/ REVISTA SEMANAL. VOL. I. HONGKONG, SEGUNDA-FEIRA, 13 de AGOSB ADVERTÊNCIA. ■ J0*P5°SuhscrfVe-se ■'r este ppiiixlico—em Hongkong,to Escrirjtorio da Redacçfto—em Macao, em Paza! do Sr. ANTONIO Pegado—em Cantào, ry re¬ sidência do Sr. SigÍsmundo Ranged. * .^«r* I’RF.eos :—gl por mez, paga adiantada. Folhas avulsas, para o^assignantes,.12 avos. „ para os niio assignantes..25 „ N.B.—A inserção de Correspondências, Avizos, e Corjimunicados, Sra., será adinittidrt gratuitamente. • O doesto, a injuria, e a vida privada, serão inteiramente excluídos das nossas coluuuias. MANOEL M. D. PEGADO, t- Editor. 0 FORTUGUEZ NA CHINA. HONGKONG, SEGUNDA-FEIRA, 13 df. AGOSTO, de 1860. ERRATAS. No. 1.—Pag. 1,—Col. la.,—Lin! 2a.,—se nos liáo feitos tolerar; leia-se, nos hão feito tolerar. *• No. 1,—Pag. 3,—Col. la.,—Lin. 11,—colnmnas atrozes ; leia-se, calura- nias atrozes. As questoés políticas que agitam a Europa niio se resol- veni rninplotsmento, .ce r\s questoPs po1 •<■ ' que aditam fóra delia, seguem o mesmo trilho- Em 1841, a Inglaterra desejando agigantar e esten¬ der o seo commercio n’esta parte do Mundo, instituio um pretexto, e a China foi a victima. O tratado de Nanking foi o prémio d’aquelle trabalho. Mas a China teve de ceder—cedeo, porque náo podia resistir. A Inglaterra ficou de melnor partido: e a Ilha de Hong¬ kong ficou sendo uma possessão da Grãa Bretanha. A China ficou de peior partido: e as despesas da guerra que houve, despejaram o Cofre do Império, e, para cumulo de desgraça, o Opio foi introdusido, apesar dos repetidos esforços que empregara então o Governo Cninez, para cessar a importação d’este veneno lento, e consumidor, que hoje constitue uma indispensável neces¬ sidade para os millings d este povo fraco e crédulo. Era a sina que condemnava a China á um captiveiro per¬ manente e eterno, e á uma ruina incalculável! Tudo no mundo tem de curvar a fronte ante o destino implacável da sorte! Pobre Nação! Quatorze annos depois, quando o commercio estran¬ geiro já principiava a prosperar, e desenvolver os immen- sos recursos da industria desta Nação, apesar da intro- ducção do Opio, novas exigências da Grãa Bretanha necessitavam outro pretexto para um rompimento, lis¬ te pretexto effeituou-se em 1855. A Lorcha Arrote servio-se opportunamente de “casus bellis.” A China, perseguida então pela Rebellião de muitos dos seos proprios súbditos, vio-se n’uma posição diificil e ameaça- d ora. Uma esquadra Ingleza demoliu nesse tempo as fortalezas de Bocca Tigre, A cidade de Cantão foi bombardeada, redusida ã uvo montão de ruinas, e tomada não considerava tudo isso uma guerra declarada—a Ingla¬ terra contentava somente em desculpar-se que tudo aquillo era só “ uma demonstração que o caso exigia!” O commercio em Cantão cessou-se em consequên¬ cia, e a indemnisaçaO das perdas que resultaram do bombardeamento, e a luga dos Negociantes alli residen¬ tes, ainda hoje pesa, e arruinará o Thesouro do Império Chinez. Dois annos depois do accontecimento que relatamos, a nova scena desta drama singular, mudou-se para o Norte da China. Os fortes de Takú foram demolidosj e um novo tratado foi conseguido “á viva força!” Tudo isso era ainda “ uma demonstração que o caso exigia.” Já a esse tempo a China teve de acceitar as exigên¬ cias de quatro Naçoès cm lugar de uma. A Inglaterra e a