• HISTORIA MARQUES PEREIRA* ANTIGO SECRET AR rO DA LEGAÇÃO DR PORTUGAL NA CHINA, PROCURADOR DOS NEtiOÇIOS SfNÍCOS DA CIDADE PK MACAU, MEMBRO HONORÁRIO DA REAL SOCIEDADE ABIATICA (iNGLESA) CAVALLEIRO DA ORDEM DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, &C. MACAU JOSÉ I)A SILVA, EDITOR 1868. S jr
  • EPHEMERIDES COMEMORATIVAS DA HISTORIA DE MACAU E DAS RELAÇÕES DA CHINA COM OS PÓVOS CHRISTÃOS,
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  • mebribis CDnaosmus DA HISTORIA DE MACAU POR A. MARQUES PEREIRA, ANTIGO SECRETARIO DA LEGAÇÃO DE PORTUGAL NA CHINA, PROCURADOR DOS NBGOCIOS SIN1COS DA CIDADE DE MACAU, MEMBRO HONORÁRIO DA REAL SOCIEDADE ASIATICA (iNGLESA), CAVALLEIRO DA ORDEM DK NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, &C. MACAU JOSÉ DA SILVA, EDITOR 1868. %
  • Typographia de José da Silva.—Macau, Travessa do Governador, n.° 2.
  • Estas ephemerides foram publicadas no Ho¬ le tim. do governo da província de Macau e Timor, durante o anno de 1867. O auctor concluiu a publicação com; as se¬ guintes palavras ao leitor: “ Aqui terminam, com o anno, as ephemeri¬ des cominemorativas da historia de Macau e das relações da China com os póvos christãos. Este trabalho, feito assim, nao oíferece uti- lid.ade proporcional â fadiga de quem o empre- liende e conclúe. Certo é que o não haveria eu
  • VI. de tentar se nvo não facilitassem, mais do qie a outros, as investigações a que por obrigação me dei, para estudo menos salteado. Ordenada em ephemerides, pela sequencia dos dias do anno, a commemoraçao baralba os factos, em vez de os expôr em seu natural succedimento. O espirito do leitor, de contínuo sacudido bruscamente de uma epocha para outra mui distante e recordando casos de naturesa mui diversa, fatiga-se em breve e nada approveita. 0 historiador, por sua parte, reduz a pretenção a satisfazer a pequena curiosi¬ dade dos anniversarios. Pareceu-me com tudo aceitavel o genero para a variedade fugitiva de uma publicação periodica, e seduziu-me a empresa de não esquecer um só dia do anno, commemorando uma só ordem de factos, com respeito a uma só localidade. Foi uma especie de gymnastica histórica e litteraria, a que, em taes condições, ninguém so deu ainda, que me conste. Não pretendo inculcar o trabalho por mais do que vale, se alguma cousa vale,—mas peço ao leitor que o releia,—emendado e augmentado,— na edição em volume, que o sr. José da Silva pu¬ blicará brevemente, a beneficio da Santa Casa da Misericórdia de Macau. M. P.” )
  • ADVERTÊNCIAS. Afim de se evitar quanto possível a mono¬ tonia de datas, supprimiu-se a repetição do dia em todas as commemorações em que só o anno variava, corn respeito ao artigo precedente. As¬ sim, o espaço em branco, antes da indicação do anno, designa o mesmo dia do mez da commemo- çâo anterior.
  • VIII. _0s nomes Chineses devem lèr-se conforme vão escriptos, segundo o valor natural das lettras em portuguez. O auctor segue, em todos os seus trabalhos em que se occupa da China, este systhe- ma de ortliographia imitativa, ou figurada, para a representação dos termos chineses,—com a ex- cepção rara de alguns que o uso mais geral de v outros europêos nos obriga a aceitar escriptos de modo dilferente. Do numero d’estas excepções, —pouquissimas,—é, por exemplo, a designação Shmg-liai, que melhor escreveríamos Chang-hai, ou Xang-hai, mas que se escreve hoje universal- mente de aquelle modo.' Não assim os nomes de outros muitos pórtos e lugares, que, embora os escrevam a seu geito os ingleses, não são menos conhecidos quando a nossa ortliographia os indi¬ ca. —O auctor não pretendeu inculcar que se continham n’estas ephemerides todas as datas notáveis para a interessante e variadíssima his¬ toria do devassamento do império chinez. Com- memorando factos em todos os dias do anno, bus¬ cou simplesmente indicar a riquíssima explora¬ ção que a mesma historia offerece. f
  • A conimemoração dos factos deleita e instrúe. (Aphorismo clássico chluer.—Trad. do P. N. da Silva, Junior.)
  • et ament meminisse
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  • EFiimiiWEs Ciiiimint vm vs DA HISTORIA DE MACAU E * HAS REACHES HA CHINA COM OS POVOS CHR1STA0S .1A NJt/lRO. 1 de Janeiro de 1809.—“ Kiu-iung-kuang, vice-rei de Cantão etc., fazemos saber a todos os europêos que, por des¬ embarcarem soldados ingleses em Macau, jamais se lhes devia permittir commercial* n’este iinperio. Comtudo, lem¬ brando-nos que o seu rei offerecêra tributo ao nosso impe¬ rador, relevámos a oftensa que nos fizeram pela sua entrada em Macau. Agora, depois de enviarem os soldados ás suas terras, pedem os sobrecargas, arrependidos, perdão com muita humildade, afim de se lhes permittir commerciar n’es¬ te império. Conhecendo a misericórdia do nosso impera¬ dor, cedemos ás repetidas supplicas dos sobrecargas, dei¬ xando que desembarquem as suas mercadorias e possam vende-l’as n’esta cidade. Devem receber esta graça como um beneficio extraordinário. Yê-se que as leis chinesas tèem enfraquecido com o tempo; mas no futuro haverá mais rigor. De aqui em diante, se algum europêo se atrever a quebrar as leis do império, será expulso para sempre.” Iíefere-se este edital ao desembarquo de tropas que os ingleses effectuaram n’esta cidade de Macau, em setembro de 1808, a pretexto de a defenderem contra os franceses. As tropas retiraram antes do fim de desembro. (Vej. Memória dot feitos macaenses contra os piratas da China, e da entrada vio¬ lenta dos ingleses na cidade de Macau, por Josè Ignacio de An¬ drade.) 1839.—Restabelecimento temporário do commercio extrangeiro em Cantão, que fôra interrom¬ pido, por ordem das auctoridades chinesas, em 3 de desem¬ bro do anno anterior.
  • — 2 — 2 DE janeiro DE 1706.—0 imperador da China, lang- hi, tendo recebido pela primeira vez em audiência o mtri- archa Tournon, em 81 de desembro de 1/05, resolve 1 este dia mandar como portador de suas dadivas para o sirarno pontífice o jesuita Bouvet. “ Constava o presente mpenal de dez formosas pérolas, pescadas nos rios da l aitaria, um envoltorio da preciosa raiz chamada (iinceni; cimoenta pelles zibelinas de côr preta c esquisitíssimas; dez cdvlias, ou cobertores bordados de uma e outra parte subtilwima- mente; trinta peças de seda, as melhores da Uma, de diversa côr e lavor.—Tudo isto composto em duas bsllas e curiosas cestas mandou o imperador por um aulico ca sua camara e tres mandarins mostrar ao patriarcha e ercregar ao padre Bouvet, e em effeito, lhe entregaram os Manda¬ rins as chaves das ditas cestas que elles mesmos fanaram depois de ver tudo o patriarcha. Ao qual intimou > dito aulico, em nome do imperador, que na carta que escnvesse ao Summo Pontífice acrescentasse que sua magestacb man¬ dava ao padre Bouvet por seu legado e enviado a sua santidade, e que pedia lhe mandasse mathematicos, misieos, medicos, cirurgiões, insignes nas suas artes e homem reli¬ giosos.” (Relação sincera e verdadeira do que /«, preendcu e occasiomu na missão da Chim e em Macau o patriarcha de Antw- chia, Carlos Thomaz Maillard de Tournon, eommmano e, vsitador apostolico, com poderes de legado a latere, publicada pilo sr. Rivara, no Ckronista de Tissuary.) . 3 DE JANEIRO DE 1839.—Nomeação, em Pekim, le lm>- tsih-siu, para tratar em Cantão com os europêos, na quali¬ dade de commissario imperial. . . . 4 DE JANEIRO DE 1851—É nomeado commissanc impe¬ rial em Kuang-si o mandarim Li-sing-yuen. 5 DE JANEIRO DE 1734.—“ N’este dia se passou a Can- tão, em habito secular, o bispo de Nankim missiomno do Yaratôio, D. fr. Manuel de Jesus Maria José, pau d am sahir cm qualquer navio estrangeiro para a hurop, vista a expulsão dos missionários, decretada pelo impoador. (Colleefio de vários factos que hão acontecido nesta culadide Ma¬ cau, etc.: ms.) . 1780.—Toma posse do governe e capi¬ tania geral de Macau Antonio José da Costa. 1840.—Decreto do imperado- 1 au- kuang, pruhíbindo o commercio com a Inglatei i a. 1 1858.—O vice-rei de Cantao, Yeh, e feito prisioneiro pelos ingleses, que depois o mandan, abor¬ do da ndu Inflexible, para Calcutta, onde veio a moner 6 DE janeiro DE 1710.—“Chegou n’este dia umi chalu¬ pa de Manilha, em que vieram cinco padres com caras para
  • — 3 o patriareha (Tournon), por onde se soube com certesa estar nomeado cardeal. Teve esta chalupa embaraços dos chinas, para não descarregar e não desembarcar pessoa alguma, mas tudo se venceu pela força do dinheiro.” (Co/leccão de vários factos, etc.) 1739.—Tendo entregado o governo de Macau a Manuel Pereira Coutinho, em 25 de agosto de 1738, embarcou-se n’este dia, em o navio San?Amur, de volta á índia, Cosmo Damião Pinto Pereira.—Veio depois a tiear largo tempo en» Calecut, pois, estando Gôa com guerra muito apertada, não houve ali navio do estado que lhe dósse comboio. 1841.—Edicto das auctoridades de Cantão, ordenando que todos os ingleses fossem mortos, e os seus navios destruhidos, em toda a parte onde se vissem. Esta medida, decretada em meio do armistício que o almi¬ rante Elliot concedêra desde (1 de novembro anterior, deu lugar á immediate continuação da guerra e á tomada, logo no dia seguinte, dos fortes de Tclnien-pi e Tai-cok-tau, como adiante menciono. 1848.—Desembarca em Macau o barão de Fouth-Kouen, enviado pelo rei Luiz Fellippe na quali¬ dade. de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário á China. 7 de Janeiro nE 1737.—O brigue de Macau, S. Paulo, tendo de aqui saido n’estc dia, com destino a Gôa, veio a perder se com poucos dias de viagem, 11a costa da Cochin- china, salvando-se unicamente tres pessoas, que sobre um madeiro alcançaram a torra. 1832.—Em referencia a uma carta que, om 27 de agosto de 1831, o governador geral da índia ingle¬ sa, lord William Bentinck, lhe dirigira, pedindo explicação de vários factos claramente offonsivos da dignidade da In¬ glaterra, o governador de Cantão publica n’este dia um edicto, dirigido aos “ annistas,” em que declara que tal carta não merece resposta. 1839.—0 vice-rei de Cantão ordena que os seus meirinhos procedam a uma busca cm todas as habitações da cidade e apprehendam qualquer porção de opio que n’ellas encontrem, devendo ao mesmo tempo apo- derar-se dos possuidores d’essa droga pruhibida, para serem executados.—E de notar n’este facto que o povo de Cantão não consentiu que a busca se eflectuasse sem que primeiro fossem vistas as habitações dos proprios meirinhos. 1841.—As forças navaes inglesas to¬ mam os fortes de Tchuen-pi e Tai-cok-tau, com perda de 173 canhões e grande numero de vidas por parte dos chins.—
  • — 4 — 0 almirante Eliiot prepara-se immediatameute para atacar os fortes da Boca do Tigre, o que porém não leva a eíléito, aecedendo a um novo armistício que lhe é pedido pelo almi¬ rante chinez Kuan. 8 de janeiro de 1785.—Foi n’este dia enforcado, em Cantão, por ordem do vice-rei, um marinheiro do navio inglez Lady Hughes. Sir George Staunton, secretario da embaixada de lord Macartney á China, referiu este acontecimento nos seguintes termos: “ Não ha muitos annos que um caso suceedido em Cantão esteve a ponto de fazer acabar o commercio extran- geiro n’aquella cidade. Um dos navios que se empregam entre os estabelecimentos ingleses da índia e Cantão, mas que não pertencem á companhia inglesa, nem estão sujeitos aos mesmos regulamentos que os d’ella, disparou por diver¬ timento as suas peças. Infelizmente havia-se commettido a imprudência de as carregar com bala, e dois chinas que estavam n’uma embarcação, a pequena distancia do navio, foram mórtos. 0 assassinato é certamente menos frequente e excita mais horror na China do que 11a maior parte dos paizes da Europa, e tanto que em nenhum caso ali o per- dôam. O vice-rei de Cantão, indignado com a atrocidade supposta, ou com a extravagancia de uma acção pela qual um europêo tinha tirado a vida a dois chinas, exigiu a en¬ trega immediata do inglez que tinha dado fogo ás peças, ou d’aquelle que lh’o ordenára. Este ultimo tinha fugido logo, e o primeiro, que não fizera mais do que obedecer, foi julgado innocente pelos agentes da feitoria inglesa, que resolveram protege-l’o. Intercederam portanto cm seu fa¬ vor, e provaram que o funesto acontecimento que tinha tido lugar não havia sido premeditado. Mas o vice-rei, que es¬ tava já prevenido contra os ingleses e os julgava capazes de toda a especie de crimes, declarou que uma victima devia expiar o assassinato commettido, e insistiu em que lhe entre¬ gassem o marinheiro ; e, para mais seguro ficar de o obter, prendeu um dos prineipaes sobrecargas da companhia.— Esta medida extraordinária espalhou o alarma em todas as outras feitorias, cujos agentes fizeram logo causa connnum com os ingleses. Estava então ali grande numero de navios europêos bem armados. Os capitães juntaram-se aos em¬ pregados de commercio, e todos se prepararam a resistir ás ordens do vice-rei. Este porem mandou immediata- mente guarnecer as margens do rio de Cantão com grande numero de tropas, e mostrou-se determinado a empregar a força para se fazer obedecer, conhecendo que devia hesitar tanto menos em fazer uso de tal meio quanto mais facil lhe
  • — 5 — era justificar esse procedimento aos olhos do imperador, a quem só elle daria parte do acontecido.—Vendo então clara¬ mente os ingleses a impossibilidade de obrigar o vice-rei a desistir da exigência, ou de refutar cm Pekim as accusa- ções que elle fizesse, não tiveram meio dc evitar um rom¬ pimento completo senão entregando o desgraçado marinhei¬ ro, com a triste esperança de que seria-morto sem grandes soffrimentos.” Transcreverei ainda mais um periodo em que sir George Staunton approva esta resolução, e n’isto se mostra quanto varia a política das nações. Sir George'Staunton e a Ingla¬ terra não podiam adivinhar em 1797 o que haveria dc suece- der em 1842, 1858 e I860. N’aquelle tempo ainda a China se lhes antolhava poderosa, e os expeditos vencedores de Chin-kiang-fu continham os impetos heroicos nas delicias da chavena de chá.—Depois de fallar do prejuiso que um rompimento com a China causaria á Companhia das índias c ao estado, sir George Staunton eorôa a defesa da estran¬ gularão do pobre marinheiro innocent© com o seguinte argumento: “ Mas abstrahindo de qualquer ideia de lucro, é sabido que um dos principaes géneros trazidos da China, e que em nenhum outro paiz se póde encontrar, é hoje um objecto de necessidade para quasi todas as classes da sociedade na In¬ glaterra. Em quanto, pois, se não pudér ir buscar a outra parte chá de tão boa qualidade e por tão baixo preço como o da China, será forçoso traze-l’o de Cantão e não desprezar precaução alguma para o poder obter. (An authentic account of an emhassg from the king of Great Britain to the emperor of China, etc., vol. I., pag. 18 a 21.) 1829.—Edital do mm-to (vice-rei) de Cantão por appellido Li, mandando desfazer a obra de um aterro, que um portuguez, chamado Bemvindo, fizera em Macau, na Praia do Manduco. 1840.—O commandante do navio de guerra inglez Volage annuneía para o dia 15 o bloqueio do pôrto de Cantão. 9 de janeiro df. 1727.—O embaixador Alexandre Me- tello de Sousa e Menezes, enviado por el-rei D. João V ao imperador Y un-chin, tendo saído de Cantão em 9 de de- sembro, com destino a Pekim, pelo caminho interior, chega n’este dia á cidade de Kan-tcheu-fu, onde entrou com uma comitiva de 761 pessoas. Ahi se encontrou com dois con- ductore3 que o imperador mandára a recebe-l’o, e eram o padre jesuíta Antonio de Magalhães e um alto funccionario tartaro, do appellido Chain.
  • 10 de Janeiro de 1779.—Retira-se para Portugal o bis¬ po de Macau D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães, eleito em 13 de junho de 1772.—Resignou em 28 de julho de 1782, succedendo-lho, em 1789, D. Marcellino José da Silva, da ordem militar de S. Bento de Aviz. 1838.—Apprehensão de algumas cai¬ xas de opio a um residente inglez em Cantão. 11 de janeiro de 1521.—-Entra em Pekim o primeiro embaixador de Portugal á China, Thomé Pires, que tão desgraçadamente veio depois a concluir a sua missão. Fôra nomeado para este cargo pelo governador da índia, Lopo Soares de Albergaria, e trazido a Cantão na armada de Fernão Peres de Andrade, em 1517. 12 de janeiro de 1582.—Recebida em Manilha a noti¬ cia da união das corôas de Portugal e Castella, o governa¬ dor das Fillippinas, D. Gonçalo Ronquilho, envia a Macau o jesuita Allonso Sanches, para n’esta cidade promover a acclamação de el-rei D. Fellippe II.—Soffreu o enviado, na altura do cabo Bojador uma furiosa tempestade que o sota- venteou a Chincheu, levando-o a encontrar-se com a esqua¬ dra imperial do cruzeiro d’aquellas costas; c, demorado no seu caminho de ahi até Cantão por vários contratempos que lhe succederam com as auctoridades chinesas, só no fim dc maio conseguiu entrar em Macau. (V. l'a-ssi-yang kuó, vol. I., pag. 82.) 13 de janeiro de 1846.—Proclamação dc Ki-ing, vico- rei dos dois Kuang e commissario imperial, admoestando ao povo moderação o concordia com os extrangeiros, e fa¬ zendo ver a justiça de lhes ser brevemente franqueada a cidade de Cantão, em conformidade dos tratados. 14 de janeiro de 1708.—“ N’este dia partiu d’esta ci¬ dade a náu Nossa Senhora de Marzagão para Portugal, e n’ella foi gaspar Francisco da Silva como procurador do senado. Conseguiu a confirmação de vinte e seis privilégios da cida¬ de, cujos alvarás se acham no archivo do senado.” (Colite- cão de vários faclos, etc.) 1712.—Partiram de Macau, em o na¬ vio de Gôa Nossa Setihora da Nazareth, presos por ordem do viec-rci da índia, o ex-governador Francisco de Mello e Castro, o doutor syndicante Agostinho de Azevedo Mon¬ teiro, Luiz de Abreu, Thomaz Marques, e Manuel de Abreu Ribeiro; e, por ordem do Santo Officio, Rodrigo de Torres Mello. 1718.—“ N’este dia partiu a náil invo¬ cada Sant'Anna e S. Joaquim, levando carta do imperador da China, para Sua Magestade el-rei de Portugal.” (Cvllecmo de vários factos, etc.)
  • 15 de Janeiro de 1520.—Sahiu de Cantão para Pekim o embaixador portuguez, Thomé Pires, levando tres navios de remo, á maneira de fustas, com toldos de seda.—D’este embaixador, nomeado pelo governador da índia, como jâ disse, conta João de Barros que, “posto não era de tanta qualidade, por ser boticário, e servir na índia de escolher as drogas de botica que vinham para o reino, para aquelle negocio era o mais hábil e apto que poderia ser, porque alem de ter pessoa, e natural discrição com letras, segundo sua faculdade, ser largo de condição e aprazível em nego¬ ciar, era mui curioso de inquirir e saber as coisas, e tinha um espirito vivo para tudo.” 1712.—“D’este dtá em diante ficou 0 convento de Santo Agostinho e a sua igreja sob a adminis¬ tração do Ordinário, pela ausência dos padres d’aquelle con¬ vento, que foram presos para Gôa á ordem do vice-rei; e o motivo porque foram presos foi o das controvérsias do pa- triarcha de Antiochia, a quem sempre estes tão somente prestaram obediência, o que tudo consta com exacção na Relação impressa em Roma, por ordem do cardeal Ganga- nelli, tio do dito patriarchs. ” (Collecção de vários fados, etc.) 1785.—Por via de successão toma pos¬ se interinamente do governo de Macau o bispo da mes¬ ma diocese, D. João do Casal.—Sem fundamento dão alguns manuseriptos a esta posse a data de 5 de janeiro. 16 de janeiro de 1785.—Em o navio Santo Antonio, com dirccção a Gôa, partiu n’este dia Antonio do Amaral e Menezes, tendo entregado na vespera o governo de Macau ao bispo D. João do Casal.—Diz a Collecção que tão desgos¬ toso ía que de ninguém se despediu. 17 de janeiro de 1728.—Sahe de Macau a níiu Madre de Deus, conduzindo ao reino o doutor Alexandre Metello de Sousa e Menezes e o mais pessoal da brilhante embaixada de el-rei D. João Y á China.—N’este mesmo dia embarcára o embaixador, na Praia Pequena, acompanhado pelo gover¬ nador e grande numero de cidadãos e moradores, e com as tres companhias da sua guarda, na mesma vistosa ponte que se lhe tinha armado quando veio de Cantão.—A des¬ pesa que fez o senado de Macau por motivo d’esta embai¬ xada foi de trinta mil taeis, segundo as contas que ainda existem. 1742.—Toma posse do bispado de Ma¬ cau D. fr. Ililario de Santa Rosa.—Resignou em janeiro de 1750. 18 de janeiro de 1720.—Parte para Gôa, com geral sentimento dos habitantes de Macau, o cx-govcrnador d’esta, cidade, Antonio de Albuquerque Coelho.
  • — 8 — 19 de janeiro de 1817.—O embaixador de Inglater¬ ra, lord Amherst, hospedado no pagode de Ho-nan, em Cantão, recebe, a visita do Chin-chae. (Embassy to Chim, por Ellis, vol. II., 191.) 20 de Janeiro de 1841.—Circular do plenipotenciário inglez Elliot, declarando quo, por virtude da convenção que acabava de assignar com o commissario imperial Ki-chon, a ilha de Hongkong era cedida á corda de Inglaterra, o go¬ verno chinoz pagaria a» somma de G.000;000 de patacas, o commercio restabelecer-se-hia dentro de dez dias, e as re¬ lações offieiaes entre os dois paizes seriam directas, de ahi em diante, e em termos de completa reciprocidade.—A en¬ trega de Hongkong foi depois confirmada pelo tratado de Nanking de 29 de agosto de 1842; e existe alem d’isso uma carta de cessão, que tem a data de 5 de abril de 1843. 21 de janeiro de 1810.—.() capitão de artilheria José Pinto Alcoforado de Azevedo e Sousa, commandando, á falta de offieiaes do mar, uma esquadra que o senado de Macau lho confiara, vence em extraordinário combate o pi¬ rata cliinez Cain-pau-sai, cujas forças constavam de vinte mil homens, em tresentas embarcações, com mil e quinhen¬ tas peças de artilheria. (Memória dos feitos macaenses contra os piratas da China, etc., por José Ignacio de Andrade, pag. 52 o seguintes.) 1835.—O navio mercante inglez Argy- le, arribado á costa do sul da China por motivo de grossa avaria, 6 tomado pelas auctoridadps locaes, e a tripolação presa. 22 de janeiro de 1822.—Extensa e interessante repre¬ sentação do Leal Senado de Macau a cl-rei I). João VI, cm que juntamente com a proposta de um novo systhoma de administração, se contccm copiosas noticias da historia do estabelecimento. Esta representação (de que, segundo me consta, foi verdadeiro auctor José Eaptista de Miranda e Lima) nunca se archivou no senado, porque os indivíduos que então o compunham, tendo sido depóstos pelos acontecimentos d’esse anno, recusaram-se a dar conhecimento d’ella a quem os substituiu; e assim se explica ser hoje raríssima. Em menos ligeira serie de estudos a publicarei opportunamente. 1848.—Fallecimento do professor Jo¬ sé Baptista de Miranda e Lima, que nascôra em Macau cm 10 de novembro de 1782. Foi filho de José dos Santos Baptista e Lima, natural da villa de Alpodriz, e de sua mu¬ lher D. Anna Pereira de Miranda, nascida em Macau.— Nunca saiu d’esta cidade, e o seu nome é justamente havido
  • — 9 — por uma das glorias (Telia. (Yeja-so o artigo que llie de¬ dico na Bibliographia macaense.) 23 oe janeiro, de 1575.—É erecto o bispado portu- guez de Macau, por bulla de Gregorio XIII, comprehen- dendo toda a China e Japão, terras e ilhas adjacentes. 1723.—0 senado de Macau recebe n’este dia participação dos mandarins de haver fallecido o imperador Kang-hi, e ordena que, durante vinte e quatro horas, todas as fortalesas da cidade e os navios surtos no pôrto dêem tiros de ampulheta, e que os otiieiaes públicos e de guerra deitem lacto de tres mezes. (Colleccão de vários fados, etc.) 24 de janeiro de 1601.—Entra ppla segunda vez em Pekitn o celebre missionário jesuita Matheus Ricci, sendo então bem recebido pelo imperador Van-ly, decimo quarto da dynastia Ming, a despeito da opinião de um dos conselhos ou tribunaes superiores do império.-—Ma mesma capital per¬ maneceu até á sua morte, succedida aos 10 de maio de 1610. 25 de janeiro de 1846.—Abre-se ao culto, reedificada, a igreja parochial de S. Lourenço, em Macau, que estivera cm obras desde abril de 1844.—Da festividade que n’este dia e por este motivo se ettectuou dá miúda conta o Boletim do Governo de 5 de fevereiro de 1846. 26 de janeiro de 1834.—-Instrucçõesdo visconde Pal¬ merston a lord Napier, superintendente do commercio bri- tannico na China. (Livro azul do mesmo anuo; volume re¬ lativo ã China, pag. 4.) 1841.—Tornam os ingleses solemne- mente posse da ilha de H.ongkong, 1835.-—Incêndio da igreja de S.. Pau¬ lo, em Macau, De tão lamentável acontecimento, quedestruhiu o rnais grandioso, edifício que ha existido n’esta-cidade, não se me depara agora mais larga noticia do que as seguintes poucas linhas dos Annaes marítimos e coloniacs“ Era fado das edi¬ ficações dos jesuítas n’esta localidade que o fogo as devo¬ rasse ! (Refere-se a haver-se queimado igualmente uma capella e casa que. os padres da Companhia tiveram, no mesmo sitioj desde o anno de 1565.)—Extincta aquella or¬ dem, ficou pertencendo ao senado de Macau o collegio de S. Paulo, o qual foi redusido a cinzas em 26 de janeiro de 1835, servindo então de quartel de tropa.—Tinham soado as seis horas da tarde quando o fogo começou de atear se, e tão rápido lavrou que o primeiro quarto depois das oito immediatas foi para os desconsolados habitantes de Macau a despedida do grandioso relogio do collegio, que o devia á munificência de Luiz XIY.” (N.° 10 de 1843.)
  • 27 de janeiro de 1841.—Entrevista, em Cantão, do plenipotenciário Elliot com o commissario imperial Ki-chen. 28 de janeiro de 1855.—Nomeação de Huang-tsung- han para commissario imperial em Cantão. 29 de janeiro de 1733.—Decreto de Yung-ching, pru- hibindo, sob pena de morte, a propagação da íe christãa no império. 30 de janeiro de 1846.—Lord Saltoun parte de Can¬ tão para Inglaterra, levando a somma de 3.000:000 de pa¬ tacas, paga pelos chins em resgaste da mesma cidade. 1863.'—Parte para o reino o visconde da Praia Grande de Macau, tendo governado esta colonia desde 19 de novembro de 1851. 31 de janeiro de 1827.—Fallecimento do bispo do Ma¬ cau, D. Fr. Francisco de Nossa Senhora da Luz Chacim. —Succede lhe na presidência do conselho, que então gover¬ nava, o vigário capitular, padre Ignacio da Silva.
  • FÉVKREIRO 1 de fevereiro de 1841.—Os habitantes de Hongkong são declarados súbditos de sua magestade britannica. 2 de fevereiro de 1840.—O coiiunissario imperial chi- nez, Lin, dirige de Cantão, pelo navio Thomas Cotdts, urna carta á rainha de Inglaterra, criminando a insistência dos seus súbditos em trazerem opio á China, e em espalharem entre a população essa droga nociva, a despeito das justas leis do império contra semelhante contrabando.—Esta carta foi, pelo mesmo commissario, mandada publicar em todos os districtos do sul da China. 3 de fevereiro de 1851.—Toma posse do governo de Macau o conselheiio, capitão de mar e guerra da armada, Francisco Antonio Gonçalves Cardoso. 4 de fevereiro de 1865.—Grande roubo no Banco Cen¬ tral, de Hongkong. 5 de fevereiro de 1865.—O brigue hespanliol Nuevo Lepanto, em viagem de Hongkong para este pôrto, é abor¬ dado e tomado por dois juncos de piratas, em frente da ilha de Lan-tau. 6 de fevereiro de 1589.—Na carta regia, com esta da¬ ta, de D. Fellippe I ao vice-rei da India D. Duarte de Me¬ nezes, lê-se o seguinte: “ Pois a povoação de Macau está com nome de cidade como me escreveis, bem se póde com esta occasião ordenar que procedam com governo que se deve de procurar por todos os modos possíveis, para o que houve por meu servi¬ ço mandar nas náus do anuo passado o licenciado Rodrigo Machado Barbosa para n’clla me servir de ouvidor, que é o meio com que se póde aquietar a gente d’aquella povoa¬ ção, e evitarem-se os bandos que me escreveis que ha n’ella.
  • — 12 — E a este lettrado vos encomendo deis todo o favor necessᬠrio para que possa proceder em sua obrigação como convém a meu serviço e quietação dos moradores d’aquella povoa¬ ção.” (Arehivo português oriental, fascículo 3.", parte 1.*) Não foi esta a primeira nomeação de ouvidor para Ma¬ cau, pois na carta regia de 10 de janeiro de 1587 já D; Fe'*- lipe dizia ao mesmo vice-rei.: “ E pelas rasões que em vossa carta me apontaes para não haver capitão na povoação de Macau, que tenho por boas, liei por ineu serviço que o não haja, e se governe pe¬ los capitães da viagem da China e Japão, como até aqui se fez, e vos escrevi nas náus do anno, passado. E como está tão remota e afastada d’esçe estado me pareceu enviar a eíla por Ouvidor o licenciado Alexandre Rebello pela boa informação que d’elle tenho, prática e experiencia que elle tem de semelhantes cargos, em que me serviu nas índias da coròa de-Castelhi.” (ibidem.) A vinda de Ale-xandre Rebello a Macau não consta, porem, que se etfectuasse. 1840.—Chega a Macau o capitão Halcon, enviado hespanhol, para exigir do governo ehinez satisfação pela queima do brigue Bilbaino, ern 12 de setem¬ bro do anno anterior. (Vej., no arehivo da Procuratura, alguns papeis que ahi existem relativos a esta negociação.) É nomeado Lin vice-rei das províncias de Kuang-tung e Kuang-si. 7 de fevereiro de 1711.—Regressa a Manilha a-cha¬ lupa que troxera a Macau, ern 6 dc janeiro.de 17.10, a no¬ ticia de estar nomeado cardeal o patriarcha de Antiochia, como referi. Foram n’ella seis padres, do partido do patrjar- cha. (Vej. a Collecção etc.) 8 de fevereiro de 1626.—Sahe do porto de Cavite a expedição ordenada pelo governador das Fillippinas, D. Alonso Fajardo, com o fim de tomar e fortificar um ponto na ilha Formosa, a cujo abrigo podessem continuar o seu cornmercio para Manilha as embarcações que íam da China, sem que tivessem a recear os hallandezes, estabelecidos por esse tempo no forte Zelandia, pouco ao norte de Tai-van. Constava a mesma expedição de doze grandes Jiampa- nes e duas fustas, com tres companhias de tropas e ©us ca¬ pitães, tudo commandado por D. Antonio Correfío cb Val¬ dez. Foi com a auctoridade ecclesiastica o.pnovircialide 8. Domingos, fr. Bartholomeu Martinez, levando «m sua companhia cinco religiosos súbditos da sua ordem. Por se terem demorado na costa das Fillippina» ainda algum tempo, só ern 7 de maio é que avistaram a iha pre¬ tendida, e, depois de a costearem tres dias, descobrram o
  • — 13 — bom pôrto de Tan-ehiu, que ehamafam da Santíssima Trin¬ dade. Em uma ilhota, que a naturesa lhes proporcionou ao efteito, construíram ui.qíorte, a que puzeram o nome de S. Salvador, e no alto de u*-Brevc Frole nostris. 1858.*—É levantado o bloqueio de Cantão. \ 1859 (que corresponde ao 8.° dia da 3.* lua do anno Pimamia-Samarethissop da era siamesa de 1220).—Assignatura, na cidade de Bangkok, do tratado de amisade, commercio e navegação entre Portugal e Siam, negociado pelo governador de Macau, Isidoro Francisco Guimarães, na qualidade de ministro plenipotenciário e en¬ viado extraordinário de S. M. F. ao dito reino. 11 de fevereiro de 1795.—Morte do imperador Kien- lung, com sessenta annos do reinado.—O seu retrato, tira¬ do por W. Alexander, e com indicação de muito semelhan¬ te, póde ver-se no primeiro volume da edição in-folio da deseripção da embaixada de lord Macartney á China, por Sir George Staunton. 1841.—Ki-chen recebe, em Cantão, um decreto do imperador Tau-kuang, rejeitando as condi¬ ções que elle aceitára aos ingleses. 12 de fevereiro de 1824.—Com esta data publicou, em Macau, o padre Alexandre Antonio Pereira, ex-arce- diago da sé, um folheto intitulado O verdadeiro retrato do bis¬ po de Macau, ou recurso apresentado á Real Junta da Coroa, no qual, a proposito da suspensão do exercício das ordens, que lhe fòra applicada, dirige as mais violentas accusacões con¬ tra D. Fr. Francisco de Nossa Senhora da Luz Chacim. . Posta de parte a materia especial do recurso, a leitura deste opusculo offerece interesse para o estudo da feição política do estabelecimento n’aquelles annos, em que os fac-
  • 14 — tos succodidos no reino despertaram em Macau uma exci¬ tação e eonflicto do opiniões, qua jamais se repetiu. 1858.—ji’omada a cidade de Can¬ tão e enviado prisioneiro a Calfuttá o commissario imperial Yeh, os embaixadores e injnistro.s de Inglaterra, França, Russiri e Estados Unidos.-dirigem n’este dia cartas a Yu, primeiro secretario de estado em Fekim, mostrando a ur¬ gência de ser nomeado pelo imperador um plenipotenciário e de se dar começo, em i'hang-luii, íis negociações sobre os vários assumptos que mis -mesmas cartas se mencionavam. No caso em que o commissario imperial não chegasse a Shang-hai até o fim de .março seguinte, os embaixadores alliados annunciavam o intento de se transportarem a um lugar rpats visinho da capital, para ma is directamentc se corresponderem com os primeiros funeoionarios do governo. Foram portadores festas communieações Laurence Oliphant e o visconde de fjontades, que saíram de Cantão n’esta mesma data, e as entregaram, no dia ‘2ti, na cidade de Su-chau, ao vice-rei da província do Kiaug-su, que as enviou a Pekim. 13 de eevereiro DE 170%—“ É o anuo nova dos chinas a sua principal festa, e se celebra em todo o império, com ferias solemnes, fógos e espectaculos festivos, banquetes e jõgos. Com a occasião pois d’esta festa, que n’este anno cahiu aos treze de fevereiro, mandou o, imperador ao patri- areha uma mesa com muitas iguarias, um javali, uma cabra silvestre, muitos peixes, e um d’elles tão grande que pesa¬ va 150 arraieis. Foi este mimo do imperador trazido ao patriarcha com grande pompa, precedendo as insignias im- periaes, e acompanhando aos homens de pé, que o traziam, muitos mandarins, um dos quaes era o principal eunucho, e muitos europêos, todos a cavallo* Alem d’esta fez o imperador outra singular honra e favor ao patriarcha, con¬ vidando-o. para ver os fógos festivos na sua quinta real: n’ella lhe mandou preparar casa, honrou-o com lhe dar as¬ sento, e o tez recrear com espectaculos, iguarias e musicas, mandando também a dois mandarins que para guarda da pessoa do patriarcha ficassem de noite na mesma casa em que foi aposentado. Nem foi menor a benevolencia que depois d’isso lhe mostrou, mandando aos seus proprios me¬ dicos que fossem examinar a enfermidade tão dilatada do mesmo patriarcha, consultassem sobre os remedios, e de tu¬ do informassem a sna magestade. Foram elles, viram o en¬ fermo, e ouvindo o parecer do medico europêo, que o pa¬ triarcha trazia comsigo, convieram com olle em que se es¬ perasse a primavera, na qual fosse o patriarcha ás caídas, que era o melhor remedio que se podia appKcar á sua enfer-
  • — 15 — midade. De tudo informaram os medicos ao imperador, que gostou muito de saber o remedio para benignamente lli’o mandar depois applicar. “ Por este tempo, mediante o seu interprete Apiani, começou o patriarchs a tratar com os christãos dos ritos controversos, exhortando-os ou mandando-lhee que se abs¬ tivessem d’eiles. Isto mesmo, juntamente coin o mesmo clérigo Apiani persuadia aos christãos o sobredito Fr. An¬ tonio Frossoloni, dizendo lhes que ora necessário obedecer ao senhor grande, id est, ao patriarcha. Seguiu-se porem d aqui tal rumor entre os christãos, que passou aos gentios, e chegou á noticia do imperador, o qual, aos 16 do feverei¬ ro, mandou' chamar á sua presença o .padre Gerbillon, e perguntou que era o que o patriarcha tratava com os chris¬ tãos. Dissimulou o padre, e respondeu como se não sou¬ besse aonde atirava a pergunta; porem o imperador mu¬ dando o rosto de benigno em severo acrescentou : porven¬ tura não tem ainda entendido o patriarcha que todos os se¬ quazes de vossa lei hão-de arrenegar se clle quizer tirar-lhe os taes ritos ? Referiu o padre Gerbillon tudo isto ao bis¬ po de Pekim, e ambos juntos o foram referir ao patriarcha, o qual respondeu que elle não mandava, mas só exhortava a que se tirassem aquelles ritos. Fallou também o impera¬ dor na mesma conformidade, sobre este ponto, com o padre Pereira, e com os grandes da sua côrte, e crescendo o ru¬ mor que o patriarcha pruhibia os taes ritos aos christãos, disse sua magestade que elle era perturbador, e viera para destruhir a lei de Christo na China.” (Relação sincera e ver¬ dadeira etc., já citada.) 1841.—«Segunda entrevista de Ki- chen e Elliot. 14 de fevereiro de 185Q.—Foi sagrada n’oste dia, pe¬ lo bispo D. Jeronimo José da Matta, a nova igreja da sé cathedral do Macau, edificada no lugar da antiga, com diffc- renca na exposição do ft-ontispicio.—Tivera começo a obra em desombro de 1844, por diligencias do bispo D. Nicolau Rodrigues Pereira de Borja e com o producto de uma subs- cripção promovida entre os habitantes da colonia. 15 de fevereiro de 1861.—Primeira circular do barão do Cercal, propondo a creação da Nova Escola Macaense, vis¬ ta a carência de meios de instrucção que então se dava na colonia.—Os estatutos- são de 3 do abril do mesmo anno. 16 de fevereiro de 1841.—.São declarados francos ao commercio os pórtos de Hongkong e de Ting-hai. • 17 DE fevereiro de 1849.—Conferencia entre Sir Geor¬ ge Bonham e Siu, abórdo do navio de guerra inglez JTastiiojs, na bahia de Anson.
