• DOCUMENTAÇÃO PARA A HISTÓRIA DAS MISSÕES DO PADROADO PORTUGUÊS DO ORIENTE
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  • REPÚBLICA PORTUGUESA MINISTÉRIO DAS COLÓNIAS DOCUMENTAÇÃO PARA A HISTÓRIA DAS MISSÕES D O PADROADO PORTUGUÊS D O ORIENTE COLIGIDA E ANOTADA POR ANTÓNIO DA SILVA RÊGO ÍNDIA P75«35 1.* VOL. (1499-1522) DIVISÃO DE PUBLICAÇÕES E BIBLIOTECA AGÊNCIA GERAL DAS COLÓNIAS LISBOA I MCMXLVII
  • Esta publicação foi autorizada por despacho de S. Ex.a o Ministro das Colónias, de 24 de Outubro de 1943
  • INTRODUÇÃO volume agora apresentado ao público inaugura a publicação de todos os documentos relativos à his- tória das missões portuguesas orientais, existentes em arquivos nacionais e estrangeiros. Pretendemos estudar a acção missionária e social dos Portugueses no Oriente, pois que impossível é tentar separá-las. A «História do Padroado Português do Oriente», cujo primeiro volume deve aparecer em breve, deseja narrar a gesta maravilhosa que os Portugueses souberam escrever desde os radiantes dias de 1498, quando aportaram a Calecut, até aos nossos tempos, através dos ditos e baixos da política, de vicissitudes sem número, de obstáculos indizíveis. Fundamentalmente, será a história das missões portu- guesas orientais, de que existem apenas esparsos bosquejos. Estudará^ porém, com igual carinho a acção social e cultu- ral exercida naquelas gentes e paragens que, por mão dos Portugueses, foram introduzidas ao conhecimento do Ocidente. Este monumental estudo, a que a Agência Geral das Colónias corajosamente lançou ombros, divide-se em duas séries que se intitulam respectivamente «Documentação para a História das Missões do Padroado Português do Oriente» e «História das Missões do Padroado Português do Oriente». v
  • Parece-nos inútil salientar o carácter verdadeiramente nacional da primeira série que desvendará as riquezas documentais dos arquivos portugueses e estrangeiros refe- rentes à nossa acção oriental, patenteando ao mundo estu- dioso os nossos defeitos e as nossas virtudes, os motivos do nosso agir, as acções e reacções dos nossos antepassados perante o Oriente estranho e, finalmente, as suas tentativas para o compreender à luz da Caridade e do Evangelho. Ao ladò desta série, puramente documental, surgirá a síntese histórica propriamente dita, a «História das Missões do Padroado' Português no Oriente», escrupulosa e objecti- vamente baseada na «Documentação». Consagramos-lhe o melhor dos nossos cuidados, a paixão da nossa vida, o mais entranhado dos nossos esforços. Fizemos o possível por aliar o maior rigor científico à mais pronta boa vontade. Apesar de tudo isto, porém, confessamos, sem falsa humildade, que ficará muito aquém do ideal proposto. O grande mérito deste estudo consistirá na série de volumes, agora encetada, constituindo a «Documentação para a História das Missões do Padroado Português do Oriente». A magnitude da empresa leva-nos a publicar neste pri- meiro volume, e noutro que se lhe seguirá imediatamente, toda a documentação que pudemos encontrar em arquivos portugueses situada entre 1498 e 1542. Estas duas datas são respectivamente os termos a quo e ad quem do primeiro volume da «História das Missões do Padroado Português do Oriente» que aparecerá após a publicação do segundo volume desta série documental. Os documentos, referentes ainda a estas duas datas e que possivelmente viremos a encontrar, serão publicados em volumes posteriores. Caso tais do- cumentos venham a modificar algumas das nossas observa- ções ou asserções, confessá-lo-emos imediatamente, como ordena a honestidade histórica. As circunstâncias anormais da guerra impediram-nos de v I
  • efectuar pesquisas em arquivos estrangeiros, onde suspei- tamos aliás que pouco se poderá encontrar que interesse às datas acima citadas. Duas perspectivas se nos ofereciam quanto à publicação dos documentos: ou esperar que terminasse a pesquisa em Portugal e no estrangeiro — processo necessariamente mo- roso — ou então ir publicando os documentos encontrados, à medida que fossem tomando vulto. Escolhemos esta segunda alternativa, por ser a que mais lógica_ se nos antolhou. Os vhlumes da «Documentação» devem preceder, se- gundo o nosso plano, os da «História das Missões do Pa- droado Português do Oriente». Sabemos que não ê este o processo ordinariamente seguido. A documentação costuma ser escolhida e estudada pelos autores que, colhendo a sín- tese histórica, se limitam a apresentar ao público o fruto do seu trabalho. Dentro deste critério, quase universalmente se- guido, poderá parecer heterodoxo ou revolucionário publicar a documentação antes do trabalho histórico propriamente dito. O fim que nos propusemos, porém, é mais vasto, e foi ele sobretudo que levou a Agência Geral das Colónias a empreender a publicação dos documentos. Por meio destes, poderão os estudiosos nacionais e estrangeiros — sem saírem das suas terras — elaborar estudos sobre a acção missioná- ria e social dos Portugueses no Oriente. Sabe-se, por triste experiência, que a ignorância da nossa documentação — tão vasta como importante — tem dado ocasião a que o nosso passado histórico tenha sido falsa- mente apreciado. Veremos ainda no decurso destes volumes que os nossos historiadores se guiaram bastas vezes por informações estrangeiras erradas, quando possuíam nos arquivos de Lisboa a contraprova das suas asserções. Nem todos dispõem do tempo, da paciência e dos meios neces- sários para verificar documentalmente os factos apresenta- VII
  • dos. A riqueza documental existente nos nossos arquivos pouco valerá se continuar mergulhada no esquecimento. Colocando a documentação referente à história das mis- sões portuguesas orientais ao dispor de todos, a Agência Geral das Colónias presta mais um relevante serviço à cul- tura nacional. A cultura estrangeira, por sua vez, ficar-lhe-á verdadeiramente agradecida. Conhecemos, por experiência pessoal, quanto os missionários estrangeiros desejam a publi- cação dos nossos documentos. Ao lado desta finalidade, verdadeiramente notável e sob todos os aspectos louvável, pode ainda not ar-se que a publi- cação dos documentos antes do trabalho histórico propria- mente dita, apresenta outra grande vantagem. O método poderá parecer heterodoxo ou revolucionário, mas revestir- -se-á, sem dúvida, de extrema honestidade histórica, sobre- tudo quando se trata de uma obra elaborada quase exclu- sivamente sobre documentos quer inéditos, quer pouco estudados. O nosso trabalho poderá ser assim mais facil- mente criticado. * * * Cabe-nos agora propor o critério adoptado na leitura e na publicação dos documentos. A douta ACADEMIA DA história não publicou ainda normas directivas sobre esta matéria. Pena é que em Por- tugal não haja por enquanto regras certas para orientar a publicação de documentos históricos, não só do século xvi, mas também dos séculos precedentes e subsequentes. A sua falta faz sentir-se de forma aguda. Não raro se publicam documentos em livros e em revistas, e cada qual segue o seu critério. Somos obrigados a fazer o mesmo, embora pre- feríssemos apoiar-nos em directrizes seguras e oficiais. VIII
  • O sistema que seguimos é uma simples adaptação à nossa língua das normas estabelecidas na Bélgica, na Ale- manha e na Espanha. A «Commission Royale d'Histoire», da Bélgica, publicou «Instructions pour la publication des text es historiques». Seguimos a segunda edição, impressa em Bruxelas, em 1922. Estas normas são oficialmente adopta- das em todo o ensino superior e universitário. Na Alemanha vigoram as regras estabelecidas por O. Stãhlin, e por ele publicadas em «Neue ]ahrbiicher fiir das klassische Alter- tum». tomo 12, referente ao ano de 1909, págs. 393-433. Na Espanha existem também desde o ano passado «Normas de transcripcion y edicion de textos y documen- tos», elaboradas pela «Escuela de Estudos Medievales» e publicadas em Aladrid pelo «Consejo Superior de Investi- gaciones Científicas», 1944. A presente publicação de documentos referentes ao Padroado Português do Oriente não pode esquecer o seu fim principal: a vulgarização e expansão dos mesmos. Não pode, por conseguinte, sacrificar este fim utilitário ao rigor diplomático. Assente este princípio, pode enunciar-se da seguinte forma o preceito fundamental em que nos basea- mos: «a máxima inteligibilidade do documento junta ao máximo respeito a ele devido». Consideremos, portanto, muito rapidamente, as três partes que pode comportar o pre- ceito referido: leitura e publicação, notas, e observações gerais. A) LEITURA E PUBLICAÇÃO DOS DOCUMENTOS. 1. Omitem-se as letras duplas no começo das palavras. Estas letras são principalmente os rr, ss, ff e 11. Se pode haver dúvida em muitíssimos casos, não a há noutros. IX
  • 2. No interior da palavra, na dúvida se uma letra ê dupla ou singular, seguimos a moderna ortografia. Quando a dúvida não se apresenta, seguimos a ortografia do documento. 3. O R (maiúsculo) no interior de uma palavra transcre- ver-se-á «rr». 4. O «/»„ em palavras como «rnall», etc., tanto pode às vezes permitir a leitura «rnall» como «male». Adopta- mos a que melhor nos pareceu. 3. Há muitíssimas palavras que modernamente não exigem o til e que, contudo, o apresentam. Estão neste caso «mão» (no sentido de mau), «cruz», etc. Omitimo-lo, não só nos casos equívocos, mas também em quase todas as palavras que modernamente o não exigem. Esta nossa conclusão baseia-se na persistência de uma dúvida que temos a respeito deste «til»: tanto poderá ser o til verdadeiro, como qualquer traço de simples ornamentação. 6. Mudamos o til para a primeira letra do ditongo, prá- tica hoje adoptada, e antes arbitrariamente seguida. 7. A cedilha falta muitíssimas vezes em palavras que, mo- dernamente, a exigem, como «cabeca», etc. Colo- cámo-la nesta e noutras palavras, em que ela se deve conservar. Conservámo-la, porém, nas palavras onde ela se não emprega hodiernamente. 5. Ãs vezes há dúvida justificada a respeito da leitura de letras que, pelo seu formato, tanto podem indicar uma como outra. Um frisante exemplo é o «r» que não raramente se pode ler como «o>. Teremos assim, «fara» ou «faça», conforme o sentido, lnclinámo-nos à leitura que nos pareceu mais provável. 9. Os ditongos «ão», «am» e «ã» são usados indiscrimina- damente. Respeitamo-los. 10. Mudamos o ««» em «v» e vice-versa, quando a moderna X
  • grafia assim o exige. Fizemos o mesmo ao «;» e ao «/». 11. Simplificamos a leitura das principais e mais fáceis abreviaturas, sem as indicarmos cada vei em nota. Estão nestes casos: p (cortado)-per; p=por; p.a (com o p cortado)=pera; p.a=para; m.10^ mui- to; qll = quall; nhã, nhãa = nenhum, nehuma; V. A. =Vossa Alteza; q=que; qto=quatito; qdo = =quando; pq: porque; Sôr, Snõr, Snnõr=Senhor; grade=grande; ta=tam; bõ=bom; d=do ou da; ds=dos ou das; plo=pelo; pde (com o p cortado) = =perde, e casos semelhantes, como peceriam=pere- ceriam, pevjo=provejo; etc, etc. 12. Há abreviaturas paleográficas especiais, como as de «serviço», «esprever», etc. que são sempre desdobra- das e simplificadas, sem indicação nas notas, pela dificuldade na sua exacta representação gráfica. Os editores das «Lendas da Índia» de Gaspar Correia observaram já esta dificuldade. (Vol. Ill, pág. 896, nota). 13. Fora estes e casos semelhantes, a simplificação de abre- viaturas será sempre anotada. 14. Usámos indistintamente ,conforme os documentos: «homens» e «homees», «algãas» e «algumas», «Vos- salteza», Vosa Alteza», «Vosalteza», etc. 15. Abolimos as letras maiúsculas em palavras que, hodier- namente, as não exigem. Colocámo-las, pelo contrá- rio, naquelas que as pedem. 16. Separámos as palavras juntas e unimos as várias sílabas da mesma palavra. Separámos ou unimos, «porque» ou «por que», consoante o sentido. Separámos tam- bém os pronomes encliticos, por ex.: «d'tse lhe». Exceptuamos aqueles que principiam com dupla consoante, como em «vollo» (i. e. vo-lo), etc. XI
  • 17. Guardámos o «lhe», tanto para o singular como para o plural, respeitando a grafia do documento. 18. Corrigimos a pontuação. Introduzimos e separámos no- vos períodos, para facilitar e descongestionar a lei- tura. Os novos períodos principiam sempre com a primeira palavra em itálico. 19- As palavras ilegíveis ou de leitura quer difícil quer pro- vável vão devidamente anotadas. B) NOTAS TEXTUAIS E HISTÓRICAS. Dividimos as notas em duas categorias: textuais e his- tóricas. As primeiras, a que poderíamos chamar «notas in- trínsecas», lidam com o texto propriamente dito. Abrangem elas não só a grafia, como também o sentido do documento. Evitamos a multiplicação de sinais críticos a sobrecar- regar a leitura do texto. E verdade que tais sinais são adop- tados e recomendados de forma geral. Pareceu-nos. porém, que se poderia simplificar a leitura substituindo-os por notas textuais. O leitor verá resolvido cada caso, ao fundo da página, sem ter que recordar o significado deste ou daquele sinal. Discordamos assim algum tanto da praxe universalmente adoptada. Releve-se-nos esta discrepância, filha do cuidado de simplificação, e não de qualquer pru- rido de indevida originalidade. As notas históricas, que se poderiam também apelidar «notas extrínsecas», têm por fim esclarecer as passagens de mais difícil interpretação. Devemos confessar que estas notas não pretendem explicar todas as passagens de difícil interpretação nem identificar todas as personagens. Este estudo levar-nos-ia muitíssimo tempo e, sobretudo, afastar- -nos-ia da finalidade que nos impusémos. Como a «História das Missões do Padroado Português do Oriente» deve nor- XII
  • malmente seguir a «Documentação», não bá necessidade de multiplicar ou alongar estas referências. C) OBSERVAÇÕES GERAIS. 1. A indicação de «original» que, por vezes, se encontrará na sumária descrição de cada documento, quer dizer que a sua autenticidade é garantida pela assinatura do autor. Sabido é que do Ultramar se enviavam para Portugal duas ou mais vias da mesma carta ou comu- nicação. Sabe-se igualmente que os autores se ser- viam muitas vezes de secretários. 2. As cartas conservam sempre o tom familiar de conversa ou de discurso. Há períodos incompletos, porque no meio deles a atenção se desviou para outro assunto, e não houve depois a preocupação de se corrigir o que estava escrito. 3. O sentido é que determina o tempo dos verbos. «Passa- ram» e «passarão» podem ambos estar no pretérito e no futuro. 4. Os documentos mostram que não havia regras ortográfi- cas fixas. Assim,, há que entender «era» onde se lê «erra», «olheis» onde se encontra «olhes», etc. De semelhante forma, «tenho» tanto pode significar «te- nho» como «tenho-o»; «arnda recear» ler-se-á «am de arrecear», «es pedira» quer dizer «se espedirá, etc. Nos casos equívocos, uma leitura em voz alta dis- sipará toda a dúvida. As notas ajudarão a resolver o caso. 5. Neste e nos volumes subsequentes não incluiremos bulas pontifícias, com raras excepções, não só por se encon- trarem já publicadas em colecções especiais, como também por não representarem um testemunho di- XIII
  • recto da acção missionária portuguesa. Outros do- cumentos pontifícios serão, porém, publicados. * * * Permita-se-me agora uma nota pessoal a fim de cumprir o gratíssimo dever de patentear a gratidão das Missões do Padroado Português do Oriente a todas as entidades e pes- soas que se combinaram para tornar possível tão patriótica empresa e tão importante obra cultural. Destaca-se em primeiro lugar a prestigiosa Agência Geral das Colónias que em si compendia a iniciativa e o entusiasmo por esta obra não só de Sua Excelência o Presidente do Con- selhoi, Doutor António de Oliveira Salaiar, como também de dois Ministros das Colónias, Doutores Francisco Machado e Marcelo Caetano. De nada valem as minhas palavras de agradecimento, mas alguma coisa vale a gratidão do Pa- droado Português do Oriente. O Senhor Agente Geral das Colónias, Júlio Cayolla, tem acompanhado os meus trabalhos com verdadeira dedicação s interesse que Jamais poderei esquecer. Ao Instituto para a Alta Cultura, o meu sentido agra- decer pela sua colaboração com a Agência Geral das Coló- nias, concedendo-me todas as facilidades inerentes à quali- dade de bolseiro. Aos colaboradores que comigo labutam, Ex.™' Sr." D. Berta Leite, Dr." Luísa da Fonseca e Horácio Augusto de Almeida e Silva, os protestos da minha sincera apreciação pessoal pelas suas canseiras e carinho por este trabalho que só exige dedicações. Aos Ex.mo" Srs. Drs. António Baião, Manuel Murias, Frederico Gavazzo Perry Vidal, e Coronel Costa Veiga, o meu mais profundo agradecimento pelas facilidades conce- didas não só à minha humilde pessoa como também aos XIV J
  • meus colaboradores nas pesquisas efectuadas respectiva- mente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Histórico Colonial, Biblioteca da Ajuda e Biblioteca Na- cional. Lembro, finalmente, dois egrégios prelados do Padroado Português do Oriente: D. José da Costa Nunes, Patriarca das Índias e Arcebispo de Goa e D. João de Deus Ramalho, Bispo de Macau e meu Ordinário. Ao Senhor D. José da Costa Nunes compete a verda- deira paternidade deste trabalho. Foi ele, quando Bispo de Macau, que me dirigiu os primeiros passos neste labor his- tórico, e foi ele ainda quem, numa rasgada visão patriótica e cultural, me dedicou à realização do que ele chamava o seu «sonho». Ouso esperar que a aparição deste primeiro volume, a anunciar vários outros, lhe encha de alegria o coração de grande arcebispo missionário e de grande Por- tuguês. Ao Senhor D. João de Deus Ramalho, actual Bispo de Macau, beijo reverente o sagrado anel, protestando a mats inteira obediência, e agradeço a confiança em mim deposi- tada, ao consentir que fosse um seu súbdito a encarregar-se desta obra tão eminentemente missionária como portuguesa. Lisboa, 1 de Julho de 1943. A. da Silva Rego P. S. — Pouco há a acrescentar às linhas que há mais de dois anos escrevi. Foi Deus servido chamar a Si o meu devotado colaborador Sr. Ho- rácio Augusto de AlmCida e Silva, a cuja inteligência e boa vontade me è grato prestar o devido preito. A Ex."" Sr.' Dr.* Luísa da Fonseca, por conveniência de serviço do Arquivo Histórico Colonial, onde é funcionária, deixou em 31 de Dezembro de 1946 de me prestar a sua valiosa e dedicada colaboração. Sentindo a sua falta, agradeço a sua devoção a esta obra. Um lamentável descuido permitiu que dois documentos saíssem repetidos: Os n." 13} e 140, SI e 70. Se há alguma divergência entre eles, è justamente por terem sido impressas duas provas diferentes: uma definitiva e outra não. Agradeço, finalmente, ao actual Agente Geral das Colónias, Dr. Leonel Pedro Banha da Silva, o desvelado interesse por esta obra. Lisboa, 20 de Novembro de 1947. S. R. XV
  • ÍNDICE
  • ÍNDICE pae. 1 — Carta de D. Manuel aos reis de Castela, dando-lhes parte do descobrimento da Índia. Julho de 1499 3 2 — Carta de el-rei D. Manuel ao Cardial Protector. 25 de Agosto de 1499 6 3 — Fragmentos de Instruções dadas a Pedro Alvares Cabral. 1500 12 4 — Carta que el-rey Dom Manuel escrevera a el-rey de Calecut por Pedralvares Cabral, capitão da pri- meira armada que foi ha Índia despois de ser des- cuberta per Vasco da Gama. 1 de Março de 1500 15 5 — Carta de D. Manuel para os reis de Cochim e Cana- nor. 1502 22 6 — Carta de Matias, cristão nativo, a el-rei de Por- tugal. 18 de Dezembro de 1504 25 7 — Regimento de D. Francisco de Almeida, quando foi por capitão-mor à Índia. 5 de Março de 1505 29 8 — Carta de Pero Fernandes Tinoco a el-rei. 21 de Novembro de 1505 33 9 — Padre Frei Jordão. 1 de Dezembro de 1505 39 10 — Carta de Gaspar Pereira a el-rei de Portugal. 11 de Janeiro de 1506 40 11 — Carta de Pero Fernandes Tinoco a el-rei. 15 de Ja- neiro 45 12 — Carta de Gonçalo Fernandes a el-rei. 17 de Novem- bro de 1506 48 XIX
  • Pág. 13 — Sumário de todas as cartas que vieram da lmdia a el- rey Noso Senhor e doutros recados que também vieram nas naaos de que veo capitam mor Antonio de Saldanha e na nao de Cide Barbudo que veo depois dele. 1506-1507 57 14 — Carta do rei de Cananor a el-rei de Portugal. 6 de Dezembro de 1507 61 15 — Regimento de Diogo Lopes de Sequeira, mandado a descobrir a ilha de S. Lourenço e as terras de Ma- laca. 12 de Fevereiro de 1508 63 16 — Feitoria de Cananor. 6 de Fevereiro de 1509 65 17 — Cananor. Confraria das Chagas. 6 de Julho de 1509 67 18 — Afonso de Albuquerque regula a assistência aos pobres. 13 de Dezembro de 1509 69 19 — Padre Vigário João da Silva. 27 de Dezembro de 1509 71 20 — Igreja de Cochim. 29 de Dezembro de 1509 72 21 — Carta do rei de Cochim ao rei de Portugal, s/d. ... 74 22 — Carta do arei de Cochim a el-rei D. Manuel. 1510 76 23 — Carta de Gonçalo Fernandes a el-rei de Portugal, 1510 77 24 — Embaixada ao Xeque Ismael. 1510 81 25 — Esmola a Bona, clérigo de Coulão. 19 de Janeiro de 1510 83 26 — Padre João Fernandes, vigário de Cochim. 24 de Fevereiro de 1510 84 27 — Missal para Ormuz. 6 de Fevereiro de 1510 86 28 — Fr. Luís de Sousa, OFM. vai a Narsinga. 7 de Fe- vereiro de 1510 88 29 — Frei Francisco da Rocha recebe uma vestimenta de seda. 8 de Fevereiro de 1510 90 30 — Liberdades e franquezas para as pessoas que dese- jassem ir para a Índia. 14 de Junho de 1510 ... 91 31 — Cananor. Confraria das Chagas. 17 de Junho de 94 1510 94 32 — Botica de Cananor. 16 de Julho de 1510 95 33 — Cochim. Uberdade religiosa. 17 de Agosto de 1510 97 34 — Cananor.Uberdade religiosa. 27 de Agosto de 1510 98 35 —Hospital de Cananor. 2 de Setembro de 1510 ... 99 XX
  • Pâg. 36 — Hospital de Cananor. 7 de Setembro de 1510 ... 100 37 — Feitoria de Cananor. 13 de Setembro de 1510 ... 102 38 — Hospital de Cananor. 18 de Setembro de 1510 104 39 — Hospital de Cananor. 21 de Setembro de 1510 105 40 — Cristãos de Cranganor. 11 de Outubro de 1510 .... 106 41 —Hospital de Cananor. 13 de Outubro de 1510 107 42 — Carta do Padre Julião Nunes, vigário de Cananor a ei-rei de Portugal. 14 de Outubro de 1510 109 43 — Carta de Lourenço Moreno e de Diogo Pereira a el-rei D. Manuel. 20 de Dezembro de 1510 116 44 — Albuquerque informa El-rei sobre o início dos casa- mentos entre Portugueses e indígenas. 22 de De- zembro de 1510 •••• I*® 45 — Cocbim. Multas destinadas à igreja. 10 de Janeiro de 1511 II9 46— Hospital de Goa. 24 de Janeiro de 1511 • •• 121 47 — Hospital de Goa. Fr. João Alemão. 26 de Janeiro de 1511 122 48 — Fr. Francisco recebe paramentos. 10 de Abril de 1511 X23 49 — Cochim. Alfaias religiosas. 9 de Setembro de 1511 124 50 — Hospital de Goa. 14 de Outubro de 1511 130 51 — Vigário de Ormuz. 16 de Outubro de 1511 131 52 — O Padre Frei António e Cambaia. 19 de Outubro de 1511 132 53 — O Padre Frei António e Cambaia. 20 de Outubro de 1511 •••• I34 54 — Hospital de Goa. Fr. João Alemão. 24 de Outubro de 1511 I36 55 —Hospital de Goa. 4 de Novembro de 1511 137 56 — Hospital de Cananor. 7 de Novembro de 1511 ... 138 57 — Hospital de Cananor. 18 de Dezembro de 1511 ... 139 58 — Carta do vigário de Cananor a el-rei D. Manuel. 1512 I40 59 — Carta de el-rei de Cananor a el-rei D. Manuel. 1512 141 60 — O Padre Frei António recebe vinho. 12 de Março de 1512 l43 61 — Albuquerque escreve a el-rei sobre vários assuntos. 1 de Abril de 1512 145 XXI
  • Pág. 62 — Cristãos cativos regressam a Goa. 22 de Abril de 1512 . 153 63 — Farmácia de Cochim. 17 de Junho de 1512 154 64 — Hospital de. Goa. 19 de Junho de 1512 158 65 — Educação em Cochim. 20 de Junho de 1512 159 66 — Educação em Cochim. 16 de Julho de 1512 160 67 — Hospital de Cochim. 19 de Setembro de 1512 161 68 — Hospital de Cochim. 23 de Setembro de 1512 162 69 — Hospital de Cananor. 12 de Outubro de 1512 163 70 — Cananor. 16 de Outubro de 1512 164 71 —Padre Fernão Nunes, vigário da fortaleza de Goa. 22 de Outubro de 1512 165 72 — Afonso de Albuquerque recomenda a El-rei Fr. João Alemão. 25 de Outubro de 1512 166 73 — Fr. Francisco Soares recebe 10 pardaus. 28 de No- vembro de 1512 168 74 — Pano da Paixão de Nosso Senhor. Dezembro de 1512 169 75 — O rei de Cochim, em carta a el-rei de. Portugal, refere-se à conversão do arei. 1 de Dezembro de 1512 170 76 — António Real escreve a el-rei expondo-lhe as suas opiniões sobre os casamentos e outros assuntos. 15 de Dezembro de 1512 171 77 — Frei António a Afonso de Albuquerque.. S/d 174 78 — Os moradores de Goa eram obrigados a ensinar o Pater e a Ave-Maria à mulher e escravas. 1 de Janeiro de 1513 178 79—Padre Fernão Nunes, capelão. 6 de Janeiro de 1513 180 80 — Frei Henrique Alemão. 7 de Janeiro de 1513 181 SI — Goa. Pano para S. Sebastião. 22 de Janeiro de 1513 182 82 — Padre Alvaro Mergulhão. 8 de Fevereiro de 1513 ... 183 83 —Padre pregador da armada. 12 de Fevereiro de 1513 184 84— Hospital de Goa. 1 de Outubro de 1513 185 85 — Hospital de Goa. 7 de Outubro de 1513 186 86 — Padres Pero de Aguiar, Alvaro Penteado e Fr. Do- mingos de Sousa. 26 de Outubro de 1513 187 XXII
  • PáS. 87 — Padre vigário da cidade de Goa. 26 de Outubro de 1513 ; 189 88 — Carta de Afonso de Albuquerque a El-rei. 2 de Dezembro de 1513 190 89 — Albuquerque responde a El-rei a respeito dos casa- mentos. 3 de Dezembro de 1513 193 90 — Mulheres para uso dos cristãos. 3 de Dezembro de 1513 194 91 —Hospital de Goa. 24 de Dezembro de 1513 195 92 — D. Manuel de. Portugal a el-rei de Ormuz. 1513- -1514 196 93 — Hospital de Goa. 14 de Janeiro de 1514 197 94 — El-rei D. Manuel escreve a Afonso de Albuquerque sobre a navegação dos cristãos. 2 de Março de 1514 198 95 — Fr. Domingos de Sousa, vigário geral. 10 de Julho de 1514 200 96 — Padre João Nunes, vigário de Cananor. 11 de Julho de 1514 201 97 — Pregador indiano. 13 de Julho de 1514 203 98 — Hospital de Goa. 31 de Julho de 1514 205 99 — Hospital de Cochim. 2 de Agosto de 1514 206 100 — Liberdade religiosa em Calecut. 3 de Agosto de 1514 208 101 — Hospital de Goa. 7 de Setembro de 1514 210 102 — Hospital de Cochim. 1 de Outubro de 1514 211 103 — Albuquerque escreve a El-rei sobre c Arei de Co- chim. 20 de Outubro de 1514 212 104 — Albuquerque manifesta a El-rei a sua opinião acerca da navegação comercial indígena. 25 de Outubro de 1514 214 105 — Albuquerque informa El-rei sobre a Igreja de Co- chim. 25 de Outubro de 1514 216 106 — Albuquerque escreve a El-rei sobre a política dos Casamentos. 4 de Novembro de 1514 219 107 — Educação em Cochim. 21 de Novembro de 1514 ... 222 108 — Cristandade de Cochim. Pedro de Mascarenhas a El-rei. 7 de Dezembro de 1514 224 XXIII
  • Pâg- 109 — Albuquerque escreve a El-rei sobre a tentativa que fizera para converter o Rei de Cochim. 20 de Dezembro de 1514 228 110 — Cristandade de Cochim. 20 de Dezembro de 1514 232 111 — Cristandade de Cananor. 20 de Dezembro de 1514 240 112 — Carta de Fr. Domingos de Sousa a El-rei. 22 de Dezembro de 1514 244 113 — Cristandade de Cananor. 27 de Dezembro de 1514 254 114 — Carta de forge de Melo, capitão de Cananor, a El- •rei. 28 de Dezembro de 1514 256 115 — Carta de D. João da Cruz, Embaixador do Rei de Calecut, a el-rei de Portugal. S/d. (1515) 257 116 — Embaixada ao Xeque Ismael. 1515 261 117 — Padre Afonso Velho. Vigário de Cananor. 22 de Janeiro de 1515 263 118 — Alfaias Religiosas. 14 de Fevereiro de 1515 264 119 — Carta de Pazes e contrato que fez Afonso de Albu- querque com o Rei de Calecut. 26 de Fevereiro de 1515 265 120 — Capelães da Armada. 7 de Maio de 1515 267 121 —Mulheres para uso dos Portugueses. 11 de Maio de 1515 268 122—Hospital de Cochim. 10 de Junho de 1515 269 123 — Doentes em Calecut. 24 de Julho de 1515 27L 124— Hospital de Goa. 10 de Setembro de 1515 272 125 — Hospital de Goa. 11 de Outubro de 1515 273 126 — O Embaixador do Preste João louva o ex-vigárro de Cananor. 11 de Dezembro de 1515 274 127 — Capela de S. Bartolomeu. 30 de Dezembro de 1515 276 128 — Carta do Padre Diogo de Morais, Vigário de Ca- lecut, a El-rei. 18 de Janeiro de 1516 277 129 — Hospital de Cochim. 20 de Janeiro de 1516 280 130 — Padre Vigário de Goa. 10 de Maio de 1516 281 131 —Igreja de Ormuz. 6 de Junho de 1516 282 132 — Hospital de Ormuz. 6 de Junho de 1516 283 133 — Pazes com Coulão. 24 de Setembro de 1516 284 134 — Carta do Juiz dos órfãos de Goa, a El-rei. 15 de Dezembro de 1516 287 XXIV
  • Pit. 135 — Hospital de Cananor. 1517 289 136 — Hospital de Cananor. 12 de Junho de 1517 295 137 — Casa do Apóstolo S. Tomé. Julho de 1517 296 138 — Botica de Cananor. 1516, 1517, 1518 300 139 — Cananor. 12 de Junho de 1517 307 140 — Hospital de Cananor. 1517 308 141 — Cananor. 6 de Outubro de 1517 315 142—Hospital de Goa. 15 de Agosto de 1519 316 143 — Livros para os Franciscanos. 5 de Janeiro de 1518 336 144—Carta a el-rei do P." Sebastião Pires, Vigário de Cochim. 8 de Janeiro de 1518 340 145 — Hospital de Cochim. 11 de Janeiro de 1518 345 146 — Franciscanos de Goa. 25 de Agosto de 1518 346 147 — Hospital de Goa. 13 de Outubro de 1518 348 148 — Carta de Fr. António a El-rei de Portugal. 4 de Novembro de 1518 350 149 — Privilégios de Goa. 1 de Março de 1518 356 150 — Cristãos Novos em Goa. 18 de Fevereiro de 1519 357 151—Botica de Goa. Confissões. 25 de Março de 1519 358 152 — Farmácia de Goa. 26 de Setembro de 1519 359 153 — Esmola aos Cristãos Novos. 29 de Fevereiro de 1519 360 154—■ Assistência Médica gratuita. 22 de Dezembro de 1519 361 155 — Hospital de Goa. 17 de Junho de 1520 362 156 — Mosteiros de Goa e Cochim. 30 de Janeiro de 1523 364 157 — Farmácia de Goa. 1519 3<^ 158 — Obras no Convento de S. Francisco. Goa. 1519, 1520 368 159 — Cristandade de Cananor. Carta de D. Aires da Gama a El-rei de Portugal. 2 de Janeiro de 1519 371 160 — Padre Afonso Velho. Vigário de Goa. 12 de Ja- neiro de 1519 37<* 161 — A Cidade de Cochim louva o Padre Sebastião Pires. 14 de Janeiro de 1519 373 162 — Carta do Bispo de Dume a António Carneiro. 15 de Fevereiro de 1519 377 163 — Carta'do Bispo de Dume a António Carneiro. 16 de Fevereiro de 1519 381 164—•Franciscanos de Goa. 8 de Março de 1519 383 XXV
  • Pág. 165 — Hospital de Goa. 12
  • Pág. 197 — Franciscanos de Goa. 11 de Fevereiro de 1521 ... 426 198 — Fr. Luís da Vitória O. P. 30 de Setembro de 1521 427 199 — Ornamentos da Sé de Goa. 2 de Dezembro de 1521 428 200 — Carta do Padre Sebastião Pires a El-rei. 10 de Ja- neiro de 1522 436 201 — Relatório do Bispo de Dume a El-rei. 12 de Ja- neiro de 1522 449 202 — Hospital de Ormuz. 9 de Maio de 1522 458 203 — Ordenações conferidas pelo Bispo Don. Duarte. 8 de Novembro de 1522 459 X X V11
  • DOCUMENTAÇÃO PARA A HISTÓRIA DO PADROADO PORTUGUÊS DO ORIENTE (1499-1522)
  • 1 CARTA (1) DE D. MANUEL AOS REIS DE CASTELA (2), DANDO-LHES PARTE DO DESCOBRIMENTO DA INDIA. Julho de 1499 Documento existente no ANTT: Colecção de S. Vicente, vol. Ill, foi. 513 — Minuta muito emendada, rôta na margem esquerda. Mede 222 X 314 mm. Muyto altos, muyto eixcelemtes princepes \ e muyto poderossos senhores2. tw3 'j Sabem Vossas Altezas como tínhamos mandado a des- cobrir 3 Vasco4 da Gama, fidalgo de nossa cassa, e com ele Paulo da Gama, seu irmaão, com quatro navios (3) pello oçeano, os quaes agora ja passava de dous annos que eram partidos; e, como o fundamento primcipal5 desta empresa sempre fosse per nossos amtepassados de serviço 0 de Deos7 Nosso Senhor8 e isso mesmo nosso9, prouve lhe, por sua piedade assy os emcaminhar, segumdo ho re- cado que por 10 huum dos capitaes, que a nos a esta cidade ja 11 he chegado 12, ouvemos que acharam e descobriram a (1) Publicada em «Alguns Documentos do Archivo Nacional da Torre do Tombo», págs. 95-96. Esta publicação, porém, não se importa com as oorrecções feitas na minuta. (2) Fernando e Isabel. (3) S. Gabriel, S. Rafael e Berrio, além dum navio de mantimentos, destinado a ser posteriormente abandonado pela tripulação. i — princepes; s — S™'; 3 — riscado: dous fidalguos ambos Irmaaos nossos é ads; 4 — V™ ; 5 — pncepai ; 6 — «viço ; 7 — ds; 8 — Sníior; 9 — riscado : muy principalmente ; 10 — riscado: pellos mesmos descobridores; 11 — Ota emendado para yd;12 — riscado: ora chegaram. 3
  • Imdia e outros regnnos e senhorios a ella comarquaãos, e emtraram e navegaram o mar delia, em que acharam gram- des cidades e de gramdes edefiçios e ricos e de gramde povoaçam; nas quaes se faz todo o trauto da especiarya e pedrarya, que passa em naaos, que os mesmos descobridores viram e acharam, em gramde cantidade e de gramde gram- deza a Mequa, e dahy 13 ao Cairo, dhomde se espalha pello mundo; da qual trouxeram loguo agora estes cantidade, a saber: de caneella, cravo, gimgivre, noz nozcada e pimenta e outros modos de especiarya, e ainda os lenhos e folhas delles mesmos; e muyta pedrarya fyna de todas sortes, a saber: robiins e outras; e ainda acharam terra em que ha mynas de ouro; do qual e da dita especearya e pedrarya nam trouxeram logo tanta soma, como poderam, por nam levarem 14 mercadaria 15. E porque sabeemos que Vossas Altezas disto ham de receber 16 gramde prazer e contentamento, ouveemos por bem dar lhe disso noteficaçam; e cream Vossas Altezas que, segumdo o que per estes sabeemos que se pode fazer 17 que nam ha hy duvida que segundo a desposisam da jente cristãa 18 (1) que acham, posto que tam confyrmada 19 na fee nom seja, nem delia tenha tam inteiro20 conheci- mento 21, se nam sigua e faça muyto serviço 22 de Deos23 em serem convertidos e inteiramente confyrmados24 em sua santa fee, com grande eixalçamento delia; (e depois de se assy confyrmados 23, ser azo da destroyçam dos Mou- ros daquelas partes), alem de esperarmos em Nosso Se- (1) Vasco da Gama teria chegado a Lisboa com a impressão, ganha na India, de que os índios eram no geral cristãos. i3 —dhy; 14 —riscado: pti cllo aquclia mereada-ya neem tamta como comvy. tlha; i5 — mcad" ; 16 — rrecebí; 17 — faz; 18 — xpãa; 19 — confyrmada; ao — jnt™; ai — c'*; 32 — sviço; 33 — ds ; 34-25 — confyrmados. 4
  • tihor 20 que o trauto primcipall de que toda a mourama daquellas partes se aproveytava e que por suas mãaos se fazia, sem outras pessoas, nem lynhajeens nisso entemde- rem27, per nossa ordenança com os naturaaes e navyos de nossos reynos, se mudar todo, para daquy se largamente poder prover28 toda a Cristandade 29 desta parte da Europa das ditas especiaryas e pedraryas, e que sera com ajuda delle mesmo Deos30 que assy por sua merece ho hordena, mays caussa de nossas temçoes e prepositos com mais fervor se eixerçitarem per ou seu serviço 81 na guerra dos Mouros de nossas conquistas 32 destas partes, pera que Vossas Alte- zas teem tanto // preposyto e nos tanta devaçam 33.Muyto 1513 v3 altos muyto eixcelemtes primcepes34 e muyto poderosos Senhores35 Nosso Senhor36 Deus37 aja sempre vossas pes- soas e reaes estados em sua santa garda. Stprito38 em Lis- boa — dias de Julho 1499 — pera suas altezas. 16-36 — Sôr 27 — riscado: sse mandar e comunicar per esta minha p" descubrir a toda a xpyndade; 28 —puer; 29 — xpindade; 3o — ds; 3t — sviço ; 32 conquistas; 33 —riscado: E pedymos a Vossas altezas que por esta tam grande mereçe que de noso S" Recebemos lhe queiram la mandar fazer aqueles louvores que lhe sam de- vidos e em mereçe o Receberey ; 34 — fmcepcs; 35 — 8™*; 37 —ds; 38 — stpto. 5
  • 2 CARTA DE EL-REI D. MANUEL AO CARDIAL PROTECTOR. (1) 25 de Agosto de 1499. Cópia existente no ANTT: — Colecção de S. Vicente, Livro 14, fl. lr-2v. Mede 210 X 290 mm. O documento encontra-se em bom estado. ti r.j Reverendíssimo em Christo 1 Padre 2 que, como irmaão muito amamos, Nos Dom Manuel, per graça de Deus3, rey de Portugal e dos Algarves 4 daaquem e dalém maar em Africa, e Senhor5 da Guinee e da conquista 6 e da nave- gaçam e comercio de Ethiopia, Arabia, Persia7 e India, nos envyamos encomendar a Vossa Reverendíssima8, Pa- ternidade9 antre as outras muitas cousas que teemos, de tomar sobejo prazer 10 da mui gramde nova e merçee com que a Nosso Senhor 11 aprouve nos comprir 12 nossos de- (1) O conhecido Cardial Alpedrinha, ou Cardial de Portugal, nascido em Alpedrinha em 1406 tendo falecido cm Roma em Setembro de 1508 com 102 anos de idade. Chamava-se D. Jorge da Costa e era arcebispo de Lisboa quando Xisto IV o elevou ao cardinalato, com o título dos Santos Mártires Marcelo e Pedro, em 18 de Dezembro de 1476. D. João II não simpatizava com o Cardial Alpedrinha. Este julgou que era melhor refugiar-se em Roma, onde viveu sempre até ã sua morte servindo altamente os interesses de Portugal. D. Manuel tentou fazè-lo regressar a Lisboa, mas o velho cardial desculpou-se, preferindo morrer no estrangeiro. Cardial perfeitamente integrado na Renascença, a sua opinião era acatadíssima no Sacro Colégio. Os Papas tinham-no igualmente na maior consideração. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira). l — x* ; j — padr; 3 — dií; 4 — algves; 5-n — Snnor ; 6 — conota ; 7 — psia ; 8 — R®* ; 9 — p.; 10 — praí'; 11 — compr. 6
  • sejos, damdo desejado fym a nosso trabalho acerca da investigaçam de Ethiopia e India, terras outras e ilhas orientaes. Certo nom he a somenos podeer Vossa Reverendís- sima 13 Paternidade14 veer aveer em seus dias a muita parte e quinham que lhe nysso cabe (l), asy polio que a natureza vos obligua, como pollo muito amoor que aa nossa pessoa e regnos sabemos que teendes, per omde podes bem conheçer quam de boamente e com quanto prazer 15 vollo notificamos, no que por escusarmos mais prolixidade 18 e poderdes saber 17 assaz compridamente 18 o proçesso deste caso, pollo que escrevemos ao Santo Padre ie, vos envyamos dentro neesta a menuta de sua carta. Soomente vos fazemos saber20 algumas mais particula- ridades das novas e cousas daquellas terras ora achadas, por folgarmos serdes 21 delias sabedor, e também pera o Santo Padre 22 poder seer per vos delias enformado, que- remdo sabello. Primeiramente2S, aallem do que a Sua Santidade stpre- vemos24, sabera Vossa Reverendíssima25 Paternidade20 que estes que ora tornaram da dita investigaçam e desco- brimento, antre outros portos da índia, estiveram em huma cidade chamada Qualecut27, principal28 escapulia de mer- cadoria da Yndia, domde nos trouxeram toda maneira de especiaria, a saber, canela, cravo, pymenta, gingibre, noz nozcada, benjoym, ambar, almizquere, perlas29, robys, e todo outro genero de pedraria e mercadorias preciosas. (1) Parece aludir à participação activa do Cardial Alpedrinha na emprêsa dos Descobrimentos. 14-26 — p. í 15 — praí'; 16 — flixidade; i:-m — sabf; 18 — compdt- mente; 19 — padr; 21 —ides; 23 — £meiramente; 24 — stpvemos; 25 — R"a; *7"" qlccut; 28 — frncipal; 29 — pias.
  • O rey desta cidade se tem por christao 30 e assy a mayor 11 vl parte de seu povoo, os quaees mais com verdade31 se devem teer por herejes, vista a forma de sua christan- dade32, de que ao Santo Padre stprevemos 33. (l) Esteveram os nossos neesta cidade tres meses des a fym de Mayo atee cabo de Agosto, nos quaees meses entam era ho inverno delia tybio M, sempre 35 mais que ca, porem de chuvas infindas e muy grandes e continuas, mais que neestas partes. Neste tempo nom viram la outra fruyta conhecida a elles, nem dizem que ha la per todo o ano senan pipinos,. laranjas, limõees e cidras; outras fruytas ha la muy des- vairadas das nossas; uvas nom tem nem vinho, nem azeyte senam de palma; folgam muito com o nosso; carne nom comem, geralmente aveendo por mal matala pera ysso. Outrossy afirmam estes aveer na índia 38 Reis e a mayor parte38 delles christãaos87 da meesma maneira3a dos de Qualecut38, pouco mais ou menos. E o mayor dos Reis christãaos 40 se chama rey de Polmemder e de Varcem e se diz ser41 senhor42 de muyto grande terra 43, andadura de meses, e de gram poder de gente e cavallos e elefantes. Ha na índia gramdes frotas, naaos grandes de mill botas (2) as mayores e muy muytas outras meãas e peque- nas, com que trautam de huuns portos pera outros; ha (1) Esta informação era falsa, como se sabe, mas indica bem a con- fusão que reinava na época. Vasco da Gama teria chegado a Lisboa com a convicção de que o povo de Calecute era cristão, embora hereje. (2) «Antiga medida de capacidade dos navios, correspondendo 5 botas a 3 tonéis. O tonel português correspondia a 1.500°'\ (Grande Enciclopé- dia Portuguesa e Brasileira). 3o — xpãao; 3i — vdade; 3i — xdade; 33 — atpvemos ; 3a — tybo; 35 — semf f 36 — pte; 3/-40 — xpãeos; 38 — man"; 39 — Çtecut; 41 — sr; 43 — Snnor; 43 — trra. 8
  • muitos cossairos; sua artelharia e tiros sam bombardas e arcos. A Ylha Taprobana, a qual la se chama Cylam, he çento e cinquoenta leguoas pouco mais ou menos de Quelecut, e do mais perto 44 de terra firme a ella poem navegaçam de tres dias. Fazem na nom tamanha como se ca cuidava. O mar dantre45 ella e a terra firme he muyto baixo e de pouco fundo; darredor delia jazem muy gramde numero de ilhas pequenas, muitas delias povoadas. Neila ha muita canella fina, muita pedraria e // assy outras preçiosas mercada- rias. Trouxeram nos os nossos cinquo46 ou seis indios natu- rais de Qualecut47, dos quaees hum delles era mouro e ja guora christãao48, e os outros christãaos 49 da maneira em cima dita. Estes indios sam menos pretos que Guinéus, de huma pretidam sobre roxo, porem seus cabellos corredios, e em narizes e todas outras particulares, feiçoees e jeyto de seu rosto semelhantes de todo aas gentes de ca. E mais nos trouxeram hum mouro de Tuniz que la estava, homem bem sabido e avisado; e sobre todos hum outro que era judeu e ja guora christãao 51 tornado, homem de gramde discriçam e emgenho, naçido em Alexandria, gramde mercador e lapidairio, o qual avya 30 anos que trautava na India, e a sabe assy esmeuçadamente toda, e quanto nella ha, e assy todas as terras dacerca e cousas delias des Alexandria pera la e da índia pêra o Sartaão e Tartaria, atee o Mar Mayor, (l) que bem se mostra 52 achar se aquella terra por gramde mistério de Nosso Se- ll) O Oceano Pacífico. 44 —pto; 45 —dant"; 46 —cinq*; 47 —^lecut; 48-49-51 — xpíao; 5o— min'*; 5a —most*. 9
  • nhor53, pera seu santo serviço 54 e bem da Christandade55, poys loguo com ysso ordenou de se nos trazer56 este ho- mem que avemos açerca por tanto como todo o ali, porque sem elle vyr estevera aynda muitos anos todo o achado por se saber 57 tam conprida58 e intrinsecamente como aguora de nos he sabido. Deus 59 seja louvado, este homem sabe falar hebraico, caldeu arabico e alemam; falia também italiano mesturado com espanhol, tam claro que se entende como hum portu- guês 80, nem elle menos os nossos. Nos tanto que esta nova soubemos, loguo mandamos fazer01 geeraees proçisõees62 per todos nossos Regnos, dando muitas graças a Nosso Senhor63 que nos en tanto graao remunerou neesta parte e descansou o desejo e tra- balho nosso e de nossos antecçessores, e çerto por esta cousa tanto redundar em louvor do Senhor 04 Deus 65 e exaltaçam de sua santa fee, serviço66 da See Apostólica67 e proveyto68 da republica 69 christaã 70, e assy a honrra do Santo Pa- dre 71, por ser72 em seus dias, e desse sacrosantissimo collegio, deve Sua Santidade e Vossas Reverendíssimas 73 Paternidades 74 mostrar publicamente nom menos allegria e dar por ello muitos louvores a Deus 75. Outrossy, como quer que per doaçõees apostólicas76 muy largamente tenhamos o senhorio77 e domínio de todo o per nos achado, de guisa que pouco neçessareo pareça mais nada, porem muito no prazera 78, e affetuosamente vollo rogamos que depois de dadas nossas cartas ao Santo Padre e ao collegeo, queiraees, falando nysso como de vosso, ao menos por mostra79 de algum novo contentamento80 pera nos em cousa tam nova e de tam gramde e novo mereçi- 53 — Siior; 54 — «viço; 55 — xndade; 56 — traí; >7 — sabr; 58 — conpda; 59-65-~5 — ds ; 60 — ftugucs ; 61 — faí ; 62 — pcisôecs ; 63-64-84 — Sôr; 66 — irlço ; 67 — ap"; 68 — preijto ; 6^ — repc* ; 70 —xpáa; 71—pad'; 72 — »!; 73 — R»«« ; 74 — P-; 76 — apc" ; 77 — Snrio; 78 — pzera; 79 — most* — 80 — ccmtentamto. 1 O
  • mento, aveer de Sua Santidade 81 nova aprovaçam e outorga dello na milhor forma que pareceer a Vossa Reverendís- sima 82 Paternidade83 a qual Nosso Senhor 84 praza conser- var 85 como ella deseja. Stprita 86 em Lixboa, a 28 de Agosto de 1499. Rey Conde87 de Portalegre88. (1) (1) Diogo da Silva de Meneses, aio e mestre de el-rei. (Damião de Góis , «Crónica do felicíssimo rei D. Manuel», I, 31-32). 8t — S.; 81 — R" ; 83 — p.; 84 — Snor; 85 — comuar; 86 — stpta; 87 — conir; •88 — ptalgr.
  • 3 FRAGMENTOS DE INSTRUÇÕES DADAS A PEDRO ALVARES CABRAL (I). 1500 Documento existente no ANTT: — Maço l.« de Leis, sem data„ N.° 21. Mede 29 X 22 cm. 17 folhas não numeradas. Lm estado regular. Manchado pela água. Minuta com muitas cor- recções e adições. A frase entre parêntesis está à margem. ...E, depois de ancorados e amarrados e tudo conçertado, lamçares fora em huum batel Balltasar (2) e estes outros indyos que levaaes 1 (e com eles hum par de homens, dos que vos parecer que tem pera ello desposisam e descrip- çam 2, e manda los es que vaão com os ditos yndios ao Çamory, rey de Calecut, e lhe digam) como senpre 3 nos tempos pasados, desejamdo nos muyto de saber4 das cousas daquella teerra da India e jemtes delia, principalmente5 por serviço 0 de Nosso Senhor7, por termos emformaçom (1) Publicado na íntegra em «Alguns Documentos do Archivo Na- cional da Tôrre do Tombo», pp. 97-107. Publicado igualmente na «História Geral do Brasil» por Francisco Adolpho Varnhagen. Tomo I, p. 452, Nota 5.*. (2) Talvez seja o filho de Gaspar da índia. (Fernão Lopes de Castanheda, «História do Descobrimento e Conquista- da Índia pelos Portugueses», II, 389.) t —riscado: po dizeré como esta frota he... nossa. E que ha memdamos aly com muytas e Ricas mercadoryas pi tal trauto e se vender e comprar out" com que as dccas naaos torneem a carregar ; a — descpçam ; 3 — senf ; 4 — sabí ; 5 — pmci- palméte j 6 — sviço; 7 — Sniior. / 2
  • •que elle e seus súditos e moradores de seu reyno sam christãos8 e de nosa fee, e com que devemos folgar de ter todo trauto, amizade e prestança9, nos desposemos a emvyar allguúas vezes nossos navyos a buscar a via da Yndya, por sabermos que os yndyanos sam asy christãos 10, e omeens de tal fe, e verdade 11 e trauto, que devem ser buscados, pera mais imteiramente averem 12 praticar 13 de nosa fee, e serem nas cousas delia doutrynados e ensinados, como compre 14 a serviço 15 de Deus 10 e sallvaçam de suas allmas; e despois, pera nos prestarmos 17 e tratarmos com elles, e elles comnosco, levamdo das mercadaryas de nosos regnos a elles necesarias, e asy trazemdo das suas... Item. E se for casso que el rey de Callecut vos dee as arrefeens atras apomtadas, sobre que avees de sayr em terra pera lhe fallardes e dardes nosso presente 18, e fazerdes o mais que atras vos he apomtado, entam vendo que as cousas passam em tall hordem, que sejam fectas 19 com toda segurança e que elle estara nellas certo, e se nam poderya seguyr incomveniemte, o que todo bem poderes sentyr pellos modos e meyos dos negoçios, e todas outras cousas que bem o poderam mostrar, dir lhe es que nos vos nom emviamos a elle pera soomente esta primeira 20 viajem com elle fazer- des nosa paz e amizade, e assy nella carregardes nosas naaos que levaaes da especiarya e cousas da Yndya e de sua terra; mas pera que loguo em sua çidade leixees e fique21 nosso feitor 22 e casa de nossas mercadaryas e pessoas outras que nella ajam de ficar, e assy clérigos 23 e frades e as cousas da Igreja, pera que nosa fee lhe seja asy inteiramente mos- trada e ensynada, que possa nella ser dotrinado, como fyel 8-IO — xpãaos; 9 —fstança; 11 —Hade; u — avem ; i3 —pticar; 14 —comp; 15 — jviço; 16 — ds; 17 — fstarmos ; 18 — psente ; 19 — fecás ; 20 — pmeira ; 21 — fi4; 22-f1"; 23-cleg". l3
  • christao 24 no que elle sentyra quanto amor lhe teemos, e dessejamos todos sua amizade e prestança... t8 rl E asemtando vos asy a ficada do dicto25 feytor e as cousas com o dito rey de Callecut fiquem acordadas, com todo seu prazer 26 e nosso serviço 27, e vos, tomada vossa carregua, por derradeiro lhe direes que elle deve ter ja conhecido quanta segurança de nossa paz e amizade seem- pre 28 ha de teer, a qual per nos, e pellos nossos, em todos tempos lhe sera imteiramente gardada, e com todo seu pro- veyto 28 e beem de seus reyno e jentes delles; mas que, porquamto30 nos teemos sabido que em sua çidade tratam Mouros, imigos de nosa santa fee, e a ella vem suas naaos e mercadaryas, com os quaaes, assy pella obrigaçam 31 que a ysso deve ter todo32 rey catholico, como porque a nos nos veem quassy por direita33 sobcessam, (3) pello que myudamente lhe poderes apontar das cousas da guerra de alleem, (4) nos temos conthynuadamente34 guerra, porem, que por tal, que as cousas grandes e pequenas 35 fiquem craras e certas, como antre36 nos e elle comveem, lhe fazees saber 37 que se com as naaos dos ditos Mouros de Meca topardes no mar, avees de trabalhar quanto poderdes por as tomar, e de suas mercadaryas e cousas e asy Mouros que nellas vierem, vos aproveytar 38, como milhor poderdes, e lhe fazerdes toda guerra e danpno que posaaes, como a pessoas com quem tamta imizade e tam antyga temos... (3) A guerra entre os príncipes cristãos e os Mouros era, pois, um dever. Para os reis de Portugal era, além disso, uma herança recebida. (4) Isto é, da África. 24 — xpãao ; 25 — dcò ; 26 — pz; 27 — íviço ; 28 — scerap ; 29 — pxtyto ; 3o — pqmto ; 3i — obgaçã ; 3a — riscado : fyel; 33 — drr,a ; 34 — coutliynuadaméte ; 35 — p«4nas ; 36 — antr; 37 — sabr ; 38 — a£ueytar. 14
  • 4 CARTA QUE EL-REY DOM MANUEL ESCREVEO A EL-REY DE CALECUT POR PEDRALVARES CABRAL, CAPITÃO DA PRIMEIRA ARMADA QUE FOI HA INDIA DESPOIS DE SER DESCUBERTA PER VASCO DA GAMA (1). 1 de Março de 1500. Cópia existente na BNL, Ms. 7638, Doc. 33, a fls. 6l-v-64-r. Per- tence a chamada Colecção Vimieiro. Desconhece-se o original. Mede 250 X 170 mm. O documento encontra-se em bom estado de conservação, embora se encontre algo roto no princípio da fôlha 64. Este defeito, porém, não impede a leitura. A caligrafia é boa e segura, devendo pertencer à segunda metade do século xvt. A pontuação é imperfeita. Por este motivo, o documento constitui apenas um longo período. Grande e de muyto poder princepe Çamorim por merce w de Deus1 rey de Calecut, nos Dom Manuel, por sua divinal graça, rey de Portuguall e dos Algarves, daquem e dalém maar em Afriqua, Senhor 2 de Guinnee, etc. a vos emviamos muito saudar, como aquelle que muito amamos e prezamos. Deus 3 todo poderoso, começo e meio e fim de todalas cousas, e por cuja ordenança cursão os dias, e efeitos huma- nos e tempos, asi como per sua infinda bondade criou o (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, pp. 85-88. Publicado igualmente em «Os Sete únicos Documentos de 1500», pp. 57-59, porém com os mesmos erros de cópia. Parece que esta segunda publicação não foi cotejada com a cópia da BNL. João de Barros refere-se a êste regimento, resumindo-o. Década 1, Liv. V, Cap. 1, pp. 385-386). I - 3 — dí ; i — Sfior. I 5
  • mundo e o remio por Christo 4 seu Filho noso Salvador, asy em seu grande e infindo poder e saber ordenou pera os tempos adiante muitas cousas que por bem e proveito da geração humanai, inspirando pelo Espirito Santo nos corações dos homees aviam de ser obradas, fossem mani- festadas e postas em obra nos tempos pera iso mais con- venientes per elle limitados, e não antes nem despois. E por asy esto ser verdade mui conheçida por esperien- cia, se com são e verdadeiro juizo quiserdes consirar a gran- deza da novidade e mistério da ida de nosas gentes e navios a vos, e a esas vosas terras, aveis de fazer nesas partes do Oriente o que todos ca fazemos nestas do Poemte, onde damos muitos louvores ao Senhor5 Deus °, por em nosos (62 r.i dias e vossos fazer ao mundo tantas merces //, que nos podessemos saber, nam tam somente por ouvida, mas por vista, ver e conhecer, e por conversação ajuntar e quasi vezinhar, e estando des o começo do mundo ate gora as gentes desas terras e destas tão arredadas, e fora sempre de toda esperança nem pensamento disto, que o Senhor T Deus8 ora quis que fose espritando, (1) avera sesenta annos, em huum noso tio vassallo noso chamado Iffante Dom Amrrique, princepe de mui vertuosa vida e santos custumes, o qual por serviço de Deus8 tomou proposito, per Deus 10 inspirado, fazer esta navegação, e por os reis nosos anteçessores foy proseguida ate gora, que prazendo a Nosso Senhor11 lhe quis dar o fim por nos desejado, quis que, aquelles que agora la forão de huma soo viagem, (2) (1) espritando, i é, inspirando. (2) Refere-se à viagem de Vasco da Gama em 1498. D. Manuel salienta a importância desta viagem, compara-a com todos os esforços feitos durante os últimos sessenta anos e afirma a continuidade portu- guesa dos descobrimentos. 4 — Xp5 j 5 - 7 - n — Snõr ; 6 • 8 • 9 -10 - ds. i 6
  • fezessem outro tanto caminho ate chegar a vos, quanto em todalas viageens passadas estava feito em sesenta annos, sendo estes os primeiros que mandamos loguo, tanto que per graça de Deus 12 tomamos o regimento de nosos reinnos e senhorios. Asi que ainda que esta cousa se veja feita por homeens, não se deve julgar por obra de homeens, que não he pos- sível a elles, mas soo de Deus 13 em cujo o poder o impos- sível aos homees he possível a elle, que des na criação do mundo ouve nesas partes de laa, e nestas de qua grandes poderes e senhorios de prinçepes e reis, e de romaos, (1) e outras gentes que posuirão a maior parte da terra, dos quaes se lee terem grande von- tade e desejos pera fazer esta navegação, e trabalharão niso, e não aprouve a Deus darlhe tal posibilidade naquel- les tempos em suas mãos, como nos mesmos agora pode- ramos se de sua mão e vontade o não ouveramos; e pois se emquanto Deus 14 não quis que isto fose, todolos homeens passados não tiveram poder pera o // fazer^ não deve [62 v.j ninguém cuidar que agora que elle quis, sejão homeens poderosos pera o contrariar e desfazer, sendo ja agora muito maior mal e injuria contra Deus 15 querer resistir sua von- tade tão manifesta e conhecida, do que era aprofiar16 contra ella então antes de sabida. E antre as cousas porque principalmente damos muitos louvores ao Senhor17 Deus 18 neste feito, he por nos ser dito aver nesas partes gentes christãs 19, que sera o principal noso desejo para comvosquo avermos de conversar, e nos (1) Isto é, Romanos. is-13 - 14- i5- 18 — ds 16 — apfiar; i7 — Sfior; 19 — xpãos. 17
  • / aproveitar, e prestar com grande conformidade damor e irmandade como os reis christãos20 devem fazer antre si, porque bem he de crer, que não ordenou Deus21 Noso Senhor22 tam maravilhoso feito desta nosa naveguação pera somente ser servido nos tratos e proveitos temporaes dantre vos e nos, mas também nos esprituaes das almas e salvação delias que mais devemos, e se elle ha por mais ser- vido por tal que a sua santa fee christã 23 fose antre vos e nos communicada, e ajuntada como foy por todo o universo mundo, bem seiscentos annos despois da vinda de Jesus Christo 24, ate que por pecados dos homeens vierão algumas seitas e eresias contraíras, ditas primeiro25 de Christo 26, que avião de vir despois delle, pera prova27 e manifestação dos boos, e pera todo enguanno da maldade aquelles que merecião condemnação e perdimento, porque não quiseram receber a verdade pera serem salvos, e por tanto lhes avesou Deus28 o saber e entender, e pera obrarem erros, e crerem a mentira, e serem condemnados, pois não quiserão crer a verdade, e consentirão na falsidade, as quaes seitas ocuparão, antre esas vossas terras e estas nosas, muita parte da terra; t63 r.j e per // onde nossa comunicação comvosquo sendo impe- dida por terra, e esta agora com nosa naveguação novamente aberta e despejada per Deus 29 a que nada he impossível. Pelo qual conhecendo nos todo esto e desejando de proseguir 30 e comprir, como devemos2 o que nos o mui alto Deus 31 tanto mostra ser de sua vontade e serviço, manda- mos agora la o noso capitão e naos e mercadorias e feitor noso que, por vosso prazer 32, aja la de fazer e estar; e asi mesmo mandamos pessoas religiosas e doutrinadas na fee e religião christã 33, e também ornamentos eclesiásticos pera ao - 23 — xpãos; 21 —ds; 22 —Snor; 24 — Jhu Xpo ; 25—fimr®; 26 —Xpo; 27 — fova ; 28— ds; 29— ds ; 3o -fseguir ; 3i - ds ; 3a — pitr ; 33— xpaã 18
  • çelebrarem os officios devinos e sacramentos, pera que possaes ver a doutrina da fee christã 34 que temos, dada e instituída per Christo35 Jesus36 Noso Senhor37, Noso Salvador a doze apostolos discípulos seus, a qual despois de sua santa ressurreição foy por elles geralmente preguada e recebida por todo o mundo, dos quaes alguuns, a saber, Santhome, e San Bertholameu, pregarão nesas vossas par- tes da India2 fazendo muitos e grandes milagres, terando esas gentes da gentilidade e idolatria, em que dantes todo o mundo estava, e convertendoos a verdade da santa crença, e fee christã 38 como também qua foy preguada a nos por alguns dos ditos apostolos. Ordenando Noso Senhor39 Jesus40 Christo41 por vi- gairo seu principal, antre todos seus apostolos e discípulos, São Pedro, o qual pregando na grande çidade de Roma, que naquele tempo foi cabeça das gentes e idolatria, padeçeo por elle martírio, e hi jaz sepultado, onde des então ate gora por os santos padres seus sobcessores foy e he insti- tuída pela mesma ordenança de Christo 42 a principal cabeça e sede da fee // e religião christã43, querendo (segundo io3v.] se mostra) o Senhor44 Deus45 que Roma (asi como dantes era a madre do erro e falsidade) fose e permanecese madre da verdade, dos cuja obediência e verdadeira48 doutrina estamos nos, e todolos reis e príncipes e senhorios cris- tãos (1). E portanto consideradas estas cousas e rezões de tanta vontade e serviço do mui alto Deus47 por elle mesmo, que (1) A fidelidade a Roma e ao Papa antolhava-se o ponto mais impor- tante nas relações entre Portugal e os cristãos orientais. 34 - 38- 43 — xpaã j 35 -41 - 4a Xfco ; 36 - 40 — Jhfi; 37 - 39-44 — Súor ; 45-47 — ds; 46 — vcrdadr*. 'P
  • foy e he causa da nosa navegação e ida a vos, mui afectuo- samente e como irmão vos rogamos que vos queiraes con- formar com seu querer e vontade, e por fazerdes vosso proveito, e de vossas terras, asy temporal como espritual, vos apraza receber e ajuntar comvosquo nossa amizade, trato e conversação que vos tam pacificamente apresen- tamos por seu santo serviço, e receberdes e tratardes noso capitam e gentes com aquelle são amor e verdadeiro48 com que os a vos mandamos, por que alem de aqui entrarem tam claras rezões e mistério da vontade de Deus, quantas elle nos ha feito e mostrou, que todos podessem ver e conhecer por sua obra, certo em toda a rezão dantre homeens cabe deverdes muito de folgar com gentes que de tam longe com tam grão coração vão busquar vosa amizade e conversação, e trazervos tanto proveito 40 como de nosas terras50 mais que de nenhumas outras podeis de nos receber. E em caso que pera algumas erradas vontades, e espritos trovadores do bem (que nunqua fallecem) achemos em vos o contrairo desto, o que por toda rezão mal poderíamos crer, nem esperar de vosa vertude, noso detreminado pro- pósito he seguir a vontade de Deus51 antes que a dos tMr.u homees, e não leixar // mos por nenhumas contrariedades proseguir neste casso, e continuar nosa navegação, trato e conversação nesas terras de que o Senhor52 Deus53 se quis aver novamente por servido por nosas mãos, não querendo que noso trabalho por o servir fose debalde, segundo não menos esperamos de sua piedade que seja ao diante, porque firmemente cremos e esperamos que pois elle fez esas terras, e as deu a pesuir a vos, e a esas gentes dela, elle ordenara como no seu se faça sua vontade, como não falleça quem nellas acolha e receba nosa amizade, e nosas gentes que laa 48 — verdadr* ; 49 — poveito ; 5o — trras ; 5i - 53 — dá; 52 — Snor. a o
  • vão, (l) tanto por seu querer e vontade, e a que elle tam maravilhosamente abrio o caminho e deu poder pera irem a ellas; a qual cousa elle mesmo he sabedor quanto dese- jamos que seja antes por boa paz e amizade. A elle praza darvos sua graça pera conheçerdes as cousas de sua vontade, e santo serviço, e acerqua disto vos praza crer e dar comprida fee a Pero54 Alvres 55 Cabral fidalgo de nosa cassa, e noso capitão moor, em tudo o que de nosa parte vos fallar e requerer, e com vosco tratar.. De Lisboa56 ao primeiro de Março de mil e quinhen- tos annos. (1) Alusão talve2 ao rei de Cochim que recebera com prazer a visita de Vasco da Gama. 54 — p* ; 55 — alvfs ; 56 — LU*. 2 1
  • 5 CARTA DE D. MANUEL PARA OS REIS DE COCHIM E DE CANANOR (1). 1502 Documento existente no ANTT: — Cartas dos Vice Reis, n.° 71. Consta de duas folhas, estando 3 páginas escritas. Mede 220 X 290 mm. Minuta, corrigida em partes. Pera el-rey de Cochy e de Cananor. Muyto nobre e omrrado Rey de Cochym, Nos Dom Manuel etc pello capitam moor das nossas naaos e frota que esta vez derradeira emviamos a esas partes da Imdia e per todos os outros nossos capitães e jente da dita armada soubemos e fomos certo da boôa vomtade e amor com que de vos foram recebidos e agasalhados e com ele folgaste de asemtar paz, trauto e resgate1, e a nosas naaos per nos e pellos vossos foy dada carregua com toda verdade2, segurança e boom trauto. Como verdadeiro3 Rey e muyto noso amigo e que * vossas boõas obras fosem pera em todo tempo 5 muyto 8 (1) Carta de recomendação de D. Vasco da Gama aos reis de Cochim e de Cananor. Vasco da Gama partiu de Lisboa em Março de 1502 com forte armada, tencionando não só castigar severamente o Samorim de Calicut pela traição feita a Pedro Alvares Cabral, como também deixar na índia alguns navios que mantivessem o prestígio português. I — riscado : como rdadelro Rey e muyto nosso amigo ; 2 — rdade ; 3 — vdc deiro ; 4 — riscado : p as cousas q damte 4 a nos tose pasaram em Catlecut fose ; 5 — tf>o ; 6 — riscado : pa. a 2
  • ystymar e recebermos delias muyto prazer7 e contentamento. Fez nos certo a nos ficar vos em muy mayor obrigaçam o tenpo em que ho fezestes que muy mais nos faz obrigado pera em todos tempos ho conhecermos e folgarmos de as fazer como he rezam e vossa prestança // ho mereçe e prazera 8 a Nosso Senhor 9 Deus 10 que pera a satisfaçam e conhecimento 11 diso nos dara a nos tanto tenpo e lugar que seemtaaes e conheçaes12 que ganhastes em nos13 verdadeiro 14 e boom amigo e que o conhecimento 15 dos nossos e de nossa amizade foy caminho de mais vosso proveito 16, homrra e riqueza pera vos e os vossos, e toda vossa terra; que com ajuda de Deus1' Nosso Senhor1S esperamos que seja em tamto crecimento que ajães por muy bem fecto o que aos nosos fizestes e que pera o diamte faça mais acrecentada vossa booa vomtade, a qual vos roga- mos muyto que pera em todos tempos seja em vos tam certa e segura como de vos pello começo de vossa vertude19 e bondade esperamos e de todo Rey verdadeiro20 se deve •esperar. Ca Nosso Senhor21 que naqueles dias pos em vosso coraçam boõa vomtade pera nos e os nossos comservara 22 asy nossa paz e amizade que delia a nos e a vos e aos nossos se sygua bem descamsso e proveyto, tanto que vosso poder e riqueza seja muyto acrecemtada; e esta esperança vos rogamos nos que tenhaaes vos nelle // muyto imteira23 a 12 r.i Dom Vasquo da Gama, noso almirante, e nosso capitam moor, que foy ho primeiro 24 capitam nosso que esas partes descobryo e achou, mandamos agora outra 25 vez la tornar; rogamos vos muyto que receba elle de vos acerqua 26 de 7 —fzer; 8 —fzera; 9 — Sôr; 10-17 —ds; H-lS —O»; 12 —riscado: vos; i3 — riscado: c no c** de nosas ; 14 — vdadeiro; 16—pveito; 18 — snór; 19 —1 tude; *> — rdadeiro ; 21 — snor; 22 — com*vara; 23 — jmtr* ; 24 — pmeiro ; 25 — out; — acer<|. 23
  • todas nosas cousas aquele gasalhado e boom aviamento que- de vos esperamos pello começo de vossas boôas obras; e com ele asemtes e façaes todas as cousas de nossa pas, amyzade e trauto como com nossa propria pesoa o faryees, porque noso dessejo e vomtade he aver 27 amtre 28 nos e vos 29 muito verdadeira 30 e segura paz e amizade pera em todos tempos fyrme, por tal que nossas cousas sejam fectas 31 e trautadas como próprias vossas e as vossas como próprias nosas. Os vossos (1) que a nos vieram nas nosas naãos mamda- mos tornar e per eles poderes ser enformado de nos e de nossa boôa vomtade e amor que a vos e a vossas cousas teemos feito. (1) Refere-se aos embaixadores que os reis de Cochim e de Ca- nanor haviam mandado à côrte de Portugal. J7 — avr; 28 — amt'; 29 — riscado : vos e nos ; 3o — vdadeira; 3i — fecás. 24
  • 6 CARTA DE MATIAS, CRISTÃO NATIVO, A EL-REI DE PORTUGAL Documento original, existente no ANTT, Lisboa, Maço único, N.° 2. Cartas dos Vice-Reis. Mede 270 X 215 mm. Consta de quatro páginas não numeradas, sendo escrita apenas a primeira e o princípio da segunda. O documento encontra-se roto no lado esquerdo tanto superior como inferior, impossibilitando a sua leitura em tais partes. O topo da segunda página está tão deteriorado que lhe faltam duas linhas pelo menos. Esta particularidade não afecta muito a leitura da primeira página, pois a escrita começa quasi a meto dela. O dorso ê constituído pela quarta página. Senhor 1 Mathias christão 2, morador 3 em Quaequolam, faço saber a Vossa Senhoria4 que polias naaos de que o almyrante (2) veo per capitam moor, eu lhe carreguei duas naaos, e pela frota de Afonso de Alboquerque8 carreguei aa naao de Fernam Martins 8 (3) e nom dei mais porque (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, p. 268. Quaequolam: Calecoulão, rio e pórto neste reino de Coulão. (2) Deve referir-se à segunda viagem de Vasco da Gama em 1502. (3) Segundo Gaspar Correia, Fernão Martins de Almada foi um dos capitães que acompanharam Francisco de Albuquerque em 1503. Devia bordejar ao largo do Cabo Guardafui. Contudo, passou à India e carregou efectivamente a sua nau em Coulão. (Gaspar Correia, «Lendas da índia», I, 374, 505.) João de Barros não concorda. Segundo êle, Fernão Martins de Almada l - Sôr; a — xpáo ; 3 - m" ; 4 — Sri* ; S - a* dalbor4que; 6- rajz. Quaequolam, 18 de Dezembro de 1504 (1) 25
  • a nom ouverom mester, e agora per esta frotaa carreguey a naao Rey Grande (1) e parte7 da Catharina8 Dias, (2) e se necesaria fora mais pimenta mais dera e ella vaay pessada, de maneira que com ajuda de Deus9 espero que creça e nom mingue asy como fez nas naaos do almirante10. Atee guora nunqua vierom naaos a estas partes11 em que eu nom tenha tomado parte12 do trabalho em as carregar; isto, Senhor13, faço porque cuydo que nisto vos sirvo14 e nom pello proveyto 15, que certo atee agora o nom tenho visto, mas daqui por diante espero 16 em Deus17 era da conserva de Afonso de Albuquerque e não se destinava à guarda do Estreito. Era filho de Vasco de Almada «alcaide-mor que foi desta vila». (João de Barros, «Década I», Liv. VII, Cap. II, p. 86.) Castanheda segue Barros, e mencionando o nome de Fernão Martins de Almada acrescenta logo «que dizem que morreu na viagem de gordo». (Fernão Lopes de Castanheda, «.História do Descobrimento e Con- quista da índia pelos Portugueses», I, 115.) Damião de Góis segue também esta segunda opinião, anotando igual- mente a morte de Fernão Martins de Almada nesta viagem. (Damião de Góis, «Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel /», I, 165.) Como se vê, Gaspar Correia é o que está em harmonia com o presente documento. (1) Nau assim chamada para se distinguir doutra« Rey Pequeno». Temos notícias ainda do «Rey Grande» em 1508 e 1510. (Gaspar Correia, «Lendas da India» I, 873, 884, 920, 924, 990, e II, 58, 177») Sendo já velha, António Real mandou queimá-la em Cochim em 1512, para lhe aproveitar a pregadura. (CC, I, 12-44.) (Cf. Quirino da Fonseca, «Os Portugueses no Mar» pp. 245-246.) (2) «Na armada de 4 naus com que Afonso de Albuquerque partiu para a índia em 6 de Abril de 1503 ia uma nau que na Relação escrita por João de Empoli, feitor nessa armada, se chamava Catarina ou Catarina Dias, e que era de -100 toneladas. (Livro de Tôda a Fazenda, etc. p. 149). Segundo a mesma Relação, esta nau perdeu-se em viagem com uma tem- pestade. É possível que a referida nau fôsse de armadores e que o nome 7-ri-n-p"; 8 —c«; 9.17-ds; 10-alm"; i3-Sftr; i4-»vo; i5- ppveito; |6 — esfo. 2 6
  • que Vossa Senhoria18 sayba meu servyço19 e folge de me acrecemtar. Fernam Lopez (l) me trouxe huma carta de Vossa Senhoria20 a quall reçebi em grande merce21; e quanto he as coussas de nossa fee que Vossa Senhoria 22 diz que nos ajudara, todollos christãos23 vos beijamos as mãaos por isso, e certo, Senhor24, todos estávamos em nececidade de muitas coussas que nom sabíamos, nem tínhamos quem nollas emsynasem, mas pois nos Deus25 abryo este caminho que quis que vossas gentes viessem a estas partes26 pera salvaçam de nosas almas, vos teremos, Senhor , em merce de nos proverdes29 com quem nos ensinem o que nom sabemos e os que forem tam velhos que o nom possam aprender30 aprendeloam31 nossos filhos32, no que Noso Senhor sera33 servido34. SenhorM, esta carta mandei fazer em português ... o malabar nom se custuma laa muito. Todos os christãos beijamos as mãaos a Vossa Senhoria38 e faze // ...enparo ti v.i se nom Vosa Senhoria39 a q... lembres de nos e de nosas almas. Catarina Dias fôsse de alguma dama que lhes respeitasse, diferente pois a invocação religiosa de St.' Catarina de Monte Sinai, que tiveram outras naus portuguesas, como veremos.» (Quirino da Fonseca, «Os Portugueses no Mar», pp. 236-237.) (!) Gaspar Correia fala num Fernão Lopez que Vasco da Gama nomeou almoxarife do armazém de Cananor em 1502. (Gaspar Correia, «Lendas da Índia», I, p. 299■ . c, Êste Fernão Lopez teve uma vida muito aventurosa. Apostatou a te •e depois foi severamente castigado por Afonso de Albuquerque. Retirou-se a seguir para a Ilha de Santa Helena que povoou de animais, concorrendo assim para a sua cultura. Veio a Portugal e chegou a ir a Roma, onde alcançou perdão dos seus pecados. (Correia, Ob. cif II, pp. 213, 316-318.) (João de Barros, Década II, Liv. VII, Cap. V, pp. 207-208.) 18- jo-ai — SrU ; 19 — «vyço ; a3 — xpão ; 21-27- 35 — »ór ;a5—ds; 26 — P,M ; si -28 — mçee 29 — pproidea; 3o — apmder; 3i — apemdeloam ; 32 — f ; 33 - «a; 3< — ivjdo; 36 — ptuge»; 37 — xpáos ; 38-39 — Sría. 27
  • De Quaequolam a 18 dias de Dezembro de mil quinhen- tos e quatro annos. (Assinatura constituída por uma cruz e por caracteres, que se não decifram.) 2 8
  • 7 REGIMENTO DE D. FRANCISCO DE ALMEIDA QUANDO FOI POR CAPITÃO MOR À INDIA 5 de Março de 1505 Original existente no ANTT: — Maço 2 de Leis, N.° 13 (1). Mede 300 X 210 mm. Consta de 51 folhas não numeradas. Em bom estado, para o qual concorre certamente a encadernação do documento. A metade superior de tôdas as folhas encon- tra-se algo manchada pela água. [A margem} Que se nam vendam armas a mouros- usr.j Iteem. Em todos os lugares que tocardes, que sejam de mouros e infyees, vos encomen // damos muito que ue •».] tenhaaes em vosa nao e mamdes teer em todas as outras grande cuidado e avisso que se nam vendam nem deem por nenhuma maneira algumas armas nem outras cousas defesas pello Santo Padre e por nos, e quem ho fezer1 seja certo que, alem das penas que per isso sam ordenadas, lhe mam- daremos dar outro mais castiguo que nos bem pareçer, asy por pasarem a dita defesa como por ser 2 coussa de que receberemos grande desprezer. [/í margem] Casa para os fradess- (2) (*» r.j Iteem. Quamdo a obra da fortaleza se fezer4, folga- (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, pp. 272-334. (2) Refere-se à fortaleza a construir em Coulão. I • 4 — fí; a — »r ; 3 — ff des.
  • reemos que se faça aquy casa de recolhymento pera os frades estarem beem agasalhados, e que fose pegada com a ygreja, de maneira que se podesem por ella servir6 pera a dita ygreja. [A margem] Sytyo. Iteem. Vos lembramos pera o syto desta fortalleza a pomta que pera ella os da terra apomtaram, e que parece milhor lugar que outro alguum, a qual diz que se pode muy prestesmente cortar. [A margem] Cura dos doentes. Iteem. A cura dos doemtes da vosa naao e de todas as outras vos encomendamos muyto que se tenha dello boom cuidado e se faça o milhor que se poder, e que asy ho emcar- regues da nossa parte 0 a todos os capytaães das dytas naaos, [34 v.j a que dires que ajam por certo que, alem // de ho deverem asy fazer 7 por suas bomdades e comçiencias, nos faram nisso muyto serviço8; e tanto que foreem doemtes, se fa- ram loguo comfesar e fazeer seus testamentos, em que declarem os descarreguos de suas concyemcias e a quem ha de ser dado ho seu; e posto que atras, pello primeiro capitolo 9 deste regymento, seja mamdado que façam certa decraraçam de seus nomes e apelidos nos livros dos spri- vãaes10, pera serem milhor conhecidos, eles e seus herdei- ros 11 ho faram tambeem nos ditos testamentos pela hordem do dito capitólio, e se allgums fallecerem, seram loguo feytos seus emvemtairos pellos spryvaaes das ditas naaos de todo o que lhe for achado, e sera posto a tal recado que se nam perca cousa alguma, pera se dar a queem de direito 12 pertemcer, com o solido e ordenado que atee o dia de seu falecimento teverem merecido, do qual os spryvaaes faram decraraçam ao pee ou marjeem do aseemto que teverem 5 — »vjr; 6— pte ; 7 — faí ; 8 — «iço ; 9 — cap'; 10 — spvãaes: 11 — hei da.' ia — dir". 3o
  • em seus livros, do nome de cada huum, pera por elles lhe fazerem suas comtas. IA margem] Que a jente de junto de Amjadyva seja 138 T/i bem tratada. Iteem. A jeente da terra junto da Amjadyva nos pra- zerá 13 que seja favorecida e beem trautada, porque nos parece que aproveytara muyto a noso serviço 14 e a beem daquella cassa fazer se asy, e portanto tomay grande cuy- dado pera se asy fazer15 e day diso recado a Manueli Paçanha pera que se faça asy, quando vos nam fordes presente.10 [A margem] Que os cristaaos 17 dela sejam favorecidos e omrados. Iteem. Os cristaaos18, em quaesquer19 terras homde os ouver, vos encomendamos muyto que favoreçaes em todo quanto bem poderdes, e os homrres e façaes homrrar e trautar em todas as cousas, e asy mesmo os que novamente se comverterem de quallquer naçam que sejam, e huns e outros sejam doctrynados e ensynados nas cousas da fee; e disto vos encomendamos que tomees grande cuidado pera asy se fazer20, porque ainda que os religiossos, que vaao, disto ajam de teer boom cuydado, sempre aproveytara muito o cuydado que vos diso tomardes. [/í margem] Que a jeente seja beem mandada e cas- imv.] tyguada. Iteem. Toda a jeemte, asy da frota como também das fortellezas vos encomendamos que seja beem mamdada e castigada e a tragaaes asy redomda e certa, que nam façam neemhum desmando nos lugares onde vos acertardes, e nam façam cousa que nam devam, e a todos os com que nego- 13 — fzera ; 14 - íviço; l5 — f*S ; 16 — fsente ; 17-18 — xpãâos ; 19 - qusqr; so— faz. 3 1
  • çiarem, ou allguma outra cousa fezereem, façam verdade, e em especiall vos encomendamos que veedes e vygyes o ajuntamento dos homeens com as molheres da teerra, por- que aliem de ser 21 muyto deserviço 22 de Noso Senhor23, he coussa de que diz que na teerra se segue aos naturaes gramde escamdallo. [A margem] Sacerdotes de Coulam que venham ate tres. Iteem. Se de Coulam se quiserem // vyr nas naaos dous ou tres sacerdotes dos cristãaos 24 da teerra, folgua- reemos que os mandees vyr, e nas naaos em que vierem os manday muy beem agasalhar e tratar. 21 ~ i — desíviço ; 23 — Sôr ; 24 — xpiaos.
