& ¥ í' 72 i ã IEIORIA DOS >/ Por occasião do fausto nascimento de Sua Alteza Real y t o futuro de Portugal e seguida de uma composição dramática em verso portuguez eatitulada E cantada na mesma ocasião no theatro de D. PEDRO V. EM MACAU MACAU typograpiiia de j. da silva, 1864 ái Xc\ É 'k (1y^ 1 m ■àj. FH É if \\
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MEMORIA DOS OH TIVERAM LBGAR itl Por occasião do fausto nascimento de Sua Alteza líeal h Precedida de breves considerações sobre o futuro de Portugal c seguida de uma composição dramatica em verso portuguez entitulada I cantada na mesma occasião no theatro de D. PEDRO V. EM MACAU MACAU TYPOQRAPHIA DE J. DA SILVA, 1864
* Ao Ulmo. e Huno. Sr. JOSE RODRIGUES COELHO DO AMARAL lio Conselho do Sua Magcstade c do Ultramarino, Ministro Plenipotenciário de Sua Magestade nas Cortes de Pekim, Japão c Siain, Governador de Macau, Coronel dlngenlieiros, Commendador da Ordciu Militar de S. Cento de Aviz, fc, Ac., Ac., % COMO PEQUENO OBOLO DE RECONHECIDA AMISADE, OFFERECE O alferes MANUEL DE CASTRO SAMPAIO.
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. ' X • • 0 primeira parti;. — I. X A feliz noticia do fausto nascimento do augusto pri- mogénito de Sua Magestade El-Rei o Sr. D. Luiz veiu aos confins do oriente encher de verdadeiro re- gosijo os peitos dos portuguezes. Em todos os ros- tos se tem visto transluzir a alegria do coração. É que o povo, amando os soberanos que se assentam hoje no throno portuguez, ama as instituições liberáes cio paiz, porque a gloria e o interesse do throno é a gloria e o interesse da nação; e em Macau soube compre- hender-se que o novo Príncipe é o futuro penhor das liberdades patrias. Em outro tempo o nascimento de um príncipe po- dia ser prenuncio de bom ou mau futuro, porque, nas- cido e educado debaixo das terríveis influencias da autocracia, podia eomtudo ter uma boa indole, e por isso vir a ser um bom rei, mas também se podia tor- nar um tyranno, e constituir assim a infelicidade de seu povo. E não poucos foram os povos, que em épo- cas, que passaram para não mais voltar, suffocavam no peito o grito de liberdade, porque esse grito só come- çou a soar verdadeiramente depois da revolução fran- cesa, até se tornar enthusiastico e estridente. A respeito desta ultima asserção, seja-nos concedi- do reproduzir aqui duas palavras de um grande vulto litterario e oratorio daquella terra de gigantes, ou an- % * * l
/ —6— 0 tes de um homem dos mais pensadores do mundo, o sr. Victor Hugo. " Depois da vinda de Christo, a revolução franceza foi o passo mais gigantesco que a humanidade tem avançado, digam embora o que quizerem. Se não foi completo, foi comtudo sublime. Por ella se libertaram as intelligencias sociaes; se suavisaram e tranquillisaram os espíritos; fez correr a jorros pelo mundo torrentes de eivilisação. Tudo isto prova que a revolução foi util; foi a sagração da humani- dade." Hoje. por tanto, nos paizes livres a successão ao throno é sempre objecto de alegria nacional, porque os Reis liberaes, compenetrados das ideias modernas, não buscam, pelas suas allianças e pelos seus actos, so- mente o interesse de suas dynastias, buscam também o interesse para os povos, protegendo-os, e garantin- do-lhes as suas immunidades de cidadãos. É por isso que todas as classes encontram logar em roda do throno, na magnifica empresa de engrandecer a patria. As nacionalidades despertaram do somno que dor- miam, e as dynastias inimigas do progresso estreme- cem ou jazem moribundas. Essa grandiosa obra da unidade, italiana foi o facto mais edificante para o mundo culto, que podia dar-se nos tempos modernos. Aquella gloriosa nação, que " ha tantos annos permanecia retalhada e escravisada, assumiu um logar eminente na linha das nações de primeira ordem em força, opulência e eivilisação. E o paiz da harmonia, o mimoso filho do mundo latino quiz estreitar os laços de fraterna amisade com duas nações suas irmãs : entrelaçou-se primeiro com a Fran- ça. e depois com Portugal, constituindo assim o ponto de partida de um mundo de sciencias, de artes, e final- mente do grande génio da época. Parece que a Providencia havia guarcado o reina- do do Si1. I). Luiz para mudar a face ao destino dos \ X
portuguezes, porque, no glorioso throno de D. Alfon- so, D. João I e D. João IV, não podia collocar, ao lado do augusto Chefe da casa de Bragança, uma Princeza que tantos títulos tivesse á estima e sympathia do paiz, como a Senhora D. Maria Pia de Saboya, que ao mesmo tempo nos dá gratas recordações do passado, alegria no presente, e esperança no futuro. ii. Ha sete séculos que uma princeza da casa de Sa- boya veiu sentar-se no throno portuguez. Essa prin- ceza foi D. Mafalda, esposa do heroe de Ourique, que marcou uma nova era a Portugal, emancipando-o, e fundando a monarchia portugueza com um valor, que constituiu a admiração do mundo. Portugal, ainda no berço, viu logo uma ílor de Sa- boya a embalsainar-lhe o ambiente de sua esphera, que havia começado e continuou a ampliar-se cada vez mais ; e por isso não pôde deixar de considerar aquella casa soberana, como uma casa verdadeiramente amiga. Um facto que se déra na época de maior opulência e lustre, que tem tido Portugal, basta para testemu- nhar a grande dedicação, que este paiz votara áquella casa, na qual sempre tem visto um bom signal. Esbocemos ligeiramente esse facto. No reinado de I). Manuel contrahiu nova alliança a casa de Saboya com a dynastia de Aviz. O duque Carlos III daquella casa desposou a infanta D. Brites, filha do nosso rei venturoso. Este consorcio, celebra- do com pomposos festejos, produziu um regosijo até ao enthusiasmo em Portugal e nos Estados de Saboya.
