ROTEIROS PORTUGUESES INÉDITOS DA CARREIRA DA ÍNDIA DO SÉCULO XVI I-ROTEIRO PARA A ÍNDIA E ORIENTE de autor anónimo * II — C O L E C Ç Ã O DE ROTEIRO S, de Manuel Álvares * III — PRIMEIRO ROTEIRO, de Vicente Rodrigues j» IV — D E R O T E R O DE LAS ISLAS PRIMER AS E DE ANGOXA, de João Baptista I.avanha J» V—ROTEIRO, de Manuel Monteiro e Gaspar Fer- reira [Rei/não] com a assistência de João Baptista I.avanha PREFACIADOS E ANOTADOS POR A. FONTOURA DA COSTA AGÈNCIA GERAL DAS COLÓNIAS LISBOA^ 1940
ROTEIROS PORTUGUESES INÉDITOS DA CARREIRA DA INDIA DO SÉCULO XVI
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ROTEIROS PORTUGUESES INÉDITOS DA CARREIRA DA ÍNDIA DO SÉCULO XVI AXA 4 ! Í D 4 I—ROTEIRO PARA A INDIA E ORIENTE de autor anónimo j« II—COLECÇÃO DE ROTEIROS, de Manuel Álvares •* III—PRIMEIRO ROTEIRO, de Vicente Rodrigues •* IV—DEROTERO DE LAS ISLAS PRIMER AS E DE ANGOXA, de João Baptista Lavanha •* V—ROTEIRO, de Manuel Monteiro e Gaspar Fer- reira [Reimão] com a assistência de João Baptista I.avanha PREFACIADOS E ANOTADOS POR A. FONTOURA DA COSTA REPÚBLICA PORTUGUESA MINISTÉRIO DAS COLÓNIAS DIVISÃO DE PUBLICAÇÕES E BIBLIOTECA AGÊNCIA GERAL DAS COLÓNIAS 19 4 0
Esta publicação foi determinada por despacho de S. Ex.a o Ministro das Colónias, de 13 de Maio de 1939
EDIÇÃO DA AGENCIA GERAL DAS COLÓNIAS COMEMORATIVA DO DUPLO CENTENÁRIO DA FUNDAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL
eu Ni mos neste volume alguns dos mais impor- tantes Roteiros da Carreira da Índia, do século xvi, quatro ainda não publicados e um que somente o foi cm línguas estrangeiras por Linscboten. São eles por ordem cronológica: I — ROTEIRO PARA A ÍNDIA E ORrENTE, de AUTOR ANÓNIMO, C. 1530 II — COLECÇÃO DE ROTEIROS, de MANUEL ÁLVARES (inclue o de Diogo Afonso), c. 1545 III — PRIMEIRO ROTEIRO, de VICENTE RODRIGUES (traduzido livremente de Linscboten), c. 1577 IV — DEROTERO DE LAS ISLAS PRIMERAS Y DE ANCOXA, de JOÃO BAPTISTA LAV ANHA (Anterior a 25 de Março de 1600) V — ROTEIRO, de MANUEL MONTEIRO e GASPAR FERREIRA [reimão}, com a assistência de JOÃO baptista lavanha. (De 25 de Março de 1600) Em Preâmbulo de cada um dêles damos as infor- mações que pudemos colher. A Agência Geral das Colónias publicando estes Roteiros, ignorados da grartde maioria dos estudiosos portugueses, presta assim mais um relevante serviço a cultura nacional. A. F. C.
I ROTEIRO PARA ÍNDIA E ORIENTE c. 1530 DE AUTOR ANÓNIMO
Preâmbulo I £aí 1933, o professor Joaquim de Carvalho indicou-nos a existência no Arquivo General de índias (Indife- rentes n.° 1330), de Sevilha, de um pequeno Ms. português com um: «lyvro de rrotear de portugall p.a aymdja e daymdja p.a to- das as partes q sam descubertas». de autor anónimo e letra da primeira metade do século XVI. Ali o examinámos em meados de 1934, trazendo con- nosco as respectivas fotocópias. O papel é branco, de formato do almasso coevo. Da leitura do pequeno trabalho não pode concluir-se a sua data. A-pesar-de, a-propósito da Ilha da Madura, citar o nome de Francisco de Melo, capitão da S. Cristóvão, que acompanhou António de Miranda na viagem da descoberta da Banda, não explica se a referência diz respeito àquela ou a outra viagem posterior. Quer-nos, porém, parecer que o Ms. deva ser de c. 1530. i 3
Contém êle duas partes distintas: uma com um incipiente Roteiro de Lisboa para a India, a qual termina no Cabo das Agulhas; e outra com bocados dum Roteiro ou Navegação para Samatra e Java. Uma e outra vêm completas na última parte do Livro de Marinharia de João de Lisboa (1). Desta forma, o Ms. deve ser um apontamento de qual- quer piloto curioso, que o tivesse extraído de uma das mui- tas cópias da Colecção do Livro de Marinharia, que então possuíam mareantes coevos. Devemos frisar que o Roteiro de Lisboa para a índia, parcialmente copiado no Ms., ê o mais antigo Roteiro conhe- cido desta viagem; o seu título: «Livro de rotear» bem o mostra. O Ms. é reproduzido em linguagem e ortografia moder- nas, para que mais facilmente possa ser compreendido e in- terpretado. A. F. C. (1) JOÃO de lisboa — Livro de Marinharia. Lisboa, 1903.
I Roteiro para a India e Oriente [i] Livro de rotear de Portugal para a índia e da índia para todas as partes que são descobertas (1) A Ilha da Madeira está em 32 graus e meio e jaz com a Ilha da Palma, de que haveis de haver vista, nordeste sudoeste; e há na rota 73 léguas. A Ilha da Palma está em 28 graus e três quartos; daí haveis de fazer o caminho do Sul até onde o tempo vos der lugar; porque geralmente, como sois em 5 ou 6 graus, tendes o vento sueste e haveis de ir na volta do sudoeste, sempre quanto puderdes, até dobrardes o Cabo de Santo / 5
Agostinho, o qual está em 8 graus e meio. E desta Ilha da Palma ao Cabo de Santo Agostinho há 700 léguas de rota batida, e jaz por entre nordeste sudoeste quarta do norte sul. Como se dobrar o Cabo de Santo Agostinho geralmente vos fazeis logo na volta de lessueste e do sueste, porque geralmente tendes os ventos do Sul ou sudoeste, e dareis resguardo às Ilhas de Tristão da Cunha, que estão em 35 graus da banda do Sul. Como vos fizerdes com as Ilhas de Tristão da Cunha, dobradas, vos poreis em 36 graus; e, como aqui fordes nesta paragem, ireis em Leste até dobrardes o Cabo da Boa Espe- rança. E, depois de dobrado, governareis ao Norte até irdes de- mandar a terra; e, depois de vista e conhecida, segundo a terra que tomardes, assim fareis vosso caminho para Moçam- bique ou por fora da Ilha de São Lourenço. O Cabo da Boa Esperança está em 34 graus e meio lar- gos, da banda do Sul, e jaz com o Cabo das Agulhas les- sueste oesnoroeste; e há na rota 32 léguas. O Cabo das Agulhas está em 35 graus e jaz com o Cabo do Infante Leste Oeste, e toma [leste oeste] quarta do nor- deste sudoeste; e há na rota 25 léguas. i 6
[H] [Navegação para Samatra e Java (2)] E se dêste cabo [do Ferro, a que os malaios chamam de Tan jam his] quiserdes ir demandar a Ilha de Samatra (3) haveis de governar a Leste, e tomar alguma cousa a leste quarta do sueste (4). E aviso-vos que como fordes tanto avante como esta ilha, atrás escrita, que se chama Nucaraia, que vos não afasteis muito da terra, porque ao mar vai muita ruindade de baixos. Estes baixos são os que vão por fora da Ilha de Nucaraja (5), que é uma ilha que está com esta Ilha Nuca- raia Leste Oeste; e há na rota 9 léguas. Por esta paragem não tendes nenhum fundo mau, nem banco; por isso tendes bom aviso convosco e não hajas por trabalho de mandar rebocar [vosso junco ou navio] onde for necessário. Quando virdes cousa, de que vos arrecieis, não vos deiteis a dormir dizendo: êle ventará; não vos digo isto para que não vades por entre terra, quando for necessário, e logo vereis esta ilha (6). E como fordes tanto avante como esta Ilha Nucaraia e quiserdes ir demandar o Cabo das Flores, que em língua malaia quere dizer Pontalonge (7), há-des demandar e go- vernar até que uma ilha, que se chama Mocaranguro (8) como já vos tenho dito (9), que está Leste [Oeste] com a Ilha Nucaraia, vos demorar ao Norte, que vades deixando por a popa; então mandareis governar a Leste (10). i 7 2
Sabereis que esta ilha tem muitos baixos ao mar, da banda do Norte; estes baixos se chamam Batalear (11). Aqui, nestes baixos, cortou Francisco de Melo o mastro à São Cristóvão, de que êle era capitão na viagem de António de Miranda —a primeira viagem que foi à Banda (12). E se fôr cousa como fordes tanto avante como duas (13) palmeiras, altas e ralas, que estão na Ilha de Madura, não tendes em tôda a costa outras palmeiras antes que chegues a um cabo que faz a dita Ilha de Madura; êste cabo [es/ã antes] que chegueis à ilha, que está fora do banco que se chama Mandegua. Dêste palmar vos começará a crescer o fundo, que não torna mais a minguar. E quando já fordes perto desta ilha, que está fora do banco, que se chama Man- degua, e dêste palmar, vos começará a crescer o fundo e não torna mais a minguar. E quando fordes perto desta ilha, que está fora do banco, não vos achegueis muito a Ilha de Madura, porque tanto a vante como esta Ilha de Madura é tudo muito aparcelado. Sabereis que desta Ilha de Ma- dura (14) ao cabo (15) haverá 8 léguas; esta ilha estará em altura de 7 graus, bem pouco mais (16). Aqui defronte desta ilha está um lugar que se chama Lanban (17); haverá da ilha à terra de Madura uma légua. Podeis passar entre ela e a terra, porque já passei por aí muitas vezes; e achareis 12 e 11 braças, vasa. E assim pode- reis passar ao mar dela, achareis 18 braças e tudo e vasa; não te afasteis muito da dita ilha, porque ao mar dela, obra de légua e meia, dizem que é muito sujo e cheio de pe- dra (18). Sabereis que [indo'] tanto avante, que esta ilha vos ficar pela pôpa, para a banda do Oeste, e quiserdes ir de- 18
mandar a derradeira terra que faz a ilha de Gracham, que é um cabo que se chama Gasmate (19), que e cabo da terra de Java e êste nome lhe puseram porque tem um monte muito grosso, sôbre si, e por isso lhe puseram esse nome, para o irdes demandar desta Ilha de Madagaman (20), como acima vos tenho dito, haveis de mandar governar a lessueste, porque é o caminho verdadeiro; e haverá da ilha ao ilhéu (21) 8 ou 9 léguas, não tendes de que vos guardar em todo êste caminho de lessueste (22). Saberás que êste cabo da Ilha de Java [se corre] com a ilha que se chama Pude; esta Ilha Pude está no acabamento da Ilha de Madura; e esta outra, [que está] junto com ela, que se chama Raza, corre-se com o dito cabo Norte Sul; e digo que a de fora é a Ilha Pude. E a Ilha da Raza estara do cabo 6 ou 7 léguas; e por entre esta Pude e a Ilha da Raza haveis de passar se quiserdes ir por fora da Ilha de Madura (23). E sabereis que entre uma e outra [Pude e Raza] não tendes fundo, ainda que [das nausJ tomeis com as mãos as árvores. E mais vos digo que a Ilha da Raza, da banda de Leste, tem uma restinga de baixos que se chama Luca Pequena, e dura até defronte da Ilha de Maio, e corre-se a lessueste oesnoroeste; e são tantos [os pássaros] que não tem conto. Se quizeres ir demandar dêste cabo, atrás des- crito, de Madura, a Ilha de Maio (24), haveis de mandar governar a lessueste; e assim ireis costeando a Ilha de Gu- guom (25) e a Ilha de Anguaves (26), porém, à ilha pri- meira que topardes, quando partirdes do cabo da Ilha de Java, logo virai na volta da Ilha de Pam (27) até ao meio da Ilha de Banaia (28). r9
E sabereis que todos os boqueirões que se fazem, da Ilha de Java até à ilha de Maio, o primeiro boqueirão é o que se faz entre a Ilha de Java e a Ilha de Bancha; e o outro boqueirão é o que faz Bancha e a [Ilha de Anguaves] (29). Sabereis que da Ilha de Dure até o cabo da Ilha de Sabam, que é onde estão duas pedras, se corre nornordeste sussueste e há de rota 6 léguas e 7, e [achareis fundo'] em 6 ou 7 ou 8 braças e é tudo vasa (30). Tanto que fordes tanto avante como esta ilha, que já te tenho dito, que está pegada com a terra de Samatra (31) que parece quási que está tôda em uma costa, hás-de gover- nar ao sueste quarta do sul; e fareis este caminho até que acheis 10 braças. [Depois] governareis a sueste, e fareis êste caminho até que sejais tanto avante como um cabo que faz a Ilha de Samatra e aqui se chama Tanjambis. E deste cabo à Ilha de Pulo Bução, que está já de fora do canal que está pegado com a terra de Samatra, que quási quere parecer tudo uma costa, haverá 6 ou 7 léguas (32). E como êste Cabo de Tanjambis vos demorar a Oeste mandareis governar ao Sul, porque sabereis que ao Sul ides tomar as três Ilhas de Calantígua. Sem dúvida são três: a primeira delas tem um ilhéu junto consigo da banda do Sul; e a do meio não tem nenhum; e a terceira, que está mais perto do Sul, tem outro ilhéu consigo da banda do Norte (33). Sabereis que tanto avante dêste cabo, que acima tenho dito, está outro que se chama Tanbandaro (34). Este cabo é muito raso com o mar sem ter monte sobre si; e entre êste cabo e o cabo que acima vos tenho dito jaz Andraje. 2 o
Este cabo, que digo se chama Tanbandaro, está com a Ilha de Língua Leste Oeste, e haverá de um a outra 9 léguas; e, quando virdes êste cabo de fora, não vedes nenhuma terra de Samatra por respeito das enseadas que faz entre a terra e o cabo (35). Sabereis que êste mesmo cabo, que acima vos tenho dito, que está com a Ilha de Língua Leste Oeste, se corre com as Ilhas de Calantígua noroeste sueste e haverá do cabo às Ilhas de Calantígua [6 ou 7 léguas; estas Ilhas de Calantígua estão'] um grau da banda do Sul (36). Sabereis que da banda de Leste destas Ilhas de Calan- tígua vão muitas pedras sôbre a água e debaixo de água; fareis muito por vos meter entre elas e a Ilha de Língua, porque é muito mau caminho e por isso tende bom aviso convosco (37) Se quiserdes ir para as partes da Banda e quiserdes ir por entre a Ilha de Madura e a Ilha de Java, partindo vós do pôrto de Surabaya, vosso primeiro caminho há-de ser ao nordeste quarta a leste, até que vos chegueis à Ilha de Madura; porque sabereis que a Ilha de Java tem um grande parcel e por isso vos é necessário costeardes a Ilha de Ma- dura, porque tendes mais fundo (38). E tanto que fordes abarcado com a Ilha de Madura mandareis governar a Leste, porque assim ides costeando a costa da dita ilha com o prumo na mão, e ireis por fundo de 10 braças. O fundo, que por esta paragem haveis de achar, há-de ser teso (39) e não vos espanteis muito porque, nesta paragem, tendes fundo; tanto como fordes algum 2 i
tanto avante logo o fundo vos há-de minguar e achareis vasa (40). E o fundo há-de minguar até às duas braças e meia, porque é o fundo vasa; este fundo haveis de achar sempre ao longo desta Madura. E, quando o fundo vos começar a minguar das 10 braças, mandareis governar a lessueste até dardes em duas braças e meia; porém, fareis sempre o cami- nho de lessueste até que o fundo vos comece [a crescer]. E por este rumo ireis sempre a légua e meia da terra da Madura; torno-vos a lembrar que não deixes o prumo da mão (41). 2 2
Notas Observação. — No decorrer destas Notas: L. M. significa o Livro de Marinharia de João de Lisboa. (1) Todo este capítulo vem na colecção do Livro de Marinha- ria (»). (2) Êste capítulo é parcialmente extraído de qualquer cópia igual à última parte da colecção de Roteiros do L. M. (3) Em L. M. (pág. 266) tem «Nuquarraya». (4) Vem tudo a pág. 266 do L. M. (5) No L. M. (pág. 266) está «Nucaramjete». (6) Tudo vem a pág. 266 do L. Aí. (7) Em L. M., pág. 266, vem «Tamjambão». (8) O L. Aí., pág. 266, tem «Nucarantete». (9) O autor não copiou a parte do L. Aí. em que anterior- mente empregara «Nucarantete». (10) Vem tudo a pág. 266 do L. M. (11) O L. Al. não tem êste nome: Batalear. (12) Ver o L. Aí., pág. 266. Sobre Francisco de Melo ver o nosso Preâmbulo. (a) João de Lisboa — Livro de Marinharia. Lisboa, 1903, págs. 211 e 212. 23
(13) No L. M., pág. 263, tem «umas», e assim deve ser. (14) O L. M. em lugar de Madura tem «Mandegua» (pág. 263). (15) Falta o nome do cabo, que o L. M. indica ser «Com- baia» (pág. 263). (16) O autor saltou agora para págs. 263 do L. M., onde tudo vem. (17) O L. Al. tem «Labuão» (pág. 263). (18) O L. Aí. tem tudo a págs. 263- (19) O L. Aí. em lugar de Gasmate chama-lhe: «Gunoa- guão» (pág. 264). (20) «Mandegua» tem o L. M. (pág. 264). (21) O L. Aí. tem «cabo» em vez de ilhéu (pág. 264). (22) Vem tudo em o L. Aí. em págs. 263 e 264. (23) Vem tudo em pág. 264 do L. Aí. (24) O L. M. tem «Moyo» em vez de Maio (pág. 264); parece que o L. M. tem razão. (25) No L. Al. (pág. 264) Iê-se «Vamcha» em vez de Gu- guom. (26) «Anizae», no L. M. (pág. 264), em vez de Anguaves. (27) Ilha de Pam — «Ilha de Bamcha», no L. M. (pág. 264). (28) O L. Aí. (pág. 264) tem agora «Ayane», em vez de Banaia. (29) Vem tudo a pág. 264 do L. Aí. (30) Vem tudo a págs. 255 do L. Aí., para o que o autor deu um novo salto. (31) O autor não se referiu anteriormente a Samatra, o que não admira visto que o Ms. é uma série de extratos salteados dum Roteiro para Samatra e Java. (32) Vem tudo em págs. 255 e 256 do L. M. (33) E tudo como no L. Aí. (pág. 256). (34) Este Tanbandaro é «Tanjaboco» no L. M. (35) Vem tudo no L. M., pág. 256. (36) Tudo como no L. Aí. (pág. 256). (37) Vem tudo como no L. M. (pág. 256). (38) Agora ainda o autor deu novo salto, estando tudo a págs. 262 e 263 do L. Aí. (39) Fundo teso — fundo duro. (40) Vem tudo a págs. 263 do L. Al. (41) Vem tudo a págs. 263 do L. Aí. 24
II COLECÇÃO E ROTEIROS c. 1545 DE MANUEL ÁLVARES
% « Preâmbulo II OS pilotos sempre possuíram os seus cadernos de apon- tamentos de navegação, recebidos, ou copiados de outros, de pilotos mais antigos. Neles iam escre- vendo as novas informações que obtinham, e, os mais cultos e cuidadosos, as suas próprias abservações pessoais, por vezes do maior interesse náutico. Alguns desses cadernos dos pilotos de antanho ainda felizmente chegaram até nós. Está neste caso a presente Colecção, devida ao piloto Manuel Álvares, cujo nome vem bem expresso neste passo do cap. (X): «EU Emanuel Álvares e Aires Fernandes viemos dar nas Ilhas Primeiras, que estão em 17 graus.» Ignoramos quem fôsse o piloto Aires Fernandes; de Manuel Alvares nos vamos ocupar. 27
Dados biográficos de Manuel Álvares 1 — Muito poucos são os elementos que colhemos sôbre o piloto Manuel Álvares. a) Vem êle citado em carta de D. João III ao Conde da Castanheira, de 3 de Março de 1333: «... Manuel Alvares [piloto}, segundo Fernam d'Alva- res disse que lhe êle [Fernam Peres d'Andrade] dis- sera, por ser mais suficiente e experimentado na carreira da Índia que o Martim Vaz que êle consigo leva, escrevo ao dito Manuel Álvares...» (1). b) Era piloto da nau Grifo, capitaneada por D. João de Castro, na viagem de Lisboa a Goa em 1338, conforme duas vezes é citado pelo ilustre marinheiro no seu Roteiro de Lisboa a Goa, 1538. Vê-se pois que o piloto Manuel Álvares «experimentado na carreira da Índia» já devia ser homem maduro em 1338. Colecção de Manuel Álvares 2 Conhecem-se duas cópias da Colecção de Manuel Alvares, uma pertença do ilustre historiador inglês C. R. (1) Publicada em: Letters of John III, King of Portugal, 1521-1557. Harvard University Press. Cambridge, Massachusetts, 1931, n.« 181, pães 219 e 220. r 6 2 8
Boxer, outra existente na Biblioteca Nacional de Paris (Fonds port. n.° 56; ancien n.° 58). Ambas foram escritas no século xvi; a de Mr. Boxer pertenceu ao viajante francês A. Thevet, tendo inscrito no fim, em letra que parece ser deste último, o ano de 1563. Como têm letra bem diferente ê possível que uma destas cópias seja o próprio original de Manuel Álvares. 3 — Ambas começam por assuntos relativos à navega- ção, seguindo-se-lhes uma interessante colecção de Roteiros, um dêles bem identificado: o da Carreira da índia, de Diogo Afonso. Outros Roteiros e Informações náuticas vêm também na grande Colecção do bem conhecido Livro de Marinharia de João de Lisboa; entre aquêles últimos figura a Derrota do Estreito para Djedá, mais desenvolvida em Manuel Álvares. Esta Derrota e a Conhecença dos tem- porais e luas vêm também numa interessante Colecção exis- tente do Vaticano — género Livro de Marinharia. As cópias terminam por algumas páginas que conside- ramos da autoria de Manuel Álvares. 4 — Data da Colecção. — Não regista ela quelquer data que possa orientar-nos, com precisão, a respeito do ano em que Manuel Álvares a organizou. Alguns factos citados no Roteiro de Diogo Afonso leva- ram-nos a considerar o dêste autor de c. 1535. Por outro lado, como Manuel Alvares era piloto da nau Grifo em 1538, conduzem-nos a supôr que a sua Colec- ção seja posterior a êste ano de 1538. Talvez estejamos na realidade afirmando que Manuel Alvares organizou a sua Colecção na quinta década do século xvi, porisso a fixamos em c. 1545. 2 9
Publicação da Colecção de Manuel Álvares 5 — Servimo-nos da cópia de Mr. Boxer, de ortografia menos arrevezada do que a da cópia de Paris; contudo, ainda a transformámos na actual o que permitirá a sua mais fácil leitura e interpretação, especialmente de alguns passos que aparentemente pareciam incompreensíveis.
