• M HISTORIA / ,DA GVERRA I DOS TARTAR OS, 1 Em que fe refere,como neftes not» fos tempos inuadirão o Im- pério da China, Sc o tem quafi todo occu- /fy x y ^ /f! . P^9» /~ -a-JtvyArtx Ai.Jx.tSt S Efcrita em Latim ?- TELLO P. MARTIM MARTINES da Companhia delESV. .■ Ordenada / NA LING VA PORT VG VESA.1 ; oferecida A LVIS MENDES DE ELVAS, Secretario de S.MageJlad luta dos tresEfiados do Rej>io} & da que hora $ ditto Senhor mandou formar de Mi- nijlros dos mais LISBOA. Com licença,& Rriuilegio Real. ' . Na Oficina de Henrique Válent® de Oliveira, Anno 1 fmm ■ . -èi
  • .» r m r ! ,fl£i / . •' 1 * 3' I - - l< , . • j ; ■ ■ i • : $ ?; '! ; * « A • ; ;' - 1 " i •• i- ' -.7 •. V ' • ■' " 'ifj .9? '£ ' .... . >. . . í O X -■ ■-< ( , ' TV > f , -j f ' - - * 5 "1 \ . a ' V . • • 1 .K »> 1 if* >41 • "Cv ■ *Y % v. t. ■**T Ml'i V* '1 -nr i 'W J W
  • ■ A LVIS MENDES a deEIvas Secretario de J S. Mag, na Juntados | tresEftadosdoRcino, 8c da q hora o dito S. I mandou formar de j miniftrosdos ma: v ■ "• ! T ribunaes, Sc , Inflam ■ muitoSyd ■L de^ao dar * jáiMl, r 1 ft to me fc^ | mar o trabalho de I em portugue^ I m da China, q como tef- j temunha de 1 njla efere- í \ y.eo tm Laúm o L.Mar- V-W| \ f »»< tun Ma rtines da Comfxa- „ «w-, j' ,j ■ .» f3- nkim
  • ' hhiade IESVj ejcritor" taodouto, & , como illujlre Mifsionario jfpojlolico naquellas par tes;a cujo trabalho o * mundo a noticia clara, & certa afsi Geográfica,co- mo natural,& politica da ultima parte da Afia . Ajuntouíe a if o o entew der, que fazendo efia historia livraria em parte ao noffo bom "velho Fernam Mendes Finto, da fufpeita de pouco Ver- dadeiro, q delle te le infinito numero de fu- veitos, que devendo ter êlbos no jui%o, te o juiy nos
  • 1 nos olhos: & porque entedem fenao o ãfsi nao crèm fenao o que entedem. O !?. !• dedicou ejle livro aloao Cajtmiro ^ei de Colonics movido>nao tanto do ref- peito devido a tão digna Magejlade, como obriga- do dogenerofo ^ & piedade co que de preme- ie com larga mão tomou a fuacontay & por ella ■ corre os gajloSj & defpe- ^as da noVa expedição} & entrada dos Pregado- o res doEvãgelbo nos Rei- nos da Tartar ia OrietaL He tão excellente a Vir- t • tf 4 tude
  • ilide da liberalidade, os * Reis legítimos fern ella pa rece tiranos-)os tiranos que a te parece legítimos: aos particulares, a vfao« fe os nao fa^ Príncipes ..na dignidade,os ft^ver- dadeiramete na eftimação: Conquiflao liberal com os benefícios fubditos tão o~ -bediet.es, anato fio viole* tados os que rede o poder das armas. Reconhecido deft a obrigação cotrahida por tatos ftVore& ai ~ toes gra d lojas me pareces] devia ojfereceraV. Ivl.ent final de agradecimeto btftox'm tao admirmelpel
  • los fuccejlos das armas, mo doutrinalpellos da To lítica. Enaodeixa de fer obfequio coVeniete ojfere- cer a bu minijlrodegrade jul
  • cobkd dos mtumstfue o * ímpeto dos cotranos,a am bicão dos de detrofq o ya- lor dos de fordifcordta & defavenca dos q o de- ^ ttiao de feder,q arefolucao dosq o tnVadirao. Em to- do tempo, & fe- guro, he Imico de pi ude- ciaconftderar os e (feitos dos defatinos eyitaro ri fco de os pade,- cer. Aceite Micom ejict br eye narracao, o gr ande Ajfeclo co que lhaojferey ' & tenho deo fer Vir. Ouar de DeosjãM M'Como zejofêc... , v D.D.G.C , j ✓ « • I
  • L T7 ^ con^ormc com JÍ original. Em S. Roqup n.de Abril de 65,7. O D Mils Rodrigues. Ylfto eflar conforme com ^ feu original;póde correi * eíte liuro. Lisboa 13.de Abril de 657. Ir anafe o Car do/o de Tornco. Tanta!eão Rodrigues Pacheco. Diogo de Soufa. Ir. Pedro de Magalhães. , Axão eftc Liuro em JL quatro vintéis em papd. Lisboa 13.de Abril de r 6-j. Marckao. Soufa. \ ERRA-
  • erratas Mais notáveis, as mais 1- cijmente emendará o leitor. i * „ , S , ^ FO/. jt. reg. 16. mercadtes, leãyHwr adores. Foi.%6.reg.20,ponno, Fol.^y.reg. j. p recerão. ícl.jj. reg.20. governava, ea, governa. fol.yy.reg.i.occupart, lea/íw- para. Foi. 116.r eg-2-Quing, lea,0 i 5V. Fel. loz.reg.S. matejfe, \eama~ Foi.ultimo.regei 1 .Frigid,lea, Trigaucio,
  • HISTORIA "■ DA GVERRA DOS TÁRTAROS. Em que fe refere como ncíles nofios têpos in- vadirão o Império da China, & o tem quafi todo occupado. E nella. fe defereve brevemente fens cojlumes. S Tartaros he híía gente antiguiiíima na Afia, de quem procedem outras muitas. De quatro mil annos a cila parte foi lempre inimi- ciílirna do Império da ChD i fl^com quem andarão conti- nuamente em cruéis guerras; . & poft© que algíías vezes fo- ! túo venci dor, outras muitas A £çàrãô t
  • 2 c H ft or ia da guerra ficarão vencedores. Charm Tartaros aquelía gente, qu occtipa as terras Septentrio naes, ilèm daquelle faaioh inuro dos Chinas q do Oc- cidente ao Oriente, quafi cõ- tinuado, fe extende por rnas de trezentas milhas Germâ- nicas, que fazem das noílas léguas pe!!a melhor conta trezentas & fincoenta. Dize- mos (quafi continuado) porq por alguas partes o diuidem rios caudalofos. Entenderão os Chinas que com efice muro ficaria leu império fechado,& leguro de invaíoes.A eftagê- te (porque noíeu idioma não via da letra R) chamão os Chinas Tata.EÍlaoccupa to- -r da a antigua Tartaria, aífi ao Oriental não conhecida athè ho)e dos. de Europa, como ao Occidental, onde os Reinos Samahania, Tanyu, Niuque, Niuihai^oC outros lemeihan- ^ tes
  • dos Tartaros. j tes da mefma gente fe d i ft i li- guem da Tartaria menor, Sc do Reyno de Cafcar, quefe estende athè o mar Oriental do Japão, Sc aqui fe aparta de Quevira da America com ' o eftreico de Anian, fe he cer- to que ha tal eftreito,& a ter- ra não he toda firme, & con- tinuada. Não he meu intento elerever nefta hiftoria todas as guerras que os Tartaros ti- veráo com os Chinas, leilão sò aquellas que eftando nós prelente,luccederão neftes vl- timos annos, que começarão 110 de mil íeis centos & defa- leisj porque as mais fe pode- , ráo ver no meu Epitome das hiftorias da China. E porque procedamos com ordem, he neceílario que demais atraz fe faiba como, Sc d'ode le ori- ginarão. Hale de faber que os Tar- , taros da antigua Tartaria Az Qcci-
  • 4 UiftorU da gum a Occidental, de quern tratao Marco Paulo Veneto,ík Ay- tonius,deípois que ganharão, & íogeitarão a feu poder qua fi a toda a Aha fizeráo tam- bém guerra aos Chinas? cu- ja região chamão eftes Au- thores Oatayurn^c Mangin: & ifto k>i antes dos tépos do grande Tamerlam , o qual nuca occupou a Çhina>como algus erradaméte elcreveráo« Porque Tamerlam floreceo delpois que os Chinas tinhao ja lançado de leu Império aos Tártaros: convê a faber, pou- co mak? ou menos no anno do S.de mil & quatro cetos& leis. No qual tepo imperaua pacificamente toda a China (quero dizer todas as ptouiii- cias q efiáo do muro a Getro) o Emperador Taiçugo II. da família Taiminga^St a guerra dos Chinas cõ 03 Tartaros, de q falia Veneto, como evi-
  • dos Tart aros. ç den temente cõíh da hifíoru* & Chronolegú dos Chinas começou uo anno do nafei- meto de Chrifto de mil & efu zentos & ieis. E durou'fete ta & tres annos>& no fim deiles ficarao os Tártaros vencedo- res, & extinda a família írn- perialSííga. OccuparSò todo acjuelie poderofiffimo Impé- rio 110 anno de mil & duzen- tos íctcta & oico> o goucr- nárão pacificamétefetéca an- nos elíabekeedo curta uova família cj íe chamoujuena3& delia per cõtictu iucccíTaa houve na China nove Empe- radores Tártaros. Veneto^co- Tarta- mo cõila de íeus elcritto, an- 'perado tes de acabada a guerra dos res na Chinas com os Tartaros.en- Ciniuh tra na China 11 o anno de mil & duzentos íetenta & íinco* Neftes íetenta annos cj os Tartaros forao fenhores da China j ocioíos com a longa . P
  • 4 ,6 Biftor.ia da guerra paz,le entregarão tanto às de- licias da terra; que pouco a pouco tomando os coftumes dos Chinas,vierão a perder o valor &£ fortaleza Tarcarea de maneira, que tiverão os Chinas occafião,& confiança para íe rebellarem& osacco- metterem o q paílou da ma- neira feguinte. ho_ Levátoule hum vil home- mè htp~ zinho chamado Cu, que ti- milde nha fido criado de hum fallos ÍTrar- Sacerdotes dos idolos, Eftc taros da co padecido da miferavel lor- cbina. te tjos fCUSj Uuado da ambi- ção de reinar, fe fez primeiro ladrão,-8£ como por natureza era generolo, atrevido, & de mãos, & juizo prompto; não lhe faltou animo, arte, com- panheiros, & fortuna, em que pouco a pouco crcfceo tanto, que veyo ajuntar grandes ex- ércitos.Deixando os montes, & o officio de ladrão feito general
  • dos Tartar os, 'f f general com declarada guer- ra, le attreveo a inveíUr com os Tartaros, com quem teve muitas batalhas, & alcançou infignes victorias^ finalmente os lançou de todo do Impé- rio da China,& teve por pre- mio de (uas vittorias todo o Império no anno de mil & trezentos íelenta & oito. E f- teintiftuhio a Imperial faroi- j?£em 1; rp « • o r • • dafaMt- ua 1 aimmga, &Í01 o pn- ha Ta meiro Emperedor delia. Tc- moii por nome Hunguo, que quer dizer Grande Guerreiro. Tem tanta torça os exem- ples grandes, que efte fucceí- ío deu confiança nas ptefen- tes guerras a muitos ladrões, & homens perdidos paraafi- pirarem ao Império, como veremos abaixo. Todas as províncias facil- mente o reconhefeerao por leu libertador, & affi os pe- quenos como os grandes o A 4 vene-
  • % Mftoria da guerra vencráráo por ten digno cicia- * dão: porque os Chinas náo menos abhorrecé, 8c dei pr e- sáo os eílrangeiros,do que a- máo os feus naturses. Elie novo Empcrador aflentou feu Paço Real , 8c Corte *» lia grande cidade Nanking. Sita ius ribeiras do íamo- lo tio Kiang , que por tua grandeza , Sc muitas aguas ciiamáo os Chinas filho do mar. Afíentadas brevemente as coutas do Imp crio, fe- jarta- guro o Emperador dos te- ros ré - us, não íe contentando de "•'as ter lacado da China os Tar- 7hÍSltt v tri: & nclla foi continuando as vittorias fazendo uelies gran- Ipas. de mortandade , & deitrui- çáo nas terás. Finalmente poz em tanto aperto os Tárta- ros OrientaeSj que os coní- trangeo ^ depoitas as armas "" a off;-
  • dos Tártaros 9 aofferecer tributos, Sc pcdit: paz.Iílo fizerão principaliiíe- to os Tártaros do Reino de Kiuque, a cujas terras íe ti- nha accolhido grande parte dos Tartaros qne tugirão ac- cofiados dos Chinas. Dahi por diante os deile Reino ro- cios cs annos ennavão na China pellas terras vizinhas de Leaotung a comerciai: como ltibditos . 011 amigos admirtidos^poílos em tal po- breza, que lhe não paflava pelia imaginação fazerem guerra . As mercadorias O' _ _ que traaião , era Giníe a^ quella raiz que os Chinas n • ** li i • tanto elumao, pelies ae ani- maes de todo genero Caí- tores, Rapozas, Mar tas, Sc Zibelii ias precioíiílunas, Sc finalmente muitas cerd.-s de cavalio de que os. Chinas, fazem Ixuraas rodinhas com. que apertão os, cahellos da. . A 5 ca-
  • 4 io Hi floria da gnená cabeça, baibaramente alegres fe pagaõ deite enfeite. Pouco a pouco forão cref- Cendo efies Tartaros de mo- do que íe diuidirao em lete Governadores, ou Potenta-^ dos; eftes delavindos entre li, fizerao guerra,& veyo a ficar, cm hum Reino a quem cha- maraõ Niuque pellos annos de mil & feis centos. O Emperador da China feita paz com os Tarraros mais Occidentaes do Reino Zmff.. Tanyu, lhe mandava todos rador QS annos feu triblltO, OU Die- paça . 1 tribtao sentes para os ter quietos nas *os w- armas.Os Chinas, ieguindo a taros. doutrina de feus íiloio- phos, tem para íi que nãõ he deshonra, nem abatimento render tributo a fim de con- lervar a paz, & foifego das pronincias5 condenaõ em ex- tremo a guerra, & dizem que tfU íenaõ ha de fazer 5 naõ
  • dos Tártaros^ i x naõ dei pois que applicados todos os meyos, & concedi- das todas as outras condições naõ approveirarem. Nelte tempo araedrenta- dos os Chipas,cofiando pou- co dos antiguos inimigos de leu d tad o, & riquezas, puze- raõ grande cuidado cm tra- zer bem guarnecido, & preli- diado o íeu grande muro, de maneira cj em parte nenhíia lhe faltaíle guarda. O que le naõ pode fazer com menos de hum miíhaõ de ioldados, que coutinuamente íiiftenta- vaq para lua guarnição ordi- nal ia. Delle modo aíTcntado, & imperii eíiabcllicido o Império da a 1 L')l" * .Ul iro- China debaixo do poder da va-ado família Taiminga,gozou li fia p^h- confiante paz,£c tranquiiida- de poi clpaço de duzentos & CCEUt-il iinaoema anno?. annate No tempo que os fcte Ge- A 4 verna-
  • ti Hi floria da gvma vemadores, ou potctados dos Tartaros(como diííemos)an- davao crn guerra luís cõ ou- tros, goveinaua o Império da China o fsliciflimo Empera- dor Vanlieo XIII.da família Tairr.ihga. Eíle começou a reinar no anno de mil & qui- nhêtos fetéta & tres,athè o an lio de mil & leis cetos & vin- te governou perfeitamête câ grande nome & lama de pru- dente refto,& jufio. E como os Tártaros do -Temem Reino Niuque de tátos Pote- cLt' ta dos, vierao a fazer hu Rci- ít , ^ <- i" nut'*- no,chegarao por tepos a crel- fljcdj Cer táto^q aos Chinas,ao co- Tarta- pafío de leus atígnietos, lhes creiciaõ os temores. I-elio cj osminiftros grades dhs ChK Sxcogi- nasfizeraõ muitos conlelhos fhhlls fecretos para reíoluerem os de defi- meyos ou de os coníervar crn tmh-nos 2niiza.de,cu es deílruir de to- *TélY » T6S. UO. Enue
  • dos Tar Ur os» 4 ij Entre os Chinas tem tanto poder, & authoridade cites fniniftrosy c(pcilo q como fe fotfé eí ciavos do Ernperadot, pendão dc luas ordés) ern ex- ercer o officio q lhes cõcede de tratar do bem publico, íe hão como abíolutos íenhores falvo íe o Emperadoiyou ou- tros minillros mayereslhes or denão o cõtrario.He tão pre- piio neíles o mãdar, & raan- daõ com authoridade tani íu- perior^ q os Pcrtuguezes lhes ch amaõ Mandarins, de man- dar . Afli que quando foliar- mos nclles nefta hiftoria,vza- remos dcftc vocábulo. Começarão os Chinas a mcíh-ar o edio q íe té a quem racanfk fe teme, cõ q deraõ cauía aos *a&Htrz Tartaros de íe alterarem. E * " fei aprimeira q os Mandarins da província de Leaotung, que eftà vifinha ao Pveino de K'iuque, receberão mal mai
  • 14 Hiftoria da guerra, mal os mercadores Tartáros* esbulhandoos de todas íu- Se
  • dos Tártaros. /2> Deíla cidade por hum la- ma (que aíli chamaõ certos Sacerdotes dos iddcs)que ti- nha por nome Indo,mandou. hua carta ao Emperadcr, ef- crita em letra Tarrarica. Naõ continha razões barbaras, an- tes hia chea de palavras hu- mildes, &: de muitos termos de fubmiffaõ, em que repre- lenuua ao Emperader,ccmo elle irritado das injtuias rece- bidas de íeus Mandarins,mo- vera aquella guerra, & ie clle fofle ouvido, & Eur feito dos * damnos padecid&s pellas in- jurias paliadas, promettia de largar logo a cidade tomada, & de cellar as armas.Recebi- * da a carta,o Ernperador Van- lieo, poíto que por cutra par- te era hum varaõ de grande prudência , & proueílo em huainíigne experiência, em tratar, & expedir as coufas: nefíe negocioâ& fendo ja ve- ihoy
  • <*> tí 6 Hi si or i a da *ucru lho, le vio cj procedeo menos pròvidamete Tédo cm pouco eila materia,a reputou por in- digna cle ie trattar della em ieupaçc.E aifi aitpietuo aos iupremcs Mandarins.. Elt.es por lua cofíuraada íobcrba ie liaõ ciignaraõ de dar repoíta fj[oler: ao Rei Tartaro,avaliãdoo por la lid barbaroj. antes íe indigna- tofchU raõ muito de avcr quem ie a- ras *c- treveílè a requerer com arro- ccnJeo a gancia a íeu Eir.pcrador ía- ti-f«a6 de iiijmiaa. 1 , tares. O Rey vcnacle aeípreza- do, & quinem ainda meie- Xarbitro cera XC pCí t«l ClZ 111!d JUiUí!llTíd "vote d°s j- c pedira; convertida Tart.u • , * r ' ^ • c ns. toda a paixao cm raiva, tez Jjocto voto de matar.cinzentos. Chinas para celebrar a ex- équias de leu pai . Coítu- maõ os T art ares quando* morrem os mats nobres, Ian- çarí no fogo, & queimaié ai- iLus.QudoSj mulheres*cavafo los
  • dos Tártaros. 17 1 !os,arcosÔ£ letras, para defpo- is da morte lervirc ao defun- fto.Poíio q agora deípois de occuparé o Império, infirui- dos dos meimos Chinas, largàraõ efte bárbaro coftu- » me. Em continente ajuntou o 9 Rei Tartaro as armas, & cõ lincoenta mil de cavallo, fei €m demanda da cidade de Leaoyang, metropoli da pro- víncia de Leaotung, & lhe poz cerco. Guardava eíla ci- dade hum crande numero de O 10]dados, & os mais delles ar- mados de eícopetas. Os Tár- taros q naõ labiaõ mais, q v- far cõ increivel deEreza de íe- us finos alfanges, & Tetras,fi- càraõ sumamente medro To a dos eTcopereiros. Com hum eílratagema deTprezáraô lo- go o eiieito deflas armas,del- les athè entaõ deíconhecidas. MãdouoRei Tartalo iazer, U
  • ' 18 Hi floria da guerra & dar aos toldados daVãgnaf * da huns pavezes de páo, grof- ios, que embarçàuaõ como elcudos. Com elles cubertos, & guardados fizerao os ca- vaikiros que os levavaõ hum muro de madeira. Atraz dela- tes leleguiaõ os que levavaõ as efcadas para íe lubir aos muros. E vltimamente hum íorriffimo esquadrão de ca- vallaria. Com efta ordem i 11- veítiraõ por quatro partes a cidade, em quanto receberão em teu portátil muro de ma- deira, a primeira lurriadade bailas da cidade, velociffima- mente arrimàraõ as efcadas, fubiraõ ganhàraõ as mura- lhas , & renderão a cidade. ' Tanta foi a prcfía, 8c veloci- dade dos Tartarosfem que faõ infignes,& a que applicaõ o principal de luas forças)que naõ deraõ lugar aos Chinas para carregar fegunda vez fuás
  • dos Tártaros. *9 fuas cfcopetas. Também lhes ier-vio de muito danno o não lerem deílros, nem laberem a arte, & vlo deitas armas. Af- lombrados de tam repentino infortúnio fugirão por hua porta; porém leguidos da ve- lociffima cauallaiia dos Tár- taros, forão prelos muitos, ÔC mortos. Rendida eíta cidade,nao fe deteve muito oReiTartaro. Com o mefmo impeturen- deo outras de menor nome, entre as quaes foi também a nobliííima Guangning. Con- tinuado daqui, & brey iííima- mente fojeitando toda a pro- vinda de Laaotung, penetrou logo outra vizinha ao Peking. Como chegaíTe athè diiian- O - * cia de fete léguas deita Real cidade,não quiz paliar adian- te temendo ficar cortado dos grandes exércitos dos Chi- nas, que de todas as partes con-
  • 2o Mftor'ta (Id guerra- conccri iaó. Ainda cj era tan- 1 to o temor, q aflaltou os mo- radores, & íoldados das terras por onde pafiavaõ,q a mayor parte delles deixando os mu- X0S)OC à> calasdeiéparadas tu- giaõ. PorcjosTartaros todas as cidades, & li gares que lhes reíiftiaõ, naõ fioò as taquea- vaõ fenao'também a ferro, & a fogo as deftruhiao: & aos que íem refiftencia ierendiaõ faqueada a cidade lómête tra- tauao corn afoita' humanida- de os rendidos moradores q eícaoaváo. Vencedor o Tartaro,levan- do grande copia de riquezas, fe tornou para a ntetropoli de JLeaotíig, a qual logoguarne- ceo,& fortificou cõ novos mu ros, derribando os antigos q tinha porque o avizàrao íeus agoureiros que craõ infaul- tos. Nefta cidade finalmente fe man-
  • dos Tart rir es. ir iriandou chamar o Ernpera- Rei Tai dor da China, fem embargo tarofa^ •que não tinha occupado mais mir im q aquelía vitima parte Orié- tal da província de Leaotuç-: cla cl?i' \ r 1 r 7 ■ porem na eíperad-ça le dava ja f por íenhor de todo o Impe- 1 rio. Tomou novo nome da China, 8c chamoufe Thien- , mingo no anno de feu Reina- do terceiro q foi o de Chifto de mil leis centos 8c defoito* Neft&rnefmo anno o Eim- perador Vanlieo foi perluadi- do de muitos q Jãçaííe fora do Império aos Padres da Com- panhia de Teíu propagadores da Fèe ChriíHa. Delpois de repugnar muitas vezes pcrq era aiieiçoado às coulas daFè, 8c aos Padres: finalmete con- vecido dasimportunas inftan- tancias de hu grade Mãdarim chamado Xinkio capital ini- migo hauiâ annos da Religi- ^ ãojCatholicap paíTou decreto -;.,j gar^
  • 11 Hijloria ãa gueYYA para fere lançados fora do Im perio todosos padres d le oc- cupavão na pregação doEvail gslho.Andavão os padresefpa lhados por varias Províncias, onde alguns eícapàrão occul- tarnéte poofauor de algusMã clarins Chriflãos : os mais fe- chados em gayolas, os man- darão para Macào: no cami- nho poftos em grandes aper- tos, padecerão coufas increi- veis: outros forão cruelmente açoutados por mandado dos Mandarins com grande gofto dos affiigidos, por fe verem dignos de padecer afrontas, pello nome deJefu.Alem dif- to prohibio o Emperador Vanlieo aos feus q não pro- feíTaíTem a Religião Chriftáa. Nefta occafião os chinas, que das incultas brenhas dos Ído- los,vierao aos alegres campos do Senhor,deraõ illuíircs tef- tiraiuiho dc fua Fèe? & conf- ' un- « 4 ^
  • • dos Tar twos. tancía . Ainda que a hiftoria mais larga defta perfeguiçaõ pertence a outro lugar.Toca- Íèaqui,para que nos admire- mos da Diuina prouidencia, que entaõ moveo mais cruel guerra aos Chinas, quando perturbarão a Religião , & paz Chiítãa. Porq neflemef- mo anno fuccedeo fixarem os Tartaros no Império da Chi- Caftíg* naaquellas raizes, de q cref- Deosos \ i • ^ v ~ Chinas cerao tanto, que extinguirão ^eua a família Taiminga, 8c occu- perfegnh pàraõ quafi todo o Império, quando alguns dos Chinas 0St ^ procurarão arrancar de todo a Fèe Catholica .Porém cref- ceo (como coílumaj a Fèe cõ âperíeguição a tanta grande- zajque fe alegra hoje a Igreja: & o feu império fe Deos não âcodir a !eu affii&o eftado, fe vee quafi perdido. . Tornando i hiftoria,entre- tanto os Chinas folicitos em expulfaic
  • Historia da guerra eXpuIfar os inimigos por feus Mandarins em toda a Chinaf tinhão feiro eleição das peiío- as que podiaõ tomar armas. Aflentaráo leis cétos mil íol- dados efcolhidos . O Rei de Corea que he húa eftendida peninfula q efíà entre a Chi- na, 8c o Japão, mandou de • foccorro ao Emperador doze mil homens. Com efte pode- rofiffimo exercito no princi- pio do mez de Março de mil *" & leis centos ÔC delãnove, fe moverão contra os Tartaros. Eftcs oufadainente lhes fahi- ráo ao encontro. Com decla- rada batalha,ainda que por al gum tempo duuidcfa,fe pele- tosZTn. jou athè que finalmente o ex- ttdtres. ercito dos Chinas fe poz em fugida,& delle ficarão mortos cincoenta mil , & os princi- paes Capitães. Os Tarraros (como coíhimão)velociffima- jnente foráo profeguindo a Victoria;
  • dos Tur toros. 2f /tf no mefmo dia laquearão, 8c queimarão duas cidades pal- iando tudo a ferro, & a fogo« Befpoisdifto roubado, & def- truindo todas as terras por 011 de paflavao,chegarão athè os muros da Real Peking. Não ouzàrão intêtar fua expugna- ção, porq havia nella infinito numero de peças dc artilhe- ria, & oitéta mil foldados de prefidio. Cõfeífaõ os Chinas* q fora tanto o temor,& con- fufaõ,q neftaoccaíião houve- ra no Paço Imperial qucjào Emperador ttattava de dese- parar a Corte, & accolherfe para as províncias mais Auftra- cs: o q lem duvida poria em execução, ie alguns dos leus Mãdarins lho não impedirão* reprefentandolhe,q a fua reti- rada ferveria de acrelcentar o !r „ animo aos Tartaros,& de to- todt?^ tal perturbação ao Império, n &qtieo fugir era o mefmo B
  • v* \ 26 lit fieri a da guerra que entregar as terras aos ini- migos. Também coriteffaõ q fe os Tártaros fizerao qual- quer aperto,que havião de ré- der a cidade,-porem eftes qui- zerao antes andar à pilhagem por todas as partes. Affique 1 por huas, & outras derrama- dos, laquearão todas as cida- des,villas, & lugares que en- contrarão, & em todas ellas rnatàraõ cruelméte hu grande numero de Chinas. Vltima- mente deixando todos os lu- gares, tem preíidio, íe reco- lherão carregados de defpo- jos à vitima terra de Leao- tung. ' Defpoís que eftas coufas Moneoo fuccederaõ, morreo o Empe- ci*™ rac[or Vaniieo, no anno de Fantteo. mil & íeis centos 8c vinte. Succedeolhe 110 melmoanno leu flho^Taycango, o qual aji mando novas forças, não fendo paliados quatro metes; ' morreo
  • dos Tártaros* 17 d9 morreo também. A efte fuc- Logo cedeo Thienkio. Tanto que tomou poíTe do Império, ex- pedio logo embaxador ao x° iue Rei de Corea dandolhe os aggradecimentos dos foccor- 1 • ros que mandara a feu avoo, conlolandoo da perda que re- 1 cebera nos Toldados mortos «m íeu ferviço. Mandoulhe hum magnifico prefente dig- no do Monarcha da China» com intenção de lhe tirar ou- tros Toccorrosjporque os Ca- reanos aiíi como no fitio da terra Taõ chagados aos Ja- pões,afli no valor militar lhes Taõ mui parecidos. E porque le devião obviar com mais força os dannos, q ameaçaváo, ajuntou de todo o Império novos loccorros, q mandou aLeaotung para im- pedir aos Tarraros a entrada em outras províncias que íè feguiáo, £ para prover me- Bi jhor
