SCR1PTORES RERVM LVSITANARVM (série a) CRÓNICA DO felicíssimo rei D. MANUEL V COMPOSTA POR DAMIÀO DE GÓIS NOVA EDIÇÃO, CONFORME A PRIMEIRA, ANOTADA E PREFACIADA ' DIRIGIDA POR J. M. TEIXEIRA DE CARVALHO E DAVID LOPES PARTE IV E ÍNDICE ANALÍTICO COIMBRA IMPRENSA DA UNIVERSIDADE 1926
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CRÓNICA DO FELICÍSSIMO REI D. MANUEL
SCR1PT0RES RERVM LVSITANARVM (SÉHIK A) CRÓNICA DO FELICÍSSIMO REI D. MANUEL COMPOSTA POR DAMIÀO DE GÓIS $ k bb NOVA EDIÇÃO, CONFORME A PRIMEIRA, ANOTADA E PREFACIADA DIRIGIDA POR J. M. TEIXEIRA DE CARVALHO E DAVID LOPES PARTE IV E ÍNDICE ANALÍTICO COIMBRA IMPRENSA DA UNIVERSIDADE 1926
A- V« .
Álvara V ELREI faço faber ahos que efte aluara virem, que eu ei por bê, & me praz por juftos refpeitos que me a iífo moué, que Damião de goes fidalgo de minha cafa, poíTa fazer imprimir ha Chronica delRei dom Emanuel meu bifauó, que fanóta gloria haja^ que elle compos de nouo per meu mãdado, de que diz que faz quatro liuros. E impreflor algú, nem outra peífoa de qualquer calidade que feja, não poderá em meus Regnos, & fenhorios imprimir, nem mãdar imprimir, nem vender ha dita Chronica, lem confentiméto do dito Damião de goes. E ifto por tempo de dez annos, que começarã da feitura defte, fob pena de qualquer impreífor, ou peífoa q imprimir, ou fizer imprimir ha dita Chronica, ou ha trouxer de foi a impreífa, ou ha vender fem confentiméto do dito Damião de goes, perder pêra elle ha impreífam, & hos moldes, & aparelhos, cõ que ha imprimir, & mais pagar feffenta mil reaes .f. vinte mil pera has obras pias q eu ordenar, & vinte mil pera minha camara, & hos outros vinte mil reaes pera quem ho accufar. E hos liuros que ho dito Damião de goes afsi fezer imprimir, poderá mãdar vender, & ferão per elle afsinados, & achandoífe em poder de algúa peífoa fem feu final, encorrerá nas penas acima declaradas. E tanto q cada hum dos ditos quatro liuros foré imprimidos, fe trara à mefa do defpacho dos defembargadores do paço, pera lhe poeré ho preço per que ha de ler vendido, & doutra maneira fe nam poderá véder. E mando a todas has juftiças, & offiçiaes a q efte aluara for moftrado, & ho conhecimento delle pertençer, que dem has ditas penas à execução, & ho cumprão quomo fe nelle conthem. Ho qual fe imprimirá no principio, ou na fim de cada hum dos ditos liuros. E ei por bem que efte aluara valha, (posto q ho eífcéto delle haja de durar mais de hú anno) fem embargo da Ordenação do legundo liuro, titulo xx, que ho contrairo difpoem. Diogo fernandez ho fez em Lisboaa xxix de Março de m.d.lxv). Balthafar da cofta ho fez fcreuer. ^ Vi efta Quarta parte da Chronica delRei dom Emanuel, & não achei impedimento a poderífe imprimir, a dous de Ianeiro de M.D.Lxvj. Frei Françifco Foreiro.
GVARTA E VLTIMA PARTE DA, CHRONIC A DO FELIÇISSIMO REI DOM EMANVEL, COMPOSTA PER DAMIAM DE GOES. qFoi vifla,8í approuada por ho R .P. Frei FrtnçifcoForeiro. ^Em Lisboa cm cafa dc Françifco carrca.lmpreiTbr do Screnifsimo Cardeal InfantCjahos xxv dias do mcs dc lulho dc 1567. ^Eia taxada efta Quarta parte no Regno em papel a duzentos, Se çincjuoaota rears. Si fort dciie fegufldo ha diftançia dos luglres onde fe vendsr.
QVARTA PARTE DA CHRONICA DO FELI- ÇISSIMO REI DOM EMANUEL: i? CAPITVLO PRIMEIRO DE QVOMO elRei mandov visitar elRei dom Fernando per loam Rot{ de Sá, por ter nouas que /latia muito doente, da qual doença fe finou, & de quomo mandou Pero correa por embaixador alio Emperador Maximiliano, & doutras particularidades. TANDO elRei dõ Emanuel em Almeirim, lhe veo recado quomo elRei dom Fernando feu fogro, indo de Palençia, pera Seuilla, adoeçera no caminho, & que ha doéça era perigofa, pelo que defpachou loguo loam rolz de Sá de menefes (de quem ja atras fiz algúas vezes mençam) a vifitalo, que ho achou em Madrígaleio, aldea da çidade de Trugilho, muito doente, onde morreo a xxiij dias de Ianeiro do anno do Senhor de M.D.xvj, do que fendo elRei auifado per cartas do mefmo loam roíz, lhe deípachou hum correo, com cartas pera ha Rainha Germana, molher delRei dom Fernãdo, & pera ho Infante •FLi.ei.i.* dom Fernando, filho delRei dõ Phelippe,* & neto do melmo Rei dom Fernando, & aísi pera algús grandes, & fenhores de Caítella, mandan- dolhe que hos vifitaffe em peífoa, fiando na corte, & comunicaííe, & trattaífe com elles algúas coufas de feu feruiço, ho que elle fez muito à vontade delRei, em fpaço de oito mefes que lá andou, & porque nefte tempo ílaua dom Carlos, Archeduque Dauílria, filho mais velho do dito Rei dom Phelippe, em Flandres, ícreueo elRei loguo a hum feu criado, per nome Rui fernandez dalmada, q naquellas partes ílaua em feu feruiço, que ho auifafTe de todalas coufas que podeífe alcançar, que fe la trat- tauam depois do falecimento delRei dom Fernando, & algús dias depois deípachou por embaixador, aho Emperador Maximiliano, que também ftaua em Flandres, Pero correa. Ho mais fubilançial de lua Embaixada •fi. era trattar caíaméto do Archeduque * Dauílria dom Carlos com ha in- fante donna líabel íua filha, & do Prinçipe dom loam feu filho cõ h^ Infante donna Leanor irmã do melmo dom Carlos,' No que não podendo pero correa tomar conclufam ho mandou elRei vir pera ho Regno, fcriué- 1 Está talvez vírgula por ponto. VOL. IV i
— 2 dolhe que deixafle ho carrego dalgúas outras coulas que lhe ficauã por acabar a Criftouão barrofo, veador da cafa do Emperador Maximiliano. Efte Chriítouão barrofo conheci eu ainda, & viuia na villa de DendremÕda 110 condado de Flãdres, & fora criado da Infante dona Ifabel filha delRei dom loam da boa memoria, molher do duq Phelippe de Borgonha dal- cunha ho bom, per cuja morte ficou cõ ho duque Charles feu filho, cujo veador depois foi, & do Emperador Maximiliano, & delRei Phelippe feu filho, & do Emperador dom Carlos quinto, filho do dito Rei Phelippe, feria home de çéto, & vinte annos pouco mais ou menos quando ho conheçi, tão perfeito, & inteiro é feu juizo, & boa difpofição quomo fe fora de quarenta, de que elRei dom Afonfo quinto, & eIRei dom loam fegúdo feu filho, & elRei dõ Emanuel fe feruirã naquellas partes em ne- goçios de muita confiança. Nefte anno de Mil, & quinhentos, & dezafeis mandou ho Papa Leam decimo, hum breue a elRei dado em dezafeis de •fi.ir.ci.i.' Ianeiro per que reçebia ho Infante dom Afonfo feu* filho no numero dos Cardeaés cõ titullo de fanéta Luzia, quomo ja fica dito que lhe depois mudou no de iam Bras, & afsi lhe mãdou outro perq conçedeo que à Rainha donna Ifabel molher delRei dõ Dinis fe podefle fazer offiçio, & pintar fua imagem nas Egrejas do bifpado de Coimbra, por eftar fepultada no morteiro de lanéta Clara da mefma çidade, & ifto lem ler ainda cano- nizada, & conçedeo mais ho Papa a elRei ho Padroado dos meftrados de feus Regnos, & que lua nomeação fomente abaftaffe por aprefentaçã, & confirmaçam, fem fer mais neçeífaria outra algúa prouifam de Roma, & lhe mãdou outro breue per que lhe cÕçedeo, que has dizimas do Paul de muia, & de quaefquer outros que quifefle abrir foliem pera ha ordê do meftrado de Chriftus, ho que tudo foliçitou dom Miguel da fylua, filho de dom Diogo da lylua de menefes primeiro Code de Portalegre, ho qual dom Miguel foi depois Bifpo de Vileu, & Cardeal em Rorna, & legado de Rauena. Capitu, ii. De quomo fe reformaram has pa\es de Coulam, & Lopo foare\ mãdou Simã dãdrade a Ormu\, & apos elle dõ Aleixo de menefes, & defpachou Fernão pere\ dandrade perá China, & do q pafjarã, Iami1 «fi.it.ci. rabclot empaçem, & Anrique leme na viaje de Martabão.* NA terçeira parte defta Chronica leixamos Lopo foarez daluarenga, gouernador da índia, em Cochim, onde chegou em Setembro do Anno palfado de Mil, & quinhentos, & quinze, & porque Coulam ftaua 1 Et. I. lãnim. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte.
aleuantado mandou logo Embaixadores ha Rainha, q gouernaua por feu filho fer moco, hos quaes affentaram com ella paz a condiçã que man- daffe fàzer à fua cufta ha Egreja do Apoftolo lam Thome, que hos mouros derribaram quãdo aconteçeo ho negocio, em q mattaram Antonio de lá, & outros portugueles, quomo fica dito, & que ha renda que tinha cila Egreja, & terras lhe fofiem reftituidas, & que ha Rainha pagaíle em latisfaçam da fazéda que hos da terra tomaram delRei, & a fcus vallal- los naquella rebelliam, quinhentos Bahares de pimenta, que fazem dous mil quintaes do noflo pefo, & le obrigafTe a dár carrega a todalas naos delRei q foffem carregar a feus portos, primeiro que ás dos mouros, pelo preço de Cochim, aho que tudo fe ha Rainha obrigou, & hos cõtrattos que' le diffo fezeram íorão afsignados per ella, & pelos gouernadores do Regno, & aísi pelos noílos Embaixadores, ho que affentado, & entregue ha pimenta fe tornara a Cochim, donde dalli a poucos dias partio dom Garçia * de Noronha com has naos que tornaram pera ho Regno, de que eram capitães elle de húa, & das outras quatro dom Ioam deça, George de mello pereira, Pero maícarenhas, & Frãçifco nogueira, q todos vieram a faluamento. Defpachadas eítas naos Lopo íoarez partio de Cochim pera Goa, & de caminho foi a Calecut, onde fe vio com elRei, & rcte- ficou com elle has pazes que tinha aílentadas com Afonío dalbuquerque, dalli fe foi a Cananor prouer em algúas coufas que ho tempo requeria, ho que acabado foi ter a Baticalla, onde hos da çidade ho feítejaram mais do acuftumado, pelo reçeo que tinham de hos caítigar, por reípeito de terem mortos em hum arroido vintequatro portuguefes, que iham em ha nao que alli mandara carregar de mãtimentos pera Ormuz, de que era capitam Simão dandrade que já era partido com fua carga, & pera mais defculpa deite cafo ho gouernador da çidade mandou tres mouros velhos prefos a Lopo foarez pera que hos caítigafle à fua vontade, por lerem hos que caularam has brigas, em que morreram aquelles portugueles, do que Lopo foarez fatisfeito lhos tornou a mandar, & le fez à vela pera Goa. No qual caminho lhe deu hum temporal com que foi ter a Anchediua, donde defpachou dÕ Aleixo de meneies pera dár viíta ha coita Darabia, ' & dahi ir in*uernar a Ormuz com oito naos de que lhe deu a capitania, hos outros eram Françifquo de tauora, Chriítouam de brito, dom Aluaro da fylueira, dó Diogo leu irmão, Aluaro de brito, Nuno fernandez de maçedo, & Ioam gomez cheiradinheiro, dãdolhe inftruções do que hauia de fazer açerqua do gouerno, & regiméto daquella çidade, & coufas que compriam perá iortaleza, & fobre tudo que ho auifaffe loguo de quaelquèr nouas q houueffe de húa armada de Rumes que íe fazia em Suez. Partido dom Aleixo de menefes, Lopo Íoarez fe foi a Goa, onde affentou que ha
— 4 — cidade fenam deuia de derribar, nê defemparar a Ilha, poflo que leuafTe regimento delRei pera ho fazer, fe aísi pareçeíTe bem ás pefloas prinçi- paes que andauam na India, hos quaes todos aflentaram que le nam fe- zeífe, ho que afsi concluído, & poftas em ordê todalas coufas que copriam aho gouerno, aífefleguo, & defenfam da Ilha, & çidade, fe foi a Cochim pera naquelle inuerno fazer húa armada com que no verão feguinte fofle buícar hos Rumes aho mar Darabia. Chegado a Cochim defpachou logo Fernã perez dandrade pera ha China, & com elle Antonio lobo falcam, porque ha mais companhia hauia de tomar em Malaca, ho qual foi ter *fi. 2 *.ci. i' alio porto dc Paçem, na Ilha de Samatra, onde achou Ianim rabelot,* que fora diante em companhia de George de brito. & ficara alli pera tomar pimenta, que na China vai muito, de que tendo feita ha carga le lhe queimou ha Nao per defaftre, ho qual Iainm 1 rabelot mandou Fernam perez com húa carta delRei dom Emanuel a elRei de Paçem, de quem foi reçebido com aparato dembaixador, & Ieuado cm Elephantes aho paço, com ho qual elRei aífentou pazes, conçedendo lugar na çidade pera ie fazer húa fortaleza, em que hos portuguefes fteueíTem feguros dos da terra, do q fe fezeram cbntrattos afignados afsi por elRei, & prinçipaes de feu Regno, quomo per Fernam perez em nome delRei dom Emanuel, ho que acabado fe partio pera Malaca, donde tomada carga, & mantimentos fe fez a uela, pera ha China, ahos doze dias Dagofto de Mil, & quinhen- tos, & dezafeis, leuando configo duas naos afora ha fua de q era capitães, Emanuel falcã, Antonio falcã irmãos, & Duarte coelho ê hú Iúguo, cõ ha qua\ companhia meado Septembro chegou ha enfeada do Regno de Coche- chma, da qt/al com téporaes arribou a Malaca, onde achou Raphael peref- trello, que chegara da China, de quê fe informou de muitas coufas daquella prouinçia, & grãde riqueza delia, & poder do Rei, afirmandolhe •Fi.» que ha gente era boa, polida, & couerfauel. Depois de Fer*nam perez vir de Paçem a Malaca deu george de brito, capitão da da * fortaleza, húa náo, em que viera Iamim3 rabelot, a Anrrique leme pera nella ir a Mar- tabão, porto de Pegu, ho qual no caminho tomou hú jungo de Pegu, & por nam poder tomar Martabão aribou aho mefmo porto de Pegu, no qual tomando mantimentos pera leuar a Malaca a requeriméto dos mouros fenhorios do jungo, mãdou elrei de Pegu, íobrelle húa grande frota de Paràos da qwal fe desfez às bombardadas, cõ metter algús no fundo, & mattar muitos imigos, ho qual negoçio durou tres dias cõtinuos, em que 1 Et. I. Ianim. * 2 Repetição de palavra. 3 Et. I. Ianim.
_ 5 — ha nao com ho jugar dartelharia, & fer velha abrio, & fe foi alio fundo, mas Anrrique leme cõ fefenta Portuguefes, & algús jáos fcrauos delRei, que cõ elle iham, fe ialuou no batel, & em hú calaluz, & húa champana, deixando ho jungo a cujo era, & feguindo dalli leu caminho pêra Sama- tra fe lhe perdeo ho batel, & ho calaluz com temporal em que morreram vinte & oito Portuguefes, & vinte jáos, & elle foi ter na chãpana aho porto de Pedir, onde, foi bem recebido, & agafalhado delRei todo ho tépo que alli íteue, & tornado a dõ Aleixo de meneies, elle por lhe hos temporaes nam feruirem continuou pouco na coita de Arabia, donde foi ter ho inuerno a Ormuz, & fez muim bem todalas coufas que ho gouernador ■ fi. 3. ci. i.* Lo*po íoarez lhe encomendara, ho q acabado fe tornou pera índia. Capitu, iii. Dalgúas coufas qve tocam a elRci dom Afonfo de congo, & do feu bõ modo de viuer, & exemplo de bom chriflam NESTE anno de mil, & quinhentos, & dezafeis mãdou elRei dõ Emanuel a Congo por vigairo hú clérigo, per nome Rui daguiar, pera prouer nas couías da relegiam, & com elle Antonio vieira, & Baltefar de craíto feus criados, com negoçios, & algús prefentes pera íeruiço da cafa deRlei1 dom Afonfo, & da Rainha fua molher, hos quaes feguindo lua viagem, chegaram a íaluamento aho rio de CÕgo, onde depois de furtos leuaram nos bateis, & algúas almadias ho fato que trazia a cafa de hú fenhor per nome Manifono, q moraua dalli tres legoas pelo rio açima, vaífallo, & paréte delRei, ho qual Rei com ha vinda deites embaixadores reçebeo tãto contétaméto, q aho feu modo ordenou q fe fezeíTem muitas feitas, & jogos fegundo fe entrelles vfa, mãdando hos logo vifitar, & prouer de tadalas2 couías de q enta poderiam ter neçefsidade icreuédolhes q íteuefiem naquella villa de fono atté que tornaffe de húa guerra q iha •fi. 3. ci. fazer a algús fenho*res feus vezinhos, & vaííalos, que fe lhe tinham aleuã- tado, da qual elle dahi a pouquos dias tornou viétorioío, cõ hos véçidos lhe darem oitéta arefés, filhos dos prinçipaes homes daquellas prouinçias q fe lhe rebellaram, cõ obrigaçam de cadano lhe pagarê certo tributo, douro & prata. Neíte tépo em q elrei adaua na guerra, ho vigairo Rui daguiar mandou fazer húa Egreja naquella villa de Sono, da enuocaçao do be- mauenturado fanéto Antonio, do q hos moradores leuarã muito cõtenta- mento, por ferem hos mais delles Chriítaos. Tornado elRei da guerra mãdou recado aho vigairo que ie vieffe com íua cõpanhia à çidade de, 1 Et. I. delRei. 2 Et. I. todalas.
— 6 — Cõgo, onde elle jà ítaua, que feria de Sono obra de çinquoêta legoas, de quê fora mui bem reçebidos, & agafalhados, & algús dias depois dalli fere ho vigairo pedio a elRei que lhe deffe algús moços habiles, pêra hos enfinar, do que elRei leuou tãto contêtamento que aliem de lhos logo dár, mandou dentro de húa grande çerqua fazer muitas cafas, em que pos mil delles todos filhos de homês nobres com meftres pera hos eníi- narem a ler, & fcreuer, & gramatica, & hos inftetuirem nas coufas da noífa fandta Fé, das vertudes do qual Rei dom Afonfo, & de quam ca- tholico Chriftão era, allê do que delle já tenho fcripto, dará aqui fé has •fi.3t.cLi.* palauras formaes, que ho mefmo * vigairo Rui daguiar fcreueo a elRei dom Emanuel, no fim de húa carta que lhe mandou, em q diz alsi. Efte Rei dom Afonío nam traz ho íentido fenam em noffo lenhor, & em fuas pegadas, ordenou agora que todo ho homem fe dezimaífe per todo feu Regno, dizendo que quer leuar ha cãdea diante, & nam de tras: labera vofla A. de fua chriftandade que me pareçe a ml que nam he homem mas he Anjo q ho Senhor ca mandou a efte Regno, que ho conuerteffe, fegundo has coufas que diz, & falia, porque çertefico a vofla Alteza que elle nos enfina, & fabe melhor hos Prophetas, & euãgelho de noffo Senhor Iefu Chrifto, & todas has vidas dos lanétos, & todalas coufas da fanda madre Egreja, do que ho nos outros fabemos, & que fe ho vofla A. viífe ficaria fpantado, diz has coufas também ditas, & tam çertas q me pareçe q fempre falia ho Spirito fando nelle, porq lenhor não faz outra coufa, q ftudar, & muitas vezes adormece fobre hos liuros, & muitas vezes fefqueçe de comer & beber, por fallar nas coulas de noffo Senhor, & q eftá tam enleuado nas coufas da fcriptura que fefqueçe de fim mefmo, iffo melmo quãdo vai fazer audiéçia, ou ouuir partes nã falia em al fenam em Deos, & em feus fandos: elle fenhor ftuda ho fando Eúãgelio, & •Ft.3T.ct.».* tanto que. ho íaçerdote acaba de dizer Miffa lhe pede a béçam,* ha qual tomada fe poem a pregar aho pouo com muito amor, & cõ mnita 1 chari- dade, rogandolhe, & pedindolhe pelo amor de noffo Senhor q fe conuertã, & torne pera Deos, de manera q hos feus felpantã, & nos outros muito mais de fua virtude, & fé que tem com noffo fenhor, & ifto faz todolos dias, & prega como dito tenho a vofla A. Iffo melmo fabera voffa A. que elle he muito juftiçofo, & pune grãdemente hos q adoram idollos, & cÕ hos idollos hos mãda queimar, & té per todos feus Regnos offiçiaes . da juftiça pera préderem todolos q fouberé que tem idollos, ou fazem feitiçarias, & outras quaefquer maldades q toque a noffa landa fé catho- lica, iffo mefmo té já derramados per feus Regnos muitos homés naturaes 1 Et. I. muita.
da terra chriftãos, q tem fcolas, & enfinã ha nofla tan&a fé aho pouo, & afsi tanibe fcolas de moças q eníina húa fua irmã que he molher be de fefenta annos, & fabe muito bê ler, & em fua velhiçe aprédeo, que fol- garia V. A. de ha ver, & alsim outras labe ler, & todolos dias do mudo vã ha Egreja: à Mifla encomédarífe a noflo Senhor, & afsi íabera V. A. em verdade q vai efta géte em grade 1 creçimento em ha chriftãdade, & em muita virtude, porq vam conhecendo ha verdade, por tãto V. A. mande fempre a efta gente, & folgue fempre de ha ajudar, & lhe mandar re- médio per a fua falua*çam f. liuraria, porque lenhor difto tem ca mais neçefsidade pera fua ialuaçam q doutras coutas, nã fallo do grade amor, & amizade que elllei de Congo tem a V. A. porque lhe houui dizer q rogaua a noffo Senhor q o nam mattaífe atte primeiro íe nã ver cõ vofla A. iflo metmo lhe houui dizer q V. A. era Rei de Congo, & elle de Por- tugal, & eftas coutas diz muitas vezes a qué has quer ouuir, pelo q fabera vofla Alteza, q tudo ho q aqui digo he muita verdade & te tereuo mintira a vofla Alteza Deos me deftrua do corpo, & dalma, & V. A fe lebre defte tam grãde bem q tem começado, porque noflo Senhor lhe dara ho galardã quomo quê elle lie. Feita oje xxv dias do mes de Maio de M.D.xvj Annos. Entre outras coufas, & liuros que elRéi do Emanuel mãdou a elRei do Afonfo de Cõgo foram hos çinquo liuros das ordena- ções deftes Regnos, hos quaes (quomo me a ml mefmo contou Balthefar de crafto quãdo delia tornou) .elRei dom Afonfo leo todos, fendo a iflo preíente algúas vezes ho mefmo Balthetar de crafto, ás quaes ordenações, bê confyderadas com todalas particularidades de cada húa das leis, & artigos, & modo da execuçã delias, vendo q lhe era impofsiuel reduzir teus fubjeitos, & vaífalos a tal ordem de viuer, & podendo ho fazer que todos encorreriam cada dia em tantas penas, que mór* trabalho teria no julgar, & executar delias, do que ho entã tinha no modo de gouernar teus regnos, & fenhorios, dixe hú dia rindo, aho dito Balthefar de crafto falãdo no que lera, & achara naquelles liuros, Crafto em Portugal q pena fe dá aquém poem hos pés no chão, quafi dizendo que eram tantas lias leis, ordenações, artigos, clausulas, & grotas delias, cõ lias exçeições, que era impofsiuel viuer ninguém com tanto refguardo, que nam fofle cada dias comprendido em pena crime, ou çiuel, com degredos, & con- denações de dinheiro pera ha coroa, & offiçiaes da juftiça, diéto muito de louuar naqlle Rei, nã por elle já nam fer allumiado da graça da nofla fada Fé, jnftetuido nos noffos cuftumes, íenão por fer de terra tam bar- bara, & tam inculta na poliçia da Europa, quomo ho aquelle entam hera. 1 Et. I. grade.
— 8 — Capitulo, iiii. De hum embaixador que elrei de França mandou a elRei dom Emanuel, & de tres gentis homes Polotios que vieram a ejle Regno, que elRei armou Caualeiros. NESTE tempo, aliem dos recados que ho Archeduque dauftrria dom Carlos mãdou a el*Rei per via de Pero correa lobre a liga em que queria q entraffe, mandou elRei de França Françifco de valões pri- mero do nome, por embaixador a elrei ho fenhor de Lanjaqua, goucrna- dor Dauinham homem mui doéto, ha luftançia da embaixada era pedirlhe que quifefle fer parçeiro neíta liga, ho qual embaixador achou elRei em Almeirim, onde lhe fez húa doóta Oraçam em pubrico, em lingua Latina, mas pofto que trabalhafle muito é lhe perfuadir ho a q vinha, elRei nunca le niflo quis entremetter. Nefte mefmo anno viera a efte regno tres getis homes Polonos, dos qwaes ho principal era Ioã tarnouio de quê no Capi- tulo do naíçimento do Infante dom Luis fiz mençam. Ha caufa prinçipal de fua vinda foi pedirem a elRei que da fua mão hos armafle caualleiros, ha qual honrrá defejauã hauer delle pelo grande nome q por todas aquellas partes donde elles eram naturaes, & vezinhos tinha, por cauía das naue- gações que fazia, Prouinçias, & regnos que lobjugara, & guerras que cotinuaméte trataua contra hos mouros, turcos, & imigos da noffa fanéta fé, no que aquella naçã polona nos he cõpanheira, pola cõtinua guerra que tem contra hos Tartaros, na qual toda ha lua nobreza fe exercita quomo ho qua faz ha noffa na dafrica. Ha petiçam deites gêtis •Fi.4v.ci.».* homés lhes conçedeo elRei* façilmente, moítrando leuar diffo contenta- mento. Efte au£to ordenou que fe fizeííe na Egreja de fam Giam da cidade de Lisboa, aho qual foram prelentes todolos fenhores que an- dauam na Corte, & muitos fidalgos, & caualleiros, dos quaes ho que lhes calçou has Iporas, foi dom Nuno emanuel guarda mór delRei, & almo- taçe mor da lua Corte. Ifto poffo afirmar que foram tam contentes eftes tres gentis homes das merçes, & honrra que receberam delRei, & do gaíalhado, & banquetes que algús fenhores, & fidalgos lhes fezeram que por efte relpeito me fez a mim efte loam Tarnouio, & outros lenhores, & peffoas nobres, muim boa companhia nos Annos do fenhor de mil, & quinhentos, & vinte noue, & mil & quinhentos & trinta, & hum, per duas vezes que por mandado delRei do loam terçeiro fui a Corte dei Rei Sigifmundo Rei de Polonia que então regnaua.
— 9 Capitulo, v. Em que fe traí ta de qvomo dom íoam Coutinho foi [obre Tintaixe, & elRei de Fe\ veo cercar Arfilla, & do que fe atte fim do çerquo pajjòu. POR caso das muitas vezes que hos mouros correrá Arzilla atte efte Anno de mil qui*nhentos & dezafeis, em que leuaram todo o gado da villa, hauia nella muita neçefsidade de carnes, pelo que determinou dom loam coutinho dentrar tãtas vezes pelo fertão, atte fazer algúa boa prefa de gado, pera lio que trazia fempre luas efcuitas per toda ha co- marqua, dos quaes foi çerteficado que hos de húa boa Aldeã per nome Tintaixe trazia com muito defcuido leu gado no campo, fem nenhúa ful- peita de Chriftãos poderem la chegar, por efta aldea ftar fituada entre Almaçar, & Alcácer quibir, donde a qualquer repique, & afsi doutras aldeas vizinhas fahião entam com pouqua dificuldade quatrocentos, & quinhentos de cauallo, pelo que, & por ella Itar muito perto Dalcaçer, dom loam teue lio cafo por dificultofo, com tudo affentou de ir íobrella com duzentos, & çinquoenta de cauallo, na qual deu antes de amanhecer, donde tirou çinquoenta, & çinquo almas, & mais de mil cabeças de guado vacum, & algúas egoas, poldros, & cauallos, com que fe recolheo com muito trabalho, por cafo de húa grande tempeftade de vento, & chuua que fe aquella noite aleuantou, com que creçeram tanto has ribeiras que íteue em rifquo de has nam poder palfar, a efte rebatte acodio ho Alcaide •fi.5.ei.».* Dalcaçer quibir, com* mais de trezétos de cauallo com que feguio dom loam atte húa ponte, que hos noífos pafiaram com ha caualgada cõ muita ,• dificuldade, porq iha já quafi cuberta, ho que vedo ho alcaide, & que ha torméta não felfaua, & caia tãta agoa do çeo q iha ho capo alagado, temédolle q pafsãdo achalfe à tornada a pote de todo cuberta, fez volta caminho Dalcaçer, ho q vendo do loam tomou leu caminho pera Arzilla. Feita efta, & outras caualgadas de q não faço meçam por fere de pouca importãçia elRei de Féz veo fobre Arzilla já ua1 fim do mes de Abril do mefmo Anno de M.D.xvj, cÕ mais de cem mil homes, em q dizé que hauia trinta mil de cauallo, & ha mãdou çercar de mar a mar cõ mui altos vallos, & profundos foífados, & baftilhões, em q fez alfentar muita arte- lharia, delia mui groffa de ferro, & metal, cõ que, & cÕ ha fpíguadaria, & befteiros, que tirauão dos vallos, q ftauão a tiro de befta do muro da villa, faziã détro muito dãno. Dõ loam é tendo nouas da vinda delRei de Fez auiíou ho feitor q elRei dõ Emanuel tinha em Malaga q então era 1 Et. I. no. VOL. IV *
— 10 — Nuno ribeiro, pedindolhe algúas couías q lhe logo mãdou, mas géte não, porq lhe fcreueo q lha não mandafle lenão tendo recado feu, aísi lhe man- dou cartas per q auifaua elRei dom Emanuel defte cerco, cõtra ho qt/al •fi. 5 t.ci i.» repartio luas ftançias pelo modo íeguíte, ho miradou*ro, q he da porta da ribeira atte ho baluarte da perna daranha, encomédou a Fernão cal- deira cõ çé homés, entre hos qi/aes erão pedrafonfo home, & feus irmãos, Ioão fernãdez torres, fernão meirinho, Gafpar caldeira, & Antão Rolz. Do baluarte da praia encarregou Ioã naluêz 1 almoxerife da villa cõ oitéta homés, do de laéta Cruz Steuã coelho alcaide mór cõ outra géte, ha torre do fino tomou pcra fim cõ hos moradores q lhe pareçerã neçefiarios, & algús frõteiros de fobre íalête, ho baluarte da porta da villa deu a Pero lopez dazeuedo feu paréte morador na villa cõ çé homés, ho baluarte de Antonio, dafonfeca encomédou aho mefmo Antonio dafonfeca cõtador da villa cõ oitéta homés, do baluarte do tãbalalã deu ha guarda a Antonio de brito que tinha lua molher dõna beatriz em Arzilla, a qué alem dos feus por fe por aquella parte fperar ho cõbate deu çem homés, ho baluarte da couraça em q fe fperaua ha mór força do cõbatte deu a Rui diaz de foufa çide dalcunha, q ftaua feruindo húa coméda é arzilla, & tinha ahi fua molher dõna brãca coutinha, ho qual foi depois capitão Dalcaçer çeguer onde ho hos mouros mattarão, a quem alé dos que tinha feus familiares deu cento, & vinte homés, das duas torrinhas antiguas q ftauã entre eítes •FL5r.ei.i.* dous baluartes, & ha couraça deu ho cargo a pero godinho cõ vinte* homés, doutras duas torrinhas q ftauam entre ha couraça, & ho baluarte de fam Françiíco deu ho cargo a Andre leonardez juiz da villa cõ vinte homés, & do baluarte de fam Françiíco ou dos frades que era entre ha couraça, & ho miradouro deu cargo a Diogo botelho cõ fetéta homés. Repartidas afsi has ftãçias mãdou embandeirar ha villa aho redor, & poer fugareos, & fazer folias com atabaques, & trõbetas pelo muro, dãdo com muita alegria finaes de temer pouquo ho çerquo, has nouas do qt/al deram a dõ loam mafcarenhas capitão dos ginetes na lua coméda, q com ha mór breuidade q pode fembarcou com çento, & vinte de cauallo, & outra gente de pé em duas carauellas, & cõ elle dom Nuno mafcarenhas hos quaes chegarã a Arzilla a tépo q ha elRei de Féz já começaua de cõbatter, onde então ítauã por fronteiros dõ Emanuel mafcarenhas, & dõ Antonio malcarenhas q morrco captiuo em Féz, de maneira q fe ajútarão naqlle çerquo quatro irmãos mui esforçados caualleiros, cunhados do capitão dõ loam, irmãos de dõna Ilabel Anrriquez fua molher. Eftas carauellas, por ho çerquo fer mais apertado do q fe poderá cuidar, defpachou logo 1 Bernardo Rodrigues (Anais de Arzila, r, pág. 182) diz João 'Alvarez.
— II — do Ioão couiinho alio outro dia cõ cartas pera elrei, & pera Nuno ribeiro feitor em Malega, ho qual lhe mãdou détro de tres dias duzétos homes, •kl 6. ci. i * & por capi#tães delles Bertholameu Roíz, & outro dalcunha benauides caualeiros Andaluzes, do habito de Chriftus, q lhe elRei dó Emanuel dera cÕ tença, & outros em q cntrauão dous filhos de Charles alcaide do porto de fanàa Maria, ahos quaes todos do loam fez muito gafalhado, & lhes deu ha ftançia do fino q ele guardara pera fim, cõ eíta géte, & com ha q hauia na villa fe acodia a todalas partes neçeílarias cõ muita deítreza, fazendolfe repairos, & cÕtramuros em relguardo da ruina q hos mouros fazia cõ ha fua artelharia per todalas partes, da qt/al obra era meftre, Frã- çifco dória mercador genoes, q então moraua em Arzilla, primo cõ irmão de Andre dória q de noffo tépo foi hú mui conheçido, & temido capitão nas coufas do már, efte Françifco dória, & Rui diaz de loula çidc eram has duas pefioas em que fe mais punham hos olhos de todos, pelo grande esforço que nelles hauia, & incõportauel trabalho que em quanto elRei de Féz fteue fobella villa paliaram, durando ho çerquo per fpaço de quinze dias que era já meado de Maio, em que era morta muita gente afsi de tiros de bombardas, quomo deípingardas, & beftas, & doutros delaftres, chegou Rui barreto veador da fazenda do regno do Algarue cõ doze ca- •Fi.6.d. a.' rauellas em que vihha1 muita, & boa gente, com que hos da villa to*ma- ram nouo animo, fazendo jà pouquo cafo do que hos mouros tinham derrubado do muro, & minas que fizeram, com que pofto que lhe ata- lhafTem já chegauam á caua, eftimando que a pe quedo íe deffem affalto, ou entraflem pelas minas hos faria tornar atras. Veo mais nefta compa- nhia do regno do Algarue garçia de melo, alcaide mór de Craftomarim,, anadel mór dos befteiros da fadrilha, de que trouxe, & aísi defpingardeiros feis çentos, com eftes dous capitães vierão muitos fidalgos, & hos mais, & melhores homes do mar ,de todo aquelle Regno, no qual tempo hú mouro muito ladino, que era captiuo de Lopo barbudo, alcaide do màr, fe lançou no araial, do qual elRei de Féz íoube do bom fiado da villa, pelo que ha quifera mãdar defçerquar, fe lho feu irmão Moleinaçer, Rei de Miquines não eftoruara, mas dahi a poucos dias ho fez, porq allé da villa fiar bem prouida, ho ficou muito mais cõ ha vinda de Diogo lopez de Sequeira, q elRei mãdou em focorro cõ trinta naos, & carauellas, pelo q ho çerquo fe aleuãtou, alios tres dias de Iulho, tomando elRei de bez feu caminho pera Alcaçer quibir, nas cofias do qual dõ Ioão fahio cõ ha géte de cauallo q hauia na villa, & lhe deu na retaguarda, em q mattou, & captiuou algús mouros, & à géte de pé deu liçéça q fofie roubar algú 1 El. I. vinha.
% 12 — •Fi.6 t.ci. i.* de*fpojo q ficara do araial, do q ho mais era madeira, & coufas deita qualidade, q hos mouros não puderão leuar. Neíte tépo acõteçeo ho deiaítre da morte de Nuno fernãdez dataide, capitão de Çafim, quomo fe logo dira, pelo q elRei Icreueo a do nuno mafcarenhas, q ho fofle la feruir é lugar do morto, & afsi icreueo a Rui diaz de fouia çide, q ie fofle a Alcácer çeguer, feruilo de capitão, ho q ambos logo fizerã, & Diogo lopez, quomo leuara por regiméto defpedio toda ha armada, excepto fette cara- uellas cõ q andou aquelle verão em guarda de ftreito, nos quaes nauios, & nos do Algarue íe tornaram pera ho regno hos mais dos fidalgos, & outras peffoas q vierã aho íocorro deita villa, em q fe també achou Simão gõçaluez capitão, & gouernador da Ilha da madeira, ho q;/al vindo da dita ilha pera fe ir a caítella agrauado delrei, por lhe metter hú corregedor na jurdição da fua capitania do funchal, acertou de cõ téporal vir ter a Lagos, & iabendo deite çerquo mãdou apregoar foldo a dous cruzados por mes, & fe partio loguo pera Arzilla cõ fetteçêtos toldados, q ajútou em tres dias, pagos a fua cuíta, & depois de íer em Arzilla querédofle muitos fidalgos q alli itauã toruar 1 pera ho Regno, por nã poderé fofrer hos grãdes gaítos q faziam, vendo elle que andaua dom Iòam Coutinho agaftado por eífe «FL6>.:cLa.« refpeito, temédo q deífe * elRei de Fez volta fobela villa, mandou apregoar foldo a quatro cruzados por mes, dizédo a dom loam que ítaria alli todo ho tempo que fofle neçeflario, & que pera ifl'o nam pouparia dinheiro, né fazenda, pois era pera feruiço de Deos, & delRei feu fenhor, ho que foi caufa de ficaré em Arzilla mais algú tempo, muitos dos q ítauão pera ie ir. Deixando Simão gonçaluez has coutas Darzilla feguras, fe foi a Seui- lha, donde ho elRei mandou chamar, fcreuendolhe que fe tornafle aho Regno, que elle ho defpacharia cõforme a feus merecimentos. Cap. vi. De húa entrada qve Nvno fernande\ dataide fe\ em que ho mattaram, & desbarataram ha gente que com elle iha depois de ho terem morto. 1^1 VNO fernandez dataide foi tam aítuçioío, & tã incaníauel nos ne- 1 1 goçios da guerra, que afsi hos chriítãos, quomo mouros ae pazes, & guerra lhe chamauão, nunqua eítà quedo, porq fazia tãtas entradas, & per caminhos tam defuiados, q em nenhú lugar ho tinhão çerto, afsi hos q ho acõpanhauam, quomo hos q fe delle temiam, pelas muitas mu- dãças que fazia, fem poderê atinar hos caminhos q tomaua, atte íer júto •fi.7.d.i.« ahos lugares que iha cometter, no qual* trabalho andou todo ho tépo q 1 Et. I. tornar.
— 13 fteue por capitão, & gouernador na çidade de Çafim, atte ha ora de lua morte, q fe lhe azou pelo modo leguinte. Hús Alarues de Oleide meta, de Marrocos, q entã erão tributairos a elRei dó Emanuel, & tinha feus „ filhos em arefês na çidade, fe vieram aqueixar a Nuno fernãdez q hos alarues de Xerquia da Cabilda de Vleidambram hos trattauam mal, pedin- dolhe q hos defedefle delles, quomo era obrigado per vertude de feus cotrattos. Ella Cabilda de Vleidambram, era de géte nobre, em q hauia muitos, & mui esforçados caualleiros, q defpois q elRei de Féz viera correr has comarquas de çafim, & Azamor fe forão pera détro do fertam, & palfaua de dous annos q comia, & paftauão ha terra çinquo legoas alé de Marrocos, atte hos mÕtes Claros, íem nigué oufar de lho contradizer, hos qi/aes foram dates trebutairos, & vaíallos delrei dõ Emanuel, & andauã nefte tépo aleuãtados, nã fe cõtentando de quebraré ha fé, & obrigaçam de feus cotrattos, mas lobriíTo fazeré guerra a eftroutros Alarues de Oleide meta,1 Pelo q determinou Nuno fernandez de hos ir bufcar, quomo foube per leus fpias, q a iífo mãdou, q ftauã çertos aho pé dos montes Claros, pera ode partio aho dia legulte, q fora dezanoue de Maio, do anno •fi. 7,ci. ».• do íenhor de m.d.xvi, cõ quatro çétas, & trinta laças de chriftaos, & algús * • homés de pé befteiros, & fpingardeiros, dizédo que iha comer has eruas com hos Alarues, com ha qual companhia chegou á Cabilda Dabida que ftaua alem da ferra de Benimagre, oito legoas de Çafim, onde fe loguo reo ajuntar com elle, ha Cabilda de Garabia, que mandara chamar, dandolhes a entender que iha deftroir hos pães de Marrocos, hos quaes Alarues com hos Dabida eram perto de quatro mil de cauallo, junta efta gente Nuno fernandez aballou, leuãdo cõfiguo hos Aduares atte chegar a Alguz, que he húa terra cham atraues de Marrocos, onde leixou has mo- lheres, & outra gente fraca, com fuas tédas, & gado, ho que feito partio dalli á boca da noite, lança em punho, & de madrugada deu no Aduar de Raho bemxamut, que era hum dos mais esforçados caualleiros da Cabilda de Vleidambram, ho qual tomou lem delle fcapar mais que ho • mefmo Raho bemxamut, com algús caualleiros que tinham hos cauallos lellados, des na mea noite, quomo ho tem por coftume, hos prinçipaes deites Alarues. Feita efta prefa, Nuno fernandez tomou leu caminho pera Çafim leuãdo ha diãteira ho Adail Lopo barriga, & ha bandeira real Aluaro dataide, & em boa ordenança, com toda fua companhia de chrií- •Fi.7T.ci.i.« tãos, & mouros veo ter a féfta a húa augoada grande que Itá em Algauz, * quatro legoas de Marrocos, & alii ftiueram atte has duas horas, por ha calma fer grande, onde Raho bemxamut chegou com obra de oitenta de 1 Esta vírgula deve estar por ponto.
— 14 — cauallo, em ho noflo campo começando de caminhar, & dixe ahos Alarues de pazes que nam quifeffem perder tarn boa occafiam que ie ho ajudaffem fperaua em Deos que naquelle dia fariam hos chriftãos fim de hos guer- rear, & que aho outro tomariam Çafim, & aho feguinte Azamor, aho que hos noflbs Alarues nam refponderam, mas antes carregados do delpoio que leuauam fe foram hos mais delles poer na diãteira da noífa gente pera irem mais feguros, ho que vendo Raho bemxamut defefperado de poder cobrar ho que perdera nam çeífou de rodear a noíía gente atte que vio húa fua molher, a que queria grande bem, per nome Hota molher muito fermofa, q quomo ho vio bradou por elle, que em ha ouuindo parou, ho q vendo Hota pedio aho Almocadem, & a algús fidalguos que ihã apar delia que lhe deffem liçença pera poder fallar a feu marido, ho que lhe concederam, & fiando fallando lhe dixe Hota em alta voz, Raho nam me dixeftes muitas vezes que fe me vifeis leuar captiua dos chriftãos que morreríeis por mim, aho que lhe relpondeo, ho dia he grade, & ho ven- •Fi.7t.ci.j.* çimento efta em Deos, & ho sforço em meu braço, mas ella quomo* defefperada, de ha elle poder faluar, tomou húa mão chea de terra, & ha lançou pera ho ar, dizendolhe, tudo he vento, ideuos embora lá vos fica outra molher, ho q houuindo Raho defcalçou hú çapato, & lho deitou, em final do que lhe promettera, dizédo ahos que com elle vieram, & a outros q fe mais ajuntara, palauras cheas de magoas, pera hos mouer a pelejarem, lembrandolhes q alem da honrra que podiam ganhar fariam gram feruiço aho feu Propheta Mahamed, Ho q dito foi cometter ha noífa retaguarda cõ tanto impito que dom Afonfo de faram, genrro de Nuno fernãdez, q ha trazia a cargo, fenam podia defender delle íenam has voltas, no que fe iha detendo, pelo que dom Afonío dataide tio de Nuno fernandez lhe foi dizer q acodifie a dom Afonío que nam era tempo de fe deterem, íenam de caminharem, pois ftàua longe de Çafim, ho que Nuno fernandez loguo fez, dizendo a feu genrro quomo per graça q lhe nam mattaífe hos feus mourinhos que elle criaua cõ muito trabalho, fazendoho loguo paífar a dianteira, pofto q muito arufado, ho que feito Nuno fernandez íe mudou a hú cauallo ruço, ficando na trafeira de todos, fern leixar fair ninguém da ordenança,1 Mas Raho bemxamut apertou tanto com elle que ho forçou •F1.8.C1.i.* a fazer húa volta com algús de cauallo, & quomo Raho* ho conhecia vendolhe ho gorjal defapertado, & baixo, lhe tirou com húa azagaia dare- mefo com que lhe atraueífou ha gargãta, de que loguo caio morto, ho que fabido pelo arraial houue diferenças fobre quem feria capitam, por que hús queriam que foífe dom Afonío genrro de Nuno fernãdez dataide, 1 Esta vírgula deve estar por ponto. ♦
— i5 — & outros dom Afonío dataide feu tio, que era jà homem de dias, & bom caualleiro, & ifto em tanto que ftiueram pera pelejar hús com lios outros, ho que vendo hos Alarues que foram cõ Nuno fernandez fe começaram de mefturar com hos de Raho béxamut, pera roubarem hos chriftãos, quomo ho jà tinham feito alios Alarues, & todos juntos deram nos noffos de que mattaram hos mais, & outros que fe acolheram has tendas dos noffos Alarues onde fe dantes agafalhauam, mattaram hos meimos Alar- ues, entre hos quaes foram dom Afonío genrro de.Nuno fernandez, de maneira q hos mais dos chriftãos morrera defta maneira, & hos outros captiuarão, & Raho béxamut leuou fua molher Hota cõ ha mór parte da caualgada que lhe hos noffos tinham tomada. Com tudo, pofto que hos Alarues de pazes fezeram efta treiçam, nam foi por culpa dos feus Xeques, que foram muito anojados por lho nam poderem defender, nem •Fi.8.ci.j.* hos mefmos q ifto fezeram (quomo fe depois foube na verdade)* nam foram com Nuno fernandez fe nam a tençam de ho feruirem: mas vendo elles lias diferenças dos noffos, & que fe começauam de desbaratar, ven- çidos da cobiça quiferam fer partiçipãtes no defpojo com hos de Raho béxamut, & por memoria, & lembraça do que fe deue has molheres honrradas, & ha obrigaçam que tem ahos maridos, & elles a ellas.quãdo ho amor do Matrimonio fegue ho caminho que lhe Deos ordenou, direi ho que depois acÕteçeo a eftes dous, dos quaes Raho bemxamut, mattaram ha primeira vez que ho Xarife pelejou com elRei de Féz de húa lança q lhe tirou daremefo de traues hum mouro negro que lhe iha fogindo, cujo corpo trouxera a fua molher Hota, que lhe mandou logo fazer ho milhor que pode fua fepultura fem mais querer comer, nem beber, no q perle- uerou noue dias, acabo dos quaes morreo, & foi fepultada com feu marido. Has peffoas conheçidas de que pude faber hos nomes, que morreram jiefta peleja foram Nuno fernandez dataide, dom Afonfo feu gérro, Aluaro dataide, tio de Nuno fernandez, & Aluaro de faria leu cunhado, Emanuel çerueira, & hum feu irmão, George mendez dataide, & dous feus irmãos, dom Françifco dazeuedo filho do Biípo do Porto, Chriftouam de mello •Fi.8v.ci.i." filho dç fernam de mello capitam da Ilha de fam Thome,* Pero dataide inferno. & hum feu irmão, dõ Pedro fardinha, Duarte de mello, dom loam pereira, & loam brandam, eftes eram fronteiros, dos moradores morreram Rui caldeira, Steuam lameira, Fernam carafquo, Françifquo mãfo Pedral- urez alferez de Nuno fernandez, Viçéte canellas, Antonio do monte, loam Roxo, loam gõçaluez de fam paio, Antonio tinoco, Galaz pinheiro, Fernam roíz perãno, Martim camacho, & outros muitos de que nã íoube hos nomes. Foram captiuos Lopo barriga adail, dom Anrrique de fá, George de brito, Chriftouam nunez fobrinho Dantonio carneiro fecretairo delRei,
— i6 — Aluaro do tojal, loam gomez Cardofo, Coimo thome, & outros, q foram per todos trinta, & çinquo: fcaparam obra de çento de cauallo, & de pé. Com efte desbarato, & morte de Nuno fernandez dataide fezerão hos mouros alguas mudanças, pareçendolhes que como 1 ha morte de hum tal caualeiro, & tam bom capitam poderiam ftar íeguros em íuas terras, & cafas, quomo ho dantes acoftumauam fazer. Capitu, vii. De quomo elRei mandou por capitam, & gouernador a Çafim dom Nuno mafcarenhas, & da tornada de Side Iheabétafuf do Regno cõ dom Pedro majcarenhas, & do nafçimêto do Infante dom •in.8v.ci. j.' Antonio.* MORTO Nvno fernandez dataide, proueo elRei dom Emanuel da capitania, & gouernança da cidade de Çafim do Nuno mafca- renhas, q entã ftaua em Arzilla, quomo fica dito no capitulo atras no qual cargo lhe acõteçerão muitas coufas, de q farei mençã daqllas q foré de qualidade pera iífo. Quãdo acõteçeo efte defaftre andaua Side lheabetafuf no Regno negoçeãdo coufas q lhe cõpriã, pelo q nã pode tornar pera Çafim no mefmo inftãte, mas dahi a poucos dias deu elrei defpacho a leus reqrimétos, & ho mãdou em cõpanhia de dõ Pedro mafcarenhas, irmão de dõ nuno, cõ géte, & munições de guerra, onde chegara na fim do mes de Iulho do mefmo Anno de M.D.xvj, & forão bé reçebidos aísi dos chriftaos, como dos mouros de pazes, dos quaes todos era iheabétafuf defejado, por fer muito bõ capitão, & hauido por tã bÕ caualleiro, q de- baixo de íua bãdeira qriã todos pelejar, por delle haueré hos cõtrairos mór medo q de nenhú outro xeq, de toda aqlla prouíçia. No mefmo dia q dõ Pedro mafcarenhas chegou a çafim, q foi húa quinta feira fcreueo Side Iheabétafuf ahos xeqs dabida, & garabia, de q houue logo repofta, cõ grãdes moftras dalegria, ê final do q, & de quão defejofos ftauã de fua vida, fezerã per todolos aduares grãdes feftas de tãbores tãgidos é todallas tédas, •F1.9.CI. í.* cõ jogos, dãças, & cãtares lcm ficar nenhú q nã trabalhaffe de ho fa*zer auétejado: alios quaes todos deu dõ Nuno feguro pera vire a cidade, mas q foííe per caminhos acuflumados, & ifto por algús ftaré reçeolos de caftigo per refpeito da morte, & deíbarato de Nuno fernãdez dataide, cõ ho qual feguro vierã todolos xeqs, & outros mouros fallar é feus negoçios a Side iheabétafuf, vifitãdoho cada hú, cõ ho preíente q podia, & porq elle, allé das merçes q lhe elrei fezera, de q veo muito cõtente, trazia cõmilsã fua pera entender no caftigo dos q forã culpados na morte de nuno fernãdez, 1 Et. I. cõ. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte.
— 17 — & dos out'ros chriftãos: praticou ifto cõ dó nuno & achará q hos príçipaes na tinha culpa, dos q;/aes algús morrerá nefte negocio, por faluaré hos noflos, & q quáto ahos outros q erá tátos q feria ha execuçã infinita, & muito fcãdalofa, lobelo q do nunho tinha jà cartas delrei, mádãdolhe q pafaile leueméte cõ efte caftigo, porq ftaua íformado q feria trabalhofo, & cõ elle fe daria azo a rõpiméto de pazes cõ hos mouros, de q fe poderia ieguir mór dãno q ho paffado: pelo q affentarão q fe ná falafle por entãniíTo: mas q pouco a pouco, fem hos culpados ho fentiré, fe tomaria afsi nelles, quomo é luas fazendas ha vingáça neçeffaria, ho q alsi cõcluido começará de étéder é outros negoçios q Side iheabétafuf leuaua per lébrãças, & apõ- tamétos q lhe elrei dera: ho q dõ nuno & elle tratará co muita amizade, & refguardo do feruiço delrei per algús dias, & porq nas coufas Dafrica q Fi.q. d. ».* fcreuo nefta chronica poderá ler q vã algúas lã*çadas fora de íeu lugar, & do tépo em q acõteçera, laiba quê delias alcãçar tãto que poífa arguir efte erro, é q por vétura jà cai, & poderei cair, q ha culpa difto nam he minha, fenã dos capitães dos lugares q entã tínhamos em Africa, hos q»aes pela mór parte nã acuftumauã poere nas cartas q mãdauã a elRei mais q hos dias, & mefes em que has fcreuião, deixãdo hos annos per lqueçiméto ho q me deu atte gora muito trabalho, & dará muito maior aho diãte: do q cõftrãgido pelo melhor modo q pude acomodei hos nego- çios ícriptos nas cartas q nã té ha data dos annos, aho tépo q me per cõje&uras pode parecer pera ifto mais cõueniéte. Nefte anno de M.D.xvj, ahos ix dias do mes de Setébro pario ha Rainha dona Maria em Lisboa nos paços da ribeira hú filho a q polerã nome do Antonio, q logo faleçeo, do q«aí parto lhe ficou húa má difpofiçã de q faleçeo quomo fe aho diante dira. Ca. viii. De quomo hos mouros tomaram duas carauellas, em q mattarão Frãçifco do foueral, & captiuarã Pero lope\, & Gõçalo va\ almocadè, & do martyrio que lhe deram em Alcaçer quibir. NESTE anno de M.D.xvj, ftando Diogo Lopez de fequeira em Arzilla, tendo has fete caruellas q lhe ficaram ancoradas no arefiçe,4 9v.ci.i.# tomaram duas fuftas de Larache* húa carauella que vinha do algarue fem lhe eftoutras poderé valer, pofto q foífe bé perto da villa, por fer maré vazia, cõ q não podiã fair, nefta carauella mattarão Frãçilco do foueral, da criação do conde de borba, que morreo defendédo ha cara- uella quomo muito bÕ caualeiro que era, captiuarão Pero lopez fcriuão 1 Et. I. areçife. VOL. IV
— i8 — do almoxerifado ferido de duas fétadas, & ha mother de Fernã barriga, & Afonfo barriga feu filho, & ha molher de Rodriguafonfo de farão, & filhos, & outras peffoas hõradas q per todos entre homes, & molheres erã víte oito q leuarão a Larache cÕ ha carauella. Nefte tépo gõçalo vaz almocadé, de q atras fiz aigúas vezes meçam, home que deixado ha feita de mafamede, tomou ha fé de Iefu chrifto em q viuia catholicaméte, por cafo de fe curar de húa perna q quebrara em gúa 1 almogaueria, & lhe ficara curta, fe foi a Tangere em cõpanhia de Diogo lopez de fiqueira, pêra le curar cÕ hú muito nomeado, & bÕ firurgiã, q eu conheci, per nome meftre Antonio, do qt/al remediado tãto quãto ho répo1 de quatro mefes, q fteue em Tágere, & ho faber, & diligéçia de meftre Antonio poderão abranger, determinou de fe tornar pera Arzilla, pofto q cotra vontade de meftre Antonio, por ainda nam ftar de todo fão, & de dom Duarte de meneies, por nam hauer nauio em que ho podeffem mãdar íeguraméte, né querer ir por terra cÕ çinquoéta de cauallo que lhe daua, finalméte •fi.gt. ci. i.* importu*nado do Duarte de gõçalo vaz, q cÕ defejo de le tornar pera fua cafa, molher, & filhos não hauia quê lhe podelte perluadir q ficaífe atté de todo ler fão, ho embarcou é húa carauella defarmada, q ftaua no porto preftes pera ir pera Arzilla, ho meftre da qt/ul por ho veto fer leuãte, frefco, à popa, prometeo a Gõçalo vaz q em tres horas ho poria é lua cafa, ho q junto ahos delejos que tinha de fe ir pera Arzilla, fe embarcou bê fatisfeito de muitas peças q lhe dÕ Duarte, & hos fidalgos frõteiros q ftauã em Tágere derã, por ler mui esforçado & bõ criftão: Efta cara- uella partio da barra de Tãgere fretado per Gafpar caldeira genrro de George vieira, em q embarcou fua molher, filho, & fogra, & elle depois de fe a carauella fazer á vela partio per terra pera Arzilla, cõ Fernão mei- rinho feu cunhado, q vierã amanheçer a villa fem acharé nouas da cara- uella, á qt/al depois de ter paliada agulha do cabo delpartel lairão duas fuftas de Tetuão, que alli chegarã aquella menhã, paffando de noite per Septa, Alcaçer çeguer, & Tãgere fem fere viftas, no qwal tépo ho veto lhes começou dacalmar entre taguadarte, & ha lagoa do code, ho q vedo gõçalo vaz & q na carauella não hauia gente, né armas pera fe defenderé, & q fe ho captiualsé tinha ha morte por muim certa, ou fe hauia de deixar mattar ãtes q captiuar, fezerã elle, & Ioã de deos cõ Ioão vaz pedradas meftre da carauella, ^ lançaffe ho batel fora, pera fe faluaré em •fi.io.d.i.' terra* ho q elle fez de boa võtade, cuidãdo de le faluar, ho q lhes faio aho cõtrario, porq has fuftas hos tomará, delles dentro no batel, & outros 1 Et. I. húa. 1 Et. I. t5po.
— 19 — a nado q fe laçarão aho mar pera íe acolheré a terra, de maneira q capti- uarã todos cõ hú filho de gõçale vaz moço de idade de oito anos, ho q feito fe fora á carauella q por ficar defamarinhada achara quaíi no lugar Õde ha delépararã hos q tinha já captiuos, na qwal entrara iem nhua refiíléçia, por nella nã hauer fenão molheres, q fo cõ lagrimas detédiã fuas hõrras, prometédo ahos mouros tudo ho q per leus refgates lhe podeísé dar, mas q neíta parte quilelTem ter cõ ellas cota, ho q aisi fezerã, & has leuarã cõ hos captiuos a Tetuã, dõde depois áfsi ellas, quomo elles fairã per feus refgates, faluo Gõçalo vaz q por deixar ha feita de mafa- mede ho mattarã cõ muitos tormétos q lhe derã, nos qwaes foi tá collate, & hos reçebeo cõ tãta paçiéçia, é dous dias q ho martyrizará, atado é húa cruz feita é afpa, em q ho acanauearã, & tirara pouco a pouco has vnhas dos pés, & das mãos, q nunca da boca lhe poderão tirar ho nome de Ielu Chrilto, pedindo a Deos perda de feus peccados, cõ has qwaes palauras, q moltrou ter fcriptas no coraçam, por lhe já teré arincada ha lingoa, ípirou. Teue eíte Gonçalo vaz hú irmão per nome Ioão vaz muito eíforçado caualleiro, q per relpeito da morte q hos mouros dera a feu irmão lhes fez é qwanto viueo cruel guerra, ho qwal no ãno de M.D.xxiiij, •Ki. 10. d. 2.* ftã*do elRei de Féz fobre Arzilla elles captiuarã, & mattarã por não querer arrenegar ha fé de noíTo Senhor lefu Chriíto de hua cruel morte, q foi abetomaréno cõ ítopas, breu, & alcatrã, & ali lhe poferã fogo,^ de q ardeo em idade de xxv annos, de maneira que ambos eftes irmãos, nafçidos mouros, morreram chriftãos, cõ tãta paçiéçia, & cõftançia q íe poderiã cõ rezão referir no cathalogo dos béauéturados martyres.^ E porq não pareça eíqueçiméto do Chronifta deixar Diogo lopez em Tager cõ has fete carauellas fern dar razã de toda lua viagé, elle andou no ftreito atté fim do verão, dõde fe veo aho Regno, ho qwal no anno feguinte de M.D.xvij elrei mãdou cõ fua armada fobela villa de Targa como adiãte fe dira. Capitu, ix. Do que Fernam gome\ de lemos passou, depois que par/to Dormu^ atté chegar a Corte do xeque Ifmael. NA terceira parte delta Chronica, fica dito quomo Afonío dalbuqrque defpáchou Dormuz ho embaixador do xeq Ifmael, & em lua cõ- panhia Fernão gomez de lemos cõ embaixada hos qwaes partiram em cõpanhia de Habraim benati capitã da çidade de Trager hú fabado, çinquo dias de maio do anno do fenhor de M.d.xv per Fernã gomez mãdou Afõfo dalbuqrque aho xeque Ifmael hú prelente darmas bfanquas, gibanetes de •Ki. iot.ci. í.* craua*çam dourada lobre brocado, & feda, adargas, lplgardas, arcabuzes,
— 20 — & hú falcã cõ hú berço de metal, & jóias douro. & pedraria de muito preço, baixella de prata de beítiães, fpeçiarias, & moedas douro, & prata, • das q fe fazião na India do cunho de Portugal, & das do Regno lhe mãdou portuguefes douro, cruzados, & toilões, & húa carapuça de velludo preto, aho feu modo, guarnecida de robls barrocos, & fio douro tirado, & quãto has peças q ihão neíte prefente defefas na bulia de cama dni, Afonlo dalbuqrque has podia mãdar, por ter cÕmiísão delRei pera ho alsi fazer q?/ando neçeífario foffe, alios Reis, fenhores feus aliados, & cofederados, por pera iffo ter difpéíaçam do Papa. Partidos eftes embeixadores de* Ormuz chegará aho domingo a Bãdar, q eftá na terra firme tres legoas da mefma çidade, onde veo ter com elles Habraim beca capitão daqlla comarca pelo xeque Ifmael, q lhes tinha jà preítes coréta camellos pera a fardagem q leuauã, dalli fora ter ahos oito de Iunho ahú lugar, q íe chama Paca, & depois ahú campo perq corre húa ribeira, júto da qwul ltaua ha molher de Habraim beca, alli repoufarã algús dias agafalhados sem tendas: neíte capo tinha ho xeq Iimael muitos cauallos a engordar encarregados ha Habraim beca q paçiã de noite, & de dia hos metiã nas tédas, dõde partirá ahos xiiij dias de Iunho, & caminhãdo per terras •flio*.ci.i.* muito boas chegaram ahos xviij deite mes a outro cãpo* em que acha- ram mais de trezétas tendas de hú capitão do xeque Ismael, per nome Bedijam beca, que alli ftaua cõ fua molher & cafa, de quê foram bê recebidos, & feftejados, & aho embaixador com hos mais hõrados da embaixada cõuidou a jétar no <\ua\ forã trattados cõ muita magnifiçêça, dalli partirá ha fexta feira, acõpanhãdohos o capitã húa legoa, & chegará a hú lugar, q fe chama Carmafa, de çé vezinhos q em outro tépo fora húa çidade muito rica, & populoía, mas ho xeq Iimael ha mãdou deítroir por lhe fer rebel, cõ tudo ha ainda alli húa boa fortaleza, onde té hum capitã, & foldados, aho qual lugar veo recado a Habraim beca do xeque Iimael q nã paffaífe adiãte atté nã ter outro recado feu, ho qt/al lhe veo aho outro dia, & era q lhe leuaíTe hos cauallos, q ítauã a engordar é Drager, q he daqlle lugar dez legoas: do lugar de Carmafa forão a çidade de Carma, q lera de tres mil vezinhos, çercada de muro, & cauas dalli forã ter ahú Alcorã q ho xeq Ifmael mãdara fazer de cabeças de veados, carneiros, bodes brauos, & outras alimarias, q mattara em hum inuerno q alli andou aho mõte, ho c\ua\ Alcorã he muito fermofo, alto, & bê feito, iituado apar de húa çidade boa, júto de húa grãde ribeira cõ muitas moedas, pumares, & jardls: ho capitã deita çidade foi vifitar ho embaixador ha pouíada, porq nã ítaua ahi quãdo chegarã, pera ho ir •fl ii. ei. I.* reçeber, & após ha vifitação lhe mandou todo ho * neçeífario pera íua def- peza, ho q le afsi fez por todallas terras do xeq Iimael, pelo elle afsi ter
21 mudado: delta çidade forã ter ahos xx dias de Iunho ha de Caixa muito rica, de grã tratto cercada de muros, cauas, cubellos, ode achará Mira- bucaca, q lie ho q foi ter a Goa, qt/aando ha Afonfo dalbuqrque ganhou, & era neíle tépo capitã geral do xeq llmael, & afsi hos embaixadores delRei de Daquem, & do Çabaim dalcam, q juntos hos vierã receber mea legoa da çidade com mais de duzétos de cauallo, & coréta ípingar- deiros, ho qt/al capitã depois de deixar lio embaixador na poufada, lhe mãdou muitos prefentes de fruélas, & outros mãtimentos. Neila çidade íliuerã dez dias fperãdo recado do xeq Ismael, ho <\ua\ hauido, le partirá pera onde elle entã ítaua com leo araial q era dez jornadas daquella çi- dade, & paliando por muitas cidades, villas, & caftellos, chegarã a elle cãpo, do q«al a dous tiros de beíta hos íaio a receber ho gouernador de fua caía q deziã ter naqlle tépo duzétos, & çinquoéta mil cruzados de réda, & cõ elle paffante de dous mil & quinhétos de cauallo, cõ que forã deçer has fuas melmas tédas, q ítauão aífentadas no meo do araial, onde elli- ueram atté chegaré has cargas, has quaes vindas ho gouernador mãdou armar has lendas dos noífos embaixadores junto das fuas, ho que feito loguo dahi a pouco mandou o xeque Iímael vifitar ho embaixador com hú •fi.n.ci.a.* prefente de* truitas viuas, das q tomara em húa pefcaria q fora fazer. De Ormuz a elle lugar onde acharão ho araial, polas jornadas q ho em- baixador fez eftimarão q poderiã fer duzétas, & oitenta, & cinquo legoas, ho qua\ ítaua aífentado em hú valle çercado de ferras mui altas cubertas de neue, em q haueria trinta, & cinquo mil tédas, & mais de çé mil homés de cauallo, & muita géte de pé, & molheres, afora outra muita, que per cafo do inuerno le recoHiera ahos lugates vezinhos. Capitu, x. Do que fe pajfou todo ho tempo qve os Embaixadores Jteue- ram na corte do Xeque Ifmael. GASALHADOS hos da embaixada logo aho 1'abado leguinte pola manhã foi ho xeque Ifmael a caça acopanhado de oito mil de cauallo, mas aredor delle a tiro de pedra nã chamauã 1 fenã hos q cõ elle queriã faltar, ho q ho gouernador foi fazédo per hú bÕ fpaço á lua mão direita, atté q lhe mãdou q fe tornaíTe a baquetear ho embaixador, pera ho q cõuidou ho embaixador delRei de Lores, & ho delrei de Gorgia, q té luas terras a trlta legoas da çidade de Tauriz, & fam chriílãos, vezinhos aho turco, cõ qué té muitas vezes guerra. Dizem q a elle Rei da Gorgia obedeçé quatorze Reis chriílãos feus vaflallos: ho bãquete le deu na ' Et. I. chegauã. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte.
— 22 — •Ftli».ci.i.* principal téda do gouemador, cõ muitos tãgeres darpas, * alaúdes, & frautas aho noflo modo, & durou delne pela menhã, atté qt/afi lol pofto, em q houue muitas viãdas, & genero de vinhos, de q todos beberá libe- ralmãte, ho qua\ acabado lhes deu ho gouernador vertidos de feda, & bro- cado, feitos aho feu modo, q he húa das móres horas q naqllas partes fe faz ahos cõuidados: ho que feito, ftãdo já hos embaixadores pera fe jré pera has luas tédas chegou ho xeq Ilmael da caça, & é paliando por apar dõde fefta fefta fazia, fairã todos a fazerélhe reueréçia, & ho gouernador fe chegou a elle cõ hú barrete redÕdo na cabeça, do q goftou muito, & defpio húa roupeta de çetim verde q trazia vertida, forrada de rapofos, & ha mãdou dar aho noífo embaixador, & muitas truitas da peícaria q fezerã: a quarta feira fegulte fallou ho embaixador aho xeq Ifmael, ho q«al ho Iperou ê húa grade téda entertalhada, & broftada de fio, & chaparia douro, alsétado em almofadas, íobre hú ftrado, de hú couodo dalto, cuberto dalcatifas, & diãte de fim hú tãque dagoa em q andauã truitas, & dãbalas jlhargas hauia muitos tédilhões de brocado, alcatifados de lõgo do chão: A fua mão direita ftaua elRei de Golim, homé de fefenta ãnos, a quê ho xeq fazia muita hõrra, & junto delle ho feu capitã géral, Mira- bucaca: à mão elquerda ftaua Dormiícã ébaixador do rei de Lores, & ho delrei de Gorgia, & outros dous capitães: ho ébaixador qj/ando chegou aho *fliiv.ci.*.* ftrado, ode ftaua ho xeq Ifmael* lhe fez córtefia aho modo delles, q foi beijarlhe ha mão, & ho pé, & hos outros todos bejarã ho chão, tres vezes cada hú. Feitas has cerimonias, ho embaixador beijou ha carta q leuaua dafonlo dalbuqrque, & ha deu aho xeque Ifmael, ha qwal tomou da fua mão, cõ rofto alegre, & ho fez aísétar, & Ioã de foufa, & Gil fimões, & Gafpar pirez lingoa, todos a lua mão direita, entre elRei de Golim, & ho capitão géral. Depois dalsétados pergútou ho xeque Ilmael aho em- baixador pelo Papa, & por elRei dÕ Emanuel, & de q jdade era, & quãtos filhos tinha, & pelo gouernador Afonfo dalbuqrque, & outras coufas a q lhe relpõdeo ho q de tudo labia. Apos ifto lhe trouxerã ho prelente cõ que folgou muito & lobre tudo cõ no arnês darmas brãcas, & couraças, ho q feito mãdou q lhe trouxefsé de jãtar, mas antes q le elle alfentalfe poleram de comer a todolos da fua guarda, & cõtinuos de cafa, ho q feito lhe derã agoa has mãos é húa baçia de prata, & has alípou é hú guardanapo de leda azul laurado de fio douro, põdolhe logo fobre húa alcatifa húas toalhas de leda filtradas, & has iguarias em báte- gas de prata, fem apar da mela eftar outra nenhúa peífoa, q ho trinchãte q le 1 cortaua é giolhos, mas elle nã tocou, nem comeo coufa nenhúa até » El. I. lhe.
— 23 q nã poíerã outras iguarias diante dos q ftauã júto delle em outra mefa •fi. u.ci. i.« cuberta cõ toalhas do* theor das fuas, q erã hos mais hõrrados da em- baixada cõ algús íenhores da fua corte, & embaixadores a quê ho xeq de cada viãda q comia mãdaua húa iguaria, afora has q ftauã poftas na mefa, que erã muitas, & boas: acabado ho jãtar, & aleuãtadas has mefas trouxeram muitos cõfeitos, amédoas cõfeitas, diagargãte, açúcar cãdil, diaçidrã, & outras fru&as fecas em baçios de pao pintados douro, & cores, ha qt/al fructa toda ho xeq repartio pelos cõuidados, & garrafas de vinho, & alio êbaxador deu húa do de xiraz, q fam hos melhores q ha naqllas partes, em quãto durou ho bãquete, mãdou ho xeque Ifmael aho gouer- nador q teueffe cuidado de fazer beber hos Portuguefes, & afsí a elles quomo ahos outros coftrãgiã hos q feruiã lias meias, a beber has taças cheas & andaua hú capitão bradãdo q bebefsé pola vida, & faude do xeque Ifmael, & ahos q ho nã fazião reprédia, & a ningué nã conlentia q lãçaffem ágoa no vinho, & depois q fe ho negocio começou daquétar moftrauam has taças aho xeq, & fenão erã bê cheas has mãdaua encher, elle bebia por húa taça de pedra, q deziã ter vertude cõtra peçonha, écaftoada é ouro, q leuaria mea canada, & ás vezes per húa porçelana, & elle meímo lançaua ho vinho das garafas na taça, & a moftraua ahos •flti.cl.i.* noífos, perguntandolhes fe ftaua bem chea, dizendo que elle lo* bebia mais que elles todos, ho embaixador lhe dixe que poderia fer ho vinho agoado, pelo que lhe mãdou logo ha taça, pera que ho prouaffe, & achando que nam era aguado lhe mandou que por pena daquelle erro bebeffe ha proçellâna chea do mefmo vinho, na qual ho Embaixador repoufou tres vezes, em fatisfaçam do qual trabalho lhe mandou hum lenço que tinha aho pefcoço laurado de fio douro: no que fteuerão das dez horas do dia atte noite, entã lhe mandou camilas de feda acolchoadas, & cabaias de brocado, forradas de çetim, que logo veftiram, & ftiueram com elle ainda hum bom pedaço, no qual tempo lhe mandou Coieleam húa garrafa de vinho de Portugal, do que trouxera de Goa, quando fora vifitar Afonfo dalbuquerque, a qual mandou dár aho porteiro mór pera que prouaffe ho vinho, mas elle ho bebeo todo cõ muito defpejo, dizen- dolhe que nam fabia le era agoa fe mel, fe mãteiga, entam dixe ho Xeque Ifmael aho embaixador, q hainda que ho vinho de Portugal loffe tam bom, que queria mandar hum par de cargas do de xiraz Afonío dalbuquerque, pera ver qwal era melhor. Ho gouernador depois do banquete acabado fe veftio de veftidos Portuguefes, & tomou ho embaixador, & loam de fouía •fi.iiT.cU.* pelas mãos, & hos outros Portuguefes tras elle, & dixe aho xeque* Ifmael que elle era frange, que fe queria ir com elles, ho que dito, poferã todos as cabeças no çhão, & foram cada hú pera fua tenda. Quis aqui poer
— 24 — has meudezas defte bãquete para fe laber quão humanamente eítes homes viué, & quão afabiles Iam, & fora das openiões, & grauidades de Hifpanha, & Italia, do que em França, nem Alemanha vfam tanto, lenam em luas dietas, liados, & precedências, que nelles paliam toda ha outra naçam, & fegundo contam, & lcreuem, hos que forã nelta embaixada, me parece que eíla gente lugeita aho xeque Ifmael viue do mefmo modo, & té hos mefmos coítumes que hos Polonos, & Roxos, porque em algús conuites em que me eu naquellas partes achei, alsi ho fazê, & no con- ueriar fam muim afabiles, liberais, & benignos. Paliados algús dias depois delle banquete, em que ho xeque Ifmael fez mudar duas vezes ho araial, ho embaixador mãdou dizer aho gouernador, que alem da carta q dera aho xeque Ilmael de Afonfo dalbuquerque tinha algúas coufas pera lhe dizer, ho gouernador lhe mandou recado dahi a dous, ou três dias que ho xeque hauia por bem que as comunicaífe cÕ elle, & com ho guazil, & que pera iíTo podia vir cada vez que quiíeífe a lua tenda, que alli fe •fi. iiy. ci. a.* ajuntariam todos, ho que ho embaixador alsi fez, & lhe diífe fegúdo* has inílruções que leuaua, que Afonfo dalbuquerque gouernador da Índia por elRei dom Emanuel leu fenhor mandaua vifitar, ho xeque Ifmael pela grandeza de fua fama, fenhorio, & esforço, & alsi porq agafalhaua hos criltãos, & hos hõrraua & fauoreçia. ^ Que elRei dom Emanuel feu fenhor folgaria de ter CÕ elle amizade, & ho ajudaria contra ha guerra do Soldam de Babilónia, & do Turco, & que em leu nome, & de lua parte lhe offereçia ha gente, armadas, villas, fortalezas, & lenhorios que tinha na índia. % Que fe pera confirmaçam delias pazes, & amizades ho xeque Ifmael quifeífe mandar feus embaixadores a elRei dom Emanuel per via Dormuz, que lhe daria todo auiamento pera lua paífagem, do que ho dito lenhor Rei leuaria grande contentamento. % Que ho xeque Ifmael defendeífe a feus fubgeitos, que nam andaífem com ho Çabaim dalcã, né ho feruiífem na guerra que cõtra elRei tinha. Iltò, & tudo ho demais que ho embaixador dixe fcreuia hum lecretairo do xeque Ilmael, dos quaes appontamentos ho gouernador lhe trouxe dahi a tres dias ha repoíta leguinte. Que fe elRei de Portugal defejaua ha amizade do xeque Ifmael, quomo lhe tomara ha çidade de Ormuz, que flaua à fua obediéçia, & lhe •fi. i3. ci. i." pagaua cadãno dous * mil ferafins de pareas que já nillo nam refpon- dião has obras com has palauras, mas com tudo que elle era feu amigo, & folgaua muito com lua amizade. «ff Que quanto a mandar embaixador a elrei de Portugal que ho caminho era longo, afsi por már, quomo por terra, mas que hos meífageiros I
25 ferião has nouas que iriam a elRei dom Emanuel da guerra que elle determinaua fazer no anno feguite aho turco. Que acabada ha guerra contra lio turco, fperaua de começar ha de Meca, contra ho Soldam de Babilónia, & que pera iffo tinha boa maneira, pelo que neífa parte lhe nam queria dar trabalho. Que pois lhe promettia pafíagem pera ha gente que quifeífe mandar aho màr Darabia. que efta folfe contra ha cidade de Catifa, & Baharem, que fe lhe tinhã aleuantadas, contra has quaes mandaua por capitães de doze mil homes Habraim beca, & Bedim tam beca, q niíto queria conhecer quanto leu amigo era. Que quãto a defender a feus vafiãllos, & fubgeitos que nam feruiífem ho Çabaim dalcam nas guerras que com elle tinha, que ho podia mal fazer, á húa por fere foldados auentureiros, & ha outra por ho Çabaim fer leu amigo, com tudo que lhe fcreueria, & rogaria que fizeffe paz com ho gouernador. «fi.i3.d.a.* Que elle tinha mãdado alios* capitães que trazia no már da Perfia, que fezeflem fempre, ho que lhes ho gouernador mãdaffe, & ho co- municaífem quomo amigo, & aho demais de fua embaixada, & carta, refponderia mais particularmente, por eile meímo & que ho defpa- charia com breuidade: Dada efta reporta, dahi a dous ou tres dias foi ho xeque Ifmael a monte, leuando ha mór parte da géte do araial, com que cercou aho redor bem quatro legoas de montanhas muito fragofas, & mandou ho governador que leuafTe configo ho embaixa- dor, & a fua gente pera verem ho modo que tinham de montear, ho qual foi iem outras redes, nem varães, que efta gente, ha qual bateo ho mote atté trazerem ha caça a hú eícampado que hauia entreftas íerras, onde ficou toda çerquada da gente quomo feftiuera cerrada em hú curral, ho que feito mandou ho xeque dizer aho embaixador que fe viefie pera elle, com fua companhia, com hos qt/aes fós, & com ho gouernador, & capitam geral, entrou no çerquo em que haueria mais de duas mil alimarias, de que has mais eram veados, gazellas, carneiros, cabras bodes brauos, adiues, lobos, & porquos montefes, & algús vífos, & outras alimarias, depois que ho xeque foi dentro do çerquo, derribou muitas delias has frechadas, do que enfadado, •fi. i3*.ci. i.* arincou de húa çemitarra, com que daua* golpes, com tãnta força que partio pello meo do rabo atté cabeça algúas deitas alimarias, & outras cortou todas do traues, do que jà canlado, mandou a Dormi- fam, & aho gouernador, & capitam géral, que fezefiem ho mefmo, mas nenhú deu golpe que íe podefie comparar com hos que dera ho xeque, & eftes com outros que entraram tras elles acabaram de VOL. IV 4
26 mattar toda ha caça, ha qual ho xeque mandou aho araial, & pedio de beber fobre pepinos, & amoras de fylua, com que conuidou ho embaixador, & lhe pergútou fe elRei dom Emanuel tinha ho mefmo modo no montear, a que relpõdeo ho que diífo labia, entam lhe dixe, ho xeque Ifmael, que em hum inuerno, em Baum mattara vinte mil cabeças, & em outro em Efpaur, çinquoenta, & duas mil. Acabada ha pratica, caualgou, & le foi pefcar dalli a húa legoa, ho que elle meímo fazia com húa atarrafa que fabia mui bem lançar, ho embai- xador porque era defpachado, & tinha has cartas que ho xeque II- mael fcreuia a elRei, & a Alfonfo dalbuquerque, dixe aho gouerna- dor nefte lugar da pefcaria, que pois era defpachado que fe queria defpedir delle, que lho dixeífe, ho gouernador lhe deu ho recado, pelo que mandou logo chamar ho embaixador com fua copanhia, & lhe deu a cada hum fua truita, das que pefcara, & dixe* aho embai- xador que fe foífe na boa hora, & defte luas encomendas a Afonfo dalbuquerque, ho q dito ho embaixador, & hos demais lhe beijara ha mão, & ho pé, & íe defpedirã delle, ho qual nefte tempo leria home de trinta ãnos, muito prazenteiro, afsi no fallar, quomo no conuerfar. Aho outro dia que eram onze de Setébro le mudou ho araial pera junto de húa villa, q fe chama Binado, de muitos pumares, & hortas de diuerlas frudas, com quê le foram de cõpanhia, lio que íabédo ho xeque Ifmael lhes mandou quatro veados, & hum porco montes, depois de alli ftaré tres dias mandou dizer ho gouernador aho embaixador, q ho xeque Ifmael lhe rogaua que em quãto le fazia preftcs hú embaixador q queria mandar à Aíonlo dalbuquerque fe folie a çidade de Tauriz, aguardallo, ho que afsi fezeram, & pera ho caminho lhes fez merçe de dinheiro, alem das peças que lhes já mãdara dár, & mandou com elles hum capitam pera hos guiar, & fazer dár de graça pelo caminho, hos mantimentos que lhes foffem neçeífarios. Capitu, xi. Do que ho Embaixador passou atté chegar ha çidade de Taurii, & dahi a Ormu\, & a índia.* DESPEDIDO ho embaixador do xeque Ifmael, tomou feu caminho pera Tauriz, que ha daquelle lugar donde partira feis jornadas, & paliando per muitas villas, & lugares per terra muim fértil afsi de criacões, quomo de íeméteiras, & frudas, chegaram ha efta cidade de Tauriz, ho capitão da qual hos laio a reçeber cÕ muita gente de pé, & de cauallo, & hos leuou a húas cafas grãdes, de muitos pumares, & tan-
— 27 — ques dagoa, que ho gouernador do xeque Ifmael alii tinha, onde poufa- ram, & lhes foi dado todo ho neçeílario pera fua defpeza. Efta çidade de Tauriz he fermofa de edifícios, & populofa, em que ha muitos chrif- tãos Arménios, dos quaes ho embaixador foi bem vifitado ho tempo que alii íteue, q foram vinte dias, & porque ho embaixador q ho xeque If- mael mâdaua a Afonfo dalbuquerque adoecera, no tempo que lhe an- dauam dando feu defpacho, mãdou que ho noflo ho folie fperãdo pelo caminho, pelo que fe partiram logo de Tauriz, guiado hos per caminho defuiado do que trouxeram, per terra muito fértil, & de muitas cidades, villas, caftellos, & pouoações, atté chegarem a çidade de Caixam, onde íteueram bem feítejados dos Regedores delia quinze dias, em que lhes •fi. 14. cl. a* veo recado do xeque Ifmael pera* le dal li irem a de xiiaz, ho que feze- ram per terra tarn boa, & tarn pouoada, quomo ha que já paliaram : neíte caminho poferã quinze dias, nam por fer a diítançia tamanha, le- nam por calo da neue, que era tata íobela terra que has enxadas lhes iham fezendo 1 ho caminho: ho guazil de xiraz veo reçeber ho embaixador fora da çidade, com oitenta de cauallo, ho leuou a húas fermolas calas, onde lhe fczeram hos dias q ahi íteue muitos banquetes, no qual tempo veo ter a elta çidade de xiraz que fera de quatro mil vezinhos, Soltam quiler fcnhor delia, que por hauer muito dias que andaua fora, foi rece- bido com grandes jogos, & feitas, ho qual em chegando mandou aho embaixador tres cargas de fruétas, & conleruas, & dahi a dous dias lhe deu hum banquete, que durou defno meo dia atté mea noite, em que todolos da companhia foram também feítejados, que muitos delles falaram naquelle dia ha lingoa Perlea, & Grega fem delia faberem nada: acabado ho banquete Soltam quiler lhes deu a todos cabaias de feda, & brocado, com que fe foram perá poufada: dizem hos da terra que ioi já elta çi- dade de trezentos mil vezinhos, & que hum lenhor daquellas prouinçias per erros que contra elle cometteram hos çidadões, ha mandou deítroir, .n.HT.ci deixado de cada mil cafas húa, alli ípe*raram onze dias ho embaixador que ho xeque Iímael mandaua a Afonfo dalbuquerque, com cartas pera elRei dom Emanuel, & parelle, & hum prefente, de que has peças prin- çipaes eram çinquo cauallos muito fermofos, & mui bem agaezados, de ouarnições douro, & prata tudo anilado, & elmaltado, & mochilhas de feda, nominas, & cordões de retrós, & fio douro, & húa çelada douro, & garrafas douro, & prata dourada, & veítidos aho feu modo, com ca- rapuças de feda, Sí brocado, & quatro cargas de pinhões esburgados, pexegos fequos, & vinho de xiraz, & a dom Garçia de noronha mãdou 1 Et. I. fazendo.
28 — hum cauallo muito bem agaezado. De xiraz forão todos ter por fuas jornadas a cidade de Lara, que he grande, & de bõs edifícios, cercada de muro, & torres, ho Rei he Arábio, iugeito aho xeque Ifmael, onde fe fazem has tangas larefas, que correm per todas aquellas prouinçias: Dalli (depois de íerem bem feftejados do Rei) fe partiram pera Ormuz, & dahi perá índia, onde chegaram depois do fafaleçiméto1 de Afonío dalbuquerque, lendo gouernador Lopo Soarez, quomo jà fica dito. TRELLADO DA CARTA- QUE HO XEQUE ISMAEL •Fl. 14t. cl. 2.* SCREUEO A ELREI DOM EMANUEL* AHO grade Rei, & fenhor de alta Coroa, hora dos Reis da Lei do mexias, Rei dos Reis Chriftãos, de grande coraçam, fenhor bem auéturado, caualleiro de Portuga!, voífas grãdezas fam quomo Rofas de bom cheiro, Icreuouos efta carta pera, que faibais que meu defejo, & võtade he ver volfas coulas prolperas, & voffo liado acrelçentado, quomo fe folieis meu jrmão, façovos faber, quomo hum meu criado foi ter ha ja dias, onde eítaua ho volfo grande, & gabado gouernador da índia, fcolhido per vos entre muitos capitães de volfos Regnos, pera hum tal, & tamanho cargo, aho qual elle fez muita hõrra, & ho ajudou, e defpa- chou bê, cõ hos que cõ elle ihão, & mo enuiou muito contete da cõpa- nhia q lhe fezerã, ho q eu tqmei em final de muito amor, & amizade, pelo q lhe mãdei meu embaixador, Coiealeam, pera cõíirmar, & fortale- çer nolfa amizade, afsi quomo vos melhor parecer, ha qual defejo muito que fempre dure entre nos, & que noílos meííageiros, & cartas vam, & venham continuaméte pera íe mais fortalefçer efta cadea, de noífo amor. •Ft.i5.ci.i.« Deos todo poderofo tenha vofla Real peífoa em fua guarda,* com todo volfo ftado, cala, & regnos pera fempre, dos fempres. Dada no nolfo Araial. TRELLADO DA CARTA QUE HO XEQUE ISMAEL SCREUEO A AFONSO DALBUQUERQUE PERA ho grande fenhor, que he efteio dos gouernadores, & grandes da Lei do Mexias, caualleiro grande, & forte Leam do màr, de grande coraçam, fenhor, capitão mór, que em meus olhos, & em minha graça, & coraçam me contentaftes muito, & fois grande em minha von- tade, afsi quomo quando amanheçe a claridade, & afsim quomo ho cheiro do Almizcar, & afsi quero que em bem fempre fejaes grande, & aleuantado, 1 Et. I. faleçimento.
— 29 \ & íempre iejaes alumiado em voffo caminho, afsi quomo noflo coraçam defeja: Façovos saber, quomo veo Coiealeam, & me dixe de voffo amor, & voífa boa võtade, & algúas palauras que lhe dixeftes, que antre vos & elle paífaram, & mas dixe muito bem diètas, & me obrigaram, & acreí- çentaram amor, & amizade antre nos, & por tanto vollo mando outra vez, pera que vos diga aígúas coufas que lhe dixe, & vos peço que ho que vos ho dito Coie pedir ho façaes, & ho nam detenhaes, & ho defpa- • fi.i5.ci.3-» cheis cedo, & me enuieis algús* meftres de fundir artelharia, & bom- bardeiros, & heu hos contétarei quomo elles quiferem: iíto vos peço q façaes por noífa amizade, que toda minha efperança he em vos, & fempre venham, & vão noffos meffageiros, & qualquer coufa que vos de mí com- prir mandaimo dizer, & confiai muito em minha amizade que vos quero grande bem. Deos todo poderolo vos tenha em fua guarda. HO grade fenhor de mando gouernador, grande capitão dos gran- des, & major dos majores capitães deite tempo. Leam bem auen- turado, capitam mór, & gouernador das Índias: Efte fomenos voffo feruidor, verdadeiro em amor, & em muitos feruiços, quomo de feruidor, mil faudações vos enuio: fabe que fam voffo feruidor, & quero voffo bem, lá vos mãdo Coje alacredim mahamed, pera que vos diga ho que lhe dixe acerca de noífa amizade, em lermos hús, & tendeo alsi por çerto, íem vos diífo elqueçerdes, fereueime fempre, qualquer couía, ou feruiço que •fli5t.ci.i.» de mim quiferdes, ou mo mandai dizer, &* eu ho farei, & me fareis niffo muita merçe : Nam vos Icreuo mais fenam que deos acreçente voffo ítado. Capitu, xii. De quomo Lopo Soarei partio de Goa com húa armada em bufea doutra que ho Soldam de Babilónia fa\ia tio mar Darabia. INDVZIDO ho Soldam de Babilónia dos mais dos Reis da índia, & lobre todos dos de Cambaia, & Calecut, que de nouo fezelfe outra armada contra* hos Portuguefes, prometendolhe grandes ajudas, elle (afsi por vingar ha injuria recebida no deítroço de Mirhoçem feu Capitam, quomo por íe reftetuir da perda que recebia, em ha nauegaçam da índia pera ho màr Darabia, por lhe fer impedida fazer) ha mandou em Suez *. i Et. I. por lhe ser impedida) ha mandou fazer em Suez. Emendado já nos «erros da impressão » desta quarta parte. TRELLADO DA CARTA QUE MIRABUCACA CAPITAM GÉRAL DO XEQUE ISMAEL SCREUEO A AFONSO DALBUQUERQUE
— 3o — Efta armada era de víte, & íete vellas, em q entrauam feis gales de vinte fette bãcos por banda, de tres remos por banco: noue íbtis, de vinteçinquo bancos per banda, de tres remos por banco, doze fuftas, de vinte atté vinte íete bancos por banda, cada húa de dous remos por banco: Na qual armada hauia íeteçentos Mamalucos, trezentos Turcos, •fl i5».d.a.* mil mouros dos Regnos de Tunez, & de Grada, lpingar*deiros, & bom- bardeiros, de que algús eram meftres de fundir artelharia, ha mais genie eram frecheiros, de lanças, & Ipadas, todos bem armados, entre hos quaes hauia mais de felenta chriftãos leuãtifcos: foubeíTe de çerto, q alé doutras muitas munições de guerra q iham nefta armada hauia çéto, & vinte tiros grofTos, & trezétos, & çinquoenta berços, tudo de bronco, afora outra artelharia de ferro, no aperceber da qual fe paliaram quatro annos, de que ho Soldam deu ha capitania ha Raix loleimão turco de naçam, homem muito pratico nas coufas do már, em que per muito tempo no mediterrâneo vfara ho officio de coílairo, & andara depois a foldo do gram turco, de cujo feruiço fe foi fogido pera ho Soldão de Babilónia. Com efta armada partio Raix foleimam do porto de Suez, em Oétubro, do Anno do Senhor de mil, & quinhentos, & quinze, & a quatro de nouembro chegou, com húa gallé menos que fe lhe perdeo, com toda ha gente, aho de Iudà, donde partio na fim do mefmo mes perá jlha de Ga- maram, leuando configo Mirhoçem, que se alli acolhera depois de ho vi- çerei dom Frãçifco dalmeida ho desbaratar, no qual meo tempo fez duas naos, & hum galeam com que fe foi em companhia de Raix foleimão, •fi. i6.ci. i.« pera naquella ilha de Gamaram fazerem húa fortaleza, quomo* ambos tinham por inftruções que lhes ho íoldam mandara: na qual fortaleza, hauia de ficar per capitam Mirhoçem, no que trabalhando quafi per ipaço de hum Anno foram fobre Adem, por el Rei ter mandado per agrauos, & defgoftos que tinha de Mirhoçem, que de feus Regnos lhe nam leuaf- lem nenhus mantimentos, & ha cidade foi delles combatida, & polta em aperto, cÕ tudo nam fezera' mais que deribarlhe hum laço de muro, & ganharé hum baluarte, mas em fim com perderem algúa gête, & nam poderem tomar ha cidade íe tornara i pera Gamaram, & dalli tendo jà feito boa parte da fortaleza fe foram a Iudà, onde per algúas differenças q houue entre eftes dous capitães, Mirhoçem foi morto manhofaméte per mandado de Raix folimam. Mas tornando a Lopo Soarez, porque leuaua cõmilfam exprefla, & mãdado delRei de ho mais cedo que pudeífe ir aho mar Darabia a deftroir efta armada do Soldam, de que antes q elle par- 1 Et. I. fezerã. * Et. I. tornará.