Q. Manuel, afeito a emprehender com iriuimpho e pas- inosa felicidade os grandes commettimeintos de que nos íalla a historia, nao poupou nenhum < dos podero- sos meios de que dispunha para tornar aqiuelle sole ni- ne acto de uma magnificência admirável;; e por isso a casa de Saboya ficou sendo mais estiinadla ainda pe- los portugueses. A armada, que conduziu a Nizza a infainta D. Bri- tes, foi composta de 18 galeões e galeras, eescolha feita entre os maiores navios que então possutia Portugal, seguindo viagem abordo da armada os íililios dos dois famosos heroes portuguezes—Vasco da Gauna e Alfon- so de Albuquerque. Desta feliz alUanoa succedeu na casa (de Saboya o duque Manuel Felisberto,, herdando o nonue baptismal de seu glorioso avô, de quem também febra afilhado. Este duque foi um verdadeiro heroe, que deu lustre á casa de Saboya. Afortunado, corno seu avA soube re- tomar alguns Estados que esta casa haviia perdido, e restituir ao thyono o seu antigo esplendo>r. Foi eíle no século XVI uni dos competidores á coroa de Portu- gal, depois da infausta morte de El-Rei D. Sebastião, apresentando direitos como neto d'El-Rei D. Manuel; mas Filippe II de Castella, como é sabido, foi entre todos quem tomou posse da coroa. O nome de Manuel, porém, tem sido conservado na casa de Saboya, como um bom signal de prosperidade. Depois do duque Manuel Felisberto, Ihouve Caídos Manuel I, Carlos Manuel II, Carlos Mãniuel III, sen- do este depois primeiro do nome, como irei da Sarde- nha,. Mais tarde, e ainda com o alludiclo nome, e na qualidade de chefes da casa de Saboya, continuaram a- sentar-se 110 throno sardo Victor Manuel I e Victor Manuel II, pae da nossa virtuosa Rainha, que é a ter-
ceira das princezas daquella casa que hão subido ao solio portuguez; porque a segunda foi, como geral- mente se sabe, D. Maria Francisca Isabel de Sa- boya. Alem das intimas relações, que a casa de Saboya tem contraindo com as trez dynasticas casas portugue- zas, concorre mais para o immenso jubilo dos dois po- vos a circumstancia de terem a mesma origem as suas linguagens, e de haver egualdade em seus sentimentos, bem como em suas ideias de progresso e instituições libei aes. De mais a mais acresce a esta similhança a de possuírem ambas as nações duas famílias reinantes, que, liberaes por crença, sabem comprehender a sua alta missão de presidir aos destinos de dois povos li- vres, para acceitarem com franqueza e lealdade o futu- ro que lhes está reservado, e formarem o coração de seus augustos successores com a doutrina destes san- tos princípios. Outra eircumstancja milita também na auspiciosa época que está gosando Portugal, para que este paiz deva esperar um bom futuro. É urna ideia que pare- cei á um pouco dúbia, mas ha ás vezes no coração hu- mano 11111 não-sei-quê de mysterioso que nos não enga- na. A verdade histórica de que os dois príncipes, que hão succedido das allianças feitas entre Saboya e Por- tugal, constituíram a honra dos thronos, e mereceram a estima e veneração de seus povos, leva-nos a espe- íar de Sua Alteza Real o Sr. D. Carlos Fernando—mi- moso fruto também de egual alliança—um porvir re- pleto de venturas e prosperidades nacionaes ; pois, na- scido e embalado no seio da liberdade, e tendo como guia em sua educação o exemplo das virtudes de seus augustos paes, ha de de todo o coração promover, como elles, a felicidade da patria com aquelles rasgos 110-
I — 10 — bres, que caracterisam um rei verdadeiramente con- stitucional. E nos tempos em que governaram os dois magnâ- nimos príncipes—D. Sancho I, filho da Rainha D. Ma- falda-—e D. Carlos Manuel, filho da Infanta D. Brites, não gosavam os povos as vantagens, que os tlironos nesta época offerecem ás suas nacionalidades; e por isso hoje, que, depois de se haverem operado tantas phases históricas, os Reis essencialmente 1-iberaes aspi- ram ajusta gloria de consubstanciar o seu caracter com os santos princípios do amor, da benevolência e da brandura, porque comprehendem que os seus thronos se baseam somente na convenção social, não tendo por defesa senão o bem da patria; hoje, que todos os es- forços tendem ao aperfeiçoamento da regeneração da sociedade; hoje, que Portugal está em contacto com as outras nações pelo intermédio dessa grandiosa rede dos caminhos de ferro que inunda a Europa; hoje, que de um fio metallico, maravilha do nosso século, faz Portugal ao mesmo tempo a sua voz e o ouvido das nações e viceversa, e que dentro do seu território as. scièncias e artes já attingem um subido grau cie esplendor; hoje, que por todos os ângulos do nosso paiz se vão introduzindo aquelles melhoramentos que constituem o distinctivo da época,, tratando-se já em Lisboa de uma grande exposição de productos da industria fabril e agricola de toda a península; hoje finalmente, que o espirito de associação liga tão inti- mamente os portugueses, e estes encontram nos ita- lianos outros tantos amigos fieis, e se abraçam; não pôde Portugal deixar de ter na augusta Pessoa cie Sua Alteza o Príncipe Real a mais lisongeira espe- rança de um futuro ainda mais radioso cie felicidade do que o presente, porque a culta humanidade avança
sempre, e nada lhe pôde tolher o seu caminhar ci vilisador. III. Estávamos no Porto, nossa querida patria, quando chegou ali Sua Magestade sarda o Rei Carlos Alberto, avo da nossa actual Rainha. Fomos esperal-o, e foi tao grande o nosso transporte de alegria ao contem- plarmos de perto aquella physionomia respeitável, onde se lia em letras de fogo a palavra—heroicidade, como grande foi o sentimento que nos opprimiu o co- ração ao lembrar-nos que o magnânimo heroe acaba- da de deixar o solio que illuminára com a luz da ma- is esclarecida intelligencia, por ter sido infeliz na giandiosa obra da redempção da sua patria. O desditoso monarcha, depois do seu infortúnio em Novara, carecia de um asylo amigo, onde em plácido socego descançasse das afanosas lides, a que o pensa- mento de libertar a patria o havia arrojado. Alongou os olhos pela Europa toda, e uma intima vontade^do coração o conduziu a Portugal, onde foi recebido com tanto amor e veneração, como se fosse o mais querido filho do paiz. E vimos auctoridades e particulares daquella invi- cta cidade manifestarem, por seus officiosos serviços ao egiegio soberano, a alta estima e consideração em que tinham a sua real pessoa e seus generosos sentimentos. E assim, no seio dos portuguezes, acabou a sua pe- regrinação este illustre Rei, deixando assente na Italia retalhada a pedra angular do grande edifício da unida- de daquella nação, obra que foi gloriosamente conclui-
— 12 — da por seu augusto filho, e entrelaçada com Portugal pela alliança de sua virtuosa neta com El-Rei o Sr. D. Luiz, a quem a Providencia agora déra o presumptivo herdeiro do tlirono, tôo festejado em ambas as nações. IV. Feitas, pois, estas considerações acerca do futuro de Portugal, entraremos na matéria, que nos suggeriu a ideia desta publicação. O fim a que nos vamos propor é a descripção dos festejos, que, por effeito do fausto nascimento de Sua Alteza Real o Sr. D. Carlos Fernando, tiveram logar em Macau, Lembrando-se o Exmo. Governador desta colonia de que no plano que delineou dos festejos devia entrar uma representação no theatro desta cidade, denomi- nado de D. Peclro Vy traçamos ligeiramente de um dia para o outro uma composição dramatica em verso por- tuguez, para em scena preceder essa representação. Desculpe-se-nos a confissão franca, que fazemos ácerca do pouco tempo que gastamos com a alludida composi- ção, pois se assim nos expressamos é porque no fim deste opusculo lhe damos publicidade, e desejamos merecer, sobre ella, a indulgência de nossos leitores. Esta composição allude ao feliz nascimento do augusto Príncipe Real, e foi feita á imitação do Tkiumpho da Virtude, cantata em verso italiano, que teve logar no real theatro de S. Carlos em Lisboa, por occasião do régio consorcio de Sua Magestade El-Rei o Sr. D. Luiz com Sua Magestade a Rainha a Sra. D. Maria Pia de Saboya.