  • 58 Hifiori/t <Í4 guerra ■ lhor eftes exércitos, mandou aparelhar hua grande armada de náos no porto dè Thieciu para os foccorrer de manti- mentos, & das mais còufaá necefíarias.Thiecin he hua el- taçáo onde le^uta híí increivd numero de embarcações, que por mar, & por rios navegão por toda a China- Alfi q com eftas embarcações pella brevi- dade do caminho por mar,fa- cilmete mandava os íocçorros de todo o neceffario:porque a provinda dc Leaotung quafí toda a lava o mar,& difta do EmporioThiecin caminho de dous dias por mar, fendo que aterra ie extende por muito < mayor diftancia* Entre os Capitaês q trou- xcrão loccorros , foi huma mulher a que verdadeiramen- te chamaremos Amizrna;ou PemhaClea China. Eíh veyo da remota provrncia deSu- « cuen
  • dos TmtATOS. \ cucn com trinta mil homes de foecorro. Vinha em trajos de home, & o era no valor^pello q tomou huns titulos q não diziáo com mulhor, fenão cõ varão forte. A efte refpeita deu na guerra contra os Tár- taros raros exép los de valor, & delpois contra os Chinas, q ie rebellirão, & fc oppufe- rão contra o leu Emperador* Viera ella Rainha em lugar de hum pequeno filho que deixara em cala, por não ter idade capaz de andar na guerra. Nos montes da pro- vinda de Sucuen ha hu Rei- no, que nao he fogeito aos Chinas. Governafe com po- der indepente: fóo por razão da honra recebe do Empera- dor da China a Coroa deRei. Os montanhefes defte dellri- <3o lóo a feu Rei obedecem, & pagão tributo, & na fortale Zàc&í valor bellico excede jcõ B 3 veiv»
  • 30 Hiftorla ventagem conhecida a todos os do Império. Approveitaráofe delta oc- cafiáo os Doutores Chriíiáos Juftría (neitas partes os doutores tê dos grande eltimação, & autho- ridade)principalmente Paulo,, & Miguel perfuadirão ao Emperador, que pedille aos Portuguezes de Macào algu- mas peças de artelharia ma- ores,& com ellas algfts bom ardeiros deílros. Era o inté- to dos Mandarins Catboli- cos, que com eíta occafião le rei titia fiem os Padres expul- fos,8c o negocio da Ghriftan- dade tornaííe a correr na China. Satisfezfe oEmpera- • dor da propoíta j & affí man- dou logo que appareceflem os Padres^que athè entaõ oc- cultamente adminiliravaõ as coufas da Chriítandade, & outros muitos de novo forão admirados com os Toldados t Portu-
  • dos Tártaros, 31 y Portuguezes. Defte modo fe- lizmente com confentimento do Emperador foi proceden- do athè eíles tempos, & cada dia augmentandole o nego- cio, & efiado da Chriílanda- de a pezar do diabo, & dos inimigos da Religião Chril- táa.Affi que Deus liberalméte remunerou a efte Emperadof a aífeiçaõ, que teue às cóulaã da Fee.Porque antes que che- galTe o loccorro dos Pcrtu- guczes, os Tartaros eftavaõ lanhados fora da prouincia de Leaotungios mercadores de- . tefiando a grande crueldade do Rei Tartaroy tanto que chegava o exercito dos Chi- Tartaro* d , a 11 lançados nas, com muito golto lne a- Método briáo as portas, & inveitião da chi- comos prefidios, athè q che- na* gàrão a recuperar a meima Metropoli Leaoyang. Eftava nefta occafiáo o Rei Tartarò r na Tartaria embaraçado com . ,:: B 4 gucí-
  • gí Jítjlorta da guerra guerras, & não pode foccor- rcr a tépo.Por tanto as coutas «lo Império rei pirarão, 8c as dos Tartaros le reprimirão. Pofto que a inconftante fortuna moiírou aos Chinas mais alegre cara; com tudo, Como coltuma, não le quie- tou . Porque o Rei Tár- taro deixando compoftas as coufas da Tartaria tor- nou a entrar na província de Leaotung . Mandou di- ante fefenta mil de cavai- lo com ordem que puzefiem cerco ao Leaoyan, & que lo- go os hia leguindo com ma- yores exércitos. Em elpaço de quarenta horas, efta tam fortificada cidade fe vio ourra vez cm poder dosTartaros. Neftas poucas horas fe pele- jou com tal pertinácia,que do prefidio dos Chinas,q aguar- dava, perecerão trinta mil. Nem da parte dosTartaros foi
  • dos Tar tar os. 3 r "* foi police cnfangcentada a vittoiia j porque padecerão huma mortandade grande qual antes não tiverão; por- que perderão vinte mil Tol- dados. Antes não recupera- rião a cidade te hum Man- Traidor darim China a quem tin hão corrupto com grandes pro- metias ^ lhes não abrira hu- /• ma porra. Como quer que foíle, cs Tartaros a rende- rão. O Vizcrrei vencido da dor de perder a praça, enfor- co uie: o Vifitador Real,vivo veyo às mãos dos inimigos: cite nunca quiz dar nome nem honra de Rei ao Tár- taro , tendo por couta in- digna fobmeteríe a hum bar- baro.Louvoulhe muito o ini- migo a ccnftancia,& por ella lhe dei ao liberdade; porem elie mais cruel para íi, que o mefmo inimigo q ihe deu a vi • da; a lulpedeo em hu laço,6c £ 5 atiU • .a
  • 34 Hifloria d a guerra atirou a fi mefmo, porq foli- be que o Eiuperador o tinha condenado à morte, confor- me he eílillo entre elles, perq ainda que pelejara bem, tive- ra máo fucceílo. Rendida a cidade nefta for- ma, os Tartaros por hum E- Mdi8â diftal declararão aos mora* dos Tar- dores, que elles não matariao xaros\ ã nenhum China,que confor- me o coftume Tartaro rapaf- fe o cabello, & veftiffe a feu modo. Porque vem a propoíi- to defereveremos alguns de c. o flume, feus cofiumes. Os Tartaros *?ye(r não crião cabellos, de conti- tiaosdos ~ •. , o Tarta, 11110 rapa° a cabeça, oc arran- cão os cabellos da barba, dei- xando lo crefcer os bigodes mui compridos,Deixam tam- bém crelcer no toutiço huns poucos cabellos, que entran- çai) elegantemente, & pen- durados como rabo caem ao defde febre o hombre, Vfaõ , * . ;• de.
  • dos Tártaros* ^ ~ jy de hú barrete humilde, igual- mente redondo, guarnecido a roda com húa tira,ou faxa de tres,ou quatro dedosde largo,, de pelles de anioues que or- dinariamente laõ, de Cailor, ou Zebellinal Com elta pelle. no tempo do frio repararão delle a tefta,8c as fontes: a ou tra parte do barrete, da taxa. para cima, cobrem de panno fino vermelho, ou de cabellos de cavallc, que tingem per- feitamente de vermelho, ou negro. Elia peça de vekir naõ ha duuida que he commoda, &. naõ parece mal. Os veíti- dos faõ compridos; chegaõ, athè. os arthelhos; as mangas faõ eflreixas,&. não largas co- mo as dos Chinas, & pouco differ entes das que vfaõ os Húngaros,& Polacos:acabacu em figura de vnha de cavallc- Andáo cingidos com leu cin- tov em que trazê pendurados de:
  • %6 Bi floria ia.gum A de huma, & outra parte das ilhargas lenços para limpar as mãos, & a cara, 8c huma faca para o vfo ordinário* & duas bolfas em que guardão taba- co, & outras coufas femelha- tes. Do mefmo cinto no la- do efquerdo trazem pendu- rado hum alfange com a pon teira para diante, & os ca- bos follevados nas cofias de maneira, que quando pekjão o arrancão por cima dos hõ- bros com a mão direita, lem lhe ler neceffario pegar com a outta na bainha » Poucas vezes vlao de cal- çado; trazem botas fem eí- poras , feitas de coiro cur- tido de cavallo, ou de pon- no, de feda com feias per- feitamente iguaes de tres de- dos de altura . Viaõ quan- do cavalgão, deeliribeiras,& de fellas menos ctiftafas que a.s noffas^Sc mais largas, São de
  • dos Tartarou . & de fermoía copofiçaõ de cor- po, & de carajde cor alva$ os mais de rofho largo como os Chinas; porem nem to- dos tem os narizes chatos, nem olhos pequenos. Fallaõ pouco; andaõ a cavallo como homens imaginativos. Nos mais coftumes fao quafi fe- melhantes aos noíTos Tárta- ros de Bofphoro, porém me- nos barharos. Feftejaõ mui- to aor eftrangeiros.Não levaõ a paciência a vagaroia gravi- dade dosChinas^por efta cau- ía à primeira vifta parece mais humanos* Efta he brevemente al- guma noticia de feus coftu- mes. Tornemos à cidade que occuparaõ.Como a ella tivef- íem concorrido de outraspro- vincias antes de fua expug- naçaõ muitos mercadores ricos; a eftes permittiraõ k para onde quizçíTem com* todas
  • t-S. 58 Bifioúa da guerra todas fuás fazendas,mandan- 1 dolhes, que ccm toda a preiTa deípejailem a cidade. Os mer- ^ ... cadores não entendendo a Pe>/laf*í . " 1 rri f I • * dos traiçao dos lartaros, lanirao t*m* da cidade levando luas rique- zas^ mercadorias. ElcalTa- " mente tinhaõ caminhado tres mil paílos da cidade, quando foi 'ao alfaltados dos Tárta- ros, & athè o derradeiro mor- tos. Tornaraõíe os Tártaros cheos de ricos defpojos para a cidade, que também,o ellava, de temor,porque receava dei- les outra traiqaõ femelhan- te., i . '• " > ~ Os Tartatos, como a ex- pugnação delia cidade lhe ou liara tanto langue, affom- brado da grande mortandade que padecerão, nãoouzaraõ; ir por diante, temendo lhes fuccedeífe o meímo nas mais. Porquçtinhão noticia que os Mandarins as tinhão todas i. : mui
  • dos Tártaros. j j 1 mui bem providas, & que o Emperador Thicnkio,iiáo To mandara fortificar os lugares antiguos, fenão que também tinha mandado fazer muitas fortificaçoens nos paffos maif apertados,entre as quaes era a mayor, & a mais nobre a de Xanghaina ilha de Cu, onde tiuha junto,& difpoílo gran- de numero de foldados para impedir aos Tartaros a pafla- gem. Porem mais que tudo o ma refreou os Tartaros o valero- fiffimo General Maovenlun- cbma .go,o qual com hua grande ar- mada tinha ganhado huma ilha vifinha a Corea na foz do rio Yalo.Elle General da- do nos Tartaros pellas cofias, lhes fez nao pequeno danno, de tal maneira,que em vários, encontros os fez tugir, & os obrigou a poor nelle tedo o cuidado, & vigilância. Era Maovelungo da pro- víncia.
  • 40 Histeria da guerra vine ia Qnangtung chegada a Macao, &c pello tracto que ' tivera com os Portugueses a- predeo ai gíis princípios da ar- te militar,& houve a íi muitas peças de artilhcria,q hua nào Olãdeza, q dera á cofia,puze- ra na praya. Cõ algíías delias guarneeeo agora os muros de Mingytien . A ella cidade deu o En pcrador titulo de Metropoli em lrgar da in- felice Leaoyang , & nelU refidia novo Vizcrrei, & vifi- tadGr Real cem a torça do exercito^ Aquictaraofs os Tartaros- a-thè o anno de mil & íeis centos & \ inte imcc.no qual cõ groffes czeieitos íoraõ em demanda de nova M etíope li.» Nmgyuen.Deípcis de tentarê com grandes promt lias a fi- delidade de Maovelungo, 8c para o inclinarem a íegirir fuas partes ihc premetteraõ, que
  • dos TartAros. 4* lhedariao meyo Império ic clle também ncaffe de os a~ judar na conquifta deile com a mais elcolhida gente doa feus. Porém elle naõ menos valerofo que fiel,deiprezando as promeiías dos inimigos > íoccorreo com os ieus a Nin- gyuen, da qnal foraõ os 1 ar- taros rechaçados com perda de dez mil ioldados, Sc entre elles hum filho do Rei. E por Cruel&a* eflacaufa levados da ira pat íjf fando pello mar congelado ros% invadiraõ a ilha Thaoyuen. matàraõ lem. ficar hum de dez mil que apreíidiaváo, 8c degolàraõ cruelmente a todos • os moradores* Dandoie pot vingados do eftrago cjue ti- nhaõ padecido, le recolherão à Tartaria,naõ com animo de fe quietarem,lcnao de ajuntai mayores forças. Ficáraõ nefte eflado as eouzas athè o anno de mil & íeis %» - *
  • 42 Hi floria da guerra -mil & feis centos & vinte fe- Movre 0 te. Em que o Emperador da rzdor~ ^ina Thieiikio morreo fen- yhein- do ainda moço, & com elle &o. rambem delcahio o Império do pouco íofiego que goza- va . A Thienkio luccedeo no Império leu irmão Zungqui- nio infeliciflimo Emperador pella perfídia dosieus,de que abaixo le veram muitas cou- faç. No mel mo anno o deshu- mano Rei Tartaro que tam n cruelmente matou tantos ho- Movre 0 Rei Tas mens> couíigo aCreícentou o mo. numero dos mortos. De Thi- cnmingo veyo o Reino da Tartaria a leu filho Thien- zungo. Efte mudou o modo de governo de leu paè; come- çou a trattar os Chinas me- lhor, & a recebellos com cle- mência. Foi proveitoío con- felho,fc lhe durara mais a vi- da, porem com bom lucceffo pello
  • dos Tartans. - 45 pello exemplo que deixou a leu filho de cõquillar os Chi- nas mais com brandura que com armas. ~ Nelle mefmo anno os Tol- dados de Maovelungo infiõ- lentes com o ocio q lhe cau- lou a aulencia do inimigo,de- raõ que fazer muito aos ami- gos Coreanos,com rapinas,Sc outras infòlencias militares -y & vexàraõ de tal modo as ter- ras vizinhas ao prefidio onde eftavão , & principalmetitc aos moradores da província de Hienkiei^que muitos dei- les movidos da indignação,fé pafíataõ ao Rei Tartaro,& o perfuadiraõ, que invadifle o exercito Chinenfe com Tol- dados veílidos em trajos de Coreanos, de quem o exerci- to fenaõ havia de recatar ten- doos por amigos. Para efte effeito traidores à patna, ao Reijôcaolmperioj offerece-
  • t *£ 44 , Hiftoria dagurrra raõ fua ajuda. Contentou ao j Tdrt*. Tartaroo conlelho. Mandou trls"sm ,0S° Vizorrcicom hum fçr<4* poderoiiffimo exercito • Os 1 artaros guiados dos traido- res Corça nos,inveíle cõ o ex- ercito imperial,q naõ íoipei- J tãdo tal maldade andava va- gabfido pellp capo„E como a principio os naõ achafsé pre- parados para lhes ter o encõ- tro,fez ncllesliíí grande eflra- go,^ Maovelíigo advertindo q eraõ Tartaros,&naõ Corea- nos corno represfentavaõ nos veílidosj cõ a mayor diligecia q pode,poz em ordé os Tolda- dos, & dcílramête lhes reba- teo oimpeto.Pelejouie de hua & outra parte porfiofarnente athè q finalmente o valor de Rlaovelugo foi conílrangido a ceder, & com os Teus Te reti- s rou ás náos, deixando hum bom poder de gente q entre- úveilc a força do inimigo, em quanto
  • ãosTjrtAYct* 45? *juato os mais fe embarcavaõ, paliou a ilha. Os Tartaros vê- áo que de todo o nao defirui- raõ, & que Maovehmgo, á quem ló bufcavao, cfcapàraj tiveraõ para íi q os traidores Coreanos os enganarão; prin- cipalmête conuderando que tiverão hua Vittoria com tan- to cu lio de feu fangue, & ac- cefos em ira, inveíiirão com os traidores, & iem deixar híí fó vivo,os matarão, & éfte ca- io condenou defpois o Rei Tartaro* Com o mefmo inrpeto af- folárão quatro províncias da Corea queeiião mais ao Nor- te* & confinao com a Tar- taria.Entretanto o Rei de Co rea ajuntou feu exercito para lhe reíiíiir.E também Maove- lungo reparadas luas forças entrou na Corea para fe vin- gar do danno q tinha recebi- do do eomu inimigo, Tinhão
  • J 46 U 'tftom da guerra ja chegado os Tartaros ven- cedores ao alto de huns mon- tes por onde le vai à Corte doRei d© Coreadiftantes fet- te léguas delia. Eftas tinha occupado o Rei com hum- grande exercito,com quem os Tartaros animofamente in, veftirão. A penas começou a peleja, quando Maovelungo defpois de caminhar grandes jornadas, chegou com leu ex- jffha erc'to> & rebentou com elle sKtnitos nas cP^as dos Tartaros. Eftes vendofe pella fronte, & reta- guarda fechados, & que naõ tinhaõ outra falvaçaõ fenaõ em feus punho%8í armasj di- vididos teveraó o encontro aos dous exércitos. Tal foi o ardor dos que pelejavaõ, que os Chinas naõ viraõ nunca outro igual. Admirável cafo para le contar! Dos rres exer- Venhum c'tos nenhum ficou vencedor, ficoí¥ antes todos quali extintos. • Do
  • dos Tártaros. (tf S Do dos Tártaros morrerão íinçoenta mil.Do Rei de Co- rça parecerão leten ta mil. Do de Maovelungo poucos elca- paraõ, porque o acometerão com mais impetu os inimi- gos, intentando por elle abrir caminho a lua fuga;tanto que o acharão,fem ordem le reco- lherão derramados a Tarta- ria. Affi que nenhum alcan- çou victoria, nem pode profe- guiro curfo delia» ElRei de Corea ajuntando de húa,& outra parte lua gente foi com exercito a recuperar , como fez lacilmente,as luas provín- cias que os Tartaros deixàraõ alToladas. Defpois deftes fuccelTos, entràraõ os Tartaros na pro- víncia de Leaotung, & logei- táraõ a feu poder toda aquel- la parte Oriental. Dahi en- tràraõ a roubarj porém nun- ca puderaõ £xaj^péej porque muitas
  • 4$ Hiftorii fa guerrd muitas vezes com perda dô muitos foráo reprimidos. E também porque ja eraõ che- gados fete bombardeiros dei- tros Portuguezes , os quaes p°t íi, & pellos Chinas, que corrosão éníinàraõ,naõderaõ pequena jzmper*- ajuda ao Emperador} princi- Ctin* Palme,ltc onde governava a ** * guerra Sun Ignacio Vizorrei Chriftão, de cujas acçoens,ÕC fim diremos abaixo. Ertando ascoufas nefte e£ tado,o Emperador Zungqui- nio, mandou ao GencraiYue- no a Leaotung com amplos poderes, & novos exertítos a trattar da paz com os Tárta- ros em calo que a admittilsc: porque nefte tempo ja fe ri- nhaõ levantado no Império alguns ladrões, que crefceraõ em forças para o deftruir, Eí- tes,maisqueosTartaros da~ váo cuidado ao Emperador. Era Yueno dç hum juizo re- felíado^
  • dot TaYtATOt. 42 \ faIfado?& aftutitlimo, mui e- loquéte por penha., & lingua* Eífç cõ razoes tiradas da lciê-% cia militar,aturdira naõ íó ao Emperador, fenaõ ainda aos 4upremos Mandarins de Aia Corte.De maneira q nelle pn zeraõ os Chinas todas Aias eA* ■ peráças:nêo Emperador fruA* trara a Aia feeAe maldito Y ue-. 110 antepufera o bê publico* & lua felicidade ás riquezas q eíperava. Porque recebeo dos Tartaroshua grande sõma dc oitf o, & corrupto delle primei ro q tudo convidou ao muito i podcrofoj& fidèliífimo Mao- veiíingo, de quê vniçamête Ac temiao os Tartaros,& no bá- qte o matou cõ Veneno. A15 diflo fez paz cõ os Tareares* cu;as riquezas loIicitava,rniu-* to à võtade delles cõ cõdiçcês iniquiffimas. Eítas cõdiçoês admittidas por eíle pacifica- dor cõprado; íato q o Empe- l C . jiador
  • ço Htf oria da guerra radoí as vic, cheio de indig- nação as ragou.Que faria ne- 11:e ponto Tveno? Para obri- gar ao Encerador a appro- vallas 3 ncanno cie mil Seis- centos & rintá. Perfuadio aos Tartars, que por outro paiz, & rio pèllo que elle guardava, zefiem guerra aos Chinas,aílgurandoos que el- le fe não mveria donde efta- va. OsTrtaros, conhecida fua cobiçajonfiados tomàraõ o conlelho levando ás cofias feèurásaen*àràG na província de Peking, Corte do Empe- radòr^deífiiirão muitos luga- res, affoilaró muitas villas,& cidades , ;c finalmente che- garem a pr cerco à grande Corte de fcking. Jà os Man- darins periadiaõ ao Empe- rador, qu deixada a cidade, le paffaííe às províncias do Sul.porcnelle avaíiandb por melhor a ior te;que fugir das partes
  • ãos Tártaros. JT partes fetentrionaes^naõ con- cedeo licença a ninguém pa- ra íe lair da cidade, Entretan- to os Tartaros deraõ alguns aflaltos, & com muita perda dos íeus foraõ rebatido5- Foi chamado Yveno>cuja traiçaõ nap era conhecida/ para que com leu exercito refiftiíTe ao inimigo, Veyo promptarnen- te.por naõ parecer traidor% chegou athè os muros da ci- dade, cu;o grande efpaço dava lugar a poder haver híí gran- de intervallo entre os dous poftos em que íe alojavaõ os dous exércitos, Yveno naõ fez coufa de impor tancia:po2 inuita força em perluadir ao Emperador approvafle as cõ- diçoens da par que fizera. O intento defte má o homem era recolherle a lua caia muito ' rico . A cobiça defte traidor ainda que encuberta com hua alta diffimulaçaõ ? naõ C i ca-
  • Bifteri dagucYYA enganou ao imperador, Pel- lo que não ommunicando a nenhum de íus confelheiros {ha intençacavizou a Yueno que entralTc na cidade para afíiílir a hu cmfclho de guer- ra. Foi admitido pcllo muro, porque naõ queria o Empe* rador, attén à grãde vizinha- ça dosTararos, q íe abriflfe ilcnhua pora.E a verdade era porq naõ oura He o feu m el- mo exercito Tinha Yueno al giis dos fupcmos cõfelheiros por amigòs& fautores,como cie nenhii leites foile avisa- do do occuto intêto do Em- pcrador,qie todos ignora vão, entrou mu confiado.. Tanto que chegai á preíença do Bmpcradcr, logo foi prezo, Sc morto feitas brevemente Tart/trcs perguntas. Ccrtifados os Tártaros ")2do"' ^ morte c Yueno,antes que [?£Ki»z. íV provei o exercito cios Chinas
  • - dcs-XáitíiWLjr. ^5 31 ' Chinas,de governadorem li*- gar deYveno dcixàrao^cida- de, &: foraõ deflruindo todas as terras circunvizinhas, con- tinuando athè Xangtung.Dá-* hi carregados de deipojos fc tornão a Leaotung. Delpcis defies iucceííos a- thè o anno de mil & leis cé- tos & trinta íeis , íci varia a * fortuna da guerra, & cm to- * do eíle tempo nunca os Tár- taros pndetão fixar pèe den- tro na China porque os Ian- . çàraõ fora. _ Morte* Neíle mcíhio anno morreo tl Rei o Rei Tartaro Thienzungo, Tarfar4 a quem iuccedeo leu filho . Zungceo que foi pae do que hoje governava o império . da China . De Zungteo ie labe, &C le diz o íeguin- ?toyo te» t* ÍT Ret Que antes que começaíie turo ^ a Reinar molhou lempje n':gn0> «511c tinha grande prudência, Yciil'.*' C 3 roais
  • Çf Hiftoria da guerra mais que tudo,grande benig- nidade^ as mais virtudes Re gias(fe he q algíí de lua nação as teve.) Sendo ainda moço o mandou o pae detconhecido em trajo de China, & entre elles occultamente vivera ap- prendendo com todo cuida- do feus coftuines,doutrina,le- tras,& lingua, Tomando poí- fe do Reino,mudou a melhor forma o modo do governo de á% • .1 O Jeus predecêilores, excedendo liefta parte felizmente o exé- plo de leu pae. Affique adver- tindo a grande crueldade dos teus em matar os Chinas,pójr- que ílaõ folie mayor,lhe foi à maõ . Veftiofe defies novos coftumes para fojeitar, não fcnenos com amor, que com armas o Império, que tanto namorava,affi que a qualquer China obrigava com amor,8c benevolência ; os rendidos içatuva comi affabiiidade, ou
  • dos XartííYos, 55 9") lhes pedia que entraffem em f«u íerviço,fou os mandava livres. De maneira,que crei- cendo a fama de lua benigni- dade , muitos Capitaés , &C Mandarins fe paífáraõ a elle^ & afll como via que lhes ti- nlia grangeado a aífeiçaõ., fe ajudava delles oecupandõos 11a mayor parte do Império. He coufa certiííima que para * conquiítar, & legurar eliados muitas vezes pode mais o amor, que as arm *23 & a dc- maziada crueldade cem os íubditos ordinariamente per- 1 deo o que o poder cias armas felizmente canhou. Tanto d „ . n.L. P. r . i Maugm- aos Chinas íe fez notorio que dademni 110 Rei naõ ló achavaõ ampa- neccfU- ro,fe naõ graçajmuitos fug in- ri*tar* % do da ira do Emperador, le tarejíaJ accolhiaõ a elle. Por razaõ da dos. , perfídia, & avareza de alguns Chinas, ha hum coftume em feu governo deshumano,aiiv- C4 da
  • Hlloria dd gncrra ct^que ia representação ne- ceíTario.; he,que todo Gene- rator! Cbo q na adminiftra- ção de Sa cargo lhes fuccede o q queiq Seja, com infelici- dade,!^ aftigado com a ulti- ma penada vida perdida. Por- que fac mente íè perSuadem v que o mo íucceíFo não pro- ' cedeo d» vario poder da in- * coníiane fortuna, Senão de Seu de Sai cl o, ou traição. Por tanto, t algu pelejou,& nao venceo5le perdeo praça, ou provinca , que tinha a Seu ca:go$ t os povos Se levanta- rão, ci os toldados fizeraõ motins; & precederão ef- tes tra>alhos da Republica de quatjiier ontra cauSa: cat- regáo t>dos Sobre os que go- vernao Dos quaes poucos fí- cão con vida. Pello que ven- do os Cabos,ou Governado- res de hua parte a clemência 4o Re. Tartaro, 8c da outra tsmeií- .a
  • dos Tártaros. temendo a ira do Emperador; fugindo defta, tiverão occaíx- ão para abraçar a outra. Eíla materia me move a contar o que luccedeo ao Vi- >rojei Sun Ignacio, náo me- nos iideliíTimo a Deos,& ao Emperador, que valerofiííí- mo Capitaõ. Efte com ad- miração de toda a China an- tepondo lua fidelidade ao amparo que lhe oíFereciãp oi Tartar os., & à defcnfaõ da vida que lhe prcmettião os braços de l'eus loldados, quiz antes por híía fentéça injuífca entregar a cabeça ao verdugo para lha cortar na ingrata pa^ tria,do que ccmetter hum le- ve crime contra o Empera- dor , que paru iníquas re- foluçoens tomava .. Pudera Ignaçio , como íeus iol- dados 1'h.e períuadião oc- cupar hum Reino 3 porem elçoiheo antes moríer, do C1 ^ue
  • fttjlorid da gúerri do que dizerfe delle que fo- ra falfo, defertor, ou infiel a fua patria.Deipois que alcan- çou dosTartaros naõ poucas VittoriaSj&lhetirou do poder muitas & de os dei- xar tam enfraquecidos, que liem efjerança tinhaõ de fa- hir a peejar.Succedeolhe que Iiavend* muito tempo que faltavácas pagas a feus folda- dos^ ells amotinados invadi- ra5 hua cidade vizinha ami- a aqtieàraõ. Tinha Ig- nacio p»r muitas vezes repre- fentadoao Emperador a ne- teflidacedefeusfoldados, & com humildes rogos por car- tas peddojlhes acodilíé com feusichos.Eftascartas occul- tavaõ li) paço aquelles con- felheircs cujos ânimos avarcs elle na> comprava com di- íiheijro, & outros prefentes, como 05 mais coítumaõ. Ale difto ccrno elle fofíç chriftaõ, l - Um