— 3i — tifle do Regno já tinha nouas per via de Rhodes: Quomo chegou a India começou de poer em obra efta viagem, pera a qual aperçebeo corenta, & tres velas de que eram capitães de quinze naos a fora ha fua: dom Aleixo de menefes, dom loam da Sylueira, dõ Aluaro da fylueira, dom «fl i6.d.í.« Diogo da Sylueira, Aluaro barreto, Antã* nogueira, Antonio rapofo, George de brito, Aires da fylua, dom Gonçallo Coutinho, Afonio Lopez da Cofta, Françifco de tauora, Gaípar da fylueira, Duarte de mello, & gonçalo da fylueira, & dez nauios capitães Pero ferreira, Antonio fer- reira fogaça, Fernam gomez de lemos, Triftam de gà, Lopo de villa lobos, Hieronymo de foufa, Pero lopez de fam paio, Françifco de gà, Fernam de relende, & Iam gomez cheira dinheiro, & quatorze galés, galeotas, & furtas capitães, dom Afonio de meneies, Lopo de Brito, irmão de George de Brito, Chriftouam de foufa, Iam de mello, dom Al- uaro de crafto, Dinis fernãdez de mello, gomez de Souto maior, loam dataide, Lourenço godinho, Baftiã rolz, Antonio dazeuedo, Antonio de mirãda dazeuedo, Lourenço de colme, & loam fernandez malabar, & hum bargantim capitam Garcia da cofta, irmão Dafonfo lopez da cofta, & hum carauellam em que iha por capitam, & piloto Pero váz deuera, & hum jungo de que era capitam Diogo pereira, em que iham quinhétos naires, delRei de Cochim: na qual frota haueria mil, & duzétos foldados Portuguefes, & mil malabares, com que Lopo foarez partio de Goa ahos oito dias de Feuereiro de mil, & quinhentos & dezafette, donde com *fi. 16 v.ci. i.* bom tépo tomou a ilha de Çocotora pera fazer augoada, da qual foi * ter a vifta de Adem hum domingo, & com reçeo que fteueífem alli hos Ru- mes, mandou lançar ancora a feis logoas da cidade, pera ter conielho fobello que faria, no qual fe affentou que comettefsé a frota dos Rumes ie hos alli achaífem, ho que afsi concluído, ordenou ho modo que cada capitão hauia de ter na peleja, mandando logo fazer vela pera ho porto, mas hos rumes eram já idos: Lopo foarez depois da frota íurta fez faluàr ha çidade cõ artelharia, aho que lhe nam refponderam, com tudo vieram logo em húa barquetta, tres mouros honrrados, hos quaes da parte do gouernador da çidade, per nome Mirhamiriam (que ho também era quando alli fora ter Afonfo dalbuquerque, & ho mefmo que ho entam defendera ahos rumes) lhe trouxeram has chaues delia oífereçendolhe feu ieruiço, & dos moradores quomo vaflállos delRei dõ Emanuel q dalli por diante qriã fer, has quaes Lopo foarez nam quis tomar, porque leuaua expreflo mandado delRei dom Emanuel que ainda que lhe entregaífem efta çidade com todalas claufulas, & firmeza de paz q nam tomafle delia ha poffe, pelo que refpondeo ahos meífageiros que dixeífem aho gouer- nador q por entam nam tinha tempo de íe affentarem cõ elle pazes, pola
32 «fi. 16». cL».* prelfa com que iha bufcar lios rumes, mas que com ajuda de Deos* da torna viagem viria fer feu hofpede, & has aflentariam, que por então não queria delle mais que mantimétos por feu dinheiro, & pilotos que ho guiaífem, onde quer que ha armada do loldam fteueffe: cõ eíte recado foi ho regedor, cõ todolos da cidade mui alegre, mandando fazer fogos, tirar artelharia, & poer bandeiras pelas torres, & ameas do muro cõ dàr licença que hos q da frota quilelfem ir folgar ha cidade ho fezeflem, & ahos da terra que lhes leuaffem mantimétos, & hos deffem pelos pre- ços acuftumados, dos quaes mandou hú grande prefente a Lopo foarez, & quatro pilotos, pera ire CÕ elle: no q le pafl'ou aqlla fomana, & aho do- mingo de lazaro fe fez a vela, mãdãdo diãte dõ Aluaro de crafto pera lhe tomar lingoa, & Diogo pereira, no jugo de q era capitã, cõ hos naires de Cochim, a Rubães, õde tomou húa nao de mouros, dos quaes íoube q ha frota do loldam Itaua no porto da cidade de Iudá, & que Raix lolei- mam ha mãdaua conçertar com tençam de outra vez vir íobre adem, & acabar hã fortaleza de Camaram, ho que feito detreminaua paliar à índia fazer guerra alios Portugueles: com ha qual noua Diogo pereira Iperou Lopo loares naqlle porto, por lho elle alsi ter mandado. •Fi.17.ei.!.* Ca. xiii. De quomo Lopo Joare\ chegou á cidade de luda,* & do que ahi fe\ at té fe partir pera ha Ilha de Camaram, onde Duarte Galuam faleçeo. ARTIDO ho Ivngo, & galeota cõ algús outros nauios peqnos q Lopo foarez mãdou diante a defcobrir ha coita, elle le fez ha vela cõ toda ha armada, aho qual, tédo paffadas has portas do ftreito, lobreueo de noite húa trométa cõ que todos ftiuerã a rifco de fe perderé, cõ tudo nã fcapou delia dõ Aluaro de crafto, pela muita roupa q meteo na lua galeota, de ties murruazes, nauios peqnos da terra, q tomou, lem efca- par pelfoa nenhúa, entre hos quaes morreo George galuã filho de Duarte galuã: paffada ha trométa leguio Lopo foarez lua viagé, cõ ho qual quíze ou vinte legoas, antes de chegar à çidade de luda vierão ter em húa gelua, dezoito chriltãos leuãtilcos hos mais delles venezeanos calaphates, & carpinteiros, q trabalhauã nas gales do foldã, q entã ftauã em luda, dõde vinhão fogidos cõ fete turcos q traziam configo, dos quaes foube has nouas verdadeiras de quãtas velas, géte, & munições de guerra hauia na frota, & ha caufa porq Raix foleimã mãdara mattar Mirhoçé, q foi por ter certas informações de quomo elle lhe tinha ordenada ha morte cõ peçonha, & alsi lhe diíferã q ha frota ftaua varada é terra, & ha çidade •Fi.17.ci.».• cõ muito pouca gente, q ha todo* poderia hauer nella quinhentos folda-
— 33 — « dos: iabidas eitas nouas detreminou Lopo foarez de ir queimar eítg armada, mandando logo fazer rofto á cidade, mas antes que la chegalfe lhe deu outro téporal com que ha nao Dantonio rapoío íe foi alio fundo, fem delia lcapar coula viua em que morreram mais de trezétos Mala- bares : Chegada ha frota aho porto de Iuda por na entrada hauer muitos baixos, foi neçeíTario furgir húa legoa da cidade, ha qual eftá fituada na coita da Arabia em terra tam eíterile, que ha agoa, & mãti- mentos lhe vem de carreto, ha cauia de fe pouóar alli, foi por delia à cafa de Meca nam hauer fenam húa jornada, pelo que vem delembarcar aquelle porto hos mais dos romeiros que vam a cfta cafa em que tem grande deuaçam, alsi por ítar quaíi no meo da coita deite mar Dara- bia, lugar muito conueniente pera ha defcarga das fpeçiarias, & outras mercadorias que vem da India, que hos de Alexandria^ & do Cairo, & outras prouinçias alli vem buicar per terra, & per mar, a troco doutras que trazem, poíto que ho porto íeja tam ítreito, perigoio, & cheo de muitos baixos, penedos, & reítmgas, que de baixa már todalas entradas ficam defcubertas, excepto hum íó canal per que fe ha çidade ferue, que com maré vazia tem muito pouco fundo: ha çidade era entã* fraca de muros, & hos que tinha mandara fazer Mirhoçem, no tempo que alli íteue, depois de ho dom Françifco dalmeida deíbaratar: Com tudo poíto que ha çerca foíTe tal, ha çidade era bem edificada de cafas fobradadas, em que hauia algúas de pedra, & cal, & cantaria muito cuitofas, feria entam aho mais de mil, & duzentos vizinhos, hos mais delles mercadores, algús muito riquos, pelo grande tratto que nella hauia. Surta ha frota por ítar em lugar delcuberto, dos muros, & repairos que mandara fazer Raix foleimão na praia, ha varejauam cÕ pelouros de bombardas groffas, de que reçebiam algum damno, com tudo Lopo íoarez mandou a dom Afonfo de menefes, & a Denis Fernandez de melo que foffem fondar ho canal, atté ho lurgidouro, & acharam que poíto que has gales podeffem entrar, que ho canal jazia de forte que hauiam fempre de ficar cõ ho coitado no rofto da artelharia dos imigos, fem fe poderem ajudar da fua, fobelo que houue coníelho, em que affentaram que ha çidade fenam cometefie fem primeiro encrauarem ha Artelharia que ftaua na praia, & que pera le iíto poder fazer com menos fofpeita deuiã de mandar poer fogo aho galeam, & duas náos q foram de Mirhoçem, que alli ltauam •fi.i7t.ci.a.» ancoradas, & que em quanto ho fogo andaífe nellas fe poderiam* en- crauar has bombardas, ie hos imigos por acodir aho fogo defcuidaífem delias: mas iíto nam focçedeo á vontade, porque ainda que ho galeam, & naos ardeífem, atté has cubertas, nem por iíTo fefqueçeram hos turcos da artelharia, pelo q dous criítãos dos que fogiram de Iuda, a quem fe ho VOL. IV
- 34 - « negoçio encomendou, ho nam poderam fazer, com irem a iflo desafiados pelas grandes promeffas que lhe Lopo íoarez fez: de maneira que ha openiam dos mais foi que ha cidade fenam deuia de cometter, pois a frota lá nã podia chegar, fern fe poer a riico de ás bombardadas ha metterem hos imigos no fundo, ho que aífentado Lopo foarez detreminou de fe partir, mas por ho vento fer contrairo fteue alli algús dias, cÕ em todos elles hos imigos lhe fazerem damno com hos pelouros das bom- bardas que lançauam na' írota, de que hauia algús de ferro coado, que peíauam fetenta aratés, no qual tempo Raix ioleimão lhe mãdou húa carta ícripta em Caítelhano, aqueixandoíle, quomo per graça, que íeipan- taua de nam ir fer leu hofpede, pois ho ftaua lperando, pera ho feftejar, aho que lhe Lopo foarez reípondeo per fcripto, que fe ha frota que elle alli tinha do Soldão fteuera em parte que ha elle poderá abalroar, que aquella amizade, & bom gafalhado com que ho ftaua lperando em terra, •fi. 18.cl. i.* elle* lha pagara em dobro no már, & que fe delle queria algúa coula que ho acharia na Ilha de Camaram, pera onde le partio dous ou tres dias depois deites recados, hauendo onze que alli viera ter, à qual Ilha chegou no mes de maio, com lhe morrer muita gente à fede, & na mefma Ilha outra tanta á fome, por ha achar defpouoada & da terra firme lhe nam acodirem mantimentos, pelo que mãdou Françiíco de gá, & Lou- renço de coime à coita de Ethiopia buícallos, & algúas velas que lhe faltauam da frota, & afsi pera deícobrirem ho porto de Maçua, & Arquiquo, onde hauia de lançar hos que iham com ho embaixador do Emperador, & Rei do Abexi, cujos aquelles portos fam, no que, & em mandar desfazer ha fortaleza, que na Ilha começaram Raiz íoleimam, & Mirhoçem, paffou hos dias que alli fteue, donde fe partio na entrada do mes de Iulho, deixando enterrado Duarte galuã na mefma ilha, onde faleçeo ha noue de Iunho deite Anno de M.D.xvij, mais de velhiçe, que doutra doença, por fer homem de muitos dias, nos quaes todos, depois que pera iffo teue idade, fez muitos, & muim afsinados ieruiços ahos Reis deites Regnos, nelles, & fora delles: no qual feruiço, & de Deos fi. 18. ci. j.' acabou ho proçeflo de fua vida quomo bom, & catholico chriftão. *
— 35 — Capitu, xiiii. De quomo Lopo soare\ por lhe morrer muita gente per falta de mantimêtos, hos foi bufcar ha cidade de Zeila, & ha queimou, por hos moradores delia ho receberem de guerra, indo hos elle bufcar de pa\, & de como per cafo dos mefmos mantimêtos detreminou de ir á çidade de Barbora, & por lhe ho vento feruirfe foi na volta de Ormu\, donde fe foi perá índia. HA çidade de Zeilla efta fituada na coita da Ethiopia, junto das portas do ftreito Darabia, da banda de fora, has mais das cafas fam de pedra, & cal, & cantaria fobradadas, ha gente da terra he preta, com tudo na çidade ha algús baços, & aluos, que procedem dos mercadores eítrãgeiros que alli ficam, & fe calam na çidade, ou trazem fuas molheres de fora: he de grade tratto, por fer muito abundãte de mantimêtos, criações, mel, & ençenfo, de que ha muito na terra, á qual Lopo loarez conftrangido da grade fome que hos da armada padeçiam, detreminou de hos ir bulcar, pelo que fe fez á vela, & foi ter a efta çidade de Zeilla com aífaz trabalho, & mais de vagar do que cuidaua, por lhe ho tempo •ki.i8t.cLi.* nam leruir, de cuja vinda lendo hos da çidade auifados, ha defpejarão* de molheres, & outra gente fraca com os mouês que poderam leuar, & hos que fe atreueram a defendella fe poferam em fom de ho fazer, dado diífo moftras pela praia, ho que vendo Lopo foarez com parecer dos capitães, & homês nobres da frota, mandou delembarcar ha gente, mas nem por iffo deixauam hos da çidade de zombar dos noífos, remocan- dolhes que fe em Iudá foram bê holpedados que alli ho feriam melhor: Hos primeiros que defembarcaram foram dom Garcia coutinho, & dom loam da fylueira, que leuauam ha vanguarda, ho que Lopo foarez fez com ha mais gente tam tarde, que não podendo hos noífos fofrer has rebollarias, & algazaras que hos mouros faziam, Gafpar da fylua, Aries da lylua, & Antonio ferreira fogaça com ha outra gente que já ftaua em terra remetteram a elles, a quem hos mouros fairam das bocas das ruas com muito esforço, contudo apertados da noífa gente, fe come- çaram a recolher pêra dentro, & dahi conftrangidos, com ficarem muitos mortos, vararam perá outra banda do fertam, fem na çidade ficar pelfoa nenhúa, ho que feito, Symam dandrade que era nefla cõpanhia mãdou dizer a Lopo loarez q podia entrar na çidade, q já lha tinhão delpejada, •fli8t.c1.a.* do que fe têdo por afrontado, por lenam achar no feito, tomou mal* ho recado, & teue fobrelle depois màs palauras com Symão dandrade: Ganhada afsi ha çidade mandou Lopo foarez recolher algús mantimêtos, de que hauia muitos, do que le elle depois bê arrependeo por nam tomar
— 36 — mais, & ahos que ficaram, & a mefma cidade mãdou poer ho fogo, que laurou quatro dias, antes de ie acabarem de queimar todalas cafas, & fermoías mexquitas, com outros edifícios que nella hauia, fem ficar nenhum: Aqui fe achou preio hum loam fernandez natural de Leça, comitre do bargantim, de que era capitam Gregorio da quadra que fe perdeo darmada de Duarte de Lemos, quomo fica jà appontado, & fe aho diãte ainda dira. Depois da çidade ler de todo abralada, Lopo foarez íe fez à vela caminho de Adem, onde Miramirjam capitam delia, labendo que vinha deftroçado do caminho, & muito falto de agoa, & mantimétos, ho nam quis recolher, nem dar vento a feus recados, mas antes cõ muito pejo lhe mandou dár algúa agoa, & mantimentos por feu dinheiro, & iíto em tam pouca cantidade q nam abaítaua pera a terça parte da gente que hauia na armada, pelo que determinou de hos ir buícar a çidade de Barbora, que he na cofta da Ethiopia vinte legoas da de Zeila contra lio •fi. 19.ci. 1.» cabo de guardafum, pera onde, depois deitar furto doze dias no porto* Dadem, le fez a vela, & porque depois dandar algús dias neíte caminho bem enfadado com calmarias, lhe começou a ventar vento que ieruia mais pera à coita da Arabia que da Ethiopia, fe foi rota abatida caminho de Ormuz, feguindoho hos capitães que ho poderam fazer, onde chegou com perda de muita gente, lem desbaratar ha armada do Solda, nem tomar judá, nem Adem, nem porto na coita do 1 Ethiopia, em q podeífe lançar Mattheus, ho embaixador da* Emperador, & Rei do Abexi, com hos que com elle iham. De Calaiate, que foi ho primeiro porto que tomou da coita da Arabia antes de chegar ha Ormuz, defpachou dom Aleixo de menefes pera ha India a prouer no defpacho das naos que hauiã de ir pera ho Regno, & Lopo de Villalobos natural Deítremoz, por capitam, & Pero vaz de Vera3 por piloto do bargantim que fora de Lourenço de cofme, que hos mouros mattaram na ilha de Dalaca, pera rota abatida leuaré has nouas do fuçeífo deita viagê a elRei dom Ema- nuel, ho qttal bargantim chegou a Lisboa, onde elRei entam ítaua, com grande efpanto de todos, por íer I10 primeiro nauio daquella calidade que atté aquelle tempo viera da India a eíte1 Regnos. Lopo íoarez depois de ter alTentadas has coufas que copriã à çidade de Ormuz, & fortaleza, •Fi-jig-íd.2 com has velas que* fe alli ajuntaram da fua frota fe foi caminho da índia ode achou Antonio de faldanha, que neíte Anno de M.D.xvij partira i Et. I. da. * Et. I. do. 3 Fl. 16 v. cl. 1.*: deuera. 4 Et. I. eftes.
— 37 — ) de Portugal, por capitã de çinquo naos, de que hos outros capitães eram dom Triltão de meneies, Emanuel de laçerda, Pero coreíma, & Raphael catanho, & afsi achou Fernã dalcaçoua, prouedor mór dos cotos delRei, que partira depois de Antonio de faldanha por capitam de tres naos, húa delRei em que elle iha, & outra de Duarte Triítam hum mercador hõrrado de Lisboa, de que era capitam Afonfo anrriquez de lepulueda que inuernou no Brafil, & outra de dom Nuno Emanuel guarda mór delRei, hos quaes capitães ambos le ajuntaram, dobrando ho cabo de boa Sperãça, & chegaram a Goa ahos xvij de Septembro deite Anno, em companhia de dom Aleixo de meneies, que lencontrou com elles no caminho, vindo de Ormuz, com a uinda dos quaes pelou muito a Lopo ioarez, porque Antonio de laldanha vinha prouido da capitania da coita do mar Darabia q elle tinha dada a dom Aleixo de meneies, & Fernã dalcaçoua de veador da fazéda delRei, iffento do feu mando: Depois de Lopo loarez fer na índia chegarã algús nauios dos da lua armada q fica- rão fpalhados, cõ hús jré ter a Melinde, & outros a Moçãbique, & ha •Fi.i9T.ci.!.* outros portos em que paliará* muitos trabalhos, & lhes morreo muita gente, entre hos quaes foi hum de que fora capitam dõ Aluaro da fylueira, q foi ter a hú lugar da banda da Ethiopia, dentro do eltreito, onde ho Hieronymo doliueira filho Dantão doliueira mattou a treiçam, no q teue por companheiro hú Mendanfonfo, criado de dõ Diogo íobo, baram daluito, ha caufa porq ho mattaram, foi dizer Hieronymo doliueira, ( q ho injuriara indo na fua nao debaixo da lua bandeira: deites dous homiçidas pagou logo Mendafonfo, porq hum caualleiro esforçado, q iha nelta nao, per nome loam rolz pao ho mattou has punhaladas, & prendeo Hieronymo doliueira. ho qual trouxeram prefo ha Ormuz dõde ho leuaram a índia, & Iam roTz pao fe perdeo na nao de Françifco de gá, indo pera Calajate: & quanto a hieronymo doliueira Lopo foarez ho nam quis fentençear, per ho defunfto dom Aluaro fer leu fobrinho: mas depois lendo Diogo lopez de fequeira gouernador ho degolaram per fentença. Eíta foi ha derradeira execuçam dos q morrerã nelta infortunada viagé, com tudo a defpela fe não pôde ter por mal feita, porque fe eíta armada nam fora ter aho eltreito da Arabia, Raix foleimão paífara à India, do que fe poderão mouer negoçios, que por vétura cuítara muito mais •Ki. 19v. ci.».« dinheiro, & géte, do que fe nella defpédeo, & gaitou.'*
I — 38 — Cap. xv. Do que Heãor roi\ passov em cop I am, onde ho Lopo foareq tinha mãdado, pera fa\er hiía fortaleza, & receber ho que elRei era obrigado pagar, fegundo forma dos conttrattos que fe com ha Rainha fua mat, fe\eram. QVOMO no capitulo fegundo delta quarta parte fica dito, Lopo foarez mãdou de Cochim embaixadores ha Rainha de Coulam, pera ccf ella aflentaré has pazes, que fe quebraram por refpeito da morte Dantonio de Sá, & outros Portugueles, & porq lhe elRei dom Emanuel tinha encomédado q fizeífe alli húa fortaleza, tomou achaque de mandar requerer ha rainha q compriífe has capitulações das pazes, aho q antes que partiíle pera ho mar Darabia, mãdou hú muito esforçado caualleiro de Coimbra, per nome Heftor rolz, ho qz/al chegou a Coulam ho primeiro dia de Feuereiro deite Anno de M.D.xvij, onde negoçiou tudo de maneira, que alé de lhe ha Rainha mandar coprir ho contheudo nos contrattos, lhe deu liçeça pera fazer húa cafa forte, em qualquer parte da cidade que , quileffe, pera hos Portugueles ítarem nella íeguros dos da terra, ha qz/al logo começou a tiro de pedra do màr, com alicerces fundados pera fe ti.ío.cl.i.* fobrelles poderé edi*ficar torres, & paredes, a modo de fortaleza: ho que vedo hos mouros que morauam na çidade detreminaram de impedir eíta obra per via dos gouernadores da çidade, & dos do confelho delRei, mas ha Rainha ficou íempre firme em leu prepofito, pello que He&or rolz procedia na obra cõ muita diligençia, no que continuado, depois da Rainha fer partida pera ha guerra que tinha cõ elRei de Trauancor feu vizinho, hos mouros, que veuiam na çidade, & algús outros eítrangeiros q alli trattauã, vendo ha perda que lhes de tal obra podia refultar, induziram hos gentios, dizédolhes que fe Jeixaffem fazer aquella cala, que per tempo ha hauiam hos Portuguefes de conuerter em fortaleza, quomo o fezerã em outros muitos lugares, de que fe tinham alenhoreado, & lhe tomaria luas fazendas, bés, & molheres, porque alsi ho tinham por cuítume, ho que imprimio tanto nelles, que juntamente com hos mouros começauam de trattar mal hos Portuguefes, dizédolhes palauras • injuriofas, dando finaes de quereré cõ elles trauar briga, aho q nam acodiã, defemulãdo cõ elles, por lho Heftor rolz afsi ter mãdado, & porq iíto creçia cada dia mais, mãdou q nenhú andaffe pela çidade, prouêdofTe por via dalgús feus amigos gétios das coufas neçeífarias pera ho •Fi. ao. cl. *.* inuerno, temendo que entã ho comettelfem* hos mouros, ho que labendo hos gouernadores da çidade por lho afsi ter mandado ha Rainha, lhe offereçeram toda ha ajuda, & fauor que lhe foffe neçeífario, & afsi ho
/ 3g fezeram em tudo ho que lhes per elle foi requerido, a qual rainha, durando ainda eftes negoçios, chegou da guerra a que fora, com cuja vinda çeílaram eftes reboliços, & ficaram hos Portugueles (eguros, pro- çedendo na obra que tinham começada, a qual depois faiho em fortaleza, quomo ho hos mouros deziam. Capitu, xvi. De quomo dom Goterre depois da partida de Lopo Joare\ mãdou dom Fernando feu irmão darmada ás Ilhas de Maldiua, & feu fobrinho dom Iodo coiTer ha cofta atté Chaul, & do que lhes aconteçeo. ART1DO Lopo foarez pera ho màr da Arabia, dom Goterre de MÕrroi, capitam de Goa, por lho elle afsi deixar encomédado, deípachou dom Fernãdo de mõrroi feu irmão, pera has Ilhas de Maldiua em buíca das naos, que apartadas da cofta da India, nauegauam do már Darabia, & outras partes pera ha Ilha de Samatra bufcar Ipeçiarias, & outras mercadorias que ha na terra, & vem de fora: Na qual viagem, •fi.iot.cI. I.* dõ* Fernando, & loam Gonçaluez de caftelbranco, que iha em fua com- panhia com húa galle, tomaram duas naos de Cambaia, muito riquas, que vinham de Samatra, de que era Capitão, & fenhorio hú mouro, per nome Cogequi, com has quaes entraram no porto de Goa. No mefmo tépo que dom Goterre deípachou do Fernando feu irmão pera has Ilhas de Maldiua, mandou também dom loam de monrroi íeu fobrinho correr ha cofta atté Chaul, com çinquo velas de que afora elle eram capitães Anrrique de touro natural de Euora, Domingos de feixas, Paulo çerueira, & Pero george, hos quaes andaram la quafi todo ho veram fem fazerem mais que tomarem no rio de Maim húa nao que vinha do már Darabia, da qual ha gente fe faluou em terra com ho que pode leuar, ho demais tomaram hos Portuguefes, dalli ie fez a vela pera Chaul, apos quem ho capitão da fortaleza de Maim, per nome xequegi, mandou dez fuftas tãto por íe vingar da injuria que lhe fezeram em lhe esbombardearé ha forta- leza, quomo por refpeito da nao que a fua vifta, & dentro no feu porto tomaram, has quaes trauaram com dom loam, & fe feruiram de húa, & da outra parte has bombardadas, fem íe poderem aferrar, atté que hos ■fi. to t.ci.*.• imigos houueram por íeu barato fazerem volta pera donde vierã, * pelo que dom loam feguio fua viagem atté chegar a Chaul, onde veo ter com elle hum Aluaro da madureira, cafado em Goa, q íe lançara com hos mouros, por ter morto hum Lourenço prego português, almoxarife da çidade, aho qual dom loam deu feguro pera ho leuar coníigo a Goa, & lhe hauer perdam de Lopo foarez, & por vir mal trattado lhe tiraram ♦ t i
— 40 — antre todos obra de duzétos pardaos que elle reçebeo, & fob ípeçia de dizer que iha a terra comprar vertidos, nam tornou mais, ho que vendo dom loam fe partio caminho de Goa, a quê na boca do rio de Chaul lairam quinze fuflas de Meiequiaz capitam de Dio, que hauia dias que he andauam a geito, mas elle le desfez delias com abalrroar húa que leuou configo, de que todollos mouros fe lançaram aho màr, & tornando a Aluaro da madureira no mefmo dia que fe lhe fez ha eímolla, em lugar de ir mercar hos vertidos a terra, fe foi a Dabul dàr auifo a Mirhal milique capitão do Çabaim dalcam, da pequena armada que trazia dom loam de monrroi, & que fe quifeffe tomallo cõ hos mais nauios que trazia, que elle lho afleguraua, aho que mandou loguo fete furtas que ho foíTem aguardar na boca do rio de Chaul, em que iha ho mefmo Aluaro da madureira, mas ellas ho acharam jà fobelo porto de Dabul •Ki. a*. de quem hauen*do vifta le começaram de recolher pera dentro, fero dom loam poder fazer mais que leguillas has bombardadas, íem poder tomar nenhúa, ho que feito feguio leu caminho pera Goa, onde achou do Fernando de morroi q jà era tornado da viagem que fezera has Ilhas de Maldiua. Capitu, xvii. De quomo fe a^ov ha morte de loam machado, per cafo de diferenças que houue entre dõ Goterre de monrroi Capitão de Goa, & Anco/Iam Capitão das terras de Ponda. /\ FONSO dalbvquerque defno tépo que tomou ha cidade de Goa atté 1 Y que morreo, trabalhou muito por cafar nella todolos Portugueles que pode, entre hos quaes foi Fernã caldeira leu page, homem de boa carta, que elRei dom Emanuel mandou vir emprazado a elte Regno, por más informações que delle tinha, põdolhe que vlaua officio de coflairo roubando nauios de mouros & malabares, fem diferença de Verem amigos, ou imigos, do que elle deu de fim tam boa rezam que elRei lhe fez merce] & ho tornou ha mãdar folto perà índia, na armada de Lopo foarez na -m.íi.ci.t.' nao de que era capitam dom Goterre de monrroi, com ho qual* houue palaufas, tam lcandalofas, que em chegado a Moçambique fretou hum nauio, & fe foi caminho da índia, onde em chegando a Goa ha primeira coufa que fez foi dàr húa cutillada pelo rofto, & decepar húa perna a Anrrique de touro, de que atraz fiz mençã, pelo qual cafo, & reçeo que tinha de dom Goterre ho trattar mal em Goa, donde iha prouido de ca- pitam, & lhe morrer Afonfo dalbuquerque, que ho criara, a cujo abrigo fe poderá acolher, detreminou de le ir pera Ponda, que he duas legoas de Goa, onde ftaua por capitã do Çabaim dalcam Ancoftam, leuando
— 4i — configo ho milhor de lua fazenda, pelo que, & por Ancoitam faber que era bom cauaHeiro, aftuto, & deligente nas coufas da guerra, lhe fez bom gaíalhado, ho que dom Goterre fofria mal, a húa pelas palauras que com elle paliara na viagem, & ha outra pelo feriméto Danrrique de touro, & a terçeira fe dixe que era por ter algú geito ha molher defte Fernam cal- deira, pelas quaes rezões por le vingar, & lhe ficar melhor azo pera feus amores, mandou per muitas vezes recados a Ancoítam appotandolhe hos erros de Fernam caldeira, pedindolhe que lho entregaíTe, pera delle man- dar fazer juftiça, do que Ancoítam le efcufou lempre pelas melhores •H.aiT.ei.1.' palabras, & modos que pode: Finalmente mouido dom Goterre da* má vontade que tinha a Fernam caldeira, & da boa que tinha a lua molher, detreminou de ho mandar mattar, de que deu ho cargo a hum loam gomez fcriuã da feitoria de Goa, homem esforçado, ho qual fingindo que iha defauindo de dom goterre fe lançou em Ponda, onde por fer ha peffoa que era, & delle Fernam caldeira ter conhecimento, ho recolheo em fua cafa, dandolhe tudo ho que lhe era neçeíTario, per cujo refpeito lhe fez Ancoítam boa companhia, ho qual indo hú dia folgar fora da villa a cauallo hos leuou ambos configuo, indo loam gomez em hum cauallo de Fernam caldeira, fobelo qual andando ambos palTeando apartados da companhia, ho mattou a viíta de Ancoítam, que logo mãdou tras elle, & lho trouxeram prefo, & nam podendo fofrer húa tamanha treiçam comet- tida diãte delle, de que le tinha por injuriado, fem ter paciência pera ha execuçam de hum tal cafo ie fazer per via ordinária, elle mefmo por lua mão cortou logo ha cabeça a Iam gomez, do que dom goterre ficou muim fentido, & reíuluto em per qualquer modo que podeífe tomar vingança, de Ancoítam, & pera ho fazer mais diffimuladamente ordenou em dia de pétecoíte jogos, & canas a que le ajuntou toda ha gente de cauallo q foauia •fi. ai v. ci.a.* na cidade, & ilha, dos quaes no mefmo dia acaba*dos hos jogos, tomou oitenta, & feis centos piaes, Canaris da terra, & íetenta beíteiros, & fpin- gardeiros Portugueies com que fe foi de Goa a Benaltarim, & lendo já noite dixe ahos que com elle ihã que em amanhecendo hauiam de dàr em Ponda, pera lhe trazerem prefo Ancoítam, ou ho mattarem, do que algús começaram a murmurar, vendo ho perigo q hauia no negocio, & ha boa cauía que Ancoítam teuera pera mattar Iam gomez, contudo por lhes dizer que compria afsi a feruiço delRei, fe defpoferam todos a fazer ho que lhes mandaua, paffando ho rio de Benaítarim em almadias, & hos cauallos a nado, onde dó Goterre ficou em guarda das almadias, indo por capitã da gente de cauallo dom Fernando de monrroi, & de pé Iam ma- chado alcaide mór da çidade, que chegou a Ponda primeiro, que dó Fer- nando, & ioube de dous piaes da terra que tomou, de quomo Ancoítam VOL. IV g
— 42 — Itaua bem defcuidado de irem fobrelle, pelo que dixe a dom Fernando que ho deixaffe ir com a gente de pé, por euitar ho ftrondo da de cauallo, que poderia fer caula de hos fentirem, que elle lhe traria Ancoftã morto, ou viuo antes que amanheceffe: mas dom Fernando pareçendolhe que ficaua nilTo abatido ho nam quis fazer, no que le deteueram tanto que era •fi.ii. ci.i.* jà dia claro, pelo que foram fentidos, &* Ancoftam auiíado, que fe logo pos com fua gente da outra banda do rio, pera dalli ver ho termo que hos noffos tomauão, hos qwaes foi faido entraram no lugar de Ponda fem nelle acharem peífoa viua, contudo, algús paffaram ha ponte detreminados de cometterem Ancoftam: mas vendo dom Fernãdo que jà nam podia fazer nada do a que viera, mãdou dizer a loam machado que iha na diã- teira que fezeffe volta, & le recolheffe, porq elle fazia ho mefmo, loam machado íe paflou loguo com toda ha gente de pé adiãte, pelo alsi orde- nar dom Fernando que ficou na trafeita com ha géte de cauallo, ho que vendo Ancoftam deu com ha fua em dom Fernando, com tanto Ímpeto que hos de cauallo fe começaram de defordenar de maneira, que foram, desbaratados, & mortos muitos delles, no qual desbarato hos noffos de cauallo q iham fogindo deram nos de pé, & fembaraçaram antrelles de maneira que lhe fezeram perder ha ordenança: Ancoftam quomo era bÕ caualleiro vendo ha noffa gente reuolta, húa com ha outra, & chea de medo, foubeíle ajudar do têpo, mandando ahos feus que tomaffem húas barreiras eftreitas, perque forçadamente hauiam de paffar, onde de todo acabou dalcançar ha victoria de que eftaua bê defcuidado poucas horas «fi. n. d. a.* hauia, em que morreram (de pé, .&* de cauallo, dos Portugueíes) çin- quoenta, & foram captiuos vintafete, & dos canarís morrerá mais de çéto: nefte derradeiro recõtro, mattarã loam machado, ho qual fe defen- deo quomo muim esforçado caualleiro, tomado por melhor partido ha morte cõ honrra, que não ha cruel, & habatida que íe lhe hauia de feguir fe caira em mãos dos imigos. Has peffoas de qualidade que aqui mat- taram de que pude faber ho nome afora loam machado, foram George de magalhães, & loam rolz peífoa. Defta viótoria auifou logo Ancoftam ho Çabaim dalcam, pelo que fcreueo a Çufalarim, que nefte tempo ftaua em Bilgam, que he pouco mais de quatorze legoas de Goa, que com toda ha gente que entam tinha junta que ferião çinquo mil de cauallo, & vinte çinquo mil de pé, vieffe fobella çidade de Goa, & trabalhaffe pola ganhar, ho que mandaua fazer, por lhe hos Portuguefes teré quebrado hos con- trattos das pazes, com ho qual recado Çufalarim fe veo a Ilha de Goa, onde fez muitos males, roubos, ftragos, & de feito tomara ha çidade, ou a pufera em muito aperto, fe nefte tempo, antes do mes de Septébro Iam da Sylueira nam viera de Quiloa (onde inuemara) com quatroçentos
- 43 - homes que trazia, aísi dos da lua nao, quomo da q le faluou da de brã- •fi.33y.ci. i." çiico de fouía mançias, & nam viera de Cochim* Raphael perellrello^com hú Bargantim, & outros nauios que entam chegara da China, a que por vir rico feguia hum bom quinhão de foldados, a que daua de comer, com ha vinda dos quaes defefperado ho Çabaim dalcam de poder cobrar ha Ilha, & cidade de Goa mandou cometter pazes a dom Goterre has quaes fe coçertaram refpeitiuamente, atte ha tornada de Lopo íoarez, no que elle confentio de boa võtade depois que chegou a Goa. Eftes males todos caufou ha deloneftidade de húa molher, porque peramor delia ferio, & deçepou feu marido Fernão caldeira Anrrique de touro, & por feu refpeito mãdou dõ Goterre mattar ho mefmo Fernam caldeira, cuja morte foi cauía da de Iam gomez, dõde fe azou a de Iam machado, & doutros muitos, & poerfTe a Ilha de Goa com ha cidade em riíquo de le perderem fe nam fora ha vinda de loam da fylueira, & locorro de Raphael pereftrello, porque fe eftes nam chegaram a tempo tão neçeffario, ló Deos hos pudera laluar do poder dos imigos. Feitas eftas pazes dahi a poucos dias chegou a Goa dom Aleixo de meneies que vinha de Ormuz, & cõ elle Antonio de faldanha, & Fernam dalcaçoua que achou no caminho hos quaes (quomo fica appontado) vinham de Portugal, com cuja vinda fe acabaram de todo «fi.33y.ci.3.» de concluir has pazes, & fe* fezeram de húa, & da outra parte hos con- trattos delia, quomo a tal negoçio conuinha. Capitu, xviii. De quomo elRei qvis ver per experiência ho que hos fcri- ptores antigos fcreuem do odio natural que ha antre hos Elephantes, & hos Rhinoçerotas, per a ho que mandou em Lifboa metter e/tas duas efpantofas alimarias em hum terreiro çerrado, & do que cada húa delias fe\. ACOSTVMAVAM hos Romãos, por grandeza, em lugares que pera ilfo tinham, lançarem homés condenados a morte pera le mat- tarem hús ahos outros, ou com alimarias brauas, & has mefmas alimarias entre fim, ahos quaes fpeélaculos concorrião todolos que hos queriam ver, & hos tinham elles em tanto, que em fuas hiftorias ho contam quomo por coufa muito digna de memoria, pelo que não feria rezão que paffaffe eu nefta Chronica por hum femelhante a eftes dos Romãos, que elRei dom Emanuel quis que fe fezefle na çidade de Lisboa de hum Elephante, & hú Rhinoçerota, duas brauilsimas, & efpãtolas alimarias, das quaes ♦Fi.33.ci.i.« ambas direi primeiro ha propriedade, pera que hos que ifto lerem* eftem mais atentos fabendo ha força, & poder de cada húa delias, & ho odio que natureza antrelles pos, & porque ho Elephante antre todalas alimarias he
— 44 — ha que mais juizo natural tem, trattarei delles primeiro, & deipois dos Rhinoçerotas. Dos Elephantes fefcreue que fe viram algús que fabiã ler has letras gregas, & ícreuer, ho que meu não poderá perfuadir, lenam foubeffe por coufa muim çerta, que fiando Diogo pereira, home nobre, & digno de fé na corte delRei de Naríinga, na çidade de Bilnaga, que mandara elRei trazer aho terreiro dos feus paços hú Elephante, & q per antre elle ícreuera no chão com ha ponta da tromba letras que le podião ler, ho que acabado lhe mandou ho que ho regia que dixefle ho que comera, aho que reípondeo em voz clara que fe entendeo de todos q comera Arroz, & Bethele. Plinio, & outros fcriptores dizem que na lúa noua fe vem das montanhas em tropes ahos campos, & terras chãs, & que alli fe lauã nas ribeiras, & depois de lauados poftos hos geolhos no chão adoram ho foi, & ha lúa, ho que feito le tornam pera onde vieram. Diz mais Plinio que hos majores, & mais entendidos fam hos da índia: viuem fegundo comum opinião trezentos annos: começam de fer robuítos, •Fi.i3.ct.».» & animoíos dos letenta por diante. Diz Solino que quando hos que*rem embarcar pera hos leuarem de húa prouinçia perà outra, q ho não querem fazer fem lhe prometterem, & jurarem hos que hos leuam, que hos hão de tornar aquelle melmo porto donde partem, ho que he verdade porque eu fui prelente quando na çidade de Lisboa no caes da pedra embarcaram ho Elephante que elRei mandou aho Papa Leão decimo, quomo atras fica dito, ho qual le não quis nunca metter na barca pera ho leuarem à nao, atté que elRei mandou per duas vezes recedo 1 aho índio que ho regia, que de fua parte lhe dixeífe q fe embarcalíe, porque elle lhe prometia por 1'ua fé Real que ho mãdaua a outro mór fenhor que elle, de quem hauia de fer melhor tradado, & que fe ifto nam foiíe afsi, lhe prometia de ho mandar trazer aho mefmo lugar donde partia, do que fatisfeito deu dous vrros quomo por teílemuhnoi da promeíTa delRei, & cõ lhe correre has lagrimas pelos olhos fembarcou. Diz Plinio entre outras muitas coulas que tratta delias alimarias, na fua natural hiítoria, que fam tam amigos dos homés, & tão entendidos que le acham algús defuiados do caminho hos mettem nelle, & hos guiam tãto, quanto lhe parece fer neçelfario. Diz mais que querendo elRei Antiocho palfar ho vao de hum rio, mandou q •Kl »3 v.d. i.4 folfem primeiro hos Elephantes, ho que arreceou * fazer ho capitão delles, per nome Ajax, ho que fabendo fez pregoar que daua ha Capitania áquelle que primeiro paífaífe, ho que ouuindo hos Elephantes hum delles que fe chamaua Patrocolo le adiantou diante de todos, & paffou ho vao, pelo 1 Et. I. recado. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte. * Et. I. testemunho.
- 45 - que elRei ale de lhe dar ha capitania, mandou que lhe deffem todas has correas, loros, & çintas que ho outro trazia guarnecidas de prata, das qtzaes peças le elles honrrão muito: do que tomou ho Elephante Ajax tanta paixam, que nam quis mais comer, nem beber, & fe deixou morrer de nojo. Sam tam ligeiros no andar, que por muito que hú home ho íeja ho alcãção a poucos pafios: Viuem de fruitas, gomos, & folhas daruores, Iam tão fortes que eu lhes vi leuar muitas vezes arrodo hum malto de nao, & não dos mais pequenos, atado em hú calabrete reuolto na tromba, a qual lhes pende atté ho chão, & hos vi é Lisboa no tirar das naos em terra, & lançar aho mar, poer ha tefta no cabreftante, & fazer hum ió delles mais obra que húa grande foma de homes que niffo andauam tra- balhando. São tam prudentes que pera confirmar aqui ho que todolos Icriptores affirmão, direi de hum Elephãte que em Cochim feruia na for- taleza que elRei dom Emanuel alli tinha, & lhe dauam por iffo cada dia «fi.i3t.cI.3.* fua ração, ho qual Elephante depois de fazer ho feruiço que * era obrigado na fortaleza, le iha à praia à ganhar, & tudo que Ihélregauam leuaua per toda ha çidade ás cafas que lhe diziam, porque todalas ruas fabia, & alli lhe pagauam leu falairo, & tomando ho dinheiro cÕ ha tromba fe iha ás portas das padeiras, & fruéteiras comprar de comer, & aconteçeo que por hum português lhe nam querer pagar ho carreto de húa pipa de vinho excufandoífe que era da fortaleza, que por iffo ho hauia de feruir de graça, & porque ho Elephante, que le chamaua Martinho, fabia que nam era alsi, remeteo aho homem, & ho ençarrou na cafa em que mettera ha pipa de vinho, & por nam poder entrar por lhe terem fechada ha porta fez tanto com hos détes, & tromba atte que ha derrubou com hum lanço da parede, & por nam achar ho mercador que ho enganara tomou ha mefma pipa & ha lançou tam alta pera ho ar, que aho cair fe fez em pedaços: a efte melmo elephãte dixe ho índio q ho regia, q lãçaífe aho mar húa galé, que eftaua em eftaleiro, ho que então areçeou por andar doente, ho que fabendo ho capitam da fortaleza mandou pedir a elRei de Cochim que lhe empref- taffe hum dos feus Elephantes pera lhe lãçar aho mar aqlla galé, ho qual lhe mandou, mas em afomando, ho índio dixe aho Elephante da fortaleza •FL14. d. i.« que deuia de ter vergonha que hum Ele*phante criado de hum Rei tam pequeno quomo ho era elRei de Cochim em comparaçam delRei dom Ema- nuel, & leu vaílallo houueffe de lançar aquella galé, ho que ouuindo remetteo a ella com tanta força, que quomo le fora hum barco pequeno ha lançou no mar, mas quomo andaua fraco da doença rendeo polas coitas, de que depois fteue muitos dias em cura: do qual Elephante mar- tinho le contam tantas coufas, & tão notaueis, que feria fazer hum longo proçeflo fe has quileffe poer por ícripto. Contra ha ferocidade, fortaleza,
- 46 - prudência deltas alimarias, criou natureza outras com que continuamente tem guerra, das quaes húa he ha lerpente, ou cobra de que em Africa há algúas de trinta, & corenta couados de comprido, & dahi pera çima, & fegundo ho reçita Diodoro Siculo no íeu quarto liuro das coufas da .Ethiopia hai taes que Iam de cem couados, fegundo ho affirmão hos da terra: mas eile ho põe por fabulofo. Eftas cobras fam tam fagazes na guerra que tem cÕ hos Elephantes que pera le ajudarem delles à fua von- tade, hos 1'peram em lugares eftreitos quando tornam fartos dagoa dos rios, fontes, & lagoas a que vão beber, & ha primeira coufa que fazem ho mais de fubito que podem, he emburilharenfelhe pelos pés, & mãos atté lhe darem •fi. 14. ci. ».• nos olhos pera * lhe çegarem ha vifta, ho que feito começam de lhe chuchar ho langue: Ho Elephante tanto que fe ve tomado á treiçam, porque de rofto a rofto com hos dentes, & tromba fe defendem, & has mattam muitas vezes, vaiífe chegando ho milhor que pode pera qualquer aruore que acha pera nella apertar ha cobra, & ha mattar, por íe já não poder valer dos dentes que fam has armas prinçipaes que lhe ha natureza deu, no qual combate eftam atté que ho Elephante diftituido das forças vitaes (per calo do fangue que lhe faleçe) cae, leuando debaxo de fim ha ferpente fobre que fe rèuolue, ha qual vai tam inchada do fangue que bebeo, que arrebenta, & afsi morrem ambos, & do fangue que fae da cobra que íefpalha pelo chão, le colhe ho Çinnabaro, que algús lcriptores dizem que he ho fangue do Dragão, ha cor do qual he ha mais lemelhante à cor de fangue humano de quantas ahi há. Ha outra alimaria que natureza deu por imiga aho Elephante he ho Rhirioçerota, ou Ganda, quomo lhes chamam hos índios, à qual ha Scriptura íagrada no liuro dos Números Capítulos xxiij, xxiiij tribui tanta força, que entre outras palauras cõ que ho Propheta Balão benzeo hos filhos de Ifrael diz afsi, Deos trouxe efte pouo do Egipto, ha «F1.J4T.C1.I.» fortaleza do qt/al he femelhante à do Rhinoçerota, * & no liuro de Iob, capitulo quarenta, & noue diz Moules que reprehendédo Deos Iob de pouca fé, lhe perguntaua que fe defconfiado de leu poder, fe confiaua na grande força do Rhinoçerota. Diodoro ficulo, Plinio, & Solino dizem que em força he igual aho Elephante, & mais baxo de corpo, no que dizé verdade, mas ifto he por terem has pernas muito curtas, mas na grãdeza do corpo lhe he quafi igual, afsi na groflura, quomo de longo, & da mefma cor do Elephante, que he quomo de çinza mefturada com pó de caruão. Sam eftes Rhinoçerotas cubertos de conchas quomo de cagado, ou tarta- ruga, das quaes tem de cada banda tres, feparadas húas das outras, de que húas lhe cobre has elpadoas, & outras has coitas, & has outras has coxas das ancas pera baxo: Viuem quafi quomo porcos, porque fe lançam na lama, & em charcos, & lefpoião & enuoluem nella quomo ho elles
— 47 — fazem, andam com ha cabeça tão baixa que quafi pareçe que lhe anda ho foçinho araftando pelo chão, tem hos olhos quafi no cabo do foçinho, junto das vetas, entre hos quaes lhe lae hum corno que dizem ter grande virtude contra peçonha, de longura de palmo, & meo, de cor de vnha de çeruo, hum pouco reuolto pera cima, de groíTura de hum palmo em •fls4*.cI.s.« redondo, & na ponta agudo, tão duro quomo ferro, ho* qual legundo fefcreue efta alimaria aguça em pedras, quando há de pelejar com hos Elephantes, a que tem natural odio, no que tem tanta aítuçia que fempre hos comettem pela barriga, por naquella parte terem ha pelle mais fraca, mas íe ho Elephante fe pode guardar, que fe não metta ho Rhinoçerota antre has pernas, ho toma com ha tromba pelo pefcoço, & ho derruba, & com hos dentes ho fere tanto pelas partes da pelle que fica defcuberta das conchas, pifandoho também com hos pés, & mãos atte que ho matta. Deitas duas alimarias quis elRei dom Emanuel ver por experiençia ha força, & manhas que cada húa delias tinha em le defender, & cometter a outra, pera ho que nefte Anno de mil, & quinhentos, & dezaíette, no . mes de Feuereiro ordenou que has trouxeffem a hum circuito, ou pateo çercado de paredes altas com ameas que naquelle tépo eítaua diante da cafa da contraétaçam da índia, & guiné, das quaes ha primeira foi ho Rhinoçerota que afsi quomo entrou ho poferã detrás de hús pannos dar- mar que eítauam pendurados em hum paíadiço que iha da fala dei Rei perá da rainha, iíto porque ho Elephante ho não viffe aho entrar da porta, •fl*5. d. i.* & loguo dahi a hum pou*co entrou ho Elephante, nas coitas do qual hos homes da guarda delRei fecharam has portas do pateo. Ho que feito mandou elRei que aleuantaíTem hos pannos darmar, onde ho Rhinoçerota eítaua efcondido, ho qual poíto que eítiuefie ferropeado (porque afsi an- daua iempre) em vendo ho Elephante, fez hú geito pera ho índio que ho curaua, & trazia preío per húa cadea comprida, quomo em modo de lhe dizer que ho leixafie ir pera onde ho imigo eítaua, ho índio porque ha alimaria começaua jà de puxar, lhe alargou ha cadea, leuando com tudo ho cabo delia na mão, de maneira que com ho paifo mui feguro começou demcaminhar pera onde ho Elephante eítaua, leuando ho foçinho poíto no chão, afoprando pelas ventas com tanta força que fazia aleuantar ho pó, & palhas do chão quomo fe fora hum redemoinho de vento. Ho Ele- phante quando ho Rhinoçerota faiho eítaua ãca reuolta pera aquella parte, mas em ho vendo fe tornou em redondo contrelle, dando vrros, & fazendo geitos com ha tromba de querer pelejar, com tudo depois que ho Rhino- çerota chegou junto delle, querendo jà cometter pela barriga, pareçe que •fi. j5. d. ».* pela pouca idade de que era, deíconfiado de fe poder aju*dar dos dentes, contra hum tamanho imiguo, poios ter ainda tão pequenos que lhe nam
— 48.— fairiam da boca mais de três palmos, féz volta em redondo, endireitando pera húa janela de grades de ferro que eítaua junto da porta do pateo que oulhaua de longuo das calas da ribeira, nas quaes pos ha cabeça com tãta força que torçeo dous dos barões das grades, q feriam de grof- lura doito boas polegadas em quadrado, per entre hos quaes dous barões faiho, deixando ho índio que ho gouernaua no chão, que neíla prela fe lançou delle, ho que fe nam fezera arebentara entre has grades, & ho lumear decima da janela: efta foi húa das grades forças que fe podem imaginar. Saido afsi ho Elephante do pateo tomou ho caminho dos efíáos, onde era lua poufada, não tendo cõta com coufa que achaífe diante, afsi homés de pé, quomo de cauallo, que perante todos paífaua fazendo ta- manha reuolta, que com hos brados que dauam hús ahos outros que fe guardalfem, pareçia que era algúa batalha poíta fora de fua ordé, ou des- baratada dos imigos. Ifto he de notar q ha abertura q ho Elephante féz entre hos dous barões de ferro por onde paliou foi tam pequena, que com trabalho podia hum homem de comum ftatura, veílido em pelote paliar "Fi.s5t.c1. i.* por ella: mas ho medo, &* induílria de natureza lhe deram ho geito pera poder fair per hum tam pequeno lugar. Ho Rhinoçerota ficou no campo muim leguro, dando quafi a entender ahos que ílauam apar delle, com hos geitos, & meneos que fazia, que tinha ha viétoria por çerta fe ho Elephante quifera fperar. Elie mefmo Rhinoçerota mandou elRei dom Emanuel, no mes Doétubro delle Anno, aho Papa Leam deçimo, & ho embarcaram em Lisboa em húa náo de que iha por Capitão loam de pinna, caualleiro de fua cafa, pelo qual também mandaua aho Papa húa muim rica baixella de prata dourada, laurada de beítiães, ha qual nao foi ter à Marfelha, onde entam eítaua elrei Françifco de Valois, primeiro Rei de França do nome, a cujo rogo loam de pinna mandou tirar ho Rhino- çerota em terra pera lho leixarem ver, & lhe féz feruiço dhum muito fermolo ginete, bem ageazado, que elRei açeptou, & lhe fez merçe de cinco mil lcudos douro do foi. De Marfelha foi ter a coita de Genoa, onde le perdeo com tormenta fem fe da nao faluar couía algúa, & ho Rhinoçerota laio morto à praia, onde lheffolaram ha pelle, & foi leuada a Roma, & aprefentada aho Papa, chea de palha, que ha reçebeo, & vio •fi.25v.ci.2.» com muito efpanto, & triíleza pela perda* da gente que iha na náo, & prefente que lhe elRei dom Emanuel mandaua.
49 — Capitu, xix. Do faleçimento da rainha dona Maria, & de feus virtuo- fos cuflumes, modo, & ordem que tinha de viuer. QVOMO atras tenho dito, ha Rainha donna Maria ficou tam mal trattada do parto do Infante dom Antonio que atte ha hora da morte nunqua fe mais achou bem, porque fe lhe gerou húa apoftema dentro nas entranhas, fem em toda ha medicina hauer couía que lhe po- deffe dar laude, pelo que proçedendo efta mà dilpofiçam, com que fe lhe acrelçentauam de dia em dia grauifsimas dores, faleçeo em Lifboa nos Paços da ribeira ahos lette dias do mes de Março do Anno do Senhor de Mil, quinhentos, & dezaíete, em idade de trinta, & çinquo annos, ficaram delia viuos ho Prinçipe dom loam, que per morte delRei dom Emanuel, feu pai, foi terçeiro Rei do nome defies Regnos, ha Infante •ri, 36. ci. i." donna Ifabel, que foi Emperatriz, ha Infante donna Beatriz, que foi Duquefa de Sabóia, ho Infante dom Luis, que faleçeo fem calar, ho In- fante dom Fernando, que faleçeo fem leixar filhos, ho Infante dom Afonlo, Cardeal de Portugal, do titulo de lam Bras, que também ja he falecido, ho Infante dom Henrique, Cardeal de Portugal, do titulo dos fanólos quatro coroados, que aho prefente he regente defies regnos quomo fica dito, houue mais elRei da Rainha lua molher ho Infante dom Duarte que faleçeo com deixar de feu Matrimonio hos filhos nomeados no Capi- tulo do leu nafçimento, dos quaes prinçipes todos tenho já trattado per extenfo nas outras partes defta Chronica. Foi a Rainha molher de boa ftatura alua, bem affombrada, ho queixo do roftro hum pouquo fornido, hos olhos graçiofos, pouquo rifonha, muim honefta em todas luas praticas, de que has mais eram de coufas diuinas, muito caridofa, & dada a em- parar horphãos, & veuuas a que fazia muitas efmolas pera le loftentarem, & aísi pera ajuda de feus cafamentos muito imiga de paflar ho tempo ocçiofamente fundou de nouo ho Morteiro das Berlengas da orden^de fam Hieronymo. Era muim continua em fuas orações, & deuoçÕes, •fi. j6. ci. i." cofia, & lauraua, occupando todas fuas damas, & moças da camara no mefmo offiçio: caftigaua ho Prinçipe, & Infantes feus filhos quando ho mereçiam, fem perdoar a nenhum defies, ahos quaes todos fempre moftrou igual amor, íem niífo fazer outra dilferença, que ha da preçedêçia da idade de que cada hú era: foi fempre muito bem caiada, & trattada delrei fem antrelles nunca hauer diíferença que fe íoubelle. Foi o corpo defta catholica, & virtuofa Rainha fepultado no mofteiro Denxobregas da madre de Deos, de freiras obferuantes, da ordem de fam Françifco, q ha Rainha dona Leanor irmã delRei dõ Emanuel fundou de nouo, vou IV i
— 5o — dode elRei dõ Ioão terçeiro feu filho madou depois trefladar feus oflos pera ho morteiro de Bethelem, q elRei dom Emanuel íeu pai (quomo fica appontado) fez de nouo pera feu jaziguo, & de todos leus filhos: fua morte foi muim fentida per todo ho Regno. Elrei no mefmo dia q ha Rainha faleceo fe foi a Peralonga onde íteue duas fomanas, & depois íe veo aho morteiro Denxobregas da orde dos azues de fam Ioão, dõde paflados oito dias fe tornou pera ha cidade, com cuja vinda le alegraram todos, & fe reformou a corte, & começou elRei dentender em negocios. •FL*6r.ci.i.* Cap. xx. Em que fe trattam algvas cousas * que nejle tempo aconteceram tio Regno. PER erros qve hú piloto Português per nome Iam diaz golis cometeo, fugio deftes regnos, & fe foi a carteia onde perluadio a algús mercadores que armaffem duas naos, & que elle as guiaria á terra de lanéta Cruz do brafil, & has traria carregadas de mercadorias em que fezeflem muito proueito: com has quaes naos feguio fua viagem, & tornou nefte Anno de M.D.xvij do que fendo auiíado dom Carlos Rei de Carteia, Archeduque de Auftria, per cartas delRei dom Emanuel ícreueo ahos Regedores de Seuilha q caftigaífem todolos culpados nefte negoçio, como quebrantadores das pazes, & capitulações feitas entre hos Reis de Carteia, & deftes Regnos, ho que elles fezeram com muito rigor, & deligençia. No mefmo anno veo a efte Regno hum fidalgo Ingles, per nome loam valope offereçerfle a elRei pera ho jr feruir a Africa, onde fteue dous annos na çidade de Tanger, em que defpendeo muito do feu, pelo que elRei lhe deu ho habito da ordem de Chriftus, & lhe fez outras merçes com que fe tornou muim contente pera fua trrra'. Efte loam valope era 'Fi.36v.cfia.* home nobre, & de que elRei Anrrique de* Inglaterra fez tanto calo, que lhe deu a capitania de Cales, que era húa das coufas de mór confiãça de quãtas naquelle Regno hauia de fua calidade: ho qual eu conheçi, & fomos amigos, & fua amizade me aproueitou pera negoçios que trattei em Inglaterra de feruiço delRei dom loam terçeiro. Nefte anno de xvij no mes de Ianeiro vêçeo Solymão otthomam emperador da Turquia ho Soldam de Babilónia, & fe apoderou do Cairo, & de todalas lias terras de que ho Soldam era fenhor, pelo que elRei dom Emanuel reçeofo que has coufas do Turco cada dia foliem em creçimento, tornou a efcreuer alio Papa leam, fiando em Roma por feu embaixador dõ Miguel da fylua, pera q exhortaffe hos Reis chriftaos a fazeré guerra a hum tam poderofo 1 Et. I. terra.
— 51 — imieo de noffa fanda fé, ho que aproueitou tanto quanto ho fez das outras vezes: fupplicou no mefmo tépo aho Papa que a ladroes, né fallairos valefsé ordés. Neíte mefmo anno fez elRei hos meos toítões de prata no qual tépo ítando hú dia na feita, lhe veo fallar dom Iaimes duque de Bra- oãca leu fobrinho, & por ha cafa eftar dcfpejada fem hauer mais nella que meu irmão Frudos de goes q ho péteaua, & eu q tinha ho baçio do penteador: praticou elRei cÕ ho duque algúas coufas de feu goíto, entre •Fi. 17.el. 1.* hos quaes foi perguntarlhe que lhe parecia da*quella moeda, ho duque lhe refpondeo que muito mal, porque moedas nouas faziam iempre mu- dãças, & careítia no preço de todalas coufas, & que cÕ eíta que fezera, por húas luuas que le vendia por trinta res pedião jà meo toífão: dito pera hos Reis lançarem delle mão, porque ha mór peite, & peidiçam de hú Regno he fazer moedas nouas, do que le pode tomar exemplo nas que fez elrei dom Fernando Rei deites Regnos, com as quaes hos deltroio de maneira que nuca nelles mais houue hos theíouros que dantes hos Reis acuílumauam deixar a feus delcédentes: fez também elRei nelte Anno de M.u.xvij toítões douro, moeda que trazia na bolfa pera dár a pobres, & mãdoú a Lourenço lopez homem doéto, & pera muito negocio, fobrinho de Thome Lopez, feitor da cala da contra&ataçam1 da India, que de Anuers, onde entã refidia foífe a Auguíta, ou Aufpurg fazer hum con- tralto de cobre com hú rico, & poderofo mercador per nome laques fugguero, per tépo de çinquo annos, de dez mil quítaes cada Anno, aui- fandoho que nam delle mais que atte vinte foldos de groífos moeda de Flandres pelo quintal, que era ho preço que então valia, & valera pouquo tempo antes a dezafete, & dezaoito, & dezanoue, hos quaes ioldos vai •fi.rj.cl.a." cada hum fefenta res da nolla moeda.* Cap. xxi. Dalgiias coufas qve tocam ahos negoçios do Cajlelo de Jauâa Cru\ do cabo de guer. NESTE anno de mil, quinhentos, & dezafete, veo dom Françilco de Caltro e capitã da villa de fanéta Cruz no cabo de guer daugoa de narba, cõ licença delRei aho regno negoçear coufas q lhe compriam, ho que fabendo ho Serife veo correr aquella comarqua no mes de Maio, em q fez muito dano, queimando hos pães áquelles que eram vaífalos, & tributairos delRei dõ Emanuel, & em fpeçial foi lobre Çaide boagaz maho, cõ qué houue hú recontro em que lhe mattou trinta homés, & xxv cauallos, & çaide boagaz maho, lhe mattou vlte, & çem cauallos, 1 Et. I. contractaçam.
— 52 do q anojado ho Serife auifou hú leu irmão q entam ftaua em Galigiga q fe logo veo pera elle com muita gete, cÕ os quaes çaide houue húa baralha 1 em q foi vençido & lhe tomaram ha villa de Tuyl q era fua, & ha araíarã PCT_ terra> da qw^l vinha muito cobre aho cafteilo de landa Cruz, ho q fabédo elRei de Dara, pela paz, & amizade que tinha cÕ elRei dom Ema- nuel, mãdou offereçer aho capitã q ficara no dito cafteilo do cabo de guer, 6c a Meleque xeque da cabilda de hizarara quatro çétas lanças, & por .Kl ,7V.Cl...' capitão, delias hum* leu fobrinho, ho q lhe elles agradeçeram muito, excufandoffe por entam de tal ajuda poFq fperaua cada dia dõ Françilco' de Caftro cõ duzétas lanças, cõ que, & com hos mouros de pazes pode- riam fazer guerra aho Serife, pofto que entã fteueffe fenhor do cãpo, & teueíle tomado todolos caminhos de Teraququo, que era húa villa era que entam refediam muitos mercadores, entre hos quaes hauia Cafte- lhanos, & genoeíes, & outras nações de chriftãos, dõde vinha muito cobre, fera, prata, & outras mercadorias aho caftelo de fanóta Cruz do cabo de guer: ha qual villa dom Françifco de Casftro depois deftroio, & aralou quomo fe aho diante dira. Capitulo, xxii. Quomo elRei mandov hi>a armada fobela villa de Targa, & do q fe nijjo paffou, & de híiá entrada que fe\erão dom Iodo Coutinho, & dõ Duarte de menefes em que correram atte ho campo Dale, & farife. TORNADO Diogo Lopez de fequeira aho Regno no Anno de M.D.xvj, com has fete carauellas com que ficara no ftreito, quomo atras fica dito, mandoo elRei fazer húa armada de íefenta nauios no mes de 'unho defte anno de mdxvíí de que lhe deu ha capitania com muita, & «h.í7v.ci. 2.» boa gente * de pe, & cento de cauallo, cÕ regiméto que tomafie em Arzilla mais çinquoenta, & outros tãtos em Tãger, & que com eftes duzentos de cauallo fe foffe a Septa, pera em cõpanhia de dom Pedro de menefes conde Dalcoutim, capitam da çidade cõ toda ha gente de pé, & de cauallo que alli entam ftaua ir lobre ha villa de Targa, ho q tudo íucçedeo mal, porque quomo dom Pedro era home de grande opiniam nam tomou bê darlhe elRei cõpanheiro em negocio que elle tinha por fácil podello acabar tendo pera iíTo comiíTam, & ha meíma cõpanhia q Diogo Iopez leuaua: finalmente que elles forão ambos fobrefta villa que he dez legoas de Septa, & fern fazeré nada do a que ihão, per calo das differenças q houue entre elles ambos fe tornaram a Septa dõde defpedio Diogo íopez 1 Et. I. batalha.
53 hos çinquoéta de cauallo de Tãger, & com ha íua géte, & çinquoenta de cauallo Darzila, le foi ver cÕ dom loam coutinho, a tençam de fazer algúa entrada per terra de mouros pera q de todo não tornaffe aho Regno fem fe achar em algú negocio de q podelfe ganhar honrra pera fim, & pera ha boa, & nobre cõpanhia q nefta armada cõ elle vinha. Chegado Diogo lopez de fequeira a Arzilla, elle em cõpanhia de dom loam coutinho entrou pela terra atte húa aldea q fe chama Araihana, ha qual tomarão, & •fi.28. ci.i.* algúas al*mas, & gado cÕ que fe tornaram Arzilla, dõde dahi a pouquos dias fe veo Diogo lopez pera ho Regno lem nefta viagem fazer mais do que fica apontado. No fim defte mefmo anno de M.D.xvij le ajuntaram do loam coutinho, & dom Duarte de meneies, & entraram pelo cãpo Dalcaçer quebir, hos quaes paliando ha ribeira da ponte, pelo pé Dalgar- rafa, correrão ho cãpo de Ale Exarife à mão fquerda de Alcaçer onde mattarão algús mouros, &, captiuarão trinta, & lete, & tomarão mil, & leteçentas cabeças de gado vacú, & mais de çinquo mil de meudo, aho que acodio ho alcaide Dalcaçer com muita géte de cauallo q hos achou jà no porto dalgarrafa, tres legoas Dalcaçer, pelo q foltarão todo ho gado meudo, & com ho groífo, & captiuos fe vierão recolhédo atte ho azãbuial dalgarrafa, onde cuidarã que hos mouros hos acometefTem, pera voltaré fobrelles, ho q não fezerã, mas antes fe tornarão a recolher fem trauarem com hos noffos, hos quaes entrarã em Arzilla cÕ fua caualgada, q partirão pelo meo, ho q feito dõ duarte tomou feu caminho aho outro dia pera tãger pelo porto dalfeixe, mas achãdo nouas q andauã mouros naqlle cãpo fperando por elle, le tornou arzilla, cÕ ha caualgada, õde fteue quatro dias, a cabo dos quaes, tédo hos de Tanger, & Darzilla defcuberto ho campo, & fendo •fi.j8.ci.a.« certificados per algús mouros q tomarão,* que toda aquella gente, que andaua íperando dom Duarte, era recolhida, elle fe foi pera Tangere em paz, com ha parte que lhe coubera da caualgada. Capitu, xxiii. De húa entrada qve dom Pedro mafcarenhas fe\per terra de mouros Jlando em Çafim, & do que dom Nuno mafcarenhas Jcreueo a elrei Jobela vinda de Gonçalo mende\ çacoto aho Regno. OM Pedro mafcarenhas foi hú fidalgo que fez muitos leruiços a el- Rei dom Emanuel, a elRei dom loam feu filho, & feruio de page ha Rainha dõna Leanor irmã delRei dom Emanuel, molher que fora delRei dom loam fegundo do nome, & depois de ter idade foi algúas vezes ás partes Dafrica, mandando 1 per elRei dom Emanuel, a coufas que • Et. I. mandado. Emendado já nos «erros da impressão» desta quarta parte.
- 54 - cõprião a feu feruiço, em que deu de fim tam boa cota, q ho encarregou de Capitão das gales do Regno, ho qual fiando em Çafim no Anno de Mil quinhentos, & dezafete, veo recado a dõ Nuno maícarenhas leu irmão quomo hos Aduares de Ganeme andauã aleuantados, ho que labendo foi logo fobrelles, & hos desbaratou, apos ho que lhe trouxe recado hum *fi.38v.ci.!.• mouro que tinha hú irmão* captiuo em Çafim que toda Habida fe fora ajuntar nas Salinas pera ahi tomarem confelho fobelo que por então lhes conuinha fazer pera legurança de fuas peífoas, & fazenda, em que affen- taram que com feus camelos, & outras beflas de carga vieífem apanhar feus pães, & hos alheos, que por então não tinham neçefsidade doutras pazes, pelo que mandaram lançar pregão pelos Aduares que aho outro dia partilfem todollos que fe quifeífem aproueitar do campo. Pelas alui- laras deftas nouas deu do Nuno mafcarenhas liberdade aho irmão defte mouro, ho qual no mefmo tempo fe fazia preftes, pera ir bulcar hos Aduares de xerquia, que também andauam aleuantados, & porque hos negoçios dos mouros de Habida erão de muita importância, mandou logo fobreles dom Pedro feu irmão, & Françifco carneiro, filho de An- tonio carneiro fecretario delRei dom Emanuel, & do feu confelho, que então chegara a Çafim por fronteiro cõ trinta de cauallo, & outros tãtos piães befteiros, & Ipingardeiros, todos mui bem conçertados pera feito de guerra afora outros criados, & gente de leruiço, com ha qual géte de guerra perfez dom Nuno trezentos homés de cauallo, & outros tantos de pé, com que partiram de çafim já de noite, no mes de Iunho, & forão •fi.i8t.ci.!.* amanhecer a húa figuei*ra, íeis legoas de çafim, & duas de Hyguifnez, no qual dia houueram batalha com muitos mouros de pè, & de cauallo, de que mattaram algús, & trouxerão captiuos oitenta, & íette, & noue cauallos, & quorenta, & dous camelos, & outras beftas de carga: dos Portuguefes ferirã hos mouros nefte recontro tres, de que hú foi loam leite, criado que fora de dom Perouaz bifpo da Guarda, hos outros dous eram moradores da çidade, a dom Hieronymo mattaram dous mouros de pé ho cauallo, dos quaes depois de fer a pé mattou hum: no negoçio dos mouros que morreram nefta jornada coube ha honrra ahos frõteiros, & no dos captiuos ahos moradores, nefte mefmo dia, que foi I10 da fefia do corpo de Deos entrou em çafim húa cafilla em que vieram dom Henrrique, & Fernam valente que ftauam captiuos em Marrocos. Depois de dom Pedro ter feito efta entrada, vieram nouas per via dos mouros de pazes, que elRei de fèz determinaua vir em peífoa íobre çafim, do que dom Nuno auifou elRei dom Emanuel pedindo-lhe focorro, ho qual lhe mandou, de muita, & boa gente, entre hos quaes foi Gonçalo mendez çacoto, hum dos bos, & esforçados caualleiros que de leu tempo houue nefies Regnos, &
— 55 — porque eítas nouas não fairam çertas, Gonçalo mendez çacoto depois •FLjg.ci. I.* deitar algús* dias em çafim, pedio liçença a dó Nuno pera fe tornar aho Regno, ha qual lhe deu com muito pejo, & fobriffo no fim de húa carta q fcreueo a elRei lhe diz has palauras feguintes, Senhor, Gonçalo mendez çacoto me dixe que trazia liçenta de V. A. tanto que elRei de Féz nos defaprefaffe pera tornar a negoçear fuas coufas, eu ho leixei embarcar tanto contra minha vontade, quomo fei que he defieruiço de V. A. neíte tempo acharfe hum fo dia fora deita çidade, porque ja cõ ter coitas nas fuas cãs, & no feu faber, & caualleria tenho melhor esforço pera açertar tudo ho q fobreuier de feu feruiço, prinçipalméte agora tendo íperança de muitas nouidades, beijarei ás mãos a voíla Alteza pelo mandar vir ho mais preítes que poder fer, porque niífo fara muito feu íeruiço, & a mim muita merçe, hoje feis dias de Ottubro de Mil, & quinhentos, & dezaiete, aho qual Gonçalo mendez çacoto per feu esforço, & valentia encarregou elRei dõ loam terceiro de capitão deita çidade de çafim, & depois de Azamor, & íe achou nos mais dos feitos da guerra Dafrica, em tempo de tres Reis, que feruio dom loam ho fegúdo, dom Emanuel, & dom loam terceiro íeu filho, mas tudo iíto lhe não aproueitou pera mais que pera •fi. *9. cl. *.• podermos dizer, que fe lhe Duarte pacheco pereira não fez enueja* na cauallaria, que nem menos lha pode elle fazer na medrança, porque tão proue, & com tam pouca fazenda morreo hum quomo ho outro. Cap. xxiiii. Da viagem qve Fernam pere\ datidrade fe\ a ChinaT & do que lhe aconteçeo atté tornar aho Regno. ORNANDO a viagé de Fernam perez dandrade perá China, elle depois que arribou a Malaca, fez tudo ho que pode por concertar Nuno vaz pereira, & Antonio pacheco que andauam em differenças depois da morte de George de brito, fobre qual delles hauia de iucçeder na capitania da fortaleza, ho que nam pode acabar por cada hum delles ter lua auçam por melhor, dizendo Nuno vaz que George de brito (eu cunhado lhe entregara ha fortaleza, & tomara delia ha menagem prefentes todolos offiçiaes delrei, & géte nobre que hauia em Malaca: Antonio pachequo íe oppunha, dizendo que per virtude de hum regimento que alli deixara Afonfo dalbuquerque ha íucçeífam da capitania, faleçendo Rui de brito patalim, era de Fernam perez dandrade por fer capitam do már, ho qual •Ft.39T.ci. 1.* offiçio, elle entam feruia. Neftas differenças* andaram tanto, atte que Fernam perez, (em niífo poder dàr nenhú talho, fe partio perá China, no mes de Iunho de Mil, & quinhétos, & dezafette, com noue velas, em húa das quaes elle iha, hos outros capitães eram Pero íoarez, George mafca-
— 56 — renhas, Symão dalcaçoua, George botelho de põbal, Emanuel darauio, Antonio lobo falcam, Martim guedez, & Duarte coelho, com ha qual companhia chegou a xv Dagorto, do melmo Anno, á ilha de tamanlabuá, que fta fituada três legoas da terra firme, onde per ordenança delRei ancoram todalas naos eftrangeiras, que vam a prouinçia de Cantam, que lie húa das do Regno da China, onde antes de chegarem acharam húa armada delRei que andaua em guarda dás naos que vem a feus portos por relpeito dos coíairos, de que naquellas prouinçias ha muitos: Ho capitam deita armada, fpantado de ver has noffas naos, & modo de que vinham, cuidando que era algum nouo genero de coiairos encaminhou pera elles com toda sua frota a ponto de guerra, mas Fernam perez fem dàr final de fe querer defender, nem offender foi leu caminho direito an- corar na ilha de Tamam, aho qual ho capitam da frota delRei que também veo furgir no mefmo porto, mandou perguntar de que naçam •fi.29v.ci.a* era, & que bufcaua, Fernam perez lhe* refpondeo ho que acerca diffo cõpria, pedindolhe que lhe defle pilotos pera ir a cidade de Cantam deí- pachar hum embaixador que elRei de Portugal feu íenhor mandaua a elRei da China, ho capitã lhe mandou dizer que logo auifaria ho gouer- nador de Nantó, húa villa junto da barra do rio .q vem de Catam pera que fezeífe faber ahos gouernadores da cidade, de fua vinda, ho qual gouernador (a que chamam piu) ho mãdou vifitar aho outro dia, fazédo- lhe faber que jà tinha defpachado ho mefageiro, mas ha reporta tardou tanto que Fernam perez dandrade denfadado com dous nauios, & algús bateis se foi daquelle porto em que ftaua aho de Nantó, que he obra de quinze legoas de Cantam, & fem mais ter outro recado do gouernador daquella çidade, a que chamam Tutam, foi lançar ancora diante da prin- cipal porta delia, junto de hú caes de pedraria cõ degraos, feito aho noffo modo, defrõte do qual eftà húa ilheta com húa torre feita a modo de campanairo, onde hos gouernadores da çidade tem por curtume conuidaré hos eftrãgeiros a que querem fazer honra, ho que ho Tutam quifera fazer a Fernam perez, mas elle fe efcufou com achaque de mal defpofto: Aqui fteue algús dias, nos qwaes affentou hos negoçios a que iha com ho Tutam, •Fi.3o.ci.i.« & gouernadores da çidade, & deixando nella ho* embaixador que hauia de ir aho Rei da China, & algúas outras peffoas fe tornou pera Tamam, onde efteue quatorze mefes, por leuar regimento delRei dó Emanuel, q naquellas partes da China fteueffe tanto atte que fe informaffe bem dos negoçios, & trattos da terra, poder, & fenhorios do Rei delia, no qual comenos vieram alli ter muitos júgos de lequeos, guoros, & japangos, hos quais ha principal mercadoria que traziam era ouro, em muita canti- dade, pelo que detreminou de mandar a eftas prouinçias George mafca-
— 57 — renhas cÕ pilotos, & lígoa da terra com que correo ha coita de Chincheo, que he limpa, & pouoada de muitas villas, & aldeas: neíta viagem encõtrou muitos nauios da terra, que nauegauã pera diuerlas partes, & em hum porto, onde furgio, lhe dera informaçam da grande cidade de Fuquiem, pera onde fe fez à vela, mas em embocãdo ho rio em que ítá fituada, reçebeo cartas de Fernam perez, que lhe mandou per terra, em que lhe fcreuia que fe tornaífe que era tempo de fe partirem pera India, ho que afsi fez, & lhe deu conta do que paífara, & vira neíta viagem, & da grade fertelidade daquellas prouinçias, & abundançia de todalas couías, afsi de tratto quomo de criações, & mantimentos, na qual ha pimeta vai mais •fi. 3o. ci. j.» que na China, & has mercadorias que fe dão a troquo* das que alli leuão fam muito melhores, q has da China, & melhor mercado. Depois da chegada de George mafcarenhas Fernam perez mandou apregoar em Tamã, & em Cantam que íe hos Portuguefes deuiam algúa coufa ahos da terra, que lho fezeffem faber pera mandar pagar tudo, do que todos forom mui contentes, louuando ho bom modo que teuera em todalas coufas que negoçeara ho tempo que alli íteue, ho que feito, com deixar hos fenhores, & gouernadores de Cantam, & Tamam, & de toda aquella comarqua muito contétes, & fatisfeitos de fua amizade, & conuerfaçam, ie fez à vela, no mes Doótubro de Mil, quinhentos, & dezeoito, & veio ter a Malaca, com has naos carregadas de muita riqueza, fem ho nauio de Pero foarez, que cõ tromenta fe perdeo, fem fe laluar couía nenhúa delle, exçepto ha gente que toda foi ter a Cantam, & veio depois á índia com Symã dandrade: em Malaca achou Fernam perez dom Aleixo de meneies, com poderes de leu tio Lopo foarez, em que lhe mandaua que nam foífe a Pegu, nem a Bengalla quomo leuaua por regimento, mas que entregaífe ha frota a dõ Aleixo, & fe vieffe pera índia, onde já achou por gouernador Diogo lopez de fiqueira, de quem foi muim bem reçebido, em cuja copanhia íteue todo ho Anno de mil quinhentos, & dezanoue, •ti.3»v.ci. i.* &* no Ianeiro do de Mil, quinhétos & vinte, partio pera ho Regno com Vafquo Fernãdez coutinho, cada hum em fua nao, onde chegara na en- trada de Iulho do mefmo anno, & por ha çidade de Liíboa eltar tocada de peite fe foi ha Euora, onde entam elRei ítaua com ha Rainha donna Lanor 1 fua derradeira molher, dos quaes foi muim bem reçebido, & elRei lhe pergútaua muitas vezes pelas coufas da China, & das outras prouinçias daquella regiam, ouuindo has com muito goíto, porque de íeu natural era curiofo de laber ho que paífaua pelo mudo, pera diífo tomar ho que mais cõpriífe aho gouerno de leu ítado, Regnos, & fenhorios. 1 Et. I. Leanor. VOL. IV 8
58 Capit. xxv. Dos cojlumes dos chins, religiam, & fertelidade da terra, 6 do que Thome pire\ pajjou na embaixada com que foi a elRei da China. A gente da China he bem difpofta, algúa della he mais fobelo aluo, . que baço, outros que viuem mais aho norte fam aluos quomo Alemães, andam veltidos quomo hos Tartaros, com roupetas eftreitas de feda, brocados, algodam, & pilitarias, do que ha muito na terra, & muitos *FL3o».ci.2.« cauallos, & grande abun*dançia de mantimentos afsi de pam, quomo criações, caça, & montarias tudo muito bom mercado: fam bõs homês de guerra, & tem armas brancas, mas nam de tam boa tempera quomo has noffas, vfauam entam lanças, alabardas, arquos, & outros generos darmas, & bombardas pequenas de ferro, & metal, & fpingardões, mas depois que viram has nofTas armas, & artelharia, fe acuítumaram a fazer tudo aho noffo modo, & em muita perfeiçam: come em me^as altas quomo hos da'Europa com toalhas, guardanapos, & por limpeza comem com garphos, fazé banquetes ameude, em que le alegram mais do neçef- lario, hos conuidados fazem auítinençia da hora que hos conuidam, ainda que ho banquete feja pera dalli a quatro, & çinquo dias, pera no dia da feita comerê, & beberem muito mais, por honrra do que hos conuida, & le neíte tempo hos outrem quer conuidar íe excufam dizendo que ho nam podem fazer, per cafo do bãquete a que ham de ir: has molheres iam galantes, & bem atabiadas, has nobres andam pelas ruas em carretas cubertas de panos de leda, & ouro, muito bem pintadas: dizem que tem ha imprefiam de tanto tempo atras que não ha moria de quãdo começou entrelles, tem charamellas, orgãos, & outros inílrumentos, fam muito •fi. 3i. ci. i.» muíicos aísi no canto dorgão, * quomo no tanger dos inílrumétos: ha na terra muito ouro, & prata, afora ho que vê doutras prouinçias, & fobre todas, & em mór cantidade da terra dos Lequeos, Goros, & Iapangos: Crem hos Chins em hum lo Deos, criador de todalas coulas: adoram tres images de homens todas tres femelhantes: fazem grande honrra à imagem de húa molher, que te por fanóta, a que chamam Nãma, que elles crem que he auogada de todos ante Deos, afsi dos que andam pela terra, quomo dos q nauegam pelo már: tem outra landa, que foi filha de hum Rei da China, & fe retirou do mundo a viuer em religiam, efta dizem q he guarda de toda ha prouinçia, a que fazem também grande hõrra, & afsi a hum homem, que dizem que foi tam bom, & tam jufto caualleiro, que em fua vida fez muitos milagres, entre hos quaes foi paliar húa grande ribeira armado, polios hos peis fobre húa fpada nua, pera acudir
— 5g — a hum exerçito que ítaua da outra bada, de que elle era capitao. Has figuras deftas images todas trouxe Fernam perez dandrade, pintadas em panos de paugagé, & aruoredos quafi do mefmo modo que iam hos panos pintados que fazé em Flandres, hos quaes apprelentou a elRei dom Emanuel em Euora, com outras coufas dequella prouinçia. Alem •Ft.3..d.».* dos fanftos que dixe tem hos Chins* outros, de cujas vidas tem jenda, & lhes fazé fuas fellas pelo defcurío do ano: Té muitos, & mui lum- ptuoíos templos, a que chamam Varelas, & moíleiros de frades, & freiras, edificados aho modo de ca: Ha lingoagem em que rezam, & fazem eítes offiçios, nam entende lenam quem na iluda, que lie quomo entre nós, ho Latim: Nas quaes Varelas tem relogeos, & muito bõs finos de metal: Iam muim aultinentes, porque hà entrelles muitos que núqua comem carne, nem peixe, & ho melmo fazem has freiras de que também ha muitos moíleiros, tem vniuerfidades, & collegios, em que apprendem Philosophia, Mathematicas, Aílrologia, Artes liberaes, Leis, Medicina, & Theologia, fegundo fua crença, no que em tudo ha homes muim doétos: em coufas de arte mecanica paliam todalas nações do mundo, porque ho perfeito delias obram com muita deltreza, & aho imperfeito dam taes talhos, & cores que pareçem terem ha mefma perfeiçam, eítimanfle em tanto que dizem que ho home que nam he Chim nam he homem. Ho Rei he ho mór fenhor, & mais riquo de todas áquellas prouinçias, cha- malfe filho de Deos, tem muitas molheres, & mançebas que le guardam em feus paços, de que tem muitos, & muim fumptuolos, traz por deuifa, •flsit.cLi.* Deos deu ha paz na* terra, & nunqua ha negou a quem ha quer, & por leuar enfiado tudo ho que hos Portugueles nelle tempo paífaram na China, & afsi Thome pirez, que ficou em Catam, pera ir com ha embaixada, direi logo ho que paliou nella. Elle foi de Cantam ter à cidade de Pequij, no qual caminho fe deteue quatro meies, que tamanho he ho Senhorio deíle Rei, que andaua então naquellas partes, per onde vezinha com hos Tartaros, com quê muitas vezes tem guerra, & ha tinha naquelle tempo. A ella çidade de Pequij chegou Thome pirez em laneiro de Mil, & quinhentos, & vinte, donde ho elRei, que lhe tinha mandado fazer bom reçebimento quando chegou, ho tornou ha mandar pera Cantam, fem ho querer ouuir nem tomar hos prefentes que lhe mandaua elRei dom Emanuel, onde depois morreo prefo, com fofpeita de lhe terem dado hos Chins peçonha: Ha caufa delia prilam, & da de todolos Portugueles que eítauão em Cantam, & mortes, foi ho máo modo, que Symão dan- drade, irmão de Fernam pirez dandrade teue com hos Chins, porque ho tempo que íleue na ilha de Tamam, onde chegou em Agoíto de Mil, & quinhentos, & dezaoito, com outras naos de fua companhia, de quem
— 6o — «fi.3i T.ci. 2.' eram Capitães Aluaro fufeiro, George aluez, & Françiíco rolz, elle le* houue de maneira com hos da terra que fez quebrar has pazes que feu irmão deixara aflentadas, & conuerteo todo ho amor, & amizade que hos Chins tinham com hos Portuguefes, em odio, & mal querença. Ca. xxvi. Em que fe trata das obras pias que ha Rainha dontia Leanor, irmã delRei dom Emanuel fe\ ne/les Regnos, & quomo per fua interçeffam foram trazidas a elles has Relíquias do corpo da virgem fanâla Auta, & de quomo elRei tinha detreminado de refidir no Regno do Algarue, pera dalli prouer na guerra Dafrica, & ha caufa porque ho nam fe\. HA rainha donna Leanor, molher que foi delRei dõ loam legundo do nome, & irmã delRei dom Emanuel, foi húa muito virtuofa, & catholica chriftã, & fez de fua fazenda muitas efmolas a peffoas q diflo tinhã neçefsidade, & aísi a morteiros de frades, & freiras pelo que comumente lhe chamauam maim, & emparo dos pobres. Fundou de nouo ho Hofpital das caldas, em termo dobidos, & lhe deu muitas redas, que pera iffo comprou da Coroa do Regno, & riquos ornamentos pera •fi.3j.ci.!.' ho feruiço diuino, com grande* foma de roupa pera camas, & feruiço das peffoas que le alli vieffem curar, afsi riquos, quomo pobres, & pera hos pobres deixou rações ordenadas per fpaço de hum mes, que he ho tempo em que has augoas daquellas caldas fazem fua obra. Efta virtuofa, & catholica Rainha inftituio ha cõfraria da Miíericordia neftes regnos, lendo regente delles, no tempo que elRei dom Emanuel, feu irmão era ido a Caítella, com ha Rainha prinçefa donna Ifabel, fua molher, a faze- renle jurar por Príncipes daquelles Regnos, pera ha qual confraria elRei dõ Emanuel deu de juro cadanno deímola hum conto de res, pera entre- timento de horphãos, & quinhétos mil res pera outras obras pias. Fun- dou efla lenhora tambe de nouo ho morteiro da Inuocaçam da madre de Deos, no valle Denxobregas, junto de Lisboa, & ho pouoou de nouo de freiras de landa Clara, da ordem de fam Françifco da Obíeruançia, que per feus inftitutos comem fempre peixe, onde ella jáz fepultada, na Crafta, junto da porta do refeitório em fepultura íimplez, raia, igoal com ho chão, & porque era muito deuota da bemauenturada fanda Vrlula, guia, & capitoa das virtuofas martyres onze mil virgés, pedio per fuas cartas aho emperador Maximiliano, leu primo com irmão, que lhe quifeffe mandar .Fi.3a.ci.i,' algúas relíquias* deltas landas virgés, ho que lhe conçedeo façilmente, & dentre todas mandou tirar do morteiro de landa Vrfula da çidade de Colon ia Agripina, onde eftam todas eftas fepultadas, has da bem aué- turada landa Auta, & has mãdou entregar a boa guarda a Françiíco
peifoa, que então era feitor delRei em Flandres, refidente na villa Dan- uers, pera has madar à Rainha, quomo ho fez em hfia nao Hollandefa, que chegou aho porto de Lisboa ahos dous dias de Setembro deite Anno de mil, & quinhétos, & dezafete, & ahos doze do mefmo mes mandou elRei dom Emanuel que então ftaua em Lisboa, que leuaíTem eftas Relí- quias aho mofteiro da madre de Deos, na meíma nao em que vieram, ho que ie fez com muita feita, & companhia de nauios, & bateis embãdei- rados, poíto que todo ho Regno então íteucffe de dó pola Rainha donna Maria. Quomo ha nao ancorou de fronte do mofteiro da Madre de Deos, foram algús conegos da Sé tirar has Relíquias, & has trouxeram a terra, onde ha Rainha donna Leanor, & ho Principe dõ loam feu fobrinho has ítauam fperando. Da praia foi ha arca em que vinham leuada com foléne proçiífam aho mofteiro, & poftas per dom Ãlartinho da coita, Arçebifpo de Lisboa, em hum altar que na Egreja pera iffo ha Rainha donna Leanor. mãdou fazer.* Neite tempo andaua elRei em péfamétos de querer feruir Deos, apartado dos negoçios do mundo, do que defuiado per confelho de peíloas a que diflo daua conta fe refolueo em fe querer appoíentar no Regno do Algarue, & com has rendas daquelle Regno, & do meftrado de Chriitus, fazer dalli, quomo fronteiro guerra ahos mouros, & ter hos lugares que tinha em Africa prouidos de todo ho que lhes fofle neçeffario, mas porque andãdo neite propofito, veo ha faber, que hos priuados do Prinçipe Dom loam íeu filho lhe aconfelhauam algúas coufas fundadas em lhe fer defobediente, ie fez é outra volta, que foi cafarffe com ha Infante donna Leanor, irmã delRei dom Carlos de Caftella, tendoha dantes mandanda '^padir * muitas vezes pera ho mefmo prinçipe feu filho, ho que fez, por fe aífegurar de qualquer toruaçam que lhe elle, per maos cõfelhos quiiefle dar, do qual cafamento fe dira em feu lugar. Capitu, xxvii. De quomo Lopo soare\ mandou dom loam da Jjlueira ajjentar pa\es com hos Reis de Maldiua, & de Bengalla, & do que nejla viagem paJJbu. * ARTIDAS has naos da carga pera ho Regno, porque o Rei das ilhas de Maldiua eftaua aleuãtado cÕ defgoítos caufados pelos Portuguefes, q alli ihão ter, ho q també tinha feito elRei de Bégala, pelo mefmo refpeito, determinou Lopo foares lhes mandar por embaixador dõ loam da fylueira, pera de nouo aífentar pazes com elles. Com eftas 1 Et. I. mandada. 1 Et. I. pedir.
62 comifsÔes partio de Cochim no Anno de M.D.xviij, leuando configo Iam fidalgo, Triítam barbudo, & Ioão moreno por capitães de cada hú feu nauio. Deitas ilhas de Maldiua fiz já mençam em algúas Partes deita Chronica, nas quaes ha grade tratto de cordoalha, a que chamão cairo, feita das caíquas dos coquos, fruéto que dão has palmeiras, de que fe faz tanta cantidade que fe leua per todas aquellas prouinçias, & íe traz a eítes Regnos: ha também grande tratto Dambar, que fe acha no már, delle muito fino, & de peícado fequo, & búzios pequenos, a que chamam Cauri, que em algúas partes feruem de moeda: ha i nas meímas ilhas offiçiaes de teçer panos douro, ieda, & algodam, hos naturaes delias iam gêtios, viuem quomo hos Malabares, & per íuas leis fe gouernão, fam tamanhos feiticeiros, que fem nenhum reçeo falão, & comunicão com •Fi.33.ei. i.« hos fpiritos mali*gnos: Neíta paragem tomou do loam da fylueira duas naos de Cambaia, que vinhã de Bengalla carregadas de roupa, & íe vio em terra com ho Rei, & aflentou com elle pazes, com lhe dar licença pêra ie fazer na ilha húa fortaleza, ho que concluído partio pera Cochim, com has duas naos de Cambaia, onde has deixou, & fem fazer mais detéça que tomar mãtimentos, & poluora, feguio fua viagem pera Ben- galla, que he hú grande Regno,, no qual ho rio Ganges vai fair per duas bocas, oitenta legoas húa da outra, em húa enfeada que alli faz ho mar, que toma ho nome do meimo rio: Fazíle neíte Regno roupa dal- godam em tãta cantidade q toda Afia, Africa, & Europa defpende delia, & he ho mais abaítado de mãtimetos que todolos da índia, porque por çéto, & vinte, attè duzentos reis fe vede hú bom boi, & húa galinha por çinquo reis, & hum alqueire darroz por tres, & quatro reis: Naíçe nella muita piméta longa, & gengiure, ha i muitos cauallos pequenos, quomo hos dos Tartaros, & muito pouquos grãdes, & hos que ha deftes grãdes fam muim eftimados: crianífe també nelle muitos Elephãtes : hos da terra, fam homés de bom parecer, & has molheres fermofas, & be atabiadas: grãdes comedores, dados a muitos viços, ho Rei he mouro, muito riquo, •fi.33.ci. i.' & poderofo: fofté mor ftado q nenhú * outro Rei da India, he mouro *: cõ tudo ha mor parte de feus vaífalos fam gentios. Tornando a dom loam da íylueira, elle chegou ha barra de Chatingam, çidade de Bégalla, no mes de Maio, do mefmo anno de M.D.xviij, ha qwal he de grãde tratto, fituada em húa das bocas do rio Ganges, ho que íabêdo ho gouernador delia, a que chamã Lafcar, lhe mandou hum bom prefente de fruftas, & mãtimentos da terra, offereçendolhe fua amizade, em nome delRei de Bengala, dom loam lho agradeçeo, mandandolhe dizer q vinha mal defpofto, mas que 1 Riscar: he mouro. Emendado já nos «erros da impressão» desta quarta parte.
— 63 — quomo fe achafle be ho iria viíitar, & darlhe cota do a que vinha: mas efta amizade, ou per culpa dos Portugueíes, ou pela dos da terra durou pouquo, porque negando ho Lafcar a do loam algús mantimétos por leu dinheiro, de q na terra ha i muitos, efcufandoífe q hos não hauia por entã na çidade, elle mãdou tomar hú nauio, a que chama chãpana, q ftaua furto no porto carregado de Arroz, dode fe azou vir ho Lafcar cõ mais de çinquo mil homes fobrelle, cõ que houue húa trauada peleja em q hos imigos foram desbaratados, por cafo dos muitos tiros de fogo, & bom- bardadas, de q foram tã bê feruidos q fe acolheram perá çidade, deixando çinquo nauios a q chamam calaluzes, cõ hos quaes fe reformou mais ha •fi. 33 v.ci. í-* frota dos Portuguefes: cõ tudo dõ loam cõ reçeo que lhe lançaffem balias de fogo pelo rio abaixo, ou lho vielê poer à frota, determinou de fe aleuãtar dalli, & íe ir pera húa ilha, q efta mea legoa aho mar, pera ho q mandou a Iam fidalgo, q cõ ha íua galeota foífe ver ie tinha a ilha bom lurgidouro. Ho Laícar deípois de desbaratado, fe deixou eftar no már, oulhãdo ho q hos Portugueíes queria fazer, mas quomo vio a galeota apartada das outras velas, pareçédolhe q lhe nã poderia acodir, fez remar cõtra ha ilha, & cõ quaíi todolos calaluzes jútos deu fobela galeota, dõ Ioão quomo vio abalar ho Lafcar, mãdou em focorro da galeota hú bar- gãtim, & dous bateis, hos quaes chegaram a bõ tepo, porq hos imigos ha tinhão quafi ganhada, mas em chegãdo hos bateis, & bargãtim fezerã apatrar 1 hos calaluzes, & lãçar aho mar algús dos imigos, cj jà tinhã en- trada ha galeota, pelo q ho Lafcar fe recolheo cõ muito abatimeto feu, & perda da íua gête, pera çidade, ho qual aconíelhado dos prinçipaes delia, mãdou recado a dõ loam, per hú mercador natural de Choromãdel, efcufandoífe do paffado, & q fua tençã era fer feu amigo, & lhe mandar dar por íeu dingeiroi has coufas q lhe foífem neçeífarias, q fe quifeífe vir perá çidade, lhe mãdaria dár cafas em q fteueífe feguro cõ fua gête, q afsi lho prometia, & lhe daria fobriífo arrefés: hos quaes dados hos •F1.33v.d.a.' Portuguefes iham, & vinham* á çidade tam feguramente quomo ie efti- ueram em Cochim, ou em Goa, recebendo dos da terra tam bo gaialhado q dom Ioão de íua liure võtade foltou hos arrefés, ho q vendo ho Laícar, cõ defejo de tomar vingança veo logo cõ húa frota ordenada fobre dõ loam, cõ que hos noífos teueram aífaz que fazer, mas em fim hos Bengalas fe tornarão perà çidade desbaratados, cõ lhe mettere no fundo íeis laneha- ras,3 & mattaré bom quinham de gente, da qual viftoria coube ha mór 1 Et. I. apartar. 1 Et. I. dinheiro. 3 Et. I. lancharas.
64 — parte a hú Gafpar fernandez natural da Põbal. Eíta fegunda guerra durou per algús dias, na fim dos qt/aes vedo ho Lafcar q hos Portuguefes labiam melhor ho modo delia, q hos feus, mandou recado a dom Ioão q queria fazer pazes cõ elle, ho q elle açeptou de boa võtade, por lhe faltaré mãtimétos, & ter hos nauios da frota defaparelhados, & ha cordoalha toda podre per cafo do luerno q alli paffara. Durando eltas derradeiras pazes elRei Darraçam "v a (Ta 11 o delRei de Bégalla, induzido pelo Lalcar de chatingam, mãdou hú preíente a do loam da íylueira, pedindolhe que fe quifeífe ir pera aquella lua çidade, na qt/al acharia melhor gafalhado, q na de Chatingã, porque diífo leuaria elrei de Bégalla feu fenhor muito contétamento, ho qi/al fabia de çerto que hauia de mãdar caftigar ho Lafcar de Chatingã, pelos enganos •Fi.34.ci.i.» q com elle* vfara: dom loam cuidando q era ifto alsi, fe foi cõ toda ha frota em copanhia do embaixador Arracã onde íteue a rifquo de le perder de todo,^ porque elRei, depois de ho ter détro no rio, mãdou fobrelle muitas lãcharas, & géte de guerra com que pelejou, & fe desfez delles cõ muito trabalho, pelo q vendo que jà tinha por imigos todolos daquella comarqua, fe foi caminho d 1 Zeiland, em bufca de Lopo foarez, q quando ho defpachou fe ficaua fazédo preltes pera naquella ilha per mandado delRei dom Emanuel, fazer húa fortaleza, de que ho mefmo dom loam era prouido da Capitania: loam fidalguo le lhefcondeo, & andou naquella coita, & per outras partes ás prefas, em que perdeo muita gente, alsi da fua, quomo das outras naos, que fogio parelle quando fe aleuantou, ho qual com ganhar pouquo neíte tratto, fe foi perà índia, onde achou Diogo lopez de Sequeira, que per vagante de Lopo foaraz,2 elRei dom Emanuel mandara a índia por gouernador. Capi. xxviii. De quomo Lopo Joare\ mandov Antonio de Saldanha correr ha ha cofia Dormiq, & Cabaia atte ha portas do ftreito de Arabia, & do ? fe\ atte tornar à India, no qual tempo mandou também Emanuel de • fi.34. ci.2.* laçerda a Dio, & dó Aleixo de menefes a Malaca.* DESPEDIDO de Cochim do Ioao da íylueira, & afsi Ioão gõçaluez de Caílelbrãquo pera Baticalla, Chaul, & Diu a negoçios de íeruiços delrei\ lopo loarez fe foi a Goa, dõde logo defpachou Antonio de Saldanha pera adar ás prelas, deino cabo de guardafum, atte has portas do ítreito, cõ quatro naos groífas, & leis nauios redõdos, & de remo, encomédãdolhe q achãdo nouas çertas da vinda dos Rumes à índia ho auifafle cõ breui- » Et. I. de. 2 Et. I. foarez.