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II Colecção de Roteiros (D (i] Roteiro da navegação daqui para a índia (2) Partindo de Lisboa hei-de governar ao sudoeste ate haver vista da Ilha do Porto Santo ou da Ilha da Madeira. E daí irei ao Sul a demandar as Caná- rias; e tanto que passar as Canárias farei o caminho do sudoeste e do Sul, até que seja em 15 graus, de maneira que vá 50 léguas do Cabo Verde. Daqui por diante hei-de fazer o caminho ao sudoeste c ao sul quarta do sudoeste, até 6 graus, e dai por diante ao sueste e a quarta do Sul, de maneira que vá 70 léguas dos Baixos do Rio Grande e 80 dos de Santana. E traba- 3 j
lha de te chegares à linha equinocial, sempre sobre o Sul e da maneira que atrás digo. E se for caso que antes que chegues à linha ou nela, antes vai na volta de Leste que de Oeste; isto se entenderá com o vento Sul, estando debaixo da linha 100 léguas. Do Cabo das Palmas, pouco mais ou menos, faz as voltas curtas, para te não botarem as águas para dentro do Cabo das Palmas, por te não ser bom. Nesta Costa da Malagueta, com as luas, correm as águas ao sueste, por tanto não te alargues na volta do Bra- sil estando debaixo da linha e quando puseres a proa a Oeste. Enquanto não fores nela, e te seguirem os ventos, trabalha como te acima digo até chegares à linha. Nesta volta do Brasil hás-de trabalhar de te pores em altura de 8 graus e dois terços, que está o Cabo de Santo Agostinho. Se fôr caso que te acontecer que fôres ver a terra, nesta altura, não te faças noutra volta, surge aqui com a nau, que os ventos te alargarão a fazeres teu caminho; mais hás-de saber que nesta travessa do Cabo de Santo Agostinho, para o Brasil, correm as águas para as Antilhas, e portanto não cures de fazer volta, porque se a fizeres será tornares ao caminho de Portugal. Daqui hás-de fazer outro caminho para as ilhas de Martim Vaz; depois que dobrardes a linha quanto mais direito caminho fizerdes, para as Ilhas de Martim Vaz, mais proveito teu será. Das Ilhas de Martim Vaz ou da altura em que elas es- tão, para as Ilhas de Tristão da Cunha, se fôres com vento à 3 2
pôpa aí lhe darás o caminho; e não cures de lhe dar abati- mento nenhum, porque as ilhas, umas com as outras, jazem numa longitude com a diferença que fazem as agulhas; nesta paragem, das Ilhas de Tristão da Cunha, nordesteia até uma quarta e meia, e quando for uma hora depois do meio- -dia, então é meio-dia no astrolábio. Para saberes se estás perto das ilhas, quando achares os antenais, de cinco em cinco, és com elas. E daqui te seguirão os feijões, que são umas aves pequenas da feição de pégas pintadas. E quando estiveres Norte Sul com elas acharás sargaço. Destas Ilhas de Tristão da Cunha para o Cabo da Boa Esperança, sendo aqui nesta paragem, por dezoito dias de Junho, acharás nesta derrota para o Cabo da Boa Esperança sargaço, misturado com algumas trombas; estas ramudas, e não são compridas como as do Cabo da Boa Esperança; e de um e de outras acharás às vezes muito, em outros tem- pos acharás menos; não te espantes por isso que a causa disto não é senão quanto mais tormenta nas ilhas quanto mais se arrumeam e bota isto com as águas e ventos, que vêm de cima das ilhas para o Cabo da Boa Esperança. E portanto digo que, se vieres pela altura que atrás digo e achares estes sinais, te ponhas avante 150 léguas, ou mais, das Ilhas de Tristão da Cunha, porque estes sinais andam como tenho dito. Se vieres por 35 graus largos ou escassos, demandar o Cabo da Boa Esperança, e achares trombas, quando as vires sabe que são do Cabo da Boa Esperança, porque tereis dei- xado as outras das Ilhas de Tristão da Cunha e achas estas; sabe que não andam a mais que 30 léguas ou 40. E se vieres por 36 e meio, não acharás estes sinais senão forem os alca- 3 33
trazes. Estas trombas são compridas, como buzinas. E mais quando fores 20 léguas ou 30 desta terra do Cabo acharás as corvas pretas, que têm os bicos brancos, e mais uns gai- votões, que têm os cotos das asas pretos. Estes são os sinais que ha neste Cabo da Boa Esperança até ao Cabo das Agu- lhas. Acharás das Ilhas de Tristão da Cunha para o Cabo da Boa Esperança lobos marinhos, de quando em quando; e se vieres por aqui no fim de Junho pode ser que não vejas nenhum, por quanto se acolhem dos frios para a terra. Se for caso que te aches a dez dias de Maio, pouco mais ou menos, com estas Ilhas de Tristão da Cunha, não passes de 35 para cima, por quanto entram aqui os ponentes em Maio e trazem grande fôrça, e mais se for sôbre lua nova, porque te não aconteça o que aconteceu ao Bom Jesus, que o comeu o mar e o tempo (3). Se achares os antenais pousados no mar, cinco e seis grandes malhados, estás no Cabo das Agulhas, porque an- dam no mesmo Cabo comendo de amêijoa; mais acharás alguns cascos de cibas, pequenos, se tiveres vegia pequenos e grandes, e vindo pela altura, que atrás digo, sendo 30 léguas do Cabo e também se vieres por 36 graus também acharás êstes antenais pousados. Nesta derrota que trazes, do Brasil para o Cabo da Boa Esperança, seguem-te muitas aves; e tanto que és no rosto do Cabo perdê-las-às, e verás outras que atrás digo que são as corvas pretas; para saberes que és mais certo de den- tro do Cabo a vaga do mar que trazes, de Leste Oeste, ha- velas-ás de perder tanto que fores do Cabo das Agulhas para dentro e até te dar outra do sudoeste, que é como se a costa corre do Cabo para dentro. E aqui neste Cabo da 34
Boa Esperança são as agulhas fixas; e quando for meio-dia pelo astrolábio assim há-de ser pelo relójio, por estar Norte Sul com o Cabo das Agulhas ou entre um e outro. Este é bom sinal, para quando vieres de Portugal para a índia, porque desta paragem até à costa da India noroesteiam as agulhas. Trinta léguas do Cabo das Agulhas, para Moçambique, se corre a costa Leste Oeste; terás aviso se vieres para o Cabo das Agulhas, e fores 7 ou 8 léguas ao mar da Aguada de São Braz, não lhe dês o caminho para o Cabo senão do su- doeste quarta de oeste, para os salvar; este caminho é neces- sário fazê-lo por bem das correntes que te deitam as enseadas. Se for caso que passes largo do Cabo, que não vejas os sinais, olharás pela altura e pelo relójio, ainda que é mister ser certo e as linhas direitas; e se for 150 léguas do Cabo para dentro quando for meio-dia pelo astrolábio não chega a sombra da linha do relójio ao seu meio-dia, com um quarto de hora. E quando for meio-dia pelo relójio há-de ter descido o sol meio grau; e se isto vires assenta que és 150 léguas do Cabo das Agulhas e do da Boa Esperança, olha bem que assim o acharás. E vindo de mar em fora, se achares uns passarinhos pequenos brancos, em manadas, andam 20 léguas desta terra onde os acharás. Tanto que vires a terra, ora seja do Cabo das Agulhas ou avante, arreda-te dela; se houveres de ir por Moçambi- que, trinta léguas do mar, governa ao nordeste, de maneira que vás demandar os Baixos da Judia. Vindo demandar os Baixos da Judia, para seres certo se és com eles, quando fores em 22 graus acharás muitos alcatrazes e grajaos vais bem navegado; e se não vires ne- 35
nhuma coisa destas, olha por ti ou és com São Lourenço ou com o Parcel de Sofala. E vendo as aves muitas não és mais de 6 léguas dos baixos; governa ao nordeste 35 léguas, de- pois governa ao nordeste 25 léguas, de maneira que faças o caminho até 19 graus e um quarto; e depois governa ao nornordeste até 18 graus e a oessudoeste, e depois faz o ca- minho a oeste quarta do sudoeste. E por ai vem navegando até que hajas vista da terra da Aguada de São Braz, que está em 34 graus largos. E nesta derrota que trazes, quando fores 50 léguas ou 60 da Terra do Natal, e achares muitas infindas aves, quan- tas mais achares mais tormenta e, quando achares muitas, entende que és ainda longe da terra. E como as perdereis olha por ti; que estás com a terra. E perdê-las-às tôdas, senão as corvas pretas que têm os bicos brancos e andam da terra 20 léguas e mais não. E quanto mais fores em terra mais acharás delas porque as há de longo na costa do Natal. Vindo demandar os Baixos da Judia, sendo com êles em 22 graus, acharás muitos alcatrazes e garajaos, como atrás digo; governa ao nornordeste até 18 graus. E por estes 18 graus hás-de governar ao norte quarta do nordeste, até que sejas na altura de 16 graus e três quar- tos; e quando estiveres nesta altura e vires muitos alcatra- zes sabe que estás com a Ilha de João da Nova. E se vires os alcatrazes, e se têm em manada, és longe 10 ou 15 léguas, porquanto vêm em manada; trabalha todavia de te botares fora de 16 graus, em que está esta Ilha de Angoxe para Moçambique; e quanto mais governares para o Norte irás mais perto de Moçambique. Avisar-te-às que nesta terra não passes de 25 braças; para a terra está a baixa em que deu Dom João [Pereira'], a de-redor dela há 13 braças (4). 36
Aqui entram duas navegações: uma do Cabo da Boa Esperança pelos Baixos da Judia, e outra do Cabo das Cor- rentes para Moçambique. Segue aquela em que te achares. (5) Se caso fores que vieres haveres vista do Cabo das Correntes, 6 ou 7 léguas dele, e fores para Moçambique em lesnordeste, e se fores com ventos escassos, como fores em 22 graus em que estão os baixos, neste caminho verás muitos garjaos em manadas; se os ventos forem largos, go- verna nordeste quarta de leste até que vás na altura, que atrás digo. Para saberes se és perto dos baixos verás muitos garajaos e alcatrazes infindos, e se vires os alcatrazes, muitos, és com os baixos, e se vires os garjaos, sem alcatrazes, estás 25 léguas dos baixos. • E daqui hás-de governar ao nordeste quarta do norte, até 19 graus e um quarto. E depois governa ao nordeste até 18 graus. E depois ao norte quarta do nordeste, até que sejas na altura de 16 graus e três quartos. E quando estiveres nesta altura e vires muitos alcatrazes sabe que estás pegado com a Ilha de João da Nova. E se vires os alcatrazes, seis e sete em manadas, és 10 ou 15 léguas, porquanto vêm comer longe; todavia trabalha porque te botes fora desta altura da ilha, que está em 16 graus e meio. E, por ires mais seguro, daqui governa ao nornordeste, e tomarás as Ilhas de Angoxe para Moçambique; e quanto mais governares para o Norte irás mais perto de Moçambique. E avisar-te-ás que nesta terra das Ilhas de Angoxa para Moçambique não passes de 25 braças a Baixa dos Currais, em que deu D. João Pereira, a de-redor dela 13 braças (6). Avisarte-ás que tanto que passares estas Ilhas de Angoxe governes ao nordeste quarta de leste, que é bom caminho; guarda-te que não passes de 25 braças como atrás digo. 3 7
Este caminho do Cabo das Correntes, para diante, hás-de fazê-lo se te achares com o Cabo das Correntes com os ven- tos suestes, hás-de te acostar antes à ilha que ao Parcel de Sofala, por ires mais prestes a Moçambique; com os ventos levantes, pela altura e sinais das aves, que atrás digo, hás-de reger e guardar-te dos Baixos da Judia. E da Ilha de São Lou- renço para os Baixos da Judia, entre um e outro há de 90 a 100 braças. Se quiseres entrar em Moçambique deixa as Ilhas de São Jorge e Santiago da banda do sudoeste, e alarga-te de S. Jorge à vista; irás por 6 braças e 7, e vai de ló, de maneira que vás com a proa da náu em um areal que está de Nossa Senhora do Baluarte para o sudoeste. E antes que chegues a Nossa Senhora, um auste ou dois acima, guarda-te da ponta do parcel e baixo, de uma banda e outra te dirá por onde hás-de ir (7). (8) Partindo de Moçambique para a índia governa ao nordeste. Nesta derrota verás a Ilha de Combro (9), e o mais da terra está de Moçambique 94 léguas, em 11 graus e meio a ponta da banda do Norte. Olha que se vieres por êste caminho hás-de dar na ilha; é muito alta da parte do su- doeste, e no meio se parte a terra. E para uma parte e para outra é mui alta. A 15 léguas dela verás rabos de junco, e de noite cantam garjaos; ainda que não vejas disto nada não te espantes. E partindo desta ilha para a índia hás-de saber: tanto que descobrires a ponta da Ilha de São Lourenço correm as águas ao Norte e a nornordeste; e assim correm ao Cabo Guardafui. 38
E neste caminho para a índia has-de ter tal aviso que se for caso que fores a quartel, ou a popa, ou com ventos largos, não dês o caminho aonde puseres a proa da náu. E ainda que vá à popa dá-lhe uma quarta e as vezes duas. E se fores com o punho na amura, porquanto as aguas se deitam ao nornordeste, tem aviso neste caminho quando tomares muita altura. Entende que te lançam as águas para onde te tenho dito; isto que atrás digo é para seres mais certo a tomar a costa da India. E mais te has-de guardar das agulhas, que noroesteiam uma quarta. E mais se dás o caminho ao rumo, aonde a naus põe a prôa, tudo aquilo que as agulhas noroesteiam e as águas te lançam ao nornordeste; e por esta causa correm os pilotos seis e sete dias sem a ver. E neste caminho, Norte Sul com Socotorá, aqui lançam as águas para o Cabo Guardafui de 4 graus ate 7; tem aviso que lhe dês resguardo que não fiques curto. E neste caminho verás sempre muitos alcatrazes, quatro e cinco, e verás alguns rabos de junco quando fores na altura dos Baixos de Padua; dali para a costa não verás nenhum sinal, nem alcatrazes, somente as cobras que te aparecerão a 70 e a 50 léguas da costa. E segundo for a invernada assim acharás aí o mar ou a terra; porque sabe que as correntes do Cabo da Boa Esperança até êste fim que aqui digo cor- rem as águas do Cabo Delgado para o da Boa Esperança do susudoeste, ainda que se aqui metam algumas revessas, a saber, de longo das Ilhas Primeiras para Oeste correm as águas ao parcel, e do Cabo das Correntes para a Aguada da Boa Paz correm as águas a Oeste; e nas enseadas, que estão pelo Cabo das Agulhas para a Aguada de São Braz, correm as águas à terra. E por esta costa acharás que quanto mais força de ponentes mais correm as águas contra o vento. Aqui se acabou a navegação de Portugal para a Índia. 39
[II] Viagem da India para Portugal, a saber de Monte de Li ou de Cochim. Trata da vinda ao Reino (10) Partindo de Monte de Li para Portugal, por fora da Ilha de São Lourenço, pondo-te nordeste sudoeste com o Monte de Li hás-de governar a oeste quarta do sudoeste; irás dar em uma ilha, que está em 10 graus e meio, e de lá ao Monte de Li há 50 léguas. E daí hás-de fazer o caminho ao sudoeste quarta de oeste. E verás desta ilha as outras mais do mar 25 léguas; estão na altura de 9 graus e três quartos; guarda-te que não vás delas pela banda do Norte, que tem muitas restingas pela banda do Sul; meia légua delas tudo é alto e limpo. Em tudo tereis fundo; não hajas mêdo de nenhuma cousa, que o vento se te irá a terra, e podes sair para fora se fores para o Cabo da Boa Esperança e não te agastes com isso. M A derrota por fora da Ilha de S. Lourenço para Portugal Sendo caso que partas de Cochim para Portugal, trabalha de te pores na altura de 10 graus e meio até seres a 150 lé- guas; e dali vai a oessudoeste, de maneira que te guardes de 10 graus escassos, em que estão as Ilhas de Mamale, e 40
a água te chamará ao meio do cfcnal de entre estas ilhas e as Maldivas; por 9 graus e meio podes passar e largos. E não verás ilha nenhuma; vai seguro por 9 graus e um terço, ainda que nas cartas estão algumas falsas. Se for caso que partires de Cochim a 20 de Janeiro (H)> pouco mais ou menos, governa tanto que passares as ilhas ao sudoeste quarta do sul até seres na linha equinocial, por- que partes tarde e pode ser que os tempos não te sigam bem; para ires ao mar da Ilha Brandoa podes ir por entre as Irmãs, que estão em 4 graus, por entre elas e os 9 graus podes ir demandar as ilhas (12). Sabe que os ventos que te ventam em Março e Abril, por todo este caminho da ponta de São Lourenço para o Cabo são Nortes e nornordestes; o Leste se ventar um dia ou dois será por milagre; suestes nem Sul não faças conta deles, porque não nos ha em todos estes dois meses. Em todo êste caminho, até o Cabo da Boa Esperança, quanto mais para o Cabo mais Nortes; e, a noite que te orvalhar espera por ponente, que e o seu natural. Terás aviso que se vieres em ano bissexto, por esta para- gem, porque os anos bissextos são mais arrevesados que os outros anos por causa das conjunções dos corpos celestes, que são divisos em si. E assim são os corpos inferiores, por- que o interior é sujeito ao superior, onde são regidos e go- vernados. Acharás que tanto que o vento for Norte por esta paragem, e fores de 30 graus para cima e vier com uma chuva miúda, olha que te não dê contraste, porque se te der por diante não há que te tenha que não sossobres me- diante a graça de Deus, que são mui furiosos e desesperados. E se caso for que te aches na entrada de Fevereiro com a ponta de São Lourenço, 70 ou 80 léguas ao mar, vai deman-
dar o Cabo das Agulhas e levarás os ventos sempre sueste e lessoeste, de maneira que não passes de 36 graus para o mar. Esta navegação farás se partires em Dezembro da índia, e tomarás fundo no Cabo das Agulhas, 20 léguas e 25 da terra em 100 braças; e em 130 se estiveres em 36 graus e meio. [b] Indo por entre as Ilhas do Mascarenhas Sendo caso que te aches nestes 4 graus da linha e salta- rem contigo trovoadas, porque as há em Fevereiro que eu andei todo este mês com elas até 14 graus, trabalha de te pores em altura; e como fores nela, por 15 graus ou 16, acharás os ventos suestes; não cures de te ires mais ao mar, vai de longo da Ilha Brandoa ou entre ela e os Baixos de Lopo Soares, e ao Sul dela é bom caminho. Tanto que passares esta ilha governa de longo da Ilha de João de Lisboa; por entre ela e as Ilhas de Pedro Mascare- nhas é bom caminho, de maneira que vás 40 ou 50 léguas da Ilha de São Lourenço; daí governa até 29 graus a oessu- doeste e depois faz o caminho a oeste quarta do sudoeste, e por aí vem navegando até que hajas vista da terra em 34 graus, pouco mais ou menos. Nesta derrota que trazes, quando fores 50 ou 60 léguas da Terra do Natal, acharas muitas infindas aves, e quanto mais tormenta tantas mais verás. E quando achares muitas entende que és ainda longe da terra; e, como as perderes
de súbito, olha por ti que estás com a terra; e perde-las-as todas, senão as corvas pretas, que têm os bicos brancos; e quanto mais fores em terra acharás mais delas, porque as ha ao longo desta costa 20 léguas ao mar; e mais não ha. Tanto que partires destas ilhas, ora seja cedo ora tarde, governa ao sudoeste quarta do sul até passares a linha equi- nocial; se for caso que achares os ventos Oestes governa ao sul quarta do sudoeste, se poderes, e senão por Sul é bom caminho. Não hajas medo de nenhuma coisa nesta derrota. Se for caso que aches muitos gar jaós de 13 gráus para cima, em manadas, não hajas medo pela rota que levas; se fores tarde lança-te à banda do Sul, isto para te entregares na altura de 16 graus, em que estão os Baixos de Lopo Soa- res ou os Garajaos. Bem podes andar de noite êste caminho, e de dia, sem veres coisa alguma, e eu assim o fiz; senão passares dos 16 graus podes ir por entre as Ilhas do Brandão e os baixos que atrás digo, e quando fores na altura deles perde uma noite por ires mais seguro. E entende quando achares tinho- zas, muitas, e garjaos com elas misturados em manadas, que são dela e acha-las-ás quando fores 40 léguas desta ilha avante, e daqui governa ao sudoeste quarta do sul; algumas são grandes. Se vieres cedo da índia bota-te ao mar de tôdas estas ilhas, e daí vai buscar o Cabo das Agulhas. Sendo caso que te aches a 6 ou 7 dias de Fevereiro, pouco mais ou menos 100 léguas da ponta da Ilha de São Lou- renço, em sua altura, como me eu já achei, governa a oessu- doeste até que sejas na altura do Cabo; e guarda-te das águas que te podem fazer algum engano, que deitam mais em Fevereiro por causa da fôrça dos levantes. 43
Vindo demandar o Cabo da Boa Esperança, em 36 graus e meio, quando fores com o Cabo das Agulhas quando te fizer meio-dia no astrolábio, no relójio hás-de estar con- forme e justo no meio-dia, faltar-lhe-á a grossura de uma linha; este é bom sinal para quando vieres da índia ou de Portugal, porque aqui são as agulhas fixas por ser o meri- diano vero. E se fores por uma banda ou por outra noroes- teiam ou nordesteiam segundo o que estás apartado da sua linha meridional; outro tanto fazem os relójios fora do seu meridiano. E quando vieres demandar o Cabo das Agulhas, ora sejas diante da nau ou a nau diante de ti, atenta pela água. E se a vires turva, e vieres por 36 graus e meio, bota o prumo e acharás 130 braças. Se estiveres em 36 graus e meio, e 35 e dois terços, acha- rás 90 braças; não verás terra e acharás muitas aves, e alca- trazes, e corvas dos bicos brancos neste Cabo das Agulhas; partirás por diante nesta costa, acharás muitas delas 20 lé- guas da terra e mais; não há água enquanto não fôres neste fundo, luze (13) e acharás também cascas de cibas pique- nas tanto que tomares fundo; senão quiseres haver vista do Cabo da Boa Esperança vai por este fundo até que o percas, e como o perderes entende que és passado do Cabo das Agulhas. E governa a oesnoroeste e irás 12 léguas do Cabo, o mais, e quando o despedires acharás trombas e mais; por esta derrota em diante acharás a 100 e a 150 léguas estas trombas; se estes sinais vires entende que és do Cabo para Portugal. E no Cabo das Agulhas atenta pelo relógio e água do fundo, que ela te dirá quando és com êle, como atrás digo em um capítulo que pelo nordestear e noroestear saberás de que banda és do cabo. E neste caminho hás-de 44
dar resguardo à agulha uma quarta, até seres na altura de 20 graus para 15 graus. E quando passares esta altura não dês mais resguardo, porquanto as agulhas se vão afixando, olha o caminho que fazes com a nau e ali lho darás; e ainda que aches alguma diferença das cartas, com respeito à agulha,^ entende que as costas estão lançadas pelo que os Reis têm mandado, conforme os seus intentos, e por esta razão se navega mais pela boa marinharia e boa estimativa que os pilotos tem do que pelo que antigamente se descobriu. E tendo passado o Cabo, indo pela altura que acima digo, farás o caminho a oesnoroeste e ao noroeste até ser em altura de 16 graus, em que está a Ilha de Santa Helena. E sempre farás muito de ir por esta altura, que digo, em Leste, a buscar a Ilha de Santa Helena, porque não a errarás. Partindo da Ilha de Santa Helena farás o caminho ao noroeste até haver vista da Ilha da Ascensão, que está em 8 graus da banda do Sul da linha. E, tanto que a vires, dali farás o caminho a oesnoroeste e ao noroeste, o que deixo na tua boa estimativa conforme ao caminho que a nau traz, porque nesta paragem a agulha se vai fixando. E como fôres Norte Sul com o Penedo de São Pedro, pouco mais ou menos, a agulha é fixa no Norte. E como passares a linha equinocial, 5 graus pelo caminho do sargaço, te irá a agulha fazendo diferença de uma quarta e meia e quási dois terços de noroestear, pela grande derrota que trazes do Cabo da Boa Esperança, até te pores em altura de 39 graus e 39 e meio, fazendo sempre diferentes caminhos em busca desta altura, até que te ponhas Leste Oeste com as Ilhas das Flores e Faial. E pelos 39 graus largos verás a Ilha das Flores, 7 ou 8 léguas pela banda do Sul delas. 45
Se te acontecer, e te achares em 38 graus> veres baleias ou grajaos, também pode ser que acharás tartarugas, não te pareça por isso que és a barlavento. Para saberes o que estás das ilhas, porque o caminho que fazes é de Leste Oeste e não podes saber quanto arre- dado delas estás, como digo que vais de Leste Oeste, olha a agulha; e quando te noroestear uma quarta és a 120 lé- guas ou 130, quando te noroestear meia quarta estás do Faial 60 ou 70 léguas, e quanto mais diferença te fizer mais serás a Oeste das ilhas. Na Terceira noroesteia a agulha um quarto de quarta, e como fôres Leste Oeste com a Ilha de São Miguel ou de Santa Maria a agulha é fixa no Norte. E dali, vindo em demanda da Roca por altura de 39 graus, tem conta com a agulha, que como te fizer de diferença de nordestear dois terços de quarta sabe que estás com a Barra de Lisboa, e olha por terra que logo a verás; e este é o mais certo conhecimento que tereis (14). Aqui se acabou a viagem da índia para Portugual. [III] Derrota do Estreito de Meca para Djedá (15) Adem até às Portas do Estreito (16) há 28 léguas; neste caminho, te hás-de guardar que não andes de noite, porque tens 12 léguas das Portas aos Baixos de Santo António, em que deu Diogo Lopes de Sequeira; e assim queimaram a nau, que não puderam tirar (17). 46
Das Portas às Ilhas Primeiras (18) há 17 léguas e corre-se nornoroeste susueste, e vais dar na ponta do sudoes- te; e quanto mais governares ao nornoroeste, tanto melhor caminho farás. Esta ilha da banda do sudoeste está em 13 graus e um terço largos. As ilhas tem uma baixa da parte do sudoeste, meia légua da ilha, e corre-se até a ponta dela Norte Sul, e toma a oeste quarta do nornoroeste sueste; e tem de comprido 9 léguas. Destas ilhas para [a ilha de] Camarão hás-de governar ao norte quarta do noroeste, e há na rota 21 léguas. E Cama- rão está em altura de 15 graus e dois terços. De Camarão às Portas [vai] ao longo da terra, salvando os baixos da Serra (19), se corre Norte Sul, e toma o norte quarta do noroeste sueste, e tem de comprido 9 léguas; há na rota 50 léguas. Se partires das Ilhas Primeiras hás-de governar ao no- roeste e haverás vista das Sete Ilhas (20), e tem na rota de umas às outras 16 léguas. Estas Sete Ilhas tem da parte do Sul surgidouro em 18 braças; desta parte do Sul está uma baixa, meia légua do surgidouro. E se quiseres surgir da banda de Oeste hás-de ir ao morro, por entre as duas ilhas, onde está uma areia branca; e verás rebentar um baixo entre ambas as duas ilhas; e antes que chegues a elas hás-de achar 5 braças e depois 15; nestas surgirás, aqui faz o mar pausa. E se quiseres partir destas ilhas hás-de governar a oesnoroeste, e haverás vista da Ilha Ceibão. Nesta ilha não tens fundo, para te abrigares do levante, senão a um tiro de pedra da terra; não há nenhuma coisa que te faça mal, chega-te a ela não hajas medo. Das Sete Ilhas a Ceibão, há 12 léguas; está Ceibão na altura de 15 graus e três quartos. 47
Se partires de Ceibão para Maçuá, e quiseres ir pelo canal de Barlavento, hás-de te pôr nordeste sudoeste quarta de oeste com Ceibão, e dali hás-de governar ao sudoeste quarta de oeste; e seja com qualquer tempo vai sem receio de achares baixos, senão o parcel, que é o primeiro que acharás, e tem de fundo 12 braças, e 9 o mais baixo; êste parcel tem de largo duas léguas. Partindo da [Ilha de] Dalaca para Maçuá hás-de ir a oeste quarta do noroeste, e há na rota 11 léguas. E quando saíres de Dalaca hás-de ver uma ilha de areia branca, arreda-te dela. E indo mais por êste caminho acharás um parcel da parte do sudoeste, vai quanto o salves, porque tudo é alto da parte do sudoeste. Maçuá está em 15 graus e dois terços; é uma ilha pequena e tem água em si; é terra de muitas carnes e mantimento; e a mais pequena moeda de ouro que entre eles se pratica é de três mil reis. [IV] Lembrança dos temporais e luas novas e vermelhas na costa da índia (21) Primeiramente em tôda a costa da índia entram os levan- tes por todo o mês de Novembro, e saem por todo o mês de Março, e daqui começam os ponentes por todo o mês de Setembro; nos quais meses entra outro que nesta costa é de grandes calmarias e chuveiros, por despedimento do Inverno e entrada do Verão. 48
Em esta costa da India correm seis meses do ano as águas para Melinde, que é dos dez de Outubro até Março; e de Março até o mês de Outubro, porque correm para a India, a saber: quando correm para Melinde chegam estas águas até o Cabo Delgado, que está em 10 graus da banda do Sul junto com Quiloa, e daqui correm os outros seis meses para a Índia. E daqui, dêste Cabo Delgado para o Cabo da Boa Es- perança, correm as águas sempre todos os meses do ano. E quando te chegares entre as ilhas e o Parcel de Sofala guardar-te-ás que te não levem as águas em terra, como levaram pilotos pelas águas os espaldarem para lá, e, por- tanto, terás maneira como tomes água pela proa. E partindo da costa da Índia para Portugal, havendo de passar por fora da Ilha de São Lourenço, aqui correm as águas ao Sul até seres com a ilha desta parte de Leste, que está em 12 graus. Ao longo desta Ilha de São Lourenço, de 15 graus para baixo, correm as águas ao noroeste, e dos 15 graus para cima correm ao Sul de longo dela. Na costa do Cabo da Boa Esperança até Moçambique entram os levantes de Setembro até todo Março, que são seis meses. Por a terra ser fria e fora dos trópicos se metem às vezes, como dito tenho, neste tempo alguns ponentes, a dias dois ou três, e logo acodem ao seu geral que são levantes. Nesta mesma costa entram os ponentes por todo o mês de Abril, e saem por todo o mês de Setembro, que são seis 49 4
meses, nos quais se metem às vezes, como dito tenho, alguns dois ou três dias de levantes e tornam logo aos ponentes. E nesta costa de Moçambique acharás que ventam com tôdas as águas vivas três, quatro dias de ponentes, posto que seja tempo de levantes. [V] Conhecença do Cabo da Boa Esperança, vindo de mar em fora demorando até ao nordeste (22) Se vieres de mar em fora demandar o Cabo da Boa Esperança, se fores ao mar 7 ou 8 léguas que te demores ao nordeste, verás um morro mui grosso e redondo, que faz de si ilha aguda. Em cima, da banda de Leste, verás uma serra grossa, que faz de si muitos picos e no meio dela faz uma dego- lada; e para diante desta serra se faz uma terra delgada, com muitos montes pequenos e grandes. E ali é o acaba- mento do Cabo; tem no acabamento de si um morro que parece proa de nau. Sabe que esta serra faz de si muitas degoladas, e jaz no sertão Norte Sul; tôda esta serra é grossa, e no acaba- mento dela se fazem quatro ou cinco montinhos, uns entre outros, que parecem palheiros de Santarém. E no acaba- 5 o
mento destes montinhos se faz um monte grosso redondo, que parece pão de nau. E dêste primeiro cabo a êste somente haverá 5 léguas e a rota é noroeste sueste. Sabe que da banda de Leste do Cabo da Boa Espe- rança se faz uma grande enseada, que torna ao noroeste (23) e faz dentro de si dois morros, que parecem ilhéus e não aparecem do noroeste. E de uma parte e da outra é rochedo grosso, talhado a pique, e por cima grandes montes de serranias. E além desta enseada se faz uma terra grossa [que tem] no sertão grandes montes. Nesta enseada haverá 3 ou 4 léguas. E no acabamento desta enseada está uma ponta grossa, que cai ao mar talhado, e jaz com a ponta de Oeste lessueste oesnoroeste. E da banda de Leste desta ponta se faz outra enseada pequena, que parece rio, e grandes montanhas; da banda do Norte dela é escalvada. E por diante outra enseada mais pequena, e a terra sai mais ao sueste. Esta terra se corre Leste Oeste, e toma da quarta do noroeste sueste, e haverá na rota 15 léguas. E desta enseada pequena, para a banda de Leste, se faz uma terra delgada, feita em montes ao longo do mar. [VI] Conhecença do Cabo das Agulhas (24) O Cabo das Agulhas é uma terra grossa, parda, com uma lombada ao longo do mar. E por diante, da parte de Leste, outra lombada; e da banda de Leste desta lombada 5 i
se faz uma enseada grande, e desta se faz uma terra del- gada, à maneira de lombada, a-par-de uma ponta que esgota como cabo; esta ponta se chama o Cabo das Agulhas, e desta ponta a outra de Oeste haverá 5 ou 6 léguas. Por cima desta terra se faz uma serra no sertão, que faz de si sete ou oito partes, e faz muitos picos agudos. Desta ponta, da parte de Leste, se começa uma terra delgada e enseada; e torna a terra em lesnordeste. E estas pontas atrás se correm uma com a outra Leste Oeste, e a serra do sertão também faz Leste Oeste. Por cima desta enseada, adiante, para uma banda se faz uma serra grande de grandes montes; e ao nordeste desta enseada tem grandes montes grossos. No sertão, da banda de lesnordeste, está uma terra que parece ilha ao longe quando vierdes da banda de Oeste; esta serra da enseada se chama Alto da Mama (25). Desta enseada adiante, para a banda de Leste, faz uma terra delgada no mar, com umas manchas de areia que parecem ao longe vilas acasteladas; e no sertão muitos montes grossos e serras altas. Esta terra se corre lesnordeste oessudoeste. E além desta derradeira malha de areia se faz uma lombada, ao longo do mar, talhada a pique, e por cima se fazem grandes montes de serras extremados uns dos outros. 5 2