  • 8 CARTA DE PERO FERNANDES TINOCO A EL-REI Cochim a 21 de Novembro de 1505 Documento original existente no ANTT: — CC, 1, 5-59 (1) Mede 310 X 220 mm. Contém 8 folhas não numeradas, sendo as duas últimas em branco. Está em bom estado. O ângulo superior direito da folha Or e o ângulo correspondente esquerdo da folha 6v encontram-se bas- tante delidos. A caligrafia ê muito pessoal e descuidada. Os «.íi» confundem-se bastante com os «rr». £ algo difícil distinguir quando é que o autor deseja empregar no interior das palavras estas consoantes simples ou duplas. Senhor. Nesta quero 1 dar alguma comta ha Vossalteza das coussas de Narsynga, (2) e ho muito desta materia (1) Publicada na integra nas «Cartas de Afonso de Albuquerque». II vol., pp. 341-344. Pero Fernandes Tinoco:— Segundo Gaspar Correia, vinha com pro- visão de^ El-Rei para ser feitor em Bisnaga, para tratar de pedras preciosas em que êle era perito. Quando viu a embaixada que o rei de Bisnaga mandou a Cananor a D. Francisco de Almeida, alegrou-se e pediu imediatamente ao vice-rei que o enviasse como embaixador ao soberano hindú. D. Francisco julgou que a ocasião não era oportuna e não o mandou. (Gaspar Correia, Lendas da India, 1, pp. 618-619). 0 teor do documento, porém, mostra que o desejo de Pero Fernandes Tinoco tinha outra origem. (2) Narsinga ou Bisnaga. Era o principal reino ou império hindú, quando os Portugueses chegaram à índia. Possuia cidades e reinos vassalos tanto na costa ocidental como na oriental. Em contínua guerra com os Musulmanos do Decão. o imperador de Bisnaga tentou atrair a si logo de inicio as simpatias dos Portugueses. (Crónica dos Reis de Bisnaga. Manuscrito inédito do século XVI. Publicado por David Lopes. Lisboa, 1897.) 1 — quero - repetido. 3 33
  • leixo ao Padre Frei Lois (l) que la vai a Vossalteza; cando, Senhor, chegamos Amjadyva, (2) foi dada huma carta a Dom Frrancysco de Gonçalo 2 Gil, (3) em como esse Padre Frei Lois e Pero Leitam, seu sobrinho, eram em Narsynga, a chamada delrei de Narsynga, como Vossalteza la sabera por eles, e logo dy a dez ou doze dyas, por que Gonçalo Gyl, esperava ja cada dya por eles, veo Pero Leitam Amjadyva e aly contou a Dom Francysco e a nos todos ho que la [i v.] Vossalteza // hade saber por eles, e Dom Françysco, honde todos cuidávamos que se asentasse em joelhos e que desse grraças a Nosso Senhor 3, como cremos que Vossalteza hade fazer por tanto bem e tanta boa ventura como Nosso Senhor vos traz as mãos, e ele, em vez de fazer isto, compeçou de praça perante todos a descantar delrei de Narsynga e dos embaixadorres que estavam em Canenor, e que nom queria ir por Canenor, nem verse cos embaixadorres, e desfavo- reçeo tanto Pero Leitam, que lhe trouve festas novas, que se tornou Pero Leitam desesperado dele, e isto dezyho tantas (1) Deve tratar-se de Fr. Luís do Salvador, um dos frades franciscanos que acompanharam Pedro Alvares Cabral à índia em 1500. Depois do de- sastre de Calicut, onde três dos seus companheiros perderam a vida; Fr. Luís meteu-se pelo continente dentro e chegou até Bisnaga, conseguindo licença real para prègar e construir igrejas. O imperador ou rei de Bisnaga serviu-se dêle para obter as boas graças dos Portugueses. (BNL, Ms. N." 177 do Fundo Geral: Noticias do que obrarão os frades de S. Francisco da Pro- víncia do Apóstolo S. Tomé», ft. 1, vol. 2.) Fr. Luís, porém, não chegou a partir para Portugal. (2) Ilha ao largo da barra de Goa. Esta última cidade era o principal porto do Decão. Por conselho do Judeu convertido Gaspar das índias, D. Manuel resolveu construir uma fortaleza em Angediva, sendo D. Fran- cisco de Almeida encarregado disso. A fortaleza tinha como fim principal neutralizar o porto de Goa. As condições, porém, não se manifestaram favoráveis aos Portugueses e a fortaleza foi desmantelada dois anos mais tarde, em 1507. (Gaspar Correia, «Lendas da Índia», I, pp. 561-570.) (3) Gonçalo Gil Barbosa era feitor interino de Cochim. (Gaspar Correia, «Lendas da Índia», I, pp. 309, 312, 335, 375, 496.) 2 — g» ; 3 — Sn&r. 34
  • vezes, que todos se espantavam, dyzendo que nom avia de mandar a Narsynga, e que Vossalteza nunca lhe falara em Narsynga, e que pois no regymento nom dezya se nom que mandasse se lhe pareçesse bem e visse que era serviço de Vosa Alteza. ... que oulhase bem ho que amdava dyzendo, e que ur.i vos entendese milhor, que Vossalteza estymaria mais pera Deus 4 e pera ho mundo fazer e tornar a fe hum jentio do que canta espeçeria avia na India, e que esta era a vossa verdadeira temçam e nam a sua, e que pera ele ver como isto era verdade, que eu lhe punha a cabeça que Vossalteza lhe dese cem mil crruzados e que vos possesse huum homem nos Chys, que era muito mais lonje sem conto, e menos pera se dela aver espeçeria, somente por Vossalteza por la a Cruz de Cristos e o vosso padram, e desta maneira folgáveis com Narsynga, afora muitas houtras // cousas que achey avia uv.i que redondavam sobre a estorea da India, as quais ele devia milhor de entender e nom zombar e escarneçer de Narsynga com Guespar, (l) que Vossalteza ca nom mandara com ele se nom pera ser lyngoa dos mantymentos; e per aqui, Senhor, fui falando com ele mais desta materia que aqui (1) Gaspar da índia, ou de las índias, ou da Gama. Judeu nascido em Granada. Depois da tomada da cidade pelos Reis Católicos, passou à Turquia, depois a Meca e por fim foi ter à Índia, onde se alistou sob as ordens do Sabaio, senhor de Goa. Este fê-lo capitão-mór da sua armada. O judeu soube da demora que Vasco da Gama fez em Andegiva, quando se preparava para regressar a Portugal da sua primeira viagem à Índia. Meteu^se numa embarcação não só para obter novas das naus mas também para com- bater os Portugueses. Foi, porém, preso e trazido a Portugal por Vasco da Gama. Foi baptizado em Lisboa, recebendo o nome de Gaspar da Gama, pois o descobridor do caminho marítimo para a Índia foi seu padrinho de Baptismo. Chamava-se também Gaspar de Almeida. O nome mais vulgar por que era conhecido foi sempre «Gaspar da Índia». (Gaspar Correia, «Lendas da Índias», I, 125-127, 142, 149,) 4 — ds. 35
  • seria longo de por, e então, Senhor5, me respondeo que ele hyria a Canenor verse cos embaixadorres de Narsynga, e que veria suas cousas que trazyam, e que emtam, se fose serviço de Vossalteza, eu ir, que emtam eria, e eu, Senhor °, dysselhe que aquele hera ho caminho que ele devia de levar, e nom ho que ate ly levara. E partymos pera Canenor, e com canto co ele passei, sempre foi frio, e visse7 cos embaixadorres e porque, com isr.j ]jje cjyse, ainda praguejava, // sem nunca me dar conta do que esperava de fazer, nem fazer 8 nenhuma memoria de mim, que tos 9 se ca espantavam; houssei, Senhor, de tornar a ele e fyzlhe outra fala doutra maneira, que fazya muito ao caso, e emtam determinou de responder a elrei de Nar- synga e escreverlhe como eu aly era vindo com embaixada e presente pera ele, ho qual presente ele nom queria hou- torgar, e eu dyselhe como Vossalteza houvera de mandar por mim hum muito grande presente, e que porque soubera que elrei era faleçydo, e nom sabya quem seria rei, que dissera Vossalteza a Tristam da Cunha, que por isso ho nom mandava, e que achando ele rei vosso amigo em Nar- synga, que entam me mandasse, e que se fezesse hum pres- t5v ' sente das milhorres cousas que ca houvese nar // mada e nas feitorias, e que ho levasse, e que ele que assy ho devia de fazer, porque era mui serviço de Vossalteza, e entam me dysse que nesta armada que nom avia nada que fosse pera isso, e eu, Senhor 10, lhe dysse entam que avia huum jaez seu, e outro de Dom Lourenço11, (1) e outro de Lou- renço 12 de Brito, (2) e outro de Manuel Paçanha, (3) e (1) D. Lourenço de Almeida, filho do Vice-Rei. (2) Vinha com D. Francisco de Almeida para ser capitão de Cananor. (3) Havia ficado em Angediva por capitão da fortaleza. 5-6-to — Snór; - — i è = viu-se ; 8 — depois de fazer está repetida a silaba jer; 9 — i e = todos ; n -12 — Lf. 30
  • houtras coussas que se achariam, e assi, Senhor fuy apre- fyamdo co eie per geitos que eram bem escussados, e entam pos na carta que trazya pressente, e que porque nom sayba honde ele estaria, me nom mandava, que cando Sua Se- nhoria 13 mandase recado, que logo parteria; e estamos esperando pola reposta, e tendo ele isto feyto desta maneira, ainda prageja e esta frio no gosto; e dysto tudo Senhor, que aqui dygo em soma, e das cousas grrandes e milagrossas de Narsynga, la vai o Padre Frei Lois // que espantar bem [s r-t Vossalteza, porque tudo vio e pasou, e leva as joyas que elrei de Narsynga manda ho prinçepe, da maneira que o Padre mesmo contara a Vossalteza. Assy, Senhor, que Dom Frrançysco he bom e vertuosso e mereçe que lhe faça Vossalteza muita merçe, e he muito bom cavaleiro, e neste negoçio de Narsynga peca muito mais asparo do que aqui dygo, e asy em sentenças que dyz dantemao e secura 14, e impeto que toma aos homens, e isto nom he ca neçessareo; se o Vossalteza poder emmendar de la, faço 15, porque sera muito vosso serviço e seu bem, porque as coussas que nele achei desta calydade que aqui dygo, que amtes quissera vir ca co almirante ca 16 co ele, e se os capytãis morres que ca vierem am de cair nesta maldyçam, Vossalteza nom devia de fazer capytão // mor te v.j se nom quatro doutorres juntos que folgarão mais de andar ca frades de Sam Francisco. Praza Noso Senhor17 que tenha dado sahude a Trrystam da Cunha; isto, Senhor18, dygo asy, porque seria gram bem pera Vossalteza. Em partyndo, Senhor19, pera Narsynga, da primeira passada que compeçar de dar, logo compeçarei, Senhor, de escrever a jornada em hum livro grrande que pera iso levo, em que espero, prazendo a Deus20, de por a huma i3 — Snrja; 14 — a palavra secura i algo ambígua na escrita ; talvez se possa ter recusa; i5 — i i = faça-o; 16 — i é = que ; 17-18-19 — Snôr ; ao — ds. 37
  • parte todalas cousas que vir, e em houtra tudo ho que souber de emformaçam çerta, e asy trarrei tudo desta maneira a Vossalteza, cando me Deus21 ante vos trouver, e entam, Senhor 22, farrei tudo muito mais polo mehudo de que aqui vai, e sera Vossalteza mais sabedor das coussas da Imdia do que ho ate aqui foi. De Cochym, a vinte e hum dias de Novembro de qui- nhentos e cynco. Vosso creado que as reais mãos de Vossal- teza beija. Pero Fernandes23 Tynoco. 38 li — ds; 22 — Snôr ; 23 — p°
  • 9 PADRE FREI JORDÃO 1 de Dezembro de 1505 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 10-~!9. Mede 219 X 265 mm. Uma folha. Stprivaees 1 que fostes da feitoria de Cananor de que era capitam Gonçalo 2 Gill, asemtay em despesa 3 em vossos livros, anbos ou quada huum de vos, ao dito feitor o que lhe custou de resgate o livro 4 que ouve de Callecut que ora deu per meu mandado ao padre frei Jordom, pera lhe ser levado em comta o que lhe asy custou, por quamto o ouve mester ca pera serviço dei Rei meu senhor. Fecto na forteleza de Cochym ao primeiro 5 de Dezem- bro 6, Gonçalo' Martim o fez de 1505, que diz que lhe ouvera8 dezaseis cruzados. O viso Rey Pera asemtarem em despesa a Gonçalo Gill, o livro que deu ao padre frei Jordom. i — stf vaecs; s — g" 3 — desp"; 4 — liv" ; 5 — fim»; 6 — dez*; 7 — g*: 8 — ouya. 3 9
  • 10 CARTA DE GASPAR PEREIRA A EL-REI DE PORTUGAL Cochim a II de Janeiro de 1506 Documento original existente no ANTT: — CC, l, 5-70 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de 12 folhas não numeradas. Começa na fôlha lv e acaba quási a meio da folha 12r. Encontra-se em bom estado, e a caligrafia é boa. E uma espécie de diário, contando vários acontecimentos. Em todas outras obras se trabalhava muito no correget da caravella, de que fezeram Francisco 1 Pereira 2 (2) ca- pitam, em que ca amdava Christovam 3 Jusarte (3) e no fazer (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuqerque», II, PP- 354-369. 0 autor desta carta, Gaspar Pereira, for o primeiro Secretário da índia. Acompanhou D. Francisco de Almeida em 1505. Desempenhou papel im- portante nos negócios orientais, salientando-se sobretudo o seu engenho enredador, do qual falam tanto João de Barros como Gaspar Correia, prin- cipalmente na questão havida entre D. Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque. A longa carta, de que apenas extraímos algumas partes, narra a el-rei o que se passava em Cochim não só na carga das naus como também na ajuda que os Portugueses deram ao rei da terra numas incursões bélicas contra o Samorim de Calecut. Gaspar Pereira foi demetido do seu cargo em 1508 pelo vice-rei. (Correia, I, 889■) (2) Segundo Correia (I, 529), na armada de D. Francisco de Almeida iam seis caravelas latinas. Contudo não deve tratar-se de nenhuma delas, visto ela ser capitaneada por Cristóvão Jusarte que já estava na índia. O novo capitão, Francisco Pereira, deve ser Francisco Pereira de Berredo, de quem fala Castanheda. (II, 473-474.) (3) Cristóvão Jusarte era um dos heróis companheiros de Duarte Pacheco Pereira na luta entre Calecut e Cochim. (Castanheda, /, 147-149, 153, 158-159.) 1 — frr"; t — p"; 3 —xpovam. 40
  • da gallee de que he capitam Diogo Pires4, (1) ayo de Dom Lourenço5, ainda que os carafates (2) e carpimtey- ros temos caa mui poucos, seendo cousa mais necessária pera caa que ser pode; o esprital e terecenas (3) era ja nestes dias que a primeira6 frota partio de todo acabado; o mastro que tirarom aa naao Sam Gravyell (4) mamdou o viso rey cortar pelo meio 7, e serarom no serradores indeos, e fez se delle muito e boom tavoado pera a gallee. Em o rey chegamdo a nos, estevemos quedos jumto C3v-5 com terra 8, e sayrom alguuns dos seus, e sobiam pellas pal- meiras e colhiam temgas, a que nos chamamos cocos, (5) e emchiam os tones, (6) e cortaram algurjias palmeiras, e (1) Diogo Pires que nesta carta se dá como aio de D. Lourenço de Almeida estava já na India e tinha tomado parte também na primeira guerra entre Calecut e Cochim, companheiro de Duarte Pacheco Pereira. (Correia, 1, 436; Castanheda, 1, 99, 109, 133, 147, 200.) Morreu com D. Francisco de Almeida no regresso dêste último a Portugal, não desejando sobreviver à morte do pai e do filho. (Barros, Dec. II, Liv. Ill, Cap. IX, p. 342.) (2) O mesmo que calafates, isto é, operários destinados a calafetar os navios. (3) Ou ainda: tercena, taracena e tarecena, i. e. arsenal onde se fazem embarcações, ou armazém. (4) «São Gabriel» era a famosa nau de Paulo da Gama. (Quirino da Fonseca, «Os Portugueses no Mar», pp. 204-203.) (5) «Temga» é a romanização da palavra indígena. «Côco» é a palavra que os Portugueses deram ao fruto. Diz Barros, descrevendo-o: «Esta casca... tem uma maneira aguda que quér semelhar o nariz posto entre dous olhos redondos, por onde ele lança os grelos, quando quer nascer; por razão da qual figura, sem ser figura, os nossos lhe chamaram coco, nome imposto pelas mulheres a qualquér cousa com que querem fazer medo às crianças, o qual nome assim lhe ficou, que ninguém lhe sabe outro, sendo o seu próprio, como lhe os Malabares chamam «tenga» e os Canarins «narle». (Barros, Dec. Ill, Liv. Ill, Cap. VII, pp. 309-310.) (6) Barcos pequenos. A grafia verdadeira seria «toné», apontada tanto por Barros como por Gaspar Correia que, contudo, varia às vezes. (Barros, Dec. I, Liv. IV, Cap. XI, p. 338; Correia, I, p. 403.) 4 — piz; 5 — Lt»; 6 — aprra*; ^ — m°; 8 — trrá. 4 i
  • queimarom desas casas que jumto com a augoa estavom, e dizem elles que o cortar das palmeiras he o vemcimento; e disse o rey a Dom Alvaro (l) que mandasse tirar as pedras aas bombardas, (2) e mandasse comtra a ilha tirar assy sem ellas, pera fazerem medo aos contrayros9, e sa- berem que levava jemte nossa em companhia e ajuda, e assy se fez per tres vezes; depoys lhe tornou a dizer que tirassem com as pedras e alto per essa ilha, que poderya ser que daria per alguum delles. Disemos lhe que passariam a ilha e nom prestava; todavia nom quys, e emtom tirarom per tres ou quatro 10 vezes daquella maneyra. Pregumtou o rey se comêramos ja, e, quamdo lhe dis- serom que nam, disse a Dom Alvaro11 que lhe rogava que nom comesemos nem bebesemos nhuma 12 cousa, que 14 r.] era mujto maao // synal, que depois de acabado aa vymda comeríamos; disto pessou bem aos nosos que nom nos deixavom sair nem tínhamos que fazer, e a calma era gramde, e tiravam nos o comer, levamdoo per doudyçe de agoiros, que tem tamtos a jente de caa em tudo que se nom pode crer. Dom Alvaro, quando vyo que vierom tres dos de ell-Rey de Cochim fridos, dizia a ellrey que era tarde e nom fa- ziam nada, e os contrairos nom aviam de ousar de sayr apos os seos atee o maar, porque sabiam que nos com as bombardas estávamos hy, que seria bom que sayse elrey em terra 13, e que elle e nos todos sairyamos e veríamos que jemte era demtro 14, e pelejaríamos com elles; hiryam dos nossos pera sayrem em terra 15, dozemtas pessoas. (1) D. Álvaro de Noronha era um dos fidalgos que vieram com D. Francisco de Almeida, destinado a ser capitão de Cochim. (Correia, 1, 530.) (2) Os pelouros das bombardas eram de pedra. q— contrarjos ; 10 — quaf ; it — slv'; 12 — nhúa; i3 — tría j 14 — demt4; i5 — tría. 42
  • Neste dia se deu o regimento a Gonçallo Feman- uor.j des16, (l) que aqui esta, que veo com os Alboquerques, do que avia de fazer açerca do oficio que lhe foy dado das cousas dos defumtos e espritall, e asy se fez o regi- mento 17, do escprivam 18 dante elle, os quais ofícios eu requery ao viso rey que hordenase, per me parecer muito serviço de Deus 19 e de Vossa Alteza, e de muito proveyto de muitos, porque vya que, a myngoa de quem nisso emtendesse, se perdia20 o seu, e em algumas cousas que me os escprivãos21, derom, entendy ser muito neçesaryo o tall carrego ter homem por oficio per sy; o regimento me mandou o viso rey que fizesse como me bem parecesse; la vay o trellado, e porque com presa nesta nom pode seer, hira em Froll de la Maar (2). Em todos estes dias se trabalhou seempre em todas as tiov.j obras da fortaleza, e gallee, e caravella, e pesarem sempre para a carrega, e Froll de la Maar começou a tomar carrega quymta feira 22, oito de Janeiro 23, que a Madanella (3) acabou de todo carregar; esperamos em Deus24 que cedo acabe de ser carregada. (1) Este Gonçalo Fernandes escreveu uma carta a e!-rei a 17 de Novembro deste mesmo ano que publicamos. O regimento foi-lhe dado a 10 de Janeiro de 1506, um sábado. (2) A conhecida nau em que Afonso de Albuquerque havia de nau- fragar em 1511, ao regressar de Malaca. Era de 440 tonéis. (Quirino da Fonseca «Os Portugueses no Mar», pp. 227-230.) (3) Nau «Madalena» ou «Madanela», conforme as grafias. Era seu feitor João de Boina Graça, ou João de Buena Gracia, segundo interpre- tação de Quirino da Fonseca. (Cf. CC, I, 7-56, publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque, 111, pp. 177-181. Vid. Quirino da Fonseca «Os Portugueses no Mar», p. 224.) João de Bonagracia, italiano, havia acompanhado Estevão da Gama na sua viagem à índia em 1502. (Barros, Dec. I, Liv. VI, Cap. II, p. 23.) i6 — ffrr/; 17 — Regim' ; 18— escpvam ; 19-dá; 20—pdia; 21 — escpvacs; 22 — f" ; 23 — janr» ; 24 — d?. 43
  • E nestes dias mamdou o viso rey apregoar em limgoa malabar, que he a que se nesta terra25 falia, que avya por forras todas as escravas que os Purtugeses caa tinham, aquellas que o quysesem seer, e que fossem pera homde quysesem, e mamdou a Breatiz, que se caa tornou christã 26, que as recolhesse; e que quem com ellas quysese hir dormir lhe desse tres caixas, (1) que som quatro reis e meio27, e que fossem comúuas a todos; algumas alevamtarom logo a obydiencia e deixarom seus senhores2S, outras nom quyserom. (1) Moeda vulgar no Oriente. 25 — tría ; 26 — xpáa; 27 — m"; 28 — s5res. 44
  • 11 CARTA DE PERO FERNANDES TINOCO A EL-REI Escrita a 15 de Janeiro, sem referência a ano Documento original existente no ANTT;— Cartas dos Vice-Reis, Maço único, N.° 72 (I). Mede 310 X 220 mm. Contêm 10 folhas não numeradas, das quais 9 serão escritas tanto dum lado como do outro. Encontra-se em bom estado. A caligrafia, como no passado documento è sempre muito pessoal e descuidada. E de pre- sumir que a carta tenha sido escrita a 15 de Janeiro de 1506, pois continua o mesmo assunto: a sua embaixada a Narsinga. II Assy, Senhor1, que quem vos ade servir no que i7v.i tanto toca a Vossalteza, como sam as coussas de Narsynga, segundo mais largamente la dyra ho Padre Frrei Lois a Vossalteza, fazem ca, Senhor2, ho que la saberres, que acaz3 de bem tomado estas as mãos aver Vossalteza de sentyr não mandarem de Canenor, pois que ja gora Vos- salteza tivera reposta de elrei de Narssynga da embaixada, hafora muitas cartas minhas de canto la vai, e mais Calecut e Coulam destroidos, (2) e esta destroiçam, Senhor 4, afyrmo (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», HI, pp. 170-177. (2) A «destruição» de Calecut deve ser a derrota que D. Francisco de Almeida infligiu à armada dos Mouros de Calecut, em 1505. A «destruição» de Coulão refere-se à revolta que nesta mesma ocasião vitimou quantos Portugueses havia em Coulão. A revolta foi planeada e executada pelos Mouros da cidade que encontraram os Portugueses des- prevenidos. Recolheram-se êles a uma igreja dos cristãos de S. Tomé. A igreja era de pedra e coberta de telha e portanto parecia oferecer segura defesa. Os Mouros, porém, destelharam-na e incendiaram-na. A feitoria foi também saqueada. (Gaspar Correia, «Lendas da Índia», 1, 594-605.) 1-2-4— Sôr; 3—«Acaz» de «acaecer» — acontecer. 45
  • assy a Vosalteza, porque sabera la por Jam da Nova, (l) e por houtros ho que ho Natorrym de Canenor (2) fez agora amtes do Natal, que foi porque os mourros de Canenor nom queriam senom dar rebates a feitoria e a fortaleza. Vendo isto ho Natorrym que he grram servidor de Vossalteza e estava na de Canenor roto com Elrei e cos mouros, e cando o Natorrym vio que os mourros nom queriam senam dar rebates a feituria, como Vossalteza la sabera, mandou dyzer a Elrei de Canenor e aos outros is ri mourros como lhe Elrei de Narsynga // escrevera huma carta, em que lhe fazya a saber que a ele era dyto que os mourros de Canenor e Elrei de Canenor tratavam mal os cristãos delrei de Portugal, que pois que ele era em ajuda dos cristãos, que lhe mandasse dyzer e requerer tudo ho que lhe comprisse, porque logo mandaria destroir todolos mourros de Canenor, e o rei e a Calecut, e que se leixara todo este tempo de destroir Canenor se nom fora por al, senam porque era estrebaria dalguns cavalos seus, (3) e assy lhe mandou muitos hoferiçymentos e agardeçymentos por ele ser servidor de Vossalteza, e dysto, Senhor, dara la ja da nova milhor conta a Vossalteza que eu, pot que estava em Canenor, e também houtros, ho Padre Frrei Lois, e Gonçalo 5 Gyl; de maneira que tanto que elrei de Canenor (1) João da Nova tinha vindo à índia em 1501 a comandar uma pe- quena armada. Veiu depois novamente com D. Francisco de Almeida, destinado a guardar a costa entre Cabo de Comorim e as Ilhas Maldivas. Trazia um alvará secreto para poder ser capitão da armada encarregada de vigiar a costa da índia, alvará que provocou discussões entre êle e o Vice-Rei. (Correia, ob. cit., I, p. 530 e 617.) (2) Era um príncipe de Cananor, amigo dos Portugueses. Afonso de Albuquerque, escrevendo a el-rei a 11 de Outubro de 1512, queixa-se do então rei de Cananor por haver morto o dito príncipe «por ser servidor de Vossa Alteza». (CC, 1, 22-96„ Public, em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I. 85.) (3) Expressão de desprezo por Cananor, empregada por el-rei de Narsinga. 5-g" 46
  • isto vio, hou soube de Natorrym, e isso mesmo os mouros, posseram logo todos as ameias no cham, e ouveram se por destroidos e fÍ2eram logo grrandes pazes // co Natorrym, v.i e com Lourenço6 de Brito, (l) E veosse ver ho Natorrym com elrei de Canenor, e donde eram imigos sam agora grandes amigos, e esta conta mandou dar ho Natorrym a Lourenço7 de Brito, e contaram ca isto a Dom Frrancisco, e calousse. Hora veja Vossalteza o que fora se eu fora de Canenor a elrei de Narssynga, pois ele isto mandava dyzer ao Natorrym amtes que soubesse parte que Vossalteza lhe mandava embaixada e o mandava vegytar (2). (1) Capitão de Cananor na ocasião. A influência de el-rei de Narsinga no abafar da revolta de Cananor e bem manifesta. Torna-se assim patente a sua boa vontade a favor dos cristãos e dos Portugueses. (2) As queixas de Pero Fernandes Tinoco foram ouvidas em Lisboa e el-rei queixou-se a D. Francisco de Almeida. Este desculpou-se na sua carta de 20 de Novembro de 1508, dizendo que o tinha retido consigo por con- selho de todos. (Gaspar Correra, «Lendas da Índias, 1, pp. 907-908.) 6 - 7 — L». ■4 7
  • CARTA DE GONÇALO FERNANDES A EL-REI Cochim a 17 de Novembro de 1506 Documento original, existente no ANTT:— Gaveta 15, 18-31 (!)• Mede 310 X 220 mm. Apresenta 4 folhas não numeradas, todas escritas, excepto a 4v que, constituindo o dorso, serviu para nela se escrever o en- dereço: «A Elrei Nosso Senhor. De seu serviço». As extremidades das folhas estão bastante comidas, dificultando por isso a leitura e impossibilitando-a por vezes. A caligrafia é boa. Há uma distinção clara dos «ss» simples e duplos. Êste documento, como aliás, todos os que pertencem à colecção intitulada «Gavetas» foi transcrito no livro de Reforma dos Documentos das Gavetas. Senhor 1. Porque parece que nom soomente he bom, mas ainda necesario Vossa Reall Senhoria2 ser3 enformada nom soo das cousas gramdes, mas ainda das pequenas 4, como pasam em todolos lugares de vossa diçam (2), pera que dignamente, segundo5 a equidade de vosso claro juizo, sejam providos; eu, Senhor0, nisto que ora a mim per car- rego vem, quis comprir com o que asi devya, pera enfor- maçam do que Vossa Reall Majestade sabera que em fim do anno traspasado, que foy de quinhentos e cinco, feitas, (1) Publicado na íntegra em Cartas de Afonso de Albuquerque, II, pp. 381-385. . , . (2) Isto é, «domínio», palavra vinda directamente do latim, mas hoje não empregada. i—Snòr; 2 —Snoria; 3— st; 4 —pernos; 5 — seg*; 6—Sôr. 48
  • • polia mercee 7 de Deus 8 na virtude de vossa Ínclita Senho- ria 9 muitas gloriosas 10 cousas em sua viajem, Dom Fran- cisco de Almeida ora viso rey nas índias, e tantas e taaes que nom somente Vossa Soverana Majestade, por sua cos- tumada devaçam dignamente, mas ainda todos os fiees christãos12 louvam, exalçam e glorificam ho nome do eterno 13 Deus 14, nosso grande 15 dador de tantos bens a seu povoo, e a fama delias estremece10 toda Africa e Asia e a condigam dos infiees barbaros por ho mundo he vynda em muita desconfiança, chegou aquy a Quochim, nom com naaos vazias ou ocupadas de mercadoria 17, como sooem de vyr os capitães, mas carregadas ja de triumphos 18 e glo- ria 19 e muyto despojo dos enmigos da nossa sancta20 fe (l), e como quer que polios muytos feitos 21 huum pouco viesse ja tarde pera ho carregar das naos, empero22 (2) elle deu logo aas cousas tall aviamento que, de como e quam asinha foram todas aquy em Quochim carregadas e despachadas, ellas pela graça23 do muy alto Deus24 teeram ja dado a Vossa Serenidade de todo certa noticia e inteira enformaçam. Assy que, fecto 25 isto, nom se esqueçeo de // em obras [1 v l piedosas conhecer a Nosso Senhor28 quanta27 mercee 28 lhe tinha fecta, e aalem doutras cousas vio a remisam e frieza em que jaziam os rezidos nestas partes 29, e como muitas fazendas30 pareciam31, nem se compriam32 as (1) Antes de chegar a Cochim, havia já D. Francisco de Almeida derrotado e saqueado vários navios de Mouros que de Calecut haviam partido para combater a armada portuguesa recém-chegada aos mares da índia. (2) Conjugação muito usada na época singnificando «mas, porém, etc.». 7—mçee; 8-14 — ds; 9 — Sfioria; 10 — glosas; n — f" dalmeida; 12 — xpãaos; i3 — etrio; i5 — gnde; 16—estmeçe; 17 — mcadoria; 18 — túmphos; — 19 gtiã ; 20— Sca ; 21 -25 —fecós; 22— empo; 23 — jjça; 24 —ds ; 26 —Sor; 27 — íjnta ; 28— mçee; 29 — ptes; 3o — fazdas; 3i — peçiã; 3a — compam. 4 49
  • ultimas vontades dos testadores, nem suas almas eram per satisfaçam desencarregadas, e como isto em muyta parte 33 poderia offender vossa conciencia, pera o que fez regi- mento e oficiaes que disto somente syrvam e tenham car- rego, o que nom he tanto somente que bem nom ocupe huum homem que pera isso ainda tenha boa soficiencia com seu steprivam 34, assy que este agora de todolos luga- res de Vossa Alteza nestas partes 35, e asy de todas as nãos des da partida de vossos regnos taa a chegada e partida 36 daquy de37 Quochy, tem carrego de proveer38 os testa- mentos 39 e enventarios40, e arrecadar e carregar as fazen- das 41 dos finados, e pagar as dividas, que elles devem, a quem 42 as requere43, e procurar 44 as que lhe devem, e todalas pessoas 45, enventarios 4e, e cousas asentar em seu livro 47 per seu escrivam 48, pera de tudo dar conta e tra- zer a boa recadaçam per regimento soficiente que pera iso lhe dou, do que ja la na carregaçam passada vay razoada soma de dinheiro 49, posto que ho officio, ja quasy parti- das todalas naos, foy hordenado, a saber, em começo de Janeiro50 do anno de cinco (l), e ho anno presente51 estavam aparelhados a soma mais de mill cruzados 52 de dinheiro 53 de finados, que lhe foy achado, nom entramdo aquy soldo, porque taa ora lhe nom foy pago, porque hor- denava o viso rei de pagar em pimenta, se nossos desmere- fír.i çimentos nos // nom tolheram a vinda das naos de Vossa Alteza este anno (2). (1) Lapso manifesto, pois em Janeiro de 1505 ainda D, Francisco de Almeida estava em Lisboa. (2) A armada de Tristão da Cunha e a de Afonso de Albuquerque não puderam partir de Lisboa senão em Abril de 1506, de forma que não puderam passar à índia nêsse ano, invernando em Moçambique. (Gaspar Correia, Lendas da India. I, pp. 659-665). 33 —pte; 3} — stepvam ; 35 —ptes; 36 — ptida; 37 —de de; 38 — pveer; 39 — t"; 40 - 46 — envét"; 41 — fazdaj; 42 — qra ; 43 — reqre ; 44 — pcurar; 45 — p"; 47 — Mv»; 48 — escvain ; 49 — drr*; 5o — jan»; 5i — p"; 5a (- d»*; 53 — drr.». 5 0
  • E isto he quanto aos residos, mas por aalem disto pasava huum grande34 incomveniente e dano acerqua55 dos doentes que antre36 feridos nas frotas e armadas, asi de fogo como de ferro, e as muytas doenças da terra 57, e muy raros e desacostumados mantimentos, e grande58 trabalho, e maao trazimento que, se nom escusados, ho- méens avia hy muytos doentes e feridos, que per alguma maneira 59, com desemparo ou dos mestres ou das cousas, ou do serviço 80 e casas, ou de tudo, morriam a mingoa ou cayam em perlongadas61 enfermidades; fez logo o dito62 viso rey com muita diligencia huum sprital83 na milhor maneira 64 que estonçes fazersse63 pode, no qual pos fisico e celorgiam, enfermeiro 80 e servidores, camas e cousas necesarias, o qual de penas e esmolas e aa custa de Vossa Senhoria87 he muy honesta e abastadamente pro- vido, reparado e servido68, omde, fora do custume da terra 8B, todolos doentes comem pam de trigo 70, galinhas 71, ouvos, lentilhas, bredos, pasarinhos quando 72 se acham e azeite de vossos regnos, que se compra a algumas pessoas 73 que ho trazem, porque ca ha muyto poucas cousas pera doentes nem sãaos; vinho ham poucas vezes, porque ho nom ha hy, salvo ho de palma; asy que, Senhor 74, tudo isto ca da Vossa Senhoria 73 nesta e em outras casas em abastança, porque o visso rey tem delias tal cuidado, e as visita de volta com as outras cousas em tall maneira76, que nom convém fazerse 77 all; e asy os doentes som aquy muy consolados e rogam // a Deus 78 por vosso reall es- » v.i tado, e os que morrem vam descansados de veerem suas cousas postas a bom recado, e suas almas caridosamente ajudadas; mas porque a fabrica desta casa tam asinha nom pode em seu começo ser79 feita como elle desejava, agora 5-1-58 — gmde ; 55 — acíjua; 56 — »nt; 5"-6q —trra; 59-64-76 — man" ; 60 —*viço; 61—plongadas; 63 — dco; 63 — sfítal; o5-77 — "c; 66 —enferm"; 67—Snorit; 68 —ávido; 70 — tgo; 71 — g"; 72 — qndo; 73 —p"; 74 —Sor; 75—sria; 78 — ds;79-»r. 51
  • Deus 80 querendo, a faz de milhor materia, em maneira81 que por hedificio bom he hordenança de cousas seja tra- zida em perpetuidade82, a qual Nosso Senhor s3, por sua clemência, lhe outorgara com acreçentamento84 da sua santa85 fe. E porque, Senhor8®, a gente desta terra87 he muy prove8S, e posto que sejam ricos nom costumam despender nem teer o que lhes compre80 em suas casas, de maneira que estes novos christãos91, que taa ora nom som dos ricos, os quaes92, louvores ao eterno 93 e alto Deus 9\ vão em muy bom creçimento95 e quasi veem ja ao santo90 baptismo como azafama, tanto quanto9' o Rei da terra08 lhes da lugar, ca (l) por ho crecimento96 em que vão lhes vay muito aa mãao e ho nom consente, especialmente aos bons, asy que destes adoecendo alguuns, ou semdo em nece- sidade, ho visso Rey os manda prover100 de mezinhas e mantimento deste esprital101, tanto quanto 10- he neçesa- rio, ou acolher neelle, se elles querem 103, em maneira104 que elles sam muy consolados e provydos 105, e se alguns veem em ultimo artigo 106, som visitados e agasalhados em seus passamentos do vigário10' desta igreja108, e sacerdo- tes 109, e feitos hos ofícios divinos e honrras, asi como aos nossos aa custa do sprital110; alguns, Senhor111, se acer- taram112 ja aquy morrer tam bons christãos113 que he [3r.] grande114 reprensam 115 // a nos outros que nacemos no seo da santa116 fe, porque estes que homem cuida que nom conhecem a Deus117, nem Nossa Senhora118, como quer (1) Conjunção antiga «que». go ds; 8i • 90-104 — man4 ; 82 — ppetujdadc; 83-86-in Snor;8q a£cen- tam"; 85 -116 — Sfa; 87 - 98 — trra; 88 - pve; 89 - comf; 91 - Ii3 — xpãos; 92 — qêa;^3-etno; 94-117-ds; 95-99 «ciméto; 96-Scò ; 97 • 102 - ^nto ; 100-pver; 101 — cstptal; io3 — qrem; io5 — pvi)dos; 106—art0; 107 — vig">; 108 — Igía; 109 — sacdotes; 110 — spal; 112 — aí taram ; 114 — grade; n5 —repnsam; 118 —sra. 5 2
  • que todollos dias119 som com campaa (1) chamados, domde moram todos em redor deste castello aa igreja 12°, e pello vigário121 ensinados a nossas oracções e ceremo- nias, e emboydos na nossa santa122 fe, como milhor £a- zersse123 pode, o que elles recebem com animo tam fer- vente e devoto, e tam alegremente, que he muito prazer124, e asi estes morremdo nom se fartam de chamar por Nossa Senhora125 e por o presioso128 nome de Jesus Christo127, e morrer com elle na boca, e beijando as mãaos ao sacer- dote 128 pedem agoa benta e a cruz, e com ella abraçados dizem alguuns que som livres de algumas bestas maas que estam pera os levar, e asi dam as almas a quem 129 tam novamente as alomiou e remio per seu precioso130 sangue; e morrem com tanto fervor e desejo quanto131 he muyto de louvar a Deus132 e maravilhar, como quer que sabemos que ho Santo Spirito133 omde quer spira (2); e estes som muy caridosamente dos nossos e dos seus honrrados e en- terrados em nosso cemitério, com as quaes134 cousas elles asi de toda condiçam de malebares como mouros, e ja alguma jente onrrada se movem muito aa nossa fe, e mais fariam se ousassem, como disse. E esta maneira135, Senhor136, he a que se tem, per mandado do viso rey, neste sprital137 de Santa Cruz138 de Quochym, e em todollos outros dos lugares de Vossa Senhoria139, de que a mym, por me agasalhar como os criados140 de Vossa Senhoria141 costuma, ou por milhor enformaçam de mym do que eu som boo, ou por querer142 (1) Isto é «campa», ou pequeno sino, sineta. (2) «Spiritus ubi vult spirat». (Joan. 3, 8). 119 —d»; 120— Igra; 121 — Tig.™; 122 —Séa; 123 —faísse; 124 — pzer; 125 — Snòra ; 126 — pciosso ; 127 —Jhú %•; 128 — sacdote; 129 —qm; i3o — pcioao; i3i — qnto; i32 — ds ; i33 — sco;spu; i3q —qes: 135-man'; i36 — Siior; 137 —spat; *38 — Sda •+• a ; i3q* 141 — Siíoria; *40 — dados; 142—qrer. 5 3
  • comigo husar da piedade de sua condiçam 143, por me achar mais desbaratado e mais perto 144 do sprital145, por velho 13 v.i e prove146 que a ninguém, porque nom bastou // na armada em que veeo Pedralvares 147 trezentos148 cruzados149, mas ainda na de Francisco 150 Dalboquerque, com quem Vossa Alteza me mandou, perdi151 setecentos e tantos cruza- dos 152, que todos mety em ouro ou sua valia, asi que nom ficou comigo senom o fato do coelho; e asy, Senhor153, sem eu nem outrem por mym lho requerer154, elle me pre- veo155 e deu carrego e regimento pera que dos residos e spritaes156 destas partes fosse provedor157, tomasse contas e fezesse o que me parecese serviço 158 de Deus159 e de Vossa Real Senhoria 16°, a quem beyjarei as mãos pello asi aver por bem. E isto, Senhor161, he o que passa quanto 162 aos residos e spritaes183, porque das outras cousas cada huum dos que per carrego lhe veem terá cuidado de escrever, segundo 164 que todos desejam servir165 Vossa Reall Senhoria166, quem Nosso Senhor167, com honesto comprimento 168 de seus reaes desejos, por muytos annos pera bem de seus povoos conserve169. De Quochym a a 17 dias170 de Novembro 171 de 506. De Vossa Real Majestade criado 172 e feitura. Gonçalo 173 Fernandes174. 143 — «ndiçâ; 144 — pto ; 145 — spal; 146 —/?ve ; 147 — palvz ; 148 — tzentos; 149- i5s — +1*°'; i5o — f"; i5x — pài; i5s —+ zdM; i53 —Siior; 154 —r^rer; i55 — pveo; i56-i63 — spães; 157 — pvedor; i58 — «viço; i5ç — dá; 100—Sfioria; 161 — Sfior; 162 — ^nto; 164 — seg»; i65 - jvjr; 166 — Snoria; 167 — Snor; 168 — comfméto; 169 — consve; 170 — dá; 171 — nov™ ; 172 — cado 173 — g°; 174 — frz. 5 4
  • Senhor175. Vão la alguuns quintaes 176 de pimenta de que o viso rei fez esmola (l), e mais huum ou dous dou- tras pessoas1'7; ca nom podrom por ora mais hir; o que pareçe que deve vyr delles pera este sprital178, he alguum azeite, e vinho, e vinagre, algumas conservas179, e agoas boas, passas, amêndoas, alguma pouca malega, e estanho, algumas peças de cobre pera serviço180 da casa; roupa nem cousas semelhantes nom he ca necesaria, salvo se for huma peça ou duas de pano baixo, azul ou verde181, pera cober- tores182 das camas; ca outra nem os homeens nem a terra a sofre; servirom183 taa ora mi alambes (2) que se na feitoria danarom deve vyr huum almofariz. E ho que emfim mais he necesario de ho trigo 184 custa ca muyto porque he vem de carreto per mar, e as galinhas 185 asy mesmo som bem caras, ca se nom come ca, per a moor parte 186, outra carne, e elles som muy royns creadores187 e bons vemdedores, e a gente de vossos regnos tam bons comedores que nom sey domde pode vyr tanta galinha 188. E porque, como diz Nosso Senhor189, nom vivem os homeens no soo pam, mas comem alguum manjar pera alma, a quem deste mundo ha de partir, pareçe mais nece- sario que tudo, que proveja 190 Vossa Real Clemência esta casa de uma plenaria indulgência; e pois que os homens se polio augmento da fe catholica, e gloria 191 do nome de (1) A esmola concedida era a favor do hospital. A pimenta desti- nava-se, portanto, a ser vendida em Portugal para, com o seu produto, se comprarem as coisas indicadas na carta, necessárias para os doentes. (2) Qualidade de pano com listas e outros enfeites com que se cobriam bancos ou quaisquer assentos. 175 -189 — Sôr; 176 ^; 177 -p"; 178-spal; 179-côívas; i8o-aviço; "BI — rde; i8s — cobtores; i83 — svirô ; 184 — tgo; "85 — g*»; 186 —p'«; 187 — cadores ; 18S — g* ; 190 — pveja ; 191 — glia. 55
  • Jesus Christo192, e serviço 193 de Vossa Alteza, perdem 194 os corpos que guarecem as almas, sera195 Senhor, isto bom exemplo e noticia do amor que Vossa Clemência tem aas almas dos fies christãos, e vossos naturaes e criados196, e causa dalguma mais esmola pera a casa, que lhe sera 197 bem necesaria. 56 19a — Jhú *•: ig3 — sviço ; 191 — fdem ; ic.5 -197 — sa; 196 — fados.
  • 13 SUMARIO DE TODAS AS CARTAS1 QUE VIERAM DA IMDIA A EL-REY NOSO SENHOR 2 E DOUTROS RECADOS QUE TAMBÉM VIERAM NAS NAAOS DE QUE VEO CAPITAM MOR ANTONIO DE SALDANHA, E NA NAO DE CIDE BARBUDO QUE VEO DEPOIS DELE 1506-1507 Documento original, existente no ANTT: — Gaveta 20, 4-15 (1). Mede 290 X 220 mm. Encontra-se em bom estado, sendo muito legível a caligrafia. Consta de 23 folhas não numeradas. O documento acaba a meto da folha 20v, estando as outras em branco. Como o título indica, trata-se dum sumário de vária cartas vindas da Índia. Carta 3 do Viso Rey de 27 dias de Dezembro 4 de 1506. ur ' Item. Porque se faça huma capela em Belem que se (l) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, pp. 390-398. António Saldanha era, segundo Gaspar Correia um fidalgo castelhano, irmão de João Saldanha, vèdor da casa da Rainha D. Maria (Correia, I, 66).) Foi pela primeira vez i índia em 1503, ano em que foram também os dois Albuquerques: Afonso e Francisco. A sua missão era vigiar o Estreito de Meca, pairando ao largo do Cabo Guardafui e a costa da Arábia, impe- dindo assim o comércio dos Mouros. (Barros, Dec. I, Liv. Vil, Cap. IV, P- 104.) Tristão da Cunha, depois da sua aventurosa viagem em que descobrira as ilhas do seu nome e em que tocara na Ilha de S. Lourenço, arribou a Mo- çambique onde nesse dia chegou João da Nova com a nau «Flôr de la Mar» vinda da India com carga e correio. Como esta nau vinha bastante avariada Tristão da Cunha ordenou que a pimenta da carga e o correio passassem para a nau «Santa Maria» cujo comando deu a António Saldanha que i - 3 — cca; 2 — sí; 4 — dií*. 5 7
  • chame da Vitoria, em que este (l) ha bandeira que foy tomada no desbarato da armada de Calecut, e ele manda fazer huma casa na ponta5 de Cananor (2). 13 r-i Item. O descobrimento que fez Dom Lourenço 8 de Cey- lam; (3) tem ponta como a de Cananor pera fazer7 forta- leza, e muita agoa e porto especial, e quer fazella aly e nom em Coulam, e Ceilam he no mesmo caminho de Malaca, Peguu e Çamatra 8 e Choromandel; daly a Ceylam ha setenta legoas. Cobre aqui em Coulam a 16 cruzados 9 quintal10. regressava a Portugal, aproveitando também a ocasião para escrever a el-rei sôbre o que lhe havia acontecido. (Barros, Dec. II, Lit. II, Cap. II, p. 17-18.) António Saldanha chegou a Lisboa em Agôsto de 1507. (Id. Lit. IV, Cap. Ill, p. 391) Cide Barbudo era cavaleiro da casa real. Foi mandado em 1505 a ver se encontrava Francisco de Albuquerque e Pero de Mendonça que se julgavam perdidos. (Minuta do seu regimento: ANTT: Maço 1 de Leis e Regi- mentos sem data, N.° 24. Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, pp. 343-334.) Foi companheiro de D. Lourenço de Almeida na batalha do rio de Ghaúl em que este perdeu a vida. Cide Barbudo foi aprisionado por Meli- quiaz. (Correia, I, pp. 768-769-) Castanheda parece não concordar com esta opinião. Segundo êle, D. Francisco de Almeida escreveu a el-rei por intermédio de Cide Barbudo, mas acrescenta logo que não sabe se a sua nau chegou a Portugal ou não. Sendo assim, Cide Barbudo não poderia ter tomado parte no combate do rio de Chaul. (Castanheda, II, p. 283.) (1) Isto é, «esteja». (2) A ponta de Cananor havia sido escolhida não só para feitoria mas também para fortaleza. Isto tinha sido combinado entre D. Francisco de Almeida e o rei de Cananor. (Barros, Dec. 1, Lit. IX, Cap. IV pp. 339-344.) (3) Tome-se a palavra «descobrimento» no seu sentido lato, pois os Portugueses tinham já conhecimento da sua existência antes da viagem de Vasco da Gama em 1498, segundo se depreende do Documento N.° 1 já publicado neste volume Ceilão era o nome adoptado na índia. Em Portugal a ilha era conhecida por «Taprobana». i — p'* - 6 — Li®; 7 — faz ; 8 — Cam at; 9 — t.'''*; 10 — qztal. 58
  • Item. A cruz 11 de Christo 12 e as armas reaes e devisa ficam em Ceilam em padram. Item. Que nam leixa vemder os livros dos Judeos a Joham Cotrim, posto que tenha alvara 13 de Vosa Allteza pera yso, porque ho ha por deserviço 14 de Deus 15 e voso, posopoendo que os pagara se Vosa Alteza ho ouver 18 por mal (1). Item. Que hordenou 14 reis por dia a cada ornem, por- que se nom pode ordenar sala, e que a gente say em terra, porque se nom pode ali fazer 17. E capitam 60 reis. E alcaide mor, e alcaide do paso, e feytor 30; e spri- vães 18 20; e clérigos 19 e pedreiros e carpinteiros 20, e todos os que estam como os que vem comem com elle. Item. Gonçalo 20 Fernandes21 (2) encaregou dos resy- [5vl dos. Passou 22 o trelado do regimento deles. (1) Barros, Correia e Andrade referem-se a um Fernão Cotrim com- panheiro de armas de D. Lourenço de Almeida no descobrimento de Ceilão. No AN 11, Maço 2 de Leis, N.° 12 há um documento em que se menciona João Cotrim, corregedor dos feitos civis na corte de Lisboa. (Publicado em «Algum Documentos do Archivo Nacional da Tôrre do Tombo, p. 139 ) A êste respeito deve recordar-se que Gaspar Correia conta que um filho do Doutor Marfim Pinheiro, corregedor da Côrte, levara para a índia uma arca cheia de bíblias hebraicas, sem D. Francisco de Almeida saber, e que por lí as começara a vender por bom dinheiro aos Judeus de Cochim. O vice-rei soube do caso por meio de Gaspar da India e tomou medidas severas para reprimir o abuso que êle considerava ser contra o serviço de Deus e de el-rei. (Correia, I, pp. 636-6)7.) (2) Veja-se a carta de Gonçalo Fernandes a el-rei, escrita em 17-11-1506. Documento N.° 12. 'I f-; 12 —xpo»; il —alv; 14 — desviço ; i5 — ds; 16—ouv ; 17 —faz; 18 — spvães; 19 _ clcg0*; 20 — g*; 21 — frrz; 22 — p.
  • [À margem] Sy o regimento. riT r.] Lembranças que trazia 23 Diogo 24 Mendez 25 da sua letra 26. Item. Como antre 27 Malaca e os Chyns ha christãos28 que teem armas brancas29, dhomde vem a seda que trazia30 (1). (1) Não se deve esquecer que nesta altura ainda Malaca estava por descobrir. Esta sêda que Diogo Mendes apresentara em Lisboa devia ter sido trazida para a índia em barcos não portugueses. Os nossos historiadores distinguem entre Diogo Mendes e Diogo Mendes de Vasconcelos. O primeiro era um cavaleiro, companheiro de armas de D. Lourenço de Almeida. O segundo foi mandado descobrir Malaca em 1510. 23 — tila; 24 — di"; 25 — médz; 26 — let'; 27 — an?; 28 — xpãoos; 29 — bncas; 3o—tila. 6 0
  • 14 CARTA DO REI DE CANANOR A EL-REI DE PORTUGAL Cananor a 6 de Dezembro de 1507 Original existente no ANTT: — CC, 1, 6-68 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de duas folhas não numeradas. Estão escritas 3 páginas. Encontra-se em bom estado, apesar-das extremidades longitudinais das duas folhas se acharem algo comidas. O centro da primeira folha ressente-se de haver estado dobrado e encontra-se esbura- cado. ... E asy também queria que algumas pesoas que em ur.i meu reyno tenho por escravos, e os tem os meus nayres, (2) que sam duas leis de gente, a saber, tines e mucoas, (3) se (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, 400-402. O rei de Cananor, autor da carta, não é o mesmo que recebeu os Portugueses em 1498 e anos seguintes. Este era francamente inclinado aos Portugueses. Morreu em princípios de 1507. (Correia, 1, 690.) O herdeiro, seu sobrinho conforme o uso do Malabar, simpatizava bastante com os Mouros e mostrou-o logo. Estes, aproveitando-se dum pretexto fácil de encontrar aliás, atacaram a fortaleza e tiveram-na cercada bastante tempo. Quando o novo monarca viu que perdera a partida e que os Portugueses se mantinham, mudou logo de táctica. Esta carta é disto testemunho. Correia, I, 700-707.) (2) Os «naires» constituíam a casta guerreira entre os indígenas. (3) Tines eram escravos dos naires. Tratavam das palmeiras e eram também jornaleiros para todo o serviço. Eram igualmente soldados. Mucoas eram marinheiros e pescadores (moquer). (BNL, FG, N.' 9163: Discriminação das terras da Índia Oriental, e dos seos uzos, costumes, ritos e leys» //. 31-33.) 61
  • nam tornasem christãos1, nem nayres, nem brâmanes, (1) porque tornando estes escravos christãos 2 podersya revolver aroydo amtre os nosos vasalos suas gemtes, porque neles tem suas rendas os nayres de minha terra 3, e nam na que- reram perder4, e daquy avamte, com ajuda de Deus5, (2) eu espero de lhe trazer toda verdade 6 e boa amizade que se a tarn gram senhor deve ter, semdo emminguo de seus emmiguos, e amiguo de seus amiguos. Porque elrey de Calecut isto sabe, tem sempre comiguo toda gram, (3) e eu com ele, e asy lhe peço que sempre me mande guardar minha homra e acreçentar meu reyno, e mande aos seus que meus vasalos sejam deles sempre guar- dados, e homrrados como booms amiguos. Por Tristam da Cunha, seu capitam mor desta armada, que ora vay, mandey huum pequeno serviço 7 ao príncipe seu filho 8, que Noso Senhor acreçente e deixe viver. (1) Os «brâmanes» eram a classe sacerdotal, constituindo a mais ele- vada casta na hierarquia hindu. (2) Esta frase indica evidentemente a crença do secretário que devia ser algam português. Embora a carta peça a el-rei a não-conversão dos escra- vos dos brâmanes e naires, a mentalidade do secretário empregado não pôde deixar de se manifestar. (3) A palavra «gram» (i. e. grande) devia acompanhar qualquer substantivo a designar «luta» ou «guerra», etc. que, por lapso se omitiu. I - a — xpáaos; 3 — trã ; 4 — pder; 5 — ds; 6 — rdade ; 7 — íviço; 8 — P. 6 2
  • 15 REGIMENTO DE DIOGO LOPES DE SEQUEIRA, MANDADO A DECOBRIR A ILHA DE S. LOURENÇO E AS TERRAS DE MALACA. 12 de Fevereiro de 1508 Documento original existente no ANTT.—CC, I, 6-82 (1). Mede 310 X 220 mm. Tem 18 folhas não numeradas, das quais 15 estão escritas, pois o documento acaba no fim da folha 15v. Encontra-se em magnífico estado, sendo a caligrafia boa e legível. Item. Em todas as terras1 em que chegardes pregum- w v.j tarees por christãos 2, ou se ha hy novas delles, e asy por todas as cousas do trauto, e, achamdo christãos 3, os agasa- lharees e farees toda homrra e boom trauto, e esforçarees na fee, damdo lhe esperança que muy çedo Nosso Senhor ordenara de serem 4 postos em liberdade, e o servirem5 com inteiro conhecimento de obras de verdadeiros e fiees chris- tãos ®, e com mais beens esprituaes 7 e temporaes, dizendo lhes nossos descobrimentos e nosso gramde cuidado delles, (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», n. Pp. 403-419. Diogo Lopes de Sequeira foi encarregado de duas missões: a) «descobrir», i. e. explorar a Ilha de S. Lourenço em que Tristão da Cunha havia já tocado e de que havia mandado notícias por meio de António Saldanha chegado ao reino em Agôsto de 1507; b) «descobrir», i. e, chegar até Malaca de que em Portugal havia já algumas informações pelas cartas recebidas da índia. (Barros, Dec. II, Liv. IV, Cap. Ill, pp. 391-392.) I — trras ; a. 3 - 6 — xpãaos ; 4 — aem ; 5 — avjrem ; 7 — esptuaes. 63
  • rr2r-5 com zeello e temçam de mayor // emxallçamento e acre- çentamento de nossa santa fee católica, e dizendo lhe as fortallezas que temos na Imdia e nas outras partes 8, e como a ellas cada anno emviamos nossas armadas de muytas naaos e gentes, e esforçando os, quanto possivell vos for, com pallavras e obras, e que tamto que a nos chegardes vos emviaremos as ditas terras nossas armadas e gemtes pera hy asemtarem, asy como nas outras partes9 da Imdia o fazeemos. 4 [12 Item. Se them allguma noticia do apostollo Sam Thomee. Item. Pregumtarees polios Chyns, e de que partes 10 veem, e de cam lomge, e de quamto em quamto vem a Mallaca, ou aos lugares em que trautam, e as mercadarias que trazem, e quamtas naaos delles vem cada anno, e pellas feyçoees de suas nãaos, e se tornam no ano em que veem, e se teem feitores ou cassas em Mallaca, ou em outra allguma terra, e se sam mercadores riquos, e se sam homeens fracos, se guerreiros, e se teem armas ou artelharia, e que vestidos trazem, e se sam gramdes homees de corpos, e toda a outra emformaçam delles, e se sam christãos n, se gentios, ou se he grande terra a sua, e se teem mais de hum rey antre elles, e se vyvem antre12 elles mouros ou outra allguma gente que nam vyva na sua ley ou cremça e, se nam saam christãos 13, em que creem ou a que adoram, e que custumes guardam, e pera que parte se estende sua terra, e com quem comfynam 14. 64 8-9♦ 10 — ptes ; 11 -13 — xpãaos; 12 —antr; 14 — confynam.
  • 16 FEITORIA DE CANANOR 6 de Fevereiro de 1509 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 16-82 (1) Mede 310 X 220 mm. Consta de duas folhas, estando escritas apenas a primeira. O documento apresenta-se rasgado de baixo! para cima até ao meio. O rasgão, porém, não impede a leitura. A caligrafia é boa. Gonçalo1 Mendez, (2) feitor de Cananor, escrivães de voso hofiçio, mandovos que des a Cide Alie Baci amdaluz qatroçemtos cruzados 2 que, em nome de Elrey meu Senhor 8, lhe faço merçe, porque guardou he agassalhou he emparou os christãos 4 que foram cativos em Chaull (3) em cassa de Mallqiaz he, por seu respeito, hos nam mataram nem emtregaram aos Rumes, nem venderam por muyto dinheiro 5 que por elles davam pera os mandarem ao Soldam do Cairo, (1) Publicado cm «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, p. 429. (2) Correia, narrando a batalha do rio de Chaúl em princípios de 1507, em que morreu D. Lourenço de Almeida, menciona dois Gonçalos Mendes: um que morreu com D. Lourenço e outro que foi feito prisioneiro Por Meliquiaz (1, pp. 768-769). (3) Refere-se aos prisioneiros feitos nesta mesma batalha. Meliquiaz tratou-os bem e levou-os para uma quinta sua que distava cinco léguas de Dm. (Correia, 1, 771). Aqui esperaram pelo resgate. Meliquiaz, senhor de Diu, não tinha inte- resse nenhum em indispor-se abertamente com os Portugueses sem fortes motivos e preferiu não entregar os prisioneiros aos Rumes ou Turcos, pois estes levá-los-iam com certeza, como trofeus, ao Sultão do Cairo. 1 g'; a h d" > 3 — Sôr; 4 — xpãos; 5 — dr*. 5 65
  • e por outros gramdes serviços 6 que a Elrey meu senhor7 tem feitos8, os quaes eu direy a Sua Alteza quando com elle, prazendo 9 a Deus 10, me vir, polios quaes helle he mere- cedor de toda a merçe que lhe for feita11. Feito 12 em Froll de la Mar a 6 dias de Fevereiro 13 de 509. Antonio de Sintra ho soescrevi. O Viso Rey. (No dorso) Tenho dados ao Viso Rey em penhor dos 400 cruzados14 deste mandado 520 xerafins, ate lhe o feitor dar os 400 cruzados 15. 6 — sviços; 7 — Sôr; 8 — fcòs ; g — pazendo ; 10 —ds 11 — fia 12 — fêo ; i3 — fev"; m-i5 — + do'. 66
  • 17 CANANOR. CONFRARIA DAS CHAGAS. 6 de Julho de 1509 Documento original existente no ANTT — CC., II, 18-10. Mede 310 X 210 mm. O documento encontra-se dividido em duas parte; a segunda ê de leitura bastante mais difícil que a primeira, por estar muito delida. O documento apresenta um buraco quási no centro. Gonçalo 1 Mendez2 feytor, por esta vós mando que des a Joam Vaz de Almada, (1) alquayde mor desta forteleza de Cananor, hum cruzado que lhe mando dar como a mam- posteyro da comfrarya das Chaguas de esmolla, em nome dei Rey nosso senhor 2, e per este com ho asento dos espri- vães 3 da feytorya vos sera levado em conta. Feito per mym Gonçalo 4 Baixo (2) a 6 dias do mes de Julho de 509. Lourenço 5 de Brito. Eu, Joham Vaz de Almada, alcayde mor desta fortaleza Santangere (3) de Cananor, diguo que he verdade que (1) Companheiro de armas do vice-rei D. Francisco de Almeida. Era capitão duma nau. (Correia, 1, 369-571). (2) Havia sido feitor de Sofala em 1502. (Correia, I, 275) D. Fran- cisco de Almeida nomeou-o escrivão para Cananor em 1507. (Id. 718). (3) Isto é: «Sant'Angelo». i - 4 — g"; 2 — sòr; 3 — cspvães; 5 — Lo. 67
  • receby de Gonçalo 6 Mendez7 feytor de el Rey noso Senhor, na dita forteleza hum cruzado, conteúdo neste mandado; e por que he verdade lhe dey este por mim asynado. Feito em a dita8 fortaleza a 6 dias do mes de Julho de 509 anos. João 9 Vaz de Almada 68 — g°; 7—mz; 8—du; g-y°.
  • 18 I''* AFONSO DE ALBUQUERQUE REGULA A ASSISTÊNCIA AOS POBRES I > Cochim, 13 de Dezembro de 1509 Documento original existente no ANTT:— CC, 11, 19-137 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de duas folhas não numeradas, encontrando-se escrita a primeira. O estado do documento é bom, apesar dum pequenino buraco ao centro. A caligrafia ê regular. .>UtJ Afonso de Alboquerque, capitam mor e governador1 das ti r.i Imdeas, por El Rey noso senhor 2, mamdo a vos, Diogo Pereira 3, thesoureiro do dinheiro e mercadoryas espeçearias desta feitoria, esprivães 4 delia, que do primeiro dia deste mes de Novembro, que ora pasou, desta presemte era em deamte dees de esmolla pera os pobres christãos 5 e christãs 8 malabares, e asy pera alguns meninos e minynas filhos dos Portugueses 7 e de christãs 8 malabares, nove mil reaes cada mes, por quanto Elrey noso senhor 9 se espreveo10 que de sua fazenda avia por bem de se lhe darem em cada huum mes, mandando me que ordenasse dous creliguos que disto (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, pp. 214-215. Êste mandado foi um dos primeiros que Afonso de Albuquerque assi- nou depois da questão havida entre êle e o vice-rei D. Francisco de Almeida a respeito do govêrno da índia. i— goinador; a — sniior; 3 — di* pr»; 4 — spvaes ; 5 — xpáos; 6'-8 — xpSs} 7 — f tuges; 9 — sór ; 10 — estpveo. 69
  • tevessem cargo, hum pera reçeber e despender e outro pêra esprivam pelo quall ordeno que Frey Francisco 12 seja o recebedor 13 e despendedor do dito dinheiro 14, e Afonso 15, Vaz seja esprivam 16 de seu carego, e faram livro de receita 17 e despesa 18 pera diso darem conta, e quando daqui for fora o dito Frey Francisco 19 comigo de armada, ou a outra parte20, recebera o dito dinheiro21 e o despendera Pero22 Alvarez, capeiam, e o dito 23 Afonso 24 Vaz sera também seu esprivam 25, pelo qual vos mando que em cada hum mes entreges ao dito 26 Frey Francisco 27, e, quando ele aqui nom esteever 28, ao dito 29 Pero 30 Alvarez31, os ditos32 nove mil reaes pera se despenderem, como dito 33 he, aos quaes sera per mym, quando eu aqui estever34, tomada a conta e, quando nam, o capitam da forteleza lha tomara, e per este, com o conhecimento 35 de quem os reçeber feito 36 pelo dito 37 Afonso 38 Vaz e asinado per ambos em que decrare que lhos caregou em receita39, vos seram levados em conta. Feito em Cochym a 13 de Dezembro 40 de 509. uv.5 // Afonso de Alboquerque4l. Gaspar Pereira42 He verdade que recebeo Frey Francysco do dito Diogo 43 Pereira dezoyto mill reaes pera as esmolas de dous meses do mes de Novembro pasado, pera o quall tinha buscado dinheiro emprestado, e asi ho deste mes, e fica lhe carregado em receita per my, Afomso Vaz, escrivam de seu carrego. Feito em Cochym a 26 de Dezembro de quinhentos e nove. Frei Francisco Rocha. Afonso Vaaz. n-i6-a5—stpvã; ij-ig-J7—ír»; i3—Rd®'; 14 - ai — drr® ; i5 - 24 —a® ; 17 —Ru; 18 — desp® ; ao — pte; 2a • 3o—p° ; a3 - 26-29—d£o; 28 — estev; 3i — alvfa; 3a - 33 - 37 — dcô; 34 — estev; 35 —et® ; 36 — fcõ ; 38—a®: 3ç — Ru ; 40 dez®; 41 — a® dalbo4q; 4a — p"; 43-D®. 70
  • 19 PADRE VIGÁRIO JOÃO DA SILVA. Cochim, 27 de Dezembro de 1509 Documento original, existente no ANTT: — CC, 11, 19-175 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de uma só fôlha, escrita dum lado. Em bom estado. Caligrafia apressada. Diogo Pereira 1, thesoureiro 2 do dinheiro3 e merca- dorias desta feitoria, stpriuães4 delas, o capitam moor ec. Per este vos mando que do soldo que for devido a Pero Lopez5 bombardeiro6 defunto des ao padre vigairo7 Yoham8 da Sylva quatro cruzados9 e meio10 e tres fanões 11 que lhe emprestou, e serlha12 posta verba13 em seu titolo14, como ouve pagamento pela dita maneira 15, e per este, com ho asento e a verba 16, vos seram levados em conta. Feyto em Cochym a 27 de Dezembro 17 de 1509- Afonso de Alboquerque18. Pose lhe verba 19 em seu titolo 20 de mil e oytoçentos vinte reaes. Garçia Chaynho 21. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, pp. 224- -225. i —p"; 2 — thr®; 3 —dr"; 4 —stpvães; 5—p'lopz; 6 —bobard»; 7 — vig™ ; 8 —y»; io —m'; 11 — f**; 12 — »; i3-16-19 —rba ; 14 —1°; i5 —man™: 17 —dez"; 18 —a" dalbo44 ; 20— t"; 21 —geia chay"; 7 1
  • 20 IGREJA DE COCHIM 29 de Dezembro de 1509 Documento original, existente no ANTT: — CC, II, 19-193 (1). Mede 300 X 210 mm. Consta duma só folha, escrita de ambos os lados. Em bom estado. A caligrafia é bastante descuidada. A do dorso é por outra mão, mais pessoal e apressada ainda. Feitor e escprivães1 desta feitoria de Cochym ho capi- tam mor etc. Vos mando que do soldo de Dom Gironimo (2) dees a Fernam Deanes que hora he recebedor dos dinheiros2 apusytados pera as obras da igreja vynte cruzados em que ho condamney por ser em humas panqadas que se aqui3 deram a hum homem, e per este vos sera levado em conta. Feito 4 em Cochim aos 29 dias de Dezembro de 509. Francisco5 Velho o fez. Afonso de Alboquerque 6. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, pp. 235- •236. (2) Deve tratar-se de D. Jerónimo de Lima, irmão de D. João de Lima e de D. Vasco de Lima, companheiros de Tristão da Cunha e de Afonso de Albuquerque na viagem para a índia em 1506. (Castanheda, II, pp. 292-293.) Tomou parte numa deliberação militar com Afonso de Albuquerque em 13-2-1510. (CC, I, 12-38 publicado in «Cartas de Afonso de Albu- querque», II, p. 3). Deve ter morrido em 1513, pois Afonso de Albuquerque assina uma ordem em 26-10->1513 para se pagarem 1.000 rs ao vigário de Goa por haver celebrado um ofício por alma de D. Jerónimo. (CC, II, 42-243). i — esc^vães; a — dr"; 3 — aq ; 4 — feío; 5 — fr~ ; 6 — a" dalboq^. 72
  • Foy lhe posta verba 7 dos ditos vimte cruzados 8 em seu titolo 9 per mim. Pero Mendes 10 He verdade 11 que recebeo Fernam Deanes, que orra tem careguo de reçeber o dinheiro12 pera as obras da igreja, de Diogo13 Pereyrra, feytor, os vinte cruzados 14 conteúdo neste mandado, os quaes lhe fyquam caregados em reçeyta per mym, Gonçalo15 Afonso18 Mealheirro, escprivam 17 do dito carguo, oje que som 9 dias do mes de Janeiro 18 de 509 e asynamos aqui ambos. Fernam Deanes. Gonçalo 19 Afonso 20 Mealheiro. - —fba; 8 (-ido'; 9 — P; 10 —med; n—i>dade; 11—d»; ij—di"; 14 — crud" ; i5 — g°; 16 — a» ; 17 — espvã ; 18 — jan™; 19 — g«; ao - a".