— 65 — dade, das outras velas era capitães Symão gÕçaluez de foufa, Antonio ferreira fogaça, Fernã goniez de lemos, Antonio de lemos, Nuno fernandez de maçedo, Aluaro barreto, & Miguel de moura, dos outros dous capitaes, nã pude alcançar hos nomes. CÕ efta armada partio Antonio de faldanha em Feuereiro do Anno de M.D.xviij, co ha qwul fez muitas prefas no cabo de guardafum dode foi ter has portas do ftreito, & por fe lhe chegar ho inuerno, & ter neçefsidade de mãtimétos, nã quis entrar, & fe foi a cidade de Barbora q he mui abaftada delles, & de muito tratto douro, cera, marfim, & outras mercadorias q lhe traze do lertam da Ethiopia, na cofta da qt/al prouíçia ella eftá fituada xviij legoas de Zeilla, mas elle nam achou ho q iha bufcar, porq hos da cidade cõ medo q lhes nã acõteçefie •ri.34t.ci. 1.* ho que acõteçeo ahos de Zeilla, quomo teueram nouas que eíla armada * andaua naqlla cofta, ha deípejarã de tudo ho q nella hauia, de maneira q não acharã peffoa q lhes refeftiffe, né coufa q podefsé roubar, pelo q lhe poferão fogo, de q ardeo toda, ho q feito le tornou perá India. No mefmo tépo q Lopo foarez defpacliou Antonio de ialdanha, mãdou tãbem Emanuel de laçerda. & cõ elle ê outra nao Garcia da cofta irmão de Afonfo lopez da cofta, cm bufca dalgúas naos q faltauã das q leuara aho ftreito, & q folie a dio vifitar Miliquiaz, & trouxefle cofigo Fernão mar/i?iz euãgelho, q lá ftaua fazendo couías de feruiço delRei, onde Emanuel de laçerda foi bê recebido de Meliquiaz, & lhe mandou muitos prefentes de refreíco, & I10 cõuidou muitas vezes em terra, porq hauia jà dias q eram muito amigos: dalli fe foi Emanuel de laçerda perá India, fem Fernão mar- t\nz euãgelho, porq fe nã quis tornar cõ elle: depois de delpachados antonio de ialdanha, emanuel de laçerda, Lopo foarez fe tornou de Goa a cochí, dõde mãdou dõ aleixo de menefcs a Malaca cõ trezêtos foldados Portu- guefes, é tres naos de q elle era capitã de húa, & das outras (pofto q algús q Icreuerã defte negocio de Malaca digã q forã George de brito, & dÕ triftã de menefes) dõ aleixo me dixe, pergútãdolhe eu, q forã Afonlo lopez da cofta q iha prouido, per elrei da capitania da fortaleza, & duarte de melo, •Fi.34v.ci.!.* q iha prouido da do már da co*fta daquella prouinçia, pera onde dõ Aleixo partio em Abril do melmo ãno de M.D.xviij, ha q;/al cidade achou de guerra cõ elrei de Bintã, q le viera aho lugar de Pago, xviij legoas delia pelo rio acima, & mãdara fazer húa trãqueira é Muar, cõ que empedia ahos moradores ha feruêtia do porto, & q nam laiflem hos pefcadores fora, no que fe leruia de hú Malaio muito esforçado caualleiro, per nome Çancotia, q fezera capitã da armada q então trazia no mar, contudo do Aleixo en- trou no porto fem lho hos imigos impedirem, & metteo de poífe da for- taleza Afonlo Lopez da cofta, & da do màr Duarte de mello, & ioltou Antonio pachequo que Nuno vaz pereira tinha prefo, por differenças q vou iv 9
— 66 — entrelles houue fobre quê feria capitam da fortaleza depois do faleçimento de George de brito. Do que mais fubçedeo em Malaca, ho tempo que dõ Aleixo ahi fteue, fe dira adiante. Capitulo, xxix. Quomo Molei abrahem correo Arzila, & mattou ho Adail Fernam galego cÕ vinte de cauallo, & captiuou dom Antonio mafcarenhas. NESTE anno de M.D.xviij fabendo Molei abrahem que hos da íerra do Farrobo, & de benamares, & outras partes recebiam muito •fi.35.cLi.' dano dos Darzilla detreminou* de lhe correr fem dizer a peffoa nhúa onde iha, ho q afsi alfentado cõfigo mefmo, partio de Xuxuam cõ eíla gête de cauallo q então ahi tinha, cõ que, & outros que tomou emTarga, & Tetuam q ferião atté quinhétos de cauallo, q lhe pareçeo cõpanhia lufiçiente pera ho q queria fazer, le veo encubertamete has aldeas de Ha- nalhaire, da parte do caminho de Tãger, & fe laçou em cilada júto de húa deitas q fe chama do Alcorã, dõde mãdou aho almocadem aroaz q foffe defcobrir ho capo, atte ás atalaias dalfãdequim, & alli paralfe, ho que afsi fez, onde em amanhecédo pos hum atalaia, em lugar donde íe ve ha porta da ribeira. Ho cõde por eíte aroaz fer muim contino em fuas entradas, & mui bom caualleiro, & tam manhofo que muitas vezes vinha de noite atte has portas da villa, mandaua lempre gente de cauallo em guarda dos atalaias, hos quaes ho atalaia de Aroaz vio fair todos jútos, do q ho logo auifou, que vedo que has coufas fe lhe endereçauam quomo deíejaua, deixou poer hos noffos atalaias, dos qwaes ho primeiro que dcfco- brio hos mouros foi Ioão mealho, q logo começarão a feguir, mas elle por ter bõ cauallo fe lhe acolheo, mas hos mouros em chegando a lagoa, que he meo caminho, pararam, ho que vendo ho adail loam galego, pareçendolhe que eram almogaures, hos foi cometter, & apertou có elles atté hos leuar •fi.íS.d.».• alem Dalfandequim, que* era ho que hos mouros defejauão, recolhendofle cõ muito conçerto. Neíte alcançe derubarã hos noffos hú mouro, & fem fe enformarem delle, que tam açodados ihão, paífarão adiãte, atte ire dar na cilada, donde Molei habrahem faiho com fua gête, feguindo hos noffos atte ho porto, em q mattarão dezaíette de cauallo, de que ho primeiro foi ho adail Fernão galego, & mattarão muitos mais, fe não fora Luis valente, p fperou fobelo porto atte hos noffos todos paffarem, recolhédoífe cõ muito esforço, ficãdo fempre entrelles, & hos mouros que hos feguião. Hauida efla vi&oria Molei habrahem fe recolheo, tomando ho caminho do Farrobo, no qual per defaftre veo dar com elle dõ Antonio mafcarenhas, que por fer mancebo, & esforçado, fe adiantou faindo primeiro da villa
— 67 — que nhúa outra peíToa quando dó loam acodio a eíte repique, & fem laber por onde iha ho guiou alli fua má fortuna cõ quatro de caualo, com cuja vinda íe acreçétou ho contétamento da vidoria a Molei habrahem, que trattou muito bé dom Antonio, & ho mefmo fez elRei de Féz a quê ho entregou, por ler dos captiuos reíeruados à pefloa do Rei, ho qua\ faleçeo de peite, no Anno de M.D.xxj, na mefma cidade de Féz. •Fi.35v.cM.* Capitulo, xxx. Dalgíícis covsas qve nejle tempo pajfaram em A\amor. * CONFIADO elRei dó Emanuel q dom Aluaro de noronha ho ier- ueria be em Azamor, lhe deu ha capitania, & gouernãça da cidade, ode chegou no mes de março defte anno de M.D.xviij, no qua\ tépo eram hos fenhores, & xeqs priçipaes da enxouuia, ha bc mume, mõhoba, Ixú mahamed, bem folimão, bem daramão, acerebeduma arragho & be arragho: debaixo da Capitania dos quaes hauia entã mais de xv mi! de cauallo: tomada poíle da capitania, logo no mes de Iunho ie^vierao fazer de pazes muitos mouros da xerquia doleidambrã, de q erão hos xeqs priçipaes Amozbémira, & mahamed bé hamed, ãbos bõs caualleiros: ho melmo fezerão hos doleidambrã da duquala, de q hos priçipaes xeques era Alebã, bé amã & Iobébarabeia, & aísi veio oleidaquo, cujos prinçipaes xeques erão Mahamed bem ragal, & Side bofy, tãbé veo Oleide bozi, de que erão hos xeqs priçipaes, Alebéthomi, & Side adu, homé muito fabio antre elles quomo Caciz: veo mais Holeidezo bet, de q erã xeqs buítabéferes, & beza, & abbadela menamoz. Ha primeira coufa q dom Aluaro fez depois de fer é Azamor foi mãdar Aluaro raphael, alcaide mór da çidade cõ coréta, & çlquo de cauallo faber nouas de hús aduares q andauã aleuatados, ho qual Ido júto de Muguroz, q he feis legoas de •fi.35v.d.a* Azamor, encõtrou cõ hús mouros de cauallo, & por hauer diffe*renças entre hos q Pero Raphael leuaua configo, elle depois de tudo coníultado, fe iriam diãte bufcar hos Aduares, ou dariam naquelles mouros, acordou de hos cometter, dos quaes tomou dous que lhe dixerão que hos Aduares andauam muito afaítados dalli, pelo que fe tornou perà çidade fem ir mais adiãte. Neíte mefmo tempo, ahos xxvj dias de Abril deu dormAluaro em hús Aduares na Enxouuia onde íe chama Binemez, de que era alcaide Naçer benduma, de que captiuou duzentas, & çinquoenta almas, & mattou muitos mouros, & trouxe paffante de cento, & çinquoenta cabeças e gado vacum, ho meudo deixou por lhe nam empedir a caualgada, ie algus mouros lhe faiífem aho caminho, apos iíto ahos xxvj dias de Iunho la no da çidade ho Adail Vafquo fernandez çelar com fetenta lanças, com que a tres legoas da çidade deu em hús Aduares de que captiuou oitenta
— 68 — mouros dos prinçipaes, & lhes tomou muito gadò, & outro defpojo, com que le tornou Azamor, & logo no mes Dagofto mandou Antonio gonçaluez correr ho campo com trinta de cauallo, & a Mugurez feis legoas da çidade achou hús mouros de pé com que pelejou per hum bom fpaço, mas em fim hos desbaratou, & trouxe delles onze captiuos. Neíte mefmo mes, •Fi. 36. ci. & Anno pediram certos Xeques dos de * pazes a dõ Aluaro que lhes deffe algúas lanças de chriítãos, pera todos juntos irem ha enxouuia a abrir hum grande coual de trigo, que teria mais de dous mil moios, pera ho trazerem à çidade, com hos quaes (que feriam mil duzêtos de cauallo, de que era capitam Side meimão magoto) mandou loam de freitas, com oitenta de cauallo, & grande carriagem de camellos, bois, & outras beitas de carga pera trazerem ho trigo, aho que ha mór parte deites mouros foi hum dia antes, pera abrirem has couas, ho que fazendo apareceram obra de duzentos de cauallo enxouuios, hos quaes viftos fe poieram a cauallo, cuidando que era cilada, & que vinhão atras muitos mais, ou eítauam já adiante, fperandohos em algum palio, aho qual tempo chegou Iam de freitas, & dixe a Side meimão, & a Mozbeimira, & a Mahamed bem hamed Ca- pitães deites mouros, que era ho que detreminauam fazer, hos quaes lhe dixeram que feu parecer era que fe deuiam recolher contra ho vao do rio, porque hauiam medo que aquella gente foffe mais da que pareçia, mas Iam de freitas lhes dixe que ho nam fezeífem, porque elle com hos Chriítãos que com elle vinham, queria ir tomar falia daquelles mouros, ho que pareçeo bem a Side meimão, mas nam ha Amozbeimira, nem a Maha- •fi.36. cl. *.• med* bem hamed, hos quaes começaram loguo de voltar has coitas com hos feus a quem mais de preffa iria, ficando hos Chriítãos na trafeira delles todos, tendo ha força dos imigos que lhe vinham ladrando nas coitas, fazendo luas algazaras, quomo vençedores, em que mattaram Anrrique queixada que hera hú muito esforçado caualleiro, & hum mouro Dambram da Duquala per nome Ambraime bençide, por querer acudir a Anrrique queixada: eíte mouro era muito amigo de dom Aluaro, que por fer bom caualleiro fentio muito a fua morte, & afsi a Danrrique queixada. Des- baratados hos noflos per fim mefmo, fem hos feguirem mais que aquelles duzentos de cauallo, fe acolheram hos mouros de pazes pera feus Aduares, & hos chriítãos com ho alcaide Side meimão fe foram Azamor, muito triítes, & enuergonhados de virem fogindo, fem hauer cauía pera fazerem hum tamanho deímancho.
— 6g — Capit. xxxi. De quomo elrei mandov Diogo Lope\ de fy queira por fi.36t.ci. í.' Gouernador da India, & do que pajfou no caminho attè la chegai. TENDO Lopo íoarez comprido ho tempo da lua gouernança, affentou elRei de mandar a índia por Gouernador Dioguo lopez de lima, alcaide mór de Guimarães, pera ho que ho mandou chamar per luas cartas, mas porque elle, depois de le andar fazédo preftes em Lisboa, foube que tinha elRei paliados aluaras de lembrãça a Lopo foarez, per vertude dos quaes, le lhe viefTe a prepofito podia ficar na índia mais tempo dos tres Annos que já tinha véçidos, fe elcufou delia viagem, ho que elRei tomou bem, & hauendo relpeíto ás defpelas que jà tinha feitas, & ahos feruiços que lhe fezera em Africa, & outras partes, & em lpeçial em Arzilla, & na tomada de Azamor, & na batalha dos alcaides, no que em tudo le achara com muita, & boa gente de pé, & de cauallo pagua a lua culla, lhe fez merçe de dez mil cruzados pagos na cafa da contrattaçam da índia, & lhe fez depois outras merçes de que fe teue per íatisfeito. Concluído alsi elle negoçio, detreminou elRei de mandar por gouernadot a índia Diogo lopez de fequeira, home de que muito coníiaua, & que occupaia já em muitas coufas de leu feruiço, de que algúas ficam appontadas neíta •Ft. 36v.d. 2.* Chronica, pera ha qual viagem mãdou aparelhar dez naos grofías cõ que partio de Lisboa alios vinte, & feis dias de Março deftanno de Mil, quinhentos, & dezoito: hos capitães delias riaos erã elle de húa, & das outras Rui de mello que iha prouido da Capitania de Goa, dom loam de lima que leuaua ha de Calecut, dom Aires da gama ha de Cananoi, Garcia de Sá, Gonçalo Rolz ho grego dalcunha, Iam gomez cheira dinheiro, Pero paulo, Lopo cabreira, & loam Lopez aluino. Partido Diogo lopez de Lisboa com eíta frota em que iriam mil, & feis çentos foldados, lendo na paragem do cabo de boa Sperança encontrou hum peixe agulha com ho biquo ha náo de dom loam de lima, com tanta força q ho metteo pelo collado, & aho arrancar deixou hum pedaço delle, mas ha nao banzeou tanto, em quanto ho peixe lleue aferrado, que pareçeo a todos que ef- tauam lobre algum rochedo, & tendolfe jà por perdidos, acodiram ha bõba & acharam que nam fazia mais augoa que acoltumada, no que eí- teuer'am atté que ho peixe fe defaferrou, & loubelfe depois ha verdade dillo em Cochim, dando pendor à náo, porque ho biquo que ficou encai- xado na madeira do collado foi conhecido por de peixe agulha. Paliado ho cabo de boa Sperança chegou Diogo lopez a Moçambique, dode le *fi. 37. ci. 1. partio logo perá índia, & chegou à* barra de Goa, ahos oito dias de Septembro, & de ahi se foi a Cochim, & por nam achar Lopo foarez
— IO — que era ido^à ilha de Zeiland, quomo fe no Capitulo íeguinte dirá, pouíou em húas cafas de Lourenço moreno, fem querer tomar poffe da fortaleza, nem entender na gouernança da índia atté Lopo foarez vir lio que lhe foi muim bem contado de todos, por ler coufa defacoltum'ada vfaréíle entre taes Capitães lemelhantes comprimentos, por pela mór parte ferem hos homes tam (ofregos de mandar, que hum fó dia de feu domínio não padecem que fe meíture com hos daquelles, a que fuccedem em femelhãtes cargos. Capitu, xxxii. De quomo Lopo J'oare\ foi a Ilha de Zeiland onde fez Ma fortaleza, & do mais que pajfou atte tornar a Cochim, & dahipera ho Regno. QVANDO Lopo foarez partio de Portugal tres coufas lhe encomédou _ cl Rei dom Emanuel fobre todas, ha primeira que folie aho már Darabia, ha legunda, ha armada de que Fernam perez dandrade hauia de ir por Capitam a China, ha outra, fazer húa fortaleza na Ilha de Zeiland •fi. no porto de Columbo, & porque* tinha jà comprido, com hos dous pri- meiros encargos. Pera execuçam do terceiro ordenou húa armada de dezalette velas, em que entrauam fete gales, de que eram capitães Dinis femãdez de melo, com quê iha Lopo loarez, Chriítouam de foula Emanuel de Iaçerda, Gaspar da fylua, Lopo de brito Antonio de miranda' dazeuedo, & loam de melo, & duas naos groflas carregadas de muni- ções pera ha obra da fortaleza, & oito fuftas que trouxera do Fernando de monrroi de Goa, de que elle era capitam: mas das outras, nem dos das duas naos, não achei hos nomes em nenhúa das lembranças que me delia viagem vieram ter has mãos. Iriam nefta armada mais de oitocen- tos loldados Portuguefes, & algús naires do Malabar, com ha qual partio de Cochim no mes de Septembro deite Anno de mil, & quinhentos, & dezoito, & por lhe ho veto não feruir tomou ho porto de Gale, donde depois que ahi íteue hum mes, & meo, por cafo do veto lhe fer co'ntrairo le foi aho de Colúbo, que fera deite obra de vinte legoas. Surta ha' Armada, mãdou Lopo foarez viíitar eiRei com algús prefentes, que lhe leuaua, & apos iíTo lhe mandou pedir que naquelle feu porto de Columbo lhe deixafle fazer húa fortaleza, pera nella ficarem algús Portuguefes de v.d.i.* que lhe a elle, & leus vafialos hauia de feguir muito* proueito, ho que lhe elRei conçedeo façilméte: Neíte lugar hauia algús mouros naturaes da terra, & outros ítrangeiros, hos quaes cõ reçeo de lhe hos Portugue- fes tirarem ho ganho de feus trattos, miíturado com ho natural odio que tem ahos Chnltãos, deram a. entender a elRei, que ho que Lopo foarez 1
— 7i — vinha bufcar era tomarlhe feu Regno depois de ter feita aquella fortaleza, porque afsi ho acuftumauam fazer hos Portuguefes, onde quer q metiam pé: EIRei induzido per eftes mouros, nam fomente negou lia palaura que tinha dada a Lopo foarez, mas antes mandou prender algús Portu- guefes que andauam feguros pela terra, apos ho que mãdou naquella noite fazer húa tranqueira no1 ponta da enfeada, que era ho mesmo lugar onde Lopo foarez detreminaua fazer ha fortaleza, a qt/al tranqueira ama- nheçeo acabada cõ bom quinhão de bombardas de ferro, & efpingardões & muita gente que ha guardaua, começãdo logo de delcarregar ha arte- Iharia contra ha noffa frota, ho q vendo Lopo foarez defembarcou cõ ha mor parte da géte, ho q fe nam pode fazer com tão pouco perigo que hos imigos nam feriffem, & mattaífem com ha artelharia algús portugue- fes, entre hos quaes foi Verifsimo pachequo: mas em fim elles fogiram Fi.37v.ci.».* da tranqueira, & foram feguidos hú bom pedaço,* em que morrçram muitos delles, ho que feito ho Gouernador fe recolheo á frota pera mór fegurança da gente, & alio outro dia tornou a fair em terra, onde lem nenhúa refiftençia mandou fazer húa tranqueira na ponta da enfeada, que por ler eftreita fe aflentou de már a mar, ho que labendo elllei, vendo que nam podia reíiftir aho gouernador fe alli quileffe fazer fortaleza fe lhe mandou defculpar do erro pafiado, & offereçer ajuda pera fe fazer fortaleza, Lopo foarez lho aguardeçeo, dizendo aho meílageiro, que ha fortaleza fe hauia de fazer, por lho afsim ter mandado elRei dom Ema- nuel feu lenhor, mas que elle fe nam contentaua difto, fe nam que elRei de Columbo hauia de ficar tributairo, & pagar cada anno de pareas a elRei dom Emanuel dez Elephantes, & quatroçentos bahares de Canella fina, & vinte anes com feus Robins, dos que fe acham na Ilha, ho que tudo cõçedeo íem nenhúa replica, do q fe fezeram contractos afsignados per elle, & pellos prinçipaes de feu Regno: Lopo foarez fe lhe obrigou també per feus contrattos, a lhe defender ho Regno, & afsi hos Gouer- nadores que apos elle vieífem à India, quomo a vaífallo delRei de Portu- gal : ho que affentado fe começou de trabalhar na fortaleza. Nefte tempo *fi.38.cl.chegou dom loam da fylueira de* Bégalla, que Lopo foarez metteo de poffe da Capitania deita fortaleza, & ha do mar deu a Antonio de mi- randa, ho que feito ficando já ha fortaleza acabada fe lez á vela pera índia ' cõ determinação de acabar de fazer ha de Coullam, mas fabendo q era' chegado Diogo lopez de fequeira fe foi à Cochim onde chegou em Setembro, & partio em laneiro de M.d.xíx, pera ho Regno com noue naos, com que chegou aho porto de Lisboa, em Iunho, íem no caminho 1 El. I. na.
— 72 — pafíar coufa de que fe deua fazer mençam. Partido Lopo ioarez, Diogo lopez começou dentender nas coufas que lhe por entam pareçeo lerem mais neçeílarias aho feruiço delRei, pelo que deípachou logo Chriítouam de loufa com tres velas pera ir a Dabul, de que hos outros capitães eram Rui gomez dazeuedo Deluas, & Lourenço godinho, que de caminho hauião de tomar outras duas velas em Goa, pera fe todos ajuntarem com loam gonçaluez de Caftelbranco, que já mandara Lopo foarez com outras tres velas, pera fazerem guerra ahos daquella çidade que eftaua aleuan- tada, & a dom Afonso de meneies, mandou fobela barra de Baticala, com tres velas, por também eítar aleuantada, & nam querer pagar lias pareas acoítumadas, ho que foi conítrangido fazer cÕ mais auantagem do •Fi.38.ci.».* que ho dantes fazia, & Iam gomez cheira di*nheiro pera ir fazer húa fortaleza na Ilha de Maldiua, onde ho mattaram mouros de Cambaia, que alli aportaram com tres naos, antes de ter feita ha fortaleza. Def- pedidos eftes capitães Diogo lopez de fequeira fe foi de Cochim a Goa, paliando pelas fortalezas de Calecut, & Cananor, prouendo nellas, nas coufas que entendeo ferem neçeífarias. Quomo foi em Goa defpachou logo Antonio de faldanha pera andar no cabo de guardafum, & no màr Darabia ás prefas, com mais quatro velas das que trazia, & a Symão dandrade defpachou pera ha China cõ húa armada, ha qual prouinçia por máo tratto que fez ahos da terra, deixou aleuantada contra hos Por- tuguefes, quomo atras fica dito, & Antonio correa mandou a Malaca com duas náos, a quem deu comiífam de jr de Malaca, cõ outras duas mais, que lhe daria Afonfo lopez da coita, a Pegu por embaixador, pera aílen- tar pazes, & amizade com ho Rei, & ha Garcia de Sá do porto, depois deites Capitães partidos, deu liçêça, pera ir cõ húa náo a Malaca aho qua\ em chegado Afonlo lopez da coita, por eítar muito doente, entregou ha Capitania da fortaleza, & le veo perà índia, onde morreo em Chegando a Cochim. Da viagem deites capitães todos, le for neçeífario direi aho •Fi.Mv.ci.1.» diante: mas por agora lhes abaíte fazer delles meçam, pera fe faber * em que cargos leruiam naquellas partes da índia. Cap. xxxiii. Do cajamêlo da Infante donna Leanor com elRei dom Ema- nuel, & do paretefco que entrelles liauia. ELREI dom emanuel, pelas caufas q atras appontei, detreminou de fe calar, pelo que fob cor de viíitaçam, mandou Aluaro da coita feu camareiro, peífoa de que muito confiaua, a dar ha bem vinda a dom Carlos, leu primo, Rei de Caítela, Archeduque Dauílria, & fenhor dos ítados de Flandres, que entam chegara daquellas partes ha Hiípanha
— ?3 — dando a entender que com ha vifuaçam mãdaua trattar dos cafamétos do Prinçipe feu filho, com ha Infante donna Leanor, filha delRei Pheiippe, irmã deite dõ Carlos, & da Infante dona Iiabel lua filha, com ho melmo do Carlos, couía em q hauia muitos annos que trabalhaua, & lobre que mãdara ho leçençiado Pero de gouuea, aho Emperador Maximiliano, & a elRei Pheiippe leu filho, pai deite Rei dom Carlos, no tépo que faziam guerra ha dom Carlos derradeiro duque de Geldres, fobelo qual negocio •F!.38v.ci.:.* mandara também Thome lopcz dãdrade que ho então leruia de fei tor em Flandres, & ho foi depois da cala da India alio Emperador Maximi- liano, que achou em Ifprug cidade do condado de Tirol, & mandou de- pois com ho melmo negocio aho dito Emperador, Pero correa, ho qual neíte tempo ainda andaua naquellas partes de Flandres em fua embai- xada, pelo Emperador entam ahi reíidir. Aluaro da coita teue Iíto em tanto fegredo que nunca fe foube alio que iha, lenam depois de ter acer- tado eite caiaméto, ho q fez cÕ tãta breuidade q partindo pera Caítella no mes de O&ubro do Anno paliado de M.o.xviij onde foi recebido quomo embaixador, negoçeou também que no mes de Maio deite anno de M.D.xviij ho cor.cluio em Saragoça, onde elRei dom Carlos entam ítaua, & fe fez diíio ho cÕtratto, de que has claufulas prinçipaes fam has feguintcs. Que elRei dom Carlos daua em Cafamento a elRei dom Emanuel cÕ ha Infante donna Leanor fua irmã duzentas mil dobras douro Caltelhanas, & de reda cadanno dous contos de res em lua vida delia: E elRei dom Emanuel deu a Rainha fua molher em arras ha terça parte do dofte, & quinze mil dobras Caltelhanas douro cadanno, pera 1'ua mantença, atte vagarem per faleçi- méto da Rainha donna Leanor fua irmã, has terras que polfuia da coroa, •Fi.39.ci.i.' & que aho filho baram mais velho* que naçelfe dantre ambos ficaífem per falecimento delRei oitocentas mil dobras douro Caltelhanas, has quaes fe lhe liauiam de pagar quatro annos depois do falecimento delRei, lendo elle de idade de dezaíeis annos, & nam ho lendo ho hauiam dalimentar atte fer da dita idade fem fe rebater nada das ditas dobras, & que fale- cendo eíte filho mais velho, ficarião has ditas oitocentas mil dobras a outro irmão íe ho houuelfe, & que nam ficando do matrimonio filho baram, & hauedo filhas fe daria á mais velha à metade da dita fóma de oito- centos mil dobras, & fe lhe pagariã pela mefma maneira, & em cafo que deite Matrimonio nam naíçeíTe filho baram, & houuelie filha, ou filhas ficariam à filha duzentos mil dobras Caltelhanas do melmo valor, ho qual contratto fezeram Guilhelme de Cruy, lenhor de xeures, & ho doctor mcítre Iam íauuage chançarel mór delRei dom Carlos, & Aluaro da coita, & alem das quinze mil dobras Caltelhanas que elRei daua cada anno á Rainha donna Leanor fua molher pera deípefa de fua cala, houue VOL. IV IO
— 74 — por bem lhe dár do feu thefouro todolos vertidos que ella quifefle pera vfo de lua peffoa, fem iffo entrar no contratto, ho qual aflentado, & con- firmado dambalas partes, Aluaro da corta quomo procurador delRei dõ «Fi.39.ei.».* Emanuel, & cõ titulo de embai*xador, reçebeo ha Rainha em feu nome, per caufa do qual cafaméto fe fezeram per ípaço de quinze dias muitas feitas, & jogos, em Saragoça, onde entam elRei dom Carlos ftaua, ho author prinçipal que fez vir efte cafamento em effeéto, foi ho fobre dito Guilhelme de Cruy fenhor de xeures, que abfolutamente gouernaue 1 elRei dom Carlos, pelo qual feruiço lhe mãdou elRei dom Emanuel dar hum rijquo prefente, & ho melmo fez a fua molher que veo a efte Regno, com ha Rainha, & a duas fobrinhas do mefmo xeures que também vieram com ella, húa cafada com monficur de Fienes no condado de Flãdres, & outra que depois calou com monfieur Antonio Marques de Berges, no ducodo2 de Brabante, & ho mefmo fez a monfieur de Treginy, caualleiro da ordem do Tofam, q veo por mordomo mór da Rainha. Concluído ho caíaméto, ha Rainha partio de Saragoça, & per fuas jornadas, com hos fenhores que ha acompanhauão chegou a raia de Portugal no mes de nouembro deite Anno de Mil, & quinhentos & dezoito. Efta fenhora donna Leanor era tam chegada em parétefco g elRei dom Emanuel, que fenam poderam cafar fem difpéfaçam do Papa, porque ella era filha delRei dom Phelippe, & neta do Emperador Maximiliano, filho do Emperador Fedrique, & da fi 39v.ci. 1.* Emperatriz dona * Leanor lua molher, filha delRei dom Duarte, filho delRei dom toam da^ boa memoria primeiro do nome, pelo3 qual conta elRei dom Emanuel caia em fobrinho a efta Emperatriz, porque era filho do Infante dom Fernando, filho do mefmo Rei dom Duarte, & irmão delRei dõ Afonío quito: álem deite parentelquo, tinham outro porto que mais remoto, porque efte Emperador Maximiliano calou cõ madama Maria, filha do Duque Charles de Borgonha, filho do duque Phelippe, dalcunha ho bom, & de fua molher madama Ilabel, filha do dito Rei dom loam da boa memoria, pelas quaes razões ho matrimonio le não podia cõfumar, íem dispenfaçam do Papa quomo fe fez. 1 Et. I. gouernaua. 3 Et. I. ducado. 3 Et. I. pela.
— j5 — CAr. xxxiiii. Do recebimento qve se fe\ a Ramlia em Caflello de vide, per onde entrou em Portugal, & do que fe mais paffou atte chegai á villa Dalmeirim. AS novas deste Cafamento chegará a eIRei ftando em Lisboa, co que elle foi mui alegre, mas ho Principe, & algús íenhores, & fi- dalgos do Regno ho tomaram mal, ho que eIRei entendendo mãdou hum *fi.39v.ci.2* dia chamar hos que íe entam acharão na corte, & lhes fez* húa falia em que deu razões de que todos ficaram iatisfeitos, laluo ho Príncipe, que nunqua diflo moftrou ter godo, nem contentamento, a qual falia acabada lhe foram todos beijar ha mão, ho Príncipe primeiro, & logo ho Infante dom Afonfo Cardeal, apos elle ho Infante dõ Luis, & dom Fernãdo, porque hos Infantes dõ Anrrique, & dõ Duarte eram tão moços q nam foram prefentes a efte auto, apos hos Infantes foi ho duque de Bragança dõ Iaimes, & logo dom George filho baftardo delRei dõ loam íegundo, medre de Sandiago, & de Auis, duque de Coimbra, & dõ loam leu filho Marques de torres nouas, & dom Fernãdo de menefes Marques de villa Real, & ho Arcebilpo de Liíboa dom Martinho da coda, & ho Bilpo de Lamego, dõ Fernando de vaíconçelos de meneies, & ho do Funchal dõ Martinho de portugal que defpois foi Arçebifpo do melmo titulo, & primas das índias orientais, hos outros íem me lembrar da preçedençia forão ho Conde de Vimiofo, ho de Penella, de Abrantes, de Tarouqua, de Villa noua, ho Vilcõde de villa noua de çerueira, ho baram Daluito dõ Diogo lobo veador da fazenda, Antonio dazeuedo Almirante do Regno, do Vafco da gama almirãte do mar da índia, Iam da fylua regedor da caía da fupplicacam, dõ Antonio de noronha, Icriuão da puridade que -Ft.4o.ci...* def*pois foi Conde de linhares, irmão de dõ Fernando de menefes mar- ques de villa Real, & dom Diogo de noronha, & dom Anrrique de no- ronha feus irmãos, dom Pedro de caftro veador da fazenda, dom Aluaro de caftro gouernador da cala do çiuel,1 dom Fernando de caftro dalcunha magro, dõ Antonio dalmeida cõtador mór, dom Nuno emanuel guarda- mor delRei, dõ Aluaro dabrantes meftre falia, George de mello porteiro mor, Valqueanes corte Real veador de fua caía, Rui telez de meneies mordomo mor que fora da Rainha dõna Maria, dõ Duarte de meneies capitam de Tãger, Pero Correa, loam de médonça, dõ Antam capitam t Et. I irmão de dom Fernando marques de villa real, don Diogo, & dom Henrrique feus irmãos dom Aluaro de caftro gouernador da cafa do çiuel, dom Pedro de caftro veador da fazenda. Emendado assim nos « erros da impressão » desta quarta parte.
— 76 — de Lisbòa, dõ loam maícareniias Capitão dos ginetes, Symão de mirada deuora camareiro mor, & guardamor do Infante dõ Arrique, Ioã de fal- danha veador q fora da cafa da Rainha dona Maria, Triftã da cunha, dom George deça, dom Pedro de caftelbranquo, loam lopes de fequeira,' dom Luis Coutinho, Luis de brito, dõ Garcia de noronha, dom Martinho de noronha, Garcia de foufa chichorro, dom Phelippe lobo, Chriítouam correa, Gabriel de brito," Antonio carneiro lecretairo, & do coníelho del- Rei, Fructos de Goes íeu guarda roupa, & defpois deles fenhores, & fi- dalgos tetem beijada ha mão a eIRei, lha beijamos Pero carualho, & eu, •Ft40.cl.i.* que andauamos ainda* em pelote no paço, porque nefta cafa fe nam per- metio entraré em pelote mais que nos ambos, ho qual Pero carualho foi depois guarda roupa delRei dõ loam terçeiro, & prouedor mór das obras do regno, ha porta tinha Gafpar gõçaluez de riba fria, porteiro da ca- mara delRei, que defpois em tépo do mefmo Rei dõ loam terçeiro veo a ler alcaide mor da villa de Syntra de juro. Has nouas deite cafaméto deram a eIRei no começo do mes de Iulho deite anno de Mil, & quinhé- tos, & dezoito, & logo no mes Dagoíto, por calo da peite que entam co- meçou em Lisboa, le foi a Syntra cõ toda fua cafa, & de ahi a Collares, & a Torres vedras, onde íteue algús dias ordenando coufas que com- priam pera leu recebimento, ho q acabado fe foi pêra Almeirim, & dei- xãdo neíte lugar hos Infantes feus filhos, & filhas, fe foi com ho Príncipe aho Crato, pera ahi íperar ha Rainha fua molher: a qt/al chegou a raia de Portugal ahos vinte, & tres dias do mes de Nouembro, acompanhada do Duque Dalua, do Bifpo de Cordoua, do Biipo de Plazença, do Cõde de monte agudo, do cõde Dalua de Iiíta, & do Almirante das Antilhas. Hos ienhores de Portugal que ha foram reçeber a raia, foram ho Duque de Bragança, dom Iaimes, ho Arcebifpo de Lisboa, dom Martinho da •Kl.40».d.,.. Coita, ho Bifpo do Porto, dom Rodri*go de mello Conde de Tentúgal, que depois foi Marques de ferreira, dom Martinho de Caftelbranquo' Conde de villa noua, todos em muito boa ordem, & por appofentador mor Diogo lopes de lima, & outros muitos fidalgos que eIRei pera iífo eícolheo: Ho lugar onde fe todos ajútaram, foi a par do ribeiro de Scuer, que demarqua eftes dous regnos, ficando hos Caftelhanos de húa banda delle, & hos Portugueles da outra, fem íe moueré. Stando afsi todos, fem hauer outra mais fala, que muito ftrondo de trompetas, ata- bales, & charamellas, de húa, & da outra parte, ho Conde de villanoua paliou ho ribeiro, & foi beijar ha mão ha Rainha, que eftaua entre ho Duque Dalua, & ho Biipo de Cordoua: apos ho Conde de villa noua foi ho de Tentúgal, & ho Biipo do Porto, & per derradeiro ho Arçebiipo de Lisboa: apos eites ienhores feguio ha géte nobre, ho que acabado ha
— 77 — Rainha paliou ho ribeiro, junto do qual ha ftaua lio Duque de Bragança fperando, com fua gente bem ordenada, porque elle leuaua dos de fua caía mais de trezétos de cauallo, & cem alabardeiros. Ha outra gente de cauallo, com ha queleuauam hos Bifpos, Condes, fidalgos, & caual- leirós, paflaua de dous mil. Quomo ha Rainha paffou ho ribeiro, ho •Fi.40T.ci.».* duque fe deçeo do cauallo fazendo*lhe fua diuida reuerençia, a quem ho Duque Dalua perguntou fe trazia precuraçam delRei dom Emanuel pera receber ha Rainha donna Leanor em leu nome, ha qual lhe logo moftrou & foi lida em alta voz, & dada aho duque Dalua pera fua guarda, per cuja vertude tomou logo ha Rainha pelo cabo de húa cadea douro que trazia no braço, & ha entregou aho Duque: Ho que feito fe defpediram • hús dos outros: com ha Rainha entraram ho Bifpo de Cordoua, & mon- fieur de Tregeny, que vinham por embaixadores, ho Marques de villa Franca, com ho prior de fam loa, & ho comendador mór dalcantara, filhos do duque Dalua, ho Conde de monte agudo que acõpanharão ha Rainha atté ho crato, donde fe tornaram muim latisfeitos da boa compa- nhia que lhes elRei fez: ho Bifpo de Cordoua, & fenhor de Tregeny foram com ha Rainha atté -Almeirim. Eíte dia que fe defpediram hús dos outros veo ha Rainha dormir a Caftello de vide, onde fteue hum dia & aho feguinte fe foi aho Crato, depois da Rainha ter ceado chegou el- -Rei has noue horas da noite, ho qual ha rainha veo receber no peitoril da fcada da falia, onde íe fezeram fuas cortefias quomo dentre marido, & mother, ho que feito, ho Principe que vinha cõ elRei quifera beijar •Fi.41.ci.!.* ha mão á Rainha, mas ella lha não* quis dàr, pofto que ho Principe niffo iníiftiíle, apos ho Prinçipe lha beijou dom George, duque de Coimbra, meftre de Sanftiago, & de Auis, & porque ha Rainha quomo dixe, tinha já ceado houue logo na mefma falia ferão, neíla mefma noite hos reçebeo ho Arçebifpo de Lisboa: Paffados dous dias em q houue muitas feitas, jogos, & danças, fe defpedirão hos fenhores de Caltella, & elRei com ha Rainha vieram dormir á ponte do Sór, & aho outro dia á Chamufca, no qual lugar ítiueram dous dias. Dalli fe foi elrei a Almeirim, donde hos Infantes dom Luis, dom Fernando, & dom Afdnfo Cardeal de Portugal ha íairã a receber húa legoa da villa, acõpanhados dos Bifpos de Lamego, & Vileu, Conde de Marialua, & da Feira, com muita gente de cauallo, hos Infantes em chegando à rainha fe aperã,1 & forão pera lhe beijar ha mão, ha qual ella na tão fométe lhes na quis dár, mas ãtes lhe fez muita cor- tefia, & fobre todos aho Cardeal per cafo da dignidade, apos hos quaes lha beijará hos Bilpos, codes, & hos mais q entã poderã chegar õde ella ítaua, 1 Et. I. apeará.
- 78 - q forã poucos, pela grade preffa q hauia de géte, alsi de pé quomo de cauallo: deite lugar abalarão cõ trõbetas, atabales, & charamellas fem çefíaré atté almeirim, onde has Infantes, dona Ilabel, & dona Beatriz, •Fi. 41. ci. a.' acõpanhadas do duque de Bragãça, & dos cõdes* de Portalegre, Tarou- qua, & do Vimiofo ítauã fperãdo ha Rainha aho pé da Içada da lala velha, que faia aho terreiro, mas em ha Rainha chegando vedo q faziam has Infantes moltra de quererê fair fora dos degraos pera ha ire receber, íe lançou de húa laca branca, muito fermola, em q vinha, com tanta preffa q has foi tomar ainda nos degraos, õde has Infantes lhe fezeram cortelia, cõ hos geolhos atté ho chão, tomãdolhe ha mão pera lha beijar, ho q ella per nenhum modo quis conlentir, mas antes lias abraçou, & aleuãtou cõ muito gafalhado, & cortelia: apos has Infantes lhe foi beijar ha mão dona Beatriz filha do Cõdeltabre dõ Afonfo ja defunfto, ha qtml ella abraçou, & lhe fez bÕ galalhado, apos ella feguio dõna Iruira, cama- reira mór q fora da rainha dõna Maria, & ho foi depois lua, & afsi iodarias damas per fua ordé, q ftauão mui bê atauiadas, & não menos fermofas q has q vinham cõ ha Rainha, polio q ho fofiém aflaz. EIRei meímo ítaua dizédo à Rainha hos nomes de cada húa delias, muito alegre, & rilonho, ho q acabado le forã todos a Capella fazer oração, no qwal dia por fer vefpera do Apoítolo fanéto Andre, houue vefperas, & depois de Çea leram, & aho outro dia depois de acabada ha miíla, elRei reçebeo ha ordé do Tofam, q lhe elRei de Caftella dõ Carlos feu cunhado mandou, •fi.41 v.ci...» em final de amizade, cõ* hú colar douro das infignias da ordé, que Iam fozis encadeados, & hum verlo a feiçam de pelle de carneiro, com ha cabeça, cornos, pes, & mãos q pendé deite collar. Ella ordem fundou dõ Pelippe 1 duque de Borgonha, ho bõ dalcunha de q jà falei, a imitação do verlo dourado de lafom, & de fuas peregrinações cõ prepofito de paliar à terra fada, fazer guerra, ahos turcos, ho q não fez por lho ítro- uaré outros negoçios, & achar pera ifio pouca ajuda & fauor no Papa, Reis, & príncipes chriltãos. Depois de elrei ter tomada elta ordem fcreueo a Iam brandam, natural do Porto comédador da ordem de Chrilto, que ho entam feruia em Flandres de feitor, que mandaíle fazer perà Capella delta ordem do Tofam hú põtifical de pãno rico douro cõ feus fabaltros borlados, em q le pofelsé has armas, & éíignias deite regno, ho qt/al le fez pelos melhores offiçiaes de toda aqlla prouinçia, & ftãdo eu em Flãdres na anno de m.d.xxíííí fe aprelentou na Capella do Tofam, que elta na Egreja do Sablõ na villa de Bruçellas, ho qual he ho mais riquo, & melhor obrada de quantos eu tenho vifto, excepto ho que elRei mandou aho Papa Leam, 1 Et. I. Phelippe.
— 79 — per triftam da cunha. Eiteue elrei em Almeirim com toda fua corte, em grandes feitas, de touros, canas, ferões, & outros paílatempos atté lio •Fi.4iT.ci.i.* começo do verão em que fe foi pera Euora.* Capitu, xxxv. Do que fe passou em Malaca todo ho tempo que dó Aleixo ahi Jleue, & depois q partio perá India atte Jim de/le Anno de Mil qui- nhentos, & dezoito. POSTO qve dom Aleixo de meneies fteueíTe em Malaca, & Fernã Perez dandrade, cõ ha armada que trouxe da China, né por ilfo deixaua elRei de Bintão de proceder na guerra, de q a çidade recebia muito dano, & hos Portugueíes afrõta, pelo q ordenou dó Aleixo por quãto leuaua regiméto de Lopo foarez que todo ho tempo que alli Iteuefle não laiífe da fortaleza a pelejar, que ho fezeffe Afonfo lopez da coita capitã delia debaixo de cuja bandeira foram Duarte de mello Capitam do màr, dõ triítã de meneies, dom Rodrigo da fylua, dom Emanuel leu irmão, Aluaro de loufa, Françifco pereira, Duarte furtado, George botelho, Ema- nuel falcão, Antonio lobo falcão, Diogo pachequo, pero de faria, Symão dalcaçoua, George maícarenhas, & outros Capitães, cada hum em lua galeota, bateis, & outros nauios da terra, em q ihã mais de trezentos foldados Portuguefes, & três mil Malaios, de q era capitães ho Bandara, & ho Laicar, hos quaes todos chegarã a tiro de bõbarda da fortaleza q •fi.41.d.i.« eíte rei tinha* feita em Muar, mas por ha maré fer vazia nã poderã paífar adiãte, pelo q iperãdo ha enchete fe poferã ás bombardadas, aho q lhe hos imigos refpõderã tambê que mattarã algús dos noífos, alsl malaios, quomo Portuguefes, entre hos qi/jes foi Aluaro de íouia cunhado Dafonfo lopez da coita, cÕ tudo elles- houuerã de paífar adiãte quomo ho tinha determinado, fenão fe defmãchara per palauras q houuerão Afonio lopez da coita, & George mafcarenhas, por fere de calidade q foi neçeífario tornaréífe todos pera ha çidade, fem fazeré nada do a q iham. ElRei de Bintam fem faber ho dãno q hos noífos reçeberã, porq dos feus lhe mat- tarã muitos neíte jogo de bõbardadas, vedo q de roito a roíto tinha ho negocio mal parado, detreminou de ho fazer per engano, pera ho efeito do q mãdou pedir paz a dó Aleixo, q lhe elle cõçedeo de boa võtade, por é Malaca hauer falta de mãtimétos, ha qual afsétada, & defcuidados hos por- tuguefes & afsi hos da terra da treiçã q elrei de bintã ordenaua, comuni- cauam có hos ieus como cõ amigos, ê tãto q vinhã à çidade, & hos mais conhecidos á fortaleza, ode lhes faziã bõ galalhado. Stãdo iíto deite modo elRei de bintã fez preítcs íetenta lancharas bé artilhadas, & cõçertadas, & mãdou q fe fofsé de noite á ilha das naos, & per terra mãdou mais de
— 8o — •Fi.4j.ci.».» dous mil íoldados pera daré na fortaleza, & ho mefmo* á mefma hora fezeram has lancharas na Ilha, onde mattaram algús dos noífos, que deícuidados de tamanha treiçam ftauam dormindo, & poferam fogo a algúas naos, & nauios, que ahi eftauam, que fez pouquo damno por ftarem molhados dagoa que chouera aquella noite: efte negocio fenam pode trattar com tanto filençio, que ha grita dos que mattaram, & feriram, & doutros que fogiram, não foífe ouuida na çidade, aho que dom Aleixo mandou acodir por alguns dos capitães, que por fer maré vazia nam podei a chegar a Ilha, mas depois que creçeo, & hos imigos viram que nam podiam fazer mais do que tinham feito fe recolheram, ho que os noffos vendo se forão perá çidade já a horas de meo dia, & com quãto \iellem tarde, chegaram a tempo, porque hos que elRei de Bintan mandara perneira, com outros que hauia na çidade, que eram neíta conjuraçam, derão de madrugada na fortaleza com tanto Ímpeto, que ha poleram em aperto, hos quaes em vendo hos nofibs, que tornauam da ilha das naos, começarão dafloxar, recolhendo-se pouquos, a pouquos pera ho lugar donde vieiam, contra os quaes fairam logo hos mais dos Portuguefes que ftauam na fortaleza, que jútos começarão de tratar hos imigos de calidade, -fi.4jt.ci...» qUe tomarã por partido deixarem ho campo, ficã*do delles muitos mortos, & captiuos, lem lhes valer ho focorro que nesta peleja (depois dandarem trauados) lhe elRei de Bintam mandara de gente, & Elephantes, mas pofto que defta vez foífem desbaratados, nem por isso defeftio elRei de mandai cometter lete dias continos ha fortaleza, nos quaes todos hos Portuguefes fe defenderam muim esforçadamente, faindo tarn a meude fora delia a dár rebate alios imigos atte que teuerão por melhor partido deixar ho çerquo, que proceder nelle, do que mais indignado elRei de Bintam nam çellaua de proceder na guerra per màr, com que tinha poita a cidade em tanta careftia de mantimentos, que começaua algúa gente de morrer à fome, ho que vendo dom Aleixo detreminou de°lhe mandar tomar efta fortaleza, ou tranqueira de Muar, porque fazendoho, tinha por certo, que deftfteria por aquella vez da guerra, & fe iria pera Bintam, ahos quaes penfamentos lhe acodio Deos per modo bem defuiado do que poderá cuidar, ho qual Senhor Deos pareçe que inlpirou nefte têpo em hum Iao home nobre, éí riquo que le folie viuer a Malaca ho q pos em obra trazédo coligo tres jungos carregados de muita fazéda fua, fcrauos cafados, & íolteiros: efte Iao é chegãdo à coita de Malaca, foi tomado, & •fi.4jt.c1-j.» leuado a elrei de Bintã, aho lugar* de Pagó, ho qual fez tanto com elle, que le foi pera aquella villa com fua molher, & cafa, cõ ha q»al por ler muito fermofa elRei veo a ter conueríaçam, pelo que pera mais à fua vontade comprir leus defejos encarregaua efte Iao nos negoçios defta
81 guerra, dandolhe ha capitania dalgúas lancharas, com que trattaua mal hos noífos porque era muim esforçado caualleiro, finalméte que por fulpeita que elle teue dos amores de fua molher com eIRei de Bintam, ou per qualquer outro defgolto, elle le veo lançar na noíTa fortaleza, & per lua induftria a tranqueira de Muar foi tomada, cõ çento, & vinte Portugueles, & "algús Malaios que dom Aleixo a iffo mandou per már, & per terra, no qual negocio ho mefmo Iao foi morto de hum tiro dartelharia dos imigos, & muitos dos da terra noífos amigos, & algús portugueíes, & a Emanuel falcão, q era capitam da gente que iha per terra, quebraram húa perna, com hum tiro de bõbarda de que logo caio quomo morto, em cujo lugar elegeram Diogo pachequo: no qual feito le acharam Emanuel pa- chequo, irmão de Diogo pachequo, Antonio lobo falcam, Diogo brãdam do Porto, & Ioão fernandez efcriuam da nao de do Aleixo, & Iam guedez ambos de Sanftarem. Na trãqueira fe acharam mais de fetenta tiros •Fi.43.ci. i.' dartelharia. & muitas armas, & outras* monições de guerra, ho que tudo fe leuou ha noffa fortaleza. Ifto afsi acabado, dom Aleixo delpachou dõ Triltã de meneies perás Ilhas de Maluco, quomo ho trazia per regi- miento de Lopo loarez, & elle fe partio perá India no começo de Dezébro de Mil quinhentos, & dezoito, com quem le foi ha mór parte da gente que ftaua em Malaca, por Afonfo lopez da coita fer homem forte de condiçam, & liarem fcandelizados muitos homés nobres, & hõrrados delle. Partido dom Aleixo, eIRei de Bintam começou de nouo ha guerra & teue ha fortaleza cercada por fpaço de xvij dias, cõ mais de tres mil homes, & per mar mandou muitas lancharas, que no porto poferam fogo a duas naos de mercadores noífos amiguos, & a húa noífa galé que alli ítaua delenxerçeada, alio que acodindo hos noífos, fe pos fogo per deíaítre ha poluora na lanchara de Gabriel gago, de que ardeu toda fupitamente, & todolos que iham nela fe foram ao lundo por andarem armados, & a Diogo mendez Capitam doutra lanchara leleuaram 1 a cabeça com húa bõbardada: com tudo ho fogo que andaua nas naos, & galé foi apagado, pelo q hos q ftauã fobre ha fortaleza vedo ha grade reíiítéçia que lhe hos noífos fazião, & quão mal hos trattauam cõ ha artelharia, & a ferro •fi. 43. ci. j.* todalas vezes q faião * fora, & que ho Bãdara, & ho Lalcar, com muita gente da cidade lhes faziam também muito dãno aleuantarã ho çerquo, & fe foram pera onde eIRei de Bintam ítaua, q por entam defeítio deita guerra, na qual morreram xviij Portugueíes, em que entrarã hos dous capitães nomeados, & dos imigos legúdo le foube no már, & na terra, morreram mais de quatroçentos, & foram captiuos muitos, entre hos 1 Et. I. leuaram. VOL. ív ' >
82 quaes entrou hú filho de hum fenhor do Regno de Siam, pelo refgate do qual feu pai madou à Afonfo lopez da coita hú grade jungo carregado de mãtimentos, de que por entam hauia em Malaca muita neçefsidade. Capit. xxxvi. Em que fe tratta da armada que ejle anno foi á índia. HO intento delRei dom Emanuel íoi lempre buícar modos per que podeífe tolher ahos mouros ha nauegação do már da Arabia pera índia, & tomar ludá, & dcltroilla, & afsi de fazer húa fortaleza em Diu, pelo qual refpeito mandou, eite Anno de mil quinhétos, & dezanoue, dezafeis naos à India, em que iha muita, & boa gête Portugueia, hos mais delles, homês nobres, & bõs íoldados, deltas naos que partiram •n.«3*.d.i.* em Abril deu ha Capitania a Ge*orge dalbuquerque, a quem também fez merçe da Capitania de Malaca, na vagante de Afonfo Lopez da coita, hos outros capitães eram dom Diogo de lyma, Lopo de brito, que iha prouido da capitania de Zeiland, Emanuel de foufa, Pero da íylua, Diogo fernandez de Beja que leuaua ha capitania da fortaleza que elRei man- dara fazer em Diu, Chriílouam de mendotiça, Françifco da cunha, dom Luis de guzmam Caítelhano, cafado neítes regnos q leuaua hú fermofo galeam, lio melhor artilhado de quãtas naos hauia neita frota, loão rolz dalmada, Garcia chainho q iha prouido da feitoria de Malaca, Gonçalo rolz correa, ho doctor Pero nunez q iha por vcador da fazéda da índia, i(Tento do gouernador, Raphael cathanho, Raphael pereítrello, & Diogo caluo, natural Dalanquer, capitam de húa nao de do Nuno emanuel, que hauiã de ir todos tres á China, deitas naos ha de do Diogo de lyma arribou a Lisboa a tépo q não pode feguir viagé, & do Luis de guzmã íe aleuantou cõ ho galeã. fazédoile coífairo, no qt/al tratto fez muitas coufas indignas de home nobre, q por fere taes nã diguo, rcmettédo ho leâor alio q diffo contam Iam de barros, & Fernam lopez da Caítanheda nas fuas hiítorias da índia. Ho galeam de Emanuel de íoufa nã foi à índia, •Ft.«3Y.d.a." porq a elle ho mattaram mouros, cõ mais de* quarenta Portugueíes no porto de Mantuá, indo pera Melinde buicar mantimétos, & outras coufas de que tinha neçelsidade, & ho galeam depois delle morto foi ter a húa ilha q eílá a par de Quiloa, onde deu à coita, & hos mouros nam con- tentes de roubarem ho que nelle iha mattaram todolos Portuguefes, fem darem vida a nenhú delles, faluo a hum moço que era fobrinho do meftre q elRei de Zãzibar recolheo: George dalbuquerque inuernou em Moçam- bique com noue náos, porque has quatro de que eram capitães Lopo de brito, Pero da fylua, loam roíz dalmada, & Frãçiíco da cunha paíTarã á
— 83 India, & forã ter a Cochim a tempo que le andaua Diogo lopez de fe- queira fazendo preftes pera ir aho már Darabia, pelo que por ter neçef- fidade de gente, & fuftalha, pareçédolhe q George dalbuquerque inuer- naria cõ has outras naos em Moçãbique lhe defpachou logo Gonçalo de loulé em hum nauio per quem lhe mãdaua dizer q ho folfe bufear atté ho porto de judá, pera onde ftaua de caminho. Efta armada em que Diogo lopez foi aho mar da Arabia fe acabou de aperçeber muitos dias antes que partiífe, & porq Miliquiaz íenhor de Dio difsimuladaméte mã- daua fuas fuítas fazer todo ho mal que podelfem ahos Portuguefes, & a •Fi.44. ci.i.« feus amigos, detreminãdo diogo lopez de acodir a iffo mãdou Chri*ftouam de Sá cõ tres gales, de que elle era capitão de húa, & das outras dom George de menefes, & George barreto de beja: ho qual depois que fez algúas prefas na cofta de Cãbaia, fe tornou a Goa no mes de Ianeiro quomo lhe Diogo lopez mãdara, & apos elle chegou Antonio de faldanha, que elle defpachara pera ho cabo de guardafum, onde també fez mui boas prefas: nefte tempo em que eíles capitães andauã darmada íe foi Diogo lopez de fequeira a Coulam, onde fteue tres mefes dando ordem a algúas coufas q copriam a leruiço delrei, no qual tempo le acabou ha mór parte da fortaleza, & por fe chegar ho tépo da viagem que hauia de fazer, fe tornou a Goa, onde, depois de ter ido a Cochim, & tornar, ajuntou toda ha armada, com que partio ho Anno leguíte de m.d.xx, quomo le em feu lugar dira. Capit. xxxvii. De quomo Fernam de magalhães deu a entender a elRei dom Carlos que has ilhas de Maluquo, & banda caiam na fua demar- caçam, & que iria a ellas Jem locar nos limites da nauegaçam de Portugal. FERNAM de Magalhães, de quê já nefta Chronica fiz mençam, foi homem de boa cafta, * & que andou nos liuros dos moradores da cala delRei dom Emanuel em bom foro, & ho leruio nas partes Da- frica, & na índia, onde fe achou com Afonío dalbuquerque na tomada de Malaca, dãdo fempre de fim ha cõta que lbem dàr hos homes que ha tem com ha honrra, aho qual parecendo que pelos feruiços que tinha feito, mereçia a elRei acreçentamento de fua moradia, que he ha merçe que hos Portuguefes nefte tempo mais eftimão de feu Rei por lhe ficar quomo por herança pera feus filhos, & deíçendentes, trabalhou muito no requerimento defta moradia, pedindo a elRei que lhe acreçentalfe mais duzetos reaes por mes, q he meo cruzado douro: ho qual cruzado vai agora quatrocentos reis brancos de leis feptis no real, aho que lhe
- 84 - elRei faio com hum toftam por mes, do que fe nam contentando, & co- nhecendo em elRei que defgoftaua delle por efte refpeito, & por algús reportes que lhe delle fezeram, do tempo que ho fteuera feruindo em Azamor, fe defnaturou do Regno tomando diífo ftromentos públicos, & fe foi a Caftella ieruir elRei dom Carlos, a quê deu a entéder que has Ilhas de Maluquo, & banda ftauam nos limites das demarquações feitas entre elrei dom Fernando, & ha Rainha dona Ifabel Reis de Caftella, & •Fi.44T.ci.!.* elRei dom loam de Portugal, fe*gundo do nome, & pera mais cõfirmar ifto leuou coníigo hum Rui faleiro português, homem q fazia profifam de Aftrologo, & Mathematico, eftes ambos foram ter a Saragoça no Anno de Mil, quinhentos, & dezoito, hos quaes elRei dom Carlos, com leu conlelho ouuio muitas vezes, & a Fernam de magalhães mais, por fallar melhor nas coufas do màr, que ho faleiro: abo que acodindo Aluaro da cofta, que lá andaua iobello negocio do cafamento da Infante donna Leanor, de que já trattei, falou fobriílo a elRei dõ Carlos, trazendolhe ha memoria has alianças, & parentefquo dclle com hos Reis de Portugal, & (obre tudo o do cafamento da Infante fua irmã com elRei dom Ema- nuel, & outras rezões que moueram elRei a querer deíeftir defta emprela, mas hos do leu conlelho lho contrariaram, & fobre todos ho Bilpo de Burgos que qua veo com ha Rainha, pello que elRei nam pode al fazer fenam comprir com ho que tinha prometido a Fernam de magalhães, & J a Rui faleiro, que era darlhes embarcaçam pera fazerê efta viagé, do que logo Aluaro da cofta auifou elRei per fuas cartas, que fobrilTo teue con- felho em Syntra onde entam ftaua, no qual foram dom Iaimes duque de Bragança, dom loam de meneies cõde de Tarouqua priol do Crato, & •fi.44v.ci.j.' mordomo mór delRei, & dom* Fernando de Vafconçelos de menefes Bifpo de Lamego capellam mór delRei, que depois foi Arçebifpo de Lis- boa, em que ho pareçer delRei, do duque, & do cõde foi que nain mandaífem chamar Fernam de magalhães, por nam dar occaíiam de outros fazerem ho mefmo, mas ho Bilpo dixe que feu pareçer era, que ho mandaífe elRei chamar, & lhe fezelle merçe, ou ho mãdaffe mattar, porque ho negocio que começaua era muito prejudiçial aho Regno, & leria ainda caufa de muitos malles, & damnos, cõ tudo ha reloluçam foi que ho nam fezellem. Sobre efte negoçio falou Aluaro da cofta em Sara- goça muitas vezes a Fernam de magalhães, & achando nelle votade de fe tornar pera ho Regno, fcreueo húa carta a elRei que eu vi, que ho deuia de recolher por fer homem de grandes fpritos, & muito pratico nas coufas do már, que do bacharel Rui faleiro nam fezeífe conta, porq andaua quafi fora de feu fifo, mas né ifto aproueitou pera fe nam effeótuar hú tamanho deferuiço ha Coroa deftes Regnos, de que fe tantos defgoftos, L A
— 85 — & gaftos depois feguirão, & tanta fama ahamefmo Fernão de magalhães, que todo ho n .r da banda do Sul, & ho ftreito que defcobrio, per onde lá paífou, fe chamam do leu íobre nome, & chamaram atté fim do mundo. •fl45.et. 1.* Aísi que procedendo Fernam de* magalhães, & ho faleiro nefte negoçio fe vieram a contrariar com elRei dom Carlos, fobela viagem que hauiam de fazer, de que hos pontos prinçipaes fam hos íeguintes. Primeiramente qtie Fernam de Magalhães caualleiro Português, & ho bacharel Rui faleiro, outro fim Português podeffem nauegar pelo már Occeano, dentro dos lemites, & demarquações de Caftella, pet a I10 que lhe elRei dom Carlos daua poder, & liçença. Porque nam leria rezam que defcobrindo elles Ilhas, & terras íe lhes atrauefaíTem outros a fazer ho mefmo que era fua merçe de por tempo de dez annos nam dàr liçença a peíToa nenhúa pera ir def- cobrir pelo caminho, & derrota que elles fezeffem, releruando que leus capitães que tinham nas prouinçias do már do Sul podefsé ir bulcar ho ftreito daquelles mares, dãdolhes elles pera ilío liçença, & que querendo hos ditos Fernam de magalhães, & Rui faleiro ir delcobrir também pera aquella parte ho que ainda nam era defcu- " berto, que lhes daua pera iflo liçença, hos quaes defcobrimétos fariam, com tanto que nam defcobrifiem nem fezeffem coufa nenhúa » nas demarcações, & limites delRei de Portugal leu muito amado tio, & irmão, nem em leu perjuizo, faluo détro dos lemites da demar- •fl«5.cl.i.* caça de Caftella.* 1Í Que de todallas terras, & Ilhas que defcobrifiem rebatidas has del- peffas que fobriffo fezeffem lhes fazia merçe da vintena, aísi das rendas, quomo dos direitos, & outra qualquer coufa, com titulo de adiantados, & regedores das ilhas, & terras que defcobrifiem, pera elles, & pera fcus filhos herdeiros de juro pera fempre, ficando ho fenhorio lupremo pera elRei, & pera feus defçendentes. Que depois de tornarem delta primeira viagem lhes fazia merçe de leuarem, ou mandarem leuar cadanno ás Ilhas, & terras que defco- brifiem mil cruzados empregados a fua culta defies, nas mercadorias que lhes aprouueffe, & trouxelfem delia ho retorno que quiíeffem fem diffo pagarem mais que ha vintena. Que defcobrindo mais de feis Ilhas, que elRei efcolheria pera fim has feis, & elles duas, das quaes lhe fazia merçe da quízena parte de to- dalas redas, & direitos reaes que coubeffem á Coroa de Caftella, & iíto rebatidos hos cultos. Que lhes fazia merçe dos quintos de todo ho que trouxelfem nefta primeira armada rebatidas has delpefas.
— 86 — f Que le qualquer delles morrefie andando neíles defcobrimétos, que fazia merçe por inteiro, de todo ho fobredito, & pela mcfma maneira aho que ficafle viuo, tam ccmpridamente, quomo fe ambos andaííem ~t'L4sv.d.i.- nos taes defco*brimentos, & deixando regiméto, & inflruções, ahos que com elles foliem per onde delcobriflem has Ilhas, & terras que elles iham bufear, que em tal cafo fazia tcdalas merçes, cõtheudas neíte cõtrado, a feus herdeiros, & iubçeílores. Que pera fazerem eíta viagê prazia a eiRei lhes atmar çinquo naos à lua propria cuíla, & poria nellas hos capitães, & outros offiçias,1 peia terem conta cõ ha íazenda que nella mandaua, hos quaes em tudo ho que cempriile a bem de juítiça, & a feu feruiço lhes obede- çiriam íob pena de eílarem a fua merçe, quomo ho leuauam per regimento. File contrario, de que aqui pus ho mais íoflançial, fe fez entre ha Rainha donna Ioanna, & eIRei dom Carlos leu filho Reis de Caílella. & Fernam de magalhães, & ho bacharel Rui faleiro na villa de Valledolid ahos xxij dias do mes de Março, do Anno do Senhor de mil quinhétos, & dozoito, alsinado por eIRei, & feripto pelo lecietairo Françifco dos couos, ho qual contratto feito eIRei dõ Carlos íe foi aho Regno Daragã, & em Barçalcna deu regimento a Fernam de magalhães, & aho bocharel2 Rui faleiro, cio que hauiam de fazer neíla viagem, leito ahos oito dias do mes de Março do Anno de mil, quinhentos, & dezanoue, cõ que fe foram a^Seuilha, donde Fernam de magalhães (por ho bacharel Rui faleiro •fi.<5y.ci.a.* não* querer profeguir neíla viagem) partio ahos dez dias Dagoílo do mefmo anno, com çinquo náos que lhe eIRei mandou aparelhar pera eíta viagem, de que era capitam geral com alçada de poer, & tirar Capitães, & offiçiaes, quomo lhe pareçefle fer feruiço delRei, & de executar juítiça çiuel, & crime em todolos que iham na Irota, de qualquer calidade q foliem, hazendo Fernã de magalhães fua derota, foi ter á terra de landa Cruz, ou do Braíil, onde nauegando Contra ho polio do Sul foi embocar hum ílreito ahos xxj dias do mes de Septembro, do Anno de mil, quinhentos & vinte, que atté aquelle tempo nam fora delcuberto, que teiá de már a mar, fegundo dizem cem legoas de comprido, no qual andaram atté hos xvij dias do mes Dodubro, em que pairaram à outra banda do màr, no qual caminho lhes aconteceram vareos cafos, quomo ho lcreuem hos que foram neíla viagem, que aqui nã ponho por perten- çerem mais has hiítorias de Caílella, que a eíta noífa, entre hos quaes 1 Et. I. offiçiaes. 2 Et. I. bacharel.
— 87 — foi mattarem, na Ilha de Matam (que he junto da de Zubu) hos da terra, Fernam de magalhães, & chegarem das çinquo naos que partira de Se- uilha lós duas a Ilha de Tidore, q he húa das de Maluco ahos oito dias de Nouembro de mil quinhentos, & vinte, & hum, dõde húa deitas nàos •Fi.46.ch1.* partio depois* de ter feito leu refgate a troco de crauo, ahos xxj de Dezembro, ha qual fazendo feu caminho pelo cabo de boa Sperança chegou a Seuilha a hos viij dias do mes de Septembro do Anno de mil quinhentos, & vinte, & dous, ha outra náo por fazer agoa ficou na Ilha, donde depois de tomar fua carega partio ahos feis dias Dabril, do Anno de M.D.xxij, com prepofito de ir tomar ha terra firme do Dariem, que lie húa das prouinçias, que hos Caítelhanos tem defcubertas da bãda do màr do Sul, & nauegaram attè fe porem, em quorenta, & dous grãos do pollo artico, ou do norte, fegundo ielles demarcaram, & por lhes faltarem mantimentos, & ha gente lhes morrer de frio arribaram has Ilhas de Maluco donde antes partiram, & vieram lurgir entre has Ilhas de Doy, & Bathechina, 110 qual lugar liando fobre ancora, íouberam de hús paraos delRei de Geilolle que paliaram per apar delles que na Ilha de Ternate ltauam Portuguefes fazendo húa fortaleza, pelo que defpacharam logo ho fcriuam da nao a lhes pedir que quomo a proximos chriítãos hos qui- feífe acorrer, que na náo nam hauia gente pera ha marear, p<3r hos mais lerê mortos, & hos outros doétes, aho q logo Antonio de brito, q chegara has ilhas de Maluco depois delta nao partir, quomo fe aho diante dirá, •Fi.46.d.».* & era capitam da* fortaleza que fe fazia, mandou dom Garçia anrriquez em hum nauio, & Gafpar gallo em húa fufta, & Duarte de refende em gum 1 bargãtim, com algús paráos que hos acharam çinquoenta legoas da Ilha de Ternate, onde hos leuaram, & lhes foi feito muito bom gafalhado, dos quaes algús forão ter a India, & dahi a Portugal, porque a fua nao depois de mea defcarregada com tormenta deu à coita na mefma Ilha de Ternate, á qual elles chegaram ahos xxvj dias de Iunho, tendo nauegadas, pola cota que faziam mil, & quinhentas legoas, do dia que partiram da Ilha de Tidore atte tornarem á de Ternate. E porque das demarquações dentre Portugal, & Caltella dos termos que a cada hum deites Regnos cabe no que he defcuberto, & íta por delcobrir fcreueram algúas peíloas hús em fauor de hum Regno, & outros do outro, nam direi aqui nada do que elles trattã em luas alturas, remett'endome aho que le niíío achar na verdade, entre hos quaes hum delles he loam de Barros feitor da cala da índia, & mina, que na fegunda década da fua hiítoria de Afia no liuro quinto, Capit. viij. (onde fala neítes negoçios de Fernã de magalhães, 1 Et. I. hum.
— 88 — & do cafamento da Infante dona Leanor com elRei do Emanuel) diz que todas eftas coufas fcreue elle particularmente na Chronica 1 do mefmo Rei «FI.4ÍV.C1.I.» dom Emanuel,* ho que també deixa jà dito atras na mefma hiftoria de Afia, pelo que he neçeífario que fcrua2 eu aqui ho q fobrefte negocio pafla, pois me a m! coube ho trabalho, & hos Anéis de pedras preçiofas a Rui de pina, q lhe Afonfo dalbuquerque mandaua pera fereuer com melhor võtade hos memoraueis feitos que elle fez na índia, quomo ho mefmo Iam de Barros ho diz nefta fua Hiftoria de Afia. Efte Rui de pina foi neftes Regnos guarda mór da torre do Tombo, & Chronifla, ho qual começou ha Chronica delRei dõ Emanuel, em que continuou atté ha tomada Dazamor, & morte de dom loam de meneies que foi no Anno de M.n.xiiij lem fazer meçam de muitas coulas, que paífaram na índia, & em outras partes atté efte tépo, entre has quaes foi a tomada de Goa, & iíto que lcreueo, nam deixou também ordenado, & cõçertado quomo ho húa tal Chronica requeria, alem da obrigaçam que tinha a eIRei dom Emanuel, pelas muitas, & grandes merçes, que delle reçebeo: defpois do falecimento do qual Rei elle viueo muitos anos. Em fim que morto Rui de pina eIRei dom loam fegundo3 do nome filho delRei dom Emanuel, deu ho officio de guarda mór, & Chronifta a Fernam de pina feu filho,' ho qual teue ho que feu pai copofera nefta Chronica per muitos annos •fi.46t.ci.a.* em feu poder, iem* nella fereuer coufa nenhúa, nem concertar nada do que feu pai deixara imperfeao, de maneira q fendo elle priuado de feus officios, per algúas culpas, que lhe poferã, eIRei dom loam mãdou entregar efte começo de lembranças defta Chronica delRei feu pai a Antonio pi- nheiro, que agora he Bifpo de Miranda, pera que lha fezefle de nouo, do q fe excufou ou por fer mais inclinado a outros ftudos, ou por ter ho trabalho por grande, ho que vendo ho meímo fenhor Rei dom loam, ha deu a Ioã de Barros feitor da cafa da índia, & mina, encomendandòlhe muito a tal obra, ho q elle tomou a cargo, mas hauendo já çinquo ou feis annos q ha tinha em cafa, fem lhe poer ha mão, por lhe não refpon- derem cÕ has merçes que hú tamanho feruiço merecia, veo eIRei dom loam a faleçer, depois do faleçimêto do qual lha tomou ho Infante do Anrnque Cardeal de Portugal, tal qual ha elle recebera, & ma entregou a mim, encomendandome muito q de nouo fezefle efta Chronica delRei íeu pai, ho que eu tomei a cargo, & acabei com tanto trabalho quanto Deos (abe, & ha hiftoria, & proçeífo delia ho de fim ftam moftrando. 1 Et. I. Chronica. * Et. I. fereua. 3 Et. I. terçeiro. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte.
- 8g - Capit. xxxviii. Em que ho author declara quaes foram hos fcriptores, •fi. 47. ei. i.« que cõpoferã has chronicas dos reis defies regnos * POIS ia tenho dito a quem coube ho trabalho defta Chronica delrei dõ Emanuel, razão he que declare ho que pafia açerca das dos outros Reis defies Regnos, ho que nam alcançei tão façilmente que me nam pareça feréme hos que lcuam gofto de leré taes liuros em muita obrigaçam, por lhes dàr a entender nefte breue difcurfo, ho que elles por ventura nam poderam alcançar fenã com muitos annos deftudo. Mas paliando por efta obrigaçam começarei de trattar da que todos temos à Fernam lopez Chronifta defies Regnos, & guardamor da Torre do tombo, lcriuão da puridade que foi do Infante dom Fernando que morreo captiuo em Fez, ho qual Gomezeãnes de zurara (que também foi Chronifta, & guarda mór da mefma Torre) na Chronica que fez da tomada de Septa no Capitu, iij, diz que compos per mandado delRei do Duarte fendo Infante, ha Chronica do dito Rei dom loam feu pai, com que nam pode chegar que attè ha tomada de Septa, & mais adiante diz no mefmo Cap. que nam chegou mais com ella fenão atté ho tempo que hos embaixadores defies Regnos foram a Caftella primeiramente firmar pazes com elRei dom Fernando Daragão, & com ha Rainha donna Catherina, que áquelle •Fi.47.ci.».• tempo* eram tutores delRei dom loam, & pois ifto aísi he, quem bem entender ho ftylo da Chronica delRei dõ loam primeiro façilméte conhe- cera que he ho mefmo ho das Chronicas dos Reis dom Pedro, & dom F'ernando feu filho, das quaes tres Chronicas trattarei algús lugares de que fe verá mui claraméte que compos Fernam lopez todalas do Regno, começando do Conde dom Henrrique, atté elRei dom duarte, ho qual Fernã lopez no prologo da delRei dom Pedro diz afsi. Por feguirmos inteiramente ha ordê de noífo razoado no Primeiro prologo tangido, &c. Efta ordem que Fernam lopez tinha era defcreuer nos princípios das Chronicas que compos, hos cuftumes. & ordé da vida dos Reis de que traétaua, & parece que efte Prologo de que aqui faz menção era geral em todas has Chronicas, quomo ho de fam Hieronymo á Paulino fobre todolos liuros do Teftamento velho, & nouo. E no Capit. primeiro da melma Chronica diz Fernã lopez afsi. Morto elRei dõ Afonfo, quomo haueis ouuido, regnou ho Infante dom Pedro feu filho, & porque dos filhos que houue já compridaméte hauemos falado, não compre aqui razoar outra vez. Defte lugar fc vé bem que fez Fernam lopez ha Chro- nica delRei dõ Afonfo quarto, & na fim do mefmo Capitulo onde fala •H.47T.CI.1.» de dom loam* meflre Dauis, que depois foi Rei, diz que elle mefmo fez VOL. IV 12
— go — ha fua Chronica, & Gomezeanes de zurara diz no terceiro Cap. da Chro- nica de Septa, que defpendeo ho dito Fernam lopez muito tempo em andar por morteiros, & Egrejas bufcãdo hos cartoreos, & hos letreiros delias, pera hauer fua informação, & diz quomo já appontei, que íe fez efta diligençia nefte Regno per mandado delrei dom Duarte fendo ainda Ifante, & que ho mefmo Rei dom Duarte mãdou bufcar à Caftella muitas fcripturas, que a ifto pertençiam, por quanto feu defejo nam era que hos feitos de feu pai foflem icriptos fenam muim verdadeiramente. Bem fe pode crer que pera negocio tam moderno, & que ie fcreueo em tempo em que ainda viuiam muitos dos que feruiram a elRei dom loam primeiro, na guerra, & na paz, não hauia muita neçefsidade de íe veré todolos cartoreos do Regno, nem de mandar fazer ha meíma diligençia a Caftella, fenã fora pera fe também apurarem, & acabaré na verdade has Chronicas dos outros Reis atras, de q ha notiçia era mais remota. Efta fegunda diligéçia diz Gomezeanes que mandou fazer elRei dõ Duarte, & ho nomea por Rei, & na que fe fez no Regno, quando encomêdou ha Chronica •fu47t.cI. a.» delRei leu pai á Fernã lopez, ho nomea por Infante, de maneira que ellas * fe fezeram em diuerfos tempos. Mas quomo quer que leja, ha razão demolira que não hauia neçefsidade de tantas diligencias fe nã fora pera íe tãbê delias collegir ho que compria a todalas outras Chronicas do Regno, que per vétura atté então nam liariam bem ordenadas. E no Capit. fegundo da melma Chronica delRei dom Pedro declara Fernam lopez que elle mefmo fez ha Chronica delRei dom Afonfo quarto, onde acreçenta has palauras feguintes, dizendo, quomo em algús lugares defte liuro fe faz mençam, ho qual liuro, quomo fe vé no contexto da materia, entéde por todalas Chronicas do Regno. E no no Cap. quarêta, & hum da mefma Chronica quãdo elRei dom Pedro armou caualleiro do loam feu filho natural, meftre Dauis, diz, que lhe lançou ha bençam, & que foi nelle bem cõprida, quomo ho aho diante dira, que foi na meíma Chonica, da qual le proua deíle lugar, que foi elle ho author. E na Chronica del- Rei dõ Fernando Cap. trinta, & noue diz afsi, hauia em Eluas hú ícudeiro mãçebo, chamado per nome gil F^ernãdez, filho de fernã gil, neto de Lourenço gil, prior que fora de Sanda Catherina do dito lugar, ho qual foi homem de bom esforço, & pera muito íegundo dixemos na hiftoria delRei dom Afonio quarto: Claro fe moítra defte lugar que fez Fernam 'Fi.48.ci.i.* lopez* efta Chronica delRei dõ Afonfo quarto. E no Cap. Ixxxiij diz ho feguinte, de Rui pirez de ferreira, & de Tareia pirez de cambar naíçeo ho bom caualleiro Fernam roiz pacheco, que teue ho caftello de Celorico, quando ho Conde de Bolonha veo por Regedor defte Regno, fegúdo ho contamos em feu lugar. Manifellamente fe vé defte paífo que fez Fernão
— 9i — lopez ha Chronica delRei do Sancho capelo, & pois fez eíta, també faria ha delRei dõ Afonfo Códe de Bolonha, & ha delRei dom Dinis íeu filho, pai delRei dom Afonfo quarto: porque bem fe deue crer que pois elle mefmo diz que fez has Chronicas delRei dom Sancho capelo, & delRei dõ Afonfo quarto, q eitoutras duas que ficão no meo deitas, lhe não fica- riam por fazer. E no Capitu, cento vinte, & dous da mefma Chronica diz deita maneira: Eíte Conde Nunaluarez era filho do prior dom Aluaro pereira, de cuja geraçam, & obras mais adiante entendemos traótar, quando nos conuier fereuer hos grandes, & altos feitos do meítre dauis, que depois foi Rei de Portugal. Pouquo ha que diiputar em fe ter por certo fer Fernão lopez ho que fez eíla Chronica, alem de ho dizer Gome- zeanes de Zurara quomo fica appõtado. E na fim do Cap. cento çinquoéta, •fi.48.d. a.* & oito da mefma Chronica delRei dom Fernando fe confirma ho meímo, * onde diz que quando ho Conde dom Afonfo tornou do captiueiro de Caítella, creçendo ha má fama da Rainha fua irmã com ho Conde An- deiro, detreminaua de ho mattar, fegundo promete de ho fereuer quando falar da morte do Code, quomo ho fez no começo da Chronica delRei dom Ioã primeiro, & na primeira parte da Chronica do mefmo Rei dom loam Cap. Iviij falando Fernam lopez dos que ajudaram ha ganhar ho Regno a cite magnânimo rei diz afsi. De guiía que quomo no começo ^ deita obra nomeamos algús fidalgos que aho Conde dom Henrrique aju- darão ganhar ha terra ahos mouros, aisi nefte fegundo volume diremos hús poucos dos que aho meítre forão cõpanheiros em defender ho Regno de ieus imigos. Deite lugar fe vé tão claro como ho foi, ter Fernam lopez feito ha Chronica do Conde dom Henrrique, de que ahi nam ha memoria, & has dos Reis, atté elRei dom íoão primeiro, ás quaes todas chama primeiro volume, porque aisi quomo em algúas delias tratta de quomo ie ganhou ha terra à hos mouros, aisi neíta que poem por fegundo volume tratta quomo elRei dom loam ganhou ho mefmo Reino contra ho poder dos Caítelhanos, & Portuguefes que eram contrelle, & no Pro- •Fi.48T.ei. I.* logo da fegunda parte deita Chronica diz has palauras feguintes. * E porque em começo de quada Reinado acuitumamos poer parte das bon- dades de cada hú Rei, não nos defuiando da ordem primeira, tal modo quiferamos ter com eíte. E ho meimo diz no Capit. cento quarenta & noue, donde ie vé na verdade ter eíte copiofo, & diíereto feriptor Fernam lopez feitas, & compoítas has Chronicas dos Reis atras, & toda ha del- Rei dom loam Primeiro. E no mefmo Capi. deita íegunda parte diz aisi, houue elRei hum filho chamado dom Duarte que nafçeo 11a çidade de Vifeu, ho qual regnou depois de feu pai quomo adiante ouuireis. Bem claro fe vé deite lugar que fez Fernam lopez ha Chronica delRei dom ir
— 92 — Duarte, & que era jà morto, pois diz que regnou, porque ie viuera então dixera que agora regna. Dos quaes lugares reçitados le vé na verdade ter Fernam lopez lcriptas, & acabadas todalas Chronicas do regno, começando do Cõde dom Henrrique atte lia delRei dom Duarte, que fazem em numero doze: mas quomo fe lhe roubou ho louuor de tamanho trabalho julgueho quem ho bem entender. Ifto affirmo poíta a parte ha Chronica do Conde dom Henrrique, de que não po(To dizer nada, pois delia nam ha noticia, que à delRei dom Afonfo anrriquez, que Duarte •Fi.48v.ei.».* galuã diz que fez de nouo, faltão muitas couías que não* vieram ha fua noticia, de cujo ítylo não poffo julgar nada, porque nunca vi outro volume per elie ícripto que ho deita Chronica, na qual he muito mais breue do que ho he em algúas cartas que elle fcreueo alios Reis dom loam fegúdo, & dom Emanuel, andado fora defles Regnos em íeu feruiço. Mas quanto has Chronicas dos Reis dom Sancho primeiro, dom Afonlo legundo, dom Afonlo terceiro, dõ Denis, dõ Afonlo quarto, ho ítylo delias he muim differente do de Rui de pinna, & facilmente dira fer ifto afsi, quem per ho ftudo das boas letras, & artes alcançou ho dom de poder julguar antre ftylo, & ítylo. E no que toca ás dos Reis dom Pedro, dom Fer- nando, & dom loam primeiro, não ha que dilputar fenão que has compos Fernam lopez, porque ho ftylo delias he todo igual, tem ter miltura, & em muitas partes tem femelhança deite ftylo has Chronicas dos Reis atras, exçepto ha delRei dom Afonfo Henrriquez, que Duarte galuam quomo já appontei diz que fez de nouo. E quanto à delRei dom Duarte nam ha i duuida fenam que ho texto lubítançial delia he de Fernam lopez, & hos razoamentos da ida de Tanger de Gomezeanes de Zurara, que pareçe que por ho volume ler pequeno lhe quis acreçentar aquelles razoamentos, •fi 49. cl. i.» com ho enterramento del*Rci dom loam, que conuinha mais á terçeira parte de fua Chronica, fe fe fezera, que nam aho começo da delRei dom Duarte leu filho, ha qual ie vé muim claro do ftylo que he tocada de tres pinçes, ho primeiro de Fernam lopez, ho fegundo de Gomezeanes de Zurara, ho terceiro de Rui de pinna. Nem he de crer que mandaíle el- Rei dom Afonfo quinto, gomezeanes de Zurara a Alcácer çeguer pera fe lá melhor informar dos feitos do Conde dom Duarte, & hos fcreuer, fem ler acabada, & apurada ha Chronica delRei feu pai, porque quem era tam curiofo de fazer vir em luz hos feitos deite Cõde dom Duarte, & do Conde dom Pedro feu pai, & hos dos Reis paífados, que pera fe diuulgarem em lingoa Latina, mandou vir de Italia dõ Iuito frade da ordem de S. Domingos, a quem por eífe refpeito fez Bifpo de Septa, nam deuia de mandar começar ha tal obra fem primeiro ordenar q le acabalfe de todo ha chronica delRei feu pai. E pois tenho dito de todas
J — 93 — eftas chronicas, razão lie q declare ho q entédo da delrei dõ Afonfo quinto, ha ordé da qual chronica moltra manifeftamente fer tudo ho que ie trafta defno tempo q elrei dõ Duarte faleçeo atte morte do Infante dó Pedro.4 De Gomezeanes de Zurara, ho q íe também proua do Capi. quarenta, •Ft. 49. d. i.* & tres da Chronica da to*mada de Septa, que elle compos, onde diz que do que íe feguio, depois do faleçimento delRei do Duarte acerca da morte do dito Infante dira aho diante. Ho qual Gomezeanes de Zuraia ícreueo também ha tomada Darzilla, que foi no Anno de Mil quatrocentos ietenta, & hum, porque elle viueo algús anos depois dos de Mil quatroçétos íettae,2 & dous em que paffou húa carta, per madado do meímo Rei dom Afonfo ahos moradores de Cafquaes, do foral de Syntra, nem he de crer que deixaffe por fereuer feitos tarn notaueis quomo ho foram hos da tomada Dalcaçer, Arzilla, & Tanger, pois acõteçerã em ieu tempo, mas depois de ieu faleçimento nam acho quem foi ho que continuou nefta Chronica, no qual tempo foram has guerras dantre eftes Regtios, & hos de Caftclla, depois das quaes, & de ferem feitas has pazes ho que ie mais ícreueo atte ho fim delia, ho ftylo, & ordem moítram lerem de Rui de pinna, aho qual, pofto que fe intitule author de toda efta Chronica, nam negarei ho que fe lhe deue por reuer, & conçertar ho que nella iez Gomezeanes, & hos demais ícriptores. De maneira q efta Chronica del- Rei dõ Afonío quinto foi começada per Gomezeanes, & depois continuada per outros feriptores, & finalmente acabada per Rui de pinna, & quanto •Ki.49v.d. i.â hà del*Rei dom loam fegundo nam ha i duuida a fer feita pello mefmo Rui de pinna, & delia fe lhe nam pode negar ho trabalho, porque ho ítylo, & proçeffo da obra dam verdadeiro teftemunho fer tudo feu, fem outra nhúa miftura. E pera que íe nam tenha nhúa duuida que fez Fernam lopez todallas Chronicas do Regno, atté ho regnado delRei dom Afonío quinto porei aqui de verbo, a verbo ho treílado de hum tegiílro que achei em um liuro da Portagem da cidade de Lisboa que diz afsi. Dom Afonío &c. Carta de Fernam lopez guarda das feripturas da Torre per que ho dito fenhor pelos grandes trabalhos, que elle ha tomado, & ainda ha de tomar em fazer ha Chronica dos feitos dos Reis de Portugal lhe pos de mantimento em cada hum mes em toda iua vida em a íua P01- tagem de Lisboa quinhentos reaes de mantimento. Peita em Lisboa onze de Ianeiro de Mil, quatrocentos quarenta, & noue alsinada pei ho dito fenhor, & felada do feu íello pendente. E que efta Chronica geral foffe feita já em tempo de Gomezeanes elle ho teftemunha no derradeiro 1 Está ponto por vírgula. 2 Et. /. setenta. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte.
— 94 — Capi. da Chronica do Conde dom Pedro primero capitã de Septa, nas palauras íeguintes. No mes Dagoito delta era (que foi ho Anno do Se- •Fi.49T.ci.».* nhor de Mil, quatroçentos trinta, & lete) pairaram hos Infantes em* Septa pera ir fobre Tanger, quomo de feito foram, legúdo podeis vm 1 na Chronica geral do regno, na qual Chronica ho rnelmo Gomezeanes diz em outra parte que fez hum Prologo. Mas já que alarguei tanto has velas em dizer ho que alcancei, & entendo de todas eítas Chronicas, neçeíTario he que confirme ho que diguo cõ loam Roíz de Sá de menefes Alcaide mór da cidade do Porto, fenhor de feuer home q agora lerá de idade de mais de oitéta annos, de quem já fiz algúas vezes mençam nelta Chronica, ho qual fabendo ho trabalho em que eu andaua melcreueo húa carta da çidade do Porto, onde reíide, em Nouembro de Mil quinhentos çinquoenta, & oito, de que porei fomente ho que toca a eite negocio, a quem fe pode dar inteira fé pola muita, & varia liçam, & doótrina que nelle há nas Artes liberaes, & Philofophia, & experiençia das coufas que de leu tempo aconteceram neltes Regnos, & outros. Neila carta diz afsi, Folguo muito de lhe darem ho carguo da Chronica delRei dom Emanuel quomo melcreue, porque fei que ha fará muito bem por ha deuaçam, & amor que teue à leu feruiço, & à fuas coufas, & parece elta conta que dá de quomo andou de mão em mão elta Chronica, ho que fefcreue das •fi.5o.ci.i.« Rhapfodias de* Homero & afsi foram has Chronicas dos Reis paífados de Portugal, que fe perderam em poder de Frei Iuíto Bifpo de Septa Italiano, que elRei dom Afonfo mandou buícar a Italia pera lhas fcreuer em Latim, & elle morreo de peite em Almada, & ahi fe perderam. Rui de pina em tempo delRei dom loam fegundo houue à mão, por mandado delRei húas Chronicas dos Reis antiguas, que mingoauão, de hum homem deita çidade muim principal, que íe chamaua Fernam nouaes, & hum leu filho que fe chamaua também Fernam nouaes quomo elle, me moítrou a carta delRei, com ho conheçimento de Rui de pina, & regnando elRei dom Emanuel, elle, ou por ter eítas Chronicas, ou també por ítar em feu poder ho tombo, em que eítauam has couías daquelles tempos, & por Chronicas de Caítella fe offreçeo a elRei a lhe fazer has Chronicas que faleçiam, & a ilfo fe veo da Guarda a Lisboa, & has fez com grande goíto delRei, & com lhe fazer muita merçe por iífo. Depois de acabadas muitas peifoas vi delcontentarífe delias, á minha vontade iem razão, poíto que ho ítylo de Rui de pina poios muitos adieétiuos, & epithetos que íe vfauam naquelle tempo he muito afeitado. Attequi abaíte ho que diz •Fi.5o.ci.».* em fua carta Ioã roíz de Sá, & ho demais* deite diicurfo feja pera fe 1 Et. I. ver. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte.
— 95 — íaber ho que pada açerqua das Chronicas do Regno, & a quem fe deue ho trabalho delias. Mas quanto à Chronica delRei dom Emanuel Rui de pina não continuou nella mais q atte ha tomada Dazamor, & faleçi- méto de do Ioã de meneies, quomo já dixe, que foi no Anno de M.D.xiiij, tendo ha elle, & feu filho Fernam de pina fucçeísiuamente a leu cargo atte ho Anno de M.D.xIvj, que forão vinte, & çinquo annos depois do falecimento deite bom Rei, com dcixaré por fcreuer has mais das coulas que neíle tempo paífaram no Regno, & nas cõquiítas delle, & ho que nella ícreueo Rui de pina era tam delordenado, que fui conítrangido a começar tudo de nouo, fem me poder ajudar de íeus trabalhos lenao quomo de quaelquer outras lembranças das que me poderam feruir pêra húa tamanha obra quomo foi ha deita Chronica. Capitu, xxxix. Dalgúas entradas qve dom Aluaro de Noronha fe\ em terra de mouros, & Vafquo fernande\ çefar Adail da mefma çidade. TENHO dito dos negoçios que neíte Anno de Mil, quinhentos, & dezanoue paliaram na In*dia, aquilo que me pareçeo neççífario agora tornarei ahos Dafrica, dos quaes hos primeiros feram hos Dazamor que inflarei neíte Capitulo per ordem, quomo aconteçeram. Deites ho primeiro he húa entrada que dom Aluaro de noronha fez ahos noue dias de Feuereiro deite Anno de Mil quinhentos, & dezanoue, que pelo dia em que iíto foi fer muito frio lhe ficou ho mefmo nome, no qual dia entrou dez legoas pela Enxouuia, com duzentas, & trinta lanças, & çem homés de pé, com que deu iobre hús Aduares, donde poíto que com aífaz trabalho, & perigo, trouxe duzentas, & dez almas, com que fe tornou Azamor viftoriofo, & logo ahos vinte, & çinquo deite mes entrou doze legoas pela Enxouuia, & foi dàr nos Aduares de Naçer benduma, que era húa das cabiçeiras da Enxouuia, ho qual, pelo achar defcuidado captiuou com duas molheres fuas, & dous filhos, & húa filha, & muitos parentes feus, que com hos mais captiuos eram em numero cento, & nouenta, & fete almas. Tornando afsim dom Aluaro com eíta caualgada pera Azamor, hum Caualleiro Português, per nome Antonio Leitam, natural de Çezimbra com torpe, & demafia da cobiça de manilhas, •fusot.ci.j.» argolhas, & exorquas groífas de prata, que húa nora de Naçer ♦ ben- duma, defpofada de pouquo com hum feu filho trazia, lhe cortou hos braços, & hos pes, por lhe tirar eítas jóias mais á fua vontade, ho que iabendo dom Aluaro, lhe madou que deífe logo ha prata alios quadri- lheiros, & a elle por cometter húa tamanha deíhumanidade mãdou prender
— 96 — pera ho caftihar,1 & tirar has armas que trazia vertidas, dizendo que home que tal fazia, nam era mereçedor de has trazer, né de cingir fpada, jurando, que fe alii tiuera roqua, & eftopas, q lhas fizera fiar, a vifta dos chriftaos, & dos mouros, pera exemplo da vileza que tinha feita. - Sentio dom Aluaro tanto efta Crueza que porto que ho mandafle foltar, a roguo dalgús fidalgos que lhe dixe, que quomo chegaffe á cidade na failfe da cafa fenam ho dia que ho mãdalfe embarcar pera ho Regno, quomo fez no primeiro nauio que partio Dazamor. Depois defta caual- gada entrou dom Aluaro ahos vinte de Março pela Enxouuia pera ir dàr em hús Aduares, que ftauam doze legoas da cidade Dazamor, & no caminho a tres legoas delia em amanheçédo encontrou húa cafilla, que atrauefiaua perà Duquala, que guiauam vinte mouros dos quaes tomou hos dezanoue com toda ha cafilla, ho que mandou perá çidade, & paliando adiante pelo valle Dalgamuz, já húa hora de noite, foi ter a húas ladeiras, •fi.5i.ci.i.« has* quaes palfadas dixe a Symao pirez, que era hum dos que elpiara eftes Aduares, que fe per alli hauia terra de pedras que hos guiaffe pera lá, por lhe nam íentirem ho raíto, & pola hauer muito perto donde ftauam, hos leuou lá, onde, depois de repoufarem duas horas,- fe poferã a cauallo em tres batalhas, porque dom Aluaro iha reçeofo de lhe fairem mouros pelo auifo que lhes poderia ter dado ho que fogira da cafilla que tomou, das quaes batalhas deu húa a Antonio lopez de fiqueira, & ha outra a Diogo de mello, & na terceira ficou elle cõ ha mais gente de cauallo, & cento, & dez homés de pé, fpingardeiros, & befteiros, hos quaes todos caminhando em boa ordem, deram de madrugada nos Adu- ares, em que tomaram trezentas, & oitéta, & duas almas, & mais de çinquo mil cabebeças 2 de gado mcudo, com ha qual caualgada caminhando pera Azamor, ho começou de feguir húa groffa companhia de mouros de cauallo, hos quaes fendo já junto da noífa gente fe deixou entrelles, & hos nofios ficar hú mouro de pazes, homem nobre, & muito bom caualleiro, per nome Çale bem barqua, tio de Bemadu, fazêdo rofto de querer trauar fcaramuça com algús dos imigos, ho que vendo dõ Aluaro reçeoío que lho mattaflem, por ftar fó, fez voltar hos guiões, & elle fez •Fi.5i.ci.j.* ho mefmo* com ha bandeira, na qual volta mattaram trinta, & tomaram hú muito honrrado, que fe chamaua Mufa benfada filho dalé mumeme: hos outros vendofle mal trattados daquelle primeiro encontro fe afaftaram pondoffe todos juntos a ver ho que hos noffos faziam, que dalli forão tomar hú vao perque dom Aluaro fez paífar hos captiuos nas ancas dos 1 Et. I. caftigar. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte. 2 Et. I. cabeças.
— 97 — cauallos, & porque ho gado meudo lhes poderá impedir ho paflo antes de chegar aho vao, ho deu todo a hum mouro velho, dizendolhe que fe foíle pera hos aduares, & delTe ho gado a feus donos,1 Paífado eíte vao mandou dom Aluaro defcarregar has Azemelas, & ha vifta dos mouros, q ftauam da outra banda do rio, jentaram, & repoufaram, per Ipaço de duas horas, ho que feito fe tornaram pera cidade cõ has almas, que leuauam captiuas fem acharem outro nenhum recontro. Depois deita entrada faio dom Aluaro da çidade ahos xxv dias do mes de Março, pera ir fobre hús Aduares da Enxouuia, q ítam dalli outras doze legoas, mas antes q lá chegalTe achou algús mouros dos mefmos Aduares q andauam elpalhados pelo campo ápanhar fruóta, dos quaes captiuou çinquoenta, & por íer por eíte cafo fentido, & hos mouros q fogiram terem dado rebate •fim*.ei.i.* ahos Aduares, fe tornou pera Azamor, & logo ahos xxviij deite mes foi* fobre hús Aduares que ítauam pela Enxouuia treze legoas, mas antes de lá chegar achou húa groíTa companhia de mouros de cauallo íobre hum coual a tres legoas dos Aduares a que iha, ho que íabendo pelos efpias, madou fobrelles Lançarote de freitas cõ icfenta lanças, & elle lhe foi nas coitas com ha mais gente, de que mattaram muitos, & captiuaram feíenta, entre hos quaes foi Aragho bem ragho, que era húa das cabeçeiras da Enxouuia muito bom caualleiro, & de idade mais de cem annos. Nam cõtente dom Aluaro de entam pouquo ipaço de tempo ter feitas tam boas caualgadas, faio Dazamor ahos trinta dias do mes de Março, & foi dár (obre húa villa pequena, çerquada de muro, que fe chama finer, fituada, a quinze legoas Dazamor na Enxouuia, a qual entrou per força, & afora ho faquo que deu ahos mouros de pazes (que ho fempre acompanharam em todos eítes negoçios) trouxe captiuas trezentas, & çinquoenta, & oito almas, & em tornando perà çidade com eíta caualgada, lhe fairam algús mouros da Enxouuia, que íeguiram hos noiTos hum bom pedaço, mas vendo que ganhauam pouquo na efcaramuça, ie tornaram pera feus Adu- ares, & dõ Aluaro entrou em Azamor com toda ha caualgada. Neíte •i-i.5if.ct.*.* tempo em que dom Alua#ro fez eítas caualgadas, confiado de Vafco fernandez çefar Adail dazamor, por fer muito esforçado caualleiro, ho mandou algúas vezes correr ho campo, das quaes húa foi andando hos mouros de pazes recolhendo feus pães ás eiras, porque ho auifaram que erão entrados almogaures pela terra, & que areçeauam que lhos vieífem queimar, aho que logo mandou ho adail Vafquo íernandez çefar com trinta de cauallo, com que iaio pela porta do combate, & em chegando a húa mizquita que fia perto da çidade, que cm outro tempo feruira de 1 Está vírgula por ponto. VOL. IV ■3
-9«- gafaria, acodio aho rincho de hum cauallo que ítaua dentro, & tomou ho mouro cujo ho cauallo era, veitido com húa faia de malha fem mangas, lio qual lhe dixe quomo no forninho ftauam trinta de cauallo, & que itaua alli pera poer fogo, & leuar algum chriítão captiuo: ho que fabido mandou ho mouro com dous de cauallo a dó Aluaro, dalli com ha mais companhia encaminhou pera ho forninho onde achou hos mouros, que depois de lc defenderé quomo muim bos caualleiros le lançaram algús dos de cauallo alio no, & outros de pé a bãda da enxouuia, com tudo delles mattaram logo tres, & foi hum tam mal ferido que morreo de ahi a algús dias, & lhes tomou çinquo cauallos, & captiuou tres mouros, & •Fi. 5a. cl.i.« leguio ho alcance ló alio feu* capitam per nome Acobenamer, & ho captiuou, & lhe tomou lio cauallo cm que iha. Paffado cite negoçio teue dom Aluaro noua quomo na comarqua da villa de Tite andauam almo- gaures, & que corriam atté Mazagão, fingindo ferem muitos, ahos quaes mandou ho adail Vafco fernãdcz çefar, com que, & com algús de Maza- gão foi em bufca deites almogaures, & achou fomente hos de pè, porque hos de cauallo erão idos a Terqueneijm: eítes de pé fe defenderam brauamcnte entre hús pardeiros, & balfeiras, mas nê iílo lhes Pode valer, porque algús delles ficaram logo alli mortos, & hos outros fe acolheram a hum alcoram que ítaua junto dos pardeiros, onde polio que fe defen- deflem com muito esforço foram entrados, & hos primeiros que fobirão foi ho adail Vafco fernãdez çefar, & liú Frãçitco vaz atalaia, & Afonfo i oíz feriuão de Mazagã, & outros dous todos cÕ armas dobradas, & apos eítes entraram outros que todos fobiram pelas fcadas do alcoram atté ho mais alto, onde fe hos mouros tinham recolhido, hos quaes depois de fe defenderem per hú bÕ fpaço foram todos mettidos á fpada, com hum dos quaes lio adail Vafquo fernãdez çefar ãdou a braços, & ho lãçou do alcorã abaixo, que por fer mui alto fe fez todo em pedaços, & ho mefmo •fi.51.cl.2.* houuera dacõteçer aho adail porque* aíferrou ho mouro nclle tam rijo que houuera de leuar cõfigo, cite negoçio fe teue em Azamor, & Mazagam por muito honrroio, porque hos mouros eram todos bos caualleiros, & ho lugar em q acabaram de hos mattar muim diífíçultofo.1 Pouquos dias depois deite negoçio mandou elrei chamar Vafquo fernandez çefar, & ho mandou no Anno de Mil, quinhentos, & vinte, darmada aho ítreito de Gibaltar, quomo fe em leu lugar dira. i 1 Et. I. dificultoso. v
99 Capito, xl. De duas entradas qve dom Aluar o de Noronha fc\ na Enxouuia. A villa de vmbre eíta íituada fete legoas Dazamor pela Enxouuia, cercada de muro, & barbacam, de affaz bom tamanho, & forte, por ftar aífentada nhúa barreira muito Íngreme que vem dar no rio que lhe paífa pelo pé. Sobrefta villa foi dom Aluaro de noronha ohos dez dias Dabril deftanno de Mil quinhetos, & dezanoue, & ha combatco por bom Ipaço fem ha poder entrar, pofto que teueífe poftas Içadas aho muro, pelo que mandou chegar ás portas algús dos em q mais confiaua, pera cõ machados lhes cortarem has couçeiras, ho que fe logo fez, de maneira "Fi.5iv.ci.i.» que* has portas cairam inteiras pera ha banda de dentro, aho que aco- dindo hos mouros defenderam ha entrada per hum bom ípaço, mas em fim hos noífos ganharam ha villa, & mattarã muitos delles, & outros fe lançaram pela barroca abaixo contra ho rio, de que morreram algús, & hos que iíto nam fezeram que foram em numero duzétos çinquoenta, & feis trouze dó Aluaro captiuos Azamor, fem perder nenhú dos leus, pofto q dez, ou doze delles vicífem feridos. Depois defte negocio de Vmbre, nam faio dom Aluaro Dazamor lenam ahos oito dias do mes Doétubro, a bufcar çerta gente de pé, & cauallo, que Alemume tinha em guarda de hú coual de pam, mas antes de lá chegar fencontrou com outros mouros de cauallo do mefmo Alemume, que andauam fpalhados pelo campo, dos quaes tomou vinte, & hum, & porque foube deftes, q ho mefmo Alemumé era vindo aho coual, com muita géte de cauallo, pareçedolhe que ho que já tinha feito nam podia fer fem elle difiò ter auiío, fe tornou pera Azamor com eftes captiuos, & logo alios quatorze do mefmo mes mandou ho Almocadem cõ tres mouros de pazes pera íaber onde ftaua ha Alahela, ou araial do Leide çaide, que he ha de Bolçoba, ho que fez por hauer •fi.5iv.ci.i.* pouquos dias que eftes de Bolçoba tomaram húa cafilla que vinha* de Çafim pera Azamor, em que captiuaram hum dos prinçipaes Xeques, do Leizobeta, dos que ítauam aho redor Dazamor, & ho venderam ha Gara- bia, que naquelie tépo ftaua de guerra. Eftas efpias tomaram no caminho que vai a hú lugar que le chama Tamarroquos tres mouros de pé, com que fe tornaram aho outro dia a cidade, dos quaes foube dõ Aluaro que ltaua aquella gente de que íe elle delejaua vingar a cnze legoas Dazamor, pelo que partio no meímo dia, que era hú fabado já de noite, & foi ama- nhecer a húa augoada, quatro legoas da cidade, onde efteue ho domingo attè tarde, & ha noite chegou a Tamarroquos: nefie lugar ordenou fuas azes, dando hú guião, aho feitor, & elle com ho feú fez outra quadrilha
IOO de gente, & ha outra pos cõ ha bandeira Real q leuaua loam de freitas: Conçertado tudo quomo a tal negocio cõuinha, mandou hos cfpias diante, hos quaes em anouteçendo lhe trouxeram recado çerto donde ftauam eftes aduares, ho que fabendo moueo com tanta preíTa, que ás onze horas da noite deu fobre hum delles, tamanho que lhe nam pode rodear mais que ha fegunda parte, do qual fe deípedio ho mais prefto que pode, com reçeo que fe lhe nam defmãdaflem hos feus, & fe perdeflem todos dentro nelle, •fi 53. d. i." por ler tamanho, com tudo trouxe duzentsa, ** & çinquoenta almas, & algús camellos, cauallos, egoas, & bois, ifto íe fez em fpaço de húa hora, porque com ha caualgada, & toda ha gente junta fe tornou a fair do Aduar, a tempo que poderia fer pouquo mais de mea noite: mas ja hú pouquo aredado delle começaram de recreçer mouros de pé, & de cauallo, que ho apertaram de maneira q eíleue a ponto de fe perder, porque ho feruiam de pedradas, tam ameude, & lançadas, com tanta força, que nam dauam em perna, nem em braço a nenhum dos noíTos que ho não aleijaffem, & ahos que tocauam na cabeça derubauam: eíte ;•*;. aperto durou per fpaço de duas horas defendendoífe hos noífos combeftas, & fpingardas, no qual tépo começou fair ha alua muito clara, cõ que dó Aluaro vio quãta era ha gente que ho leguia, & ho grande perigo em que ltaua, porque hos mouros de pé eram muitos, & hos de cauallo paífauã de quatroçentos, no qual trançe começou dajuntar hos feus, por 1'entir jà em algús delles fraqueza, pelo que com muito acordo deçeo do cauallo, por ho trazer canfado, & caualgou em outro que vinha a deftro entam começou de fazer algúas voltas contra hos mouros na derradeira das quaes encontrou hum com ha lança que paífou de húa parte, a outra •fi.53.cl.i.« de q caio morto, mas em ha tirando lhe deram húa panquada com hú* garrucho fobelo capaçete de que loguo caio no charn defatinado quah quomo morto, aho qual em caindo chegou ho adail Vaíco fernandez çelar, & hum Martim gil, muito bom caualleiro, & apos alie'outros que tiuerão hos mouros has lançadas, atté que tornou hum pouquo fobre fim, & ho poferam fobre outro cauallo em q andaua hum feu page, que ho aleuantou do chão, per nome Raphael botado natural de Torres vedras, porque ho cauallo de que elle caira fe foi metter entre hos mouros. Pofto dom Aluaro a cauallo tornando hú pouquo mais fobre fim & vendo ho perigo em que ainda ftauam, encomendou ha reguarda a Iam de freitas, & aho feitor, & elle le pos com ha bandeira Real pegado com caualgada, & afsi caminhará atté fer bem manham, no qual caminho 1 Et. I. duzentas. * Et. /. elle.