[VII] Do Cabo das Correntes (26) Sabe que por esta terra, ao longo do mar, tôda é feita em montinhos pequenos e muitas manchas de areia, feitas em farpas muito miúdas que parecem caminhos; é tudo praia de areia. E jaz a costa nordeste sudoeste, e toma a quarta de leste; e aqui se chama o Cabo das Correntes. [VIU] Titulo das sondas e rotas do Cabo da Boa Esperança até Calecute (27) Primeiramente jaz o Cabo da Boa Esperança com o das Agulhas Leste Oeste, e toma a quarta do noroeste sueste; e há na rota 28 léguas. E jaz o Cabo das Agulhas com o Cabo do Infante nordeste sudoeste, e toma a quarta do noroeste sueste, e há na rota 28 léguas. E jaz o Cabo das Agulhas com o Cabo do Infante nordeste sudoeste, e toma a quarta de leste oeste e há na travessa 18 ou 20 léguas. E jaz o Cabo do Infante com o Cabo das Vacas lesnor- deste oessudoeste, e há na travessa 15 léguas. E jaz o Cabo das Vacas e a Ponta de São Braz nordeste sudoeste, e toma um pouco de Norte Sul, e há na travessa 10 léguas. 5 3
E jaz a Ponta de São Braz com a Ponta da Pescaria Leste Oeste, e há na rota 8 léguas. E jaz a Ponta da Pescaria com o Cabo Talhado Leste Oeste, e toma a quarta do noroeste sudoeste, e há na rota 8 léguas. E jaz o Cabo Talhado com a Ponta das Baixas Leste Oeste, e há na rota 8 léguas. E jaz o Cabo das Baixas com o Cabo do Recife lesnor- deste oessudoeste, e toma a quarta de leste oeste, e há na rota 28 léguas. E jaz o Cabo de Recife com a Ponta do Carrascal nor- deste sudoeste, e toma a quarta de leste oeste, e há na rota 15 léguas. E jaz a Ponta do Carrascal com a Ponta Primeira [do Natal] nordeste sudoeste, e toma a quarta de leste oeste, pouco, e há na rota 18 léguas. • E jaz a Ponta Primeira [do Natal~\ com a Ponta Derra- deira do Natal nordeste sudoeste, e há na rota 30 léguas. E jaz a Ponta do Natal com a Derradeira Terra do Natal nordeste sudoeste, e há na rota 18 léguas. E jaz a Derradeira Terra do Natal com a Ponta de Santa Luzia nordeste sudoeste, e há na rota 15 léguas. E jaz a Ponta de Santa Luzia nordeste sudoeste com os Medãos do Ouro, e toma a quarta de leste oeste e na der- rota há 15 léguas. 54
E jazem os Medãos do Ouro com a Terra dos Fumos nordeste sudoeste, e toma a quarta de leste oeste, e há na derrota 20 léguas. E jaz a Ponta dos Fumos com a Ponta de Angra da Lagôa Norte Sul, e há na rota 25 léguas. E jaz a Ponta da Angra da Lagôa com o Rio dos Reis lesnordeste oessudoeste, e há na rota 12 léguas. E jaz a Ponta do Rio dos Reis com a Ponta da Aguada da Boa Paz Leste Oeste, e toma a quarta de nordeste su- doeste, e há na rota 10 léguas. E jaz a Ponta da Aguada da Boa Paz com o Cabo das Correntes lesnordeste oessudoeste, e toma a quarta de leste oeste, e há na rota 40 léguas. E jaz o Cabo das Correntes com o Cabo de São Sebas- tião Norte Sul, e há na rota 50 léguas. E jaz o Cabo de São Sebastião com o Rio dos Bons Sinais nordeste sudoeste, e há na rota 60 léguas. E jaz o Rio dos Bons Sinais com as Ilhas Primeiras les- nordeste oessudoeste, e toma a quarta do nordeste sudoeste, e há na rota 85 léguas. E jazem as Ilhas Primeiras com a Ilha de São Jorge nordeste sudoeste, e toma a quarta de norte e sul, e há na rota 75 léguas. 55
• I E jaz a Ilha de São Jorge com a Ponta do Rio de Fernão Veloso Norte Sul, e toma a quarta de noroeste sudoeste, e há na rota 25 léguas. E jaz a Ponta do Rio de Fernão Veloso com as Ilhas de São Lázaro Norte Sul, e há na rota 60 léguas. E jazem as Ilhas de São Lázaro com as Ilhas das Cabe- ças (28) Norte Sul, e toma a quarta do nordeste sudoeste, e há na rota 40 léguas. E jazem as Ilhas das Cabeças com a Deserta nornoroeste susueste, e há na rota 40 léguas. E jaz a Deserta com a Ilha das Baixas Norte Sul, e toma a quarta do nornordeste sudoeste, e há na rota 12 léguas. E jaz a Ilha das Baixas com a Ilha de João Gonçalves Norte Sul, e há na rota 15 léguas. E jaz a Ilha de João Gonçalves com as Ilhas de São Rafael (29) lessueste oesnoroeste, e há na rota 14 léguas. E jaz a Ilha das Baixas com os Baixos de São Rafael noroeste sueste, e há na rota 10 léguas. E jazem os Baixos de São Rafael com a Ilha de Fadala Leste Oeste, e há na rota 10 léguas. E jaz a Ilha de Fadala com Mombaça nornoroeste su- sueste, e há na rota 20 léguas. 5 6
E jazem os Baixos de São Rafael com Mombaça Norte Sul, e toma a quarta do nordeste sudoeste, e há na rota 15 léguas. E jaz Mombaça com Melinde Norte Sul, e toma a quarta do nordeste sudoeste, a saber: com a Ponta dos Baixos de Melinde, e há na rota 25 léguas. » E jaz Melinde com as Primeiras Ilhas, com Mogadoxo, nordeste sudoeste, e há na rota 30 léguas. E isto tudo por aqui é parcel. Jazem as Primeiras Ilhas com as Derradeiras nordeste sudoeste, e toma a quarta de norte sul, e há na rota 58 léguas. E jazem as Derradeiras Ilhas com Mogadoxo nordeste sudoeste, e toma a quarta de norte sul, e há na rota 58 léguas. E jaz Mogadoxo com os Baixos de Padua lesnordeste oessudoeste, e há na rota 500 léguas. E jazem os Baixos de Padua com Mea Diva (30) nor- deste sudoeste, e toma a quarta do norte sul, e há na rota 65 léguas. E jazem os Baixos de Padua com os Ilhéus de Calecute lessueste oesnoroeste, e há na rota 65 léguas. E jazem os Baixos de Padua com os Ilhéus do Padrão de Santa Maria lesnordeste oesdoeste, e há na rota 50 léguas. 57
E jaz Betare, que se chama a Ilha com o Padrão de Santa Maria sussoeste, e há na rota 18 léguas. M Conhecenças das Ilhas Primeiras (31) As Ilhas Primeiras têm estes sinais: tem na terra firme, para o sudoeste delas, uma lombada pequena e uma terra delgada baixa; e para a banda do nordeste faz uma enseada à maneira de rio. E das ilhas à terra firme haverá 3 léguas e meia, e entre uma e outra está uma cabeça seca. Esta ilha primeira, do sudoeste, tem muitas baixas para o sudoeste, que saem ao mar muito; e jazem com a ilha nordeste su- doeste, e toma a quarta do norte sul; e para a banda de Leste tem pedra e a cabeça seca; tem umas baixas ao redor de si. Esta ilha primeira tem três árvores, que se as vieres de- mandar, de mar em fora, parecem duas porque metem uma pela outra; e aparece a terra da banda de Leste Oeste, e isto quando te demorar ao Norte e a lombada da terra firme que te demore ao noroeste. E a outra ilha é de mais arvoredo e alto de mar em fora; e quando te a outra ilha demorar ao Norte é ela ao nordeste quarta do norte; faz dede si três morros pequenos e a costa se corre lesnoroeste oessudoeste. E quando te demorar esta ilha do arvoredo ao nordeste, faz de si muito delgada e de muitas árvores, e grossas e ralas. E haverá de uma a outra 4 léguas, e jaz uma 58
com a outra Leste Oeste; o fundo é alto e de pedra e {tem de] água 12 e 15 braças; é sujo. Destas Ilhas Primeiras para Moçambique, obra de 11 ou 12 léguas, se faz uma lombada não muito ao longo do mar da ribeira (32) {tem'] grandes arvoredos; desta ponta da lombada para o sudoeste faz três ou quatro abertas, que parecem rios. E da lombada para o sudoeste de Moçambique há 12 léguas. Sabe que esta lombâda é tôda manchada com manchas de areia; e por cima desta lombada verás umas e outras bai- xas, como canais. E obra de uma légua, desta ponta do su- doeste para o nordeste, verás uma árvore em cima, nesta lombada, parece pinheiro e é muito baixa, e não a podes ver senão se fores a duas ou 3 léguas da terra. Sabe que no acabamento desta lombada, para o nordeste, faz de si uma ponta grossa; e desta ponta ao mar, duas ou 3 léguas ao Sul, jazem umas baixas, que não as verás senão quando rebenta o mar nelas. E podes passar por entre elas e a terra, porém guarda-te do que vires que jazem umas baixas com esta ponta desta lombada Norte Sul. E daqui a Moçambique haverá 10 ou 12 léguas. E do cabo desta lom- bada para Moçambique é a terra baixa; e ao longo do mar muito infindo arvoredo, grosso e alto como palmeiras, e em lugares mangal. Sabe que no fim desta terra baixa se fazem em lugares algumas moitas de terra, com arvoredo muito baixo. E estas moitas se assenhoreiam de tôda a terra, até Moçambique e para o sudoeste obra de 5 ou 6 léguas. E se vieres de mar em fora não parecem senão ilhas; e são seis ou sete montes, que estão sôbre a terra baixa cobertos de mato baixo e raso; 59
« e aqui se chamam as Sete Moitas. E haverá daqui a Moçam- bique 7 ou 8 léguas. [b] Conhecença da terra de Moçambique (33) A terra de Moçambique tem estes sinais: se vieres de mar em fora, a saber, verás uma terra comprida, à maneira de lombada, mui chã e no meio uma mesa de terra alta, mais que a outra terra tôda; e para a banda do sudoeste, quando fores ao longo da costa, que descobrires a ilha, verás um monte, que faz de si três mamas, e cinco ou seis montinhos agudos, que escassamente se parecem; e logo verás a Ilha de São Jorge; e a primeira ilha do sudoeste tem muitas bai- xas para terra de si. A ilha do meio tem duas entradas, uma da banda do sueste e a outra da banda do noroeste é mais segura para entrar a quaisquer horas que quiseres. E se fizer claro e quiseres passar na do meio vai pelo sudoeste, pela banda da terra que seja descoberta; e aqui acharás mais limpo, porque em lugares é pedra e mui sujo. Uma coroa de areia, que está entre estas Ilhas de An- goxe, também tem saída de ambas as bandas; e estas Ilhas de Angoxe são quatro. E entre estas duas do meio está esta coroa. A estas ilhas não te chegues muito, porque são apar- celadas um pouco. Uma corôa está da primeira ilha de Angoxe, 4 léguas para Moçambique, cobre-a o mar de águas vivas. E tem 6 o
um recife ao de-redor de si, em que quebra sempre o mar, avisa-te que tenhas sempre o tento nela; podes passar à terra dela, que é muito fundo. Desta coroa para Moçambi- que, a 14 ou 15 léguas, onde se chama os Currais, obra de lé- gua e meia está uma laje muito má, que a não vez senão quando és sobre ela de preamar de águas vivas; não arreben- ta, guardar-te-ás dela porque já duas naus tocaram nela, e Dom João Pereira esteve sobre ela. Quando passares por aqui vai sempre de 3 léguas para o mar; governarás ao nordeste quarta de leste se for de noite, ou de dia; e também porque vás mais seguro não passes de 25 braças para a terra; e por êste caminho dobrarás os Baixos do Moginqual. E como do- brares os Baixos do Monginqual governa ao nordeste e irás dar nas Ilhas de Moçambique. Se te for necessário surgir antes que chegues a Mogin- qual, ainda que seja à terra desta laje, que te atrás digo, busca as 15 braças e surge que tudo é limpo, mas é em pou- cos lugares, senão na Ponta do Moginqual em 20 braças e em 15 acharás limpo. A Ponta do Moginqual, com as Ilhas de Angoxe, jaz em nordeste sudoeste; há na rota 18 léguas, e daí para Moçambique corre a costa ao nordeste. Do morro às Ilhas Primeiras, da banda de Oeste, se corre com a baixa nordeste sudoeste e toma a quarta de leste oeste. E da derradeira ilha das Primeiras, da banda de Moçambi- que, que está em 16 graus e três quartos porque tomei o sol aí, e dela aos baixos da banda de Oeste há 8 léguas. E correm-se todas estas ilhas e coroas Leste Oeste, e toma da quarta do nordeste sudoeste e alguma coisa da meia partida. Se te aqui achares por dentro vai por 12 e 13 braças e 11, o mais baixo, de longo das ilhas um tiro de espera, não ha- jas mêdo; e guarda-te destas ilhas pela banda de fora, que 6 i
tem muitas restingas e pedra; de nenhuma maneira podes surgir. Na ilha do meio pode-lo fazer chegando-te bem a ela; tem 12 braças vasa, e isto com ponentes e não com levantes; não te deves chegar a nenhuma delas com levante. E desta do meio à terra firme está um arvoredo, e acharás um paúl de água para fazeres tua aguada, afastado da praia um pouco; e, se não quiseres ir à lagoa, cava na praia e acharás água doce, e isto com levantes que com ponentes corre muito o mar na praia e não podes estar com o batel. Esta ilha do meio, como a que está ao nordeste dela, não tem saída para o mar uma e outra. E destas à Corôa de Santo António ha 7 léguas, e às primeiras de Angoxe 5 lé- guas; jaz na mesma rota das ilhas, e bem podes passar à terra delas, que tudo é alto, e isto com tôdas as naus que quiseres. Tôdas as Ilhas de Angoxe têm saída por entre umas e outras, é tudo alto; e também por entre elas e a terra firme, que é o mais baixo fundo 8 braças, estarás mais che- gado à terra firme que às ilhas. O canal das Ilhas Primeiras e das Ilhas de Angoxe é todo um; e corre-se lesordeste oessudoeste, e tem na derrota 30 léguas e de fundo 10 ou 12 braças, e isto che- gando-te mais às ilhas do que à terra firme; se quiseres surgir em alguma delas com poente chega-te bem a elas, porque em tôdas é alto e limpo. A ilha primeira \das Primeiras'] está em 17 graus e meio; e se quiseres entrar por entre ela e a coroa, que está ao sudoeste dela, entra sem medo, que o canal é alto e a coroa está afastada da ilha uma légua e meia. E se quiseres entrar, para surgir com poentes, chega-te bem à ilha e mete ao meio dela ao Sul, e surge a um tiro de espera dela, em 6 2
6 e em 7 braças. E se caso for que quiseres entrar ou sair por entre ela e a coroa, que está ao nordeste dela, pode-lo fazer com tôdas as velas, se quiseres chegando-te mais ao baixo da ilha que ao da coroa, e acharás 10 ou 12 braças. E também se quiseres entrar ou sair entre a coroa e a ilha do meio bem o podes fazer, porque tanto monta o canal de uma banda como da outra, que não tens de que te guardar senão do que vires rebentar, e bem podes surgir. Se quiseres ir pousar à Ilha de Moçambique vai deman- dar a ponta do nordeste da mesma ilha, e desde que fores a um tiro de bombarda dela olha para o noroeste e verás uma árvore grande e grossa, que não está ao redor dela outra do seu tamanho, e mete-se por um monte redondo, que está ao noroeste, como mesa. E tanto que meteres um pelo outro irás seguro, contanto que descubras a ponta da ilha obra de meio tiro de bombarda, por amor de uma restinga que sai da ponta do recife; e vem pousar avante da aldeia, que tudo é limpo. Sabe que tôda esta terra, além de Moçambique para o nordeste, faz grandes enseadas e abras, como dos rios. E esta ilha mais do nordeste é tôda sem arvoredo, salvando umas árvores que parecem amieiros, direitos e altos, E para a terra se faz uma grande enseada e tem um ilhéu de umas árvores altas, quási pegadas com a terra. E da ilha para a banda do nordeste, ao longo da terra, se faz uma terra feita em ilhas cortadas, pegadas na terra, e tôdas são de rochedos de pedra ao longo da terra. 6 3
M Rio de Fernão Veloso e sinais (34) Sabe que de Moçambique ao Rio de Fernão Veloso há 20 ou 18 léguas, e antes que chegues ao rio, de 3 ou 4 léguas, se faz uma enseada pequena, em que surgem naus quando lhes é necessário. E desta enseada para o rio se faz uma terra, ao longo do mar, de recifes. E tem umas árvores, por cima de si, altas, que parecem tramagueiras, e são pinheiros desta terra porque dão pinhas pequenas como as de Portugal. Se quiseres entrar nesta enseada não hajas medo de nada e podes ir dentro bem 5 léguas, se quiseres, pelas 10 ou 12 braças, porque junto da entrada é mui alto, que não podes surgir senão a um tiro de pedra da terra e da banda do sudoeste, e que sejas bem dentro desta enseada. A 7 ou 8 léguas para o Norte estão sete ou oito montes mui agu- dos, escalvados, e uns maiores que os outros; estes são os que aparecem de Moçambique. Sabe que o Rio de Fernão Veloso tem estes sinais, a saber: no meio da bôca um ilhéu de pedra preta e uma restinga de baixos, de longo da terra que cerca a bôca do rio, e daí para a banda do nordeste se faz uma ponta; e entre esta ponta e a bôca do rio jazem umas árvores espês- sas, assim como as que atrás digo. E êste rio se faz praia de areia. 64
[IX] Este é o caminho que haveis de fazer partindo do Monte de Li por fora da Ilha de São Lourenço (35) Do Monte de Li farás o caminho a oessudoeste até haver vista da primeira ilha, e tanto que a vires farás caminho do sudoeste quarta a oeste até que hajas vista das outras duas ilhas (36); da primeira ilha às outras haverá obra de 12 ou 15 léguas. E como passares as ilhas farás o caminho do sudoeste quarta ao sul, e avisar-vos-eis, se fordes tarde, antes gui- nardes para o Sul que para o sudoeste; e isto se entende como passardes a linha equinocial. E se saltarem trovoadas convosco, ireis antes na volta do Sul que do noroeste por vos entregardes bem na altura. E este caminho fareis sem- pre até serdes em altura de 16 graus, a saber: do sudoeste; e guinar antes para Sul que para Oeste, por não irdes a julavento (37) dos 16 graus. E se for coisa que vades de mandar em 16 graus, haverás vista de uma ilha pequena, que se chama Santa Maria, que tem 12 léguas de comprido; é ilha pequena e a terra baixa, e a ilha grande é terra alta em boa maneira. E a Ilha de Santa Maria corre-se nordeste sudoeste, e podes ir surgir entre ela e a terra, a saber, a ilha grande, porque é tudo limpo; e podes entrar por uma e sair por outra, e no meio do canal acharás rota. Se quiseres ir demandar a terra (38) nos 15 graus, da- rás em uma baía muito grande que tem dez léguas de boca. 65 5
E como entrares, entre as pontas, acharás uma ilha pequena no fundo, com três ou quatro ilhéus; e podes ir surgir de dentro da ilha onde quiseres. E tem dois portos muito bons para surgir tôdas as naus do mundo, e tem muitos manti- mentos infindos. E na dita baía na hajas medo senão do que vires da banda de Oeste, que é parcelada, e porém podes surgir em tôda a baía, que é vasa, onde quiseres; da banda de Oeste é mais alto, e não hajas mêdo de uma banda e outra. E de dentro da ilha, 10 ou 15 braças, a saber, da banda do no- roeste e da banda de Oeste são os pousos, e podes pousar em 12, e em 6 e nas 4 braças. Onde quer que quiseres vos podeis abrigar à ilha da banda de Oeste, porque a baía se entra ao Norte e ao Sul. E esta ilha chama-se a Ilha do Corpo Santo, e a baía chama-se a Baía de Santo António. Esta Ilha de Santa Maria é a que se chama Aguada de Antão Gon- çalves. Saberás que dos 12 graus até os 17, da Ilha de São Lou- renço, que é tôda terra alta; dos 20 graus e até o cabo da ilha é terra tôda alta, que se vai tôda ao céu. E avisar-vos-eis que não vades demandar a dita ilha nos 17 graus e meio, até os 18 e meio, porque ha alguns baixos perigosos para quem o não sabe, e é terra baixa e perigosa. E indo por fora podes ir demandar a terra nos 15 graus e meio, até os 16, que não tens baixa nenhuma até dar em terra. E se fores nos 16 graus escassos haverás vista da ilha; é a ilha mais baixa e parecer-vos-á, como fordes bem em terra da baía, que a ilha é cortada pelo meio; porém podes ir demandar afoitadamente a baía e entrar dentro nela. E como vires vista da Ilha do Corpo Santo irás surgir de dentro da ilha, por que é tudo limpo, que aí é pouso; e são dois, e podes surgir em qualquer deles. 66
E da Ilha de Santa Maria ha 12 léguas de uma à outra; c jaz nordeste sudoeste, e toma a quarta de norte sul. Para conheceres a ponta da Baía de Santo António, a saber, o cabo, virás ao sudoeste da ponta dos ilhéus, e verás um recife, em que quebra o mar; e será uma légua da terra, em través do recife; verás a Ilha de Santa Maria e aos su- doeste verás o cabo de Santo Antnio e o cabo alto talhado a pique, e 10 léguas ao Norte está a Ilha do Corpo Santo. E se vos acontecer ir demandar a terra nas 15 léguas, ou nas 14 e meia, verás a costa alta em boa maneira; e tôda parece terra aproveitada. E veras uma mesa ao longo do mar muito bemfeita; e logo veras dois picos muito altos ao nornoroeste da mesa. Se for coisa que não puderdes dobrar, podes arribar aos 13 graus e meio a um pôrto que se chama Aro, e tem muitos mantimentos, e muitas vacas. E ao Norte dali, 8 léguas ou 9, está o Pôrto de São Sebastião; é muito bom pôrto, mas não tem tantos mantimentos. Do Pôrto de São Sebastião ao cabo da ilha são 12 léguas; é tôda boa costa sem nenhuns baixos. Avisar-te-ás que se fores para o Cabo de Tristão da Cunha e levares a costa na mão até os 15 graus, está Luan- ganha, que é muito bom pôrto; e podeis entrar dentro que há aí muitos mantimentos. Estas conhecenças são para os que querem conhecer a Ilha de São Lourenço, quando quere que a forem demandar. Se vieres 15 léguas dos Baixos da Judia, pela banda do Norte deles, governa ao nordeste uma sangradura, e depois 67
podes ir ao nornordeste. E se te achares em 17 graus e dois terços, à vista do parcel que está antes das ilhas primeiras de Angoxe, se vieres dar nesta terra faz uma lombada grande; e nela estão os Baixos de Santo António, 3 léguas e meia ao mar; se fôr coisa que os vires e não os puderes dobrar podes ir por entre eles e a terra, tudo tens alto: 12 ou 13 braças. Neste caminho te aviso que te guardes das águas que correm ao sudoeste; eu Emanuel Alvares e Aires Fernandes viemos dar nas Ilhas Primeiras, que estão em 17 graus. As Ilhas Primeiras são três, a saber: a primeira da banda do sudoeste é rasa com pouco arvoredo baixo; de uma res- tinga, que está nordeste sudoeste, rebenta muito à flor dela; a ilha haverá uma légua ou mais. A ilha primeira, com a derradeira, se corre nordeste su- doeste, e toma a quarta de leste oeste. E da primeira à der- radeira haverá 7 ou 8 léguas. Na segunda, entre uma e outra, está uma coroa de areia que espalha de si para umas e para outras mui grande rebentação de mar; não tem árvores, é tôda de areia branca. E logo a segunda está pegada com a derradeira; pode haver de uma à outra duas léguas; esta, de metade, tem muitas árvores bastas; e a segunda, da banda de Leste, tem poucas que podem ser 10 ou 20 árvores, esfarrapadas, para a banda de Leste na mesma ilha. Por dentro destas ilhas 68
podes correr todas obra de meia légua, antes mais chegado a elas que à terra firme. Da derradeira ilha, para a banda de Leste, está uma baixa, uma légua da própria ilha; bem podes ir dois tiros de espera dela, e acharás fundo em 9 e 10 braças. Se for coisa que saires de noite ou de dia, por entre as Ilhas Primeiras, governa a leste quarta do nordeste, e irás meia légua dos Baixos de Santo Antonio (39), que estão 7 léguas das Ilhas Primeiras. E olha por eles se o quiseres, quanto mais governares a Leste tanto mais irás arredado deles; está defronte de uma terra comprida, em maneira de lombada preta; está na altura de 16 graus e dois terços; e tomei o Sol a dois tiros de espera. E tanto que fores com êle governa a lesnordeste; se for de dia verás logo a primeira ilha de Angoxe; tem da parte do Norte umas poucas de árvores; e dela à terra firme ha- verá 3 ou 4 léguas. E avisar-te-ás que tanto que passares estas Ilhas de An- goxe que não passes de 25 braças e 30 para terra. E alem da Ilha de Angoxe, para a banda de Moçambique, acharás uma coroa de areia em que rebenta o mar, e terá da terra 3 léguas. E à vista de Angoxe, para a banda de Moçam- bique, verás uma e outra; tem aviso que não vás aqui bus- car o fundo, porque não o acharás senão quando a nau for em cima da coroa; daqui por diante acharás o fundo que te digo. E virás ao nordeste quarta de leste, verás os Currais, que são moitas feitas como pegas da nossa terra; guarda-te, não te chegues a êles em 4 léguas, que podes ir salvo deles por 25 braças. Daqui a Moçambique ha 12 léguas, chega-te a terra não hajas medo. *9
E tanto que partires de Moçambique, para a índia, go- verna ao nordeste. E nesta rota vigia a Ilha de Comoro, que a verás; e não hajas mêdo de nenhuma coisa, e olha que o caminho de Moçambique a esta ilha é mais curto do que o fazem nas cartas. Não dês resguardo às agulhas por aqui, porque noroesteiam muito pouco, salvo depois que fores fazendo o caminho de Leste Oeste. E se for coisa que fores de Portugal para a India, e te fizeres 100 ou 200 léguas da costa (?), e achares água branca de noite, como água de baixo, não te espantes, que é água de entre alto e baixo; dali a terra pode haver 70 ou 80 léguas. Aqui darás resguardo às agulhas, que noroesteiam uma quarta, e tu vens de Leste Oeste podem-te fazer en- gano. M Regimento do Cabo da Boa Esperança para a India (4.0) Se fores 50 léguas do Cabo, ou em paragem dele ao Cabo das Agulhas, pela altura, tanto que for meio-dia, que o Sol não sobe mais, então estando como o relójio justo no meio- -dia e as agulhas fixas, então te demorará ao noroeste. E se estiveres em altura de 37 graus te demorará o Cabo da Boa Esperança ao noroeste quarta do norte, e o Cabo das Agu- lhas ao Norte. Para saberes mais certo que és nesta paragem, de 20 dias de Junho até 30, olha o Sol quando se levantar se se 70
levanta pela agulha ao nordeste quarta de leste, e se se põe ao noroeste quarta de oeste; e haverá no dia 8 horas e na noite 16. E daí por diante não verás senão poucas aves, das que vias primeiro, assim grandes como pequenas. Nao te espantes em esta paragem de achares os ventos Nortes, e noroestes e nornordestes, e quanto mais para vante com um fumago; quando vires que aparecem nordestes na nossa terra e orvalha com êles, estes são os ventos que mais se- guem nesta paragem. E nesta travessa até o Cabo, e do Cabo para diante, mais Nortes e nordestes, e olha, com este fu- mago, quando vires o Sol todo redondo quando se põe, e isto verás por Junho em diante; e porventura em outras horas e em outros anos ventam outros ventos, mas eu vi estes e assim não te espantes de os achar, porque uns anos reinam uns ventos diferentes doutros. Do Cabo das Agulhas por diante, até aos Medãos do Ouro, verás algum sinal destas patarcas e estas são da cor de pavões ou de ganços. E daí até ao Cabo das Correntes acharás estas aves, as de pavões brancas e pardas, muitas e muito grandes, que parecem cisnes, e as asas longas; e achá- las-às 100 léguas ao mar, e 80 e 70; quanto mais ao mar acharás mais delas, e quanto mais à terra acharás mais pou- cas; mas a maior fôrça delas são do Cabo das Agulhas para a Terra dos Fumos. E também não te espantes de achar as corvas pretas até ao Cabo das Correntes; e feijões, que pa- recem pegas, mas são mais poucos, e assim de umas aves como das outras quanto mais ao Cabo das Correntes. Se achares muitas entende que és mais ao mar, a fôrça das corvas pretas para o Cabo da Boa Esperança e para o Cabo das Agulhas. Quando és na travessa do Brasil, para o Cabo da Boa Esperança, é mais curta do que a fazem por razão do Cabo, 7 1
que não está em mais de 34 graus e meio, e o das Agulhas em 35. E eu fiz o caminho por 36 graus e meio e por 36; a altura não te diz quando és no Cabo, e tu pelo segurares deixas-te ir avante 150 léguas até às 250 léguas a les- sueste; e por esta razão é mais curto o caminho e, demais, tiram as águas ao Sul. E quando vás catar a terra tudo aquilo és ao mar, quanto és avante, a lessueste (41); pelo que acharás, sendo ao mar 50, 60 e 70 léguas, uns caramujos brancos, tamanhos como castanhas (42), e algumas cascas de cibas, e algumas canas de milho zaburro, isto dos Me- dãos do Ouro até o Cabo das Correntes, e às vezes não acharás nada e não te espantes. Se estiveres em 37 graus, nesta paragem de onde se acham estes caramujos e estas cibas, governarás ao nornor- deste e irás tomar a Aguada da Boa Paz, porque a aguada está em 26 graus. E a terra da Aguada da Boa Paz tem esta conhecença: a terra é a mais alta daquela costa até ao Cabo das Correntes, e parece uma eira. E aquela é a terra que hás-de ver primeiro. A mais alta terra da banda do sudoeste dela tem uns montinhos que parecem ilhéus. E para a parte do noroeste parece a costa bem feita e direita; e para o su- doeste esgota a terra até à baixa; e no cabo aparecem uns medãos de areia. Nesta enseada (43), 12 ou 15 léguas ou 20 em mar, verás muitos alcatrazes, brancos e pardos, e alguma patarca, porque os alcatrazes andam de 20 léguas para a terra. E não verás outros sinal senão água, que a verás verde e deixas a branca no pégo, porque a de perto da terra é verde e escura; e luz a terra bem, o que é grande sinal. Dos Medãos do Ouro até o Cabo das Correntes, nesta paragem 60 léguas ou 70 da terra, acharás muitas baleias, e 7 a
muitos bonitos, e toninhas e muitos baleotes pequenos; quanto mais para o Cabo das Correntes, até à terra, acharás mais. Não te espantes de achar do Cabo da Boa Esperança, até o Cabo das Correntes, os ventos Nortes, e nornoroestes, e noroestes, e nordestes, e levantes, porque os há da metade de Junho até meado de Julho para o Cabo das Correntes; porque eu andei com êles 40 dias, do Cabo da Boa Espe- rança até chegar a Moçambique. Através da Aguada da Boa Paz, 12 léguas ao mar, toma- rás fundo de 12 braças, e demorar-te-á ao noroeste e ao nornoroeste; em 5 léguas da terra tomarás 90 braças, este fundo é da Aguada da Boa Paz. E se estiveres nesta para- gem, onde se toma êste fundo, governa a lesnordeste, que assim jaz a costa; e tomarás êste mesmo fundo por esta rota, que é boa, e tôda vasa por estas 90 braças. Se estiveres em 25 graus nesta paragem, entre o Cabo das Correntes e a Aguada da Boa Paz, atenta às 4 horas e verás levantar a estrela de Alva em leste quarta de nordeste. E primeiro se levanta outra mais pequena, tanto espaço quanto fores da popa da náu à proa então se levanta a de Alva; e a pequena, que se levanta primeiro há de uma à outra longura de um cabre (44). E levanta-se logo outra estrela à longura de dois cabres, a lessueste; e não é tama- nha como a de Alva, mas é maior e mais formosa do que a pequena, que se levanta primeiro. E tôdas três se levantam uma atrás da outra, e aquela mais pequena na travessa do Cabo, até chegar a 25 graus, se levanta e anda em cima da de Alva; e isto em Junho até 16 de Julho. Nesta para- gem, para Moçambique, verás bonitos e voadores; e não te espantes, que em tôda a costa os há até Moçambique. 73
Nessa paragem, 30 ou 40 léguas ao mar, acharás ga- rajaos em manadas, brancos e pretos; e acharás dos Me- dãos do Ouro até ao Cabo das Correntes estapagados, e coleirados, e rastejam ao longo do mar, brancos por baixo, e pardelas grandes e negras. Em rosto do Cabo das Correntes acharás muitas ba- leias, que parece que têm sobre o rabo feito como couce de nau, a bôca feita como cabeça de gato. E muitas ti- nhosas, pequenas e grandes, e bonitos tamanhos como ca- valos; e as tinhosas pintadas delas. E daí por diante alca- tra2es. Até Sofala acharás poucas aves, senão algum garajão por milagre. M Conhecenças do Cabo de São Sebastião Não te espantes de achares o mar grande até ao Cabo de S. Sebastião, porque o acharás tamanho como na tra- vessa do Brasil até ao Cabo da Boa Esperança. Verás do Cabo de S. Sebastião para Moçambique muito grandes baleotes e pequenos; e não verás baleias. Saberás que do Cabo da Boa Esperança até Moçambique verás tubarões, que os há mas não são muitos. Das Ilhas Primeiras para Moçambique verás alcatra- zes e rabos de junco, o que não verás senão de Sofala por 74
diante. Para Moçambique acharás rabos de junco e rabos forcados. Se partires do Cabo das Correntes, e fôres 10 ou 12 léguas ao mar e 7 e 8, governa ao nordeste, por razão das águas que vão ao sudoeste; e irás perto das Ilhas Pri- meiras, que êste é bom caminho. E se achares água branca ou maçada despedes o Parcel de Sofala ou és com as Ilhas Primeiras. Se partires do Cabo de S. Sebastião, ou da Ponta de Santa Maria, governa a leste quarta de nordeste que é bom caminho. Se partires das Ilhas de Angoxe e for de noite ou de dia governa ao nordeste, até que tenhas bem por onde correr uma noite tôda de bom vento, que são 28 léguas. E as águas correm-se ao sudoeste, mas tu governa ao nor- deste até que venha o meio-dia; e então governa ao nornor- deste. Neste caminho governarás ao nordeste, por razão de salvar uns baixos que estão uma légua e meia dum cabo, que te aparecerá quando fôres tanto avante como a derradeira ilha de Angoxe para Moçambique, diante de ti 7 ou 8 léguas. Se quiseres entrar em Moçambique deixa as ilhas ambas da banda da terra, e alarga-te de São Jorge um auste. E então vai dela para oeste por 7 braças e meia, e levarás a proa da nau a uma areia que está detrás da ponta de Moçambique, onde está o baluarte; e deixa-te ir a êste caminho, por amor dos baixos que estão da banda do nordeste. E como fôres dois ou três austes arriba que não chegues à Ponta do Baluarte; e como passares a ponta vai de ló, e vai surgir em 6 braças. 7 5
E se vires o Pão da Nau, que está da outra banda do nordeste de Moçambique, verás uma árvore grande que está na ribeira em a ponta; mete a árvore um batel de longo pelo Pão, que te fique o Pão da banda do nordeste e a árvore da banda do sudoeste quanto seja a longura de um meio batel, mais ou menos. E não hajas mêdo a nenhuma coisa, e vai por dentro seguro. Para haver de estar em Moçambique de lessueste oesnoroeste, e de nornordeste sussudoeste, a meia mon- tante; e a meia jusante de lesnordeste oessudoeste. Se partires de Moçambique e quiseres ir para a índia governa ao nordeste, até que sejas em 11 graus, por razão de uns baixos que estão em 12 graus e um quarto, através do rio direito 12 ou 15 léguas em mar. E sobre êles há na entrada 15 braças, e no meio 13 e no cabo 6, mas não sei se tem alguma cabeça mais baixa, mas no fundo tudo são penedos e manchas de areia e baixos. E jazem com a primeira ilha Norte Sul, e correm-se nornordeste sussu- doeste; e são compridos 7 léguas. E jazem com Moçam- bique nornordeste sussudoeste; e as águas correm à terra. E se fôr caso que vires vista da ilha a mais à terra da Comoro, porque porventura haverás êste caminho, governa ao Norte que é bom caminho, até a rodares em meia pra- ça [?], que é esta ilha como a da Madeira que da banda do sudoeste 6 muito alta, que se vai ao céu e muito chã e redonda (45). E faz uma ponta delgada para o sudoeste, e para o nordeste parece que se corta e faz duas ilhas; e desta quebrada para o nordeste tem uma serra longa, alta mas não tanto como da parte do sudoeste. Será tão longa 76