  • dos Tártaros, pp bem inftruido na Fee,& ver- dadeiramente pio, naõ obrava em leu governo, lenaõ o que era conforme à razaõ, & jul- tíç^. E por efta caula excitou o odio contra íi,principalmé- te daqueiles Mandarins; que (como he comum a muitos) recebendo peitas das partes litigantes, pediaõ favor a Ig- nacio contra a outraparte: o que era debalde,fe no que pe- diaõ naõ havia jufliça, Attri- buhiaõ a repulfa que lhes da<- va, naõ a virtude,le naõ a lo- berba, tendo para fi que os deíprezava. Por onde nego- ciavaõ com os coníclheiros amigos, que tinhaõ no paço, que íe dilatafle o provimento do dinheiro para o loccorrp dos loldados,& por efta viao delcoinporem, & deftruirem* Ajunta vale a ifto a grande in- veja, & indignação dos mef- niosj conielheiros Mandarins G* cU
  • V éo Étftma da guerra da Corte, q não levavâo em ~ paciência que hu homem por fua virtude chegafie àquella dignidade, que crião erão to devida aos Doutores, como fe os Doutores foliem os ma- is valerofos, porque era Ig- nacio da fegunda dignidade das letras, tinha tomado o • grão ce iirenèiadò, & náo de Doutir • Efiando as couias neíle eítado , os 1'oldados mo ontentes to com o le- vantamento y tanto que virão que eftava perto o pe- rigo ce few mui querido Ca- rão í perfuadillo que fe fi- zeiTelogo fenhor de toda a provheia, &C reinaíle, & pu- zerãc toda a força em exhor- tallo cbnquiiUffe o Império tam nerecido, havia muitos >epc?5de leu valor^promette- doihs fideliflima aífifeeneia ga U
  • dos Tártaros* 6i para tudo . Ckmayaa que erabem fe tiralíem do mun- do aquelles confelheiros, & governadores cj pnnhão mais cuidado em fatisfazer feu o- dio particular, q em fazer be o ferviço de leu Emperador# Porem Ignacio c5 prudentes amoeílaçoes impedio aosíol- dados não fizeííem outras mayroes violências , antes os tornou obedientes, quie- tos, & perfeverantes no fer- viço deleu fenhor, mandan- do também caftigar os jprin- cipaes authores do levanta- mento . Merecia effca fide- lidade de Ignacio mayor cfti- mação da que achou 110 Emperador , Sc nos con- felheiros do paço . Defipre- zando todas eitas finezas mandarão em leu lugar ou- tro Vizorrei , &. a çllc que vieííe á Corte % Não ignorava q innocents nelle tempo*
  • 6t ílift or ta da pierrô temp que hia para lhe tirarê a via, o mefmo facilmente folpitàraõ os Toldados. Pello que ibrafados em ira, torna- rão $ armas para o defende- íem,& juraraõ de nunca de- íemprar feu optimo Capi- tão^ de novo perfuadem a Ignaio que naõ và à Corte; & dzião.a nos convém con- íervavos com vida; nos te- mos)oder, & forças iguaes à inveji, & poder dos traido- res . Surdo Ignacio a ellas perluçoens, abrandou os in- dign.dcs,&; os obrigou a que femjre affiílifTem a leu Em- pera
  • dos TarturoT* 6% quê paffarle ao Tartaro, que o convidava com honras. Ne todòs os Capitães, & íolda- dos de feu exercito tiveraõ a mefma fidelidade, porq mui- tos le paflarao ao Rei Tárta- ro,a exemplo de outros que Viaõ foraõ delle bem recebi- dos^porèm nãoo foi a cõftan- te fidelidade de Ignacio. Dei- tes que fe paííaraõ alguns iaõ fupremòs Governadores no Império^ outros alcançarão o titulo, & dignidade de Ré- gulos, porque ajudáraõ fiel- mente aos Tártaros contra os Chinas, a maneira de cunhas que abrem com facilidade os madeiros de fua mefma efpe- cie. Efta guerra dos Tartaros, pofto que athegora deu tanto que fazer aos Chinas, com* tudo defpois como addorme- cida aifracou de maneira que os aiTegurou do temor dé mayo-
  • t , Hi ff cri 4 crio4 ne^e l"c levari táráoqporq eft es ' finalmente íoráo os q o dei- truirao, & o entregarão aos Tartaros.Já acima toquei al- guas rehçlíices defies • mais abaixo !e ha de tratar delies para que ie íaiba o modo com que os Tartaros occupárão o Império. Vanos la Os primeiros rebellados fe droens. íeiantàraõ na província de Siccuen,& loiram prolpera, &atx$vidaiua fottuna,, que dcfpois
  • dos Tártaros. defpcis de faquear muitas ch dades^ chegarão a pòr cer- co a Quingtu Metropoli da província 3 & efta cidade correra a mefma fortuna que as mais., le aquella Amazona Chiiieníe, de que fadamos acima, anão loccorreracom os feus • Expnlfados do valor defta Priricefa > com muita perda, ainda que não de todo desfeitos > ie acco- Ihei ao acs montes , onde ajuntàraõ novas tropas de homens perdidos. A elles fe- guiião outros que na provín- cia de Queigtu fe levantarão por razão de huma injufU lentenca , que fe deu em huma demanda entre duas perícnagens . Serviolhes de Capitão a jperíonagem con- tra quem fe deu a fentença* No primeiro impeto 5 ma- tarão aos Mandarins jui- zes da caufa , & puzerão
  • V Hi floria da guerra cm fugida c exercito do VI- zorrei. File reparandoo lego os desbaratouj ainda que nao ficáraõ de todo extinílos. * Por razaõ da muita fome fa^U- clue ne^c tempo houve nas ^ droens. partes Setentrioiues da Chi- nájCàtifada dehíia nunca vlf- ta praga de gafanhotos, naf- ceraõ outras muitos cabeças de ladreens principalmente na província deXenfi, & em Xintlig. Eftes começando a principio poucos em nume- ro, Sc em torças, fazíaõ rou- bos pellas villas, & lugares, 8c dahi fe recolhiaõ a-os montes onde fe efeondiaõ. Forãoíe- ^le aggregando cada dia ou- tros muitos, vendo que com pouca diligencia, & fem n«- nhu trabalho grãgeavaõ naõ ió de comer, leilão muitas ri- quezas. A grande avareza do Emperador Zungqiiinio deu grande óccaíiaõ a èltes movi- mentosj
  • dos Tarúrof.
  • * -^8 Uijlcria ddguerra quefódous generaes'de mais conta elcap;.rao?u5 quaes cicl— . pois das victorias, mortos os mais, rcgàraõ aos foldados q içarão lem cabos, quizeifem icguir í'uasbandeiras;& fortu- na. Os foldad os que não po- oiao duvidar do caíiigo, certo que luvião de ter íe a caio foffem achados dos miniftros j • ^ a da juiuça,facilmente íeguirão os vencedores. Trinei-\ O principal General fe ^"n,ava Licungzojo iegun- dos la- qo Canghicango, ambos iu- dreçrtf, íclentiíílmos pellos deíiftos, & atrocidades q fízerão; & porq htim a outro íenaõ ckf- . fruiflecomo emulo,fe dividi- rão muito ao loge para feguir cadahíí íua fortuna, Licung- 20 occupou as partes do Nor te da província de Xeníi, & Henan, o outro infeílaya as de Sucuen, & Huquang. E porq trattãdo de hu,&outro junta-
  • dosTílYtílYOf* éf) 4 a juntamente, ie confundira a narraçaõjtrattãremos em pro- meiro lugar de Licungzo, q foi a caula principal de os Tarcaros occupare ò Império q elle ja tinha fogeito a fetl poder, fe em leu governo ufá-< xá de clemência.Delpois rela- taremos os feitos que o outro obrou. No anno de mil féis-ccntoS & quarenta ha, da província Xenfijónde faqueáraõ muitas cidades,& lugares, cõ híi ex- ercito numerolo entràraõeftes ladroêsna amcnitíima provin- da de Henan,& de frecha de- man dar ao lua nobliftimaMe- tropoli Caifant, & a íiriáraõ# Defendiaa hum valente pre- ; fidio. Defta praça hua horrí- vel tempeítade de bailas de artilheriã que Jobre elles ca-* hio,os conllrangeo cõ grande perda alevantar o cerco, dahi foraõ roubando as cidades, ,jà
  • Jfo Hiftorid da guerra & lugares circum vizinhos, & faqueàraõ outras muitas. Cref- eidos em forças, juntos mui- tos mantimentos, aggregan- dofelhes innumeraveis homes perdidos, tornàraõ; à meíma Metropolitana. E com delcõ- f ança de a poder ganhar com força, ou afiai tos j aflentáráo de a render, & íogekar a leu poder cercandoa 1 ao longe. Eiperavão com o preciolo la- co delia opulqntillima cidade fcarem baílantemente arig- métados. Ainda que o âmbito delia era quaíi de tres léguas 5 com tudo a cercarão por to- das as partes de maneira, que mo lhe podia entrar loccor- - ro.Polio que os Mandarins q agovernavão nos dous meies qie osladroens fe divertirão pr outras partes, meterão 11 a PaÇa grande copia de man ti- com tudo como a pQvinçia ainda que fertiiif- fima
  • dçs Tart aros. , ji de todos os graõs, padecia grande falta delles por razão da eftei ilidadç do anno, naõ fe pode ajuntar tanta copia, q podefle iuftentar por feis me- ies a infinita multidão do po~ vo . Seis mefes durou efte cerco pertinacitíimo. E porto que os prefidiarios chegàrao aos últimos apertos de fome, nunca quizerão vir a concer- to com o inimigo, efperando osfoccorreíle o exercito do Emperador. O extremo de calamidade excedeo o modo, & foi femelhante á de jeru? falem,ienaõ foi maior* como fe pode ver. Hum arratel de arroz ie vendia por outro de prata. Hua livra de coiro ve- lho, podre por cinco mil reis* A carne dos cadáveres huma- nos fe vendia publicamente como a de porco, lançavao nas riias os corpos mortos dos ] que morrião, para ferem fuf- tento
  • yi Hi floria dti frerra _ o tenro ddqueUes que logo o haviaõ de fer de outros, & ret utavaõ iílo per acçaõde piedade. Calio outrasmuius couías crueliííimas. E flava efta cidade fituada emhfu planice para aparte do Sul de hum grande, & precipitado rio a que os Chi- aias chamão Hoang, &nòs Rio amareIIo,da cor que tem P^r correr fempre turbo. Diil ri cfte rio hua légua da cida- dcjcujas águas por ferem ma- ss altas, & íuperiores á plani- da^ cidade, eftavao refrea- das de hum groffo muro de pedras quadradas, que fe ex- tendiã por longo eípaço de «ia ribeira, a fim de reparar a cidade do perigo que fe po- ua ter de íe ver fubmergida zoilas no tempo das cheas. C&cgou o exercito emperial a eííe muro, & logo fe refol- ho g arrumando parte délle . 4 ™ * - ™ / lem
  • dos Tartarcs* 71 fem pelejar, poderia comas aguas deftruir de todo ó ini- migo. Não lhe paílou pella imaginação que as aguas chegaíTem a tanta altura, que fobrepiijairem as altas muralhas da cidade . jà pode ler que naquelle tem- po, q era Outono,por ter cho vido mais do ordinário cref- cera muito o rio involvendo I mayores ondas. R>ota mayog 1 parre do muro do q era neceí- lario para o efíeito premedita dojnão fó levou c5 a corretea ( muitosdosinimigos^mas tãbê - fubmergio toda a cidade que procuravão defender. Neila morrerão affogadas mais de trezentas mil almas. Efta no- biliffima cidade,q nos antigos téposfora Corte dos Empe- i radores,ícndo capo,de repete foi hu lago. A? calas todas cõ a força da agua não fóforão çubçftas delia,íenão também ' í D anui*
  • 74 Hi floria da guerra arruinadas. Com ellasíe fub- ittfcigio liuni templo, & hunt " Sacerdote da noíía Compa- nhia de Jêfu o Padre Rober- to de Figueiredo, o qua! por deiído muito antes livrai fe de p.erigòSj quiz antes perdera'A vida por luas ovelhas,porque * tinha efta cidade muitos Chi ill aos. Succedeo efta del-? thiiçaõ a oito de Outubro de triil fcií-ccntos quarenta Sc dois. ' ■ • Crkm Nefta occafião o general drosm ^os ladroens Licnngeo to-' tav.íi u- líiobi-titulo de Rei,& chamou udo tie ^LInluirig5quê loa o >neímo ' qucProfpero, & Ir go entrou ou era vez 11a província deXe- , í:'jtk a cccupbu todâ.Dtfppis que Íc-geuou a leu poder qua- il toda Hen an, tanto q ch> roú k cidade dc Sigán, Me- Cl' ^ O-.C»?* licpoli da província deXemr, *<>*** ãh u noprdiciio algfurefií- Cjbí ícncía; poitm dcíppis de ties , Xcnfi. v J dias
  • dos Tartarol» fá ■ v, i r t / a (U dias de cerco a rendeo. Outros tantos dias de íaco còneedeo aos Toldados por premio da vittoria.Fez recolher nella to- do o paõ, & mantimentos de quafi toda a província, affi pa*» ra fegurar os povos 11a obe* diencia, como para caufar laíw ta aos Toldados do Empera-* dor quando vieíTem. Certo já, & Teguro de oc- Tema a cupar todo o Império, tomou mul° * ' 1 1 1—* 1 1 171 i) 6) o titulo de Emperador da jorcia J China, & a família que deze- china java fundar, chamou Thien- ]!JníUt, r i j- íHa f*i íviina, que quer dizer obadi- milU* ente ao Ceo. Com elle titulo ^ intentava perfuadir os povosa - & aos Toldados que era von- tade do Ceo, que elle impe» raíle, & que o Ceo lhe entre- gava o Império para livrar os povosda avareza do Empera» • dor, & para extinguir de todo os miniftros que trattavão de íeu proveito particular ,. $C P Í erao
  • Hi flori a da guerra eráo pezados 50 povo. Defíe cípecioio titulo facilmente fg contentarão os Chinas, porq Cicem que do Ceo fe dão os Impérios, & tem para fí que íe não podem alcançar pot força,ou arte humana. Zomgo.. , ® ^drao para mofírarcõ yerno do obras o que oílentavà no ti- Uirko tu!o,começou a tractor bem o povo, não permittindo que lhe fizelFem nen h fia violência > lo os Madarins q pode colher; ã mão toldou matar, & aos q tin hão lido cõdenou em gra- de lama de dinheiro, da fa- zenda que ajuntarão. Dcmi- niiniò os tributo? cios povos
  • dos Tártaros»' ^4 ías^que occupar:loíivãiVdo5& abraçando todos o novo mo- do de governo.Pello cõtrario dificilméte fe felicita a fide- Jidade, quãdo a tirania impe- ra obediências tiradas a força, & por temor. Dous padres noílos andavão neíla cidade> o Padre Ignacio da Coita, 8c KJ ' o Padre Pedro Fsbii, cs qua- es nc principio quaando os Toldados entiiraOj padecerão o comu trabalhe^ deípois co- nhecidos por efirangeiros fo- rão trattados como hoí pedes. No tempo q eítas conias - . , íuccedião fei crcfcendo na -Corte do Emperador a ter- f tiup-i de ceira califa, & mais poderoia «da ruinadelmperio,cujos pi in rioadJf- cipios tinhão ja brotado no te ydia. podo Emperador Thjenkio. l°0y^e JEfta caufa forão a difeordia, %ayZ** &í delavéçás:asparcialidades5 asfacçcés, & emulação dos miamos q governayao poc Cx= D j
  • ' $ / Uiftcria da guerra razao do muico poder que fe concedera ao Eunucho Gue- io,a quem o EmperadorThi- enkio naõ fó levantara às fu- premas honras, ^entregando- lhc o univerlal, & lupremo governo do Império, fenaõ ainda o honrava com titulo depae. Elie uzando mal dá graça,& p cder.por leviílimas caufas,ou matava, ou meria a caminho, ainda os mayores miniílrcs do governo, princi- palmente àquelles que naõ íe •dignando de citar logeitos a hum vil homem, não adula- vaõ ao Eunucho ou poref- crito, ou por palavra, ou ne- gandolhe hua pequena hon- ra. Ainda que por outra parte governafle com latisfaçaõ a republica^ com tudo irritou a muitos,& entre eítes ao Prin- cipe,que foi defpois o Empe- fador Zungquinio, que luc- |çdeo a Thienkio por morrer \ wtf " ^ r . feni «
  • dos Tártaros, fem deixar filhos. A eíie Piin clpe impedio o Eunucho a poífe do Império com hua baldada, & infclice p erten- faò.Por eftes refpeitos dividi- dos os minidros do governo (como dizem os Chinas) em duas acadv mias,pouco a pou- co fie alteràrao mais at tentos a feu particular^que ao pubu-* co.Ern quanto algua das par- tes procurava topear 5oC ex- tinguir a outra,ambas perL.11- dendo o bem publico do Im- pério» afio melmo ceípieza- va5, cC ío pro cura vaõ com V» "I * 4 .envejoía emulação adiantar os leais parciaeSj & prefidu" nas couías, Querendo o met- nio Empera der Zungquiino .curar tam poderoío mal,exaí- poroii a muitos principaes do ■governo, & a muitos. Eunu- chos.Tanto que tomou poífc do império,lebre modo ie iu« ■dignou contra os fautores do D 4, Eu-
  • •: v So VAflorU d d gucrr/t Eunuch03 & finalmente ao nicfmo Eunucho cõ muitos , outros vnidos à lua facção ti- rou a vida cõ híia admirável tragedia,cujo fim foi o fieguí- te.Zungquinio para levar de- baixo aoEunucho, & c remo Ver dos governos do Império, tíeulhe hua ordé,na represe ta- ção honorifica, para ir vifitar as magnificas fepulturas dos Empcradores,& de léus paes, Ver fie lhe faltava algua obra q fazer e leu ornato. Não pode o Eunucho efeuzarfie de tãò illuftre comiífiaõj mas breve- Jnéte alcãçou cõ cj intento o mandavão vifitar fiepulturas# Como tivefle caminhado poti ca diftancia, no caminho lhe foi dada hua boceta dourada, que continha dentro hua cor- da de linho,com a qual man- dava o Ernperador fie enfor- taífe, q logo poz é execução, tile género de morte tem os : - chi- -a
  • ' dos Tart aw. ' 3# *< Chinas por mui glorio fo.Da*» ? quiprocedco n muitos cie hua & outra iacção q tin hão trat> to fecrcto coin os ladroes en* \ , ,r rregarao o Emperador.Daqui ' íutcia tambe q ©it lenao man dava o e^er eitos de foccorra às paites q nceeffitavão delie; oiijlV hiâo3não obrava® nadai perturbados y ou impedidos^ dos cunnlos: antes muitas ve- 70s podendo obrar besnrpei> duo oceafiaoy porq a nau ti- veísé de gragear merecirnSto, 8c graça co o Emperador cci as uittorias aquelles cÕtelhcr- ros,& conteihos, ctijosennu- los eraõ Capitaés7porq íenaS /aftaísé q per leu eoíeiho, 8c ordeieveeera o inimigo dEftas diícordias cairão tão de pro- pofito aos ladroes q o raeuno foichegaréaos muresda €©rt^ q-ver, & vícer ccrno relatarei» No tempo q eíí&s paflavãona Corte, Liamg- v JD 5 £0*
  • ti Hi floria da guerra Vs u- zo general dos ladroens, dei* àfoe»l .xando affentadas as coufas da cccupao . , - r «pro. província de Xenli, partio co pmcia dt leu exercito para a parte do Oriente, 8c fem ningnem lho defender, paffou o rioAma- rello tam facilmente, quanto com hum pequeno poder íe lhe podia impedir a paflagem; porque corre efte rio com grande uiolencia, 8c copia de aguas,por meio das duas pro- víncias, Xenfi, 8c Xanfi, fican- do aquella ao Occidente, &c efia ao Oriente; mas como ninguém lhe refiítio, paffado o lio facilmente também ren- deo a primeira,8c a riquiííima cidade de Quiágqueu, a qual jaz para a parte do Sul da província; efeapou , Sc hoje ainda refide nella,o Padre Ra- phael Trigaucio da Compa- nhia de Jefu, lobríoho da- quelíe varao Appftolico oPa- dreNiculào Trigaucio. Com *>•; o mel-
  • dos Tartarof* [ %§) o mefmo curlo de fortuna as mais cidades voluntaiiamen-> te ie renderão ao poder de JLicungzo, ou por íe livrarem, de mayores trabalhos,ou poc dezejarem ter,fem outra, con-? fideraçao,novo governo.Por- queparancffo danno muitas^ vezes folgamos com as novi-. dades, & mudanças, Sceipe-* rando melhores coulas que as paliadas, achàmolas peores* Sò a M&ropoli Taiyué quiz- alguns dias experimentar a fcrçatporèm lei também ren-K didar & padeceo grandes pe- nas pella dilaçaõ. que poz enx render te. Os Mandarins delia cidade todos foráo mortos,8c em leu lugar íe lubíiituirad outros novos dos ladroens» O Emperador Zungqui- i nio tanto que ouvio que os ladroens tinhão jà paflado o Rio Amarello,& eltavaó le~ nhores da província de Xaníi •: E C vizi-
  • ^ $4 Bistort# daguerrà vizinha à Corte; mandou ad Teu fuprenio Governador Co- lao com hum poderoio exer- cito para deter pcllo menos ao Ladrão, quando o ná porque" o fugir era fe ' 1
  • dos fartawl 9f pettlirbar maw o Imperio.Ti- nhão confiança, que a Corte guardada com ta© grande pre- ndi© íe podia defen àery êc não duvidava© que por amo# da preleirça do Emperador* iodas as mais províncias ha~ viaõ dc concorrer com prelia adcfendello. Pudera parecec bom o conielho deites, fe & Corte na© tivera traidores. Entretanto o General dec Ladroes, que na© era menos prompt© de juizo,que de mã- os, cozendo a pclle da rapoz& com a do lea© rneteo dentro- na cidade pouco a pouco muitos dos leus foldados co os veftidos mudados, cõ di- nheiro q lhes deu para q den- tro nella elcodidos íe fizeíie mercadores,cõ ordé q alugai- lem caías, & íe fizefiem efla- lairadeirosdeu mercadores de cenías de pouco pici te3atnè q Win todo. o exeicite chegafle '
  • H hiftoru da guerra às muralhas, & entaõ lhes mandou levantailem ruidos dentro na cidade. Foi admi-> ravel o legredo deites, que fe naõ podia elpcrar de homes perdidos, & de tam baixa forte. A efta como mina que preparou dentro na praça, a- çrelcentou hum lecreto tratta como prefidente do Conce- lho de guerra,o qual confide-* rando perdidas as couias da Emperador,para conlervar as luas, aiiirmale que fe concer- tou com o Ladraõ lobre a entrega da cidade.Foíle o que foile, os ladroens com palio apreífado chegarão á Corte de Peking.Huin ccpioio pre- fidio a defendia. PelLos muros delia ellava repartido hum grande numero de peças de artilhei ia,pofío q por aquella parte por onde foraõ avifa- dos os ladroens dèílemoaf- falto, íe dilparavão as peças A. &u
  • dos Tartar oil 8f ícm bailas. Aflí que por elU feguros antes de amanhecer* |£d mez de Abril de mil ÔC feis-cêtos quarenta & quatro* entrarão a cidade por hum* porta que voluntariamente lhes abriraõ feus confidentes. Nãorefiftiraõ por muito tenv* po os prefidiarios fièis,porque os Toldados do Ladraõ, que athe então eftiveraõ occultos* & os traidores confederados excitàraõ grandes ruidos co- mo fe tinha aííentado. De que nafceo hua grande confu- faõ, & por todas as partes hua confufa mortandade,fcm nin- guém iaber com quem o ha- via. Licungzo paflando ven- cedor por toda aquella confu- fa Babilónia,foi direito ao pa- lácio do Emperador, & fem achar minima refiftencia,ain- da nos Eunuchosmais ieaes, o occupoutO que he mais pa- ra admirar he5 que já o inimi- ' £<»>
  • ^ 18 Hi sloth M guèyrd go eftava de pofle do primei- ro muro dc paiacio,&: o Em- perador vivia ignorãce de dcs íeus perigos. E a ca ufa foi porque os Eunuthos traido- res que rinhão mayor autho- ridade,puzeraõ muito cuida- do em lhe dilerir o avizo, por- que acerraífe de elcapar dos que temia. E tanto que vira o que naõ havia èfpe ran- ça algua de fugir, foi avisada o Emperador da cidade, & palacio já rendido,.O quaí, ca- te que ifio envio, perguntou* lo go, te fugindo podia efeapat d-as máos dos inimigos, &; certificado q todos escarni- nhos eftava õ tomado?,, eícre- Veo hiía carta,dize,q com feu prop rio langue, em a qual vi- ' tuperava os miniftrss cia trai- &nf>e- ção ta© tarde conhecida, & **dor invocava os vaflfalios ínnoce- filha, cr tef- Ai-ícungzo pedra ie.per- > e»fot(4. mituils o Cso,c; die occtipa£ 1 f* . ■ '
  • dos TArtm*. #9 fc todo o Império, q tomaffe vingança dclles cm leu nome. Del pois de el critra a carta,le- Vou da eípada.matou hua fir lha q tinha já mulher,porque na5 ferviífe de ludibrio ao La dráo, & logo entrou em hum pomar, &: atado hua na outra as ligas cõ q predia as botas» fez hu baraço cõ q le enfor- cou de híía amexeeira efíe in- felicifIimoEmperador,q fe ha de contar por ultimo da famí- lia Taiminga. Poflo que deP- pois (como diremos abaixo) fôrão eleitos outros^ naõ fe con tão entre os Emperado* res, porque naõ pcfíviraõ to* do, ie não parte do Império» AíTi que a família que teve ■principio de hu ladraõ, por outro Ladrão foi extinda. Tam humilde arvore , tam vil baraço cortou o fio» a tam grande Império abun- dante de santas delicias, & ri-> quezasj
  • ço Biãoria da guerra quezas,&c a meíma vidaReaL A leu excmplo,o íeu lupremo miniftro chamado Colao, no > mel mo pomar fe pendurou, com hfia ecrda^ o meimo fim .• fe deraõ a Rainha, & outros muiros de ièus íideliillmos Eunuchos. De forte q aquel- las frefcas arvores debaixo de cu;a iombra "tantas vezes lo- grarão tantos goftos, & deli- cias, fe mudáraõ em fúnebres Cipreftes. T am bem na cida- de não menos que dentro do paço,muitos indignados con- tra íi mefrnos, huns le affogà- ílòjiançandofe nos lagos,ou- tros fe deraõ a morte volun- tária com baraços a íeu coftu- me,porque reputão porfum- ma honra da fidelidade mor- rerem com leu Emperador, para não ferem conítrangidos a obedecerem ao inimigo, ou que os inimigos os matem. Que coufa aos mottaespode-
  • v dos TÀrtMos. ç* tà parecer grande, & fegura* quando híía felicidade com- pofta de tantas riquezas, & forças, em hum momento le tornou em nada, naõ deixan- do outro nenhum final que nas lagrimas dos que a ou- vem. Entre tanto Licungzo vít- torioio entrou o palacio, Sfi occupou o throno Imperial» Affirmãoque a primeira vez que le affentou nelle, tremera * o throno,& íe uio claramente que cahia. Parece que o mef- mo throno pronofticava que ílaõ havia de durar muito te- - po a felicidade do tiranno,ô£ como indigno delie o queria lançar de fi.Ao outro dia ma- dou cortar em miúdas partes Ira ^ o cadaver do Emperador, a- cJeke.l^am creícentandc a eíia maldade, ^drão^ que o mandava fazer porque governara cs vafl alios pçúi- ma,& cruelmente* como le o ? " melm©