— 13 — Vem a proposito dizer aqui que, quando se tratou da representação theatral, os officiaes europeus desta guarnição com dois cavalheiros paizanos entraram nel- la com o maior jubilo e prazer, e—o que mais é, por- que é um passo que em si. encerra o proprio louvor— quatro distinctas senhoras de Macau, trez das quaes são dignas esposas de cavalheiros europeus, se prom- ptificaram logo e de todo o coração a alistarem-se nesta iIlustre sociedade dramatica, organisada com o fim al- tamente justo de festejar o feliz nascimento do augus- to Desejado de duas regias familias e de dois povos. \
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* SEGUNDA PARTE. 0 * I. Os dias o, 4, o, e 6 do presente janeiro foram os es- colhidos para os festejos. Começaremos a descripção por ordem chronologica. Despontou a aurora do dia 3; e a musica do bata- lhão de Macau, que se achava postada em frente do palacio do governo, rompe uma linda alvorada, e os si- nos começam a repicar em todas as torres. Depois da alvorada, precorre a musica varias ruas da cidade, to- cando hymnos e escolhidas marchas; e, quando reco- lhe ao quartel, já o sol brilhante do oriente começava a dourar com seus raios luminosos os elevados montes da China. X » > Toda a vasta extensão da Praia Grande, sitio princi- pal da cidade, se achava disposta para ser á noite illu- minada, assim como em outros sitios, edifícios públi- cos, e-mesmo alguns particulares. Cerca de cem columnas, formadas de um tecido transparente pintado de variadas cores, se estendiam por ordem em todo o passeio da Praia Grande á borda do mar. Cada uma destas columnas tinha sobre o res- pectivo capitel um balão, também transparente e pin- tado a côres; e todas as columnas estavam ligadas por uma especie de bambolins, vestidos de papel de cór, d onde pendiam outros balões, que da mesma for- ma diaphanos, similhavam um rosário infindo de péro- las gigantes. E a especie de obelisco, que, no fim
0 -16- desta ala de columnas, havia mandado construir o sr. Manuel Antonio da Ponte, ostentava uma elegante apparencia, como se fosrse elevado cedro ao pé de ex- tenso renque de arbustos. No frontisjhcio deste obe- lisco lia-se: Viva a família real—Viva a tugal. Os trez mastros, levantados nos trez fortins da Praia Grande, também produziam um bom efleito por entre as columnas; e no mar estavam, como corresponden- do a estes mastros, trez lorchas embandeiradas, desti- nadas para as salvas—a de guerra Amazona e duas particulares, sendo uma destas ultimas do sr. Bernar- dino de Sentta Fernandes, cônsul de Siam, e a outra do sr. Ponte. Dois palcos chinezes se haviam levantado também, um no largo de S. Francisco, outro no largo do Senado, tornando-se aquelles dois campos em duas-vastas pla- teias. Oito horas da manhã; e o sr. Ajudante ás ordens do Exmo. Governador apparece com o estandarte real 110 acto de.se render a guarda do palacio. As duas guardas apresentam armas, a musica toca o liymno de Sua Magestade EI-Rei o Sr. D. Luiz, e com esta cere- monia militar, o sr. Ajudante faz içar no mastro do fortim de S. Pedro o estandarte, e ao mesmo tempo são içadas nos outros mastros as bandeiras do Brazil e Siam, ficando a tremolar o estandarte real em frente do palacio do governo e no centro das duas bandeiras, e estas em frente das residências dos respectivos srs. cônsules. < - Dez horas; e uma guarda de honra, commandada por um capitão, e com a respectiva musica, segue por ■ e, e vae collocar-se â porta cia Sé cathedral. Depois começam a entrar ne; templo
o corpo consular e todas as demais corporações mili ta- tares, civis e ecclesiasticas. Tendo o Exmo. Governador com o seu estado maior, e as mais auctoridades, tomado os logares do estylo, foi cantado um solemne T a que assistiram também differentes pessoas particulares de ambos os sexos. Terminado o Te Beum, o Exmo. Governador com o seu estado maior parte para o palacio do governo, e seguem-no todas as corporações e a guarda de honra. O povo chinez concorria em multidões, admirando o deslumbrante apparato, que offerecia essa vista que ahi ligeiramente esboçamos. Meio dia; e o forte do Monte e o fortim de S. Pe- dro começam a salva real, a que correspondem as trez lorchas do mar e um escaler do Exmo. Barão do Cer- cal, que ali se achava também disposto para esse fim; a musica toca o lrymno de El-Rei, e repicam os sinos em todas as torres. Nesta occasião começa no palacio o cortejo á Real Effigie. Do lado esquerdo do docel achava-se o Exmo. Governador com o seu estado maior e o conselho do governo; do lado direito, o Leal Senado de Macau com o estandarte municipal. O acto foi solemne, e correu com a ceremonia do costume. Por esta occasião começaram as representações chi- nezas, a que concorreram milhares de espectadores. Estes theatros trabalharam em todos os quatro dias dos festejos, desde o meio dia até ás 6 horas da tarde, e desde as i horas da noite ate ás 4 da madrugada. Ao sol-posto achava-se outra vez formada a guarda principal com a frente para o fortim de S. Pedro, e o Sr. Ajudante ás ordens do Exmo. Governador, prorn- pto para receber nos braços o estandarte real, o qual,
— 18 — ao signal de um tiro da lorcha de guerra, foi arreado, apresentando armas a guarda, e tocando a musica. Em acto simultâneo foram também arreadas as bandeiras do Brazil e de Siam. Veiu a noite, e estabeleceu-se uma resplandecente illuminação na cidade. Alem da da Praia Grande, havia em outros pontos differentes edifícios illumina- dos. As columnas transparentes, assim como os balões, ostentavam um brilho luminoso, por effeito de luzes que tinham interiormente. Os mastros, que se havi- am illuminado, pareciam a certa distancia outros tan- tos lustres gigantes. No mar estavam, como corres- pondendo a estes mastros, as illuminações das lorchas, do escaler que havia salvado ao meio dia e de outro do Sr. cônsul de Siam, cujas luzes, no seio das trevas da noite, pareciam a quem as via de terra um conjun- to de linhas luminosas traçadas no horisonte. O obe- lisco, visto de longe, representava um brilhante mon- tão de pedraria em forma pyramidal; e os edifícios do delicioso sitio da Praia Grande estavam de diffe- rentes modos illuminados. São dignas de especial mensão tanto a illuminação do palacio dos srs. Barões do Cercal, encarregados do consulado do Brazil, como a que o Sr. cônsul de Siam mandou estabelecer junto do mastro erguido em frente de sua reisidencia. So- bresahiam também as que brilhavam mas residências do sr. Dr. Juiz de Direito João Ferreira IPinto e sr. Car- rol, e bem assim na de uns distinctos carvalheiros alle- mães. O povo, que precorria as ruas da cidade, era im- menso, pois alem das muitas famílias macaenses, cal- culavam-se as multidões de chinas de vinte a trinta mil pessoas.