  • — IS¬ IS de kevekeIko de 1595.—Em carta regia d’esta data ao vice-rei da India Mathias de Albuquerque, lê-se o se¬ guinte : “ E o que trataes da gente que mora na povoaçao do Macau nas partes da China ser desobediente a minhas jus¬ tiças, e como por esse respeito mandareis a elln por ouvidor geral o licenciado Francisco de Campos cotn ordem de man¬ dar a Gôa os que achasse culpados com sua casa e familia me pareceu acertado, e Vos eneoinmendo inuito particular- mente a quietação e bom governo d’aquclla povoação, e no que toca etn não haver mats n’ella que duas religiões, os da companhia e capuchos, pelas rasões que para isso apontaes de serviço de í)eus e meu, por outra minha carta que irá n’estas vias vos mandarei escrever o que n’isto houver por meu serviço.” Na mesma carta acrescenta D. Fillippe: “ E porque pélas náus do anno passado vos tenhoman* dado escrever sobre a defesa que mandei que houvesse para não haver commercio das Fillippinas e Nova Hespanh; para a China, por ser materia tão prejudicial para os rendmen- tos d’esse estado como me signifieaes, tive descontentanen- to de saber como fôra ter uma náu castelhana á povmçSo de Macau, em que ía por capitão um D. Rodrigo d( Cor¬ dova com muita copia de dinheiro de mercadores par: em¬ pregar em fazendas d’aquellas partes, pelo que vossneo- mendo muito encarecidamente deis á execução esta linha defesa procurando com todos os remédios que forem ossi- veis para que de todo se atalhe este commercio, e qe so¬ mente usem d’elle meus vassallos portugueses que ro ser¬ vem n’esse estado.” [Arch. port, orient., fase. 3.°, part l.“) 1711.—Embarca-se para Gô Dio- fo de Pinho Teixeira, governador que fôra d’esta idade esde 1706 a 1710. Por motivo das difterenças queiouve durante o seu governo, muitos tnais indivíduos saírai n’es¬ ta occasião de Macau, alguns voluntariamente, ou pta evi¬ tar que lhes viesse mal, e outros mandados por Fracisco de Mello e Castro, que os tivera presos na cadeia, e e cujo numero foram os senadores nomeados por Teixeira, erl710. Refere a Col/ecção de vários factos, por vezes citaa, que no mesmo navio foi também preso e cxcommungado á or¬ dem do commissario doJSanto Officio, o ex-ouvidor liomaz Garcez do Couto, porque, no exercício das suas fu cções, mandára prender um naique d’aquelle tribunal. 1718.—Partiram d’esta cidaie para a de Cantão Gaspar Franco da Silva, Manuel Fivacho, Nicoláu Fiumo, e Manuel Leme, para solicitarem desem¬ baraço de algumas embarcações portuguesas que etavam
  • — 17 — aqui detidas pelos chins. Quando chegaram, já o padre José Pereira tinha em bom caminho a preterição, em que obtiverão logo deferimento. (Vej. a Collecção etc.) 19 de fevereiro de 1817.-—De volta da "China, naufra¬ ga, no mar da-Java, a embaixada inglesa de lord Amherst. 20 de fevereiro de 1718.—Bando do senado de Ma¬ cau, ordenaudo a todos os moradores que, por espaço de sete dias, trouxessem luto pela morte da mãi do imperador da China. 21 de fevereiro de 1838.—Organisa-se, em Cantão, a sociedade Medica e Missionaria Protestante. 1857.—Tratado ou concordata en¬ tre el-rei de Portugal D. Pedro V e o summo pontífice Pio IX, estabelecendo os direitos e exèroieio* do padroado por- tuguez no oriente. Esta concordata, negociada pelos plenipotenciários Ca- millo di Pietro-e Rodrigo da Fonseca Magalhães, e ratifica¬ da em 6 de fevereiro de 1860, redusiu o padroado na China á diocese de Macau, e esta á província de Kuang-tung e ilhas adjacentes, com exeepção de Hongkong. 22 de fevereiro de 1828.—N’este dia compraram os padres de S. José a ilha Verde, no rio de Macau, pela quan¬ tia de 2:000 .patacas. 1835.—É dissolvida a camara de Macau pelo governador Bernardo José de Sousa Soares de Andréa. (Vej. 0 Manifesto, que Sobre tal dissolução pu¬ blicou o mesmo governador, e de que tratei no jornal Ta-ssi- yang-km, n.° 25, de 23 de março de 1865.) 23 de fevereiro de 1835.—São publicamènte queima¬ das, em Cantão, algumas dezenas de caixas de opio, toma¬ das a embarcações de contrabandistas. 1837.—Posse do governador de Macau, Adrião Accacio de Silveira Pinto. 1841.-—Depois do intervallo de uin Inez, recomeçam as hostilidades entre á Inglaterra e a China. 24 de fevereiro de 1841.—As forças inglesas abando- nafti a ilha de Chu-san. 25 DE fevereiro de 1838.—É enforcado run china, cirt Cantão, por contrabando de opio. 1841.—As auctoridades de Cantão oífereeem recompensas a quem apresentar o côrpo de um inglez, vivo ou môrto, sendo o prémio de 50:000 patacas pela prisão dos chefes. 1850.-—Morte do imperador Tau- kuang, com vinte e nove annos de reinado. 26 de fevereiro de 1839.—Execução de um china, ne¬ gociante de opio, ordenada pelo vice-rei de Cantão, defron-
  • 18 — te das feitorias europèas.—Os consulados arriaram, neste acto, as suas bandeiras. 1841.—Sir Gordon Bremer toma os fortes da Boca do Tigre, guarnecidos com 459 peças de artilheria.—Morre, na defesa d'elles, o almirante chinez Kuan. 27 de fevereiro de 1841.-—Proclamação do soto-vice- rei de Cantão, por nome I, determinando melhor do que nos edictos do dia 25 as recompensas pela aprebensão de na¬ vios ou súbditos da rainha de Inglaterra. (Vej. China, por Martin, vol. II., pag. 68, onde vem traduzida.) 28 de fevereiro de 1864.—Projecto para a construc- ção de uma rêde de caminhos de ferro em toda a China, proposto em circular de Sir Macdonald Stephenson aos euro- pêos residentes no mesmo império.—Com igual empenho se amiudaram diligencias depois d’esta, sendo já agora as¬ sumpto em que emprega negociações a diplomacia.—A tudo, porem, a hesitação do governo chinez, ou a sua decidida resistência a innovações, oppõe obstáculos que ameaçara ser, por longo tempo ainda, insuperáveis.
  • MARÇO 1 de março de 1719.—Carta do governador de Macau, Antonio de Albuquerque Coelho, ao imperador da China, Kang-hi. (Vej. China, por Martin, vol. I., pag. 372.) 1840.—Bubseripção promovida entre os macaenses afim dc presentearem o mandarim Pang, que se retirava para Cantão, depois de exercer n’esta colonia o cargo de cso-tam. (Vej., nos archivos da Procuratura, a gaveta “ Documento vários.”) 1858.—Chega a Singapura, com destino a Calcuttá, a náu inglosa Inflexible, tendo a seu bórdo, como prisioneiro de guerra, o commissario imperial ehinez, Yeh. 2 de março de 1657.—Parte da China a primeira em¬ baixada hollandesa, perdendo de vista Macau na tarde d’este dia. (Legatio Batavica, part. IV., pag. 180.) 3 de março de 1723.—11 Em a noite d este dia, e nas duas anteriores, se fizeram luminárias pela exaltação ao throno do novo imperador (Yung-ching), na qual festivida¬ de se deram muitos repiques e salvas das fortalesas. Este imperador foi o que depois perseguiu a christandade no seu império e o que desterrou d’elle a maior parto dos missio¬ nários, ao passo que o seu antecessor nos concedera igrejas publicas, não só em Pekim, mas em varias partes da China, como era em Cantão e em outras muitas cidades,—as quaes igrejas se venderam para outros misteres mui differentes, sendo o producto da venda remettido a esta cidade e entre¬ gue ao Procurador, que então era Luiz Coelho.” (Colhe¬ rão de vários factos que h to aoontecido n'esta cidade de Macau, etc. —Simeão Botelho quererá dizer provavelmente a Colherão pois Luiz Coelho só foi Procurador da cidade era 1733.— Vej. Ta-ssi-yang-kuó, n.° 16 de 18 de janeiro de 1866.)
  • — 20 — 4 de março de 1717.—“ Ás duas horas da tarde d’este dia se embarcaram ein uma barca bem preparada e armada os ministros do senado, para irem a Cantão, aonde foram chamados pelo Fuien, com ordem do imperador da China; e eram elles Gaspar Franco da Silva, que servia o cargo de ouvidor, Manuel Favacho, e Paschoal da Rosa, verea¬ dores, com Manuel Peres, escrivão da eamara, e também Antonio de Aguiar.—A sua pai tida lhes deram muitas sal¬ vas da fortalesa do Monte e da fragata do reino, que esta¬ va de invernada. A 12 de março, sexta-feira de Lazaro, saíram do Cantão, onde tiveram botn agasalho. O negocio a que foram chamados áquclla cidade não era toais do que o mesmo Fuien fazer-lhes certos de que o imperador lhes enviava muitos recados. Esta foi a primeira diligencia que fez o Fuien assim que chegou a Cantão, e recebeu a nossa gente com muita honra e cortezia, não querendo aceitar nada do que por saguate lhe levavam, e quando se despe¬ diram lhes deu a cada um dois carneiros, duas jarras de vi¬ nho e duas peças de seda de Nanking lavrada.—Aos 14 de março fizemos luminárias por toda a cidade, pela saude do imperador e agradecimento ii sua lembrança.” (Collecção, etc.) 1853.’—Falleeimento, em Cantão, do commissario imperial chinez, I-li-pu. - 5 de março de 1643.—Provisão geral passada em nome de el-rei D. João IV pelo conde de Aveiras, viee-rei do es¬ tado da índia, tíin que ordena que esta cidade goze de todos os privilégios que pelos anteriores rnonarchas lhe haviam sido concedidos, e que dá por confirmados na mesma provi¬ são-. 1849.—O governador João Maria Fe- reira do Amaral proclama « abolição e expulsão do ho pu, ou alfandega chinesa, de Macau. 6 de março de 1712.—N’este dia partiu de Macau o navio d’esta praça Jesus Maria José, que foi depois tomado por um corsário franeez, que o vendeu em Manilha. (Vej-. a Collecção de vários factos, etc.) 1841.—As hostilidades contra a cidade de Cantão, momentaneamente suspensas com a visita do mandarim prefeito ao plenipotenciário Elliot, continuam n’este dia, e é occupado pelas forças inglesas o ch'nado forte Napier.—Tom a mesma data uma proclamação em que se promette poupar a cidade no caso em que o povo se mostre pacifico. 7 de marco de 1718.—Tratado celebrado entre o go¬ vernador de Macau, Antonio de Albuquerque Coelho, e o rei de Djohor, para a livre propagação do christiamsiHo em todo esse reino.
  • — 21 — Antonio de Albuquerque fôra all ter em viagem para Macau, viagem que lhe correu aventurosa e cheia de fa¬ digas, como em resumo contarei. Para o governo c capitania geral d’e-sta cidade o esco- Ihêra o arcebispo primaz, então governador do estado da India, D. Sebastião de Andrade e Pessanha, o qual “ attcn- dendo que assim o bem temporal da mesma cidade, como o esperitual das dilatadas missões dependentes d’ella, e n’estes calamitosos tempos tão perturbadas, necessitavam da assistência de tal governador, como assaz experimentado d’aquelles paizes, pois tinha por bastante tempo habitado n’elles, determinou fizesse logo sua viageyi.” (Jornada que o senhor Antonio de Albuquerque Coelho, governador e capitão geral da cidade do Nome de Deus de Macau na China, fez de Goa até chegar á dita cidade, por João Tavares de Vellez Guerreiro.—Yej. o artigo que a este diz respeito no Ta ssi-yang-kuó, n.os 30 e 31 de 1865.)—A pressa que punha o arcebispo na partida do governador e sua comitiva, frustou-a o capitão da náu de vias largando uma noite do ancoradouro sem aguardar o embarque. Tanto bastava a malograr-lhe a vinda, que outra embarcação não a havia. Mas tinha o illustre maneta um d’aquelles ânimos de rija tempera, que mais se obrigam com os obstáculos, e assim vendo que não podia embarcar- se em Goa para o seu governo, determinou atravessar o Indostão e ir buscar a Madrasta navio que o trouxesse. N’esta arriscada c trabalhosa jornada pelos reinos de Sun- da, de Maissur e do grão mogol, teve repetidos lances de mostrar a sua intrepidez e de acordar nos naturaes o antigo respeito aos portugueses. Tendo saído de Goa no dia 2 de junho de 1717, chegou finalmente a S. Thomé em 16 do mez seguinte, e como ahi não houvesse embarcação para a viagem que intentava, passou em 19 a Madrasta, a ver se n’este porto, já então de grande movimento, lhe facilitavam uma, “ mas o governador inglez (diz Guerreiro), attendendo mais ás rasões de sua conveniência, do que ás de capricho, declarou não estar em tempo, que podesse executar o que se lhe pedia, allegando o ser já tarde para armar barco, o haver falta de patacas na terra.” Dorido da recusa, e con¬ fiando que lhe não faltaria o auxilio dos portugueses de 8. Thomé, respondeu Coelho pedindo que se lhe vendesse al¬ gum navio. Effectuou-se a compra, e em 5 de agosto se emprehendeu a viagem. Foram os trabalhos do mar des¬ medidamente maiores do que os sotíridos em terra, e, ao fim' de dois mezes, sem piloto que os dirigisse e tendo já por temeraria a lucta com as privações e avarias, arribaram pa¬ ra invernar, a Djohor, ou Gior, como então se escrevia. Este reino, hoje na sua maior parte quasi despovoado desde
  • que os ingleses fundaram o estabelecimento de Singapura, estava então rico e poderoso, ainda que revolto por luctas intestinas. Albuquerque prestou ao acabamento d’essas contendas influencia activa e honrosa, e, logo que as termi¬ nou, conseguiu do novo rei o tratado alludido, que unica¬ mente vi na obra citada, hoje raríssima. Em 15 de março o governador portuguez tomou solemnemente posse de um lugar ameno o vistoso, perto da povoação de Jtxiorlama, para a fundação de uma igreja. Continuaram no restante da viagem os revézes, perigos e fadigas. A falta de piloto, era o proprio governador quem regia a navegação, som que a isso o habilitasse nada mais do que a sua intelligencia resoluta e a observação das repetidas vezes que passára n’estes mares. Chegando a San-choan, o navio não poude seguir. Da tripolação, os que não morreram, tinham adoecido todos.—Antonio de Albu¬ querque Coelho, cortindo a moléstia que também viera sof- frendo, chegou a Maoau n’uma embarcação chinesa, aos 29 de maio de 1718, e no seguinte dia tomou o governo. 7 de março de 1857.—Ató esta data, algumas tentati¬ vas dramatioas que vários curiosos tinham feito em Macau, haviam tornado de cada vez mais desejado o estabelecimen¬ to de uma casa do thoatro apropriada e exclusivamente des¬ tinada ao intento. Na encosta de Mato-mofino, que deita sobre a chamada rua da Prainha; na porção do terreno da praia do Manduco, depois oceupada pelo jardim do barão de 8. Josó de Portalegre; na assembléa philarmonica, que existiu no largo do Santo Antonio; no eclificio do hospital da Misericórdia; e ató na residência do juiz de direito Se¬ queira Pinto, e no retiro campestre chamado de Santa San- cha, etc.,—-tinham-se armado, em diversas epoclias, vistosos theatrinhos, que a sociedade macaenso festejára com alegria, mas que desapparooiam logo com o destroçar dos grupos de amadores da arte que os animavam: e d’este modo se renovava continuamente a principal difficuldade para a roa- lisação de tão uteis e agradaveis divertimentos. Foi essa falta que, no dito anno de 1857, alguns cava¬ lheiros aqui residentes trataram de fazer cessar, propon¬ do a organisação de uma sociedade de subscriptores para a odifieação de um theatro, destinado não só ãs recitas do curiosos, como também a ser concedido, mediante rasoaveis condições, aos artistas de profissão que viessem a Macau; e bem assim para servir de centro de reunião, ou de club, para os soeios que ahi quizessem entreter-se com leitura, jógos, ou conversação. Com tal fim se convocou pois, n’este dia, uma assonbléa de vários habitantes, e ahi foi nomeada uma commissãi com-
  • 23 posta dos srs. João Damaseeno Coelho dos Santos, coronel João Ferreira Mendes, José Bernardo Goularte, José Ma¬ ria da Fonseca, Francisco Justiniano de Sousa Alvim, Pe¬ dro Marques, e José Joaquim Rodrigues Ferreira. Não foi desde logo indicado o lugar ern que teve effei- to a construcção do theatro, poisque o primeiro pensamento foi colloca-l'o no odificio do hospital de S. Rafael, ideia que em breve se abandonou. Nos fins de março a commissão pediu ao governo terreno no campo de S. Francisco, perto da rampa que ahi conduz á entrada do quartel, mas foi-lho indeferida a pretensão, oflferecendo-se-lhe a cêrca do extin- cto convento de S. Domingos. A commissão, não julgando este local apropriado, requereu, em sessão de 2 de abril, o terreno preciso no largo de S. Agostinho, que por fim ob¬ teve.—Correndo immcdiatamente a subscripção em Macau e Hongkong, em março do 1858 o edificio podia já dizer-se concluído no principal, graças cspecialmonto á diligencia do cirurgião-mór da província, Antonio Luiz Pereira Crespo, de Pedro Marques, e do Francisco Justiniano do Sousa Alvim. Do cidadão macaense Pedro Marques ó quasi to¬ do o risco o a direcção da obra. Intercalei aqui esta noticia, em qúo mais desejára alon- gar-mc, porque semelhantes eommottimontos, por muito mo¬ destos que pareçam, são tanto menos alheios da historia de qualquer paiz, quanto é incontestável a influencia que elles exercem na indole, nos costumes e no futuro dos seus habi¬ tantes. 8 dk mauço de 1828.—-Officio do mandarim de Hian- chan ao procurador da cidade de Macau, intimando-lhe que pruhibisse aos residentes ingleses renovarom á sua custa, como intentavam, a estrada do campo até Mò-ha, o passea¬ rem n’ella a eavallo: pois com taes concertos e passeios “ af- frontavarn as sepulturas dos chinas e as barraoas dos pesca¬ dores.” 9 de mauço de 1582.—Surge no pôrto de Macau, vinda do Japão, a primeira embaixada qne foi d’esse império á Europa. - 1596.—Em uma das instrueções dadas ao vice-rei da índia, conde da Vidigueira, n’esta data, (Ar- chivo portugufi% oriental, fase. 3.°, part. 2.% pag. 618) so defere ao pedido da cidade de Macau, mandando el-rei, em con¬ formidade com o parecer do desembargo do paço, que o officio de juiz dos orfãos não ande junto ao do ouvidor, co¬ mo'até ahi, mas sim “ em morador casado e de partes oue o saiba e possa bem servir”: polo que mal posso entender como essa jurisdicção nunca foi separada, que me conste, do cargo de ouvidor.
  • — 24 — 10 de março de 1839.—Chega a Cantão o celebre com- missario imperial chine/. Lin-sin-siu. 1842.—Dez a doze mil chins atacam em Ning-pó e Chin-hai as forças inglesas, sendo repellidos com perda de seiscentos môrtos. 11 de março de 18G6.—Entra em Hongkong o actual governador, Sir Richard Graves Mac Donnell. 12 de março de 1841.—O commissario Ki-chen, degra¬ dado de sua auetoridade e honras pelo imperador, que re- jeitára as condições que elle tinim aceitado, sáe de Cantão preso. 1865.—Chega a Hongkong, no vapor Thunder, vindo de Calcutá, sua altesa o duque de Brabante, Leopoldo Luiz Fellippe Maria Victor, principe real da Bél¬ gica, e hoje rei.—Recebendo, poucos dias depois, noticia de estar doente el-rei seu pai, embarcou-se, em 19, de volta á Europa, no vapor do guerra inglez Adventure. 13 de março de 1849.—É mandada fechar definitiva¬ mente a alfandega chinesa de Macau pelo governador João Maria Ferreira do Amaral. 14 de março de 1842.—As forças inglesas atacam, em Tze-hi, um acampamento de oito mil chinas, que destroçam, fazendo n’elle cruenta mortandade. 1864. —Vem á China pela segunda vez, na qualidade de enviado estraordinario e ministro plenipo¬ tenciário de sua magestade a rainha de Hespanha junto á côrte de Pekim, e encarregado de negociar um tratado com este império, sua excelleneia o sr. D. Sinibaldo de lias. (Vej. o que a seu respeito escrevi no Ta ssi-yang-kuó n." 45, de 11 de agosto do mesmo anno.) 15 de março de 1864.'—Inauguração do collegio das irmãs da caridade, em Macau. 1865. —Sir Hercules Robinson entrega o governo de Hongkong e parte para Ceilão. 16 de março de 1866.—Embarca-se, em Shang-hai, o mandarim Ping, na qualidade de enviado a algumas capi¬ tães da Europa em missão particular do governo chinez. Foram na sua companhia seis mandarins de graduação in¬ ferior, e dois empregados europêos das alfandegas, para servirem de interpretes. 17 de março de 1794.—Sáe da China a embaixada de lord Macartney. 18 de março de 1837.—O governador de Cantão, depois de insistente negativa, defere ao pedido que o capitão Elliot lhe dirigira de Macau, em 14 de desembro de 1836, para residir n’aquella cidade.
  • 1839.—Edicto do commissario Lin, or¬ denando que lhe seja entregue sem demora todo o opio existente em Cantão e nos navios europêos, surtos nas aguas da China. 1841.—Tendo os chinas feito fogo sobre uma bandeira branca, os ingleses destrohem uma flotilha de lorchas, ameaçam a cidade de Cantão, e occupam as fei¬ torias, com perda de 461 canhões para o inimigo. -19 de março de 1656.—Passa na cidade.de. Ohan-chui. cento e cincoenta lis acima de Cantão, a primeira embaixa¬ da hollandesa. (Legatio Batavica ad magnum Tartar*» Since- que Chqmum, part- L, pag. 52.), 1839.—O commissario Lin pruhibe-a todos os residentes extrangeiros saírem das feitorias. • 20 de março de 1588-.—Primeiro regimento dos ouvi¬ dores de Macau, (Vej. “ Representação que o Leal Sena¬ do dirigiu ao Senhor Rei D, João VI,” em 22 de janeiro de 1822.) 1731.—“ N’este dia fnlleceu o sr. bispo D. Alvaro de Bonavite (?), o qual foi enterrado, a 21, em Santo Agostinho, com grande acompanhamento, assim de tropa, comp.de cidadãos e moradores d’esta cidade.” (Col¬ herão de vários factos, etc.) 1841.—Aceitam os ingleses um armis¬ tício. 1848.—Desembarca em Hongkong o governador Bonham, 1853.—Bênção solemne da cathedral de S. Francisco Xàvicr (igreja de Tong-ka-du), em Shang¬ hai, pelo bispo francez Maresca.—íi este cditicio o mais considerável de toda a cidade, e, aos olhos dos chinas, deve a sua grandesa compensar vantajosamente alguns defeitos que a arte possa notar-lhe. A architectura é predominada- mente da ordem dórica. Transigindo porem com o gosto do paiz, o padre Hélot, seu auçtor, fez correr exteriormente em volta das paredes um cordão de ornamentação chinesa, cujo estylo traz á lembrança o dos capiteis gothicos. No frontispício ha um grande relogio de mostrador azul e dou¬ rado, e, juntamente com as armas do pontífice, as mesmas inscripções chinesas que se vêem no da nossa igreja de Pekim.—Duas cousas principalmente excitam a attenção do visitante no interior do templo. São o orgão e o grande relêvo do altar-mór. O orgão é todo feito simplesmente de bamfyús, e tem uma grande força de voz e muita doçura e melodia nos sons. O relêvo é obra do padre jesuita Ferrer, hespanhol de nação e esculptor celebre, e representa Jesus Christo no tumulo.—Existe na sacristia da igreja um retra-
  • — 26 — to a oleo, ern rneio eArpo, do bispo portuguez de Nánkim D. Gaetano Pires Pereira, fallecido em Pekim no Inez de novembio de 1888. Foi o nosso ultimo bispo de aquella diocese e o ultimo dos nossos missionários qne residiram na capital do império, onde recebeu de Kea-king muitas hon¬ ras e protecção. Ignoro como este retrato foi ás mãos dos novos missionários, depois da vinda d’elles para o Kiang- nan, ern 1841. Certo è que já muito depois de collocado onde se acha, ainda os padres do seminário de Tong-ka-du trocavam o nome da pessoa que representa, dizendo ser não sei que bispo francez, como tive occasião de lhes ouvir em 1862'; e foram alguns portugueses residentes em Shang-hai que, addusindo varias provas em que se inclúe a de uma perfeita semelhança com outro retrato de D. Gaetano que se conserve no collegio de-S-. José de Macau, fizeram com que geralmente seja tido agora pelo que em verdade é. Torna-se também notaVel 'este retrato pela perfeição com que está pintado, ainda nos minimos accessories, e que a s. ex. o ministro de Hespanha, D. Siriibaldo de Mas, muito entendido na arte, mereceu demorado reparo. 21 de março de 1828.—Têem esta data duas “ chapas’’ recebidas pdo procurador da cidade de Macau, do manda¬ rim de Hian-onan e do eso-tam, ou assessor, do mesmo dis- tricto.—Mandam que immediatamente sáia para o reino o missionário portuguez Cau xou chien (padre Veríssimo Mon¬ teiro da Serra, bispo eleito de Pekim.). 1889.—Por ordem do viee-rei de Can¬ tão, é interceptada toda a correspondência com as feitorias. 1845.—Fallecimento do bispo de Ma¬ cau, D. Nicolau Rodrigues Pereira de Borja.—Foi sepul¬ tado no cemiterio de S. Paulo, de onde lhe trasladaram os ossos, em 1859, para o carneiro da capella do Santíssimo da nova sé cathedral, cuja construcção em grande parte se lhe devo. 22 de março De l830.-^Officio do procurador de Macau ao mandarim eso tam, pedindo a prisão e castigo de uui china, estabelecido na cidade, o qual ferira um marinheiro portuguez. k 1858.—Chega a Calcuttá, prisioneiro, o ex-cormnissario imperial chinez, xeh. 23 de março de 1712.—“ Mandou o governador d’esta cidade (Antonio de Sequeira de Noronha) matar um moço timor de João Soares Lisboa, na bôea de uma peça, na for- talesa do Monte, pela inorte que fez a u,m china, que se acha¬ va no mato cortando palha; e aos rnais oito moços compa¬ nheiros, como não tiveram tanta culpa n’esta morte, oí man¬ dou açoutar pelas ruas da cidade, e ao depois vençbr em
  • — 27 — Manilha, para com a sua importância se pagarem os gastos que se fizeram com os chinas do mandarim que os agarra¬ ram, como também com os parentes do china morto.” (Col- lecçuo de vários factos, etc.) 1839;—À despeito do cêrco posto ás fei¬ torias, o capitão Elliót resolve juntar-se aos seus compatrio¬ tas, prisioneiros em Cantão, o que leva a effeito em 24. 1842.—Ki-ing é nomeado commandante em chefe do exército -imperial. , 24 de março de 1581.—Carta de el-rei D. Fillippe II de Castella ao padre provincial da companhia de Jesus na índia, eucommendando-llie a mesma fidelidade que mostrá- ra no tempo dos reis portugueses. (Vej. Tassi-yang-Jctió, n.» 21 de 1864.) .... 1828.—“Chapa” do mandarim cso-tam ao procurador de Macau, mandandodhé que promova sem demora a partida para a Europa dô missionário francas Larniot. . , 1842.—Snhe á luz, em Cantão, o jornal inglez Friend of China. 25 DE MARÇO DE 1708.—“ N’estè dia se fez a procissão do Senhor da Cruz (ou dos Passos) pelos ordinários, por ordem do senhor bispo, visto acharem-se os padres Agosti¬ nhos impedidos no seu convento, por causa das controvér¬ sias a respeito do patriarchs. Os irmãos que acompanha¬ vam o Senhor iam com opa branca e murça rouxa. A pro¬ cissão foi até 8. Domingos, onde ficou o Senhor.” (Collec- ção, etc.) "1839.—Os negociantes extrangeiros, detidos nas feitorias de Cantão, promettem, sob penhor de avultada quantia de dinheiro, nunca mais negociarem em opio com súbdito algum do imperador da China.—Elliot pede passaportes para so retirar com todos os residentes ingleses. As auctoridades chinas recusam, ê exigem a en¬ trega de todo o opio guardado nos navios de deposito. (Chronology of affairs in China, pag. 227.) 26 de março de 1803.—Alvará de instituição da Junta de J ustiça de Macau. . , 27 de março de 1828.—Officio do mandarim dó Hian- chan, por appóllido Li, ordenando ao procurador de Ma¬ cau a imrnediata expulsão de um navio hollandez, quo, por causa de avarias, se refugiára n’este pôrto. 1839.—Tendo-se repetido em 26 a inti¬ mação de Lin para a entrega de todo o opio existente em Cantão e nos navios de deposito, o capitão Elliot publica n’este dia um edital, ordenando a todos os ingleses, em no¬ me do governo de sua magestade britannica, a iinmediata
  • — 28 — obediência á mesma intimação, e declarando-se responsável pela menor falta no cumprimento d’ella. (Chronology of affairs in China, pag. 227.) 28 de mabço de 1839.—0 commissario imperial chinez, Lin, faz queimat publicamente 20:289 caixas de opio, con¬ fiscadas aos ingleses.—D’este facto se originou a primeira guerra da China, cuja decisão foi o-tratado de Pekim, de 29 de agosto de 1842, 29 de março de 1858.—Memorial da corporação com- merciante de Shanghai ao embaixador Elgin. 30 de março de 1861.—Portaria do ministério da ma¬ rinha e ultramar, auctorisando a demolição do convento de S. Francisco de.Macau, e a construcção, no mesmo lugar, de um quartel para o batalhão de primeira linha. 31 de março de 1837.—O capitão Elliot, officiandon’es¬ ta data ao governo inglez, queixa-se da humiliação que sof- fro no modo de corresponder-se com as auctoridades chine¬ sas.—-“ Dirigem as suas respostas,—diz elle,—aos negocian¬ tes chinas: de sorte que faliam de mim ás vezes, mas nunca me faliam a mim.”