  • 21 CARTA DO REI DE COCHIM AO REI DE PORTUGAL s. d. Documento original existente no ANTT:— Gaveta 15 21-30 (1) Mede 310 X 220 mm. Consta de 4 folhas não numeradas. O documento acha-se autenti- cado com assinatura oriental. Roto nas quatro folhas, de baixo para cima. Nas folhas terceira e quarta o rasgão abriu mais, dificultando a leitura de algumas palavras. Boa caligrafia. 13 r.] E quando qua veo o almirante, concertamos elle e eu que quall cristão1, novo ou velho que fezesse algum erro, que eu nom entendesse nisso e o entregasse2 ao capitão 13 v.) que aqui estevesse, e que se // algum mouro ou gente de minha terra 3 fezesse alguma cousa, que mo entregassem 4, sem o capytão nelle entender; e o visso rei nom quis cum- prir 5 isto nem gardar ho contrato 8 que estava feito 7, e mandou enforquar dous mouros, e os cristãos 8 me matarao jente da minha terra9. Mandei me queixar ao visso rei. Nom lhe deu nenhum 10 (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque» IV, 42-45. 3-g-trr"; 4-étgassé; 5 - cop; 6-coito 7— fe£o ; 8— cstaos ; lo —nhfi. 74
  • castiguo e me mandava muitas vezes prender 11 os meus bramenes e naires no seu tronquo. O visso rei me fez muito mall e muitas enjurias e tudo sofri por amor de Vossa Alteza. O visso rei mandava matar muitas vacas e eu mandava me queixar a elle. Nom fez nisso nada. E esta he a mor desonrra que nesta terra 12 ha. Afonso de Albuquerque 13 sofreo muitas desonras, e se nam fora tão sessudo, perdera se a India (1). (1) El-Rei de Cochim dá a entender que ao tempo de escrever a carta, ainda o marechal D. Fernando Coutinho estava vivo. Como o desastre de Calecut, em que o marechal perdeu a vida, foi em Dezembro de 1509, esta carta é-lhe anterior. li — fnder; u —trr"; i3 — a» dalbufique. 7*
  • 22 CARTA DO AREL DE COCHIM A EL-REI D. MANUEL 1510 Documento existente no ANTT: — «Cartas de Affonso de Albu- querque e outros para el-rei D. Manuel único.» (1). Trata-se dum sumário de várias cartas chegadas da índia, jeito por Antonio Carneiro. Refere-se ao ano de 1512. E um caderno com capas de pergaminho, com 54 folhas não nu- meradas. Mede 280 X 210 mm. O estado geral do caderno ê bom. Algumas folhas, porém, acham-se rotas. Outras bastante delidas. ' a item-areI de Cochy (2) spreve a Vosa Alteza, fazem- do lhe saber como se tornou christaao 1 e toda sua gereçam, molher e irmãaos, quepasaram de mil pesoas; e que espera ainda que sejam muytos mais. Pede 2 confirmaçam 3 do privylegio * que lhe foy dado c« v., a saber, que seja preso // como fidalguo, e asy seus irmãos e paremtes. E que tenha seu oficio. E estee a ordenança de vosas justiças 5. [A margem] Sy. Ja. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, 328. (2) «Arei» vinha a ser piloto da barra de Cochim. (Correia, II, p. 720.) 1 — xpaao ; 1 — p ; 3 — confirmaçam ; 4 — pvylegio; 5 — just"». 76
  • 23 CARTA DE GONÇALO FERNANDES A EL-REI DE PORTUGAL 1510 Original existente no ANTT: — Gaveta 14, 8-11 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de 19 jôlhas não numeradas; a 8." é apenas meia jôlha intercalada, de papel diferente, escrita só do lado recto. Em bom estado. A caligrafia é boa. Senhor. Vossa Alteza mamdou ca ho anno passado, de hm 9, poer este ramo da rendiçam dos cativos, e nom enviou cartas. Fezesse (2) estonçes e ora o que, sem ellas, se podia fazer, esperamdo1 que viessem este anno de dez. Nom vierom nem se pode, sem ellas, per inteiro poer em ordem o que Vossa Alteza quer porque, aalem de os que tem as cartas de Portugal2 teerem a quem paguem, outros entrariam de novo, que, sem ellas, ho nom fazem, ainda que muitos entrarom com scriptos3 que eu lhe dei. Asi que, sem ellas, e sem quem alguma cousa diga, na estaçam de huma missa, em favor desta santíssima indul- gençia, nom se pode muito aproveitar4 nas almas nem (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, 45-69. Gonçalo Fernandes, de quem já publicamos uma carta a el-rei, datada de 17 de Novembro de 1506, confessa nesta que tinha 6o anos e que havia 8 que estava na India. Era grande admirador do vice-rei D. Francisco de Almeida e, talvez por isto mesmo, inimigo de Afonso de Albuquerque. (2) Isto é, «fez-se». I — esfamdo ; 2 — ptngal; 3 — stptos ; 4 — apveitar. 77
  • na rendiçam, ca (1) bem sabe Vossa Alteza quanto5 apro- veitam 6, nas cruzadas e indulgençias, os pregadores 7, ainda que sejam mais lingoarazes que letrados8; e servira9 tam bem esta predicatura 10 esses capitãaes, fidalgos e povoo, de pregaçam u, ca eu, Senhor12, nom sei onde se acham tam roins, porque diga verdade 13, clérigos e frades, como ca veem teer, porque as maldades que cometem, de igno- rançias em seus officios, ladroiçes nas confissões 14 e vida contaminada de alguuns, digo, çuja, bestial e disoluta, som tam feas que leixo de as tocar a Vossa Alteza, polia hones- tidade que se deve aa real majestade; e perdoe Deus a quem engana Vossa Alteza, e espeçialmente neste estado, que tanto dana, per maaos exemplo, aos fiees cathecuminos e infiees. ... asi que as cousas se governam mais per natura que por hy aver capitam; (2) mas ho outro braço da justiça que aqui leixou Afonso de Alboquerque 15, este correge tudo, que he huum Fernandeannes, que foy criado16 de Afonso 17 Pereira 18, alcaide19 moor de Santarém, o qual sempre teve carrego de lhe arrecadar seus direitos20 nos açouges de Santarém e na agoa vay, e per seu favor veeo teer ao sprital 21 de Santarém; e, pellos roubos que hy come- teo, foy destroido por el rei, que Deus 22 aja, e preso 23, e per Vossa Alteza; e creo que da cadea veeo pera ca, e ca ho encarregou Francisco24 Pereira25 em lhe teer car- rego de huuns poucos de porcos e adens seus e outras cou- (1) Equivalente a «pois», «porque», etc. Lembra o «car» francês. (2) Refere-se a Afonso de Albuquerque. 5 — 4nto; 6 —apveitam 7 — pgadores; 8-brados; 9 —«vira; 10 — pdicatura; II — pgaçam ; 12— Snor; i3 — rdade ; 14 — confissões; i5 — a* dalboquerq; 16— £ado; 17— a11; 18-25— pr>; 19 — al£; 20 — drrtos ; 21 — spal; 22 — ds; 23 —pso ; 24 — f«9. 78
  • sas que se nom devem dizer a Vossa Alteza, de vergon- çosas26. Este fez Afonso de Alboquerque27 aqui ouvidor e a mym fez, que me pesou, huum tempo seu escrivam 28, como ho anno passado a Vossa Alteza escrevi29; despois ouve eu lugar pera me lançar disso, e lhe deu carrego deste sprital30, porque trautou bem ho outro, (1) e residos e obra da igreja31, pera que deputou as partes 32 de Qua- lecut, (2) tirando as aos tristes33 que la morreram, dizendo que lhe fogiram; mas elle, Senhor34, veeo diante e sem trombetas e, como Deus35 sabe, foy metido nhum batell; hei vergonha38, Senhor37, de ho dizer, porque he vosso capitam. A si que com boa outra copia de dinheiro38 he todo em mãao deste Fernandeannes, ao qual, aalem de 20.000 reaes e seu mantiimento, e seis mill de merçee, Afonso de Alboquerque39 deu que ouvesse a terça parte40 do que julgasse, o que, quanto 41 he honesto, Vossa Alteza ho pode veer, et ne de singulis agam. Ho viso rei creo que ho // conheçe, que he outra estre- i13 mada42 virtude43 que nelle ha, e neçesaria a governador: conhecer os homeens, porque, do contrairo, se seguem muitos danos. Este tal pos Afonso de Alboquerque44 aquy por nosso (1) Deve aludir ao que Fernão Eanes fez no hospital de Santarém. (2) Referência ao desastre acontecido em Calecut em Dezembro de 1509 quando o Marechal D. Fernando Coutinho e Afonso de Albuquerque foram atacar a cidade. Nesta acção encontrou a morte o Marechal e o próprio Albuquerque ficou ferido. Apesar-do desaire, os Portugueses tomaram algumas presas. 26 — rgonçosas : 27 -39 — a® dalboquerq; 28 — esévam ; 29 — escvi; 3o — spal; 3l — Igia; 32 — £tes; 33-táles; 34-Sfior; 35 —dá; 36-vgonha; 37 — Snor; 38 — drr®; 40 pte; 41 — qnto: 42 — estmada ; 43 — vtude : 44— a® dalboquerq. 7 9
  • governador da justiça, porque estes som os que lhe fazem ho cala, (1) como os mouros de Goa que, o que milhor se estirava no chãao, mais serafiins 45 levava, de maneira46 que andavam ja ao guanho com elle. Lisoarte de Freitas, (2) proveedor47 do spritall48, António49 Za- gallo, escrivam50, Joam51 da Silva, vigário52. Este he huum honrrado prelado53 e todos oficiaes de Afonso54 de Alboquerque, aos quaes 55 ho viso rei nom dera carrego de huma cabra. (1) «Cala», isto é, acção de calar. (2) Lisuarte de Freitas era um honrado cavaleiro que havia tomado parte no ataque a Calaiate em 1508 com Afonso de Albuquerque. (Correra, 1, 874.) 45 — íafiins; 46— man*; 47 —pveedor; 48— spall; 49— ant"; 5o — esSvã ; 5i — Jom ; 5a —vlg"; 53 —fiado; 54 —a°; 55 —4«s. 8 0
  • 24 EMBAIXADA AO XEQUE ISMAEL. 1510 Documento original existente no ANTT: — Maço 1 de leis e regimentos sem data, N.° 27 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de 6 folhas não numeradas. O documento principia na folha 2r. e termina na 5v. Encontra-se em bastante mau estado. As folhas estão rotas ao meio, ressentindo-se assim de estarem dobradas. A tinta bastante delida. Esta he a maneira 1 e regimento que vos Ruy Gomez 12 r-® e Frey Joham terees em vossa hida e vinda estada, homde (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, 79-63. Em Março de 1510 Francisco Pantoja encontrou no mar uma nau que trazia dois embaixadores para o Hidalcão: um vinha da Pérsia, do Xeque Ismael, e o outro era enviado pelo rei de Ormuz. Francisco Pantoja conduziu a nau para Goa. Afonso de Albuquerque folgou muito com a chegada de tais embaixadores, principalmente do pri- meiro, pois já sabia das diferenças e hostilidades existentes entre os mussul- manos da Pérsia e os da Turquia. Albuquerque tinha sempre em vista o plano de destruir Meca e via no Xá da Pérsia um precioso aliado. Tentou convencer o embaixador de que a empresa seria relativamente fácil, pois não só el-rei de Portugal mas também todos os reis da Cristandade tomariam parte na expedição. Por seu lado, êle (Albuquerque) atacaria o mesmo objectivo não só pelo Mar Vermelho como também pelo Mar de Ormuz com 6.000 homens que tinha. O resultado prático destas conversações foi enviar um embaixador ao Xeque Ismael. Correia menciona-lhe o nome: Rui Gomes que viera degredado na armada do marechal D. Fernando Coutinho. O embaixador português tinha dois companheiros, um criado e um intérprete. Não se faz menção de Frei João. O rei de Ormuz, temendo uma aliança entre os Portugueses e o soberano ia — mn™. Si 6
  • vos ora mando por serviço 2 de Deus3 e dei rey Nosso Senhor4 em Narsynga (l). Item. Lhe tocarees na nossa fee e verees ho que disso sente e se vos reçebe bem, o que lhe assy nysso tocardes, e nom seja mais ca quamto elle nom reçeba escandallo. Item. Mais saberees dos crestaãos daquellas partees5, se teem o rito da nossa fee, e creem verdadeiramente 6 que Noso Senhor 7 narçeo de Nossa Senhora8, morreo e pade- ceo em cruz por nos salivar e ressurgyo ao terceiro dia. Item. Mais verees se alguuns destes cristaãos, sendo deferemtes alguma cousa na fee de nos, ho podes trazer comvosco, ou hordenardes como vaa a Roma, aimda que melhor seria hyr por via de Portugall 9. Item. Verees suas Igrejas e hornamentos delia, altarees, ymageens de samtos, e se teem Nosso Senhor 10 na cruz e a ymagem de Nossa Senhora n, e assy os creligos, frades, do modo de seu viver e trajos, e assy de alguns corpos de santos marterees, apostollos, se jazem seus corpos nessas partes. da Pérsia, impediu a embaixada mandando envenenar Rui Gomes na viagem. O seu criado e o intérprete regressaram a Goa. Malogrou-se assim a primeira tentativa de aliança entre os Portugueses da India e a Pérsia contra o inimigo comum: o sultão do Cairo (Correia, 11, 67-73.) (1) «Narsinga» é êrro evidente. Deve ser «Pérsia». 2 —«Viço; 3 —ds; 4.7 —Snnor; 5 — ptees; 6-rdadeiramcntc; 8-11 — Snfa; — {Stíifjall; 10 — Siior. Si
  • 25 ESMOLA A BONA, CLÉRIGO DE COULAO 19 de Janeiro de 1510. Documento original, existente no ANTT: — CC, 11, 20-28 (1). Mede 305 X 215 mm. Consta duma só fôlha, escrita apenas dum lado e até metade. Encontra-se em bom estado, embora algo esburacado no centro, fora, porém, da parte escrita. Dioguo1 Pereira, feitor de Cochim e escripvães2 da dita feitoria o capitam mor, ec. Per este vos mando que des a Bona, creliguo 3 de Coulão oyto cruzados de ouro, por quanto por lhe fazer mercee e esmola, que he homem prove, lhos mando dar pêra seu repairo, e per este soomente com o asento dos sprivães4 da dita feitoria vos seram levados em conta. Feito em Cochim aos 19 dias de Janeiro de 1510. Afonso de Albuquerque5. Praz a vosa merce fazer mercee 6 de esmola de oito cru- zados 7 a Bona, creleguo de Coulão. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, 257. i — dlog"; 2 — espvães; 3 — crelig0; 4 — spvães; 5 —a" dalbuqq; 6 —mce; 7_ + do,. S3
  • 26 PADRE JOÃO FERNANDES, VIGÁRIO DE COCHIM (1) 24 de Fevereiro de 1510. Documento original existente no AKTT: — CM, 111, 66. Mede 223 X 312 mm. 2 jôlhas, uma das quais em branco. O documento encontra-se algo esburacado e cortado. Boa caligrafia. Nos el Rey mandamos a vos, Lourenço Moreno, cava- leiro 1 de nossa casa e nosso feytor em a feytoria da nossa forteleza de Cochim, que dees a Joham Fernandes nosso capellam, que ora enviamos aa dieta 2 fortaleza por vigairo delia quorenta e cimquo mil e noveçentos e setenta cinquo reis que lhe mandamos dar e lhe sam devidos de seu soldo que vençeo em três annos que esteve por vigairo na dieta 3 forteleza com o viso rey, e de sete meses e 7 dias que pos na vinda delia pera qua, a rezam de 25.000 reis por anno, por que dos mais foy la paguo per Andre Dyaz 4 nosso fey- tor 5 em a dieta6 forteleza segundo fomos certo per sua çertidam que ao asynar deste foy rota; dos quaees dinhei- ros 7 lhe vos fazee muy bom pagamento e per este com seu (1) O P.* João Fernandes teria sido o primeiro pároco de Cochim. Durante a sua ausência em Portugal, mencionada no documento, ficou a substituí-lo o P.» João da Silva. (Em 21-12-1309 há uma ordem de Afonso de Albuquerque para se lhe pagar o seu soldo: CC, II, 19-113). O P.* João Fernandes regressou à India com o título honorífico de «capelão de el-rei» e de vigário geral da índia, isto é, com jurisdição sobre o eclesiás- tico. i-cavai»; 2-3-6 - día; 4 - dya; 5 — f ; 7-dr". 84
  • conhecimento 8 mandamos aos nossos contadores que nollos levem em conta. Fecto9 em Almeirim, a 24 dias de Fevereiro10, Dioguo Vaaz o fez, anno de mil e 510. Rey. As 174 folhas vai riscado — 45$975. 45$975 reis a Joham Fernandez u, vigairo de Cochim, pêra comprimento 12 do paguo de soldo que vençeo nos tres annos e 7 meses que sérvio de vigairo na India a 25$000 reis por anno, e foy lhe contado aqui a vinda de la pera qua. Recebeo 13 Joham Fernandez, vigairo de Lourenço 14 Moreno feitor15 dei rei noso senhor16 em Cochym, os quorenta e cinquo mill e noveçemtos e setenta e cinquo 17 reis contehudos18 neste desembarguo atraz esprito 19 dei rey noso senhor20, ficam lançados em despesa21 ao dito feitor 22 per mim Joham Alvarez 23 de Caminha esprivam 24 da feitoria 25, a 24 de Janeiro 20 de 511. Joanes vicarius 27 Generalis. Joham 28 Alvarez 29 de Caminha. 8 — c'®; 9 — fáo; 10 —ffev»; 11 — frfz; 12 — compmento; l3 —R"; 14— Lí° 15 • 22 — F*r; 16-20 — sr; 17 —cinq"; t8 — contehudos; iq — espto; 21 — dsp"; 23-29 — al»z; 24 — espvã ; 25 — F"; 26 — janr,;27— v'«; 28— y°. 85
  • 27 MISSAL PARA ORMUZ 6 de Fevereiro de 1510. Documento original existente no ANTT: — CC, II, 20-170 (1). Consta de duas folhas: a primeira, com o mandado de Afonso de Albuquerque. Mede 220 X 110 mm. em mais de metade; num bocado da mesma folha chega a medir 220 X 105 mm. A segunda folha, com o recibo passado pelo Doutor Fr. Pedro, vigário de Ormuz, mede 310 X 225 mm, escrita só dum lado. Ambas as folhas se encontram bastante dilapidadas pelo tempo, mas isto não impede a sua leitura. Gonçalo 1 Mendes, feitor de Cananor c esprivães 2 da dita feitoria, o capitam mor, etc. Per este vos manou que entreges ao vigairo de Ormuz hum myssall de qanto grande desencadernado, pera o dito padre pera Hurmuz, onde ora vou, e per este com o asento dos ditos sprivães 3 vos sera levado em conta *. Feito em Frol de La mar davante Cananor aos seis dias de Fevereiro de mil quinhentos e dez. Afonso de Alboquerque 5. Eu doutor Frey Pedro fl, vigário 7 de Urmuz, digo que he verdade 8 que recebi de Gonçalo 9 Mendes, feytor deste (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, 73. «• 9 — g"; a — espvaes; 3 — vae„ ; 4 — conta; 5 — a" dalbuqq; 6 — p°; 7 — vig° j S — idade. 86
  • castello de Cananor ,hum misal de canto desencadernado, per mandado do capitam mor Afonso de Alboquerque 10, e por ser 11 verdade 12 lhe dey este per mim asinado a 6 de Fevereiro de mil quinhentos e dez. Ho doutor. lo—a* dalbuqq; li — s; 12 — rdade. 87
  • 28 FR. LUIS, OFM. VAI A NARSINGA 7 de Fevereiro de 1510. Original existente no ANTT: — CC, II, 20-210 (1). Consta de meia folha. Em bom estado, apesar dum pequeno buraco no meio. Boa caligrafia. O algarismo 6 a indicar a data dá a impressão de ser um «b», isto é, 5. Se assim fôsse, a data do recibo seria anterior à data do mandado. Afonso de Albuquerque *, capitam mor e governador das Yndias por El Rey noso Senhor 2, mando a vos Gon- çalo 3 Mendes, feitor desta feitorya de Cananor, que entre- ges a Frei Luis, (2) frade da ordem de Sam Francisco4, que ora envio por serviço dei rey noso Senhor 5 a Narsyngua, e asy Lourenço Preguo 6, (3) lyngoa, cem cruzados de ouro, (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, 74. (2) Frei Luís do Salvador, do qual já fizemos menção. Vid. Nota 3 do Doc. N.° 8 (Carta de Pedro Fernandes Tinoco a el-rei, escrita em 21-11-1505). Albuquerque julgou prudente reatar relações com um tão poderoso vizinho como era o rei ou imperador de Narsinga. O resultado desta embaixada foi uma aproximação entre o potente hindu e os Portugueses. Em Dezembro deste ano de 1510 encontra-se em Goa um embaixador de Narsinga que tinha vindo agradecer a mensagem levada por Frei Luís e. a encetar conversações. (Correia, II, 172). (3) Em Dezembro de 1510 encontramos menção de Lourenço Prego, capitão de 1.000 homens. Talvez êste cargo lhe tivesse sido confiado, em recompensa dos bons serviços prestados na embaixada a Narsinea. (Correia, II, 161.) i—a» dalburpieq; 2-5-Snnor; 3--g'; 4 - fr» 6-pguo. 88
  • a saber, cinquoenta pera sua despesa e duas encavalgaduras qe am de comprar e cinqoenta pera trazerem alguma pedra riqua ou tall qa lhe polo dito dinheiro 7 puder achar pera el rey noso senhor 8, o qal dinheiro 9 lhe logo dares pera seu despacho e partida. E per este com o asento dos vosos sprivães 10 vos seram levado em conta. Feito em Froll de la Mar aos sete dias de Fevereiro de 1510. Afonso de Alboquerque n. Eu Frey Lyuys diguo que he verdade que recebo 12 de Gonçalo 13 Mendes, feytor, hos ditos cem cruzados 14 con- teúdos neste mandado do senhor 15 quapytam mor, e porque he verdade asynamos aquy ambos. Feyto por mim Pero Alvares 16 a nove dias de Feve- reiro17 de 510. Pero Alvares 18 — Frei Ludovicus. 7-9 —drr"í 8 —Snnôr; 10 — spvães; n — a° dalbuqq ; li — R"; i3 — g"; 14 — Ti'"; 15-16-18 —p* alvz; 17 — fr\ 8g
  • 29 FREI FRANCISCO DA ROCHA RECEBE UMA VESTIMENTA DE SEDA. Cananor, 8 de Fevereiro de 1510. Original existente no ANTT: — CC, 11, 20-204 (1). Mede 310 X 210 mm. Consta duma jôlha só, escrita dum lado apenas, em menos de metade. As margens da jôlha encontram-se carcomidas. Apre- senta um buraco no centro. A tinta bastante delida. Gonçalo1 Mendes, feitor 2, e sprivaes3 da feitoria de Cananor o capitão moor, etc. Per este vos mando 4 que emtregues a Frey Francisco 5 da Rocha, meu capeiam huma vastimenta6 de seda para levar comigo da armada, e per este e seu conhecimento e asento de vosos esprivães 7 vos sera levado em despesa 8. Feyto em Cananor aos 8 dias de Fevereiro 9 de 510. Afonso de Alboquerque 10 (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, 75. (2) Frei Francisco da Rocha havia sido encarregado em 13-12-1509 dc receber e distribuir 9 000 rs. mensais pelos cristãos indígenas e pelos filhos dos Portugueses. Neste cargo devia ser auxiliado pelo escrivão Afonso Vaz. Quando Frei Francisco da Rocha andasse embarcado, seria substituído pelo P.* Pero Alvarez. Vid. Doe. N.° 18. (CC. 11, 19, 137.) i — ; J — f1"'; 3 — stpvaars; 4 — m'"; 5 — frr •; C — vastmta ; 7 — tstpvães; 8 — desp"; 9 —fev">; 10—ar dalbo^q. 90
  • 30 LIBERDADES E FRANQUEZAS PARA AS PESSOAS QUE DESEJASSEM IR PARA A INDIA Almeirim, 14 de Junho de 1510 Documento existente no ANTT: — C.C., 1, 8-68 Mede 220 X 318 mm. Duas folhas em bom estado. O documento ocupa folha e meia. Trellado de huma carta do barãn da libredade das omens de armas do que am de aver. Todas as pesoas que quyserem hyr servyr el Rey noso senhor a Imdya, e yr na armada que, prazemdo a Deus, a de partyr o anno de 511 pera la amdarem em suas arma- das, servyrem nas causas que lhe mandar seu capitam mor, o dito senhor lhe ordena quinhentos 1 reis de solido por mes, e mays lhe sera dado de comer, e alem dysto praz 2 a Sua Alteza que em todo tempo que la amdarem posam livremente comprar e comprem todo aljoffare, pedrarya, panos de toda sorte, posto que sejam de seda, allmyscar, ambre e beijoym e porçelanas e todas outras mercadaryas que na tera ouver, e a ella vierem de quaesquer partes 3 que sejam, e de quaesquer sortes e calydades que forem, tyramdo somente espoçearyas e drogaryas e lacre e timtas e anyll e do beijoym; porem, nam poderá nenhuma pesoa comprar mays que ate hum quintal delle; as quaes mer- cadaryas todas compraram per sy e per quem lhe aprou- ver e pelos preços que lhe bem vier, sem as tays compras i — ' s — f>* > 3 — P'ís- 9'
  • serem feytas por feytor do dito senhor, nem das partes 4, como ate quy se fez. E de todas as mercadaryas que asy comprarem e emviarem o tempo que la amdarem, praz 5 a Sua Alteza que nam paguem nenhum direito la na Imdya, nem qua no Reino, asy dizimo6 como quarto7 e vintena8; praz 9 mays ao dito senhor que posam trautar e comprar e vemder todos os mantymentos da tera e posam nyso trautar framcamente, e a sua vomtade e hyr e emviar por ellas as terás e lugares omde os ouver, avemdo pera sy irem ou enviarem primeyro10 licença 11 do seu capitam mor, e fran- camente e a sua vomtade os venderem asy aos christãaos 12 como a gemte da tera e asy mesmo algodoes e as outras v.] mercadoryas que na tera ouver, e que nela se vemderem, // tiramdo as sobreditas, que o dito senhor resallva e que nam emtemderam; e praz 13 ao dito senhor que nestas cousas dos ditos mantymentos e mercadoryas que asy lhe praz14 que posam comprar e vemder e na tera posam tomar praçaryas e conpanhyas 15 com os mercadores da tera, e em quallquer modo e maneyra que lhe bem vier, per que lhe pareça que mays poderam ganhar; praz 16 mais ao dito que pera estes trautos poderem milhor fazer, posam ter navios seus, asy dos da tera e praçaryas com os mercadores da tera nelles, como também comprar e ter alguns dos navyos do dito senhor, se pela vemtura lhe la forem vendidos por seus officyaes porem sempre deles daram conta 17, e os nam pode- ram vender a mouros e gemte da tera nem de quallquer outra parte18 que seja nem em maneira19 alguma os tays navyos que forem de sua alteza em lear (?) so pena de sobre elle o dito senhor tem posto, pola carta que stpreveo 20 Afonso 21 de Alborquerce, capitam mor. Praz 22 mays ao dito senhor que, por licença 23 do dito seu capitam mor, 4 —ptes; 5- 9-13-14 -16-22 — pz; 6 —diz"; 7 — q1"; 8 — vu ; 10 — pmeyro; u-2?— L>»; 12 —xpaãos; i5 — conpanhyas; 17 —conta; 18 —pte; ig— man"; ao — stpveo ; ai — a". 9 2
  • posam hyr aquelas pesoas que elle de a dita licença ~4, em companhya dos mercadores da tera, e asy por mar como por tera, emtemder no trauto das ditas mercadaryas, omde lhe bem vier, e mamdou o dito senhor a mym Baram de Alvyto e seu veador da fazenda que pera ser notoryo a todos aquelles que a Imdya quyserem hyr na dita armada, pera la ficarem e servirem como dito he, o solido e mam- tymento de libredades que lhe fez, ho mamdase por debaixo de meu synalli; aquelles que este partydo quyserem aceytar se venham sprever 25 no livro que pera ello mandou fazer Afonso 26 Mexya seu sprivam 27 da camara, o quall vos asem- tara nelle; aquelles que forem pera receber, seram recebydos e os que asy fycarem asemtados no dito livro por recebydos sera dada certydam por o dito Afonso28 Mexya e por ella ao //ao tempo da partyda da armada lhe sera paguo seu [2r.j solido, e dado seu despacho de todo o que dito he aquelles que asy forem asemtados e recebydos, pera averem de hyr seram obrygados pera vemcerem o dito solido e gozarem de todo o que dito he, levaram couraças ou braceletes ou peyto com sua sespadas e armaduras da cabeça, de feyçam que se mays quyserem espadas e adragas ou em lugar de adarga, besta e per este governo se viram asemtar e sprever29 no dito livro atee fym do mes de setembro 30 e pasamdo o dito tempo vier, manda o dito senhor que nam seja sprito 1 nem recebydo. Sprito32 em Almeyrym a 14 dias do mes de Junho de 510. 24 —I,t«; 35.29 — spver; 36-28 —a°; 27 — spvam ; 3o — Sft"; 3i -32 — spto. 93
  • 31 CANANOR CONFRARIA DAS CHAGAS 17 de Junho de 1510. Original existente no ANTT: — CC, 11, 22-73 (1). Mede 300 X 215 mm. Consta duma só fôlha, escrita apenas dum lado, até metade pouco mais ou menos. Apresenta um buraco quâsi no centro. A letra encontra-se bastante delida. A caligrafia é boa. Gonçalo 1 Mendez feytor, por este vos mando que des a Bastyam Leyte, mordomo da Comfraria das Chaguas (2) húm cruzado 2 e tres arrates 3 de verdete pera hos cyryos da dyta comfrarya, que lhe mando dar em nome dei Rey noso Senhor4, por ser comfrade dela, e per este com ho asemto dos escryvães da feyturya vos seram levados em quomta. Feyto por my, Pero Alvarez5 a dez dias de Yunho de 510. Rodrigo 6 Rabello. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 388. (2) Há menção da Confraria das Chagas já em 6-7-1509: CC II 18-10. I— g"; 2-tzdj; 3—arr""; 4-Sn"; 5-p»aIv«z; 6-R». 94
  • 32 BOTICA DE CANANOR 16 de Julho de 1510 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 90-119. Mede 215 X 200 mm. Acha-se escrito de ambos os lados. Em bom estado. Rodrigo1 Rabello, (l) capitam desta fortaleza de San tanjelle de Cananor, (2) mando a vos, Gonçalo 2 Memdez, feitor 3 delia, que pages a Francisco 4 Savantes, boticáiro, as drogas e cousas que conprou 5 per a botiqua, de seu dinheiro6 quamdo' aqui8 esteve o capitam moor, ipera sua armada, as quaes seram aquellas que Pero Alvarez 0 esprivam 10 da feytorya tem asemtado em seus rois e lhe dares juramento de que asy custaram as ditas cousas; e per este com asento dos esprivães 11 vos seram levados em despesa12. Este pagamento lhe faares per este meu man- (1) Rodrigo Rabello foi companheiro de viagem de D. Francisco de Almeida, tomando parte activa na tomada da cidade de Mombaça. (Barros, Dec. 1, Liv. VIII, Cap. VIII, p. 246.) Desempenhou depois vários papéis de importância na índia. Correia chama-lhe «fidalgo honrado». (I, 363). (2) A fortaleza de Cananor foi construída em 1507 por D. Francisco de Almeida. O seu castelo ficou sendo chamado de «SanfAngelo» por causa da sua semelhança com o Castelo de Roma, por estarem ambos cercados de água. (Correia, I, 728). I — R"; 2 — g"; 3 — f '; 4 — fr"5 — conprou; 6 — drr1: 7 — 4mdo ; 8 — a4; 9 —p» alvrz; 10 —es^vá; 11 —esfcvaees; 12 — desp*. 95
  • dado soomente se ja nom ouve pagamento delias per outro meu mandado. Feito 13 oje 16 dias de Julho de 510. Rodrigo 14 Rabello. Foy visto o roll de Pero Alvarez 15, em que estavam asentadas estas cousas do valencyano (l) e asomavam setênta e oyto fanoês 10 e meio 17 e o dito Valenciano ju- rou que tanto lhe custaram. António18 de Foyos (2) Pera dar ao Valenciano 78 fanões 19 e meio 20 oge 16 de Julho — lançado (1) A indicação de «valenciano» é preciosa para se reconstituir a personalidade de Francisco Savantes. (2) O escrivão António de Foyos assinava-se também às vezes Antam de Foyos, como se vê por exemplo num documento passado por êle em 12-8-1510. (CC, II, 23-28, publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, P- 391.) 13 — fcó; 14 — R° ; i5 — p" alvrí ; 16 - 19 — fs ; 17 - 20 — m" ; 18 — ant". 96
  • 33 COCHIM. LIBERDADE RELIGIOSA 17 de Agôsto de 1510 Original existente no ANTT: — CC, II, 23-46 (1). Mede 215 X 155 mm. Meia fôlha, escrita só dum lado. Bom estado. Dioguo Pereirafeitor 2 de Cochim e esprivaees 3 da dita feitoria *, per este vos mando que dees aos naires e esprivaees5 da casa, a cada huúm sua peça 6 de beatilha, pera esta festa que hora tem, que se chama Ova Puravaa, e estaa em custume neste dia se lhe dar, e por serem também deligemtes no serviço7 da casa, e por este com o asento dos ditos esprivaees 8 vos sera levado em conta 8. Feito a 17 dias do mes de Agosto 10 de 510 anos. Antonio Reall. (2) (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 393. (2) António Real, grande inimigo de Afonso de Albuquerque, era capitão de Cochim. i — p* ; 2 — f"r ; 3 - 5 - S — cspvaees ; 4 — ; 6 — f>; 7 — jviço ; q — conta; 10 — Dag'0. 7 97
  • 34 CANANOR. LIBERDADE RELIGIOSA 27 de Agosto de 1510 Original existente no ANTT: — CC, II, 23-47 (1). Mede >310 X 210 mm. Uma fôlha, escrita dum só lado, até metade. Em bom estado, embora algo rôta no topo e delida. Rodrigo 1 Rabello, capitam desta fortaleza de Santan- jelle (2) de Cananor, mamdo a vos, Gonçalo-' Mendes, feitor 3 delia, que des a elrey de Cananor e ao príncipe4 dous 5 fardos daçuquere 6 dos pequenos 7, que estam nesta feytorya, a saber, a cada8 huum dous, que mando dar em nome dei rey noso senhor9, pera esta sua Pascoa (3) que orra tem, e per este com o asento dos esprivãees 10 de voso carguo soomente vos seram levados em conta. Feito 11 nesta fortaleza oje 27 dias de Agosto de 510. Rodrigo 12 Rabello. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 393-394. (2) A fortaleza de Cananor tinha «Santo Angelo» por padroeiro, à imitação do castelo de Roma. (3) A festa indígena que neste documento se chama «a sua Páscoa» é mencionada noutro documento passado em Cochim a 17 deste mês de Agôsto de 1510 como «Ova Puravaa». Vid. Doe. N.° 33. r-12 — R* ; i — g"; 3— P"; 4 —pncepe; 5 —dous — repetido; 6 — daçu^re í 7 pernos; 8 — ca ; 9 — sór; 10 — espvaees; n — fcô; 98
  • 35 HOSPITAL DE CANANOR 2 de Setembro de 1510 Original, existente no ANTT: — CC, 11, 23-93 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de uma folha, escrita dum lado. Encontra-se em bom estado, embora tenha um pequeno buraco no centro. A folha está também algo esbeirada. Gonçalo 1 Memdez, feitor desta forteleza de Cananor, o capitam mor etc. Per este vos mamdo que dees ao emfremeiro do espitall seis panelas de cobre pera servirem no dito espitall, e per este com seu conheçimento, feito per cada huum dos vosos esprivaes 2 e seu asento, vos sera levado em com ta. Feito em Cananor a dous dias de Setembro 3. Amtonio4 da Fomsequa o fez de 1510, e eu Lourenço 5 de Payva (2) ho soesprevy. Afonso de Alboquerque 8. (Ao fundo da folha) Ao feitor que de ao emfermeiro do espitall seis panelas de cobre pera servirem no dito espitall. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, pp. 285- -286. (2) Tanto António da Fonseca como Lourenço de Paiva foram depois secretários de Afonso de Albuquerque. I — g» j 2 — espvaees ; 3 — set'0 ; 4 — amP ; 5 — Lc»; 6 —a" dalboqq. 9 9
  • 36 HOSPITAL DE CAN ANOR 7 de Setembro de 15X0 Original existente no ANTT: — CC, 11, 23-105. (1). Mede 210 X 145 mm. Consta de uma só folha, escrita dum lado. O seu estado é bom, embora rasgado de baixo para cima. A caligrafia è boa. Lopalvarez, almoxarife1 do almazem e mantimento desta forteleza de Cananor e esprivam 2 de vosso cargo, o capitam moor e etc. Per este vos mamdo que emtregues a Pero Afomso3 espitaleiro e emfermeiro deste espitall de Cananor dous escravos da presa da nao Merill que Framcisco Pamtoja tomou, (2) os quaees4 coubera da dita pressa aa parte5 delrey, e isto pera serventia do dito espitall, e per este com (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, p. 288. (2) A nau «Merill» (ou Meril, Meri, Meryll, Miri) pertencia ao rei de Cambaia. Segundo Castanheda, tinha 800 toneladas, e segundo os «Comentários do Grande Afonso de Albuquerque», 600. Foi tomada pelos Portugueses em 1507 por ocasião da investida de Ormuz. Pouco depois, foi restituída ao seu dono, o rei de Cambaia. Em 1510, porém, foi de novo apresada pelos Portugueses que, sob o comando de Duarte Lemos, cruzavam a costa da Arábia. Francisco Pantoja que a apresou, conduziu-a a Cananor. A nau ia carregada de preciosas mercadorias destinadas a Meca. Em 1513 foi novamente restituída ao rei de Cambaia. (Quirino da Fonseca, «Os Portugueses no Mar», pp. 231-232. Francisco Pantoja havia sido companheiro de Tristão da Cunha no ataque à fortaleza de Socotorá em 1507. (Correia, I, 682J. I — almoa*; 2 — esfvaiii ; 3 — p® afòm ; 4 — qées; 5 — f te. IOO \
  • seu conhecimento6 em forma e o asento de vosso esprivam 7 vos seram levados em comta. Feito em Cananor a 7 dias de Setembro 8. Amtonio 9 da Fomsequa o fez de 1510. Afonso de Alboquerque 10. 6 — cto; 7 — espvam ; 8 — set™ ; 9 — amt^; 10 — a° dalbojq. I O I
  • 37 FEITORIA DE CANANOR 13 de Setembro de 1510 Original existente no ANTT: — CC, 11, 23-129 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta duma só folha, escrita apenas dum lado, até pouco mais de meio. Em bom estado, apesar-dum buraco quási no centro e dum rasgão no meio. A caligrafia é boa. Lopo Alvarez, almoxarife 1 do almazem e mamtimentos desta forteleza de Cananor, o capitam mor e etc. Per este vos mamdo que das cotonias (2) que vos foram emtregues des ao Padre Frey Joam 2, vigairo que vinha pera Ormuz duas cotonias delas de que lhe faço mercee e esmola, e per este com seu conhecimento 3 e o asemto do vosso esprivam 4 vos seram levadas em comta e estas muito bõas pera fazer avetos 3. Feito em Cananor a 13 dias de Setembro 6. Amtonio 7 da Fomseqa o fez de 1510. Afonso de Alboquerque 8. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, p. 299. (2) Pano de algodão. i — a Imox*; a — j": 3 — c" j 4 — espvã ; 5 — i c — hábitos; 6 — seta; 7 -smt*,; 8—a" dalboqq. 10 2
  • Ho doutor Frey Joam por este presemte 9 digo que he verdade10 que recibi do almoxerife acima contiudas duas cotonias; por ser verdade 11 lhe dey este per mim asinado. Ho doutor Frey Joam. 9 —psemtc; io- II — idade. i o 3
  • 38 HOSPITAL DE CANANOR 18 de Setembro de 1510 Original existente no ANTT: — CC, 11, 23-139 (I). Mede 215 X 185 mm. Consta de meia folha, escrita só dum lado. Encontra-se em bom estado, embora rasgado de baixo para cima, não afectando a sua leitura. A caligrafia é boa. Lopo Alvarez, almoxarife 1 do almazem e mamtimentos desta forteleza de Cananor, e esprivam 2 de vosso cargo, o capitam moor etc. Per este vos mamdo que dees a Pedro Afomso 3 emfer- meiro deste espritall 4 de Cananor huum escravo, alem de dous (2) que ja tem pera servirem no dito espritall 5, por quanto6 huum deles esta pera morrer, e iso mesmo lhe darees huma pipa de vinho 7 pera lavatoreos e cousas neçe- sarias pera os ditos doentes, e per este com seu conheci- mento 8 em forma e o asemto do dito esprivam 0 vos sera levado em conta. Feito 10 em Cananor a 18 dias de Setembro u. Anto- nio 12 da Fomseqa o fez de 1510. Afonso de Alboquerque 13. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, p. 303. (2) Deve referir-se aos dois escravos de prêsa da nau Merit mencio- nados no documento N. 36. i — almox": 2- 9 — espvam; 3 — peJrafomso; 4 - 5 — esptatl; 6 — ijnifo; 7 — r* ■ 8 — c">; 10 — f»; n —Set" ; 12 — Amt* ; i3 — a* Dalbu4q. IO4
  • 39 HOSPITAL DE CANANOR 21 de Setembro de 1510 Original existente no ANTT: — CC, II, 23-145 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta duma folha só, estando escrita apenas meia página. Em estado bastante precário; a caligrafia é boa, mas está muito delida. Tem também um buraco bastante grande no centro, mas não afecta a leitura. Gonçalo1 Mendez, feitor desta forteleza de Cananor e esprivães 2 de vosso cargo, o capitam moor etc. Per este vos mamdo que dees a Fernam Mendez, pro- vedor e reçebedor do espitall desta forteleza de Cananor, quarenta 3 e oyto teadas (2) pera lemçoees dos doemtes, e mais outras quaremta 4 e oito pera vinte quatro5 colchoees e cinquenta bespiças (3) pera cobyrtores, e per este com seu conhecimento8 em forma e o asento dos ditos esprivães 7 vos seram levados em conta. Feito em Cananor a 21 dias de Setembro8. Amtonio 9 da Fomseqa o fez de 1510. E das teadas que em cyma diz lhe darees cotonias. Feito no dito mes e era. Afonso de Alboquerque 10. (1) Publicado em Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, p. 305. (2) Qualidade de panos de algodão. (Barros, Dec. Ill, Lip. X, Cap. I, p. 460). (3) Ou «vespiças», tecido antigo da índia. I—g°; 2-7 — espvaees; 3-4 — 4 ré ta ; 5—^t'; 6 — c'*; 8 —set*; 9 — amt'; 10 —a* dalboqq. i o5
  • 40 CRISTÃOS DE CRANGANOR 11 de Outubro de 1510 Original existente no ANTT: — CC, II, 23-186 (1). Mede 360 X 260 mm. Uma jôlha, escrita dum lado apenas. Em bom estado, embora a jôlha se encontre algo esbeirada e com um buraco ao meio. Boa caligrafia. Feitor e esprivães 1 da feitoria de Cochim, o capitam mor etc. Per este vos mando que dees aos abunas (2) christãos 2 de Carangalor mill fanõees em quallqueer 3 mercadaria ou dinheiro4, se quiserem, de esmola, pera corregimento e cousas necessárias pera sua igreja; noteficovo lo asy e mando que lhe façaes boom pagamento, e per este com o asento dos ditos esprivães 5 vos seram levados em conta. Feito em Cochim ali dias de Outubro 8. Amtonio 7 da Fomseqa o fez de 1510. Afonso de Alboquerque 8. (No ângulo superior esquerdo) Per que pague aos chris- tãos 9 de Cramguallor de esmolla que lhe o capitam moor fez pera corregimento de sua igreja, per huum bar de azougue 1.000 fanões. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, p. 311. (2) A palavra «abuna» era empregada como substantivo próprio cru comum. i - 5 — espvaees ; 2 — fstaos ; 3 — 4"4r; 4 — drr° ; 6 — dout"; 7_anit«; S—a"> dalboqq; ç — xpot. i o 6
  • 41 HOSPITAL DE CANANOR 13 de Outubro de 1310 Original existente no ANTT: — CC, 11, 23-194 (1). Mede 280 X 180 mm. Uma jôlha só, escrita apenas dum lado. Encontra-se em estado precário pela acção do tempo e da água, segundo parece. Um pequeno buraco não impede a leitura. Diogo1 Corea (2), capitam desta fortaleza de Cananor, mando a vos Gonçalo 2 Mendez, feitor em ela e esprivães3 da dita feitoria, que des a Diogo4 Fernandez5, provedor6 e recebedor7 das fazendas dos fynados e espritall8, outro sy em a dita fortaleza, sesenta panos bespiças pera cober- tores das camas dos doentes do espritall9, e per este com seu conhecimento10, feito por ho esprivão 11 do seu hofi- çio em que decrare que lhas caregou em receita 12 e ho asento dos esprivães13 da dita feitoria, vos seram levados em conta. Feito em a dita fortaleza a 13 dias doytubro14 de 510 anos. Diogo15 Correa. (1) Publicado em Cartas de Afonso de Albuquerque, VI, p. 398. (2) Diogo Correa viera à índia na armada de D. Francisco de Al- meida em 1505 como capitão duma nau que devia regressar ao reino, depois de carregada. (Correia, I, 530). Com efeito, assim aconteceu (Id. 609) para regressar novamente à índia em 1508 capitaneando a nau Rosá- rio. (Id. 886). t-4-iS —d*; 2 — g'; 3-13 — csfvaés; 5 — frí ; 6— p/vedor; 7 — Rd"r; 8-9 — esftall; 10 — c"; 11 — espvão ; 12 — Rpta; 14 —doyt™. / 0 7
  • Recebeu 16 Diogo17 Fernandez18, provedor19 e recebe- dor 20 das fazendas dos finados e espritall21 em Cananor, de Gonçalo 22 Mendes, feitor, sesenta panos mandys pre- tos (1), de bandas de cores, pera cobertores das camas do espritall23, hos quaes lhe ficam caregados em receita 24 por mim, Bertolameu Guodinho, esprivão 25 do almoxarifado 26 e defuntos e espritall27, e lhe dei este conhecimento 28, feito por mim, e asynado por ambos a 13 dias de Oytu- bro29 de 1510 anos. Em que no dito30 mandado diga bespiças. Didacus Ferdinandis. Bertolameu Guodinho. (1) Panos grosseiros usados na índia. 16 —R'; 17—d"; :S — frí ; 19 — ppvedor; 20 —Rll»r; 21 -23-27 — csptall; 24 — Repta ; 25 — espvã ; 26 — aim4 ; 28 — c"; 29 — doytro ; 3o — dco. 10 S
  • 42 CARTA DO PADRE JULIAO NUNES, VIGÁRIO DE CANANOR, A EL-REI DE PORTUGAL. 14 de Outubro de 1510. (1) Original existente no ANTT: — CC, 1, 9-33 Mede 320 X 220 mm. Consta de 4 folhas não numeradas. Em bom estado. Caligrafia rasgada e pessoal. O «que» exigido pelo sentido pare- ce-se extraordinariamente com um «e». O «ar> confunde-se bastas vezes com o «e». Assim se lê ou pode ler-se «mençebo» «mendey», etc Senhor. Porque as cousas da Indea sam tamtas e per li r.i tantas maneyras, que nunqua acabarya, brevemente nesta quero dar conta a Vosa Alteza de algumas delias, que nesta forteleza de Canenor aconteceram. Item. Primeiramente 1, eu prindi2 aqui hum creligo, per nome Lopo Saquo, que aver a dos annos que tem aqui húma mançeba com hum filho s, e ho mandey de armada, pollo apartar 4 de sua conversasam5, e pareçya me ser 6 mais çerviço de Deus 7 e voso hirem de armada cinco ou seis creligos que aqui avia a este tempo, hirem de armada e confessarem a gente delia que estarem na terra, com man- çebas gordas. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, 308 312. méte; 1 — $DdÍ< 3 — f° ; 4-«ptar; 5 — cónasam ; 6 — s; 7 —ds. 10 g
  • Item. Depois que este mandey, detryminey de mandar outro, do teor deste e ho prindi8 e tyrey huma emquiryçam delle, e achey o culpado, que nom era pera çelebrar misa, de idiota; mais, avia três annos que tinha huma mançeba, e provou9 se que saya dos trymseyros (1) de noute, e que falava palavras de luxurya com os leygos na igeja; e também se lhe provou10 que hya a casa de huma sua afilha (2) a mea noute, e a trerça noute e amte menhã elle a casa delia e ella a casa delle, e que era bebedo, amte ora e depôs ora, que era mao viçio pera sacerdote; e outros muitos vicios se lhe provarom que nom erom pera creligo. Polio quall, eu os vendo, com ho poder que tinha riv.i de // Mestre Diogo, vigairo gerall, (3) ho condenei pera Çacotora dos annos, porque me pareçeo ser 11 serviço de Deus 12 e de Vosa Alteza. Pollo quall, elle asy preso, Rodrigo 13 Rabelo, capitam, per muitas vezes me rogou, e me mandou rogar que ho soltase; e eu, vemdo seus crymes, ho nom quis fazer, que nom era justyça; e porque os capitens nesta terra se querem adorados como deyses, como ja tenho esprito14 a Vosa Alteza, porque lhe nom quis fazer ho rogo, me começou a malltratar de palavras, emjuryos, chamando me rapaz e sandeu per muitas vezes e outras muitas palavras emju- ryosas que Vosa Alteza poderá saber per muitos; e nam tam somente a mim, mas ainda a hos que commigo parti- cypavam per muitas vezes os enjucyou. (1) Quererá dizer «travesseiros» ? (2) Talvez houvesse lapso. Deve ser «afilhada». (3) Parece ser o primeiro vigário geral. Chamava-se Diogo Pereira. Veiu na armada de D. Francisco de Almeida em 1505, tendo prégado na missa cantada celebrada em Quiloa, na qual tomaram parte frades e clérigos. (Correra, I, 342.) 8 — pndi; g ■ io-fvou; n — s; 12 — ds; i3 — R°; 14 —espto 110
  • Item. Me requereo que lhe amostrase os poderes que tinha, e eu lhos amostrey e me dise que nom valiam nada, e que lhe amostrase como era vigairo; e de tudo se rio e dise que, pois elle era capitam desta forteleza, elle tinha poder em todos os da forteleza, asy leygos como creligos e, sem mais tardar, me tirou logo de vigairo e fez hum seu creligo que nom sabe dizer misa. Elle fazia estas cousas porque, a este tempo, ho capitam mor era em Goa, e logo mandou soltar ho creligo que eu tynha preso 15. Item. Eu, vendo estas cousas, as escryvia a ho capitam mor e asy outras cousas que toquavam a voso çerviço, per huns bramines, e ho dito capitam ouve as cartas e mandou ajuntar toda a gente da forteleza e as mandou ler pruvi- camente pollo feitor, Gonçalo16 Mendez, asy as minhas cartas como as dos escryvãs da feitorya que também manda- vam cartas a ho capitam mor, de cousas de voso // serviço, ur.j nom oulhando que eram cartas do capitam mor, cerradas e seladas mas fez isto com impeto e por nos terem em conta de rois homens, porque escreviamos nellas as suas soberbas e maldades, que elle e seos saquazes tynham feitas contra serviço de Deus 17 e voso; e tanto que foram aca- badas de ler, me mandou prender18 e meter em huma logea debaxo do chãm com huma gramde adova (I) e asy a hos escryvens da feitorya em outra logea e nos teve aly ta que veo ho capitam mor, sem nunqua vermos luz nem crarydade; e, tanto que fui preso 19, me mandou to- mar toda minha fazenda, e me mandou abryr mynhas arquas e huma boeta (2) em que tinha trelados de cartas que tinha escryto a Vosa Alteza em secreto, de algumas (1) Sala ou quarto nas cadeias. (2) O mesmo que «boceta»: caixa pequena. i5 — fso ; it> g"; 17 — ds; 18 —rnder; 19— pso. 111
  • pespas, de cousas de voso serviço; e asy me achou na dita boeta huma carta çarrada e aselada pêra Vosa Alteza e abryo e a leo, com os trelados de outras cartas em pruvico a todo mundo, nom ouLhamdo a ho acatamento e obedi- ençya que devy ter a seu rey, senom somente por me defa- mar e me dar muitos por partes contrayras. Esta cousa he muito grave e fea e daqui avamte nom ousara niguem escrever a verdade20 do que se qua pasa a Vosa Alteza, e mereçe por iso grande castygo, e eu asy ho requeyro a Vosa Alteza que lho dee, que seja emxepro pera os outros capitens. Item. Tanto que chegou aqui ho capitam mor, me mam- dou logo soltar e nisto chegou Joham Fernandez 21, vigayro gerall, (l) e nom me quis emtregar meu ofiçyo, mas amtes I2v-J ho deu a hum frade, e dizem que ho peytou; // nem quis castygar Rodrigo 22 Rabelo, que meteo a maam na judiçam da igeja, nem quis castygar ho sobredito creligo, mas amtes, este creligo, porque ho eu castygava, como escrevo a Vosa Alteza, deu huma pityçam contra mim a ho dito vigairo, dizendo que eu tynha feitos çertos crymes, e isto por con- tepraçam de Rodrigo'23 Rabelo e doutros por me mas- cabarem a minha honra e boa fama que tenho, com muito trabalho, nestas partes ganhada e Noso Senhor, porque nom quer que os maos caminhos feitos sejam emcubertos, em me elle asy acusando, ho dito creligo ho foram topar huma noute os merynhos e seus escryvens e homens, com huma molher casada em huma cama, em braços, e seu marydo em outra, junto com elles, e os prenderam; e ho vigairo, em vez de ho castygar, mandou o pera Cochim e fello capeiam da dita igeja e ho livrou per aleam viam, (1) Novo vigário geral que vinha substituir Mestre Diogo Pereira. 20 —: dade ; 21 — frí ; 22 - 23 — R1 I I S
  • e asy a ho que eu mandey de armada, que tinha aqui os filhos, também ho fez capeiam da dita igeja. Polio quall, por estas cousas que este vigairo começa a fazer, os leygos murmuram grandemente; e he cousa muito fea casarem agora os homens novamente e ser logo achado hum creligo com huma molher casada; e asy ho dito vigayro se faz mercador que, logo aqui em chegando, comprou çento cymquoemta cruzados de panos pera vender; e asy fez hum seu filho 24, que qua amda, merinho dos creli- gos; // e ho pay julga e ho filho25 leva, e isto juito he [3r.i qua também muito feo. E asy que estas cousas e outras muitas começa ja fazer este vigairo: favoreçer hos ruis e dar lhe oficyos e pese- guir os que leallmente sempre26 serviram e pregaram a verdade27. Porque, Senhor28, se eu ligomgase (1) com os capitens e os louvase, nom averya outro homem senom eu; mais eu vou lhe a maam nas cousas que toquam a voso serviço e por iso sam persegido 20. Porem ho capitam mor tem muito bom cudado dos que bem servem 80 Vosa Alteza e elle me dise que me restorya a meu ofyçyo e honrra e, a feitura desta, vou com elle na armada pera Goa, porque me pareçe que todo homem que deseja servir 81 Vosa Alteza asy deve de fazer, porque muito toqua a voso serviço82 e honrra lançarmos estes rumes fora da Indea; e da vimda emboora que vier, me fiquou de me tornar meu oficyo. Item. Eu certyfiquo a Vosa Alteza que ho capitam mor nom tras a vomtade nem ho corraçam senom em servir88 Vosa Alteza leallmente, como bom vasalo e em acrementar (1) Talvez queira dizer «lisonjeasse». 24 - 25 — f"; 26 — stmp; 27 — rdade; 28 — Sn6r; 29 — fsegido ; 3o — «uem ; 3l-33 — tvir; 32 —«viço. 1 i 3 8
  • voso estado e fazenda; e nisto estuda dias e noutes e nom crea Vosa Alteza alguns que vos digam ho contraro que t3 v1 ho dizem // com emveja que lhe tem e por vos servir34. Se algum he agravado delle he por suas soberbas e mal- dades, que elle nom lhas comsimte, porque juro que he qua tanta a samdiçe nos homens que, grandes e pequenos, todos sam primçepes, e nom se contentam ja de ser 35 capitens de navios senom de fortelezas. Item. A feitura desta, nesta forteleza, em obra de cynquo meses se quasaram e justaram oyto casamentos, e dou conta disto a Vosa Alteza porque deve de tomar prazer com isto, porque este he ho caminho pera se a Indea manter. Item. Acerqua dos christãos36, cimquo ou seis moços que eu tinha emsinados a ler, ajudar a misa, e asy os ho- mens e molheres, como eu fui preso37, tudo se perdeo38; e outros fugiram pera os mouros, que tanto amor, acata- mento me tem, como a pay; e des ho primcipeo 30 de minha prisam 40 a ho presemte41, que ha seis meses, nunqua se mais fez nenhum fruito, e tornaram se a nosa fe mui pou- quos christãos42, ho que nom fazia damtes, como todos sabem. Item. Huma cousa deve Vosa Alteza la em Purtugall defender: porque quando Vosa Alteza cuida que manda qua mill homens, nom manda duzentos, porque vem qua muitos christãos43 novos, e nom vos fazem qua nenhum serviço 44, e asy vem qua muitos moços que nom pelejam, e homens manquos de pes e maans, e velhos que nom se podem ter, e levam ho soldo e mantimento, e nom no mere- Çem nem servem; e asy ha qua muitos homens doemtes ha tres annos e quatro, e deles sam marynheiros e doutros oficyos de mais soldo, e levam tudo per em cheo e nom servem45; se querem ir, se hos nom mandarem per força. 34-«vir; 35 -« ; 36-42-43—xpãos ; 37 — pso; 38-pdeo ; 39-fmcipeo; 40- psam ; 41 —/?semte; 44-45 — «viço. 1 I 4
  • E nisto e em outras cousas proveja46 Vosa Alteza e, se quer soster a Indea, mande boa gente que a defenda que, com ho soldo que estes levam de vazio, viram qua outros. A carta que eu tinha carrada e aselada per Vosa Alteza, que abrio Rodrigo 47 Rabelo, asy a mando aberta, embory- lhada em hum papell. Feita a 14 dias de Outubro de quinhentos e dez. (Ao fundo da página) Beijo as reaes mãos de Vosa Alteza. Julian Nunes. 46—f>veja; 47 — K". » \
  • 43 CARTA DE LOURENÇO MORENO E DE DIOGO PEREIRA A EL-REI D. MANUEL 20 de Dezembro de 1510 Existente no ANTT: — «Cartas de Afjonso de Albuquerque e outros para el-rei D. Manuel. Maço único.» Pasta 189 (1). Sumário de António Carneiro. [33 r.j Item. O arei de Cochy, que se tornou christão \ com seus irmaaos e molher; e que tera de sua jurdiçam pasante de mil homeens, os quaes se vãao todos fazemdo christãos 2; e que Duarte de Lemos e Gonçalo 3 de Sequeira4 (2) lhe deram, em nome de Vosalteza, o privylegio 5 e omrra que lhe tynha dado el rey de Cochy, sobre o mamdo e castiguo (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, 315. Lourenço Moreno tinha vindo à India a primeira vez em 1500 com Pedro Álvares Cabral. (Correia, 1, 216.) Veio novamente à índia em 1510 com provisão de feitor de Cochim na armada de Gonçalo de Sequeira (li. II, 131.) Diogo Pereira era tesoureiro do dinheiro, mercadorias e especiarias na feitoria de Cochim, isto é, era seu feitor. (CC, II, 19-137, e CC, II, 19-193.) (2) Duarte de Lemos, sobrinho de Jorge de Aguiar, veiu para a índia com seu tio em 1508, comandando a nau «Santa Cruz» e chefiando uma pequena frota de 4 navios que deviam ir substituir os de Afonso de Albu- querque na guerra que se fazia então a Ormuz. Afonso de Albuquerque devia ir para a índia tomar posse do cargo de governador. (Correia, 1, 886.) Gonçalo de Sequeira havia partido de Portugal para a Índia êste mesmo ano de 1510 a comandar sete naus de carga. (Correia, II, 131.) 1-2 - xpãos ; 3 —g°; 4 —seq™ ; 5 —pvylegio. Il6
  • de sua jeente, daqueles que se fezesem christãos8; e que Vosa Alteza lho deve mandar outorgar, e sprever a el rey de Cochy sobre ello; o qual diz que recebeo disto gramde magoa, e que ho nam podem amansar. [A margem] (Foy carta 7 ao arei, do prazer8; e carta9 a el rey de Cochy sobre isso. Ja.). E que a este arei emvie Vosalteza muitos favores, por abrir este caminho. Item. Que se fazem muytos nayres christãos 10, e vivem na povoçam dos christãos11; que veja Vosa Alteza o que se fara com elles e com os mais que se fezerem, porque ho costume deles he darem lhe soldo aqueles com que vyvem, que o mais caro he meo fanão por dia; e que eles lhe pedem de comer e nom lhe dam reposta; e que lhes parece 12 que ham de seer tamtos, que montara mais soldo neles, que nos vosos que la amdam, tomados por Afonso de Albo- querque13. [A margem] (Ja. Ate 3.000 naires, de comer cada ano, nom passamdo de meio 14 fanao por dia, servindo eles em toda cousa, asy no mar como na terra 15, e sendo homens de bem, e, vagando alguuns, entrem outros em seu lugar, semdo christãaos 18. 6-IO-II — xpáos; 7-9 — cfa; 8 —pzcr; 12 — frece; i3 —a° dalboqrq ; 14 — m* ; i5 — tría; 16 —xpaáos. 1 / 7
  • 44 ALBUQUERQUE INFORMA EL-REI SOBRE O INICIO DOS CASAMENTOS ENTRE PORTUGUESES E INDÍGENAS Goa, 22 de Dezembro de 1510. Original existente no ANTT: — CC, I, 9-109. (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de 4 folhas não numeradas. A quarta em branco• Em bom estado, embora as folhas estejam manchadas. Aqy se tomaram allgumas mouras, molheres alvas e de bom parecer, e alguuns homens limpos e de bem qiseram casar com ellas e fiqar aquy 1 nesta terra, e me pediram fazemda, e eu os casei com elas e lhe dei o casamento ordenado de Vosa Alteza, e a cada hum seu cavalo e casas e terras e gado, aquylo2 que arrezoadamente me pareçia bem. Avera hy qatroçentas e cymqoemta almas. Estas cati- vas e estas molheres que casam tornam a suas casas e desenterram suas joyaas e suas fazendas e suas arrecadas de ouro e aljôfar e robis e colares e manylhas, contas, e tudo lhe deixo a elas e a seos marydos. Os bens e terras da meszqyta deixo a ygreja da emvo- caçam de Samta Cateryna, em cujoo dia (2) nos Noso Senhor 3 deu a vitoria, poios mereçimentos dela, a qual ygreja mando fazer demtro na forteleza, na cerqa grande. (1) Publicada na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I, 26-29. (2) 25 de Novembro. I — aqj; a — aq^lo; 3 — Sof; 1 I 8
  • 45 COCHIM — MULTAS DESTINADAS À IGREJA 10 de Janeiro de 1511. Original existente no ANTT: — CC, 11, 24-166. (1) Mede 300 X 210 mm. Consta de 1 jôlha escrita dos dois lados. Em bom estado, apesar-dum buraco no meio. Dioguo Pereira1, feitor que ora soes desta feitoria de Cochy, Afomso de Albuquerque 2, capitam mor e governa- dor das Imdias etc. Por EIRey noso Senhor3 vos mando que do soldo de Francisco4 Pamtoja (2) dees a Fernamdeanes, recebedor das obras da igreja, cymquo cruzados, em que foy conda- nado por dar pamquadas no tromqueiro e por lhees berba no soldo, em como ouve em vos este pagamento. Feito 5 em Cochym aos 10 dias de Janeiro 6. Francisco 7 Coelho o fez. (Por letra de Albuquerque) Afora o mays que aynda dares em que também he condenado. Afonso de Alboquerque 8. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 18-19. (2) Francisco Pantoja tomou parte activa na conquista da fortaleza que os Mouros tinham em Socotorá, sob o comando de Tristão da Cunha. (1, 678-682). I — p" ; 2 — albuqrquc; 3 — Sor; 4 • 7 — frrc0; 5 — fío ; 6—ianr0; 8—a'dlboqq. 1 1 9
  • Foy lhe posta verba 0 em seu titulo 10, dos ditos cinquo 11 cruzados 12 per mim. Pedro Homem. (No verso) Reçebeo Fernandeanes, recebedor das obras da igreja, cinquo cruzados 13 de Diogo 14 Pereira, feytor, conteúdos neste mandado, os quaes cinquo cruzados 15 lhe sam caregados em receita por my Gonçalo 16 Afonso 17 Mealheyro, esprivão do dito careguo, oje que som 11 dias do mes de Janeiro 18 de 511 (l) e e asynada per ambos. Fernandeanes. Gonçalo 10 Afonso 20 Mealheiro. (1) Os compiladores das «Cartas de Afonso de Albuquerque» publi- caram a seguinte nota a respeito da data indicada: «Quem escreveu o mandado esqueceu-se de indicar o anno, e Gonçalo Mealheiro esborratou as últimas letras, de modo que não se pode bem assegurar aquelle. Quem summariou o documento attribuiu-o a 1511, mas, achando-se Albuquerque em Goa, no dia em que se passou o mandado, é mais provável que o anno seja 1510, pois como se vê da pag. 240 do vol. IV, nesse dia estava em Cochim.» Apesar disto, a data vê-se e Iê-se bastante bem: é bcxj, isto é, 5hl. A letra «x» (10) é que se encontra esborratada e não o «j» (1) que se vê claramente. ' M Omtudo, fica de pé a dificuldade levantada pela nota acima citada. Janeiro de 1511 tanto Afonso de Albuquerque como Francisco Pantoja estavam em Goa. (Correia, II, 176) Teriarn as pancadas sido dadas no carcereiro de Goa? Teria êste mandado sido assinado bastante mais tarde do que o tempo em que o aludido facto se dera? - Teria tal mandado sido expedido para Cochim, em cuja feitoria os ridalgos eram pagos de seus soldos? 9-vba; io-t"; n — cireq»; i2- + zd"; i3-i5-crud"; ii-d»; 16-10- g°; 17-20 —a"; 18 —jan™. w 120
  • 46 HOSPITAL DE GOA 24 de Janeiro de 1511. Original existente no ANTT: — CC, II, 24-208. (1) Mede 310 X 220 mm. Consta de uma fôlha escrita dum lado até ao meio. Apresenta um grande rasgão no lado direito, sem afectar a leitura. Francisco1 Corvinele, (2) feitor de Goa, e escrivão desa feitoria, o capitão 2 mor ec. Per este vos mando que des ao Padre Frei João (3) qatro cotonias pera o esprital 3 e per este com seu conhe- cimento 4 e o asento do escrivão 5 desa feitoria vos seram levadas em conta. Feito em Goa aos 24 dias de Janeiro6 de 1511. Afonso de Alboquerque 7. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 30. (2)' Francisco Corvinel ou Corbinelli era florentino e armador. (Cor- reia, II, 176). (3) Frei João Alemão. Este acusa a recepção das ditas quatro cotonias no mesmo documento. São duas linhas que não pudemos decifrar a não ser muito imperfeitamente. i — fr"; 2 — capta; 3 — esptal; 4 — c" ; 5 — escvão; 6 — ;anr0; 7 — a" dalboqq. 12 1
  • 47 HOSPITAL DE GOA. FR. JOÃO ALEMAO 26 de Janeiro de 1511. Original existente no ANTT: — CC, I, 24-218 (1). Mede 270 X 250 mm. Uma fôlha, escrita dum lado. O documento, escrito com boa caligrafia em fraco papel, encontra-se roto no meio e comido na beira direita. Framcisquo Corvinell, feitor e esprivão 1 da dita feitoria, o capitão mor, etc. Per este vos mando que des a Frey Joham Alemão hum fardo daçuqre3 dos pequenos pera o sprital 3 e pera os doemtes que no dito sprital4 estam, e per este com o asemto do dito esprivão 5 vos sera levado em conta. Feito oje 26 de Janeiro de 1511. Afonso de Alboquerque 6. Pera dar hum fardo daçuqre7 a Frey Joham pera o esprital. (l) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 34. t —espváo; 2-7 —daçuqr; 3 -— sftal; 5 — espváo; 6—a" dalbo^q. 12 2
  • 48 FR. FRANCISCO RECEBE PARAMENTO; 10 de Abril de 151U. Original existente no ANTT: — CC, 11, 26-37. (1) Mede 123 X 220 mm. Meia jôlha, escrita dum lado apenas- Em bom estado. Framcysquo Corvinell, feitor, o capitão mor etc. Per este vos mando que entregues a Frei Francisco 1 (2) huma capella (3) ordenada com todo seu aparelho que lhe mando levar nesta armada, e per este com o asemto de vosos esprivaes2 e seu conhecymento de Frei Francisco 3 vos sera levado em comta. Feito oje 10 de Abrill de 1511. Afonso de Alboquerque *. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 151. (2) Deve tratar-se de Frei Francisco da Rocha, capelão de Albuquerque. CC, II, 19-137; CC, 20-204. (3) Por «capela» deve entender-se aqui o conjunto de vestes litúr- gicas necessárias para a celebração da Missa. 1-3 — fr00; 2 — espvães; 4 — a° dalboqq. 12 3
  • 49 COCHIM. ALFAIAS RELIGIOSAS. 9 de Setembro de 1511 Original existente no ANTT: — CC, 11, 28-35. (1) Mede 315 X 220 mm. Consta de 6 folhas não numeradas. O documento está escrito em 4 delas. As outras duas são de papel diferente, bastante mais fino. Bom estado e boa caligrafia. A palavra «peça» está sempre abreviada «p.» Os algarismos empre- gados são sempre romanos. Cousas pera servyço da capella desta forteleza que tam- bém recebeo 1 de Diogo2 Pereira 3, e asy pera serviço4 da cassa. A saber: dous calizes de prata 8 quebrados, com suas patanas, que pessaram tres mar- cos seis oytavas 2 peças Item: outro caliz de estamho com sua pa- tana amolgado 1 peça Item: huum tribullo 6 de latam todo desma- chado 1 peça Item: duas galhetas velhas de estanho amol- gadas 2 peças Item: tres peças 7 de pee de cruz 8, huma de latam e as duas de estamho 3 peças (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, 23-30. i — R°; a — d*; 3 —p"; 4—«viço; 5 — pta; 6— tbullo; 7—p.; 8-3-, 12 4
  • Item: hum syno de relogeo com seu enge- nho, metido todo em huum caixam 1 peça Item: duas obradeiras de ferro de fazer osteas, comestas de ferrugem 2 peças Item: dous tones de paao, huum em que esta o azougue e outro quebrado 2 peças Item: huum peso de Romaã que pesa nove faraçolas 9 1 peça Item: huum syno que esta no castello que serve na vegia 1 peça Item: huum collar de ferro dourado 1 peça Item: tres calizes de prata 10 com suas pata- nas, a saber, hum delles dourado e esmal- tado, grande u, com seis campaynhas, que pesou quatro 12 marcos 18, cimquo onças 14, e os dous pequenos 1B, que pesa- ram ambos tres marcos, cimquo 16 on- ças 17, huum real18, dourados estes dous por parte 3 peças Item: huum pontifical de brocado, a saber, huma capa e hum mamto e duas alma- tegas e tres alvas compridas19 de todo, e todas com savastros de cremisim 20 ave- lutado, e huma delias sem estolla 1 pontifical Item: huum tribulo 21 de prata 22 dourada, com quatro 23 cadeas brancas 24,
  • Item: duas galhetas de prata28 douradas per partes 29, que pesaram huum marco, sete onças, sete oytavas 30 2 peças Item: outras seis galhetas de estanho, alem das outras 6 peças Item: huma por tapar, de prata31 dourada, que pesou tres marcos, huma oytava32 1 peça Item: huma cruz33 de prata34 grande35, dourada, com duas campaynhas que pe- sou trimta 36 e hum marcos menos huma oytava37 1 peça Item: huma naveta de prata38 dourada, que pesou dous marcos huma omça e meia 39 1 peça Item: dous castiçaes de prata40 dourados, principaes41, que pesaram dez marcos sete oytavas 2 peças Item: huma cortina de damasco vermelho pera altar, com huma bamda de damas- quim 42, verde pello meo, alcachofrado de ouro 1 peça Item: hum fromtall de veludo cremisim 43 com savastro de brocado l peça Item: tres fromtaes outros de veludo cre- misim 44 e verde45 3 peças Item: outro fromtal de chamalote cremi- sim 46 1 peça Item: tres retavolos, a saber, huum de Deus 47 Padre, e dous de Nosso Senhor48 Cruçifiçado r. 3 peças Item: duas caxas pera corporaes, huma for- 28-fta; 29 — parts; 3o— oy; 3i — f ta; 3a — oy; 33 1-; h - pta; 35 — gmde; 36 —fmta; 37 —oyt"; 38 — pta; 3q — m*; 40 — fita; 41 — ficpaces ; 42 — damasqra ; 43 - 44 - 46 — Êmisim ; ,(5 — jde ; 47 — ds ; 48 — sf. I2Ô
  • rada de veludo cremysim 49 e a outra de çetim verde 2 peças Item: seis castiçaes de azofar (1) pera altar 6 peças Item: duas corrediças de capela, bramcas, velhas 2 peças Item: oyto livros de igreja, a saber, tres grandes 50 de camto e tres mysaes e dous bautisteiros 8 peças Item: quatro 51 sobrepelizias bramcas ja ve- lhas 4 peças Item: çimquo 52 vestimentas compridas53 de todo, a saber, huma de çetim preto, e outra de çetim bramco, e outra de çetim roxo, e outra de çetim acoreixado, (2) e a outra de damasco azull, todas ja hussadas e delias rotas 5 peças Item: huma capa de damasco crimisim 1 peça Item: huma baçia de latam pera oferta 1 peça Item: duas alampadas de cobre 2 peças Item: tres caxas de paao pintadas pera osteas 3 peças Item: dous alanbers (3) muito velhos e podres que nada valem 2 peças Item: huma toalha pimtada, de seda, de dar pam 1 peça Item: duas arcas de paao em que as ditas cousas estam 2 peças (1) Isto é «açofar»: mettal amarelo latSo. (2) arroxeado? (3) «alambel»: pano com listas ou outros enfeites, empregado habitualmente para cobrir assentos, bancos, etc. 49 — cmisim; 5o —gmds; 5i — quat»; 52 — cimq°; 53 — conpdas. / 2 7
  • Item: quatro pedras de ara sagradas 4 peças Item: huma cruz54 de metal deformada, de ouro com esmaltes 55 1 peça Item: duas caldeiras pera auga bemta, de latam e huma delias sem assa 2 peças Item: duas campaynhas pequenas 2 peças Item: huma roda de campaynhas com omze peças 56 11 peças Item: hum sino grande que veo. (riscado) 1 peça Item: duas toalhas de algodam, a saber, huma com fitas pellas ourellas e outra sem ellas, ja velhas 2 peças Item: duas toalhas de Framdes que ser- vem 57 de altar 2 peças Item: hum fromtall de damasco bramco e verde58 1 peça Item: quatro59 fromtaes outros, a saber, huum de chamalote azull, vermelho e preto, e os tres pretos de coresma 4 peças Item: huma corrediça do mesmo theor des- tes tres fromtaes, tudo de pano de algodam 1 peça Item: hum fromtall pimtado, de linho grosso 1 peça Item: huum mamto de linho grosso bramco 1 peça Item: çimquo60 toalhas de beirames e bea- tilhas ja velhas 5 peças Item: huma cortina de altar preta de cores- ma com sua costaneyra (l) 1 peça (1) Costaneira: lado ou flanco, parte de cortinado ou armação por trás do altar. 54 — +» 55—smiles; 56 —f; 57 —svem; 58 — ide; 5q — quat» ; 60 —cimq». 1 2 8
  • Item: huum paleo de veludo de Meca, com savastro de brocado de Purtugall, fram- jado de retrós 1 peça Item: tres cortinas de beatilhas bramcas, com suas corrediças de todos os tres alta- res, husadas 3 peças Item: duas corrediças bramcas de capella de pano de beatilha 2 peças Item: tres cortinas de pano de Cambaya pimtadas, ja hussadas 3 peças Item: huum castiçall grande81, de fusa- leira 62 da terra 63 1 peça Item: huum Menyno Jesus 84, com sua caixa e curucheo, tudo dourado 1 peça Item: huma obradeira de ferro de fazer osteas 1 peça As quaas mercadorias 85, dinheiro 86 e cousas sobreditas ficam todas em recepta sobre ho dito Lourenço 67 Moreno, feitor, per os esprivãaes 68 desta casa, e por verdade e çer- teza diso lhe deu este conhecimento 89 asinado por elle e por os sobreditos. Feito por mym Lopo Fernamdez a 10 dias de Feve- reiro 70 de mil quinhentos e omze. Lourenço 71 Moreno. Garcia Chaynho 72. Lopo Fernan- des. João Alvares 73 de Caminha. 61 — jjmde 62 — fussal"; 63 — Iria; 64 — Jhuú; 65 — mercad"; 66 —dr*; 67-71— L»; 68 — estpvaees; 69 - e"; 70— fro; 72 — gçla chay» ; 73 — y° alvz. 9 1 2 9
  • 50 HOSPITAL DE GOA 14 de Outubro de 1511 Original existente no ANTT: — CC, II, 29-49a. (1) Mede 180 X 130 mm. Pequena meia fôlha escrita dum lado. Encontra-se cortada de baixo para cima e comida na margem direita inferior. Diogo 1 Mendez de Vasqocelos, capitão desta forteleza de Goa, Francisco2 Corvinel, feitor, per este mando a vos que des Antonio3 Coelho, provedor 4 çento e trynta e cynco braganis (2) que ho spritaleiro 5 tem despesso com seis ou sete doentes, dos vinte e dous dias de Setembro ata 13 dias de Outubro, e per este com assento de vosos esprivães6 vos seraa 7 levado em conta. Feito 8 oje 14 dias de Outubro de 511. Diogo 9 Mendez de Vasconcelos. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 465. (2) Ou «bargani»; «moeda mourisca, de prata, corrente na índia quando Afonso de Albuquerque tomou Goa em 1510. Serviu esta moeda de tipo, quanto ao péso, para a esfera de prata mandada bater por aquele vice-rei, deixando de ter curso legal nas conquistas posteriores a 1510. O seu valor era então de 30 réis, portanto equivalente à esfera. Nos Forais de Goa de 1550 ainda se menciona o barganim, dando-se-lhe o valor de 24 leais, valendo o leal 1 1/4 real». (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira). Note-se apenas que Afonso de Albuquerque nunca foi vice-rei da índia. 1-9 — d'; 2 — fr"; 3 — ant°; 4 —f vedor; 5 —sptaleiro; 6 —espvaés; 7 — «a; 8-fcó. 1 3 o
  • 51 VIGÁRIO DE ORMUZ. Cananor, 16 de Outubro de 1511. Original existente no ANTT: — CC, II, 104-90. (1) Mede 300 X 220 mm. Uma fôlha escrita dum lado- Em estado bastante precário. Feitor de Cananor, o capitão mor, etc. Per este vos mando que entreges ao Douctor Vigairo de Ormuz 1 (2) a capela que tendes de Çaqotora, asy prata como capas, e tudo e per este com seu conhecimento2 e o asento dos esprivães desa feeitoria vos sera levado tudo em conta 3. Peito em Cananor aos 16 dias de Outubro de 1511. Afonso de Alboquerque *. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, 215-216. (2) Era o Doutor Frei Pedro. Em 6-2-1510 recebera de Gonçalo Mendes, feitor de Cananor, um missal por encadernar. (CC, 11, 20-170). I — durmuz; a — c'"; 3 — conta; 4 — a" dalbo^q. i 31
  • 52 O PADRE FREI ANTÓNIO E CAMBAIA 19 de Outubro de 1511. Original existente no ANTT: — CC, 11, 29-16. (1) Mede 170 X 245 mm. Meia fôlha escrita dum só lado. Em bom estado. Boa caligrafia. Diogo 1 Mendez de Vasconçelos, capitão de Guoa, etc. Francisco 2 Corbinell, * feitor, e esprivães 3 do vosso careguo, per este vos mando que des a treze omens que vieram com o4 Padre de Cambaya (2) a quada hum seu pano de Cambaya e a Mandaloy, capitão jemtyo que se ora veo pera nos, dous beirames e huma tafyçyra de alguo- (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 468. (2) Frei António do Loureiro tinha sido enviado como missionário a Socotorá. Quando D. Afonso de Noronha largou a capitania da ilha, Fr. António acompanhou-o. Acossado, porém, por uma tempestade D. Afonso foi atirado para uma enseada de Cambaia perto da cidade de Surrate onde tentou desembarcar no batel da nau, acompanhado de alguns fidalgos e tripulantes. Tiveram, porém, tão pouca sorte que o batel se afundou, morrendo todos afogados. Frei António do Loureiro e os que tinham ficado na desmantelada nau salvaram-se mas foram cativos e levados a el-rei de Cambaia que os guardou, esperando alcançar por êles boa soma de dinheiro. Mais tarde Frei António do Loureiro veiu a Goa tratar do resgate de todos, comprometendo-se num belo gesto a voltar, caso não fôsse bem sucedido na emprésa, havendo prèviamente empenhado a sua palavra e o cordão do seu hábito perante el-rei de Cambaia (Barros, Dec. II, Liv. IV, Cap. II, 388 e Liv. VII, Cap. Ill, p. 172). I — d"a — frr" ; 3 — espvães ; 4 — com. I 3 2
  • dam, por quanto em nome de Sua Alteza lhe faço merçe, e per este com ho asemto dos vosos esprivães 5 vos seram levados em comta. Feito em dezanove de Outubro6 de 1511. Diogo 7 Mendes de Vasconçelos. 5 — espvies; 6 — dout" ; 7 — d'. i 33
  • 53 O PADRE FREI ANTÓNIO E CAMBAIA 20 de Outubro de 1911. Original existente no ANTT: — CC, 11, 29-17. (1) Mede 195 X 260 mm. Consta duma meia folha escrita de ambos os lados. Em bom estado, tendo apenas um pequeno buraco quasi no centro, em que afecta a primeira silaba da palavra «.Cambaia». Diogo1 Memdez de Vascomçelos, capitão de Guoa, etc. Francisco 2 Corbinell, feitor, e esprivães3 de voso care- go, per este vos mamdo que deis ao Padre Frei Antonio e a Gonçalo4 Ornem (2) que ora mamdo a Cambaya sesemta cruzados 5 de ouro e huma peça de pano vermelho 6 e huma peça de borcado, e dez covados de ezcarlata e humas couraças de veludo qremesim, que lhe mando dar — a saber — o dinheiro7 pera sua despesa e a grãa e ho bor- cado pera Miligubim, e as couraças e ha adarga pera el rey de Cambaya, e a peça de pano pera darem a eses senhores 8 que laa fizerom homra aos nossos christãos 9 (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 468. (2) Companheiro que Diogo Mendes de Vasconcelos, capitão de Goa, deu a Frei António do Loureiro para o acompanhar até Cambaia. Barros, Dec. II, Liv. VII, Cap. Ill, 173.) i —d*; 2 — fr*"; 3 —esfvães; 4 —g°; 5 — cdo'; 6— rmelho; 7 — dr* ; 8 —sno- r«: 9 — xstãos. 13 4
  • que laa estaam cativuos, e per este com ho asemto de vossos esprivães 10 vos seraa levado em comta. Feito em Goa a 20 de Outubro de 1511. Diogo 11 Mendez de Vasconçelos. (No dorso) Eu Frei Antonio recibi ho contiudo neste mandato do feitor, a saber, a grãa, ho borcado, ha adarga e as couraças e as peças de pano, e por verdade o asinei aqi. Feito oje a 20 de Outubro de 1511. Frater Antonius. ro— esfváes; n — d". i 35
  • 54 HOSPITAL DE GOA. FR. JOÀO ALEMAO 24 de Outubro de 1511 Original existente no ANTT.—CC, 11, 24-208 Mede 31 X 22 cm. Uma folha, escrita dum lado. Um grande rasgão no lado direito não afecta a sua leitura. Francisco Corvinele, feitor de Goa, e escrivam desa feitoria2 o capitão mor etc. Per este vos mando que des ao Padre Frei João quatro cotonias pera o esprital, e per este com seu conhecimento 2 e o asento do escrivão desa feitoria, vos seram levadas em conta. Feito em Goa aos 24 dias3 de Janeiro de 1511. Afonso de Alboquerque i — f"; J-Cl» 3 — xxiiij ds. l 36
  • 55 HOSPITAL DE GOA. 4 de Novembro de 1511. Original existente no ANTT: — CC, II, 29-49. (1) Mede 130 X 200 mm. Meia fôlha escrita dum lado. O documento encontra-se cortado de baixo para cima e rolo na margem inferior direita. Diogo 1 Mendez de Vasqoncelos, capitão de Goa, etc. Francisco2 Corvinel, feitor, per este vos mando que des (2) Antonio 3 Coelho, provedor4 do spritall5, dozentos e seis fanões 6 que se despenderom no spritall7 com oito doentes, e asy lhe dares dinheiro 8 pera gastar com seis doentes que agora estam no spritall9, depois de lhe terdes pago o que tem despesso, e per este com assento dos esprivães 10 vos sera 11 levado em conta. Feito 12 oje quatro dias de Novembro de 511, e asy os ...gastados des 13 dias de Outubro ata três dias de No- vembro. Diogo 13 Mendes de Vasconcelos. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 474-475. (2) Isto é: deis a António Coelho. Elipse muito vulgar nos documentos do século XVI, como os leitores poderão observar várias vezes no decurso destas páginas. A vogal seguinte explica-a, contudo, suficientemente. i-i3— d°; a — fr" ; 3 — ant»; 4—pvedor; 5-7-9 — sptall; 6 —fs; 8 — drr' 10 — espvãcs; 11 — sa: 12 — F°. 1*7
  • 56 HOSPITAL DE CANANOR. 7 de Novembro de 1511. Original existente no ANTT: — CC, II, 29-56. (1) Mede 210 X 150 mm. Consta duma pequena fôlha, escrita dum lado. Falta-lhe o lado esquerdo inferior, no sentido longitudinal. Boa caligrafia. Dyogo 1 Corea, capitão desta forteleza de Cananor, ect. mando a vos, Gomçalo Memdez, feitor, que dees a Diogo 2 Fernandez 3, proveador do espitall4 alguns panos destes que estam nessa feytorya podres e rotos pera fios e ataduras de chagas dos doentes que estam no dito espitall5, e por este com asento dos esprivães 6 vos seram levados em conta. Feyto em Cananor a 7 dias de Novembro de 1511. Diogo7 Correa. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerquer», VI, 475 i — Dy*; 2 - 7 — d°; 3 — frrí ; 4 - 5 — esptall; 6 — espvacs. 1 38
  • 57 HOSPITAL DE CAN ANOR. 18 de Dezembro de 1511. Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 93-27. Mede 206X135 mm. Em bom estado. Diogo 1 Correa, capitam desta fortalleza de Cananor, etc, mando a vos Gomçallo Memdez, feitor em ella, que deys a Diogo 2 Fernandez3, provedor do espritall4, deses panos rotos e podres desa feitoria, pêra os doentes que estam no espritall, pera suas chagas e curas, e per esta com o asento dos escrivães da feitoria vos seram levados em comta. Feito 5 em a dita6 fortalleza, aos 18 dias do mes de Dezembro 7 de 511. Diogo 7 Correa. J-J-8 —d"; 3—frrz; 4 —csptall; 5 —fcõ ; 6 — dca;7 — dz' i3ç
  • 58 CARTA DO VIGÁRIO DE CAN ANOR A EL-REI D. MANUEL 1512 Documento existente no ANTT: — «Cartas de Affonso de Albu- querque e outros para el-rei D. Manuel. Maço único (1). Sumários de António Carneiro. r.i Item. Ho vigairo 1 de Cananor, por outra carta 2. (2) Spreve de huum capado forro que mamdou o feitor8 de Cananor, por força, a Dom Amtonio \ (3) e que avisa diso por ser voso serviço 5. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, 327. (2) António Carneiro refere-se a outra carta sumariada por êle também. O documento encontra-se no GC, I, 9-35. (3) D. António de Noronha, sobrinho de Afonso de Albuquerque. I — vig™ — a — ccS; 3 -f"; 4—amt°; 5 — iviço. 1 40
  • ♦ 59 CARTA DO REI DE CAN ANOR A EL-REI D. MANUEL. .1 1512 Existente no ANTT: — «.Cartas de Affonso de Albuquerque e outros para el-rei D. Manuel. Maço único. (1) São os sumários de António Carneiro, a que já fizemos referência. Item. Diz do gramde 1 prazer 2 que ouve com a carta 3 151 v j de Vosalteza, e de como foy toda a terra alegre com ella, e como foy lida pelas praças4 e na mizquita, e como he verdadeiro 5 e fiel servidor de Vosalteza, e o seram todos seus filhos 6 e erdeiros7. Agrava 8 se do dano que lhe foy fecto 8 em huma sua ilha, e como lhe foy queymada 10 a sua casa de oraçam^ e roubado tudo, nom semdo a gente delia pêra mais que chorarem, como molheres. [A margem] (De prazer11; e que, aos capitaes que se castigue quem nisto errou, e suas cousas bem olhadas). Agrava se que lhe tomam suas naaos, e lhe vemdem os seus aprisoados por pouca cousa. [A margem] (Saber Ruy Gomez. Ja.) Agrava se que foy tomada huma nao, omde vinha huma molher que fezeram christãa 12 por força e que, esta mo- Iher 13, a trazem 14 ca, e esclama muito ysto. IA margem] Ja. saber Ruy Gomez. Ja. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, 334-336. I — §mdc ; 2 — fzer; 3 — ccá ( 4 — fças ; 5 — rdadr0 ; 6 — f"*; 7 — erd0'. 8—agua; 9 — fcó ; 10 — qvmado ; II — pí ; 12 — xpáa ; l3 — molhor j 14 — tSem; J 41
  • I (52 v.i Que alguuns de seus escravos e vasallos se fazem chris- tãaos 15, e se querem com yso escusar de pagar o que lhe sam obrigados, e como sempre lhe pagaram, como seus vasallos. Pede 16 que mande Vosa Alteza que tal se nam faça, e que lhe paguem o que lhe sam obrigados por seus tombos, e que aja Vosa Alteza por bem de elle mandar em seus reynos sobre os seus, ora sejam christãos 17 ora mouros, asy como Vosalteza mamda sobre os seus. 153 r.] // E que quem merecer morte, seja nele lha dar ou quitar ou alargue, asy como faz cada rey ou senhor18 em sua teerra. À margem: Afonso de Alboquerque19 proveja20 nisto como lhe parecer 21 bem temdo respeito 22 a cristan- dade 23 se favoreça quanto 24 com justiça 25 poder. i5 —xpaãos; 16 — p.; 17 — xpãos ; 18 —senor; 19 —a" dalbo^rq ; 20— preja 21 — preccr; 22 — reap'0 j 23 — xpindade ; 24 — qnto ; 25 — just*. 142
  • 60 O PADRE FREI ANTÓNIO RECEBE VINHO. 12 de Março de 1512. Original existente no ANTT: — CC, II, 31-13. (1) Mede 305 X 210 mm. Uma fôlha, escrita dum lado. Em bom estado. Lourenço 1 Moreno, feitor desta forteleza de cxòiim, ho capitam mor e etc. Per este vos mando que do vinho 2 que aquy esta dei rei Noso Senhor 3 des ao Padre Frey Amtonio4, (2) que ora veyo de Çacotora hum terço de pipa de vinho 5, de que eu lhe faço esmola em nome de Sua Alteza, e per este com ho asemto dos esprivãesc da dita feitoria vos sera levado em comta. Feito em Cochim a 12 dias de Março. Antonio7 da Fomseqa ho fez de 1512. (Por letra de Albuquerque) E será do mylhor que hi estever 8. Afonso de Alboquerque 9. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 178-179. (2) Frei António do Loureiro havia regressado de Socotorá mas por via de Cambaia onde estivera cativo. i — Lt'j a - 5 — v* ; 3 — sór 4 — amt* ; 6 — cspvães 7 — St®; 8 —estev ; ç — a" dalbo^q. 1 43
  • João 10 Froies, almoxarife, compri este mandado do Senhor 11 capytam mor, e por o asento do esprivam 12 de voso cargo vos sera levado em conta. Esprito 13 em 14 dias de Março de 1512. Lourenço 14 Moreno. IO — j° ; II — sôr; 12 — espvam ; i3 — espto ; 14 — L». 1 44
  • 1 61 ALBUQUERQUE ESCREVE A EL-REI SOBRE VÁRIOS ASSUNTOS. 1 de Abril de 1512. Original existente no ANTT: — CC, I, 11-50 (1). Mede 415 X 295 mm. Consta de 14 folhas não numeradas, principiando na segunda fôlha. Em bom estado. Com esta mesma licemça se foy hum frade de Sam [2 v.j Domimgos (2) que eu hy leixey por vigairo contra 1 minha vomtade, o quail leva roubado mais de seteçemtos cruzados 2 de defuntos, porque fazia os testamentos e fez se erdeiro 3 nos testamentos e a outros que ho perfilhavam 4. Mais fez depois de minha partida: fez emtemder a eses homeens cassados que estavam escomungados, porque os ele nam reçebera, nam temdo ele poder do vigairo jerall (3) que qa he pera poder ministrar este sacramento, somente Frey Framcisco da Rocha, (4) a que estes poderes cometeo ho vigairo quamdo me party de Cananor pera Goa, e este cassou cemto e cinquemta pesoas antes que partise pera Malaca; e a este frade mamdou lhe ho vigairo estes poderes despois que me eu party pera Malaca. Pos tamtas escumu- (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque». I. 29-65. (2) Talvez se trate dum dos companheiros de Frei Domingos de Sousa, vindos em 1503. Correia, «Lendas da Índia», 1, 394. (3) Padre João Fernandes. (4) Capelão e companheiro de Albuquerque. i—font* ; a |-zí" ;3 —erdr0; 4 — pfilhavam. IO 145
  • nhões nos cassados, que tirou de cada hum hum cruzado 5 e dous cruzados 6, e iso que podia aver 7 deles per força. Dava lhe este lugar Dioguo Mendez e os da sua valia que entam reinavam por capitãees, os quaees eram Pero8 Corresma, ho Cirniche, Fernam Correa (l). Este frade que digo, por cobiça de dinheiro9, fez peramte 10 mim ho que aquy direy a Vosa Alteza: foy tomada huma molher em Goa e aquele que a tomou vemdeo a logo a hum Mestre Afonso u, fisico, boom cristãao 12, que quaa amda. Mandey lha tomar, porque nam era dada per mim. Mandey a tornar cristam 13 e casea (2) com hum homem que ha requereo de cassamento. Teve tall maneira este Mestre Afomsso que, por hum cachopo seu, mamdou imduzir a molher que disese que nam cassara por sua vom- tade com aquele homem, e peitou ao frade que a mamdase vyr diamte dum altar, omde nos hiamos ouvir misa. Cuidando ho marido que era pera outra cousa, trouxe sua molher e o frade lhe fez pregumta, se cassara por sua vontade. Ela respomdeo que nam. Ho Mestre Afomso estava aly e pedio logo hum estromento daquilo. Ho marido, quamdo se asy vyo, tomou sua molher e levou a, e foy me fazer queixume da desomrra que lhe o frade e aquele boom cristam 14 fezera. Mandey chamar o Mestre (1) Diogo Mendes de Vasconcelos era capitão de Goa, durante a ausência de Albuquerque. Pero Coresma e Diniz Cerniche haviam sido seus companheiros na armada que D. Manuel enviou à índia em 1510, com ordens de atingir Malaca. Albuquerque, empenhado na conquista de Goa, impediu que Diogo Mendes de Vasconcelos continuasse a sua viagem. A sua oposição teve de ser violenta. Deste facto provém a animosidade de Diogo Mendes de Vasconcelos contra Albuquerque. (Barros, Dec. II, Liv. V, Cap. VIII, 51}.) (2) Isto i: «casei-a». 5 — + zí°; 6— + z'" ; 7 — av ; 8 — p"; q - dri" ; io — />amte; li — a°; ia — cstaão ; i3 -14 — cstS. 146
  • Afonso 15 e lhe dise que como ousara ele diamte do altar de Noso Senhor 16 vituperar ho primeiro 17 sacramento que ele ordenara^ e que imda ele la trazia aquela pedrada guardada pera lhe dar. Responde me que fezera bem e que imda se nam arrepemdia. Mamdey o entam premder, e mamdey fazer auto daquele casso. Provou se contra 18 elle sobornar a molher e imduzi la que disese aquillo e que lamçase mãao do altar, mandar lhe aqueles recados por hum moço seu, que sabia a limgua da terra. Provou se ter peitado ao frade. Foy pregumtada a molher. Dise como lhe ele e o frade acomselharam como ela disese aquilo, pro- metendo lhe Mestre Afonso19 que cassaria com ela, e outras maldades deste feito que aquy nam esprevo 20 a Vosalteza. Mamdey loguo ho frade fora pera as naaos de Dioguo 21 Mendez, e o creliguo de Dioguo 22 Mendez lei- xava o em Goa, porque Frey Framcisco, que entam era noso vigairo, avia diir comigo na armada; e o boom cris- tam 23 quisera fazer justiça dele, e por ser fisico e dizer que querya cassar na terra lhe perdoey 24 vossa justiça 25, e mais per requerymento dos casados, e casou com hum a molher que ele nam merecia. Tornou ho frade ter maneira como os casados mo mamdaram pedir e eu ho torney a leixar. Pregou sempre contra os cassamentos e contra mim, mostrando sempre aa jemte como aquele ano avia de viir outro governador26. Afavoreceo isto Dioguo Mendes, que tinha emtam cargo de capitam e Pero27 Coresma e ho Cerniche e Fernam Correa, que mamdavam entam toda a terra, e danavam este feito, e desconfiavam os cassados, avendo que era obra de mynhas mãaos, sabemdo que ho mandava Vosalteza fazer, e daquy naçeo alguns descomtemtamentos aos casados de Goa, por omde alguns fizeram de sy mao recado. i5 19 —a°j 16 —snor; 17 — pmeiro ; 18 — comt1; 20 — espvo; 21 - 22 — d® ; 23 — cstam ; 24 — pdoey ; 25 — just1; 26 — gornador; 27 — p°. 1 41
  • Mais fez este frade: semdo eu em Malaca, casey em Goa huma molher omrrada e de boom pareçer com hum João 28 Çerveira, homem de bem. Veyo ho marido a fale- £3 r ] çer e ela casou loguo // com outro e reçebe os hum Achiles Godinho, homem também cassado em Goa, peramte29 certas testemunhas em sua casa. Namorou se desta molher hum homem, que he ja falecido. Peitou ao frade e descasou a e mandaram a por em cassa dum homem, omde aquela pesoa ja falecida hia fazer ho que lhe aprazia com ela. Como aquela pesoa 30 faleceo, foy logo ho frade e casou a com outro; e esta cizma que ele pregou, de vem outro governador 31, danou muito aa jemte e o negoceo de Goa. £«v-i Item. Chegamdo a Cochim, a mim me pareceo serviço de Deus32 e de Vossa Alteza avitar alguns males que se faziam nesta povoaçam da vossa jemte e cristãos 33 novos, e mandey apregoar que todo homem ou molher jemtios se afastassem da nossa povoaçam e fose viver34 fora, porque, Senhor, estas cristãas35 novas tinham em sua casa 10, 15 e 20 pesoas36, primos 37 e irmãaos e paremtes, sem serem cristãos 38, e tinham parte com elas, e outras casas de jem- tios, omde os mouros de Cochim vynham durmir com as cristãas. E asy avia hy casas que agasalhavam homeens jemtios de fora e mouros, os quaes tinham por ofiçio enga- nar espravos 30 e espravas 40 que roubassem seus senhores e fojisem. Hia este feito tamto avamte que sam roubadas muitas pesoas de cem cruzados pera cima e seus espra- vos 41 fojidos, e era a mais certa renda que qua avia. E asy alguma da vossa jemte tinham parte com esas jemtias, emfadados ja de durmir com esas cristãs42; e em poucos dias se tornaram bem 600 homeens e pesoas43 cristãas44, 38 — i°; 21)— pmil; 3o — pn; 3i -gornador; 32 — ds; 33-38—estilos; 34 — viv i 35, 44 — estias ; 36 —f" j 37 — praos; 3q - 41 — espvos; 40 — espvas; 43 — estás; 43-p». I 48
  • em que emtraram panicaees (1) e homens homrrados, e creo que nos alymparemos desta maneira de algumas mal- dades e pecados que se aquy faziam, por omde Cochim foy muitas vezes queimado e feito em cinza, e el rey de Cochim nos deu çerta demarcaçam de terra pera vivermos 45 sobre nos. Em Cochim achey huma arca de cartinhas por omde imsynam os meninos e pareçeo me que Vosa Alteza as nam mandara pera apodreçerem estamdo na arca e ordeney // n r.i huum homem cassado aquy que imsynase os moços a ler e a esprever46, e avera na escolla perto47 de cem moços e sam deles filhos48 de panicaees e de omeens honrrados. Sam muito agudos e tomam bem ho que lhe emsynam e em pouco tempo e sam todos cristãos49. Na igreja 50 de Malaca ha mester hum retavollo da l10 M Anunciaçam de Nossa Senhora e seja rico, porque ha hy mais ouro e azull em Malaca que nos paços de Simtra. E hum pomtyficall ben o merece Malaca. Damascos, sedas e brocados mamde Vossalteza ao voso feitor que gaste bem deles, que em Malaca se acharam em abastança. Dos dous panos ricos que aqui tinha esta igreja51 de Cochim, lhe mandey hum (2). E asy orgãaos pera estas igrejas52 da Imdia pareçeram qaa muy bem, porque nunca qaa falece quem os saiba tamjer. E porque me nam esqueça, digo, (1) Da casta dos guerreiros: homens que eram exímios na esgrima com adargas. (2) Em fins deste ano de 1512, Albuquerque mandou que o outro pano fôsse dado ao embaixador do Prestes João que estava em Goa aguar- dando nau para Portugal. O pano era da Paixão do Senhor. (CC, 11, 30-3J 45 — virmos; 46 — espvcr; 47 — pu; 48 — f°*; 49 — estios; 5o - 5i Igja ; 5a — Jgjas. . > I 49
  • Senhor53, que estas igrejas54 am mester livros missaees meãaos, porque nam ha hy senam podres e esferrapados e destes muy poucos. tu r.] Falando a Vosalteza na jente que amamdaees cas- sar, a mim me pareçe muito gramde serviço de Deus 55 e voso, e a imcrinaçam 56 da jemte e dessejos de cassar em Goa, se ho Vossalteza vise bem, espamtar se ya, e parece cousa de Deus57 desejarem os Portugueses58 tamto de cassar e viver 59 em Goa, e asy me salve Deus 0O, que a mim me pareçe que Noso Senhor 61 ordena isto e imcrina 62 os corações dos homeens por alguma coussa de muyto seu serviço escomdida a nos; e estas cousas am mester muyto afavorecidas de Vossa Alteza e vejiadas com muyto cui- dado e emparo de vosso governador 03 e capitam jerall que qua tiverdes 64, porque certefico a Vossalteza que traz ho diabo tam gramde cuidado de emcomtrar e danar este feito e roer este enxerto que nam creça, que os mesmos Portu- gueses 65 e pesoas de que Vossalteza comfiarya quallquer 60 cousa, se trabalham de ho danar e estorvar quamto podem e dar com este feito 67 na metade do chão com toda maa temçam, maos enxempros e maos comselhos e com toda desordem quamta podem ordenar e fazer; e esta he a mayor perseguiçam que agora qa tenho na Imdia. Nam creaees, Senhor 68, que hy ha homem na Imdia nem ha de viir a a ela que lhe lembre nenhuma cousa das que por serviço de Deus 09 qaa mandaees fazer, senam carregar de pimenta, furtar a destre e sesto, (l) aver70 tudoipor vaidade e cousa de pouco proveito senam ho que eles fazem pera sy. E (1) destre e sesto — corrução da frase latina: a dextris et a sinistris. 53 - 68 — snor; 54 — Igjas ; 55 - 57 - 60 • 69 — ds ; 56 — im£na;am j 58 - 65 — ftugese»; 59 —vie; 61 — sr; 62 — imcna ; 63 — govnador; 64 — (irdes; 66 — íjalqí ; 67 — fio ; 70 — av. i 5 o
  • portamto, Senhormuy poucas pesoas 72 avees de achar que vos façam moesteyros de oservamçia se os qa mam- dardes fazer; nem cassar homeens na Imdia, afavoreçelos e defemdelos, que vivam com suas molheres como cris- tãos 73, nem que torne cristãos74, e faça outras coussas que Vossalteza qaa mamda e ordena, fumdadas em serviço de Deus75. E digo vos, Senhor7
  • dos em como, sem minha liçemça, sam muitas molheres tiradas de Goa per alguns homeens que as tinham, porque eu nunca dey molher a nenhuma pesoa90, senam com comdiçam que, se a quizesse cassar, que lhe daria alguma coussa per ela, e que ninguém as nam tirase de Goa sem minha licemça. Se pela vemtura a jemte cassar desta maneira, pareçe me que sera necessareo mandar Vossalteza botar fora os naturaees da ilha e dar as terras e lavoyras aos cassados, porque as terras de Goa nam he património de ninguém, senam do rey e senhor da terra; todolos outros lavradores e jemte sam remdeiros, e por covodos lhe arrendam a terra e as arvores, segundo ho fruyto que da. Alguns bramenes e neiqebarys sam tornados cristãos 91 e serviram Vossalteza neste cerqo de Goa bem e fiellmente. 9° — P" ; 9' — cstãos. I 5 2
  • 62 CRISTÃOS CATIVOS REGRESSAM A GOA. 22 de Abril de 1512. Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 32-17. Mede 138X173 mm. Em bom estado, apesar-dum pequeno buraco quasi no centro. Manueli de Lacerda, capitaao moor e governador desta cidade e forteleza de Goa, mamdo a vos Francisco1 Cor- vinell, feitor, e a esprivães 2 do vosso carrego que dees a Joham Machado (1) cem pardaos em ouro e huma peça de cotonia de seda e huma caçha (2) pera gibões de que em nome de Sua Alteza lhe faço merce pera seu repairo, por se vir pera nos e trazer treze christãos 3 que laa estavam cativos, e leixar perder4 toda a fazenda que tinha, por amor deles, e per este com asento de vossos esprivães 5, vos sera levado em comta. Feito em Goa, 22 dias de Abrill de 512. Manueli de Lacerda. (1) Companheiro de Vasco da Gama em 1497-1498. Acompanhou a armada, na qualidade de degradado, pois havia morto um homem em Lisboa. (Correia, I, 41-42, 160-161) Vasco da Gama deixou-o em Melinde, donde se passou a Cambaia, chegando mesmo a ser capitão do Idalcão. Nunca chegou a apostatar. A sua vida foi um verdadeiro exemplo para outros Portugueses que se haviam baldeado com os Mouros. (Correia, 11, 84-88.) (2) Pano oriental. i — í" j a - 5 — esfvies; 3 — xpãos; 4 — pder. i 53
  • 63 FARMÁCIA DE GOCHIM. 17 de Junho de 1512. Original existente no ANTT: — CC, II, 33-52 (1). Mede 310 X 215 mm. Uma só folha, à qual juntaram outra para suporte. Escrita de ambos os lados. Em bom estado. Os algarismos empregados no documento são romanos• Desen- volvemos as abreviaturas: oz— onça; arr.es—arroteis; arr.1 — arroba; m.° — meio; arr.il — arrotei. Botica Item. De escamonya. (2) Duas onças e duas oytavas 2 onças — O Item. De almacega. (3) Tres onças e duas oitavas 3 onças _L O Item. De fezes de ouro. Tres arrates e seis onças 3 arráteis e 6 onças. Item. De azevre çocotrino. Sete omças 7 onças. Item. De chumbo queymado. Quatorze omças 14 onças. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, pigs. 29-31. (2) Erva medicinal, Scamoneum, também conhecida cientificamente por diagridium. As suas qualidades purgativas eram muito aproveitadas. (3) A grafia almécega é mais vulgar. É a resina da almecegueira, Pistacia lenticus, que pertence à família das terebintáceas. Conheceu-se igualmente pelos nomes de: mastico, mástique, almécega da índia, goma ou resina de lentisco ou de aroeira. / 54
  • Item. De isene. (1) Dez onças 10 onças. Item. De alvayade. Dous arrates tres onças 2 arrateis, tres onças. Item. De solimam. (2) Dez onças e meia 10 onças e meia. Item. De diaquylam e diapalma. (3) Dous arrates quatro onças 2 arrateis, quatro onças. Item. De linhaça. Dous arrates quatro onças 2 arrateis, quatro onças. Item. De erva doce. Quatro arrates 4 arrateis. Item. De ruybarbo. Tres onças e meia 3 onças e meia. Item. De sandolos bramcos. Dous arrates 2 arrateis. Item. De pasas. Dezasseis arrates 16 arrateis. Item. De açúcar. Huma arroba 1 arroba. Item. De chumbo em pasta. Quatro arrates e meio 4 arrateis e meio. Item. De azougue per vezes. Quatro arrates 4 arrateis. Item. De azinhavre. Nove arrates 9 arrateis. Item. De pedra hume. Seis arrates 6 arrateis. Item. De coral em perna. (4) Quatro oitavas 4 oitavas. Item. Mais de chumbo em pasta. Doze arrates 12 arrateis. (1) Erva purgante. (2) O moderno sublimado corrosivo. (3) Duas qualidades de emplastros. (4) As colónias de coral produziam pólipos de 30 centímetros de altura, pouco mais ou menos. A expressão de «coral em perna» significaria talvez o coral inteiro. I 5 5
  • Item. De vermelham.1 Hum arratel e meio l arratel e meie. Item. De mais pasas. Huma arroba . 1 arroba. Item. De mais açúcar. Duas arrobas 2 arrobas. Item. De cevada. Huma arroba 1 arroba. Item. De mais ruybarbo. Meyo arratell meio arratel. Item. De canafistolla. (1) Huma arroba 1 arroba. Item. De maças. (2) Hum arratell 1 arratel. Ifiem. De pimenta 2 (3) Dous arrateis 2 arrateis. Item. De noz nuzeada. Hum arratell 1 arratel. Item. De amêndoas. Huma arroba 1 arroba. Item. Mais de azougue. Hum arratell 1 arratel. Item. Mais de vermelham 3. Hum arratell 1 arratel. Item Mais de azinhavre. Seis arrates <5 arrateis. Sejam certos os que este conheçymento virem como he verdade que Bernaldo Velho, provedor 4 do espritall5 e recebedor das fazemdas dos defuntos em Cochym, recebeo de Lourenço0 Moreno, feitor nesta feitoria por El Rey (1) A «cassia fistula» de Lineu. Garcia da Orta estuda-a e discute-a profusamente no diálogo XIV da sua conhecida obra. (2) A maça é a pele fina que envolve a noz muscada. No tempo de Garcia, que lhe dedica o diálogo XXXII, dava-se só nas ilhas de Banda. Nas Molucas e em Ceilão havia a árvore, mas não dava fruto. (3) A palavra «pimenta» foi escrita depois de se haver riscado «cravo». I - 3 — imelham ; i — pu; 4 — ^vedor; 5 — esptall; 6 — I.t«. J 5 6
  • Nosso Senhor 7, todas as coussas em este roll contheudas, pêra a botyqua do dito espritall8, as quaes loguo emtregou a Fernam Mealha botycairo, e se receberam parte 9 delas perante 10 Antonio 11 Zagalo e outra parte 12 perante13 Gonçalo 14 Afonso 15 Mealheiro 16, que ora he esprivam17, e outra parte 18 perante 19 mym, Joam 20 Pesoa que ora sirvo o dito ofiçio em sua aussencia, per mandado do Senhor 21 capitam moor Afonso 22 de Albuquerque23, e porque as ditas cousas ja sam carregadas em receita 24 sobre ho dito botycairo e a moor parte25 delas sam ja despesas, mandou ser 26 feito este conhecimento 27, per ele assynado. Feito em Cochym per mym Joam 28 Pesoa aos dezasete dias de Junho mil quinhentos doze anos. Joam 29 Pesoa — Bernall Velho. 7 — sôr; 9-12 • i8-25 —p,e ; 10-13-19—pante ; 11 — ant»; 14 — g®; i5• 22 — a'; 16 — mealh0; 17— cspvam ; 20 — j°" ; 21 — sòr ; 23 — Albu^que; 24 — R"; 26 — 27 — cu; 28 • 29 — Jom. arroba — air"; arrates = arr1" ; quatro = q1". j 5?