II. * Nesta noite tivemos também o nosso theatro. Esta diversão magnifica é ao mesmo tempo um re- creio que neutralisa os amargores da vida, e uma ver- dadeira escola de moralidade. Ha lições ali para todas as famílias em geral, e para todos os seus membros em particular. Os perniciosos effeitos dos hábitos vicio- sos, e os benéficos resultados dos bons costumes, la ap- parecem por sua vez desmascarados, para que todos aprendam a fugir do perigo dos primeiros, e a procu- rar a utilidade dos segundos. Fallemos do theatro de D. Pedro e do lindo e ap- prazivel espectáculo da noite de 3. O theatro de D. Pedro Vnão tem camarotes. Ha ali um vasto salão, onde se collocam cadeiras, dispostas por ordem para os espectadores, tanto de um, como de outro sexo. Este salão está comtudo rodeado de janellas, que fingem camarotes. A janella, que se acha fronteira ao palco, estava encerrada naquella noite por uma cortina de seda escarlate, que foi corrida ao co- meçar o Elogio, apparecendo o retrato d'El-Ilei o Sr. D. Luiz. Em torno das janellas havia decorações, que, posto que singelas, produziam comtudo um bom effei- to. A porta achava-se uma guarda de honra, e na sala de entrada a commissão directora do theatro pa- ra receber o Exmo. Governador, e alguns cavalheiros selectos para conduzir as senhoras ao salão. Recebido que foi o Exmo. Governador e sua Exma. esposa pela illustre commissão, o Exmo. Barão do Cer- cal (Antonio), como vice-presidente, foi quem condu- ziu Suas Exas. ao logar que lhes é proprio no salão,
tocando a musica por essa occasião o hvmno do Exmo. Governador; e aquella ceremonia foi depois repetida á despedida. Oito horas da noite; e o salão estava litteralmente cheio de damas e cavalheiros. Entre os espectadores, notavam-se muitos estrangeiros de um e de outro sexo, parte dos quaes haviam acabado de chegar de Hongkong para assistir aos festejos. Estavam ali também algu- mas senhoras septuagenárias, que, não sendo dadas á frequência de theatro, haviam sido atrahidas ali pelo debute dessas quatro damas distinctas, que, subindo á scena, abriram um exemplo altamente edificante para as demais senhoras de Macau. Todos trajavam galas. Eram muito variadas as toilettes das senhoras, e de tal arte estavam combinados os seus lindos atavios, que veríeis nellas aquella graça vistosa, que se estuda sempre para os bailes de rigorosa etiqueta. O Exmo. Governador, como dissemos, também já se achava ali; e todos estavam anciosos por verem a representação ; era preciso começar o espectáculo. Subiu o panno, e appareceu uma vista de sala. Na face do fundo estava o retrato de Sua Magestade El-Rei o Sr. D. Luiz I em moldura de ouro, e aos lados do pavimento dois renques de cavalheiros, vestidos uniformente cie casaca preta e voltados para o centro, os quaes cantaram o hvmno de El-Rei com trovas apropriadas ao feliz nascimento do Príncipe Real. Findo este acto, o Exmo. Governador levantou trez vivas, um a Sua Magestade El-Rei, outro a Sua Ma- gestade a Rainha, e o terceiro a toda a fámilia real, sendo todos elles applaudidos em altas vozes e freneti- camente por aquella illustrada e respeitável assembleia de mais de quatrocentas pessoas.
2\ • *'-V. 52F4S . ( g ;.C1 ' v E logo desceu um novo panno, em que avidamente se fixaram todas as vistas. / Este panno havia sido < offerecido ao theatro pelo íExmo. Barão do Cercal ((Antonio), a fim de apparecer pela.primeira vez naquella oecasião. S. Exa., com aquelle sublime gosto de pintura que todos lhe reconhecem, havia traçado habilmente no panno a curiosa vista da Praia Grande, incluindo o que da cidade se pôde descobrir por sobre osbellos edifícios deste lindo sitio, e estendendo o seu primoroso traçado âté tocar o forte de S. Francisco. Este t for te não oiin- cluiu, comtudo, mas, fazendo presidir sempre ao seu trabalho as regras d'arte, fez antes entrar .naquella vista outro forte proximo,* o de Nossa Senhora da Guia, que pela sua situação sobranceira domina toda a cida- de, tendo como ás suas iplantas um moiite toucado da mais interessante verdura d'Azia. O nosso estimável Barão não podia escolher melhor occasião do que esta, de tanto jubilo nacional, para apresentar, pelo delicado meio do seu offerecimento ao theatro, a sua mimosa producção artística. O panno, por tanto, foi muito apreciado pelos es- pectadores, e, passado pouco tempo, subiu, apparccen- do em scena os personagens do Elogio de que já falía- mos, e que no fim desta obra publicamos. Os vestuários apropriados, tanto dos génios, como das outras divindades, tornaram aquella scena muito esplendida. Os trez cavalheiros, que representaram os génios de Portugal e da Italia, e a fama, compene- trados dos seus papeis, recitaram de um modo brilhan- te, pelo que receberam muitas ovações, e não menos applausos tiveram as damas e cavalheiros, que repre- sentaram as demais divindades, tendo as do côro feito um lindo concerto com suas vozes.
/ — 22 — % Mas o que teve um effeito surprendente foi a appa- nçao do berço do Real Menino, entre o clarão de fogos de cores. Esta vista magnifica foi dirigida com multa subtileza e habilidade pelo Exmo. Barão do Cercal (Antonio.) Os espectadores não a esperavam, e por isso foi completa a surpresa. De mais a mais foi uma novidade em Macau, porque ainda aqui não tinha ha- vido nenhuma destas vistas. O clarão assimilhava-se primeiro a uma aurora bo- real ; depois parecia o arrebol matutino de um lindo dia de primavera, e ia acabando pela imitação daquella luz que produz o sol atraz de um monte quando co- meçam a reflectir-se os seus raios luminosos no denso relvado de um campo. Nessa occasião terminou o ultimo coro, e o Exmo. Governador ergueu um viva ao Príncipe Real, que foi seguido de todos com gran- díssimo enthusiasmo, descendo o panno repentinamen- te, e antes ainda de ter acabado a vista luminosa. Depois seguiram-se as trez comedias escolhidas, em que as damas e cavalheiros desempenharam os seus papeis com o maior mimo, energia e naturalidade, pelo que receberam contínuos bravos e palmas da plateia enthusiasmada, Difierentes coroas de fores foram íiÇcidíis ás damas em todas as trez comedias. É mis- ter também não esquecermos a caracterísação, que foi feita com mestria por um excellente cabelleireiro fran- cez, recem-chegado de Hongkong. TIL $ Na primeira comedia, denominada: Por causa ãe um algarismo, ha um qui-pro-quo,que muito agradou. Explical-o-hemos.