  • Uifioria da guerra mefmo execrando iadrao, 8C traidor, matado tãtos homés, deftruindo impiamente tan- tas províncias, naõ contrahi- ra nenhíia culpa.Della lorte a maldade ordinariaméte con- dena nos outros o que ella mcíma comroettc, & parece- dolhe grades as peqnas culpas alheias,he cega para as luas. Tinha oJEmperador Zug- «juinio tres filhos machos; o tnayor nuca íe achou por ma- is diligencias,que por ilío fez 0 Ladraõ. Hus elcrevem que cfcapara fugindo, ou que vo* 1 untaria me 11 te fe lançara em hú lago. Os dous menores, q erão ainda mininos, os troti- < Xeraõ vivos ás mãos do La- draõ, os quaes ao terceiro dia foi ao levados lobre os muros da cidade,& alli osmãdou de golar. Cõ tudo ifto efta fera belfa naõ íe pode fartar de sã- g'ic innocente, porq logo de- clarou
  • t « dúS TuYtttYOS. clarou lua cruel inclinação, q ate então encobriia debaixo de reprefentaçoésde benigni- dade, cõ fíngimêtos de clemé- cia para enganar os povos.Na cidade fez diligecias para ha- ver à máo todos os Mádarísj & co cxquifitos tormetos ma tou grande numero delles. A outros condenou em grande, soma de dinheiro. Reiervãdo para fi o palaciodo Enipera- dor,cocedeo aos loldados fa- queafsé aqwella riobiliííima,8c riquiffima cidade. Nefte faco os Ladroes nenhu genero de crueldade,& de violência ha> v que elles nao cxercitaíTern, o q fe houvéramos de referir* na o fo fora largo,fenao ainda, molefto. Efta barbara impie^ dadc foi caufa de perder jun- tamente o Império, que tam felizmente occupara, &com a clemência pudera confer- var; fe vzara dclhu Entrft
  • P4 Hifioriada guerra Entre outros Mandarins q prendeo, foi hum velho cha- mado VsjCujo filho Vlangue- io refidia nas fronteiras de J^eaotung exercendo o carga de Capitão general do exer- cito contra os Tártaros, A ef- |e miferavel velho ameaçou,q o havia de matar crueliííinia- rneiite, fe na5 ©brigafle a leu filho a darlhe obediéeia com todo o exercito debaixo de juramento, £>c obrigação da obediência de pae. Entre os Chi nas he Sacrofanta eíla obediência, 8c feobedeceíle* prometteo fazer todas as gra- des merces ao pae , & ao fi- lho. O bom velho mandou ao filho a feguinte carta. A terra, q Ceo, & a fortiíU pocíem fa^er as mudanças que vedes. Sabereis pneu filho que oEnperador Zung- quitilo, & o Iwjerio da família lut minga acaba ão. Lite tem dado o Ceo a Liem M.ila-fe de çbe~>
  • dos Tártaros. obedecer ao tempo, & a necefÇi- dadeje ha de converter em vir- tude, para nos livrarmos de fua tirannia, & de morte. Affi que procuremos a li- berdade. Elie nos promette o titu- lo de Rei, fe com os uojfos o co- nhecerdes por Emper fa repojla pende a minha uida-, confederal o que éeveis a que vos deu a que tendes# O filho Vfangueio em bre- ves paiavias lhe mandou eíta íepotla.MeM pae,qutiao he eff a feu Emperador, também o kÍd fera a mi. Se vos efquecefles da fi del i d,ide devida a u cff o £ perddov,ninguém me reprovara 4 a mi (e me efeuyarda obediên- cia devida a talpaQuero antes morrer, que fervir a drai'. Mandada efla carta, expe- dia logo Víangueio hum em- baixador ao Rei Tartaro, a pedirlhe o quizdle 1 accorrer • contra
  • 96 Hi8md h «uma contra o Ladrai) do Império, promettendolhe grande co- pia de panno de linho finOjSc peças de fedajfc certo nume- ro de donzelas, queosTar-* taros mais que tudo eliimao, porque carecem de femeas, cm razaõ de naícerem poucas na Tarearia, & abundarem de machos. O Rei Tartaro naõ perdeo efta occaíiaõ de fazer bem feu negocio. No jriefmo dia com oitenta mil Toldados que tinha preftes 110 prefidio de Leaotung, fe poz a caminho,& ajuntandofe cã Vfangueio lhe fallou affi. Sou de parecer para figurarmos no fia Vittoria, que muníeis a vojfos foliados, que trefquiados os ca~ itlioSyfe. vi filio do traje, & barre- tes Tartar os, pura que o Ladrão irea que todos o fomos em ra^ão 4jfue n$o poffo tirar do meu Reino majores focccrros . Vfangueio dezejoio da vingança, tudo adxxúccio
  • dos Tártaros. 97 admittio, ignorando, como dizem os Chinas, que para lançar os caésfora, metia ti- gres dentro no Império. Li- cungzo tendo avifo que os Tarcaros unidos com Vían- gueio vinhão em Tua deman- da, naõouzandoreíiftir; aíli como facilmente occupou a cidade, affi apprefladiíTima- mentea delamparou. Todas as riquezas do palacio Impe- rial mandou enfardellar, Sc com ellas fc paíícu pata a província de Xenfi, á cidade de Sigan, onde tinha aflenta- do fea Corte,que antigamen- te o fora dos Empcradores, como acima diíTemos. Conta a fama que por cito dias con- tínuos por quatro portas do paiacio efiiverão faindo con- tinuamete carros,cavallos, & Homes carregados,não levado das riquezas lenao o mais pre ciofo^ deixando com a pre fia £ muitas
  • Hijloriada guerra , •. muitas outras. De forte que aquelles grandes thefouros de otiro,prata.>joias, & peças .prècioíiííimas; que ajimtàraõ na paz, & ocio de rafeis Em- pèradores da família Taimin- ga por eípaço de duzentos &C oitenta annos; forão em huni momento perdidas. O ladraõ;aindaque fe ac- colheo com grande preffa, eí- caçamente tfcapou da cavai- laria dos Tátaros, aquklfe- guindo a retiguarda por mui- tos dias, piliou grande parte da recamara Sc bagagé. Não — (X* quizeraõ os Tártaros panar o Rio Amarei) para aíli rende- rem mais facilmente asme- droíds, & onfufas terras do. Peking. Rcolheraoíe vitto-* ru>!os,& ricís: entrãrao nèfta cidade admitidos dos Chi-' nas, & ifto bi, o que os con- firmou íeabrés de todo o w . Í\J » Hafe
  • dos Tartãros. p
  • f too Hiftoria da guerra de, & cõ tam eílupenda con* cordia, qual a penas fe podia elperar de outra gente, quan- to mais da que he tam ambi- cio fa. Expulfo o Ladraò; Vfan- gueio tratava de chamar al- gum Regulo vizinho que Folie da família Taiminga, & elegelloEmperador. Por tanto lembrado do que pro- mettera aos Tartaros, dan- dolhe as graças , louvando feu valor, & 0 fiel foccorro que derao ao Império, lhes qffereceo os prémios promet- tidos, & juntamente lhes ro- gou, que recebidos elles, fe quizeífem recolher a Tarta- tia, & dahipor diante efque- eidos das injurias paífadas de que eílavaõ fuperabundante- mente fatisfeitos, houveflem por bem de ter paz com os Chinas. Os Tartaros, que ja de muito tempo tinhaõ pre- parado
  • dos Tártaros. ioi parado a repofta que haviáo cie dar a efta petição, maqui- nando outra couía mui di- veria da que Vianguep efpe- rava, aííi lhe. reiponderão. litigamos que ainda mo he tem- po acccmmodado de deixar- Vos a 1 os, & ao Impa ioy fe vos não parecer outra confia pre- valecem ainda mui tos la cr o em, porque poucos Cao mortos, antes cy''dia ião cujectdo em nu- mere, & forças. LicungyLO fixou fuá Corte em Sigan Meiropoli da .Prometa de Xenfi . Consi- derai as^jcpulofas, & viquijji- mas cidades, que tem onda de- baixo de fea poder. A: [entail** donos rós , ficao aos Chinas peyores ceifas que temer, Bile Lacrão teme aos Tártaros3 tan- to que [outer que fomos idos, lego juntando todo feu poder, & forças> o tereis prefente, & me- ter ano Império may cr es exerci" tos q Antcs$& por vetura então 1 j ws
  • ioi Hiftoria da guerra nos não ejteja bem acoclir com novos foecorros á voffa fortuna posta em perigo. E fuppoito que aqui citamos prompt os, he no (fa obrigação extinguir de todo os Ladroensy para que entregueis a yojfo Rei o Império ffegado. Não vos dem cuidado os prémios promettidos, que estes tao guar- dados^ feguros os temos, ejlan- do no vcjfo, como cm no ff o poder. O que resta he dit,ervos que com parte dos refis, & com algumas legiões noJjas, vos movais centra o Ladrão LicungL0',& nos com o refto oppnnnremos os Ladroens de Xantung: & af i refpirára 9 línpeno por todas as partes fof * fegado. Vfangueio ou naõ en- tendeo o eftratagema, ou lhe foi neceffario deixaríe enga- nar do mais poderoío, náo ouzou ditcordar. Antes que os Tartaros fof- fem convidados a entrar no Império, tinhão mandado í pátria
  • dos Tártaros♦ 105 patria, £< aos Reinos vizinhos fe fizeffem quantos Toldados foliem' poffiveis para ganhar de todo o Império. E aíii em quanto naõ chegàraõ eiles, com praticas brandamente compelias,.. com reprefenta-» çcés de benevolência,le abfii- nhaõ algum tanto de víar da força. E m q u a n t o eflns con fas fe trattavaõ, chegou hum im~ nienío numero de Tareares,, naõ ió dos Reinos de Niuque & Nkilhan, mas também, da antigua Tarjaria Occidental, & de Ytipi Oriental. Eítes ultimes hnbiraõ na terra fir- me do mar Oriental das ilhas do japaõ. 'Chamaõíi Yupos de húas correas que trazem, & de que víaõ na guerra fei- tas de coiro de pexes. O qile he mais, q vi na China mui- tos naturaes de Volga, a quê os Chinas chamáo Alga Tar- E4 taros
  • ♦ lo4 ti'fioria da guerra taros,& neftes achei noticias de Moícovia, & Poionia, & ia5 mais bárbaros q os Tar- Xtrtarâs taros ma*s Orienraes. tomão Tanto que chegarão eiles fcjk do ioccorros, préientàrão lego o Império* mjnjno do Rei morto, & começáraõ ciará, Si publicamente a rnanileilàc que o Império da China era íeu,8c que o queria pcfltiir,& gozar, 2: o acclamarão por íknperadcr. Tcmou per no- Xvnco mc;Xuncc,in{i ituhio nova fa- « « Kzíw. milia chamada Taicirç. O taro fè • ' ív ** i C'/ Jtri mmuno «aeaai com grande * O o - n i i * wc ir o hz o, Sc magcftade, íubio ao EmJc" throno que foi antigaméte de íeus antepaiíados^Sc nelle tez aos íeus hía pratica,não pue- ril, fenão illultre na maneira feguiiite, Nm mir.bas forças, nem tnir.bx felicidade, fe vãs a vojfa, tntti amados, O* valer efes tios, & mais Capitais meus,tnc der ao a confbncia que vedes. - AhZ
  • dos Tártaros. soj A firmeza , & fegurança com que occupo eile throw, he tarn- born prefagio para nos, & noffas con fas, como o temor foi mio ri- gour o ao Ladrão Licutigzo. Ve- des agora os princípios do Im- pério ganhado ; porem conheço vojfo valor, & esforço por tam grande, que já crco q pojfao não Jó toda a China, mas também todo o Império do mundo nã& começado a conquistar , fenã» ja firme, & feguro . As ri- quezas do Impér io, & os Rea- es títulos, & dignidadeshao de fer devido premio , ainda que defigval, a tam grande es- forço . Agora procedei vale- fofamente . Eftas coaías que diíTe o minino encherão de admiraçao todo o paço.. Ac- clamarão todos a hua voz cõ grande ap piau id q era o rap az eleito do Ceo,o£ da fortuna. O mefmo dia venerou co- mo pae ao tio mais velho £.5 foi
  • "t- MJloria da guerra rJma- feu tutor, por onde logo foi «fole';* c^ama(^0 Amahan, vocábulo Tartar* Tanaro,que he o mefmo que fideiijju pae Rei, & os Chinas na lua lingua lhe chamaõ Amavang, que íignifica o mefmo, A. eíle commetteo toda a guerra que fe havia de fazer^ 8c líã verda- de que a elle propriamente devem os Tartaros o Impé- rio, porcj foi inligne naõ me- nos no confelho, & pruden-? cia,que no valor, & fidelida- de, de maneira que eaulava admiraçaõ ainda aosmelreos Chinas mais prudentes nos dilcurfos,& confelhosjtrazia- cs atonitos com a benignida- . o de,& juKiça.Verdade he que o ajudavaõ para todos eltes acertos3aquelles ChinasMan- darins; que como dicemos a- cima, íugindo da ira do Em- perador, fe pafiáraõ aos Tár- taros. Eftcs infiéis à Patria a- gora com palavras, & exem-. pios ■
  • dos Tart/tr&St joy pios felicitavaõ os feus56c d*- vaõ aos inimigos mui acerta- das advertencias5peilo que os admitiaõ nos iupremos go- vernos. Também no mefmo dia fe expedirão algíias legiões de íartaros a Viangueio, com proviioés5em que o Emperar dor fazia Rei Pingi a VJan- gueio, tributário poié. (Pingi hgnifica pacificador doPone- te) & aflinoulhe para Corte lua^Sigàn Metropoli da Pro- víncia de Xeufi., Que havia de fa zer neile cazo Vlan- gueio, atè então fideliffiino? Elie na o podia elperar do Emperador da China mayo- res prémios. OsTartaros eraõ ;a tantos em numero? que fie achava inferior emforças.Poi; tancoy aceitou a nova digni- dade,. & conheceo o Tartaro por Emperador. De modo^q aquelle que havia pouco fora
  • T0§ Hi ft or it da guerra pellos Chinas contra os La- droens, agora era obrigado a ir contra os Chinas a iogei- * tar Províncias para os Tár- taros. Eaílicomo era hum grande General, atli ajudado dos Tartaros facilmente exp- ptilfouo Ladrão da província de Xenfi, & atègera reinou na Metropoli Sigan. De ma- neira, que os Tartarcs remo- verão da milícia , cheyo de honras àquelle que poderiáo temer armado. Ategora fe não fabe de cer- r to o fim de Licungzo; cairão I* luas forças de repente op- «fe primidas . He íama > que fora morto na peleja , per víangiieio,poito que nem vi- vo, nem morto fora conhe- cido , tfcm achado de nin-* guem. A outra parte dos Tárta- ros, com a meíma facilida- de occupou as províncias de Pding,
  • dos TarttroSé lõp Peking 3 & Xantung , on- de aumentarão em nume- ro iinmenío íeus exercites y Com ioldados, & Capítaes Chinas5 porq a todos recebe- rão, não íó cm fua ebediteia, &c poder, mas també para na milicia leguir fnas bandei- ras . E na verdade não crão deíprezades os rendidos 5 com tanto que ao modo tartaro trouxeííem os veíli- dos , Sc rapaíTem os ca- bellos # \Atues para que to- dos o fizeílem geralmen - te , c Riandáraõ declarar por editaes públicos com pena de traição. lit o pertur- bou muitas vezes as cou- fas dos Tartáros} femindo, & pugnando mais os Chi* nas pellos ca bel los, que po t fua patria , & Emperador; de maneira , que por mui- tas vezes antes elegerão rnor- reíp Si ler caítigados na vida*
  • ir ro Biftorta da guerra qua nefta parte obedecer aos Tartaros. Muitos exemplos referira defta materia, fe me naõ lembrara da brevida- de. Em menos de hum anno fogeitaraõ os Tartaros qua- tro províncias do Norte;con- vém a laber. Peking, Xaníl, Xenfi,& Xantung, naõ con- tando Leaoiung,de queefta- vão de pcíle, havia tempos. Em todas eftas naõ mudàraõ os Tartaros, de toclo o eftiilo politico,& modo de governo dos Chinas -.antes,concederão aos Philoícfos Chinas as Ci- dades, & as Províncias, para as governar. Dcixíraõ correr como antes, os exames, & grãos doa letrados;porque en- . tregando o governo aos pró- prios naturaes agraduados por elles meímos,quaíi como lhas criaturas, eftariaõ com toda, a fidelidade, pellos Tar-. . * uros*
  • dos Tartar os. tií taros.Refervàraõ,ío para íi,os cargos iupremos, & o gover- no da milícia; ainda que nef- tespoftos admitnaõ também os Chinas mais fiei". E na mefma Corte cóíervàraõ.co- mo no tempo dos Empera-* dores, as roelmas ordens de Mandarins, & leis lupiemos Tribunaes, que le ccmpoçm, parte de Tártaros, &c parte de Chinas. Em tempo que nas provín- cias do Norte iuccedia o que eftá dito. Tiveraõ avizo os Mandarins das Províncias do Sul,do perigo,em que eftava feu Emperador; ajuntaraõ de todas ellas grandes exércitos. Hindo marchando para Pe- king, tiveraõ a trifte nova da morte do Emperador, & da ruina delia cidade. Logo os íoldados íe tornarão do ca- minho começado, & com el- les juntamente todas as em- . barca-
  • lit ifiUvria ddgvcrra barcaçoés,que levavão à Cor- te todos os annos manti- mentos; & outras coulas ne- ceiTarias. Pouco depois ouvi- rão outras novas mais trifles da invaíaõ, & polle do Im- pério pellos Tártaros. Neíle tempo eííava eu na Cidade de Nanquing, onde vi o me- do, & grande confufaõ dos Chinas,Ate q finalmente,co- brando animo os Mandarins jfoy(> todos elegerão Emperador a Empe- hum Regulo da família Tai- iuíto m*ng*> a qwem chamarão Hungqtiango. Elie viera da província de Hon an, fugin- do dos Ladroens: era neta do Emperador Vanlieo, & fobrinho do Emperador Zungquinio. Coroaráono cõ . grande pompa, & M age í la de, esperando, que com elie le milhoraífem as cg ufas- Tan- to que foi eleito , mandou Embaxadot aos Tártaros a pediu i
  • dos Tártaros. i i 5 a pedir paz, mais com arro- gância, que comiubmitlào, oílerecendolhe de boa von- tade todas as províncias do Norte, de que os Tártaros eílavão de peíle . Não ig- norarão os Tartaros o ani- mo, &c intenção dos Man- darins do Sul * Que era diínrir a guerra, cm quanto fe refaziâode forças, & pe- trechos needfavios. Pcllo que lhe rcfponderão 3 que elles não aceita vão de outrem o que tinhão ja ganhado com as armas* & ia que os Man- darins tinhão eleito Empe- rador , que o delendeílern; porque elles quer ião ter todo o Império, ou nada. Com efta diífimulada em- baxada , em tempo , que de híia , 8c outra parte fe apparelhaváo as armas apareceo na Cidade de Nanquingdem fe íaber donde huna
  • «ç^ ♦ 114 Hi flor ia da guerra hum moço, que dizia íer fí- *< Zol.ç2. lho mayot do Emperador Zungquinio, que acima dif- íemos,não fe achara, quando , o Ladrão Licungzo invadio , a Corte, & paço de Pequing. O moço naõ daua pequenos * . íinaes de íer quem dizia^álem. do cj,foi conhecido de muitos Eunuchos. O novo Empera- dor Hungquango,entrado da ambição de reinar , o não quiz admitir, ou conhecer,ne ceder do Império, antes, o mandou fechar em hum car- * cere, para o mandar /uftiçar, < por embuileiro. Com que fe Indignarão tam precipitada- mente muitos Mandarins,que le encaminhava a couia a híí motim. Finalmente, chegou efta controverfia a aftado,que deu occafiaõ aos Tártaros, para renderem a província, & Cidade de Nanquing , fem lho iijípcjdire algíís dos Mau- ■v í i darins,
  • dos Tártaros. 11 ^ darins, por naõ dizer infti- gandoos . Chegarão os Tár- taros ao território da Cidade Hoigan, occupão a ribeira do rio amarello pella parte do Oriente,, 8c logo o paliarão em barcos. Era tanto o nu- mero de íoldados Chinas,que eilavão da outra parte, que fó dos çapatos q puzeííem dian- te, podião,fazer hum muro,q embaraçaffe a pafiagem à ca- valleria inimiga,Porem como na guerra vai o animo, & não o numero, ainda bem não vi- rão embarcar os Tartaros da outra banda^ como ovelhas* quando vem os lobos, fugi- rão,deixando nua, 8c defem- parada toda ribeira daquelle largo, & velociffimo rio. Os Tartaros, depois de o paíTa- re,não vedo nenhum inimigo* entrarão a nobiliffima pro- vinda de Nanquing, 8c vç- lodffinuméte oçcupárão tpr do
  • ç>*4 j Hiftoria daguerrx do opaix delia, que jaz ac Norte do rio Quing, chama- do,filho domar.Haíe de ob- fervar híia coufarara na mi- lícia dos Tartaros: antes que entrem a conquifíar, alguma , provinda,levão ja nomeados, com os prefidios necdlarios, os Cabos, Si Governadores • 7 rA Cic^a' das princ ipaes cidades. 6c lu- de de r . r . , - í ^ Yan*- gares niais importares q nao que* re- cie occupar. H aííi,a penas enT riria* ráíojquando fem tiemòra,co- ros,<& mo ray os, as invade, cccupão, fà.r£n~ & fortificão- ern cõcinête.Hua -' 4# nobre, & riquiílima Cidade, chamada Yangqueu, experi- mentou a força, 8i ai guias ve^ zes valerolaméte refihio aos Tartaros,matando no i obace o filho de hum R< guio Tár- taro. Zuo Colau lideliffimo ao Emperador Hungquãgo, com hum grande prdidio de foldados , defendia a Cida- de; Poíém foi ccnfirangida a ren- r*
  • dosTtftdYos, li/ atenderíe.Os Tartaros, en- trando nella matarão todos os foldados, & moradores; faqueárão todas as caías. E logo, porque os malcheiroíos cadáveres , corrompendo o ár; não gèraíTem pefíe, os lançarão íobrc as cafas, Sc pondo Ihg togo, forão quei- mados os corpos , com to- da a Cidade, Sc ieus arrabal- des. Aquiacrefcentou o Tár- taro feus exércitos com os 1 Mandarins, Governadores, i Sc Cabos das mais praças I exércitos, que a elle le JpalTavão. Muitos deites con- U-íer varão nos meímos poítos, I Sc governos de Cidades que tinhão, obedecendo ao Hm- Iperador^ outros forao acteí- centados a outros governos xnayores. Com eíta benig- nidade com que o Tartaro .^abraçava aos queíe paííavão aelle,
  • % ní Mifloria da guerra a elle; Sc com a crueldade, que'- uzava com as cidades que le reíolvião a defenderíe veyo a confeguir, que quafi todos, antes querião experimentar aquella, que efta. Portanto,, vierão inclinar a lua ©bedien- cia,facilmente, tudo o que et- tava àlé do Rio,filho do mar, f>arao Norte.Efterio, que tê de largo mais de légua, & meya , correndo do Poente, pára o Oriente, parte a Chi- na, quafi pello meyo,dividin- doa em China Boreal,& Auf tral.Efte mefmo rio parte tão bé pello meyo a província de i Nanquing.Poftoq eftaCidade,á Metropolitana, jaz na ribeira domelmo rio,da parte do Sul. Affi q para a occuparê, havião jatalU os Tártaros de o paíiar^ A)ú- entre tàrãomuirasembarcaçoéspara chinas, cge ejTei expugnaré eftanova Corte, Sc tomaie as^ faros* mãos o novo Emperador.Da < outra
  • j | dos Tártaros. tjy ólitra parte do rio tinhão os ' Chinas hila grolla armada, q governava o íortiffimo gene- ral Hoangcoango. E pelejan- dole valerofiiíimamente de híía, & outra parte- quando r Hoangcoango moftrava, que podia vencer os Tartaros -ini- migos; o atraveííou cõ hua íe- H ta híí Capitão China,peitado traidor \ dos Tartaros com grandes Pe.r(*e* I prometias . Chamavafe efte. nn*m< Capitão traidor, Thieno, ÔC - era natural das terras de V , . | Leaotung. Efta feta fez parac a roda da fortuna dos Chi- li as,& perder o Império. Nao contente o traidor com eite * feito, pozíe em fugida com os léus, dando exemplo aos I mais para fazer o mefmo. Co- limo fe fora mui fiel, íe paíTou • à Cidade Nanquing, & fe in- i corporou na Companhia do | Eruperador, que hia ja fugiu- [iAq da Cidade. Os Tartaros. paf-
  • V« iy Jliíioria da guerra p.lacto o rio, Sabendo que o > fhperador hia fugindo, ve- < Iciílimamente o íeguirão ♦ laco que Thieno teve vifta r di Xartaros, lançou mão do quando nferaveí Emperador, & o Empire- eiregou aos Tartaros, 110 - foralnL 11 z deJunho,de mil & feis- tepre^o oitos & quarenta & cinco» wwr Lvaraono a Cidade,& fobre §t omuros, o enforcarão com ha corda de arco, que he ge- nro de morte que os Tarta- rc eftimao por mui nobre. Anel ma pena deraõ ao ou- tr meço, queachàraõ prezo n cárcere, fc ffe verdadeiro, o fingido filho de Zur.gqtii- m.Naõ feraõ eíles fó da fa- niia Taiminga, que os Tar- * tios matàraô, íenaõ a todos qaerquer que puderaõ ha- ve às maõs, buleandeos em tdas as partes com grande digencia. Eíle tirânico coí- tme tem toda a Afia,ganha- - : • *»*
  • ( dos Tartar of. lit do hum Reino , procuram logo os inimigos extinguir* totalmente todos os confan- guineos dos Reis vencidos. Entrarão os Tartaros a Ci- dade deNanquing, &confe- quenteméte acbaraõ as pro- víncias prornptas a lhe darem obediência. Daqui,ccm velo- ciflimo curíojpaíTaraõ virto- riofos à grade, & nobiliffima Cidade Hsgqueu, metropoli da província de Quequiang* Dividio oTartaro o exercito; mãdou húa parte delle pello rio Quiang a render todo o paix da terra a dentro; conve a faber; as eftendidas provín- cias ds Quiang, Huquang,5c Qnangtung. Os Capitaes, Mandarins, & os principaes Toldados Chinas, que fugirão, eftavão juntos em Hangqueu, onde quizerão eleger novo Empe- lador da família Taioringa, a F hum
  • n Hi florid da gucrr* h regulo, chamado Lovan- g:Eíte náo quiz aceitar o ti- do de Eimperador, conten- tufe Tó com o do Rei, por untura, por não cair de tam ato, & lentir menos a morte: pometeode o aceitat,quando c Toldados,expultos osTar-r tros, ganhaflem hua Corte; 6 ifto os quiz excitar a pro- cder com mais valor,do que aè então Te tinhão havido» Ião havia tres dias que rei- nva^que foi o mais breve té- p em que coftumarao reinar c que fizeraõ o papel de Reis níta comedia da China  ciando os Tartaros aparece, lepoisde lua chegada,os lol- ados,qne com leus Capitaês í acolherão a efta Cidade , omeçàrao a declarar, q clles pometiaõ pelejar,!e primeiro ie pagaffem os Toldos que 1c deuuõ: queriao eftes, em mipo que lhes pareço que erao
  • dos Tártaros. li* erão neceíTarios, arrancar do Regulo, & dos moradores, o dinheiro, &. depois não obraE nada. O pobre Regulo que de lua natureza era brando, & pio, não teve coração para ver a deífruiçaõ da Cidade; compadecédole da trifle ior- te do povo, moftrou neíla oc- cafiaõ,quanto amava aos vaC- lallos, & d :u hum tal exem- plo,qual núca,Europa ouvio; Sòbe.aos muros da Cidade, & a hi,poíto de joelhos, fali* ao General dos Tartaros, 6C pedèlhe, queira perdoar á Ci- dade, & aos moradores; & diffe. De mimfíl?ei 01,ie 1UI~ z.eres, & vos ferv de ma , & facrificiopellos meus, dizendo illo, íe foi para os Tartaros,& o prenderão. Foi iílo hum illuítre teftemunho de grande amor para com os fubdittos. Tal valor tivera o fruio de leu merecimento, fe F 2 topara