  • 64 HOSPITAL DE GOA. 19 de Junho de 1512. Original existente no ANTT:—CC, 11, 33-57 (1). Mede 170 X 220 mm. Uma fôlha, escrita dum lado. Encontra-se rasgada dé baixo para cima, mas lê-se bem. Manueli de Lacerda, capitão mor e governador1 de Guoa, Francisco 2 Corbinell, feitor e esprivães 3 de vosso cargo, per este vos mamdo que deis ha Fernandeanes, (2) espritaleiro *, quatro 5 cotonias pera colchões e dez cachas e dous beirames (3) pera lemçoes e vimte e quatro 6 mam- tazes (4) e hum bretamgill (5) pera cubrir as camas e o ataúde, tudo pera o espritall7, e per este com ho asemto de vossos esprivães 8 vos seraa levado em comta. Feito em Guoa a 19 de Junho de 1512. Manueli de Lacerda. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, 32. (2) Fernão Eanes, já mencionado. (3) «Cacha» — tecido usado na India; era também uma antiga moeda. Beirame era uma espécie de pano fino de algodão fabricado na índia. (4)' «Mantaz»: — Espécie de pano de Cambaia. (5) «Bretangil»; — tecido de algodão. i — gowador; 2 — fr" ; 3-8 —espvãcs; 4 — esptaleiro; 5-6 — quat» : 7 — uptall. lS8
  • 65 EDUCAÇÃO EM COCHIM Cochim, 20 de Junho de 1512 Original existente no ANTT: — CC, II, 70-59 (1). Mede 220 X 165 mm. Uma fôlha escrita dum lado. Em bom estado, embora tenha um pequeno buraco no meio. Boa caligrafia. João 1 Froles, almoxarife2 dos mantimentos desta for- teleza de Cochim, ho capitam mor vos mamdo que des pera dezaseis moços cristãos 3 novos da terra que ora mando imsynar a ler, pera cada oito dias hum fardo de arroz, pera seu mantimento, o qual entregarees Afonso Alvarez4 que os ditos moços imsyna, e comtarees da feitura deste em diamte, que lhos dytos moços dey pera os ensinar, ao quall reçebimento do arroz estaram os ditos moços, e lhe notefi- carees como aquele arroz he pera eles, e per este com asento de voso esprivam 5 vos sera levado em comta. Feito em Cochim a 20 dias de Junho. Antonio 6 da Fomseqa ho fez de 1512. Afonso de Alboquerque 7. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, 190. I — J"; 2 — almox* j 3 — cstãos ; 4 — afonsalvez í 5 — espvam ; 6 — ât°; 7 — a° dalboqq. 1 5 g
  • 66 EDUCAÇÃO EM COCHIM Cochim, 16 de Julho de 1512. Original existente no ANTT: — CC, II, 70-120 (1). Mede 280 X 220 mm. Uma folha, escrita dum lado, até meio. Em bom estado. Apresenta três buracos, sem afectarem a leitura. João 1 Froles, almoxarife2 dos mamtimentos desta for- teleza de Cochim, ho capitam moor e etc. Per este vos mando que dees Afonso Alvarez3 casado que ora imsyna os moços cristãos 4 novos de Cochim a ler, meio® fardo mais darroz, alem de hum fardo que lhe daees, pera esmola dos moços pobres que imsyna a ler, ho quall se comtara da feitura deste em diante. Comprio 6 asy e sera da forma que no outro alvara se comtem, a saber, asy repartido e per este, com asento de voso esprivam 7, vos sera levado em comta. Feito 8 em Cochim a 16 dias de Julho. Antonio 9 da Fomseqa ho fez de 1512. Afonso de Aboquerque10. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, 191. i _ )•. 2 _ almox'; 3 — a° alvéz; 4 — êstãos j 5 — m"; 6 — comp*; 7 — espvá j 8 — fSo; 9 — â10 i 10 — a" dalboíjq. I Go
  • 67 HOSPITAL DE COCHIM 19 de Setembro de 1512. Original existente no ANTT:— CC. 11, 34-59 (1). Mede 300 X 210 min. Uma fôlha, escrita dum lado. Em bom estado. No dorso tem algumas indicações avulsas. Alvaro 1 Lopez, almoxarife 2 dos mantymentos desta for- taleza de Cochym, o capitam mor etc. Per este vos mando que dees a Gonçalo 3 Afonso 4, provedor3 deste espritall o vynho que for neçessario pera os doentes que estam no dito espritall7, a saber, a cada doente huum cartilho de vinho 8 por dia 9, e saberees quan- tos sam, e per este com asento do voso esprivam 10 vos seraa 11 levado em conta. Feyto 12 19 de Setembro 13, João 14 Pesoa o fez de 1512. Afonso de Alboquerque 15. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque». V, 194. I —alv"; 2 — almox»; 3 — g°; 4 —a"! 5 —P"i 6. J — esptall; 8 — v* ; 9—D"; ) —esfvâi ji — »a; 12 — fefo; i3 —»etr"; 14 — jm ; i5 —a° dabofa. I 6 T
  • 68 HOSPITAL DE COCHIM. 23 de Setembro de 1512. Original existente no ANTT: — CC, II, 34-91 (1). Mede 310 X 210 mm. Uma fôlha só, escrita dum lado, até meio. Em bom estado. Lourenço Moreno, feytor de Cochim, o capitam moor e etc. Per este vos mamdo que emtregees a Gonçalo 1 Afonso - Mealheiro :i que ora tem cargo de provedor do espritall4 desta fortaleza de Cochim, vimtadous cruzados 5 pera des- pesa e mantimento dos doemtes que ora estam nelle, e per este com seu conheçimento, feyto pelo esprivam G do seu cargo de como lhe ficam em recepta, e asemto de vosos esprivães 7, vos seram levados em comta. Feyto em Cochim a 23 dias de Setembro de 512. Afonso de Alboquerque 8. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 204. I —g*i a —a#; 3 — mealho; 4—esptall; 5 —|-zdos; 6 — stpvam ; 7— itóvaes 0 — ar dalboqq. 1 C) 2
  • 69 HOSPITAL DE CANANOR. 12 de Outubro de 1512. Original existente tw ANTT: — CC, II, 34-169 (1). Mede 290 X 220 mm. Uma jôlba, escrita dum lado. Em estado muito precário- As beiras carcomidas. Um buraco bas- tante grande ao meio do recibo. A tinta bastante delida. Gonçalo 1 Mendez 3, feitor de Cananor, esprivães 3 da dita feitoria 4, per este vos mando que des pera os doentes deste espritall, pera se curarem, doze teadas as quaes seram entreges 5 ao enfermeiro 6 dele, e per este com seu conhecimento 7, feito 8 pelo esprivam 0 do dito espritall10, como lhas carregou em receita n, vos seram levadas em conta. Feito em Cananor a 12 de Outubro de 1512. Afonso de Alboquerque 12. Reçebeo João 13 Pacheco, enfermeiro 14 do esprital15 de Cananor, doze teadas de Gonçalo16 Mendes, feytor da dita17 forteleza, pera fyos e atacadores dos doentes do dito 18 esprital19, as quaes lhe fycam caregadas em reçeyta per mym Diogo 20 Vaz, escrivam do dito 21 esprital22. João 23 Pacheco. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 225. i, 16—g*j a —mdz; 3 — stpvacs 4— ftoria ; 5 — étges ; 6,14 — éferm"; 7 — cto ; 8 —fio; 9 — stpvam ; 10, i5, 19, 22 —esptal; n — R'* ; 12 — a° dalboqq ; i3, 23 — J"j 17 — dacé; 18, 21 — dcéo ; 20 — d". 1 63
  • 70 CAN ANOR 16 de Outubro de 1512. Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 104-90. Mede 219 X 300 mm. Feitor de Cananor, o capitam mor ect per este vos mando que entreges ao douctor vigairo de Urmuz a capela que tendes de Caqotora asy prata como capas e tudo e per este seu conhecimento 1 e o asento dos esprivães2 desa feitoria vos seram levado tudo em conta Feto em Cananor aos 16 dias de Outubro de 1512 (?). Afonso de Alboquerque 4. I— cto; 2 — esfvats; 3 — conta; —a" Jalboqq. 164
  • 71 PADRE FERNÃO NUNES, VIGÁRIO DA FORTALEZA DE GOA. Original existente no ANTT: — CC, II, 35-12 (1). Mede 220 X 155 mm. Meia fôlha, escrita dum lado. Em bom estado, tendo apenas um buraco no meio. Manueli de Lacerda, capitão e governador 1 de Goa 2, Francisco 3 Corvinell, feitor4 e esprivães 5 da dita feitoria, per este vos mando que pages ao Padre Fernam Nunez, vigairo desta forteleza, hum marco de prata, por cantar a capela do infante, com aquy hum ano de seis dias de Outu- bro de 511 ate sete de Outubro de 512. E per este com o asento dos ditos esprivães 0 vos sera levado em conta. Feito 7 oje 22 de Outubro de 512. (1) Publicado era «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, 54-55. 2 — g; 3 — frc"; 4-ftor; 5, 0 —espvacs; 7 —fto. 22 de Outubro de 1512. Manueli de Lacerda. / 6 5
  • 72 AFONSO DE ALBUQUERQUE RECOMENDA A EL-REI FR. JOÃO ALEMÃO. Goa, 25 de Outubro de 1512. Original existente no ANTT:—CC, I, 12-22 (1). Mede 300 X 210 mm. Consta de duas folhas não numeradas. O documento encontra-se no recto da primeira. Em bom estado. Senhor. Frey Joham Alemão veo ha Imdia com tamtos carreguos que nom pudia deixar servir bem Vosa Alteza, e no esprituall1 e temporall sempre trabalhou por vos mereçer mercee, e ha muitos aproveitou sua carydade; foy na tomada de Goa e de Malaca e em todollos feitos depois de sua chegada que se na Imdia fezeram por voso serviço. E neses espritaes - e doemtes follgou sempre de fazer obras de serviço de Deus 3 e de Vosa Alteza e cousas que alguns homes, somenos delle, nom fezerem. E por elle ser pesoa 4 que seu oficio fez sempre bem e na gerra sempre se acertou nos primeiros 5, e no comselho palavras de pesoa 8 que deseja voso serviço, e posto que elle viese delegido ha Cochym, por elle ser pesoa 7 de que me mais podia aproveitar na armada, lhe rogey que hamdase comiguo, porque elle mostrou sempre qua gramdes desejos de servir Vosa Alteza, como elle por obra, asy em Goa como em Mallaca e em Cochym. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I, 93. i — csptuall; 2 — esptaes ( 3 — ds; 4, 6, 7 — p*; 5 — pmos. l66
  • E polio achar as vezes mais perto de mim nos tempos de necesidade, lhe dey sempre comta de meus malles e peca- dos, e lhe tenho alguum amor e afeiçam, como ha meu padre esprituall8 e servidor de Vosa Alteza. Elie vay la; por huma necesydade que lhe sobreveo de cajam mais que doutra cousa, me pedio licemça e eu lha dey; se qua tornar em meu tempo, folgarey muyto com elle. Esprita'-' em Santo Antonio 10 caminho de Goa (1) aos 25 dias de Outubro 11 de 1512. (Por letra de Albuquerque) Feytura e servydor de Vosa Alteza. Afonso de Alboquerque12 (l) O convento de Santo António era em Cochim. O de Goa estava sob o patrocínio de São Francisco. Note-se que nesta altura os Franciscanos não tinham ainda conventos oficialmente estabelecidos na fndia. Tratava-se apenas de residências. Mas, facto curioso, tinham já os nomes que mais tarde haviam de ostentar. 8 —esftuallj 9 — esft»; 10 - ãt»; n —dout»; u — a« djlboqq.
  • 73 FR. FRANCISCO SOARES RECEBE lo PARDAUS. 28 de Novembro de 1512. Original existente no ANTT: — CC, 11, 35-146 (1). Mede 170 X 210 mm. Meia folha, escrita dum lado só. Em bom estado, apesar-de um pequeno buraco quasi no centro e dum rasgão do lado esquerdo• Francisco 1 Corvinell, feitor de Goa e esprivães2 da dita feytoria, ho capitam jerall e governador 3 das Imdias etc Per este vos mando que pagues a Frey Francisco * Soares dez pardaos de seu mantymento, que lhe nom foy paguo, e per este com verba 3 posta em seu titollo, vos seram levado em comta. Feito em Goa aos 28 dias de Novembro6 de 1512. Afonso de Alboquerque 7. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 253. r, 4 — frc* ; 2 —esfvães; 3 — gomador; 5 — vba ; 6 — nov"; 7 —a' dalbqq. l68
  • 74 PANO DA PAIXÃO DF. NOSSO SENHOR. Goa. 1512. (Dezembro?) Original existente no ANTT: — CC, II, 30-3 (1). Mede 300 X 210 mm. Uma folha escrita dum ladô apenas. Em bom estado, apesar-dum buraco ao centro. A data encontra-se incompleta, pois falta a indicação do mês. Senhor 1 feitor, peço vos que mandes o pano da Payxão de Noso Senhor 2, irmão do outro que mandey a Mallaca e mo des a Joham Gomez que mo tragua. Feyto em Goa a 20 dias de 1512. Porque o quero mandar ao Preste Yoham, (2) porque he cousa muito prezada. Afonso de Alboquerque 3. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, 106. (2) Em Dezembro de 1512 estava em Goa o embaixador do Preste João a aguardar embarcação para vir apre?«ntar-se a D. Manuel. (Correia, II, 333). r - Snnor; i — S8r; 3 — a' dalboqq. / 6 o
  • 75 O REI DE COCHIM, EM CARTA A EL-REI DE PORTUGAL, REFERE-SE À CONVERSÃO DO AREL DE COCHIM. Cochim, 1 de Dezembro de 1512. Original existente no ANTT: — CC, I, 12-35 (1). Mede 305 X 210 mm. Consta de 2 jôlbas não numeradas, escritas de ambos os lados. Em estado regular. u v.j Quanto, Senhor *, ao Arell e seus parentes e irmãos que se tornaram christãos2, que me Vosalteza encomenda, elle reçebeo e reçebera sempre3 de mim aquella homrra e favor, como vos mandaes, e nom creaes, Senhor 4, que me pesou tanto de se fazer christãao 5, por me pesar de sua cristandade 6, como por o fazer a meu despeito, (2) e nyso me nom guardar notisia; porem tudo se fara como vos querees e elle sera contente. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Abuquerque», III, 38-40. (2) Não se estranhe a atitude do rei de Cochim. Como soberano oriental, era senhor das decisões dos seus súbditos. i, 4 — Snôrj 2 — xpãos; 3 — sem^i 5 — \pão; 6 — éstindade. i 7 o
  • 76 ANTÓNIO REAL ESCREVE A EL-REI," EXPONDO-LHE AS SUAS opiniões sobre os casamentos e outros assuntos. Cochim, 15 de Dezembro de 1512. Original existente no ANTT: — CC, 1, 12-44 (1). Mede 410 X 290 mm. Consta de 6 jôlhas não numeradas. O documento acaba com as duas primeiras linhas da fôlha 5v. A assinatura encontra-se no fundo desta jôlha. Em bom estado. Magnífica caligrafia. A assinatura dá a impressão de a carta ser autografa. Os casados que se ca casam, nam crea Vossa Alteza que t* sam os que vos desejaes porque, a meu ver 1 vosos desejos sam liamça com os da terra e te gora nam casou ca nengem, sénam homens vys e velhacos, que casam com suas escravas cativas, por averem 2 casamentos e gozarem dos pryvilegios e omrra que lhes faz; e outros, desesperados 3 de os nam quererem leyxar hyr pera Portugall ou de se verem 4 mail tratados, por isso casam e, dahy a dous dias, fogem pera os mouros, deles com as molheres e deles sem ellas, ou elas sem eles, com quamto tem. E porque estes nam sam os que Vossa Alteza deseja casarem, vo lo faço saber porque os que, te gora, sam casados, sam desta maneira que vos digo, e nam tem que (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, 337-355. i—>t; a — avm ; 3 — desesfados ; 4 — jrcni. 171
  • fazer com forteleza nem capitam, e sam os mores immygos que ca temdes, que nam querem ajudar a vigiar nem a cousa que lhe mamdem, que eles mamdam a terra e a governam 5, per ordenaçam do capitam mor, e per seos pryvilegios que lhes daa; e damtes de serem casados faziam o que lhe man- davam e dormyam no castelo. Acuda Vossa Alteza sobre ysto, que nom he serviço de Deus 8 nem voso, nem sam casados, como ham de ser 7 nem como Vossa Alteza deseja, e nam façaes comta de ornem nenhum casado, que he do comto da forteleza K porque, a meu vern, eles seram amtes comtra ella que defemde la, porque comfiamça quereis que tenha nos omens que se lan- çam com os mouros e que sam desesperados? (1). E se Vossa Alteza mamda de ca hir os omens, o voso capitam mor nam quer que se vam nenhuuns, posto que aja 1.000 anos que ca estem, e que sejam aleijados e nom façam nenhum serviço. Por iso, nam vos mando dizer o comtrairo, que os mais dos omens que ha muito que ca andam doentes e nom fazem nenhuum serviço se querem hir e ele os nam leixa. ■ Também, Senhor, me parece que he escusado aver 10 ca vigairo 11 jerall que puna e se ponha pela igreja, porque am de ser12 dessomrrados por amor diso e, emfym, o capi- tão moor faz o que quer. E digo, Senhor 1S, ysto por Yoao 14 Fernandez 13, vigairo 16 que ca mandastes, que foy desomr- rado e maltratado por gardar a igreja e seus pryvilegios, (1) A alusão bastante clara à conspiração tramada para entregar Goa ao Roçalcão logar-tenente do Idalcão. Alguns casados, levados por suas mulheres indígenas, haviam tomado parte nesta conspiração. Afonso de Albuquerque, profundamente desgostado, foi afastando de Goa os culpados, fugindo assim a castigá-los mais ostensivamente afim-de poupar aos seus filhos uma futura vergonha. (Correia, II, 292-319)- 5 — gomam ; 6 — ds ; 7 — s; 8 — fortl/a ; q — V ; 10 — ar ; II, iC — vig'* ; 12 —»; i3 —sõrj 14 —J•; i5 — frz. 17 2
  • e foy fora de seu cargo, e he ho milhor omen que pode ser; e agora que os omens sabem que lhes nam vai a igreja 17, fogem amtes pera os mouros, que pira ela. Torno outra vez afyrmar a Vossa Alteza do roubo que leva ho ovidor, (1) e asy Gaspar de Paiva que vay cheo de ouro, porque o soube per certa certeza, e assy dum frade que Vossa Alteza ca madou pera curar os omens doemtes, e ele amda ca bebodo e matou huma moça, como se la vera 18 per huma emqyryçam que diso vaay; e este he Frei Jeronimo 19 Bombardeiro, que tanbem leva muito dinhei- ro 20, do roubo de Mallaca (2). (1) Pero de Alpoim, que desde 1508 servia de Ouvidor. (Corre/a, I, 868) Era também Secretário Interino da índia. A carta de António Real dá a entender que Pero de Alpoim tinha partido ou estava para partir para o reino. Ora não se deve entender assim a dita passagem, pois Pero de Alpoim ainda sobreviveu a Afonso de Albuquerque na índia. (2) António Real, inimigo declarado de Afonso de Albuquerque, refere-se desta forma à conquista de Malaca. 17 — igja; 18 — 11; 19 — jm*; 20 — drr\ • / 7 3
  • ■ 77 « FREI ANTÓNIO A AFONSO DE ALBUQUERQUE s. d. 1513? Original existente no ANTT: — Cartas Missivas, Maço 4, N." 189 (1). Mede 310 X 215 mm. Duas folhas não numeradas. Em bom estado. As extremidades, porém, encontram-se bastante comidas, principalmente na metade inferior. Caligrafia cuidada. f1 r-l Senhor Ha merce e caridade 2, honra he gasalhado que se sen- pre de vos recebi, me hobrigou ha vos escprever 3 ha pre- sente 4, he nam menos ho hamor que vos tenho, ho qual me hobriga ha encomendar vosas cousas ha ho Senhor 5 Deos, iso mesmo ha has haver de pregar 6 honde quer que me hachar, como hate qui7 tenho feto. Nos, Senhor8, partimos desa India e, com tenpos con- trairos, chegamos ha esta ilha de Moçambique ha vinte de Março; e ho dia que chegamos, partio huma nao daqui pera Portugal que caregou haqui de pymenta. Huuns dizem que poderamos pasar; houtros, que nam. Heu, como quer que seia mao piloto, nam vos escrevo ha (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, 246-248. O signatário é Frei António do Loureiro. A assinatura é dêle, podendo comparar-se com outra idêntica em CC, II, 29-17, já publicada, antes de ir a Cambaia. Parece, porém, que a carta não é autografa e a extraordinária abun- dância de «hh» sugere a desconfiança de o secretário haver sido Frei Joãc Alemão que também regressava ao reino, como vimos. j, 5, 8 —Snorj a — carida ; 3 —escpverj 4 — pscntc; 6 — fgarj 7 — q". ' 14 .^t
  • certidam disto, porque sei que haveis de saber ha verdade do que se poderá fazer hacerca do serviço de EIRei. Eu, Senhor 9, em esta ilha hachei huum tio meu, irmão de minha mãi criado de elrei, ho qual estava em determi- naçam de se ir pera Portugal, por ter huma perna doente; e heu, pola confiança, Senhor 10 que tenho em vos, sabendo que se ha meu habito fora dado fazerdes me merce, que ma fazeries, e encaregaries em cousas de voso serviço, lhe dise se nam fose, por estar pobrre e ser filho e crryado de quem he, porque, por minha contemplaçam, vos lhe farries merce e ho honraríeis; e quanto 11 ha doença da sua perna, ha caso que nam fose pera handar em armada, que em esas fortalezas de Cochim, hou Cananor, hou Goa, vos servi- ríeis dele. Hasi, Senhorl2, que esta fe que heu tenho em vos, como ha vos deveis de ter em mim, receberei em merce he caridade haver de ser poosta por hobra em hele, porque toda merce que lhe fezerdes ha mim ha fazeis* Senhor 13, e mais per- feitamente ha receberei em hele, ca em mim mesmo; e hele he pesoa tam honrada e de tanto peso he recado que em todo ho que ho encaregardes, vos ha de saber bem servir. He homem que houvio quatro hanos de Leis em Salamanca; e despois que vive com elrrei, ho foi servir a hesas partes de Arzila e Tangere, com cavalos he armas, e fez la boas cousas, e disto nam houve nunca satisfaçam alguma. Hasy, Senhor M, por huma via he houtra lhe podeis fazer merce. Heu, Senhor15, deseio levar me Deus ha Portugal, porque, hainda que soubese ser mais mártir do que fui em esta ilha, por pregar e louvar vosas cousas, nam havia de césar de falar verdade e has cousas de // gloria de Deos e [i v de todos hos Portugueses; porque nam lemos de capitam espanholl que tantas mil legoas de seu reigno, com tam li—4") 9, io, li, i3, 14, i5 — siior. i75
  • t pouca gente he naos, haia conquistado 10 ho que vos, Se- nhor 17, tendes conquistado ls, he ha gloria disto dai a ha Deos, e hos envejosos que querem denigrar estes honrados fetos, hasaz lhe deve de habastar ha confusam que recebem entre hos houvidores, por saberem todos parte da verdade. E, tornando ha meu preposito 19: homem houve em esta ilha que nunca hia ha minhas pregaçois ~° so porque em helas vos encomendava ha todo povo, hate me nam fazer esmola por hamor de Deos, so por vosa fim. Este homem nam vos digo quem he, porque la ho sabereis. Hos homes que vi enframados em vosa hamizade he dizerrem vosas cousas, Dinis Fernandez e Gaspar de Paiva, hos quais conhecem bem ha merce que lhe tendes feta. Ho Padre Frei Joam, (l), por sua arte bonbardatica, por falar e louvar vosas cousas, foy hasaz persegido por huum homem que lhe foi dado por gardia, por huma licença que trazia do vigairo desa índia, (2) pera ho prender21 e espan- car, se fose necesario. E heu nam sei quem da tanto poder ha estes elegidos, que haiam de cometer ho que nam podem. E em esta ilha, ho alcaide saltou com hele he ho espancou e escalavrou; porem ho capitam, despois que veo de Cofala, hacodio rigo ha hiso, pesando lhe muito do que lhe fora feto, porque he huum homem muito honrado, e leva muito contentamento de houvir falar em vosos fetos honrados e muito voso hamigo, e cre ha verdade e nam ha mentira dos mintirosos. Heu, Senhor2S, spero em Deos de vos ver capitam perpetoho da India e hesta sera ha minha voz he conse- (1) Parece-nos que deve ser Frei Joio Alemão. (2) O Padre João Fernandes, segundo cremos. Note se, porém, que António Real escrevendo a 15 de Dezembro de 1512, afirmara que êle havia sido demitido por Albuquerque. 17, 22 — siior ; 16, 18 — conqistado ; ig — Êposito; 20 — pgaçois ; 21 — fnder. 1 76
  • lho, se for houvido, porque o teror he credito que tem hos Mouros em estas partes em vos, com ha haiuda de sua santa paixam, habasta pera quietar ha Indiha. E se Deos disto for servido, receberei em merce escreverdes me, e mandai me vosa fe empenhada que, se eu quiger 23 tornar ha índia com frades, pera fazer huum mosteiro em Goa, de mo fazerdes, porque, ainda que nam seiam senam pera conso- laçam dese povo honrado, sera grande24 serviço de Deos, e sobre isto podereis escrever ha elrrei he ha religiam; e porque sam homem hasaz conhecido de vos e vos de mim, por vos hachar senpre huum zelo ha santa 25 fe e nam menos ha hos imitadores da virtude 26 vos escrevo isto. Peço vos que sempre me mandeis duas regras, de vosa disposiçam, e da semente da fe, se vai em crescimento, porque, de mim em todas has harmadas haveis de receber carta, do estado de minha pobreza e enfermidades. Senhor 27, este meu parente vos encomendo, porque em Portugal serei descansado houvir dizer que lhe fezestes merce. // Nam mais, senam que vos encomendo ha ho Senhor 28 12 ' Deos que queira ilustrar e halumear has potencias da vosa halma, pera fazerdes sempre sua santa vontade 29 e con- servar ese seu povo, remido pollo seu precioso sange, em justiça e, nam menos, vitoria contra hos imigos, maume- ticos e gentios, da sua santa 30 fe. Voso caro hamigo e horador. Ho portador desta he heste meu tio. Frater Antonius. 23 — qiger; 24 — gde ; 25, 3o —sncla; 26 —vrtude; 27,28 — sfior; 29 —vonta. / 77
  • 78 OS MORADORES DE GOA ERAM OBRIGADOS A ENSINAR O PATER E A AVE MARIA À MULHER E ESCRAVAS. 1 de Janeiro de 1513. Original existente no ANTT: — CC, 11, 36-111 (1). Mede 230 X 220 mm. Meia folha escrita dum lado. Em bom estado. Roto no canto inferior direito e nos dois supe- riores esquerdo e direito. Francisco 1 Corvinell, feitor de Goa, e esprivães 2 da dita feytorya, ho capitão gerall e governador das Imdias, etc. Per este vos mamdo que a verba 3 que he posta no titulo 4 de Antonio 5 Fernandez, casado e morador nesta forteleza de Goa, nos livros desa dita feytorya, ha apages polios quaes o comdeney por lhe ser notefiquado pello vigairo da dita forteleza que todo ho morador ymsinase a sua molher e escrava que tevese o Pater Noster e Ave Marya, lemitando lhe pera yso tempo, e porque sem embarguo diso a dita esprava 6 moreo sem ser comfessada e comungada e feito autos de cristãa, seguundo nosa ley, ho comdeney nos ditos dous mill reaes7, os quaes por lhe fazer mercee ey por bem que nom perqa, e quero 8 que a verba 0 que he posta em seu titulo 10 lha rysqes, e bem asy vos mamdo que lhe pagues e des dous mill reaes ", de que lhe faço merce em (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 341. i — ffr" j s, — espvães ; 3, 9 — >ba; 4, 10 — t*; 5 — ant°; 6 — esf \ a: 7, 11 — rrs; 8 — qro. '78
  • nome del rey noso senhor12, por me descobrir algumas cousas de serviço do dito senhor 13, comprio asy, sem nem huma duvida. E per este, com o asemto dos ditos esprivaes 14, vos sera levado em conta. Feito em Goa aos primeiro 15 dia de Janeiro de 1513. Afonso de Alboquerque ,8. 12, i3 — sòr; 14 — espvaes ; i5 — pmeiro ; i(j—a® dalboqq. 17 9
  • 79 PADRE FERNÃO NUNES, CAPELÃO. 6 de Janeiro de 1513. Original existente no ANTT: — CC, II, 36-132 (1). Mede 170 X 220 mm. Meia fôlha escrita dos dois lados. Em bom estado. Framcisco Corvynell, feitor de Goa, esprivais1 de vosso careguo, o capitam gerall, etc. Per este vos mamdo que pages a Fernam Nunez, cape- lam vymte e seis meas esperas (2) por dezasete misas que lhe mandey dizer a homra de Samtantonio, pola roguatyva do embaxador do Preste, por nom sabermos novas dele, e per este com asemto dos ditos esprivaes3 vos seram levadas em comta. Feito em Goa a 6 de Janeiro 3 de 1513. Afonso de Alboquerque 4 (No verso) Recebeo Fernam Nunez, capeiam, do feitor vymte e seis meas esperas, comteudas neste mandado, por dezasete misas que lhe mandou dezer o capitam mor, e por verdade5 asynou aquy a 6 de Janeiro 6 de 1513. Fernam Nunez. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 346-347. (2) Ou «meias esferas». Moeda cunhada na índia, de ouro de 22 quilates, que valia meio cruzado ou 240 réis. I, 2 —stpvaes; 3, 6 — jau™; 1 — a" dalboqq; 5 —Hade. i 8 o
  • 80 FREI HENRIQUE ALEMAO 7 de Janeiro de 1513. Original existente no ANTT: — CC, 11, 36-134 (1). Mede 155 X 220 mm. Aléia escrita dum lado. Em bom estado. Francisco Corvinel, feitor1, esprivaes da feitoria, o capitam geral, etc. Per este vos mamdo que pagues o mantimento que for devido a Frey Anrique2 Alemão do dia que eu aquy che- guey em diante, se ja lho não tiverdes pago, a rezam de hum cruzado 3 por mes ate a fim do mes de Dezembro * pasado, e por este e asento dos ditos esprivaes vos sera levado em conta. Feito a 7 dias de Janeiro 5 de 1513. Afonso de Alboquerque 6. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 348. I — ftor; 2 — anriq; 3 — + do; 4 — dzo; 5 — jan"; 6 — a' dalboqq. l8l
  • 81 GOA. PANO PARA S. SEBASTIÃO 22 de Janeiro de 1513 Original existent no ANTT: — CC, II, 37-259 d (1). Mede 215 X 130 mm. Meia jôlha escrita de ambos os lados• Um buraco no meio e um corte não chegam a afectar a leitura. São 8 does. juntos. Framcisco Corvinell, feitor e esprivães da feitoria, o capitam jerall etc. Per este vos mamdo que des pera o bemavemturado Senhor 1 Sam Sabastiam quatro 2 covados de pano verme- lho 3 ou amarello, o que milhor for, o qual emtregares a Johãm Roiz, que diso tem cargo, e por este e asemto dos ditos espryvães, vos sera levado em comta. Feito a 22 dias de Janeiro 4 de 1513. Afonso de Alboquerque 5. (No verso) He verdade 6 que heu Joam Roiz reçebi de Framcisco 7 Corvinell, feitor de Goa, quatro covados de pano amarelo para Sam Sabastiam, e porque he verdade 8 que ho dele reçebi, lhe dei este por mim feito e asinado. Feito aos 22 dias de Janeiro de 513. João y° Roiz (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, 83. i — sníior; 2 — quart; 3 — vmclho; 4 — jan*; 5 — a" dalboqq; 6, 8 — idade ; 7-fr"; q-y«; l82
  • 82 PADRE ALVARO MERGULHÃO. 8 de Fevereiro de 1513. Original existente no ANTT: — CC, II, 37-65 (1). Mede 170 X 220 mm. Uma fôlha escrita dum lado. Em regular estado, com um rasgão de baixo para cima. Boa cali- grafia. Framcisqo Corvinell, feitor de Goa, es privães1 da dita feytorya, o capitão jerall etc. Per este vos mando que todo o mantymento que for devido Alvaro 2 Margulhão, (2) creliguo, lho pagues se lho aimda nam temdes paguo, e per este com ho asento dos ditos es privães 3 vos sera levado em conta. Feito em Goa a 8 dias de Fevereiro4 de 1513. Afonso de Alboquerque5. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 417-418. (2) O Padre Alvaro Mergulhão era capelão de Albuquerque. Tomou parte na conquista de Malaca em 1511 (Correia, II, 239), participando igualmente das dificuldades no ataque a Adem em 1513. (Id. 342.) Barros, falando da empresa de Adem, menciona um Padre Diogo de Mergulhão que é, sem dúvida, o nosso Padre Alvaro. (Barros, Década II, Liv. VII, Cap. IX, p. 242.) 1,3- stpvaes; I — alv'; 4 — fv"; 5 — a* datbo4q. i83
  • 83 PADRE PREGADOR DA ARMADA 12 de Fevereiro de 1513. Original existente no ANTT: — CC, 11, 31-92 (1). Mede 145 X 200 mm. Meia folha escrita de ambos os lados. Em bom estado. Os algarismos empregados na lista são romarvos. Framcisco Corvinell, feitor l, e esprivaes da feitoria, o capitam jerall, etc. Per este vos mando que entregues ao Padre Pregador (2) dous ornamentos e cobray dele conheçimento, e per este e asemto dos ditos esprivaes2 vos seram levados em conta. Feito a 12 dias de Fevereiro3 de 1513, por que ham dir na armada. Afonso de Alboquerque *. (No verso) De caldeirynhas de cobre 1 peça De casticaes darame 4 peças Detribos5 (3) 2 peças De campainhas 3 peças De cruzes 1 destanho e outra de latã 2 peças De corporaes 1 caxa De vestimentas6 de chamalote amorado 1 peça De frontaes do dito chamalote cõ franja vermelha7 1 peça De vestimentas 8 de lãa de cores De caixas em que as ditas cousas vam 1 peça (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 427-428. (2) Supomos ser o Padre Domingos de Sousa, dominicano, também constante companheiro de Albuquerque. (3) Isto é: turíbulos. I —f,r; a — stpvaes: 3 — fev'; 4 —a* dalboqq ; 5 — Cbos: 6, 8 — vestlmtas; 7 — vmelha; peças — p; 1 84
  • 84 HOSPITAL DE GOA. 1 de Outubro de 1513- Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 42-97. Mede 225 X 158 mm. Em bom estado, apesar-de algo esburacado no centro. Recebeo Mestre Afonso 1 proveador 2 do esprytall, de Francisco3 Corvinell, feitor desta cidade e fortalleza de Goa, trymta cruzados4 pera despesa dos doentes, os quaes trynta cruzados fiquam caregados em receyta sobre elle dito 5 Mestre Afonso 6, perante7 mym Francisco 8 Barroso, spryvam do dito 0 esprytall. Feito em Guoa ao prymeyro dia do mes de Outubro de 513 anos. Mestre10 Afonso 11 —Francisco 12 Barroso. i, 6, li —a'; a —fveador; 3, 8, ia-fr"; 4—hÍMi 5. 9-dó; 7-j-lte; io-m». i 85
  • 85 HOSPITAL DE GOA. 7 de Outubro de 1513. Documento original existente no ANTT: — CC, II, 42-121. Mede 211 X 161 mm. Em bom estado. Com um pequenino buraco no centro. Recebeo Mestre Afonso x, proveador de Francisco 3 Curvinell, feytor desta cidade e forteleza de Guoa, corenta cruzados pera despesa dos doentes do dito 4 esprytall, os quaes corenta cruzados fiquam caregados em receita sobre elle, dito 5 Mestre Afonso 6, perante7 mim Francisco 8 Barrosso, espryvam do dicto 9 esprytall. Feito em Guoa, aos sete dias do mes de Oytubro de 513 anos. Mestre 10 Afonso 11 — Francisco 12 Barroso. i, 6, IX — a# ; 2 — pveador ; 3, 8, 12 — fr** ; 4, 5 9 — dó ; 7 — pi te ; 10 — m*. l86
  • 86 PADRES PERO DE AGUIAR, ALVARO PENTEADO E FR. DOMINGOS DE SOUSA. Goa, 26 de Outubro de 1513. Original existente no ANTT: — CC, 11, 42-246 (1). Mede 160 X 220 mm. Meia fôlba escrita dos dois lados. Em bom estado. São 2 does. juntos- Francisco1 Corvynell, feitor de Goa e esprivam2 de voso cargo, ho capitam jerall vos mando que pagues Alvoro Fernandez 3, criado 4 da Rainha5 que ora casou com a molher de Estevam Bayam, dezoyto mill reaes6 de seu cassamento, mostrando certidam do vigairo em como os casou. Comprio7 asy. E per este, com seu conhecimento 8 e asento dos ditos esprivaes 9, vos seram levados em comta. Feito em Goa a 26 dias de Outubro 10 de 1513- Afonso de Alboquerque u. (No verso) Senhor12 feitor, he verdade 13 que Alvaro 14 Fernandez 13 he casado com Breatiz Baiam, molher que foi (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 457. i—fr"*; 3 — espvam ; 3, i5 — frfz ; 4 — Sado ; 5 —R'; 6 —rrs; 7 — compo; 8 — cto;9 — espvaes; lo — douP; n — a' da!bo$q; ra —Súor; |3 — idade; 14—alv». 187
  • de Estevam Baiam, a porta 16 da igreja, e hos casou Pero 17 de Aguiar, vigairo desta cidade e fortaleza de Goa, e pera hysto tomey quatro testemunhas, a saber, Vicente da Costa, Paio da Costa, Francisco Dias, Alvaro 18 Penteado, capeiam da dita cidade, todos ajuramentados aos Samtos Evanjelhos, e todos pelo dito juramento diseram que foram presemtes quamdo ho dito vigairo hos recebeo a porta da igreja, e por ser 19 verdade lhe mandey pasar este alvara 20 so meu sinal. Alvaro 21 Penteado ho fez a dias de Abril de 513. Dominicus de Sousa, Bacalaurius Indie ac vicarius. 16 — fta; 17 —p'; 18, 21 —alv»; 19 —t; 20—ai»' . 1 88
  • 87 PADRE VIGÁRIO DA CIDADE DE GOA. 26 de Outubro de 1513. Original existente no ANTT: — CC, II, 42-243. Mede 140 X 220 mm. Meia jôlha escrita dum lado. Em bom estado, apesar-dum pequeno buraco no centro. Francisco 1 Corvinell, feitor de Goa, e esprivaes 2 de voso cargo, ho capitam jerall vos mando que des ao Padre Vygayro desta cidade de Goa (l) mill reaes ' por hum ofiçio que dise pola alma de Dom Geronimo, dos quaes lhe faço esmola por sua alma, e per este, com asemto dos ditos esprivaes4, vos seram levados em comta. Feito em Goa a 26 dias de Outubro 5 de 1513. Afonso de Alboquerque 0 (1) Era o Padre Pedro ou Pero de Aguiar. (CC, 11, 42-246.) i — t"; 2, i — espvães ; 3 — rfs ; 5 — lout"; 6 — a* dalboqq.
  • 88 CARTA DE AFONSO DE ALBUQUERQUE A EL-REI. 2 de Dezembro de 1513. Original existente no ANTT: — CC, 1, 14-11 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de 4 jôlhas não numeradas. Encontram-se todas esburacadas, quasi no centro. Boa caligrafia. Senhor \ Vi outra carta que me Vosa Alteza espreve 2 sobre Diogo Correya, (2) o quall eu pus em Cananor por capitam ata Vossa Alteza prover quem lhe pareçer3. E nam ouve aqui mais respeito que ser huum homem catyvo por vosso serviço e roubado quanto tinha e la em Portugal 1 mui mal tratado em sua fazemda e em sua homra, amdamdo elle qua servyndo, e também porque era homem mamsso e sem pomtos pera asesegar a comdiçam de Cananor, porque el rey nam pode sofrer Manuel Cunha. Partime * eu (3) pera Mallaca e, quamdo vim, achey esta embrulhada que eu aqui diser a Vosa Alteza: Joham Serram escamdalizado delle e nam sey porque; e achey a (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I, 175-178. (2) Tinha chegado à índia na armada de D. Francisco de Almeida em 1505 como capitão duma nau de carga que devia regressar ao reino. (Correia, 1,}0). Com efeito, regressou ao reino (Id, 609) para tornar novamente à índia em 1508. (Id. 886). Foi depois nomeado capitão de Cananor. (3) Isto é: «parti-me eu». I — Sniior; a — stpreve; 3 — precer; 4 — partlmeu. 190
  • massa de Cochim, (l) que era o vigairo, Amtonio5 Reall, Lourenço 6 Moreno e Diogo 7 Pereira, muy queixosos delle. E mexiricaram no com el rey de Cochim, dizemdo que elle dava seguros a Calecut, que ho esprevese asy a Vosa Alteza; fizeram com o vigairo que posese amtredito em Cananor, e durou o amtredito sete meses, e per espiçiall privilegio 8 deu o vigairo lugar alguumas pessoas 9 que ouvisem misa em suas cassas. O por que o vigairo 10 pos amtredito, dillo ey aqui a Vosa Alteza: amdamdo hum espravo de hum homem da feitoria jugamdo as punhadas na cidade de Cananor com hum naire, sayo hum naire christão 11 em huma almadia a bordo da terra na praya da cidade, e acodio ao arroydo ajudar o moço da fortalleza, e matou o naire dei rey de Cananor, e acolhe se a igreija. Mamdey eu tirar imquiriçam: provou se como lhe diseram que hum naire dei rey de Cananor dava em hum moço da fortalleza, e como lhe diseram, que tomara sua espada e adarga e saltara fora da almadia e, chegamdo omde estava o naire, que ho meço se metera com elle as cotiladas e o matara. El rey de Cana- nor per muitas vezes se mamdou agravar do mesmo feito, com muito escamdallo. Tirada a imqueriçam, provou se o preposito. Mamdey tirar o naire fora da igreija e, por ser christão 12 novo e conheçe aquela merce e abrigo da igreija, mety homens que rodeadamemte lhe pedisem a vida a el rey de Cananor, e el rey de Cananor me mamdou dizer que lhe mamdase deçepar huma maao e mais nam. Mamdey o assy fazer, e el rey de Cananor ficou mamsso e satisfeito. O vygairo nam lhe pareçia 1S, segumdo o favor de Vosa (1) Era assim que Albuquerque intitulava por vezes o grupo de Cochim que lhe era hostil. 5 —aim"; 6-Lí»; 7 —d'; S —pvilegio; 9-P": 10—vig"; 11, 12 —xpã© i3 — precia. 191
  • Alteza com que chegou á Imdia, que avia outro governa- dor 14 senam elle, e foy por amtredito em Cananor e pena de 400 cruzados 15 ao capitam, dizemdo que a elle perten- çia 18 aquela determinaçam 17 e nam a mim. Emtrou aqui também nesta embrulhada ser Gomçalo ls Memdez, feitor 19, afilhado do vigairo 20. M — g" ; >5 h i,s; 16 — pteneia ; 17 — detminafam ; iS — g® ; 19 — ftor; ao — rig". 192
  • 89 ALBUQUERQUE RESPONDE A EL-REI A RESPEITO DOS CASAMENTOS 3 de Dezembro de 1513. Original existente no ANT~T: — CC, 1, 14-12 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de 14 folhas não numeradas. Em bom estado. Item. Per outro capitulo 1 diz Vosa Alteza que cesem os n v.i casamemtos, asy os de Goa como os de Cochym e Cananor. Per este capitulo 2 e per outra carta digo, Senhor3 que lia hum ano que ese feito esta de cala, porque hy nom avia dinheiro *. Alguuns fizerom vosos oficiaes neste tempo, nom sendo eu na Yndia, porque querem também governar5 e mandar. Agora que Vosa Alteza mamda // que çese este feito, [8 r.i far se ha. (1) IViblicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I, 181-198. i, j — cap*; 3 — snúor; 4 — drr*; 5 — gomar. i93 i3
  • 90 MULHERES PARA USO DOS CRISTÃOS Cananor, 3 de Dezembro de 1513. Original existente no ANTT:—CC, II, 43-117 (1). Mede 310 X 220 mm. Uma fôlha, escrita dum lado . Em bom estado- Senhores1 Framcisco Nogueira2 e Gonçalo3 Memdez (2), eu mamdo laa estas oyto molheres. Peço vos por merce que as tenhaes hy bem agasalhadas, e estaram ao uso dos homens christãos4 e nam mouros. Mamdai lhes dar seu mantimento de arroz e mamteiga, e cada ano averam seu parava. E sejam bem agasalhadas per vos, e seu mantimento muito bem pago, emcomemdovo las muito, porque de tres em quatro meses viram estas e yram outras. De Cananor, a 3 de Dezembro 5 de 1513. Afonso de Alboquerque 8. (Por mão de Albuquerque) E sejam agasalhadas bem e nom nas tenha nygem apartadas per sy. Afonso de Alboquerque 7. (1) Publicado cm «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 466. (2) Francisco Nogueira e Gonçalo Mendes eram respectivamente ca- pitão e feitor da fortaleza de Calecut, feita em 1512. (Correia, 11, 330-332). i — snnorcs; a — nog'*; 3 — go; 4 — xpãos; 5 — dez"; õ, 7 — a" dalbo^q. / 94
  • 91 HOSPITAL DE GOA. 24 de Dezembro de 1513 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 43-203. Mede 160 X 140 mm. Bom estado. Recebeo mestre Afonso \ proveador, de Francisco2 Curvynell, feitor desta cidade e fortelleza de.Guoa, dez cruzados pera despesa do esprytall, os quaes dez cruzados ficam quaregados em receita sobre elle dito 3 mestre Afon- so 4 perante5 mim Francisco 6 Barroso, espryvam do dito 7 quarrego. Feito em Guoa aos 24 dias do mes de Dezembro de 513 anos. Mestre 8 Afonso 9 — Francisco 10 Barroso. I, 4, Í — a" j J, 6, io— frr" ; 3, 7 — dô ; 5 —fãte ; 8 — m«
  • 92 D. MANUEL DE PORTUGAL A EL-REI DE ORMUZ. 1513-1514 Documento existente no ANTT: — C. M. —4-196. Mede 219 X 145 mm. Minuta. Apresenta um rasgão na margem direita superior. Nobre e honrado Rey de Ormuz, nos D. Manuel etc vos fazemos saber 1 que dos mouros que vieram com voso embaixador que a nos emviastes se quis tornar christão 2, e de feyto tornou Carym caçador da omça, o qual com ella emviamos ao santo padre a Roma. E voso embaixador nos pedio por merce 3 que vollo noteficasemos asy, por nosa carta4 pera diso serdes certo (l). (1) Este Carym, caçador da onça, acompanhou depois Tristão da Cunha na magnifica embaixada que el-rei D. Manuel enviou ao Papa era fins de 1513, tendo chegado a Roma em meados de Fevereiro de 1514. (Gois, 111, 185-187.} i — sabf ; a — xpaão ; 3 — Ace , 4 — ccí ; / 96
  • 93 HOSPITAL DE GOA 14 de Janeiro de 1514. Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 44-51. Mede 265 X 160 mm. Em bom estado. Recebeo mestre Afonso proveador 3, de Francisco 3 Curvynell, feitor desta cydade e fortalleza de Goa, dez cru- zados pera despesa do dito4 esprytall os quaes fycam quaregados em receita sobre elle dito5 mestre Afonso8 perante7 mim 8 Francisco 9 Barroso, espryvam do dito10 quarrego. Feito em Goa aos 14 dias do mes de Janeiro11 de 514 anos. Mestre 12 Afonso 13 — Francisco 14 Barroso. ■ i, 6, i3 — «•; 2 — fveador; 3, 9, u-ft"i 4> 5, 10—dó; 7 — f amte; g — m ; 11 — Janro ; 12 — m*. 1 97
  • 94 EL-REI D. MANUEL ESCREVE A AFONSO DE ALBUQUERQUE SOBRE A NAVEGAÇAO DOS CRISTÃOS. Almeirim, 2 de Março de 1514. Original existente no ANTT: — CC, I, 14-75 (1). Mede 270 X 200 mm. Uma fôlha só, escrita dos dois lados. Em bom estado, apesar-de alguns buracos. Afonso de Alboquerque 1 amiguo. Nos EIrey vos em- viamos muyto saudar. Nos spreveemos2 a Antonio3 Reall, arell de Cochim, (2) emcomendando lhe que trabalhe de meter em costume que os christãos4 da terra 5 e asy gemtios navegem em nosas naaos e navios, e em tall maneira 6 que os mouros imigos de nosa samta fee percam 7 a nevegaçam e se tirem delia e parecee8 nos que, metendose ysto em custume, sera cousa de que se nos segira muyto serviço9. Encomendamos vos muyto que ho favoreçaes e ajudes nisto quanto 10 poderdes, porque, fazendose ysto, sera11 azo de se irem arrancando (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, 231-232. (2) Como se vê claramente, não se deve confundir este António Real, arei de Cochim, ou se}a piloto da barra, convertido em 1510, com António Real, alcaide de Cochim. É muito provável que êste fôsse padrinho de baptismo daquele. i, — a« dalboqrq ; 2 — stfvecmos ; 3, —Ant*; 4 — xpãos ; 5 —trra; 6 —man."! 7 —pcam , 8 — preçee; 9 — sviço; 10 — qnto; 11 — »a. l 98
  • de todo os mouros desa terra 12, e do que nisso se fezer folgaremos de nos avisardes. Sprita13 em Allmeirim a dous dias do mes de Março. Antonio 14 Fernandez15 a fez de 1514. Rey. Outra tall pera Affomso de Alboquerque10. (No verso) Por Elrey a Affomso de Alboquerque 17, do seu comselho, seu capitam moor das partes 18 da Imdea. Outra tal em como espreve19 Antonio20 Reall arell que nesta emvio navegarem em nossas naos os christãos -1 e jentios por os mouros perderem 22 a navegaçam. Respon- dida. n-trra. i6, 17 —a« dslbo<5rq ; i4, 20 —Ant»; si-xpáos; l3 — stfta; i5- frrz; 18— ftes ; 19 — esfve ; 22 — fiderem. I 99
  • 95 FR. DOMINGOS DE SOUSA, VIGÁRIO GERAL. 10 de Julho de 1514. Original existente no ANTT: — CC, II, 49-42 (1). Mede 175 X 220 mm. Em bom estado, mas com um pequeno buraco no meio. Meia folha escrita dum lado. Recebeo 1 Frey Domingos de Sousa, (2), vigairo geerall das índias, de Francisco 2 Corvinell, feitor de Goa, quoatro marcos e meio 3 de prata em tangas de Ormuz que se mon- tou nelas quorenta pardaos e nove fanoões4, dos quoais se fez huma costodia pera o Sacramento, que pesou tres marcos e seis homças e meia 5, que huma onça e meia 8 se deu aos ourivez do feitio dela, e meio 7 marquo pera huma caixinha pera hum crucifixo (3) que se achou, a quall cos- todia e caixa se fez per mandado do senhor8 capitãao geerall em 10 de Julho de 1514. Airez Diaz. Dominicus de Sousa bacalaurius ac Vicarius Indie. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 96. (2) Era companheiro de Afonso de Albuquerque. Pertencia à Ordem de S. Domingos. (3) Este crucifixo, de que aqui se faz menção, enconírou-se numa escavação que em Goa fez um homem quando ia abrir uma poço Correia menciona o facto. (Lendas, 11, 328.) i — R*; z — f" ; 3, 7 — m"; 4 — f" ; 5, 6 — m* ; 8 — Sr. 2 0 0
  • 96 PADRE JOÃO NUNES, VIGÁRIO DE CANANOR. 11 de Julho de 1514. Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 49-63. Uma jôlha. Mede 219 X 295 mm. Dom Manueli per graça de Deus, Rey de Purtugall e dos Algarves, daquem e dalém mar em Africa, senhor de Guiné mamdamos a vos recebedor 2 da nosa chancelaria 3 que des 3491833 reis que no caderno da chancelaria4 do cyvell ficaarom por despender este anno de 514 des aos her- deiros 5 de Giam Nunez vigairo 6 que foy em a nosa for- teleza de Cananor novemta sete mill quinhentos e oitenta huum reis que lhe mandamos dar por outros tamtos que na nossa casa da Imdia foram comprados pêra nos da pimenta que na dita casa ficou per morte do dito frei Giam Nunez, segundo 7 vimos per certidam de noso feitor 8 e oficiais da dita casa feta per Joham Fernandez a 28 dias de março de 514, que ao asynar desta foi rota, dos quais lhe vos farey bom pagamento semdo primeiro 9 certo per outra certidam sua de como se ipos verba 10 nos livros domde a dita certi- dam saio que ouve pagamento delles em vos. E per este com seu conhecimento 11 vos seram levados em comta. Dada em Lisboa aos 11 dias de Julho, el Rey o mandou pello comde de Villa Nova e Vedor12 de sua fazemda. Diogo 13 Vaaz o fez de 1514. O conde14 de Vila Nova. i _ g«; 2 — R" ; 3, 4 — chanl" ; 5 - herd" ; 6 — Tig™ ; 7 — seg*; 8 - ftor; 9 — ftm* ; lo — rrba ; n — cto. 12 — Vdor; i3 di* ; 14 — conde. 2 0 1
  • 97$581 reis aos herdeiros 15 de Giam Nunez vigairo 16 de- vidos de sua pimenta pagos na chancelaria 17 do civell visto Pero 18 Gomez Foy posta a verba 19 segundo20 forma deste dessem- barguo a 22 de agosto 21 514. Homem Lopes — João 22 Fernandez 23. A quamtos este alvara 24 de conhecimento 25 virem digo eu Alvaro26 de Vyana, escrivão na Chãncelaria da casa do cyvell que he verdade27 que Pascoall Nunez, irmão e herdeiro de Giam Nunez vigairo que foi da chancelaria da casa do cyvel noventa e sete mill e quynhentos e oytenta e hum reis, contados neste desembarguo atras escrito, e por que he verdade asynou aqui aos 25 de fevereiro de 516 anos. Allvaro de Viana — Pascoal Nunez.
  • 97 PRÉGADOR INDIANO. 13 de Julho de 1514 Original existente no ANTT: — CC, 1, 15-89 (1). M.ede 290 X 220 mm. Consta de duas folhas. O documento encontra-se na primeira página da primeira folha. Em bom estado. Nos El Rey mamdamos a vos, Ruy Leite, cavaleiro de nossa casa e recebedor 1 do noso tesouro delia, e ao espri- vam 2 dese ofiçio, que dees Antonio 3 da Costa ymdio que nos ora qua emvyou Afonso de Albuquerque 4 pera se em- synar a pregar, hum capuz pelote, de preço de duzemtos e cymcoemta reaes o covado5, e humas calças de garda- late, (2) de preço de cemto e çimquoemta reaes a vara, e hum gabam de chamalote e hum par de camisas de lemço da terra6, e hum par de bruzaguis, todo feyto tirado da custura, e per este com seu conheçimento vos seram levados em comta. Feyto em Lisboa 7 a 13 dias de Julho de 1514. E outro tal vestido darees ao piloto indio que esta no esprital8. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, 129-130. (2) Pano antigo. Também chamado gardalete. i —R"; 2 — stpvam ; 3-át»; 4-a* dalbuquerq; 5 - C»; 6 — trrá; 7 — lix* ; 8 — esptal. 2 O 3 1
  • E asy dares outro tall vestido ao mouro que veyo com ho piloto sobredito. Rey O Conde. Receberam o piloto e seus vestidos feytos e tirados da custura e asy borzeguis em 16 dias de Setembro de 1514. Jorge Correa. Vestido 0 a este ymdio pera se ensynar a pregar e outro tal vestido ao piloto indio que esta no esprital10. 9 — vd« ; io - espia!. 2 0 4
  • 98 HOSPITAL DE GOA. 31 de Julho de 1514 Documento existente no ANTT: — CC, 11, 49-192. Mede 185 X 145 mm. Em bom estado, apesar de alguns pequenos buracos. Recebeo Alvaro1 Penteado2 porveador2 do espritall desta cidade de Goa, cincoenta teadas do feitor as quaes teadas sam pera lanções e traveseiros e asy ficam carregadas em receita sobre ele dito porveedor3. Feito em Goa per mym Artur Vaz esprivam4 do dito espritall, ao derradeiro dia de Julho de 1514. Alvaro 5 Penteado 0 — Artur V az de teadas — 50 pardaos 98 I — a!v« ; i, 3 — fiveedor; 4 — espvS; 5 — alv™ ; 6 — pM. 2 O 5
  • 99 HOSPITAL DE COCHIM 2 de Agosto de 1514 Original existente no ANTT: — CC, 11, 50-14 (1) Mede 310 X 215 mm. Uma fôlha escrita dos dois lados. Em bom estado, apesar-dum pequeno buraco no centro. Dom Garçia de Noronha, etc, por o poder que tenho do senhor1 capitam moor mando a vos, Alvaro2 Lopes, almoxarife 3 dos mantimentos 4 desta forteleza e ao espri- vam 5 de voso carrego que emtregees a Gonçalo 6 Afonso 7, provedor 8 do espritall 9, cemto e oyto paras de trigo 10, do que recebestes da naao Enxobregas, pera o elle aver de vemder, e com o dinheiro 11 que por elle ouver, dar de comer aos doemtes que estam no espritall12 este mes que se agora começa, por quanto na feitoria 13 nam ha dinheiro 14 pera se nyso gastar, no qual trigo 15 por o preço16 que vali na casa a quatro 17 fanões 18 para, momta vymte quatro 19 cruzados20, e os doemtes que no espritall21 estam sam quimze 22, e o dito Gonçalo 23 Afonso24 o vemdera com o (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 118. I — sôr; I— alv"; 3 — alx«; 4 — m'»«; 5— cstpvam ; 6, 23 — g* ; 7, 24— a° ; 8—pvedor; 9, 12, 21 —esptall; 10, i5—tgo; 11, 14 — dr»; i3 — f*; :6 — pço; 17, 19 — q" ; 18 — f**; 20 (- 2d0!; 22 — qmze. 2 06
  • esprivam 25 de seu carego a quem por elle mandar, e por este com seu conhecimento26, feito em forma por seu esprivão 27, vos seram levados em despesa 28. Feito em Cochim, 2 dias de Agosto de 514. Dom Garcia20. (No verso) Recebeo ho senhor 30 Gonçalo 31 Afonso 32, provedor do espritall 3S, este triguo quonteudo neste alvara, de Alvoro Lopez, almoxarife34 dos mantimentos, a saber, cemto oto paras pera mantimento dos ditos 35 doentes que estam no espritall 30, e por que verdade lhe dey este, feyto por mim Pero Lourenço37, escrivam de seu careguo, e asynado por anbos. Feito hoje tres dias de Aguosto de 514 annos. Gonçalo 38 Afonso 39 Mealheiro — Pero 40 Lourenço 41. 25 — estpvam ; 26 —c"; 27 — estfvão ; 28 — desp* ; 29— geia; 3o —Sôr; 3i, 38- g° ; 32, 39-a»; 33, 36- esf tall; 34-alx"; 35-dicós; 37, 4» — L*í 40 — p\ 2 0 7
  • 100 LIBERDADE RELIGIOSA EM CALECUT 3 de Agôsto de 1514 Original existente no ANTT: — CC, II, 50-20 (1). Mede 510 X 220 mm. Uma folha, escrita dum lado, com um pequenino buraco no centro. Em bom estado. Francisco 1 Nugueira, capitam desta fortelleza de Ca- llecut, mando a vos, Gonçalo 2 Mendez, feitor 3, e ao espri- vam 4 de vosso carguo, que des vymte cymquo fardos de aroz chambaçall a estas pessoas 5 abaxo nomeadas, que lhe mando dar em nome delrey noso senhor °, pera esta sua festa prin- cypal7 que aguora tem, por quanto sam pessoas8 princy- paes 9 e privados 10 delrey, que no fazer desta fortelleza nos deram sempre muita ajuda e favor, a saber, a ho catuall grande 11 cymquo fardos, e ao outro catuall de nossa guarda quatro fardos, e a Punalledo Abtyva Namby bramanes oyto fardos 12, e a Carnap Menoque quatro fardos, e ao Calecut Nambear/ nosso alguazyll quatro fardos 13, e bem asy com- prares vynte e dous panos cachas que dares ao panycall e aos 20 nayres que de comtyno servem e dormem nesta for- telleza dos 50 14 de nossa guarda, que também lhe mando dar em nome de Sua Allteza, pera sua festa, por quanto (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, 131. i — fr°*; a — g* ; 3 — f" ; 4, — estpvam ; 5, 8 — p" ; 6 — sór ; 7 — fmcypal; 9 — pncypaes; 10 — piados; 11 — jjde; 11, i3 — fdos; 14 —L'*. 2 08
  • asy he ho custume da terra 15, e serem omes que nos sempre bem servyram e guardaram 18, e asy dares outros dous panos aos dous esprivães 17 da cassa, e per este com asemto de vosso esprivam 18 vos sera levado em comta. Feyto em Callecut, oje 3 dias de Agosto de 514. Francisco 19 Nogueira 20. i5 — trã; 16 — gdaiã; 17—cstpváes; 18 —eslpvam; 19—20—nog™. 20Ç «4
  • 101 HOSPITAL DE GOA. 7 de Setembro de 1514 Original existente no ANTT: — CC, 11, 51-54 (1). Mede 145 X 150 mm. Meia folha escrita dum lado. Em bom estado. Recebeo Allvaro 1 Penteado, proveedor2 do espritall, vinte e seis panos de mantazes pêra cobertores, do feitor, os quais 26 panos ficam carregados sobre elle dito provee- dor 3. Feito em Goa per mym, Artur Vaz, esprivam 4 do dito espritall a 7 de Setembro de 1514. Alvaruz Penteadus5. Artur Vaz. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VJI, 131. I —alv*; i, 3 —pveclor; ,4 —espvam; 5 —pt". 2 10
  • 102 HOSPITAL DE COCHIM 1 de Outubro de 1514 Original existente no ANTT: — CC, 11, 52-1. Mede 150 X 220 mm. Meia fôlha escrita dum lado. Em bom estado. Alvaro Lopez, almoxarife1 dos mantymentos2 desta fortaleza de Cochym, Dom Garçya de Noronha, pello poder que tenho do senhor 3 capitam moor etc. Per este vos mando que dese vynho que temdes em voso poder delrey noso senhor4 des a eses doemtes que estam no espritall5, a cada hum seu quartylho per dya, hos quaes vos daraa Gonçallo Afonso, provedor, em roll quantos sam, e lho começares a dar do primeiro 6 de Outubro, e per este com ho asento do esprivam7 de voso careguo, vos sera levado em conta. Feyto em Cochym ao primeiro8 de Outubro de 514 annos. Dom 9 Garcia10. i —. alx* ; 2 — mantymentos ; 3 — Sn6r ; 4 — sôr ; 5 — esptall; 6, 8 — £meyro; 7 — cspvam ; 9 — d; 10 — £cia. 2 11
  • 103 ALBUQUERQUE ESCREVE A EL-REI SÔBRE O AREL DE COCHIM. 20 de Outubro de 1514. Original existente no ANTT: — CC, I, 16-49 (1). Mede 280 X 200 mm. Duas folhas não numeradas. Encontram-se ambas esburacadas no angulo direito inferior. Boa letra. [i r | Senhorl. No que me Vossalteza espreve 2 sobre o acre- çemtamento do soldo do Arell, eu ho pus naquelo quamdo se tornou christão3. Agora que lhe Vossalteza faz esta rnerçee, tudo he nele bem empregado, porque ele he verda- deiro 4 servidor de Vossalteza e seus irmãos e toda sua cassa sempre sam chamados pera todallas dilijemçias e trabalhos que compre em Cochim, e ele serve bem e tem muita jemte e mando na terra5, porque todos eses macuas, (2) pesca- dores e marynheiros e barqeiros, tudo he debaixo de sua jurdiçam e mamdo, e aimda me pareçe que ha de trazer todolos arees seus paremtes, asy o de Calecut, e ho de Porca e de Caecoulam, a serem christãos 6, e ja mo a mim mamdou cometer ho de Calcut. (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I, 269-270. Outra via desta carta pode lêr-se em CC, I, 16-81, com peque- níssimas variantes de cópia. (2) Eram pescadores ou marinheiros. i — Snfior; 2 — espve; 3 — xpão; 4 — rdadeiro; 5 — trra; 6 —xpãos. 2 13
  • Eu ho achey hum pouco de qebra com el rey de Cochim, quamdo vym de Adem, e pola omrra e gassalhado que lhe fazia, ho chamou el rey e lhe descobrio em gramde segredo que fizese comigo que ho fosse eu ver7 a sua // cassa, e [i v.j eu, asy por comtemtar el rey de Cochim, como por soldar suas qebras com ele, ho fuy ver 8, domde ele ficou muy muy açeito a el rey e em gramde amor seu. 7» »> — r. s i 3
  • 104 ALBUQUERQUE MANIFESTA A EL-REI A SUA OPINIÃO ÃCERCA-DA NAVEGAÇÃO COMERCIAL INDÍGENA. Goa, 25 de Outubro de 1514. Original existente no ANTT: — CC, I, 16-74 (1). Mede 300 X 220 mm. Consta de duas jôlhas não numeradas. O documento encontra-se roto nas margens superior direita e in- ferior esquerda, afectando a assinatura de Albuquerque. D- r-I Per outra carta me diz Vossalteza que ha por sem duvida, metemdo se em huso dos christãos 1 da terra e asy jemtios navegarem, e comprar e vemder, se tirara de todo ho trato das mãaos dos mouros, e por ser cousa que tamto importa a voso serviço me mamda Vossalteza que me trabalhe por que asy se faça. Digo, Senhor2, que os jemtios em toda parte sam favo- reçidos de mim, e bem tratados suas pesoas, naos e merca- darias, omde qer que sam achadas, mas os jemtios sam homeens de fracos cabedaes, e eses christãos3 da terra pouca fazemda tem pera apagarem tam cedo a força do trato e companhias dos mouros da Imdia, porque sam homeens ricos e de gramdes fazemdas, e tratam muy grossa- (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I, 306-307. Esta carta responde à que el-rei lhe escrevera em 2 de Março de 1514 já publicada no N.° 94. El-rei encomendara-lhe que protegesse a navegação hindu afim-de minar a dos Momos. i, 3 — xpaos ; 2— snnor. 2 14
  • mente e com gramde numero de naos; porem, sempre ese feito dos jemtios foy favoreçido de mim e sera, e primçi- pallmente4 os christãos5 da terra, mas a mim, Senhor6 me pareçe que nam he ese o caminho pera tam cedo se apa- gar ho trato dos mouros porque, se os mouros istivesem em terras per sy e os jemtios em terras e portos per sy, pareçer me ia que aproveitaria o favor e boom trato nese feito, mas //eu os mercadores mouros terem seus asemtos e po- li *l voações nos milhores portos dos jemtios e tem muitas naos muy gramdes e tratam muy grosamente e os rex jemtios muy abraçados com eles, pollo proveito que lhe trazem cada ano; os baneanes de Cambaya, que sam os primçipaes T mercadores jemtios destas partes, a companha de suas naos toda he de mouros. Esprita8 em Goa a 25 dias de Outubro 9. Antonio 10 da Fomseqa a fez, de 1514. (Por moo de Albuquerque) Feytura e servydor de Vosa Alteza. Afonso 11 de Alboquerque. 4 — pmcipallmente; b — xplos; 6 — suor; 7 — pmcipães j 8 — espia; 9 — dout*; 10— St*; 11 — a". 2 I 5
  • 105 ALBUQUERQUE INFORMA EL-REI SOBRE A IGREJA DE COCHIM. 25 de Outubro de 1514. Original existente no ANTT: — CC, 1, 16-67 (1). Mede 300 X 220 mm. Duas folhas não numeradas. Em bom estado. Ii r-1 Senhor 1. Açerqa da igreja 2 de Cochim que me Vossal- teza espreve 3 que se faça, por ser aquela piqena e nam tall como a que Vossalteza folgaria que fose, qero, Senhor4, dar comta do que nesse negoçio passa. Quatndo nosos pecados quysseram que do negoçio de Calecut viesemos asy descomtemtes, (2) determiney5 de tudo o que se aly tomou ser pera as obras da igreja 6, e pus por reçebedor disto Fernamdo Anes, hum escudeiro7, ho- mem de bem de Santarém, (3) e por seu esprivam 8 Gon- salo 9 Afomso 10 Mealheiro, amo (4) de Dom Joham que Deus 11 aja, voso camareiro moor, os quaes reçeberam qua- tro 12 cemtos curzados, e ajumtaram gramde soma de call e pedra; deixey o lugar omde se avia de fazer asynado e com (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I, 298-300. (2) Refere-se ao desastre de Calecut em que o marechal D. Fernando Coutinho encontrou a morte. (3) Compare-se esta opinião favorável de Albuquerque à totalmente oposto de Gonçalo Fernandes já exposta. (4) Julgamos que onde se lê «amo» deve lêr-se «criado». Uma asso- ciação de idéias por oposição teria explicado êste êrro. i — snnor ; 2, 6 — Igia; 3 — espve; 4— sfior; 5 — detminev ; 7 — escud"; 8 — espvam; 9 — g°; 10 — a* ; 11 — ds; 12 — q1* 2 / 6
  • as medidas tomadas, afastadas mais da fortaleza, defromte da amcoraçam das naaos que de fora estam surtas. Deixey este feito emcomendado Amtonio 13 Real e a Lourenço Moreno, emcarregamdo lho muy muito. Nunca niso poseram mais mão. Como me party, tomou lhe Amtonio lj Reall gram parte da call pera o muro da fortleza, e dela pera as suas obras, e da pedra também tomou soma dela, e alguma furtaram. Amdey açerqa de dous anos fora de Cochim. Quamdo vim, nam achey nada feito, nem pedra, nem call, nem dinheiro Faleçeo Fernamdo Anes em Cochim // e achamos lhe me- nos pela comta certo dinheiro 17, e tynha todo seu soldo gastado e nam podemos aver18 o que devia; a pedra e call, delia esta nos muros de Vossalteza e dela nas paredes e cizternas de trigo 19 das casas que Amtonio 20 Reall começava de fazer, em que agora mamdo fazer ho espitall, e a igreja logo alem do espitall hum pouco. E porque os alemães qerem fazer huma capela sua, também deixey o lugar determi- nado 22 homde ha aviam de fazer, e pois que ho Vossalteza agora mamda, apertai os ey23 em tall maneira que ha façam, aímda que seja comtra24 suas vomtades, como foram as cassas das vossas feitoryas. Também esta nas mãos do padre vigairo 25 qynhentos cruzados 20 que em Goa se tornaram, per comfisões, de fa- zemda roubada a Vossalteza desas pressas que se as vezes fazem, ou fizerram ja em alguum tempo, os quaes estam determinados 27 pera a igreja 28 de Samta Caterina de Goa, porque também tem as partes aly qynham, e por isso ordeney que fose todo pera a igreja29; e este padre vigairo30 que agora qaa estaa he homem de boom cuidado, e pareçe me que se quer desviar do caminho dos outros. Ele, Senhor31, i3 ,5-amf; I4-L«; 16, n-if\ 18-a-, iq-tgo; 20-amt»; 21,28, 2Q Igja ; 22, 27 — dctifiinado ; 23 — aftalosey ; 24 comt* ; 25; 3o >ig , 2 -f- 2d»«. 31 __ snnor. ) 2 1 7 \
  • me comtemta em todalas suas obras, se o a terra32 nam apalpar. Açerqa da limpeza da igreja 83 e todo all que Vossalteza ordena, se guardara imteiramente. Ela tem creligos cabas- te (1) e pregador e bõons ornamentos deses veludos e pro- cados que trouxemos do Estreito, e outros que lhe Vossalteza tinha dados, e nam faleçeriam qaa calezes, vistimenta e tudo 12 r ) o que // fose necesario, se Vossalteza ouvese lugar do Pa- dre Samto ou dos Bispos 34 e Arcebispos que podese qua ho vigairo 35 comssagrar, porque muitas pesoas ha qua que, por suas devaçõees, sempre partiraam do que lhe Deus38 daa com as igrejas3', porque he muito lomje mamdar por um calez a Purtugall e mamdar la comssagrar huma vesti- memta ou outras cousas neçesareas ao oficio divino. Acabada em Goa a 25 dias de Outubro38; Amtonio39 da Fomseqa a fez, de 1514. (Por mão de Albuquerque) Feytura e servidor de Vosa Alteza. Afonso de Alboquerque40 (1) Isto é: que bastem. 3j — trí-a ; 33, 37 — Igja ; ?4 - bpfis ; 35 - vlg" ; 36 - ds ; 38 - dout'; 3q _ St®; 40 — a* dalboqq. v 2 I 8
  • 106 ALBUQUERQUE ESCREVE A EL-REI SÔBRE A POLITICA DOS CASAMENTOS. Goa, 4 de Novembro de 1514. Original existente no ANTT: — CC, I, 16-101. (1) Mede 300 X 225 mm. Duas folhas não numeradas. O documento encontra-se comido nas duas margens superiores de ambas as folhas. Boa caligrafia. Senhorl. Posto que eu seja pouquo cyoso de minha vida l1 r-l e meus custumes, por amdar tudo no campo e nos olhos dos homens, eu hei ho mundo por tarn mao que me pareçe todo o que os homens diserem se a de de crer. Diguo, Senhor 2, ysto pello que Amtonio Reall e Dioguo Pereira3 e Gaspar Pereira4 e seus parçeiros na sua carta que vos la mandaram, que Vossalteza vio, vos espreve- ram 5 dizemdo que eu vemdia as espravas 0 aos homens pera casarem com ellas e tinha esta maneira de fazer meu pro- veito; e emtra quy o ymmiguo também ter cuydado de danar algum bem, se ho homem quer fazer e dallo ao mundo, porque vee que nosas obras pella maior parte a este fim sam emderemçadas. E ymda que eu tenha por muy certo que Vosalteza he sabedor de como eu guardo gram pri- mor 7 na obrygaçam de meu carguo, com tamta lympeza (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I, 337-338. I. a —sôr; 3 4 — prr«; 5 — esf verara ; 6 — estuas; 7 — pmor. 21 g
  • como eu sam obrygado, e he rezam nestas cousas e em outras maiores, todavia, Senhor 8, non ouve por pejo de fazer esta lembramça a Vosalteza e me gabar do que tenho feito °, e com esta emvio a Vosalteza huma emquyriçam tirada pello ouvidor açerqua das espravas 10 minhas pró- prias que casey? as quaes me vieram per algumas vezes de minha joya e partes, todas moças e de muy gram preço e valya nesta terra, que poso com jurammento afirmar a Vosalteza que valiam mais de dous mill cruzados, affora outras muitas que tenho dadas graçiosamente a eses cava- leiros 11 e fidalguos, porque nom he de meu cargo e ofiçio vemder, nem troquar, nem fazer partidos nem emburylha- das, nem nenhum outro proveyto, senam aquelle que me cabe de minha solidada, porque asy ha de fazer ho homem que quere12 dar bomha comta de asy a Deus 13 e a seu Rey e ao mundo. // Quamto he, Senhor14, as que eram de Vosalteza, que dava aos homens que se delias comtemtavam pera casarem com ellas, destas taes sera Vosalteza per vosos oficiaes sabedor da verdade: algumas mamdey la a Senhora15 Raynha, otras levaram este caminho que diguo, e porque Vosa Alteza seja sabedor, da verdade, a pesoas dey ajuda de vosa fazemda pera forrarem outras de pesoas que as tinham e casarem com ellas. Pasa ysto, Senhor 16, asy na verdade como vos esprevo 17, porque eu nunqua tive devaçam de casar homens com estas molheres malavares, porque sam negras currutas em seu viver per seus custumes; e as molheres que foram mouras sam alvas e castas e retraydas em suas casas e no modo de seu viver, como hos mouros desta terra tem por costume, e as molheres de bramenes e filhas delles também sam castas molheres e de bom viver e sam alvas e de boma pre- 8 — sór; 9 —fío; 10—espvas; 11 —cavai""; 12 —qr; i3 — ds; 14, 16—sôr; i5 — sra ; 17 — esfvo. 2 2 0
  • semça 18. Asy, Senhor 1B, em quallquer parte homde se to- mava molher bramqua nom se vendia, nem se resguatava: todas se davam a homens de beem que quyryam casar com elas. Algumas pesoas a que quaa dey casamento hum pouquo maior do que Vosalteza de la hordenou, que poderyam ser ate tres pesoas, houve ahy causa pera yso, sem serem paguos na vosa feitoria, posto que tudo seja fazemda de Vosalteza, que as vezes na gerra se cativavam molheres e seus marydos com ellas e suas filhas e lhas tornava christãs 20 e do resgate deles partia21 bem com suas molheres e filhas, quamdo casavam; e posto que Vosalteza tenha hordenado de nom dar casamentos22 nem se casarem quaa mais pesoas, a gemte esta muito aballada em casar na Imdia, se lhe eu dese lugar a yso, e sem casamemtos. E a mim, Senhor23, nunqua me pareçeo mail este com- selho; verdade esta que quamdo hos homens querem danar huma bõa couusa nom lhe mimgoam rezões que dem. Estes que sam // casados proveto tem feito 24 ate guora, porque |2 r.| nos holhos das jemtes da Ymdia esta asemtado fazermos nos fumdamento da terra, pois vem aos homens pramtar arvores e fazer casas de pedra e call e casar e ter filhos e filhas, como esprevo25 per outra a Vosa Alteza. • Feita28 em Guoa a 4 de Novembro de 1514. (Por mão de Albuquerque) Feytura e servidor de Vosa Alteza. Afonso de Alboquerque 27. (g _ pscça ; 19 — s6r; 20 — xpão ; 21 — ptia ; 22 — casamntos; 23 — sór; 24 — fcò; 25 — espvo; 26 — fcS; 27 — a° Jalboqq. 2 2 1
  • 107 EDUCAÇÃO EM COCHIM. 27 de Novembro de 1514 Original existente no ANTT: — CC, 11, 53-72 (1). Mede 275 X 195 mm. Consta de uma fôlha só, escrita de ambos os lados. Três pequenos buracos não impedem a leitura. Boa caligrafia. Desenvolvemos as seguintes abreviaturas: f.° = filho; g.° = Gon- çalo; p.° = Pedro; Amt.° = Amtonio; A." = Afonso; C.a = Catarina,. As outras são indicadas em particular. Estes sam os moços que apremdem a ler. It. Joane, filho de Francisquo. It. Gonçalo, filho de Pedro. Ir. Joane, seu irmãoo. It. Amtonio, seu irmãoo também. It. Jorge, filho de Ylena. It. Martinho, filho de Ynes. It. Joane, seu irmãoo. It. Jorge, de Mestre 1 Pedro. It. Bastiam, filho de Guimar. It. Framcisfjuo, filho de Pero Afonso. It. Christóvão 2, de Dyogo 3 Caldeyra. It. Luis, de Ayrez Dias. It. Framcisquo, filho de Catarina Fernandez 4. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 175-176. i — mt*; 2 — xpoã , 3 — dy*; 4 — frí. 2 2 2
  • It. Joane, filho de Lyanor. It. Framcisquo, filho de Catarina Alvarez. It. Joane, do Almoxarife 5. It. Framcisquinho, seu também. It. Dominguos, de Agueda. It. Amtonio, filho de Christovam 6 Roiz. It. Dominguos, orfão. It. Joane, filho de Marya. It. Ruberte, de Vosa Merçe. It. Cosmo de Mestre 7 Afonso. It. Amdre, filho de Bryatiz. It. Pero, filho de Ylena. It. Amtonio, de Lourenço 8 Preguo. It. Pero, filho de Manueli. It. Manueli de Amdrade. It. Pero, filho de Cateryna. (No verso) Reçebeo Ruy Pereira, mestre que emsyna os menynos, do feitor trimta e tres cruzados e quatros fanões de manthymento destes vimtanove moços, de tres meses, a saber, de Setembro 9, Outubro 10, Novembro, e delle outros tres a rezam de seisçemtos reaes por mes, e por verdade asynou este feyto por my Gil Symoez, esprivam 11 desta feytorya, a 27 dias de Novembro12 de 1514. Ruy Pereira. Gill Simoez. 5-almoxe; 6-xpòã; 8 - Leo ; g-set": 10- out"; u-stjjvS; M — nov". 2 2 3 >
  • 108 CRISTANDADE DE COCHIM. PEDRO DE MASCARENHAS A EL-REI. 7 de Dezembro de 1514 Existem duas vias desta carta no ANTT:— (1) 1) CC, II, 55-99. Mede 300 X215 mm. Três folhas não numeradas; a carta acaba no principio da ter- ceira que tem apenas 5 linhas escritas. Em bom estado, embora o papel esteja algo delido. O documento está assinado. 2) CC, 1, 12-39. Mede 305 X 210 mm. Três folhas não numeradas. O documento ocupa as duas pri- meiras folhas e 5 Unhas da terceira, exactamente como no primeiro documento. A caligrafia é bastante cuidada, mas a tinta encontra-se muito apagada. Em estado precário: a primeira folha em bom estado; a segunda tem um rasgão longitudinal e a terceira encontra-se bastante rota na parte superior. Este segundo documento não está assinado. Seguimos o primeiro documento A, apontando no aparato crítico as pequenas variantes do segundo B. li ' I It. Mais me espreveo1 Vosa Alteza em outra carta que me manda que tenha espiciall cuidado da jemte da terra2 que (1) Ambos os documentos se acham publicados em «Cartas de Afonso de Albuquerque». O primeiro (CC, |I, 55-99) no VI vol. 179-180, e o segundo (CC, I, 12-39) no III vol. 41-44. Como êste não está datado, atribuiram-no, interrogativamente, ao ano de 1512. i — cspvo ; i trfa ; 2 2 4
  • se veem tornar christãa. Sempre, Senhor3, me trabalhei por acrecemtar nysso quamto pude, porque4 sey quamto gosto Vosa Alteza nysso tem. Ha 5 mais gemte que se torna christaã sam molheres, por- que estas tem mais certa sua vida, porque guanham muito dinheiro6 aquy amtre nos. Os mais dos outros sam mercado- res de cousas bayxas e de mantimentos que nos vem aquy ib i vj a vemder; por serem mais favorecidos e mylhor 7 tratados, se vem fazer cristãos. Alguums panyquaes8, que sam mestres de emsynar de espada he // adargua9, que sam homens homrados amtre |t v.j elles, se fezeram aquy cristãos, per algumas dadyvas que lhe deu ho capitam mor10; e ho que homem ate 11 quy vee, todos ho fazem por seu emteresse, porque alguns nayres se fize- ram aquy12 cristãos em tempo 13 que davam a cada huum huum cruzado14 e huum pano, quamdo ho vinham fazer, he como lhe isto nam deram, nunca mais nenhuum precurou pelo ser. E como heram cristãos, se tornavam 15 cada huum pera sua terra 16, omde17 vivem em seus custumes, como sem- pre viveram, porque he toda gemte de soldo, e como sam de ydade18 pera tomar armas, loguo tem soldo do rey ou do senhor19 da terra 20, omde quer que vivem. Ho soldo deles he oyto e dez fanões ate vymte por mes 21. 22 E se Vosa Alteza quer que muita gemte desta se com- verta, mamde dar algumas dadyvas23 alguns homes primci- paes porque ho façam, que vemdo a outra gemte mais bai- xa 24 estes tornar25 cristãos, com menos trabalho se traram a26 yso, como quer que todos ho am 2' de fazer per su justo preço, princimpallmemte os nayres que he gemte do solido. 3, iq —sor ; 4 B-pois; 5 B-a; 6-dir»; 7 B-milhor; 8B-panycaes; q B — mestres de juguar de espada e dargua; 10 B —que lhe o capitam mordeu; 11 B atee; 12 B-haquy; i3-tpo; 14 + **! B-tornarem; 16, 20-tfra; 17 B - homde; 18 B - de idade; 21 B — mez; 22 B - lie ; 23 B - dadivas ; 24 B - bay- xa; 25 B —tornados; 26 B —ha; 27 B —ham. 2 2 5 <5
  • Se estes Vosa Alteza quer que se façam cristãos, he ne- cesario darem lhe o soldo que elles tem do rey ou senhor ^ com que vivem, porque doutra maneira nam se podem mamter, porque nam sam homens de trato nem de trabalho, e nam tem outro oficio29 senam juguar de espada e adarguas e emxerçitarem se nas armas, segumdo seu huso. A outra gemte mais baixa com algumas liberdades se traram ha yso, espicialmente se se ouver de el rey de Cochy 38 que nam aja amtre elles, depois de cristãos, de nos defe- remçia31, e que se toquem cos nayres32, como nos fazemos, he33 que amdem pela estrada de el rey, que eles am por gramde homra 34. Se se ysto acabar com el rey de Cochym 35, aja Vosa Alteza por mui çerto que se tornara muita gemte desta cristã, e pera isto38 he necesario esprever37 lho Vosa Alteza, porque nam he cousa tam leve que homem posa qua acabar com elle, e mandar ao 38 capitam mor que aperte com elle, porque este he o tempo39 que se isto40 mais asynha pode acabar41. // It. A gemte cristaã que Vosa Alteza manda que vaa por roll hasynado42 polo viguairo e por mym vay toda aquela que se achou que vive aquy na nosa povaçam43, que muyta44 emfinda gemte outra, que se aquy fez cristaã, vive fora daquy em outras ilhas e terras domde sam naturaes, e tem suas fazendas. Vivem em seus costumes como sempre viveram 45. //As cousas da igreja que Vosa Alteza me encomenda andam comçertadas e bem servidas, porque quando asy nam fose eu lho esprevera46. Nam me manda mais que faça em Cochim47, avemdo hy muitas cousas da obriguaçam do _ sor; W) B — hoficio: 3o B — Côclilm; 3i B —deferências de nos; 32 B — naires; 33 B —c; 3.» B—mui grande honrra; 35 B — Cochim; 36 B— yso s 37 —es, pvrlho: 38 B-hao; 39-tpo; 40 B-ys!o; 41 B-mais asinha pode fazer; 42 B — asynado; 43 B — povoaçam ; 44 B— muita — «5 B-vyveram; 46 — espvera 47 B - Cochym. 2 26
  • capitam delle, e pois Vosa Alteza confiou 48 de my o espri- tuall49, nam se devera de esquecer de me meter no tem- porall, e50 mostrara quam boom servidor sam em todalas cousas. 48 B — fiou ; 49 — esptuall; 5o B — he. 2 2 7
  • 109 ALBUQUERQUE ESCREVE A EL-REI SOBRE A TENTATIVA QUE FIZERA PARA CONVERTER O REI DE COCHIM. Cochim, 20 de Dezembro de 1514. Original existente no ANTT: — CC, l, 17-28 (1). Mede 310 X 220 mm. Consta de duas folhas não numeradas. O papel encontra-se em bom estado, mas a tinta acha-se bastante delida. O princípio da folha 2r ficou algo deteriorado pelo sumário do documento que posteriormentee escreveu na fôlha 2v com tinta que vasou para o interior. Apesar-disto, compreende-se e segue-se a leitura. O documento encontra-se também algo carcomido. Senhor l. Falei a el rey de Cochim acerqua 2 de se tornar christãao3, como me Vosa Alteza spreveo *. Era hi Duarte Barbosa por lingoa e Pero 5 de Alpoem e eu, e lhe toquey todalas palavras da carta e outras razões de meu fraco saber, aynda que nom fosem tam fumdadas como as de Garçia Monyz pera tornar hum homem gemtio aa fee de Noso Senhor 8. Depots de lhe teer dito o amor e bõa vomtade com que o Vosa Alteza chamava pera sua salvaçam, tendo lhe ja feito tamta homra e merçe, e asemtado em seu estado e defendido doutras pesoas7 a que o reyno pertemçia 8 de (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I, 367-369. 1,6 — snnor; 2 — accrq*; 3 — xpáos; a — stpveo; 5 — p". 7 — pas; 8 — ptemcia. 2 2 8
  • direito como elle muy bem sabia, elle me respomdeo que lhe pareçia aquylo cousa nova, que Vosa Alteza lhe espre- vera 10 per muytas vezes e nunca lhe em tal tocara. Emtam lhe amostrey a carta de Vosa Alteza e lhe dise que se leera elle as cartas que lhe aquele ano vieram. Responde me que aymda as nom tinha lydas; apos isto me dise que Noso Senhor 11 asemtara aquy este pedaço de terra do Malabar debaixo destas serras e quysera que todos fosem gemtios e vivesem por seus custumes. Emtam lhe respomdi que se aquylo era asy, quem trouvera a terra do Malavar o nome de Noso Senhor Ihesu Christo12 e a sua cruz e tamtas pavoações de christãos 13 e ygreyjas feitas como as nosas, padeçendo elle por nos reemyr e salvar em Jerusalem 14 tam lomge da Ymdia? Que bem sabia elle que Noso Senhor 15 por seu poder emviara Sam Thome Apostolo e diçipulo seu a estas partes e convertera 16 muytos gemtios aa sua fee e jazia soterrado na Yndia. Confesou 17 me que era verdade 18. Faley lhe em seus custumes, em que viviam tam cheos de erro e de viçios, asy pera a vida deste mundo e comtemtamento dos homens como pera salvaçam da alma no outro: que bem sabia que nom avia homem malavar que soubese qual era seu filho 1B, nem seus filhos nom erdavam suas fazemdas, que parecia mays custume de alimarias que de homens cheos de rezam e de syso como eles eram. E que nom tinham letras nem fundamento, nem ley, senom que se // lavavam como mou- ji ros; e que elle sabia bem que nos tínhamos ley dada por Deos, falada por sua boca no Monte Synay, que era muy perto20 domde nos estávamos. Comfesou me que era ver- dade 21 e me dise que, fazemdo elle tal cousa, a gemte o nom poderia sofrer. q — drl" ; 10 — stpvera; n —snôr 12 — snôr ihú x°; i3 — xpãos ; 14—ihrlm; 15 — snòr; 16 — com'tera ; 17 — confesou ; iS — j'dade; 19 —f' 20 — pio; 21 — rdade. 2 2 t/
