho, Francisco Pereira, Francisco Pinto, Domingos Laborino, Manuel de Grandia Freire, Pero Nunes. Vi- cente Dias, Jeronimo Luis, Bastião Correa, Afonso de Bairros, Jeronimo Ferras, João Homem da Costa, Antonio Ferreira, João Valente, Antonio Alvares, Antonio Antunes, Francisco Viegas Antonio Domingues Furtado, João Alvares Pere ra, Antowo de Almeida, Leonardo de Azevedo, Antonio da Silva, João Lobo, Antonio Graces, Jacome Ortico, Manoel Ferreira, Luis Gago, Antão Rois Penteado, Luis de Seixas, Baltasar Ferreira. Mathias Barbosa, Domingos Vas da Costa. Francisco da Costa. Antonio Borges, Gonçalo Caceias, Diogo Nunes Evangellos, Bartolome Juan, Francisco de Espinosa Montanes, Pero de Silva. Francisco Fernandes, Fray Baltasar de La Madre de Dios, Gil de Prado, Francisco Nunes Cardoso, Merchior Montero, Tomas Godino de Amaral, Antonio Rodrigues, Filipe Nunes. 43. [87 v.] Copia de un assiento para abrirse las vias de la succesion de la armada y requerimiento que se hiço a los capitanes delia En 27 de Hebrero de 622 en la iglezia mayor desta forta- leza de Ormuz se juntou el capitan [y] gobernador delia Simon de Melo Pereira y el veador de Hacienda Manuel Borges de Sosa y Domingos de Sosa oidor desta fortaleza, y el reverendo padre prior dei Convento de San Agostin, Fray Gui[lher]mo de Santa Maria, y el vicário el licenciado Francisco Fernandes, y el factor de Su Magestad Francisco Montero [Leite] y el capitan dei galeon 333
Sant Lorenço Baltasar de Chaves y otras personas y em pre- sencia de todos [pro]puso, como el veedor de Hacienda, oidor y factor, havian hido con dos escrivanos a suplicar de [parte] dei dicho capitan y governador al almirante Luis de Brito Barreto y mas capitanes de los galeones [y] Francisco Monis de Silva y Miguel Pereira Borrallo que no se ausentassen de aquella forta- lesa, por h[aver] falta de gente, teniendola citiada dos poderes tan superiores como era notorio dos persas, y [inglejzes por- quanto se entendia que auzentandosce los galeones podrian venir los inglezes dar bateria [a la] misma fortaleza. Y el almirante no quizo parecer y solamente se deera de su parte que subiesfse] al galeon a lo que respondio el vedor de Hacienda que se ser- viesce de parecer para oir el [estado] en que estava aquella for- taleza y por no querer obedecer a dos vezes que se le dio noticia de la ... que se iva hacer con el; se apartara de su galeon la embar- cacion en que ivan los susodichos y se fueron al galeon de Fran- cisco Monis de Silva, y dando bozes el vedor de Hacienda [para] que llamascen al dicho capitan Franscisco Munis, respondieron los soldados que estava en tierra [en el] galeon Sant Pedro, donde le fueron a buscar y llegando a el y preguntando por el dicho [capitan] les fue respondido que no estava alia, y que dei dia de antes faltava y se havia hido pa[ra el] galeon Victoria de donde venian de buscarle, y luego se fueron al galeon Sant Mar- tin, cap[itan] Miguel Pereira Borrallo, donde el mismo veedor de Hacienda y los mas nombrados le [noti]ficaron que no saliesce del puerto en que estava por razon de la falta de gente que havia en la [forta]leza y de artilheria encavalgada por todo lo qual era nescessario que la dei galeon y dei patacho Sant Lorenço se metiesce en ella. A lo que respondio que tenia orden por esc [rito dei] almirante para seguirle y por ser de su capittan mayor vies- cen ellos lo que se podria ha[cer para] mas seguridad de aquella plaça; lo que visto por todos fueron de parecer, que por el [capi- tan] y governador Simon de Mello Pereira, haver traido de la índia vias de succession d[e la] misma armada se devian abrir luego y dei mismo parecer fueron las personas de letras [que] se allavan prezentes jusgando que lo mismo era ser muerto, Ruy Freire de Andrade que ... cautivo, como lo estava, y que esta seria la voluntad de Su Magestad porquanto si estuviera prez- [ente] en tal caso proveyera la dicha armada, lo qual todo visto, fueron de parecer que se abriesce las [vias] de succession y se viesce a quien pertenecia governar aquella plaça por el almirante [que]rer parecer para requererle lo hiciesce, como tambien por haver mandado al capitan [dei un galeon Miguel Pereira Borrallo le seguiesce a la índia para donde iva. 334
E deste ascien[to] [88] mandaron se hiciesce esta declara- cion, en que todos firmaron en el mismo dia del dicho ano. Simon de Melo Pereira, Manuel Borges de Sosa, Domingos de Sosa; Fray Guillermo de Santa Maria; el vicário Francisco Fer- nandes; Francisco Montero Leite. 44. [88] Copia del asciento que se tomo para no hir los galeones a la índia En dos de Março de 622 en esta fortaleza de Ormuz en la iglesia mayor delia, se juntaron el capitan y gobernador Simon de Melo Pereira, el vedor de Hacienda Manuel Borges de Sosa, Do- mingo de Sosa oidor, el padre prior de San Agostin, Fray Guil- lermo de Santa Maria, el vicário, el licenceado Francisco Fernan- des, el almirante Luis de Brito Barretto, Francisco Munis de Silva capitan dei galeon Victoria, Miguel Pereira Borrallo dei galeon Sant Martin, y el capitan dei patacho, Baltasar de Chaves. Y el dicho capitan y governador con un missal en las manos dio jura- mento a todos para que bien y verdaderamente declarascen, si estavan los galeones en estado de hacer viage a la Índia por razon dei dano que havian recebido, de la bateria que se le havia dado de tierra con las pieças que los ingleses sacaron de sus naos que duro (?) algunos dias y de la gente de mar y artilleros que le faltava, a lo que respondieron los capitanes que se llamassen los pilotos y maestres para que tambien con juramento declarassen, como se hiço, y los três pilotos Francisco Tavares, Antonio Roiz, y Juan Domingues, y los tres maestres Matheus Alvares, Juan Duarte, y Diego Roiz affirmaron con juramento que recivieron que los galeones se allavan en estado causado de la bateria que havian recebido en tres dias de los ingleses, y tan faltos de mari- neros y artilleros por los mas estaren enfermos y otros no ser tan platicos de la navegacion, como convenia que hera cosa im- possible poder hacer viage, y que seria conveniente traerlos a tierra y sacar la artilleria dellos antes que los enemigos quemandoles se aprovechascen delia lo qual se ascento por comun parecer de todos y dello se hiço este asciento en que firmaron en el dia suso dicho. Simon de Melo Pereira. Manuel Borges de Sosa, Domingo de Sosa, Fray Guillermo de Santa Maria, el vicário Francisco Fer- nandes. Miguel Pereira Borrallo. Baltasar de Chaves. Luis de Brito Barreto, Mateus Alvares, António Roiz, de (sic) João Duarte. Diogo Roiz, João Domingues. Francisco Tavares. 335
45. [88 v.] Copia del asciento para tomarse por emprestido el dinero de los cofres de la Casa de la Misericórdia En 3 de Março de 622 en la sacristia de la iglesia matris desta fortaleza de Ormuz donde se junto el capitan y governador delia, Simon de Mello Pereira, el vedor de Hacienda Manuel Bor- ges de Sosa, el oidor Domingos de Sosa el padre Fray Guillermo de Santa Maria, prior dei Convento de San Agostin y el licen- ciado Francisco Fernandes vicário y propuzo el dicho capitan gobernador la grande falta que havia dei servicio de los galeo- nes, y que por los officiates] dellos y los soldados no acudir a sus obligaciones por falta de paga, en tanto que sobre la m fu- ra] 11a se havian muerto un marinero y un soldado y havia gran- des quexas de deversele [dar] pagas, y no haver dinero de Su Magestad con que contentarlos ni con que aprestar seis embar- [ca]ciones para llevar la gente umilde a Soar porquanto ni agoa ni mantenimientos havia para ella entanto que el mismo capitan y governador empeno una banda de oro ... con que aprestara los navios, y el vedcr de Hacienda tomara prestados quatrocien- tos [cruza]dos para emplearse en bastimientos, por lo qual hera fuerça buscar dinero con que[acu]dir a esta nescessidad y por no haver otro remedio tomarse el dei cofre de la Casa de la Sancta Misericórdia por emprestido hasta que uviesse renta en la alfan- dega de que satisfazerce. Y dei contrario resultaria evidente peli- gro aquella plaça porque soldados mal contentos [y mal] pagados no sabian servir demas de que los de Queixome vinieron desnu- dos y sin arm [as] por haverselas tomado los ingleses quando en- traron en sus embarcaciones, y la fort[aleza] estava sitiada por mar y tierra con dos poderes tan superiores como el dei Persa [y] de los inglezes con quatro naos y dos patachos. Visto todo lo qual fueron todos [de] parecer por no haver renta de Su Magestad ni otro remedio alguno por estar metido en la [misma] fortalesa todo lo que havia de particulares, y estar los persas apoderados de la [population se devia tomar el dei cofre de la Misericórdia en la misma conformidad que ajuntara el capitan y se devia llamar luego, el provedor y thezore[ro] y mas hermanos de la Misericórdia como se hiço, y se le propuzo todo lo que queda referido a lo que respondieron que por ser con- tra el compromisso de aquelle ... no podian ni havian de dar las llaves, pero que si de potencia lo querian hacer [que] quebrassen el caxon o le cerraiascen como se hiço y por ser la verdad se hiço [este] asciento en que todos firmaron en el dia referido. Simon de Melo Pereira, Manuel Borges de Sosa, Fray Guil- lermo de Santa Maria ... el vicário Francisco F[ernandes]. 336
46. [89] Capia del parecer de Luis de Brito Barreto almi- rante de los galleones y otros sobre se haver de varar con elles en tierra Respondiendo a lo que nos propuzo el senor capitan y gover- nador desta fortaleza Simon de Melo Pereira sobre el riesgo que corria esta plaça y no ser possible accudirse a ella y a los galeo- nes por las muchas causas que se offrecen para no poder hacerlo y peligro en que los galeones estan de el enemigo intentar que- marlos y aprovecharle dei artilleria, como hiço de la dei galeon Sant Pedro que quemo por falta de navios de remo que se per- dieron con los grandes temporales, que uvo y no haver con que poder deffender dei intento dei enemigo que en sus chalupas y otras embarcaciones de fuego nos procura offender como ya lo hiço. Somos de parecer que los galeones con la marea de agoas vivas quales (?) esta noche vengan a tierra quanto mas pudiere ser, y se le quite toda la artilleria echandosce a la mar por la parte de tierra para a todo tiempo que ubiere lugar nos aprove- charmos delia a lo que se acresciente el dano que los galeones recevieron estos dias de la bateria que el enemigo le dio con que de todo se allan desbaratados y debaxo de juramento lo affirma- mos y declaramos ascy y ser nuestro parecer. En Ormuz 10 de Março de 622 Luis de Brito Barreto, Luis de Moura Rolim, Manuel de Melo de Sam Payo. 47. [89 v.] Copia del asciento que se tomo para varar en tierra los galeones En 10 de Março de 622 en la iglesia matris desta fortaleza de Ormuz se juntaron el capitan y governador Simon de Melo Pereira el vedor de Hacienda Manuel Borges de Sosa, el oidor Domingos de Sosa, padre prior de Santo Agostin Fray Guillermo de Santa Maria, el vicário el licenceado Francisco Fernandes, [el] capitan dei galeon Victoria Francisco Munis de Silva y el capi- tan dei patache Sant Lorenço Baltasar de ch[aves] y se propuso por el dicho capitan y governador el riesgo que corrian los galeo- nes estando en la [mis]ma parte en que por la bateria que el enemigo le havia dado de tierra tenian íecebido mucho dano y poder intentar quemarlos sin ninguna resistência como lo havia hecho al galeon Sant Pedro que esta junto a los demas apro- vechandosse dei artilleria, sin podersele impedir ni [haver] embarca- ciones pequenas con que hacerlo y que estava cierto que la gente de mar detre[mi]nara auzentarse, como lo havia hecho el piloto 337 23
y maestre del galeon capitana con otr[a ...] a que mandara pren- der; en todo lo qual se vera bien que el enemigo intentara lo mis [mo] a los mas galeones aprovechandosce dei artilleria tanto en dano y poco credito de Su [Magestad] y de aquel Estado de la índia teniendo ya entrado la muralla dei baluarte Santiago y veni[endo] con minas por otras partes con grande poder por lo que convenia no desunir el poco poder que ... en dar guardia a los galeones y deffender la fortaleza, y traer a ella duzentos y tan [tos] marineros portugueses que estavan en los galeones, y setenta o ochenta soldados; porque los poços que haviam venido de Queixome estavan desnudos, enfermos, y desanimados [do] sucesso que haviam tenido. Y sobre esta materia havia pedido parecer a los mas capitanes [y] cavalleros que se hallavan enfer- mos y heridos y a los prezentes le pedia para que le [conse] jassen lo que seria mas servido de Su Magestad, a lo que todos res- pondieron que se tratasce de [defender] la fortalesa metiendosce en ella toda la gente que havia en los galeones ascy de guerra [como] de mar, y que los galeones se truxescen a tierra en la marea de aquella noche y [se les] quitasce el artilleria antes que el enemigo quemandoles como lo hiço al galeon Sant [Lorenço] apoderasce delia, y se veia de la fortaleza un navio lleno de artifícios de fuego pa[ra este] intento, y desta resolucion man- daron hacer este assento en que firmaron t[odos] en el mismo dia de 10 de Março de 622. Simon de Melo Pereira, Manoel Borges de Souza, Fray Guillermo de Santa Maria, Baltasar de Chaves, Francisco Munis da [Silva], Domingos de Soza, el vicário Francisco Fernandes. 48. [90] Copia del assiento nuevo que se tomo para se varar en tierra los galeones En el ultimo de Março de 622 en esta fortaleza de Ormuz en la iglesia mayor delia, adonde el capitan y gobernador, Simon de Melo Pereira y el veedor de Hazienda Manoel Borges de Sousa y el oydor y prior de Santo Agostin y el vicário de la vara y el almirante Luis de Brito Barretto y Francisco Monis da Silva y Luis Albarez Pereira por el capitan y governador fue dicho que esta noche passada viniera un cafre ladino, que se havia hido de nos para los moros, el qual fingiera venir a nado diziendo que vénia para su muger y por se entender ser espia le mandar poner a tromento, el qual cafre dixera publicamente antes de ser mettido en el, diria la verdad, y declaro que era verdad que los ingleses le embiaron para que viniesse a saber si dormia gente en los galeones que estavan llegados al postigo a nado a saber el galeon Todos Santos, y el galeon Victoria, porque los querian quemar, 338
quando se diesse fuego a la segunda mina para que se repar- tiesse la gente a la guarda dellos, como tambien a muchas esca- leras que tenian hechas para ponellas de la parte de la mar en la muralla para que con mas facilidad hiziessen lo que preten- dian por el lado de la mina adonde le quedasse menos resistência para conseguiren su intento y tomaren esta fortaleza, que ellos hazian muy fácil a los moros, como tambien por hecharen en flechas cartas en letra parsea, que en três o quatro dias serian senores de la fortaleza y los soldados dei Xaa de las mujeres de los portugueses. Y tambien dixo la mujer dei cafre y otra mujer, que hera verdad que el cafre tenia venido por vezes saber lo que se hazia en la fortaleza y se bolvia para los moros y piratas, por lo que viessen todos se seria conveniente recoger la gente que estava en los galeones Todos Santos y Victoria para que estu- biesse toda junta en la fortaleza para seguridad y guarda delia y por se entender y ser cossa cierta se reogia (sic) en ellos mucha gente de mar con miedo dei successo de la mina y lartilleria (sic) estar ya sacada y los dichos dos galeones passados de muchas balas y desforçados de vergas y aparejos por lo que se tenia ordenado en otro assiento hecho en 3 de Março les varassen por que no acaeceresse lo que al galeon Sant Pedro y que luego les varassen cerca dei galeon Sant Martin que los piratas metie- ron a fondo. por que nos aprovechassemos [90 v.] de la madera dellos para lena, como tambien se frustrar el intento de los pira- tas y que luego sin dilacion se diesse a la execucion por lo man- daren ansi y detreminaren. Aiandaron se hiziesse este termino onde se firmaron todos en el mismo dia mes y era. Simon de Melo Pereira. Manoel Borges de Sousa. Francisco Monis de Silva. Fray Guillermo de Santa Maria, el vicário Francisco Fernandez, Domingo de Sousa, Luis Alvarez Pereira. 49. [91] Copia de la certeficacion que se passo de la noti- ficacion que el factor de Su Magestad comigo escrivano fuimos hazer a Don Manoel de Sousa por mandado dei senor capitan Simon de Melo Certifico yo Domingo de Freitas escrivano de la Hazienda e feitoria por Su Magestad en esta fortaleza de Ormuz que en 28 dias dei mes de Abril de 622 que el factor de Su Magestad Francisco Montero Leite, y yo escrivano por mandado dei capi- tan y governador desta fortaleza de Ormuz Simon de Melo Pe- reira fuimos al navio de Don Manoel de Sousa en que llevava su madre para Goa y le requerimos de la parte dei dicho capi- tan que Su Merced no llevasse en el dicho navio a Sebastian Correa y a Juan de Faria cazado y Antonio Rodrigues piloto, que hazia las trincheras por allarlos menos en la dicha fortaleza y saber estaren en el dicho navio. Y ansi mas otros muchos sol- dados, hombres de mar y cazados que tenia por noticia estaren 339
en el dicho navio y que se los mandasse hechar fuera, visto la falta que hazian las dichas personas en la dicha fortaleza por el peligro en que estava. Ansi se lo requerimos de parte de Su Ma- gestad, y del dicho capitan que no las llevasse, y sino que le havia la fortaleza por entregada para Su Merced dar cuenta delia a Su Magestad. Y por el dicho Don Manoel de Sousa fue respondido que si las tales personas estavan en el navio, que el no las podia tirar debaxo de las mujeres por el desacato que en esso les hazia y que entrássemos y las sacássemos dei navio, lo que todo cer- tefico passar en la verdad por el juramiento de mi officio en el mismo dia mes y era, atras declarado. Domingo de Freitas, Francisco Montero Leite. La qual certificacion ante las justicias de Mascate queda jus- tificada. 50. [91 v.] Copia dei ato de menage que el capitan y gover- nador Simon de Melo Pereira tomo al almirante Luis de Brito Barretto Ano dei nacimiento de Nuestro Senor Jesu Christo de 1622 anos, en el ultimo [dia] dei mes de Abril a las ocho horas de la noche poco mas o menos siendo informa [do] el dicho capitan que Luís de Britto Barretto que havia sido almirante se queria hechafr] de la muralla abaxo desta fortaleza de Ormuz y pas- sarse para los ingleses piratas que estan surtos en esta bahia teniendola de cerco por mar y te[rra] con seis embarcaciones de alto borde, y seis navios y muchas ferradas, e[s]tando mas en tierra, sobre la dicha fortaleza que la tienen de cerco de 20 de Feverero de la dicha era, batiendola con la artilleria, los dichos piratas ingleses, teniendola mucho desforçada por cuya razon el dicho Luis de Brito Barretto se queria hir de la dicha fortaleza llevando consigo cazados moradores en [la] dicha fortaleza y tambien hombres de mar y soldados por andaren amotinados, que yo escrevano dei mi fee ver esta tarde andaren juntos buscando otros 20 hombres cazados soldados y hombres de la mar a lo que el dicho capitan y governador haviendo sido avisado decierto que el dicho Luis de Britto tenia puesto sogas en una pieça de artilleria que queda para la parte dei postigo dei baluarte Sant Sebastian accudiera con mucha priessa y aliando en el al sobre- dicho Luis de Brito con mucha gente le llamo de parte diziendole que estava informado se queria hechar de la mura[11a] abaxo tan olvidado de su obligacion y fidalguia, le respondiera que hera verd[ad] que el lo queria hazer por temer la muerte y que bien entendia no hazia bien ... sino bien mal, pêro que confes- sava que lo hazia por no morir, por lo que el dicho capitan y governador le tomara la mano derecha y visto su confession 340
le mandara prezo para su caza por no haver prission en la for- taleza por se haver tomado para hospi[tal] de los heridos y en- fermos diziendole le dexava prezo por obligacion de officio a lo que respondiera el dicho Luis de Brito haria lo que Su Merced le mandava como su capitan mayor. De lo que mando a mi es- crivano de la Hazienda y feitoria hiziesse este termino de mena- gen para por el se perguntaren los testigos que nombraron a su tiempo por estar la fortaleza en mucho peligro, cercada con diez, o dozentos turcos afuera los piratas que estan de posession dei baluarte Sant Tiago que hecha[ron] con minas abaxo y ansi teneren hechado parte dei baluarte Sant Pedro en el suelo de que dei mi fee y me firme en el mismo dia, mes y era lo qual hize por impedimiento que tiene el escrivano de la Oydoria Thome de Silva, el qual esto queda justificado por el juez de Mascate. 51. [92] Copia de la conjuracion que hizieron los soldados y cazados que estavan en la fortaleza de Ormuz En dos de Mayo de 1622 anos, en esta fortaleza de Or- muz dentro en ella, estando prezentes todos los moradores desta fortaleza, cazados y soldados y toda la gente de mar, y otrosy todos los cavalleros y fidalgos, abaxo contenidos y los religio- sos dei Habito de Santo Agostin y los padres dei Habito de Sant Pedro que tambien se firmaron, y siendo todos juntos, requisie- ron a mim escrivano abaxo nombrado que porquanto la fortaleza de Ormuz esta entrada de los moros parcios y ingleses con dos baluartes en el suelo principales Sant Pedro y Sant Tiago, y el baluarte Cavallero minado por dos partes con las minas llenas de polvora para le daren fuego como hizieron a los mas por siete partes por los quales entraron en esta fortaleza y se apossa- ron dei baluarte Sanctiago que esta mas alto que el baluarte Cavallero. Y la principal cisterna de esta fortaleza ganada que ya esta en sus manos dei qual baluarte se dieron muchos com- bates, y nos mataron mucha gente adonde hiriron y quemaron la mayor parte de la gente y tanto ansi que no se podia hir bus- car agua para el gasto de la dicha fortaleza', ni andar por en cima de los muros porque dei dicho baluarte mataron la dicha gente por quedar el baluarte discubriendo toda la fortaleza y sin envargo dei peligro que dicho tiene y quedar de todo la for- taleza abierta, por respeto de los dichos baluartes estaren en el suelo y no tener en sy ninguna artilleria por respeto de no haver repairos por estaren todos rompidos, ni haver madera para se ha- zer ni gente para se deffender la fortaleza por ser muerta mucha por respeto de sus enfermedades, y otros quemados y heridos que llego la dicha fortaleza a estado que se no allaron sessenta hombres y por no haver panelas de polvora para offender al enemigo y el tener muchas de que uzavan que es cosa nueva en ellos. Y viendosse tan necessitados de gente y queriendo reme- 341
diar esta tan grande necessidad por haver en la dicha fortaleza ninos de tierna edad y mujeres casadas, y donzellas que facilmente los podrian persuadir a dexar la ley de Christo Nuestro Senor les pareceo a todos usaren de la amistad de los inglezes para remission de sus vidas y otras razones que arriba tiene decla- rado les parecio bien valerense de los ingleses para con su ayuda saliren de la dicha fortaleza con las vidas. i?equerieron todos [92 v.] a mim escrivano que este assiento hiziesse en que todos se firmaron dentro en la dicha fortaleza. Yo Simon Suarez Ferreira escrivano publico lo escrevi, Andre de Macedo. Francisco Pereira, Francisco de Barros, Antonio Gon- çalvez, Manoel de Montarroyo, Balthazar Ferreira, Balthasar de Vivas. Antonio Loubato (?), Domingos Vaz de Costa, Salvador de Campos, Pedro Bras Picão, Thomé da Silva, Domingos Luis, Andre Pirez Neto. Francisco da Silva, Nicolao Guedez, Antonio da Silva, Francisco Carvalho. Francisco de Espinosa. Inácio de Gouvea, Hieronimo Luis, Antonio Mendez. Vicente Valente, An- tonio Coello, Antonio Borges. ... Gonçalvez. Manoel de San Payo, João Baptista. Francisco de Azevedo. [Manojei de Siqueira, João Ferreira, Luis de Soveral, Domingos Lourenço. Pedro de Oliveira, Juan Lopez, Juan de Costa. Juan Valente, Jacome Ór- fico, Bartolome Juan, Hieronimo Ferraz, Juan de la Trinidad, Juan da Costa, Gaspar Garces, Bras .... Antonio Ferreira. Gon~ çalo Rodriguez, Jerónimo de Faria. Francisco Viegas. Nuno Mar- [tins]. Domingos Brandão, Manoel de Sousa, Nicolao de Lemos. Luis de Brito de Boin, Christoval Ribeiro, Pedro Fernandez. Juan Lobo. Joseph Gomez, Antonio Lourejiro] do Matto. Juan de Costa. Matheus de Brito, Domingos Fernandez, Ma[noel] Colaço. Domingos Fernandez, Felippe Nunez, Diogo Gonçalves, Manuel Antunez. Francisco Fernandez, Antonio Falcão, Gil de Prado, Antonio Figueiredo. 52. [93] Copia de una certeficacion dei escrivano de la [ac- tor ia (sic) de Ormuz, Domingos de Freitas Certefico yo Domingos de Freitas escrivano de la Hazienda y factoria que yendo los del motin en este papel atras firmados con el capitan Simon de Melo Pereira prezo para le entregar a los inglezes les dixe yo dicho escrivano que mirassen lo que hazian pues entregavan a sua capitan a los ingleses para darles la forta- leza por respeto de sus vidas quedaren libertadas sin teneren papel de los ingleses, por que se obligassen a cossa alguna. Llego uno dellos y me metio este papel en la mano, y perguntando yo despues quien me diera este papel, no hubo ninguno que dixesse que me le diera, el qual papel entregue al capitan Simon de Melo Pereira, lo que justifico ser el mesmo que mi entregaron por el juramento de mi officio en el dicho dia mes y era atras declarado 342
en el assiento. E queda esta certificacion justificada delante de las justicias deste Mascate y el proprio. 53. [93 v.] Copia de la certificacion del capitan de la artilleria Certefico yo Antonio Palla encargarme el capitan Don Fran- cisco de Sousa que Dios perdon[e de] la capitania de la artillaria desta fortaleza de Ormuz, la qual dixe en tomando pose[ssion] delia que no estava en estado para se pelear con ella en ningun modo, porque los repa[iros] eran viejos cortados del sol y de la agua en estado que no podrian servir mas que para un tiro, o dos quando mucho. Y que demas disto, parte de las ventanas de la artel- laria resg... sin reparo alguno, para que el enemigo quando veniesse dexasse de quebrar nuest[ros] reparos con su artelleria y que no havia mas artilleros que supiessen tirar con una pie[ça] que el con- destable que passava de sessenta anos, que por muchas vezes tenia repaier... que no era para officio y con hazer estos accuerdos no fue ninguno de effecto para [que] el capitan proviesse en ello y estos mismos accuerdos hize al capitan y governador dei [la] Simon de Melo Pereira, tanto que tomo posession delia, tres o quatro dias antes de los [enimigos a] cercar pediendole mandasse sifar los reparos para con esso poderen agguardar m[as al]gun trabajo, lo que el mando hazer, y por muchas vezes de palavra, y por escrito le supp[lico] buscasse remedio para se remediaren algunas faltas que en la fortaleza havia, pu[es] esso no tenia fortaleza para poder pelear, y por haverle dicho esto delante de gen[te] me mando pren- der y luego en llegando el enemigo me mando dar libertad y entre- gar' [la] artilleria que remedie con meter alguna de los galeones y adereçar (?) los reparos de la artilleria de la fortaleza que al. pri- mero y segundo tiro quiebraron todos. Y con los officiales de [los] galeones, carpinteros, y calafates los bolvi adereçar con alguna madera que en la fortaleza avia y que de los galiones se saco, con que se quedo remediando la def[fensi]on desta fortaleza, no jugan- do la artilleria como era necessário si tubiera repar[os] bastantes; y si no fueron los artilleros, carpinteros, calafates de los galeones por milagre se deffendiera esta fortaleza, que por remedios huma- nos no fuera p[ossi]ble en razon de guerra. Y por desto me ser pedida esta certeficacion la passe en la ... y assi lo juro a los Sane- tos Evangelios. Htcha oy 12 de Abril de 622 anos. Ant[onio] Pâllã de Almeida. Queda justificada esta certificacion por el oydor de la fortaleza de Ormuz Domingos de Sousa. 54. [94] Copia de ta lista que los capitanes de los galeones y el almirante dieron de su gente Ha en el galeon Sant Pedro 50 portuguezes entre soldados y gente de mar; Francisco Monis da Silva. En el galeon almirante 25 343
artilleros, 3 marineros, 10 officiales mas que por todos haran 50 hombres; Luis de Brito Barretto. Tiene el patache de Balthasar de Chaves 40 hombres entre gente de mar y soldados; Baltazar de Chaves. Quedan tambien estas firmas arriva justificadas por el dicho oydor de Ormuz y ansi, tiene el galeon del senor capitan mayor Ruy Freire de Andrade 20 hom- bres entre gente de mar y soldados contados uno por uno. 55. Copia de una de una (sic) certeficacion dei fector Fran- cisco Montero Leite sobre las cossas que havia en los magazanes Francisco Montero Leite factor, y alcaide mayor en esta for- taleza de Ormuz etc etc certefico que al tiempo que el capitan y governador de la dicha fortaleza Simon de Melo Pereira, tomo posession delia, se alio en los magazenes de provimento y municio- nes las cossas seguientes a saber, cien candis de arros girasol, a guarnel, y 500 fardos de arros girasol en polvo mal acondicio- nados rotos y quiebrados, 50 pipas de viscocho; en un aparta [do] del thezoro de la polvora, una poca, cossa de siete, o ocho pipas de polvora de bombarda, en el mismo thezoro ocho pipas de pol- vora en pipas y quartos, balas de yerro de las pieças de la fortaleza de 30 asta 40 livras 900 balas de yerro de 17; 15 livras y 450 balas de piedras grandes y pequenas 1500; 35 quintales de piorno, los mosquetes y arcabuzes que ha estan desconcertados y quiebrados y todos sin frascos y de modo que no sirven, dos mil cuerdas, 100 quintales de yerro, 30 corjas de cotonias, 300 baldes, salitre asufre hay en quantidad 20 quintales de sofra, una poca de clavacion, 80 quintales de brea ocho ancoras de navios y estas sin unas y quiebradas, de las quales adiciones de provimiento y municiones passe una lista por dos vias al dicho capitan para embiar a Goa, al senor governador a lo qual me refiero haver las sobredichas cossas, en los dichos magazenes poco mas o menos por seren de pezo y medida que no dio el tiempo lugar para se ajustaren. En Ormuz en 22 de Março de 1622. Francisco Montero Leite. La qual certeficacion y firma al pie queda justeficada por el dicho oydor de Ormuz. 56. [94 v.] Copia de otra certeficacion dei escrivano de los magazanes de la polvora que recebio de los galeones Certefico yo Antonio Leite Pereira escrivano de los magazenes en esta fortaleza de Ormuz etc, entregar en ellos el aguacil dei galeon Todos Sanctos 86 barriles de polvora de dos y tres arrobas 344
y 366 cartuxos, y el aguacil del galeon Victoria 38 barriles de pol- vora y 202 cartuxos, y el aguacil del galeon Sant Martin 25 barriles de polvora que u[nos] y otros hazen al todo 164 barriles y 1218 cartuxos llenos de polvora, lo que assi [certe]fico entregaren los dichos aguaciles de los galeones al factor de Su Magestad, Fran- cisco [Monjtero Leite de que passo esta certeficacion por me la pedir el capitan y governador desta fortaleza Simon de Melo Pe- reira. En Ormuz en 22 de Março de 622 anos. Antonio Leite Pereira. Queda tambien justificada y la firma al pie por el dicho oydor de Ormuz. 57 Copia de la certeficacion de Domingos de Freitas escri- vano de la Hazienda y feitoria de la Hazienda de Ormuz Certefico yo Domingo de Freitas, escrivano de la Hazienda y factoria por Su Magestad en [esta] fortaleza de Ormuz que en dos dias dei mes de Mayo de 622 a las onze horas dei d [ia] me embio a llamar el capitan desta fortaleza Simon de Melo Pereira y me dixo que le venieron a dicir que el almirante Luis de Brito Bar- retto estava con las puertas d [el] postigo desta fortaleza abiertas acompanado de algunos soldados con ingleses y con un moro fuera de las puertas contratandose con ellos en la entrega desta fortaleza que le querian hazer y que el no sabia de tajes cossas. Y me requie- rio a mi dicho escrivano fuesse por ariba de la muralla a ver quien estava fuera para dello dar mi fee y luego yo sobredicho escrivano fui a la muralla de la parte dei postigo y vi estar el dicho Luis de Brito Barretto assentado con el almirante ingles y con otros mas y de otro lado un capitan de los moros y quatro soldados portu- gueses lo que certefico passar en la verdad por el juramiento de mi officio. En Ormuz en el mismo dia, mes y era arriva dicho. Domin- gos de Freitas. La qual certeficacion queda justificada por el juez deste Mas- cate. 58. [95] Copia de otra certificacion dei escrivano Domingo de Freitas Certifico yo Domingo de Freitas escrivano de la Hazienda y feitoria por Su Magestad en esta fortaleza de Ormuz que en dos dias dei mes de Mayo desta presente era de 622 estando los moros y ingleses en posession dei baluarte San Tiago y de las cosas en que passava el condestable, estava el capitan desta dicha fortaleza Simon de Melo Pereira junto a una trichera que tenia hecha para deffension de los moros no entraren mas para dentro teniendo puesto 345
en ella un capitan por nombre Pablo Cabrita para en ella estar vigiando con sus soldados, estando yo dicho escrivano junto al dicho capitan vino el dicho Pablo Cabrita y le dixo que no tenia mas que diez soldados que le quisessen acompanar sanos en la dicha trinchera y que los otros no querian accudir por andaren de motines unos con otros haziendo ayuntamientos para effecto que el capitan entregase la fortaleza a los enemigos para que les diessen la vida. De lo que yo sobredicho escrivano dei mi fee ver andar los sol- dados y cazados hombres de mar todos amotinados haziendo ayun- tamientos y no quiereren obedecer al mandato dei dicho capitan ni acudiren a pelear ni al serviço que es necessário para deffension de la dicha fortaleza, para lo que el sobredicho escrivano digo capi- tan le embio por los padres de la Compania con palavras de amor hazer algunas amostaciones. Que accudiessen a lo que eran obliga- dos dei servicio de Dios y de Su Magestad por no podellos llevar por rigor por respeto del peligro que dello podria resultar; y los dichos amotinados embiaron llamar a los padres de la Compania al baluarte Sant Sebastian adonde tenian las mujeres. Juntos solda- dos e hombres de mar cedo los dichos padres fueron con Balthazar Borges y Antonio de Sousa, y ellos le reprezientaron el estado en que estavan; y que dixessen al capitan le diessen remedio a las vidas, a lo que el padre Francisco Sequeira hizo una breve platica, de que no tiro fruto ninguno, mas que dicir uno de los amotinados que atassen a los padres, y los hechassen de la muralla abaxo y otro dixo que los atassen y los dexassen quedar, a que los padres res- pondieron con humildad que fuisse por amor de Dios que ellos lo hazian por servicio suyo, y del rey y bien dellos, y por sus mer- cedes les embiaren a llamar aquel baluarte y esta platica de los sobredichos padres y a los mismos padres y los que fueron en su compania y todo aquel ayuntamiento lo que certefico passar en la verdad por el juramiento de mi officio en el mismo dia mes y era arriva declarado; Domingo de Freitas. La qual certeficacion queda justificada por el juez desta for- taleza de Mascate. 59. [95 v.] Copia de otra certeficacion dei escrivano de la feitoria Domingo de Freitas Certefico yo Domingo de Freitas escrivano de la Hazienda y feitoria en esta fortaleza de Ormuz que en 3 de Mayo de 622 ayuntandosse el pueblo sobre la muralla teniendo todos he[cho] consejo sobre se entregaren a los turcos o ingleses accudio el capi- tan desta fortaleza Simon de Melo Pereira y les dixo por muchas vezes en prezensa de mi dicho escrivano que puesto que le tenian quitado la posession y prezo y estava herido con dos herid[as] en la caveça, sin poder mandar el braço derecho no fuessen trai- 346
dores en entregar la fortfaleza] de Su Magestad. Que muriessen antes en la deffension delia con el porque se le quixiessen seg[uir] algunos que el estava prompto para deffender la dicha fortaleza; y los que respondieron fue solo dezi (sic) que no querian morir, y en este proprio tiempo llevaron ... escola de mano al traves dei baluarte Sant Pedro, y por la bcmbardera metieron los in[gle]ses en la fortaleza a quien dieron posession delia, y por yo a todo estar prezente por me lo pedir el dicho capitan que de todas estas cossas doi mi fee la passe en la verdad por el jura [mento] de mi officio en el mismo dia, mes y era arriva dicho. Domingo de Freitas. La qual certeficacion queda tambien justificada por el juez desta fortaleza de Mascate. 60. Copia de una certeficacion de Gaspar de Amorin Pereira escrivano grande de la Alfandega de Ormuz Gaspar de Amorin Pereira escrivano grande de la Alfandega de Ormuz, certefico que teniendo los ingleses por mar, y el Xaa por tierra cercado la fortaleza de Ormuz, Simon de Melo Pereira capi- tan y governador delia me entrego el reves dei baluarfte] Ren- dimento dandome 20 hombres para esso, de donde me tiro y metio en el baluarte Sant Pedro despues de arruynado y desenparado de quien le tenia a su cargo, y no ha [via] quien lo quixesse acetar. Lo qual acete por me lo pedir el dicho governador por [me] hazer mucho servido a Su Magestad, al qual-baluarte llego el primero de Mayo Lu [is] Britto Barretto estando yo con mis soldados, el qual llegó a la trinchera de saquos que [esta]va hecha en la ruyna, adonde pregunto por los ingleses, llamando dos que vénia [n pas]- sando, a lo que yo accudi, y le dixe que no tenia licencia dei senor capitan y governador para de ally se hablar ni hazer nada, lo que el tomo a mal con malas pala[vras] y se fue. Y por passar en la verdad la passe por el juramiento de mi cargo, es[crita] en 2 de Mayo de 1622 anos. Gaspar de Amorin Pereira. La qual certeficacion queda justificada por el juez de la for- taleza de Mascate. 61. [96] Copia de otra certeficacion de Domingo de Freitas escrivano de la feitoria de Ormuz Certefico yo Domingo de Freitas escrivano de la Hazienda y feitoria por Su Magestad en esta fortaleza de Ormuz que en 2 dias dei mes de Mayo de 1622 de una hora para las dos de la tarde estando el capitan y governador desta fortaleza Simon de Melo Pereira recogido en la casa de los padres de la compania curan- dosse de las heridas que tiene en la cauveça (sic) llegaron los dei motin, todos los cazados, y soldados hombres de mar armados. 347
y entraron en las cazas y le prendieron y llevaron atado a la praya por el postigo fuera para lo entregaren a los ingleses que venian con dos navios para le recivieren por los del motin teneren concer- tado con ellos que se lo entregarian. Y estando en la praya con el esperando que llegassen los ingleses para se lo entregaren vénia Uegando el Can, con suma de ferradas para esta fortaleza; con esta nueva quedaron espantados y el dicho capitan se les salio de entre las manos y se vino recogiendo otra vez para la dicha fortaleza accudir a la trinchera, para que no le entrassen los moros, y veniendo los dei motin en su seguimiento prezente yo escrivano le requierie- ron una y muchas vezes que les resgatassen las vidas con entregar la fortaleza a los ingleses y que no havia de ser otra cossa ni havian de tomar armas para deffender trincheras, de que yo escrivano doy mi fee passar todo en la verdad en mi presencia en el mismo dia mes y era arriva dicho. Domingo de Freitas. La qual certeficacion queda tambien justificada por el dicho juez de Mascate. 62. Copia de una certeficacion dei escrivano Domingo de Freitas Certefico yo Domingo de Freitas escrivano de la Hazienda, y feitoria por Su Magestad en esta fortaleza de Ormuz que en el primer dia dei mes de Mayo anoche enviandome el capitan desta fortaleza Simon de Melo Pereira en compania de otras personas que por noticia que tenia sabia estaren fuera de la muralla algunos hombres de los amotinados de la parte dei postigo adereçando una o dos embarcaciones para hirem (?) para los ingleses, a los quales el dicho capitan tenia mandado tirar una tabla a cada una temiendosse de lo que podria succeder por lo que tenia entendido, mando a min escrivano fuesse fuera para dar fee de las embarca- ciones que se estavan concertando y de las personas que estavan fuera que tenian devassado la muralla. Y endo yo dicho escrivano al postigo para hazer la dicha diligencia fui impedido de los amoti- nados que no havia de salir fuera y al otro dia la fui hazer y alie un terranquim que tenia puesta una tabla y bien adereçado y una manchua de que yo escrivano doi mi fee por el juramiento de mi officio. En Ormuz 2 de Mayo de 622 anos. Domingo de Freitas. Queda justificada esta certeficacion por el juez de Mascate. 63. [96 v.] Copia dei acto que se hizo de los amotinados y alevantamientos que hizieron contra el capitan Simon de Melo Pereira Ano dei nacimiento de Nuestro Senor Jesu Christo de 1622 en el primer de Mayo a las (?) horas dei dia estando el dicho escri- vano digo capitan assentado en una trinchera que par [te] con el 348
baluarte Sant Tiago ado (sic) los turcos y piratas ingleses estan de posession vino [mujcha gente soldados y casados moradores que fue- ron en esta tierra llegando a su capitan armados y ajuramentados to- dos en la iglesia mayor desta fortaleza en presencia de mi escrivano dixera Simon Freire de Andrade soldado que al parecer sera de 28 anos y Vasco Pereira soldado que su merced les diesse remedio para todos los que estavan en esta fortaleza porque ellos hablavan en nombre de todo el pueblo que con ellos ha [via] cazados, solda- dos, hombres de mar y mujeres por que no se perdiessen tantas almas h[avi]endo jurado de prender al dicho capitan quando no viniesse a sus intentos que [hera] entregar la fortaleza a los ingle- ses piratas porque le darian las vidas, lo que los turcos [no] harian antes les pondrian a yerro a todos. A lo que el dicho capitan res- pondio que se fu[era] en hora buena que la fortaleza estava con dos trincheras y con gente que [las] podria deffender, esperandosse por momentos armada que el senor governador te[nia] apprestada con capitan mayor, nombrado Costantino de Sáa de Noronha y alistfado] mucha gente en 14 de Março como lo tenia por cartas y se recogiessen que no eran [vasa] lios de Su Magestad sino ene- migos suyos pues querian entregar la fortaleza con [mo]tines y alevantamientos siendo soldados pagados y sustentados por Su Magestad. Y en esto llegara el veador de Hazienda, y viendo el motin y alevantamiento ... ra al dicho capitan y governador, me- tiendosse en medio entre ellos todos dizie[ndo] en vozes altas: Senores contra vuestro capitan — estando, los turcos y piratas ... dei baluarte San Tiago junto adonde esta el dicho capitan todos con armas offensivas (?) y deffensivas (?) agarrando del y de sus armas hechandoles y trayendo[le] para baxo en el mejor modo que fue possible por estaren todos obstinados y desço [mpues] tos con palavras y con demonstracion de le querieren atar. Y metiendo el [di- cho] capitan mano a su espada enderechara (?) con algunos y ansy los fuera llevando el dicho veedor de Hazienda para baxo, accu- diendo el padre Francisco de Siqu[era[ y el padre Juan Fróis de la Compaiiia de Jesus viendo el motin y allevantamiento deciendoles que se recojessen que cada hora que podria entrar nuestra arma [da] que se esperava, lo que hizieron yendo hechando palavras con demasia [97] descompuestos y que no havian de accudir al rebate quando el dicho capitan mandasse tocar la campana, y serian la mayor parte de los que havia en la fortaleza y no satisfechos bol- vieran de ahi a un quarto de hora poco mas o menos el dicho Simon Freire de Andrade, y Manoel de Brito, y un hijo dei herrero desta fortaleza Bartolome Juan y otros muchos casados y soldados con el mismo requerimiento, tan descompuestos como lo havian hecho la primera vez y el dicho veedor- de Hazienda se bolvio a meter de pormedio por estar presente estranandosele y llevandoles en el mejor modo que pudo y manifestandole el gran peligro en que ponian la dicha fortaleza por estar en el estado de que hago men- 349
cion. Y por ansi passar en la verdad hize este termino adonde me firme para por el se perguntaren los testigos que cl dicho capitan y governador prezentar. En el mismo dia mes y era Domingo de Freitas escrivano de la Hazienda y feitoria le hize. Domingo de Freitas. Lo qual acto queda justificado por el juez desta fortaleza de Mascate ser la letra y firma dei dicho Domingo de Freitas escrivano de la Hazienda, y feitoria de Ormuz. 64. [100] Senor Ontem chegou a esta corte, hum homen despachado da forta- leza de Mascate por terra, com cartas de Simão de Mello Pereira, que da índia havia hido a Ormus, por capitão mor dos navios do socorro, que mandou o governador Fernão de Albuquerque, e que por fallecimento de Dom Francisco de Souza, succedeo na capi- tania daquella fortaleza, de 10 de Junho deste anno, e de Manoel Borges de Souza vedor da Fazenda delia de 15 do mesmo mes, nas quaes avisa, que o forte, e Ilha de Queixome, e a cidade e fortaleza de Ormuz, forão tomadas polios persas, e ingrezes, e o que em sus- tancia contem as suas cartas, he o seguinte; Que havendo Rui Freire de Andrade, em Mayo de 621 lan- çado de Queixome aos persas, que occupavão aquella ilha; e prin- cipiado o forte que se lhe mandou fazer nella, tornarão os persas sobre elle em Setembro seguinte, com grande poder, e tendo-o de cerco, ate entrada de Fevereiro deste anno se confederarão com os ingrezes de nove naos, entre grandes e pequenas, que naquelle tempo chegarão a Jasques, a tomar a seda, e na entrada de Feve- reiro surgirão sobre o forte de Queixome, estando cinco galleões da armada de Rui Freire, surtos, sobre Ormuz, e o baterão de ma- neira por mar, e por terra, que por estar arruinado por hum lanço fundado sobre area, e se não poder deffender, forão os capitães, e soldados de comun parecer, que se entregasse aos ingrezes, para o que se diz que opprimirão ao capitão mor Rui Freire ao qual, e a alguns capitães das estancias que estavão no forte, levarão a Sur- rate, em três das naos, dizendo que lá os lançarião em terra, e que a soldadesca se fosse para Soar, ou Mascate. E em 20 de Fevereiro as seis naos ingrezas, que havião ficado, e estavão entre a Terra do Comorão e a Ilha de Queixome, com mais de cento e sessenta ferradas, e quatro navios, em que se affir- ma. virião de oito, ate nove mil mouros, lançarão gente na Ilha de Ormuz, e se apoderarão da povoação, recolhendosse a gente a for- taleza, que tiverão cercada de 20 de Fevereiro ate 3 de Mayo. E havendo elles queimado, hum dos galleões [100 v.] e batido os outros de maneira que por se entender não estfavão] para servir, se lhes tirou a artelharia, e se alagarão, am[otinan]dosse os sol- 350
dados, sem obedecerem ao capitão que prenderá [o e en]tregarão a fortaleza aos enemigos, fazendo se o concert [o] os amoti- nados com os ingreses, que se obrigarão a lhes dar [licença] em que se fossem para Mascate, como fizerão; e Simão Mello escreve que permitio Deos, que a cabo de trinta e [cinco] anos, em que tem servi- do a Vossa Magestade sempre com bons [sucessos] deixasse o cargo de capitão mor do Malavar, para que ... elleito e se fosse a Ormuz, com onze navios de socorro [a tempo] que achou o capitão D. Fran- cisco de Souza, em [estado] que falleceo em breves dias, e elle Simão de Mello [lhe] soccedeo na fortaleza, em 27 de Janeiro deste ano, ... que para isso havia do governador da India, e a 30 [chega]rão a Jasques as sete naos, e dous pataxos ingreses, ... a gente com que se achou na fortaleza, se pode ver polios [papeis] que envia e vão com esta consulta e o que fez com [prover] Rui Freire, emquanto se não entregou, deve elle es... e o mesmo deve fazer, sobre não se meter na sua [armada] pois nisso esteve a perdição de Ormuz, e na fraquesa [do] almirante Luis de Brito Barretto, que nos conselhou a polvora e gente por não pelejar. E o mais se sabera [dos] ascentos e certidões, da entrega da polvora que tinha[m e] pedião os da armada, e da gente de mar que se pagou [ficando] mais de cinquenta por pagar, e ascy a pouca polvora [que de]vião ter, e que se os galleões, se puzerão entre Or[muz e] Comorão, com doze ou treze navios de remo, que ha...is, puderão impedir a passagem aos enemigos, se [os capi]tães dos navios seguirão a Dom Gonçalo da Silv[eira e] cumprirão todos com o que devião ao serviço de [Sua Magestade] mas que tudo foy pelo contrario, e ascy a 21 [de Fevereiro] lançarão em terra cinco, ou seis mil homens [da gente] mais luzida que o Xa tinha, sem haver quem [o po] desce impedir, por ser muy pouca a gente da forta[leza] e trezentos, e oitenta soldados, pouco mais ou me[nos que] havião vindo de Queixome, virem desarmados, [por lhe 1 tomarem os ingre- zes os mosquetes, e com os an[imos] quebrados [101 ] pollo sucesco, que tiverão, e quando muito puderão sustentar o bazar, que estava entraiqueirado duas horas, no cabo das quaes, o desampararão, recolhendo se ao terreiro, que também largarão logo. E se recolheo o almirante Luis de Britto ao mar com toda a soldadesca, ficando se em terra alguns soldados, que elle Simão de Mello, mandou metter nas casas do vedor da Fazenda, e na alfan- dega, que tinha muita fazenda, por ver se a podia sustentar, e somente durou aquella noite, e no dia seguinte melhorando se os enemigos a ganharão, e ascy se forão recolhendo a fortaleza ficando no ter- reiro a gente inútil, com tranqueiras de pipas, e fardos, para sua deffensão, o que não foy de mais effeito, que meter tempo em meyo, para que aquella gente se passasce a sitio menos perigoso, porque como os soldados virão, que os persas hião entrando o terreiro, os mais delles se recolherão aos galleões, e a armada de remo e so dezoito ficarão na fortaleza, não sendo a culpa tanto sua como dos 351
capitães, e fidalgos, que tão pouco fizerão por servir a Vossa Ma- gestade. Que não deixou de entender a grande falta da fortaleza, em ter a cava seca do baluarte Sanctiago; porem que não lhe pode ser bom, porque no breve tempo que teve, não ouve lugar de mais que meter arros na fortaleza de que estava tão falta como se vera da certidão do feitor, e alguns (sic) taboas, e outra madeira, porque nem para isto achava gente, se em pessoa a não andava acarretando porquanto os casados e mercadores, trattavão só de meter o seu provimento, sabendo a falta delle que havia na fortaleza, quanto mais que ainda que elle quizesse desentupir a cava não tivera tempo para isso, por ter huma parede por debaixo da area muy forte, e nos almazens, se não achar huma enxada, pá, nem cesto como se vera da certidão do feitor, nem haver pessoa alguma que visse a cava aberta, e para contraminar a primeira mina, começou com huma enxada que só havia na fortalesa, com que se enterravão os mortos, e por cestos, os baldes dos navios, que achou no almazem e asy recolhido na fortaleza, averigou, que nella não havia mais que sette pipas de polvora, e em hum tanque oito mais, demolhada [101 v.] que não podia servir sem se trabalhar nella; que a artelhar[ial estava em taes reparos, que nenhuma peça aguardou mais que [o] primeiro tiro, como se pode ver da certidão do capitão delia, ...ado para re- paros, e rodas haveria para seis ou sette; hu[m] condestable de sessenta anos de idade, e nenhum bombar[deiro] e de mantimento arros seco, com hum pouco de peixe salgado, [nem] manteiga, carne, nem legume algum, só cinquenta pipas [com] biscouto, que elle Simão de Mello trouxera de Goa que f [içava] servindo para os doentes. E achando se a fortalesa nes[te es]tado, se quis o almi- rante Luís de Brito, acolher para ... con três galleões em que levava toda a soldadesca, e parte [dos caza] dos, o que vendo o povo, requererão que o não deixa[sse] por que se perdia a fortalesa. E elle lho mandou protestar fpello] vedor da Fazenda e fe'tor, e não obedecendo, se abririam as] vias da successão de Rui Freire, visto como estava catti[vol [nas] quaes era nomeado elle Simão de Mello, que logo m[andou] recolher os galleões junto a fortaleza, e despois se tfiraram] os ascentos que envia, porque se resolveo que os galleões [se] encalhassem em terra, e se lhes tirasce a artelharia. E ulti[ma]mente que se lhes desce fundo. Que os persas que a este tempo passavão de des mil, afora a gente da f fortaleza 1 do mar, e de serviço que hera muita mais como vierão [minan]do a fortaleza por debaixo do chão e a arte- /haria lhe [não podia] fazer dano, puzerão mantas no muro, a que acudio com os remedios possíveis, mas nenhum foy bastante para [deixairem de minar o baluarte Sanctiago, que elle dezentupiu de dentro, e foy picando, no mesmo muro, o que seTntindo] os enemigos, meterão polvora, e lhe derão fogo, e vfoando] hum lanço 352
combaterão o baluarte desde polia menhã [ate as] nove horas da noite sem descansar, chegando a estado [de]rão ganhado, a guarita do baluarte, de modo que foy [acudir] a elle Simão de Mello, hir deita los fora, com bem [pouco] credito de toda a gente que estava com elle; que da [parte] da fortaleza, morrerão naquelle dia de vinte ate vinte cinco soldados os melhores, e feridos outros tantos tendo os enemigos confessado por elles passarão de qui[nhentos] mortos, e setecentos queimados, e feridos, e alg... Que [102] o baluarte fortificou logo, com sacos de area, e se foy reparando, para outras minas, mandando fazer alguns assaltos por divertir os inimigos, dos quaes, em hum só se levou a milhor e por ter pouca gente não consentio que sahissem mais fora, tendo dentro bem a que accudir, por ser só, e não ter pessoa alguma que por vontade quizesse servir a Vossa Magestade, salvo João de Mello da Silva, Dom Gonçalo da Silveira, e Nuno Fer- nandes; e hindo continuando, deu com huma mina já dentro da fortaleza, junto da sistema na qual se pelejou bem de parte a parte, e forão lançados fora os enemigos, e passados quatro a cinco dias derão fogo a outra, que também estava contraminada, com que voarão o muro, e sobre o entulho se ficou fazendo forte, com sacos de area e dahi a oitto dias, quizerão voar o proprio entulho; que em huma caixa delle se contraminou e dando lhe fogo foy de pouco effeito, e mesmo soccedeo em hum pedaço de reves que ficou na cava, em que fez huma tranqueira a que também derão fogo: e por fim de tudo subirão por escadas, a hum pedaço de muro do baluarte que ficou da parte do mar, com hum buraco que se não via da fortaleza e por elle forão minando, ó muro mais de trinta palmos de alto, sem lhe poder estorvar, com outra cousa que com huma peça do baluarte São Pedro, que não foy bastante para der- ribar o muro, e no mesmo tempo lhe minarão este baluarte, pas- sando alguns mouros polia cava sem lho poder estorvar de cima, por ser o muro feito de modo, que de cima se não via o pé delle nem dahi a quatro braças. E em cinco dias, desentulhou o baluarte, em que os enemigos começarão a trabalhar, e lhe hião picando o muro, o que vendo elles lhe derão o fogo, e levarão hum lanço do baluarte, dando o também a mina que tinhão feito no baluarte Sanctiago em que elle havia posto por capitão a Balthazar de Chaves cavaleiro de mas confiança que naquella occasião tinha e em outra tranqueira Dom Gonçalo da Silveira ... E nas cazas de polvora que no baluarte estavão entulhadas e descubertas, de modo que a artilheria lhe não fazia dano. a Francisco Munis da Silva, capitão de hum galleão, e dando fogo a mina [102 v.] arremeterão os mouros com tanto impeto que não bastou accufdir] na deffensão do baluarte Balthazar de Chaves para que d[eixas]- sem de ganhar as tranqueiras, não chegando os soldados q[ue as] podião deffender, a quarenta. Que nesta occasião accudfio] Simão de Mello, e logo lhe 353 23
derão duas feridas na cabeçfa pe]rigosas, mas não forão bastan- tes para deixarem de lhes [ganhar] a metade das casas entulha- das, e assy ficarão huns, e outros nellas, por espaço de quatro dias, senhoreando os enemigos [atra]ves do balluarte, pollo qual forão mettendo minas p[ondo] duas ao baluarte Cavaleiro, e com huma sahirão na [sistema] e não podendo os soldados susten- tar hum combate que lhe [faziam] nas casas, as largarão, e se recolherão em huma tranqueira [de] sacos, que estava abaixo delias, tendo ja encravada toda [a] artelharia do baluarte, e pano do muro, que corria até o ...ro, e na força deste combatte, lhe largou Martin Afonso [de Sousa] o baluarte São Pedro de que hera capitão, e se foy meter [no] navio que estava para partir, da molher de Dom Francisco de Souza, em que também hia seu filho Dom Manoel de Souza com huma provisão do governador da índia para levar [a] may, dando lhe so licença para dous criados. E o navio [o] acolheo com muita mais gente, tendo lhe noteficado que não o fizesse e se forão nelle o prior de Nossa Senhora de [Gra- ça] sendo do Conselho, o vigário, e os mais clérigos, e os [ca]rme- litas descalços, que prouvera a Deos que nenhuns deifies] acha- rão naquella fortaleza, nem em outra alguma que tenha cerco, porque não servem de mais que de quebrar o an [imo dos] sol- dados sem haver remedio para se lhe impedir, e q[ue] dous rele- giosos da Companhia que havião hido ao ... para a guerra, por guardarem bem seus preceitos, não [sen]do em mais que em animar os soldados, e na occasião desatino fizerão, o que se vera da certidão que envia. Que os fidalgos em geral fizerão no cerco, se poderá Vossa Magestade [to] mar por devassa tirada polios inquisidores e pol- ias certi[dões que] envia, vera Vossa Magestade o levanta- mento que hcuve contra elle, po[r entre] garem a fortaleza aos ingrezes, estando em estado [que não] podia levantar a cabeça, nem menear o braço dereito aco[lheo] se lhe o almirante, para os ingrezes, com que se tinha concer[tado] [103] e outro fi- dalgo por nome Antonio Borges, com o que o povo fez entrega da fortaleza aos ingrezes, em 3 de Mayo, metendo os pellas partes do muro que estavão cahidas, com lhes prometerem as vidas e embarcações que os lançassem em terra de christãos, como fizerão e que buscando elle Simão de Mello, sempre a morte diante de todos os perigos, foy tão mal afortunado, que a não achou para morrer com honra e não viver sem ella. Que se do que escreve a Vossa Magestade, certidões e assentos que envia, se achar alguma cousa em contrario lhe mande Vossa Magestade cortar a cabeça por traidor: e quando de sua parte não faltou justificada esta verdade, ainda se sente em disposição para sacri- ficar a vida pello serviço de Vossa Magestade. De Ruy Freire de Andrade se não receberão cartas, posto que Simão de Mello se remette a ellas, falando, por termos de que se 354
pode inferir que estava ja, em Mascatte, como o affirma o homem que trouxe estas cartas, e a do vedor da Fazenda vay aqui, para que se Vossa Magestade for servido de se inteirar mais largamente do que contem se possa fazer. Virão se todos estes papeis em Conselho, com muito grande sentimento, da perda de huma praça tão importante como Ormuz, que ha mais de cem anos que foy ganhada e se sustentou polios portuguezes, com tanta gloria e reputação das armas dos reys predecessores de Vossa Magestade, como agora sera de descré- dito, haver se perdido em conjunção quem (?) se podia enten- der que estava mais deffensavel, assy polo continuo cuidado, e instancia com que de cá se procurava que a fortaleza estivesse provida de tudo o que cumprisse para sua segurança, e estorvo dos desenhos do Xá, como por se achar naquelle estreito Ruy Freire de Andrade, com armada de cinco navios de alto bordo, e alguns de remo, que tanta fazenda tinha custado a ajuntar, e conservar, os quaes se se ouverão opposto, a passagem dos ene- migos, antes que tomassem terra, (como Simão de Melo o ap- ponta) se pode ter por certo, que ou lho estorvarão de todo, ou lhe forão de tanto embaraço, que não tivessem lugar de desem- barcar, gente de consideração para o intento que trazião. E posto que a cubiça grandes vexações, e pouca disciplina militar dos capitães de Ormuz continuada de huns em [103 v.] outros, e o descuido dos viso reys da índia, ha muitos anos que vão perdendo aquella praça, e que o Conselho o en- ten [deo] e reprezentou assy a el rey nosso senhor, que Deos tem e a ... em differentes occasiões, agora que o golpe se veo a executar, [não] bastarem todas as diligências que se fizerão, para que se lhe [bus]casse com tempo o remedio, não dçixou de causar por isso dor e desgosto, antes se acrescenta muito com a consideração [e] temor, de que não parem nesta perda os in- fortúnios da I[ndia] quando carregão sobre ella tantos, e tão poderosos enemigos e se sabe que Malaca não estava em menor risco, por cau[sa de] muitas naos que os olandeses tinhão no Sul, e da liga [que] trattavão com el rey de Achen, de que já se deu conta o Vossa Magestade e se perdido Ormuz, se per- desse também Malaca (o que [Deos] não permita) não ficaria na India, em que por os olhos e terião os enemigos desta mo- narchia, pouco mais do que [fa]zer para lançar de todo daquel- las partes os vassalos de Vossa Magestade accabando se em breve tempo hum império tão dilatado por cuja conquista he o nome português tão celebrado, e a[rrancan]do se muitas rai- zes que naquelle Oriente tem lançado [a] santa fee catholica, que foy o principal intento que mo [veo os] reys predecessores de Vossa Magestade a prosseguir a conquista da I[ndia] o que tudo he de tanto pezo, e importância que deve obfrigar] a Vossa Magestade a mandar trattar desta materia como a mayor, e [mais] 355
grave que se tem offerecido, no tempo do felice reinado [de] Vossa Magestade, e que toca muito mais a sua real pessoa, e a conser[vação] desta monarchia, que todas as outras estranhas, em que [se] emprega e consume a mayor parte do cabedal del [la] advertindo que a Coroa de Portugal, com a união a de [Cas]- tella adquirio novos, e muito mayores enemigos, dos [que] an- tes tinha, quaes são os olandeses, ingrezes, e [dinamar]queses, que todos infestão a India, com grossas armadas [que os] tern feito senhores do mar, e do comercio, em que som [ente] consis- tia o rendimento, e sustancia daquelle Estado, e [com] outra guerra o accabarão de consumir brevemente, por este Estado, e os mais da Coroa de Portugal não terem força para lhes resis- tir, se a de Castela por cuja causa padeceu dano, não concorrer em ajudar, poderosamente: [104] ainda fazendo o por mais que se despenda e se trabalhe, se não poderá conseguir algum bom effeitto, se na índia se ouver de contender (como agora se faz) com todas as nações de Europa, e sem duvida se experimen- tara na recuperação de Ormuz, se os ingrezes levarem adiante o quererem deffender aquella praça, ou ajudar aos persas para que o fação. Polio que entende o Conselho que o ponto mais essencial, e em que primeiro se ha de por a mão, deve ser mandar Vossa Magestade que por donde toca se tratte de desunir aos ingrezes dos persas, em tal forma, que elles deixem totalmente, a navega- ção da India, e a comunicação e comercio da Persia e do Estreito de Ormuz, sem por alguma via entrarem nelle, nem favorecerem o Xá; e que juntamente se veja a satisfação e emenda que se ha de pedir a el rey de Inglaterra do dano recebido, em Queixome, e Ormuz, de seus vassallos, tanto contra o capitulado nas pazes, e contra a amizade e boa correspondência que professa com Vossa Magestade e a mayor liança, que se affirma, que pretende, em que o Conselho não dá seu parecer em particular, por ser mat- teria que lhe não pertence. E trattando do que por esta via se pode, e deve prover, para remedio de huma tão grande perda, tendo consideração ao muito que importa a brevidade, não só para procurar a recuperação de Ormuz, mas para reparar o mais que fica de maneira que se não acabe de perder; e vistos os termos, do aperto e impossibili- dade em que se acha a Fazenda de Vossa Magestade da Coroa de Portugal, com prossuposto, que delia se ha de tirar tudo aquillo que for possível, e mandar Vossa Magestade que da de Castella seja ajudada, com o que lhe faltar, para que quanto mais depressa ouver lugar se acuda a ruina, que todo aquelle Estado ameaça he de parecer o Conselho que deve Vossa Ma- gestade mandar remeter logo estas cartas aos governadores, or- denando lhes que com comunicação do Conselho de Estado, chamem o prezidente e officiais da Camara de Lisboa, e repre- 356
zentando lhes o sentimento que Vossa Magestade tem da perda de Ormuz, e o que deseja enviar tal socorro a Índia, com que se possa cobrar e accudir a outros lugares que os enemigos apetecem e as razões que ha para ser este negocio comun de todo o reino, e o de mayor importância que elle nunca teve, lhe proponhão, que trattem com os lugares do primeiro [104 v.] Banco de Cortes de se fazer huma contribuição por todos os do re[inoJ para remedio desta necessidade, como já se fizerão outr[os em] occasiões menos precisas, executando o, com a presteza que o [caso] pede para que seja de effeito. E que também se tratte de pedir ... ajuda aos prelados, e pessoas eclesiásticas e se buquem (sic) t[odos] os outros meos lícitos que se offerecerem de ajuntar dinheiro, ... a respeito do que parecer, que poderá haver, vejão os governadores o socorro, que neste ano se enviara ao viso rey da India [para] a empresa de Ormuz, e as mais em que he necessário prover [la] assy de dinheiro,como de gente, e navios, em que forma se [assen]- tara a gente que seja útil, e de serviço, e se deve hir nas naos da [ ] acrescentando mais alguma, das que está ordenado que se ap[resten] ou em outros navios a parte; quantos, e quaes devem ser, e qu[ais] serão a proposito dos da armada da costa para a jornada egu[...] dando conta de tudo o que se offerecer a Vossa Magestade; e se o comecem a por em exe- cução, para que se ganhe o tempo que he j [a] breve. E se a Vossa Magestade parecer alterar, ou acreácentar alg[uns] haja lugar de o mandar, e porque posto que se faça m[ui] grande esforço, e os meos apontados da contribuição do [dinheiro] e ajuda dos prelados, dem de sy quantidade de dinhe[iro] he ne- cessária tão grande para este soccorro, que não se pode ... aver bastante sem ajuda da Coroa de Castella, que como fi[cou] apontado, em nenhuma outra facção mais própria e em q[ue] mais lhe vá o poderá empregar. E sendo huma das prin[cipais] par- tes do soccorro que se ha de enviar, artilheria de brofnze] esta a Coroa de Portugal tão falta delia, que quasi toda a q[ue ha] na armada he de ferro, lembra o Conselho que he forfçoso] e pre- cisamente necessário, mandar ajudar esta empreza [por] conta da Coroa de Castella, com dinheiro, e artilheria, [determi]nando que nos assentos que se fazem para os soccoros d[e Flan]des, e Alemanha, ou em outros quaesquer, se metão mais [...]zentos mil cruzados, para este socorro da India e se prov[ejam] logo e se dê toda a artilheria de bronze que faltar, por[que] de outro modo, sem esta ajuda, sera debalde e infrutuosa [em]preza, que fizer a Coroa de Portugal, e se accabara a índia ... perdera de rematte. E havendo respeito a que aquelle Estado está muy falto [105] de fidalgos, e capitães de importância para a governar e deffender, como se mostra da relação desta perda de Ormuz, 357
donde se não achou outro fidalgo, conhecido, mais que Dom Gon- çalo da Silveira. E o que sobretudo ha mister he enviarem se lhe pessoas de porte e confiança praticas na milícia, que saibão pelejar com as nações com que se contende e ensinem e ades- trem aos soldados que ha naquellas partes, que por falta de dici- plina, tem sempre muy desigual partido. Parece ao Conselho que demais de ordenar aos governadores, que trattem dos fidalgos, e soldados de experiência, que poderão hir com este socorro, deve Vossa Magestade mandar que os portugueses que andão servindo em Frandes e podem ser a proposito para o intento que se leva, pollo conhecimento que se tem delles pois ha tempo para isso, sejão chamados e se acomodem de maneira, que se em- barquem, e havendo no reino alguns outros que hajão servido em Frandes práticos da milícia, e convenientes para o que se pro- cura se tratte também delles, dando aos governadores muy larga mão e comissão, para apprestarem o soccorro, e ajuntarem dinheiro delle com prosupposto de que se ha de encaminhar de maneira, e com tal cuidado que esteja a ponto de partir por fim de Feve- reiro em todo o caso. E não trata o Conselho por agora das diligências que se devem fazer, para averiguar como procederão Rui Freire, e Simão de Melo Pereira, e castigar os culpados no motim, e entregua da fortaleza de Ormuz, porque fica tempo para prover em tudo como ouver mais certas noticias do que ali passou. Mendo da Mota acrescenta que pollo modo com que se perdeo Ormuz, e polios próprios papeis que manda Simão de Melo (de que Vossa Magestade deve ser servido se lhe envie huma copia, traduzida em castelhano) entendera Vossa Mages- tade que se não perdeo, pollo poder, e forças dos enemigos, senão polia grande confuzão ignorância e medo dos que a tinhão a seu cargo que tudo se pode e deve atribuir a peccados, com que se tem corrompido a honra e disciplina militar da gente daquelle Estado, e que ouve homens despachados com Ormuz, e outros de muita qualidade que se ficarão em Goa e não quizerão hir ao soccorro sendo requeridos para isso pollo governador da índia, como elle mesmo avisa em suas cartas. E que agora se entendera como foy fattal [105 v.] para aquelle Estado a arribada de Dom Afonso de Noronha com to [da a] sua armada, de naos, e galleões, pois se passara à India com [todo o] poder que levava, chegara em tempo, que pudera lar- gamente soccorrer aquella praça, porque estando Vossa Mages- tade em Portugal se teve noticia, das muita naos que partião de Inglaterra para lhes fazer opposição, mandou Sua Magestade que haja [gloria] que se aprestassem doze galleões de soccorro dos quaes se começou a trattar logo e com grandes contradições, se red[usi]rão a seis, com soccorro de gente e dinheiro, e destes partirão ... com quatro naos, que arribarão com Dom Afonso, 358
fazendo ... na India a falta que com este sucesso se tem experi- mentado. E que segundo o grande poder destes enemigos, e a muita corrupção da gente daquelle Estado lhe parecem nescessarias duas cousas, para se não acabar de perder o que resta; ... mandar lhe Vossa Magestade logo alguns homens de valor, tementes ... e esforçados, e a segunda, ordenar aos governadores tra [tarem j com todo o cuidado, com a cidade de Lisboa, e com as L°ut['as] do reino, o modo com que se poderá formar huma comp[anhiaJ perpetua para se conservar, e sustentar o comercio da I India J dando lhe Vossa Magestade toda a ajuda possível, e todos os favo[res que] forem necessários, entrando nella os fidalgos, e gente e ainda os eclesiásticos, porque entende que só por es [se] modo se poderia fazer oposição aos enemigos, para [que] se nao accabe aquelle Estado de perder de todo; e diz [mais] o que agora tem por conveniente, he trattar se de forti[ficar] a Mascatte, pondo nella capitão e gente de respeito [e] vergonha e procurando com todo o cuidado a fortifi[cação] e deffensão de Malaca que está em tanto e mayor risco de [se] perder, do que estava Ormuz, com o grande poder do Ach[em] e liga, que tem feito com os olandezes contra aqu[ella] cidade, e que nesta conformidade se deve despachar ... por terra, e por mar ao viso rey da índia nao emp[enhado] por hora em recobrar a Ormuz, salvo se Deos off[erecer] alguma occasião milagrosa, porque mal o poderão refcuperar] os que o não souberão deffepder, estando em poder de [um] rey tão poderoso, com huma fortaleza chea de muita e boa artelharia, como he a que estava nella,e nos galleões [106] e que se deve por todo o cuidado, em se não acabar de per- der o que ficou, conservando ali a Mascatte, e Malaca no Sul. Dom Francisco de Bragança e o Duque de Villa Hermosa presidente, se conformão com Mendo da Motta emquanto a se haver de trattar de formar companhia em Portugal, para continua- ção do comercio da India, e parece lhes que importa muito que com toda a brevidade, se accuda a recuperar Ormuz, antes que o_ ene- migo se fortifique e lance mais raizes, se ouver boa occasião de o poder fazer, e a soccorrer a Mascatte, adonde se recolherão as relíquias de Ormuz, que he a fortaleza que agora fica no Estreito da Pérsia, de mais importância, e de que com razão se deve temer, que os enemigos seguindo sua vitoria, intentem aP°" derar se, e mais nescessaria para trattar da recuperação de Or- muz, fazendo ali praça de armas, e de donde havendo armada bastante, se poderá estorvar o passo dos que entrarem e sahirem no estreito, a contrattar em Ormuz, emquanto esta em poder de enemigos, e que para todos estes effeitos, convém que^ se en- viem navios de armadas, com soccorro em dereitura a Mascatte. Para que se ajuntem com o que julgão, havera enviado de Mo- çambique, o Conde da Vidigueira, se ali tivesse já o aviso da 359