como a Ilha da Madeira; de través não o sei, porque não a andei. Esta é a feição dela da parte do nordeste; esta que- brada é mais longa e tem mais espaço, que é tão cortada e tão baixa que parece que não é terra. E faz esta feição quando estás Leste Oeste com ela; e é mais alta da banda do sudoeste. Se vires as Ilhas de São Lázaro, a primeira da banda do sudoeste é redonda e rasa no mar, e tem árvores para a terra. E a terra de si tem uma ilha pequena com árvores; e na ponta do sudoeste tem umas árvores, que parecem uma. E quando estás da banda do nordeste da mais adiante para Quiloa verás duas; e destas para as outras do meio estão umas restingas, um quarto de légua ao mar, e uma cabeça de areia. E destas ilhas ás outras duas há duas lé- guas. E a mais do mar é longa, tôda de árvores; e na ponta do nordeste tem um ilhéu redondo de pedra, que parece medão de pão, e uma restinga que vai ao mar ao nordeste, dois austes. Esta ilha tem grande praia de areia. Mais adiante, para Quiloa, verás outra, uma légua e meia, longa, tôda de árvores. E tem na ponta do nordeste outra restinga, outros dois austes fóra da ilha; no meio tem praia. E a primeira ilha destas de São Lázaro está em 11 graus, e da parte de Moçambique da banda do sudoeste. Mais para Quiloa adiante verás outra grande e longa, bem 4 léguas. E daí até à outra pequena também tem árvo- res, assim que são perto das cinco grandes outras cinco pequenas. E da terra delas, se fôres uma légua, verás a 77
terra firme baixa até Quiloa, que é alta. E tôdas jazem nordeste sudoeste; mas para as correr governa ao nordeste, porquanto estás em mar irás fora delas, por razão das águas que vão ao Norte para a terra, e as restingas estão tôdas em roda com as ilhas e o mais que são fóra é um quarto de légua; guarda-te do que vires. A Deus Graças 78
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Notas (1) As duas cópias da Colecção de Roteiros de Manuel Alvares, uma da Biblioteca Nacional de Paris — que reproduzi- mos — e outra pertença do historiador inglês Mr. Boxer contem ambas, de comêço, várias noções de Marinharia. Eis as do exemplar de Paris: Devo saber que dos 11 dias de Março até aos 13 de Setembro anda o Sol da parte do Norte da equinocial. E dos 14 de Setem- bro até aos 10 de Março anda o Sol da parte do Sul da equinocial. E sendo o Sol entre mim e a linha, ajuntarei a altura com a declinação. E tudo junto tanto estarei da equinocial para a parte donde o Sol andar. E sendo a linha entre mim e o Sol, tirarei a declinação da altura. E a mais altura que me ficar isso estarei da equinocial para a parte donde me fôr a sombra. E sendo eu entre o Sol e a linha, tirara a altura da declinação. E a mais declinação que me ficar isso estarei da equinocial para a parte donde o Sol andar. E se me não ficar declinação nenhuma estarei na equinocial. E sendo o Sol sobre a minha cabeça, me não dará sombra nenhuma no astrolábio, para uma parte nem para outra. A decli- nação que aquele dia achar isso estamos, o Sol e eu, da equinocial 7 9
para a parte donde o Sol andar. E se não achar declinação nenhuma, o Sol e eu estamos na equinocial. Esta conta aproveita assim para uma parte como para a outra. E terei aviso que faça sempre a conta no astrolábio de cima para baixo. E saberei que 60 minutos valem um grau. E 45, três quartos. E 40, dois têrços. E 30, meio grau. E 20, um terço. E 15, um quarto. E 12, um quinto. E 10, um sesmo [2/6}. Regimento para tomar a altura [latitude} pelo Cruzeiro do Sul E digo que tomando a altura pelo Cruzeiro do Sul, a saber, pela estrêla do pé, tomando 30 graus estarei na equinocial. E tomando menos de 30, os que menos tomar esses estarei da equi- nocial para a parte do Norte. E os que mais tomar de 30, êsses estarei da equinocial para a parte do Sul. E quando quere que to- mar esta altura terei aviso que deixe pôr a estrêla da cabeça com a do pé em a linha Norte Sul. A seguir vêm as Tábuas quadrienais da declinação do Sol, para 1517-1520, copiadas das do célebre Regimento ou Manual de Évora (1519). O exemplar de Mr. Boxer contém ainda o Regimento da altura pela Polar, com duas interessante figuras coloridas uma das quais reproduzimos a prêto. (2) O presente capítulo é reprodução do célebre Roteiro de Diogo Afonso, cujo original se perdeu. Pudemos fazer a sua iden- tificação por idêntico capítulo da Colecção de Linschoten, onde vem sob êste título: «Chapitre 11—Cours du voyage des Indes, appointé par Diego Alfonso, Portugais Pilote du Roy». (Ed. fran- cesa de 1619, págs. 3-6) (a). O Roteiro de Diogo Afonso é o mais antigo da Carreira da Índia. Dêle se serviram os pilotos portugueses durante vários lustros; sendo muito utilizado por todos os roteiristas que se lhe seguiram. (a) jean hughes LINSCHOT — Le Grand Routier de Mer. Amsterdam, 1610. 2.* ed. Amsterdam, 1619. Foi primeiramente publicado em holandês (1596) e depois em inglês (1598), em latim (1599) e em francês (1610). 8o
pezaatinuççu cfh, tfa Vçnft' Reprodução da figura do Regimento da estrela do Norte (Polar) do Códice da Colecção de Roteiros, de Manuel Álvares, pertencente a Mr. C. R. Boxer
1 1) Piloto Diogo Afonso — Não existem quaisquer documen- tos conhecidos sôbre a vida de Diogo Afonso. Eis, porém, o pouco, muito pouco, que a seu respeito pudemos apurar. A derrota do Brasil para o Cabo da Boa Esperança contém no seu Roteiro, ora publicado, junto das Ilhas de Tristão da Cunha, o seguinte passo: «... porque não te aconteça o que aconteceu ao Bom Jesus, que o comeu o mar e o tempo.» Em Linschoten (pág. 5) o mesmo passo vem nestes termos, em francês coevo: «... ce qui vous pourroit bienfaire rebrousser chemin, comme il advint au Navire Bon Jesus, qui fut englonti des vagues par la force & furie du vent, comme moy aussi ay veut advenir le mesme a Diego Alfonso, estant sur le Navire de S. Claire.» Daqui poderia concluir-se que alguém juntara a parte, que vai em itálico, que Linschoten traduziu, o qual nos faria acreditar que Diogo Afonso se perdeu com uma nau Santa Slara, em que êle ia. Em Gaspar Ferreira Reimão vem bem declarado o seguinte: «Neste lugar diz Diogo Afonso, encomendando isto mesmo, que indo êle por esta altura, acima de 36 & 37 graus [ao Sul das Ilhas de Tristão da Cunha], na nau Santa Clara, em companhia da nau Bom Jesus, com um temporal, à sua vista, a comeu o mar...» (b). Os dois Pimentéis, pai e filho, reproduzem esta notícia de Reimão. De maneira que Linschoten deve ter traduzido mal esta frase do próprio Diogo Afonso, que Alvares não copiou: «como vi suce- der, estando eu [Diogo Afonso] na nau Santa Clara.» Ora em 4 e 6 de Março de 1533 saiu de Lisboa para a índia a armada de D. João Pereira, composta das seguintes sete naus: capitaina Flor de la Mar, por êle comandada, Santa Bárbara, Santa Clara capitaniada por Diogo Brandão, Cirne, S. Boaventura, S. Roque e Bom Jesus comandada por D. Francisco de Noronha; a (b) Gaspar FERREIRA reimão — Roteiro da Navegação e Car- reira da Índia. Lisboa, 1612. 2." ed. Agência Geral das Colónias. Lisboa, 1939. 8 I
Bom Jesus perdeu-se £indo do Brasil,} na volta do Cabo da Boa Esperança (c). Esta informação vem confirmar a nossa interpretação: a Bom Jesus sossobrou à vista da Santa Clara, que levava Diogo Atonso como piloto. A capitania, Flor de la Mar, com D. João Pereira, em viagem do Cabo para a Ilha de Moçambique, esteve quási perdida num baixo em frente do local denominado Os Currais, ao Sul desta ilha, facto êste que Diogo Afonso regista, por duas vezes, como aviso aos mareantes. 2) Data do Roteiro de Diogo Afonso — Do que acabamos de expôr segue-se que o Roteiro de Diogo Afonso é posterior a 1533. Por outro lado, dobrado o Cabo da Boa Esperança por duas rotas se podia seguir para a índia: por dentro (Oeste) ou por fora (Leste) da Ilha de São Lourenço (Madagascar). A segunda ainda era considerada perigosa por todos os pilotos da viagem de D João de Castro, em 1538, um dos quais era Manuel Alvares, conforme se verifica do seguinte passo do Roteiro de Lisboa a Goa daquele grande marinheiro: «Quis mais saber dêles [pilotos] se as naus, que dobravam o Cabo da Boa Esperança, deviam ir por fora da Ilha de S. Lourenço; a todos pareceu que não, e assinaram a causa, dizendo que as naus levavam muita gente e pouca água, pelo que tinham o perigo de morrerem à sede muito certo.» O Roteiro de Diogo Afonso nem sequer toca nesta segunda rota; é pois naturalmente inferior a 1538. Não estaremos muito longe da realidade considerando-o es- crito c. de 1535. (3) Ver sobre êste assunto a nota (2). (4) Ver a nota (2). Aqui termina o «Chapitre II» de Lins- choten. (5) Daqui até à entrada de Moçambique vem em Linschoten no capítulo que tem o título: «Chapitre III — Navigation du Cap (c) simão ferreira Paez — As Famosas Armadas Portu- guesas, 1496-1650. Ministério da Marinha. Rio de Janeiro, 1937. 8-2
des Correntes vers les Seches appellees Baixos de Judia, & dela à Moçambique» (ed. francesa de 1619, págs. 6 e 7). (6) Ver sôbre êste assunto a nota (2). (7) Aqui termina o «Chapitre III» de Linschoten (nota 5). (8) Daqui até final deste capítulo — Roteiro da Navegação daqui para a Índia — vem em Linschoten, sob o título: «Chapitre IV — Navigation de Moçambique aux lndes.» (ed. francesa de 1619, págs. 7 e 8). (9) Leia-se Ilha de Comoro. (10) Todo êste capítulo vem em Linschoten, mas menos desenvolvido. Contudo, é curioso notar que êste navegador não cita o nome de Diogo Afonso, embora seja o seu autor visto que esta derrota, de volta da Índia, é o complemento natural da de ida para lá. Em Linschoten intitula-se: «Chapitre VIII — Cours de la Navigation des lndes ou Cap de Bonne Esperance, signé par un autre Pilate Portugais.» (ed. francesa de 1619, págs. 16 e 17); e «Chapitre IX — Navigation de Monte Delin montagne celebre en la coste de Malabar, en Portugal.» (págs. 17-19). (11) Devem ser as Ilhas Mascaranhas. (12) Esta derrota, desde Cochim, passando pelas Ilhas Mas- caranhas não vem em Linschoten. (13) Luze — olha. (14) Linschoten não transcreveu a derrota desde o Cabo da Boa Esperança para Lás boa, talvez por já ter transcrito o Primeiro Roteiro de Vicente Rodrigues que dela trata. (13) Este pequeno Roteiro da parte Sul do Mar Roxo vem ainda parcialmente no Livro de Marinharia (d) e também com- pleta num Ms. do Vaticano — género Livro de Marinharia. Ignoramos quem seja o seu autor. Deve êle ser talvez da auto- ria de um piloto ignorado, que tivesse feito viagem ao Mar Roxo com D. Luiz de Meneses, em 1523, Heitor da Silveira em 1524 ou em 1526, ou ainda com António de Miranda, em 1525. (16) Os portugueses chamaram Portas do Estreito ao pequeno canal entre a Ilha de Perim e a costa asiática. (17) A nau de Diogo Lopes de Sequeira perdeu-se nestes baixos em 1520. A nau devia chamar-se Santo António; também outra homonima sua se perdera em 1512 num baixo de Angoxe, o qual ficou conhecido por Baixos de Santo António (ver a nota 39). (d) joÃo de Lisboa — Livro de Marinharia. Lisboa, 1903. 83
(18) Estão as Ilhas Primeiras, do Mar Roxo, na actual Asab bay (costa africana). (19) Foi nestes baixos que deu a nau Santa Maria da Serra, segundo vem indicado em João de Lisboa (pág. 216). Cremos que ela fazia parte da armada de Lopo Soares de Alvarenga, que em 1517 foi ao Mar Roxo. (20) D. João de Castro chama às Sete Ilhas: as Ilhas Sete Irmãs (actuais Barm al Hagi islands?) (e). (21) Ignoramos se êste capítulo é da autoria de Manuel Ál- vares ou de qualquer outro piloto português. Vem êle também no já referido Ms. do Vaticano, no qual trata das luas novas e velhas; as vermelhas, de Manuel Álvares, devem ser as velhas: engano do copista. (22) Grande parte deste capítulo vem também na colecção de Roteiros do Livro de Marinharia (pág. 146) em linguagem muito arrevesada. (23) Esta enseada chama-se hoje False bay. (24) Este capítulo também vem transcrito em João de Lis- boa (págs. 147-148). (25) Ao Alto da Mama chama João de Lisboa (págs. 147 e 148) Alta de viana, de certo por engano ou então mudou de nome. (26) Vem também em João de Lisboa (pág. 172). (27) Êste capítulo vem todo em João de Lisboa (págs. 190- -193), excepto o final, além dos Baixos de Pádua, nos quais Lisboa termina. (28) João de Lisboa (pág. 192) chama-lhes Ilhas das Cabeças Secas. (29) Chama Ilhas aos célebres Baixos de S. Rafael, o que é engano. (30) Me a Diva — Ilhas Maldivas. (31) O princípio dêste capítulo vem também em João de Lisboa (págs. 173 e 174). (32) Ribeira — costa, como em vários roteiristas, por ex.: D. João de Castro. (33) Parte dêste capítulo vem em João de Lisboa (págs. 174 e 175) e parte em Linschoten: «Chapitre X — Des vrays sign es (c) D. joão de castro — Roteiro de Goa a Suez ou do Mar Roxo, 1541. Paris, 1833. 84
si indices du Cap das Correntes, & Ilhas Primeiras, de tous les ha- vres k costes jusques à Moçambique.» (ed. francesa de 1619, págs. 19-21); esta última parte deve ser de Diogo Afonso. (34) Êste capítulo vem igualmente em João de Lisboa (págs. 176-177). (35) O facto dêste capítulo ter um passo em que vem a frase: «eu EMMANUEL ALVARES e Aires Fernandes viemos dar nas Ilhas Primeiras, que estão em 11 graus» leva-nos a admitir que todo êle é da autoria do nosso pilôto Manuel Álvares. A derrota por fora de São Lourenço é moldada na do mestre Diogo Afonso. (36) É possível que se trate das Ilhas Maldivas. (37) Julavento — sotavento. (38) Terra da Ilha de São Lourenço. (39) Em 1512 partiu de Lisboa para a India a armada do capitão-mor Jorge de Melo Pereira, da qual fazia parte a nau Santo António, comandada por Francisco Nogueira. Esta nau perdeu-se no baixo que recebeu o seu nome. Mais tarde, chamou-se Coroa de Santo António, depois voltou ao seu primitivo nome, o qual se con- serva no singular: Baixo de Santo António. (40) E possível que êste capítulo seja da autoria do próprio Manuel Álvares. (41) Esta explicação de «ser mais curto o caminho do Brasil ao Cabo da Boa Esperança, do que realmente o fazem [nat Car- tas]», deve ser de Manuel Álvares, que bem devia conhecer o as- sunto, já debatido por D. João de Castro em 1538 na nau Grifo, da qual o Álvares era pilôto (f). (42) Caramujos são uma espécie de caracóis do mar. (43) Parece referir-se à Aguada da Boa Paz. (44) Longura de um cabre — comprimento duma amarra. (45) Notemos que também Manuel Pimentel achou asseme- lhar-se a Comoro à Ilha da Madeira. (f) d. joão DE castro — Roteiro de Lisboa a Goa, 1538. 2.a ed. Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1939. 85
Ill PRIMEIRO ROTEIRO DA CARREIRA DA ÍNDIA c. 1577 DE VICENTE RODRIGUES
ft Preâmbulo III OS grandes pilotos Diogo Afonso e Vicente Rodrigues são os maiores roteiristas da Carreira da India, no século XVI. Os Roteiros que escreveram ficaram clássicos, deles se serviram todos os que se lhe seguiram; mas o de Diogo Afonso, mais antigo, não teve parceiro durante alguns lustros. Dados biográficos de Vicente Rodrigues 1 — O grande navegador holandês Linschoten, que em 1583 foi de Lisboa à índia em uma nau portuguesa, onde talvez conhecesse Rodrigues pessoalmente, cita-o como Vicente Rodrigues de Lagos (l); o que nos leva a (1) jkan hughes LiNSCHOT — Le Grand Routier de Mer. Le tout fidelement recueilli des memoires & obsrvations des Pilo- tes Espagnols & Portugais. Et nouvellement traduit de Flameng en François. Amsterdam, 1610. 2.a ed. Amsterdam, 1619. *9
afirmar ser êle natural desta vila algarvia, como tantos ou- tros mareantes célebres do século xv. Ignora-se, porém, o ano do seu nascimento, mas devia ser de meados do século xvi, visto já ser bem maduro nos finais do mesmo século (pilôto-mor em 1590, ou antes). Da acidentada vida marítima de Vicente Rodrigues muito pouco se conhece. 2 — Em 7 de Abril de 1568 saiu do Tejo para a Índia uma armada composta das cinco naus: Chagas — capitai- na — Santa Clara, Fé, Santa Catarina e Nossa Senhora dos Remédios. Era capitaneada pelo vice-rei conde D. Luiz de Ataíde, que levou na sua companhia o piloto Vicente Rodrigues. A Chagas regressou ao Tejo, de torna viagem, che- gando a 25 de Abril de 1570 sendo provável que nela vol- tasse o nosso Vicente Rodrigues. Os elementos referentes à armada foram colhidos numa Ementa de Duarte Gomes (de Solis), publicada pelo sr. Frazão de Vasconcelos (2). Os que dizem respeito a Vicente Rodrigues é êle pró- prio que os regista no seguinte passo do Roteiro, adiante publicado: «...as naus, que partem de Portugal em Março às que vêm na monção ou tempo do inverno, pode bem suceder que então não os achem (os alcatrazes) nesta pa- ragem (20 léguas ao mar de Sofala), como me sucedeu, vindo numa tal monção na companhia do conde D. Luiz de Ataíde...» (2) FRAZÃO de VASCONCELOS — Uma curiosa ementa das Ar- madas da índia, de 1560 a 1595 (in: Arquivo Histórico da Mari- nha). Lisboa, 1933-36. go
Também ao Rodrigues se rejere este outro passo do autor anónimo de um capitulo dos Roteiros Portugueses, publicados por Gabriel Pereira, intitulado Altura e sítio do baixo da Judia: «O Baixo da Judia diz Vicente Rodrigues no seu pri- meiro Roteiro que viu o ano de 1568 e o de 1570 e que à vista dele tomou o sol pela banda do sueste e que tomou 22o» (3). Contudo este passo deve ter sido suprimido por Linschoten (ou não estava na cópia que êle traduiiu), portanto no Roteiro adiante publicado. Em 17 de Março de 1571 saiu novamente do Tejo para a Índia como piloto da mesma Chagas, capitaina da armada do vice-rei D. Antão de Noronha (ver o n.° 5). 3 — Depois, até 1589, nada sabemos da vida marítima de Vicente Rodrigues, que certamente continuou como pi- loto da Carreira da índia. Em 5 de Maio de 1590 saiu do Tejo a armada de Ma- tias de Albuquerque, vice-rei da índia. Compunham-na as seguintes naus: Bom Jesus — capitaina, com o vice-rei e Vi- cente Rodrigues, já pilôto-mor — S. João, S. Cristóvão, Santa Cruz e Nossa Senhora da Conceição; a capitaina foi a única que conseguiu chegar à índia tendo arribado a Portugal as outras quatro. Em 11 de Abril de 1592 partiram de Cochim para o reino, excessivamente carregadas, as cinco naus: Bom Je- sus, S. Cristóvão, Santa Cruz, S. Bernardo e Madre de (3) Roteiros portugueses da viagem de Lisboa à índia nos séculos xvi e xvn. Publicados por G. Pereira, Lisboa, 1898, pág. 177. 9l
Deus; na primeira, Bom Jesus, vinha o governador Manuel de Sousa Coutinho com o pilôto-mor Vicente Rodrigues. Para a derrota desta armada mandava o rei que se con- sultassem os capitais' pilotos e mestres, que estivessem em Cochim, sobre a conveniência dela ser feita por entre os baixos do Indico — de Garajaos, das Chagas, etc. — ou por fora dêles seguindo então directamente à Ponta de Gale (no sudoeste de Ceilão). Reunidos os técnicos, só o pi- lôto-mor Vicente Rodrigues opiniou pela derrota por entre os baixos; e assim foi decidido. Destas 3 naus só a S. Cristóvão chegou ao reino. A Santa Cruz e a Madre de Deus foram aprisionadas pelos in- gleses, nos Açores. A S. Bernardo desapareceu e a Bom Jesus sossobrou no Índico, não se salvando pessoa alguma; assim terminou o pilôto-mor Vicente Rodrigues a sua acti- víssima carreira marítima (4). 4 — Eis um facto curioso, referente a Vicente Rodri- gues, que respigamos num «auto e diligência» realizado em Lisboa, no ano de 1617, em que tomaram parte o doutor Simão Soares de Carvalho e os conhecidos pilotos Gaspar Ferreira Reimão e Gaspar Rodrigues da Costa. O auto e diligência fôra determinado para se saber se o piloto Marçal Luiz, que não sabia lêr nem escrever, era ciente na sua arte. Ne/e se tratou de Vicente Rodrigues, nos seguintes termos, a-propósito da Demarcação da agu- lha, isto é, da determinação do seu nordestear e do seu nor o est ear: «... dita demarcação a não podem fazer sem pri- meiro tomarem a pena na mão e lhe fazerem a sua conta, (4) Os elementos sôbre estes anos de 1590 e 1592 foram colhidos na Ementa de Duarte Gomes (de Solis), ver: FRAZÃO DE VASCONCELOS — I. C. «d nota (2).
que é uma das mais dificultosas observações que há na ciência demarcação da agulha, por ser inventor dela Vicente Rodrigues...» (5). A atribuição a Vicente Rodrigues, dos cálculos do nor- destear e do noroestear da agulha... ora valha-nos Deus! Os dois Roteiros de Vicente Rodrigues 5 — Vicente Rodrigues escreveu dois Roteiros da Car- reira da Índia, que ficaram conhecidos por Primeiro e Se- gundo; os originais de ambos são hoje considerados como perdidos. O Primeiro Roteiro é moldado no prototipo de Diogo Afonso; o Segundo é um aperfeiçoamento e desenvolvi- mento do Primeiro, a que Vicente Rodrigues juntou novas informações colhidas na sua longa prática da Carreira da Índia. Ambos contêm judiosas observações pessoais de Vi- cente Rodrigues. João Baptista Lavanha e Gaspar Morais de Macedo em seus Roteiros Mss., de paradeiro ignorado, e Gaspar Ferreira Reimão no seu Roteiro de 1612, referem-se várias vezes aos dois de Vicente Rodrigues, de que muito se apro- veitaram. a) Primeiro Roteiro — Não é conhecida a existência de qualquer cópia deste Primeiro Roteiro. Na Livraria do (5) Publicado por: frazão de Vasconcelos — Cosmógrafos, cartógrafos, pilotos e construtores navais dos séculos xvi e xvn. Notas e Documentos inéditos (in: Arquivo Histórico da Marinha — Piloto Marçal Luiz). Lisboa, 1933-36. y*
Conde Redondo existiu no século xvill uma cópia, que supomos ser deste Roteiro; ainda ali estava há 35 anos, mas depois desapareceu, ignorando-se onde foi parar. b) Segundo Roteiro — Conservam-se duas cópias, as quais estão insertas nos Códices 1507 e 6651 da Biblioteca Nacional de Lisboa. Também existe em português e em tra- dução espanhola (fragmento) no Códice 3176 da Biblioteca Nacional de Aladrid. Gabriel Pereira reproduziu este Segundo Roteiro de Vicente Rodrigues (6), servindo-se da cópia do Códice 6651, acima citada. 6 — Primeiro Roteiro — Não existe cópia alguma do Primeiro Roteiro, como dissemos; mas Linschoten teve a felicidade de o traduzir, ou mandar traduzir e publicar, bem como muitos outros de autores portugueses e espanhóis, em holandês primeiramente (1596), depois em inglês (1598), em latim (1599) e em francês (1610). E natural que resumisse algumas passagens de Vicente Rodrigues, que considerou de somenos importância, ou mesmo que tivesse utilizado qualquer cópia já mutilada ou ligeiramente alterada. As seguintes considerações convenceram-nos ser o Pri- meiro Roteiro o que Linschoten reproduziu e não o Se- gundo. 6 — Datas dos Roteiros. a) Primeiro — fá contem informações referentes a 1568-1570, anos estes que o original citava, segundo se infere do passo do piloto anónimo transcrito no n.° 2; (6) Roteiros portugueses... 1. c. na nota (3), pág. 15-34. 94
aquele ano de 1568 também se conclue do passo referente ao conde D. Luiz de Ataíde (ver o 2." passo, registado no n.° 2). Por outro lado, Vicente Rodrigues continuou como pi- loto da nau Chagas em 1571, a qual, como capitaina da armada do vice-rei D. Antão de Noronha, que a coman- dava, seguiu de Lisboa para a Índia em 17 de Março daquele ano (7). Desta armada ainda faziam parte mais quatro naus: Espírito Santo, Santa Clara, Belem e Fé. A capitaina chegou a India a 20 de Julho e as outras quatro a 24 de Agosto (8), isto é um mês depois daquela, o que se acorda com o seguinte passo do Primeiro Roteiro, adiante publicado: «...como sucedeu a algumas naus que partiram de Lis- boa na minha companhia, as quais tendo ido da Linha na volta da Guiné, o que eu não quis fazer, fôram impelidas para o Brasil, de maneira que só chegaram à Índia um mês depois de mim.» Daqui se conclue que o Primeiro Roteiro de Vicente Rodrigues é posterior a 1571. (7) O que è confirmado em: MANUEL GODINHO Cardoso — Relação do Naufrágio da Nau Santiago no ano de 1585 (in: Bernardo Gomes de Brito — Histó- ria Trágico Marítima, Vol. II, pág. 85). Lisboa, 1786. O autor declara que a nau Chagas, em que iam o vice-rei D. Antão e o piloto Vicente Rodrigues, navegando do Cabo para Moçambique, passou a menos de uma légua do Baixo da Judia. Embora Godinho Cardoso indique que este facto se passou em 1568, deve êle referir-se a 1571, ano em que o vice-rei D. Antão foi para a Índia na nau Chagas. (8) FRAZÃO DE VASCONCELOS — 1. c. na nota (2). 9S
b) Segundo — A nau Bom Jesus, capitaina da armada do vice-rei Matias de Albuquerque em 1590, com o pilôto- -mor Vicente Rodrigues (n.° 3), passou várias atribulações junto da Uha de João da Nova. A elas se refere implicita- mente o ilustre piloto no seu Segundo Roteiro: «• ■ é baixa cercada de baixos, há mister ir a recado e assim indo de noite é bom ir daloeste delia 10 ou 15 lé- guas» (9). e a cuidadosa recomendação perdurou. No Primeiro Ro- teiro nem sequer cita a Ilha de João da Nova. Ora a Bom Jesus, depois do Cabo da Boa Esperança, seguiu por fóra da Ilha de S. Lourenço; houve vista das Ilhas de Mamale (Laquedivas) e, com os levantes, não pôde embocar o estreito arribando à Ilha de Socotorá. Daqui foi invernar a Moçambique em Janeiro de 1591, partindo depois para a índia aonde chegou em Maio deste ano (10). Daqui se conclue que o Segundo Roteiro é posterior à chegada da Bom Jesus à índia em Maio de 1591. Como Vicente Rodrigues partiu da índia em 11 de Abril de 1592, na mesma Bom Jesus, morrendo no Índico, nesse mesmo ano (n.° 3), deve o Segundo Roteiro ter sido escrito na Índia em 1591. c) Data do Primeiro Roteiro — Mostramos em a) que é posterior a 1571, e em b) que è anterior a 1590. Mas Linschoten, que estava na índia em 1583, dali trouxe — senão obteve a bordo da nau portuguesa em que viajou — a cópia deste Primeiro Roteiro de Vicente Rodrigues. (9) Roteiros Portugueses... 1. c. na nota (3), pág. 21. (10) simão ferreira Paez — As Famosas Armadas Portu- guesas. Ministério da Marinha. Rio de Janeiro, 1937. 96
Os Roteiros por Linschoten coleccionados, traduzidos ou mandados traduzir e publicados, vão até 1586, sendo deste ano somente um que parece de autor espanhol. De forma que, para fixarmos ideias, baixaremos a 1583 o li- mite superior acima indicado (1590). Desta forma, é de aceitar que o Primeiro Roteiro de Vicente Rodrigues fosse de 1571 a 1583; fixemos-nos, pois, em c. 1577. Publicação do Primeiro Roteiro 7 — Para a publicação em português do Primeiro Ro- teiro de Vicente Rodrigues fizemos a tradução livre do que Linschoten publicou, utilizando a edição francesa de 1619. Comparando este Primeiro Roteiro com o prototipo de Diogo Afonso, incluído na Colecção de Manuel Alvares — (I) e (II) — bem resalta que aquele ê moldado neste, como já indicámos. A comparação do mesmo Primeiro Roteiro com o Se- gundo, publicado por Gabriel Pereira, evidencia o que já afirmamos: que este Segundo é um aperfeiçoamento e de- senvolvimento do Primeiro, a que Vicente Rodrigues jun- tou novas informações colhidas na sua longa prática da Carreira da índia. A. F. C. 7 97
III Primeiro Roteiro da carreira da India [i] Viagem de Lisboa para a India (1) Partindo de Lisboa para ir à Ilha do Pôrto Santo é necessário governar ao sudoeste. E estando fora de Lisboa convém marcar o Sol com o astrolábio, para fazer a prova, tanto ao nascer como ao pôr, ao meio dele, a saber: ao Norte e ao Sul; e tudo que achares do nordes- tear da agulha o ajuntarás para o Sul, porque a dita Ilha do Pôrto Santo jaz nordeste sudoeste, em relação a Lisboa, e assim corresponde em tudo e por tudo. Quando vires Pôrto Santo, ou a Ilha da Madeira, indo para a Ilha da Palma, tudo o que a agulha nordesteia ajun- 99
tarás (ao govêrno) e ainda um pouco mais, porque ela está mais a Leste do que está marcada nas Cartas; e de lá para a Ilha do Ferro, a qual acharás um pouco mais para poente do que está nas Cartas. Portanto não deves estar aqui des- cuidado, porque governando a 10 léguas do que a Ilha da Palma está situada na Carta virás justamente sôbre ela. Quando tiveres passado a Ilha da Palma é bom gover- nares ao Sul, ajuntando sempre (ao govêrno) o que a agulha nordestear, que pode ser meia quarta. Da altura de 26 graus até 18 acharás a água verde, que está pelo través da ponta chamada Cabo Branco e pelo través do golfo onde jaz a fortaleza de Arguim; a qual água, se a vires mais de duas vezes, é sinal de que estás perto da costa, mas se a vires pouco, a saber menos de duas vezes, estás mais perto das ilhas. Vindo aos 10 graus, tanto que estejas perto da costa da Guiné, não dês nenhum nordestear da agulha, por causa de que a água faz revessa para a terra, de forma que o nordes- tear da agulha, que pode ser de um têrço de quarta, fica igual ao correr da água; e como a náu vai ao sueste, e a água corre sempre do Sul, a nau é sempre impelida para a terra. De 5 graus até 3 é bom conservares-te afastado da costa, de 70 a 100 léguas, e não mais, porque isto prejudicava a tua viagem; não é bom ires a 100 léguas da costa ou mais, por- que terás poucos ventos do sudoeste para ir na volta da terra, mas antes acharás todas as trovoadas que te impediriam de aproximar da terra. i eo
E enquanto estas trovoadas vierem de todos os lados é bom governar de 70 a 80 léguas, a saber: até 2 graus e meio; aqui acharás ventos sudoestes, sendo desde 20 de Abril até 5 de Maio; e, sendo mais tarde, os ventos sudoestes vêm mais acima, a saber de 3 graus e 3 e meio até 10 de Maio; mas, sendo ainda até fim de Abril, pode suceder que só tenhas os ditos ventos sudoestes na altura de um grau. Os sinais que há nesta costa são garajaus; e, se as trovoadas vierem de Leste, estando de 70 a 80 léguas ao mar da terra, verás algumas andorinhas e estapagados (2). Quando achares ventos suestes, e governares para a costa do Brasil, nos primeiros dias de navegação não terás diminuição na altura; não te admires disto, porque tudo o que achares que pouco diminue não são inteiramente as águas que te impedem, como muitos e a maior parte o esti- mam; porque estes graus, próximo da equinocial, são maio- res do que os outros que são mais altos, como se achará indo para a Índia ou voltando de lá com ventos favoráveis. Quando chegares à Linha também se diminue muito pouco: o que confirma que tôdas as diminuições ou os aumentos, que são bem pequenos, não são devidos às águas as quais correm para as Antilhas. Vindo a um grau da Linha, ou um pouco mais, guar- da-te de voltares de qualquer forma para a Guiné, porque isto te retardaria e faria perder inutilmente o teu tempo, como sucedeu a algumas naus que partiram de Lisboa na minha companhia, as quais tendo ido da Linha na volta da Guiné, o que eu não quis fazer, foram ao contrário impe- lidas para o Brasil, de maneira que só chegaram à índia um mês depois de mim (3). 10 1
Deves governar para a costa do Brasil, tendo vento fa- vorável e ter atenção à agulha, porque, logo que tenhas passado a Linha, a agulha nordesteia meia quarta e mais. £ indo de 8 graus a 18 quanto mais a agulha nordestear quanto mais estás para o Sul do Brasil. Leste Oeste com o Cabo de Santo Agostinho, indo dêle 150 léguas, nordes- teará a agulha um terço duma quarta (4); isto se entende que quando a agulha é feita em Portugal, se ela nordesteia meia quarta então é boa e certa. O mesmo deves fazer a Leste Oeste dos Abrolhos, de 170 até 200 léguas ao mar: então a agulha te nordesteará uma quarta inteira, ou mais (5), por causa de que a agulha, que nordesteia meia quarta em Portugal, faz aquilo a cento e tantas léguas no interior do Brasil, o que corresponde ao mesmo no mar. Nesta paragem acharás rabos forcados e, perto das Ilhas de Martins Vaz, garajaus brancos. Estando na altura mencionada, com vento favorável, podes governar a lessueste; então a agulha nordesteará uma quarta ou uma quarta e meia. Se suceder chegares aos 30 graus, quando a agulha nordestear uma quarta e meia, não dês o abatimento de mais de meia quarta, porque esta derrota é uma quarta inteira menor do que a que está nas Cartas. Ê bom não ires além dos 32 ou 33 graus, a saber, até às Ilhas de Tristão da Cunha, porque a tua derrota será melhor e mais certa, e terás menos trovoadas e tormentas, porque a maior parte do tempo tens aí ventos do Norte e nordestes, que então te ajudam melhor; dou-te êste aviso por o ter algumas vezes experimentado. Estando perto das Ilhas de Tristão da Cunha, se vires alguma quantidade de ervas de sargaço, com trombas, que são uns paus grandes, é sinal de que não estás de nenhum 10 2