  • AKR I f., 1 dk abril de 1829. (28.° din da 2.” lua do 9.° anno do Tau-kuang.)—“ O mandarim de Hian-chan, por appellido Leu, faz saber ao sr. Procurador que lho consta estarem os europêos cortando o monte no lugar chamado Tchucsai (proximo da ermida de Nossa Senhora da Penha). Os prin- cipaes moradores chinas de Macau viram que isto prejudi¬ cava o fom xuei (agouro) do pagode da Barra e a sua serpen¬ te, e pediram ao sr. Procurador que mandasse parar a obra. Para evitar que os europêos continuem em semelhante abu¬ so, officio ao sr. Procurador, que, obedecendo promptarnen- te, o impedirá, a fim de evitar consequências.” (Arch, da Proc.) 2 de abril de 1865.—Decreto de suas magestades co- lestiaes, as duas imperatrizes viuvas, degradando o príncipe de Kung, presidente do conselho do império, de todas as suas dignidades, e declarando-o criminoso de “ corrupção, favoritismo e usurpação de auctoridade.” Este faoto, motivado pelo desaffocto que já do muito antes as imperatrizes votaram ao príncipe, e também em grande parte provocado pela maioria dos funccionarios, que aborrece os extrangeiros e a situação proveniente dos trata¬ dos de 1860, assustou em Pekim muitos espíritos, mais pru¬ dentes e esclarecidos, que sabem apreciar a nova epocha e as vantagens que póde tirar a China das boas relações com as potências europêas. O príncipe de Kung, posto que obrigado pelo numero transigisse muitas vezes, como agora transige, com as ideias do partido opposto, era, e é hoje ainda, o chefe d’essa política. Desautora-Po, perdê-Po, era recuar muitos annos, e talvez precipitar o império em maio¬ res desgraças que as passadas. Movidos por differentes
  • considerações, os membros da familia imperial, no maior numero, e todos os altos dignitários da côrte, affligiram-se com o rigor que feria um personagem, a quem os laços do sangue e a fôrça das circumstancias tinham collocado tão proximo .do throno, e viram que no decreto soffria golpe mortal o prestigio que deve rodear o imperador e os que privam com elle. Também por sua parte se não mostraram indifferentes os amigos do príncipe, antes approveitando-se d’estes ele¬ mentos favoráveis amiudaram as petições ao imperador. Ins¬ tada e sollicitada por tantos, receosa também das prováveis consequências da sua precipitação, a imperatriz mãe conteve os impetus feminis, e deu accesso aos rógos que, por vários interesses, mas com o mesmo fito, a assediavam.—Oito dias depois do decreto, foi nomeada uma commissão, composta de duzentos e vinte e sete membros, em que se incluíam os príncipes, Tun, Chan, Tchung e Pu, os chefes das oito gran¬ des famílias mandchúas e os presidentes de todos os conse¬ lhos, tribunaes e ministérios, afim de examinar as petições que tinham por objecto a degradação do príncipe Kung. A commissão foi do parecer que o príncipe tinha com- mettido faltas (dizer que estava innocente seria attentar con¬ tra a infallibilidade do imperador, em cujo nome se proimil- gára o decreto), mas que não tinham sido ellas de naturesa tal que obrigassem a afasta-Po inteiramente dos negocios do estado, pelo C|Ue mais convinha (pie fosse reintegrado. No dia seguinte á data d’este parecer, um novo decreto imperial restituiu a sua altesa a presidência do conselho das relações extrangeiras, e o direito de entrada no paço. 3 DE ABRIL DO ANNO 476 ANTES DA ERA CHRI8TÃÀ.—Fal- lecimento de Kung-fu-tseu (Confucio), no septuagésimo ter¬ ceiro anno do sua idade, tendo nascido no vigésimo primeiro do reinado de Ling-uang (551 A. C.)—Não deve ter-se esta commemoração por alheia do proposito da nossa epigraphs, poisque ao celebre philosopho de Chan-tung ouviram pela primeira vez os chinas a sentença jlÊj Jí Z AI ^3 ^ Si fang (chi jen yu thing tché ye: Entre o povo do occidento existem sábios. 3 de abril de 1834.—Decreto do imperador e rei re¬ gente, I). Pedro IV, mandando pôr em execução n’esta ci¬ dade de Macau a nova legislação, na parte compatível com as circumstancias locaes e políticas. 4 de abril de 1702.—N’este dia, que foi sexta-feira da Paixão, quando ía fóra a procissão do Enterro, houve em Macau grande desordem entre os ehristãos e a comitiva de um mandarim.—Juntaram-se contra os portugueses muitos
  • 31 — chinas e prenderam o procurador do senado, Manuel Gon¬ çalves Iíubouça, levando-o á presença do mandarim da ci¬ dade. Travou-se lucta nas ruas. puzeram-se em alarma os moradores, mas, ao fim de tres dias, tudo se acabou em bem. 1705.—Chega ao porto de Macau o pa- triarcha de Antioehia, Carlos Thomaz Maillard de Tour- non, commissario e visitador apostolico, com poderes de le¬ gado “ a latere,” enviado pelo pontífice Clemente XI para acabar com as controvérsias que então se davam na China entre os jesuítas e os missionários das demais ordens sobre as ceremonias chinesas, e especialmente sobre os seguintes tres pontos:—“ 1.® Se a voz Tien, conform?; a doutrina dos melhores lettrados chinas, e sentir do imperador e do impé¬ rio, significava o Deus vivo e verdadeiro, creador de todas as cousas. 2.® Se a veneração e culto, que os chinas dão a Confucio, seu grande mestre, e aos progenitores defun- ctos, significado pela voz e lettra Ci, era meramente politi¬ co e licito. 3." 8e eram licitas as tabellas, em que os chinas, para memória e veneração dos seus progenitores defunctos, tôem escriptos os nomes d’elles.—-1' oi busca-Po (ao patriarcha) ao navio, cm que vinha, o padre Francisco Pinto, da companhia de Jesus, provincial do Japão e rei¬ tor do collegio de .Macau, com outros padres seus súbdi¬ tos, e no mesmo dia o hospedou na quinta que o mesmo collegio tem em uma pequena ilha dentro do pôrto, a que chamam ilha \ erde. Ahi foram no mesmo dia visita-Po o bispo o capitão geral de Macau, o lhe fizeram singulares obséquios e offered mentos. Não quiz porem o patriarcha deter-se, nem entrar n’esta cidade d’el-rei de Portugal, mas logo no dia seguinte se partiu para a cidade de Cantão, me¬ trópole da provinda d’este nome, o chegou a ella aos 8 do mesmo abril.” (Relação sincera e verdareira do que fez, preten¬ deu, e occasional na missão da China e e/n Macau o Patriarcha de Antioehia etc., memória contemporânea, publicada pelo sr. Cu¬ nha líivara no “ Chronista de Tissuary.”) 5 de aiimi, de 1521.—Na frota que partiu de Lisboa, "’este dia, para a índia, veio por embaixador de D. Manuel ã China Martim Affonso de Mello, o qual, dizem os histo¬ riadores, era fidalgo de porte e entendimento para esta ne¬ gociação. (3 regimento que trouxe de el-rci foi, segundo João de Garros, “ assentar amisado com o rei da China, parecendo que a tinha a terra comnosco em rasão da vinda de Thotnó Pires, que Femão Peres de Andrade enviára com o nome de embaixador; e que trabalhasse muito no pôrto de Tamou, ou onde fosse mais proveitoso e seguro para nossas coisas,
  • fazer uma fortalesa em que elle ficasse por capitão, com os officiaes e a gente que trazia; e ordenasse tudo como as coisas do connnercio ficassem em negocio corrente.” Fr. Luiz de Sousa relata nos termos seguintes esta segunda embaixada portuguesa ao império da China : “ Era a ordem que levava (Martim Affonso de Mello) del-rei D. Manuel ir-se ao porto de Tamou, e procurando amizade com o rei d’aquella grande província, a China, edi¬ ficar n’elle, ou n’outro logar que inais accommodado pare¬ cesse, uma fortalesa em que elle ficasse por capitão. Fa¬ cilitava o negocio ter mandado Fernão Feres de Andrade um embaixador ao mesmo rei, que foi Thomé Pires; e não havia até então novas do mal que lhe saíra a jornada. •“ Levou para o effeito quatro navios, de que eram ca¬ pitães, elle, e Vasco Fernandes Coutinho, e Diogo de Mello . Coutinho, seus irmãos, o Pedro Homem, filho de Pedro Homem, que fôra estrebeiro-mór d’el-rei D. Manuel. Jun- taram-se-lhe maÍ3 em Malaca, d’onde saiu em dez de ji lho do anno de 1522, duas velas de Duarte Coelho e Ambrosio do Rego. Por agosto chegou A ilha de Tamou, e entrou no porto acompanhado de Diogo de Mello e Pedro Homem, com tanta confiança e descuido, como se entrara na barra de Gôa. E foi na peior conjuncçâo que podéra ser, porque em terra andavam os chins escarniçados na prisão do em¬ baixador Thomé Pires e seus companheiros, e muito mais no roubo de seu fato e fazenda, que era muita e boa; e no mar corria a costa uma grossa armada da mesma pro¬ víncia, por ser monção em que acudiam áquelle porto navios de varias nações a fazer seu trato. “Procurou Martim Affonso tomarjlingua na terra; mandou um barco e outro ao general da armada. Não lhe tornando nenhum, enteudeu que estava tudo de guerra, e que fizera erro em se metter no porto. Determinou sair-se ao mar largo. Não esperavam mais os chins que ver o mo¬ vimento que fazia. Tanto que viram que os nossos se fa¬ ziam â véfa, foram sobre elles com todo seu poder, dispa¬ rando muita artilheria. Era o partido muito desegual, e acroscentou a desegualdade um desastre; deu fogo na pol- vora do navio de Diogo de Mello, voaram as cobertas para o ceo, e foi toda a gente ao mar, uns mórtos outros nadan¬ do. Era Pedro Homem tão animoso, que lhe não tolheu a vista do tantos inimigos mandar alguns homens no batel a ver se podiam salvar Diogo de .Mello; e foi parte a falta d'el- les para ser commettido com mais ousadia dos chins, o com menos difliculdade entrado. Era Pedro Homem de corpo agigantado, e do forças e animo egual. Pelejou de manei¬ ra, que se o não aoabára um tiro de fogo contra quem não
  • — 33 — valem forças nem esforço, podéramos da-1'o por vencedor de um exercito inteiro. E isto é certo que tiveram tanto que fazer os chins, com elle só, e com o seu navio, que isso valeu a Martini Aflftnso para não entenderem eotií elle. Assim vendo que não tinha outro remedio, se fez á vela pa¬ ra d’onde viera, o chegou a Malaca meado do outubro do mesmo anno ; e d’ahi se passou á índia na monção.” (An¬ imes de D. João IH, publicados pelo sr. Alexandre Herculano, liv. I, cap. 20.) 1838.—É enforcado em Macau, por or¬ dem dos mandarins, o china Kuo-si-ping, que fôra apanhado em flagrante delicto de venda de opio. 6 de abril de 1842.—Convenção entrè Sir John Fran¬ cis Davis e o vice-rei Ki-ing, para a abertura da cidade de Cantão aos europeus, no prazo do dois annos. 7 de abril de 1506.—Nascimento de S. Francisco Xa¬ vier. 1830.—Officio do mandarim cso-tam ao procurador de Macau, suscitando a pruhibição de se impor¬ tar n’esta cidade salitre e enxofre. 8 de abril de 1837.—Carta do capitão Elliot ao gover¬ nador de Cantão, informando-o d© que um navio inglez sal¬ vara dezescte naufragos chinas, e fazendo votos pela conti¬ nuação da boa amisade entre as duas nações. (Chronology.) 9 de abril de 1829.—“ O mandarim de Hian-chan, por appellido Leu, faz saber ao sr. procurador de Macau que recebeu um officio do vice-rei de Cantão, em que, attenden- do sua ex.a ás representações de Sung-ku-chi e outros con¬ tra o portuguez Bem vindo, o qual se apossou de um baldio marginal sito na praia onde está a pedra chamada do Man¬ duco, fazendo um aterro, © dcstruhindo um pagode, que ali existia; attendendo á íettra de um edital do seu antecessor, o vice-rei Pô, que pruhibe construirem-se mais casas e ató acrescentar uma só pedra, ou ripa, ás que existem; atten¬ dendo a que a mencionada pedra do Manduco, sendo memo¬ rável na historia de Cantão, não devia ser assim coberta de entulho, o que tudo constituo desobediencia ás leis:—ordena a elle mandarim que mando affixar editaes e officíe ao sr. procurador o ao sr. ouvidor, para que obriguem o Jlemviu- do a domolir immediatamente o cáes já fabricado e a resti¬ tuir o terreno ao seu estado primitivo, dando parte depois de executada a ordem, sem opposição alguma. “ Sobre este objecto já elle mandarim officiou ao sr. procurador, que ainda se não dignou prestar-lhe attonção. É porém urgente que a ordem se cumpra, para que não te¬ nha de official- a sua ex.“, que então mandará um commissa- rio exeeuta-l’a, O sr. procurador dará parte quando a te-
  • nha cumprido, afim de que elle mandarim o leve ao conhe¬ cimento da auetoridade superior.—6 da 3.* lua do 9.° anno de Tau-kuang.” 10 de abril de 1586.—Por carta» do vioe-rei da índia D. Duarte de Menezes, conde de Tarouca, foi, n’esta data, confirmada a Macau a denominação de “ Cidade do nome de Deus na China,” dando-se-lhe juntamente os mesmos pri¬ vilégios que tinham sido concedidos á de Santa Cruz de Co- chim, que eram os de Évora.—Pediram em seguida os mo¬ radores a el-rei D. Fillippe I todas as prerogativas da cida- dade do Pôrto, mas os alvarás de 3 de março de 1595 e 18 de abril do 1596 ratificaram simplesmente a concessão feita, e bem assim o de 1709. 1822.—O governador de Macau, José Osorio de Castro Cabral e Albuquerque, e o Leal Senado da Camara, nomeiam o coronel José de Aquino Guimarães e Freitas para ir a Lisboa felicitar, em nome d’esta cidade, el-rei D. João VI, pelo seu regresso do Brazil, e o Sobera¬ no Congresso, pela sua installação.—José de Aquino partiu de Macau, em desempenho d’esta missão, no dia 14 de abril, abórdo do navio Scabby-Castle da companhia das índias. (Vej. o que a seu respeito publiquei nallillior/raphia Macaense.) 1842.—O vice-rei Ki-ingé nomeado com- missario imperial para tratar com os europeus. 11 de abril de 1837.—Elliot regressa a Cantão. (Vej. 18 de março.) 12 de abril de 1653.—Morre, em Macau, o padre je¬ suíta Francisco Furtado.—Entrára a missionar na provín¬ cia de Tche-kiang no 57.° anno do 71.° cyclo da chronologia chinesa,—1.° do reinado de Thian-ki dos Ming, e, pela nos¬ sa era, 1621. De ali se passou á província de Chen-si, e na capital d’ella, Si-gan-fu, estabeleceu uma igreja e casa. Na qualidade de visitador, desceu depois á de Ivuang-tung, vin¬ do a fallecer n’esta cidade, onde jaz sepultado.—Como ou¬ tros muitos padres do seu instituto, escreveu e publicou va¬ rias obras em china, que n’outro livro menciono. 13 de abril de 1708.—“ N’este dia sahiu d’este porto a chalupa de Luiz de Abreu, de viagem para Manilha, e n’ella uns padres dominíeos hespanhoes, que foram deitados fóra das suas missões da China por causa das desordens do patriareha. Logo ao sahir a ilha do Ladrão, apanhou a chalupa um grande tempo, que a obrigou a correr com elle, até que chegou a uma enseada, abaixo de Tun-cam, que fica a oeste de Macau. Estando n’esta enseada, á eRpera de que acabasse o temporal, foi preciso ir alguma gente a ter¬ ra, para fazer agua e comprar algumas cousas. Doze ca¬ fres, que levavam para se venderem em Manilha, levanta-
  • — 35 — ram-se e tomaram posse da chalupa e de quanto havia n’el- la, segurando primeiro que tudo as armas. 0 capitão e a pouca gente mais que estava abótdo, vendo o caso n’estes termos, foram para terra. Os cafres arvoraram logo um dos seus em capitão, e não consentiram que o piloto des¬ embarcasse. Também levava a mesma chalupa algumas cafras para se venderem, das quaes elles se assenhorearam e fizeram suas mulheres. Cafres e cafras iam e vinham de terra para bórdo, e divertiam-se como se fõra d’elles a em¬ barcação.—Soube-se em Macau d’este caso, por via de Can¬ tão, e mandaram-se varias lorclms com muita gente, as quaes tomaram a chalupa no mesmo lugar com alguns dos cafres, o os chinas em terra apanharam os deçiais, com mor¬ te de um. De volta a esta cidade quizeram os nossos en- forca-Pos, principalmente a tres, que eram os cabeças, mas emfim se lhes perdoou, não se sabe por que motivo, e foram para o tronco.” (CollecçTw de vários factos etc.) 14 de abril de 1829.—Officio do procurador de Macau ao mandarim eso tam, participando-lhe ter invadido esta ci¬ dade um bando de setenta a oitenta ladrões, e pedindo a perseguição d’elles. 1841.—Chegam a Cantão dois nóvos commissaries imperiaes, em substituição de Ki-chen, degra¬ dado em 12 de março. 15 de abril de 1552 (quinta-feira santa).—Parte de Goa, com destino á China, o padre Francisco Xavior. 16 de abril de 1727.—Cançados de so AVer as oppres- sões e extorsões dos mandarins de Cantão, os negociantes extrangeiros resolvem abandonar as feitorias e passar-se a Amoy, aonde parece que as auctoridades os convidavam a ir commercial-, promettendo-lhes mais leal acolhimento.— A alfandega de Cantão poude baldar este projocto, assegu¬ rando que não exigiria mais impostos, afóra os legalmente estabelecidos. 17 de abril de 1765.—Entra no rio de Cantão o navio de guerra inglez Argo, e a alfandega chinesa insiste em me¬ dido c cobrar d’elle os direitos de eommercio. Ao cabo de quatro mezes de inútil dicussão, o navio de sua mages- tado cl-rei Jorge III deixou-se medir, e pagou. (China, por Montgomery Martin, vol. II.) 18 de abril de 1857.—Nascimento do actual impera¬ dor da China, Tuug-ehi. 19 de abril de 1830.—Surge nas aguas da China o Sir Charles Forbes, primeiro vapor que se adiantou a estas paragens. 1837.—Edital do governador da cidade de Cantão, mandando aos negociantes chinas denominados
  • — 36 — annistas, que instruíssem o enviado inglez Elliot sobre os termos de respeito que deveria empregar nas petições que houvesse de dirigir a elle governador,—convindo principal- mente que nunca o mesmo Elliot se esquecesse de designar a China com as palavras “ Celeste Império,” e bem assim que jamais se enfunasse, como tinha por costume, com a lou¬ ca supposição de “ vínculos de paz e amisade ” entre o Gran¬ de Imperador e a pequena Inglaterra.—Para evitar de fu¬ turo semelhantes oflensas da mais rudimentar cortezia, dis- poz também este edital que as petições fossem previamente subinettidas ao exame dos annistas, a quem pertenceria ve¬ rificar se eram formuladas em termos devidos, rejeitando-as quando o não fossem. (Chronology of affairs in China, pag. 224.) 20 de abril de 1590.—“ Por alvará d’esta data se or¬ denou que todas as provisões que se passassem aos capitães d’esta cidade para exercerem seus cargos, ou para outras quaosquer diligencias, fossem registadas na eamara, e de contrario não tivessem valor, e se não fizesse por ellas obra alguma.” (Cofkrção.) 21 de abril de 1846.—Tomou n’este dia posse do go¬ verno de Macau o beneraerito João Maria Ferreira do Amaral. 22 de abril de 1622.—Foram providos, por alvará de Goa, no exercício da capitania de guerra d’esta cidade de Macau o padre fr. Antonio do Rosario, dorniníco e gover¬ nador do bispado, e os moradores casados Pedro Fernan¬ des de Carvalho e Agostinho Gomes, devendo occupar o dito cargo sem dependencia dos capitães da viagem do Ja- pSo. I ornaram posse em 30 de julho do mesmo anno. . . 1834.—Extincçâo, quanto â China, dos privilégios da Companhia Inglesa das índias Orientaes. 1837.—Carta do enviado Elliot ao go ver¬ eador de Cantão, expondo a impossibilidade de sujeitar os seus escriptos ao exame dos negociantes chinas. (Vei. 19 de abril.) 28 de abril de 1862.—Parte d’esta cidade com destino a I ekim, para ahi negociar um tratado de amisade e- com- mercio, o conselheiro Isidoro Francisco Guimarães, gover¬ nador de Macau e ministro plenipotenciário de Portugal na China. Acompanharam sua ox.* n’esta missão os senhores João Rodrigues Gonçalves, interprete, e Jeronimo Osorio de Castro Cabral do Albuquerque, addido, e o secretario A. Marques Pereira- 24 de abril de 1626.—Alvará de D. Francisco da Ga¬ ma, condo da Vidiguei'ra, vice-rei do estado da índia, decla¬ rando nullas todas as devassas que até então se houvessem
  • — 37 — feito ifesta cidade por ordem do capitão geral d'ellit, D. Francisco Mascarenhas, visto não ter elle provisão expres¬ sa para as mandar lazer.—Foi publicado (diz a Collecção) por todas as ruas da cidade, ao som de tambores e dois ternos de charamelas, com porteifo, alcaide, e escrivão das execu¬ ções.” lÔ31<-“-Alvará do vice-rei da índia, eon- de de Linhares, ordenando c]ue os capitães geraes de Macau, .juntamente corn o senado, possam prover em pessoas aptas e sufficient©» os cargos da milícia que na mesma cidade va¬ garem, mas não assim os cargos da justiça, por lhes não pertencer. 1720.—“ N’este dia, de noite, e nas duas seguintes, fizeram-se luminárias pelo nascimento do filho do imperador da China, para o que deitára bando o senado.” (Collecção.) 2õ de abril de 1887.—O governador de Cantão, depois de longas recusas, consente em receber officios do enviado Llliot, superintendente do commcrcio ingloz na China, de¬ clarando porém que lhe não responderá directamente. El¬ liot armúe. (Chronology of affairs in China.) 26 be abuil de 1796.—L>e volta de Pekim, chega a Can. tão a segunda embaixada que os hollandeses mandaram á China. • 27 de abril de 1626.—Alvará do vice-rei da India D. Francisco da Gama, conde da Vidigueirn, em que ordena aos ouvidores e juizes d’esta cidnde que, sendo requeridos pelos bispos ou peloá seus vigários geraes, lhes deem ajuda do braço secular para a execução de suas sentenças e man¬ dados,——isto nos Oasbs tão sómente de que os mesmos bispos e vigários geraes podem conhecer. 1837.—Representação do Leal Senado de Macau ás côrtes geraes.—É extensa, e copiosa de noti¬ cias do estabelecimento como a de 22 de janeiro de 1822 a el-rei D. João VI.—Nenhuma das duas se encontra porem no archive do senado. As copias que possúo devi-as ao favor de particulares. 1864.—Parte de Macau o governador José Rodrigues Coelho do Amaral, ministro plenipotenciᬠrio de sua magestade, na intentada missão da troca das ra¬ tificações do tratado de 13 de agosto de 1862.—A comitiva de sua ex. compoz-se do mesmo pessoal que acompanhara o negociador. (23 de abril de 1862.) 28 de abril de 1 i 03.—Tendo havido em todas as visi- nhanças de Macau uma grande sêca, pelo que os generos subiiam a mui alto preço, fez-se n’este dia a primeiro pro¬ cissão de penitencia com grande apparato de imagens e
  • — 38 — acompanhamento, líepetiu-se a procissão mais duas vezes, e em seguida começou a chover em grande ábundancia, o que,—segundo affimam os manuscriptos do tempo,—muito impressionou a gentilidade chinesa. 1829.—Officio do mandarim de Hian- chan ao procurador da cidade de Macau, ordenando-lhe que pruhibisse immediatamente as carreiras de cavallos com que, a titulo de divertimento, os estrangeiros residentes cm Ma¬ cau assustavam os viandantes, junto á porta do limite, com grave offensa das leis do império. 1846.—Breve pontifício, retirando a jurisdicção no bispado de Pekim a 1). João da França Castro e Aloura, que foi o ultimo bispo eleito para aquella diocese do padroado portuguez. 29 be Anuir, de 1622.—Primeira missa na ermida de Nossa Senhora da Penha de França, em Macau.—É tam¬ bém d’este dia o auto legal da posse da mesma ermida pe¬ los religiosos do convento de Santo Agostinho, que a fun¬ daram com as esmolas dos navegantes e moradores da ci¬ dade. ' 1626.—Alvará do vice-rei D. Francisco da Gama, confirmando os dois assentos que o desembarga¬ dor Gonçalo Atendes Homem, sendo syndicante n’esta cida¬ de, deixára na camara d’ella, para que não podessem servir nem ser eleitos em officiaes da mesma camara aquelles que lhe devessem direitos, em quanto não satisfizessem total¬ mente a importância d’essa divida. ' 30 de abril de 1634.—Entram no seu convento, já en¬ tão acabado, as freiras de Santa Clara, que tinham chegado a esta cidade, vindas de Manilha, em 4 de novembro do anno anterior.
  • MAIO 1 de maio de 1841.—Sáe á luz, em Hongkong, o pri¬ meiro jornal,—llongkonq Gazette,—contando a colonia apenas sessenta e quatro dias de existência. 2 de maio de 1834.—Pela noticia, que trouxe um navio inglez, da victoria das armas constitucionaes, foi n’este dia reconhecido em Macau o governo da rainha, a senhora D. Maria II. • 3 de maio de 1632—“ Carta passada pelo desembarga¬ dor Sebastião Soares Paes, syndicante a’esta cidade, em nome de Sua Magestade (D. Fillippe IV) pela qual o mes¬ mo Senhor foi servido perdoar todas as culpas e levanta¬ mento, que os moradores d’esta cidade fizeram contra o go¬ vernador da mesma, D. Francisco Mascarenhas, no anno de 1623, e isto em attenção a estarem os mesmos moradores obedientes ás ordens de Sua Magestade, como também pe¬ lo donativo de mil picos de cobre á fazenda real.” (Collec- cão de vários fados, ete.) 4 de maio de 1864.—Chega a Shanghai, na corveta a vapor Narvaez, s. ex. o sr. D. Sinibaldo de Mas, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário de sua magestade catholica, encarregado de negociar um tratado em Pekim. —Acompanhavam s. ex., como secretários de legação, os senhores D. Pedro Alvarez de Toledo, sobrinho de sua ma¬ gestade a imperatriz dos franceses, e 1). José de Aguilar, actualmente consul geral de Hespanha na China e em Ma¬ cau, e, como alumnos interpretes, os senhores Otin y Mesia, Laiglesia, e Ojeda. 5 de maio de 1733.—N’este dia tornou posse da ouvi¬ doria de Macau Antonio Machado de Miranda.
  • — 40 — i 6 de maio de 1721.—“ Chegaram a esta cidade os sa- guates que o imperador da China mandou ao senhor rei D J oao V e a sua santidade Clemente XI, e foram recebidos com tres companhias de soldados e salvas da fortalesa do Monte.” (Collecção.) Estes saguates, ou presentes, do imperador Kang-hi, que vinham,—diz também o rrianuscripto,—“ muito bem acondicionados em quarenta e oito caixões acharoados de amarello, precediam o patriarcha D. Carlos Melchior de Mezzabarba, o qual, de volta dc Pekim, deu entrada n’esta cidade, por terra, no dia seguinte, 7 de maio, com faustosa recepção dc arcos triumfaes, tropas, salvas, repiques e lumb nanas. ^ 1842.—As forças inglesas evacuam Ning- í de maio de 1817.—Exéquias, em Macau, por D. Ma' pó. ria I. 8 DE maio DE 1681.—Morre em Goa, com sessenta e nove an nos de idade fr. Jacinto de Deus, franeiscano da província da Madre de Deus da mesma cidade, natural de Macau, e auctor do Vergel de plantas e flores e outras obras classicas. . , 1839.—Edital do vice-i-ei de Cantão, per- mittindo ao superintendente do commercio britannico e aos cônsules americano e hollandez sairem das feitorias com to¬ dos os seus compatriotas, não devendo jamais tornar á Chi¬ na.—U mesmo edital commina pena de morte a quaesquer novas tentativas de introdução, uso, ou negocio de opio. , 1865>-Reintegraçãò do príncipe deKung nas honras e dignidades de que fòra degradado pelo decreto de 2 de abril. (Vej. esta data.) 9 DE MAIO DE 1828.—“ 0 mandarim de Hian-chan, por appelndo la, faz saber ao procurador que brevemente bai¬ xará a Macau um delegado do vice-rei de Cantão, para tra¬ tar de assumptos politicos, pelo que o dito mandarim orde- na ao procurador que mande sem demora preparar casa pa* ra residência do mesmo delegado.” (Arch, da Proc.) 10 de maio de 1610.—Morre, em Pekim, o celebre mis¬ sionário jesuíta Matheus liicci, contando cincoenta e oito atinos do idade.—Foi sepultado no cemiterio portuguez da mesma capital. 11 de maio de 1864.—As tropas iinperiaes chinesas, commandadas pelo coronel Gordon, tomam aos rebeldes tai pmgs, ao cabo de muitos dias de sitio, a cidade de Chan- ehau, ao norte do lago Tai-hu, e perto do Yang-tsc-kiang, passando á espada toda a população cantonense, que era numerosa. 1
  • — 41 — 12 de maio de 1831.—É destruhido o jardim da compa¬ nhia inglesa, em Cantão, por ordem de Chu, segundo go¬ vernador da cidade. 1836.—Officio dos mandarins Pan, go¬ vernador de Cantão, e Có, juiz de fóra na Casa Branca, ao procurador de Macau, permittindo se fizessem concertos nas fortalesas do Monto e Guia, com tanto que se não acres¬ centasse cousa alguma ao antes existente, e mandando des¬ fazer e entulhar uma estrada que se abrira nova atraz da Guia. , 13 de maio de 1864.—Assassinato de um cabo de es¬ quadra da legação inglesa, em Pekim. Este militar dirigíra-se a uma casa em que elle cuida¬ va que habitavam ainda certas mulheres de Sná vida. A casa tinha porem sido recentemente occupada por um man¬ darim, e, á porta, os meirinhos opposeram-se á entrada do cabo. Não entendendo o embaraço que lhe punham, insis¬ tiu elle naturalmente, e o resultado foi ser barbaramente morto por esses chins, que, numerosos corno ciam, poderiam tê-l’o prendido com facilidade. O cadaver foi por acaso visto, horas depois, por pessoa da legação, atirado no meio da rua, e n'uin estado de muti¬ lação horrível.—0 cabo fòra sempre excellentomente com¬ portado, tendo quinze annos de serviço som nota. 14 de maio de 1864.—Parte de Shung-hai, com destino a Tien-tsin, a missão diplomática portuguesa do conselheiro Josô Rodrigues Coelho do Amaral. 15 de maio de 1829.—Officio do mandarim da Casa Branca ao procurador da cidade de Macau, exigindo infor¬ mações do commercio d’esta colonia, em cumprimento de ordens de Pekim, transmittidas pelas auctoridades de Can¬ tão.—Todo o thoor do mesmo officio resume-se no seguinte período final: “ Â vista d’isto elle mandarim da Casa Branca, pelas indagações feitas, sabe que os navios americanos^ hollande- ses, ingleses, franceses e dinamarqueses, que vêema Vampu negociar, estão debaixo da inspecção dos a unis tas, sendo por tanto estes obrigados a responder pelo. cumprimento das providencias e disposições que se tem. tomado. Em quanto ás averiguações sobre Macau e sobro um regulamento que ahi existe-para o numero estipulado, de vinte e cinco navios, que podem entrar e sahir nas costas e pórtos de commercio, incluindo-se n’este numero os de Portugal, que veem de vez em quando, e os de Manilha, sendo fóra do dito numero os que trazem do Manilha arroz para vendor; em quanto á medição d’estos navios, ás viagens que fazem em cada anno, ás fazendas que trazem e levam; em quanto linalmente á
  • maneira por que em Macau tem existido desde a mais re¬ mota antiguidade um senado portuguez que governa e ad¬ ministra tudo: de todos estes pontos deverá ter o mesmo senado em seus arcliivos sufficientes documentos e memórias, e d’esse modo poderá obter uma exacta informação para, juntamente com as outras, ser levada á presença de sua ma- gestade imperial. Ora, não podendo elle mandarim encon¬ trar nos seus arcliivos memórias certas e documentos au- thenticos, e como é o sr. procurador quem governa e ad¬ ministra os negocios europeus em Macau, pelo que deve ter inteiro conhecimento de tudo : ordena elle mandarim ao sr. procurador que, obedecendo promptamente, lhe dê uma exacta informação dos nomes dos vinte e cinco navios d’essa praça; se presentemente está o numero preeenchido, ou, se falta algum, que numero seja; se as fazendas que trazem passam, ou não, pela alfandega, e quem é que as compra; se se dá parte ao Ito pú depois de vendidas as fazendas, ou logo que chegam, afim de se levar ao conhecimento do ho-pú de Cantão, e, depois de obtido o despacho, terem então o seu destino; se com o arroz se procede da mesma fórma como com as outras fazendas. Outrosim ordeno também ao sr. procurador que dê uma uma exacta e circumstanciada informação das pessoas que, juntamente com o sr. procura¬ dor, formam o senado; de quantas são ; se estes europêus, escolhidos para governar, são homens de juizo e probidade; se percebem annualmcnte salario, ou não, e quanto seja. Outrosim que dê também uma exacta informação das pes¬ soas que vendem fazendas aos navios, e se das fazendas que entram c sáem tira o senado algum direito, ou não, e os di¬ reitos em que lugar ficam depositados, e que divisão se faz d elles; se os europêus obedecem ás leis, ou não, se trazem contrabandos, se compram xai-cy a trôco de patacas, se o sai-c;/ se exporta, e se em Macau se introduzem fazendas pruhibidas,” etc. Agora a resposta que teve este officio. Ainda que não agrada reproduzir taes documentos (e tantos foram elles que chegariam e sobravam para todos os dias do anno) não deixa de ser util indicar um ou outro, para que não esqueça o que se deve modernamente a quem nos restituiu e nos mantém a dignidade de portugueses. Ha muito que desculpar n’aquella epocha, mas a indulgência para o passado não deve levar-nos á injustiça com o presente. O seguinte officio, dirigido em nome do senado ao rege¬ dor de um logarejo visinho, diria mal com a humildade de súbditos, se tal fossemos,—quanto mais com a isenção e brio de extrangeiros, que sempre aspiraram á independcncia a que tinham direito.
  • “ N.® 27.—O procurador accusa a recepção da chapa do sr. mandarim da Casa Branca, na qual,—cm obedicncia ás ordens do Kuang-chau-fu, e este dos mandarins Pu-cham- si c Gan-cha-si, e do proprio vice-rei da provincia, em virtude de uma ordem imperial, communicada pelo superintendente dos seis tribunaes superiores e motivada por uma representa¬ ção do censor politico do império,—pretende haver d’ello procurador varias informações sobre Macau, lugar do dis- tricto de Hian-chan, habitado ha tres scculos pelos portu¬ gueses : ao que elle procurador satisfaz na presente chapa. “ Primeiramente, quanto aos vinte e cinco navios, não falta nenhum, e os seus nomes constam da taboa que ha mais dc século regula: mas o procurador não póde deixar de notar uma cousa, até em beneficio dos direitos do anco- ragem para o imperador, e é que, antes da dita estipulação, era maior o numero dos nossos navios, attento o maior nu¬ mero de negociantes que aqui havia, e o maior commercio que então tinham os portugueses para o Japão, etc.; e de¬ pois da estipulação dos vinte o cinco navios pelo imperador Kang-hi, havendo diminuído progressivamente o commercio, perdida a viagem do Japão, etc., diminuiu-se também o por¬ te dos vinte o cinco navios, sendo todos agora embarcações de pequenos portes, e diminuindo assim as medições. Pelo que, se o grande imperador quizer Olhar por Macau e pelo augmeuto de suas imperiaes rendas, poderia, e elle procu¬ rador pede, augmentar mais dez numeros para navios peque¬ nos de dois mastros, com os quaes numeros não será o com¬ mercio maior do que o que faziam os primeiros portugueses com vinte e cinco, e augroentarão os imperiaes direitos de medição: e com esta concessão exaltarão os portugueses a graça do imperador, assim como os seus antepassados exal¬ taram as particulares graças dos illustres avós do impera¬ dor actual. “ Quanto ás fazendas, passam pela alfandega, como sempre, e dá-se parte pelos procuradores ao ho-pií e aos mandarins do distrieto logo que chegam os navios, acompa¬ nhando a participação com o competente manifesto da car- ga, antes d’esta se vender: o que desde toda a antiguidade os leaes portugueses têcm feito, sem nota alguma de omis¬ sos, acontecendo o mesmo com os navios de Manilha e de Portugal e com os navios que trazem sómente arroz; as quaes participações e manifestos hão-do constar dos archi¬ ves dos Ito-pús o dos mandarins do distrieto. “ Quanto á corporação do leal senado, sempre, desde a mais remota antiguidade de Mapau, se compõe do mesmo numero de vogaes, escolhido entre os mais illustres e cons¬ pícuos da terra, assim pela sua probidade, como por seus
  • — 44 — talentos, e experiencing do paiz ; e todos elles servem este otliuio sem perceberem salario algum : tal é o bom caracter dos portugueses c a sua lealdade aos seus reis, posto que d’elles tão distantes por milhares de léguas de caminho por mar. “ As pessoas qwe vendem fazendas aos portugueses são os chinas, ou os mesmos portugueses uns aos outros, (pian¬ do as tôom : o os capitães dos navios portugueses têem, os seus nomes nos cartorios dos mandarins, quando se lhes dão os manifestos das eargas; e estas vêem para os portugue¬ ses ou da China, ou das. terras portuguesas, ou de outras terras com que os. portugueses eoimnerceiam; e a alfande- ga portuguesa não tira direitos de exportação, de onde lhe vem por isso mui pouco rendimento, o qual todo se applic» para a conservação da cidade, e policia d’ella, e para a guar¬ dar dos piratas e de qualquer inimigo que possa d'e repente sobrevir por mar, visto que a cidade está situada á borda do mar. “ Os portugueses são- todos obedientes ás leis, não ne¬ goceiam em contrabandos, nem em sui'-cy, e nos cartorios dos mandarins existem os certificados de não trazerem os navios contrabandos. Porem que differcnça do miserável commercio presente comparado com o antigo! A prata já quasi se não vê ; os navios redusidos a menos eargas e ás de menos lucro; a cidade com menos população portugue¬ sa, o as casas em menor numero. Tendo permittido os im¬ peradores habitarem n’ella os portugueses desde a porta do Cerco até á Barra, os portugueses sómente habitaram uma pequena parte de tão curto limite, tendo livres as praias para desembarcarem e para concertarem os seus navios, e alguns baldios para as suas hortas; mas, de ba vinte a unos para cá, a população china, que só era de oitocentas almas, cresceu a quarenta mil, e a dos portugueses baixou a menos do tres mil; das hortas dos portugueses no campo, alluga- das aos chinas, fizeram estes suas varzeas; os baldios to- maram-os os chinas para suas boticas; e até muitas casas dos portugueses os chjnas tomaram de alluguer e ficaram com ellas sem pagarem os all ugueis (taes são as de Santo Agostinho, as da rua de S. Paulo, as de Gregorio de Abreu, e as da Praia Pequena, quo os chinas tomaram toda, edifi¬ cando muitas barraeas até no lugar em que era a rua). As¬ sim vão continuando pela Barra e por Patane, onde antiga¬ mente havia casas dos portugueses; e estes, reduzidos á Praia Grande e ás casas do centro da cidade, reedificando-as quando estão velhas, não tomam terrenos, nem sequer para suas igrejas, que não passam do numero existente desde remota antiguidade. Tal é a diminuição da população por-
  • — 45 — tuguesa, o tal o augmento da chinesa; coin tudo os portu¬ gueses, sempre lieis ao promettido, apezar de occuparem agora menos terreno quo d’antes, pagam sempre o mesmo fòro da terra, sem diminuição alguma. “ O bazar, que era fóra da cidade, acha-se agora dentro d’ella, e também a multidão de casas chinas, não se podendo distinguir as dos bons homens das dos máos e dos ladrões e laneháes, que cada dia roubam aos portugueses e á gente pobre a sua roupa e os seus poucos teres. “ Espera por tanto o procurador que, como á presença do imperador tcem de subir estas informações, o imperador se lembre dos portugueses, e faça celebre o seu novo reinado com alguma graça especial, assim para augmento do numero dos navios, como para que se removam tantas’ barracas na Praia Pequena, Barra, Praia Grande, etc., etc., e para que os chinas restituam as boticas, e casas que eram dos portu¬ gueses, e conceda a estes terem suas hortas no campo, o ter mais liberdade que d’antes, pois são bastantes tres sé¬ culos para prova da probidade, honra e bom caracter da nação portuguesa no império da China. “ Os portugueses estão agora pobres por falta de com- mercio, mas sempre dispostos para qualquer honroso servi¬ ço que quizer d’elles o imperador; pois os portugueses de hoje não se esquecem dos grandes serviços que ha vinte annos fizeram ao imperador, armando muitos navios para bater o grande pirata A-pau-chai e redusi-l’o á obediência do imperador, eom suas embarcações, com sua gente de muitos milhares de almas, gastando o senado de Macau muito dinheiro em polvora, baila, artilheria etc., e sacrifican¬ do também suas vidas no imperial serviço, do que tudo exis¬ tem frescas memórias nos archivos sinicos e portugueses. “ É quanto se offerece ao procurador dizer ao sr. man¬ darim da Casa Branca, para ser presente ao vice-rei da pro¬ víncia e ao mesmo imperador, de quem espera o procurador ser attendido.—Macau, 23 de maio de 1829.—-Pedro Feli¬ ciano de Oliveira Figueiredo.” (Arch, da Proc.; Yej. 23 de maio.) 16 de maio de 1710.—Tinha-se recolhido a corporação do senado ao collegio de S. Paulo, e de ahi, juntamente com os padres da Companhia, dava expediente aos negocios da cidade, desde 13 de fevereiro, não obstante a opposição do governador Diogo de Pinho Teixeira. Na tarde d’este dia 16 de maio convocou o governador todos os cidadãos em sua casa, na fortalesa do Monte, por um bando que publicára de manhãa, e ahi fez proceder a uma eleição de novos ministros para servirem no senado, saindo eleitos Antonio de Sousa Gaio, José da Cunha, Luiz
  • João da Cunha Lobo, Francisco de Mendonça, e, como procurador, Thomaz Garcez do Couto. “ Depois de ser feita por este modo a eleição nova (diz a Colleccâo de vários factos), mandou o governador uma carta aos padres da innominada companhia, dizendo-lhes que lar¬ gassem os homens que estavam no seminário, porque já não eram ministros do senado, e que o povo tinha feito outros para governarem esta cidade; e, como os padres zombas¬ sem de semelhante resolução, mandou elle governador cer¬ car todo o collegio, até a porta que o mesmo tem para o campo e também a porta travessa do seminário, que ao todo foram seis sentinellas em roda. Isto succedeu no dia 17 de maio. Aos 19 se ausentou João da Cunha Lobo, que havia saido por juiz na nulla eleição antecedente, e foi ho¬ miziar-se no seminário, levando em sua companhia seus tres filhos. Outra vez se ajuntaram os homens bons da cidade para fazerem juiz, na falta do que se homiziou, e fizeram a Manoel Gomes. Este juiz também se recolheu no mesmo seminário. Entretanto fazia o governador diligencias para que o ouvidor entrasse por força no seminário, para tirar os homens que lá estavam. Dois dias seguidos puzeram mesa no pateo da escada de 8. Paulo, assistindo o ouvidor, os tabelliães Thomé Vaz e Christovão do Almeida, com o vigᬠrio geral e o provincial da innominada companhia, e tam¬ bém o advogado do ouvidor, Manuel de Abreu Preto, á qual diligencia chamavam em unidade. Aqui se disputou este negocio, e, apresentando os padres seus privilégios, acharam por todas as vias não poderem entrar no convento por força. Deixaram-se então o governador e seus conse¬ lheiros d’estas diligencias, mas logo d’ahi a poucos dias man¬ dou elle governador levar uma peça de artilheria, do navio de Antonio da Cruz, para arrombar a porta do dito semi¬ nário, mas não achou peça capaz para este desempenho, o que visto mandou o condestavel para a fortalesa do Monte embocar a artilheria para arrazar o collegio e o seminário. Foi obrigado o bispo a ir pedir-lhe deixasse estas cousas para quietação da terra, e não querendo o governador ceder aos seus rógos, tomou o bispo a resolução de ir para a sé e mandou pôr o Senhor exposto até o dia 1." de junho.” 17 de maio de I860.—Perde-se, em Amoy, o vapor de guerra lrancez Izère. 18 de maio de 1842.—Tomam os ingleses a cidade de Cha-pu. 19 de maio de 1829.—Officio do cso-tang ao procurador de Macau, promettendo que satisfaria a uma sua requisição, mandando reparar uma casa china, que ameaçava cahir.— A casa cahiu sem embargo da promessa.
  • Estes pequenos factos servem ao conhecimento dos limites de jurisdicção, tias epoehas a que se referem. Assim vemos que, ha trinta e oito annos, nem para uma simples intimação por motivo de utilidade publica se julgava com¬ petente o procurador. Era d’elle o erro, pois alguns pre¬ cedentes o auctorisavam a mais. • 20 de maio de 1858.—São bombardeados e tomados, pelas forças anglo-franeesas, os fortes de Ta-ku, na embo¬ cadura do Pei-lio, não obstante as cento e eincoenta bôeas de fogo com que responderam ao ataque.—Teh-kuey, que commandava os fortes, suicidou-se, n’este mesmo dia, no pagode Kai-chin-miáu. 21 de maio de 1842.—Circular do almirante Parker, annuneiando a tomada da cidade de Cha-pu, no dia 18, com perda de mil e quinhentos mórtos e grande quantidade de armas e munições de guerra, por parte dos chins. 22 de maio de 1840.—O navio mercante inglez 7Mks rende-se a oito juncos de piratas, com toda a tripulação gra- veraente ferida. 1841.—Invasão e pilhagem das feitorias europôas de Cantão. 23 dk maio de 1829.—É d’este dia, como se viu, a in¬ formação que da posse, commercio e mais circumstancias d’esta cidade de Macau deu o procurador Pedro Feliciano de Oliveira Figueiredo ao mandarim da pequena povoação da Casa Branca. (Yej. 15 de maio.) Deixaria eu porem a noticia incompleta se aqui não transcrevesse a resposta que deu, no mesmo officio, aquelle mandarim. Ignoro se o procurador a estimou no devido preço, mas a verdade ó que não pedia outra a informação que a provocára. “ O mandarim da Casa Branca, por appellido Lu, faz saber ao sr. procurador que, do seu officio supra, mandou extrahir copias, para o levar ao conhecimento dos seus supe¬ riores. Ha porém uma inadvertência, da parte do sr. pro¬ curador, no que pede com respeito ao numero dos navios. Tendo-se estabolecido ha séculos o numero de vinte e cinco de que modo se iria alterar uma prática tão antiga ? Em quanto aos chinas que devem allugueis, o sr. procurador poderá reclamar. Pelo que respeita ao augmento de casas, as leis do império veneram a antiguidade, e jamais lião-de permittir in novações.—Não deveis desconhecer os beneficios recebidos.—25 da 4.“ lua do anno 9.° de Tau-kuang (27 de maio de 1829).” (Arch, da Proc.) 1862.—Chega a Yen-tai, ou Tche-fft, a missão diplomática portuguesa, encarregada da negociação do tratado com a China. O vapor inglez Carthage, que a
  • levava, tomou ahi a reboque o vapor de guerra francez Ilovq kong, para a viagem de Ta-ku a Tien-tsin. 24 de maio de 1839.—Sâem de Cantão para Macau o superintendente do commercio britannico, Elliot, e todos os negociantes ingleses com promessa escripta de nunca mais voltarem á China. 25 de maio de 1841—As forças inglesas cercam a cida¬ de de Cantão. 26 de maio de 1864.—Chega a Tin-tsin o sr. D. Sini- baldo de Mas, enviado extraordinário e ministro plenipoten¬ ciário de sua magestade eatholica. 27 de maio de 1841.—Os ingleses levantam o cêrco de Cantão, mediante o resgate de seis milhões de pèsos. 28 de maio de 1880—Officio do procurador da cidade de Macau, Antonio Pereira, aos mandarins de Hian-chan e Casa Branca, no qual se queixava de que, tendo sido um timôr assassinado por chinas, havia mais de um mez, ainda elles mandarins não tinham empregado diligencia alguma na perseguição e castigo dos criminosos: ao passo que a justiça portuguesa de Macau, ainda em 1826, lhes fizera entrega immediata de um christão, que tinha morto um chi¬ na, e assim praticava, sem tergiversar, todas as vezes que taes crimes se davam. 29 de maio de 1850.—Toma posse do governo de Ma¬ cau Pedro Alexandrino da Cunha. 30 de maio de 1718.—N’este dia tomou o governo de Macau Antonio de Albuquerque Coelho, tendo na vespera aportado a esta cidade em uma embarcação chinesa que o trouxera de 8an-choan, onde deixára o seu navio com toda a tripolação doente. (Vej. 7 de março, etc.) Erradamente dão alguns manuseriptos a esta posse a data de 22 de junho. 31 de maio de 1642.—-O senado de Macau, reunido em conselho geral do povo, toma conhecimento dos avisos da acclamação de el-rei .D. João IV, trazidos a esta cidade por Antonio Fialho Ferreira, e, lavrando termo de aceitação e obediência ao mesmo soberano, assenta em que breve tenha lugar o juramento solemne, e em que n’essa occasião se façam grandes festas, “ para que entendam os reis estranhos, na magnificência e cópia d’ellas, quanto a nação portuguesa, nos mais longes do mundo, ama seus príncipes.” Dos conselhos geraes da cidade é este o que, ao menos por aquelles tempos, me consta haver sido mais numeroso, pois a respectiva acta, a pag. 90 e seguintes do Registo de vários termos e conselhos antigos com os cidadãos e povo, desde 1630 até 1678 (existente no cartorio do senado) está assigna- da por não menos de 2i6 indivíduos, quando o mesmo ter-
  • — 49 — nio do jurais onto e acolamação de D. João IV, em 20 de junho seguinte (Vej. esta data), accusa só 71.—Devo aqui notar que este ultimo documento apparece, no dito livro, duas vezes errado na indicação do anno, tendo-se escripto 1643 em lugar de 1642, o que evidentemente se reconhece na verificação dos nomes que compõem a camara, e da ordem que o livio segue. Indusidos pela unica leitura do termo, alguns escriptos, que vi, aceitaram o mesmo êrro, sem mais demorado exame. 1717.—Chegou a Macau, n’este dia, or¬ dem do imperador da China para que não fossem a Cantão os navios extrangeiros, mas fundeassem na Taipa, e de ahi fizessem seu commercio. (Collecção.) 1801.—Chega a Macau, e dá entrada no collegio de S. José, o padre Joaquim José Leite, da Con¬ gregação da Missão. (Vej. o que a seu respeito escrevi na Bibliographia Macaense.) 1832.—Começa a publicar-se, em Cantão, o excedente periodieo Chinese Repository.—A collecção dos seus vinte volumes, dos quaes alguns se imprimiram em Ma¬ cau, é talvez ainda agora a melhor obra, de quantas se têem escripto no presente século, sobre a historia, litteratura e costumes dos chinas. 1841.—As auctoridades de Cantão pa¬ gam cinco milhões de patacas aos ingleses e dão garantia do restante da somma que lhes é exigida,—em consequência do que Sir Gordon Bremer e Sir Hugh Gough retiram de aquella cidade as forças do seu commando.