Um sapateiro tem uma filha, chamada Rosalina Marmelada, e quer fazer-1 lie o casamento com um sa- christão ; porem a filha declara que não casará senão com um individuo por quem se acha apaixonada, o qual reside na mesma rua, e é numero 9. Este individuo e um soldado que tem este numero na companhia a que pei tence, mas o sapateiro entende que o numero é o da casa onde elle habita. Indaga, pois, este negocio, e resulta-lhe disso saber que na casa numero 9 mora- va um confeiteiro, chamado Collaço. Escreve-lhe logo uma carta, dizendo-lhe que, sabendo que elle se achl- va agradado da sua marmelada, esperava que viesse a sua casa, a fim de se tratar desse negocio. O confei- teiro, que não o conhece, estranha a principio que um sapateiro tivesse negocio de marmelada, mas emfim vae, e quer comprar-lli'a. Ha aqui um curioso dialo- go, até que finalmente o confeiteiro vem no conheci- mento de que não era de marmelada que o sapateiro tra- tava, mas de Rosalina Marmelada; e declara immedi- atamente que deve ter havido engano com elle, por isso que e casado e pae de filhos. Isto faz encolerisar o sapateiro, porque continua a persuadir-se de que o con- feiteiro lhe namora a filha. Mais tarde chega o sa- christão, depois apparece a mulher do sapateiro, e de- pois o soldado, e ha ainda ali um reboliço ; mas entra logo a filha, succede a discussão, e a final todos ficam ao facto da verdade. O titulo da segunda comedia é ha poucos. ao oiigem a este titulo as boas acções de um criado como vamos explicar. ' ' Um velho criado, que, desde criança, servia uma ca- sa com zelo e dedicação, e havia acalentado a infancia de seu actual amo, e a de um primo deste, que já se achava oíficial de cavallaria, soffria profunda magoa
pela mudança, que se ia operando naquella casa com o casamento de seu amo. A noiva, que era uma da- ma do bom tom, exigia que se estabelecessem novos cos- tumes, e fez entrar novos criados para o serviço-da casa. Não gostava do velho, e pretendia mesmo que o marido o despedisse, ao queelle não podia annuir pela affeição .que consagrava ao antigo criado. Este, em meio de seus desgostos e aftlicções, recebe uma visita de uma sua afilhada, que lhe pedia um dote para casar, e
I 4 mas de repente apparece o primo a agradecer ao dono da casa a salvação da vida, por lhe ter satisfeito a sua divida. Ha então uma perplexidade em todos, mas descobre-se logo que fôra o bom velho quem praticara aquella generosa acção. Abraçam-se todos, e a ama já estima o criado que continua a íicar naquella casa. Agora daremos uma rapida ideia da terceira come- dia, que se intitula Os Zuavos,e pela qual terminou o espectáculo. Um homem, que occupava uma boa posição na so- ciedade, tendo visto dançar e cantar uma companhia de zuavos, enthusiasmou-se de tal sorte com o canto e a dança, que o levou a loucura a querer introduzir um dos zuavos na sua família, casando-o com sua fi- lha; e, para tratar este negocio, convida os zuavos pa- ra um jantar. A tilha, porém, já tinha promettido o seu coração a outro individuo; e, de combinação coto a criada que tinha sido encarregada de fazer a remes- sa da carta de convite, envia esta carta, não aos zua- vos, mas ao seu amante, acompanhada de uma outra em que lhe dá conhecimento do acontecido. Este in- dividuo, com dois seus amigos e o criado, vestem-sé de zuavos e apparecem em casa do velho, que os recebe com transportes de alegria. Os fingidos zuavos cantam e dançam, e o velho dá-lhes palmas e bravos,, e toda a sorte de applauso que lhe lembra naquella occasião. Mais tarde, porém, o acaso depara-lhe uma carta, por onde conhece que não são aquelles os verdadeiros zu- avos. Dá-lhes uma descompostura, e quer pôl-os fóra de casa, onde espera que hão de vir os seus heroes. En- tão o amante de sua. filha faz-Lhe ver que os verdadei- ros zuavos já se não acham naquella terra, e aproveita a occasião para pedir-lhe a mão de sua filha. O ve- lho, enlevado ainda pelas vestes de zuavo que o via
trajar, propõe-lhe algumas condições a que elle aece- de, e dá-lhe a final o seu consentimento. • • . | v J . TV. Esboçadas ligeiramente estas trez comedias, em qualquer das quaes ha maximas conceituosas para apro- veitar, remontaremos ao intervallo da segunda para a terceira comedia, em que diversos cavalheiros, ves- tidos de casaca preta, como acontecera 110 principio do espectáculo, cantaram o hymno, que nós havíamos offerecido ao Exmo. Governador desta colonia. em no- / me dos oíliciaes da guarnição de Macau. Os nossos leitores encontrarão a letra deste hymno em segui- mento ao Elogio, que constitue a terceira parte desta obra. As coplas foram muito bem cantadas, e nas vozes do coro havia concerto e harmonia, de modo que o liymno produziu um bom effeito. No fim, e antes de descer o panno, o Exmo. Barão do Cercal levantou trez vivas ao Exmo. Governador, que foram calorosamente applaudidos por aquella ma- gna assembleia; e o illustre Governador, agradecendo, ergueu também um viva aos bons habitantes de Ma- cau. Proposto pelo sr. Ribeiro, ainda se seguiu outro viva ao Exmo. Governador, na qualiidade de protector do theatro. Também quasi no fim da ultimia comedia, o Sr. Gregorio José Ribeiro, que fazia umi papel de zuavo, acrescentou á comedia um episodio,, e o desempenhou com tanto chiste e facécia, que recelbeu por isso nume- rosos applausos. Daremos a explicação deste episotdio. % I
— 27 — Alguns dias antes, havia representado neste thea- tro uma companhia anglo-italiana, vinda de Hong- kong; e uma dama ingleza da mesma companhia apre- sentára-se por essa occasião em scena, vestida de um modo caricato, e cantava, fazendo mesuras , tregeitos e visagens, e trazia na cabeça, não uma gri- nalda de rosas, mas um pente original em forma elli- ptica, que, pelas suas dimensões, similhava um escudo bellico da edade media. E o Sr. Ribeiro, que a viu e analisou, soube perfeitamente apanhar-lhe as formas, os modos, os gestos, a voz, a musica e finalmente toda aquella caricatura, e com tão notável similhança a re- produziu em scena, que mais parecia ver-se ali a pró- pria dama ingleza do que o cavalheiro que com tanta habilidade a estava imitando. No fim do espectáculo, aquella distincta plateia, que ali concorrêra por meio de convites, chamou á scena o digno auctor da pintura do panno, e o festejou com bravos e palmas como merecia, tendo nós também a honra de sermos egualmente chamados. I % % 4 A* 1 f % • • A ' % V # . V. ' * . I As differentes ceremonias, que tiveram logar no dia 3 ao romper da alvorada, e ao içar-se e arrear-se o es- tandarte real; as multidões de povo, as salvas, e final- mente as illuminações, repetiram-se, sempre com êxi- to íeliz, nos dias 4, o e 6, havendo alem disso outras variadas diversões. No dia 4 houve um abundante e magnifico jantar, dado pelo Exmo. Governador a cincoenta pessoas no palacio do governo., O palacio estava conveniente-
I \ "' (Iccoí ^d.Qj c bww musica, que tocou varias pe- ças e hymnos. Entre os convivas nacionaes, notavam-se alguns es- trangeiros distinetos, como que representando ali suas nações. Fizeram-s.e differentes brindes, que foram muito applgudidos, e o modo por que o jantar correu foi o mais esplendido e agradavel. No dja 5 tivemos um baile no palacio dos Srs. Ba- rões do Cercal, No portão e na escadaria havia ornatos de aprecia* vel gosto, e no primeiro patamar estava um grande espelho de moldura de ouro, que occupava quasi toda a parede fronteira á entrada prmcipal, e tudo estava alcatifado, sQbresahjndq os adornos de s jda por entre a fresca verdura dos jarrõ.es, As duas salas, destinadas para a dança, tinham uma rica alcatifa, que, pelos seus ramos vistosos, captava as attenções curiosas e prescrutadoras. Os lustres, re- pletos de luzes ; os grandes espelhos que produziam a multiplicidade das salas ; as finas jarras de flores odo- ríferas, e os ricos cortinados das portas e janellas, da- vam um realce magnifico áquella galeria esplendida, pois que todas as decorações que continha eram de grande sumptuosidade e preço. Na sala, destinada para a ceia, achava-se estabeleci- da uma grande mesa com rigorosa etiqueta. Por entre differentes peças de ricas baixelas, se. ostentavam mi- mosos ramalhetes de variegadas flores, cujos, suaves perfumes embalsamavam toda aquella atmosphera, em quanto que a vista se encantava ao expandir-se por sobre aquelle interessante conjunto de variedades de- leitpsas. .Differentes cavalheiros escolhidos,aguardavam as da- mas convidadas, para as conduzir ao logar das toilettes„ 0