lado das referidas ilhas. Aqui se acham grandes corvas grandes, e também pequenas, que têm os bicos brancos, as quais voam muito perto das ditas ilhas. Estando Norte Sul com as ditas ilhas começa então a diminuir o nordestear da agulha; e não nordesteia mais do que uma quarta e um quarto, porque a 70 ou 80 léguas destas ilhas estás no meio, ou a meio caminho, do meridiano que está entre o Brasil e o Cabo das Agulhas. Sabe que nesta altura de 35 graus, pouco mais ou me- nos, terás 330 léguas por cada quarta do nordestear da agulha (6). Quando vires os sinais mencionados deves ir até aos 35 graus e meio, que é uma boa altura, e governar a leste e oeste quarta do nordeste até perto de 100 léguas do Cabo da Boa Esperança: então a agulha não nordesteará mais que um terço de quarta, e a água te atirará para o noroeste ou para o Norte. Se por inadvertência ou pela força dos ventos vieres aos 35 graus, acharás, a 30 ou 40 léguas do Cabo da Boa Es- perança, trombas grandes e também lôbos marinhos, os quais não verás estando nos 36 graus pouco mais ou menos. A 40 léguas antes do Cabo da Boa Esperança, em 36 graus ou 35, acharás um junto de água, a saber: de dia, porque de noite não o verás, e acharás gaivotões; e, de lá para o Cabo, acharás corvas pretas de bicos brancos, o que é um bom sinal porque pode ser que aches fundo sem veres alcatrazes. Quando estiveres Norte Sul com o Cabo da Boa Espe- rança, desde os 35 graus até aos 36, acharás fundo de vasa até ao Cabo das Agulhas; e, quando êste fundo de vasa acabar, acharás fundo de areia miiida; e, um pouco mais / o 3
dentro, a saber perto do Cabo das Vacas, que está perto da Aguada de São Braz, o fundo é de cascalho e pedra. As agulhas, que são fixas no Cabo das Agulhas, devem ter nordesteado meia quarta, em Lisboa, como disse; devem marcar muito bem a-pesar-de que alguns marinheiros esti- mam não ser necessário saber o que elas nordesteiam ou noroesteiam, alegando que os nossos predecessores não en- tendiam de agulhas e assim marcaram as costas. A isto responde-se que isso pode ser escusado nalgumas derrotas, mas que na maior parte das viagens é muito necessário saber o nordestear e o noroestear, como quando se vai do Cabo da Boa Esperança para Moçambique; então para poder governar pelo meio do canal, entre Sofala e a Ilha de São Lourenço, é preciso que a agulha noroestei uma quarta; e o conhecimento deste noroestear é necessário a todos os marinheiros que fazem a viagem da Índia, tendo em vista que eles se acham ora perto da ilha ora sôbre os Bancos de Sofala na ocasião das águas correrem (7). No caminho do Cabo das Agulhas para Moçambique é bom governares 100 léguas a Leste, para evitares a costa, por causa das águas que correm ao sudoeste. Norte Sul com a Baía da Lagoa noroesteia a agulha um quarto de quarta e não menos; não deves aproximar-te da costa a menos de 60 léguas e deves governar, como disse, para passares ao largo. Nesta paragem acharás as corvas pretas de bico branco, até que o Cabo das Correntes esteja ao noroeste; porque não se acham senão do Cabo das Correntes até ao Cabo da Boa Esperança. Norte Sul com o Cabo das Corren- tes noroesteia a agulha três quartos de uma quarta, antes mais do que menos; e uma quarta no meio do canal. Vindo perto dos Baixos da Judia, do lado de Oeste dêles, sem os veres, acharás grande número de alcatrazes, 104
a saber a 10 ou a 15 léguas dêles. A 20 léguas verás tam- bém alguns, estando do mesmo lado; e a agulha só noroes- teará uma quarta. Mas se estiveres do lado da Ilha de São Lourenço, a 10, 12 ou 15 léguas, pode bem suceder que os não vejas. Estando na altura dêstes baixos, a saber de 22 graus ao menos (8), se não vires alcatrazes, abstem-te de passar a Ilha de São Lourenço, porque do lado ocidental da ilha não verás nenhuns senão estando muito perto. Enquanto que do lado de Sofala se vêem a 20 léguas ao mar, a saber no tempo da monção que é o tempo em que as naus, que partem de Portugal em Março, ali chegam; porque, às que vêm na monção ou tempo do Inverno, pode bem suceder que então não os achem nesta paragem, como me sucedeu, vindo numa tal estação na companhia do conde D. Luiz de Ataíde (9), governando 20 léguas ou mais atrás dêstes baixos, do lado de Sofala, não vimos uma só ave, não obstante 10 ou 12 dias antes termos visto muitos alcatrazes. Tão depressa vejas os ditos sinais não te apresses a governar ao Norte, nem ao norte quarta do nordeste, até que estejas em 16 graus e três quartos, que é a altura das Ilhas Pri- meiras, que estão um pouco mais a Oeste; porque gover- nando ao nordeste as correntes são tão fortes que logo virás sôbre o Parcel de Sofala. Se vieres a descobrir as Ilhas Primeiras não deves fiar-te das passagens entre elas, porque ainda que venhas a passá- -las a Leste e nordeste há sempre abusos sobretudo porque a primeira e a última delas estão a Leste Oeste a respeito das outras. De lá até um banco de areia, chamado a Coroa de Sanguase (10), governa perto das Ilhas de Angoxe a lesnordeste oessudoeste. Desta Coroa de Sanguase até Mo- i o5
çambique governa ao longo da costa nordeste sudoeste; encontram-se entre ambos algumas enseadas e ancoradou- ros, com a profundidade de 18 a 25 braças; mas o meu aviso seria fa2er o possível por não ancorares ali, porque ao longo desta costa há muitos recifes e rochas que se não vêem senão quando o mar neles rebenta. Os sinais que há a 14 léguas, antes de chegar a Mo- çambique, são estes: uma grande terra alta, e, a uma légua e meia da costa, está um baixo sobre o qual se passa em 15 braças. Esta terra chama-se Moginqual, e tem do lado do mar árvores semelhantes a pinheiros. De lá a Moçam- bique há 12 léguas e a Mocango 5 léguas, e em todo êste espaço vêem-se as tais árvores; a uma légua da terra rebenta por vezes o mar. Para vir a Moçambique é necessário governar para pas- sar pelo meio entre a Ilha de S. Jorge e os Baixos da Caba- ceira; aí acharás 7, 8 e às vezes 9 braças de fundo, a saber em preamar. E estando antes da Ilha de S. Jorge, que ela apareça entre a de Santiago e as árvores \da terra Norte]; estás então ao pé da dita ilha e governarás para a margem de Santo António (11), na Ilha de Moçambique, até que estejas em bom fundo, a saber num canal que corre Norte Sul. Vindo pelo meio do dito canal voltarás logo ao Norte, guardando-te sempre da Ponta de Nossa Senhora do Baluarte, que é uma igreja que está numa ponta da Ilha de Moçambique, ao bordo da água, e também da fortaleza de Moçambique e dos Baixos da Cabeceira, que estão fron- teiros do outro lado. Este Pôrto de Moçambique está em 15 graus, quando muito; a agulha nordesteia aqui uma quarta, quando muito. Dali à Ilha de Comoro governa ao nordeste; a ponta da qual ilha, do lado do sueste, está em altura de 11 graus e dois terços. Desta ilha para a Linha i o6
governa ao nordeste e nordeste quarta a leste. Neste cami- nho aparece algumas noites a água branca ou luzidia, na altura de 3 e 4 graus; terás vento sueste, e de lá para vante terás ventos sudoestes e do Sul, por causa de que se começa a entrar o Inverno da índia. Desde a Linha equinocial até à altura de Goa, que está em 15 graus e um terço, governarás sempre a lesnordeste. Neste caminho a agulha nordesteará uma quarta e meia; todo êste nordestear ajuntarás ao nordeste até à dita altura de Goa. Os sinais dêste caminho são: algumas vezes de noite, na altura de 10 graus, vê-se a água branca e luzidia; e desde esta altura, até à costa da índia, acham-se por vezes muitas aves, vindas desgarradas da costa da Arábia; e a 180 e 200 léguas da costa da índia a agulha começa a dimi- nuir o norroestear, e no porto de Goa não noroesteia mais do que uma quarta e meia, antes menos do que mais. [«] Viagem de Goa para Cochim (12) Desde Goa até Batecalar governa 2 a 3 léguas ao mar da terra, em fundo de 20 a 25 braças. A cêrca de meia légua do Ilhéu de Batecalar acham-se 26 braças. Desde ali é bom governares ao sueste e sueste quarta ao sul, até à fortaleza de Bracalor. Para saberes se estás perto de Bracalor, ou na sua altura, é necessário descobrir até os montes altos, que se estendem / o 7
desde Batecalar, e justamente acima de Bracalor jaz uma colina redonda, que parece uma nuvem espêssa, e se vê no fim daqueles montes altos, a saber: do lado meridional. De Batecalar ao Pôrto de Bracalor há 4 ou 5 léguas; e a meia légua da terra o fundo é todo de pedra. Deves ancorar perto de Bracalor, em fundo de 10 bra- ças, a saber: a uma légua e meia da terra. E desejando seguir para Cochim governarás ao sussudoeste, conservando-te sempre ao mar e regula-te segundo o que o vento te per- mitir, porque ali verás outros ilhéus e rochedos, perto dos quais se passa em fundos de 14 braças: por 16 braças é uma boa rota. A 3 ou 4 léguas destes ilhéus verás um grande número de outros ilhéus e recifes, passados os quais verás descoberta a fortaleza, governando a cêrca de duas léguas afastado da terra e em fundos de 15 braças. Daqui gover- narás da mesma maneira até à fortaleza de Cananor. De Cananor até aos Ilhéus Cagados há 7 léguas; governa ao sussueste, em fundo de 18 braças. Desde os Ilhéus Cagados até Chalé há 7 léguas; governa ao mesmo sussueste em fundo de 18 braças. Desde Chalé a Panané há 9 braças na mesma rota. De Panané a Cochim há 16 léguas; governa também ao sussueste, em fundo de 10 e de 12 braças que é uma boa rota. [III] Viagem de Cochim para Portugal (13) A cidade de Cochim está na altura de 9 graus e três quartos, antes menos do que mais. Partindo de lá para Portugal governarás a oesnoroeste, até estares a 30 léguas í o 8
de Cochim. Daqui governarás de maneira que quando pas- sares pelas Ilhas Maldivas e de Mamale possas vir à altura de 8 e 8 e meio graus, a-fim-de não encontrar nenhumas ilhas; porque conquanto as Cartas marquem algumas ilhas, neste caminho, no entanto não as há. Tendo passado estas ilhas é bom governar ao sudoeste, até à altura de 4 graus, e daqui ao sussudoeste até 3 graus do lado meridional da Linha; nesta derrota, desde Cochim, a agulha noroesteia uma quarta e meia. Estando nos 3 graus, do lado meridional da Linha, começam de dar trovoadas de Oeste e nornorroeste, com ventos rijos. Daqui deves governar ao Sul e ao sul quarta do sudoeste até 10 ou 12 graus. Nesta altura, de 12 graus, a agulha noroesteia uma quarta e dois terços; não contes portanto nenhum abatimento, porque ordinariamente correm as águas a Oeste, o que seria erro dobrado, de maneira que, segundo eu posso entender, nesta derrota é necessário contar com o avanço da nau, porque paralelamente se acharão águas de revez para o sueste. Vindo aos 12 graus, até aos 15, tem-se por vezes ventos de sussueste; guarda-te então de governar do lado de Oeste, porque não é bom, mas governa antes a Leste e a lessueste, devendo ter cuidado até aos 18 graus; nesta altura estão os Baixos dos Garajaos. Depois de entrarem os ventos suestes deves governar ao sudoeste até veres a Ilha de Diogo Ro- drigues; e, se estás aproado a ela, acharás alguns alcatra- zes e também quantidade de sargaço flutuando na água. A agulha não noroesteia aqui muito; o seu noroestear começa a diminuir. Tendo passado a dita ilha ou a sua altura governarás ao sudoeste e sudoeste quarta a oeste até aos 26 graus; nesta altura está a extremidade meridional da Ilha de São Lou- / o g
renço. Desta altura governarás a oessudoeste até aos 29 graus; e daqui a Oeste e a oeste quarta do sudoeste. Para saberes quando estás Norte Sul com a Ilha de São Lourenço, a saber, do meio da sua extremidade meridional, olha bem a agulha e acharás que ela aqui noroesteia uma quarta e um quarto. Indo daqui governarás segundo o tempo e o vento o permitir; sendo a estação desde o meio de Abril até ao fim de Maio é necessário ir junto à costa, porque neste tempo são os ventos do Norte e os nornor- destes, e vindo em Fevereiro e Março são os ventos levan- tes e do Sul; de forma que te deves regular segundo o tempo. Estando Norte Sul com a terra firme, a agulha noroes- teará uma quarta, antes mais do que menos, o que é um sinal certo de que ali estás; se o noroestear fôr maior está seguro de que não te achas perto da terra, mas a 30 ou 40 léguas verás a água verde, sem achar nenhum fundo. As agulhas de que falei serão fixas no Cabo das Agulhas, as que em Portugal nordesteiam meia quarta, antes menos do que mais. E quando vieres ao dito Cabo das Agulhas, en- quanto não achares fundo de vasa ainda não chegaste ao dito cabo; portanto, cuida de lançar o prumo muitas vezes a-fim-de saberes o que tens a fazer. Indo do Cabo das Agulhas para o Cabo da Boa Espe- rança, não é bom governares ao noroeste enquanto achares fundo, porque não dobrareis o dito Cabo da Boa Esperança; mas, dobrado êste, governa ao noroeste até aos 16 graus, que é a altura da Ilha de Santa Helena, ou bem até aos 16 graus e um quarto. Apenas chegares a esta altura governa a Oeste, um pouco ao Sul ou bem a primeira vez a oeste j i o
quarta do sueste, devido à agulha e às águas, porque não chegarás a maior altura, ainda que governes a oeste quarta do sueste. Governando assim, deves continuar a derrota na mesma altura ainda 50 léguas, mas não mais; e quando vieres a avistar a ilha, e que a não possas atingir de dia, amaina as pequenas velas e conserva as outras até que estejas a 5 léguas dela, de maneira que a possas ver de noite, estando sempre a Oeste e oeste quarta do noroeste porque a agulha nordesteia meia quarta, ao menos. E se fizeres bem a tua conta do govêrno, desde o Cabo da Boa Esperança até à dita ilha, com o ajuntamento do nordestear da agulha que convém, acharás que ela está marcada nas Cartas 70 léguas mais a Leste. Partindo desta ilha para Portugal, prevendo ver a Ilha da Ascensão, governarás a noroeste quarta a oeste 70 lé- guas. Se porventura suceder que a agulha nordestei um quarto de quarta, como tantas fazem, então deves governar 100 léguas a noroeste quarta a oeste e daí a noroeste até que encontres os gerais; mas não te aproximes muito da terra, não seria bom porque os ventos do Sul podem demo- rar algum tempo durante esta derrota, indo até aos 15 e aos 14 graus do lado do Norte. Acredita nisto e não te aproxi- mes abaixo da costa da Guiné, com os gerais; portanto só deves governar a Oeste e não deixes de seguir esta derrota, porque o vento virá a aumentar muito o que por vezes êle só faz quando estás perto da terra. Ê bom governares a 150 léguas ou 200 abaixo da costa, porque sabendo que se está a 200 léguas dali, segundo as Cartas, tem assim um bom espaço; a razão é que partindo da ponta da Ilha de Santa Helena, como ela está marcada nas Cartas e não da ilha que está 70 léguas mais a Oeste, III
como disse. Embora possas ir até à Ilha das Flores, não é razão para dizer que assim não seja; porque, depois das ervas de sargaço, o vento é sempre nordeste e as águas cor- rem para as Antilhas, que são em frente da Nova Espanha, o que é a causa porque as naus multiplicam muito pouco no seu caminho desde as ervas de sargaço. E se as naus, nesta derrota, viessem a encontrar as águas, elas seriam impelidas ao sabor do vento, o que muito pouco se dá. Perto da Guiné também às vezes sucede que as águas corram para o Norte e, sendo perto da terra, elas logo te arrastam; e também aí se acham os ventos noroestes e Nortes, o que te impedirá de governares ao noroeste. E estando ao mar antes acharás ventos nordestes, de maneira que não deves gover- nar a passares perto da costa da Guiné. Faço aqui esta de- claração para que se guardem disto; porque todas as naus que se aproximam do lado da Guiné, de qualquer forma que seja, não acham na derrota do sargaço nenhuns ventos que possam servir senão os ventos nordestes, e às vezes calmarias, o que se não acha governando do outro lado, onde se acham ventos lessuestes. Todas as naus que vêm das Antilhas não têm ventos mais rijos do que os Lestes, de onde pode entender-se que, quando tomas o caminho abaixo da Guiné, não há causa de mais longa viagem, mas que quanto melhor fôr o vento melhor será o govêrno. E se fôr caso que tenhas a agulha fixa, dos 20 graus aos 25, ainda não estás abaixo da Guiné. Aqui começa a achar-se a erva de sargaço, motivo porque êste mar se chama Mar de Sargaço, e não faças conta que podes estar perto da costa ou abaixo da Guiné, porque isto nada tem de certo. Governando ao Norte ou ao nordeste, se suceder que a agulha não noroestei está certo de teres a Ilha das Flores 112
na proa, e isto dura até à Ilha do Faial; isto se entende para uma agulha que nordestei meia quarta, ao menos, na Ilha de Santa Helena. Governando dos 36 aos 39 graus e meio irás ver a Ilha das Flores e algumas tartarugas. Estando a 40 léguas desta ilha verás garajaus e estapagados; e a agulha será quási fixa, se houver alguma diferença será um pouco de nordestear, porque da Ilha das Flores ao Faial as agulhas são fixas, como acima. 8 i i 3
Notas (1) Este capítulo [I] é tradução livre de Linschoten. Na ed. francesa de 1619 vem sob o título: «Chapitre V — Navigation de Usbonne aux Indes appointee par Vincente Rodrigos de Lagos, Portugais Pilote du Roy» (págs. 8-12). (2) Traduzimos «plongeons» por «estapagados», que são pás- saros «que mergulham no mar de quando em quando, pequenos e pouco menores que andorinhas, de costas pretas» segundo esclarece Gaspar Manuel ("). (3) Sobre êste passo ver o n.° 5 do nosso Preâmbulo. (4) No Segundo Roteiro diz Vicente Rodrigues que a agulha nordesteia aqui «onze graus» (b). (5) O Segundo Roteiro indica «14 graus» (pág. 18). (6) Vicente Rodrigues, seguindo a fantástica teoria do variar do nordestear e do noreastear da agulha, com a longitude, mostra admitir que a cada duas quartas dêsse nordestear ou noroestear correspondem 45 graus de longitude; isto é a cada quarta corres- (a) Roteiros portugueses da viagem de Lisboa à Índia nos sécu- los xvi e xvu. Publicados por G. Pereira. Lisboa, 1898, pág. 75. (b) Roteiros portugueses — l. c. na nota ("), pág. 17. I 15
pondiam 22 y2 graus ou a 393 % léguas à razão de 17 l/2 por cada grau. Na latitude de 35 graus o grau do respectivo paralelo é igual a: «Io de longitude X coseno de 35o» ou «Io de longitude X 0.82», para as 393 % léguas: «0.82 X 393 %» ou 323 léguas que pouco difere das 330 indicadas por Vicente Rodrigues. (7) Daqui se conclue que as isogonas locais eram então muito sensivelmente paralelas à costa. (8) Ver o n.° 2 do nosso Preâmbulo. (9) Ver o n.° 2 do nosso Preâmbulo. (10) Julgamos que esta Coroa de Sanguacbe seja a depois chamada Coroa de Santo Amónio, indicada pelos Pimentéis e Costa Almeida, e que hoje se denomina Baixo de Santo António. (11) O autor refere-se à Capela de Santo António, situada na ponta sudoeste da liba de Moçambique. (12) Este capítulo [II] é tradução livre de Linschoten, ed. francesa de 1619, onde vem sob êste título: «Chapitre VI — Navi- gation de Goa à Cochin» (págs. 12 e 13). Embora não tenha o nome de Vicente Rodrigues, e não haja correspondente no Segundo Roteiro, supomos ser dêste autor por isso que, em Linschoten, vem entre os dois caps. V e VII referentes ao indicado Rodrigues. Esta derrota, de Goa a Cochim, foi parcialmente aproveitada por Manuel Monteiro e Ferreira Reimão — ver o V Roteiro, adiante publicado e anotado. (13) Êste capítulo (III) é tradução livre de Linschoten, ed. francesa de 1619, onde vem sob o título: «Chapitre Vil — Court de la Navigation de Cochin en Portugal descrite par le mesme Pilote Vincente Rodrigos de Lagos» (págs. 13-16). Pouco difere do Segundo Roteiro. I I 6
IV ROTEIRO DAS ILHAS PRIMEIRAS E DE ANGOXE anterior a 25 de Março de 1600 de JOÃO BAPTISTA LAVANHA
I
Preâmbulo IV ste Roteiro de João Baptista Lavanha é de-certo a mais pequena obra deste insigne português, mas teve importância, por isso que dele se serviram os roteiristas do século xvil. Como a ele se refere o Roteiro da Carreira da índia de Manuel Monteiro e Gaspar Ferreira, adiante publicado — V — o qual foi feito em Lisboa a 25 de Março de 1600, o de Lavanha deve ser pouco anterior a esta data. Dados biográficos de Baptista Lavanha 1 — Os poucos elementos biográficos de Lavanha, que a seguir damos, respeitam sobretudo à Náutica, tendo sido colhidos principalmente nos trabalhos dos seus biógrafos: ' '9
Sanchez Perez (1) e Dr. Armando Cortesão (2), sobretudo nos deste último. •2 João Baptista Lavanha, descendente de hebraicos, era filho de Luiz de Lavanha, escudeiro fidalgo da Casa Real, e de D. Jerónima Daça; ignora-se, porém, quando e onde nasceu. O facto de no seu testamento, feito em Ma- drid no dia 16 de Março de 1624, declarar Lavanha que há 52 anos prestava serviços contínuos aos reis, leva-nos, porém, a supor que teria nascido entre 1545 e 1550. A sua profunda cultura, matemática e cosmográfica, in- clina-nos a admitir que êle foi discípulo do grande mestre Pedro Nunes. So mais tarde D. Sebastião, de quem fôra professor de matemática, o mandou completar os estudos a Roma. Casou com D. Leonarda Mesquita, de quem houve três filhos e três filhas. 3 Filipe II de Espanha, estando em Lisboa, criou em 25 de Dezembro de 1582 a «Academia de hombres ilustres que enseiiasen y adelantasen las ciências exactas y sus pri- meras aplicaciones». João Baptista Lavanha foi então no- meado pelo rei para ensinar «Cosmografia, Geografia y Topografia, y en leer Matemáticas» na referida Academia, desde 1 de Janeiro de 1583, mas esta só começou a funcio- nar em Madrid em Outubro deste ano. (1) JOSE augusto Sanchez perez — Discurso etc de su re- cepcion en la Academia de Gencias exactas, físicas y naturales Madrid, 1934. £ uma interessante Monografia sobre João Baptista Lavanha. (2) armando cortesão — Cartografia e cartógrafos portu- gueses dos séculos xv e xvi. 2 Vols. Dsboa, 1935. Vol. 11, pães 294-361. e 6 12 0
Lavanha foi nomeado pelo soberano engenheiro do reino de Portugal, a 26 de Junho de 1587, cargo que passou a exercer de Madrid. Em 1588 ainda continuava em Madrid, como professor da Academia. Mas em 1591 voltou a Lisboa, por ordem do rei, com dois novos cargos para que fôra nomeado em 11 de Novembro deste mesmo ano: cosmógrafo-mor do reino, interino, para substituir Tomaz da Orta (naturalmente Já doente e impossibilitado) (3); e ler a cátedra de Matemá- tica aos pilotos, em Lisboa. Em 10 de Julho de 1596 é Lavanha nomeado defini- tivamente cosmógrafo-mor do reino, em substituição de Tomaz da Orta que falecera a 6 de Junho de 1594. A 25 de Março de 1600 ainda se conservava em Lis- boa, como se prova pela nota indicativa dos nomes dos autores no Roteiro de Manuel Monteiro e Gaspar Ferreira (Reimão), o qual publicamos em último lugar. E, tam- bém, ao ano de 1600 faz referência Reimão, num passo do final do seu Roteiro da Carreira da índia (1612) citado em 5) do n." 4. Deve ter voltado a Madrid em fins de 1600, ou pouco depois, porisso que daqui seguiu para a Flandres, em ser- viço de Filipe III, onde permaneceu de 1601 a 1604. Nos anos seguintes continuou em Espanha desempe- nhando vários serviços, principalmente de ensino e topo- (3) Pedro Nunes foi o primeiro cosmógrafo-mor do reino, e Tomaz da Orta o segundo. lit
gráficos, até que veio a Lisboa em 1618, por poucos meses, regressando a Madrid, neste mesmo ano. Lavanha foi cronista-mor do reino, lugar que já desem- penhava em 1521. Durante a sua permanência em Espanha foi Lavanha professor de Filipe 111, de Filipe IV, de Lope da Vega, de Cervantes e do príncipe Felisberto Manuel de Sabóia. Faleceu em Madrid a 31 de Março ou 1 de Abril de 1524. 4 — Obras de Lavanha — Citaremos apenas as directa ou indirectamente ligadas à Náutica: 1) 1588 — Tratado da Arte de Navegar. — Ms. in- serto num Códice da Biblioteca do antigo palácio real de Madrid (cota: 1910). Não é um Tratado completo, mas apenas uns aponta- mentos das interessantíssimas lições de Lavanha, lidas na Academia de Madrid; parece que os escreveu um seu dis- cípulo italiano chamado Camilo Medea. O Ms. tem registado que Lavanha começou a ler este Tratado a 14 de Março de 1588. Lavanha, a-propósito dos eclipses lunares, declara num dos passos das suas lições que deles «tratamos em nuestra Cosmografia», donde parece deduzir-se que tinha escrito uma Cosmografia, a qual ainda não foi encontrada. 2) 1596 — Regimento náutico. Lisboa (4)—E esta a primeira obra impressa de Lavanha, a qual teve uma 2." edição, Lisboa, 1606 (5). (4) Existem exemplares nas Bibliotecas Nacional de Lisboa e da Universidade de Coimbra. (5) A Biblioteca Nacional de Lisboa possue um exemplar. 12 2
Neste Regimento, também Lavanha se refere a uma Arte de Navegar sua, a-propósito da balestilha: «Em seu lugar servi-vos de um Quadrante feito do modo que de- clarei na minha Arte de Navegar, com o qual pendurado do seu anel...» (Foi. 5). Mas ignora-se onde ela pára. 3) Naufrágio da Nau S. Alberto, e o itenerário da gente, qve delle se salvou. Lisboa. — Obra impressa. Lavanha foi apenas o historiador do horrível naufrá- gio da nau Santo Alberto, que teve lugar no Penedo das Fontes (Africa do Sul) em 1593. 4) 1600 — Roteiro das Ilhas Primeiras e de Angoxe. Lisboa — Ms. E o presente Roteiro. Lavanha nunca foi um mareante e, muito menos, um piloto. Como só os pilotos são idóneos para fazerem um Roteiro, admiramo-nos de o ilustre cosmógrafo-mor se arrojar a escrever não só este pequeno Roteiro, mas ainda o citado em 6) e, também, a rever, senão emendar, o de Manuel Monteiro e Gaspar Ferreira (Reimão). Estas considerações forçam-nos a admitir que os dois, que levam o seu nome, foram por êle extraídos de aponta- mentos e informações de pilotos, que viram as regiões des- critas e navegaram nas suas paragens. Lavanha soube dar assim a forma escrita, compreensível, ao que os homens do mar, geralmente de poucas letras, haviam mal alinha- vado, uns, e outros apenas retido visualmente. A sua re- visão do Roteiro de Monteiro e Gaspar Ferreira deve en- tender-se como a dum homem, superiormente culto e além disso cosmógrafo-mor, intervindo especialmente não só na redacção do mesmo Roteiro, mas também na precisa aplicação de algumas regras da Navegação. 5) 1600 — Tábuas da largura ortiva do Sol. Lisboa. — Ms. Isto é Tábuas que dão as amplitudes do Sol (ao seu nascer e ao seu pôr); são as primeiras conhecidas e bem mostram o grande engenho do nosso cosmógrafo-mor, que 123
as calculou em 1600, ano em que as deu a Reimão e a Ma- nuel Monteiro: « João Baptista Lavanha, no ano de 1600, fez umas Tábuas do lugar do Sol e largura de Leste-Oeste naquele tempo, antes que fôsse para Castela, me deu estas Tábuas...» (6). 6) 1600? — Roteiro da navegação da India e derrotas com ha agulha ferrada debaixo da flor de lis e differensas delia, e sinaes corentes de agoa, de ventos que em diuersas paragens se acham. Este derroteiro foi ho que emmendou João baptista lavanha pollo de Vicente Roiz, e he muito certo, e tem muitas e mui boas curiosidades. Lisboa? — Air. Este Códice foi adquirido pelo bibliógrafo José Fer- reira das Neves no leilão da Livraria Nepomuceno, em cujo catálogo tinha o n.° 2060. Mais tarde foi vendido em Paris, não se sabendo onde foi parar. A este Roteiro se refere o rei no Regimento que deu em 1608 ao licenciado Gaspar José do Couto: «Usareis para a viagem [à India] do roteiro da índia que ordenou João Baptista Lavanha, de que levais có- pia;» (7). (6) gaspar ferreira reimão — Roteiro da Navegação e Car- reira da índia. Lisboa 1612. 2.a ed. Agência Geral das Colónias. Lisboa, 1939, ultimas págs. Sobre estas Tábuas ver o nosso trabalho: A. Fontoura de costa — A Marinhairia dos Descobrimentos. 2." ed. Agência Geral das Colónias. Lisboa, 1939, n.° 123. (7) Livros das Monções. Publicados pela Academia das Ciên- cias de Lisboa desde 1880. Vol. 1, pág. 216. As instruções náuticas dêste Regimento são da autoria do próprio Lavanha (Madrid, 24 de Janeiro de 1608). O respectivo Ms. existe na Biblioteca da Ajuda (ól-viu-21, Fôls. 84 a 86). 124
— Ê notável a semelhança do título deste Roteiro com o título do de Manuel Monteiro e Gaspar Ferreira (Rei- mão); por isto e porque o Roteiro de Lavanha é em por- tuguês e, ainda, porque em grande parte de 1600 estava o cosmógrafo-mor em Lisboa, deve o seu referido Roteiro ser talvez deste último ano. Já em 4) também nos referimos a este Roteiro. 7) 1613 — Descripcion del Vniverso. S. Lourenço el Real. — Ms. iluminado, cópia do original feito por Lavanha para o Príncipe Real. Esta cópia é pertença da Biblioteca Na- cional de Madrid (cota: Ms. 9251). 8) 1615 — Quarta Década da Asia de Ioão de Barros. Madrid. — Obra impressa. Lavanha reformou e acrescentou esta Quarta Década, que João de Barros deixara incompleta. O cosmógrafo-mor juntou-lhe três Mapas muito interessantes: da Ilha de Java, de Guzarate e de Bengala, por êle desenhados ou por outrem sob a sua superior direcção. O apelido do insigne cosmógrafo-mor aparece em di- ferentes trabalhos seus, em espanhol, sob as seguintes grafias: Lavana, Labana, de la Bana, Alavana e Alabana. Facsimile da assinatura de João Baptista lavanha / 2 5
3 — Alem das Obras de Lavanha, registadas no n.° an- terior, ainda Barbosa Machado (8) cita os seguintes Mss., de paradeiro hoje ignorado: a) Arquitectura naval. b) Descrição da Guiné. c) Tratado da Esfera do Mundo. Ms. do Roteiro e sua publicação 6 — O original do Roteiro de Lavanha devia certa- mente ser em português, visto que o seu autor se achava em Lisboa quando o escreveu; mas esse perdeu-se. A sua cópia, em espanhol, única conhecida, está inserta num Códice da Biblioteca Nacional de Madrid (cota: Ms. 3176, Fols. 27-29), onde o encontrámos em 1933. O tradutor mostra ser um português, por isso que al- gumas palavras foram escritas na nossa lingua, estando depois emendadas para espanhol. Do mesmo Códice, igualmente em espanhol, fazem parte, antes do Roteiro de Lavanha, uma cópia do de Ma- nuel Monteiro e Gaspar Ferreira (Reimão); depois uma em português e outra em espanhol (fragmento) do Segundo de Vicente Rodrigues; e, ainda, duas cópias dum Roteiro de André Simões, em português. Publicamos o de João Baptista Lavanha, reproduzido textualmente do Ms. de Madrid. A. F. C. (8) Diogo Barbosa machado — Biblioteca Lusitana, histó- rica, crítica e cronológica. 4 Vols. Lisboa, 1741-1759- 126
IV Derotero de las Islas Primeras y de Angoxa [i] Derotero de las Islas Primeras (1) De las Islas Primeras la primera, de la vanda dei sudueste, esta en 17 graus l/3 largos. Si el tiempo, o las corrientes dei agua, obligaren a dar en estas islãs puedesse pasar, por entre ellas i la tierra firme, por un canal que se corre lesnordeste oessudueste, por 10. y 12. braças de fondo limpio, mas llegado a las islãs que a la tierra firme; i queriendo surgir en alguna delias será en 8 braças limpio. Al sudueste de la primera isla (que como sea dicho está en 17 graus I/2), i légua i media delia, esta una corona de arena, que desse passar por entre ella i la isla, por 10. y 12. / 2 7
braças más llegado a la isla, cuanto se diere resguardo ali baxo, de la mesma isla, i no ai que temer sino de lo que se viere reventar. Por entre la isla de en medio i la postrera, que lequeda al nordeste, no ai salida porque es baxo. Desta isla postrera, que se llama de las Palmeras (2), al nordeste una légua cassi, esta un baxo, que no revienta en pleamar de aguas vivas, por lo qual no se ve sino cuando se esta sobre el; i por tanto, para se resguardar dei, vasse dos léguas apartando de la isla o se llegue a la res- tinga delia ques alto (3). Por la mesma de rota de lesnordeste, 7. léguas desta isla postrera de las Palmas (4), esta una corona, que llaman de San Antonio (de la qual a la primera de Angoxa son 25. léguas) que desse passar a tierra delia (5). ["] Derotero de las Islas de Angoxa (6) De la Isla de las Palmas, ques la postrera de las que llaman Primeras, ai 22. léguas a la primera isla de Angoxa de la vanda del sudueste; i por entre estas islãs i la tierra firme ai un canal, como el pasado, i corresse de la mesma manera lesnordeste oessudueste, i pudesse ir por el por- que ai 10. braças de fondo vasa i si se fuese por menos de 8. braças se estara mas para Ia tierra firme que para las islãs. La salida i entrada por entre todas estas islãs de Angoxa dando resguardo a los baxos delias, en que se viere rebentar I 3 8
/^n« & rCfi (Si*i ^ <;.yx,pn> < r /s 1C &*<■«< tp" ^ /> ' iu/flU*fl. **•? •/- h rtfrt+mfif"*. j/r'tls) +prycfi < /t*,M "u . ^aC At/tl*** ***"< • 1 ?/*'*'/? 1 f r Çt ^n*p>?^rxrr- 6s 6 bri ***** *r , rC7 7 /'X/i «&•*#' h„ r/^»"j"" "~S-J$ {",„«<• ""wr~/UJA A - s^T^i /i^i Aa