perda de Ormuz ou de Goa tanto que chegasse, porque sendo uma das couzas que Vossa Magestade mais lhe mandou encar- regar, o soccorrer Ormuz, e levando elle gente e dinheiro para o fazer, he certo que o havera executado. E ajuntando se o soccorro, que ouver enviado, ao que de ca for agora com os dous galleões, e hum pataxo, que partirão em companhia do conde dereitos a Ormuz, poderão intentar a for- taleza, se os ingrezes ouverem dado volta com a carga da seda, como se presume, antes que de todo os enemigos a fortifiquem, e se comece e entabolar o comercio; e parece lhes que convirá mais ordena lo assy, que enviar o soccorro dereito a índia, porque em chegando a Goa se custumão a desfazer, e por o muito que importa accudir a Ormuz, sem andar por rodeos, alem do que na India, com os galleões que se perderão em Ormuz, e com o que o viso rey deve haver enviado de soccorro, he de crer que não ficarião outros bastantes para soccorrer de novo a Ormuz, nem havera tempo para os fabricar, pollo muito que se gasta em o fazer, e assy sera mais seguro, e breve enviar de Lisboa, alguns galleões de soccorro dereitos a Mascatte levando ordem para que conforme ao estado em que acharem os cousas, se detenhão no estreito, ou pascem a Goa, alem do que considerão, que hindo o soccorro em huma, ou mais naos sera infrutuoso o grande gasto que com ellas se fizer, por não haver na índia carga com que possão tornar, o que se vio bem nas deste ano, e do passado, que vierão muy pobres, e para ficarem lá servindo [106 v.] de armada, não são a proposito, por grandes, e pezadas. E porque nos galleões for gente bisonha, como de ordinário se embarca nas naos da índia, seria grande erro, manda los a pelejar, com h... certa de se haverem de perder, parece lhes que o que sobretudo se [ha de] procurar he que levem capitães, e gente prattica, e exercitada ... que o Conselho o propoem, assy de Frandes como das fronteiras de A[lemanha] e da que tem ser- vido nas armadas porque de outro modo, ([julgo] que convém hir o soccorro dereito a Mascate) entendem que se [levarem] gente bisonha sera mais acertado hir a Goa, para que o C[on- selho] o reforme de alguns soldados práticos, e dê as ordens do que se [ha de] fazer; e que nestes galleões deve hir dinheiro para os gastos [da] armada, por ser cousa provável, que em Mas- cate não havera [ren]dimento algum, e nas naos, se envie tam- bém soccorro de di[nheiro] e soldados e fidalgos de confiança, e valor conhecido, de que [a índia] está tão falta. E para ajuntar o dinheiro a tempo que o soccorro possa partir, dentro desta monção se advirta aos governadores [que] se valhão de emprés- timos por todas as vias, para se satis [fazer] do procedido dos effeitos da contribuição do reino, e da aj[uda] dos prelados, e dos mais que se descubrirem, em que havera [majyor dilação do que sofre este negocio, e a brevidade do tempo. 360
E posto que tem por muy nescessario procurar se que os ingreses desistão de todo da navegação e comercio da índia, ... parecer, que não se podendo conseguir, se procure polo ... que se desunão dos persas, e deixem de os ajudar, n[a defen]são, e conservação daquella praça, porque enquanto se der [em] a mão, huns aos outros, tem por impossível recupera la. Em Madrid a 27 de Dezembro de 1622. Dom Antonio Pereira se conforma em tudo com o Conselho e mais que vista a brevidade do tempo, que ha daqui a Março a monção em que deve partir o soccorro, que por hora só [com] a artilheria, se deve soccorrer, aggregando as três naos [que se] apprestão, dous galleões, e dous pataxos, com a gente ... nada tão larga sofre, por se não arriscar toda as enf [ermidades] que de ordinário padecem, e que para Setembro deve [Vossa Ma- gestade] mandar aprestar o de mayor consideração, com[uni- cando ao] viso rey do que se fica trattando, para conforme ao [estado[ em que estiverem as cousas daquellas partes, com ... viso rey fazerem de Moçambique, derrota, ou ... e [107] Mas- catte, ou para Malaca. E que se os ingrezes desistirem da amizade do Xá que sera cousa fácil recuperar se a ilha, e fortaleza de Ormuz por ser toda de sal, e não ter agoa, de que bebão, deffendendo lhe o mar, fazendo se senhor delle para que lhe não levem; e que a for- taleza de Mascate he nescessario accudir fortificando a, e por no Estado da índia, não haver engenheiros que saibão de forti- ficações convirá mandar Vossa Magestade que se busquem, e que com effeito vão, porque tem por cousa muy nescessaria a que nas fortalezas, que os enimigos apetecem os haja para sua def- fensão. Rubricas dos membros do Conselho [107 v.] 15 de Junio deste ano se ha entendido que en- trando en aquel estrecho nueve naos de inglezes se juntaron con los persas y acometiendo primero a Ruy Freire de Andrade que estava sitiado havia seys meses en el fuerte de Queixome le combatieron y tomaron llevando preso a Ruy Freire y algunos companeros suyos hasta Surrate en tres naos de las nueve y en las otras seys con mas de ciento y sessenta terradas y quatro na- vios passaron a Ormuz nueve mil persas sin la gente de servicio, y tubieron cercada la fortaleza de veinte de Hebrero hasta tres de Mayo quemando uno de los quatro navios de la armada de Ruy Freire que estavan alli surtos y destroçando los otros de suerte, que fue necessário darles barreno y por haver el enemigo bolado con minas mucha parte de la muralla y dos 361
baluartes estar la artilleria ciega y sin reparos y faltar todo lo de mas necessário se amotinaron los soldados que quedavan y pren- diendo al capitan se entregaron a los ingleses que les dieron navios en que fueron a Mascate, siendo muy culpado en todo Luís de Britto Barretto almirante de la armada que se passo a los ingleses. El Consejo representa lo mucho que se deve sentir esta per- dida que ha tanto se teme y el evidente peligro en que estan la India y principalmente Malaca, que este negocio es el mas grave que se ha offrecido y toca mas a la real personna de Vues- tra Magestad conservacion desta monarchia que los estranos en que se consume tanta hazienda: que la Corona de Portugal con la union a de Castilla adquirio enemigos a que no puede resistir si la de Castilla no la ayudare poderosamente y aun hazien- dolo no se consiguira bueno effetto si en la índia se ubiere de contender con todas las naciones de Europa ni recobrar a Or muz deffendiendolo los ingleses, o ajudando a los persas por lo qual se deve procurar desunirlos de manera que dexen totalmente aquella navegacion y comercio y no faborescan al Xa y vera tam- bien la satisfacion y emienda que se ha de pedir al rey de In- glaterra deste dano recivido de sus vassalos contra lo capitulado en las pazes y amistad que tiene con Vuestra Magestad y major aliança que pretende en que no vota el Consejo porque no le toca. Y para soccorrer a la índia parece que se remittan estas cartas a los governadores ordenando que con comunicacion dei Consejo d'Estado propongan a la Camara de Lisboa que tratte con los lugares del primer Banco de Cortes que se haga una contri- buicion por el icyno, que se pida ajuda a los prelados y eclesiásticos buscando todos los otros médios lícitos de juntar dineros y a res- petto de lo que se pudiere ver en el soccorro que se embiara al virrey de la índia de dineros gente y navios, si hiran las naos de viaje anadiendo alguna mas o en baxeles a partes y que les podran servir de la armada, y dando cuenta a Vuestra Mages- tad de todo lo ... executar. Que la Corona de Castilla ajude con la artilleria que fuere menester, y trezientos mil cruzados en dinero que se podran meter de mas en los assientos de Alema- nia y Flandres, o en otros, que se tratte de embiar cavalleros, capitanes y soldados de experiência y platicos de la disciplina mi- litar y de valor conocido y se manden venir los portugueses que sirven en Flandes y se de larga mano a los governadores para todo con prosuppuesta de que el socorro ha de partir por fim de Hebrero y no se tratta agora de lo que toca a los culpados en la perdida de Ormuz porque se hara despues con mas noticia. Mendo da Mota es de parecer que no se perdio Ormuz por fuerça de los enemigos mas por confusion ignorância y miedo de los que le deffendian, y por haverse escusado de hirle a soc- correr los que heran obligados a hazerlo y que tambien causo este dano la arribada de Dom Alonso de Norona. Que se tratte 362
de formare en el reino una compania para el comercio empe- nando por agora en recobar a Ormuz hazer los que no le supieron deffender. Dom Francisco de Bragança el Duque de Villa Hermosa se conforman con Mendo da Mota enquanto a la compania para el comercio y son de parecer que se tratte de recobrar a Ormuz con toda brevedad, antes que el enemigo se fortifique y de soccorrer a Mascate de donde se podra estorvar el comercio a Ormuz, mientras no se cobrar, que el soccorro vaya de aca en navios derecho a Mascate, porque juntandose con el que fue este ano de tres navios y el que devia embiar el virrey tanto que tubiesse aviso desta perdida podran intentar Ormuz si los ingleses ubieren dado la buelta, que no deve hir el socorro a Goa porque se desharan llegando y sera menester embiar de aca navios por la perdida de los que ubo em Ormuz, llevando orden para que llegados a Mascate procedan conforme el estado de las cosas, y que anadiendose naos para llevarle sera in frutuoso el gasto por no haver alia carga que traigan; y quedandose no ser de servicio para la guerra. Que la gente deve ser platica y que pueda pelear luego, sa- candose de las fronteras de la que ha servido en la armada y los portugueses que andan en Flandes porque si fuere bisona en tal caso convendra que vaya el soccorro a Goa y el virrey lo reforme mettiendo soldados exercitados. Que los galeones lleven dinero para su gasto y tambien las naos con soldados y cavalleros de confiança y para haver dinero prompto se valgan los governadores de emprestidos que se satis- raran de los effetos appuntados y no se podiendo conseguir que los ingleses disistan dei todo de la navegacion de la índia por lo menos se procure desunirlos de los persas porque de otra manera sera impossible recobrar a Ormuz. Dom Antonio Pereira conformandose con el Consejo dize mas que por la brevedad dei tiempo se deve agora embiar soccorro de artilieria y dineros en los galeones y dos pataches con la gente bastante priviniendo soccorro mayor para Setiembre y avisando al virrey para que conforme al estado de las cosas y al recado suyo que se hallare en Moçambique, vaya a Ormuz y Mascate, o a Malaca. Que desistiendo los ingleses y ... mandose por parte de Vues- tra Magestad la mar con que se prohiba el agua a Ormuz sera la empresa fácil, o se fortifique Mascate y se embien ingenieros a la índia para hazer lo mismo en las plaças de aquel Estado. Para luego Duas rubricas desconhecidas. 363
68. [108] He visto la consulta que trata de la perdida de Ormuz y de lo que se ofrece que prevenir para acudir aaquella plaza, y las demas de la India. Sera bien que luego despache el gobierno correo a los governadores de Portugal con copia de todas las cartas y papeies que se han recivido para que entendido por ellos traten desde luego de executar las diligencias que al gobierno pareciere que se hagan por aquella corona en la forma que se me consulta; y esto se haga con toda la brevidad posible y se les encargue que vayan avisando de todo lo que fueren haziendo y lo que les pareze con la misma puntualidad y brevidad para que con su parezer y el dei Consejo se tome resolucion en cossa tan ymportante de que quedo con el cuydado que ella pide y con la consulta para resol- vella y consideraria mas de espacio y embiareisme la copia de todas las cartas y papeies en la forma que se apunta en la conssulta. Y si pareziere al gobierno que combiene se le podria embiar orden para que hasta que se tome acuerdo en todo no se despachen los navios que estan aprestados. Y tambien se les podria escrevir que platiquen y embien su parezer sobre lo que propone Mendo de Mota, acerca de la Com- pania de la India y los caminos para esforçaria. (?) sentido mas que la perdida las circunstancias delia y el estado en que queda todo y assi os encargo mucho que atendais como lo hazeis a tratar del remedio con la diligencia que pide el dano. En Madrid a 30 de Octubre, (?) 1622. El Duque de Villa Hermosa [108 v.] Orden respondiendo a la primera consulta de lo de Ormuz. 67. [110] Estado Ormuz — 9 de Enero de 1623 Aviendo visto en Consejo de Estado la consulta de Portugal sobre el succeso de Ormuz y lo que se ordeno al dicho Consejo sobre hazer prevenciones para socorro y un papel dei Conde de Bristol offreciendo el castigo de los ingleses. Don Pedro de Toledo que esta bien lo que se ha hecho y escrito a Portugal; que se anado, que de la armada de aquel reyno tomen los nabios nescessarios y los vayan aprestando sin esperar respuesta mas que cada semana avisen lo que se haze, y lo que podra ir por Março, que es quando conviene embiar el soccorro, que de lo que de alia avisaren resultara si sera nescesario anadir algo de aca y siendolo se podrian quatro nabios de las dos armadas 364
del Occeano y Estrecho, y que pues ellos piden socorro de Castella- nos se avendran bien con ellos y con la emulacion se esforçaran mas y que los quatro galeones se manden prevenir desde luego sin dezir para que. Que sobre se este socorro ira [110 v.] direito a Mascate, o tocara en Goa, para reforçarse alii y juntarse con la armada de la India conviene mirarlo despacio y que conviene acudir a esto con el cuydado que se haze. Que con los ingleses seria bien asentar los nabios que han de ir al tratto de la seda, y que estos nos ayuden. Y porque Mendo de Mota es persona platica se podria embiar a Portugal para dar prisa al socoro y disponer lo de la compania y que podria ir Furriano por ingeniero, y en lo demas se conforma con el Consejo y con el Conde de Olivares. Don Agustin Messia que esta bien lo que se ha ordenado a Portugal que hasta tener respuesta no se puede trattar de prevenir aca nadie; que conviene que vaya luego el pedaço de armada que se pudiere, y despues lo demas; que pase por Goa, que el gasto que se ha de hazer en la armada se haga con este soccorro y las de Castilla guarden aquellas costas, que sera parte de lo que podra ayudar esta corona; que el papel que ha dado el Conde de Bristol se comunique con el para ver lo que se podra hazer y escrivir a Inglaterra. [111] El Marquês de Aytona se conforma con el de Villa Franca, y que el socorro todo sea de Portugal y cerca dei papel dei Conde de Bristol con lo que ha dicho Don Agustin Messia. Marquês de Montes Claros — que se deve acudir al socorro por ambas coronas. Y que a Portugal se ha escrito lo conveniente, y aca no se puede hazer sino esperar la respuesta por agora; que el socorro vaya derecho a Mascate pues abra alii orden dei virrey y que se acepten las ofertas que hiziere el rey de Inglaterra que quando no sirvan para remedio de lo passado podran servir para lo porvenir, y tiene por conveniente tomar asiento con ingleses, con este tratto de las sedas. Don Diego de Ibarra — En el socorro que se ha de embiar y prevenir en Castilla y lo que se ha escrito a Portugal se conforma con Don Pedro de Toledo que para lo de adelante le parece bien la compania y que Mendo de Mota o yendo a Portugal o desde aca lo procure disponer, y se le encargue; que la verdadera satis- facion que podria dar Inglaterra era que sus navios ayudasen a cobrar la plaza. Conde de Olibares — Que este negocio es de mucha importância [111 v.] y para tomar resolucion conviene ver primero los médios que ay. Que lo que agora se le offrece es que el Consejo de Estado proponga las personas portuguesas que ayan servido en Flandes V Italia para embiarlos por sargentos mayores y capitanes embian- dolos a llamar luego y la infanteria se saque de los presidios de Portugal, o visorios moços, y libres que seran mas a proposito que los de Goa. 365
Conformasse con Don Pedro de Toledo quanto a la armada, y consignacion de Portugal para que no se les diga hasta ver lo que responden, y que si se les dixere sea con calidad que ayan de acudir a la de aca con la consignacion y que aunque la armada de Portugal vee que es de poco effetto no que tira, que los enemigos viessen descaecer nuestras armadas por los mallos effettos dei ano passado. Que no conviene aventuramos al riesgo que podria suceder de la junta de portugueses y Castellanos; que de la compaiiia que ha propuesto Mendo se tratte por los governadores y si se pudiese juntar con ella la de Inglaterra seria de importância. Que Mendo de Mota proponga los médios que se le offrecen y se vean en [112] Consejo de Estado; que en la forma, en la cantidad de nabios, y viaje que han de llevar no vota, hasta ver lo que dizen de Portugal, y personas platicas. El Duque dei Infantado que llego al Consejo al votar se con- forma con el Conde de Olibares. Propongasseme personas para cabezas como no sea para la principal de las que ay en Flandes y en este Consejo se huviere noticia de las (sic) declaracion portuguesa. Y en lo demas tomase resolucion con la consulta que en este Consejo se me hisiere visto todo lo que hace venir de Portugal. 68. [113] Senhor Devemos ao serviço de Vossa Magestade sentir aos reais pés de Vossa Magestade a perda da fortaleza de Ormuz, porta daquelle estreito freo do Persa, praça bem forte com huma alfandega que rendeo à Fazenda de Vossa Magestade em alguns annos maes de duzentos mil cruzados en cada hum anno; e daquelle comercio pro- cedia o rendimento de outras muitas alfandegas. Maes que tudo isto peza o modo em que se procedeo na deffença delia, e o estado em que a acharão, e sobretudo imaginar se que se podia ganhar a fortaleza, e sair se com o intento. Mas poes Deus nos fez merce de nos dar a Vossa Magestade por rey e senhor, com grande confiança esperamos que voltará Vossa Magestade os olhos às cousas daquelle Estado em tal forma que se acuda a este caso como pede a qualidade delle, e que as armas de Vossa Magestade se porão logo não só na reputação que tiverão quando aquelle Estado esteve mais flo- rente, que foi tão grande e tão particular como he notorio ao mundo, mas ainda com ventagêis se isto he possível. Avendo recebido ontem à tarde a carta de Vossa Magestade de 31 do passado sobre a perda de Ormuz, e socorro da índia, tra- tamos logo a materia em Conselho de Estado sendo presentes o Bispo Inquisidor Geral , o Conde de Villa Nova, o Conde de Faro, Dom Jerónimo Coutinho, Luis da Sylva veedor da Fazenda, Dom Afonso de Noronha, Ruy da Sylva veedor da Fazenda e o 366
regedor Manoel de Vasconcellos, e pareceo a todos que se deve acodir à India com todos os socorros necessários com larga mão e muito a tempo, e que se isto faltar que provavelmente se perderá de todo e que he esta materia muito grave e a mais importante que se pode offerecer pela sustancia e qualidade daquelle Estado, e porque se o ganharem os enemigos não só sera isto de notável dano a este reyno mas igualmente a toda a monarchia de Vossa Ma- gestade como bem se deixa ver e quantas são as rezões que obrigão a Vossa Magestade a tratar deste negocio como mui principal, e de maneira que se conheça nelle a grandesa de Vossa Magestade e seu muito [113 v.] poder e que se deve representar a Vossa Magestade que seja servido de conciderar que vai nisto muito de reputação que he a que conserva e deffende os estados. E que o socorro deste anno deve partir nos primeiros dias de Março no primeiro tempo que ouver para isso infalivelmente, e que não se deve tratar maes que das tres naos da índia, porque não avendo até gora dinheiro prompto para mayores despezas, e avendo tanta falta de trigo da terra, e sendo cousa tão dificultosa o ajuntar marinheiros, e tão limitados os dias que restão desta monção quando este avizo chega, querer mandar maes navios será arriscar o par- tirem as naos nos primeiros de Março e que isto he o que primei- ramente se deve segurar, por ser a principal cousa irem a tempo que possão passar a India. E que nas tres naos deve Vossa Ma- gestade mandar duzentos mil cruzados em dinheiro de socorro, afora os cabedaês, e alguns fidalgos feitos, e outros, e toda a gente de guerra que as naos poderem levar e que seja a milhor que poder ser, e que este he o socorro que poderá yr nesta monção e o maes sustancial que pode ser, e o maes importante para as cousas a que sera necessário acodir; e que para todos irem contentes e animosos lhe deve Vossa Magestade fazer mercês e honrras como requere o estado das cousas. E que Vossa Magestade deve fazer mercê a este reyno de o socorrer com quarenta peças de artelharia de bronze, de doze até vinte livras de baila para duas das naos que hão de ir, porque como veo huma somente falta artelharia para duas, sendo Vossa Ma- gestade servido conciderar que esta coroa ajudou a essa em diffe- rentes occasiões com grande soma de artelharia. E quanto a se tratar com os lugares do primeiro banco, que este dinheiro he muito dilatado e de nenhuma maneira será possí- vel recolher se a tempo e que o povo deste reyno está em grande miséria, e se sustenta estes annos com grande trabalho, e que quando se tirou o serviço que se fez para a vinda de Sua Magestade que seja em glória custou muitas lágrimas e que se pode temer este dinheiro para alcançar na India as vitorias que são necessárias, e que he serviço de Vossa Magestade que em taes occasiões, se valha Vossa Magestade primeiramente de sua fazenda e que esta he de qualidade que obriga Vossa Magestade a vender villas e cidades, 367
quanto maes algum juro como sempre se fez, não tendo aquellas causas nenhuma comparação com esta, e que não sendo remedio para a necesidade presente dinheiro dos povos por estas rezões e por outras que se darão a Vossa Magestade sendo servido, se não devia [114] dar a carta de Vossa Magestade a esta cidade. Porem que Vossa Magestade se devia por ora servir desta cidade somente escrevendo lhe Vossa Magestade que acuda a esta necesidade com todo o dinheiro que ouver do procedido do Real da Augoa, e com o maes que for possível fazendo para isso todo o esforço que Vossa Magestade espera de taes vassalos tudo na forma e modo que assentarem com os governadores. E que também Vossa Magestade se deve valler dos prelados, escrevendo lhe Vossa Magestade o successo de Ormuz, o que im- porta aquelle Estado, e que a obra he de qualidade que com rezão devem querer ter parte nella, e que Vossa Magestade espera con- ciderarão esta materia e ajudarão a ella, e que asy o fica Vossa Magestade tendo por certo de sua virtude e procedimento nas cousas da relegião, e de seu serviço, e do bem publico deste reyno, que tudo o que nisto fizerem terá Vossa Magestade por particular serviço encomendando lhe a brevidade, e que os governadores orde- narão a pessoa que ouver de receber a contia com que lhes parecer acodir. E que desde logo se deve yr ordenando e dispondo hum grande socorro de numero de navios, e gente de mar, e guerra, e dinheiro, pera Março do anno que vem, e que se devia lembrar a Vossa Ma- gestade que tendo el rey Dom João o terceiro novas do cerco de Dio, esteve em mandar de socorro o iffante Dom Luis seu irmão, e que era pratica sua dizer a seus menistros que lhe não faltassem em nenhuma cousa senão no socorro da índia até se lhe ter acodido, e que he tão grande cousa aquelle Estado e tão importante ao ser- viço de Vossa Magestade que com o grande amor que a elle se deve poderão lembrar a Vossa Magestade que mandara aquelle Estado hum dos senhores iffantes se estiverão com maes idade para poderem com o trabalho da viagem, porque a tudo obriga a con- servação dos estados quanto maes o perigo tamanho de caírem em mãos de enemigos. Este foi o parecer dos conselheiros de Estado, offerecendo todos as pessoas e as fazendas para servirem a Vossa Magestade nesta occasião com o particular e grande amor que se deve ao ser- viço de Vossa Magestade. E vendo nós todas estas cousas com o cuidado e ponderação que devemos ao serviço de Vossa Magestade e ao grande e par- ticular amor com que o tratamos nos pareceo o mesmo, acrecentando que he tão grande esta matteria que pudéramos pedir licença a Vossa Magestade para nos yremos (sic) todos tres aos pés de Vossa Magestade representar lhe se sirva de ver e conciderar que se a índia se passar às mãos dos enemigos huma ves que será impossível 368
tomar se a recuperar, por [114 v.] ser em partes tão remotas e tão difficultosa a navegação, e que está muito perto de se perder de todo, e que se a ganhão que hão de crecer muito em forças, e que se siguirão consequências de grandes inconvenientes à monarchia de Vossa Magestade e não permite à reputação e conservação delia perder se huma amea, quanto maes o grande e opulento Estado da India em que Vossa Magestade domina tantos reys, e de que a Fazenda de Vossa Magestade poderá tirar tantas riquesas se se ordenarem as cousas como o pede o serviço de Vossa Magestade e sobretudo o grande preço que tem a conservação da christandade que naquellas partes está tão plantada, e o que isto vai ante o real acatamento de Vossa Magestade. As cousas da índia tem chegado ao ultimo dezemparo por culpa dos passados e da permissão do tempo, e dos effeitos que elle causa, porque todas as fortalezas estão sem gente, sem artelharia, e sem as prevenções necesarias, e o exemplo de Ormuz mostra o que isto he, poes sendo o maes importante, e tão rica, e em que Vossa Magestade tinha tanta renda estava de todo desapersevida, conforme a isto se deve temer com grande rezão tenha acontecido o mesmo que a Ormuz, a outras praças daquelle Estado (o que Deus não ha de premitir) e pera se reforçarem e proverem he nece- sario muito asy de gente como de dinheiro. E porque o tempo está tanto adiante que não sofre nenhuma dilação Vossa Magestade ser servido mandar nos todas as ordens necesarias asy para se vender juros e outras cousas que Vossa Magestade for servido, como pera os despachos dos fidalgos e pessoas que se ouverem de embarcar para a India com poderes em forma que não seja necessário tornarem estas matérias a Vossa Magestade; tudo o que se for fazendo se irá dando conta a Vossa Magestade. E posto que não ouvera exemplos de Vossa Magestade ter dado esta mesma ordem em outras occasiões, esta he tão grande e o tempo tão breve que Vossa Magestade o ha de aver asy por seu serviço. Supostas todas estas cousas pedimos a Vossa Magestade pos- trados a seus pés com o grande amor que temos a seu serviço, que considere quanto a elle convém que vão estas tres naos este anno a te[mpo], na forma que fica apontado, e não se arriscarem a p[ar- tir] tarde com se tratar de maes navios, e da mesma mafneilra quan- to convém que se vendão juros da Fazenda de Vossa Magestade [115] ou outros bens da coroa quaes forem de maes fácil expe- diente para se suprir tudo o que for necesario para os ditos effeitos. Guarde Deus a cattolica pessoa de Vossa Magestade. Lisboa 6 de Janeiro de 1623. Algumas cousas da carta de Vossa Magestade ficarão para se tratar outra ves em Conselho d'Estado por não serem tão presizas 369 24
como as de que se tratou. Logo se tornará a juntar o Conselho d'Estado para este effeito e se dará conta a Vossa Magestade. Diogo de Castro Bispo Conde Nuno Alvarez de Portugal 69. [116] Senhor Aos governadores se escreveo, como Vossa Magestade foy servido de mandar, por ordem rubricada de sua real mão, remetendo lhe copias das cartas e papeis, toquantes a perda de Ormuz, para que tratassen com o Conselho de Estado, do soccorro que se devia enviar a índia, se hiria nas naos de viagem, ou em outros navios, quaes serião a propósito para elle, e donde se tiraria o dinheiro nescessario, e avizassem a Vossa Magestade de tudo, e juntamente se lhes encarregou, trattassem com a Camara de Lisboa, de que no reyno se fizesse pellos lugares delle, huma contribuição para esta nescessidade, e se pedisse ajuda aos prelados, e eclesiásticos, e se formasse huma companhia para continuar o comercio da índia; a que responderão em cartas de 6 do prezente, que ontem se rece- berão, encarecendo largamente o sentimento geral, que naquelle reino ouve de tão grande perda, e a precisa nescessidade que ha de soccorrer a índia antes que os enemigos de todo se apoderem delia. E que ao Conselho de Estado, e a elles governadores pareceo, que o soccorro deste ano deve partir nos primeiros dias de Março, não se trattando de mais, que das tres naos de viagem que se apprestão, por não haver dinheiro prompto, nem mantimentos para outra cousa, e ser muy difficultoso ajuntar gente, em dias tão limi- tados; e querendo enviar mais navios, se arriscarião as naos a par- tirem tarde importando tanto, que passem a India, e que nellas devem hir duzentos mil cruzados em dinheiro de soccorro; fidalgos de importância, e toda a gente de mar, e guerra, que puderem levar, e mandar Vossa Magestade ajudar aquella coroa desta de Cas- tella, com quarenta peças de artilheria de bronze, de 12 ate 20, livras de bala, para duas das naos, a que falta de todo, consideran- do se que em differentes occasiões, ajudou a Coroa de Portugal a esta, com grande numero de artilheria. Que o meo de os lugares do reino contribuírem para este soccorro, he muy dilatado e por esta razão, e outras da pobresa dos vassalos, e do que se sentirão semelhantes repartições assen- tarão, se não desse a Camara de Lisboa, a carta de Vossa Ma- gestade [116 v.] que sobre esta materia se lhe escrevia. Que Vossa Magestade deve m[ais] aplicar a esta nescessidade, o procedido do rendimento do Real d'Agoa, e pedir ajuda aos prelados, escre- vendo lhes em [particular a cada hum, e que se vá ordenando 370
desde logo, hum grande soccorro de navios, gente de mar, e guerra, e din[heiro] para Março do ano que vem; que el rey Dom João [o 3.°] com as novas do cerco de Dio, esteve resoluto a enviar ai[uda] de soccorro ao iffante Dom Luis seu irmão, e he aquele [Estado] huma cousa tão importante, que se pudera lembrar a Vossa Magestade que enviasse nesta occasião a elle, hum dos senho- res iff [antes] se estiverão em mais idade para poder com o tra- balho da [viagem] e apontão, que para o apresto das tres naos, e duzentos [mil] cruzados que hão de hir nellas, ha somente trezentos, e [...] mil cruzados, sendo nescessarios quatrocentos, e cincoenta assy faltão cento, e noventa mil cruzados, para cujo cum[primento?] deve Vossa Magestade ser servido, que se vendão juros, ou outras ren[das? de] Vossa Magestade. Juntamente com estas cartas dos governadores, se v[erão?] outras da Camara da cidade de Goa; de Ruy Fre[ire de] Andrade; de Costantino de Saa, que o governador da [índia ?] enviava com soccorro a Ormuz, e não chegou a tempo; [de] Diogo de Souza de Meneses, que hia succeder naquella [forjtaleza, a Dom Fran- cisco de Souza, e do capitão de Mas [cate] donde todos estavão que ontem também chegarão p[arte] das quaes se tem entendido mais largamente, o que pasçfou] a perda de Ormuz, e o grande aperto e nescessidade em que a In [dia] toda ficava de ser soccor- rida; por andarem os [holande]zes muy poderosos no Sul, e se haverem confederado [com] el rey d'Achem contra Malaca, e estar a cidade de M[alaca] cercada dos olandezes, e dos vezinhos natu- raes da te[rra] se haverem tomado poios enemigos, todas as galeotas [que no] ano passado, se esperavão da China, em que vinha a [maior] parte do cabedal dos homens da India, e estar tudo no estremo de mizeria, e fraqueza que se pode encarecer. E havendo se visto em Conselho, humas e outras c [ousas] e considerando se a grande importância e qualidade da materia, na qual se não tratta somente, de atalhar a pfarte] da India, mas a ruina dos outros reinos de Vossa Magestade, [117] que com muy fundadas razões se recea, que leve trás sy, e que a causa demais de ser tão propria da real pessoa de Vossa Magestade he comum da Igreja Catholica, de que Vossa Magestade he protector, pollo muito dilatar da christandade, que ha em todo aquelle Oriente, que em breve se destruiria, e arrancaria, se os infiéis naturaes delle, e os hereges de Europa prevalecessem. Pareceo ao Conselho que este negocio, por ser de tanto pezo, e em que deve fazer com Vossa Magestade o ultimo officio, por cumprimento de sua obrigação, não he de qualidade, nem se acha em termos, que se deva consultar a Vossa Magestade so por escrito, e que o Conselho poderá, e devera hir logo aos reaes pés de Vossa Magestade e pedir lhe postrado a elles, que se servisse de prezen- cialmente, ouvir ler todas as cartas, que da índia se tem recebido, sobre o successo de Ormuz, e as cousas daquellas partes e de Portu- 371
gal se aponta, com o que o Conselho acerca de tudo, tem que repre- zentar a Vossa Magestade, porque de outro modo sera impossível entender se o negocio, como o estado delle o requere, nem aplicar se lhe o remedio a tempo, e em forma que seja de effeito; porem pareceo que primeiro se devia para isto pedir a Vossa Magestade licença, como o Conselho o faz, com a sumissão devida; lembrando que com muito menores occasiões, custuma Vossa Magestade ouvir a seus tribunaes, e ministros, e que quando não ouvera exemplo algum, este caso pedia que se fizesse assy, e que sobretudo por algum impedimento, não poder ser, se sirva Vossa Magestade de mandar que o Conde de Olivares, ouça ao Conselho para que intei- rando se verbalmente, de tudo o que ha que reprezentar a Vossa Magestade lho possa referir. E que isto seja com toda a brevidade porque qualquer pequena dilação, atrazara, e difficultara muito o que ha que fazer. E quanto ao soccorro, que nesta monção de Março e em com- panhia das naos, se deve enviar, pareceo ao Conselho, que sem embargo da brevidade do tempo, e falta de dinheiro e das mais couzas necessárias, importa muito a conservação da India, e repu- tação de que ella principalmente se sustenta; enviar juntamente com as naos nesta monção, alguns navios para que os vassalos de Vossa Magestade que servem naquelle Estado, se não accabem de desanimar, e os enemigos de lhe perder o respeito sabendo que despois de Vossa Magestade ter nova da perda de Ormuz, não manda mais que as naos da viagem ordinária, e se consuma tudo antes de lhe hir o mayor soccorro. E vista a brevidade do tempo, se assentou que logo se devia responder [117 v.] aos governadores, com a carta de Vossa Magestade de que com esta sera [copia] encarregando lhes que demais das tres naos de viagem, pafra] gasto e provisão dos duzentos mil cruzados de soccorro, que [hão] de levar, se signalão bastantes effeitos; fação aprestar dous ou tres galeões, que com os dous navios que estavão a[perce]bidos para mandar de avizo vão em companhia das naos [ou] em seu segui- mento, e partão infalivelmente dentro des[ta] monção, e para a des- peza delles se venda juro, por não [haver] outro remédio de a suprir, e que se fação as diligencias, [que] Vossa Magestade mandou com a Camara de Lisboa, e eclesiás [ticos] e se previnão as cousas nescessárias para o soccorro, que de [pois] ha de ir, de que se dá conta a Vossa Magestade para o ter entendido. Porem porque naquella coroa não há mais artilheria [que] para huma nao, e pollo menos são nescessarias para as [outras] duas, quarenta peças de bronze, de doze ate vinte liv[ras] [de] bala, como dizem os gover- nadores, e sem Vossa Magestade m [andar] ajudar com estas peças da Coroa de Castela, e com al[guma] quantidade de dinheiro, para o soccorro prezente, e de... das naos, sera impossível consegui lo, por mais que se [procure] e trabalhe, e se porão em contingência. 372
de não poderem [partir] ou hirem aventuradas a se perder, encon- trando qua[isquer] enemigos no mar. Lembra e pede o Conselho a Vossa Magestade com ... a ins- tancia, que se sirva de mandar que estas peças se dem das que ouver nas casas da fundição de Lisboa, Sevilha; Malaga, ou qual- quer outra parte, e que se ajude e soccorra [a Co] roa de Portugal, com dinheiro prompto, e tudo se exe[cute] com suma brevidade, advertindo que toda a artelha[ria que] ha mister por ser meado Janeiro, e haverem as naos d[e partir] nos primeiros de Março, e que não he justo que falte o [necessário] para soccorro tão proprio de Vossa Magestade e tão importance a] seus reinos, quando para os estranhos, se dá com tã[o larga] mão. Em Madrid a 13 de Janeiro de 623. Rubricas ilegíveis dos conselheiros 70. [118 v.] Consejo de Portugal Haviendose escrito a los gobernadores, como Vuestra Magestad lo mando sobre la perdida de Ormuz, que comunicandolo con el Consejo de Estado abisassen dei soccorro que se devia embiar a la India en que forma y a que tiempo y de donde se sacaria el dinero necessário para el, y que se trattasse con la Camara de Lisboa de hacer una contribucion por los lugares dei reyno, se pidiesse ajuda a los prelados y eclesiásticos, y se trattasse de formar una compania para continuar el comercio de la índia. Responden la importância de la perdida y lo que se ha sentido que es forçoso soccorrer poderosamente aquel Estado antes que se acabe de todo; que en este ano vista la brevedad dei tiempo y otras impossibilidades no vayan mas de las tres naos de viaje que se apprestan con duzientos mil cruzados en dinero de soccorro, cavalleros de confiança y buena gente de mar y guerra mandando Vuestra Magestad ajudar de la Corona de Castilla con quarenta pieças de artilleria de bronze de doze hasta vinte livras de bala para las dos naos a que falta; que el medio para juntar dineros de la contribuicion dei reyno es muy dilatado, y por esta y otras razones dexaron de llamar la Camara de Lisboa y proponerle que se deve applicar a esta necessidad le rendimiento del Real de Agua que la camara tiene pedir ajuda a los prelados escriviendo a cada uno para ordenar un grande soccorro para Março dei ano que viene, que el rey Don Joan el 3.° quando fue el cerco de Diu quisso embiar a la índia al infante Don Luis su hermano y es tan gran cosa aquel Estado que se pudiera acordar a Vuestra Magestad que embiasse a el uno de los senores infantes si estubieran en edad, y declaran el dinero que podra haver agora para despachar las naos y que faltan ciento y noventa mil cruzados. Vieranse con estas cartas de los governadores otras venidas 373
de la India por tierra con mas particular relacion de lo succedido en Ormuz y dei grande aprieto y peligro en que quedava toda la índia por la liga de olandeses y eí rey de Achem contra Malaca, estar cercado Meliapor y perdidas las galeotas que venian de la China. Parecio al Consejo que por trattarse en este negocio no sola- mente dei estado de la índia mas de todos los otros reynos de Vuestra Magestad y de la causa comun de la Iglesia Catholica, no es de qualidad ni se halla en términos que se pueda consultar a Vuestra Magestad por escritto solamente y que el Consejo deviera hir luego a los reales pies de Vuestra Magestad y supplicarle se sirviesse de oir leer presencialmente todo lo que hay tocante a esta materia, y lo que el Consejo tiene que representar a Vuestra Ma- gestad acerca delias, que de otra manera sera impossible enten- derse, ni aplicarle remedio conveniente, y para ello pide el Con- sej'» se sirva de concederle licencia appuntando que con menores occasiones suele Vuestra Magestad oir a sus tribunales y ministros y quando no ubiera exemplos este caso lo pedia, y fuera a Vuestra Magestad y que sea con toda brevedad. Enquanto al soccorro que agora $e ha de embiar parecio al Consejo que sin embargo de las difficultades que se offrecen im- porta mucho a la conservacion de la India para que los vassallos no se accaben de desunir y los enemigos y vezinos de perder el respetto, embiar algunos navios demas de las naos de viaje nesta moncion de Março y assi se escrive a los governadores appuntan- doles bastantes effettos para todo el gasto de las naos y duzientos mil cruzados que han de llevar y que hagan apprestar luego dos o tres galeones de los de la armada para que con los dos pataches que se embiavan de aviso vayan en compania de las naos o en su seguimiento partiendo infaliblemente dentro desta moncion y que desde luego se empiecen a prevenir gente de mar y guerra, artilleria y artilleros para el mayor soccorro que se ha de embiar despues con prosuppuesto de que ha de ser en Sitiembre deste ano. Y con la Camara de Lisboa, y los prelados, y ecclesiasticos se hagan sin dilacion las diligencias que Vuestra Magestad tiene man- dado, como todo mas largamente se puede ver de la copia de la carta que va inclusa. Y por sin ayuda de la Corona de Castilla por mas que se procure y trabaje sera impossible effettuarlo es de pare- cer el Consejo que deve Vuestra Magestad mandar se dem luego las quarenta pieças de artilleria de bronze que faltan para armar las dos naos que los gobernadores piden y algun soccorro de dinero prompto executandose con suma brevedad que a respeto dei tiempo es menester y no sera justo que falte lo necessário para socorro tan proprio de Vuestra Magestad y tan importante a todos sus reynos quando para los estraiios se daa con tan larga mano. Rubricas ilegíveis 374
71. [119] Copia Vi as vossas cartas de 6 do prezente, e tudo o que nellas se refere, que se apontou em Conselho de Estado e vos pareceo, acerca da nova da perda de Ormuz, e do soccorro que se deve enviar a India, e considerada a materia conforme a muito grande impor- tância de que he. E que não somente convém soccorrer aquelle Estado, para que se possa recobrar Ormuz, mas para atalhar os mayores danos e ruina que por tantas partes ameaça por serem tomadas de enemigos as galeotas que se esperavão da China no ano passado, em que vinha a mayor parte do cabedal da India e haver grandes receos que os olandezes, ajuntando se com el rey de Achem demandassem a Malaca, e estar Meliapor de cerco, e os moradores e naturaes daquelle Estado pobres e caídos de ânimo as alfandegas sem rendimento, e haver tão poucos navios de alto bordo e de força para se opporem aos enemigos de Europa, como tudo se significa nas cartas da camara da cidade de Goa, que agora se receberão, e vão com esta. O que obriga a fazer o mayor esforço possível para soccorrer aquelle Estado, em forma e com tanta presteza, que os vassallos. os amigos, e enemigos, verão o cuidado que delles se tem, e não se accabe de perder de todo o respeito, e reputação, se cons- tando que me chegou a nova de tamanha perda, se souber que em conjunção que se devião enviar grandes soccorros, forão somente as naos da viagem, que pode acontecer que não cheguem todas e polo menos se não mandou aquelle soccorro que a brevidade do tempo permite, como penhor e esperança certa de outro mayor que tão necessário he. Tendo respeito a tudo referido, e a que huma das principaes causas que ouve para se perder Ormuz, foy não lhe chegar soccorro a tempo: hey per meu serviço e vos encomendo e encarrego muito, que demais das tres naos de viagem e dos duzentos mil cruzados em dinheiro, que nelles hão de hir, para cuja despesa serão bastantes os effeitos que aDontaes do procedido da venda da pimenta dos dereitos da nao Paraíso, dos cincoenta mil cruzados, que restarão do serviço dos homens de negocio do ano passado, do que se enten- de que poderá prover o bispo inquisidor geral dos bens confiscados, acrescentando lhe o procedido das rendas das terças, e dos sobejos dos contrattos, e almoxarifados, e o dinheiro que ouver na camara dessa cidade do rendimento do Real d'Agoa, e os mais que se apon- tarão na consulta do Conselho da Fazenda de (') de (2) passado, com que vos conformastes, que hey por bem se lhe apli- quem de novo, excepto tomarem se os depósitos dos depositários da corte dessa cidade, com o que se suprirão os cento e noventa (') Em branco no texto. (J) Em branco no texto. 375
mil cruzados que faltão, tratteis logo como receberdes esta carta de aprestar dous ou tres galeões dos que servem na armada dessa coroa, para que com os dous pataxos que estavão prestes vão de socorro a índia, dentro desta monção em todo o caso rompendo por quaesquer difficuldades que o possão impedir, de modo que infa- livelmente partão, ou em companhia das naos ou em seu segui- mento, e o fação a tempo que se não arrisquem a arribar ordenando que logo se escolhão os que forem mais a proposito, e se comece a trabalhar em seu concerto, e na provizão dos mantimentos com toda a diligencia que se requere. E para os gastos deste soccorro de que se fara logo orçamento, hey por bem que se venda a quanti- dade de juro que for necessária, fazendo se a venda por meo dos ministros que entendem [119 v.] na comissão delle, com superin- tendência vossa, para o que vos dou por esta carta todo o poder e comissão ... e vos encarrego de novo, que tanto que chegar este correo, sem detença alguma tratteis da execução do que orden[o] para que não falte o dinheiro que se ouver mister, para começar a entender nella, o tomareis [por] empréstimo, na forma que vos parecer, e se pagara, do procedido da venda dos juros. E porque a gente que os navios hão de levar, he a mais prin- cipal parte do soccorro, sendo os soldados voluntários [e de] idade conveniente, os marinheiros e os bombardeiros práticos fareis logo entender na leva des[ta] gente, e que se comece a assentar, e se lhe pague, e se va adestrando de modo, que se não embar[quem] de todo bisonhos, e vos valereis para armar os navios que hão de hir, de toda a artilharia que [ouver] na armada, e com este mesmo correo que tornareis logo a despachar, me avisareis dos navios que ...des para hirem, da artilharia que tem, da gente de mar, e guerra que poderão levar, e do qu[e esjtarão apercebidos e providos para toda a viagem, e me proporeis os sogeitos que se vos offerecerem para capitão mor, e capitães delles; e das qualidades, partes, e ex- periência que se hão mister, [procu]rando satisfazer a isto tudo com a brevidade que o tempo e o estado das cousas requere, que espero [acontejcera com muy bom successo, por meo da assistência e cui- dado, com que o haveis de procurar, e encaminh[areis para] que eu fique tão bem servido, como confio, que o serei sempre de vos, e se acuda a esta nescessidade [tão] urgente, e em que tão intere- çado está meu serviço, e o bem publico, e conservação desse reino e do[s] vassallos dele. O que apontaes acerca do soccorro que se deve enviar, des- pois de partidas as naos, e da monção [em] que convirá que va, fico vendo com particular atenção, e do que resolver se vos avisara ... Entretanto vos encomendo, que assy sobre a ajuda que se ha de pedir aos povos do reino, c[omo] prelados, e eclesiásticos e sobre a companhia, para continuação do comercio da índia, [façais] sem mais detença com o presidente, e officiaes da camara dessa cidade a diligencia que [vos] mandey por carta de 31 do passado. 376
dando lhes a que se vos enviou para a camara, e faz[endo] lhes entender, como hey por meu serviço que o rendimento do Real d'Agca, se empregue nos ... deste anno, e que logo ordeneis que se vão alistando, bombardeiros em quantidade bastante ... o que despois se ha de enviar, pagando se lhes seu soldo, e se exercitem, e adestrem de modo q[ue na] occasião estejão práticos, e se veja que gente se poderá tirar das fronteiras para esta facção e de donde hira, o com que ella se ha de suprir, e quanta havera nesse reino a proposito, da qu[e vai] nas armadas, que se tome logo o cobre que ouver nessa cidade, e se comece a fundir artilhe [ria] effeituando sem dilação o contrato do cobre que com o ordinário passado avi- sastes que se [ficou] fazendo, e com tempo se vão dispondo todas estas cousas, com prossuposto de que o soccorro [se ha] de apressar quanto ouver lugar, para que parta na monção de Setembro, sem aguardar [a de] Março que vem, pois o aperto, e nescessidade da India he tal, que qualquer dilação [tem de] ser de irreparável dano. Escrita etc. ... [120] Ha llegado la consulta sobre la respuesta de los gover- nadores en la de Ormuz juntamente con la carta para firmar, y en cosa desta consideracion aunque en todo viene muy acertada, con- viniera averme consultado antes. Lo que contiene tengo por nesce- sario que se escriba ordenando a los governadores que sin ora de dilacion apresten y dispongan las tres naves que avian de ir, y que estas precisamente esten a los primeros de Março aviadas, y que al mismo paso fuesen disponiendo este despacho preciso, y indispensa- ble vayan al paso que pide un caso tan grande disponiendo y exe- cutando, como poder embiar algun socorro juntamente con ellas. y en esta parte, no den mas pasu que en buscar hazienda, y juntaria y escrivir para el reyno en la forma que pareciere mas a proposito porque en viendo la consulta que el Consejo me hiziere sobre esto tomose resolucion breve de aquello que se huviere de exe- cutar, estando dispuesta la materia de hazienda en aquel reyno por estos médios y todos los otros que a los governadores parecieren convenientes. [120 v.] Y en lo que me propone el Consejo enquanto a in- formarme de palabra me parece mas a proposito hazerlo por escrito, y luego largamente, y el Conde de Olivares me ha dicho, que el Duque de Villa Hermosa le ha escrito que quiere venir a hablalle sobre esta materia. Podra juntamente con el venir Mendo de Motta y el los oyra, y en la consulta espero que vendra todo dispuesto de manera que yo pueda resolvello sin esta otra diligencia que escuso por no dar motivo mayor del aprieto deste succeso que el que el mismo trae cosigo. Y que [tiene] muy cierto el Consejo que acudire a este negocio con todas mis fuerças y las de todos los otros mis reynos, por lo que estimo y quiero a el de Portugal. Y quedome con esta consulta para resolvellas todas juntas qua e venga la que espero. 377
72. [121] Senhor Em huma ordem rubricada da real mão de Vossa Magestade que se vio hoje em Conselho, se contem que chegou a Vossa Ma- gestade a consulta sobre a reposta dos governadores, no de Ormuz, juntamente com a carta para Vossa Magestade assinar, e que em cousa desta consideração ainda que em tudo hia muy acertada, conviera haver se consultado antes a Vossa Magestade. E que se escreva aos governadores que sem hora de dilação, apressem, e disponhão as tres naos que hão de hir, e precisamente estem aviadas aos primeiros de Março. E ao mesmo passo que forem dispondo este despacho, preciso e indispensável, vão (como o pede hum caso tão grande) dispondo, e executando, como poder enviar algum soccorro, juntamente com as naos, e nesta parte, não dem mais passo, que em buscar, e ajuntar dinheiro, e escrever polo reino na forma que parecer mais a proposito, porque em vendo Vossa Magestade a consulta que o Conselho lhe fizer, sobre isto, tomara resolução breve no que se ouver de executar, estando disposta a materia da Fazenda no reino, por estes meos, e todos os outros que aos go- vernadores parecerem convenientes. E que no que o Conselho pro- pos, enquanto a informar de palavra a Vossa Magestade parece a Vossa Magestade mais a proposito faze lo por escrito, e logo, largamente, e que o Conde de Olivares havia dito a Vossa Mages- tade que o Duque de Villa Hermosa lhe tinha escrito, que queria hir falar lhe sobre esta materia, que com elle podia hir Mendo da Motta, e o conde os ouviria, e que na consulta espera Vossa Ma- gestade hira tudo disposto de maneira, que Vossa Magestade o possa resolver sem est'outra diligencia, que Vossa Magestade escuza, por não dar motivo mayor do aperto deste successo, que o que elle mesmo trás consigo. E que o Conselho esteja muy certo, que Vossa Magestade accudira a este negocio com todas suas for- ças, e as de todos os outros seus reinos polio que estima e quer ao de Portugal. E que Vossa Magestade se fica com a consulta, de 13 do prezente para resolver todas juntas. Acerca da primeira parte desta ordem, em que Vossa Mages- tade [121 v.] manda advertir ao Conselho, que a materia da carta que se envia a assinar, polia qualidade delia se devera consultar que pareceo reprezentar a Vossa Magestade que vista a brevidade do tempo [e a] precisa nescessidade de soccorrer nesta monção, a índia, cujo [re]medio por horas se podia impossibilitar, entendeo o Confselho] que fazia o serviço de Vossa Magestade em ganhar estes dias, e m[andan]do logo prevenir o nescessario para o soc- corro, dar junta [mente] conta a Vossa Magestade como o fez, pois em caso que Vossa Magestade não [achas]se por bem, que pas- sasse adiante se não podia ter perd[ido na]da nesta anticipação de tempo ganhando se muito em [o apro]veitar quando elle he tão pouco, para em caso que Vossa Magestade [hou]vesse por bem 378
que fosse agora algum soccorro, e em confo[rmida]de do que Vossa Magestade de novo ordena, se tem feito e enviado ...nar por Vossa Magestade carta para os governadores, com a qual [se des]pachara correo tanto que tornar assinada. E tratando do que se deve e pode fazer, para remedio e soc- co[rro das] cousas da India que tão trabalhada, e oprimida se acha por [todas] as partes, como largamente se tem reprezentado a Vossa Magestade nas [con]sultas de 27 do passado, e 13 do pre- zente, com que Vossa Magestade ... he de parecer o Conselho, que assy para poder recobrar Ormus [como] para obviar os mayores danos, e evidente perigo das outras [pra]ças importantes daquelle Estado, o que sobretudo he neces[sário] se procure, e effeitue, e que sem o conseguir, se gastara [mais] e consumira de todo o cabe- dal, que se empregar nos soccorros ... cada dia em mayor baixa a reputação; he encaminhar que [os in]grezes já que não deixem de todo o comercio da índia polo [menos] disistão da comunicação, e amizade com os reys daquell[as par]tes, e principalmente com el rey de Pérsia, e o trato que tiv[erem] seja com os vassallos de Vossa Magestade e em seus portos somente, [fazen]do se com elles alguma boa liga e composição, para que tendo ... amigos, e aju- dadores, sem este cuidado, e contradição tal [que] se possão empre- gar as armas, e todo o cabedal que ouver, en[ex]peler os outros enemigos da Europa , e se emprenda a recupe[ração] de Ormuz, com certeza de se haver de effeituar, como sera [enten]dendo se somente com os persas; porque ainda que a[quan]do se achara muy florente (o que não está) antes redu[si]do o estremo de fraqueza, e descaimento, hera impossi[vel] [122] resistir a tantos enemigos, naturaes e estrangeiros, e se he assy (como se affirma) que os em- baxadores de el rey de Inglaterra, que estão nesta corte o offere- cem esta mesma liga, affirmando que o seu rey dara a Vossa Ma- gestade toda a satisfação possível, dos danos que seus vassallos cometterão, e se contentara com a parte do comercio, que se lhe conceder, se deve abraçar, e admitir logo a proposta, e tratar da conclusão delia com toda a brevidade, mandando Vossa Magestade ouvir primeiro ao Conselho de Estado e aos governadores de Por- tugal, e a este Conselho, para que apontem por parte daquella coroa (como a mais intereçada) tudo o que acerca das condições que se devem assentar, se offerecer, e Vossa Magestade com inteira noticia, o resolver, advertindo que ha mais danos cometidos polios ingrezes, de que pedir emenda que este de Ormuz, como forão os das naos de Dom Manoel de Meneses, Dom Chistrovão de Noro- nha, e outros que a seu tempo conveniente se declararão, que todos podem ser de importância para melhorar, assy a satisfação, que se lhes ha de pedir, como as condições da liga, a qual montaria muito concluir se. E avisar se delia a India com suma brevidade, tanto que estiver feita se o recado e ordem certa não puder hir nas naos deste ano. 379
para que aquelle Estado respire sabendo que não ha de ter mais por enemigos aos ingreses, e retirando se elles da comunicação da Persia e de Ormus fique mais certo o haver de recobrar aquella praça, e com este fundamento, se dem as ordens nescessarias para o fazer. Sobre se convirá enviar nesta monção, mais soccorro que o das tres naos de viagem e duzentos mil cruzados em dinheiro, de que se trata, parece ao Conselho, que posto que as difficuldades que se reprezentão, da brevidade do tempo, e falta de dinheiro, são muy grandes, e tanto mayor a nescessidade de soccorrer aquelle Estado, e mostrar aos vassallos que nelle servem a Vossa Magestade, aos amigos, e aos enemigos que tem Vossa Magestade o cuidado de lhes acudir; que requere o grande aperto em que se achão, e que se faz logo, na forma em que foy possível, a respeito do tempo em que o aviso chegou ficando se trattando de outro mayor soccorro, para que emquanto elle vay, se animem com este de agora, e se accuda a tantas partes, que podem estar com nescessidade; que esta con- sideração deve obrigar a Vossa Magestade a romper por tudo, e mandar que resolutamente se tratte de apprestar dous ou tres gal- leões dos da armada [122 v.] que vão nesta monção prezente de Março, não detendo portanto (?) hum só dia as naos, antes man- dando que no mesmo pon[to] que estiverem prestes, partão, sem esperar outro recado, e os ga[le]ões vão em seu seguimento, logo como se ouverem accabado desp[ois] porque posto que sayão alguns dias despois, como são navios [me]nores, e mais ligeiros, vão me- nos arriscados a arribar, e he evidente, a grande utilidade que se seguira, de os haver envia [do] em caso que succedesse, arribarem as naos ou alguma delias (co[mo] muitas vezes se tem visto). E que hindo mais navios, podem levar mais gente, e milhor acomdicionada, dividida por e[lles], que junta toda nas naos, nas quais por razão de apertura e de [co]modidade, adoece, e morre a mayor parte, alem do que se tem por nescessario enviar ao viso rey da índia, navios de alto borfdo] porque em Goa não havia mais que tres gal- leoes, sendo [perdidos] cinco em Ormus, e para os fabricar de novo estarem as cousas daquellas partes redfuzidas] a taes termos, que importe muito mais a chegada deste pequeno [soccor]ro antici- padamente com as naos, que do outro mayor [em] Setembro, para para que se accuda aos accidentes que entretanfto so]brevierem. E com o que nelle for se va o viso rey entre [tendo] ate que lhe chegue mayor poder, e porquanto para o apresto das [naos] e du- zentos mil cruzados que ellas hão de levar, entende o [Conselho] que serão bastantes, os effeitos, que se tem apontado aos governa- dores, do procedido da pimenta e dereitos da nao Paraíso: dos [cin ] — coenta mil cruzados que restarão do serviço dos homens de nefgo- cio] do ano passado, do que se espera que dara o bispo inquisidor ger[al] dos bens confiscados, e acrescentando lhe o procedido das ren[das]? das terças, e o que forem rendendo; e dos sobejos 380
dos contratos e almoxarifados, com o dinheiro que ouver na Camara de [Lis]boa do rendimento do Real d'Agoa, que Vossa Magestade deve man [dar] que se aplique a esta nescessidade. E os mais effeitos [que] apontarão em huma consulta do Conselho da Fazenda de 23 do [ano] passado, excepto os depó- sitos, dos depositários da corte, e da [camara] e asim vira a faltar somente, o dinheiro nescessario para o [cus]to dos galleões, que agora forem, para o qual não pode de [pois] haver outro algum remedio, que vender se juro. Porem a[cha] que deve Vossa Magestade haver por bem se venda a quantidade [que for] [123] nescessaria, dando para isso comissão e poder bastante aos governadores, e ordenando que a venda se faça, poios ministros que entendem na redução delle, e se envie logo a Vossa Magestade hum orçamento do que ha de custar este apresto. E acerca deste ponto he de parecer Mendo da Motta que para despachar os tres galleões, se não deve fazer novo empenho estando feito outro, como empréstimo que no ano passado se pe- dio aos homens de negocio, cujo pagamento se lhes ha de situar, a razão de juro, da parte que se lhes não satisfizer vindo as naos deste anno, ao que juntando se o que sera forçoso vender para o soccorro de Setembro sera mayor a carga do que a fazenda de Vossa Magestade pode sofrer, e impossibilitada de todo para ao diante, e que visto como huma das cousas, em que o viso rey da Índia havia de gastar dinheiro, do soccorro que agora se trata de lhe enviar, he navios, de que a India esta muito falta, man- dando lhe agora tres, se podem tomar dos duzentos mil cruzados, cincoenta ou sessenta mil, para os apprestar, sem acrescentar mais gasto, enviando nas naos os cento e quarenta ou cento e cin- quoenta mil cruzados que restarem, que he muy bom soccorro junto com o dos navios. Parece mais ao Conselho, que se devem logo nomear para estes navios, capitão mor, e capitães de confiança e experiência do mar, e da guerra, e que o capitão mor poderia ser Nuno Alvares Botelho, que tem feito duas vezes a viagem da índia com bons successos, e mostrado valor, e talento, para se fiar dele qualquer facção de importância. E nesta occasião dos avisos de Ormuz, se offereceo para tornar a India, e fazer lhe Vossa Magestade merce em forma que va contente e obrigado. Que a gente de mar, e guerra, se deve mandar logo fazer pollo reino, e lugares da costa, encarregando a leva delia as pessoas de mais authoridade, que ouver em cada comarca, que sem despeza, e com bom modo. he de crer que a ajuntarão e enviarão, se entenderem que fazem nisso serviço a Vossa Magestade. E aos governadores se dem para tudo larga mão, e se lhes signifique, que Vossa Magestade se havera por muy bem ser- vido do que fizerem, para que vencidos, todos os impedimentos, se appreste o soccorro, e sem embaraçar, nem deter as naos. 381
parta [123 v.] nesta monção a tempo que assegure a viagem. E trattando do mayor socorro que he nescessario man [dar] e de quando, e como se deve dispor, parece ao Conselho que se t[rate] demais de assentar liga e amizade com os ingrezes, não [man]dar fazer hum grande esforço para soccorrer a India, com [ar]mada poderosa, se perdera aquelle Estado dentro de muy b[reve] tempo por se achar falto de todas as cousas nescessa- rias a [sua] deffensão, e tão rodeado e opprimido, de enemigos, natu[rais] e estrangeiros que ainda no tempo de sua mayor pros- peri [dade] os não pudera per si so contrastar, e que este soc- corro he nece[ssario] não somente para recobrar Ormuz, mas para atalhar [que] se não percão as outras praças importantes, se Deos for [servi]do que ainda estejão em salvo, e se deve enviar em todo ca[so na] monção de Setembro deste ano, não o deixando para [a de] Março do que vem, como de Lisboa se aponta; pois sferia] dilata lo dous anos primeiro que chegasce a India, e em tão [lar]go espaço podem succeder mayores des- graças, que a prezentfe de] chegar o remedio tarde. Polo que em todo caso se ha [de] procurar que va em Setem- bro, sem admitir cousa em con[trario]. E que o soccorro deve ser de oito galeões, de força bem [arti]lhados, com a gente mais pratica, e exercitada que se [possa] haver, e hum capitão mor de taes partes, authoridade [e] valor que se possa ter por certo sabera bem executar a [ordem] que se lhe der advertindo que as praças, que mais se d Te vem] temer e soccorrer agora, (alem de Mascate) são M[oçam]bique, e Malaca. E que a Moçambique pode hir s [ocorro] nas naos, que partindo cedo terão lugar de se deter [la] e deixar provida aquella fortaleza. E o socorro de Malaca [se] deve encarregar ao viso rey da índia muy encare- cid[amente] e tratar se se convirá enviar ali capitão geral a [pro- pósito, e com mais forças e menos idade para os trabalhos [de] guerra, do que tem Antonio Pinto da Fonseca. [Para] tão grande gasto, como este appresto havera de fa- zer, [não] tem a fazenda de Vossa Magestade da Coroa de Portugal susta íncia] nem cabedal algum sendo nescessario que haja logo [di]nheiro prompto com que se comecem a prevenir as cou[sas] nescessar'as, e discorrendo sobre os meos que pode- ria haver [para] [124] o ajuntar, com prossuposto de que o reino ha de ajudar sem embargo do em que reparão os gover- nadores, e pedir se aos prelados e eclesiásticos que o fação. Pa- rece ao Conselho que o mais que se poderá tirar do reino, ou por meo de contribuição cu de imposição na carne, vinho, e ou- tras cousas de gasto, e sustento ordinário, que se tem por meo mais suave o qual se ha de deixar a disposição dos governadores, com comunicação da Camara de Lisbca, serão trezentos mil cru- zados, e que Vossa Magestade mande vender, sobre as rendas reais, duzentos mil cruzados em juro de a vinte, e soccorrer e aju- 382
dar da Coroa de Castella com outros duzentos mil cruzados, que (azem cumprimento de setecentos mil. Que com elles, e o que derem os prelados e eclesiásticos, que he incerto, e nunca poderá ser muito, se entende que havera o necessário para fazer este soccorro, mandando Vossa Magestade também dar logo as qua- renta peças de artilharia de bronze que se lhe tem pedido, para armar as naos deste ano, e que se declare sem dilação, como Vossa Magestade he servido de ajudar da Coroa de Castella, com os duzentos mil cruzados para que entendendo o os povos e os eclesiásticos do reino, se animem, e disponhão de milhor vontade a concorrer de sua parte, no que se lhes ha de pedir e lhe seja de exemplo o ver que Vossa Magestade manda dar o dinheiro, de huma coroa, e empenhar o património da outra. A parte de guerra que ha de hir nestes galleões parece ao Conselho que por todas as vias se deve procurar, que seja de ser- viço, e a mayor quantidade que ouver prattica, e exercitada, ti- rando a das fronteiras de Africa, e das armadas e que princi- palmente se procurem alguns fidalgos e capitães de confiança, exercitados na milícia e modo de pelejar com os estrangeiros, de que na índia ha grandíssima falta, para o que Vossa Magestade deve mandar vir de Frandes ao mestre de campo Diogo Luis de Oliveira, que sera a proposito, para capitão mor do soccorro. Ao capitão Francisco Correa da Silva, filho de Henrique Correa da Silva, e ao capitão e sargento mor, Manoel Franco, os quaes com as comendas vagas se poderão accomodar, e ordenar lhes que tragão consigo [124 v.] alguns soldados portugueses práticos seus camaradas, que pascem juntamente com elles a índia, e la sirvão de cap[itães] de infantaria; e adestrem os soldados. Que a gente de m[ar] se ascente logo, e se lhe comece a pagar, e se tratte de faz[er] bombardeiros signalando particular pessoa, que os obri[gue] a accudir certos dias a barreira, a exercitar se: que se [passe] ordem geral e effectiva para que todos os despachados [da] India que ha no reino, se embarquem neste ano, como [ja] se ordenou nos últimos passados, e os que o deixarem de fazer, percão seus despachos, e se dem os meos nescessarios para se executar, sem remissão, e se vão prevenindo [a] tempo e todo cuidado as mais cousas nescessarias de mo [do] que o soccorro não seja fantástico, mas util, e effectfivo] de tal maneira que levando o Deos a India a salvam[ento] se possão com elle con- seguir, effeitos tão importantes como [são] os para que se ordena. Dom Antonio Pereira acrescenta que sendo tão [aper]tados os termos a que as cousas da índia se tem reduzido não somente tem ella nescessidade de Vossa Magestade a mandar seccorrer agora nesta monção de Março, com alguns navios, e na de Setem- bro com os que nesta consulta se apontão, mas tamfbem] na monção de Março do ano que vem, com outro soccorro hi los multiplicando, ate que se milhore o trabalho que [poder ser] e 383
que com este fim deve Vossa Magestade mandar, que as cousas se ... deixando o porem a disposição dos governadores, que como estão mais perto, e tem entre as mãos, o com que se ha [de] obrar, se deve esperar delles que não faltarão a huma [tão] grande obrigação. O Marques de Castel Rodrigo diz, que elle se não a[chava] no Conselho, quando se vio a carta dos governadores, e [orde]- nou a de Vossa Magestade em reposta delia referida no prin- cipio da consulta, e que com o que agora propoem o Conselho acerca de fazer liga com os ingrezes, e se enviar soccorro de ar- mada [po]derosa, na monção de Setembro deste ano se conforma: enquanto ao soccorro de três galleões que se tratta de enviar na monção de Março deste ano, he de parecer, que as im[possibi- lidades que os governadores reprezentão, vendo as [de] mais perto [125], e com o desejo de acudir a esta nescessidade, que he comum em todos os ministros de Vossa Magestade, são tão gran- des que não convém atropela las, levando adiante a prattica do soccorro, com evidente risco de perder o tempo, e o dinheiro, (em caso que o haja) e acrescentar difficuldades ao que se ha de fazer na monção de Setembro, porque ainda quando os na- vios, que este ano servirão na armada, estiverão novos e sãos (o que passa pollo contrario, porque tem servido alguns anos, e se achão mui maltrattados, de tantos mezes de navegação como agora fizerão) soo para os alimpar, e recorrer hera o tempo bre- víssimo, havendo elles mister muito grande concerto para via- gem tão larga como a da índia, demais do que não ha manti- mentos feitos, nem trigo conveniente para o biscouto, e sendo sempre muy grande a falta de gente para as armadas, custuma a ser muito mayor, quando com o despacho das naos concorre outro de galeões, como a experiência o mostrou nos dous anos passados, e principalmente no em que arribou Dom Afonso de Noronha, que por respeito dos galeões, que a principio se orde- nou que fossem doze, e despois se reduzio a quatro e dous pataxos partio tão tarde que nem elle nem as naos passarão a índia. E com muita razão se pode temer que neste ano succeda o mesmo, por se começar o apresto tanto mais tarde, e com tantas faltas irremediáveis, e ser muy contingente, que hum apresto, embarace, e atraze o outro, e venha tudo a partir fora de tempo, e arriscado a arribar, não dependendo o remedio da índia tanto do pouco soccorro, que lhe podem fazer tres galeões velhos, e mal arma- dos como de que não lhe faltem as naos, e o comercio, que he o com que se sustenta, e conserva: para o que se deve também considerar, que posto que aquelle Estado perdeo, em Ormuz cinco galeões, havendo chegado o Conde da Vidigueira viso rey, com dous e um pataxo, e com o dinheiro que levou e vendo a falta delles, que a índia tinha, os mandaria fabricar e estarão iá accabados quando estes chegarem; e que para o que toca a reputa- 384
ção, e animo dos vassalos, e amigos sera de mais effeito saber se, que se fica dando principio ao soccorro de huma poderosa armada, que ha de hir [125 v.] em Setembro, que chega- rem sós três galeões, com os quais [se não po]de ententar fação de importância; nem de faltar [pa]ra este pequeno soccorro, se pode arguir que tem Vossa Magestade m[ais] cuidado das cou- sas daquelle Estado do que ellas o requerem pois havendo che- gado o avizo da perda de Ormuz em fim de Dezembro e par- tindo as naos nos primeiros de Março, f[ica] claro, que em tão poucos dias, se não podia aprestar soccorro. E com a certesa de que Vossa Magestade o ha de mandar em Setem[bro] se hirão entretendo, e a fama delle, fara conter os en[emi]gos; ao que se acrescenta, que quando os navios forão mais a proposito, ouvera mantimentos e o tempo fora bast [ante] não ha dinheiro, nem cabedal para esta despeza, nem [disporjo nescessario para as tres naos, pois como os governadores o di- zem, ha somente cem mil cruzados da pimenta, [so] mil cruzados dos dereitos da nao Paraizo, cincoenta [mil] cruzados, que res- tarão do dinheiro do serviço do ano p[assado]. E outros cin- coenta mil cruzados que se poderão esperar do inquisidor geral, e faltão cento e cincoenta mil cruzados para os quaes não ve elle marques outro dinheiro certo [mais do] que o que o que ouve na Camara de Lisboa, do rendimento do Real d'Agoa, que ate gora se não sabe quanto importa e não [pode] ser muito, e os outros effeitos de que tratou a consult [a do] Conselho da Fa- zenda das rendas das terças, sobejos dos contrattos, e almoxa- rifados e os mais, não julga por [prontos] e seguros, antes por fantásticos, como os governadores [o dão] a entender. Pois havendo se lhes aprovado, não faz [em] menção delles na ultima carta, que escreverão a Vossa Magestade. E assy quando delles se tire alguma cousa, virão a faltar para as naos, perto de cento, e cincoenta mil cruzados, para os quaes, sera forçoso que Vossa Magestade mande logo dar comissão aos governadores, que vendão a quantidade de juro nescessario en- viando se lhe provizão, e poder bastante, para o fazer porque de outro modo não acharão dinheiro, e disendo lhes que Vossa Magestade fia delles, que não uzarão delia, salvo em ultimo re- médio, como succedeo, no ano passado, em que se deu a mesma comissão, e não usarão delia. E quanto [126] a ordem lhes deve Vossa Magestade encarregar muy apertadamente o bom e breve despacho das naos, significando lhes desde logo o animo, com que Vossa Magestade está, de ajudar aquella coroa, nesta occasião, com as forças das outras, para que assy trabalhem com mais confiança, e certesa de conseguir o que tanto importa. E acrescentando que convém muito trattar se de que nas naos vão a Índia, alguns fidalgos feitos, e de importância, e que sobre 385 36
os que devem ser, e o modo com que se poderão obrigar a fazer a jornada, tem dado hum papel ao Conde de Olivares. Em Madrid 16 de Janeiro de 623. Rubricas ilegíveis dos conselheiros O Marques de Castel Rodrigo não rubricou por estar au- sente. 73. [126 v.] Consejo de Portugal Satisfaziendo a lo que Vuestra Magestad mando acerca dei successo de Ormuz por orden de 14 dei presente que hoy se ha visto declara el Consejo que entendiendo lo mucho que importava ganar tiempo en el soccorro de la India para que fuesse en esta moncion de Março alguna parte do que se hazia en ello servicio a Vuestra Magestad pues quando fuesse servido de ordenar otra cosa no se haveria perdido nada se ordeno que embiase a firmar de Vuestra Magestad la carta de que se tratta. Y trattando dei remedio de las cosas de la India y soccorro que se deve hazer parece al Consejo que primero que todo se deve acetar lo que se affirma que offrezen los embaxadores de Inglaterra de hazer una liga y contentarse con la parte dei comer- cio de la India que se le concediereis para que sin la grande con- tradicion que hazen se puedan bolver las armas a los otros ene- migos d'Europa y que sin conseguir esto antes, sera impossible recobrar a Ormuz y seria de mucho effetto hazerlo con brevedad, y enbiar el aviso a la índia. Que en todo caso se deve procurar que sin detener las naos vayan en esta moncion de Março tres galeones de soccorro, para cujo appresto (porquanto para el de las naos estan senalados já bastantes effettos) se deve dar comission a los gobernadores que vendan la quantidad de juro que fuere menester, y en este punto parece a Mendo de Motta que para aprestar dos galeones se tomen 50 hasta 60 mil cruzados de los duzientos mil que han de llevar las naos y no se haga nuevo empeno. El soccorro mayor es de parecer al Consejo que vaya en Setiembre deste ano que sea de ocho galeones bien armados, que se procure gente platica, y particularmente algunos portugueses que anden sirviendo en Flandes y que siettecientos mil cruzados que han de ser neces- sários se podran juntar, vendiendo duzientos mil cruzados en juros sobre la Hazienda Real dei reino dando los lugares trezientos mil o por contribuicion o por imposicion como fuere mas suave lo qual se dexara à los gobernadores y Camara de Lisboa, y mandando Vuestra Magestad proveer luego por venta de la Corona de Cas- tilla duzientos mil cruzados y las quarenta pieças de artilleria de 356