  • Eu lhe respondi que me espamtava delle dizer tal cousa como esa; que bem via elle que contra 22 seus custumes era elle rey de Cochim e comtra seus custumes era obidiçido e temydo da gemte, e ysto per mandado de Vosa Alteza, e por voso querer estava asentado na cadeira de seu estado, obidiçido e temydo dos seus, acatado doutros muytos amygos e aliados; asy que quem duvidava, sendo elle christãao23, o nam fose mais e nam tivese mais força, e aynda sabendo as gemtes que sua eramça e suas terras aviam de ficar a seus filhos? E se lhe lembrava a elle que seu tio hia com- nosco aa ygreija, adorava ao noso Deos 24, tinha acatamento ao noso altar e a cruz, e lhe fazia sua reverençia, estando elle hi presemte? Dise me que era verdade 25. Depois de pasada muyta prategua sobre este feito, con- forme 26 aa carta de Vosa Alteza e a vosos desejos, elle me respomdeo que esta cousa era grande e era necesario dar lhe lugar que cuydase nyso, porque cousa tam nova, que nunca fora cometida senom agora, nom podia logo asy ligeiramente dar razam do que faria. E mais me dise, como nom cometera eu aquylo a el rey de Cananor e a el rey de Calecut? Eu lhe respondi que Vosalteza me mandara que a elle falasse primeiro 27, como a pesoa28 a que tinha mays amor e afeiçam, e depois a el rey de Cananor e lhe amostrey a carta. E no cabo de nosa fala estava ja mais brando hum pouco e reçebia mylhor algumas razões que lhe punha diamte, e a tudo me respomdeo que elle era servydor 29 de Vosa Alteza e feitura de vosas mãos, que esta cousa era muy grande, que era pera elle cuydar muyto nyso. Eu lhe respondi que era muy bem. O que me pareceo dei rey de Cochim em suas repostas he o que direy a Vosalteza: ele anda hum pouco picado desta paz de Calecut, muy receoso do outro rey, porque 21 — contra ; 23 — xpãao ; 24 — ds ; 25 — rd ide ; 20 — conforme ; 27 — pm* 28 — p1 ; 29 — tvydor. 2 3 o
  • ora o amyaça que se tornara christão 30, e que lhe emtre- gara o seu reyno; outras vezes lhe diz alargara parte dos direitos 31 e da terra a Vosa Alteza e que lhe dara seu reyno (1). Pareçeo lhe, quando lhe isto cometi, ser32 cousa fundada sobre este aliçeçe, e posto que o eu emtendese muy bem, nom lhe quys // eu tirar esa duvida, nem lhe toquey nada nese feito; soomente lhe dise per derradeiro33 que quando elle nom quysese ser34 christão 35, que nos deixase cryar o primcipe antre nos, e tornar se christão 36, como Vosa Alteza o desejava e queria. A tudo me respondeo que queria cuydar niso. E pois que ja agora isto fica movido per mandado de Vosa Alteza, sempre me trabalharey, quando o tempo der lugar, polo mover 37 a ese feito e asy a el rey de Cananor. Prazera 38 a Noso Senhor 39 que seram tocados da sua graça, e os metera em camynho de sua salvaçam. Estes Malavares gemte sam que ligeiramente se comvertem 40 todos aa fee, e continuadamente41 se bautizam, e pesoas homradas e de bem. Sprita*- em Cochim a 20 de Dezembro43 de 1514. (Por mão de Albuquerque) Feytura e servydor de Vosa Alteza. Afonso de Alboquerque44. (1) O actual rei de Cochim tinha sido com efeito estabelecido no trono pelos Portugueses. Em 1510, antes do segundo assalto a Goa, Afonso de Albuquerque destroçou o outro pretendente, primo do rei. Este pretendente era apoiado não só pelo Samorim de Calecut mas também por muitos partidários seus que viviam no reino de Cochim. Albuquerque, porém, afastou-o pelas armas. Agora, segundo se depreende desta carta, o dito pretendente desejava aproximar-se dos Portugueses pela conversão ao Cristianismo. (Barros, Dec. II, Ur. V, Cap. VIII, pp. i 18-520.) 3o, 35, 36 — xpão ; 3i — drtos ; 32, 34 — » ; 33 — d"; 37 — moi ; 38 — fzera ; 3g —snf; 40 —comitem; 41 — continuadamente; 42 — stpta; «3 —dz°; 44 —a" dalboqq. 2 3 I
  • 110 CRISTANDADE DE COCHIM. 20 de Dezembro de 1514 Documento dado como existente no ANTT: — CC, II, 33-154. Este hee o roll dos cristãos he cristãas que vyvem aquy na povoaçam da cidade de Cochym. Titulo das molheres da terra casadas com purtugueses. It. Ysabell da Sylva, malavar, molher de Diogo Corea. It. Lianor darganosa, malavar, molher de Bras Lopez. It. Afomso, seu filho. It. Johana Gomçalvez java, molher de Gomez Gonçalvez. It. Ynes, sua filha. It. Isabel Fernandez, foy moura, molher de Francisco Fer- nandez. It. Jacome, seu filho. It. Sua sogra Isabel. It. Briatiz Morena, nayra molher de Gonçalo Moreno. It. Antonio, seu filho. It. Antónia Lopez, foy moura. Molher de Fernam Lopez. It. Caterina Vaaz, foy moura, molher de Pero Petro. It. Joana, sua filha. R. Caterina Gonçallvez, foy moura, molher de Antonio de Rego, fereyro. It. Isabel Fernandez malavar, molher de Pero Fernandez. It. Lucrécia Lopez canarym, molher de Joham do Porto. It. Briatiz Fernandez, canarym molher de Bras Gonçallvez bombardeiro. 2 3 2
  • It. Cristina de Saa, foy moura, molher de Francisco de Sa. It. Ynes, sua filha. It. Felipa Fernandez, malavar, molher de Salvadar Afonso. It. Francisco, seu filho. It. Vyolamte Vaz, java, molher de Estevam de Chaves, car- pinteiro. It. Pero, seu filho. It. Amtonia de Alboquerque, malavar, molher de Joham Gonçallvez. It. Maria da Sylva, foy moura, molher de Manoel Gom- çalves. It. Maria Lopez, foy moura, molher de Diogo Lopez. It. Pedro, seu filho. It. Isabell Marquez, malavar, molher de Joham Marquez. It. Guiomar, sua filha. It. Cristina Fernandez, malavar molher de Johão Carvalho. It. Briatiz Fereyra, foy moura, molher de Lopo Afonso, ferreiro. It. Bastiam, seu filho. It. Caterina Fernandez, foy moura, molher de Johão Alva- rez, carpynteiro. It. Joane e Martinho, seus filhos. It. Briatiz Lopez, malavar, molher de Johão Lopes, ferreiro. It. Ana, sua filha. It. Felipa Fernandez, malavar, molher de Afonso Galego. It. Brisyda, sua filha. It. Lianor Nunez, malavar, molher de Fernam Nunez, car- pynteiro. It. Felipa Morena canarym, molher de Afonso Rodriguez. It. Afonso, Gomez, Joane, seus filhos. It. Caterina Afonso, molher de Alvaro Pirez, carpynteiro. It. Alvoro, Joana, seus filhos. 9 233
  • It. Caterina Afonso, foy moura, molher de Afonso Fernan- dez, carpinteiro. It. Joana, Maria, suas filhas. It. Ines de Framça, foy moura, molher de Pero de Framça. It. Luis, seu filho. It. Ynes Gomez, foy moura, molher de Bastião Gomez. It. Guiomar Gomçalvez, foy moura, molher de Rodrigo esturiano. It. Bastiam, seu filho. It. Felipa Fernandez, foy moura, molher de Gregorio Fer- nandez. It. Bras, Margaryda, Caterina, seus filhos. It. Joana de Araujo, malavar, molher de Nuno Vaz. It. Lianor Rodriguez, foy moura, molher de Jorge de Cezymbra. It. Lourenço, seu filho. It. Isabell Morena, canarym, molher de Francisco Tinoco. It. Maria Fernandez, nayra, molher de Joham Gomçallvez porteiro. It. Margayda Vaz, bramena molher de Domingos Gonçall- vez. It. Guaspar, seu filho. It. Luzia Fernandez foy moura, molher de Afonso Rodri- guez, çapateiro. It. Caterina de Morales foy moura, molher de Afonso de Morales. It. Maria Morena foy moura, molher de Antonio Folguado. It. Alvaro, seu e do feitor. It. Mais Guyomar he Joana e Salvador seos filhos e de Johão Diaz. It. Cristina Fernandez foy moura, molher de Diogo de Lanyz alfayate. It. Ana sua filha. 284
  • It. Briatiz Nunez foy moura, molher de Afonso da Mota. It. Briatiz Vaz, malavar, molher de Afonso Paes bombar- deiro. It. Domingos, Francisco, seus filhos. It. Justa Fernandez foy moura, molher de Johão Fernandez. It. Lianor Fernandez foy moura, molher de Afonso de Çala- manca. It. Isabel e Afonso, seus filhos. It. Caterina de Alboquerque foy moura, molher de Jorge Nunez. It. Maria Fernandez foy moura, molher de Johão Nunez que Deus aja. It. Pedro, Maria, seus filhos. It. Caterina Fernandez foy moura, molher de Lourenço de Aldanha. It. Antonio, seu filho. It. Felipa Fernandez foy moura, molher de Richarte bom- bardeiro. It. Branca Gomçaluez, çacotorina, molher de Joham Gom- çalvez, çapateiro. It. Jorge, seu filho. It. Briolanja Vaz, nayra, molher de Symam Vaz, cordoeiro. It. Antónia Fernandez foy moura, molher, de Joham Vaz. It. Caterina Vaz çacotorina molher de Joham Nunez, trom- beta. It. Caterina Alvares, guzarate, molher de Afonso Alvarez. It. Gracia, sua filha. It. Briatiz Fernandez, nayra, molher de Johão Fernandez, bombardeiro. It. Isabel da Costa, bramena, molher de Pero Mendez. It. Madanela, sua filha. It. Joana Dias, canarym, molher de Joham Dias. It. Framcisco, seu filho. 235
  • It. Marta Diaz, canarym, molher de Pero de Évora. It. Guyomar, Caterina, suas filhas. Soma deste titulo 58 mays e 48 filhos. Titulo dos casados da terra. It. Pedro, malavar. It. Sua molher Gracia, também malavar. It. Agostinho Fernandez, lymgoa, sua molher Isabel Fer- nandez. It. Framcisco, foy mouro, Maria Fernandez sua molher. Tytolo das molheres solteiras que tem filhos dos pur- tugueses. It. Caterina que foy moura. It. Seu filho Alvoro. It. Mecia foy moura. It. Caterina sua filha. It. Joana que foy moura. It. Gill seu filho. It. Isabell malavar. It. Crystina sua filha. It. Maria nayra. It. Joana sua filha. It. Cateryna foy moura. It. Dominguos seu filho. It. Margayda jaoa. It. Joane seu filho. It. Branca canarym. 2 3 0
  • It. Guyomar sua filha. It. Framcisca canarym. It. Lopo seu filho. It. Caterina foy moura. It. Isabell sua filha. It. Isabell malavar. It. Pedro seu filho. It. Ylena malavar. It. Joane seu filho. It. Felipa malavar. It. Framcisca sua filha. It. Ynes malavar. It. Dioguo seu filho. It. Barbora malavar. It. Domingos seu filho. It. Isabel malavar. It. Symam seu filho. It. Isabel foy moura. It. Guaspar seu filho. It. Isabell malavar. It. Luzia sua filha. It. Ynes canarym. It. Maria sua filha. It. Branca malavar. It. Sylvestre seu filho. It. Joana malavar. It. Felipa sua filha. It. Caterina foy moura. It. Isabel sua filha. It. Ana, Antonio seus filhos. It. Gracia foy moura. It. Jacome seu filho. It. Maria Fernandez foy moura. 237
  • It. Fernando seu filho. It. Maria malavar. It. Francisco seu filho. It. Isabel malavar. It. Amrique seu filho. It. Isabel malavar. It. Cristóvam seu filho. It. Caterina sua filha. It. Branca malavar. It. Caterina sua filha. It. Luzia malavar. It. Luzia sua filha. It. Briatiz malavar. It. Framcisca sua filha. It. Jurdam seu filho. It. Monyca Luis. It. Vitoria sua filha. It. Lianor malavar. It. Afonso seu filho. It. Briatiz foy moura. It. Pedro seu filho. It. Ana sua filha. It. Ynes malavar. It. Maria sua filha. It. Caterina malavar. It. Joane seu filho. It. Maria malavar. It. Symam, seu filho. It. Violante, malavar. It. Cristóvam, seu filho. It. Caterina, malavar. It. Andre, seu filho. It. Costança, malavar. 238
  • It. Andre, seu filho. It. Ynes, malavar. It. Briatiz, sua filha. Soma deste titolo sam as mays corenta e os filhos quo- renta e cymco (1). Estes sam os cristãos que vivem aqui na povoaçam do Castello, afora outra muita emfinda gemte que he espalhada per suas terras, que aquy foy bautizada nesta igreja, e vivem omde tem suas fazemdas, que afirmamos ha a Vosa Al- teza em verdade que sam de seis myll almas pera cyma, os que vivem fora, e asy se vem cada dia muitos a baytizar. De Cochym, aos 20 dias de Dezembro de 1514. Dominicus de Sousa, bacalaurius Vicarius Generalis. Pero Mazcarenhas (2). (1) Segue-se uma relação ou rol de 600 homens, dos quais o primeiro é o Arei António Real, outro duma quantidade de mulheres solteiras, outro de umas vinte que foram mouras, outro de outras vinte que foram nayras, e outro dos cristãos de Coulão, somando todos 1864 pessoas. (Nota das «Cartas», p. 194). (2) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 188-194. Este documento não se encontra no seu logar actualmente. Pedimo-lo por várias vezes no ANTT e não foram capazes de o encontrar. O que presentemente dão a quem pede o CC, II, 53-154, é uma lista de mulheres solteiras, mencionada na nota, do editor das «Cartas de Afonso de Albuquerque». Segundo esta nota, haveria 6 listas de pessoas: 1) a que as «Cartas» publicaram, 2) uma relação de 600 homens, com o arei António Real à testa deles, 3) uma lista de mulheres solteiras, 4) outra, de vinte que tinham sido mouras, 5) outra, de vinte que haviam sido nairas, 6) e finalmente uma lista dos cristãos de Coulão. No ANTT existe actualmente, sob a cota acima apontada (CC, II, 55-154) a terceira lista das mulheres solteiras que não publicamos por conter somente nomes próprios e nada mais: Caterina, Joana, Maria, etc. sem nenhuma outra indicação. 2 3 g
  • Ill CRISTANDADE DE CANANOR. 20 de Dezembro de 1514 (1) Documento original existente no ANTT:— CC, l, 17-27. Mede 218 X309 mm. Consta de duas folhas, muito manchadas. A leitura é quâsi impossível em várias partes. Senhor. Afonso Velho, vigayro de Cananor, nom escrevi ategora a Vosa Alteza, damdo lhe conta dos christãos 1 e das cousas da Igreja pareçemdo me que abastava o que o vygairo 2 jerall e outras pesoas de que Vosa Alteza tem mays conhe- cimento escriviam e este anno me foy dada huma carta vosa em que me mandaes que o faça. E quanto ao primeiro 3 capitólio da carta que diz os desejos que Vosa Alteza tem de a jente da terra4 se converter 5 a nosa santa fee catolyca e serem ensynados e doutrinados nella, que sejam onrados e favoreçidos e que nos escreva os christãos 6 que aqui aa. A feytura desta a aqui vyvos trezentos e quorenta e quatro christãos 7, a saber, cento e sesenta e quatro machos (1) Esta carta deve ser comparada com a de Jorge de Melo, capitão em Cananor, datada em 28-12-1514. (Gaveta, 15, 18-27) e com outra via do mesmo datada de 27-12-1514 (CC, I, 17-32.) Ambos estes documentos são aqui publicados. I, ti, 7 —xpáos; 2 — vjg'; 3 — pmeiro; 4 —trá; 5 —conrter. 24O
  • c cento e setenta femeas das quaes som trinta e sete homens que forom mouros e corenta e oyto molheres que forom mouras. E nayres oyto, cinquo homens e tres molheres. E moços vynte e dous, treze que forom mouros e nove gentyos, setenta e tres homens que forom gemtyos de gente baxa que se chamam tybas e macuas e oytenta e cinquo molheres desta mesma geraçom, e filhos8 destes que se íornarom christãos 9 e christãas 10 trinta e tres, a saber, de- zoyto machos e quinze femeas. E filhos 11 de omens purtugueses casados com molheres de qua treze, a saber, sete machos e seys femeas. // E de molheres forras de suas escravas [i -vinte e quatro, doze machos e doze femeas e desta jente da terra que som feytos christãos12 fezemos oytenta e nove nestes dous annos que aqui estive por vigayro no anno de 513, e corenta e dous em o de quatorze corenta e sete. Muitos mays forom christãos 13 se nom fora mandar aqui o capitãm mor (l) que nom tornase nenhúa pesoa christãa 14 sem primeyro 15 saber se era escravo de algum mouro ou gentio e por yso se deyxam de fazer muitos. E quanto ao que a mim toca de os ensynar e doutrinar, eu o faço o milhor que posso, e como o entendo, e Vosa Alteza o poderá saber se o preguntar 16. E quanto aos honrar e favoreçer que me Vosa Alteza dyz, ysto nom he em mim (1) Afonso de Albuquerque. 8, ri — f" ; 9,13, i3 —xpáos; 10 —xpáas; 14 —repãa; i5 — pmeyro; 16—pgútar, 24I 36
  • e voz, Senhor n, o deves mandar ao vosso capitam mor e capitaes e feytores das fortelezas que faça e que os mey- rinhos os nom apertem 18 porque he muito neçesaryo porque he gente pobre e vendo se favoreçidos e bem tratados tornar seam muitos mais christãos 10. E quanto ao que me Vosa Alteza manda que trabalhe pellos nayres e gente honrada serem christãos 20, a eses que ora sam leo vosa carta muitas vezes e lhes diguo como os mandaes honrar e favorecer, que trabalhem por outros seus parentes e amigos serem christãos 21, porque neste caso eu nom poso mais fazer, asy por nom saber a lyngoa, como por nom ter conversaçom 22 com os mouros e gentyos, e deve Vosa Alteza mandar que a eses que sam christãos 23 se de alguma cousa de Vosa fazenda por que ysto he o que fara vyr muita jente e tam- bém elles vos servem e vam darmada. E crea Vosa Alteza que a esmolla que mandaes dar cada somana e gram serviço de Deus 24 e causa aver 25 ahy tantas creanças porque dantes dyzem que as matavam as maês por nom ter que lhes dar a comer, posto que a qui se aqui em Cananor da he muito pouca cousa que sam por mes dous mill e quinhentos reis e deves mandar dar mais, e eu vy |2 r-l a nesesydade e pobreza delles ser tanta que ordeney // dominguo pedirem muitos homens e molheres... doen- tes que aly E quanto ao outro capitólio em que me Vosa Alteza manda que o servyço da igreja se faça com toda a onestidade e devaçam, e que estem os altares lympos e alomiados, nos somos aqui dous capelães e eu, e sempre resamos nosas oras em coro, tamjendo syno, e se dyz cada dia misa do dia por Vosa Alteza, e a igreja se coregeo agora, e foi muito bem coregida e tudo se faz o milhor, e com mayor devaçam que podemos, e os domingos e festas se dyz 17 — sôr ; 18 — a/?tem ; 19, 20, 21, 23 — xpãos ; 22 — conrsaçó ; 24 — ds ; 25 — a*>. 2 42
  • sempre misa cantada e asy as vesperas solenes. E do que Vosa Alteza me dyz que tenha cuydado da onestidade e bom emxempro de minha vyda e pesoa, Noso Senhor 26 sabe que eu trabalho por ser asy e pergunte27 o Vosa Alteza e sabello aa. Esta igreja esta bem de capas e vystymentas se lhas nom tomasem pera outras partes 28, como se faz quando he necesaryo, somente a mester huma vystimenta pera somana. De lyvros tem neçesydade de huum santall (1) com responsoryo, e de huum oficiall, e de huum bautisteyro e huum calez pera festas, huum tribollo de prata e dous cas- tiçaés pera festas e huma naveta e oleo e crisma, que nom tenho nenhuum he e muito necesaryo; e a mester humas cortynas e frontall também per as festas. E com estas cousas fycara ornamentada perfeytamente29, e como Vosa Alteza deseja que todas as cousas de serviço de Noso Senhor30 sejam, e a elle aprazera de acrecentar voso reall estado com muitos dias de vida a seu samto serviço e que em nosos dyas vejamos toda esta jente convertyda31 a sua samcta fee cato- lyca. Beijo as mãos a Vosa Alteza. De Cananor a 20 de Dezembro32 de 1514. Allonso Velho Vigairo (1) Ou Santoral. 26, 3o — sor ; 27 — pgúteo ; 28 — fies; 29 — pfeytaménte; 3l — câvtyda; 32 — dz'\ 243
  • 112 CARTA DE FR. DOMINGOS DE SOUSA A EL-REI. 22 de Dezembro de 1514 Documento original existente no ANTT: — CC, 1, 17-30 (1). Mede 310 X 220 mm. Quatro folhas não numeradas. Em bom estado, embora bastante manchado, sobretudo na parte superior. Muitas partes lêem-se com dificuldade, de delida que estão. (4 r.l Serenisimo Senhor 1 Depois de beijar as maaos de Vosalteza, diguo que receby huuma carta, na quaall me dezia Vosalteza que o moor serviço2 que nestas partes lhe posso fazer he na muyta comversam 3 dos imfiees aa vosa santa fee católica, e que laus in ore proprio4 sordeçit nom dou diso mais comta a Vosalteza senam que dos que de qua vam se en- forme quanto he meu studo acerqua 5 do que Vosalteza deseja, asy de ensinar e comservar6 os comvertidos, como de aquerir os que o nom som, e pellos que diguo se podra Vosalteza enformar quam lomje me achom da igreja sem- pre quamdo vem buscar o tall sacramento. E depois disto, porque muyta jemte delles que ja emtem- dem e falam nosa limgoa e folguam de vyr as preguações, (1) Frei Domingos de Sousa, dominicano, era nesta ocasião o vigário geral da ladia. I—sôr; 2 — sviço; 3 — coirvsara ; 4—ppo ; 5 — acerq*; 6 — comsvar. 2 44
  • nom pasa dominguo nem festa que nom pregue em quall- quer luguar que me acho e sabera Vosalteza que nom como jamais meu pam nisi in subdore vultus mey e nam oçioso, que em cada huum ano visito as fortalezas e amdo com o vosso capitam moor (1) per homde me elle mamda, e o mais de meu repouso he homde esta a mor copia de gemte, porque o medico pouco aproveita homde ha muyta saúde, e por que homde ha hy muyta gemte, ha muytos emfermos primo intrevados (2) e ham mester ouvir a palavra evan- gélica; por iso, Senhor7, nam repouso senam de huum loguar em outro e nom como meus amteçesores que se me- tiam em Cochim e hy repousavam. Eu nom espero 8 respousar, senam depois que tornar pera ese regnno com as merçes que de Vosalteza espero 9, pellos taaes serviços 10. Eu, Senhor ", som qua cavallo de amballas sellas que syrvuo de jerall em todas as partes e de parrochio (3) homde me acho. O solido e mamtimento12 que por iso tenho nom foy mais ata aquy que aquelle que ho mais somenos viguay- ro parrochio teve enquestas partes, e os mais delles ouve- ram sempre mais, e este vigairo, que ora vay a Malaqua13, leva trimta 14 quoatro mill reais , e homeens e outras merçes, e nom ha de servir no que eu sirvo, nem trabalhar no que eu trabalho. Isto, senhor15, nom estimo eu tanto ho premio quamto a forma que dizem que como vim eu por tam // pouco ii v.j preço, com tam gramde carguo, e bem sabe Vosa Alteza (1) Afonso de Albuquerque. (2) Leitura provável; a palavra primo seria o advérbio latino primeira- mente, principalmente.. A abreviatura que se acha no original é 1.°. Também pode lêr-se illo interioribus. (3) Isto é: pároco. 7, ti, i5 — sí; 8 — spo; q — espo ; io — «viços ; 12 — mamtimto ; i3 — Malaq*; 14 — trtila. 2 45
  • que nunqua me dise que me daria pouco nem muyto, e quamdo me qua achey foy com vimte cimquo myll reis, porem, Senhor 16, a esperamça que tenho das merces que espero 17 reçeber de Vosalteza, me faz sofrer toda pena e trabalho que niso passo. Quanto he ao que Vosalteza diz que lhe estpreva 18, os christãos 19 que hy ha e se fazem, eu mando a Vosalteza os desta nosa cidade de Guoa, homde me aguora acho, por estenso, e vam desta maneira a saber os casados e suas molheres e os filhos que tem, e como se chama cada huum, e de que genero he, e os que sam brancos e os baços e os pretos. Em outro titollo os solteiros, pella mesma maneira e em outro as molheres solteiras asy mesmo, e em outro os casados portugueses com as molheres da terra20 e quamtos filhos21 tem, como se chamam e de que jeraçam som as molheres. Em outro titollo os meninos dos Portugueses asy das suas escravas como das molheres solteiras, e o nome de cada huum. E a esmolla que se daa a estes he, Senhor 22, de alguumas penas que ho capitam moor aprica pera isso, e todallas penitençias da Igreja que sam pecunyaaes eu as aprico pera isso e isto se faz depois que eu vim visitar esta cidade. E a comtia que se daa sera cada mes dez cruzados pouco mais ou menos e nom se daa senom aos meninos filhos23 de Purtugueses, porque se se ouvese de daar a todos os da terra 24 nam abastaria quoarenta por mes. Isto, senhor25, bem me pareçe que se podra aguora soportar, en quanto eles mais nom forem, e o capitam moor estiver na terra26 mas, Deus27 seja louvado, eles creçem cada dia, e criamsse bem aguora, depois que o capitam moor ordenou lhes darem esta esmolla que he huúm fanom cada 16, 22, 25 —sr; 17 — es/'o; 18cstpva ; 19 —xpãaos; 2r, 23 — f; 20, 24, 26 — trã; 17— ds. 2 46
  • segumda feira28, que amtes, Senhor 2D, como a molher sol- teira se semtia prenha, loguo fazia por abortar e, se paria, lançava a criamça30 per eses muradaaes, como se acharam alguumas. E, tam pia seria qua huma imdulgencia pera quem pera isto dese esmola, como pera os cativos dalém, (l) e supri- callo Vosalteza ao Santo Padre seria muyto serviço31 de Deus32 e sua santidade o farya de facille. Senhor33, quamto he ao que Vosalteza diz que me encomenda o serviço 34 da // Igreja, mamdo a visitaçam l2 r-l toda a Vosalteza, nom as culpas particulares, mas o que hordeney e emmemdey e mamdei, e peço a Vosalteza se em alguma cousa errey, me castigue, e se he servido 35 de alguuma cousa que mais aja de fazer que mo fizese com- prir36, como mamde, que nam pereça por deligençia. Senhor 3T, gramde merçe reçeberey dos clérigos38 que Vosalteza qua mandar sejam doutos e de boa vida. E remeta os Vosalteza sempre ao Vigairo 39 de Tomar, e venhom com suas pervisões40, que este que ora vay a Malaqua 41 nem os que com elle vierom nom trazem pervisam42 sua, nem de seus perlados43 por homde eu nom sei se veem amtes pera celebrar os devinos ofiçios senam, por homde muytos nestas partes encarreguam suas conçiemçias, depois que qua sam. Eu certo, Senhor44, estive pera os mandar tornar, e temy desservir 45 Vosalteza por quamto trazia vosa pervi- sam 46, e por tamto mamde Vosalteza avisar os que qua (1) Em Africa. 2S —fra ; 29 — sí; 3o — cãnça; 3i, 34 —«viço; 32 — is; 33, 37 — sór; 35 — svido; 36 — c<>Ê; 38 —cligos; 3ç—vig"N 40— pvisoes; 4! — Malaq"; 42—pvisá; 43—piados; 44 — tf: 45 — dstvjr; 46—fvisara. 247
  • ouverem de vyr, que nam venham sem provisam do Vigai- ro47 de Tomar, pera seguridade de suas conçiençias e mynha. Do ofiçio devino se faz o milhor que se pode fazer, e creeo que antes de minha vynda nom se fez milhor. Os orna- mentos os que qua podemos fazer nom nos mandamos pedir a Vosalteza, porque os teemos que sam cortinas, fromtais e capas que ho capitam moor as provee e mas as vistimentas e dalmaticas e pedras e calizes, nos perveja48 Vosalteza especialmente esta cidade que nom menos merecimento tem que Malaqua 49, nem que Cochim, a que Vosalteza aguora manda todollos ornamentos B0. Mande Vosalteza pera esta e seja asynada, pois ela tem excelência sobre todas, e he chave da goarda e conservaçam51 de toda a naveguaçam e comquista52 destas partes, em que Vosalteza deve fazer asemto, e nom ouvir mall dizemtes, porque delia se sogt- guam todollos naveguamtes; e posto que o nome de Vosal- teza he muito horrible e espantoso e temido em aquestas partes5S, ella o faz seer muyto mais, por que se ella tinha nome de nobre e forte amte de ser de Vosalteza, nom menos a tem aguora o vosso gram capitam, que me pareçe que quando vier o imverno 54 nom avera muyto delia por cercar de pedra e cal, com suas ameas e baluartes nos luguares comveniemtes, e as portas muyto fortes e fortaleza acabada, 12 v.j senam huúm pedaço de barbacaa e chapa em // que traba- lham aguora. E tem huúm solicitador que nom dorme que he Dom Joham Deça (l) que asy trabalha na edeficaçam e nobreza (1) Veio de Portugal era 1512 na armada de Jorge de Melo Pereira, comandando a nau «Madanela». Afonso de Albuquerque nomeou-o capitão de Goa em Setembro de 1513. (Correia, II, 339.) 47 — vigro; 48—pveia; 49 — Malaq*; 5o — ornam""; 5i—cõrvaçam52 —com- eta; 53 —plel; 54 — Inn no. 2 4$
  • delia, somo se fosse seu morguado e ouvesse de ficar a seus filhos. E afirmo a Vosalteza que se hi ha dous fidalguos e capitãaes na Imdia que folguem de servir Vosalteza, he elle huum e nam somente nas cousas temporaaes mas tam- bém nas esprituaes85 a saber na comversam 86 da gemte da tera87 que per ele sam muitas vezes comvidadas pera iso e depois que ho sam as empara e favoreçe, e asy me nom acho em fazer concórdia e paz amtre os rixamtes, que ho nom ache presemte, que se asy fosem todos cheguados ao serviço88 de Deus59 e de Vosalteza, nom averia qua muyta discórdia aimda que, Deos 60 seja louvado, muyta paz temos agora todos entre nos. Da vitoria que Deus61 Noso Senhor62 daa ao vosso gram capitam, e dos caminhos que lhe abre pera daar fim ao desejo de Vosalteza, som mais devinos que humanos. Creeo, senhor83, que som pellos merecimentos64 de Vosalteza e pelas devações muytos que os devotos chris- tãos 65 fazem por Vosalteza e o gram carreguo que Vosal- teza tem de apliar ho devino e santa fee de Christo66 Noso Senhor 67. Por yso permite a gram vitoria que em todas par- tes ha, Deus 68 Noso Senhor 69 o conserve sempre asy, amem. Dom Joham, capitam desta cidade, e eu, fizemos esta deligençia que Vosalteza manda acerqua70 dos christãos71 novos, e vay feita per nos ambos e elle dara conta a Vosal- teza com quamto cuidado se fez e quamta deligençia se nyso pos. Ho Regimento72 que hy ha no serviço 73 da Igreja he, senhor74, este: eu obriguey a todollos viguairos das forta- lezas que disesem misas os domingos e festas de todo o ano, 55 — esptuaes; 56 — comisam; 57 — Irá; 58 — svjço; 5q — ds; 60, 61, 68 — ds ; 62, 63, 67, 69, 7i — sí; 64 — merccím"»; 65, 71— xpaãos; 66 — x"; 70 — acerq* 72 —Regim"; 73 —«viço.
  • e os sabados pello Ifamte, e os capelaaes servem 75 cada hum sua somana sucesive, e dizem misa desta maneira: a segumda dos defumtos e todos os dias segundo76 rezam, (1) sempre com comemoraçam por Vosalteza e seu real estado, e outra pellos navegantes que vam e veem pera estas partes. E o que erra alguma misa tem huum apomtador que ho capitam moor tem posto de sua maao, a que tenho dado ho regimento que lhe faz apomtar huum tostam por cada misa que faleça. (3 r-l Os cleriguos 77 cantam as misas e ofiçios honde // ha hy livros 78, e homde os nom temos, dizemos emtoado, no milhor modo que se pode. Os cleriguos79 rezam todos jumtos na igreja matinas e prima80 e vesperas81 e competra (2).E isto, Senhor82, des que eu qua som, segundo 83 Vosalteza podra veer per a visitaçam das vidas dos cleriguos 84, e dos defectuosos cor- rijo o milhor que eu sey. Da mynha, os que de qua vam e os que stprevem 85, a diram a Vosalteza e se merecer cas- tiguo, serey obediemte a toda deçiplina, e se mereçer spe- rarey86 ata receber. Senhor 87, na edeficaçam desta cidade quis levar o voso gram capitam ho estillo dos antyguos comquistadores e ede- ficadores christãos 88 que quando reformavam as cidades, a primeira 89 cousa que faziam, (era) alguma igreja e elle fez huma sobre a porta da cidade, da imvocaçam de Nosa Senhora90 da Serra, toda de abobeda, em que posemos ou determinamos poer ha confraria do Rosairo, pera a quoall (1)Isto é, segundo a reza do breviário, conformando a missa à festa do santo do dia. (2) «Completas», a última hora canónica. 75 — «vem ; 76 — seg" ; 77 — diguos ; 78 — Hv,OT ; 79, 84 — cliguos; 80 — pma; 81 — vesp" ; 82, 87 — sf ; 83 — seg" ; 85 — stpvem ; 86 — sparcy ; 80 — xpaãos ; 89 — prim* ; 90 — sía. 2 5 O
  • confraria eu tirey em dia da Visitaçam mais de sesenta mill reis de esmolla, e depois fiz outro peditório pera ornamem- tos desta irmida, em que se ajuntaram de cemto vinte cru- zados 91 pera cima, em quamto esperamos92 pellas que Vosalteza nos manda. Eu, Senhor93, tomey dos ornamentos que hiam pera Malaqua, tres vestimentas e huum calez e gualhetas pera perver94 as outras fortalezas que tem neçesidade asy como amte que viessem estes, mamdey pera Malaqua 95 huuma das milhores vestimentas que aquy avia. Isto diguo por desculpa do que ho vigairo96 de Mala- qua 97dira de mim, que me disse que avia de estprever98 a Vosalteza, que eu lhe tomara os ornamentos que Vosalteza mandava pera Malaqua99; e eu Senhor100, sey o que cada fortaleza ha mester e ele aimda agora o nom sabe. E fora bem que Vosalteza mandara homem mais douto pera Malaqua 101 que he terra102 nova de muytas jemtes e sotys em todo aymda que com sua boa vida dourada (1) todo, mas nestas partes 103 ha mester quem saiba doutrinar a fee verbo 104 et exemplo, que elles oulhos (sic) nosos viços e vertudes, e som sotis pera os emtemder, e som duros pera comverter, e asy, Senhor105, ha mister todo. Dou esta comta a vosalteza pera que faça ememdar o futuro. // Eu senhor196 nom faço de mim mais momoria a Vosal- [3 * \ teza, soo peço por amor de Noso Senhor 10' oulhe e emfor- mese bem com quanto amor e desejo o sirvo tam apartado (1) Isto é: «dourari». gt —(_ z<«®»; 92 _ espamos; q3, ioo, io5, 106, 107 — sí; 94 — pver; 9S — Malaq'; 96 _ vig™ ; 97, 99, 101 — Malaq*; 98 — estiver; — sf ; 102 — trra ; io3 — ptes ; 104 - vbo. 2 5 I
  • de meu naçimento 108 e coraçam, posto que de noso ofiçio seja naturall pera o exerçitar preguar. Eu ho fiz mais com os gramdes desejos que tenho de servir Vosalteza e por tamto nom diguo nisy memor esto ver by109 tui servo tuo (l). Senhor 110, aguora fiz aquy huum livro 111 e o pus na igreja 112, pera que nelle se stprevam 113 todos os bautiza- dos, acabamdo de os bautizar, pera os daly se terem, pera em cada huum anno os mamdarem a Vosalteza e asy ho mamdarey aguora em todallas fortalezas per visitaçam. Aguora, Senhor114, queremos começar a igreja prim- çipal115 desta cidade pera o quall começo som ja em mynha maão dinheiros 116 e boa soma dalgumas restituições, que per comfisam vieram ter a minha maão, que ho voso gram capitam ouve por bem serem pera iso apreciadas. Ha de seer de tres naves, com seu cruzeiro e tres capelas de abobeda, coro sobre a porta primçipall117, com sua torre de synos muy pomposa. Aquy, Senhor118, foy achado per huum homem nosso mais sympre que avisado, casado aquy, huum cruçifixo de metall de baixo da torre com meos braços, que pareçe ser milagrosamente achado e veeo teer as minhas maãos que mo trouve aquelle que o achou. Eu logo o disse ao capitam moor, elle se espantou de maneyra, e logo hordenamos huma solene perçisam 119, em que o fomos buscar aly donde foy achado e o troxemos em huuma caixinha de prata com muita veneraçom a Igreja, segundo120 Vosa Alteza pode bem veer per huum pu- (1) Salmo 118, v. 49. Frei Domingos, como se terá notado, ameniza a carta com várias citações latinas. no, 114, 118 —sr; 108 — naçim10; log — vby; 111—livro; na — Ijjja ; n3— stpvam ; n5 —fmçipal; 116 —drrM; 117 — praçipall; ng — pçisan» ; 120 —seg°. 25 2
  • brico121 estormemto ou estormentos que la vaam com elle (1). Da armada que este anno foy ao Estreito e a Ormuz, Deus 122 // seja louvado, nom morreo nimguem nem adoe- tl r-i çeo e fizeram boas presas. As outras cousas, Senhor123, da terra leixo de stprever124 por que muytos as ham de estprever 125 a Vosalteza que asaz abasta falar em meu ofiçio. Fico, Senhor126, roguando a Noso Senhor127 acreçemte a vida e reall stado de Vosalteza. De Cochim, a 22 dias de Dezembro de 1514. Frei Domingos128 de Sousa, Indino129 vigairo 13°. (1) O crucifixo foi encontrado em Novembro de 1512. (Correia, II, 329.) I2i— ppco ; 122 —ds; 123, 126, 127 —«r; 124 — stjjver ; 125 — destfver; 128 — domo» ; 129 — indi" ; i3o — vi»*.— A assinatura encontra-sc mesmo ao fundo da página muito delida. 2 53
  • 113 CRISTANDADE DE CANANOR. 27 de Dezembro de 1514 Documento original existente no ANTT: — CC, I, 17-32 (1). Mede 217 X 300 mm. Duas folhas, mas o documento encontra-se apenas na primeira. O documento acha-se em regular estado, embora algo roto e picado. Senhor 1 (i r-I Da jemte da terra que he tornada christã 2 nesta cidade de que Vosa Alteza nos mamda que hemviemos certidam som os que se seguem, per todos trezemtos e quoremta quatro 3 pessoas — scilicet — cemto e setemta e quatro 4 ma- chos e cemto e setemta femeas. Das quaees 5 som trimta6 e sete homeens que foram mouros e quoremta e oyto molheres que forom mou- ras 85 pessoas7 (1) Outra via dêste documento encontra-se no CC, III, 4-46, datado de 31 de Dezembro, ou melhor, «ao derradeiro dia Dezembro 1514». Está inventariado como pertencendo ao ano de 1504. Jorge de Melo não era capitão de Cananor em 1504, nem a fortaleza estava ainda contraída. Esta outra via encontra-se em muito mau estado, rota na parte esquerda superior e inferiror, picada e muito delida. A dificuldade da leitura provém do estado do documento e não da caligrafia que é cuidada. i — snnór; a — xpão; 3, 4 — quat»; 5 — qêcs; 6 — tfhta; 7 — p". 2S4
  • E sete naires, quatro 8 homens e tres molheres 7 pessoas 9 E vimte dous moços, treze que forom mouros e nove jemtios 22 pessoas E setemta e quatro11 homeens que foram jentios de jemte baixa que se chamam tibas e mucuas... 74 pessoas12 E oytemta e seys molheres desta mesma jeraçom 86 pessoas E filhos destes christãos 13e christaãs 14 trimta e tres, dezoito machos e quimze femeas 33 pessoas E filhos de omens purtugueses casados com molheres desta terra, treze, sete machos e seis femeas... 13 pessoas 15 E filhos de purtugueses solteiros 16 e de molheres forras e alguuns de suas escravas 17 vimte e quatro 18, doze machos e doze femeas que sam per todos a dita soma. // Prazera19 a Noso Senhor20 que isto ira em creçimento I* v.j pera muyto seu serviço 21 e voso comtemtamento. Cada huum de nos tera o cuidado que sobre isso Vossa Alteza lhe manda a quem beijamos as mãos e rogamos a Noso Senhor 22 que lhe alomgue vida e estado pera taees obras como estas sem- pre fazer. Desta cidade de Cananor a 27 dezembro 23 de 514. Allonsus vicarius — Jorge de Melo — Pedro Mel. 8 —quat0; 9, 10 —p"; II, 18— quat'; 12, i5—p**; i3—xpaãos; 14 —xpaãs; 16 — 8011™'; 17—stpvas; 19 — pzera; 20, 22 — snnor; 21 —«viço; 23 —dz™. 255
  • 114 CARTA DE JORGE DE MELO, CAPITÃO DE CANANOR, A EL-REI 28 de Dezembro de 1514 Original existente no ANTT: — Gaveta 15, 18-27 (1). Mede 310 X 220 mm. Constd de 6 folhas não numeradas. O documento começa na foi. 2r e termina na foi. 5v. Em mau estado. Roto e dilapidado. P r-l Em outra carta me mamda Vosa Alteza que, per certidam minha e do feitor1 e vigário 2, vos faça saber os christãos 3 que aquy ha. La ha mamdamos. E quanto aos nayres serem 4 christãos 5, como Vosa Alteza deseja, he huma jemte tamto per sy, que de gram maravilha se qerem fazer. E se mais nom trabalhei por se mouros fazerem christãos 8, foy por me ho capitam mor fazer pagar huuma a minha custa que se aqui fez christãa7 e me defemder que nom fizese nenhuns espravos8, de mouros nem jentios, porque muytos o vem cada dia requerer. E quanto ao serviço da igreja que me nesta carta encomenda, a mim me parece que elle se faz aqui perfey- 12 v.) tamente, e ela esta agora muy bem concertada // e corre- gida de novo, que este inverno 9 a mandey correger, e rezam sempre as oras em coro, tangendo ho syno. E alguns livros e outras cousas que lhe faleçem o vigairo 10 spreve11 a Vosa Alteza e elle he bom homem e de onesta vida. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», IV, 16-17. i — ftor ; 2, io — vig' j 3, 5, 6 — xpãos j 4 — »em ; 7 — xpáo ; 8 — stpvos ; 9 — invno; 11 —stpve. 256
  • 115 CARTA DE D. JOÃO DA CRUZ, EMBAIXADOR DO REI DE CALECUT, A EL-REI DE PORTUGAL. s. d. (1515.) Documento existente no ANTT: — Cartas dos Governadores de África. Maço único, n.° 318 (1). Mede 310 X 215 mm. Consta de duas folhas não numeradas. O documento ocupa apenas as duas páginas da primeira folha. A carta não se acha assinada. Apresenta dois buracos, o segundo dos quais bastante grande. O resto, em bom estado. Senhor l. Dom Joham, (2) embaixador delrey de Qalequ, faço saber a Vosa Allteza que no regno e tera do dito rei de Qalequ ha çertas gerações 2 e nações de homes, a saber, (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», 208-209. (2) Em fins de 1512, por ocasião das pazes entre Afonso de Albuquerque e o Samorim de Calecut, resolveu êste último enviar a Portugal um pagem, seu parente, não só como embaixador mas também como obser- vador da vida portuguesa. Veio para Portugal na nau de Gonçalo Pereira e cá se demorou alguns anos. Foi muito bem acolhido por El-Rei D. Manuel. Converteu-se, recebeu o hábito de Cristo com direito à respectiva tença, regressando finalmente à índia onde se tornou notável sobretudo pela incisiva influência na conversão dos Paravás. Correia, 11, 331.) Gaspar Correia afirma que êle ficou em Portugal 5 anos, tendo partido da índia em pricípios de 1515, Indica até a nau em que regressou à Índia, a de D. João de Lima, em 1518. (Id. 556) Segundo, porém, uma carta do Padre Diogo de Morais, vigário de Calecut, sabe-se que o seu regresso à Índia devia ter-se dado em 1515. (CC, I, 19-85.) i — sór; a —. |afães. 2 5 7 «7
  • bramenes, chatys e naires e guzarates e mouros, amtre3 as quaees4 ha mais honrada e estymada gemte, tiramdo os bramenes, hee a naçam dos chatys, a saber, os verdadeiros 5 chatys, por que muitos, por se honrarem, dizem que sam chatys (1). E os privilegeos que os ditos chatys tem sam estes perante 6 elrey de Qalequ ou outro qalqer 7 rei omde forem todas estas nações, nenhuma pesoa se nam pode asemtar perante 8 o dito rei senam os chatys e bramenes, e todos' os outros estam em pee. E asy tem la duas maneiras 9 de amdorres, a huns cha- mam paleqe (2) e aos outros amdor; e os que chamam paleqe sam maes honrados que os amdores, nos quaes10 nam pode amdar nyngem se nam os chatys e o mesmo rey da terra 11 nom pode amdar nele. E asy ho rey de Qalequ tem trombeta de ouro de sua pesoa, sem outro rei a poder ter, senam o de Narsynga, e asy os chatys também a tem de ouro, sem outro rei nem naçam a poder ter. E asy nas cousas da justiça 12, o rey propryo 13 da terra 14, nem outra nenhuma naçam nam tem jurdiçam nem poder sobre os chatys, e elles sam os que tem juiz seu, e ainda que façam qalqer 15 cryme I6, o rey lhe nam toma comta diso. Estas cousas tem de amtegidade, por serem ávidos por pesoas de honrada... e geraçam. E asy, tendo gera com quall- (1) «Chatins» são gentios do Coromandel, grandes comerciantes e cambistas. Os «Guzarates» — do Guzarate ou Cambaia — dedicavam-se em especial ao grande comércio, possuindo naus e feitorias nos principais portos. (BNL,FG 9163: Discrição das terras da Índia Oriental, e dos seos uzos, costumes ritos e leys. Escrito por Vasco da Gama, discubridor da índia. «fl. 55-56.» (2) Recorde-se o nosso «palanque». 3 — amt'; 4, IO — qé«s ; 5 — verdad™; 6, 8 — pamte ; 7 - qalqr ; 9 — man™ ; 11 — tiã ; 12 — just" ; i3 — ppjo ; 14 — trrã ; i5 — qlqí ; it> — cjme. 258
  • quer 17 rey, os chatys e bramenes podem hyr e caminhar por tera dos comtrairos, sem lho tolherem nem fazerem mail. E em caso, Senhor 18, que eu era chatym desta propria 19 naçam, e dos mais honrados de Qalequ, nam olhando a estes previlegeos20 e omras que os chatys tem, vemdo que a fee dos christãos 21 he a verdadeira, folgey de me fazer chris- tãao 22, sabemdo que niso açertava e fazia o que verdadei- ramente todos sam obrigados fazer23 pera viver e morer na fee de Noso Senhor 24 Deus25, em a qual eu espero26 viver e morer, e dou muitas graças ao Senhor 27 Deus 28 por me chegar a tempo 29 que me torney pera ele, amtes de minha morte, e lhe peço me leixe fazer 30 obras que sejam de seu santo servyço 31. E porque eu, Senhor 32, desejo cousa de homra que todos desejam, pera ser prevelegyado33 // e mays honrado daqy |i v em diamte, beijarei mãos de Vosa Alteza me fazer mercee de carta de armas pera my, e os que de mym deçemderem as poder sempre ter e trazer, pera nobreza e fidalgya, como he costume as terem aqueles que em Purtugal as tem, asy por mercee34 que lhe faz delas Vosa Alteza, como por amteçesores seus que as ja tynham. E asy me faça mercee do abyto de Christos 35, fazendome com ele cavalleiro 36, e asy me fara merçe 37 em me emtre- gar pola mãoo ao capitão moor que for a Imdea, e lhe mande e emcomende que asy no mar como na terra 38 me faça honra e favor, pera mais acreçentamento 39 de minha homra, e me mande encomendar a elrei de Qalequ per vossa carta, que pois elle me escolheo pera me mandar qa, que posto que eu seja christãoo 40, nam leixe por iso de me fazer favor e bem, e ter na comta em que sempre me teve. 17 —qiqf; 18, 24, 27, 32 —sõr; 19—ppia-, 20 — pevilegeos; 21, 22 — xpãaos; 23, 3o — faí ; 25, 28 — ds ; 26 — tspo ; 29 — tpô ; 3l — ívvço ; 33 — pevelcgyado ; 34, 37 — in£e ; 35 — xpos; 36 - cavall™; 38— trrã ; 39 — acrecélamto; 40—«paio. 25 9
  • Esto, Senhor41, peço a Vosa Alteza, porque vendo os da tera42 que o voso capitão mor me faz honra, eles tam- bém ma faram, porque qando comprir 43 poso levar comigo quatrocentos44 homens meus, por serviço45 de Deus46 e de Vossa Alteza a morerem omde comprir47; e estes sam omes de casta de chatys, que estes quatrocentos pelejam com cynquo 48 mill mouros e os desbaratam, e prazera a Deus 48 que Vosa Alteza vera ao diamte como eu sirvo 50 e faço as cousas de seu serviço51. E porque Vosa Alteza he ho moor rey e senhor 52 do mundo, averey por gramde merçe53 estas armas, porque la vejam que follgou Vosa Alteza de me dar coussa de homra pera mym e meus decemdemtes... que levo a cabeça honrada pera me defemder, e a fama diso corera pella terra, e veram as armas que levo, de que Vosa Alteza me fez merçee 54, pelas quaes 55 me cataram muito e nisto receberei merce. E que me faça Vosa Alteza merce da jurdição dos chatys e naires que se fizerem christãos 50, que eu os castigue e despache em cousas cyves quamdo comprir, como me bem pareçer. 41, 52 — sr ; 42 — trã ; j3, 47 — compr ; 44 — qtrocentos ; 45, 5l — tviço ; 46, 49 — ds ; 4$ — cynq° ; 5o — svo ; 53, 5# — mçee ; 55 — qées ; 5<> - xpaãos.
  • 116 EMBAIXADA AO XEQUE ISMAEL. 1515. Existente na BNL: — Códice N.° 297, fl. 171r-171v (1) (antigo códice de Alcobaça 475). O códice tem 225 folhas escritas e 3 em branco. Mede 290 X 200 mm. Em bom estado. //O regimento que deu a Fernam Guomez de Lemos e a im m Gil Simoens que mandou ao Xeque Ismael. Esta he a maneira e regimento que vos Fernam Guomez de Lemos tereis em vossa ida e vinda e estando onde os ora mando por serviço de Deos e dei rei nosso senhor, e a vos Gil Simões por escrivão da embaixada, o seguinte: (2) Item. Sabereis dos christãos daquellas partes se tem ora- torio de nossa fee e crem verdadeiramente que Nosso Se- nhor naçeo de Nossa Senhora Maria Virgem, morreo e padeçeo em cruz por nos salvar e resurgyo ao terceiro dia. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», I, 389-390. (2) Esta foi a terceira tentativa de aliança entre Afonso de Albuquerque e o Xá da Pérsia. A primeira foi mal sucedida. O embaixador Rui Gomes morreu enve- nenado pouco depois de sair de Ormuz. Esta tentativa realizou-se em 1510. A segunda embaixada, dirigida por Miguel Ferreira, foi bem aceita. O xá enviou um seu mensageiro à índia afim-de entabolar negociações. (Correia, II, 353-359) A terceira tentativa foi igualmente mal sucedida, pois o xá levou a mal a construção da fortaleza de Ormuz. O embaixador Fernão Gomes de Lemos era o velho companheiro de Afonso de Albuquerque. Gil Simões era o escrivão. (Correia, II, 442-444.) 2 6 J
  • Item. Mais vereis se alguns destes christãos, sendo defe- rentes alguma cousa da fee de nos, os podeis trazer com- vosco ou ordenardes como vão a Roma, ainda que melhor seria ir por via de Portuguall. Item. Vereis suas igrejas, ornamentos e altares delias, imageens de santos e se tem Nosso Senhor na cruz e a ha imagem de Nossa Senhora, e assi os cleriguos e frades, e [in v.j lio modo de seu viver // e trajos, e assi dalguns corpos de samtos, mártires, apostolos, se jazem seus corpos nessas partes. 262
  • 117 PADRE AFONSO VELHO, VIGÁRIO DE CANANOR. 22 de Janeiro de 1515. Original existente no ANTT: — CC, II, 55-42h (1). Mede 125 X 210 mm. Meia fôlha que se encontra junta a outros documentos ligados, sendo o último deles. Daqui a sua numeração especial. Em bom estado. He verdade que eu, Afonso 1 Velho, vigairo 2 de Cana- nor, recebi de Gonçalo 3 Mendez, feitor de Callecut, trinta pardaos sobre meu solido a rezam de quinze fanões por pardao. Por verdade lhe dei este por mim feito e asinado. Feito a 22 dias de Janeiro 4 de 515. Allfonsus vicarius. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 249. i — a° ; a — vig™ ; 3 — g°; 4 — i«nr°- 263
  • 118 / ALFAIAS RELIGIOSAS. 14 de Fevereiro de 1515 Documento eoriginal existente no ANTT: — CC, 11, 55-51. Mede 205 X 230 mm. Em bom estado, apesar dos cantos superior e esquerdo se acharem algo comidos. Diguo eu, Frey Domingos de Sousa, vigairo 1 jerall que ora sam em estas partes da India, que he verdade2 que receby de Francisco 3 Corbynell, feitor de Gooa pera man- dar com o senhor 4 governador 5 da armada a saber, huma caldeirynha e quatro 6 castiças de arame, e dous trybullos de arame, e tres campaynhas, e duas cruzes a saber^ huma de estanho e outra de latam, e huma caixa de corporas com ella, e huma vistymenta de chamalote morado e huum fron- tall de chamalote alyonado com ha franja vermelha7, e huma vystymenta de Iam de cores, e huma caixa em que todo vay, e por que asy he verdade8 lhe mandey ser 9 fecto10 o presemte11 conhecimento12 per mim asynado, feito em Goa ao 14 dia de Fevereiro 13 de 1515. Dominicus de Sousa. t — vigre ; j, 8 — )>dade ; 3 — ffr™ ; 4 — sof; 5 — gd<" ; 6 — qual'; 7 — vmellia; 9 — s ; 10 — fcó ; 11 — psemlc ; 12 — cto ; i3 — ffeu™. 264
  • 119 CARTA DE PAZES E CONTRATO QUE FEZ AFONSO DE ALBUQUERQUE COM O REI DE CALECUT. 26 de Fevereiro de 1515. Documento existente no ANTT: — Livro XI da Chancelaria de D. Manuel fls. 83r-84r (1). Dom Manueli // Foi antre elles assentado e afirmado que ha justiça fose repartida nesta maneira, a saber, por qualquer1 naire ou homem da terra ou mouro que ouver algumas brigas ou contendas com os christãaos 2, portugueses 3, nom lhe sera feito nenhum mail, mais que sera levado ao dito rey de Calecut pera elle o castigar e fazer delle justiça4, segundo a grandeza de sua culpa. E os christãaos5 portugueses, quando forem achados fazeendo taaes cousas, per homde mereçam pena de justiça 6, sendo o delito com os naires ou gente da terra ou mouro, sejam levados ao noso capitam da dita 7 forteleza de Calicut, pera elle os ouvir e castigar e fazer delles justiça, segundo per suas culpas e dereitos merecerem. Que todos aquelles que se tornarem christãaos 8 da jente da terra ou de quaaesquer 9 outra nações que na terra este- (1) Publicado na íntegra em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, 449-452. i — qlqr ; 2, 5, 8 — xplaios ; 3 — frtugueses; 4, 6 — just»; 7 — dcã; 9 — quaaesqr 265
  • [84 r.j verem // e ela vierem sejam isentos de todos asy em suas pessoas 10 como fazemdas, e de cousa alguma sobre elles entender o dito rey de Calicut no propeo modo e maneira 11 que hos sam os christãos12 portugueses 13. io — PM ; li — man*; ia — xptaãos; i3 — ptuguescs. 266
  • 120 CAPELÃES DA ARMADA 7 de Maio de 1515 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 125-109. Mede 262 X 161 mm. O documento foi escrito em papel oriental que se acha bastante comido na extremidade esquerda. Manoel da Costa, feitor 1 de Ormuz, stprivães 2 da dita feitoria e o capitam jerall etc, per este vos mamdo que mam- des fazer pera nove crelegos que servem na minha armada, nove sobrepelizias, pera cada huum sua. Comprio asy e per este com ho asemto dos ditos stprivães3 vos sera levado em conta4. Feito em Ormuz, a 7 dias de Mayo, Fernam Moniz a fez de 515. Afonso de Alboquerque 5. folhas 53 — 6 peças de que se fizeram as nove sobrepelizias de beatylhas. I — flor; J, 3 — stpvães; 4 — eonta; 5 — a» dalbofa. 2 6 7
  • 121 MULHERES PARA USO DOS PORTUGUESES. Ormuz, 11 de Maio de 1515. Original existentes no ANTT.—CC, 11, 56-67 (1). Mede 275 X 195 mm. Uma jôlha, escrita dum lado. Em bom estado, apesar dum pequeno rasgão. Manoell da Costa, (2) feitor de Ormuz e esprivães da dita feitoria, ho capitam jerall, etc. vos mando que pagues a el rey de Urmuz por huma esprava que se lhe tomou (3) . sua, sem se saber que era sua, doze serafins, por quamto he christã1, e nam se lhe pode tornar porque a forrey em nome dei rey noso senhor para o huso dos homens, e por avitar alguns males que se poderiam fazer com as mouras, e pela terra omde estamos. Comprio asy, e per este com asemto dos ditos esprivães vos seram levados em comta. Feito em Urmuz a 11 dias de Mayo. Antonio2 da Fom- seqa o fez de 1515. Afonso de Alboquerque. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VI, 287. (2) Era feitor da armada de Afonso de Albuquerque, havendo tomado parte na conquista de Malaca em 1511. (Correia, 11, 235, 388.) (3) A palavra «tomou» pode também Iêr-se «tornou» e logo a seguir encontra-se repetida a palavra «esprava». Desta repetição deve ter nascido a confusão na escrita de «tomou». i — xpâ; a — At*. 2 68
  • 122 HOSPITAL DE COCHIM. 10 de Junho de 1515 Documento existente no ANTT: — CC, 11, 58-51. Mede 290 X 230 mm. Uma folha de papel, escrita só dum lado. Em regular estado. E verdade que Joam Frade provedor1 do espritall2 desta fortalleza de Quochim recebeu do feitor3 Lourenço* Moreno quatro baçyas, a saber: duas de cobre e duas de freslleyrra (1) as quas bacyas foram entregues ao boticayro Simão Allvrez e mais reçebeo ho dito5 provedor huma faraçolla (2) de pedra hume e mais reçebeo quinze arrates de azynhavre (3) e huma quarta que tudo foy entregue ao dito B boticayro e asy ficam lamçados em receyta ao provedor per mim Pero 7 Lourenço 8, estprivam 9 de seu cargo. Por verdade 10 lhe dey este conhecymento feito em Cochim a dez dias de Junho de quinhentos e quynze. Assi reçebeo mais ho dito provedor do feitor Lourenço 11 Moreno duas sacas de allgodam de que se fizeram dezeseis (1) Também conhecido sob os nomes de «frosyleyra» e «fuzileira»: liga de cobre e estanho (?) Livro dos Pesos da Yndia, e assy Medidas e Mohedas. Escrito em 1554 por António Nunes.) (2) Pêso empregado na África e na índia, variando de logar para logar, orçando porém entre 170 e os 300 quilos. (Id, p. 45-55.) (3) O mesmo que «azêbre». i—p"r; z — csptall; 3 — f°'; 4, 8, II —Lf°; 5, 6 —dcò; 7 — po; 9 —estpvã; XO— rdadc. 26 g
  • collchões pera ho espritall12 que todo lhe fica lamçado em receyta per mim dito13 esprivam 14. Feito per mim e asy- nado per ambos. João Frade — Pero 15 Lourenço I8. 3 de latam, bacios. 1 de furaleira. 1 faraçola de pedra ume. 15 arates de azinhavre. 2 sacas de algodam. Ficam riscadas estas mercadorias no livro as 528 folhas. (Esta lista está riscada). 12 — esptall; i3 — dco ; 14 — cspvã ; i5 — p° ; 16 — Lc*. 27 O
  • 123 DOENTES EM CALECUT. 24 de Julho de 1515 Original existente no ANTT: — CC, 11, 59-67 (1). Mede 220 X 280 mm. Consta de duas folhas, uma das quais contém o documento. Em bom estado, mas bastante picado. Francisco 1 Nugueira, capytam desta forteleza de Cale- cute, mando a vos, Gonçalo 2 Mendes, feitor 3 e ao espri- vam4 de vosso carguo, que des a João5 de Çamora, solor- giam de Cananor, que aquy veo a meu chamado curar os doentes que aquy estavam, por aquy nam aver fysequo, que os qurase, trynta fanões 8 pêra a despesa do camynho, por quanto vay por tera7 e levam nayres que vam em sua guarda, e per este com hasento de vosso esprivam 8 vos sera levado em conta. Feito em Callecute a 24 de Julho de 1515. Francisco 9 Nogueira10. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, 142. i, 9 —£frco; 2 — g°; 3 —f0'; 4, 8 — espvam ; 5 — j°; 6 —f$; 7 —trá; 10 —nog".
  • 124 HOSPITAL DE GOA. 10 de Setembro de 1515 Original existente no ANTT: — CC, 11, 60-106. Mede 120 X 220 mm. Uma meia fôlha escrita dum lado. Em razoável estado, com um buraco no centro. Eu, Frey Amdre, provedor do espritall1, diguo que he verdade2 que receby de Francisco 8 Corvinel feytor cym- qoemta e quatro vespiças (1) pera as camas dos doentes, e por que he verdade4 asyney aqui em 10 de Setembro 5 de 1515. Frey Andre Royz. (1) Ou «bespiças»: tecido antigo da índia. I — esptall ; 2, 4 — i dade ; 3 — frc0 ; 5 — set'0. 2-J a
  • 125 HOSPITAL DE GOA. 11 de Outubro de 1515 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 61-51. Mede 278 X 153 mm. Algo roto e esburacado mas lê-se bem. Diguo eu, Amdre Royz, provedor do esprytall que he verdade 1 que reçeby de Jeronimo 2 Ramos hum quarto de vynagre pera mexynhas e mantymento dos doentes e por que he verdade 3 que reçeby o dito4 quarto de vynagre lhe dey este conhecimento 5 por my asinado. Feito6 em Goa aos 11 do mes de Outubro7 de 1515. Frey Andre Royz. 1,3 — rdad ; 2 — J° ; 4 — dcó ; 5 — ct0; 6 — fcô ; 7 — outr#.
  • 126 O EMBAIXADOR DO PRESTE JOÃO LOUVA O EX-VIGÁRIO DE CANANOR. Cochim, 11 de Dezembro de 1515. (1) Original existente no ANTT: — CC, 1, 19-52. Mede 310 X 215 trm. Uma folha só. Letra muito cuidada. Senhorx. Despois de ter escrito a Vosa Alteza, acorde de escrevir sobre o vigairo (2) que estava en Cananor que se vai para Portugal, de que me muito peso, por ser omem que servia muyto bem a Vosa Alteza, y tina muito cuidado de la anima de Don Jacome, en mandar dezir as misas que dexo que se digan por su alma, e asi traballo muito na con- pra de hum palmar que compre para a dita ygreja e renda pera as duas misas. Pareceme que ninuun vigairo puede Vosa Alteza man- dar que lo tanbien faça e serva a Vosa Alteza como este, e podra Vosa Alteza saber ben e ser ben enformado por Jorge de Melo capitam e otras persoas que o conecem e (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», III, 169-170. Era o embaixador Mateus que Afonso de Albuquerque mandara a Portugal. El-rei recebeu-o com tôdas as honras e ao mandá-lo para a índia, enviou Duarte Galvão por seu embaixador para o Preste João (Correia, 11, 464.) (2) Padre Afonso ou Alonso Velho, i — sôr. 2 7 4
  • saben como sempre bibio, por lo qual peço a Vosa Alteza que si bien quere a Don Jacome, que lo mandeis para aqui por vigairo, y en esto, Senhor, me hara muita merced 2. De Cochi a 11 de Dezembro de 1515. (Assinatura em cruz) Del embaxador do Preste Juan. 2 — md.
  • 127 CAPELA DE S. BARTOLOMEU. Cochim, 30 de Dezembro de 1515. Original existente no ANTT: — CC, II, 62-133 (1). Mede 280 X 220 mm. Uma fôlha só, escrita dum lado. O documento encontra-se em bom estado, mas as margens acbam-se muito irregulares e comidas. Eu, capitam gerall e governador das Yndias, etc. Per este me apraz 1 que o marco de prata que hos mor- domos de Sam Bertollameu aviam de pagar ao vigairo 2 gerall por mudarem a capella domde estava se pague a custa dei rey noso senhor 3, porquanto lhe faço merce dele, em nome de Sua Alteza, e per este mando ao feitor de Cochim que lho pague loguo, e per este meu alvara4 e semto dos ditos stprivaés5 vos sera levado em comta. Feito em Cochim a 30 dias de Dezembro6. (2) Fernam Moniz o fez, de mil quinhentos e quinze. Afonso de Alboquerque7 (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, 157. (2) Note-se que Albuquerque faleceu em 15 de Dezembro de 1515. (Barros, Dec. II, Liv. X, Cap. VIII, p. 493.) Por conseguinte esta ordem foi provavelmente assinada em 1514, quando Albuquerque esteve em Cochim. Supomos que em Cochim haveria várias folhas de papel, devidamente assina- das jí pelo governador, que poderiam ser utilizadas quando a ocasião se oferecesse. I — apí ; a — vig'°; 3 — sí ; 4 — alv" ; 5 — stpvaés ; 6 — dez° ; 7 — a" dalboqq. 276
  • 128 CARTA DO PADRE DIOGO DE MORAIS, VIGÁRIO DE CALECUT, A EL-REI. 18 de Janeiro de 1516 Original existente no ANTT:— CC, 1, 19-83. Mede 310X210 mm. Consta de duas folhas não numeradas. O documento ocupa apenas as duas páginas da primeira fôlha. Em bom estado. Muito alto primas 1 e manifyquo e podroso Senhor 3 Rey. p r.i Com aquele acatamento que eu devo, beyjo as reaes mãos de Vosa Alteza, a quall faço saber que nesta cidade de Cale- cute se não fazem nenhuns cristãaos, o porque achamos que Afonso3 de Albuquerque deyxou dito quando se partyo pera Aramuz que nesta cidade que não fezesem nenhuns cristãos, e Lopo Soares (l) o capytam e governador4 das Hyndeas assym o manteve ate ora, e eu dise pois esta ley era ja quebrada que me dese lycença pera fazer cristãos, quando me veessem requerer, que eu nam podya neguar meu ofyçyo, e mais pera os que me veessem requerer, e me dyse que com tudo fezese algumas pesoas honradas, porque sabera Vosa Alteza que se fazem qua muitas pesoas bayxas e pobres e por neçesydade se fazem cristãs, e nam teem nenhum respeyto a Noso Senhor5. (1) Sucessor de Afonso de Albuquerque no governo da índia. I — fimas ; a, 5 — sór; 3 — a" ; 4 — gornador. 277
  • Veja Vosa Alteza o que he mais serviço 6 de Noso Se- nhor 7 e assy mo mande dizer por hum alvara 8. Assy sabera Vosa Alteza como Dom Joham da Cruz (1) tem aqui hum pyntor pera lhe fazer hum retavolo, em que ha de fazer toda a payxam de Noso Senhor 9 Jesus Cristo 10, e soo das mãos e de ouro chegara o retavolo feyto a oyto centos cruzados, o quall retavolo faz pera huma igreja que quer aqui fazer pera sua memorya e de toda sua lynhagem, e assy dyz que a quer fazer da Hordem de Crystos, a honra do abeto que Vosa Alteza lhe fez merce. Despendera nesta igreja ate tres mill cruzados. Tem muito bom respeyto de bom crystão e virtuoso11 homem. [i ▼•] // Eu vou com elle, como Vosa Alteza mandou por hum alvara 12 que veese na naao pera ho emsynar e assy que tyrase Vosa Alteza do carguo em que era obrigado da parte do padrynho. Eu o emsyney muito bem e Vosa Alteza fora do carguo, e assy pede a Vosa Alteza por quanto qua nam ha estes mármores, que lhe mande doze que lhe sam qua muito neçesaryos,. e tres pedras de ara pera os altares e qua- tro misaees pera a sua igreja. O retavolo esta ja meo feyto e tem muito cuydado pera acabar esta igreja muito çedo em pouquo tempo 13, e pois, Senhor 14, eu sam cryado do Senhor15 Duque de Bragan- ça, (2) e a Senhora16 Duqueza, irmãa de Vosa Alteza (3) pedyr esta vygairarya pera mym, na quall me nam achoo (1) Era o Embaixador que o Samorim de Calecut havia mandado a el-rei de Portugal em 1512. Converteu-se em Lisboa. (Correia, 11, 331,556.) Em 1515, antes de regressar à Índia, requereu a el-rei o hábito de (2) D. Jaime, Duque de Bragança, filho de D. Fernando e sobrinho de Cristo. (CC, I, 18-85). el-rei D. Manuel. (Gois, 1, 137-139-) (3) D. Isabel, itmá de D. Manuel e mãe de D. Jaime. (Gois, I, 138.) 7, 9 — s6r; 6 —iviço; 8 — »lv*; io — jhú vj>o ; n — rtuoso; 12 — âlv*; |3 — tpõ ; 14, i5 — s5r; 16 — sõra. 3 78
  • aqui bem, que som aqui muito doente, no que peço a Vosa Alteza que me faça merce 17 da vygayrarya de Goa e assy que seja proveador do espritall18 dos doentes, porque sabera Vosa Alteza que me nam soguigou a vyr a estas partes da Hyndea, soomente18 pera servir20 a Noso Senhor 21 e fazer algum fruyto pera a nosa fee, e assy pera servir22 com muito bom desejo Vosa Alteza, a quall peço que por quanto me achoo aqui mail de febres que me queyra remedear mynha vyda com esta vygairarya de Gooa, que sam homem, como sabe a Senhora23 Duqueza e o Vygairo de Tomar pera dar muito bom enxenpro de mim em toda parte, que nunca ali faço soomente roguar a Noso Senhor 24 por voso reall estato, ao quall acrecente vossos dias de vyda e lhe de o que for seu serviço25 e cunpra vosos virtuosos20 desejos. Feyta aos 18 dias de Janeiro de mill e quinhentos e dezasseis anos. Diogo 27 de Moraes. 17—mie; 18 —esptall; 19 — soómte ; 20, 22 — svir ; 21—sòr: 23 — sóra; 24 — sor ; 25 — fviço ; 26 — vtuosos ; 27 — di°.
  • 129 HOSPITAL DE COCHIM. 20 de Janeiro de 1516 Original existente no ANTT: — CC, 11, 63-23 (1). Mede 310 X 220 mm. Uma folha só, escrita dum lado. Em bom estado. Alvaro 1 Lopez, almoxarife2 dos mantimentos 3 de Co- chim, emtregarees a Joam Frade, provedor do espritall4 e defuntos desta fortaleza, hum fardo de açúcar pera despesa 5 dos doemtes do dito stpritall 6. E per este com seu conheçi- memto feito per o stprivam 7 de seu cargo em que decrare como lhe fica em reçepta, com decraraçam do que pasou e asynado per ambos, vos sera levado em comta. Feito em Cochim a 20 dias de Janeiro 8 de 516. Lourenço 9 Moreno. Recebeo Yam Frade, provedor deste esprytal de Cochim, de Alvaro Lopez, almoxaryfe dos mantymentos cynquo faraçolas de açuquere pera despesa desta botyqua he ysprytal, ho qual açuquere fyqua em receyta ho dyto Yam Frade per my Bernal Dalverez, escryvam de seu careguo, feyto por my he asynado per anbos. Feyto em Cochym 26 dias de Yaneyro de 516 anos. Yoham Frade. Bernal Dalvarez. (1) Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», VII, 156-157. * — «lvro; 2 — almox*; 3 — m10*; 4 — esptall ; 5 — desp" ; 6 — st£tal; 7— stpvam; 8 — Janr0 ; 9 — Lc«. 280
  • 130 PADRE VIGÁRIO DE GOA 10 de Maio de 1516 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 64-126. Mede 164 X 153 mm. Apresenta um buraco no centro e um corte na parte superior. Francisco 1 Corvinell feytor de Goa e escrivães da dyta feytoria, Dom Joham de Eça, capytam e governador 2 desta cydade e fortelezas e Ilha e Ilhas de Goa, per este vos mando que pages huma peça de damasco ao padre vygayro, que custou oyto pardaos, pera dar a Milequecufo capytam dos portugueses que andam em Balagate que lhe mandey dar por que veo a esta cydade e me pareceo serviço 8 deli Rey. Feyto oje 10 de Maio de 516, e per este mando aos escrivães que volo lancem em despesa. Dom Joham de Eça. i — frr"; a — gdor ; 3 — «viço.
  • 131 IGREJA DE ORMUZ 6 de Junho de 1516 Documento existente no ANTT: — CC, II, 65-24- Mede 220 X 317 mm. Uma jôlha bastante rota nos dois cantos direitos superiores e in- feriores. O centro acha-se igualmente roto longitudinalmente, ressentindo-se da dobra. Pera dar todo o que for necesario Manuel da Costa, feitor 1 de Urmuz e stprivaeês da dita feitoria 2, Dom Aleixo de Meneses, capitam mor (1) etc per este vos mando que daquy em diamte dees pera a Igreija desta fortalleza, todallas cousas que lhe forem necesarias asy ornamentos como todallas outras cousas de tochas, de cirios, vinho e todo o mais que necesario lhe for pera ser- vyço de Deus 3. As quaes cousas emtregares a Frey Duarte, vigairo da dita Igreja, comsederamdo vos e elle as cousas que necesarias forem, por que o servyço de Deus 4 se faça, e per este somemte com asemto dos ditos stprivães5 vos sera levado tudo em comta. Feito em Urmuz, a 6 dias do mes de junho de 1516. Dom Aleixo de Meneses 6 (1)' Sobrinho de Lopo Soares, governador da índia. Veio com seu tio em 1515. Em Março de 1516 foi enviado a Ormuz prover o que fôsse necessário. Pero de Albuquerque, sobrinho de Afonso de Albuquerque, era e foi capitão da fortaleza. D. Aleixo de Menezes pouco ou nada fez em Ormuz, pois achou tudo em ordem. As palavras «capitão-mor» devem entender-se por «capitão-mór do mar» e não da fortaleza. (Correia, II, 463, 478-482.) I — f1"'; i — ftoria ; 3, 4 — ds ; 5 — stpvães ; 6 — ms. 282
  • 132 HOSPITAL DE ORMUZ 6 de Junho de 1516 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 65-25- Mede 220 X 215 mm. Roto no centro, sem contudo afectar a leitura. 15 — xerafins Haos seys dyas de Junho, recebeo Estevam de Amdrade, proveador do espritall \ e defuntos desta fortaleza, de Manoell da Costa, feytor, quinze xerafys pera despesa do dito esprytall, hos quaes fiquam caregados no livro da receyta do dito esprytall e por que he verdade2 lhe foy dado este conhecymento 3 feyto e asinado por minha mão, Garcya Fereira, escryvão dos defuntos e esprytall, aos seys dias de Junho de quynhentos e dezaseys. Garcya Fereira — Stevam de Andrade. i — esptall; J — idade; 3 — conhecymto. 283
  • 133 PAZES COM COULAO. 25 de Setembro de 1516 Documento existente no ANTT: — Tombo do Estado da Índia (1). Este célebre manuscrito mede 405 X 280 mm. Tem 236 folhas, bas- tantes das quais em branca. Encontra-se em magnífico estado, devido sem dúvida à boa encadernação que o reveste. Trelado do contrato das pazes que o governador Lopo Soares fez em Coulão com a Raynha e Regedores da terra o ano de 516. |37 r.j " Dom Manoel, per graça de Deos *, Reey de Portugal e dos Alguarves d'aquem e d'alem maar em Affriqua2, senhor8 de Guinee e da conquista, naveguação, comercio de Ethiopia, Arabya, Percia e da India, etc. A quantos esta nosa carta virem fazemos saber que Chec Dauguanate Irmacalao, reey de Coulão, e Caycoy Irnalcão, sua irmãa, e seus regedores de suas terras 4 e senhoryos, nos mandou dizer por muitas vezes que estava a noso serviço e desejava nosa paaz e amizade, dizendo que ele não hera culpado no desserviço que nos foy feito 5 em sua terra de Coulão na morte de Antonio de Saa, e destroyção da igreja de San Thome, que no dito luguar de Coulão estava, (2) (1)' Publicado em «Alguns Documentos do Archivo Nacional da Torre do Tombo» pp. 393-395. Como se sabe, todo o manuscrito foi publicado em 1868 pela Aca- demia Real das Ciências de Lisboa, sob a direcção de Rodrigo José de Lima Felner. 0 documento que nos interessa encontra-se a pág. 30-34. (2) Refere-se à revolta havida em 1505. (Correia, I, 594.) 1 — ds ; a — affriq" ; 3 — snór ; 4 — trras ; 5 — ffto. 284
  • por quanto o dito caso fora ordenado e feyto por mouros de Calequu que no porto de Coulão estavão, que com- nosquo6 tinhão ao dito tenpo guerra, e ele não poderá registir niso por ver7 ausente e longe do dito luguar, pedindo nos que ouvesemos por bem de ter paaz e amizade, e que ele querya tornar adifficar a dita igreja de San Thome de novo a sua custa, e asy nos paguar a perda que reçebe- mos em nosa fazenda por morte do dito Antonio de Saa; e porquanto, depois do dito caso ser aconteçido, nosas gen- tes que hy forão ter em naaos e navios reçeberão em sua terra favor e guasalhado e bom despacho e ajuda pera todas as cousas de noso serviço, segundo diso fomos enfformado por Dioguo Mendez de Vasconçelos, noso capitão de Co- chim, que la enviamos sobre a presa do junquo 8 que no dito porto estava, ao qual ele, dito reey e sua irmaã, e rege- dores, requererão em noso nome as ditas pazes, mostrando diso grande desejo e vontade de nos querer servir, nos praaz lhe conçeder e outorgar a dita paaz na maneira 9 seguinte 10. Item. Primeiramente 11 o dito reey seraa obriguado a fazer a dita igreja de San Thome da propia maneira e no luguar em que, e como antiguamente estava, a sua custa, e tomaraa a dita igreja todas as rendas e direitos 12 e terras 13 e as ho pesso, tudo tão compridamente como o dantes tinha, sem nenhuma 14 cousa lhe faleçer, e favoreçeraa os chris- tãos 15 e os trataraa como dantes o fazia, e milhor, se milhor poder ser. Item. E que a justiça seraa partida nesta maneira18, a [37 v.[ saber, que qualquer naire, ou homem da terra 17, ou mouro que ouver algumas briguas, ou contenda com os christãos 18, 6 — eomnosq"; 7 — ver, provavelmente por ser ou viver (Nota de Felner, p. 3i); 8 —junq0; 9 — man™ ; 10 — seg" ; 11 — prlmramente ; 12 — drtos ; i3, 17 — trrã; 14 — nhúa ; i5, 18 — xpaãos ; 16 — mr*. 285
  • não lhe seja feito 19 nenhum 20 maal, mais que seja levado ao dito reey de Coulão, ou a seus regedores, pêra ele o castiguar e fazer dele justiça, segundo21 a grandeza de sua culpa, quando forem achados fazendo os taes cassos per onde mereção pena de justiça; sendo o delito com gente da terra22, ou mouro, sejão levados ao noso capitão moor a Cochim, ou entregue a qualquer 23 capitão noso que no dito porto ou terra 24 estiver, pera se castiguar e fazer dele jus- tiça, segundo per suas per direito 25 mereçe. I37 v-l Item. Tratando alguns christãos 26 nosos vasalos em sua terra27, avemos por bem que paguem direitos28, como paguão em Cochim, Calecuu e Cananor. [37 v.) Item. Qualquer29 pessoa de sua terra 30, asy gentio, como mouros, ou doutra qualquer31 calidade que seja, se quiser fazer cristão, que se faça sem ninguém lho tolher, nem lhe ser posta duvida alguma. 19 — ffto; 20— nhum; 21 —segdo; 22, 24, 27, 3o— trrã; 23 — qualqr; 25 — drto; 26 — xpaãos ; 28 — drtos ; 29, 3l — qualqr. 286
  • 134 CARTA DO JUIZ DOS ORFAOS DE GOA A EL-REI Goa, 15 de Dezembro de 1516 Original existente no ANTT: — CC, I, 20-139. Mede 218 X 307 mm. Unia fôlha, algo rota e esburacada. Senhor Ho anno pasado escrevy a Vosa Alteza em que lhe dey counta das coussas que compriam a meu oficyo de Joyz dos Órfãos, pello quall somente 1 faço a saber que na cy- dade de Goa ha setemta orfãos, filhos 2 de Portuguesses e de molheres solteyras e escravas e outras molheres, hos quays se mantém per esmolla; e por que nam pereçam, peço a Vosa Alteza que lhe mamde apropiar alguma esmola, pera se sosterem, porque vem em gramde crecimento 3, e ha terra hos cria maravilhossamente4, ho que em nenhum outro lugar nom he, somente em Goa, e as esmolas sam tam pouqas que muym escassamente5 se mantém. Faço esta lem- bramça a Vosa Alteza pera que nisto proveja 6, como for seu serviço. Das coussas de Goa nam dou conta, por a cidade has da de algumas 7 delas, e doutras que muito comprem a vosso serviço. Manueli de Sampayo (1) he tall pessoa que (l) Manuel de Sampaio era capitão do passo de Naruhá em 1511. (Lendas, 11, 188-190.) Em 1513 era alcaide em Pangim. (CC, 1, 14-12, publicado in «Cartas, I, 193.) i — som1* ; 2 — f°* ; 3 — crecim10 ; 4 — maravilhossam1* ; 5 — escassam1* ; 6 — pveja ; 7 — leitura provável. O sentido de frase deve ser: «porque a cidade has da», ou então: «por a cidade has dar». 287
  • pello que muito compre ao nobrecimento8 de Goa, que he ho serviço de Vosa Alteza, ho dira pelo meudo. Proveja 9 Vosa Alteza sobre Goa e nam ha deixe comer, porque me- rece ser criada e, se o for, dara fruto de que Vosa Alteza sera servido.10 Eu peço a Vosa Alteza confirmaçam de meu oficio; grande merce11 receberei enformarsse de mi e confirmar me, se vir que ho mereço. De Goa, 15 de Dezembro de 516. Fernam da Veyga (l). (1) Era casado e morador em Goa. A 10-1-1513 recebeu, por man- dado de Afonso de Albuquerque, 16$000, de seu casamento. (CC, II, 36-160, publicado in «Cartas», V. 334J 8 — nobrecim'"; 9 —pveja: 10 — «vido; II — míe. 288
  • 135 HOSPITAL DE CANANOR. 1517. Documento original existente no ANTT: — C. C. —11 — 12,75. Mede 220 X 310 mm. São oito recibos. As 8 jôlhas são de tamanho desigual. Acham-se algo cortadas e esburacadas. 4 cruzados ao proveador 1. Diogo 2 Roiz feytor desta fortaleza de Cananor, Syamda Sylveira3 (l), capitam da dita fortaleza etc. Per este vos mando que deys a Nuno Fernandez 4 pro- veador do espritall5 quatro cruzados 8 pera mantymentos dos doentes do dito espritall e cousas a eles hordenadas e per este com seu conhecimento 7 feyto pio esprivam de seu cargo e com ho asento dos esprivays 8 dessa feytoria volos levamos em conta 9. Feyto em a dita forteleza aos 22 dias de setembro de 1517. Simão da Sylveira 10. Recebeo 11 Nuno 12 Fernandez13 proveador açima con- tehudo os quoatro cruzados 14 acyma contehudos de Dio- (1) Viera para a índia em 1515 com Lopo Soares, sucessor de Afonso de Albuquerque, destinado já a capitão de Cananor. (Correia, II, 458.) I—pvcador; 2 — d°; 3, 10 — sylv™ ; 4, i3 — frrz ; 5 — esptall; 6, 14—(- iA°'; 7 — c"; 8 — espvays; 9 —conta; u —R°; 12 —n°. 289 •9
  • go 15 Roiz, feytor, pera mantymento 10 dos doentes do dito espritall17 e cousas a eles hordenadas, hos quaays lhe ficam caregados em reçeita per mim Amdre Piriz 18 esprivam 19 do dito carguo. Esprito 20 por mim e asynado por ambos em a dita forteleza no dito dia e mes e era. Nuno 21 Fernandez22 — Amdre Piriz23. Diogo Roiz feytor desta forteleza de Cananor, Symam da Sylveira 24 capitam da dita forteleza etc per este vos mando que deys a Nuno 25 Fernandez 26 proveador de espri- tall 27 dez cruzados pera mantimento 28 dos doentes do dito espritall29 e cousas a eles hordenadas e per este com seu conhecimento30 feyto pio esprivam 31 de seu carguo e com ho asento dos esprivays32 desa feitorya volos levaram em conta. Feyto em a dita fortaleza a 16 dias do mes de Julho de 517. Symão da Sylveira 33. Recebeo Nuno 34 Fernandez 35 proveador açyma conte- hudo os dez cruzados36 contehudos neste mandado pera mantymento 37 dos doentes do dito espritall38 e cousas a eles hordenadas, hos quoais lhe ficam caregados em recei- ta 39 per mim, Amdre Piriz40, esprivam 41 do dito carguo. i5 —d8; i6, 28, 37 —mãtymu>; 17, 27, 29, 38 —esfjtall; 18, 23, 40—piz; 19, 3i, 41 — cspvã; 20 — espto; 21, 25, 34 —n°; 22, 26, 35 —frrz; 24, 33 — sylv"; 3o —c'°; 32 — espvays ; 36 j- zÍM; 39 — R". 29O
  • Esprito 42 por mim e asynado por ambos em a dita forte- leza, no dito dia e mes e era. Nuno43 Fernandez44 — Amdre Piriz 45. 10 cruzados ao proveador. Diogo 48 Roiz feytor desta forteleza de Cananor Symam da Sylveira47 capitão da dita forteleza etç per este vos mamdo que dees a Nuno Fernandez 48 proveador do espry- tall dez cruzados pera mantimento49 dos doentes do dito espritall50 e cousas a eles hordenadas e per este com seu conhecymento51 feyto pio esprivam 52 deste carguo e com ho asento dos esprivãees 53 desa feytoria volos levaram em conta. Feyto em a dita forteleza a sete dias de Junho de 1517. Symão da Silveira34. Recebeo 55 Nuno 58 Fernandez57 proveador os dez cru- zados 58 contehudos neste mandado de Diogo59 Roiz feytor os quaays lhe ficam caregados em receyta per mim Amdre Pirez60 esprivam 61 do dito cargo. Esprito 62 por mim e asy- nado por ambos no dito dia e mes e era acymo esprito. Nuno 63 Fernandez 84 — Amdre Piriz 85. 10 cruzados Diogo 86 Roiz, feytor desta forteleza de Cananor Symam da Sylveira 87 capitão da dita fortaleza etc, per este vos 42, 02 — espto; 43, 56' 63 — n"; 44, 48, 57, 64 —frrz; 45, 60, 65 —piz; 46, 59, 66—d"; 47, 54, 67 —sylvr'; 49— 5o —esptall; 5i — c'«; 52, 61— esjívã; 53 —esfvãees; 55 — R°; 58— + zd<".