el mar, i tambien se puede salir i entrar por entre una corona de arena, que esta en el medio destas islas, no se llegando empero mucho a ellas porque es aplacelado. Al nordeste de la postrera Isla de Angoxa, 4. léguas delia, casi para Moçambique, en la mesma derota dicha, esta uma corona con arrecife, en que revienta la mar. La corona se cubre en la pleamar; puedesse surgir a lo largo por ques alto i limpio (7). Desta corona 14. o 15. leg para Moçambique, donde llaman Los Corrales (8), una légua i media cassi de tierra firme, esta una laja peligrosa para naos grandes, lacual no se ve sino cuando se esta sobre ella, i de pleamar no re- bienta (9). Tocaron ya en ella algunas naos, las cuales siendo pequenas pueden pasar por en sima. Para se guardar desta laja goviernese sabendo de las Islas de Angoxa al nordeste y a la 4.* de leste [N£4E], siendo de noche; i de dia al nordeste, yendo 20. braças para lo mar como 3 léguas de la costa. Governando por esta derota se salvan tambien los Baxos de Mogincale (10), que quedan dos léguas de tierra. Doblados estes Baxos de Mogincale se hallara fondo de 20. braças, hasta la Punta de Mocabo (11), donde se perdera el fundo. Siendo necessário surgir, antes de llegar a Mogincale o a Moçambique, puesto que se a la tierra de los Baxos de Mogincale, busquense 15. braças, que todo es limpio; i de Mogincale hasta Moçambique todo es sucio, con algunas manchas de limpio. La postrera isla de Angoxa con la punta de Mogincale se corre nordeste sudueste, ay en la derrota 18 leg. i de alli para Moçambique se corre Ia costa de la mesma manera al nordeste. Juan Bautista Lab ana 9 129
Notas (1) As Ilhas Primeiras são cinco; o seu conjunto ainda con- serva o mesmo nome, desde as primeiras viagens orientais dos mari- nheiros portugueses. Estão adjacentes à costa de Moçambique, entre os paralelos austrais de 17° 05' e 17° 18' e correm em direcção aproximadamente paralela à mesma costa. (2) Estes passos de Lavanha mostram que êle considerava como sendo sòmente três as Ilhas Primeiras, número que se con- servou entre nós até meados do século xix. As de Lavanha são: 1) A primeira, mais sudoeste — chamou-se depois Ilha do Fogo, nome ainda conservado; 2) A do meio — corresponde à Ilha das Arvores dos Pimen- teis (Luiz Serrão e Manuel); hoje denomina-se Ilha Ca- suar in a; 3) A última, mais nordeste: Ilha das Palmeiras ou das Pal- mas (4) — identifica-se com a Ilha Rasa ou das Palmei- ras, dos Pimentéis; Costa Almeida: chama-lhe também Ilha Rasar ou Chata (*). E actualmente a Ilha Epidendron. (a) ANTÓNIO LOPES DA costa almeida — Roteiro Geral. Parte 5.* — Lisboa, 1840. I 3 I
(3) O baixo, a nordeste da Ilha das Palmeiras, corresponde ao Barraco reef do Africa Pilot. (4) Lavanha chama agora Ilha das Palmas à Ilha das Pal- meiras. (5) Há engano de Lavanha a respeito da posição da Coroa de Santo António (7). A que êle assim nomeia é a Coroa de Morna dos Pimentéis, não denominada no Africa Pilot. (6) As Ilhas de Angoxe, adjacentes à costa de Moçambique, conservam o mesmo nome. Correm também em direcção proxima- mente paralela à referida costa, entre os paralelos meridionais 16° 20' e 16° 49'. São 5, como as Ilhas Primeiras, mas Lavanha não indica o seu número. (7) É esta a Coroa de Santo António, assim indicada pelos Pimenteis e Costa Almeida, e a que hoje se chama Baixo de Santo António. Nêste baixo se perdeu em 1512 a nau Santo António, coman- dada por Francisco Nogueira, a qual partira de Lisboa para a índia nesse mesmo ano, fazendo parte da armada do capitão-mor Jorge de Melo Pereira. Por este motivo, durante grande parte dos séculos xvi e xvii, chamou-se êste baixo: de Santo António. (8) Os Currais são actualmente os: Mussibarinde shoal, Me- cade shoal e Buniga shoal das Cartas inglesas. (9) Esta laje parece corresponder ao actual Huddart shoal do Africa Pilot e Cartas actuais. (10) Os Baixos do Moginqual têm ainda o mesmo nome. (11) A Ponta de Mocambo denomina-se hoje Ponta de Bajona. I 3 2
V ROTEIRO DA CARREIRA DA ÍNDIA 25 de Março de 1600 de MANUEL MONTEIRO e GASPAR FERREIRA (REIMÃO) estando presente JOÃO BAPTISTA LAV ANHA
Preâmbulo V Eçte Roteiro da Carreira da Índia, de 25 de Março de 1600, segue cronologicamente o de Vicente Rodri- gues (publicado por Gabriel Pereira) (l). Mostra ele claramente, abaixo do respectivo título, que são seus au- tores os pilotos Manuel Monteiro e Gaspar Ferreira (Rei- tnão ). A indicação, logo a seguir: «estando presente João Baptista Lavanha, cosmógrafo-mor» deve significar que este o reviu, senão o emendou, pois não é de aceitar que o Roteiro fôsse escrito por aqueles dois pilotos na presença de Lavanha. Em todo o caso é muito para admirar que o cosmógrafo-mor escrevesse depois um Roteiro (2), hoje, (1) Roteiros portugueses da viagem de Lisboa à índia nos séculos xv e xvi. Publicados por G. Pereira. Lisboa, 1898. (2) O título deste Roteiro vem na alínea 6) do n* 4 do nosso Preâmbulo anterior, IV (Roteiro de João Baptista Lavanha). i 35
perdido, de titulo muito semelhante ao de Monteiro e Gas- par Ferreira. Ê também para estranhar que o presente Roteiro con- tenha, no seu final, não só os nomes do Monteiro, do Gaspar Ferreira e do Lavanha mas também o de Vasco Fernandes César, que cremos não ser piloto, mas apenas «provedor dos Armazéns da Índia» a quem competia a nomeação dos pi- lotos das armadas da Índia, superiormente ordenada. Dados biográficos 1 — Manuel Monteiro — Nenhuns elementos conse- guimos sobre a vida do piloto Manuel Monteiro, que não foi citado por Sousa Viterbo, Frazão de Vasconcelos e comandante Quirino da Fonseca. Apenas encontramos o seu nome citado por Gaspar Ferreira Reimão, no seu Roteiro da Carreira da índia (1612); eis o interessante passo do final do referido Ro- teiro: «João Baptista Lavanha, cosmôgrafo-mor, no ano de 1600, fez umas Tábuas do lugar do sol e largura de Leste Oeste (3), com um instrumento de duas laminas (4) (3) Estas Tábuas das Amplitudes do Sol são as primeiras conhecidas e bem mostram o engenho do ilustre cosmógrafo-mor. Sobre este assunto ver: A. Fontoura da costa — A Marinharia dos Descobrimen- tos. 2." ed. Agência Geral das Colónias. Lisboa, 1939, págs. 180- -194. (4) Este instrumento de duas lâminas, que servia para a mar- cação do Sol aos seus nascer e pôr, vem reproduzido em: simão d'ouveira— Arte de Navegar. Lisboa, 1606, págs. 86 e 87. 1 36
O dito João Baptista, naquele tempo, antes que se fosse para Castela, me deu estas Tábuas e lâminas, e a Manuel Mon- teiro, que as verificássemos e experimentássemos; (5)» Igual referência se encontra na última página do Roteiro da Índia Oriental do cosmografo-mor Antônio de Mariz Carneiro (6), que descarada e integralmente reproduziu o de Ferreira Reimão (1612), sem as interessantes Cartas e sem ao menos citar este ilustre nome. 2 — Gaspar Ferreira Reimão. — Em o nosso Preâmbulo da 2." edição do Roteiro da Navegação e Carreira da Índia de Gaspar Ferreira Reimão (nota 5), reunimos tudo o que pudemos apurar sôbre a vida marítima deste célebre piloto e roteirista. Baseámo-nos então pricipalmente nos trabalhos de Sousa Viterbo (7), de Frazão de Vasconcelos (8) e do comandante Quirino da Fonseca (9). Aqui limitar-nos-emos a citar so- mente alguns factos mais importantes. (5) GASPAR ferreira reimão — Roteiro da Navegação e Car- reira da índia. 2.a ed. Agência Geral das Colónias. Lisboa, 1939. E também manuscrito no Códice 1333 da Biblioteca Nacional de Lisboa. (6) ANTÓNIO DE mariz carneiro — Regimento de Pilotos, e Roteiro das Navegações da índia Oriental. Lisboa, 1642. Existe um exemplar na Biblioteca de Marinha. Nas Bibliotecas Nacional de Lisboa e Pública de Évora existem exemplares que só no rosto dife- rem do anterior. (7) sousa Viterbo — Trabalhos náuticos dos portugueses nos séculos xvi e xvn. 2 Vols. Lisboa, 1898-1900. (8) frazão de Vasconcelos — Cosmógrafos, cartógrafos, pi- lotos e construtores navais dos séculos xvi e xvn. Notas e documen- tos inéditos (in: Arquivo Histórico da Marinha — Gaspar Ferreira Reimão). Lisboa, 1935-36. (9) Diários da Navegação da Carreira da índia, nos anos de i3 7
ígnora-se quando e onde nasceu Gaspar Ferreira Rei- mão — geralmente mencionado sem o último apelido. Devia ter começado a sua vida de bordo muito novo, como sucedia aos mareantes de antanho. Em 1588 era já sota-pilôto da nau S. Tomé, capitaneada por Estêvão da Veiga, em viagem de ida para a índia. Na viagem de retorno desta nau, com o mesmo capitão e o sota- -pilôto Reimão vindo também o heróico D. Paulo de Lima, perdeu-se ela na Terra dos Fumos. Gaspar Ferreira escreveu em 1590 o Relatório do Nau- frágio; o respectivo Ms. pertenceu à Livraria dos Marqueses de Castelo Melhor, em cujo leilão de 1879 foi adquirido pela Biblioteca Nacional, onde ainda não foi encontrado. Em 1593, na nau S. Filipe, capitaneada por D. Luiz Coutinho Canaco, em viagem de Lisboa para a índia, ia Gaspar Ferreira, provavelmente como sota-pilôto. Citamo-la porque veio nela na sua viagem de retorno. Em 1594, na mesma nau S. Filipe, com o mesmo capitão, em viagem de retorno da índia, vinha Gaspar Ferreira, ainda como sota-pilôto (10). A seguir fez Reimão, como piloto, as seguintes viagens: * 1595—Nau S. Pantaleão, capitão João Pais Freire. De Lisboa para a índia, fazendo Reimão a sua primeira viagem como piloto. 1595, 1596, 1597, 1600 e 1603. Publicado sob a direcção de Quirino da Fonseca. Lisboa, 1938. — Introdução. Estes Diários reproduzem um Códice pertencente à Academia das Ciências de Lisboa. (10) E citada esta viagem pelo próprio Reimão: Diários, etc. — 1. c. na nota (9) — Viagem da nau S. Pantaleão, de Lisboa para a índia, pág. 222. t 38
* 1596 — Nau S. Pantaleão, viagem de retorno da índia. *1597 — Nau S. Martinho, comandante Cristóvão de Sequeira Alvarenga; pertencia à armada do capitão-mor D. Afonso de Noronha. Viagem de Lisboa para a índia. * 1597-98—Nau Nossa Senhora do Castelo, com o ca- pitão-mor D. Afonso de Noronha. Viagem de retorno da índia. 1600 — Nau S. Francisco, capitão Fernão Rodrigues de Sá. Viagem de Lisboa para a índia. Citamo-la porque o piloto Reimão veio nela na sua viagem de retorno. 1601 — Nau S. Francisco. Vinha nela o conde da Vidi- gueira. Viagem de retorno da índia (11). 1607—Nau Nossa Senhora da Penha de França, coman- dada pelo capitão-mor D. Jerónimo Coutinho. Viagem de Lisboa para a índia. Citamo-la porque o piloto Reimão veio nela na sua via- gem de retorno. 1608 — Nau Nossa Senhora da Penha de França, coman- dada pelo capitão-mor D. Jerónimo Coutinho. Viagem de retorno (12). Conservam-se cópias dos Diários da Navegação, das viagens dos anos que vão precedidos do sinal «*», escritos e proficientemente anotados pelo próprio piloto Gaspar Ferreira. Foram eles de-certo os melhores elementos de que se serviram Monteiro e Reimão para a confecção do actual (11) O sr. Frazão de Vasconcelos encontrou na Tôrre do Tombo e vai publicar o Diário da Navegação da viagem de retorno da nau S. Francisco, escrito pelo piloto Reimão. (12) Esta viagem de retomo vem indicada por Reimão no seu Roteiro citado na nota (5). ' 3 9
Roteiro; além, naturalmente, do Roteiro de Diogo Afonso e dos dois, Primeiro e Segundo, de Vicente Rodrigues; e, ainda, das observações, senão emendas, de João Baptista Lavanha. Em 1608, ao preparar-se a armada em que devia ir para a índia o vice-rei Rui Lourenço de Távora, devendo Reimão seguir como piloto da nau Santo António, foi-lhe concedida a mercê de um padrão de 40:000 réis de tença, além doutras benesses. E foi também nomeado pilôto-mor do reino, sob a condição de embarcar na Santo António, com o vice-rei, o que de facto se deu. Também se conserva cópia do Diário da Navegação desta viagem, mas escrita pelo sota-pilôto Sebastião Pres- tes (13). E natural que fizesse a viagem de retorno na mesma nau Santo António no ano de 1609. A Gaspar Ferreira Reimão foi concedido em 1597 o hábito de Santiago, com a tença de 12.000 réis, a começar (13) A cópia faz parte do Códice: Diários da Navegação da Carreira da Índia. Pertença do Ar- quivo Histórico Militar. Este Códice é similar do citado na nota (9), tendo sido man- dado compilar por D. António de Ataíde. Fac-timile da assinatura de Gaspar Ferreira (Reimão) / 4 o
de quando regressasse da viagem em que fôra como piloto da nau S. Martinho. Mas a mercê ficou esquecida e só se tornou efectiva dez anos mais tarde, em 1607. Deve ter falecido a 7 de Fevereiro de 1626, porque foi desde o dia seguinte em diante que seu filho, João Baptista Ferreira, começou a vencer a tença de 40:000 réis, deixada em testamento, como lhe fôra permitido. 3 — João Baptista Lavanha. — Já dele tratámos no Preâmbulo anterior (IV). 4 — Vasco Fernandes César. — Dêle se ocupou Frazão de Vasconcelos, como «provedor dos Armazéns da Índia», lugar que desempenhava em 1616 (14). Ms. do Roteiro e sua publicação 3 — Já no Preâmbulo do Roteiro anterior (IV), de João Baptista Lavanha — a quem o presente Roteiro se refere — indicamos ter encontrado em 1934, na Biblioteca Na- cional de Madrid, um Códice (Ms. 3176) de pequeno for- mato, com vários Roteiros portugueses, em tradução espa- nhola, sendo um deles o presente de Monteiro e Reimão. Contém este 26 Fols. Ê como o anterior em letra do princípio do século XVII e, como êle, foi também traduzido (14) FRAZÃO DE VASCONCELOS — 1. c. na nota (8) — Piloto Marçal Luiz. 141
por um português, conforme no referido Preâmbulo mos- tramos. Publicamos o Ms., como o anterior, na sua tradução es- panhola, lingua então bem conhecida em Portugal, que ainda estava sob o domínio de Castela. A. F. C. 143
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V De Rotas de la navegaçion de la India Con la aguja que tenga los hierros debaxo de la flor de lis. y de sus diferencias y variaçiones i assi miesmo las senales, corrien- tes i vientos que en diversos parages se hallan. Hecho en Lisboa por Manuel Montero i Gaspar ferrera Pilotos de la carrera de la índia. Estando presente Juan Bautista de Labaria Cosmografo major dei Rey nuestro sefior en los Reynos de Portugal a 25 de março de 1600 P] Viage de Lisboa hasta el Cabo de Buena Esperança PARTIENDO de Lisboa para la índia se ade tomar la de rota de la Isla de la Madera o de Puerto Santo, governando al sudueste 70. u 80. léguas, i lo demas camino al sudueste 4.a al sur, por lo que Nordestea el aguja. 143
En la Isla de la Madera que son 7. graus ques lo mesmo que % de 4.* cassi. De la Isla de la Desierta se ade yr al Oeste de la Isla de Palma, 8. u 10. léguas, governando al susudueste i esca- sando el viento, que no se puede seguir esta de rota, se puede ir por entre la Gran Canaria i Tenerife; o por entre Tenerife i la Palma, velando se del Salvage, al cual no se acometa de noche porque es baxo mui peligroso. De la Isla de Palma o de su altura (1) se governara al sur 4.1 al sudueste, hasta altura de 26. graus. De altura de 26. graus, hasta los 12., se governara de manera que passe por medio de el canal, a saber, entre Cabo Verde i la Isla de Santiago, para lo cual se va al sur; i yendo la mitad de la syngladura al sur 4.a al sueste; i la otra mitad al Sur, porque deste modo se hara el camino del Sur que se pretende. E nesta derrota ayudan las aguas al camino que corren para la costa en el parage; de 20. graus se halla un agua como de fondo i se comiençam a ver alcatrases, aunque no siempre. De altura de 12. o de 13 graus, hasta los 6., se ade governar al susueste i al sueste, de manera que se va ya apartado de la costa de Guinea, 70. léguas u 80., no se alle- gando mas cerca de las 70. por respecto de la variedad de las corrientes de las aguas i de los vientos, no sera mucho mas apartado de la costa que las dichas 70. u 80. léguas. E nesta de rota, hasta altura de 4. graus dei Norte, no se ade dar abatimiento al aguja, porque desde los 12. graus va la costa de Guinea al sueste, i haze la corriente de las aguas revessa para la tierra, i assi queda la diferencia dei aguja por la corriente, por locual se dara en el cartear el camino que senalare la proa de la nao. Llegando a esta costa de Guinea, por todo Mayo, dan los vientos generales (que son suestes o susuestes unas veces i 44
largos i otras escasos para yr la buelta dei Brasil) en 4. graus, i llegando en Abril dan los mesmos generates en 2. graus 2 l/2 hasta 3. de la vanda dei Norte. Dando en este parage algun aguacero de Leste, como ordinariamente acontece, i estando la nao mas de las 70. léguas, apartada de la costa, bien es seguir la buelta dei susueste o dei sueste, como corre la costa, yendo en pêro la nao con la proa al Sur hasta el susudeste; i porque, pasada la turboada, acostumbra a dar el viento Sur e, com este viento, se ade tomar la buelta dei Leste llegandose la buelta de la costa de Guinea, enmendando lo pasado, de manera que se vaya siempre apartado delia las dichas 70. u 80. léguas. Los sinales deste parage son alcatrases, rabihorcados è garajaos. Dando los generales de 3 graus l/2 ^el Norte para la lirea Equinocial, estando de la costa de Guinea las dichas 70. léguas, sigasse la buelta dei Brasil yendo de lôo, cuanto se pudiere yr; i sobre viniendo viento Sur tomese la buelta de Leste hasta quel viento torne a suser. E nesta buelta se tenga mucha cuenta con el camino, no dexando nunca de ir de lôo cuanto se pudiere, i conside- rando mucho el viento i el andar de la nao la estera que dexa, i la diferencia dei aguja. Estando en la linea van alargando los vientos, haziendo se lestes i lessuestes, i aunque escassen se va siguiendo la derrota dicha, como sea ir con la proa al Oeste, porque los vientos van alargando; i puesto que se haga el viento nor- deste i lesnordeste largo no se dexa de ir de lôo, cuanto se puede yr, para ganarmos el barlovento por que muchas vezes tornando a escasear se hase sueste (2). Yendo bien navegando en la linea Nordesteara la aguja 7. graus, i si fuere menos vasse mas a gilavento (3). En la altura dei Cabo de San Agustin, ques de 8 I 45 10
graus 1/2, se ade yr apartando dei para Leste 100. léguas, poco mas o menos, en el cual parage Nordestea el aguja 9. graus; i si fuere a gilavento Nordesteara menos i no estan buena navegacion. En el parage de los Abrojos (4), a la vista de la Isla de la Acension (5), Nordestea el aguja 13. graus i todo lo que mas Nordesteare se ba a barlovento de la dicha isla. En la altura de los Abrojos, si la aguja Nordesteare 11 graus e 1^., vasse cerca dellos i devesse de velar yr con la proa dei Sur para el sueste, porque con esto se va apartando mas de la costa i puniendose mas a barlovento de los Abro- jos. I porque en este parage ai muchas vezes viento nordeste tomando fondo en los Abrojos. a saber, de la Isla de Santa Barbara (6), que esta en ellos para Leste, no se bolve luego para Portugal, porque tiene fondo bastante para pasar, vasse empero con el plumo en la mano que el sera la guia de la carrera (7). De 22. y 23. graus adelante van alargando los vientos por locual se toma la derota de leste 4." al sueste, porque assi se va a lessueste por la diferencia dei aguja. Por esta derota se ira de manera navegando que se pongan al Norte de las Islas de Tristan de Acuna (8); en altura de 33. graus i, hasta avellas passado, no se ponga en mas altura porque ordinariamente en el parage destas islãs ai vientos mui recios Oestes, i oesnoroestes, que obligan a correr con ellos, en popa, i podrian llevar la nao a mucha altura donde me cargase el tiempo de manera que pudiese hazer viage. E nesta mesma derota se hallan unos pajaros de mui grandes alas llamados entenaes, i mas cerca de Ias Islas de Tristan de Acuna ai otros blancos, manchados de negro, llamados feijões de tamano de palomos, i cuerbas negras, i otros pajaros pequenos cenicientos, que llaman borrellos, i assi otra mucha diversidad de aves (9). i 46
Nordestea el aguja por esta derota diferentemente, por que Io que mas Nordestea es 19- graus, poco mas o menos, i esta diferencia haze 160. léguas para Oeste de las Islas de Tristan de Acuna; i deste parage va diminuyendo la dife- rencia hasta el Cabo de las Agujas, donde se afixa (10); i al Norte de las Islas de Tristan de Acuna Nordestea el aguja casi 15 graus. I puesto que por este camino haga al aguja todas estas diferencias, en el cartear no se le dara mas de una cuarta de abatimiento, que son 11 graus 14, para que la derota vaya cierta; i adviertasse que es este camino mas corto de lo que muestra la carta de marear. Passadas las Islas de Tristan de Acuna, poco mas a menos, se hallan unas mantas grandes como de sargaço, 11a- madas camas de breton, i otras yerbas de aqui; hasta donde se hallare esta sinal sera puniendo en el altura dei Cabo por que ya son pasadas las dichas islãs. Deste parage por delante parecen muchos entenaes, cuerbas grandes de picos blancos, i feições, i borrellos, en mayor numero que atras; i assi se ben unas trombas pequenas i cortas, que son como cana hojas. Cien léguas antes dei Cabo aparecen a las vezes otras trombas grandes con raizes; Nordestea aqui el aguja 4. graus. Cincuenta léguas, poco mas a menos, antes dei Cabo, se halla un junto de agua gruesa, i negra, que de dia se conoce muy bien, i de alli para el Cabo aparecen otras cuerbas de picos blancos pequenas; i unos pajaros pequenos, como golondrinas, llamados calcamares; i gaybotas blancas com pies colorados, las cuales aparecen ya cerca de tierra. Ase de ir a demandar el Cabo de Buena Esperança por 35 graus I/2 u dos tercios; porque ordinariamente se hallan en este parage vientos recios, mares grandes, i algunas vezes no se puede tomar el sol; por donde no se deve llevar la 141
tierra por la proa, i yendo por la altura dicha, aunque sea mas un cuarto, no se puede pasar sen ver agua de un fundo de un placel, que sale del Cabo de las Agujas al Sur muchas léguas; en el, por esta altura dicha, se hallaran 60. y 70. braças de fondo (11). En la entrada deste placel es su fondo de arena menuda; de cabo Falso (12) para el de las Agujas es vasa, lacual, porque no viene a las vezes en el plomo, se ata en el un pano o cosa semejante, en que venga pegada la vasa; i dei Cabo de las Agujas hasta el Aguada de S. Blas (13), es arena i algunas manchas de cascallo, i de piedra. En la mesma entrada dei placel, por la altura dicha de 35. graus 1/2 poco mas o menos, parecen alcatraces, que llaman mangas de beludo por ser todos blancos, i las puntas de las alas negras, son pajaros estos que duermen en tierra; no vienen mui temprano al mar, i andan pescando en el fondo. Al sur dei Cabo de Buena Esperança hasta la Aguada de Sambras se hallan lobos marinos que son del tamano de gozques. E neste parage, a Leste dei Cabo de las Agujas, 20. léguas poco mas o menos, se afixa el aguja. Si el tiempo diere lugar será mui acertado afixar en este parage el punto con la vista de la tierra. Llegando al parage del Cabo de las Agujas se ade consi- derar el tiempo, que es para conforme a esso determinar el viage de alli para Ia índia, por de fuera o por de dentro de la Isla de San Lorencio; porque llegando hasta 25 de Julio puede se hazer el viage por de dentro, i de 25 de Julio adelante es mas seguro el viage que se haze por de fuera (14). 148
[II] Viage del Cabo de Buena Esperança para Goa por de dentro (15) Yendo por de dentro, i tomando el fondo en el placel, se ira apartando de tierra 100. léguas governando al leste 4." dei sueste, por que da aqui algunas vezes el viento Sur ques travesia, con que se haze mar grande, i se abate para tierra. I assi se deve ir apartado de la costa 60. léguas i no mas cerca; porque el agua corre a lo largo de la costa al sudueste, i impide el camino; i apartado delia, las dichas 60. léguas, haze el agua revesa para Leste, qua ayuda el camino de la nao. Del cabo las dichas 100. léguas se governara al nordeste, 4.* de leste con que se hara el camino de nordeste por la diferencia dei aguja. En estas dos derotas conviene que se tenga mucha cuenta con el aguja i sus diferencias; locual Norte Sul con la Bahia da Alagoa (16) Noroestea 3. graus. Norte Sur con el rio de Lorenço Marques (17) Noroestea 6. graus. Norte Sur con el Cabo de las Corrientes Noroestea 10. graus. Norte Sur con los Baxos de la Judia (18) Noroestea 11 graus 14 ques una 4." Por esta derota de nordeste 4." al leste, antes de llegar a la altura dei Baxo de la Judia, questa en 22. graus largos, tengasse mucha vigia, porque hasta los 21 graus !/>, que se despyde, es mui peligroso; i de noche voltese nas voltas quel 4» >49
viento diere lugar, no llegando a sua altura; i siendo el viento Sur devesse prevenir de dia, puniendo la proa en Leste, descubriendo el mar en que se puede gastar la noche en una buelta i otra andando 4 oras en una y 4 en la otra. Por esta derrota mesma, que arriba digo, pudiendo ser veasse la Isla de S. Lorencio, governando de manera que, entrando en su altura de parte de Sur, ques de 26. graus, se va corriendo de noche, como corre la costa enmendando de dia; i sera bueno verse la dicha isla en altura de 23 graus y2 hasta 22. que es limpio, y aqui Noroestea el aguja 13. graus. Viendo la Isla de San Lorencio en la altura dicha de 23 graus I/2, hasta 22, salga se de la tierra al Noroeste hasta 10. o 12. léguas, i de alli se vogierne al norte 4.* dei noroes- te, que se hara assi el camino de nornordeste, hasta altura de 19 graus I/3. De alli se tome la derota de manera que se vaya de la Isla de Juan de Nova (19) 12. léguas al Oeste, para locual se ira al norte 4.* al noroeste para yr las 12. lé- guas dichas de la dicha isla. Esta Isla de Juan de Nova es cercada de baxos, por locual es necesario velar se delia principalmente pasando de noche; i yendo las 12. léguas dichas al Oeste delia se veran vandas de alcatrases, i mangas de velludo. Deste parage de altura de la Isla de Juan de Nova, questa en altura de 16 graus l/2, se governara al norte 4.* al noroeste, con que se hara el camino de nornoroeste hasta llegar aver tierra, que sera bueno que sea Moçambique, 5. léguas del i antes mas al Norte, que al Sur; para locual no se governara mas al noroeste, por que las corrientes de las aguas hara ir a dar la nao en las Islas Primeras u en las de Angoxa; i ya acontecio perder nao viage por ir a dar en ellas. I no se pudiendo ir a ver la Isla de S. Lorencio, por no dar el viento lugar, tenersea mucha cuenta con el aguja, que ella mostrara el camino porque Noroesteando 12. graus, 15 o
« que es mas de una 4.", se va al Leste dei Baxo de la Judia 20. léguas, poco mas o menos; por este parage no se ven pajaros, si no cuando fueren 10. o 12. léguas por donde se ven algunas pajarillas garaginas i algun alcatraz. En Noroesteando la aguja menos de una 4.*, como 9. u 10. graus, bayasse dei baxo para el Oeste otras 20. léguas cassi, i por esta vanda se veran muchos pajaros, i unos alcatrazes pardazos con una mancha blanca sobre la cola. E neste parage, en la altura del baxo, no se sabe en que parte se esta dei, por no se poder marcar el aguja, ques la que lo ade mostrar, como se a dicho; en tal caso gouiernese de manera que (pasada la altura dei dicho baxo de la parte dei Norte, questa en 21 graus l/2 con el resguardo necesario) se vaya por lo medio de la canal, mas llegado a la Isla de San Lorencio, que a Sofala, llevando se mucha vela. a saber, de la altura de 19. graus l/2 para menos altura; en la mu- dança de la color dei agua, i tentando el fondo por respecto de los placeles, questan de una i otra vanda, i encuanto no se fuere de 17, graus para menos altura, no se govierne al Nor- te, por respeto de las corrientes dei agua, que atrabesando da- ran con la nao en las Islas Primeras, o en las de Angoxa. De la dicha altura, para adelante, se govierna de manera que se va a Oeste de la Isla de Juan de Nova 10. o 12. léguas, del cual parage hara el govierno que sea dicho atras para ir a demandar la tierra de Moçambique. Siendo caso que las aguas, o el viento, o el mal govierno dè con la nao en las Islas Primeras, u en las de Angoxa, hazer sea lo que se apunha en el particular De rotero de las dichas islãs que en el cabo deste va escrito (20). Viendo tierra 6. o 7. léguas al Sur de Moçambique son su seiial unos montes baxos, cubiertos de matas que semejan a carrascales, i delexos parecen islãs por ser la costa rassa; i a lo largo delia ai baxos, por locual no se toma fondo sino en 20. braças, que sera cerca de los dichos baxos; i de tierra 15 i
cassi 2. léguas, es peligroso demandar esta tierra de noche, i assi, viendola, goviernese al nordeste 4.a al leste, aunque que no abaxando de las 20. braças; i de dia al nordeste, con que quédaran las islãs de Moçambique por la proa. Corriendo esta costa, 5. léguas de Moçambique, esta una punta de tierra baxa con una playa de arena blanca, i arboles que parecen palmeras alagadas; entra aqui un rio, que llaman Mocambo (21), i pasada la dicha punta se esconde la tierra, de manera que no se ve si no a Moçambique; tiene por aqui mucho fondo, i por toda esta costa, desde las Islas Primeras, ai alcatrazes, garaginas y garajaos. Es Moçambique una isla de una légua, esta en altura de 14 graus % i Noroestea en ella el aguja 11 graus 14, ques una 4.a de viento; desta isla al mar, otra légua, estan dos isletas cubiertas de mato raso, i cercadas de playas de arena, a la primera llaman Santiago, i a la 2.a, que queda delia al nordeste, San Jorge; por entre estas isletas entran naos paquenas de hasta 300. toneladas; las grandes entran por la banda dei Norte de la Isla de San Jorge (22). a saber, entre ella i un baxo llamado de la Cabasseyra (23). Por esta entrada se ade dar resguardo a una restinga mui ruin, que tiene la dicha isla de San Jorge, lacual echa a lesnordeste, i no se passa de 7. braças para la isla, ni de 8. para el baxo de Cabasseyra, questa por cerca de tierra firme, entrando por medio de la canal. I como se descubriere la arena de Ia playa dei Oeste de la dicha isla, con que se quedara abrigado, desse fondo en 7. u 8. braças tiniendo mucha vela en las amarras porque ay ratones que las cortan facilmente. Siendo necesario entrar en la barra de Moçambique, llegando temprano o para invernar en el, meta se la Isla de San Jorge con la de Santiago, i yendo assi por 7. u 8. bra- ças pongasse la proa en una ermita de San Antonio, que esta en la Isla de Moçambique en un grande arenal, oi ya hecho i5 2 p
enpalmar; i dando en un canal de 12. braças de fondo arri- besse al Norte, con la proa en un monte redondo que apa- rece llamado El Pan (24), entrando enpero de manera que se de resguardo al Baxo de la Cabasseyra, que queda a mano derecha, i a una restinga, que sale de Nuestra Senora de Balluarte, yendo por medio del canal, lacual mostrara el agua i el plomo. Pasadas estas restringas resguardesse de las puntas de la fortaleza, metiendo de lôo un tiro de mos- quete (25), con que, quedando abrigado de la mesma forta- leza, se surge en 6. braças. Mas porque este canal es apretado, i tiene muchas buel- tas, i requiere mucha experiência, lo mas seguro es tomar piloto pratico de la tierra que meta la nao dentro. E cuando el piloto de la nao no uviere nunca entrado en esta baia, viendo de fuera la fortaleza, va haziendo senas i tirando una pieza i otra, para que delia le embien un piloto pratico que lo meta dentro. [a] Partida de Moçambique para Goa Sera bueno partir de Moçambique para la índia hasta los 15 de Agosto; saliendo dei se ade tomar la derota de la Isla Grande de Comaro llamada Angajija (26) governando al nordeste, sin dar resguardo al aguja, porque sin ella esta esta isla puesta en la carta. Es esta isla tan alta, que pasa las nuves, lacual se ve de mui lejos, en medio desta altura tiene una quebrada; tendra 15. léguas de largo, poco mas o menos; tiene un baxo 153
casi de media légua, apartado de la punta dei Norte suya 5. u 6. léguas, para el noroeste, en el cual no rebienta el mar, si no es llano; puedese pasar por entre este baxo, i la isla, mas lo mas seguro es, en descubriendo lo (que sera bueno que sea de dia) governar al Norte, para se apartar del baxo i de la dicha isla, por causa de los embates. De la Isla de Comaro, se sale al Norte yendo delia apar- tado al Oeste 15. léguas, i luego se gouierne al nordeste 4.* al norte por apartarse de los Baxos dei Patron (27), con que se hara el camino de nornordeste por la diferencia que haze el aguja en este parage. I siendo de noche, haziendose en el altura dei dicho baxo, se le de su resguardo hasta por la manana que se enmiende la de rota. E neste parage escassea a las vezes el viento, mas passada esta altura torna luego. De altura de 4 graus 1/2, siendo fuera de los Baxos dei Patron, se governara a lesnordeste, para se hazer el camino de nordeste, porque Norestea aqui el aguja una cuarta i media cassi i el agua abate media cuarta; i porque puede abatir poco mas o menos segun la fuerça de la corriente, tengasse cuenta en el andar mucho o poco de la nao, que por cila se conocera la derrota que se lleva. Esta derota de nordeste se seguira hasta altura de 16. graus, ques la de los Isleos Queimados (28); llegado a ella por la dicha derota se estara de la costa de la índia 120. lé- guas, poco mas o menos. Pasando por este camino por la linea se ve algunas vezes de noche el agua del mar tam blanca, como leche, ora de la banda dei Norte de la linea, ora de la banda del Sur; no se espante de ver esta senal, porque no es agua de fondo, i ai causa natural que la haze. Las sehales de todo este camino pasado son cangrejos / 54