Franca, alliadas, adoptaram a “ força.” A Russia e a America confiaram na diplomack. Está hoje patente qual delias tiraram melhor proveito. E a Rebellião continuava a passos gigantescos. Que poderia a China fazer senão ceder a todas essas exigências, como antes cedera em circumstancias idênticas ? Lzíiiaiitv oo uUlmoB mezes, a attònção da Europa voltára de novo ã China. O tratado conseguido “á viva força,” em 1858, tinha de ser ratificada segundo a etiqueta da diplomacia predo¬ minante. E quando os Alliados, satisfeitos e confiados dos seus últimos sucessos, exigiram esta ratificação em tempo devido, a China uzou, também de sua vez, de pretextos que foram considerados meros subterfúgios A maldita “ força ” tinha de ser outra vez empregada. Mas a China, durante o intervalo que houve, não esteve ador¬ mecida. Os Alliados soffreram o efleito do seu arrebata¬ mento e presumpção. A derrota de Takú ficará preserve na memória de todos, até que a posteridade a encobrir com o véo impenetrável do esquecimento. O estratage¬ ma venceo desta vez a força e a disciplina. O que a China fizera, em propria defesa, é consicje- rado uma perfídia! e a política dos Alliados naõ passará de uma desmonstração (pie o caso exigia ! Que constras- te ! que bella theoria ! No momento em que escrevemos, ê provável que as armas, as baUs. e a polvora, esta ri aõ decidindo no combate, a jusfipP, oú a ‘injustiça, desta terceira guerra contra a China. As circumstancias naO se mudaram: Um exercito Europeo disciplinado, e bem provido de tudo, estaria talvez accommettendo outro exercito in¬ disciplinado, e quiçá desprovido do necessário. Se a Inglaterra, pondo de parte as causas primitivas, procura desta forma proteger o seo commercio, e recu¬ perar o seo prestigio ha China, a França não tem com¬ mercio algum, e portanto não tem nenhuma rasâo para seguir o passo que deo a Inglaterra. A única desculpa quasi sem nenhuma resistência. E comtudo, a Inglaterra que a França poderia dar, deve ser o desejo de estreitar
6 0 PORTUGUEZ NA Ui — 03 vínculos da 'Grande Alliança,” desta alliança que hoje é quasi geralmente questionada. Nao attrevemos pois a profundar o mysterio que a involve. E antes de concluirmos o nosso presente artigo, seja- nôs permiltido fazer um contraste. Portugal, no tempo de sua gloria passada e até o pre¬ sente, sempre foi considerada uma Nação amiga do Im- f*rio Celeste. I comtudo, nada lhe ficamos devendo— pelo contrario, o itroz assassínio do Governador Amaral em 1849, eo assassinato de Ningpõ em 1857, clamam e exige .i uma rep.iraçaõ formal. Naõ queremos significar por issò que a força” é^ umíco nieja. para efleitua-la. Â experienpia e o exempl^rflB^^anlG^Lpsso proveito, quanto a taotien diplomática pode mais que a “ força.'’ A dignidade Nacional brada por essa desejada repa- : K o direito, e a razaO, também a exigem. K as :cie•: 'o: atrocidades ficaraõ impunes até quando'? Q; in.> /be! -*- vo iiongkong Jícgisler, de 11 do corrente, colligimos as seguintes particularidades concernente a urna revolta de culis, occorrido ultimamenle, abordo do navio Ilespanhol jEncarnacion, que arribara em Macao no dia 8. “O Eruamacitm largou de Macao no dia 2 do pre¬ sente, levando a seu bordo 325 culis, com escalla para Peru. Na tarde do dia 6, quando se distribuíam as pro¬ visões, um numero desses culis, que então estavam so- sinhos no convéz, arremessaram subitamente ã porta da camara/ieffeituando assim a entrada nella, e matando o Interprete, emquanto outros lançaram ao mare homem de quarto. O conflicto durou por espaço de uma hora, e os culi- fc am por fim rechassados fóra da camara pela trip iL ,uÕ. O Capitaõ e cinco dos marinheiros ficaram feridos Trinta dos culis foram mortos, e de quarenta que. - itrao ao mal, dois fórum salvos.’’ >ó.sta desesperada tentativa da parte dos culis, ha algo ;. mysteno profundo que ás Authoridades de Macao compote investigar e ventilar para a sua propria resalva. i)a nossa parte abstemo-nôs de opinar sobre um caso que claramente explica por si. He o tralfico de culis, que existe hoje em Macao, é realmente a Emigraçaõ de colonos na pura accepçaC da palavra, essas frequentes revoltas no mar alto, produ¬ zem mil duvidas, que alias deveriam ser dissipadas. Como um exemplo do que mais influe essas duvidas nn animo do publico, lia uma palpavel difierença de or- gijnisaç id entre a RmigraçaÕ de colonos para Demerara, rei’-entemente promovida pelo Governo Inglez, e esta clia- mgida Emigraçaõ de colonos para Ilabana e Perú. Com todo o respeito devido, repetimos pois, que ao Governo de Macao compete prevenir e cessar a continua- çaS de taõ desastrosas occurrencias, iguaes a esta que hoje archivamos, que sempre resultam consequências bem desgraçadas e lastimosas para a humanidade. -■-&- O Vapor Cadiz, da Companhia PeilBRular e Oriental, chegou aqui no dia 6, trazendo a Mala de Shanghae, com data de lo. do corrente. Transcrevemos dos jor- naes Inglezes as seguintes noticias mais interessantes do Norte:— Uma canhoneira Ingleza e outra Francrza, tiveram um encontro com piratas, nas paragens de Chusan. No fim d’rnn combate esrar- tnçudo, 200 destes foram mortos, e muitos Juncos destruídos. O Te¬ nente Huxham, Commandante da canhoneira Ingleza Kestrel, foi gravemente ferido. Os piratas erão comaiandados por Europens, dois dos quaes forão aprisionados, e vão ser remettidos á esta Colonia para serem ’'"■oçepsadn* conforme a Lei. A» noticias de Ta-lien-wan alcançam até 25 do proximo passado. i força expedicionária gosava de boa saude, e os viveres, &.a., eram suppridos com mais abundancia. Una r-i.a et-quadra que largára, alguns dias antes, paratr Peiho, com o fim de reconhecer as posiçoês inimigas, ainda não es¬ tava do volta. T»da a força Alliada destinada para o Peiho já estava embarcada no dia 25. O Kegimeuto Inglez No 99 vai ficar estacionado ein Ta- lieii-wan, occupando uma fortaleza que f&ra construída na Bahia de Odin. O Vapor de S. M. B. Pioneer, ficará lambem guardando aqueila po-'iç>in militar. Si. I) , ■ Irani, e o Vice-Almirante Hope fizeram algumas visi¬ tas ao ■ ampo !'rancez em Cbi-lú, e es'e comprimento foi reciprocado pelos Cominar. ..nies em-Chefe Francezes. Ha inoli- - para affirinnr que Chi-fú é um sitio superior á Ta- lien-wan, e tanto os viveres como a ttgoa se encontravam lá superabun¬ dante e barato. O campo Francez parecia ser mais um estabelecimento permanente; e crê-se geralmenle que os Francezes não tencionam jamais abandona-lo. O Barão de Gros clic-gúm em Tu.lien-wan no dia 25. Nada se sabia posilivaineiitesobre o plano de attaque, ou o ponto de dcsembaíque, mas é provável que este se ellèiluará perto de Peitang. Em Shanghae tudo estava in