  • mando que deis a Nuno 88 Fernandez 80, proveador70 do espritall71, dez cruzados 72 pera mantymento 73 dos doentes do dito espritall74 e cousas a eles hordenadas e per este com seu conhecimento 73 feyto pio esprivam 78 de seu carguo e com ho asento dos esprivaes77 desa feytoria volos leva- ram em conta. Feyto em a dita forteleza aos vynta seys dias do mes de Março de 1517. Symão da Sylveira 78. Recebeo 70 Nuno80 Fernadez81 proveador os dez cru- zados açimo comtehudos de Diogo82 Roiz, feytor, pera mantymento83 dos doentes do espritall84 e cousas a eles hordenadas os quaaes lhe ficam caregados em receyta per mim Amdre Piriz85 esprivam 88 do dito carguo. Esprito 87 por mim e asynado por anbos em a dito for- teleza no dito dia e mes e era. Nuno88 Fernandez89 — Amdre Piriz °°. 10 cruzados folhas 69. 20 cruzados Diogo91 Roiz, feytor desta forteleza de Cananor, Symam da Sylveira 92 capitão da dita forteleza etc vos mando per este que deys a Nuno93 Fernandez94 proveador do 6S, 8o, 88, 93 — n"; 69, 81, 89, 9) — frrz; 70—pveador; 71, 7.;. 8| — esptall 72 1-zd"*; 73, 83 — mãtvm10; 75 — c1"; 76, 86 —cspvá; 77 — espvaes; 78, 92 — sylura; 79 —R°; 82, 91 — d"; 85, 90 — pi*; 87 — esfte.
  • espritall 95 da dita forteleza vynte cruzados98 pera man- tymento dos doentes dele e cousas a elles hordenadas e per isto com seu conhecimento97 feyto pelo esprivam98 de seu carguo e com asento dos esprivães" desa feytoria volos levarão em conta. Feyto em Cananor a 11 dias de Mayo de 1517. Symão da Sylveira 10°. Recebeo 101 Nuno102 Fernandez 103 proveador de Dio- go 104 Roiz feytor os vynte cruzados 105 contehudos neste mandado pera mantymento 108 dos doentes do dito espri- tall 107 e cousas a eles ordenadas as quoays lhe ficam care- gadas em receita 108 per mim Andre Piriz 109 esprivão 110 do dito cargo. Espirito 111 per mym e asinado por anbos no dito dia e mes e era acyma esprito. Nuno 112 Fernandez 113 — André Piriz "4. 20 cruzados folhas 54. 30 cruzados Diogo115 Roiz, feytor desta forteleza de Cananor, Syman da Sylveira 118 capitão da dita forteleza ect per este vos mando que des a Nuno117 Fernandez118 proveador dos defuntos e espritall119 em ele trynta cruzados pera mantymentos120 dos doentes do dito espritall121 e cousas 95, 107, 119, 121 — esptall; 96, io5—f-zdM; 97 — c1"; 98, 110 — espvã; 99 — esfvaes; 100, 116—tylv'*; 101 —R"; 102, 112, 117 —n"; io3, n3, 118 — frnt; 104, 115• d°; 106, 120 —mátymw; 108 —R1"; 109, 114 — piz; m —espto. 2g3
  • a ele hordenadas e per este com seu conhecimento 122 feyto pelo escrivam de seu carguo e co asento dos esprivães 123 dessa feytorya volos levaram em conta. Feyto em a dita forteleza aos 9 dias do mes de novem-124 bro 124 de 1517. Symão da Sylveira 125. Recebeo 126 Nuno 127 Fernandez 128 proveador os trynta cruzados129 açyma comtehudos pera mantymento130 dos doentes do dito espritall m. 122 — c"; u3-espvacs; 124 — nov™; 12S — Ijl»"; 126 —R°; 127 —n*; 128 — frrz; 129—f- zd®«; i3o— matyrn10; i3i — esfitaU. 2 94
  • 136 HOSPITAL DE CANANOR. 12 de Junho de 1517. Documento original existente no ANTT: — CC, II, 133-148. Mede 315 X 218 mm. Em estado razoável. 1 arates de azuquar Aos doze dias 1 do mes de Junho de 517 anos recebeo 2 Bras Fernandez3, enfermeiro4, de Diogo5 Roiz, feytor, sete arãtes de açúcar, pera despesa 6 dos doentes do dito espri- tall7, ho quall lhe fica carregado em recepta per mim Amdre Pires 8 esprivam 9 do dito carguo. Esprito 10 por mim e asynado por ambos, em Cananor, no dito dia11 e mes e era. Amdre Pires 12 — 7 arates de acuquar. I, II — dl; 2 — R" ; 3 — frz ; 4 — éferm™; 5 — di° ; 6 — desp» ; 7 — esptall; 8, 12 — pií ; 9 — esfvS ; 10 — esfto.
  • 137 CASA DO APÓSTOLO S. TOMÉ. Julho de 1517. B. N. L. — Cod. n.° 7638— Doe. n.° 87 (1). Mede 250 X 175 mm. O códice contém 135 documentos, todos em letra uniforme. O nosso documento principia na fl. 150r, continua no verso da mesma, passa depois para a fl. 161 recto e verso para terminar na fl. 15lr. liso r.j Carta que foy feita na índia na casa do apostolo São Thome. liso v.) // Aos quinze dias do mes de Junho do anno de Noso Senhor 1 de mil e quinhentos e dezasete, partirão de Palea- cate em romaria pera a casa do bem aventurado apostolo São Thome estes christãos2 a saber Johão Feraz, criado do mestre de Santiago, e Alvoro Roiz, e Dioguo Fernandez e Antonio Neto e Gil Fernamdez e Manoel Gomez, os quaes a pee andarão seis Jornadas ate que chegarão a dita casa de São Thomee. A qual casa he feita a ruize das nosas Igrejas e jas leste oeste, e tem tres portas, a saber, huma na entrada e outra no meio e outra na capela moor, todas forradas de chapas de ferro e diamães (2) de ferro e as portas de madeira3 (1) Outra cópia desta carta encontra-se na BAL, 50-V-21, fl. 20ó-207v. (2) A palavra «diamães» encontra-se registada em vários dicionários, como forma antiquada de «diamantes.» Além dos vários sentidos que se conhecem, podemos deduzir do sentido desta carta êstoutro: o de refôrço. i — Snor; 2 — xpáos ; 3 — madr*. 2 96
  • lavradas de marcenaria, e a capela moor tem cinquo pavões por devisa, e tem huum curucheo de abobada alta e redondo. E o corpo da Igreja tem tres naves, e cada nave cynquo esteos de pedra lavrados e pegado com a capela estão outras duas capelas pequenas, a saber, a cada parte huma e em estas capelas dizem os da terra que jazem os corpos, a saber, o do bem aventurado apostolo São Thomee, e o do seu companheiro que dizem que he São Mathias. Saõ Thome jaz na capela da mão direita4 da parte do evangelho e Saõ Mathias na outra, as quaes 5 capelas não são maiores que os corpos dos santos bem aventurados, e a cova de São Thome he de cinco covadados e duas terças, e todo o madeiramento da casa he feito de huum pao que ali // trouxe o bem aventurado santo com seu compa- iisi r.i nheiro. A qual casa esta doze legoas pio sertam as quaes o mar comeo ate chegar huum tiro de malhão do muro da cerqua da dita Igreja e dali não pasou pio qual caso e dilu- vio que entam ouve se despovoarão quatro cidades que aly estavão das quaes oje em dia os edifiçios dos gentios são vivos e as cidades ainda tem os cimmtos das casas derri- bados e despevoados, salvo alguma pouca gente que ahy vive, e os edeficios dos gentios todos são de conto talhado e abobadas de tigolo as quaes 0 nos vimos e não todas por a terra ser despovoada, somente alguum por diso darmos fee, e a casa do apostolo he toda feita he tigolo, e bem asy toda cerquada derredor da dita Igreja, que he muito grande e danificada feita em brenha, por ja hy não aver christãos7 e fora da dita Igreja de dentro da dita cerqua jaz huum abexi que servia o bem aventurado apostolo e seu compa- nheiro 8, o qual se não quis 9 lançar dentro com eles, e den- tro na capela estão duas cruzes de pao em que se depen- duravão as alampadas da Igreja. 4 — drt*; 5, 6 — qês; 7 — xpios; 8 — companhr0; 9 — qís. *97
  • O apostolo São Thomee segundo estes da terra afirmão, morreo na serra que he seis legoas da sua casa e que o matou huum homem com huma frecha, andando ele em figura de pavão hy ficou sua pegada em huum penedo com sangue fresco, isto dizem os da terra. E na sua casa em huma pedra esta huma outra pegada do seu pee direito 10, nesta casa esta huum homem, que seu avoo e seu visovô e todos seus anteçesores teverão cargo da dita casa como 1191 V-1 hum // ermitão em nosa terra. E os de seu pai pera cima forão christãos11 pubri- camente e dizem 12 que seu pay o era oculto e este não o he nem o deixa de ser, tem devação naquela casa e varrea e alimpa a, e quando ahy vai ter alguém acende huma candea. Esta casa do apostolo São Thomee tinha grande terra asy pelo sertão como pela ourela do mar que lhe pagava grandes tributos e tinha grandes padrões por onde demar- cava a terra com as outras suas comarquas, os quaes nos vimos e pio desfalecimento dos christãos 13 o Rey da terra tomou tudo pera sy. Junto da casa do bem aventurado esta huma cidade per nome Melapor e asi ha nome a casa do apostolo santo. Diz a gente da terra que quando o bem aventurado apos- tolo fazia sua casa perguntava 14 aos officiaes se querião sua paga em dinheiro15 se em arroz e se querião arroz e perante 16 elles se abaixava e enchia as abas de area e se tornava arroz e se queriam dinheiro que cos cavacos da obra lhe pagava e se tornavão tangas, isto asy o diz a gente da terra e eu o creio bem e verdadeiramente. A qual carta eu Manoel Gomez2 criado de Dom Pedro de Castel Branquo, stprevy 17 por minha mão dentro na io — dr'° ; ii—xpãos ; 12 — diz ; li— xpãos ; 14 — pguntava; i5 — dinhr'; 16 — pante ; 17 — stpvy. 2 98
  • Igreja do bem aventurado apostolo Saõ Thomee, onde fomos em romaria. Na qual casa, a porta delia vy estas letras que aquy ponho, esculpidas na pedra //as quaes ho apostolo fez |imi com sua mão. 2 99
  • 138 BOTICA DE CAN ANOR. 1516, 1517, 1518. Documentos originais existentes no ANTT: — CC. U, 72-37. 11 folhas não numeradas. Mede 320 X 220 mm. Em bom estado. São 11 recibos. Cada fôlha constitui um recibo. 1 aroba de azuquar A 23 dias do mes de Outubro1 de 1517 recebeo 2 Joam de Çamora (1) que serve8 de botycairo desta fortaleza de Cananor de Diogo4 Roiz, (2) feytor em a dita forteleza, huma arroba5 de açúcar pera enxaropes pera curar os doentes da dita forteleza, a qual arroba6 he do peso (1) Menciona-se um João Samora, casado de Goa, em 16 de Setembro de 1512, que estava cativo, em serviço de el-rei de Portugal. (CC, II, 34-53. Publicado em «.Cartas de Afonso de Albuquerque», Vil, 46.) Em 9 de Abril de 1511 era já casado em Goa, (CC, II, 26-30, Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», V, 150). Em 24 de Julho de 1515 menciona-se um João Samora, cirurgião em Cananor. (CC, II, 59-67. Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquer- quer», VII, 142.) (2) Há menção de Diogo Rodriguez em 29 de Novembro de 1512, como sendo casado em Goa. (CC, II, 35-162.) t — doyt™ ; 2 — R" ; 3 — ave ; 4 — di° ; 5, 6 — arr*. 3 O O
  • novo (l) o quail lhe fica caregado em receita7 per mim Amdre Pirez8 esprivam 9 do dito carego. Esprito 10 por mym e asynado por ambos no dito dia e era açyma esprito etc. Joam de Çamora — Amdre Pirez u. 1 aroba de acuqar de peso novo. Pera ho verdete Aos dezaseys dias 12 do mes de Março de 517 recebeo 13 Joam de Çamora, que serve de boticayro desta fortaleza de Cananor, de Diogo 14 Roiz feytor da dita fortaleza seys ara- tes de çera e três feens15 (2) de verdete16 pera imgoentos per a dita botica os quaes lhe ficam caregados em receita17 per mim Amdre Pirys18 esprivam19 do dito careguo. Esprito 20 por mim e asynado por ambos no dito dia e mes e era. João 21 Çamora — Amdre Piriz 22. 6 — arates de çera. 3 — feens pera verdete. (1) Em 1507 D. Francisco de Almeida conseguiu harmonizar os pesos dos Portugueses com os usados em Cochim. A balança indígena tinha apenas um braço, e os pêsos eram de pedra. Isto dava ocasião a questiúnculas várias. A aferição ou alealdação, no dizer de Gaspar Correia, realizou-se com bastante cerimónia. Verificou-se que o bar de Cochim pesava 3 quintais e 30 arráteis, segundo o peso antigo, ao passo que se- gundo o pêso novo ficava pesando apenas 2 quintais, 3 arrôbas e 10 arráteis. (Gaspar Correia, «Lendas da Índia», I, 732-733■) (2) Damos a leitura provável de «feens» à abreviatura «fs». Lê-sc no «Livro dos Pêsos, Medidas e Moedas», de António Nunes, p. 33: «O baar de Cananor tem 20 faraçolas de 22 arráteis, 6 omças, 3 oitavas; e cada faraçola tem 100 feens». 7 —R"; 8, ti —piá; q — espvã; io —esfto; 12 —di; i3 — R° ; 14 — d°; i5 — fes; 16 — idete; 17 — Ru! 18, 22 —piz; 19 —espvá ; 20 —esfto; 21— S\ 3 O 1
  • Ao primeiro 23 dia do mes de Setembro de 1516 anos recebeo João de Çamora que serve24 de boticayro desta for- teleza de Cananor de Diogo 25 Roiz, feytor em ela, quynze arates de ençenço e seys arates de çera pera imgoentos pera dita botyqua os quoays lhe ficam caregados em recepta per mym Amdre Piriz 28 esprivam 27 do dito carguo. Esprito 28 por mim e asynado per ambos no dito dia e mes e era. Amdre Piriz 20. 15 — arates de emcemço. 6 — arates de çera. Azuquar 15 arates A 13 dias do mes- de Março de 518 recebeo 30 Joam de Çamora que serve de botycayro desta forteleza de Cananor de Diogo 31 Roiz feytor da dita fortaleza quynze arates de açúcar pera fazer enxaropes pera dita botica, ho quall lhe fica caregado em receyta per mim Amdre Piriz32 espri- vam 33 do dito cargo. Esprito 34 por mim e asynado por ambos no dito dia e mes e era. Joam de Çamora — Amdre Piriz. 15 arates de açuquar. 23 —pm™; 24 —*ve; 23 —d"; 26, 29, 32 — piS ; 27, 33 — espvã; 28, 34 — espto; 3o — R*; 3i — d". 3 O 2
  • 1 aroba de azuquar do peso novo 15 arates de encenso. A dous dias do mes de Dezembro 35 de 1517 recebeo 38 Joam de Çamora que serve 37 de boticayro desta fortaleza de Cananor de Diogo 38 Roiz feytor da dita forteleza huma arroba30 de açuquar de peso novo pera enxaropes per a dita botica, o quall lhe ^ica caregado em receita 40 per mim Amdre Piriz41 esprivam42 do dito cargo. Esprito 43 por mim e asynado por ambos em a dita for- teleza no dito dia e mes e era. E asy recebeo 44 mays ele dito Joaõ 43 de Çamora do dito feytor quynze arates de encenço. Joam de Çamora — Amdre Piriz46. 1 arroba de açuquar. 15 arates de emçenço. Receby eu João 47 de Camora que ora sirvo 48 de boty- cairo nesta fortaleza de Cananor humas ballamças pequenas de Diogo 40 Roiz, feitor 50, pera serviço 31 da dita botyqua e por que he verdade52 lhe dey este feito per my Pero 53 Diaz (1) esprivam84 da feitoria88 e asynado por ambos oje 2 dias de Março de 1517. João 58 de Camora — Pero 87 Diaz. huas balamças. (1) Um Pero Dias, escrivão, aparece em 1508 como companheiro de Afonso de Albuquerque. (ANTT: Maço 1 de Fragmentos. Publicado em *Cartas de Afonso de Albuquerque», II, 159-231). 35 — dz'°; 36, 44 — R"; 37 — *ve ; 38 —d»; 3q - arr* ; 40 —R"; 41— pi2 ; 4i —esfví; 43 — esfto ; 45 —J»; 46 —pia; 47. 56 —J° ; 48-ívo; 49 - d° i 5o — f1"'; 5l — jviço ; 5a — vd*de ; 53, 57 — p"; 54 — espvá ; 55 — f". 3 o 3
  • Aos 15 dias de Abryll de 517 recebeo 58 Joam de Çamora que serve de boticairo desta forteleza de Cananor de Diogo59 Roiz, feytor da dita forteleza, quinze arates de açúcar pera enxaropes pera dita botica hos quoaes lhe ficam caregados em receyta per mim Amdre Piriz60 esprivam61 do dito carguo. Esprito 82 por mim e asynado por ambos em a dita for- teleza no dito dia e mes e era. Joam de Çamora — Amdre Piriz. 15 arates de acuquar. A quynze dias do mes de Março de mill e quynhentos e dezasete anos reçebeo Joam de Çamora solorgyam desta fortaleza de Cananor que ora serve63 de botycayro em a dita forteleza de Diogo84 Roiz, feytor em ella, quatorze arates de cera e sete arates de pedra hume e dous arates de ençenço pera fazer enguentos pera dita botiqua, as quaaes cousas lhe ficam caregadas em receita65 per mym Amdre Piriz 68, esprivão 67 do dito carguo. Esprito 68 per mim e asynado por ambos em Cananor no dito dia e mes e era açyma esprito. Joam de Çamora — Amdre Piriz. 14 arates69 de cera. 7 arates 70 de pedra ume. 2 arates 71 de ençenço. 58 —R"; 59, 64 —d*; 6o —piz; 61 —espvá; 62 — espto; 63 —sve; 65 —R'*; 66 —píz; 67 — esfvâo ; 68 —espto; 69, 70, 71 — ar1". 3 tí 4
  • Recebeo72 Joam de Çamora que serve de butycayro nesta fortaleza de Diogo 73 Royz, feitor74, hum almoforyz de metall com sua mão de fero que pesa com a mão vymte seis arates novos e por verdade75 lhe dei este por mim Joam Frores (l) estprivam 76 desta feitorya. Feito e asynado hoje 11 dias de Fevereiro de 517. Joam de Çamora — João 77 Frorez. 1 almofariz com sua mão. Enzenço — çera. A 29 dias do mes de Dezembro 78 de 1517 recebeo 79 Joam de Çamora que serve80 de boticayro desta fortaleza de Cananor de Diogo81 Roiz, feytor em a dita forteleza, dezasete arates de ençenço e doze arates e meio82 de çera pera fazer imguentos per a dita botica, o quall lhe fica caregado em receita 83 per mim Amdre Piriz 84 esprivam 85 do dito cargo. Feyto por mim e asynado por ambos em a dita forteleza no dito dia e mes e era. Joam de Çamora — Andre Piriz8e. 17 arates de ençenço. 12 arates meio de çera. (1) João Frores ou Flôres encontrava-se já na Índia em 1509, havendo menção dele em 21 de Novembro deste ano, sendo então almoxarife dos mantimentos de Cochim. (CC, II, 16-111. Publicado em «Cartas de Afonso de Albuquerque», II, 51.) Desempenhou posteriormente vários cargos na Índia. Lopo Soares mandou-o em 1518 como enviado a Ceilão. Contando êste facto, Gaspar Correia chama-lhe «homem honrado». («Lendas da Indian, II, 540.) 72 — R° ; 73 — d° ; 74 — f" ; 75 — rdade ; 76 — estpvã ; 77 — J" ; 78 — dcz'° ; 79 —R"; 80 —sve; 81 —d°; 82 — m°; 83 —R'*; 84, 86 —piz; 85 — espvã. 3 o 5 20
  • Azuguar, cera pera botiqua. A quinze dias de Agosto87 de 1517 recebeo Joam de Çamora, que hora serve88 de botycayro desta fortaleza de Cananor, de Diogo 89 Roiz, feytor da dita forteleza, catorze arates de açuquar 90 pera enxaropes pera os doentes da dita forteleza e asy reçebeo mays sete arates de cera imguemtos per a dita botyca, o quall lhe fica caregado em receita 91 per mim, Amdre Piriz 92 esprivam 93 do dito cargo. Esprito 94 por mim e asynado por ambos em a dita for- teleza no dito dia e mes e era. Amdre Piriz 95 — Joãm de Çamora. 14 arates de açuquer. 7 arates de cera. 87 —dag10; 88 —ave; 89 — d"; 93— açuqar; 91 — R": 92. 95 —piá; 93—espvam; 94 — espto. 3o6
  • 139 CAN ANOR 12 de Junho de 1517 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 133-148. Mede 218 X 317 mm. Aos doze dias do mes de Junho de 1517 anos recebeo 1 Bras Fernandez 2, enfermeiro 3 de Diogo * Roiz feytor, sete arrates de açúcar pera despesa 5 dos doentes do dito espri- tall6 ho quall lhe fica carregado em recepta per mim Amdre Piriz esprivam 7 do dito carguo, esprito 8 por mim e asynado por ambos em Cananor no dito dia e mes e ano. Andre Piriz 9 i — R" ; 2 — frz ; 3 — cferm»; 4 — di°;; 5 — desp"; 6 — esptall; 7 — espvã; 8 — espto; 9 — ppiz.
  • 140 HOSPITAL DE CANANOR 1517 Documento original existente no ANTT — CC, 11, 72-75. Mede 220 X 310 mm. São oito recibos. As jolhas são de tamanho desigual. Acham-se algo cortadas e esburacadas. 1 4 cruzados ao proveador *. Diogo 2 Roiz feytor desta forteleza de Cananor, Lyma da Sylveira 3 (l), capitam da dita forteleza, etc. Per este vos mamdo que deys a Nuno Fernandez4 proveador do espritall5 quatro cruzados6 pera mantymento dos doentes do dito espritall e cousas a eles hordenadas e per este com seu conhecimento7 feyto pio esprivam de seu cargo e com ho asento dos esprivays8 dessa feytorya volos levamos em conta9. Feyto em a dita fortaleza aos 22 dias de setembro de 1517. Simão da Sylveira 10 Recebeo11 Nuno12 Fernandez13 proveador açima contehudos os quoatro cruzados14 acyma contehudos de (1) Viera para a Índia em 1515 com Lopo Soares, sucessor de Afonso de Albuquerque, destinado já a capitão de Cananor. (Correia, II, 458.) i—pveador; 2 —d°; 3, 10 — sylvr»; 4, i3 —frz; 5 — esptall; d, 14 — -f-zdos; 7 — cto; 8 — cspvays; 9 — conta; 11 — R°; 12 — n°. 3 08
  • - Diogo15 Roiz, feytor pêra mantymento16 dos doentes do dito espritall17 e cousas a eles hordenadas, hos quaays lhe ficam caregados em reçeyta per mim Andre Piriz18 espri- vam19 do dito carguo. Esprito 20 por mim e asynado por ambos em a dita forteleza no dito dia e mes e era. Nuno 21 Fernandez 22 — Amdre Piriz 23 2 Diogo Roiz feytor desta fortaleza de Cananor, Symam da Sylveira24 capitam da dita forteleza etc. per este vos mando que deys a Nuno25 Fernandez 26 proveador do espri- tall 27 dez cruzados pera mantimento 28 dos doentes do dito espritall29 e cousas a eles hordenadas e per este com seu conhecimento 30 feyto pio esprivam 31 de seu carguo e com ho asento dos esprivays32 desa feytoria volos levaram em conta. Feyto em a dita forteleza a 16 dias do mes de julho de 517. Symão da Sylveira33. Recebeo Nuno34 Fernandez35 proveador açyma con- tehudo os dez cruzados 38 contehudos neste mandado pera mantymento37 dos doentes do dito espritall38 e cousas a eles hordenadas, hos quoais lhe ficam caregados em íeceita 39 per mim, Amdre Piriz40 esprivam41 do dito carguo. Es- prito 42 por mim e asynado por ambos em a dita forteleza, no dito dia e mes e era. Nuno43 Fernandez44 — Amdre Piriz 4S. i5 — d°; 16 — mãtym10'; 17, 27, 29 — esptall; iS, 23 —píz; 19 — cspvam ; 20 —esfto; 21, 25 —n"; 22, 26 — frrz ; 24 — sylvr» ; 28 — mãtim'0 ; 3o — c'° ; 3i, 41 — espvã; 32 — espvays; 33 —sylvr»; 34, 43 — n°; 35, 44 —frz; 36 — -f-z"10'; 37 —mãtym10; 38 —esptall; 39 — R'--. 4°, 45 —pi*; 42 — esfto. 3 o 9 L
  • 3 10 cruzados ao proveador. Diogo46 Roiz feytor desta forteleza de Cananor Symam da Sylveira47 capitão da dita forteleza etc. per este vos mamdo que dees a Nuno Fernandez 48 proveador do espry- tall dez cruzados pera mantimento 49 dos doentes do dito espritall80 e cousas a eles hordenadas e per este com seu conhecymento 51 feyto pio esprivam 52 deste carguo e com ho asento dos esprivaées83 desa feytoria volas levaram em conta. Feyto em a dita forteleza a sete dias de Junho de 1517. Symão da Sylveira 84 Recebeo85 Nuno88 Fernandez57 proveador os dez cruzados58 contehudos neste mandado de Diogo 89 Roiz feytor os quaays lhe ficam caregados em recepta per mim Amdre Pirez60 esprivam do 61 dito cargo. Esprito 62 por mim e asynado por ambos no dito dia e mes e era acyma esprito. Nuno 83 Fernandez84 — Amdre Piriz68. 4 10 cruzados Diogo 66 Roiz, feytor desta forteleza de Cananor Symam da Sylveira 87 capitão da dita forteleza etc., per este vos mando que deis a Nuno68 Fernandez69, proveador70 do espritall71, dez cruzados 72 pera mantymento 73 dos doentes 46, 5ç — d° ; 47, 54 — sylvn; 48, 87 — ffrz ; 4Q — mãtim10 ; 5o — esptall; 5i — conhecym10 ; 5l — espvam ; 53 — cspvaées ; 55 — R°; 56 — n°; 58 1- 2'°'; 60 — píz ; 61 — eafuã ; 6j — cspto ; 63, 68 — n"; 64, 69 — frrS; 65 — píz 66 — d0 ; 67 — sylvra ; 7o — prov"*"; 71 — esptall; 74 (- z"*"" ; 73 — mãtym'®. 3 1 o
  • do dito espritall74 e cousas a eles hordenadas e per este com seu conhecimento 75 feyto pio esprivam 78 de seu carguo e com o asento dos esprivaes77 desa feytoria volos levaram em conta. Feyto em a dita forteleza aos vynte seys dias do mes de Março de 1517. Symão da Sylveira78 Recebeo79 Nuno 80 Fernandez 81 proveador os dez cru- zados acyma comtehudos de Diogo82 Roiz, feytor, pera mantymento83 dos doentes do espritall84 e cousas a eles hordenadas as quaaes lhe ficam caregadas em recepta per mim Amdre Piriz 85 esprivam 86 do dito carguo. Esprito 87 por mim e asynado por anbos em a dita for- teleza no dito dia e mes e era. Nuno 88 Fernandez89 — Amdre Piriz 90 5 Diogo91 Roiz, feytor desta fortaleza de Cananor, Symam da Sylveira92 capitão da dita forteleza etc. vos mando per este que deys a Nuno 93 Fernandez94 proveador do espri- tall 95 da dita forteleza vynte cruzados96 pera mantymento dos doentes dele e cousas a elles hordenadas e per isto com seu conhecimento97 feyto pelo esprivam98 de seu carguo e com asento dos esprivães99 desa feytorya volos levarão em conta. Feyto em Cananor a 11 dias de Mayo de 1517. Symão da Sylveira 100 74 — esftall; 75 — c10 ; 76 — espvã; 77 — cspvães; 78 — sylv»; 79 — R"; 80, 88, 93 —n°; 81, 89, 94 —frí; 82, 91—d°; 83 — mãtym"; 84, 95 — esptall; 83, 90 — píz", 80 —esfvã; 87 —cspto; 92 —lylv»; 96 —+ 2
  • Recebeo 101 Nuno 102 Fernandez 103 proveador de Dio- go 104 Roiz feytor os vynte cruzados 105 contehudos neste mandado pera mantymento 106 dos doentes do dito espri- tall107 e cousas a eles ordenadas as quaays lhe ficam care- gadas em receita 108 per mim Andre Piriz 109 esprivão 110 do dito cargo. Esprito 111 per mym e asynado por anbos no dito dia e mes e era acyma esprito. Nuno112 Fernandez 113 — André Piriz 114 6 Diogo 115 Roiz, feytor desta forteleza de Cananor, Sy- mam da Sylveira 116 capitão da dita forteleza etc, per este vos mando que des a Nuno 117 Fernandez 118 proveador dos defuntos e espritall119 em ele trynta cruzados pera mantymento 120 dos doentes do dito espritall121 e cousas a ele hordenadas e per este com seu conhecimento122 feyto pelo escrivam de seu carguo e co asento dos espri- vães 123 dessa feytorya volos levaram em conta. Feyto em a dita fortaleza aos 9 dias do mes de novem- bro124 de 1517. Symão da Sylveira 125. Recebeo 126 Nuno 127 Fernandez 128 proveador os trynta cruzados 129 açyma comtehudos pera mantymento 130 dos doentes do dito espritall131 e cousas a ele ordenadas os quaaes lhe ficam carregadas em receita132 per mim Am- ioi — R°; io2, lis —n°; io3, Ii3 — frz; 104 —d"; io5 — + zdw; 106 — matym'"; 107 — esptall; 108, i3s — R'° ; ioq, 114 — píz; 110 — espião; III—espto; n5 — d"; 116, is5 —sylvrt; 117, 127 — 11°; 118, 128 —frz; 119,121, i3l—esptall; 120, i3o — mãtym'°; 122 — c'°; 123espv"es; 124—n»; 126 — R°; 129—(-zd°*. 3 1 2
  • dre Piriz133 esprivam134 do dito cargo Esprito135 por mim e asynado por ambos em a dita forteleza no dia e mes e era açyma esprito lS6. Nuno137 Fernandez 138 — Andre Piriz 139 7 Diogo140 Roiz feytor141 desta forteleza de Cananor Symam da Sylveira142 capitão da dita forteleza etc, per este vos mando que dees a Nuno 143 Fernandez 144 provea- dor do espritall145 da dita forteleza cynquenta cruzados pera mantymento dos doentes do dito espritall146 e coussas a ele hordenadas e per este com seu conhecimento 147 feyto pello esprivam 148 de seu cargo e com ho asento dos es- privays149 desa feytoria vos seram levados em conta 15°. Feyto em a dita forteleza aos 13 dias de oytubro151 de 1517. Symão da Sylveira 152 Recebeo 153 Nuno 154 Fernandez 155 proveador de Dio- go 156 Roiz feytor os cynquoenta cruzados cotheudos neste mandado pera mantimento dos doentes do espritall157 e coussas a ele hordenadas as quaaes lhe ficam caregadas em receita'158 per mim Andre Piriz159 esprivão160 do dito cargo. Esprito 161 per mim e asynado por ambos no dito dia e mes e era açyma esprita 162. Nuno 163 Fernandez 164 — Andre Piriz 165. i33, 139, i59, >65—pU; i34, «*S, 160-espvã; i35, i36, ifii-espto; i37, i«3, 154, i63 — n"j 138, 144, i55, 164 —frfz; 140, i5C-d°; 141-fyfs 142, 152-sylv"; 145, 146, i57 — esptall; 147 —c"; 149 — espvays; i5o —contis i5i — doyt'» ; i53 — R° ; i58 — R"; 162 — espta. 31 3 9
  • 8 Diogo 166 Roiz, feytor167 desta forteleza de Cananor Symam da Sylveira 168, capitão da dita forteleza, etc, per este vos mando que dees a Nuno 168 Fernandez 170 provea- dor do espritall171 vynte cruzados172 pera mantymento dos doentes do dito espritall173 e coussas a eles hordenadas e per este com seu conhecimento174 feyto pio esprivão 175 de seu carguo e com o assento dos esprivães 176 dessa fey- toria177 volos levaram em conta. Feyto em a dita forteleza aos 7 dias de Janeiro178 de 1517. Symão da Sylveira 17e. Recebeo 180 Nuno 181 Fernandez 182, proveador, os vynte cruzados183 contehudos neste mandado pera mantymento184 dos doentes do dito espritall185 e cousas a eles hordenadas as quaaes lhe ficam caregadas em recepta per mim Andre Piriz 186, esprivão 187 do dito cargo. Esprito 188 por mim e asynado por ambos em a dita forteleza, no dito dia e mes e era açyma esprito189. Nuno190 Fernandez191 — Andre Piriz192. 166 — d"; 167 — f" i 16?, 179 — sylv* ; 169, 1S1, 190 — n° —170, 182, 191 — frí; 171, 173, 185 — esptall; 172. lS3 — + d" ; 174 — c"; — 175,1S7 — cspvã; 176 — esf vâes; ,77 _ p» ; 178 — jan«; 180 — R"; 184 — m'tym" j 186, 192 - píz; 188, 189 - esflo. 31 4 %
  • 141 CANANOR 6 de Outubro de 1517 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 77-129. Mede 200 X 279 mm. 1 folha rota. Diogo1 Roiz, feytor desta forteleza de Cananor, Symão da Sylveira2, capitão da dita forteleza ect, per este vos mando que deys a Lopallvarez, proveador do espritall3 em ela dous cruzados e meio pera mantymento dos doentes do dito espritall4 e cousas a eles hordenadas e per este com seu conhecimento 5, feyto pelo esprivam 6 de seu car- guo e com ho asento dos escryvays desa feitorya volos leva- ram em conta7. Feyto em a dita fortaleza a seys dias do mes de oytu- bro8 de 1517. Symão da Sylveira 9 Recebeo 10 Lopalvarez n, proveador, os dous cruzados 12 e meio, contehudos neste mandado pera mantymento dos doentes do dito spritall18 e cousas hordenadas a eles, has quoais lhe ficam caregadas em receita 14 per mim Andre Piriz 15 esprivão 16 do dito carguo, esprito 17 por mym e asynado por ambos em a dita forteleza no dito dia e mes e ano, os quaes cruzados8 serão de dezoyto fanões ho cruzado 19. Lopalverez 20 — Andre Piriz 21. I — d°; i, 9 — tjlv"; 3, 4 — esftall; 5 —c10; 6, 16—espvã; 7—conta; 8 — daytr®; 10—R"; 11, 30 — lopalvj ; 12, 18, 19 M4**! i3 —sptall; 14 —Ru; i5, 21—piz; 17 — esf tó;
  • 142 HOSPITAL DE GOA V 15 de Agosto de 1519 X Documentos originais existentes no ANTT: — CC, II, 77-142. Soo 42 recibos cosidos todos juntos. Em estado regular. Mede 220 X 228 mm. 1 Recebeo Francisco1 Pimimtell, comprador do esprytall, de Francisco 2 Curvynel feytor, trymta cruzados3 pera gasto do esprytall, os quaes trymta cruzados4 ficam quaregados em receita 5 sobre elle dito 6 comprador, per mim Francisco 7 Barroso, estpryvão do dito qarego. Feyto aos 9 dias do mes de Oitubro de 1518. Francisco 8 Pymyntel — Francisco9 Barroso. 2 Mede 220 X 220 mm. Recebeo Diogo 10 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco11 Curvynell, feitor dei Rei nosso senhor em esta cydade de Guoa vinte cruzados 12 para o esprytall os quaes I, 3, 7, 8, q, n -frr™; 3, 4, 12 — + in; 5 — R"; 6 — dó ; 10 —d». 3 16
  • 20 cruzados13 ficam qaregados em receita14 sobre elle dito15 comprador per mim Francisco 16 Barroso espryvam do dito qarego. Feito aos 21 dias do mes de Março de 1519 anos. Diogo 17 Coelho — Francisco 18 Barroso Heste dinheiro 19 foy paguo em prata 20 22 pardaos ouro 20 cruzados21 3 Mede 255 X 210 mm. Reçebeo Diogo 22 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco23 Curvynell, feytor dei Rei, nosso Senhor 20 cru- zados 24 para o esprytall os quaes fycam carregados em receita 25 sobre elle dito 26 comprador per mim Francisco 27 Barroso espryvam de seu quarreguo. Feyto aos 27 dias do mes de Março de 1519 anos. Ouve vinte cruzados 28 nesta feytorya 20 cruzados29 Pero 30 Cerveira — Diogo 31 Coelho — Francisco 32 Barroso. 4 Alede 300 X 210 mm. Reçebeo Diogo 33 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco34 Curvynell, feytor desta cidade de Guoa, vynte cruzados35, pera o esprytall os quaes vynte cruzados36 i3 1- dos; '4. J5 —Ru ; i5 — dcò ; lõ, 18 — frr™ ; 17 — d"; 19—dr°; 20—pta; (-ÍM; 22' 3t, 33 — d°; 23, 27, 32, 34 — fn"; 24, 28, 29, 35, 36 — + ; 26 — dcó; 3o —p». 317
  • ficam caregados em receita37 sobre elle dito 38 comprador per mim Francisco39 Barroso, espryvam do dito40 quar- reguo. Feyto aos 13 dias do mes de Março de 1519 anos. Diogo 41 Coelho — Francisco 42 Barroso. 20 cruzados 43 5 Mede 310 X 220 mm. Recebeo Diogo 44 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco45 Curvynell, feitor desta cidade de Guoa, vynte cruzados 46 pera o esprytall os quaes vymte cruzados 47 ficam carregados em receita48 sobre elle dito49 comprador per mim, Francisco50 Barroso, espryvam do dito51 quarreguo. Feito aos 15 dias do mes de Fevereiro52 de 1519 anos. Diogo 53 Coelho — Francisco54 Barroso 20 cruzados55 6 Mede 240 X 190 mm. Recebeo Diogo 58 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco57 Curvynell feitor desta cidade de Guoa, vymte cruzados 58 pera o esprytall, os quaes ficam quarregados em receita59 sobre elle dito 60 comprador per mim Fran- cisco 61 Barroso espryvam do dito 62 quarrego. Feyto aos 27 dias do mes de Janeiro 63 de 1519. Diogo64 Coelho — Francisco65 Barroso 20 cruzados 86 3? — Ru > 38, 40 — dcó ; 3q — fi r™ ; 41,44,53, 55. 56 — d" ; 42,45,50,54,5- — frr"; 43, 46, 47, 55- + «'«; 48 -R'*; 49, 5i - dcó; 52 - fr°; 58' 66- + ■■">*; 39 — R'* ; 60, 62 — dcó ; 61, 65 - ftrc° ; 63 - Jan'« ; 64 - d». 3 18
  • Mede 310 X 210 mm. 7 Recebeo Diogo67 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco 68 Curvynell, feitor desta cidade de Guoa, vymte cruzados69, pera o esprytall, os quaes fycam caregados em receita70 sobre elle dito 71 comprador per mim Francisco 72 Barroso, espryvam do dito73 quarreguo. Feito aos 23 dias do mes de Fevereiro 74 de 1519 anos. Diogo78 Coelho — Francisco76 Barroso. Senhor Antonio77 Marques, deis a Diogo78 Coelho comprador do espritall, estes vinte cruzados 79 acima decra- rados, e per este vollo levaremos em conta. Feyto80 a 23 dias de Fevereiro81 de 519- m Francisco82 Corbinell — Arnão de Fonte 20 cruzados 83. 8 Mede 200 X 210 mm. Recebeo Diogo 84 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco88 Curvynell desta cidade de Guoa, vymte cru- zados86, pera o esprytall os quaes ficam quarregados em 67, 75 —d°; 68, 72, 76 — frr™ ; 69—|-d<"; 70 —R"; 71, 73 —dcó; 74 —Fcv"; 77 —Ant»; 78, 84 — d"; 79, 83, 86- + ío'; 80 -fcõ ; 81 -ffr°; 82, 85 —frr". 3 i 9
  • receita87 sobre elle dito 88 comprador, per mim Francisco89 Barroso espryvam do dito 90 quarreguo. Feito aos 7 dias do mes de Janeyro de 519. Diogo 91 Coelho — Francisco 92 Barroso. 20 cruzados93 9 Mede 210 X 200 mm. Recebeo Diogo 94 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco 95 Curvynell, feytor desta cidade de Guoa, vynte cruzados96 pera o esprytall. Os 20 cruzados97 ficam qa- regados em receita 98 sobre elle dito 99 comprador per mim Francisco100 Barroso, espryvam do dito 101 qareguo. Feito aos 5 dias do mes de Março de 519 anos. em prata102 — Diogo103 Coelho — Francisco104 Bar- roso — 20 cruzados105. 10 Mede 270 X 190 mm. Recebeo Diogo 108 Coelho, comprador do esprytall, de Fran- cisco 107 Curvynell, feitor, vymte cruzados108 pera o es- prytall, os quaes vymte cruzados 109 fycam qaregados em receita110 sobre elle dito111 comprador per mim Fran- cisco 112 Barroso, espryvam do dito 113 qarego. Feito aos 30 dias do mes de Dezembro de 1518 anos. Diogo 114 Coelho — Francisco 115 Barroso. 20 cruzados 116 87 — Rl» ; 88, 90 — dcò ; 89, 92 — frrr"; 91 — d»; g3 — + ÍM ; 91, i°3, 106, "4 — d°; 95, 100, 104, 107, 112, n5 — ffrr™ ; 96, 97, io5, 108, 109, 116—|-dM; 98, "o — R" ; 99, íoi, ill, Ii3 — d"; 102 —pta. 3 3 O
  • 11 Mede 260 X 210 mm. Recebeo Diogo 117 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco118 Curvynell, feitor desta cidade de Guoa, vymte cruzados119 pera o esprytall os quaes vymte cruzados120 ficam quaregados em receita121 sobre elle dito122 compra- dor, per mim Francisco123 Barroso espryvam do dito124 qua- reguo. Feito aos 11 dias do mes de Janejro de 1519 anos. Diogo 125 Coelho — Francisco 126 Barroso 20 cruzados 127 (verso) Senhores oficiaes de Mandovi deis a Diogo 128 Coelho, conprador do espritall desta cidade vinte cruzados pera des- pesa dos doentes do dito espritall e gardeis este pera vossa conta. Feito a 11 dias Janeiro 129 de 519- Francisco130 Corbinell — Arnão de Fonte. Recebeo 131 o conteúdo neste mandado em minha pre- sença, oje 31 dias de Janeiro132 (Assinatura difícil de ler). 12 Mede 305 X 210 mm. Reçebeo Diogo 133 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco134 Curvynell, feitor desta cidade de Guoa, vymte cruzados135 pera o esprytall, os quaes vymte cruzados136 117, "5, 128 —d°; n8, 123, 126, i3o, i34 —frr" e ffrr" ; uq, 120, 127 f-dM; iji — R,a; 122, 124 — dcò; 129, i32 — Jn"; i3i — R°; i33 — d"; i35, i36— 3 3 1 21
  • ficam quaregados em receita137 sobre elle dito138 compra- dor, per mim Francisco139 Barroso, espryvam do dito140 quareguo. Feito aos 24 dias do mes de Dezembro de 1518 anos. Diogo 141 Coelho — Francisco 112 Barroso 20 cruzados 143 13 Mede 290 X 210 mm. Reçebeo Diogo 144 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco145 Curvynell feitor desta cidade de Guoa, vimte cruzados146 pera despesa147 do esprytall, os quaes vymte cruzados148 ficam quaregados em receita sobre elle dito 149 comprador, per mim Francisco 150 Barroso, espryvam do esprytall. Fejto aos 17 dias do mes de Dezembro de 1518 anos. Diogo 151 Coelho — Francisco 152 Barroso 20 cruzados 153 14 Mede 245 X 200 mm. Reçebeo Diogo 134 Coelho comprador do esprytall de Francisco155 Curvynell, feitor desta cidade de Gôa dez cru- zados 156 pera despeza157 do esprytall, os quaes dez cru- dos188 ficam caregados em receita159 sobre elle dito160 comprador per mim Francisco161 Barroso, espryvam do dito 162 quarego. Feito aos 14 dias do mes de Dezembro de 1518 anos. Diogo 163 Coelho — Francisco 104 Barroso. 10 cruzados 185 1J7—R1*; i38, 140 — dcõ; i3q, 142, 145 —frrcc e £frrc0; 141, 144 —d°; 143, 146, 148 h4'*! 147 —dcsp*; 149, 160, 162 —dcõ; i5o, i52, i55, iõi, 164 — fri" e ffrrc°; iSr, 154, i63 — d»; i53, i56, 158, i65 |-do*; 157 —dcsp*; 159 —Rl*. 3 2 2
  • 15 Mede 160 X 190 mm. Reçebeo Francisco 166 Pymentell comprador do espry- tall de Antonyo Marques, mestre da moeda, corenta cru- zados 167 por mandado de Francisco168 Curvjnell, feytor os quaes quaremta cruzados 109 ficam quaregados em re- ceita sobre elle dito170 Francisco171 Pimymtell comprador, per mim Francisco172 Barroso, espryvam do dito173 qareguo. Feito aos cymquo dias do mes de Outubro de 1518 anos. Francisco 174 Barroso — Francisco 175 Pymytell 40 cruzados176 16 Mede 505 X 210 mm. Reçebeo Diogo 177 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco178 Curvynell, feitor desta cidade de Guoa, vymte cruzados 179 pera o esprytall, os quaes vymte cruzados 180 ficam caregados em receita181 sobre elle dito 182 comprador per mim Francisco 183 Barroso espryvam do dito quareguo. Feito aos 8 dias do mes de Dezembro de 1518 anos. Diogo 184 Coelho — Francisco 185 Barroso 20 cruzados 188 17 Mede 305 X 210 mm. Reçebeo Diogo 187 Coelho, comprador do esprytall desta cidade de Guoa, de Francisco188 Curvynell, feitor, vymte cruzados189 pera o esprytall os quaes vimte cruzados 190 166, 168, 171, 1-3, 174, i?5, 178 — fir" e ffrr" ; 1G7, 169, 176' 179, 180 — + ; 170, 173, 182 — dcó; 181 - R"; i83' i85 188 — frr" e ffrr"; 177, 184, 187 —d»; 186, 189, 190 — + *•». 3z3
  • ficam caregados em receita 191 sobre elle dito comprador per mim Francisco 192 Barroso espryvam do dito 193 quar- reguo. Feito aos 3 dias do mes de Dezemmbro de 1518 anos. Diogo 194 Coelho — Francisco 195 Barroso 20 cruzados 196 18 Mede 270 X 210 mm. Reçebeo Diogo 197 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco198 Curvjnell, feitor, pera Antónyo Marquez, mes- tre da moeda, vymte cruzados199 pera o esprytall, os quaes vynte cruzados 200 ficam quaregados em receita 201 sobre elle dito 202 comprador per mim Francisco 203 Barroso, espry- vam do esprytall. Feito aos 22 dias do mes de Novembro de 1518 anos. Diogo 204 Coelho — Francisco 205 Barroso 20 cruzados 206 19 Mede 290 X 210 mm. Reçebeo Diogo 207 Coelho, comprador do esprytall desta cidade de Guoa, de Francisco 208 Curvynell, feitor trymta cruzados 209 pera o esprytall, os quaes trymta cruzados 210 ficam qaregados em receita 211 sobre elle dito 212 comprador, per mim Francisco 213 Barroso espryvam do dito 214 qarego. Feito aos 29 dias do mes de Oytubro de 1518 anos. Diogo 215 Coelho — Francisco 216 Barroso 30 cruzados217 lyi —R" ; 192, 195 — frr*" e ffn">; 193— dcó; 191 — d°; 196—h4"'; '97. »»4. — <•"; 198. 2o3, 2o5, 208, 2i3, 216 —frr*0 e ffrr™ ; 199, 200, 206 209, 210 |-d<"; 2oi, 211 — R" ; 202, 212. 214 — dcò ; 215 — d" ; 217 (- ÍM. 3 24
  • Mede 300 X 210 mm. 20 Reçebeo Diogo 218 Coelho, comprador do esprytall de Francisco 219 Curvynell feitor, trymta cruzados 220 pera des- pesa 221 do esprytall, os quas trymta cruzados 222 ficam quaregados em receita sobre elle dito 223 comprador, per mim Francisco 224 Barroso espryvam do dito 225 quareguo. Feito aos 5 dias do mes de Novembro 226 de 1518. Diogo 227 Coelho — Francisco 228 Barroso 30 cruzados 220 21 Mede 253 X 210 mm. Reçebeo Francisco 230 Pymyntell, de Amtonio Marques, mestre da moeda desta cidade de Guoa por mandado de Francisco 231 Curvynell, feitor, trimta cruzados 232 pera os doentes do esprytall os quaes trymta cruzados 238 ficam caregados em receita sobre elle dito 234 Francisco 235 Pjmyn- tell comprador do esprytall per mim Francisco 236 Barroso espryvam do dito 237 qareguo. Feito aos prymeyro dias do mes de Oytubro de 1518 anos. Francisco 238 Pymyntell — Francisco 239 Barroso 30 cruzados 240 22 Mede 225 X 190 mm. Reçebeo Francisco 241 Pymyntell comprador do esprytall de Aparys Curvinell, feitor, corenta cruzados pera despesa 242 dos doemtes do esprytall os quaes corenta cruzados 243 fi- 218; 227 —d°; 219. 224, 228, 23o, 23i — frr" e ffrr™ ; 220, 222, 229, 232 f-4"; 221 — desp* ; 223, 225 — dcô ; 226 —11"; 233, 240, 243 ^ á" ; 234, 237 — dcô ; 235, 236, 238, 239, 241 — frr"1 e ffrrco; 242 — desp".
  • cam caregados em receita sobre elle dito 244 comprador per mim Francisco 245 Barroso, espryvam do dito 246 quareguo. Feito aos 6 dias do mes de Oytubro de 1518 anos. Francisco 247 Pymyntel — Francisco 248 Barroso 40 cruzados 249 23 Mede 310 X 210 mm. Reçebeo Francisco 250 Pimyntell comprador do esprytall, de Francisco 251 Curvynell, feitor desta cidade Goa trymta cruzados 252 pera o esprytall, os quaes trymta cruzados253 ficam qaregados em receita 254 sobre elle dito comprador per mim Francisco 255 Barroso, espryvam do dito 256 quarego. Feito aos 27 dias do mes de Setembro de 1518 anos. Francisco 257 — Pymyntel — Francisco 258 Barroso 30 cruzados 258 24 Mede 180 X 190 mm. Reçebeo Francisco 260 Pypymtell (sic) comprador do esprytall de Aparys Curvynell, feitor desta cidade de Guoa, trymta cruzados261 per o esprytall os quaes ficam caregados em receita sobre elle dito comprador per mim Francisco 262 Barroso, espryvam do dito quarego. Feito aos 17 dias do mes de Dezembro de 1518. Francisco 263 Pymyntel —Francisco 264 Barroso 30 cruzados 205 244 — dcò ; 245, 247, 248, 25a, 25:, 255. 257, a58, 260 — frr"° e ffrr"; 246, 256 — dò; 24% 252, 253, 259, 261 - +d"; 254 — R" ; 262, 263, 204 — frr" e ffrlc« ; 265 (- •,°*. 3 26
  • Mede 260 X 260 mm. 25 Em cynquo dias do mes de Junho reçebeo Diogo 268 Coelho, comprador do esprytall de Francisco 287 Corvynell, feytor desta cidade de Goa, trynta pardaos 268 em leaes, hos quães fiquam quareguados em receita sobre helle dito289 Diogo 270 Cohelho, comprador do dito271 esprytall, feyto per mim Symão de Sampayo, escryvam do dito 272 carego. Feito hoje cynquo dias do dito 273 mes de 1519 os par- daos 274 são douro. Diogo 275 Coelho — Symão de Sampaio 30 pardaos 276 em leaes 277 26 Mede 310 X 210 mm. Recebeo Diogo 278 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco 279 Curvynell, feitor dei Rei nosso senhor, vimte pardaos em prata, pera o espritall, os quaes ficam caregados em receita 280 sobre elle dito 281 comprador, per mim Fran- cisco 282 Barroso, espryvam do dito qareguo. Feito aos 4 dias do mes de Abryll de 519 anos. Diogo 283 Coelho — Francisco 284 Barroso 20 pardaos 285 em prata. Mays recebeo o dito 288 comprador dez pardaos em tan- gas a rezãm de cinquo tangas 287 por pardao e isto no dito288 dia acima conteúdo he eu Francisco 289 Barroso espryvam 266, 270, 275 —d°; 267 — frreo e tttl*"; 26S, 274 —pdos; 269, 271, 272, 273 —dcô; 276 — p.; 277 — I; 278, 283, — d° ; 279, 282, 284, 289, — frrc° e ffrr00 ; 280, — R" ; 281, 286, 288 — dcô ; 285 — p* ; 287 — t*'.
  • do dito 290 quarego que asy o asentey em Receita 291 sobre elle dito292 comprador e asi recebeo os ditos 293 vynte pardaos acima decrarados a razam de cimqo tangas por pardao. Feito no dito 294 dia que esta acima conteúdo Diogo 295 Coelho — Francisco 298 Barroso 10 em tanga 297 — 30 paradaos298 27 Mede 303 X 200 mm. Recebeo Diogo 299 Coelho comprador do esprytall, de Francisco 300 Curvynell, feitor dei Rei nosso Senhor, cym- qoenta pardaos em leaes os quaes cymquoenta pardaos ficam qaregados em receita 301 sobre elle dito 302 comprador, per mim Francisco303 Barroso, espryvam do dito 304 qarrego. Fejto aos 28 dias do mes de Setembro 305 de 519 anos. Diogo 306 Coelho — Francisco 307 Barroso 50 pardaos 308 em leaes 309 28 Mede 310 X 210 mm. Recebeo Diogo310 Coelho, de Francisco311 Curvjnell fejtor, vymte pardaos, pera o esprytall, os quaes vymte pardaos ficam qaregados em receita312 sobre elle dito313 290, 292, 293, 294 — dco ; 291—Ru; 295 —d"; 296 3oo, 3o3, 307, 3n — frr=a e ffir'" ; 297 —t*; 298 —p.; 299, 3o6, 3io — d»; 3oi. 3i2 —R"; 3o2, 304, 3x3 —dcô"; 3o5 — Set"»; 3oS —p.; 3o9— 1. 3 28
  • Diogo 314 Coelho, comprador do esprytall, per mim Fran- cisco 315 Barroso, espryvam do dito qareguo. Feito aos 17 dias do mes de Novembro de 1518 anos. Diogo 316 Coelho — Francisco 317 Barroso. 20 pardaos 318 em prata. 29 Mede 255 X 200 mm. Recebeo Diogo 310 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco 320 Curvynell, feitor dei Rei nosso senhor trymta pardaos em leas os quaes ficam quaregados em receita321 sobre elle dito 322 comprador per mim Francisco 323 Bar- roso, espryvam do dito quareguo. Feito aos 16 dias do mes de Setembro de 519 anos. Diogo 324 Coelho — Francisco 325 Barroso 30 pardaos 326 em leaes 327 30 Mede 205 X 210 mm. Recebeo Diogo 328 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco 329 Curvynell, feitor dei Rei noso Senhor, trymta pardaos em leas, os quaes ficam caregados em receita330 sobre elle dito 331 comprador per mim Francisco 332 Barroso espryvam do dito 333 qarego. Feito aos 16 dias do mes de Agosto de 519 anos. Diogo 334 Coelho — Francisco 335 Barroso 30 pardaos 336 em leaes 337 314, 3i6, 319, 324, 328, 334 — d"; 3i5, 3i7 32o, 323, 325, 229, 332, 335 — frr" 3i8, 326, 336 —p.; 321, 33o —R"; 322, 33i, 333dcô ; 327—1; 337 — 11.
  • Mangi Synay rendeiro 338 da praça day a Diogo339 Coelho, comprador do espritall, trinta pardaos 340 pera as compras dos doentes do dito espritall e gardei esti pera vollo levarem em conta. Feito a 16 de agosto de 519 Francisco341 Corbynell — Arnão de Fonte 31 Mede 285 X 210 mm. Digo eu Diogo 342 Cohelho, comprador do esprytall, que é verdade 343 que recebi de Francisco 344 Curvynell feitor desta cidade de Goa, trymta pardaos em leaes hos quães sam pera mantymento 345 dos doentes do dito 348 esprytall, do mês de Julho os quais trymta pardaos 347 em leaes fi- quam quaregadas em receyta per mim Symão de Sampayo que hora sirvo ho dito 348 carego. Feito hoje dia derradeiro 340 dia (sic) do mes de Junho de 519. Diogo 350 Coelho — Symam Sampayo 30 pardaos 351 em leaees. 32 Mede 310 X 210 mm. Recebeo Diogo 352 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco 353 Curvynell, feitor dei Rei nosso Senhor cim- qoemta pardaos pera os doentes do esprytall os quaes ficam 338—Rend;"; 33q, 3.)2, 35o—d»; 3.)0, 347 — Pd"*; 341, 344, 353—ffrr"; 343— idade; 3.j5 — mfitym10; 3.j6, 3*S — dcó ; 349 — dcradr°; 35i — p.; 352 — d°. 33o
  • caregados em receita 354 sobre elle dito 355 comprador per mim Francisco 358 Barroso espryvam do dito 357 quareguo. Feito aos 20 dias do mes de Setenbro de 519 anos. Diogo 358 Coelho — Francisco 359 Barroso. 50 pardaos 380 ouro. 33 Mede 310 X 210 mm. Recebeo Diogo381 Coelho, comprador do esprytall, desta cidade de Guoa, de Francisco 362 Curvynell feitor dei Rei nosso senhor, trymta pardaos em ouro os quaes ficam quaregados em receita 383 sobre elle dito 384 comprador per mim Francisco 385 Barroso espryvam do dito 388 quarego. Feito aos 16 dias do mes de Abryll de 519 anos. Diogo 387 Coelho — Francisco 308 Barroso 30 pardaos 389 ouro. 34 Mede 180 X 210 mm. Recebeo Diogo 370 comprador do esprytall, de Fran- cisco 371 Curvynell, feitor dei rei nosso senhor, trymta par- daos pera o esprytall, os quaes ficam quaregados em re- ceita 372 sobre elle dito 373 comprador per mim Francisco 37! Barroso, espryvam do dito 375 qarego. Feito aos 19 dias do mes de Maio de 519 anos. Diogo 376 Coelho — Francisco 377 Barroso 30 pardaos 378 ouro. 354, 363 — Rta ; 355, 357, 364, 366 — dcô ; 36o - p,'"s; 358, 36i, 367 — d" ; 356, 359, 362, 365, 368, 371, 374, 377 - ffrrC° ; 36p - p ; 370, 376 - d»; 372 — R"; 373, 375 —dcô; 378 —p.. 331
  • 35 Mede 310 X 210 mm. Recebeo Diogo 879 Coelho comprador do esprytall, de Francisco 380 Curvynell, feitor dei rei nosso Senhor, trymta pardaos em ouro pera o esprytall os quaes ficam quaregados em Receita 881 sobre elle dito 882 comprador per mim Fran- cisco888 Barroso espryvam do dito quarego. Feito aos 2 dias do mes de Mayo de 519 anos. Diogo 884 Coelho — Francisco 885 Barroso 30 pardaos 386 ouro. 36 Mede 300 X 190 mm. Digo eu Diogo 387 Cohelho comprador do esprytall que e verdade 388 que reçeby de Francisco 389 Corvynell feitor desta cidade de Goa, trimta pardaos390 em houro pera man- timento 391 dos doentes do dito 392 esprytall, os quaes trimta pardaos 393 lhe fiquam caregados em receyta per mym Sy- maõ de Sampayo que hora sirvo ho dito 394 carego. Feyto hoje 27 dias do mes de Julho e sam pera ho mes de Agosto. Diogo 395 Coelho — Simão Sampaio. 20 pardaos 396 de ouro. 379, 384 —d ° ; 38o, 383, 385 — frr" e ffrr" ; 3Si - R'« ; 382 — dc6 ; 386 - p.; 387, 395 - d"; 388 — vdade; 389-ffrr™; 390, 393-pd«; 391 -mStyrn'"; 392, 394- dcõ ; 396 — p. 33 2
  • 37 Mede 180 X 210 mm. Digo eu Diogo 397 Cohelho comprador do esprytall que he verdade 398 de Francisco 399 Curvynell, feitor desta çidade de Goa 20 despesa dos doentes do dito 400 es- pritall hos quajs vim caregados em Reçeyta a helle dito401 Diogo402 Coelho compra Symaõ de Sampayo que hora sirvo ho dito 403 carego 13 dia do mes de Julho de mill e qujnhentos e dez Diogo404 Coelho — Sjmão Sampayo. 20 pardaos 405 de ouro. 38 Mede 230 X 210 mm. Reçebeo Diogo 406 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco 407 Curvynell, feitor desta cidade de Goa, per Diogo 408 de Sallas recebedor das Ilhas da dita cidade cim- quoenta pardaos pera o esprytall, os quaes ficam quarega- dos em receita 409 sobre elle dito comprador, per mim Francisco410 Barroso espryvam. Feito aos 24 dias do mes de Novembro de 1518 anos. Diogo411 Coelho — Francisco412 Barroso 50 pardaos 413 ouro. 397, 402, 404, 406, 408, 411 —d»; 39S — xdade; 3gg — ffrr*»; 400, 401, 403 — dcõ ; 5, 413 — p.; 407, 410, 412 — frr0* e ffrr" ; 404 — Ru. 333
  • 39 Mede 305 X 210 mm. Reçebeo Diogo414 Coelho comprador do esprytall de Francisco415 Curvjnell, feitor, trymta pardaos416 pera per (sic) despesa do esprytall; os trymta pardaos ficam qua- regados em receita 417 sobre elle dito 418 comprador per mim Francisco419 Barroso, espryvam do dito420 quareguo. Feito aos 13 dias do mes de Novembro421 de 1518 anos. Diogo 422 Coelho — Francisco 423 Barroso, foram em ouro. 30 pardaos 424 em ouro. 40 Mede 290 X 210 mm. Recebeo Diogo 425 Coelho comprador do esprytall, de Amtonyo Marquez, mestre da moeda, coremta pardaos per mandado de Francisco 426 Curvinell, feitor seus ofjciaes pera despesa 427 do esprytall, os quaes corenta pardaos428 ficam caregados em receita 429 sobre elle dito 430 compra- dor per mim Francisco431 Barroso, espryvam do dito432 qarego. Feito aos 22 dias do mes de Oitubro de 1518 anos. Diogo 433 Coelho — Francisco 434 Barroso. 40 pardaos 435 ouro. 414, 423, 4=5. 433 —d°; 416 —pd0'; 417, 429 — R" ; 418, 420, 43o, 432 —dcó; 415, 419, 423, 420, 431, 434 — ffn--; 424, 428, 435 —p.; 421— nov.«; 427 — desp.V 334
  • 41 Mede 305 X 270 mm. Reçebeo Francisco 436 Pimymtell comprador do espry- tall, de Francisco 437 Curvynell, feitor desta çidade de Goa, trymta pardaos ... pera despesa 438 do esprytall os quaes trymta pardaos ficam caregados em receita 439 sobre elle dito 440 comprador, per mim Francisco441 Barroso espryvam do dito qarego. Feito aos 11 dias do mes de Oitubro de 1518. Francisco 442 Pymyntell — Franciso 443 Barroso. 30 pardaos 444 em ouro. 42 Mede 180 X 200 mm. Senhor contador He lamsado em despesa a Francisco 448 Corvinell, fei- tor446, sesenta e cimquo pardaos 447 per entrega que delles fes a Diogo 448 Coelho, comprador do espritall, dos quais nom tem conhecimentos449 e cotejamos os conhecimen- tos450 sim (?) com a Receita451 dos livros do espritall e achamos ser caregados em Receita 452 sobre elles os ditos sententa cinquo pardaos 453 per duas adisoes como vay de- crarado na adiçam da despesa 454 onde vay em soma de mill e trezentos e trinta dous pardaus 455 e meio456 e por que asy he verdade 457 pasamos esta sertidam 458 pera sua conta (?). Feito oje primeiro 459 dotubro de 519. Arnaõ de Fonte 436, 437, 441, 442. 443, 445 — ffrr°; 438 — desp"; i39, 451, 452 — Rl« ; 448 — d"; 440 — dcó; 444 — p.; 446 — f"" ; — 447, 453 — pdaos ; 449, 450 — c,M ; 454 — desp*; 455 — p4uM ; 456 — m° ; 457 — rdadc ; 458 — ítidã ; 459 — pui'». 335
  • 143 LIVROS PARA OS FRANCISCANOS 5 de Janeiro de 1518 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 72-152. Mede 215 X 315 mm. O documento consta de duas folhas, embora se ache escrito apenas numa. Encontra-se muito cortado e algo esburacado. P T-1 Frey Amtonio1 (l) Pero Coresma, feitor2 de Cochim o capitam geraall e governador das Imdeas per este vos mamdo que dos livros que trouvestes pera os mosteiros3 que El Rey noso senhor manda fazer nestas partes4 da Indea, emtreges a Frey Amtonio5 guardiam delles estes abaixo decrarados, A saber6: hum Degredo (2), e hum Decretaaes (3), e hum Seysto Clementinas (4) e hum Vita Christi7 em latim (1) Fr. António do Louro. (2) Ou Decreto. Talvez se trate do Decreto de Graciano que forma a primeira parte do «Corpus Juris Canonici». Esta colecção foi formada no século XII por Graciano, professor em Bolonha e monge no mosteiro de S. Felix. . (3) Decretais eram as constituições ou disposições pontifícias dadas a pedido de alguém. Muitas delas eram falsas, adivinhando-se fàcilmente o motivo. A falsificação das Decretais constituía até um negócio algo rendoso. As Decretais formavam a base do Direito Canónico. (4) As Clementinas eram Decretais publicadas em primeiro logar por Clemente V. i, 5 — Amt° ; a — fl"; 3 — most" ; 4 — p,e!; 6 — S ; 7 — xf I. 336
  • e outro em limgoajem em quatro valumes (1) e hum pon- tifycaall, e hum Ricardo (2) em dous valumes, e dous Sa- cramemtaes8, tres Avamgeihos e quatro Filos Samto- rum B, e hum Vitas Patrum (3), e hum Graduall, e hum Demimgaall gramde de camto, e hum Saltério10 de camto e tres Amtifonairos, e tres Opus Auryo de Verytate (4), e çimquo Salteyros e hum tramsyto de Sam Jeronimo (5), e dous Sermones11 Gristy (?) (6) e dez missaes ro- maãos (7), e duas Postilas, e tres Espelhos de Comciem- cia (8), e dous missaes gramdes, e huma Bryvia (9), e huuma Grossa hordinarya em quatro valumes, e tres Sumas (1) De Vita Christi, por Ludolphus de Saxonia, também conhecido por Leutolphus de Saxonia, Ludolphus Germanus, Ludolphus Teutonicus e Landulfo de Saxonia. Ignora-se a data tanto do seu nascimento como da sua morte, mas colocam-no geralmente como tendo vivido entre 1300 e 1370. A obra foi traduzida por Frei Bernardo de Alcobaça e Frei Nicolau Vieira. Publicada em 1495. Bibliografia Geral Portuguesa, Vol. I, SÉc. XV. pp. 96-138. (2) Talvez se refira às obras do monge Ricardo de S. Victor, falecido em 1173. A primeira edição das obras de Ricardo de S Victor, embora incompleta, é a de Veneza em 1506. Deve ser esta a edição aludida no documento. (3) Vilas Patrum, por S. Jerónimo. Edição de Salamanca em 1498. Bibliografia Ibérica del siglo XV, p. 13 7. (4) Não pudémos averiguar nem o autor nem a edição desta obra. (5) Hà várias edições da «Vida e Transito de San Jeronimo». A Bi- bliografia Ibérica dei siglo XV aponta as seguintes: a) Zaragoza, 1492. b) Barcelona, 1482 (em catalão), c) » 1492, d) » 1493. a p. 137. (6) Tratar-se-á de Sermões de S. João Crisóstomo? (7) Isto é: romanos. (8) A respeito desta obra informa-me o muito Amigo P." Fernando Lopes, OFM: «Julgo que será a obra de franciscano anónimo, da Custódia dos Anjos, morador no convento da Piedade de Guadalcanal, na Andaluzia, «Espejo de la Conciencia, que trata de todos los estados, como caduno en el suyo debe haverse para vivir con limpia, y pura conciencia». Julio- brigae, 1307, Typis Arnaldi Guillen. Assim encontro em Tomo II de Fr. Jacinto Sbaralea, do Supplememtum ad Scriptores de Wadingo. (9) Bíblia. 8 — sacramcmemtaães ; 9 — ssamtorum ; 10 — salt" ; 11 — smones. 22 33?
  • Sam Tomaas, e dous Raçionaes, e hum Sermones12 Rubert, e hum Agostinho de Trinitate, e trimta e quatro13 Obras em latim, e dous breviayros, e hum Soprimemtos14 coroni- carum (1), € hum Agostinho de Trinitate e hum Opus- qullo Samti Agostiny, e hum Cibell Super Semtencias, e dous Capitolairos, e seys Amgelicas (2), e hum Especul- lum Minorum15 (3), e hum Catolicam Portista (3), e vimte oras em lyngoajem, e sete Cataçismos, e cemto e çim- P V1 quoemta cartilhas, // e quatro Bosquos Deleitosos (4), e asy lhe emtregares algumas alampadas de vidro, hos quaaes livros lhe dares embotados pera hos levar a Goa. E cobrares delle conhecimento16 pera com este e asemto dos escrivães17 desa casa de como lhos asy emtre- gaes vos ser18 levado em comta. Feito em Cochim ao derradeiro19 dia de Dezembro de 1517. Sam trimta20 oras em latim. Lopo Soares. (1) Trata-se de algum Suplemento de direito canónico. (2) Deve tratar-se da «Summa Angelica» de B. Angelo de Clavasio, compêndio célebre de moral, de que se imprimiram várias edições nos SÉcs. XV e XVI. Agradecemos esta informação ao muito Rev. P." Fernando Lopes, OFM. (3) A respeito desta obra diz o Muito Rev. P.* Fernando Lopes, OFM: «Julgo que será a obra coligida por anónimo ou anónimos franceses e > publicada com o título Speculum Minorum, seu Firmamenlum Trium Ordi- num em Paris, 1512, Cadiz, 1512, e Veneza, 1513. Esta última edição não é bem igual às duas primeiras. Com o título parecido, Speculum Minorum Fralrum, de autor anónimo espanhol, publicou-se uma obra em Ruão no ano de 1509. (4) Boosco Deleytoso. Desconhece-se o autor deste famoso livro, hoje raríssimo, como edição. Acabou de imprimir-se em Lisboa no ano de 1515 (estilo da Incarnação). Cf. Diccionario Bibliographico Portuguez de Inno- cencío Francisco da Silva, I vol., p. 390. 12 — smones; i3 — qt" ; 14 — sojSmetitos; i5 — minoram; 16 — c1* ; 17 — stpvães; 18 — «r; 19 — derruir®; 20 — tmta. 33 8
  • Conheçeo e confesou Frey Amtonyo, guardyam, que re- cebeo de Pero Coresma, feitor 21 de Cochym todos os livros contheudos neste mandado do senhor governador embota- dos em dous pipos e asy algumas alampadas e deu lhe de tudo este conhecimento22 feito23 (sic) mim Nuno24 de Crasto escrivam desta feitorya, em que ambos asynamos a 5 dias de Janeiro25 de 518. Nuno de Crasto — Frei Antoigno Diogo Pereira26. pêra Pero Coresma emtregar estes livros a Frey Amto- nio 27 gardiam. 21 — f10'; 22 — c'° ; 23 —fc°; 24 — n*; 2} — Ja'°; 26 — p™ ; 27— Amf. 339
  • 1*4 CARTA A EL-REI DO P.* SEBASTIÃO PIRES, VIGÁRIO DE COCHIM. 8 de Janeiro de 1518 Original existente no ANTT: — CC, 1, 23-5. Mede 265 X 195 mm. Consta de duas folhas não numeradas. O documento ocupa a pri- meira folha e metade da segunda. A fl. 2v está em branco. Em bom estado. li *•» Senhor. Bastiam Pires \ vigairo da Igreja 2 de Cochim, beijo as mãaos de V. A. a que faço saber que receby huma carta3 em que encomenda e manda que lhe de comta em todas as armadas das cousas que a serviço 4 de Deos5 e de V. A. tocasem. Primeiramente 8 que da gemte da terra se tornase muita cristã 7. Digo, Senhor, que muita enfymda se faz christãa * e muita mais se faria, sendo favorecyda dos vossos portu- gueses 9, principalmente 10 dos capitans e ofeciaees. Ho numero dos que agora hy ha cristãos u, a meu pare- cer seram dez ou doze mil, os nomes dos quaees que aqui achei na cidade, afora escravos e casados, envyo. Na ar- mada que ora fez Lopo Soares ao Streyto de Meca mor- reram 300 mallavares christãos12 os quaees dizem que mor- reram a fome e desemparo, sem lhe darem gota de agoa pera beberem, polia hy nam aver13, porque as naaos de V. A. hyam carregadas de mercadorias14 de capitãees e partes15, nam de mantimentos1S. i — piis; 2 — igia; 3 —cta; 4 — suíço; 5 —ds; 6 — pmramtc; 7 — xaa;8 — xpia; 9 —plugucscs: 10 — pncipalm" ; 11, 12 —xpãos; i3 — av; 14—mcadorias ; i5 — p,M; 16 —mátim'01. 340
  • Item. Acerqua da doutrina17 da nossa Samta Fe, nesta cidade ha muitas molheres que sabem os mandamentos18 da fe e artigos19 delia, obras de misericórdia20 e as mais cousas que sam necesarias a nossa salvaçam. Estes confessam21 e mandam dizer missas e sam con- frades 22 de Nossa Senhora do Rosayro, e dam azeite pera as halampadas, e ora huma por nome chamada Briatiz de Quental23 manda fazer huma casa nesta cidade de Cochym a louvor da Conceyçam de Nossa Senhora, que lhe custara, segundo24 dizem os mestres, 300 cruzados25. Estas molheres se agravam muito das cousas que lhe fazem, principalmente26 de lhe tomarem suas casas pera aposentamento de vosas gemtes e asy de vosas justiças en- tenderem em cousas suas, porque ate aquy nam entende- ram senom ho cura da Igreja 27, por cujo respeito 28 se vãao a Sera e por essas ilhas, por // se verem desfavorecydos. [i v.i Quamto aos mininos cristãos 29 que se aquy soyam en- sinar, soyam ter mantimento asemtado por Afomso de Al- buquerque30. Tiroulho Lopo Soarez. Nunqa nenhum mais quis aprender 31, por que elles nam tem fazendas nem outra cousa de que se mantenham, soomente o que V. A. lhe manda dar. Quamto ao favoreçer dos que se a fe tornam, eu os afavoreço quanto em mym he e as forças abramjem, mas estes que podem mais que eu fazem delles peores que es- cravos, por que estes clérigos32 que vãao nas armadas e outras pessoas33 que lhes doe a conçiensia me dizem que os escravos dos capitans e doutros senhores fazem senhores destes cristãos 34 e os fazem seos aperreados, e bem se vee que de certo38 que vaão em huma armada não vem dez, e dos escravos não fallece nem hum. 17 — doiuiia; :8—mãdam""; 19—art"; 20 — mjã; 21 — confessam; 22—confrades; 23 —4ntal; 24 — seg4" ; 25 — cd<"; 20 — pncipalm" ; 27 —l§ja; 28—Resp1*; 29, 34 — sãos; 3o — dalbuqueríj; 3i — apmder; 32 — clgôs ; 33 — p" ; 35 — c'°. 341 L
  • Quamto ao serviço36 da Igreja37, V. A. pode saber por todo os capitaees e pessoas 38 principaees39 que destas par- tes40 vãao, como he servyda41. Eu fiz rezar em coro, assy como na Conceyçam, de oras entoadas, e missa da terça, nam estamdo a Igreja42 em costume deste serviço43. Do- mingos e festas, missas camtadas com diácono e sobdiacono e vesperas44 os mesmos dias cantadas. Careçem estas Igre- jas45 de livros pera camtar, que os não temos, soomente amdamos remendando; proveja46 V. A. isto. Nam temos vestimenta comuas. Para altar moor desta Igreja47 deve V. A. mandar hum retavollo, por que esta muyto nuu, e assy pera outro altar que (sic) Sam Sebastião que esta na dita igreja. Quamto as esmollas que V. A. manda fazer, que era huma das cousas por que a mais gemte se fazia christãa tó, semdo tamto sçfviço49 de Deos50, ha tres annos que se nam dam, por cujo respeito 51 muitas .pessoas52 perecem M, porque, como dito tenho, sam gente de muy pouca fazenda e as mãaes leyxam perecer54 seos filhos55, e se as vezes nam mandasse tirar esmollas por estes cristãos 5#, com que os provejo57, mais pereceriam58, e nam por ho eu nam requerer59 assy o governador60 como capitam da fortal- leza e feytor.. // Item. Quamto ao sprital61 desta cidade, os homes que jazem nelle doemtes, que adoecem em vosso serviço 62, e assy outros muitos de boubas que muito reynam nestas partes 63 e doutras doenças, sam muito mal providos 6\ que 36 — íviço ; 38, 52 — p" ; 3g —pmcipaes; 40, 63 — ptes; 41 — svjda; 37, 42, 45, 47 — ljjias ; 43, 49, 62 —svjço; 44 — v"; 46— pveja; 48 — xpãa ; 5o —ds; 5i— Re^p'*; 53 — pecem ; 54 — pcccr; 55 — f*; 56 — xãos ; 5? — pvejo ; 58 — feceriã ; 59 — Rijrer ; 60 — govnador ; 61 — sptal; 64 — pvjdos. 342
  • nem dos vynhos83 de Vossa Alteza nem marmelladas nun- qua he dado nada pera dito sprital66, soomente pam, carne e peyxe. Item. He grande 67 deferencia nesta terra dos generos e naçoees das gentes, porque ha hy nayres, bramenes, pani- caees, que sam generos homrados. Ha hy outros que se chamam Iravas, de que a mayor parte68 sam cristãos69, outros Macuas que se nam tocam com os sobre ditos hom- rados. Estes sob menos, fazendose mouros, são tocados e participão com os honrados e amdam pella estrada dei rey, e fazendo se cristãos70, não lhe consentem isto; amte sam tydos na estima que eram, sendo em suas seytas, e fazendo me estes assy cristãos71 vexados este queyxume, e que hom- ravam mais os mouros tornados que nam os cristãos72, eu fuy fallar a el Rey duas vezes. Elie quisera73 correger isto; com medo dos nayres ho nam fez. Spreva lhe '4 Vosa Al- teza, elle ho fara, e se fara grande7® numero de gemte cristaa70, por que elles sam muito destes pontuhos de honra. Por quamto meos desejos sam servir77 Deos78 e Vosa Alteza e dar aviso no que he rezam que faça, digo, Senhor, que posto que os cristãos79 novos sejam desafavorecydos por os capitaees e outros senhores e muitas pessoas , por nos outros sacerdotes nam recebem aquella doutrina81 que devem nem emxempro que devemos de dar e somos obri- gados, por que toda clerezia que nestas partes82 he, sam clérigos83 mancebos que usam de suas moçidades. Mande Vosa Alteza homens que sejam de 30 annos pera cima, que em seos feitos ajam vergonça84. Senhor, acerqua85 do que acyma tenho dito a Vosa Al- teza se pode enformar por pessoas88 de credito, assy como Fernam da Cova, que delle largamente dara conta8' de 65 — vyw J 66 — sptal; 67 — gmde ; 6S — pie ; 69, 70, 71, 72, 79 — xaos ; 73 — qseva ; 74 - spvalhe ; 75 - gmde ; 76 - xáa ; 77 - «ir ; 78 - ds j Si - doutiia; 82 — ptcs ; 83 cligos ; 84 — vgonça; 85 — aêqva ; 86 — P*' i 87 — costa. 343
  • como faço e os desejos que pêra isso tenho, pello quall peço a Vosa Alteza avendo respeito 88 a meu serviço89, que me aja por seu capellam, no que receberey merce e esmolla. Feita em Cochym aos 8 de Janeiro90 de 518. Sebastiam Pires91. 88 — Iíesp'° ; 89 — svjço ; 90 — Janr" ; 91 — piz. 344
  • 145 HOSPITAL DE COCHIM II de Janeiro de 1518 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 73-29 Mede 281 X 215 mm. Uma jolha, bastante cortada no meio. Recebeo Pero1 Lourenço 2, provedor 3 do espritall4 de Cochym, de Pero5 Coresma feitor8 da dita 7 fortaleza vinte cruzados pera despesa do dito8 esprital9 e botyqua os quais 20 cruzados10 fyquam em reçeita a ho dito 11 porve- dor per mim Fernam da Rocha esprivam 13 de seu car- guo que este fyz e asynamos ambos em Cochym a 11 de Janeiro de 518 anos. Pero14 Lourenço15 — Fernam da Rocha. Dinheiro — 7$800 reis. i —p'; 2, i5 — L"; 3, 12 —pdor; 4,9— espiai; 5-pe; 6 —f"" ; 7—dta; 8, 11 —dcõ; 10—(-i4**; i3 — espvã ; 14 — p".