  • it *4v Hifivri 4 da gum a ípàra com algum Alexan- ce>, ouj«iio Cefar. Man- arão os Tartaros fair fora « Cidade todos os folda- «s,que eftaváo nella de pre- &c que os moradores cailern fechados . & qllc .Eirhum loldado , ail] dos fus, como dos Chinas, en« taíTem na Cidade . Depo- ique os teve fora, mandou, cie per todas as partes os ir e filiem , & JiiataíTern. Jeslres miíeraveis , muitos rais matou a agua , que a féttas, Sc os' Alfanges; prque todos, chejos de tc- íor, & conruíaõ, procurá- lo paliar num rio, chama- 0 Ceienthang , que tem ."I *eSua C':C largo, & corre ff a parte do Sul, para ort- c Cidade tem lula porta; 1 lo;ao tantos os que entra— i o nos barcos em que luvião paliar o rio, que carrcve,- Ccs
  • dos Tártaros. tsy dos, mais do que podião le- vante forão ao fundo, com o pezo da gente . a 111 deites* que hião embarcados , co- mo dos mais , que liuns a outros lançarão no rio > morrerão muitos milha* res. Lançados fera, & mortos Rsn deíte modo os 1 old a dos, não ^J^cí 1 tendo os Tartaros embarca- dadede' çoens para paílar o rro, en- ****£ trarão na Cidade , fern lhe tJ'tehm fazer nenhum danno, nem violência. E defía forte ficou efea nobiliffima Cidade con- fervada,cuja grandeza, lique- zas, ferrnofura, ern outro lu- gar deícrevêrei difuíãmente, não como tefícmunha de ou- vida ienão de viíla; porque delia me parti para Europa, tendo antes refidido nelia tres annos. Tem efta Cidade de Hãg- queu para a parte do Nor- f3 te,
  • 12 6 JttiftoYia da guerra Norte hum rio, ou canal feito por onde le navega para as partes do Norte.Eiie canal fe divide do Rio Ceienrhang,lo Com hum muro. Os Taitaros. logo,com grande prèíTa, paf- faraõ por cima do muro defte x*°- Canal, para o rio, muitas em- rehde^ Marcações que havia nelle; & TaK ^ puzeraõ da outra banda, tura-.^a ftm achar quem lhes reílítiíTe. m*í$ r - • r i ^ ' biiuci. ^ CITI continente,iem nenhua Jade d* dificuldade, le rende o Xao- quing,a mais fermofa,& beila Cidade de todas que ha na Caina. Porque, ainda que ce- de a muitas, na grandeza, no esplendor, & limpeza, lem duvida, excede a todas: eílà aflentada íobre agoa doce. E affi por fora dos muros,como por dentro, íe pode andar. & correr em barcos; tem as ruas mui largas, dehíia, & outra parte, calçadas de pedras brã- $as;peilo meyo dellas;eorrem m húas
  • dos Tártaros, li? ^ huas foffas, ou Canaes, pos *7 onde navegaó os barcos. Et- tes canaes te vertem de am~ bas as partes de huas paredes, feitas da mefma pedra qua-* di a da j de que tem também fabricadas muitas pontes, 8c arcos triumphaes. Da meftna maneira as caías faõ feitas da melma pedra, o que não ha cm nenhuma cidade da Chi- na. Sem fazer nenhuma força> a occupárão os Tmaros, íõ a mefma facilidade achà- ria© promptas, para te rende- rem voluntariamente todas as mais Cidades do Sul,da pro- chmas^ vincia de Quequiang, te os Tartaios, tanto quetoinàraõ cabelio$ ppífe da Cidade, naõ man- ^aj cia liem publicar que todos,ao c'atí esJ medo Tartaio, rapaíTem os Cabello s: porque tanto que os Chinas,affi toldados, co- mo moradores, ouvirão eitfc F 4 man-
  • tit IlifiorU da guerra v** mandato , mais zelolos dog Cabclios, que da patria, to- maraõ as armas, & os in- veftirao tam valeroiamen- te, que os lançaraõ da praça, & os forão levando até o rio, Ceienthang, & matando a muitos delles, conllrangerao aos mais a paííar o riojhe cer- to, que fe os Chinas foflem cm feu alcance recuperaria© a metropoli,& o mais.Porem, contentes de conlervarem as guadelhas, não proíeguiraõ a vittoria. Paráraõ na ribeira, da parte do Sulyfortificando- fe por todas as partes. Com eíie lncceíIo,as armas vitto- riolas dos Tártaros, ficara© reprimidas por efpaço de hit anno. Os Chinas, para terem ca- beça, que os governaiíe, qui- zerão eleger tmperador a hfi regulo da fiainilia Taiminga, chamado Lu. E](le não quiz admittix
  • dos Tartars. izy admittir o tkuloy tomou fó~ niete,o de reftaurador do Im- pério. Eiuretanto3 os T ar taros mãdarão vir do Pequíng no- vas legicensde toldados;re- feitos com ellas puzetão toda a força, para paliar o rio Ce- ienthang, o que não lhes foi. poliiveh Por tanto, re (pirarão as cangadas coutas dos Chi- nas; Sc juntas as forças, le prometião mayores vktorias* Pci èm, a cobiça, Sc compe- tencia dc reinar, cortou o fio a todas eíías elperanças. Por- que os toldados, 8c Manda- rins da província de Foquien^ que fugiiao de Qnequiang, levàraõ contigo hum regulo da família Taiminga,chama- do Tango, Sc a ette elegerão Emperador na Província d^ Foquien , que he vizinha a Que quia ng • Eíle novo Emperador eleilo , queria quç o Regulo Lu , cçdeíTe E % ào
  • I JO Hi floria da guerra do Imperiojfuiidando fua ra- zao,que Lu tinha poucas Ci- dades, & era mais remoto cm langue, & parentefco, cõ os Emperadores. Pello con- trario, pretendia Lu o direi- to,dando por razaõ, que elle fora primeiro acclamad o dos VaíTallos, & moftrava frui- tos,. & effeitos de victorias.. Eftimaraõ muito os Tartaros a defavença, & entre os dous litigantes fe. conflttuiraõ ter- Ceiros,ou,oomo dizé os Chi- nas; pelejando hua ave com a lagofta,o pefcadorjque ambas achou embaraçadas, teve bõ- lucro. Os dous régulos nunca cederão hum a outro, nem fazendo as armas commuas., rebaterão os Tártaros. E co- nto o Regulo Lu governaíTe: fó as oito Cidades,não podia ter cabedal neceflario para oftipcdio de tantos toldados; pelio qnejattcndendo ló à dc- fçníao*
  • dos Tar Mo*. *3* fenfaõ, nunca ouzou paflar o Rio. Entretanto, os Tártaros exccgitaraõ o modo como o poderião paffar^. porque em barcos não ie atreviao, em ra- zaõ que o Regulo tinha apa- relhadas naos, & entre ellas* algfias, que mandara vir do mar, com peças mayoresde 1 >. artelhería.Porém a felicidade daquelle anno, abrio o cami- nho aos Tarnaos. Succedeo que oeílio foi mais fecodo acoftumado, & o rio para * parte do Sul, junto à Cidade de Tunglieu, onde corre poc entre montes,nem com a en- chente da maré, crecia em a- gua^poraqur acharaõ paflage os cavalleiros Tartaros.A pe- nas tinhao vinte delles paíTa- do o rio,fem ninguém lhe re- liftir(porque nefta parte pella afpereza dos montes, não- ef- uao poftas guardas) quando avizados os loldados Chinas^, J 4
  • it * 32 Historia da gaerrA dos rufticos, que fugião, fe puzeraõ também em fugida, E o meimo regulo deíem- parou a Cidade Xaoquing» & nao le fiando da terra fir- me, fe embarcou em hunana- ^)A vios, & deNimpo, paixda fí,7* Cidade,fe paffou a Queuxan, jLoino que he liíía iiha, que eíU no mar, mui afaftada da terra firme, onde atègora reina, & eílà íeguro . "Ella ilha, que efcaííàmente era habi- tada cie ruílicos, & peíca- dores, eftà hoje feita hum potentiífímo Reino , com os muitos chinas , que a «lia fugirão , recorrendo ao itegulo Lu, como a defen- for, & a zilo de feus cabellos» Neila ha hoje fetenta , & duas; Cidades j, tem muitas armadas, com que zomba de todo o poder dos Tár- taros ; & deíle azilo dos Chinas íç eípeta alguma oc- eaíU
  • cafíaõ de obrar bons efíei- tos. ^ Afíi que aos Tartaros foi fácil, iogeitar a feu poder to- das as Cidades. & mais luga.- res da província de Quequir» ang . Sò a Cidade de Qui- nhoa reíiíiio por alguns me-» fes ao poder dos inimigos* Neila era fupremo Governa- dor hum grande meu ami- go, Cidadão da mefrpa Ci- dade, 8c nella tinha lua ca- fa, 8c rcíidencia. Os Tartar Tosx porque hua praça lhe não retardalTe a victoria das outras dividirão feu exer^ cito em tres partes ; man- diraõ as duas, divididas í Província de Foquien , hii- ma por a Cidade de Quin- queu, 8c pellos montes; ou- tra por Vinqueu, 8c coita do mar. A outra parte ficou per- tinaciílimamente continuan- do o cexço de Quinhoa.
  • 134 Hi floria da guerra sç No tempo que fui manda- do pell o Emperador Lungu- vo,a Cidade Venxui, ibgeita a de Venqneu. A penas tinha entrado nella, quando chegá- raõ os Tártaros, os quaes, do primeiro ímpeto occuparaõ a Vanqueu,& com menos faci- lidade fogeitaraô as mais Ci- dades.Morava eu em huasca- fas grandes na Cidade Ven- xui, que toda fervia em tu- multos,medo, & fugas; tanto que ouvi que os Tartaros íe vinhao chegando,fixei da bã- da de fora,lobre a porta prin- cipal das cafas,hum papel,em que eftavão eícritas de letras OTain grandes, & vermelhas, eftas ManZ Pa^avras- Aqui nora do grande como fe Occidentejmm Doutor da lei Di- ijyrou vina. Semelhantes iníeriçoens dáífoL coftumávao por os Manda- daios. rins,quando caminhão, lebre a porta das calas em que pou- zío> parai fazer publico a to- dos
  • dos Tártaros. 13$* dos a qualidade de fuás peflo- as.Alem difto na falia mayor,, que eft a v a na entrada das ca- ías, lancei muitos livros de Europa, entre elles algus ma- yoreSjCUriofamente enquader- nados; entre os quaes lancei também muitos inftromentos mathematicos,Tubos Ópti- cos,fpècula cautica, & outros femelhantes: finalmente, pus a imagem de Chrifto noflo Salvador fobre hum Altar, q levatei fó para ifto, & na ver- dade com telice fucceífo: por- que tam longe eftive de pa- decer algíía injuria,ou molef» tia dos loldados; que antes o mel mo regulo dos Tartaros, me mandou chamar, & libe- raliffimamente me4 recebeo y perguntandome, leporven- tura havia de mudar de bem animo,& vontade os reftidos* de C hina, & cortar o cabello, & dizendolhe. que levava muita
  • í já UiSoru da guerra C** Tn iiito goílo,me mandou trof- quiar diante de & repre- fentatidolhc, que os viilidos de China naõ dizião bem cem a cabeça rapada 3 elle ineímp deícalçou as fuás bo- tas^ mafquiz calçar, pozme íeu proprio barrete tartaro ira cabeça ; & me convi- dou a comer . Depois com patentes fuás, me deu licença para me poder recolher a mi- nha antiga eílação, Scanof- fo templo, & caía da no- bilifíima Cidade de Hang- queu. ;r Tornado ao cerco de Qui- nhoa, que ficou continuando hua parte do exercito inimi- goduccedeo,que depois de os Tartaros receberem grande danno^quelhefez ovalado governador da praça, com as peças de artelheria,que nelles. de continuo difparava, cbri- gou-os íi aisêíaros ar ray a es,, \ atai-
  • des Tm tares. 137 sfaíiado da Cidade. Ate que finalmente trouxerãõ osTaf- taros, da Metropolis peças groflas, com que desfazendo os mures a entrarão, & a fer- ro, & a fogo, a deíti uirão. O Governador, por não vir às mãos do inimigo, com toda lua família, fe queimou com hum barril de polvara, a que deu fogo,dentro no paço em que morava. A província de Foquieit, fe divide das tres províncias^ Quangtung , Quiangfi, Quequiang , com montes continuados , & tàm altos^ q&e em os paflarem, fe po- em tres dias de caminho aC- periíQmo, com ferras altif- fimas, & vales profundos; em partes tem paílos horrí- veis , eftreitos , & precipi- tados ^ mais diíEcultolos, 011 iguaes ao Thermopjlis dos Gregos , ou aos altos,
  • *3$ Hi flori a da guerra do monte Tauro.Era por efta parte íacil a defcníaõ, pondo poucos ruílicos nos lugares mais àfperos,ou fe em alguns pafTos íe atalhaiTem os cami- nhos. Forem, o medo que íe tinha dos Tartaroseftava tão entrado nos ânimos dos Chi- nas, que nem íe atreviaõ a olhar para a cara dos feus ca- Vallos. Pello que, fugindo, deixàraõ deípido os montes, de todo prefidio,& defeníaõ: ainda afii deícmparados com •grande dimeuidade os pâíícii o inimigo, deixando aqui,& alli os carros, & a bagagem, ,& muitos cavallos perdidos nos precipícios. Finalmente, com tanta facilidade occupá- rão toda a província de Fo- .quien,com quanta íe lhe po- dia prohibir a entrada; por- que tanto tempo gafíàraõ em ganhalla,quãto era necelíario para a correr. O Emperador acima
  • dos Tártaros. i Jp acima ditto,Líiguo, que quer ^ • V/f ci 0 dizer, Dragao guerreiro,an- tes quiz lazer o papel de ti- mor ti. mido, que repreientar o de Diagãõjtugio^ h£ gran- de poder de Toldados, Te fe coníiderar o numero.Porem, nem affi efcapou dos ligeiros cavallos que o feguiraõ, ma- tàraõ coin as letras os q hia5 fugindo como rebanhos de ovelhas. O Emperador, de- femparado dos leus, he fama, que ficou entre os mortos: porque nunca mais delle íe ouvio coufa algíía. E porque toda a província fe entregou voluntariamente, aíli mais facilmente, que ou- tra algua foi occupada. E os Chinas, porque em nenhua parte rcfiftirãoaos Tartaros, aíli tiverao pouco que pade- cer.Tirando os inimigos dei- tas partes muitos lolriados Chinas, aaecentarão leu ex- - ercito,
  • "c* *4? Uijiaria da guerra rJpn- ercico, &: com o meimo curfo vincHt t • , „ Quanr. vitorias entrar ao a pro- tnn
  • dos Tart Mos* 141 ' afHdajuftiça, corno da guer- ra. Os mais prudentes con- jefturão por outro modo a cauia da facilidade com que ie occupou a Província de " Foquien, & eti me aífiiio ao pè do que elles dizem. Havia naquelie tempo na provín- cia,hum íamofo pirata, cha- mado Quinquilungo, natu- ral de Foquien, & nacido em hum lugar humilde; os prin- cipios defíe , forão , lervir como criado aos Portugue- ses em Macào 3 Sc lo<*o aos Holandeses, na ilha cha- mada, Fermofa (os Eítran- Famofi 1 gciros todos lhe chama - ?Jrat4& \ vao Iquon) mui conheci- do cie todos os Eípanhoes, & Holanzes . Não muito depois,íe fez Pirata,começan- do de pequenos princípios, 1' ajíítcu grandes armadas. Co- ^ mo fofie hábil de engenho, '[ "" Sc de
  • 14-z Hijloria da guerra & de mãos, chegou a ter tan- tas riquezas,& torças, queíe igualou, ou aventejou nellas ao mefmo Emperador; porq clle lo tinha o tratto de to- da a India.Tinha riquiffimos comércios com os Portugue- * zes de Macáo, com os Cafte- lhanos das Filippinas, com os Holandezesda ilhaFermofa, & da nova Bata via, & com os Japoés, & mais reinos, & ilhas daquelle Indico Occea- no. As drogas, 8c mercadorias da China, clle lo pellos íeus, as tirava, & elle ló, pellos leus metia todas as de Europa, & toda a prata. Houve perdão do Emperador da China*] mais por força, que rogando, 1 Crelceo tanto, em forças, & poder,que veyo a fabricar ar- _ madas,em que trazia tres mil rCmbarcaçoens. Não contente com efta opulência, occulta- mentc alpirava a fer Empe- rador
  • dos Tart aros. Hi' fy rador. E porque bem entedia, que nada poderia obrar, em quanto houvefTè peiíoa viva da família Imperial Taimin- ga3& que o poyo,& os Man- darins, nao fó o naõ admiti- " riaõ, mas antes, lhe fariaõ re- fillencia, corno traidor, com elta occafiao dos Tartaros,ef- perava, extinguilla de todo. Pello que, excogicou, tomar as pias armas pella patria, a q todos, fabia,fe haviaõ de in- clinar, & opporfe fingidamé- te contra os Tartaros, como inimigos dos Chinas,naõ du- vidando,que com efte pretex- to,como defenfor dos ieus, o , haviaõ de favorecer, & acei- tar$ & para bem de feu inten- to, favorecia occultamente aos Tartaros, tendo com el- les fecreto tracto, & correl- põdécias.Acreditoufe tãto c5 dia fimulação,que no tempo, > que o inimigo entrou no paix dc i
  • 144 8orui^<{ guerrt de Foquien , o Emperadot Lunguvo o declarou por Ca- 5 pitão geral de toda a guerra. I Todos os Capitães do Ex- ercito, erão feus irmãos, Sc patentes; todos os Toldados fe appiicavão em o fervir. De 1 íorte, que elle foi o que ad- j mittio o inimigo. Pello que não califa admiração entraré os Tartaros na província de Foqúien, & darenlhe logo o titulo de Rei, conftituindoo Rei Pegnan, que quer dizer, pacificador do Sul. Authori- -zarãono com outras muitas tenras, para mais facilmente o enganarem. Por ventura,q íenão encobrio aos Tartaros * fua intenção, ou que conjec- , turárao o qúe era do grande poder que tinha, entenderão, q efte o faria aí pirar ao mais alto. Com tudo, não uzàrão da força centra elle; antes to- do o tcmpo; que o regulo doap Tat-
  • dcsTUYtM'OS. *4$ ' 'J 2r Tartaros General da guerra* eiletie em Foquien, o tratos honorificamente, mandoulhe prelentes, conuidandoo para efplendidos banquetes. A- Lemdifto, prometeolhe3 que lhe havia de deixar feu car- go , para governar as provín- cias de Foquien , & Qiiáng- tung. O Pirara imaginava )ay q tinha feguro , & fixo o go- verno das províncias do Sul. Porém,íuçcedeolhe muito ao cõtrario.Porq queredo o Re- gulo partirfe para Pequjng,toi 'dos os GovernadoresChinas, como he coil ume, o bulcárão para ie defpediré delle,^ o a- cõpanhare por algum eípaço do caminho.OPirata mui co fiado em fi, como íeguro de todo o perigo,quiz tãbé fazer cita ulti. na a^çâo de corteziaj c deixando a lua armada no \\uYf porto da Metropoli Foqueu, pr^ vevo?c5 poucos dos fcus buf- ]
  • Hi ft orlada guerra car o Regulo, & o foi acom- panhando . Como chegaífo àquella parte do caminho,em que le quiz defpedir delle, 8c pedirlhe licença* para voltar;o regulo o convidou, que foife com elle a Pequing a vero Emperador, & com magniftr cas palavras, lhe prometteo mayores honras. Elie, com muitas razoes fe efe rifou de fazer a jornada:pore,fci conf- trangido finalmente, a ir. E r õ eíu traça prenderão aquel- le que com armas fora mui difficukcfo. Ainda hoj i eftà prezo no Pequing, em hum cárcere apertado: porque o fi- lho,& os irmãos,fabendo def- ta prizãoj ie meterão nasfuas armadas^oom que ate ao.pre- lente infeltão o mar da Chi- na.Dellas relataremos abaixo alguas confas. 1 Entretanto,o outro exerci- to dos Tártaros, que pcllas^ terras
  • dos Tártaros,. h y 7? ' terras a dentro, chegou à pro- vincia de Quangtung como r°s yea- acima ternos dito, invadio a província de Quãgfi. Porem, ' neiia as armas daquelIes,cu/o nome fomente era formidável • aos Chinas, forão valerofa- mente r, batidas, & onde me- nos imaginarão os Tartaros, acharão impedimento a iiias Vittorias . Era Vifo-Rei da província de Quangfi Quing Thomas, Chriííãoj & tinha o lupremo governo da milícia da melma Provincia Quing Lucas, cuja família ;a deíde a quinta geração, não menos, deílramente militava pello Emperador da China , que porChrifio. Eftes, com os foldados,& capitães q ajuntà- raõ daquelles que de outras Províncias fugirão para a de Quangfi, fazendo as armas commíías, moftrarão que os Tartaros podiáo ler vencidos. Qz Por-
  • *V , .. • -4 ' x k 14,8 Hifloria daguerrd Porque tendo ja ganhado al- guns lugares delta província* derão osdous fobre elles 5 8c os vencerão , fazendo nelles huma grande deftruiçao 5 & mortandade; & logo,entran- do 11a província vizinha de Quangtung, recuperarão to- da a parcc Occidental del- ta. Depois difto , para terem cabeça por quem pugnai- Ingie\Cg fem , & por cuja authondade €Letí'9 foíTcm governados , & para doTda atrahir os Ghinas mais prop- er*. tos , & alegres , à com- rnum deíeníaõ da pátria, elegerão Emperador a hum Régulo da família Taimin- ga , neto do Emperador Vanlieio, que tinha teu al- fento em Quelim , Metro- poli da provincia de Quan- gli . Éítc fe chamou lun- gico > aííentou feu trone Im- • periui na nobiliíílraa Cidade v/ de
  • dos Tártaros. 149 ^ r de Catquing, & ate o pre- fente , por tc das as partes fe- lizmente pelejou contra os Tartaros. O jfeti mayor Eu- nucho , chamado Peang A- chilco , he Catholico , & ha » muito tépo que ferue a Chri- fto^d emaneira.que 110 nome^ & nas obras lempre moíhou atègora , que era verdadeiro proíellor de íua Lei fan ta. E para obrar melhor , tem junto a fi Padres da noíía Companhia , enrre o > quaes eftá o Padre Andre Xauier ( cujo fobrenome verdedei- ro 5 he 5 Cofíier) Alemão, & o Padre Michael Boim Polaco. Pclla pregarão , & Herdei, trabalho dos do us , nclla rcc^° \ru Cidade, frequentemente en- * trao muitos no rebanho de bauteya Chriíto . Entre os quaes, UG% foi a mel ma may do Em- perador , lua mulher , Sc leu filho 7 herdeiro de todo o G 3 Ini-
  • i fo Hifioria da guerra Império. Chamoufe Conftã- tino,no bautifmo,Por elle de- vem rogar todos os bons,que fendo Deos fervido, fej a outro Conftantino dos Chinas. E o mel mo Emperador não lie deíaífeiçoacio á Fè Chriílaa, aindaque ate hoje foi dilata- do o bautilmo. Cõ tudo, per- fliittio a Rainha, mãdaife o P. Michael Boim, danolíaCo- panhia, por Embaxador ao Summo Pontífice, a darlhe cbtdier.cía, como ha pouco tempo,iuvío Europa. Decs, por luamifericordià lhe con- ceda taita felicidade, queco- pioíam te redunde em todos os Chiias para mayòr gloria fua. Nã> ló em Quangfi, mas tamben em Foquien foi vifíò cobrar
  • • dos Tártaros, iff quing, aonde o mandàraõ re- colher,como diflemos acima: quando deiceo dos montes de Foqtiien, hum chamado Vango, falto Sacerdote dos ídolos,qie havia fido capitão. Efle excitou,cõ outros mui- tos,hum grande motirrqinva? dio a nobre Cidade de Quié- ning,& outras muitas matari* do todos os toldados Tárta- ros, que eftaváo nellas de pre- fidio.Outros também,feguin- do o exemplo defte, deixan- do as terra» onde eltavão, cf- tondidos,ganharão vários lu- gares.Neííe meimo tempo, os irmãos, & parentes do prezo pirata Iquon, que ènfekavã© aquelles mares, deícmbarcà*- lão em terra, & com teus feb- dados , & armas deílruirão parte da província,junto a Si- venqueu,'& Cangqueu. Neila occafiaó refidia na província de Quequiang c General dos G 4. Tat-
  • içi Hifloria da gum a Tartaros Vifo-Rei das duas jprovincias. Efte, tanto que teve novas deitas alterações, na mefcu noite , & com grande pteffa , ccm todas luas legioelis , fe palíou a Foquien. Temia, & com ra- jsão, não aehalfe tomados os saltos dos montes, & os paC- ábs mais diiiicultofos; porque tc o fizcíTem, fem duuida af- fegurarião a prouineia, Po- rem, tanto que Cango, efte era o nome do Vifo-Rei Tár- taro, chegou aos motes, & os achou niis de toda a guarda* logo ccmcçcu a acclamarle por vetcedor,& dar os rebel- des poi deílruidcs.Finalmen- te, enrouna província, lera nenhuna reíiftençia , &c pós cerco à Cidade de Quien- iiing,oide o leuantadoSacer- dote falo Vango eftaua aco- lhido , teue eíta Cidade cer- «adaptr algunsmezes, fera * w apo«
  • dos Tártaros. a poder render . Vendo, quç eráo mortos muitos dos leu^ refolveo , que lhes convinha abfterfe dosaflaltos, & aíTen-. tar o cerco , mais afaftado da Cidade , que executou por todo aquelle tempo, a fim de impedir , que os Capitaés Chinas fe não ajuntaífem c6 o ditto Vango. E eftaloi 4 cauía porque Vango nunca teue poder fufficiente- para fazer guerra fora dos mu- ros. Os Tartaros de Pequirrg 110 ponto que fouberão del- tas revoltas, logo expedirão novo excrcito;a fim de pacifi- car efta província. Chegado eftefo corro, fe continuou o cerco por efpaço de algíís me fes,atè que finalmente, juntas algumas peças de artilheria grofia , que trouxerão por afi- peros montes,com raro artifi- cio os mariolas, acoíturnados Gs âW
  • ÍÇ4 Hi floria da gum* levar nos hombros grandes pezos, iufpenfos em compri- das cangas.Com a bateria das peças desfizerão os muros da Cidade,em que entrarão,ma- tando a todos,homes, Sc mi- tiinos.E os noiTos Padres me efcreverão,. que íorâo os mor- tos mais de trezentos mil, Sc depois abrazarão toda a Ci- dade. Neíle incédio acabou também hum fermofo tem- plo noflb. Deus Padres da nolFa companhia, por admi- rável providencia de Deos, pouco antes os haviaõ man- dado fora da Cidade. Eltes erão, o Padre Simão da Cu- nha, Portuguez, &o Padre João Nicolao Smcgoleski* Polaco; forão livres de lodo- ma, como Lot: juflamente convém efle nome a efta Ci- dade, pello nefando delidto q nella le cometia . Deílruida dia,foUhcs fácil recuperar to- * • i A
  • dos Tártaros, l <ía a província. Dos Chinas ímiis iugiraõ para osmontes^ outros para o mar» ; y De novo mandarão reco- lher eíie exercito a Pequing, Haie de oblervar hua coula rara na milícia dos Tartaros* & he-5 que os exercites vitto-» rioíbs os mandão recolher, em lugar defies, expedem la- go outros novos,de lua genteft q he toda dada ao exercício da guerraJNefte ulo levaõ do- us hns, o primeiro, para quo com as paiíagens continuas dos loldados, por eftas, 8C V aquellas partes, atemorizados os Chinas conièivem a obe- diência. O iegúdo, para apro- veitaremos loldados maisne- cefíitados, recolhem os que eftaõ ja íicos dos defpojoSr para dei cardarem,- & como « exemplo deites le excite para para p^kjar Vafrr© fomentei® mais pobtes,e£pc:iãndo leme- ihan- V i>... .