statu quo, 6#s Rebeldes continuavam na posse de Su-chau, e ameaçavam tomar a importante cidade de Hang-chau. Corriam enire os Chinas, diversos boatos concernentes ás próxi¬ mas operaçoés dos Alliados no Noite; e asseveram alguns defies, que os fortes de Ta-kú ja foram attacados, soffrendo os Alliados uma outra derrota ! -#- Com grande prazer reproduzimos abaixo o Programma do “ Asilo dos Pobres ” em Macao. Ila trez annos des¬ ta parte, que existe esta louvável Instituição, que a cari¬ dade Ecclesiastica da nossa patria, fundara debaixo dos mais benevolentes auspícios. Em todos os tempos, desde a mais remota antiguida¬ de, socorrer a necessidade desvalida, e principal mente aqueila que se encontra diariamente a cada passo em Macao, é compadecer generosamente da desgraça, e da miséria: é sempre uma obra meritória. O Clero tie Macao, pois, merece mil encomios pela sublime ideia que suggerio. , Estamos perfeitamente convencidos, que tantos os habitants dip Macaò,coinò muito dos nossos que í o.-iueiu nesta Colonia, resp.mderaõ liberal mente a este chama- . mento para a beneficent-ia. E a philantropiu do presen¬ te século das luzes, nao deixará de estimular os ânimos todos, á ajudar com donativos e esmolas em socorro das desgraçadas victimas d.i fome e inclemências do tempo, da miséria e outros males que accompanliaõ, e augmentao a triste e lamentável situaçaõ desses infelizes. De todos esses corações generosos e beneficos, unimos á sollicitar a coadjuvaçaõ e apoio taõ necessários, e nunca supérfluos, para concorrerem no progresso e prosperidade d’uma Instituição taõ caritativa e philantropica, como é o Estabelecimento para o— Asilo dos Pobres em Macao. For occasião do annivi rsario natalício d'EI-Kei, o Si ih.jr >om Peduo V., em Setembro proximo fiado, alguns Ecclesi.i-oi<:< s -> 1 CU ’ d ide tiveião a lembrança do edificar uma cazi para asilo do.s p - Jin | cxtrsuia necessidade, desses, que se encontrão imiit is vezea ulian1.' los I na rua, morrendo de fome ou de enfermidade, sem terem rprópria ! ou p irenles, que os q-ieirão acolher. O pensamento foi apoiado |>elo Cle- I ro, e corroo-se uma suhscripçáo entre o mesmo, da qual resultou ;i q mn- | tia de trezentas quareuia e uma patacas para um anno. Em consequên¬ cia no dia 6 do corrente mez reunindo.«e a maioria do Clero na Sala da Sé Cathedral nomeou unia Cninm-.s-ão. composta dos RR. Francisco Xavier da Silva para Prezidcnte, VI moei Francisco do Rozai ioe Almei¬ da pura Thezoureiro, e Braz de Mello para Secri tario, a qual é encarre¬ gada de levar a effi-iio a projectada obra, e da sua dtrccção. A mesma Commissão é também encarregada de promover a subs- cripção entre os ouiros hahitan'es do paiz. O Rd o. Thezoureiro rece¬ berá qualquer donativo, coin que algum caritativo queira coucorrer para a mestna obra. PROGRAMMA. Caritativos Habitantes de Macao! Esse não pequeno numero de desvalidos, e infelize C: - : qu< opprimidos de fome, e de misérias, sem ao menos poderc arr tur see debilitado e desfalecido corpo, para mendigarem o apenas escaço o pre¬ ciso sustento para a conservação da sua existencio, e quo aasim expos-