  • JUNHO 1 de junho de 1837.—O enviado Elliot obtem dos man¬ darins licença para entrar e sair do pôrto de Cantão, n’uma embarcação propria, todas as vezes que assim lhe convenha, não podendo com tudo faze-1'o sem lhes participar com ante- cedeneia os dias da sua partida e chegada provável. Pouco antes, em 25 de abril, conseguira, como vimos, que lho recebessem ps officios, não insistindo porem em quo lhe respondessem directamente. Deve confessar-se que não era exigente em demasia o diplomata inglez. 2 de junho de 1710.—“ Na tarde d’este dia se ajunta¬ ram todos os prelados e alguns homens bons em casa do governador (Diogo de Pinho Teixeira), aonde praticaram a respeito das desordens e inquietações em que andava esta cidade com perigo de se perder, e, discorrendo com fortes rasões o padre Marcos, da Innominada Companhia, e o vi¬ gário geral, resultou d’ellas mandar o governador retirar as sentinellns que havia mandado pôr em S. Paulo.” (CoUccmo etc.—Vej. 16 de maio.) 3 de junho de 1791.—Officio do mandarim da Casa Branca ao procurador de Macau, João da Fonseca e Cam¬ pos, mandando-lhe que, juntamentecom o mandarim deChui- mi e o “ Sargento” da porta do Cêrco, intimasse ordem de saída a um, navio inglez, que se recolhêra na Taipa com avarias. 4 de junho de 1860.—Encalha na ilha da Taipa, a dis¬ tancia de cinco milhas de Macau, e é consumida pelo fôgo qne ábordo se lhe ateára, a galera-transporte francesa La Reine des Clippers, que, procedente de Toulon, se dirigia á visinha colonia inglesa, trazendo quinhentos homens de tro-
  • — 51 — pa e mil e duzentas tonelladas de carvão, alem de muitos pe¬ trechos e equipamentos para o exercito expedicionário da guerra da China.—Vista a impossibilidade de extinguir o incêndio, o eommandante fizera tapar hermeticamente as escotilhas, e procedera ao desembarque da gente, que acam¬ pou em terra, armando barracas com o pano que no mo¬ mento se poude desenvergar. D’esta colonia se lho envia¬ ram logo soccoitos na lorcha de guerra Amasona e no vapor Invejado, mas foram baldados todos os esforços para salvar o navio e a importante carga que trazia. 5 de junho de 1843:—-Chega a Cantão o vice-rei e com- missario imperial, Ki-ing. 6 de junho de 1710.—A conferencia do dia 2 não po- déra serenar o conflicto que trazia a cidade dividida em par¬ tidos. Diogo de Pinho Teixeira retirara de 8. Paulo as sentinellas, mas, dos cidadãos que ali estavam.homiziados em grande numero, nenhum se aventurara a sair, e os dois senados continuavam governando, um na casa da camara, outro na dos padres da Companhia.—.Veste dia convocou o governador os cidadãos para a eleição.do juiz que falta¬ va, e elegeram successivamente João Soares, Manuel Peres e Antonio Pinheiro, que todos se recolheram a 8. Paulo ao passo que iam sendo eleitos, e assim continuou vago o dito cargo. 1864.—Nã madrugada d’este dia houve em Hongkong uma tão copiosa chuva de trovoada, que ar- razou grande numero de casas, com perda de muitas vidas e prejuiso de mais de moio milhão de patacas. 7 de junho de 1836.—É nomeado Elliot superintenden¬ te do commercio britannico 11a China, em substituição de Sir G. B. Robinson.—Só em 14 de desembro seguinte se recebeu e cumpriu esta nomeação. 8 de junho de 1748.—“ Em a noite d’este dia, prendou a ronda dois chinas, que levou ao Monte. O governador (Antonio José Telles de Menezes) os mandou entregar ao procurador, que era Ajidré Martins. Deram-llies os solda¬ dos e o alferes tantas pancadas que um cahiu môrto á porta do Manuel Corrêa, e, chegando a casa do procurador, este não quiz receber, nem o vivo, nem o môrto, dizendo que tornassem a leva-í’os para o Monto que elle de manhã iria. Chegados que foram, e dando parte ao governador, mandou elle metter os chinas na mina, e-jamais houve noticia de nenhum;—dizem uns que ali mesmo os enterrara a ambos, e outros que os mettêra em jarras e os mandára deitar no mar. Indo o procurador no outro dia, disse-lhe o gover¬ nador que-os chinas tinham desapparecido, o que dissesse ao mandarim, quando elle viesse, que taes chinas não havia,
  • ainda que os chinas da travessa dos Cules tinham visto passar o morto. O procurador ficou n’isto.” Esta noticia vem assim referida na CoUcccdo de vários factos que hão acontecido ri'esta cidade de Macau pelo decurso dos annos á margem. Veremos adiante o que o mesmo manu- scripto affirm a que de aqui se seguiu. 9 de junho de 1839.—Officio do mandarim da Casa Branca ao procurador de Macau, estranhando a demora do recenseamento da população d’esta cidade, que lhe havia sido requisitado pelo dito mandarim dez dias antes. (Arch, da Proc.) 1840.—Tentam os chins, por meio de jangadas incendiadas, destruhir a esquadra inglesa, surta no rio de Cantão. 10 de junho de 1862.—A legação de sua magestade fidelíssima, tendo chegado a Pekim na manhã de 9, recebe n’este dia resposta de sua altesa imperial o príncipe dé Kung ao officio em que lhe fôra proposto dar-se principio ás ne¬ gociações do tratado entre Portugal e a China. 11 de junho de 1640.—O governo chinez pruhibe aos portugueses negociarem em Cantão. 12 de junho de 1726.—“ N’este dia desembarcou em Macau, vindo em a náu Nossa Senhora da Oliveira, o embai¬ xador Alexandre Metello de Sousa e Menezes, e foi assistir na Praia Grande, nas casas de Francisco Leite, hoje dos governadores. Recebeu-o esta cidade com grande alegria, e em seu respeito se fizeram as maiores demonstrações que foi possível,com muitas salvas em todas as fortalesas e navios, tendo de guarda à sua porta tres companhias de soldados com seus officiaes. Constavam os presentes, que trouxe este embaixador para o imperador, de trinta caixões de exquisitas preciosidades, enviadas pelo senhor rei D. João V.” (Collecrão de vários factos etc.) A relação que existe d’esta embaixada, escripta, ao que parece, pelo secretario, o padre Francisco Xavier da Rua, conta assim o desembarque: “ Em primeiro lugar ía o embaixador em seu escaler bem preparado, que o governador (Antonio Carneiro Alcᬠçova) lhe poz prompto, acompanhando-o no mesmo escaler os seus gentis-homens, e na prôa ía um timbaleiro tocando timbales, e alguns pretos tocando em clarins de prata com as armas reacs pendentes, e ao tempo que se tocavam os clarins se ouvia o estrondo da artilheria, tanto da fragata, como das mais náús que se achavam n’aquelle pôrto, e das fortalesas, que todas estiveram disparando até o embaixa¬ dor desembarcar. Logo se seguia outro escaler em que íam os reverendos Antonio de Magalhães, o vice-reitor do
  • — 53 — collegio da Companhia, o ajudante real, o capitão mandante das companhias, e também o secretario da embaixada. Em outro escaler se seguiam vários padres da Companhia, e em outro todos os offieiaes da nossa'fragata.” Na praia estava postada toda a tropa, que fez a conti¬ nência do costume. O embaixador foi acompanhado até sua casa pelo senado e nobresa da cidade, pelos prelados das religiões, e outros muitos religiosos, alem do grande concurso de chinas. Desembarcou-se depois o mimo que ía para o impera¬ dor, ao som de grandes salvas de artilheria. Na frente íam os trombetas tocando; seguia-se o ajudante real, o capitão, tenente e alferes, com a companhia da guarda do embaixa¬ dor, o ouvidor geral, logo os caixões ás costas de cafres, o após elles os dois juizes ordinários, os vereadores do sena¬ do, e a tripolação da fragata. (Vej., no period. Archivo Pit- foreseo, vol. IV., a série de artigos que tem por titulo Embai¬ xada de Portugal â China em 1725.) 1748.—O “ cabeça de ruas ” déra par¬ te para a Casa Branca do desapparecimento dos dois chinas, presos no dia 8 (Vej. esta data) pela ronda da fortalesa do Monte. Vieram n’este dia os mandarins e exigiram a en¬ trega d’elles, e, respondendo-lhes o senado que não havia noticia de tal facto, mandaram aos chinas que fbchassem todas as lojas e saíssem da cidade. Publicada esta ordem por editaes, retiraram-se os mandarins, deixando no bazar um trôço de soldados, incumbido de vigiar pela immediate execução d’ella. Assustaram-se os moradores com a medida e com a falta de vi veres que logo principiou a dar-se. Repetiam os mandarins as chapas, cada vez maia imperiosas, o amiudava o senado as sessões, em que o governador se não apartava do alvitre da mesma resposta. N’este aperto recorreram os cidadãos aos jesuítas, que prometteram diligenciar que fossem as cousas a melhor ca¬ minho por meio de peitas e negociações particulares com os mandarins. (Vej. a Collecção.) 13 de junho de 1850.—O vapor inglez Renard fundeia no gôlfo de Liau-tung, junto á extremidade oriental da grande muralha da China. 1858.—O vice-almirante conde Euphi- mius Putiatine, ajudante de campo de sua magestade o im¬ perador de todas as Russias, seu plenipotenciário na China, e commandante em chefe da esquadra russa no oceano Pa¬ cifico, e os commissarios chineses Kuei-liang, “ dahiochi ” da secção oriental e presidente do tribunal superior de justiça criminal, e Hua-cha-na, presidente do tribunal de inspecção
  • — 54 — e chefe da divisão de infanteria da bandeira azul franjada, assignam em Tien-tsin, o tratado de paz, amisade, cornmer- cio e navegação entre a Eussia o a Ghina. 14 de junho de 1728.—Tratado entre a Russia e a Chi- • na. (Vej. China, por Montgomery Martin, vol. I., pag. 391 j 1847.—Retira-se de Pekim, obedecen¬ do ao breve que lhe negou toda a jurisdicção n’aquella dio¬ cese, o bispo eleito portuguez, D. João da França Castro e Moura. 15 de junho de 1866.—A barca inglesa Casar, tendo saído de Hongkong em 14, é abordada e tomada, a pouca distancia da Pedra Branca, por um junco chinez de piratas, que, horas antes, tinha atacado e saqueado, junto á ilha Single, a escuna dinamarquesa Cari. 16 de junho de 1842.—As fortificações da entrada do Wu-ssung, ou rio de Shang-hai, rendem-se com duzentas e trinta bôcas de fôgo á esquadra inglesa de Sir William Par¬ ker. 1851.—Parte de Macau para Shang¬ hai, a lorcha portuguesa Adamastor, armada em guerra, e commandada pelo segundo tenente Vicente Ferreira Bar- runcho.—Foi o nosso primeiro navio que, em serviço do estado, aportou áquellas paragens. 17 de junho de 1864.—Os plenipotenciários chineses, Sié-hoan e Tcliung-hou, declarara, em Tien-tsin, a intenção do seu governo, de não ratificar o tratado ajustado com Portugal, em 13 de agosto de 1862, sem se alterar uma par¬ te do artigo 9.° do mesmo tratado. 18 DE junho de 1858 (8.” dia da 5.* lua do 8.° anno de Hien-fong).—0 ministro americano William Reed e os ple¬ nipotenciários chineses, Kuei-liang e Hna-cha-na, assignam, em Tien-tsin, um tratado de amisade e eoinmercio entre os seus respectivos paizes. 1862.—Explosão do vapor Union Star, em Shang-hai, com dezesete mortes e dez ferimentos. 1864.—Protesto de sua ex.“ o conse¬ lheiro José Rodrigues Coelho do Amaral, ministro pleni¬ potenciário e enviado extraordinário do sua magestade fide- lissima na China e governador de Macau, contra a recusa, por parto do governo chinez, á ratificação do tratado de 13 de agosto do 1862. (Vej. 17 de junho.) 19 de junho de 1842.—Tomada de Shang-hai pelas for¬ ças inglesas. * 20 de junho de 1642.—É jurado e acclamado solemnc- rnente, em Macau, el-rei D. João IV e o principe D. Theo- dosio. seu herdeiro presumptive.—O termo original d'este
  • — 55 — acto foi erradamente datado do anno de 1643. (Vej. 31 de maio,—e o artigo da Billiographia Macaense relativo a Antonio Fialho Ferreira.) 1793.—Chegada da embaixada inglesa de lord Macartney á China. 21 de junho de 1748.—Não so aquietára ainda o con- flicto entre os mandarins e a cidade, provocado pelo desap- parecimento dos dois chinas que tinham sido presos pela ronda do Monte.—Em 18 recebera o senado uma “ chapa ” do mandarim de Iíian-chan, que em termos muito energicos lhe declarava estar sciente de toda a verdade e exigia os córpos dos dois chinas, ou a indicação do lugar onde so achassem enterrados. Fez-se conselho, e o governador mandou que se respondesse que taes córpos não havia. Replicou o mandarim dizendo que pela propria informação de um.christão soubéra que a gente da ronda tinha morto os chinas, e, pois que era inutil occultar-lh’o, se procedesse á entrega dos cadaveres sem demora. Tornou-se a reunir o senado, e insistiu o governador na primeira resposta, exasperando-se com ter sido o facto descoberto aos chinas por um christão.—“ Já n’este tempo, porem, (diz o manu- scripto citado) os mercadores com os jesuitas tinham d« al¬ guma fórma disposto o animo do mandarim com a promes¬ sa de peitas, mas ainda estava ferrenho e receoso de que para o diante lhe viesse mal. Emiim, depois de differentes “ chapas ” e muitos conselhos n’estes dias, o mandarim dis¬ se que queria ver o chefe da ronda e mais um soldado, os quaes elle sabia que eram os culpados. Foi forçoso satis- faze-l’o porque de tudo elle era sabedor, e foram á sua pre¬ sença o alferes Amaro da Cunha e Lóbo e um soldado, crea- ção d’elle. 0 mandarim olhou para elles e não lhes fez pergunta alguma, pois, como não havia côrpo de delicto, já sabia que elles haviam de negar. Mandou-os embora, e elle também se foi, deixando as lojas assim mesmo fecha¬ das. Os jesuitas já llie tinham porem dado algum dinheiro.” Entretanto empregava o governador as mais activas diligencias para saber quem tinha dado noticia aos chinas do acontecido. Veio' emiim no conhecimento de que um filho de Macau, por appellido Franco, o referira n’uma loja aonde fòra comprar tabaco, pelo que lhe mandou o mesmo governador, n’este dia 21 de junho, dar tres saltos de polé, na fortalesa do Monte. 22 de junho de 1600.—Morre, cm Macau, o padre Duarte de Sande, da Companhia de Jesus, auctor da obra Be Missione Legatorum Japonemium ad Romanam Curiam etc., pri¬ meira que se imprimiu n’esta colonia. (Vej. o artigo que lhe dediquei na Bibliographia Macaense.)
  • 1722.—Chega a Macau, no navio por- tuguez SanfAnna, D. Fr. Manuel de Jesus Maria José, bis¬ po eleito de Pekim. 1840.—Achando-se em numero de quinze navios de guerra a esquadra inglesa nas aguas da China, Sir Gm-don Bremer, chegado na vespera no Wellesley, annuncía o bloqueio de Cantão. 1863.—Toma posse do governo de Ma¬ cau o conselheiro José Rodrigues Coelho do Amaral. (Voj. 30 de outubro de 1866.) 23 de jcnho de 1710.—“ N’este dia saíram os ministros da cidade que estavam no seminário, e vieram para a casa da camara com suas varas, e os mais que com elles estavam e os môços d’elles, todos com armas de íôgo, aos quaes se ajuntaram todos os moradores com suas armas, e mandaram chamar ao senhor bispo e mais prelados á mesma casa da camara; e juntos todos, com o povo miúdo, fizeram falia os vereadores João de Pina Falcão e Manuel Gonçalves dos Santos, representando o, motivo das moléstias que o gover¬ nador tinha dado a esta cidade e a seus moradores, e que desejavam haver meios para a quietação d’ella e evitar maior damno que poderia resultar d’estas desordens. Respondeu o senhor bispo que elle nada podia fazer, por quanto já tinha pedido e rodado ao mesmo governador por este particular e outros mais, de que não alcançou cousa alguma com elle, e assim que tinha o rosto cheio de bofetadas. Foram perguntando aos religiosos e homens bons, e aos do povo, e cada um respondeu no seu tanto. Sómente o padre José Ferreira, da innominada Companhia, que havia poucos dias tinha chegado de Gôa, arrazoou em fôrma. Pediu o senhor bispo ao dito padre José Ferreira que patrocinasse esta causa com o governador, e levasse a effeito a concordia, pois que só n’clle via sufficiencia para tanto. Os vereadores pediram o mesmo para socego da cidade. Logo foi o padre para a fortalesa do Monte, para cumprir o que se lhe havia incumbido, e também logo voltou com a resposta, dizendo que, depois do pedir ao governador efficazmente, se lhe po- zera de joelhos com muitas lagrimas, e o governador lhe concedera tudo, e que fizesse a cidade suas capitulações. Fizeram-se as taes capitulações, e levou-as o mesmo padre José Ferreira no mesmo dia de tarde. O governador len¬ do-as se não contentou com ellas, e não cumpriu o que pro- mettêra ao padre de fazer quanto lhe pedira, nem resolveu cousa alguma; e assim ficou tudo até o dia 29 d’este mez.” (Collecção de vários factos etc.) 1843.—O vice-rei e commissario impe¬ rial chinez, Ki-ing, visita a colonia inglesa de Hongkong.
  • • 24 de junho de 1622.—Victoria ganha por esta cidade contra os hollandeses, que, sob o cominando de Kornelis Iíeyorszoon, a pretenderam tomar com quatorze navios e oitocentos homens do desembarque. As mais antigas memórias d’este feito que já agora se pódem obter, se bem que resumidas, não otficiaes, no dizer descuradas, e n’alguns pontos da narração incertas, são ac- cordes em o celebrar como um dos maiores que ill ustraram na Asia a nossa historia. Nem póde soffrer duvida tal en- comio quando se considere a naturesa do ataque e os meios que tinha a cidade que o repelliu. Por muito que a falta de noticias venha com o andar dos tempos a depreciar esta página brilhante dos fastos portugueses no oriente, sempre de uma parte se ha-de ver um punhado de homens, sós no extremo do mundo, sem capitão que os dirigisse, nem for¬ tificações que os defendessem, mas unicamente ajudados de seus grandes brios e extremado patriotismo,—e, da outra, uma poderosa esquadra, tão fortemente precavida a gran¬ des luctas que, ainda depois de escarmentada n’este com- mettimento, se aventurou á occupação de lugares arrisca¬ dos, no archipelago dos Pescadores, e depois na Formosa. Não é para esta brevíssima commemoração de datas a demorada noticia que pede este insigne episodio da historia macaense. Com indagação cuidadosa procurei já refori-l’o n’outro lugar. 25 de junho de 1777.—Toma interinamente posse do governo de Macau o bispo d’esta diocese, D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães. 1853.—Morre, no collcgio de S. José de Macau, o padre Joaquim José Leite, da extinctá con¬ gregação da Missão, contando oitenta o nove annos de ida¬ de, e cincoenta e dois de illustre professorado, no mesmo collegio. 26 de junho de 1843.—São trocadas, em Hongkong, as ratificações do tratado celebrado em Nankim, entre a Inglaterra e a China, em 29 de agosto do anno anterior. 1858 (16.° dia da 5.* lua do 8.° anno de Ilien-fong).—Assignatura do tratado de Tien-tsin entre a Inglaterra e a China, pelo embaixador conde de Elgin e Kincardine e os plenipotenciários chineses Kuei-liang o Ilua- cha-na. Foram por este tratado declarados abertos ao eommercio britannico, alem dos que já o tinham sido pelo tratado de Nankim (vej. 29 de agosto de 1842,) os pórtos de Kiung-cliau, na ilha de Hai-nan, Tai-van, na Formosa (mais tarde se abriram outros na mesma ilha,) e, no conti¬ nente do império, Neú-chuang,Tang-ehau,ou Tche-fu,Chan- chau, ou Su-a-tau, Chen kiang, Kiu-kiang e Han-kau, ficando
  • o aeeesso a estes dois últimos dependente do acabamento da guerra intestina quo então havia. Assegurou o mesmo tratado novas e valiosas garantias aos negociantes ingleses, e por elle se obrigou também a China ao pagamento de uma iudemnisação de quatro milhões de tacis, que depois foi ele¬ vada a oito.—A troca das ratificações etfectuou-se em Pe¬ king no dia 24 de outubro de 1860, em que foi assiguada a convenção, que poz termo á ultima gnerra. 27 de jrcNHo de 1718.—Como referi em outro lugar, Antonio de Albuquerque Coelho, devendo partir de Côa para o seu governo de Macau, tivera de atravessar o Indos¬ tão e buscar em Madrasta o navio que o trouxe com gran¬ des trabalhos e perigos, pois, estando para se embarcar em a náu de vias, o commandante, por difterenças que antes havia tido com elle, não esperára o seu embarque e fizera- se de vela simulando máu tempo.—Com variados episodios eflectuou Albuquerque Coelho a sua viagem, e surgira em Macau em 29 de maio de 1718, tomando posse do governo em 30.—N’este dia 27 de junho chegou a náu de vias, que também passára trabalhos na monção do inverno, e o com¬ mandante, Francisco Xavier Doutel, com receio do gover¬ nador, foi humisiar-sc no collegio dos jesuítas, em 8. Paulo, onde se deixou ficar até que vieram de Gôa ordens do vice- rei em seu favor. 1748.—N’este dia se tornaram a abrir finalmente as lojas do bazar de Macau, o que se conseguiu por meio de peitas ao mandarim de Hian-chan, que se hos- pedára no pagode da porta do limite, e com a promessa de irem degradados para timor os indiciados no assassinato dos dois chinas presos pela ronda da fortalesa do Monte.— “ Só o mercador Luiz Coelho, á sua parte, (diz a Collecção) gastou dois mil taeis, em trinta pães de ouro que levára ao mandarim.” 1858.—Tratado assignado em Tien¬ tsin pelo barão Gros, embaixador da França, e os plenipo¬ tenciários chineses Kuei-liang e Hua-cha-na, com estipula¬ ções quasi idênticas ás do tratado inglez celebrado na ves- pera.—Trocaram-se as ratificações em Pekim, em 25 de ou¬ tubro de 1860. 28 de junho de 1813.—Chega a Macau o padre Joa¬ quim Aflonso Gonçalves, da congregação de Rilhafolles, da M issão, ou de 8. Vicente de Paulo, que veio a ser o mais abalisado sinologo de quantos missionários cultivaram ain¬ da até hoje esse genero de estudo. 29 de junho de 1710.—Rebenta em hostilidade arma¬ da o conflieto que havia tempo se dava entre Diogo de Pi¬ nho Teixeira e grande numero dos cidadãos. Pela uma
  • 50 — hora da tarde o governador, acompanhado por D. Henri¬ que de Noronha, com o capitão Thomé Marques, o alferes Belisardo Taveira, e uma força de quinze soldados, dirigiu- se para a casa do senado. Ao subir porem a travessa do Troes, hoje chamada do Governador, e chegando ao lugar onde agora começa a rua Central, embaraçou-lhe o passo a gente da cidade, a cuja frente vinha o vereador mais velho, João de Pina Falcão. Intimou-lhes Teixeira que se afas¬ tassem, e por não obedecerem lhes mandou fazer fôgo, ao que respondeu o‘pôvo, tendo atinai o governador de retirar com morte do alferes.—De volta á fortalosa do Monte man¬ dou o governador fazer dois tiros de peça sobre a gente que se reunira no largo do Senado. A bala do primeiro passou sobre o telhado do palacio e foi á casa de um chipa, na cal¬ çada do Tronco, sem offender pessoa alguma. A segunda entrou pela porta do senado, matou o porteiro, Francisco Tristão, e foi bater em um dos degráus de pedra, cujos es¬ tilhaços feriram vários indivíduos.—Tocou então a rebate o sino da cidade, e o bispo mandou que sahisse o Santíssi¬ mo, que foi levado ao Monte pelo padre José de Pina. Veio o governador reeebe-l’o ao lim da calçada, e ahi ajoelhou e fez sua oração,—e d’este modo se poz termo á desordem. 30 de juniio de 1733.—Falleeimento, em Macau, do bispo de Pekim, D. Francisco da Purificação.—Foi sepul¬ tado no convento de Santo Agostinho, a cuja ordem per- tencêra. 1840.—Segue de Cantão para o norte da China a esquadra inglesa. 1865.—Tufão, nas proximidades de Hongkong, perdendo-so inteiramente, em viagem, os vapo¬ res Corea, da companhia Peninsular e Oriental, e Chanticleer, da casa Douglas Lapiaik.
  • .ruLiio 1 de j.ulho de 1817.—-Toma posse do governo de Ma¬ cau José Osorio de Castro Cabral e Albuquerque.—No mesmo dia do anno do 1758 foi a posse do governador D. Diôgo Pereira. 2 de julho db 1710.—O senado em conselho geral do povo, com o bispo e os prelados das ordens religiosas, assi- gna as capitulações da cidade, ajustadas em 30 de junho com o governador Diogo de Pinho Teixeira.—Com isto se aquietaram os ânimos por então, mas a morte do cardeal Carlos Thomas Maillard de Tournon, succedida no dia 8, e a posse do novo governador e capitão geral, Francisco de Mello de Castro, em 28, foram os acontecimentos que ver¬ dadeiramente puzeram termo á contenda. 1840.—Tendo entrado em Atnoy o na¬ vio de guerra ingle'/. Blonde, portador de uma carta do com- mandante da esquadra britannica para o almirante chinez que então ali estacionava, os chinas impedem que chegue a‘ terra o escaler do mesmo navio, e fazem-lhe fôgo, não obs¬ tante levar a bandeira branca. O commandante inglez destróhe alguns juncos de guer¬ ra e o forte que déra os tiros, e sáe do pôrto. 3 de julho de 1833.—Toma posse do governo de Ma¬ cau José de Sousa Soares de Andréa. 4 de julho de 1761.—Posse do governador e capitão geral de Macau, Antonio de Mendonça Côrte líeal. 5 de julho de 1685.—Posse do capitão geral da mes¬ ma cidade, Antonio de Mesquita Pimentel. 1840.—Tomam os ingleses, pela primei¬ ra vez, a cidade de Ting-hai, na ilha de Chu-san.
  • — 61 — 1842.—Proclamação, em china, do ple¬ nipotenciário Sir Henry Pottingor, expondo os motivos do queixa e a justiça das reclamações que, por parte da G rau- Bretanha, determinavam a guerra. 6 dk julho de 1850.—Fallocimcnto do governador do Macau, Pedro Alexandrino da Cunha, que tomara posse trinta e oito dias antes, em 29 de maio.—Assume novamen¬ te a administração da colonia o conselho do governo. 7 de julho de 1829.—Posse do governador de Macau, João Cabral de Estefique. 8 de julho de 1846.—As feitorias de Cantão são assal¬ tadas pela populaça, que os residentes europêos conseguem rqpellir, com morte de alguns chinas. ■ 9 de julho de 1656.—Chega a Tien-tsin a primeira em¬ baixada hollandesa. 10 de julho de 1522.—Sáe do porto de Malaca para a China Martim Affonso de Mello Coutinho, com seis navios, de que eram capitães elle e Vasco Fernandes Coutinho o Diogo de Mello Coutinho, seus irmãos, com Pedro Homem, Duarte Coelho e Ambrosio do Rego. Esta expedição, ordenada por el-rei D. Manuel, 6 con¬ siderada pelos historiadores como a segunda embaixada do Portugal a este império. Do resultado que teve, dá noticia Fr. Luiz do Sousa, nos termos seguintes: “ Era a ordem que levava (Martim Affonso) d’el-roi D. Manuel ir-se ao porto de Tamou, e procurando amisade com o rei d’aquella grande província, a China, edificar n’ello ou n’outro lugar que mais accomodado parocesse, uma for- talesa em que elle ficasse por capitão. Facilitava o nego¬ cio ter mandado Fernão Peres de Andrade um embaixador ao mesmo rei, que foi Thomé Pires; e não havia ató então novas do mal que lhe saíra a jornada. “ . . . Por agosto chegou á ilha de Tamou, e entrou no porto acompanhado do Diogo de Mello, e Pedro Homem, com tanta confiança e descuido, como se entrára na barra de Goa. E foi na peior conjunção que podéra ser, porque em terra andavam os chins encarniçados na prisão do em¬ baixador Thomé Pires e seus companheiros, e muito mais no roubo de seu fato e fazenda, que era muita e boa; e no mar corria a costa uma armada grossa da mesma província, por ser monção em que acudiam áquelle porto navios de va¬ rias nações a fazer seu trato. “Procurou Martim Affonso tomar lingua da torra; mandou ura barco e outro ao general da armada. Não lho tornando nenhum, entendeu que estava tudo de guerra, o que fizera erro em se metter no porto. Determinou saír-so
  • ao mar largo. Não esperavam mais os chins que ver o mo¬ vimento que fazia. Tanto que viram que os nossos se fa¬ ziam á vela, foram sobre elles com todo seu poder, dispa¬ rando muita artilheria. Era o partido muito desegual, e acrescentou a desegualdade um desastre; deu fogo na pol- vora do navio de Diogo de Mello, voaram as cobertas' para o céo, e foi toda a gente ao mar, uns mortos, outros nadan¬ do. Era Pedro Homen tão animoso que lho não tolheu a vista de tantos inimigos mandar alguns homens no batel a ver se podia salvar l)iogo de Mello ; e foi parte a falta d’el- les para ser accommettido com mais ousadia dos chins, e com menos difficuldade entrado. Era Pedro Homem do corpo agigantado, e de forças e animo igual. Pelejou de maneira, que se o não acabara um tiro de fogo, contra quem não valem forças nem esforço, podéramos dal-o per vence¬ dor de um exercito inteiro. E isto 6 certo, que tiveram tanto que fazer os chins com ellc só, e com o seu navio, que isso valeu a Martim Alfonso para não entenderem com elle. Assim vendo que não tinha outro remedio, se fez á vela para d’onde viera, e chegou a Malaca meado de outubro do mesmo anno; e d’ahi se passou á índia na monção. “ E d’este modo se mallogrou também a segunda em¬ baixada portuguesa á China.” (Annaes de D. João 111., liv. I., cap. 20.—Vej. Arch, pitt., vol. IV.) 1840.—Bloqueio do Yang-tse-kiang peíos ingleses. ' 11 de julho i>E 1596.—Carta da rainha Isabel de In¬ glaterra ao imperador da China. Montgomery Martin diz ser este o mais antigo docu¬ mento das relações britannicas com o “ reino do Centro.”— Não chegou porem a mesma carta ao seu destino, porque também affirm a o citado auctor que o navio que a trazia se perdeu. (China, vol. II.) 1711 (outros dizem que em 22).—To¬ mou posse da capitania geral de Macau Antonio de Sequei¬ ra de Noronha. 1816.—Surge nas aguas da China a embaixada de lord Amherst. 12 de julho de 1707.—“ N’este dia, que foi terça-feira, mandou o bispo d’esta cidade, D. João do Casal, publicar nas tres freguezias excommunhão a toda a pessoa que en¬ trasse no convento de Santo Agostinho, tanto a ouvir missa, como a tratar com os religiosos, isto ainda fóra do conven¬ to : pelo inotivo de que elles eram da parte do patriarcha, e não queriam sujeitar-se & jurisdicção ordinaria. (Coflecção de vários factos que hão acontecido n’esta cidade, etc.)
  • 1838.—Chega a Macau, em um navio de guerra, o almirante Maitland, com instrucções de prote¬ ger o commercio inglez. * 13 de julho de 1635—Aporta a Macau o primeiro na¬ vio inglez que veio á China. (Chronology.) 14 de julho de 1755.—Toma posse do governo de Ma¬ cau Francisco Antonio Pereira Coutiuho. 1764.—Posse do governador e capitão geral de Macau, José Plácido de Mattos Saraiva. 1838 (24.° dia da 5.* lua do 18." anno de Tau-kuang.)—“ O mandarim c&o-tang, por appellido Pont, faz saber ao procurador de Macau que recebeu a sua res¬ posta acerca da vinda da fragata de Goa '(a corveta portu¬ guesa Infanta Regente), em que diz que o governo da índia enviou esta embarcação com destino a Timor, aonde ia levar alguma tropa e outroã passageiros; que no dia 12 desta lua soifrêra um grande tufão, em que perdeu todos os mas¬ tros e se abriu em agua, mas que felizmente se nãó afundou e podéra, no dia 17, chegar a Macau, de onde, logo.depois dé concertada, segUirá para o seu destino; pelo que espe¬ rava o procurador que elie mandarim concorresse para a brevidade do concerto, na certesa de que a gente que veio não fará desordens na cidade, etc. “ O procurador porem não declara o nome do cOmmán- dante da tropa, nem quantos soldados trouxe o navio, e os seus nomes, nem quaes os operários que se encarregam do concerto, nem quando este findará, e partirá o mesmo navio. *• Ordena portanto elle mandarim ao procurador que satisfaça a estes quesitos, para se poder informar os manda¬ rins superiores, e também que se faça quanto antes o con¬ certo do navio, para que parta, e que se pruhiba absoluta¬ mente aos soldados o desembarque, não se admittindo pre¬ textos da demora, ou outros, do que resultariam desordens. O procurador participará igualmente quando ha-de effee- tuar-se a partida. “ Não haja demora na execução d’este officio.” (Ar- chivos da Procuratura). 1866.—0 duque de Alençon, neto de Luiz Fellippe e filho do duque de Nemours, visita Macau. 15 de julho de 1834.—Chegada de lord Napier a Ma¬ cau, na qualidade de plenipotenciário e superintendente do commercio da Inglaterra na China. 16 de julho de 1710.—Chegou n’este dia a Macau, vindo na fragata do reino Nossa Senhora da Visitação, Gaspar Francisco, da Silva, que fôra a Lisboa em 1708, como pro¬ curador, ou deputado do senado. Obteve a confirmação dos privilégios da cidade.
  • 64 — 1841.—Depois de paga por parte dos chins a indcmnisação de seis milhões de patacas, e tendo saído do rio as fôrças do commando de Sir Gordon Bremer e de Sir Hugh Gough, restabelece-se, n’esta data, o com- mercio inglez em Cantão. ' 17 do jui.ho de 1623.—Toma posse do governo de Ma¬ cau D. Francisco Aiascarenhas, fidalgo da casa real, nomea¬ do em nome de el-rei D. Fellippe II pelo conde almirante, vice-rei da India.—Foi o primeiro que teve o titulo de go¬ vernador e capitão geral d’esta cidade, veio com o sôldo de quatro mil xerafins, e trouxe comsigo alguma tropa.—Esta nomeação tinha sido pedida pelos moradores, logo depois de softrerem o ataque dos hollandeses. Não tardou porem quo os mesmos moradores se levan¬ tassem contra Mascarenhas, pelas extorsões que, parece, lhos fazia, e sobre tudo porque lhes requestava as mulheres e as filhas. Em alguns munuscriptos se diz que o assassi¬ naram : mas a Colkcção, por vezes citada, aífirma que elle “ so refugiara em um navio, que estava em franquia, e não tor- nára a apparecer em Goa, nem em porto algum da costa da índia.” Noticia mais a Colkcção que por este levantamento, foram cm Goa condemnados a pena ultima vinte e quatro moradores de Macau, os quaes não chegaram a ser executa¬ dos, e estiveram ali presos por dois annos, até que de Lis¬ boa lhes veio o perdão. Esto ultimo facto, não obstante o perdão, afigura-se-me que põe em duvida algum tanto a justiça da revolta. 1656.—Chega a Pekim o embaixador hollandez, Goyer, e é recebido pelo governo chinez como portador do tributos. O rosultado das suas negociações foi a classificação da Hollanda, para todos os effeitos, entre as nações coreana, siamesa e outros póvos tributários da China, dando-se aos hollandeses a faculdade de eomprimentarem o imperador de nove em nove annos, com as formalidades de vassallagem estabelecidas pelo ministério dos ritos. 18 de julho de 1714.—Toma posse do governo de Ma¬ cau D. Francisco de Alarcão Sotto-Maior. 1789.—Tomam interinamente posso do governo de Macau o ouvidor, Lazaro da Silva Ferreira, e o commandante do batalhão, Manuel Antonio da Costa. 1842;—Os ingleses bloqueiam a passa¬ gem do canal imperial, no rio Yang-tse. 19 de julho de 1707.—Mandou n’este dia o governa¬ dor Diogo de Pinho Teixeira pregar a mão de um sargento, por nome Antonio Rodrigues, por haver forçado, no campo, uma timôr.
  • — 65 1733.—Lê-se na Colleceãó :—“ N’esto dia mandou o syndicante, Manuel Macedo Neto, prender o canaritn Albuquerque, o qual tiraram de casa do ouvidor Antonio Moreira de Sousa, e depois o mesmo syndicante mandou cercar por soldados e officiaes a dita casa, e, pelo ouvidor ter a porta fechada e os moços armados com armas de fogo, mandou trazer uma bombarda da fortalesa do Mon¬ te, que fez disparar contra a porta, em que somente fez um buraco, e fazendo outro tiro para a parede nfio tirou melhor resultado, e, como as casas visinhas do ouvidor experimen¬ tavam mais ruina, mandou elle syndicante parar com os ti¬ ros, e deixou soldados de sentinella ás portas; mas no do¬ mingo, 21 d'este mez, foi o bispo de.Pekim, ,que vivia em umas casas próximas ás do ouvidor, tirar licença do syndi¬ cante para lhe fallar, e, tendo-a alcançado, entrou na casa e sahiu com o dito ouvidor, que levou para sua casa, onde sempre ficou.” 1810.—Toma, pela segunda vez, posse do governo de Macau Bernardo Aleixo de Lemos e Faria, tendo sido a primeira em 8 do agosto de 1806. 20 de julho db 1818.—Edital do mandarim cso-tawj de Macau, por appellido Chen, em que, attendendo a ser o pa¬ gode Sicn-fuug (vulgarmento chamado Pagode .Novo) muito venerado pelos chinas, e o lugar do hospedagem dos man¬ darins superiores que vinham a Macau, e considerando mais que os bonzos d’elle se achavam privados de rendimentos, pois que algumas lojas, que tiveram no bazar, um incêndio as dostruhira : constituo ioreiras do dito pagode sessenta e sete lojas recentemente fabricadas de tijollo nos sitios da Praia Pequena o Mata pau. (Arch, da Proc.) 21 de julho de 1691.—Toma posse da capitania geral de Macau, 1). Francisco da Costa.—Em igual dia do anno de 1694, tíil Vaz Lobo Freire, e, em 1788, o governador Xavier de Mendonça Cortc-Eoal.—Este ultimo falleceu em Macau, em julho de 1789, e foi sepultado na igreja de S. Francisco. 1831 (13.° dia da 6.a lua do 11.° anno do Tau-kuang).—“O mandarim de Hian-chan, por appelli¬ do Pau, faz saber ao sr. procurador que recebeu o seu of¬ ficio de resposta sobre as obras que se estão fazendo na ilha Verde, no qual officio diz o sr. procurador que os portu¬ gueses estão, ha mais do duzentos annoe, na posse pacifica a’aquella ilha, e que ali plantaram arvores e construíram edificios e um muro em roda da mesma ilha, parte do qual e alicerces antigos ainda existem, com uma casa e'suas ser¬ ventias.—Ao que tem a responder elle mandarim que des¬ de o principio da actual dynastia se contam cento e oitenta
  • anuo». Como é pois que, lia mais de duzentos, tiveram alí edifícios os portugueses ? Ha muito tempo (pie a actual dynastia concedeu aos portugueses terem casas em Macau dentro dos muros do limite da porta de S. Paulo (ou de Santo Antonio), pertencendo o terreno fora dos muros ao palacio imperial. Ora a ilha Verde, que está fóra de Ma¬ cau, situada no meio do mar, em distancia de alguns lit, na¬ da tem com as habitações curopêas. Não se póde portanto consentir que seja designada como propriedade europêa, e que ahi se fabriquem muros, porque d’este modo se trans¬ gridem as leis. Recommenda pois elle mandarim ao sr. procurador que, obedecendo promptamente, ordene aos eu- ropcos que parem com a obra, para se evitarem contesta¬ ções, de que podem resultar más consequências.-—Obede¬ ça-se.” (Aren, da Proc.) Não era em semelhantes documentos que estava o mal. A inhabilidade corre ahi parelhas com a ignorância. O mal estava em que se lhes não respondia, ou se lhes respon¬ dia poor do que elles vinham. 1841. —Grande tufão em Macau.—0 cutter ínglez Luisa, que saía d’este porto com destino a Hongkong, leVando a seu bórdo os plenipotenciários Bre¬ mer e Elliot, foi naufragar em uma das ilhas em frente da barra, salvando-se os passageiros e tripolantes, com excep- ção do capitão.—Os piratas exigiram dos naufragos tres mil patacas, para os deixarem regressar a Macau. 1842. —E tomada pelos ingleses a cida¬ de do Tche-kiang, no Yang-tse, depois de porfiada defesa. •—Vendo a impossibilidade de resistir ao ataque, o general tartaro, e grande numero dos soldados da guarnição, suici¬ daram-se.—Os ingleses saquearam a cidade! 22 nu julho de 1702.—Tomou n’este dia posse, interi¬ namente, do cargo do governador e Capitão geral de Macau Pedro Vaz do Sequeira. 1723.—Chegou ordem do vice-rei da índia para largar o governo d'esta cidade D. Christovão Severim Manuel, e entrega-Po a Antonio da Silva Telles de Menezes, quo antes cPelle tinha governado e ainda se conservava em Macau; pelo que, n’este mesmo dia, se lhe deu posse, na fortalesa do Monte, com as formalidades do estilo. (Vej. a Collecção.) 1843. —Proclamação de Sir Henry Pot- tingor, annunciando haver-se effeotuado a troca das ratifica¬ ções do tratado de. Nankim, o qual principiaria a ter vigor em Cantão, no dia 27, e, nos quatro restantes portos, logo que fosse publicado o decreto imperial, que os havia de de¬ clarar abertos.