colorados, rabiforcados, rabos de junco, garaginas, alcatrazes, i francellos de la costa de Arabia. De altura de 16. graus, que es la de de los Isleos Quei- mados, estando de la costa de la Índia las dichas 120. léguas, se goviema al leste 4.a dei sueste ia les sueste, segun fuere descaciendo la nao, por respeto de las corrientes; i conforme fuere Noresteando el aguja, de manera que se va sienpre por la dicha altura de 16. graus i nada mas para el Norte. Por esta altura siendo 40. u 50. léguas de Ia costa, se dara en un banco en que se hallaran desde 50. hasta 15. braças, el cual luego se pierde; en el se veran culebras. 1 estando 15. léguas de la costa se toma fondo de 40. braças, el qual es vaza. Sucede ordinariamente en conjuncion u oposicion de luna, que es siendo nueva o llena, hasta 15. de Setiembre, dar en la costa de la índia un temporal, recio, de Sur, i susueste, con grande cerraçon i agua, a que llaman vara; la cual puede causar grande dano a la nao tomandola cerca de la costa, o surta, i cargada, por locual, hallandosse de la dicha costa de la índia 60. léguas, en conjuncion u oposicion de luna, ou se payre hasta pasar el temporal, i vayan tomando las velas de manera que, antes de llegar las 60. léguas, que no se llegue a la costa si no pasada la vara. Antes de ver la costa se veran cuervas prietas asentadas en el agua, cascas de ciba, alforrecas pequenas, cobras, i unas escumas brancas redondas dei tamano de tostones i veintenes, que por la mesma semejança les llaman los mesmos nom- bres (29); i muchas vezes segun los vientos se ven garças, francellos, i otros pajaros de la tierra. Acontece hazerse con tierra i no se ver algunos dias, locual causa la corriente de las aguas, por locual no se deje de ir con el piorno en la mano, porque 15. léguas antes de ver tierra se hallara el fondo dicho de 40. braças poco mas o menos i vaza. i 55
Es bueno ir a ver los Isleos Queimados, que como digo estan en 16. graus de la banda dei Norte, i no se vea en ningun modo tierra de mas altura; porque, en el tiempo que se va ademandar aquella costa, cursan los vientos de la banda dei Norte, i la corriente va de ordinário para el Sur, i a las vezes para el Norte. Los Isleos Queimados son 5. u 6., apartados de tierra una légua, pelados, sin yerba ni arboles, i dellos ala barra de Goa ai 12. léguas. La barra de Goa esta en 15 graus %, tiene fondo de 6. braças, surgen las naos un tiro de berso (30), de un monte alto, que llaman Bardez, el cual abriga las naos de noroeste, por locual surgen a lo largo dei la distancia dicha, i no en mas fondo. Es este Monte de Bardez una sierra de tierra firme, conocido por ser mas alto que todos los que de aqui se ven, i sale mas ala mar, que otra punta de la barra de la parte del Sur que queda en la Isla de Goa. En la cual, en la banda dei Sur, esta un morro alto i en el un monesterio de capu- chinos llamado Nuestra Seííora dei Cabo, ques buena sinal para quien viene de mar en fuera. Al Sur deste morro estan unos isleos grandes, llamados de Goa la Vieja, en los cuales esta un puerto, en que ya inver- naron naos dei reyno (31). [III] Viage de Goa para Cochin De Goa hasta Baticala (32) son 24. léguas; ir sea de dos hasta tres léguas apartado de tierra, por 20. hasta 25. braças de fondo, porque por este camino es mas alto. i56
Baticala tiene dos isleos (33) puede se pasar por entre el los, mas es mas seguro ir dellos al mar, donde el fondo es de 16. braças. Destos isleos a Barcelor (34) ai 5. léguas, i para ir para el goviernesse de los dichos isleos susueste 4." al sur, i es- tando defronte de Barcelor se vera un monte redondo pe- queno (35) que queda sobre el puerto, el cual es de una sierra que viene corriendo de Baticala media légua de tierra, es todo piedra; surja se en 10. braças, apartado de tierra como légua i media. De Barcelor a Bacanor (36) ai 2. léguas, donde comien- çan a lo luengo de la costa muchos isleos, i piedras, que se continuan por ella 4. léguas casi; por locual, saliendo de Barcelor, goviernesse al sudueste hasta apartarse de tierra, i luego se va corriendo la costa por fondo de 16. braças, que siendo menos se ira mui cerca de los dichos isleos i piedras. Acabados estes isleos se vera la fortaleza de Manga- lor (37); ir sea por 15. braças, 2. léguas de tierra. De Mangalor a los Isleos Cagados (38) ai 7. léguas; hasse de governar al susueste por 18. braças. Destos isleos a Chalé (39) ai 7. léguas; governar sea al susueste por 18. braças. De Chalé a Panamne (40) ai 9. léguas; asse de governar al susueste yendo por 16. braças. De Panamne a Cranganor (41) son 11. léguas, i de Cranganor a Cochim 5. (42); goviernase a vista de tierra al susueste por fondo de 10. hasta 12. braças. Sobre Cranganor se vera una mesa grande de una sierra que corre de Leste a Oeste, al traves de la costa; i sobre Cochin aparecen por la tierra adentro dos sierras juntas, que por la semejança les llaman Orejas de Libre (43). En Cochin se ade surgir en 6. o 7. braças de fondo de vaza, una légua i media de tierra, poco mas a menos, en lugar que se descubra el Rio de Cochin. 1S7 %
Cerca deste camino se lleve siempre el piorno en la mano; i no se desgarre de tierra, de modo que se passe de 25. braças de fondo para el mar, porque falta a las vezes el viento para tornar para tierra; i assi antes se surja a vista delia, i si el terreno (44) si hiziere sueste hagasse la buelta de tierra antes que la dei mar. [IV] Viage dei Cabo de Buena Esperança por de fuera de la Isla de San Lorencio (45) Llegando al Cabo de Buena Esperança, de 25. de Julio por adelante, es mas seguro el viage que se haze por de fuera de la Isla de San Lorencio, para locual se govierne de manera del parage del Cabo de las Agujas, que en llegando a estar Norte Sur con la cabeça de la Isla de San Lorencio se este delia 100. léguas cassi, que sera en altura de 32. graus, en lacual parage Noroestea el aguja 15 graus; de aqui se govierne de modo que, quedando otras 100. léguas avante, para Leste de la dicha cabeça de la Isla de San Lo- rencio, se estara en altura de 28 graus. E neste parage de 30. graus de altura, para menos, se hallan ordinariamente vientos Lestes, lessuestes, los cuales llevan Ia nao hasta la linea; por locual se procure de no descaer de la altura dicha de 28. graus, por raçon de los dichos vientos escasos. / 5 (V
[a] Viage por de fuera de la Isla de San Lorencio (46), para Goa Hallandose en esta altura de 28. graus, hasta el fin de Agosto, puedesse acometer el viage para Goa; para locual de la dicha parage de 28. graus, cien léguas avante de la Isla de San Lorencio, se govierne de manera que, haziendo el camino de nordeste, se vaya aver, pudiendo, la Isla de Diego Rodriguez (47), pêra punto nuevo (48); i, cuando no se pueda ir aver la dicha isla, vasse a gilavento delia 20. 0 30. léguas. Las senales de la Isla de Diego Rodriguez son muchos rabos de junco, i algunos alcatrazes; en ella Norestea el aguja 20. graus largos. I puesto que por todo este camino dicho, desde la cabeça de la Isla de San Lorencio hasta esta de Diego Rodriguez, Norestea el aguja una cuarta i media i mas, contodo no se le de mas abatimento que una cuarta, porque solo con estas diferencias estan estas costas lançadas en la carta. I siendo caso que, por este camino en altura de 24. graus, se vieren alcatrazes estar sea mas cerca de la Isla de San Lo- rencio de lo que piensan; porque por este parage no ai estos pajaros, si no en las Islas de los Mascarenas o de Cirne que oy llaman Maurícia (49). De la Isla de Diego Rodriguez, o de su parage, se govierne de manera que se vaya por entre los Baxos de Garajao (50), i los de Nazareth (51). Ambas las entradas destos baxos estan en altura de 16 graus 1/2, P°r locual como se estuviere en 17. graus velesse 1 no se acometa en ningun modo de noche la altura de la ' -5 9
entrada de los dichos baxos, porque son peligrosos; i assi se vire de una buelta i otra hasta ser de dia. En la entrada destos baxos, atras dichos, se veran mu- chas vandas de pajaros; i por medio de su canal Norestea el aguja 18. graus, poco mas o menos. De aqui por delante naveguesse sienpre cõ mucha vela, de dia, i mucho mayor de noche, porque ai muchos baxos, el sitio de los cuales no se tiene averiguado hasta aora. Metido en los Baxos de Garajao, i de Nazareth, govier- nese de modo que vayan de las 7. Ermanas (52) para Oeste 30. o 40. léguas, i siempre con mucha vela; i de alli se govierne al norte 4.1 al nordeste hasta la linea, con que se hara el camino dei Norte. De la linea al Norte de las 7. Ermanas goviernesse al nordeste 4." al leste, con que se hara el camino de nordeste 4.* al norte, porque Norestea por aqui el aguja cassi 18. graus, i la demas diferencia causan las aguas. Esta de rota se siguira hasta altura de 16. graus, ques la de los Isleos Queimados; notando mucho el andar de la nao, que varia segun la corriente de las aguas, principal- mente si el viento es bonança, i dei poco cuidado que se tiene en esto procede hazer se muchas vezes con el punto en tierra, i tardar muchas vezes de vella. De altura de 16. graus se ira a demandar a Goa, con los avisos atras referidos en el Viage escrita «de Moçambique para Goa». M Viage por de fuera de la Isla de San Lorencio para Cochin Llegando a altura de 28. graus, 100. léguas al Leste de la cabeça de la Isla de San Lorencio, en Setiembre, ques i 6 o
ya tarde para ir a Goa por faltar los punientes en su costa, i entrar los levantes con que no se puede llegar a ella, acomitesse el camino de Cochin, porque por el no faltaran vientos para acabar bien el viage. I assi, de la dicha altura de 28, se va al nordeste a ver la Isla de Diego Rodriguez, e a balrrovento delia para Leste 20. o 30. léguas. Desta isla se govierna de raanera que se passe a balrro- vento de los Baxos de los Garajaos, 20. o 30. léguas, donde se govierne por entre los Baxos de la Saya de Malla (53) i el de Pedro de Banos (54), i sea con la vela necesaria. Pasado el Baxo de Pedro de Banos haga se el camino de Norte, hasta la linea, en la cual se halla muchas vezes aves de tierra, que vienen a este parage desgarradas con trevoadas de la costa de Arabia i dei desierto. Pasada la linea en un grado de la banda dei Norte, poco mas o menos, se hallan de ordinário vientos Oestes, i oesno- roestes. E llegando aqui, hasta 20. de Setiembre, pudese come- ter el camino de Goa, ques cassi el mesmo quel pasado; governando de manera que se ponga en altura de 16. graus, ques la de los Isleos Queimados, donde se hara lo que esta dicho con todas las advertências apuntadas. Mas estando en el parage de la linea, en fin de Setiembre, hagasse el camino para Cochin, governando de manera que se vaya a barlovento de las Islas de Mamale (55), para entrar por su canal, cuya entrada por esta vanda esta en 9 graus Por esta de rota Norestea el aguja 17. graus, ques casi una cuarta i media; a se le de dar todo su abatimiento i a las vezes mas media cuarta, por causa de las aguas; i la tal media cuarta se le dara sugun fuere su corriente. Entrando por este canal de las Islas de Mamale no se i 6 i 1 I
passe de la altura dicha de 9 graus para el Norte, porque ai baxos para aquella banda mui peligrosos. Treinta léguas al Oeste destas islãs se veran borboletas i besteyros; en ellas Noroestea el aguja 16. graus. Pasado este canal e islãs se va por altura de 10. graus hasta Cochin, cuyas senas se an ya dicho atras en el De rotero cuyo titulo es «Viage de Goa para Cochin». I siendo caso que se vaya a dar en las Islas de Maldiva (56), o por vientos escasos, o por mal govierno, o por causa de las aguas, que cerca de las dichas islãs corren para dentro delias, llegandose cerca, o estando entre ellas, como ya acontecio a algumas naos, se embie el esquife a tierra para que traiga un piloto de los naturales de las islãs, para que meta la nao por uno de los canales, que ai entre estas islãs; i porque a lo luengo delias no ai fondo, bordejen con la nao hasta que venga el piloto de la tierra. Uno de los canales, a saber, el mas ancho, esta en 6. graus largos, por el cual pasaron ya muchas naves; i desta canal para el Sur ai otras, i para el Norte son estas islãs mas cerradas. Passado el canal pretenda ponerse en la altura de Cochin, yendo de lôo cuanto se pudiere hasta la dicha altura, de la cual se va a Leste a demandar el puerto. [V] Viage de Cochin para el Cabo de Buena Es- perança: Por la Carrera Vieja Ordinária (57) Partiendo de Cochin, para el reyno, hasse de salir al oesnoroeste, hasta 20. léguas de la costa, por causa de las i 62
aguas que corren al susudueste e tira para las Islas de Mal- diva; donde se govierne al oeste 4.a al norroeste, que se ira haziendo el camino dei oeste 4." al sudueste, de manera que se vaya por medio de la canal de las Islas de Mamale, que por esta vanda se ande acometer de 8 graus y2 hasta 9.; e pasando por este canal velesse de las Islas Dele (58), i sera mui bueno ver a la de Molique (59), que esta en medio. Saliendo dei canal goviernesse al sudueste, hasta altura de 5. graus, con que se hara el mesmo camino de sudueste, porque las aguas tiran aqui al noroeste; i queda la dife- rencia dei aguja por la corriente de las aguas. De la altura de 5. graus, de la parte dei Norte, govier- nesse al susudueste hasta los 4. graus, de la parte dei Sur, de modo que se vaya al Leste de las 7. Ermanas 50. léguas; i yendo assi se pasara por medio del canal, que queda entre las 7. Ermanas i los Baxos de Pedro de Banos, ques lo que conviene para ir bien navegado. Hasta esta altura de 4. graus, de la banda de Sur, corren de ordinário las monçiones de Lestes, i lesnordestes, vientos bonancibles; i de esta altura hasta los 10. graus cursan Oestes, oesnoroestes, vientos rezios con lluvias. De altura de 4. graus, de en medio del canal, a saber, entre las 7. Ermanas i el Baxo de Pedro de Banos, se go- vierne al Sur hasta altura de 8. graus; i de aqui, hasta los 12. graus, se govierne al sur 4." al sueste, porque por aqui escasean muchas vezes los vientos. De altura de 10. graus, hasta los 12., ai ordinariamente calmas; i de los 12. graus a delante entran los vientos sues- tes, que son los que mas cursan en estas viages, hasta el Cabo de Buena Esperança, puesto que algunas vezes acontece durar el viento Oeste i oesnoroeste hasta los 18 graus. Deste parage i altura de 12. graus, donde entran los sues- tes, se ira de lôo, cuanto se pudiere, hasta salbar el Baxo dos Garajaos, velando la Isla do Barandão (60), i no pa- i63
sando de noche, en tanto que se entrare en su altura, i bol- teando de una i otra buelta hasta ser de dia. Hasta aqui, ques altura cassi de 16. graus, no de res- guardo a la aguja porque las aguas tiran al noroeste. En todo este camino ai algunos alcatrazes, i muchos rabi forcados, garajaos, e garaginas i, a las vezes, se halla sargaço mayormente cerca de las 7. Ermanas i de la Saya de Malla. Pasado el Baxo de los Garajaos sera bueno governar de manera que se vaya a ver la Isla de Diego Rodriguez, en la cual Noroestea el aguja 20. graus casi, i, al leste delia, Noroestea mas hasta llegar a dos cuartas, que son 22 graus 1/2- I yendo dei Baxo de los Garajaos, por la banda de Oeste, Noroestea el aguja 19-18. graus, i cuanto mas se fuere dei al Oeste menos Norestea; i assi por la diferencia dei aguja se conocera porque parte se passa dei dicho baxo. De la Isla de Diego Rodriguez, o de su parage, se go- vierne de manera que, cuando se estuviere Norte Sur con la cabeça de la Isla de San Lorencio, se este ya delia 70. o 80. léguas, dando por esta derrota una cuarta de abatimiento al aguja, puesto que ella Norestée mas; i en el andar mucho o poco de la nao mostrara el camino que se haze, i llegando al dicho parage, Norte Sur con la cabeça de la dicha isla, Noroestea el aguja 15. graus. Deste lugar, de altura de 29. graus para 30.> Norte Sur con la cabeça de la Isla de San Lorencio, se govierna al Oeste, que las aguas i la diferencia dei aguja meteran la nao en mayor altura, e ir sea haziendo el camino dei oeste cuarta al sudueste. Ya vezes multiplica por aqui tanto la nao, por respeto de la corriente de las aguas, que es necesa- rio governar al oeste cuarta al noroeste i mas, por no pasar de altura de 33. graus i verse tierra en la costa de Cafraria. Haziendo la derrota dicha, Norte Sur con la costa dei 164
Oeste de la Isla de San Lorencio, Noroestea el aguja 19 graus casi; i en altura de 29. hasta 30. graus, al Sur de los Baxos de la Judia, Norestea una cuarta que son 11 graus Yendose en demanda de la costa de Cafraria, i pare- ciendo que se esta delia 50. o 60. léguas, no es acertado llevar la tierra por la proa todo el espacio que se descubriere dei mar, hasta que se ponga el sol, que puede ser hasta medio cuarto de prima (61), segun fuere el viento; i de ali corrasse como se corre la tierra, hasta por la manana, que descubierto el dia se buelva a demandar la costa por la derrota que se llevava. Llegando a este parage, en todo Março, es bueno ver tierra de 33. graus hasta 34.; i si fuere mas tarde veasse en menos altura, porque en Abril i Mayo son los vientos levan- tes nornordestes, que son los que mas cursan despues de los ponientes. Cerca de la costa, nesta altura de 33. graus i parage, No- roestea el aguja 3. graus, i hallasse un junto de agua, i antes desto muchos peces que llaman boto, corvetas de picos blancos, i gaivotones, i algunas ramas de sargaço. Deste parage, para el Cabo, se va de la tierra 15. léguas poco mas o menos, i siendo en Março apartense delia mas, porque a las vezes en este tiempo anda el viento mas por el Sur i susueste. De la Baia de la Alagoa para el Cabo son ordinários los pairos (62), i mui poças naos pasan sin los tener, por locual, dado el contraste, apartensse de la tierra hasta pasar la fúria dei tiempo; de manera que no se esteya cerca delia, ni mu- cho al mar, porque las aguas a lo largo de la costa tiran mucho para las ensenadas i lexos delia llevan para el mar. Marquesse por este parage el aguja, que por sus dife- rencias se entendera si ayudan las aguas al camino para el Cabo; porque, 20. léguas al Leste dei Cabo de las Agujas i65
poco mas o menos, se afixa i mas al Leste Noroestea i al Oeste Nordestea. Al Sur de Ia Aguada de San Blas no se hallara fondo, si no 7. o 8. léguas de la tierra y a vista delia 70 o 80. bra- ças, i sera de arena prieta menuda i algun cascaxo, i manchas de burgallao. De aqui para el Cabo de las Agujas se tomara fondo de 70. o 80. braças; si se viere tierra es bueno sondar muchas vezes, assi para saber si se llega a la costa, como al Plarcel dei Cabo de las Agujas, donde, como se dixo atras, se hallara fondo de arena menuda, i no sera pasado el dicho cabo si no despues que se diere en fondo de vaza. En toda esta costa ai las sinales que se dixeron en el «Viage dei Reyno para la Índia». Del Plarcel dei Cabo de las Agujas no viendo tierra, i andando en 70. o 80. braças en altura de 35 graus y2, goviernesse al Oeste hasta se hazer avante dei Cabo de Buena Esperança 20. o 30. léguas, salvo si se viere el dicho cabo que en tal caso el mostrara el govierno que se ade tener. Yendo a vista de tierra dei Cabo de las Agujas, 25. lé- guas, se vera otro cabo mui alto, llamado Falso, donde parece que se acaba la tierra; i Norte Sur con el se descubre para el noroeste el de Buena Esperança, que tiene semejanza de islãs apartadas i, entre el i este Cabo Falso, haz el mar una grande ensenada (63). Damdo el viento noroeste en este parage, entre el Cabo de las Agujas i el Cabo Falso, vasse la buelta dei sudueste tanto que, bolteando al noroeste, se pueda doblar el Cabo de Buena Esperança, i alli se amaine i aguarde que rodê el viento, porque ordinariamente rodea por el Sur i se haze sudueste, con que al noroeste se puede doblar el Cabo de Buena Esperança. i 66
{VI] Viage de Cochin para el Cabo de Buena Esperança: Por la Carrera Nueva (64) Partiendo de Cochin vasse a lo largo de la costa, 3. o 4. léguas delia, siempre a vista delia hasta el Cabo de Co- mori (65) procurando de no apartarse de la costa, porque, en el mar, ai calmas con que las aguas llevan la nao a las Islas de Maldiva. Del Cabo de Comori goviernesse al sur 4.* dei sueste, con que se hara el camino de susueste hasta altura de 6. graus, donde se hallara de la Punta de Gale (66) mas de 40. léguas. De aqui se govierne al Sur i hazer sea el camino dei sur 4.E dei sueste, hasta altura de 3 graus 1/2» donde en las cartas estan unas islãs llamadas dei Gamo (67), de las cuales se ira a Leste 20. léguas poco mas o menos. Por este camino, en la linea, se hallaran commumente calmas i aguaceros com mucha agua, el cual tiempo se con- tinua cassi ordinariamente hasta altura de 10. 11. graus. Del Cabo de Comori, hasta esta altura de 10. graus, cursan vientos nordestes, nornordestes i lesnordestes; i de altura de 11. graus, hasta los 12., comiençan a entrar los vientos generales que son suestes susuestes. De la altura dicha, de 3 graus y2, se govierna de modo que se va al Leste dei Baxo de las Llagas (68) 200. léguas segun el viento; i adviertasse que yendo por la bolina, en esta buelta del sudueste, que se ade dar el camino por donde la nao pusiere la proa por respeto de la diferencia dei aguja. Del dicho parage, del Baxo de las Llagas, goviernesse al sudueste de manera que, no se enmarando mucho, se va 167
cerca de la Isla de Diego Rodriguez, i mejor sera veria para punto nuevo, velando se de la isla de Brandão, i del parage de la Isla de Diego Rodriguez se haga el govierno para el Cabo, como se dixo atras en el pasado «Viage». [VII] Viage de Goa para el Cabo de Buena Esperança, por Moçambique Partasse de Goa para hazer este viage lo mas tarde hasta 15. de Diziembre, i, siendo el viento escaso, vasse de lôo cuanto se pudiere, por dar resguardo a los Baxos de Padua (69), i siendo el viento largo goviernesse al Oeste, oesnoroeste, hasta 30. léguas de la costa. De alli se governa al Oeste, con que se hara el camino de oessudueste, porque el aguja Noroestea por aqui una 4.a i media, i otra media se da de resguardo, por causa de las aguas; mas el andar de la nao mostrara el camino que se haze. Por esta derrota se ira hasta altura de 9. graus, con que se estara apartado dei Cabo de Dalfui, en la costa dei Desierto, 70. léguas poco mas o menos (70); esta este al Sur dei cabo de Guardafu (71). De esta altura i parage, porque se puede dudar desta distancia i ser mucho menos de lo que se piensa, como fuere noche goviernesse al sudueste como corre la costa; i siendo de manana hagasse el govierno al Oeste e a la 4.a dei no- roeste, con que se hara el camino dei oeste 4." al sudueste, / 68
trabaxando de dia por descubrir tierra, ques mui baxa i de arena, i anocheciendo governando por el modo dicho. Viendo tierra, en cualquer altura de 6. para 4. graus ques lo bueno, apartarsea delia para el Sur cuanto no se vea, donde se govierne al sudueste 4." dei sur; hasta la linea sera dar resguardo a la aguja, porque por aqui corren las aguas para la costa i recompensasse una cosa por otra. De la linea tomasse la de rota al susudueste, sin guinar nada para el Sur ni dar resguardo al aguja, hasta altura de 8. graus. De esta altura goviernesse al sudueste 4." al sur, por llegarse mas a la costa, hasta altura de 11. graus. De 11. graus en adelante vasse a buscar la tierra, velan- dose dei Baxo de San Lazaro (72), questa 12. léguas al mar de Quirimba (73) en altura de 12. graus, i lo menos que tiene de fondo son 7. braças. Corriendo esta costa no ai que dar resguardo, si no es a una restinga de la barra de Pinda (74) que la arroja al mar una légua. La mejor conocencia de esta costa son unos Picos Fra- gosos, que parecen paylheyros, los cuales quedan sobre Si- ramcapa, 30. léguas antes de Moçambique, i corren hasta Pinda (75). Passado Pinda lleguense a la tierra, ques limpia, i siendo necesario surgir, de Pinda para Moçambique, se hallara fondo en 12. o 15. hasta 20. braças mui cerca de tierra, en los lugares donde defronte en la costa se vieren manchas de arena blanca. Costeando esta tierra en Quisimajugo se haze una punta de arena (76), en ella estan unos arboles como pinheyros altos; i luego queda otra punta, mas al Sur, de tierra baxa, i detrás delia esta un puerto llamado de los Vellacos 6. lé- guas de Moçambique (77), tiene una playa mui espaciosa, puedesse surgir en ella mas mucho en tierra. i6g
Mas adelante, para Moçambique, se hallara otra grande playa llamada Titangone en lacual se acostumbra hazer aguada, tiene muchos arboles i palmeras, i es surgidero bueno i limpio (78); i no ai por aqui, hasta Moçambique, de que se temer si no de lo que se descubriere con la vista. Quiriendo surgir en Moçambique se pondran en medio de su baia, mas llegado á Cabaceyra por causa de los levantes que vientom en este tiempo. Las senales de todo este camino, de atras, son cerca de la costa de Melinde (79) algunos ramos de sargaço, corrien- tes de agua, algunas grajinas prietas i grajyllos blancos; i siendo la nao mui en tierra se veran unos ramillos de ima yerva de tres hojas, que se llama pés de gallina, i candeias blancas de arboles. Cerca de las Islas de Aro (80) y de Camaro se hallaran caniços, ramos de palmeras, unas frutas como cocos pe- quenos llamado le los Portugueses trifulins, alcatrazes par- dos i blancos, i rabiforcados, rigueyros de aguas, muchos ra- mos de sargaço; viendosse en estas senales entiendasse que se esta cerca de las dichas islãs. Noroestea el aguja en esta costa variamente, porque en Çacotora (81) Noroestea 17. graus, en el Cabo Dalfui 12. graus, en Mogadoxo (82) 11. en Jugo (83) 10., en Mom- baça (84) 9 V2 i en Moçambique 11 ^ como ya se a dicho. De Moçambique sera bueno hazerse el govierno de ma- nera que se vaya por entre la Isla de San Lorencio i el Baxo de la Judia, llegandose mas a la isla que al baxo, por- que los vientos en el principio desta derota son calmas, trovoadas con aguaceros que enfadan mucho; i llegando a 20. graus haze el viento sueste i susueste, por el cual respeto es major i necesario llegarse, en el tiempo que por aqui se passa, a la Isla de San Lorencio, porque se ampara con ella i tomasse mejor de la dicha isla el barlovento. Estos suestes que aqui cursan, en este tiempo, son mui 17 o
ventantes i recios; i tanto que anduvo una nao 34. dias, desde Moçambique hasta la cabeça de la Isla de San Loren- cio, i si no fuera por las aguas, que andando a las bueltas i bordajando la echaron para fuera, saliera de aqui mui de espacio. Sera bueno en este camino ver tierra de la Isla de San Lorencio, de 23. graus para mas altura, i descubriendo la cabeça de la isla luego se hallaram vientos suestes i les- suestes, que son los que aqui cursan mas ordinário en este tiempo. Deste parage de la isla se haga el camino en demanda de la tierra de la altura que se tiene dicho, de 33. para 34. graus, de la manera atras referida, i delia se govierne hasta doblar el Cabo de Buena Esperança, con los mismos adverti- mientos que en el «Viage» pasado. [VIII] Viage dei Cabo de Buena Esperança hasta Lisboa Pasado el Cabo de Buena Esperança Nordestea luego el aguja 2. graus, ques buena senal para saber si esta al Oeste dei, porque Nordesteando menos se estaran todovia al Leste. Viendo la tierra dei Cabo goviernesse al noroeste en demanda de la Isla de Santa Elena, i no viendo tierra i tiniendo lo pasado hagasse el govierno al noroeste 4.* dei norte dos singlaturas; i de alli se govierne al noroeste, sin dar resguardo al aguja, hasta ponerse en altura de 16. graus largos en questa la isla. 171
Desta altura se govierne el medio camino que ai, hasta la Isla de Santa Elena, al Oeste i el otro medio a la 4.* dei sudueste, porque deste modo se ira haziendo el camino dei Oeste, i assi se va media singladura al Oeste i otra media a la 4.a dei sudueste, por que desta manera se llevara la isla por la proa i el altura çierta de la cual no descaya (85). Cien léguas de la dicha isla se començaran a ver gra- ginas, rabiforcados i como se vieren tinosas estaran cierto de la isla. Viendose la isla ao rasque (86) no se pueda surgir en ella de dia; voltesse a vista delia tanto en una como en otra buelta. Su puerto esta de la parte dei noroeste; ha se de ir por la vanda dei Norte, mui cerca de tierra, i con vigilância en el govierno, porque tiene embates escasos i largos por en cima de la tierra. Nordestea en ella el aguja 7. graus, i casi la mesma diferencia haze por el camino hasta la Iinea. Partiendo de esta Isla de Santa Elena, si se quisiere ver la de la Ascension (87), goviernesse la mitad dei camino al noroeste i la mitad a la 4." dei Oeste. De la Isla de la Ascension se govierne al noroeste quarta dei oeste, hasta 2. graus de la vanda del Sur, i de alli al noroeste, que deste modo se pasara al Leste dei Pinedo de S. Pedro (88) 20. o 30. léguas, i assi se puede yr por esta derrota hasta dar en los chuveyros de Guinea. Estos chuveyros yendo por este parage en Julio, ques tarde, duran cassi de ordinário hasta altura de 14. graus; i pasando mas temprano llegan hasta los 4. y 5. graus, i de los 7. adelante acostumbran dar los generales, en lo que ai mucha variedade segun los tiempos. Hallandosse en este parage Oestes, i suduestes, no se lleguen mas a Guinea, porque, cuanto se metieren mas en ella, se hallaran mas calmas i mas lluvias i tardaran mas los generales. 172
21' 1 Jld'Y -Tf w/n* /t^HTAsf^tsC^r^ u,. J6eJLJ*f**y« %$££ ffcU^ i.Á . / ( J AnrWm-> c C*/<^ YsíMuS rfUnfvfc. + .Efci Reprodução da última página do Air. do Roteiro da Carreira da Índia, de Manuel Monteiro e Gaspar Ferreira (Reimão)
De 15. graus a delante son los vientos nordestes, i de 20. por delante Lestes; i de aqui van alargando, mas puesto que muchas vezes tornan a escasar. De 28. graus para 30., por este camino, hallando el aguja fixa no se vayan mucho a gilavento; i de aqui se siguira el camino que se diere por regimiento (89). Aviendo de ir a las islãs de los Açores sus senales son que 30. léguas, casi al Oeste dei Cuervo, se afixa el aguja, i para Leste Nordestea i para Oeste Noroestea; ai en ellas gaviotas de pies vermejos, calcamares pequenos, grajaos de cabeça prieta, i otros pajaros llamados estapagados. Es bueno ir a demandar la Isla de las Flores por 39 graus I/3, porque ai aqui comunmente menoeyros i lluvias, e inporta no llevar la tierra por la proa; e por esta altura se va por entre S. Jorge i la Graciosa, con la proa en la 3." [Tercera]. Partiendo destas islãs en Junio vasse por 40. graus, por- que en este tiempo cursan de ordinário Nortes, i aunque se halle viento Sur i sudueste, con agua, no se dexa de ir por la mesma altura, porque cien léguas de la costa de Portugal comunmente se hallan Nortes i nornordestes. En la Isla 3.1 [Tercera] Nordestea el aguja 3. graus, i en San Miguel 4. graus largos; i desta isla, hasta 100. léguas casi de la costa, haze espaciosamente mas de 3. graus de diferencia, de manera que en la dicha distancia, 100. léguas de la costa, Nordestea 7 graus 1/2, que son casi dos tercios de cuarta i en Lisboa donde se partio 8. graus. Vasco Fernandez Cesar Juan Bautista Lavana Manuel Montero Gaspar Ferrera 1 73
Nomenclatura do Roteiro e actual ROTEIRO ACTUAL COORDENADAS Atlântico Ilha do Côrvo Ilha das Flores Ilha de S. Jorge Ilha Graciosa Ilha Terceira Ilha de S. Miguel Penedos de S. Pedro Ilha da Ascensão Ilha de Santa Helena Ilha da Ascensão Ilhas de Tristão da Cunha America do Sul Abrolhos Ilha de Santa Bárbara Africa Cabo da Boa Esperança Cabo Falso Cabo das Agulhas Parcel do Cabo das Agulhas Aguada de S. Brás Baia da Lagoa Rio de Lourenço Marques Ilhas Primeiras Ilhas de Angoxa Rio de Mocambo Ilha de Santiago Ilha de S. Jorge Ilha de Moçambique Baixo da Cabasseira Monte Pão Ilha do Côrvo Ilha das Flores Ilha de S. Jorge Ilha Graciosa Ilha Terceira Ilha de S. Miguel St. Paul rocks Ascension island St. Helena island Ilha da Trindade Tristão da Cunha group Abrolhos islets Santa Barbara islet (4) Cape of Good Hope Point Danger Cape Agulhas Agulhas bank Mossel bay Algoa bay Rio do Espírito Santo Ilhas Primeiras Ilhas de Angoxe Baía de Mocambo Ilha de Sena Ilha dé Gôa Ilha de Moçambique Baixo da Cabaceira Monte Pão o° 56' N., 29° 22' W. 7 58 S., 14 23 W. (1) i5 59 S., 5 39 W. (2) 20 3o S., 3o 3o W. 37 o3 S., 12 20 W. (3) 17 58 S., 48 42 W. 17 58 S., 48 42 W. 34 21 S., 18 28 E. 34 38 S., 19 18 E. 34 5o S., 20 01 E. 34 08 S., 22 16 E. 33 52 S., 25 55 E. (5) (6) i5 07 S., 40 34 S. i5 o5 S., 40 46 E. i5 o3 S., 40 47 E. i5 02 S., 40 44 E. (7) (8) (1) Coordenadas da cratera. (3) Coordenadas da Stope Top point. (3) Coordenadas da Herald point da Tristão da Cunha island. (4) Nos Abrolhos. (5) Situadas de 5 a 25 milhas marítimas da costa de Moçambique, entre os paralelos de 17* o5' S. e 17* 1» S. (6) Situadas de 5 a 12 milhas maritimas da costa de Moçambique, entre os paralelos de t6" itfS ( iõ* 40' S (7) Ao N. do canal da entrada para o Pôrto de Moçambique. ' ' (8) Situado a 23 milhas maritimas a oesnoroeste da Ilha de Moçambique.