  • *3 tj & HtfforU da gmrrfi ihaftte fortuna, certos x qtae tarnbem lhe não faltaram la- ços, & defpojos com que en- tiqtieção. Depois defies fuceeflbs ef- liuerão mui arrife adas as cou ias dos Tartaros, por caufa de huma traição y pofto quet clles tudo fazem por não daí lugar a ellas ^ com tudo tem padecido muitas,Como olm perio da China he tam grãdc> Sc dilatado, para terem com ©rdem os prehdios neceílatios nos lugares conuenientes(por q sò os Tartaros não baftáo ) he força íe ílruaõ dos melmo* -Chinas para inteirare os prelí dios.E ainda que cbfervão cõ grade cuidado,não deixar na tTiefma provincia os Capitaés^ Sc loldados Chinas cj faõ na- turaes delia ^ com tudo, ainda aífi,tiuerão muitos traidores* O modo com q difiribuem os jfçfidios he o feguinte.. O
  • dos Tart ay os» B Capitão Geral da província^ Os Tari quê todos obedece^ té leu aí- Uros/* fento.,& refidencia na Metro- nlrão'" poli da provincia.Nella fufté- 7 ia Ch inH ta hum exercito perfeito para fCíts Pr* j. ~ n K ~ r _ Jtdios* acodir co elLe proptamete ao de fouber q ha algú movimé- to,' As mais praças tem leu Capitão com lufficiéte nume- ro de foldados.Na Metropoli â maior parte delles laõTarta ros; nas mais praças quaíi to- dos íaõ Chinas„ Mas como nenhu Confeito ha tam pru- déte?né governo tamp ròvido, a que a traição não preverta^ també dos melmcs Tartaros não íaltáiaõ traidores. O pri- meiro q fe rebellou foi Kino^ CapitãoGeneral da grovincia de Quiãgfi.Era efte China na- tural da província de Leatííg^. de cujos naturaes,como vizi- nhos a Tartaria^ le ilao mui- to os Tartaros , Succedeo não fei porque cafo 9 que
  • jS lliftoria dxperra etreelle, & o viíitador da povincia,houve huas contro- vfias,& diiTenfoens, q pou- c a pouco pafiaraõ a odios ftretos. E pofto que hum,8e ctro, como he coítume dos (íinas, com notável artificio cTimulavaõ, & encobriaõ o cio, no cabo veyo a romper ei hum declarado danno de tda a província. Como am- bs governavaõ aquella pro- \ncia,eom íuprema authori- ade,aquelle na guerra, & ei- t na paz, erafojça íe juntai- ím muitas vezesy & ainda ds convites. A calo em hum bnquete que durou muito tmpo, como he coftume da tira, afiftiraõ a hua comedia m que os repreientames íá- Iráo com veiiidos de Chi- as, como mais viftolos que 6 dosv Tartaros Cc mo o General Kino efii-vé-Ué junto a vifitadorj voltando a cite,
  • dos T . lhe dilíe. Per ventura cfie trajo he mau grave, & melhor que o noffol Foraõ eftas palavras de qualidade,que o vifitador jul- gou delias,que íe devia avifaí ao Emperador. E affi lhe el- creveo hua carta em que acu- lava feu èmulo,que deipreza- va o edital fobre a mudança dos veliidos,8c que moftrava, ter o animo mui inclinado ao tra/e dos Chinas* Tinha Kino comprado, & Corrupto cõ dádivas, & mer- cesa hum familiar Tecretaiio do Vifitador. Elie o avizava de todas as palavras, & el cri— tos do amo. Tanto que teve avifo da carta que elcmia ao Emperador, mandou pellos leus tomar o correo no cami- nho.Lida a carta,armado en- trou 110 paço do Vifi adr.r,& cruelmente o matou» Cem grande applaufo da prcvincia, & dos Chinas, mgouacbe- " O - • « dKllCU
  • ito Bi floria da guerra diencia ao Tartaro, & reco- rheceo por Emperador a Ju- gliso. Sò a Cidade Canqueu que governava hum Capitão fideliiíimo aos Tartaros, não ebsdeceo ao levantado Ki- 1103 8c foi fb a caula, como veremos abaixo, de os Tár- taros recuperarem, de novo, *s provindas de Quiangíi, ic Quangtíing . Porque lauzo , Capitão Geral da jrovincia dê Qua ngtung, no. nefmo tepo le rebellara con- ra osTartaros, 8c entregar* oda a província ao mel mo imperador júglieo,o qual ja. ftava aceito Emperador cm íuquãg,nas partes mais auf- raes.O confclho,8c intenção o General Liuzo, era, ajun- ir feu poder com o de Kino, c: com as forças unidas, lan- arem de todo, osTartaros o império:8c por ventura, q o Confdho ie feguiffe a vi- toria ' » i
  • t.. dos tártaros. 161 ■ toria, fe o capitão da Cidade de Canqueu, cj era chave das quatro provinciafjCom enga- no, &: arte,não cortaíle o ho a todas eílas efperanças, fendo China fe eíqueceo de todo amor da Patria. E affi, tanto que loube que Liuzo fe ti- .nha rebellado contra cs Tár- taros, & le vinha chegado ca feu exercito,lhe efcreveo ma- nhofaméte efia carta. Aieagora vão obedeci a KirwPpoiq tinhapa- ra mim, q [nas forças vão erão iguaes ás dos Tartaros. Mas ago* ta, valer ofifsimo Capitão, que também vos moveis contra elles> vão tenho que c[per ar de no ff os inimigos. Souvoffo, &feguirei voffas partes5 a rós> ou a quem Vier por Vos, entregarei logo ef~ ta Cidade. Entretanto pedio . aos Capitaes Tartaros da vi- fmha província deFoquien, lhe mandaiTem todos os foc- çoaos q pudeflem, os quaes
  • 1fá Hiftorta da guerra ineteo na praça cccultamCíH te. Chegou Liuzo, mui con* fiado,achou abertas as portas da Cidade^ &: começando a entrar por ellas, ieguro de to- da a traição, foi invefiido dos Tartaics^que de todas as par- tes lhe íairaõ, & com grande Ímpeto o rcchaçáraõ. Efteca- fo naõ efperado de tal lorte perturbou aos Toldados, que padecerão hua grande mor- tandade}& dezê, que o mef- mo Liuzo, entre elles fora !riorto,porq delle íenaõ ouvio jhais coufa algfia. Efte fuccélTo embaraçoli muito as coufas, & efperançás do Emperador junglieo,ain- da que nefta occafiao alcan- çou Kino muitas vitorias co- tia os Tartaros:porque como o Capitaõ geral das provín- cias do Sul, que refide em Nangquing, ajuntafie de re- pente todas as legiões q pede para
  • dos Tártaros. 16$ para o defíruir, algíías vezes fugio, & outras, ie recolheo deliroçado. E na verdade,fe Kino pudera continuar o cur- to das vitorias, chegara vito- tioío ate a Cidade de Nang- quing.Porèm,folicito,& com razaõ, por amor da Cidade de Canqueu,foi forçado, tor- nar a traz,porque lhe naõ era feguro, deixar o inimigo nas 'Cóftasjàlem de que, o Empe- rador Junglieo, o naõ podia foccorrer de mantimentos, & outras coufas neceífarias fe- naõ por Canquéu,vindo pel- lo rio abaixo. Por tanto, ou- vindo a nova do futceíTo de LiuzCjCom todos teus exér- citos, vejo em demanda de Canqueu, & lhe pez cerco. No tempo qué o continuou, chegou da corte de Pequing hum novo exercito,que inani* dáraõ a recuperar a província * de Quiangh. Kino levitando oceico^
  • v ín i 64 IJijloria da guerra o cerco,fe paliou ks fronteiras da parte do Sn],para as guar- dar, & defender a entrada aos Tartaros»A principio pelejou Com grande valor, & felicida- de, porque tinha hum copio- foexercito, acoflumado jaàs arruas,8c ás batalhas dosTar- taros. Poré,não podendo fui- tentar por mais tempo o im- pero dos que cada hora o in- vellião, foilhe forçado, final- mente retirarfe, 8c para ma- . isíegurança, recolheríe á Ci- dade metropoli, Nanquang, Os Tartaros não íe atreve- rão invadilla à torça de ar- mas, aflentarão, porlhe hum cerco tam dilatado, q a obri- galfe a renderle. Para o que, convocados de todas as par- tes circumvezinhas os lavra- dores Chinas , os fizerão trabalhar, 8c abrir híía foffa « mui larga, por grande efpa- $o ao redor da Cidade, porto da
  • dos Tart aros. itfj da a terra por onde fe podia fazer caminho, porque noa rios tinhao difpoftas arma* das, de maneira, que por ne- nhua parte pudeffe entrar íoc- corto aos cercados, He mui larga efta Cidade Nanquang; & mui povoada de gente, &C nefta occafião fe achava com hum copioio numero deiol- dados, que a defendiáo. E ainda que Kino tinha reco- lhido nclla, todos os manti- mentos que pode, depois dê muitos meies de cerco, che- gou aos últimos apertos; & morrendo ja muitos de fome^ foi dilatando o renderfe, efc. perando pellos loccorros do Emperadcr Junglieo, q naõ che gàraõ;poi q os Toldados cte Cjuangtung nunca puderao fogeitar a Canqueu . Polio neiíc miieravel eftado o cer- cado Kino, vencido daíurrt- ma ncccfíidade , affi fal- fallou
  • i66 Hiftoria da guerra failou aos feus . Companheiros ricnhua cjperança temos) a,fenao nas mãos, & nos ânimos, a/í que hemos de abrir caminho per me~ jo dos inimigos,procedei com va-r lor,& fegui meu exemplo, dizé- do ifio, tendo as coulas bem ordenadas, invefiio de íupito com o arraial ainda q achou iumma diííiculdade, em pal- iar o foíToy por mais que os Tartaros o defenderão, com os feus,o paíTou,& pelejando Valerofamente, achou lugar a fua retirada, & àcufia das vi- das de muitos Tartaros,eica- pou vivo. He fama confiante, que fe acolheo aos montes, tom gente mui luzida, & que a hi eipera novas occafioéns de bem obrar. Tanto que o General Ki- no fe fahio da Cidade, entrà- raõ nella os Tartaros, &a- deiTollàraô, paliando a ferro todos leus vizinhos. Porque, como
  • dos Tártaros, r6y como temos dito, he pratica dos Tártaros, náo fazer dan- no ás Cidades que fe rendem fem reliftencia, & ieré cruéis para as que refiítem, & mui— to mais,para asrebelladas que ,fe recuperaõ, le as entraõá ..força de armas, -futre os que -mararaõ nefta ocçaíiáo, forao , dous Padres da rnofla Com- ,panhia,o P. Franquillo Graf- : feti, italiano, 6c o P. Joleph de Almeida, Portuguez; &,o Irmaõ coadjutor Manoel Gomez* natural de Macào. Naõ toraô mortos dentro na ■ praça, fenaõ em húa aldeya, pellos toldados que andavaõ à pilhagem. Dentro na Cida- -denos queimaraõ hum anti- . go, & fermofo Templo, que - nella tínhamos . O refto da província lhe deu obediência - promptamente . Deixandoa de todo quieta, 6c nella no- vos pretidios, efte vitoriofo exer-
  • 168 líiflom da guerra exercito fe tornou a Pequing. Entretanto, fe aparelhavaó na mefma Corte outros tres novos exércitos para conquif- tar a provincia de'Quangtiig, & as mais,que eftavàõ íugei- tas ao Emperador funglico, & as deixar melhor guarda- das. Vendo o Tutor do mo- ço Emperador Tarraro, & os mais Príncipes do Confelho, -os movimentos, Sc rebeiliões das provincia do S1I5 para ás terem íeguras na obediência, decretarão, dallas a régulos ; Tartaros,tributários,para que as governaiícm.No anno que ifto fe determinou, que foi o de mil Sc íeis-centos cuaren- ta & nove, mandáraõ tres ré- gulos, ccrn tres perfeitos ex- ercites, que conftavaõ de íol- dados Tártaros,& Chinas,A hum delles concederão a pro- víncia dc Foquien, a outro, a de Quangtung}Sc ao terceiro, a dç • %■— —
  • dwTartaros. ríp ' adeQuangíij com condição, que primeiro cõ as armas, & forças unidas, recuperafTema Quangtung,& deíiriuíTem,dc todo, ao Emperador Juglieo, O que luccedeo niíío dire- * mos abaixo. Agora relatare- mos as principaes rebellioens contra os Tartaros, que luc- cederáo nas províncias da Norte, Não menos no Sul, que no Norte, provarão os Chi- nas,que erão mui amantes da liberdade. Aquelies Capitães Chinas , que dos Tártaros forão vencidos, masnãopri- iioneiros , tratarão íecreta-* , mente, como havião de Ian- j çat fora do império aos ini- migos,que o tiraniíavão. Ef- tes , habitando nos lugares maii occultos, & íe^uros das províncias ajutarão^uan- tos lcldados puderão. Tres tdefies Capitaés andavãonos H ttos
  • 170 . Htfloria da guerra nos efpeiTòs montes da pro- víncia de Xeiiíi; O primeiro, chamado Hou,que ie achava jacom poder, pedio aos mais que os fòccorrelTem, para cõ as forças juntas libertarem a pátria. Hum delles veyo nit- fo, & lhe mandou dous mil toldados de ioccorro. O ou- tro não apareceo. Marchou Hou, com vinte & cinco mil toldados villolos , ie lorão iguaes no animo, 8c valor. Mandou diante hum mani- fefto, em qne animofámente delafíavaos Tartaros, amea- çandolhcs os últimos males. E aos Chinas prometia liber- dade, coníervação, & todo o genero de felicidades. Achou mui;as Villas, & Cidades,que facilmente obedecerão, & lhe abrirão de boa vontade as portas. Sò a Metropolitana Si^anunha preíidio, idoneo pia ihereiiltir, p q gaar<- davão
  • dos Tart aros. iyt daváo tres mil Toldados Tár- taros,elcolhidos, dous mil Chinas, daquelles que aflen- tàraõ praça para fervir ao Em perador Tartaro. O Gover- nador da Cidade, tanto que * teve a primeira nova do mo- vimento de Hou, recolheo na praça de todas as partes, as forças que pode,& juntaméte todo o neceílario para lu(ten- tar o cerco atè lhe chegarem novos iocconos. Tanto que foube,queas Villas,& Cida- des, voluntariamente fé entre- gavão,porque lhe não fucce- defle o mefmo na metropoli- tana, que eftava à lua conta» ^refolveofe, matar cruelmente a todos os moradores delia, nem forão baítances nenhuns rogos, para o fazer derrogar , fentença tam deshumana; até ■ que rogado* & perfuadido do Viío-Rei de toda a província, l^romettcndolhe os morado- H 2 res,
  • ^ iyt Hifloria da guerra, res, que o ajudariáo fielmen- te, mudou de confelho tam ti- rannico. H logo mandou por editaes, cõ pena de traição, q Metro- toc^os os Chinas, de novo ao foii sí- modo Tartaro, rap a fiem os gan cer- cabelios, para com efte ímal *A a' fere conhecidos os Chinas mo radores,cõ differéça de outros q podião entrar na praça. Saõ os Chinas taõ amares de fuas gadelhas,que nem ainda nef- tã cccafião raparão de todo as cabeças,Te não ló aquelles ca- be! los cj caem, & te veé fobre as fontes, & teíla. Também lançou bando,que dentro dos muros da Cidade fcfie mor- tos os Chinas, q paíTanao de dous,efliveffem jutos fiallãdo. Prohibiolhes, que nao lubif- íem ás muralhas, nem andaf- fem de noite pella Cidade^ nem do noite tiueiíem fogo^ nem luz nas cafas. Que en- tresiiflçm todo generodear- (> O ^ mas.
  • v d$s Tártaros, 175 mas que tiucfTem,& quem fi- zeiTe o contrario, elle,& toda lua família,feriáo condenados á morte. Depois de ordenar eftas couías, mandou à alguns de Cavallo a explorar as forças dos inimigos^ dcíèas efpias, liUFis forão mortos,outros, fri- gindo,entrarão na praça. Cu- jo Governador para aíTorn- brar o inimigo, com a often- tação de feguridade,quiz,q as portas da Cidade eíiiveíke a- b*rtas, Se q fenão levãtaikm as pontes íevadiças dos foi- - fos. Chega Hcu,aílenra o cer- co por toda a circimfcrecia da praça,ao longe, iòra de tiro da arrelheria. Tinha a Cida- de trej leguas de circuito, & Hou, para oftentar poder, aSSreg0Ll 30 exercito hua in- numeravel multidão deruf- ticos viícnhos, com os quaes fez trezentos mil toldados. UTJ «3 4 Ccg
  • ; 174 Hiftoria da guerra Comoo Governador Tarta- ro vio ram grande multidão de gente,creo, cjue todos erão foldados, pello que, tornou outra vez a confiderat, le ma- taria os moradores. Porem, a grande efperaixja que tinha, de proípero ÍiicceiTo,lhe tirou elta imaginaçaõ.Folgou mui - to, quando dos muros, vio a léus ioldados Chinas pelejar an imola mente com os outros Chinas do arrayal contrario^ ík vendo os clamava Ho o man- ;pi que quer dizer (bons bár- baros) Affi chamáo osTar taros aos Chinas: porque or- dinariamente as naçoens íu- geitas fervem de Ludibrio aos que as lugeicão.E áçrefccnta- vão logo eite chilte Maft&UMd tuatixu vai o meimo que di- zer. Os bai baros matáo aos bárbaros. A eítes, tanto que le recolhiáo da peleja, não ló louvava muito, mas também
  • dos Tártaros, *7 $ va dinheiro, que tinha man- £2 dado expor publicaméte nas muralhas, para prémios dos que premptamente - pelejai- íem. Hou,tanto que vio,que A c>j^ dentro na Cidade nao havia, d€ desim como elperou , motins dos ra»f* moradores, & avizado de fuás >yTd' ata lajas, que eftava perto o exercito dos Tártaros,que vi- nha deíoecoirc, lego lepez em ftigida, nem aííi, de todo elcãpou: porque o Governa- dor da Cidade mandou em leu iegtiimenco a caValleria, q ainda alcançou a ret agua ida do exereix), & a degolou ro- da. Os deípojes que tro-uxe- rão mandou repartir pcilcs foldados, dando mais aos ie~ ridos que aos outros. O que foi feiro dc Hou, atègoia le- ilão (abe, nem fe diz nada. De maneira que elles alevanta- métos das pròvinciàs do Ncr- te> naõ obrarão mais que os H4 cx~
  • ry6 Jíifloria da guerra • exércitos das do Sul, fienáo que cauíaraõ a total dcftrui- çao dos vizinhos, & terras que os Tartaros recupera- rão, laqueando, Sc deílruin* do, porhíu, Sc outia parte, tudo miieravel, Sc cruelmen- te. Livres os Tartaros deíle perigo, encorrerão em outro mayor,nacido de íua inlolen- cia. No anno de mil Sc íeis- cétosquaréta & nove, o Em- perador Tartaro,q era ja mã- cebo , intentava calar com hua filha do Rei da Tarearia Occidental do Reino de Ta- nyu, que delejava conferva? emamifade pello muito que temia luas forças . Para ci- te effeito mandou o moço AEmperador Tartaro,pcrEm-' lenda baxador a ieu tio Regulo dos Tar- pavang „ Efte fez feu cami- n'10 Pe^a f°rtiffima cidade Taitung, que na província de
  • • das Tártaros, iff de Xanfi eftà mais ao norte. C ha male efta Cidade chave da ditta província, porque he de grande coníideração con- tra os Tártaros Occidentaes; por efte veípeito tem muitas , fòrtificaçoens, & fufteixta hu grande numero de foldados» para guarda dos motes,& dos £ caminhos ; detraz daquelie - a tia ma do maro,fé extendedi grandes planícies y mui ac- commodadas para as efeara- muças, Sc carreiras dos Tár- taros. Diz o vulgo,que neíia Cidade ha as mais fermofas : mulheres de toda* a China* Os que ( acompanhava#. ao Regulo Pavang tio do Em- perador, que levava a Em- / baixada , chegando a efta Cidade furtarão algumas mulheresentre cilas, a hua nobre moça , que levaváo : a cala de teu E.poío^ crimc^ atèhoj$ Qtiviado na Çhm>
  • Hiftoria da guerra .Governava pello Tartaro,ef- tas terras Kiango , Capitão Geral dos foldados. A efteic queixara õ os Povos das info- :lencias dos Tartaros . Elie, movido da maldade do calp, >mandou logo hum homem, que dèfíe conta, & rcgalle ao Regulo Pavang,mandafíe rel- tituirao Marido lua Efpofa, v& refreaffe o exceíTo dos fe- us. O Regulo não deu ouvi- dos a efte recado. Pello que o mefmo Capitão General, foi cm peffoa biiícallo} o qual,nê o admitio a lallar, antes o in- r)urioii,lançandoo fora do léu paáo. Abrazado em ira o Ge- * Tal, jaffentou configo, tomar vingança no langue de Tar- taros,da injuria recebida: a ju- ta leus foldados dà de re- fevanta Penre nos Tartaros, & os ma- d» co»- ta. E o mel mo Rti, lançado tra 05 pell0 muro, a penas efeapou rn.**' ajudado da-yelpcidade f *■ 4, de
  • dos Tartaros♦ •» \* p de hum ligeiro Cavallo. Kian- go, arvorou logo híía bandei- ra, em que le declarou Haii do Reino, que he o melmo3 que lubdito do Emperador da China; lem expreíTar o nome do Emperador. Pode ler, que foiTe, porque ate eii- fcaõ,- pella grande difrancia do caminho, não tinha íabido da acclamaçáo do Emperador Junglieo . Começou logoa convocar todos os Chinas3 para a defenção da patria, & expulíaõ dos inimigos. Ag- giTgaracltlhe muitos tolda- dos^ capitaes.Pedio íoccor- ro aosTartaros Occídentaes, contra os quaes ate então ef- tivera em fronteira, com Teus loldados. E fazêdolhes gran- des promeílaSjhouve delles o toccorro que lhe pedio/ Efte negocio perturbou grande- mente a Corte, & Governa- dores do EniperadorTartaroj H 6 por-
  • Sr Jo Hiftorti d* guerra porque não duvidava que oâ Tartaros Occidentaes namo- faváo o Império da China,& lhestinhão grande enveja: &C conhecia mui bem, q tinha® mayor poder, mais gente, & /mais vaierola do que eráo os Tartaros Orienta es . Acref- centoulhe o temor, o adverti- rem, que dahi por diante não tinha© donde íe prover dc cavallosj porque aiíi como a Tartaria Occidental abunda delles, affí os Tartaros Ori- entaes não tem outra parte onde os comprar. PeUo que com toda a preíía que lhe foipofíivel, antes que Kian- go ajuntaíTe mayor poder, mandáraõ contra elle da Corte de Pequing hum po- derofo exercito.Porèm,Kian- go, que não era menos piõp- . to no valor,q nos ardlz, & co nhecia mui bem, pello muito tempo que os tratou, a incli- nada õ
  • dos Vartdros* iti ^ nação, & natureza dos Tar- tares. Primeiramente, fingio, quecomosfeus fugia} &no ultimo elquadraõ, que ficava atraz, mandou ir muitos car- ros, concertadamente cuber- tos,como que levavão gran- des thefouros, & elies hiao cheyos de peças de artilheria groffas, & muitas menores,cõ as bocas viradas atraz. Os Tartaros, tendo para fi, que verdadeiramente fugiaõ de- m*vfce fordenados,voavaõ para che- os Tavté gar à preza.De improvifo,dif- vos~ parada a artelheria, proftrou .mortos a mayor parte del- les * E mandando logo a feu exercito virar a cara> invefiio com os que con- fufos efeaparap da bateria das peças, fazendo neiles outra nova mortaudade^s poz em fugida. . nu»»: Ponco depois le moltrou tríy<. Kianso.náo menos iniigiie ua «j T*r- H • <1
  • úi Hifioria da guerra arte,que no valor, quando u
  • dos Tartar os, i8j levou para cila guerra todas as oito bandciras,q he o mei- mo, q todas as fcrças,& po- der com que fe achayão em Pequing.Para que melhor ie -entenda, haje de iaber, que todos os fcldados Tártaros, & Chinas, que ierve ao Im- perador Taitaro, aííi os que refidem emPequirg,ccm© os que fervem nas mais praças, & paires do Império, eftaõ deft lib u id os por cito bandei- ras.A primeira he branca, a q chamão Imperial, a fegunda he vermelha,a tei ceira negra, a.quarta amarella. Deltas tres ultimas laõ Governadores,os tres tios do Emperadcr^a pri- meira rege o mefmo Empera- dor.Deitas quatro, com a cbt miílurada ie íazé outras tafl- tas^aifi que qualquer íeldado fabe de que bandeira he, a q quartel, & a que parte da Ci- dade deve acudiry por onde.