  • 23 de julho de I860.—0 general Cousin Montauban dá, em Tche-fu, ordem do embarque ás forças do seu com¬ mando, devendo effectuar-se a partida no dia 26, c reunir- se as duas esquadras alliadas nas ilhas Cha-lui-tien. 24 de julho de 1834.—Circular do vice-rei de Cantão aos mandarins do litoral da província, mandando-lhes que publiquem editaes pruhibindo rigorosamente aos póvos dos seus districtos qualquer trato, ou connnuuicação, coin os ingleses, visto sei em “todos perversos e contrabandis¬ tas.” 25 de julho de 1721.—Chegou a esta cidade ordem do senhor rei I). João V para se restituir o convento de Santo Agostinho aos seus padres, que estavam desapossados d’el- le havia dez annos e alguns mezes. O mesmo rei mandou n’essa occasião aos padres uma custodia e um cálix, para as festividades da igreja, e ordem ao Senado para lhes dar annualmentc oitenta taeis.—Noticia um mauuscripto “ que Sua Magestade lhes fizera isto em gratificação do compor¬ tamento que tiveram com o pntriarcha (Tournon), o em at- tunção aos trabalhos que passaram por causa d’elle.”—Os padres, que tornaram entrega do convento, foram enviados de Grôa pelo provincial fr. Francisco da Purificação. 26 de julho de 1834.*—Na qualidade do superinten¬ dente do commercio britannico na China, lord Napier diri¬ ge uma carta ao governador de Cantão, convidando-o a uma entrevista. O governador devolve a carta sem a abrir, advertindo que unicamente sob fórma de requerimento será aceito ao enviado inglez qualquer escripto. ' 1644.—Morreu martyr, ireste dia, na Conehinchina, Santo André, que era natural da cidade de Ca-cháu-del, no mesmo reino. O seu corpo foi de ahi trazi¬ do para Macau pelo padre Rhodes, jesuita, c sepultado na igreja de S. Paulo. 27 de julho de 1862.—Ilorrivel tuiao em Cantão, Vain- pu, Hongkong e Macau, excedendo a 40:000 o numero de vidas perdidas. 28 de julho de 1717.—visitada esta cidade pelo vico- rei de Cantão. 1784.—Chegam de Gôa, do seminário de Xarão, os primeiros padres da Congregação de S. Vi¬ cente de Paulo, que deram entrada no eollegio do S. José de Macau. 1710.—Posse do governador e capitão geral de Macau, Francisco do Mello de Castro. Esta posse e a morte do cardeal patriarcha'D. Carlos Thomas Maillard de Tournon, já succedida em 8 do mesmo mez, pozeram termo aos lamentáveis conflictos havidos na
  • — 68 — cidade, durante o governo de Diogo de Pinho Teixeira, e em que tomaram a parte principal os jesuítas e outros regu¬ lares. Francisco de Mello de Castro, tomando entrega do go¬ verno, recolheu-se ao collegio de S. Paulo; mas logo no dia seguinte voltou a residir na fortalesa do Monte. Mais tarde, em 17 de setembro, tomou de arrendamento, ;t imi¬ tação do seu antecessor, as casas do padre Leonel de Sou¬ sa, sitas na Praia Grande, no mesmo local em que é hoje o palaeio do governo. 29 de julho de 1752.—D. Rodrigo do Castro toma posse do governo e capitania geral de Macau.—Sendo subs- tituido, em 1755, por Francisco Antonio Pereira Coutinho, voltou a governar esta cidade em 1767, tomando posse em igual dia.—Fm um dia 29 de julho, o de 1790, foi também a posse do governador Vasco Luiz Carneiro de Sousa e Faro. • 80 de julho de 1622.—Em virtude da provisão passa¬ da em Gôa aos 22 de abril do dito anno, tomaram n’este dia posse da capitania de guerra d’esta cidade de Macau o pa¬ dre fr. Antonio do Rosario, dominíco e governador do bis¬ pado, e os moradores casados Pedro Fernandes de Carva¬ lho e Agostinho Gômes, devendo eonjunctamente exercer o dito cargo sem dependencia do capitão da viagem do Ja¬ pão. 31 de julho de 1688.—Posse do governador e capitão geral de Macau, André Coelho Vieira. 1733.—N’esto dia desembarcou, do na¬ vio Sant'Ama, chegado de Gôa a esta cidade, o juiz syndi- cante Luiz Netto do Silveira. Veio, segundo consta, para obrigar ao regresso Manuel Macedo Notto, quo o proee- dèra na mesma qualidade, e que se não desempenhára bem das funcções que lho tinham sido commettidas. No Livro das Correições dos syndicantes d’esta cidade, existente no cartorio da camara, nada se encontra de Luiz Netto da Silveira, ou do seu antecessor Manuel Macedo. D’este affirmam alguns documentos do tempo que levou a prepotência a ponto de bombardear a casa do ouvidor An¬ tonio Moreira de Sousa e manda-l’o depois preso para Gôa, som que para isso tivesse motivo algum de boa justiça; e do Luiz Netto da Silveira dizem que também não procedeu tão brandamente que, logo á sua chegada, se não vissem obrigados alguns dos principaes moradores a homisiar-se no collegio àas jesuítas de S. Paulo, como foram Manuel Vicente Rosa, Vicente da Matta, Manuel Lopes, João da Cunha e Manoel Marim, chegando outros a ser effectiva- mente presos, por não terem tempo de fazer o mesmo.
  • AGOSTO 1 de agosto de 1860.—São occupados sem resistência os fortes do Pe-tang pelas forças de Inglaterra e França,— primeiro passo no caminho de fáceis victorias que deviam seguir as bandeiras alliadas, até vingarem, ao clarão do in¬ cêndio de Yuen-ming-yuen, a derrota de Ta-ku, em 1859. 2 de agosto db 1749.—João Manuel de Mello toma posse do governo e capitania geral de Macau. 3 de agosto de 1726.—N’cste dia chegou a Macau, provido no cargo de ouvidor, o dr. Antonio Moreira do Sousa. 4 de agosto de 1735.—O bispo D. João do Casal en¬ trega o governo d’esta cidade a Cosme Damião Pinto Pe¬ reira, que chegára da índia em o navio Sant'Anna. 1838.—O almirante inglez, sir F. Mait¬ land, entra a Bôca do Tigre, para exigir satisfação de al¬ guns tiros, que, seis dias antes, em 28 de julho, os chinas tinham feito sobre o navio paquete Bombay, na manifesta persuasão de que elle almirante se achava abordo. A satisfação foi-lhe dada por dois mandarins de pouco elevada graduação, que vieram a bórdo e desmentiram por escripto a significação que se juizera dar ao acto, segundo elles involuntário, das fortalesas. 1842.—Chegam a Nankim os primeiros navios da esquadra do sir William Parker. 5 de agosto de 1706.—Posse do governador de Macau, Diogo de Pinho Teixeira. . 1717.—Antonio de Albuquerque Coe¬ lho, nomeado em Gôa governador de Macau, não podendo encontrar ali navio que o tome de passagem, atravessa o Indostão, a custo de muitas fadigas e perigos, e vein, n’este
  • — 70 — dia embarcar-se oni Madrasta com destino a esta cidade.— Dos revezes que ainda teve de soffrer por mar, como de to¬ dos os episodios da jornada até esse ponto, trata largamen¬ te o seu companheiro de trabalhos, João Tavares de Vellez Guerreiro, no livro, já agora muito raro, que dedicou ao assumpto. (Vej. 7 de março de 1718, etc.) 1796.—Entra no rio Pei-ho a embaixa¬ da de lord Macartney. 6 de agosto de 1746.—Pelo navio chegado n’este dia a Macau, veio annullada de Gôa a ultima eleição do senado, e nomeados os cidadãos que deviam desde lego substituir os eleitos, sendo muito recommendada ao thesoureiro a le¬ gal applicacão da receita pública e a obrigação de dar con¬ tas no fim de cada anno. 7 de agosto de 1830.—Edital do sun-lè de Cantão, Li, pruhibindo ás mulheres europêas irem alí residir, e orde¬ nando que ficassem em Macau todas as que viessem á Chi¬ na.—Com maior inclemência repetiu ainda a ordem o mes¬ mo mandarim, por outro edital de 8 de desembro do mes¬ mo anno, mandando ás auctoridades do litoral do rio que não deixassem passar mulher alguma, e que “ fizessem fôgo a qualquer que desobedecesse.” Claramente se entende que o receio era de que os ne¬ gociantes europêos, tendo comsigo as suas familias, e nada havendo assim que os chamasse fóra do cuidado de um com- mercio cada dia mais lucrativo, fossem tornando permanente a sua residência nas feitorias e augmentando de numero, chegando algum dia a constituir-se em colonia numerosa e pouco docil. Era perfeitamente chinesa a preoccupação. Os meios preventivos que olla dictava é que foram mediocremente ca¬ valheiros, e depois se viu que pouco efficazes também. 8 de agosto de 1797.—Toma posse da capitania geral de Macau D. Christovão Pereira de Castro.—Na resenha dos governadores d’esta cidade dá-se aqui uma coincidên¬ cia notável, e é que os tres governadores que suecederam a este, J osé Manuel Pinto, Caetano de Sousa Pereira, e Ber¬ nardo Aleixo de Lemos e Faria, tomaram todos posse pos¬ se em 8 de agosto; e todos também com intervalo de tres annos, entre si, sendo o primeiro em 1800 (tres annos depois de D. Christovão de Castro), o segundo em 1803, e o ter¬ ceiro em 1806. 9 de agosto de 1698..—Posse do governador Pedro Vaz do Sequeira. 1842.—Chegada a Nankim toda a es¬ quadra inglesa, começa n’este dia o desembarooo rins pas.
  • — 71 — 10 de agosto de 1519.—Sáe de Hespanha a famosa expedição de Fernando de Magalhães, que descobriu o de¬ sejado estreito, que lhe deu passagem para o mar do 8ul, ou Pacifico, e depois o archipelago das Felippinas,—vindo d’este modo' a ser este o primeiro passo, que deram os hes- panhoes para adquii-ir trato com a China. 1841. —Chega á “ rada ” de Macau Sir Henry Pottinger, como plenipotenciário de Sua Magestade Britannica na China, em substituição de Elliot. 11 de agosto de 1588.—Chegou a Macau, voltando da Europa, a primeira embaixada japonesa.—Também na ida passara por esta cidade, em 1582. 1727.—Toma posse o «governador e capitão geral de Macau, Antonio Moniz Barreto. 1840.—N’este dia entrou no Pei-ho o Madagascar, primeiro vapor que ha sulcado as aguas d’esse rio estreito e sinuoso.—Levava abórdo os dois plenipoten¬ ciários ingleses, Elliot, cujo intento de exigirem communi- eação direeta com o gabinete de Pekim foi artificiosamoute logrado por Ki-chen, então governador da província de Peh- tchi-ly, corn a promessa de que lhes viria dar satisfações a Cantão. 12 de agosto de 1841.—«Proclamação do Sir Henry Pottinger, declarando o objecto da sua missão á China. 1842. —Ki-ing chega a Nankim, muni¬ do de plenos poderes para negociar a paz.—A concessão d’estas credenciaes foi o primeiro acto em que o governo de Pekim se mostrou resolvido a dar ao seu pleito com a Inglaterra toda a consideração que elle merecia. O impe¬ rador teve, pela primeira vez n’essa oecasião, conhecimento verdadeiro do que succedêra, e de quanto urgia evitar que o facho da guerra invasôra lhe fosse alumiar as muralhas de Pekim.—Se depois o susto esqueceu depressa, 6 certo que então, por alguns dias ao menos, se fallou a verdade no palacio imperial. 13 de agosto de 1816.—Dois commissarios imporiaes, Su e Kuang, mandados de Pekim ao encontro do embaixa¬ dor inglez Lord Amherst, otferecem-lhe n’este dia um ban¬ quete, no palacio imperial de Uang-hai-lou, em Tien-tsin, começando n'essa entrevista a longa e enfadonha contesta¬ ção sobre a ceremonia do ko-tau, ou das nove prostações, que deu motivo a que a embaixada tivesse um resultado tão estoril c ridículo. Tendo saido de Inglaterra em 8 de fevereiro de 1816, e tocado na Madeira, no Rio de Janeiro e em Batavia, a embaixada entrava em julho nas aguas da China e fazia agua¬ da na bahia de Honsrkonar, oue, na relação da viavem. escrin-
  • — 72 — ta por Horny Ellis, é recommendada pela bellesa e bom abrigo. Ahl se lbe juntou, como segundo commissario, Sir George Staunton, director da Companhia das índias, resi¬ dente em Cantão havia longo tempo, e que, cm 1792, fizera parte da embaixada de lord Macartney, como pagem do embaixador, sendo seu pai secretario da embaixada. Em 9 de agosto lord Amherst, com toda a embaixada, que se compunha de dczeseis pessoas, fóra guarda, musica, e creados, desembarcou em Ta-ku, e, conduzido pelos man¬ darins enviados a recebe-Po, partia de ahi para Tien-tsin, aon¬ de chegou, no dia 12. Sendo o jantar do dia 13 expressamente mandado ofle- reeer a Lord Amherst pelo imperador, era preciso, segundo o estilo, que, em frente de uma mesa, collooada n’uma das salas, coberta de seda amarella, e sobre a qual ardiam vᬠrios perfumes, se executasse o mesmo ceremonial usado na presença do imperador. Lord Amherst, cujas instrucções lhe ordenavam que se não submettossc á ceremonia do ko- tau, declarou que procederia oxactamente como procedera Lord Macartney, em 1792. Pretenderam os mandarins con¬ vencer o embaixador de que Macartney se sujeitára ao ko- tau, mostrando-lhe documentos que o affirmavam, mas Lord Amherst recusou-se a acredita-1'os.—A questão, começada n’este dia em Tien-tsin, continuou durante toda a viagem para Tong-chau, tornou-se ahi mais renhida, e foi terminar no palacio de Yuen-ming-yuen, de onde o embaixador foi insultuosamente expulso, poucos minutos depois de ali che¬ gar. A embaixada voltou depois a Tong-chau, tendo visto de Pekiin unicamente as muralhas, e partiu para Cantão pe¬ lo Canal Imperial, etc.—De Cantão veio a partir para a Eu¬ ropa em 20 de janeiro de 1817, passando por Macau, onde desembarcou em 23. 1841.—É consumido por um incêndio quasi todo o bazar chinez de Hongkong. 1862 (18.° dia da 7.* lua do l.° anno do imperador Tung-chi.)—Assignatura, em Tien-tsin, do tratado de amisade e commercio entre Portugal e a China. 14 de agosto de 1655.—Lô-so na relação da primeira embaixada holandesa a Pekim, escripta por Nieuhoff: “ N’este dia se nos offereceram á vista as ilhas de Macau, na latitude boreral de vinte e um gráus e dez minutos, o, se bem que por ali vagueavam muitas embarcações, não pudé- mos chegar á falia com alguma, porque, possuídas todos do medo do pirata Koxinga, que por ali faz amiudadas sorti¬ das, ao avistarem .qualquer navio maior já se reputam presa d’elle, e põem-se todas em fugida.—Em 16, passando om
  • frente da cidade de Macau, o mais celebre emporio de toda a China, observámos a sua posição, quanto do mar e de longe era possível. Situada em uma pequena ilha que se une a outra maior, occupa esta cidade um monte, que surge do mar e de mar está rodeado por todos os lados, menos pe¬ lo norte, em que se vè um isthmo. De aqui provem que se reputa inexpugnável dos inimigos, assim pela naturesa do lu¬ gar como pela do mar que a rodeia. É este de pequena pro¬ fundidade e por isso inaecessivel a navios maiores, excepto por aquella parto por onde se insinúa o pôrto, cuja entrada é defendida por uma fortalesa seguríssima (eu/m aditum wrx firmissima claudit). Em parte nenhuma da China ha maior có¬ pia do peças do artilhcria de bronze, as quaes são fundidas de metal japonez e chinez, e espalham-se depois por toda a I ndia com grande lucro. Para a parte do continente, só dois cas- tellos assomam sobre os outeiros contra as invasões de ter¬ ra. Nem arvoredos, nem matos, se vêem ali por toda a ex¬ tensão que os olhos descobrem.—-Consagrara-se em antigas eras o lugar em que está a cidade ao idolo Ama, e como os chinas déssem ao ancoradouro o nome de O ao, juntos os dois vocábulos, chamou-se a cidade Amacao, e d’ahi moderna¬ mente Macao.—Edificada pelos portugueses, com permissão dos chinas, toruou-se depressa emporio muito florescente, porque n’ella desembarcavam primeiro as mercadorias ou- ropêas, comprando-as os chinas com grande lucro. Accres- ceu a isto a faculdade, que também obtiveram, de ir duas vezes por anno ás feiras de Cantão, e de ahi vinha todos os annos para Macau, no tempo em que o reino florescia, gran¬ de quantidade de mercadorias chinesas.” (Part. I., pag. 35.) 15 de agosto de 1703.—Tomou posse do cargo de go¬ vernador e capitão geral de Macau José da Gama Macha¬ do, que chegára de Gôa na fragata Nossa Senhora das Neves. O seu antecessor, Pedro Yaz de Sequeira, regressou pouco depois á índia, na mesma fragata, de que era commandante o capitão de mar e guerra Luiz Teixeira do Pinho. 1839.—Edital do viee-rei de Cantão, pruhibindo o fornecimento de qualquer especie de alimentos aos ingleses residentes na China, em consequência do assas¬ sinato de Lin-uei-hi. 16 de agosto de 1859.—O ministro plenipotenciário dos Estados Unidos da America, John E. Ward, troca n’este dia, em Peh-tang, as ratificações do tratado com a China, assignado em Tien-tsin em 18 de junho do anno anterior,— isto depois de um semnurnero de enfados e vexames com que os chinas o molestaram em Pekim e na jornada. 17 de agosto de 1697.—Assume interinamente o go¬ verno de Macau Cosmo Rodrigues de Carvalho e Sousa,
  • -74 — quo logo em 28 de setembro seguinte foi substituído pelo senado. 1833. —Edital do mandí irim cso-tany de Macau, pruhibindo aos chinas carregarem cadeirinhas, ou palanquins, aos christãos. 18 de agosto de 1732.—Posse do governador de Ma¬ cau, Antonio do Amaral Menezes. 1834. —O sun-tò de Cantão ordena por edital a lord Napier que se retire para Macau, com ameaça de completa pruhibição do eommercio estrangeiro, se assim não fizer. • 19 de agosto de 1583.—N’este dia falleeeu em Macau D. Belchior Carneiro, da companhia de Jesus, bispo titular de Nieéa e patriarcha da Ethiopia. Foi o primeiro prelado que governou esta diocese, erecta pela bulla de Gregorio XIII do 23 de janeiro de 1575, que lhe fazia comprchender toda a China c Japão, terra visinhas e ilhas adjacentes. Fundou a Santa Casa da Misericórdia.—Foi sepultado na igreja de S. Paulo, ao meio da capella-mór. 1722.—Toma posse do governo e ca¬ pitania geral de Macau D. Christovão Severim Manuel. —Em igual dia de 17G7, Diogo Fernandes S. de Salda¬ nha. 1840.—As corvetas inglesas Hyacinth e Lane atacam as forças chinesas estacionadas junto da porta do Cerco, matando-lhes proximamente sessenta homens. 20 de agosto de 1842.—Primeira conferencia entre Sir Henry Pottinger e Ki-ing, abordo da náu Cornwallis, surta em Nankim. I860.—São tomados, segunda vez, pelas forças alliadas de Inglaterra e da França, os fortes de Ta-ku, na embocadura do rio Pei-ho, junto aos quaes, no anno anterior, tivera lugar a derrota de 25 de junho.—Es¬ tes fortes foram desde então conservados em poder dos al- liados, até se inteirar o pagamento das indemnisações da guerra, em fins de 1865. 21 de agosto de 1841.—Faz-se de véla, da bahía de Hongkong, a esquadra do contra-almirante Sir William Parker, constando n’essa occasião dos seguintes navios de guerra : Wellesley de 72, Blenheim de 72, Blonde de 24, Druid do 44, Modeste de 18, Cruizer de 18, Columbine de 18, Pylaães de 18, Algerine de 18. dos vapores Rattlesnake, Queen, Sesostris, Nemesis e Phlcyeton, todos de pouca artilheria, e de vinto e dois transportes; ficando nas aguas de Hongkong os se¬ guintes vasos : Herald de 26, Alligator de 28, Sulphur de 8, Hyacinth de 18, Starling de 6, Royalist de 10, e Hebe de 4.— A esquadra augmentou-so depois, durante a guerra, con
  • 75 — outros navios, chegados da Europa, e «Teste numero foi a náu Cornwall's, om que se assignou o tratado. • 22 de agosto de 1589.—Os religiosos de Santo Agos¬ tinho tomaram r.iesto dia posse do convento de Nossa Se¬ nhora da Graça, em Macau, que já antes haviam fundado os padres hespanhes da mesma ordom, os quaes o cederam por determinação de el-rei D. Felippe I., intimada pelo go¬ vernador da índia, Manuel de Sousa Coutinho.—Affirmam alguns mauuscrjptos que, no anno de 1591, se mudou o lo¬ cal do convento para onde se vê ainda,—formoso alto da cidade, de onde se descobre toda a Praia Grande e o mar. Querem outros que só fosse a mudança de algumas portas, e não de todo o corpo do convento, por se não encontrar noticia nem vestígios do que se pretende dar por mais antigo. 1849.—O benornerito governador de Macau, João Maria Ferreira do Amaral, é barbaramente assassinado por sete chins, que o acomroettem dc improvi¬ so e á traição, proximo da porta do Cêrco ou do limite.— Succede-lhe na administração da colonia o conselho do go¬ verno, composto do bispo Jeronimo José da Matta, do juiz Joaquim Antonio de Moraes Carneiro, e de Ludjero Joa¬ quim de Faria Neves, Miguel Pereira Simões, José Bernar¬ do Goularte e Manuel Pereira. 1861.—Morte do imperador da China, Hien-fung, septimo da actual dynastia Ta-ts-hing.—A in¬ surreição de Tien-té, e as invasões ouropêas de 1858 o I860, foram os acontecimentos mais notáveis do seu reinado de onze annos. 23 de agosto de 1708.—Eutrou a reboque em Macau, desgovernada e desmastreada por um tufão que soffrêra, a fragata Nossa Senhora das Neves, que vinha de Gôa comman- dada por Jeronimo dc Mello.—N’ella veio pela primeira vez a esta cidade, no pôsto de capitão de infanteria, Antonio de Albuquerque Coelho, cujo nome, por varias circumstancias, se tornou depois memorável na historia de Macau. 24 de agosto de 1735.—Cosme Damião Pinto Pereira toma posse do governo de Macau. 1842.—Sir Henry Pottinger, Sir Ilngh Gough e Sir William Parker visitam, em Nanking o pleni¬ potenciário Ivi ing.—Esta entrevista foi seguida de outra, no diii 26, em que se discutiram as bases do tratado. 25 de agosto de 1710.—Lê-se om um manuscripto que “ n’este dia se alteraram fortemente os chinas d’esta cidade, entrando n’ella um mandarim com seus soldados da Casa Branca, pela notícia que tiveram de que um portuguez, chamado Manuel Alvares de Oliveira, condestavel de um navio e casado em Macau, matara um china que depois met-
  • teu em um saco de gune de Bengala, e o deitou no mar, sem advertir que o dito saco levava escripta a sua marca. Foram taes as pertubações que os chinas fizeram depois de acharem o corpo, que d’ellas resultou, haver bastantes pan¬ cadas, que alguns levaram e outros derain, não havendo mais remedio para acabar este grande,motim, do que pren¬ der o ouvidor ao matador no Tronco, para se fazer justiça n’elle, porque as provas eram verdareiras de que fòra o ag¬ gressor. Enviou-se para o baluarte do Bom-parto, e ahi se fez n’elle a execução de morte, e, para esta ter effbito, tres vezes quebrou o garrote primeiro que morresse. As¬ sistiram a este acto de execução os padres José de Almeida e João Pereira, ambos da Tnnominada Companhia, e também assistiram a mulher e parentes do china môrto e o ouvidor, que era o vereador mais velho, Gaspar Martins.” 1738.—Posse do governador e capi¬ tão geral de Macau, Manuel Pereira Ooutinho.—Succedeu, lhe, em igual dia de 1743, Cosme Damião Pinto Pereira, que fôra já seu antecessor. 1830.—Edital do mandarim de Hian- chan, Leu, pruhibindo aos operários chinas o concerto, já principiado em Macau, de um navio americano, por nome Eugenia, que arribára a este pôrto com agua aberta. 1849,—Vendo ameaçada esta cidade com uma invasão dos chinas, que tinham guarnecido com forças numerosas o forto de Passaleão e outros pontos visi- nhos, o conselho do governo, na manhãa d’este dia, mandá- ra defender a porta do limite com alguma tropa, sobre a qual os chinas romporam logo fôgo que, de parte a parte, e sem interrupção, foi sustentado até as quatro horas da tar¬ de. A posição dos nossos era com tudo indefensável, porque a do forte do Passaleão a dominava completamente e muito de perto, de sorte que era forçoso ou tomar esse forte, ou abandonar o isthmo em que está situada a porta, Oppu- nha-se á primeira alternativa o parecer de alguns dos mi¬ nistros extrangeiros residentes em Macau, que receavam as consequências do que tinham por violação do território chi- nez; adoptar o segundo expediente era abrir o dique á in¬ vasão dos chinas, que de instante a instante se mostravam mais hostis, e provocar ao mesmo tempo a revolta da popu¬ lação chinesa da cidade, que projectava a matança de todos oscuropêos. Foin’estascircumstanciasque o macaista Vi- cento Nicolau de Mesquita, tenente do batalhão de artilheria, resolveu, de seu muto proprio, atacar Passaleão e toma-1'o, o que levou a effeito em uma hora com admiravel ousadia, acompanhado de sós trinta e seis soldados, e tendo de atra¬ vessar um terreno difficH para chegar ao outeiro, em que
  • ainda hoje so vêorn as ruínas do forte.—Os chinas, retirando preeipitadamente, abandonaram aos nossos vinte pecas de artilheria, muitas armas e munições. 26 dk agosto de 1839.—Em acatamento da neutralida¬ de annunciada pelo governo de Macau, na desintelligencia que se dava entre a Inglaterra e a China, e por conselho de Elliot, saíram n’este dia para Hongkong todos os súbdi¬ tos ingleses que residiam n’esta cidade. 1862.—Manifesta-se em Macau a epi¬ demia de cholera-morbus, depois do ter grassado em vários pórtos do norte da China — D’esta epidemia, que durou pouco rnais de um mez, consta, pelo relatorio do cirurgião- mór da colonia, haverem sido atacados 421 indivíduos, en tre chins e portugueses, e terem fallecido 106. 27 DE agosto DE 1716.—“ N’este dia chegou em unta sóma de chinas, vinda do reino da Gonchiuchina, o padre jesuita Antonio de Arnedo, como enviado d’aquelle rei, com carta do mesmo para a camara d’esta cidade, e íe/. a sua entrada em manchila, com quatro moradores também em manchilas, ao uso da Conchinchina, acompanhando-o atra/, e adiante duas manchilas, em que iam Luiz Sanches e Jose da Cunha, e em outra um conchinchina, que trazia a carta, com quatro pagens montados á gineta, e assim vieram até a cidade aonde os receberam á porta os ministros do senado, dando a fortaleza do Monte uma salva de novo tiros em obséquio da embaixada.1’ (CoUecção de canos factos aconteci¬ dos nesta cidade de Macau, etc.) 1831.—Lord William Bentinek, go¬ vernador geral da índia inglesa, dirige uma carta ao gover¬ nador de Cantão, queixando-se dos amiudados vexames que soffriam n’essa cidade os súbditos britannicos, e rogando se procedesse a um inquérito sobre as insultuosas violências praticadas contra as feitorias que os negociantes ingleses occupavam de ha longo tempo c de que pagavam renda. No mesmo documento observa ou lembra (remind) o dito lord o aggravo feito á sua nação pelo proprio governador chinez a quem se dirige, que, tendo entrado uma vez á força nastoi- torias, seguido da populaça, mandara collocar, de costas voltadas para o retrato do rei de Inglaterra, a cadeira em que se sentou.—Em um edital de 7 de janeiro do 1832 (vej. esta data), o governador de Cantão declarou que esta carta não era digna de resposta. (Chronology of affairs in China, etc.) 1841.—É tomada pelos ingleses a ci¬ dade de Amoy, com perda de 296 canhões por parte dos chins.
  • — 78 — 28 de agosto de 1816.—A embaixada de lord Amherst parte de Tong-chau para Yuen-ming-yuen. 1860.—Os embaixadores de Inglater¬ ra o França, lord Elgin e o barão tíros, recebem em Tien¬ tsin officios do plenipotenciário chino/. Kuei-liang, annuncian- do a sua próxima chegada, afim de se dar começo ás nego¬ ciações de paz. 29 de agosto de 1842 (24.° dia da 7.“ lua do 22." anno do imperador Tau-kuang).—Assignatura do tratado de Nankim entro Sir Henry Pottinger, por parte da Gran-Bre¬ tanha, e Ki-ing, I-li-pu e Neu-kien, por parte da China, abor¬ do da uiiu inglesa Cornwallis.—Por este tratado, cujas rati¬ ficações foram trocadas em Hongkong em 26 de junho do anno seguinte, se obrigou o imperador da China a pagar a somrna de 21.000:000 de patacas, a titulo de indemnisações da guerra e outras, no praso de tres annos e quatro mezes, contados d’esta data da assignatura, e outrosim a abrir in¬ teiramente ao coinmercio extrangeiro os pórtos de Cantão, Amoy, Fu-chau, Ning-po e Shang-hai, admittindo n’elles cônsules e adoptando rasoaveis tarifas de direitos. Foi pelo mesmo tratado confirmada a cessão da ilha do Hong¬ kong á rainha Victoria e a seus herdeiros e successores, e aceita a occupação das ilhas de Chu-san e Ku-lang-su até á completa abertura dos pórtos mencionados e integral paga¬ mento das indemnisações. 30 de agosto de 1747.—Toma posse do governo e ca¬ pitania geral de Macau Antonio José Telles do Mene¬ zes. 1831.—Edital do mandarim cso-tang de Macau, por appellido Chon, pruhibindo o commercio do opio, sob pena de cem açoutes o desterro para distancia de tres mil lis. 1840.—Conferencia, perto do Tien¬ tsin, entre o plenipotenciarip inglez Elliot e Ki-chen, gover¬ nador da provincia de Peh-tchi-ly. (Vej. 11 de agosto). ”31 de agosto de 1616.—N’este dia tomou posse, como “ governador de guerra de cidade de Macau,” Francisco Lopes Carrasco, fidalgo da casa real, tendo sido nomeado pela carta passada em Gôa, em nome de el-rei D. Filippe II, aos 28 de novembro de 1615.—Por expressa determinação da dita carta, exerceu este cargo sem aependencia do capi¬ tão da viagem do Japão,—pelo que deve ser considerado primeiro governador d’esta colonia, posto que não venha mencionado em algumas relações dos governadores, que existem publicadas, as quaes aliás desconheceram igualmen¬ te a provisão de 12 de abril de 1622 (vej. 30 de julho do mesmo anno) e a nomeação o posse, em 1623, de D. Fran-
  • — 79 — cisco Mascarenhas, primeiro que trouxe o titulo de “ gover¬ nador e capitão geral da cidade de Macau.” 1629.—Alvará em que os governado¬ res interinos do estado da índia, Gonçalo Pinto da Fonse¬ ca, Nuno Alves Botolho e D. Lourenco da Cunha, orde¬ nam que os criminosos, degredados e culpados não possam servir cargos n’esta cidade de Macau, nem ser adjuntos, ou eleitos. 1839.—Proclamação das auctoridades de Cantão ao pôvo, chamando-o ás armas contra os ingle¬ ses. da China. 1848.—Grande tufão na costa do sul
  • SETÍ5M BR O 1 de setembro de 1?09.—Lê-se tta colleccão manuscri* pta já acima citada : “ N’este dia, que era domingo, mandou o senhor bispo pôr excommunhão a toda a pessoa que fosse á igreja ou adro do S. Domingos, ou que communieasse com alguma pessoa d’aquelle convento. Á uma hora depois do meio dia mandou o patriarcha de Antiochia pôr muitos pa¬ peis, em muitos lugares públicos, contra a excommunhão do bispo. O governador, sabendo d'estes papeis, mandou-os arrancar por sargentos.—No dia 7, que era sabbado, pelas sete horas da noite, se fez uma procissão de S. Domingos, a qual foi rodear S. Lourenço e Santo Agostinho, cora gente chinense de cabaia, da comitiva do patriarcha, e os padres missionários com os frades de S. Domingos, levando Christo Crucificado e Nossa Senhora do Rozario, e o mesmo prati¬ caram no outro sabbado seguinte sem licença do Ordinário, fazendo estas procissões tão sómente em revendita. Assim se passou até o dia 16 do mez, segunda-feira. N’este dia se pozeram outros papeis, por mandado do patriarcha, nas portas de S. Domingos e em algumas partes tnais da cida¬ de ; e passando acaso o governador por S. Domingos, e vendo na porta um d’estes papeis, o mandou arrancar pelo sargento que o acompanhava. Sahiram de dentro do con¬ vento moços com bambús para dar no sargento e impedir- lhe esta diligencia, atirando-lhe os mesmos frades, das ja¬ nelas do côro, com pedras. O governador, vendo isto, mandou logo os capitães e soldados para prenderem o vi¬ gário d’este convento, fr. Pedro do Amaral, que falsamente veio de Gôa por via atravessada, dizendo que vinha para ir a Timor por visitador, e depois se deixou ficar, fazendo-o vigário o patriarcha, porque elle declarou que seguiriam a
  • opinião do mesmo patriarch:! os frades do sea convento, que nté então se não tinham decidido. 0 mesmo padre ir. Se¬ bastião de Santo Antonio, que era todo do governador, ficou hesitante.—Mandou primeiro o governador chamar o dito vigário em nome d’cl-rei e seu servido, e o vigário não quiz ir c se ausentou para casa do patriareha. Chegando os capitães e soldados á portaria, a acharam fechada e bem trancada, o ninguém lh’a abrio por mais que lhe bateram ; o que visto lh’a quizoram quebrar com machados. Ao tem¬ po que os soldados estavam quebrando a portaria, appare- eeram da banda do bazar tres padres missionários de ca¬ baias, a impedir que o fizessem, e chamaram a todos os offi- ciaes e soldados, que estavam n’esta diligencia, judêos, seis- maticos, e outras muitas palavras injuriosas,’do que manda¬ ram os officiaes, dar parte ao governador, e veio ordem que dessem muita pancada em quem se lhes oppozesse. Por este motivo o ouvidor (que também se achava presente) o os capitães quizeram prender os ditos tres padres, e não querendo olles dar-se á prisão, houve muita pancada de mãos e luctas sómente, e então se conheceu que um d’es- tes não era padre mas sim um castelhano secular, e foram com ettbito todos tres presos para o tronco. Acabada esta resistência, tomaram os soldados melhor accôrdo, que foi o de subir com escada e quebrar a roxa que fica sobre a portaria, e entrando pela dita rexa foram abrir a portaria, que estava sem resistência. Entrando o ouvidor e officiaes, acharam que os frades todos estavam na igreja com o Se¬ nhor exposto. Os soldados prenderam os mòços e levaram os para o tronco. A este tempo apparoceu IV. Sebastião, que logo foi para a casa do governador.—Ficaram em S. Domingos o ouvidor, João Carneiro Zuzartc, o os officiaes e soldados, mais de ties dias, sem poderem prender os frades, que se conservavam na igreja com o Senhor exposto, sem comerem nem beberem, mas passados os tres dias foram saindo, sondo levados um a um para as fortalesas.—Assim ficou fr. Sebastião do Santo Antonio regendo o convento com tres leigos sendo um d’elles cafre, e deu-lhe o gover¬ nador dois soldados de guarda para a portaria.- Em 21 do dito mez de setembro intercedeu porém o bispo para irem todos os frades teôltos para S. Domingos, o que lhe foi con¬ cedido, ignorando-se o motivo de tão repentina mudança.” 2 de setembro de 1834.—As auctoridades do Cantão pruhibem o commercio e quaesquer relações com os ingle¬ ses. 1861 (28.° dia da 7.“ lua do 11.” anno do imperador Hien-fong).—Assignatura, em Tien-tsin, do tratado de amisade, commercio c navegação entre a Prussia
  • e a China. 0 plenipotenciário prussiano, conde de Eulen- burgo, negociou esto tratado era nome do seu paiz e de to¬ dos os estados da associação allemãa de alfandegas e com- raercio, bem como dos grão-ducados de Meeklemburgo e dos senados das cidades Hanseaticas de Lubeck, Breme e Hamburgo.—Foram trocadas as ratificações em Shang-hai, em 14 de janeiro de 1863. 3 de setembro de 1831.—Edital do mandarim czo-tang de Macau, Chen, pruhibindo a construcção de muros no si¬ tio do Bom Jesus, e na ilha Verde, e ameaçando os pedrei¬ ros por se haverem encarregado de taes obras. 4 de setembro de 1841.—Guarnecem os chinas nova¬ mente as fortalesas do rio de Cantão, que o bombardeamen¬ to de 24 do maio inutilisára.—Não lhes aproveitou o esfor¬ ço, porque outra vez, e ainda n’este tnez de setembro, foram as mesmas baterias vencidas e derrubadas pela artilheria dos navios ingleses. 5 de setembro de 1738.—N’este dia, e até á manhâa do seguinte, soffreu esta cidade e porto de Macau um hor¬ roroso tufão, que, pela grandesa dos estragos e desastres que d’ello se contam, deve ser considerado talvez o maior que n’estas paragens se vio desde que a colonia existe. Houve muitas casas destelhadas e algumas se arrazaram de todo. A Praia Grande, o campo de 8. Francisco e todo o Bazar se alagaram, podendo marcar-se a altura da innunda- ção no frontispício da igreja de S. Domingos. Sem foliar das embarcações chinesas, que em numero incalculável se desfizeram pelas praias em lenha e cadaveres, todos os na¬ vios que estavam surtos no porto,—dez ou doze,—foram en¬ calhar em vários pontos da Lapa c de Macau, quebrando-se alguns inteiramente, como suceedeu ao Bleque Boy, na Ponta da rêde, e ao Corsário em Oitem.—Um manuseripto, que te¬ nho á vista e que refere por miudo estas desgraças, diz que depois e por muitos mezes teve a gente d’esta cidade repug¬ nância a comer peixes, “ porque se lhes encontravam no bu¬ cho dedos e pedaços de carne humana." 1834.—Dois navios de guerra ingle¬ ses entram no rio de Cantão, e reduzem ao silencio as bate¬ rias.—Na empresa do moderno devassamento do império foi esta a primeira hostilidade por parte dos europêos. 1840.—Edital do superintendente geral das alfandegas de Cantão, por appellido lú, ordenamdo a apprehensão de quaesquor mercadorias destinadas aios europêos e promettendo prémio aos apprehensores, visto achar-se suspenso o commercio. 6 de setembro de 1708.—N’este dia se fez, em Macau, a acclamação de el-rei D. João V, com as ceremonias' do
  • — 83 — estilo, indo o senado, de varas alçadas e estandarte, ouvir missa na sé, e dirigindo-se depois ft fortalesa do Monte, on¬ de o esperava o governador Diogo de Pinho Teixeira e se arvorou o estandarte real, tudo acompanhado de varias sal¬ vas da mesma fortalesa e das demais. 1724.—Posse do governador e capi¬ tão geral de Macau Antonio Carneiro Alcáçova. 1747.—Lê-se na CoUecvão de vários fac¬ tos etc.: “ N’este dia mandou o governador (1) armar uma polé na fortalesa do Monte, ao pé do sino, de sorte que o braço d ella saía para fóra da muralha e o que era apoleado vinha dar o salto á raiz da fortalesa. Também mandou apromptar doze clavinas, e, quando sahia do Monte, trazia doze homens de guarda com ellas carregadas o um sargento. Tomaram-lhe os moradores tal respeito que tremiam d’elle, o o mesmo eram os chinas.” 1843.—O consul franeez em Cantão, conde de Ratty Menton, munido de poderes espeeiaes, é recebido pelo viee-rei Ki-ing, na casa de campo do negoci¬ ante china Pun-ting-kua,—sendo esta a primeira entrevista que se ha dado entre um representante da França e um eommissario do imperador da China. 7 de setembro de 1689.—Assignatura do primeiro tra¬ tado entre a Russia e a China. Contém nove artigos, e foi desde logo escripto nas linguas tartara, chinesa, russa e latina, e assim gravado n!uma pedra, que se collocou na fronteira dos dois impérios. 1728.—Chegou a Macau, vindo de Gôa, o navio Fossa Senhora da Penha de Franca, e n’elle, por ouvidor d’esta cidade, Antonio Fernandes Teixeira. 8 de setembro de 1834.—Edital do sun-tó de Cantão, por appcllido Lu, prohibindo a entrada de quaesquer om- barcações europêas em Cantão, e declarando suspenso o commercio extrangeiro, por motivo da desobediencia de Napier. 1842.—0 imperador da China decla¬ ra assentir ás condições do tratado de Nankim. ^ 9 DE SETEMBRO DE 11 19.-AlttOIlio de All)UC]UC1'(jUC Coelho entrega a capitania geral desta cidade a Antonio da bilva Telles de Menezes. Foi este o mesmo que voltou a governa-l’a em 22 de julho de 1723, mas não o que, segun¬ do o manuscripto acima citado, armou a polé na fortaiesa do Monte, cujo nome era Antonio José Telles de Mene¬ zes. (1) Antonio José Telles de Menezes, que tomftra o governo pou¬ cos dias antes, em 30 de agosto.