IOI — Iam de freitas, ho feitor, & ho adail fezeram muitas voltas com ha gente que leguia íeus guiões, quomo muim esforçados caualleiros, nas quaes, & na peleja que tudo foi de noite, & no aduar morreriam mais de duzétos mouros, de que mais de trinta era caualleiros dos príçipaes da Enxouuia, & hú delles home de tãta authoridade quomo Alemume, has peffoas conheçidas q fe achará nefte negocio, fora Pedrafonfo daguiar ho moço, da Ilha da madeira, & feu irmão Diogo afonfo, Diogo machado, Ale- «Fi.SJv.ci. i.» xandre de freitas,* Chriftouam borges, Aluaro caiado, loam fernandez dafonfequa, Aluaro canfado, Emanuel home, ho alcaide mor loam folgado, Symão daguiar, Fernam pinto, que nefte dia nã houue enueja a ninguém, Aluaro de lugo, Françifco velho, Iam da fylua, Iam camacho, Goçalo vaz da coutada, Gafpar barreiros, Thome de figueredo, Gafpar de fiqueira, Aluaro monteiro, Bras ribeiro, Duarte froes, Aluaro beiço, Raphael bo- tado, Iam botado feu irmão, Emanuel caldeira, Emanuel bernaldez, Vaí- quo pinei, Lourenço drago, Miguel pereira, & Antonio trigo: fora muitos feridos de que algús ficaram alejados, & pofto q delles perdeflem hos cauallos na morreo nenhum. Efte foi hú dos honrrofos feitos que íe fez em todo ho tempo que dom Aluaro fteue em Azamor, porque entre bê, & mal encaualgados, elle faio Dazamor com fós duzentos, & çinquoenta de cauallo, & trinta, & çinquo piães, fpingardeiros, & befteiros, & hos mouros da Enxouuia que lhe lairam, que he ha gente da mór openiam de toda aquella prouinçia, erã hos de pé em grão numero, & mais de quinhentos de cauallo, com tudo dó Aluaro com lua gente na melhor ordem que pode, pouquo, a pouquo íe desfez delles, & entrou em Aza- mor com toda ha caualgada, fem delia perder mais que algús bois dos ■•Fi.sjv.ci.*.» que tomou no Aduar, &* porque hos mouros nefta noite feruiram hos nofTos com pedras tam ameude, & tam bem acertadas, que cõ ellas lhe fezeram mór damno, que com has lanças, ficou por apcllido a efta entrada ha das pedradas, com ha qual pos dom Aluaro tanto fpanto em toda aquella prouinçia, que dalli por diante muitos dos que fe aleuantaram, & outros que nunqua foram de pazes lha vieram pedir, fazédofle vaflalos, & trebutairos a elRei dom Emanuel. Capitulo, xli. De húa entrada qve dom loam Coutinho fe\ em terra de Mouros. DOM loam covtinho hauia muitos dias que defejaua ir fobre húa aldea q fe chama dos Negros, & porque efta aldea era grãde, em que viuiam muitos, & bos caualleiros, nam fe atreueo comettela com íó a gente que tinha em Arzilla, pelo que mandou pedir a dó Duarte de
— 102 menefes cem lanças, das quaes deu a capitania a dom Andre anrriquez, que era cafado em Tanger com húa irmã de Iam coelho alcaide mór da çidade, em cuja cõpanhia vinhão elle, & feus irmãos, Aires coelho, & - Antonio coelho, filhos de Gõçalo coelho, que hos mouros mattaram em •FLV d.i.* Arzilla fiando ahi* homiziado, & Emanuel de Goes que ftaua em tanger vençendo húa comenda das da ordem de Chrifto, com eftas cem lanças de Tanger, & com ha mais, & melhor gente, que dom loam coutinho tinha configo faio húa fegúda feira quinze dias do mes Doótubro, de mil^ & quinhétos, & dezanoue, & por má guia tardaram tãto no caminho que não poderam chegar a aldea fenam manhã clara, na qual nam achara fenam algús mouros, que ficaram per derradeiro, porque do mais era jà defpcjada, de que mattarã dezafeis, & captiuaram quarenta, & quatro, hos outros fe laluaram, mas ifto nam foi fem perda dos nolíos, porque elles fe defenderá muim bem, & mattaram Fernam coelho alcaide mór Darzilla, & Iam lopez garçia de tanger, & outro cauallciro também de Tanger de que nam foube ho nome, por acodirem a Aires coelho, que hos mouros traziam quaíi tomado has mãos: Tanto que ifto foi acabado dom loam fez recolher ha gente com hos captiuos, & algum gado groffo, começando de caminhar, guiado per Pero de menefes, por melhor caminho do q ho lcuara, & pelo outro per onde foram, vinham Pero lopez dazeuedo contador Darzilla com fete de cauallo, lobre hos quaes carregaram algús mouros da companhia doutros muitos que vinham íeguindo dõ loam, & "fi 54. ct. a." aper* taram tanto com eftes fete que mattaram loguo Aluaro vaz de Tauira, homem fidalgo, criado do meftre de Sanòtiago, que era hum dos da companhia, aho qual acodindo, com hos outros, Pero lopez dazeuedo ho mattarã também, por ho feu cauallo cair com elle paflado dazagaiadas, & com elle mattaram hum feu criado, & ha Galpar da Cunha deram tres de que ficou mal ferido: A eftes acodio ho Adail Darzilla, a que mattaram ho cauallo, & a hum feu filho deram duas azagaiadas de ma- neira que todolos que fe alli ajuntaram houueram bom quinham delias, ou em fuas peffoas, ou nos cauallos, mas dom loam coutinho vendo hos vir de roldam lhes acodio a hum paífo, que vinham demandar, trazen- dohos hos mouros atropellados, & hos mattaram a todos fe na compa- nhia de dõ loam nam houuera algús befteiros que fezeram deter hos mouros. Paffado cite lugar com afi'az trabalho, & perigo, vieram hos corredores dizer a dom loam que defcobrirã muita gente de cauallo, & que fe lhe ihã atraueffando diante, dos quaes obra de duzentos lhe fairam aho caminho a duas legoas Darzilla, com darem mais moftra de hos quererem deter, que de pelejaré, ho que vendo dom loam pareçendolhe que aquelles fperauam outros pera pelejarem com elle, íem trauar fcara-
— io3
— 104 — pera elle paflar com ha gente que lhe ficaua. Hos mouros entendendo aho que hos dez de cauallo podiam ir apertaram com dom Emanuel, ho que vendo Pero de meneies lhe dixe, fenhor pois forçadamente haueis de fazer volta a eítes mouors 1 júto da ribeira, onde fei bem que ham de trauar cõ vofquo, fazeia agora, aho que dom Emanuel refpondeo que lhe pareçia muito bem feu cõlelho, & que afsi folie, & fem mais fperar voltou diante de todos com tãta preffa, que por ho cauallo ler muito ligeiro fe metteo entre hos mouros fó, onde loguo derribou hum dos leis de cauallo, aho que acodiram hos çinquo, & muitos de pé põdolhe todos has lanças no cauallo, fem ho ferirem a elle por andar bem armado, aho qual ítando neíte tão fubito perigo chegarão Pero de menefes, Antonio coutinho, & Luis valente com hos outros de cauallo, que deram com tanto impeto nos mouros que mattaram delles fetenta, & hos feis de cauallo, & ca- ptiuaram quarenta, & dous, de maneira que nhum delles fcapou de morto ou captiuo, por defenderem fuas cafas, & molheres, à viíta das quaes paliou todo efte negocio, fem lhes poderem valer fenão com lagri- •n.». cl a.* mas, has quaes com ha perda de* feus maridos, filhos, & parentes por não teré iá quem has podefle defender, delpouoaram aquellas tres aldeas, & forão pouoar outro Benamares junto de Larache: dos noílos foram algús feridos, mas não morreo nhum, & fó ho cauallo de dó Emanuel foi ho que pagou por toda ha companhia com mais de vinte feridas, de que ficou morto no campo. Com eíta caualgada, & tam honrrada vi- storia fe tornou dom Emanuel pera Arzilla, onde ho feu cunhado, & hos da villa receberã quomo ho elle merecia. Algús dias depois delta vistoria veo elRei de Fez correr Arzilla, com tres mil de cauallo, no que fe não- fez coufa que feja pera contar, faluo que correndo Molei abrahé ás ata- laias, de que então era ha guarda de Gomez anrriquez, & de hú q fe chamaua Dalcunha romeiro, vindo em fua companhia ho almocadem Aroaz, hos leguiram atte viíta de dom Ioão que andaua já no campo com fua gente, hos quaes em ho vendo pararão, & outra muita gente de cauallo que hos leguia, & fem entrelles fe trauar peleja mattaram ho al- mocadé Aroaz junto de Molei abrahem com hum tiro defpingarda. fem fe laber donde faira, mas ha opiniam de todos foi que ho matara hum çapateiro per nome Pedraluarez fpígardeiro de cauallo, q naqlle dia hos •FL55 *. d. i.« mouros tãbem mattarã cÕ outro tiro defpígarda. * 1 Et. I. mouros.
— — io5 — Ca. xliii. De húa entrada qve dom Npho Mascarenhas Capitão, & gouer- nador da çidade de Çafim, fe\ per terra de mouros. D i OM Nvno Maícarenhas tendoffe por muito feguro das pazes que íe fezeram com hos de Garabia, por dantes andarem aleuantados lhes mandou húa bandeira das armas, & infignias do Regno, pera debaixo defte leguro virem a çafim' fazer íeus concertos, do que per fuas cartas deu cota a eIRei dom Emanuel, mas eftes mouros lhe mantiuerã mal íua fé, & amizade, porque depois de terem recebida ha Bandeira fe aleuãta- ram, & foram caminho de Mimaia, pelo que detreminou de íe vingar delles pera ho que fe lhe offereçeo logo boa occafiam de dous Garabis da melma companhia que lhe promettei am de mattar hum alcaide delRei de fez que andaua com eftes de Garabia, & fora a caula vnica de rebel- larem, ho que elles fezerã por preço de cento, & çinquoéta onças de prata que lhes dom Nuno deu, & tres marllotas de panno fino pera tres arabes, que hauião de fer com elles no feito: vendo hos de Garabia morto efte alcaide, em que tinham pofta fua fperança, fe vieram ahos •Fi.55v.d.i.* aduares de Oleidambram, donde mandarão* pedir paz a dom Nuno cada cabilda per íim, mandandolhe per luas cartas pedir algúas dadiuas fegúdo ho tem aquelles mouros de coítume, dom Nuno lhes refpondeo que has dadiuas feriam darlhe íuas terras franquas, & delembarguadas pera nellas laurarem, & femearem quomo ho dates faziam, do que nam fatisfeitos fe concertaram com Oleidãbram, & fe ajuntaram todos nas falinas pera dalli correrem a Abida que elle tinha de pazes, ho que faziam hos mais dos dias tam de fubito, que hos nam podiao achar quando mandaua acodir ahos outros, mas tendo hum dia auifo certo dos Abidis, que hos de Garabia, & de Oleidambram vinhão íobrelles, lhes mandou ho adail com fetéta de cauallo Portuguefes, & çaide com íua companhia, ahos quaes fendo já juntos com hos Dabida correo Oleidambrã, & Garabia, com quinhentos de cauallo, mas em chegando ahos Aduares, quomo viram que com hos Abides ftauam chriftãos, pareçédolhes que leria dom Nuno, fe começaram de recolher, do q nam contentes hos Dabida lhes foram nas coftas tanto, atte que conftrangidos fezeram volta íobrelles, em que mattaram quatro deites Abides, & mattaram muitos mais, íe lhes nam acodira çaide cõ algús chriftãos, que lhes ho Adail íoltou, & afsi íe • fl56.«i.i.» apartaram por efta vezdDõ Nuno que* ainda andaua efcandalizado delles, hos mandou efpiar por quatro de cauallo que lhe trouxeram noua • Et. I. vez. VOI- IV 14
— io6 — certa quomo toda a Alaliea de Garabia ftaua affentada nas lalinas, & a de Oleidambram atte roduam, que he atraues das falinas quatro legoas, ho que labido, afientou com hos caualleiros que entam hauia em çafim, de ir fobrelles com duzétas, & çinquoéta lanças, & cento, & vinte piães befteiros, & ípingardeiros, & fete de cauallo Dabida, pera lerem teltemu- nhas da vingança que fe lhes hauia de dàr, dos males que Garabia, & Oleidambram lhe tinham feito. A efte negocio partio de çafim alios quatro dias de Nouembro de M.o.xix, no qual dia lhe anoiteçeo tres legoas dos Aduares, & leis de çafim: dalli foi ter em amanheçédo lobelo araial, ou Alahea de Garabia, que eram mais de cem aduares, por andaré com elies algús dos de çeia, em hú dos quaes deu loguo ho adail que iha diante com çinquoenta de cauallo, & algúa pionagem, & dom Nuno em outro apegado com efte, com tanto impeto, que de quantos mouros nelle hauia fós dous lcaparam viuos: captiuaram nefta entrada çento, & fetenta, & leis hos mortos quomo fe depois íoube, palfarã de trezentos: ho gado que aqui tomaram nam quis dom Nuno trazer por ler longe de çafim «Fi.56.ci. !.• com reçeo que lhe failfem mouros alio encon#tro, ho que nam fezeram pofto que hos nolfos vieflem cofteãdo mais de húa legoa de caminho de longo de todos eftes aduares, pelo que fem dom Nuno achar quem lhe troualfe ho caminho chegou com toda fua caualgada à cidade hum labado em anoiteçédo, & logo aiio outro dia lhe vieram hos Xeques de quinze Aduares deftes pedir pazes, trazédo recado dos outros pera lha delle alcançarem em nome de todos, pedindolhe feguro atte lhe chegarem luas caphillas de Marroquos, pera fe logo virem alfentar com eftoutros, em fuas terras, & has laurarem, & lemearé quomo ho dantes faziam. Ca. xliiii. Doutra entrada qve dom Nvno Mascarenhas fe\ de^afeis le- goas per terra de mouros. PASSADOS qvatro ou çinquo dias depois que do Nuno fez efta en- trada fe veo toda ha alhaea de Garabia alfentar aho redor da ci- dade, onde cftauã algús feus parentes dos que eram de pazes, ho que fabendo hos de Abida fe viera logo ajuntar com ftoutros: Deftes mouros ficaram com ho xarife obra de vinte aduares que á fua íombra lauraram, & lemearam efte anno mizquella, que he dezaíeis legoas de Çafim, & •fl 56 *. d. i.» ho * mefmo fezeram ho anno paliado no mefmo lugar dez outros aduares que ficaram á fua obediência, do que fendo auilado dom Nuno, por ifto nam vir em creçiméto detreminou ir fobrelles, & pera fe affegurar deftes Árabes Dabida, & Garabia, que ftauam allojados junto da cidade, per confelho, & parecer dalgúas peífoas, a que diífo deu conta, deixou ho
— i c>7 — negocio pera hum dos dias que elles acoftumauam vir á cidade fazer feira, a que chama çoquear, pera delies reter com menos aluoroço hos que lhe pareçeíTcm neçeífarios, & hos deixar na cidade quomo per arefens dos que ftauam no campo, & quis lua boa dita que na primeira feira que fe fez vieram véder, & comprar hos prinçipaes de Abida, em que entraua Abdemulia, home de grande authoridade entrelles, & alsim outros de Garabia. Dom Nuno quomo hos teue na cidade mandou cerrar has portas, & ajuntar ha gente que hauia de leuar que foram duzentos, & fefenta caualleiros Portuguefes, & feleta piães befteiros, & fpingardeiros, com ha qual companhia partio a boca da noite, & foi amanhecer Aguz, & dàr folga a gente dalli a duas legoas, donde mãdou quatro de cauallo que lhe foliem el'piar hos Aduares iobre que iha, & ho Iperaffem cõ ho recado a húa Mezquita q eftà duas legoas alé Dalzuma: a efte lugar •kl56t.ci.».* chegou atra* ueífando ferras, & matos dcluiados do caminho, por não fer fentido, onde deu outra folga a géte junto de hum ribeiro q fe chama jolgo, & jà foi pofto tornou aho caminho que leuaua, & chegou a Mez- quita duas horas de noite, onde por nam achar has efpias fez deçer ha gente, pondo fuas atalaias, aho redor do campo, por cafo dos leões de q forã comettidos de maneira q não houue quê podeífe repoufar: ifto durou atte húa hora depois de mea noite, em q hos efpias chegarã à mezquita, cõ nouas de çinquo Aduares dos q ihã bufear, q ftauã dalli çinquo legoas, ties fobre hú outeiro fragoío, & dous é húa varzea muito cham, neítes dous pofto que ftiueffem hum pouquo mais longe que hos outros, acor- dou dom Nuno de dár, & porque ho caminho era comprido deixou naquella mezquita vinte piães que iham canfados, & dez de cauallo dos fomenos, & por defpachar ho caminho, & ha peonagem ir folgada hos mandou tomar todos nas ancas dos cauallos, atte chegar fobelos Aduares que foi cm amanhecendo, & lem fazer detença deu a Bras da lylua ho feu guiam com cem lanças, & elle com ha outra gente, & ha bãdeira Real lhe iha nas coitas: eftes da companhia de Bras da fylua por ler já tarde alsi em fio quomo iha, começarã de tomar hú troto, que de pouquo •Fi.57.ei. i.* em pouquo foi tam rijo, que dellcs, pera acodir* a hum que caio, le deixarão ficar quinze de cauallo, hos qi/aes quinze cõ ho que aleuantaram feguiram Bras da fylua q tomara ho caminho dos Aduares do valle, fe- gundo lho mandara dõ Nuno, & fem faberem per onde iham, porque ho perderam de villa, encaminharam pera hos tres aduares que ítaua 1 no outeiro, & por dõ Nuno cuidar que erã aquelles hos da trafeira de Bras da fylua feguio tras elles, hos qi/rtes é chegãdo aho outeiro ouuirã húa grãde ' Et. I. ítauã.
— io8 — grita, & pareçédolhes q feria Bras da fylua q andaua reuolto cõ lios mouros deites tres aduares, por lhe acodiré mãdarão hú delies q foífe dizer a do nuno ho caminho q leuauã: cõ eítas nouas começou de ca- minhar mais de preífa cõ parte da géte, & a george machado veador das obras Darzilla, q leuaua ha bãdeira mãdou q ho leguiífe pado, a paífo cõ ha outra, & têdo jà caminhado hú bÕ pedaço viera dàr cõ elle, Aluaro dornellas, & Diogo lopez peixoto, & outros doze q erã deita cõpanhia dos dezafeis, hos qtnzes íe vinha recolhédo de hú daqlles aduares íobre q eítiueram fem lhe faberé dàr outras nouas de Bras da íylua fenã q lhe parecia q tomara ho caminho pera hos dous aduares q ítauã no valle & porq eítes tres do outeiro fe começará de deípejar, reçeofo dom Nuno que aho fair delle lhe deífe ha peonagem trabalho, houue por melhor •fl 57. d. 2.* dár de caminho cm hum deites, & fem fazer mais de*tença que iperar pela bandeira que ja vinha perto, ho cometteo, em que mattou muitos mouros & captiuou íetenta, & aho gado, cauallos, camellos, & outras alimarias que eram fem conto, mãdou poer ho ferro a todo ho que ie lhe atraucífaua diante, ho que foram fazendo atte deçerem aho valle, onde obra de vinte de cauallo dos mouros, que começaram de trauar com elle, ho embaraçaram de maneira que nam poderam bufear ha trilha, por onde fora Bras da íylua, no que ítando ouuiram grande grita pello valle açima, a que acodiram eítes mouros a todo correr, pelo que parecendo a dom Nuno que deuia de fer aquclla grita, por Bras da iylua ter dado nos aduares do valle, quomo de feito era, donde ja vinha com húa boa caualgada, defpedio Aluaro dornellas com vinte de cauallo, em que en- traram Diogo peixoto, Duarte taueira, Emanuel paçanha que ieruia dal- caide mór de Çafim, & dez Beíteiros, & fpingardeiros de cauallo, & apos elle çaide com toda iua companhia, ou marzagania quomo lhe elles chamam em iua lingoagem, hos quaes acharam Bras da fylua rodeado cõ toda ha gente que com elle fora de muitos mouros de cauallo, hos melhores caualleiros de toda aquella terra, que hos tra&auam mal has ■Fi.s7T.ci. !.• lançadas, & cutiladas, de que fe hos noílos* que feriam fefenta defen- diam com muito esforço, porque ha outra gente iha já diante com ha caualgada, alios quaes quando dom Nuno chegou jà Bras da fylua andaua com tres lançadas, de que húa lhe atraueííou hum braço de parte a parte por çima do boçete, de que depois foi muito alejado, mas nem por eltar tão mal ferido deixou ho lugar, porque era muito esforçado caualleiro, dom Garçia deça tinha outras tantas lançadas, & húa no cauallo, dom Hieronymo ftaua no chão com ho cauallo morto de duas lançadas, Nuno furtado do mefmo modo de húa lançada que lhe derão, hum filho de Ioão fernandez de Magalhães tinha húa lançada que lhe atraueífou ho
— iog — pé, Françilco da noua tinha outra per cima do gorjal de que morreo no caminho, ho Adail nam ficou fem hauer fua parte, & hum criado de dom Nuno andou a braços a cauallo com hum mouro fem fe poderem valer das lanças, nem das ípadas, atte que ambos cairam no chão, mas em fim tomarão por partido deixar hum ho outro, a Paio roíz caldeira deram húa lançada no cauallo, a Fernã daluito outra no feu de q morreo, 1 Stando aísi todos neíte trabalho, ha caualgada começou de fogir pera onde elles ítauã pelo q bradarã hos q ihão cõ ella, a eítes feflenta q pelejauão, •fi.9jr.ci.j.* q ha mattallem começando elles logo a poer* ho ferro ahos captiuos, no qual tempo chegou Aluaro dornellas, onde ítaua Bras da fylua, & apos elle çaide que foram melhor reçebidos dos noíTos que dos mouros, com cuja vinda fe começaram de alargar, & tomar outro modo de fcaramuça, com que detinham ha noira gente fem poderem paffar adiante, ho que vedo ho adail veo a todo correr dàr conta a dom Nuno do que paíTaua, ho qual deixou em feu lugar, & com lós dous de cauallo fe foi pera onde ftaua Bras da fylua, & hos fez aballar do lugar em que eftauam : hos mouros conheceram dom Nuno, & pareçendolhes que ho fegueria mais gente de cauallo começaram dandar mais de largo, deixando hos noífos mais à vontade, apos dom Nuno chegou ho adail com ha bandeira, & caualgada que traziam dos Aduares do outeiro, has quaes ambas juntas » mandou çerquar com hos piães, caminhando elle em duas batalhas, com toda ha gente, ha bandeira Real diante, & elle com ho guião na reguarda, apos quem tres legoas continuas vieram ladrando çem mouros de cauallo, & muita peonagem com fperança de lhe tomarem hum palfo eftreito, per onde forçadamente hauiam de paliar, mas dom Nuno tanto que foi na entrada delle, repartio todolos beíteiros, & Ipígardeiros de maneira que •fi.58.ci.i.' onde* hos mouros cuidauão de fe aproueitar dos noífos, receberam mór perda, porque dous delles foram aho cham de duas ípingardadas, com que fe hos outros alargaram de todo, ho que feito, dom Nuno mandou curar hos feridos, & feu palfo a paífo chegou a Guz tres horas de noite, onde deu folga ha gente, & aho outro dia entrou em Çafim duas horas antes de lol polio, com nouenta almas, & çinquo cauallos, & feis camel- los carregados dalcatifas, & outro defpojo: morreram dos mouros afsi homes quomo molheres, contando hos que mattaram na caualgada mais de cento, & çinquoenta, dos de cauallo dous na peleja, & outros dous no palfo lias fpingardadas, foram muitos feridos quomo fe depois loube: nefta entrada andou dom Nuno tres dias, & tres noites, & a cabo doutros tres fe lhe vieram metter nas mãos hos prinçipaes Xeques deites Mouros 1 Está virgula por ponto.
I IO pedindolhe paz, ha qual lhes conçedeo, deixando na cidade arrefens, é penhor do que per feus contractos alfentaram : lio mefmo fez Oleidarabram de Taelim q femeaua algús leus lugares outras dezaíeis lcgoas da çidade, que também deu feus arrefens: Neíte feito (a fora hos jà nomeados) fe •fi.58.ci.a.» acharam dom Vafco deça, dom loam, Anrrique de mello, Iam* homem, Pero de fouía, Emanuel de França, & Lopo malheiro, cõ eftas entradas que dom Nuno fez juntas, ficaram hos Árabes, & Barbaras de toda ha prouinçia tam amedrontados, que donde todos leus penfamentos eram fazer guerra a çafim, dalli por diãte tiueram ha paz por melhor, q ho pouquo fruCto q tiraram dos aleuantamétos que cada dia faziam, de que le lhes pela mór parte feguio mais dano que proueito. Capitu, xlv. De quomo Diogo Lope\ de Siqueira partio per a ho mar Darabia, & do que pajfou alte chegar a Maçua, & do que alú fe\, & no demais da viagem atte tornar a Índia. IOGO Lopez de fiqueira, hauia dias que le começaua fazer preítes pera ir a Iuda, & da torna viage fazer húa fortaleza na Ilha de Maçua, & laçar na terra do Emperador do Abexi Mattheus, & hos em- baixadores que lhe mandaua elRei dom Emanuel, ho que tudo lhe enco- mendara muito, quando partio de Portugal, nelta viagem leuou vintefeis velas, em que hauia onze naos grolfas, dous galeões, çinquo gales, quatro •Fi.58v.ci.i.* nauios redondos, duas carauellas latinas, & dous bargantís, de que* hos capitães afora elle, eram dom loam de lima, Antonio de laldanha, Fran- çifco de tauora, Antonio ferreira, Fernam gomez de lemos, Antonio de lemos feu irmão, Symão guedez de foula, Pero da fylua, Antonio de brito, Antonio rapoío de Beja, & Pero gomez texeira, ouuidor geral da índia, Dioguo de faldanha, Chriftouam de foufa, Hieronymo de loufa, Chriltouam de fá, Denis fernandez de mello, George barreio pereira de Beja, Miguel da mouta, Gafpar doutel, Nuno fernandez de maçedo, Anr- rique de maçedo, Pero de faria, Lourenço godinho, Françifco de mello, & Emanuel de moura, na qual armada iriam dous mil loldados Portu- gueles, & mil do Malabar, & Canarim, com que partio do porto de Goa, ahos treze dias de Feuereiro de Mil quinhentos, & vinte deixando por Gouernador da índia dom Aleixo de menefes. Ho primeiro porto que tomou foi ho de Mete, tendo ja paliado ho cabo de Guardafum, onde achou Antonio de faldanha que mandara de Goa çinquo dias antes que partiffe cõ quatro velas das da lua companhia, pera ir a Çacotora, faber nouas das coufas do màr Darabia: no mefmo porto veo também ter cõ elle Pero váz de vera capitam, & piloto, de húa carauella q Lopo foarex
— Ill — •Fi.58r.ci.2.* mudara, é iaindo do ftreito, a elrei cõ nouas do q paífara, quomo fica* dito, &. elRei ho tornou a mãdar com cartas a Diogo lopez que ho foi bufcar rota abatida naquella paragem, por ho aísi leuar no regimento que lhe elRei dera. Neíte lugar de Mete fez Dioguo lopez augoada, & íegíndo dalli viagem pera ho mar Darabia fe perdeo ha nao em que elle iha per deíaltre fem fe delia faluar mais que ha gente com algúa pouqua de fazenda, pelo que fe paffou ha nao de que era capitam Pero de faria, dalli foi ter has portas do ftreito ahos dezalete de Março, onde fteue muitos dias fem poder nauegar, por lhe hos ventos ferem tam contrairos que lio não deixaram chegar mais que a çento, & vinte legoas defta ci- dade de Iuda, ho que vendo, por parecer, & coníelho dos prinçipaes da armada fez vela pera ilha de Maçua, à qual chegou ahos dez dias Dabril. Mas pofto que foífe do íenhorio delRei, & Emperador do Abexi, hos moradores ha defpejaram com medo da noífa armada, & fe foram pera húa villa do mefmo Rei que íe chama Arquiquo perto de Maçua, ha cauia porque Diogo lopez quis ir a efta Ilha foi pera faber fe era Mat- theus, que leuaua conligo, embaixador defte Rei, pera que ie afsi foífe ho poer em terra com hos embaixadores, & prefentes que lhe elRei dõ Emanuel mandaua, mas pofto que em Maçua lançalfe ancora, loguo •Fi.S9.ci. 1/ aho outro* dia fe foi a Arquiquo, onde depois de furto ho mandou vifi- tar ho capitam do lugar, & lhe ícreueo húa caria, dizendo que daua .graças a Deos pois já eram compridas has propheçias que tinha, de quomo naquelle tempo hauiam de uir per màr Chriftãos de terra mui remotas áquella prouinçia, & fenhorios de íeu lenhor, elrei do Abexi: Diogo lopez reçebeo muim bem hos meífageiros, & dandoihe has graças da viíitaçam lhos tornou a mandar em hum bargantim veftidos de cabaias de íeda, com húa bandeira de Damafquo, em que ftaua figurada húa Cruz ver- melha, ho que fabendo ho capitam, ha veo reçeber à praia, com mais de duas mil pcffoas, que fe alli ajuntarão, hos quaes em vendo ha Cruz que iha figurada 11a bandeira fe lançaram no chão, em final de reueréçia bra- dando Chrilto, Chrifto, & ifto com tanta deuaçam, que faziam chorar hos Portugueíes, que iham no bargantim, depois do que veo ho Capitam à praia, & fe vio com Dioguo lopez de íiqueira, & com Matiheus, aho qual fez muita cortefia, & afsi todolos que ho iham ver, beijandolhe has mãos, & hos veftidos, com grande acatamento, chamandolhe Abbima, que na lTgoa Abexi quer dizer pai. Donde depois de ter praticado per ípaço de «Fi.59.ci. húa hora fe tornou pera à villa, & Diogo lopez cõ Mattheus perá* frota, & porque antes de fe Dioguo lopez ver com efte Capitam fe paífaram algús dias, nefte tépo foi a Maçua pera repartir algúas çifternas daugoa, que ha na Ilha, pelas naos, & ver onde fe milhor poderia fazer húa for-
— 112 — taleza quomo lho elRei dom Emanuel tinha encomendado, pera ho que leuaua na lua náo que fe perdeo, muita artelharia, & outras munições neçeííarias, na qwal Ilha achou húa grande cantidade delias çilternas fecha- das cõ chaue, q hos da terra guardam cõ muita vigilância, por carecer dagoa le nam choue, mas ha fortaleza 1'enão fez, a húa porque ho tempo nam deu pera iíTo lugar, & ha outra por lerem perdidas ellas munições fern has quaes fenam podia fofter, cõ tudo Diogo lopez mandou fondar ho porto, ho qual achou limpo, cerrado, & de bom fundo, aliem do que mandou medir toda a Ilha aho redor, ha qual tem em çercoito mil, & duzentas braças. Depois de Diogo lopez ter ido a Maçua, & falado com ho capitam Darquiquo, chegou aho melmo lugar, hum grãde fenhor criado, & vaffallo delrei do Abexi, a que chamam Barnegaes, fronteiro mór daquella prouinçia, onde continuamente faz guerra ahos mouros, ho qual fabendo por cartas do Capitam de Arquiquo da vinda de Dioguo •fi.ígT.ei.i.* lopez ho veo ver acõpanhado de muita gente de pé, & de cauallo, com* quem (depois de húa, & da outra parte le paliaram muitos recados de preçedençias) le Dioguo lopez vio em terra, hum pouquo afaítado da praia, lendo prelente Mattheus, polios hos Portuguefes dc longo da praia em boa ordenança, & da banda do fertam, a tiro de beíta, llauam du- zentos homés de cauallo, & dous mil de pé em guarda do Barnagaes, entre hos quaes dous Capitães fe fezeram grandes offertas, cada um por parte do feu Rei, em cujos nomes loguo alli aíTentaram pazes, & has juraram fobre húa Cruz que ho Barnegaes pera ido mandou trazer, ho que acabado fe abraçaram, & apartaram com muito amor, recolhendoííe ho Barnegaes na villa, & Diogo lopez á frota, donde mandou hum pre- fente darmas, & outras peças de Portugal, & da índia aho Barnegaes, & elle lhe mandou no mefmo dia hum cauallo, & húa mula de muito preço, com húa grande cantidade de refresquos da terra. Paliadas ellas villas, Dioguo lopez de fiqueira mandou pedir aho Barnegaes que lhe ' mandafle dàr auiamento pera hum embaixador que elRei dom Emanuel mandaua, aho Emperador, & Rei do Abexi, ho que elle encomendou aho Capitam de Arquiquo, por não poder alli mais fperar, ho que ho •fi.5<)v.cl.a.1 Capitam fez muim bem, dandolhe tudo ho que lhes foi neçeffario afsi* de beítas quomo de gente de guarda por cafo de na terra hauer muitos ladrões, com ella embaixada mandou Diogo lopez de fiqueira dom Ro- drigo de lima, & por acçeílor Françilco Aluarez clérigo de Milla natural de Coimbra, capellam delRei dõ Emanuel, que partira do Regno em companhia de Duarte galuam, & por fecretairo George dabreu deluas, & lígoa Iam Icollar, & outros atte treze, em que entraua Lopo da gama, hos quaes partiram Darquiquo leuando em lua companhia Mattheus, ho
— 113 — embaixador que viera a eltes Regnos fobre que fe tantas duuidas moueram a elRei dom Emanuel, fazendolhe entender que era efpia do Soldam do Cairo, ho qual em chegado aho mofteiro de Bifam, que eíta dezoito le- goas Darquiquo (de muitos religiofos, & muito celebrado naquellas pro- uinçias) faleçeo, donde, depois de ho enterrarem, tomaram leu caminho pera a corte defte Emperador do Abexi: do qual caminho, & do mais que paliaram na lua corte, & em todo ho deícurlo delta viagé compos Françilco aluarez hú liuro, a quê remetto ho leitor, por nelle contar tudo por extenlo, & do que toca a fé, religiam, & coítumes delta gente do Abexi tenho jà feito fumariaméte mençam nelta Chronica, & per extêfo •fi.6o.ci. i.» no liuro que diífo compus em lingoa Latina aho qual tãbem * remetto ho leétor. Com eíta embaixada mandou Dioguo lopez aho Emperador, & a fua maim ha Rainha Helena ho prefente que lhe elRei dom Emanuel mandaua per Duarte galuam, em que entrauam muitas peças, aísi darmas, quomo douro, prata, pedraria, tapeçarias, & outras couías de muito valor, hos quaes delpedidos, mandou Dioguo lopez queimar ha ilha de Dalaça, que hos mouros com medo da fua frota tinham defpejada, acolhendoífe ha terra firme, ho que feito fe fez a vela pera Ormuz, & de caminho tomou ho porto de Calejate, ode achou George dalbuquerque, que de Moçambique, onde inuernara com has naos de fua Capitania ho fora bufcar aho cabo de Guardafum, quomo lho mandara dizer a Moçambique por Gonçalo de loule, & porque Dioguo lopez era jà palfado do cabo pera ho Itreito, elle fe fez na volta Dormuz, & ho primeiro porto que tomou,, foi ho de Calajate, do qual porto fe foi Diogo lopez a Ormuz, donde depois de ter feitas algúas cofas que comprião a feruiço delRei partio perá índia em fim Dagoíto, no qt/al caminho antes de chegar a Diu tomou duas naos de mouros húa que fe rendeo, & outra fobre que, por fe hos delia defenderem muim esforçadamente, morreram muitos, afsi delles •fi.6o.ci.i.' quomo* dos noíTos, por fe nella atear fogo de que ardeo. Chegado aqui loube de Fernam mar/iwz euãgelho, que Meliquiaz nam ltaua na cidade, & que per mandado delRei de Cambaia era fazer guerra alios Reubutos, & deixara na cidade Meliquefaqua feu filho, & por leu gouernador Haga- mahamet, home labedor na guerra, & muito feu parente, & que ha ci- dade ltaua bem prouida, afsim dartelharia, quomo de fuítalha, & outras munições de guerra, ho que fabendo Diogo lopez, por trazer já ha ar- mada demenuida, & ha gente mal traitada da viagem, com parecer, & conlelho dos prinçipaes da frota, deixou de ha cometter, poíto que pera ilfo teueffe fpeçial mandado delRei, deixando ho negoçio pera tempo mais conueniente, pelo que, vfando muitos comprimentos com Miliquefaqua, dando a entender que lhe peíaua muito de nam achar alli feu pai, pera VOL. IV ,5
ii4 fe ver com elle, & fallaré em coufas que compriam a feruiço delRei dom Emanuel, & delrei de Cambaia, fe fez à vela perá India no fim do mes Dagoíto, onde em Cochim achou George de brito q viera por capitam de noue naos, que eíte Anno de m.d.xx partirá do Regno, com lhe faltar da cópanhia ha fua nao quomo fica dito, & ha gale de Hieronymo de •fi foT.ei.i.» (ouía, que tornado Diogo lopez do mar Darabia fe foi aho fundo* fem íe faluarem delia mais que onze peffoas na barqueta, de que hos conhe- cidos foram Hieronymo de íoufa, Anrique homem filho de loam homem, & Pero borges que dous dias depois de le perderem vieram ter á coita da Arabia, pela qual caminharam per terra çem legoas, com muito tra- balho, atte chegarem a hum lugar delRei Dormuz, vinte legoas de Ca- laiate, onde foram bê agalalhados do xeque, que lhes deu de veftir, por virem roubados do caminho, & hos mandou dalli a Calajate, & com elles algús feus criados, por irem feguros: na gale fe afogaram Pero da fylua tclez, & Emanuel galuam leu primo, filho de Duarte galuam, & outros homés nobres de que não pude faber hos nomes. Capitulo, xlvi. Dalgúas covsas qve passaram em Septa nejle Anno de Mil, quinhentos, & vinte. AVIA neste tempo dous mouros irmãos cofairos dalcunha hos xaerõs, moradores em Tetuam que por Ipaço de quatro annos tinham feitos muitos males, & damnos entre Septa, Larache, Gibaltar, & barbaçote, eftes dous irmãos cada hum é fua íuíta le vieram lançar •Fi.eov. ci. i.' hum delles, entre hos ilheos de fanóta Cathe*rina, & ho vai daugoa, ficando ho outro em atalaia fobrelle, do que lendo çerteficado Gomez da fylua de vaicõçellos, que entam era capitam delta çidade, per hú dos elcuitas dalmedina fez logo armar dous bargantins, em hos quaes mandou Andre de vaíconçelos, & no outro Miguel da lylua feus filhos pera que rodeaffem almedina, & deífem lobrelles, mandando a Miguel da fylua, porque era mais moço, que folie aferrar primeiro, ho que fez muim ani- mofaméte, mas hos mouros que eram muim deítros nas coulas do már ho fperarão quomo bõs foldados, & em aferrando fe lançará algús delles no bargantim, fazédo recolher parte dos de Miguel da fylua debaixo da cuberta, ho que vedo ho pai, que iha por terra com gente de cauallo, porque ho outro filho mais velho vinha de vagar, lhe mandou bradar, & fazer íinaes que acodifle aho irmão, mas antes que elle chegaffe, Miguel da lylua cõ muito esforço, lançou hos mouros do bargantim, & fe defa- ferrou da fulta, fazédo logo vir fobre ha cuberta algús dos feus, que fe
.. — 115 — acolheram debaixo, & quomo teue ho bargantim lefto, voga abatida foi aferrar a fuíta entre lios quaes, depois daferrados, fe trauou húa braua peleja, em que hos mouros mattaram ho patram do bargantim, & hum •Fi.61. d. i.' filho feu, & hum íobrinho, & ferira mal Pero viei*ra, alem do que fal- taram quatro delles no bargantim por proa, aho que acodio Miguel da lylua, que quomo defefperado tirou cõ ha lança daremeío contra eítes q entraram, & quis Deos que acertou no capitam, que era ho xaerã mais velho, dandolhe pelo pefcoço, de que logo caio iem fe mais aleuantar, & tomando outra lança enxorou hos outros tres mouros fora do bargatim, dos quaes ferio hum com ha meíma lança daremeío, ho que acabado correo pera ha popa, perguntar aho patram q faria, & achou ho já morto aho pé do mafto, & querendo faber ho mefmo de Pero vieira que ftaua na popa, ho achou com has tripas quafi todas fora da barriga, com tudo afsi quomo ftaua lhe dixe que mandafle fobir ha gente que le lhe aco- lhera outra vez debaixo da cuberta, & hos fezeífe remar pera fe faluarem, ho que afsi fez, cotudo hos mouros que ftauam perto delles, vendohos desbaratados quiíerã outra vez aferrar ho bargantim, no qual tempo afomou ho outro bargantim, em que vinha Andre de vafconçellos, ho que vedo hos mouros le fezera na volta de Bulhões, mas Miguel da fylua, pofto que foíle mancebo, nam lhe faltou ho animo pera feguir ha fufta, ho que nam quis fazer fem ho pergútar a Pero vieira, que lhe dixe que •Fi.61.ci.j." carregaffe lempre do mar pera terra fobela fufta, pera* que em chegando leu irmão ha fezeflem encalhar, ho que elle fez tam afitadamente, que hos mouros foram varar com ha fufta na praia defronte donde ftaua Gomez da íylua com ha gente de cauallo, hos quaes bradando por elle, pedindolhe mifericordia, fe lançaram oito em terra que captiuaram, hos outros todos morreram afogados, ficando a fufta em poder dos noífos, de maneira que antes que Andre de vafconçellos chegaífe paffou feu ir- mão Miguel da lylua todo efle trance, em que ho fez quomo muim ef- forçado caualeiro: achouífe nefte negocio hum Andre pirez natural de Coimbra que faio delle muito mal ferido, & Matthcus lanches: hos mortos foram hos que dixe. Ifto aconteçeo ahos oito dias de Março, defte Anno de Mil quinhentos, & vinte, & loguo ahos doze do mefmo mes faio Gomez da fylua a lefiénta mouros de cauallo, que vierã dàr villa a Septa, & hos feguio atte ho negram, & paul dalmunhacar, & dahi atté duas legoas de Tetuam, onde aho paliar de hum rio fencontraram, de que mattou algús, & hos outros fe acolheram paliando hum rio a nado, & a vao, no qual lugar caio Antonio pereira com ho cauallo fobre quem voltaram algús dos mouros, porque ainda nam tinham paliados ametade delles ho rio, a que acodio Miguel da fylua com çinquo de ca-
— 116 — •Fi.61 r.ci. i.'uallo, &* fe trauaram de maneira, que faio com húa lança atraueffada per húa das couxas, que lhe paffou húa braça da outra parte, no qual trabalho chegaram a elle feus irmãos, Andre de vafconçellos, & Pero mendez com outra gente q hos feguia, onde fe começou entrelles húa boa fcaramuça, de que pofto que algús fairam feridos, hos mouros fe la- çaram todos aho rio, & ho paflaram, hos quaes não quis leguir Gomez da fylua por fer tarn perto de Tetuam, & ha terra fe appelidar com has fumaças, que hos atalaias que ftauam no muro da villa faziam. Capit. xlvii. De quomo elRei de Fe\ veo correr a cidade de Tanger, & Ar\illa, & de hum cafo graçiofo que aconteçeo a algús dos moradores da villa. LREI de fez era de fua condição guerreiro, & folgaua nefte officio exercitar fua gente, pelo que corria muitas vezes quomo fronteiro ahos lugares que tínhamos em Africa, entre eítas entradas foi húa nefte anno de m.d.xx, em que veo dar vifta a Tanger, & dahi fem fazer mais damno q tomar algum pouquo de gado vacum fe veo Arzilla, & tendo •fi.61 já algúa parte de fua gente em Alfandequim fem ferem íentidos* não quis que correífem, pareçendolhe que por fer domingo lhes não hauião hos chriftãos de fair, ho que fezerão pelo cafo feguinte. Moraua em Ar- zilla hum Dioguo pirez que feruia de porteiro dos contos, home muito doente de tifica, pera ho remedio da qr/al infirmidade lhe mandauam hos fificos que comeífe cagados, & por lhe entam faltar aquella viãda, & elle fer muito bem quifto, algús dos moradores fe offereçeram a lhos irem buícar fe lhes ho capitam pera iffo deífe liçença, ho que elle fez de boa vontade, de maneira que fe ajuntaram vinte de cauallo dos moradores, hos quaes Hamelix almocadem, que ftaua por atalaia no pontal, dõde fe descobre ha praia, vio fair pela porta da ribeira, & caminhar atté ho Tojal, fazendo dalli rofto pera ho rio doce fem hos mais poder ver, pelo que, pareçendolhe q eram almograures que iham entrar, foi dar diíTo ha noua a elRei, que muito aluoroçado lhe mandou logo que com duzentos de cauallo lhe tomafie ho rio doçe, & aho longo delle ho porto de Hale- moquique, & cõ outros duzentos de cauallo mandou Martinho helche, tio de Molei abrahem, irmão de fua mal, que foífe pola varzia fair aho valle de George vieira, pera que tomafle eftes almogaures no meo: Ha- •Fi.62.ci. i.* melix veo per encubertas atte ho tojalinho, & não hos vendo encami*nhou pera ho rio doçe, ho q não pode fazer fem ho verem da villa, aho que le loguo deu repique. Nefte tempo andauam hos noffos, por fazer grãde
— ii7 — calma, todos nus nadando, & pefcando ahos cagados, & outro peixe, & era tamanha ha grita, & matinada que faziam, por lhes a pefca íocçeder bem, que ha ouuio Hamelix, fem ho elles verem, & hos tomara todos has mãos, fe da villa não repicarão, & tirarão com húa bõbarda grofla, no qual inftante andando hús pefcando com redes, & outros lauando hos cauallos, eram já hos mouros tam junto delles que nam tiueram mais tépo que pera afsi nus quomo andauam, fem poderem tomar has camifas, né enfrear hos cauallos, nem lhe porem has fellas fe lançarem a elles em oífo, cõ fós hos cabeftrillos, começando cada hú de fe por em faluo afsi quomo ho fua maí parira, cõ tudo hos mais delles, porque tinham has lanças tanchadas no chão, has leuaram nas mãos, com que fe iham defendendo dos mouros que lhes íeguiam mui bem ho alcançe, no qual caio do cauallo, por lhe tropeçar, hum deites moradores per nome loão martitiz, ficãdolhe ho cabeítrillo na mão, & quomo ho cauallo iha aluora- çado da corrida, &com defafefeguo lhe nã defle lugar pera fobir, vendo An- "*fi.o».ci.2.* tonio coutinho moriíco que feruia dalmocadê ho trabalho em que* ftaua, fem ter cota com hos mouros hos feguirem de muim perto voltou, & do primeiro enconto derribou hum, que foi caufa de hos outros fobreítarem, & darem tanto fpaço, que teue Antonio coutinho tempo pera tomar nas ancas loam maríinz, & afsi ho faluou, com alem da perda dos vertidos que lhe ficarão de meftura no rio doce, leixar ho cauallo, que era hum dos milhores da cõpanhia. Dom Ioao coutinho quomo mãdou repicar faio logo da villa pera recolher algús deites fe efcapaflem, porque a todos tinha por perdidos, mas quando a elle chegaram jútos, & nus, no eftado da innoçençia, & foube ho que paífara, & da forte que fezera Antonio coutinho, foi nelle tanta ha alegria, que nam cabia de prazer, & dixe tantas graças, porque era de íeu natural muito graçiofo, & muito bom cortefão, que fazia arebentar com rifo hos que alli ítauam, & porque has damas da villa não viílem aquelles corpos em carne, pera q entraflem fem porem fpanto, nem ferem olhados, nem motejados, hos mãdou cobrir ho milhor que pode de vertidos que ie acharão entre hos que eram pre- fentes, & ha Antonio coutinho, por quão bem ho fezera aquelle dia, deu hum capelhar de gram, de fua peíloa, & aísi a elle quomo a todolos outros fi.63y.ci. i.» mandou no dia íeguinte dar de veítir ha fua curta, & a loam martinz* deu ajuda pera comprar hum cauallo: hos mouros vendo recolhidos aquel- les vinte de cauallo, & que dom loam era já fora da villa, voltaram, leuando ho dcfpojo que lhes ficara no rio doçe, de redes, adargas, feias, cabeçadas, & freos, com outras meudezas da calidade, & com eíte en- xoual fe recolheo Hamelix que fez rir elRei de fez, & hos que prefentes eram, quando lhe contou quomo eíte negocio paflara. Dom loam vendo
— 118 — que hos mouros que íeguirao hos moradores fe começauam de recolher, contente por naquelle dia não perder nhú delles fe tornou pera ha villa. Paffado ifto elRei de Fez defejolo de tomar algum chriítão pera faber nouas, mãdou aho outro dia Hamelix que foífe correr atte has tranquei- ras, ho que fez com muito esforço, junto das quaes lhe mattaram quatro dos íeus, com fetas, & tiros deípingarda, pelo que fe recolheo aho arraial, mas loguo no melmo dia, em acabando de jantar, tornou a correr, & captiuou na fonte datalaia ruiua Antonio fernandez ramirão atalaia, ho qual por ler bom caualleiro, & leruir bem feu officio dõ loam mandou refguatar dalli a pouquos dias. Sabendo elRei de Fez per eíte captiuo, ho que paífaua na villa, & vedo ho pouquo que naquella entrada fezera, •n.6a*.cl i.«pofto que chegara atte ho xerquão fem fer íentido, & quão pouquo* alli aproueitaua por então, mandou aleuantar ho campo, & fe foi Alcaçer quebir, donde defpedio hos alcaides, mandandolhes que ftiueífem preítes pera quãdo hos mandaffe chamar, hos quaes delpedidos fe foi pera Fez, onde ho deixaremos por agora liar, & trattaremos doutros negoçios q neíte tempo paliaram em Africa. Capit. xlviii. De quomo elRei mandou dom Pedro mafcareiíhas a fondar ha boca do rio de Tetnam pera nelle fa\er Ima fortaleza, & do que Jo- brejle negoçio no me/mo tempo lhe elRei dom Carlos fcreueo. DEPOIS de elRei dom Carlos de Caftella ter cafada ha Infante donna Leanor fua irmã com elRei dom Emanuel, lhe veo recado dos liados de Flandres perque lhe foi neçelfario irffe áquellas partes prouer em coufas que lhe compriam, do que por fuas cartas deu conta a elRei dõ Emanuel, mandandoho vifitar por monfieur dela Chaulx leu camareiro, & do leu cÕlelho que depois de ho elrei defpedir foi tomar elRei dom Carlos na crunha, onde fe hauia de embarcar. Depois da che- gada do qual elRei dom Carlos fcreueo a elRei dom Emanuel pedin- •fi.63.cl. i.* dolhe mui aífe&uofaménte, * que defle licença a Ioanne mendez do efporam, que lá andaua por leu embaixador, pera paliar com elle em Flãdres, por ler peffoa de que tinha muito contentamento, do que elRei fe efcufou, por lho afsi requerer ha molher do mefmo Ioanne mendez, & logo apos eítas cartas, fabendo elRei dom Carlos quomo elRei dom Emanuel detreminaua fazer húa fortaleza na boca do rio de Tetuam, & que tinha mandado lá dom Pedro mafcarenhas a fondar ha entrada, & ver ho poíto onde fe melhor poderia fazer, lhe fereueu outra carta, liando ainda na crunha, Data çinquo dias de Maio deíle Anno de mil
— ii9 — quinhétos, & vinte, em q lhe pedia mui afficadamente, que por bem da chriftandade, guarda, & defenfam dos Regnos delles ambos, mandafle fazer aquella fortaleza ho mais cedo q podefle, por euitar tantos males, & damnos, quantos hos mouros daquellas partes faziam com furtas, & outros nauios per toda ha corta do eftreito de Gibaltar, & fora delle, & q le nam ftiuefie em tempo pera ho logo poer em obra, ou pera iflo nam tiueffe vontade, lhe deíle licença pera ha mandar fazer, aho que elRei dom Emanuel refpondeo que fua tençam era profeguir naquelle negoçio, & que pera iffo tinha já aflentado ho modo que hauia de ter. Mas tor- *fi.63.ci.2.« nando a dom Pero malcarenhas, elRei* ho mandou com oito nauios latinos fob cor de ir focorrer Arzilla, por hauer nouas que vinha elRei de fez fobrella, ho qual partio de Lisboa no começo do mes Dabril, & por ho vento lhe fer cõtrairo, foi ter a Tanger, dõde mãdou duas cara- uellas de fua cõpanhia Arzilla carregadas de biscouto, & outros mãtimétos, & por nã perder mais tempo fe foi a Septa, onde chegou ahos vinte, & dous dias Dabril, & por ho tempo lhe fer contrairo, fteue alli dous dias, acabo dos quaes, com dous bargantins que lhe mandou efquipar Gomez da fylua capitam da cidade, foi amanhecer a boca do rio de Tetuam, & porto que a terra fe apellidafle, por ferem fentidos dos guardas do rio, nam deixou dentrar com hos bargantins, & bateis, & fondar ho canal da barra, que achou de baixa már em quatro palmos, & meo, & de prea màr em dez, & détro da barra, hum tiro de befta mais adiãte, de duas braças largas de baixa màr, & de prea màr tres, & achou que da banda de Septa de longo do rio era tudo area tela, & da outra ha terra mais alta feita em ribanceiras a modo de fopal, & do fertam nam pode íober mais, que dizerenlhe que era a terra mais tefa, porque nam oufou de deíembarcar, por hos mouros jà hi acodirem a repique, & terem -•fi 63v.ci.i.» ainda por ver ho defearregadouro, que he húa mea legoa da boca* do rio, no qual achou já mouros de cauallo, & de pé, befteiros, & fpingar- deiros, que lhes vinham defender ha terra, com tudo defembarcaram, & viram ho fitio, que lhes pareçeo mui bem a todos, por fer terra firme, & cham, lem nenhum padrafto diante, no qual fitio a hi hum eftreito per onde entra augoa a húas marinhas que alli ha, em que fe poderá fazer lugar pera ftarem nauios de remo, & achou que aho lugar, em que fe podia fazer ha fortaleza chegaria ha augoa da maré de prea mar de húa banda, & que hauia húa fonte, & augoa doce, & boa em dous, ou tres lugares & que fe acharia onde quer que ha cauaffem, & que ho efteiro das falinas fe podia trazer aho màr per derredor da fortaleza, de maneira que chegaffem a ella nauios de remo, & que pera íe fazer ha fortaleza hauia na terra muita pedra, & mato pera poderem cozer cal, mas que
— 120 — com leuante por pouco que ventafl'em nam poderia defembarcar em toda aquella cofta: a efte negoçio mandou elRei com dõ Pedro mafcarenhas Antonio leite, Chriftouam leitã, Andre cafqueiro, Dioguo de medina, & lam nunez delpont, do que dom Pedro auifou elRei per húa carta fcripta em Septa ahos leis dias Maio, & fe foi dalli Arzilla prouer em couias que lhe tinha encomendado, donde fe veo aho Regno a lhe dar relaçam • Ft63».ei.2.* do* que paffara nefta viagé, aho qual, em chegando deu elRei ha Capi- tania das gales, & galeões do Regno pera ir guardar ha cofta do ftreito, onde andou atte fim do veram. Capit. xlix. De húa entrada qve dom loam Coutinho, & dom Pedro mafcarenhas federam atte aliem da ferra de Benamares. TANDO dom Pedro mafcarenhas em Arzilla detreminou dom Ioaro Coutinho feu cunhado, por lho elle pedir de fazer húa entrada atte alie da lerra de Benamares, pera ho que mandou efpiar ha terra pela almocadem Antonio Coutinho, com pareçer do qual, & dos almocadés Artur roiz, & Pero de menefes detreminou de correr atte ho campo de Benehamede, fiquer, méçara, & alinaçar, ho que affentado faio Darzilla leuando configo feus cunhados dom Pedro mafcarenhas, & dom Emanuel mafcarenhas, com ha companhia que lhe pareçeo neçeflaria pera ha negoçio a que iha, ho qual caminhando em fua ordem acuftumada foi amanhecer aho pé da ferra, em que não quis entrar fenao foi faidor atraueflandoha com muita dificuldade, pela afpereza da terra, & ho •Fi.64.ct.i.* aruoredo íer tam bafto que co*bria hos corregos, de maneira q lhe foi neçeflario fazello cortar com has fpadas, pera afsi poderé paífar adiãte- Com efte trabalho, & com hos caminhos ferem tam ftreitos, & perigofos q pela mór parte da ferra forão conftrangidos leuar hos cauallos pela redea, chegaram aho mais alto delia, no que gaitara ha mor parte do dia, do cume da qual vendo todos q andaua muita gente da terra efpa- lhada pelo campo lem loípeita dela poderem chegar chriftãos, foi tanta a alegria que lhes pareçeo que tinham já tudo acabado, ho que vendo dom Pedro malcarenhas dixe a dom loam, fenhor pareçeme ifto quomo quê corre tromenta, qoe quando vé terra le alegra, ftando mais perto do periguo do q ho faz no alto, dõ Ioão lhe refpõdeo, pois íabei de çerto q eftamos é terra q fe foramos fentidos, que cem vilãos de pé nos desba- ratarão, mas já q Deos nos trouxe aqui não ha q temer. Paliadas eflas, & outras praticas, dom loam deu fetéta de cauallo ahos almocadés pera irem diãte correr ho campo, & pera fim, com feus cunhados, tomou.
121 outros fetenta com ho guiam, & ha mais gente mãdou que acompanhaífe ha bandeira. Neila ordem fairam da ierra, tomando loguo hos almo- cadés ho caminho de Méçara, & Dalinaçar, & ho guiam ho da boca de •n 64 ci.a." Benarros, na qual corrida tomaram mais de trinta almas,* & mais de quatroçentas cabeças de guado vacum, & grão foma de meudo, com ha qual caualgada fe vieram recolhendo pera ha boca de Benamares fem hos mouros oularem de hos cometter, aho que acodiram hos da ferra do far- robo & hos da Raihana, & Benamaçar, que todos não fezerão mais que acreçentar ha dor ahos que viam leuar fuas molheres, filhos, & parentes captiuos, fem lhe poderã1 valer, porque aísi eítes quomo hos outros, poíto que todos vieflem ladrando apos do Ioão Coutinho, não oufaram de ho cometter na ferra nem fora delia, da qual faio cõ muito trabalho pella grande aípereza, & difficuldadc dos caminhos, ho que feito, depois de repoufarem, & darem folga ahos cauallos, tomou feu caminho pera Arzilla, onde foi recebido com ha acoftumada alegria, que fe em taes idas, & tornadas acuítuma fazer ahos vencedores. Capitulo. 1. De quomo indo loarn coelho Alcaide mór de Tanger, & feu irmão Aires coelho pera Arzilla em húa carauella, pelejaram cõ húa fujla de Tetuam, & do que fe ttijfo pajfou. DEPOIS desta entrada da lerra de Benamares, determinou dom loam cou*tinho de ir a Septa em cõpanhia de dom Pedro mafcarenhas feu cunhado, nas gales de que era capitam quomo fica dito, com que jà andaua no ílreito, a comprir húa romagem que tinha prometida a cafa de nofía Senhora dafrica, & porque aífentaram de tornarem por Tanger, Antónia dazeuedo filha Danibal teixeira, molher que fora de Dioguo do foueral, fretou húa carauella pera em fua Companhia fe ir pera Arzilla, com fuas tias, & irmãos, dode era natural, & tinha fua cafa, ha qual fiando preítes, com todo feu fato embarcado, loçedeo que com força de leuante não poderam as gales lurgir na barra de Tanger, & paífando de longo do muro, & couraça da cidade fe foram Arzilla, polo que ha carauella, poílo q fe niífo muito trabalhaífe, nam pode fair da baia pera feguir has gales. Dom loam Coutinho antes de chegar Arzilla lcreueo per hum barco de pefcadores, de que era araez Lopo afilhado, a dom Duarte, auifandoho dalgúas coufas neçeffarias aho tempo, & fazam delle, mandãdo ahos pefcadores que a força de remo tomaífem Tanger, ou aho menos Almadraua, & deffem has cartas ahos atalaias 1 Et. I. podere. Emendado já nos «erros da impressão» desta quarta parte. vol. ív ,6
— 122 — do cabo, lios quaes achando lio vento mais brando do que cuidauam quiícram paliar ho cabo, onde hos tomou húa fufta de Tctuam, & por T.ci.a.* ler junto de terra hú defies peíca*dores de íeis q era, per nome Antonio grimaldo fe lançou da fufta aho mar, & per terra veo ter a tãger, & deu auifo a dõ Duarte, de quomo ha fufta tomara ho caminho de Tetuam. Cõ efta noua, por ho cabo ficar feguro, detreminou Antónia dazeuedo de fembarcar na carauela, afiuzada tanibé em duas naos bifcainhas q nauegauã pera leuãte, & ftauã ancorados na Almadraua: nefte caminho ha acÕpanharã Ioão coelho alcaide mór de Tãger, & Aires coelho feus primos cõ irmãos, em cuja cõpanhia fe foi ho Grimaldo q fe laluara a noite dãtes da fufta: feita vela em paífando ho cabo derão com ha mefma fufta, ha q»al veo enueftir ha carauela lãçandolhe logo oito homês dêtro, alio q loam coelho, & Aires coelho armados de couraças, capa- cetes, & adargas acodirã cõ lanças nas mãos, & afsi I10 Grimaldo, q ho fez em quãto efte negoçio durou mui esforçadamête, hos qwaes do primeiro encÕtro mataram quatro dos mouros, & hos outros fe lançarão 11a fufta. Em quãto lefte negoçio traélaua, ho meftre, & marinheiros marearam ha carauela de maneira q lhe ficou ha fufta a ré, mas fabêdo hos mouros pelos q fe lãçarã da carauela q nã hauia nella mais q tres homes q pelejauão, & q iha carregada de molheres, detreminarã de ha cometter outra vez, ho q fezerão cõ muito animo, dos qwaes, ê inueftindo •fi.65.ci.í.1 ha carauela faltarão pela proa* quíze, ou dezafeis dêtro, cõ capaçetes lãças, rodelas, & adargas, no q fezerã tanto quomo dates, porq hos dous irmãos, & ho grimaldo, cõ húa lãça na mão, & hú berneo no braço, hos reçeberão de tã boa võtade, q depois da peleja durar hum bom pedaço, mattarão hos mais delles, & hos outros todos feridos fe lãçarã na fufta, pelo mefmo lugar per onde fobirã: alie defies começarão outros dêtrar pela popa da carauela, I10 q lhe ho meftre, & marinheiros defenderã cõ tãto animo q nhú delles oufou de íobir, ho grimaldo quomo era valete home, & acordado, nã feíqueçeo em hos mouros fe lãçando da carauela pela proa, de tomar ho fogão q ílaua cheo brafas, & çinza, & ho lãçar dêtro na fufta, cõ que mattou algús, & ferio outros & outros çegou de maneira q tomaram por partido alargaffe, feguindo cõ tudo ha carauela ás fetadas, & fpingardadas. Hos capitães das duas naos bifcainhas vêdo ho q paífaua lhe acodirão cõ hos bateis, mas foi a têpo q jà ha fufta andaua de largo, ha qt/al em hos vêdo fe fez na volta de Larache, pelo q fem acharê ja quê lho podelfe eítrouar atoarão ha carauela, & ha leuaram hás naos, onde lhes fezerão muito boa cõpanhia & mandaram curar hos feridos, dos quaes ho que mais feridas, & mais perigofas houue foi ho «fl65.d.a.* grimaldo: ho q feito hos poíerão na almadraua, onde dom Duarte* veo
— 123 — por elles, & hos leuou per terra a Tanger, & ha carauela hos feguio per mar de lõgo da coita. Capitulo, li. De quomo dom Francisco de Crq/lo capitam do Cajiello de fanãa Cru\ no cabo de Guer foi fobela villa de Turoququo, & ha tomou. HA. villa de Turoququo, fendo dom Françifco de Craíto capitam do cabo de guer, era de tanto traèto, que alie dos mouros que alli vinha fazer luas mercadorias, ítauã nella por eíte refpeito muitos chi iítãos^ & porque hos mouros delta villa, & da comarqua^ aim redor vinha muitas vezes correr aho cabo de guer, env que fazião dãno, afsi ahos Portuguefes, quomo alios mouros de pazes, detreminou dom hrãçifco de caítro q já era tornado do Regno ir lobrella, & ha deítroir pera ho que ajútou ha mais géte q pode, de q ha mór parte era do xeq Melique, q era mui bõ caualeiro, & leal vaífalo delRei do Emanuel, cÕ ha qua\ cõpanhia foi amanheçer hú dia fobreíta villa, & lia entrou, & mattou, & captiuou hos mais dos moradores delia, & cÕ elles tomou todolos merca- dores chriltãos q alli refidiã, de q hos mais erã Genoefes, & Caítelhanos, hos qi/aes todos trouxe aho caítello de S. Cruz, cõ muitos chriltãos •ki.65t.ci.i.* cap*tiuos, q achou na villa, a q deu liberdade: hos q mor dãno fezerã, & mais géte mattarão na tomada delta villa, foram hos mouros de Melique,. por ítaré magoados dos muitos dãnos, q receberá dos moradores delia. . Deite feito auifou logo dó Frãçifco elRei dõ Emanuel, fcreuédolhe^ q fua A. lhe mãdaífe ho q hauia de fazer daqlles mercadores chriltãos, q tomarão porq hos moradores lhos pedião pera hos véderem em Leila, & leuarem ha parte q lhes coubeffe, quomo fezerã dos mouros q alli cap^ tiuarão, q por taes fe podiao eítiltimar,' pois viuiã em suas teiras, & traitauã cõ elles, é mercadorias, defefas, como fe labia por çeito, aho q lhe elRei refpondeo q hos tiueífe a bõ recado, & mãdaíie hú delles aho Regno, cõ procuracam dos outros, pera trattar leus negoçios na coite, & fe fazer niífo, ho £j foffe reza, & justiça, ho q afsi fez, mas quomo eíte negocio depois paffou, & ha fentéça q fe fobriífo deu, eu nã pude alcãçar, né fa'ber das pelToas q lá ítauã neíte tépo, & depois itiuerã atté q hos mouros depois do falecimento delRei dõ Emanuel tomarã eíta villa do cabo de guer per combatte. 1 Et. I. eftimar.
124 — Capit. Iii. Do que Antonio correct pajfou na riagê que fe\ a Malaca, & Pegu, 6- do que em Malaca aconteçeo atle que tornou, & do q ahi fez depois de chegar atté fe ir perá India. * QVOMO atras fica appontado, ho Gouernador Diogo lopez de _ fequeira delpachou Antonio correa pera Pegu, aho q«al Regno da terra chama Bagou, a quê deu regiméto q fe Malaca per onde hauia de ir ftiueíle ainda çercada q nam paffaíTe atté ho çerco fe nã aleuãtar, & em todo ho q podeffe ajudafTe Afonfo lopez da coita capitão da forta- leza: pcra cita viagé lhe deu tres velas de q hos outros capitães erã Antonio pacheco, q iha prouido da Capitania de Malaca, & Frãçifco de lequeira, cõ eftas tres velas, em q iriam çéto, & çinquoéta foldados Por- tugueles partio Antonio correa de Cochim a leis dias de Maio, do Anno de m d.xix, & chegou a Malaca a têpo que ha fortaleza ftaua em ta- manho aperto, q fora difficultofo poderfle defender a eIRei de Bintam fe elle não viera, porq ha tinha çerquada per todalas partes, & aefeita ' a tran- queira, & fortaleza do rio de Muar, cõ que tolhia vire mãtimêtos à çidade^ do q fe caufou tamanha fome, q ha medida darroz a q chamã gata, q poderá leuar hfia canada valia hum cruzado, & ha canada do vinho outro tanto, aho q fe ajutaua ítar Afonfo lopez muito doente, mas co ha vida Datonio correa, q por eíte refpeito fe alli deteue dous mefes, '* hos ,m,g°s tomarã P°r partido deixaré ho çerco, ho q feito,ha cidade prouida de mãtimêtos fe partio pera Pegu, onde cõ bõ têpo chegou ha çidade de Martabao, ahos trinta dias de Septébro do mefmo ãno. Nefte regno de Pegu ha muitos Elephãtes, & grãde cãtidade de çeruos, porcos mõteles, & outras ahmarias brauas, cauallos bois, bufaros, gado meudo, & aues ia í minas douro, prata, & todolos metaes, muito lacre, & bõ & hos me hores robis de toda ha índia, & muita outra pedraria, quorno fpi- ne] s,_ & çafiras, & doutras calidades, he muito viçola, & de muitos mãtimêtos, has çidades, & villas fam çercadas de muro de pedra & la- drilho, co fuas torres, & cubellos, vêdem ho peixe daugoa doce viuo, quomo le faz e França, Hadres, Inglaterra, Alemanha, & outras prouin- 4tas deuropa: ha gête he baça, & de meã Aatura, has molheres andã muito be atabiadas, & fe te em muita cota, & pofto q fejã baças, fam fermofas, de bo geito, & pareçer, té muitas armas perá guerra, pofto q elles fejam fracos, & couardos, & ifto lhe caufa fere muito dados a viços • Iam gentios hos mais delles, ha i na terra algús mouros mercadores, mas 1 Et. I feita. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte.
— 125 — ho Rei he gétio, ás cafas doraçã chamao varellas, q fam do modo das dos Chins, te murteiros de frades, & freiras, que viué em muita abfti- nençia. Depois de Antonio correa chegar ha çidade de Martabao, que fi. 66. ci.2.' he húa das prfçipaes do Regno, onde fe fazé has talhas q*chamã Marta banas, & outra muita ouça 1 de porçelana, mandou por embaixador a elrei que entã ftaua na çidade de Pegu Antonio paçanha natural da villa Dalanquer, & por fecretareo da embaixada Belchior carualho, hos qwaes cÕ ha mais cõpanhia q leuauã de Portuguefes forã bem recebidos delRei, q íabédo ho a q iham hos defpachou logo, mandando com Antonio paçanha hú iáçerdote home de muita authoridade, a q chamam Rolis, & ho Çamim de belgam que he húa das príçipaes pertoas de fua cafa, que depois de fere em Martabao affentarão pazes, & amizades cõ Antonio correa em nome do leu Rei, de que fezerão cõtra&os jurados, & foléni- zados, em que Antonio correa fe obrigou em nome delRei dom Emanuel, a fe manter, & guardar ho q fe antrelles affcntara, do q deu hú ftro- mento pubrico, & da parte delRei de Pegu fe deu húa lamina douro do tamanho de húa folha de papel, em q ho cótraôto ftaua elcripto em letras lcolpidas aho boril, q íe étregou a Antonio correa, ho q afsi afsêtado hos noíTos quomo amigos andauão pela terra fazédo feus negoçios tão fe- guros, quomo hos mefmos naturaes delia, no q continuarão atté ho mes de Iunho do ano de m.d.xx que lhes leruio ho tépo pera fe tornaré, em q Antonio correa íe fez a vela caminho de Malaca, com çinquo jungos Fi.66*. ci. i.' carregados de mã*timentos, q foi ha melhor mercadoria q poderá naqlle tépo trazer a çidade, por delles hauer muita falta. Nefte tépo em q foi a Pegu, & veo, porq elRei de paçé fe aleuantara cõtra hos Portuguefes, & mãdara mattar hos q ftauã na çidade de paçem, q feriam obra de vin- teçinquo, & tomar ha fazéda q alli tinha, & ter morto ho Rei q era noífo amigo, & fe aíenhorear do Regno quomo tyrano, determinou Garçia de Sá, q feruia de capitã de Malaca quomo fica dito, de mandar Emanuel pacheco em húa nao bé eíquipada, & artilhada pera q andafle entre ho porto de Paçé, & Aché, & vedaífe ha entrada ahos q a elles quiíeffem ir, porq por entã nenhúa guerra podia fazer mór a efte Rei q vedarlhe hos mãtimétos q vinhã de fora, & eftrovar hos pefcadores que nã faiffem aho mar, ho qt/al andado afsi corrédo efta corta, cõ defejo daugoa frelca mãdou ho batel a terra cõ çinquo Portuguefes, afora hos remeiros: eftes fora Antonio paçanha,1 loam dalmeida de quintella ambos da villa Dalan- quer, Antonio de viera da çidade do Porto, Frãçifco gramaxo, & ho bar- 1 Et. I. louça. Emendado já nos «erros da impressão* desta quarta parte. 1 Et. I. paçanha.
1 20 — beiro da nao, feita, ha augoada no rio de Iacapari, donde ha náo ficaua de largo mais de húa legoa, en começado lio batel a deçer pelo rio, veo húa infinidade de géte que de húa báda, & da outra hos trattauã mal de •fi.t>6t. d. ».• frechadas, & pedradas cõ tudo elles fairam do rio, &* fendo a mea legoa das naos por ho veto nem ha mare lhes feruir foram alcançados de tres lancharas, que fairam do rio de Paçem, com muita géte nobre, & bem armada, de q era capita hú Iáo muito esforçado, per nome Raia çuda- meçi: hos çinquo q iham no batel vendo q da nao lhes nã podia acodir, pondo fua efperança em Deos, determinados de morrer antes q fe leixaré captiuar, em ha lãchara capitaina chegado a elles, ho barbeiro q era muito forçolo de braços aferrou nella pela proa (porq afsi tinhão ordenado q ho fezeífe) & hos quatro entraram na lanchara, cõ tãto esforço, que has laçadas fezerã faltar muitos na augoa, & mattarã outros que fe iham recolhendo pera ha popa, onde ha peleja durou hú bõ fpaço atté que hos mais delles morreram, & hos outros íe lançaram aho már, dos quaes ho derradeiro foi ho capitão, Raix çadameçi mal ferido, q antes q de todo fe afogaífe, mattou cõ hú traçado quatro ou çinquo dos (eus, cõ defpeito de lhe fogiré do modo q ho fezerão, fendo elles mais de trezétos, & hos noffos tã poucos, has outras duas lãcharas q vinha atras, vedo tam fubito ftrago não oufarã de chegar aho batel, & pareçe q quis Deos faluar eftes homés, porque fe eftas lãcharas lhes chegarão fó na lua mifericordia ftauã •Fi.67.ci. I.* iuas vidas, porq elles, né poder, né forças tinhão já pera fe de*fenderé, porto que foram muitos mais, por quão feridos, & canfados ítauam, cõ tudo elles atoarão ha lãchara, & ha leuarão á nao, & dahi a Malaca, onde fe pos ê terra debaixo de húa alpendorada que lhe Emanuel pa- chequo mandou fazer, por memoria do milagre q Deos fezera por aquelles çinquo homés, q foi caula dei Rei de Paçem pedir paz, & refti- tuir ha fazenda dos Portuguefes q mattaram em Paçem, ha qi/al paz affen- tou cõ Emanuel pachequo, elle cõfirmou depois cõ Garçia de Sá mas tornando a Antonio correa depois q foi em Malaca védo que elRei de Bintam continuaua na guerra, fazédo muito mal da tranqueira q tinha no rio de Muar, fe offereçeo a Garçia de Sà pera ir fobrella, & fobre ho lugar de Pádo, & deftroir húa coufa, & outra, pera ho q lhe deu entre nauios redondos carauelas, furtas, lancharas, & húa gale cõ hum bar- gãtim trinta velas, de q erão Capitães a fora elle dom Rodrigo da fylua, Duarte de mello, Duarte furtado Duarte coelho, Anrrique leme, Emanuel pachequo, Françiíco de fequeira, Carlos carualho, Diogo diaz, Chriftouã diaz, Rui médez, Iam falgado, & Bertholomeu dafoufequa, q iha por capitã das lãcharas de Malaca, cõ efta frota, em q Antonio correa leuaua çéto, & çinquoéta Portuguefes, & obra de qt/atroçétos foldados Malaios, en- \
I — 127 — •fi. 67. ci. ».* trou pelo rio de Muar, q lie bê po#uoado de húa, & da outra bãda, & cuberto, daruoredo tam bailo, & tam alto, q quafi não vem lio çeo hos q por elle vã: por eíte rio açima obra de íeis legoas cae nelle liú eíleiro q vem de Pádo, na boca do qwal tinha elRei de Bintam feita húa eíta- quada de duas faces, q guardauã muitos foldados, cõ reçeo que hos Por- tuguefes ho foflem cometter ha Pádo, onde rcíidia ha mór parte do tépo por cafo deitas guerras: cita eítaquada tomaua todo lio canal pei onde íe podia nauegar ho rio, & no meo tinha húa porta de grades q fechauã de noite, per onde fe íeruiam hos q vinhão pelo íteiro de Pádo alio rio, pera dctro da qual fe recolhiam també has lãcharas delRei de Bintam, por ilaré mais leguros dos rebates q lhe hos Portuguefes muitas vezes dauã. Antes que Antonio correa chegaffe a cila trãqueira ha mãdou efpiar em hú barquete per George mefurado, q lhe trouxe nouas q nella hauia muita gente, & q lhes houuira dizer q íliuelTem á leria, porque lios Portuguefes liauiam de ir fobrelles, ho que fabido, aílentou com nos outros capitães ho que ie hauia de fazer, & cm rompendo ha alua deu na tranqueira tã de fubito, q ha entrou, & mattou, & captiuou muitos dos que nella ítauam, porque hos outros fogiram pera Pádo com ho ca- ■•Fi.67T.ci. 1.* pitam que elRei de Bintam alli tinha, que era hum dos prinçipaes#de fua cafa, na tranqueira acharã mais de vinte peças dartelharia de brõço, de que algúa fora noífa, & outro deípoio de pouca eílima. Antonio conea quomo bom, & esforçado capitã detreminou no mefmo inílante de iobre falte ar elRei de Bintam, pelo que leixou na boca do íteiro Duarte de mello no feu nauio, cõ algúas lancharas pera guardaré ho paflb, & recolherem ha artclharia, & elle na fua galé cõ hos outros nauios entrou por elle arriba, ho qtml paífou cõ muito trabalho, pelo achar todo atiaueífado dai- uores, que elRei mãdara cortar, & laçar nelle de húa, & da outia pai te, CÕ tudo elle chegou aho lugar de Pádo, onde, poíto q achaffe elRei com íeus Elephãtes, & géte poitos em ordé de fe quereré defender, faio em terra, leuãdo diãte ha bãdeira Real, de q era alferez Afonfo valete, & traétou ho negocio de maneira que elRei cõ medo fe acolheo, indolhe hos noffos nas coílas, mattãdo, & ferindo muitos, atte q Antonio coriea lhes mandou q rvã feguiffem mais adiante por nam faberé ha terra: reco- lhidos todos, Antonio correa armou algús caualleiros a porta dos paços delRei, apos ho que mandou faquear I10 lugar, & porlhe ho fogo, & ás lãcharas, & outros nauios, que feriam mais de cento, q ítauam no ítreito, em que hauia algúas da peffoa delRei, muito bê lauradas, & douradas, *fi. 67 r. cl. ».* de que*leuou duas a Malaca, com muitos captiuos que tomou neíte lugai, & na tranqueira, que também ardeo toda, quomo ha villa de pádo. Deite desbarato ficou elRei tam enuergonhado, & debelitado de gente, & 1
— 128 — fuítalha que logo fe foi pera Bintã, pelo que fe fezeram em Malaca grandes feitas, dando todos muitas graças a Deos poios afsi liurar deita guerra, de que recebiam todolos dias tanto damno, que quafi fe nam podiam valer, nem bufcar modo pera fe poderem guardar dos aialtos, & entrandas' que lhes eíte Rei fazia pelo mar, & pola terra, da qual cidade, deixandoha Antonio correa farta, abaítada, & paçifica, ie fez à vela perá índia, onde, afsi do Gouernador, quomo de todolos Portuguefes, & amios foi feítejado quomo lio elle bem merecia, pela muita hõrra que neíta viagem ganhou. Capitu, liii. De quomo has rainhas de covlam, & Comorim mandará çerquar ha fortaleza de Coulam, & do que fe niffo pajjou. HECTOR rodriguez (que quomo atras fica dito) começou de fazer ha fortaleza em Coulam, & tendoha quafi acabada mandou •fi.68.cl i.* dizer ha Rainha que copriíTe com elle algúas couias a q*era obrigada per vertude do contrafto das pazes, das quaes ha de mór luítancia era ha fatisfaçam da fazenda que fe tomara quãdo mattaram Antonio de Sá, & de íetenta bahares de pimenta, q deuia per quebra do pefo q ella, & feus offiçiaes fe obrigará a pagar, fobreítes negoçios houue recados de húa, & da outra parte, atté q ha Rainha de Coulam acoielhada dos mouros, & dalgús gétios detreminou de tomar ha fortaleza per treiçam, aho que fe lhe offereçeram tres Naires irmãos, q veuiã júto da meima fortaleza, cõ quem Hedor rolz per eíte reípeito tinha grade amizade, & de q fe já feruira em algúas coufas, eítes eram Vnireipulabalã, Pullagoripo, & Coulegoripo, q entam feruiã ha Rainha de Comorim: Mas como eíte ne- gocio nã fobçedefie à votade da Rainha de Coulam, nã fe atreuédo íó a cometter a fortaleza fe aliou co ha de Comorim, & feitos ieus cõtrattos da parte q cada húa hauia de leuar da fazenda, & reígate dos Portu- guefes, ajuntaram perto de vinte mil homés, de que dera ha capitania a eítes tres irmãos, hos quaes em mui boa ordetiãça vierã çerquar ha forta- leza, no mes de Iunho, em q naquellas partes he ha força do Inuerno, pelo que lhe nam podia vir focorro de Cochim fe nam cõ muita diffi- *f>.68. ei. ».■ culdade: depois daífentado ho çerquo, & terem lançada peçonha nos* poços, & mortos algús chriítãos da terra que veuiam aho redor da forta- leza, ha começaram de leruir has bombardadas cõ que faziam aíTaz damno, com tudo hos de dentro lhe refpondiam de maneira que mat- tauam, & íerião muitos delles, porque varejauam hos tiros pelo cãpo, 1 Et. I. entradas.
— 129 — onde ainda andauam à deícuberta, por nam terem acabadas has cauas, & foflados, em q fe hauião de recolher. Deite negocio anilou Heótor rolz per terra dom Aleixo de meneies, que ítaua em Cochim feruindo de Gouernador, em abfençia de Diogo lopez (porque quãdo iíto acon- teceo era elle ido aho mar Darabia) fazendolhe faber que na fortaleza com feu genrro Duarte varella nam hauia mais que tríta homés, de que hos çinquo eftauam doentes, & que não tinha outro nenhum mantiméto fe nã aroz, & muito pouqua poluora, ho que fabédo dom Aleixo defpa- chou loguo dom Afonfo de meneies, leu fobrinho, filho do Conde de Can- tanhede, em húa fuíla, cõ obra de vinte, & çinquo foldados Portuguefes, beíteiros, & fpingardeiros, ho qual em chegando a Coullam fe lançou dentro na fortaleza com ha géte que leuaua, & ha fuíta, porque hos imigos ha esbombardeauam de terra, tornou a mandar com hos remeiros pera Cochim, paliados tres, ou quatro dias depois da vinda de dom 11.68v.ci i.« Afonfo, hos imigos#vieram cometter ha fortaleza detreminados de darem afalto, & porque Heótor roíz hos vio encaminhar perá porta, temendo q ha quebralfem com machados, & outros engenhos que traziam, fez poer fobre has guaritas muitos penedos, & pattellas de poluora, pera hos fer- uirem, fe chegaílem, ho q feito mandou abrir ha porta de par em par, ficando elle no pateo de íronte delia com vinte homes, ho que vendo hos imigos, mudaram ho prepofito com que vinham, pondoífe ás írechadas, & fpingardadas, & bõbardadas cÕ hos noílos, que lhes pagauam na meíma moeda, no q ftiverão mais de duas horas a cabo das quaes fe recolheram ás ítançias, com lhes mattarem trinta homes, & elles hum Portugueies 1: depois deite combatte derão hos imigos outros, com hos mais dos dias lançaré na fortaleza paífante de cem pellouros de bombarda, de que hauia algús de ferro que pelauam dez arratês, com tudo hos nolTos nam lei- xauão de fair muitas vezes fora a cortar hos palmares que ftauam junto da fortaleza, couia que hos imigos fobre todas fentiam por ho terem por grande afronta, iíto fe fazia has mais das vezes na parte onde era ha ítançia de Matanatriniri, hum dos capitães deite çerquo, aho que elle re- feítia quomo muito bom caualleiro, fazendo recolher hos noílos algúas fi.68v.ci. a.* ve*zes mais de preíTa do que queriã. Neíte tempo lançou He£tor roiz húa cilada detrás de hús vallos de beíteiros, & ipingardeiros, apos hos quaes mãdou a Duarte varella, que foíle cõ dez, ou doze homes cortar hos palmares da parte da inítãçia de Pulagoripo, aho que elle logo acodio com ha mór parte da iua gente de q hos que ftauam na çilada lhe mattaram fete, ou oito, com tudo elle feguio adiante, fazendo recolher Duarte va- 1 Et. I. Português. vou IV '7
— 13o — relia pera ha fortaleza, ho qual por fe ver muito apertado fez volta ahos imigos, na qual hum fpingardeiro, per nome Symão aluarez vazou de hum tiro ambalas coxas a Pulagoripo, de que logo caio, aho que acodiram Duarte varella, Luis aluarez fcriuam da feitoria, Antonio ferraz, Antonio da coita, Diogo de gouvea, loam lourenço, & outros pera ho tomarem prelo, fobre hos quaes vieram tantos dos imigos pera defenderé feu ca- pitam que tiueram aífaz que fazer em fe ire recolhendo paflo a paffo, leuando lempre ho roíto nos imigos, que neíte debate deram húa cu- tillada pela folia de hum pé a Duarte varella, & Afonlo ferraz foi fe- rido de tres feridas de que morreo, & Antonio da coita de duas fre- chadas, & hos outros iairam hos mais delles feridos, & afsi chegaram ha fortaleza com aífaz trabalho, mas nem por iífo deixauam hos noifos •Fi.69. ci. 1.» de fair*a cortar has palmeiras quomo ho dantes faziam, de que has mais das vezes era capitam dó Afonío menefes em q fempre fe trauaua eícara- muças cõ hos imigos, hos qwaes depois de terem çerquada ha fortaleza quaíi dous mefes defenganados de ha podere tomar, & por has Rainhas terem auifo por terra que dom Aleixo mandaua mais focorro, ordenaram de pedir paz ha Heitor rolz, do que elle logo deu auiío a dom Aleixo, que fobriflo mandou a Coulam Diogo pereira, & com elle dous mouros de que íe confiaua per nome, Cherina marcar1, Patemarear2, hos quaes depois delia fere, elles, & Heitor rolz fezeram hús appontamétos que foram aprefentados has Rainhas, nos quaes poíto que íe loguo nam to- maífe concluíam, né por iífo ie deixou de aífentar ha paz, ho que acabado fe aleuantou ho çerquo, com ellas ficarem muito contentes, oífereçédoífe no que nellas foífe, a tudo ho que cópriífe a feruiço delRei dom Emanuel. Capit. liiii. Do que aconteçeo a Gregorio da quadrada3 defno tempo que foi captiuo no Regno Dadem, atté acabar fua vida em religiam. ATRAS fica dito, quomo per deíaítre, hum bargãtim, de que era capitam gregorio da quadra,*que andaua cõ Duarte de lemos capitam geral do mar Darabia, ie perdera da companhia. Eíte bargãtim leuou ho mar a Zeilla fem per cafo da grande çaracam *, que fazia faberem pera onde nauegauam, onde foram tomados todolos chriítaos que nelle ' Et. I. marcar. * Et. I. Patemarear. 3 Et. I. quadra. 4 Et. I. çaraçam.
— 131 — iham, & hos mais leuados a elRei Dadem que entam ftaua em Zibit, cidade prinçipal de feu Regno, home cruel que traótaua mal hos captiuos, de que tinha muitos de diuerfas nações. Eftes Portuguefes madou metter em húa mazmorra, em q tinha muitos captiuos, onde íe Gregotio da quadra, conftrãgido da neçeísidade, eníinou a fazer carapuças de pedaços de pano de cores, que vendia, & diíTo alem da raçam que lhe dauam fe mantinha, & acodia alios companheiros. Paliando alsim efta vida algús annos, veo hum Rei vezinho a efte de Adem fazerlhe guerra, em que ho vençeo, desbaratou, & tomou ha mor parte do Regno, dizendo que lhe pertencia per direito, ho qual era home mauiofo, & caridolo, pelo q húa das primeiras couías que fez foi dar liberdade a todolos captiuos que ho outro tinha, entre hos quaes aconteçeo ha forte a Gregorio da quadra, & a çinquo dos Portugueles que fe com elle perderam, porque hos outros eram já mortos, ho qual (porque aprendera ftando captiuo muito bem ha .69*.d...' Arauia) difsimulado ler religioso na íefta de Mahamed teue taes meos, que per fua fengida fanftidade veo à noticia delRei, que quomo era homem bem acondiçoado, & amigo de Deos fegúdo fua crença lançou mão delle, & ho leuou cõfigo a çidade de Medina, onde ítam lios oífos de Mahamed, ha qual romaria elrei tinha promettida áquella cafa, fe lhe Deos deífe vidoria de leu imigo: Aho tempo que elRei chegou a efta^idade hauia dous dias que partira ha Cafilla de Damafco, pelo que Gregorio da quadra, defejando de paffar à India, lob cor de ir vifitar hos oífos dos netos de Mahamed que ftam na perfia, pedio a elRei que lhe deixaffe fe- guir ha Cafilla, pera ir com ella atté ho mais açerqua que podeíTe da cafa em que aquelles corpos fta fepultados, ho q lhe elRei cõçedeo de má vontade, a húa por lhe já ter algúa afeiçam cuidando que era homem religiofo, & ha outra porque fabia que era quafi impofsiuel poder chegar ha cafilla, cÕ tudo importunado delle lhe deu liçença, dinheiro, & mãti- mento quanto elle pode leuar em hum fardel, afi que defpedido Gregorio da quadra delRei tomou leu caminho por defertos, lem íaber per onde hia, atte lhe faltar ho fardel, & ha cabaça, em terra que tudo erSo medos darea folta, onde apertado da fome, & aíTado da quétura do foi pos hos *fi. 69 ▼. ci.»»' giolhos no çhão, pedindo com*muitas lagrimas a Deos perdam de teus peccados, fazendo conta que tinha acabado ho diícurto de lua vida, & feita fua fepultura nas aues do çeo, & alimarias da terra, pois morria em lugar onde nam podia ter outra. Stando neftas angustias, milagro- íaméte foi arebatado, & leuado do pé de hú grande outeiro darea onde ftaua lamentando lua vida, ho qual pofto afsi no cume delle olhou perá outra banda, & vio hum camello, & hum homem hú pouco mais ad.ate, pera ho qual fe foi ho melhor que pode, mas antes que chegaíle a elle,
— I 3 2 — defcobrio muita géte, & camellos que eram de húa cafilla q alli ítaua tomando augoa, pera lios quaes encaminhou logo, pedindolhes que lhe focorreíTem com algúa couta pera comer, ho que lhe deram, perguntan- dolhe peia onde iha, ho que lhes cotou, do que ítimaram todos, olhado a feu trajo, que era algum homem fanéto, & por tal lhe fezera muita charidade, & ho leuaram em fua companhia a Babilónia, donde fe veo a Baçora, & dalli a Ormuz em companhia de mouros, cuidando que era Caçiz, ou Ermitão Arábio. Chegado a Ormuz dom Garçia coutinho, que entam era capitam da fortaleza lhe fez muita honrra, & bom gafa- lhado, dandolhe logo embarcaçam pera a India em naos que ítauão preítes ~«.7o.ci.i.» pera partirem, dõde veo ter a elte Regno no Anno*de mil, & quinhentos, & vinte, ho qual deu tam boa rezam a elRei dom Emanuel do que vira, & paliara, & enformaçÕes que tinha das pefloas com que tiuera pratica, ho tempo que fora captiuo, & fe contrafezera religiofo, tanto das coufas da prouinçia da Arabia, quomo da Ethiopia, onde domina ho preçioío Ioão, Rei, & Emperador do Abexi, & de hú grade lago, que ha nas fuas terras, donde fe diz que fae ho Nillo, & ho Zaire, & outros grandes rios, que elRei por fe lhe offereçer a iffo ho mandou alio Regno de Congo, perá dahi ir per terra aquelle lago, & delle ha corte do Rei do Abexi, defejolo dachar modo de poder comunicar eíte príncipe per fuas cartas, & meffageiros mais ameude do que ho podia fazer per via da índia, pera quem lhe deu cartas de credito, & inítruções pera com elle traétar fobela guerra contra ho Turquo, & fortalezas que tinha, prefopoíto fazer na coita do mar Darabia, & da Ethiopia. Partido Gregorio da quadra de Lisboa, ho nauio em que hia foi ter ha barra do rio Zaire, que rega boa parte do Regno do Congo, & lie hum dos mores que fe fabe em todo ho mundo, porque corre tãtas prouinçias, & lie tam largo na boca, em que fae alio màr, que de húa banda a outra fe nam vé ha terra, chegado a -w-1.7®. cl. i.« eíte porto fe foi per luas jornadas a corte dePRei de Congo que eítaua dalli pelo íertam, feíenta legoas, a quê deu has cartas que lhe lheuaua delRci dom Emanuel: Eíte Rei era ho primeiro Rei chriítão daquelle Regno, de quem tenho traétado aífaz neíta Chronica, ho qual naquella lingoa le chamaua Mobemba amolinga, que quer dizer Mobemba filho de Amofinga, porque tem hos Reis & íenhores daquella prouinçia por cul- tume tomarem hos fobrenomes dos pais, viíauos, & tres auos pela parte maícolina, & ho tem por grande honrra, & primor: Gregorio da quadra foi mui bem reçebido, & agaíalhado delRei, mas nam lhe refpondeo logo alios negoçios a que iha, porque ho nam quis fazer fe nam cõ pareçer dos de feu cõfelho, que erão Portuguefes, hos quaes trazia íempre con- figo por fe fiar mais delles que dos feus naturaes, mas poíto que foliem
— 133 — Portugueíes, refpeitando pouquo aho bõ zello de feu Rei natural, aconie- lharã a elRei de Congo que per nenhú modo deixaíle fazer aquelle ca- minho a Gregorio da quadra, porque fe ho defcobriffe, íoubeffe de certo que defejaua elRei dõ Emanuel tanto ha amizade daquelle Rei do Abexi, que por ter melhor modo de ho comunicar lhe hauia de ir tomando feu Regno pouquo, a pouquo, & de todolos que habitaua entrelles ambos, •Fi.70T.ci.i.» atte chegar ahos limites do* outro, do que mouido elRei nam fomente ho nam quis leixar feguir íeu caminho, mas antes ho mandou loguo pera Portugal, com ha repoíla das cartas delRei dom Emanuel, ho qual achou morto, pelo que enfadado jà dos trabalhos do mundo íe metteo frade na ordem de S. Françiíco dos capuchos defcalços, õde acabou fua vida quomo bom, & catholico chriítão, & tal ho foi antes dentrar na religiam, porque no tépo que ho elRei defpachou para efta viagem de Cõgo, eu ho comuniquei algús dias, & em fuas praticas conheçi delle fer teméte Deos, do que deu claro teítemunho na vida que tomou pera de todo acabar em feu feruiço, fora dos trabalhos deite mundo, dos quaes elle paífou affaz, em quanto viueo, fegundo lho eu muitas vezes ouui contar. Capitu, lv. Dalgtts reboliços qve passaram em Caftella depois da par- tida delRei dom Carlos pera Flandres, & da ajuda, fauor, & confelho que elRei dom Emanuel a ijjo deu. FALECIDO ho Emperador Maximiliano, auo delrei dom Carlos, elle per confelho, & pareçer de todolos liados de Castella, & alsi por •fi.70t.ci.a.* fer chamado pelos de* Flandres, quomo fica dito, & algús dos eleitores do Império, paífou áquellas partes, onde foi eleito Emperador com aífaz dificuldade, por elRei Françifco de Valois primeiro Rei de Frãça do nome trazer lobriíío pratica cÕ hos Eleitores, pelo qual refpeito tinha mandado grandes prefentes de dinheiro áquelles que hos quiferam açeptar, promettendo-lhes alem deites outros majores, com tudo dom Carlos por fer Archeduque Daultria, onde de muitos anos a eíta parte anda ha fob- çeffam do Império quafi quomo coufa hereditarea, foi eleito na villa de Francford, ahos dezoito dias de Iunho deite anno de Mil, quinhétos, & vinte: Sobeíta 1 ida fez elRei dom Carlos cortes em Caítella, em que, aliem de ter pedidas outras grades ajudas de dinheiro que lhe foram ou- torgadas, quis de nouo pedir outras muito maiores, ho que lhe foi cÕ- trariado, per algús dos procuradores das çidades, & villas, entre hos « Et. I. sobresta.