bronze que se han pedido a lo que crescera lo que los prelados y ecclesiasticos dieren con este exemplo que no puede ser mucho; y Dom Antonio Pereira accrescienta que no solo sera necessário soccorrer la India en Março y Setiembre deste ano mas em Março dei seguinte y se deve procurar hazerlo assi dexandolo a dispo- sicion de los gobernadores que estan de mas cerca. El Marques de Castel Rodrigo declara que no se hallo en Consejo quando se ordeno la carta de que tratta esta consulta y se conforma con lo que parece al Consejo acerca de la liga con los ingleses y soccorro para Setiembre y parecele que el soccorro de tres galeones em Março no se effettos que se han appuntado para el despacho de las naos no son bastantes ni seguros, y para lo que falta se deve dar comis- sion a los gobernadores, y embiar en las naos cavalleros de con- fiança que se podrian accomdar (sic) en la forma de un papel que ha dado el Conde de Olivares. Conviendra que Vuestra Magestad mande ver toda esta consulta por no poderse refirir en el membrete las razones y fun- damientos delia. I^- Para luego luego. (s/c) Rubricas ilegíveis [127 v.] Acabo de recivir la carta de Vuestra Magestad estoy muy cierto de la merced que me haze. Al Duque de Villa Hermosa 14 de Enero de 1623. Sobre lo de Ormuz. 74. [129] Senhor Vendo se em Conselho a copia inclusa de huma carta de Fernão d'Albuquerque governador da índia, sobre o grande aperto em que fiquava aquelle Estado, e o que importa ajuntar no Sul as forças das Coroas de Castella e Portugal para lançar de todo os olandeses daquellas partes e o que os governadores do reyno dizem em confirmação do parecer de Fernão d'Albuquerque, e o Conde de Faro em particular apponta sobre se tornar a introdu- zir a navegação e comercio de Lisboa em dereitura a Malaca. Pareceo enviar logo a Vossa Magestade estes papeis, e re- presentar lhe, que o governador da India escreveo a Vossa Ma- gestade esta carta encarecendo tanto o evidente risco de se per- der em que se achava: antes de se perderem Queixome e Ormuz, de serem tomadas as galeotas da China, e estar Meliapor de cerco, como que tem crescido tanto o dano e perigo, que fiqua muito mais notoria a extrema necessidade de soccorrer aquelle Estado 357
poderosamente e com suma brevidade para que se possa susten- tar contra tantos e tão grandes enemigos mandando Vossa Ma- gestade fazer para o conseguir o esforço que este Conselho por tantas consultas [129 v.] lhe tem pedido, e lembrado, ajudando a Coroa de Portugal, que esta tão impossibilitada cofmoj consta a Vossa Magestade da de Castella com arte [lha] ria e dinheiro prompto, e tomando em tudo t[ão] breve resolução como o pede o estado do [tem]po e perigo da índia. Em Madrid 8 de Janeiro de 623. Sobre o que propoem o Conde de Faro de se tornar a con- tinuar a navegação de Lisboa a Malaca [he] de parecer o Con- selho que por a fazenda de Vossa Magestade se não achar em termos de poder accudir a este novo gasto; e se entender que se fosse po[ssivel] conviria introduzir se esta comunicação ao mesmo conde, deve Vossa Magestade encarregar [quem] o procure por via de mercadores que arm [assem] alguns navios para este tratto; significando lhe que se havera Vossa Magestade por servido do [que] fizerem para que se encaminhe. Rubricas desconhecidas. 75. [130] Senhor Por algumas cartas que vão nestas vias entendera Vossa Ma- gestade os termos e aperto que as cousas deste Estado estão re- duzidas, e o pouco que se pode qua fazer nellas com a grande falta e impossibilidades que em tudo se padesem por faltarem ha dous anos naos do Reino e a multidão de inimigos que a estas partes são passadas, trazer ocupados estes mares, assym do Norte como do Sul apoderando se do comercio, e fazendo como tem feito grossas prezas com que os vassalos de Vossa Mages- tade estão consumidos e suas alfandegas sem o rendimento. E por eu entender que faltaria a minha hobrigação se não disese a Vossa Magestade, com toda a verdade e liberdade com que em semelhantes ocasiois e matérias devem os vassallos, e criados fallar a seu rey, e senhor o que nesta se me reprezenta e sinto delia pois minha idade e expiriensia e zello do serviço de Vossa Magestade me dão tãobem lisença por isso, diguo senhor que não fica isto em estado do que soffra nehuma dilação em se lhe acudir com remedio e cabedal suffisiente, pera atalhar a ruina que esta ameaçando, e que em falta disso a temo muito por não vir qua poder que possa constratar o muito que estes inimigos tem mitido nestas partes, pois nenhuma cousa dizemparada de forças propias, e rodeada e constratada como isto he oje [130 v.] 38S
e esta de tantos contrários assy vesinhos como estrangeiros se pode conservar muito tempo. Lembrando mais a Vossa Magestade que este Oriente, he hum riquisimo e mui opulento enperio de todas as mayores ri- quezas e cousas prisiosas do mundo e que hoje estão todas mais descubertas e patentes do que nuca (sic) estiverão de maneira que se estes inimigos o não infestarão fora muy grande o rendi- mento que dera, e que se por elles andarem hora qua ocupados não molestão nem inquietão as costas de Espanha como fazião antes de se lhes primitir esta navegação se pode e deve temer muito o mayor trabalho que depois darão cheos de tantas rique- sas e avendo sobre estas cen[tos] de rasois, outra mayor e mais propia para mover o catholico e real peito de Vossa Magestade que he a mui copiosa christandade que ha por todo este Oriente e o muito que Deos se servira de tudo o que se fizer por sua con- servação da ... Vossa Magestade. ... Por todos estes tão grandes respeitos, fazendo todo o maior esforço posivel, e ajudando se de todos [os] meios que ouver lugar, manda por ambas as Coroas de Portugal [131 v.] e Castella ajuntar a maior armada d'alto bordo que puder ser com ordem que passe loguo em direytura ao Sul e a carguo de pesoa de huma ou outra coroa donde mais a preposito se achar para demandar os inimigos, e os desalojar e lansar daquellas partes, onde com tanto cabedal e assystensia trabalhão por se intreduzir, e ocupar tudo; e a tem posto nos termos que fica dito. Deos guarde a catholica pesoa de Vossa Magestade como a christandade ha mister. De Goa 20 de Fevereiro de 622. Fernão d'Albuquerque. [130] A Margem Pareceo que se a materia desta carta he de tanta calidade que com grande obrigação nossa a de virmos representar a Vossa Magestade e com a mesma instancia pedir lhe ponha Vossa Ma- gestade os olhos de sua grandesa conforme ao que delia devemos esperar, e que seja Vossa Magestade servido mandar acodir a índia da maneira que pede o necesitado estado em que esta con- ciderando se o que sobre isso diz o governador em as mesmas conciderações que per algumas veses se tem feito no Conselho de Estado deste reino per ante vós com grande sentimento do perigo que se representa da infalível perda do Estado da índia de que se poderão siguir grandes inconvenientes a toda a monar- chia de Vossa Magestade. 389
E porque o Conde de Faro dise que do que voto em voz daria seu parecer peresente enviamos a Vossa Magestade e he o que vay incluso. Lisboa 14 de Dezembro de 1622. Rubricas ilegíveis [131 v.J Sobre o estado em que as cousas da índia se achão e esforço que convém fazer se para se lhes acudir. 76. [132] Senhor Ao Conde de Faro parece que a carta do governador da índia Fernão d'Albuquerque nos obriga a representar a Vossa Mages- tade quão arriscados estão aquelles Estados a se perderem. E a lhes pedirmos todos com muita instancia queira por os olhos nelles, e não permita que seus rebeldes e enemigos lhos tirem das mãos, e os possuão e logrem porque não poderá isto ser sem se temer huma grande roina desta monarchia de Vossa Magestade como o mesmo governador aponta, e se deixa bem entender. Porem porque pellas occasiões presentes não estara a fazenda de Vossa Magestade em estado de poder fazer hum socorro a índia tão gran- de como he necessário pera delia se poderem desalojar os enemigos, parece que convém como lanço forçado não se poder cuidar que Vossa Magestade a desempara, antes mostrar com prevenções da prudência e industria que deseja remediar os danos a que a força de presente não pode socorrer. E porque os mayores interesses e proveitos que os olandeses e rebeldes grangeão com a navegação da índia são dos comércios e tratos do mar do Sul e os mais ordinários são de Malaca para adiante parece que será remedio de muita importância mandar Vossa Magestade que se execute e ponha em effeito a navegação em direitura deste reyno para Malaca; a qual muitas vezes tem parecido necessária por rezões mui forçosas e evidentes que por muitas vezes se representarão a Sua Magestade que está em gloria. E entendo que por se não cumprirem aquellas ordens e por se não por em effeito esta navegação veo Malacca e toda aquella parte do mar do Sul ao miserável estado em que está de presente porque falta gente e soldados pera sua deffensão que nella avião de sobe- jar se esta navegação se continuara. E também afastarão se de nos muitos reys e povos circunve- sinhos a Malacca faltando lhes nella o trato e comercio, pello que forão forçados a receber em seus portos os olandeses e a aceitar a sua amisade para dar sahida as suas fazendas e aver e comprar as que lhe erão necessárias o que tudo se atalha vendo se cada anno 390
em Malacca hum ou dous gaileões com as fazendas de Espana para se venderem e com feira aberta para se comprarem as dos natu- raes. E com esta compra e venda hão de faltar também as fazendas que este gaileões comprarem. As compras dos olandeses por não serem as fazendas daquellas partes muitas em demasia nem poderão tratar e comercear com tanta franquesa e liberdade e segurança por aquelles portos circunvesinhos. E porque são muitos mais e mayores [132 v.] os danos que por este respeito e por esta via se podem fazer aos rebeldes de Olanda e os pro[veitos] que se podem acrecentar em benefficio do serviço de Vossa Magestade, e estão por muitas vezes representados e declarados a Sua Magestade que Deos tem deixo de os especificar neste papel em particular a Vossa Magestade. Bem vejo que contra isto se pode dizer que correrão muito risco [os] navios que forem em direitura a Malacca por rezão dos muitos navios e da muita força com que os olandeses navegão e infestão todo aquele mar do Sul. Ao que respondo que nenhuma cousa necessária se deixa de fazer por temor do risco e perigo, quanto mais que o mesmo correm todos os navios que da índia forem a Malacca e todos os que navegão pello mar occeano. Veja se o que cada dia sucede neste nosso mar e nas costas de Espanha. E alem disto a molti[dão]? dos navios dos olandeses navegão antre as Ilhas de Maluco aonde elles comerceão e pellos mares da China aonde andão roubando, pello que por estas rezões e outras muitas que na materia se [tem] apontado parece caso forçado lançar Vossa Magestade mão deste remedio emquanto as occasiões e o tempo não permitem que Vossa Magestade possa acodir aquelles Estados com mão e braço pode- roso como he necessário. Por que não pareça que Vossa Magestade se esquece delles e os desempara, porque quanto as necessidades, se não pode acodir com força, he prudência acodir lhe com manha e industria, O Conde de Faro 77. [134] Consejo de Portugal El gobernador de la India, y los gobernadores de Portugal enca- recen la necessidad que hay de juntar en el Sur las fuerças de las Coronas de Castilla y Portugal contra olandeses: y el Conde de Faro propone que convendra bolver a introduzir el comercio y navegacion desde Lisboa à Malaca. Representa el Consejo a Vuestra Magestad que el gobernador de la índia escrivio esta carta antes de perderse Ormuz, las galeo- tas de la China y estar sitiado Meliapor con que ha crescido mucho el dano y precisa necessidad de soccorrer aquel Estado breve y poderosamente ajudando desta corona a la de Portugal con artil- 391
leria y dineros como se ha consultado a Vuestra Magestad y que se resuelva sin dilacion. Que lo de la navegacion y comercio de Malaca, se encargue al Conde de Faro que lo propone para que procure introduzirlo por medio de particulares por no hallarse la Hazienda Real en estado para ello. Rubricas ilegíveis 78. [135] Senor En cumplimiento de lo que Vuestra Magestad fue servido mandar por su real decreto de 17 deste se vieron en Consejo todas las consultas que aqui buelven dei de Portugal y los papeies que acusan tocantes a la perdida de Ormuz y al socorro que conviene embiar a la índia asi para recobrar aquel reyno como para con- servar todo lo demas que Vuestra Magestad tiene en la Yndia y aviendose platicado sobre todo con el ceio y atencion que requiere cosa tan grave se boto como se sigue: El Duque dei Infantado que esta es materia de tan grande importância que a su parecer no se avia de tratar otra hasta ver- ia resuelta porque si para Março no parten las três naves ordinárias que han de yr a la índia se perdera todo provavelmente y conven- dria que estas naves fuesen tan en orden y bien bastecidas qual no ayan ydo otras despues que se gano la India si fuese possible y que por agora no se deve tratar de embiar mas socorro que estas tres naves porque faltando dinero promto como escriven los gover- nadores y las demas personas que tratan de su apresto. Y siendo tan dificultoso juntar marineros y tan limitados los dias que ay desde aqui a Março seria poner a riesgo la partida delias si se tratase de embiar en su compania galeones ni otra cosa y siendo esta la principal [136] se deve asegurar y procurar por todos [los] médios posibles que partan a tiempo que [pue]dan pasar a la índia porque assigurfarse] esto en primer lugar se podra despues [tra]- tar de lo demas. Parecele muy bien que vayan en ellas ...cientos mil ducados en dinero demas de los [cabe]dales que han de llevar y que vayan tamfbien] algunos cavalleros portugueses y persfonas] praticas de las cosas de la India y algufnos] soldados de Flandes como se ha dicho en el Consejo. Que vee muy bien la necesidad que ay de artilleria en Castilla y save que agofra] (?) uno (o) dos anos se presto cantidad dfella] a la Corona de Portugal y que no la [ha] buelto. Pero que estando lo de Ormuz y la índia en la necesidad que se save no les puede dexar de socorrer con las 40 [pieças] que piden porque ni en Lis- boa ni fue[ra] delia no hallaran artilleria con que pufedan] armar 392
las naves que han de partir y [co]mo este ano no ha venido mas que una [de la] India es necesario buscar artilleria pa[ra] las tres que han de partir a Março, y... rar todas las dificultades que para esto [se] ofrecieren que no dexara de haver algunas. Y parecele cosa larga esperar o sacar ... de los efetos que proponen los governado [res] si para que vayan bien armadas estas [tres] naves son menester 450.000 ducados segun ... y aunque lo que procediere del Real dei Agua y lo de la ciudad de Lisboa sera promto ... [139] cree que todo llegara a 100.000 ducados o poco mas y lo que se a de pedir a los lugares del primer vanco y a los perlados y mas personas que el Consejo de Portugal apunta sera menester mucho tiempo para juntarlo y tambien para efetuar la venta de los juros, todo lo qual podria servir para el socorro que huviere de partir despues de las naves de que es de parecer se trate luego y que si pudiere yr por Abril no se aguarde ha embiarlo por Setiembre sino que para ello se haga todo el esfuerço posible y se embien luego a los governadores la licencia y mas recados necesa- rios para la venta de los juros sirviendose Vuestra Magestad de escrevir a la ciudad de Lisboa hasiendola la merced que acostum- bra para que acuda con el Real dei Agua y con todo lo demas que fuere posible. Que asi mismo se escrivã a los perlados y a todos los demas que se suele en semejantes casos pidiendoles Vuestra Magestad que le socorran para necesidad tan precisa y dale mucho cuydado veer el poco dinero que los governadores y Consejo d'Estado, escri- ven que ay en Lisboa y quanto importa que las naves partan a los primeros de Março y asi le parece a de ser necesario y forçoso que Vuestra Magestad les mande hazer algun emprestido por la Corona de Castilla, el qual se podria cobrar de los efetos que los governa- dores senalan en sus consultas. Parecele asi mismo que los dos pataches que estan prestos para partir a la India no vayan con las naves ni partan antes que ellas sino despues. [136 v.] El Marques de Vila Franca, que la mayor causa de romper la trégua de Flandes fue salbar la India a que acudian todos los enemigos por tener paz en sus casas y que costando este remedio tanto falta[r] al primer fundamento seria perdelo ... pro- pio en dos maneras, la primera per[dien]do la India y la segunda perdiendo la sustancia de Spana que Flandes cuesta que asi cum- ple acudir a la India de manera que ni se pierda ni se desperdicie [lo que] en Flandes se gasta. Que el ano que el Conde de Efexes ob... a que Garibay de- sembarcase la plata [en] la Tercera vinieron malas nuevas [de la] India y se resolvio de embiar alia dos galeones de socorro. Y por la priesa con [que] se aprestaron se perdieron todos y no llego alia cosa de provecho sino algu[nos] poços hombres que por la costa de Gui[nea] arribaron a Moçambique tales son los ef[fetos] 393
de lo que no se apresta con toda la perfecion y prevencion conve- niente. Vee ya al Conssejo de aqui de Portugal ... contrato con el de Lisboa y los governa [dores] y que el governador de la India y Portugal p[ide] ayuda de la Corona de Castilla y esta, ... el Cons- sejo pasado fue de parecer se ... tratando de lo de Guinea y la Mina y agora entiende que la conveniência dei socorro no esta en que vaya junto sino que vaya a tiempo aunque sea en diferentes tiempos. Y lo que piden de dinero de aca se [137] podria convertir en darles quatro galecnes armados de todo y puestos a la vela de los que ay en la Armada dei Mar Oceano y Estrecho de Xibraltar pero que estos no sera posible que puedan yr para Março si bien no iran tarde yendo en Setiembre subordinados a las caveças por- tuguesas porque lo demas seria cisma de naciones. Que los governadores piden licencia para vender juros y al marques le han certificado que aquella corona deve oy a Vuestra Magestad mas de 900.000 cruzados pero que agora es forçoso dar esta permision para que las tres naves partan a los primeros de Março o medio a lo mas largo mas que a esto se sigue despues dili- gente averiguacion desta deuda. Le parece que es tan precisa nece- sidad como conceder la permision que agora piden, y en lo que es consultar personas le parece tambien que los governadores debrian ser oydos y que el Conssejo de Portugal no se reduxese a una sola pues para cappitan mayor no nombra mas que a uno. Que la carta dei virrey de la índia aun da peores nuevas de las fustas perdidas de la China y cerco de Meliapor con que parece se van dilatando alia los danos en mas maneras y no seria de pare- cer se resuelba agora que las naves vayan solas sino que las dili- gencias se hagan para que con ellas vayan galeones, solo para adelantar el apresto dellos para que puedan [137 v.] partir a Se- tiembre y en esto se valga de los navios de su armada. Y que desde lu[ego] no se pierda tiempo en el concierto dellos. Que el buscar hazienda en Portugal por [m]ano de los gover- nadores para acudir a la nece[si]dad presente lo tiene por tiempo perdido y que para el socorro que se a de embiar a Seftiembre] convendria desde luego embiar las car [tas] para los perlados villas y lugares y los [de]mas que huvieren de contribuir para [esta] necesidad, y personas particulares que ... con ellas hagan parti- cular diligencias. Que en lo que toca a la artilleria que la [Coro]na de Portugal pide no halla dificultad en concedersela pero no save de donde [se] a de dar porque para fundiria no ay [tiempo]; De los castillos toda la que se a podido sacar se a sacado. Las armadas no tienen el cu[m]plimento de la que han menester y asi conve[n]dria que el Marques de la Inojosa respondiese y facilitase esto y que con toda brevedad se le avise dello para veer lo que dicen. Que lo que propone Don Estevan de Faro [acerjca de vol- 394
ver a encaminar el trato de Malaca desde Lisboa es cosa muy con- veniente y que importa mucho endereçar y que otras muchas vezes se ha trata [do] dello y seria bien solicitado aunque [un] navio solo tan llena la mar de cosa [rios] y tan flaco el caudal de los hom- bres de [ne]gocios de Lisboa cree que lo a de dificultar mucho. [138] Entiende seria bien encaminar si por Nueva Spana y por Las Filipinas se pudiese hazer diversion a los olandeses y que esto propuesto al Conssejo de índias y resuelto por el se enca- mine con la mas brevedad que se pueda. Que en los despachos que se an de dar a los que se embarca- ren para esta jornada y traer de Flandes las personas que se piden se corforma em ambas cosas con el Conssejo de Portugal y el Conde de Portalegre. Que la ambre de Lisboa es mucha y ansi a de ser costoso este apresto de lo que a de yr a la India y resume su boto con que yendo agora las três naves y para Setiembre quatro navios de la Corona de Portugal y quatro desta seria el remedio de aquellas provín- cias por agora. Y las tres naves sin darias mas dinero del que ellas pueden sacar concediendo Vuestra Magestad a los governadores la venta de los juros partiran a tiempo y los quatro galeones nues- tros (?) se podran aprestar con parte de los 500.000 ducados que llevava em plata la nave que dio al traves en la Isla de la Madera y los otros quatro dei Reyno de Portugal con las diligencias que el Consejo del propone y con lo que se podra cobrar de deudas atrasadas y once naves a la índia en un ano, parece que es quanto se puede hazer por agora. Don Agustin Mexia que el estado que tiene lo de la índia es bien sabido y quan [138 v.] necesario es el socorrerlo particular- mente por la perdida de Ormuz que agora se [tra]ta de recobrar esta plaça y que no le pa[re]ce sera posible embiar por Março des[te] ano el socorro que es necesario y asi en[pri]mer lugar diria que las tres naves que estan para yr a la India no se detuvie- sen por ninfgun] caso ni le hiziesen de la perdida de Ormuz para su detencion sino que antes les obli[gase] abreviar presto el viaje y seria de par[ecer] que ya que con ellas no puede yr socorro [de] consideracion por Ia brevedad dei tiempo y por [la] imposi- bilidad que ay por lo menos se procurase que fuese con las tres naves un navio y un patache porque aunque no es socorro consi- derable seria de aviso a la índia pues llegaran mas presto que ellas y [en]tenderan alia como Vuestra Magestad estava ap[res]tando mayor ayuda que embiarles para Setiembre y todavia este aviso les dara a[ni]mo y aliento y sera de consideracion el navio y el patache. Que de los fidalgos que se proponen vayan en las tres naves que estan muy bien porque siempre ha oydo dezir a los portu- tugueses que como vaya um fidalgo le siguen [mu]chos y siendo 395
tantos los que an de yr agora sera de consideracion la gente que lleva consigo. Parecele bien lo que ha dicho el Marques de Vi[lla Franjca de los quatro galeones de la Armada [139] dei Mar Oceano y del Estrecho, y que los de Portugal sean seis aprestandolos con el dinero que tienen para aquella armada y con esto no habran me- nester tanta artilleria como piden y pues los governadores trata- van de hazer asiento de cobre sera bien ordenarles que le hagan y que acusen la artilleria que podran fundir por si el Marques de la Inojosa tuviese alguna que prestarles en lugar delia cobrandola despues de la que ellos fundieren. Que lo que toca a la hazienda que los governadores preten- den sacar de aquel reyno el se lo dexaria a ellos para que vean de donde y que cantidad y el modo que an de tener en juntaria pues son los que lo an de hazer y los que saven de donde la podran sacar. El Marques de La Laguna que oy haze ocho dias que se em- peço a tratar deste negocio y por haver estado indispuesto no vino al Conssejo y asi no se hallo presente ni ha entendido mas delo que agora ha oydo hablar al Conssejo y se conforma con el Duque dei Infantado en que las tres naos que an de partir a la índia par- tan luego sin detenerse y en lo que toca a los galeones se con- forma con el Marques de Villa Franca y parecele sera acertado dar luego orden a los soldados que an de venir de Flandes para que vengan y que se les pague lo que alli se les deviere porque sin dinero no podran partir. Tambien le parece que los arbítrios [139 v.] que se huvie- ren de tomar em Portugal en materia de hazienda se encargue la execucion dellos a los vedores de Hazienda pues nadie mejor lo sabra executar y a los demas dixo queria oyr ao Conde de Olivares. El Marques de Aytona, le parece que en primer lugar se haga lo que Su [Magestad] tiene mandado y que en Portugal se ap[res]- te lo que alia toca con mucha brevedad porque con esperança de lo de aca no dexen de hazer las diligencias que deven y que para sacar dinero se hagan las [que] dice el Conssejo de Portugal y en esto se remete a los que tienen noticia de lo de aquel reyno. Que vayan agora las tres naves que e[stan] para partir a la índia porque para las otras no ay tiempo de aprestarias, y tan- bien un socorro pequeno no les a[ni] mara, y mas animo les dara saver [o que] aca queda aperciviendo otro mas poderoso. Que se les ayude con Io que se pudiere de lo que faltare a Portugal y particularmente de artilleria de que tienen gran falta. Del dinero que deve la Corona de Portugal a Vuestra Ma- gestad ha dicho el Marques de Villa Franca que le an afirmado son 900.000 cruzados y el ha oydo desir a persona que lo puede sa[car] que son mas de 2.000 reis y asi le parece conviene [140] 396
se haga mucha diligencia para que no se oculte tanta hazienda de Vuestra Magestad en tiempo que tiene tan poca. Que Vuestra Magestad ha mandado se nombren en este Cons- sejo soldados para esta jornada y le parece que asi se haga demas de los que nombro el Conssejo de Portugal y el Marques de Cas- til Rodrigo y en los demas puntos por no alargar su beto se con- forma con lo que ha dicho el Marques de Villa Franca. El Marques de Montes Claros que la sustancia de todas las consultas que en el Conssejo se an leydo se reduce a recuperar la perdida de Ormuz y ha prevenir los danos de la India asi dei Norte como del Sur y siendo tales qual se representan por las relaciones que de alia vienen seria gran desconsuelo para los de alia y mucho descrédito dei poder de Vuestra Magestad si el socorro no ece- diese dei ordinário que suelie yr otros anos aunque fuese cargando parte dello en el ruydo y prevencion. Que los governadores de Portugal parece que estan tão desa- nimados que aun se puede dudar de que daran cobro dei cuydado ordinaro que esta a su cargo en el despacho de las naves de aquella corona y lo cierto es que execufaren mal cosa contra su dita- men y que ellos desde luego desconfian dello y asi de su parecer. [140 v.] Vuestra Magestd debra mandarles que como si no tuvie- ran otra cosa por su quenta diesen priesa al apresto y despa- cho de las três naves ordinárias que an de yr a la índia de manera que sin falta ni dilacion de um dia puedan partir a pos- treros de Hebrero o quatro de Março que es quanfdo] ordiaria- mente se suele hazer este despa[cho] y que al mismo tiempo se embie comissfion] particular a persona de diligencia y satisfa- cion ordenandole con recaudos y [comis]siones bastantes que tome três galeones de los de la armada de la Corona de Portugal y los vaya aprestando para yr de socorro a la índia tripulando la gen[te] y marineria de la misma armada con [aquellos] que volun- tariamente quisieren hazer este viaje y haziendo dar carena a los galeones y prevenidos de bastimentos y municiones para lo qual se ordene a [los] governadores que de los 200.000 ducados que a[n de] embiar en las naves de la carrera [enjtreguen a esta persona 50.00 dellos para los dichos efectos porque presupuesto que tendra buços artilleria y gente para lo que es municionar y bastecer y dar carena tiene por cierto bastaran los 50.000 duca- dos y siendo menester mas se po[dra] ordenar al inquisidor mayor de Portugal que por quenta de los 50.000 ducados que faltan de lo sçrvicio de los hombres de la nacion v[ayan ?] [141] socorriendo para este efeto. Y pone en consideracion a Vuestra Magestad que podria ser a proposito para esta comission el Conde de Faro por ser persona de hazienda y de buena mana y que querra hazer este servicio, a Vuestra Magestad fiandole dei. Al qual se a de scrivir o a qual otra persona a quien Vuestra Magestad se sirviere de come- 397
terlo que estos tres galeones an de estar aprestados y vergas en alto para partir a los primeros de Abril. Y asi mismo sera muy conveniente que desde luego se vaya disponiendo lo que fuere neces- sário para que por Setiembre parta un grande esfuerço de socorro de hasta ocho galeones y se prevengan los médios que el Cons- sejo de Portugal consulta para sacar dineros y otros que se podran ofrecer y buscar y que se vea como convendra que Vuestra Ma- gestad ayude de la Corona de Castilla sin dinero o en navios pues ay tiempo de aqui a Setiembre para poderse deliverar bien, aun- que desconfia mucho dei efeto deste socorro aviendo de correr por mano de los governadores de Portugal cuyo ditamen a sido siempre opuesto a este genero de prevencion y travajo pues es cosa cierta que aviendo el rey nuestro senor que aya gloria padre de Vuestra Magestad mandado al Marques de Alenquer virrey de aquel reyno preveniese doce galeones y teniendolo hecho por el parecer y con- tradicion destos mismos governadores que entonces eran dei Cons- sejo d'Estado [141 v.] de Portugal se dispuso que no fuesen [mas] que seis los galeones dei dicho socorro y ultimamente por ynstancia de los mismos se quedaron quatro dellos en la Armada de Portu- gal y solo se mando yr dos los quales arribo el uno y el otro solo llego a la índia. Lo qual le obliga a volver de nuevo ha representar a [Vuestra Magestad] como lo ha hecho otras vezes quanfdo] conveniente seria reducir aquel govierno virrey pues aun re- publicas libres cu[yo] es el senorio le suelen comprometer [tem] poralmente en uno por mejorar la disposicion y execucion de lo que les conviendra y supuesto que ay dos pataches aparejados y para poder partir seria de parecer que uno se saliese luego dere- cho a Goa con aviso al virrey de que para Setiembre tendra alia las tres naves de la India con el mayor esfuerço de gente y dinero que jamas han ydo y que por el mismo tiempo estavan en Mascate los tres galeones que ha dicho se prevengan que a su parecer de- ven yr alli y no a Goa. Y consequtivamente (sic) por Enero de 624 el socorro de los ocho galeones que yran derechos a Goa y por Setiembre dei mismo ano las naves que partiran el m[es] antece- dente con lo qual el virrey se esforçara y el ruydo causara mu[cha] reputacion y medo en aquellas partes. [142] V a su parecer bastara para prevenir muchos de los danos que se podrian temer y que si todos estos socorros llegasen se podran empreender y esperar mayores efetos y por si arribare alguno como es muy posible es bien que vaya unos trás otros pues goçaran de buenas mociones de Março Abril y Setiembre. Y porque Vuestra Magestad tiene mandado que se trate de juntarse las armadas de las dos Coronas de Castilla y Portugal en Filipinas y la India y sobre esto se va disponiendo lo que parece conveniente aunque el ha sido de parecer en lo ordinário no es ne- cessário que para el socorro de Filipinas embie Vuestra Magestad armada desde Spana juntandose agora tanto poder en la índia Orien- 595
tal y siendo muy posible que quando lleguen estuviese recuperado Ormuz y sin necesidad precisa para (anto empleo. Seria bien va- lemos de la ocasion y que en Filipinas huviese fuerça de armada para que junta con las resultas que quedasen de la índia se hizie- se alguna grande empresa en dano de los olandeses. Y asi le pa- rece que desde luego se vaya disponiendo una armada de socorro para Filipinas y que siendo la mayor dificultad para juntaria y ar- maria el dinero en la conformidad [142 v.] de lo que tiene comu- nicado con el govierno del Conssejo de índias procuraran sacar hasta 500.000 reis de los dos reynos del Pin y Nueva Spa- na sin que se minore ni haga falta para el socorro y embio [o or]- dinario que se trae para Vuestra Magestad de aquellas províncias y convendra que en este aviso que parte para Nueva Spana y en otro que se embie a Tierra Formosa vayan los despachos a los vir- reys para que junten los dichos 500.000 reis y los bien por quenta a parte en los galeo[nes] que an de venir por Otubre o No- viembre deste ano para que con ellos se disponga la dicha armada que a su parecer podra ser de ocho galeones. Tambien le parece sera bien se avize al virrey de la índia de lo que ay depositado en la Cofradia de la Misericórdia de la ciu- dad de Goa que ha dexado los difuntos de alia que tienen herde- ros en Portugal librandolos ac... o embiando parte dellos emplea- dos en pimienta para que con la gran jevi... por quenta de Vues- tra Magestad se paguen y que mismo cobre y se valga de las con- denaciones que aígunos anos ha que hechás en aquel Estado a los que havian [car] gado pimienta sin licencia que se a entendido estan por pagar por ser personas ricas [M3] y poderosas los conde- nados. Don Diego de Ibarra que entre las consultas que se an leydo una es mandando Vuestra Magestad que le propongan personas portuguesas de los que sirven em Flandes y que no sean para ca- veça principal dei socorro que huviere de yr a la índia sino para capitanes. Y que de presente no se le ofrecen mas que el sargento mayor de Simon Antunez que se llama Manuel Franco y Anto- nio de Teyxeyra sargento mayor de Diego Luis de Olivera y de los que propone el Marques de Castil Rodrigo de que el Conde de Olivares truxo memoria al Consejo no conoce mas de o Nuno Gotella y los demas deven de ser a proposito pues el los propone. Que de la importância que es cobrar a Ormuz y acudir a lo demas de la India no ay que encareceria pues por las relaciones que se an leydo se vee en quan manifesto peligro esta todo. Y el modo de acudir a lo uno y a lo otro, y los tiempos quando y como se a de hazer se a dicho ya. Y se fuese posible en compania de las tres naves que han de yr para primero de Março a la índia arribar dos o tres galeones lo ternia (sic) por de grandisimo efeto con tal que por esto no se retarde un dia la partida de [143 v.] las tres naves y seria bien supiesen los governadores que no se las puede ofre- 399
cer para Vuestra Magestad servido de mayor estimacion que pro- curar efetuar este socorro valendose de los médios que proponem y [los que] de aqui se les puede dezir. Y no sabiendo se con que vayan agora estos três galeones no se perdera lo que en ellos se gastare para el esfuerço mayor que a de yr por Setiembre el qual conviene que desde luego se procure aprestar en la cantidad y forma que boto el Marques de Vila Franca. Y en la parte dei boto dei Marques de Montes Claros en que apunta dei inconveniente que es no governar a Portugal virrey se conforma con lo que dice y con la partida dei patache de aviso yendo con consideracion de que no se prometa ... de lo que apa- rentemente parezca se p[ue]de cumplir porque como les animarfa] esa esperança les desesperava veer ... efetos diferentes y aunque de aqui a [Setiembre?] parece que ay tiempo en estas cosas de ap[res]to de armadas nunca ha visto que sobre y asi lo que se huviere de dar ... las Armadas dei Mar Oceano y dei Estrecho se deve prevenir con brevedad y gran secreto porque si supieren ... de los embian piensa habra mucha falta de lo necesario. El Conde de Olivares que le pare[ce] [144] muy bien todo quanto ha oydo al Marques de Montes Claros y que Vuestra Ma- gestad deve darle muchas gracias por lo que dice tiene dispuesto con el governador dei Conssejo de índias. Que las cartas de los governadores de Portugal le parece que san floxas y ponen poco de su parte en caso tan grande y que pon- deran tanto pues embian a pedir hazienda y artilleria para re- cobrar una plaça de aquel reyno tan importante sin ofrecer para elle mas que buena diligencia. Y que en casos semejantes entiende que no solo ayudalo sustancial sino lo mismo aparente y que si huvieran hecho lo que devian cree que a su exemplo tuviera Vues- tra Magestad muchas cartas de aquel reyno como la dei inquisi- dor general del, en que se pudiera hazer caudal de lo que se avia de sacar destas ofertas. Que cree sin duda que los governadores entenderan este ne- gocio como lo representan pero que la emulacion grande que ay entre ellos y este Conssejo de Portugal juzga que tiene mucha parte de culpa en las dificuldades que se proponen que ay, pare- cele que estando todos conformes en socorrer con esfuerço grande por Setiembre y en que se busquen médios para ello difieren en embiar [144 v.] agora tres galeones y esto no es posible que sea por juzgar ellos que no san utiles porque aqui se trata oy de [re]- cobrar a Ormuz y socorrer a la India y que para socorreria fueran mejores dies o doce no ay duda mas que no sean ... les tres no cave debaxo de opinion que no solo tres pero uno y que el juzgar que para el primer efeto de cobrar a Ormuz podrian ser muy bas- tantes y para lo menos lo contrario no lo puede saver nadie por que los governadores ni los otros ministros de Portugal ni este C[on]sejo de aqui no pueden saver oy el estado en que estan aquel- 400
las cosas ni las fuerças que ay alia porque en esto [ha] muy di- versos pareceres. Y siendo [lo] que avian juzgado los governa- dores que no avia mas de tres navios en la India, Gaspar de Mo- lin Pereyra que agora vino de alia por tierra estubo con el Conde y le dixo que eran seis. Tan poco pueden saver lo que ha hecho el Conde de Vide- gueyra y pa[ra] yncertidumbre de todo esto tiene entendido no se puede negar que esta sola fuerça podria aprovechar para cobrar a Ormuz y quando se niegue no es posible que no sean utiles para el socorro que ha dicho ni que ellos lo contradigan. Reparase en la posibilidad y esta [145] es cosa que se puede alcançar facilmente saviendo si ay buços si ay marineria y ha- zienda que el aprestar lo de lo demas lo tiene por negocio muy fácil con esta otra dispussision. Buços no niegan que los tiene ni les pueden faltar proprios o comprados o tomados de estrangeros, y marineria para tres galiones tiene por fácil el aliaria y si no tomen los de la armada misma dei Reyno de Portugal y para el dinero que es menester no dice el en aquel reyno sino en qualquier lugar de los populo- sos dei lo podran sacar en un caso donde son licitas las diligen- cias mas extraordinárias y el conde podria traer a Vuestra Ma- gestad muchos exemplares de quanto mas dificultosas cosas han en- caminado con la superioridad y rigor con que los governadores se valen de los christianos nuevos de aquel reyno y que Don Es- tevan de Faro scrive en una carta suya para el Marques de Cas- tel Rodrigo que bastarian para el apresto de doze galiones 250.000 ducados siendo persona tan pratica y de tanta satisfacion. Que a este respeto se veera quan poco es lo preciso para el esfuerço que agora se propone y que como dixo al principio el que vean obras en la India dei cuydado de Vuestra Magestad sera lo que mas asegurara lo que queda y animara a los que alli se hallan a dar toda buena quenta pues las esperanças no pueden [145 v.] de ninguna manera hazer efeto aviendo tenido tantas de que se socorreria aquella plaça y veerla perdida por no haverse cumplido y aunque sea poco el socorro la sazon y el aprieto dei tiempo les hara conoce[r] el cuydado que ha dado. Y con esta demostracion esperaran lo [que] se les ofreciere para adelante, y ... por lo que ha representado le parece que ni es inposible ni demasiado de dificultoso el hazerse este socorro a que precisamente obliga la ocasion, y que asi se deve mandar por los caminos que a Vuestra Magestad pareciere mas acertado sin replica ninguna. Que halla gran dificultad en qual sera el modo mas acertado de la execucion deste negocio por temer que los governadores aviendo resistido y estando empenados en ello por la emulacion que tiene dicho arriba podria ser que como en conceto ageno (sic) no obrasen todo lo que hizieran [no] huviera nacido dellos que por [146] otra parte si se cometa a otra ministro particular con la 401 26
mano que ellos tienen podrian desencaminar las matérias y retar- dar el apresto y asi se ynclinaria a que se scriviese a los governa- dores que cometisen a uno dellos mismos el cuydado particular deste socorro juntamente con Don Estevan de Faro que como ve- edor la la Hazienda pueda disponer aquello que resolvieren que conviene executar en las matérias delia y aun este camino no se atreve aprovar por las dificultades que se le ofrecen en el. Que el socorro de Setiembre conviene que se haga gallarda- mente y que esto se podra resolver el como despues de endere- çado esto otro. Que enquanto ha socorrer Vuestra Magestad la Corona de Portugal le parece preciso se haga el quanto se podra veer quando ellos den noticia de lo que se podra esforçar aquella corona y que la artilleria que piden prestada es caso forçoso daria y buscaria donde quiera que la huviera haziendo para ello las diligencias que ha dicho el Marques de Vila Franca. [146 v.] Enquanto a personas le parece muy bien la de Don Francisco de Li [ma] Nuno Albarez Botello Don Fernando Mascarenas y Don Manuel de Meneses y que en esto se podria oyr a los governadores y al Conssejo de Portugal y yr entretanto disponiendo los que han nombrado que son los que conoce. Parecele tambien que Vuestra Magestad se sirva de mandar que todo esto se disponga y execute con los arbítrios que a los governadores pareciere con que sean diferentes dei apresto de las tres naos el qual por ningun acidente se a de retardar una ora. Don Fernando Giron se conforma en todo y por todo con el Conde de Olivares. Vuestra Magestad mandara en todo lo que mas convenga a su servido. En Madrid a 20 de Enero de 1623. Rubricas ilegíveis dos conselheiros. 79. [147 v.] El Conssejo de Estado a 20 de Enero de 1623 Inclusas tres consultas dei Conssejo de Portugal en que se representa la importância de acudir a lo de Ormuz y la forma en que se podra hazer este socorro. [151] Por la confiança que tengo como servidor tan conocido de Vuestra Senoria, y tan antiguo del Senor Don Juan Ydiagues tome atrevimento para pedir a Vuestra Senoria, sea servido de passar los ojos por el papel que va incluso con esta y representar 402
en vos lo que en el digo al Senor Conde de Olivares a quien no me atrebo a escrevir porque sus muchissimas occupaciones no le dexaran tiempo para leer mas papeies, y el negocio es de tanta importância que me acusaria apretadamente la conciencia por lo que devo y desseo al servicio de Su Magestad si no intentara todos los remedios para que Su Magestad sea bien servido. En el nego- cio de la recuperacion de Ormus, no solamente se arrisca honra, credito, y reputacion de Su Magestad y de su monarchia si no si recuperare, pêro se pone en riesgo toda la India y todo lo que Su Magestad tiene en todo el Oriente, por lo que todos los que zelamos su servicio y mucho mas todos los que lo tienen a su cargo estamos obligados a con todas veras y con todo el cuidado y con todas las fuerças a tratar desta recuperacion y restituicion primero que de todas las otras cosas, y porque podra ser que quando Su Magestad mando a los governadores que propusiessen esta materia en Consejo d'Estado aya sido singular my votto embio la copia del a Vuestra Senoria, con este papel solamente para que Vuestra Senoria, me haga merced de lo referir al senor Conde de Olivares por que no temos lugar a quexas comunicandosse a mas personas, porque pienso [151 v.] y entiendo por la noticia que tengo por los muchos dias que à que sirvo a Su Magestad en es- tas matérias que el boto es importantíssimo para se acertar en este socorro, por lo que buelvo a suplicar a Vuestra Senoria que vea el papel y lo considere y lo refiera el senor Conde de Oliva- res para que pueda ordenar o que mejor pareciere para el servi- cio de Su Magestad. Guarde Dios a Vuestra Senoria muchos anos. De Lisboa 14 de Henero de 1623. O Conde de Faro. 80. [152] Copia de una carta para Su Magestad Propusosse en Consejo d'Estado conforme a la orden que Vuestra Magestad embio para se tratar de la recuperacion de Ormuz y de assegurar la deffension de las demas fortalesas de la índia tratandosse en la cantidad de socorro necessário, y tiempo de la partida del, y en la navegacion, viage, y derrotta que devia llevar, y porque uvo variedad en los bottos, y el mio podra ser que en parte sea singular, y que representandosse a Vuestra Ma- gestad no se representen las raçones en que me he fundado, me a parecido que era obligacion dei zelo con que devo procurar el ser- vicio de Vuestra Magestad representarias brevemente en este pa- pel para que mandandolas Vuestra Magestad considerar y ver- ordene lo que mejor le pareciere. No tratare de la necessidad de la recuperacion de Ormus porque es cosa por si misma tan notoria 403
que con mucha facilidad se dexa entender que en toda la monar- chia de Vuestra Magestad no ay cy necessidad mas percisa y urgente que la desta recuperacion, y per la misma raçon me parece, que es summamente importante la brevedad del socorro y fuerça necessária para se recuperar, y no se dexar meter tiempo en me- dio, ansy porque los persianos no lo tengan para que se fortifi- quen mas y hagan mayores prevenciones para su deffension y para llamar a otras naciones dei Norte y de nuestro Occidente que los ayuden a que sean senores de la mar, como tambien porque los otros reys de la India en cuyos destritos tiene Vuestra Magestad ciudades y fortalesas, viendo la dilacion y conociendo en ella, o la menos fuerça, o la menos estima y desprecio que Vuestra Mages- tad hace de aquellos Estados, no se atrevan a intentar semejantes insultos que es raçon muy importante por la mucha fuerça que los maios exemplos tienen. Y porque la ciudad y fortalesa de Ormus esta en una isla y el remedio [152 v.] para se recuperar consiste en que se le ponga cerco por la mar para que no le entre agua ny bastimentos que no ay en aquella isla mas que sal, parece que el socorro que se deve ordenar para esta restauracion a de ser de tanta fuerça de baxeles y navios que seamos senores de la mar contra qualquiera poder de los ingleses, porque los persianos no tienen navios, ny de que los hagan y ansi nunca tuvieron fuerça en la mar ny la pueden tener, y parece que bastaron los doze galeones, y navios de la armada de la Corona de Portugal reformandosse de los que no puedan nave- gar y que en ellos vayan enbarcados dos mil e quinientos solda- dos y mas siendo possible, bien adereçados y buena artilleria y bastante como conviene a esta occasion. Y esta fuerça parece que bastara con el socorro de la India que deve llegar al mismo tiempo para ayuntarse con este con los bastimentos necessários demas de la gente y navios de remo que deven yr en compafiia y porque como tengo dicho la brevedad es lo que mas importa en este socorro y veo las deficuldades dei tiempo para que se pueda aprestar, pa- receme que [sera] muy necessário, y aun conveniente que salga esta armada dei puerto de Lisboa en el mes de Setiembre proximo y vaya al de Moçambique porque para este mes de Março no es possible que se pueda aprestar tanta armada, y el viage de Setiem- bre es mas seguro, que es tiempo de verano y van los galeones libres de las tormentas dei Cabo da Buena Esperança y pueden llegar a Moçambique hasta el principio de Henero seguiente. Y por- que tambien me parece que es necessário de que esta armada vaya de Moçambique a Ormus derechamente por las raçones que dire, parece que sera necessário mandar Vuestra Magestad avisar por las naos que iran este mes de Março para la índia al virrey delia, que embie en el mes de Noviembre que es tiempo de moncion para Moçambique, algun navio que traiga de Ormus enformacion bas- tante dei estado del e de sus cosas, para que el general que fuere 404
en la armada tenga períecta noticia de todo y sepa como se pro- ceder y juntamente traiga algunos pilotos de la mar de Ormus sy acaso fue[ren] necessários que pueden faltar en Moçambique, y deve Vuestra Magestad mandar avisar al virrey de la índia como parte de aqui en Setiembre este socorro y que haga [153] preven- cion para en el mismo tiempo aver hecho todo lo que pudiere de armada y navios de remo y bastimentos que todo deve estar apa- rejado em Mascatte y se junte con la armada que de aqui fuere, y sobre todo me parece que en llegando esta armada a Moçambi- que vaya de alli en derechura para Ormus sin tocar Goa, ni la cuesta de la India, y la causa desto es porque llegue esta armada a Ormus antes de aver noticia delia porque no la aguardando los inimigos no tendran hecho prevencion porque si fuere a Goa me- terasse tiempo en medio y tendran los persianos nuevas de la ar- mada y fuerça delia y hechas prevenciones muy anticipadas y en las matérias de guerra la brevedad, es de mas importância para el buen effecto delia porque si los soldados y gente que fuere en ella se desembarcare en Goa y gustaren los regalos y deleites de la índia se han de ausentar y huyr de la armada desenparandola, y los que se bolvieren a enbarcar recordandose de lo que han gus- tado y visto en la India, sufriran con mucha dificultad los trabajos de la guerra y cerco y dilaciones del y an de pretender por todas las vias bolverse a la índia. Y es de considerar que entrando en Qoa esta armada as for- çoso aguardar otra moncion para ir a Ormus y otro apresto y bastimentos y otros sueldos y outras cosas que an defficultar la partida y se causaran mayores dilaciones de lo que conviene a este socorro. Y lo que tengo por de mayor importância es la comunicacion de los soldados de la India con los que fueren en la armada de que no se les traspasse el temor que tienen a los ingleses y a otros estrangeros como vencidos dellos que es mal muy pegajoso y se le pegara muy presto, y sobre todo la necessidad que este negocio tiene de brevedad, me persuade a que sea forçoso de que esta armada vava en derechura de Moçambique a Ormus sin dilacion, y demas de las raçones que tengo dichas porque la fortalesa de Mascatte, supuesto que esta en la cuesta de Arabia, tiene tal sitio que los que navegan de la India primero toman Mascatte que Ormus, y los que navegan de Moçambique, de la misma manera an de tomar primero Mascatte, y puede [153 v.] la armada que llevar este socorro entrando primero en Mascatte tener ally en[bos] informa- cion dei estado de Ormus y hallar los bastimentos que le fue- ren necessários y convalecer alli los soldados que fueren enfer- mos, demas ... que es uno de los mas seguros puertos y bien guar- dados dos que ay en la India p[ol]lo que estaran alli los navios tanto y mas seguros que en Goa y ganarse de que no se absenten los soldados y marineros y no se deminuya la armada y quedando 405
el viage de Mascatte a Ormus menos de sesenta legoas sien[do] la de Goa a Ormus demas de quinientos y tendra ese effecto que Vuestra Magestad fuere servido con mas facilidad y menos temor de peligros escusandose todas las dilaciones de tiempo que necessa- riamente se an de hacer si fuere a Goa. Y en Mascatte ay toda esta comodidad y puede estar prevenido todo el socorro que de la India puedan embiar por la capacidad, y seguridad del puerto. Dios guarde la catholica persona de Vuestra Magestad. [154 v.] Lisboa El Conde de Faro 14 de Enero Con copia de lo parecer que ha dado a Su Magestad sobre la perdida de Ormuz. Pidese vea aca con atencion porque entiende que por la mucha platica que tiene de aquellas partes es lo que conviene lo que aqui punta. Encarece la importância de que el socorro vaya con suma brevedad assi porque los persianos no tengan tiempo para forti- ficarse mas ni llamar otras naciones como porque los otros reys de la India en cuyos distritos tiene Su Magestad ciudades y forta- lezas, viendo la desestimacion que aca se haze daquellos Estados no se atrevan a intentar semejantes cosas. Que el remedio de recuperar a Ormuz consiste en que se le ponga cerco por la mar para que no le entre agua ni bastimentos pues no ay en aquella isla mas que sal y el socorro que ha de yr debe ser de tanta fuerça de navios que seamos senores de la mar y los persianos no las tienen en ella. [154] Parece que la ficaran los 12 navios de la armada de la Corona de Portugal y vayan en ellos 2900 infantes pues jun- tandose con el socorro de la India sera bastante fuerça. Y que salgan los dichos navios de Lisboa para este mes de Septiembre pues para el mes de Março es imposible juntarse y vaya, derecha a Moçambique y de alia a Ormuz. Que conviene avisar luego al virrey de la índia como parte de aqui el dicho socorro y que haga prevencion de baxeles y bastimentos para aquel tiempo. Y parecele que la armada que d'aqui fuere no toque en Goa. En llegando a Moçambique sino que pase derecha a Ormuz por- que Goa es tierra tan viciosa que se quedarian y ausentarian los soldados y se dismenuyra la armada (*). [155] Able con el Conde D. Diego como usted me ordeno i nos parece que las personas a qien se ruege deven ser poças i de servisio i que estas sean D. Fernando Mascarenhas D. Francisco l1) Nota: a paginação deste documento vem trocada. 406
de Lima Nun'Alvares Botelho, D. Manoel de Meneses (que esta aqi) Antonio Monis Barreto Luis de Melo de Silva D. Felipe Mas- carenhas. El modo por donde esto se podra encaminar parese que es escriviendo usted a D. Fernando Mascarenhas acordandole qien es la ocasion en que estamos la sangre que los de su apelhido an derramado defendiendo aquel Estado donde Su Magestad espera le vaia escrivir este anno i que se queda con deseo de representar a Vuestra Magestad sus pretensiones a los servisios que confia le ara en aquellas partes. Esta carta deve escrivir usted con otra al obispo Megra (que es su amigo) para que no la de ni diga que la tiene a D. Fernando sino jusgando que se dispondra a ir a servir a Su Magestad i disponiendose a ir le pedira su memorial i le em- biara a usted con el pareser del govierno i el sino particular. D. Francisco de Lima esta despachado [155 v.] con Ormus deve escrivir e usted con palavras blandas i amorosas mas persu- poniendo que tiene obligasion de ir a sacar su fortalesa de mano de los enemigos i que de memorial al govierno e esta carta deve ir con otra a D. Diego de Castro mostrandole que Su Magestad tiene obligasion de ir i que esta con deseo de as[eitar] la mersed que paresiere justa al govierno i que asi se le pida su memorial i que se consulte i que el en su pareser a parte i que una i otra con- venga a usted. O mismo que a D. Fernando Mascarenhas se deve escrevir a Nun'Alvares Botelho mudando lo de los de su apelhido en el selo que tiene mostrado de servisio de Su Magestad i esta se a de encaminar en la forma que las otras por D. Nun'Alvares de Por- tugal. A D. Manoel de Meneses puedo ...tar io i alhandole encami- nado le ablara usted i de lo que io dei entendiere se vera en la con- formidad que usted deve ablalhe. A Antonio Monis no ay que escrever asta ver respuesta de los tres prime[ros]. Para lo que toca a Rui de Melo da Silva i a D. Felipe Mascarenhas se mande al Consejo que consultando la petision que ellos isieron el anno pasado de decrarandose la mer- sed que entonses se le iso i la que agora paresele aga. [156] Otros cavalheros ai mas mosos i que seran de ser- visio a qien no es bien se able por este modo mas sera justo aserle alguna mersed si elhos se dispusieren a ir i acrodaranse despues que estes ubieren respondido. Con las tres cartas deve usted mandar se despache trasordi- nario para no perder tiempo i entretanto orden al Consejo para que enbien las otras dos consultas. 407
81. [156 v.] Sobre personas para la India [157] Aunque se quan gran cosa es Ormus, assi en subs- tancia porque rentava dusientos i sincoenta mil ducados, como en calidad por ser freno del Persa, i del Turco i ser llamada piedra del anillo de todo Oriente, no lo e sentido tanto, como siento, i temo de ver unas, i otras índias i Espana toda con la ultima dispu- siticm para no se poder defender, i se perder todo. Mui maleneonica (?) parece esta premissa, mas no lo es sino verdad liana, i notoria, i mui digna de las orejas de Su Magestad i de Vuestra Excelência i no se me olvida que tiene Su Magestad Consejo de Estado i Guerra lleno de personas digníssimas daquel- los lugares, i que no faltaran punto en su obligacion, mas esto no me impide decir lo que veo, i es notorio aiudandome tanbien dei lugar que Su Magestad fue servido de me dar para poder representar a Vuestra Excelência lo que se me ofrece. Tiene Espana muchos enemigos, i poderosos no se ve en ella prevencion alguna de guerra estando toda abierta sin fortalezas mas que de nombrc, porque en ellas no ay soldados, ni artilleria util por estar la mas delia sin reparos, ni bombarderos, ni munitiones, i para ser testigo de vista estuve a poco en los castillos de Cascaes, Santo Antonio, S. Gian, Belen, en todos ellos alie lo que digo, e information que muchas noches no se serravan las puertas, porque no avia quien, i los que alie en cada castillo a lo mas fueron sinco personas pidiendo limosna, i el estado de los castillos ven cada dia los herejes, que aqui no faltan dei Norte, i los renegados que los turcos echan en tierra para tener avisos, i aunque ablo d'estos sem el estado de Salses, Pamplona, i de otros muchos, i en algunos dellos e estado. En Espana no ay militia [157 v.] ninguna formada, siendo assi que monarchia tan grande, i que tan expuesta esta a los enemigos por la navegation, parece que convenia tenerla como la tenian los romanos, i la tiene el Turco, para en las ocasiones echar mano de gente exercitada, i esta dividida en diversas partes para se unir quando Su Magestad lo mandare, i no ay en Espana peligro de que de aqui resulte inconveniente, i solo los ay en andar para las ocasiones de mar, i tierra buscando gente bisona inútil, i no se aliando. Y pues falta esta prevention uvíera de aver tanto poder en la mar que fuera Su Magestad senor del, i que la guerra, i danos delia 408
se fuera hacer a casa de nuestros enemigos, que en las monarchias > esta mejor la guerra offensiva que defensiva, porque desta ultima por fuerça a de recevir muchos danos i gastos, quanto mas no estando con prevention alguna como estamos, i assi no se puede decir sin lagrimas, lo mucho que se a robado, i roba en esta costa de Espana, i lo mucho que en las índias, i otras partes, con que los enemigos estan ricos, i Su Magestad, i sus vassallos pobres; con- cluio esta parte con affirmar que si quisieren veinte navios con qua- tro mil onbres entrar por esta barra, que los castillos ningun dano le aran, antes los tomaran todos y podran mui a su salvo saquear, i quemar esta ciudad, porque ninguna defension tiene, i la militia deste Castillo es otra semejante a la dos otros castillos, aunque sera mas alguna. Vuestra Excelência vera si conviene que Lisboa este en este estado, quando no se trate de toda Espana como parece que conviene. La índia Oriental es la mas rica, i calificada monarchia que tuvo rey alguno, vase poniendo en manos de los rebeldes, e ingleses, devendose considerar, que si dei todo cae, ellos sacaran delia tanta rique[sa] [158] que Europa toda no les puede resistir, i assi mayo- res , i mas utiles effectos ara la guerra echa en la India a los rebel- des, que la que se hace en Flandres, porque alli se gastan quatro, y sinco millones en un ano sitiando una plaça, i con la quinta parte bien enpleada los pudieran echar de la índia, en lo que les harian mas dano, que ganar les quatro plaças en Flandres, porque de la India sacan la hacienda con que sustentan los exércitos. La índia esta mui peligrosa, i con ella quedaran tan poderosos los enemigos, que todo se puede temer: el remedio seria mandar Su Magestad socorreria con tanta fuerça que eche a los enemigos, i se restituya, i aunque vemos la mucha merced que Su Magestad hace a esta su corona, el socorro sera remedio dessa, i desta, i de Flandres, i assi deve Su Magestad hacer un grande esfuerço, que si para las ocasiones de Flandres, i do Milan se hacen assientos de tantos millones, no creo yo que a muchos anos uviesse ocasion ni de tanta utilidad, ni de tanta reputacion como esta, ni que mais obligue a hacerse un buen assiento. Portugal esta consumido assi con las perdidas continuas, como con la esterilidad destos anos, i assi aunque todos los vassallos que en el tiene Su Magestad le daran hacienda, i vidas con mucho gusto nos sera de consideration, ni a tienpo. La hacienda toda a venido a manos de christianos nuevos, estos son los que posseen el dinero. No ay artilleria, i assi una, i otra cosa esperamos de la gran- desa de Su Magestad; i que no permitta que en su tienpo, ni Vuestra Excelência en el que tiene su servitio a su cuenta aya sucedido una quiebra tan grande, que a de sonar por todo el mundo, en las cortes de los mayores reys del Sur que tanbien sone que Su Mages- tad bolvio por su reputation, que resolviendose Su Magestad con los socorros necessários vassallos tiene que ganaran otra ves a 409
. Ormus, i echaran a los [158 v.] rebeldes. Agasse merced a los onbres para que vayan contentos, i para que aya muchos que quie- ran ir. Saquense de los lugares de Africa tresientos, o quatrocientos soldados exercitados, i del tercio de Flandres de portugueses otros tantos, i inbiense a la Índia contentos, i pues por aqui se able de casamientos. Se assi es conveniente seria no se olvidar el inpedir la navegacion de ingleses, pues en las tréguas de Olanda passadas dixeron los ministros, que se avia olvidado de tratar, que no fuessen a la India, i no se olvidara esto siendo materia tan importante al servitio de Su Magestad. Si en el Consejo d'Estado uviera persona desta corona, i regia es de todos los que escriven de Estado, que en los Consejos de los monarchas a de aver todas sus coronas por aver quien con notitia mui particular able de las matérias donde fuere natural. Vuestra Excelência me perdone lo uno el mal estilo desta carta, lo otro la libertad delia, porque a mucho que anteveo lo [que] aora se ve, i Vuestra Excelência con su prudentia tratara de lo que mas conviene. Veo lo que a excedido en esta larga carta, mas disculpame el zelo que me mueve, que yo tuviera por gran premio que se me viera y porque soe el que Vuestra Excelência tiene de que Su Magestad sea bien servido e xeado (sic). Dios guarde Vuestra Excelência como le suplico. Lisboa i Enero 7 623. El Obispo Conde 82. [160] Senhor Bejo a mão a Vossa Magestade por tantas mercês juntas, como me faz nesta sua carta de 23 do passado, e a que mais estimo he, significar me Vossa Magestade a satisfação que tem de meu bom animo, com que me emprego em seu serviço, e não duvido que quan- do a pessoa for grata a Vossa Magestade, sejão mui acceitos seus serviços, que assi o diz Deus: respexit ad Abel, et ad munera eius. Comecei logo fazer com toda a pontualidade as diligencias necessárias pera se ajuntar todo o dinheiro possível, e se continuar com esta obra ate com effeito se executar de todo o que Vossa Magestade me manda. As necessidades são nottorias; o apresto das naos mui neces- sário, e importante, o socorro devido e tão devido hoje por meus peccados, que entendo que todos os vassalos de Vossa Magestade temos obrigação de nos vender pera elle, e ainda digo mais que as cidades e lugares de Vossa Magestade porense em leylão pera socorro de huma final conclusão, e firmeza dos estados de todas as monarchias de Vossa Magestade. Eu, senhor, pera tudo estou promptissimo pera me vender 410
e empenhar, e correr pessoalmente todo este reyno, a presuadi lo a que todo concorra ao serviço de Vossa Magestade nestas occa- sioins presentes e sem estorção de nenhuma pessoa, a mi me cabe todo o officio per muitas rasoins, porque so trato do amor com que servi, e sirvo a Vossa Magestade, e do que devo aos Estados da índia, aonde tanto sangue de meus avos se derramou por se ganha- rem, e conservarem. De tudo o que se for fazendo, e ajuntando irei dando conta a Vossa Magestade. Bejo também a mão a Vossa Magestade pella merce que fez [160 v.] ao dezembargador João de Carvalho. Meio he este, senhor, [para] onde Vossa Magestade sempre tera ministros promptos pera servirem e cumprirem com suas obrigaçoins. Elie tem servido na occasião [pasjsada muito bem como escrevi a Vossa Magestade e nesta espero que o faça, ainda muito melhor. Postrado aos pes de Vossa Magestade peço mande Vossa Magestade por en consideração se sera conveniente meter se o resto todo para extirpação dos inimigos que tantos cada dia se levant [am] contra as monarchias e estados de Vossa Magestade que ir se consumindo aos poucos a substancia da Fazenda Real de Vossa Magestade e dos vassalos sem proveito. Mas antes pejo- rando tudo, e tomando [mais] forças os inimigos pera cometterem com tanta ousadia o que cada dia se ve. O remedio parece este, e não deixar tomar força ao [mal] porque depois d'arreigado, e empossado he dificultozo o corte dele. Dizia Sam Bernardo Dum parvus hostis est interfice ut nequit illidatur in semine. Também devo lembrar a Vossa Magestade nesta occasião, que por nenhum modo por mais offertas que os da nação fação de dinheiro que não he conveniente aceita las, que todas são paliadas, respecti... a seu proveito, e apeçonhentadas, como de tredoz a Deos, a Vossa Magestade e a seus reynos, onde estão não servindo [160 v.] mais que de espias, e tratftando] com os inimigos. Bem poderá mostrar a Vossa Magestade esta verdade com exemplos antigos, e modernos, e ditos de santos, mas tudo deve estar muy presente a Vossa Magestade e assi não faço mais que lembrar o que me parece com toda a sogeição de vassalo fidelysimo de Vossa Mages- tade demonstrando lupum. E sou alem de vassalo ministro da fé do Conselho de Vossa Magestade e bem cursado em livros e estudos. Deos guarde a catholica pessoa de Vossa Magestade. Lisboa 8 de Janeiro de 1623. O Bispo Dom Frei Martins Meneses (?) inquisidor geral 83. [161] El socorro que huviera de ir a la India (que deve ser el mayor, y mas en horden que fuere posible) no puede partir antes 411
de Setiembre, y conviene que no parta mas tarde, y que vaya dere- cho a Mascate sin tomar Goa, porque tomando Goa se ha de desa- zer, y costara mucho tornarle a formar, y llegando los soldados derechos a la ocasion, pondran las manos en ella con los brios que llevan de aca, y no con los que la índia crio estos anos por nuestros pecados, y hablando ayer con el Marques de Montes Claros en esto, me dixo que haviendo tenido la misma opinion le apartaran delia, con le dezir que no havia monson para ir de Goa a Mascate con el socorro que alli se havia de hordenar quando llegasse el de aca a Mascate. Y es engano grandíssimo como le adverti, porque par- tiendo este Setiembre los galeones de Lisboa, llegan a Mascate en Março y partiendo de Goa el socorro que en la índia se ha de hor- denar en Enero, o Ebrero (que es la monson de Goa para Ormuz) llegaran juntos a Mascate en Março, que viene el socorro de Lis- boa y el de Goa, para lo qual conviene que por tierra se avise luego al virrey del dinero que llevan las naos, y del tiempo, y grandeza dei socorro que se ha de embiar en Setiembre y como ha de ir derecho a Mascate para que vaya preveniendo el que huviere de salir de Goa y quando este correo no llegasse a la índia (aunque es bien que vaya para ganar tiempo) y los avisos que se deven embiar con el, no lleguen sino en las naos, ay tiempo de formar en Goa el socorro, porque las naos que parten en Março llegan en Setiembre a Goa, y de Goa para Mascate puede salir el socorro como queda dicho en Enero, o Ebrero, quedando quatro o cinco messes de tiempo el virrey para apercebir y embiar a Mascate lo que se huviere ajuntado (?) en Goa, de que me parecio avizar a Vuestra Senoria para que este enterado de lo que en esto ay y Juan Batista Labana dize de su letra como es assi, lo de las monsiones de Goa para Ormus en el papel incluso el qual embio aqui por si huviere quien porfie lo contrario. Guardeme Dios a Vuestra Senoria como deseeo, y he me- nester. Yo en Diogo de Silva [162] Aviendo de partir de Lisboa en Setiembre los galeones que se pretenden embiar de socorro a Ormuz llegaran a Mascate en Março verano de aquellas partes. Y partiendo otro socorro de Goa en el mes de Enero o de Febrero, que es la monçon de Goa para Ormuz, llegaran al mismo tiempo a Mascate, que los galeones que en Setiembre partieren de Lisboa. 412
84. [165] Quanto importa acodir a la India con breuedad y los médios para se poder hacer con grande dano de nuestros inimigos Devcse acodir a la índia por lo mucho que vale a Su Magestad, y esto se puede saber de los libros de la Casa de la India en Lisboa, de los quales consta que contando tres naves que vienen un ano por otro importa un millon de oro a Su Magestad, y al reyno vale mas de 4 millones como se ve de los derechos que se pagan al rei, fuera de lo que ganan los arendadores y las libertades que estan concedidas y lo que se esconde, y quando vienen mas de tres naves es mucho mayor esta renta (1). Lo que Su Magestad gasta es poco en comparacion desta ganan- cia, porque una destas naves aparejadas dei todo con mantinimien- tos (sic) custa 25 cuentos, y lo que se embia para comprar la pimenta es poco mas que esto, y assi gana Su Magestad y sus vassallos quedan ricos (2). El Estado de la índia renda cad' ano un millon 301.986 par- daos de 300 maravedis el pardao moneda de aquellas partes como consta de los libros que de alia truxo el Arçobispo Dom Frei Alexo de Meneses, destos se gastan 866.394 pardaos con las fortalesas, armadas, ordinárias de religiosos y iglesias, ordenados de obispos y ministros de la Hacienda, y quedan 435.592 pardaos para compra de galeones, galeras, fustas, artelleria, municiones, y mas cosas necessárias para las armadas y fortalesas, -y assi rentando el Estado de la India a Portugal mas de cinco millones cadano no hace nada de costa a Su Magestad y demas desto ha enrequecido su reyno con el comercio de las cosas que a el vienen por causa de las que se traen de la India, y sino vease que valiendo la Alfandega de Lis- boa 12 y 15 cuentos quando se descobrio la índia, oy vale mas de 200. Y a este respeto crecieron todas leis otras rentas, y se enri- quicieron los cavalleros de aquel reyno mucho porque se les dan las fortalesas de la índia despues de aver servido en ella y cada tres anos sacan delias mucho dinero rentando unas a 30.000 otras a 40.000 outras a ciento, otras a 200 y a 300.000 pardaos (8). De aqui se saca quanto importa siempre el Estado de la índia, y solo por el Mar Roxo se escrive que se sacavan cad'ano siete millones en las mismas haciendas que oy traen nuestras naves, y estas riquezas exceden a las del Peru porque estas han de ser per- petuas por ser frutos de la tierra, y las mismas no porque faltan (l) A margem—Quanto renta el Estado de la India a Su Magestad y a su reino de Portugal. (s) A margem — Lo que gasta Su Magestad en las naves que embia a la índia. (') A margem — Quanto renta el Estado de la India y lo que gasta. 413
cada dia y se han de acabar como se vio en las que avia en Espana, y assi este comercio de la índia enriquecio a los veneseanos y al sultan de Egito y al Gran Turco y por no perderle embiaron tantas armadas contra las de los reyes de Portugal que se lo quitaron, y aora las naciones dei Norte pretenden este comercio por lo que les vale y esperan que les ha de valer, y todo este prueva que es de estimar y no para perder ni para dexarlo ganar a otros y menos a inimigos, los quales despues de verse senores del podran con mayores fuerças acometer las índias Ocidentales y hacerse senores delias y dei Brasil y Guinea y despues no solo de Espana mas dei mundo todo y sino vease lo que pueden aun quando no gosan total- mente destas riquesas (1). Crece mas la importância deste Estado de la índia por aver sido por medio deste trato glorificado Dios y su santa lei en tan remotas y barbaras naciones predicandose [165 v.] en todas el Sagrado Evangelio con tanta gloria y honrra de Portugal y de sus reyes y quando no se sacara tanto provecho temporal, este espritual de las almas era bastante para se procurar la conservacion de aquel Estado y dei trato del , y si con rason Su Magestad gasta tantos millones por sustentar la fé en Alemania que no es suya, con mucho mayor se deven gastar en la India que es propria y tan provechosa en todo y en Ia qual la fe de Christo tanto se dilata cada dia con- firmada con la sangre de muchos mártires que morieron por ella (*). Siendo el trato de la India y su comercio de tanta importância esta oy mas ariscado que nunca estuvo, porque en otros tiempos fue combatido del Samorin, del soldan dei gran Cairo, dei Turco, y de los reyes del Decan, y aora demas destos los de los olandeses, ingleses y otras naciones dei Norte tan poderosos en galeones y artifícios de guerra y fuego que en todas partes dan mucho en que entender, y traen en la índia oy mas de cien navios y se han apoderado dei trato de todo el Sul y tienen muchas fortalesas en varias partes y estan confederados con muchos de aquellos reys y los ayudan contra los portugueses como aora hicieron para que el Persa tomase a Ormus y haran lo mismo con el Achen para que tome a Malaca y con el Mogor contra Daman, y Baçaim y con otros contra otros. Y assi mesmo con sus navios se ponen en los rios y passos por donde los nuestros y los índios han de navegar y los cogen cargados de riquesas con que las alfandegas de Su Magestad no rentan y sus vassallos se pierden y presto se acabara todo si con brevedad no se açude con remedio eficas (*). Demas desto las fuerças de aquel Estado son oy mui poças y no bastan para poder resistir a tanto poder, porque los soldados (1) A margem — Quanto importa siempre la índia. (2) A margem — Quanto crecio la gloria de Dios en la índia. (s) A margem — El peligro en que esita la índia de perder se. 414