  • 10 nu setembro de 1738.—Rctira-sc d’csta cidade Cos mo Darnião Pinto Pereira, tendo entregue a Manuel Perei¬ ra Coutinho o governo e capitania geral, que voltou a to¬ mar ein 25 do agosto de 1743. 11 de setembro de 1816.—Voltando de Yuen-ming- yuen, lord Amherst passa, no Canal Imperial, om frente da cidade do Tsing-hin, distante 200 lis, ou 60 milhas, de Tien¬ tsin. 12 de setembro de 1835.—Publica-se cm Cantão o primeiro numero de um jornal ingloz, intitulado Canton Press. 1839. —É queimado, nofundeadou- ro da Taipa, o brigue mercante hespanhol Bilbaino, por man¬ dado do commissario imperial chi noz, Lin, que juígára ser esse navio ingloz.—O segundo piloto, encontrado abórdo, foi d’ahi levado pelos chinas para Cantão, onde o exposeram de canga ao pescoço.—O senado do Macau publicou por essa occasião um edital, ordenando uma ronda armada no porto exterior e na Taipa, e ao mesmo tempo pruhibindo a aproximação de navios com opio. 13 de setembro de 1851.—Ilavendo-se tornado fre¬ quentes as deserções de soldados do batalhão do primeira linha de Macau, e sendo descoberto o alliciador, foi este castigado com mais de mil e sotocentas chibatadas em vir¬ tude de uma portaria do governador Francisco Antonio Gonçalves Cardoso, que ordenava se prolongasse o castigo “até que os facultativos declarassem officialmento que cor¬ ria perigo imminente a vida do réo.” 14 de setembro de 1793.—A embaixada de lord Ma¬ cartney entra na Tartaria, com direcção ao palacio imperial de Zo-hol. ’ 15 de setembro de 1597.—Moitc, em Macau, o bispo da China e Japão, D. Leonardo de Sã.—Foi sepultado na eapella do Santíssimo Sacramento da sé cathedral. 1783.—Correição do desembarga¬ dor, juiz sindicante de Macau, Joaquim José Mendes da Cunha, em que determina quo não seja approvada folha alguma de pagamento sem primeiro ser jurada e se junta¬ rem ou mostrarem as ordens do senado que auctorisam taes despesas, devendo também apresentar-se as recibos das pessoas a quem se hajam entregado as importâncias das mesmas despesas, e serem antes as folhas revistas por um juiz e um vereador, etc. 1840. —Naufraga, no Canal da For¬ mosa, o navio mercante inglez Kite.—A mulher do capitão, conseguindo salvar-se n’uma canôa com alguns tripolantes, foi depois presa em terra, e exposta, n’uma gaiola de ma-
  • deira, aos insultos da populaça de varias cidades, até feve¬ reiro de 1841. 16 de setembro de 1834.—Lord Napier, superinten¬ dente do cornmercio britannico na China, soffrcu n’este dia, em Cantão, os primeiros syrnptómas da doença de que ha¬ via de fallecer em Macau, em 11 de outubro seguinte. 1840.—Ki-chen, governador da pro¬ víncia de Peh tehi-ly, é nomeado commissario imperial para tratar,'em Cantão, com os europêos. 1849 (30.° dia da 7.“ lua do 29.° an no de Tau-kuang).—Officio do vice-rei de Cantão, Siu, par¬ ticipando ao conselho do governo de Macau ter sido preso, processado e executado o verdadeiro assassino do governa¬ dor João Maria Ferreira do Amaral. 17 de setembro de 1850.—Primeira proclamação de Hong-siu-tsuen, chefe da celebre insurreição dos Miau-tse, depois da tomada da cidade de Ho-fu, cabeca do districto de Kiang-men, na província de Kuang si. Este documen¬ to, em que se protestava grande afleeto aos póvos do occi- dente e á religião de J esus Christo, foi talvez o que princi¬ palmente induziu vários escriptores europêos a esperarem da insurreição de Tien-té a immediata conversão da China aos princípios da civilisação christãa. 18 de setembro de 1708.—Effectuou-se n’este dia, em Macau, a quebra dos escudos pela morte de el-roi D. Pe¬ dro II, sendo esta ceremonia feita pelos tres vereadores, com frande acompanhamento do povo. Foi quebrado á porta o palacio do senado o primeiro escudo, defronte da igreja de 8. Domingos o segundo, e o terceiro junto á sé cathedral, onde o préstito assistiu a vesperas.—No dia seguinte se ce¬ lebraram, também na sé, as exequias, com missa e officio, estando erguida ao meio do templo uma eça, magnificamen- te adornada e allumiada. Foram presentes a este acto o governador Diogo de Pinho Teixeira, o senado, o bispo D. João do Cazal, e as mais pessoas notáveis da cidade.—Orou o padre João Mourão, da Companhia. 19 de setembro de 1834.—Conferencia, em Cantão, en¬ tre os negociantes chinas (annistas), por parte das auctorida- des, e vários residentes ingleses.—N’ella se accordou que lord Napier saísse da China, e o cornmercio extrangeiro se restabelecesse. 20 de setembro de 1735.—Morre, n’esta cidade, pelas sete horas da noite, D. João do Cazal, clérigo secular, na¬ tural de Vianna do Castello, primeiro bispo diocesano de Macau, tendo noventa e quatro annos de idade e quarenta e tres, e tres mezes, de governo do bispado. Foi fundador do cabido, e, segundo um manuscripto que tenho á vista,
  • — 86 prestou relevantes serviços a esta cidade, “ pois se mos¬ trou sempre incançavel em accomodar as desordens que seus moradores faziam, e tudo socegava com prudência e sabedoria.” Foi sepultado na capella do Santíssimo da sé cathedral. 1738.—Chegou n’este dia a Macau, vinda dc Portugal, a náu S. Pedro e S. João, e n’ella o bispo de Nankim jJ. fr. Eugenio de Trigueiros. Tomou posse do seu bispado, n’esta mesma cidade, no dia quarta-feira, 3 dc outubro.—Não se contentaram os manuscriptos do tem¬ po com as “ vinte e tres salvas de artilherias ” que a forta- lesa do Monte deu por occasião d'essa solemnidade, e tanto que apodam o commandante da sobredita náu S. Pedro e S. João de medroso dos tiros, porque nenhuma salva mandou que se désse. 21 de setembro de 1834.—Lord Napier sáe de Cantão para Macau n’uma embarcação expedida pelas auctoridadcs chinesas. Os navios dc guerra ingleses recebem ao mesmo tempo ordem para sair do rio. 22 de setembro de 1864.—Grande tufão na costa occi¬ dental da ilha Formosa, com perda do brigue hanoveriano Mathi/de e outros navios europêos. 23 de setembro de 1823.—Toma posse do governo d’esta colonia, em substituição do senado, um conselho com¬ posto do bispo de Macau, D. fr. Francisco de Nossa Senho¬ ra da Luz Chacim, como presidente, João Cabral de Este- fique, e um vereador aos mezes. 24 de setembro de 1865.—rAcende-se pela primeira vez o farol de Nossa Senhora da Guia da cidade de Macau, edificado sob a immediatu direcção do governador José Ro- drigues Coelho do Amaral, e, no que respeita á machina, com a valiosa coadjuvação do habil macaense Carlos Vicen¬ te da Rocha,-—Segundo o aviso official da capitania do pôr- to, este farol está situado na latitude de 21.“ 11.’ N., e na longitude de 113.“33\, a leste de Greenwich, tendo a luz 101,5 metros de elevação acima do nivel do mar, nas mais altas marés de tempo calmo, e a torre 13,5 da base á cupu¬ la A luz é branca e de rotação, fazendo um giro comple¬ to em 64,” e avista-se, com tempo claro, a 20 milhas de dis¬ tancia. 25 de setembro de 1841.—O povo de Cantão insulta nas ruas o governador da cidade, por motivo das conces¬ sões feitas aos iugleses. 26 de setembro de 1834.—Chega lord Napier a Ma¬ cau, tendo-se-lhe a doença aggravado muito com os estór-. vos e cavillações d.os chinas.
  • — 87 — 27 de setembro de 1840.—É recebido em Cantão um decreto imperial, desauctorando o viee-rei e commissario Lin, nos termos seguintes : “ Lin-tsih-siu: Recebestes vós as minhas impcriaes or¬ dens com respeito ao tráfico do opio. Essas ordens consis¬ tiam, quanto ao exterior do paiz, em obstar a toda a impor¬ tação de opio, e, quanto ao interior, em punir todos os per¬ versos ; e d’este modo cortar aos extrangeiros todo o recur¬ so. Por que rasão haveis demorado tão longo tempo o cumprimento de semelhantes deveres ?—Assim vos tendes mostrado incapaz de obstar a esse trafico. Dissimuláveis porem com palavras vãs, e com inteiro disfarce no vosso rolatorio, ao passo que, longe de serdes de alguma utilida¬ de no assumpto, só soubestes provocar aff ondas, e mil des¬ ordens se levantam. Parece que não valeis mais do que vale uma imagem de pau. Ordeno que os sellos vos sejam tirados, e que venhaes a Pekirn com a rapidez das cham- mas, para que eu vos interrogue.—Obedecei.” 28 de setembro de 1097.—Toma posse do governo de Macau o Leal Senado, interinamente. 29 de setembro de 1725.—Desembarcou n’este dia em Macau Antonio de Albuquerque Coelho, vindo de Timor, onde acabara o tempo do seu governo.—Tinha também go¬ vernado esta cidade, com geral áffecto dos moradores, nos antios de 1718 e 1719, e já antes aqui viera, como deixo re¬ ferido em outras datas.—Foi d’esta vez residir no convento de S. Francisco, om cujo templo (diz a Colherão de vários fac¬ tos, etc.) fez, no dia 23 de novembro seguinte, um officio so- lemne pela alma de sua mulher, D. Maria de Moura, que esposara n’esta cidade em 22 de agosto de 1710 e aqui lhe fallecêra em 31 de julho de 1714. Durante este officio, hou¬ ve tiros na fortalesa do Monte e dobraram todas as igrejas. São dignos de memória quaesquer factos da vida de Albuquerque Coelho em Macau, pois com referi-l’os se tra¬ ta de um dos maiores vultos da historia da colonia. 1887.—Elliot recebe finalmente a primeira communicacâo directa das anctoridades de Cantão, —isto é do prefeito da cidade e do militar mais graduado do districto. Esta communicação intimava-lhe o dever de expulsar desde logo todos os negociantes e navios ingleses que tra¬ ficavam em opio. (Chronology, pag. 225; China, por Mont¬ gomery Martin, vol. II., pag. 36.) 30 de setembro de 1828.—“ Chapa” do Procurador da cidade de Macau “ao mandarim do districto” (tie!-—vej. o arch, da Proc.), pedindo-lhe que mande fechar quatro lojas chinas, sitas na Prainha, onde eram allieíados os marinhei-
  • — 88 — ros a fugirem dos navios em que estavam contratados, para servirem n’outros.—0 chamado “ mandarim do districto,” —que era o mandarim de Hian-chan,—respondeu que me¬ lhor seria evitar que os marinheiros fossem ás ditas lojas beber vinho. {Ilidem.) 1841.—Destruição completa das fortalesas da Boca do Tigre pelas forças navaes inglesas.
  • OvJTTTBRO • 1 de outubro de 1656.—Os embaixadores hollandeses, Goyer e Kayser, com toda a sua comitiva, são admittidos, ii uma hora da madrugada d’este dia, a ver o imperador da china Chun-tchi, e executam aos pés do throno a ceremonia do ko-tau, ou das nove prostrações, ao som dos estalos de um azorrague, que um soldado tartaro agitava com força junto d’elles.—A esta mesma ceremonia, e sem que o impe¬ rador estivesse presente, haviam já antes sido obrigados em repetidas occasiões, como para se exercitarem n’ella, ou talvez que para simples divertimento dos mandarins, que amiúdo costumavam perguntar-lhes se era certo quo os hol¬ landeses podiam viver tres dias debaixo de agua, o outros dislates de igual genero. Ao cabo de humilhações e contrariedades sem numero, os embaixadores conseguiram do imperador uma carta para o governador de Batavia, permittindo que viessem á China, de oito em oito annos, quatro navios hollandeses, tendo abórdo não mais do com homens ao todo, e que d’estes pu¬ dessem vinte subir a Pekim. (V. Legatio Ba/avica ad Magnum Tartarian Chamum, etc., por Nieuhotf; China, por M. Martin, I., 882; The Middle Kingdom, por Williams, II., 439, etc.) 1706.—“Mandou também o impera¬ dor (Kang-hi) aos 25 da lua 8.*, que era o 1.° de outubro, por outro seu decreto, que o padre Antonio de Barros, por- tuguez, e o padre Antonio de Bouvalier, francez ambos jesuítas, fossem da côrte conduzidos a Cantão, para passa¬ rem á Europa, aonde sua magestade os mandava por causa de. negocios. Tinha o imperador revisto por si mesmo im- modiatamento todos os memoriaes e escriptos do patriarcha, decretos iinperiaes, perguntas e respostas, que tinha havido
  • — 90 — desde a chegada do patriareha a Pekim até o presente (o que tudo se conserva no archivo do palacio interior) e man¬ dando verter tudo em lingua europêa exactamente, o entre¬ gou authenticado com o sello imperial aos mesmos padres para em nome de sua magestade o apresentarem ao summo pontífice, a quem pedia satisfação dos excessos commettidos pelo patriareha, e que nada se alterasse sobre os ritos sini- eos. &e. Chegando pois os padres a Cantão se embarcaram para a Europa em dezembro de 1706.” (Relação sincera e verdadeira do que fez, pretendeu e occasionou na missão da China, e em Macau, o patriareha de Antiochia, Carlos Thomaz Maillard de Tournon, etc., publicada pelo sr. Ri vara no Chronista de Tissuary.) 1841.—Rende-se aos ingleses a eida- da de Ting-hai, com cento e trinta seis canhões nas baterias. —Foi a segunda occupação da ilha de Chu-san. 2 de outubbo de 1829.—Edital do mandarim de Hian- chan, pruhibindo aos latociros de Macau venderem qual¬ quer obra de cobre aos extrangeiros. 3 de outubro de 1841.—Morre, em Macau, o eximio sinologo, padre Joaquim Alfonso Gonçalves, da extincta congregação da Missão, ou de S. Vicente de Paulo. Nascêra no Tojal, concelho de Serva, na província de Traz-os-montes, em 23 de março de 1781, e fôra baptisado na igreja de S. João de Limões, do arcebispado de Braga. —Entrando na congregação a 17 de maio de 1799, partira do Lisboa, em 1812, para Macau, aonde chegou ein 28 de junho do anno seguinte. Deu á luz as seguintes obras, todas impressas no colle- gio de S. José d’esta cidade : Orammatica latina, ad usum sinensium juvenum. 1828. Arte china, constante de alphabeto e granmatica, comprehen- dendo modelos das differentes composições. 1829. Diecionario portugues-ehim, no estylo vulgar mandarim, e clássico geral. 1831. Diecionario china-portuguez, etc. 1833. Vocabularium latino-sinicum, pronuntiatione mandarina latini literas. 1837. Lexicon manuals latino-sinicum, continens omnia vocabulaulilia et primitiva etiam scriptce saerte. 1839. Lexicon magnum latino-sinicum, ostendens etymologiam, pro- soãiam, et construetionem vocabulorum. 1841. Deixou por sua morte inéditas : Versão do Movo Testamento em lingua china. Diecionario sinico-latino. Foi membro da Real Sociedade Asiatica de Calcuttá. Eleito socio correspondente da Academia Real das Scien-
  • — 91 — cias de Lisboa em 18 de novembro de 1840, não chegou a receber o diploma, nem o de eavalleiro da ordem de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, cuja mercê lhe fôra decretada pelo mesmo tempo. Da sua vida e obras trato mais de espaço em outro lu¬ gar. 1843.—Toma posse do governo d’esta cidade o chefe de divisão da armada, José Gregorio Pegado. 4 de outubro de 1814. (21.° dia da 8.* iua do 19.° an¬ uo do imperador Kia-king.)—“ Eu, mandarim de Hian-chan, por appcllido Ma, faço saber a vocemecê, sr. procurador da cidade de Macau, que recebi chapa do mandarim Quan- chau-fu de Cantão, que exige resposta ácerca do novo go¬ vernador Lucas; e diz o mesmo mandarim que recebera chapa do mandarim Pu-chem-zu, e este do Fu-yuen, gover¬ nador de Cantão, sobre o mesmo assumpto. “Já sobre o mesmo objecto enviei chapa a vm.", sr. pi-ocurador, e por cila lhe adverti indagasse so o dito novo governador Lucas se comportava bem, ou não. A que fim veio elle outra vez para Macau ? Quaes são os seus inten¬ tos ? Recommendei também a vm.'* avisasse ao governa¬ dor actual que advertisse ao novo governador Lucas para que sem demora voltasse á sua terra, e ao mesmo tempo lhe exigi me informasse do comportamento d’esse sujeito e mo annunciasse o dia da sua partida. Apezar d’essa recom- mendação, ainda não vi a sua resposta, e já tôcin passado muitos dias depois da remessa da minha chapa. Por este motivo escrevo de novo a vm.", sr. procurador da cidade, esperando que faça tudo o que lhe tenho recommendado. Espero com brevidade a sua informação, para poder res¬ ponder aos meus superiores. Não póde vm." proteger esse novo governador Lucas e ficar cm silencio sobre este assum¬ pto. Não se escuse n’isto que lhe recommendo.” (Traduc- ção do padre Antonio dos Anjos Xavier.—Archivos da Pro- curatura.) Lucas José de Alvarenga fôra governador de Macau desde 26 de desembro de 1808 até 19 do julho de 1810. Voltou com segunda nomeação n’esto anno de 1814, mas não se effectuou a posse. 1840.—Alguns navios da esquadra in¬ glesa, que fôra ao norte em agosto, sobem ao gòlfo de Liau- tung, e fundeiam n’este dia junto á extremidade oriental da Grande Muralha da China. Foi a primeira vez que, d’essa parte, se viu o celebre monumento devassado por europêos. 5 de outubro de 1727.—“ N’este dia desembarcou do navio Galeota, d’esta cidade, o sr. bispo D. fr. Eugenio de
  • — 92 — Trigueiros, para servir no impedimento do sr. bispo I). João do Casal, por se achar este já muito velho.” (Police- cão de vários factos, etc.) 0 de outubro de 1816.—Voltando de Yuen-ming-yuon para Cantão pelo Canal Imperial, a embaixada de lord Am¬ herst atravessou n’este dia o rio Amarèllo. 7 de outubro dp, 1720.—Partiu d’esta cidade para Cantão, indo acompanhado até á Casa Branca por muitos barcos dos principaes moradores, o patriarcha I). Carlos Melchior de Mezzabarba, que chegára em a náu Rainha dos Anjos, vinda de Lisboa.—Por occasião d’esta partida, como do seu desembarque poucos dias antes, e ainda mais quan¬ do voltou de Pekim (voj. 6 de maio de 1721), houve grandes demonstrações de respeito e alegria, com armações de arcos pelas ruas, salvas dos navios e fortalesas, repiques, etc.— Diflerençou-se esta recepção da do patriarcha Tournon pe¬ lo motivo do ser enviado Mezzabarba por via de Lisboa, re¬ conhecendo por esta fôrma Clemente XI os direitos do nos¬ so padroado. 1836.—“ Eu o Procurador (Francis¬ co José de Paiva) faço saber ao sr. mandarim da Casa Branca que em consequência do tufão e chuvas do anno passado hcou a fortalesa da Barra destruhida, e agora a cidade pretende reparar a sua ruina; pelo que espero que o sr. mandarim não porá obstáculo aos obreiros que forem alugados para isso, visto ser obra publica e de muita necessi¬ dade.” (Arch, da Proc.) 8 de outubro de 1719.—Alguns manuscriptos dizem ter sido n’este dia a posse do governador de Macau Anto¬ nio da Silva Telles de Menezes. A Collecção accusa-a porem em 9 de setembro, o ó, creio eu, a data verdadei¬ ra. 1843 (15.° dia da 8.* lua do 23.° anno de Tau-kuang).—Tratado suplementar ao tratado de Nankim, assignado por Sir Henry Pottingcr e o coinrnissario chinez Ki-ing, em Hu-mun-chai, no rio de Cantão. 1846.—Tinha proposto ao governo o procurador da cidade, Manoel Pereira, que as embarcações chinas de passagem e carga, denominadas “ faitiões,” fossem registadas na procuratura, e pagasse cada uma o imposto mensal de uma pataca á fazenda publica. O governador João Maria Ferreira do Amaral, em sessão do senado, ap- provára esta proposta,—e, constando em seguida que as ditas embarcações se recusavam a obedecer ao edital do procurador, que ordenava o registo, mandou que, de 3 de outubro em diante, fossem retidas todas as que teimassem na recusa.
  • 93 — Começaram desde logo os chinas dos faitiões” a reu¬ nir-se a miúdo no Pagóde Nôvo, consultando ahi com os principaes do bazar sobre o modo do resistirem áquella de¬ terminarão. Ao mesmo tempo moviam os mandarins a of- ficiar para Macau em seu appôio, e affixavam pelas ruas proclamações instigando a revolta. Amaral, o energico o venerando conquistador da auto¬ nomia portuguesa de Macau, não costumava hesitar. As medidas convenientes tinham-se tornado sem demora. A alfandega fortificára-se. A tropa estava em armas. Em a noite do 7 para 8 de outubro, os “ faitiões ” abi- cados ã cidade eram trinta e sete. Ao amanhecer d’este dia 8 desembarcou d’olles gran¬ de numero de lancháe», armados todos’ e com tres peças de artilheria. Engrossando coin os de terra, a multidão hos¬ til era em breve de mais de mil e quinhentos homens, c co¬ meçara maltratando alguns portugueses que vira. ’ Marchou logo ao seu encontro uma força de quarenta soldados. Os chins dispararam sobre ella as tres peças, e avançaram pela travessa fronteira á igreja de Santo Anto¬ nio, apezar do fôgo vivo que se lhes luzia. Não tardou porem que recuassem, reforçados os nossos com uma peça da alfandega e vinte soldados, e outra da fortalesa do Mon¬ te com alguns soldados e muitos cidadãos. Retiraram os latiehtm cora grande perda de gente, o abandonando as peças e muito armamento. Chegados de roldão aos “ faitiões,” trataram de fazer-se de vela para fu¬ gir, mas ahi os esperava já uma escuna do governo, que n’aquelle tempo servia de registo na Taipa, e varias embar¬ cações armadas, de particulares, que todas romperam sobre elles um fôgo activo. Alguns dos “ faitiões ” foram abor¬ dados e tomados, muitos mettidos a pique, e oito ficaram encalhados. Não houve entre os portugueses um só ferimento do consideração, a despeito do numero tão superior dos inimi¬ gos e do vigor que tivera de se empregar na repulsa. Os macaenses deram n’este dia provas do brioso ani¬ mo, armando-se promptamente e combatendo com deci¬ são. A.8 lojas do bazar fecharam-se todas. Fôra de antes sempre esta manifestação a grande arma dos chinas, pois importava a subsistência da cidadã Quando os lojistas se conluiavam por este modo, o senado concedia o que lhe era exigido e amiudava as supplicas aos mandarins, que delibe- •radameate espaçavam a graça, fazendo sentir o valor d’ella. -—Era esta prática medioeremente efficaz e aceitavel para que Amaral a seguisse. Declarou por editaes, na mesma
  • tarde do dia 8, que, se no espaço de vinte e quatro horas as lojas se não abrissem, o bazar seria arrazado pela artilhe- ria do Monte.—Na nianhãa de 9 as lojas abriram todas, sem excepção de uma. No dia 10 apresentaram-se ás portas da cidade dois mandarins, a quem o governador fez saber que deveriam deixar fóra a sua comitiva armada. Rotiraram-se, e no dia 11 tornaram sem comitiva. O objecto da sua visita era certificarem ao governador os seus sentimentos de amisade. 1863.—Publica-se em Macau o primei¬ ro numero do Ta-sai-yangkuô. semanario de interesses pú¬ blicos locaes, litterario e noticioso. Este periodico explicou o seu titulo nos termos seguin¬ tes : “ As quatro palavras tá jllj ssi yang gj hó dizem, ao pé da letra, grande reino d» mar de oeste. Quando, no 38." anno do 71.° cyelo da chronologia chinesa (1600 da nossa era) o padre Matheus Ricci penetrou em Pekiin com os seus companheiros, e Chin-tsung-hien-ti lhes perguntou de que paiz tinham vindo á China, foi com essas palavras que elles responderam ao imperador. Como se sabe, a provim cia da companhia de Jesus, quo, n’esse tempo, dava missões á China, e a quasi toda a Asia, era unicamente a de Portu¬ gal. Os nossos missionários mantiveram sempre a denomi¬ nação de nacionalidade adoptada pelos seus predecessores, e, quando mais tarde os extrangeiros começaram a entrar no império, essa expressão ta-ssi-yang-kuó, ou, como tamhera se usa mais abreviadamente, ssi-yang (mar de oeste), quer fosse em principio generica para indicar toda a Europa, co¬ mo alguns pretendem, quer sempre nos designasse especial¬ mente, como nos parece mais certo, a verdade é que nunca os chineses a applicaram a esses outros extrangeiros, para cujas nacionalidades tiveram de crear outros nomes, os mais d elles imitativos, como Eszepa-ne-a para Hespanha, Fô lme- tcha para França, Eta-lea para Italia, etc.” (Vej. o mais que acerca do mesmo titulo recordei em o numero 19 do l.° anno do dito jornal.) 9 de outubro de 1846.—Chegada a Hongkong, no mesmo dia 8, a noticia da revolta dos “ faitiões,” o governa¬ dor de aquella colonia expediu immediatamente para Macau a fragata a vapor Vulture, do commando do capitão de mar o guerra Dougal, com ordem de se pôr á disposição dm go¬ vernador João Maria Ferreira do Amaral.—A fragatsa fun¬ deou na rada ás sete horas da manhã d’este dia 9, e, pos¬ to que á sua chegada tudo estivesse acabado, só em 12 re¬ gressou a Hongkong.
  • 10 DR outubro DR 1830.—Edital do mandarim de Hian- chan, Leu, pruhibiudo aos chinas toda a communicação com os navios europêos, surtos em J.in-tin. 1841.—Ao cabo de bravíssima defe- sa, 6 tomada pelos ingleses a cidade de Chin-hai, na foz do lio dc Ning.pó, perdendo os chinas incalculável numero de combatentes e 1;>7 pecas de artilheria, quasi todas de bron¬ ze. _ 1851.—Grande incêndio em Cantão. Avaltou-se o prejuiso que fez em quatro milhões de pa¬ tacas. 1864.—Tratado entre a Hospanha e a China. Não so me offereceu ainda occasião de ver esto trata¬ do,, cujas ratificações se trocaram no corrente anno de 1867. 11 de outubro de 1834.—Fallecimento de lord Napier, em Macau. Succedeu-lhe, como superintendente do commercio in- glez na China, John Francis Davis, que foi mais tarde go¬ vernador de Hongkong. 1862.—As forças alhadas anglo-fran- eesas e chinesas imperiaes tomam n’este dia aos rebeldes tai-pini/ a cidade de Fung-uha, não muito distante de Ning- pó. 13 de outubbo dp. 1808.—A seguinto “ chapa ” foi diri- • gida da Casa Branca ao vice-rei de Cantão, ao tempo em que o almirante Drury occupára com tropas inglesas esta cidade de Macau, a titulo do a defender contra os france¬ ses : “ Eu, Chin, mandarim delegado, com accosso ao gráu cie governador de cidade, faço sabor a v. ex.“ que tenho sido informado do seguinte.—O reino da Inglaterra ostá situado ao noroeste da Europa. Da Europa o nome generico é reffião occidental. Todos os europêos geralmonte seguem a religião de Deus (tien chu kiau), mas os que a observam mais são os dos reinos de Hespanha e do Portugal, e do peque¬ no Luçon (Manilha). Os da Inglaterra, denominados vul- garmente ingleses, são de todos elles os mais emprehende- dores e destemidos, ou audazes, e ao mesmo tempo os mais cavillosos. As suas admiráveis manufacturas são innume- raveis. Todos elles porem ambicionam as terras alheias. Entrando n’ellas a principio por empréstimo, pouco tempo depois as senhoreiam, e logo, introduzindo-lhes soldados o gente do seu reino, ficam habitando proiniscuamente com os naturaes do paiz, cujos navios mercantes passam a nave¬ gar com a bandeira defies ingleses, e a pagar-lhes os direi-
  • tos (las suas fazendas. O intento dos ingleses é apodera¬ rem-se de Macau e estabelecer u’aquella cidade uma gran¬ de feitoria da Companhia; e, tomando ao depois o pôrto de Vampú para lugar de repouso e passagem, querem fazer subsequentemente outra feitoria da mesma Companhia na metropole de Cantão, para tomarem a si todas as fazendas dos outros reinos e ficarem cobrando d’elles os direitos da alfandega, E tnais consta estarem alguns chinas de com¬ binação com elles para este fim, os quaes têem promettido facilitar-lhes os meios de conseguirem o que pretendem, na côrte de Pekim e n’essa capital de Cantão, não tendo os ingleses duvida de concorrer com tres milhões para as des¬ pesas d’esta diligencia. Pelo que o grande sobrecarga da Companhia da sua nação já escreveu uma carta para o rei¬ no de Bengala, do seu dominio, afim de lhe enviarem a ter¬ ça parte da gente d’aquelle paiz. Effectivamente chegaram tres navios particulares fretados, os quaes trasportaram seis centos soldados pretos, e algumas dezenas de officiaes ar¬ tistas, medicos e cirurgiões, e ainda esperam outros dez na¬ vios, em que trazem mais de um cento de cavallos o uma grande quantidade de soldados pretos, cujo numero se ignora, tendo cada navio mantimento para cinco mezes. El¬ les vem de caminho por Manilha para a bloqueiar, e depois hão-de fazer a sua direita derrota para a China. I razem, alem do referido, alguns outros navios, inteiramente carre¬ gados de mantimentos. “ Ao presente os ingleses têem vinte e tantos navios, ou mais, bloqueando Manilha, que fica distante da ilha do Ladrão quarenta e oito king» (o king tem sessenta lis). Por¬ tanto o expediente de cortar os viveres a Macau não é suf- ficiente para obrigar os ingleses a ceder. Os soldados in¬ gleses em terra são muito fracos, nada podem, mas as suas armas de fõgo são em verdade terríveis. As suas bombar¬ das de ferro, de dez, tres e duas mil libras de pezo, são in- numeraveis. Têem também muitas de bronze, e algumas montadas em carretas de rodas com seus apparelhos com¬ pletos, e pódem cursar até á distancia de dez a vinte lis. Alem d’isto trazem elles espingardas, que por si mesmas dão fõgo, sem ser necessário applicar-lhes o morrão. leem igualmente machinas de fogo e agua, e as suas bombas pa¬ ra acudir a incêndios podem alcançar a cem e a duzentos covados de distancia. Também trouxeram morteiros para arremeçar bombas e expugnar cidades. Conduziram mais de trezentas tendas do campanha, que armaram desde b. Paulo até Patano, de sorte que estão resolvidos a não sahir de Macau, e têem já seguraao todos os lugares, gjarnecen* do-os corn soldados e armas de fõgo.
  • — 97 — “ Alem do sobredito, também tenho sido informado de como quatorze reinos, que os ingleses antecedentemente do¬ minavam, quasi todos têem seguido o partido da França, e agora só restam debaixo do seu governo Malaca, Pinão e Tipú. Madrasta c Bengala, que são as duas terras prin- cipaes escolhidas pelo seu rei para eapitaes, são commúni¬ ca veis por’terra. Aetualmente os franceses têem oitenta navios de guerra, que andam bloqueando os pórtos princi- paes dos ingleses. Os ingleses têem cinco grandes generaes, com duzentos navios de guerra, para defesa dos seus anti¬ gos pórtos e das novas colonias contra alguma tentativa dos franceses. Também me consta que o rei da Persia (*) foi persuadir aos ingleses fazerem a paz com os franceses, e os ingleses com uma setta occulta’o mataram, do que a sua mulher ficou muito escandalisada e raivosa. “ Os franceses são muito valorosos, e todos os reiuos a elles aggregados aborrecem infinitamente os ingleses. O mesmo pôvo inglez, que aetualmente está muito pobre e mi¬ serável, deseja que os franceses entrem no seu paiz. Se os franceses podessem sair ao mar, nenhum estabelecimento inglez estaria seguro. Os ingleses vieram aqui por não te¬ rem na verdade já lugar onde se refugiem. Como estão extrernamente pobres, a residência sobre as aguas é-lhes deliciosa. Portanto duvido muito de que elles queiram sair de Macau. Estes seus navios saíram dos seus pórtos antes que os franceses tivessem ali chegado: de outra sorte esta¬ riam em poder dos franceses. “Estas são as ifiquirições que aqui temos feito. Se ellas são, ou não, verdadeiras, é o que não sei.” (Archivos da Procuratura.) 13 de outuuro de 18£1.—A esquadra do almirante Parker toma Ning-pó sem resistência. 14 de outubro de 1859.—Perde-se, no mar da China, a galera americana Flora Temple, de 1772 toneladas, que saíra de esta cidade com destino á Havana, para onde levava contratados oitocentos e cincoenta “ cules ” emigrantes.— Morreram os passageiros, salvando-se unicamente a tripo- laçâo, não sei se toda. 15 de outubro de 1841.—Por motivo da derrota de Chin-hai, suicida-se n’este dia o general chinez Yu-kien, que fôra substituir I-li-pú no commando em chefe das forças im- (*) 0 traductor (1’esta “ chapa,” qtle não assigna a traducç&O pondéra entre parenthesis que o mandarim talvez quizesso dizer em¬ baixador, e não rei. Em todo o caso, a noticia que o delegado aqui dá ao vice-rei, é, no meu entender, a mais mrprendente de todo o rela¬ tório.
  • periaes na província de Tche-kiang.—Era militar de ener¬ gia e perícia raras entre os da sua nação, o que bem de¬ monstrou no modo corno em poucos dias fortificára e bas- tecèra a cidade de Cbin-liai, cujas baterias, paioes e arma¬ zéns fizeram a admiração dos ingleses. 1854.—Ao fim de mui repetidas e sempre infructuosas diligencias para lhes ser concedida uma entrevista diplomática em Tien-tsin, o ministro plenipoten¬ ciário inglez Sir John Bowring, o americano Mac-Laive, e o conde de Kleczkouski, secretario da legação francesa, conseguem ser recebidos por tree commissaries chineses, Uan-kien, Chang-jui e Tsung-lun, em uma pequena barra- ca, armada para este fim junto aos fórtes de Ta-ku, na foz do Poi-lio. As conferencias prolongaram-se ahi inutilmen¬ te desde este dia 15 de outubro até 10 de novembro, retl- rando-se afinal os plenipotenciários sem terem conseguido mais do que alguns duvidosos promettimentos de pequena importância. 1866.—Baile offerecido pelos habi¬ tantes de Macau, no theatro de D. Pedro V, ao conselhei¬ ro José Rodrigues'Coelho do Amaral, em agradecimento pelos actos do seu governo. 16 de outubro de 1808 (28 da 8.“ lua do 13.° amo de Kea-king).—Amiudavam-se as “ chapas ” dos manJarins insistindo em que saissem de Macau as tropas inglesas.— Em uma, d’esta data, rejeita o mandarim de Hian-cian a rasão allegada de serem os ingleses nossos alliados ovirem prestar-nos contra os franceses o auxilio de forças qia não podia então vir-nos do reino. O mandarim arguments que, sendo o território chinez, só á China cabia o direito lo re¬ forçar com as suas as nossas tropas, quando preciso fosse, pois, com ajudar-nos, defendia o que era seu. 1866.—Tomam os franceses andado de Khang-hoá, na ilha Coréa. 17 de outubro de 1704.— “ Consta haver sucedido n’este dia, que era sexta-feira, um horroroso caso 10 con¬ vento de S. Domingos d’esta cidade, ao tempo que os pa¬ dres estavam rezando o terço no côro. Fr. Manuel
  • ver o que era. Indo ellcs, encontraram no corredor fr. Do¬ mingos de Santa Rosa, que vinha de obrar este malefício, e lhe perguntaram o que era. Respondeu elle que não era nada, que fossem continuar o terço, o que assim fizeram, e, quando acabaram de rezar, acharam já os frades delinquen¬ tes no corredor repetindo que não era nada, e que o vigário estava dormindo.—Elies logo mandaram abrir a cova, e, to¬ mando o vigário morto, o foram pôr n’ella, que era ao pé do altar-mór, mas deixaram-na aberta para, ao amanhecer, dizerem missa de côrpo presente, como com efteito a disse o padre fr. Manuel da Cruz, e outro cúmplice também a disse, dobrando os sinos e fazendo publico que fallecêra o vigário do mal que padecia. Quando estavam os delinquen¬ tes occupados na missa, sahiram de cõnvento fr. Domingos do Sacramento e o irmão Antonio, e foram para S. Fran¬ cisco, d’onde fizeram saber ao govei>tador e ao bispo o que havia succedido. Logo se prepararam os soldados e as jus¬ tiças, que, juntamente com o ouvidor, foram a S. Domingos, e mandando o dito ouvidor tirar o morto da sepultura, para fazer o devido exame, achou o cadaver com varias feridas mortaes e o signal do garrote no pescoço. Logo mandou prender os tres frades delinquentes, e foram mettidos a fer¬ ros, e, dando-se-lhes busca aos córpos, se achou no do padre fr. João Baptista dois amarrados de prata e cinco pães de ouro, pertencentes ao convento, o que tudo havia roubado do caixão da communidadc.—Estiveram presos sempre com os ferros e foram remettidos para Gôa.” (Cvllecção de vários, factos, etc.) 18 de outubko nu 1860.—Tendo entrado em Pekim o exercito alliado (13 de outubro), os dois generaes publica- cam n’este dia proclamações ao pôvo. Tenho á vista a de Cousin Montauban, que foi conce¬ bida nos seguintes termos: “ O general Montauban, commandante em chefe do exercito francez na China, dirigo esta proclamação aos ha¬ bitantes da capital e das povoações visinhas. O general em chefe faz saber ao povo pacifico da ca¬ pital e das povoações visinhas que muitos offieiaes pertencen¬ tes aos dois exércitos, da França e da Inglaterra,—revesti¬ dos do caracter sagrado de parlamentados, que as nações civilisadas respeitam como inviolável, e também munidos do consentimento dos commissarios imperiaes Tsai o Muh, ten¬ do sido enviados a Tong-chau, para ahi procederem aos pre¬ liminares da paz que os embaixadores deviam celebrar, o • quando já tinham ajustado as condições com os commissarios imperiaes,—foram aprisionados, no dia 18 de setembro ul¬ timo, por San-ko-lin-sin e outros chefes, os quaes, tendo
  • — 100 — querido também atacar os adiados no mesmo dia, soffrôram a mais completa derrota. “ As tropas francesas e inglesas estão hoje em Pekim. A sua bandeira tremúla sobre as muralhas. A cidade está em seu poder, e é só por benevolencia para com os habitan¬ tes inonensivos que os alliados não quizeram occupar o in¬ terior d’ella. “ Depois d’esta occupação, os embaixadores e os com- mandantes alliados souberam com dolorosa indignação que as pessoas assim aprisionadas contra todas as leis da honra tinham sido tratadas com uma barbaridade sem exemplo na historia, o que metade d’ellas tinha suceumbido ás torturas. “ Um semelhante acto de perfídia e crueldade, deve ser expiado pelo governo chinez, a quem pertence a responsa¬ bilidade do crime praticado pelos seus agentes; é preciso que elle puna, quanto o merece, o proceder dos que se tor¬ naram culpados de atrocidade tal, e que dê uma indemni- sação condigna ás infelizes victimas da sua crueldade e ás famílias das que morreram. “ Novas condições do paz são oflferecidas pelos embai¬ xadores de França e de Inglaterra ao príncipe Kung. Sc forem aceitas dentro do prazo marcado, as auctoridades e os habitantes da cidade serão respeitados em suas pessoas e em suas propriedades, no caso, bem entendido, de não pra¬ ticarem acto algum de hostilidade contra os alliados. Se, ao contrario, o governo imperial rejeitar essas propostas, ou se as deixar sem resposta, o commandante em chefe não responderá pelas desgraças que as auctoridades chinesas haverão attrahido sobre a cidade. “ Esta proclamação é dirigida aos habitantes de Pe¬ kim e das povoações circumvisinhas por benevolencia para com elles. “ Feita no quartel general francez, sobre as muralhas da cidade, junto á porta Ngan ting,” etc. 19 de ouTunno de 1860.—De accôrdo com lore Elgin, ou a instancias d’elle, Sir Hope Grant, commandmte em chefe das tropas inglesas, envia dc Pekim uma graide for¬ ça a incendiar o palacio imperial de Yuen-ming-yutn. Houve muito quem desculpasse este episodio di ultima guerra da China com a demora do príncipe de Knngem res¬ ponder ás definitivas propostas de paz, demora que dizem, a estação do inverno tornava cada dia mais perigsa para os exercitos alliados. A verdade é que apenas o explica a indignação provocada pelo aprisionamento dos parhmcnta- rios de Tong-chau, e pelos maus tratos que softreran e a que não poderiam alguns resistir com vida. Grande parte das tropas invernou bem em Tien-tsin, cidade que mo dista
  • — 101 — muito da capital. Quanto ás exigências dos embaixadores, eram certamente justas em vista de tudo o que as motivara, mas de tal grandesa e valor que não seria nimia generosida¬ de facultar aos chins o exame d’ellas por algum dia mais.— O incêndio pois de Yueu-ming-yuen, e mais, se é possível, o saque e destruhição, que os franceses praticaram doze dias antes, das innumeras preciosidades contidas no mesmo pa- lacio, foram actos de estupendo vandalismo com que as duas nações mais civilisadas do mundo entenderam dever casti¬ gar a barbaridade de uma, a quem diziam vir dar a luz, o progesso e a justiça. Dado que só o rigor então conviesse, a occupação de Pekim proporcionava de sobra outros meios, de maior etíicacia e menos lamentáveis. 1861.—Gran.de tufão no sul da For¬ mosa, com perda de muitos navios. 20 de outubro de 1834.—Intimação aos conventos de frades, em Macau, do decreto de 30 de maio do mesmo anno, que extinguiu as ordens religiosas.—O decreto só te¬ ve, porem, completa execução n’esta cidade em tins de se¬ tembro de 1835. 21 DE outubro DE 1808.—Começam em Macau os dis¬ túrbios entre os chinas e os soldados da força inglesa, que desde 21 de setembro tinha desembarcado n’esta cidade. (Vej. invasão das tropas inglesas em Macau, e sua retirada, por José Ignacio de Andrade, pag. 118.)—O procurador da ci¬ dade, Manuel Pereira, olliciou aos mandarins de Hian-chan e da Casa Branca, pedindo providencias para repressão dos chinas. Os mandarins responderam que não eram precisas leis para castigar crimes que não deviam existir no império; que embarcassem os ingleses, e tudo ficaria remediado. 22 de outubro de 1816.—Continuando no seu regresso de Pekim, onde não fora recebida, passa em Nankim a se¬ gunda embaixada inglesa. 1831.—“Chapa” do procurador da cidade de Macau, em resposta a outra do mandarim da Casa Branca, sobre um navio de guerra inglez, que fundeâ- ra entre as ilhas da “ rada,” e que o procurador declara não saber a que viera. Esta “ chapa ” começa dizendo—Eu o procurador, mandarim intendente do districto de Kao-kinq . .. , o pondéra que melhor poderia informar acerca das intenções de aquelle navio outro mandarim de algum districto mais proximo do mencionado surgidouro. Não admira que isto ainda se escrevesse ha trinta e seis annos. Em 1842 também o procurador (Francisco Antonio Seabra) se intitulava mandarim inteitdente do districto de Kao-king (vej. nos arch, da Proc. os editaes de 2 de feve¬ reiro e 23 de desembro d’esse anno), e sinto não poder ago-
  • — 102 — hi citar uma “ chapa ”, que ha pouco examinei, con data mais recente, em que o procurador defendia os seus direi¬ tos e regalias de mandarim de segunda classe.—O si. José Antonio Maia dá ao cargo de procurador da cidale de Macau as honras d’essa graduação, na sua aliás muit* apre¬ ciável Memória sobre a franquia do porto de Macau (lisboa, 1849), pag. 62. 23 de outubho de 1808 (4 da 9.“ lua do 13." amo de Kea-king).—O vice-rei Chiun-kuan, em seu nome c dis mais auctoridades superiores de Cantão, participa ao imprador o desembarqne das tropas inglesas em Macau, e d; conta das providencias que tomára, sem resultado até css: data, para constranger o almirante Drury a pôr termo a tsa oc- cupacao. Este documento, que não posso aqui transcreur por muito extenso, tem ainda mais valor para a noticia o facto a que diz respeito, do que o relatorio que inseri em ata do 12 de outubro, e que fôra dirigido ao vice-rei por rn dos dois mandarins que elle n'essa occasião enviára a Msau.— Ambos os documentos se encontram no archive da?rocu- ratura, com outras muitas “chapas” sobre o mesnnobjec- to. 1849.—Tomada e destruhiçãide cin- coenta e oito juncos de piratas chinas pelos navios o guer¬ ra ingleses Columbine e Fury, commandandos porHay e Wilcox. (Chronicle and Directory for China, etc., 186 ; pag. 22.) 24 de outubro de 1844.—Tratado de \ am-púmtro a França e a China, assignado pelos plenipotenciários mgrené e Ki-ing. 1860 (11." dia da 9.“ lua do amo 10." do imperador Hien-fong).—Assignatura em Pekimda con¬ venção do paz entre a Inglaterra e a China, o troes das ra¬ tificações do tratado de 26 de junho de 1858 (vej. esa data). —Pela convenção se obrigou o imperador ao paganento de oito milhões de taeis de indemnisações, á cessão di territó¬ rio de Cau-lun, em frente de Hongkong, á immediaa obser¬ vância das estipulações do tratado ratificado, etc. 1862.—É tomada pela seguida vez aos rebeldes tai-ping a cidade de Kah-ding, na proúncia de Kiang-su, pelas tropas anglo-franccsas, em numerode 4.550 combatentes. Não é decerto uma pagina brilhante para a hiitoria das relações dos póvos europêos com a China essa aliança de 1862 e 63, imposta ao governo imperial pelas tiopas que ficaram da guerra de 1860, esperando o pagamento integral das indemnisações.