— 134 — quaes ho prinçipal foi loam de padilha procurador da cidade de Toledo, natural da meíma cidade, que per efte refpeito fe deípedio das cortes, fem tomar concluíam em nada, & le tornou a Toledo, ho que fabendo eIRei ho mandou chamar per tres vezes, com tençam de ho caftigar, mas elle pellos melhores modos, & meos que pode dilatou fua ida atte ho *fi. 7i. ci. i.* Emperador partir da Cru*nha, onde fe embarcou pera Flandres, & porq ho q íe diuulgou 5 Toledo deitas vezes que eIRei mandara chamar loam de padilha ioi que na derradeira mandaua que lho Ieuaflem prefo, affen- tarão, aísi hos gouernadores, quomo lios nobres, & populares, de antes fe aleuãtarem contra eIRei, que leixarem tirar loam de padilha da çidade: a eíles de Toledo fe ajutaram logo outras çidades, & villas, induzidos a quererê liberdade, com detreminaçam de fazerem comunidades perque fe regeffem, aho modo dos Soiços, & de todo fe tirarem da obediência, que eram obrigados ter a feu Rei, aho qual tinham já particular odio, por fe reger, & gouernar por Alemães, & Flamengos, fem ter ha conta que deuiam1, com hos fenhores, caualleiros, fidalgos, & pouos de Caftella: Sobreftas, & outras auções que cada hum punha quomo lhe vinha á von- tade, fe ajuutarã2 em Tordefilhas ahos vinteçinquo de Septembro deite anno, procuradores das çidades de Burgos, Liam, Sorea, Salamãca, Çamora, Madril, Touro, Auila, Segouea, Valledolid, Toledo, & Conqua, onde teueram per muitas vezes confelho nos paços em que poufaua ha Rainha dona Ionna maim delRei dom Carlos, & atTentaram fua liga, de que fobçederã muitos males, mortes roubos, & facrilegeos, que por le- •Fi.71.ci. j.» rem taes, & tantos deixo de hos* fereuer neíta Chronica, à qual nam conuem outras particularidades lenam has que tocam ahos Regnos, & fenhorios do Rei de que traéta: hos autores príçipaes & cabeças deltas vniões foram dom Antonio Bifpo de Çamora, & eíte loam de padilha, que era filho de Pero lopez de padilha homem muim nobre, & bem apa- rentado, & da criaçam dos Reis de Caftella. Sobelos negoçios deltas comunicades3 ícreueram a eIRei dom Emanuel Adriano Cardeal de Tor- tofa, natural de Vtreque, na proulçia de Sticht que foi depois Papa, & ho Condeítabre, & Almirante que ficaram por regentes dos Regnos de Caftella, & Leam, & aísi lhe fereueram, hos da liga delta junta, & co- munidades pelo Adaião da Sé da çidade de Auila, prothonotario, dan- dolhe credito dembaixador, offereçendolhe hos Regnos de Caftella, & Leam, fe hos quilefle açeptar, ahos qwaes eIRei refpondeo aconfelhãdohos. 2 Et. I deuia. 3 Et. I. ajuntara- 1 Et. I. comunidades.
r — 135 — que deuiam de euitar hos infultos, & males que ie per íua cauía fazião, rogandolhes, & encomendandolhes que foííem leaes a elRei do Carlos feu fenhor natural, & aho Cardeal, Cõdeftabre, & Almirãte fe offereçeo contra hos rebes ', hos quaes ellcs dahi a pouquo dias desbaratará, com ajuda, & fauor delRei, artelharia, poluora, & çinquoenra mil cruzados que lhes •Fi.71v.ci.i.« empreitou, fem querer tomar em* penhor, villas, & caitellos que lhe ho Condeítabre daua íuas próprias, eftimadas em çem mil cruzados: por cafo deitas comunidades fogio pera eíte Regno, dom Antonio dafonfequa contador mór de Caítella, porque mãdou poer fogo per algúas partes a Medina dei Campo, pera que andado hos comuneiros occupados em ho apagar podeife tirar da mota ha artelharia que era muita, & boa, & iíto per cõíentiméto de dom Bernaldino que era Alcaide mór daquella forta- leza, ho que faziam por areçear que hos das comunidades, ha tomaffem, & fezeifem com ella guerra ahos regentes do Regno, mas ho negoçio lhes fobçedeo mal, porque nã cobrou ha artelharia, & ha mór parte da villa ardeo, cõ muitas, & muim ricas mercadorias, & muiteiros, de fra- des, freiras, & Egrejas parrochiaes, em que houue húa grande perda: pelo qual refpeito dom Antonio, perfeguido dos da liga com tençam de ho prenderem, & mattaré per juítiça, fe acolheo a effe Regno, & veo ter a Euora com outros fidalgos Caítelhanos, onde elRei dõ Emanuel entam ítaua, hos quaes reçebeo muim bem, & lhes mãdou dàr em Lisboa em- barcaçam pera paífarem em Flandres, & fe irem pera elRei dom Carlos, •1-1.71 v.ei.i.* que jà era eleóto, & declarado Emperador.* Capitu, lvi. Dalgús de/gostos qve hovve entre dom Nuno mafearenhas, & Sidehieabentafuf, & da viãoria que ejie xeque houue em companhia de Portuguefes dos de Abida, que fe lhe leuantarão pelo verem andar desfauoreçido de dom Nuno. DOM Nvno maícarenhas por mexeriquos, & maos raportes que lhe faziam mouros, & judeus de Sidehiebétafuf, mais por enueja das merçes que reçebia delRei, que por rezam que pera iífo teueílem, come- çou de deígoítar de iua amizade, & fiarífe pouquo delle, do que nam contente efereueo fobreítes defgoítos cartas a elrei cheas de culpas do meímo, pedindolhe que lhe nã deífe tanto credito, quomo ho atte entam fezera, porque pelas culpas que lhe achaua, & intelligençias que deziam ter com elRei de fez, elle ítaua refoluto em ie nam fiar delle, & fobre tudo em lhe nam cõfentir que leuaífe nenhús Português nas entradas que 1 Et. I. rebeldes.
— 136 — fazia, porque tinha por çerto q fe lhos pediífe que hauia de íer pera hos entregar ahos mouros: Sidehieabentafuf foube deitas cartas, pelo que fcreueo outras a eIRei em q lhe daua conta de fua inocência, dizendo •fi. 71.ci. i.« que dom Nuno induzido per mexeriquos de mouros, & * judeus feus imi- gos, com cartas falias, que íe elles meímos fazião fcreuer de amigos que tinha em Marroquos, fe indignara tanto cõtrelle, que ícreuera a algús dos xeques dos Aiabes que ho mattaífem, do que tomaram oufadia de lhe roubarem quanto tinha, em Arfum, & íe lhe irem, & defhobedeçerem Abida, & ametade de Garabia, & elle fe poer em faluo, pelo não mat- tarem, pedindolhe que fezeífem juítiça delle íe ho mereçeífe, & ho mefmo de feus cotrairos fe hos achafle culpados, do que tudo eIRei quis faber ha v erdade, & achãdoho fem culpa, fcreueo a dom Nuno, que ho trataíle quomo dantes fazia. Andado afsi citas differéças antre eíles dous Capi- tães, parecendo a dom Nuno que tinha pouqua gente na çidade, reçeofo que per I10 tal refpeito poderia fobçeder cafo em que tiueíTe delia neçef- sidade, ha mandou pedir a eIRei, ha qual lhe mandou de moradores de fua cai.i, que íeria atte çento de cauallo, de q iha por Capitão (atté che- garem a Çafim) Chriítouam freire cunhado de dom Nuno, q elle tinha pedido a eIRei muitas vezes per fuar cartas que lhe mãdaife, por fer mui bom caualeiro, & pratico nas coufas da guerra. Depois deitas cem lanças ferem em çafim, fendo já reconçiliado Sidehieabentafuf com dõ Nuno- •fi. J..CI.».* lhe mandou pedir gente de pé, & de cauallo em que entraíTem be*íteiros, & fpingardeiros pera ir fobre Abida, & ametade de Garabia: dom Nuno lhe mãdou obra de fefenta lanças, & algús piães, todos dos moradores de Çafim, ha capitania deita gente deu a dõ Rodriguo de noronha dal- cunha Arauia, porque ha fallaua bem, com quem foi ho Adail, & dos fronteiros por lho pedirem mui aficadaméte deixou ir dom Garçia deça, Fiançilco lopez giram, & Emanuel de Goes, que foram ambos do Regno na companhia de Criítouam freire, tanto que eíta gente partio de Çafim, hos de Abida foram diflo auiíados por via de Gormiz, ho qual auífo lhe chegou quafi no tempo que hos chriítãos chegaram onde ítaua Sidehiea- bentafuf, pelo que ie aleuantaram logo, & foram caminho do rio cõtra Marroquos, do q foi auifado Sidehieabétafuf fé mais fperar fe pos a cauallo com çeia, & hos que lhe ficarão de Garabia feguindo trás elles, & porq houue medo que lhe fogiíTem, lhes mãdou no alcance algús cor- redores pera lhos deterem: eítes alcançará hos que ihão em guarda do gado, em quem deram fem fperarem pola companhia, & ha efcaramuça fe trauou tam afpera, que hos noífos garabis mattarão dos dabida çinquo- em que entrou hum filho de çoleimalaeze dos prinçipaes xeques dos da- •fi.7*».ct. I,* bida, & outro xeque, que tinha fama de valente homem, ho que tu*do-
i37 — fezerã tam dc lubito que quãdo Sidehiheabentafuf, & dõ Rodrigo che- garam ha gente de cauallo era pofta em laluo, deixando muito gado, homes, molheres, meninos, de que ho Adail, & almocadem leuara a çafim ha mór parte, com toda ha gente que laira da cidade, excepto quinze de cauallo que ficaram com dõ Rodrigo, & dom Garçia que íe fora em companhia de Sidehieabentafuf, pera verem ha concluíam q Abida queria tomar: ha qual foi tornarenfle pera elle, com hos de xiatima que fc lhe rebellaram, & deixara ho feruiço delRei de Fèz, em que já andauam, per dadiuas, & vertidos que lhe mandara, per léus meflageiros. Capit. lvii. Do que aconteçeo a Vasco fernande\ çefar com duas galcotas que encontrou no ftreito. VASCO fernandez çefar, foi home de que fe elRei dõ Emanuel feruio em muitas coufas por ho achar pera iílo muim fufiçiente afsi nas da guerra, quomo em outros negoçcos, & ho melmo fez elRei dom loam terceiro, feu filho, ho qual depois de ter feruido dous annos de adail em Azamor, & ter feitas has entradas de que fiz mcnçam, elRei dom Ema- •fi.72*.ci.a.4nuel ho mandou chamar per luas* cartas no Ano de m.d.xx, & depois de fer na corte, dahi a poucos dias ho mãdou aho ftreito por capitão de húa carauela, pera andar no prouiméto dos lugares dafrica, onde teue algúst recõtros cõ furtas de mouros, em q fempre lhe Deos deu delles viftoria, dc maneira q fe na terra ho feguia efta boa andança cõtrelles, melhor lhe fuçedeo depois no mar. Ora lie q andando elle corrédo ha corta a traues da villa Dalcaçer çeguer, que naquelle tépo era nofla, no lugar onde fe chama augoa de Remei, lhe fairã duas galeotas, que tinha tomada, hauia ja tres dias, ha géte de dous nauios, q ihão carregados dc cal, & outras munições dobras pera Tãger, & porto q foliem duas, & foubelfe q andauão mui fquipadas de gente, & artelharia, & ho vieífem demãdar a voga forçada elle afsi quomo houue vifta delias lhes fez roflo, mas húa delias, q proejaua melhor, vedo lua determinaçã lhe tomou ho balrauénto fem lhe poder valer, & fe acolheo, ha outra querédo feguir ha efteira defta, por ho mar fer groffo, & ho veto frefco leguio Valco fernãdez çefar, & a força de bombardadas ha fez encalhar em terra onde ha arrombou, & porq hos mouros ie lhe não acolhefsé pela ferra acima, fe embarcou com ha mais da gente armada na barca da carauela q fempre trazia per popa, deixado *fi.73.d. i.1 recado q ha artelharia jugafle fempre atte q ho vifsé* em lugar q neçella- riaméte poderiam fazer mal ahos mouros, & a elle. Defembarcado le poleram ahos botes cõ elles de q mattarã dezoito, antes que Pedraluarez de carualho capitão Dalcaçer chegafle, que era hum mui esforçado caual- VOL. IV 18
— 138 — leiro, ho qwal acodio aho íom das bombardadas, & tomou lios mais mouros da galeota q ainda erão viuos, q ferião trinta, & lios leuou captiuos ha villa, de que fe fezerão em Leilam mais de quatroçentos mil reacs, dos quaes veo á parte da carauela, ha metade, de que elRei fez merçe a Vafco fernandez çefar, ho qual antes que fe dalli foffe fez desfazer toda ha galeota, & recolher has munições. & delpoio que nella hauia fazédoíTe na volta da 1 mar, a entender nos negoçeos de que ho elRei encarregara. Capit. lviii. De quotno I 'asco fernande\ çesar desbaratou [eis galeotas, & do blafão darmas que lhe elRei por ijjo deu. /\ NDANDO Vafco fernandez çefar no eftreito com efta carauela, eíTas 1 \ vezes que ilia a Arzila praticaua muitas coufas com dó loam Cou- tinho, que depois foi Conde do redondo, capitam, & Couernador que -fi.73.ci. então era daquella villa, homem que aliem * de ler muito bom, & esforçado caualleiio, era hum dos melhores cortefãos, & dizedor que então hauia neftes Regnos, quomo ho ja em oiítra parte deíla Chronica tenho ap- pontado, ho qual vendo quão denodadamente fe auenturaua, & punha a rifquo de fe perder, lhe dizia gracejando que nam podia deixar de fen- contrar com três ou quatro fuítas de mouros pera que foubeffe delle nouas per via de Tetuam, ou Larache, aho que lhe Vaíquo fernandez reípondia que não andaua alli fperando outra boa vétura, nem pedia a Deos outra coufa: afsi que andado pelo ftreito comprindo com íeu cargo vindo de Ma lega entre Maruela, & ho monte lhe fairam feis galeotas, repartidas em duas lquadras, com grandes gritas, & alaridos pareçen- doihes q lhes tinha Deos compridos feus defejos em ho acharem, que era ha coufa que mais defejauam, & que vindo iam fortes contra hum fo nauio que era impofsiuel efcaparlhe, afsi que em chegando ho come- çaram de feruir de frechadas, & arcabufadas, & bobardadas alio que lhes elle refpondia de maneira que não oulauam de fe chegar, ho que vendo, & quomo era caualleiro conhecendo que hauia já nelles rcçeo, pos a.Proa em tres del^as galeotas que ítauam juntas de que húa era ha ca- i.73pitaina, ho que hos mouros vendo encaminharam pera ho abalroar, mas ha fortuna lhe íeruio à fua vontade, porque do tiro de hum pedreiro lhe leuou toda ha chuíma de húa das bandas, da qual parte ficou toda defa- parelhada, & quafi çoçobrada, alio que has outras galeotas todas acodiram, & ha recolheram entre fim, pera ha refazerem, & tornarem todas juntas iobrelle, quomo loguo fezeram, comettendo com muito esforço, no que 1 Et. I. do.
139 andaram per liú bom ípaço has bombardadas, fazédofle de húa, & da outra parte muito dano, atte lio cercarem em roda, mas quis Deos que CÕ húa fphera cõ que hú leu bõbardeiro appõtou cõtra húa delias galeotas, ha tomou per tal lugar q ha deltroçou de todo, matãdolhe húa gram parte da chufma, alio q has outras acodirão, & ha recolherão, & porq ja nelle tépo tinha todos muita gente morta dos tiros das bõbardas, cõ que lios nofios has feruirão mui bem da carauela, fe afaítarã fazédofle na volta da cofla dafrica, mas Vaíco feruandez çcfar que era incanfauel lias feguio, lem per calo do vento lhe acalmar, poder chegar a ellas, lio que fez atte noite em que has perdeo de villa, donde fe foi refazer a Malega, & curar hos feridos, que nam eram pouquos, & enterrar algús que lhe hos mouros mattarão. Por elte tam notauel feito tornado Vafco fernandez çefar aho • H.73T. et.».* Regno achado* já morto elRei dom Emanuel, elRei dom loam terceiro feu filho, lhe acreçentou ás armas de fua linhagem ellas feis galeotas no ícudo, & por timbre outra, quomo as trouxe em quanto viueo, & agora traz feu filho Luis çesar, prouedor dos almazés do Regno, & armadas. Capitulo, lix. Dalgíías covsas que mais aconteceram nejle Anno de Mil, quinhentos, & vinte, em A\amor. A comarqva de Namai junto da efcura hauia hum mouro per nome Molei benaduxera fenhor de Nemo, homem que tinha da lua çeua- deira mais de mil & quinhétos de cauallo, & muita peonagem, ha mais delia coítumada à guerra, que lhe muitas vezes fazia elRei de Fez, por lhe nam querer obedecer, & porque em hum recontro que com elle houuera hauia pouquos dias fora desbaratado fe carteou com dom Aluaro de noronha, offereçendofle a querer feruir elRei dom Emanuel, & fer feu vaflallo, ho que concluído entrelles fe veo Azamor com duzentas lanças, •Fi.74.ci. 1.» todos feus parentes, criados, &* amigos, homés nobres, & bem atabiados pera feólo de guerra, a quem dom Aluaro fez toda ha honrra, & gafa- lhado que fe a tal homem deuia, & por fer bom caualleiro ho fez Alcaide de çertos xeques de xerquia, que fariam por todos mil, & duzentas lanças, & mandou hum leu irmão per nome Moleiferes a Portugal com recados, & obediençia que Benaduxera mandaua ha elRei dom Emanuel, & hum prefente de bedés de feda, & outras peças, ho qual Moleiferes elRei reçebeo muim bem, & lhe fez merçe, & delpachou com outros prefentes pera ho irmão, em que entraua húa rica tenda, & húa bandeira, com ho qual mandou Diogo de mello para andar em companhia delles ambos no campo, com regimento que nam fezeflem nada fem confelho, & pareçer de dom Aluaro: Com elle Benaduxera, foi Dioguo de mello, algús dias
— 140 — depois de lua chegada, a Ricalamim, que lie donde nafçe ho rio Daguz, leuando coníiguo çinquoenta lanças, que lhe dera dom Áluaro, & vinte- çinquo que elle trouxera de Portugal, & feflenta beíteiros, & fpingardei- ros de pé, & Benaduxera com noueçentas lanças de xerquia, & dozentas, & vinte fuás, onde deram em trinta, & dous Aduares, trinta legoas de •n-74.ci.j.« Azamor, *em que mattaram muitos mouros, & captiuaram quatroçentas, & oitenta, & duas almas, que trouxeram Azamor, que era ha parte dos Chriftãos, & trezentos, & fefenta cauallos, & oitoçentos, & çinquoenta bois, & vaquas, & mais de feis mil ouelhas, & muitos cauallos, egoas, & alnos, que couberam a parte dos mouros de pazes, fegundo forma de feus contraétos, ho que tudo trouxeram com pouqua refiftençia, porque du- zentos, & íefenta dos prinçipaes de cauallo deites Aduares, & muitos de pé, eram idos fazer guerra a Berania, que he na conquiíta de Çanrn: nelta entrada andaram Benaduxera, & Dioguo de mello paífante de hum mes, a cabo do qual fe tornaram Azamor, com cuja vinda dom Aluaro foi mui alegre, porque andaua reçeofo que lhes teria acontecido algum de- faítre, pelo muito tempo que andaram fora. Efte Moleibenaduxera an- dando afsi no feruiço delRei dom Emanuel teue modos, & meos de ie reconçiliar com elRei de Féz, & fe offereçeo a lhe leuar por engauo 1 húa boa companhia de Chriftãos captiuos, do que dom Aluaro tendo fuípeita nam quis dár mais licença a Diogo de mello pera ir com elle fazer en- tiadas quomo dantes, pofto que ho fobriffo importunafte muitas vezes, FL.74y.ci. 1.» fem lhe di*zer ha caula, por guardar ifto em fegredo, atte ter mais çer- teza deite negocio, ho que entendendo Benaduxera reçeofo que feu traéto folie deicuberto, determinou de com qualquer companhia de Chriftãos que podefle hauer, fe ir pera elRei de Fez, pelo que ie foi a Mazagam pedir algúa gente a Antonio leite, dizendolhe que dom Aluaro lhe hauia de mandar outra pera todos juntos fazeré húa boa entrada, & proueitofa pera todos, Antonio leite que nam era fabedor de feus trados mandou com efte Antonio das ncues tio de íua molher coin quinze de cauallo, & dez piães, com hos quaes, & com toda fua gente de pé, & de cauallo encaminhou Benaduxera pera ha ferra verde, & fendo neita paragem, a dezafette legoas Dazamor, dixe a leu irmão Moleiferes que elle fe tinha reconciliado com elRei de Fez, & ho iha íeruir, & por firmeza de fuas pazes, & amizades leuaua aquelles Chriftãos pera lhe delles fazer feruiço, . do que Moleiferes muito efpantado lhe dixe, nunqua Deos queira irmão^ pois de todo ítaes determinado de vos irdes pera elRei de Fez, que leueis' hos Chriftãos com vofquo, nem ha tenda, & bãdeira que vos por ml 1 Et. I. engano.
— i4i — mandou eIRei dom Emanuel, porque fe lhe vos vireis ho roíto, não tiue- • Fj.74v.ci. a.4 reis animo né von*tade de cometer húa tal treiçam, fobelo que tiueram ambos tantos debates, & perfia, que quafi ftiveram pcra virem has mãos, com tudo Moleiferes fez tanto que Antonio das neues, com toda fua com- panhia te tornou pera Mazagam, com ha tenda, & bandeira, & fe quifera tornar com elle, mas ho irmão lho nam confentio, dizendo q ho hauia de leuar diante delRei de Fez, pcra lhe dar rezam da cauta porque lhe fe- zera foltar aquelles chriftãos que lhe leuaua prelos, mas eIRei de fez achando caufa (pofto que nam muim licita) pera apagar hos nomes da- qlles dous irmãos, de quem te tempre temera, por ferem poderoíos, de alto tangue, & muito guerreiros, lhes mandou cortar has cabeças a ambos, ha Moleibenaduxera por lhe nam trazer hos chriftãos, & a Moleiferes, porque lhos fezera foltar, & dar ha tenda, & bandeira que foram delRei dom Emanuel, que elle quifera ter, & guardar, quomo por final dalgúa viétoria que delle houuera. Capitu, lx. De quomo dioguo lope\ de sequeira fe\ húa armada com que foi •Fi. 75. ei. i.» fobre Diu, & do que lhe aconteçeo atté jr inuernar a Ormu\. * CHEGADO Diogo lopez de fequeira a Cochim da viagem que fezera aho már da Arabia, alé das cartas que lhe Gafpar da fylua deu delRei em Diu. achou outras do mefmo theor em Cochim que lhe trazia George de brito, nas quaes lhe mandaua que fe eIRei de Cambaia nam quifeffe dár fortaleza em Diu, lhe fezeífe guerra, & trabalhaífe por tomar aquella cidade, & ha poer a leu mando: pelo que te começou logo fazer preftes pera efta viagem, ordenando pera ella húa grofla armada tem dizer pera onde, do que Melique faca filho de Meliquiaz foi auifado, pelo que areçeolo que fotfe pera irem fobre Diu, deípachou hum metfageiro a Dioguo lopez fob fpeçia de vefitaçam, efcufandoffe do erro que comettera em nam ter feito ho melmo em peflba quando elle ftiuera em Diu, & que pera tua deículpa lhe mandaua Camallo feu familiar com hum teruiço de que lomente lhe pedia que tomafle a vontade, fem ter refpeito aho pou- quo valor delle, Dioguo lopez bem entendeo ha caufa de tua vinda, ho que dilsimulou recebendo ho metfageiro com finacs de muito gofto, offe- reçêdoífe a fazer per tuas coutas quomo per hum feruidor delRei feu •kl75.cl.j.4 fenhor, em cuja conta I10 elle tinha,* & a Melcquiaz feu pai: Camalo notou muim bem todo ho tempo que fteue cm Cochim ho proçetfo dos negoçios que fe tra&auam tobrefta armada, ha qual elle aífentou cõfigo, que não podia ler fenam pera ir fobre Diu, pelo que em Dioguo lopez indo de Cochim pera Goa, leuãdoho cm tua companhia, na mefma fufta
— 142 — em que viera, elle fefgarrou da frota, a dár recado a Melique faca, & a Hagamahamed da vinda daquella armada: do que auifados fortaleçeram a cidade, muito mais do que ho dantes ftaua de todalas coufas neçelfarias tanto da parte do mar, quomo da terra. Diogo lopez antes de partir de CochI delpachou has naos que aquelle anno hauiam de ir pera ho Regno, de que era capitam Antonio de faldanha, ho que feito fe foi a Goa, & de ahi a Chaul leuando configuo Antonio correa que entam chegara de Malaca, no qual lugar de Chaul, onde íc aparelharam algúas velas, das que hauiam de ir nefta cÕpanhia, declarou ahos Capitães da frota quanto elRei deíejaua de ter húa fortaleza em Diu, & quomo lhe fcreuia que nam lha querendo elRei de Cambaia conçeder, trabalhaffe por tomar ha çidade, ho que iha fazer com aquella armada, do que todos foram muim alegres, por laberm quanto ifto compria a leruiço delRei, & íegurança das «fi.75v.cLi.* coufas da índia. Ne*fta armada leuaua Diogo lopez pafTante de oitenta velas, entre galeões, naos, gales, galeotas, fuftas, carauelas, bargantins, & outros nauios da terra, de que lios Capitães conhecidos eram dom Aleixo de menefes, dom loam de lima, dom George de menefes, Françifco de tauora, Chriftouam de Sá, Françifco de mendonça, Andre de foufa chichoro, Hieronymo de loufa, Chriftouam correa, Antonio de brito de foufa, Rui vaz pereira, George dalbuquerque, Fernam gomes de lemos, Antonio de lemos feu irmão, Pero lourenço de mello, Fraçifco de loufa táuares, Denis Fernãdez de mello, Pero da lylua, ãtonio ferreira, Frãcifco pereira de berredo, Antonio correa, & Aires correa feu irmão, Diogo fernãdez de Beja, George de brito, Antonio de brito feu irmão, Gonçalo pereira, George diaz cabral, Antonio rapofo, Lopo dazeuedo, Chriftouam jufarte, Raphael pereftrello, Raphael catanho, Andre diaz Alcaide de ' Lisboa, Nuno fernandez de maçedo, Emanuel de maçedo leu irmão, Gafpar doutel, Symam íodre, Miguel de moura, Gonçalo de loule, Chrif- touam correa, Françifco de mello galego, Françifco de mendonça de Murça, Dioguo pereira, Aluaro dalmada, Duarte Dafonlequa, Emanuel •fi.75r.ci jvelho, Lourenço godinho, ho Pereirinha, Aires diaz, Paulo* machado, Thome rodriguez, Pero gomez de fiqueira malabar, Ioã fernãdez malabar, ho Panical de Cochim, & Muló mocadão dos canarins de Goa que fe fezeram depois ambos chriftãos,» Com efta armada em que iriam tres mil foldados Portuguefes, & mil naircs de Malabar, & canarim chegou Dioguo lopez de Siqueira fobre ha barra de Diu, na entrada de Feuereiro do Anno de Mil quinhentos vinte, & hum, a quem logo Melique faca, & Hagamahamed mandarã viíitar cõ muita foma de refrefquos da terra, 1 Está vírgula por ponto, sem dúvida.
— 143 — offereçendoffe em nome delRei de Cambaia, & de Meliquiaz a tudo ho que lhe delles cõpriffe. Com tudo reçeofos, ou fabendo ja de certo aho que Diogo lopez iha, poferam a bom recado Fernã mar/iz euangelho que alli ftaua negoçeando coufas que compriam a feruiço delRei, & todolos mais Portuguefes, que hauia na çidade, porque fenam acolheflem fecre- tamente, hos quaes Diogo lopez nam pode hauer, pofto que lhos mandaífe per muitas vezes pedir: fobreftes recados afientarã de fe verem em húa calheta junto da çidade, Diogo lopez do mar com algús Capitães, & Melique faca, & Hagamahamed em terra com certo numero dos feus: ho fuftançial deita pratica foi dizer-lhe Dioguo lopez que iha com aquella •Fi.76.ci.i.« armada a Ormuz, prouer em coufas que compriam a* feruiço delRei feu fenhor, por naquelle Regno hauer diífenções, & pefToas que fendo valfalos delRei Dormuz lhe nam guardauam ha fe que lhe deuiam, & que de caminho, por lho elRei dom Emanuel feu íenhor aísi ter mãdado per íuas cartas, chegara aquelle porto pera pedir a Meliquaz, fe ho achara, lugar pera fazer alli húa fortaleza, em que hos Portugueíes, & luas fazendas ítiueífem leguros, mas ja que ho nam achaua que eífa licença lhe pedia a elles, do que fe eícularam, dizendo que lem terem recado de Meliquiaz fe nam atreuiam fazello, lobelo que altercaram affaz, na fim da qual pratica lhes dixe Diogo lopez que pois nam podiam dar licença pera fe fazer ha fortaleza, que lhe entregaffem Fernam mar/iz euangelho, & hos Portuguefes que ftauam na çidade com fuas fazendas, viíto que nam ftauam feguros pela terem em caías de que facilmente lha poderiam tomar, & mattallos a todos, alio que lhe relponderam que elles, & íuas fazendas ftauam tam feguros em Diu quomo I10 ftariam em Lisboa, & que quanto à entrega, elles ho nam podiam fazer pela rezam já dita, & afsi fe apartará. Recolhido Diogo lopez ha frota teue confclho fobre ho combatter da çidade, em que todos affentaram que fe nam deuia cometter, jFi.^76.cl.a." propofto ha muita gente que dentro hauia,* & munições de guerra, afsi na çidade, quomo nas fuftas, I10 que fabido pelos íoldados, & gente comua, na qual pela mor parte hà pouca rezam, começaram a dizer pubricamente que Diogo lopez ho fazia por húa grande foma de dinheiro que lhe mandara Melique faca, ha qual íuípeita tomaram por Fernam mar/iz euangelho dalgúas vezes que veo, fobre arefens ha frota com recado do mefmo Melique faca, trazer íecretamente algús caixões cõ dinheiro, do que fezerão elle, & hos Portuguefes que alli ftauam das fazendas que tinham a feu cargo, ho que vendo Diogo lopez, & I10 pouquo que apro- ueitaua em ftar alli, fe mandou defpedir de Melique faca, & de Haga- mahamed tomando feu caminho pera Ormuz com teçam de tornar outra Yez a Diu, & fazer húa fortaleza no rio de Moderfaba, a çinquo legoas
— 144 — da cidade, lugar aífaz coueniente, (egundo lho dixera Antonio correa, loam de Coimbra, & Diogo dela puente que mandara com elle pera verem fe era de calidade pera íe poder fazer a tal obra. De Diu defpachou Diogo lopez dom Aleixo de menefes, com has gales pera Cochim, com poder de gouernador, mandandolhe que paffado lio inuerno ie tornaffe com ellas, & com ha mais géte que podefle a Diu, onde ho acharia fazendo *>Lj6v.ei.i.' ha fortaleza, & ha George dalbuquer#que defpachou pera Malaca, & a George de brito pera Maluco, & Raphael catanho, & Rapliael pereílrello perá China, mandandolhes que foífem todos atte Cochim debaixo da bandeira de dõ Aleixo, & porque em Diu nam ficaua coula per cujo refpeito fe lhe nam houueíle de fazer guerra íaluo Fernam marta euangelho, & hos Portugueles que com elle ítauam Diogo lopez deixou alli Diogo fernandez de Beja na íua nao, & cõ elle Nuno ferãdez' de maçedo, Emanuel de maçedo feu irmão, nas carauelas de q erã capitães, diísimu- lando q ficauã carregando mantimentos pera leuaré a Cochim, aho qual mãdou que trabalhaffe por hauer has mãos Fernão marta, & hos outros Portuguefes, & ha fazenda que tinhão na çidade, ho que feito declaraíle ha guerra contra clRei de Cambaia, & íe fofíe a Ormuz, ho que Diogo fernandez fez com muita prudêçia, & denúçiada ha guerra diante das portas da çidade de Diu, com pregam em que declararam has cauías deita rotura, fe fez a vela percs Ormuz, onde lançou ancora alios vinte, & çinquo dias de Maio, deite Anno de Mil, quinhentos vinte, & hum, •Fi.76v.cLa.* que foi dez dias depois da chegada de Dioguo lopez.* Capitu, lxi. De quomo elRei de Narsinga desbaratou ho Çabaim dalcam & mãdou recado a Rui de melo Capitão de Goa, que tomajje poffe das Tanadarias da terra firme. ESTE tempo que Diogo lopez foi a Diu, & a Ormuz fez I10 Çabal dalcam hum grande exercito pera vir fobre Goa, no qual tempo pela pouqua gente Portuguefa que ficara na índia correram afsi a Ilha quomo ha çidade rifeo de íe perderem, mas fendo Crifnara Rei de Nar- finga íabedor diíto, pelo odio que tinha ahos fenhores daquella prouinçia do Balagate, reçeofo fe ho çabaim dalcam tomafle Goa, que alem de fe fazer mais poderoso do que era, nã poderia fendo elle fenhor daquella Ilha hauer hos cauallos, que cada anno alli mandaua comprar, de que fempre hos Reis de Narfinga tem neçefsidade, detreminou de ir em peífoa 1 Et. I. fernãdez. 2 Et. I. pera.
— 145 — ióbrelle, com lio qual houue hum recontro em que lio desbaratou, junto das terras de Goa, & lhe tomou has cidades de Rachol, Bilgam, & outros muitos lugares em que entrauão has Tanadarias do Balagate, vezinhas a Goa, que rédiam muito dinheiro, mas quomo elle era Rei muito rico, "H.77.cl. i.* poderoío, & tiueffe mais neçefsidade* dos cauallos, que daquell is rendas, mandou dizer a Rui de melo, que entam era capitam, q mãdaffe tomar poffe delias Tanadarias em nome delRei dom Emanuel, a quem fazia delias doaçam, por final da amizade que cõ elle tinha, ha qual quomo Diogo lopez tornaffe de Ormuz queria alfentar com elle, & que pera iffo lhe mãdaria íeus embaixadores, quomo ioubeffe que era vindo, com eftas nonas foi Rui de melo muim alegre, & todolos q morauam em Goa, & lho agradeçeo muito per meffageiros que mandou com lios delRei, a que fez taes prelentes, quaes mereciam femelhãtes nouas. Com hos mefmos meffageiros delRei íe foi Rui de melo com duzentos de cauallo dos moradores de Goa, & feteçentos piães dos da terra, & algús Portugueles, beíteiros, & fpingardeiros tomar poffe da Tanadaria de falfete, que achou delpejada, ho que feito hos meffageiros tomaram feu caminho pera onde elRei de Narfinga eftaua, & Rui de melo ficou alli dez, ou doze dias, em que affentou a terra, a cabo dos quaes fe tornou pera Goa, deixando por Capitam daquella Tanadaria, ou alfandega, Rui juíartc de melo feu fobrinho, cõ vinteçinquo de cauallo, & çinquoenta ípingardeiros Portu- gueles, & (eisçentos piães da terra frecheiros, & porque has Tanadarias •K1.77.CI.2.» de Ponda, & Bardés, * ítauam também delpejadas, lhe pareçeo elcufado ir lá em peffoa, pello que mandou a Rui jufarte que foffe tomar poffe delias, onde a cabo de dous meles vieram fobrelle dous capitães do çabaim dalcam canarins, cõ tres mil homes de pé, do que tendo auifo ho fez laber a Rui de melo, que foi logo fobrelles com ha mais gente de pé, & de cauallo, que entam pode ajuntar, & hos desbaratou, & por lhe parecer que hos da terra teueram algfia intelligençia cõ hos desbaratados, captiuou çéto & trinta delles dos prinçipaes, & hos trouxe prefos a Goa, quomo por arefens, & alsi ficou por aquella vez ha terra firme de Goa paçifica. Capitu. Ixii. De quomo hos da Ilha de Zeilaud fe aleuantaram contra lios Portuguefes, & do que fe niffo pajfou. LOPO Soarez quomo já fica dito fez húa fortaleza no porto de Co- lúbo, na Ilha de zeiland, onde deixou por capitam dom loam da fylueira feu fobrinho, a quem lobçedeo Lopo de Brito, que elRei despa- chara ho Anno de mil, quinhentos, & dezanoue na armada de George VOL. IV «9
— 146 — Fi. 77»• cl. i.« dalbuquerque prouido delta capitania, à qual Ilha chegou cÕ mais* de quatrocentos homés carpinteiros, & pedreiros que iham pera de nouo fazer ha fortaleza de pedra, & cal, por quanto ha que fezera Lopo foares, pelo pouquo tempo que pera iífo teue, per falta de cal fe fez de pedra, & barro: feita ha fortaleza, hos da terra anojados das fem rezões que lhe hos noffos faziam, & lobre tudo de lhe tolherem feus trados, com hos mercadores mouros, & gentios, que loião de vir áquelle porto, começaram de tradar mal algús daquelles que iham a terra, nem traziam mantimentos à fortaleza quomo foiao fazer, ho que Lopo de brito difsi- mulou com elles, mandando recados alios gouernadores do lugar, q pofeffem nilío cobro, mas hos foldados, q pela mór parte tem mais por coítume murmurar, que bem dizer, lançauam ilto a couardia, ho que fabendo Lopo de brito, por comprir com ha fúria delta gente, cõtra fua propria vontade detreminou de cometter couia, da qual, quer faille vencido, quer vençedor hauia forçadamente de ficar de guerra com toda aquella •lha, do que nam podia refultar bem, nem proueito, alsi que vencido da dór da injuria, pofpondo a hõrra a todo mal, & perigo que lhe podefie vir, deu hfi dia pela feita com çento, & çinquoenta foldados Portugueles na pouoaçam de Columbo, tempo em que todos repoufauam, bem fi.77 t. ci ».• defouida*dos de hos fobrefaltearê, pelo q cada hum dos moradores tra- balhando por fe faluar defemparou ha cidade, hos quaes depois de fere no campo mouidos do amor das molheres, & filhos que lhe lá ficauam, voltaram com tanto impeto íobre Lopo de brito, que ho fezeram recolher pera ha fortaleza com mais de trinta feridos, & feriram muitos mais fe hos não embaraçara I10 fogo, que Lopo de brito mandou poer em húa das ruas prinçipaes que iha direita pera onde ítaua ha fortaleza. Moueo tãto eíte infulto todolos daquella Ilha que vieram loguo çerquar ha fortaleza com mais de vinte mil homês, & muita artelharia, & munições de guerra, fazendo feus vallos, & tranqueiras atte armarem dous baluartes de madeira junto da fortaleza, de que lançauam dentro tiros dartelharia, & bobas de fogo de noite, & de dia, continuando niíto por lpaço de çinquo meles, em que poferã hos noflbs em tanto aperto, que nam hauia nenhum, que fe nam arependeíle, & lhe pefalfe delia guerra fer começada, pelos meos que foi, fem hos da terra terem mereçido ho caíligo, que lhe quiferam dár. Delle çerquo mandou loguo Lopo de brito auifo a Cochim donde, por Diogo lopez fer ido alio mar Darabia fe lhe nã poderá mãdar mais, q çinquoéta foldados cm húa galé de q foi por capitam Antonio de Fi.78.ci.i.« lemos, ho* qual por fer tempo de inuerno tardou muito em chegar, de quê labendo Lopo de brito, que lhe nam podia vir mais focorro, por caufa da pouqua gête, q ficara em Goa, Cananor, & Cochí detreminou
— 147 — dacabar ho çerquo pela põta da lança, pelo que mandou a Antonio de lemos, que cõ ha fua gale le fofle lançar de fronte dos baluartes,. & hos vareiafTe toda aquella noite com ha artelharia, ho que oísi fez atte ho rõper dalua, à qual hora Lopo de brito faio da fortaleza com trezentos homés, com que deu nos imigos, q por terem mais o teto perá parte donde ítaua ha galé que nam pera ha terra, tomados afsi de fobrefalto defempa- raram hos baluartes, acolhcndofle perá pouoaçam, onde ítaua ha fotça da géte, & quomo ifto folfe tã de fubito, poile todo ho araial em reuolta: mas quomo ha gente era muita, afsim dos gentios, quomo dos mouros, & autre elles houueife homés práticos na guerra fe começaram de fazer em corpo, encaminhando pera hos baluartes, com hum grande iquadram de gente, em que entrauam cento, & çinquoenta de cauallo, & vinteçinquo Elephantes acaftellados, de que quatro trazia fpadas atadas atraues dos dentes, com que faziam reuefes cõ tanta desftreza, que ipantauam hos noifos, de q algús alsi com medo deites, cfuomo dos outros, & alsi da •d.78.0.1* muita* gente comcçauam de fazer pé atras, mas Lopo de brito, a quem cita companhia tomou fora dos baluartes, caminhando perà çidade, mandou ahos fpingardeiros que todos juntamente defcarregaiTem nos Elephantes, ho que fezeram con tanta deitreza, que aísi quomo vinham com ho roito contra hos noílos, depois de fe fentirem feridos, ho fezeram contra hos feus com tanta fúria, & defmancho que paliando per riba da gente de pé, & per entre ha de cauallo, desbarataram todo ho arraial, de maneira que nam teue Lopo de brito mais que fazer que leguilos nas coitas atté entrar pela çidade ferindo, & matando hos que ficauão atras, atté hos varar todos fora da pouoaçam, & chegar a hús palmares, donde nam quis paliar com reçeo de fe lhe a gente defmandar, & íe perderem todos,^pelo que fe tornou pera a fortaleza com muitos dos feus feridos, poíto q nenhum morreíTe. Hauida eita viétoria, vendo elRei de Zeiland quanta gente nobre lhe morrera naquelle feito, & que hos mouros, que ho exçitauam à guerra, foram hos primeiros que fogirã, dahi a pouquos dias mandou per feus meffageiros pedir paz a Lopo de brito, ha qual lhe cõçedeo, & ficaram hos negoçios correntes, entre hos noílos, & hos da terra, quomo Fi.78T.ci.i.* ho dantes eram.* Capitu, lxiii. De quomo Diogo Lope\ de Sequeira mandou Antonio correa Jobela Ilha de Bailarem, & do que fe nijfo fe\. RAIX Xarapho andaua muim defgoftoío, & defeontente, por elRei dõ Emanuel mandar poer offiçiaes nalphandega da çidade Doimuz pera reçeberé hos direitos que fe nella pagauam, porque queria faber em
— 148 — que fe deípendia elte dinheiro, & outro de que lhe deziam ter eíte Rei Dormuz mais de trezentos mil cruzados de renda, ho que afsim ordenou com tençam de aplicar iífo que foíle aproueito do meímo Rei, pera que lio não roubafiem tyranos, quomo íe dantes acoítumaua fazer, & ho entam fazia eíte Raix xarapho, ho qual pela grande perda que niíTo reçebia quis dár a entéder a elRei, que iíto era mais querenrenihe tomar ho Regno, que nam defejo, nem vontade de olharem por fua fazenda, & porque elRei era mui inclinado ha naçam Portuguefa, & leruiço delRei dom Emanuel, parecendo a Raix xarapho, que cõ dificuldade ho poderia atraer a lua openiam, determinou de fallar lobreíte negocio alio íogto do mefmo Rei pera lhe ganhar ha vontade, no que houue pouquo que fazer, *fj.78y.d. *.• porque eítrema*damente era imigo de Chriltãos, com I10 qual xarapho traótou ho negocio per taes termos, que com hos mefmos argumentos, & 1 azoes mudaram elRei de prcpoíito em que ftaua, de maneira que alíentaram todos tres de fe aleuantarem com ha cidade depois de fe Diogo lopez ir, & mattarem todollos Portuguefes que nelia achaffem, & porque I10 mór impedimento que a iíto tinham era pareçerlhes que declarandofle a tal conjuraçam fem de todo hauer effefto, lhes leria perjudiçial ho fauor que hos nolfos poderiam achar em Mochri tyrano de baharem, fenhor das cidades de Lara, & Catifa, calado cõ húa filha do fenhor de Meca, I10 qual Mocri tinhjt tomado a elRei Dormuz elta ilha de Baharem, fendo dantes feu vaffallo, & lhe fazia guerra com mais de cento, & vinte nauios de remo, a que elles chamão terradas, pelo que determinaram de primeiro deslazeiem eíte nó, que tinham atraueílado na garganta, mandaram dizer a Dioguo lopez, que pois elRei dom Emanuel era fenhor Dormuz, que mandatle caíligar Mocri, porque alem de andar aleuantado, fazia arribar a Baharem has mais das naos, & nauios que dos portos do már da Perfia nauegauã pera aquella cidade, do que relultaua tanta perda a elRei, que •Fi.79.ct. i.« nem podia foíter feu ftado quomo dates, nem * pagar has pareas que pagaua a elRei doin Emanuel, pelo que lhe pediam que pois ho deos alli tiouxeta com húa tam groíla armada, que mandaffc algús dos feus capitães lobi e Mocti, & lhe deite ho caltiguo que merecia. Diogo lopez teue lobiifio conielho, em que le aífentou que ho deuia fazer, pera ho que elegeo feu íobrinho Antonio correa, fperando que deíle tam boa conta de fim neíte negoçio, quomo ho fezera em Malaca, contra elRei de Bintam, ho qual delpedio logo com quatroçcntos foldados Portuguefes, hos mais delles homés nobres, repartidos em fete velas, de que afora elle, que iha em hum Galeam, eram capitães Rui váz pereira, doutro, Gomez de louto maior, de húa gale, Ioão pereira, de húa carauella, Aluaro de moura, Fernão daluarez çarnache, cada hú de fua fuíta, & outra fuíta de que era
149 capitam hum dalcunha pinto: Com efta frota partio Antonio correa de Ormuz no começo de Iunho, de Mil quinhentos, & vinte hum, & em fua companhia Raix xarafo com ha armada delRei, que paflaua de cento, & çinquoenta terradas, em que iham ties mil mouros frecheiros, & fpingardeiros, de laça, & adarga, feguindo afsi viagem, lhes deu hum temporal com que ha armada delRei de Ormuz, & algúas das noffas •Ki.79.cl.».* velas fe efpalharam de maneira que Antonio* correa chegou a ilha de Baharem com lo loam pereira, onde furgio aho mar, afaftado da cidade, a que chamam do mefmo nome, muito fermofa de edifiçios, grande, & bê habitada de gente nobre, & mercadores muim riquos, ha qual lio tyrano Mocri, quomo foube da vinda de Diogo lopez a Ormuz, reçeofo que foliem fobrelie, aperçebeo de mantimentos, & artelharia, & outras munições de guerra, com tranqueiras, ftançias, & baluartes, & dentro pera ha defender doze mil Arábios, em que hauia trezétos de cauallo, & quatroçentos perleos frecheiros, & vinte Rumes fpingardeiros, afora ha gente da cidade: Stando aísi Antonio correa (uarto 1 a cabo de feis dias fe ajuntou com elle a frota delRei Dormuz, & has outras velas da fua armada, faluo has fuítas de que húa arribou a Ormuz, & ha outra chegou tedo já acabado ho negocio a q fora: depois de ha armada ler juta aífentou Antonio correa com hos capitães da frota, & Raix xarafo de fairem em terra hum sabado em rompedo ha halua, vinte, & íette dias de Junho, h'o que fezerã em tam boa hora que ha cidade (pofto que com muito trabalho, & perigo, depois de fer comettida per duas vezes) foi entrada pelos Portuguefes, lem hos nilfo ajudar Raix xarafo, & ho tyrano Mocri, Ki.79T.ei.i.* ferido de hum tiro deípingarda de que depois morreo, ha peleja foi * muim trauada, aísi no entrar da çidade, quomo depois, em que morreram dos imigos trinta de cauallo, & trezentos de pé, de que hum era ho gouer- nador de Baharem, & parentes feus, dos Portugueles morrerão çinquo, dos quaes foi hum George pereira, hos outros eram foldados: foram feridos obra de fetenta, entre hos quaes ho foi Antonio correa no braço direito, & Aires correa feu jrmão, que lhe leuaua ho guiam, que de muito ferido cahio, & ho mattaram fe lhe nam acodiram Aleixo de foula, & Rui correia, que por lhe faluarem ha vida íairam ambos defte jogo bem mal feridos: ha çidade foi roubada dos de Raix xarapho, que entenderam mais niffo que no alcançe: Hauida efta viétoria Antonio correa íe foi alios paços do tyrano Mocri com ha bandeira Real, & trombetas diante onde armou muitos caualleiros, ho que feito, mandou poer fogo has terradas, que eram mais de çento, & entregou ha çidade a Raix xarafo, que tomou 1 Et. I. furto. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte-
— 15o — pofle delia em nome delRei Dormuz, ho que feito fe recolheo à frota jà depois de meo dia, mandando loguo prouer nas coufas neçeífarias perá torna viagem, no que andando occupado lhe mandou dizer Raix xarafo, que ho tyrano Mocri durara três dias das feridas que lhe deram na cidade, ■Fi.79T.ci.2.* & que aquella noite ho hauiam de ir enterrar a Catifa, que lhe* deífe licença pera mandar Raix çadradrim feu fobrinho, que foffe cortar ha cabeça do corpo daquelle tredor, pera ha leuar em prefente a elRei Dormuz, & fe poer em lugar pubrico, por lembrança da grande treiçam que comettera cõtrelle fendo feu Rei, & íenhor, de quem fempre recebera muitas merçes: Antonio correa lhe mandou dizer, que lhe parecia muito bem, que fe queria que foífem algús Portuguefes cÕ Raix çadradrim, que lhos mandaria, ho que lhe elle mãdou muito agradeçer, dizendo que por entam nam hauia diífo neçefsidade, ho qual.na melma hora defpachou íeu fobrinho com doze terradas, que fem dificuldade tomou ho corpo do tyrano Mocri, & ho trouxe a Baharem onde Raix xarafo lhe mandou cortar ha cabeça, de que Antonio correa mandou ha pelle recheada dal- godao a elRei de Ormuz per Balthefar pelíoa, & Rui correa, com que afsi elRei, quomo Diogo lopez foram muim alegres, & fe fezeram muitas feitas. Ha cabeça de Mocri por lembraça daquella vi&oria, & treição que comettera, mandou elRei de Ormuz poer em húa fepultura na praça da çidade, em que fe talharam letreiros que declaram quê elle foi, & quem ho vençeo : ganhada ha çidade de Baharem xeque hamet fobrinho de Mocri, •Fi.8o.ci. i.» mandou pedir feguro a Antonio * correa pera lhe vir falar, fobre ho qual fe viram ambos, & lhe entregou ha ilha de Baharem, & ha çidade de catifa, de que Raix xarapho logo tomou poífe em nome delRei Dormuz, quomo vaf- fallo delRei dõ Emanuel, & aísim deu todalas armas, & cauallos que Mocri tinha neftes lugares, ho q entregue lhe deu palfagem pera ha terra firme, com todolos que conílgo quis leuar, lios quaes paffou Raix xarapho nas íuas terradas: Ifto acabado Antonio correa fez gouernador de Baharem em nome delRei Dormuz Raix bueat muito bom caualieiro, de que todolos da ilha ficaram mui contentes, & elle fe partio pera Ormuz ahos doze dias Dagofto, onde foi bem recebido, afsi de Diogo lopez quomo delRei, que lhe mandou muitos prefentes, & ahos capitães que fe cõ elle acha- ram : De ahi a algús dias chegou Raix xarapho à çidade, pelo qual An- tonio Correa nam quis fperar em Baharem, reçeofo que nam achaffe já Diogo lopez de fequeira em Ormuz, pelo que tinha aífentado quomo fica dito, que era ir fazer em Diu ha fortaleza de Modrefaba, no qual ne- goçio, por faber que fe nam começaria fe nam com armas veftidas, lhe •fi.8o.ci.2.4 pefara muito de fe nam achar*.
— 151 — Capitu, lxiiii. De quomo hos mouros mattaram ho esforçado Caualleiro Side hieabentafuf á traiçam. SIDE hieabentafuf, por dár mores finaes dos que fempre deu nas coufas que tocauam a feruiço delRei dom Emanuel, determinou de ir bufcar ho Serife, & de caminho ver le podia entrar em Marrocos, pera ho que mandou pedir a dom Nuno malcarenhas ajuda de gente Portugueía de pé, & de cauallo, & duas bombaidas, mas dom Nuno, dando a entender q fe nam fiaua delle lhe mãdou per dom Rodriguo de noronha- arauia, que era muito feu amigo, fós trinta de cauallo, & vinte piães befteiros, & ípingardeiros dos moradores de Çafim, & dos fron- teiros Frãcifco de mello filho de Garcia de mello Deuora, que fiaua íer- uindo húa comenda, Afonfo gomez fcriuão da camara dclRei, loam Fer- nandez preto feruidor de toalha do Príncipe, & Inácio nunez homem muim pratico nas coufas Dafrica, que ainda viue, & fala muiro bem Arauia, hos quaes dom Nuno leixou ir, por lho elies todos quatro pedi- rem, & porque com efta gente nã faiflem outros muitos que defcjauam de fe achar nefte negoçio, mandou fechar todalas portas da cidade, excepto ha por onde eftes* hauiam de fair, com tudo vinte de cauallo, & çinquo piães tiuerã tal modo que foram na companhia, de maneira que eram per todos çinquoéta de cauallo, & vinte, & çinquo de pè, & hum bom- bardeiro com dous berços: Com efta gente, & Abida, & Garabia fe foi lheabentafuf no mes de Feuereiro defte Anno de Mil quinhétos vinte, & hum ás Salinas, pera dahi mandar recado a Leidehambram, que fe vielTem ajútar com elle, com tençam de ir dár nelles, nam ho fazendo, mas quomo areçeauam efta viagem, por nella hauer muito peiigo, ho tiueram fufpenío todo hú mes, lem acabarem de fe determinar, com tudo aífentarã de ho feguir, ho que era difsimulaçam pera fazerem ho que entre fim tinham acordado. Nefte tempo lhe fcreueo Moleinaçer, por mefiageiro expreffo, dizendolhe que lhe deram nouas daquella lua ida, que fe determinaua de fe reconciliar com elRei de Fez feu irmão, que aquelle era ho tempo, que lançaffe mão dos Chriftãos que com elle ftauam, & contra hos outros começaíle de fazer guerra, fe não que íe houueífe por deftroido, porque elle ho hauia logo de vir buícar, & que nefta de- manda era forçado perderffe hum defies. Do contheudo nefta Carta deu lheabétafuf conta a dÕ Rodrigo, alio que alfentaram ambos de nã rel- •fi.8o«.ci. j.' ponder atté não fazeré alardo* da gente de cauallo pera que ho mefia- geiro viffc ha boa companhia que tinha, & deffe diflb lias nouas a Molei- naçer: Stãdo nifto lhe veo recado, que ho lenhor da lerra com ajuda
1 52 dalgús mouros de cauallo que viera de Tudella, & da Efcura a (ocorro de Marroquos, foram dàr no arraial Doleide meta, em que elle -tinha hum alcaide da lua mão, com çinquoéta de cauallo feus criados, & que lhos leuara todos, & tamara 1 lio gado com ha mais fazenda: neda com- panhia Doleide meta mattaram Habrahame, irmão do xeque Açum, & porque era pedoa de muita edima antrelles, & hum dos tres caualleiros Dabida, determinou lheabentafuf de vifitar ede xeque açum, & mandou- lhe leuar feu conforto quomo ho elles tem por cuftume, que lie comerem, & beberem juntos poios finados, pelo que leguindo elle eíhi vfança, fó com tres xeques de Garabia per nome Mahamed maçoude, & veráacho, & Buhaiera, íe foi gentar com Açum aho arraial Dabida, que daria dahi hum tiro de beda, leixando todolos Chridãos no (eu, com toda ha mais companhia dos de lua cafa, aho qual dando gentando fe chegou hum xeque, per nome Ganeme, que viera a ede Regno, & hum feu irmão per nome Izo, & outro feu parente, & ho tomaram por detrás a treiçam, -Fi.8i.ct. i.» & lhe deram * tantas agumiadas atté que ho mattaram, aho que acodindo hos tres xeques que foram com elle, outros parentes dedes da conjuraçam que edauam dauiío fe lhe atraueflaram diante, aho que elles querendo refidir trabalhando quomo bõs Caualleiros por achegar onde lheabentafuf daua ainda viuo, pera darem nos que ho feriram, foram cercados dedes, & mortos junto do corpo do outro: tanto que (e ido fez veo Oleideham- bram alio arraial de lheabentafuf, & lançaram mão per muitos cauallos, & camcllos, feus delle, & outros que lhes elle tinha tomado por lhe ferem reués a ede tempo dom Rodriguo era já podo a cauallo com todolos Chridãos com hos quaes fe ajuntou, no arraial de lheabentafuf, com Garabia, do que hos prinçipaes leuaram muito contentamento, por darem reçeofos que Abida, & Oleidehambram vieflem dàr nelles, hos quaes todos juntos caminharam húa legoa fem ninguém vir apos elles, mas tanto que Garabia fe vio faluo começaram hos populares de cobiçar hos cauallos, & armas dos chridãos, & fe hos prinçipaes (e nam oppoferam a ido, de feito elles leuaram auante ho que tinham na vontade, no qual tempo chegou a elles Alebembeques que atté aquelle tépo andara cÕ •fi.8..ci.s." Oleidehambram por dar de quebra* com Sidehieabentafuf, ho qual em chegando fe apartou com dom Rodriguo fora do arraial, & dando falado com elle couias que áquelle tempo compriã, hos outros deram nos nodos, & hos desbarataram todos, em que dó Rodrigo foi captiuo com outros muitos: algús dos que fcaparam erão hos mais delles de pé. Hauia no arraial hum mouro per nome Bogima, que tinha fua mother, & filhos em Et. I. tomara.
— í53 — Çafim, ho qual em vedo lios chriftãos desbaratados, & mortos, & cap- tiuos le veo cÕ ha mór prefla que pode á cidade dár auifo a dom Nuno do que paffaua, ho que fabédo mandou logo repicar, & entre tãto que fe a gente punha a cauallo foi ver has molheres de Sidehieabentafuf dizé- dolhes que dalli por diante hauiã de fer mais guardadas, & fe lhes fana mais honrra que em vida de feu marido, alem do que mãdou apregoar per todo gormiz q nenhum mouro fe aluoraçaífe-nem houueile medo, q elle daua por feguros todolos que ftauam dos muros a détro alsi bár- baros, quomo Arábios, de qualquer linhagem que foífem, com que hos aífegurou a todos, ho que feito íe-pós a cauallo, com cento, & çinquoenta lanças, & foi alcãçar ho arraial dos que fezeram ha treiçam duas legoas, & mea de Çafim, de q trouxe á cidade feisçentas, & çinquoenta almas, .F1.81 v.ci. i.* & muito gado vacum, & meudo, & mattou* no recontro mais de cento, & çinquoenta delles, ho que tudo fez no mefmo dia em que laio da ci- dade, que foi dentrudo, no qual vieram ahi amanhecer feis de cauallo dos que ícaparam de que hum era Frãcifco de mello, & aho outro'dia deza- feis befteiros, & ipingardeiros, & dous de cauallo que fe ialuaram a pé, hos quaes todos efcaparam milagrofamente, hos demais foram mortos, ou captiuos, & hú filho de Sidehieabentafuf íe faluou nas ancas de hum cauallo dos caualleiros de feu pai, & afsi acabou ho esforçado caualleiro Sidehieabentafuf leus dias em feruiço delRei dom Emanuel, com tanta lealdade, quanta ie de hum tal caualleiro podia fperar. Capitu, lxv. De quomo elRei mandou por Gouernador á índia dom Duarte de menefes. POR elRei confiar de dom Duarte de meneies (de quê atras fica feita mençam) que ho ferueria na India, com dár de fim tam boa conta, quomo ho fezera todo ho tempo que feruio de Capitam, & Go- uernador da cidade de Tanger pelo Conde de Tarouqua dom loam de •fi.8it.cui.«menefes feu pai, determinou lhe dàr ha* gouernãça de todas aquellas prouinçias com ho mor ordenado q nunqua dera a nenhum outro, porque tudo contado chegaua a mais de trinta mil cruzados cadanno, ho qual partio de Lisboa ahos çinquo dias Dabril de Mil quinhentos, & vinte hum cõ Ima armada de quinze velas, de que afora elle erão capitães dom Luis de menefes feu irmão, que leuaua ha capitania do mar da índia, dõ loam de lima, que hia prouido da capitania da fortaleza de Calecut, dom Diogo de lima da de Cochim, loam de mello da Sylua da de Coulam, Françifco pereira peftana da de Goa, dom loam da fylueira da de Cananor, Dioguo de lepulueda da de Çofala, Antonio rico de Alcaide mor da mefma for- 20 VOL. IV
\ 154 taleza, Gonçalo Rolz correa dalmada dalcunha ho grego, Vicente gil ca- pitães, & armadores cada hum da lua nao, Martim afonfo de mello de San&aré, que iha por Capitão de quatro naos que elRei mãdaua à China, de que hos outros eram Vafco fernandez coutinho, & Dioguo de mello íeus irmãos, & Pedrhomem, com ha qual companhia toda chegou a índia em Agofto, & ho primeiro porto em que ancorou foi no de baticalla, onde veo ter com elle dom Aleixo de meneies que partira de Cochim pera Diu em bufca de Diogo lopez de iequeira com tres gales, de que •Fi.82.ci. i.» eram Capitães dom George* de meneies, Françifco de mendõça, & Andre de ioufa chichorro, do qual foube ho que paliara na índia, & de quomo Diogo lopez determinaua fazer ha fortaleza em Moderfaba, & que pera iilo fe iha parelle. Deípedido dom Aleixo, dom Duarte fe foi a Goa, & dahi a Cachim, & fem vfar nenhum compriméto dos que Diogo lopez viara cÕ Lopo foarez, fe foi da nao apoíentar na fortaleza, tomando logo poffe da gouernança da índia. Capitulo, lxvi. Do que George dalbvqverque pajfou em Paçem alté rejii- tuir ho Príncipe no Regno. NTES de Dioguo lopez de fequeira partir de Cochim pera Diu dei- pachou George dalbuquerque pera Malaca, & George de brito pera Maluco, dos qwaes George dalbuquerque tomou feu caminho pera Paçem na ilha de Samatra, onde em chegãdo fez faber a algús dos que tinhã a parte do prinçipe orfão de Paçem, q ho trazia cõfigo pera ho reílituir no Regno, que lhe era tomado, ho que iabido hos mais delles ho foram ver ha não encu- bertaménte, cõ medo do Tyrano q ie empoifara do Regno, dãdolhe logo obe- •Ki. 82.cl. 2.» diençia quomo a feu verdadeiro rei, & fenhor: deites íoube George * dalbu- querque quomo ho Tyrano geinal fezera húa tranqueira, com fua caua muito forte, junto da pouoaçã grãde húa legoa pelo rio acima, cõ ha qwal ençarraua húa parte dos arrabaldes, em q tinha muita géte de guerra, artelharia, & outras munições, onde itaua ha mór parte do tempo com fuas guardas, & vegias muim fora de alargar ho Regno, poíto q já de muitos dias teueíle re- cado, que I10 gouernador da índia hauia de mãdar fobrelle, cõ tudo George dalbuquerque lhe mãdou dizer que vinha em fua companhia I10 Rei de Paçem, verdadeiro fenhor daquelle Regno, q lhe elle tinha víurpado, pe- dindolhe q lho quifeífe leixar liure, & defembargado, ho q ie fezeffe lhe daria nelle lugar, em que iteueífe, & viueiTe muito mais honrrada, & abaftadaméte do que ho fazia antes de fe aleuãtar, do que ie ho Tyrano efcufou, dizêdo q ho Regno lhe pertençia por direito, & que ho tinha quomo vaífalo delRei de Portugal, a quê pagaria dalli por diãte has pareas,
— 155 — & trebutos que ambos affentaílem: finalmête depois de paffadas, de húa, & da outra parte muitas repliquas, vendo George dalbuquerque ha openiã do tyrano determinou jr fobrelc, & lhe tomar aquella força, em q tinha toda lua cõfiança. Andado afsim eftes recados, chegou áqlle porto Ema- •fi.8ít.ci. i.« nuel da gama, q vinha de Malaca em hú nauio darma*da, cõ cyjo pareçer, & dos outros capitães, & homés nobres da frota, affentou George dal- buqrque ho modo, & ordé que teria no tomar daquella trãqueira, ha qual pofto que fofle muito forte determinou de combatter, & fcalar com hos Portuguefes que alii ftauam q poderião ler atte duzétos & oiteta: Nefte tépo elRei Daru, que -era parente mui chegado do Príncipe de Paçem per cujo relpeito tinha cõtinua guerra, cõ ho tyrano, fabendo da chegada de George dalbuquerque, & quomo trazia ho Príncipe cõfigo ho mãdou vifitar, offereçédoífe a tudo ho que lhe comprifle: ho qual fabendo quomo detreminaua de íair em terra, & çerquar ha fortaleza, ajuntou ha mais gente que pode, em que haueria mais de tres mil foldados, com que íe veo lançar diante da pouoaçam grande de Paçem, com tençam de fe achar no combate cõ George dalbuquerque, ho que fabendo lhe mandou pedir que deleftifle da openiam em que vinha, & que lhe leixaffe a elle com fua gente Portugueía dár aquelle combate, & porque poderia fer que houueffe nilTo mefturarenífe, hos da terra, amigos do Prinçipe, com feus imigos, que por todos andarem veftidos de hum trajo, fe poderião mal differençar, mandaífe ahos que com elle vinham, & afsim alios da po- • fj.82t.cI. 3.* uoaçam grande, que pofeífe cada* hum delles hum ramo verde, na cabeça, porque dandolhes Deos vi&oria, todolos que nam trouxelfem efte final íe poriam cm perigo de lerem mal traftados, ho que aísim af- fentado, faio George dalbuquerque em terra cõ ha gente, que eícolhera pera efte negocio, da qual fez tres eíquadrões, de que de hum de íetenta homês deu a Capitania a dom Sancho Anrriquez, & doutros tantos a dom Afonfo de menefes, ho terçeiro leuaua elle com ha mais gente, em que eram, Emanuel da gama, Antonio de miranda dazeuedo, Garçia chainho, Heótor de valadares, Françifco bocarro, & outros homes nobres que iham afsim nefte fquadram, quomo nos outros. Nefta ordenança chegou á tranqueira paffando per antre muitos dos da terra, & dos delRei Daru, de que de húa, & da outra banda ftauam hos caminhos cheos, com feus ramos verdes nas cabeças muito alegres, confiados na viéloria que lperauam que hos noííos houueflem, do tyrano, ha qual lhe Deos deu, porque depois de dom Sancho, que ilia no efquadram dianteiro ter co- mettida ha fortaleza, chegou dom Afonlo de menefes com ho leu, & apos elle George dalbuquerque, hos quaes juntos, paliando per antre muitos tiros de bombardas, & fpingardas, apertaram tanto hos imigos, com ha
i 56 •ki.83.ci.i.« arcabuza*ria, que hos mais delles fe defçeram dos altos da tranqueira a bulcar panellas, & bombas de fogo, com que de uma guarita tra&auam mal hos nolfos, lio que vendo Denis de mello, Emanuel da gama, Heftor de Valadares, & Françifco bocarro remeteram a húa das portas da fortaleza da banda dçnde fe daua ho combate, que logo arrombaram com vaiuês, & entraram com outros de companhia ha primeira tranqueira, & com ha vinda de George dalbuquerque, ganharam a fegunda, que era muito mais forte, onde ho tyrano ítaua com fuas molheres, & filhos, & ha entraram por. içadas, com tanto perigo de fuas vidas, que foi mór milagre nam hos mattarem todos, que ganharem húa fortaleza, que fe também defendeo quomo aquella, na qual mattaram ho mefmo Tyrano geynal de húa fpin- gardada, & bem quatro centos dos prinçipaes de lua cafa, com mais de dous mil foldados q alli tinha, & hos demais cõ luas molheres, & filhos fora captiuos, & poítos em poder do Rei de Paçem: dos noffos mor- reram neíte negoçio Chriftouão da coita, Afonfo de freitas, Bertholameu fernandez, & hú grumete da nao de George dalbuquerque & foram muitos feridos. Ifto acabado George dalbuquerque inueítio elRei no *fi. 83. d.».• Regno de paçem pedante elRei Daru feu pri*mo, em nome delRei dom Emanuel, cujo vaifalo per contrado que ie diffo logo fez, fe de- clarou, obrigãdoífe a lhe pagar cada anno has pareas que íe com elle en- tam alli affentaram, ho que feito George dalbuquerque, com ajuda do meímo Rei de Paçem, mãdou fazer húa forlaleza no lugar que lhe pera iífo pareçeo mais conueniente, de que deu a capitania a dom Sancho Anrriquez feu genrro, poíto que Antonio de miranda dazeuedo foffe pro- uido delia, pelo gouernador Diogo lopez, ho que tudo ordenado, & ha fortaleza acabada (em que deixou çem foldados Portugueíes, afora hos offiçiaes delRei) elle fe fez á vela pera Malaca, onde chegou a fal- uamento. Capitu, lxvii. De quomo George de Brito foi ter aho porto de Achem, onde hos da terra ho mattaram com muitos dos que com elle ihão. ARTlDO George de Brito de Cochim, feguindo fua viagem pera Ma- luco, com feis velas a fora, a fua nao, de que eram capitães Chrif- touã correa, Chriftouã pinto, Françiico godiz, Lorenço godinho, Pero iernandez, & Gafpar gallo, em que iham trezétos ioldados Portugueíes, •i 1.83v.eti.* foi ter aho porto da çidade Dachem, da ilha* de Samatra, cujo Rei era imigo mortal dos Portuguefes, por cafo de tere tomada Malaca aho Rei, que entam era de bintam, & lhe fazerem cõtinuamête guerra, pelo
— i57 — qual refpeito tinha tomadas has fazédas a muitos Portuguefes que apor- tara aquella lua cidade, ho que fabcdo George de brito lhe mandou dizer que felpãtaua lendo todolos Reis da ilha de Samatra amigos dos portu- gueles, fazer elle ho contrairo, que lhe pedia que dali por diãte folie leu amigo, & por final diífo lhe mandalfe entregar algúa fazenda, que íegúdo lhe era dito, llaua em feu poder, em aquella lua cidade, elRei lhe ref- pondeo que fe enformaria logo do que mandaua dizer, & do que achafle ho mãdaria auifar, ho que nam fez, mas antes fe aperçebeo pera ie de- fender fe George de brito laiffe em terra, ho que elle fez fem lhe lembrar quão pouqua gente leuaua em comparaçam da que elRei Dachem podia ter, na qual faida ganharam húa tranqueira que elRei mandara fazer entre ho porto, & ha cidade com los hos de lanças, & adargas, & porque hos befteiros, & efpingardeiros ficará com Gafpar gallo na lua fufta, q hauia de pojar em terra primeiro que George de brito que iha nos bateis, ho que nam pode fazer por lhe ho vento ler cõtrairo, & ir muito carre- «fi.83 y.ci. ».• gada: ganhada aquella ílançia viram hos nol*fos fair da çidadc gente quomo que vinha aho focorro dos que iham fogindo: elle era elRei que trazia mais de mil homés nobres bem armados, & feis elephantes de guerra, hos quaes em loam ferram vendo que era alferez, lem nenhum tento fe aremeffou per húa ladeira abaixo contra hos imigos, lem valer a George de brito bradarlhe que ho nam fezeffe: a elle feguiram outros tam afifados quomo elle, ho que vendo George de brito foi forçado a fa- zer ho mefmo, & deram com tanto impeto, afsi pouquos quomo eram, nos dianteiros dos imigos que hos lezeram entrar pela porta da çidade, donde elRei ainda nam faira, com ho qual fucçeíTo, cuidando que le- uauam tudo de vençida, deram no corpo da gente que ltaua com elRei, que hos çercou entre has cafas, fem fe poderem valer, pofto que pelejafiem quomo homes defelperados: hos primeiros que morreram foram ho alferez loam ferrão, Aires coelho, & Galpar Fernandez que iha por feitor de Maluco, hum dos esforçados Caualleiros que naquelle tépo audauam na Índia, ho qual fe chegou tanto a hum dos Elephantes delRei pera ho vazar com ha lança, que ho elephante ho apanhou com ha troba, & lançou daremefo no ar, & em caindo ho acabou de mattar com hos pes, & *fi.8+.d. 1.* dentes: apos elle mattaram George de brito, Chri*ftauam correa, Chrif- touão pinto, loam pereira, Françilco godiz, & outros muitos, ho que vendo hos que efcaparam do corpo da gente dos imigos começaram de fogir pera onde hos bateis ftauam, hos quaes vendo Lourenço godingo 1 vir desbaratados que iha com ha lua gente em bufca de George de brito Et. I. godinho.
— i 58 fez volta lem querer Iperar, nem fazer corpo com elles, acolhendoífe alios bateis ho mais de prefla que pode, pelo que hos mouros hos íeguirã atte ha praia com mór ouíadia, donde fe tornaram viétoriolos perá çidade: dos noflos morrerão neíte derradeiro desbarato fetenta, & hos mais que fcaparam fairam feridos, entre hos mortos foram Luis rapofo, & Pero velofo, hos quaes em chegando a praia, & nam achando George de brito diííeram que nunca Deos quifeffe que fe embarcafl'em fem íaberê que era feito do leu capitão, ho que dito voltaram ambos caminho da çidade pe- lejando com hos que encontrauam atte cairê de feridos, & canlados, fa- zendo a fim de leus dias, quomo bõs, & esforçados caualleiros, ho que be moltraram naquelle dia: Galpar gallo, a quê ho vento por fer terrenho empedio poder íair em terra primeiro que hos bateis quomo ftaua orde- nado, houuindo hos tiros das bombardas que tirauam hos da trãqueira, •Fi.8i.d i.» no têpo que ha George de brito comba*tia, fez remar a voga forçada, & quis a má ventura dos que morreram que encalhou em húa coroa, donde nam pode fair íe nam de prea mar: Recolhidos à frota hos que fcaparam deite desbarato, Lourenço godinho, & Gafpar gallo, que eram hos capi- tães que ficaram viuos, hum por nam poder chegar, & outro por não querer fperar, fe aleuantaram do porto reçeofos que vieífe elRei Dachem fobrelles, & fe forã aho de Pedir, que he na mefma Ilha, onde dous dias depois de furgirem veo ter com elles Antonio de brito irmão de George de brito, ho qual por pareçer, & voto de todolos homês nobres, pilotos, & meítres que fcaparam foi eleito por Capitam daquella frota, & ho foi depois de Maluco, porque entre hos papeis de George de brito fe achou hum Aluara perque elRei lhe fazia merçe da Capitania daquella fortaleza pera feu irmão faleçendo elle lá. Tomada ha polfe da Capitania da frota, Antonio de brito repartio lias capitanias pelas peíToas que lhe pera iííb pareceram idonias, ho que feito le foi caminho de Paçem, & dalii em companhia de George dalbuquerque a Malaca, onde foram muim bem reçebidos de Garcia de Sá, que loguo entregou ha fortaleza a George Fi.84 v.cl. i.» dalbuquerque per vertude das prouiíões, que pera iffo leuaua. * Capitu. Ixviii. Do nascimento da infante donna Maria, & do difcurfo de fita vida atté ho tempo prefente, em que corre ho Anno do Senhor de Mil quinhentos fefenta, & fete. HA rainha donna Leanor pario em Euora ho Infante dom Carlos ahos dezoito dias de Feuereiro, de Mil quinhentos, & vinte, que faleçeo em Lisboa a quinze dias Dabril do Anno feguinte de Mil qui- nhentos vinte, & hum, no qual anno no mes de Ianeiro fez ha Rainha
— \5g — fua entrada na melma çidade cora grande popa, & aparato, onde ahos oito dias de Iunho pario nos Paços da ribeira ha Infante donna Maria, ha qual Prinçeía ella quando fe foi deite Regno, depois do faleçimento delRci dom Emanuel leu marido, quilera leuar coníiguo, no que quali confentindo eIRei dom loam feu irmão, ha çidade de Lisboa fe oppos a iffo, de maneira que cÕ quãto ha Rainha niíío inleítio, & ho Emperador dom Carlos leu irmão fezelfe ho mefmo por luas cartas, & erqbaixadores, ella ha nam leuou, mas quomo delejalfe fobre todalas coulas do mudo ter fua filha apar de fim, tractandolfe em Madril ho calamento delia, & de «Fi.8tT.cLi.* dom Françifco de Valois Rei de Frãça, * primeiro do nome, que ho Em- perador 1'eu irmão tinha captiuo em Caltella, ella procurou de ha cafar com ho Prinçipe dom FYançifco Dalphim de Viana, filho mais velho do dito Rei, & fe concluio ho cafamento, declarando no contrafto que íe faria, & folemnizaria de palabras de futuro, quomo ha Infante folie em idade de iete annos, & le folemnizaria quando folie de doze annos, por palauras de prelente, & que pera iffo le procuraria por parte do Empe- rador dom Carlos, & da Rainha donna Leanor conlentimento delRei dom Ioão terceiro do nome, irmão da dita lenhora Infante, pera que bem, & em conueniente forma alfeguralle a paga do doòte, ha qual fenhora leuariã a França pera effe&o do cafamento quomo foffe folemnizado, per palauras de prelente, à cuíta, & defpefa delRei, & do Dalphim, quomo a tal prinçefa conuinha. Eíte cafamento fe desfez por ho dito Dalphim faleçer em Turnom iobela Róne, com lulpeita de lhe terem dado peçonha: delpois do que, ho Emperador dom Carlos, & dom Fernãdo Rei dos Romãos feu irmão, & ha Rainha donna Leanor fua irmã delles, maim delta lenhora Infante ha mandaram pedir a eIRei dom loam leu irmão, per monfieur de Lordes feu embaixador delles, pera ha cafarem com •Fi. 85. ci. i.* Maximiliano filho mais ve*lho do dito Rei dom Fernando, do que eIRei dom loam fe efcufou, pelo que ho Emperador ho caiou cõ ha Infante donna Maria lua filha mais velha. Paliadas eítas coufas eIRei de França, & ha Rainha lua maim ha mandaram pedir a eIRei dom loam, no Anno de mil quinhentos, & quorenta pelo Bilpo Dade, françes, do que fe tam- bém efcufou. Depois de todos eltes negoçios lerê traítados pelo modo que dixe, veo a morrer no Anno de mil quinhentos quarenta, & cinquo, ha prinçefa donna Maria filha delRei dom loam terçeiro, que era cafada com dom Phelippe Prinçipe de Caltella, filho herdeiro do Emperador dom Carlos, depois da morte da qual, elle, & ha Rainha donna Leanor trattaram de ha caiar com eite Prinçipe dom Phelippe, ho qual cafamento ho mefmo Emperador dom Carlos, que ho requeria detmanchou, & cafou ho Prinçipe dom Phelippe feu filho cõ ha Rainha Maria de Inglaterra, ha
— 16o — • qual faleçeo íem deixar filhos. Depois da morte deíla Rainha fe tornou a traétar de caiarem efta prinçefa cõ ho mefmo Prinçipe dom Phelippe, que já era Rei de Caftella, por ho Emperador dom Carlos feu pai ler faleçido, mas nem efte cafaméto houue effecto, porque elRei dom Phe- lippe caiou com madama Ifabel filha mais velha delRei Henrrique de .Fi. 85. d.a.« França, &* porque não fique por dizer ho grade defejo que elRei teue de cafar efta fenhora Infante lua irmã, depois que ho Emperador cafou ho Prinçipe dom Philippe íeu filho em Inglaterra, elle conçedeo a dita fenhora que podeffe traftar de cafamento com dom Fernando Rei dos Romãos, de Humgria, & Bohemia, Archeduque Dauftria, de quê arriba fiz mençam, ho qual depois fobçedeo no Império a dom Carlos íeu irmão, no que fe nam tomou cocluíam, por ha mefma infante fe nam inclinar a efte caíamento. Algús annos depois de tudo ifto fer paífado, lendo elRei dom Ioã faleçido de pouquos dias, ha Rainha donna Leanor, já viuua de Portugal, & de França, que viera de Flandres a Hiípanha em companhia do Emperador dom Carlos íeu irmão, & da Rainha donna Maria veuua de Humgria fua irmã, fezeram tanto com ha Rainha donna Catherina fua irmã também veuua, que entam era regente deftes Regnos por elRei dom Sebaftião feu neto fer de menor idade, & com ho Infante dom Anr- rique Cardeal de Portugal, irmão delta fenhora Infante que fobre fé, promeífa, & juramento da mefma Infante confentiram que fe folie ver a Badajoz com ella, & com ha Rainha dona Maria de Humgria lua tia, ho que fe fez com grande aparato de húa, & da outra parte, polto •fi. 85 ».ci. x." que ain*da trouxeífem dó por elRei dom Ioã, donde depois de pal- iados vinte dias que alli ftiuerã ha Infante le tornou pera ho Regno, da que foi muito louuada, porque ha comum openiam era, que íe iria com ha Rainha lua mal: ha qual rainha depois deltas viftas a poucos dias faleçeo em Caftella, de quem efta fenhora Infante lua vnica herdeira houue baixellas douro, prata, jóias, pedras preçiolas, tapeçarias douro, & feda, & outros enxouaes, com que, & com ho Senechalado de Agenois em Gafconha, & ho de Ruargar, & has fenhorias de Rios, Ribeiras, Verdum, & Albigoes em Languedoch, de que he fenhora fouerana de juro, & cem mil feudos que lhe deuem hos Reis de França, & de juro que té em Caftella, ho que lhe tudo ficou da Rainha nha 1 fua maim, & com ha çi- dade de Vifeu, & villa de Torres vedras, que fam de íeu património de juro, & affentamento que tem nefte Regno, traz tam honrrada cafa de criados, damas, & outros familiares, que pera fe dizer que he igual a todallas Rainhas Deuropa, lhe nam falta mais que ho nome de húa delias^ 1 Repetição da última sílaba da palavra anterior.
161 Depois do falecimento da Rainha donna Leanor faleçeo também em Caílella ha Rainha donna Maria de Humgria lua irmã fiando pera íe embarcar pera Flandres, a reger aquella Prouinçia, quomo ho dantes Capitu, lxix. Do que aconteçeo a diogvo fernande\ de Beja depois que partio Doivnu\ atte chegar a Diu, & dahi a Chaul, onde ho Diogo lope\ de fequeira achou, aho qual lugar foi ler com elle dom Aleixo de menefes. EPOIS de Diogo lopez de fequeira ter defpachado Antonio correa pera Babarem quomo fica dito, mandou Diogo fernandez de Beja cõ quatro velas, que foíTe correr ha cofia de Cambaia atte que elle che- gaíle a Diu onde determinaua fazer húa fortaleza quomo fica dito, das quaes afora elle eram capitães Nuno fernandez de maçedo, Emanuel de maçedo feu irmão, & Gafpar doutel, que partiram Dormuz ahos vinte Dagoílo, deite Anno de mil quinhentos vinte, & hum, & tomarã na cofia de Cambaia dous zambuquos carregados de mantimentos, & húa nao grande em que acharã muitas mercadorias, no tomar da qual teue Nuno fernandez de maçedo trabalho, por nella hauer mais de cento, & vinte mouros branquos frecheiros, & ípingardeiros, & muitas bombardas ro- queyras per bordo, & quomo iíto foíTe íeis legoas ala már de Diu, Melequiaz •Fi.s6.ct. i.» que jà hi ítaua mandou Hagamahamed cõ dezoito fuílas a focorrer eíla* nâo, mas quando ella chegou era jà defpejada, & mortos hos mais dos mouros, & muitas molheres & meninos que nella vinhão recolhidos na noffa frota com tudo ainda Hagamahamed achou nella algús q ficarã efcõdidos, & fe faluarã na mefma nao, com taparem hos rõbos que lhe Nuno fernadez mandou dar pera fe ir aho fundo, mas nem por iíTo deixou Hagamahamed de pelejar com Dioguo fernandez, ho qual metteo ha nao de Gafpar doutel no fundo has bombardadas, em que morreram hos mais que com elle iham, & hos que fcaparam a nado captiuou, & teue quaíi metida ha de Diogo fernandez no fundo, & em grande aperto Nuno fernandez de maçedo, a quem ferio muitos homes & mattou onze has bombardadas, de que hum foi Aluaro de brito, & ho outro ho eferiuão do galeam, & fe Deos lhes nam acodira com húa trouoada com que has fuílas íe reco. lheram pera Diu elles paliará pior. Vendoífe Diogo fernandez defapare- lhado, & fobriffo com muita falta dagoa, determinou de fe ir a Chaul, dõde depois de tomar mantimétos, & outras coufas neçeífarias quis ir em bufea de Dioguo lopez de fequeira a Diu, ho que nam fez porque ítãdo pera fe fazer a vela chegou elle delia, defefperado de por entam poder VOL. IV *1 •fi. 85 v.ci. a.1 fezera. * L
— 162 — ■•H.86.C1.j.* fazer ha fortaleza em Moderfaba, a húa por* Meliquiaz que já alli ftaua, ter prouido em tudo ho que lhe era neçeffario pera lho defender, & ha outra por a gús 1 Rumes captiuos que trazia na nao ían£ta Maria da ferra, lhe poerem ho fogo de que ella, & elles arderam, & muitos dos noffos em que entrou Aires correa, na qual nao vinhão todolos petrechos pera fe fazer aquella fortaleza, pelo que fe fez a vela caminho de Chaul, pera ha fazer ahi, por ter licença de Nifamaluquo, pera iífo, com condiçã que lhe mandaffe vender na mefma çidade cadanno quatrocentos cauallos arabios, onde tendoha ja começada chegou dó Aleixo de menefes per quem loube a çerteza da noua que lhe mandara Meliquiaz tornando Dormuz, de ler chegado a índia dom Duarte de menefes por gouernador, depois de cuja vinda chegou diante da barra de Chaul Hagamahamed com has mais das fuftas de Meliquiaz, ho qual em chegando metteo ás bombardadas ha nao de Pero da fylua no fundo, que entã viera de Or- muz, onde ficara per mandado de Diogo lopez de lequeira com negoçios, em que ho meímo Pero da lylua com hos mais fe afogaram, & algús que fe quiferam faluar a nado, tomou Hagamahamed, & hos leuou captiuos Capitulo, lxx. Em que se traíía do casamento da Infante dottna Bea- triz, filha delRei dõ Emanuel cÓ Carlos Duque de Sabota. O dvqve dom Carlos de Sabóia delejoso de fazer alianças com elRei dom Emanuel mãdou per feus Embaixadores no Anno de Mil quinhentos, & dezafeis, viuendo ainda ha Rainha dorma Maria, co- metter cafamento com ha Infante donna Beatriz filha íegunda delRei, de que era ho2 fenhor de Confinham, & outro Pero caes, que íe tor- naram íem fe nefte negocio tomar concluíam, por algús refpeitos, & afsi por ha Infante nam fer de mais idade que de doze annos. Depois deites Embaixadores, mandou ho Duque fecretamente hú frade da ordem de fam Françifco da obferuançia, pelo qual lhe mandou dizer elrei q por fe não achar em defpofição pera cafar lhe offereçia pera efte cafamento leu irmão herdeiro de todo feu ítado, por elle não ter filho aho que lhe elRei refpondeo, louuãdo muito feu bom delejo, & amór com que neíte negoçio proçedia: porem q has coufas do primeiro impedimento pera de fua filha, nam poder fazer nada, eram ainda prefentes, & nam dauam lugar pera •fi.86t.ci a.» le niffo por então entender: apos* efte frade mãdou ho Duque, aho 1 Et. I. algús. 1 Et. I. hum ho. Emendado já « nos erros da impressão » desta quarta parte. •tt.86r.ci. i.» a Melequiaz.*
— 163 — mefmo negoçio Norato caes, q depois foi neftes Regnos muitempo 1 Em- baixador dos Reis de França, Françifco de Valois, & Henrique feu filho, per quem mandou cometter de nouo ho cafamento pera fim mefmo, aho qual, depois delRei confultar ho negoçio, mandou dizer que lhe daria reporta atte leis mefes primeiros feguintes, no qual tempo pera fe infor- mar mais na verdade, do ftado, lenhorio, & poder do Duque madou dil- simuladamente a Sabóia Syiueftre nunez feu fcriuao da camara, que ho feruira de feitor em Flandres, ho qwal lhe trouxe de tudo tam bom recado que per hú correo, que lhe ho Duque mãdou acabados hos feis mefes do termo, lhe refpõdeo que lhe mandaffe feus Embaixadores, ho que logo afsi fez, endereçandohos a dó Fernãdo Marques de villa Real, que en- treueo nefte cafameto por parte do Duque, hos quaes Embaixadoies eião ho lenhor de Balleyfom feu camareiro mór, Barão de fam Germão, ca- ualleiro de cambela, & Iofre de paçerio doétor em vtroq; jure4, do feu confelho, & por fecretario da Embaixada, Chatel, que chegaram a Lisboa no mes de Feuereiro, defte Anno de Mil quinhentos vinte, & hú, & foram recebidos delRei em lala, onde lhes fez muita honrra, & gafalhado, & *fl87. d. i.* a cabo de pou*quos dias fe ordenaram deputados pera traótarem com elles, ho que compria a efte calamento, que fora Aluaro da coita, cama- reiro, & armador mor delRei, & do feu confelho, & veador da fazenda da Rainha dònna Leanor fua molher, a quê depois elRei deu titulo de dom, & Diogo pachequo doétor em leis, deíembargador da relaçam, hos quaes ho affentaram pelo modo íeguinte, q elRei daua, & doftaua ha Infante fua filha, çento, & çinquoéta mil cruzados de bõ valor, & de peio f. hos çento quomo ho matrimonio forte confumado per quarenta, & çinquo mil cruzados de cotado, & em Ioias, & pedras preçiolas vinte dous, & em prata laurada, mouel, & conçertos de fua camara, & capella quinze, & em tapeçaria, & paramentos de fua camara dezoito, & hos çinquoéta mil que faltauam pera comprimento dos cento, & cinquoenta lhe pagariam hum Anno depois do dia em que fe ho matrimonio confu- maffe, & que ha mandaria elRei à fua curta, atte ha çidade de Niia, ou porto de villa Franca, & que ho Duque lhe daria em dote vinte mil ciu- zados cadãno, quinze mil pera íoftentamento de fua cafa, & ftado, & çinquo mil pera delles ordenar à fua võtade, pera ho que obtigarão, & nomearam todalas Villas, Caftellos, & lugares com todas luas jurdições, * kl 87. d. ».* mero mirto império, do modo* que has tinha, & poffuia madama bran- qua, duqueia de iaboia, & fe menos rédeffem deites vinte mil cruzados, 1 Et. I. muito tempo. * L. vtroque jure.
- 164 - * que ho Duque lho fatisfczefle em outra parte, & lhe daria a fua propria culta todolos vertidos de fua pefloa íegundo aho ftado dambos conuinha, & &4 que faleçendo elle Duque primeiro que ella, que lhe ficaffe tudo tam inteiramente quomo ho tinha em fua vida, & que faleçendo ella lem deixar filhos, que em tal cafo elle Duque reftituiria a feus herckiros tudo ho que tiueffe reçebido deite dote, hos quaes contractos acabados, & concluídos, que foi ahos vinte, & feis de março de mil quinhentos vinte, & hum fe começou logo a entender na partida da Infante, pera ho que elRei ordenou húa armada de dezoito velas, em que entrauam quatro naos groífas, quatro gales, húa furta, dous galeões, çinquo naos, & duas cara- uelas todas muim bem fquipadas, concertadas, & artilhadas, afora ha nao dos embaixadores que era grade, fermofa, & bem artilhada. Ha ca- pitaina em que iha ha Infante era húa nao que fe chamaua faníta Cathe- rina de monte finai, de mil toneis, que le fez na índia: ho geral darmada era dom Martinho de Caftelbrãquo, Conde de villa noua de poritmão,i filho de dom Gonçalo de caftelbranquo, ho que rompeo primeiro ha ba- •Fi.87t.ei.i.' talha de Caftro queimado que elRei* desbaratou3, pelo qual leruiço, & por outros lhe fez merçe delta villa de villa noua de portimão em dias de fua vida, & lhe deu bandeira quadrada, & foi leu fcriuão da puridade, & veador da fazenda, & do raelmo Príncipe dom loam fendo Rei, & almotaçe mor, & veador das obras do Regno, & refiduos, & monteiro mor, & gouernador da cafa do çiuel, ficarão delle filhos, dos quaes elte dom dom4 Martinho de Caftelbraquo era ho mais velho, a quem elRei dom Emanuel deu titulo de Cõde de villa noua de portimão, & bandeira quadrada, & foi també veador da fazenda delRei dom loam fegundo, & delRei dom Emanuel, & camareiro mór do do3 Príncipe dom loam feu filho. Na fegunda nao darmada que leria doitoçentos toneis iha dom Martihho da cosíta Arçebifpo de Lisboa com mui grandes gaftos, & ornamentos aísi dos léus quomo da nao, por quem elRei fupplicara ho ãno paliado aho Papa que lhe deífe I10 capelo de Cardeal, mas quomo fe ifto nam impetrou delta vez, nem da outra de que já trattei, eu ho não pude alcançar, ho quál Arçebifpo em tornando delta viagem pera ho Regno faleçeo em Gibaltar. Ho Conde iha na mefma nao da Infante, que nefta viagem foi muim bem acompanhado de criados, & parentes, & 1 Conjunção repetida. 3 Et. I. portimão. 3 Et. I. dom Afonfo desbaratou. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte. 4 e 3 Palavra repetida.