son poços y essos faltos de toda disciplina militar, los galeones acabaronse y assi se usa de galeotas y fustas para escapar huyendo con que se acovardan los ânimos y no dexan por esto de caer en manos de los enemigos porque traen otros mas ligeros y como son pequenos los nuestros facilmente los cogen; el govierno de la jus- ticia esta mui falto por los robos y muertes, y extorsiones a los mercaderes y índios que llegan a los puertos, y sabiendose de todo esto a nadie castigan los ministros dei rei sino son a algunos que poco pueden (*). A los ministros dei Evangelio se favorece mui pouco antes se les hacen grandes agravos y contradiciones y se dexan de convertir muchas almas y muchos reynos porque no les acuden con los pre- dicadores necessários ni les dan sustento para que vayan a las par- tes donde son llamados siendo esta obligacion tan precisa y el me- dio para que Dios conserve y aumente aquel Estado como se experimento quando los reyes de Portugal hacian complir pontua- lissima y liberalissimamente con estas obligaciones, y no es porque no aya con que hacerlo porque para los que goviernan la Hacienda Real nunca falta para pagarse de sus salarios (2). No faltan remedeos para que la India no se pierda y para que buelva a florecer [166] y si ellos se executan en poços anos lo veremos con grande gloria de Su Magestad y dano de sus inimi- gos (3). Para que no falten soldados se deve dar remedio al descuido con que los ministros dei rei tratan los que van cad'ano de Por- tugal porque fuera de los que hallan parientes o amigos todos los demas parecen dormiendo en los navios viejos o a las puertas de las iglesias y para sustentarse venden las armas y vestidos hasta que llega el tiempo de embarcarse en las armadas reales y acabadas ellas buelven a la misma miséria y esto porque no se les da sueldo mas que enquanto andan enbarcados y assi muchos se van servir a los reyes gentiles y moros teniendo esto por mas fácil que morir de hambre, y los que son de mejor conciencia se quedan en Goa y andan mendigando por las puertas e los conventos, y dellos se valen algunos ricos y escandalosos para matar y robar a sus con- trários y otros se casan con las mugeres de la tierra y dexan de ser soldados y por estas causas falta la gente en el servicio de Su Magestad y sobra en el de los reyes gentiles, y en los que quedan serviendo a Su Magestad no puede aver mucho valor assi por su pobresa que les abate los ânimos como por faltarles la disciplina militar, y las armas que el rey no se les da. Y por esto se hallan (1) A margem — Las poças fuerças que oy tiene la índia para defenderse. (J) A margem — Quan poco favor se da en la India a los ministros dei Evangelio. (*) A margem — Remedeos para restaurar la India no faltan. 415
muchos navios y galeras sin mosquetes y armas de fuego y solo con espadas y rodelas y alabardas, y estas para los inimigos dei Norte no son de efeto alguno porque ellos traen sus companias de mosqueteros y haciendolos cargar y descargar con orden quedan mui superiores a los nuestros y por esta causa nos vencen y vence- ran enquanto no se diere remedeo a esto 0). El medio que dan hombres platicos en la India para aver sol- dados bastantes y de provecho en ella es levantarse en Portugal un tercio de quatro mil hombres son su maestre de campo, y capi- tanes, sargentos, y cabos y oficiales platicos en la milícia de Flandes o Italia los quales assi antes de embarcarse como en la propria navegacion ensenen a sus soldados el estilo militar de modo que quando lleguen a Goa esten diestros en todo y que antes de se embarcar les prevenga este maestre de campo sus alojamentos hasta que se enbarquen y se les paguen sus sueldos cada mes por sus companias, y a su tiempo se reparian con sus capitanes por las for- talesas que suelen tener presidio como Ormus, Malaca, Dio que son las llaves de la índia pagandoseles cada mes sus sueldos. Y los otros que quedan en Goa para las armadas se enbarquen con sus capitanes y armas de todo genero y principalmente de mosquetes que es la arma mas importante en la India para que peleen com orden, y quando fuere menester se enbarque el maestre de campo con sus capitanes y deste modo se emendaren los yerros que hasta ora se han cometido. Y sin temor de los danos que nuestros ini- migos nos causan y estos soldados pagandoseles bien duraran mu- cho tiempo en la India sin que sea menester enbiar cad'ano grandes socorros porque los que andan con los reyes gentiles sabiendo desta orden de milícia acodiran todos al servicio de Su Magestad como a su rey y senor, y con que vayan cada'ano de Portugal algunos poços se conservara facilmente este mesmo numero y el virei provea los oficiales que vacaren con su Consejo de Estado y mejore a los que se aventajaren para que todos se animen a servir mejor, y los vayan proveyendo de armas quando falten, y aunque este modo sea diferente del que se uso hasta ora en la India no por esso con- viene dexarle antes introdusirle con todo cuidado y para que vayan estos soldados mas diestros se deven exercitar en la milícia en Por- tugal antes que sea tiempo de enbarcarse (a). Ni por esto crece en la índia porque en ella paga el rey con- tinuamente quatro mil hombres de guerra, los dos mil en las for- talesas y los otros dos mil en las armadas, y assi [166 v.] en el gasto de los soldados nada se acrescenta. Solo se ordena que aviendo esta milícia los tenga Su Magestad efectivos y que le sirvan, lo que aora no es aunque los paga porque los capitanes en las fortalesas (*) A margem — Remedeo para que aya gente de guerra en la índia. (2) A margem — Que se levante un tercio para la índia. 416
toman los sueldos y no tienen los soldados por lo que estan muchas fortalesas mui ariscadas, y en las armadas algunas veses no passan de mil, y seria bueno darse orden para que no se paguen plaças muertas y que se pague a los soldados de modo que no se queden los oficiales con sus pagas como acontece de ordinário (*). Para que no puedan tanto en la índia los inimigos dei Norte es menester que nuestras flotas no salgan sin galeones de guerra que las guarden y defiendan y con ellos no les sera forçoso huir de los enimigos como ahora hacen porque navegan en navios peque- nos pensando escapar por ligeros y como ellos traen otros mas lige- ros y mas fuertes ni se pueden defender ni escapar de sus manos y es la causa de tantos danos muertes e bienes suyos con las presas que hacen con que nuestro comercio se pierde totalmente y el suyo crece (2). ( Tambien conviene que nos con federemos con los reyes de la índia assentando con ellos el comercio de todas sus haciendas y de las nuestras en precios acomodados con condicion que no las daran a nuestros inimigos ni los admitiran en sus puertos y que les defen- deremos los mares y los trataremos bien en nuestros puertos y ellos a los nuestros en los suyos (s). Que pongamos galeones de guerra con otros navios ligeros en las bocas por donde los olandeses entran en la India a sus tratos como en el Estrecho de la India y en el de Saban por el qual passan con las ropas de Paleacate a comprar las dfogas de las Malucas y del mar dei Sul para el dei Norte y en el Cabo de Comori en el qual cojen grandes presas; assi mesmo en los Rios de Surrate y sino (?) pérsico contra los ingleses y en el Mar Roxo para estor- varle las presas que en el hacen, y con las que los nuestros hacieren se paaaran los gastos destas armadas (*). Que los governadores dei Brasil y Angola o cada uno dellos enbien cad'ano a la Isla de Santa Helena que no esta mui lexos quatro galeones en Abril y Mayo para que tomen en ella los navios destos inimigos que viniendo de la India cargados van alli a refres- carse y quando no los tomen por lo menos les estorvaran que no se refresquen y sera causa de que se pierdan, o mueran casi todos (®). Que Su Magestad ponga una buena y grande armada en el canal de Inglaterra como dice Juan Botero y otros muchos y con ella prohibira facilmente que no vayan a la índia los olandeses por- que en el cogeran a todas sus enbarcaciones sin que puedan escapar (J) A margem — Crece a Su Magestad el gasto (te)niendo este terdo en la índia. (2) A margem — Que las flotas de la índia salgan acompafiadas de galeones. (®) A margem — Que nos corifederemos con los reyes de la índia. («) A margem — Que se pongan galeones de guarda en la boca de los rios por donde entran los inimigos en la índia. (5) A margem—Que dei Brasil o Angola vayan galeones a Santa Helena en Abril y Mayo. 417 37
y con una buena rota que los inimigos reciban quedaran impossi- bilitados para cometer segunda jornada (J). Ni vale contra esto desirse que no ay en aquel canal puertos de Su Magestad en que esta armada se recoja, y que sera grande el gasto que con ella se hara, porque a los de los puertos se responde que andando esta armada a la boca dei canal y no dentro no ha menester puertos porque es mejor hacerse a la mar quando sea necessário como hacen oy los turcos en el oceano y hicieron los olandeses quando se posieron en las bocas de las barras de nuestros puertos para que no saliessen nuestras naves y flotas quedandose en la mar sim tener puertos en Espana, y quando los moros tenian Espana enbiavan sus armadas por el dicho canal a robar los puertos de Inglaterra como se halla en las historias y quando sean menester puertos no les faltan los de Francia con quien tenemos pases (2). [167] Y a lo de los gastos se responde que repartindose por las coronas de Su Magestad los navios que deve traer en la mar quedara la carga menor porque Portugal poderá hacer una armada de 20 navios para limpiar el oceano los quales se pueden sustentar con la renta dei Consulado y con las tercias que concidieron los lugares para las fortificaciones y con las rentas del anil y dei pes- cado que se dieron para limpiar la mar y no se pueden gastar en otras cosas. Segun lo contratador (sic) y Biscaya puede hacer otra para el Estrecho de Gibraltar y Castilla puede con las armadas que oy sustenta impedir el passo en el dicho canal a los olandeses de modo que o no passen o sean tomados quando van o vienen de las índias o de otras partes y todo lo que se gastare en esto se ahorrara en otras cosas porque estas bastaran para que los inimi- gos no hagan dano a Espana ni se enriquesçan con sus presas como hacen ('). Demas desto conceda Su Magestad honrras, abitos y enco- miendas a los que con sus navios y haciendas le ayudaren en estas armadas siendo personas aptas para ellas dando las mayores a los que mas ayudaren y hallara muchos ricos y poderosos que gusten de servirle gastando su hacienda y con menores privilégios se cuenta que junto en la índia el governador Nuno de Acuiia la mayor armada que nunca se vio en ella porque salio de Goa para Dio con mas de 400 navios, y gran parte dellos eran de hombres particulares, y lo mismo hiço el gobernador Lopo Vas de Sampayo, y en la armada que el Duque de Medina Sidónia llevo a Ingla- terra se hallaran mas de dies naves de las índias honrrando Su Magestad a los duenos delias, y lo mismo puede ser aora ponien- (>) A margem — Que se ponga una buena armada en el canal de Ingla- terra. (*) A margem — No puede estorvar esta armada no aver puertos y averse de gastar mucho. (') A margem —Que se repartlran los gastos. 418
dose en esto el devido cuidado. Y si en tiempo de los reyes de Por- tugal Don Manuel y Don Juan el 3.° se hallavan dos mil lanças en los lugares de Africa y todos los nobles procuravan cenir en ellos la primera espada solo por veneer una encomienda, porque no lo haran aora en estas armadas siendo cierto que lo que alia gastava un cavallero con dos cavallos en tres anos se pueden sustentar aca 20 soldados en sinco armadas, y estos prémios son las armas y manos de la republica sin las quales ninguna puede permanecer, y en ninguna parte se puede hacer esto mejor que en Espana (*). Otro medio mui eficas para perder a los inimigos del Norte es acreditar Su Magestad el comercio de la India y facilitarle a sus vassallos para que ocupandose todos en el no saquen los ini- migos tanto provecho, y assi los divertiremos del, y deste medio uso el rey Don Manuel quitandolo a los veneseanos por cuyas manos tenia Europa en aquel tiempo las riquesas de la India (*). Facilitara Su Magestad este comercio haciendo lo que el rey Don Manuel el qual en todos los aranceles de las rentas reales encarga mucho el buen tratamento de los hombres de negoceo, y que sean mui favorecidos, y concedio privilégios a los que pagaren cad'ano de derechos en sus alfandegas 60.00 maravedis y esto se concedio con mayores privilégios a los estrangeros conbidandolos deste modo a que frequentassen el comercio con Portugal dei qual depende su ser y sustancia como de todos los de Espana (3). Assi mesmo manda mi Su Magestad que por su cuenta o por la de sus vassallos se trayga grand cantidad de pimienta y vendase en moderados precios para que luego se gaste y no tengan los inimigos lugar de vender la suya enquanto la de Su Magestad se guarda para venderia en precios grandes como se hace con grande dano de Su Magestad; y haga honrras a los que truxeren mucha y con- ceda otros arbítrios en que puedan ganar lo que pueden perder vendiendo su pimienta en precios moderados, y si Su Magestad contratare la pimienta seguirsea que los contratadores enbiaran dinero adelantado a la índia para comprar las haciendas [167 v.] a tiem- pos que valgan menos y la pimienta este mas seca y de mayor provecho y vendran las naves mas temprano porque nos les sera necessário aguardar que las haciendas que han de traer. Y para que no aguarden por las que vienen de Cambaya se deve ordenar que la armada que parte de Goa para acompanar la cafila que de alli las trae salga en dia cierto y que los mercaderes lo sepan porque muchos anos no vienen a tiempo por no saber quando parte la f1) A margem — Que deven conceder honrras a los que se enbarcaren. (s) A margem —... el comercio de la índia [se] facilite a los vassallos de Su Magestad. (s) A margem — Como puede Su Magestad facilitar el comercio de la índia. 419
armada y esto es en grande dano de los mercaderes y de los dere- chos reales de la India y de Portugal (*). El mismo dano se hara a los inimigos abatiendo Su Magestad los precios de las drogas dei Sul y dei anil de Cambaya que son las haciendas en que ellos ganan mucho y esto lo alcançara baxando los derechos delias para que se puedan traer en tanta cantidad que los obligue a vender las suyas mas baratas con que su dano sera mui cierto y Su Magestad ganara esso que se le pagare de derechos, los quales oy no recibe porque no se traen estas drogas ni tampoco los tiene dei anil porque como son grandes los derechos, no se trae, y por esta causa vale tanto en Inglaterra. Y si estos dere- chos se baxan traersea mucho anil en dano de los ingleses y seguir- sea desto otro provecho para los vassallos de Su Magestad, y es que compraran las piedras preciosas y las ropas en la índia en pre- cios que ganen porque oy como no hallan otras haciendas en que emplear su dinero compran caro alia por aver muchos compradores y aca venden barato por aver muchos vendedores que es la ruina dei comercio, y trayendose haciendas varias no tendran esta perdida tan notable (2). Esta baxa de los derechos conviene mas en los diamantes por- que como se pueden esconder no es bueno darles ocasion para que lo hagan ni tanpoco conviene dilatar el despacho dellos por la misma rason, ni de las otras haciendas, para que mas presto se puedan vender en diferentes reynos con mayor dano de los inimi- gos ('). Y para que esto dei comercio se pueda hacer con mayor faci- lidad y provecho nuestro y dano de nuestros inimiqos deve Su Magestad encargar a los hombres de negoceo de Portugal que hagan una compania desto trato encargando a la ciudad de Lisboa que tome a su cuenta hacerla entrando con ellos en este trato como cabeça de todos poniendo mayor parte de dineros pues los tiene con que assegurara mas a los dichos hombres de negoceo para que entren en ella de mejor gana, y el modo desta compania lo dis- ponga la misma ciudad con ellos, y que vean se convendra meter en ella a los flamencos obedientes a Su Magestad y a los ingleses como no vayan a la India con sus navios aunque vayan con los nuestros, y parece que ay muchas conveniências para admitir a estas dos naciones y aun a los de Dinamarca y que por ellos tendra esta compania todo lo necessário para sus navios y para remetir las haciendas que le vendran de la India a las provincias dei Norte, y traer delias en retorno para Espana las que se suelen traer con que (1) A margem — [Que] se trayga de Ia India una cantidad de plmienta como se hara. (2) A margem — Que se baxen los precios de las drogas dei Sul y dei anil y los derechos que se pagan desto. (*) A margem — Que se baxen los derechos de la pedraria. 420
estas naciones se ocuparan en este trato con provecho sin que ape- tescan passar a la India, y nos ayudaran en estes mares contra los olandeses y en la India no tendremos tantos contrários y de los olan- deses nos poderemos defender mejor. Y es cierto que si las cosas que aqui se proponen se executan como conviene [«68] que la índia bolvera en si con grandes provechos de Su Magestad y de sus vas- sal los y mayores danos de sus inimigos y que con el tiempo vendran ellos a pedir entrada en nuestro comercio dexando de ir a la índia, y que las guerras de Flandes no podran passar adelante, y lo que mas es que la predicacion del Evangelio crecera sin temores de per- der tantas iglesias y tantas almas que Dios tiene en aquel Oriente ganadas y que no se perdera con afrenta lo que con tanta honrra ganaron nuestros passados con su sangre ('). Y enquanto estas cosas se ordenan de modo que se puedan executar conviene que Su Magestad este ano de 623 embie quanto mas presto pudiere una dosena de galeones aquellas partes con mui buena gente platica en la India que no falta en Lisboa ni faltara se les hacen honrras y mercedes con liberalidad, y para que los dichos galeones esten aparejados con toda brevedad escrivã Su Magestad a la ciudad de Lisboa y a los prelados y hombres de negoceo que le presten lo que fuere menester para ellos y lo que faltare lo tome a censo a pagar quando buelvan las naves de la índia dandoles juros en enpeno si fuere menester, y por este modo se con- servara la índia hasta que se entable el comercio y se execute lo que en este papel se propone porque si tardasse este socorro como se perdio Ormuz se perdera Malaca y las demas fortalesas de la índia; Y aun a Malaca se deven enbiar algunos con buena gente por- que no se apodere delia el Achen con ayuda de los olandeses que traen en aquellos mares mas de cien navios como queda dicho, y que a las Filipinas se enbien otros dose galeones por medio de los vireyes de Mexico y Peru porque estan en el mismo peligro que Malaca, y que estos dos poderes se junten contra los olandeses de Malucas procurando echarlos delias con fed eran dose primero con los indios de aquellas partes como esta dicho de las otras de la India para que dando ellos por tierra y los nuestros por mar mas facilmente acaban con ellos (2). 85. [169] Portugal — 31 de Enero de 1623 Que en la nao de la índia ha venido golpe de pimienta dei Combento de la Encarnacion y parece a los governadores que se (*) A margem — Que se haga una compafiia en Lisboa, (2) A margem— (Que) se enbie luego grande [sojcorro a la India y Feli- [pinas] y como se puede hacer. 421
podria vender por quenta de Vuestra Magestad para la nescesidad presente (*). El Consejo dize que en tiempo que ayuda todo el reyno, y los eclesiásticos y religiosos sera justo que ayude tambien este com- bento que tanto beneficio ha recivido, y que assi se podria tomar la mitad de la pimienta para esta ocasion (2). Aviendose comunicado a Don Juan de Villela dize que aunque la peticion es justificada en tiempo de tanta nescesidad, no vendra este a ser emprestido, ni se bolvera jamas a la Encarnacion, como no se an buelto otros 294.000 reis que en otras dos ocasiones se han tomado prestados (3). Que demas desto, el enprestido que piden es de [169 v.] 10.000 ducados y esta pequena cantidad podria atrasar mucho el acavarse la renda que se ha de poner a esta fundacior., y conviene que se concluya con ella para que los viajes queden desocupados para lo que Vuestra Magestad fuere servido, y esto vendria a ser de mas utilidad a la Hazienda Real que el enprestido de los 10.000 reis demas que no tiene por combenientes, que dinero aplicado a cosas sagradas se quite para esto en tiempo que tanto importa implorar el auxilio divino Y suplican aquel combento a Vuestra Magestad mande lo que mas fuere de su servicio de manera que con brevedad se acabe aquella fundacion y desocupada de cosas temporales traten de encomendar a Dios a Vuestra Magestad. 86. [170] Senor En la consulta inclusa que Vuestra Magestad me mando remi- tir para que yo tratasse el negocio que contiene con la priora dei Conbento Real de la Encarnacion como lo e echo. Representa el Consejo de Portugal a Vuestra Magestad que por ser muchas y forçossas las obligaciones dei estado de aquel reino y servicio de Vuestra Magestad a que a de acudir y la dei socorro que este ano se a de ymbiar a la Yndia, es necessária tan gran cantidad de dinero que para se juntar se a de poner una impossicion general por todo el reino y pedirse a los prelados y religiones del y otras personas particulares prestamos de dinero y que por haver benido el ano passado en la nao Nuestra Senora dei Paraisso cantidad de pimienta para el dicho monesterio, y que por haver sabido esta hacienda del (') A margem — Tratase con Juan de Villela este negocio porque lo trata con la priora. (®) A margem — Procurese escusar esto por atender a esta fundacion de mi madre. (>) A margem — 16 de Hebrero. 422
estado de la India con que el mismo conbento queda mas obligado a dar ayuda en esta ocassion para su defensa y seguridad parece que deve Vuestra Magestad mandar que se tome por prestamo la mitad de la dicha pimienta para benderse por quenta de la real Hazienda la qual se pagaria despues de la que a de benir para Vuestra Magestad, en las naos que este ano se esperan con el favor de Dios. Y siendo el plaço tam corto no parece que el dicho mones- terio recive dano ni perdida de consideracion. Confiriendo este punto con la priora como quiera que nos parece dentranbos que la demanda en si contiene arta justificacion por ser tan grande y tan notoria la nezesidad dei socorro de la Yndia, de donde por la merced que [170 v.] Vuestra Magestad fue servido de hazerle recive el conbento este benefficio de sus empleos nos aliamos con obligacion de representar a Vuestra Magestad que aunque el Consejo quiere recivir esta pimienta por prestamo y con obligacion de bolverla no a de ser ansi porque ni aí cavo la an de bolver ni el conbento la a de poder cobrar en mucho tiempo como le a subcedido en ot[ras] dos partidas que son las siguientes. Por Jaques Jaques — diez y nueve mil cruçados de a diez reales que montan ciento y nobienta mil reales. Por ciento y sesenta quentales de pimienta que el ano de 16 tomo el Conssejo que se bendio a quarenta cruza- dos el quintal y monto seis mil y quatrocientos cru- çados que son sesenta y quatro mil rales y entranhas partidas que asi deve el dicho Conssejo de Portugal montan 254.000 reales. Demas de lo qual se pone a Vuestra Magestad en conside- razion que en acavarse de assentar y poner con efeto la fundacion y doctation dei monestario es la hazienda de Vuestra Magestad ía mas interessada pues de cella (') se dan seis mill ducados al conbento para su sustento hasta estar hecha la doctación y enton- ces an de cessar los biaxes y empleos de la índia. De que Vues- tra Magestad puede balerse para otros efetos y el retardarse lo uno y lo otro es de may [or] perdida y consideracion que el pro- becho de 10.000 cruzados poco mas o menos que puede haber el prestamo que piden que para el socorro de la India no es cossa tan considerable mayormente que siendo esta hazienda eclesiástica dedicada para el servycio de Dios y dei cu[lto] dibino se puede justamente reparar en tomaria [a] tiempo en que tanto ymportar ymplorar la misericórdia [171] y su santo favor y ayuda como Io hacen las religiossas de aquel conbento de contino con sus oraciones. Pudiendose suplir por otros médios esta pequena cantidad como seria (*) Nota: Será cella por sello? 423
tomandola a credito de la misma pimienta con que piensan pagar este prestamo que haviendo de benir este aiio con el favor de Dios no pueden ser grandes los yntereses. O por otros modos que tor- nan mucho mejor entendidos la grande prudência y esperiencia de aquel Consejo y su buen gobierno. Por las quales raçones y por otras que se dexan a la mayor prudência de Vuestra Magestad y su real grandeça y piedad, este su conbento real puesto mui umilmente (sic) a los pies de Vues- tra Magestad como hechura suya le supplica se sirva de probeer lo que mas fuere servido de Dios y suyo y conbiniere a la buena y breve doctacion de la hazienda que por Vuestra Magestad le esta senalada para que sin estorvo de ocupaciones y negocios ten- porales pueda mejor cumplir con su obligacion y desseo de encomen- dar a Dios Nuestro Senor a Vuestra Magestad y su cassa y estado real. Que lo que Vuestra Magestad mandare probeer esso sera lo mas combiniente para todo. En Madrid, 16 de Febrero 1623 Licenciado (?) Don Joan de Billela 87. [172] Senor En Conssejo a visto como Vuestra Magestad fue servido de mandar por su real orden de los once del passado la conssulta inclusa dei de Portugal en que da quenta a Vuestra Magestad de lo suce- dido al governador de Mazagan con los moros vezinos de aquella fuerza en cuya occasion refiere que se rebentaron dos piezas de artilleria y se desencabalgaron quatro consumiendo algunos arca- buzes y picas, y enquanto a lo que propone de que se le socorra por mano dei Duque de Medina Sidónia y Thomas de Ybio de armas municiones y bastimentos ha parecido representar a Vuestra Mages- tad que el Conssejo, siente mucho que no aya prompto lo que pide el de Portugal para acudir a este socorro por hallarse las cosas en tan apretado estado como tiene referido en diferentes consultas que a hecho a Vuestra Magestad y assi lo que le pareze mas a pro- pósito es, que Vuestra Magestad se sirva de mandar a los gober- nadores de Portugal que pongan cuidado en proveer esta plaza de lo que hubiere menester pues como Vuestra Magestad tiene entendido de aca no ay forma de proveer dinero con que comprar bastimentos. Y aunque se les pueden dar algunas armas es necessá- rio que paguen su valor para que en su lugar se pongan otras tantas como se les dieren y no como en semexantes occassiones pre- tenden de que a de ser por quenta de lo que dizen se deve a aquella corona siendo lo contrario y que no se a podido con los ministros que lo aiusten [172 v.j como el rey nuestro senor que Dios tiene 424
lo mando y assi se a ordenado al secretario Anaya haga cobrar lo que se pudiere pagando en la forma referida. (1) Y lo que se puede hazer enquanto al artilleria es, que entre- gando las piezas que dizen se an rebentado se fundan y restituyan pagando ias manufaturas. Y enquanto a los bastimentos el Duque ni Thomas de Ibio no los tienen. Pero si pareciere que de aca se provean se podra hazer dando el dinero necefssario] para ello. Vuestra Magestad mandara en todo lo que mas a su servycio fuere. En Madrid 4 de Julio 1623. Rubrica dos conselheiros 88. [173] Portugal — 3 de Junio 1623 Que Bras Tellez de Meneses, governador de Mazagan avisa, que abiendo tenido el Domingo de Lazaro, y el de Ramos dos vito- rias de moros, apellidaron mucha gente, y en 29 de Abril le vinie- ron a sitiar mas de 10.000 moros, que por no tener aviso los cogio en el campo cogiendo Raba. Que se recogieron en buena ordenança al primer rebelin, de donde pelearon y ayudo la artilleria de la fortaleza. Que su muger viendo el peligro, cerro las puertas de la forta- leza, para que no se perdiesse, y hizo sacar el Sacratíssimo Sacra- mento, con que los moros se retiraron con mucha perdida de gente y entre ella dos alcaydes que fue cosa mucho (?) grosa no aviendo mas de 400 soldados, y jusgarse ya los moros por nombres bien armados con lo que olandeses les han ensenado. Que de nuestra parte solo murio uno y no huvo ningun herido. Que en esta ocasion rebentaron dos pieças de artilleria gran- des, y desencabalgaron quatro [173 v.] y rebentaron tambien ciento y tantos mosquetes, y se quebraron muchas lanzas. Pide se le provean armas, municiones y bastimentos de que se halla falto, y con miedo de que los moros se querran bengar. El Consejo dize que se ha acordado a los governadores el socorro desta plaça y las demas de Berbéria. Que a Tomas de Ibio Calderon se ha escrito tambien para que acuda y que en Lisboa (i) A margem — Marques de la Laguna. Marques de Aytona Marques de Montes Claros Don Diego de Ybarra Don Pedro Pacheco 425
se le satisfara. Y supplica el Consejo a Vuestra Magestad mande escrivir al Duque de Medina Sidónia que haga luego embiar a Mazagan la mayor cantidad de armas, municiones, y bastimen- tos que fuere posible, y la gente que huviere menester, y que las letras de lo que esto costare se pagaran puntualmente en Lisboa. Remitiose al Consejo de Guerra y dize que se puede respon- der a los governadores de Portugal, que de alia tengan cuidado de proveer esta plaça, porque de aca no se [174] puede, y quando mucho se daran armas pagando luego el precio delias, y que entre- gando las dos pieças que dizen han rebentado se fundiran para hazer otras dos, y quanto a bastimentos que ni el Duque de Medina ni Tomas de Ibio los tienen, y que embiando el dinero se podran recojer (l). 89. [174 v.] El Consejo de Guerra respondiendo a la yn- clussa consulta dei de Portugal sobre cossas tocantes a Maçagan. [176] En la conssulta dei Conssejo de Portu- gal sobre el suceso dei Conde de la Vidiguera. Aviendose buelto a ver esta conssulta por los mismos Don Agustin Messia, Marques de Montes Claros y Don Fernando Giron que primero la vieron y con Mendo da Mota como Su Mages- tad de nuevo mando. Todos quatro se conforman con el parecer que tuvo la junta en todo y por todo, y anaden que para que este negocio tenga el effeto que se dessea conviene mucho el secreto, y que assi no responda Su Magestad mas al Conssejo de Portugal enquanto al primer capitulo dei parecer de la junta que trata de hazer demostracion con el Conde de la Vidigueira de que Su Mages- tad queda mirando lo que conviene y avisara al Conssejo. Y que en el interin se vaya mirando en la persona que conviene eligir pues Su Magestad podra tener noticia de todos. Madrid 13 de Junio de i623. Rubrica ilegível. (*) À margem — Respondase a los governadores, que me da muchisslmo cuydado esta plaza y no serme posible probeerla luego da aca y que assi les encargo mucho procuren todos los médios que huviere para socorreria, assi de bastimentos como de todo lo demas por no tenerlos el Duque de Medina Sidó- nio ni Tomas de Ibio y que entregando las piezas rebentadas se fundiran otras y en las armas se hara lo que se pide. Hazer la respuesta de esta consulta. 4 de Julio. 426
90. [177] EN LA CONSSULTA DEL CONSSEJO DE PORTUGAL SOBRE EL SUCESO DEL CONDE DE LA VIDIGUEIRA A Don Agustin Messia, el Marques de Montes Claros y Don Francisco Giron parece que por la carta y relación del Conde de la Vidigueira se conoce bastantemente que no procedio como devia y que assi podria Su Magestad mandar al Consejo de Portugal le consultase luego persona que por Marzo en las naos y socorro que an de yr a la Yndia fuese a ella con autoridad y comisiones bastantes para hazer informacion de lo que paso en este caso y titulo de governador de la Yndia que exerza en llegando y el Conde de la Vidigueira se venga en la primera ocasion a Espana a dar quenta de si y con el invie el governador la informacion que huviere hecho. Y si por ella pareciere que el conde mereze mayor castigo se le podra dar, que para esta demostracion que aora se haze parece bastante lo que resulta de los papeies que an venido, que pues fue por tres anos, y quando le llegue este despacho, abra servido los dos no sera mucho y que el governador lleve orden de premiar a los que averiguare aver servido bien en la dicha ocasion y castigue cul- pados ecepto en las causas que tocaren a la personna dei virrey, que contra el no a de hazer mas que la informacion hazelle cargo y recibir sus descargos sin sentenciar remitiendolo todo a Su Magestad. (J) Que la armada de socorro que apresta el Conde de Portale- gre sea del mayor numero de gente y navios que se pudiere, y se disponga para salir por Settiembre y en este interin tomara Su Magestad resolucion conforme a los avisos que huviere de la Yndia, porque si desde luego se dijese que la partida a de ser por Marzo se embaraçaria el despacho de manera que se imposibilitase el que esta acordado [177 v.] vaya entonces con las naos ordinárias. Y por que aunque los effetos de que se avian de hazer los gastos para esta armada primera parece que eran effetivos no es (*) A margem — Buelvase a ver esto con Mendo da Mota por los mysmos. 427
bien que se ponga en riesgo por imposibilidad el conseguirse este socorro se podria mandar al Conde de Portalegre avise el estado que tiene la cobranza de dichos effetos, y no siendo tan prompta como es menester se tiene por preciso que Su Magestad haga socorro de cient (sic) mill ducados por la Corona de Castilla. Madrid, 7 de Junio de 1623 Rubrica ilegível. 90. [178] Senor En el Consejo se ha visto (como Vuestra Magestad fue ser- vido de mandarlo) la consulta inclusa dei de Portugal en que la quenta del subceso que tuvo el Conde de la Bidigueyra con cinco navios de enemigos con quien peleo junto a Mozambique apuntando con esta ocasion lo que comviene socorrer las cosas de la India con fuerças sufficientes y se boto como se sigue. El Duque dei Infantado — Se conforma con lo que consulta el Conssejo de Portugal enquanto a que los ocho galeones que esta aprestando el Conde Don Diego de Silva partan temprano tan en orden como es menester y se disponga el servicio dei reyno en la forma que esta resuelto, y lo mesmo le parece que se procure en- quanto a socorrer por la Corona de Castilla todo lo que se pudiere a los aprestos, si bien las difficultades que ay para sacar dinero son las que se saben y en todo lo demas que dize el Consejo de Portugal que lo considera muy bien. [178 v.] Don Agustin Messia — Que convendra que Vues- tra Magestad procure que este socorro se haga por todas las vias que se pudiere ayudando de Castilla con todo lo posible, y se con- forma con Mendo da Mota en lo que dize dei Conde de Bidi- gueyra. El Marques de Aytona — Se conforma en que no se puede dejar de ayudar a este socorro y dice muy bien el Conssejo de Por- tugal que ayudando Vuestra Magestad a otros reynos y príncipes primero es este que es propio, y tambien se conforma con Mendo da Mota como ha dicho Don Agustin Messia. El Marques de Montes Claros — Que Vuestra Magestad tiene mandado que se apreste una armada de ocho galeones para yr a socorrer la India y sobre si ha de partir para Setiembre (o guar- dar la moncion de Março para yr en conserba juntamente con el otro socorro que entonces se pretende embiar) se han echo muchas consultas que ha visto encontrados los pareceres de los gover- ns
nadores de Portugal y del Consejo de aquel reyno que asiste ha sido Vuestra Magestad servido de [179] mandar que el apresto de los dichos ocho galeones se vaya haziendo en tal manera que esten bergas en alto por Setiembre con animo de que en este tiempo como lo han asegurado los dei Conssejo de Portugal bendra avisso del virrey de la India con relacion dei estado en que estan las cosas de aquelles províncias y en particular lo que toca a Ormuz para gobernar por los dichos avisos la partencia desta armada (que este avisso no ha venido hasta agora porque lo que se sabe de la per- dida de las naos que fueron con el Conde de Bidigueyra no da noticia de lo que se deseava saver por relacion dei virrey (o gover- nador que esta en Goa). Y assi enquanto a esto es su parecer que no se haga nobedad de lo que esta mandando, y que el Conde de Por- talegre Don Diego vaya aprestando las naos siempre con animo de que han de partir por Setiembre pues sera posible que antes se tenga avisso de los subcesos de la India y dando ellos lugar lo mas a proposito parece juntar este socorro con el que ha de yr por Março pues se no es por necesidad precissa yra muy abenturado lo que fuere en Setiembre de ymbernar en Mozambique con perdida de mucha gente por ser aquel sitio tan mal sano. Y enquanto al dar- les ayuda desta corona para los dichos aprestos se ha hablado otras vezes [179 v.] y resuelto lo que cerca desto se deva hazer y assi es bien recorrer las consultas pasadas y guardar los decre- tos de Vuestra Magestad en sus respuestas pues los arbítrios y médios de que se quere baler agora la Corona de Portugal para hazer esta primera armada eran pronftos] y no cesan por el sub- ceso dei Conde de Bidigueyra, y para juzgar de la culpa que huviere tenido el dicho conde en esta perdida es necesario mas informacion y diligencias pues aunque por lo que se sabe dei subceso parece culpado es preciso aguardar descargos y en qualquier casso que se halle ... haver procedido menos bien de lo que defvia] casti- galle con mucho rigor. Don Fernando Giron — Que la perdida de las nabes de la índia ha sido grande y no es la menor la de la reputacion, pues parece que hallandose el Conde de la Bidigueyra con quatro naos tan grandes tenia obligacion de perderse peleando y no perderse [de] la forma que se perdio. Y enquanto al socorro de la índia es preciso el socorrella pêro que este socorro le haga el Reyno de Portugal ayundandoles Vues- tra Magestad con cien mil! escudos. Enquanto al partir este socorro por Setiembre se puede temer yra muy abenturado en no llegar al tiempo que se pretende y en opinion de los ... se tiene por mas seguro parta por Março, pêro sobre esto sera bien tomar parecer de los pilotos y personas platicas que diferentes vezes han echo en 429
[180] El Conde de Gondomar — Enquanto a la culpa y per- dida dei Conde de Bidigueyra se conforma con el parecer de Mendo de Mota y com lo que ha dicho Don Fernando Giron pues por lo que escrive el mismo Conde de Bidigpeyra consta lo que herro y en lo que falto. En lo dei socorro se conforma tanbien con que es necesario hazelle y que sea el mayor que se pueda, en el tiempo repara de si sera en Setiembre, o en Março y aunque parece que la mayor brevedad sera la mejor y que assi es Setiembre, antes que Marzo. Biene a estar tambien muy dudoso por lo que ha oydo y entendido a personas platicas desta nabegacion de que manera llegaria mas presto a la índia porque muchos se conforman que par- tiendo por Setiembre havian de ymbernar antes de llegar alia y des- hazerse y que assi sera mas breve yendo por Marzo. Que esto sera bien se resuelba ultimamente en Lisboa por los que lo entienden pues ay alli tantos y son los ynteresados particularmente en elacierto. El donde se ha de sacar este socorro que es la dificuldad no puede dejar de poner en consideracion a Vuestra Magestad habiendo sido la Corona de Portugal en tiempo que tenia los gastos de las casa reales y de doctes de hijas y conquistadas tan sobrada que de los primeros millones que se oyeron en nuestros tiempos en Europa fue el que el rey Don Manuel dio a la Magestad dei Empe- rador con la infanta Dona Isabel su hija que fueron novecientos mill ducados en oro y cien mill en joyas. Y siendo menores los dere- chos reales que oy son y no trayendo de Portugal o Castilla diez reales parece recio casso que dexando a aquella corona todo lo que esta vale no llegue a lo que es menester para su defensa o no se [180 v.] contente y quieren que Castilla sea sua tribu[ta]ria, y aun- que parece que cossa tan puesta en [ra]zon y que indubda son mayores las necessidades desta corona que de aquella y para cosa tan natural como la defensa propia y que tambien [la] toca en reli- gion y reputacion no havia de ser necesaria a premio ni ruego. Toca a Vuestra Magestad como rey y defensor supremo el defendellos con su hacienda dellos mismos y sacarsela para esta por [me]dio de sus mismos ministros portugueses el [me] dio justificado y suabe que se pueda aliar pêro tibo, pues esperar o que se embie de Castilla ni [se] save donde aya dinero para ello ni para prove- [er] lo que precisamente es menester aqui y en Flan[des] y en las armadas de Vuestra Magestad. Esto le ha parecido deve poner en consideracion a Vuestra Magestad para que con la brevedad a que la necesidad obliga probea en ello lo que mas fuere servido. Don Fernando Giron bolvio a ablar y le parece que el socorro sea de doze navios [con] tres mill ombres de mar y guerra. Vuestra Magestad mandara lo que mas fuere servido. En Madrid a 22 de Mayo 1623. Rubricas dos conuselheiros. 430
[181 v.] Conssejo de Estado a 22 de Mayo 1623 Inclusa una consulta dei Conssejo de Portugal que trata dei subceso que tubo el Conde de la Bidigueyra con cinco navios de enemigos y lo que conviene socorrer las cossas de la índia. 91. [182] Portugal—16 de Mayo 1623 Dan quenta de lo que el Conde de la Bidigueyra escrive, desde Moçambique en carta de 24 de Agosto, que en sustancia es que aviendo passado el Cabo de Buena Esperança topo con 5 nabios três de olandeses y dos de ingleses que ha mucho andan unidos, y que peleo con ellos dos dias, y al cabo delles una de las três naos que llevava, y quedo destroçada toco en los vagios de Mogincale y se perdio, con que el virrey seguiendole los enemigos se recogio a Moçambique y al entrar de noche tocaran las otras dos naos, y se perdieron, salvandose la gente, dinero y artilleria. Y que los enemigos bolvieron a la primera nao que toco y saca- ron delia algun dinero y gente y las huerfanas de la proteccion de Vuestra Magestad aviendose salvado lo demas, y mucha parte dei dinero. . Que embio en socorro de Ormuz, al galeon que le avia que- dado y en el 400 hombres, y que procuraba embarcacion para pasar a Goa. (') [182 v.] El Consejo Encarece esta perdida en tiempo tan apretado con que se impo- sibilitan mas socorros pues este ano no vendra sino una nao de la India, y si se quisiesse apretar a Portugal se podria poner a riesgo de perdello todo. Que estas desgracias son castigos de Dios por nuestros peca- dos y que asi se deve acudir a Su Divina Magestad con rogati- bas, y con castigar pecados públicos y mantener el reyno en jus- ticia. Que mande Vuestra Magestad, que el socorro que ha de partir por Setiembre parta temprano, pues es tanto menester, y que con correo han avisado a los governadores deste succeso para que se tenga en secreto, como lo tiene el Consejo. (1) A margem—Quedo advertido de lo que el Consejo me da quenta y pensando en lo que conbendra hazer en negocio de tanta consideracion. A Don Agustin, Dom Fernando y Montes O aros. 431
Que faltando este ano la venida de las naos que se an perdido, que son tantas que avian de ayudar al socorro, se imposibilitara si Vuestra Magestad, no socorre de Castilla con los 200.00 cruza- dos que han pedido otras vezes. Encarecen quan conveniente es acudir a este socorro para todos los reynos de Vuestra Magestad y dize que cumple con dezirlo, tratando [183] como tratara de otros médios si los huviere. D. Antonio Pereyra, que conviene que los galeones que huvie- ren de ir por Setiembre sean 12: quatro mas de lo que estava acor- dado, y que para ello se haga el esfuerço posible. Mendo de Mota, que se hecha de ver de la importância que son los socorros, pues el Conde de la Vidigueyra, se hallo con solo un galeon, que llevo de socorro. Que enquanto a su procedimiento en el viaje y la pelea, por su misma relacion consta que desamparando el galeon Santo Joseph, que fue el primero que toco, se fue a meter de noche en Moçam- bique con que perdio las otras naos, y assi se le deve atribuir el mal succeso. Remitiose al Consejo de Estado y se voto (')• Infantado—Se conforma con el Consejo de Portugal, aunque vee la dificultad. D. Agustin Mesia — Que conviene se haga el socorro, aunque sea ayudando de la Corona de Castilla, y se conforma con Mendo de Mota en lo que dize dei Conde de la Vidigueyra. [183 v] Marques de Aytona — Se conforma con Don Agus- tin Messia. Montes Claros — Que esta resuelto que el socorro de los 8 galeones este prevenido para Setiembre con intencion de que de aqui alia abria algun aviso de la India, y siendo preciso partiesse enton- ces y sino por Março, que dando lugar las cosas esto ultimo lo mejor y que assi se mande executar esto. Que para este socorro ay médios para sacar dinero de Portu- gal, y assi se deve guardar lo que esta resuelto acerca dei socorro que piden de Castilla. Que para culpar al Conde de la Bidigueyra, es menester oyrle y teniendo culpa castigalle con mucho rigor. D. Fernando Giron — Que ha sido gran perdida, y mayor de reputacion por averse perdido assi. (*) A margem—22 de Mayo. 432
Que Vuestra Magestad podria ayudar de Castilla con 100.00 ducados para este socorro. Que el partir por Setiembre tiene mucho riezgo pero que se sepa de marineros de aquel viaje. El Conde de Gondomar — Conformase con Mendo da Mota quanto al Conde de la Bidigueyra. Que conviene que vaya socorro el mayor que se pudiere, que si ira en Março o Sitiembre se remita a Portugal. Que lo nescessario se provea de Portugal pues de alia no se saca nada para aca y en Castilla ay muchas cosas a que acudir. D. Fernando Giron — Bolvio a hablar, y le parece que el socorro se[a] de 12 nabios y 3,000 hombres de mar y guerra. 92. [ 184 ] Portugal — Estado Para con los Senores Don Agustin Messia, Marques de Montes Claros y Don Fernando Giron. Sobre las cartas que para la India ha dado el Principe de Gales Que las cartas se buelvan, desiendo que pues se esta tan cerca de asentar todas las cosas entonces se trattara deste punto. Y que se suspenda el trattar dei hasta que se tratte de lo general. Que a Inojosa y a Colomma se escrivã que si alia trattare el rey desta materia le respondan, que quando se trattare de las gales se asentara tambien esta. [185] Portugal — 26 Abril 1623 Que aunque las cartas del Principe de Gales y Marques de Boquingan para los ingleses tratantes en la India que remitio el Conde de Olivares a aquel Consejo van menos apretadas de lo que se penso. Y con algun artificio y cautela que pueden hazer dudoso el cumplimento. Contudo se deven acetar y que convendra que se embien luego por tierra al virrey de la India para que conforme al estado de las cosas use o dexe de usar delias y que tambien se le de quenta de 433 28
la venida del Principe de Gales y agasajo y demostracion con que ha sido recivido. Y porque estos despachos han de yr primero a Mascate y puenden llegar en ocasion que sea necessário usar dellos antes que pasen a manos del virrey com (sic) seria si entonces se quisiese intentar la restauracion de Ormuz y estuviesen los ingleses en favor del Persa sera bien que vayan otros duplicados de dichas cartas derigidas al capitan de Vuestra Magestad que se allare en Mascate y conformandose Vuestra Magestad con ello se han de pedir otras tres cartas duplicadas y que se remitan luego al Consejo porque estan prevenidas las personas que han de yr con ellas y es el tiempo de la embarcacion y assi suplican por la brevedad de la respuesta (*). 93. [186] Senor En el Conssejo se ha visto (como Vuestra Magestad fue servido de mandarlo) la conssulta inclusa del de Portugal y las copias de cartas que bienen con ella que han dado el Principe de Gales y el Marques de Boquingan para los ingleses tratantes en la India en que les dizen el sentimiento que Vuestra Magestad tiene de que huviesen ayudado al rey de Persia a la toma de Ormuz y que se abstengan de seme jantes obstelidades. Y se voto como se sigue. El Duque del Infantado — Que se conforma con el Conssejo de Portugal por las causas que representa, aunque no halla en estas cartas fundamento que aproveche, pêro le pareze que no pueden danar. Don Agustin Messia — Que tambien se conforma con el Cons- sejo de Portugal. El Marques de la Laguna — Que lo que escriven el Principe y el de Boquingan no le agrada porque es diferente de lo que el Conde de Õlivares trato. Y si dejeran que ayudasen a los portu- gueses le pareceria bien, y si se pudiese alcançar con ellos que pusie- sen este punto en las cartas seria de mucha ymportancia. [186 v.] El Marques de Aytona — Se conforma con el Cons- sejo de Portugal, de que se remitan las cartas pues no pueden danar y para aprovechar como se ha dicho, pero si se puede pro- curar que se mejoren. Se conforma con el Marques de la Laquna. (') A margem — Consejo de Estado en 27. Parece mas conveniente el bolver estas cartas al Principe de Gales por ser de poca sustancia, y no poder el dar las demas por el respeto de su padre quien he mandado acudan mis embaxadores pela satisfacion que se deve dar. 434
El Marques de Montes Claros — Que estas cartas pudieran ser mejores. Y sin [duda] ninguna lo fueran si el príncipe mandara que las armas de los vassallos de su padre [ayujdaran a los de Vues- tra Magestad para qualquiera f... pêro no se maravilla que el prín- cipe no lo [ ] ayudado con toda esta estension pues siendo ... una de las adealas mas principales que ... tienen que darnos para la con- clusion de ... cassamiento no es mucho la ayan querido ... casear hasta la ocassion, pero de qualq[uiera] manera le pareze que las cartas se acepten [y] vayan con los duplicados que dize el Conssejo de Portugal. Porque supuesto que todos los reyes que estan en la índia de la parte que [los] dei Norte no tienen oy fuerzas que los ay[uden] por la mar si no es de los ingleses en qu... doles estas quedamos seguros en teda aqu[ella] parte y se recuperara Ormuz. Pues en si ... Vuestra Magestad poderoso en la mar para quitarle a los persas el agua y mantenimientos que an de proveer aquella fuerza se abran [de] rendir sin poder mas. Don Diego de Ibarra — Que se conf[orma] con el Conssejo de Portugal, y que si se ... [187] mejorar las cartas, se procure por todos médios que aunque no son las que dan, las que se podian desear seria de mucho provecho si las obedeciesen. Y assi es muy bien balerse delias como ba dicho. El Conde de Olivares — Que en todo le parezera siempre lo que al Conssejo. Pero que no puede dejar de representar a Vuestra Magestad que el valerse destas cartas lo tiene por falta de reputa- cion grande y que tendria por de mas efecto para los ingleses de la India el saver solamente que esta aqui el Principe de Gales y el almirante de Inglaterra que no, que saviendo que estan dieron estas cartas pues sin duda les haria juzgar por de menor demos- tracion la action de su venida. Piensa el conde que el rey de la Gran Bretana dara estas cartas muy a satisfacion y que no ser senor absoluto el príncipe de sus vassallos le haze que nos las de en mejor forma. Y que en todo aquello que no pareciere que ha de ser de provecho grande y ayuda no querria que se mostrase tanta flaqueza como aceptar cartas tan ynsustanciales aviendolas Ilegado a pedir y que bolviendoselas se podria emendar el haverias pedido y en todo se conforma con el Conssejo. Don Fernando Giron — Que estas cartas no traen consigo nin- gun provecho sino es dar ocassion a que nos hagan cargo de que [187 v.] nos han hecho una grande amistad. Assi le pareze que se diga al Principe de Gales que aviendo remitido Vuestra Magestad estas cartas a este Conssejo para que se viesen, al [conde] se ha 435
parecido que no conviene recivirlas. Y que en consideracion de la amistad y hermandad que ay entre estas dos coronas y [de] la buena correspondência a que el rey de la Gran Bretana se halla obligado se debe escrivir a los vassallos que tiene en la In [dia] Oriental embiando persona propria a ello [ha]ziendoles saver la amistad que con Vuestra Magestad tiene y las alianzas de paren- tesco que tratan, para lo qual el príncipe su hijo esta en esta corte biniendole sirviendo el almirante Marques de Boquingan. [Los] quales le han escrito el sentimiento tan [grande] com que Vuestra Magestad se halla de que los vas[sallos] del rey de la Gran Bre- tana yuan [ayu]dado para la toma de Ormuz al rey de Persia enemigo de la christiandad. Y assi les ordena y manda que se junten con las armas de Vuestra Magestad que tubiere [para] embiare a la India Oriental y ayufden] para bolver a recuperar a Ormuz pues [con] menos demostracion que esta no se puede [dar] satisfacion a Vuestra Magestad a quien el de la Gran Bre- tana desea por todas las vias posfibles] darsela por las muchas obli- graciones en [que] cada dia Vuestra Magestad le pone y quede [sea] [188] hazerlo de la misma man era que se lo embia a mandar los tendra por ynovedientes y reveldes a sus mandatos. El Conde de Gondomar — Que el Principe y el Marques de Boquingan se dijeron que escrivirian las cartas a sus yngleses en la índia como de aca se pidiesen y quisiesen. Y quando se las die- ron en la forma que bienen reparo en ello pêro le dijeron que el príncipe no podia romper la guerra con el rey de Persia ni le con- venia a su padre por tener los mercaderes ingleses en el puerto de Jasques en Persia mas de dos millones de mercadurias. Que quanto les era posible hazer era dar las cartas por agora como las davan escriviendo a su padre que las diese en mejor forma. Y que el conde era testigo de que le avian ynstado muchas vezes en Ingla- terra y aqui sobre la liga entre portugueses y ingleses. Y que la misma ynstancia, avian hecho aqui Cotinton y el Conde de Bristol, pero visto que esto no aprovechava ni se admitia, antes cada ano embiava el virrey de la India una armada contra los ingleses y los olandeses les procuravan tambien quitar el comercio y nosotros con nuestros embaxadores al rey de Persia que nolas admitiese les fue forzoso buscar partido y juntarse [188 v.] con quien le queria ayudar contra quien [le] queria destruyr. Que tambien avian representado aqui a Su Magestad que aya gloria y Cotinton dize que lo dijo muchas vezes que si podíamos hechar a los ingleses de la índia seria lo mas acertado pero que no [pod]endo los hechar tenia por conveniente hazer la liga y amistad con ellos para hechar los olandeses y que les pareze que no es po[sible] apartarse de los persianos y no hazer ninguna obstilidad a los portugueses. Pero [esto] al Conde de Gondomar no le satisfaze, ni [las] cartas y assi le pareze que sera muy bien bolverselas y que el Marques dei Ino 436
josa y Don Carlos Coloma procuren que el rey de Inglaterra embie persona [que] escrivã las cartas en la forma que Don Fernando Giron ha dicho. El Marques de la Inojosa — Que las cartas las tiene por dano- sas pues en [susjtancia no son de ningun efecto. Y dara ocassion a que los enemigos desta corona juzguen que pues nos balemos destos médios estamos en muy gran necessidad. y los em[baxadores] de la union de ambas coronas querran [dar] a entender al mundo que se falta a la confiança que el rey de Inglaterra ha hecho [a] Vuestra Magestad obligando a su hijo a que escrivã [a los] vassallos sin orden suya y assi juz[ga] [i89] por conveniente que se le buelvan y que por medio del embaxador que esta en Inglaterra se le represente a aquel rey que destas cosas que subceden es mayor el sentimiento quanto es mayor la amistad que profesan estas coronas. Don Agustin Messia bolvio a hablar que se conforma con los que han votado que estas cartas se buelvan. Y anade que tam poco le pareze que se pidan al rey de la Gran Bretana porque el no las ha de dar conforme las pidieremos y emos menester. Y es falta de reputacion que Vuestra Magestad pida una cosa y no se la con- cedan y assi mismo que el de la Inojosa, ni Don Carlos Coloma traten con aquel rey desta materia si no fuere hablandoles el en ella y en tal casso podran discurrir con el en el modo que las cartas podrian yr que en lo que Don Fernando Giron ha dicho le pare- cerian muy a proposito y mucho mas lo que el Conde de Gondomar ha dicho que deseavan los ingleses hazer liga con los portugueses en la India. Si esta se pudiere aora concertar seria la mayor felicidad que podemos tener en aquella parte. El Marques de la Laguna — Tambien bolvio a hablar. Que se afirma en lo que [189 v.] voto de que no le contentavan las cartas y anade que se buelvan, como se ha votado porque no son de ningun provecho antes de dano. Y que si no fuese saliendo el rey de Inglaterra a hablar al Marques de Inojosa y a Don Carlos Coloma en este ... de nuestra parte no se le proponga cossa ninguna. El Marques de Ay tona — Assi [co]mo bolvio a hablar que las ra[zo]nes que ha dicho el Conde de Olivares le hazen fuerza. Y el haver hecho el marques reflection que semejantes car[tas] de quien no puede mandar son de poco [pro]vecho. Y tambien considera que hasta este asentada la amistad estre- cha con [In]glaterra ni aquel rey rompera con ... por Vuestra Magestad ni castigara a sus vassallos por acudir ellos a quien les conviendra por sus yntereses. Y aun plegue a [Dios] que lo haga 437
quando aya mayor el ... cheza. Y assi le pareze que se buel[van] las cartas y que quando el Marques de la Inojosa parta para alia le mande Vuestra Magestad lo que ha de dezir al rey de Ingla- terra sobre esto. [190] Don Diego de Ibarra tambien bolvio a hablar confor- mandose con el voto dei Conde de Olivares. Vuestra Magestad mandara lo que mas fuere servido. En Madrid a 29 de Abril 1623. Rubricas dos conselheiros 94. [190 v.] 1623 Conssejo de Estado a 29 de Abril Sobre lo que contiene una consulta dei Conssejo de Portugal que trata de las cartas que han dado el Principe de Gales y el Marques de Boquingan para los ingleses tratantes en la índia en que les dizen el sentimiento que tiene Vuestra Magestad de haver ayudado al rey de Persia a la toma de Ormuz y encargandoles se abstengan de semejantes obstelidades. [192] Portugal — 6 de Abril 1623 Que dio quenta a los governadores de la resolucion que Vues- tra Magestad, ha tomado en los socorros de la India y aviendose tratado delia en el Consejo de Estado despues de oidos los gover- nadores hubo votos de que las velas fuesen diez y partiesen por Febrero de 24 derechas a Goa que es mas segura navegacion que la de Septiembre. Que lleben 500.00 cruzados en dinero y que no combiene embiar socorro para entretener la guerra sino para continuaria por tres anos con tal poder que baste a acabaria y que para esto se haga un assiento, como se haze para las cosas de Flandes. Al Consejo aviendolo visto todo le pareze que ninguna de Ias razones que representan, obligan a mudar la resolucion tomada y que assi se lo han escrito a los governadores y dan quenta dello para que Vuestra Magestad lo tenga entendido. Remitiose al Consejo de Estado, el Duque dei Infantado, y Marques de La Laguna, Aitona y Montes Claros se conforman en todo con Portugal. Don Agustin Messia, Don Fernando Giron y Conde de Gondomar con los governadores enquanto a la mon- cion de Hebrero de 24, y Don Fernando enquanto a los baxeles dize que no conviene que en el 2.° socorro vayan las naos grandes, 438
porque son pesadas sino galeones y el Marques de la Inojosa dize que se embie ahora algun socorro en carabelas y que para la mon- cion de Febrero que siempre la ha tenido por mas segura se embie lo demas. (') [193] En la Conssulta dei Conssejo de Estado con otra dei de Portugal sobre el segundo socorro que se a de inviar a la Yndia Don Agustin Messia, el Marques de Montes Claros y Don Fernando Giron an visto todas estas conssultas y pareceres que con ellas vienen, y conformes les parece que Su Magestad apruebe al Conssejo de Portugal que assiste en Madrid lo que a escrito a los governadores de aquel reyno cerca de que no se haga nove- dad en lo resuelto, y que assi se haga mientras los avisos que dize se esperan del virrey no obligaren a otra cosa, y que el dicho Cons- sejo de Portugal de aqui tenga cuidado de avisar a Su Magestad (en caso que tarden) lo que les pareciere se deve hacer en los dos puntos, del tiempo en que an de partir de Espana, y de la parte adonde an de yr derechos. Madrid 26 de Abril i623. Rubricas ilegíveis Executese lo que tengo ordenado mientras no huviere aviso dei virrey de la India que obligue a otra cosa. Y si tardare este aviso me consulte el Consejo lo que le parciere acerca de los dos pun- tos dei tiempo en que han de partir y adonde han de yr derechos. 95. [194] Senor Como Vuestra Magestad fue servido de mandarlo se ha visto en el Consejo la consulta inclusa dei de Portugal que trata de la forma en que se podria embiar el segundo socorro a la India, y se boto como se sigue. El Duque dei Infantado que tiene por combeniente lo que el Conssejo de Portugal consulta por las causas que representa y assi se conforma con el. (>) A margem — a Don Agustin Montes Claros Don Fernando Giron 439
Don Agustin Messia que ha oydo diversas vezes a personas platicas que saliendo de Portugal las armadas para la India por Setiembre van muy abenturadas y expuestas a ymbernar en Mozon- bique que es cosa de muy grande incombeniente porque se consume la gente y pierden mucho los navios y que partiendo en la moncion de Hebrero hazen su viaje con seguridad, y sin el dano de la imber- nada y llegan al mismo tiempo que partiendo por Setiembre como tambien pareze que lo dan a entender los gobernadores pero pues el Conssejo de Portugal, dize lo contrario es de creer que lo ten- drian bien considerado y assi se conforma en todo con lo que le pareze. [194 v.] Los marqueses de La Laguna, Aytona y Montes Claros, y Don Diego de Ibarra se conforman tambien con el Cons- sejo de Portugal por las consideraciones que apunt[an], Don Fernando Giron que de ninguna manera tiene por com- beniente que en el segundo socorro vayan las cinco na[bes] que dizen, porque como son vaxeles tan grandes y pesados no seran alia de provecho, ni se conseguira con ellos el fin para que se lie- van, y tiene por mejor que en lugar destas cinco nabes vayan otros tantos galeones junto con los o[tros] tres que dizen en la consulta, de manera que en todos sean ocho galeones de guerra y los dos pataches que seran mas a pro[posito] y de mas seguridad para el yntento, y h[azer]le mucha fuerza lo que Don Agustin Messia apunta de la moncion de Setiembre por razon de la ymbernada, todo lo qual pone en consideracion y se remite al parecer del Conssejo. El Conde de Gondomar se conforma con Don Fernando Giron en lo de la moncion de Setiembre como tambien lo con[corda]ran ... los gobernadores, pero se remite [lo] que va botado. El Marques de La Hinojosa, es de parecer que si ha de embiar agora algun socorro de gente a la Yndia [195] se embie en cara- belas, y despues en la moncion de Hebrero se embie lo demas por- que siempre ha oydo que es muy peligrosa navegacion en la de Setiembre. Vuestra Magestad lo mandara veer y proveer lo que mas fuere servido. En Madrid a 21 de Abril 1623. Rubricas dos conselheiros 1623 440
[ 195 v.] Conssejo de Estado a 21 de Abril Inclusa una consulta dei Conssejo de Portugal que trata dei segundo socorro que se ha de embiar a la índia. 96. [196] Senhor O Conde de Portalegre Don Diogo da Silva, escreve a Vossa Magestade en carta de 24 do mes passado, que pede licença a Vossa Magestade para se alegrar de o ter bem servido, e para dizer a Vossa Magestade o que tem feito em seu serviço nos qua- renta e oito dias que teve despois que chegou a Lisboa. Que se apprestarão os cinco navios do socorro da India, a tempo que forão com as naos, andando muitos de turcos defronte da barra, dando se querena a dous galleões, e pendor a hum, os quaes vão bem artelhados, e levão bons bombardeiros, e dobra- dos grumetes dos que havião mister, com ordem aos capitães, e aos mestres, que se ensinem na viagem, para que fiquem servindo de marinheiros na India, que he o milhor cabedal que nelles podia hir, que levão excelentíssima polvora de salitre cru, e de espingarda, por não ser desta sorte a que se tinha feito para as naos. Que levão as naos e galeões a milhor gente que nunca foy à India, e accudio tanta com as ordens que se derão, despois que elle conde chegou a Lisboa, que he muita a que tem sobejado, e tiverão lugar os capitães de a escolher, da idade e disposição que quizerão. Que se apprestarão os galleões sem queixas, e sem extorções, porque so no dia em que partirão, se tomarão alguns poucos marinheiros, por força por não terem acudido outros dos que se havião assentado no galleão Misericórdia, os quaes forão tão pontuaes, que vindo con sua matalotagem feita de suas terras, se forão meter no galeão defonte de São Gião, e assy os levou demais dos que havia mister. Que não uzou dos poderes da instrução que levou, porque não quis perdoar a nenhum omiziado, nem malbara- tou a fazenda de Vossa Magestade como se lhe mandava que fizesse em caso de necessidade. Que não desajudou as naos antes dirão os governadores, e os mais ministros de Vossa Magestade que os ajudou no appresto delias, nas occasiões em que lhes foy nescessario que à índia se accudio com dinheiro, e se suprio a falta de reales com o padrão do juro da Misericórdia em que a fazenda de Vossa Magestade ha de ficar interessando muito porque não se acharão herdeiros, a quem haja de pertencer grande parte daquelle dinheiro. [196v.] Que também se prevenio a falta de reales, para os ca- be[daes], que dava grande cuidado, com o homem que enviou a Sevilha, [com] as primeiras letras que vierão a esta côrte, porque o dinheiro [das] segundas não chegou a tempo. Que a cidade ser- 441
vio a Vossa Magestade com duzentos mil cruzados, de que tem entrado na arca a mayor [parte] achando se esta materia tão indi- gesta, quando elle conde chegou a Lisboa, que lhe affirmarão os governadores que nem reales p[or] tostões lhe havia querido dar a camara para os cabedaes [o] dinheiro do Real d'Agoa, que estava em Santo Antonio. Que [se] contratou cobre, para artilheria, havendo muito tempo que por[...] preço se não achava, quem o contratasse, e nem o Conselho da Ffazendal achou ategora, quem o queira contrattar, tendo se aberto a por [ta comj os con- traltos que elle conde fez; e assy lhe sera forçado en [ten] der no do Consulado como Vossa Magestade lhe manda. Que tam- bém con [tratou] estanho por ser nescessario para a fundição, que lhe não d [eu] menos trabalho que o cobre. Que escreveo a Vossa Magestade o que lhe pareceo sobre o serviço do reino, e sobre o que se podia [fazer] com o apresto de alguns navios para a índia, de que espera tire o [ser]viço de Vossa Magestade algum fruto, se o negoceo se encaminha com [o] tem imaginado; e que porquanto as mais destas cousas, e as ... que se fizerão, foy por mão dos gover- nadores, sera justo que Vossa Magestade lho mande aggradecer, com o que tem trabalhado dias, que foi muito. Que com os ministros de Vossa Magestade não [ha] as com- petências, que nestas occasiões custuma haver, e tudo [o que] pode fazer por mão delles, deixou de fazer pola sua, porqfue] Vossa Magestade ficasse assi milhor servido, e elles sem occa- sião de se sentirem de Vossa Magestade mandar a elle conde, que o servisse nestes apprestos. Vendo se esta carta em Conselho, pareceo dar conta a Vossa Magestade de tudo o que nelle se refere, para que Vossa Mages- tade tenha noticia de quão bem servido foy do conde nesta occa- sião do de[spacho] das naos, e socorro da India, em que fez den- tro de tão [breves] dias, muito mais do que se podia esperar, ven- cendo grandes [di]ficuldades do tempo, e da falta das cousas necessárias, e não [emba]raçando, com o socorro, o appresto das naos, antes ajudando. [E] que a elle se deve atribuir muita parte do louvor, de hirem [bem] aviadas, polio que he razão que Vossa Magestade lho mande [agradecer] [197] por taes termos que veja, que tem Vossa Magestade delle toda a satisfação, que seu bom procedimento merece, e que aos governadores se aggradeça também, o que fizerão, e trabalharão, como o conde o lembra, para que animados todos continuem no que resta por fazer do socorro de Setembro de maneira que fique Vossa Magestade bem servido. Em Madrid 3 de Abril de 623. Parece mais ao Conselho que aos governadores deve Vossa Magestade mandar que de parte de Vossa Magestade aggradeção aos ministros que servirão bem no appresto das naos. 442
E com esta occasião se lembra a Vossa Magestade que mande responder com brevidade a consulta que se fez a Vossa Mages- tade sobre o serviço do reino e navios que se hão de pedir ao Porto e Viana. Rubricas dos conselheiros. 97. [197 v.] Consejo de Portugal El Conde Don Diego da Silva en carta de 24 dei passado da a cuenta a Vuestra Magestad de lo que en su servicio se hizo en quarenta y ocho dias despues que llego a Lisboa: que se appres- taron los cinco navios dei socorro a tiempo que fueron con las naos bien artilhados y con buenos artilleros y doblados marineros de lo que havian menester para adestrarse en el viaje y quedar sir- viendo en la India: que llevan muy buena polvora y en las naos y galeones la mejor gente que nunca fue à la índia, sobrando tanta que tubieron los capitanes lugar de escoger; que el appresto se hizo sin quexas ni extorciones, y sin usar de los poderes de la instrucion que llevo, porque no quiso perdonar a delinquente alguno ni mal- barato la hazienda de Vuestra Magestad, como se le mandava que hiziese en caso de necessidad; que no desajudo las naos, como lo diran los gobernadores y ministros, que las despacharon, antes les fue de provecho y a la índia se accudio con dinero supliendo la falta de reales con el padron de juro, que se dio a la Casa de la Misericórdia en que la Hazienda Real ha de quedar interessando mucho: porque a mucha parte de aquel dinero no se hallaron due- noz; que la ciudad de Lisboa sirvio a Vuestra Magestad con duzien- tos mil cruzados, de que se ha cobrado la major parte. Estando este negocio muy atrasado quando el llego que se contratto cobre para artilleria no haviendo para entonces quien lo hiziesse y se contratto tambien estano y represento a Vuestra Mages- tad lo que se offrecio sobre el servicio dei reino, de que espera se saque utilidad: que en todo concurrieron los gobernadores y sera justo que Vuestra Magestad se lo mande aggradecer. Que con los arimos (?) no tubo competência y todo lo que pudo hazer por mano dellos no hizo por la suya. Al Consejo parece que el conde hizo dentro de tan breves dias mas de lo que se podia esperar venciendo grandes difficulda- des dei tiempo y de la falta de las cossas necessárias y no embaraçando con el socorro el appresto de las naos, antes ajudan- dolo tanto que a el se deve atribuir mucha parte dei loor de que vayan bien aviados por lo que es razon que Vuestra Magestad se lo mande aggradecer por tales términos que a que tiene Vuestra Magestad dei toda la satisfacion que merece el buen procedimento y que a los gobernadores se aggradesca tambien lo que hizieron y trabajaron como el conde lo acuerda para que animados todos con- 443
tinuen en lo que resta por hazer del socorro de Setiembre de manera que quede Vuestra Magestad bien servido. Parece mas que a los gobernadores se ordene aggradezcan de la parte de Vuestra Magestad a los ministros que sirvieron bien en el despacho de las naos. Con esta occasion se accuerda a Vuestra Magestad mande resolver con brevidad la consulta sobre el servido del reino y navios que se han de pedir do Porto y Viana. Rubricas desconhecida. 98. [183] Senor Haviendo visto el Consejo (como Vuestra Magestad fue ser- vido de mandarlo) la consulta ynclusa de la dispusicion en que esta el socorro para la Yndia, se boto como se sigue — Don Agustin Messia que se agradezca a los governadores y ciudad de Lisboa su buen zelo y se les encargue pasen adelante con este apresto, y enquanto a los ducientos mill ducados que piden de Castilla, si Vuestra Magestad se hallase para poderles hazer esta merced seria muy bien empleada, sin ser menester para esto las consequências que trae el Consejo de Portugal sino ver quanto conviene al servido de Vuestra Magestad acudir a esta necesidad, y lo mismo dizen por lo que toca a la artilleria y cobre que pide. Que si aca no es menester precisamente, se les podria dar el cobre o parte dei. El marques de Aytona que le pareze lo mismo que a Don Agustin Messia, y que Ias deudas que se deven a Vuestra Mages- tad en aquella corona es bien se cobren sin dejarlas perder pues ay tanta necesidad en que lo abra bien menester Vuestra Mages- tad. El Marques de Montes Claros que es muy justo como lo a dicho Don Agustin Messia que Vuestra Magestad [183 v.] ayude desta corona a la de Portugal en la ocasion presente, mayormente haziendo (como pareze que hazen) esfuerzo los de aquel reyno para servir a Vuestra Magestad en la recuperacion de Ormuz y so- corro de la Yndia, pero que el crecer la cantidad que se avia de em- biar de respecto en dinero en las naos ordinárias de la carrera para los gastos de la Yndia no le pareze combiniente porque sin duda es muy bastante la suma de ducientos mill ducados con Ias ayudas y emprestidos que podia tomar el virrey de la Yndia assi de la Caxa de la Misericórdia de Goa ( en que le dizen ay alguna cantidad porque de difuntos) como de otros médios y advitrios que ... se les podian offrezer, y que los cien mill ducados restantes que offre- 444