0 PORTUtiUEZ NA CHINA. f , cj,uva o a todo o uv it s estações, vem de um nwdoTma» Urtitnoao imagi ..«»•! morrer p*l« rua*, o'cantos desta Ci- £T. 1 ‘ verdade um triste e doloroso espeetacujo, que a cada passo se o» tece á no>sa v.sta, capaz de commover os mats duros e ind.tlereu- tes t'*raSôe^a(itativos Habitantes, esses nossos infelizes irmãos terão V "... «ao mats d’"')>a vez a vossa compaixão; e pessoas ha u,,i,,n,avpl 11 ,s "ei l procurado, como podiam. ■* P^ueno ■IhctfM na Povoaçao ua S I jsr<» aonde m .U. des.ss d«g;uq«<" v.ct.»»» .cm s do recolhi- das e watad* cora caridade a<6 '^mentos da v.uu fazendo- ,e lhe. drpoi. d- ' ' , s-p d.ura: obra certa, mente digna das bênçãos d,. Çéo, a qual 4m> de ter contribuído mm o plrn noe tornar hoje monos lr quentes csU dolorosos encontros, ha sido r-1 aouelli s infelizes, como uma saudavelPiscinu ; pois que nao menos de 106 dos que alli fnrào recolhidos, tem ep.rado depois de receberem “S rttíiroTÍonhe"osos5u.,'’tivo'!tJpnrque o jlero desta Cidade, unindo da ^humanidade desvalida, a vossa co»pcraç> e auxilio, paraolim de se edificar uma caza ma» commoda e espaço, aonde possao ser réfcolh.- '|„s e tratados com caridade todos aquefs pobres, que pelas ruas se encontrarem morrendo de fome e do m'-en ou de enfermidadespor ~ , terem caza sua, nem pôdcrem andar ;xi buscar n outra parte asilo, ara se abrigarem do ngor das estações. Fsta obra da Caridade Cbr.stã, e, o.nesmo tempo, da utilidade p docência publica, não deixará de ser dfofro agrado, e merecer o v..s* n i /c-coidiuvação, S .bscreveudo-vos >n alguma esmola ou mençal urespnço de um anuo ou por urna vez-mente A vossa recompensa . ,, , Ia mio do Omnipotenti |»«is tudo o que vo* fizerdes a n destes pobrtes, é como so <• fiareis -nesmo Jesus Chr.sto; o qual vos d rá “ Vinde bemdltos dom Pai, possuir o Remo que vos U".z -Lnrelhado de-d- ò p.mOfeiu do ando. Po.que eu live f-me.e ' ’vo,doao-u.ede comer; tive sede, e -tos-rne de beber; era estranho. ' n recolhestes • estava nú, e vestistfne; estava enfermo, e me visi- *' 1 y £ |â„ grande a lilmdade d» N-eso Dkos. que *’é ‘pMTmTs'oWas'tao pequenas nos pronrt uma Bemave.itura.iça Eterna por lodos os séculos dos séculos.__ RASES PARA A DIRÇÃO DO ASILO. Este Es'abe'ecimento é dcstina<6 para os pobres, que se acha. rem abandonados na tua, morrend? fome ou de enfermidade, sem opria ou parentes, que feuno acolhei. O seu numero será regulado sc^o a receiia ou rei.das do hsta- be'eeimento depois de calculado oilen'o m«r.aJl de cada um, medi- ca piemos despezas eventuaes, e doins.l.os, serven.es da Caza, &a. Os pobres, que se acharem no lio ja restabelecidos, e por isso fóra do ca-• de extrema necessidadjio poderão ser ahi conservados além de um mez cie convalescença, Dar-selhes-ha naquelle caso ala esmola, e despedi-los para irem tratnr da sua vida, trabalhando, ouWigando. j Este Estabelecimento é, e semsiderndo como obra privada, seo ’ regímen interno e externo, o systera administração, e tudo, o que pan ça conveniente aos interesses ssmo, será regulado pela Com. missão. ,, , , Se o estado do Estabelecimenjosperar, se lhe dara uma orga¬ nização mais ampla, e regulamentam para garantir a sua estabili- da - r .ulisaçâo, segundo a expdia do tempo o aconselhar. mm i Macao, 10 de Outubro, de 18 Pe. BRAZ de MELLO, Secretario. ( Conchisão th jentecedente.) E come* pm esse tempo, já ej'-m.-i- ' o prazo do pagament» ,, ie a Commu^U* • • 1 h u e n lo foi posaive1 satisfazer, não lazia a mais pequeMicaçao. nem se quer, respon¬ di,, as canas do Author sobre o as» ! 