/ — 29 — Eram 9 horas e meia, quando começou esta delica- da ceremonia. Pouco depois appareCeram quatro luzes azues no fortim ou reducto fronteiro ao palaeio, signal que se havia determinado para indicar a chegada do Exmo. Governador. Com effeito, chegou logo S. Exa. e sua respeitável esposa, que foram recebidos pelos nobres Barões ; e a musica, que se achava na varanda que ro- deia o topo da escadaria, rompeu nèsta occasião o hymno daquella illustre auctoridade. Dez horas; e cento e cincoenta convivas de ambos os sexos se achavam já nas salas do palaeio, todos ves- tidos de galas. Os Exmos. Barões, com aquella delicadeza e affabili- dade, próprias de seu caracter digno e jovial, não se cançavam em prodigalisar a todas as pessoas, que fre- quentavam as suas salas, todas as finezas e obséquios que lhes podessem ser agradaveis. As Exmas. Baronezas, éguaes na amabilidade e de- licadeza ; eguaes na pratica da culta sociabilidade e dos • m ' % J \ . modos polidos da convivência palaciana, abrilhanta- vam com as suas apreciáveis qualidades aquella reuni- ão magnifica. Uma de suas Exas. vestida de velludo preto e orna- mentada de enfeites brancos, juntava aos seus adema- nes de jubilo e dignidade um olhar magestoso e um sor- riso fino e prazenteiro, em quanto que a outra distin- cta dama, vestida de claro, e ornada de ricos atavios, t * W deixava deslisar em seus lábios um sorriso de graça permanente. E todavia ambas Conversavam com di- versas pessoas com o espirito que sempre as acompa- nha e com o seu agrado proverbial. Todas as demais senhoras estavam vestidas com graça e elegância, e ostentavam preciosos enfeites. O ê
gosto brilhante das decorações entrdaçava-se ao a-osto resplandecente das toilettes das damts. Era um Eden de brilho e de fragrincias, era uma es- tancia celeste de huris, que ali viairos atravez de um prisma seductor. Quando a vista se alongava por sobre aquelle re- fulgente conjunto do senhoras, topáramos com um ou outro anjo, que somente com langiido e terno olhar nos dava vida e crença, e nos provam a existência do ceu. * * f i Estávamos nesta deleitosa contemplação, quando se serviu um esplendido chá, e notamos que naquelle mo- mento pouco excedia ás dez horas di noite. Depois do chá, rompeu o baile porurna quadrilha de distincção, seguindo-se as walsas, as plkas, os lameiros etc.- ' i O prazer e o contentamento nunci foram interrom- pidos. Quer na dança, quer nos iitervallos, houve sempre a mesma satisfação naquellaboa.sociedade, on- de, entre as damas e cavalheiros nacbnaes, se notavam senhoras inglezas e americanas, e cavalheiros também de varias nações. : íi a nossa contemplação continuaTa. A. o acaso fixamos a vista em um< virgem. Acha- mos-lhe tantos encantos! Oh! quen nos déra adevi- nhar os segredos que guarda no sacririo de seu cora- ção ! O seu talhe esbelto fazia realçar as suas louçanias, sendo com tudo uma modestíssima donzella. Vimos-lhe volver os olhos, cheios de magnete e de expressão. Notamos que alguém mais a sabia com- prehender e a contemplava também ; ouvimos mesmo a . do gracioso nacar, que sobre o sympathico tri- gueiro das faces lhe desenhava o pudor, e pareceu-nos
/ — 31 — então que a sua alma innocente se reflectia em seu sor- riso de pureza virginal. Mas de repente tudo se prepara para uma walsa ; a musica rompe, e começa o redemoinhar de numerosos pares nas duas salas, que distrahiu a nossa attenção. Ávida a mocidade de emoções generosas, vivia ali a vida desejada, porque a vida se deslisava então, como se deslisam aquelles sonhos de delicias, que ás vezes a ventura nos embala no prazer. Era um ceu encantado, parecia o templo das graças aquella mansão de gosos. «* i • * i 4 - No baile o joven—de illusão formosa O prazer gosa no passar velos De muitos pares, turbilhão de encanto, Que, enleio santo, nos enleva a nós. Se viu a virgem elegante e bella, Meiga donzella 110 walsar gentil, Oh ! como sente logo arfar o seio No devaneio d'um amor febril ! E se desperta da illusão querida, Da qual a vida se reveste ali, Impressões bellas desse lindo sonho, Prazer risonho ainda sente em si. E claquellas sensações, cheias de doçura, que são o verdadeiro encanto da juventude, partilhavam tam- bém as donzellas, porque é 11'um baile que se fazem amadas; é ali que o homem as admira, e depois as adora. . E nós continuávamos a apreciar toda essa vida, que se dá de um par para outro par. Aqui se contemplava o espirito na conversação galan- te de uma dama; ali se via a graça com que uma gri- nalda branca e verde assentava sobre um lindo cabello ebanisado ; acolá se deslisava n'uns lábios virgineos um sorriso angélico, e mais alem se viam em outra # #
dama uns olhos expressivos e rasgados, que fascina- vam . E assim me foram passando aquellas horas gostosas, até que finalmente chegou a occasião da ceia. Eiam duas horas da madrugada, quando as damas, conduzidas pelos cavalheiros, se sentaram á mesa es- plendida de que os nossos leitores já têem conheci- mento. A variedade de viandas e iguarias era infinita, che- gando a apparecer os mais exquisitos manjares. As bebidas também eram muito variadas, e tudo foi apre- sentado com uma profusão extraordinária. Os cavalheiros, que haviam conduzido as damas, sentaram-se também á mesa, servindo-as em tudo quanto lhes podiam ser agradaveis. O Exmo. Barao do Cercal propoz um brinde a Sua Alteza o Príncipe Real, e o Exmo Governador propoz outro ao mesmo Real Menino, sendo ambos os brindes calorosamente applaudidos. Mais taide levantaram-se os distinctos commensaes, isto é, as damas e os cavalheiros que ali as haviam • conduzido, e os seus logares foram occupados pelo res- to dos cavalheiros. Então o Exmo. Barão do Cercal propoz outro brin- de ao Exmo. Governador, e esta illustre auctoridade propoz outro aos nobres Barões do Cercal, e a toda a sua nobilíssima família, brindes estes que egualmente foram muito applaudidos. Depois da ceia ainda se dançou, acabando o baile ás cinco horas da manhã, hora a que todos se retiraram, possuídos daquellas impressões saudosas, que succedem sempre no coração ao goso de uma sociedade tão luzida, como a que ahi succintamento referimos, con- victos, comtudo, de que, por muito mais que disséssemos
— 33 — deste baile,, a nossa débil penna finaria sempre muito áqueiB do cjuc devia dizer-se. 4 * VI. V No dia 6 houve de tarde difierentcs jogos públicos, e á noite um lindo e variado fogo preso. 0 sr. Bernardino de Senna Fernandes, cidadao utu e prestavel, que toma a peito o interesse da sua terra, e que tantos serviços de vulto tem feito já a Macau, foi quem assumiu a direcção dos jogos e do fogo, e con- seguiu com seus esforços que estes divertimentos, tives- sem o mais feliz resultado. Eram B horas da tarde, e no largo de S. F ranciáco estavam milhares de chinas. Entre elles ergui a-se um alto mastro, que tinha no topo uma bolsa com quinze patacas, para aquelle que podesse subir o mastro ate ao seu alcance. Muitos chinas se abraçaram ao mas- tro, diligenciando por marinhar, mas eram infroctuosos os seus esforços, porque o mastro se achava untado de cebo. Quando lhes escorregavam as mãos, havia uma surriada immensa daquelle grande numero de espe- ctadores. Ao mesmo tempo tinham logar os exercícios gymnas- ticos e as corridas de sacco, havendo musica e fogo do ai. Os exercícios gymnasticos 'constavam de dois chi- nas sobre um palanque, voltados um para o outro, e fazendo força para o centro sobre duas maças, cujas quatro extremidades lhes tocavam os quatro hombros. 0 que cedia á força era apupado, e o que triumphava, era premiado. _ As corridas de sacco também produziam hilaridade nos espectadores. Um bando de chinas mettidos ertt.