cen los governadores y los duc[ientos] (?) que se piden a Vues- tra Magestad sera muy combiniente se empleen en el apresto de los ocho galeones de Setiembre con que se adelanntaran mucho. Y Vuestra Magestad podra dar la parte que le toca desta corona en algunos generos que para el dicho apresto seran menester que sir- van tanto como en dinero, demas de que se[ra] ymposible juntar de presente toda la cantidad de quinientos mill ducados a tiempo de yr en las na[ves] ordinárias de la carrera que an de yr hagora y que dei cobre que trajeren los primeros galeones de la Abana (que se presupone estaran a qu ento do Mayo) le pareze muy juzto y necesario. Vuestra Magestad mande socorrer al Reyno de Portugal para que funda artilleria aora sea por quenta de los ducientos mill duca- dos que Vuestra Magestad les a de dar ora pagandolo de contado al precio que a Vuestra Magestad le esta puesto en Espana y entre- tanto (agradeciendoles a los governadores la diligencia y cuydado que ponen) les mande Vuestra Magestad que de piezas e campanas rotas y de otro qualquer cobre y metal que hallen bayan fundiendo lo que se pudiere. Don Diego de Ibarra, se comforma con lo mismo que a botado el Marques de Montes Claros. Don Fernando Giron que se les den gradas a los governa- dores dei buen despacho de las tres naves y de los tres navios y dos pataches que los an de seguir y que assi mismo se le den gracias a la ciudad de Lisboa por lo que haze, y que pareze que si los gover- nadores juzgan que combiene embiar a la Yndia de respecto qui- nientos mill ducados, y aviendo primero parecidoles que bastava embiar ducientos mill, no es razon que los trecientos mill ducados que crecen sean los ducientos mill por la Corona de Castilla, y assi se les podria ordenar que embien los trecientos mill ducados que dizen. Y enquanto a la artilleria que piden se les podria responder que llegado el cobre que se espera de la Abana Vuestra Magestad las hara merced de dalles alguna parte, segun la cantidad que viniere. Vuestra Magestad mandara lo que mas fuere servido. En Madrid a 11 de Hebrero de 1623. Rubricas dos conselheiros. 445
[184 v.] Conssejo de Estado a 11 de Hebrero 1623 Con una consulta dei Conssejo de Portugal que trata dei socorro que se prebiene para la Yndia y lo que conbendra que la Corona de Castilla socorra a la de Portugal con 200.000 ducados para este effecto. Rubrica desconhecida. [182 v.] En 3 de Junio de 1623 La Junta de Armadas buelve la conssulta ynclusa dei Conssejo de Portugal que trata de que una de las esquadras de la armada vaya a hazer escolta a los 3 navios que por quenta de la corona se an comprado en el pasaje. Y la junta dize lo que acerca desto se le oferece. Rubrica desconhecida. 99. [185] Portugal—19 de Março 1623 Que para el socorro que por Setiembre ha de ir a la índia estan comprados en Vizcaya três galeones. Y que no podran pasar solos a Lisboa por los muchos cosarios sino con gran peligro. Consulta el Consejo que Vuestra Magestad podria mandar que una de las esquadras que han de andar de! Cabo de Sant Vizente e las Verlingas vaya por estos tres galeones y de camino podria castigar algunos de los piratas. (1) Remetiose a la Junta de Armadas, y dizen que no ay esqua- dra que pueda ir a Quipuzcoa por estos nabios, porque todo lo que esta prevenido ha ido al Cabo. Que lo que se podria hazer es que los tres nabios se aprobe- chen de pasar en conserba con otros dos de Vuestra Magestad que estan alli prevenidos para venir a la armada y otros de par- ticulares que pasaran a Andaluzia, pero de manera que no se deten- gan los dos de Vuestra Magestad esperando a los otros (2). í1) A margem — Junta de Armadas. Presto ocupadas las esquadras de la armada, no se podra hazer esto. Podrian pasar estos tres nabios en conserba, con otros nuestros que estan alli prevenidos para benir a la armada y con otros de particulares. (2) A margem — 3 de Junio. 446
100. [186] Seiior Vuestra Magestad se sirvio de remitir a esta junta por orden de 23 del pasado la inclusa consulta del Conssejo de Portugal que trata de que combiene que una squadra de las armadas pase a Gui- puzcoa a hazer escolta hasta Lixboa a tres galeones que en aquella província se han comprado por quenta de la Corona de Portugal para el socorro que este ano se ha de embiar a la índia. Y aviendolo visto la junta y considerando que todo lo que se ha aprestado de las dos armadas y esta en el Cabo de Sant Vizente no combiene que se aparte de alli hasta recoger la plata que es lo que tanto ymporta en tiempo que ocupan la mar tantos enemigos. Ha parecido consultar a Vuestra Magestad que no ay otros navios para hazer la escolta que se pide para los tres que la Corona de Portugal ha comprado en Guipuzcoa sino es que se aprovechen de pasar a Lisboa en conserba de los dos de Vuestra Magestad que alli se estan aprestando y de los demas de particulares que han de yr juntos al Andaluzia, pêro debriase advertir, que el aprovecharse de esta comodidad los dichos tres navios ha de ser sin que para guardarlos se detengan los de Vuestra Magestad que tanto ymporta que lleguen a la armada con la brevedad pusible. En Madrid a 1.° dejunio 1623 Rubricas desconhecidas 101. [187] Portugal — 1.° (?) de Hebrero 1623 Que avisan los governadores de Portugal antes que supiessen la ida dei Conde de Portalegre que las naos estavan a punto para todo este mes, que tenian dinero para su apresto y para el apresto de dos pataches y dos galeones pêro porque lo dificultara la falta de gente y trigo, no esperaran las naos a esto. Que les parece que se embien en las naos 500.00 cruzados y que se podrian sacar. 200.00 — La ciudad de Lisboa por todo el reyno 200.00 cru- zados, los 100.00 del Real de Agua y los otros de los alquileres de las casas y hallaron buena dispusicion. 100.00 —100.00 ducados de algunas deudas que se deven a la Hazienda Real. 200.00 — Los otros 200.00, suplican a Vuestra Magestad los 447
provea esta corona para animar aquel reyno y que por la breve- dad se les embie comision para vender juros. (*) El Consejo dize que parece que se va disponiendo esto bien, y que no ay que inobar de la orden que llevo el Conde de la Bidi- gueyra. Que a los governadores so les agradezca lo que han hecho, y aprueve los médios. Que lo de los alquileres de las casas se haga con igualdad y sin quexa comunicandolo en la [203 v.] Camara, Consejo de Estado, y Desembargo de Paço y que el nombrar personas se cometa a la misma camara para que recivan este favor y con el se animen mas. Que los 200.00 ducados que se piden de la Corona de Castilla conviendra mucho probeerlos pues conviendra para el socorro, y para que se anime el reyno, y dize las ocasiones en que de aquella corona se ha socorrido estas y representan quanto mas conviendra acudir a esta nescesidad que es tan propria y a otras. (2) Remitiose esta cosulta al Consejo de Estado y dize: Don Agustin Messia que se agradezca a los de Portugal lo que hazen y que seria bien darles los 200.00 ducados y la artil- leria que piden. Marques de Aytona, lo mismo y que las deudas que alli se deven a Vuestra Magestad, se cobren. Marques de Montes Claros se conforma, pero que no vayan agora mas de 200.00 cruzados de socorro a la India pues con ellos, y lo que alli buscaran se hara mucho: Que los otros 100.000 que tienen y los 200.000 que piden de aca [204] se guarden para el socorro de Setiembre y se les acuda con artilleria y se les diga que alia recojan las pieças y campanas quebradas que huviere y la fundan. Don Diego de Ibarra se conforma con el Marques de Mon- tes Claros. Don Hernando Giron que se den gracias a los governado- (>) A margem—Al Consejo de Estado. He mandado que se acuda desto de la artilleria como abreis entendido y se va haziendo con mucha puntualidad. En Io de los 200.00 ducados por el aprieto en que se halla mi hazienda sera imposible tan promptamente. Pero io quedo tratando de hazer quanto pudiere para el socorro de Setiembre, porque conozco quanto combiene acudir a essa corona con todas mis fuerças en esta ocasion y en lo demas como pide al Consejo. (2) A margem —11 de Hebrero. 448
res a la ciudad y a los demas que ayudan y que pues primero les parecio que bastaba embiar 200.00 ducados de socorro, bastara que embien los 300.00 ducados que dizen que tienen y offrecelles cobre de la Abana para artilleria y dalles lo que se pudiere de la que huviere. 102. [205] Senor Como lo mando Vuestra Magestad por su real decreto de 13 de Março, se juntaron con el Marques de Montes Claros Don Juan de Villela, el Conde ^e Gondomar y Mendo de Mota para veer el papel incluso de Juan Pereyra Côrte Real sobre la recuperacion de la fortaleça de Ormuz y renovacion dei comercio por Baçora y Mas- cate. Y abiendose visto dixeron que aunque el autor habla sin ver- dadera noticia de lo que en aquello paso se puede todavia estimar el buen ceio con que discurre en la materia. Y que por haver dicho en la junta Mendo da Mota que por el Consejo de Portugal se ha tratado con mucha atencion y particularidad de todo lo que con- viendra hazer para la restauracion de Ormuz, y consultado sobre ello y lo demas que por agora se puede prevenir a Vuestra Mages- tad les parece que no ay que anadir acerca de lo contenido en este papel hasta veer los avisos que se esperan de la índia pues por ellos se podra tomar despues mas acertada resolucion. Y enquanto a juntarse en Mascate los socorros que de aca fueren para Setiembre y los que se han de prevenir en Goa pare- cio tanbiem a la junta que sin veer cartas del virrey de la índia y saber lo que alia se le ofrece despues de la perdida [205 v.] de Ormuz no se podra tanpoco resolver aqui cosa ninguna y que queda tiempo para poder[se] hazer de aqui a que lleguen los avisos que se aguardan porque es muy dif [icil] de ajustar desde aca el que se juntem a un mismo tiempo en Mascate los baxeles y gente que fueren de Lisboa con l[os] que han de salir de la índia consistiendo esto en el tiempo y otros muchos aci[den]tes a que no puede supe- rar el cuydado ni la industria que se pusiere en ajustarlo. Vuestra Magestad mandara lo que mas for servido. En Madrid, a 18 de Março 1623. Rubricas ilegíveis 29 449
103. [206] Senor Discursos sobre los médios que se deven tomar para la redificacion dei comercio de Ormuz o para la restauracion de aquella fortaleza para Vuestra Magestad mandar consiaerar y ver. No se aliara persona tan remota que no tenga noticia de que Ormuz es una ysla, tan esteril de agua y de todo lo necesario para la vida humana que no tan solo carece de todo mas ni aun tiene una sola yerba berde y ansi todo el proveymiento de todas cossas le biene de las tierras y puertos vezinos siendo el que menos dista delia el bandel puerto que oy es dei Persa que esta cerca de dos léguas de la dicha ysla. Los grandes yntereses que se conseguian a la Hazienda Real de avitarse aquella ysla tan despoblada y carecedora de todo y el gran comercio que a ella concurria haze parecer a los que no tienen noticia dei Mar Persico que devia de str muy forçosa la necesi- dad de sua avitacion y que en ella consiste la mayor parte de la conservacion dei Estado de la Yndia en especial haviendo sido la escoja de su fortificacion dei grande Alfonso de Albuquerque su primero conquistador siendo ansi que no solo para conservacion de la Yndia y dei comercio y rentas de la Hazienda Real no es menester avitarse sino que para los mismos yntentos es muy perju- dicial su avitacion como pretendo mostrar a Vuestra Magestad discurriendo los quatros puntos siguientes. En el primero mostrare que la razon que el grande Alfonso de Alborquerque tubo en aquellos tiempos para fortificarse en aquella isla no tiene lugar ni milita oy antes milita la razon contraria. En el segundo punto mostrare que todo el comercio que aquella isla tenia puede venir a Mascate fortaleza de Vuestra Magestad, que esta de la parte de Arabia sesenta léguas mas acercada a ia India que Ormuz no solo sin diminucion de las rentas reales sino con grandes aumentos delias. En el tercero punto mostrare que rehedificarse la fortaleza de Ormuz caso que este desmantelada servira de grandes costas que ara a la Hazienda Real deste reyno y dei Estado da la Yndia sirviendo solo este yntento de consumir grandes millones a Vues- 450
tra Magestad y de poner el Estado de la Yndia en tal estremo que no queda animar a las demas fortalezas del Sur y de la Yndia con gente municiones y armas a los quales se deve recelar grandes alte- raciones de los reyes vezinos y enemigos estrangeros viendo a Vues- tra Magestad en una ocupacion tan consumidora de todos los cau- dales sin que pueda surtir mas hefeto el restaurar o rehedificar lo perdido que conservar lo que posee. En el quarto punto mostrare que caso que el Persa tenga for- tificado a Ormuz o en la forma que estava o en otra mejor conven- dra mucho a toda la razon de Estado y guerra y a la opinion meter todo el caudal por quitarsele de las manos sustentandole algunos dias y despues desmantelado todo dexando la ysla desierta pasando el comercio a Mascate sustentando la guerra al Persa asaltandole sus puertos y vedandole toda la comunicacion marítima ansi con armadas de alto bordo como de remo asta obligalle hazer partidos a Vuestra Magestad. En todos estes discursos me remito con toda la sumision a lo que sobre ellos deven de discurrir los ministros dei Consejo de Guerra y Estado de Vuestra Magestad que siempre deve ser lo mejor considerado como Vuestra Magestad bera por las objecio- nes que deven consultar a Vuestra Magestad llevandome a este yntento el ceio dei servicio de Vuestra Magestad y veinte anos con- tínuos [206 v.] de esperiencia de la guerra parte en la Yndia y parte en este reyno adonde Vuestra Magestad me tiene ocupado en su real servicio con el lugar de almirante de la armada dei. Primer discurso Haziendo el primer discurso en que pretendo mostrar que la razon que el grande Alfonso de Alborquerque tubo para fortificarse en aquella ysla no tiene lugar oy respeto dei estado presente digo que: Las coronicas lo dizen y todos lo saben que quando el grande Alfonso de Alborquerque que llego aquella ysla hera senor delia el rey de Ormuz y no el rey de Persia mo[ro] de nacion el qual no solo hera senor de aquella ysla sino de todas las circumbezifnas] y de todos los puertos de mar de la costa del rey de Persia en los quales puertos y yslas tenia grandes ciudades y villas de sus vasal- los de los quales siendo obe[de]cido como su natural senor recivia aquella ysla corte suya todo el bastimento y agua en tanta abun- dância que no se sentia en ella falta alguna y como en el lugar adonde el rey asistia a el acudian las ferias los mercaderes y las haziendas y las embarcaciones de todas partes y teniendo alli su 451
alfandiga con moderados derechos hizo aquel puerto tan curssado de todos los navegantes que no pretendian allar ni yntentar otro. Juntabase a esta razon tener aquella ysla un grande Alcoran de Mahom[ed] al qual como en devocion acudian todos los moros en romeria y ansi por todos estos respectos referidos de la asisten- cia del rey y abundancia de todo en aquella ysla pobladissima rica y bastecida de todo, que no avia mas que de [sear], La razon porque aquel rey bibia en aquella ysla tan desierta de todas las comodidades y tan ynclemente por razon de los gran- des calores que en ella ay tan yntolerables que ponen admiracion siendo toda de sal y de açufre fue que supuesto, que hera senor absoluto, hera feudatário del rey da Persia tan cercano vezino suyo, y tan poderoso senor y saviendo la poca fee que se guardan los de su seta los unos a los otros no se dava por tan siguro ny (?) podia bibir con tanta cautela de su vezino en sus mismas tierras como aquella ysla lo hazia adonde quando le pasen los danos avian de haver acabado ya por sus vasallos y ansi le parecia no solo con- viniente mas aun necesario bibir con aquellas descomodidades por la comcdidad de sustentarse rey. Llego el grande Alfonso de Alborquerque a esta isla aliando en ella a este [rey] allandola bastecida, de todo con la comodidad de que todo vénia a ella por manos de los vasallos dei mismo rey. Allo en ella continuado el comercio de la Yndia y de Turquia y ganando por armas la ysla al mismo rey delia no quiso perder su amistad por no perder el socorro y comercio de sus vasallos antes para los mismos yntentos porque sin ellos, y sin el no les seria la ysla ni le hera de provecho hizo pazes con el largandole la mitad de l[os] derechos de la Hazienda Real obligandole a bibir en la ysla y haziendo para su conservacion y discurriendo las mismas razones con que el rey alli bibira ni quiso mudar de puerto ni de comercio. Despues que el rey de Ormuz tomo por proctetor a Vuestra Magestad, dexando de pagar al r[ey] de Persia el feudo que solia empeço el de Persia a hazerle guerra y asenorearse [207] de todas las tierras puertos y yslas que estaban sujetas al rey de Ormuz dexandole arinconado en aquella ysla, adonde Vuestra Magestad fue servido conservarle el nombre de rey de Ormuz y que cobrase la mitad de los derechos reales y en este estado estaba quando cor- rio la misma fortuna que los que estaban en la fortaleza quando este ano passado se perdio. Siendo verdad todo lo referido como lo es bien se hecha de ber que si el grande Alfonso de Alborquerque, llegara aquella ysla y la allase sin agua sin cossa alguna senoreadas las tierras y puertos por un tan gran senor como el rey de Persia no tratara de forti- 452
ficarse en ella ni de poner en ella los ojos para ningun hefeto, tra- tando antes de fortificarse en otro algun puerto, mas defensable y conduzir a el el comercio de aquel estrecho. Y pareciendole a Vues- tra Magestad por el tiempo adelante, que el puerto de Mascate seria bueno lo mando Vuestra Magestad fortificar, como oy dia esta por las quales razones se hecha de ber que si con el rey de Ormuz fue bueno fortificarse aquella ysla que con el rey de Per- sia por vezino y senor de los puertos no solo no es de provecho sino muy danoso hazerse y ansi deve Vuestra Magestad, reduzir el comercio a Mascate, como esta dicho pues militan razones en con- trario como esta mostrado. Segundo Discurso En el segundo discurso pretendo mostrar que aquel comercio no solo puede venir a Mascate sin diminuicion de la ganancia que la Hazienda Real tenia en Ormuz sino con grande crecimiento para lo que es de considerar que antiguamente: La mayor parte de las haziendas, de la Yndia como son canela drogas ropas y todo lo demas que se navegaba a Ormuz y hazia derechos a la entrada y a la salida, salian de alli para Baçora que es una ciudad del Gran Turco que esta de la parte de Arabia en la misma costa de la fortaleza de Mascate, y hera esto en tanta canti- dad y con tantas comodidades nuestras y dei Turco y arménios que quando sus cafilas venian a nuestros mares les venian haziendo escolta galeras dei Turco asta llegar a la vista de nuestra armada y alli sin comunicarse las dos armadas recivia la nuestra su cafila, y la misma orden tenia en bolver con ella asta entregaria a la armada dei Turco. Despues dei Persa estar reduzido a la amistad de Vuestra Magestad, pretendiendo acrecentar sus rentas, y disminuyr las dei Turco su enemigo hizo que Vuestra Magestad le diesse el comer- cio del y lo quitase al Turco y a Vuestra Magestad, parecio que le estaba mejor por entonces acomodar antes al Persa que al Turco y con permission de Vuestra Magestad, vinieron los mercaderes de Persia, a Ormuz y pasando por sus manos [207 v.] las hazien- das de que el Turco tiene necesidad al mismo turco se las subie- ron de precio poniendoles derechos y alcabalas aziendo con esto el Persa mayores sus rentas y mas ricos sus vasallos dandonos esperanças de grandes bienes por via de los religiosos de San Agus- tin que Vuestra Magestad permitio asistiesen en su côrte. Esta fue la principal ocasion con que se acavo el comercio de Baçora y se empeço el de Persia no valiendo a Vuestra Mages- tad mas sino menos y por las ganancias que el Persa tenia en los 453
danos que recivia el Turco su enemigo no dexara la amistad de Vuestra Magestad, si no fuera por la que hizo con el Yngles, que le entra en sus tierras todas las cossas de la Yndia que recivia de nuestras manos con menos costa suya, y de sus vassalos porque no tienen derechos de alfandigas sino truecos de haziendas. Con buen discurso se deja a entender que estando el Perssa nuestro enemigo no solo conviene a buena razon de estado, hazienda y guerra no abritarse ni fortilicarse Ormuz mas aun divertir el comercio delia y bolver a restituyrlo al Turco por Baçora adonde los mercadores turcos los arménios los de Venecia vendran de muy buena gana a recivirlo, poniendo Vuestra Magestad el dacio (sic) que fuere servido, para las despesas de las armadas que an de azer escolta a las cafilas haziendo alfandiga en Mascate. Y no so lo ven- dran estas naciones de muy buena gana a recivir nuestras hazien- das por la comodidad del precio que les pondremos respeto dei Persiano mas aun como el Turco es tan grande, su enemigo, por su razon de Estado lo deve estimar y no es la menor guerra que le puede hazer al Persa derrotarle el comercio y ponerlo en manos de su enemigo con los mismos yntentos con que el Perça pretendio quitarselo. Con esto tengo mostrado que para la conservacion de la Hazienda Real no solo no es de provecho Ormuz mas aun en dano, y que en reduzirse el comercio a Mascate no solo se gana lo mismo sino la mitad mas si no se hubiere de dar al rey de Ormuz demas de las otras razones de estado y guerra. Terceco Discurso En el tercero discurso pretendo mostrar a Vossa Magestad, que caso Ormuz quedase desmantelado por el enemigo no con- viene a Vuestra Magestad, rehedificalle pues no siendo menester para los provechos como esta considerado menos menester sera si se consigen danos a la Hazienda Real como mostrare en la manera seguiente: Para redificarse Ormuz es menester mucha gente de guerra muchos gastadores, muchos bastimentos muchas municiones mucha agua enquanto no se hazen las cisternas muy grande armada en la mar muchas embarcaciones para andar trayendo el agua y todo lo demas y lo mas de todo a de venir de los puertos de guerra a fuerça de armas y dado que todo se vença y que todo [208] se haga si a cavo de algunos anos la sitiase alguno la tomara si tubiere mas fuerça en la mar que el dueno y ansi no es empressa de provecho para Vuestra Magestad haviendo de estar en contingência de que se la buelban a quitar. 454
Para onrra no se consigue ninguna en fortificarse lo que no se defiende y ansi ni para ella es buena su fortificacion. Para que el enemigo no se fortifique en ella tampoco tiene lugar. Porque si la desmantelo fue con estas mismas consideraciones y con otras que dexo por no alargarme y claro esta que no siendo bueno para Vuestra Magestad que es mas poderoso en aquellos mares menos lo sera para quien tiene menos poder en ellos pues es tal el sitio que haviendo de venirle todo de afuera para sustentarse la guarnicion de adentro el que mas guarnicion pusiere en ella ese la perdera mas presto porque anade mas necesidad y asi es infa- lible que aliando el gran Alfonso de Alborquerque la ysla en este estado y aziendo estos discursos como atras esta dicho, no se for- tificara en ella antes se fortificara en Mascate que Vuestra Mages- tad tiene fortificado llevando alia el comercio como Vuestra Mages- tad deve mandar hazer si no lo ympiden razones mas superiores que Vuestra Magestad deve pedir ver y juzgar si lo son. Quarto Discurso En el quarto discurso pretendo mostrar a Vuestra Magestad que casso que el Persa sustente a Ormuz conviene a la razon de todas las razones que Vuestra Magestad meta todo el caudal pusi- ble para quitarsele de las manos no para sustentalle Vuestra Mages- tad sino para desmantelalle y ponerle por tierra sin dexar memoria de Ormuz. Es tan pusible tomarse a Ormuz por razon dei sitio que ansi lo parece a todos los que aconsejan a Vuestra Magestad, y aun por esso no es bueno para Vuestra Magestad pues es cierto que el que fuere senor de la mar tiene a Ormuz en las manos y no puede sustentarse sin gran pressidio en tierra y gran armada en la mar siendo dos costas tan grandes como saben. Y ansi tengo por fácil el venir a manos de Vuestra Magestad porque el Persa Ie tendra puesto mucha guarnicion y en esto esta su dano y ellos son maios sufridores de travajo maios ynfantes porque es su guerra toda de acavallo y ansi teniendo Vuestra Magestad mas armada de remo que sus tarradas y mas armadas de alto bordo que la dei Yngles que le ayuda no ay duda en que venga a las manos de Vuestra Magestad cn poco meses de sitio sino el que la artilleria de Ormuz y la dei bandel crusan tanto que por baxo de ambas le entre el socorro que entonces tiene mas dificultad. Caso que Ormuz este en este estado lo sabra Vuestra Mages- tad antes que passe el mes de Junio por avisos de la Yndia. Pero porque o este desmantelado o fortificado es menester que Vuestra 455
Magestad embie gran socorro aquel Estado, o para bedar el comer- cio al rey de Persia en los puertos y mares o para [208 v.] quitarles la fortaleza seria bueno que en estas naos avisase Vuestra Mages- tad al virrey de la Yndia del numero de galeones que de aqui Vuestra Magestad deve mandar partir en Setiembre por el tiempo que s-e ganaria en esto y derechos a Mascate y no a la Yndia por- que en Mascate se conserban la armada y en la Yndia se desara (?). El dia que llegue avisando Vuestra Magestad al virrey de que al mismo tiempo que ellos an de llegar a Mascate alien alii una muy grande armada de remo y muchos bastimentos para los galeones que de aca fueren en cantidad bastante y ropas y bestidos de muni- cion para los soldados y marineros y asi le virrey no se deve encar- gar mas que la armada de remo los bastimentos y alguna artilleria casso que la tenga para reforçar los galeones que de aca vayan. El primer socorro de la Yndia en estado presente es dineros. Este deve Vuestra Magestad procurar haver y embiar en gran can- tidad ayundandose de las presas de el Estrecho de Meca embiando luego dos galeones y un patache ligeros a ellas con tal adberten- cia que los que partiren en Febrero remitan las pressas al virrey de la Yndia y los que partieren em Setiembre las remitan a Mascate. Los galeones deve Vuestra Magestad mandar comprar en el Andaluzia adonde yo fuy a comprar los de que se sirbe esta corona y ya se tarda en esto y mandar Vuestra Magestad de la Corona de Castilla dar o cobre a tiempo o piessas hechas por emprestamo para esta empressa. Mucho conviendria valerse Vuestra Magestad de artilleros de Alemania e de los estados obedecidos para esta armada pues estando la guerra de la mar en ellos hazen tanta ventaje los de Ynglaterra a los nuestros y aun deve Vuestra Magestad mandar venir algunos para que en este reyno ensenen a los nuestros. El general que Vuestra Magestad embiare con esta armada deve asistir los ynbiernos en Mascate ynmediato al virrey de la Yndia que de otra manera no les socorrera como no teniendo aquella empresa por suya con titulo de capitan general de todos los mares desde la punta de Dio asta Moçambique y deve tener poderes supre- mos para que todo lo que se le juntare este a [su] orden y de Mascate deve ordenar y disponer la guerra conforme las dispusi- ciones delia no estando atado a orden alguna pues Vuestra Mages- tad no puede de aca adbertir Io que las ocasiones dispondran alia. Este capitan general deve llebar orden de Vuestra Magestad, para hazer saver al B[axa] de Baçora que el le abra el comercio de las cossas de la Yndia por mar y que puede embiar Las cafilas 456
y mercaderes a aquel puerto con su saibo conduto y se lo guardara y no conviene que diga que Vuestra Magestad Ie abre aquel comer- cio sino que el se lo abre por otras razones de Estado que encubre esta palavra. El virrey de la Yndia deve tener orden de Vuestra Magestad para avisar a todos los [209] capitanes de las fortalezas de la índia que aquellas naos que Vuestra Magestad les permitia para Ormuz se las permite para Mascate y que alli embien todas las aziendas que tenian valor en Ormuz porquanto Vuestra Magestad abre el comercio delias por Baçora y aunque en los primeros anos no acuda todo e! comercio en breves anos sera Mascate mejor fortaleza que la de Ormuz. El capitan de Mascate deve tener orden para abrir a los jepues de Arabia el comercio de los cavallos para que salgan para la Yndia que es una gran parte de la conservacion de la amistad que nos tienen aquellos reys. Como el Persa biere que Vuestra Magestad tiene derrotado el comercio por Turquia se le aumentara el cuydado pensando que no parara la amistad solo en aquel comercio sino en dar Vuestra Magestad favor y ayuda al Turco para contra el y antes que Vues- tra Magestad lo consiga deve tratar el Persa a Vuestra Mages- tad de paces y de su reducion podra Vuestra Magestad escoger lo que mas convenga a su real servicio. Es de considerar ultimamente que no fortificando Vuestra Magestad a Ormuz gana muchos millones que se havian de des- pender en esto como esta considerado y que con esta consideracion nayde le fortificara y que con las otras el que le fortificare le per- dera si le sitian. Es de considerar que faltando al Persa el favor de los ingle- ses o ya por que las armadas de Vuestra Magestad se lo derrote o ya porque Vuestra Magestad lo determina assi con el rey de Ynglaterra que es el medio mas seguro faltandole juntamente el comercio de la Yndia e viendole en poder dei Turco su enemigo no ay duda sino que se vera en la confusion en que Vuestra Mages- tad le deve desear. Quando estos dos cursos no sean los mas acertados son a lo menos de quien mas dessea acertar el servicio de Vuestra Mages- tad cuya catholica y real persona Dios guarde como la cristiandad a menester y sus vasallos deseamos. A 10 de Febrero 1623. Juan Pereyra Corte Real 457
104. [208 v.] El Marques de Montes Claros Don Juan de Villela, en Conde de Gondomar y Mendo da Mota, a 18 de Março de 1663. Sobre el incluso papel tocante a la recuperacion de Ormuz, la junta es de parecer que hasta ver lo que avisan de la Yndia no se puede por agora hazer mas de lo que por el govierno de Por- tugal esta consultado y prevenido. [211] Não me parece que de prezente he necessário yr nada em direytura a Ormus nem Masgate salvo se em Mosambique se saiba que o conde vizorrey com esta nova que achou na índia foi la em pessoa com a armada que levou deste reyno sem mandar por elle mais que huma nao com avizo e levou tudo o daquy e de la para peleijar com os ingrezes e botalos fora mas duvido desta prezumpção posto que não fora fora de rezão. Se Sua Magestade lhe parecer que a pessoa do vizorrey deva de yr nesta empreza deve ordenar o governo da índia nesta auzencia que não seja confuzo nem assi o que vy em tempo de Mar- fim Afonso de Castro, mas que tudo seja só servir a el rey e se a pessoa do vizorrey que for a Ormus daquella monção não puder fazer algum bom effecto poderá vir envernar a India e assi o fazia Afonso de Albuquerque e D. Duarte de Menezes que ali forão e Nuno da Cunha governador. Eu não aponto aquy o que se deve mandar à índia porque eu não sou concelheiro de Estado nem ministro nem sey o que el rey pode e quer que se o soubera o fizera nem me parece que de prezente he necessário. Que a necessidade pede ser tudo o que Sua Magestade puder e entender que convém e como isto não ha de ser so neste anno sera bom que o que ha de yr que va sem temer de arribar e que se pratique o socorro para yr como for tempo e ter recado da índia. Isto me parece salvo melhor juizo e ysto digo pela experiên- cia que tenho de tantos annos de aquelle Estado e de Ormus adonde estive. O Sul pede que se não dezempare e ao menos que a fortaleza de Malaca lhe não aconteça algum dezastre e que a navegação da China e Japão se não dezempare para prover a India con tão grande largueza como ha e não fique só as costas deste reyno tantas e tão continuas despezas como serão necessárias para a conservação da índia. Com Inglaterra convém tomar rezolução nesta materia porque eu não sey que paz he esta e que os vasallos dei rey de Inglaterra ajudem aos enemigos [211 v.] de Sua Magestade a lhe tomarem as suas forças que esta o não fora se elle ally não esti[vesse] e suas naos e lanchas metendo e trazendo gente dos nossos navios lho não pu[de]rem defender he couza de muita concideração. 458
[212] Este sucesso de Urmus he huma grande perda para o Estado da índia asim polia reputasão delle como pera sua con- servação e comercio e per certas resois convém muito que se Sua Magestade quer a India que tratte de se recuperar mas não se ima- gine que isto sera com a facilidade e preça que se pratiqua disendo mande Sua Magestade tomar outra ves Urmus com huma so inva são deste reino. O Persiano nunqua pudera perjudicar a Urmus senão ajudado de alguma nasão estrangeira que pussesse no mar maior poder que o que Sua Magestade trasia naquelle tempo naquelle estreito e mar e como isto seja tão serto e evidente nunqua se poder tor- nar a cobrar a fortaleza de Urmus enquanto naquelle estreito anda- rem naos ingressas ou outras, que a favoresem e cuja sombra metem nelle gente mantimentos e agoa. Convém e paresse que Sua Magestade ponha naquelle mar do estreito huma armada tão supirior ou com a pessoa do vise rey da índia ou com outra tal que nisto bem o sirvia a cuja vista os ingres- ses larguem aquelle comersio e deixem aquelle mar. E ccmo esta armada andar naquelle mar tão supirior e provida (?) como diguo loguo Urmus he de Sua Magestade e os mesmos persas o an de largar porque por huma parte se lhe a de faltar o comer e beber e sua sustentasão como também o comersio que he o que ten obrigado ao Persiano a desejar tamto aquella praça. Esta armada a de ser de navios de alto bordo para os ingresses e de remo pera tolherem as terradas dos arabios niquelus e mais vassalos do Persiano a não navegarem nem proverem a fortaleza e ilha de Urmus y cortem me a cabeça o dia que isto ouver naquelle mar se se não mudar a fortaleza pois tomar se sem escolta e balida de artilharia com não ter o mar seguro e desenpedido não se fara como se pratiqua com tanta força e facilidade. A Ilha de Urmus he huma ilha muito fraqueira de sol e nella não ha lus que sirva pera a vida humana nem agoa pera beber. E convém a armada ande naquelle estreito tolhendo que nem da Per- sia nem da Arabia a socorão com mantimentos nem agoa e tolhão aos mercadores mouros e gentios que não vão a ella mas antes os cheguem a vir rotta (?) de Masquate a faser suas viniagas aonde Sua Magestade lhe mandara faser muitos favores para os chegar a virem [212 v.] a nos buscar pera nos darem rendimento pera ajuda das despesas da armada como pera os não darem ao imiguo (sic) e isto se fara na fortaleza de Masquatte. Esta fortaleza de Masquatte he huma baia muito importante de muita considerasão pois podem estar nella muitas embarquasões de toda sorte surtas como hum cordel e seguras de todas os pontos e debaixo da artilharia da fortaleza que esta em hum piquo de huma serra de pedra viva que se lhe não faltar comer não poderá ser infes- tada de ningen e daqui se a de faser a guera com persianos he todas 459
as suas costas. E a Ilha de Llrmus e esto se deve muito conservar e segurar. Esta armada tão supirior como diguo he nessario (sic) que ande sempre muito provida pera o que sera nessario que alem de se pro- ver muito de aros e biscouto que lhe an de ir da índia se conserve amisade com os arabios para lhe darem os seus e se faça guera a Persia pois com ella também ellos os daram como fasião en outro tempo quando a costa do mar se governava por sequus (?) dei rey de Urmus. O porto de Sinde he muito importante para a fortaleza de llrmus. Convém que nelle esteja huma pessoa de consideração naquelle bandel por capitão mas que nelle não queira ser mercador para dali mandar o que for nessario a armada e tolher aos ingresses que não tomem a fazenda dos gentios pera a levarem a llrmus nem fazenda sua. Não me paresse que de presente he necessário ir nada en direy- [tura] a Urmus nem Masquatte salvo se em Mosambique se [saiba] que o conde vise rey con esta nova que o achou na índia foy en pessoa com a armada que levou deste reino sem mandar pera elle mais que huma nao com aviso e levar todo o d[aquy] e de la pera pelejar com os ingresses e batellos fora mas duvido desta presun- ção posto que não fora muito fora de rezão. Se Sua Magestade lhe parese que a pessoa do vise rey deve de ir nesta empresa deve ordenar o governo da índia nesta ausên- cia que não seja confuso nem asi o que vi en tempo de Dom Mar- tim de Castro mas que tudo seja so servir el rey e se a pessoa do vise rei que for a Urmus naquella monção não puder faser algum bom efeito pudera vir envernar a India e asi o fasia Afonso d'Albu- querque e Don Duarte de Meneses que ali foram. [213] Eu não aponto aqui o que se deve mandar a índia pois eu não seu conselheiro d'Estado nem ministro nem sei o que el rei pode e quer que se o subera e fisera nem me paresse que de presente he necessário que a necessidade pode ser tudo o que Sua Magestade puder e entender que convém. E como isto não a de ser so neste ano sera bon que o que a de ir que va sen temer de aribar e que se prati- que outro socorro pera sir (sic) como for tempo e ter recado da índia. listo me paresse salvo milhor juiso e isto diguo polia esperien- cia que tenho de tantos anos daquelle Estado e de Urmus aonde estive. O Sul pede que se não desenpare ao menos que a fortalesa de Malaqua lhe não acontessa algum desastre e que a navegasão da China e Japão se não desempare pera perder a India com hum grande carguo como ten e não fique so as costas deste reino tan- tas e tão continuas despesas como são necessárias para a conserva- são da índia. 460
Con Iglaterra convém tomar resolução nesta materia perque eu não sei que paz he esta e que os vassallos dei rei de Inglaterra (sic) ajudem aos imigos de Sua Magestade a lhe tomarem as suas forças que estou o não fora se elles aly não estiverão com suas naos e lanchas metendo e trasendo gente e os nossos navios lho não poderem ofender he cousa de muita considerasão. [213 v.] Para o Sr. Amrique Correia de Sitva mostrar ao Sr. Marques 105. [215] Portugal — 4 de Junio de 1624 Representa, que en los Rios de Guinea del distrito de Cabo Berde, ay un puerto que llaman de Cacheu, sin fortaleza ni defensa en el qual ha ávido personas nombradas por Vuestra Magestad y tambien algunas nombradas por los arrendadores destas rentas de Cabo Verde, que lo sacaban por condicion. (') Mandose a los governadores que pusiessen personas para esta fortaleza, o puerto, que convenia fuesse de mucha satisfacion por estar en puerto donde puede aver muchos fraudes. (2) Los governadores son de parecer que esta capitania no se probea, hasta que esten rematadas Ias rêntas de Cabo Verde, por- que los arrendadores, no las valen y para entonces proponen. (3) 1.® — Bernardo de Mota, que la pretende en lugar de Ia capita- nia dei Rio Grande en el Brasil de que tiene merced. Ha servido en la índia 4 anos [215 v.] con particular satisfacion y su padre serviu muchos anos, en cosas de mucha consideracion. 2.° — Bartolome Ferraz de Meneses, que dexara la capitania de Mazagan y ha servido 4 armadas y servira su padre en 3 y fue dei servido de Vuestra Magestad en las alteraciones de Portugal. 3.® — Esteban Suarez de Albergaria. Ha servido muchos anos en el Brasil en la India y en las armadas dei reyno. 4.® — Dinis Janes de Fonseca, sirve una compaiíia en la Isla de Cabo Verde donde ha servido con aprobacion. 5.® — Sebastiam Fernandes Casaon ha servido en Cabo Verde y Rios de Guinea con satisfacion. (') A margem — Como parece a los governadores. (2) A margem — Como parece a los governadores. (s) A margem — Al Marques de Castel Rodrigo. 461
El Consejo Al Consejo parecio que votasse Mendo de Mota sin embargo de ser pariente de Bernardo de Mota primer propuesto por los gover- nadores. Y dixo, que este officio ha estado en christianos nuebos puestos por los arrendadores, y que esto tiene muchos [224] incon- benientes por los fraudes que hazen entendiendose con los mismos arrendadores; y que assi conviene poner persona por Vuestra Magestad . Y que aviendose de poner tiene por el mas a proposito a Ber- nardo de Mota, porque ha servido en aquellas partes con particular satisfacion, y su padre sérvio 40 anos en cosas de consideracion, y fue dei servicio de Vuestra Magestad, en las alteraciones de Por- tugal donde y en otras ocasiones hizo muy particulares servidos. Que fue primo segundo de Lopo Mendo de Mota, y huvo a este hijo una muger que tomaron en unos nabios ingleses Christiana, y que parecia honrada, y que por no averlo podido averiguar, quando se dio el Habito a Lopo Bernardo de Mota, se dispenso la parte de su madre, ora fuesse de casta de moros, ora de gentiles, y que esta legi- timado y capacitado para officios públicos y los ha tenido y proce- dido con satisfacion. Y aviendo votado, Mendo de Mota, se lebanto, y salio dei Con- sejo para que votassem los demas. El Duque de Villa Hermosa se conformo con los governadores y que haziendo Vuestra Magestad merced desta capitania [224 v.] a Bernardo da Mota, ha de dexar la que tiene dei Rio Grande en el Brasil. Don Antonio Pereyra se conforma con los governadores, eceto que no conviene que se nombre Sebastiam Fernandez por ser todo christiano nuebo pero por la notícia que tiene de aquellas partes, se podra embiar alia subordinado al que fuere y que tanpoco conviene que se admita para este officio Bernardo de Mota, por ser su madre mora, aunque lo ayan querido encubrir, y bastardo el mismo. Don Francisco de Bragança tambien se conforma con los gover- nadores escluyendo a los dos que escluye Don Antonio Pereyra. Y parece al Consejo que el nombramiento de la persona este en secreto hasta que se arrienden las rentas de Cabo Verde. Remitiose esta consulta al Marques de Castel Rodrigo (*) y parecele que se suspenda el hazer esta provision hasta que se haga (>) A margem — 19 de Junio. 462
el contratto de Cabo Verde como parece a los governadores. Y para quando Vuestra Magestad la huviere de probeer, tiene por a pro- pósito a los 4 que nombran los governadores y que a Bernardo de Mota, no le impide su nacimiento, pues tiene officio de mas con- fiança, y que su padre sérvio mucho y es deudo de Mendo de Mota. 106. [216] Senor En conformidad de lo que Vuestra Magestad manda he visto la consulta inclusa sobre la provision de Cácheo i me parese deve Vuestra Magestad ser servido de suspenderia asta que se aga el contrato de Cabo Verde como parese a los governadores i lo jusga por conveniente el Consejo disiendo se tenga en secreto cosa que tengo por difícil i el estar echa en esta forma de ninguna utilidad pues no se gana tienpo en la partida del capitan i con el secreto no se fasilita el contrato pues lo que en el an de pretender los que le isieren es que sea el capitan a su satisfasion para que cuide de que no se le desencaminen los derechos que es solo lo que Vuestra Magestad alli tiene i lo que ellos arrendan i estando nombrado no se le podria en ello aser comodidad con que el secreto no vendria a ser de algun efeto. Quando Vuestra Magestad sea servido de aser nombramiento tengo por sujetos sufisientes qualquiera de los quatro nombrados por los governadores i Duque de Villa Ermosa. No veo inconve- niente en la falta de nasimiento que se [216 v.] pone a Bernardo de Mota i quando lo fuese seria mucho maior en la plasa dei Rio Grande que devia por esta a resp[e]to de ser en el Brasil, estado deseado de los enemigos del Nor [te] lo que no susede en Cacheo por no aver alli mas rescate que de negros que no sirven a qien no los tiene por esclavos i los moros numca an llegado aquella costa i los servisios de su pad[re] fueron grandes i asi esto com [o] ser primo ermano de Mendo de Mota por cuja causa jusgase le ase oposision le asen cap [as] de la merced que Vuestra Magestad fuere servido aserle. Sebastiam Fernandes Casão a servido mucho i con satisfasion en aquellas partes i tanto que se dio por ello el Abito de Cristo a annos i asi le tengo por ab [il?] para la mersed que Vuestra Magestad fuere servido asello no enbargante la falta de limpiesa. Vuestra Magestad resolva lo que mas convenga cuja cat[oli]ca persona guarde Dios como la cristiandad a menester. Rubrica ilegível 463
107. [217] Portugal—10 de Agosto 1624 Que aviendose trattado de sacar gente de las fronteras de Africa para la jornada dei Brasil, se reparo en que era nescessa- rio (*) enbiar en su lugar bisona, y que para embiarla desde Por- tugal es breve el tiempo. Advierte que si en la costa del Andalusia huviesse alguna visona lebantada se podria embiar a Tanger y Ceuta y sacar de alli hasta 200 (o 300) hombres. Don Antonio Pereyra, que ha entendido que en Ceuta, Tan- ger y Mazagan ay gente demas dei numero ordenado y que se podria sacar para embiar a este socorro. Remitiose (2) al Consejo de Guerra, y se voto. El Marques de La Laguna se remite a lo que voto en estas matérias en Consejo de Estado. [217 v.] El Conde de La Puebla, Marques de Bedmar, Don Melchior de Borva, y Don Andres Velazquez, son de parecer que por los avisos que ay, de que los enemigos quieren acometer a las plaças de Berberia, no es bien sacar de alli la gente vieja porque asi como dize Don Antonio Pereyra ay alguna de sobre conforme a la dotacion. La que sobrare, que se podra sacar de alli. El Marques de Bedmar anade, que si al Consejo de Portugal parece que se puede sacar gente vieja de aquellas plaças se haga metiendo en su lugar portuguesa. Don Rodrigo Tello, que la ocasion dei Brasil es apretada, y assi le parece que se embie gente de Ceuta, Tanger, y Mazagan, y que en su lugar, entre gente nueba, portuguesa o Castellana. Advirte Marfim de Aroztegui que por el officio de la mar se consulta que se podrian sacar 400 o 500 hombres de Berberia metiendo otros tantos visonos. 108. [218] Senor Em el Consejo se ha visto como Vuestra Magestad ha sido servido mandarlo por orden de los 2 dei pressente la ynclussa cons- sulta dei de Portugal que trata del medio que se podria dar porque (!) A margem—Como parece entremetiendo visofios portugueses porque aca no los ay. (2) A margem — 18 de Agosto 1629. 464
se en Andalucia hubiere alguna gente visona se embie a las plaças de Ceuta y Tanger y que en su lugar se saquen de alli duzientos o trecientos soldados para el armada que ha de yr al Brasil y que se consulte a Vuestra Magestad lo que pareziere. En cuyo cumplimento se confirio en el Consejo sobre la mate- ria y substando en la forma seguinte: El Marques de La Laguna dixo que se remite a lo que en raçon desto voto en el Consejo de Estado. El Conde de La Puebla que seria de ynconveniente sacar gente vieja de las plaças, y meteria nueva por los avisos que ay de que vienen enemigos a aquellas fronteras pera que si sobra alguna des- pues de cumplido el numero de la dotacion como se propone en el boto singular de la conssulta de Portugal se saque de alli la gente que sobrare. [218 v.] El Marques de Bedmar se conforma con el Conde de La Puebla y anade que si al Consejo de Portugal pareze que se puede sacar gente vieja se haga pero que la que se metere en su lugar sea portuguesa. Don Melchor de Borja se conforma con el boto dei Conde de La Puebla. Don Rodrigo Tello que la ocasion es fuerte a[pre]tada y breve y aunque parece ynconveniente por las nuevas que se tienen de estar a[me]naçadas todas las fronteras de Berbe[ria] es de parecer que conviene y sera muy [a projposito que vaya en la jornada la g[uar]- nicion de Ceuta, Tanger y Maçagan [por]que es muy buena gente y que entre en [su] lugar ynfantaria nueva portuguesa [i] Cas- tellana. Don Andres Velasquez se conforma con o Conde de La Puebla. Vuestra Magestad mandara lo que mas fuere servido. En Madrid 18 de Agosto i624. Rubricas dos conselheiros. 109. [219] Portugal — 29 de Junio de 1624 (') Que algunos marineros de una nao que partio de Pernam- buco en el Brasil en la octava de la Pasqua de Flores han dicho que toparon 32 naos olandesas que iban nabegando al Sur de que dan (') A margem — Quedo advertido desto. 30 465
quenta a Vuestra Magestad por ser cosa de cuydado, si bien no se ha asegurado la nueba por otra parte (*). (2) Remitiose a la Junta de Guerra de índias. Pareceles que estas nuebas no obligan a hazer mas diligencias de las hechas. 110. [220] Senor En la Junta de Guerra se a visto como Vuestra Magestad lo embio a mandar por decreto de 29 de Junio pasado la consulta (que buelve aqui) dei Consejo de Portugal en que refiere las nuevas que abian tenido de la armada olandesa que yba navegando para el Sur. Y a parezido que de presente no ay cosa que obligue a preven- cion ni cuydado porque demas de no tenerse por cierta esta nueva como dize el Consejo aberlo entendido por las diligencias que los governadores hizieron en Lisboa ni saverse el disignio destos ene- migos no esta la hazienda de Vuestra Magestad en estado que delia se puedan hazer ningunos gastos en cosas tan inciertas mayormente que con ocasion de una nueva que se tuvo abra tres meses por la bia de Olanda de otros disignios de cosarios se dio aviso dello a los governadores de los puertos de las índias para que estuviesen con el recato y prebencion necesaria para lo que pudiese subceder. Vuestra Magestad mandara lo que fuere servido. En Madrid a 18 de Julho 1624. Rubricas dos conselheiros. [220 v.] Junta de Guerra Satisfazese a lo que contiene una consulta dei Consejo de Por- tugal sobre la nueba que se abra tenido de los desígnios de una armada de cosarios. 111. [222 v.] En 18 de Agosto de 1624 El Consejo de Guerra con la inclusa consulta dei de Portugal que trata del medio que se podria dar para que se en el Andalucia huviese alguna gente bisona se embie a las plaças de Ceuta y Tan- gere y se saquen 200 o 300 soldados para la armada dei Brasil. (J) .4 margem — A la Junta de Guerra de índias. (*) A margem — 18 de Julio. 466 os
El Consejo se dibideo sobre esta materia en la forma que dentro se refiere. Adviertese que por el oficio de la mar se consulta a Su Mages- tad que se podrian sacar de las plaças de Berbéria de 400 a 500 soldados metiendo de los visonos otros tantos en su lugar. Rubrica ilegível 112. [225] Los governadores de Portugal, han embiado algunos papeies tocantes a inteligências de los rebeldes olandeses en la India, en que se me refirio avia muchos culpados. Y por aver enten- dido que tenia mucha noticia de la materia un Christobal Luis ale- man, que estava preso en Lisboa le mande traer a esta corte, y en que combiene hazer particular examen de los papeies, y deste hom- bre, y que esto sea con mucho secreto, he resuelto, que para trattar dei, se junten con vos Don Agustin Messia, los presidentes de Por- tugal, Flandes y Hazienda Don Fernando Giron, Marques de Cas- telo Rodrigo y Mendo de Mota, y se vean los papeies que con esta razon huvieren que para este effetto he mandado se lleven a la junta. Y abiendolos visto, y hecho el examen que pareciere dei dicho Christobal Luis, aleman, se me consultara lo que pareciere con brevedad. [226] Portugal — 29 de Hebrero 1624 Mendo de Mota 113. Que despues de la consulta que se hizo a Vuestra Magestad sobre la denunciacion que se avia hecho contra Don Phelippe de Sousa de tener inteligências con los rebeldes, han embiado los gover- nadores los papeies tocantes a esta materia (') en que parece, que son muchos los denunciados por esta causa, y entre otros Gonzalo Perez de Carvalho que esta en Lisboa. Que haviendo comunicado esto con el Duque de Villa Her- mosa, les parece negocio grave y que conviene verificallo con secreto, y que para ello, venga a esta corte luego (2) Christobal Luis aleman que el virrey de la índia le embio preso, y esta en la carcel de Lis- (J) A margem — 2 do Estado conformanse con esta consulta y que con- forme a ella se embie al Duque de Villa Hermosa la orden. (2) A margem — Orden. Los papeies se enbiaron al Duque de Villa Hermosa. Agora consulta el Consejo que ya ha venido a esta corte Christobal Luis. aleman, y que Vuestra Magestad ordene lo que se ha de hazer. 467
boa. Y que resolviendolo assi Vuestra Magestad se ordene por orden, sin dezir mas do que conviene que venga a esta corte y se trayga a recado y que se les buelvan los papeies inclusos. [227] En cumprimento do que Vossa Magestade mandou por ordem rubricada de sua real mão se escreveo aos governadores que enviassem logo a esta corte a bom recado a Christovão Luís, alemão, que veo preso no pataxo que ultimamente chegou da índia. O que se executou assy, e Christovão Luis he chegado a esta corte, e esta preso a bom recado, de que se da conta a Vossa Mages- tade para que se sirva de mandar ordenar o que se ha de fazer com elle. En Madrid a 10 de Junho de 1624. Rubricas ilegíveis 114. [228] Senor Por occasion de una carta dei virrei de la índia se hizo por el Consejo consulta a Vuestra Magestad sobre la denunciacion que se hizo contra D. Filipe de Sosa de tener intelligencia con los rebel- des que infestan aquel Estado. Despues de se enviar la consulta a Vuestra Magestad reme- tieron los governadores los papeies tocantes a esta materia, y avien- dose cometido a Mendo de Mota para que los viese y hiziese rela- cion dellos, despues de averlos visto dio cuenta al Duque Presidente dei Consejo, de las personas contenidas en la dicha denunciacion que son muchas y en diversas partes de la índia, por medio de las quales se dize que los olandezes reciben avizos, y tienen tratos en grande desservicio de Vuestra Magestad y danno universal de aquel Estado. Y no solo denuncio Christoval Luis (que es el denunciador de nacion alemana) de personas stantes en la índia, como son el dicho D. Filipe de Sosa y otras. Mas tambien de Gonçalo Pires Carvalho stante en Portugal, que poços dias ha se fue desta corte, en la forma que Vuestra Magestad podra mandar ver por la copia de la denunciacion que aqui va inclusa echa por el secretario dei Estado de la índia. Y considerada la grande importância desta materia, y quanto [228 v.] importa, quanto fuere possible, saberse el fondo delia; y que assi mismo conviene tratarse con todo el secreto y recato divido parecio al duque y a Mendo de Motta, que antes de otra cosa devian dar luego cuenta desto a Vuestra Magestad y que el dicho Christoval Luís prezo al presente en la carcel dei Limoeiro de la ciudad de Lisboa deve ser traido luego a esta corte a mui buen 468
reeaudo, para que aqui se puedan hazer maior con el las diligen- cias necessárias para se poder saber la verdad, y alcansar las rai- zes deste negocio. Y siendo Vuestra Magestad sirvido aprobar (?) este parecer sera conveniente embiar juntamente una orden al duque que no dig [a] mas sino que Christoval Luis, aleman que el virrei de la India embio en la naveta que este anno vino de Goa, sea traído luego a esta corte a buen recaudo. Vuestra Magestad mandara lo que fuere mas servido; y la copia de la denunciacion que [aqui] va inclusa, podra Vuestra Magestad siendo sirvido bolverla a remitir con esta consulta porque es la misma que vino de la índia. Madrid 25 de Hebrero 1624. Rubrica de Mendo da Mota [229] En la conssulta inclusa de Mendo da Mota sobre la delacion que se ha hecho contra Don Felipe de Sosa y otros que se dize dan avi- sos a olandeses, y tienen trato con ellos. Don Agustin Messia y Don Fernando Giron se conforman con el parecer desta conssulta y que en conformidad delia invie Su Magestad al Duque Presidente dei Conssejo de Portugal la orden que dize la dicha conssulta. En Villa Aorta 18 de Abril 1624. Rubrica ilegível [229 v.] Consejo de Portugal Dase cuenta a Vuestra Magestad de como ha llegado a esta corte Christoval Luis aleman que el virrey de la índia havia embiado preso y Vuestra Magestad mando que se truxesse aqui, para que Vuestra Magestad se sirva de ordenar lo que se ha de hazer con el. Para luego. Rubricas de Mendo da Mota e outra ilegível » 115. [233] Senor Haviendose visto en el Conssejo (como Vuestra Magestad fue servido de mandarlo) la consulta ynclusa dei de Portugal sobre el estado de las cossas de la India y lo que combiene acudir al reme- 469
dio delias y platicadose en ello con particular atencion se boto como se sigue. El Duque del Infantado—Que quisiera que la Hazienda y lo demas desta Corona de Castilla estuviera en estado que se pudiera acudir a lo de Portugal con la asistencia que es justo, porque si se pierde la índia, se pone todo lo de alia, y aca, lo peor que se puede considerar, y tiene por necessário hazer el esfuerzo posible de aca [233 v.] para socorrer la necessidad que el Conssejo de Por- tugal representa con algun dinero, o navios y artilleria en la mejor forma que se pudiere, y enquanto a lo demas que dizen los comisa- rios que tienen a su cargo el capitular con Inglaterra saben bien, quanto combiene assentar aquello en buena forma, como se presu- po[ne] lo haran a su tiempo. Don Pedro de Toledo — Que ... le pareze que se puede botar en es [to] mas de lo que esta dicho a otras cons[ultas] que el Cons- sejo de Portugal a hecho [sobre] estas matérias, y assi se pone la esperança en lo que se a de tratar y capitular con Inglaterra. No vee que se haze, ni se puede saver lo que se hara, en nuestro bene- ficio, quando se tratare dello, y si desde aora y entonfces] no se trata de resucitar este defunto [234 v.] se acabara la índia muy presto y porque el socorro que va este ano tiene entendido que es muy bueno, si sale de aca, y llega alia, en mejor forma que otros anos, le pareze que para el que biene, se haga muy deveras un buen esfuerço, animandose aquel reyno, y aprovechandose de clero dei, y haziendo fundicion de la artilleria que fuere menester, ayudando tambien de aca con navios y el dinero que se pudiere poniendose desde luego la mano en todo sin perder ora de tiempo. Don Agustin Messia — Que lo que este despacho contiene, es hazer relacion dei estado que tiene la India, y que solo de Portugal no se puede remediar, y piden ayuda de dinero de Castilla, y no le pareze que este se le de porque no lo gastaran tan [234 v.] a pro- pósito como es menester, antes los ayudaria, con una armada de quatro ò seys navios muy bien armados, que juntamente fuesen con los seys galeones, de los que aora ban de Portugal y que vaya todo a orden dei general de ally y assi le pareze que esto seria el socorro que mas les ymportase por aora. Y enquanto a lo que dizen de la combiniencia de capitular con Inglaterra, per razon de los cassam [ientos] en beneficio de la índia, Vuestra Magestad ti [ene] en esto arto cuydado, y a su tiempo no le perdera, en mandar que sè haga to [do] el esffuerzo posible, para componer lo ally. El Marques de la Laguna — Que si no fuesen de la condicion que son los de Portugal, seria muy bien lo que dize Don Agustin 470
Messia, p[ues] piensa que no se combendran yamas [235] y bien se les hecha de veer pues desde luego dizen que los socorran con dinero, sin tratar de gente ni navios, y aunque Vuestra Magestad esta tan falto de todo, en esta Corona de Castilla, es fuerza procurar hazer lo posible, para socorrer la India con algun dinero, y apretar a los ministros de Portugal para que hagan las diligencias que pudieren en orden a este socorro, y principalmente ordenandoles que se tenga mucho cuydado, con que la gente que embiaren sea effectiva y lúcida, y no canalla tomada por fuerza, y hombres condenados a muerte por sus delictos, como lo suelen hazer, pues se vee, que estos tales, no pueden ser de provecho, para ninguna cossa buena. Y enquanto a capitular en Inglaterra, en beneficio de la índia, los que lo tienen a cargo [235 v.] tendran buen cuydado desto, pues been lo mucho que ymporta. El Cardenal Capata — Se conforma con lo que a botado Don Agustin Messia. El Marques de Aytona — Que le parece muy necessário que Vuestra Magestad ayude a la Corona de Portugal, para el socorro de la India, y porque tiene por de yncombiniente el darles dinero se conforma con Don Agustin Messia. El Marques de Montes Claros — Que lo que ymporta es que este socorro que aora ba a la índia, tenga effecto mandandolo assi al Conssejo de Portugal y que avisen a Vuestra Magestad el estado en que lo tienen, y que tambien Vuestra Magestad procure socor- rerlo de aca, con alguna ayuda en la forma que le pareziere [236] con gente, navios, y artilleria, (si es que tiene necessidad destos generos de cossas). Pero el socorro mas effectivo y cierto, le pareze que seria, bol- ver a tratar de que se junten las armadas de la India y de Filipi- nas, en el mayor numero que se pudiese, y procurasen ambas jun- tas desalojar los enemigos, de los puestos que tienen, en aquellas partes, y esto tiene por de tanta consideracion, que ningun otro modo de socorro ni gasto a de ser de tanta ymportancia. El Conde de Olivares — Se conforma con lo que ha botado el Marques de Montes Claros. Don Fernando Giron — Que el estado tan maio en que se halla la India, segun la opinion de muchos, [236 v.] a sido la crueldad y tirania de los que la han governado, pues a los que eran amigos nuestros, los han obligado a hazerse amigos de olandeses, y ingle- ses, y en esto se deve poner remedio, y procurar procedan como christianos y ministros de Vuestra Magestad. Y por aora pareze, que todo lo que se puede hazer es, que vaya 471
el socorro que esta acordado, y segun las necessidades que repre- sentan los governadores y Consejo de Portugal y la ymportancia tan grande de la Yndia, combendra que Vuestra Magestad se sirva de hazer algun socorro a la Corona de Portugal para este effecto, y que en los puntos temporales que se han de tratar con Inglaterra, se procure asentar lo mejor que se pudiere para la Yndia Oriental. [2371 El Conde de Gondomar — Que Vuestra Magestad man- de responder al Consejo de Portugal, que el estado de la Hazienda de Castilla esta como se sabe, y que assi es precisamente necessário que ellos piensen en los médios que podra haver en Portugal para este socorro, y se balgan dellos, que Vuestra Magestad los mandara asistir con su autoridad y aprovacion, en aquellos que parezieren justos, y lo fueren, y sobre este presupuesto piensen y traten dei remedio. Vuestra Magestad mandara en todo lo que mas fuere servido. En Madrid a 11 de Dezembro de 1623. Rubricas dos conselheiros [237 v.] El Consejo de Estado a 11 de De- ziembre 1623 Con una consulta dei Conssejo de Portugal que trata de lo que conviene acudir al reparo de las cosas de la Yndia. 116. [239] Portugal — 2 de Deziembre 1623 La consulta de Portugal que tratta dei estado de las cosas de la índia lo que conviene acudir a su socorro y aydar para ello desta corona, y tomar algun acuerdo con ingleses, se remitio pri- mero al Consejo de Estado (*). Y despues ambas consultas a los 3 dei Consejo de Estado y les parece que se puede responder a la consulta de Portugal. (2) Que pues las cosas de la índia estan en el estado que dizen les encarrega Vuestra Magestad que sin perder ora de tiempo y con el desvelo y zelo que suele aquel Consejo y los governadores a las cosas dei servido de Vuestra Magestad traten dei apresto de los 4 galeones que han de ir con las naos de la índia la primera mocion. (') A margem — 13 de Deziembre. (J) A margem — Poner la respuesta. 472
Y que Vuestra Magestad queda con cuydado de hazer algun socorro desta corona [239 v.] en los generos que parecieren mas convenientes pera el ano de 1625 (?) para que entonces se haga un socorro extraordinário. Y porque otras vezes se ha trattado y conviene que se junten las fuerças de la India con las de Philipi- nas para desacreditar y desalojar a los enemigos, y se ha pedido al Consejo de Portugal razon de lo que de aquella corona se podra juntar, para que se disponga de donde ha de salir lo resto, conven- dra que diga luego el Consejo lo que se le offr[ecer] en esto y que a los comisarios que tratan de las cosas temporales de iglesia se ha encargado conpongan el punto desta nabegacion. 117. [240] En la Conssulta del Conssejo de Portugal de 2 de Deziembre en que repressenta el aprieto y evidente peligro en que esta de perderse la Yndia. Con otra conssulta del Consejo de Estado sobre aver visto la primera. A Don Agustin Messia , al Marques de Montes Claros y Don Fernando Giron conformes. Parece que Su Magestad se sirva de responder a la conssulta del Conssejo de Portugal que como el mismo Conssejo dize en esta y otras conssultas el estado en que se hallan las cosas de la India piden particular cuidado, y siendo de tal importância el socorro que se va previniendo de los quatro galeones que han de ir con las naos de la India este ano proximo que viene les encarga que sin perder hora de tiempo, y con el celo que siempre tienen de su servicio acudan asi del Conssejo de Por- tugal, como por los governadores de aquel reyno al avio y des- pacho de dicha armada y socorro, de manera que con la primera mocion puedan partir, y que Su Magestad queda con cuidado de ver de donde se podra hazer algun socorro desta corona pela de Portugal en los generos que mas parecieren convenientes, para que el otro ano siguiente de 625 se pueda hacer un socorro effectivo y extraordinário para aquellos Estados de la Yndia. Y porque diversas vezes se ha tratado que las fuerzas de mar que de aca fueren, y las que se les pudieren agregar de la índia se junten con la armada que se pudiere hazer por el governador de Filipinas, y por ambas coronas se atienda a yr desalojando los enemigos de donde tienen pie desacomodando y desacreditando su granjeria y, negociacion en aquellas partes, y se ha pedido al Conssejo [240 v.] de Portugal de razon de lo que de aquella corona se podra juntar para que la resta hasta lo necessário se disponga y ordene de donde se ha de sacar convendra que el Conssejo de Portugal (aviendo conferido sobre la materia) diga en esto lo que se le offrece para que todo se vea en la junta donde se comenzo a dar principio a esta platica. 473
Y que a los comisarios que tratan de las cosas temporales del matrimonio de Inglaterra les esta encargado diversas vezes com- pongan el punto de la navegacion de la India con aquella nacion. Madrid 13 de Deciembre de 1623. Rubrica ilegível 118. [241] Pues las cosas de la India estan en el estado que dizia os encargo que sin perder hora de tiempo y con el desvelo y zelo que ese Consejo y los governadores acostumbram en las cosas de mi servicio se trate dei apresto de los quatro galeones que han de yr con las naos de la India la primera mocion y quedo con cuydado de hazer algun buen socorro desta corona en los generos que pare- cieren mas convenientes, para el ano de 625. Para que entonces se haga un socorro extraordinário, y porque otras vezes se ha tratado y conviene que se junten las fuerças de la India con las de Philippinas para desacreditar y disaloxar a los enemigos y os he pedido razon de lo que de la Corona de Portugal se podra juntar para que se disponga de donde ha de salir lo resto convendra me digais luego lo que se os ofrece en esto advirtiendo que a los comisarios que tratan de las cosas temporales de Inglaterra se ha encargado compongan el punto desta navegacion. 119. [242] Portugal — 2 de Deziembre 1623 Que en la nabeta que ha venido de la índia avisan en cartas de 4 de Deziembre pasado que andaban desde Dabul hasta Surrate mas de 20 nabios de ingleses, y olandeses que se avian armado que tenian diferentes disignios (1). Y que el Conde de la Vidigueira avisa que el que se tiene por mas cierto es ir a Moçambique a espe- rar los nabios que van de aca, intentar el tomar aquella fortaleza. Que pera estorbarlo ha hecho las prevenciones nescessarias y dado orden pera que las naos de comércios se recojan en los puer- tos mas cercanos que pudieren porque el mayor dano que se puede hazer a los enemigos es quitalles las presas. Que tambien pensaban los enemigos guardar la varra de Goa porque no saliessen ni entrasen nabios y por este medio hazerse senores de la índia. Que Don Diogo Coutino capitan de Cochin, persona platica de aquellos Estados, tambien avisa en carta de 9 (?) de Hebrero deste ano el trabajoso estado en que se halla. (') A margem — Estado. 474
Que el ano passado tomaron los enemigos nueve galeotas de la flota de la China con que estaban animados y los vassallos de Vuestra Magestad muy desanimados [242 v.] y que el tratto cesa con esto y no valen nada las alfandigas. Que importando tanto aquel Estado conviendra embiar luego un gran socorro, y pagalo de aca. Que los officiales de la Camara de Goa encarecen tambien las nescesidades. El virrey de la India encarece mucho el trabajoso estado y dize que conviendra hazer pazes con olandeses, aunque sea permitien- doles embiar alia algunos nabios porque los socorros sie[m]pre llegan mal prevenidos. El Consejo de Estado de Portugal que Vuestra Magestad deve ayudar con algun dinero de Castilla pêra que el socorro sea el que conviendra. Los governadores dizen lo mismo. El Consejo haze relacion de todo. Y que demas destas naos dei Norte que tienen los enemigos ay otras muchas en el mar dei Sur. Que los persas trattan tambien de inquietar la plaça de Mas- cate, y enfin encarece el trabajoso estado de aquello, y que pide grande remedio y bienes, porque los reys amigos viendonos poco poderosos nos dexaran. [243] Que conviendra tomar asiepto con ingleses y que se vee, en la junta donde se tratta dello el estado en que esto esta pera que no se dilate en lo que conviniere. Pero que porque sin embargo deste asiento con los ingleses, conviendra embiar grandes socorros que Vuestra Magestad se sirva, de que dei dinero que viniere de las índias se les den 200.000 duca- dos pues son pera tan grande effeto. Y representa el Consejo que se tome resolucion con brevedad y se responda a esta consulta y se a lea toda. Remitiose al Consejo de Estado y les parece. (*) Duque dei Infantado— Que conviendra hazer el esfuerço posi- ble pera socorrer esto de aca, con dinero o nabios y artilleria como mejor pareciere, y que los comisarios de Inglaterra tendran cuydado de lo demas. Marques de Villa Franca — Que no sabe lo que se podra hazer con Inglaterra en nuestro beneficio. Que el socorro que se previene pera el ano que viene pudiendose acabar y llegar alia es bueno. Y para el otro ano conviendra animar a que se haga otro, contri- buyendo el clero, y ayundando de aca con dinero y nabios como se pudiere. (*) A margem— 11 de Deziembre. 475
Don Agustin Messia — Que con Inglaterra se tendra cuydado de hazer lo que se pudiere, que no socorreria con dinero, sino con [243 v.] 4 o seis nabios bien armados que fuessen con los 6 galeo- nes de Portugal a orden del general de alii. Marques de La Laguna — Que el parecer de Don Agustin es bueno si los portugueses se llevaran bien con Castellanos que es fuerça socorrelles de aca y lo haria con dinero ordenando a los por- tugueses que embien gente effetiva. El Cardenal Capata — Se conforma con Don Agustin. Marques de Montes Claros — Que lo que importa es que el socorro que se previene sea cierto, y que avisen el estado en que esta, y se procure socorrer de aca con gente, nabios y artilleria si es que tienen nescesidad de alguno de los generos. Pero que lo que le parece es que el socorro cierto y effetivo seria juntarse armadas de la India con las de Philipinas y desalojar olandeses de que con- vendria trattar. El Conde de Olivares — Se conforma con Montes Claros. Don Fernando Giron — Que del mal estado de la India tiene la culpa la crueldad y tirania de los que la han governado, y que assi convendria poner remedio en esto, y que vaya el socorro que esta acordado, y pera este effeto se haga de aca algun socorro a la Corona de Portugal. Y con Inglaterra se asiente lo mejor que se pueda. Conde de Gondomar — Que se responda a Portugal el estado de la Hazienda y cosas de aca. Y que alia busquen médios y que Vuestra Magestad los asistira con su autoridad y aprobacion. 120. [244] Senor Para a armada de naos e socorro de galeões que Vossa Mages- tade tem mandado aprestar para hirem à índia em principio do anno que vem de seiscentos e vinta quatro: he necessário dinheiro prompto com que se fação as despesas do mesmo apresto, e não se falte a ellas. E posto que Vossa Magestade tem approvado alguns effeitos de que ha de sair o dinheiro para as mesmas despesas, que forão os que os governadores, e Conselho da Fazenda, apontarão a Vossa Magestade por meos mais a proposito, e convenientes para o haver. Todavia não são bastantes para o muito que se ha mister, nem he tam prompto como se requere o dinheiro delles; e as necessidades presentes da Fazenda de Vossa Magestade, e a importância e qua- 476