1 odavia tenho de observar one em ciuanto esta ultima parte, A culpada a Oommissaõ, confor¬ me me informa raO, porque ella tiulenado ao membro que compelia. ra |l,e resuosiar: fin.lmenle ve«resposta taô retardada, aceompa' nlnda das Qõ iUegalmeute relor com um sarcasmo que ninguém acreditaria naõ vendo : mn sarcaís eu sinto mudo ter de o estigma, t V- como indigno d’uma Socifdecente. Fui igualmente infor- inndo que aquilo não lo* com azaçaõ da Commissaõ c era neste sentido para o Author erapregi dinheiro illicitamente levantado da caixa do theatro, (e portanh podia e1le ser recebido) para o author empregar esse dinheiro e ■ pias de sua muito devoçaõ; esse proceder é eondemnavel em todVido; d.ctar linha de conducta no acto privado do homem, relativa á sua devoção, relativamente aos dos pios, que saõ hcIos espontía convicção, e da roligiaõ, não é ,„e ninguém pode uberdade de dielar e interferir, sem sobre si uma gerai cjnação e indignação dos homens assu acari bem forni idos, verdudeiramente nobre • •• • i -e iliiisiradin, cujo typo charaeterislico é respeitar profundauienle sentimentos religio¬ sos, e tudo quanto diz respeito nos seus similhantcs Devo concluir aqui. Sinto que uma carta que bnj)a de ir a Juizo, o urna caria sobre o que eu posso vir a sei obr-ig.ido a jurar, me obiiguu a fallnr com Ioda fraui|iies-i, sobre factos e sobre doutrinas que o meu dever me impôlén publica no salão do theatro de D. Maria II. Presidiu o Sr. Alves Munias serviram de Se¬ cretários da meSa provisória, o Sr. A. da Silva Ti-h» o L. F Leite. O objecto do meeting, era applicar a iniciativa pn .ular ádii a-çá -do ensino do sexo femenino. Foram apresentadas varias propostas para a organisnção de nm instituto que preparando mestras por,ugaezas para educar as lillias do povo portugunz, manleiiha esco’as e asilos de in- fancia, em que os e.xtrangeiros não tenham ingi-rem ia nlguiua. Orou largauieiite sobre o assiiuipto o nos-o profando hfsi .ri i i r u -r. Ala- xandre Herculanu. Pelo extrneto que damos d’aq i I- im-avei discur¬ so, verão os nossos leitores qual o e-pbilo que dominou a nssembléa. Os Srs. Barbosa Marreca, Kihe.ro Guimarães Tuim, V. da S Iva, Sousa Brandão e alguns outros cidadãos presentes, fdla-nr; . ’ m. Reeeberam-se na mesa (npprovndos pelo governo) os estatutos da Af- sociaçnõ Promotora dn Educação P. pular. Terininou-se pela acclaraação il'iima grande corn missão encarre¬ gada de apresentar um pmj c'o de estatutos. A segunda reunião publica, a que assi-tiram mais de teve logar no salão do mesmo tlieitro a 28 de Novembro, apresentado foi approvado na g, lerulidude. O novo instituto que se deiionnna AstocwçaÔ pafl da Educação do sexo femenino, em por objecto p , cimento de escolas priiíiíi'1 is ppça o sexo feio ui o uma escola-modelo, onde ao mesmo tempo se liabi i as referi las escolas, devendo S"r portuguezas de u isci ras, mestras, e outras pessoas empregadas no serviço IV. bem como as alumnas destinadas ao magistério. A creação d’esta sociedade é um protesto popul ir c< ducção das irinas de caridade francezas para educadoras « m l pessoas, O projecto Extraeto do discurso do Sr. Alexandre FIkrcoi.avo na assemb/éa publica reunida no salaõ do theatro de D. Maria II., no Domingo 31, d'Outubro, de. 1858. O Sr. Alexandre Herculano começou observando qu° ao' ava inevi¬ tável