  • 146 FRANCISCANOS DE GOA 25 de Agosto de 1518 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 77-108. Mede 220 X 295 mm. Uma folha escrita de ambos os lados. Comida no canto direito superior. Apresenta igualmente um buraco no centro. Francisco1 Corvynell, feytor desta feytorya, mandovos que conprees doze pipas 2 de vinho e huma de vinagre e hum quarto de azeite de Purtugall, as quaaes dares aos fra- des deste moesteiro3 da servança (1) a que os el Rey manda dar de esmola, e per este com conhecimento 4 do priol5 e frades do dito moesteiro6 e asento dos stprivãaes de noso ofiçio, mando que vos seja levado em comta o que tudo custar. Feyto em Goa a 25 de setembro7 de 1518. Dyogo8 Lopes de Syqueira®. Doze pipas de vinho10 sam as que lhe aves de comprar e dar. Dyogo11 Lopez do Syqueira12. (1) Isto é: Observância. l frr" ; J — p" ; 3, 6 — moest"; 4 — c10; 5 — pól; f—set'»; 8, ti — O"; 9, 12 — «)« ; io — 1'. 3 46
  • Eu Frei Antonio (l), frade menor e guardiam 13 de este mosteiro de Sam Francisco, em a cidade de Goa, digo que Francisco Corvinel deu de esmolla segundo acima con- tiuda, estas doze pipas de vinho e huma, de vinagre e huum quarto14 de azeite pera os frades de esta casa e por que he verdade, fiz este e asinei oje, dia de Sam Miguell (2), de Setembro, era de 51915. Frei Antoigno. (1) Frei António do Louro. (2) A festa de S. Miguel é no dia 29 de Setembro. i3 — gdiam ; 14 —4rt0 * *5—O algarismo 9 foi posteriormente corrigido para 8 com tinta diferente, mais fraca. 347
  • 147 HOSPITAL DE GOA 13 de Outubro de 1518 Orignal existente no ANTT: — CC, II, 78-10. Mede 310 X 220 mm. Uma fôlha manchada e algo esburacada. Boa leitura. Recebeo Francisco1 Lopez apoticairo (l) do ospetall desta cidade de Francisco2 Corvinel, feitor dei Rei Nosso Senhor huma soma de mezinhas, scilicet3: ruibarbaro e agariquo (2), escamoneia (3) e outras erbas e rayzes e aguas que de Hormuz vjeram per quanto aviamos nasesy- dade delias pera os doentes do dito espital e porque es ver- dade 4 que as recebeo acinou aqui e eu Arnão de Fonte es- crivão desta feitoria que esta escrebi. Feito oje a 13 de Oitubro de 1518. Francisco5 Lopez — Arnão de Fonte. Lançado6 as 125 folhas. Estas mezinhas atras escritas que Francisco7 Corvinell (1) Boticairo. (2) Cogumelos. De agírico. (3) Ou «escaraonea». Herva medicinal. i, a, 5, 7 — fri"; 3 — S S ; 4 — ndade ; 6 — IA*. 348
  • V conprou de mestre Gonçalo8 cirurgiam costaram trinta cimquo pardaos9. Arnão de Fonte. Conhecimento10 de Francisco11 Lopez boticairo de certas meixinhas que custaram 35 pardaos12 em ouro que se ham de deitar no livro. Alvaro 13 Dyogo14 Lobato — 107. 8 — g°; 9, 12 — pd,w ; i3 — alv" ; 14 — dy*. 3 49
  • 148 CARTA DE FR. ANTÓNIO A EL-REI DE PORTUGAL. (1) Goa, 4 de Novembro de 1518 Original existente no ANTT: — CC, I, 23-133. Mede 305 X 220 mm. Duas folhas não numeradas. Em bom estado. Ii *•] Senhor, Eu, despois de ter huma esprita1 e asinada pera Vossa Alteza em que largamente tenho dado conta de minha vida e destes padres, reçebi uma de Vossa Alteza aos dous dias deste Novembro, com que muito folguei, porque bem tinha, por ser que se nom avia Vossa Alteza de esquecer de nos, e respomdemdo a estas cousas das quaes Vossa Alteza ha por seu serviço2 ser3 certeficado, diguo que quanto ha disposiçãao dos padres em a chegada fosem algum tamto provados de imfirmidades, pola calidade da terra, agora, Deus4 seja louvado, estam todos em boa disposiçãao. Quanto ao que temos feito5 nas casas, disto escrevo lar- gamente a Vossa Alteza em esta que la vay. Em Goa, ata o presemte, nem huma cousa he principiada6. La mando pedir esse asemto a Vossa Alteza por as rezõees que diguo (1) Frei António do Louro. Chegara do reino em 1517, com provisão de el-rei para construir um mosteiro em Goa. (Correia, «Lendas da Índia», n, p. 537.) i — espta; 2 — «viço; 3 — <; 4 — 4s; 5—ftó; <»— pncipiada. 35o
  • em esta outra carta. Este governador de Vossa Alteza (l) me trouve a Cochim, affim de fazer este moesteiro 7 de Samto António. A feitura desta, nenhuma cousa he come- çada. Estou aqui com tres frades, porem com determina- çam de tornar logo pera Goa, daqui a dous meses. Ouanto ao que diz Vossa Alteza, se vejo outro lugar em que determine fazer outra cassa, depois destas duas serem8 acabadas, segundo mamda Vossa Alteza, ou meas feitas, Cananor e Couilãao pareçem lugares em que esta- riam bem sete ou oito frades em hum oratorio, e de Co- chim a Coulãao esta huma grande mina e tesouro de mui- tas almas; porem estes anibaas (2), de que sam doutrina- dos, aviam mester pouco a pouco empuxados da Imdia, e os nossos postos em seu lugar. E quanto he ao proveito, crede, Senhor, que he muito gramde, segumdo a brevidade do tempo 9, por que ja teremos bem bautizadas oito centas almas dos gentios, e muito mais tivéramos, se nom forãao os cleriguos que amdarão a nos empedir, poemdo tram- queiras e valados, empedimdo nosso desejo e serviço 10 de Deus u, como largamente escrevo a Vossa Alteza, e se que- reis, Senhor, que aproveitemos, manday nos muito favor e fazei nos poderosos pera ajumtar homens e molheres novamente convertidos em o nosso moesteiro, e asy ali com toda religiam e bom exemplo serem 12 por nos emsinados nas cousas da fee, e pera isto termos hum momem ou mo- lher que, por constrangimento, os faça ali vir, e isto man- day muito encomendado ao capitãao da vossa fortaleza, e que em isto nos nom possa hir ha mãao vigário 13 nem (1) Diogo Lopes de Sequeira, quarto governador da índia, chegou a Goa em Setembro de 1518. (Correia, «Lendas da Índia», II, p.}}.) (2) Anibaas, que parece ser a leitura do vocábulo, são certos selva- gens do Amazonas. Desejaria Frei António empregar tal termo de compa- ração ? 7 — troesF» ; 8, ia—itn; g —tpo; to —sviço; li—ds; |3 — vig1». 35 i
  • cleriguo, nem alguém, e isto he em o que Vossa Alteza nos ha de favoreçer, se quer que se faça fruita nas almas. E crede, Senhor, que a gemte desta terra ha mester mais bom exemplo que palavras, e espero em o Senhor que nestas casas se ha sempre de achar exemplo e doutrina e reveren- cia ao abito. Ouamto he ao que Vossa Alteza // diz, se somos bem providos das neçesidades, se Vossa Alteza nos encomendou inteiramente a Fernam de Alcaçeva (1), eu nam tive tem- po 14 pera tomar esta experiência ,ainda que o desejo sem- pre o achei bom nelle e, despois de partido, ficamos desa- marrados, porque nom avia qua recado de Vossa Alteza pera nos darem alguma cousa, porem sempre nos prove- rão, precedemdo brados por parte de Vossa Alteza, quam amigo soees dos pobres pera que o devessem de fazer, e despois que veo este governador ,todas neçesidades que lhe pedimos nos mandou dar inteiramente. Aqui em Cochim, omde estou com estes padres, asy nos provem com o neçesario e tudo nos dãao com gramde peso, estreitamdo sempre, por nom ter regimento15 de Vossa Al- teza em que, Senhor, nos fareis asinada caridade em de- clarar ao governador que nos provejam em nossas neçesi- dade. E asy, Senhor, quando tevermos neçesidade de man- dar algum frade a requerer o que nos for neçesario a esse regno, que Vossa Alteza mande provisãao como lhe dem o neçesario pera o caminho, porque os oficiaees acho os samtos e justeficados no que toca a dar hum pedaço de paão a hum frade, fora de vosso regimento16. E quanto he a escrever a çertidãao dos cristãaos1T, tive (l) Fernão de Alcaçova chegou à índia em 1517 como vedor da fazenda, com poderes absolutos sobre as finanças. Indispôs-se com o go- vernador Lopo Soares e regressou logo ao reino. (Correia, «Lendas da índia», U, p. 331-336.) 14 —tpô; i5, 16 — Regim"; 17 — cstaãos. 35 2
  • sempre tamto trabalho em asemtarmos e lamçarmos esta amcora, em que estava toda nossa obriguaçam açerca do que tocava a nossa obediência e serviço18 de Vossa Alteza, que nunca o tempo19 me deu lugar pera isto inteiramente poder saber; porem aguora, ha tornada, trabalharei de ho saber e a çertidãao mandarei a Vossa Alteza. E quanto he ha disposiçãao da terra20 no convertimento ha fee, esta obra he divina e por esse soo Deus 21 ham de ser 22 chamados a reçeber a verdadeira fee. Eu ja em esta çidade, estamdo aqui Lopo Soarez, lhe requeri23 alguma ajuda pera por em ordenamça a doutrina desta gemte. Pos me isto em impossibilidade, dizemdo que lhe falasse o vi- gário 24 da cidade, e quando vi sua fryeza, emcomendei meu desejo a Deus25 que o reçebesse. Estes cristãaos26 estam muito deramados e mesturados com os gemtios e podiasse levemente fazer hum bairro e hay terem qualquer ordenaçam de doutrina, e isto deveis encomendar a Francisco27 Corvinel e ao capitãao desta çidade. Nosso zello e desejo he todo em ensinar e doutri- nar, porem, como ja disse, he necessário favor e poder pera isso, que no serviço28 de Deus 29 sejamos isemtos, sem vi- gário 30 ou cleriguos nos hirem ha mãao, porque, Senhor, ata o presente, o geral destes cristãaos 31 he terem nome, sem doutrina alguma, e ja o passado esprevi32 a Vossa Alteza sobre isto. E quanto he ao favor do governador pera o que toca a imsinança e doutrina dos cristãaos 33, aministrada por nos, eu lho requererey da parte de Vossa Alteza, com caridade e humildade, e o que nelle achar, pera o ano espreverei34 aimda que ata qui nas cousas que tocam ha fee tenho achado nelle bom zello e desejo pera me ajudar. 18, 28 — «Viço; 19 —tpo; 20 —trrã; 21, 25 29 — ds; 22 — í ,• 23 — reqri; 24 3o _ vifc" ; 26, 3l, 33 — cstaáos ; 27 — fr™; 32 — espvi; 34 — espvirei. L
  • Desta ilha de Goa fareis gramde serviço35 a Deus36 em mamdardes hum a estes regnos, hum homem gemtio que se chama Crisna37, gramde servidor38 vosso, o qual elles aqui tem por sua cabeça em a gemtialidade, e este estaa muito cheguado ha face de Cristo39, porque eu falei ja muitas vezes com elle e nom da outra escusa senom que em Portugal, vendo Vossa Alteza, se fara cristãao 40. Os jogues que qua chamam pobres deve Vossa Alteza mandar que da terra firme nom emtrem na ilha, porque estes trazem bulas e relíquias dos seos pagodes e diabos, com que tornam a restaurar toda jemtialidade destes homens. ia r.] Nesta ilha de Goa hum frade nosso tem pos // tas algumas cruzes nos seos paguodes e os gemtios dizem que lhe aparecem e lhe dizem que sam ja cristaaos 41 e que nom vãao mais falar com elles. Senhor, hum gramde pagode esta nesta ilha de Divar que tem muita pedraria e he ja derribada muita parte delle. Faça nos Vossa Alteza esmola delle pera este moesteiro. Pareceme, Senhor, que se mandardes fazer huma asi- nada esmola de aroz a estes gemtios que se fizeram42 cris- taaos43, que em proviso muitos se converterãao. Estoutra armada esprevi44 a Vossa Alteza por duas vias e asy ho ei de fazer nesta e em todas outras. Senhor, eu em este recolhimento que fiz pera estes pa- dres fui muito favoreçido por Dom Goterre (l), capitãao de Vossa Alteza, e nom menos de sua pessoa nossa cassa das festas e domingos acampanhada e quamdo qualquer45 cousa que lhe roguavamos, por parte de Vossa Alteza, nolo fazia com boa vontade e disto tudo, Senhor, beijaremos as (1) D. Goterre de Monroyo, capitão da cidade de Goa. 35 — «viço; 36 — ds; 37 — fsnaa; 38 — «vidor; 3ç—*•; 4«> 4». 43 — cítãaos; 42 — emendado; 44 — espvi; 45 — q'4r- 354
  • mãaos de Vossa Alteza dar lhe disto agradecimentos e reçe- bello em gram serviço 48 vosso, pera exemplo dos que ham de vir, e também do feitor Rui da Costa recebemos favor e gasalhado em as cousas que lhe pedíamos de vossa parte. Senhor, em esta cidade esta hum homem honrado que se chama Joham Gomez, bom tamgedor e homem de que temos muita neçesidade; far nos ha Vossa Alteza muita merce47 e caridade de lhe dar algum ofiçio nesta cidade, porque de todo he merecedor48, porque alem de em isto servir 49 Vossa Alteza, podemos por elle ser80 ajudados, nom somente em nos tanger, mas aimda em emsinar alguns fra- des e, com esta esperamça, o detive qua este ano. Do 81 que toca a feitura destas casas, pareçe me, Senhor, que se Vossa Alteza nam manda huum dinheiro asinado que nunca am de ter fim. Da de Goa tenho allguma espe- rança, se tever em esta cidade Francisco Corvinel. Deste de Cochim, em tempo de este feitor, pouco se ha de fazer, por ser pouco devoto. Senhor, mandai alguma provisam82 que nos provejam83 de alguns ornamentos. Em esta cidade de Cochim soia de aver estudo em que emsinavam os moços. Agora nam ha hi nada. Mande Vossa Alteza isto prover84, porque he isto serviço de Deos, nam mais, senam que fiquo aqui beijanJo as mãos de Vosa Alteza e rogando a Deos por vosso real estado. Feita a 4 de Novembro ,era de 518. Imeritus comisarius Indiae et gardianus huius conven- tus Seraphici Patris NosVri Francisci. in hac civitate de Goa. Frei Antonius. 4b — íyíço ; 47 — (hce; 48 — Açedor; 49 — tvlr; 5o — »; 5i — Desta linha até ao fim do doc. a tinta e a letra são diferentes; 52—fvisã; 53—pveiã; 54—pver. 355
  • 149 PRIVILÉGIOS DE GOA 1 de Março de 1518. A.P.O., Fascículo 11, pág. 16. «Dom Manoel per graça de Deos Rey de Portugal e dos Algarues daquê e dalém mar em Afriqua, Senhor da Guiné, e da conquista, nauegaçaõ, comercio de Ethiopia, Arabia, Persia, e da India. A quantos esta nossa carta vire fazemos saber que que- rendo nós fazer graça e merce aos moradores da nossa cidade de Guoa, asy Christaõs, como Mouros, como Gentios, e de qualquer outra naçaõ que sejaõ, pellos seruiços que da dita cidade temos recebido, e esperamos ao diante receber, temos por bem, e os preuilegiamos, e queremos, e nos praz deste dia pera todo sempre que dos seus propios nauios, que tiuerem de qualquer sorte e callidade que sejaõ, naõ pague o direito e ancoragê que sempre se costumou reca- dar em tempo dos Senhores passados de Guoa, e aguora pera nós se arrecada, porque nos apraaz os releuar e fran- quear da dita ancoragem. Porem mandamos a Fernão dalcaçoua, Veador da nossa fazenda nas partes da India, e a todolos nossos oficiaes da dita cidade, a que esta nosa carta for mostrada, e o conhecimento delia pertencer, e lhe mandamos que em todo lha cumpraõ, goardem, e façaõ cumprir e guardar como nella he conteúdo sem duuida nê embarguo algum, que a ello lhe seja posto, porque asy he nossa merce. Dada em Lisboa ao primeiro dia de março. Aluoro Fer- nandes a fez anno de nosso Senhor Jesu Christo de mil qui- nhentos e dezoito.» 356
  • 150 CRISTÃOS NOVOS EM GOA 18 de Fevereiro de 1519. AP O, Fascículo 11, pág. 17. «Nós El Rey fazemos saber a vós Juizes, Vereadores, e oficiaes da nosa cidade de Guoa, que ora sois e ao diante fordes, que a nós praaz e auemos por bem que nos ofícios de Juizes, Vereadores, e escriuaõ da Camara dessa cidade naõ possaÕ êtrar nhús christaõs nouos da apresentação deste em diante. Notefiquamos vollo asy, e mandamos que asy o cum- prais, e naõ consintais entrar os sobreditos christaõs nouos nos ditos ofícios, porque asy o auemos por bem. E este an- dará acostado e registado no liuro da Camara da dita cidade. Feito em Almeirim aos dezoito de feuereiro. Afonso Mexia o fez de mil e quinhentos e dezanoue. E isto seraa nõ leuando nossas prouisoés, porque áquelles que as leu are guordarselheaõ.» 357
  • 151 BOTICA DE GOA. CONFISSÕES. 23 de Março de 1519. AP O, Fascículo V, págs. 17 e 21. «Regimento que o Governador Dioguo Lopez de Se- queira deixou a Ruy de Mello, Capitão da cidade, e offi- ciaes da feitoria. XX. It. Acerqua da botica que aqui haa ey por bem que o boticairo compre de seu dinheiro todas meizinhas e cousas da botica que forem necessárias pera provimento da dita botica, pera que lhe nõ faleça nhúa cousa das ne- cessárias pera doentes; e as que achardes que são despesas por certidão do fisiquo e provedor do espritall lhe serão paguas aos quartéis do anno, sendo primeiro contados os preços delas pelo ditos oficiaes e per vós o que niso mon- tar, e lhe pagareis como dito he.» XXV. It. Todolos homens que aqui estiverem vos mos- trarão certidão do Vigairo e dos confessores de como são confessados, e sem as ditas certidões lhe não fareis paga- mento de nhúu mantimento; e ista huã vez no anno.» (Do livro de Registos antigos no Cartório da Fazenda de Goa), f. 84. 358
  • 152 FARMÁCIA DE GOA 26 de Setembro de 1519 APO, Fascículo V, pág. 38. Mandado de Ruy de Mello, Capitão da cidade, sobre a botica. Ruy de Mello de Castro, Capitão, e Governador desta cidade de Guoa e suas fortalezas por ellRey noso senhor. Por este mando a Francisco Lopez, boticairo dei Rey, que quoamdo quer que ouver de fazer alguús ymguoemtos ou umturas na botica, que elle dito Francisco Lopez boti- cairo nõ faça os ditos imguoentos nem humturas sem cha- mar pêra isso Mestre Lourenço, que mando que a todos seja presente; e por cada vez que os fizer sem chamar ao dito Mestre Lourenço, pagará o dito Francisco Lopez por cada vez dez cruzados, ametade pera a Misericórdia, e a outra metade pera quem o acusar: por quoamto nom he serviço de El Rey noso senhor fazerem-se ymguoemtos sem o dito fisiquo, por quoamto nom sendo vistos por elle nom irão perfeitos, e o dito senhor recebe perda e o espritall; e bem assy mando ao dito Mestre Lourenço que quoamdo quer que o chamar o dito boticairo, que nom seja nigri- gemte pera os assy ver. O quoal mandado sera registado na feytoria. Feito em Guoa a 26 (xxbj) de Setembro de 519. (Do dito Livro, fl. 97.) 35g
  • 153 ESMOLA AOS CRISTÃOS NOVOS. 29 de Fevereiro de 1519. APO, Fascículo V, pág. 41. Alvará dei Rey sobre a esmola aos christãos novos da da terra, que se entregue á Misericórdia. Nós elRey fazemos saber a vós Ruy de Mello, nosso Capitão da cidade de Guoa, e ao noso feitor da dita cidade, e a quoalquer capitaõ e feytor que ao diante for, que a nós praz que a esmola que temos mandado que nesa cidade se faça e despenda em cada huú anno por os christaõs novos da terra pobres, e por suas molheres e filhos, se entregue ao Provedor e confrades da Misericórdia da dita cidade pera eles despenderem a dita esmola pelos ditos christaõs novos da terra proves, e por suas molheres e filhos, asi como virem que cada huú tem neceessidade, porque confia- mos deles que o façaõ bem, e como compre a serviço de Deos e noso. Porem volo noteficamos asy, e mandamos que a es- mola que assy cada huú anno mandamos fazer e despen- der, entregueis aos sobreditos^ e cobray seu conhecimento feyto polo escrivão da dita Misericórdia em que declare como fiqua asentado no livro da dita Misericiordia; e com elle, e este Alvará mandamos que vos seja levado em conta o que em cada huú anno lhe entreguardes. Feyto em Évora a 29 (xxix) de Novembro. Jorge Ro- driguez o fez de mil 519 (bcxix) annos.» (Do dito livro, fl. 24v.) 36o
  • 154 ASSISTÊNCIA MÉDICA GRATUITA 22 de Dezembro de 1519. APO, Fascículo V, págs. 44-45. Alvará pera que o Fisico cure pelo soldo iodos os doentes. Nós El Rey fazemos saber a vós Ruy de Melo, noso capitão da nosa cidade de Guoa, e a qualquer outro capi- tão que pelo tempo em diante for da dita cidade, que nós avemos por bem que o fisiquo que tivermos nesa cidade com nosso soldo cure todolos doentes que for requerido pelo provedor e officiaes da Misericórdia que vá visitar; e asy mesmo todos os outros doentes christãos que ouver na cidade, posto que pelos da Misericórdia nom seja reque- rido, e a huns e outros sem lhe levar cousa alguma, porque pelo soldo noso que de nós ha cadano he obrigado de ho asi fazer: porem volo notefiquo assy, e vos mandamos que o constranjaes pera isto; e este Alvará fazey cumprir e guordar como nelle he conteúdo; e nõ ho querendo asi fazer ele, mandamosvos que lhe nõ mandeis paguar soldo algum, porque asi o avemos por bem. Feito em Évora a 22 (xxij) dias de Dezembro. Jorge Rodrigues o fez de 1519 (bcxix) annos. Confirmação do Governador Vy este Alvará delRey noso senhor, e mando que se cumpra e guoarde como sua Alteza nelle manda. Feito em Guoa a 13 (xiij) de Janeiro de 521. (Do dito Livro, fl. 33 v.) 361
  • 155 HOSPITAL DE GOA 17 de Junho de 1520. APO, Fascículo V, págs. 53-54. Regimento que o Secretario deu ao comprador do Hos- pital de Goa. Primeiramente recebereis cada mez nesta feitoria do feitor o dinheiro que cumprir pera as compras do dito esprital, asi pera os mantimentos, como pera as outras ne- cessidades dele, segundo os doentes que hi ouver no dito esprital, o quoal dinheiro asi como o receberdes será carre- guado em recepta sobre vós polo escrivão do dito esprital, o quoal também fará vossa despeza em seu livro que pera isso terá, segundo forma de seu regimento que pera ello tem. II. It. Vós comprareis cada dia todas aquelas cousas que vos o provedor do dito esprital mandar pera os doen- tes dele, que serão aqueles que os oficiaes ordenarem aos ditos enfermos, as quoaes cousas entregareis ao espritaleiro do dito esprital presente o escrivão dele, que volas hade poer em despesa, e cada dia á noite perguntareis ao dito enfermeiro se lhe sobejou alguma cousa pera o outro dia, e das que lhaquele entregastes, e o que vos diser que lhe sobejou trareis ao outro dia menos, porque muitas vezes se acontece estarem os enfermos em tal desposição alguú deles que gastão menos do que lhe trazem. E por tanto sereis avisados que façais o que dito he. 36s
  • III. It. Sereis obriguado tanto que acabardes de gastar o dinheiro que receberdes na dita feitoria, que primeiro que outro recebais dardes conta dele, que vos hade ser tomada na dita feitoria pelos oficiaes delRey nosso senhor dela pelo livro do dito escrivão do esprital. Trabalhareis que niso sirvaes Deos e elRey nosso senhor bem e com toda fieldade, como se de vós espera, e farvosha mercê; e do contrairo achandovos maao servidor, ou que nom servistes fielmente, aveis de ser muito bem castiguado. Feito em Guoa a 17 (xbij) de Junho de mil 520 (b xx). (Do dito Livro, fl. 98 v.) 363
  • 156 MOSTEIROS DE GOA E COCHIM 30 de Janeiro de 1523. APO, Fascículo V, págs. 64-65. Alvará d'el Rey concedendo ordinária de vinho e azeite aos Frades de S. Francisco de Goa e Cochim. Nós El Rey fazemos saber a vós Doutor Pero Nunez, do noso desembargo e veador da fazenda nas partes da India, a qualquer outro que ao diante for, que a nós en- viarão dizer os Guardiães e frades dos moesteiros de São Francisco da nosa cidade de Goa, e Sãoto Antonio de Co- chim ,que elRey meu senhor e padre, que sãota gloria aja, lhe mandava dar cadano nas feytorias das ditas cidades o vinho e azeite que lhes era necessário, pedindonos que lhes mandássemos fazer a mesma esmola; e porque nos delo praz, vos mandamos que vendo e consultando cadano com ho Comisairo das índias e Guardiães dos ditos mosteiros, o que lhes he necessário do dito vinho e azeite de que tiveram necesidade, lho façais dar á nosa conta. E por o trelado deste e seu conhecimento e vosa certi- dão do que lhe asy dão e ão mister, mandamos que se leve em conta ao feitor que lho der, e deste tãobem mandamos fazer outro pera ir por duas vias. Escrito na vila do Barreiro a trinta dias de Janeiro. Antonio Affonso o fez ano de mil e quinhentos e vinte e tres. Eu Affonso Mexia o subescrevy. E isto se lhe pelo dito senhor hera o dito vinho e azeite ordenado. REY.» (Livro 111 de Registos Antigos, fl. 293.) 364
  • 157 FARMÁCIA DE GOA 1519 Documento incompleto existente no ANTT: — CC, 11, 80-133. Mede 305 X 220 mm. 2 folhas não numeradas. Em bom estado, embora o topo superior de ambas as folhas se encontre roto. Recordaçam da comta de Francisco1 Lopez (1) buti- [i r.j quario 2 desta cydade de Guooa etc das meizinhas que deu aos doemtes dos 15 de março de 519 até 15 de Junho da dita era. A livro no primeiro3 folhas 109 Lançado 4 concertado8 -são ao todo: 43-916 rs e 40 pardaos 116 rs. Ao livro de José Lobato primeiro6 as folhas 109 // De turbite (2), setemta e sete dramas que iso mesmo [2 r.] foram avaliadas em quatrocemtos sesemta e dous reis, ha rezam de 6 reis omça 462... (1) Francisco Lopes era já boticário de Goa em 13 de Outubro de 1518: CC, II, 78-10. (2) Turbite: Planta rasteira, Alipum Turpetum. Possui propriedades purgativas, aplicando-se sobretudo à bilis e humor fleugmítico.aColóquios dos Simples e Drogas da Índia» por Garcia da Orta, II vol., pp. 327-349. Vid. também «Pharmacopea Lusitana Augmentada» por D. Caetano de Santo Agostinho, pp. 24-25. i — ffrr" ; í — butiq0; 3, 6 — pmro ; 4 — Ld
  • De canafistolla (1) duzemtas oitenta e nove omças e mea que foram avaliadas em oitocemtos e sesenta oito reis meio a rezam de 3 reis onça 868 reis e meio De escamonea (2) cemto noventa e hum graão que foram avaliadas em quinhentos e setenta e tres reis a rezam de 3 reis omça 573 reis De ruybarbo, trimta e cinquo dramas que foram avalliadas em tres mill e quinhemtos reis a rezam de çem reis drama 3$500 reis De cuçoées (3) setemta e duas por que foram avaliadas em seyscentos e vinte reis a rezam de 10 reis cada huma 620 reis De emprastos cemto e omze omças que foram avalia- das em mill cemto e dez reis a rezam de 10 reis onça 1$110 reis De catallcam (4) cemto oitemta e hoito dramas e mea que foram avaliadas em quatro çentos e vinte reis a rezam de 20 reis omça 420 reis (1) Canafistola: leguminosa da sub-família das cesalpinoides, fre- quente na India e na Africa, Cassia fistula Lin. As suas vagens são medi- cinais. (2) Já nos referimos à escamónea, a pag. 153. (3) Cocção: «cozimento de comer no estomago». Die donatio de Pedro José da Fonseca. Vid. também: Pharmacopea Tubalense Chimico-Ga- lenica», por Manoel Rodrigues Coelho, 1 parte, Cap. XII: Da Coacção e suas especies. pp. 28-35. (4) Catallcam: «Catholicam, catholicão, ou catolicão: Termo phar- maceutico. O primeiro e o mais certo dos medicamentos purgantes, assim chamado do Grego Catholicos, que vale o mesmo que universal; porque he composto de vários simplex dos quaes hum purga a cólera, outro a pituita, outro a melancolia, etc. E he tão geralmente benefico, que em nenhuma enfermidade he nocivo. Nas boticas chamão-lhe Catholicon Ni- 366
  • // Item. Se mostra despemder Francisco7 Lopez buti- !2 v-> quairo desta cidade de Guoa estas meizinhas abaixo decra- radas com os doemtes do espritall da dita çidade por receitas8 dos mestres hordenados a ella. Dos quinze de março de 519 até 15 de Junho da dita era dos quaees ha de aver pagamento pellos preços aqui decrarados em que foram avaliados pellos ditos mestres — a saber 9 — De emxaropes de toda sorte mill e trezemtas noventa e quatro 10 omças que foram avaliadas em seis mill du- zentos setemta e tres reis a rezam de 400 reis e meio omça 6$273 reis De emguoemtos de toda a sorte mill setecemtos quaremta e seis omças e mea que foram avaliadas em doze mil e duzemtos vinte çinco reis meo a rezam de 7 reis omça 12$225 reis meio De ollios de toda a sorte, seiscentas vinte huma omça que foram avaliadas em dous mill quatrocentos e quatro reis a rezam de 400 reis omça 2$484 reis colai, porque a composição deste eleituario foi inventado por Niculau Salernitano. Também he remedio universal, porque he bom para todo o genero de enfermos, meninos, moços, velhos, até para molheres prenhadas, e para febricitantes. Não he menos celebre o Catohcão Ferneho, em que alem do mel, e do feno entrão vinte e nove diversos ingredientes. Nicolao Mirespsio faz menção de outro Catolicão que hoje não he usado, Catholicon, ou Catholicum Medicamentum.» (Bluteau) 7 —ffrr"; 8-R'" ; 9 —SS ; lo-q'°. 36 7
  • 158 OBRAS NO CONVENTO DE S. FRANCISCO. GOA 1519-1520 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 84-76. Mede 203 X 283 mm. Três folhas. Documento cortado longitudinalmente. A segunda folha acha-se algo manchada. Diguo eu frey Amtonio1 (l), gardiam do moesteiro de Sam Francisco 2 de Guoa, que he verdade que Duarte3 Pereira4, morador nesta cidade, emprestou cem pardaos6 de ouro a Pero 6 Cerveira7 cemto e vimte, e Joam Lobato cemto e cimcoenta pardaos8 pera as obras do dito 9 moes- terio, dos quaes se compraram muita madeira que mandey trazer da tera firme e asy se despenderam em pagamento10 das casas que se tomarem pera o dito11 moesteiro (2) o quall dinheiro 12 peço eu por merce ao senhor feitor13 que lhe page; e pera sua guarda lhe dey este fecto14 a 30 de Agosto de 519. Frei Antoigno. (1) Fr. António Loureiro. A assinatura é dele. (2) Frei António do Louro on Loureiro estabeleceu o convento fran- ciscano dentro da cêrca da cidade de Goa em fins de 1517, ocupando para isso umas casas que haviam pertencido a João Machado, tanadar, morto em Pondá. Mais tarde, alargou o convento, comprando umas «casinhas de molheres solteiras canarís». (Correia, «Lendas da Índia», 11,38.) i-Amf; a — fr*®; 3-d"; 4-P<*; 5, 8-p'>M! 6-p»; 7-cerv«; 9 11 — dô ; 10 — pagam to ; 12 — dr° ; i3 — fw ; i4 _ fcô. 36 8
  • Lançados15 370 pardaos16 as folhas17 63 — e estes pardaos 18 som de ouro. Diguo eu Joam Lobato que he verdade que recebi de ti v.i Francisco 19 Corvinell, cemto e cimcoenta pardaos20 de ouro em pagamento21 doutros tamtos que emprestei aos frades de Sam Francisco 22 como parece per esta sua certidam atras comteuda, e pera sua garda lhe dey este fecto 23 e asynado per mim a 20 de Abrill de 520. João24 Lobato. Diguo eu Pero25 Cerveira 26 que he verdade27 que re- ceby de Francisco 28 Curvinell ,feitor cento e vinte par- daos 30 em ouro per outros tantos que emprestey pera as obras deste mosteiro de Sam Francisco31 e por verdade32 lhe dey este por mim fecto33 e asynado oje 20 de Abrill de 520. Pero34 Cerveira38 // Senhor I2 '■) Lenbre Vosa Merce de mandar a Francisco36 Corvynell que pague a Joaõ37 Lobato cento cinquenta38 pardaos39 de ouro e a Pero40 Cerveira41 cento e a Duarte42 Pe- reira43 cento que tem emprestados pera as obras do mos- teyro de San Francysco. Dyogo44 Lopez da Syqueira45 i5 — L'" ; 16, 18, 20, 3o, 39 — pdM J 17 — í" ; 19, 22, 28, 3i, 36 — frr" ; 21— pagmf ; a3, 33 — fcô ; 24, 3? — J" ; 25, 34, 40 — p°; 26, 35, 41 — cerv" ; 29 — f<« . 27, 32 — idade ; 38 — L" ; 42 — dr'« ; 43 — p" ; 44 - d>" ; 45 - ,y". ' 3 6 9
  • 12 v.i /J Feitor46 Francisco47 Cornynel paguay a estas partes48 contheudas49 nesta carta do senhor governador50 o di- nheiro51 que cada hum se nela decrara que emprestarem pera as obras de Sam Francisco52, e per este com seus conhecimentos53 nos sera levado em conta54. Feyto em Goa, a 15 de Fevereiro55 de 1520. Dom Aleixo de Meneses66 E este dinheiro 57 sobredito lhe paguares do dinheiro58 que aves de receber de Rafael Nunez. Dom Aleixo de Meneses59. [3 r.) J) Digo eu Duarte Pereira60 que he verdade61 que receby de Francisco 62 Corvinell feitor, cem pardaos em ouro, em pagamento63 de outros tantos que emprestei64 aos frades de Sam Francisco 65 como pareçe per esta sua certidam atras esprita 66 e pera sua guarda lhe dei este perfmim) feyto he asynado aos 20 dias de Abryll de 520. Duarte Pereira67. 46—ff"; 47, 52, 62, 65 — fr» ; 48 — P1" ! 49 — conthd" ; 5o—gJor; 5l, 57, 5 — drf; 53 — clM ; 54 —conta; 55 fcv" ; 56, 59—ms;6o, 67 —p"; 6i — idade; 63 — pagam10: 64 — emjjstei; 66 — espta. 37 0
  • 159 CRISTANDADE DE CANANOR. CARTA DE D. AYRES DA GAMA A EL-REI DE PORTUGAL. (1) 2 de Janeiro de 1519 Original existente no ANTT: — Gaveta 15,9-11. Mede 320 X 220 mm. Consta de 10 folhas não numeradas. Em bom estado, embora algo manchadas. Item. Esta fortaleza esta muyto nobrecyda; quamto aos [«r.) moradores delia, a i muytos casados e tem todos muyto boas casas e fazem grande fumdamento da tera; a i tamta jemte que nam cabe na fortaleza, e asy a i muytos cristãos da tera, e fazem se muytos mais cada dia, he espero em Noso Senhor que pera ho ano vos mande ho roll de quam- tos sam, e que trabalhe quamto for posyvell por fazer quamtos poder, pois he serviço de Noso Senhor, e Vossa Alteza niso leva tamto comtemtamento, e se, Senhor, tolhes a navegaçam aos mouros, toda a Imdia temdes cristãa, por- que por amor delia se tornavam elles mouros, de milhor vomtade se tornariam crystãaos, pois tem ho noso favor. Item. Ho espritall1 desta fortalleza he a milhor casa I® r-l que a em toda a Imdia e anda muy bem comcertado, e das outras fortellezas se vem a elle, porque Cananor tem mi- ♦ (1) D. Aires da Gama era irmão de D. Vasco da Gama. I —esptall. 3? I
  • lhores ares e poço de agoa, que eu agora mamdei fazer de novo, porque he a milhor agoa que qua ha. Mamde Vosa Allteza aos hofycyães da Casa da Imdia que mandem qua meyzynhas he imgoemtos repartydos pera estas fortellezas, que nam ha qua com que se os homens curem, nem quem saiba fazer as meyzynhas. Item. Quamto as igrejas que Vosa Allteza manda que lhe esprevaz, esta igreja que esta demtro na fortelleza, aimda que he pequena, polia jemte3 muyta ser ja cristam que nam cabe demtro, porem ella he muyto boa, esta muy bem ornamentada asy de prata como de vistymentas, que Vosa Allteza lhe mandou quatro agora por mim. Somente tem necesydade de livros pera camtarem os hofycyos devi- nos, que nam a i nenhum, e também lhe mando fazer hum syno. Hum que aqui avia muito bom quebrou, e esta agora sem syno. Outra igreja esta na pomta que he irmida sobre o mar, 19 v.] a que chamam Samta Marya da Vitorya; // he muito de- vota casa he esta muito bem corregyda. Os hofycyos devinos fazem se aqui muito bem. Esta agora aqui hum vigairo que chamam Afomso Fer- namdez, he de Alvito. Veo este ano, que he muyto bom homem e faz razar as horas cada dia em corro, e cada dia se tamje huma campam despois do meo dia e vem todas as molheres cristãas he meninos e jemte que nam trabalha a oraçam que lhe emsyna este vigairo cada dia e fallo muyto bem como Vosa Allteza manda; e ao Dominguo se da a esmolla per a mão do vigairo na igreja, que sam de- zoyto fardos de arroz baixo por mes, e por esta esmolla se fazem muytos cristãaos porque, como Vosa Allteza sabe, a jemte da Imdia jerallmente he muyto prove, he esta es- molla lhe faz gramde ajuda pera seu viver. 2 — espva ; 3 — jem. 3 7 2
  • Se Vosa Allteza ouvese por seu serviço acrecemtar se mais alguma cousa deste arroz que he preto e vali muyto barato, seria gramde ajuda pera estes meninos que apren- dem, porque damdo lhe cousa que comesem, seryam muy- tos mais apremder, e destes meninos, a meu parecer, se fara gramde proveyto nas cousas da nossa Samta Fee. 3?3
  • 160 PADRE AFONSO VELHO, VIGÁRIO DE GOA 12 de Janeiro de 1519. Documento original existente no ANTT: — CC, II, 79-83. Mede 225 X 136 mm. Documento roto na extremidade direita, e cortado na parte inferior. Recebeo1 Afonso2 Velho (1), vigairo desta cidade de Goa, de Francisco3 Corvinell, feytor, huma cotonia pera cobrir os livros da dita Igreja, e por verdade lhe dei este conhecimento4 per mim asinado, feito a 12 dias de Ja- neiro5 de quinhentos e d... Allonsus — vigairo. (1) Era vigário de Cananor em 22 de Janeiro de 1515. (CC, II,}-42b.) 1 R" ; 2 — a°; 3 — fr*0 ; 4 — conhecim10; 5 — Jan">. 37 4
  • 161 A CIDADE DE COCHIM LOUVA O PADRE SEBASTIÃO PIRES 14 de Janeiro de 1519 Original existente no ANTT: — CC, I, 24-14. Mede 300 X 215 mm. Consta de duas folhas não numeradas. Em bom estado. Os juizes e ofiçiaaes da vosa cidade de Cochim fazemos (i r.i saber a Vosa Alteza que per o desejo que todos teemos de ver nobrecida a dita cidade e poosta em boons custumes onestos e virtuosos1 em todo ho jeerall delia, e em espe- ciall cada huum em sua cassa nas pesoas que a eles tocam, nos movemos fazer esta lembrança a Vosa Alteza. Senhor, Bastiam Pirez 2 sérvio 3 aqui4 de vigairo nesta igreja cinquo annos e, por faleçimento5 do vigairo jeerall, foi eleito no dito carrego e o sérvio 6 ate ora, que veo pro- vido 7 por Vosa Alteza. Elie em todo este tempo8 sérvio9 a dita igreja e foram feitos os ofiçios devinos de feiçam que em nem huum tempo foy tam bem servida10 e aproveitada as cousas delia, e nos emsinou e doutrinou asy a nos como a nosas molhe- res, filhos11 e servidores12, asy bem como compria13 e era posivell o bem fazer em seu cargo, e asy a toda a outra jemte christãa14 que na terra vive, e em seu tempo15 se tornaram muytos christaaos16, o que elle trabalhava muito aquirir e trazer com muyto guosto a nosa Samta Fee, de I — rtuosos ; 2 — pijí ; 3, 6, 9 — «vlo; 4 —a4i 5 — ffaleçim'0; 7— pvido; g, «5 — tpô; 10 — «vida ; 11 — f°*; 12 — «vidores ; i3 — confia ; 14 xpãa ; 16 — xpáaos. 37 5
  • maneyra,' Senhor, que pera meudamente de todas suas boas e virtuosas 17 obras daar conta18 a V. A. seria comprida o que per outras pesoas19 pode saber, porque a toda pesoa20 he manifesto, e por estas rezões e por outras muytas que nos parecem serviço 21 de Deus 22 e de V. A. pedimos por merce nolo mamde por nosso vigairo e cura de nossas con- çiençias // e porque, Senhor, creemos que Vosa Alteza disto perfeitamente 23 ha de ter emformaçam, per o desejo que tem de veer acreçentada a cristandade, e quam neçes- sario pera isso sua estada qua he, avemos por certo nosso peditório. Beijamos as mãaos de Vosa Alteza, a cuja vida e reall estado Nosso Senhor acreçemte a seu serviço 24. De Cochim a 14 de Janeiro de 519. Juiz Antonio Folegado Vereador Afonso Roiz. Vereador Afonso Fernandez (?) Diogo Diaz. Afonso Sousa (?). 17 — rtuosos; 18 — conta; 19, ao — p"; 21, 24 —«viço; 22 — ds; 23 — ffeitam1".
  • 162 CARTA DO BISPO DE DUME A ANTONIO CARNEIRO. (1) 15 de Fevereiro de 1519 Original existente no ANTT: — CC, 1, 24-30. Mede 285 X 200 mm. Consta de duas jôlhas não numeradas. O documento termina na fl. 2r. Em bom estado. Senhor, P r.j Por o Senhor Pero1 de Leemos recebi huma carta de Vosa Merce2, escrita3 a ele, em que Sua Alteza açeitou minha yda nesta viagem da índia, de que, Senhor, em- quanto4 viver nam satisfarey esta merce5. Fiz os aponta- mentos6, como quem desejava servir7 a Deus e a Sua Alteza, os quaes me parece hirem honestos e na forma que Vosa Merce8 diz; e que eu erre nelles remito a prudente discriçam9 de Vosa Merce que os emmende, segundo vir meu desejo de servir10 e asy ho merecer; e quanto he ao que diz que, se pedir cousa justa, fara aribar a 200 mil reis, parece me, Senhor, que os ey de merecer, pois nam levo outro premio11 dos sacramentos12 e mais com toda a mi- (1) A personalidade do Bispo Dumense será discutida, com algum desenvolvimento, no I volume da «História do Padroado Português do Oriente». i — p°; a, 5, 8 — tnce; 3 — esfta; 4 —é^nto; 6 — apoUm1"; 7, 10 — ívjrjg — discçã; 11 — pmjo; ia —saamtos. 377
  • nha família que, pera comer e vistir, nom he segundo a dinidade e, muito mais, honde outro nam foy bispo13. De duas cousas receberey asinada merce14: a primeyra15 que he o que me encarrega Sua Alteza e que ey de fazer e honde; a segunda que premio16 e honde paguo e como. E por que nam discrepe dos apontamentos1T, os quaes Vosa Merce18 tem, he necesario lembrança deles, que nam sey se foram a mão de Vosa Merce19. It. O primeyro 20 que me era necesario, todo hum pon- tifical pera todos sacramentos 21 espiscopaes e boom pera tal terra 22, e asy balsamo pera consagrar 23 os oleos cada ano. It. Que toda a clerizia me obedecese por honde fose e que neles tenha jurdiçam, pera lhe dar castiguo, quando nam viesem, sendo chamados pera algum sacramento 24. It. Que a minha pagua fose certa, e com pena ao capi- tão que me fazese pagar ao tempo 23 determinado26 por Sua Alteza, e asi me dese embarcações graçiosas de hum lugar a outro, quando necesario fose, pera dar os sacra- mentos 27. It. Que o capitão nam entenda com os meos nem os posa apremar a cousa de sua justiça nem sujugar. ti v.) // It. Que Sua Alteza me mande dar huma camara per- tencente28 a dinidade, e alguma boa nao, e asi de comer aos meos da provisam 29 da nao e que posa levar 10 pipas com mantimentos30 de minha pesoa, a saber31, farinha, bizcouto, vinho32, augua e carnes, que nam escuso. It. que me tome por seu e escrito33 em seos livros, pois o sirvo34 e ey de servir 35 enqanto viver. It. De merce38 me dee licença que, acabados tres anos, i3 — bpô; 14, 18, 19, 36 — ffice; i5, 20 — pmey1; 16 —pmjo; 17 — apôtamt0#; 21, 24, 27 — saamtos ; 22 — trrá ; 23 — consagrar; 25 — tpó ; 26 — detríiinado; 28 — ptécéte ; 29 — jnrjsam ; 3o — matim1®*; 3i — S; 32 — v# 5 33 — es£to ; 34 — avo ; 35 —$ vjr. 378
  • me venha sem nenhum outro impedimento e posa trazer37 pera minha pousada hum quintal38 ou quatro39 arrobas40 de especiaria toda, a saber41, canela, pimenta, malagueta, sem dela pagar direito42 nenhum, por ser pouca cousa o que receberey em esmola. De todo Vosa Merce43 pode tirar e aver o que vir ser milhor, que enquanto viver terey este conhecimento44. Mando este moço ao moesteiro45 da Serra com esta carta, pedindo lhe pelo (amor) de Deus46 que o que come- çou acabe, em aver determinaçam 47 de Sua Alteza, se quer que va ou nam, e se quer que va me mande dar algum di- nheiro 48 pera me preceber do necesario, que o tempo49 he breve. E, ante todo, querendo50 Sua Alteza que va e acei- tando meos apontamentos81, que Sua Alteza mande hum criado82 seu ao Senhor Arcebispo83, que se quer servir84 de mim nesta hida, que o aja por bem, que pareça que todo vem de sua Alteza. Nisto receberey asinada merce88, em breve me vir determinaçam 56 pera me aviar do necesario por o tempo87 ser tam pouco, que nam he meo, e isto me causa mandar a Vosa Merce 88 que se ey dir, me perceba89 e, se nam, todo seja silencio. Por via de Pero 60 de Lemos mandey a Vosa Merce61 hum breve serviço62; nam sey se foy la. Aqui63 espero 64 nesta Vila Longa, por ser mais são que a comarqua 68, por recado de Vosa Merce66, e nam o tendo pera logo vir aqui, // o espero67 nesta Vila Longa, em casa de Luis de Ia M Almada, ou venha ao Senhor Pero68 de Leemos, como Vosa Merce 69 que nam ey de sair de seu regimento70 ne- nhuma cousa. E Deus 71 Noso Senhor que he remunerador 37 — tier; 38 — qntal; 39 — 4tr<>'» 4° — a"" 41 — S —; 42 — drt° ; 44 — co- nhecitn"; 45 —moest»; 46—ds; 47 — detinjnaçá; 48 — dr° ; 49, 57 — tpõ ; 5o — 4rendo ; 5t — apôtam"» ; 52 - cádo ; 53 — arcebpó; 54 — ívjr; 43, 55, 58, 6t, 66, 69 — fice ; 56 — detiíijnaçã ; 59 — pceba ; 60, 68 — p" ; 62 — ivjço ; 63 — aq ; 64, 67 .— espo ; 65 — comarq ; 70 — rreglm'" ; 71 — ds. ^7 9
  • de todo bem dee o premio de todo este trabalho 72 a Vosa Merce73, em a qual me encomendo. Feita em Vila Longa a 15 dias de Fevereiro71 1519. Servidor75 de Vosa Merce76 O Bispo77 Dumense78. 71 _ {balho ; 73, 76 — mce; 74 _ f«v'° ; 75 — ivjdor ; 77 — bpò ; 78 — dumens. 38o
  • 163 CARTA DO BISPO DE DUME A ANTONIO CARNEIRO 16 de Fevereiro de 1519 Original existente no ANTT: — CC, I, 24-32. Mede 275 X 195 mm. Uma fôlha escrita dum lado só. Simplificamos sempre mce. Senhor Hontem espedi hum moço com huma carta minha a Vosa Merce, na qual fiz todos apontamentos1 pasados e mais pesame, hoje que sam 16 de Fevereiro 2 recebi huma do Senhor Pero 3 de Leemos, na qual vinha a sentença dou- tra4 de Vosa Merce, em que diz que lhe parece que nam ey dir, segundo vee apontamentos5 novos, e que nam faça fundamento de ordens. Eu nam peço ordeens nem cousa alguma por fazer os ofícios. Somente serey contente8 com 200 mil reis, e da jurdiçam dos clérigos nam a quero 7, pois levo comisam do bispo8 do Funchal pera yso. Segundo Vosa Merce diz, al nam peço, soo tres cousas: que me façaes arribar a 200 mil reis bem pagos cada ano, e me ser dada boa embarca- çam, e que leve 10 pipas com meu mantimento, a saber 9, vizcouto, vinho, augoa, carne, vinagre e outras meudezas, e quando for de hum lugar a outro, me mandem dar embar- cações graciosas, quando necesario for, e no cabo de tres t, 5 — apôtani"» ; 2 — fcvr»; 3 — p°; 4 — douf; G — contéte; 7 — íjro; 8 — Bpo ; 9-S-. 38 i
  • anos que me venha e posa trazer10 de graça11 especial duas ou tres arrobas12 de toda speciaria pera minha casa e ami- gos, se bem parecer a Vosa Merce, e se nam, cale se. It. Hum pontifical he mui necesario, todo ou dinheiro13 pera ele que em breve se fasa na cidade, e asi balsamo qua- tro 14 ou cinco15 gotas pera consagrar16 cada ano os oleos, que o clérigo que la mandou Sua Alteza a crismar17 nom tem oleo mas azeite, com o qual se nam imprime18 nenhuma caracter, e sera necesario tornar a crismar19. De todo o que Vosa Merce vir que me pode aprovei- tar 20, lhe terey em merce fazerme esta esmola, que todos apontamentos 21 leixo em sua discriçam 22, que o que fezer seja feito em especial concedendos23 Sua Alteza, que mande ao arcebispo 24 Sua Alteza que se quer servir25 de mim, que o aja por bem, e o recado disto seja em breve, pera me perceber26 do neçesario, que o tempo27 he breve. Noso Senhor dias28 muitos de vida dee a Vosa Merce, em a qual me encomendo. Feita em Vila Longa a 16 de Fevereiro29 1519- Amigo e servidor30 O Bispo31 Dumense32. lo — tier ; 11 — gça ; 12 — arro,!; l3 — dr°; 14 — qtio ; i5 — cinq°; 16 — con- sagrar ; 17, 19 — ísmar ; 18 — impmc ; 20 — apveitar; 21 — apôtam"" ; 22 — disêcá ; a3 — concedidos; 24 — arcebpò ; 25 — svjr; 26 —fceber; 27 — tpfi ; 28—ds; 29—fevr,i 3o — svjdor; 3i — bpò ; 32 — dumncn. 38a
  • 164 FRANCISCANOS DE GOA 8 de Março de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 154-47. Mede 211 X 670 mm. Rôto quási ao centro. Eu Frey Pero1 de Alanquer, vigairo 2 que ora sou em Sam Francisco 3 desta cidade de Guoa, digo que he verdade que receby do senhor Frrancisco 4 Curvinell quorenta cutu- nias pera avitos e tunicas pera noso vistir de que ell Rey Noso Senhor nos fez esmolla, e por ser segundo dicto te- nho, fiz e asiney este conhecimento a 8 dias de Março de 1519 annos. Frrey Pero8 de Alanquer. i 5 - p°; 2 — vig»; 3, 4 — 383
  • 165 HOSPITAL DE GOA 12 de Março de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 80-116. Mede 315 X 210 mm. Uma fôlha. Em bom estado. Recebeo Diogo1 Fernandez 2, proveador do esprytal, de Francisco3 Curvynell, feitor desta cidade de Guoa, vynte cotonias pera collchoés e cobretores e mays doze pacharys pera lençoés a quall roupa fyca caregada em receita4 sobre elle, dito5 proveador, per mim Francisco6 Barroso, spry- vam do dito 7 quarego. Feito aos 12 dias do mes de Março de 519 anos. Diogo8 Fernandez9 Francisco10 Barroso Lançado 56 10 cotonjas 22 pacharis I, S — d"; a, 9 — frz ; 3, 6, lo — fr™; 4 — Ru ; 5,7 — dcò. 384
  • 166 CAN ANOR 20 de Março de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 80-150. Mede 202 X 288 mm. Uma folha. Recebeo1 Duarte Barbosa feitor nesta fortaleza de Ca- nanor, de Lopallvarez, proveador 2 dos deffuntos na dita fortalleza cento e oytenta e quatro cruzados3 per tres mill e trezentos e doze fanões *, a razão de dezoito fanões 5 por cruzado® da fazenda que se achou per morte de Joham Fernandez criado de Dom prioll7 os quaes cento e oytenta e quatro cruzados8 ficam carregados em receita 9 sobre elle feitor10 por mim Joham Serrão, esprivão 11 da feitoria12 e na receita13 posta verba como ouve este e outro, anbos de huum teor huum pera mandar a seus irdeiros pera por elle averem pagamento como a elrei noso senhor bem pare- cer e outro pera ficar ao dito proveador pera bem de sua conta. Feito em Cananor per mim Joham Serrão e asynado per ambos, oje 20 dias de Março de 519- João14 Sarraom Duarte18 Barbosa. i —R"; 2 — pveador; 3, li, 8 h atdos; 4, 5 — fs; 7 — poli; 9, i3 —Ru; to — flor; II — espvão ; 12 — ft* ; 11 — 1" ; i5 — D". 2Í 3X5
  • 167 GONÇALO COELHO, ERMITÃO DE NOSSA SENHORA DO MONTE Abril de 1519 Documento existente no ANTT: — CC, II, 80-137. Mede 220 X 314 mm. Uma folha. Rota nos cantos, esburacado no centro e algo manchado. Offiçiaes desta feitoria1 de Gooa, por este vos mando que pageis a Gomçallo Coelho, Irmitão de Nossa Senhora do Monte mantimento 2 de homem de armas, por quamto nom hade aver 3 salldo, e mandares a Cochym em arecada- çam pera lhe la ser4 posta verba5 em seu salldo como o nom hade aver6 soomente o mantimento7 que se lhe caa pagua. Feito em Gooa, aos 16 dias de Março de 1519- E o mamtimento que lhe damtes for devydo lhe sera 8 também paguo, e isto servimdo9 de irmitam, por que nom sendo irmitam nom avesa10 nada. Dyogo 11 Lopez de Syqueira12. Recebido Dyoguo Pereira (1) Em esta feitoria13 de Guoa aos 6 dias de Abrill da dita era atras ,as folhas do lyvro 46, de que começou a vemcer (1) Feitor de Cochim. i — fft" ; 2, 7 —mat"; S, 6—da»; 4 — »; 5 — »ba ; 8 —sra; 9 — jvjindo; 10 — ava ; ti — Dy" ; 12 — ayr ; i3 — f™ 386
  • seu mantimento14 dos 15 de Agosto e quatro meses meio 15 ouve em Ruiz da Costa. João16 Lobato. Recebeo Gomçallo Coelho, de Francisco17 Corvinell, feitor18 de Guoa, quatorze cruzados meo que lhe eram de- vidos de seu mantimento 19, de quatorze meses que sérvio 20 até fim de Abrill de 519 dos quaes nam era pago por ser- vir 21 de ermitam de Samta Maria22 do Momte, e per este alvara 23 lhe foy fecto24 conta 25 do dito tempo 26 que lhe foy paguo como dito he e daquy em diente vay nos roes e por verdade lhe fiz este fecto 27 per mim Joam Lobato, es- privam desta feitoria e asinado per ambos aos 19 Abrill de 519. João 28 Lubato Gonçalo 29 Coelho. 14; 19—mlc; i5 — m° ; 16 — y° ; 17—18 — fu>r; » —jvlo; 21—avir; 22 ^ m* ; 23 — alv* ; 24 — fcó ; 25 — conta ; 26 — tpo ; 27 — fcô ; 28 — J* ; 29 — g*. 387
  • Ib8 MESTRE AFONSO, JUIZ DOS ORFAOS 7 de Abril de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, II, Sl-20. Mede 216 X 142 mm. Rasgão no canto esquerdo, e com pequenino buraco no centro. Recebeo1 Mestre Afonço, Juys dos horfaõs, desta cidade de Guoa, quarenta e huum pardaos 2 e quatro fanoes3 de ouro, de Francisco4 Corvinell, feitor5 desta cidade, per sesenta cotonias que elle comprou per el Rey nosso Se- nhor, a razam de 10 fanões6 per verdade7 acinou aqui comiguo. Fecto8 a 7 de Abrill de 519. Arnão de Fonte. Mestre 9 Afonso 10. ,_R«; 2_fdaos{ 3, 6-feés; 4 — tf l 5 — f"r; 7 - rdade ; S-fcõ; 9 — m* ; 10 — a". 388
  • 169 FRANCISCANOS DE GOA 25 de Agosto de 1519 Documento original existente rto ANTT: — CC, II, 158-52. Mede 214 X 120 mm. O documento acba-se roto quási ao meio. Eu Frrey Pero1 de Alanquer, vigairo2 que ora sou em Sam Frrancisco3 desta cidade de Guoa, digo que he ver- dade que reciby do senhor Frrancisco 4 Curvinell feitor, 20 cutonias pera avitos e tunicas e outras necesidades pera esta cumunidade e por ser como tenho dito fiz e asiney este conhecimento ha 25 dias do mes de Agosto de 1519 annos. Frrey Pero5 de Alanquer. t, 5 — p* ; i — vig"; 3, -1 — ffrrc*.
  • 170 HOSPITAL DE GOA 17 de Outubro de 1519 Documento original existente no ANTT:—CC, 11, 85-83 Mede 215 X 155 mm. Apresenta um pequeno buraco e um rasgão. Recebeo Dioguo1 Coelho, comprador do esprytall de Francisco2 Curvynell, feitor dei Rei nosso senhor, cim- quoemta pardaos em leas (1), pera despesa3 do dito4 es- prytall, os quaes ficam quaregados em receita5 sobre elle, dito6 comprador, per mim Francisco7 Barroso espryvam do dito quareguo. Feito aos 17 dias do mes de Oitubro de 1519- Reçibe os em ouro. Diogo8 Coelho Francisco9 Barroso. (1) O «leal» era uma moeda de cobre mandada cunhar no Oriente por Afonso de Albuquerque. I, 8 — d"; 2, 7, 9 — fr" ; 3 — dtsp* ; 4, 6 — dcó ; 5 — R'\ 39O
  • 171 HOSPITAL DE GOA 29 de Outubro de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 85-115. Mede 265 X195 mm. Em bom estado. Recebeu Diogo1 Coelho comprador do esprytall, de Francisco2 Curvynell, feitor dei Rei Nosso Senhor, cin- quoemta pardaos3 em ouro pera despesa 4 do dito 5 espry- tall, os quaes cinquenta pardaos b ficam qarregados em receita7 sobre elle, dito8 comprador, per mim Francisco9 Baroso espryvam do dito quareguo. Feito aos 29 dias do mes de Oitubro de 519 anos. Foram em tamgas. Diogo 10 Coelho Francisco 11 Baroso. \ - d* ; 5, 9, 11 — fr" ; 3. 6 — pd" ; 4 — desp" j 5, 8 — dcó ; 7 — H1"- 3gi
  • 172 FRANCISCANOS DE GOA 3 de Novembro de 1519 Documentos originais existentes no ANTT: — CC, II, 85-127. Mede 213 X 172 mm. Dois documentos juntos. Ambos esburacados no centro. Eu, Frrey Pero1 de Alanquer2, digo ser verdade que receby huma pipa de vinho vermelho do senhor António Coresma que vendeo pera esta casa per portaria3 do se- nhor Francisco4 Curvynell, feitor de elrrey Noso Senhor, ho quall feitor se obrigou a lha pagar e pello amor de Noso Senhor peço que a ora que este conhecimento foor apresentado5 ao dito senhor feitor, que logo lhe pague porque nello receberey muita6 caridade, e por seer como dicto tenho, — a saber7 — eu ser emtregue do ja dicto fiz e asiney este conhecimento ha três dias do mes de Novembro em Sam Francisco8 desta cidade de Guoa, de 1519 annos. Frey Pero9 de Alanquer10. Lançado 11 as folhas 12 55. Diguo eu Antonyo Coresma que he verdade13 que re- ceby do senhor Francisco14 Corvynell, feitor15 de Goa, i» 9 — P° í 2, io — dalanqr ; 3 — fitaria ; 4, 8 — frr*® ; 5 — apsentado ; 6 — m4 ; 7 — S — ; 11 — Ldo ; 12 — fs ; i3 — rdade ; 14 — frr*0 ; i5 — f'«r. 392
  • dezanove cruzados16 pella pipa 17 conteuda18 atras e por verdade19 fiz e asyney este, oje sesta feira 20 25 dias de Novembro 21 de 519. Amtonio22 Coresma. 2." documento. Mede 295 X 215 mm. Eu frey Antonio (1), guardiam 1 de este mosteiro de Sam Francisco, em a cidade de Goa, digo que recebi do fei- tor de Goa, doze pipas de vinho que conprou pera os frades beberem. Fecto2 a cinquo dias de Outubro, era de 1519. Frei Antonio. Rycibi eu Allonso3 Velho, vigairo4 desta cidade de Goa ,de Francisco 8 Corvinell, feitor, huum quarto de vi- nho6 pera as misas e por verdade7 lhe dei este por mim asinado. Feito aos 5 dias de Oytubro8 de 519. Allonso, vigairo9. (1) Frei António do Louro. 16 f- ; 17 — p* ; iS — con:*' ; 19 — i-dade ; 20 — frr»; 21 —n°; 22 —Amt*; 1 — gdiam ; 2 — fecó; 3 —a°; 4 —vig"; 5 — fr®"; 6 — v»; 7 —idade; 8 — oitr»; 9 — vtg1»- 393
  • 173 HOSPITAL DE GOA 10 de Novembro de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 85-167. Mede 207 X 147 mm. Em bom estado. Recebeo Diogo1 Coelho, comprador do esprritall, de Francisco 2 Curvinell, feitor dei Rei nosso senhor, corenta pardaos em ourro pera despesa3 do esprytall, os quaes ficam carregados em receita 4 sobre elle dito J comprrador per mim Francisco6 Barroso, espryvam do esprytall. Feito aos 10 dias do mes de Novembro de 519. Diogo7 Coelho Francisco8 Barrosso (1). (1) Em Outubro de 1513 era escrivão do hospital de Goa. (CC, II, 42-97). r, 7 —d"; a, ti, 8- frf» ; 3-dcsp»; +—R"; 5 —dó. 3 94
  • 174 MISSAS PELO INFANTE D. HENRIQUE Goa, 13 de Novembro de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 85-175. Mede 205 X 278 mm. Uma folha rota e esburacada no centro, sem porém afectar a leitura. Recebeo 1 Afonço Velho, vigário nesta cidade de Goua, de Francisco 2 Corvinell, feitor 3 na dita cidade, dous mill e seiscentos reis que lhe pagou per hum marquo de prata que he ordenado de se pagar pelas missas que se camtam em cada hum ano na se desta cidade pella alma do Infante, como he hordenado per ellRey nosso senhor e por ver- dade 4 que o recebeo 6 deo este ao feitor 6. Feito per my Arnão de Fonte, escrivam desta feitoria e asynado per ambos. Feito7 a 13 dias de Novembro de 519. Allonso, vigairo8 Arnaõ de Fonte. i, 5 —R* j i — tr"; 3, 6 — fM; 4 —rdade; 7 — fcó; 8 — vig».
  • 175 FRANCISCANOS DE GOA 16 de Novembro de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 159-117. Mede 215 X 135 mm. Roto e esburacado. Eu Frrey Pero1 de Alanquer vigairo2 de Sam Frran- cisco3 digo que he verdade que o senhor Francisco4 Cur- vinel feitor que nos manda dar 12 cutunias pera avitos e tunicas pera nosas necesidades e por ser como dicto tenho fiz e asiney este cunhicimento de meu sinall a 16 dias do mes de Novembro de 1519 annos. Frrei Pero® de Alanquer®. i, 5 —p"; J —vig*; 3, 4 —frr*•; 6 —dalanqr. 396
  • 176 HOSPITAL DE GOA 19 de Novembro de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 85-193• Mede 293 X 205 mm. A assinatura de Francisco Barroso acba-se algo esburada. O resto, em bom estado. Recebeo Diogo1 Coelho, comprador do esprytall de Francisco 2 Curvynell, feitor dei Rei Noso Senhor cimqoenta pardaos em ouro pera despesa3 do esprytall os quaes ficam quaregados em receita4 sobre elle dito5 comprador per mim Francisco 6 Barroso espryvam do dito 7 qarego. Feito aos 19 dias do mes de Novembro 8 de 519 annos. Diogo9 Coelho Francisco10 Baroso. I, Ç — d'; 2, 6, io — frr0»; 3 — desp*; 4 — Ku; 5, 7 —dcó; S — n*.
  • 177 FR. LUÍS DA VICTORIA O. P. 30 de Novembro de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 88-162. Mede 217 X 156 mm. Em bom estado, apesar de dois pequenos buracos. Recebeo frey Luis, frade de Sam Domingos, seis mill reis que lhe eram devidos de seu mantimento 1 de quatro meses te fim de Novembro 2 de 519 a rezam de mill e qui- nhentos reis por mes, de cimcoenta reis por dia, per alvara 3 de Afonso 4 de Albuquerque 5, e por verdade lhe dou este fecto 6 per mim o deradeiro 7 do dito 8 mes. Frei Ludovicus de Victorya — Licenciatus9. João10 Lobato. Dous meses deste tempo11 vam lançados12 no pri- meiro13 livro as folhas14 82 — a saber15 — Agosto e Se- tembro 16 de 19. 2_nofc'0; 3 — alv' ; 4 — a"; 5 — dalbuqrquc; 6 — fc6; 7 — Jcradr0 • 8 —dcô; 9 —!•"«; 10 —J*; li— lp6; 12 —Lai>»; i3 — pm" ; 14 — fs; i5 —S — 16 —stbr®. 398
  • 178 HOSPITAL DE GOA 30 de Dezembro de 1519 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 86-145. Mede 120 X 215 mm. Em bom estado apesar de dois pequenos buracos. Recebeo Diogo1 Coelho comprador do esprytall, de Francisco 2 Curvjnell, feitor dei Rei noso senhor, coremta pardaos em leaes pera os doentes do esprytall, os quaes fi- cam caregados em receita3 sobre elle, dito 4 comprador, per mim Francisco 5 Baroso, espryvam do dito 6 careguo. Feito aos 30 dias do mes de Dezembro de 519 anos. Diogo 7 Coelho Francisco 8 Barroso. i, 7— d*; 2, 5, 8— frr** e ffrr**; 3 —1<14; 4, 6— dcõ.
  • 179 HOSPITAL DE CANANOR 1 de Janeiro de 1520 Documento original do ANTT: — CC, II, 86-159. Mede 300 X 210 mm. Uma folha escrita dum lado só. Com um pequeno buraco no centro, e quatro pequenos cortes. Recebeo Lopo Alvarez (l) provedor do espritall1 e defuntos desta fortaleza de Cananor de Antonio 2 de Car- valho feitor por el rei noso senhor dela cimquoenta par- daos em ouro pera despesas e mantymentos dos doentes que estam no esprital, os quaes fyquam caregados em re- ceita sobre o dyto provedor por mim Pamtaliam Barbosa, esprivam do dyto careguo e asynado por anbos ao pry- meyro dia de Janeyro de 1520 anos. Lopo Alvarez3 Pamtaliam Barbosa. Recebeo4 mais ele dyto provedor do dyto feitor quo- renta fanoés5 pera mantymento dos doentes do esprytal, os quaes lhe fycam caregados em reseita per mym Pamta- liom Barbosa escryvam do dyto carego e asynado por anbos a dous dias de Janeiro da dyta era. Lopo Alvarez6 Pamtaliõ Barbosa. (1) Em 7-9-1520 já se encontrava em Cananor, como almoxarife do armazém e mantimentos da fortaleza. (CC, II, 23-105). i — csptal; 2 — dant°; 3 — lopalvz; 4—R*; 5 — f«. 4OO
  • 180 HOSPITAL DE GOA 17 de Janeiro de 1520 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 87-17. Mede 270 X 205 mm. Apresenta um buraco quâsi ao centro que não afecta a leitura. Recebeo Diogo1 Coelho comprador do esprytall, de Francisco2 Corvynell feitor dei Rei Nosso Senhor trymta pardaos em leaes pera despesa3 do esprytall os quaes ficam quaregados em receita4 sobre elle dito5 comprador per mim Francisco6 Baroso espryvam do dito7 quareguo. Feito aos 17 dias do mes de Janeiro8 520 anos. Diogo9 Coelho Francisco10 Barroso. Recebeo mais Diogo11 Coelho comprador do esprytall de Francisco12 Curvynell feitor dei Rei Nosso Senhor, trymta pardaos em leas pera os doentes do esprytall os quaes ficam caregados em receita13 sobre elle dito 14 com- prador per mim Francisco 15 Barroso espryvam do dito16 qare (sic). Feito aos 17 dias do mes de Janeiro17 de mill 520 anos. Diogo18 Coelho Francisco19 Barroso I, 9, n — d"; 2, 6, 10, 12, i5, 19 - f"10» 3 — 4«P* ; 4. i3 —R"; 5, 7, 14, 16 — dcò ; 8, 17 — lanar ; 18 — d'. 40 I
  • ■ 181 HOSPITAL DE GOA 31 de Janeiro de 1520 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 87-82. Mede 200 X 190 mm. Em bom estado. Recebeo Diogo1 Coelho, comprador do esprytall, de Francisco2 Curvynell feitor dei Rey Nosso Senhor cym- quoenta pardaos em leas pera despesa dos doentes do es- prytall os quaes cymquoenta pardaos ficam quaregados em receita3 sobre elle dito4 comprador per mim Francisco® Baroso espryvam do dito6 qare (sic). Feito aos derradeiro7 dia do mes Janeiro de mill 520 anos. Diogo 8 Coelho Francisco9 Barroso. i, 8 —d"; 2, 5, 9-frr"; 3 — R*; 4, 6-dcÔ; 7—drr». 40 2 J
  • 182 HOSPITAL DE GOA 6 de Fevereiro de 1520 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 87-109■ Mede 237 X 207 mm. Uma folha escrita de ambos os lados, com um buraco. Em bom estado. Recebeo Diogo1 Coelho comprador do esprytall de Francisco2 Curbynell, feytor deli Rey Noso Senhor desta cydade de Goa cymcoenta pardaos em lyãs (1) pera des- pesa dos doemtes os quaes fycam emcareguados em reçeyta sobre elle dyto comprador per mym Diogo3 Gonsalvez4 esprivam do dito carguo. Feyto ogee a 6 dias do mes de Fevereiro de 1520 anos. Diogo5 Coelho Diogo6 Gonsalvez T. //De mym provedor Day estes 50 pardaos 8 ao comprador e vos daraj conhe- cimento9 conforme Hos quaes 50 pardaos em lyãs reçebeo Diogo 10 Coelho comprador de Duarte Pireyra provyador dos defuntos. Diogo11 Coelho Diogo12 Gonçalvez. (1) leais. I. 3. 5. 6. 13. II. I* -d»; j—frr"»; 4. 7 — g"*; 8 —p.
  • 183 OBRAS NO CONVENTO DE S. FRANCISCO DE GOA 12 de Fevereiro de 1520 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 87-134- Mede 219 X 313 mm. Em bom estado. Feitor1 Francisco2 Corvynell, mando vos que os myll e quinhentos3 pardaos que recebestes do ouvidor, os en- treguees a Pero 4 Cerveyra porvedor 5 e recebedor das obras de Sam Francisco 6 desta cidade, e per este com seu conhe- cimento7, feyto pelo stprivam8 de seu careguo em que decrare como o de vos recebe, e ficam sobre ele caregados 9 em recepta, vos seram levados em despesa10. Feyto em Goa a 12 de Fevereiro11 de 1520 — myll qui- nhentos 12 e trinta13 pardaos sam os que aves de entregar14 ao dito Pero15 Cerveira18. Dyogo17 Lopez do Syqueira18. Conheçeo e confesou Pero19 Cerveyra20 porvador21 e recebedor das hobras desta cidade de Guoa de Francisco 22 Corvynel, feitor dela mill e quynhentos e trynta pardaos em tanguas, de çinquo tanguas pardao em que entaram ( ?) dezoyto em esperas de quynze vyntes pardao, os quaes lhe I—fP"; 2, 6 — fr"; 3, 12 — qnhítos ; 4, i5, 19 — p" ; 5 — pvedor; 7 — c" ; 8 — stpvã ; 9 — caregd°'; 10 — desp* ; 11 — ffv°; i3 — tríita ; 14 — étgar; 16, 20 — cerv™ ; 17 — D°; 18 — syr* ; 21 — pvador ; 22 — fr". 404 J
  • ficam lançados em receita sobre ho dito Pero 23 Cerveyra per mim Pero24 Fernandez25, esprivam 28 de seu careguo, aos quynze dias do mes de fevereyro de mill e quinhentos e vynte. Pero27 Cerveira28 Pero29 Fernandes. 23, 24, 27, 29—p'; 25 —frra; 26 — e-pvá; 28 — cervn. 40S
  • 184 HOSPITAL DE GOA 29 de Fevereiro de 1520. Documento original existente no ANTT: — CC, II, 87-184. Mede 315 X 190 mm. Em bom estado. Com um pequeno buraco e dois rasgões. Recebeo Diogo1 Coelho .comprador do spritall2 de Francisco3 Curbynel, feytor de Goa, per Francisco4 Ry- beyro, cryado de Pero5 da Syllva, cento e oytenta e sete quanadas e dous quartylhos e meo de vynho, pera os doen- tes do dito esprytall, o quall vynho recebeo. de sete dias de Janeyro de 520, ate dezaseys de Fevereiro6 da dita era, as quas çento e oytenta e sete quanadas e dous quartylhos e meo de vynho lhe ficam quaregadas em reçeyta sobre o dito Diogo7 Coelho, por mim Diogo8 Gonçalvez9, espry- vam do dito spritall10; e por verdade lhe dey este feyto per mim e asynado per anbos, oje deradeyro de Fevereiro11 da dita era. Diogo 12 Coelho Diogo13 Gonçalvez14 I, 7, 8, IS, i3 — d°; s, 10 — esptall; 3, 4 — fr"; 5 — p°; 6, 11 — t" ; 9. 14 — glls ; i3 - d". 406
  • 185 JOÃO FERNANDES, CATIVO EM DABUL 7 de Março de 1520 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 88-33. Mede 213 X 308. Uma folha em bom estado. Senhor João1 Fernandez 2, faço saber a vosa merce que eu fuy cativo em Dabul, no Zambuco em que hia Fernam Men- dez com fazenda 3 del rey e porque qua veyo nova que era morto essa pouca fazenda4 minha que se qua achou foy entregue ao feytor per emprestemo e diso nam foy arrece- bimento nem arrecadaçam a Portugual, pelo qual beijarey maõs de vossa merce mandar ma tornar porque quero com ela guanhar minha vida, em que me fara merce. // Mamdo a Lopo Allvarez proveador que faça certo com t* I a fé do esprivam8 de seu cargo ao pee deste como este denheiro comteudo nesta petyçam ho nam mamdou pera Purtuguall em nenhuma arrecadaçam por tall que ell rey noso senhor nom pague este dinheiro duas vezes. Dom Ayres da Guarna. Senhor Estes sentos e oytenta e quatro cruzados da fazenda de Jam Fernandez6 que entregei a feitoria nom forom pera i — J° ; 2, G — frz; 3, 4 — fazd"; 5 — espvã. 401
  • Purtugall porque quando soube que era vyvo e catyvo nom mandei arecadaçam e agora dei huma das recadaçoes a Jam Fernandez7 e a outra fyca em minha maõ e porque he verdade8 asinamos aquy ambos, o provedor e eu, Panta- lyam Barbosa, escrivam de seu carego. Feito aos 7 dias de Março de 1520 anos. Lopalvarez Pantaliom Barbosa. 7 — frí; 8 —1'dade.
  • 186 FR. LUIS DA VICTORIA O. P. 18 de Abril de 1520 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 88-163. Mede 204 X 284 mm. Em bom estado, apesar de dois pequenos buracos. Recebeo frey Luis, frade de Sam Domingos, de Fran- cisco 1 Corvinell, feitor 2 de Guoa, seis mill reis que lhe o dito3 feitor4 pagou por lhe serem devidos de seu manti- mento 5 de quatro 6 meses te fim de Março de 520 a rezam de mill e quinhentos reis por mes per alvara7 dei Rei e por verdade de como recebeo 8 o dito9 dinheiro10, lhe dou este fecto11 per mim Joam Lobato, esprivam da dieta12 feito- ria, e asynado per ambos a 18 de Abrill de 520, o quall dinheiro13 recebeo per dezoito pardaos14 dozentos e corenta reis a rezam de 320 reis pardaos15. Frei Ludovicus de Victoria — Licenciatus1S. João 17 Lobato i — fr™; 2, 4 — f-»; 3, 9, 12 — dcó e deã; 5 — m'*; 6 — q«®; 7 — alv" ; 8 — R°; 10 — dr° ; li — fc6 ; 14. 15 — p'" ; 16 — L'.w; 17 -'. 40 9
  • 187 D. RODRIGO DE LIMA 25 de Maio de 1520 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 89-143. Mede 223 X 186 mm. Em bom estado, apesar dum pequenino buraco no centro. Dom Rodriguo de Lymaa embaxador etc per este vos mamdo a vos Joham Goncalvez feitor3 da embaxada que des symquo cotoniaas e huma teadaa — a saber4 — huma cotonia ao byspo de Bysam, e quatro pera carneiros e ca- brytos pera os doemtes e hasy huma teada pera galynhas e per este com asemto do sprivam5 da embaxada nos sera levado em comtaa, feyto oje 25 dias de Mayo de 520 annos. de cotonias e de teadas 4 peças1 1 peça2 folhas 6 Dom Rodrigo6 de Lyma. i, a — p; 3 — f'CT; 4 — S —; 5 — espvam ; 6 — R°. 410
  • 188 IGREJA DE CANANOR 16 de Novembro de 1520 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 92-199- Mede 224 X 314 mm. Uma jôlha em bom estado. Afonso1 Fernandez2 vygayro da igreja de Quananor, dygo que receby de Antonio de Carvalho, feytor delrrey noso senhor na dita fortaleza, quatro livros grandes3 de forma — a saber 4 — hum domingal e hum sanctal e hum antifonayro de cantocham, hum bribiayro grande, os quaes livros el rey noso senhor mandou pera serviço da igreja da dita fortaleza, todos quatro enquadernados e de marqua maior; e por asy ser verdade que fuy entregue dos ditos livros lhe dey este meu asynado, feyto em Cananor aos 16 de Novembro de 1520. Alfonsus Ferdynandy. I —A •; j — ffrrí; 3 — gndes ; 4 — S —. 41 I I
  • 189 COCHIM 27 de Novembro de 1520 Documento -original existente no ANTT: — CC, II, 92-133- Mede 221 X 318 mm. Uma fôlha em bom estado. Feitor de Cananor, o Vedor da Fazenda, vos mamdo que deis ao padre Frey Amtonio1, guordiam nestas partes, vymte pardaos em ouro pera comprimento de coremta e seis pardaos, de que se comprou hum parao pera serviço da cassa de Sam Francisco 2 de Goa, que das esmollas do dito mosteiro3 já sam pagos os vimte seis e destes ditos vimte lhe faz el rey noso senhor esmolla, o quall parao hera caregado em receita sobre Pero4 Cerveira®, veador da obra do dito mosteiro 6, e do dito padre cobray conhe- cimento7 pera vosa comta; e per este com ho dito conhe- cimento8 e asemto de vosos esprivães9 vos sera levado em comta. Feito em Cochim a 27 de Novembro de 1520. Ho doctor Pero10 Nunez. Receby mais do feytor Antonio de Carvalho oyto par- daos em ouro pera huma allmadia — Frei Antonio. I —amt»; 2 — frr1"; 3, 6 —most"; 4, 10 — p°; 5 — cerv"; 7, 8 —cto; 9 — es£vies. 41 2
  • 190 PERO DE ALMEIDA, VIGÁRIO DE CANANOR 31 de Dezembro de 1520 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 93-58. Mede 223 X 318 mm. Uma jôlha em bom estado. Recebeo1 Pero 2 de Almeida vigayro que foy de Cana- nor do feitor3 Antonio4 de Carvalho, cemto e quatro fanões5 que se montaram na valya de hum marco de prata com que foy paguo das misas do Infante Dom Amryque 6, que camtou nesta fortaleza de Cananor ho ano de 1520, e por verdade7 assynou aquy comiguo Duarte8 Barbosa, escrivão da feytoria, o derradeyro de Dezembro de 1520. Pero9 de Almeida Duarte10 Barbosa. E asy recebeo11 mais o dicto12 Pero 13 de Almeida o do ano de 1519 de que ja tynha dado conhecimento que o feitor14 diz que perdeo15 e se parecer nam valera mais de hum do dicto16 ano de 1519, por que huma vez lhe foy pago e mais nam porque asy esta no lyvro. Pero 17 de Allmeida Duarte18 Barbossa. i, li — R»; 2, 9, i3 17—P"; 3, 14-fWr; 4 —Ani"; 5 — fs ; 6 - amry4; 7 — vdade; 8, lo, 18 —D»; 12, 16—dcó; l5—fdeo. 41 3
  • 191 ORDEM DE EL-REI SOBRE A CRISTANDADE DE CEILÃO 5 de Março de 1521 Documento original existente no ANTT: — CC, I, 26-131 • Mede 220 X 294 mm. Em bom estado. Boa caligrafia. Com um pequeno rasgão na parte superior da 2.a folha. li r.i // Capitam, nos el Rey vos emviamos muito saudar; muito vos emcomendamos que vos trabalhees por que se torne muita gemte da tera christãos1 e reçebam agoa do samto bautismo, e pera yso os provoques por vos e pellas pesoas que virdes que nyso posam aproveytar, porque nom nos podes em nenhuma cousa milhor servir. It. Que aqueles que se converterem sejam honrados, favoreçidos e bem trautados, porque nom somente2 vejam que por yso he asy feito pera que seja azo de outros se converterem 3. It. Que hos menynos christãos4 sejam emsynados e bem doutrinados nas cousas da fee e que ho vigairo 5 e reçoey- ros tenham dyso tall cuidado como devem por seus ofiçios e espreve nos 6 os que ho bem fazem, por que folgaremos de lhe fazer merçe por yso. As esmollas que mamdamos fazer aos christãos ' pro- ves da tera requererdes ao noso capitam moor e veador da fazemda que se faça como temos hordenado e mandado. 4t 7 _ xpaSs; i — som»; 3 - converterem ; 5 — vigr»; 6 — espvenos. 41 4
  • Que ho serviço das Igrejas seja feyto com toda devo- çam e as ditas Igrejas sejam lympas e os alltares bem or- namentados e alomeados em seus tempos. // Hos vigairos e reçoeiros sejam de vos homrados, favo- [i v.] reçidos e bem trautados como he rezam que se lhe faça, e asy todas as outras pesoas eclesyasticas, por que asy ave- remos prazer8 que lhe seja feito, e trabalhardes com eles como vivam em onestidade e bom exempro de vida. E se nyso neles ouver allgum desfalecymento 9 e também no que toca as obrigações do servyço da Igreja, requererdes ao Vi- gairo que ho ememde e corega; e nom o coregemdo ele, avysareys diso ao capitam moor pera com ho vigairo10 gerall o fazer ememdar e coreger por vertude do poder que pera yso lhe tem mamdado o bispo 11 do Fumchall. O provimento12 do estpritall13, se hy o ouver, prover- des e olhardes que amde em todo bom conçerto e lympeza; e dos emfermos serem bem providos e curados vos emco- mendamos que tenhaes gramde e espyçiall cuidado. Muito vos emcomendamos ho bom recado das fazen- das 14 dos finados, de se fazerem seus emvemtayros com toda fielldade, e nyso se guardar todo o que temos mam- dado por nosos regimentos porque alem de nyso comprir- des com a obrigaçam que temdes por bem de voso careguo nos fares nyso muyto serviço. De todas estas cousas estprevemos15 em cada armada aos capitães das fortalezas que tomeis gramde e espiciall cuy // dado por serem de calidaade em que nos podem (2 v.i muito servyr, e de que receberemos muyto contemtamento serem feitas e aguora asy ouvemos por bem nesta armada 8 — fizer; 9 — desfaleeym"; 10 — vigra; 11 — bpô; 12 — provim'*; i3 —stplall; 14 - fazd" ; i5 — stpvemos. 41 5
  • o fazer, e vos emcomendamos que de todos tomes muyto e especiall cuidado, e nos sirvaes nyso bem, como de vos esperamos, e por esta armada e por todos nos esprevee16 sempre, e como todas estas cousas estam, e o que nelas he feito e se faz, damdo nos de todo largamente17 conta, e muito vollo agradeçeremos. Stprita18 em Lixboa a 5 dias de Março, Francisco19 Pirez20 a fez de 1521. Rey Pera o capitam de Ceilão, das lembranças geraes. i 16 — esfvee; 17 — largam •• ; 18 stpta; 19 - fr®0; 20 — píz. 416
  • 192 CANANOR 23 de Abril de 1521 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 95-13. Mede 217 X 312 mm. Duas folhas em bom estado. Recebeo 1 Pero 2 Barreto, feitor3 dei Rey noso senhor l1 r-l em Cananor, de Amtonio 4 de Carvalho, outrosy feitor6 de Calecud, huum syno gramde de fruslera (l) que em Cananor serve6 na egreja e das vegias, e hum almofariz gramde de metal com sua maõ de ferro e huma caldeyra grande ma- labar de cobre de refinar o salytre e huum candieyro gramde de metal e huma alampada pequena7 de metal, e duas balamças de pão, grandes guarnecidas de ferro, com suas conchas de pao, e huma arca com sua fechadura, as quaes cousas ficam carregadas em receita 8 sobre ele dicto 9 feitor10, e na receita11 posta verba12 como foy pasado este ao dicto13 Antonio14 de Carvalho pera bem de sua conta. Fecto15 em Cananor por mim Duarte16 Barbosa que lhas carreguei em receita17 a 23 de Abril de 1521. Pero18 Barreto19 Duarte20 Barbosa. (1) Ou fusileira, termo antigo a significar fundição. I — R° ; 2, 18 — p* ; 3, 5, io — Por; 4 —damt0; 6 — ave; 7-pefra; 8, n, 17 — R* ; 9. '3 — déo; 12 —vba; 14 — ant°; i5 — fcô; 16, 20 — D»; 19 — baru. 27 4'7
  • 193 HOSPITAL DE COCHIM 30 de Abril de 1521 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 95-165. Mede 310 X 220 mm. Em bom estado, apesar de alguns pequenos buracos. Caligrafia muito pessoal. Recebeo Bernaldo Velho, provedor do esprytall de Quoxhim, de Lourenço1 Moreno, feitor dei rei Nosso Se- nhor, dez cruzados 2 pera soprimento3 dos doentes que es- tam no espritall \ Porque he verdade que os eu receby do dito feitor lhe foi dado este conhecimento 8, feito per mim João6 Afonso7 que ora tenha carguo de seu esprivam8 que lhos ditos dez cruzados9 careguei em receita. Feito em Quoxhim aos 30 dias do mes de Abrill de 521 anos. Bernaldo Velho João 10 Afonso11 Malheiro l-Lto; 2, 9- tzáM; 3 — «opm'«; 4-e»ptal; 5-d»; 6, 7. II — »*; 8— cspvã.
  • 194 CARTILHAS E FLOS SANCTORUM 2 de Novembro de 1521 Documento original existente no ANTT: — CC, 111, 7-120. Mede 210 X 290 mm. 2 folhas não numeradas. Em bom estado. Com um pequeno buraco no centro. Dom Duarte1 de Menezes 2 (l), do conselho dei Rey I1 *•! noso senhor, capitam gerall e governador3 das Imdias, capitão e governador4 da cydade de Tamgere etc. mamdo a vos doutor Pero 5 Nunez6 (2) do desembarguo do dito senhor e vedor 7 da sua fazemda 8 nesta ditas partes 9, que mandes entregar ao feitor10 de Goa cymquenta11 carty- lhas e cimquo Fros Samtorum e quatro avamjeliorum pera os ele la dar a moços e orffaaõs pera por elles apremde- rem a ler, os quaes lhe vos daquy envyares por João12 Roiz, (3) que ora vay, pera imsynar os filhos13 dos mora- dores 14 da dita cydade e asy os orffaaõs que nella ouver, pera os quaes saom as ditas cartylhas e libros o quall João15 Roiz deixara seu conhecimento16 de como aquy os recebe e se obrygar a envyar outro do dito feitor emforma pera (1) Quinto governador da índia, sucessor de Diogo Lopes de Sequeira. (2) Viera do reino em 1519. (Correia, Lendas da índia, II, 574). (3) Em 22-1-1513 há menção de um João Roiz receber um pano para S. Sebastião. (CC, II, 37-259d). I_dr»; a —més; 3, 4 —gw; 5 —p°; 6 —nucz; 7 — vfor; 8 — ffaz"1"; 9 —ptes; 10 — fwr ; 11 — cvmqcta ; 12, i5 — 1" ; i3 — ff"" ; 14 — m«»; 16 — c'«, 4i 9
  • por elle com este serem17 levados em conta18 ao offyciall que os aqui tem ,sendo sobre elle carregados em receita19. Feito em Cochym aos 2 dias de Novembro20, o secre- tario21 o fez de 1521 anos. Dom Duarte de Meneses22. Ao vedor23 da fazenda 24 que envye ao feitor 25 de Goa estas cartylhas e livros pera as meninas e orfaaõs aprende- [i v.) rem a ler // Cartylhas 200 Fros santorum 26 5 Livros de rezar 34 Lançados fs. 255 — 3." Recebeo27 Joham Roiz do feitor28 Lançarote Froez duzentas cartinhas encadernadas e cimquo Fros Santorus e trinta e quatro livros de rezar encadernados em lingajem os quaêes recebeo29 pera emsinar os moços desta cidade de que tem cargo pera os emsinar e por verdade30 asynou aquy oje 29 dias de Dezembro31 de 521. João32 Roiz Baltesar Jorje (?). Fazer hum mandado33 pera Duarte 34 Felix 35 (?) car- regar a este homem duzentas cartilhas pera se carregarem êm Goa ao feitor 36 o quall os resebera37 de este dito [2 v.[ //Os quaeslyvrosme amdeser entreguespellofeytor de Goa pera o ensyno dos moços filhos38 de portugeses de 17 — srem ; 18 — conta; 19 — R'«; 20 — n"; 21 — sacretrie; 22 — mes; 23 — ▼<«*; 24 — faz"1" ; 25 — santorum ; 27, 29 — R° ; 25, 28 — ff*0'; 3o — rdade ; 3i — dz»; 32 — J° ; 33 — m'« ; 4 — dr'«; 5 Fix ; 36 - ft"; 37 — Rs»; 38 — ff". 42 0
  • Goa e asy pera os orffãos da dita cidade e tamto que me forem emtreges ey de mamdar o conhecimento 89 ao feytor de Cochy pera lhe serem deytados em despesa40 etc. Lembramça pera Goa. 3ç — c" ; 40 — desp*. 42 1
  • 195 VINHO E AZEITE PARA OS FRANCISCANOS DE COCHIM 6 de Novembro de 1521. Documento 'original existente no ANTT: — CC, II, 98-115. M.ede 220 X 306 mm. O documento acha-se algo manchado e tem um pequeno buraco. Vinho — 6 pipas1 Azeite — 1 quarto 2 Lançada no livro folhas 3 livro primeiro. Feytor que ora soees da cidade de Goa, veador da fa- zemda, vos mamdo que compreis seis pipas de vinho3 e huum coarto de azeite pera os padres deste moesteyro de Samto Amtonio4. E isto por ser emformado valerem la menos que nesta cidade, o quall entregareis ao vygayro de Sam Francisco 5 desa cidade pera o elle mamdar pera qua, do quall cobrares seu conhecimento 6; e per este com o dito conhecimento 7 e asemto dos estprivaês 8 do noso cargo vos sera levado em comta. Feito em Cochim, a 6 dias de Novembro 9 de 1521 — ao padre vigairo10 de Sam Francisco11 se haõ de entregar. — ho doctor Pero11 Nunez (?). Recebeo12 frey Pero13, vyguairo de Sam Francisco14 I —p**; 2 — 4rt° i 3 —v°; 4 — somtamt" ; 5 — ft"; 6, 7 —c»; 8 — espvães; 9 — nov"; 10 —vig"; II, i3 —p°; 12 — R°; 14 —fr"". 42 2
  • desta cidade, do feitor15 Lançarote Froez, seis pipas de vy- nho e hum quarto16 de azeite per este mandado acima con- teúdo e por verdade17 lhe dou este per mim feito, João18 Godinho, esprivão19 desta feitoria e asynado per anhos oje 24 dias do mes de Julho de 522. Frey Pero20 de Alanquer 21 João 22 Godinho. // Recebido (?)—Amtonio da Fonseca. (r-l pagou o feitor per estas pipas dos cento e oytenta cruza- zados de vinte does a trinta cruzados pipa, e noventa e tres pardaos em tangas, e tres tangas pello quarto do azeite. i5 — f»'; :6 — 4'°> 17 —'8, 22 — J°; 19 —espvão; 21— dalanqr.