  • —103 — O pretexto fôra a principio justo. Estando Shang-hai o outros pórtos ameaçados com a temivel proximidade da celebre insurreição, cujas hordas devastadores tão depressa se encarregaram de desmentir os intentos elevadamente po¬ liticos que primeiro lhe attribuiram, os alliados tomaram por motivo da intervenção a delbsa dos pórtos abertos ao com- mercio extrangeiro. Como porem não bastava para conser¬ var a importância commercial d’estas cidades, eircumsere- ver a defesa aos suburbios, e convinha para a fácil troca das mercadorias desafrontar os pontos proximos, opprimidos pela visinhança dos rebeldes,—as forças europèas, animadas pelos pingues despójos de uma guerra facil, foram pouco a pouco alargando a área do auxilio prestado aos imperiaes, e todos os dias se preparava uma nova expedição a algum ponto mais distante do que o ultimo que se vencera. Com escandalosa contradicção do pretexto, deu-se então uma guelra singular, que só feria os inotfensivos. Saqueavam- se quasi inteiramente as cidades e povoações de onde eram expulsos os rebeldes, de sorte que os habitantes entregavam aos seus libertadores suppostos o resto de fazenda que por ventura lhes ficara da invasão.—Em maio d’oste mesmo anno de 1862, presenciei eu, em Shang hai, durante cinco dias, a entrada dos despójos da primeira libertação de Kah-ding (que foram vendidos em basta publica, nos consulados in- glez e francez); e com tudo havia poucas semanas que os rebeldes tinham tomado essa cidade, sem lhe levarem mais do que o seu animo feroz e devastador. Assim foi que, em breve tempo, longe de ter mais seguro o seu commercio e prosperidade, Shahg-hai ficou solitaria em um raio de de* zenas de léguas.—Póde dizer-se que, para essas povoações que desappareceram, o patrocínio dos alliados foi tão desas¬ troso como a propria insurreição dos taiping. Aceresee a isto que, juntamente com a imposição do au¬ xilio não pedido, teve o governo ehinez a de pagar todas as despesas das tropas europèas, até que lhes aprouve a ellas retirar-se, era 1864,—-o que importou em mais de um mi¬ lhão de patacas. 25 de outubro de 1818 (26 da 9.1 lua do 23.4 anuo do imperador Kea-king).—“Chapa” do mandarim da Casa Branca ao procurador da cidade de Macau, ordenando-lhe, em cumprimento de outra recebida do vice-rei Yuen, que mandasse recolher para aquem dos muros da cidade todos os ehristãos moradores na povoação de S. Lazaro, cujo nu¬ mero de fógos constava ter crescido a noventa e oito. 1860.—Convenção de paz entre a França e a China, assignadá em Pekim pelo barão Gros e o príncipe de Kung.—No mesmo acto se trocaram as ra-
  • — 104 — tificações do tratado do Tien-tsin, de 27 de junho de 858.— A indemnisação a que se obrigou a China foi de oitonilhões de tacis,—igual á da convenção inglesa de 24. 26 de outubbo de 1814 (14.° dia da 9.“ do 19.° nno de Kea-king).—Officio do mandarim ouvidor de Sonny ao procurador da cidade de Macau, Felix José Coimra, ad¬ vertindo-lhe que impeça a evasão dos escravos negos dos moradores portugueses, pois tinham ido alguns coimetter roubos o offensas nas proximidades de aquelle dist oto. I860.—O general Moutauba manda n’este dia abrir a antiga sé de Pekim, edificada pele missio¬ nários portugueses em 1650, e cujas portas haviansido ta¬ padas de pedra e cal em 1838.—Foi restituída ao ulto em 29 de outubro, e depois entregue á missão franesa, que desde então a occupa.—Tern, de seu principio, a ivocação de S. Josè, e é denominada pelos chins Nan-tang (taiplo do sul), para a differençarem da de Peh-tamj (templo o norte), situada na cidade imperial (hoang-tching). 1866.—Posse do actual goernador de Macau, o exmo. sr. José Maria da Ponte e Hcta. 27 de outubro de 1843.—Partiu d’esta cidadeom des¬ tino a Cantão o brigue de guerra portuguez Tejo, lo com¬ inando do capitão tenente Domingos Fortunate o Valle, conduzindo a seu bórdo o conselheiro, ex-goverador de Macau, Adrião Accacio da Silveira Pinto, que m 10 de outubro fôra nomeado pelo governador José Greprio Pe¬ gado, em sessão do senado, para tratar com os coimissarios chineses no sentido de se melhorarem as condiçõe de exis¬ tência política d’este estabelecimento. Foram taibom, co¬ mo aggregados a esta missão, o procurador da cidde, João Damasccno Coelho dos Santos, e o interprete inte.no, José Martinho Marques. O brigue chegou a Vam-pú na manhãa de 2í e ahi se deteve, sendo logo enviado a Cantão o interprete Em 31 mandou o vice-rei comprimentar a commissão e cnvida-Pa a desembarcar. (Vej. 4 de novembro.) 1856.—Resolve-se violenfmente a questão da lorcha Arrow.—0 contra-almirante iglez Sir Michael Seymour dá principio ao bombardeamem da cida¬ de de Cantão. Assim se ateou a segunda guerra da Chia, que só veio a terminar com os tratados de 1858, ou, meior dizen¬ do, com a tomada de Pekim, em 1860. 28 de outubro de 1822.—Foi n’este dia pulieamente enforcado em Cantão, por mandado das auctoriddes chine¬ sas, e sern processo, um marinheiro dos Estados-Jnidos da America, por nome Francis Terranova, que, bórdo do
  • uavio mercante lanily, da mesma nação, atirara um jarro contra uma mulher china, fazendo-a assim caliir no mar e afogar-se. O crime foi julgado involuntário por todos os negociantes americanos, que instantemente e sem resultado sollicitarem o perdão de Terranova.—O governo de Wash¬ ington nunca fez reclamação alguma sobre este facto. (Vej. The Middle Kingdom, por Williams, vol. II., pag. 457.) 211 de outubro de 1850.—Explosão da fragata portu¬ guesa 1). Mana 11, no fundeadouro da Taipa, em frente do Macau, ás duas horas o meia da tarde, coin perdu de cento e oitenta e oito vidas da guarnição, proximamente quarenta de chinas que estavam abórdo, ou junto do navio, o de tres marinheiros franceses, presos.—Escapou vivo da catastro¬ phe só um grumete, chamado Barbosa. Este lastimoso acontecimento foi referido pelo sr. Fran¬ cisco Maria Bordalo, no seguinte periodo do seu livro Um ipasseio de sete mil legiuis: “ Em uiais de metade do seu curso ia o dia 29 de ou¬ tubro de 1850. Um formoso sol alumiava a enseada da I aipa, onde se baloiçavam dois vasos de guerra, vistosamen¬ te adornados de flamulas e galhardetes, trajando suas me¬ lhores galas, e saudando com o ribombo do canhão o anni- versario de um rei philosopho e artista. Acabavam de soar duas horas e meia nos sinos das embarcações, quando uma d’ellas se ergueu com todo o seu peso sobro o dorso das aguas, espedaçou-se com um estampido medonho, e de en¬ tre columnas de fumo c fogo arrojou para longo de si ma¬ deiros, canhões, ferragem e cordoalha, de envolta com du¬ zentos cadavares, e uma chuva de sangue, que foi inundar o outro navio. . . Em um momento se c.onsummára a obra de execração ... o fogo, chegado ao paiol da polvora, fize¬ ra voar a pesada fragata D. Maria ! . . Quando os corajo¬ sos marinheiros e otfieiaes da corveta americana Marion se lançaram destirnidos ao meio das ruinas, não encontraram uiais que desolação e morte,—algum semi-cadaver, que bre¬ ve tinha do repousar no cemiterio ! ” S0 de outubro de I860.—Parte de Macau, na canho¬ neira portuguesa a vapor Camões, o conselheiro .Tosé Rodri¬ gues Coelho do Amaral, tendo recebido dos habitantes as mais calorosas demonstrações de espontâneo agradecimento pelo bom governo que fez.—A partida do sua ex.a de Hong¬ kong foi também acompanhada por inequívocas provas de saudade e reconhecimento, da parte dos residentes portu¬ gueses n’essa eolonia. 31 de outubro de 1808.—Trocavam-se por esto tempo todos os dias officios entre o governador Bernardo Aleixo de Lemos e Faria e os ingleses, por motivo da occupação
  • —10(> — th? Macau.—Recordarei apenas quanto baste para dar ideia dos termos d’essa correspondência. Crescendo cada vez inais as difficuldades da perma¬ nência das tropas, os sobrecargas da Companhia inglesa (Roberts, Patle, Brameston, Helphinstone e Baring) tinham escripto em 29 de outubro ao governador, queixando-se de que elle não promovia entre os habitantes de Macau asym- patliia que era devida ao auxilio britannieo, nem expunha tis auctoridades chinesas os justos motivos da occupa- ção. Bernardo Aleixo respondeu em 30: “ Entre as difficuldades que vos fiz antever, citei a ine¬ vitável complicação com os chinas. Tenho conhecimento do systhema do seu governo por longa experiencia adqui¬ rida na prática; sei os vínculos que os unem a esta cidade: e por isso previ o mau resultado da vossa empresa. Fallci- vos com franquesa, e fui considerado como desaffectô aos vossos projectos. Em 20 do mez passado deelarasteis (ain¬ da que pouco favoravelmente ao exercicio do meu emprego) ser qualquer opposição do governo chinez desembaraçada pelo almirante com o sun-tó: agora vejo depender d’este governo a ultimação do negocio. “ O senado trabalha para que não sejam repitados si¬ nistros os fins da vossa expedição. Se tem havido descon¬ fiança nos mandarins, não é motivada por este governo, pois tem patenteado com franquesa a sua correspondência. “Já vos disse, e agora o repito: dos macaeises nem um só deixa de respeitar a casa do Bragança, costumada a encher esta cidade de benefícios em honra do seu governo,, e gloria dos seus moradores. Porem, como não lhes seja vedado amar a tranquilidade do seu paiz, não deve estra¬ nhar-se a cada um chorar a sua desgraça. Sem "blasfema¬ rem da causa, aborrecem os effeitos. “ Os pais de famílias lastimam a morte de seus filhos, pelo abandono das amas chinesas, que se retiram. Os in¬ felizes, que têem na labutação diaria o seu recurso, lastimam- se pela escacez e carestia dos generos alimentares. Os mais abastados lastimam-se por verem chegar o tempo do faze¬ rem suas negociações, e terem ainda as mercadorias empa¬ tadas por falta de giro, ha cincoenta dias. Até os navios estão ainda por fabricar, á mingua de artifices, que também fugiram. Os empregados públicos, vendo parar c commer- cio, lastimam-se por saberem que d’elle tira o estndo rendi¬ mento para pagar-lhes. Os mesmos habitantes chineses dados ao commercio têem emigrado e levado até o mais in¬ ferior dos seus trastes. E assim era de esperar dc homens, pacíficos ao verem aparatos de guerra, ameaçados alem d’is-
  • —107 — so pelos mandarins, que julgam a constituição do império atacada pela vossa imprudência. A vista d’isto não admira haver descontentes que de¬ plorem a sua desgraça te aspirem ao socego d’este fiel esta¬ belecimento, que ha 252 annos tom sempre respeitado as ordens do seu monarcha. Julgae por este quadro se um tal povo necessita de proclamações para ser fiel ao rei a quem adora.” Os sobrecargas replicaram n’este dia 31 de outubro : “ A carta de v. ex.a encheu de mágoa os nossos cora¬ ções pelas circumstancias em que se acham os habitantes de Macau. Tudo nasceu do comportamento do senado. Se adoptasse o nosso systhema não teria agora de ver essas lastimas. Os macaenses julgaram a proposito tomar medi¬ das contra a nossa expedição, e fizeram repetidas instancias ao governo chinez, pedindo soccorro contra os hostis pro¬ cedimentos britannicos. O excessivo ciume dos chinas e o manejo do senado motivaram todos os males. “ Em verdade dissemos que o almirante removeria to¬ dos os obstáculos em Cantão. Assim aconteceria se o go¬ verno de Macau se unisse cordealmente com o almirante. Os esforços que v. ex.” promette empregar ern suas repre¬ sentações ao governo chinez são para nós de grande valor. Sabemos que hão-de produzir bom efleito. Estamos per¬ suadidos de que só o governo de Macau póde remover as presentes dimeuldades e misérias.”
  • NOVEMBRO 1 de novembro de 1822.—Ardem as feitorias europòas, em Cantão. (Chronicle and directory.) 1840.—Proclamação do commissario imperial chinez, I, aos habitantes da cidade de Ting-hai, so¬ bre a oceupação da ilha de Chu-san pelas tropas inglesas. (Vej. China, por Martin, vol. II., pag. 44.) 2 de novembro de 1705.—Chega a Nankirn o patriar- cha de Antiochia, commissario e visitador apostolico, corn poderes de legado “ a latere, ” Carlos Thomaz Maillard de Tournon. (Vej. a Relação sincera etc., por vezes citada.) 1829.—Edital do mandarim dc Hian- chan, por appellido Leu, pruhibindo a intentada construcção de umas casas na chamada horta da companhia hollandesa, visto não ser permittido augmentar-se o numero de edifica¬ ções n’esta cidade.—O procurador de Macau desu se por intimado. (Arch, da Proc.) 1838. —Morre, em Pekim, D. Caeta¬ no Pires Pereira, bispo de Nankirn e governador do bispa¬ do de Pekim.—Tinha nascido no lugar da Ladeira, termo da villa do Carvoeiro, grão-priorado do Crato, em 1769; pertencia á Congregação da Missão, ou de S. Vicente de Paulo; e havia chegado a Macau, dando entrada no colle- gio do S. José, em 12 de agosto de 1800.—Existem retratos seus no dito eollegio, e na cathedral de Tong-ka-dú, em Shang-hai. 1839. —Vinte e nove juncos chineses de guerra, commandados pelo almirante Kuan, atacam em Chuen-pi as corvetas inglesas Volage e Hyacynth.—Foram rechaçados com grande perda, afundindo-se muitos, e sal¬ tando um por explosão.
  • •! de novembro de 1818.—Institue-se o collegio anglo- chinez, de Malaca. 4 de novembro de 1G33.—N’este dia, (]ue foi quinta- feira, aportou a Macau Antonio Fialho Ferreira, natural d’eata cidade e capitão-mór nos mares da índia, trazendo a seu bórdo seis freiras capuchas, com que se fundou o con¬ vento de Santa Clara. 1843.—Tendo chegado a Vam-pú no brigue Tejo (vcj. 27 de outubro), o conselheiro Adrião Ac-, cacio da Silveira Pinto, c as demais pessoas que faziam par¬ te da missão enviada pelo governo de Macau para negociar com o vice rei Ki-ing, partem ás sete horas e meia da ma- nhãa d’este dia em escaleres, para(Cantão, sendo recebidos ao meio-dia pelo commissario imperial, na casa de campo do mandarim graduado Pan ting kua. O enviado portu-. guez corn a sua comitiva foi cm seguida a esta entrevista, residir no consulado de França, onde teve com o segundo delegado chinez, no decurso de dez dias, repetidas confe¬ rencias sobre o objeeto do seu encargo. O resultado final d’esta missão mostra-o a seguinte ‘ chapa,” em que as auctoridades de Cantão participam ao procurador de Macau o despacho dado pelo imperador aos “ pedidos ” do enviado. (Arch, da Secret, do Gov.: Livro da missão do conselheiro A. A. da S. Pinto). “ Ki, alto commissario, segundo tutor do príncipe im¬ perial, presidente do conselho da guerra, vice-rei dos dois Kiang, e membro da casa imperial, “ Chum. por commissão imperial, vice-presidento do conselho de guerra, e vice-rei interino das províncias do Kuang-tung e Kuang-si, “ Cham, por commissão imperial, soto-vice-rei de Can¬ tão e vico-presidente do conselho da guerra, e “ "V en, por commissão imperial, administrador geral das alfandegas de Cantão, “ Officiam ao procurador para sua informação : “ Para haver um regulamento do commercio dos por¬ tugueses, nós os altos funecionarios levámos ao conhecimen¬ to de sua magestade imperial os nove artigos que o ex-go- vernador e o ex-procurador pediram o anno passado. O grande e augusto imperador houve então por bem remette- l’os ao conselho dos ministros, para darem o seu parecer sobre cada um dos ditos artigos, approvando ou reprovan¬ do, e depois apresentarem o seu trabalho. Baixou em se¬ guida um decreto de sua magestade, ordenando que se cum¬ prissem os artigos segundo a deliberação dos ministros. Á vista d isto convém que abaixo resumámos a deliberação dos ministros sobre cada um dos mencionados artigos.
  • — no — “ l.°—Quanto ao primeiro artigo, sobre o ton territo¬ rial, convém que seja como antes cobrado; e a demarcação do terreno que seja até os muros do campo de Sarto Anto¬ nio, para se evitar qualquer desintelligencia com e chinas. “ 2.°—Quanto ao segundo artigo, sobre corrsponden- eias offieiaes, ser-lhes-ha permittido (aos portuguees) diri- gi-l’as em termos de igualdade aos mandarins do listricto; mas aos altos functionaries da capital da provincii convém que se dirijam por cham (requerimento) ou pin (ilficio de inferior a superior, representação), para haver uriformida- de. “ 3.»—Quanto ao terceiro artigo, sobre os vinte e cinco navios do numero de Macau, os direitos de ancoragem se¬ rão pagos pela nova tarifa dos navios europêos em Varn-pu, com reducção do um “ maz ” e meio,—isto é, pagarão por cada tonelada tres “ mazes ” e meio de prata. Os navios que não forem do numero, e que vierem a Macau, continua¬ rão a pagar de direitos de ancoragem cinco “mazes” por tonelada, para haver igualdade. “ 4.”—Quanto ao quarto artigo, sobre os direitos de fa¬ zendas, que os mercadores chinas pagam, em Macau, ã al¬ fândega chinesa, seguir-se-ha a nova tarifa, tanto na impor¬ tação como na exportação. As fazendas não indicadas na tarifa pagarão, na conformidade da mesma tarifa, 10 a 5# ad valorem, segundo a sua qualidade, ficando extinctas todas as gratificações e despesas addicionaes.—Quanto íis lorchas que andarem munidas de passaporte, fica-lhes permittido subir a Cantão, pagando os direitos de ancoragem por to¬ nelada, segundo o novo regulamento estabelecido para as lorchas do carga, para que se veja a nossa eompaiixão. “ 5."—Quanto ao quinto artigo, sobre a entrada de na¬ vios extrangoiros no porto de Macau:—De Macau é per¬ mittido somente aos vinte e cinco navios do numero irem negociar a Manilha e aos outros portos extrangeiros. Os navios extrangeiros, porem, que segundo o novo tratado podern commerciar nos cinco portos abertos da China, não convém que negociem em Macau, para haver restricção. “ 6.°—Quanto ao soxto artigo, sobre “ chapas ” para construcção e reconstrucção de edifieios etc.:—Quando os portugueses fabricarem ou concertarem para dentro dos muros da cidade, os seus edifícios e navios, poderão por si comprar os materiaes precisos e tomar obreiros á sua von¬ tade, para esse fim, iudependentemente de “chapas” ou li¬ cenças, ficando abolidas todas as gratificações e despesas addicionaes; mas não poderão de motu-proprio construir edifieios fóra dos muros de Santo Antonio, para que não haja novas desintelligencias.
  • — Ill — “ L0—Quanto ao septimo artigo, sobre a franquia dos cinco pórtos abertos ao commercio se tornar extensiva aos navios portugueses, fica estabelecido que os navios mercan¬ tes portugueses poderão effectivamente subir a Cantão, A- moy, Fu-chau, Ning-pó e Shang hai, para commerciarem. Quanto aos direitos de mercadorias e anooragem serão re¬ gulados pela nova tarifa. O navio que fôr a alguin porto, alem dos cinco mencionados, será punido, e confiscado com toda a sua carga. Pelo que respeita ao porto de Fu-chau, como ainda se não acha aberto, nem ha negociante algum extrangeiro ali estabelecido, também não poderá ser visita¬ do por navios mercantes portugueses, e assim esperarão até que o mesmo porto seja franqueado ao commercio europco, e então se lhes participará por officio para sua intelligence, afim de que a lei seja igual para todos. “ 8.°—Quanto ao oitavo artigo, sobre fazendas impor¬ tadas pelos chinas, fica estabelecido que não é preciso que as ditas fazendas sejam em quantidade determinada. As que devem passar pela grande alfandega de Cantão paga¬ rão ahi os direitos marcados em a nova tarifa, e os donos pedirão um desembaraço para serem exportadas. As que não passam pela dita alfandega pagarão os direitos, tam¬ bém pela nova tarifa, ao ho-pú de Macau, para não serem desencaminhadas do seu destino. “ 9.°—Quanto ao nôno artigo (em que se tinha pedido o reconhecimento de um ministro plenipotenciário), como os negocios dos portugueses têem sido sempre tratados pe¬ lo procurador da cidade, devem continuar a sê-l’o pelo dito procurador, juntamente com o governador portuguez, como até agora, afim de que sejam elles os únicos responsᬠveis. “ Com referencia a todos os sobreditos artigos, lem¬ brando-se o grande e augusto imperador de (pie os portugue¬ ses ha mais de duzentos annos fazem negocio cm Macau, e sempre têem sido extremamente submissos e condescenden¬ tes (nk), por isso lhes faz esta graça extraordinária, mostran- do-lhes assim ao mesmo tempo a maneira como recebe no seu seio os que vêem de longe e como trata bem os extrangei- ros. Os ditos governador o procurador devem respeitar e observar o que sua magestade imperial decretou, conter os negociantes e o povo, afim de que extrictamente guardem o sobredito estatyto e façam pacificameute o seu trafico,— 6 não deixem brotar em seus corações esperanças vãas. Eis o que é mister.—Oòmmunicação especial.—26 da 2." lua do 24.“ armo de Tau-kuanjf (13 do abril de 1844).—Luga¬ res dos sellos—do commissario imperial, do sun-tó interino de Cantão, do soto-viee-rei, e do administrador geral das
  • alfandegas de Cantão.—(Traduzida por José Martinho Mar¬ ques.) ” 5 de novembro de 1840.—Pedem os chins um armistí¬ cio ao almirante Elliot.—Foi concedido em (i, e prolongou- se até 6 de janeiro de 1841. (Vej. esta data.) G de novembro de 1748.—Mandara o governador de Macau, Antonio José Telles de Menezes, advertir ao juiz, Antonio Pereira Braga, que attendesse ás partes, por quan¬ to se llie queixavam que elle juiz nem as meras petições queria despachar. Não fez o juiz caso da advertência, e, como se amiudassem as queixas, o governador o mandou chamar n’este dia á sua habitação, na fortalesa do Monto, e, tirando-lhe o espadim e a bengala, o maltratatou severa- mente de pancadas. (Vej. a Collecção de vários fados, etc.) 6 de novembro de 1860.—A gazeta official de Pekim publicou n’este dia os decretos imperiaes de ratificação e pro¬ mulgação dos tratados e convenções com os curopèos. As forças anglo-franc.esas, que já então esperavam só esta im¬ portante formalidade, começaram logo a retirar da capital, o, no dia 14, estavam reunidas em Tien-tsin.—Acabára a ultima guerra da China. 7 de novembro de 1834.—Decreto de Tau-kuang, pru- hibindo o trafico do opio. (Vej. Chronology of affairs in China, etc. 8 de novembro de 1842.—Chega a Cantão o navio de guerra americano Peacock. 9 de novembro de 1866.—Derrota dos franceses na Co- réa. 10 de novembro de 1818.—Tem esta data o regulamen¬ to da associação piedosa, estabelecida ern Macau desde 1812. (Vej. Ta-ssi-gang-kuó, vol. III., pag. 21.) 1835.—Pallecimento, era Macau, de Sir Andrew Ljungstedt, sueco de nação, e auctor da muito estimada e hoje raríssima obra posthuma, An histori¬ cal sketch of the Portuguese settlements in China, and of he roman catholic church and mission in China, impressa em Boston, em 1836. 11 de novembro de 1864.T—Naufragio do naviedeguer- ra inglez Itace Horse, a poucas milhas de Tchefu.—Da guarnição de cento e oito praças, salvaram-se apeias nove. 12 de novembro de 1851.—Termina a publicação do Chinese Repository. (Vej. 31 de maio de 1832.) 1864.— Hongkong illumna-se a gaz. 13 de novembro de 1709.—“N’este dia mandou o ou¬ vidor, João Carneiro Zuzarte, prender, no balua'te de S. Francisco, o procurador do senado, Manuel Lcite—o que
  • 113 — muito se estranhou, por ser cousa nova em Macau; o esta prisão foi por motivo de um deposito de dinheiro do corsᬠrio Manuel I ereira, (pie roubou o barco Itosario, d'esta ci¬ dade. 1* oi sôlto aos 10 d’este me/..' (CoUecção de vários fac¬ tos, etc. 1347.—Terremoto em Shang-hai. 14 DE novembro de 1860 (2.° dia da 10.* lua do 10.° an¬ uo do Hien-fong).—Convenção de Pekim, entre a Russia e a China, assignada pelo principe de Kung e pelo general Ignatieft.—A mais notável estipulação d’este tratado foi a nova demarcação dos limites entre os dois impérios, que al¬ terou a de 1728, do modo seguinte: Descendo o rio Amur ató a sua juncoão com o rio Usury, o território que se es¬ tende ao norte pertence â Russia, e o do sul, até a emboca¬ dura do Usuri, á China. Da boca do Usuri para o sul, até o lago Hin-ka, os rios Usuri e Songatehan indicam as fron¬ teiras, ficando a Russia com os domínios situados a léste dos mesmos rios, e a China com os de oeste. Partindo da nascente do Songatehan, a fronteira vae atravessar o laffo IIin-ka numa linha recta, tirada d’essa nascente á emboca¬ dura de Pih-ling, e, seguindo de ahi as montanhas até a embocadura do Hup-tu, corre depois para a do Tu-men ao longo das cordilheiras de Hau-ehau o Hao-chang-kin. Os territórios situados a léste d’esta linha pertenceu?á Russia. —Quanto aos limites do noroeste, estipulou-se na convenção que, do ponto onde terminam os póstos e balizas do impe¬ rador Yang-tching (nas visinhanças do Tarbagatai) a fron¬ teira siga na direcção do oeste para o lago Tsc-sang-cho- urh, e que de ahi, guiando-se ao sudoeste pelos montes Tih- mih-urh-tu-cho- rh, da cordilheira Tin-chan, se dirija afinal para o sul até Ko-kand. Vc-so bem quo não foi o império dos czares que perdeu com a nova demarcação das suas fronteiras asiaticas. 15 de novembro de 1827.—Joaquim Mourâo Garcez Palha retira-se doente de Macau, entregando o governo ao conselho, composto do bispo D. Pr. Francisco do Nossa Senhora da Luz Ghacim, como presidente, do desembarga¬ dor .Tose Fellipe Pires da Costa, e do major Alexandre Joa¬ quim Grand-Pré. 1841—Decreto do imperador Tau- kuang, proclamando urgente o extermínio dos ingleses. (Chronology etc.). 1850.—Assassinato do missionário protestante S. Fast, perto do Fu-chau. 16 de novembro de 1858.—Os tributos em especie, das províncias do sul da China, que todos os annos se reúnem cm Shang-hai e de ahi seguem para Pekim, foi n’estc dia
  • — lu¬ ll primeira vez que de aquella cidade partiram pelo caminho do mar Amarello e gôlíb de Pe-tchi-ly, ern vez de subirem, como sempre, o canal Imperial. Este facto não é extranho ás relações da China com os europêos. A brevidade com que os navios do occidente e americanos se familiarisaram com a navegação de aquella costa, animou os comboios iraperiaes a adoptarem essa nova derrota, em juncos maiores, com o que muito se abreviou o transporto e se diminuíram as despesas. Soffreram porem com isso as cidades e povoações das margens do canal. Como já o thesouro não lucrasse imme- diatamente em facilitar o uso d’essa artéria, as reparações deixaram de ser constantes e activas, como é mister nas baixas províncias que ella atravessa, a mina de t£o celebre e preciosa obra aggravou-se de anno para antic, o hoje o canal, innavegavel em muitos pontos, mal se issemelha áquelle que descreveram as antigas embaixadas. 17 de novembro de 1843.—Abertura de Slnng-hai ao commercio enropêo. (Chronicle.) 18 de novembro de 1829 (20 da 10.“ lua dc 9.° anno de Tau-kuang).—“ O mandarim da Casa Branca, por ap- pellido Cou, faz saber ao senhor procurador que, endo sido provido interinamente n’este mandarinato por suí. excellen- cia o sun-tô do Cantão, irá visitar Macau no dia 24 da pre¬ sente lua. Recomnienda pois ao seuhor procurador que mande preparar e Cuam-cuon (casa de resideneia òs manda¬ rins) e juntamente mande postar soldados na pora do cam¬ po de Santo Antonio, para o receberem, e manch salvar a fortalesa do Monte.” (Traducção de João Bodrgues Gon¬ çalves.—Arch, da Proc.) Dir-se-ha talvez que o mandarim da Casa B’anca exi¬ gia honras excessivas pata a sua visita a Macau. Seria in¬ justa a accusação que pior tal se lhe fizesse. Qmtido a je- rarchia do visitante era maior, em proporção se íugmenta- va a cortezia. Tome-se para exemplo o seguinti program- ma, ordenado em 1810: “ Chem, eso tam interino do districto de Him-ehan, re¬ gistado tres vezes no livro dos méritos e elevadotres gráus, “ Ordena o seguinte, para conhecimonto
  • las mezas com perfumes, nlim de patenteardes uma sincera veneração;—o tudo isto sem negligencia, nem priguiçn. “ O quo assim vos ordeno, e vós, ólhos dos barbaros, deveis logo que receberdes esto officio, prestar-lhe imme- diata obediência e proceder em conformidade com o deter¬ minado.—28 da 1." lua do 14.“ anuo de Kia-king.” (Auto- graplio existente no mesmo archivo, e ha pouco traduzido por Pedro Nolasco da Silva, Junior.) 19 de novembro de 1851.—Toma posse do governo de Macau o capitão-tenente da armada Isidoro Francisco Gui¬ marães,—hoje visconde da Praia Grande de Macau. Sua ex.“ governou esta colonia onze annos. Um dos factos maia notáveis da sua demorada, intelligente e felicís¬ sima administração foi a mudança completa do estado finan¬ ceiro da colonia, cujo orçamento apresentava, em 1852, o deficit de 48:309 patacas, e offereiiia, cm 1862, o remanes¬ cente de «104:633. 1864.— K visitada esta cidade pelo eôrpo de Voluntários artilheiros do Hongkong, sob p com¬ mando do coronel Brine. A descripção d’esta visito, e do festivo enthusiasmo com que foi agradecida, póde ler-se no Ta-ssi yang-kuó de 24 do dito mez e anno. 20 de novembro de 1845.—‘Decreto da rainha a senho¬ ra D. Maria II, referendado pelo ministro da marinha e do ultramar Joaquim José Falcão, declarando francos ao com- mercio de todas as nações os pórtos de Macau,—tanto o interno, denominado do rio, como os externos, da Taipa c da rada,—podendo ser n’elles admittidas a consummo, depo¬ sito e-reexportação todas as mercadorias e generos de com- mercio, sem pagamento de direitos. 1862.—Grande incêndio em Hono:- kong. -* 21 de novembro de 1598.—Em carta regia dirigida ao vice-rei da India, D. Francisco da Gama, n’esta data, se accu- sa recebida a communicação feita pelo mesmo vice-rei de que o ouvidor de Macau não procedia bem, pelo que se con¬ firma a resolução dé o mandar retirar. {Arch. port, orient., fase. 3.°, part. 2.‘, pag. 926.) 1728.—De volta da sua embaixada ao império da China, chega a Lisboa o dr. Alexandre Me- tello de Sousa e Menezes, tendo gasto no desempenho do seu honroso encargo tres annos, sete mezes e alguns dias. —Foi pouco depois agraciado com a nomeação de conse¬ lheiro do conselho ultramarino, segundo refere D. Antonio Caetano do Sousa (Historia Oenealor/ien da Casa Real etc., tom. VIII, pag. 257).
  • — 116 — 1840.— Os fortes chbses de Tehuen-pi fazem fôgo sobre o vapor inglez Qua.—O al¬ mirante Elliot exigiu e obteve inunediata satisição por esta qffensa. 1850 (18 da IO.11 lua dolO." anno de Tau-kuang.—Decreto do-dito imperador, degrdando de suas dignidades e honras os altos funecionarioi chineses Mu-ehang-ha e Ki-ing, por se haverem sempronostrado affeetos aos barbares do accidents* Este interessante documento tem sido pubcado em muitos lugares, e por isso me abstenho do o (produzir. Nos Apontamentos de uma viagem á China,, do sr. Caleira, vem publicada uma trad tu-cão d’elle pelo interprete prtuguoz, hoje fallecido, José Martinho Marques. Mu-ehang-ha foi exautorado dos seguintes cargos e titulos : leitor-explicador dos clássicos ao imperaor, chro- nista-mór do império, primeiro tutor do prineip herdeiro presumptive, grão-ministro do palacio Yu-ing, sperinten- deute do paço de Ven-in.-en, ministro director daicademia imperial dos Hau-lin, professor dos académicos, residente do conselho das fabricas, general da divisão tanra-mand- cliúa do estandarte amarello com borda, exarnindor-veri- ficador dos rescriptos imperiaes, grão-mestre
  • — 117 — “ 1.* Haverá uma guarda costa de seis navios portu¬ gueses, combinada com uma esquadra imperial. Cruzará seis mexes, desde a Bôca do Tigre á cidade de Macau, afim de embaraçar que os piratas entrem nos canaes que até agora têem infestado. “ 2.° O governo cbinez obriga-se a contribuir com oi¬ tenta mil taeis para ajudar o armamento dos navios portu¬ gueses. “ 3." O governo de Macau fará logo cruzar os dois na¬ vios que tem armados, e apromptará com brevidade os qua¬ tro restantes. “4.° Ambos os governos devem ajudar-se em tudo o que fôr a bem do cruzeiro, o qual não se estenderá alem dos pontos determinados. “ 5." As presas serão repartidas entre os dois gover¬ nos.