a nomeação da commissão, a qual deveriam ser remei li,I s todos os projectos e bases que tem sido enviados á ineza ; mas que antes ssa eleição devia n futura commissão ser hem esclarecida e guiada pe!" pen¬ samento que predominava na assembléa. Nós viemos aqui, -I se o ora¬ dor, porque vemos o futuro do partido liberal ameaçado. Nã- qir ra¬ mos disfarçal-n. A onda da reacção tenta invadir o que ha b- -i« -ai;ra- do nas nossas instituições. Não nos illudamos fAp •• Cr que este pensamento seja manifestado em toda a sua p! uude. O orador fe'icita o paiz por se achar alli reuni i t.io nurnerl sembléa. Es'ão aqui para cima de 800 pessoas, d sse o||e; disj placidamente. Tudo está tranquill» aqui e em redor de nós. ()-i tros estão tranquillos nas suas casas, ou nas suas secret,rias; o tranquillo nos seus paços: lá em baixo não se vê um Soldado, aqui ha um espi&o nppl uisos), porque o p sler l m a i. iisc.encia de que somos umqPo livr •. Se o Rei, se esse bom rap z, fall,-mos |mnu- larmenie, quizesse entrar agora aqui. podia est-ir cerló q -e d, bi,xo da carrongem não lae haviam de estoirar nenhumas b oubas' (Bravos una¬ nimes e clamorosos, palmas enthusiast cas, pro'ongado applms". Um membro da ns-embléa solta o grito—Viva o Rei! e é correspondi lo ) O orador, continuando, d z : Eu não dou vivas ao Uei, porque aprendi como Rei—ol,dado a não dar vivas. Quando niilir. v i-mos no Porto foi-nos prohibido dar vivas. Nos combales não dão viva-, e todos nós ago¬ ra temos que combater. Temos que combater com a palavra; temos que combater com o trabalho; temos que coin bater com a presoverança ; te- mos que combater com as nossas bolsas. E neste momento cumpre.me felicitar a assembléa pela ver animada il’uma grande idé i affirm itiva, de¬ pois de prolongado pensamento negativo. Até agora, em quanto a im¬ prensa combatia a invasão reaccionaria, tenho guardado silencio. Te¬ nho esperado até realisaçáo do facto. A imprens- t-m luctado mas nao
0 PORTUGUEZ NA CHINA. 8 essa lucta seria inglória e infructifera, se por ventura, se não traduzisse n’um lacto positivo. É esso facto que esta aserabléa é chamada a reatisa.. Considero, d’ora ávanto, o partido liberal em perigo. Devem ser esquecidas todas as ofTensas perante o perigo que ameaça a familia. Sejamos moderados, nms firmes. A justiça é por nós, e pela causa que estamos empenhados em defender. Sejamos justos, porque, so¬ mos fortes. Vemos ameaçado o futuro do paiz na educação popular. Contra nós estão de pé tres grupo de reaccionarios fundidos n’um só 8rUP°- TV O orador passa então a definir cada um destes grupos. Diz que o primeiro é um pequeno grupo de homens do partido liberal, apparente- mente sem iinportancia política, mas cujas intenções o instiucto popular logo adivinhou. A multidão nunca se engana, observa o orador, porque o maior sᬠbio do mundo são todos. Esses, como todos os reaccionarios, tomam a religião por pretexto. Entre dies, porém, ha homens verdadeira mente liberaes, que estão, cotntudo, illud,dos,-*rqq#|io ^hAlc acreditar que homens ouibateram vinto c cinco |,p|^^^WdaHe, homens n quem elle viu vacillar entre a vida e a morte nos campos da batalha, fe¬ ridos pelas balas contrarias, tenham hoje, depois de tantos sacrifícios e de tanto sangue derramado, intenções reservadas de reacção. Estão iIludi¬ dos, repete o orador; sejamos