ACTUAL COORDENADAS Quitangonha (Titangone) Pôrto Velhaco Quisimajugo Restinga da barra de Pinda Picos Fragosos Sirancapa Ilha Querimba Baixo de S. Lázaro Mombaça Melinde Jugo Magadoxo Cabo Dalfui (12) Costa do Deserto Cabo Guardafui Indico Ilha de S. Lourenço Baixo da Judia (i3) Ilha de Joáo da Nova Ilha Gran Comoro ou Angasija Ilha de Aro Baixo do Patrão Ilha de Socotorá ... , l (Mascaranhas) Ilhas Mascaranhasl v ' I (Cirne l Ilha de Diogo Rodrigues Ilha Brandão Baixos dos Garajaos Baixos da Nazaré Baixos da Saia de Malha Ilha de Quitangonha Pôrto Velhaco Pôrto de Quissimajulo Baixo de Pinda Picos Fragosos Baía de Simuco Ilha Querimba St. Lazarus bank Mombassa Malindi Gobwen town (11) Mogadishu Ras Hafún Somaliland coast Ras Asir ou Cape Guardafui Madagascar island Bassas da índia íle Juan de Nova Grand Comoro Ou nunca existiu, ou era a Alda- bra island (Nunca existiu) Socotra island (Reunião) (Maurícia) Rodriguez island Coco island (nos Cargados Carajos shoals) Cargados Carajos shoals (St. Bran- don) Nazareth bank Saya de Malha bank 14o 5a' S., 40° 14 5i S., 40 14 3z S., 40 14 i3 S., 40 (9) i3 59 S., 40 12 25 S., 40 (10) 4 o5 S., 39 3 i3 S., 40 o i5 S., 42 2 02 N., 45 10 26 N., 5i 5o' E. 5o E. 5o E. 48 E. 37 39 4' 08 08 21 25 E. E. E. E. E. E. E. 11 5i N., 5i 16 E. 28 S., 39 40 E. 02 S., 42 43 E. 21 S., 43 22 E. (14) 25 S., 46 i5 E. (i5) (16) 42 S., 53 25 E. 48 S., 59 26 E. 25 S., 59 33 E. (17) 3o S., 61 28 E. 45 S., o 12 E. (18) (9) No interior da costa, entre 13" 35' S. e 14® S. (10) Entre 12o 07' S. e 12o 17' S., 41® 20* E. e 41® 26' E. (11) A 3 milhas marítimas da bôca do Mto Ya Vumba ou Juba river. (12) Manuel Pimentel chama-lhe: Fur al. Darfui. (13) Por corruçáo veiu a transformar-se em Baixo da índia. (14) Coordenadas de Ras Baku na ponta nordeste. (15) Coordenadas da Aldraba island. (16) Era indicado nas Cartas em cerca de 4® 5o' S., a 3ç® NE da Gran Comoro. (17) Coordenadas de uma das pequenas ilhas. (18) Coordenadas da ponta E. do banco N.
ROTEIRO ACTUAL COORDENADAS Baixo das Chagas Baixos de Pero dos Banhos Ilhas Sete Irmãs Ilhas do Gamo Ilhas Maldivas (22) Ilha de Molique índia Cabo Camorim Cochim Cangranor Panané (Panamne) Chalé Orelhas de Lebre Ilhéus Cagados Mangalor Bacanor (Monte Redondo Pequeno) Bracalor (Barcelor) Baticala (Batecalar) (Ilhéus ao S. de Gôa) Goa Velha Ilhéus Queimados Ilhas de Mamale Baixos de Pádua Ceilão Ponta de Gale Chagas archipelago Peros Banhos Seychelles islands Addu atoll (nas Maldive islands) Maldive islands Minicoy island Cape Comorin Cochin Kranganur (no Pallipur river) Ponnáni town Chaligam Camel's Hump (Vavul mala) Green island (?) Mangalor Coondapoor (Kandapur) Baindur head Baindur Bhatkal Ilhas de S. Jorge Mormugão Vergula rocks ou Burnt islands Laccadive islands Padua banks (ao N. das Laccadive islands) Point de Galle 14' S , 72o 26' E. (19) 26 S., 71 46 E. (20) 48 S., 55 32 E. (21) 38 S., 73 07 E. (23) 18 N., 73 01 E. 8 9 10 10 11 11 11 12 ■ 3 13 i3 i3 i5 i5 i5 o5 N. 58 N. 12 N. 47 N. 09 N. 26 N. 46 N. 52 N. 37 N. 52 N. 52 N. 58 N. 20 N. 26 N. 53 N. 77 76 7C 75 75 33 '4 i3 54 48 E E E E E, 76 07 E 75 27 E, 74 5o E 74 40 E 74 36 74 36 73 32 73 45 73 47 73 27 (24) (25) 6 01 N., 80 12 E. (19) Coordenadas da Ilha Diogo Garcia, a mais Sul. (20) Coordenadas da Jle du Coin. (31) Coordenadas da Capucin point da Make island, que t a maior destas ilhas. (22) No começo do século xvi chamavam-se Ilhas de Dive. (23) O extremo S. fica a 600 milhas marítimas ao susudoeste do Cape Comorin. (24) Quási Norte Sul, a 200 milhas marítimas da costa de Malabar. (25) Entre os paralelos de 12o W N. 1 t3* 37' N., e os meridianos de 72' t5' E. e 72* 44' E.
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Notas (1) No decorrer do Rateiro: «altura» significa sempre lati- tude. (2) Os autores seguem a derrota clássica dos grandes pilotos Diogo Afonso e Vicente Rodrigues. (3) Gilavento— Sotavento. (4) Os famosos Abrolhos, citados em todos os Roteiros da Carreira da índia, estão situados na costa brasileira e conservam o mesmo nome. (5) Esta Ilha da Ascenção é a actual Ilha da Trindade, a E. da costa do Brasil. (6) A Ilha de Santa Bárbara, que conserva o nome, faz parte das pequenas ilhas situadas nos Abrolhos. (7) Com as primitivas Cartas sempre o prumo foi o principal guia da viagem nas regiões dos pequenos e perigosos fundos; e com as perfeitas Cartas actuais ainda o prumo é muitas vezes in- dispensável. (8) As Ilhas de Tristão da Cunha, bem célebres nas derrotas da costa do Brasil para o Cabo da Boa Esperança, foram descobertas por Tristão da Cunha em 1506. (9) Os roteiristas ligavam a maior importância às aves que divisavam. As diferentes espécies serviam-lhes para a melhor conhe- cença das terras; elas e as plantas marítimas eram igualmente bons / 75
sinais das várias regiões marítimas. Também o conhecimento do Nordestear e do Noroestear da agulha, e sua variação, era da má- xima importância para as derrotas. (10) O facto das agulhas, na altura do Cabo das Agulhas, apontarem ao Norte verdadeiro, motivou a denominação portuguesa dêste célebre cabo, a qual ainda se conserva. (11) O parcel é o bem conhecido do Cabo das Agulhas. (12) O Cabo Falso identifica-se com a actual Point Danger dos ingleses. (13) A Aguada de São Braz, hoje Mossel bay, foi descoberta por Bartolomeu Dias em 3 de Fevereiro de 1488. (14) A Ilha de S. Lourenço (Madagascar) foi descoberta por Deniz Dias — um dos capitais da armada de Pêro Álvares Cabral — no ano de 1500. Por dentro — por entre S. Lourenço e a costa africana, quere dizer pelo canal de Moçambique. Por fora — por Leste de S. Lourenço. (15) Por dentro, ver (14). (16) A Baia da Lagoa foi primeiramente a Baia da Roca, descoberta por Bartolomeu Dias em 1488; os inglêses chamam-lhe Algoa bay. (17) O Rio de Lourenço Marques é o do Espírito Santo. Primitivamente era o Rio da Lagoa, descoberto por João da Nova em 1501 ou 1502. (18) O Baixo da Judia, que uma má leitura converteu em Baixo da índia, está situado no Canal de Moçambique, entre a Ilha de S. Lourenço e a costa africana. Os inglêses chamam-lhe Bossas da índia. Sobre êste Baixo da Judia ver o que dissemos no nosso traba- lho : A Marinharia dos Descobrimentos (a). (19) A pequena Ilha de João da Nova fica ao nordeste quar- ta ao norte do Baixo da Judia (18), também no Canal de Mo- çambique, e conserva a mesma denominação. Esta Ilha tomou o nome do seu descobridor (1501 ou 1502). (20) O Roteiro das Ilhas Primeiras e de Angoxe, a que o texto se refere é devido a João Baptista Lavanha. É o IV Roteiro (») A. Fontoura da costa — A Marinharia dos Descobri- mentos. 2.a ed. Agência Geral das Colónias. Lisboa, 1939, nota (436). / 76
desta Colecção, precedendo imediatamente este de Manuel Mon- teiro e Gaspar Ferreira. (21) O Rio de Mocambo é na realidade uma baia com um porto interior, onde desaguam vários rios pequenos, nenhum dos quais se chama Mocambo. (22) A liba de Moçambique tem ao mar as Ilhas: de Santiago (hoje de Sena) e de S. Jorge (agora de Goa), a qual é a mais nordeste. (23) O Baixo da Cabaceira, na terra firme, ao Norte do canal do Norte da Ilha de Moçambique ainda conserva o seu an- tigo nome. (24) O Monte Pão ainda tem o mesmo nome. (25) Não houve forma de podermos saber qual é a distância correspondente a «um tiro de mosquete». (26) A Ilha Gran Comoro é a mais Norte das quatro ilhas que formam o Grupo das Comoros. Os portugueses chamavam-lhe Ilha de Angasija. Sobre esta ilha ver o n.° 214 do nosso trabalho, citado em nota (a). (27) O Baixo do Patrão, que as Cartas do século XVI coloca- vam em cêrca de 4o 50' S., a 39° NE da Gran Comoro, é um dos muitos, bem como inúmeras ilhas, que os cartógrafos desenhavam de acôrdo com a fecunda fantasia imaginativa dos pilotos de anta- nho. A verificação da sua inexistência só anos, senão séculos, mais tarde pôde ser efectuada. (28) Os Ilhéus Queimados, junto à costa ocidental da índia, são hoje as Venguria rocks ou Burnt islands dos inglêses. (29) É este o mais antigo Roteiro em que vem definidos os tostões e os vinténs; àqueles se refere D. João de Castro no seu Roteiro de Lisboa a Goa, 1538. (30) Tiro de bêrço — não conseguimos saber a que distância corresponde. (31) Estes ilhéus, ao Sul de Goa-a-Velha (Mormugão actual) chamam-sc Ilhas de S. Jorge. (32) Batecalar (Baticala deste Roteiro), corresponde a Bhatkal dos inglêses. (33) Estes ilhéus parecem ser as actuais e pequenas Hog e Rocky islands. (34) Bracalor (Barcelor dêste Roteiro), corresponde a Baindúr. (35) O monte redondo pequeno é Baindúr head. (36) Bacanor é hoje Coondapoor (Kandapur). 12 1 7 7
(37) Mangalor conserva o mesmo nome. (38) Ilhéus Cagados — parece identificarem-se com a Green island. (39) Chalé identifica-se com Chaligam. (40) Panané (Pannamne do Roteiro) é o Ponnâni river, em cuja margem Sul existe Ponnâni town. (41) Cangranor é actualmente Kranganur. no Pallipur river. (42) Cochim conserva o nome. (43) Às Orelhas de Lebre chamam hoje os ingleses Camel's Hump (Vavul mala). (44) Terreno — vento terral ou da terra. (45) Por fora, ver (14). (46) Por fora, ver (14). (47) A Ilha de Diogo Rodrigues — do nome de algum piloto que a descobriu no princípio do século xvi — a leste de Mada- gascar, conserva o mesmo nome, mas os ingleses chamam-lhe hoje Rodriguez island, depois de a terem conhecido por Diego Rais (do português Diogo Roiz). (48) Ponto novo — uma boa posição do navio (somente em latitude) pela marcação da ilha avistada, neste caso a de Diogo Rodrigues (47). (49) Existe uma grande confusão sobre o nome das Ilhas Mascarenhas. A Maurícia chamou-se Cirne e a Reunião havia sido denominada Mascarenhas, precedida ou não de Pêro ou Pedro. Sôbre êste assunto ver a nota (411) do nosso trabalho citado em a nota (a). (50) Os Baixos dos Garajaos são hoje os Car gados Carajos shoals das Cartas inglêses. Uma das pequenas ilhas dêstes baixos, que parece ser a Coco island, chamou-se Ilha Brandoa (ou do Brandão) (60). Os inglêses ainda denominaram St. Brandon aos Cargados Carajos shoals. (51) Os Baixos da Nazaré são ainda o Nazareth bank. (52) As Ilhas Sete Irmãs são as actuais Seychelles islands. (53) Os Baixos da Saia de Malha, ao Norte dos Baixos da Nazaré (51), são ainda conhecidos por Say a de Malha bank. (54) O Baixo de Pêro dos Banhos forma um grupo de pe- quenas ilhas com muitos recifes; os inglêses chamam-lhe Peros Banhos. Uma das pequenas ilhas, a He du Coin, está por: 5o 26' S., 71® 46' E. (55) As Ilhas de Mamale tomaram depois o nome de Ilhas Laquedivas, que conservam. jf8
O seu canal — é o dos 9 graus (N.), entre aquelas ilhas, ao Norte e a de Minicoy (59), ao Sul. (56) As Ilhas Maldivas ainda conservam o nome. Os nossos marinheiros chamaram-lhes primitivamente Ilhas de Dive (b). (57) A Carreira velha era por dentro (a Oeste) de S. Lou- renço. Gaspar Ferreira Reimão, no seu Roteiro da Carreira da índia (1612) (c) explica o motivo por que lhe chamavam Car- reira velha (ver o capítulo de Reimão: Viagem da Índia para Por- tugal, partindo de Cochim por fora da Ilha de S. Lourenço). (58) Não houve «Islas Dele» e o Roteiro não pode referir-se às libas de Dive (56), a que acima chamou Maldivas; cremos por isso que êste passo quere dizer: «e passando por êste canal vele-se das ilhas dêle», isto é, das que nêle estão (ao seu Norte), o que a continuação confirma: «e sera mui bueno ver a Ia de Molique, que esta en médio.» (59) A Ilha de Molique, que é actualmente chamada pelos ingleses Minicoy island, separa o canal dos 9 graus do dos 8 graus. (60) A Ilha do Brandão julgamos ser a actual Coco island dos inglêses (ver a nota 50). (61) é a primeira vez que vemos citada esta informação, da qual se conclue que, para os autores do Roteiro, o quarto da pri- ma, não começava às 8 horas da noite, como todos os outros ro- teiristas indicam. Para aqueles o pôr do sol correspondia a «meio quarto de prima», isto é, devia êste quarto ir das 4 da tarde às 8 horas da noite. Mas então como denominariam êles o quarto das 8 à meia-noite, que os outros chamam «de prima»? (62) Pairo — estar o navio sem seguimento. (63) A grande enseada é hoje a False hay. (64) A Carreira nova era por dentro de S. Lourenço, ou seja por entre esta ilha e a costa africana (14). (b) Gabriel pereira — As ilhas de Dive. Descrição anónima do século xvi (in: Boletim da Sociedade de Geografia, 17/ Série, n."" 6 e 7). Lisboa, 1900. Reproduzido do Códice (1506-1508) de Valentim Fernandes, pertença da Biblioteca do Estado, em Munique; o qual está sendo publicado pela Academia Portuguesa da História. (c) A 2." ed. dêste Roteiro—1939—já está publicada pela Agência Geral das Colónias. 17 9
(65) O Cabo Camorim, extremidade Sul da índia, é o Cape Comorin dos ingleses. (66) A Porfia de Gale, extremo sudoeste da Ilha de Ceilão, conserva o mesmo nome. (67) As Ilhas do Gamo são as mais Sul das Maldivas; hoje denominam-se Addu aloll. Entre esta e a Suvadtva atoll fica o Equatorial channel. (68) O Baixo das Chagas, actual Chagos archipelago, é for- mado por recifes de coral e várias pequenas ilhas. Está situado entre os paralelos de 4° 44' S. e 7» 39' S. e os meridianos de 70° 50' E. e 72° 47' E. A ilha mais Sul é a Diogo Garcia (7o 14' S., 72°26 E.), cujo nome conserva (Diego Garcia dos inglêses). (69) Os Baixos de Padua conservam o mesmo nome nas Cartas inglesas; são ao Norte das Ilhas Laquedivas, estando o seu meio em 13° N. (70) O Cabo Dal fui, a que Pimentel chama de Fui al. Dorfui, é o actual Ras Hafún dos inglêses (10° 26^., 51° 25' E.) na costa da Somalidandia italiana. A Costa do Deserto é a Costa da Somalilandia. (71) O bem conhecido Cabo Guardafui conserva o mesmo nome. (72) O Baixo de S. Lázaro, a cêrca de 45 milhas marítimas do lho, conserva o mesmo nome. (73) A Ilha Querimba, junto à costa de Moçambique, logo ao Sul do Ibo, conserva o nome. (74) A Restinga da barra de Pirtda é o outrora famoso Baixo de Pinda, o qual conserva o mesmo nome. Fica na costa de Mo- çambique, pouco ao Sul do Cabo Loguno (14° 12' S.). (75) Os Picos Fragosos, no interior, são muito notáveis. Cor- rem êles entre 13° 35' S. e 14° S. Os inglêses denominam-nos Sorisa range. Quanto a Sirancapa, que ainda Costa Almeida citava em 1840, é a actual Baía de Si muco. (76) Quisimajugo é o interessante Porto de Quissimajulo. (77) O Porto Velhaco ainda tem a mesma denominação. (78) Quitangonha (Titangone) é uma ilha, logo ao Sul do Pôrto Velhaco (77) ; conserva o nome. (79) Melinde, nome conservado pelos portugueses desde a primeira viagem do Gama mas a que os inglêses chamam Malindi, fica na costa oriental africana (3° 13' S.). I 8 o
(80) A Ilha do Aro ou nunca existiu ou era a actual Aldraba island. (81) A bem conhecida Ilha de Socotorá ainda tem o mesmo nome. (82) A Mogadoxo, na costa oriental africana, chamam os in- gleses Mogadishu (2o 02' N.). (83) Jugo identifica-se com Gobwen town, a 3 milhas marí- timas da bôca do Mio Ya Vumba ou Juba river, na costa oriental africana. (84) Mombaça tem o mesmo nome. (85) é bem conhecida a Ilha de Santa Helena. A indicação para a aterragem na ilha é muito interessante. (86) Ao rasque — numa aberta (de tempo). Informação que devemos à amabilidade do comandante A. Esparteiro. (87) Esta Ilha da Ascenção, ainda assim denominada, é ao nordeste da de Santa Helena. (88) Aos Penedos de S. Pedro chamam os ingleses St. Pau! rocks (0o 56' N., 29° 22' W). (89) Os autores referem-se aos Regimentos reais, que os ca- pitãis-mores das armadas e os comandantes dos navios isolados recebiam em Lisboa para as suas respectivas viagens. Na viagem de retomo da índia recebiam èles ali os Regimentos, que os vice- -reis ou os governadores lhes davam. Muitos daqueles Regimentos reais ainda hoje se conservam nos arquivos nacionais. Os primeiros conhecidos, do princípio do século sxvi, contém instruções para a navegação das naus, baseadas nos célebres conselhos de Vasco da Gama para a viagem de Pedro Alvares Cabral (1500). O borrão dêstes conselhos foi escrito em papel almasso branco pelo secretário António Carneiro, existindo ainda na Tôrre do Tombo as duas primeiras páginas do extraordi- nário documento. l 8 l
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ÍNDICES
ÍNDICE DOS TEXTOS PàgB. Prólogo 9 I — Roteiro para a India e Oriente, c. 1530, de Autor Anónimo 11 Preâmbulo 1 13 [I] Livro de rotear de Portuagl para a India e da índia para tôdas as partes que são descobertas 15 [II] [Navegação para Sumatra e Java] 17 Notas 23 II — Colecção de Roteiros, c. 1545, de Manuel Al- vares * 25 Preâmbulo II 27 Dados biográficos de Manuel Ál- vares 29 Colecção de Manuel Álvares 29 Publicação da Colecção de Manuel Álvares 30 [I] Roteiro da navegação daqui para a Índia 31 185
Pits. [II] Viagem da India para Portugal, a saber de Monte de Li ou de Cochim. Trata da vinda ao Reino 40 [
PAS*. Os dois Roteiros de Vicente Rodri- gues 93 Publicação do primeiro Roteiro ... 97 [I] Viagem de Lisboa para a índia 99 [II] Viagem de Goa para Cochim 107 [III] Viagem de Cochim para Portugal ... 108 Notas li' IV — Roteiro das Ilhas Primeiras e de Angoxe, ante- rior a 25 de Março de 1600, de João Baptista Lavanha 117 Preâmbulo IV 119 Dados biográficos de Baptista La- vanha 119 Ms. do Roteiro e sua publicação ... 126 [I] Derotero de las Islas Primeras 127 [II] Derotero de Ias Islas de Angoxa 128 Notas 131 V — Roteiro da Carreira da India, 25 de Março de 1600, de Manuel Monteiro e Gaspar Ferreira (Reimão), estando presente João Baptista La- vanha 133 Preâmbulo V 135 Dados biográficos 136 Ms. do Roteiro e sua publicação ... 141 [I] Viage de Lisboa hasta cl Cabo de Buena Esperança 143 [II] Viage dei Cabo de Buena Esperança para Goa por de dentro 149 [d] Partida de Moçambique para Goa 153 [III] Viage de Goa para Cochin 156 [IV] Viage dei Cabo de Buena Esperança por de fuera de la Isla de San Lo- rencio 158 [d] Viage por de fuera de la Isla de San Lorencio, para Goa 159 187
PM». O] Viage por de fuera de la Isla de San Lorencio para Cochin 160 [V} Viage de Cochin para el Cabo de Buena Esperança: Por la Carrera Vieja Ordinária 162 [VI] Viage de Cochin para el Cabo de Buena Esperança: Por Ia Carrera Nueva 167 [VII] Viage de Goa para el Cabo de Buena Esperança, por Moçambique 168 [VIII] Viage dei Cabo de Buena Esperança hasta Lisboa 171 Nomenclatura do Roteiro e actual (Entre pags) 174 e 175 Notas 175 188
ÍNDICE DAS ILUSTRAÇÕES E GRAVURAS Entre pi«*: Reprodução da primeira página da Colecção de Roteiros, de Manuel Alvares (Ms. de Paris) 30 e 31 Reprodução da última página da Colecção de Rotei- ros, de Manuel Álvares (Ms. de Paris) 78 e 79 Reprodução da figura do Regimento da estrela do Norte (Polar) do Códice da Colecção de Ro- teiros, de Manuel Álvares, pertencente a Mr. C. R. Boxer 80 e 81 Facsimile da assinatura de João Baptista Lavanha ... 125 Reprodução da primeira página do Ms. do Roteiro das libas Primeiras e de Angoxe, de João Baptista Lavanha ... 126 e 127 Reprodução da última página do Air. do Roteiro das Ilhas Primeiras e de Angoxe, de João Baptista Lavanha 128 e 129 Facsimile da assinatura de Gaspar Ferreira Reimão... 140 Reprodução da primeira página do Ms. do Roteiro da Carreira da Índia, de Manuel Monteiro e Gas- par Ferreira (Reimão) 142 e 143 O Baixo da Judia e a liba de João da Nova, no Ca- nal de Moçambique 150 e 151 Reprodução da última página do Air. do Roteiro da Carreira da índia, de Manuel Monteiro e Gaspar Ferreira (Reimão) 172 e 173 l H <)
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Êste livro realitado pela Editorial Ática, Rua das Cha- pas, 23 a 27, Lisboa, foi composto e impresso durante o mês de Janeiro de 1910