lidade do apresto destas armadas da India, obrigão a se haver de valer de qualquer dinheiro effeitivo, que pertença a mesma Fazenda. E os governadores fazem particular instancia pelo aperto em que ella esta; e como remedio mais eficaz, que Vossa Magestade seja servido que os dinheiros que ouverem vindo, e vierem de índias pertencentes à Coroa de Portugal que se tiverem embargado em Sevilha por conta delia, se entreguem a Gaspar Barbosa que ali está por ordem dos governadores sobre a matéria destes dinheiros. Pareceo ao Conselho que porquanto he mui grande a impossibi- lidade da Fazenda de Vossa Magestade, e haver muitas cousas da obrigação precisa de seu real serviço, a que acudir, e em particular à dos aprestos das naos e galeões do socorro da India do anno que vem, o que não se poderá fazer se se deixarem de dar os dinheiros que os governadores dizem são necessários para isso. Deve Vossa Magestade mandar pela via a que toca que os ditos dinheiros que ouver embargados em Sevilla pertencentes à Coroa de Portugal se entreguem ao ditto Gaspar Barbosa para que os remita a Lisboa, e se possa com elles acudir aos aprestos do socorro da India e naos, que Vossa Magestade tem tam encarregado e mandado que se trate delles com todo effeito e brevidade. E estando o tempo tanto [244 v.] adiante convirá que com ella mande Vossa Magestade passar a ordem necessária para a ditta entrega de dinheiros se fazer logo. Vossa Magestade resolverá o que for servido. Em Madrid a 24 de Novembro de 1623. Rubricas ilegtvveis • [245] Senor Por un decreto de 29 del pasado embio Vuestra Magestad a mandar se viese en el Consejo la consulta que buelve aqui dei de Portugal sobre que se entreguen a Gaspar Barbosa los dineros que se ubieren embargado en Sevilla pertenezientes aaquella corona y se consultase a Vuestra Magestad lo que pareziese. Y abiendose visto en el Consejo a parezido que se escreva a la Cassa de la Con- tratazion informe que partidas son estas de que cantidad y a quien pertenezen para que desta su respuesta se de quenta a Vuestra Magestad si tuviere algun ynpedimento o dificultad en justizia y esto caminara tan a priesa que con mucha brevedad se torna la res- puesta. Vuestra Magestad mandara lo que fuere servido. En Madrid a 7 de Diziembre 1623. Rubricas ilegivveis 477
[245 v.] Consejo de índias 7 de Deziembre 1623 Lo que pareze aviendo visto la consulta que buelve aqui dei Consejo de Portugal sobre que se entreguen a Gaspar Barbosa los dineros que estuvieren enbargados en Sevilha pertenecientes aquella corona. 121. [247 v.] Para la armada de naos, y socorro de galeones, que Vuestra Magestad tiene mandado aprestar para iren a la índia em principio dei ano que viene de 624, es necessário dinero pronto, con que se hagan las despesas dei mismo apresto y no se falte a ellas. Y aunque Vuestra Magestad tiene aprovado algunos electos de que ha de salir el dinero para las mismas despesas, que fueron los que los governadores y Consejo de Hazienda apuntaron a Vuestra Magestad por médios mas a proposito y conveniente para le haver. Tcdavia no son bastantes para lo mucho que se ha menester, ni es tan prompto como requiere el dinero dellos, y las necessidades presentes de la Hazienda de Vuestra Magestad, y la importância y calidad dei apresto destas armadas de la India obligan a se haver de valer de qualquiera dinero efectivo que pertenesca a la misma Hazienda. Y los governadores hazen particular instancia por el aprieto en que ella está, y como remedio mas eficaz, que Vuestra Magestad sea servido que los dineros, que huvieren venido, y vinie- ren de índias pertenecentes a la Corona de Portugal, que se tubieren embargado por cuenta delia, se entreguen a Gaspar Barbosa, que está en Sevilla por orden de los governadores sobre la materia destos dineros. Parecio al Consejo que porquanto es mui grande la impossi- bilidad de la Hazienda de Vuestra Magestad, y haver muchas cosas de obligacion precisa de su real servicio a que acudir, y en particular la de los aprestos de las naos y galeones dei socorro de la India dei ano que viene, lo que no se podra hazer si se dexaren de dar los dineros que los governadores dizen son necessários para esso. Deve Vuestra Magestad mandar por la via a que toca que los dichos dineros embargados em Sevilla pertenecentes a la Corona de Portugal se entreguen al dicho Gaspar Barbosa para que los remita a Lisboa, y se pueda con ellos acudir a los aprestos dei socorro de la Yndia y naos, que Vuestra Magestad tiene tan encar- gado y mandado que se trate dellos con todo effeto e brevedad, y estando el tiempo tanto adelante .convendra que con ella mande Vuestra Magestad passar la orden necessária para la dicha entrega de dineros se hazer luego. Rubricas ilegíveis 478
122. [248] Senhor Vossa Magestade por ordem rubricada de sua real mão, man- dou se despachasse huma caravela a Mina a reconhecer o estado que tem, e os navios e forças, com que se acha o enimigo, para que com mais noticia e fundamento, se pudesse tomar resolução con- veniente, sobre a jornada que se trattava de fazer à aquellas partes. Despachou se esta caravela, e havendo voltado agora trouxe cartas de Manoel da Cunha de Teive capittão da fortaleza de S. Jorge da Mina de 15 de Mayo passado, em que avisa como aquella praça, (de que se não tinha recado havia mais de dous annos) fiquava em bom estado reparada a fortificação com sessenta sol- dados de presidio, a artilharia, que são vinte e huma peças de bronze, e quatro pequenas de ferro encavalgada e com reparos de sobreselente, e quantidade de cartuxos feitos, e numerados com as peças, e que tinha feito huma galeota nova de sette bancos, e hia fazendo outra de doze, e que havendo os olandezes do forte de Boure tomado huma nao mercantil de Sant Thome, que aly foi ter obrigada de falta de agoa e hindo despois outra olandeza, a mandou Manoel da Cunha tomar por quatorze soldados, em dous barcos, e fizerão a preza com bom successo, tomando onze peças de arti- lharia, e fazenda que valeria oitto mil cruzados. E acerca do estado da fortaleza, do enemigo, das forças que tem naquella costa, e do modo em que se lhe deve fazer a guerra, escreve Manoel da Cunha o que Vossa Magestade mandara ver da copia inclusa da sua carta traduzida em castelhano. De tudo pareceo ao Conselho fazer relação a Vossa Mages- tade para que o tenha entendido, e porque Manoel da Cunha por haver perto de sette annos que aly reside, e fiquar enfermo pede con instancia que Vossa Magestade lhe envie successor, lembra [248 v.] o Conselho de Vossa Magestade que deve ser servido de resolver a consuflta] que sobre a provisão d'aquella praça se tem feito a Vossa Magestade. Em Madrid a 3 de Novembro de 623. Rubricas ilegíveis 123. [249] Copia Copia da carta dei capitan de La Mina traduzida em castelhano Por carta de 2 de Março passado, me manda Vuestra Ma- gestad, que particularmente avise lo que se me offrece tocante a olandeses y al estado desta fortalesa a una y otra cosa diffirire pon- 479
tualmente, y a todas las de la instrucion que Juan de Castro truxo hare lo mismo, la qual me prezento luego, para ordenarle como Vuestra Magestad en ella me manda, lo que me pareciesse con- venir a su servicio. Y por entender que a el convenia que en ningun modo y para ningun effecto en buena razon de Estado, convenia que el dicho Juan de Castro fuesse a saber personalmente, o informarse de lo que contenia su instrucion, a ningun puerto o lugar desta costa aunque fuesse con gran recato, le dixe lo devia escuzar y de las razones que le comunique quedo satisfecho por ser persona de con- fiança las quales en sustancia heran, que por qualquiera via que les llegasse a estos rebeldes y supiessen que st hazian preguntas o dili- gensias por persona llegada de nuevo dessos reinos como per sin duda lo havian de venir a saber por ser los naturales de la tierra por condicion misteriosos y noveleros y amigos de vender todo y no podria dexar de ser de dano grande para lo de aca y para lo de alia. Quando Vuestra Magestad fuesse servido mandar intentar alguna cosa, porque para lo de aca se imaginassen que las tales dili- gensias tenian fundamento de receios, podrian ellos perder los que de mi tienen de prezente lo qual no convenia al servicio de Vuestra Magestad ni al bien desta fortalesa que en tanta reputacion estava oy aunque muy falta de soldados a respeto de los tiempos que corren de lo qual yo no tenia notisia, y successos que pueden sobrevenir. Y para toda ella serviria espuelas para avisar a Flandes, lo qual no convenia, pues con esso se preveniran contra los disignios secretos de Vuestra Magestad como la razon lo pide y se podria arriesgar el caudal que se hubiesse hecho, y con el credito arman- dosse siladas en essos mares con avantajados partidos, demas de que de todos las partes açude aqui cada dia gente y la deste lugar açude a todos y sin ruido se puede facilmente saber todo y en el juizio, para saber entender las cosas consiste la sustancia delias y no hey duda que solo para Juan de Castro poder dezir que fue a esta o otra parte (donde mi criado o soldado con licencia va de ordinário) pudiera el hir aunque no por otra cabeça quando no ubiera las razones de Estado que apunto. De todo lo qual el se satisfizo en forma que no hallo mas en la materia, y haviendo en esta parte de dezirlo todo a Vuestra Mages- tad ninguna ccsa se hace en esta costa ni Juan de Castro podria saber alguna de consideracion, por no haver la para informaciones en la gente desta tierra biviendo (?) quasi toda sin discurso alguno, como vulgar que es, y asy solo el gobernador lo sabe aqui todo y mucho mas, siendo honrado y tan activo y zeloso dei servicio de Vuestra Magestad como yo, que siempre tengo copias secretas en todas partes y particularmente en la fortalesa de los rebeldes para saber de sus disignios, de sus navios, quantos son, quantos caen maios y mueren [249 v.] a que este clima son mas sugetos que nosotros, y a este respeto todo lo que es nescesario saberse me 480
... siempre prezente, aplicandome mas a esto que a mis comodi- dades en este gobierno pues trata en el solo del servido de Vues- tra Magestad por cosa essencial y devida. Y dando razon a Vuestra Magestad de todo lo que toca a olan- deses en esta costa siguiendo particularmente los puntos de la ins- trucion por la qual Vuestra Magestad quiere saber las fuerças que hay en ellas destos rebeldes, que navios tienen de prezente, en que partes comercian, con que reyes, con que naciones, que portos tie- nen, si estan bien recevidos o no, en que tiempo se apartan de la nuestra costa por causa de los temporales, que distancia estan de tierra, en que ensiadas dan fondo, si algunos reyes vezinos a esta fuerça se han passado a ellos, y si havia orden para reducirlo y con que medios. Digo satisfaziendo a cada cosa de per sy: que los olandeses no tienen nesta costa mas fuerça que una sola quatro léguas por baxo desta para la parte dei Cara que es les nordeste y se llama Boure, tiene pequeno circulo es quasi quadrado y tie[ne] de largo 120 palmos y poco mas a la misma de ancho, con sus baluartes pe- quenos ... esquinas dos para la mar y dos para la tierra, la muralla es de faxina y tierra cosa flaca y mal hecha y que con qualquiera agua se la cahe mucha parte en el y que contra bajo buelven a rehacer yendo a los montes para ello por faxina y llevantando las pieças que con la ruina de la muralla le caen en la cerca. Las que tienen son treze todas de hierro aunque buenas lo qual son de un artillero que estuvo con ellas y que las ocho mejor [de las] que estan a la parte de la mar, juegan bala de 16 libras. Los soldados que de ordinário hay en esta fortalesa son 60 algunas vezes mas y otras menos. Y el socorro ordinário que cada ano se le embia de basti- mentos, municiones y gente, tras una nave de guerra y ella nunca falta. Los navios que esta costa tiene de prezente son 22, trese dei- los grandes y los mas menores y pataches y deste numero hasta treinta hay en esta costa todo el ano y se apartan delia per causa de los temporales por el verano y inbierno ser aqui quasi una misma cosa, y el fondo generalmente boníssimo (?). La distancia que sus naves distan de tierra es a tiro de pieça de artilleria y a menos y dan fondo en ocho estados, y los pataches ... mui mas llegados a ella y adonde quieren, y dos y tres léguas a la mar en toda parte desta [costa] hay fondo de hasta 20 estados todo limpio sin haver tiempo de consideracion que ... puerto no tienen ninguno porque no lo hay que toda es costa y en esta padecen [mucho] en ciertas conjun- ciones. Las partes sustanciales en que comercean son que ... la prin- cipal es Cara, que dista desta plaça como 35 léguas adonde siem- pre assisten muchos navios por haver alli mas oro; la segunda es un lugar a que llaman Coromantin que [dista] dos léguas de su fortalesa dellos y deste seis; la tercera es la misma fortalesa es [que] hay poco trato por ser cosa sabida que mercaderes huyen de la parte 481 31
en que hay soldados aunque sean sus naturales. Y la quarta que es la de menor importância y que menos cansa a los gobernadores todos, por ser a balravento y a vista de una aldea a que [250] 11a- man dei Tuerto, quatro léguas desta fortalesa, adonde yo le mande tomar la nave que aviso, y en que siempre estos rebeldes tienen una por lo menos, y agora que hego (s/c) esta carta havia tres; y por esta aldea ser de la juridicion dei capitan de Comane nuestro vezino siempre tenemos contiendas con el y las tubieron algunos gober- nadores passados aunque viene aqui feria suva de mantenimientos. Mas no tenemos mayor trabajo que la mala voluntad de la gente de aquella tierra, que es muy flamenca de condicicn ya de tiempos antigos, la qual andava muy acostumbrada en ellos y en los moder- nos, antes que yo llegasse aqui a hacer agravios a este lugar de La Mina, y oi me tienen de manera que no me esta bien decirlo parti- cularmente, aunque todavia parece razon saber Vuestra Magestad que le tengo quemados lugares, y cortado cabeças, embiando a esso gente por tierra junto a su principal ciudad de Comane y con muy miradas ordenes para no perder ningusa (s/c) y los atemorizar a ellos saliendo al encuentro como lo hicieron, cosa de que se hiço tanto caso tocado una y otra ves (y nunca usado aqui) que toda la tierra se admiro. Y ellos quedaron pacíficos y lo estan oy, de lo qual se priesan y honran mucho los naturales desta ciudad de La Mina aunque en ninguna cosa me valgo dellos por ser pera peco, y menos contra sus vezinos. Los soldados de Vuestra Magestad hacen todo con buena orde- nança siendo tan poços quedando siempre en la fortaleza los demas para su guarda que es el essencial, y para todo es nescessario valerme de mi vigilância y juicio, y contener humillado estos maios vezinos en tiempo que la costa anda llena de olandeses, vino a ser de grande credito y reputacion para esta fortalesa de Vuestra Magestad pues solo con brios se puede ella oy sustentar, y a los mismos flamen- cos tiene ellos puesto temor. Hiço esta digression por parecerme nescessaria mas bolviendo a la obligacion que seguia digo que los reys con quien comercean los olandeses son todos los desta costa, pues de toda ella les van a buscar sus haciendas en todos tiempos y con mucha continua- cion. Mas la nacion que particularmente le trae la mayor parte dei oro que llevan, es una que llaman Acanes, gente poderosa y rica y que viven bien dentro del sertan. Y quanto a estaren bien recevi- dos estos rebeldes no lo estan por sus personas, por desordenes que cometen perdiendo cada dia el juizio mas igualmente las sufren a los naturales con que no los vienen a tener en cuenta. Aunque dan tantas ninerias y aguardientes a los mercaderes naturales y son tantas las haciendas, y tan diversas y baratas que les venden que con esso muestran que los aman, y la verdad es que los siguen como gente que solo tratta de sus inferes sin hacer ningun caso de noso- 482
tros. Y es mas que viendo estos naturales que en tiempos de Don Duarte de Lima, haciendo estos rebeldes fortalesa tan cerca desta de Vuestra Magestad sin poderselo deffender siendo el gober- nador que mayor fuerça tubo por haver entonces galeotas y muy buena gente que escogio de la nao de la India que aqui dio a la costa y despues viendo que el governador Pedro de Silva que le succedeo dixo que Vuestra Magestad havia de mandar echar d'aqui a estos enemigos (como Vuestra Magestad tubo ordenado, man- dando a [250 v.] Don Luis Fajardo por general delia que no ubo effecto) y ultimamente estar yo aqui ha seis anos sin ver que llego esta armada (dandoles a entender lo mismo) van de todo perdiendo el medo y el respeto, persuadiendosse que no hace Vuestra Mages- tad caso desta plaça y assy teniendo por impossible, la instrucion delia, siguen el mejor partido como gente que solo trata de lo que conviene a su interes. Para remedio destas cosas, quando Vuestra Magestad sea servido darselo y tratar de la expul[cion] destos rebeldes convien- dra mucho estar yo en essos reinos o sera precisamente nesce- [sario] que sea, porque por la experiência que tengo de seis anos desta costa, podre alentadan (?) apuntar lo que mas conviniere al serviscio de Vuestra Magestad para que de una vez se vea bien esta gente sin que le puedan quedar raizes en tiexra y tomar posses- cion delia por Vuestra Magestad que es lo que sobre todo importa, porque mandar Vuestra Magestad echar sus navios dei siendo mercantes, dos o tres de guerra los haran dar a la vela todos, mas daran la buelta al mismo puerto que es lo que les conviene. Y tambien tomarle su fortalesa siendo tan flaca sera fácil y con menos caudal de lo que ella se imagina avien[do] secreto, por lo que en la conservacion de la misma costa y de lo que en ella se hiciere. Y fuere justo que se haga, y como se deve trattar, con menos despesa. Consiste el buen effecto desta materia que es de grande impor- tância al servicio de Vuestra Magestad, al bien dei Reino de Por- tugal y aun de los demas, y advierto a Vuestra Magestad que de ningun parecer de los antigos? de La Mina que estan en essos rei- nos haga Vuestra Magestad mucho caso para resoluciones porque estan oy los tiempos differentes aqui en la sustancia y el modo y tambien si Vuestra Magestad fuera servido quando parte una caravela como esta de mandar ver de las secretarias mis cartas, alguna lus se tomara dei [las] para muchas cosas en razon de lo que agora se quiere saver. Porque en todas las [que] escrevi de aqui fui siempre particular en lo que me parecio convenir al servi- cio de Vuestra Magestad y por todas ellas me acuerdo que pedi cinco o seis artilleros por la f [alta] que dellos hay en esta plaça, y nunca se me diffirio que es cosa arriesgada en ... tan essencial siendo en cierto modo la primera parte de la deffension delia. 483
124. [251 v.] Consejo de Portugal En la caravela que Vuestra Magestad de su real mano, mando despachar a La Mina a reconocer el estado en que se alia y los navios y fuerças que el enemigo tiene para que con mas noticia y fundamento se pudiesse tomar resolucion conveniente, sobre la jornada que se trattava de hazer aquellas partes se recivieron car- tas de Manoel de Acuna de Teive, capitan de la fortaleza de Sant Jorge de La Mina de 15 de de Mayo passado en que avisa como aquella plaça de que faltavan nuevas havia mas de dos anos que- dava en buen estado, reparada la fortificacion, con sessenta solda- dos de presidio, la artilleria que son 21 pieças de bronze, y 4 pequenas de yerro, encavalgada y con reparos de sobreselente, y quantidad de cartuxos hechos, y numerados con las pieças y que tenia hecha una galeota nueva de siete bancos y hiba haziendo otra de doze, y que haviendo los olandeses de la fortaleza de Boure tomado una nao mercantil de Sant Thome que obligada de falta de agua aporto ally y yendo despues otra olandeza mando Manoel de Acuna tomaria, por quatorze soldados, en dos barcos y hicieron la presa con buen successo, tomando onze pieças de artilleria y hazienda que valdria ocho mil cruzados. Y acerca dei estado de la fortaleza dei enemigo, de las fuer- ças que tiene en aquella costa y dei modo en que se le deve hazer la guerra escrive Manoel de Acuna lo que Vuestra Magestad man- dara veer de la copia inclusa de su carta traduzida en Castellano. De todo parecio al Consejo hazer relacion a Vuestra Mages- tad para que lo tenga entendido y porque Manoel de Acuna por haver cerca de siete alios que ally reside y quedar enfermo pide con instancia que Vuestra Magestad le embie successor, accuerda el Consejo a Vuestra Magestad que deve servirse de resolver la consulta que sobre la provision de aquella plaça se ha hecho a Vues- tra Magestad. Rubrica de Mendo da Mota Quedo adbertido de esto y sera bien que el Consejo aga otra consulta porque no se me accuerde que aga a hecho ninguna des- pues que se me consulto que se suspendiese la ida dei gobernador agora (?) que a muerto despues aca. 125. [252] Portugal—19 de Octubre 1623 Que (J) el rey nuestro senor aguelo (sic) de Vuestra Mages- tad que aya gloria por cédula dei ano de 1588 mando que de los j1) A margem — Assi lo he mandado. 484
esclavos de la India, quando pretendiesen libertad, conociesse el Consejo de Portugal. Que esta se confirmo el ano de 1621 y se les despacho tambien cédula. (*) Que siendo esto assi pidiendo libertad un esclavo indio ante el alcalde Gueimica, y pidiendo el dueno que se remitiesse al Con- sejo de Portugal, declaro el alcalde que no avia lugar, y lo mismo ha declarado el Consejo de Castilla siendo contra las dichas cédulas. Supplica el Consejo a Vuestra Magestad mande que no se les haga este disfavor, y que le mande que este negocio y los demas desta calidad se les remita, conforme a las dichas cédulas (2). [252 v.] (3) Remetiose a la Junta de Competências Licen- ciado (?) Mendo da Mota y pareceles que este negocio y todos los desta calidad tocan al Consejo de Portugal, y que assi deve mandar Vuestra Magestad, que en qualquier estado que tenga la causa se le remita luego el alcalde que ha conocido delia. Al Presidente dei Consejo se respondio. Pues toca al Consejo de Portugal se remite esta causa a aquel consejo repartiendo todo lo hecho como nulo. 126. [253] Senor En cumplimiento de lo que Vuestra Magestad mando por su decreto de tres de Noviembre se han juntado en la possada dei licenciado Don Juan de Villela Presidente dei Consejo de índias, el dicho Don Juan, el regente Geronimo Caymo dei Conssejo de Italia y el Doutor Andres de Arizti canonigo doctoral de la Santa Iglezia de Toledo y han visto una consulta dei Consejo de Portu- gal en que (con ocasion de un auto del alcalde Don Diego Franco confirmado por el Conssejo en la caussa de livertad que Diego Her- nandez esclavo que se dize ser trata con Manuel Lopez de Monte Mayor português) representa a Vuestra Magestad el agravio que se haze a aquel Consejo en introducirse los alcaides en el conoci- miento de las causas desta calidad, tocandole privativamente por (') A margem — Al Presidente dei Consejo. El Presidente dei Consejo dize que este negocio esta ya semyado por el alcalde y el Consejo y que por la autoridad de Ia cosa juzgada no se deve ir contra eílo. Y para lo dei adelante Vuestra Magestad mandara lo que fuere ser- vido supuesto que se funda en las cédulas que refieren. (2) A margem — Junta de Competências. A la buelta lo que parece a la junta. (3) A margem — 20 de Noviembre. 485
cédula del ano de 1588 confirmada por otra de Vuestra Magestad de 13 de Junio de 1621 cuya copia vino con la dicha conssulta, y otra dei Presidente dei Consejo sobre lo mismo con un testimonio dei escrivano de la caussa. Y lo que les ha parecido, es que el conocimiento desta caussa y las demas desta calidad, toca privativamente por las cédulas refe^ ridas al Consejo de Portugal y que en ninguna manera se deben introducir en ellas, los alcaides, ni otro tribunal alguno y en qual- quiera estado que tenga la caussa. [253 v.] Vuestra Magestad debe ser servido de mandar que el alcaide D. Diego Franco la remita al dicho Consejo porque es de mayores inconvenientes la contravencion a las cédulas de Vues- tra Magestad que qualquiera otro que se puede considerar en este casso. Vuestra Magestad mandara lo que fuere mas de su real ser- vido. Madrid 20 de Noviembre 1623. Rubricas elegíveis 127. [225] Senhor Tem o Conselho feito consulta a Vossa Magestade sobre a ordem que se deve dar aos galeões do socorro da índia acerca da parte a que hão de hir; para que da resolução, que Vossa Mages- tade tomar se avise por terra ao viso rey da India com hum correo que está para partir. E porque das cartas do viso rey, que trouxe o pataxo, que agora chegou a Peniche se entende a muita necessidade de soccorro em que aquelle Estado fiquava e que de tão longe se não pode com seguridade sinalar o lugar a que mais importa que va dirigido, lem- bra o Conselho a Vossa Magestade que com estas considerações deve Vossa Magestade ser servido de resolver logo a materia. E tendo respeito a ellas, e ao que consta das cartas do viso rey, diz o Duque de Villa Hermosa, presidente que entende que não ha que esperar mais, e que convém que o socorro va a Goa a disposição do viso rey, para que use delle, como o estado das cousas o pedir. (*) Em Madrid a 27 de Novembro de 623. Rubricas ilegíveis I1) A margem — Mendo da Mota e o Marques de Castelo Rodrigo estive- rão presentes. 486
128. [256] Senor Haviendo visto el Consejo, como Vuestra Magestad fue ser- vido de mandarlo la consulta ynclusa del de Portugal, que trata del sucesso de Maca [o ?] y lo que conbendria prevenir para alia y para la Yndia, y se voto como se sigue. El Duque dei Ynfantado—Que esta materia de Malaca ha anos que se trata delia y se acuerda que se ablo otra vez, en que fuese el socorro en derechura porque de la Yndia no suele ser tan cierto, por la diferencia que ay entre los ministros, pêro se conforma con lo que pareze a Don António Pereyra Don Francisco de Ber- gança, y el Marques de Castel Rodrigo. Don Pedro de Toledo—Que las cosas de la Yndia, estan agora en muy diferente estado del que antes tenian, porque todo lo de alia considerable, se ha reduzido a Goa y Malaca con que viene a ser tan precisso para Goa, la conservacion, de Malaca como para Malaca la de Goa, y el socorro de galeones y naves dei ano que viene se reputa por el último remédio que para lo de alia se puede dar, y divi- dirle [256 v.] seria aventurarle a otro tal sucesso com [o] el que el Conde de Bidegueyra tuvo. Y asi le pareze, que todo vaya junto a Goa, y que al virrey por mar y tierra se le avise de lo que ymporta el socorro de Malaca, y en la brevedad, con que ha de venir aviso de alia por mar o por tie[rra] y venido este avisso con quanta mas lus se podra tomar esta resolucion le cbliga a conformarse con lo que dize el Duque de Villa Hermosa. Don Agustin Messia, el Cardenal Capfata] y el Marques de Aytona — Se conforman con lo que dize el Duque de Villa Her- mosa. El Marques de Montes Claros — Que e[n] este aviso que parte a Nueva Espana se escrivã al governador de Philippinas agrade- ciendole el socorro que hizo a Machan de cierta artilleria y armas, que confiessan los de Machan fue causa total de su defe[nsa] y se le diga se espera, que en esta conform [idad] avra acudido, como se lo pidieron los de la dicha, ciudad, embiandoles gente y mas artilleria para la defensa de los enemigos que esperavan, pues demas de que de aquella c[iudad] se avra entendido, que por quenta suya se estava fundiendo artilleria en Manila [y] offrezian pagar la gente de guerra que se les embiasse Castellana todo el tiempo, que [257] alli asistiesse, en que se conseguira escusar que los ene- migos no hagan entrada en ella, y assi mismo que se yntroduzga presidio de Castellanos en aquella entrada principal de la China, y que al virrey de la Yndia se escrivã assi mismo tenga particular cuydado con el socorro de Machan embiandole las municiones gente 487
y otros pertrechos que le han pedido y le pidieren, si ya no lo ha hecho. Y enquanto al despacho de la armada se conforma con el voto del Marques de Castel Rodrigo, Don Francisco de Berganza y Don António Pereyra, porque tiene por de grande ymcombeniente, que estas fuerças se dividan, y por mejor que vayan todas juntas a manos del virrey, que como tiene obligacion y esta a su cuydado la defensa de todos aquellos puertos savra acudir adonde mayor necesidad huviere, de socorro; y sera muy acertado, que por tierra se le escrivã el estado en que quedava el despacho de la armada y naves ordiná- rias, y lo que puede esperar delias. Y que si las cossas de la Yndia estuvieren en estado que sea menester socorrerias a diferente parte embie aviso a Moçambique para que le alien alli los galeones y naos y conforme a su orden dispongan la navegacion y entretanto que no huviere orden nueva, y aviso dei virrey como se espera le avra aun antes de partir [257 v.] los galeones, y naos tiene por mas acertado, que se prevengan para el viage ordinário. Don Diego de Ybarra — Se conformo con lo que va votado, enquanto a que se den las gracias al governador de Philippinas dei socorro que hizo a Machan mandandolo Vuestra Magestad por donde toca lo haga adelante en todo lo que pudiere sin faltar a lo que tiene a su cargo, y que en la Junta de Guerra de Yndias si se les offreziere algo de que adbertir a Vuestra Magestad antes de embiar esta orden al governador de Macau (?) lo hagan. Y enquanto a lo que contiene la consulta dei Consejo de Por- tugal viene como el Marques de Montes Claros en tener per lo mejor el voto dei Marques de Castel Rodrigo, Don Francisco de Berganza y Don Antonio Pereyra, por todas aquellas razones, que ha dicho en su voto el mismo Marques de Montes Claros. Don Fernando Xiron — Se conformo con el Marques de Mon- tes Claros en la de Machao, y anade que si los portugueses, hal- lassen forma tomando por pretesto el acometimiento que hizieron los olandeses a aquel lugar para que el rey de la China se le dejasse fortificar lo fortifiquen. Que si el aviso que se espera de la Yndia llega a tiempo, Vues- tra Magestad segun lo entendiere [258] tomara la resolucion que mas combenga. Pero casso que no llegasse antes de la partencia de las naves le pareze que si todo el socorro que se embia a la Yndia llega a Goa, no embiara nada el virrey a Malaca; y siendo aquella plaza la de mayor ymportanzia de la Yndia se conforma con el parezer dei Doutor Mendo da Mota, en que vayan dos navios en derechura, y aunque es verdad que estes dos vajeles, yran con mucho riesgo de perderse, de ordinário todos los socorros van muy aventurados, y aquella plaça es en la que mas se deve mirar. 488
Y en lo que toca a dar las gradas al governador de Philippi- nes se conforma con lo que va votado. El Conde de Gondomar — Se conforma con Don Fernando Xiron. Y todo el Consejo se conformo con el de Portugal, en que se haga merced a los que han peleado con los olandeses en la forma que alli se apunta. Vuestra Magestad, mandara lo que mas a su servido com- benga. En Madrid, a 11 de Noviembre de 1623. Rubricas dos conselheiros [258 v.] El Consejo de Estado 11 de Noviembre de 1623 Con una consulta dei Conssejo de Portugal que trata dei sub- ceso de Macao y lo que conbendria y rebenir para alia y para la índia. Rubricas ilegíveis 129. [260 v.] Consejo de Portugal Hase consultado a Vuestra Magestad sobre la orden que se deve dar a los galeones dei soccorro de la índia acerca de la parte a que han de hir, para que de la resolucion que Vuestra Mages- tad tomare se abise al virrey por tierra con un correo que estaa para partir. E porque de las cartas que ha traído el patache que agora llego a Peniche se entiende la mucha necessidad de soccorro en que quedava aquel Estado y que de tan lejos no se puede dar orden cierta sobre el lugar a que mas importa que vaia dirigido, accuerda el Consejo a Vuestra Magestad que van estas consideraciones lo mande resolver luego. Y teniendo respuesta a ellas y a lo que consta de las cartas dei virrey, dize el Duque de Villa Hermosa que no se deve esperar mas, y que conbiene que el soccorro vaia a Gca a disposicion dei virrey, para que use dei como el estado de las cosas lo pidiere. Para luego. Rubrica ilegível 489
130. [261] Portugal — 23 de Setembro 1623 Aviendose ordenado al Consejo de Portugal que se diesse las ordenes nescessarias para que las mercadurias y demas cosas que el Combento de la Encarnacion traya de sus viajes de la India no pagasse derechos en los puertos de Castilla, ni Portugal, por aver entendido que el rey nuestro seiior que aya gloria lo mando assi. (*) El Consejo dize que no ay noticia de que el rey nuestro senor que aya gloria huviesse mandado tal. Que los derechos de Puertos Secos estão aplicados al sustento de las plaças de Africa y no teniendo lo que han menester si agora se les quitase esto seria mayor la nescessidad, a que no se deve dar lugar. La (2) orden que se embio al Consejo de Portugal fue por consulta de Don Juan de Villela. Abiendose (s) remitido a Don Juan de Villela dize que no es gracia nueba la destos derechos sino concedida por el rey nues- tro senor que aya gloria en los mismos despachos con que concedia los viajes y guardada despues aca, y que assi deve Vuestra Maqe°- tad mandar se guarden las ordenes dadas 131. [262] Seiior Em cumplimiento de lo que Vuestra Magestad a sido servido mandarme por la orden ynclusa e visto la consulta que el Consejo de Portugal haze a Vuestra Magestad tocante al Conbento Real de la Encarnacion y lo que se a usado y guardado asta aqui es que la gracia y merced que el rey nuestro seiior que santa gloria aya padre de Vuestra Magestad hizo al dicho real conbento fua la liber- tad de derechos de todo lo que procediesse de los enpleos y viajes que se hiciessen a la Yndia Oriental y que no los pagassen assi en ella como en la Corona de Portugal Consulado y Cassa de la Yndia. De manera que si los puertos son de la dicha corona pareze que a todo compreende y asta agora no se an llevado ni pagado ni en otro qualquier puerto por donde se a metido en estos reynos, qual- quier genero de mercaduria ni hacienda que toque al dicho real con- bento, y es lo mismo que se contiene y declara por las cédulas de la merced en cuya virtud se a usado y usa de los dichos viajes des- pachados por el dicho Consejo. Y para justificacicn desto en consulta que hice a Vuestra Magestad en veinte quatro de Jullio passado deste ano vio Vuestra Magestad los pasaportes y recaudos con que libremente passo y (>) A margem — A D. Juan de Villela. Haaase no que tengo mandado. (2) A margem — A Ia buelta. (3) A margem — 3 de Octubre. 490
entro por los puertos de aquella corona lo que se remetio en esta sin pagar derechos ni pedirlos asta fin del ano passado que los goberna- dores de Portugal pusieron ynpedimento pretendiendo [262 v.] que se an de pagar en los dichos puertos de lo que se trujere para el dicho real conbento. Que si se hubiesen de pagar no seria pusible en mucho tiempo acavarse esta fundacion y se [ria] ygual en su negociacion con qualquiera otra particular que cargue o enplee en la Yndia pagando derechos y la diferencia que ay y con que brevemente se a de aca- var esta fundazi[on] es mediante la libertad y gracia de derechos que todo lo que se vende de las dichas mercadurias de que se com- pone la dicha fundacion es en la ciu[dad] de Lisboa dentro de la Cassa de la índia de no se pagar derechos y si alguna cosa se tra[e] a esta corte o a otra parte para benderlo o beneficiário es de tan poca suma y cantidad que no es en nada considerable lo que pueden mas los derechos en los puertos y casso que lo frua la Real Hazienda de aquella corona recive mayor benefficio en los derechos delas per forma que compran y sacan fuera las dichas mercadurias porque de su genero si no se truxeren per parte dei dicho real conbento no se causaran. Que el despacho que Vuestra Magestad a sido servido man- dar al Consejo de Portugal se de al convento por las ordenes que su consulta refiere, quando fuera nueva merced es lo mismo y de la forma que se a despachado por la Camara de Castilla y el que tienen no so las fundaciones reales de que Vuestra Magestad es patron sino todas las obras pias y ospitales. De manera que en esta parte no se pide nueva gracia sino la que se haze a todos [263] y que se guarde lo que asta aqui se a hecho con el real conbento pues por ser fundacion y creacion de los reys nuestros senores que santa gloria ayan padres de Vuestra Magestad debe tener mas gracias y favores de Vuestra Magestad que otros que no tienen esta calidad y assi siendo Vuestra Magestad servido debe mandar al Consejo se cumplan las hordenes dadas por Vuestra Mages- tad y que el despacyo se aga y entreguen la parte dei dicho real conbento para que usse dei. En todo mandara Vuestra Magestad lo que mas conbenga. En Madrid a tres de Otubre 23. 132. [264] Toda esta armada vaya a Goa y al virrey de la índia se encargue que usando dei socorro como fuere mas conveniente conforme al estado de las cosas trate de embiar luego alguno a Malaca teniendo presentes las necesidades de Macan Philippinas y todas aquellas partes. Enquanto a premiar los que pelearon en Macan me conformo con el Consejo y lo ordenado que se escrivã al governador de Philippinas dan dole las gracias dei socorro que embio a Macan y encargandole lo haga adelante en las ocasiones que se offrecieren. 491
[265] En las dos conssultas inclusas una del Consejo de Por- tugal de 19 de Otubre con otra del Conssejo de Estado de 11 de Noviembre sobre aver visto la de Portugal y son sobre el suceso de Macan y la orden que se debria dar a los galeones del socorro de la India cerca de la parte adonde han de yr, y otra de 17 de Noviem- bre recuerdo de la primera del de Portugal. Don Agustin Messia, los presidentes de Yndias y Hazienda, Don Francisco Giron y Mendo da Mota han visto estas consultas y dizen que presupuestas las relaciones que sobrevinieron en estas dos navetas del estado en que se hallavan las cosas de la Yndia y del gran poder de naos olandesas y inglesas que avian estado sobre Goa, reformando Mendo da Mota su voto y conformandose todos los demas con el, les parece que Su Magestad se deve confor- mar con el Conssejo de Portugal y que toda esta armada que ha de ir con el fabor de Dios, vaya derecha a Goa con los capitanes que Su Magestad tiene nombrados. Y que al virrey de la índia encargue Su Magestad con orden muy particular que usando dei socorro para lo que fuere mas pre- ciso y necesario conforme al estado en que llegare, trate quanto fuere posible de inviar luego algun socorro a Malaca a cargo de persona de valor y de mucha confianza teniendo presentes las nece- sidades de Macan, Filipinas, y todas aquellas partes sobre las qua- les carga gran golpe de enemigos, y en particular el premio de Ia honrra de los que esforzadamente han peleado en Macan, quanto al qual se conforman con las consultas de los Conssejos de Estado y de Portugal, en que se les haga merced en la forma que se dize en la consulta dei Conssejo de Portugal y tambien se conforman con la conssulta dei Conssejo de Estado enquanto [265 v.] a que se escriba al governador de Filipinas por la via donde toca agrade- ciendole el socorro que hizo a Macan y lo demas que para que lo haga en lo venidero se apunta en la dicha consulta dei Estado. Madrid 21 de Diciembre 1623. 133. [266] Portugal — 29 de Octubre 1623 Que el Consejo de Estado de Portugal avia trattado que porque respeto de que olandeses quieran vengarse de lo que paso en la ciudad de Macao seria bien que per mar y por tierra se escrivã al governador de Manilla que siempre que lo huviesse menester socorra a la dicha ciudad, y lo mismo se escrivã al virrey de la índia. Y un voto anadio, que podiendose aprestar la nabeta que vino ulti- mamente de la índia se embien en ella 190 hombres con necesi- dad de que van a Malaca. Y otro voto que sera mejor embiar socorro en dos galeones y que se continue por algunos anos como se començo en tiempo del rey Don Sebastian. 492
De los governadores Don Diogo de Castro se conformo con el Consejo de Estado, y con el voto que dije que vaya la naveta. [266 v.] El Conde Dom Diogo de Silva se conformo con el Consejo de Estado conquanto a escrivir al governador de Manila y virrey de la India pero no le parece que vaya socorro en la nabeta porque sera corto y desautorizado, y que quando se huviesse de embiar avia de ser en dos galeones. El Consejo que se escrivã al governador de Manilla como dize el de Estado de Portugal y unas cartas vayan con el nabio de aviso que se ha de embiar agora y duplicadas se entreguen al Consejo de Portugal para encaminarlas por aquella via. Que se escrivã al virrey se informe de los que se senalaran en la pelea con los olandeses, y les haga alguna merced, para animar a otros. Que no conviene embiar socorro en la nabeta. Mendo da Mota dize que de los seis galeones de socorro, que se ha presupuesto se han de embiar a la índia los dos vayan dere- cho a Malaca para lo que fuere nescesario en el mar dei Sur porque de la índia nunca se embia alia cosa de consideracion y si va todo al virrey lo podra gastar en otros effettos. Don Antonio Pereyra, Don Francisco de Bragança y Marques de Castel Rodrigo, les parece que vaya todo junto y que el virrey segun el estado de las cosas lo distribuya como conviniere, pues desde aqui no se puede hazer con tanta noticia. El Duque de Villa Hermosa, que los galeones se vayan pre- veniendo como se haze y que de aqui a que ayan de partir abra algun aviso de la índia pues el virrey escrivio que no podiendo partir la nao Sant Tome, embiaria aviso, y que conforme a lo que huviere se podra tomar resolucion. Remitiose (') al Consejo de Estado y votaran. Todo el Consejo se conforma con el de Portugal sobre que se haga merced a los que se senalaron en la pelea. Y en los demas puntos. El Duque dei Infantado—Se conforma con Don Antonio Pereyra. D. Pedro de Toledo, Don Agustin Messia, Cardenal Capata y Marques de Aitona — Con el Duque de Villa Hermosa. (l) A margem — 11 de Novembro. 493
[267] Marques de Montes Claros — Que en este aviso que parte a Nueva Espana se agradesca al governador de Philipinas el aver socorrido a Machao y que se espera abra hecho lo mismo en esta ocasion, y que se le encargue lo haga adelante. Que lo mismo se escrivã al virrey de la Índia. Que al despacho de la armada se conforma con Don Antonio Pereyra, Bragança y Castel Rodrigo, y que por tierra se escrivã al virrey como va esta armada, y que si fuere nescesario embiar socorro a diferentes partes embie aviso a Moçambique, para que se alie alli la armada. Don Diego de Ibarra — Se conforma en que al governador de Philipinas se den gradas dei socorro y se le ordene lo continue, preguntando primero a la Junta de Guerra de índias si se les offrece incombenientes. En lo de la armada se conforma con Montes Claros. Don Fernando Giron — Quanto a Machao se conforma con Montes Claros y que si los portugueses hallasen forma para for- tificar aquel lugar tomando por pretesto el acometimento de olan- deses lo hagan. Quanto a la armada que se espera a si ay algun aviso de aqui a que aya de partir. I no avisandole se conforma con Mendo de Mota. El Conde de Gondomar — Se conforma con Don Fernando Giron. [268] Remitiose a los três de Estado, Presidente de índias y Mendo de Mota, y dizen que toda esta armada vaya a Goa, y al virrey de la índia se encargue, que usando dei socorro, como fuere mas conveniente, conforme al estado de las cosas, tratte de embiar luego alguno a Malaca, teniendo presentes las nescesidades de Machan Philipinas y todas aquellas partes. Enquanto a premiar los que pelearon em Macan se conforman con las consultas de los Consejos de Estado y Portugal. Tambien se conforman en que se escrivã al governador de Phi- lipinas con las gradas dei socorro que embio a Machan y que lo haga adelante en (?) las ocasiones que se offrecieren. 134. [269] Senor Por orden de 12 dei presente se sirvio Vuestra Magestad de remitir desta junta la inclusa consulta dei Consejo de Portugal que trata de los 4 navios de la armada dei Oceano que se an de juntar con la de aquella corona para salir a asegurar el paso a las naos que se speran de la índia Oriental. 494
Haviendole visto la junta ha parecido consultar a Vuestra Magestad que las dichas naos quando lleguen a las costas de Spana sera de mediado Agosto hasta todo Setiembre y entonces los moros estaran recogidos (como se ha visto los anos pasados) a hazer su quaresma y a reparar y prevenir sus navios, y de Olanda no se tiene aviso que se armen ningunos con que parece que se podria escusar el yr la armada a las Yslas Terceras pues demas desto otras vezes que ha ydo la de Portugal, no ha encontrado con las naos, y el punto fijo donde los enemigos las aguardan (y conviene guardarias) es en la costa de Spana, y assi debria esta armada andar corriendo desde el Cabo de Espichel hasta las Verlengas, y alguna vez (con- forme a los avisos) alargandose a las Yslas de Bayona por los muchos baxeles que de las conquistas de Portugal vienen a Oporto y Viana. Que para los quatro galeones que esta resuelto dar de la armada dei Oceano para la de aquella corona, tiene Don Fadrique de Toledo diversas ordenes para embiarselos [269 v.] y ha respondido que los estava aprestando y si Vuestra Magestad fuere servido se le podra bolver a dar prisa para que lo execute. En Madrid a 13 de Junio 1623. Rubricas ilegíveis 135. [270] Senor Respondeo Vossa Magestade a consulta inclusa que o Forte da Lagem da Bahia, seria bem que se fizesse, se pode impedir o surgidouro e se não escusallo, e que se avisasse a Vossa Magestade, que se respondera ao governador do Brasil, no que toca a cidadela, e a qualidade dos alvitres, que propunha para esta causa. O Forte da Lagem se mandou fazer, consultando se primeiro a Vossa Magestade por este Conselho, e por huma junta em que entrarão Dom Agostin Messia, o Marques de Montes Claros, Pedr'Alvarez Pereyra e Mendo de Motta, havendo se visto as plan- tas, e desenho delle, e que hera importantíssimo para segurar o sur- gidouro, e deffender a desembarcação aos enemigos, e assy se tem encarregado muito ao governador que o faça continuar, e accaba lo con toda brevidade. E quanto a cidadella, ate agora se não tem respondido ao governador, por se haver mandado ver, e consultar polo Conselho do Estado e os governadores do reino o que toca a este ponto, e aos meos que elle propos de haver o dinheiro necessário para a des- peza que são os das imposições, e avarias, que se tem applicado ao Forte da Lagem da Bahia e as outras das capitanias particulares, 495
e que se reformem algumas companhias dos presidios da Bahia, e Pernambuco que diz são de pouco effeito, e se empreguem as suas praças na obra, que o Conselho entendeo que não convinha diffirir, em tempo que tanto se teme que os enemigos comettão aquelle Estado, e assy se advirtio logo ao governador, e que tivesse o numero das companhias cheo, e nellas gente de serviço, e residente nas for- talezas. Em Madrid a 28 de Julho de 623. Rubricas ilegíveis 136. [271] En la conssulta dei Consejo de Portugal de 23 de Junio sobre el estado en que estan las cosas dei Brasil. Don Agustin Messia, el Marques de Montes Claros y Don Fernando Giron se conforman con el Consejo de Portugal y que enquanto al fuerte que tratava el governador de hazer en la Baya si le puede hazer donde pueda quitar el surgidoro le haga, y si no, se puede escusar, pues para recogerse la gente como dice el gover- nador no conviene hacerle que antes seria de dano porque es ordi- nário escusarse de pelear teniendo cerca la retirada y ellos tienen el mo[n]te donde se retiran en estas ocasiones, y fuerte sin presidio tiene peligro de caer en manos del enemigo y que se valga del, y que el Conssejo informe que respondio al governador en lo que toca a la ciudadela y la calidad de los arbítrios que proponia para esta fabrica. Madrid 1 de Julio 623. Rubrica ilegível 137. [272] Senor Vio se hoje em Conselho, huma ordem rubricada da real mão de Vossa Magestade em que se contem, que com occasião das armadas, que tem sahido de Olanda, e dos avizos que ouve de seus desenhos, ordenou Vossa Magestade que se estivesse com cuidado nas cousas do Brazil; que sera bem que o Conselho o avise logo a Vossa Magestade, do estado em que estão, e deffensa que tem aquelles portos, e particularmente o de Pernambuco, e do que se offrecer que prevenir nelles, tudo com muita particularidade con- forme as ultimas relações, que de la ouverem vindo, e a noticia que se tiver, encarrega Vossa Magestade de sua real mão, o segredo por ser o mais essencial para o bom successo do que se deseja. 496
Logo que neste Conselho se teve noticia por hum papel do secretario João de Ciriça de 13 de Mayo passado, dos navios que se armavão em Olanda, e do que se presumia de seus intentos, se despachou correo aos governadores de Portugal advertindo os, entre outras cousas, que avisassem ao Brazil, havendo navios para partir logo, ou despachassem caravelas, como julgassem que mais convi- nha, e socorressem ao governador daquelle Estado com armas e munições. Depois em 24 de Mayo, por haver segundo aviso, dado pelo mesmo secretario João de Ciriça, de que as naos de Olanda herão ja partidas e navegavão desde 29 de Abril, e se temia que deman- dassem alguma parte do Brazil, donde dezião terem comunicação, se tornou a escrever aos governadores que duplicassem os avisos e enviassem aaquelle Estado, o mayor soccorro que fosse possível e encarregassem ao governador delle, que na repartição das couzas que lhe mandassem e na vigia fizesse proceder de maneira que em toda a parte achasem os enemigos a resistência nescessaria, e pare- cendo elles por aquellas partes avizassem logo. Em 24 de Mayo tornou a avisar João de Ciriça, que se tinha entendido que o Principe de Orange armava vinte navios de força com 40 peças de artilheria, e 150 homens de guerra cada hum, com intento de passar a India, e tomar porto no de Santo Antonio, e de S. Miguel polio mar do Sul, e passar por terra ao [272 v.] mar do Oeste, e fortificar se , e aguardavão aviso de alguns navios de olandeses que os forão reconhecer, e chegarão até San João, e que se valerão de alguns capitães franceses piratas. Tanto que se teve este aviso por os portos nomeados cahirem na costa do Brazil, e ser verossimel que contra aquelle Estado fora esta expedição, se tornou a escrever aos governadores encarregando lhes muito, que os socorressem, com tudo o que estive[sse] orde- nado, e se tratasse da partida do novo governador do [Majranhão, pelo que se receava da comunicação de olandeses, e franceses que ja ali estiverão. E tornando João de Ciriça a avisar que se ratificasse (?) a nova da partida da armada de Olanda, em 29 de Abril e da variedade que havia acerca dos portos que procurarião cometer, se escreveo de novo aos governadores em 2 do prezente encarregando lhes muito a prevenção e execução do que estava ordenado. A estas ordens e avisos responderão que tinhão despachado duas caravelas ao Brazil, a cargo de soldados práticos duplicando os avisos, dirigidos ao governador Diogo de Mendo Furtado, e Ma- thias de Albuquerque capitão de Pernambu[co] com ordem de elles os repartirem por todas as capitanias, e de huma carta ao governador escrita em 18 de Março tinhão entendido, que elle estava com cui- dado da deffensão daquelle Estado, e havia soccorrido com quanti- dade de polvora as capitanias de Pernambuco e Rio Grande; e agora com carta de 17 do prezente, enviarão huma informação que o juiz 497 33
de e Mina tomou dos navios que chegarão do Brazil, na [qual] se refere que o governador fazia huma fortaleza no Recife da Bahia sobre a agoa, e intreicheirava a cidade, e que havia sol- dados feitos, e bastantes vigias, e que em Pernambuco havia tam- bém soldados, alardos, e vigias, e o capitão Matias de Albuquerque, tinha tudo bem aparelhado para se deffen[der] e assy se fazia nas capitanias da Parahiba e Rio de Janeiro Em carta de 8 de Abril passado, escreve o governador do Brazil, que he muy nescessario a deffensão da Bahia, fa[zer] nella huma cidadela, em que se possa resistir aos enemigos, e não ser aquella cidade deffensavel por sitio, nem por fabrica e ser muito importante ter huma retirada segura, em que tem [273] os enemigos terra se possa recolher, e reparar a gente e aponta meos para se ordenar. O que fica referido he o que se escreveo aos governadores, e elles responderão, acerca das prevenções, que tinhão feito para avisar e socorrer ao Brazil, e noticia que se tem da deffensa que ha naquel- les portos, principalmente nos da Bahia, e Pernambuco, que como tem mayores povoações, e na Bahia assiste o governador do Estado, e em Pernambuco Mathias de Albuquerque, poderão milhor resistir a qualquer cometimento de enemigos, mayormente estando se em ambas as partes com o cuidado que se tem entendido. Porem nem por isto se pode elle perder, de tantos outros portos, e lugares que ha no Brazil, estendidos por mais de oitocentas legoas de costa, sendo polia mayor parte muy pouco deffensaveis, e tendo o soccorro muy longe, e ficando o arbítrio dos enemigos demandar qual lhes parecer que poderá tcmar com mais facilidade. E assy julga o Conselho por impossível, prevenir tudo, e o que parece que por agora se deve fazer, he ordenar de novo ao gover- nador do Brazil, que com particular aplicação e cuidado va forti- ficando os portos mais perigosos daquelle Estado e todos os mais que os enemigos podem cometter, e faça ter tais vigias no mar, e na terra, que aparecendo elles naquellas paragens, se acuda com tempo a lhes impedir, a desembarcação, e se possa socorrer de humas partes a outras a tempo que aproveite. Em Madrid 23 de Junho de 623. Rubricas ilegíveis 138. [273 v.] Consejo de Portugal Manda Vuestra Magestad por orden rubricada de su real mano se le avise dei estado que tiene la deffension de los puertos dei Brasil y particularmente el de Pernambuco, en conformidad de lo que de antes havia ordenado (y que sea con toda particularidad y secreto). 498
Luego que se tubo noticia por un papel dei secretario Juan de Ciriça de 13 dei mes pasado de los navios que se armavan en Olanda y de lo que de sus intentos se presumia se despacho correo a los governadores de Portugal con orden que despachassen luego cara- velas con este aviso al Brazil, o le embiassen en algunos navios se estubiessen para partir y embiassen al gobernador de aquel Estado, armas y municiones. Lo mismo se bolvio a hacer en 24 dei pasado con occasion de el secretario Juan de Ciriça avisar que la armada olandesa nave- gava desde 29 de Abril, acrescentando que se ordenasse al gober- nador del Brazil que en la reparticion de lo que se le embiasse o en la vigia hiciesse proceder como convenia y avisasse si estos enemigos pareciessen en aquellas partes. En el mismo tiempo abiso tambien Juan de Ciriça que el Prin- sipe de Orange armava 20 navios de fuerça con intento de passar a la India y tomar punto en los de Santo Antonio o S. Miguel, o llevassen en su compania algunos capitanes franceses piratas y por estos puertos cayren en la costa del Brazil se duplicaron las ordenes para la execucion de lo que se havia de proveer al governador encar- gandosse a los de Portugal tratassen de la partida dei nuevo gober- nadcr dei Maranon por lo que se recelava de la comunicacion de olandezes con franceses que ya estubiercn alli. De nuevo se acordo lo mismo a los gobernadores en 2 dei pre- zente por aver avisado el secretario Juan de Ciriça que la armada olandesa navegava desde los 29 de Abril como se afirmava. A estas ordenes y avisos respondieron los gobernadores que havian despachado dos caravelas al Brazil duplicando los avisos y remitiendoles al gobernador Diego de Mendonça, y capitan de Pernambuco Matias de Albuquerque para que ellos la diessen a las otras capitanias, y que de carta dei mismo gobernador havian enten- dido estava con cuidado y havia soccorrido con quantidad de pól- vora a los capitanes de Pernambuco, y Rio Grande y havia una fuerça en el Recife de la Bahia y trincherava la ciudad, teniendo soldados hechos y bastante vegilancia y lo mismo de soldados y vigilância havia en Pernambuco cuyo capitan teniendo en orden para deffenderse y lo proprio hacian los de Parahiba y Rio de Henero. En carta de 8 dei mes de Abril passado, que agora se recevio avisa el gobernador del Brazil que la ciudad de la Bahia por no ser defensável por sitio ni fabrica tiene mucha nessecidad de una cida- dela para recogerse la gente en un caso forçoso y apunta médios para effectuarse. Lo que queda refirido, es lo que se escrivio a los governadores y ellos respondieron acerca de los governadores que havian hecho, para avisar y soccorrer al Brazil, y la noticia que se tiene de la def- fensa que hay en aquellos puertos, principalmente en los de la Bahia y Pernambuco, que como son mayores poblaciones y en la Bahia 499
assiste el gobernador del Estado, y en Pernambuco Matias de Albuquerque podran resistir mejor a qualquiera cometimento de enemigos mayormente estandosse en en (sic) ambas aquellas partes con el cuidado de que se tiene noticia. Pero ni por esto se pode el perder de tantos otros puertos y lugares que hay en el Brazil dila- tados por mas de ochocientas léguas de costa siendo por la mayor parte poco defensável y teniendo el soccorro muy lexos, y quedando o arbítrio de los enemigos demandar el que les pareciere que podran tomar con mas facilidad. Y assy jusga el Consejo por impossible prevenirse todo, y lo que parece que por agora deve haverse, es ordenar de nuevo al governador de aquel Estado, que con particular aplicacion y cui- dado, trate de fortificar los puertos mas peligrosos y todos los mas que el enemigo puede cometer, y haga tener vigilância en la mar y tierra para que pareciendo en aquellas partes se acuda con tiempo a impedirles el desembarcadero y se pueda soccorrer de unas a otras partes a tiempo conveniente. Como parece al Consejo y enquanto al fuerte sera bien se aga en la Baia si puede acerse donde impida el surgidero y si no escusalle y el Consejo me abise que respondio al gobernador en lo que toca a la ciudadela y la calidad de los adbitrios que proponia para esta causa. Rubrica do rei 139. [247 v.] Consejo de Portugal A la consulta inclusa respondio Vuestra Magestad que el fuerte nuevo de la Bahia seria bien que se hiziesse si puede impedir el surgidero, y si no escusalle y que se abisasse a Vuestra Magestad lo que se havia respondido al governador dei Brasil en lo que toca a la ciudadela y a la qualidad de los arbítrios, que proponia para esta causa. Este fuerte se mando hazer consultandose primero a Vuestra Magestad por el Consejo, y una junta de ministros del y dei Estado, haviendose visto las plantas y deseno del, y que hera importantís- simo para assegurar el surgidero y deffender la desembarcacion al enemigo, y assi se ha encargado mucho al governador hazelle accabar con brevedad. Enquanto a la ciudadela no se ha respondido hasta agora al governador por haverse mandado ver y consultar lo que toca a este punto por el Consejo de Estado y los governadores dei reino, y los médios que propuso para haverse el dinero necessário son de las im- posiciones y avarias que se tienen applicado al fuerte de la Bahia y a las demas fortificaciones de capitanias particulares y que se reformen algunas companias de los presidios de la Bahia, y Per- 5 00
nambuco que dize son de poco effetto y se empleen aquellas plaças en la obra, a lo qual el Consejo entendio que no convenia differir en tiempo que tanto se teme que el enemigo cometta aquel Estado y assi se advirtio luego al governador y que tubiesse lleno el numero de las companias y en ellas gente de servido, y residente en las fortalezas. Rubricas ilegíveis [275 v.] La Junta de Armadas buelve Ia inclusa consulta dei Consejo de Portugal y dize lo que le parece podria hazer su armada para asegurar el paso a las naos que se esperan de la índia. M. Aroztegui 140. [276] Fio tanto de la merse que Vuestra Ex.01® me ase que no abia menester dalle satisfasion do lo mal que le an informado dei discuido de mi padre i para que bea Vuestra Ex.01* i de a entender al rei la perda deste caso le embio este papel. I suplico a Vuestra Ex.01* se le lea a Su Magestad que instruía mucho que naide pudiese jusgar a mi padre tan olbidado de las obli- gaciones que tiene a su sirbicio. Guarde Dios a Vuestra Ex.cl* como deseo. De la posada domingo. Dona Maria Cutino 141. [227] En el papel que ha dado Dona Maria Coutiho sobre el suceso dei Conde de La Vidiguiera su padre Don Agustin Messia el Marques de Montes Claros y Don Fernando Giron han visto este papel y dicen que lo que votaron fue por la carta y relacion originales que el mismo Conde de la Vidi- gueira escribio y embio y por la consulta dei Conssejo de Portugal, y que aviendo visto esta relacion de la parte no les parece que da motivos. Ay nobas dei parecer que dieron y assi persisten en el y tienen por conveniente y necessária cosa al servido de Su Magestad en casos semejantes la demostracion. Madrid 26 de Julio 1623. Rubrica ilegível El parecer, que dieron primero, que fue que convenia llamar al Conde de la Bidigueyra y que en las naos de Março vaya per- sona, con autoridad y comisiones bastantes para averiguar Io que paso y titulo de governador de la India, que exerça en llegando, y si por la informacion contase mas culpa contra »1 Conde de la
Vidigueyra se hara en veniendo, mas demostracion. Y que el dicho governador lleve facultad para premiar los que procedieron bien y castigar culpados eceto el virrey pero que esto no se les respondiesse por entonces al Consejo hasta que Su Magestad huviesse elegido la persona, y assi a la consulta no se respondio mas de que quedaba Su Magestad pensando en lo que se avia de hazer. 142. [278] Pasando el Conde de Villegueira (sic) la Ysla de San Lorenço con tres naves y un galeon, y navegando para Moçambi- que, estando ya casi a bista de la costa, en 22 de Jullio de 622 se descubrieron al quarto de prima, cinco nabes de olandeses. Una fue reconociendo a las del conde, y en 23 acometio la capitana a la del conde, y las quatro a las dos noves trahiam los enemigos muy reforçada artilleria de modo que se allaron en la capitana del conde balas de 28 y mas libras y barras de hierro de mas de arroba. La capitana enemiga, dio a la dei conde muchas rociadas, aquel dia, con 48 pieças de artilleria que trahia con que mato tres hombres, y hirio muchos y maltrato las belas y jardas ayudandola a beces su almiranta, la capitana dei conde les tiro este dia 183 tiros y mas con que les hiço tanto dano que no osavan llegar los nabics pequenos. Las dos naves Sant Joseph almiranta, y San Carlos pelearon las quatro muy bien toda la manana y a la tarde sintiendo los ene- migos menos fuerça en Sant Joseph por llevar mucha gente enferma y el capitan con frenesias y porque le avian muerto el piloto, sota- piloto, condestable y otra mucha gente cargaron las quatro nabes sobre ella, y dandoie mucha carga le mataron mas gente, rompie- ron las belas y jardas y casi quebraron el mastil grande, de modo que ni avia oficiales que mareasen la nave, ni quien respcndiese con tiros, y por esta causa, bolto a tierra que estava a vista de los bajos de Muxincale. Viendo esto el conde bolto con su capitana sobre ella y San Carlos disparando en su defensa, como havian hecho otras veces en este dia procurando que mareando las belas, se metiese entre las dos o pasase adelante, mas el enemigo como vio que nuestra almiranta se yba a tierra, y que Ia capitana dei conde boltava sobre ella, se fue apartando y el conde aviso con el galeon a su almiranta que no la avia de desamparar y que marease las belas y le siguiese y el galeon bolvio ya de noche diciendo que nuestra almiranta no podia hacer biaje, por no tener piloto, ni condestable, ni belas, ni casi arbol, ni quien supiese tirar la artilleria, y que por estas cau- sas yban a encallar. Mando el conde que la siguiesen, porque ya estavan los ene- migos retirados remediando el dano que havian recivido, mas porque cerca de la tierra y cerca de los vajos, y las corrientes eran grandes y el biento blando no pudieron seguir la nave, ni paynar, ni ancorar 502
y asi fue necesario que nuestra Almiranta quedando atras con el conde se fuesen para Moçambique siguiendole los enemigos toda la noche, los quales por la manana acometieron nuestras dos naves con mayor furia. Ordeno el conde, que el galeon fuese delante y la nave San Carlos, y el se quedo atras con su nave, para poder ayudarles y reci- vir la carga de los enemigos porque temian mucho la artilleria de nuestra capitana fue la bateria muy recia de parte a parte y en medio delia se atravasou la nave San Carlos para mejor tirar la artilleria, aunque fue dando por popa a la capitana, la qual amayno esperan- dola, y luego cargaron sobre ella, los quatro navios enemigos, atra- vessando uno dellos el mas ligero en medio para que no fuese ayudado de nuestra capitana, mas defendiose balientemente ayudada de nuestra capitana.Duro la pelea hasta la noche cerrada en la qual les tiro nuestra capitana [278 v.] mas de 220 balas y muchas à bista de ojos les hicieron grande dano pasando algunas delias, sus nabes de parte a parte, todo lo qual remediaron, como pudieron, ccn las minas de plomo en la ultima ruciada, dio una bala, de recudida, en el capitan de San Carlos , Don Francisco Lobo, de la qual murio, tres dias despues de llegar a tierra. A boca de noche, se retiraron los enemigos maltratados de nuestros balaços que fueron muchos asi de nuestra capitana, como de San Carlos, y el conde se fue entrando en la barra de Moçam- bique deseando embiar en la misma noche, y en el dia siguiente socorro a su almiranta e o traer la gente, o hacienda, y plata que pudiesen, antes que alia fuesen los enemigos. Havian entrado, pilo- tos de la tierra, en las naves para que entrasen siguros, mas por las grandes corrientes o por descuido de los pilotos o por pecados encallo la capitana con grande grita aviendo pasado el galeon que benia atras Sant Carlos, sin capitan, y por mas senales que le hiço la capitana apagando el farol tirando una pieça enbiando un batel y gritando que se detubiese bino a caer en el mismo bajo. Luego cortaron el arbol mayor y con toda prisa se saco toda la plata del rey, y de partes en aquella misma noche, y otras haciendas. El dia siguiente, nado la nave San Carlos y aunque sin leme, entro hasta la fortaleça adonde torno a encallar, y assi fue fácil sacar delia todo hasta el artilleria. El enemigo bolto en la misma noche de 24 de Jullio, buscando nuestra almiranta, la qual avia encallado en los bajos de Moringale, a vista de tierra, y aunque tubo dos noches y un dia para poder desembarcar la gente y dinero como llevava el batel destroçado gasto mucho tiempo en adereçarle mas salvaronse, 68.000 cruzados, del rey y otra plata de partes y algunas 124 personas de toda suerte, y el capitan Don Francisco muy enfermo, y los trujeren los nabios que embio el conde en dos camincs. Yendo a traermos llego el ene- migo y con sus lanchas tomaron los que quedavan, para trocarlos en la índia con otros suyos y la nave se fue abriendo y ellos se bol- 503
vieron a poner en la boca de la barra de Moçambique, y despues se fueron rehacer a las Yslas de Comoto por yr muy Uenos de plan- chas de piorno, y dando a la bonba. .Este fue el caso contado por un padre de la Compania muy platico en la mar que yba en la capi- tana dei conde. Conforme a esta relacion, nayde puede condenar al conde, con raçon y sollo devíamos llorar las causas porque Dios nos castigo, en esta ocasion, porque aquellas nabes pelearon con los enemigos aquellos dos dias con mucho valor y solo la capitana, les tiro 180 tiros en un dia y en el otro 220 y ccn tal suceso que passo las naves de los enemigos de parte a parte muchas veces. Lo qual bastava para hundirlos, si ellos no fueran tan diestros en repararse. Bolvio la misma capitana sobre sus nabes para defenderles, quedose atras delias, para recivir los tiros de los enemigos, aviso a su almiranta con el galeon que no la desampararia diole orden para que le siguiese, y no hacerlo fue por no tener piloto, ni sota piloto, ni con- destable [279] ni belas ni jarcia, ni gente por benir enferma y morir en la pelea, y sin capitan por benir frenético de las calenturas. Que- darse con ella, no era posible, ni cordura per las corrientes que lleva- ria en su nave y la de San Carlos los mismos vajos y eran tales las corrientes que no pude pairar ni ancorar, y assi fue mejor salvar las dos nabes y galeon que quedavan a la entrada dei puerto de noche. No tubo culpa porque lo hiço por parecer de los pilotos de la tierra, a los quales devia dar credito para que no le pudiesen des- pues decir que se perdia por su cabeça, no creyendo a los peritos en el arte y hiçolo para socorrer aquella noche, y en la maiiana siguiente a su almiranta que quedava encallada, temiendo con raçon que los enemigos diesen buelta sobre ella como dieron y por la prisa, que se dio el conde, pudo traer ciento y veinte y una personas y el capitan enfermo y 680.000 cruzados del rey y otro dinero de partes. Todo esto se perdiera si el conde tardara en entrar y en llegar a Moçambique, y tanto que bolviendo tercera vez, ya los enemigos se avian apoderado desto poco que quedo en la nave, y como ella se abrio luego ni el conde sacara lo que saco no acudiendo ccn la bre^ vedad dicha, y todo lo que saco delia se deve a su diligencia. Para que la nave San Carlos no encallase, que mas pudo hacer el conde que apagar el farol, tirar una pieça y dar las otras senales dichas para advertirle del vajo en que su capitana avia encallado, circunstancias son estas que abenan mucho al conde, y quien las considerare sin pasion, no le condenara antes le alabara y esto juz- garon las personas platicas que se hallaron presentes a este suceso. 143. [281] Portugal — 9 de Junio 1623 Que de Portugal avisan que (como esta resuelto) conviene que la armada de aquella corona con los quatro galeones vaya a las islãs 504
a recivir lo que se espera de la India, y que aviendose trattado dello en Consejo de Portugal fueron de parecer (1), que se haga assi, aviendo andado hasta 24 deste en el paraje de las Berlingas. Pero que si faltasen los quatro galeones, algunos delos dei Consejo fueron de parecer, que no saliesse la armada por el peligro.y otros que saliesse a guardar las costas. Y el Conde de Faro, fue de parecer, que aunque se junten los 4 nabios no vaya la armada a las islãs sino que guarde las costas. Los governadores son de parecer, que la armada con los 4 galeones vaya a las islãs y mientras llegan los dichos quatro [281 v.] galeones, este prevenida para acudir adonde fuere menester. El Consejo dize que han avisado a los governadores, que iran los quatro galeones y que con ellos anda la armada en el paraje de las Verlingas. Pero porque la armada sin los 4 galeones no puede ser de probecho, antes correria peligro y lo que se ha gastado en el apresto de la dicha armada se perderia, deve Vuestra Magestad mandar, que luego vayan los dichos 4 galeones. Remitiose (2) esta consulta a la Junta de Armadas y dize que las naos de la índia siempre vienen por Agosto o Setiembre y para entonces estan los moros recogidos y no ay aviso de armada de olan- deses, y assi se podria escusar el ir la armada a las Terceras. Y el punto fijo donde los enemigos los aguardan es en la Costa de Espana y que assi esta armada debria andar corriendo desde el Cabo de Espichel hasta las Verlingas y alguna [282] vez (con- forme a los avisos) alargarse a las Islas de Vayona. Que para los quatro galeones que ha de dar Don Fadrique, se le ha dado prisa y mandandolo Vuestra Magestad se le bolvera a escrivir. 144. [283] Senor En el Consejo se ha visto, como Vuestra Magestad fue servido de mandar, la consulta ynclusa dei de Portugal que trata de los avisos que ha ávido de la Yndia y el estado en que quedavan las cosas delia y se boto como se sigue. El Duque de Infantado — Que ha muchos dias que las cosas de la Yndia van muy de cayda. Y lo que vee es que no biene ya de alia una libra de pimienta que no salga por mas de lo que aca i1) A margem — Junta de Armadas. Parece que en llegando los 4 galeones de la armada del Occeano, que ha mandado juntar a la de Portugal, podran salir juntos a correr desde el Cabo de Espichel a las Berlengas, y islãs de Bayona mientras llega tiempo de ir a esperar las nabes que se esperan. (2) A margem — 13 de Junio de 1623. 505