  • ^ 1S4 Hi ftoru da grnra com as armas , & cavallòs aparelhados , edaõ iempre promptospara a guerra.Qufi- do algum exercito, ou Com- panhia, íe manda a alguma parte, dentro em meya ho- ra edá tudo preíics/Tocaò em lugar de Trombeta, hum bú- zio marinho,, femeihante à- quclies q pintamos aos Tri- tões. E do lugar onde fe toca, & do modo do íoro, fabe le- go, quaes,&c q numero de fol- dados>& Capitaes deve mar- char. Em cõtinete acode apa- relhados, & vaõ caminhando, feguindo íua bandeira^que le- va hum de cavallo atada nas codas* Podo que , as mais QsTar- c'as vezes> excepto o- Capi- at™ na taõ3 &c o Alferez, nenhum ntiluia outro labe para onde,& perq CiU^1 os kvaã. No ponto de cafo dó pelejar, então alcancaõ o para firreds. que, & aonde os mandárao* Edeiegredo da Tartar ca mi- f" '-r---/ Uck
  • dos Tártaros. licia teve fempre a todos os Chinas fufpenics, & attoni- tcs,Porque imaginando mui- tas vezes hiaõ a efta, ou à- quellaparre, clles de repente cahiao lobre outra. Ha tam- bém na milicia Taitarea hua coufa rara, he, que nunca levaõ conligo bagagê,naõ lhe dà cuidado o naõ levarem de comer, contentaoíe ccm o que achaOjOU pilhaõ.Ccme ordinariamente carne, repa- rando pouco, le he meya cc- fidi, ou meya aiTadaj íe hiita outra, comem dos cava lios, ou camelloSjC] mataõ. Quan- do naõ tem que fazer caçaõ, & muitas vezes cercão mon- tes, & campos inteiros j SC vindoie pouco a pouco ajun- tando fechaõ no meyo do cerco as feras* delias mataõ quantas, & das que querem* ciiaõ paracfte efteito caés de caça deftriffimos^ & abutres, A fua
  • i86 Hiftoria da guerra A lua cama,he o chão, lança- do lebre elle as cu berras d^s lellas. Aborrecem morarem calas^ tem lermoias tendas, que armão,8c deiarmão com tanta velocidade, 8c arte, que não caufaõ embaraço, nem detença a lui exercito apreíla- do. E ie a necefíidade, & oc- eaíiaõ os obriga a morar em cafas, derrubão todas as pa- redes, ficando ió, comasco- lumnas, eteítos. No mefmo lugar dorme clles, 8c os [eus cavallos. Della lerte vivem ló para à guerra, 8c le fazem duros. Tornando á Hi/loria. De todas as bãdeiras tirou Ania- vãgo os melhores, 8c cs mais exercita do alem do q ajutou a eftà parte dos ioIdados,que dera aos tres régulos,q man- dara ás partes, & provindas do Sul, ordenandolhes, que dos preíidios das provindas . por
  • • dos Tártaros. 187 por onde pailavão, tiraílem certo numero, com que ie lu- prifíea falta dos que manda- ra vir. Ainda que Amavango levava hum copiofíílimo ex- ercito,com tudo, nunca quiz pelejar com Kiango, por não perverter a fortuna de hum Império,que ainda não eftav.a bem firme, cu por o não ex- por ao riico c'e hua batalha. De maneira, que aprezentan- dolhe Kiango muitas vezes batalha, com leu exercito a- parelhado,iempre Amavango recuzou, ate jaber o que rel- pondiao os Tartaros Ocoi- détaes,acujo Rei tinha man- dado Embaxador,cõ grandes prcient.es, a pedirlhe íua filha, para mulher do íenhor do grande Império da China, rogaudolhe muito, houveffe entre elks tam eftreito paré- teíco; & que juntamente naõ deíTelbccoama Kiango. Os ricos
  • ^ • 188 Uijloria da gnerrx ticos does de ouro, prata, fe-^ das, & mulheres alcáçaraõ o 9 defejavaõ. Pello q vendofe JEyyods deséparado dosTarta- Ziango. ros a hm de prover melhor fu- ás CO 11 fas,fe tornou para a Ci- dade, de Taitugjde q elic mui cedo,ainda q sé reinedio le ar repédeo. Porq A ma vago, a j fi- tado de todas as partes innu- meraveis míticos,co increivei preiTa,em tres dias fez hi! gri- de foílo, q tinha cie circuito dez léguas,& é partes erguen- doalgus caftellos, Cornelia obra repetiria fechou a Cida- de. Então cònheceo Kiango feu erro,& naõ duvidou, que clle,& os feu;pereceriaõ a fo- rce, pois deraõ lugar para fe fazer o foílo. Pello que a ceio em furor, como era infigne loldado, voltando aosleus,a(íi lhe dille. Se Je bd de morrer, quero morrer a ferro, & nao a fome. Dizendo iíto;com todo oex-
  • dos Tártaros. ©exercito partio para o fof. \ ,íbjonde,de hua,& outra par- te fe pelejou com gran porfia* . eftes,por paffar o folTo?os ou-; I tros por o defender^foi varia, & incerta a vitoria, atè que w Kiango, pelejando animoia- mènte,Câhio mcrto3 atravef. fado de hfia íetta,& com elle, todas as elperanças dos Chi- nas. Os ícus loldados, ven- doo morto, depoftas as ar- mas, parte fugirão, parte fe entregiraõ aos Tartaros, de que foraõcom muito gofío7 éc clemência recebidos, pella alegria com que ficaraõ de ef- caparem do perigo de perdei t. o Império, & haverem mor- ] to hum tarr» grande inimigo. Depois diflo faqueàrao a Ci- dade de Taitung, & princi- palmente outra , chamada Puqueu, a quem abrazaraõ toda, & com ella hum Tem- plo noíTo-onde poucos ar.nos antes^
  • i'9'o Hifiona da guerra antes, no tépo do ladraõ Li- v" cnngzo perdemos o P. Mi- chael Valta,Alemaõ, As mais praças fe liigeitàrão volunta- riamente. Daqui íe tornar aã vitoriofos,
  • dos Tártaros. 191 ' 2iaõ feu caminho por Xun- tung, embarcados pello rio Guei abaixo. Como paiTat- fem por huns paizes q o Em- perador tinha dado aos Tar-> taros para cultivar, & poffuir* *por ficarem deipovoados, em razaõ dos innumeraveis Chi- nas mortos por traiçaõ. Mui- tos Tartaros defies novos po- voadores,como nao entendi- aô à agricultura, & íe delTem melhor cõ as armai 11a guer- ra, que co as enxadas, & ara- dos, nos campos,rogarao aos Régulos os levaiTem por Tol- dados. Dous dos Régulos os nao quizeraõ admittir, lem ^primeiro confulcar o Empe- rador. O terceiro, chamado Kengo,os aceitou. Os lavra- dores alegres trocaraõ os inl- tromentos rufiicos, cm belli- cos. Tanto que o Emperador o foube, mandou a Kengo q ^os naõ levallè. Porem, elle, c5 . * o in-
  • ipz Hi flori a da guerra o intento cm outros fins va- 1 rios, recufou obedecer. Peilo que mandou o Emperador ao iupremo Governador das Províncias do Sul, que refi- dia em Náquing,que logo,ou prendefife vivo a Kengo, ou o matefife . Secretiffimamente executou o Governador efta ordem. Chegados os Régulos a Nanquing os recebeo com muita alegria^ como leilão ti- vera nenhum mandado Im- perial, lhes deu magníficos convites, Sc lhe fez repreíen- tar viftoías comedias.Chega- do o dia da partida, em que havião de continuar feu ca- minho pello grande rio Qui- ang, os foi bulcar, como para fe d d pedir delles, convido uos para hum banquete, que lhes deu febre o niefmo rio. Tem cs Chinas, para efte «Afeito, tam grandes,& curiofas naos, que parecem^ a quem as vè,
  • dos Tártaror. ip j /» huns palacios dovrados. Ale- gremente deteve os tres con- vidadosnanao do banquete^ até que todos os Toldados fo- rao caminhando hum gran- de eTpaço. Entaô moftrou a Kengo o decreto do Empera- dor.Eftc fingindo hfia prõpta obediécia, prometteo ao Go- vernador, de eftar Tempre de- baixo de Teu poder, & de tor- nar á Cidade, Te primeiro lho concedeíTe licença para ir í Tua embarcaçaõ, que o elpe- tava,para diTpòr de Tuas cou- tas. Concedida a licença, en- trou na Embarcaçaõ, &a morte,de que naõ podia eíca- par, a tomou por luas mãos, ltiTpendendoTe de hum bara- ço. O meimo Governador,em m R nome do Emperador, conce- deò a Teu filho o meímo go- *nj°U Verno,que levava o pac. ; Os tres régulos, paliando fspíovinçias 'de Nanquing,e "i . Qui-
  • 194 H floria da gum a Quiangfi,entràraõ, finalmen- te na de Quangtung afazer guerra ao £mperador dos China's Junglíeo, A principio acharaõ logo promptas para dar voluntariamente obedié- cía a muitas Cidades, & lu- , gares, temendo o poder dç tres exércitos, excepto a Me- tropoli Quangqueu , que fc f"?;r cTdpoz a defenderfe, He Quangqueu hua Cida- de mui grande, & riquiífima, cercada toda á roda de mui- tas agoas. Tem hua fb porta para o Norte; para todas às mais partes ie entre em bar- cos; achavafe nella^nefta oc- càfiao, com grande armada, o filho do prezo Pirata Iquõj defendiaona hu grande nu~ mero de loldados entre elles, mukos Portuguezes, fugidos de Macao,que por razão dos dos grandes lòldos lerviáo ao Eniperador JungUeo.Por oa-
  • dos Tart aros. ipç> '^3 de nao foi maravilha, íuften- tar eiia Cidade o cerco, hum anno. Por fome não podia fee rendida,porque por mar fácil*» mente a loccorrião do necet* fario.Os Tartaros,ignorantes da navegaçãohão tinhaõ ar- mada^álem difto,erão mortos • muitos, nos tres affaltos que * J derão k praça^ em que forão vaierofamente rebatidos. Cã tudo,a vinte & quatro de No vembro de mil & ieis-centos & cincoenra, depois que os Tartaros lhe desfizeraõ os muros,com grofla artelheria,* entràraõ, enrregandoa, ccmo he fama, o Governador Chi- na; & confirmoufe a fufpeita defta traição, o ver que o dei- xàraõ ficar com o mefmo go- verno que antes tinha. Ao ou- rô dia começarão darfáco à Cidade, q durou ate finco de Dezébro; nelle matarãocru- dtfiffimanKnte, a mulheres,
  • ^ 196 . Hifioria da guerra piiniiios, & a todos q encqti- fravão^Sc hua ió voz fe ouvia rnata, rnata,a ejtcs rebeldes bár- baros, Só à alguns artifices íe psrmittio a vida, para conier- vacao das artes, 8c mecanicas; áiem(.deftes, a outros,que vi- âp mais robuilos,& torres pa- "" * *ra lhe carretarem os deipojos. . jfjios feis de Dezembro, por hum edital, madou o Regulo cefiat da crueldade do laco, v* i ' ' • 'ê
  • dos Tártaros. caminhou feus efquodroés, à Caoquiug,onde oEmperactot Junglieo tinha aííentado fua Corte, da qual cõfiderandoffe inferior em forças, fugio, & cõftrãgido, deixou a Cidade ao inimigo. Ate onde chegou eíte Regulo não tenho noticia V ° n ategcra, pcrq neíte tepo me embarquei na província deFo quie em lula nao de Chinas* q me trouxe às Fil'ippinas,& delias me mandaraõ, visfTe # Europa, acuei les de cujas or- dens, me naõ poílo apartar,se grandeliílo. ' Na metropolitana Quang- queu tínhamos hum Tern- plo magnifico, onde o P. Al- varo Semedo enímava a Fe Chriítairi.Os Tártaros o po- derão, & atarão, ameaçando com a morte, que entregaiTe o dinheiro, q o bõ Padre na o tinha. Finalmente,depois de íofrer muitas coufas, ven- I3 doo
  • , t 198 fíiftorta da guerra doo o Regulo, & rei peitando .fuás uenerandas cans, lhe deu a vida, & liberdade, & o mã- .dou ir livre, & lhe tez dar o Breviário Romano, a Biblia . Sacra, & debaixo de nome de eímolla, húa boa íomma de dinheiro, & febre:udo, híía cala, de que pudefte levantar hum templo. O que náo he |[ara el palitar,porque efte Re- gulo,em outras partes da Chi- iu> conhecera- os' noííos Pa^- dres,& tiriHa grandes noticias da religião Chiiftam,do têpo que militara debaixo do go- verno de Sri Ignacio,de dom- de fugio para osTartaros.Né ib eite favorece noíTas confas^ quaíi os mais todos a mao> eftimão,. &c veneraõ a todos os Padres de Europa. E mui- Tarra- ^os receberão nofla Fê# biafb May ores fruílos elperamos, fe houver companheiros que nos ajudem, para entrarmos . . ~ c na
  • dos Tártaros, *99 /j ç na mefma Tartaiia,com o fa- vor de Deos, ccmo determi- namos, confiados que os nol- fos hão de fazer a Deos gram- des ferviços. E ja pode fer,que 0 miíericordiofiffimo Senhor, abrio a China aos Tartaros, para fazer por ella caminho à Religião Chriftam, por on- de entre na Tartària, de nos atcgora villa, nem conhecia da. No-tei^ipo que cilas. coufas fcbfusu fuccediaó, fe moveo também Lx (ctra outra guerr^.contra os Coroa- noSí Eião ell^s de,alguns 411- °"t nos Tributários Xarraros, com,condição,, que não mu- dariam veii ido,nem cgrrariaô as guadelhas.. Os Tártaros, íobei bos com tantas vitoria?, os obrigarão ja,que and^flem .veftidos a leu modo. Irritado defta violência aquelle Reino, le rebellou contra elles. Não tive ategora a vil o do q paf- 1 14 fou
  • * <' iòo Hifioria da guerra fou depois diílo. Entre tam grandes vitorias dos Tartaros,lhes fobreveio a l/mtya- sê tida morte de Ania- no mer- vango, no principio do anno ?*• de mil feis-cêtos çincoêta, & híí. Foi efte varaõ, infigne na prudêcia,na juftiça, na benig- nidade, & na arte militar,a quê ©s Tartaros deve o Império, de que eílao Senhores. Por efhs virtudes, naõ ló para cõ ©s Tartaros ,fenaõ ainda para comos Chinas, íegrangeoii graade amor,Sc cõ eile junta- mente grande refpeito. A íua morte p erturbou a Corte.-oor q outro regulo,feu irmão cha mado Quinto,queria,por for- ça, tomara tutoria do moço Xunquio Emperador, feu fo- brinho, em que pez aos Tar- taros^ Chinas, que conten- diaõ, que Xunquio, era ja de idade cie defafeis ànrios podia, êc devia tomar o governo. I O
  • • dos Tártaros. 2ot O 'Regulo allegava pello cõ- trárioj que a idade do Em— perador naõ era capaz de go- vernar tam grande pezo de - negócios^ & afíí, que a elle* fe devia a tutoria. Todos os Governadores,& Mandarins,; que andavaõ na Corte , £ç fora5 ao paço, & depoíeraõ as iníignias de leus cargos, protefiando3 de as naõ tomar outra vez , debaixo do go-. vcrno,de outro, que naõ fofle; o mefmo Emperador. Ven- do Quinto eiia conílancia, por naõ exalperar os ânimos, & excitar mais géte,le aquie- tou. Naõ duvido, que a mor- te dc Amavango lia de per-* turbar as cotifas dos Tár- taros, & que ha de polias em grandes perigos , por- que o moço Emperador mal ha de achar ftigeko fc- mvllunte a elle em tudo n® f J5 va-
  • 202- fíijlerta da guerra valor, & na arte de governa? a- quem os Régulos , & os Governadores amem, & te- mão. juntamente. O tempo moftrara o que ha de íér, ; He ja tempo de tratarmos do outro fegundo Ladraõ, chamado Canghiencungo,de quem prometti fallar atraz, para moftrar,de que modo os Tartaroç occuparaõ, nao fó as regiões mais Orientaes, 8c as do meyo do Império,fenão ainda as mais Gccidenraes da China. Em verdade,que he vergo- nha, & laities fallar das coufas defte Ladrac^affi porque feus diliftos facinorofos, a penas acharàô quem os crea; como também porque faõ de quali- dade, que nem cuidar nelles fe deve, fem grande abcrreci- mento,& horror.Delle tenho hua larga relaçaõ eicrita por dous Padre»,noíTos, que eníi- na-
  • , dos Tart am. 20 j /â7 navao o Evangelho na Pro- víncia de Sucuen,ondc eftava elte Ladrao. Os Padres que a efcreveraõ eraõ o Padre Lu- dovico Buliio, Ceciliano o P. Gabriel deMagalhaés, Por- tuguez. E porq fe deve gran7 de Fè, & credito a fua inte- gridade, por ííTo me perfuadi a crer, que podia hum home mortal chegar a tanta tirau-t nia,& crueldade. Defta reía- çaõ colhi brevemente, o que refirirei, que não contem ou- tras coufas, que exemplos dç hua atroz ferocidade, & tain exquíírta, que quafi íe pòde duvidar; que também o Lec- ^ . tor de qualquer modo huma- c™[s no, deve chamar ao Autor home do ' dellaf,iião homem fenão fera, ^"do- ou dcmcnio veftido de carne humana, & dai lhe outro no- me, fe pode haver outro mais hor íveí. Entrou por varias provín- 16 cia»
  • ^ * 204. Hi flori a da guerra cias cfte Ladraõ>as quaes to-» das deftruhio com rapinas, mortes, incedios, &c todas outras miferias. Era feu in- tento, matar todos,para naõ ter inimigos, &c nam deixar vivos , que contra elle fe pudefTem rebellar , & ficar fócbm íeus Toldados, ainda que deites nam perdoou a muitos. A grande, & populo- fa província de Sucuen, onde per força tomou o nome de Rei, foi o theatro da fumma crueldade. Porq depois q in- feftou as províncias de Hu- quãg,& Honã,& parte da de Nãquing,& Quiangfi5chegou à de Sncuê no anno de mil & feis-cétos quarenta quatro,& 11a fua metròpoli Quingtu, q occupou por armas, cõ o fer- vor da primeira ira, matou a hum Regulo da Família Tai- minga,q tinha leu alséto nef- ta Cidade;como ja crudelifíl-
  • dos T.irtaros. '/j mamcnte tinha feito a outros fete,dos mayores. Eftesforaõ os princípios de ieus trágicos aft os. cujas fcenas breveméte ■ manifeftarei, para que vejaõ , os de Europa,quaõ horrenda, & delenfreada ferocidade ie acha no meyo das trevoas da infidelidade, & armada onam furiofa he. -Finha efte Ladraõ impe- ^ tos repentinos de crueldade nacidos de hum natural du- ro,& feroz. Porque ainda ie- a mui- vementeoffendidojou lo com iufpeita de oiíenfa, de repen- te mandava matar. De fua boca nam fe ouvia feiíam t vocabnlcs de morte . Mui- tas vezes, pello crime, que híí ío cometia, matava toda híía Emilia, leni perdoar a crian- ças , nem mulheres, ainda prenhes. Muitas vezes man-- - dou paliar a ferro toda a rua > onde motava o 4 0 offenders '» ia- "S >±4
  • ío6 HiJterU da guerra involvendo os innocétes com o culpado.Mandou hum cor- reio a Xeníi,provinda vifinha & porque etie não quiz tor- nar ao tiranno, alegre de ha- ver efcapado de luas mãos*, por ifto mandou aíToiar todo o bairo da Cidade, onde mo- rava,& fez grande força a lua ferocidade, porque não man- dou dar a mefrha pena a todos os moradores da Cidade.Moc, reo de doença hum algoz, a quem,fobre todos amava,po-t de fer que por cruel,íoube, q medico o curara, não ie con- tentou de o matar,fenaõ, que acento da melma arte, man- dou entregar aos algozes, por quem foraõ logo mor- tos- Era nareprefentaçaõ para com os foldados, brando,ôc fuave, jugava com elles, co- mia, & como Ie foíTe qual- quer íbldado ordinário con- > verlava.
  • dos Tartar os] r So? ** r verfava. Muitas vezes,por Tuas maõs,dava vefiidos de feda, 8c dinheiro aos Toldados que nos exercícios militares obra- ; vaõ com deftreza, o que lhe naõ era de perda, nem reprc- vadc;mas,por hua leve caufa mandava diante de li, paffar a ferro crudeliílímamente a alguns delles,principalmente, aos naturaes da província de, Sucuen, a cujo povo tinha JlrnJ^ grande odio,porque fufpcita- %à\oao va,que elles não eraõ conten- pfvode tes de leu titulo,& poder real. Sucmn* De maneira que naõ fazia na- da em publico, que de comè* dia, 8c fefta não acafoafleem p tragedia, & triile fim. Se via algum loldado mal veílido, ou que não andava com brio, logo lhe mandava tirar a vi- da.Succedeo dar a hum Tol- dado hum veíiido de Teda^ delgabando efte aos camara- !»das o veludo,. a calo oouvio
  • 2o8 lit floria d a guerra hua efpia das muitas q tinha o medroio tiranno, q lhe di- ziãoasacçoés,& palavras de todos. Sabendo de hum def- tesaqueixado miieravel lòl- c dado; nam fó a elle, mas a toda a legião inteira, de cu- ja bandeira , & companhia era o Toldado queixoio,maiv* dou diante de Ti paliar a ferro. yidtoi* E dizé, que confiava a legião rfão dê ^0US loldados. ^o»s*niil Tinha aquella regia Cida- foldadõs de feis-cétos miniftros de bè- ca> occupados cm públicos yV; officios: defies,por elpaço de tres annos, a penas elcaparão MJteua vinte, os mais por levilfiruas rwiios cuipas pGr peu niandado.aca- mimí- C 'r . J , troí. bárao ccm vários generos oe inerte . Ao iupremo Prcli- Mandct* dente do Tribunal da guer- tSjiUrt raa cUcm chamão cs Chinas fen Pre- P*ngpu, mandou esfolar vi- jj.dete do vo, porque Tem particular or- 2'fer" dei» lua, deu iieençaa ln:m 7.. - f ilcíofo
  • dos Tar tar ou 209 ' ^ Filofofo China, para fe ir da metropoli para fua cala. Mandou tirar a vida,cruel- uanlon mente a cinco mil Eunuch'os. matar que admittira em feu fervi- cl-lcí O - 1 mí* f*~ ço, Oc o rorao dos Régulos n»cho$m que matara da família Tai- minga-fez nelles eflcscaíligo, porque a hum delles iucce- deo a caio, nomeallo, não com titulo de Rei,fenão ccm o nome.Can&hiencungo, an- • C/ o ^ y tigo de Ladrão, como íe ja o não fora. Nem perdoou aos falfos Sacerdotes dos idolos . Ef- tes, antes que o Ladrão oc- .. : .1, cupaílé a Sucuen, moverão hum grande motim arma- dos de íallos crimes, contra os Padres que prègavão o Evangelho aos moradores: o que tudo redudou em mayor gloria de Deos^porq permiti-, rão aos Padres, livremente o exercício da Fè Divina. Depois ;
  • 2*o H'tttoriada gtierrd Deponque o Ladraõ occtí- pou Sucuen, a hum falfo Sa- cerdote de grande nome, que fora author,& cabeça dos bi- dos, por huas palavras que diííe delle foi prezo, & à vifta dos Padres, q a calo le acha- rac na prezença do tiranno, o .mandou degolar.Aprenderaõ de Chriílo os Padres a fazer bem aos inimigos.Porem,naõ pudcraõ interceder por elle: tinhaõ conhecido a delacina- da ira do Ladrão, que aos in- tercelíores dava a melrrra pe- na que tinha aquelle por quê e la_ intercediap. draõ.al^ Amava o cruel tiranno. as fuítsyt- Padres,como a doutas,&_hoi PC.6S j p iii i" os Pu. pedes, oc convenes converM- dres,0H- va; muitas vezes os mandava tras,o$ chamar ao Paço. Porém, os imur. Padres todas as vezes q erao chamados, imaginaváo, que era para a morte, que com ra- zão temuõ deíua precipitada ;; ira.