  • — 118 — cau, especialmente de F. A. P. Thovar e Felix José Coim¬ bra. 1835.—N’este dia houve em Cantão um horroroso incêndio que, em poucas horas, reduziu a cin¬ zas mil e quatrocentas casas. 24 de novembro de 1851.—Parte para Hongkong, na corveta J). João 1, para seguir de ali para a Europa no va¬ por da mala, o ex-governador de Macau, Francisco Anto¬ nio Gonçalves Cardoso. 25 de novembro de 1643.—Alvará de D. Sebastião Cu¬ bo da Silveira, capitão geral d’csta cidade de Macau, lou¬ vando o capitão de infanteria Thomaz Vieira “ pelo muito cuidado que tinha no serviço de Sua Mages tu «íe e ronda que fazia no baluarte de S. Francisco, com cent© c cincoen- ta soldados de ordenança, sem receber paga alguma.” O alvará é também assignado pelo ouvidor Luiz Pinto de Fi¬ gueiredo. Thomaz Vieira era natural de Macau. Foielleque, em 1627, com seis navios que mandára preparar, oflereceu combate a uma náu hollandesa, que aprisionou c queimou. 26 de novembro de 1839.—Edicto das auctoridades de Cantão, pruhibindo o commercio com os navios ingleses, de 6 de desembro em diante. 1849.—“ Manifesto do Conselho do Governo da província de Macau, Timor e Bolor, ou expo¬ sição demonstrativa do procedimento das auctoridades chi¬ nesas da província de Cantão, com relação ao desastroso successo havido em Macau no dia 22 de agosto de 1849.” (Macau, Typ. de Silva e Sousa, 8.° de 13 pag., e mais 18 de documentos, não numeradas.) Este documento, que não transcrevo por miuito exten¬ so, foi redigido por Antonio José de Miranda, que então era secretario do governo da província. O conselho do governo compunha-se das pessoas que já uomeei na comme- moração do 22 de agosto. 27 de novembro de 1836.—Constituese em Cantão a eamara do commercio. (Chronicle etc.) '28 de novembro de 1615.—Por alvará do vico-rei da índia, em nome de el-rei D. Fillippe, foi n’este dia nomea¬ do em Goa Francisco Lopes Carrasco, fidalgo da casa real, para governador de guerra d’esta cidade de Macau, sem dependencia do capitão-inór da viagem do Japão. Deve ser contado como o primeiro governador de Macau. To¬ mou posse em 31 de agosto de 1616. (Vej. esta data.) 1735.—“ Por ordem (!), que veio em chapa do vice-roi de Cantão, fizeram-se n’este dia as maiores demonstrações de sentimento pela morto do inperador da
  • 119 — China (Yung-ching). Houve tiros de ampulheta por espa¬ ço de vinte e quatro horas, e no fim salvou o Monte. Os moradores da cidade trouxeram lucto,—isto se entende os homens bons, que costumam andar na governança d’ella.— Aos 16 de desembro veio outra chapa do sun-tó, para que tirassem o lucto e puzessem luminárias para festejar a su¬ bida do novo imperador ao throno, e mandou vinte balsas de azeite para este fim.” (Collecção de vários fados que Mo acontecido n'esla cidade de Macau etc.) 1840.—Chegada do commissario Ki-chen a Cantão. 1858.—Assignatura, em Shang-hai, dos artigos eommerciaes, em appenso ao tratado francez de 27 de junho. 29 de novembro de 1840.—O almirante Elliot resigna o commando da esquadra inglesa na China. (Vej. The Chi¬ nese, por Davis, etc.) 30 de novembro de 1862.—Naufragio da barca ameri¬ cana Lucky Star, na ilha Formosa.
  • UESEMBEO •1 de desembro de 1632.—D. Gonçalo da Silveira en¬ trega a capitania geral de Macau a Manuel da Camara de Noronha.—Suecedeu a este, em 1636, Domingos da Camara de Noronha, de cuja posse ignoro o dia, bem como de D, Gonçalo da Silveira, em 1630, e do seu antecessor D. Je¬ ronimo da Silveira, em 1628. 2 de desembro de 1552.—N’este dia, que foi sexta-feira, expirou em San-choan, na cabana de um portuguez, o padre jesuita Francisco Xavier, o maior apostolo da Asia. Con¬ tava quarenta e seis annos de idade, tendo nascido em 7 de abril de 1506. Foi canonisado por bulla do papa Urbano VIII de 6 de agosto de 1623, havendo-se jâ effectuado a ceremonia da carionisação, ordenada pelo papa Gregorio XV, em 12 de maio do anno anterior. 3 de desembro de 1838.—Pelas auctoridades de Can¬ tão foi n’este dia apprehcndida uma porção de opio, que se julgou haver sido importado pelo navio americano Thcma» Periling (Vcj. Chronology etc.) Por tal facto, e n’esta mesma data, ordenou o governador da cidade a immediata suspen¬ são do commercio estrangeiro e a expulsão do consignatário de aquelle navio e dos europêos em cuja posse o opio fôra descoberto. 4 de desembro de 1705.—Chega a Pekim o patriarcha de Antiochia Carlos Thomas Maillard de Tournon, com- missario e visitador apostolico. Hospedou-se em uma das tres casas que ali tinham n’esse tempo os jesuítas, a mais próxima do palacio imperial. A Selaçào, que a miúdo te¬ nho citado, diz que no mesmo dia o mandou saiudar o im¬ perador por tres mandarins de terceira ordem,-e que “or¬ denou que da sua real dispensa se lhe déssem as porções
  • necessárias para o sustento do mesmo patriarcha e dos seus Familiares, por todo o tempo em que se detivesse em Pe- kim.” 1808 (17 da 10.* lua do 13.° anno do imperador Kea-king).—“ Chapa ” do vice-rei de Cantão ao almirante Drury e ao primeiro sobrecarga da Companhia Jnglesa.—E concebida nos termos seguintes: “ Eu o mandarim Vú, por mercê imperial vice-rei das duas províncias do Kuang-tung e do Kuang-si, membro deputado do tribunal da guerra, etc.: por esta declaro e faço saber a todos que, constando-me haverem entrado em Macau tropas inglesas, dei parte d’esse acontecimento a sua magestadc o imperador, cujo despacho, ou decreto, que ao presente recebi, é do theor que vae lêr-se: '‘—Despacho do imperador.—O sun-tó Vú-chiung- kuang e mandarins de Cantão me deram parte de haverem as tropas inglesas entrado sem permissão em Macau. Es¬ ses ingleses, pretextando haverem os franceses invadido e senhoreado o reino de Portugal, seu intimo alliado, dizem que, receando que os portugueses residentes em Macau se¬ jam atacados pelos franceses e que o seu commercio seja embaraçado, enviaram um chefe conduzindo soldados da sua nação e navios de guerra para os ajudarem a defender- se, e também para protegerem o seu proprio commercio. Nenhuma d’estas palavras se pódo accreditar, pois nunca houve tal costume. “ A tal respeito ordeno por tanto que, se os ditos sol¬ dados e navios extrangeiros tiverem jã ao presente evacua¬ do Macau, esta pendencia se haja por finda; mas, se ainda não tiverem sahido, logo se expeça ordem ao sun-tó Vú- chiung-kuang e mandarins de Cantão, para que enviem es¬ colhidos mandarins de lettras e de armas, que irão como delegados a Macau intimar este decreto, e os mesmos dele¬ gados rigorosamente rcprehendam e castiguem, segundo as Íeis pruhibitivas da celestial dynastía, com summa severi¬ dade e sem indulgência, para com este exemplo se evitarem semelhantes attentados. “ Na occurrencia de inimisade entre os portugueses e franceses, ainda que elles se combatam e matem, como isto acontece fóra dos limites do império, não se intromette este nas suas contendas, nem lhes vae perguntar o motivo d’el- las. Como porém n’estcs annos os extrangeiros de remotas regiões andam em guerras, se os de dois reinos entre si ini¬ migos, combatendo-se e matando-se reciprocamente, chega¬ rem ás portas d'este império e sollicitarem algum adjutório ou allivio, prestar-lh’o-hei sem duvida, conforme a minha
  • costumada piedade, mas sem a menor paixão por nenhuma das partes contendentes. “ O império da China, como os demais reinos extran- geiros, tem marcados os seus limites de território. “ Devem lembrar-se de que os navios da China jamais sulcam os mares em distancia, desde que foram aos paizes extrangeiros demarcar os respectivos limites, ao passo que os navios europêos de guerra têem ousado aproximar-se a Macau, desembarcando ahi os seus soldados, o que é uma ambição e cegueira extrema. “ Em quanto a allegarem que vieram para auxiliar os portugueses de Macau, receando que olles sejam atacados pelos franceses,—porventura ignoram que, habitando esses portugueses o território do império, nunca os franceses se hão-dc atrever a vir incommoda-l’os ? E acaso ignorado que, se os mesmos franceses tentassem offender as leis da celestial dynastía, nunca as mesmas leis lh’o perdoariam ? E que não haveria indulgência alguma para com elles, an¬ tes, pelo contrario, seriam logo destacados robustos e valo¬ rosos soldados para os combater, devastar e matar ?—Sa- bendo-se isto, por que rasão se enviaram soldados para vi¬ rem prestar semelhante auxilio e protecção ? “ Pelo que respeita ao outro motivo allegado de se achar a costa infestada por piratas, e assim desejarem fa¬ zer serviços a este império,—devem saber que a celestial dynastía não carece de tal adjutório.. “ Que necessidade temos pois do seu pretendido auxi¬ lio ? É manifesto que a rasão da sua vinda é que, tendo visto o commercio que fazem os portugueses residentes em Macau, querem aproveitar a opportunidade que lhes offe- recem as suas debeis forças, e pretendem, a titiulo de pro¬ tecção, apoderar-se do aquelle território,—o que é contra as leis da celeste dynastía. “ Os embaixadores da Inglaterra têem trazido presen¬ tes ao imperador celeste, e sempre se têem portado com todo o respeito e veneração. D’esta vez, porém, os ingleses têem-se comportado nosciamente, infringindo ao mesmo tem¬ po e gravemente as ordenações. “ Na verdade excederam os limites da rasão. Convém portanto fazer-se-lhes saber que se arrependidos souberem temer e retirarem com a maior brevidade os seus soldados, enviando-os para a sua terra, ainda poderá ser relevada a culpa e admittir-se a continuação ao commercio.—Porem se persistirem na demora, sem obediência ás leis, não só continuarão a ser-lhes fechadas as escotilhas idos seus na¬ vios, mas também se lhes mandará fechar a entrada de Ma-
  • cau, privando-os de mantimentos. Enviar-se-hão alem d’is- to numerosas tropas para os cercar e prender.—Então se arrependerão som retnedio. = “Em observância d’este imperial decreto, duvidando eu (o mandarim vice-rei) de que os linguas o possam inti¬ mar com a devida claresa, mandei extrahir cópia d’elle e envio com ella, para vos ser intimada, altos mandarins de lettras e de armas. 8e vós, os chefes dos ditos extrangeiros, souberdes temer e vos arrependerdes, mandando sahir os soldados, poderei então dar parte ao meu grande impera¬ dor, rogando-lhe que, por muito especial graça, vos permit¬ ia a continuação no vosso commercio. Mas se, pertinazes e obcecados, não mudardes de sentimentos e insistirdes na demora, não me restará então outro expediente mais do que, obedecendo ao imperial decreto, dispôr e ajuntar um nume¬ roso exercito, com o qual vos mandarei cercar e prender a todos. “ Obedecei pois promptamente, para não vos arrepen¬ derdes depois.” Achei esta traducção n’uma collecção particular de manuseriptos, que hoje me pertence. Ahi se diz que a “ chapa loi entregue em mão propria, n’este mesmo dia 4 de desernbro, ern uma das ilhas d'este archipelago, visinha de Ilang-fui, ao primeiro sobrecarga da Companhia, Ro¬ berts, pelo governador da cidade de Cantão e por um man¬ darim militar de graduação superior, “os quaes todos se reuniram ali para o acto, achando-se presentes os capitães dos navios da Companhia.”—As tropas inglesas retiraram de Macau antes do fim de desernbro. 1841.—Uma estatística da colonia de Hongkong dá-lhe, n’esta data, a população de 15:000 almas. A colonia tivera principio n’este mesmo anno.—A sua po¬ pulação actual ó de 125:700 habitantes. 5 DK dbsembro nE 1847.—Foram n’este dia assassina¬ dos pelos chins, em Uang-chú-ki, seis europêos. 1859.—Parto de Toulon para a Chi¬ na a maior força do exercito expedicionário francez. A restante largou do mesmo pôrto no principio de janeiro se¬ guinte : e, em 12, o general Moutauban, que tomou, com o seu estado maior, o caminho de Suez, ao passo que o exer¬ cito seguia o do Cabo.—De Inglaterra, a expedição tinha partido pouco antes. 1863.—As forças imperiaes chinesas, sob o cominando de Gordon, retomam aos tai-ping a impor¬ tantíssima cidade de Su-chau. C de dbsembro de 1743.—“ N’este dia houve grande revolta n’esta cidade com a entrada de um mandarim e seus
  • soldados, o qual veio por cousa de um filho de Macau, cha¬ mado Anselmo, que matara um china, na travessa do Tron¬ co Velho. Examinou o mandarim o côrpo môrto e achou n’elle cinco feridas penetrantes. Declarou que exigia o ma¬ tador, e foi-se embora.” Noticia isto a Colkcmo ãe vários factos, etc.; e aecrescen- ta em data de 8 de janeiro de 1744: “ N’este dia veio o mandarim, e foi a padecer o mata¬ dor do china. Sahiu do Tronco com alva vestida, e com dois padiesjesuitas e acompanhamento da Misericórdia com bandeira e crucifixo. Veio do Tronco Velho para a porta da cidade e passou pela Misericórdia. Quando o padre, que esperava por elle no altar, levantou a Deus, fez a sua adoração na porta, o depois seguio o seu caminho para o bazar, por detraz de 8. Domingos. Chegado que foi ao campo do mandarim, lugar destinado para o supplicio, man¬ dou o mandarim que se fizesse a execução. Então um preto lhe poz o garrote, e este arrebentou. Os irmãos da Mise¬ ricórdia cobriram logo com a bandeira o criminoso, mas os chinas, que não entendem d’isto, alvoroçararn-se e houve pancadas, pelo que teve de receber o padecente novo gar¬ rote, com o qual terminou seus dias. Foi elle o primeiro executado no bazar, e ficou desde então esse lugar desti¬ nado para serem n’elle justiçados os delinquentes de pena de morte.” 7 de desembro de 1842.—O povo de Cantão invade o recinto das feitorias, e queima o consulado inglez. 8 de desembro de 1727.—N’este dia chegou a Macau, regressando de Pekim, o embaixador portuguez Alexandre Metello e toda a sua comitiva. Aqui se fizeram grandes festejos por esta chegada, os quaes largamente descreve a Colhcmo. 9 de desembro de 1856.—Portaria do governador de Macau, Isidoro Francisco Guimarães, em conselho, orde¬ nando o augmento da fôrça armada da colonia, pelos meios na mesma portaria indicados: isto em rasâo das circum- stancias que se davam em meio das hostilidades entre a In¬ glaterra e a China, cumprindo que o estabelecimento fizes¬ se respeitar a sua neutralidade. 10 de desembro DE 1678.—Toma posse da capitania geral de Macau Antonio de Castro e Sande. 11 de desembro de 1843.—Fallecimento, em Cantão, do celebre annista Hou-kua. 12 de desembro de 1838.—N’este dia, por ordem das auctoridades chinesas de Cantão, deu-se principio'á execu¬ ção de um fumista de opio, em frente das feitorias. Oppo- seram-se ao acto os europêos, e o padecente foi a morrer
  • n’outro cadafalso, mas provocaram d'esta sorte grande mo¬ tim do povo, que só muito diflicultosamente poderam aquie¬ tar. (Vej. Chronology of affairs in China pag. 226; China, por Martin, vol. II, pag. 37, etc.) 1856.—Durante a noite d’este dia foram inteiramente incendiadas pelos chins as feitorias cu- ropôas de Cantão.—Ficou tudo redusido a cinzas, excepto a igreja protestante e um estaleiro de pequenos barcos. (Vej. La Chine et las puissances chrétiennes, por D. Siuibaldo de Mas, vol. II, pag. 125; etc.) 13 de oESEMimo de 1832.—K derribada pelos chinas a bandeira do consulado de França, em Cantão. (Chronicle; etc.) 1840.—Carta do eommissario Ki- chen ao imperador, declarando o procedimento que enten¬ dia dever ter coin os ingleses.—Diz assim : “ Eu, vosso ministro, cheguei a Cantão em 28 de no¬ vembro, e até hoje, noite o dia, tenho roflectidó e considera¬ do attentamente sobre o estado das nossas relações com os ingleses. A principio, movidos pela benevolencia de vossa magestade, e também obrigados pelo rigor das nossas leis, fizeram entrega de todo o opio. O eommissario Lin orde¬ nou-lhes depois que por escripto se obrigassem a nunca mais traficar em semelhante droga,—excellente medida es¬ ta, para assegurar o bom comportamento futuro. Eecusa- ram-se os ingleses a cumprir esta segunda ordem, e assim zombaram das leis, mostrando-se na desobediencia tão obs¬ tinados que não houve meio de os submetter. Do aqui vem a necessidade de os amaciar, admoestando-os com pura e sagrada instrucção, de sorte que o entendimento se lhos esclareça e o coração se lhes limpo. Conseguido isto, nun¬ ca será tarde para restabelecer o commercio. E devor meu instrui-Pos, e persuadi-Pos, purificar-lhes as consciências o rc- duzi-Pos á submissão, Logo quo o tenha consoguido, o vosso ministro fa-Po-ha presente a vossa magestade.” 14 DE desemuro de 1836.—O capitão Elliot, nomeado pelo seu governo presidente da cotnmissão de superinten¬ dência do commercio inglez na China, dirige de Macau ao governador da cidade de Cantão, um officio, pedindo se lhe permitta mudar para ahfa sua residência. (Vej. 22 de de- eembro.) 1861.—.Na madrugada d’este dia foi barbaramonte estrangulado, corn uma sua creada timôr, na casa onde morava, na rua do Hospital em Macau, o pro¬ fessor de primeiras lettras, Caetano dos Remedios e Figuei¬ redo, natural da índia. Commetteram o crime dois chinas, domésticos do mesmo professor, que logo se refugiaram no
  • território visinho, levando todo o dinheiro e •bjectos de va¬ lor que acharam na casa. Um d’elles, meudgo e doente, recolhera-o Figueiredo por caridade. 15 de dkskmbiío de 1838.—As auctorid des chinesas ordenam a expulsão de Macau de todos os nissionarios ca- tliolieos não portugueses. (Chronicle.) 16 de DESEMimo de 1810.—Foi presente n’este dia ao senado de Macau a seguinte carta regia do ]rincipe regen¬ te D. João: “ Juízes, Vereadores e Procurador do leal Senado da Camara da Cidade do Nome de Deus de Hacau : Eu O Principe Regente vos Envio muito saudar. Tendo Toma¬ do em consideração a vossa Representação a respeito da dúvida que manisfestára o Governador e Capitão Geral que foi dessa Cidade, Lucas José de Alvarenga de compare¬ cer nas Sessões do Senado pelo simples avso do Chama* dor, pertendendo ser a ellas convocado de uma maneira mais polida ; e sendo muito conforme ás Minlas Reaes Dis¬ posições, e ú boa ordem do serviço em todes os ramos da Administração publica, que sc tenha a mais cal‘acterisada consideração a respeito d’aquclles quo se achim collocados nos primeiros lugares : Hei por bem Declanr-vos que re¬ putando-se o Governador e Capitão Geral o Presidente do Senado sempre que ali concorre, o póde faze- todas as ve¬ zes que lhe parecer conveniente e necessário; mas quando a sua presença se requeira por motivos eitraordiuarios, como a recepção de chapas, ou outros semehantes, se lho fará aviso'pelo Procurador, ou por carta attmciosa do Se¬ nado, não devendo ali iniciar-se, nem prosegrir-se delibera¬ ção alguma em matérias importantes sem a issistencia do Governador, que em caso de impedimento < deverá parti¬ cipar ao Senado. O que assim havereis citendido, e sé ficará praticando como Deixo ordenado.—Ecripta no Pa- lacio do Rio de Janeiro, em 30 de Maio de 810.=Princi- pe •; • =Para os Juizes, Vereadores e Procurador do Leal Senado da Camara da Cidade do Nome de Dus de Macau.” 17 de1 DESEMimo de 1866.—Inauguração lo Club Lusi¬ tano de Hongkong.—O llolelim do governo de Cacau (n.0* 52 e 53 do mesmo anno) descreveu esta festabrilhante e a grandesa do commettimento que 11x3 déra moivo. O Club Lusitano, ideado e crccto embreve tempo (vej. 26 de desembro de 1865), 6 hoje, em Hoigkong, o mais completo e elegante estabelecimento do seu jenero. 18 de DESEMimo de 1820.— Edital do nandarim de Hian-chan, pruhibindo, em Macau, a venda le objectos de cobre aos christãos.—É repetição do de 2 deoutubro, com maiores ameaças para os latoeiros. (Arch, ca Proc.)
  • — 127 — _ 1838.—Intimação do plenipotenciᬠrio Elliot a todos os navios ingleses, empregados em com- mercio de opio, para saliirem do rio de Cantão, no prazo de tree dias. (The Chinese etc., por Davis, vol. TII na» 226.) ’ 1 S 19 DE desembro de 1860.—Entra em vigor a nova tari- ia de direitos nas altandegas dos pórtos abertos do império chiuez, estabelecida, ou aceita, pelos últimos tratados. (Chronicle, etc.) 20 de desembeo DE 1842.—Retira da China, com desti¬ no á Europa, toda a expedição inglesa, sob o commando do Sir Hugh Gough. (Ibidem.) 21 de desembeo de 1721,—Desistira Antonio do Albu¬ querque Coelho da nomeação que lhe fôra dada na índia para tornar de governador a esta cidade. Offereceu-lho então o vice-rei o governo de Timor, c aceitou. Partiu em um pequeno navio seu, e veiu por Macau, aonde chegou em 10 de agosto d’este anno de 1721.—N’este dia 21 do desembro, seguiu para Timor no mesmo navio. (Vei. a Collecedo.) 1849.—Sagração da nova igreja ca¬ thedral de Macau, pelo bispo diocesano, D. Jeronimo Josó da Matta, 22 de desembro dk 1836.—Sem responder á carta que Elliot lhe dirigira em 14 de desembro (vej. esta data), o governador da cidade de Cantão envia a Macau dois dele¬ gados seus, com ordem de inquirirem tudo o que houvesse de verdade acerca da nomeação que Elliot dizia ter recebi¬ do do seu governo. Nas instrucções dadas aos mesmos mandarins se ordenava também que Elliot fosse constante- mento vigiado c que se lhe não permittisse Sair de Macau. ( Chronology.) 23 DE desembro de 1721.—Parto da rada do Macau, de volta á Europa, em a nãu portuguesa Rainha dos Anjos, que também o trouxera (vej. 7 de outubro de 1720), o pa- triarcha D. Carlos Melchior de Mezzabarba, enviado apos- tolico ao império da China, com beneplácito de el-rei de Portugal, 1). João V.—O patriarcha embarcára em 19, o antes d'elle todos os presentes que o imperador mandava a el-rei o ao papa Clemente XI (vej. 6 de maio); mas amiu, demorada pelo mau tempo, só neste dia se fez de vela. 24 de desembro de 1829 (7 da 12.“ lua do anno 9." do Tau-kuang.)—“ Chapa ” do mandarim “ eso-tang ” de Hian- chau ao procurador de Macau, ordenando a immediata par¬ tida, para o reino, do bispo eleito de Pekim,—isto cm vir¬ tude de ordens terminantes que o vice-rei tivera da capital, e transmittíra ao districto com urgência. (Arch, da Proc.)
  • 25 de desembro de 1866.—Incêndio no bazar de Ma¬ cau. (Vej. o Boletim do governo.) 26 DE desembro de 1808.—Toma posse do governo do Macau I.ucas José do Alvarenga.— Foi substituído, om 19 do jullio de 1810, por Bernardo Aleixo de Lemos e Faria. —Nomeado segunda vez, em 1814, para sueceder a este, não chegou a cffect.uar-se a entrega. Bernardo Aleixo só veia. a sair do governo em 1 do julho de 1817, data da posse de José Osorio de Castro Ca¬ bral e Albuquerque. 1809.—Carta do celebre pirata chi- nez Cam-pau-sai ao capitão portuguez, commandanto da es¬ quadra que o combatia, José Pinto Alcoforado de Asevedo e Sousa. (Vem traduzida na Memória dos feitos macaenses contra os piratas da China, por José Ignacio de Andrade, pag. 50 e 51.) 1856.—Edital do mandarim “ eso- tang ” do Hian-chan, pruhibindo aos habitantes chinas de Macau e visinhanças deixarem os seus parentes a servir os extrangeiros, em Hongkong, e bem assim enviarem ali co¬ mestíveis para venda. (Arch, da Proc.) 1859.—-Perde-se, na costa occiden¬ tal da Formosa, o brigue Etna. (Chronicle etc.) 1865.—Collocação da primeira pe¬ dra do edifício do Club Lusitano de Ilongkmg, pelo go¬ vernador de Macau, o conselheiro José Rodrgues Coelho do Amaral. (Vej., para a descripção d’esta ceromonia, o jornal Ta-ssi-yang-kuó, n.a 13, de 28 de desembro do mesmo anno.) 27 de desembro dr 1840.—Após quasi cinco mezes de captiveiro, foi n’este dia sôlto pelos chinas o súbdito inglez Stanton, que fòra preso em Macau, em 6 de agosto, por suspeito de negociar em opio. (Vej. Chronicle etc.; The Middle Kingdom, por Williams, vol. II., pag. 531; etc.) 28 DE desembro de 1841.—As forças inglesas atacam as cidades de Yu-yau, Tzi-ki e Fung-hua, no districto de Ning-po. (Chronology etc.) 1844—Dirigira ao imperador o vi- ce-rei e commissario chinez Ki-ing, um relatório, ou memo- ria, concebida n’estes termos: “ Ki-ing, commissario imperial, ministro de estado, vi- ce-rei das províncias do Kuang-tung e do Kuang-si, etc., dirige com humildade ao throno a presente memória. “ Das indagações cuidadosas a que se tem procedido, resulta que a religião do Senhor do céo é a que praticam, ou seguem, todas as nações do occidente; que o seu prin¬ cipal fim é animar ao bem e impedir o mal; que a sua livro
  • — 129 —' introducção na China data do tempo da dynastía Ming; que todas as vezes que os chinas, praticando esta religião, se serviram d’ella como de um meio para os livrar dos cas- tigos que tinham merecido, quer pela sua perversidade, quer por violação do mulheres, quer por arrancarem escon¬ didamente as pupillas dos olhos aos doentes (*), o governo, sendo d’isto informado, não deixou de os punir como taes crimes pediam: que, no reinado de Kea-king. se promulga- 1 am decretos especiacs para castigo dos culpados, e que em execução dos mesmos decretos se fizeram perseguições, contra os que tinham procedido mal, sob pretexto de reli¬ gião, mas não contra a religião em si, adoptada pelas na¬ ções do occidente. . “ O requerimento ultimamente feito pelo embaixador írancez Lagrené em que pede que os chins que seguirem essa religião, sempre que se comportem bem, não sejam tidos por criminosos, parece-me dever ser attendido, seguin¬ do as regras da equidade. Seria justa e digna da bênção celeste a resolução que estabelecesse, de ora em diante, que todos os naturaes do paiz e todos os extrangeiros, sem dis- tineção, que ensinarem o culto do Senhor do oóo, sem se¬ mearem a desordem por um comportamento reprehensivel, sejam olhados como innocentes. Se alguns d’elles, tornando a proceder como jã se viu, seduzirem mulheres ou raparigas, arrancarem clandestinainento as pupillas dos olhos dos en¬ fermos, ou se tornarem culpados de qualquer, outro acto criminoso, que esses então sejam julgados com todo o rigor das antigas leis do império. Quanto aos franceses, e a to¬ dos os demais extrangeiros que seguem a religião christãa, que se lhes permitta levantar igrejas, mas sómente nos cin- oo pórtos onde obtiveram o direito de commerciar. Não devem elles esperar poder entrar por todo o paiz, e propa¬ gar em todo die a sua religião. Se algum d’elles, proce¬ dendo de modo contrario, violasse os tratados n’este ponto, as auctoridades locaes deveriam prende-l’o e entrega-Po ao consul da nação a que pertencesse, competindo ao mesmo consul puni-Po. Não conviria n’estes assumptos applicar muito precipitadamente a pena capital, mas sim usar de uma grande doçura. D’este modo, talvez, o bom e o mau não seriam confundidos, e as leis teriam a sua execução devida. —Saudação respeitosa. (*) Imputação odiosa que por muito tempo se fez aos cliristãos, na China, e que se funda n’uma absurda crença, que tem origem no sacramento da extrema-uneção, administrado aos moribundos pelos padres catholicos, no interior das habitações, a quaesquer horas da noite, como do dia.
  • — 130 — “ Este memorial, pedindo que os que seguem a religião do Senhor do céo, quando procedam bem, sejam isemptos de toda a culpabilidade, é deposto humildemente aos pés do throno pelo commissario imperial, que, em desempenho do seu dever e em conformidade da rasão, supplies instan¬ temente ao augusto imperador se digno approval- o dito memorial, para poder ter execução.—Saudação respeito¬ sa.” Sua magestade o imperador Tau-kuang, em data d’es- te dia 28 de desembro (19.° da 11.* lua do 24.° anno do seu reinado), respondeu á margem o seguinte:—“Que se faça como aqui se pede.” (Vej. La Chine, por A. Haussmann, pag. 42, etc.) 29 dk desembro de 1857.—Tomada do Cantão pelas forças alliadas de Inglaterra e da França.—0 vice-rei Yeh foi feito prisioneiro poucos dias depois.—O governador do Cantão, Pih-kuei, e o general tartaro, presos logo depois da tomada, foram em seguida reintregados no governo da éidade, mas com obediência a tres commissarios europôos: o consul inglez Harry Parkes, o coronel inglez Holloway, e o capitão Martinoau, da armada francesa. (Vej. The Treaty Ports of China and Japan, pag. 76, etc.) 80 de desembro de 1866.—O batalhão do primeira li¬ nha de Macau tomou n’este dia posse do seu novo quartel, —vastíssimo e solido edifício, construído, desde os alicer¬ ces, no lugar do antigo convento He S. Francisco, pelo de¬ senho o debaixo da immediata direeção do governador José . Rodrigues Coelho do Amaral.—Ao mesmo governador se deve a construcção do forte de 8. Francisco, ahi junto, que também occupa o lugar do antigo forte, sondo porém a planta e a obra, como no quartel, inteiramente nova e difle- rente. 31 de desembro de 1705 (16 da 11.* lua do 44.° anno do reinado de Kien-lung).—Primeira audiência do impera¬ dor da China ao commissario apostolico, patriarcha de An- tioohia. (Vej. a Itelamo sincera e verdadeira etc., que a miudo tenho citado, § 36 e seguintes.) 1838.—Vencido pela impossibilida¬ de de, por outra fôrma, se dirigir por escripto ás auctori- dades chinesas, Elliot sujeita-se a dar ás suas representa¬ ções a designação do caracter tàf pân (requerimento) e a redacção que em taes documentos se emprega. (China, por Montgomery Martin, vol. II, pag. 37.) Fim
  • NOTA. 3 DE ABRIL DO ANNO 476 ANTES DA EUA CHBISTÃ.— pag. 30. ... Leia-se 479, e não 476, que erradamente se imprimiu. Quando mesmo não houvesse esta reetificação a fazer, teria eu de abrir a presente nota para declarar que a indi¬ cação de 3 de abril, n’este artigo, tem unicamente a verda¬ de de ser correspondente ao dia da lua, no anno em que estas ephemerides foram na maior parte colligidas (1866). Os historiadores chineses dão a morte de Confucio no 18.° dia da 2.“ lua do 41." anno do reinado de King-uang, ou do 58.° anno do 36.° cyelo da chronologia de Hoang-ti (479 A. C., segundo Amiot).—Em 1866 (5.° anno de Tung-chi) o dia 18.° da 2.“ lua foi 3 de abril.
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  • — 133 — LISTA DO» SENHORES ASSIGN ANTES K relação do numero de eitmplarcs com que subscreveram. NOMES Numero do % exemplaras A. B. da Bosa_ 1 A. Botelho_ l A. de Asevedo_ 2 D. A. d’Eça.“'“"G”””’ 1 A. do Rosário_____ ' j Antonio José Caminha.„.. \ A. F. Alves_ Augusto J. Gomes_ j Adelino J. Brandão_ j A. Leiria_ _ j- Alexandrino Vieira_ 2 A. L. S. d’Aguila -j P.° A. M. A. do Vasconcellos_ 5 A. Nogueira Mendes_ 2 A. S. Romano_ 2 Barão do Cercal_i_-_ o B. E. Carneiro_ g Caetano J. Lourenço_ j C. J. Gonçalves_ j C. J. da Sil a_ j Clcmentino Lopes___._ 2 “ Club Lusitano ” j Daniel A. da Costa_ 2 Delfino Noronha_ 2 Emiliano E. da Silva_ 2 Evaristo da Cruz 2 E. F. Fonseca_ 2 E. M. da Silva_ 2 E. P. Campos_ 2 Francisco de Assis e Fernandes__ 3 F. A. da Silva. 2
  • —134 — VAUPc Numero de NOMha exemplares Francisco A. Seabra___ 1 Francisco da Costa_>>- 1 Ftorentino dos Remedios_f.- 1 Florindo Guedes___ 1 Felix Hilário de Asevedo__ 2 F. J. dos Remedios--- 1 Francisco J. Barros_ 1 Francisco Manuel da Cunha--- 1 Francisco Maria da Cunha_ 2 ' F. Machado.-. 1 Francisco P. Soares_ 1 F M. da Graça_ 2 Francisco Xavier Collaço_ 1 Gregorio José Ribeiro__ 2 G. Remedios_ 1 Henrique de Noronha.. 1 J). Isabel Maria da Silva_ 1 Ignacio Marques_ 1 José Maria da Ponte e Horta__ 5 João Ferreira into_ 2 J. A. Barretto_ 1 Julio Cesar Monteiro Cabral--- 2 Joaquim Guilherme da Costa. 2 J. H. de Carvalho_ 1 J. A. de Carvalho. 1 J. A. Guttierres_ 1 J. A. da Costa__ 1 J. A. de Jesus ______ 1 J. B. Goularte_ 2' José Bernadini_ 1 J. C. de Aquino. 1 J. Collaço. 1 D. João da Silva Lobo ;... 2 J. da Cunha_I. 1 José da Silva__ 5 J. E. Scarnichia_ 2 J. Fonseca. 1 José F.’Pereira .. 1 J. F. C. da Rosa_._ 1 João José da Silva e Sousa_ 1 José Joaquim Vieira.... I
  • — 135 NOMES Numero de exemplares J. M. O. Lima ...___ 1 José M. Victor de Figueiredo____ 1 J. M. da Silva 1 J. M. Guedes, Junior__ ___ 1 Jeronimo Osorio de C. O. e Albuquerque. 2 Jeronimo Pereira Leite__ 1 Jaime P. dos Santos. 2 J. P. de Campos... 1 Joaquim das Neves e Sousa_ 1 Joaquim Pereira de Campos.. 1 João Rodrigues Gonçalves. 5 J. V. Pereira..... 1 João Baptista Gomes. ___ 1 J. J. Floriano Alvares_ 1 Luiz do Balsemão de Sá Nogueira.. 1 L. de Almada e Castro__.'__ 1 Leocadio J. da Costa... 5 Lucio de Asevedo. 2 Luiz de Araujo Rosa. 1 Luiz J. da Silv . 1 L. J. M. Marques .... 1 P.” Manuel F. do Eozario e Almeida__ 1 M. de Castro Sampaio ..... 1 Miguel Ayres da Silva. 1 Maximiano da Rosa, Junior . . 1 M. A. da Ponte_ 1 O. da Cruz. 1 P. A. da osta. 1 P. Nolasco da Silva_ 1 P. Nolasco da Silva, Junior.. 2 Q. A. Guttierres. 1 Simplicio Antonio Tavares... 1 “ Sociedade do Thoatro de D. Pedro V.”_ 1 S. V. da Rosa. 1 S. C. Guttierres. 1 Vicente da Portaria. 5 V. Danenberg. 1 Vicente Nicolau de Mesquita. 1 Vicente Silveira Maciel. 1 Visconde do Cercal_ 3 P." Zeferino Antonio Vieira. 1
  • • 1 ,_. . . I- .... . .. i.'-iT'1 í < ■ ['•]. ........ - * ' . \-
  • AVISO DO EDITOR. O sr. A. Marques Pereira dará brevemente ao nrélo as seguintes obras : OU RELAÇÃO DOS FACTOS MAIS NOTÁVEIS DA HISTORIA DE MACAU PELA SÉltIE DOS ANNOS DESDE A PRIMEIRA ENTRADA DOS PORTUGUESES NA CHINA ATÉ 1868 Esta obra nada tem de comtnum com as ephomerides que hoje se publicam. É facil de ver que a Chromlogía foi trabalho anterior ao das Ephemericles. N’aquelle o auctor indagou o ordenou os factos; no segundo recreou-se com o estudo que fizera. A Chromlogía macaense é um trabalho attento e sério; as Ephemerides uma difficuldade também, mas um passatempo. Alem d’isto, seguindo a precisa indicação dos dias do anno, as Ephemerides admittem muito menor numero de factos do que a commemoração chronologiea, para a qual basta o conhecimento da epocha aproximada em que se deram. Finalmente, circumscrevendo-se á historia das relações dos portugueses com a China, sem cuidar dos demais pó- vos, que em si têem e aqui trouxeram feições variadas, a Chromlogía macaense admittirá mais demorada noticia, pelo mesmo facto de se redusir a um assumpto menos complexo.
  • BIBUOGRAPHIA MACAENSE RESENHA DE TODOS OS ESCRIPTOS PO.TUGUESES PUBLICADOS EM MACAU DESDE O PRIMCTP10 DO ESTABELECIMENTO ATE HOJE ACOMPANHADA DE BREVES ESTUDOS SCUtE O MERECIMENTO D’ELLES E NOTICIA DA VIDA DOS SEUS AUCTRES Com respeito a este trabalho, limitar-no.-hemos a tran¬ screver alguns períodos do artigo em que o aietor o annun- ciou, ha quatro annos, no periodico Ta-s&yang-huó. Os fragmentos, que em seguida publicou em mitos numeros da mesma folha, inculcam de sobra a impoiancia da obra c a utilidade que ella se propõe dar aos que e applicam ao estudo das cousas da China.—Ahi disse poi: “ Entendendo que a noticia do gradual lesolvolvimen- to scintifico e litterario de um paiz qualquere até de uma colonia (por muito limitada que a mesma cconia seja, pois que a estreitesa de limites não quer dizer pc si isolamento irremissível das leis do progresso); entendndo, digo, que essa noticia, embora diffieil e de trabalhosa ivestigação, ou antes por isso mesmo, não deve deixar de er considerada parte importantíssima da historia do mesmipaiz : resolvi, —na série de estudos que devo emprehener em cumpri¬ mento das ordens do governo de Sua Maestade, para a noticia das relações de Portugal com a Clna, e na parte relativa á historia d’esta colonia,—dedicar-m algum tempo á bibliographia macaense, fazendo uma reseha de todos os escriptos portugueses publicados em Macai desde o prin¬ cipio do estabelecimento até hoje, acompanada de breves estudos sobro o merecimento d’elles e notici da vida dos seus auctores. N’esta resenha se incluirá tmbem, quanto o espaço o permittir, a das obras de escriptois portugueses, dadas á luz em qualquer ponto do imperil chinez, e das publicadas no reino, que digam exclusivamnte respeito ás nossas cousas da China, ou a Macau. “ N’este delineado quadro bibliographio, a parte que se refere propriamente a esta colonia não dvo ser tida em pequeno preço, repetimo-l’o. A bibliograpla de uma terra dá a feição do seu povo e o conhecimento la sua historia. Os livros são em toda a parte o precioso lejado pelo qual as gerações, para assim dizer, se transmittm vivas ás que
  • 139 — lhes succederri.—Alem do que, estas bibliographies parciaes, memórias da imprensa das differentes localidades, são contribuições valiosas para o grande monumento da biblio- graphia nacional, que entre nós se está já ergendo ha annos no Bicctonario do sr. Innocencio,—obra que não tem inveja a quaesquer semelhantes das outras nações, mas a que fal¬ tam ainda quasi todos os esclarecimentos do que pertence á imprensa macaense. “ É porem justiça e necessidade nossa declarar que a lacuna do Biccionario tem explicação bastante em grandes difficuldades, com que hoje nos vemos luctando para a rea- lisação da nossa empresa n’esta parte. A mobilidade da população de uma terra pequena, esscncialmente commer¬ cial e distanciada mais que todas do centro da sua civilisa- ção e da sua existência política; a acção destruhidora de um clima que parece escolher de pfeferencia as bibliothecas e archivos para os reduzir a pó em não longos annos: são os principaes obstáculos que fazem rosto ao commettimon- to, e que tornam indispensável ao desempenho possível d’el- le o concurso de todas as indagações, o auxilio de todas as advertências de quantos se interessam no assumpto.” É cm seguida a estes dois livros, já agora promptos na maior parte, que o auctor, sobrando-lhe o tempo que ainda precisa para complemento dos estudos indispensáveis inten¬ ta publicar a obra a que principalmente se tem applicado ha annos, e que deseja tornar tão exacta e interessante quanto lh’o exige o valor dos assumptos que n’ella trata. —Intitula-se: PORTUGAL E A CHINA Relatorio das missões diplomáticas portuguesas ao império chiiei EM 1862 E 1864. PRECEDIDO DE UMA EXTENSA NOTICIA DA CHINA E DAS SUAS RELAÇÕES COM OS PÓVOS CIIRISTÃ08 NO QUE 8E INCLUE A HISTORIA DO ESTABELECIMENTO DE MACAU E DE TODAS AS NEGOCIAÇÕES ATÉ AGORA HAVIDAS. Publicação ordenada pelo Governo.
  • DO MESMO ATTOTOR. PUBLICAÇÕES OFFICIAES J Relatorio da emigração chinesa do pôrto de Macau.— Macau, Typ. de José da Silva, 1861. Rf.LATORIO ACERCA DAS ATTRIBCIÇÕES DA PrOCURATURA DOS NEGOCIOS 8INICOS DA CIDADE DE MACAU, ETC.-Ibid., 1867. PUBLICAÇÕES LITTERARIAS i Uma mulher do seculo, romance contemporâneo.—Lisboa, Typ. de J. G-. do Sousa Neves, 1858. Esbóços e perfís.—No prélo.
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