vale, y que todo es guerras ceviles unos con otros y el rompimiento que el Consejo de Portugal diz con las yslas de Olanda el mismo Consejo lo procure entonces y assi parece al duque que para quando se tratase algun dia de las cosas de las yslas, se podria guardar esta consulta. Don Pedro de Toledo— Que para romper la tregua con Olanda la mayor ynstancia fue la del Ccnsejo de Portugal fundandolo en que no divirtiendo las yslas por tierra, quedavan libres y enteras para acudir con todo a la Yndia. El virrey que fue llevo cinco (o seis) naves y las tres llegaron porque se tuvieron a la mar. Y si el con las otras se perdiera en ella fuera buen subceso [283 v.] comparado ccn quan mal ha sido perdiendose tierra siguien- dole el enemigo con cinco vaxe[les] que a uno solo de la Yndia no osavam acometer. Que la negociacion que piden con Inglaterra [la] tiene por dificultosa, pues aquel rey y olande[ses] tienen la Yndia per comun de todos y en ella [ya] tienen mas que nosotros. Lo que Vuestra Magestad ha sido servido de resolver empeçar a executar enviando seis y ocho navios que es casi al doble de los que solian y juzga Don Pedro que continuandolo [es] todo lo que se puede hazer. Que las consultas que sobre esto se han hecho y Vuestra Magestad ha resue[lto] conviene que tengan efecto enviando personas [par]ticulares soldados viejos hazer fun- dir arte[lle]ria fabricar navios, y que creciendo la armafda] de Philipinas, como el Marques de Montes Claros lo voto entonces, se comunique con las de portugueses y se haga un cuerpo. Sera muy bastante da para nosotros y causa para que los enemigos no crezcan faltandoles el trato de las Mal [ucas] con que oy pacifi- camente lo gozan. Y que [las] armadas de aca crecidas partan con tiempo y se pongan en execucicn los advitrios que entonces se pro- pusieron, pues de su parte en [Italia] el Duque de Pastrana va solici- tando [lo que] se le ordeno que hiciese enquanto al clero y por el camino que aquello crecio enviando cada ... [284] doze y diez y seis navios como lo acostumbravan es la forma como agora se ha de mantener y bolver a cobrar lo perdido. Y que el virrey sea sol- dado y por aver visto servir al Marques de Villa Real en Zeuta con valentia y cordura y ser Cavallero de seguito y amigos, juzga, que seria alli muy a proposito. Don Agustin Messia — Que tres cosas son las que el Consejo de Portugal propone a Vuestra Magestad en esta consulta, que haga pazes o tréguas con olandeses, o que de los ingleses o olan- deses que andan en la Yndia, con una destas dos naciones se con- derte Vuestra Magestad y que se trate esto en los casamientos con Ynglaterra. de creer es, que quando se començare a tratar de las cosas temporales que sera esta una de las primeras como lo tiene 506
mandado Vuestra Magestad y en esto se podria hazer instancia, para que se tome el medio conviniente. El tercero es que Vuestra Magestad haga una armada de manera que pueda subjetar a la de los enemigos, y en esto parece a D. Agustin que ya que esto no pueda ser por la necesidad que representa aquel reyno a lo menos sera bien que hagan lo que pudiere, porque por poco que sea el socorro sera de consideracion llegado alia. En las de las tréguas de Flandes no ay que hablar, pues Vuestra Magestad, tiene tomada resolucion de lo que se ha de hazer. El Marques de La Laguna — Que en los dos puntos primeros que ha dicho Don Agustin Messia se conforma con el, y en lo demas con Don Pedro de Toledo. El Marques de Aytona — Que para las cosas de la Yndia los dos primeros médios [le] parecen y hazer concierto con los yngle- ses quando se trate de las capitulaciones dei matrimonio como ha dicho Don Pedro de Toledo. El Marques de Montes Claros — Que ... de los puntos princi- pals que por consulta desto Consejo ha mandado Vuestra Mages- tad que se traten por los [co]misarios nombrados para las cosas temporales dei matrimonio con Ynglaterra es el ccmponfer] con aquella corona la navegacion y cosas de la Yndia. Y assi esta empe- çado a poner en platica, enquanto a las pazes o tréguas con Olanda en caso que convengan, ningun medio ay mas a proposito para con- seguirias que no proponerlas por parte de Vuestra Magestad y que sepan que no se han de admitir sino debajo de condiciones decentes y autoriçadas. Enquanto a lo demas que dice el Consejo de Portugal cerca dei socorro de la Yndia tiene por conviniente que Vuestra Mages- tad mande se apareje con toda priesa la armada de galeones que ha de yr con las naves de la Yndia deste ano, cuyo apresto ha encomendado Vuestra Magestad al Conde de Portalegre para que con efecto vayan [con] todo el armamiento pertrechos y socorro que les llevan (?). [285] Don Diogo de Ibarra — Que los danos mas esenciales que ha recivido la Yndia de los olandeses ha sido en los anos pasados de la trégua y la principal causa entre otras de no continuaria entien- de que ha sido esto. Y que la razon de verse los benefícios de la guer- ra no puede aver llegado en los princípios delia pues por razon los enemigos han de aver hecho los mayores esfuerzos que pudieren y aprestandoles adelante la guerra que Vuestra Magestad les hace no han de poder continuarlo, pues es evidente que apretados de los 507
exércitos de Vuestra Magestad el caudal para acudir a entrambas cosas no puede dexar de disminuyrse de manera que falte a una delias. Y siendo lo principal para ello su conservacion han de afloxar en conquista tan lejos y de grandíssima costa, y assi para lo mismo que toca al beneficio dei Reyno de Portugal, entiende que Vues- tra Magestad no puede mandar ninguna cosa tan util como conti- nuar la guerra con las yslas, ccmo tan prudentemente lo tiene resuelto, y los remédios para el socorro de la Yndia que ha dicho Don Pedro de Toledo en su voto, le parecen los mas a proposito que se podian escojer y que lo que se ha de negociar por medio del casamiento con Ynglaterra lo tiene Vuestra Magestad puesto [285 v.] en manos de quien es. Miraron por este punto como de los mas principales. Vuestra Magestad lo mandara ver y proveer lo que mas a su servicio convenga. En Madrid, a 23 de Octubre de 1623. Rubricas dos conselheiros [286 v.] El Conssejo de Estado a 23 de Octubre 1623. Ynclusa una consulta dei Conssejo de Portugal que trata dei estado en que se hallan las cosas de la Yndia y lo que conviene tratar dei remé- dio delias. 145. [287] Portugal — 29 de Setiembre 1623 Dan quenta a Vuestra Magestad de los avisos que ha ávido dei Conde de la Vidigueyra virrey de la India, que en sustancia ? son, que llego a Goa, que estaban sobre Goa naos de enemigos de Europa, que impedian la salida de la nao Sant Teme que estava cargada. (') Que en la Costa dei Norte se juntaron mas de 20 naos de olan- deses y ingleses, que hazion juntos la guerra y se dezia que iban a Moçambique, a esperar las naos dei viaje y acometer aquella for- taleza o hazer alli cerca otra. Que los reys naturales estavan quietos pero avia poco que fiar viendo al enemigo poderoso. Que en el Rio de Goa hallo tres galeones hechos alli, dos que fueron de Portugal y el uno con artilleria 35 nabios de remo, y otros (1) A margem — A Los 3 d'Estado. Esfuercese el socorro dei ano que viene, y he mandado que los comisarios de los capítulos ? temporales dei casamiento de Ynglaterra continuen la platica començada. 508
inutiles, 3 galeras desapaxejadas, los magacenes vacios, las [287 v.] fortalezas danificadas, el tesoro sin dinero y todo en trabajos estaba. Que el remedio es asentar pazes con olandeses, aunque sea con permision de que embien algunas naos a la India a los puertos de Vuestra Magestad. Que procuraria cumplir alia con su obligacion. El Consejo representa el trabajosso estado de la India, lo que conviene acudir al remedio, por que no se pierda, y perdido aquello corra peligro lo demas. Que los médios de la guerra contra enemigos tan poderosos no seran bastantes. Acuerda lo que otras vezes ha propuesto de que se tome algun buen asiento con ingleses, con ocasion destos casamientos de que no ha tenido el Consejo respuesta. Que tambien conviene tomar algun asiento con Oianda, pues cada dia se imposibilita mas el buen succeso de la guerra. El Duque de Villa Hermosa dize que como se ha consultado otras vezes a Vuestra Magestad [288] sera imposible, vencer a olan- deses y ingleses juntos por mas esfuerço que se haga, y que assi conviene acomodarse, con una de las naciones, porque con su ajuda se heche la otra, y que conviene ante todas cosas asentar este punto y todo el Consejo haze a Vuestra Magestad este recuerdo. Remitiose () al Consejo de Estado y votan en el: El Duque dei Infantado—Que el rompimiento con Olanda el mismo Consejo lo procure y que se podria guardar esta consulta para quando se tratte de las cosas de Olanda. Don Pedro de Toledo — Que lo que convene es executar lo que esta resuelto en esto, y que se junten armadas de Philipinas y la India y que estas sean crecidas, valiendose de los arbítrios dados. Y embiar virrey de valor y que a Vuestra Magestad de Villa Real vio servir con valentia y cordura en Ceuta y seria a proposito en la índia. Dcn Agustin Messia — Que se tratta de conformarse con ingle- ses que en una de las cosas que aqui se proponen, y que conviene hazer todo el esfuerço posible para que vaya gran socorro. Marnues de La Laguna — En lo primero se conforma con Don Agustin Messia y asi lo que toca a armadas con Don Pedro de Toledo. (!) A margem — 23 de Octubre. 509
Marques de Aytona — Se conforma con Don Pedro de Toledo. [28 v.] Marques de Montes Claros — Que con ingleses esta empeçado a tratar esta platica. Con olandeses no conviene que se de prisa a que vaya la armada y toca (?) que esta resuelta. Don Diego de Ibarra — Que la guerra con olandeses aprobecha para que no se alejen tanto. Que la composicion con ingleses esta en buenas manos quanto a embiar socorro se conforma con Don Pedro de Toledo. Remitiose a los 3 de Estado pareceles se esfuerce el socorro que ha de ir con las naos el ano que viene y que lcs comisarios de los capítulos temporales en el casamiento de Inglaterra continuen la platica començada en estos y que unos papeies que se empeçaran a hazer y una junta que se hazia en la posada dei Marques de Mon- tes Claros en esta materia se vean en Consejo de Estado o donde Vuestra Magestad mandare. (J) 146. [289] En la conssulta dei Conssejo de Portugal con otra dei Estado que tratan dei estado en que se hallan las coseis de la Yndia y el remedio que conviene poner a ellas. A Don Agustin Messia el Marques de Montes Claros y Don Fernando Giron parece que se esfuerze el effeto de inviar el socorro de galeones que a de yr el ano que viene con las naos dei despacho ordinário, y los comisarios nombrados para las capitulaciones tem- porales dei matrimonio de la Senora Infante con Inglaterra con tinuen la platica comenzada cerca de la navegacion de la Yndia de los ingleses. Y que seria bien que Su Magestad mandase que unos papeies que se comenzaron a hacer en una junta que se hacia en casa dei Marques de Montes Claros sobre que la armada que se pudiese hacer en Filipinas y la que huviere en la Yndia de Por- tugal se agreguen para los effetos de limpiar aquella mar de los enemigos que andan en ella y tienen hecho pie en algunas partes de tierra se bean en el Conssejo de Estado o en la parte que Su Mages- tad fuere servido y se tome resolucion. Madrid 6 de Noviembre 1623. Rubrica ilegível (l) A margem — Orden para esto. 510
147. [290] Senor En el Conssejo se ha visto como Vuestra Magestad fue ser- vido de mandarlo la consulta ynclusa del de Portugal que trata del socorro que se Ha de embiar a la India. Y se voto como si sigue. El Duque del Infantado — Que se conforma con lo que pareze al Marques de Castel Rodrigo y los governadores y el Conde Don Diego da Silva que cassi se conforman, porque tiene por ymposible que lo que estava acordado para Septiembre pueda por entonzes. Y assi le pareze que sea por Hebrero. Don Agustin Messia — Que vee que el Conssejo de Estado de Portugal y los governadores y el Conde Don Diego todos bienen a conformarse en que no parta el socorro de Septiembre y la mayor parte del Conssejo de Portugal de aqui es de parezer que bayan los ocho galeones y dos pataches que estan mandados. Y por bien tubiera que si esto pudiera ser fuera buena resolucicn, pêro por dos cosas le pareze que no puede Ilegar a efecto, por el poco tiempo [290 v.] que ay de aqui alia y lo mucho que ay que hazer y la falta de dinero y artilleria. La otra es que quando Vuestra Magestad mande a los gover- nadores y a Don Diego de Silva y al Conssejo de Estado que pre- [ven]gan este socorro como ellos no sen deste parezer tiene por cierto que no pondran ... calor y diligencia como si fuera el de [su] parezer. Pero con todo eso el de Don Agustin seria se de priesa al socorro de Septiembre porque quando este no llegaTse] a efecto serbiria de estar muy adelanftado] para Hebrero. Y quando se determ'nar que aya de partir algo para Septiembre se [con]forma con el Pressidente y el Marques de Castel Rodrigo en que sean quatro galeones y que bayan bien armados. [Que] lo de los marineros y pilotos que ... de Flandes, los marineros tienelo [por] ymposible por la falta que tambien ay dellos alia, pêro se podria escrivir a la Senora Infante que mande se bus- quen algunos pilotos que los abra y los embie. El Marques de La Laguna — Se [con]forma con el Duque de Villa Hermosa y el Marques de Castel Rodrigo y ... sean quatro galeones los de Septiembre dize Don Agustin Messia y aunque quatro teme que no han de estar aparejados [291] a tiempo porque el arbítrio que dan para el dinero se pone dificultad y el assi mismo la pone en la gente, porque con no haver la priesa que aora se offreze quando Su Magestad que aya gloria estubo en Lisboa para los baxeles de la armada de la Yndia aquel ano andavan prendiendola por fuerza, y llevavan muy ruyn gente. Y que se encomiende al Conde Don Diego que haga todo lo que pudiere para que estos quatro galeones se apercivan y assi mismo a los governadores. 511
El Marques de Aytona — Se conforma con el Duque de Villa Hermosa y el Marques de Castel Rodrigo y con los demas que son de aquel parezer, porque como ellos dizen es bien que no baya todo junto. Y es bien que aora en Septiembre baya algo y quando aya dificultad en "estar aparejados los navios que an de yr aora en este casso dejaran de yr porque no se puede y no porque no convenga. El Marques de Montes Claros — Que aunque las cosas de la India a su entender han mejorado estado y se tiene por cierto la nueva de haverse recuperado Ormuz, seria [291 v.] de grandíssima ymportancia esforzar[se] la armada de Vuestra Magestad en aquel- las partes porque no siendo como espera, no sera menester ... todo lo que llaman los portugueses Yndia dei Norte. Supuesto que los enemigos de consideracion que alii ay son ingleses se podran emplear todas las fuerzas en la parte que llaman dei Sur juntas con la que Vuestra Magestad tiene en Philipinas y hazer grandíssimos efectos desalojando los olandeses que [alia] tienen factores y fortalezas. Con todo esto se puede obligar a lo ymposible y segun [la] relacion de los governadores de Portugal del Conssejo que alli asiste y dei Conde Don Diego de Silva, biene a ser dificultosissimo ... poner las dos armadas que estava acordado se hiziesen una para partir en la mcncion de Septiembre y otra en la de Marzo y [por]~ que siempre (de su parezer) el apresto de [la] de Septiembre se avia de hazer con animo de ... apretando la necessidad con nueva de la índia fuese preciso aventurar el riesgo de par[tir] la armada por Septiembre y no obligando a estos avisos de la índia, este socorro prever ... se juntase con el de Marzo es sup... que oy se haga assi y que se avise a los governadores y al Conde Don Diego de Silva que disponga desde luego seys galeones y que los governadores y el dicho Don Diego aparejen al mismo tiempo três naos de la carrera [292] ordinária para que todo parta por Hebrero. Y en este tiempo se funda artilleria y se provea y junte bastimentos y municiones, valiendose para ello dei dinero mas prompto de todos los arbítrios como es del servicio del reyno que el conde dize llegara a tiempo para el socorro de Hebrero y assi mismo las condenacio- nes dei auto de Coymbra y que ayndandose los governadores y Don Diego lo disponga todo, teniendo per orden precisa que en fin de Hebrero ayan de salir los dichos seys galeones y três naves con los caudales ordinários que suelen llevar y el dinero estraordinario que los governadores dizen. Don Diego de Ibarra — Se conforma con el parezer de Mendo da Mota y con el dei Duque de Villa Hermosa que le pareze lo mismo y con la parte dei voto dei Marques de Castel Rodrigo que no contradijere a los dos, con quien se conforma, y es deste parezer, juzgando que el esfuerzo que se hiziere en prevenir el socorro de Septiembre, quando no sirva para que vaya en ese tiempo, servira 512
para que mas promptamente pueda yr el de Marzo pues ninguna cossa de todas [292 v.] las que se proveen pueden dejar de ser- vir para eso sino es lo que fueren vitua[las] que facilmente se pue- den sin perdida reno[var]. Don Fernando Giron — Que la índia se halla en miserable esta- do y cerca de acavarse de perder. Y para el remedio deste dano y procurar recobrar a Ormuz conviene hazer un socorro que sea tal que se pueda esperar mucha parte dei remedio de la India, y assi le pareze que en la moncion de Marzo se embien seys galeones y dos pataches bien puestos de gente de mar y guerra y de artilleria que [van] con este socorro y con los galeones y marineros que los gover- nadores de Portugal dizen que ay en la índia porque se pueden esperar que haran muy buenos efectos. Y para todos conviene que con mucha brevedad se compre cobre y funda artileria pues en todas partes ay tanta falta y necessidad delia y en las [otras] naves que el Marques de Montes Claros dize que se embien se conforma con su parezer. El Conde de Gondomar — Que [los] mas platicos desta nave- gacion y los [mas] ynteresados en el acierto delia son los [que] estan en Lisboa, y embian de alli [sus] [293] parezeres en esta consulta. Y en esta se conforman cassi todos en que lo mas conviniente deste socorro sera por fin de Hebrero principio de Marzo. Y dan por razon que partiendo por este tiempo llegara a la índia antes y mas entero que el que partiere antes por Septiembre por haver de ymber- nar antes de llegar por falta de los vientos de la moncion. Y en esto se desaria y detendria mas que el socorro que con la moncion de Hebrero partiese de Lisboa y hiziese su viaje derecho a Goa sin parar y assi le pareze que para Marzo esten prevenidos los seys navios y dos pataches como dize el Marques de Montes Claros. Vuestra Magestad mandara lo que mas fuere servido. En Madrid a 21 de Junio 1623. Rubricas dos membros do Conselho [293 v.] Consejo de Estado 21 de Junio 1623 Con una consulta dei Conssejo de Portugal que trata dei socorro que se ha de embiar a la índia. Rubrica ilegível 513 33
148. [296] Portugal — 2 de Setiembre 1624 Embian una carta (*) que en 3 de Agosto escrivio Enrique Sinel, flamenco que reside en Oporto. En que avisa los intentos de olandeses, en la toma de la Vahia, la mucha riqueza que alli tomaron, que tendran sus inteligências con los de la nacion hebrea y que conviene embiar luego grande armada al socorro. Al Consejo ha parecido embiarlo a Vuestra Magestad por ser de persona inteligente y de bueno zelo. Y que se le ha agradecido este aviso, y que continue el avisar de lo que fuere entendiendo. [297] Esta bien lo que se ha escripto a Enrique Sinel. 149. [298] Senor Como Vuestra Magestad lo mando se ha visto en el Consejo la consulta inclusa dei de Portugal con el aviso que con ella embio que avia remitido a aquel Consejo Henrique Sinel sobre la perdida de la Bahia dei Brasil a que ayudaran los christianos nuevos y lo que ymporta tratar de su remedio. Y el Consejo se conforma con el de Portugal en que se ayan dado las gracias a Henrique Sinel estimando su aviso y en que se le diga continua el avisar de lo demas que llegare a sua noticia. Don Fernando Giron anadio que se pregunte al Conssejo de Portugal el medio y forma que podria haver para remediar los danos que apunta Sinel en su carta tocante a los de la nacion hebrea. Vuestra Magestad mandara lo que mas fuere servido. En Madrid a 29 de Septiembre de 1624. Rubricas dos Conselheiros 150. [299] Portugal — 12 de Octubre 1624 Haviendo visto el ultimo aviso de Flandes de que olandeses aprestaban 40 vaxeles para socorrer a los suyos dei Brasil y la con- (r) A margem — Consejo Estado. Ha la visto y se conforma ccn Ia consulta, en que se ayan dado las gradas a Enrique Sinel estimando su aviso y en que se diga continue el avisar de Ia demas que llegare a su noticia. Don Francisco Giron que se pregunte al Consejo de Portugal el medio que podya haver para remediar dos daffos que apunta Sinel tocante a los de la nacion hebrea. 514
sulta inclusa del Consejo d'Estado de Portugal, en que se apuntan inconvenientes de que no vayan juntas las dos armadas. Dize el Consejo su parecer. 4 de Setiembre (?) P.'° y Don Diego Messia [300] Bien se conoce y ha conocido de quanta importância seria juntar las fuerças de las dos armadas de Castilla y Portugal para este socorro y defensa, pêro nada importa tanto como la breve- dad en el despacho pues por las mismas relaciones y avisos que se han tenido por la Corona de Portugal consta que los enemigos en la Bahia se hallan con mucho menores fuerças que las que pudieron yr en cada una de las armadas a solas. Y como en todas las con- sultas que me embia ese Consejo (sin embargo de que offrece y asegura la priesa y cuydado con que se procede en este despacho y yo lo creo assi) no seiíala dia cierto en que estara aprestado no puedo yo aventurar el suceso de la jornada deteniendo a Don Fadri- que (sin embargo de lo qual se embio orden para que a postrero deste mes de Octubre salga del puerto y se corresponda con los governadores para saver el dia de la partencia de la armada de aquel reyno que la ha de salir a recivir al Cabo de Sant Vicente) porque entrar Don Fadrique en Lisboa seria perder mucho tiempo para ambas armadas. En esta conformidad se escriba luego con correo propio yente y viniente a toda diligencia a los governadores [330 v.] encargandoles que para este tiempo salga a la mar la armada de aquella corona y que si no fuere posible sacar tudo lo que piensan prevenir salga lo que estuviere aviado para este tiempo porque no ha de haber una hora de dilacion. Y que en este negocio como tan importante fio que haran lo que siempre, cumpliendo con las obligaciones a mi servicio y con el propio correo avisen al dicho plazo y con que gente de mar y guerra bastimentos y municiones, que yo espero por instantes esta relacion. 151. [301En la conssulta del Conssejo de Portugal de 12 de Octubre sobre aver visto el aviso que invio el senor Don Andre de Prada al Conssejo sobre el socorro de 40 vajeles que se aprestava en Olanda para el Brasil y la declaracion que en Lisboa se ha tomado a un mari- nero olandes que se hallo con la armada de Olanda quando tomo la Vahya y lo que parece al Conssejo Don Agustin Messia, el Marques de Montes Claros y Don Diego Messia son de parecer que Su Magestad diga que se conoze y a conocido la importância de que seria juntar las fuerzas de las 515
dos armadas de Castilla y Portugal para este socorro y defensa pero que nada importa tanto como la brebedad en este despacho pues por las mismas relaciones y avisos que se han tenido por la Corona de Portugal consta que los enemigos en la Vahia se hallan con mucho menores fuerzas que las que pudieran ir en cada una de las armadas a solas y que como en todas las conssultas que invia el Conssejo de Portugal a Su Magestad sin embargo de que se offrece e asegura la prisa y cuidado con que se procede en este despacho y Su Magestad lo cree. Asi no senalan dia cierto en que estara aprestado no puede Su Magestad aventurar el sucesso de la jornada deteniendo a Don Fadrique sin embargo de lo qual se le invia orden para que a postrero deste mes de Outubre salga del puerto y se cor- responda con los governadores para saver el dia de la partencia de la armada de Portugal que la ha de salir a recibir al Cabo de S. Vizente porque entrar Don Fadrique en Lisboa seria per- der mucho tiempo para ambas armadas. Y que en esta confor- midad escriba el Conssejo luego con correo propio yente y veniente en toda diligencia a los governadores encargandoles que para este tiempo salga a la mar [301 v.] la armada de aquella corona y que si no fuere posible sacar todo lo que piensan prevenir salga lo que estuviere aviado para este tiempo porque no ha de aver una hora de dilacion y que en este negocio como tan importante fia Su Mages- tad que haran lo que siempre cumpliendo con las obligaciones a su servicio. Y desde luego avisen que numero de navios podran sacar al dicho plazo y con que gente de mar y guerra bastimentos y muni- ciones, que Su Magestad espera por instantes esta relacion. Y que a Don Fadrique se escriba enquanto a Ia partencia en esta confcrmidad. Y pene en consideracion la junta a Su Magestad que aunque es verdad que de Flandes se tiene noticia que el enemigo yba dis- poniendo socorro y que partiria con brebedad, las relaciones desto son varias en las cantidades deste socorro que previenen, y se tiene por cierto que si huvieran partido a primero de Octubre (como se dize) Su Altesa de la Senora Infante lo huviera escrito con correo propio y declarado el numero de navios que havian salido para este effeto, y assi se puede presumir tenemos mas tiempo y menos que rezelar la cantidad de tantos navios: sin embargo de lo qual no es bien decille a Don Fadrique que dexe de aprestar los quatro navios que se le dijo que anidiese a los 20 porque en caso que por salir armada de Portugal a tiempo que pudiesse yr con la de Castilla pareciesse (como parece) que no seran menester los dichos quatro navios, es bien que esten aprestados para que Su Magestad se valga dellos para reparo destas costas, y de otros servicios. 516
[302] El Presidente de Flandes se conforma en todo con el parecer de los três de suso. Voto en su casa. Don Fernado Giron, no se hallo en la junta por enfermo y por lo mismo se escuso de verlo en su casa. Juan de Pedroso tanpoco se hallo en la junta por enfermedad violo en su casa y se conformo con el parecer de los tres. Con lo que enquanto a la consideracion que representan a Su Magestad en el ultimo capitulo dize ser ? otra consulta dei Conssejo de Guerra de 13 de Otubre que trata desta materia del despacho de Don Fadri- que y va con esto. Madrid 19 de Otubre 1624 Rubrica ilegível [302 v.] El Conssejo de Estado 27 de Setiembre 1624 Con una Consulta dei de Portugal que trata del aviso que embio Henrique Sinel de haver tenido parte los christianos nuevos de la perdida de la Bahia. 152. [305] Portugal—16 de Junio 1623 Aviendose visto en Portugal el succeso dei Conde de la Vidi- gueyra, dize el Consejo de Estado el mal estado en que esta la India y tambien el reyno. Y que supuesto que ay galeones en la índia el socorro de Setiembre se reduzga a las naos dei ano que viene que sean tres, y partan en Hebrero llevando tcdo el dinero y gente que fuere posible (') y que para esto deve Vuestra Mages- tad ayudar de la Corona de Castilla. Y un voto dize que aviendo de ir galeones sean dos y vayan con las naos y el Conde de Faro fue de parecer que todo se apli- que a las naos. Los governadores que se reduzga a las naos dei ano que viene que sean tres, y dos galeones que haran de costa 230 quentos 683 mil 650 reis y que vaya gente y 190.000 cruzados y que conviene avisar luego la resolucion y que si lo fuere de que por Setiembre (') A margem — Este suceso dei Conde de La Vidigueyra, ha atrasado mucho Ia reputacion y el parecer y assi me conformo en que el socorro parta por Hebrero, y que sea de seis galeones y dos pataches, pues parece que viene a ser cassi Imposible prevenirlo para Setiembre segun las dificultades que se repre- sentan. 517
vaya el socorro, conviene saver de donde se sacaran 33 quentos 400 mil reis que costara el artilleria para las naos y que no ignoran que si huviere caudal era conveniente el socorro. El Conde Don Diego de Silva, avisa que de todo [305 v.] el cobre que se espera quando llegue, solo se podran labrar 120 pie- zas que no bastan para armar 8 galeones, y dos pataches que esto que esta resuelto, y que por esto y otras consideraciones conviene se reduzgan a seis galeones y aun dificulta el despacho destos para Setiembre por la imposibilidad de la cobrança de los effetos, y la falta de artilleria y marineros y otras cosas, y que de lejos quiçá no se entenderan las dificultades. Que si huviere algun ministro que lo facilite se le encargue que el ayudase con el mismo cuydado que hasta agora. Tambien dizen los governadores, que deteniendose el socorro hasta Hebrero, de aqui alia se sabra mas el estado que tuvieren las cosas de la India las naos y caudal que viene delias y lo que se podra hazer con ello y representan los incombenientes muy por estenso de poder ir por Setiembre el socorro y de la resolucion que se tomare sera menester avisar por tierra. El Consejo Mendo de Mota, que conviene que vaya el socorro de Setiem- bre y el succeso dei Conde de la Bidigueyra [306] antes obliga a adelantarle que a atrasarle. Que si no huviere caudal para las naos, los galeones que se embiasen por Setiembre podran servir para todo pues son mejores para qualquiera cosa y si afirma en esto, aunque a los governadores, y Consejo de Estado parezca lo contrario. Don Antonio Pereyra, y Don Francisco de Bragança son del mismo parecer y que quando no se puedan vencer las dificultades se podran despues reduzir a menos porque agora no conviene. Y Don Antonio Pereyra anade que de Dunquerque se pueden traer 6 pilotos y 200 marineros de que ay gran falta. Marques de Castel Rodrigo, que viendo las dificultades le parece que se reduzga a 4 galeones el socorro, y lo demas se apli- que a las naos, que no conviene que falten per la reputacion y por que los enemigos no hechen de ver la falta y que tambien muchas de las cosas que se pedian de la India, quedaran alii con el suceso dei Conde de la Bidigueyra pues aunque se perdieron las naos quedo la artilleria y los marineros y que assi caso que se conforme con el parecer de los governadores tiene por mas conveniente, que se dexe todo el socorro para Março y de aqui alia lo que viniere de 518
la India [306 v.] y el estado de las cosas dira a lo que se podran alargar. El Duque de Villa Hermosa, que el succeso del Conde de la Bidigueyra obliga a que el socorro de Setiembre sea cierto y que assi conviene escrivir a los governadores y a Don Diego da Silva que en todo caso lo apresten. Y que quando no se pueda veneer, vayan por Setiembre 4 galeones, y los demas se prebengan para ir infaliblemente con las naos por Hebrero. Que al Duque de Pastrana se escrivã procure sacar el breve para el socorro de los eclesiásticos, y a los gover- nadores y Don Diego que procuren facilitar el dei reyno. Que quanto al procedimiento dei Conde de la Bidigueyra se deve recivir information. Remitiose (') al Consejo de Estado. Los votos son singula- res, pero conforman en que el socorro se apreste para poder ir fin de Hebrero o principio de Março como parece a los governadores. El Duque dei Infantado, dize que parta por fin de Hebrero o principio de Março. Don Agustin Messia, los Marqueses de La Laguna y Aytona, que por Hebrero pero que se escrivã que este prevenido para Março. El Marques de Montes Claros, Don Hernando Giron y Conde de Gondomar [307] que por fin de Hebrero se apresten seis galeo- nes y dos pataches para que vayan con las 3 naos de la índia. Don Diego de Ibarra, se conforma con Mendo de Mota y con el Marques de Castel Rodrigo en lo que no fuere contra Mendo, y que conviene dar prisa para Setiembre porque sea seguro por Hebrero. Don Fernando Giron anade que conviene que aya fundicion de artilleria. Don Agustin Messia, que marineros no se hallaran en Flan- des, pero que se podrian pedir pilotos. (J) A margem — 21 de Junlo. 519
153. Portugal—14 de Agosto 1624 Que por la mucha falta que escriven (*) los governadores que ay de navios en Portugal para el socorro que se ha de embiar al Brasil supplican a Vuestra Magestad mande que se les entregue los 4 nabios que por la Corona de Castilla estan embargados en el rio de Sacaven; porque sin ellos no se podran aprestar otros para embiar la gente que se lebanta y dizen los governadores que los nabios antes reciviran beneficio. El Consejo dize que conviene (2) entregar luego los dichos nabios y que se podria hazer, viendoles personas platicas nombra- das por ambas partes, por que a la buelta, se satisfasa de parte a parte los danos o mejorias que truxeren los nabios. Y que se les entregue con la artilleria que tienen. 154. [308] Senor Vuestra Magestad por su real orden de 18 de este manda que se vea en el Conssejo la consulta ynclusa dei de Portugal en que se pide para la jornada dei Brasil los quatro navios que estan enbar- gados en Sacaven. Y ha parecido consultar a Vuestra Magestad que (no obstante que estos quatro navios se supone son los de Dinamarca que estan alli condenados por de contrabando estan aplicados a la armada del mar Ozeano y mandadoles aprestar por quenta delia) por lo que combiene facilitar y ayudar el despacho de los de aquella corona, y que han de ser para el mismo efeto, se les podria entre- gar luego por quenta y razon con que a la buelta de la jornada los restituyran satisfaziendo el menos cabo o dano que hubieren reci- vido como el mismo Conssejo de Portugal lo pide. En Madrid a 27 de Agosto 1624. Rubricas dos membros do Conselho de Estado. 155. [309] Portugal — 2 de Setiembre 1624 Que la Camara de Lisboa ha escrito que los governadores les han pedido sirvan con alguna cantidad para los gastos dei socorro dei Brasil. í1) A margem — Remitiose al Consejo de Guerra. Parecele, que se les entre- guen estos 4 nabios como lo piden, con que los vayan debolver a la buelta de la jornada, con los danos y menos cabos. Abviertense que estas 4 naos son las de Dinamarca que agora pide el embai- xador de aquel rey y aun esta consultado que se le buelvan. (2) A margem — Por algunos accidentes que han sobrevenido, no es posible hazer esto. 520
Representan las deudas que tiene, quan apretados estan, por la falta del comercio, y mal trattamiento que se haze a los estran- geros por los ministros de la guerra, y piden se les de licencia para acrecentar las rentas por el camino, que han pedido otras vezes. Tambien dizen el peligro a que esta espuesta aquella ciudad por no estar armados los vuestros. Dize el Consejo que despues de recivida esta carta, avisan los governadores que la camara ha servido com 100.00 cruzados y trattavan de vender juros para ello sin querer en descuento otra tanta cantidad. Al Consejo parece que Vuestra Magestad mande agradecer (*) mucho a la camara este servido. Que en el [309 v.] punto de acre- centar las rentas no ay que responder por ser los médios perju- diciales. Que muchas vezes ha representado el Consejo a Vuestra Magestad los danos que resultan de los comisarios y ministros de la guerra en los descaminos, y que es digno de remedio, pues de aqui ha resultado que las naciones estrangeras por los maios trattamientos, que se les ha hecho en Lisboa acudan a las índias. Que tambien ha representado el Consejo el peligro a que esta espuesto todo lo de alia, assi los castillos por falta de gente, como la ciudad por no estar armada y conviene trattar luego dei remedio. Y que para dar satisfacion a la Camara de Lisboa se bolve- ran a ver las propuestas y se dara quenta a Vuestra Magestad. [310] Dense las gracias a la Camara de Lisboa como parece, y de lo demas quedo con cuydado. 156. [311] Senor Como Vuestra Magestad fue servido de mandarlo se ha visto en el Conssejo la consulta inclusa dei de Portugal que trata dei servido que ha hecho la Camara de Lisboa para el socorro dei Bra- sil y dei estado de las cossas dei Reyno de Portugal, y aviendose platicado sobre ello se voto como se sigue: Don Pedro de Toledo, que se conforma con el Conssejo de Portugal, enquanto a dar gracias a la Camara de Lisboa por los cient mill ducados con que ha servido para el socorro dei Brassil, y en que no se cargue el pueblo. í1) A margem — Consejo Estado. Conformase con el Consejo de Portugal en que se den las gradas a la camara que es necesario situar aquel presidio. Lo demas que consulta no lo aprueva. 521
Que enquanto a la artilleria que dize el Conssejo no la ay en los castillos, ni gente, le consta a Don Pedro que toda se ha dado a las naves de la India porque de tiempo en tiempo la han ydo pidiendo y se les mando dar. Enquanto a los pressidios desamparados y sin gente y con oprobio nuestro y desprecio de estrangeros, se conforma en que es assi, y anade que si Vuestra Magestad no lo manda situar no terna (sic) remedio pues cinquenta mill ducados que se han embiado agora en Pero Rodriguez de San Istevan y en otros que aqui se quedan va ya librado cerca de los 20.000 y si effectivamente los soldados y los que alli residen no tienen situacion estos socorros no luzen, porque por las ordenes dadas, queda aqui lo mas dello. Que enquanto a armar la ciudad, bien [311] puestos los pres- sidios, sera cossa que entonzes se pode tratar delia, y ver el pro- vecho y dano que puede resultar y con prudente acuerdo escojer lo mejor, mas no estando Vuestra Magestad armado, armar a los navios por agora no le parece es cossa platicable. Enquanto al contrabando y remedio de los danos passados por esta causa, y que no subceda a los venidos esto se reduze a que si Olanda comercia con [Espa]na, con el provecho delia no hara la guerra, si lo ... de hazer, las ciudades mercantiles (como Lis- boa) se quejan y pierden su comercio, esto se ha [re]putado por menos daiio que esotro. A lo resue[lto] Vuestra Magestad por muchas consultas y conformandose con ellas responde a esta. Don Agustin Messia, que se conforma con el Con[sejo] de Portugal ecepto en lo dei contrabando, por [que] esto como el lo entiende es que ellos querrian [co]rriesa esto por sus manos y muchas diligencias han hecho para ver que extorsiones hazen los ministros de guerra que alli estan y hasta [ahora] no se ha hallado cosa que aya ávido menesíterl ... castigo. Que lo que los portugueses tienen por inconveniente es que el ministro Castellano visite la nave que entra y como se han hal- lado muchas cossas de contrabando y se han apremiado a los due- nos [de] los navios, con esto dan a entender que cesa el trato y finalmente ellos le querrian ten[er] abierto para sus contratacio- nes aunque sea ... los rebeldes y esto esta mandado por muchas ordenes que no se consienta. Y assi le parece justo que Vuestra Magestad mande se pro- siga sin dar oydos a lo que portugueses piden pêro que sera bien dar ordenes apretadas para que los ministros [312] Castellanos no hagan desorden ni agravio a los navios que entraren. En lo de las armas tiene ya votado en otras consultas que si Vuestra Magestad no pone alli armas con que defender los por- tugueses, es fuerza darselas a ellos para que se defiendan. Los Marqueses de La Laguna y de Aytona se conforman con lo que viene votado. 522
Don Fernando Giron con Don Pedro de Toledo y anade que las desordenes de los ministros de la guerra las tiene por sinies- tras y que si Vuestra Magestad pone en mano de los governado- res la visita de los navios estrangeros, que es lo que ellos preten- den, sera lo mismo que consentir Vuestra Magestad el comercio a los olandeses. En las demas pretensiones que los governadores y el Cons- sejo de Portugal tienen acerca de levantar aquellos tercios se remite a lo que tiene votado que en suma es quei no conviene. El Duque de Albuquerque se conforma con Don Pedro de Toledo y en lo que toca a las armas con Don Agustin Messia. El Obispo Pressidente de Flandes, y el inquissidor general se conforman con Don Pedro de Toledo. Vuestra Magestad resolvera en todo lo que mas fuere servido. En Madrid, a 27 de Septiembre 1624. Rubricas dos membros do Conselho. [312 v.] El Conssejo de Estado a 27 de Setiembre 1624 Inclusa una consulta dei Conssejo de Portugal que trata dei servido que ha hecho la Camara de Lisboa para lo dei Brasil y dei estado de las cosas de Portugal. Rubrica ilegível [313 v.] El Consejo de Guerra inclue la inclusa consulta dei de Portugal sobre pedir 4 navios de Dinamarca condenados en Lisboa. M. Aroztegui 157. [314] Senor Vuestra Magestad fue servido de mandar por su real orden de primero deste que las consultas inclusas dei Conssejo de Estado y dei de Portugal, que tratan del pie que han tomado olandeses en el Brasil y lo que convendra hecharles dei se viesen oy viernes a las once en la pieça dei Conssejo d'Estado, por el Marques de 523
Villa Franca, Don Agustin Messia, Pressidente de Portugal y Hazienda, Don Fernando Giron, Conde de Gondomar, Marques de Castel Rodrigo, Don Diego Messia, Juan de Pedroso, Don Fran- cisco de Bragança, Mendo da Mota y Don Antonio Pereira y que se confiriesen los cabos de lo que convendra hazer en esta ocasion consultando a Vuestra Magestad lo que pareciere. Y por papel a parte advirtio el Conde de Olivares que seria bien que la junta oyese a Don Luis de Sosa que ha governado lo dei Brasil para que con mas luz se pudiese votar acerca de lo que se havra de executar adbirtiendo tambien el conde que se diese tal forma en la mezcla de Castellanos y portugueses que en la tierra y en la mar no huviese inconveniente en el servicio de Vuestra Magestad y [314 v.] buen subceso de la empresa. Y haviendo la junta visto las consultas dichas y oydo a Don Luis de Sosa y pla- ticado largo sobre la materia se voto como se sigue. Don Antonio Pereyra se conforma con el parecer dei Cons- sejo d'Estado en la brevedad con que se deve hazer el socorro de la Baía en el estado dei Brasil, p[ues] que debe ser mayor el numero de trese mill infantes y de los baxeles aunque no entren los portu- gueses en este numero por averse entendido que la compania [que] hizieron los rebeldes y sus confederados es de cinquenta baxeles. Y para cumplimiento deste numero se apresentavan diez y seis, y que saldrian [mas] en breve si no huviesen salido el mes passado por lo que tiene por muy probable que demas dei numero que que- dava [en] la Baia se le agregaron estos por lo que conviene ser mayor el numero de baxeles y de soldados. Que el Conssejo d'Estado nombrara [persona] que tenga las calidades y partes necessárias para la empressa de mar y es el principal intento y de tierra (que se ayan fortificado) y las demas personas necessárias. Que el socorro de municiones y soldados para aquel Estado es muy necessária [315] se lleve en três o quatro baxeles ligeros lo mas que fuere posible y que lcs soldados se saquen de las fron- teras de Africa Ceuta Tanger y Mazagan por ser soldados expe- rimentados sufridores de gran trabajo en los quales sobran mora- dores dei numero que Vuestra Magestad tiene ordenado. Y con esta ocasion quedan honrrados y aquellas fronteras aliviadas. Que tiene por necessário mandar Vuestra Magestad a los governadores que por ganar tiempo traten luego de segundo socorro porque las cossas de la mar y guerra suelen tener vários subce- sos y que Vuestra Magestad a aquel reyno satisfaga con la obli- gacion de leales vasallos como siempre en todas ocasiones hizieron. Que estas nuevas que se embiaron de Pernambuco tiene por poco justificadas de ser entrada la Baía por traicion de los chris- tianos nuebos. Que justificandose sera conveniente mandar Vues- tra Magestad tratar de la materia, y que tambien sera conveniente mandar Vuestra Magestad que Estevan de Brito y Vasco de Brito 524
hermanos apuntados por Don Luis de Sosa por ser personas ricas y poderosas y de valor vayan en las primeras embarcaciones por- quanto el Brasil se compone de tres suertes [315 v.] de hombres, del gentio natural de portugueses y negros de Angola y Cabo Verde, los quales trabajan en los ingenios del azucar y para redu- zirlos al servicio de Vuestra Magestad. Mendo de Mota que conforme los avisos que Vuestra Mages- tad ha tenido quando la armada olandesa se hazia en Olanda dezian los enem:gos que avia de tomar el brazo derecho de la monarquia de Vuestra Magestad y que pues ellos han executado su disignio sera justo que el socorro que Vuestra Magestad hiziere sea tam- bien de modo que tenga execucion y efecto muy complido. Que para esto le parece necessário conforme a lo que en subs- tancia va votado por el Marques de Villa Franca y por la mayor parte del Conssejo desta. Que el general de la armada del mar Occeano vaya luego con la mayor parte de su armada y con la de Portugal y que demas de los tres mill soldados Castellanos vayan en la armada de Por- tugal todos los soldados portugueses que fuere posible con que no [sea] menos de mill (o mill y quinientos) y con ellos todas las personas que sehan platicas del Estado del Brasil y particular- mente (?) de la Baia en que los enemigos deven estar aloxados y fortificados. [316] Que la armada vaya en derechura a la Baia, porque yendo primero a qualquiera otra parte se pondra en gran riesgo el buen subceso de la empressa que consiste despues de Dios en la brevedad y en hallar el enemigo menos apercebido. Y tambien con la brevedad, se conseguira el secreto que es el alma de la empresa Y que con todas maneras se debe procurar que con el general de la armada vaya juntamente una persona de mucha satisfacion para quedar por governador de aquel Estado, que siendo caso no se pueda recuperar de los enem;gos la Baía (lo que Dios no permita) en tal caso le parece forzoso partir el govierno dei Brasil en dos partes, que uno de los governadores quede asistiendo en la ciudad dei Rio de Janeiro con todas las capitanias dei Sur y otro assista en Pernambuco con las capitanias dei Norte porque de otra manera no podra un solo governador defender ni governar bien todo aquel Estado quedandole vezinos tales enimigos en medio del mismo Estado. Que a Pernambuco se embie luego socorro de municiones por- que de gente no le es necessário por aver alli mucha, y al Rio de Janeiro se embie luego [316 v.] socorro de gente y de municiones porque esta mas desamparada aquella plaça, y mas expuesta al enemigo y que siendo (como es) capitania prop [ia] de Vuestra Magestad no es justo se tenga tan poca quenta con ella teniendose 525
tanta de Pernambuco que es capitania de donatário el qual es justo aya tambien a socorreria. Que tambien deve Vuestra Magestad ma[ndar] a los otros donatários de capitania como son el Duque de Avero y el Conde de Monsanto acudan a ellas con capitanes y gente necessária para su defensa. Que siendo cierto lo que se dize en estos primeros avisos que los christianos nuebos de aquella ciudad dieron la entrada a los olandeses lleve orden el capitan general para sacar todos los que huviere en las capitanias dei Brasil y embiarlos para Portugal por- que de otro modo no sera posible poderse conservar con enemigos domésticos de las puertas a dentro mayormente estando Vuestra Magestad avisado que ellos quieren entregar aquel [Estado] a los olandeses como dibersas vezes se, ha avisado. Que en el punto que el capitan Gama llegare a Pernambuco, el qual puede [317] llevar officio de sargento mor de aquel Estado para poder servir y obrar con mas effecto y mas autoridad, se vaya luego Francisco Coello de Carvalho a su govierno dei Maranon porque no es justo ni conveniente que aquella parte, siendo tan importante y ganada tan poco tiempo há con tanta costa y sangre de los vassallos de Vuestra Magestad quede desamparada a la mera discrecion y voluntad del enemigo que es cierto no la ape- tece menos que qualquiera otra dei Brasil. Y sobretudo acuerda a Vuestra Magestad postrado a sus reales pies que debe Vuestra Magestad tcmar muy por su quenta con muy particular cuydado la breve y buena execucion desta empressa para que tenga el subceso deseado, y acuerda que en ella va tanto y mas a la Corona de Portugal porque es cierto y indu- bitable que de alli pueden infestar por via dei Rio de la Plata y de Buenos Ayres el Estado del Piru, no solo con las armas sino con el comercio porque han de meter por el Rio de la Plata todas las mercadurias que quisieren sin poderse atajar con ningun genero de [317 v.] prohibicion y los prcpios vassallos de Vuestra Mages- tad por su interes han de comerciar con ellos como a experiência lo ha mostrado, y que queda mas cerca y mas fácil la navegacion dei estrecho por el qual han de hazer continuas entradas en el mar del Sur y que muy facilmente alcançara Vuestra Magestad con su gran prudência que quien de tan le-jos como esta Olanda y Zelanda dei Estrecho de Magallanes ha navegado tantas vezes y entrado en el Mar del Sur con tantas armadas, que hara estando de tan cerca y en parte donde tiene infinitas maderas y materíales para poder fabricar armadas sin aver menester que vengan de Olanda repararse en aquel albergue con que entre cada y quando que quisiere por aquel strecho en el mar del Sur y infestar todos los comércios y províncias de Vuestra Magestad. Y que entendiendolo assi el senor rey Don Ph [ilipe] el pru- dente abuelo de Vuestra Magestad con menos ocasion que esta 526
embiou una armada aquella parte dei Brasil y de Buenos Ayres, de mas [318] de vinte navios y três mill homes de guerra de que fue por capitan general Pedro (?) de Flores Baldes, y pues Vues- tra Magestad de pressente tiene no menor ocasion y mayor neces- sidad sera justo que con su real cuidado y de los ministros que assisten junto a su real persona no descanse hasta hechar de alli tan maios vezinos y tan vijilantes y enemigos cuyo fin en aquella faction no es tanto por hazerse seniores de los azucares dei Brasil como de la plata del Piru y de todos los comércios de Vuestra Magestad. Don Francisco de Vergança, que la importância desta materia es muy grande assi por lo que toca a la perdida de aquella plaça y lo demas que con ella se puede considerar, como por los danos que se debe temer que de alli se seguiran al Estado dei Brasil y al Reyno de Portugal y otros que porque son notorios no los apunta. Que todos obligan a que Vuestra Magestad mande acudir con lo mas que de las dos coronas fuere posible en la forma que parece al Conssejo de Estado con toda brevedad [318 v.] porque el ene- migo no hecha raizes que si no se le ccrtan yra [fe]cundiendo de manera que despues sera dificultosso desarraigarias para que la armada debe ser muy superior a la de los enemigos que como las cossas de la mar son varias no se ponga a riesgo de no hazer la faction a que va que sera grande quiebra aunque no aya otra mas. Que conviene mucho quedar seguridad con armada bastante para las naos de la India que se esperan y las flotas de índias y que una cossa y otra mande Vuestra Magestad disponer de manera que aya execucion. Que es el total remédio pues tambien conviene socorrer a Pernambuco y obligar al donatário de aquella capita- nia embie todo el socorro a que sus forças llegaren y que lo mismo hagan los otros donatários y que se nombre governador para aquel Estado por entenderse que el que governa esta prissionero de los enemigos y que vaya lue
y Gomez Freire hermano de su madre dellos que oy vibe, fue de la parcialidad del dicho Don Antonio y desterrado por ello algun tiempo y no se afirma si algunos c'tros deudos suyos que sera facil da saberse que [319 v.] aviendo hablado los olandeses en el braço derecho de Vuestra Magestad y aun pasado adelante con su atre- bimiento y lo empeçaron a poner en execucion entendiendo por el Estado del Brasil en que tanto tiempo ha que procuran entrar sera posible que tengan intento de yr adelante pues traen un nieto de Don Antonio como va referido y se persuadiran que hallaran entrada en Lisboa porque deben saber muy bien quan mal guar- necida esta de gente effectiva y armas y dexaran fortificada la Baia y vendran a Lisboa con mas fuerças que sabran juntar y pon[er] aquella ciudad en gran confusion como ya se vio con menor ocasion estos dias atras entendiendo que estava destituída de arma- das por tener por cierto que las que avia yrian en su busca. Y assi conviene mucho que Vuestra Magestad mande proveer los castil- los y torres y algunas compaiiias de Castellanos soldados esperi- mentados que assistan en la dicha ciudad [320] o en lugares con- vecinos porque todos los estratagemas se pueden sospechar desta gente. Don Diego Messia que lo que contienen las consultas dei Conssejo d'Estado y dei de Portugal y todo lo demas que se ha platicado y votado en la materia le parece muy bien. Solo pone en consideracion a Vuestra Magestad que tiene por muy conveniente que lo que se huviere de prevenir para esta faction sea muy fun- dado embiando a ella el mayor numero de navios y gente que se pueda con todos los bastimentos pertrechos municiones y demas cossas que convengan, aunque por esta causa se aya de alargar algo mas el tiempo de la partida, pues no por adelantarla se ha de dexar de yr como convenga y aventurar cosa de tan gran impor- tância tanto mas sabiendose la mucha gente que olandeses tienen, quan platica es y como sabe pelear. Y juzga conviene que por lo menos vayan três mill soldados Castellanos sin la gente portuguesa y que esta sea la mas que se pueda juntar trayendo para cumplir este numero [320 v.] el tercio que se halla en Cerdena y que se prevenga para llevar artilleria suficiente y se atienda a todos con gran cuydado desde luego. Tambien le parece conviene vayan un par de ingenieros por si se huvieren de abrir trincheras y un buen tenente de artilleria, y otras dos otras personas platicas delias media docena de mina- dores pues de Flandes podran venir con brevedad, y para tierra personas de suerte autoriçandolas y tiene por buenas las que se han nombrado. Don Pedro de Toledo, dixo que no tenia que anadir a lo votado en la consulta dei Conssejo d'Estado. 528
El Marques de Montes Claros, dixo lo mismo, pêro que por- que en algunos puntos se han puesto cossas nuevas le parecia ana- dir que el socorro de las municiones v gente que consulto el Cons- sejo de Portugal fuese luego Vaya a Pernambuco dandole tal regi- miento para su navegacion que escuse el riesgo de los enemigos que han de [321] andar corriendo la costa y que en este socorro vayan Basco de Brito y Estevan de Brito para los intentos que aqui propuso Don Luis de Sosa, que fueron amparar la gente que estara en los montes y animarias por que no se junte con el eni- migo. Que el socorro de la armada sea como voto el Conssejo d'Es- tado, y se embie con la mayor brevedad que sea posible porque tiene por cierto que en esto consiste la mayor parte del buen sub- ceso. Enquanto al secreto tiene por imposible que le aya ni para los amigos, ni enemigos pues esta claro que. tras este subceso se han de persuadir que qualquier prevencion se encamina a recuperar lo perdido y assi no aviendo de llevar mas ventaja que la que nos tomaremos en la mayor priesa venciendo a la que los enemigos se podran dar. Que el Conssejo de Portugal consulte persona para governador dei Brasil y esta vaya en la armada para quedarse alia y para la jornada y factiones de tierra propone [321 v.] a Don Diego Messia y por su maestro de campo a Don Juan de Orellana. Don Fernando Giron, que persiste en lo que tiene votado y anade que este socorro vaya con fuerças de mar y guerra que se consiga lo que se pretende y assi le parece vayan treynta navios y tres mill infantes Castellanos y mill infantes portugueses que hazen quatro mill infantes. Que lo que halla de mas consideracion es si Don Fadrique halla al enemigo en la Baia si tiene de pelear con la armada enemiga estando al abrigo de su artilleria. Y parece a Don Fernando que si es cierta la relacion que ha hecho en esta junta Don Luis de Sosa, que los navios llegan de la tierra quinientos pasos parece podra nuestra armada pelear con la del enemigo pues mezclados tanto of fendera la artileria a los unos como a los [322] otros, pêro sera bien remitir esta execucion a la prudência y valor de Don Fadrique. Que le parece que con la parte de armada que quedare Don Juan Faxardo salga luego a la mar y para quando se esperan las naves de la Índia se ponga en las Verlingas hasta recoger las naves y de alli pase corriendo la costa hasta el strecho midiendo el tiempo de estar en el Cabo de Sant Vicente quando se esperan los galeo- nes de la plata, y se conforma con el Marques de Montes Claros en que vaya por general de tierra Don Diego Messia y por maestro de Campo Don Juan de Orellana y sargento mayor Murga. 529 34
El Marques de Castel Rodrigo que el Conssejo d'Estado tiene tambien dispuesto este negocio que no se le offrece que dezir mas de suplicar a Vuestra Magestad le de muchas gracias. Que la per- sona [322 v.] de Don Fadrique de Toledo es muy a proposito para la empressa pues no havra quien no le obedezca en mar y tierra con mucho gusto como es razon y remitese a lo votado enquanto a que aya de yr otra persona que a falta de Don Fadrique pueda hazer lo mismo que el. Que a Pernambuco deben yr las municiones necessárias porque siendo la primera plaça dei Brasil no se debe aventurar repartiendo los socorros en muchas partes, pues qualquiera capitania de las otras la llevaran los enemigos con el poder que tienen y el que vastare para hecharlos de la Baya los hechara de las otras partes. Que el secreto tiene por dificultoso y por conveniente que se sepa en el Brasil que Vuestra Magestad trata de socorrelle con muchas fuerzas para que assi se mantengan los fieles y los [323] dudosos con el miedo del subceso cercano no se arojen. Que para ayudallos a matener (sic) le parecen bien las personas nombradas por el Marques de Montes Claros assi por el séquito que alli tienen como por tener alia sus haziendas y aca sus casas con que quedan prendadas y que estos no deben llevar sus hijas consigo y procuren recoger la gente que huviere salido de la Baía. Que a los governadores de Portugal se escrivã traten luego de prevenir los bastimentos y la gente que se pudiere aver y que el Conssejo de Portugal consulte persona para governador que aya de exercer su cargo despues que ayan salido de alli las que llevaren a su cargo la empressa y segun los avisos que fueren llegando se vera lo demas que convendra hazer. El Duque de Villa Hermosa que se conforma con lo votado [323 v.] en las consultas de Portugal y con Don Pedro de Toledo en el numero de navios que sean veinte y cinco y tres mill hombres de guerra y le parece que deste intento se avise luego a Dcn Fadri- que de Toledo, siendo Vuestra Magestad servido que vaya el como está apuntado para que venga prevenido de los pertrechos neces- sários para la empresa assi para mar como para tierra. Que lo mismo se escrivã a los governadores de Portugal para que prevenga los navios de la armada de aquel reyno y junten los mas que pudieren y dando tambien orden que en las caravelas que suelen navegar al Brasil de Oporto, Viana, Avero y Lisboa se embarquen la mas gente que sea posible, porque entiende que la empresa la ha de hazer fuerza de gente quedando en los navios la que bastare y hechando en tierra la que conviniere para dibertir al enemigo. [324] Que en lo de las personas apuntadas para general de tierra se conforma con lo que la junta dize y tambien con el Marques de Montes Claros en que vayan las personas que se dize para animar la gente en este socorro que se ha de embiar luego. 530
Que la armada de Portugal esta falta de artilleria de bronce y yendo a una ocasion como esta convendra daria la mas que se pudiere dandose priesa a la fundicion que se haze en Lisboa, y pare- cele que se propongan personas para governador del Brasil en la forma que se ha dicho, y conforme a los avisos que vinieren se toma- ran las resoluciones que ccnvengan y sobretodo juzga conviene la brevedad y despachar los correos que ha referido a Don Fadrique y a Portugal para que vayan previniendo con tiempo las cosas. [324 v.] Don Agustin Messia, que el principal intento es que la armada que ha de yr de aca pelear con la del enemigo porque si esta no se deshaze no podra hecharse gente en tierra de la nuestra a lo menos la que vaste para hazer effecto considerable, y d[es- pues] hecha la fuerça de la armada de Olanda entonzes se podra hazer la faction de tierra con mas seguridad y menos estorbos. Parecele que vayan veinte y cinco navios y que es bastante numero remitiendo a Don Fadrique la execucion que vera lo que ha de hazer supuesto que le principal fundamiento ha de ser lo de dehazer la armada y la de aca vastara que lleve tres mill hombres. Y no empenaria en esta empressa otras personas ni la de Don Diego Messia porque en este caso habrian de yr tenientes de artel- laria y prevenirse otras cossas que atrasan [325] la faction siendo tan conveniente no perder en ella tiempo. Y bastaria que con Don Fadrique fuesen Don Juan de Orellana, y en lo demas se conforma con Io votado teniendo por muy necessário que tras este socorro se vaya tratando de embiar otro. Don Pedro de Toledo, bolvio a hablar que por el servido de Vuestra Magestad dezia que este negocio le veia mal encaminado, lo primero porque se trata de embiar dos generales y dos caveças cosa que lo tiene por monstruo y que assi le parece que o Don Diego Messia lleve lo uno y lo otro o el que sirve en la mar lleve lo uno o el que sirve en la mar lleve lo uno y lo otro. Quanto a lo segundo vee que se trata de traer el tercio de Cer- dena, decrecer el numero de navios a treynta y que los [325 v.] aprestos no se miden con el tiempo sino el tiempo con los aprestos. Como lo que fuere yra a pelear con lo que esta en la Baía y con el socorro de Olanda que entiende partira antes que el nuestro, por lo qual todo si la diligencia no vence las dificultades entiende que lo que fuere tarde vaya a peligro y a zerteza de no hazer nada. Vuestra Magestad mandare proveer en todo lo que fuere su real voluntad. En Madrid a 2 de Agosto 1624. No va senalada esta consulta de los de la junta por lo que importa la breve resolucion delia. 531
[326 v.] La Junta de Consejeros de Estado Guerra y Por- tugal. En Madrid a 2 de Agosto de 1624. Con unas consultas de los Conssejeros de Estado y Portugal que tratan de las fuerças que conbendra prebenir para echar dei Brasil a olandeses. Rubrica ilegível 158. [328] Portugal — 9 de Deziembre 1624 Embia relacion de como va probeyda la armada dei Brasil, dei servicio que para los gastos delia se han hecho por diversas perso- nas y el estado en que quedaba lo de la Vahya por avisso de alia para que de todo se de aviso a Don Fadrique de Toledo. Lleva la armada: Navios 22, toneladas 5.964. Capitanes 22, gente de mar 1.263. Gente de guerra 2345. Viscocho 7.601 quintales, vino 884 pipas, agua 1.378 pipas, carne 4.190 arrobas, pescado 3.739 arro- bas, arroz 2.782 arrobas, azeyte 122 quartos, vinagre 93 pipas, artil- leria 310 pieças, 74 delias de bronce. Pelotas 20.904, mosquetes y arcabuzes 2.710, mas pelotas por quintales 209. Picos 1.369, mur- riones 202 quintales, polvora 944 quintales. El servicio (') que diversas personas han hecho entrando lo que [328 v.] la Camara de Lisbca ha dado que son 40 quentos de reis. Monta 93 quentos 401.000 reis. 159. Lo que declaro el olandes que se tomo Que por Deziembre dei ano pasado salieron los 26 nabios de Olanda 78 chalupas sin que se entendiesse adonde iban ni que huviesse tratto. Que en Cabo Verde se abrio el pliego y se supo que iban a la Vaya 13 destos nabios eran de los Estados y los demas de merca- deres. f1) A margem — Al Consejo de Guerra. (2) Nota — palavra ilegível. 532
Que llevava 3.000 hombres a medias de guerra y mar. Que entraron en la Vahia sin resistência que no hizieron caso los olandeses del fuerte nuebo que se hazia junto al de Sant Anton ni de ningun otro puesto sino el fuerte de Sant Philipe que les parecio a proposito para recojerse caso que perdiessen la ciudad y este le forticaron. Que quedaron en la Vahia con los olandeses algunos portu- gueses y otros entraron despues que todos serian 190 y a estos quando podrian, los mataban los demas portugueses, y ellos tambien tomaban las armas con los olandeses, y oyo dezir que eran de los de la nacion y que con [330] pasaportes iban y venian portugueses a la ciudad. Que a este olandes le prendieron los portugueses, andando pas- çando y le llevaron al (2) y los portugueses en una salida que hizo el olandes mataron al maestre de campo. Que pusieron en la ciudad 2.500 soldados y dellos quando el salio se abrian muerto 300 o 400. Que no osaban salir de la ciudad y assi aun no avian hecho dano en los ingenios de açúcar. Que luego fortificaron la ciudad. Que tendran en la ciudad hasta 70 pieças y tienen municiones y polvora bastantemente y moniciones para cinco meses. Que algu- nos negros que se iban a la ciudad no los querian admitir los olan- deses. Que a 20 de Julio salio de la Bahia el general con 11 nabios, dezian que iban a las índias Occidentales. Que despues salieron 6 nabios mas que dezian iban a Angola a tomar algun puerto, y que aqui iban 200 hombres de guerra, y que estos menos avia en la Vahia. Que luego que se tomo la Vahia, embiaron un nabio con azucares y yotras cosas a Olanda y despues 4 en que embiaron al governador [338 v.]. Que olandeses estan con animo de defenderen la ciudad y tomar lo mas que pudieren en el Brasil y que esperan socorro de Olanda y que os portugueses no esperaban en Maio socorro de Espana. [329] Darse las gracias a los governadores y a los que han servydo y en las cartas que parçazce pondre algun renglon de mi mano y agradezco al Consejo el cuydado con que lo ha dispues- tos (sic). A Don Fadrique se ha embiado copia de la relacion de los navios y gente que va y de lo que declaro el olandes. 160. [330] Senor En conformidad de lo que Vuestra Magestad se sirvio de man- dar por una su real orden de 11 de este se vio en este Conssejo la consulta ynclusa dei de Portugal y las relaciones que con ella vinieron que tratan de la forma en que fue dispuesta la armada que 533
pôr quenta de aquella corona se despacho para la jornada dei Brasil y la cantidad de navios gente pertrechos y municiones que fueron embarcados en ella, y el servicio que hizieron algunos perlados y títulos y personas particulares, y la declaracion que hijo un olandes, de las fuerças con que el enemigo se hallava en la Bahia y lo demas que en la dicha consulta de Portugal se refiere. Y aviendolo visto todo el Conssejo ha parecido consultar a Vuestra Magestad, que siendo servido podria mandar dar las gra- das a los governadores de Portugal y a las ciudades y Duques de Bergança v de Camina v a los títulos ministros V demas oer- sonas particulares por el servicio que con tanta demostracion han hecho en esta ocassion pues mediante el se ha podido conseguir cosa tan ymportante como ha sido el breve y buen despacho de aquella armada, con cartas particulares para todos poniendo en las que [329 v.] a Vuestra Magestad le pareciere un renglon de su mano que estimaran por particular fabor y merced y que en la res- puesta de la conssulta dei Conssejo de Portugal le agradezca Vues- tra Magestad el cuydado con que lo ha dispuesto y executado. A Don Fadrique de Toledo se le ha embiado copia dei aviso que se ha tenido dei Brasil y dadosele prisa para que sin perder momento de tiempo haga su viaje y tambien se le ha embiado copia de la relacion de los navios gente vituallas municiones y pertrechos que lleba aquella armada como Vuestra Magestad lo manda. En Madrid a 21 de Diziembre 1624. Rubricas dos membros do Conselho 161. [331] Por no saber si el Consejo de Portugal se ha acor- dado desto, represento a Vuestra Excelência que como este ano no va virrey a las Índias seria conveniente reformar las bias de la suc- cession de aquel Estado, para que si succediere faltare el Conde de La Bidigueira, no entre en el gobierno persona que lo accabe de arruinar. Las vias estan cerradas de mano de Su Magestad pero presumese sigun lo que el Conssejo consulto quando se hizieron que puede estar en la primera Don Diego Coutino, persona que a parecer de todos por su edad y larga possesion que ha tomado dei ocio de muchos anos, no esta ja capaz de tanto peso, en tiempo que tanto se ha menester un virrey moço y trabajador. Vuestra Excelência lo considerara sirviendose de perdonarme si me he adelantado, que el intento que me mueve es tal que lo merece. Guarde Dioz y prospere a Vuestra Excelência con loz acres- cientamientos que sus criados deseamos. Em Monçon a 11 de Março de 626. Francisco de Lucena 534
162. [332] Sencr Por orden de 17 deste mes dirigida al Presidente de Flandes dice Vuestra Magestad que el Conssejo de Portugal ha hecho la consulta inclusa sobre las propuestas de fcrmar una armada de diez navios de guerra para asegurar los que bienen dei Brasil. Manda se vea en la junta que se haze en su posada sobre las companias de la India y se consulte lo que pareciere. Y haviendose visto la dicha consulta se tiene la materia por muy importante y de que se puede esperar la seguridad y sucesos que se prcponen y como este es el principio dei tratado es lo que conviene lo que se consulta por el Conssejo de Portugal de las deli— gencias que se deven hacer en aquel reyno para encaminarlo. Podra Vuestra Magestad siendo servido dar ordenes por aquel Conssejo para que se haga assi; y que no solo se trate y disponga lo general de la formacion desta armada sino que tambien se dis- ponga y ordene los regimientos de ella y de las flotas que ha de comboyar para que puesto en la mayor perfecion que se pueda ponga Vuestra Magestad la mano en la ultima y que por lo que importa la breve resolucion desto convendra baya la orden con correo para que a imitacion desta priesa [332 v.] se tenga alia en concluir lo que se les ordena, y enbiar al Conssejo los despachos de ello. Vuestra Magestad mandara lo que mas se sirva. En Madrid a 20 de Septiembre de 1626. Rubricas dos membros do Conselho [333] Portugal — 16 de Setiembre 1626 Remitieronse al Consejo unos papeies y propuestas de los hombres de negocio para que se formase una armada, para dar guarda a los nabios dei Brasil, encargandola a Tristan de Mendoça, y que esta fuesse de diez nabios de guerra, y dize de donde y como se avia de sacar lo nescessario para ello. Dize el Consejo que esta misma propuesta hizieron en Portu- gal y al Consejo de Hazienda y d'Estado y governador, parecio cossa de consideracion y que si Tristan de Mendoça Hurtado cum- plia con lo que offrecia seria cossa util, pero porque Ia proposicion era de los hombres de negocio de menos caudal de Portugal, era (*) A margem — Esta bien lo que parece, y porque en negocio de tanta importância, no se pierda tiempo, se embien los despachos con correo espreso. encargando tambien alia la brevedad. 5 35
menester ejecutarlo con todos y este Consejo lo consulto assi a Vuestra Magestad y Vuestra Magestad lo aprobo (1). Que el ano de 1621 tratto Esteban de Brito Freyre de lo mismo, y de armar [333 v.] 12 galeones, y entonces no se tuvo por con- veniência por las muchas cartas que se seguian. Pero que agora corre diferente rezon por los muchos cosarios que ay en la mar, y estar rota la guerra con Inglaterra y las perdidas que se tienen y danos con los nabios de açucares que cobran (?) los cosarios. Parece al Consejo que estos papeies se remitan a los governa- dores con orden que hecha la diligencia que se encomende a Luis de Silva y oydos los hombres de negocio que firmaron y a los demas, y a Tristan de Mendoça, y comunicandolo con los conse- jeros de Hazienda y Estado, se ponga la materia en estado de executarse, y se de quenta a Vuestra Magestad, y a Tristan de Mendoça se diga que vaya a Lisboa asistir a todo y que conforme hiziere el servicio se le hara merced. Remitiose (*) a la Junta de las Companias dei Norte que se haze en la posada dei Presidente de Flandes [334] y se conforman con el Consejo y que se de quenta a Vuestra Magestad de lo que se hiziere y vaya todo con correo espresso. [335 v.] Con la consulta inclusa dei Consejo de Portugal remitida a esta junta y lo que sobre ella se ofreze. 163. [336 v.] Monçon—1 de Março 1626 Francisco de Lucena 11 de Março Que pues no va virrey a la Yndia este afio convendria reformar las vias de la subcesion de aquell[o] Estado porque si faltase [lo] Conde de la Vidiguera no este en el govierno persona que le acave de arruinar. Que las vias yran cerradas por mano de su Magestad pêro presumese que conforme a lo que el Consejo consulto quando se hisieron que puede estar en la primeira Don Diego Coutino que no se jusga por capaz dello en tiempo que ha menester virrey moço y travajador (2). [337 v.] El Consejo de Guerra buelve la inclusa consulta dei de Portugal. Martin Aroztegui P) A margem — 20 de Setiembre. (2) A margem — En el legajo de 15 de Março. Respuesta a ir. 536
1G4. [339] Portugal—11 de Setiembre 1629 Embian relacion de lo que se ha probeydo de Lisboa a Ceuta y Tanger, y lo que esta prevenido, pero que el embiallo desde Ceuta es incierto, y que solos los dei Andaluzia pueden ser effet- tibos, y buelven a suplicar a Vuestra Magestad mande que desde alli sean socorridas. Que ajustaran lo nescessario con Don Her- nando Mascararias y Anoja. Que si huviere algun aviso de la armada de Inglaterra se les de porque no se haga el gasto debalde aviendo tantas cosas a que acudir ('). 165. [340] Rellação do provimento que por hordem dos seno- res governadores foi as cidades de Cepta e Tangere de 8 de Agosto pasado atee o presente Em outo, de Agosto deste anno de 1625, partirão para a cidade de Cepta as caravellas Nossas Senhora do Rosario e Nossas Senhora da Anunciada mestres Salvador Luys e Toão Massentes com cento veynte e sete moios e dezassete alqueires de tergo das Ilhas, que por horden dos ditos senhores governadores se comprarão e pagarão. 127 moios 17 alqueires E em veynte e seys do dito para a a mesma cidade Nossa Senhora do Rosario, mestre João Gomez Beja com cento e vinte e quatro moios e deçasseis alqueires de trigo de Alentejo. 124 moios 16 alqueires Treynta quyntays de polvora 30 quintais de polvora Cem arcabuzes de Viscaya de todo aparelhadas. 100 arcabuzes Cem mosquetes de todo aparelhados. 100 mosquetes Dez quintais de murrao. 10 quintais de murrao Cem lanzas com seus ferros 100 lanças Seys repairos de doçaseys 6 repairos E em 3 e cinco deste mes de Setembro Partirão para a Ilha de São Miguel deus (sic) navios france- ses para levarem a dita cidade e ducentos moios de trigo cento cada hum. 200 moios (!) À margem — No se alça mano en lo que so puede acudir de Andalucia. y esta bien el ajustarlo y tratarlo con el sefior Anoja y Don Fernando Masca- refias. De la armada de Inglaterra no se tiene mas aviso de que se iba preve- niendo para salir y se creya seria mediado este. 537