  • dos Tartar os. . zrr /// ira.Tres vezes eftiverao defli- nados a morrer, & do quar- to perigo os livrou a podero- fa mão de Deos,como em Teu lugar le dirá. Naõ Te quietou o animo » defta fera, com tirar a vida a hum lo daquelles fallos Sa- Mato» cerdotes,a vinte mil, q man- ysinU dou ajuntar de todas as par- tes7os'~ tes, com varies generos de iJol$s. morte,mandou ao Inferno, a qiié fervião . Louvavafe elle depois diante dos Padres,co- mo quem tinha obrado hua coufa bella,& agradavel, di- zia. E ft es > vos quer ião tirar a ri* da, más Tuneu, aifi chamão a Deos Senhor do Ceo,me ma- f dou , que por vos dejfe as penas ' que merecião eíles inimigos. Fallava muitas vezes com os Padres, da Fè de Chriíio, & tam a propoíito, que pare- cia Chriltaõ. Louvava, & engrandecia a doutrina de * " Chuíto
  • if t Eiftoria (fa guerra . Chrifto,cjue tinha ouvido aos ( Pjdres, affi de palavra, como liio óos livros que os nol- f(S imprimirão em lingua (hina. Promettia,que tanto q.ic occupaffe o Império, ha- va de levantar a Deos hum " toiplo, digno de lua magni- ficncia. Nas obras externas ea na "verdade fp lend ido, 6 magnifico,, Não fabricou ora, que não folie, de todo, pxfeiu. Porém tudo efcure- ca com o langue dos oliiCia- e$ aos quaes, tanto que via, qie commettiaõ ainda hum kdífimo erro na mel ma obra, cjuelrneiite os mandava ma- tar. , 1 Para a parte do Norte da povincia de Sucué,onde con- corre com a província de Xé- fi jaz a fortiíííma Cidade de (váncungjefta pertence à Xé- fi & he chave de ambas. Pro- curou o tirano oçcupaila, por^ razão
  • dos Tártaros. razão da bõdade,8c fortaleza do íirí0-3 8c para deila paflar mais, facilmente ás outras. No anno de mil 8c feis-cétos qua : reta 8c cinco mãdou diãtehu j numerofiffimo exercito,em q * havia álé de outros, cé to, 8c oi teta mil foldados,naturaes de Sucué,tao grande exercito foi çõftrãgido a feguir tão impio tirano. Como tiveíTe cercada efta praça muito tempo, 8c de balde,porq fc defendiãoos de dentro valerofamêtejdòs tol- dados de Sucuen, le paflarão para os Governadores da Ci- dade, quarenta mil. Porem, el , le cõ precipitada indignação, ^mãdou ao rcftb do exercito, cõ atroz ferocidade, q matai- fem, como fe forão rebeldes, a todos os foldados de Su- f cueh, que ficarão pcrfeveran- tes em feu ferviço, que erão cento 8c quarenta mi^quatro; durou efta çarniceria. - 'A # r
  • ii"4 Bift or ia da guerra A muitos, citando ainda vi- vos elpirando, mandou esfo- lar as pelle.:,& deixando nel- las pegadas as cabeças, as tez encher de palha, 6c levar os mortos esfolados,ás Cidades, & lugares donde eraõ natu-* raes, para meter terror aos moradores.H dahi por diante toncebeo hum tal odio a to- da a província, como fua re- belde,que com aver toda def- trilida, 8c acabada, lenaõ ex- tinguio. Muitos,por amor de fua inaudita tirannia,tomara5 armas contra elle;eftes,como íiaõ eraõ íol dados,fenaõ tira- dos da confufa multidão do povo, & fem capitaes peritos, facilmente eraõvécidos. Ou- tros muitos, & eftes eraõ os mais prudentes, deixando as Cidades, fe acolhiaõ ao mais éfcondido das montanhas^& Os que tomarão efte confelho* Íowq fes os que efeaparão"
  • , < //J dos Tar tar os. 11 y das cruéis maós defta fera. Depois difto, chamou a to- dos os eftudiolos da provín- cia, para o exame das letras, prometendo os governos aos ^Doutores. Os Chinas, com hua cegaambiçam de os al- cançar nam entenderão o ef- trat^gema, & perfídia do ti- ranno, Concorrerão de varias « . *i n j matar partes dezoito mu eitudantes. Afoito A eftes todos,como he coftu- mdejit me, mandou, que entraflem lias Claffes da Cidade,como fe foíTe para exame; & tanto que os teve affi juntos, & pre- zos, crudeliííimamente man- dou aos foldados, que os de- Pgolaffem; dizendo,que eftes, > com luas razoes falias, & ar- gumentos, perturbavaõ o po- vo, & o provocavaõ a rebel- j lioés. i Fazme horror, relatar tan- — i tas mortes, & vejome de no- *fo embaraçado de outras; : ' P«-
  • 216 HiílorU da gutrra porque ainda naõ contei os muitos' mininos,moços, mu- lheres 5 que cada hora, &em toda a parte matou. Quantas mulheres de miniftros, man- dou,primeiro que as mataííe, expor para publico ludibrio, à vifta dos maridos, que efta- Va5 também condenados; & quantas delias quizerão an- ? tes, matarfe com as próprias maõs, do que padecei efte publico, & infame detrimen- to de fua honeftidade. Deixo muitos exemplos execrandos deite genero, por não cifere- cer aos olhos, & aos entendi- mentos, coufas que he bem q fenaõ digaõ. # ^ 1 No anno de mil & feis-ce- tos quarenta & leis, foi força- do, moverle contra os Tárta- ros,que ouvira, tinhão entra- do na província de Xenfi. Pa- ra poder ir mais feguro, de- cretou, extinguir o reíto do» vizi- ... % - - — -
  • dosTurt.tros. l\y , /M Vizinhos da província dc Sn- cuen,exceptos,aquelles q ca- ll ião para a parte de Barrape- lioteem em razão de não fal- tarem mantimentos a feus ex- ércitos, porque era precizo* 5 caminhar poraquellas terras; Sc por eíla cauia,diffirio para outro tempo a morte defies moradores. Antes que partiíTe ordeuou aos loldados, na Ci- dade metropolitana dc King- tu, amarrafiem a todos os da ditta praça,fem exceptuar gé- nero, nem condição, & quiz q os Toldados cftiveffem eu- ■ tremetidos entre os atados, Efcrevele,que erão feis-cêtas mil peífoas; 8c o tiranno,pof- to a cavalo, foi pafleando pofi entre os triftes prezos affiigi- > dos5 que com lamentaçoens, gemidos,8c lagrimas,que po- dião abrandar as pedras, ccm joelhos em terra, lhe chama- Rei; & fenhor rogando- K Jhe#
  • * ». . * * 2 t 8 H flor ia da guerra lhe,quizeiie perdoar a teu po- vo inuocrnte.Parou elle hum pouco, fazendo força a natu- reza humana áquellas duras entranhas. Porem, tornando logo à fua inclinação, diíTe. Matai, matai a cíles rebeldes Portanto, no mefmo dia,lc^ vadosfóra da Cidade, á vifta do fanguinolento Ladrão,to- | rão mortos.Os noflos Padres, para acodirem a teus tamulos, Com evidente perigo leu, to- rão ter com cllej & com não menor admiração de todos, alcançarão perdão da vida.Os ' fâmulos, ja amarrados, com os mais, hião caminhando. ; Divididos os Padres,lahio,hu ] por hfia porta da Cidade, &C outro por outra, por onde o miferavel povo le levava, co- mo para o açougue, & os li- Vràfaõ. Nelle dia fizerão os Padres a Deos, &ã Religião hum illuftrc lervíço, content « «-tin do
  • . dos Tart ay os é * * tindo os Toldados, bautizárão innumeraveis crianças, que das mãos dos a!g©zes iuhiráp o ; ao Ceo. Delorte,quea cruel- dade do tiranno, foi de utili- dade àqiíelles mininos, como 15 Herodes aos i nnocentes^ & em verdade, q he grande tes- temunho da divina predefli- haçaõ. Efcrevefe,quc foi raõ gran- de a efuzaõ do Tangue, q, acres- centou as aguas do grande rio Quiang, que corre por rneyo da Cidade. Os corpos forao I lançados no rio,& levandoos a corrente às mais Cidades, & terras, denunciaváo , que do , tiraitno na5 efpcrafFem me- lhores couías. Não Te deteve por muito tempo, porque do mefmo modo, mandando poc I todas as partes exércitos ma- tou a todos os moradores da« mais Cidades, & viiías, que * pode colher i ma5;de manei- K i íh -
  • 220 Hijlofia d a gum* ra,que com increivel mortan- dade deliruhio quafi toda ef- ta populofifllma província. Executadas eftas inauditas crueldades,sjuntoú todos feus foldados, no campo que to- das as Cidades da China tem para os exercícios militares,q chaimo Quiocang, a hi ihes fallou o Ladrão delia manei- ra. liados for A do império os Tártaros y efpçyo que por voffo v a- lcY,bei de occtipar o de todo o Mu- do.V or cm, quero vos mais defem- baraçados,& pYotnptos^do que cf- tais de pi efente. hl,como a todos be notorio, tenho metido no fundo do rio Qu}ang fejfenta nãos, car- regadas de prata-,as quaes,tanto que for fenhofdo Império, fácil-» mente hei de tirar fora da agua onde estão cfcondidas,para repar- tir com qs que me mere cere. Te- mos pay a o caminho, que liemos de faz*cr,huw grande impedimento, afie [ao as mulheresfporq a quaí - quer
  • dos Tart mos, ait quer de Vos fervem de carga, embaraço, baveivos com valor\ ganhado o Império, não vos fal- tarão outras mais perfeitas.Que- ro f cr o primeiro,com o excplo,pof- ^ to que,como Emperador,não eftou fugeito às leis commuas . Dito ifto, de trezentas moças, que por fermofas tinha clcolhida para leu deleite, & ler viço* deixou fó vinte, para fervico das tres Rainhas, as mais, to- das , logoalli mandou ma- tar. Os Toldados, leguindo o exemplo, & mandado de feu crudeliffimo GeneraLdegcljar. rão innumeraveis mulheres * innocentes , matando eftas I manfas ovelhas, como fe fo I rao inimigos.No que difle daa I Jiaos fumergidas, cheyas de - prata, fallou verdade: porém para que o lugar ficafíe occul- ta,matou todos os marinhei- ros delias, que as fumergi- f C40o 1 K | Tai>
  • 322 ' Hifi'ona da guerrt Tanto q não teve honièns que matar da provincia de Sucucn,vomitou a ira,& odio em outra* Cidade*, & edifí- cio*. Abrazou hum foberbíffi- mo palacio que fabricara pa- ; ra fi;com efte inccdio aiTolou também a grande, 8c fermola metropoli Kihgtu. E affi,pur- gado,como elle dizia,o exer- cito foi marchando; & por onde quer que paffava, ex- tinguio com a morte a todos que achava, & podia haver à mão. Nao fe fatisfazédo com G fai'igug deftes; mandou paf- far a ferro a muiros de íeus j foidados, a huns porque hião mais adiante, outros porque ! marchavaõ mais atraz, & a ©utros por leviffima* caufa*« A todos os doentes, 8c fracos mandava aoInfernoj8c dizia por graça, for mo ficarem eíies mferaveis, em Luaterr* ma7 Ô* deftmdUi Deixo cai fil«ncio ouwgs
  • dos Tártaros. . > ^ outras acçoens crudcliílimas, por chegar a feu miíeravel fim. A penas tinha entrado na província de Xenfi, quando o General dos: Tartaros, tip doEmperador,chegou cõ cin- co mil toldados Xartaros^tra- zendo atraz o mais exercito. Mandara muito diante,cinco de Cavallo,como he coftume feu, para laberem o intento do inimigo, porque le íaô bê recebidos, tem por final d<2 fubmilTao,& pazj le Lie fazê algua força, delia conhecem que hao de ter guerra. As ata- layas do Ladrão, virão eítes exploradores, 8c em comine- te lhe derão aviio. Riofe o Ladrão dasatalayas, &per- guntoulhes tfor ventura voar ao es Tartarosl Parece que os não cfperaya tam cedo.No tempo que lhe chegou efte rebate, tinha diate de fi, atados myi- WS
  • *'% 324 Hiftoriá dtguerrd tos homens para matar,entre clles eftavão também conde- nados à morte dous Padres Hortos, por lhe pedirem licé- 5a para tornar a Sucutn, cm cuja província tinháo tomado o cuidado dcenfinara Fè de Jefu Chrifto. Porem a im- f>rovifa morte do Ladraõ os ivrou defte perigo: porque no melmo ponto foi avifado dos Capitaés, q os Tartaros, de certo,eraõ cnegados. Ou- vindo ifto,com toda prefla,fe fahio da tenda, como era ani- mofojfem malha, nem capa- cete, tornou a lança, & acom- panhado de poucos íahio fo- ra do arrayal, para ver, com feus olhos, achegada dos ini- migos . Chegaraõ os finco Tartaros,& vclociffimamen- te invertem,cem elle. Com a primeira féta que delpediraõ* cjue foi feliciflima, não fó aos Í4ttaj;osa íenão umbe a ou- tros
  • dos Tártaros. 21 y //* ttosmuitos,trcfpaíUraõ o du~ to coração do Tiranno: fk MatU matou aquelle que tinha para *° Tir& íi^que havia de matar a todos; àquelle, que do baixo officio deLadrao, tomara violenta- mente o tittulo de Rei.Defte modo acabou o monítro da crueldade.Proftrado elle,che- gou o exercito dos Tártaros, & facilmente puzeráo em de- íatinada fugida a todos osleus arrayaes5quc acharaó fem ca- beça: muitos dos Toldados fc paliaram aos Tartaros,outros forão mortos, outros fugirão. Logo as mileraveis relíquias dos homens, que eícaparáo na Província de Sucuen rece- berão os Tartaros,como leiis libertadores. Per eftes meios vierao eltes a kr fenhores ate- ^ pr^ dwíla prcvincia,que he a til ti- vhuia ma dos Chiiias para a parte aeòucu* r 1 /f do Occidéte, vez ih ha ao Rei- » a aos no Tibetano. K s U-
  • it6 Htflori A d A gUCYYA Seguradas as ccufas deftu provincial & poftos os prefi- dios necefíarios, preparava o General Tartaro lua tornada r para a Cortc dc Pequing; Quando os noflos Padres, ;à livres,lhe pedirão licençappara ( ficar na província dc Sucuen, naõ lha quiz conceder, antes, lhe difle,que tão grandes hof- pedes dcviaõ de paflar com clle a Pequing, para qne os ville o Emperador. Nefta Ci- dade os deixei no anilo dc mil 8cfcis-ccntos & fincoen- ta. Chegado a Pequing o ío~ bredito General, depois de híía tam felice yitoria,foi mal recebidp dc leu irmão Ama- vango, qu« era ainda vivo, & quando eíperava hum trium- pho, achou a morte. Porque havendo feito hum caminho de tantos mefes; & cem as co/itinuiis moleilias, & pezo dos
  • dos Tártaros, dos trabalhos, perdefle mais ibldados do que perdera, ie pelejara; tei accuiado de def- cuidos cie governo;& crendo, que merecia louvor,não pode refrear a ira:tirando o barrete Tartareo da cabeça,deu com elle em terra, que he final de grande indignação. Pello que o mandarão meter no cárcere, onde os Emperadores da Chi na mandàvão prender os do langue Imperial, quando co- meuaõ algum delido. Cha- maíe elie cárcere Caociang. E por nao ler elle o primeiro dos Tareares^ que padecefle ella pena, no proprio palacio fe enforcou.Era Principe ver- dadeiramente digno de me- lhor fortuna,que leu generofo animo, & iíluítres feitos, & façanhas merecião. Não fair taraõ muitos, que affirmarão, que tudo iílo naícera da emu- lação de leu irmão Amavan- K 6 go*
  • tl% «World id guerrd jo. Porém,cu creyo, que eííe Fe moveo, porque receava dei* ie ascoufas dos Tartaros,ain* da que vaierofiííimo irmão* era de natural precipitado. Efte feja o fim deita minha t breve narração em que dei- crevl em fumma a guerra tar- tarica,atè o principio do anno de mil & leis-centos fincoen* ta & humano qual tempo fa- hi do Reino dos Chinas, pê- ra Europa por mandado de meus fuperiores. Della, fe não houvera outra coufa , fe vê hua,digna de elpanto, & ob- fervaçáo, & he, eomo pello breve efpaço de fete annos; occupàrao os Tartaros mais i terrasdoque podia andar hu j exercito caminhando ^convé a later, doze províncias do Im- peiio dos Chinas, & o Reino deCorea, & Leaoturrg, que ten grande diftanen de ter- ças O que fuçççdeo depois i > w deltas
  • dos Tártaros* ^ lly deftas coulas,como cu tomac ã minha amada China, ou cõ as cartas de avilo que me rnã- darem os Companheiros. Eu farei, que os de Europa não dezejem por muito tempo o £m deita guerra. ..." v APPENDIX. DEpois de tmprefLt cjta htf- tor ia e SI an do cu em Anve~ rcz,,recebi por via de Perna as ul- timas cartas da China entre as quais erão huas do Padre Tran- cifco Braneat o Ciciliano eferitae tmXarigbat da p rovíncia de Nan- quing, dequatorsLe de N 01 emir o de mil & féis-cent os fincoenta & bum. Delias tirei eSla breve Pel ar ao* O Império da China, chegou ja a melhor eíUdo , depois qus morres .
  • ajo Hiftoria da guerra morreo Ámavango,tio,& tu- tor do moço Rei, a cuja dili- gencia,& vigilância devem os Tartaros a ditoia fortuna,que tiverão em oqcupar o Impé- rio alheyo,& em confervallo. Porem,a reputação,depois de morto, foi mui diverfa da au- thoridade,que teve vivo.Por- que como por liia morte,todo o poder, ficaiTe no lobrinho, ReiXunquío,na idade moço, & velho no contelho, & 11a prudência; com approvação de todas as Ordens, Sc eíta- dos,começou a reinar. A pe- nas começou, quando logo tinio a madureza do juizo, cõ a leveridade da juíiiça. Porq alcançando os preverlos intê- tos do tio, &C outros indícios de maldades fecretas^que até então eft iverão occultas; de forte lé commoveo da atroci- dade delias,que mandou des- fazer a fepultura do morto c:-. Anu-
  • dos Tartars. 231 Amavango,fabricada com lo- berbiffimo culto, & ornato. Para cõ os Chinas he a maie capital pena, que ha entre tso- dos os generos de íuplicios, porque ccm híía religião fixa, na alma, dão íumma venera- ção às fcpultiiras dos defun- tos. Defenterrado o cadaver, ' foi açoutado com páos,8e de- pois com varas, finalmente cortada a cabeça, o deúvàráo expofto às ultimas afrontas, dos reos. Afli que o efplendi- do tumulo le converteo em cinza,& a fortuna lhe pagou morto o que lhe devia vivo Também fe fez caftigo nos Mandarins confidentes ami- fros de Amavango, parte del- es forão mortos,parte,, priva- dos dos cargos. Entre elícs corrco varia fortuna Celaò fupremo miniftro de todo o Império Tartàrico. Efte ain- da que não eu Chriftao, cr£ em
  • +tfi fíí&oria (fá gtierrd em coufas poucas, amigo, Sc fautor da noffa conipanbia>& meu muito conhecido. lultifi- . cada lua innocencia, foircfti* tuido á lua dignidade. Entretanto,o novo Empe- ^ rador XUnquio,crelcendo>ua- primeira flor de fua mocida- de, folicito em atalhar opro- grelío de tam grande mal co- cluhio,de todo, o caTamento, ftp* o ja antes tratado.Cazouíe com Empe- a g[]la ^j0 Emperacor daTar- Tfos°Tar. tária Occidental Nos cafa- tdYos. mentos Te hão os Tartaros, como coílumáo os de Euro- XH» dt pa.Rccebem por mulheres as donzellas do mais iliutíre Tan- gue: ao contrario dos Empe- radores da China; cs quaes, fazendo pouco caio do eiplé- dor do naTcimento, elegem pira mulher, de hum grande nimero de Teimo las, a que ocede ás mair na belleza, sé tepeitar o fer plcbta: o ulti- . i J l" mo
  • dos Tártaros. moEmperador da Chiua ti- nha por mulher a filha de hu macanico, que ganhava fua vida em fazer alparcas de cf- parto. Affi teve Affuèro por Rainha hua cariva.He crelvcl que efte coftume tomàraõ an- tigamente os Perfas dos Chi- nas,ou os Chinas dos Perfas. Tornando a hoAo propcfito: chegou a eipofa, com fiaufto Congruente ao génio de fua naçáo, com grandes efqua- droés de foldados, & tantas tropas de cavallaria,que a pe- nas fe podiaõ contar. Tod* oppuhncia dos Tartaros diz mais ordem à guerra, que ao faufto, & pompa. Nem pa- rece coufa fóra do credito,pa- recer innumeravel a copia dos cavallos, porque andando eu entre os China, vi oitenta mil cavallos, que vieraõ todos ju- tos em companhia,q da Tar- tarú Occident! fe manda- rão
  • 234 Ht florid dd guerra m rão de prclente aos Chinas. Elie poder dos Tartaros, âlli como não cabe em limi- te , a in. a gora lugeitou,por for- ça, toda a provinda de Quãg- tung;& delia a modo de Rio, , inundárao a província de Quangíi,& alugeitáráo. Pel- lo que fugio delia Junglíeu Emperador dos Chinas com Peang AchileOj Chriftaõ, o principal dos Eunuchos,para os confins de Tungquing, onde parou,excluido de todo o Reino. O P.Simão da Cu- nha Portuguez de Foquien, fcfcreve nasíuas,queJunglieo, temendo cair nas mãos dos Tartaros, fepaíTara da terra firme ao mar. Do noiTo Padre Andre Xavier Koffler , que que acompanhou a Junglieo, & bautizou ao filho, mulher* & mai,& outro$ muitos, não temos atè ao preenfente, no- vas, nem fabemos o que paf-
  • ' dos Tart aros. *3? fou. » Quando Lungoy R- gulb dos Tártaros cccupou a pro^ vinciadeQuangli, pielxonoH a Calou Chiihão,que era lu- premo governador da pro- víncia. O Tartaro vencedor, tres dias fe abfteve, fem ulat contra elle afio algu de cruel- dade, tendo para íi que o ani- mo de hum grande Filoicto fe poderia dobrar a ieu lervi- ço, propondolhe prémios, Sc dignidades.Porem,elle, ante- pondo a Fé, dada antes a feu Rei, à propria vida foi dego- lado. Sua conltancia lhe grã- geou veneração, & louvou Porque os inimigos deraõ a feu corpo hum tumulo mag- nifico. Pofto que os Tartaros façaõ toda diligécia para que faltem os Chinas 11a fidelida- de, com tudo aos confiantes nella engrandecem com a ta- maj & benevolência. Efias .' : duas
  • Hifiorta da gUtrra duas coufas devo eu á amifa- de, & virtudes defte illuftrc varao,quc fempre nelle vene- rei, & toda a Igreja da China, por elpaço de vinte annos vio com grande admiraçaõw Tinha por nome, digno de eterna memoria, Kiu Tho- mas. Era natural da Cidade de Cangeo da província de Nanquins;. r t ° 1 1 Ha novas da província de Sucuen aquclla que deftru- hio o conhecido ladraõ Cãg- hiencungo, com tanta infâ- mia dc crueldades,5c atrozes violências, que de novo eíu apertada com varias altcra- çoensde guerras. E ainda q parecia, ellava fugeita, com tudo, fe faziaõ nella novos exércitos, Ja a província de Foquieil começou a padecer trabalhos* Eícrevede Cangqueu,cidade da mefma província^ que cl- ter m
  • dos TaYtaref, 2$ tf *eve jacercada oP.Pedro Ca- nevari Genovez, na ultima carta de trinta de Março de mil & féis-centos íincoenta & dons,que Quefmgo,deixa- das as naos,defembarcàra em terra, invadira todas aquellaa terras, occupando alguas vil- las, & Cidades^ cauiando a todos tanto terror,que os Go- vernadores Tártaros fe reco- lherão em feus prefidios, & fortalezas, & não quizerao fair à canipanha.Mas,que em breve efperavão da Corte do Pequing grandes exércitos, com que facilmente o havião de deftruir. Efte Quefíngo, dcffolador da província de Foquien he filho de Iquon, ou Quingquilungo, aquelie ^.141 piratta de fama, que com tra- 14^ Çâ, & engano dos Tártaros, foi prezo, como atraz fe tem referido. Contarei as ultimas novas deíle
  • ; 2 j 8 Hifioria da guerra defte filho do Piratta,que ou- vi, quando, vindo para Euro- pay cftive com os Olandezes na nova: Batauia, onde feui marinheiros, &. foldados,CQ- mopriiioneiro, me levarão; ;alli foube, de alguns Chinas; jque em hua uao fua portarão ilia mefrna ilha no, mez de Ja- jieiro de mil & fcis-cetos iin- xoenta & tres,q chegaraõ nu- merofos exércitos de Tárta- ros, parar refrear o poder de «Quefingo.O General ulando {de engano,mãdou diãte,cõtra •clle hu pequeno poder de gé- < te,cõ ordé,q tãto q Gomeçaísé a pelejar fingifsé, q fugião co grade preíTa para as partes ma ,is leguraç.En treta to, efcõde* detra? de hu mõte,q le meti -em meyo,em hu cipo efpaçç fo,todo leu grade poder de c vallaria. Os Tártaros, tanto < começarão a pelejar, em cõti uétc fc puzeraõ ení fugida. O* > China.
  • P dos Tart ar os. /2L-T Chinas os iorãõ fdguindo, Sc apertiido;& go o ardõr de vé- cer,te foraõ afaftãdo pouco a pouco da ribeira do rio Cãg, onde eitava a armada. De re- ^ pente appareceo a cavallaria dos Tartar os, fechando aos Chinas a retirada, para as na*- os;fez nelles hfía grãde mortá dade;8íaffirmaõ, q foraõ os mortos oitéta mil. Quefingo, vedo da nao õde eftava,a de£- truiçaõ dos Íeus,c5tafe;q dif- Qutfinl fera, que havia ainda outra vez provar a fortuna; & fe a athaffe madrafta^entaõ, final- ^mete,havia de cortar as gade- lhas a modo Tartaro. ; Vltimaméte concluo, refe- Irindo,em breve algíías coufas ^rellP'.r 1* sr> a0 c»Ttr tocates a religião,affi como as tam. foube das ultimas cartas q re- cebi da China,eftádo em Flá- des é Brucellas no mez cL % nho dc mil feis-cetos cincoeta quatro.Refere ella&;que os Padres
  • 14° HiHoria da guerra J Padres da Cõpanhia de J efu, j efhvaô benignarnéte recebi- j dos dosT artaroSjComo antes, & ainda melhor, & q permit- tiaõ livre mete o exercício da leligiaõ Chri(láa,& q àlé dos ^ Tépios antigos,naõ fó davaõ , licéça para le fazeré outros de , novo, mas tábc em algús luga I ires naõ doavaô pouco para a fabrica delles. O q foi de táto dáno para outros,a divina bõ dade coverteo é proveito para os fcus.Eftas,8coutras coutas,, femeihates, dignas de ie cota- j irêjie retervão para outro volu me mayor, q conte as coutas» v obradas,ncfta materia,deiclc ojj anno de mil leis-cétos & dez, ^ ate eftes tcpos.Cõ o q c õclue o P.Niculao Frigracio, oíeu iivro.D^ Chrittiana exfeditioue> aptidfinas fufccpta alfo- ■ 11 cietate Jefu. FINIS, j - ' m *
  • 進階搜尋|全站搜尋