grandes e fortíssimos saccos atados na bocca. corriam de pé ao mesmo tempo, e o que primeiro chegava a certa balisa recebia um premio. O Exmo. Governador, e outras auctoridades presen- ciavam este espectáculo, que era muito bem dirio ido pelo sr. Senna Fernandes. ° Também ali concorriam diferentes particulares na- cionais e estrangeiros, e as janellas dos edifícios daquel- le sitio estavam cheias de senhoras e cavalheiros.* Na mesma occasião também se trabalhava para fazer subir alguns balões aerostaticos, mas só em um delles se realisou a ascensão, havendo muito fogo do ar. O ba- lão, descrevendo um rápido semi-circulo na atmosphe- ra, foi logo cahir ao mar. ^ eiu a noite, e uma salva de bombas annunciou o começo do fogo preso. As primeiras peças que appa- íecerara foram as do fogo cliinez. 01fereceu-se repentinamente á vista uma especie de lustre, formado, por lanternas da china illuminadas, e tendo dos lados duas coroas com dísticos allusivos 'ao fausto acontecimento que se festejava, as quaes se ostentaram primeiramente de côr azul celeste, e depois escarlate. A esta vista succedeu uma vista de sol que foi de um lindo efeito, seguindo-se-lhe depois ou- tra vista que representava um eclipse parcial da lua, a qual, pouco a pouco foi mostrando todo o seu pallido clarao, occasião em que desapparece de repente sendo substituída por outro lustre luminoso, que tinha dos / • superai vf°8t0 de eStar p0r essa 0CC!,siâo casa do sr. Ogêa, com- li ?ei l de Hespanha nestas paragens. ,T:::ham"Se reunido ali algumas das famílias principaes de Macau nacionaes e e^tiangeiras. e a conversação correu muito animada. ' A noite e depois do fogo, serviu-se um esplendido chá denois do nml no«
I — 35 — I • » lados dois açafates de flores, formados de fogos azues, os quaes se tornaram depois escarlates. A esta vista succedeu outra, que representava uma pirâmide com dísticos chinezes, alludindo á occasião, e por ultimo desappareceu esta pirâmide, e appareceu uma torre luminosa, tendo a musica tocado nos intei- vallos, e tendo havido muitos foguetes. Terminado que foi o fogo chinez, começou o nosso fogo preso, que, constando de dez peças, apresentou varias côres, e produziu um magnifico efíeito, continu- ando a haver musica e togo do ar. O sr. padre Victorino de Almeida, que de curiosi- dade foi o auctor das dez peças do nosso fogo de artifi- cio, trabalhou com tanta assiduidade e dedicação na sua obra, que ao concluil-a adoeceu, não podendo assim assistir ao surprendente efíeito que ella produziu. O tempo correu sempre bello ; e, havendo, em todo.-- os quatro dias de festejos, grandes multidões de po\o pelas ruas, não houve uma só desordem a lamentar. Resta-nos agora dar os nossos parabéns em geral ao Exmo. Governador e aos leaes habitantes desta cidade, por terem festejado o feliz nascimento do nosso Prín- cipe Real de um modo o mais admirável em Macau, em cujos annaes não consta ter havido em tempo algum tão luzidas e esplendidas festas. Cumpre-nos ainda em especial felicitar a distincta sociedade dramatica, a illustre coinmissão directora do theatro e o leal senado transacto, o qual muito concor- reu para a realisação dos festejos, organisando com mis- sões de homens dedicados para abrirem subsciipções entre nacionaes e chinas, cujo resultado, excedendo a 700 patacas, foi applicado para a illuminação da Praia Grande, para os theatros chinezes e outras diversões publicas. »
36 Fiquem, pois, registadas estas demonstrações de regosijo por tão fausto acontecimento, e signifiquem e á Posteridade o acrisolado amor, que Macau a ca seus Soberanos. ' \ n
I TERCEIRA PARTE. COMPOSIÇÃO DRAMÁTICA EM VERSO PORTUGUEZ / (Imitação do Italiano) PERSONAGENS Génio de Portugal, génio da Italia e Fama PELOS Ulmos. Srs. tenente F. A. Ferreira da Silva, alferes A. B. Tassara. e Alferes A. J. F. Garcia. Génio das sciencias, artes, virtudes, etc. PELAS w Ermas. Sras. D. Carolina Ribeiro e D. Maria Sanches dei Aguila, pelos Ulmos.St s. tenente Elias da e aspirante de marinha Frederico Correia de Lima. Coro e PELAS Fxmas. Sras. I). Guilhermina de Asse I). Marques Pereira, e pelos Illmos. Srs. capitão-tenente G. J. Ribeiro,' e alferes J, M.Q. de Sá Camelo.
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SCENA I. Floresta na quinta da Penha-verde em Cintra. O génio de Portugal, rodeado dos génios e o coro. Coro Porte, temido e opulento Foste outr'ora, Portugal, Quando ardia no teu peito Um valor sem ter egual. Mas parece que ora a sorte Desse passado feliz Te ostenta a face ridente No reinado de Luiz. De Saboya a flor mimosa Era nova te marcou, Quando ao cedro de Bragança, lia pouco, se entrelaçou. « * Génio de Portugal Quão grato se me torna, ó divindades, Recordar o passado glorioso ! As Ínclitas acções me insoberbecem Dos estrénuos lieroes, nossos maiores. Mas inveja não tenho desses tempos, Antes, como dizeis, espVar devemos Um futuro feliz, qual o passado; Pois Luiz e Maria, cimentando Em nosso solo f'licidade grande, Receberão do ceu, para firmal-a, Um novo principe, um seguro abono. SCENA II. fama e os mesmos. V Fama % Génios de Portugal, vós, que estreitastes Os laços d'amisade e sympathia
Co'a nobre e bella Italia, cujos feitos Em todo o mundo tenho apregoado, D envolta com os vossos, e as virtudes Que a vós, povos irmãos, tanto ornamentam •Venho daivvos a nova de que o throno .De Portugal já tem príncipe herdeiro. Génio de Portugal que dizes tu, fama! ✓ Fama Escuta-me, ouve. A neta desse Rei, que á liberdade Os alicerces operou na Italia; A preclara Princeza, que, por laços D um sagrado hymeneu, se uniu ha pouco Ao neto d'outro Rei, que aos portuguezes A liberdade deu tão desejada : Acaba de oíFrecer á luz do dia Um príncipe robusto e mui galante. Génio de Portugal Oh ! que immensa alegria se apodera De todo o portuguez e italiano ! Fama ' Eu já corro, já voo á nobre Italia, Para dar-lhe esta nova de alegria. [JS sae) Génio de Portugal E um novo penhor da liberdade,. Cujo brilho entre nós tanto irradia. Coro Nossas harpas afinemos, E d'amor e de prazer
•—41 — Cantos ao príncipe ergamos, Vamos-lhe preitos render. Sejam por longas edades Os seus dias celebrados ; 7 Corram felizes por flóreas Devezas e por vallados. No peito dos portuguezes Haja paz, tranquillidade, Donvolta com doce esp'rança De maior prosperidade. Génio de Portugal Partamos, que ó dever dos portuguezes Ao rei significar o regosijo, Que cresce cm nossos peitos, pelo fausto Nascimento de seu augusto filho. (Saliem, menos o coro) SCENA III. O génio da Italia e o caro. O Génio de Italia Eis-me outra vez na terra tilo famosa, Onde bellicos peitos se criaram, Cujas ínclitas obras e virtudes Em grandes maravilhas se tornaram. Eis-me outra vez na terra, celebrada Em poema immortal, lyra divina, Que das artes, sciencias e talentos Engenhosos e grandes é ornada. Eu te saúdo, ó terra, que es a cinza Sagrada de guerreiros tão invictos : O teu risonho solo ser parece D um sorriso do Eterno bafejado. J w Oh ! como aos eccos do valor antigo Tu, magnânimo, e grande, hoje respondes t ✓ /
Com alto pensamento, que engrandece Tuas nobres acções em paz tranquilla ! De D. Luiz o descendente augusto No porvir te garante essa ventura, Que leda te sorriu ao alliar-se A casa de Bragança á de Saboya. Podes erguer a fronte altiva e nobre, E bem subido pôr o pensamento : Affiança-t'o a Italia, boa amiga Por laço indissolúvel e sagrado. SCENA IV. A fama e os mesmos. / Fama Oh ! quem vejo ! ? Is Génio de Italia É o génio da Italia » Fama Pr a que breve do Pó buscas o Tejo ? ! Génio de Italia Quero felicitar os portuguezes, Felicitando-me também com summa Alegria e prazer p'lo nascimento Faustissimo do filho de Maria, Pois desta nossa augusta, alta Prineeza, E de seu claro esposo tão amado. Virtudes divinaes, dotes excelsos Hão de no Principe brilhar de certo, Porque d'essas virtudes, desses dote* Será elle sem duvida o complexo.