E em tres deste mes de Setembro partio mays desta cidade para a de Cepta a setia Nossa Senhora da Consseúão mestre Berthola- meo Portugene, genoves o qual leva cem moios de trigo da terra. 100 moios Treynta quintais de polvora 30 quintais polvora Quinhentos e once quintais duas arrovas de biscouto da terra. 511 quintais 2 arrovas E no mesmo dia sinco de Setembro partio mais para a dita cidade de Cepta a sethia São José mestre João Iridio, francês vezi- nho de Marcella com duzentos sincoenta e sete quintays tres arrovas e vinte arrates de biscouto da terra. 257 quintais 3 arrovas E vinte quintais de polvora. 20 quintais polvora Tangers E no primero de Setembro partio para Tangere a sethia Nossa Senhora da Bca Viagem de que he mestre Luís Lombardo, a qual levou cem moios de trigo dos almoxarifados de Venavente e Vila Franca. 100 moios e trinta quintais de polvora 30 quintais polvora. E em cinco do mesmo partio para a dita cidade Tangere a sethia Nossa Senhora da Graça mestre Antonio Carboneiro o qual leva cem moios de [341] de trigo dos mesmos almoxarifados. 100 moios E trinta quintais de polvora 30 quintais polvora E andaosse tomando caravellas, para hierem a Ilha 3." São Miguel buscar quinhentos moios de trigo para levaren a dita ci- dad (sic) de Tangere por conta do anno de 626 para cuyo provi- mento vão também os duzentos moios asima e atras dito. E para pagamento destes quinhentos moios da hate o credito de sinco mill cruzados Manoel Moreno de Chaves e Don Antonio Mascarenhas mill cruzados do rendimento da bulia das ditas Ilhas, isto que consta dos lyvros desa Casa de Cepta a que nos repor- tamos. Em Lisboa, 5 de Setiembre de 1625. [342] La consulta inclusa dei Consejo de Portugal, sobre la madera dei Brasil que viene en la armada de Castilla que fue alia, la vereis con el Conde de la Puebla Juan de Pedroso y Mendo de Mota, y se me dira con brevedad, lo que a los quatro pareciere en la materia. En Madrid a 27 de Ottubre 1629. Al Duque de Villa Hermosa . 538
1G6. [343] Senor Viose en la junta la consulta inclusa del Consejo de Portugal sobre el paio colorado, y assuquere, tabaco, y esclavos que se dize venir en la armada de la Corona de Castilla. Y aviendose discurrido en la materia con la consideracion necessária, se ha offrecido que si estas cosas fueron tomadas de poder del enemigo pertenece a las personas que las tomaron de poder dellos. Y no deven derechos, y con esta consideracion ha parecido podra Vuestra Magestad ordenar a Don Fadrique haga recoger y poner de manifiesto da la hazienda desta qualidad que fuere hallada para que se entregue a quien derecho fuere. Porque en caso de el paio colorado pertenesca a las personas que lo han tomado se le podra dar justa satisfacion del, para que se entregue a los ministros que Vuestra Magestad ordenar porque corra todo por una mano, y reciba prejuizio el estanco de Vues- tra Magestad y la misma orden se puede embiar al Marques de la Inojosa. Rubricas ilegíveis 167. [344] Portugal — 23 de Ottubre 1629 Que se ha entendido que la armada de Castilla que viene dei Brasil, trae mucho paio de alia, siendo assi que ay orden para que cada ano no se saquan mas de 100.00 quintales, y esta puesto estanco en esta forma y montan los derechos 60.000 cruzados y seria de mucho prejuizio el traer tanto como se dize dernarez (?) por lo que perderiam los derechos. Parece al Consejo de Hazienda de Portugal, que se mande que la armada de Castilla entre en Lisboa se de vista a los nabios, el paio se lleve a la Casa de la India, y el tabaco, azucares y escla- vos a la alfandiga, y se despachen en ella pagando los derechos y que si la armada fuere fuere (sic) a ctra parte, alli se haga lo mesmo. Los governadores que si se dexa vender este paio, por los que lo traen dara mucho valor, todo en general y que conviene que [344 v.] que corra por una mano, que esto se podria disponer, y lo de los derechos, encargandosele a Don Fradique, y para las naos que aportaren a Lisboa al Marques de la Inojosa, y a Don Juan Fajardo en cuyo nabio dizen viene mucho. Al Consejo parece lo que a los governadores acordando a Vues- tra Magestad que destos derechos se probeen las plaças de Africa y de la armada. Y que deve Vuestra Magestad mandar a Tomas de Ibio Cal- deron que el de su parte haga tambien la diligencia y que a Don Fadrique se le advierta que en la capitana de Nápoles (?) y almi- 539
ranta de Don Juan Fajardo, y el nabio en que viene Don Alonso de Alencastre y en el mismo en que viene Don Fadrique es donde mas se trae. Y que las cartas que se escrivieren sobre esto sean duplicadas. 29 de Ottubre — Remitiose al Duque de Villa Hermosa [345] Conde de la Puebla, Juan de Pedrosa y Mendo de Mota. Pareceles que si estas cosas fueren tomadas de poder de los enemigos, pertenecen a las personas que las tomaron de poder dei- los, y no deven derechos y con esta consideracion podra ordenar Vuestra Magestad a Don Fadrique, haga recoger y poner de mani- festo la hazienda desta calidad que fuere hallada para que se entre- gue a cuya fuere de derecho. Porque en caso que el paio colorado pertenezca a las personas que lo han tomado, se le podra dar justa satisfacion del para que se entregue a los ministros que Vuestra Magestad ordenare porque corra todo por una mano, y no reciva perjuicio el estanco, y que la misma orden se puede embiar al Marques de la Inojosa. 1G8. [348] Portugal — 23 de Ottubre 1625 Sobre el pato dei Brasil que trae la armada de Castilla Si estas cosas fueron tomadas de poder de los enemigos, perte- neceran a los que las tomaron y no deveran derechos y con esta consideracion he mandado escrivir a Don Fadrique, y al Marques de la Inojosa por lo que pudiere llegar a Portugal que hagan reco- ger, y poner de manifiesto la hazienda desta calidad que hallasen para que se entregue a cuya fuere de derecho. Porque en caso que el paio colorado pertenezca a las personas que lo han tomado se les podra dar justa satisfacion del, para que se entregue a los minis- tros, que yo ordenare, para que corra todo por una mano [348 v.] y no reciva perjuizio el estanco. 169. [349] Francisco de Luzena—17 de Hebrero 1625 Con relacion de lo que contienen los despachos de la India que han traydo un religioso de la Orden de San Agustin y un (?) cap- pitan que han venido por tierra. Las cartas originales se han embiado a Madrid para que se vean en Conssejo por estar el tiempo tan ade- lante para la partida de las naos que han de yr este ano a la índia con que se avra de responder. Esta bien y queda la relacion en mi poder. 540
170. [350] RELACION DE LO QUE AVISAN NUNO ALVAREZ BOTELHO. GENERAL DE LAS AR- MADAS DE ALTO BORDO DE LA ÍNDIA Y RUY FREIRE DE ANDRADE GENERAL DEL ESTRECHO DE PERSIA POR CARTAS DE 17 Y 22 DE HEBRERO 20. 25, 28 Y 30 DE MAYO DEL ANO PASSADO DE 625 Haviendo Ruy Freire, con algunas embarcaciones de remo, tenido muy apretada la fortaleza de Ormuz quitandole los basti- mentos y comunicacion de la Persia y deteniendo-se con esperanças de que llegaria de Goa socorro bastante para emprender Ormuz antes de la venida de las naos enemigas que alli suelen accudir todos los anos llegaron por dos vezes en Deciembre de 624 quinze velas enemigas quatro olandesas ocho inglesas y tres de moros que arrimandose a la ciudad obligaron a Ruy Freire a dejar el puesto que occupava junto a ella, con pecos navios de remo y retirarse a Lareca una isla cercana. A 12 de Hebrero de 625 llego de la India a vista de Ormuz Nuno Alvarez Botello con ocho galeones y haviendo vista de los enemigos que estavan arrimados a la tierra de Persia en frente de la fortaleza de Comoran los demando luego y pelearon la mayor parte dei dia siguiente no pudiendo abordar por ser el viento en favor dei enemigo. Quedo la capitana de Olanda muy destroçada y remoleada de falucas, se aparto de la pelea y en la almiranta se reccg:o la bandera senal de capitan muerto. La almiranta de Nuno Alvarez Botello procuro abordar, pero los enemigos se acogieron a tierra huyendo con todo pano, y sur- giendo junto a ella entrada la noche como tambien lo hizo Nuno Alvarez. El dia seguiente que fue miercoles de Cenisa no se se pudo pelear, por estar la mar muy levantada con cuyo movimiento el arbol mayor de uno de los galeones que estava muy passado de balas se rompio desparejando de todo al galeon y assy sin el, con les siete que quedavan bolvio Nuno Alvarez a pelear con el enemigo el juebes desde la salida del sol asta anochecer, con tanta porfia que de sola la capitana se dispararon mas de mil y quinientas balas de artilleria y por industria de Ruy Freire se quemo una nao al enemigo que como el primer dia se fue huyendo al abrigo de Ia tierra muy destroçado como tambien lo quedo Nuno Alvarez y 541
viendo que el sin querer bolver a la pelea reparava su armada lo fue a hazer de la misma manera en la Isla de Lareca a vista suya. A 23 de Hebrero se hizo el enemigo a la vela con quatorze naos y haziendo lo mismo Nuno Alvarez con los siette galeones le atajo el passo y salida del estrecho de manera que al dia siguiente le obrigo a pelear y empeçando a la una despues de medio dia duro asta la noche la batalla, en la qual el enemigo recibio mucho dano y en la capitana de Inglaterra rasgaron cerca del anochecer la ban- dera de quadra senal de que les aviam muerto el general [350 v.] y matando los faroles huyeron con todo pano, de suerte que al ama- necer no parecia vela alguna y por avisos que despues ubo de dif- ferentes parftes] se entendio que entrambos generales de Inglaterra y Olanda fueron muertos con siette cientos hombres mas y muchos heridos y tres naos de des[tro]çadas se le fueron a fondo. En la armada de Nuno Alvarez Botello fueron heridos ciento y cinqfuoenta] personas y entre ellos el mismo general, Antonyo Telles capitan de un galeon que quedo manco del braço esquierdo y Don Francisco Manuel que havia accabado de sirbir de capitan de Chaul passados los pechos [per] una barra de hierro . Y en par- ticular se senalaron en las refriegas los capitanes Simon del Quin- tal Don Sebastian Lobo y Fernando de Acosta de Lemos y assy Francisco de Sousa de Castro, Luis de Norona de Cunha, Don Fernando Xá, Martin Fernandez Mascarenas, Don Francisco Ma- nuel el Moço, Lcrenço Mousino, Jaime Lobo, Gonçalo Pereira de P...ta y Domingo Maciel de Aguiar y de todos los soldados en comun affirma que pelearon valientemente quedando muy desseoses de bolver [a] manos con el enemigo. Fueron muertos ciento y treinta y en ellos el almirante Francisco Borges de Castel Branco y los capi- tanes Francisco de Tovar de Acuna, Domingo Lorenço, y Jeronimo Botello. Despues de la ultima batalla huyndo el enemigo y recogido Nuno Alvarez Botello a Mascate aviso a Goa y le vino soccorro con el que quedava rehaziendo seis de los galeones para en prin- cipio de Setiembre... a la entrada dei puerto de Surratte esperar las naos enemigas que suelen llegar divididas y peleando con ellas assegurar que no pas [asem] a soccorrer a Ormuz. Los dos galeones que no pudo reparar embfiei] a Goa para que con ellos y los demas que se pudiessen juntar le soccorr[esen] el virrey al tiempo que avia de llegar a Surratte y esperava que [no] abria falta por haverle escrito la ciudad de Goa despues de sabida la viftoria] que a su costa le sustentaria la armada aunque la ciudad se empena [sse]. Ruy Freire de Andrade con algunos navios de remo se iba a poner [a vista] de Ormuz para impedirle la comunicacion de Per- sia aguardando [la] buelta de Nuno Alvarez Botello de Surratte que se fuesse con buen ... se tenia por cierto la recuperacion de Ormuz. 542
171. [351] Portugal —30 de Mayo 1626 Que Hernando de Sosa governador de Angola escrivio, que en Vengala estuvo una nao olandesa de mucho porte, y una lancha, y se detuvieron en aquella bahia 9 dias con mucha comunicacion, y que Hettor Enriquez de Gama capitan mayor de aquel presidio les consentio entreira. Y fue a dormir al nabio, y los tratto en todo como a amigos, reciviendo presentes dellos y dandoles bastimentos, y que por esta causa le avia prendido, y tambien al capitan Andres Jorge Lobo que le aconsejo y acompaiio en lo mismo ('). Desembargo do Paço Dos votos que los dos capitanes sean traydos presos al Reyno y un voto que el governador de Angola conozca de la causa, y proceda con todo rigor, y todos que para lo adelante en estos casos tenga lugar la ley pasada a 18 de Março de 1609. El Consejo de Estado [351 v.] Que las culpas se embien con los primeros navios, para sentenciarse en la Casa de la Suplicacion, quedando ellos presos alia, para executarse alia la sentenza y para lo futuro se conforman con el Desenbargo. Los Governadores Se conforman con el Consejo de Estado. « ' El Consejo Mendo de Mota, y Don Antonio Pereyra que se mande al governador de Angola que con 9 adjuntos que le nombraron los governadores de Portugal, vean y sepan estas causas y executen la sentenza, y avisen de lo que se hiziere. El Duque de Villa Hermosa, y Don Francisco de Bragança, que se sentenzien por el governador y adjuntos, dandose en el caso apelacion por no aver en aquellas partes personas de letras que puedan ser juizes. Remitiose a los mismos dei Consejo y al [352] Presidente de Castilla. El qual se conforma con Don Antonio Pereyra y Mendo da Mota, encargando a los governadores que nombren los adjuntos de toda satisfacion (J). í1) A margem — Como parece a Mendo de Mota y Don Antonio Pereyra. (2) A margem — 27 de Junio. % 543
172. [352] Senor Por decreto de 5 deste mes, me manda Vuestra Magestad lo que se sigue. Por el Consejo de Portugal, se me ha hecho la consulta inclusa, sobre como se ha de conocer de la causa contra dos capitanes de Vengala. Y porque estan los dei Consejo encon- trados en los pareceres sera bien que los quatro que votaron en ella se junten con vos, y habiendose conferido la materia y las raçones de la una y otra opinion, se me consulte lo que a todos pareciere. Y habiendola visto, y platicado cerca de lo que contiene al Pre- sidente, Mendo de Mota y Don Antonio Pereyra, parece lo mismo que la consulta refiere haber votado los dichos Mendo de Mota, y Don Antonio Pereyra, por las raçones que alli se contienen, y tiene el Presidente este casso por de calidad que importa adminis- trar justicia en el sin delaciones, y que ccn los cinco adjuntos que han de nombrar los governadores (a los quales se encargue que sean las personas mas sufficientes y a proposito que huviere) se viene a proveer competentemente, y assi se conforma con ellos. Al Duque de Villa Hermosa, y a Don Francisco de Bragança, parece lo mismo que votaron en esta materia, por las causas que refieren en su voto. Vuestra Magestad mandara lo que mas convenga. En Madrid, a 27 de Junio 1626. Rubricas ilegíveis 173. [353] Portugal — 20 de Junio 1626 Ordenose a los governadores que diessen a Diego Luis de Olibeyra las 8 pieças de artilleria que avia pedido para embiar al Brasil sacandolas de donde hiziessen menos falta. Los governadores embian una relacion de la artilleria que ay en aquel reyno, y la que falta para los nabios de la armada, y que desta se an de armar las naos que han de ir el ano que viene a la India, y de alia solo se esperan dos naos. Y supuesto esto les deve Vuestra Magestad dezir que artilleria daran a Diego Luis de Oli- bera, y de qual. El Consejo lo representa a Vuestra Magestad para que tenien- dolo entendido ordene lo que fuere servido. 544
Remitiose (*) al de la Inojosa, y dize, que Vuestra Magestad mande con resolucion, que se den las 8 pieças a Diego Luis de Oli- beyra, de las que ay y que tantas menos lleven los siete galeones, de las que estan repartidas, o se busquen de hierro para suplir las 8. Que estas no faltaran tomandolas de nabios de merchantes y pagandolas [353 v.] y demas de que la artilleria de las nabes de la India que ban de venir este ano podran servir para la que ha de partir el seguiente. Ay tiempo para tomar assientos de cobre, y para fundille desde agora a quando ayan de salir, conbendra encargar y aun cargar la mano en que los hagan, y no dilaten o lo busquen en los puertos de Espana que a Sevilla y otros va leggando cantidad que sobrara supuesta la proibicion de lo labor de moneda de Vellon. 174. [355] Senor He visto la consulta inclusa que Vuestra Magestad me a remi- tido del Conssejo de Portugal, sobre las ocho piezas de artilleria que Vuestra Magestad mando dar a Diego Luis de Olibera para llebar al Brasil. Conforme a la relacion que se embia con ella, ay en aquel reyno 165 piezas de bronze, y de yerro, y son menester para el apresto de los siete galeones que presuponen an de salir este ano ducien- tos y dos, armandolos segundo que tienen alia resuelto, de manera que respeto de lo refferido faltaran treinta y siete piezas para este despacho, sin las que ccnsideran son nezessarias para el de las nabes que an de yr a la India el ano que viene. Lo que ha dilatado hasta agora la partida de Diego Luis, y la combeniencia de que acabe de yr a su govierno, persuaden que es menester desviar todo quanto pudiere embarazar, supuesto lo qual [355 v.] y que con peca mais que aya no se puede jugar una de las dos andanas de artilleria que lleban los galeones. Me parece que Vuestra Magestad mande con resolucion que se den las ocho pie- zas a Diego Luis de las que ay, y que tantas menos lleben los siete galeones de las que les estan repartidas, o se busquen de yerro. para suplir las ocho, que estas no faltaran tomandolas de navios de merchantes y pagandolas, y pues demas de que la artilleria que se espera en las nabes de la India que an de benir este ano podra servir para las que an de partir el siguiente. Ay tiempo para tomar asientos de cobre y para fundille desde agora a quando ayan de salir, combendra encargar y aun cargar la mano, en que los hagan y no lo dilaten o le busquen en los puertos de Espana, que a Sevilla (l) .A margem — 14 de Junio. 545 35
y otros cstoy informado que ha llegando cantidad, que sobrara presupuesta la prohibicion de la labor de Bellon. Guarde Dios la catholica y real perssona de Vuestra Mages- tad. En Madrid 14 de Junio de 1626 El Marques de La Inojoza 175. [356] Portugal — 20 de Junio 1626 Sobre las ocho pieças de artilleria que se piden para el Brasil Ordenese espressamente a los governadores, que den estas ocho pieças de las que ay, y que tantas menos lleven los siete galeo- nes de las que les estan repartidas, o se busquen de hierro, pues se podran tomar de nabios de marchantes, pagandolas, y pelas nabes de la India que han de partir el ano que viene, demas de que podra servir la artilleria que truxeren las que llegaran este ano; ay tiempo para tomar assientos de cobre, y fundille y encarguese a los gover- nadores que tratten desto desde luego con particular cuydado pues [356 v.] supuesto que ha cesado la labor de moneda de Vellon en estos reynos, abra mucho cobre. [257 v.] Duque de Villa Hermosa Don Francisco de Bragança Mendo de Mota Don Antonio Pereyra A 27 de Junio 1626 Con la consulta dei Consejo de Portugal sobre como se ha de conocer de la causa contra dos capitanes de Vengala. [385 v.] Relacion de lo succedido en Persia. [359] Portugal —18 de Ottubre 1626 176. Sobre una consulta donde se tratta de las Com- panias dei Comercio de la índia Dize el Consejo que los puntos de la consulta son seis, y por- que todos dependen del primero, dize que con satisfacion del abran satisfecho a los demas. 546
Que las conveniências de la compania para el servicio de Vuestra Magestad y bien de sus vassallos es cosa muy sabida, y que la antevio el Consejo y se las propuso a Vuestra Magestad, para que se encargasen a Don Jorge Mascarenas pera con presu- puesto de que entrasen los hombres de negocio Uniberssidades, cavalleros y eclesiásticos si quisiesen y desta manera la tendria? el Consejo por conveniente. Pero que la forma en que los hombres de negocio trattan della antes perderia Vuestra Magestad y sus vassallos, y assi no ay ningun mercader que tratte de entrar en ella, y que assi lo con- sulto en consulta de 19 de Agosto passado, que antes se aventu- raria la reputacion y la India, se perdria con peligro de su ruyna, pues con tres naos que se tratan de armar no se puede abraçar todo el comercio de la India y quitarlo a los enemigos y [359 v.] que entrando Vuestra Magestad en la compania sera para anahir el credito con las naciones estrangeras sin benef[icio]. Parece al Consejo que no conviendra formar la compania con estas condiciones y que se por los pueblos y comunidades que han offrecido cantidad considerable. Que por quenta de Vues- tra Magestad la fabrica de las nabes como hasta agora, y que lo que los nos dan se embie en mercadurias a la India y de los retornos se saquen las ganancias y los repartan los dferechos] quedando las comunidades con el principal copia en la compania con que los vassallos y Unibersidades creceran y tambien la Real Hazienda. El Duque de Villa Hermosa anade que para nescessidades de la índia podria Vuestra Magestad p[edir] de los pueblos las ganancias de los 3 primeros anos. • Don Antonio Pereyra va respondiendo a los 6 puntos. En el primero dize que es conveniente la compania y que Vuestra Magestad embie en ella con caudal porque en la forma [360] que va agora vee que se va perdiendo, todo y de Lisboa se podria restaurar. Parecele (?) que entre Vuestra Magestad en la compania con el estanque de la canela y con la parte de los sueldos? de los soldados que no assisten en las fortalezas de la India y no con dinero que se apliquen a Vuestra Magestad las ganancias. Parecelle que seria bien huviesse tres armadas para las arri- badas y largos viajes y se conforma con el capitulo (?) del rey Don Manuel de que mandava a su armada hisiesse escolta a la compa- nia que avia, y que conviene que sea de mas tres naos. Se conforma con la junta, en el estanque de la pimienta y que sea de todas das demas drogas poniendose en la compania. Que la compania deve procurar que vengan cada ano 2.000 quin- tales de clavo y que si se pudesse impedir al enemigo que llevase lo de Surrate a Paleacate seria importantíssimo 547
que tambien se encargue a la compania que todos los anos pro- cure traer 200 quintales de y 600 de nues moscada. Ix> que ha dicho que Vuestra Magestad entre en el estanco y con los sueldos [361 v.] que ha dicho y no conviendra (') ... 177. [361] Portugal—18 de Octubre 1626 Sobre la consulta que se les embio a la Junta de las Companias de la India y Norte Desseo saber si se os ofrecen mas razones, que las que aqui dezis y mas pormenor, porque jusgo, que es nescesario dar mayo- res fundamentos para dexar de hazer una cosa que es la que ha resuscitado, y puesto en tan gran reputacion a todos mis enemigos dei Norte, que son oy mis rebeldes, y el rey de Inglaterra, y assi ellos como el meten su caudal, en las companias en que tanto inte- ressan, y la perdicion con que oy corre esto para mi Hazienda, es tan conocida de todos, que no creo que ay, quien lo ignore, y desse Consejo porventura no ay ninguno o raro que en discurso particular no aya condenado infinito, la forma en que oy corre. Nadie holgara mas que yo, ni a nadie le importa [361 v.] tanto que se hallaran las cosas de aquel reyno, y las de los otros mios en estado, que pudiera ser razon que quietava el dezir que se haga lo que se ha hecho y que si todos veen ir a fundo la nabe y yo lo veo, ni con Dios ni con las gentes cumpliria, quietandome con solo razones pormayor a dexar el camino por donde veo medrados a mis enemigos; quedandome yo, en el que me veo perder, y he oydo condenar a todos por muy herrado. Y a los desse Consejo como tengo dicho, lo han oydo muchos y acaso en consultas que se me han hecho se podria hallar. Y con esta ocasion no puedo dexar de estranar, que aviendo casi dos anos que mande se me avisassse que camino abria para visitar los ministros de Hazienda de Portugal sea oy el dia en que no se me ha [362] consultado la repuesta ni quexadome si acaso se detienen los governadores en daria para que yo lo mandase remediar. Y lo mismo en las matérias de los christianos nuebos, lo que conviene es, lo que hazeis y espero hareis todos que es que nos ayudemos pues todos caminamos a un fin, que con esto fio que en este negocio y en los demas grandes, que piden tanto remedio encaminara Nuestro Senor lo mejor, como lo espero de su misericórdia. í1) Nota — Ê impossível ler-st a continuação deste documento por defeito do microfilme. . '■ 5 48
178. [363] Portugal—11 de Noviembre 1626 Sobre lo que Vuestra Magestad respondio a la consulta que hizo el Consejo de Estado tocante al comercio, ordenando que dixesse pormenor las razones que se les offrecia contra la proposi- cion tocante a las companias de la India, dize que se reduze a tres puntos. 1 a — Si la compania en la forma que se apunta sera util a la Hazienda Real, assi en el aumento, como en ahorrar gastos. 2.a — Si las ganancias convidaran a los particulares a entrar en las companias voluntariamente o querran mas negociar libre- mente. 3a — Si las tres naos que se presupone seran bastantes para quitar el comercio a los enemigos. 1.® — Quanto ao primero que se pide que Vuestra Magestad, entre con todo lo que agora gasta en tres naos cada ano, y que por razon de las quiebras que suelen tener recompense Vuestra Magestad, la compania con 16 quentos cada ano, con que vendra Vuestra Magestad a gastar lo mismo que agora sin provecho antes con perdida, y dando a la compania demas de lo dicho, los dere- chos fletes, y estanco de la pimienta, sera participe en la ganan- cia solamente respeto del caudal que huviere metido, de manera que no ayudando ellcs a los gastos se les dan los derechos que hasta agora son de Vuestra Magestad partido tan desigual como se conoce. Que no se puede esperar que lo que Vuestra Magestad pierde por este camino se restaure con meter mas caudal por estar tan exausto el de Vuestra Magestad pues aun los 500.000 cruzados que dize la compania son menester pelas tres naos, no ay de donde sacarlos sino dei caudal de las tres naos, que formando la compa- nia cessaria, y no aviendo otro dinero libre que meter en la com- pania tan poco abra ganancia. 2.® — Quanto al 2.® que no abra particular que quiera entrar en la compania porque quando mucho ganaran 100 por 100 y para esto tendran los gastos de la compania y el dinero preso por doze anos de manera que no se puedan valer dei sino 4 por 100, y el riesgo. Y que agora ganan mas de 100 por 100 y tienen su dinero libre para aprobecharse dei [363 v.]como quisieren, y que des- pues de los doze anos el embaraço de las quentas y particiones suele ser grandes, y que assi en dos anos no ha ávido hombres de nego- cio que aya querido entrar. 3.® — Que no se apunta con esta compania el tratto de los enemigos pues tres naos de armada no le pueden quitar haziendo ellos tanto varato, y cargando los enemigos tantos mas, y que es de manera que a los princípios se armaban aqui cinco naos quando 549
avia mas caudal, y con todo enpeçaren los enemigos con ganancia de manera que agora se han hecho duenos de todas las drogas y tratto de la India, y acavandua nos a perder el tratto saliendo mas caro lo que se truxesse que a los enemigos, y no pudiendo darlo al precio que ellos, con que se desharia la compania con perdida de todos, y aun se perderia la India quedandose con todo los ene- migos. Y lo mas proprio seria, que lo que las ciudades y Uniber- sidades han dado se cumpla, aca y alia y se aprobechen de la ganan- cia» y el principal se buelva a emplear y lo mismo hagan los par- ticulares que quisieren. Don Antonio Pereyra se refiere al voto que tuvo en la primera consulta anadiendo que entiende que los asistentes en la Índia se dispondran a la execucion para lo que interesar. Mendo de Mota anade, que en lo que toca a la forma y admi- nistracion de la compania le parece lo mismo que dixo en la con- sulta de la junta. El Duque de Villa Hermosa, que conforme a lo que offrecen los hombres de negocio no resulta beneficio pues hecha la quenta alia, hallan que Su Magestad tendra perdida y tambien los inte- resses (?). que los que entraren en ella, supuesta la ocupacion dei caudal sin poderse aprobechar delo que con el que va en tres naos no se pueda quitar el comercio ni la fuerça a los enemigos. Que si los hombres [364] de negocio propusieren otros médios y razones que sera bien que se vean en Consejo, que con los caudales que se embiaren sin compania tocaran a Vuestra Magestad, tales dere- chos que con ellos puedan embiar caudal a la índia para desalojar el enemigo delia, y estos empleos se pueden començar el ano que viene junto el dinero de la Camara de Lisboa, y de otros lugares. Y que aviendo de aver compania ha de ser voluntária combi- dando a los particulares en las ganancias, mostrandolas por quenta y que para esto sera conviniente mandar a los hombres de negocio que hagan un papel ajustado con las personas que Vuestra Mages- tad nombrare para ello que se pueda dibulgar para convidar a los que han de entrar. 179. [365] Portugal—12 de Noviembre 1626 Sobre las companias para el Norte He resuelto que haziendose la compania con las condiciones que parecieren justificadas entrare yo en ella con el caudal que se propone, aunque sea con perdida de doze quentos de maravedis en cada nao y cada un ano en los primeros tres de la compania 550
declarando que los hombres de negocios han de entrar en ella con caudal competente y seguro de su parte a satisfacion para que se junte con el mio antes que se venga a executar. Y se procurara que el numero de las nabes sea el mejor que fuere posible, ajustandolo conforme a mi caudal y al de los demas que han de entrar en la compania, y con esto [365 v.] se podra ir disponiendo todo lo que tocare a ella, procediendose luego o hazer el regimiento de las con- diciones para que hecho esto se proceda a ajustar las cantidades y lo demas. 180. [366] Respondio la junta que emtrando Su Magestad con perdida de doze quentos de maravedis para fabrica de las três naves le parece que haziendosse la compania sin las condiciones que pare- cieren justificadas sera bien que entre Su Magestad con esta quan- tidad aun que seia perdiendo. Declarasse que los mercaderes an de entrar en esta compa- nia senalando caudal cierto y seguro a satisfacion antes que se venga a assentar. Al 2.° punto se responde con lo referido de caudales ciertos. Al 3." que se prccure con todas las veras a que seia maior el numero de las naves de la índia ajustando el caudal de la parte de Su Magestad y mas consortes. A 16 de Noviembre 626 Rubricas ilegíveis 181. [367] Senor Por orden de Vuestra Magestad se juntaron en el aposento dei Conde Duque con el Don Francisco de Bragança, Mendo de Mota, y Don Antonio Pereyra dei Consejo de Portugal para ver las consultas dei dicho Consejo y de la Junta de las Companias de la índia, tocantes a la dispusicion de la dicha compania. Y aviendo platicado en la materia con la atencion y cuydado que pide la importância delia parecio: Que haziendcse la compania con las condiciones que parecie- ren justificadas, sera conveniente entrar Vuestra Magestad en ella, con el caudal que se propone, aunque sea con perdida de doze quen- tos de maravedis en cada un ano en los primeros tres de la com- pania, en cada una de las naos y se declara, que los hombres de negocios han de entrar en ella [367 v.] con caudal competente, y seguro de su parte a satisfacion para que se junte con el de Vues- tra Magestad, antes que se venga a executar. Y se ha de procurar con todas las veras posibles, que sea mayor el numero de las naos, ajustando ... conforme al caudal de 551
Vuestra Magestad y los demas que han de entrar en la compania, y con esto parece que se podra ir disponiendo todo lo que tocare a ella. Vuestra Magestad resolvera lo que mas conviniere a su ser- vido. En Madrid a 22 de Noviembre de 1626. Rubricas ilegíveis 182. [368] Haciendo deligencia sobre la consulta de la junta que Vuestra Ex.® embio al Conssejo de Portugal entendy en Madrid que havia buelto a Su Magestad respondida del Conssejo y antre otros inconvenientes que no pude alcansar, entendi que ponian tres con que quieren m^ter tiempo en medio que es el camino con que intentaron desde el principio deshacer esta platica de la compania y vienen en una conveniência que viene a ser lo mismo que deshacerla. El primero es que no conviene que Su Magestad se deshaga de todo de las naos de la India y que fabricando algunas haga otras la compania. El otro punto es que no puede haver compania sin que entren en ella los hombres de negocio y que ellos no se declaran a entrar, y que anssi infieren que no la hallan buena. El tercero que no es conveniente que Su Magestad entre con suplimiento de los deziseis quentos ny menor quantidad por nave. La conveniência es que corran las naves y apresto delias por los ministros de Vuestra Magestad que hoy corren con ellas; y que de lo que an offrecido las ciudades se forme la compania mandando este caudal repartido en tres armadas para que se vaya engrosando, y siendo las ganancias de consideracion se tratara dei mas. Sobre el primer punto se conferio en la Junta dei Almirantado muy largamente y todo le excluyeron como cosa muy fuera de pro- pósito, e imposible; porque no se en que juisio puede caber que el rey se meta en dos machinas; quando todos juzgan con evidencia clara que no puede sustentar la una, y que la fabrica que hoy tiene de las naves, y comercio de la índia, tiene apurado el reyno y la Hazienda Real, porque no da ganancia ninguna, sino grandes y continuas perdidas de que Su Magestad por Conssejo de minis- tros entendidos y zelosos de su real serbicio se quiere valer de la compania de manera que por este camino pretenden que Su Mages- tad se quede con el dano por entero, y no goce dei provecho de la compania. Y en todo se conosce una contradicion manifiesta, por- que el Conssejo ha dicho siempre que es necessário la compania porque a el rey le falta caudal para armar por su quenta, y aora dizen que arma por una parte, y que por otra haga compania entrando como participe en ella. 552
Dizeri tambien que apartandosse Su Magestad de la fabrica de las naves, no tendra con que hacer un socorro a la India, siendo necessário — a que se responde — que demas de se poder hacer de las ganancias de la compania que tocaren a Su Magestad nunca los socorros se hicieron con las naves ordinárias de la carrera, sino con galeones que o se pedieron a la Corona de Castilla o se compraron de nuebo, y haviendo necessidad de socorro siempre queda este camino y la Hazienda [368 v.] Real de Portugal mas descargada para acudir a los socorros haviendo la dicha compania pues por ella se ha de continuar la navegacion con la ayuda del reyno y de los particulares y hombres de negocio. Y anssi queda claro que no trace buena propuesta el que dize que conviene a Su Magestad no largar de todo la navegacion, y en particular porque trayendo Su Magestad pimienta no la puede largar a la compania; y la compania no se puede formar sin ella, y beniendo por entram- bas las vias se hara dano una a la otra. Y quanto a lo que dizen de que no quieren entrar los hom- bres de negocio se responde que aunque sin ellos se podra conti- nuar la compania entre Su Magestad y el reino con lo que tiene offrecido que no se puede dizir que los hombres de negocio no quie- ren entrar, porque dizen que lo han de hacer con las condiciones que han representado de las quales las principales son las que estan apuntadas en esta consulta de que se trata, Y los con que se ha tratado este negocio (que estan en Madrid) dizen que concedidas ellas declararan la quantidad con que han de entrar, y se firma- ran en la compania. Y de crer es que con esto, y deferiendo Su Magestad algo a lo que pretienden por la junta que se hiço en casa dei padre confessor que lo hara con larga mano, y declarar el regimiento de la compania que no se puede hacer sin la resolu- cion de los puntos que consulto la Junta dei Almirantado. Quanti mas que quando faltasse este medio (que por ser volun- tário sera el mas bien recebido, y el que d [a] mas credito a la com- pania) ay dos con que los obligaran: el primero que Su Mages- tad passe sedula en que declare que pues el y el reyno entran en esta compania que lo hagan tambien los hombres de negocio como gente mas intereçada en el trato de la India, y que por medio del ha enrrequecido, senalando quinientos u seiscientos mil ducados, o lo que pareciere, y que estos se repartan entre todos os tres anos para las tres armadas de que se trata, y quando se les pediera este dinero de serbicio para acudir al Estado de la India (que tanta sangre ha costado a Portugal) y para sustentar la christiandad y religiones que ay en ella? (sic) no fuera injusticia; porque los hombres de la nascion por contratos que hoy ay en el archibo, que llaman en Portugal Torre do Tombo se obligaron a acudir con sus haciendas a todas las necessidades dei reyno, quanti mas que esto 553
no se les pide de serbicio ny prestado, sino que assy como tratam y contratan en la India, y otras partes, metan una pequena parte de sus caudales a perdida y a ganancia en esta compania que la ha de sustentar. Y quando Su Magestad no quiera este medio, puede haver otro que tambien los meta a camino, y es passar una sedula a quien fuere tratar este negocio para que a imitacion de lo que se hace los mas de los anos, pueda tomar pres[ta]dos de los hombres de negocio del reyno, que no entraren en la compania ciento, y ducien- tos mil ducados prestados para la compania, a pagar a la buelta de las naos en la pimienta como hoy se hace; y parece que con- ciderando ellos esto, que antes querran meter su dinero a ganan- cia en la compania, que no prestaselo. Quanto al tercero que toca al suplimiento, es cosa inescusable que su Magestad le haga. Y no tiene entendido la materia quien piensa que sin el se puede formar esta compania. Lo primero porque se supone por cosa constante y cierta que esta dicha compania no ha de atravessar todo el comercio haciendo estanco dei en ... sino que los particulares que quisieren puedan contratar de per sy como hoy hazen pena de que lo contrario seria estrechar el comer- cio, y arruinar la India. Que este concepto tienen hecho todos los que con fundamiento tienen entendida esta materia, pues como sera possible que ninguno quiera [369] meter su caudal en esta compania biendo que se negocea de por sy, no tendra mas dano su negociacion que pagar derechos y fletes? y se negocea en la compania demas a mas de derechos y fletes, ha de pagar todas las costas, de la armacion, y navegacion como le tocara por la rafa. Lo segundo porque haviendosse perdido Su Magestad por las grandes costas que hasta aora ha tenido en armar por su cuenta en que juisio cabe que los particulares sabiendo cierto estas per- didas de Su Magestad se quieran voluntariamente encargar delias, teniendolo por buen partido para meter sus caudales en la compa- nia. Y adbierte Vuestra Excelência que este de los suplimientos tenemos el exemplo de todas las demas companias que se an ins- tituydo en el Norte pues en todas ellas han entrado los estados, o los príncipes con muy gran caudal suyo, parte como compane- ros, y parte como suplidores dei dano dandolo a todas passadas para augmento de las companias como hemos bisto en las orde- nanças que hicieron para ellas. Y tambien se ha de advertir que en los deziseis cuentos de suplimiento como muy largamente se dize en la consulta de la junta, los ocho son de obligacion percisa de Su Magestad, que proceden de la costa que se hace con bas- timentos, pagas y armas de 300 soldados en cada nao, y con los arbítrios que Su Magestad ha concedido al Duque de Bergança, Conde de Vidiguera, padres de la Compania, y otros particulares, y de los otros ocho (que viene a ser el verdadero suplimiento) se 554
carga por rata a las communidades lo que les tocare, con que vendra a la parte de Su Magestad quatro cuentos poco mas o menos, pues siendo anssy, que ministro de discurso y zeloso dei serbicio de Su Magestad puede haver, que no le parescan bien empleados, entrando todos los demas companeros participes a los danos, sobre que se pudiera dizir mucho, que se dexa por no hacer este discurso largo. Y veniendo a lo de la conveniência con que viene el Conssejo digo, que jusgo que en todas vendran los ministros de Portugal, como no se les quite de las manos la fabrica y jurisdicion que tienen en esta gran machina, y proceden con tal pasion en no quereren que tenga effecto esta compafiia que todos aprovaron por buena, que podemos jusgar que repararon en ella despues de apalparen y vie- ren con evidencia que se les havia de quitar de las manos el domí- nio con que hasta aora uzaron desta materia; porque poniendo por objeccion para deshazer esta platica que no se puede hazer sin que se declaren los hombres de negocio con lo que han de entrar; no quieren entender que por no se les dar forma y regimiento lo dexan de hazer, y quieren que se haga la compania solo de lo que ha offrecido el reyno y que se continuen las perdidas que Su Mages- tad ha tenido hasta aora con dos intentos, el primero por no les pri- varen dei domínio destas fabricas, y destribuiciones de la Hazienda Real de que estan en possecion, y lo otro pensando que an de que- dar con mas mano para despender las ganancias dei caudal de las ciudades de la misma manera y con tan larga mano como hasta aora lo han hecho de la Hazienda Real. [369 v.] Sefior esta materia esta entendida de muy poços, o por los respetos de sus intereces no la quieren entender, y anssy hablan abulto dando por Ias paredes; y Vuestra Excelência este cierto que quanto mas se tratare este negocio por personas intereçadas, y que no le tienen penetrado: tanto mas se ha de dificultar la execusion por el empeno en que suelen hacer los que lo son, y poco saben de las matérias en sustentar lo que una vez hecharon por la boca y pudiera dizir mucho de las intenciones y intereces particula- res, pêro si Vuestra Excelência se sirbiere dello, se lo hara. Sobre todo se adbierte a Vuestra Excelência que hasta aora dizian los ministros de Portugal que no podia hacersse la compania por no tener Su Magestad caudal con que entrar en ella; lo que no pueden dizir hoy, porque estas naves traen doce mil quintales de pimienta, y con los derechos siempre ha de tener Su Magestad quinientos para seiscientos mil ducados, demas de las dos naves, y de otra que ay en Lisboa, que mandando entregar todo a la com- pania es muy buen caudal para empessar, y con este puede consignar lo que le ha de venir en las tres naos que hoy estan en la índia. Y perdiendosse esta occasion metesse mas un afio en medio, y si 555
aora representan três deficuldades, han de llevantar en cl discurso deste ano tres mil. Todo esto represento a Vuestra Excelência con el zelo que tengo del serbicio de Su Magestad y que ha dos anos que ando occupado en este negocio para que fuy llamado dos beces a esta corte, en que tengo gastado, demas del tiempo, y de las incommodidades, gran suma de dinero, para que o se sirba de mandarlo executar, o de me dar licencia para que me vaya a my casa. Nuestro Senor guarde a Vuestra Excelência muchos y felices anos. Deste citio a 23 de Octuber de 1626. Don Jorge Mascarenas [370 v.] Don Jorge Mascarenas Para con las consultas de las companias [371 v.] Junta dei Conde Duque Don Francisco de Bragança Mendo da Mota Don Antonio Pereyra Sobre las consultas tocantes a las Companias de la índia. En esta conformidad lo he resuelto. F. Rubrica do rei 556
183. [375] LAS ARRIVADAS Y DEMAS DETEN- CIONES PAREZE QUE AYAN DE SER POR QUENTA DE LA COMPASIA A RATA Como verifican ni pueden que costara lo mismo al rey presu- poniendose por primera (') condicion en la consulta de la junta que se ha de bajar en cada un ano 8 quentos en cada nave de los suplemientos en cada ano y otros 4, de lo que se considera se repar- tira en los prestos de las Universidades con que son cada 36 quentos fuera de quedar escusado de toda la cantidad entera de los suple- mientos al cavo de los 3 anos y gozar de lcs interesses como si se pusiera. Enquanto a que no ay caudal [375 v.] para suplir los 900.000 (2) cruzados en cada ano de los primeros 3, se responde, que el caudal de las naves deste ano suple el del primer ano y las dei ano que viene el dei segundo. Y 500.000 cruzados no es partida para dexar perder la índia por ella, si se dixere que se podran perder las naves dei ano que viene se seplica si no hubiera compania que se hubiera de hazer para suplir el otro. Y que esto mismo se haga para suplillo. La instancia de que se da parte en la primera y derechos es flaqua pues de lo que el rey gana con esto todo no se suple la costa y con lo que se perdieren deste provecho en 3 anos se assegura ganancias grandes [376] y ciertas en lo de adelante y puesto doblando assi para que rejista los danos y perdidas que se recivie- ren como para que conezca el caudal de estos empleos. Y si se ajustase lo que al rey le cuestan los aprestos y ruin administracion de sus despachos, y usurpacion robo y mal cobro de los ministros inferiores y todo lo ha menester suplir el provecho dei ano siguiente juntamente con los salarios inutiles y ministros que se pagan no necessários, vendria a poderse considerar porven- tura muchos quentos de aprovechamento no favor de Vuestra Ma- gestad fuera de los pecados que se escusaran en tanto ministro como se acrezenta en lo temporal de lo usurpado de Su Magestad. í1) A margem — Al Primer capitulo de la dicha consulta dei Consejo de Portugal. - - (2) Nota — 500.000? . ■ 557
[376 v.] La esperiencia de como n... va con la administra- cion ... se ve y como les [ha]ra a los holandeses guer[ra el] rey de Inglaterra tambien y la desigualdad grande que ay. Este capitulo era bueno para [ser guar] dado por los hombres de negocio en disculpa de no querer entrar en la compania pero no puede convenzerce el dictamen de n... para que esto no sea util al rey que es lo que toca a los ministros ... representar, y lo que pareze representaron en el capitulo anterior (*). Por la otra parte, tampoco puede hazerse dictamen para lo mismo que le forman por infinitas razones pero [to]dos (2) que no tienen respuesta. La una que estos mismos hombres [377] de negocios proponen esto la otra que con las mismas condiciones lo executan los holan- deses y ingleses y los unos y los otros esfuerza que entendan mas de su granjeria que el Consejo y sus ministros. En lo que deve de haver rezivido equivocacion el Consejo es, en figurar este discurso presuponiendo que avian de meter todo quanto caudal tenia cada uno particular con que para vivir estes doze anos avian de pedir limosna y aun asi reziven equivocacion lo uno porque con los 4 por 100 que les han de dar no les obligara a pasar necessidad. Lo otro porque con el credito no mas de tener hazienda dentro allaran quien les [de] dinero sobre ello para tra- taren otras partes. [377 v.] Lo que pareze que el Consejo quiso dezir en este capitulo y omite el espressallo, porventura por presupuesto dano es que ellos metam cantidades ciertas y las offrezcan lo qual se podra tratar y assentar el dia que se hubiere dado el regimiento a la compania y se sabTra] que entonzes se assegure y se ajuste en la cantidad que me pareziere. Este capitulo (3) no se entiende totalmente porque si el rey no tiene caudal para embiar 3 naves como dize el Consejo como propone que vaya mas quando juzga que no abra caudal que meter de trato n[i] viniendose, a descontentar de la consulta de la junta de que no se embien mas de 3 naves quando [378] dizen que de aca no ay caudal de embiar una quanto mas 3. Antepone que siendo el principal intento quitar el comercio a holandeses es poca carga la dez naves trayendo ellos tantas mas y por otra parte que rajandose el precio de las mercaderias se dis- minuyra los caudales a que ay infinitas cosas que responder. Pero basta dezir que todas las cosas de futuro en esta vida estan sugetas a la contingência que el camino mas azertado que se puede escoger (•) .4 margem — Al 2." pun to. (2) A margem — Mas particulares. (3) A margem — Ai punto 3.° 558
es aquel por donde los enemigos desta corona se han hecho supe- riores, a los portugueses estando ellos entonzes solos y absolutos este es governando bien los despachos armazones [378 v.] y frutos. Oy vale menos la pimienta y los demas generos em Holanda que en Portugal, estando tanto mas rerca Portugal, estan mas prósperos aquellos mercaderes y mas caudalosos sin otro medio que governar bien la mercancia y abarrotalla, de aqui les ha trazido empezando por poco subir a tanto. Y governandose lo de aca por mano de mer- caderes inteligentes y interessados en ello se conseguira el crezimento de las naves y armazones y todo lo demas que llega a dessear el Consejo de Portugal y concluyendo en este punto es impossible que governado por mano de ministros del rey materia de granjeria juzga ni parezca nada [379] ni dexe de perderse todo y oy no ay mas dificultad en estas matérias que las bozes sordas y inteligências de los que se aprovechan en esta parte. El medio que propone Mendo de Mota es impossible que si no se mezcla con los hombres de negocios no sea la absoluta per- dicion de todo y si no desseo saver los síndicos destas ciudades corresponderan a mas que unos regidores de las ciudades de aca, pues bien se ve lo que estos obran en lo que no son interessados, y assi los que hubieren de entrar en la compania por parte de las Universidades han de ser con calidad de haver puesto ellos su principal caudal particulares en la nuestra compania. [379 v.] Enquanto a lo que dize el Duque de Villa Hermosa, sera obra dei Espiritu Santo el introduzir en la compania como pro- pone en el principio de su voto y lo de lo postre tambien seria obra dei Espiritu Santo. Pero yo soy de parezer que si dieren a Vuestra Magestad las ciudades de Portugal y Camara de Lisboa 2.000? ... para Vuestra Magestad solo con condicion de que lo govierno como hasta aqui entiendo que en conciencia no la puede Vuestra Magestad acetar porque por Ia forma de administracion que oy corre no ganara jamas Vuestra Magestad y se quedara todo en lo que los minis- tros ... usurpan. [380] Oy mete Su Magestad en 3 naves 490.00 y tantos cru- zados. Oy no gana nada. Proponese que Su Magestad meta la mesma cantidad por 3 anos y que desta cantidad de a la compania menos 16 quentos por cada nave y que en la restante cantidad entre a perdida y ganancia desde luego con los demas mercaderes y que passados 3 anos no provea cantidad ninguna de nuebo, gozando de los empleos y sem- 559
pleos del principal que hubiere puesto en estos 3 anos y los reditos deste mismo tiempo salvo 144 quentos que montan los 16 quentos en los 3 anos [380 v.] como esta dicho de los quales dichos 166 quentos se abran de bajar 36 quentos que se podrian cargar a las ciudades y camara en estos 3 anos con que Su Magestad viene a suplir solos 108 quentos entrando en toda la demas suma a per- dida y gancia (sic). 560
índice onomástico, geográfico e ideográfico A Abagahan — 79. Abana — 156. Abreu (Pedro Alvares de) — 257. Acanes — 482. Acapulco — companhia comércio — 265. Acaraques — 190. Achara China — 68. Achem — 257; intenções persas—414; perigo Malaca — 359. Açote de Dios — 245. Açúcar — 2. Adarasati — 142. África — 42, 110, 200, 259; gente Bra- sil — 464, 524; gente socorro índia — 383; praças — 489; soldados — 410. Aganeon (?) — 133. Agra — 69. Agredo — 122. Agrim (Mina) — 161. Aguiar (Domingos Maciel de)—ba- talhou c. ingl. — 542. Ainão — 180. Ait&o — 68. Aito — 183. Alá — ver Alehan. Alacu — ver Alehan. Alba Julia — 246. Albarra (D. Diego de)—soe. a en- viar índia — 365. Albergaria (Estevão Soares de) — capitão — 60; proposto arrend. C. Verde —461. Alberto (Arquiduque) — inquisidor de Portugal; Nova lei sobre comércio judeus — 285. Albuquerque (Afonso de)—58. 80, 89, 90. 91. 243; fortaleza de Ormuz — 450, 451, 452, 455; socorro a Ormuz — 458. Albuquerque (António) — 148. Albuquerque (Duarte de)—4. Albuquerque (Fernão de)—255; de- vassas — 294; informações da Índia — 308. 312, 316, 387, 389, 390; in- formações de Ormuz — 311, 387, 389; socorro Ormuz — 350. Albuquerque (Jerónimo de) — capitão — 60, 148. Albuquerque (Jorge de) — general da conquista de Ceilão — 317. Albuquerque (Matias de)—vice-rei da índia — 42, 81, 104; capitão de Ormuz — 94; capitão de Pernam- buco— 497, 499. Alcácer — refúgio Muley Hamet — 305. Alcochete— 184 Aldeia Galega — 184. Alehan,— 79. Alemanha— 186, 215, 219, 231; arti- lheiros — 456; contrato de naus — 265; socorro Índia — 357, 360, 362; sustento da fé — 414, Alentejo — trigo Ceuta — 537. Alencastre (D. Afonso) de)—5. Alepo— 131. Alexandreta — ver Escandarona. Alexandria — 145. Algarve — alfândega — 271. Alianças dos reis Melique, Idalcão e Catabuxá contra holand. e ingl. — 318. Almeida (António de) — galeões Or- muz — 333. Almeida (António Palia de)sobre est. artilh. de Ormuz —343. Almeida (Domingo de)—processo — 294, 295, 296. 298, 299; suspeito traição. 293. Almeida (D. Francisco de) — 123. Almeida (D. Lourenço de) — 123. Alva (D. Fernando de) — 66. 561 36
Álvares (António) — galeões Ormuz — 333. Alvares (Mateus) — mestre — inform. sobre galeões Ormuz — 335. Amacão— 178, 179, 180. Amadavá — 99. Amão do Aquebar— 100. Amaral (Tomás Godinho do) — ga- leões Ormuz — 333. Amazonas— 154. Amboino (Ilha de)—40, 116, 254, 256, 257, 269; domínio ingleses e holandeses — 275. Amsterdão — 214. Amy da — 206. Anaya — secretário — 425. Ancão — 65, 68, 179. Andala Muquila —183. Andaluzia — 446; compra de navios — 456; gente bisonha p." Brasil — 464; junta de guerra — 466; provín- cia Africa — 536; soldados para Africa — 465. Andrade (Fernão Peres de) — 180. Andrade (Rui Freire de) — ataques inimigos —541; batalha c. ingleses — 318; defesa Estreito — 355; forte Queixome — 327, 350, 354, 361: ga- leões— 344; ingleses — 327; socor- ro índia — 275, 276; socorro Ormuz — 281, 310. 311. 323, 330, 541. Andrade ("Simão de) — 180. Andrade (Simão Freire de) — solda- do — parecer entreg. Ormuz — 349. Andragui (porto de) — 166, 256. Andregui (porto de)—ver Andragui. Angola —21, 23, 34, 35. 37, 182, 183, 184, 185, 200, 201. 219. 220. 221; ataque holandês Brasil — 532; co- mércio com o Brasil — 6; defesa de naus da Índia — 417; escravos — 36; população Brasil — 524; reino de — 16. 20, 22. Angra dos Reis, ou Santo Amaro — 6. Anibal — 276. Anoja — prov. Ceuta — 536. D. Antão (de Noronha) —vice-rei da Índia — 86. António (D.) prior do Crato — neto na arm. Brás — 527. Antunes (António) — galeões Ormuz — 333. Antunes (Simon)—399. Antunez (Manuel) — acord. ingl. Or- muz — 342. Apiano (Pedro) — 250. Aquebar — 100. Arábia — 40. 42. 43. 88. 90 ,92. 93. 94, 113, 114. 120. 127, 131, 250. 562 251, 274; comércio Mascate — 450; galeões Ormuz — 331, 332, 405; so- corro Ormuz — 459. Arábia a Feliz — 243. Arábias — 243. Aragnes — 246. Aragon y Borja (D. Carlos de) — duque de Villa Hermosa, conde de Ficalho— 1. Arão — 121. Arapor (Porto de) — intentos holan- deses s. posse — 287. Arcádio (imperador) — 127. Arcebispo D. Frei Aleixo de Meneses — rendimento da Índia — 413. Arcebispo de Cranganor — 157. Arda (Porto de) — 200. Argel — redução renegados — 300, 301, 302, 303, 304. Argi (Castelo de) — 197, 199. Argistan — 251. Arménia — 93. 247. Arquipélago de Maluco — ver Ma- luco. Arizti (Andres) — dr. da St.* Igreja de Toledo — 485. Aroztegui (Marfim) — ver Arozfe- guim. Arozteguim (Marfim) — gente Africa Brás — 464, 536; socorro Ormuz — 280; socorro Mina — 308, 313. Arracão — 234, 236, 239. 240, 241; príncipe de —■ 240. Arrecife — 195. Arriano—129, 131. Arrio — 246. Arrostigui (António de) — secretário — consulta assuntos Pérsia, Filipi- nas, índia — 268; sobre caso de Or- muz — 315. Artelharia — 444. 445. Asia —40. 42, 110, 243,247. Assíria — 93. Atabalipa — 154. Ataíde (D. Estevão de) — 159. Ataíde (D. Luís de) — conde de Atou- guia —103. Atouguia (Conde de) — 199. Aveiro — alfândegas — 271; caravelas Brasil — 530. Áurea Chersoneso (Samatra)—40. Austradana— 154. Aytão — 180. Azevedo (Francisco de) — acord. ingl. Ormuz — 342. Azevedo (D. Jerónimo de) — 293, 320. 321. Azevedo (Leonardo de) — galeões Ormuz — 333.
ças — 409; socorro índia — 357, 358, 360, 362, 363, 365, 366, 386. 393. 396, 399; soldados — 392, 395, 399. 410. Fonseca (António de) — 153. Fonseca (António Monis da)—se- cretário da Câmara do Conselho de Portugal — 203. Fonseca (António Pinto da)—capi- tão de Malaca — pedidos de socor- ro contra enemigos — 316; subst. cargos — 382. Fonseca (Dinis Janes da)—proposto arrend. C. Verde — 461. Fonseca (Francisco da) — 172, 173. Fonseca (Manuel de)—203. Formosa (Terra) ■— socorros — 399. Fortaleza do Rio Grande — ver Rio Grande. Forte do Cabo de Loy — 3. D. Fradique — ver Toledo. França— 104, 156. 163, 170. 215, 219, 220, 224, 225, 227, 228, 231; rene- gados Argel — 302, 303. 418. Franco (D. Diego)—alcaide — 485. 486. Franco (Manuel) — cap. — enviado soe. Índia — 383, 399. Fratecão — general — 104. Frei Agostinho de Azevedo—161. Frei Baltasar de la Madre de Dios — galeões Ormuz — 333. Freire (Estevão de Brito)—vidé Es- tevão de Brito. Freire (Gomes) — batalh. Bras. — 527. Freire (Manuel de Grandia) — ga- leões Ormuz, 333. Freitas (Domingos de)—escrivão da Fazenda — amotinados Ormuz — 342; entrega fort Ormuz — 350; perda de Ormuz — 339, 340, 345. 346, 348. Furriano — engenheiro — socorro ín- dia — 365. Furtado (André)—ver Mendonça. Furtado (Diogo de Mendo) — gover- nador — caravelas p. o Brasil — 497. G Gago (Luís) — galeões Ormuz — 333. Gale (ponta de) — 157. Gama — capitão — enviado Bras. — 525. Gama (Heitor Henriques da)—con- sente entrad. nau hol. Beng. — 543. Gama (D. Vasco da) — 142. Gamboa (Juan de)—assuntos maríti- mos— 263; socorros índia, inform. — 273. Gamboa (João Casado de)—capitão — 255. Gangas — 233, 234, 235, 237. 240. Ganges (Ribeira do) — 118. Garcês (Gaspar)—acord. ingl. Or- muz — 342. Garibay — desemb. prata Terceira — 393. Garsopà —166, 168. Geórgia Menor, ou Gurgia — 253. Gerban — 250. Geredão — 133. Gibraltar — ver Estreito. Ginalougão— 142. Giricoacoara — 190. Giron (D. Fernando) —467, 469, 473, 488, 491, 494, 516; aliança Inglater- ra—315, 402, 426, 435, 436, 437; forte de Lagem — 496; holandeses Brasil — 523, 529; judeus, 514; naus — 439, 440; perda de naus índia — 429; situação índia — 471, 476, 512; socorro Brasil — 522", socorro índia — 438, 510; socorros — 430, 432, 433, 445, 448. Giron (D. Francisco) — 427. Goa —44, 45, 47, 81, 82. 103, 113, 114, 127, 129, 145, 146. 158, 166, 254, 255, 256, 257, 488; armadas — 418. 491, 494; dinheiro defuntos — 399; galeões — 380; gente para Or- muz — 360; mantitmentos de Ormuz — 352; misericórdia — 444; naus es- trangeiras— 492; naus inimigas — 508; naus — 438; proc. c. Fern. Cron — 293, 294; socorros — 280, 363, 365, 486, 487, 489, 513. Goes (Damião de) — 140. Gom — 251. Gomes (Duarte) — vidé Solis — 282, 286. Gomes (Joseph) — acord. ingl. Ormuz — 342. Gonçalves (Diogo) — acord ingl. Or- muz — 342. Gonçalves (António)—acord. ingl. Ormuz — 342. Gonçalves (Manuel) — piloto, o Re- gefeiro de Leça— 189, 191, 193, 194. Gorgia — 96. Gorgonia — 247. Gotela (Nuno) — proposto cap. soe. Índia — 399. Gothia — 247. 5 70
Gouvea (Inácio de)—acord. ingl. Ormuz — 342. Graces (António)—galeões Ormuz — 333. Graces (Baltasar)—galeões Ormuz — 333. Grã-Bretanha — 436. Grão Mogor —107. Grão-Pará — conquista — 1; governo — 2; província — 39. Grécia — 79. 131. 132, 230. 231. 245. Groduxá — 79. 80, 88. Groelândia — 156. Guacapulco — 265. Guadalcanal (minas de)—203. Guedes (Nicolau)—acord. ingl. Or- muz — 342. Gueicão — 64. Gueimica — libertação de um escravo — 485. Guiné — 195, 199. 200. 219. 220, 221; socorro — 393. 394. 414. Guyenche (cidade) — 252. H Habana — cobre — 444. 445, 448. Haia — 155, 216. Halen —155. Hanvers — 229. Hem[é (Mina) — 161. Henrique (Cardeal D.)— inquisidor geral, rei de Pat — 71, 187, 202, 203; revogação lei sobre comércio judeus 285. Hernandez (Diego) — escravo — 485. Hesereque (general de) — 155. Hichan — 251. Hiery — 252. Hircania (Província)—250. Holanda — 65. 66. 67, 155, 209, 210. 214, 218. 220. 221. 224, 231; açúcar Brasil — 532; armadas — 263, 266, 496, 515; companhia comércio — 267; comércio Espanha—521. 526; corsários — 466; linho — 23; navios Brasil — 287; navios — 320; nego- ciações c. Portugal — 509; pimenta — 559; rompimento c. Portugal — 505, 509; tréguas —410, 505, 507. Homem (Heitor)—63; Homem (Manuel Mascarenhas) — 159. Homem (Vasco Fernandes) — 173. Hoó (Mar de) — 129. Hulan — ver Alehan. Humani — 139. Húngria — 244, 246. Hurtado (Tristão Mendonça)—guar- da nav. Brasil — 535. I lambe (porto de)—256. Ibarra (D. Diego)—488, 494, 507; armadas — 512; dinheiro socorro — 445, 448; guerra c. Holanda — 509; socorro Índia, pimenta — 399, 435, 439, 519. Idalcão—101. 103, 166, 317; alianças c. ingleses, holandeses, Melique, Ca- tabuxá — 312, 318; pazes, relações c. o Mogor — 317. ídolos — 198, 199. llenaré — ver Ilha Lacão. Ilha do Almazem — ver Ilha de Santa Ana. Ilha de Ancão—178. Ilha de Barém — ver Barém. Ilha Batochina — 56. Ilha de Bossis— 198. Ilha de Cais — 79. 80. 132 Ilha de Calapa— 116. Ilha do Cubo— 145. Ilha de Fernão de Noronha — 3, 209, 312. Ilha Formosa — 61, 62, 65. 67, 68. Ilha das Galinhas — 198. Ilha Gerum — 79, 80, 82, 88, 90, 132. Ilha Grande das Papuas — 41. Ilha de Itamaraca — ver Itamaraca. Ilha de ]ava — 255. Ilha de Lacão— 119, 120. Ilha de Lampacao— 178. Ilha da Maceira — pérolas — 93. Ilha de Maldiva — ver Maldiva Ilha Mamale—129. Ilha da Margarita— 156. Ilha de Marques — 192. Ilha de Moutiel — 50, 55. Ilha dos Pescadores — 61, 65, 66, 68. Ilha do Principe— 187. Ilha de Queixome — 81. Ilha de Quirimba — 162. Ilha Roxa — 198 lha de Salsete — 44. Ilha de Samatra— 166. 254, 255. Ilha de S. Luis— 193, 194. Ilha de S. Lourenço — sucesso do conde de Vidigueira — 501. lha de S. Tomé — 202. Ilha de Sana Ana — 191, 192, 193, 194. Ilha de Santa Helena — defesa das naus da Índia — 417. Ilha de Santo Aleixo — 4. Ilha de Tanção— 180. Ilha do Taco — 199. Ilha de Tapoan — 4. lha Terceira — armada — 505. Ilha de Ternate — 49. 50. 571
Pinheiro (Paulo Rego) — ver Pinero. Pinto (Francisco)—galeões Ormuz — 333. Pinto (Francisco da Fonseca) — 172. Plínio— 128. 129, 130, 131. Pochem — 68. Po Juca — 129. Polónia — 219, 244. Polibay (ilha de) — 270. Poliburum (ilha de)—holandeses — 270. Ponta de Catagiba— 190. Ponta dos Búzios — 189. Ponta Negra — porto — 3. Ponta Real (baluarte da)—51. Ponta de Tinare — 4 ,5. Ponta de Ubarana— 189. Pontho — 233. Porto —5. 13. 15; alfândega —271; caravelas, gente Bras. — 530; na- vios Índia, emprést. — 442, 443. Porto de Bertioga — 6. Porto de Baysagasuy — 7. Porto de Búcios — 3. Porto Caibo — 12. Porto de Canindé— 13. Porto de Capivari — 6. Porto de Iacatuara — 7. Porto Baratabir — 6. Porto do Recife — 4. Porto Seguro — 5; capitania — 33. Porto de Toxuca — 6. Portugal—1, 3, 4. 10, 13, 41, 112, 115, 117, 144. 145, 159, 164, 169. 182, 187, 197, 200, 201, 204 , 208, 209, 211, 217, 220, 222, 227. 228, 229, 233, 270; artilharia — 288; pa- gas gente mar — 281; socorro sold. Índia —365, 418, 420. Portugal (D. Cristóvão) — informa- ções s. desígnios holandeses — 287. Portugal (D. Manuel) — navios Índia — 287. Portugal (Nuno Álvares de) — difi- culdades na Índia — 277, 278; soe. Índia, perig. faltas, fortal., etc. — 370; perda Ormuz — 407. Portugene (Bartolomeu) — mestre provim. Ceuta — 537. Prada (D. Andres de) — holandeses — 263; soe. Brasil — 515. Prado (Gil de) — galeões Ormuz — 333; acord. ingL Ormuz — 342. Praiva — 60 — ver Paraíba. Presidente Flandres — carta real so- bre soe. Br. — 534, 535. Preste João — 45, 159, 252; reino — 421. Príncipe (baluarte do) — 54. Príncipe de Gales — 435, 437; cartas para a índia — 433, 434. Príncipe de Orange — navios armados — 497, 499. Proença (Constantino de) — 330. Província — 227. Ptolomeu —125. 126, 127. 129, 130. Puraná — 133. Q Queda — 116. Queixome — ataques persas — 350, 387; cerco — 318, 387; forte de — 274, 327, 328, 330, 336, 338; solda- dos desarmados ingleses — 323. Quelim — mercador — 112. Quiloange Quianimonge—183. Quintal (Simon dei) — capitão— luta c. ingleses — 542. Quipozcoa — compra de navios — 446. Quiximire — ver Cachemira. R Rabaft] — rebelião em Mazagão — 425. Rachol (fortaleza de) — 105. Raimundo — 53. Rainha de Ancotá — 104. Rainha de Batecalà — 104. Rainha do Camboim — 104. Rainha de Garsopà — 104. Rainha de Otala— 104. Rainha Pacifae—139. Ramananior — 136. Ramnuncio (Bautista) — 130. Rascia — 247. Rat (Morice) — 209. Recife— 12. 16, 209, 210, 211, 212. 497, 499; alcaide — 24; porto 13; vila — 21. Reenes — 211. Regefeiro (Manuel Gonçalves) — ver Gonçalves. Rego (Pablo) — ver Pinheiro. Rei Acabar — 70. 71, 76. Rei do Achem — 58, 116; guerra — 309; aliança c. oland. e ingl. contra Malaca —316. 355. 371, 374. Rei de Angola— 182. 185. 187. Rei de Arrac&o — 233, 236, 237, 238, 239. Rei Átila — 245. Rei de Baço rã — 86. Rei de Banguel — 104. 579
Rei de Balalá de Penambur — 104. Rei de Benguela — 204. Rei de Bisnaga — 105. Rei de Calecut—104, 158; guerras c. rei de Cochim — 317. Rei de Cananor— 104. Reio de Candia— 122, 123, 157. Rei de Cape— 104. Rei de Carnate— 104. Rei de Chalé— 104. Rei da China — 62, 66. 83, 110, 111. Rei Chino — 67. Rei de Chogoria — 234. Rei de Cochim — 104, 158, 165; guer- ra c. rei de Calecut — 317. Rei de Condegate — 104. Rei do Congo— 187, 202, 204. Rei de Coulão— 104. Rei da Cota — 125. Rei de Cangranor— 104. Rei de Cumbia — 104. Rei de Diampor— 145. Rei de Encachor— 195. Rei de França— 156. Rei do lapão — 41. Rei Gata Deus — 42. Rei da Grã-Bretanha — 435, 437. Rei de Inglaterra — arranjo c. ingles. — 458; comércio — 457; Comp." Co- mércio — 548; embaixada, reclam. procedim. vassalos — 310, 356, 362, 436, 437; pazes c. — 291; união c. persas — 314. Rei de ]afanapatão— 122. Rei de Java — 65. Rei Lamguir — 69, 76. Rei de Lara — 82, 88, 91, 92. Rei de Lassá — 80. Rei de LugSo — 110. Rei Lugus — 42. Rei do Maçarão — 87. Rei de Manpatas—196. Rei de Melinde — 42. Rei Meliquias— 235. Rei Nongaz—175. Rei de Ormuz — 82, 91, 243; interesses Ormuz — 451, 452, 453, 460. Rei do Pão— 110, 116. Rei de Patane — 107, 110. Rei de Porquá — 104, 145. Rei da Pérsia — 70. 80, 82, 83, 91. 100; amizade ingleses — 379; co- mércio, drogas, especiarias, trato c. ingleses — 264, 266; guerras c. — 309. 310; guerras c. Mogor—'317; guerras c. Rui Freire — 318; interes- ses— 451, 452, 453; vedação co- mércio — 456. Rei de Pré — 238, 239, 240. 580 Rei de Reixel — 87. Rei D. Sebastião — 41. Rei da Serra— 104. Rei do Sião— 110. Rei Tahamas — 251. Rei de Tangú — 233, 236, 238, 239. 240, 241. Rei de Tanor— 104. Rei de Tolar—104. Rei de Xiras — 89. Rei de Zambara—172. Reigão — 122. Reigão Pandar — 123. Reis Católicos—165. Reis de Sinde — 98. Reixel (reis de) — 87. Reino de Acota — ver Tanassarim. Reino de Adeguir — 100. Reino de Agra — 100, 101, 102; cidade — 101. Reino de Amadan — 251. Reino de Aragão — 227. Reino de Bacalâ— 100. Reino de Barém — 88. Reino de Barruas— 109. Reino de Bazamaldeo — 100. Reino de Bengala — 77, 100, 101, 112, 166, 184. 185. Reino de Benguela — 204. Reino de Bisnagâ — 104, 105. 136, 157. Reino de Cabul — 77. Reino de Caiavarão— 136. Reino de Cambaia — 77. 98, 99, 100, 101. 110, 112, 242, 253; empresa Surrate — 291. Reino de Candahar — ver Candar. Reino de Candar — 77, 252. Reino de Candia — 157. Reino de Caraçan — 252. Reino de Casbin — 251. Reino de Catifa — 88. Reino do Chõodecão— 100. Reino de Chitor— 1C0. Reino de Cistan — 252. Reino do Congo— 187, 202. Reino da Cota— 123. Reino de Coulão — 112, 130. Reino de Curdistan — 253. Reino de Dachen — ver Achem Reino de Decão— 101, 104. Reino de Dely — 100. Reino de Doli e Agra — 77. Reino de Estarabat — 252. Reino de Gigi — 136. Reino de Gerum — 84, 85. Reino de Guadel — 146. Reino de Guales— 100. Reino de Guiana— 154.
Reino de Guylan — 251. Reino de Hadebaichan — 252, 253. Reino de Harac — 250. Reino de Hornagão— 100. Reino do Idalcão— 105. Reino de Jafanapatão — boa defesa — 173. Reino de /or —255, 256, 257. Reino de Junager— 17. Reino de Lar — 253. Reino de Lara — 43. Reino de Laor — 77. Reino de Lora (?) — 100. Reino de Malaga, ou Maraga — 253. Reinos de Mandtt — 100. Reino de Martavão— 116. Reino de Mazandaran — 252. Reino de Mirão— 100. Reino de Moltan — ver Moltão. Reino de Moltão — 77. 100. Reino de Navarra — 227. Reino de Ormuz — ver Ormuz. Reino de Orixá — ICO. Reino de Oxixá — ver Orixá. Reino de Panulla — 100. Reino de Patane — 77. Reino de Pedir — 166. Reino do Pegú—107, 108, 166. Reino de Pera— 109. Reino da Pérsia— 146. Reino de Província — 227. Reino de Puruia— 100. Reino de Queda — 109, 166. Reino de Quiximir — 77. Reino de Sanàlloquoprabata—101. Reino de Sinde — 77. 97. 98. 100. 129. 146. Reino de Sir y Briampor — 77. Reino de Sofian — 250. Reino de Tremei — 136. Reino de Valencia — 227. Reino de Vandou — 74. Reino de Veraia — 77. Reino de Vixanate — 136. Reino de Zerban — 251, 252. Rendas— 270, 271, 272. 273. Resgates cativos — 300, 301, 302. 303. 304. Reyacu — 194. Rezuão (senhorio de)—96. Ribeiro (Cristoval) — acord. Ingl. Or- muz — 342. Ribeiro (Pantaleão) — capitão — 241, Rio Amazonas—1, 2. 151, 152: reco- nhecimento ingleses e holandeses — 288. Rio Bendeamir — 250. Rio de Bengala — 69. Rio de Borcalo — 195. Rio Caene— 155. Rio Camaragibe — 4. Rio de Cantão— 178. 179. Rio das Caravelas — 5. Rio de Carony— 154. Rio Carteg — 2. Rio de Casamans.i — 197. Rio de Ciará — 2. Rio Coces ('Serra Leoa) — 197. 199. Rio Cocis — ver Coces. Rio Congo—183. Rio Crisios — 246. Rio Curil — 5. Rio Cutipuro — 2. Rio de S. Domingos — 197. Rio Eder — 253. Rio Eufrates — 243, 253. Rio Formoso — 4. 40. Rio de Cambia — 195, 197. Rio Ganges — 69. 107. 127, 128. 129, 133. Rio de Geba — 197. 198. Rio Grande —5. 7. 14. 18, 198, 209. 211, 212, 213; estado capitania — 289, 461, 462, 463; fortaleza—2. 59; pólvora — 497, 499; porto — 3. Rio Goamare— 2. Rio Guaripicaravata — 2. Rio de Janeiro — 6, 10, 18; capitania — 35; defesa — 497, 489; divis. gov. 525; estado capitania — 290. Rio Indo —97. 101, 129. 133. 146. Rio Lyedro — 250. Rio Marucio — 246. Rio da Miei — 2. Rio Mitombo— 199. Rio Nilo — 42. Rio do Nuno — 197. 198. Rio da Prata — 526. Rio Ombuco — 2. Rio Orenoco— 154, 155. Rio do Ouro— 195, 196. Rio Osso — 253. Rio da Paraíba — 3. Rio Paracamosi — 2. Rio da Prata — 1,7. Rio Quansa —184. Rio Quara — 2. Rio Real — 4. Rio Ruique (?) —5. Rio de S. Francisco — 4 ,5. Rio de S. João — 195, 196. Rio Santo António — 4,5. Rio de Samos — 246. Rio Sanorgo de Dexondo — 200. Rio de Santa Cruz — 5. Rio Senderu — 250. Rio Serina — 4. Rio Syrtho — 250. 5 81
Rio Tigre — 243, 253. Rio Toagaripe — 4. Rio Tuaqua—160. Rio Vermelho — 4. Rio de Viapoco— 154, 155. Rio Volga — 253. Rio Yagoribe — 2. Rio Yeracoa — 2. Rio Zegmara — 250. Rios de Cuama— 161, 162, 171, 172, 173, 176. Rio da Guiné — rendas, nomeação pessoas — 461. Riscios (Montes)—247. Rochela (porto de)—211. Rodrigues António) — capitão — 241; galeões Ormuz — 333. Rodrigues (Gaspar)—piloto—191. Rodrigues (Gonçalo) — acordo ingl. Ormuz — 342. Rodrigues (Simão), el Tigre, capi- tão — 241. Roiz (António) — piloto—informa- ções sobre galeões Ormuz —335; perda Ormuz — 339. Roiz (Diego) — mestre — informações sobre galeões Ormuz — 335. Rolim (Luis de Moura) — s. artelh- dos galeões Ormuz — 337. Roma—118, 128, 244; judeus s. co- mércio índia — 262, 286. Rosado (Gaspar) — 137. Rosário (Cidade)—50, 51. Roufo (D. João) — 128. Rudolf o (imperador) — 246. Rudrà — 139. Rupare — 6. s S. Bernardo — 411. S. Domingos (baluarte de) — 58. S. Francisco Xavier — 77. S. Gião (castelo de)—defesa — 408. S. João — soldados p. a Índia — 497. S. Jorge (castelo de) — 210. S. Jorge da Mina (castelo de) — 197, 199. S. Miguel (ilha de) — forte — 174; pi- ratas — 499; soldados índia — 497; trigo prov. Ceuta — 537; trigo Tan- ger — 537. S. Paio (João de Melo de) —capitão de Manar — 127. S. Roque— 148, 149. S. Tiago (baluarte) — 58. S. Tomé— 185, 187, 200; nau apri- sionada por holandeses — 479, 484; naus — 493, 508. S. Tomé (Apóstolo) — 140. S. Tomé (povoação de) — 104. S. Vicente — 6, 7; capitania — 38, 39. Sá (Constantino de)—socorros Or- muz— 371. Saba — 251. Sabanas — 4. Sabugal (conde de) — 199. Sacavém (rio de) — galeões embar- gados— 519. 520. Sachicova— 173. Salama (cortesia)—73. Saldanha (Aires de) —vice-rei da ín- dia — 258. Salses — 408. Samalo — intentos e navios holande- ses destino Brasil — 287. Samaria — 143. Samatra— 112, 116, 125, 126, 127, 129, 168. Samorim — 165, 414. Sampaio (Lopo Vaz de)—armadas — 418. Sam Payo (Manuel de)—galeões Ormuz — 337; acord. ingl. Ormuz — 342. Sampaio (Rui de Melo de) — 172. San Juan de Luz — 156. San Lucar — recolha de mercadorias — 263. S. Penarr.w (Miguel)—socorro Mina — 308. San Tomé — causa Fera. Cron — 298. Sanaga —• costa—187; porto—196. Sanagra — ver Sanaga. Sanha (mata de) — 195. Sanchoão — 178, 180, Santa Ana — 7. Santa Helena— 13. Santa Lúcia — 16. Santa Maria (Frei Guilherme de) — sobre n. saírem os galeões de Or- muz a batalhar — 330, 331, 333, 335; emprést. dinheiro Miseric. — 336; artelh. galeões Ormuz — 337, 338. Santo António — piratas—499; solda- dos p. a Índia — 497. Santo António (castelo de)—defesa — 408. Santo Tomé de Guayana — defesa e povoação da costa — 288. Santiago — castelo — 2; forte — 194. Santo Amaro — ver Angra dos Reis. Santo Domingo—153. Sãochoão — ver Sanchoão. Saparara (ponta de) — 151. 582