— 165 — •Fi. 87*. ci. j.« quatro filhos, & tres genrros, & tres netos, & leuaua * alçada de çiuel, & crime íem exçepçam nenhúa atte morte natural: nas outras naos iham has peífoas feguintes. Dom Françifco de Caítelbrãquo filho maior do Cõde que per feu faleçiméto foi camareiro mór delRei dom loam terceiro, & fenhor de villa noua de portimão, dom Françifco da gama filho maior de dom Valco da gama Conde da Vidigueira, & almirãte da índia, em hum dos galeões iha Afonfo dalbuquerque, filho do grande caualleiro, & grande Capitão Afonlo dalbuquerque Gouernador da India que nefta viagem fez grades gaftos, no outro iha Fernão perez dandrade: nas çinquo naos ihão ho Marichal dom Aluaro coutinho, Afonío perez pãtoja fenhor da villa de Sanótiago de caçem genrro do Conde, & Pero pãtoja, & Martim vaz pãtoja íeus filhos, Chriítouam de brito, do Fernando da- brantes, & dom Luis coutinho: ho Capitão das gales era dõ Pedro maf- carenhas, que depois foi viçerei da índia, elle em húa, &. nas outras Françifco de mello, Luis machado, & gonçalo de cãpos, & na fuíta Aluaro do couto: em húa das carauellas iha Rui mendez de vafconçellos, & na outra iham prouifões da defpenfa da Duquefa Infante: Alem deitas peífoas jà nomeadas, deu elRei ha Infanta peta ha feruirem, & acom- •fi.88.ci. i.« panharem, dom loam do Porto Bifpo de Targa por feu ca*pellam mor, dõ loam, dõ Afonfo, & dõ Antonio clérigos filhos do Conde de villa noua, dom Steuã da gama irmão de dom Frãçiíco, dom Fernando de Craíto filho maior de dom Aluaro de Crafto gouernador da cafa do çiuel, Nuno da cunha veador da fazenda do Prinçipe dom Ioão, loam roiz de Sá de menefes alcaide mór da cidade do Porto fenhor de Seuer, & genrro do Conde, dom Diogo de menefes craueiro da ordem de Chriítus, dom Pero dalmeida, Ioã lopez de fequeira mordomo mor da Infante, & loam da fylueira que depois foi craueiro da ordé de Chriítus, dom Fernando de monrroy, dom George anrriquez repoíteiro mor do Prlçipe fenhor de Barbacena, Chriílouã de Tauora, Rui de foufa genrro do cõde, & leu filho Louréço de foufa, Pero moniz da fylua, dom Fernando de lima, Rui gonçaluez coutinho,. dom Duarte da coita, filho de dõ Aluaro da coita, Gaipar de brito, Fernam de mirãda, Antonio de moura, Ioã de melo pereira, dom Fernando de noronha, Lionel de brito, Pedrafonfo daguiar que leuat/a a carguo as couías do mar, porque era nellas muim entendido, Pero gomez daguiar, Pero dafonfequa, Pero de mendanha, dom Hiero- nymo de moura, Symão correa que iha por veador da cafa da Infante, "Ft 88. d.*.» Hieronymo correa por feu eítribeiro mor: Antonio pe*reira, Diogo bran- dão, Françifco de mello, George coelho, dom George filho do Cõde dodè Mira, dõ Bras anrriquez pages da Duquefa Infante, ho liçençeado Alua- reanes, que iha per corregedor Diogo ferreira feitor darmada, Aluaro do
- — 166 — tojal thefoureiro da Infanta, Gafpar de iequeira vchao, loam de loufado mantieiro. Françifco homem copeiro, Afonfo manhoz thifoureiro da ca- pella, dezoito moços da camara, feis moços da capella, feis homes da cantara, quatro porteiros de maça, oito moços deftiberia, & oito repof- teiros: Era patram deita armada Symão vaz homem muito experto nas coufas do már, & ho mefmo era Pero de cauarqua meltre da nao em q iha ha Duquefa Infante: has molheres que foram com ella fam has íe- guintes, donna Meçia filha de dom Dinis irmão de dom Iaimes Duque de Bragança, que lá caiou com ho Conde de Xalom, donna Leanor da fylua que iha por camareira mor, donna Maria filha do conde de farão, donna Maria de meneies, donna Iiabel anrriquez, donna Ines de mello, donna Ioãna de meneies, dona Beatriz mafcarenhas, donna Françifca de laçerda, donna Ines de brito, Guiomar cardofa, Françifca táuares, & Ines daguileira. Preíles ha armada fe aleuantou do porto da çidade de Lisboa, •Fi.88v.ci. i.» & foi furgir em Bethlem, onde elRei cõ ha Rai*nha, Prinçipe, Infantes, & a Infante donna. Ifabel foram em húa gale vifitar ha Duquefa Infante, & no mefmo dia ie tornaram pera çidade, & ella aho outro q era húa feita feira noue dias Dagoíto deite Anno de Mil, quinhentos vinte, & hum fe féz à vela, com toda ha frota, com ha qual, toda falua, chegou aho porto de villa Franca de Nifa, ahos vinte, & noue de Septembro dia de fam Miguel, excepto ha nao de Afonfo perez pantoja que com tormenta que deu narmada atraues de Cartagena, fe defaparelhou, & ficou ahi cõ ha marinhagem. Ho Duque eítaua em villa Franca quando ha Infante chegou, & por lhe parecer q viria enfadada do mar, ordenou que fe defambarcaífe no mefmo dia, ho que fe afsi fez já de noite, & ha reçebeo logo cõ grande pompa, afsim dos de fua cafa, & fenhorios, quomo de muitos ienhores, & gentis homés de Frãça que fe alli acharam, do qual matrimonio lhes deu Deos Phelibert Emanuel, que aho prefente viue paçilíco em ieu ítado, ho qual de todolos títulos que herdou do Duque íeu pai, que fam Duque de Sabóia, de Chabolois, & Daaguíta, Prinçipe do facro Império Romão, & vigairo perpetuo, Marques em Italia, Principe de Piamonte, Conde de Geneura, Baugianoys, & mote redondo, Barão •fi.8Sv.ci.2.' dauandigão, & Fuçingão, & Nice, Verfel, &* Brieífe, tomou fó ho de Prinçipe de Piamonte de que fe agora intitula, & lie cafado com húa irmã delRei Anrrique de França, já defun&o: com ho qual cafamento de que lhe Deos já tem dado fru&o de bençam, apaçificou feu ílado, & foi nelle reftituido pelo meímo Rei Anrrique, por que hauia jà algús annos, que el- Rei Françifco de Valois primeiro defte nome, pai do dito Anrrique tomara a mór parte delia a elte Duque Charles, que por fatisfazer aho apetite da Duquefa Infante fua molher, fauoreçia contra elle ho Emperador dom
— 167 — Carlos quinto do nome feu primo com irmão, caiado com ha Infante donna Ifabel irmã da meíma Duquela Infante, per cuja caufa fobçederam todalas perdas, damnos, & defauenturas, que ho Duque Charles íeu marido paífou atte que morreo, quomo fe em fua Chronica por extenço poderá ver. 0 Capitulo, lxxi. Em que se tralta da progenia, & linhagem da Rainha donna Maphalda filha do Conde Amedeu de Moriana em Sabóia, molher ri. 89. ci. i." que foi delRei dom Afonfo Anrrique\. PORQUE no tempo em que fe fez efte cafamêto da Infante dona Beatriz com dom Carlos Duque de Sabóia, & ainda nefte prefente ha i muitas peffoas que dizem que ho Duque nem em geraçam, nem em ílado tinha calidades, porque lhe houueíle elRei dó Emanuel de dàr fua filha por molher, pofto que fofTe filha fegunda, pelo que aliem do que fei de feu ftado, & vi no tempo que andei per fuas terras, em que ha muitas çidades, villas, caftellos, fortalezas, & vaffalos, direi ho que tenho alcan- çado da progenia donde defçendê hos Duques de Sabóia, pera que fe faiba que ho que elRei fez não foi fenão quomo muito prudente, & per parecer de feu cofelho, & verdadeiras informações que tinha do ftado do Duque Charles, & do real fangue donde defçendia, & pera que fe íaiba de fua linhagê, & progenia, he de notar q do tempo q ho Império fe paliou de Frãça Alemanha, ho primeiro Emperador dos dalemanha foi Ottho, per cujo faleçiméto foi eleéto Ottho leu filho fegundo Emperador a quê, depois de prefedir no Império dezafete ãnos, fobçedeo ottho feu filho, terceiro Emperador, em vida do qwal ordenou ho Papa Gregorio ho modo q fe atte gora tê na eleiçã dos Emperadores dalemanha. Efte emperador Ottho "Ki.89. ci. 1.' terceiro deu a hú feu irmão per nome* Hugo, ho Duquado de xaxonia, que era feu, ho qual Hugo teue tres filhos per nome Federico, Vlrrich, & Beraldo, eftes tres irmãos ficaram moços per falecimento de feu pai, pelo que ho Emperador feu tio, hos criou em fua cala, & fairam homês daltos penfamentos, bõs caualleiros, & fobre todos Beraldo I10 mais moço porque em prudência, difcriçã, & esforço paflaua hos outros dous irmãos, has quaes partes ho fezeram vingar ho adultério, que ha Emperatriz, molher do Emperador feu tio Ottho, comettia com hum feu veador delia, & ha mattou com ho mefmo adultero na cama, do que depois fobçedeo fazer ho Conde Reinei de mons, pai da Emperatriz morta, crua guerra ahos Saxões, em que lhe mattaram dous filhos, & morreo muita gente de húa, & da outra parte, de maneira que toda aquella prouinçia era em trabalho, & confufam por cafo delia guerra, atte que niffo interuieram muitos fenhores de Alemanha, per cujo meo fe fez ha pàz entrelles, a
— 168 — condiçam que Beraldo foffe exclodido delia, & degradado por dez annos de toda Alemanha, donde fe partio tomando feu caminho pela terras dos Soiços, & de Sabóia, com tençam de ir vifitar ha caía do Apoftolo Sanftiago, & depois deita romagem feita, ficar em Hifpanha ho tempo •Fi.89T.ci.i.« de feu degredo, & fazer* guerra alios mouros debaixo da bandeira dalgús * dos Reis, ou fenhores delia. Nefte caminho partindo Beraldo de Seifel em terra de Geneura, com criados, & outra gente que leuaua, tomou ho caítello de Cule, occupado de ladrões, & falteadores de caminhos, que faziam muitos males per toda aquella comarqua, & ho pos pacifico à obediançia de Bozom Rei de Borgonha, cuja toda aquella prouinçia era, ho que feito fe foi a Aries vifitar elRei, de quem foi muim bem recebido, & dalli tomou feu caminho pera Sanótiago de Galliza, com prometter a elRei Bozom de íe tornar parelle, ho que afsi fez, & íeruio ho dito Rei de Borgonha que entam era fenhor de muitas terras, & prouinçias atte que morreo de húa frechada que lhe deram em húa batalha que houue no mar de Liguria com hos Genoefes. Morto elRei Bozom, por nam ter filhos fobçedeo no Regno feu irmão Rodolpho: hos Genoeíes labendo que Bozom era morto entraram pellas terras de Moriana, que eram dos Reis de Borgonha, com muita gente fua, & do Conde de Piemonte, & do Marques de Sus, & do de Saluçe, contra hos quaes elRei Rodolpho mandou Beraldo, que houue viítoria defies per quatro vezes, & hos •Fi.89v.ci.a.* lançou fora das terras de Moriana, com* muita perda de gente, & damno, do grande defpoio que deixaram: depois deitas viétorias, houue Beraldo outra no monte Çenis no pafTo da fcada contra hos mefmos, & outros mais da fua liga, em q era ho Conde de Canauoes, que foi maior que nenhúa das outras quatro. Acabadas eltas guerras veo a falecer elRei Rodolpho fem deixar herdeiro que dereitaméte podefle fobçeder no Regno, & aísi ficou ho Regno de Borgonha de voluto aho Império, viuendo ainda Ottho emperador tio de Beraldo, que lhe cõfirmou a gouernança da terra de Vienois que lhe elRei Rodolpho dera, antes de cuja morte Beraldo mandara vir Dalemanha lua molher per nome donna Catherina, com hú filho que delia tinha chamado Humbert das maos brãcas (polas ter muito aluas, & fermolas) eltando alsi Beraldo paçifico em feu gouerno de Vienois, fendo já muito velho adoeçeo na vila de Aries, onde faleçeo no anno do fenhor de mil, & vinte fete, viuendo ainda fua molher, & íendo Empe- rador Henrrique, primeiro do nome, que íobçedeo a Ottho terceiro, ho qual emperador Henrrique fabendo da morte de beraldo ícreueo loguo a Humbert (eu filho que pufeífe boa guarda nas fortalezas, & villas de vienois & fe viefle ver comelle a Roma, onde foi bem reçebido do Em- •fi.90.d.i.« perador, & por lhe gratificar hos* feruiços de Beraldo feu pai lhe deur
— 169 — & ho inueftio de juro, & herdade no mefmo Condado de Moriana, que ho dito Beraldo ganhara, & fezera paçifico alios Reis de Borgonha, & afsi foi eíle Humbert, ho primeiro Conde de Moriana, ho qual Humbert Conde de moriana fiando ainda em Roma, foube que ho marques de Suze lhe entrara por fuas terras, fazendolhe crua guerra, aho que logo acodio: efta guerra durou afiaz de tempo, mas emfim pera conçerto delia, ho marques de Suze cafou fua filha vnica, per nome Adellis her- deira de todo feu ítado com ho Conde Humbert de moriana, & dalli a pouco tempo morreo na meíma villa de Suze, ficando ho Conde Humbert de moriana lenhor do fiado do fogro: viueo Humbert todo ho mais de fua vida em paz, & aíTeíTego, no qual faleçeo no Anno do íenhor de mil, & quarenta, & oito, & foi feu corpo enterrado na Igreja de fam loam de Moriana, ha qual Egreja elle doótou, & aumentou de muitas, & boas rendas: eíle Conde Humbert houue da Condefla Adellis fua molher hum filho, per nome Amedeu, que ho fobçedeo em todos feus fiados, bom, & esforçado caualleiro, com cuja ajuda ho Conde dõ Giraldo de Borgonha, houue húa grade vióloria cõtra hos Cõdes de Lorreina, & Debarre: do q vfi. 90. «i. 1.* ho code de Borgonha * nam fendo desconheçido, cafou húa lua filha per nome donna Ioanna com elle. Faleçeo eíle cõde Amedeu no Anno do Senhor de Mil, & fetenta, & leis: foi fepultado na Egreja de fam loam de Moriana apar de feu pai Hubert, ho qual Amedeu houue de fua molher donna Ioanna entre outros filhos, Humbert, que foi fegundo Cõde de Moriana do nome, bom caualleiro, & que tanto por amor que per armas fe fez íenhor de Tarentaife, & ahi faleçeo no Anno do fenhor de Mil, & cento, & noue: houue eíle Cõde Humbert, de fua molher donna Lau- rença filha do Conde de Veniça hum filho per nome Amedeu, que lhe fobçedeo, & foi fegundo do nome, & quarto dos Condes de Moriana que depois da morte de feu pai cafou com donna Guigone filha do Conde de Albom, aho qual Cõde Amedeu fez ho Emperador Hcrrique de Bohemia quarto do nome doaçam do Cõdado de Sabóia: eíle Conde Amedeu foi duas vezes na guerra de vltramar por Capitam da gente do Papa, & faleçeo em Chipre da fegunda viagé que foi em companhia delRei Phelippe Auguílo de França. EIRei de Chipre, per nome Gui de luzignen, ho fez enterrar honrradamente na Abadia do monte de íanéla Cruz: iílo foi no anno do Senhor de mil, & çéto, & çinquêta & quatro, pouquo mais ou •Ki.gov.ci.i.a me* nos: Deixou eíle conde Amedeu de lua mulher donna Guigone entre outros filhos, & filhas, Hubert que fobçedeo no ítado de Sabóia, & Moriana, & donna Maphalda que cafou no Anno do Senhor de Mil, çento quaréta, & feis, cõ elrei dõ Afonlo Anrriquez primeiro Rei de Portugal, pai, & maim delRei dom Sancho primeiro do nome, donde defçendé VOL. IV »
— 170 — todolos outros Reis deites Regnos: eíta he ha verdadeira progenia dos Reis de Portugal da parte femenil, que eu tirei com muito trabalho, & itudo das Chronicas Dalemanha, França, & Sabóia, ha qual progenia proçede dos Emperadores Dalemanha, Duques de Saxonia, Condes de Moriana que agora fam Duques de Sabóia, & Prinçipes de PiemÕte, & não do Infante dom Afonfo Conde de Molina, filho delRei dom Afonfo de Caítella, cuja filha fe cuida q era ha Rainha donna Maphalda, quomo eítá poíto per couía autentica em hum liuro antigo de memoriaes efcrip- to em pargaminho, que anda na torre do tõbo, né menos era filha do Conde dõ Anrrique de Lara, quomo erradaméte ho Icreuem, hos que cõpoferão hos liuros das linhagés de Hifpanha, afsi ho velho quomo ho nouo: nos qi/aes liuros todos, afora eíte erro ha i outros, de q tratarei fe ho tépo a iflo der lugar, & porque não pareça q inuentei, ou fingi per con- ♦ Fi.gov.ci.3/ getu*ras fer ha Rainha dona Maphalda filha do Code Amedeu de moriana, faiba quê iíto ler, que ho achei nas antigas fcripturas da torre do Tombo deites Regnos, pera confirmação do que abaítara, poer aqui tres auto- ridades, que dará teítimunho fer iíto verdade. EIRei dom Afonfo anrriquez em hús Priuilegios que deu ahos caleiros de Santa Cruz de Coimbra, na era de Çefar de Mil, cento, oitenta, & quatro dizem aísim. Ego Alfonfus Portugalliae Rex, comitis Hcnrici, & Reginae Tarafiae filius, magniquoq;1 Alfonfi nepos, vna cum vxore mea donna Maphalda, filia comitis, Amedei de Moriana, confiderantes obitum noítrum. Que quer dizer eu dom Afonío Rei de Portugal filho do conde dom Anrrique, & da Rainha donna Taraja, neto do grãde Rei dom Afonfo, juntaméte com minha molher donna Maphalda, filha do Conde Amedeu de moriana, confyderãdo nofla morte, &c. E no foral que deram alios moradores de Syntra no Anno de Çeíar de Mil, çento noventa, & dous, diz afsi. In nomine patris, & filij, & fpiritus fanti amen. Placuit mihi Alfonfo Regi Portugalliae comitis Henrici, & Reginae Taraiiae filio, magniq ;i Alfonfi nepoti, & vxori mete Reginae Maphaldae, comitis Amedei filiae, vobis qui Syntre •fl91. ci. I.* habitatis, maioribus fiue minoribus cu*iufq;1 ordinis íleteritis, cartam faceie firmitudinis vobis, & filijs veítris atq;4 progenijs de iure Habi- litate, atq;4 feruicio. In primis damus vobis triginta cafales, cú fuis 1 L. magniquoque. 1 L. magnique. 3 L. cuiufque. 4 L. at que.
- 17I — hereditatibus in Vlixbonen, triginta popularibus qui in prafffenti illud caftellum populatis, vt habeatis illos tam vos, quam filij veftri ha?reditario iure, & non faciatis de illis aliquod forum in vlixibon, nifi in veftro caftello. Que quer dizer em nome do padre, & do filho, & do ipiritu ianflo amen. Aprouueme a mim Afonfo Rei de Portugal, filho do Conde dom Anrrique, & da Rainha donna Tareja, & neto de grade Rei dom Afonfo, & a minha molhcr ha Rainha dona Maphalda filha do Cõde Amedeu, de vos mandar fazer, ahos q moraes em Syntra, majores, ou menores de qualquer ordem que fordes carta de firmeza a vos, & voffos filhos, & deíçendentes, de juro, & fiabilidade, & leruiço. Primeiramente vos damos trinta caíaes com fuas herdades em Lixboa a trinta pouoadores que alio prefente moraes naquelle Caftello, pera que hos pofluaes vos, & voffos filhos jure hereditário, & nam façaes delles nenhum foro em Lisboa, fenam no voíTo Caftello. E na carta de doaçam que fezeram da Touguia a Guilhelmo de corni- bus, na era de Çcfar de Mil, & cento nouenta, & feis dizem afsim. •fi.qi.ci.j.* f Ego *Alfonfus Portugalliae Rex, comitis Henrici, & Regina? Tarafia? filius magniq;1 Alfonfi nepos, vna cú vxore mea donna Maphalda, comitis Arnedei de Moriana filia, facimus vobis dono Vilhelmo de cornibus cartam de illa hereditate de Taugia. Que quer dizer eu dom Afonío Rei de Portugal, filho do Conde dom Anrrique, & da Rainha dona Tareja, neto do grande Rei dom Afonfo, juntaméte com minha rnolher, donna Maphalda, filha do Conde Amedeu de Moriana, fazemos a vos Vilhelmo de cornibus efta carta da herdade da Atougia, &c. dos quaes dous lugares, & de forães, & cartas que dizem ho mefmo, que tiue por fcufado reçitar aqui, fe vé na verdade fer ha Rainha donna Maphalda filha do Conde Amedeu de Moriana, pofto que per outras pefloas feja ifto crido aho contrairo: & efta nofTa verdade le pode confirmar com ho Arçebifpo de Toledo dom Rodriguo, ainda que donde ha caufa he tam clara fora fcufado alegar authores, ho qual Ar- çebilpo na íua Chronica, que fcreueo em lingoa latina, diz que elRei dom Afonfo anrriquez primeiro Rei de Portugal foi caiado com donna Maphalda, filha do Conde de moriana, pelo que fao muito de reprender nolTos Chroniftas, & hos que compoferam hos liuros das linhagés, íendo todos •h.91 t.d.i.* Portugueíes, de terem dada* tam má conta da verdadeira progenia da Rainha donna Maphalda primeira Rainha defies Regnos. E pois dixe da progenia da Rainha donna Maphalda, molher delRei dom Afonío anrri- 1 L. magnique.
— 172 — quez primeiro Rei de Portugal, donde hos outros Reis defçendé, (porque lio piimeiro de que não ha progenia foi elRei dom Garcia) me não pareçeo couia defconueniente dar no Capitulo ieguinte rezam donde defçende ho Conde dom Anrrique pai deite Rei dom Afonfo, pêra que fe declararem algús erros em que hos Chroniítas paffados cairam, & fe íaiba na verdade ha antiga, & nobre progenia dos Reis deites Regnos. Capitu, lxxii. Da progenia e linhagem do Conde dom Anrrique pai dei Rei dom Afonfo Anrrique I I ^ ^ ^as covfas que me mais efpantou defno tempo que começei a A A reuoluer liuros foi a demaíiada negligéçia dos Chroniítas deites Regnos, & dos que lcreueram hos livros das linhagés no que toca a progenia dos Reis, afsi da parte delRei dom Afonio anrriquez primeiro ♦o.g.T.ci Rei de Portugal, quomo* da rainha donna Maphalda íua molher, & trabalhado niito muito tempo vim a defcobrir I10 erro em que todos andauão cuidando que era ha rainha dona Maphalda filha do infante dom Afonfo conde de Molinna, filho delrei dom Afonfo de Caítella, ou de dom Anirique conde de Lara, ha qual íenhora tenho declarado no capitulo atras, q he filha do cõde Amedeu de Moriana, íegundo do nome. Iíto feito, que he ho que toca na verdade à progenia dos reis deites Regnos da parte de donna Maphalda, ficaua por íaber ho mais importante, que he donde proçede eíta Real genealogia da parte delrei do Afonfo anrriquez marido deita fenhora donna Maphalda, no que afsi quomo achei pareçeres, & openiões diíferentes achei também muito trabalho pera com verdade poder dizer coufa em que fe tanto requeria trattala porque ho conde dom Anirique pai delrei dom Afonio anrriquez dixeram algús icriptores que fora natural de Conítantinopla, & outros a quê fegué noifos Chroniítas, dizem que foi filho íegúdo de hum Rei de Vngria, fem lhe dizerem ho nome, outros que era da terra de Lorraina, pello que pera mór declara- çam deite negoçio, & fè poder milhor entender me he neçeíTario por aqui hum Epitaphio, & abreuiação, de hum iumario da vida delrei dom Afonfo ♦F!.gj.ci. 1.* anrriquez, filho deite conde*dom Anrrique, que houue no tempo que andei em Flandres, da liuraria dos duques de Borgonha, icripto em lingoa Françeia, ho qualjumario, & Ephitaphio ', quomo íe nelles conthem foram tresladados de húa taboa muito grande que antigamente itaua em fanda Cruz de Coimbra,^ poíta iobella fepultura delrei dom Afonfo anrriquez, & íegúdo pude alcãçar dalgús homes dodos, & antiguos daquella prouinçia 1 Et. I. Epitaphio.
— i73 — eíte ephitaphio& abreuiação leuou configuo defies Regnos em lingoa portugucla ha Infante dona Ifabel filha delRei dom loam da boa memoria primeiro do nome, que foi cafada com Phellipe dalcunha ho bom duque de Borgonha, & fenhor dos fiados de Flandres, & que lá fe pos em lingoa Françefa, & quanto aho epitaphio, ho treílado delle de verbo a verbo, he ho feguinte. % Aqui jáz ho muito alto, & muito poderofo, & muito exçeléte prinçipe do Afonfo anrriquez, primeiro Rei de Portugal, ho qual da parte de feu pai dõ Anrrique cõde Deftorga, defcéde per linha direita dos Reis Daragam, & da parte de íua maim dos Reis de Caftella, & loguo no começo do fumario fe declara ha linhagem delRei dõ Afonfo Anr- riquez da parte dos Reis de Caftella proçedéte da Rainha dona Tareja íua maí, filha delRei dõ Afofo fexto q tomou Toledo ahos mouros, •Ki.91.ei.a.* mas*da parte dos Reis Daragam nem de quomo veo a íer Conde Deftorga nam diz nada: & por me aho diante nam fazer eftoruo ha parte que tem ho Conde dom Anrrique na linhagem dos Reis Daragam ha direi loguo nas menos palauras que poder. EIRei dom Ramiro primeiro Rei Daragam, filho de dom Sancho, cafou com donna Hermifanda gibilda filha do cõde Darminhaca, & de Bigorra, de que houue dõ Sacho, que foi Rei Daragam per faleçimento de feu pai, & dom Gonçalo que foi Bifpo de laca, & duas filhas donna Tareja que calou com ho conde de proença, & donna Sancha que cafou com ho Conde de Toloía, dos quaes ho Chronifta Daragam nam diz hos nomes: Efte dom Ramiro Rei Daragam morreo no Anno do Senhor de Mil fefenta, & tres, pela conta do qual tempo ho Cõde de Toloía que cafou com donna Sancha fua filha, hauia de íer pai, ou irmão, ou parente chegado de dom Raimão cõde de tolofa, que cafou com donna Eluira filha baftarda do dito Rei dom Afonío Sexto, & de donna ximena gomez de munhones fua mançeba, molher muito nobre da cafa de Guzmão, & não com donna Orraca filha legitima do dito Rei dõ Afonío, & afsim fe ha dentender do que dõ Rodriguo Arçe- •Fl.93T.ci.!.* bifpo de Toledo lcreueo na fua Chronica, a quem feguem dõ Afonfo* de Cartagena Bifpo de Burgos, & ho liuro velho das linhagés, q dizem que donna Orraca filha legitima deite Rei dom Afonío cafou com dom Raimon, fem dizerem donde era Conde, ho qual dõ Raimom fe chamaua de fam giles, & era tamonho * fenhor que quando fe no- meaua lhe nam dauam outro titulo fe não dõ Raimom de fam giles, • Et. I. Epitaphio. * Et. I. tamanho.
— 174 — & parece que por cita cauia ho Arçebifpo de Toledo, & ho Bifpo de Burgos, & ho Conde dom Pedro filho baítardo delRei dõ Dinis no liuro que fez das linhagês ho não quiieram nomear
— i75 — fe logo dira, de maneira que ho Conde dom Anrrique da parte femenil defçende per linha direita dos Reis daragã, & quanto ha linhagem da parte do pai q he ho que mais importa, foi pelo modo feguinte. No anno do Senhor de mil, & dezanoue faleçeo Geofroi duque de Lor- raina, & por nam deixar filhos lobçedeo no ducado feu irmão Gozellom Conde de Bulhom, a efte Gozelõ fobçedeo Godefroi ho briofo, ou bar- budo feu filho, que regnou vinte, & feis annos, & teue grandes guerras com ho Emperador Anrrique terceiro, has quaes acabadas, cafou húa lua filha vnica herdeira, per nome Idaim com Euftaçio Conde de Bo- lonha fobelo mar em França, & lhes deu logo em cafaméto ho Condado *fi. 93.ci- 2.* de Bulhom, do qual cafamento procederá Godefroi de Bulhom, * & Baldoim Reis bemauenturados de Hierufalem, & Euftaçio, & per morte de donna Idaim maim deftes príncipes, cafou Eultaçio, cõde de Bolonha, com donna Mahual filha de dom Girai Cõde de Mofalãda, ho qual Condado jáz entre as ribeiras da Mofa, & da Molella, & corria das terras de Lorraina, Luçemburgo, Léburgo, & Treucr, atte ha ribeira do Rim, & terras de Geldres, & Holanda, onde fe ho Rim mete na mola, & era entam aquelle Cõde hum grande fenhor ho qual hos Emperadores da cala de Luçemburgo deftroiram, por cafo das guerras que com elles houue, por nam terem hum tam poderofo ve- zinho: & efta çerteza aleançei1 dos regiflros, & annaes, que aho pre- fente ainda eftam nos cartórios da villa de Bolonha lobelo mar em França, & da Sé, & camara da çidade de Metz em Lorraina, na qual villa, & cidade ftiue algúas vezes, & me foram eftes, & outros papeis comunicados, & depois de fer neftes Regnos a cõfirmei per cartas do Adaiam da Sé da melma çidade de Metz, & de Nicolao lecauam fecretareo da dita villa de Bolonha, & do caualleiro de Seure, que agora he priol em França da ordem de fam loam, embaixador que foi neftes Regnos delRei de França nos annos de mil quinhetos, & çinquoenta, & fete, çinquoenta & oito, & cinquenta, & noue, peífoa •FLgSv.d.i.* com* que tiue grande amizade. Delta filha do Conde de Mofalanda, (ou Duque quomo algús tem por openiam que era) houue ho Conde Euftaçio de Bolonha guilhelme barão de Ioynuilla, & quãdo eftes tres irmãos Godefroi de Bulhom, Baldoim, & Euftaçio foram a guerra de vltramár, fendo já feu pai falecido, Guilhelme baram de Ioynuilla irmão mais moço, per ordenança delles ficou por gouernador do du- cado de Lorraina, porque ho condado de bulhõ vendeo Godefroi aho Bifpo de Liega, pera defpelas deltas guerras, & ha çidade de Metz ' Et. I. aleançei.
— 176 — em Lorraina, que era fua, védeo ahos mefmos da çidade, ho qual Guilhelme de Ioynuilla per morte de (eus irmãos lobçedeo no Ducado de Lorraina, & foi caiado com Allis filha de Tibaut Conde de Cham- painhe, da qual fenhora houue tres filhos, f. Thierry, ou Thiodorico, que per fua morte íobçedeo no Ducado de Lorraina, & Anrrique, & Geofroi, que nas guerras de Syria fez grandes proezas: eíte dom Anr- rique filho fegundo do Conde Guilhelme, foi pai delRei dom Afonlo Ànrriquez, a quem elRei dom Afonfo fexto de Caftella deu ho condado Deftorga pelos muitos leruiços que lhe fez nas guerras que teue contra elRei dom Sancho feu irmão, & contra hos mouros, & ho cafou depois •Fi.9jT.ci. j.« com donna Tareja fua filha, & de donna Xi*mena gomez de munhones, com ha qual lhe deu em cafamento muitas terras em Galiza, & Por- tugal, dos quaes defçendem todolos Reis defies Regnos atté ho tempo prelente. De quomo efte dô Anrrique veo ter a eftas partes de Hif- panha contão hos hiftoriadores per muitas maneiras, mas ha verdade he que paffando elle em húa armada que hia de Holanda, & Zelanda à conquifta de vltramar, veo ter a Chrunha, & ficou no íeruiço delRei dom Afonfo. Capitu. Ixxiii. De quomo Hagamahamed capitam de Melequia\ pelejou cõ ha nojffa frota fobela barra de Chaul, na qual peleja mattarã Diogo fernande\ de beja. HAGAMAHAMED Capitam de Melequiaz não çeffaua de cometter hos noffos, pofto que Dioguo lopez ftiuefie em Chaul, porq fabia quão perjudiçial era ha fortaleza q íe alli fazia alio Regno de Cambaia, & feus vezinhos, pelo que com mór deíejo defirouar efta obra fe chegaua íem medo á noífa frota, em que muitas vezes fez affaz de dãno, porque elle deftroçou has gales de Frãçiíco de médonça, & de dom George de menefes, de q na de Françilco de mendonça morreram muitos homés, & •pi. 94-d. 1.' nas* outra tres, tudo a vifta de Diogo lopez, & dom Aleixo de meneies, que por lhes ha mare nam feruir lhe nam acodiram, aliem do que cometeo outras muitas vezes hos noffos per Ipaço de vinte dias, em que deu moftras de muim esforçado caualleiro, pofto que em todos reçebeffe muito damno, & por Diogo lopez jà laber da vinda de dom Duarte de meneies, & ter pofta ha Torre da Manegam 1 no primeiro fobrado, & ha fortaleza em altura defenfauel, determinou de fe ir a Cochim, por le chegar ho tempo da fua partida pera Portugal, ho q afsim affentado, deu ha capitania da 1 L. Managem (menagem).
— — 177 — fortaleza a Anrrique de menefes, & ha do mar a Diogo fernandez de beja, a quem deixou duas naos, tres gales, húa fufta, & húa carauella, & com lio demais da frota fe fez a vela, & por ho tempo ler calma, foi furgir junto da frota, de que dera a Capitania a Diogo fernãdez de beja, que ftaua já fora da barra, mas Hagamahamed que nam perdia ponto, quomo vio Dioguo lopez furto começou de lhe rodear a remo ha armada, cõ trinta fuftas que então tinha, tirando muitas bombardadas, ho que fazia á fua vontade por lhe feruir ha calmaria, com que ha frota de Diogo lopez le nam podia mouer: ho que vendo Diogo fernandez de beja mandou a •kl94.d.*.* Andre de foula chichorro, que fe foffe laçar na boca da barra com ha* fua galle, porque hos imigos não entraffem no rio, & foliem dár de noite na fortaleza ho que loguo fez, mas Hagamahamed na hora que lhe vio lançar ancora foi lobrelle com todallas fuítas, esbõbardeandoha toda ha noite em que lhe mattou fete homes, & ferio muitos, de que hum foi feu irmão Aleixo de íoufa que faio mal ferido, & em amanhecendo ho abalrroou alio que acodio dõ George de menefes, q ftaua mais perto, com cuja vinda fe afaftarã hos imigos hú pouquo, mas quomo Hagamahamed era homem esforçado fez de nouo chegar lias fuftas ás duas gales, pondofle cõ ellas lias bombardadas, trabalhãdo polas abalrroar ambas, & ho fezera fe não acodira Diogo fernandez de beja na gale de Françifco de mendonça, com tres bateis, & hum esquife armados, que em chegando a gale, de Andre de foula & vendoa quão deftroçada ftaua lhe mãdou que fe folfe moftrar a Diogo lopez de fequeira, que ftaua lurto aho már, & elle le paífou á galle de dom George, mas Hagamahamed vendo que eftas duas galles ftaua apartadas, & que nem has naos da frota de Diogo lopez, nem has de Diogo Fernandez lhe poderiam acodir por ventar terreno, em amanheçedo veo fobela de dom George que lhe ftaua dianteira, á qual começou de •KL94T.cl.i.« feruir tam brauaméte de bombardadas, & frechedas, q*hos que ftauam nos bateis por ho perigo fer euidente, & fe nam poderem defender le efconderão detrás da popa da gale, no que Diogo fernandez nam atentaua, nem dom George, pelo trabalho em que andauã de defender ahos imigos que hos não aferraífem, hos quaes polio que ho nam ouíaífem fazer pela muita refiftençia que achauam, nam deixauam de faxer1 leu officio, de tal maneira, que ás bombardadas furaram ho mafto á galle, & lhes quebra- ram ha mor parte dos Remos, & ha arrombaram pelos coitados per lete, ou oito lugares, ho que vendo Diogo fernandez perguntou pelos bateis, * Mas quomo lhe dixeram que ftauam fcondidos, correo rijo a popa, pêra 1 Et. I. fazer. 1 Está vírgula por ponto, sem dúvida. vol. iv 23
— 178 — lios fazer paffar auante, & ftando fobrc ha poítiça dizendo ahos dos bateis que ftauam mais pera íe deixaré morrer quomo çiues, & couardos que pera fe faluarem quomo caualleiros, íobreueo hum tiro de bombarda dos imigos que deu no piam de hum falcam, & refualando dalli deu a Diogo lernandez em húa ilharga com tãta força, que lhe meteo algús pedaços das armas que trazia vertidas pela carne, de q logo caiho morto: lio que vendo dom George de menefes mandou emburilhar ho corpo em húa manta de hum remeiro, & lançalo debaixo da cuberta porque ha gente •fi. 94 v.ci.a.' nam defmaiaffe, & esforçando hos que*ifto viram tornou aho trabalho em que todos andauam: nerte tepo era já morto ho Condeftabre da gale, & ho comitre tam mal ferido que ha nam podia mandar álem de ho (erem muitos outros, pelo que effes que podiam, cada hum delles ho melhor que íe lhe entedia vfaua ho oftiçio de bombardeiro, & marinheiro, & quomo hos remeiros foffem mouros, & gentios, que alem de andarem forçados, corriam tãbem ho mefmo perigo dos tiros das bombardas, pera l"e faluarê dixeram ahos de Hagamahamed em lua lingoagem que abal- roaífem ha galé fcm reçeo, que dentro nam hauia já quem ha podeíTe defender, mas dom George que hos entendeo ferio com ha fpada, lete ou oito delles, com que hos outros conflrangidos de medo fezeram feu offiçio quomo dantes: de maneira que durando efta peleja, deíne pela menham atte horas de meo dia, Hagamahamed, pela muita peida que tinha reçebida, afsi em fuftas que lhe da gale arrombaram, quomo da muita gente morta, & 'ferida foi conftrangido íe retirar, ho que vendo dom George por dár a entender ahos da terra, que ftauam olhando efta peleja, que ficaua viétoriofo, feguio hú pouquo tras elle, mas conhecendo que ho melhor era não ir mais adiante, mandou embandeirar ha gale, & •PL95.ci.i.' defparar toda ha artelharia, em final de viétoria, do*que hos da teira ficaram elpantados, parcçendolhes que Hagamahamed, com todas íuas trinta fuftas lhe nam íezerã nenhum damno, & defta maneira fteue anco- rado atte horas de veípera, que começou ha viraçam com que fe foi ha náo iam Denis dàr conta alio gouernador Diogo lopez do que fezera, & de quão deftroçado ficaua, pela qual rezam Diogo lopez aflentou de fe nam partir atte refazer de nouo ha armada que alli hauia de ficar, pelo que deipachou logo dom Aleixo de meneies pera Cochim, a dàr conta a dõ Duarte do que paffaua, pedindolhe que lhe mandalle oídenar fua embarcaçam, porque tinha tanto que fazer nas coufas de Chaul, q quando chegaffe á Cochim nam teria tempo pera mais, que pera fe paffar da nao em que ilia, pera ha em que hauia do 4 tornar pera ho Regno. Morto 1 Et. I. de.
79 Diogo fernandez, Diogo lopez deu ha Capitania do már a Antonio correa, rogandolhe que ha açeptaffe atte ha chegada de dom Luis de menefes, irmão de dom Duarte, de cuja vinda já tinha recado, a quê por vir prouido da Capitania do mar da índia entregaria a frota q lhe deixaua, lio que concluído, dandolhe regimento do que hauia de fazer, partio de Chaul, ahos vinte, & fete do mes de Dezébro defte anno de Mil quinhétos, & • Ki.95.ci.í." vinte, & hú, ho qual feguindo feu caminho, chegou à Cochí, onde* ho dom Duarte mandou vifitar á nao, offereçendolhe a fortaleza, mas Dioguo lopez foi tam bem enfinado, que não refpeitando a dom Duarte tomar poffe delia contra feu regimento, lhe mandou dizer, que em cala de Diogo pereira fe recolheria, eífe tempo que houuelíe deftar naquella cidade. Capit. Ixxiiii. De quotno Antonio correa desbaratou Hagamaharned, & dom Luis de menefes chegou a Chaul. OVS dias depois da partida d'c Diogo lopez de fequeira veo Haga- maharned furgir fobela barra de Chaul, com has furtas que lhe ficaram depois dos recontros q houue com ha nolla gente, & outras que lhe depois Melequiaz mandou, que faziam per todas trinta, & feis, & foi lançar ancora hum fabado entre hos noflos baluartes, em lugar, que de nenhú delles lhe podiã fazer nojo, & logo á fegunda feira ás dez horas do dia vendo que Antonio correa I10 nam vinha cometter abalou cort} toda fua armada a remo, & íe foi poer a tiro de bombarda da noffa: Antonio correa nam ftaua em tempo que podeffe lançar poluora a longe, por ter •Fi.95 r.ci. i.' muito pouca, & por iffo* difsimulaua, guardandoha pera ho tempo de mais neçefsidade, pelo que porto que hagamaharned ho feruifle bem de bombardadas, elle lhe refpondia cõ poucas, ho qual hagamaharned per coníelho, & auifo que tinha de hum Xeque de Chaul per nome Mahamed, muito imigo dos Portuguefes, mandou outro xeque, per nome Chil, com quinze furtas fobelo noffo baluarte da barra, onde ftaua ho facho, com bom quinham da melhor gente que configo trazia, dos quaes pojarão em terra duzentos, em húa calheta, onde lhes ha artelharia não podia empeçer, & guiados per hú criado do xeque Mahamed, que a iffo mandara, en- caualgarão ho outeiro onde ho facho ftaua, & deçendo dalli contra ho baluarte, em que nam hauia mais de trinta íoldados Portuguefes, começará de ho cometter com muito efforço, & da outra parte has quinze furtas, de que efta gente iaira, nam faziam fenam tirar T^õbardadas contra ho baluarte, de que húa deu pelas pernas a Pero vaz furman, que era ho Capitam, de que logo caiho de fobelo muro, em que andaua defendendo ha entrada ahos imigos, das quaes bombardadas mattaram Symão ferreira,
— i8o — & ho Condeftabre do baluarte, com outros bombardeiros: efte jogo todo • t.el. 1.» fe via da nofla frota, pelo que Antonio correa reçeando que tomaflem * hos imigos ho baluarte, pofto q teuefle aflaz que fazer com has fuftas de Hagamahamed, com quem ftaua has bombardadas, mandou logo Rui vaz pereira cõ íetenta homes em dous bateis q foífem focorrer aho baluarte, hos quaes depois que deíembarcarã le houueram com hos imigos, de maneira que hos fezeram fogir perá praia, & dahi perás fuftas, no qual alcançe mattaram mais de tríta delles, Hagamahamed vedo ho q paflaua no baluarte fe alargou, & foi lançar donde viera cõ muitos mortos, & feridos da nofla artelharia, ho que vendo Antonio correa, depois de ter corrida a frota, pera faber hos que erã mortos, & feridos, fe foi aho baluarte onde achou mortos, hos q dixe, & hos outros todos feridos de bõbardadas, & frechadas, que choueram tantas fobrelles, que Pero de queirós tinha na lua adarga pregadas vinte fete frechas, & Emanuel da cunha vinte çinquo, & hos outros pelo leguinte : aho redor do baluarte acharam trinta dos imigos mortos, que hos noífos mattaram defendendolhe ha entrada, de que hos mais tinham veftidas cabaias de feda, & chamalote, afsi que hos q aqui delles morrera, & na praia fora mais de lefenta em que entraram xeque chil, & hum capitam Abexi muito valente homem, ahos quaes todos Antonio correa mandou cortar has cabeças, & has •FL95.d. I.* mãdou* em prefente aho Xeque Mahamed, entre has quaes iha a do feu criado per que mandara guiar hos imigos aho baluarte, de que afsi elle, quomo todolos que fauoreçião ha parte de Melequiaz, ficaram muim afombrados, & pera que Hagamahamed leuafle lua parte defte contenta- mento mandou enforcar na praia hos corpos de todos eftes. Acabada efta peleja fez Antonio correa fortaleçer ho baluarte, de que deu ha Capitania a Aluaro de brito, no que andando occupado chegou dom Luis de menefes, a quem logo entregou ha armada, & fe foi pera Cochim, em húa náo, & com elle dom George de menefes, por lhe dom Luis tirar ha Capitania da fua galle, fendo leu parente, pola dár a dõ Vafquo de lima. Depois de dom Luis fer em Chaul defejãdo Meliquiaz alcançar páz de dõ Duarte, lha mãdou pedir per leus mefageiros, defculpandoífe, que ha caula defta guerra fora Dioguo lopez de íequeira, & máo conlelho que niffo tiuera, & a Hagamahamed mãdou que fe recolhefle cõ todalas fuftas pera Diu, quomo fez.
181 — Capitulo, lxxv. Do que aconteçeo a George dalbuquerque, & ha Antonio • fl 96. «1. j.* de brito, na Ilha de Bintam. * DEPOIS de George Dalbuquerque ler em Malaca, vendo ha boa companhia que alli hauia entam de Portugueíes, aconfelhado per algús daquelles que refidiam na terra, & afsi dos naturaes delia noíTos amigos, determinou de ir fobre elRei de Bintam que deíno tempo que Antonio correa ho desbaratou no lugar de Padó, fe recolhera áquella jlha, ha qual he baixa de groflo aruoredo, elpeflo, de muitos regatos, & lama- rões, em que elRei tinha húa villa muito forte, prouida de artelharia, cõ outras monições de guerra, onde ftaua ha mór parte do tempo : aíTentado ifto, & pofto em ordem ho que era neçeífario, íe fez a vela no mes Doc- tubro, deite Anno de mil, quinhentos, & vinte hum, leuando em fua companhia, algús íoldados Malaios, & leis çentos Portuguefes, com hos da capitania de Antonio de brito, hos qi/aes eram Garcia de Sá, dom Rodrigo da fylua, dom Sacho, dom Garçia Anrriquez, Hieronymo dal- buquerque, filho do mefmo George dalbuquerque, dom Afonfo de menefes, dom Steuam de Crafto, Emanuel pachequo, loam fogaça Anrrique de figueredo, George botelho, Anrrique leme, Duarte coelho, Emanuel de berredo, & outros muitos homés nobres, afora hos da companhia de •Fi.96r.ci.i.> An*tonio de brito: toda eíta géte iha em nauios da terra, & noíTos, cõ hos quaes chegaram a jlha de Bintam, mas polto que ha cõpanhia foífe tal, elles mão poderão entrar ha fortaleza, por George dalbuquerque ir lem fcadas, por lhe dizerem em Malaca que nam hauia delias neçelsidade polas ftaquadas, & vallos, per onde hauiã de paffar lerem muito baixos, ho que tudo achou aho contrairo, finalmente Laqueximena almirante delRei de Bintam, lhes defendeo também hum baluarte, per onde comet- teram a villa, que ás bombardadas, & frechadas, mattando, & ferindo muitos delles, hos fez tornar pera tras: dos mortos foi hum George de mello dos da companhia de Maluco, pelo que deu Antonio de brito ho feu nauio a Antonio de mello leu irmão, entre hos feridos (que forã muitos) caio a forte a Garçia de Sá, & a dõ ftcuam de crafto, de maneira que foram conftrangidos de fe recolherem á frota, & dár á vela ho mais de prella que poderam, porque Laqueximena laio logo tras elles com vinte lancharas bem efquipadas, & hos feguio atte lhes entrar nas coitas, no porto de Malaca, onde mattou Gil fymões capitam de hum bargantim, com todolos que com elle iham : & quanto a Antonio de brito elle tomou -Fi. 96».ci. a.* logo (da mefma jlha de Bintam depois do desbarato) ho # caminho das Ilhas da Iaoa com hos feis nauios de que era Capitão, ho qual leguindo
—— —^^1^V 182 fua viagem foi ter aho porto da çidade de Agaçim quomo amiguo, por ha dita çidade ítar de paz com hos Portuguefes defno tempo que Afonfo dalbuquerque ganhara Malaca, & tendo Antonio de brito tomados algús mantimentos na çidade de Agaçim, por lhe faltar augoa, & na ilha madurà ha hauer muito boa, que he pegado com ha Iaoa mandou ho meitre da fua nao que foífe la fazer auguada com ho batel, íobre hos quaes andando enchendo lias pipas derão hos da terra de íubito, & lhe tomaram ho batel, & has pipas, & hos captiuaram, aho que Antonio de brito la mandou algús Capitães da fua frota, encomendandolhes que íe informaífem bem do que paffaua na verdade deite negoçio, & por ha culpa pender a parte dos noffos nunqua hos da terra quiferão dar ho batel, nem hos portuguefes que tinham captiuos lenão por refgate, pela qual razam Antonio de brito foi conftrangido a lhes dar per concerto coufas de que fe tiueram por contentes, & por lhe ho tempo então nam leruir pera profeguir eiri íua viagem perás ilhas de banda íteue naquelle porto Dagaçim atte ho mes •FL97.CI. 1.' de Janeiro de Anno de Mil, & qui#nhentos, & vinte, & dous, donde por achar tempos contrairos, & tomar outros portos não chegou ás Ilhas de Maluco le nam 110 fim do mes Dabril deite mefmo Anno de Mil, & qui- nhentos, & vinte, & dous, no qual elRei dom loam terçeiro ja regnaua, em cuja Chronica, quomo em feu proprio lugar fe deue deue 1 deicreuer ho que nas ditas Ilhas íez ho tempo que ahi íteue. Capitulo, lxxvi. De qvomo dom Ioam continho correo ho campo Dalcaçer quebir, & Aleexerife pela qual caufa Side hamet laro\ Alcaide da mefma villa correo Arçilla, & do que fe niffo pajfou. OM Ioam covtinho tinha dado conta a Pero de menefes Almocadem, que defejaua de correr atte ho campo Dalcaçer quibir pera fe encontrar com ho Alcaide Side hamet laroz, que lhe rogaua que teueífe íobiiffo vigia, & trabalhaífe por tomar algús mouros pera delles faber íe ítaua ha terra fegura, ho que Pero de menefes fez, & íabédo q (taua tudo -Fi.97.ci.».* do modo que ho elle defe*jaua, partio Darzilla com duzentos de cauallo, & foi cear a fonte Dalmenara, donde guiado per Pero de menefes, & Aluaro rolz dentudo almocadés forão repoufar á ribeira de Taliconte, & dalii foram à ribeira grande da ponte, da qual foram amanheçer alem de Tintaes húa legoa a traues Dalcaçer, donde trouxeram çinquoenta almas, & mais de duas mil cabeças de gado vacum, que do meudo nam curaram porque era infinito, & ho caminho longo: aho que ho Alcaide de Alcácer 1 Repetição de palavra.
— 183 — acodio com mais de trezentos de cauallo, & duzentos de pè feguindo hos noffos de tam perto que fe tirauam lanças darremelo, mas com quanto fez, dom loam íe veo recolhêdo atté ho porto Dalgarrafa onde pafTada ha ribeira deram folga ahos cauallos a villa do Alcaide, & de fua gente íem oufarem de paliar ha ribeira: ho que feito dom loam encomendou aho Adail Fernam mafcarenhas ha retaguarda com çinquoenta de caualo, & ahos Atalaias mandou que ficaífem detrás por fer ifto já à boca da noite, pera terem vigia fe hos mouros ho vieífem cometter, na qual ordem, com deixar mortos mais de fefenta mouros, & trazer çinquoenta almas, & dous mil cabeças de gado vacum caminhou toda ha noite, atte chegar .Fi.97v.ci.!.» Arzila jà foi laido, * onde foi reçebido do Ecclefiaftico, &. fecular com cruzes, & trombetas, & leuado a Egreja onde todos deram graças a Deos por húa tal vi&oria, fem perda de gente, & tam proueitofa pera aquelle tempo, pela grande fome que neíte Anno de Mil, & quinhentos, & vinte, & hum houue, afsi naquellas partes Dafrica, quomo em Hifpanha, que foi tamanha, que muitos mouros de pazes dos de Çafim, & Azamor mandaram pedir paífagem a elRei dom Emanuel pera le virem a efte Regno fazer chriftãos, & ganharem fuas vidas, ho que por então nam podiam fazer em fuas terras pela grande fterelidade que nellas hauia: dos quaes paliaram tantos, que era chea delles ha çidade de Lisboa, & lugares vezinhos, de que hos mais morreram de pobreza, & fome por no Regno hauer grande careftia de mantimétos. Mas tornando aho fio do noífo Capitulo, ho Alcaide Dalcaçer Side hamet laroz mouido da afronta que recebera de hos Chriftãos chegarem a húa legoa daquclla villa, & diante dos olhos lhe mattarem, & captiuarem tantas almas, & leuarem tanta foma de gado, determinou de correr Arzilla pera ho que dos feus, & dos vezinhos ajuntou quatrocentos de cauallo, cÕ hos quaes, paliada -Fi.97 v.ci.a.» ha ponte, fe*veo metter no Soueral dalualate, & por elle veo amanhecer a duas legoas Darzilla, dia de todolos San&os, & fem fer fentido, por ho dia ler chuiuofo, deu fobre algús homés de feruiço que ftauam fazendo lenha ás pontinhas, hos quaes em hos vendo le recolheram nas beftas que tinham de carga, dando gritos, & apupos com que hos que andauam Ipalhados pela varzea fe poferam a cauallo, recolhendolfe pera a vila: hos mouros que vinham diante feguiram eftes que andauam a lenha atte ha atalaia Ruiua, ahos quaes acodiram algús daquelles de caualo que andauam paçendo na varzea, que hos faluaram, porque fem iífo hos mouros lhe vinham tam perto que lhes nam poderam ícapar. A efte rebate, & aho repique que fe logo deu na villa, faio dom loam coutinho, mandando loguo recolher ho gado que andaua paçendo nas lombas do coruo, ho que hos mouros vendo voltaram perás pontinhas onde ho Alcaide ficara, mas
— 184 — hos de caualo que primeiro deram nelles, com outros que íairam aho repique, tomaram ho caminho direito pera onde hos mouros ítauam, entreítes ie achou Aluaro nunez, filho de Miguel nunez, thefoureiro do •Ki.98.ci.i.« Teíouro delRei dom Emanuel, que ítaua em Arzilla vencendo *húa enco- menda, bem acompanhado afsi de homés de caualo, quomo de pé, aho qual algús dos da companhia (vendo que ho Adail Fernam mafcarenhas ítaua ja na Atalaia Ruiua com vinte de caualo) dixeram fenhor hoje he ho voíTo dia, nam vos tome ninguém ha honrra, dai neítes mouros que nos vos leguiremos, ho que ouuindo (fem ter conta com lhe Fernam mafca- renhas mandar requerer per hum de caualo que íperaííe ha mais gente que faira aho repique) remetteo ahos mouros, feguindoho algús dos que por ho lejongar 1 lhe deram ho tal confelho, I10 que vendo Fernam mafca renhas deu auifo a dom loam pedindolhe que fe apreífaífe, mais elle nam pode chegar a tempo que podeífe ítrouar ha morte a Aluaro nunez, & a outros que com elle acabaram, porque elle quomo animofo, apareçendolhe que era demueja ho recado que lhe mandara Fernam mafcarenhas, deu defporas aho caualo com vinteçinquo que ho leguiram, & ferio tam brauamente nos mouros que fez recuar hos que ítauam na dianteira, ho que vendo ho Alcaide Side hamet laróz mandou algús dos feus caualeiros que voltaífem fobre Aluaro nunez, ho que fezeram mattãdo do primeiro- •Ki. 98. ci. 3.' encõtro loa de foufa, *& Symão da Rochela, & Aluaro nunez, tendo poíta ha lança em hum primo do Alcaide, encontrou Side abluchet irmão- do mefmo Alcaide, com tanta força que ho derribou do cauallo, aho que acodldo outros mouros lhe deram mais de çinquoenta lançadas nos braços, & coxas, que ho mais do corpo lhe defendiam has boas armas que trazia, & ho acabaram logo de mattar fe nam bradara ho Alcaide que ho nam mattaífem que era dom Emanuel cunhado de dom Ioão, a quem ítando neíte perigo acodio Sancho rabelo, cuidando de lhe poder valer, mas hos mouros eram tantos aho redor delle que fez aífaz em fe faluar com tres lançadas, aliem das que lhe deram no caualo, hos quaes feguindo ha viétoria chegaram atte junto das pontinhas, onde mattaram loam carrafco, & Dioguo vaz atalaia, & outro morador Darzilla, aho que acodindo ho Adail chegou a Aluaro nunez, que ainda achou viuo, & armado de todas fuas armas, onde hos mouros lhe feriram algús, entre hos quaes foi feu filho Simão foeiro pior que todos, por fer ho primeiro que a elles chegara, mas com tudo ho Adail deu nelles com tanto impitu que hos fez recolher, •Fi.98*.cl.i.«fem poderem tomar has armas dos çinquo que já ficauam mortos.* Dom loam fabendo ho que paífaua fe apreífou quanto pode atte chegar 1 L. Lejongiar.
— 185 — has pontinhas, onde achou hos mortos, & Aluaro nunez ainda viuo, ho qual encomendou a Fernão caldeira contador Darzilla, pera que ho leuafle a villa, mas pelo muito langue que lhe faia, fem lho poderem ftanquar Ipirou em chegando aho facho: dom loam confolou ho melhor que pode Aluaro nunez dizendolhe que pela muita amizade que tinha com feu pai Miguel nunez hauia de auenturar aquelle dia ho refto por ho vingar de quem ho tam mal ferira, & que elle com ajuda de Deos teria loguo diffo nouas, & que fperaua que lhe daria vida, & faude pera elle em peffoa tomar ha fegunda vingança, ho que dito paliou adiante mandando recado aho Adail Fernam malcarenhas, que iha apegado com hos mouros, que foffe de vagar atte elle la ler, ho qual em chegando fez paliar ho Adail adiante, com quarenta de cauallo dos que com elle jà ftauam, & elle feguio nas fuas coitas, hos quaes do primeiro-encontro mattaram quatro mouros, & captiuaram hum de que fouberam que Itaua alli ho Alcaide, no alcance do qual foi dom loam atte ho paffo de Fernã de xira, çinquo •Fi.98v.ci.j.â legoas Darzilla, & húa da ponte* Dalcaçer, onde ho Alcaide le deteue, cõ prepofito de encontrar dom loam, mas vendo que ha gente que vinha a fio tras elle fe ajuntaua, & que fazia roflo pera ho ir cometter, quomo ho- mem que hia jà meo desbaratado ho nam quis fperar, tomando feu caminho pera ha ponte, ho que vendo dom loam por jà fer foi poíto, & ho Alcaide ir çarrado com fua gente, indo elle na dianteira, & feu irmão na retaguarda por fe lhe não defmandar ho nam quis cometter, contentandoffe com leuar capti- uos çinquo Caualleiros mouros dos mais honrrados da companhia, & ter mor- tos dezoito, & afsi fe veo muito de vagar recolhendo ho defpojo que hos mouros deixaram no campo de lanças, adargas, marlotas, & outras coufas que alargaram por fogirem mais a lua vontade, com ho qual, & com toda fua gente, fem perder mais que hos çinquo que morreram com Aluaro nunez, chegou Arzilla dia dos finados em amanheçendo, & ha primeira coula que fez depois de ir dar graças a Deos á Egreja, foi mandar enterrar com muita folemnidade feu corpo, ho que fez com aífaz de trifteza, porque era man- çebo liberal, muito esforçado em que hauia, grande lperança de fair hum Fi.99.ci. i.» muito bom Caualleiro le * viuera, & acabara feus dias em idade perfeita. Capitulo, lxxvii. De qvomo dom Henrriqve de menefes Capitam da cidade de Tanger vindo ho Alcaide de Tetuam correr ha terra lhe faio, & do que fe nijfo paffou. DOM Henrrique de meneies filho fegúdo de dom loam de menefes Conde de Tarouqua, Priol do Crato, & mordomo mór delRei dom Emanuel, por niífo comprazer a feu pai fe deu ahos ftudos das Artes VOU IV 24
— 186 — liberaes, Cânones, & Leis, mas quomo ha inclinação natural ho conuidalie mais a corte, & exerçiçio da guerra, que aho das letras, refoluto de nilio imitar feus antepalfados, depois de ter feito curlo de feus ftudos, & ler nelles bem inftituido, hos deixou, & andou no paço em trajo lecular, quomo feus irmãos dom Duarte mais velho, & dõ Luis filho terceiro, em companhia dos quaes, & da outra nobreza do Regno acodio muitas vezes ahos rebates Dafrica, dando fempre moftras de muim bom, & esforçado •Ki. 99. ci. a.* caua#leiro, & fe achou na tomada Dazamor quomo tenho dito, onde foi ho primeiro que debaixo da manta que elle, & feu irmão dom Luis poferam aho muro ho começou de picar, ahos quaes leruiços hauendo elRei reí- peito, & a boa conta que tinha dado de íim, ho encarregou da capitania da cidade de Tanger, quando delpachou feu irmão dom Duarte perá índia com ho offiçio de Gouernador, onde fez algúas entradas pelo Farrobo em que captiuou, & mattou muitos dos habitadores daquella íerra, & andaua nifto tão açelo que em tudo queria cometter antes que ho cometteífem, pelo que fabédo dos lcuitas que trazia entre hos mouros que ho Alcaide de Tetuam tinha determinado de lhe correr em hum dia certo, no mefmo faio aho campo a reçebelo com a mór parte da géte que tinha em Tan- ger, polto que folie muito defigual em numero à com que hauia de vir ho Alcaide, onde ho lleue fperando três dias, & pareçendolhe que já nam viria pois ho atte então nam fezera, aho quarto fe veo pera ha cidade, & fendo junto dos muros mandou á gente que fe recolheffe, ficando elle com algús pouquos de cauallo praticando lobelas caufas que poderiam •n.ggv.d.i.'mouer ho Alcaide a não lair aho campo quo*mo tinha determinado, mas liando nelta pratica, deçidos dos cauallos, em tam pequeno fpaço de tempo que hos que foram pera ha çidade não tinhão mais feito que chegar a fuas calas, & deífellar hos cauallos, ho fino, & bombardas deram final de mouros que affomauam que era ho mefmo Alcaide, alli lleue dom Henrrique fperando ha géte que laia da çidade aho repique, da qual tomou ha que boamente podia leuar, & foi dar no Alcaide aho paliar de hum porto com tanto impeto que lhe fez virar ho rollo, & ho feguio atte noite com lhe mattar muitos dos feus caualleiros, & captiuar algús com que íe tornou pera Tanger, muim alegre pola vi&oria que lhe Deos dera de húa peífoa tão notauel quomo ho era aquelle Alcaide de Tetuam.
187 Capitulo, lxxviii. De qvomo Vasco Fernandes çefar andãdo no Jlreito encõtrou com quatro naos Inglefas que tinham tomado hfia carauela Portugueja, que traria ha Capitania atoada per popa, ha qual desbara- tou, & fe rendeo com has outras, & de quomo elRei mandou Symão da cunha por capitão de híia armada aho Jlreito de Gibaltar. * NDANDO Vafco fernandez çelar ainda no ftreito occupado no prouimeto dos lugares Dafrica quomo atras fica dito, indo nefte Anno de] Mil quinhentos, vinte, & hum, na via de Septa chegou a elle húa galeota de gibaltar, a q chamauão a charina por feu dono fe chamar alsi, nomeada per toda aquella coita por ler muito ligeira, & andar muito bê lquipada, & artilhada, & lhe deu noua quomo detrás do monte vinhão quatro naos q pareçia Frãçefas, q ho dia dates a fua viíta tomarão húa carauela Portuguefa, q ha capitaina trazia cõ hum cabo dado por popa, labidas eítas nouas Vafco fernãdez çefar has foi demandar, & houve viíta delias detrás do mote de Gibaltar, quomo lhe hos da galeota charina dixera, ho qwal aisi quomo has vio pos a proa na capitaina q lhe ficaua a balrauento afaítada per hum bÕ fpaço das outras, q erão todas Inglefas mui bem fquipadas, & artilhadas dartelharia de broco, chegado Vafco fernandez çefar a fala da capitaina fez pregútar dõde era, aho que lhe refpõderão cõ húa bãdeira q lançarão pela quadra capeãdolhe q amainaífe, ho q vedo mãdou a hum Pero majorgas home mui esforçado q trazia aho leme q le pofefle aho logo da efcoteira da nao, que era ho lugar per Õde •ri. 100.ci.i.« menos artelharie' trazia, no qual* inftante começarão da nao aho esbõ- bardear, fazédolhe finaes q amainaífe, ho q vedo hos da carauela q vinha atoada á nao cortarã ho cabo, & fe acolherão, fem hos Inglefes niffo atétaré, por hos Valco fernãdez çefar da fua carauela feruir cõ ha arte- lharia de maneira q lhes daua affaz em q entender, no q fe paífara mais de duas horas, fem has outras tres naos poderê acodir á capitaina por lhe ítarem muito a julauéto, cõ tudo hos delta tinhã já mortos a Valco fer- nãdez feis, ou lete homês, & feridos mais de vinte das rachas q ha arte- lharia dos Ingleles fazia das pauefaduras da carauela, entre hos quaes hú dos q ho mais andaua era hú Alemão per nome Hans freis condeítabre da carauela, homem muito grãde de corpo, & mui efforçado, & de grãdes fpiritos, ho qi/al andaua em calças, & é camila fem outras armas, cõ hos braços aregaçados cõ já ter quinze, ou dezafeis feridas deltas rachas, das qi/aes le defãgraua tãto q lhe rogou Vafco fernãdez çefar q le folie debaixo 1 El. I. artelharia.
— 188 — de cuberta a apertar has feridas, & q fe tornaíre pera cima ajudalo, porq fazia muito fúdaméto dele, ho q lhe nunqua pode perfuadir q fezeffe, mas antes lhe refpõdeo q ou ho hauia alii de mattar, ou hauia de fazer amainar, aqlla nao, & has outras fe chegalTem, ho q dito íe foi cÕ muita fúria aho •fi. ioo. ci. i.a perpao, tomado ho rabo de hum falcão pedreiro aho ombro, cõ que* appontou nas oftagas dizendo a outro bombardeiro Alemão feu compa- nheiro que quomo lhe fezefle final pofeífe fogo, ho q afsi fez em tão boa hora per tres vezes que leuou has oftagas da nao, & parte do mafto, ho que vedo hos Inglefes amainarão todalas velas, apos eftes tiros do falcão, fez outros hum bombardeiro Alemão, que todos hos da carauela ho erã, com húa fpera que traziam pela proa com que paffou toda ha nao em comprido de popa a proa, leuandolhe hum pedaço da abita, com eftes dous tiros, & com mais de vinte homes que hos da carauela mattaram ahos Inglefes, & ferem jà delles muitos feridos acabaram damainar, ho que vedo has outras tres naos calarão também has vellas: feito afsi ho fim defta braua peleja Vafco fernandez çelar mandou ahos da Capitainia que botaflemiho batel fora, & lhe vieffem falar, ho que loguo fezeram, & depois de faber quem jeram, & darem fuas razões, & delculpas, dizendo que trazião atoada ha carauela pola faluarem de muitas furtas de mouros que andauam pelo ftreito, hos deixou tornar perà nao, hos quaes fe forão refazer a Calez, & elle a Septa com toda ha géte que dixe morta, & ferida fobre ha demafiada preminençia de quem primeiro amainaria. Nefte mefmo tempo em que aconteçeo efte cafo a Vafco fernãdez çefar, •fi. ioov.d. i.'partio do Reg*no Symão da cunha, filho de Triftao da cunha, com húa armada de que lhe elRei dom Emanuel deu ha capitania, pera ir guardar ho ftreito, & leuar ha paga ahos moradores dos lugares que tinha naquellas partes Dafrica, quomo ho acuftumaua fazer todolos annos, ho qual andou correndo ha cofta atte ha entrada do inuerno em q fe tornou, deixando aquelle màr feguro, & delpejado das furtas dos mouros de Tetuão, & outros portos daquella proulçia. Capitu, lxxix. De quomo elRei Dormv\ per confelho de feu fogro, & de Raix xarafo quebrantou has pa^es, & amizades que tinha affentadas com Afonfo dalbuquerque, & mãdou dar de noite nos Chrifíãos que Jiauam na cidade, de que mattarão algús. RAIX xarafo com ha vi&oria q antonio correa houue na cidade de Baharé contra ho Tyrano mocrim, com que aquella ilha ficaua pacifica a elRei de Ormuz, conçebeo nouos fpiritos contra hos Portuguefes, de maneira que fe dãtes tinha bom defejo de hos lançar de Ormuz, ho
— 189 — teue melhor depois, pelo que nã deixaua de inftigar elRei perluadindolhe •fi.looT.d.a.®que mandaffe mattar todolos que poufauam fora da* fortaleza, & hos que ftauam dentro, çercalle, & ha combateífe atte ha tomar, no que elRei mais por importunaçam que por vontade confentio, porque elle era amigo dos Portuguefes, & nam lhe fqueçiam hos confclhos que lhe íeu pai daua viuendo, dizendolhe q fe lébraífe íempre quomo Afonío dalbuquerque lhe entregara aquella cidade, em nome delRei dom Emanuel, & ho reftituira nella, & em todo feu Regno, & q neffa honrra, & pode ho manteriam fempre hos Portugueíes, hos quaes deuia damar, & eftimar muito, porque em quato ho fezefTe íe hauia dachar bem, & fazendo ho contrairo foubefle de çerto que hauia de perder ho Regno, & ha vida, mas como quanto via, & conhecia ho perigo em q le punha, nam oulou de ir contra ho que Raix xarafo quis. Finalmente q induzido elRei muitos dias antes per íeu fogro, & entã pelo mefmo Raix xarafo conlentio na conjuraçam, I10 que aífentado deram húa terça feira derradeiro dia do mes de Nouébro defte anno de Mil quinhentos vinte, & hum, de noite em algús nauios noflos que ftauam no porto, & nas cafas em que hos Portuguefes morauam pela cidade, & nalfandega, & no fpital, & madraçal, em que íe defenderam álgús que fe alli acolheram, porque has outras cafas em que morauam «fi. 101. ci. i.* afsi Portuguefes, quomo Chri*ftãos da terra foram entradas, & roubadas, & mortos todolos q nellas acharam, de maneira que naquella noite, mattarã dos Portuguefes mais de fetenta, entre hos quaes foi ho ouuidor que morreo afogado do fumo do madraçal, a que hos mouros poíerão fogo, & afsi aho ípital: efta conjuraçam foi reuellada a Emanuel velho, per hum mouro feu amigo, de que deu conta aho Capitam da fortaleza, dom Garcia Coutinho, mas afsi hum quomo ho outro íe deleuidaram tanto do negoçio, fendo de tanta importância, que nam tam fóméte nam proueram niííò, mas né nas coufas neçeífarias pera defcnderé ha lortaleza, fe lha viefsé çerquar, porque nella nam hauia mantimentos, né agoa que lhe podeffe abaftar quinze dias, & hos baluartes ftauam de calidade que fe nam poderam deípejar em tres dias pera fe aísétar ha artelharia, aísi que durando efta reuolta per toda ha noite, em amanhecendo mandou dom Garçia, Emanuel velho que com outros Portugueíes le acolhera á fortaleza, & com elle outra mais gente, em que entrauam Rui varella, Emanuel do valle, Diogo vaz, Nuno de crafto Dioguo forião, Viçente diaz, & Gonçalo vieira, a faluar hos que ainda foliem viuos na çidade, hos quaes em chegando aho madraçal acharam hum bom quinhão de mouros que ■*i. 101. cl. ».• fezeram fogir, &* faluaram algús dos noffos, & chriftãos da terra, mas nam tardou muito que nam viefle húa gram companhia dos meímos mouros tomarlhes ho caminho perque hauiam de tornar pera a fortaleza,
I — 190 — com quem teueram húa braua peleja, em que mattaram muitos delles, & hos noifos que feria atte quaréta foram todos feridos, & alsi fe recolhe- ram : no qual dia defpachou do Garcia coutinho Iam de meira cÕ recado aho Gouernador do que paffaua, & le começou fazer preítes pera ho çerquo que íperaua, & por nam hauer madeira pera hos repairos mandou desfazer húa nao q alii tinha Emanuel velho carregada de tamaras pera mandar a India, fobela defcarga da qual, & aliar pera junto da fortaleza, mattarão hos mouros algús Portugueies, de que hum foi Vafco vieira, que era hum muito esforçado Caualleiro. Capitu, lxxx. De quomo Raix xarafo mandou combatter ha fortaleza, & do que fe mais pajfou nefle negocio atte morte delRei Dormu\. NO tempo qve elRei Dormuz tentou eíle negocio era capitam na coita da Perfia, & Arabia Emanuel de ioufa Tauares, ho* qual com tempeítade fe acolhera entam a Mafcate, no qual emieio veo ter com elle (de Calajate em hum parao) Triítao vaz da veiga com obra de trinta Portuguefes, onde pelo xeque da çidade fouberam do aleuantamento Dormuz, & de quomo elRei lhe ícreuera que mataífe todolos Portuguefes que alli ítiueffem, ho que elle nam quis fazer, porque quomo home velho, & prudente fabia que elRei nam poderia leuar auante ho que tinha começado, ho que nam fez ho xeque de Calajate, que na hora que reçebeo outras taes cartas, pos à ipada todolos Portuguefes que achou naquelle lugar. Stando afsi Triítam vaz, & Emanuel de íouia tauares em Maicate pera irem (ocorrer a Ormuz, chegou Iam de meira, q iha pedir focorro á índia, de quê fouberam ho que paffaua, & por algús desgoítos que Triítam vaz teue com Emanuel de fouía, fe foi no feu parao caminho de Ormuz, & paliou per meo de toda ha frota dos imigos, com tato pe- rigo que manifeítamente íe vio ter Deos feito naquelle dia hum grande milagre, por elle, & polos que com elle iham, no qual paífo pelejou com hos imigos de maneira que no que entam fez fe pode crer que fobrepojou has forças de criatura humana, com ho qual esforço (por debaixo de •fi. 101 v.ci.2»muitas bombardadas, fpingardadas, frechadas, que lhe tirauam de* mais de çinquoenta nauios, per onde rompeo) pos à proa em terra, & entrou na fortalexa:1 apos Triítã vaz da veiga chegou Emanuel de foufa a ilha de Queixome, que he a viíta de Ormuz, & porque dom Garcia foube de triítam váz, que ha frota nam vinha bem prouida de gente, lhe pedio que no parao em que viera íe foffe pera Emanuel de foufa, ho que elle fez 1 Et. I. fortaleza.
— 19I — de muito boa vontade, pofto que andaífe ferido, & defgoftoío do meímo Emanuel de foufa, mas nem com tudo ifto areçeou de pelo mefmo modo, & perigo cõ que entrara na fortaleza, ir buícar ha frota, que ainda achou furta na ilha de queixome donde fe vieram todos com ha jufantc, pelejando com hos imigos, atte chegarem a porta da fortaleza, com lhes ferire oitenta homes, & mattarem hum, dos quaes hos noffos também mattaram algús, & feriram muitos, com lhe metterem dez terradas no fundo, do que ficaram tam amedrontados, que nam oufaram mais de cometter ha armada, aliem do que Emanuel de foufa hos varejaua de longe, com ha artelharia groíía de maneira que não ouíaram de chegar: pelo que vendo Raix xarafo lio pouquo nojo que podia fazer ahos noífos per már, deter- minou de cometter ha fortaleza per terra, pera ho que per confelho de -•fi..102ci.i.* hum turco, per nome Mira aide), homé pratico na guerra, mandou* fazer húa ftãçia nas cafas delRei, & outra no nolfo ípital, que ficaua entre ha noífa fortaleza, & has meímas caías, & porque da ftançia do ípital faziam hos mouros muito damno com ha artelharia na fortaleza, madou dom Gar- çia húa manhã íobrella, Emanuel velho, & Rui varella, com quarenta homes, hos quaes ha entraram, derubando hum lanço da parede com vaiués, mas nam foi com tãta noífa auantagem que nã morreífem dous, & foífem feridos quafi todos, dos mouros mattarã hos noífos muitos com panellas de poluora que lançaram dentro, entre tanto que arrombauão ha parede per onde entraram, & ganharam ha ftançia, ho que feito mandou dom Garçia recolher na fortaleza toda ha artelharia que nella ftaua, ho que vendo Raix xarafo fez logo afsétar húa bombarda groíía aho íopé dos paços delRei, com ha qual quebrou has portas da fortaleza, aho que dom Garçia acodio com mandar fazer hum entulho de terra pela bãda de dentro, alem do que mandou aífentar outro tiro groífo em hú cubello da Egreja que efta de fora da porta da fortaleza, ho qual enco- mendou aho Condeftabre Antonio fernandez homem tam entendido em feu officio que do primeiro tiro, embocou ha bombarda dos imigos, & ha •Fi. io2,ci,2," fez em pedaços, do que ficaram muim cortados: cõ tudotiam deixauam * de per todalas partes dár bateria à fortaleza, com que faziam muito damno, mas ho que mais fentiam hos noífos era nam hauer augoa, nem mantimentos, do q conftrangidos algús dos da gente baixa fogiram pea 1 Raix xapafo, dos quaes ioube ho que paífaua, do que confiado, & de ter na çidade mais de dez mil íoldados, per confelho de Mira aidel, deter- minou {deícallar ha fortaleza, pera ho que mandou loguo fazer muitas fcadas, do que dom Garçia foi auifado per hum mouro q fe lançou dentro, 1 Et. I. pera.
— IQ2 — contra ho q mãdou q fe pofeísé iobelas ameas panellas de poluora, & traues, a q mandou atar penedos pera lançarem fobelos imigos fe ha vieifem cometter, ho que elles fezeram fern nenhum reçeo, querendo chegar íuas fcadas aho muro, quomo homes que determiuam 1 leuar auante ho que tinham começado, mas da fortaleza hos feruiram também com has bombardas, que aliem dos muitos q delles mattaram, & feriram por virem todos em corpo, lhes quebraram has mais das içadas, do q atemorizados le fezeram atras, pelo que defefperado Raix xarapho de poder tomar ha fortaleza per affalto, detreminou de ho fazer com ha bateria, mandandoha dar per todalas partes, exçepto pela do már, porque daquella bãda lha •fí. 102».ci i« defendeo a noffa armada, alem do que mandaua tirar com* hum trabuco dos paços delRei q fezera muito damno íe ho bombardeiro íoubera tirar bem com elle, & mandou começar húa parede com tençam de ha trazer a tanta altura que de çima podeífem lançar tiros dentro na fortaleza, contra ha qual mandou dõ Garcia tirar com duas Iperas, tantas vezes, atte que fezeram nella húa abertura dalto abaixo de hum palmo de largo, & algõs outros buracos: juntamente cõ ifto mandou poer muitos capaçetes com leus barbotes em paos per detrás das ameas, & tocar muitas vezes has trombetas, & fazer folias pelo muro, pera que cuidaífem hos imigos quo lhe era vindo locorro, & logo na noite ieguinte mandou Emanuel velho, & Rui varella com jarras, & panellas de poluora, pera has meterem pelos buracos, & gretas da parede, ho q afsi fezeram, deixando hum canal de poluora que feguia da parede atte ha fortalezr, hos quaes recolhidos, le lhe pos ho fogo, que apegou nas ftançia que alli tinham hos imigos, & delia deu nas cafas delRei, & pela çidade de maneira que pelo vento ler grande, ho na poderam hos mouros vençer, do que deíeiperados elRei, & Raix xarafo, com todolos mais q nella hauia fe foram a ilha de queixome, deienganados de poderem executar ha treiçam que cometteram. Defpe- *fi. 102v.ci.í.*jada ha çidade hos nolfos iairam a roubar ho que* nella hauia, & apagar ho fogo: ho que pofto que de todo nam podeífem fazer, foram com tuda caufa que não ftizeíle* mais dano do que já tinha feito, & recolheram na fortaleza muitos mantimentos, & agoa de que tinham bem neçefsidade. ElRei Dormuz depois de fer na ilha de Queixome arrependido do que fezera fe começou de cartear com dom Garçia Coutinho, fem ho faber Raix xarafo, defculpandoífe do paffado: pedindolhe que bufcaífe modo pera fe reformarem has pazes, no qual tempo chegou da índia dõ Gon- çalo coutinho, irmão de dom Garçia, que dom Luis per mandado de 1 Et. I. determinauam. 2 Et. I. fezesse.
i g3 — dom Duarte feu irmão delpachara de Chaul, em focorro Dormuz, com cuja vinda pofto que eIRei não fe vieífe perá çidade, nem le fezeflem por entã has pazes, fe começaram de comunicar hos mouros com lios nofTos, & fe vierã muitos parella, mas Raix xarafo nam contente do que fezera, detreininou de mattar eIRei, porque fe carteaua com dom Garcia, ho que fez per meo de Raix xamir, homem prinçipal, que ho afogou em fua cala, ho qual morto fez Raix xarafo, Rei Dormuz Patxa mahametxa filho do çafardim, que regnaua cm Ormuz ha primeira vez que lá foi Afonfo dal- •ri. loj.ci. I.* buquerque, & afsi ficou Raix xarafo algús dias no gouerno do Regno, com * mais liçença, & liberdade do que ho dantes fazia. Capitulo, lxxxi. De qvomo hos vene\eanos mandaram çinquo galeaças ha çidade de Lisboa, & da commiffam que ho Capitam delias traria. DEPOIS de hos Venezeanos teré perdida ha fperança de lias Ipe- çerrias virem da India a Baluto, & Alexandria em tanta cantidade, quomo dantes vinham, tentaram muitas vezes de fazer contraélos com eIRei dom Emanuel pera per preço çerto lhe tomarem todalas q delia vieffem, & vendo que has coufas da índia fe azauam pera cada vez terem menos fperança de has poderem hauer quomo íoiam, deram comiífam a hum géral, de çinquo galeaças (que mandaram nefte Anno a Inglaterra) per nome Alexandre de peíaro, que nam paffaífe fem entrar no porto de Lisboa, pera de fua parte vifitar eIRei, & traélar com elle quomo embai- / xador algúas coufas que trazia per lembrança: das quaes ha mais luftan- çial era fobre efte contraéto das ípeçiarias. Eftc embaixador reçebeo eIRei no baluarte qne entam eftaua no cabo das varandas dos paços da ribeira •Fi.ioj.ci.».4 que iham dar no* mar, & pera le ifto fazer cõ mór aparato, quis eIRei que fofle prefente ha Rainha dona Leanor lua molher, & ha Infante donna Ilabel fua filha, que depois foi Emperatriz, & ho Prinçipe com hos Infantes, dom Luis, dom Fernando, dom Afonlo Cardeal, dom Henrrique que agora he Cardeal, & dom Duarte com todalas damas, que andauam no paço, & fenhores que fe acharam na corte: Efte geral das galeaças fobio pelo caracol do baluarte acomponhanhado 1 dos outros capitães, & algús gétis homes da fenhoria mui bem atabiâdos de panos douro, & feda, & mimi bem difpoftos de luas peffoas, aho qual em chegando aho meo da cafa eIRei com ha Rainha fe aleuantaram, & eIRei ho veo reçeber hum pouquo afaftado donde ftaua ha Rainha, & ho leuou aho melmo lugar, 1 Et. I. acompanhado. ' Et. I. muim. VOL. iv »5
— 194 — onde lhe mandou poer húa cadeira débaixador & íteue falando cÕ elle hum bom pedaça ', com muita graça, & boa lombra, ho que feito ho def- pedio, mandandoho acompanhar pela varanda de çima pelos mefmos fenhores que ho foram bufcar ha galeaça, atte deçerem á falia grande, & dahi pela varada debaixo ho leuarão aho caes dos paços, onde fembarcou no batel da galeaça, & fe defpedio dclles com muita corteíia: dahi a algús •Kl io3v.ci.i.'dias ho ouuio elRei particularmente: mas poíto que elle* alegafTe muitas rezões, pera fe fazer ho contracto das fpeçiarias cerrado, elRei nam quis confentir nifio, conçedendolhe com tudo todalas mais couías que trazia em íeus appontamentos, de que ha prinçipal era ha confirmaçam dos preuile- gios dentre eftes Regnos, & ha lenhoria de Veneza, mas polto que ho embaixador nam foffe muito contente, por nam acabar ho ponto prinçipal a que vinha, moítrando ir fatiffeito da muita honrra que lhe elRei fezera, & do mais que negoçeara, lhe mandou húa muim fermofa baixella de criítalino, & outra ha Rainha, do que elRei nam defconheçido lhe mandou hum prefente de todalas fpeçiarias, & drogas, afsi fequas, quomo de conferua, & algúas peças de feda, & brocadilhos, & outras gétilezas que vê da India, Com que depois do laleçimento delRei, fe partio muim contente deites Regnos, & fez fempre em Veneza, onde ho eu ainda conheci, & conuerlei, muita honrra, & cortefia ahos portuguefes, offereçédolhes fua amizade, & preltemo quãdo lhes qualqr couía delle cõprifle. Capit. Ixxxii. De quomo Diogo lope\ de fequeira entregou ha Goueritança •fi. io3t.ci.j.' da India a dom Duarte de menefes, & fe veo pera ho Regno.* CHEGADO Diogo lopez de fequeira a Cochim, dahi a poucos dias íe acabou daparelhar ha armada em que elle hauia de tornar pera ho Regno, que era de oito velas, ha qual preítes de todo, & feita ha entrega da gouernança da India, a dom Duarte de menefes fegundo ho coftume q fe niflo tem: tomando delle conhecimento em forma de quanta gente, fortalezas, naos, nauios, gales, & outra fuítalha, artelharia, & mo- nições lhe deixaua fembarcou com hos capitães que com elle vinham, que eram dom Aleixo de menefes, Rui de mello de Craíto, dom Aires da gama, Emanuel de laçerda, Sancho de toar, Pero corefma, & Andre diaz, em cuja companhia fe também vieram muitos fidalgos, ho qual leguindo fua viagem chegou a Moçambique, & dahi paflou a viíta do cabo de boa Sperança, donde veo ter, has ilhas, & das ilhas com toda fua frota junta 1 Et. I. pedaço.
— i g5 — a Lisboa, no Anno de mil, & quinhentos, vinte, & dous, fendo já falecido elRei dom Emanuel. Capitulo, lxxxiii. Do falecimento delRei dom Emanuel, & de quomo foi •flkm.cLi.* fepultado no mojleiro de Bethlem. * STANDO elRei dom Emanuel na çidade de Lisboa, no mais alto, & profpero ftado que íe a hú Rei podia delejar, tendo defcubertas, cÕquiftadas, & íubjugadas todalas Prouinçias marítimas delno ftreito de Gibaltar, atte ho mar Darabia, da Perfia, da índia, ilhas de Zeiland, Çamatra, Iaoa, Maluco, atte ha China, & lequeos, cÕ muitos embaixa- dores na íua corte, dos mais dos Reis, prinçipes, & íenhorias da Europa, & do fumo Põtifiçe, & de muitos Reis, & fenhores Dafrica, & Afia, delles feus vaífalos, & outros cõfederados, & amigos, cõ muita riqueza douro, prata, ipeçiarias, q lhe cadãno vinhão de luas coquiftas, bê quifto, & amado dos íeus, & das mais das nações, onde ha fama de fua Real pelfoa alcãçara, cÕ leu Regno paçifico, & em affefego, afsi cõ hos vizinhos, quomo cõ feus vaffallos caiado ha terçeira vez, cÕ húa das mais fermofas Prin- çefas da chriftandade, irmã do mór lenhor de toda Europa, cõ feis filhos, & tres filhas viuos, do legúdo, & terçeiro matrimonio, todos dotados de fermofura, boa dilpofição, & virtudes, ftado a q le não podia acreçentar nada, né alie delle defejar outro íenão ho do Regno da corte do çeo, pera ho qual houue Deos por feu leruiço leuallo defta vida, ahos treze dias de •Fi.104.ii.a.* Dezembro do Anno do Senhor de M.D.xxj.* dia em q ha Egreja çelebra ha fefta da béauéturada fãóta Luzia: Faleçeo nos Paços da ribeira, de húa febre fpeçia de modorra, doéça de q naquelle tépo em Lisboa morria muita * géte, da q«al a cabo dos noue dias que lhe tocou deu ha alma a Deos, em idade de çinquoéta, & dous annos, feis mefes, & treze dias dos quaes regnou hos vinte, & leis, hú mes, & dezanoue dias: forão prefentes a leu faleçiméto dõ Afonfo de portugal bifpo Deuora, & dõ Fernãdo de VaicÕ- çelos de menefes, bilpo de Lamego, feu capellão mór, frei Frãçifco de Lisboa, miniftro prouinçial da ordem de Ião brãçifco da obferuançia, frej George vogado, da orde de fam Domingos, leu cofelfor, & outras pelioas religiofas. Hos feculares forão ho duque de Bragaça do Iaimes feu íobrinho, dom George, meftre de Sãdiago, filho baftardo delRei dõ Ioão fegúdo, dõ loam de lãcaftre leu filho, que então era Marques de Torres nouas, & agora he duque Daueiro, dõ Fernado de meneies marques de villa Real, dõ Pedro de meneies conde Dalcoutim feu filho, dõ Frãçifco de Portugal cõde de Vimiolo, dõ Ioão de vaícÕçelos cõde de Penela, dom Emanuel pereira cõde da feira, dõ Ioão da fylua cõde de Portalegre, dõ Ioão de
— 196 — menefes conde de Tarouca, priol do crato, leu mordomo mór, do Mar- «flia)t.ci 1 tinho de Caftelbrãquo, conde de Villa noua, dõ Diogo lobo barão* Dal- uito, dõ Pedro de caltro, veadores da fazéda, dom Frãçifco de lyma vif- cõde de villa noua de Çerueira, dõ Antonio de noronha fcriuão da puridade, q depois foi cõde de linhares, Ioã da fylua regedor da caía da fupplicaçã, dõ Aluaro de caltro gouernador da cafa do çiuel, dom Diogo de noronha dalcunha cabeças Alcaide mor Dobidos, Diogo lopez de lima, alcaide mor de Guimarães, & outras peíToas alsi ecclefiaíticas, como leculares. Ha Rainha donna Leanor fua molher, & ha Infante dõna Iiabel lua filha, & ho prinçipe dõ Ioão feu filho (q neíte tépo ítaua em Saluaterra, dõde fabédo da doéça delRei leu pai fe veo logo pera elle) ho acõpanharã atte I10 fetteno dia de lua doéça, no qi/al vedo dõ Nuno emanuel, feu guardamor q defefperauã hos phyíicos de lua vida, fez recolher ha Rainha, & ha In- fante pera húa camara, júto da dõde elRei jazia, & ho mefmo pedio aho Prinçipe q fezeffe, pelo que le logo foi pera hú appofento q vai fobelo almazem, & me dixe a ml (q a tudo fui prefente atte ha hora q elRei lpirou) q teueíTe cuidado de ho chamar ahos acçidentes q lhe dauão per interuallo, ho q alsi fiz, per tres vezes, a q de todas acodio, & querendoho chamar ha quarta, q era já no noueno dia depois de comer me foi defefo pelos lenhores que ítauão na camara, apos ho q lendo já quatro horas fl 104*.ci.j." depois de meo* dia, começarão de lhe dar hos verdadeiros íinaes da morte, nos qt/aes teue tãto esforço atte q faleçeo, & tão perfeita memoria q em alta, & clara voz, dizia hos veríos dos Pfalmos, de q labia muitos de cór, cÕ hos prelados, & religiofos que hos aho redor da fua cama ítuão1 rezado, faleçeo ás noue horas de noite: Deixou por feus teílamenteiros dõ Diogo de foufa Arçebiípo de Braga, & dõ Martinho de ítelbrãco1 cõde de villa noua de Portimão: có ho corpo ficarã hos prelados, & religiofos ^ forão prelentes a leu faleçimento, & dõ Pedro de craíto feu veador da fazéda, q a tudo ho q cõpria pera ho enterramento deu ha ordem neçel- faria, atte q ho leuarão aho molteiro de Bethleem, q foi duas horas ante- manhã, ho qual elle começou de edificar de nouo pera lua lepultura, & da Rainha dõna Maria fua molher, & de feus filhos, quomo ja fica appõ- tado, & por ho corpo da Egreja não fer ainda acabado ho lãçarão na egreja velha em húa fepultura rafa, polo elle afsi mãdar, dõde depois elRei dõ loam terçeiro leu filho fez traíladar leus olfos pera ha noua. Acõ- panharãno todolos prelados, & fenhores que fe a feu faleçiméto acharã, & muitos fidalgos, caualeiros, fcudeiros, & outros feus criados, & ha 1 Et. I. ítauão. 1 Et. I. caftelbrãco.
— 197 — camara da çidade cõ toda ha clereíia, & ordês, & grão parte do pouo, cõ muitas lagrimas, plãtos, & choros q cada hú fazia pela perda de hú tam • n.io5.ci. i." bom Rei, & tam amigo de* feus criados, & vaffallos quomo ho elle íempre foi. Cap. lxxxiiii. Das feições corporaes delRei dom Emanuel, & das quali- dades de fua Real peffoa, & coufas a que era inclinado, & afeiçoado, & ordem de fua cafa, & modo de viuer. P 01 elRei dom Emanuel home de boa ftatura, de corpo mais delicado A que groílo, ha cabeça lobelo redõdo, hos cabelos caftanhos, ha tefta aleuãtada, & bem defcuberta delles, hos olhos alegres, entre verdes, & brãcos, aluo, rifonho, bê afõbrado, hos braços carnudos, & tã cõpridos q hos dedos das mãos lhe chegauã abaixo dos geolhos, tinha has pernas tão copridas, & tão bê feitas, íegúdo a proporçã do corpo, q nenhúa coufa mais le lhes podia defejar. Tinha ho3 voz clara, & bê entoada, era mui attétado no falar, & mui honefto & difcreto ê luas praticas. Quãdo comia, pofto q foife apreífado no comer, nê por ilfo dcixaua de praticar, & dií- putar cõ letrados q lêpre ftauã a fua mela, & fobre tudo cõ homês eftrã- geiros, ou cõ algús dos feus q andarã fora do Regno: foi lofrido, mãlo, & clemête, perdoaua façilmête qj/alquer defgofto que teuefle dos que tocauam •fi.io5.ci.i.' a lua fazenda, & peífoa, porque nos calos da juftiça leguia ha* ordem delia, pofto que foíTe algúas vezes cõ diliações, & aluaras delpera, hús em cõtrairo dos outros, ho q por fer de boa cõdição, & mauioío cõçedia tão façilmête, q por effe refpeito a hús fe diuertia ha juftiça, & a outros fe alõgaua. Foi mui prudente, de claro, & bõ juizo, ho q lhe caulaua não fer tão lujeito aho parecer dos do leu cõfelho, quomo ho era a leu particular apetite, com tudo has mais das coulas q intêtou, ou per confelho, ou per feu pareçer lhe lucçederão bem. Foi mui mufico de vontade, tanto q has mais das vezes q ftaua em defpacho, & fempre pela féfta, & depois q fe lançaua na cama, era cõ ter mufica, & alsi pera efta mufica de camara, quomo pera fua capella tinha eftremados cãtores, & tãgedores, q lhe vinhão de todalas partes Deuropa, a q fazia grãdes partidos, & daua ordenados cÕ que le mantinhão honrradamête, & allê difto lhe fazia outras merçes, pelo que tinha húa das melhores capellas de quãtos Reis, & prlçipes então viuião. Todolos domingos, & dias fan&os jantaua & çeaua com mufica, de charamelas, laquabuxas, cornetas, harpas, tamboris, & rabecas & nas feftas prinçipaes cõ atabales, & trõbetas, q todos em quãto comia tãgiam « El. I. ha.
— 198 — cada hú per feu gyro, ále defies tinha muficos mouriícos, q cantauam, & tangião cõ alaúdes, & padeiros, aho lorn dos quaes, & afsim das chara- •Fi.iaST.eLi.11 melas, harpas, rabecas, & tãboris dança*uão hos moços fidalgos durado ho jãtar, & çea: ho feruiço de fua mefa era expledido, guomo 1 a Rei per- tençe. CÕtinuadaméte todolos domingos, & dias fanftos, & algús de fazer em quãto foi calado daua ferão ás damas, & galantes, em q todos dan- çauão, & bailauã, & elle algúas vezes. Foi ho primeiro Rei chriftão da Europa a q vieram Elephãtes da índia, dos quaes teue çinquo juntos, quatro machos, & húa femea, q quãdo caualgaua pela çidade, ou caminhaua ihão diante delle, a eftes precedia (tarn afaftada q fe não viam) ha ganga, ou Rhinoçerota, & atras dos Elephãtes iha diante delRei hum cauallo acu- bertado perfio, nas ancas do qual hú caçador perfio leuaua húa onça de caça, que lhe mandara elRei Dormuz, ha qual onça, & hú Elephãte, & rhinoçerota mãdou aho Papa leam quomo fica dito, cõ ha qual popa, atabales, & trombetas caualgaua eiRei muitas vezes pela çidade, & quando caminhaua. Trazia cõtinuadaméte na fua corte choquarreiros caftelhanos, CÕ hos motes, & ditos dos quaes folgaua, não porque goftafTe tanto do que dizião, quomo ho fazia das difsimuladas reprehenfões q com geitos, & palauras trocadas dauão ahos moradores de fua cafa, fazedolhes conheçer has manhas, viços, & modos q tinhã de q íe muitos tirauã, & emmêdauão, tomando ho q eftes truães dizião com graças, por fpelho do que hauiam •Fi.io5T.ci.2.âde fazer.* Hos mais dos Domingos, & dias fanftos iha depois de comer ver correr ha carreira, & ha corria, aho que aliem dos íeus moradores le ajuntauam muitos dos çidadões das çidades, & villas onde ftaua, & pe- rante elle ha corriao, que era caufa de naquelle tempo hauer muitos, & bõs cauallos no regno, & muitos, & bõs caualgadores. Ho tépo q ftaua em Lisboa nos Domingos, & dias íanélos em q não iha ha carreira, & em algús da fomana iha folgar em hum batel feição de galeota, toldado, & embãdeirado de feda, leuãdo fempre cõfigo mufica, & algú offiçial feu com q iha defpachãdo, & has mais das vezes chegaua aho caes dos Paços de fanólos ho velho, onde Duarte foreiro, caualleiro de fua cafa, a quem em parte de fatisfação de feus feruiços dera ho offiçio de guarda delles, lhe mãdaua trazer de merédar de muitas fruitas verdes, cõferuas, & coufas daçuquar, vinho, & agoa, do q també comião hos fidalgos q a feu chamado ihão cõ elle no batel, & afsi toda ha mais cõpanhia de muficos moços fidalgos, da camara, & remeiros, pera has quaes merendas tinha merçes ordinárias que lhe elRei pera iffo fazia. Nas velperas do Natal cõfoaua publicamente em fala cõ todo fiado de porteiros de maça, reis 1 Et. I. quomo.