  • 196 PAZES COM COULAO 17 de Novembro de 1520 Documento original existente no ANTT: Tombo do Estado da Índia, (l) 138 r.) Item. Primeiramente1 que a renda das igrejas se torne a elas, como era antes que aquy viesem os christaaos 2. [38 v.] u Item. Que os christaaos 3 sejão favorecidos da raynha e pulas (2), como estaa asentado na capitolação da paaz que se fez com Lopo Soarez, e que lhes dem aqui junto com esta fortaleza luguar em que fação seu asento, e estem a sua vontade; e que os gentios que se quiserem4 fazer cristãos, que lhe não ponhão niso nenhum pejo; e se qui- serem os cristãos estar em outra parte, que os deixem estaar onde quiserem. Item. Que todo o português que tratar daquy lhe pague seus direitos 8 como em Cochim. (1) Publicado em «Alguns Documentos do Archivo Nacional da Torre do Tombo», pp. 447.448. Publicado igualmente em «Tombo do Estado da índia» por Rodrigo José de Lima Felner, pp. 35-36. (2) Governadores ou nobres do reino. I — primr«mente; 2, 3 — xpaãos ; 4 — qssercm ; 5 — dr<««. 424
  • Item. Não lhe cortarão palmeiras, nem lhe matarão va- quas6, nem farão briguas os Portugueses com os da terra, nem menos os da terra com os Portugueses. Item. Se os da terra fizerem alguma brigua, e o tomar o capitão da fortaleza, entregualo ha a rainha e ela os cas- tiguara. Item. Se os Portugueses fizerem iso mesmo brigua com os da terra e forem la tomados, entregualos ha ao capitão desta fortaleza pera os castiguar. 6 — vaq". 4^5
  • 197 FRANCISCANOS DE GOA 11 de Fevereiro de 1521 Documento original existente no ANTT: — CC, II, 100-7. Mede 225 X 125 mm. Documento cortado. Eu, Frrey Pero1 de Alanquer2, digo que he verdade que reciby do feitor Frrancisco3 Curvinell quorenta coto- nias de marca maior pera avitos e tunicas pera nosas ne- cesidades e por ser verdade fiz asiney este conhecimento, feito a 11 dias de Fevereiro de 1521 annos. Frrei Pero4 de Alanquer5. '> 4 — P°; ». 5 — dalanqr; 3 — ffrr". 42 6
  • 198 FR. LUIS DA VICTORIA O. P. 30 de Setembro de 1521 Documento original existente no ANTT: — CC, 11, 88-161. Mede 207 X 280 mm. Em bom estado, apesar dum pequenino buraco no centro. Recebeo1 ho leycemciado padre frey Luys, de Francisco 2 Corvinell feitor3, nouve mill reis de seo mantimento4 de seis messes desne lo primeiro5 de Avrill ate fim de Se- tembro de 521 (?) a resam de mill e quinhentos reis por mes e por verdade6 asinou aquy feito no dito dia e hera. Arnão de Fonte. Frei Ludovicus de Victoria — Licenciatus 7. I — R"; J — ffr»; 3 — f«"; 4 —m"; 5 — pm">; 6 —idade. 427
  • 199 (l r.] ORNAMENTOS DA SÉ DE GOA 2 de Dezembro de 1521 Documento existente no ANTT: — CC, 11, 98-175 Mede 310 X 220 mm. Quatro fôlhas não numeradas. Com um pequeno buraco quási no centro. Em bom estado. Simplificamos «p» = peça e peças. Roll das cousas da igreja Santa Caterina que Afonso1 Velho, vjgairo desta cidade de Guoa (l), recebeo de Lão- carote Froez (2), feitor 2 dei rey noso senhor, de Francisco 8 Corvynhell. (Lançados folhas 255/3.°). It. Quatro caliz de prata brancos, com suas petanas. 4 p. It. Huma vystimenta4 de viludo roxo, com hum sa- bastro (3) de viludo preto5, franjada de seda verde6 e branca 1 peça. (Ã margem: despesa7 e gastada). It. Outra8 vystimenta9 de chamalote (4) alionado (5), com huum savastro de chamalote roxo, franjado de ver- melho 10 e branco 1 peça. (1) Era vigário de Goa já em 12 de Janeiro de 1519 (CC, 11, 79-83). (2) Feitor de Cochim. (3) «Sabastro», «Savastro» «Sebasto»: — tira de outra cor nas vesti, duras, sobretudo nas casulas. (4) Tecido de lã ou de seda. (5) Isto é, da cor da pele do leão, fulvo, amarelado. i —a"; 2 —ft*; 3 — fi*» ; 4, 9 — vystim" ; 5—pto; 6 — vie; 7 — desp"; 8 —out"; 10- wnelho. 428
  • (A margem: despesa11 e gastada). It. Outra vystimenta12 de damasco vermelho13, com hum savastro de vyludo verde14, franjado de vermelho15 e branquo, com seus ornamentos16 1 peça. (Ã margem: e guastada). It. Outra vystimenta17 de veludo preto18, com hum sa- vastro de borcado minhoto, cramisy, comprida19 1 peça. (Â margem: sy, e gastada e o savastro esta em outra vystimenta) 20. It. Outra vistimenta21 de cetym branco, com hum sa- vastro de viludo preto 22 comprida 23 1 peça. (Ã margem: e guastada). It. Outra vistimenta24, de cotonia, de seda azull, com savastro de cotonia branca 1 peça. (Ã margem: e gastada). It. Dez pedras de ara 10 peças. Non ha mais que quatro, por que as outra pedras fo- rão pera outras fortalezas 4 peças. // It. Hum pario (1), de borcado da tera, e outro de coto- O v.| nia branca, franjada de vermelho 25 e branco ... 2 peças. (A margem: o palleo de borcado da terra esta aqui, e antigo e despeso. Sy. It. Huma capa de damasco roxo com savastro e capello de viludo azull 1 peça. (A margem: e gasto e se fez delia hum pano pera se botar sobre os deffuntos. It. Outra capa de damasco pardilho (2), com hum sa- vastro de vyludo alyonado 1 peça. (1) Isto é, pálio. (2) Ou seja, tirante a pardo. i3, i5 — rmelho ; n —desp*; 12, 17 — vystim"; 14 —*de; 16 — ornam'»; 18 — pto; 19, 23 —cópda; 20, 21, 24 — vystim" ; 22— pto ; 25 — wnelho. 42 9
  • It. Outra capa, a metade de cetym e outra metade de damasco azull, com savastro de vyludo alyonado 1 peça. (A margem: gastada). It. Outra vystimenta26 de vyludo roxo, a metade azull com savastro de vyludo roxo avylutadoa compri- da 27 1 peça. (A margem: Despeso e gastado). It. Hum frontall de damasco verde28 e branco, com sua franja branca e vermelha 29 1 peça. (A margem: guastado). It. Outro frontall de damasco encarnado, com sua franja branca e vermelha30 1 peça. (A margem: gastado). It. Outro frontall de borcadilho da terra ... 1 peça. (A margem: gastado). It. Duas toalhas franceses, de Portuguall ... 2 peças. (A margem: gastado). It. Huma toalha bastante franjada de branco e verme- lho31 1 peça. (A margem: gastado). It. Dous panos brancos de algodão 2 peças. (A margem: gastado). It. Huma alva velha 1 peça. It. Hum misall grande romão, de forma (l) 1 peça. (A margem: sy). It. Dous misaes de porguaminho, de pena (2) 2 peças. (A margem: gastado). It. Hum misall pequeno, de forma 1 peça. (1) Impressos. (2) Manuscritos. 26 — vjstim'»; 27 - cópda; 2S — rde; 29, 3o, 3l — vmelho. 43 O
  • (A margem: sy). It. Huma cruz de prata lavrada de corpo e o pee branco 1 peça. (A margem: sy). It. Humas coredyças de beatilha e listradas 1 peça. (A margem: gastadas). It. Seis castiçães de latam 6 peças. (Ã margem: sy). It. Sete gualhetas de estanho 7 peças. (A margem: sy). It. Quatro campaynhas de latam 4 peças. (A margem: nom ha senão huma). It. Hum tribollo (1) de latam 1 peça. (A margem: sy). It. Duas obradeiras (2) 2 peças. (A margem: nom ha senão huma). It. Quatro bacias de alampadas 4 peças. (A margem: huma so). It. Tres bacias de serviço da igreja 3 peças. (A margem: huma). It. Huma caldeira de agoa benta ...; 1 peça. (A margem: sy). It. Huma alcatifa velha 1 peça. (A margem: não na ha). It. Duas capinhas de corporaes 2 peças. (A margem: gastadas). It. Hum livro 32 grande 33 de canto 1 peça. (A margem: levousse pera Chaull). It. Huma caxa de tre oliom 34 i peça. (1) Turíbulo. (2) Ferros para fazer hóstias. 32 —livro; 33 - gde; 34 —Deve ser «caxa de ter olio». 43 J
  • (A margem: sy). It. Duas caxas em que estam estes ornamentos 2 peças. (A margem: sy). It. Huma campainha que serve de syno 1 peça. (Ã margem: sy). It. Huma bacia grande de bautizar 1 peça. (À margem: sy). It. Hum frontall de damasco verde38, forado de bo- casym (1) 1 peça. (A margem: gastado). It. Huma capa de damasco verde36 com savastro de vi- ludo preto37 e dianteiras comprida38, forada de berta- gyns (2) vermelhos39 1 peça. (A margem: sy). It. Huma vistimenta 40 de damasco azull com savastro de veludo preto41, forada de bertangyns e duas allmate- guas (3) do mesmo teor, com suas alvas 3 peças. (A margem: sy). It. Huma costodia de prata 1 peça. (A margem: sy). It. Quatro retavolos de Santa Catarina42 ... 4 peças. (A margem: sy). It. Hum caliz branco que pesa hum marco e sete on- ças e sete oytavas 1 peça. (A margem: sy). It. Hum misall romão 1 peça. (A margem: velho). It. Hum catacismo 1 peça. (1) Ou «bocassi»: Antigo tecido de algodão de qualidade semelhante ao fustão e que servia para forrar trabalhos de tapeçaria, divisórias de cortinados etc. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira) (2) Tecido de algodão. (3) Dalmáticas. 35, 36 —vde; 37, 41—pto; 38 — côpda; 39 —vmelhos; 40—vistim'"; 42 — c«». 43 2
  • lho46 (A margem: gastado). It. Dous frontaes de seda branca e verde43 2 peças. (À margem: gastado). It. Duas vistimentas44 com suas alvas acabadas de seda verde45 e branca 2 peças. (Ã margem: gastada). It. Tres alvas 3 peças. (A margem: sy). It. Humas cortinas de çatym branco e verme- 2 peças. (A margem: gastadas). It. Hum pontificall de damasco de Malaca azull e branco 1 peça. (A margem: sy). It. Duas capas de damasco de Malaca, com seu savas- tro vermelho 4' e elas sam brancas 2 peças. (vi margem: sy). // It. Huma vistimenta vermelha48 de çatim com savas- I3 r-l tro de damasco branco 1 peça. (A margem: sy). It. Hum syno que se fez de hum velho que pesa seis arobas 1 P^a- (A margem: sy). It. Huma imagem de Santa Catarina49 dourada, com suas pymturas 1 (A margem: sy). As quaes vistimentas, calez e cruz e outras cousas acima nomeadas recebeo ho dito Afonso50 Velho, vigairo, de Lan- çarote Froes, feitor por Francisco 51 Corvinell, que lhe en- treguou, e por verdade82 asynou aqui comygo, Yoão83 Go- 43, — !'de; 44 — vistim»; 46, 47, 48— rnielho ; 49 — c«»; 5o — a° • 5i — fir»- 52 —rdade; 53 — J°. 28 433
  • dinho esprivão54 del rey noso senhor nesta feitoria de Guoa, feito aos 2 dias do mes de Dezembro55 521 anos. Allonso - vigairo56 Yoão57 Godinho. Recebeo 58 Baltasar Luis, vigairo da se desta cidade de Guoa, de Miguell do Valle, feitor59 delia, per Lançarote Froez, feitor60 que foy, as cousas comteudas açima espri- tas, que servem na dita see, e por todo pasar na verdade81, lhe dou este per my feito e aqui asynamos ambos aos 24 de Oitubro de 524. Yoão62 Godinho. t Em 63 26 do mes de Oitubro 64 de 524 anos, dentro na se desta cidade de Goa, Lamçarote Froez, feitor65 que foy em ella, comigo Yoão66 Godinho67, esprivam da dita fei- toria68, pedymos conta ao vigairo e benyffiçiados da dita igreja, das cousas couteudas neste envemtario que foram entregues Afonso69 Velho, vigairo que foy, e o dito vygai- ro, que hora he Baltasar Luis, deu em reposta que elle en- trara ora novamente '° no dito cargo, e por tamto nom sabe da rezam das ditas cousas, somente71 dara por enven- tairo todo o que agora em seu tempo se achasse na dita igreja, as quas cousas que achou se entreguarão a Migel do Valle, fautor (sic), de que lhe elle vygairo72 passou conhecimento73 com outras mais que foram entregues na dita ygreja pelo dito Lançarote Froiz ao dito vygairo74 que foy, e elle, dito vygairo75, mandou aos ditos benyffiçiados que presentes estavam que desem fee das cousas que fale- çiam, per que rezam faleçião ou como se nam achavam, as quaes cousas sam as que se contam nas contas deste en- 54 —espvão; 55 -ãi">; 56-vi»; 58-R°; 59, 6o-ff""; 6i —idade; 57, 62, 66 — J»; 64 — doi10; 65 - ffwr; 67 - gJo; 68 - ff»; 69 - a"; 70 - novam»; 71 - som »; 72, 74, 75 — vyg™; 73 — conhjcm'». 434
  • ventairo per mym Yoão76 Godinho77 espritas7S, e elles, ditos benyfficiados, diseram que as ditas cousas, ao tempo que foram entregues per Francisco79 Corvynell e o vigai- ro 80 pasado, eram muito velhas e rotas e no tempo do dito feitor81 Lançarote82 Froiz Se — torna atras— // se guas- I* M taram de todo e algumas cousas que nas ditas marjes dis que foram per Chaull e outras partes, o dito vigairo83 pa- sado as mandara, per lho mandar o governador 84 Diogo 85 Lopez de Sequeira86, e todo all que gastou na dita igreja e serviso dela, segundo os ditos benefficiados, o certeffica- ram, os quaes aqui asynarão comigo, Yoão87 Godinho88, aos 26 do dito mes, era; e o dito Lamçarote Fróis pedio que de todo se fezesse este asento, nas costas deste enven- tairo, pera lhe ser levado em conta. Bastiam Diaz89. Yoão 90 Godinho. João 91 (?) Nom me satisfaz este assento que, per comclusam des- tas coussas da igreja que fallecem, o feitor e os irmaaos da feitoria apresemtam. Portanto mando92 que ho solido e fazenda do vigairo93 fallecido, por omde quer que he achada, se embargue ate dar comta e rezam de tudo isto, porque ha elle nom poderam lançar por despesa94 estas cousas, inda que ho sam pera isso. Salivo levallas a feito- ria e o feitor95 com seus sprivães96 fezerem o tal asento, - e inda o deviam laxar pera o Vedor da Fazenda97. Por isso, os erdeiros98 do feitor faram embargo na fazenda99 e or- denado do dito vigairo 10°, se o nom tem feito como deve- ram ter. E com este respeto e condiçam se lhe leva sua duvida em conta101. Afonso102 Mexia. 76— J°; 77 — 8d* ; 78 — esptas; 79— ffi*»; So — vygt»; 81 — ffior; 82 — !.<« ; 83; 93 — vigra ; 84 — g«!»r ; 85 — d" ; 86 — siq'« ; 87, 90, 91 — J» ; 88 — g*>; 89 — Diz ; 92 — mio; 9; — desps* ; y5 — f'« ; 96 — stpv.is; 97, 99 — fazJ" ; 9S— erd'01; 100 — vigro ; xoi — conta; 102 — a°. 435
  • 200 CARTA DO PADRE SEBASTIÃO PIRES A EL-REI Cochim, 10 de Janeiro de 1522 Original existente no ANTT: CC, I, 27-93. Mede 315 X 220 mm. Consta de 5 folhas não numeradas. O documento encontra-se algo roto de baixo para cima na margem esquerda inferior. Senhor. Bastyam Pires \ capeiam de Vosa Alteza e vyguayro de Cochym e gerall da Imdea, quero comesar de dar comta a Vosa Alteza das cousas que ca pasam na Indea, e ysto por hos desejos e hobryguaçam que tenho a ho servyço de Vosa Alteza, e asy ao discarguo de mynha comçyemçya, e porey tudo em apomtamento no segymte, posto que este ano seja vimdo de Purtuguall. It. No ano que foy Lopo Soares pera Purtuguall (1), eu fuy com hele, como Vosa Alteza sabe, e Vosa Alteza no dyto ano me emvyou a reposta de huma carta que vos por mym foy emviada no ano de quynhemtos e desoyto. As cousas que Vosa Alteza manda qua que se cum- pram, que som servyço de Deus 2 e noso, pouquas delas se cumprem, porque as esmolas, que Vosa Alteza manda dar aos pobres, a symquo anos que se nom deu e muytos pere- cem a fome // e, vemdo a nosa pouqua carydade, areceam (1) Em 1519 i — píz; 2 — des. 436
  • muytos de se tornar crystãos, e asy som muyto mall trauta- dos dos vosos capytais e hoficyays, quayse como cativos, asy com apusemtedaryas, e asy as molheres serem tomadas por força de cryados de fidalguos, ho qual Vosa Alteza deve de mandar ao capytam mor e asy aos das fortalezas que as afavoreçam, por que as que aguora som crystãs som as que fazem comverter a nosa samta fe hos que amdam erados porque, em boa verdade, depois que a esta çydade de Cochym cheguey com Dom Duarte (1), e fiz saber aos crystãos da tera em como Vosa Alteza hos mandava favo- recer e que nom ouvese hy medo dos montes, nom a Do- mjnguo que se nom façam nesta igreja de coremta pera ryba crystãos. It. Lembrese Vosa Alteza de mandar aho voso capytam mor que aperte com el rey de Cochym que deyxe ir hos crystãos per a sua estrada (2), porque por este favor se tornaram tamtos a nosa samta fe, que nom tenham nu- moro. El rey de Qualiqut e de Cananor, tamto que se tor- nam crystãos, loguo vam por a sua estrada e emtram em Suas casas e asy que deve Vosa Alteza de mandar por espi- çyal mandado ao voso capytam mor, e asy ao capytam desta fortaleza de Cochym (3)2 que apertem com ell rey muyto ryjo, porque nunca lhe falam senom de sobreletra. It. Quamto he aos retabolos que Vosa Alteza dyz que emviava pera esta igreja de Cochym, ho pryncypall tem nos frades de Samto Antonyo e nom no querem dar, e asy hos lyvros que Vosa Alteza diz que mandou, cynquoenta cru- zados deles, outro sy hos tomarom hos dytos frades em Guoa, asy que hos frades nunca som fartos, e tem em quada (1) D. Duarte de Meneses. (2) Como já notamos, os convertidos ao cristianismo não podiam andar pela estrada ou caminhos públicos, assemelhando-se aos «sem-castas». Os indígenas, convertidos ao Islamismo, conservavam tal privilégio. (3) D. Diogo de Lima, vindo com o governador D. Duarte de Me- neses. (Correia, Lendas da India, II, 674). 4*7
  • casa, asy em Guoa como em Cochym, vynte mysays e ne- nhum nos nom querem dar. Na igreja de Guoa nom a com que se digua mysa, salvo dous myçays que mandei desta igreja de Cochym, velhos, avemdo pyadade da dita igreja. Proveya Vosa Altezas estas igreyas, que som as pryncypays, Cochym e Guoa, da Im- dia, com allguma mygyricordia de lyvros pera ho coro, poys que Vosa Alteza a por bem que se façam hos hofi- çyos devinos, segumdo custume da vosa capela. Eu, por desejar de cumpryr voso mandado e asy ser 12 v.] servyço de Deus3 // deírymino de asy se compryr e fazer, por discarguo de mynha comçiençia, poys que Vosa Alteza de mym comfia e desemquaregua sua conciemçya emteyra- mente ho farey. It. Esta igreya esta aymda cuberta de ola, como em Pur- tuguall dey a emformaçam a Vosa Alteza e aguora muyto mays denefiquada, que emtram hos porquos por huma parte e as cabras por outra, e a feyçam dela parece mais palheyro de Samtarem que casa de oraçam. Vem do a eu asy, doemdome a comçyemçia, requery ao Veador da Fa- zemda que a provese4. Nunca nele pude achar carydade pera ha fazer, dizemdo me que mays carydade serya dar de comer aos ornes purtugueses que moryam de fome e que nom avya hi dinheiroB. Dou esta comta a Vosa Alteza do que se qua pasa, por me nom ter por remiso nas cousas que pertemcem a Vosa Alteza e a servyço 6 de Deus 7. Aguora detremyno de fazer esta igreja com esmolas, asy como fiz no tempo pasado. Ho is r.] retabolo e pontifiquall de Nosa Senhora do Rosairo // pera ajuda da igreja me deu Jan Allvares de Camynha (1) cem (1) Desde 1513, em tempos de Afonso de Albuquerque, que se men- ciona João Álvares Caminha como comerciante. (Lendas da India, II, 365). 3,7 — dcs; 4 — pvcsc; 5 — dr° j 6 — «erviço; 7 — ds. 43S
  • pardaos, e damtes tem dado huma custodia de sete mar- quos de prata. Ruy de Melo (1) me deu cinquoemta par- daos de ouro e asy deu outros cymquoemta pera a Casa da Mygyrycordia que se aguora começa a difiquar. Aguora quero começar por hos moradores que tam-bem querem ajudar com suas esmolas. Ho horaguo desta igreja he de Samta Cruz e prymas das Imdeas, homde vem todos hos embayxadores dar com ho voso capytam mor. A mes- ter guarnecida em gramde maneira, prymçipallmente de hum retabro ryquo com sua charola de quymze palmos em larguo e di pera syma; ho comprymento, quamto pareçer bem a Vosa Alteza, porque a capela mor da dita igreja este ano de 522 espero no muy alto e podroso Deus de acabar com as esmolas, como dito tenho, e asy ho gover- nador9 Dom Duarte detremyna de me ajudar. Dou esta comta a Vosa Alteza toda por enteiro pera saber parte do que se qua passa. Item. Esta igreja he bem servida no espritoall e os re- coeyros som bons sacerdotes e vivem bem e ho viguayro João10 Pachequo (2) tem ate ho presemte bem servido Vosa Alteza, posto que de ca fosem alguns myxeryquos. Quem qua bem serve Vosa Alteza, fizer servyço a Deus11 a de anojar muytas pesoas, e por yso nom podem al fazer senom dizer mail. Isto diguo, porque sey que es- crevem a Vosa Alteza de João Pachequo algumas cousas que nom he verdade12. Quamdo cheguey a Imdia, ho byspo (3) estava mall com ho viguairo geral, porque ho bispo13 se amtremetya a dar ordes e pasar demysorias, ho (1) Havia sido capitão de Goa durante o governo de Diogo Lopes de Sequeira. (2) Vigário de Cochim e vigário-geral. (3) D. Duarte, bispo de Dume, chegado em 1520 (Correia, Lendas, II, 609). 8, ii — des ; 9 — ; lo — Jóm ; 12 — vdade : l3 — bpó. 43 fj
  • quail em seu rygimento se nom comtinha, e por ho viguayro lhe ir a mom (l), se veo ho byspo a Cochym, e hum dia preguou e dise cousas tam feas no pulpoto, asy do viguayro como da .prelyzia (2), em que.foram todos muyto escam- dilyzados, polo quail estando eu nesta çidade de Cochym, amte que tomase pose da viguayrarya, hos fiz amyguos. Porque sey que estas cousas todas hom de ser notoryas a Vosa Alteza, ho escrevo, por me nom ter por cul- rl pado // no causo, porem, segumdo Deus 14, mynha com- çiemçia, a culpa dysto pareçe me que a tem o byspo. It. Nesta igreja de Cochym achey hum frade que se chama Mestre João 15 (3). He mestre em teholysya, da or- dem de Sam Domynguos. He home de boa vida e bons custu- mes. Pregua nesta igreja. Deseja muyto servir a Deus16 e asy a Vosa Alteza. Pareçeme que tem pequeno ordenado pera quem he. Faça lhe Vosa Alteza merce" esmola de lhe acrecemtar seu mantimento, poys que tam bom engem- pro da de si e vos tam bem serve, e ysto, Senhor, ponho esta lembramça, por que Vosa Alteza me mandou que de todas las cousas que me bem pareçeçem lhe fizesse memorya. It. Em todas Ias fortalezas da Imdia se paguam manti- mento a todolos sacerdotes, salvo nesta çydade de Cochym. Pedem a Vosa Alteza que pois que servem bem, lhes faça merce 1S, porque as esmolas todas vam ao mosteyro e heles nom se podem manter, e pasam muyta mygerya, como Deus19 sabe, e ha despesa da Ymdea he muyto gramde e o proveito he pouquo. [4 v.] // It. Senhor, ho viguayro gerall (4) que hora vay pera (1) Isto é: «à mão». (2) Ou seja: «derizia». (3) P.* João Caro, O. P. Em 24-2-1523 ficou a receber de manti- mento 600 rs mensais. (CC, 11, 106r-176). (4) O já mencionado P.* João Pacheco. 14, 16, 19 — dcs ; i5 — Jóm ; 17, 18 — íi». 44O
  • Purtuguall tinha qua seu ordenado de Vosa Alteza. Em merce 20 receberey, pois que ho meo servyço 21 he de tamto tempo, mandar me provisam de quomo aja ho ordenado de que ho viguayro tinha, avemdo respeyto a meu serviço, asy ao pasado como ao que presente faço, daquy em dyamte espero de fazer. It. No caravelam escrevi a Vosa Alteza do que me pa- reçya de Dom Duarte, governador 22 da Imdia, da guarda da pimenta e pola cargua vera a verdade do que escrito tenho e hos desejos que tem do servyço de Vosa Alteza. It. Dom Luys (l) he partido pera Chaull com muyta gemte. He bem quysto dos pequenos. Hos fidallguos ho acham hum pouquo asporo, por que hos repremde de suas altaraçoys e vaydades. He muyto desejoso de levar boa fama e fazer todo ho servyço que pertencer a ho estado reall de Vosa Alteza. It. Ho sacretairyo (2) Bastiam de Varguas he huma pesoa que me parece que, depois que a Imdea he descuberta, houtro tall nom veo a Imdea, asy amyguo da fazemda de Vosa Alteza como 23 solyçito pera todalas cousas que ca na tera cumprem, asy em aguazalhar a jemte da tera como em todalas cousas de voso serviço ser muyto estudioso. It. Senhor, quamdo cheguamos a çydade de Guoa, co- mecey de percurar per as cousas da igreja e saber como estavam. Achey que a igreja hera bem servida e quamto he ao temporall, achey que neste emverno pasado de 521 se desfezeram hy çymquo ou seys casamentos, no quall huma molher purtuguesa foy casada tres vezes e descasada outras tres. Escrevo ysto a Vosa Alteza, por se vos em (1) D. Luís de Menezes, capitão-mór do mar, irmão do governador. (2) Secretário do Govêrno da Índia. 20 — n.e* ; 21 — ivyço ; 22 — gJcr; 23 — A palavra «como» emcontra-se repetida.
  • algum tempo for a Vosa notiçia, que sayba que nom foy em meu tempo. No mais, senom que Noso Senhor prospere vida, he estado reall de Vosa Alteza. Deste Cochym aos dez dias do mes de Janeyro de 1522. Capeiam de Vosa Alteza. Bastiam Pires2*. 24 — pii. 442
  • 201 RELATÓRIO DO BISPO DE DUME A EL-REI Cochim, 12 de Janeiro de 1522. Original existente no ANTT: — CC, I, 27-95. Mede 310 X 220 mm. Consta de 6 folhas não numeradas. O documento principia na fl. 2r e termina no princípio da fl. 6v. Encontra-se algo manchado. Simplificamos «Al = Alteza. Senhor. 0 bispo1 Dumense, orador de Vosa Alteza, com toda humildade lhe beija suas reais mãos, rogando a Noso Se- nhor aumentar os dias de Vosa Alteza com muita prosperi- dade 2, com nome eterno 3 e salvaçam certa. Ho ano pasado escrevi a Vosa Alteza muitas cousas que por experiençia4 nom sabia, somente5 de ouvida. Agora que as sey e conheço por certeza direy a Vosa Alteza algu- mas cousas por descarreguo de minha consciência6 o que entendo, que pois Vosa Alteza a estas partes da India me enviou e a causa por trabalhar7 as almas se nam perde- rem 8 por defeito dos sacramentos9, trabalhey10 quanto minhas forças foram, asi no dar dos sacramentos n, como em pregar12 quasi13 cada domingo, e na Coresma cada somana tres vezes, celebrando os dias determinados 14 por direito1S, por provocar16 .todalas almas ao verdadeyro 17 caminho da salvaçam. 1 — bpo ; 2 — pspidade ; 5 — etno ; 4 — expécia ; 5 — som» : 6 — conclccia ; 7 — tbalhar; 8 — pdcré ; 9, 11 — sacram»«; 10 — tbalhey ; 12—pgar; i3 — 45'> 14 — dcíminadós ; i5 — drt"; iti — pvocar ; 17 — vdadej". 443
  • E nesta çidade de Goa honde vim ter mui doente a morte, achey muita descordea, asi nos casados como nos solteyros no modo de viver; trabalhey 18 por os trazer19 a concórdia20, reprendendoos 21, como milhor podia, ate se- rem amigos e viveram em serviço22 de Deus23. Isto notorio he a todos e por Rui de Melo pode Vosa Alteza ser enfor- mado e por todos da cidade que la vão, Johão Rodriguez24 e Ercolez de Andrade (l) casados. Tendo ja esta cidade de Goa em toda ordenança de cris- tindade25, asy dos jejuns como de nam comerem carne a sesta e sabado e nisto trabalhey26 16 meses, daly me vym a Cananor e aly preguey 27 por vezes e dey o Sacramento28 da Crisma 29 a muitos cristãos30 novos. Nam achey neste lugar odios nem pesoa que mal vivese2 mas todos con- formes 31. V'tm a Calecut e preguey32 e dey o Sacramento33 a 200 almas malavares; nam tendo mais que fazer, me vim a Cou- I2 »•] chim, honde fui bem recebido do capitão e // cidade, e muito mal dos clérigos e isto por respeito de seu vigairo34 geeral (2) que fora por mim castigado em as Ilhas Ter- ceyras35, honde me Vosa Alteza mandou com Eytor Ho- mem de Sousa, com a cruzada e testamentos36, e por deli- tos grandes que tinham feitos em pendença, lhe derom que viese qua 37 por vigayro38 geeral, o qual apoçonhentou toda esta cristindade39 com seu mao viver e exemplos, como Vosa Alteza pode ser enformado por pesoas que o conhe- cem que de qua40 vão, e se dele mandase tirar aqui huma (1) Menciona-se o nome de Hércules de Andrade em 1511, como homem de armas. (Correia, «Lendas da Índia» 11, 189J (2) P.' João Pacheco. 18 — íbalhey ; iq — tier; 20 — concórdia; 21 — rrefndédoos; 22 — «viço; 23 — ds; ,2q — Rodguez; 25, 3q — cstindade ; 26 — tbalhey ; 27, 32 — pguey ; 28, 33 — saem" ; 29 —esma; 3o—c>iãos ; 3r —conformes; 3|, 38— vigay0; 35—íceyras; 36—testam"»; 37. to— 4- * 44-1
  • devasa, sey certo que o mandaria taypar, e isto por direito 41. Noso Senhor o perdoe42. Preguey43 nesta cidade de Couchim e reprendi44 os pecados pubricos, asi das honzenas como dos abarregados, casados e solteyros, e dos juramentos45 dos soldos que qua46 sam mui usados e achey esta cidade muy revolta nas cousas da conciencia47, e alguns odios e em pesoas principaes48. Trabalhey49 e fiz o que pude por sua salvaçam. Tenho, Senhor, ja todolos lugares corridos e providos80 dos sacramentos 51 e nam som qua 82 mais necesario daqui83 a 10 anos. Pelo que beijarey as reaes mãos de Vosa Alteza nam aver por seu deserviço 84 me tornar pêra Purtuguall daqui58 a hum ano, que acabo tres anos e meo, a-saber86, hum em Moçambique87, e este bem atribulado88, e dos e meo nesta índia, porque me acho mui enfermo nesta terra, e o mais tempo89 senpre som doente. Alem disto, acho nam aproveytar nas almas, segundo meu desejo e trabalho 60 que muitas pesoas me dizem, e das principaes61: pregaes da restituyçam; nam ha homem que aqui posa restituir, por que nam viemos aqui se não pera apanhar e roubar por todalas vias asy por honzenas, como por outros maos titolos, a saber62, de comprar 63 sol- dos por menos a metade, e jurarem falsamente84 que lhe da todo, o que agora eu vejo muito apertar65 por justiça. Com isto confesan se66 cada ano e tomam o Senhor, sem restituyçam e vejoo cada dia por honde, Senhor, creo que viese aqui hum apostolo de Cristo67 Noso Senhor, nam aproveitaria68 muito em suas almas, que Sam Tomee, quando pera qua69 foy enviado por Noso Senhor, dise: «Senhor, manda me honde quiseres e nam seja aos índios». 41 — dirt"; |2 — pdoe; 43 — fguey ; 44 —irepndi; 45 — juram'"; 46—4 : 17—con- ciécia; 48 — pncipacs; 49 — tbalhey ; 5o — pvidos; 5i — saem1'"'; 5a — q ; 53, 55 — daq; 54 — dejviço ; 56, Ih — S — ; 57 — moçãbiq ; 58 — aíbulado ; 5y — tpo ; 60— tbalho ; 61 — pncipacs ; 63 — cOMprar; 6| — falsam" : 65 — aptar; 66 — cowfesanse; 67 — X'; 68—apveitaria; 69 —q.
  • E crea Vosa Alteza que nam he sem rezam que todos Por- tugueses mudam nesta terra a calidade e naçam e se fazem 13 r-i conformes70 a terra no modo de viver // que nam que- rem71 senam seguir a sensualidade, dizendo: «pera que vym a India, senão pera apanhar, e se restitutir, ficarey em camisa». Com esta entençam partem de Portugal e asi o seguem, que de todolos estados e condições 12 que digo a Vosa Alteza, meu ver fraco que a India vay de monte a monte, que nenhuma pesoa vem pera servir73 Vosa Alteza nestas partes, somente74 com intento de seu interese, e as pe- soas tjue ora vem de la nestas armadas todas, vem pera bodas, sem armas, vistidos ricos, muitas bolsas grandes de veludo. Nam se pode manter asi a India, mas com armas e batalhas continuas75, porque asi como se ganhou por forte guerra, asi se vay perdendo76 por nosa fraqueza77, que pou- cas sam as somanas que nam matem dos nosos. No verão, de Goa ate Couchim, se vão sem armas em paraos, saltão com eles os cauturis (l) com muitas fre- chas e matam nos sem lhe poderem valer, e se Vosa Alteza mandase fazer quatro78 cauturis, andando aqui bem esqui- pados 70, não escaparia nenhum dos seos, que sam tam ligeyros que fusta nem parao nam pode caça los, por sua ligeirice e tem tanto atrevimento80 que ja nam fazem conta81 de nos. Nisto siguimos os Romãos que nos princípios82 forom mui esforçados por que sujugarom o mundo. Depois lei- xarom as armas e perderom83 todo domínio. Crea Vosa Alteza que milagrosamente84 quer Noso Senhor guardar (1) Ou catures: barcos à vela e a remos, muito velozes. 70 — conformes; 71 — qrem ; 72 —condições; 73 —«vir; 74 —som''; 7b— con- tinuas; 76—pdédo; 77 —írqza; 78- qtro; 79—esqpado; 80—atrevim»; 81 —conta; 82 — pneipios ; 83 — pdcrõ ; 84 — milagrosam''. 446
  • nos em meio destes infies, segundo sua condição 85 e nosos poucos mericimentos86 ante Deus87, que esta costa toda deste Couchim ate Dyo grande perseguiçam 88 recebem os cristãos89, e creo Vosa Alteza ser disto bem enformado por muitos, que pois muitos padecem o noteficaram, e quando me vir aos pes de Vosa Alteza lhe direy as cousas mais particulares, por que as sey e vejo. It. O que mais encumbe a minha conciençia90 he as igrejas91 muito mal repairadas, em special a de Goa que he hum palhariço ordenado e nam igreja92, que as outras sam de tavoado. Vam continuamente93 aos Domingos a se de Goa 600 pesoas e mais e quando chove nam vay nenhuma gente, que nam tem remedio com augoa. Esta cidade he nobre e vai em muito crecimento 94 e rende muito a Vosa Alteza. Lenbre-se dela e por serviço95 de Deus96 e de Santa Catarina, cujo orago he, que a mande acabar, que ja esta mea feita, e cubrir de telha, o que sera, grande serviço97 de Deus 98 e de Vosa Alteza e muita nobreza da cidade. E asi digo das outras todas. // Esta de Goa nam tem sinos, somente99 duas campas is v.j mui pequenas 10°. Nam tem ornamentos nem livros pera cantarem humas vesperas101 pontificaes, quando as hi ha. Nesta falo mais, que conversei102 nela e sey suas necesi- dades. Mandei lhe fazer hum sacrario na parede da capela abobedada, com ferros e portas, pera quando mester for levar o Senhor algum enfermo, que continuo103 os ha, e muitos morrem sem comunham, e assi pera o mostrar aos que vam e vem as batalhas com seu capitão. Tirando o tempo104 da misa, isto era mui necesario pera nosa salva- çam. E asi fiz hum bom tribolo 105 de prata106, de resti- 85 — coiidiçã ; 86 — mericim'» ; 87, 96, g8 — ds ; 88 — pseguiçi ; 89 — éstãos; 90 — conciécia ; 91, 92— igja ; g3 — continuam» ; 94 — crccira» ; 95, 97 — sviço; 99 — som»; 100 — peqoas; 101 — vespas; 102 — cóisey; io3 — confino; 104 — tpo ; io5 — íbolo; 106 — f ta. 447
  • tuyções que me vierom, com que Deus107 he servido 103 no altar, e naveta. E asi ordeney hum palio pera o Sacra- mento 109 e festas da cidade, a saber "°, dia de Santa Cata- rina111, e de Corpus Christi112, e a mayor parte de resti- tuyções todo era muy necesario, no que sey que servi113 a Deus114 e a Vosa Alteza. It. Quanto a ordem eclesiástica, toda he perdida 115, por causa da cabeça ser inorante, que pera descarego da con- ciencia116 de Vosa Alteza ha qua 117 mester hum homem canonista e que sayba os vãos por honde pasa, e de bom viver, porque eu vi em Goa e soube por certeza118 de Couchim, se descasarem muitas molheres de seos maridos, com testemunhas falsas, e tal vi que se casou em hum ano •tres vezes e todas tres se quitou de cada hum. As testemu- nhas 119 sam aqui tarn ligeyras de aver, que com huma tanga, que sam 60 reis, se provocam120 a jurar falsa- mente 121. Por honde qualquer vigayro122 logo os aparta, que he huma grande confusão123 da Igreja124 e mao exemplo pera as cristãs128 da terra que ja fazem outro tanto. Nam consinta128 Vosa Alteza cousa que a fe e ley se pervertera127 com taes cousas que eu vi, e sey certo pesoas casadas em Lisboa 12S, e tanto que se qua 129 enfadam hum doutro, loguo as testemunhas130 na mão falsas todo he feito, e asi como digo dos casamentos131, díguo de todo o eclesiástico ser132 perdido133, pola pouca virtude 134 nosa e grande disoluçam de viver, com maos exemplos. E esta he verdade135 e crea Vosa Alteza que lho faria certo, se me mandase poder pera o fazer, e pode o saber 107, 114 —d»; 108 — svido ; 109 — sacram» ; 110 —S; 111 — c*; U2 — Xi; u3 —avi; u5 —pdida; nfi — conciécla; 117 —q; 118 — cteza; 119— t"; 120 — pvo- cam ; isi — falsam»; 122 — vigay"; 123 — confusa; 124 — igja ; 125 — estás; 126— con- sinta ; 127 — pítera ; 128 — lix* ; 129 — 4; i3o — t**; t3l — casam»»; i3a — »; i33 —fdido; 134 —ítudej 135—idade. 448
  • por Dom Alexo (l) e Jeronimo de Sousa (2) e por outros. Este vigayro que ora veo geral (3) parece homem ze- loso de todo bem e virtude136. Nam sey o que fara. Noso Senhor o queyra conservar137 e ajudar pera reger esta igreyja // que o pasado Joam138 Pachequo trosquia as ove- I* r-l lhas tres vezes no ano e tem a lãa e coyro, e nuas de maos exemplos morrem. Isto ey poios cristãos139 novos que, se nam trazem di- nheiro 140 e círio, nam os bautiza, a saber141, malavares e canarins, e leixa os estar na igreja142 ate que se vão. Isto sabera Vosa Alteza ser certo por muitas pesoas de Cou- chim, de que eu fui bem enformado. It. Quanto he do secular, ao que entendo, vay no ca- minho do eclesiástico, que sey certo se as cousas fosem ditas a Vosa Alteza segundo sam, nam se faria tanto dano nas mortes dos homens, principalmente143 quando vem as naos de Portugal que, por defeito dos mantimentos144, que nam dam aos pobres que vem nas naos, somente148 ate Guine e trabalham 146 continuamente147 noute e dia, asi marinheyros como homens de armas. Ate aly trazem148 carne salgada, peixe. Dão lhe vinho. Daly atee índia jejuam a pão e augoa, e se lhe desem augoa seria bem, que eu vi morrer muitas ao desenparo, que nam ha pie- dade em nos, e muitos capitães tomam os mantimentos e vinhos pera si e pera seos amigos e parentes, e os que tra- il) Deve tratar-se de D. Aleixo de Menezes, sobrinho do antigo governador Lopo Soares e capitão-mór do mar. (Correia, «Lendas da Índia», II, 674). (2) Capitão de várias embarcações. (Correia, «Lendas da India» II, 388 m. 623, etc.). (3) Padre Sebastião Pires. i36 —ítude; 137 —coimar; i38 — Ji; 139-cstãos; 140 —dr"; i
  • balham149 noute e dia vão enfraquecendo180 por nam comerem senam bizcouto e pouca augoa e ma. Gera se em eles infermidade grande, que quando chegam a índia vem inchados e com chagas e sam os esprytaes cheos e morrem, que nam podem convalecer181 da grande infermidade18Z, e asi quando qua183 chegam, vem mortos de cada nao, segundo184 a gente que traz, que a dos Burgaleses (l) lhe morerom quasi cem pesoas, por defeito dos mantimentos, e vemos que os que trazem185 boa provisam 186 pera comer e beber nam morre nenhum. Veja Vosa Alteza isto, e pois sabe quam necesaria qua he gente, por que he causa de se perder187 por os oficiaes de Vosa Alteza lhe nam darem mantimentos; proveja158 Vosa Alteza isto, se bem lhe parecer por serviço159 de Deus160, e nam pereça tanta gente, da qual Vosa Alteza tem qua muita necesidade. It. Os pobres da terra nam tem meo de viver, por lhe nam pagarem mantimentos1S1, nem soldo. Em Goa pagam 10 bazarucos (2) por vintém, e na praça162 vai o vintém a 14 e 15 que sam por mes 285 reis e o pobre que outra cousa nam tem pera alugar casa e comer, nam lhe abasta nem tem ja mesas de fidalgos onde se socorram pera l* ▼.) comer //, como nesta India soya a ser. E os que nam tem necesidade e sam poderosos, a estes e aos seos criados e chegados todos pagam em ouro ou prata 1S4, e os pobres (X) A nau «Burgalesa», propriedade de armadores particulares, diegou à índia em fim de Setembro de 1521. (Correia, «Lendas da índia, 11, 673). Supõe-se que os armadores fôssem de Burgos. (Quirino da tonseca, «Os Portugueses no Man>, p. 289). . (2) Moeda ordinária na índia, sendo a unidade monetária, compará- vel ao «real» português. 149-tbalhá; i5o-cfraqcendo ; i5i - convalecer ; i52 - jnfímjdade; i53 -4; i54-.egd°; i55-ízé; i56-pvisá; i57-P<*er; i58-pveja; i59-íuiço ; ifc-ds; i6i — mátimtM ; 162 — fça; i63 — cados ; 164 — fita. 45 o
  • 1 se vem tam desesperados168 que com fome pura vendem as armas aos mouros e depois que nam tem donde se sus- tentar, vão se ao Balagate, honde depois que perdem166 este verdadeyro167 conhecimento 168 de Deus169, sam mais duros de tornar,, e perdem se170 muitas almas, por respeito dos oficiaes de Vosa Alteza, dos quaes eu tiro o Veador da Fazenda (l) que com toda linpeza serve171 a Vosa Alteza, e sey certo que foy bem tentado com muytas peitas de preço 172, e nunqua foy achada mazcarra em seu viver e zelo de servir1'3 Vosa Alteza, sobre muito enfermo, que Vosa Alteza averia piedade dele e de seu trabalho m. E asi conheço este fervor e zelo em Pero178 Lopez de Sam Payo (2), que he malquisto176 de algumas pesoas, por servir177 fielmente. E asi conheço em Antonio178 de Lyam, corregedor, que com zelo serve179 e outros, a sa- ber 18°, o contador181 Gonçalo182 Fernandes183, escrivam da matricola184 e Nuno Mascarenhas e Bastiam Mendez e Francisco 18j Roiz e Alvoro de Abreu. Todos estes conheço por fies servidores186 de Vosa Alteza. Dos outros nam sey; somente187 vejo que quando vão as armadas, vendem quanto tem pera se remedearem de mantimentos, e os capitães de naos e galeões recebem todo mantimento188, arroz, manteygua, carnes, biscoutos e co- mem a seu prazer189, com sua família ou parentes e dam mesa a custa de Vosa Alteza, e os que trabalham 19°, pobres (1) Afonso Mexia. (2) Nesta ocasião Pero Lopes de Sampaio era capitão dum galeão. Foi encarregado pelo governador D. Duarte de Menezes de visitar a Casa do Apóstolo S. Tomé em Meliapor. (Correia, «Lendas da Índia», 11, 609, 723-726). i65 — desespados ; iG6 — páí ; 167 — verdadey"; 16S — conhicim»; 169 —ds; i7o — pdése; 171, 179—sve; 172 — pço , 173, 177 —svir; 174 — tbalho; 175 — P"; 176— malqsto ; 178 —Anf; 1S0—S —; 181 — contador ; 1S2 — G° ; i83 —Frz; 184 — maícola; i85 —Fr», 1S6 —zvidores; 187 —som»; 188 — mãtim»; 1S9—pzer; 190 — tbalhã. 451
  • marinheyros e homens de armas, comem arroz cozido em augoa salgada. Isto sey o por que o vi e nam tenho nisto duvida. It. O que entendi na justiça secular por os juizes apa- nham o que podem, em especial aas pesoas da terra ino- rantes que nam entendem nenhuma cousa e sam simplezes e asi se sam pesoas de longe, mouros ou quaesquer outros, porque quem mais peita ese vence, que isto que digo a Vosa Alteza vi o e reprendi o191 grandemente, e vejo por experiência, que os juizes e oficiaes das cidades ou vilas, acabado seu tempo, fazem casas de mil pardaos, nam tendo outra renda salvo o soldo e mantimento que lhe Vosa Alteza qua192 manda dar. Donde vem as casas reaes e ricos l5 r-l colares douro? Parece me que da larga conciencia 193 // isto nam concederam 194 a Vosa Alteza, porque lhe vem mal, mas esta he verdade195 que cada dia se experimenta196 e vee, e he bem conhecida. Disto pode ser Vosa Alteza bem enformado por Jorge Fernandez197, mercador198, que ha muito tempo 199 que qua 200 esta, e he pesoa certa em suas cousas, que ora la vay, segundo201 me afirmou. It. Acerca dos vezinhos de Goa, tem em a ilha seos pagodes ordenados com as figuras do imiguo da Cruz, em statuas, e fazem suas festas cada ano, honde vay muita gente cristãa 202, asi dos nosos como dos cristãos 203 novos da terra, que he cousa mui errada em lhe hirem favorecer sua ydolatria 204. Serviço 205 de Deus 206 seria nesta soo ilha de Goa des- truyrem se estes pagodes e fazerem neles igrejas 207 com santos, e quem quer que quizese 208 viver na ilha fose cris- tão209 e teria suas terras e casas, como tem, e nam que- rendo a0, que se fose da ilha. Crea Vosa Alteza que nam 191 — riepndio ; 192 — 4-, ig3 — ccnciécia ; 19; — concederá ; 195 — idade ; 196 — expiméta ; 197 — ffrrz ; 198 — ftcador , 199 — tpo ; 200 — q ^ 201 — scg • ; 202 —íslãa; 2o3, 209 — ístáos ; 201 — ydolata; 2o5 — «viço, 206 —dl; 207 — Igiaí; 208—4sese; 210—4rcn<*°- 45a
  • ficaria nenhuma creatura que se nam tornase a fe de Cristo211 Noso Senhor, porque nam tem outro modo de viver, tirados da ilha, e que estes nam fosem bons cris- tãos 212, os filhos 213 ho seriam, e tirar se ya esta ma con- tumácia 214 deles e nam aviam de leixar o certo por o in- certo e Deus 215 seria servido216 e Vosa Alteza, por ser cousa de salvaçam de tanta gente perdida217; que eles nam tem nenhuma dificuldade em se tornarem cristãos218, so- mente por respeito dos parentes pasados e pelo custume antiguo, que eles nam crem nem adoram nada e sam doces de mover, mas creo que se nam tornam por que nos vem de mao viver, e nam fazemos o que preegamos. Se bem parecer a Vosa Alteza, podeo mandar fazer que sera grande serviço 219 de Deus 220. It. Consirando221 quanto serviço 222 de Deus 223 e de Vosa Alteza era condesçender 224 a huma petiçam destes padres de Sam Francisco 225, que sam muy virtuosos 226 e de bom exemplo em estas partes que me rogarom da parte de Deus 227 e de Vosa Alteza que lhe dese ordens sacras a quatro, por serem poucos e nam hirem a Portugal orde- nar se, e isto por hum previlegio 228 dos Papas que tem, que qualquer bispo 229 que requerirem 230 lhe posa dar or- dens, sem mais outra licença231 pedida, e consirando232 quanto serviço 233 a Deus 234 fazia e a Vosa Alteza, as dey em Goa a quatro // padres de Sam Francisco 235 em o seu i» v.[ proprio 236 moesteiro 237, celebrando misa, e com elles a hum creligo, ja ordenado de ordens sacras, que trazia 238 licença 239 de seu prelado. E o vigayro 240 geral Joham Pachequo 241 mandou tirar neste Couchim huma inquirçam 242, dizendo que as nam 2ii —x°; 212, 218— Éstãos : 2i3 — f* : 214 — contumácia ; 2x5, 220, 223 —ds; 216—.vvido ; 217 — /? dida ; 219, 222 — «viço; 221—consirãdo ; 224 — condescender; 225 —ffrr»; 226—vtuosos ; 227, 234 — ds ; 228 — pvilegio ; 229—b£o ; 23o—re^rire; 23i, 239 —; 232 — consii ado ; 233 — ítlço ; 235 — ffrrc»; 236 — pipo; 237 — moest0; 238 — tzia; 2-10— vigay0; 241 — pacheq0; 242 — in^riçi. 453 L
  • podia dar e fez autos diso enfamando a dinidade episcopal, que he grande, como Vosa Alteza sabe, falando geralmente eu ser sospenso e muitas outras cousas. Vendo isto, detreminey213 mandar tirar huma devasa per os juizes de Goa com muitas testemunhas244 (1). Bei- jarey as reaes mãos de Vosa Alteza a ver e sabera meu viver e no que trabalho 245, e se merecer mal por bem fazer, a pena eu a quero 246 de Vosa Alteza. E asi vay outra inqui- riçam 247 por o vigayro248 de Goa acerca destas ordens que dey a quatro frades e hum cleriguo, sem ser pecado venial, mas muito merecimento, como provarei por direito 249, am- bas seladas per a cidade de Goa. Isto fiz, por que Vosa Alteza nam crea as cousas dese padre vigayro ^ea causa ja a tenho dito a Vosa Alteza, que quando me mandou as Ilhas com Eytor Homem de Sousa, fazendo visitaçam na Ilha Graciosa251 com Pero 252 Anes do Canto por escri- vam 253 na era de 18, achey o culpado em muitos delitos, como Vosa Alteza pode ver na propria 254 visitaçam, e asi de Angra por honde lhe dey breve pendença e qua255 quer se mostrar gram senhor em resistir a todo o que faço, por servir 258 a Deus 257 e a Vosa Alteza. Deus 258 lhe per- doe259. It. Este ano pasado pedi a Vosa Alteza o titolo de Dyo, parecendo me ser tomado. Agora, consirando 260 minhas in- fermidades e como esta terra nam me quer261, beijarei de Vosa Alteza as mãos que a mercee 262 que me ha de fazer de quanto trabalho 263 qua 264 levo, segundo pode ser bem enformado pela devasa, que la me faça merçee 285 dalguma (1) Veja-se o documento adiante publicado: Cartas Missivas, IV, 4)6. 213 — dettnine} ; 244 — t11; 245 — tbalho ; 246 — 4r° ; 247 — Inqriçã ; 248, 25o — vigay0; 249— drt°; 25i —gciosa; 252—p"; 253 —es£va; 254—ppa; 255 — 4; 256—«vir; 257, 258 —ds; 259—pdoe; 260 — consirádo ; 261 — 4r» j62> 265 —fecec; 263 — tbalho ; 264 — 4- 454
  • igreja 266 ou de outra cousa, com que me posa sustentar, e seja Vosa Alteza lembrado quanto tempo 267 ha que o sirvo 268, asi nas Ilhas com os testamentos 269 como nesta vida tam trabalhosa 270, e faça me merçe271 de alguma tença, com o titolo do seu conselho 272, que som mestre in Sacra Theologia, como Lionel Fernandez 273, conego em Évora sabe que era presente, e ha 25 anos que preego a fe de Cristo 274, no que todo receberey asinada merçee27S. // Também quero 276 alegar a Vosa Alteza que quando [6 M Rui de Melo, capitão de Goa, foy tomar as terras junto de Goa (l), crendo certo que servia 277 a Deus 278 e a Vosa Alteza, me fui la e posto no rio com toda a frota, provia 279 o arrayal com toda deligencia, e asi vigiava noute e dia sobre toda frota, para que se lhe acontecera 280 alguma cousa, os receber a qualquer ora que chegassem ao porto com todo o perigo 281 que viera, ate todos serem recolhei- tos e me despus a todo perigo 282 de morte, por os salvar, e asi os hia visitar e esforçar ao arrayal, segundo 283 Vosa Alteza pode saber por Rui de Melo e de toda cidade de Goa, e pois que nas cousas de serviço 284 de Vosa Alteza senpre 285 som prestes286 e pronto, façame merçe 287 com que viva e me posa sustentar, pois a outros que nam ser- vem 288 com tanto perigo 289 e fervor de vontade, Vosa Al- teza os farta com muitas merces 290. Lenbre se de minha dinidade e pobreza e do tempo291 muito que sirvo 292 Vosa Alteza e Noso Senhor como alarga (1) Refere-se ao acontecido em Setembro de 1521. O rei de Bisnaga, em guerra com o Idalcão, mandou recado ao capitão de Goa, Rui de Melo, que oferecia aos portugueses as terras vizinhas de Salsete com as suas riquíssimas alfândegas. (Correia, «.Lendas da Índia*, 11, 658-659). VJi- 278- . - - . . a85 — senfi; 286 — f stes ; 288 — fvem ; 291 — tpo. 455
  • todalas cousas a Vosa Alteza, como seja sempre prospe- rado 293 antre os reys e príncipes 294 cristãos 295 dee tanta vida com prosperidade 296 a Vosa Alteza, que todo este comercio das índias lhe obedeça como a rey e senhor, conhecendo a Deus 297 pera se salvarem, e servirem298 Vosa Alteza, cujas reaes mãos beijo. Acabando de escrever esta, soube que hum capelão que Vosa Alteza mandara a Moçambique299 por vigayro 300, que eu conheço por virtuoso301 e linpo, que se chama Joham Vaz, natural de Setuvel, que o tirarão da nao em que hia de Moçambique 302, veo aqui pera embarcar. Nam o querem 303 leixar ir, que dizem que se temem de dizer algumas cousas a Vosa Alteza. Dise me que relevava muito escrever a Vosa Alteza cousas de seu serviço304. Por este respeito, mete nesta sua carta. E asi soube como este vi- gayro305 geral que ora vay pedio contas a Camara por in- tercesam 306 de seos amigos e asi tirou aqui testemunhas 307 que usam seos costumes. Nam lhe dee Vosa Alteza credito, que eu dise ao governador308 que olhase humas petições que me derom dele, e as pesoas 309 estam aqui neste Cou- chim, que sam de muito credito e virtuosos310, e olhase que cousas de tanta infamia eram pera a religião cristãa 311. Dise me que lhas mandase com o que diziam. Cumpri312 asi e lhas mandey. Nam curou diso. Eu as mando asy como l# as tirey. Vejas (1) Vosa Alteza e faça o que niso lhe // pa- recer e for serviço313 de Deus 314 e seu, que pera qua315 ha mester homem experimentado em virtudes316 e bons vir- tuosos317 custumes, por respeito dos que se tornam a fe catholica. (1) Isto é: «veja-as». 293— pspado ; K)\ — pncepes ; 2g5 — ístáos ; 296 — pspidade ; 297, 3i4 — ds ; 298 — «virem ; 299, 3o2 — mocãbi<5 ; 3oo, 3o5— vigay"; 3oi — vtuoso ; 3o3 — qre ; 304, 3i3 — «viço; 3o6 - intcesatn ; 307 — t" ; 3o8 — gofnador ; 309—p" ; 3io, 3i7 — ítuosos ; 3n — ístãa ; 3i2 — conf>; 3i5 — 4 ; 3i6 — ítudes. 456
  • Feyta em Couchim a 12 dias de Janeiro 318 1522. Por Sancho de Toar vão as inquirições 319 da cidade de Goa sobre mim, de como vivo e das ordens pera a igreja 32°. E esta vay por Dom Alexo que dara toda informação a Vosa Alteza largamente do que se qua 321 pasa e conhece a mayor parte da gente desta cidade e das pesoas que aponto a Vosa Alteza, cujas reaes mãos beijo. Orador e servo 322 de Vosa Alteza O Bispo 323 Dumense324. 3iS—jan»; 319 — jn^rlçôes ; 3ao — jgja ; 321 - q ; 322 — st o ; 323 — b£o ; 324 — dumnens. 457
  • 202 HOSPITAL DE ORMUZ 9 de Maio de 1522. Documento original existente no ANTT: — CC, U, 101-75. Mede 220 X 322 mm. Duas folhas, a segunda das quais em branco. Em bom estado. Recebeo ho Licenciado1 Afomso Bernalldez, provedor dos defuntos e sprytall desta fortaleza de Orromuz de Josef Pereira2, fydallguo da casa dei rey Noso Senhor e feytor das presas da armada do Senhor D. Luis de Meneses (1), cem teadas e tres balas de allgodam, per hum mandado do Senhor D. Luis de Meneses pera ho dito sprytall, as quais teadas e allgodam, fyquam postas em receyta e care- goadas sobre ho dito prrovedor e por asy ser verdade3 lhe dey este conhecymento *. Feyto per mim Gaspar Gomez, es- privam 5 do dito careguo e asynado per ambos, oje vymte e nove dyas do mes de Mayo, de mill e quinhemtos e vynte e dous anos. Bernaldez8 Gaspar Gomes. (1) Irmão do Governador D. Duarte de Menezes. Era capitão-mór do mar. i — L"*0 ; 2 — p" ; 3 — rdade ; 4 — conhecem'» ; 5 _ espvã j 6 — BnatDz. 458
  • 203 ORDENAÇÕES CONFERIDAS PELO BISPO DOM DUARTE 8 de Novembro de 1322. Documento original existente no ANTT: — Cartas missivas — IV — 436. Mede 222 X 313 mm. 2 folhas não numeradas. Em estado regular. It. Bento da Costa, testemunha1, irmão 2 cleriguo 3 de u r-t missa, jurado sobre suas hordens e perguntado4 que era o que sabia acerqua desta pitiçam do bispo5 Dom Duarte, e das hordens que aqui celebraram em esta çidade de Guoa, dise ele testemunha6 que era verdade7 que ele estevera presente8 duas vezes que ele dito bispo9 dera hordens nesta cidade dentro10 em Sam Francisco11, e que ahi lhe nom vira dar a mais que a tres frades da dita hordem e a hum Joham Roiz cleriguo12 ja hordenado em hordens sacras, e que asy destas duas vezes que asy çelebrara lhe dera hor- dens de avangelho e de missa e que a nenhuma13 outra pessoa nom dera hordens; e que se este Joham Roiz tinha licença de seu prellado14 que ele testemunha15 o nom sa- bia, e deste casso mais nom sabia. E eu Joham Vaaz escprivam 16 esto escrevy. Bento Costa Allfonsus - vicarius. It. Rodrigo17 Preto18, cleriguo19 de missa, testemu- nha 20 jurada sobre suas hordens e perguntado 21 que era o I, 6, i5, ao —t«; 2 —Ir; 3, 12, 19—friguo; 4. 21 - pguntado ; 5, 9 —bfo; 7 —vdade ; S—psente ; 10 —dent0; 11 — ffrr» ; i3 —nhúa; 14 — filado ; 16 — scpcvã; 17 — R°; 18 — pto ; 19 — Ériguo, 20 - t* ; 21 — pguntado. 459
  • que sabia açerqua desta pitiçam do senhor bispo 22 Dom Duarte e das hordens que aqui celebrara em esta cidade de Guoa, dise ele testemunha23 que era verdade24 que ele estevera huma vez ao dar das hordens e que as vira dar a dous ou tres frades em Sam Francisco28 da dita hordem, e a hum Joham Roiz clérigo26 tomar hordens de missa; e que a nenhuma 27 outra pessoa nom dera hordes e que se este Joham Roiz tinha licença de seu prellado28 que ele testemunha 29 o nom sabia e deste caso mais nom sabja. E eu Joham Vaaz esprivam30 esto escrevi. Rodrigo31 Preto32 Allfonsus - vicarius. // It. ho Padre Frey Pero33 de Alanquer 34, que ora tem carreguo de guardiam em Sam Francisco 35, em abssençia do Padre Frey Antonio, jurado ao seu abito dise elle tes- temunha36 que era verdade que ele requerera ao senhor bispo37 Dom Duarte que per vertude38 e graças39 que tinham do Sancto Padre que dese hordens a dous o tres noviços a dentro40 em seu mosteyro, ho qual ele per seu rogo, e per vertude 41 da graça e previlegio 42 lhas dera per duas vezes e neste dar destas hordes recebera hum Joham Roiz cleriguo43 ja hordenado de epistola recebera de avan- gilho e de missa e outra pessoa não; e se tinha liçença de seu perlado44 ou nam que ele o som sabia, que ele dito Joham Roiz lhe disera que ho tinha e deste caso nõ sabia mais. E eu Joham Vaaz esto escprevi45. Frey Pero 46 de Alanquer 47 Allonsus - vicarius. 22 — bpo ; 23, 29 — t* ; 24 — rdade ; 25 — frr» ; 26 — friguo ; 27 — nhfia 28 — pilado ; 3o — espvã ; 3i — R* ; 32 — fto ; 33, 46 — p° ; 34, 47 — dalan^r: 35 frr» ; 36— t* ; 37 — bpo ; 38, 41 — rtude ; 39— Iças ; 40 — dcnf; 42 — fvílegio- 43 — friguo ; 44 — piado ; 45 — escpvi. 46 O
  • It. Francisco48 Curvinel, feytor desta cidade de Guoa, jurado aos santos avangelhos, e perguntado49 que era o que sabia acerqua desta pitiçam do senhor bispo50 Dom Duarte e das hordens que aquy celebrara em esta cidade de Guoa, dise ele testemunha51 que era verdade52 que ele estivera aos (sic) dar das hordes per duas vezes, que o bispo53 as dera em Sam Francisco54 aos frades ha dous ou tres e que ahi tomara hum Joham Roiz cleriguo55 hor- denado em hordens sacras, tomara de avangelho e de missa e sabia ella testemunha58 ser o dito cleriguo57 criado58 do bispo59 e sabia que ele tinha liçença de seu prellado60 e ele ho vyo e deste caso majs nom sabia. Eu Joham Vaz escrivã61 esto escrevi. Francisco 62 Corbinel Allonsus - vicarius. // Aos 7 dias do mes de Novenbro da dita era acabou ta x.j o dito vigairo63 de tirar estas testemunhas64 atras escpri- tas 65 por quanto dise o dito bispo66 que nom queria mais dar e lançava de mais prova67 nem... nerer mais pera sua guarda pera saber Eli Rey nosso senhor que ele nom fazia o que devia e ho bispo68 do Funchal ... nam o dito das testemunhas69 atras escpritas70. E eu Joham Vaaz, escprivam 71 esto escprevi72. A 22 dias do mes de Outubro foe o dito vigairo73 comigo escprivam74, ao mosteyro de Sam Francisco75 desta çidade e pedio ao Padre Frey Pero76 que ora era gardiam77 em a dita casa em abssencia de Padre Frey Anto- nio78 e ho dito Frey Pero79 amostrou huma bula e pre- vylegio80 do Santo Padre Inoçençio em como lhe dava 48, 54, 6a — ffrr" ; 49 — pguntado ; 5o, 53, 59 — bpo ; 5i, 56 — t" ; 5a — vdadc ; 55, 57—friguo ; 58 — fado ; 60— filado ; 6t — esfvá ; 63, 73 — vig"; 64, 69 — f•; 65, 70 - cscptas ; 66, 68 - bfo; 67 - pva; 71 - escfvá; 7a - cscfvl; 74 - escpvam; 75 - frr» , 76. 79 — p' ; 77 - gãdiã ; 78 - ant« ; 80 - f>vilegio. 46 1
  • spicial graça81 a esta hordem que qualquer bispo82 lhe podese dar hordes a seus frades em seu mosteyro ainda que nom fose pello bispo83 de suas dyoceses, e por que isto asy foe verdade84, dou eu estprivam85 de mim fe que asy se passou como em çima he escprito86. E eu Joham Vaaz escprivam 87 esto escprevi88. Aos 8 dias do mes de Novembro mandou o dito vi- gairo89 a mim esprivam90 que çarase esta Inquiriçam91, aqual leva tres folhas (l) escpritas92 com quatro teste- munhas 93 a saber94 Bento da Costa, Rodrigo98 Preto96, frey Pero97, Francisco98 Curvjnel, feytor, pêra çarrada e asselada mandar a el Rey nosso senhor a requerimento99 do dito bispo 10°, asynada per mim escprivam101 e pello dito vigairo102 feyto em o dito dia e era. Allonsus - vicarius. Joham Vaaz. V (1) «Três folhas» quer dizer certamente o que modernamente se entende por «três páginas». 8i — gça ; 82, 83, 100 — bpo ; 84 — rdade ; 85 — esípvam ; 86 — escpto ; 87 — escpvam ; 88 — escpvi; 89, 102 — vig° ; 90 — espvam ; 91 — Inqriçam ; 92 — escptas: 93 t**; 94 —- s; 95 — R°; 96 — fto ; 97 — p° ; 9S — frrco ; 99 — re^rim1* ; xoi = escpvá. 462
  • ÍNDICE
  • ÍNDICE ONOMÁSTICO E GEOGRÁFICO Abreu (Álvaro de) — 451. Adem — 183, 213. Afonso (António) — 364. Afonso (Gonçalo) — 161, 206, 211. Afonso (Mestre) — 185, 186, 195, 223, 388. Afonso (Pero) — 100, 104, 222, 223. Agostinho (D. Caetano de San- to) — 365. Aguiar (Jorge de) — 116. Aguiar (Pero de) — 188, 189. Albuquerque (Afonso de) — 15, 25, 26, 27, 40, 43, 46, 50, 57, 58, 61, 63, 65, 69, 71, 72, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 83, 86, 87, 88, 89, 90, 92, 94, 96, 97, 99, 100, 101, 102, 104, 105, 109, 116,117, 118, 119, 120, 121, 122, 123, 124, 130, 131, 136, 142, 143,145, 146,154,160, 161,162, 163, 165,166, 167, 168, 169, 170, 171, 172, 173, 174, 176, 178, 179, 180,181, 182, 183, 184, 187,189, 190, 191,194,198, 199, 200, 203, 208, 210, 212, 214, 215, 216, 218, 219, 221, 222, 224, 228, 231, 239, 241, 245, 248, 256, 257, 261, 263, 265, 267, 268, 271, 274, 276, 277, 288, 289, 300, 341, 398, 438. Albuquerque (Francisco de) — 25, 54, 57, 58. Alcáçova (Fernão de) — 352, 356. Alcobaça (Frei Bernardo de) — 337. Alemão (Frei Henrique) — 181. Alemão (Frei João) — 121, 122, 166, 174. Alenquer (Pero de) — 383, 389, 392, 426, 460. Alexandria — 9. Almada (Fernão Martins de) — 25, 26. Almada (João Vaz de) — 67, 68. Almada (Luís de) — 379. Almada (Vasco de) — 26. Almeida (D. Francisco de) — 29, 33, 34, 36, 37, 40, 41, 42, 45, 46, 47, 49, 50, 58, 67, 69, 77, 95, 107, 110, 190, 301. 3o 465
  • Almeida (D. Lourenço de) — 36, 58, 60, 65. Almeirim — 93. Alpedrinha (Cardeal) — 6, 7. Alpoim (Pero de) — 173, 228. Alvares (Afonso) — 160. Alvares (Bernal de) — 280. Alvares (Catarina) — 223. Alvares (Lopo) — 100, 102, 104, 315, 385, 400, 407, 408. Alvares (Pedro) — 54, 70, 89, 90, 95, 96. Alvares (Simão) — 269- Alvito (Barão de) — 93- Amazonas — 351. Andrade (Estêvão de) — 283- Andrade (Hércules de) — 444. Angediva — 34, 35, 36. António (Frei) — 339, 347, 351, 355, 368, 412. Arábia — 57. Arzila — 175. B Baci (Cide Alie) — 65. Baião (Beatriz) — 187. Baião (Estêvão) — 187, 188. Baixo (Gonçalo) — 67. Balagate — 451. Baltasar — 12. Barbosa (Duarte) — 228, 385, 413, 417. Barbosa (Gonçalo Gil) — 34. Barbosa (Pantaleão) — 400, 408. Barbudo (Cide) — 58. Barreto (Pero) — 417. Barros (João de) — 15, 25, 26, 40, 41, 58, 59, 63, 132, 183, 231. Barroso (Francisco)—185, 186, 195,197, 316, 317, 318, 319, 320, 321, 322, 323, 324, 325, 326, 327, 328, 329, 331, 332, 333, 334, 335, 384, 390, 391, 394, 397, 399, 401, 402. Bernalldez (Afonso) — 458. Berredo (Francisco Pereira de) "Of' — Bisnaga — 33, 34. Bispo de Bysam — 410. Bispo Dumense — 377, 380, 382, 439, 443, 457. Bispo do Funchal — 381. Bona — 83- Brito (Lourenço de) — 36, 47. Burgos — 450. C Cabo Comorim — 46. Cabo Guardafui — 25, 57. Cabral (Pedro Álvares) — 21, 22, 34, 116. Cairo — 4, 65, 82. Calaiate — 80. Caldeira (Diogo) — 222. Calecut — 7, 8, 9, 12, 13, 14, 22, 34, 39, 40, 41, 45, 49, 75, 78, 208, 209, 212, 21.6, 23(0, 257, 258, 259, 263, 265, 266, 271, 277, 278, 285,417. Cambaia— 134, 143, 158, 174, 215, 258. Caminha (João Álvares) — 85, 129, 438. Cananor — 27, 33, 34, 36, 39, 45, 46, 47, 58, 61, 65, 67, 86, 87, 88, 90, 95, 98, 99, 100, 101, 102, 104, 105, 108, 109, 131, 138,140,145,163, 4 66
  • 164, 190,191,192,193,194, 201, 230, 231, 240, 254, 255, 263, 271, 274, 286, 289, 290, 291, 292, 293, 300, 301, 302, 303, 304, 305, 306, 307, 351, 371, 385,400, 412,413,417, 437, 444. Carneiro (António) — 76, 140. Carnop (Menoque) — 208. Caro (P.e João) — 440. Carvalho (António de) — 400, 411, 412, 413, 417. Carvalho (João de) — 233. Carym — 196. Castanheda (Fernão Lopes de) — 12, 26, 100. Castelo de San?Angelo — 95. Castro (Rui de Melo de) — 359. Caycay Irnalcão — 284. Ceilão — 9, 58, 59, 156, 305, 416. Cerveira (João) — 148. Cerveira (Pero) — 317, 368, 369, 404, 405, 412. Cerniche (Diniz) — 146, 147. Cesimbra (Jorge de) — 234. Chaynho (Garcia) — 71, 129. Chec Dauguanate Irmacalão — 284. Cochim — 22, 28, 39, 40, 41, 42, 49, 50, 53, 54, 76, 83, 84, 85, 97, 98, 106, 112, 116, 117,119,120,148,149, 151, 156,157,159,160,161, 162, 170, 175, 191, 198, 207, 211,212,213,216,226,228, 230, 231, 239, 245, 248, 253, 269, 275, 276, 280, 286, 301, 336, 340, 341, 345, 351, 375, 376, 386, 420, 421,422, 428, 436, 437, 440, 442, 445, 446, 447, 448. Coelho — 54. Coelho (António) — 130, 137. Coelho (Diogo) — 316, 317, 318, 319, 320, 321, 322, 323, 324, 325, 327, 328, 329, 330, 331, 332, 333, 334, 335, 390, 391, 394, 397, 399, 401, 402, 403, 406. Coelho (Francisco) — 119. Coelho (Gonçalo) — 386, 387. Coelho (Manuel Rodrigues) — 366. Conde de Portalegre — 11. Conde de Vila Nova — 201. Coromandel — 58, 258. Correia (Diogo) — 107, 138, 190. Correia (Fernão) — 146, 147. Correia (Gaspar) — 25, 26, 27, 33, 40, 41, 57, 58, 59, 61, 81, 108, 116, 120, 153, 169, 190, 200, 253, 257, 284, 289, 301, 351, 352, 368, 419, 437, 444, 449, 450, 451. Correia (Jorge) — 204. Corvinel (Aparys) — 326. Corvinel (Francisco) — 121, 122, 123, 130, 132, 134, 136, 137,153,158, 165,168,178, 180, 181, 182, 183, 184, 185, 189, 195, 197, 200, 264, 272, 281, 316, 317, 318, 319, 320, 321, 322, 323, 324, 325, 326, 327, 328, 329, 330, 331, 332, 333, 334, 335, 346, 347, 348, 353, 355, 369, 370, 374, 383, 384, 388, 389, 390, 391, 392, 467
  • 393, 394, 395, 397, 399, 401, 402, 403, 404, 406, 409, 426, 428, 433, 435, 461. Costa (António da) — 203. Costa (Bento da) — 459, 462. Costa (D. Jorge da) — 6. Costa (Manuel da) — 267, 268, 282, 283. Costa (Paio da) — 188. Costa (Rui da) — 355. Costa (Vicente da) — 188. Cotrim (João) — 59. Coulão — 25, 29, 32, 45, 58, 83, 239, 269, 284, 285, 286, 351. Coutinho (D. Fernando) — 75, 79, 81, 216. Cova (Fernão da) — 343. Crangalor — 106. Crasto (Nuno de) — 339. Crisna — 354. Cruz (D. João da) — 278. Cunha (Manuel) — 190. Cunha (Tristão da) — 36, 37, 50, 57, 62, 63, 72, 100, 119, 196. D Dabul — 407. Decão — 33, 34. Dias (Aires) — 200. Dias (André) — 84. Dias (Catarina) — 26. Dias (Diogo) — 376. Dias (Francisco) — 188. Dias (Pero) — 303. Diogo (Mestre) — 110. Diu — 65, 447, 454. E Eanes (Fernão de)—72, 73, 78, 79, 119, 120, 158, 216. Eça (D. João d') — 248, 249, 281. Enipoli (Jcão de) — 26. Etiópia — 7. F Felner (Rodrigo José de Lima) — 284, 285, 424. Ferdinandis (Didacus) — 108. Fernandes (Afonso) — 372, 376, 411. Fernandes (Álvaro) — 187, 356. Fernandes (António) — 178. Fernandes (Brás) — 295. Fernandes (Dinis) — 176. Fernandes (Diogo)—107, 108, 138, 139, 384. Fernandes (Gil) — 296. Fernandes (Gonçalo) — 43, 48, 54, 59, 77, 216, 451. Fernandes (João) — 84, 85, 112, 145, 172, 176, 201, 202, 407. Fernandes (Lopo) — 129. Fernandes (Nuno) — 289, 290, 291, 292, 293, 294, 308, 309, 310, 311, 312, 313, 314, 315. Fernandes (Pero) — 405. Fernando — 278. Fernando e Isabel — 3. Ferraz (João) — 296. Ferreira (Garcia) — 283. Ferreira (Miguel) — 261. Flores (João) — 144, 160, 305. Folgado (António) — 376. 468
  • Fonseca (António da) — 99, 101, 102, 104, 105, 106, 143, 159, 160, 215, 218, 268, 423. Fonseca (Pedro José da)—366. Fonseca (Quirino da)—43, 450. Fonte (Amão de) — 321, 335, 348, 349, 388, 395, 427. Fortaleza de Sant'Angelo — 67, 98. Foyos (António ou Antam de) Frade (João) — 269, 270, 280. Francisco (Frei) — 70, 123. Freitas (Lisuarte) — 80. Fróis (Lançarote) — 420, 423, 433, 434, 435. Proles (João) — 144,160, 305. G Galvão (Duarte) — 274. Gama (D. Aires da) — 407. Gama (Estêvão da) — 43. Gama (Paulo da) — 3, 41. Gama (Vasco da) — 3, 4, 8, 15, 16, 21, 22, 23, 27, 35, 58, 153, 258, 371. Gil (Gonçalo) — 39, 46. Gôa— 34, 35, 113, 120, 121, 130, 132,134, 135,13ó, 137, 145, 146, 147,152,153,158, 165, 166,167, 168,169,172, 178, 180, 183,186, 187, 188, 189, 193, 197, 200, 205, 217, 351. Godinho (Achiles) — 148. Godinho (Bartolomeu) — 108. Godinho (João) — 423, 434. Góis (Damião de) — 11, 196. Gomes (Gaspar) — 458. Gomes (João) — 169, 355. Gomes (Manuel) — 296, 298. Gomes (Pero) — 202. Gomes (Ruy) — 81, 82, 141, 261. Gonçalves (Diogo)—403, 406. Gonçalves (João) — 410. Graça (João de Boina ou de Buena) — 43. Granada — 35. Guadalcanal — 337. H Henrique (Infante D.) — 16, 250, 413- Homem (Gonçalo) — 134. Homem (Pedro) — 120. I Idalcão — 81, 153, 172. Ilha dei Santa Helena — 27, 28. Ilha de São Lourenço — 57, 63. Ilhas de Banda — 156. índia — 7, 13, 22, 25, 26, 35, 43, 57, 60, 69, 75, 88, 91, 92, 107, 108, 113, 114, 116, 119,130,150,151,166,167, 174, 176, 177, 178, 193, 221. índia (Gaspar da) — 12, 34, 35. Ismael (Xeque) — 81, 261. J Jácome (D.) — 274, 275. Jaime (D.) — 278. Jerónimo (D.) — 72, 189. Jerónimo, bombardeiro (Frei) — 173. João (Frei) — 81, 102, 103, 121, 122, 136, 176. 469
  • João (Prestes)—149, 169, 274, 275. Jordão (Frei) — 39. Juzarto (Cristóvão) — 40. L Lacerda (Manuel de) — 153, 158, 165. Leitão (Pero) — 34. Leite (Bastião) — 94. Leite (Rui) — 203. Lemos (Duarte) — 100,116. Lemos (Fernão Gomes de) — 261. Lemos (Pero de) — 377, 379. Lima (D. Diogo) — 437. Lima (D. Jerónimo de) — 72. Lima (D. João de) — 72. Lima (D. Vasco de) — 72. Lineu — 156. Lobato (Álvaro Diogo) — 349. Lobato (João)—365, 369, 387, 398, 409. Lopes (Álvaro) — 161, 206, 207, 211, 280. Lopes (P.e Fernando) — 337, 338. Lopes (Fernão) — 27. Lopes (Francisco) — 348, 349, 359, 365, 367. Lopes (Homem) — 202. Lopes (Pero) — 71. Loureiro (Frei António)—132, 134, 143, 174, 368. Lourenço (D.) — 58. Lourenço (Mestre) — 359. Lourenço (Pero) — 207, 270, 345. Louro (Frei António do)—336, 347, 350, 368. Ludovicus (Frei) — 89. Luis (Baltasar) — 434. Luis (Frei)—88, 89, 398, 409. M Machado (João) — 153, 368. Malabar — 61, 229. Malaca — 43, 58, 60, 63, 64, 145, 146, 148,149, 166,169, 173, 183, 190, 245, 247, 251, 268. Malucas — 156. Mandaloy, capitão gentio—132. Mandovi — 321. Manuel (D.) — 6, 15, 16, 22, 34, 169, 196, 201, 257, 265, 278, 284, 356. Mar de Ormuz — 81. Mar Maior — 9. Mar Vermelho — 81. Maria (D.) — 57. Marques (António)—319, 323, 324, 325, 334. Martim (Gonçalo) — 39. Martins (Fernão) — 25. Mascarenhas (Nuno) — 451. Mascarenhas (Pero) — 239. Matias — 25. Matias (São) — 297. Mealha (Fernão) — 157. Mealheiro (Gonçalo Afonso)— 73, 120, 157, 162, 207, 216. Meca — 4, 14, 57, 81. Mel (Pedro) — 255. Melapor — 298. Melinde — 153- Meliquiaz — 58, 65. Melo (Jorge de) — 240, 254, 255, 274. 47 0
  • Melo (Rui de) — 358, 360, 361, 439, 444, 455. Mendes (Bastião) — 451. Mendes (Diogo) — 60, 146. Mendes (Fernão) — 105. Mendes (Gonçalo) — 65, 68, 86, 88, 89, 90, 94, 98, 99, 105, 107, 108, 111, 131, 138, 139,163,192, 194, 208, 263, 271. Mendes (Pero) — 73- Mendonça (Pedro de) — 58. Meneses (D. Aleixo de)—282. Meneses (Diogo da Silva de) 11. Meneses (D. Duarte) — 419, 420, 437, 451, 458. Meneses (D. Luís de) — 441, 458. Mergulhão (P.e Álvaro)—183. Mexia (Afonso) — 93, 357, 364, 435, 451. Miguel (São) — 347. Moçambique — 57, 174. Mombaça — 95. Monis (Fernão) — 267, 276. Monis (Garcia) — 228. Monroy (D. Goterre) — 354. Morais (P.e Diogo de) — 257. Moreno (Lourenço) — 84, 85, 129, 143,144, 156, 162, 217, 269, 280, 418. N Nambear — 208. Narsinga — 33, 34, 35, 45, 82, 88, 258. Natorrym, príncipe de Cananor 46, 47. Nogueira (Francisco) — 194, 208, 209, 271. Noronha (Afonso de) — 132. Noronha (D. Álvaro de) — 42. Noronha (António de) — 140. Noronha (D. Garcia de)—206, 207, 211. Nova (João da) — 46, 57. Nunes (António) — 269, 301. Nunes (P.e Fernão) — 165, 180. Nunes (Gião ou Julião) — 115, 201, 202. Nunes (Pascoal) — 202. Nunes (Pero) — 364, 412, 419, 422. O Ormuz — 81, 86, 100, 102, 116, 131, 164, 200, 253, 261, 267, 268, 277, 282. Orta (Garcia de) — 156, 365. Ova Puravaa — 97, 98. P Paçanha (Manuel) — 31, 36. Pacheco (João) — 163, 440, 444, 449, 453. Paiva (Gaspar de) — 173, 176. Paiva (Lcurenço de) — 99- Pangim — 287. Pantoja (Francisco) — 81,100, 119, 120. Pedro (Frei) — 86, 131. Peguu — 58. Penteado (Álvaro) — 188, 205, 210. Pereira (Afonso) — 78. Pereira (Diogo) — 69, 70, 71, 83, 97, 110, 112, 116, 119, 120, 124, 219, 386. 471
  • Pereira (Duarte) — 368, 369, 370, 403. Pereira (Duarte Pacheco Perei- ra) — 40, 41. Pereira (Francisco) — 40, 78. Pereira (Gaspar) — 40, 219- Pereira (Jorge de Melo) — 248. Pereira (Josef) — 458. Pereira (Ruy) — 223. Pero (Frei) — 161. Pérsia — 81, 82. Pessoa (João) — 157, 161. Pimentel (Francisco) — 316, 323, 325, 326, 335. Pires (André)—290, 291, 295, 301, 302, 303, 304, 305, 306, 307, 309,310,311,312, 313, 314, 315. Pires (Bastião) — 340, 344, 375, 436, 442, 449. Pires (Diogo) — 41. Pires (Francisco) — 416. Pondá — 368. Porca — 212. Portugal — 114, 174, 175. Prego (Lourenço) — 88. Preto (Rodrigo) — 459, 460, 462. Punalledo Abtyva Namby — 208. Q Quaecolam — 25, 212. Quaresma (Pero) — 146, 147, 336, 345, 392. Quíloa — 110. R Rabelo (Rodrigo)—94, 95, 96, 98, 112, 115. Real (António) — 26, 97, 176, 198, 199, 217, 219, 239- Rei de Bisnaga — 33, 34, 455. Rei de Cambaia — 100. Rei de Cananor — 22, 24, 46. Rei de Cochim — 22, 24. Rei de Coulão — 284. Rei de Narsinga — 34, 36, 37, 45, 46, 47. Rei de Polmender e de Vorcem — 8. Ribeiro (Francisco) — 406. Roçalcão — 172. Rocha (Frei Francisco) — 70, 90, 123, 145. Rodrigues (Jorge) — 360, 361. Roiz (Afonso) — 376. Roiz (Álvaro) — 296. Roiz (André) — 273. Roiz (Diogo)—289, 290, 291, 292, 293, 295, 300, 301, 302, 303, 304, 305, 306, 307, 308, 309. Roiz (Francisco) — 451. Roiz (P.« João) — 182, 419, 444, 459, 460, 461. Roma — 196. S Sá (António de) — 284, 285. Salamanca — 175. Salas (Diogo de) — 333. Saldanha (António de) — 57, 58, 63. Saldanha (João) — 57. Salvador (Frei Luís do) — 34, 37, 45, 46, 88. Samalra — 58. Samorim — 12, 257, 278. Sampaio (Manuel de) — 287. 47-2
  • Sampaio (Pero Lopes de) — 451. Sampaio (Simão) — 330, 332. Santarém — 78, 79. Santo Padre — 7. Saquo (Lopo) — 109. Savantes (Francisco) — 95. Saxónia (Ludolphus de)—337. Sbaralea (Frei Jacinto) — 337. Sequeira (Diogo Lopes de) — 63, 346, 351, 358, 369, 386, 404, 419, 439. Sequeira (Gonçalo de) — 116. Serrão (João) — 385. Sião (António de) — 451. Silva (Inocêncio Francisco da) 338. Silva (João da) — 71, 84. Silva (Pero da) — 406. Silveira (Symão da) — 289, 290, 291, 292, 293, 294, 308, 309, 310, 311, 312, 313, 314, 315. Simões (Gil) — 223, 261. Sintra (António de) — 66. Soares (Frei Francisco) — 168. Soares (Lopo)—277, 284, 289, 353, 436. Socotorá — 100, 131, 132, 143, 164. Sojala — 176. Sousa (Afonso) — 376. Sousa (Frei Domingos de) — 145, 184, 188, 200, 239, 244, 253, 264. T Tanger — 175, 419. Taprobana — 9, 58. 3i Tarfaria — 9. Tinoco (Pero Fernandes) — 33, 38, 45, 47, 88. " Toar (Sancho de) — 457. Tomar — 248. Tomé (São)-'— 45. Turquia — 35. V Vale (Miguel de) — 434. Valenciano — 96. Vargas (Bastiam de) — 441. Varnhagen (Francisco Adolfo) — 12. Vasconcelos (Diogo Mendes de) — 60, 130, 132, 133, 134, 135, 137, 147, 151, 285. Vaz (Afonso) — 70, 90. Vaz (Artur) — 205, 210. Vaz (Diogo) — 85, 163, 201. Vaz (João) — 456, 460, 461, 462. Veiga (Fernão da) — 288. Velho (Afonso ou Alonso) — 240, 243, 263, 274, 374, 393, 395, 428, 433, 434. Velho (Bernaldo) — 156, 157, 418. Velho (Francisco) — 72. Viana (Álvaro de) — 202. Vieira (Frei Nicolau) — 337. Vítor (Ricardo de São) — 337. Vitória (Frei Ludovicus de) — 398, 409, 427. Vila Longa — 380, 382. Zagalo (António) — 80, 157. 47 3
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