\ 43 Fama Grande génio, eu te applaudo o pensamento, E todo o orgulho meu, minha vaidade Consiste em proclamal-o alegremente. Eu vou communicar por toda a parte A tua vinda aqui tão estimada. (E sae) Coro Bem vindo sejas, ó génio, Ao seio de Portugal, Que a amisade dos dois povos Amisade é fraternal. Esses laços tão estreitos Entre Saboya e Bragança, Mais os aperta hoje o frueto Dessa sagrada alliança. ' . SCENA V. O génio de Portugal, rodeado dos génios, a fama e os mesmos. Génio de Portugal Salve ! génio da Italia., que a esta terra Correste pressuroso e açodado ! (Dirige-se ao génio da Italia, e abraça-o) Génio de Italia Nós, que somos nascidos d'um só tronco, Que colheu verdes palmas das victorias, E que em nossos dois solos respiramos Harmonia, ventura e liberdade ; Congratular nos cumpre, pelo facto De vermos os dois thronos tão ligados. Apenas soube a alegre e fausta nora De que Maria á luz principe déra, «
As lusas praias vim manifertar-vos Que é grande o regosijo em toda a Ttalia. % Fama E notae que na França tudo exulta P?lo successo feliz na lusa terra. E o inundo, que conhece os altos dotes Dos sob'ranos que têm os portuguczes, Invejoso contempla hoje a alegria, Que em seus peitos se uniu á lealdade. Jamais o ceu formou tão bellas almas Para terem no mundo um só destino : Luiz no peito tem a heroicidade, Maria tem dos anjos o sorriso. Génio de líalia Ó Enlace feliz, cu te saúdo ! Ao lumiar da vida, par ditoso, Já vedes germinar amor, esperança Em torno d'ambos, como bom prenuncio De maiores venturas no futuro. Sabeis amar dois povos que vos amam, Doce sorte vos deve estar guardada. Génio de Portugal Bemdito seja o ceu, que ha enviado A Princeza da Italia ao luso throno í 0 Fama Maria já é mãe, mas, antes inda de ser esposa mesmo, já sabia, Como mãe, acudir aos infelizes; E que o diga Turin, que tantas vezes Bem a viu esmolar triste indigência, Enfermos soccorrer e encarcerados. E Luiz, que, entre os rasgos de clemência, Protecção deu ás artes e sciencias,
Começou seu reinar amspúe>ioso P la sorte melhomr do luso povo. V Coro Ao ceu ergamos os cantos, Que o eeu protege a nação ; Louvemos a Providencia, Que a Luiz deu successão. Sagremos também lias harpas Outro canto festival s As duas reaes famílias Lá da Italia e Portugal. Génio de Portugal Patria minha, que mais te falta agora P ra completar a esperança de ventura ! Nos teus ceus fixa a vista bem attenta, Que é propicia a estrella que te guia. O Génio de Italia E sobre ti, ó minha bella Italia, Já o ceu raios d'ira não despede, Mas com immensò amor vem cotnpensar-te L1amargas agonias que sofíreste. Coro Viva a Italia libertada ! Viva o livre Portugal ! E do filho de Maria Festegem dia natal. Las virtudes dos dois reinos Será o Príncipe herdeiro, E o porvir do luso throno O mais bello e lisongeiro. Fama Pelas minhas cem boccas aos vindouros Proclamarei o amor vosso e virtudes
Tão excellcntes, que vos tornam dignos Dos príncipes também de vós tão dignos. E agora acompanhae-me nos meus voos A presença do filho bem nascido Dos sob'ranos, que amaes, tão veneráveis. m Génio de Italia Partamos já, que os preitos e homenagens Eu lhe quero render eternamente. Génio de Portugal Partamos todos, que o prazer immenso Da Italia e Portugal invejas cria Té nos povos mais ricos de ventura. patino do fundo, e apparece o áureo berço do príncipe recem-nascido com um pomposo, e refulgente apparato. Coro geral s A nossa vista se oíTrece, Com doçura, amor e riso, O retrato venerando Do celeste paraíso. * E o augusto, o tem;o filho De Luiz e de Maria, Que, qual astro em ceus da patria,. Nosso futuro alumia. Viva a santa liberdade! Viva o Príncipe Real! Vivam seus paes tão amados! Viva a Italia e Portugal ! i
í% D0 EXMO. GOVERNADOR COELHO DO AMARAL. Amaral, salve !—que o povo Macaense te bemdiz; Teu governo, inda tão novo, Um governo é jã feliz. Coro Mercias um liymno Mais bello e mais dino, j Um canto divino, Preclaro Amaral ; Mas, se este os primores Dos bons trovadores Não tem, são louvores D'um peito leal. Governando outras paragens, Melhoraste esse paiz, E aos teus pés hordas selvagens Vergaram negra serviz. Mer'eias, etc. ê Tu tens a luz da sciencia, s ^ / O nobre Governador ; Nem te mingua a expYiencia, Honra, talento e valor. Mer'cias, etc. Dás um realce excellente, Magnânimo Amaral, A Macau, pedra fulgente Da c'rôa de Portugal. O » Mer'cias, etc. Tens a mente esclarecida, Profundo é teu meditar Em tudo, que engrandecida Possa esta terra tornar. Mer'cias, etc. #
— 48 — Bistincto, illustre Engenheiro, Pensas, e ,tudo vais ver; / * . • • >. . i Nas obras és o primeiro. Como o és em discorrer. Meccias, etc. á V ' r Audaz, lia pouco, entre cliammas, Bem te soubeste exaltar « • . » > Com os grandes serviços, que amas, E que attesta esse bazar. Mer'cias, etc. Amaral, salve !—que o povo Macaense te bemdiz; • • • • 7 Teu governo, inda tão novo, Um governo é já feliz. Merecias, etc. liecebe, nestes modestos, Pobres carmes fjestivaes, » • V • f • » 9 ' J Parabéns, gratos protestos Bos fieis oíficiaes. ' * • • r ■■» , »i . • % ™ Coro f tí * Mer'cias um hymno Mais bello e mais dino, ■ ' •* 7 Um canto divino, Preclaro Amaral ; Mas, se este os primores Bos bous trovadores Não tem, são louvores _ / * . i B'um peito leal. Fim.