— «99 — darmas, trõbetas, atabales, charamelas, & em quãto cõioaua dauão de • Fi.io6.ci. i.» cõloar a todolos lenhores, fidalgos, caual*leiros, & efcudeiros q ítauã na íala, na qwal fe ajútauão naquelle dia todolos q andauão na corte, por laberem ho goíto q elRei leuaua em fazer efte bãquete, q todo era de frutas verdes, & daçuquar, & de cõferuas q lhe trazião da ilha da ma- deira : depois deita cõfoada acabada mãdaua Valqueanes corte real (do feu cõfelho q ho feruio de veador todo lio tempo q regnou) de confoar ás damas da Rainha, & a todolos offiçiaes delRei a fuas cafas, & depois fe daua na guarda repoíta "pera hos capelães, cãtores, phyíicos, miniítreis, repofteiros, moços da eítribeira, & do monte, & hos moços da camara, que era hos q trazião hos platos á confoada delRei, confoauão todos na guarda repoíta, efta era húa das folennes, & mais deíejada feita de quatas fe na Corte faziam per todo ho discurfo do anno, na qual confoada ie gaítaua muito: A todolos jantares, & çeas delRei traziam a fua copa vinho, & agoa em grandes picheis de prata, & fruta pera darem ahos lenhores, fidalgos caualeiros, & icudeiros q quifeffem beber. Depois q daua boas noites & íe recolhia pera dormir trazião da fua guarda repoíta confoada das mefmas frutas, & agoa pera hos fidalgos, & caualleiros da guarda que dormião no paço, & iíto fem faltar nenhum dia, & em •pi.io5.cl.».• tanta abaítãça que abrangia ahos moços da camara que dormião* na guarda roupa, & ahos moços do monte que dormião na falia, & a todo- los criados. Era tão ledo, & prazenteiro que todalas vezes que iha ha caça, & a monte fazia foliar diãte de fim hos feus moços defporas, & da eítribeira, hos quaes conheçendo quão benigno, & humano era, muitas vezes ho embargauão no caminho, rodeãdolhe ho cauallo, & alsi rodeado lhe pedia cada hum a merçe q delle queria, has quaes pela mór parte lhes logo outorgaua, & ie em algúa tinha pejo dizialhes q ho deixaflem cuidar niffo, ou hos remetia ahos offiçiaes do defpacho. Mãdaua muitas vezes correr touros, & jugar canas, & pera q hos fidalgos não defpédef- iem muito de feu neítes jogos, tinha jaezes, & veítidos à mouriíca na fua guarda roupa, q lhes mandaua empreitar, & no jogo das canas en- traua elle algúas vezes, ho q fazia mui bem, & cÕ muita graça: era tão forçofo dos braços q allé de fe poer muito bem a caualo, tiraua cõ húa cana, & cõ húa lança cõ tanta deítreza q nenhú outro homem lhe fazia auãtagé: de modo que foi muito alegre, & profpero todo ho tépo que regnou, em tãto que eu vi muitas vezes na caia da contratação da índia mercadores cõ faquos cheos de dinheiro de moeda douro, & prata pera fazerem pagaméto do q deuião per conta das fpeçearias q comprauã, cÕ •ui. io6v.ci. i.* ho qual dinheiro lhes deziao* hos offiçiaes que tornaffem em outro dia, porque não hauia tépo pera ho então contaré, que tãta era ha foma que
— 200 fe recebia todolos dias. Hos mais dos Domingos, & dias fanótos, & algús da fomana iha elRei ouuir mifia fora do Paço ás Egrejas, & . morteiros das çidades, & villas em que íe achaua, & depois de dita ha Miffa perguntaua ahos Priores, & guardiães pelo ftado da cafa, & fe íentia hauer neçefsidade lhes mandaua eímola, tanto pera fuas mantenças quomo pera hos ornamentos, & fabrica das Egrejas. Era mui charidolo, & fez em quãto viueo muitas efmolas no Regno, & fora delle a muitas peíToas, & cafas doração, & à fanéta de Hierulalem, & de monte Sinai. Daua cadanno a todolos frades da Obferuançia da ordé de Iam Frãçifco de feus Regnos todo ho panno que lhes era neçeíTario pera le veftirê, & por faber que has mais das Egrejas do Regno ftauam mal prouidas dor- namétos, mãdou no Anno de Mil, & quatroçentos, nouenta, & noue fazer veftimentas, & outros ornamentos a fua curta q lhes mandou dar pelo curto de que depois pela mór parte lhes fez efmola. Acabou de pagar ha prata das Egrejas que elRei dom Afonfo quinto leu tio do tempo q fazia guerra em Caftella tomou delias, ho q fez pera comprir feu tefta- *Fi.io6T.ci.2.,mento. A todolos moradores de lua cafa* daua cafamentos, & corregi- mentos, & allé de fuas moradias, apoufentadoria, & camas pera dormiré, & mezinhas em fua botica, quãdo erão doétes, & phyficos q hos curauam de graça. Era tão foliçito no pagar dos feruiços q muitas vezes pergun- taua fe hauia algum feu criado a q per fqueçiméto nã teuefle fatisfeito, principalmente ahos q ho feruirã antes de ler Rei, & fabédo q ho não tinha leito, lho mãdaua logo pagar, & allé diffo lhes fazia merçes, das quaes acuftumaua fazer algúas às peífoas de que fe tinha por bé leruido, fem lhas pediré, dandolhes em fegredo lébranças fcritas de fua mão, pera quãdo forte tépo mãdarem dirto fazer luas cartas. Em quãto viueo teue fempre guarda da camara, & dos ginetes, do q fe muito prezaua, porque na guarda da camara hauia vinte quatro caualeiros dos mais marcados da corte que dormião no paço júto da fua camara, & na mef- ma cafa dormião algús moços fidalgos, & na lala outros
201 petição por defpachar, lios quaes aliem de não teré caíinha no Paço quomo agora tem, nunqua em leu tempo forã mais de dous, de muita authoridade, & doétrina, & me lembra mui bem q vi leruir juntos dom Pedro biípo da Guarda, & Prior de fanéla Cruz de Coimbra, & dõ Diogo pinheiro Bilpo do Fúchal, & por falecimento do bifpo da Guarda entrou no offiçio dõ Pedro de meneies. Hos fcriuães da fazenda, & da camara traziam cada hú delles has prouifões que tinham feitas a cafa da fazenda, onde lhes punhão hos veadores da fazéda ha villa, & le algúa duuida niífo recreçia alii ie aueriguaua logo ho q fe niflo hauia de fazer, polias has villas hos mefmos ícriuães da fazéda, & da camara afsinauão eílas prouijões com elRei elles mefmos, & não lcriuão nenhú fe 1 delles, quomo ie depois tomou por cuítume. Afsinaua elRei tres vezes, & algúas mais na fomana em publico, & alio afsinar ílauam lio fcriuam da puridade, & •Ki. 107.ci.a.* hos veadores da fazenda* em geolhos dambalas bamdas da lua cadeira,. & hos fcriuães da fazenda, & camara em geolhos alio redor da mefa em • que afsinaua. Daua audiençia publica muitas vezes a todolos q lhe que- rião falar, aho q era preíente ho melmo fcriuão da puridade, dõ Antonio de noronha irmão do Marques de villa Real, que depois foi Code de li- nhares, & hú dos veadores da fazenda, afientados em geolhos à fua ilharga. Mas cõ quãto vfaua eíle modo dacatamento cÕ hos offiçiaes móres, polios a parte titulos demaíiados, nos defpachos q daua, & cartas que le delle fazião vfou titulo de fenhoria, & não dalteza algús annos depois que regnou, quomo I10 eu tenho viíto per muitos aluaras alsigna- dos da fua mão. Neítes dias que elRei daua audiençia hauia fempre na camara em q llaua muíica de crauo, & cãtores: foi muito inclinado a letras, & letrados, & entendia bé ha lingoa Latina em q fora doótrinado fendo moço, da qual fabia tãto que podia julgar entre ítylo bom, & mao. Foi tam defejolo da nobreza do Regno fer inílituida em letras que man- daua alios feus moços fidalgos, & da camara, em que pera iffo hauia algum geito, ouuir cada dia lição de gramatica aho bairro dos fcolares de Lisboa, onde então ítauã hos íludos gèraes delle Regno, & aho meítre •Fi.107v.ci. i.'cathedratico da gramatica q le chamaua Frei xinal, * daua cadanno pelos enfinar, allé do que tinha dordenado quaréta mil reaes. Foi muito dado à Aílrologia judiçiaria, em tanto que no partir das naos pera lia índia, ou no tempo que has fperaua, mandaua tirar juizos per hú grande Aítro- logo Português, morador cm Lisboa, per nome Diogo médez vezinho, natural de Couilhã, dalcunha ho coxo, porq ho era daleijam, & depois delle faleçer cõ Thomas de torres feu phyfico, home mui experto, afsi na 1 Et. I. feu. Emendado já nos « erros da impressão » desta quarta parte. VOL. IV
— 202 — A Urologia, quomo em outras fciéçias, mas porto q deffe credito à aftro- logia, nunqua ho deu a agouros, mas antes foi mui imigo delles, & lhe pefaua de faber q era alguém dado a iflo. Era mui entédido nas hiftorias, & fobre tudo nas Ghronicas dos Reis deftes Regnos, nas quaes le delei- taua tãto, q perante fim lias fazia ler aho Prinçipe dõ loam feu filho, & em quanto foi viuuo da Rainha dona Maria me pareçe que poderei mar, que não paffou fefta nenhúa em que ho não fezefle ler nellas. Foi elRei muim carto, & continente, nem fe íoube depois de fer cafado que tiueife conuerfação íenão com lias Rainhas fuas molheres, & em quanto foi viuuo da Rainha donna Maria, pera mór confirmaçam difto dormirão lempre na fua camara, em húa cama ho Prinçipe, & ho Infante dom Luis *fi. 107v.ci.2."íeus filhos, ahos pès do feu leito. Foi muim limpo de fua* pefloa, ga- lante, & bem vertido, do que le prezaua tanto que quafi todolos dias veítia algúa coufa noua, pelo q tinha tãtos vertidos que todolos annos mãdaua repartir duas vezes muitos de feda, & pãno cõ hos fidalgos, caualeiros, & fcudeiros, & moços da camara q andauão na Corte, de q per feu faleçimento fobejarão tãtos que poucos dos feus moradores fica- rão fem liauer algúa peça delles, & quafi a todalas Egrejas do Regno fe deram ornamétos dos íeus roupões, cípas, & opas de feda, brocado, tella douro, & prata q pera iffo íe desfezerão. Deleitauaffe muito no mote, & era bom befteiro, & caçador de võtade, pera ho q tinha muitos libreos, fabujos, & outros cães, cõ muitas, & boas aues de prefa, de diuerfas relés q mandaua vir de fora de íeus Regnos, mas aho mõtear, & caça de gauião era mais inclinado, & ho vlaua mais q ha caça dos falcões. Nunqua iha há caça fem leuar muficos, & inftrumétos de ca- mara, cõ que lhe tangião, & cãtauão, foífe no campo, ou nas cafas onde comia, & repoufaua. Foi elRei home de muito negocio, & muito con- tino no deípacho das coufas que pallauã per fua mão: foi mui regrado no comer, & bebeo íempre agoa, & nunqua comeo azeite, né vianda em que ho houueffe, & tão têperado no apetite, q quafi fe não conheçia nelle • fi.ioS.cl. 1.4 fer mais inclinado a húa vianda q* a outra. Era de tã pouquo íomno, que por mui tarde que le lãçaffe, fe aleuantaua fempre antes do iol iaido, le I10 não ftrouaua algúa ma dilpofição. Foi mui obediéte a Sè Apofto- lica, & mui catholico chrirtão, guardaua todolos curtumes, feitas, & jejús da Egreja cõ muita íolenidade, & deuaçam: fazia na fefta feira das in- dulgençias muitas efmolas, & perdoaua muitos cõdenados. Hos tres dias que ho fanfto Sacramento ftaua ençerrado atte dia de Pafcoa dor- mia apar do altar, no chão fem fe delpir aquelles tres dias. No dia da Pafcoa pela manhã mandaua fazer húa mui folenne proçiflam da Refur- reiçam, na qual elle fempre iha, & ha Rainha com todas luas damas, &
r — 2O3 — corteiãos, preçedendo porteiros de maça, Reis darmas, & todo genero de mufica, & inftrumentos que em íua corte liauia. Foi muito inclinado á religião, mouido da qual por lhe parecer neceffario, reformou muitos mofteiros dos inftitutos que tinham antigos a outros de mais ftreita regra, foi mui verdadeiro períeguidor dos íequazes da fedia de Mahamed no que defpendeo muito de íeus theíouros em armadas que contra elles mandou por mar, & por terra, quomo no dilcurfo deita íua Chronica fica dito, pela qi/al caufa, & per muitas obras pias, & de charidade q fez •fl 108. ci. a.* em quanto viueo lhe proíperou Deos fempre* todas fuas coufas, & he de crer que por fua infinda bondade, & mifericordia ho tenha colocado entre hos bem auenturados fandos da fua gloria çeleítial. Capituj.o. lxxv. Das Egreias, Mofteiros, Hofpitaes, caftellos, fortalezas, & outras obras que elRei dom Emanuel fe\ de nouo, & mandou reparar, & dos lugares que ganhou alios mouros em Africa, & em Afia. FVNDOV de nouo pera fua íepultura, & da Rainha dona Maria fua molher, & de íeus filhos, ho moíteiro da inuocaçã de noíía Senhora de Bethleem junto da praia, húa legoa da çidade de Lifboa, abaixo de Raítello, & ho dotou, & pouoou de religioíos da ordem de fam Hierony- mo, quomo já fica dito, obra a que nenhúa de quantas ha em toda Europa faz avantagem, nem em grandeza, nem em magnifiçençia, ho qual moíteiro não acabou de todo, por lho a morte eítoruar, no que-elRei dom loam terçeiro íeu filho proçedeo, & fez húa grande parte delle, fem ho ainda deixar acabado. Fundou de nouo ha caía da Confraria da Miíericoidia da çidade de Lisboa, obra muito magnifica, & ha dotou de hum coto de •fi.:o8t. ci.i.' réda cadanno pera entretime*to dos orphãos pobres, & de mais quinhetos mil reaes cadanno pera outras obras pias quomo fica appontado. Fundou de nouo hos mofteiros de noífa Senhora da Pena, & do Mato, & ho das Berlengas, que fez per deuação da Rainha dona Maria fua molher, todos da mefma ordem de fam Hieronymo: Fez quaíi de nouo ho magnifico cõuento da ordé de Chriftus, q íta na villa de Tomar, em q defpédeo muito dinheiro. Fundou de nouo ho moíteiro de noífa Senhora da Serra da ordem de fam Domingos, do modo que lho elRei dom loam fegundo feu primo deixou encomendado em feu teftamento. Fundou de nouo ho moíteiro de fanda Clara Deítremoz: fundou de nouo ho moíteiro de Sando Antonio do Pinheiro da ordem de fam Françifco da obferuançia, fez ho corpo da Egreja de fam Françifco Deuora, fez de nouo ho moíteiro Danunçiada de freiras da ordem de iam Domingos na çidade de Lisboa na mouraria, no melmo lugar onde fora ha mefquita dos mouros, que r
204 — agora he pouoada dos irmãos da Companhia de Ielus, & has freiras fe paf- faram aho mofteiro de San&antão, no valle Dandaluz, junto da çidade, & por elfe refpeito tomou ho mefmo nome danunçiada, & ho donde íairã has freiras de fando Antão, quomo fe agora chamão, ha qual per muda- •friioST.ci.a.'cam fe fez em té#po delRei dom loam terçeiro feu filho, q diífo foi ho author per juftos refpeitos. Fez ha Sé da çidade Deluas de nouo. Fúdou de nouo na çidade do Porto ho mofteiro de freiras da ordem de fam bento. Fez na Sé da mefma çidade ha fepultura de fam Pantaleam do modo que deixou encomendado clRei dom loam íegundo em feu tefta- mento. Fundou de nouo na çidade de Tauilla ho mofteiro de freiras da ordem de fanéta Clara: fundou de nouo júto da villa de Serpa ho mof- teiro de San&o Antonio de frades da ordem de fam Françifco da Obfer- uançia. Fez de nouo has Egrejas de Soure, Nifa, & (am loam Baptifta de tomar. Fez de nouo ha Egreja de lanéto Antonio de Lisboa, per le- gado delRei dom loam íegundo, que lho deixou encomédado em feu teftamento. Fez de nouo ha Egreja de noífa fenhora da Conçepçã em Lisboa no lugar em que fora ha Singoga dos Iudeus. Fez de nouo ha Egreja Dalcaçer do fal, & ha de Oliuença. Fez de nouo no mofteiro de fanfta Cruz de Coimbra ha íepultura delRei dõ Afonío Hérriquez pri- meiro Rei de Portugal, pola antiga em que íeu corpo ftaua não fer tal quomo a hum tam magnânimo Rei pertencia. Mandou acabar has capei- las dos Reis que jazem no mofteiro da batalha, defno tempo delRei dom • FLiog.ci. I.* Duarte, atte ho feu, acabou ho grande, & íumptuofo* Hofpital da çidade de Lisboa, q elRei dõ loam fegundo fundou de nouo, & fez nelle todalas cafas q ftão na face do Rofio defna rua da Betefga, atte ho mofteiro de fam Domingos. Fundou de nouo lios Hofpitaes de Coimbra, Motemór ho velho, & ho de Beja, & hos dotou: fez de nouo ha Egreja de fam loam de Moura, fez de nouo ho dormitorio de fam Domingos de Lisboa. Fez de nouo ho mofteiro de freiras de Montemor ho nouo da ordem de fam Domingos. Fez ha Egreja de fam Giam de Lisboa. Reparou quafi de nouo ho coro, & capella mór do conuento Dalcobaça, & fez nelle outras reparações muim neçeíTarias: mudou has fcholas géraes de Lisboa, que ftauão acima da Egreja de fam Thome contra ho muro velho, & has fez de nouo abaixo de fanfta marinha, onde eram hos Paços do Infante * dõ Henrrique feu tio, has quaes fcolas ferué agora de recqlhimento dos condenados pela Inquifição, pera fazerem penitéçia naquelle lugar, onde lhes pregão, & hos enfinam atte que fentem nelíes ftarê confirmados na doótrina da Fé catholica, & entam hos deixam ir, ho que fe afsi faz por aquellas fcolas ftarê de vazio, defno têpo q elrei dõ Ioã terçeiro feu filho mãdou mudar dalli hos ftudos perá çidade de Coimbra: mandou fazer
— 2O5 -Fi. 109.ci.a.* de nouo ho caes da pedra de Lisboa, & tabuleiros de longo* da praia, & chapharifes da cidade tudo de pedra canto. Mandou fazer ho Terreiro que eftá diante dos paços da ribeira de Lisboa que era tudo praia, ho que fe fez com gram trabalho, & defpeía atte le ganhar aho mar quomo agora fta. Começou ha cafa dalfandega de Lisboa, a qual acabou elRei do loam leu filho. Acabou a obra da augoa de Lagos, mandou abrir ho paul de Muja. Depois que começou de conquiftar ha índia mandou de nouo fazer hos magníficos, & íumptuofos Paços da ribeira de Lisboa, pêra onde fe foi dos Dalcaçoua, íem mais tornar a viuer nelles. Fez de nouo has calas dos Almazés de Lisboa, & no das armas pos em depollto húa grande cantidade de corpos darmas de piões, & dous mil, & qui- nhétos de homés darmas de cauallo, & oitoçentos dacubertados, & muitos corpos de couraças, & outras armas, & muitas peças dartelharia groffa, & meuda, arcabuzes, ípingardas, piques, lanças, & beftas tudo em muita cãtidade. Fez de nouo has calas da contra&açam de Guiné, & índia, debaixo do appofento deites paços da ribeira, começou has terçenas da porta da Cruz, has quaes mandou fazer pera fe nellas guardar, & fun- dir artelharia, & afsi has de Cataquefaras, & ha cafa da poluora em •fi. 109T.d.i.«Lisboa, & ha cafa da armadia em San&arem. Fez hos paços* de Coimbra quomo agora eftão, por hos velhos lerem tão deítroidos, que foi neçeffario fazereníTe nouo. Fez ha pote noua de Coimbra fobelo rio Mondego com que emnobreçeo muito a çidade. Fez de nouo hos Paços da ribeira de Muja por alli hauer muita caça, & montaria que ha naquella comarqua, nos quaes mãdou poer todo ho feruiço neçeíTario de mefa, cozinha, camas, leitos, roupa de linho pera hos que configo leuaua. Mandou fazer ha praça, & chaphariz da çidade de Beja. Fez de nouo em Lisboa, junto da Egreja de fam Martinho hos Paços da cafa da fup- plicaçã, & do çiuel, & cadea do limoeiro, obra muito magnifica, & fump- tuola, onde dantes fora ha cafa da moeda, & depois paços de Reis, atte ho tempo delRei dom Denis, que fez hos Paços Dalcaçoua. Fez de nouo fobelo rio Guadiana ha ponte que íta entre Eluas, & Oliuença. Reparou ho caftello Dalmeida, & ho fez quafi de nouo. Fez ha fortaleza de Caftelbom, & ha reparou de muros, & cauas, fez ho caftello Dalfajates, & mandou cercar ha villa. Fez de nouo ha Torre, & fortaleza de fam Viçente dapar do Morteiro de Bethleem todo de pedra canto, em que mandou poer muita artelharia, & gente de guarnição cõ que fe ho porto fi.io9T.ci.a.,vegia, & guarda. Mandou fazer ha çerqua noua Doliuença, man*dou de nouo çerquar ha villa de campo maior. Fez de nouo ha magnifica, & fumptuofa Sé da çidade do Funchal na ilha da madeira, & ho mefmo fez nas mais das Ilhas. Gagnou em Africa has cidades de Çafim, &
— 206 — Azamor. & ha villa de Mazagam quomo fica dito, & ás fortaleçeo, & etn Mazagam mandou fazer hum caftello muito forte. Mandou acabar de todo ho caftello de fanfta Cruz em Africa, onde chamão Guadanabar, que loam lopez de fequeira começou, pela qual fortaleza lhe deu fatisfa- çam, & lha tomou pola elle não poder fofter quomo fica ditto. Mandou fazer ho caftello Daguz, que he oito legoas de Çafim. Mandou fazer ho caftello Real nas Ilhas do Mogadó, aquém do cabo de guer. Mandou na índia fazer has fortalezas ieguintes. I. em CochI duas, húa no ferta fobelo rio, & ha outra na çidade, & ha de Cananor, Coulam, Quiloa, Çofala, Moçãbique, Anchediua, Çacotora, Ormuz, Goa, com todolos caftellos que na ilha ha, & ha de Paçem, Pedir, Calecut, Chaul, Zeiland, Malaca: & nas ilhas de Maluco mãdou fazer ha de Ternate, que le fez depois de feu falecimento. Nas quaes fortalezas afsi nas Dafrica, quomo da índia mandou edificar Egrejas, & algús morteiros de frades que dotou •fi. no. ci. i.É de rendas, & tenças pera hos clérigos, & frades que nellas adminiflraf-* fem ho culto diuino, & lhe deu muitos, & ricos ornamentos, & has for- talezas proueo todas de artelharia, & outras munições de guerra, com toda ha gente darmas neçeflaria. Deu per regiméto ahos Gouernadores da India que em feu tempo la foram, que fezefiem húa fortaleza em Ga- maram, no mar Darabia, & outra em Adem na meíma cofta, & outra em Maçua na cofta de Ethiopia, ho que nam houue efeéto, pelas caufas que ficam appontadas. Mandou Baftião de íouía no Anno de mil, & quinhentos, & vinte, & hum, com duas naos a ilha de fam Lourenço pera la fazer húa fortaleza no porto de Matataná que também não houue efeéto. Teue grandes intelligéçias fobelo modo que poderia ter pera tomar Tetuam, & fazer nelle húa fortaleza, no que aliem das diligencias que mãdou fazer per dõ Pedro mafcarenhas, quomo fica dito, occupou fecretamente Baftião de maçedo natural Dalenquer, que agora he cama- reiro do Cardeal Infante dom Henrrique regéte defies Regnos, & has mefmas diligençias mandou fazer fobelo negocio da Mamora, & Anafè quomo fica dito. Tinha ordenado de tomar Terter, que he hum caftello muito forte, çinquo legoas Dalmedina, & quatro da cafa do caualeiro, Fi.no.d 2* pera nelle fazer outra fortaleza. Quiíera fazer outra em Tagaoz, no* porto de Sacam junto de Meça, no que em tudo defpendeo muito de fua fazenda, afsi com mouros, com quê fobreftes negoçios traólaua fecreta- mente, quomo com criados feus por quem mandaua eftes recados.
— 207 — Capit. lxxxvi. Das inflitvções, ordenações, regimentos, moedas que fe\, dignidades, ojiçios, cidades, & villas que criou de nouo. Ç JRDENOV de nouo na feita da vifitaçam de noífa Senhora, & V ) fanfta Elifabeth húa folenne proçiífam no mefmo dia que ha Egreja Romam çelebra eíta feita. Houue diipenfaçam do Papa pera íe em leus Regnos çclebrar ha feita do Anjo cuítodio no terceiro Domingo de Iulho, & no mefmo dia ordenou que fe fezeífe húa proçiffam tam fo- lenne quomo ha de Corpo de deos, ho que tudo em quanto viueo ie comprio muim perfeitamente. Houue difpenfaçam do Papa pera le ca- iarem hos Caualleiros da ordem de Chriíto, & hos iíTentou & afsi todo ho Eccleíiaitico do Regno, frades, & clérigos de não pagarem filas, nem outro nenhú tributo de todo ho que compraiTem pera vfo, & intcrtimento •Fi. hot.d. i." de luas peíToas, & famílias, quomo fica dito. Impetrou do Papa Leã* deçimo vinte mil cruzados de renda, em Egrejas do padroado da Coroa, & outras, pagos hos vigairos, has quaes Egrejas todas ordenou encomen- das da ordem da cauallaria de noífo Senhor lefu Chriíto, pera has dar ahos que has foOem feruir em Africa, & lhas mereçeílem per quaefquer outros feruiços, & que has que le ganhaílem em Africa per lua liçença, & dos Reis feus fucceffores folie per tempo de dous annos, á propria cuíta dos que has foílem vcçer nos lugares que la hos Reis teueílem, & ho mefmo inítituio das comendas velhae 1 a quem em has ditas partes Da- frica has foife feruir per tempo de quatro annos, por ferem de mór ren- dimento que has comendas nouas. Ordenou mais em todolos lugares Dafrica, conquiítados por elle, & pelos Reis íeus anteçeffoies, em cada hum delles, çerta renda de dinheiro, quomo em lugar de comenda, pera çem caualleiros moradores neítes lugares vencerem. & com ella trazerem hos çinquoéta delles ho habito, quomo hos fronteiros que la vão veçcr has comendas das Egrejas, do que fica feita mençam no Anno de mil, & quinhentos, & dez, & pera pagamento deitas comendas, foldos, & man- timentos que vençiam hos que ítauam feruindo neites lugares Dafrica, *Fi..ioY.ci.a.'mandaua cadãno húa armada de naos, gales, & carauellas cm que iha* hum leu feitor pera fazer hos pagamentos a dinheiro de contado, & hum Capitão de toda ha frota com muita gente de guerra que andaua ha mór parte do verão correndo todos eites lugares, & guardando ha coita, ho q íe fazia de maneira que de nenhum dos portos da noffa conquiíta Dafrica oufauão hos mouros fair ho mar com luas fuítas tão difioluta- 1 Et. I. velhas.
— 208 — mente quomo ho agora fazé, ho que já fica appontado. Foi ho primeiro Rei defies Regnos q de todas fuas rendas, & dinheiros, aísi Deuropa, quomo Dafrica, & Afia appropriou, & mãdou feparar hú por çento pcra obras pias, &. pera fe cfta renda reçeber, & diftribuir por feu mãdado, ordenou hú offiçial que diffo teueffe carrego, no que elRei dom loam terçeiro leu filho continuou, & íe cõtinua atte ho preíente. Aliem difto mandou que pelo melmo modo, & pera has mefmas obras fe pagaífe no contratto, & venda das fpeçiarias de cada quintal hú quarto de cruzado. Ordenou no Anno de mil, & quinhentos, & fete, doze mercearias, á honrra dos doze Apoftolos, pagas na cafa da Mina, pera eftes merçeiros rogaré a Deos por elle íem nenhúa outra obrigaçã, has quaes doze mer- çearias, com has trinta caualarias q tinha ordenadas na cafa da índia, metteo no coto dos çinquoéta caualeiros fem habito, do modo q fica dito. •Fi.iu.ci.i.» Quitou has fifas de todo ho pão* que de fora viefle a eftes regnos. Mãdou cõprar rédas em Galiza pera fe alumear cõtinuaméte de dia, & de noite húa Alampada de prata q deu à cafa do Apoítolo Santiago quomo fica dito. Deu foraes nouos a todalas cidades, & lugares da Regno, cÕ que tirou, & declarou muitas duuidas que nos velhos hauia. Anhadeo muitas clauíulas alios artigos das fifas, portages, & alfandegas,, de q has mais foram tanto em fauor, & proueito de fua fazéda, q toda ho Regno ie teue por agrauado fem fe nunqua niffo prouer nem por elle, né por elRei dÔ Ioão terçeiro feu filho, né pelos que per feu faleçimento atte agora gouernarão, mas pofto q neftas impofições elRei leuaffe ho mefmo modo q leuam todolos Reis, & prinçipes, que he tiraré dos vaf- falos, & fugeitos todo ho que podem, era tão comedido, ainda que muito confiafle de feu juizo, que fe com razão lhe cõtrariauão has taes coufas tornaua loguo fobre fim, quomo lhe aconteçeo com lane mendez çiçiofo, cidadão da cidade Deuora fendo então ahi vereador, q foi pela modo feguinte. Stando elRei nefta çidade nos annos de mil, & quinhétos, & dezanoue, & mil, & quinhentos, & vinte per conlelho, & pareçer de letrados, & dos offiçiaes de fua fazenda ordenou q has nouidades q •Fi.ih.ci.a.* colheffem feus fugeitos fe eftimaffem, & que rebatido ho que* hos alui- dradores dixefiem ler neçelTario alios fenhorios pera defpela de fuas cafas, & famílias lhe pagaffem logo ha fifa do demais, ho que pofto q per toda ho regno folie mal tomado, pode tanto ho querer delRei q muitas çidades, & villas do regno cõfentirão nefta impofição, & entre has q nam cõíen- tirão foi Euora onde então lanne mendez çiçiofo era vereador, fobela qual negoçio ho mandou elRei chamar, & lhe dixe que lhe agardeçeria querer ler da opinião dos outros, aho que lhe refpondeo depois de muitas altercações dizendo-lhe, fenhor eu não tenho neçefsidade de voflas merçes,
209 pofto.q mas offereçaes, porq meu pai me deixou duzentos, & çinquoéta mil reaes de renda patrimonial de q me mãtenho honrradamente, hos q»aes me não podereis tirar cõ razão, & pofto que mos tomar quifeífeis nem por iflo hei de deixar de vos dizer verdade, ha qual he q tal impofto vos ho nã podeis poer (obre voíTo pouo cõ razão, né juftiça, & hos que vos tal coufa a cõ fel hão, não fam amigos de voffa alma, né da vofla hõrra, ho q elRei ouuindo lhe dixe q fe foffe prelo pera fua cala, & q dalli por diante não queria que teuelTe officio né cargo naquella çidade, aho q lhe lane mendez refpÕdeo q tudo lhe tinha é merçe excepto ha prifam, porque lha não mereçia: dahi a algús dias cahio elRei no negoçio, & •fluiv.ci.1.*conhe*çendo que lane médez, fezera ho q deuia ho mãdou chamar, & lhe agardeçeo ho bom cõlelho q lhe dera, dizendolhe q de taes homés quomo elle quiíera ter fempre muitos apar de fim, pera verdadeiraméte lhe dizeré ho q cõpria aho bom gouerno, & ordé de leu regno, & cala, & q fe lhe delle cõpriífe merçe q lha faria, & q quãto ahos cargos, & officios q fempre feruira naquella çidade lhe mãdaua q dalli por diante ho fezelfe quomo ho fempre fezera, porq ni(Io lhe faria leruiço. Man- dou per homés doótos do leu cõfelho vifitar, & reuer hos çinquo liuros das ordenações, q elRei dõ Afonlo quinto, feu tio fez reformar, lendo regéte ho Infante dõ Pedro feu tio, por elle ler de menor idade, nas qt/aes mãdou deminuir, & acreçentar aquillo q pareçeo neçefiario pera bÕ regi- méto do regno, & ordé da jufliça, no que fe trabalhou muito, & tanto tépo q foi ha mór parte de todo ho q elle regnou. Fez lei per que deuaífou todolos fidalgos, caualeiros, & leudeiros do regno pera pagaré jugada, ho q dantes nam pagauam elles, né feus parçeiros: ordenou que todalas fefmarias q erão dadas cõ algúa obrigaçã de foro perá coroa ho não pagaífem hos q trazião eflas lelmarias foreiras, por afsi ficarem obrigadas a pagarem jugada do q no aproueitado delias íemeaffem. Fez •fuhit.cl.s.'lei no Anno de M.D.xvj em Lisboa, per* que declarou que qualquer fcriuão da fazéda ou da camara, que no íummario dos aluaras difcrepaífe da luftançia do original folie degradado perá ilha de S. Thome, & per- deífe ho officio, fy. toda fua fazenda, ametade pera quem ho acufalfe, & ha outra ametade pera fua camara, & que hos aluaras não teueílém vigor. Mandou fazer Tombos de todalas propriedades dos hofpitaes, cõfrarias, & albergarias do Regno, & afsi dos proprios das çidades, villas, & cÕçelhos. Desfez muitos holpitaes, albergarias, cõfrarias q hauia pelo Regno, & has reduzio em pouquas, porque loube de çerto que le trattauã eftas coulas por tãtas mãos, q ho mais fe cõfumia entre has dos prouedores, & outros offiçiaes, q foi obra pia, & muito neçeífaria. Mandou fcreuer ha mór parte da le&ura da Torre do tõbo do Regno em VOL. IV v
— 210 — libros de pargaminho muito bê fcriptos, & iluminados, & poer na boa ordem em que agora ftão, obra tamanha, & de tamanho pefo, q ie não pode acabar em feu tepo, nê no delRei do loam terçeiro feu filho, q niffo trabalhou muito, & de q ainda ftão muitas coufas por fcreuer, q diflo tem affaz de neçeísidade, por bem do património da Coroa do Regno, & dos vaflallos. Mandou cõçertar noue Chronicas dos reis deites Regnos, das qwaes ha primeira he delRei dõ Afonlo Henrriquez, q Duarte galuão •FLiij.d.1.* colligio * quafi de nouo, pelo q lhe fez muitas merçes, & pelo côçerto das feis q cõtinuauão atte elRei dõ Afonfo quarto has fez també, & muT auantajadas a Rui de pina, & aísi por cõçertar ha delrei dõ Eduarte, & ha delRei dõ Afonfo quito feu filho, em q acreçentou algúa coufa, & aísi por fazer de nouo ha delRei dõ loam iegundo. Mandou ver todalas íepulturas do regno pera delias fe notarem has armas, & infignias, & letreiros que nellas hauia, das quaes armas mandou nos Paços de Sintra pintar todolos feudos com íuas cores, & timbres, em húa fermoía fala q pera iflo mandou fazer, alem do q mãdou fazer hú liuro muito bê illumi- nado, em q ftão pintados hos mefmos feudos das linhagés da nobreza deites Regnos, & pera íe melhor ordenar, & dar regimento ahos Reis darmas, heraus, & poriuinãs mãdou ás cortes do Emperador Maximiliano, Reis de França, & Inglaterra Antonio roíz Rei darmas Portugal bacharel em Leis, pera faber na verdade ho modo q niíto eftes Príncipes tinhão, cÕ has quaes informações, & cuítume antiguo deites regnos, lhes deu regiméto, & fez nota do modo em que fe hão de fazer has cartas dos offiçios de cada hum delles, ho que depois de íer ordenado fez em Lisboa nos Paços da ribeira hú auto publico muito loléne, em q deu nome a •fi. ih. ci. a.» todolos reis darmas, heraus, porfuiuãs de*ítes regnos a cada hú delles ieparadaméte de iua prouiçia. No ãno de m. D.iij quebrou hos priuilegios da çidade do Porto, pera q nella podefsc viuer fidalgos ho q fe dates não permitia. Mãdou lãçar pelos de cobre per todo ho regno, por hos de ferro ieré falfos, per cafo da antiguidade hos ter desfalcado cõ ha ferrugé que criauão. Mandou lançar armas per todalas çidades, & villas do Regno, í. couraças, & laças, & aisi ordenou q houuefte couraçeiros, & armeiros nas çidade, & villas íeguintes, pagos á culta da iua fazenda, Coimbra, Euora, Porto, Lamego, Sanétaré, Eluas, Beja, Tauilla, Lagos, Moura, Mourão, Mõfaraz, Couilhã, Viana de foz de lima, Caftelbranco, & Torre de mercoruo. Mandou tirar hos balcões, & facadas que hauia na çidade de Lisboa, obra proueitoía, & mui neçeííaria. Pos juizes de fora nas çidades, & villas, de todo ho Regno á cuíta de lua fazenda, pareçendolhe q hos naturaes poderião per afeição errar no q julgauão, & por acudir ahos grandes gaftos q em ieus Regnos fazião aisi hos nobres quomo hos
— 211 do pouo, em trajos, & vertidos de feda, has defendeo referuãdo ahos nobres q trouxeflem barretes, carapuças, çapatos, çintos, & afsi lias guarnições das fpadas, mulas, & cauallos de feda. MSdou laurar no ano do fenhor de mil quatroçêtos, nouenta, & noue lios Portugueles douro, i. ih t.ci. i.* de dez cruzados de va*lor cada hú de vintequatro quilates, que era ha mefma lei dos cruzados, hos quaes Portuguefes tinham de húa parte por cunhos ha cruz da orde de chriftus, & hum letreiro q dizia, In hoc figno vinçes, & da outra parte tinham ho ícudo das armas do Regno cõ lua coroa, & dous letreiros, hú na garfilla de fora aho redor q dizia, primus Emanuel Rex Portugaliae, Algarbiorú citra, & vlara in Africa, & dominus Guinas, & outro letreiro aho redor das armas que dizia, cõquifta nauegação, comerçio ^Ethiopiae, Arabias, Perfiae, Indiae. Mandou mais laurar no mefmo Anno moeda de prata de lei de onze dinheiros do grãdor dos Marçelos Venezeanos de feíenta, & feis grãos de pefo cada hum, de quatro mil, & feilçentos, & oito grãos no marquo, que faiam per marquo fetéta peças de trinta, & tres reaes cada húa, à qual moeda chamauão índios, & tinha de húa parte ha mefma cruz, & letreiro que hos portuguefes, & da outra ho lcudo das armas do Regno cõ ho letreiro primus Emanuel. E no anno de Mil, & quinhentos, & quatro mandou laurar hos Portuguefes de prata de valor cada hum de quatrocentos reaes com hos mefmos cunhos, deuifas, & letreiros dos portuguefes douro, & defies de prata mandou fazer meos, & quartos. Continuou nos cruzados FLniT.ci.i.'do mefmo pefo, & lei que hos elRei dõ Afonlo quinto* feu tio, & elRei dom loam fegundo feu primo fezeram, & afsi nos vintes, & çeptis. Mandou fazer quartos de cruzado douro cõ ha meíma deuifa, & letreiro, moeda q elle trazia na bolfa pera dar de fua mão defmola a pobres, hos quaes fez depois do faleçimento da Rainha donna Maria fua molher quomo fica dito. Mandou forjar de nouo hos toftões, que ião hos quartos dos portugueles de prata cõ ha mefma deuifa, feudo, letreiro dos portuguefes douro, de que cada toftão vai çinquo vintes, & cada vinte vinte reaes brãcos. Fez meos toftões de prata no Anno de mil, & quinhétos, & dezalete, q de húa banda tem hos çinquo leudos das quinas, & da outra húa cruz, & dãbalas bãdas diz ho letreiro, Primus Emanuel R. P. & A. D. Guinae. Fez reaes de cobre de íeis çeptis cada real, que de húa banda tinham hum R. de baixo de húa coroa, & da outra ho feudo das armas do Regno, & ho letreiro dambalas bandas diz Emanuel Rex Por- tugalliae, & A. Dns guinae, &c. dos quaes reaes de cobre correram pou- quos, por ho preço das coufas que valiam hum çeptil, ou pouquo mais fe aleuantar logo no de hum real, do que fe pode ver, & afsim do que já dixe dos meo toftões de prata que elrei fez, quão pouquo proueitolo
— 212 — he ho fazer das moedas nouas, & fobre tudo lio das groflas, prinçipal- «fi.ii3.ci.mente nas de* cobre ou liga baixa, de que fe ho pouo ferue por meudo. Fez elRei dom Emanuel Dioguo da lylua feu aio Conde de Portalegre de juro, & ihe deu has villas de Çelorico, Gouuea, & fão Romão, na comarqua da beira. Fez Condes Dalcoutim todolos filhos primogénitos dos Marquefes de villa Real, dos quaes Condes ho primeiro foi dom Fer- nando filho mais velho do Marques dom Pedro de menefes, que elRei dom loam fegundo fez em Beja no Anno de mil, & quatrocentos, & oitenta, & noue primeiro Marques de villa Real. Fez Duque de Bragança dom Iaimes, filho mais velho do Duque dom Fernando de Bragança. Fez Duque de Coimbra, & fenhor de Torres nouas, & de Monte mor ho velho dom George filho baítardo dclRei dó loam fegundo feu primo, & lhe deu hos Meítrados de Sanótiago, & de Auis, por lho aísi deixar encomendado ho dito Rei dom loam em feu teftamento. Fez cõdeítabre do Regno dom Afonfo filho natural de dom Diogo feu irmão duque de Vifeu. Fez Conde de Tentúgal dom Rodrigo de melo filho mais velho de dom Aluaro, irmão do Duque do Fernando de Bragãça, que depois foi Marques de Ferreira. Fez dom loam de menefes, leu mordomo mor, Conde de Ta- rouca: fez conde da feira dom Diogo pereira. Deu de nouo titulo de Fi.u3.ci 2.» viçerei da* India a dom Françifco dalmeida. Fez Conde Dabrãtes dom Lopo dalmeida. Fez Conde de villa noua de Portimão dõ Martinho de Caftelbrãco. Fez code do Vimiofo do Frãçifco de Portugal, filho natural de dó Afonfo de Portugal Bifpo Deuora, ho qt/al Biípo era filho de dõ Afonfo Marques de Valença, filho primogénito, & herdeiro de dõ Afonfo primeiro Duque de Bragãça, filho natural delRei dõ Ioão de boa memoria primeiro do nome dõde delçéde ha cafa do code do Vimiofo, quomo mais largaméte ho tenho relatado na Chronica do Príncipe dom loam, Rei que foi defies regnos fegúdo do nome. Fez nouamente Almirante da índia dõ Vafco da gama, que ha defcobrio, & ho fez cõde da Vidigueira. Fez marques de Torres nouas dom loam' filho mais velho de dõ George meílre de Sãótiago. Deu ho officio de camareiro mór do Principe feu filho a dom loam de menefes, & depois de faleçer em Azamor, ho deu a Nuno fernandez dataide, & depois que ho mattaram hos mouros em Çafim deu eíle offiçio a dom Martinho de Caítelbranco, que depois foi Conde de villa noua de Portimão. Deu aho Infante dom Luis por camareiro mor, & guardamor Rui tellez de menefes, & aho Infante dom Fernando, George da fylueira, & aho Infante dom Afonfo, dom Garçia de menefes, & aho •fi.ii3t.ci.i.»Infante dom* Henrrique Symão de Miranda Deuora, & aho Infante dom Duarte, Martim afonfo de melo Coutinho de Sanótarem, & aho Prin- cipe fendo minino deu por guardas de fua peffoa Bartholameu de paiua
— 213 — leu amo, & Rui figueira de quem fiz mençam na Chronica do Prinçipe dom Ioão, quando elRei dom Afonfo foi a França. Deu titulo de dom a Rui de fande pelos leruiços que lhe fez em Caftella, afsi nos cafamentos das Rainhas donna Ifabel, & donna Maria, quomo em outras coufas, & ho deu também a Vaíco da gama por fer ho primeiro que paífou à índia, & a Aluaro da cofta por em Caftella negoçear ho cafaménto dentrelle, & ha Rainha donna Leanor, ho qual titulo de Dõ lhes deu pera elles, & pera feus delçendentes acreçentando aho de dom Vafco da gama que folie também pera feus irmãos, & pera hos que delles vieflem. Fez çidades das villas do Funchal, na ilha da madeira, de Tauila no Regno do Al- garue, Deluas, & Beja em Alentejo. Fez villas na ilha da madeira hos lugares da ponte do foi, da Calheta, & hos feparou da Iurdição da çidade do Funchal. Fez villa do lugar do porto do Iudeu na ilha terceira com nome de fam Sebaílião, & ho feparou da jurdição da villa Dangra. Fez villa ho lugar de Nordefte na ilha de fam Miguel, & ho leparou da jur- "Fi.n3t.ci.j.*diçã * de villa Franca. Fez villa ho lugar de landa Cruz na ilha da Ma- deira, & ho feparou da jurdiçam de Machiquo. Fez villa do lugar Daugoa do pao na ilha de fam Miguel. Fez villa do lugar de Tancos, & ho le- parou da jurdiçam da villa Datalaia. Fez villa do lugar dos arcos de • Fi.114.ci.i.* Valdeuez. Deu muitos Priuilegios afsi ás* çidades, & villas do Regno, quomo ás das ilhas, & lugares de fuas conquiftas em Africa, Guine, terra de Sanda Cruz, ou Brafil, & na índia, & outras prouinçias que ganhou, do que tudo foi fenhor em quanto viueo. Fim da Chronica do feliçifsimo Rei dom Emanuel.
Tauoada dos Capítulos desta quarta parte da Chronica delRei dom Emanuel. Capitvlo Primeiro de Qvomo elRci mandov visitar elRei dom Fernando per loam Rot% de Sá, por ter nonas que Jlaua muito doente, da qual doença fe finou, & de quomo mandou Pero correa por embaixador aho Emperador Maximiliano, & doutras particularidades. Pág. i Capitu, ii. De quomo fe reformaram has pa\es de Coulam, & Lopo foare\ mãdou Simã dãdrade a Ormu\, & apos elle dó Aleixo de menefes, & defpachou Fernão pere\ dandrade perá China, & do q paffarã, Iami rabelot empaçem, & Anrique leme na viaje de Mar- tabão. 2 Capitu, iii. Dalgúas coufas qve tocam a elRei dom Afonfo de congo, & do feu bó modo de viuer, & exemplo de bom chrifiam. 5 Capitulo, iiii. De hum embaixador qve elrei de França mandou a elRei dom Emanuel, & de tres gentis homes Polonos que vieram a efie Regno, que elRei armou Caualeiros. 8 Capitulo, v. Em que fe tratta de qvomo dom loam Coutinho foi fobre Tintaixe, & elRei de Fe\ veo çercar Ar\illa, & do que fe alte fim do çerquo pajfou. 9 Cap. vi. De húa entrada qve Nvno fernande\ dataide fe\ em que ho mattaram, & desbarataram ha gente que com elle iha depois de ho terem morto. 12 Capitu, vii. De quomo elRei mandov por capitam, & gouernador a Çafim dom Nuno mafcarenhas, & da tornada de Side Iheabêtafuf do Regno cÔ dom Pedro mafcarenhas, & do nafçimêto do Infante dom Antonio. '6 Ca. viii. De quomo hos mouros tomaram dvas carauellas, em q mattarão Frãçifco do foueral, & captiuarã Pero lope\, & GÕçalo va\ almocade, & do martyrio que lhe deram em Alcácer quibir. 17
4 2l6 Capito, ix. Do que Fernam gome\ de lemos passov, depois que partio Dormu{ atté chegar a Corte do xeque Ifmael. 19 Capitu, x. Do que fe pajfou lodo ho tempo qve os Embaixadores fleue- ram na corte do Xeque IJmael. 21 Capitu, xi Do que ho Embaixador passov atté chegar ha çidade de Tauri{, & dalii a Ormu\, & a índia. 26 Capitu, xii. De quomo Lopo Soare\ partio de Goa com hua armada em bufca doutra que ho Soldam de Babilónia fafa no mar Darabia. 29 Ca. xiii. De quomo Lopo Soare\ chegou á çidade de Inda, & do que ahi fe\ atté fe partir pera ha Ilha de Gamaram, onde Duarte Galuatn faleçeo. 32 Capitu, xiiii. De quomo Lopo soare\ por lhe morrer muita gente per falta de mantimétos, hos foi bufcar ha çidade de Zeila, & ha queimou, por hos moradores delia ho reçeberem de guerra, indo hos elle bufcar de pa\, & de como per cafo dos mefrnos mantimétos detreminou de ir á çidade de Barbora, & por lhe ho vento feruir fe foi na volta de Ormu\, donde fe foi perá índia. 35 Cap. xv. Do que Heãor roi\ passov em covlam, onde ho Lopo foare\ tinha mãdado, pera fa\er Ma fortaleza, & reçeber ho que elRei era obrigado pagar, fegundo forma dos conttrattos que Je com ha Rainha fua mal, federam. 38 Capito, xvi. De quomo dom Got erre depois da partida de Lopo Joare\ mãdou dom Fernando feu irmão darmada ás Ilhas de Maldiua, & feu fobrinho dom loão correr ha cojla atté Chaul, & do que lhes aconteçeo. 39 Capitu, xvii. De quomo fe a\ov ha morte de loam machado, per cafo de diferenças que houue entre dó Goterre de monrroi Capitão de Goa, & Ancojlam Capitão das terras de Ponda. 40 Capitu, xviii. De quomo elRei qvis ver per experiençia ho que hos fcri- ptores antigos fcreuem do odio natural que ha antre hos Elephantes, & hos Rhinoçerotas, pera ho que mandou em Lifboa metter ejlas duas efpantofas alimarias em hum terreiro çerrado, & do que cada híia delias fe\. 43 Capitu, xix. Do falecimento da rainha dona Maria, & de /eus virtuofos cuftumes, modo, 6 ordem que tinha de viuer. 49 Cap. xx. Em que fe trattam algvas covsas que nefle tempo aconteçeram no Regno. 5o Cap. xxi. Dalgúas coufas qve tocam ahos negoçios do Caflelo de fanãa Cru% do cabo de guer. 5i Capitulo, xxii. Quomo elRei mandov hva armada fobela villa de Targa,
& do q fe nijfo pajjou, & de híía entrada que federão dom Ioão Coutinho, & dó Duarte de menefes em que correram alie ho campo Dale, 6 farife. 52 Capitu, xxiii. De híía entrada qve dom Pedro ma/carenhas fe\ per terra de mouros Jlando em Çafim, & do que dom Nuno ma/carenhas fcreueo a elrei fobela vinda de Gonçalo mende\ çacoto alio Regno. 53 Cap. xxiiii. Da viagem qve Fernam pere\ dandrade fe\ a China, & do que lhe aconteçeo alté tornar alio Regno. 55 Capit. xxv. Dos cojlumes dos chins, religiam, & fertilidade da terra, & do que Thome pire\ pajfou na embaixada com que foi a elRei da China. 58 Ca. xxvi. Em que fe trata das obras pias que ha Rainha donna Leanor, irmã dei Rei dom Emanuel fe\ nejles Regnos, & quomo per Jua inter- çejfam foram trazidas a elles has Relíquias do corpo da virgem fanãa Auta, S de quomo elRei tinha delreminado de refidir no Regno do Algarue, pera dalli prouer na guerra Dafrica, & ha caufa porque ho nam fe\. 6o Capitu, xxvii. De quomo Lopo soare\ mandou dom loam da fylucira affentar pa\es com hos Reis de Maldiua, & de Bengalla, & do que nejla viagem pajfou. 6i Capi xxviii. De quomo Lopo J'oare\ mandov Antonio de Saldanha correr ha ha co/la Dormu\, & Cabaia atte ha portas do Jlreito de Arabia, & do q fe\ atte tornar à India, no qual tempo mandou também Ema- nuel de laçerda a Dio, & dó Aleixo de menefes a Malaca. 64 Capitulo, xxix. Quomo Molei abrahem correo Arçilla, & mattou ho Adail Fernam galego cõ vinte de cauallo, & captiuou dom Antonio mafcarenhas. 66 Capitulo, xxx. Dalgúas covsas qve ne/le tempo pajfaram em A\amor. 67 Capit. xxxi. De quomo elrei mandov Diogo Lope\ de fyqueira por Gouemador da índia, 6 do que pajfou no caminho alté la che- gar. 69 Capitu, xxxii. De quomo Lopo foare\ foi a Ilha de Zeiland onde fe\ híía fortaleza, & do mais que pajfou atte tornar a Cochim, & dahi pera ho Regno. 70 Cap. xxxiii. Do cafanièto da Infante donna Leanor com elRei dom Ema- nuel, & do pare!efco que entrelies hauia. 72 Cap. xxxiiii. Do reçebimento qve se fe\ a Rainha em Ca/lello de vide, per onde entrou em Portugal, & do que fe mais pajjou atte chegar á villa Dalmeirini. 75 Capitu, xxxv. Do que fe passov em Malaca todo ho tempo que dõ Aleixo VOL. IV 28
— 2 18 ahi Jleue, & depois q partio pevá India atte Jim dejie Anno de Mil qui- nhentos, & dezoito. 79 Capit. xxxvi. Em que fe tratta da armada que ejle anno fox á India. 82 Capit. xxxvii. De quomo Fernam de magalhães deu a entender a el Rei dom Carlos que has ilhas de Maluquo, & batida caiam na fua demar- caçam, & que iria a ellas Jem tocar nos limites da nauegaçam de Portugal. 83 Capit. xxxviii. Em que ho author declara quaes foram hos fcriptores, que cópoferã has chronicas dos reis dejtes regnos. 89 Capitu, xxxix. Dalgúas entradas qve dom Aluaro de Noronha fe\ em terra de mouros, & Vafquo femande\ çejar Adail da mefma çidade. 95 Capitu, xl. De duas entradas qve dom Aluaro de Noronha fe\ na Enxouuia. 99 Capitulo, xli. De húa entrada qve dom Ioani Coutinho fe\ em terra de Mouros. 101 Capitulo, xlii. De húa entrada qve fe\ dom Emanuel masfcarenhas, per cafo da qual fe defpotioaram has aldeas de Benamares, & de quomo elRei de Fe\ veo correr Achilla donde fe caufou ha morte do alrno- cadem Aroa\. IQ3 Ca. xliii. De húa entrada qve dom Nvno Mascarenhas Capitão, & gouernador da çidade de Çafim, fe\ per terra de mouros. io5 Ca. xliiii. Doutra entrada qve dom Nvno Mascarenhas fe\ de\afeis le- go as per terra de mouros. 106 Capitu, xlv. De quomo Diogo Lope\ de Siqueira partio pera ho mar Darabia, & do que pajfou atte chegar a Maçua, & do que ahi fe\, & 110 demais da viagem atte tornar a índia. 110 Capitulo, xlvi. Dalgúas cousas qve passaram em Septa nejle Anno de Mil, quinhentos, & vinte. 1 '4 Capit. xlvii. De quomo elRei de Fe\ veo correr a çidade de Tanger, & Ar^illa, & de hum cafo graçiofo que aconteçeo a algús dos mora- dores da villa. 1 16 Capit. xlviii. De quomo elRei mandou dom Pedro mafcarenhas a fondar ha boca do rio de Tetuam pera nelle fa\er húa fortaleza, & do que JobreJle negocio no me [mo tempo lhe elRei dom Carlos fcreueo. 118 Capit. xlix. De húa entrada qve dom loam Coutinho, & dom Pedro mafcarenhas federam atte aliem da ferra de Benamares. 120 Capitulo. 1. De quomo indo Ioani coelho Alcaide mór de Tanger, & feu irmão Aires coelho pera Arylla em húa carauella, pelejaram cõ húa fufla de Tetuam, & do que fe niffo pajfou. 121 Capitulo, li. De quomo dom Françisco de Crajlo capitam do Cajlello
— 219 de fanâa Cru\ no cabo de Guer foi fobela villa de Turoququo, & ha tomou. 123 Capit. lii. Do que Antonio correa pafjou na viagê que fe\ a Malaca, & Pegu, & do que em Malaca aconteçeo alie que tornou, & do q ahi fe\ depois de chegar atté fe ir perá índia. 124 Capitu, liii. De quomo has rainhas de covlam, & Comorim mandara çerquar ha fortaleza de Coulam, & do que fe niffo paffou. 128 Capit. liiii. Do que aconteçeo a Gregorio da quadrada defno tempo que foi captiuo no Regno Dadem, atté acabar fua vida em reli- giam. i3o Capitu, lv. Dalgíis reboliços qve passaram em Cajlella depois da par- tida delRei dom Carlos pera Flandres, & da ajuda, fauor, & confelho que elRei dom Emanuel a ijfo deu. i33 Capitu. Ivi. Dalgíis defgostos qve hovve entre dom Nuno mafcarenhas, & Sidehieabentafuf & da viãoria que ejle xeque houue em companhia de Portuguefes dos de Abida, que fe lhe leuantarão pelo verem andar desfauoreçido de dom Nuno. i35 Capit. lvii. Do que aconteçeo a Vasco fernande\ çefar com duas galeotas que encontrou no (Ireito. . Capit. lviii. De quomo Vasco fernande\ çesar desbaratou feis galeotas, & do blafão darmas que lhe elRei por ijfo deu. i38 Capitulo, lix. Dalgítas covsas qve mais aconteçeram nejle Anno de Mil, quinhentos, & vinte, em A\amor. 139 Capitu, lx. De quomo diogvo lope\ de sequeira fe\ húa armada com que foi fobre Diu, & do que lhe aconteçeo atté jr inuernar a Ormu\. 141 Capitu, lxi. De quomo elRei de Narsinga desbaratou ho Çabairn dalcam & mãdou recado a Rui de melo Capitão de Goa, que tomaffe poffe das Tanadar ias da terra firme. 144 Capitu, lxii. De quomo hos da Ilha de Zeiland fe aleuantaram contra hos Portuguefes, & do que fe niffo pafjou. 145 Capitu, lxiii. De quomo Diogo Lope\ de Sequeira mandou Antonio correa fobela Ilha de Baharem, & do que fe niffo fe\. 147 Capitu, lxiiii. De quomo hos movros mattaram ho esforçado Caualleiro Side hieabentafif á t raie am. i5i Capitu, lxv. De quomo elRei mandov por Gouernador á índia dom Duarte de menefes. *53 Capitulo, lxvi. Do que George dalbvqverque paffou em Paçem atté rejli- tuir ho Prinçipe no Regno. i$4 Capitu, lxvii. De quomo George de Brito foi ter aho porto de Achem, onde hos da terra ho mattaram com muitos dos que com elle ihão. i56
220 — Capitu, lxviii. Do nascimento da infante donna Maria, & do difcurfo de fita vida atté ho tempo prefenle, em que corre ho Anno do Senhor de Mil quinhentos fefenta, & fete. 158 Capitu, lxix. Do que aconteçeo a diogvo fernande\ de Beja depois que partio Dormu$ alie chegar a Diu, & dahi a Chaul, onde ho Diogo lope\ de fequeira achou, aho qual lugar foi ter com elle dom Aleixo de mene/es. 161 Capitulo, lxx. Em que se tratta do casamento da Infante donna Bea- triz, filha delRei dó Emanuel cÓ Carlos Duque de Sabóia. 162 Capitulo, lxxi. Em que se tratta da progenia, & linhagem da Rainha donna Maphalda filha do Conde Amedeu de Moriana em Sabóia, tnolher que foi dei Rei dom Afonfo Anrrique\. 167 Capitu, lxxii. Da progenia e linhagem do Conde dom Anrrique pai dei Rei dom Afonfo Anrrique\. 172 Capitu. Ixxiii. De qttomo Hagamahamed capitam de Melequia\ pelejou cÓ ha nojfa frota fobela barra de Chaul, na qual peleja mattarã Diogo fernande\ de beja. 176 Capit. Ixxiiii. De quomo Antonio correa desbaratou Hagamahamed, & dom Luis de menefes chegou a Chaul. 179 Capitulo, lxxv. Do que aconteçeo a George dalbuquerque, & ha Antonio de brito, na Ilha de Bintam. 181 Capitulo, lxxvi. De qvomo dom loam Coutinho correo ho campo Dalcaçer quebir, & Aleexerife pela qual caufa Side hamet laro\ Alcaide da mefma villa correo Ar fill a, & do que fe niffo paffou. 182 Capitulo. Ixxvii. De qvomo dom Henrriqve de menefes Capitam da çidade de Tanger vindo ho Alcaide de Tetuam correr ha terra lhe /aio, & do que je niffo paffou. 185 Capitulo, lxxviii. De qvomo Vasco Fernandes çefar andãdo no Jlreito encõtrou com quatro naos Ingle/as que tinham tomado híia carauela Portuguefa, que trafia ha Capitania atoada per popa, ha qual desba- ratou, & fe rendeo com has outras, fir de quomo elRei mandou Sj-mão da cunha por capitão de híia armada aho Jlreito de Gibaltar. 187 Capitu, lxxix. De quomo elRei Dormv\ per confelho de feu fogro, & de Raix xarafo quebrantou has pa\es, & amizades que tinha affentadas com Afonfo dalbuquerque, & mãdou dar de noite nos Crijlãos que flauam na çidade, de que malfarão algús. 188 Capitu, lxxx. De quomo Raix xarafo mandou combatter ha fortaleza, & do que fe mais paffou nejle negoçio atte morte delRei Dormu\. 190 Capitulo. Ixxxi. De qvomo hos vene\eanos mandaram çinquo galeaças ha çidade de Lisboa, & da commiffam que ho Capitam delias trafia. iofi
221 Capit. Ixxxii. De quomo Diogo lope\ de fequeira entregou ha Gouernança da India a dom Duarte de menefes, 6 fe veo pera ho Regno. 194 Capitulo, lxxxiii. Do falecimento delRei dom Emanuel, & de quomo foi fepultado no mojleiro de Bethlem. 195 Cap. lxxxiiii. Das feições corporaes delRei dom Emanuel, & das quali- dades de fua Real pejfoa, & cotifas a que era inclinado, & afeiçoado, 6 ordem de fua cafa, & modo de viuer. 197 Capitulo, lxxxv. Das Egreias, Mofieiros, Hofpitaes, cajlellos, fortalezas, & outras obras que elRei dom Emanuel fe\ de nouo, & mandou reparar, & dos lugares que ganhou ahos mouros em Africa, & em Afia. 2o3 Capit, lxxxvi. Das injlitvçóes, ordenações, regimentos, moedas que fe\, dignidades, officios, cidades, & villas que criou de nouo. 207 L
índice analítico de matérias.(l) abbima, sua significação — IV, ti i. Abdaramão, alcaide da Xerquia — III, 182. Abdear Rahmam, senhor de Safim — II, 52. é assassinado por Haliadux e Ihea- bentafuf—II, 53. Abexi ('pais do), v. Etiópia. Abida, tributo que pagava esta tribu — III, 55. a sua gente é vencida por Lopo Bar- riga — III, 119-120. Abrahém (Coje), capitão do rei de Caxém na ilha de Sacotorá — II, 70. (Molei), surpreende gente de Arzila — IV, 66. Abrantes, D. Manuel faz conde dela D. Lopo de Almeida — IV, 212. Abreu (António de), vai descobrir as ilhas de Maluco e Banda — III, 95, 110. (João Gomes de), v. Gomes de Abreu (João). Achém, cidade da ilha de Samatra, o seu rei era inimigo dos Portugueses — IV, 156-7. o mesmo desbarata e mata Jorge de Brito — IV, 157-8. Acote, privado do senhor de Sofala — II, 28. é feito senhor de Sofala — II, 29. Adão, pico, lagoa e ermida em Ceilão — II, 35. Adem, Afonso de Albuquerque tenta tomar a cidade — III, 149-152. sitio dela e costumes da gente — III, i5a-3. os seus moradores oferecem ser vas- salos de D. Manuel — IV, 3i-2. mudam depois de opinião — IV, 36. Afonso (D.), condestável de Portugal, seu falecimento em 1504 — I, 175. filho de D. Manuel, seu nascimento e alguns factos da sua vida — II, 28-9. genro de Nuno Fernandes de Ataíde, peleja com os mouros em Aleborge — III, 23 1. filho de D. Manuel, é feito cardial — IV, 2. sobrinho de D. Manuel, é feito por êste condestável do reino — IV, 212. rei do Congo, acolhimento que faz a Rui de Aguiar — IV, 5-6. o seu viver de bom cristão — IV, 6-7. um dito seu sôbre as ordenações do reino — IV, 7. rei de Manicongo, v. Manicongo. Afonso de Melo (Martim), capitão de Ma- zagão — III, 237. Africa (lugares de), comendas que se criam para quem lá vai defender a fé — IV, 2o7. rendas de dinheiro para cem cava- leiros — IV, 207. (1) Este índice não é exaustivo: contém apenas a matéria principal do texto. Os nomes próprios de pessoas de dois apelidos inacrevem-se por ambos; e de mais de dois pelo primeiro c último apelido. Os nomes comuns vão com maiúscula, salvo se são étnicos. Só se registam os que sáo definidos no texto. Os algarismos romanos indicam as partes ou volumes da crónica e oa árabes as suas páginas.
— 224 — Africa (lugares de), para o pagamento das comendas, rendas e mantimentos ia lá uma armada todos os anos no verão — IV, 207. esta armada ia também para defender estes lugares — IV, 207. Agabalo, castelo do xerife de Marrocos — III, 236. Agacim, pôrto de Java onde a alguns Por- tugueses de António de Brito sucedeu desastre — IV, 182. Água-do-Pau, D. Manuel faz o lugar vila — IV, 2i3. Aguiar (Jorge de), capitão de uma armada que vai à índia e sucessos dela—II, 60-62. (Rui de), vai ao Gongo para prover nas cousas da religião — IV, 5. bom acolhimento que tem — IV, 6. carta que escreveu a D. Manuel sôbre o rei do Gongo — IV, 6-7. Aguf, tributo que pagava a sua gente — III, 56. capitão da sua fortaleza Francisco Mendes — III, 126. junto dali Iheabentafuf desbarata o rei de Marrocos — III, 127. alahella, sua significação — IV, 99. Albuquerque (Afonso de), sua viagem à India — I, i65, 168-9, 170-172. toma vários lugares da Arábia — II, 94-97- toma Ormuz por combate — II, 99~io3. capitulações de paz — II, io3-4. vê-se com o rei de Ormuz e presentes que recebe dele —II, 104. edifica a fortaleza de Ormuz — II, io5, 106. sua resposta aos embaixadores da Pérsia — II, 106. desavenças com alguns capitães da frota — II, 106. ateia-se de novo a guerra com Ormuz — II, 107-110. vai em socorro da fortaleza de Sa- cotorá — II, lit. combate e manda pôr fogo a Ca- laiate — II, 112—113. Albuquerque (Afonso de), desavenças com o vice-rei da índia — II, 115—116. novas desavenças com o vice-rei — II, 126. congraça-se com o vice-rei e toma posse do governo da índia — II, 127. vai sôbre Calecute e é desbaratado — II, 13o-t 33. toma a vila de Pangim — III, 12. toma pacificamente a cidade de Goa - III, t3. põe oficiais mouros e gentios nas tanadarias de Goa — III, 14. manda Gaspar Chanoca por embai- xador ao rei de Narsinga — III, 14. desavenças com alguns capitães — III, t5. prepara-se para se defender do Sa- baindalcão e embarca na frota — III, 17-22. toma a vila de Pangim onde se fizera forte Pulateção — III, 24-5. justiça que fez num Português amo- rudo — III, 26. faz paz com Sabaindalcão e deixa o rio de Goa — III, 3o. vai em socorro do rei de Cochim — III, 37. recebe um embaixador do rei de Gambáia — III, 37-8. vai novamente sôbre Goa e toma-a - III, 38-43. casa muitos Portugueses com mu- lheres da terra — III, 61, IV, 40. embaixadas de Narsinga, Calecute, Cambáia etc. — III, 6t. manda lavrar moeda em Goa — III, 61. manda derrubar a fortaleza de Sa- cotorá — III, 62. desavenças ccm Diogo Mendes de Vasconcelos e prisão deste — III, 62-3. castigo das pessoas que lhe desobe- deceram e seguiram a parte de Mendes de Vasconcelos — III, 63. vai com uma armada sôbre Malaca - III, 64-7. no caminho assenta paz com os reis
de Pedir e Pacém da ilha de Samatra — Ill, 65. Albuquerque (Afonso de), toma Sultão Zeinal debaixo da sua protecção e leva-o a Malaca — III, 66-7. combate esta cidade e toma-a—III, 69-75. manda Duarte Fernandes ao rei de Sião — III, 72. ordem que põe no governo da cidade — III, 75-6. moedas que cunha — III, 76. os reis vizinhos enviam-lhe embai- xadores — III, 77-8. achando culpados Utetimutaraja, seu filho e geriro manda-os degolar na praça pública — III, 93-5. manda descobrir as ilhas de Maluco e Banda — III, g5. rebelião de Patecatir, governador dos mouros de Malaca— III, 95-6. ordenadas as cousas de Malaca, re- gressa à India com grande tormenta na viagem — III, 96-8. parte com uma grande armada para Goa e põe cerco a Benastarim — III, 111-1i3. Benastarim rende-se — III, 114. crua vingança que toma dos rene- gados que andavam com Roçalcão — III, ti5. embaixadores que vêm a Goa — III, 115—116. o rei de Calecute autoriza que se faça nesta cidade uma fortaleza — III, 117. viagem ao mar da Arábia — III, 149-155. tenta tomar Adém — III, 149-152. vai até Camarão e regressa à índia — III, i53-5. recebe um embaixador do rei de Narsinga — III, 155. faz paz com Calecute e começa a fortaleza aí — III, 156. manda a D. Manuel algumas cousas do despôjo de Benastarim — III, 193. manda Jorge de Albuquerque para capitão de Malaca—III, 211. VOL. IV Albuquerque (Afonso de), manda tirar o oficio de bendará de Malaca a Nina- chetu — III, 211. manda Diogo Fernandes de Beja por embaixador ao rei de Cambaia — III, 215-7. manda Pero de Albuquerque ao cabo de Guardafum e a Ormuz —III, 218-9. manda João Gonçalves de Castel- branco por embaixador ao Sabaindalcão - III, 219. manda António de Sousa e João Teixeira por embaixadores ao rei de Narsinga — III, 219. vai sobre Ormuz — III, 220-1. faz finalmente fortaleza nesta cidade - III, 223. manda matar Raix Hamed, regente de Ormuz — III, 226-8. enredos na côrte contra êle—III, 246. pede a D. Manuel o título de duque de Goa — III, 246-7. é substituído no governo da índia por Lopo Soares de Alvarenga— III, 247. estando ainda em Ormuz adoece gravemente — III, 254. parte para Goa— III, 255. no caminho sabe da nomeação do seu sucessor — III, 255. palavras de desalento e carta que escreve a D. Manuel — III, 256. a ingratidão régia agrava o seu mal e morre à vista de Goa — III, 256. pesar que causa a sua morte—III, 256. é enterrado em Goa e depois trans- ferido para a Graça em Lisboa — III, D. Manuel arrependido manda Afonso Lopes da Costa à índia desagravá-lo - III, 256-7. favor que D. Manuel dá a seu filho Brás de Albuquerque — III, 257. carta do xeque Ismael a êle — IV, 28. carta de Mirabucaca a êle — IV, 29. (Brás de), filho de Afonso de Albu- querque, D. Manuel favorece-o e mu- da-lhe o nome no do pai — III, 257. 29
— 226 — Albuquerque (Francisco de), sua viagem á índia —I, 9, 171-2. (Jorge de), capitão de Malaca em 1514 — III, 211. manda degolar o bendará da cidade — III, 252. vai á índia com uma armada em 1519 — IV, 82-3. vence Geinal, tirano de Pacém, e põe no seu lugar o legítimo rei — IV, 154-6. faz fortaleza em Pacém — IV, 156. vai sôbre a ilha de Bintao e é des- baratado— IV, 181. (Pero de), vai ao cabo de Guarda- fim às presas—III, 218. vai a Ormuz receber as páreas devi- das — III, 218. vai a Raxel, no gôlfo Pérsico — III, 21S-9. capitão da fortaleza de Ormuz — III, 254. Alcácer-Ceguer, seu capitão em 1520 Pe- dro Alvares de Carvalho — IV, 137. à vista da vila Vasco Fernandes César desbarata duas galeotas de mou- ros— IV, 137. Alcácer-Quibir, sítio e gente —I, 154. D. João Coutinho vai contra os mou- ros do campo da vila — IV, 182—3. o seu alcaide vem sôbre a vila de Arzila— IV, i83—4. D. João Coutinho desbarata-o e obriga-o a fugir — IV, 185. Alcácer-do-Sal, D. Manuel edifica a sua igreja — IV, 204. Alcáçova (Diogo da), feitor em Azamor — III, 160. Alcobaça, D. Manuel manda reparar o côro e capela-mór do seu convento — IV, 204. Alcoutim, D. Manuel faz conda dele os filhos primogénitos dos marqueses de Vila-Real — I, 35, IV, 212. Alé, califa — III, 223. a sua seita — III, 224. Alebarraxa (A/o/et), aliança entre êle e D. Fernando de Castela para a conquista do reino de Fez — III, 88. Alebarraxa (Molei), v. Barraxa. Aleborge, lugar onde gente de Safim pe- leja com os mouros—III, a3t. Alehauq, campo onde Iheabentafuf desba- rata os mouros — III, ia5. Alemeimão (cide), alcaide de Almedina — III, 172. Alexarife (campo de), correm a êle os capitães de Arzilla e Tânger — IV, 53. Alfaiates, D. Manuel manda fazer o seu castelo e cercar a vila — IV, ao5. Algauq, lugar a 4 léguas da cidade de Marrocos — IV, i3. Algel, castelo do xerife — III, 236, 237. Algur, lugar junto da cidade de Marrocos -IV, i3. Aljubilia, aldeia da serra do Farrobo, é destruída por D. João Coutinho — III, 242-3. Alinaçar, campo além da serra de Bena- mares — IV, 120. Almada (Rui Fernandes de), v. Fernandes de Almada (Rui). Almadrava, lugar junto do cabo de Es- partel — IV, 121, 122. Almandarim, alcaide de Tetuão, é des- baratado por D. Duarte de Meneses — III, 117-9. corre a Arzila — III, 128-9. Almedina, tributo que pagava esta cidade — III, 56. o capitão de Safim vai duas vezes sôbre ela por se ter levantado — III, 121—2. é despejada pelos seus moradores depois da tomada de Azamor — III, 168. é repovoada e feito seu capitão Ihea- bentafuf — III, 168. é tomada por Molei Nácer—III, 178. Almeida, D. Manuel manda reparar o seu castelo — IV, 2o5. (D. Francisco de), governador da índia — II, 1. regimento que levou — II, 2-4. sua viagem até Quiloa— II, 4-5. toma esta cidade e faz fortaleza nela — II, 5-8. toma e queima Mombaça — II, 8-1 a.
227 Almeida (£). Francisco de), edifica a for- taleza de Anchediva — II, i3. vence o rei de Onor — II, 14-17- toma o título device-rei — II, 18-19. recebe uma embaixada do rei de Narsinga — II, 18, 22. faz fortaleza em Cananor — II, 22-3. morte de António de Sá, feitor em Coulão, e represália que dela tomou — II, 23. investidura do rei de Cochim em nome de D. Manuel — II, 24-25. despacha Fernão Soares com as naus de carga para o reino — II, 25. manda às Maldivas seu filho D. Lou- renço que vai ter a Ceilão — II, 33. manda derrubar a fortaleza de An- chediva — II, 38. vai sôbre Panane — II, 74-6. manda seu filho até Chaúl de guarda às naus de Cochim — II, 77. desavenças com Afonso de Albu- querque por não lhe querer entregar o governo da índia — II, 115-6. vai com uma armada contra os Rumes e toma e queima Dabul — II, 116-8. peleja com Mirocém e desbarata-o em Diu — II, 119-124. assenta paz com Miliquiaz, senhor de Diu — II, 124-5. novas desavenças com Afonso de Albuquerque — II, 126. congraça-se com êle e entrega-lhe o govêrno da índia — II, 127. parte para o reino e é morto na aguada de Saldanha — II, 134-7. (D. Lopo de), D. Manuel fá-lo conde de Abrantes — IV, 212. (D. Lourenço de), queima as naus dos mouros de Coulão, como represália - II, 23. vai á ilha de Ceilão e faz tributário o rei de Gale — II, 33-4- desbarata uma armada de Calecute - II, 36-8. leva socorro à fortaleza de Cananor - II, 45. Almeida (D. Lourenço de), vai com uma armada até Chaúl de guarda às naus de Cochim — II, 77-80. sua morte — II, 80-82. Almeirim, festas que ali se fazem em honra de D. Leonor, mulher de D. Manuel — III, 77-78. Almunhacar, paúl entre Ceuta e '1 etuão -IV, 115. Alvarenga (Lopo Soares de), v. Soares de Alvarenga (Lopo). Alvares (Francisco), vai com D. Rodrigo de Lima de embaixador ao imperador da Etiópia — IV, 112. compôs um livro sôbre a Etiópia — — IV, 113, 211. Álvares Cabral (Pedro), capitão de uma armada que vai à India em i5oo—I, 11 5—I37. descobre o Brasil — I, 117-118. o que se passou em Calecute e outros lugares — I, 129-137. Álvares de Carvalho (Pedro), capitão de Alcácer-Ceguer em 1520—IV, 137. Alvaro (D.), irmão do duque de Bragança — III, 158. sua filha, D. Beatriz, casa com D. Jorge, filho de D. João II — III, 158-9. Alguma, lugar do campo de Safim—IV, 107. Amagor, vila do xerife, é tomada por Lopo Barriga — III, 235-6. Anafé, D. Manuel quis fazer fortaleza ali — III, 243. Anchediva, ilha, D. Francisco de Almeida edifica nela uma fortaleza — II, i3. uma armada do Sabaindalcão vai sôbre a nossa fortaleza — II, 38. a fortaleza é mandada derrubar — II, 38. Ancostão, capitão de Pondá, vai para êle Fernão Caldeira — IV, 40-41. mata João Gomes que por traição matara Fernão Caldeira — IV, 41. desbarata os nossos — IV, 42. Andrade (Fernão Peres de), v. Peres de Andrade (Fernão). Anhaia (Pero de), capitão da armada que vai a Sofala — II, 26.
228 Anhaia (Pero de), vê-se com o senhor de Sofala — II, 27. edifica ali uma fortaleza — II, 28-9. vence Sufe, senhor de Sofala — II, 29. sua morte — II, 29. Andrade (Sinão de), seu mau procedi- mento com os Chins — IV, 59-60. António (D.), filho de D. Manuel, seu nas- cimento e morte — IV, 17. (mestre), médico em Tânger—IV, 18. Árabes, o que são — III, i65. Araihana, atdeia do Farrobo que tomaram D. João Coutinho e Diogo Lopes de Sequeira — IV, 53. Araújo (Rui de), feitor em Malaca — III, 5. cativo nesta cidade — III, 8." é entregue a Afonso de Albuquerque - III, 69. Arcos-de-Val-de-Vès, D. Manuel fá-los vila — IV, 213. Aroaq, almocadém do Farrobo, é morto no campo de Arzila — IV, 104. Arquico, vila da Etiópia, acolhimento que o seu capitão faz a Diogo Lopes de Se- queira—IV, iti-112. desembarca aqui a embaixada por- tuguesa ao imperador da Etiópia e o. embaixador Mateus — IV, 112. Ar ração, o seu rei faz guerra a D. João da Silveira — IV, 64. Aru, o seu rei ajuda Jorge de Albuquerque contra o tirano dePacém —IV, i55-6. Arjila, el-rei de Fez vem sobre a vila — I, 108-109. D. Vasco Coutinho seu capitão — II, 85. el-rei de Fez toma a vila em i5o8 e cerca o seu castelo — II, 86-7. é socorrida por D. João de Meneses e o conde Pedro Navarro — II, 88-90. el-rei de Fez levanta o cerco — II, 91. D. Manuel quere ir pessoalmente so- corrê-la — II, 91. el-rei de Fez póe-lhe cerco — III, 3i. os alcaides vizinhos tentam várias vezes surpreender gente dela — III, 31-2. Arqila, grande número de fidalgos vai servir ali — III, 3t-a. duas entradas contra os mouros — III, 33-4. os alcaides de Tetuão e Xexuão correm a ela—III, 128-9. el-rei de Fez vem sôbre ela — III, 129-13o. D. João Coutinho seu capitão peleja com o alcaide de Alcácer-Quibir e outros e vence-os — III, 232. o mesmo vai sôbre Aljubilia e des- troi-a — III, 242-3. o seu capitão vai sôbre Tintaixe — IV, 9. cerco de i5i6 pelo rei de Fez — IV, 9-11. socorros que vão à vila — IV, 10-11, 12. Gonçalo Vaz seu almocadém é to- mado e morto em «5i6 — IV, 18, 19. seu irmão João Vaz também é morto em i5s4 — IV, 19. o seu capitão vai sôbre Araihama — IV, 53. o mesmo vai correr ao campo de Alexarife — IV, 53. a sua gente fazia muita guerra aos mouros vizinhos — IV, 66. cilada de Molei Abrahém — IV, 66. morte do adail Fernão Galego e da sua gente — IV, 66. é cativo D. António Mascarenhas — IV, 66-67. D. João Coutinho vai contra os mouros da aldeia dos Negros — IV, iot-io3. D. Manuel Mascarenhas, fronteiro, vai sôbre as aldeias da serra de Benamares — IV, 103-104. vem sôbre a vila el-rei de Fez — IV, 104. nesta ocasião é morto Aroaz, almo- cadém do Farrobo — IV, 104, el-rei de Fez vem sôbre a vila— IV, it6, ti8. caso gracioso sucedido no Rio Doce — IV, 116-117.
Arjila, D. João Coutinho vai contra os mouros de além da serra de Benamares — IV, 120-1. o mesmo vai contra os mouros até uma légua de Alcácer-Quibir — IV, 182-3. o alcaide de Alcácer vem sôbre a vila para se desafrontar — IV, i83-4. D. João Coutinho desbarata-o e obriga-o a fugir — IV, i85. Anta (Santa-), as suas relíquias vêm de Colónia para o mosteiro da Madre- -de-Deus em Xabregas — IV, 60-1. Ataíde (Nuno Fernandes de), v. Fernandes de Ataíde (Nuno). Avis (ordem de), os seus comendadores são autorizados a casar — I, 34. Ajaafi, v. Çafim. Azambuja (Diogo de), edifica o Castelo- -Real, em Mogador— II, 40. vai tomar posse de Safim — II, 53—5g. Ajamor, D. Manuel manda uma armada sôbre ela — II, 83-85. Molei Zeião defende-a — II, 83-84- feitores portugueses na cidade — III, 160. tributária de Portugal desde i5io — III, 160. tratado de paz por 20 anos — III, 160. os Portugueses deixam a cidade — III, 160. D. Manuel manda nova armada sôbre ela — III, i6o-3. sítio da cidade e gente dela e da sua província — III, tÔ4-5. é investida e tomada pelos Portu- gueses — III, 166-8. D. João de Meneses capitão do seu campo —III, 169. Rui Barreto capitão da cidade — III, 169. D. Pedro de Sousa capitão da cidade e do campo —III, 180. o mesmo vai sôbre Marrocos e pe- leja com a gente da cidade—111,239-241. seu capitão D. Álvaro de Noronha -IV, 67. A\amor, alguns feitos de guerra contra os mouros vizinhos — IV, 67-8. gente dela vai com os mouros abrir um coval de trigo na Enxovia e regressa desbaratada — IV, 68. D. Álvaro de Noronha vai muitas vezes contra os mouros da Enxovia — IV, gã-toi. Molei Benaduxera vem à cidade pôr-se à obediência de D. Manuel — IV, 139. êle e gente portuguesa vão contra os mouros a 3o léguas da cidade — IV, 139-140. muitos mouros de pazes do seu campo pedem, por causa da fome, para vir para Portugal fazer-se cristãos — IV, 183. Afevedo (Visconde de), publica'as variantes da Parte I da Crónica de D. Manuel — I, pág. xiH. A^eje, aldeia que tomam Lopo Barriga e Iheabentafuf—III, 120. Babilónia (sultão de), carta ao Papa contra os cristãos que lhe faziam guerra — I, 201-3. manda uma armada à India a pedido dos reis de Cambáia e Calecute — II, 77-82. o mesmo manda fazer uma nova ar- mada em Suez contra os Portugueses — IV, 29-30. dá a capitania dela a Raix Soleimão — IV, 3o. Baharém, ilha do gôlfo Pérsico — III, 218. António Correia vai sôbre ela e toma-a — IV, 149. Balvão, vila forte de Marrocos — III, 174- Banda (ilhas de), vai a elas António de Abreu com uma armada — III, 95, 110. banjães, sua significação— III, 214. Bárbaros, o que são — III, 1641 '65. Bárbora, cidade na costa da Etiópia, é quei- mada por António Saldanha — IV, 65. Bardes, a sua tanadaria é dada aos Por- tugueses—IV, 145. barnegais, o que era — IV, tia.
23o Barraxa, alcaide de Xexuão, é desbara- tado — III, 117-9. corre a Arzila — III, 128-9. Barreto (Rui), capitão da cidade de Aza- mor — III, 169. desavenças com D. João de Meneses — III, 169. ' vedor da fazenda do Algarve, vai em socorro de Arzila em 1516 — IV, 11. Barriga (Lopo), adail de Safim, vai contra os mouros de Ábida— III, 119-120. vai com Iheabentafuf sobre a aldeia de Azeze — III, 120. feitos de guerra em que se acha — III, 123-8. trava peleja com os mouros junto de Aleborge — III, 231. desbarata o xerife — III, 233-4. toma a vila de Amagor — III, 235-6. vai contra o xerife mas é pouco feliz — III, 237-8. vai com o capitão de Safim sobre Marrocos — III, 239-240. fica cativo no recontro em que ma- taram Nuno Fernandes de Ataíde — IV, i5. Barrim Bonat, embaixador do xeque Ismael a Afonso de Albuquerque — III, 225. sua recepção solene em Ormuz — III, 225. Barros (João de), é solicitado para fazer a crónica de D. Manuel — IV, 88. Barroso (Cristóvão), vedor do imperador Maximiliano, é encarregado de pros- seguir em certas negociações que não pôde acabar Pero Correia — IV, 2. bastardo, moeda de Malaca que fez Afonso de Albuquerque — III, 76. Batalha, D. Manuel manda acabar as ca- pelas dos reis no seu mosteiro — IV, 204. Baticalá, D. Afonso de Meneses vai sôbre esta cidade — IV, 72. Beatrif (D.), filha de D. Manuel, seu nas- cimento — I, 175. seu casamento com o duque de Sa- bóia— IV, 162-6. Beja, D. Manuel funda o seu hospital — IV, 204. Beja, o mesmo mandâ fazer a praça e cha- fariz dela — IV, 205. o mesmo fá-la cidade — IV, 2i3. (Diogo Fernandes de), v. Fernandes de Beja (Diogo). Belém, D. Manuel manda fazer o seu mos- teiro e a tôrre de S. Vicente— 1,1 i3-i 15, IV, 2o3, 2O5. Bellabeceti (cide), porta de Marrocos — III, 240. BenacaJij, aldeia a i5 léguas de Azamor sôbre o rio desta cidade — III, 170. é tomada pelos Portugueses—III, 107. Benaduxera (Molei), senhor de Nemo, faz-se vassalo de D. Manuel — IV, i3g. vem a Azamor — IV, 139. seu irmão Molei Feres vem a Por- tugal prestar obediência — IV, 139. vai com gente portuguesa contra os mouros a 3o léguas de Azamor e des- barata-os — IV, 140. passa-se a el-rei de Fez que o manda matar — IV, 140-1. Benamares (serra de), D. Manuel Masca- renhas vai.sôbre as suas aldeias — IV, 103-4. os seus moradores abandonam-na e vão para junto de Larache — IV, 104. D. João Coutinho corre a ela —1\, 120-!. Benastarim, Afonso de Albuquerque põe cerco à vila — III, 112-4. rende-se — III, 114. bendará, nome do regedor em Malaca — III, 4. Ninachetu é investido no cargo — III, 75. é substituído no cargo por el-rei de Campar— III, 211, 2i3. êste é preso e degolado — III, 251-2. Benehamed, campo além da serra de Be- namares — IV, 120. Bengala (reino de), gente e produções — IV, 62. Benimagre, serra do sul de Marrocos — IV, i3. Benomotapa, reino no sertão de^Sofala — II, 31-3.
Berlengas, o seu mosteiro foi fundado pela rainha D. Maria, mulher de D. Manuel — IV, 49, ao3. Berrio (Sebastião Rodrigues), v. Rodrigues Berrio (Sebastião). Bethleem, v. Belém. Binemeç, lugar da Enxovia — IV, 67. Bintão (el-rei de), vem várias vezes fazer guerra a Malaca em 1518 — IV, 79-82. Jorge de Albuquerque vai contra êle e é desbaratado— IV, 18 r. Btsão, mosteiro na Etiópia a 18 léguas de Arquico — IV, 113. Bisnagá, capital do reino de Narsinga — III, 219. v. Bisnegar. Bisnegar, cidade principal do reino de Narsinga — II, 20. Bogima (cide), capitão dos mouros de pazes de Xiátima — III, 233, 235, 236. avisa D. Manuel Mascarenhas da morte de Iheabentafuf e perda dos Por- tugueses— IV, i52. Borba (conde de), v. Coutinho (D. Vasco). Bosdão, lugar a duas léguas das Salinas — III, 23q. Botelho (Jorge), vence el-rei de Lingá — III, 212. seu crédito entre os povos vizinhos de Malaca— III, 252. Bragança (casa de), sua defesa pelo 2.» Conde de Tentúgal — I, pág. xxn, xxv-xxvr. clausula do testamento de D. João II contra os filhos do duque D. Fernando e mais parentes — I, 8. D. Manuel autoriza estes a voltar ao reino — I, 18. liberalidade que el-rei teve com êles — I, 26-3o. D. Manuel faz duque dela D. Jaime filho do duque D. Fernando — IV, 212. Brandão (João), feitor de Flandres, D. Ma- nuel manda-lhe fazer um pontifical para a capela da ordem do Tosão em Bru- xelas — IV, 78. Brasil, seu descobrimento — I, 117-118. I — Brasil, particularidades da sua terra e gente — I, ti8-i25. Brava, é tomada esta cidade e destruída por Tristão da Cunha — II, 67-9. Brito (António de), capitão da frota de Jorge de Brito por morte dêste — IV, .58. vai com uma frota a Agacim (Java) e a Maluco — IV, 182. (Jorge de), capitão de Malaca — III, 248. é desbaratado e morto em Achém — IV, i57-8. (Lopo de), capitão da fortaleza de Columbo — IV, 145. por culpa dos nossos e cercado — IV, 146. desbarata os inimigos — IV. 147. (Lourenço de), capitão da fortaleza de Cananor, a qual defende contra el-rei do lugar — II, 45-5.. Brito Patahm (Rui de), capitão de Sofala -II, 42. capitão de Malaca — III, 96. desavenças com Fernão Peres de An- drade — III, 143-5. Bulhões, lugar junto de Ceuta — IV, n5. Cabral (Pedro Alvares), v. Alvares Cabral (Pedro). Caetano de Sousa (D. António), acusações que fez a Damião de Góis — I, pág. v-vi e xxxiv. Caiaiate, vila e pôrto da Arábia, são to- mados por Afonso de Albuquerque — II, 94. a vila é combatida e queimada por Afonso de Albuquerque — II, ii2-ii3. Caldas-da-Rainha, D. Leonor funda o seu hospital— IV, 60. Caldeira (Fernão), casado de Goa —IV, 40. acusado de corsário — IV, 40. ... desavenças com D. Goterre de Mon- rói — IV, 40. vai pôr-se ao serviço de Ancostão — IV, 40-41. é morto por mandado de D. Goterre -IV, 4..
— 232 — ■Caleate, lugar do sul de Marrocos — I, pág. xlviii e III, 238. Calecute, o seu rei recebe Vasco da Gama e outros sucessos — I, 86-8, 91-5. sítio da cidade e sua riqueza — I, 90-91. sucessos entre Cabral e o seu rei — I, 129-134, > 36. o seu rei faz guerra ao rei de Cochim — I, i58—161. Afonso e Francisco de Albuquerque fazem-lhe guerra — I, 168-9, '70-2. renova-se a guerra com Cochim — I, 179-200. a sua gente é desbaratada em Cran- ganor— I, 212-3. , —r— o rei de Tanor faz-lhe guerra — I, 217-8. vitória de Lopo Soares de Alvarenga — I, 218-9. D. Lourenço de Almeida desbarata a sua armada — II, 36-8. D. Fernando Coutinho e Afonso de Albuquerque são desbaratados no ataque ao cerame de el-rei — II, t3o-3. o seu rei autoriza que se faça forta- leza ali — III, 117. Naubeadarim rei dela — III, 15 5. faz paz com Afonso de Albuquerque -III, 156. começa a fazer-se a nossa fortaleza — III, i56. Calheta, D. Manuel fá-la vila — IV, 213. Camarão, ilha do mar Roxo, vai a ela Afonso de Albuquerque — III, 153—4. Raix Soleimão vai lá fazer fortaleza — IV, 3o. morre nela Duarte Galvão — IV, 34. Cambáia, o seu rei manda um embaixador a Afonso de Albuquerque para se as- sentar paz entre os dois — III, 37-8. o mesmo manda novo embaixador a Afonso de Albuquerque — III, 116. vai ao mesmo Tristão de Gá para pedir fortaleza em Diu — III, 116. terra, gente e costumes do reino — III, 214-5. Afonso de Albuquerque manda lá Diogo Fernandes de Beja por embai- xador — III, 215-7. Cambalão, passo onde Duarte Pacheco Pereira se cobriu de glória contra o rei de Calecute — I, 181-7. Campar (el-rei de), é nomeado bendará de Malaca — III, 211, 2i3. vitória dele sôbre el-rei de Lingá — III, 212-3. é preso e degolado — III, 251-2. Cananor, o seu rei acolhe bem Pedro Álvares Cabral—I, 136. D. Francisco de Almeida faz ai for- taleza — II, 22-3. o seu rei combate a nossa fortaleza e é desbaratado — II, 44-51. socorro de Tristão da Cunha—II, 5i. Carlos (D.), rei de Castela, pede a D. Ma- nuel que entre na sua liga contra a França — IV, 8. manda a ordem do Tosão a D. Ma- nuel — IV, 78. vai oferecer-lhe os seus serviços Fernão de Magalhães — IV, 84. aceita-os e em que condições — IV, 85-6. manda visitar D. Manuel em i520 — IV, 118. pede licença a D. Manuel para fazer fortaleza em Tetuão, se ele a não quiser fazer — IV, 119. as cortes negam-lhe o pedido de ajuda de dinheiro — IV, i33—4. revolta das comunidades contra êle — IV, 134. é eleito imperador da Alemanha — IV, t35. filho de D. Manuel — IV, 158. duque de Sabóia, seu casamento com D. Beatriz — IV, 162-6. Carneiro (Francisco), fronteiro em Safim -IV, 54. Carpe (Alberto de), embaixador do impe- rador Maximiliano em Roma, carta sóbre a embaixada de Tristão da Cunha — III, 190-3. Carvalho (Pedro Álvares de), v. Álvares de Carvalho (Pedro).
— 233 — Castela, as côrtes negam a D. Carlos as ajudas de dinheiro que lhes pede — IV, i33—4- revoltas das comunidades — IV, 134. Castel-Bom, D. Manuel faz a sua fortaleza — IV, ao5 Castel-Branco (D. Martinho de), capitão da armada que levou a infanta D. Beatriz a Sabóia — IV, 164. D. Manuel fá-lo Conde de Vila-Nova- -de-Portimão — IV, 212. Castelo-Real, defronte da ilha de Mogador — II, 40. Castelo-de-Vide, festas ali em honra de D. Leonor, mulher de D. Manuel — IV, 77. Castro (D. Álvaro de), governador da casa do cível, castigo que D. Manuel lhe deu por êle açoutar um homem em sua casa — III, 138-141. (Baltasar de), vai ao reino do Congo por missionário — IV, 5, 7. (D Fernando de), fronteiro em Ar- zila, morre às mãos dos mouros — III, 32. (D. Francisco de), capitão de Santa- -Cruz do cabo de Guer— IV, 5i. vai sôbre a vila de Turocuco e toma-a — IV, 123. encontra nesta mercadores cristãos — IV, 123. Califa, cidade na costa da Arábia — IV, 148. católico, moeda de ouro de Malaca que fez Afonso de Albuquerque — III, 76. caxe, moeda de Malaca — III, 76. Caxém, o seu rei era senhor da ilha de Sacotorá — II, 70. Ceilão. sítio da ilha e costumes da gente — n, 34-5. cerame, palácio real de Ormuz—II, 102. Cernu, lugar a 3 léguas de Safim, é tomado por Molei Nácer —III, 179. César (Vasco Fernandes), v. Fernandes César (Vasco). Ceuta, o seu capitão entra duas vezes por terra de mouros — III, 1S0-1. alguns feitos de guerra em terra e no mar — IV, 114-6. VOL. IV Champanel, grande cidade de Cambáia — III, 216. Chanoca (Gaspar), embaixador a el-rei de Narsinga — III, 14. vai por embaixador aos reis de Ven- gapor e Narsinga — III, 115. Chatingão, cidade do reino de Bengala — IV, 62. guerra que o seu governador fez a D. João da Silveira — IV, 63-4- Chaúl, combates aí entre D. Lourenço de Almeida e Mirocém — II, 78-81. combate aí entre os Rumes e D. Lou- renço de Almeida e morte deste — II, 80-82. Diogo Lopes de Sequeira faz aí for- taleza— III, 176. peleja na barra do rio em que An- tónio Correia desbarata Hagamahamed — IV, 179-180. Chaux (De la), visita D. Manuel da parte de D. Carlos, rei de Castela»—IV, 118. Cherina Marcar, rico mercador do Ma- labar—I, pág. XLVni. China, viagem que faz a ela Fernão Peres de Andrade — IV, 55-7. costumes e religião dos seus habi- tantes— IV, 58-g Tomé Pires vai por embaixador ao seu rei — IV, 5g. malquerença dos seus habitantes con- tra os Portugueses por culpa destes — IV, 60. v. Peres de Andrade (Fernão) e Pires (Tomé). Chiquer, lugar de romaria a 9 léguas de Marrocos onde foi D. João de Meneses — III, 17a. Cinda, ilha ao sul de Samatra — IV, 142. Cintacorá, fortaleza do reino do Decão — II, i5. Cira, ilha junto de Adém — III, 1K2. Cochim, o seu rei acolhe bem Pedro Al- vares Cabral — I, 134—5. guerra com o rei de Calecute — I, 158-161, 166, 168-172. Francisco de Albuquerque edifica ai fortaleza — I, 167. 3o
— 234 — Cochim, renova-se a guerra com Calecute — I, 179-200. o seu rei dá brasão de armas a Duarte Pacheco Pereira — I, 221-2. morte do seu rei Trimumpaté — II, 24. o seu novo rei, Nambeadora, é inves- tido em nome de D. Manuel — II, 24-5. vai em socorro do seu rei Afonso de Albuquerque — III, 'ij. Codamação, guazil-mór do rei de Cam- báia — III, 216-7. Coelho (Gonçalo), capitão da armada que vai ao Brasil em t5o3 — I, 145. (João), alcaide-mór de Tânger, luta valentemente com urna fusta de Tetuão — IV, 122. Cogeatar, regente do reino de Ormuz — II, 98. Coimbra, D. Manuel faz de novo o mosteiro de Santa-Cruz a sepultura de Afonso Henriques — IV, 204. o mesmo faz o seu hospital — IV, 204. o mesmo faz de novo os paços da cidade — IV, 205. o mesmo faz aí a ponte nova — IV, 205. o mesmo faz duque dela D. Jorge, filho de D. João II — IV, 212. Columbo, pôrto da ilha de Ceilão — IV, 70. Lopo Soares de Alvarenga faz aí fortaleza — IV, 70-71. tributo que pagava o seu rei — IV, 7«- D. João da Silveira capitão da for- taleza— IV, 71, 145. seu novo capitão Lopo de Brito re- faz a fortaleza de pedra e cal — IV, 146. é cercada pelos indígenas e posta em apêrto — IV, 146. o capitão desbarata-os numa sortida — IV, 147- Comorim, a sua rainha alia-se com a de Coulão para cercar a fortaleza desta cidade — IV, 128-13o. Congo (reino do), D. Manuel manda lá mestres para ensinarem a nossa fé—I, 164. Congo (reino do), o mesmo manda lá Gre- gório da Quadra — IV, 132. o seu rei não o deixa ir ao Preste João —IV, 133. V. Manicongo. Correia (António), vai ao Pegú com um embaixador para o seu rei — IV, 124. de caminho presta socorro a Malaca — IV, 124. chegado a Martabão manda por em- baixador ao seu rei António Paçanha — IV, 125. tratado de paz com o rei do Pegú — IV, 125. desbarata el-rei de Bintão—IV, 126-8. vai sôbre a cidade de Baharém e toma-a — IV, 149. capitão do mar em Chaúl — IV, 179. desbarata Hagamahamed na barra de Chaúl — IV, 179-180. (Pero), é mandado a Roma sôbre negócios com o Papa — I, 33. capitão da fortaleza de Sacotorá — III, 85. vai por embaixador ao imperador Maximiliano sôbre casamentos — IV, 1. Corte-Reál (Gaspar), descobre a Terra- -Verde — I, 146. sua perda— I, 146. (Miguel) — I, 146. (Vasqueanes)— I, 147. Costa (Afonso Lopes da), v. Lopes da Costa (Afonso). (Alvaro da), negoceia o casamento de D. Manuel com D. Leonor, infanta de Castela — IV, 72, 73, 74. informa D. Manuel a respeito dos negócios de Fernão de Magalhães em Castela — IV, 84. D. Manuel dá-lhe o título de Dom — IV, 2t3. (D. Jorge da), cardial de Portugal -I, 33, 34, 35. (D. Martinho da), arcebispo de Lis- boa, promessa do capelo de cardial que se não cumpre — III, 89.
235 — cotia, é navio de remo — III, 19. Coulão (cidade e reino de), sítio e gente — I, 169. seus cristãos — I, 169-170. é morto o feitor da cidade, António de Sá — II, 23. represálias pela sua morte — II, 23. Lopo Soares de Alvarenga manda lá Heitor Rodrigues fazer fortaleza — IV, 38-9. Heitor Rodrigues faz a fortaleza desta cidade — IV, 128. é cercada esta fortaleza pela gente da cidade e de Comorim — IV, i28-i3o. faz paz com os Portugueses—IV, t3o. Coutinho (D. Fernando), vai à índia com uma armada — II, 127. congraça o vice-rei e Afonso de Al- buquerque— II, 127. é morto no ataque ao cerame do rei de Galecute — II, i3i-3. (D. João), capitão de Arzila, peleja com o alcaide de Alcácer-Quibir e ou- tros e vence-os — III, 232. vai sôbre Aljubília, aldeia do Farrobo e destroi-a — III, 242-3. vai sôbre Tintaixe — IV, 9. cSrco de Arzila pelo rei de Fez — IV, 9-11. vai com Diogo Lopes de Sequeira sôbre Araihana — IV, 53. vai com D Duarte de Meneses até o campo de Alexarife — IV, 53. vai contra os mouros da aldeia dos Negros — IV, toi-3. caso gracioso que aconteceu em Ar- zila no Rio Doce — IV, 117. vai contra os mouros de além da serra de Benamares —IV, 120-121. vai em romagem a Ceuta — IV, 121. vai contra os mouros até uma légua de Alcácer-Quibir — IV, 182-3. o alcaide de Alcácer vem contra êle para se desafrontar — IV, i83-4. D. João desbarata-o e obriga-o a fugir — IV, i85. (Martim Afonso de Melo), v. Melo Coutinho (Martim Afonso). Coutinho (D. Rodrigo), capitão de Arzila, seu desbarate e morte — I, 24. (Rui Pereira), v. Pereira Coutinho (Rui). (D. Vasco), capitão de Arzila, os al- caides de Tetuão e Xexuáo vêm sôbre a vila—III, 128-9. el-rei de Fez vem sôbre a vila — III, iíq-i 3o. é encarregado de ir fazer fortaleza em Anafé — III, 243. el-rei de Fez cerca-o em Arzila — IV, 3i. Covilhã (João Pires de), v. Pires de Co- vilhã (João). Cranganor, cidade, é tomada por Lopo Soares — I, 212-4. sítio da cidade e costumes dos cris- tãos dela — I, 214-6. tábuas que os reis dela deram ao apóstolo S. Tomé — I, 216-7. S. Tomé edifica aí uma igreja—I, 217. Crisnara, rei de Narsinga —IV, 144. Cristo (ordem de), D. Manuel alcança dis- pensa do Papa para casarem os seus ca- valeiros — I, 34, IV, 207. isenções que o mesmo lhe dá — IV, 207. comendas que o mesmo cria nela — IV, 207. Cruy (Guilherme de), senhor de Xevres, favorece o casamento de D. Manuel com D. Leonor — IV, 74. presente que lhe dá D. Manuel por isso — IV, 74. Cunha (Nuno da), fronteiro em Safim — III, 126. (Rui da), vai por embaixador ao rei do Pegú — III, 78. (Simão da), vai de guarda ao estreito de Gibraltar com uma armada em 1521 — IV, 188. (Tristão da), vai em socorro da for- taleza de Cananor — II, 5i. vai com uma armada à índia e su- cessos dela — II, 63-77. regimento que levava — II, 63.
— 236 — Cunha (Tristão da), descobre as ilhas do seu nome — II, 63. visita a ilha de S. Lourenço — II, 64. tema a fortaleza da ilha de Sacotorá — II, 7°~74- toma parte com o vice-rei no com- bate de Panane — II, 74-6. vai por embaixador a Roma com um grande presente para o Papa — III, i85- -193. levou por acessores os doutores Diogo Pacheco e João de Faria—III, i85. é recebido solenemente pelo Papa — III, 188. assuntos que tratou com a cúria — III, 188-190. Cúria-Múria, ilhas nas quais se perderam Vicente e Brás Sodré — I, 161-2. Curiate, vila da Arábia, é tomada por Afonso de Albuquerque — II, 94-5. curtidores (porta dos), porta de Marrocos — III, 240. Cutialé, capitão da armada de Calecute — II, 74- Çabaindalcão, senhor de Goa — III, 11. perde Pangim e a cidade de Goa — III, 12—13. manda Pulatecão sôbre Goa, o que obriga Afonso de Albuquerque a embar- car na frota — III, 17-23. vai em pessoa contra Afonso de Al- buquerque — III, 22—3o. manda Pulatecão sôbre a ilha de Goa -111,78. manda Roçalcão para fazer guerra a Goa — III, 82. n.anda embaixadores a Afonso de Albuquerque — III, 116. vai a êle Diogo Fernandes de Faria para assentar paz — III, 116. manda pôr cerco a Goa e põe-na em apêrto — IV, 42-3. é vencido pelo rei de Narsinga — IV, i45. Çabáio, senhor de Goa, manda uma ar- mada contra a fortaleza portuguesa de Anchediva — II, 38. Çacoeia (xeque), capitão de Moçambique, visita Vasco da Gama a bordo —1,74-5. Çacolorà, sítio da ilha e costumes da gente — II, 69-70. Tristão da Cunha toma a sua for- taleza — II, 70-74. D. Afonso de Noronha capitão da nossa fortaleza — II, 74. Afonso de Albuquerque vai em so- corro da fortaleza — II, 111. o mesmo manda derrubar a fortaleza — III, 62, 85. Çafim, sítio e antiguidade da cidade—II, 5a. toma posse dela Diogo de Azambuja — II, 53-9. feito capitão dela em i5io Nuno Fer- nandes de Ataíde — III, 35. os mouros põem-lhe cêrco em 1510 -III, 45-9. duas entradas do seu capitão em 1511 por terra de mouros — III, 5o-55. tributo que pagavam os mouros de pazes do seu campo — III, 55-6. o seu capitão manda Lopo Barriga contra os mouros de Abida — III, 119- -120. vitória de Iheabentafuf sôbre os mou- ros de Xiátima — III, 120. Lopo Barriga e Iheabentafuf vão sôbre Azeze — III, 120. vêm à cidade os fronteiros D. Luís de Meneses e D. Alvaro de Noronha -III, 121. o seu capitão vai duas vezes sôbre Almedina — III, 121-2. —— o mesmo entra outra vez por terra de mouros — III, 123-q. o mesmo desbarata o rei de Mar- rocos em Idenart — III, 124. o mesmo repele várias investida sdos mouros contra a cidade — III, 124. o mesmo faz paz com os mouros da Xerquia e outros — III, 125. Iheabentafuf e Lopo Barriga desbara- tam várias vezes os mouros — III, 125-8. D. Afonso e Lopo Barriga, com Ihea- bentafuf, travam peleja com os mouros junto de Aleborge — III, a3i.
237 — Çafim, os mouros de Xiátima vêm à ci- dade queixar-se do xerife — III, 233. Lopo Barriga desbarata o xerife — III, 233-4. o mesmo toma Amagor, vila do xe- rife, que foge — III, 235-6. o mesmo vai contrar o xerife, mas é pouco feliz — III, j37~8. Nuno Fernandes de Ataíde vai sobre Marrocos e peleja com a gente da ci- dade — III, 239-241. o mesmo vai em 1516 contra os mouros da Xerquia e é morto — IV, i3—14. gente que morre ou fica cativa neste recontro — IV, i5. seu capitão D. Nuno Mascarenhas — IV, 12, 16. não se castigaram os culpados da morte de Nuno Fernandes de Ataíde -IV, 17- dificuldade de datar às vezes os feitos de África — IV, 17. D. Nuno Mascarenhas manda D. Pedro Mascarenhas contra os mouros da Xer- quia e Ábida — I\f, 54. o mesmo pede socorro por se dizer que o rei de Fez vinha sobre a cidade -IV, 54-5. palavras de louvor do mesmo a Gon- çalo Mendes Sacoto — IV, 55. D. Nuno vai contra os mouros do seu campo e desbarata-os — IV, io5-6. o mesmo vai novamente contra éles e desbarata-os a 16 léguas da cidade — IV, 106-110. mexericos e desavenças entre o seu capitão e Iheabentafuf — IV, 135-6. D. Manuel manda lá Cristóvão Freire com 100 lanças —IV, i36. D. Nuno manda D. Rodrigo de No- ronha com Iheabentafuf contra os mouros — IV, 151. Iheabentafuf é morto e os nossos desbaratados — IV, i5z. D. Nuno vai contra os mouros trai- dores e desbarata os — IV, 153. muitos mouros de pazes do seu campo, por causa da fome, pedem para vir para Portugal fazer-se cristãos — IV, i83. Çaíde Boaga\ Maho, alcaide do campo de Santa-Cruz — IV, 5i. o xerife faz-lhe guerra por ser nosso amigo — IV, 5i. é vencido pelo xerife — IV, 52. Çalabcnçala, capitão que fôra de Ceuta, casas suas na serra do Farrobo — III, 242, 243. Çamatra, sítio e gente da ilha — II, 2-3. um rei dela manda um embaixador com presente a Afonso de Albuquerque - III, 78. Çamori, rei de Calecute, v. Calecute. Ceifadim, rei de Ormuz — II, 98. Çofala, Pero de Anhaia edifica ali uma fortaleza — II, 28-9. Sufe, seu senhor, é morto — II, 29. Acote feito senhor dela — II, 29. Manuel Fernandes seu capitão — II, »9- Nuno Vaz Pereira seu capitão — II, 3o. a sua terra e gente — II, 3o-3i. Vasco Gomes de Ábreu é nomeado seu capitão — II, 40. Rui de Brito Patalim seu capitão - II, 42. çoquear, fazer feira — IV, 107. Çufalarim, capitão do Sabaindalcão, por ordem dêste vai pôr cerco a Goa — IV, 42-3. Çufe, senhor de Sofala, vê-se com Pero de Anhaia — II, 27. deixa edificar uma fortaleza — II, 28. é morto pelos Portugueses — II, 29. Dabul, D. Francisco de Almeida toma-a e queima-a — II, 117-8. Cristóvão de Sousa vai contra ela IV, 72. Dalaca, ilha do mar Roxo — IV, 36. Diogo Lopes de Sequeira manda-a queimar — IV, 113. Dará (el-rei de), oferece à nossa gente de Santa-Cruz toda a ajuda contra o xerife — IV, 52.
David, imperador da Etiópia —III, 195. manda Zagazabo por embaixador a D. João DI — III, 198. seus títulos e estado — III, 210-211. Dias Golis (João), piloto português, vai ao Brasil com naus castelhanas — IV, 5o. seu castigo — IV, 5o. v. observação n.° 11, I, pág. xlix. Dias de Sousa Cide (Rui), fronteiro em Arzila — IV, 11. capitão de Alcácer-Ceguer em 1516. — IV, 12. dinheiro, moeda de estanho de Malaca -III, 76. Diu, batalha naval aí entre os Rumes e os Portugueses—II, 119-124. Diogo Lopes de Sequeira vai lá para fazer fortaleza e renuncia a isso — IV, 113—4. seu capitão Meliquesaca, filho de Miliquiaz — IV, 113. Diogo Lopes de Sequeira vai com uma grande armada para aí fazer forta- leza— IV, 141-3. Diogo Fernandes de Beja declara guerra à cidade, depois de haver às mãos os Portugueses que estavam na cidade — IV, 144. Doria (Francisco), mercador genovês em Arzila — IV, 10. Duarte (D.), filho de D. Manuel, seu nasci- mento, casamento e qualidades — III, 249-250. Duarte de Armas, grande pintor, debuxa a entrada do rio de Azamor — II, 83. Ducala, província onde estão Safim e Azamor — I, pág. xlvih, III, 164-5. Duecala, V, Ducala Duguela, V. Ducala Ebabuguederem, lugar entre Safim e Mar- rocos— III, 241. Eça (D. Garcia de), fronteiro em Safim -IV, 136. elefantes, Góis conta dêles cousas extra- ordinárias— IV, 44-6. combate de um com um rinoceronte diante de D. Manuel — IV, 47-8. Egipto, Solimão, imperador da Turquia, apossa-se dêle — IV, 5o. D. Manuel escreve ao Papa sobre isso — IV, 5o. Elvas, D. Manuel faz a sua Sé — IV, 204. o mesmo fá-la cidade — IV, 213. Enxobregas, D. Leonor funda aí o mos- teiro da Madre-de-Deus — IV, 60. Enxovia, província entre o rio de Azamor e o de Salé — III, i65. várias entradas por éla de D. Alvaro de Noronha — IV, 95-7, 99-101. Etiópia, o seu imperador manda Mateus por embaixador a Portugal—III, 116,195. carta que escreveu a D. Manuel — III, 196-8. Zagazabo vem por embaixador a D João III — III, 198. a religião dos cristãos dêste país — III, 199-208. o país, os sçus senhorios e estado do rei — III, 208-211. Francisco Alvares escreveu um livro sóbre ela — III, 211. Évora, D. Manuel faz aí o c.orpo da igreja de S. Francisco — IV, 203. Extremoj, D. Manuel funda o mosteiro de Santa-Clara — IV, 2o3. Farhom, família nobre de Safim — II, 52. Foleiro (Rui), vai com Fernão de Maga- lhães oferecer os seus serviços ao rei de Castela— IV, 84. são aceitos: condições — IV, 85-6. não acompanha Magalhães na sua viagem — IV, 86. Faria (Diogo Fernandes de), v. Fernandes de Faria (Diogo). Farrobo, D. João de Meneses vai sôbre algumas aldeias desta serra — I, 177. Fartaque, província da Arábia, defronte de Sacotorá — II, 70. Fàlema, mulher do califa Alé — III, 223. Feres (Molei), vem ao reino prestar obe- diência em nome de seu irmão Molei Benaduxera — IV, 139. seu procedimento leal com os Por- tuguêses — IV, 140-141.
— 23g Feres (Molei), el-rei de Fez manda-o matar -IV, 141. Fernandes (Duarte), vai visitar o rei de Sião por ordem de Afonso de Albu- querque — III, 73. visita-o em Udia e torna a Malaca — III, 77. (Manuel), feitor e capitão de Sofala II, 39-30. Fernandes de Almada (Rui), estando em Flandres, pede-.se-lhe que informe do que se passar depois da morte de D. Fer- nando, rei de Castela — IV, 1. Fernandes de Ataíde (Nuno), fronteiro em Arzila — III, 3i. capitão de Safim em i5io — 111,34-5 os mouros vêm cercá-lo neste ano III, 45-9. duas entradas que fez em i5u por terras de mouros — III, 5o-55. vai duas vezes sôbre Almedina — III, — 121-2. outra entrada por terra de mouros III, 123-4. desbarata o rei de Marrocos em Ide- nart—III, 124. repele várias investidas dos mouros contra Safim — III, 124. faz paz com os mouros da Xerquia e outros — III, ia5. procedimento de desconfiança com Iheabentafuf—III, 127. convida D. João de Meneses a ir com êle sôbre Marrocos — III, 173. recensidera no seu propósito—III, 173. desbarata com D. João de Meneses e Iheabentafuf os alcaides Latar e Lu- tete junto da Serra Verde —III, i74~7- D. Manuel escreve-lhe sôbre um re- querimento dos mouros da Xerquia — III, 182-3. vai sôbre Marrocos e peleja com a gente dela — III, 239-241. vai contra os mouros da Xerquia, junto de Marrocos — IV, i3. é desbaratado e morto — IV, 14. não se castigaram os culpados da sua morte — IV, 17. Fernandes de Beja (Diogo), vai a Saco- torá para derrubar a fortaleza dela — III, 85. vai de socorro a Goa — III, 85-6. vai por embaixador ao rei de Cam- ' báia — III, 215-7. pede lugar em Diu para fazer ali for- taleza — III, 217. declarar guerra a Diu — IV, 144. sucessos da sua viagem de Ormuz até Chaúl — IV, 161-2. capitão do mar em Chaúl — IV, 177. é morto pela gente de Hagamahamed -IV, 178. Fernandes César (Vasco), adail de Azamor, vai contra os mouros vizinhos e desba- rata-os — IV, 67-8. vários feitos contra os mouros — IV, 97-8. capitão de uma caravela em serviço dos lugares de Africa — IV, 137. peleja defronte de Alcácer-Ceguer com duas galeotas e desbarata-as — IV, 137-8. gracejo do Conde do Redondo — IV, i38. peleja e desbarata 6 galeotas—IV, 138. —.— brasão de armas que por êste feito lhe deu D. João III — IV, 13g. desbarata no estreito de Gibraltar 4 naus inglesas — IV, 187-8. Fernandes de Faria (Diogo), adail de Goa, seus grandes feitos — III, 87. vai ao Sabaindalcão para fazer paz com êle — III, 116. Fernando (D.), filho de D. Manuel, seu nascimento e qualidades de sua pessoa — II, 5g-6o. rei de Castela, manda a Portugal embaixador especial para tratar do con- cílio de Pisa — III, 88. aliança entre êle e Molei Alebarraxa para conquistar o reino de Fez—III, 88-9. entra na liga do Papa contra el-rei de França — III, 89. procura atrair a ela el-rei D. Manuel III, 89.
— 240 — ferreira (Miguel), vai por embaixador de Afonso de Albuquerque ao Xeque Ismael III, 225 (Nicolau), embaixador do rei de Or- muz a D. Manuel — III, 22r. sua conversão ao cristianismo — III, 221. cousas que pediu a D. Manuel e res- posta deste — III, 221-2. Fej (porta de), porta de Marrocos—III, 240. (el-rei de), vem sôbre Tânger e Ar- zila — I, 107-9. toma a vila de Arzila e cerca o cas- telo — II, 85-8. levanta o cêrco— II, 91. põe novo cêrco a Arzila — III, 3i. vem sôbre Tânger e Arzila — III, 129-13o. vem cercar Arzila em i5i6—IV, 9-11. vem sôbre Arzila e não faz nada — IV, 104. vem em t520 sôbre Tânger e Arzila — IV, 116-118. Figueira (Rui), guarda do Príncipe D. João, filho de D. Manuel — IV, 213. Fiquer, campo além da serra de Benama- res — IV, 120. Fonseca (D. António da), contador-mór de Castela, foge para Portugal — IV, i35. Francisco 1, rei de França, manda pedir a D. Manuel que entre na sua liga contra o imperador — IV, 8. Freire (Bernardino), capitão da nau em que veiu da índia o embaixador Mateus -III, 196. maus tratos que deu ao embaixador e sua prisão — IV, 196. (Cristóvão), vai a Safim com too lan- ças — IV, 136. Freitas (João de), vai com os mouros abrir um coval de trigo na Enxovia, mas volta desbaratado — IV, 68. Funchal, D. Manuel faz a sua Sé — IV, 205. o mesmo fá-la cidade — IV, 2i3. Gá (Tristão de), vai ao rei de Cambaia pedir que desse licença para fazer forta- leza em Diu — III, 116. Gale, reino de Ceilão tributário dos Por- tugueses — II, 33-4- Galego (João), adail de Arzila, é morto com os seus— IV, 66. Galigiga, lugar do Suz (Marrocos) — IV, 52. Galvão (Duarte), D. Manuel manda-o ao Papa para se fazer guerra ao Turco — II, 39. vai por embaixador à Etiópia — III, 247. morre na ilha de Camarão — IV, 34. Gama (Vasco da), é mandado a descobrir o caminho marítimo da índia—I, 43-6. sua viagem — I, 67-85. é recebido pelo rei de Calecute e su- cessos posteriores — I, 86-8, 91-5. sua torna viagem — I, o5-8. vai com uma armada à índia em i5o2 e sucessos dela — I, 139, 148-154. Manuel dá-lhe o título de Dom — IV, 213. ganda, animal de Cambáia — III, 217. o mesmo que rinoceronte — IV, 46. Ganges, rio — IV, 62. gania, medida de arroz no Pegú—IV, 124. Garabia, iríbu de Marrocos, tributo que pagava — III, 56. Geinal, tirano de Pacém — IV, 154. Jorge de Albuquerque desbarata-o — IV, 155—6. Gil Magro (Rui), feitor em Azamor — III, 160. Girão (Francisco Lopes), v. Lopes Girão (Francisco). Goa, terra e gente — III, 11. Afonso de Albuquerque toma posse pacifica da cidade — III, i3. o mesmo deixa-a e embarca na frota — III, 22. Sobaindalcão toma de novo posse dela — III, 22. Albuquerque toma-a de novo em 1510—III, 38-43. Pulatecão vai sôbre a ilha e toma-a — III, 78-9 Rodrigo Rabelo seu capitão é morto — III, 79-81.
241 — Goa, è eleito capitão da cidade Diogo Mendes de Vasconcelos — III, 81. a cidade é cercada por Pulatecão e e Roçalcão = III, 82-5. façanhas dos nossos neste cerco — III, 87. Afonso de Albuquerque casa os mais Portugueses que pode com mulheres da terra — IV, „o. D. Goterre de Monrói, seu capitão, manda contra Ancostão muita gente de pé e de cavalo — IV, 41-2. desastre dessa gente— IV, 42. é posta em aperto pelo Sabaindalcão — IV, 42-3. socorros que vêm à cidade — IV, 43. o rei de Narsinga toma ao Sabain- dalcão as tanadarias de Salsete, Pondá e Bardes e dá-as ao capitão da cidade IV, i45. Góis (Damião de), alterações feitas na edi- ção primitiva da parte 1 da sua crónica — I, pág. v-xxxix. processo que lhe foi movido pela In- quisição — I, pág. XXXIX—XL. descrição da primeira edição da sua crónica—I, pág. xi.i-xlv. viagem nos países do norte em ser- viço de D. João III — I, 228-9. é encarregado de escrever a crónica de D. Manuel — IV, 88. (Manuel de), fronteiro em Safim — IV, 136. Golis (João Dias), v. Dias Golis (João). Gomes (João), por mandado de D. Goterre de Monrói mata à traição Fernão Cal- deira — IV, 41. é morto por Ancostão — IV, 41. Gomes de Abreu (João), capitão de uma nau que foi à ilha de S. Lourenço — II, 64. sua morte em terra — II, 65. (Vasco), nomeado capitão de Sofala e encarregado de fazer fortaleza em Mo- çambique — II, 40. sucessos da sua armada — II, 40-42. sua morte — II, 42. Gomes Cheira-Dinheiro (João), é morto VOL. iv na ilha de Maldiva indo lá fazer forta- leza — IV, 72. Gomes da Cunha, faz paz com o rei do Pegú e regressa a Malaca— III, 109. Gomes de Lemos (Fernão), embaixador de Afonso de Albuquerque ao Xeque Ismael — III, 225. presente que levou ao Xeque—IV, 19-20. sua viagem até a côrte do Xeque — IV, 20-21. acolhimento feito ao nosso embai- xador — IV, 21-22. dá sua embaixada e prasente — IV, 22. banquete com que é obsequiado — IV, 23-4. resposta do Xeque aos capítulos que que levava — IV, 24-5. vai a Tavriz — IV, 26-7. seu regresso a Ormuz — IV, 27-8. Gomes Eanes de Zurara, crónicas que escreveu — IV, g3. Gomes da Silva de Vasconcelos, capitão de Ceuta, alguns feitos de guerra em terra e no mar— IV, 114-6. Gonçalves (António), vai sôbre Mugurez — IV, 68. (Simão), capitão da ilha da Madeira, vai com grande socorro a Arzila em t5i6 — IV, 12. congraça-se com D.Manuel — IV, 12. Gonçalves de Castel-Branco (João), vai por embaixador ao Sabaindalcão com outro deste— III, 219. vai contra Dabul — IV, 72. Graça, mosteiro de Lisboa onde foi sepul- tado Afonso de Albuquerque — III, 257. Grimaldo, valente homem do mar, proezas contra uma fusta de Tetuão —IV, 122. Guadiana, D. Manuel manda fazer a ponte dêle entre Elvas e Olivença — IV, 205. Guardafum (cabo de), vai lá às presas Pero de Albuquerque— III, 218. Gusmão (D. Luis de), vai à índia por ca- pitão de uma nau na armada de Jorge de Albuquerque — IV, 82. faz-se corsário — IV, 82. 3i
— 242 — Gu^arate, outro nome de Cambáia — III, 214. Habraemo, rei de Quíloa, inimigo dos Por- tugueses— II, 5,14. Hagamahamed, capitão de Miliquiaz, a sua gente mata Diogo Fernandes de Beja — IV, 178. é obrigado a fugir com a sua frota -IV, 178. é desbaratado na barra de Chaúl — IV, 179-180. Hagosdém, — lugar entre Safim e Mar- rocos — III, 241. Haliadux, mouro nobre de Safim, assas- sina o senhor desta cidade — II, 53. pede a ajuda de Diogo de Azambuja — II, 53. Hamelix, almocadém do Farrobo — IV, 116,117. Hamel Laroj (cide), alcaide de Alcácer- Quibir, é desbaratado pelo capitão de Arzila — III, 232. D. João Coutinho vai até uma légua de Alcácer-IV, i83. vem sobre Arzila para se desafrontar — IV, 183-4. é desbaratado por D. João Coutinho — IV, i85. Hanalhaire, aldeias do campo de Arzila — IV, 66. Hea, província ao sul de Safim — III, 171. Helena, avó do imperador da Etiópia, manda Mateus por embaixador a D. Ma- nuel — III, 195. carta que escreveu a D. Manuel —III, 196-8. Henrique (D.), filho de D. Manuel, seu nascimento, suas qualidades e cousas que fez em vida de Góis— III, 99-107. pai de Afonso Henriques, sua ascen- dência— IV, 172-6. Henrique VIII (D.), rei de Inglaterra, manda a ordem da Jarreteira a D. Ma- nuel — III, 90. parentesco entre os reis de Portugal e Inglaterra — III, 90-93. Henriques (D. André), o capitão de Tânger manda-o com 100 lanças a Arzila — IV, 102-3. Henriques (D. Sancho), capitão da forta- leza de Pacém — IV, 156. Hijarara, cabilda do campo de Santa-Cruz — IV, 52. Hocém, filho mais velho de Alé e Fátéma — III, 224. Hoja, esta cidade é tomada e destruída por Tristão da Cunha — II, 67. Homem (João), seu procedimento contra uns mouros de Calecute que estavam em Coulão — II, 17-18. Hota, mulher moura de grande esforço — IV, 14,15. sua morte — IV, i5. Idenart, campo onde Nuno Fernandes de Ataíde desbaratou o rei de Marrocos — III, 124. Iheabenlafuf, mouro nobre de Safim, assas- sina o senhor da cidade— II, 52. pede a ajuda de Diogo de Azambuja — II, 53. vem ao reino e é feito capitão do campo de Safim — II, 56. ajuda os mouros do campo de Safim a fazerem-se tributários de Portugal — III, 55. dêle fala João Lião, escritor árabe — III, 56. uma carta sua mostra os grandes ser- viços que prestou a Portugal — III, 56-7. desbarata os mouros de Xiátima — III, 120. vai com Lopo Barriga sóbre a aldeia de Azeze — III, 120. vitória alcançada no campo de Ale- hauz, ao pé dos Montes-Claros—III, 125. desbarata o xerife na província de Xiátima — III, 126. desbarata o rei de Marrocos — III, 127. procedimento de desconfiança que Nuno Fernandes de Ataíde teve com êle — III, 127. desbarata o xerife a 18 léguas de Safim — III, 172.
Iheabentafuf, desbarata com Fernandes de Ataíde e D. João de Meneses os alcaides Latar e I.utete — 111, 174-7. manda D. Manuel que seja capitão de Abida e Garabia e não de Xerquia — III, 181. peleja em Aleborge com os mouros — III, a3i. estando no reino, regressa a Safim logo depois da morte de Nuno Fernandes de Ataíde — IV, 16-17. mexericos com D. Nuno Mascarenhas — IV, .35-6. D. Manuel reconhece a sua inocência -IV, 136. vitória que alcança dos mouros — IV, 136-7. é morto à traição pelos mouros em i5ai — IV, i5a. lhenim lubemhahabras, ribeira entre Safim e Marrocos — III, 241. Isabel (D.), filha dos reis católicos, seu casamento com D. Manuel — I, 41-3, 46-48. sua morte — I, 63. filha de D. Manuel, seu nascimento — I, t63. rainha de Castela, seu falecimento em i5o4— I, 175. Ismael (Xeque), resposta de Afonso de Albuquerque aos seus embaixadores — II, 106. sua genealogia desde Mahamed, o Profeta — III, 223-4. manda embaixador ao Sabaindalcão e a Afonso de Albuquerque— III, 224-5. Afonso de Albuquerque manda-lhe Miguel Ferreira com este embaixador — III, 225. manda a Albuquerque por embai- xador Barrim Bonat a Ormuz — III, 225. modo como é recebido este embai- xador em Ormuz — III, 225. com êste embaixador vai novo em- baixador de Albuquerque Fernão Gomes de Lemos — III, 225 IV, 19-28. sua resposta aos capítulos do embai- xador — IV, 24-5. Ismael (Xeque), sua carta a D Manuel — IV. 28. sua carta a Afonso de Albuquerque — IV, 28-9. Jaime (D.), duque de Bragança — I, 137—y. D. Manuel manda-o sobre Azamor — Ill, 160. preparativos para a expedição — III, 16i-3. desembarca em Mazagão — III, i63. vai sobre a cidade de Azamor e entra nela — III, 166-8. volta ao reino — III, 169. sua opinião sóbre moedas novas — IV, 5i. Japará, cidade na Java — III, 143. Jarreteira (ordem da), el-rei de Inglaterra manda-a a D. Manuel — III, 90. Java, um rei dela manda um embaixador e presente a Afonso de Albuquerque — III, 78. sítio das suas ilhas e gente delas — III, 142-3. Japará cidade dela — III, 143. Joana (D.), rainha de Castela e Leão, D. Manuel manda-a vir de Santarém para Lisboa — I, 207. João (D.), filho de D. Jorge, vem à côrte em 1513 — III, i5g. D. Manuel fá-Io marquês de Tôrres- Novas — IV, 212. (Preste), vão em busca dêle Afonso de Paiva e João Pires da Covilhã — III, 194. João Lião, escritor árabe que se fêz cristão, fala do poder dos Portugueses em Safim — III, 56. João II (D.), sua morte e testamento — I, 3-8. trasladação do seu corpo de Silves para a Batalha em i5oo— I, 98-9. o seu corpo não se corrompeu — I, 99- manda Afonso de Paiva e João Pires da Covilhã em busca do Preste João — III, 194. João UI (D), seu nascimento — I, 139-140.
i — 244 — Jolgo, ribeiro ao sul de Safim — IV, 107. Jorge (D.), filho bastardo de D. João II — I, 3,8, 15-16,99. seu casamento e descendentes — III, i5g. vem à côrte de D. Manuel com seu filho D. João em 1513 — III, i5g. D. Manuel fá-lo duque de Coimbra — IV, 212. Judá, Raix Soleimão refugia-se no seu pôrto — IV, 3o, 32-4. sítio da cidade — IV, 33. Judeus, D. Manuel liberta os que ficaram cativos do tempo de D. João II — 1,21-2. o mesmo manda-os lançar fora do reino — I, 35-6. * o mesmo manda tomar-lhes os filhos — I, 38-40. fruto da sua conversão ao cristia- niasmo — I, 40. Júlio II (papa), ordena concílio em Pisa em i5tt — III, 87. forma uma liga contra o rei de França — III, 89. Justo (frei), bispo de Ceuta, é encarregado de escrever em latim as crónicas dos reis de Portugal — IV, 94. Lacerda (Manuel de), vai a Diu visitar Miliquiaz — IV, 65 Lagos, D. Manuel acaba a'obra do seu aqueduto — IV, 205. Lamo, é feita tributária esta cidade por Tristão da Cunha — II, 67. Lanjinha (Francisco de), biscainho, mestre das obras de Tânger — III, 129. Laqueximena, almirante do rei de Bintão -IV, 181. Larache, duas fustas dela tomam uma caravela portuguesa e cativam nela muita gente — IV, 17-8. Laroj, v. Hamet Laroj. lasamane, sua significação em malaio — III, 69. lascar, sua significação na língua de Ben- gala — IV, 62. Lalar, alcaide do rei de Fez, é desbaratado junto da Serra-Verde — III, 175-7. Leitão (António), crucias praticadas por êle e castigo que teve — IV, 95-6 Leite (António), capitão de Mazagão, dá a Molei Benaduxera alguma gente portu- guesa contra a qual êle quis fazer traição — IV, 140-141. Leme (Henrique), desbarata uma frota de paraus do rei do Pegú — IV, q-5. Lemos (Duarte de), capitão de armada, o que fêz em Ormuz e na índia até re- gressar ao reino — III, 57-60. (Fernão Gomes de), v. Gomes de Lemos (Fernão). Leonor (D), mulher de D. João II, obras pias que fêz no reino — IV, 60. por sua intercessão vieram as relí- quias de Santa Anta para o mosteiro de Enxobregas— IV, 60-61. infanta de Castela, casa com D. Ma- nuel — IV, 73-4. clausulas do casamento — IV, 73-4. parentesco com D. Manuel — IV, 74. sua viagem de vinda até Almeirim — IV, 75-8. Lião X (papa), embaixador que lhe manda D. Manuel com grande presente — III, I85-'90. faz cardial D. Afonso, filho de D. Ma- nuel — IV, 2. concede que à rainha Santa Isabel se façam ofícios no bispado de Coimbra — IV, 2. concede a D. Manuel o padroado dos mestrados do reino — IV. 2. concede ao mesmo os dízimos do paul de Muja — IV, 2. Lima (D. Diogo de), capitão da fortaleza de Cochim — IV, 153. (D. João de), capitão da fortaleza de Calecute — IV, 153. (D. Rodrigo de), embaixador ao im- perador da Etiópia — IV, 112—3. Lingá (el-rei de), é desbaratado pelos Portugueses — III, 212-3. Lisboa, cortes de 1498. — I, 5o-52. cortes de i5o3 — I, 147. levantamento dos cristãos-velhos contra os cristãos-novos — I, a3o-r.
245 — Lisboa, sentença de D. Manuel contra a ci- dade e mais culpados — I, 23a. D. Manuel faz e dota a casa da con- fraria da Misericórdia — IV, 2®3. D. Manuel faz o mosteiro da Anun- ciada— IV, 2o3. o mesmo faz as igrejas de Santo An- tónio e N. S. da Conceição— IV, 204. o mesmo acaba o hospital de Todos- -os-Santos — IV, 20.4. o mesmo faz o dormitório de S. Do- mingos — IV, 204. o mesmo faz a igreja de S. Julião — IV, 204. o mesmo muda as Escolas gerais — IV, 204. o mesmo faz o cais de pedra — IV, 205. o mesmo manda fazer o Terreiro do Paço — IV, 205. o mesmo começa a casa da alfân- dega — IV, 2o5. o mesmo manda fazer os Paços da Ribeira — IV, ao5. o mesmo manda fazer as casas dos armazéns — IV, 205. o mesmo manda fazer as casas da contratação de Guiné e índia — IV, 2o5. o mesmo começa as tercenas da Porta da Cruz, as de Cataquetarás e a casa da pólvora — IV, 2o5. o mesmo faz os paços da casa da Suplicação e da cadeia do Limoeiro — IV, ao5. Lobo (D. Diogo), barão de Alvito, vai vi- sitar Filipe de Castela à Corunha — II, 39. Lopes (Alvaro), vai por embaixador ao rei de Manicongo—III, »31—a. presentes que levou a êste rei — III, |32. (Diogo), almocadém de Safim, entra até uma légua de Marrocos — III, 184. —- alguns mouros que iam com êle dao com os contos das lanças nas portas da cidade — III, 184. (Fernão), crónicas dos reis que es- creveu — IV, 89-93. Lopes (João), feitor em Azamor — III, 160. (Lourenço), vai a Augusta comprar cobre — IV, 5i. Lopes da Costa (Afonso), vai à índia por mandado de D. Manuel para desagravar Afonso de Albuquerque e encontra-o morto — III, 256-7. capitão de Malaca — IV, 65. sua morte — IV, 72. Lopes Girão (Francisco), fronteiro em Safim — IV, i36. Lopes de Sequeira (Diogo), vai com uma armada a Malaca — III, 1-9. visita a ilha de S. Lourenço — III, 1-2. visita a ilha de Samatra — III, 2-3. assenta paz com o rei de Malaca — III,4-5. — traição frustrada da gente de Malaca contra os Portugueses — III, 5-8. vai com uma armada em socorro de Arzila em 1516 — IV, 11. vai com uma armada sobre Targa — IV, 5a. vai com o capitão de Arzila sôbre Araihana — IV, 53. vai por governador da Índia em 1518 — IV, 69-70. manda Cristóvão de Sousa sôbre Dabul — IV, 72. manda Afonso de Meneses sôbre Ba- ticalá — IV, 72. manda João Gomes Cheira-dinheiro fazer fortaleza na ilha de Maldiva — IV, 72- manda António Saldanha às presas ao cabo de Guardafum — IV, 72. manda Simão de Andrade à China — IV, 72. manda António Correia por embai- xador ao Pegú — IV, 72. vai com uma armada ao mar da Arábia —IV, 110-114. não pôde fazer fortaleza em Maçuá — IV, 111-2. deixa em Arquico a embaixada por- tuguesa ao imperador da Etiópia e o embaixador deste, Mateus — IV, 112-3,
— 246 — Lopes de Sequeira (Diogo), manda ao im- perador o presente de D. Manuel-IV, 113. não pôde fazer fortaleza em Diu — IV, 1 i3-4. vai com grande armada para fazer fortaleza em Diu, mas em vão — IV, 141-3. estando em Ormuz manda António Correia sôbre a ilha de Baharém —IV, .48. faz fortaleza em Chaúl —IV, 176. -— entrega o governo da índia a D. Duarte de Meneses — IV, 194. (João), edifica a fortaleza de Santa- -Cruz junto ao cabo de Guer — I, 208. Lourenço (S.), ilha, vai a ela Diogo Lopes de Sequeira — II, 1-2 vai a ela Fernão Soares —II, 25-6. vai a ela Rui Pereira Coutinho — II, 63-4. visita-a Tristão da Cunha —II, 64. razão do nome — II, 64. sua descrição — II, 66. vai a ela João Serrão com uma ar- mada — III, 34-5. Lua (ilha da), nome da ilha Madagascar ou S. Lourenço entre os mouros — II, 26. Luis (D), filho de D. Manuel, seu nasci- mento — I, 223-4. suas virtudes — I, 224. toma parte na conquista de Tunes por Carlos V—I, 225-6. esteve para ser rei da Polónia —I, 228-9. Luleie, alcaide do rei de Fez, é desbara- tado junto da Serra-Verde — III, 175-7. Machado (João), português degredado, feito mouro póe-se ao serviço do Sa- baindalcão — III, 18. dá aviso dos movimentos e planos do Sabaindalcão — III, 18, 24, 25,26,27. aviso que dá aos nossos de Goa III, 83. —— mata os filhos e volta para Goa III, 84. vai contra Ancostão e é desbaratado e morto —IV, 4i-a. Maçuá (ilha de), os seus moradores fogem à aproximação de Diogo Lopes de Se- queira— IV, 111. Lopes de Sequeira desiste de fazer fortaleza aí, como era desejo de D. Ma- nuel — IV, 111-2. Madagascar, v. Lourenço (S.) Madava, grande cidade de Cambáia — III 216. madraçal, casa grande de Ormuz como estaos —III, 227. Madureira (Mvaro de), casado de Goa, lança-se com os mouros — IV, 3g. traição que quis armar a D. João de Mourói — IV, 40. Mafalda (D.), mulher de Afonso Henriques, sua ascendência — IV, 167-171. era filha do conde Amadeu de Sa- bóia— IV, 169-170. e não do conde D. Henrique de Lara — IV, 170-171. Magalhães (Fernão de), serviços prestados à coroa de Portugal — IV, 83. pede acrescentamento de moradia a D. Manuel que só em parte o satisfaz — IV, 83-4. vai oferecer os seus serviços ao rei de Castela e promete ir às ilhas de Ma- luco sem tocar nos domínios de Por- tugal — IV, 84. são aceitos e em que condições — IV, 85-6. sua viagem até a ilha de Matam onde o mataram — IV, 86-7. descobre o estreito que tomou o seu nome — IV, 86. o que sucedeu aos companheiros de- pois da sua morte — IV, 87. Magro (Rui Gil), v. Gil Magro (Rui). Mahamed, o Profeta — III, 223. rei de Malaca, v. Malaca (Molei), rei de Fez, impede que se faça a fortaleza da Mamora — III, 245. Mahamed Anconi, rei de Quíloa — II, 7-8. tentativa contra a sua vida — II, 14. é morto à traição — II, 3o. . Mailapur, igreja e sepultura de S. Tomé — I, 170.
— 247 — Maim arte, capitão do mar de Calecute — U> 77- Malabar, pais e gente — I, 88-90. Malaca, sitio da sidade e gente — II, 3-4- Diogo Lopes de Sequeira assenta paz com o seu rei — II, 4-5. traição frustrada da sua gente contra os Portugueses — II, 5-8. Afonso de Albuquerque combate a cidade e toma-a — IV, 69-75. ordem que Albuquerque pôs no go- verno dela — III, 75-6. moedas que êle cunhou nela — III, 76. Pateonuz quisera tomá-la antes de ser nossa — III, 143. o mesmo vai com uma grande ar- mada sôbre ela —III, 143—5. Fernão Peres de Andrade desbarata-a — III, 146-8. perigo em que esteve a cidade — III, 148. seu capitão Jorge de Albuquerque — 111,211. é nomeado bendará el-rei de Campar — III, 2t 1, 213. Ninachetu queima-se públicamente — III, 213. o bendará, el-rei de Campar, é preso e degolado — III, 251-2. desavenças sôbre quem sucederá a Jorge de Brito na capitania dela—IV, 55. seu capitão Garcia de Sá — IV, 72. guerras que lhe faz o rei de Bintão em 1518— IV, 79-82. os nossos tomam a tranqueira de Muar a êste rei — IV, 80-81. é cercada de novo pelo rei de Bintão -IV, 124. malaquês, moeda de prata de Malaca que cunhou Afonso de Albuquerque—III, 76. Maldiva (ilhas de), os seus produtos — IV, 62. vai a elas D. João da Silveira para assentar paz — IV, 62. vai lá para fazer fortaleza João Go- mes Cheira-dinheiro — IV, 72. Maluco (ilhas de), vai a elas António de Abreu com uma armada — III, g5, 110. chegam lá só duas naus da armada de Fernão de Magalhães — IV, 87. Mamalemarcar, mouro rico do Malabar — I, pág. XL viu. Mamele, mouro rico do Malabar —II, 44. Mamara, rio em cuja foz D. Manuel manda fazer fortaleza que logo teve de ser aban- donada — III, 243-6. Mançor (cide), defende Azamor contra os Portugueses de D. Jaime— IV, 165-7. Manicongo (reino de), D. Manuel manda lá vários religiosos— II, 94. o mesmo manda Simão da Silva por embaixador ao seu rei — III, i3o-t3t. instruções que o embaixador levava — III, 132. presentes de D. Manuel ao seu rei — III, t3z. carta pela qual o seu rei notifica ao povo os brasões de armas que recebeu de D. Manuel para si e para 20 fidalgos — III, 13 3-6. o seu rei manda embaixadores a Roma para darem obediência ao Papa — III, 136-8. v. Congo. Manuel (D.), legítimo sucessor de João II — I, 9-10. seu nascimento e criação — I, 10-14. ^reúne côrtes em Montemór-o-Novo em 1495 —I, 16-17. manda vir de Castela os fidalgos que estavam desterrados — I, 18. dá parte da sua aclamação aos reis de Castela e obediência ao Papa — I, 18-19. confirma as mercês de D. João II — I, 20. medidas tomadas para bom regi- mento do reino — I, 20. liberta os Judeus que ficaram cativos do tempo de D. João II —I, 21-22. provê os lugares de África que favo- receu sempre — I, 22-3. sua liberalidade com os filhos do du- que de Bragança — I, 26-3o.
— 248 — Manuel (D.), faz conde de Portalegre Diogo da Silva de Meneses, seu aio — I, 31-2. —— acrescenta as rações dos lugares de África — I, 33-4. -«— embaixada de Veneza — I, 34 alcança do Papa que os comenda- dores de Cristo e Avis possam casar — I, 34. faz condes de Alcoutim os filhos mais velhos dos marqueses de Vila-Real — I, 35 manda lançar fora do reino os Mou- ros e os Judeus — I, 35-6. embaixada dos reis de Castela sôbre alianças — I, 37. manda tomar os filhos dos Judeus lançados fora do reino e não os dos Mouros — I, 38-40. seu casamehto com a princesa D. Isa- bel — I, 41 -3, 46-8. manda Vasco da Gama a descobrir o caminho marítimo da índia — I, 43-6. dá forais novos a todos os lugares do reino — I, 48-9, IV, 208. faz côrtes em Lisboa em 1498 — I, 5o-5a. sua viagem com a rainha a Castela e Aragão — I, 53-62, 63-4. isenta a clerezia e a ordem de Cristo de pagarem certos direitos reais — I, 62-3. embaixada ao Papa em 1498 —I, 64-5. nascimento de seu filho D. Miguel -1, 63. morte da rainha D. Isabel — I, 63. —— faz jurar D. Miguel príncipe herdeiro 1,65. privilégios concedidos ao reino em nome de seu filho — I, 66. —- seu càsamento em i5oo com a in- fanta de Castela, D. Maria —I, 101-104. quis passar a África para fazer guerra aos mouros — I, 104-5. manda uma armada para ajudar os Venezianos — I, io5-6, 110—113. funda o mosteiro e tôrre de S Vi- cente de Belém —I, n3-5, IV, 2o3, 2o5. Manuel (D ), manda à India a armada de Pedro Álvares Cabral e sucessos dela — I, 115—i 37. manda em i5o2 uma armada ao es- treito de Gibraltar — I, 140. manda João da Nova com uma ar- mada á índia e sucessos dela — I, 141-3. visita a casa do Apóstolo Santiago de Galiza — I, 143-4. quis passar a África em t5o3 — I, 145. manda Gonçalo Coelho ao Brasil — I, 145. Gaspar Côrte-Real descobre a Terra- Verde — I, 146. manda em busca dos Côrte-Reais à América — I, 147. faz côrtes em Lisboa em i5o3—1,147. —7- manda de novo Vasco da Gama à índia—I, 139, 148-154 nascimento e casamento de sua filha D. Isabel — I, i63. ordena capitulo no convento de Tomar— I, i63. manda mestres ao reino do Congo para ensinarem a religião cristã — I, 164. manda à índia a armada de Afonso e Francisco de Albuquerque e sucessos dela — I, 165-172. manda à índia a armada de António de Saldanha e sucessos dela —I, 173-5. grandes terremotos por todo o reino em i5o4—I, 175. nascimento de sua filha D. Beatriz -I, t/5. envia obediência ao Papa — I, 201. carta ao Papa sôbre a guerra que os cristãos faziam ao sultão de Babilónia — I, 2o3-5. manda reformar as leis e ordenações antigas — I, 206, IV, 209. manda fazer os tombos das cape- las, hospitais, albergarias e gafarias — I, 206-7. manda vir de Santarém para Lisboa D. Joana de Castela — I, 207. manda D. Diogo de Sousa, bispo do Pôrto, a Roma sôbre várias cousas — I, 208.
— 249 — Manuel (/).), manda à India Lopo Soares de Alvarenga com uma armada e suces- sos dela — I, 209-214, 217-220. honras que faz a Duarte Pacheco Pereira — I, 222. dá a este a capitania de S. Jorge da Mina — I, 223. nascimento da seu filho D. Luís — I, 223-4. levantamento dos cristãos-velhos contra os cristãos-novos em Lisboa em 1206 — I, Í3o-23 1. castigo dos culpados deste levan- tamento — I, 232-4. —— manda D. Francisco de Almeida à índia como governador dela— II, t. regimento que lhe deu — II, 2-4. manda Pero de Anhaia com uma ar- mada a Sofala para fazer fortaleza aí — II, 26-9; manda visitar D. Filipe de Castela à Corunha — II, 39. manda ao Papa Duarte Galvão e João Sotil para se fazer guerra aos Turcos — II, 39-40. manda fazer o Castelo-Real em Mo- gador — II, 40. manda 14 naus à índia em 1207 — II, 40. armada de Vasco Gomes de Abreu e sucessos dela — II, 40-42. nascimento do infante D. Fernando e qualidades da sua pessoa — II, 59-60. manda a armada de Jorge de Aguiar à índia e sucessos dela — II, 60-62. manda à índia a armada de Tristão da Cunha e sucessos dela — II, 63-77. manda D. João de Meneses com uma armada sôbre Azamor — II, 83-5. quere socorrer pessoalmente Arzila cercada pelo rei de Fez — II, 91. socorro que manda a Arzila — II, 92. limitações da conquista de Africa entre Portugal e Castela — II, 92-3 reconcilia Gonçalo Fernandes de Córdova e o duque de Medina-Sidónia com el-rei de Castela — II, g3. VOL. IV Manuel (D.), manda vários religiosos ao reino de Manicongo — II, 94. nomeia Alon o de Albuquerque go- vernador da índia — II, 114. manda à índia a armada de D. Fer- nando Coutinho— II, 127. nascimento de seu filho D. Afonso e alguns factos da vida dêle— II, 128-9. reclama contra os roubos de Mon- dragon, corsário francês — II, 129. manda Diogo Lopes de Sequeira com uma armada a Malaca — III, 1-9 manda três armadas à índia em t5io e sucessos delas — III, 34-2. manda Nuno Fernandes de Ataíde por capitão de Safim com uma armada — III, 34-5. manda João Mendes de Vasconcelos a Castela para tratar do concilio de Pisa e tomrr informações deumaaliança do rei dc Castela com.Molei Alebarraxa — III, 88-9. el-rei de Castela pede-lhe que entre na liga do Papa contra el-rei de França — III, 89 pede ao Papa o capelo de cardial para D. Martinho da Costa — III, 89. el-rei de Inglaterra manda-lhe a ordem da Jarreteira — III, 90. parentesco entre os reis de Inglaterra e de Portugal — III, 90-93. nascimento de seu filho D. Henrique, suas qualidades e cousas que fez em vida de Góis — III, 99-107. manda à índia as armadas de D. Gar- cia de Noronha, Jorge de Melo Pereira e Garcia de Sousa — III, 110. manda Simão da Silva por embaixa- dor ao rei de Manicongo — III, 13o— 131. instruções que levava — III, i32 manda brasões de armas ao rei de Manicongo — III, 135—G. castigo que dá a D. Álvaro de Castro — III, i38-i4t. manda o duque D. Jaime sôbre Aza- mor— III, 160. preparativos para a expedição — III, 161—3. 5a
Manuel (l).), manda D. Pedro de Sousa por capitão de Azamor— III, 180. carta a Nuno Fernandes de Ataíde deferindo um requerimento dos mouros de Xerquia que queriam alcaide sobre si — III, 182-3 manda Tristão da Cunha por embai- xador a Roma com um rico presente para o Papa — III, 185-190. carta que Alberto de Carpe escreveu sobre esta embaixada — III, 190-193. recebe o embaixador Mateus — III, 196. carta da rainha Helena da Etiópia — III, 196-8. manda Jorge de Brito à índia com uma armada — III, 220. manda fazer fortaleza na foz do rio da Mamora — III, 243-5. esta expedição deu em grande de- sastre— III, 245-6. preparativos para fazer fortaleza em Anafé — III, 245. enredos na corte contra Afonso de Albuguerque — III, 246. nega a este o título de duque de Goa e manda-o regressar ao reino — III, 246-7. nomeia Lopo Soares de Alvarenga governador da índia — III, 247. nascimento de seu filho D. Duarte — III, 249. manda à índia Afonso Lopes da Costa para desagravar Afonso de Albu- querque— III, 256. manda visitar seu sogro D. Fernando, muito doente — IV, 1. manda Pero Correia por embaixador ao imperador Maximiliano sôbre casa- mentos— IV, 1. confia a Cristóvão Barroso a conti- nuação dos negócios desta embaixada — IV, 2. o Papa faz cardial D. Afonso, filho de el-rei — IV, 2. o mesmo consente que se façam ofí- cios no bispado de Coimbra pela rainha Santa-Isabel — IV, 2. Manuel (/).), o mesmo concede-lhe o pa- droado dos mestrados do reino — IV, 2. o mesmo concede-lhe os dízimos de Muja para a ordem de Cristo — IV, 2. manda Rui de Aguiar ao rei do Congo para prover nas causas da religião do reino dele — IV, 5. embaixada de el-rei de França, Fran- cisco I — IV, 8. pedido de D. Carlos, rei de Castela, para D. Manuel entrar na sua liga contra a França — IV, 8. recusa entrar nesta liga — IV, 8. arma cavaleiros três fidalgos polacos — IV, 8. manda socorrer Arzila em i516 — IV, M. manda Rui Dias de Sousa Cide por capitão de Alcácer-Ceguer — IV, 12. manda D. Nuno Mascarenhas por capitão de Safim — IV, 12, 16. nascimento e morte de seu filho, D. António — IV, 17. carta do Xeque Ismael — IV, 28. combate que um elefante e um rino- ceronte tiveram num terreiro cerrado para el-rei ver— IV, 43, 47-8. morte da rainha D. Maria — IV, 49. a seu pedido, D. Carlos, rei de Cas- tela, castiga o piloto português João Dias Golis por ter ido ao Brasil com súbditos castelhanos — IV, 5o. João Valope, inglês, põe-se ao serviço dêle - IV, 5o. escreve ao Papa para os príncipes cristãos fazerem guerra aos Turcos — IV, 5o-5t. faz em Ó17 meios-tostões de prata e tostões de ouro — IV, 5i. opinião do Duque de Bragançe sôbre esta matéria — IV, 5i. manda Lourenço Lopes comprar cobre a Augusta — IV, 5i. manda uma armada sôbre a vila de Targa — IV, 52. pensa em abdicar ou retirar-se para o Algarve — IV, 6t. muda de propósito— IV, 61.
— 25 I — Manuel (D.), manda Diogo Lopes de Se- queira por oovernador da India em 1518 VIU casa neste ano com D. Leonor, in- fanta de Castela — IV, 72-4. cláusulas do casamento — IV, 73-4. parentesco dos noivos — IV, 74. as novas deste casamento não agra- dam ao Príncipe D. João e outros se- nhores — IV, 75. fala que faz diante da côrte respon- dendo aos murmúrios dela — IV, 75. vai receber a nova rainha a Castelo- -de-Vide — IV, 77. festas e jogos por isso em Castelo- -de-Vide e Almerim — IV, 77-8. recebe a ordem do Tosão de seu cunhado D. Carlos — IV, 78. manda fazer um rico pontifical para a capela da ordem em Bruxelas — IV, 78. manda à índia Jorge de Albuquerque em 1519 com uma armada — IV, 82-3. nega a Fernão de Magalhães o acres- centamento de moradia que pedira — IV, 83-4. conselho sôbre se se devia chamar ao reino e dar satisfação a Magalhães - IV, 84. autores encarregados de fazer a sua crónica antes de Góis — IV, 88. manda D. Pedro Mascarenhas rondar a bôca do rio de Tetuão para fazer fortaleza aí—IV, 118-120. D. Carlos, rei de Castela, insiste com êle para isso — IV, 118-119. manda por governador à índia D. Du- arte de Meneses — IV, i53. nascimento de seu filho D. Carlos — IV, 158. nascimento de sua filha D. Maria — IV, i59. sua filha D. Beatriz casa com D. Car- los, Duque de Sabóia — IV, 162-6. armada que levou a infanta—IV, 164. era capitão da armada D. Martinho de Castelo-Branco — IV, 164. Veneza manda a Lisboa por embai- xador Alexandre de Pesaro — IV, 193. Manuel (D.), recebe-o com muita honra -IV, ,93. concede-lhe alguns dos seus pedidos - IV, 194. dá-lhe um presente de cousas da índia — IV, 194. seu falecimento — IV, i95. pessoas que assistiram aos seus úl- timos momentos — IV, 195-6. é sepultado no mosteiro de Belém — IV, 196-7. suas feições corporais — IV, 197. suas qualidades morais — IV, 197. cousas a que era inclinado — IV, 197-200. ordem da sua casa e modo de viver — IV, 200-203. faz de novo muitas igrejas, mosteiros e hospitais — IV, 2o3-q. muda as Escolas-gerais — IV, 204. faz os paços da Ribeira em Lisboa e muitas obras de utilidade geral — IV, 2o3. faz alguns castelos e fortalezas — IV, 205. ganhou muitos lugares em Africa e na Ásia — IV, 205-6. castelos e fortalezas que mandou fazer além-mar — IV, 206. obras de assistência na guerra de África e outras obras pias — IV, 207-8. mandou escrever de novo muitos dos ducumentos da Tórre do Tombo — IV, 209-210. mandou concertar as crónicas dos reis seus antepassados — IV, 210. mandou pintar no paço de Sintra os escudos da nobreza de Portugal — IV, 210. moedas que mandou fazer — IV, 211. títulos que concedeu— IV, 212. ofícios reais que deu — IV, 212. a quem deu o título de Dom—IV, 213. cidades e vilas que criou — IV, 2i3. Maria (D.), mulher de D. Manuel, seu fa- lecimento — IV, 49. filha de D. Manuel, seu nascimento - IV, 1Í9.
— 252 — Maria (D.), sua vida até 15C;—IV, i5rj-i(Jo. Marrocos (el-rci dej, é desbaratado por Nuno Fernandes de Ataíde em Idenart — III. 124. é desbaratado por Iheabentafuf — III, .27. (cidade de), Diogo Lopes chega a uma légua dela e alguns mouros de pazes às suas portas —III, 184. os capitães de Salim e Azamor e mouros de pazes vão em j 515 sobre ela — III, 239-241. grande número de alcorões dela — III, 239. nomes de algumas das suas portas — III, 240. Martabão, cidade do Pegu — IV, 125. aí se fazem as talhas martabanas — IV, 125. nela se faz tratado de paz entre os reis de Portugal e do Pegu — IV, ia5. Marlins Evangelho (Fernão), refém em Diu-IV, i43. é restituído á liberdade — IV, 144. Mascarenhas (D António), fronteiro em Arzila —IV, 10. é feito cativo — IV, 66-7. —— (E. João), capitão dos ginetes, vai em socorro de Arzila em 1516 — IV, 10. (Jorge), vai em exploração para lá de Cantão — IV, 57. (D. Manuel), fronteiro em Arzila — IV, to. vai sôbre as aldeias da serra de Be- namares— IV, io3-4- (D. Nuno), fronteiro em Safim— III, 122. vai em socorro de Arzila em i5i6 - IV, io. capitão de Safim neste ano — IV, 12. manda D. Pedro Mascarenhas contra os mouros da Xerquia e Ábida —IV, 54. pede socorro a D. Manuel contra o rei de Fez — IV, 54. carta a D. Manuel sôbre Gonçalo Mendes Sacoto — IV, 55. vai contra os mouros do campo de Safim e desbarata-os —IV, io5-6. Mascarenhas (D. Nuno), vai novamente contra êles e desbarata-os a 16 léguas de Safim — IV, 106-110. mexericos e desavenças com Ihea- bentafuf— IV, 135—6. D. Manuel manda-lhe Cristóvão Freire com ico lanças — IV, i36. manda D. Rodrigo de Noronha com Iheabentafuf contra os mouros — IV, 151. morto Iheabentafuf e desbaratados os Portugueses que iam com ele, vai contra òs mouros e desbarata-os — IV, 153. (D. Pedro), vai contra os mouros da Xerquia e Ábida, que desbarata — IV, 5q. vai sondar a bôca do rio de Tetuão para aí se fazer fortaleza — IV, 119-120. vai contra os mouros de além da serra de Benamares — IV, 120-121. Mascate, vila da Arábia, é tomada por Afonso de Albuquerque — II, g5-6. Malataná, província da ilha de S. Lourenço — II, 64. Mateus, embaixador do imperador da Eti- ópia, vai apresentar-se a Afonso de Albu- querque— III, 116. embarca para Portugal — III, 116. maus tratos que lhe dão na viagem — III, 196. dá a sua embaixada a D. Manuel — III, 196. Góis pôs em latim as notícias que êle lhe deu sôbre a religião dos Etíopes — III, 198. regressa na armada de Lopo Soares de Alvarenga — III, 247. não consegue Lopo Soares desem- barcá-lo nem em Maçuá, nem em Ar- quico — IV, 34, 36. regressa ao seu país — IV, 112. sua morte em Bisão — IV, 113. Mato (Senhora do), D. Manuel faz o seu mosteiro — IV, 2o3. Mauro Hispano (frei), vem a Portugal com cartas do Papa sôbre a guerra aos in- fiéis— I, 201. Mafagão, seu capitão Martim Afonso de Melo — III, 237.
— 253 — Majagão, seu capitão António Leite—IV, 140. António das Neves e alguma gente dela vão com Molei Benaduxera contra os mouros — IV, 140. êle e a gente portuguesa salvam-se por Molei Feres ser leal — IV, 140-141. Meimão (cide), capitão dos mouros da Xerquia, vai com os capitães de Safim e Azamor sóbre Marrocos — III, 239-241. Meleque, xeque da tribu de Hizarara — IV, 52, 123. Melequiaj, v. Miliquiaj. Melique, v. Meleque. Mcliquesaca, capitão de Diu por seu pai Miliquiaz — IV, u3, 141, 142, iq3. Meliquigupi, senhor de Surrate, favorece os Portugueses — III, 215-7. Melo (Duarte de), vai com Molei Benadu- xeia contra os mouros a 3o léguas de Azamor —IV, 140. (Francisco de), vitória sóbre o rei de Lingá — III, 212-3. desbarata o rei de Bintão — III, 253. (Garcia de), vai em socorro de Ar- zila em i 516 — IV, 11. (Martini Afonso de), v. Afonso de Melo (Martini). (D. Rodrigo de), D. Manuel fá-lo conde de Tentúgal — IV, 212. (Rui de), capitão de Goa, toma posse das tanadarias de Salsete, Pondá e Bardes — IV, 145. Melo Coutinho (Martini Afonso de), D. Ma- nuel fá-lo camareiro-mor do infante D. Duarte — IV, 212. Melo Pereira (Jorge), capitão de uma armada que vai à índia em 1512 — III, 110. Melo da Silva (João), capitão da fortaleza de Coulão—- IV, 153. Mençara, cainpo além da serra de Bena- mares — IV, 120. Mendes (Francisco), capitão de Aguz — 111, 126 Mendes do Esporão (João), embaixador de Portugal na corte de Castela — IV, 118. Mendes Sacoto (Gonçalo) vai em socorro de Safim — IV, 5q. carta que o capitão de Safim escreveu a D. Manuel em louvor dêle — IV, 55. Mendes de Vasconcelos (Diogo), capitão de uma armada que em i5io vai à índia e sucessos dela — III, 3q, 35, 36. Afonso de Albuquerque manda-o prender em Cananor — III, 38. sua parte na tomada de Goa—III, 38. suas desavenças com Afonso de Albu- querque e castigo que este lhe dá — III, 63. é eleito capitão de Goa — III, 81. defende esta cidade contra Pulatecão e Roçalcão,— III, 82-5. capitão da fortaleza de Gochim — III, 248. (João), D. Manuel manda-o a Cas- tela para tratar do concílio de Pisa de I5ii — III, 88. Meneses (D. Afonso de), vai sóbre Bati- calá — IV, 72. vai com socorro a Coulão — IV, 129. (D. Aleixo de), vai com uma armada invernar a Ormuz — IV, 3, 5. - vai a Malaca com socorro de gente e dar remédio às desavenças que lá havia — IV, 65. estando em Malaca com a sua ar- mada, o rei de Bintão vem várias vezes sóbre a cidade — IV, 79-81. governador da índia durante a au- sência de Diogo Lopes de Sequeira — IV, 110. (Diogo da Silva), v. Silva Meneses (Diogo da). (D. Duarte de), capitão de Tânger, desbarata os alcaides de Tetuão e Xe- xuão — III, 117-9. el-rei de Fez vem sóbre Tânger— 111, 129. vai com D. João Coutinho sóbre Al- jubília — III, 242-3. vai com o mesmo até o campo de Alexarife— IV, 53. - - manda André Henriques com 100 lanç s a D. João Coutinho — IV, 102.
— 254 Meneses (D. Duarte de), vai à índia por governador — IV, 153. seu ordenado — IV, 153. sua viagem até a índia — IV, 15 3—4-. capitães das fortalezas dela cujos nomes levava — IV, 153-4. toma conta do governo da índia — IV, 194. (D. Fernando de), t.« Conde de Al- coutim — I, 35. (D. Garcia de), D. Manuel fá-lo ca- mareiro-mor do infante D. Afonso — IV, 312 (Henrique de), capitão da fortaleza de Chaúl — IV, 177. (D. Henrique de), esteve na tomada de Azamor — IV, 186. capitão de Tânger— IV, 186. desbarata o alcaide de Tetuão junto de Tânger — IV, 186. (D. João de), capitão de Arzila, vence os mouros em 1495 — I, 24-5. vai sóbre umas aldeias de Alcácer- Quibir—I, 106-7. vai contra os mouros de "Alcácer- Quibir — I, 154-6. vai novamente contra eles — I, Ó6-7. vai contra os mouros da serra de Benagorfate— I, 157-8. vai por mar sóbre Larache —I, 176-7. vai sóbre umas aldeias da serra do Farrobo — I, 177-8. vai sondar a barra do rio de Azamor - II, 82-3. vai com uma armada em i5o8 sóbre Azamor — II, 83-5. vai socorrer Arzila — II, 88-92. capitão do campo de Azamor—III, 169. desavenças com Rui Barreto — III, 169. vai sóbre as aldeias de Benacafiz e Tafuf—III, 170-171. vai até Chiquer para ir sóbre Mar- rocos— III, 172. não vai sóbre esta cidade por culpa de Nuno Fernandes de Ataíde — III, 173. desbarata com Ataíde e Iheabentafuf os alcaides Latar e Lutete ao pé da Serra-Verde —111, 174-7. Meneses (Z). João de), sua morte — III, 179-180. D. Manuel fizera-o camareiro-mor do Príncipe D. João — IV, 212. Conde de Tarouca, capitão da ar- mada que foi ajudar os Venezianos — I, 1 io-3. D. Manuel fizera-o conde — IV, 212. (João Rodrigues de Sá de), v. Rodri- gues de Sá de Meneses (João). (D. Luis de), fronteiro em Salim — III, 121. vai sóbre Almedina com o capitão de Safim — III, 122. capitão do mar da índia — IV, i53. (D. Pedro de), capitão de Ceuta, entra duas vezes por terra de mouros e desbarata-os — III, 180-181. vai sôbie Targa com Diogo Lopes de Sequeira — IV, 5a. (Rui Teles de), v. Teles de Meneses (Rui). Mequineq (el-rei de), v. Nácer (Molei). Merlao, rei de Onor, é desbaratado por D. Francisco de Almeida — II, 14-17. Mesquereqo, lugar do sul de Marrocos — III, 233. Meqalquibir, vila junto de Ourão, tenta- tiva de conquista em i5oi —I, 110-iit. Miguel (D.), filho de D. Manuel, seu nas- cimento — I, 63. é jurado príncipe herdeiro de Por- tugal — I, 65. sua morte — I, 100. Miliquiaj, capitão de Diu, desbarata em Chaúl a armada de D. Lourenço de Al- meida — II, 80-82. é vencido com Mirhocém na batalha naval de Diu — I', 119-124. assenta paz com o vice rei — II, 124-5. estors'a o desejo de Afonso de Albu- querque de fazer fortaleza em Diu — IIJ, 217. manda uma frota de fustas contra D. João de Monrói — IV, 40.
— 255 — Mimaia, lugar do campo de Safim — IV, to5. Mirabucaca, capitão do Xeque Ismael, sua carta a Afonso de Albuquerque — IV, 29. Miramirjão, capitão de Adém, resiste a Afonso de Albuquerque — III, 1.59-152. Miranda (António dej, faz paz com o rei de Sião e regressa a Malaca —III, 109. (Simão de), D. Manuel fá-lo cama- reiro-mor do infante D. Henrique — IV, 212. Miranda de Acevedo (António de), vai por embaixador ao rei de Sião — III, 77. Mirhocém, capitão de uma armada de Ru- mes — II, 77-80. combate e vence D. Lourenço de Almeida — II, 80-82. a sua armada é desbaratada pelo vice-rei — II, 119-124. é morto em Judá — IV, 3o-3i. Misericórdia, D. Leonor funda a confraria dela — IV, 60. Misquela, lugar a 16 léguas de Safim — IV, 106. Moçambique, Vasco da Gama chega aí e o seu capitão, Sacoeia, visita-o a bordo — I. 74-5. D. Manuel manda fazer fortaleza ali — II, 40, 42. Moçandomo, cabo da Arábia onde acaba o reino de Ormuz — II, 98. Mocri, senhor de Lara e Califa — IV, 148. toma a ilha de Baharém — IV, 148. é desbaratado e morto por António Correia — IV, 149. a sua cabeça é trazida a Ormuz como troféu — IV, i5o. Moderfaba, lugar a 5 léguas de Diu — IV, i43. Mogador, ilha do sul de Marrocos —11,40. Mombaça, D. Francisco de Almeida toma a cidade e queima-a — II, 8-12. Monçaíde, mercador de Tunes que Vasco da Gama encontra em Calecute— I, 82. sua conversão ao cristianismo — I, 88. Mondragon, corsário francês, é preso e trazido a Lisboa—II, 129. Monrói (D. Fernando de), vai às ilhas de Maldiva para dar caça às naus dos mouros — IV, 3g. vai contra Ancostão e é desbaratado -IV, 4i-2. (D. Golerrc de), capitão de Goa — III, 248. manda seu irmão D. Fernando às ilhas de Maldiva para dar caça às naus dos mouros — IV, 39. manda seu sobrinho D. João dar caça às naus dos mouros — IV, 39-40. desavenças com Fernão Caldeira — IV, 40. amores com a muiher dêste — IV, 41. manda contra Aucostão para haver Caldeira às mãos — IV, 41-2. desastre que sofreu a sua gente — IV, 42. perigo em que esteve Goa por vir sôbre ela Sabaindalcão — IV, 42-3. —— (D. João de), vai com uma pequena frota dar caça às naus dos mouros — IV, 39. desbarata uma frota de Miliquiaz na foz do rio de Chaúl — IV, 40. Monsanto (D. Rodrigo de), capitão de Tânger, vai sôbre umas aldeias de Al- cácer-Quibir—I, 106-7. Montemor-o-Novo, cortes em 1495—1, 16-17. D. Manuel faz o mosteiro de freiras de S. Domingos — IV, 204. Montemor-oVelho, D. Manuel faz o seu hospital — IV, 204. Montes-Claros, serras ao sul de Marrocos — IV, i3. Moradis (castelo dos), castelo do xerife — III, 234. Moura, D. Manuel faz a sua igreja de S. João — IV, 204. Mouros, D. Manuel manda-os lançar fora do reino — I, 3 5-6. Muar, rio junto de Malaca onde o rei de Bin- tão fêz uma tranqueira que D. Aleixo de Meneses mandou tomar — IV, 80-81, 124. esta tranqueira é tomada por António Correia — IV, 127.
— 256 Mugurej, lugar a 6 léguas de Azamor — IV, 68. o mesmo que Muguro\. Muguroj — IV, 67. Muja, paul, os dízimos" são concedidos a D. Manuel — IV, 2. D. Manuel manda abrir o seu paúl — IV, 2o5. o mesmo manda fazer os paços do lugar — IV, 2o5. Museu portuense, publica dois capítulos da parte III da crónica de D. Manuel — I, pág. vii. Nácer (Molei), rei de Mequinez, vem sobre Azamor, mas não lhe pode pôr cerco — III, 178. danos que faz em Almedina e Cernu — III, 178-9. é desbaratado pelos mouros da Xer- quia, junto de Tazarote—III, 179. impede que se faça a fortaleza da Mamora — III, 245. Nambeadora, rei de Cochim — II, 24. Nantó, vila da província de Cantão — IV, 56. Narsinga, algumas notícias sôbre o seu reino — II, 19-21. embaixada do seu rei a D. Francisco de Almeida — II, 18, 22. Gaspar Chanoca vai ao seu rei por embaixador—III, n5. manda um embaixador a Afonso de Albuquerque sòbre o negócio dos ca- valos—III, 155. vão por embaixadores a êle António de Sousa e João Teixeira com outro dele — III, 219. o seu rei desbarata o Sabaindalcão -IV, 144-5. dá as tanadarias de Salsete, Pondá e Bardes ao capitão de Goa, Rui de Melo - IV, ,45. Naubeadarim, príncipe herdeiro do rei de Calecute, capitão da armada dêste na guerra contra Cochim — I, 18a, 186. é vencido em Cranganor—I, 212-3. aclamado rei de Calecute—III, i55-6. Naubeadarim, faz paz com Afonso de Al- buquerque e autoriza-o a fazer fortaleza em Calecute — III, 156. Navarro (Conde D. Pedro), vai socorrer Arzila em 15o8 — II, 90. mercê que lhe faz D. Manuel —II, 92. Negrão, lugar entre Ceuta e Tetuão — ÍV, 115. Nemo, lugar de Molei Benaduxera — IV, 139. Neves (António das), capitão da gente por- tuguesa que com Molei Benaduxera vai contra os mouros — IV, 140-141. Ninachetu, regedor dos gentios de Malaca -III, 75. bendará de Malaca, é substituído pelo rei de Campar — III, 211. queima-se públicamente como pro- testo — III, 213. Nisa, D. Manuel faz a sua igreja — IV, 204 Nordeste, D. Manuel faz vila êste luear— IV, 2i3. Noronha (D. Afonso de), capitão da for- taleza de Sacotorá — II, 74. (D- Avaro de), fronteiro em Safim — III, 131. vai sôbre Almedina com o capitão de Safim— III, 122. capitão de Azamor em i5t8 — IV, 67. — submissão de muitos xeques mouros -IV, 67. alguns feitos de guerra contra os mouros vizinhos — IV, 67-8. -— várias entradas contra os mouros da Enxovia — IV, 95-7. castigo que deu a António Leitão, homem cruel — IV, g5-6. outras entradas na Enxovia — IV, 99-101. — Molei Benaduxera vem a êle dar obe- diência—IV, i3p. (D. António de), vai com uma ar- mada fazer fortaleza na foz do rio da Mamora — III, 243-5. esta expedição deu em grande de- sastre — III, 245-6. (D. Garcia de), capitão de uma ar- mada que vai à índia em i5i 1.— III, 110.
Noronha (D. Rodrigo de), vai com Ihea- bentafuf contra os mouros —IV, 136. alcançam ambos vitória — IV, 136—7. vai de novo com Iheabentafuf contra os mouros — IV, i5i. morto Iheabentafuf neste recontro, fica cativo — IV, 15a. Nova (João da), capitão da armada que em i5oi vai à India e sucessos dela — I, 141-3. Nunes (Alvaro), fronteiro em Arzila, è morto pelos mouros do alcaide de Al- cácer-Quibir—IV, 1S4-5. (Pero), vedor da fazenda da índia em 1519 — IV, 82. Olivença, D. Manuel faz a sua igreja — IV, 204. o mesmo manda fazer a cerca dela — IV, 2O5. Ommirabih, nome do rio de Àzamor — III, 164. Onor, o seu rei é desbaratado por D. Fran- cisco de Almeida — II, 14-17. Orfação, vila da Arábia, toma-a Afonso de Albuquerque — II, 96-7. Orniuj, sítio da ilha e cidade e costumes da gente — II, 97-8. a cidade tem casa onde os homens doutos vão ler histórias e crónicas — II, 98. seu rei Seifadim e regente Cogeatar — II, 98-9. Afonso de Albuquerque fá-la tribu- butária —99-104. o mesmo procura edificar aí forta- leza — II, io5, 106. ateia-se a guerra com os Portugue- ses — II, 107-110. Duarte de Lemos quere fazer a for- taleza, mas em vão — III, 5j. o seu rei paga lhe o tributo de i5.ooo xerafins — III, 57. seu rei Torunxá— III, 218. êste nega a Pero de Albuquerque lu- gar para fazer fortaleza — III, 218. pagamento do tributo concertado — III, 218-9. VOL. IV Ormtif, Afonso de Albuquerque vai sôbre ela — III, 220-221. regressa a ela o embaixador que viera a Portugal — III, 221. petição dêste a D. Manuel e resposta dele — III, 221-2. Afonso de Albuquerque faz final- mente fortaleza — III, 223. o mesmo manda matar o seu regente — III, 226-8. desde então a cidade esteve pacifica- mente sujeita a Portugal — III, z3o. Afonso de Albuquerque manda para Goa os seus reis cegos — III, 234. Pero de Albuquerque capitão da ci- dade — III, 254. Xurandar rei dela — III, 256. o seu' rei manda matar os Portu- gueses da cidade —IV, 189. morte de muitos dêstes e outros aco- lhem-se à fortaleza — IV, 189-190. combate à fortaleza — IV, 190-192. Raix Xarafo manda matar o seu re» — IV, I93. Paçanha (António), vai por embaixador ao rei do Pegu — IV, >25. (Manuel), capitão da fortaleza de An- chediva — II, 35. defende-a da gente do Sabáio—II, 38_ Pacém, o seu rei levanta-se contra os Por- tugueses— IV, 125. desbaratado por êles pede paz — IV, 125-6. Geinal usurpador do seu reino — IV, 154. Jorge de Albuquerque desbarata-o — IV, i55-6. Pacheco (António), quere a capitania de Malaca — IV, 55. Pacheco Pereira (Duarte), suas façanhas na guerra entre Calecutí e Cochim — I, 179-200. -— vai com Lopo Soares sôbre Cranga- nor — I, 212-3. brasão de armas que o rei de Co- chim lhe dá — I, 221-2. honras que lhe faz D. Manuel—I, 222. 33
— 258 — Pacheco Pereira (Duarte), capitão dá S. Jorge da Mina, como galardão dos seus feitos — I, 223. seu triste fim — I, 223. vai contra o corsário francês, Mon- dragon que traz preso a Lisboa — II, 120. Padilha (João de), sua atitude de rebeldia contra D. Carlos, rei de Castela — IV, 134. Pado, lugar pertencente ao rei de Bintão IV, 127. é tomado por António Correia e Portugueses de Malaca — IV, 127. acentuação do nome — IV, 181. Paiva (Afonso de), vai em busca do Preste João — III, 194-5. (.Bartolomeu de), guarda do Prín- cipe D. João, filho de D. Manuel — IV, 212. Panane, D Francisco de Almeida toma e queima esta vila — II, 74-6. Pangim, Afonso de Albuquerque toma esta vila —III, 12. Putatecão reconquista-a — III, 23. Afonso de Albuquerque toma-a de novo — III, 24-5. Pasqualigio (Pero), embaixador de Ve- neza— I, 140. Patalim (Rui de Brito), V. Brito Patalim (Rui de). Patecatir, governador dos mouros de Ma- laca, sua rebeldia contra os Portugue- ses — III, o5-6. faz guerra aos Portugueses de Ma- laca, é vencido por Fernão Peres de Andrade e foge da cidade — III, 107-110. Patemarcar, mercador rico do Malabar — I, pág. XLVIll. Paleonuf, senhor de Japará, quisera tomar ' Malaca antes de ser nossa — III, 143. vai com grande armada sôbre Malaca depois que Afonso de Albuquerque par- tiu para a India — III, 143—5. é desbaratado por Fernão Peres de Andrade — III, 146-8. Pedro (D), filho de D. João I, seus des- cendentes— III, 157. Pedro (D.), o Bastardo, fidalgo castelhano que negoceia uma aliança entre Alebar- raxa e o rei de Castela — III, 88. Pegu (rei de), o seu rei manda um em- baixador a Afonso de Albuquerque — III, 78. Henrique Leme desbarata uma frota de paraus do seu rei — IV, 4-". Diogo Lopes de Sequeira manda lá António Correia por embaixador — IV, 7a- os naturais chamam-lhe Bagou — IV, .24. seus produtos — IV, 124. António Paçanha vai por embaixa- dor a êle — IV, 125. tratado de paz entre o seu rei e o de Portugal — IV, 125. Pena (Senhora da), D. Manuel funda o seu mosteiro — IV, 2o3. Pequi, capital da China—IV, 59. Pereira (Duarte Pacheco), v. Pacheco Pe- reira (Duarte). (Jorge Melo), v. Melo Pereira (Jor- ge)- (Nuno Vaj), v. Vaj Pereira (Nuno). Pereira Coutinho (Rui), descobre a ilha de S. Lourenço pela banda de dentro — II, 63-4- Pereira Pestana (Francisco), fronteiro em Arzila, vai contra uma aldeia de mouros — I, 208-9. capitão da fortaleza de Goa — IV, 153. Peres de Andrade (Fernão), capitão do mar em Malaca — III, 96. combate Patecatir e obriga-o a sair de Malaca—III, 107-110. desbarata a grmada de Pateonuz — III, 146-8. parle para a índia — III, 148. vai com armada à China, mas não chega lá — IV, 4. sua viagem em 1517 à China e su- cessos dela — IV, 55-7. manda Jorge Mascarenhas a desco- brir terras para lá de Cantão—IV, 57- de regresso ao reino vai a Lvora dar
— 25g — notícia a D. Manuel das cousas da China -IV, 57. Per estrelo (Rafael), regressa da China a Malaca — IV, 4. Pesaro (Alexandre de), capitão de 5 ga- leaças de Veneza que vêm a Lisboa — IV, ,93. vinha por embaixador para tratar certos negócios — IV, 193. D. Manuel recebe-o com muita honra — IV, ig3. presente que recebe de el-rei — IV, 194. Pestana (Francisco Pereira), v. Pereira Pestana (Francisco). Pina (Fernão de) devia continuar a cró- nica de D. Manuel começada por seu pai, — IV, 88. (Rui de), começa a crónica de D. Ma- nuel —>IV, 88, 95. outras crónicas dos reis que escreveu -IV, 93-4. apreciação do seu estilo por Góis IV, 94. pouco merecimento deste trabalho IV, 93. Pinheiro, D. Manuel funda aí o mosteiro de Santo António — IV, 2o3. (D. António), é solicitado para escre- ver a crónica de D. Manuel — IV, 88. Pires (Diogo), porteiro dos contos em Arzila por causa de quem se deu um caso gracioso no Rio Doce—IV, 116. (Tomé), vai por embaixador à China -IV, 59. morre preso em Cantão — IV, 5g. Pires de Covilhã (João), vai em busca do Preste João — III, 194—5. Pisa, concílio de 15i 1 — III, 87. piu — sua significação—IV, 56. Pondá, lugar a duas léguas de Goa—IV, 40. seu capitão Ancostão — IV, 40. a sua tanadaria é dada aos Portu- gueses — IV, 145. Ponte-do-Sol, D. Manuel faz o lugar vila — IV, at3. Portalegre (Conde de), Diogo da Silva Me- neses — I, 31-2 ; IV, 212. Portimão (Vila-nova-de), D. Manuel faz conde dela D. Martinho de Castelo Branco — IV, 212. Pôrto, D. Manuel funda o mosteiro de freiras de S. Bento — IV, 204. o mesmo manda fazer na Sé a sepul- tura de S. Pantaleão — IV, 204. Pôrto-do-Judeu, D. Manuel faz o lugar vila com o nome de S. Sebastião — IV, 2l3. Portugal (D. Francisco), fronteiro em Ar- zila, corre aos mouros de Benagorfate III, 33. D. Manuel fá-lo Conde do Vimioso IV, 212. Prestage (Edgar), publica a crítica do Conde de Tentúgal à crónica de D. Ma- nuel — I, pág. xviti. Pulatecão, capitão turco ao serviço do Sabaindalcão — III, 17-22. vai sôbre a ilha de Goa —111,78-9 desbarata e mata Rodrigo Rabelo III, 79-81. põe cerco à cidade de Goa e é ven- cido — III, 82-3. Quadra (Gregório da), cativo do rei de Adém — IV, i3t. faz-se mouro e privado do seu rei — IV, 131. vai a Medina — IV, 131. foge para Ormuz — IV, i3a. regressa a Portugal — IV, i3a. D. Manuel manda-o ao reino do Congo — IV, i32-3. regressa de novo ao reino e faz-se frade —IV, i33. Quiloa, sítio da ilha e cidade deste nome — I, 126-8. D. Francisco de Almeida toma a ci- dade e faz fortaleza aí — II, 5-8. Rabelo (Rodrigo), capitão de Goa, é morto — III.79-81. Rabelot (Ianim), vai por embaixador ao rei de Pacém — IV, 4. Rafael (Álvaro), alcaide-mor de Azamor, vai sobre Muguroz — IV, 67.
Raho Benxamut, alcaide dos mouros da Xerquia, de vencido torna a vencedor e desbarata e mata Nuno Fernandes de Ataíde — IV, i3-i5. coragem de sua mulher Hota — IV, 14, i5. sua morte — IV, 15. Raix Çodameei, capitão do rei de Pacém — IV, 126. Raix Soleimão, capitão da armada que o sultão de Babilónia mandou contra os Portugueses em 1515 — IV, 3o. manda matar Mirhocém — IV, 3o. Lopo Soares de Alvarenga vai contra êle em Judá — IV, 33-q. Raix Xara/o, regente do rei de Ormuz e inimigo dos Portugueses — IV, 148. vai com António Correia à conquista de Baharém — IV, 149. toma posse de Baharém, Califa e Lara — IV, i5o. instiga o rei de Ormuz' contra os Portugueses de Ormuz — IV, 189. muitos Portugueses são mortos ou acolhem-se à fortaleza — IV, 189-190. combate a fortaleza — IV, 190-192. manda matar o rei de Ormuz — IV, tg3. Raxel, pôrto do golfo Pérsico —III, 218. Resbutos, são homens de guerra em Cam- báia — III, 214. Ribeiro (Nuno), feitor em Málaga -IV, to, 11. Ricalamint, lugar onde nasce o rio de Aguz — IV, 140. rinoceronte, que animal é — IV, 46. combate de um com um elefante diante de D. Manuel — IV, 47-8. Rio-Doce, ribeiro ao norte de Arzila, caso gracioso que nêle se deu — IV, 116-117. Rob, nome de porta de Marrocos —111,240. Roçai cão, substitui Pulatecáo no ataque à cidade de Goa — III, 82-5, 86. fortifica Benastarim — III, 86. sua defesa de Benastarim — III, 112, 114. Roçai gale, cabo da Arábia onde começa o reino de Ormuz — II, 94. 60 — Rodrigues (Heitor), vai fazer a fortaleza de Coulão — IV, 3S-a. capitão desta fortaleza, é cercado por gente de Coulão e Comorim— IV, 128-13o. faz paz com os sitiantes — IV, t3o. Rodrigues Berrio (Sebastião), valente ho- mem do mar — II, 88. Rodrigues de Sá de Meneses (João), vai visitar o rei de Castela D. Fernando — IV, i. escreve a Góis sôbre as crónicas dos reis antigos — IV, 94. Roduão, lugar do campo de Safim — IV, 106. roli, sua significação no Pegu — IV, 125. Rumes, vencedores na batalha naval na barra de Chaúl (e morte de D. Lourenço de Almeida) — II, 77-82. são vencidos na batalha naval de Diu — II, 119-124. Rutgerte, bombardeiro nas partes da índia - II, 48. Sá (António de), feitor em Coulão, é morto pelos mouros desta cidade — II, 23. D. Francisco de Almeida vinga a sua morte — II, 23. (Garcia de), capitão de Malaca — IV, 72, 125. Sabóia, o seu duque D. Carlos casa com D. Beatriz, filha de D. Manuel — IV, 162-6. Sacoto (Gonçalo Mendes), v. Mendes Sa- coto (Gonçalo). Saldanha (aguada de), morre aí D. Fran- cisco de Almeida — II, 136-7. /António de), vai com uma armada à índia em i5o3 — I, 173-5. vai com nova armada à índia em i5I7 — IV, 36. vai às presas das naus dos mouros - IV, 64-5. queima Bárbora — IV, 65. vai ao cabo de Guardafum às presas -IV, 72. Salinas (as), lugar entre Safim e Marrocos — III, 239, IV, io5.
Salsete, a sua tanadaria é dada aos Por- tugueses— IV, 145. Sande (Rui de), D. Manuel dá-lhe o titulo de Dom — IV, 213. Santa-Calarina, ilhéus junto de Ceuta — IV, ih. Santa-Cruj, lugar na Madeira, D. Manuel fá-la vila — IV, 213. nome primeiro do Brasil, v. Brasil. do cabo de Guer, fortaleza que faz aí João Lopes de Sequeira — I, 208. seu capitão em 1517 D. Francisco de Castro — IV, 5i. este capitão vai sobre a Vila de Tu- rocuco e toma-a — IV, tz3. o mesmo encontra nela mercadores cristãos — IV, 123. Sanla-ljabel, o Papa concede que no bis- pado de Coimbra se façam ofícios por ela —IV, 2. Santarém, D. Manuel manda fazer ai a casa da armadia — IV, 2o5. Sepúlveda (Diogo de), capitão da forta- leza de Sofala — IV, 153. Sequeira (Diogo Lopes de), v. Lopes de Sequeira (Diogo). (Pero de), informa Góis sôbre os cristãos de Cranganor e seus privilégios — I, 216-7. serife, outra forma de xerife—I, pág. xlvii. Serpa, D. Manuel funda o mosteiro de Santo António, junto da vila — IV, 204. Serra (Senhora da), D. Manuel funda o seu mosteiro — IV, 2o3. Serrão (João), capitão de uma armada que foi mandada à ilha de S. Lourenço -III. <4-5. Serra- Verde, os capitães de Safim e Aza- mor e Iheabentafuf desbaratam junto dela os alcaides Latar e Lutete— III, 175-7. Sião (el rei de), manda um embaixador e um presente a Afonso de Albuquerque — I". 77- Silva (João Melo da), v. Melo da Silva (João ). (D. Manuel Diogo da), D. Manuel fá-lo Conde de Portalegre — IV, 212. Silva (João Melo da), v. Silva Meneses (Diogo da). (D. Miguel da), embaixador em Roma — IV, 2. (Simão da), vai por embaixador de D. Manuel ao rei de Manicongo — III, 13o-131. sua morte — III, i3t. Silva Meneses (Diogo da), é feito conde de Portalegre — I, 31-2. v. Silva (D. Manuel Diogo da). Silveira (D. João da), vai assentar paz com o rei das Maldivas — IV, 61-2. este autoriza-o a fazer ali fortaleza - IV, 62. vai ao reino de Bengala — IV, 02-3. guerra com o governador de Cha- tingão — IV, 63-q. guerra com o rei de Arracão — IV,64. capitão da fortaleza de Columbo — IV, 71, 145. capitão da fortaleza de Cananor — IV, 153. (Jorge da), D. Manuel fá-lo cama- reiro-mór do infante D. Fernando — IV, 212. (Simão da), capitão da fortaleza de Cananor — III, 248. Siner, vila da Enxovia a i5 léguas de Azamor — IV, 97. Soar, vila da Arábia, é tomada por Afonso de Albuquerque — II, 96. Soares (Fernão), capitão das naus de carga quê D. Francisco de Almeida mandou para o reino em t5o5 — II, 25. descobre a ilha de S. Lourenço— II, 25-6. Soares de Alvarenga (Lopo), vai à índia com uma armada e sucessos dela — I, 209-214, 217-222. vai sôbre Cranganor que toma — I, 212-4. vitória sôbre o rei de Calecute—I, 218-9. é nomeado governador da índia — III, 247. sua viagem até Goa — III, 247-8. reforma a paz com Coulão — IV, 3-
— 2Õ2 Soares de Alvarenga (Lopo), ordens que dá sôbre os negócios do seu governo — IV, 3. resolve não abandonar Goa — IV, 4. manda D. Aleixo de Meneses a Ormuz IV, 4. manda Fernão Peres de Andrade à China — IV, 4. vai com uma armada em busca de Raix Soleimão — 31-2. chega defronte de Judá sem a poder tomar e queimar a armada de Raix So- leimão — IV, 33-q. —— parte para Camarão — IV,34. vai a Zeila e Bárbora e regressa à índia — IV, 35-6. manda Heitor Rodrigues fazer a for- taleza de Coulão — IV, 38-9. manda D. João da Silveira assentar paz com os reis das Maldivas e de Ben- gala — IV, 61-4. manda António de Saldanha, Ma- nuel de Lacerda e D. Aleixo de Meneses a comissões de serviço — IV, 64-5. vai fazer fortaleza em Columbo — IV, 70-71. regressa ao reino — IV, 71. Sodré (Vicente), perde-se nas ilhas de Cú- ria-Múria — I, 161-2. soldo, moeda de Malaca que fez Afonso de Albuquerque — III, 76. Solimão, imperador da Turquia, apossa-se do Egito — IV, 5o. D. Manuel escreve ao Papa sôbre isso — IV, 5o. Sono, vila do reino do Congo — IV, 5. Sotil (João), vai ao Papa para se fazer guerra aos Turcos — II, 40. Soure, D. Manuel faz a sua igreja —IV, 204. Sousa (António de), vai por embaixador ao rei de Narsinga — III, 219. (D. António Caetano de), v. Caetano de Sousa (D. António) (Cristóvão de), vai sôbre Dabul — IV, 72. (D. Diogo de), bispo do Pôrto, D. Ma- nuel manda-o a Roma — I, 208. Sousa (Garcia de), capitão de uma armada que vai à índia em i5ta — III, tio. (D. Pedro de), capitão de Azamor -III, 180. vai sôbre Marrocos e peleja com a gente da cidade — III, 239-241. Sousa Cide (Rui Dias de), v. Dias de Sousa Cide (Rui). Suejr, o sultão de Babilónia manda fazer aí uma armada contra os Portugueses IV, — 29-3O. Tafarej, lugar do sul de Marrocos — III, 233, Ta/uf, aldeia a i5 léguas de Azamor — III, 170. é tomada pelos Portugueses — III, 170-171. Tagaoj, lugar junto de Meça, D. Manuel desejou aí fazer fortaleza — IV, 206. Tamão, ilha da China — IV, 56. Tamarrocos, lugar da Duquela — IV, 99. Tancos, D. Manuel faz o lugar vila—IV, 213. Tânger, el-rei de Fez vai sôbre a cidade — I, 107-8. o seu capitão, D. Duarte de Meneses» desbarata os alcaides de Tetuão e Xe- xuão — III, 117-9. el-rei de Fez vai sôbre a cidade — III, 129. o mesmo volta sôbre a cidade e não . faz nada— IV, 116. seu capitão D. Henrique de Meneses — IV, 186. o mesmo desbarata o alcaide de Te- tuão — IV, 186. Tanor, o seu rei faz guerra ao de Calecute — I, 217-8. Targa, tentativa infeliz em i5oz sôbre esta vila de Marrocos — I, 140. D. Manuel manda uma nova armada sôbre ela — IV, 5a. não foi tomada por desavenças entre os capitães — IV, 52. Tarnóvio (João), fidalgo polaco armado cavaleiro por D. Manuel — IV, 8. bom gasalhado que fez depois no seu país a Góis— IV, 8.
— 263 — Tarouca, D. Manuel faz conde dela D. João de Meneses — IV, 212. Tavira, D. Manuel funda o seu mosteiro de freiras de Santa-Clara — IV, 204. o mesmo fá-la cidade — IV, 213. Tavrij, vai a esta cidade Fernão Gomes de Lemis, embaixador português ao Xeque Ismael — IV, 26-7. Tajamor, lugar do sul de Marrocos — III, 235. Tajarote, vila entre Safim e Marrocos junto da qual é desbaratado Molei Ná- cer — III, 179. Tednest, cidade da província de Hea — III, 17.. entra nela Nuno Fernandes de Ataíde III, 172. Teixeira (João), vai por embaixador ao rei de Narsinga — III, 219. Teles Barreio (Alvaro), capitão da forta- leza de Calecute — III, 248. Teles de Meneses (Rui), D. Manuel fá-Io ca- mareiro-mor do infante D. Luis —IV, 212. Temecena, região entre o rio de Azamor e o de Salé — I, pág. xlix, III, i65. Tentúgal, D. Manuel faz conde dele D. Ro- drigo de Melo— IV, 212. 2." (conde de), sua crítica à crónica de D. Manuel por Góis — I, pág. xviu-xxxiv.. Terqueneim, lugar da Daquela — IV, 98. terrada, navio de remo — IV, 148. Terter, castelo a 5 léguas de Almedina, D Manuel desejou tomá-lo—IV, 206. Tetuão, D. Pedro de Meneses corre até as atalaias da c^lade— III, 180. D. Manuel manda sondar a bôca do seu rio para aí fazer fortaleza — IV, 119-120. D. Carlos, rei de Castela, faria essa fortaleza se D. Manuel desse licença — IV, ..9. v. Almandarim. Timoja, corsário da costa do Malabar — II, 14. aconselha Afonso de Albuquerque a ir sôbre Goa — III, 10. Tintaixe, aldeia junto de Alcácer-Quibir, vai sôbre ela D. João Coutinho — IV, q. 7«te, é despejada pelos seus moradores depois da tomada de Azamor — III, t68. Tomar, D. Manuel ordena capítulo no seu convento — I, i63. o mesmo funda aí o convento de Cristo — IV, 203. o mesmo faz a igreja de S. João Bap- tista — IV, 204. Tomé (S.), o Apóstolo — I, 170. tábuas de cobre com os privilégios que lhe fizeram os reis de Cranganor — I, 216-7. edifica uma igreja em Cranganor — I, 217. Tôrres-Novas, D. Manuel faz marquês do lugar D.João filho de D. Jorge — IV, 212. Torunxá, rei de Ormuz — III, 218. Tosão (ordem do), D. Carlos, rei de Cas- tela, manda-a a D. Manuel — IV, 78. D. Manuel manda fazer um pontifical para a capela da ordem em Bruxelas — IV, 78. Trimumpará, rei de Cochim— I, 158. v. Cochim. Trimumpalé, rei de Cochim — II, 24. v. Cochim. Tuil, vila tomada pelo xerife e destruída - IV, 52. turcol, sua significação — I, 199. Turocuco, vila do Suz, vai sôbre ela D. Francisco de Castro e toma-a — IV, 123. tulão, sua significação — IV, 56. Umbre, vila da Enxovia a 7 léguas de Azamor — IV, 99. Utetimularaja, homem poderoso de Ma- laca — II, 5. pede a protecção de Afonso de Al- buquerque — III, 72. regedor dos mouros de Malaca — III, 75- conspira contra os Portugueses e por isso é degolado na praça de Malaca — III, 93-5. Valope (João), inglês que vem pôr-se ao serviço do rei de Portugal —IV, 5o.
— 264 varela, sua significação no Pegu — IV ia5. Vasconcelos (Diogo Mendes de), v. Men- des de Vasconcelos (Diogo). Va^ f Gonçalo), almocadém de Arzila, sua morte —IV, 18, 19. Vai Pereira (Nuno), capitão de Sofala — II, 3o. quere a capitania de Malaca — IV, 55. Veneia, embaixada a D. Manuel — I, 34. tem casas públicas onde Góis ouviu lições de filosofia e história — II, 98. manda a Lisboa 5 galeaças — IV, i93. vinha por embaixador especial o seu capitão para tratar certos negócios — IV, ,93. D. Manuel recebeu este com muita honra — IV, i93. el-rei concedeu-lhe alguns dos seus pedidos— IV, 194 Vengapor, o seu rei faz paz com Afonso de Albuquerque — III, 115. Vieira (António), vai ao reino do Congo por missionário — IV, 5. Vila-Nova-de-Cerveira (Visconde de), fronteiro em Arzila, corre Mençara — III, 34. Vimioso, D. Manuel faz conde do lugar D. Francisco de Portugal — IV, 212. Vuartmã (Luís), italiano que dá aviso a D. Francisco de Almeida da guerra que preparava o rei de Calecute — II, 35-6. é armado cavaleiro em Panane — II, 76. vem a Portugal com Tristão da Cu- nha — II, 76. Xaerão, corsários mouros, são vencidos pelos Portugueses de Ceuta — IV, 114-5. Xerife, è desbaratado por Lopo Barriga - III, 233-4. Lopo Barriga vai sôbre a vila dêle Amagor e fá-lo fugir — III, 235-6. guerra que lhe faz Çaíde Boagaz Maho— IV, 5i-2. Xerife, vence e toma a êste Tuil — IV, 52. Xercão, lugar junto de Arzila—IV, 118. Xerquia, as tríbus que a compunham — III, i65. —— D. Manuel dá-lhe como alcaide Abda- ramão — III, 182-3. Xexuão, v. Alebarraxa e tíarraxa. Xiátima, tributo que pagava a sua gente - III, 56. a sua gente é vencido por Iheaben- tafuf — III, 120. o xerife entra pela primeira vez no seu território — III, 126. o mesmo é repelido — III, 126. província ao sul do rio de Aguz — III, i65. Xirai, nome de vinho afamado — IV, 23. Xurandar, rei de Ormuz — III, 256. Zagaiabo, embaixador do imperador da Etiópia a D. João III —III, 198. compôs um tratado sôbre a religião dos cristãos da Etiópia — III, 199. Góis pos êsse tratado em latim — III, 199. —resumo deste — III, 199-208. Zeião (Molei), senhor de Azamor em i5o8 — II, 83-4. favorece os nossos em Azamor— III, 160. quebra a paz estabelecida — III, 160. procura estorvar o avanço de D. Jaime sobre Azamor—III, i65-6. Zeila, Lopo Soares de Alvarenga combate a cidade e queima-a — IV, 35-6. Zeiland, v. Ceilão. Zeinal, rei desterrado de Pacém, pede a Afonso de Albuquerque que o reponha no trono— III, 66-7. foge para el-rei de Malaca — III, 68-9. pede de novo a Afonso de Albuquer- que que o reponha no trono — III, 97. Zurara (Gomes Eanes de), v. Gomes Ea- nes de Zurara.
EDIÇÕES DA IMPRENSA DA UNIVERSIDADE (extracto do catálogo) SCRIPTORES RERVM LVSITANARVM série a) Publicado: hERNÃO LOPES DE CASTANHEDA. — História do descobrimento, e conquista da índia. Ed. revista pelo Sr. Tedro de Azevedo, vol. i. Em papel de linho qoífioo Em papel de algodão 35#>oo Vol. n no prelo. DAMIAM DE GOES. — Chronica do Felicíssimo Rei Dom Emanvel. Conforme a ed. princeps. Rev. pelos Drs. J. M. Teixeira de Carvalho e David Lopes, 4 vols. Em papel vergé. No prelo: DAMIAM DE GOES. — Chronica do príncipe Dom loam. Conforme a ed. princeps. Em preparação: JOÃO DE BARROS e DIOGO DO COUTO. — Décadas. Ed. revista pelo Dr. António Baião. Papéis relativos á guerra da restauração e independência de Portugal. série b) Publicados: I. — HIERONYMO OSORIO. — De rebus Emmanvelis gestis, 3 vols 6o#oo II.— Itinerários Quinhentistas da India a Portugal. — Rev. e prefaciados pelo Dr. António Baião, vol. 1 i8#>oo III. — Comentários do grande Afonso d'Albuquerque. — Conforme a a.» ed. Rev. e prefaciada pelo Dr. António Baião, vol. 1 (Partes 1 e 11) e 11 (Partes 111 e iv).. 35#>oo Em preparação: D. FRANCISCO MANUEL DE MELO. — Epanaphoras de varia historia portugueza. Ed. dirigida pelo Dr. Edgar Prestage. História Trágico-marítima. DUARTE GALVÃO. — Crónica de D. Afonso Henriques.