justos porque somos fortes. (/segundo grupo é dos que entendem que a humanidade vae mal jVlo caminho do progresso. Respeitemos-lhes a liberdade do pensamen- to; mas por lh’a respeitar-mos, não é razão para que nos vamos entre¬ gar nos braços deiles. O terceiro grupo, finalmente, diz o orador, é o dos que tomaram a seu cargo impedir que a religião de Christo perecesse, e que nos votam ao inferno porque somos liberaes. E esquecem-se de que o Evangelho diz : que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja de Chris¬ to ! Para esses pede o esquecimento (Applausos). _ O orador, continuando, allude a ter-lho uma folha da capital atlribui- do a honra de haver convocado esta reunião. Diz que a iniciativa não partiu delle; mas desde o momento que suppozeram o partido liberal en¬ carnado n'elle, procuraria defender-lhe o pensamento.^ Entrando depois na analyse da questão das irmãs da caridade em Portugal, observou que alguém dissera ser necessário chamar de lóra quem educasse a infancia e a mocidade portugueza, convocando-se para esse eAfeito senhoras estrangeiras, e congregaçoés religiosas estranhas. Que acrescentavam até algumas pessoas respeitáveis, que não só era tn- dispensável que fossem chamadas pelo governo essas senhoras, mas que não reputavam completa a obra sem se convidar, tmnbcrn de lóra, uma congregação religiosa o’homens para nos illustrar a nós (Movimentod in¬ dignação na assembléa). Que foi então que elle se leinbrára de estudar a conveniência da importação desses auxílios externos, e que a sua con¬ clusão fòra tristíssima para a intelligence das pessoas que tal idéa. Que visto serem tão proconisados os resultados excedentes que a congregação da Missão tem produzido, que verificar por st mes¬ mo o valor dessa apreciação pelas amostras que cá teT®- - . . ... O orador entende que a inst.tuiçao das irmãs da caridade hade trazer necessariamente a fundação de congregações lazzaristas, nao so em Lisboa, mas talvez a.é nas capitaes dos d.str.ctos, e > J qualquer logar deste reino, onde ellas, por ventura se est Weçam^ Porque não podemos fazer que o que é, deixe íqedic- tino, não posso suster as lagriu pois esses religiosos jáma;s contri¬ buíram para a humanidade ret.idar (Muito bem). Vamos a saber, o que poos esperar d’eses homens, d’essas mu-' lheres, e d’esse paiz, d’onde di que nos hade vir tudo. Tem-se es- cripto por ahi :—Vede o que ft lá fora essas mulheres para condu. zirein ao caminho da religiãja virtude as novas geraçoès. Elle, orador, olhando para além cPyreneos, vira que desde o principio d’aquelle instituto haviam simnstintes os immensos serviços que fizera á civilisaçâo do seu paiL Polonia, Allemanha, a Italia, todos queriam a nova instituição, mrgunta o orador: —Qual foi a geração e moral creada por esse instituto ? O povo que cortou a cabeça rf’iXVI e tripudiou á roda da estatua da deusa da Itazão ! E esse pn’iha sido educado por aquclle instituto! Com a repub'ica despontou iira noe havia de crear todas as maravi¬ lhas da civilisaçâo moderna. J tarde surgiu o socialismo, e succcdea a revolução de Junho do 11 E será o instituto responsável por nquelles crimes o por aquellitaclismos? Não; porque a humanida¬ de caminha; os séculos prog, sem olharem atraz. Nenhuma uni¬ versidade, nenhuma acade nenhum systema, nenhuma escola, nenhuma seita pode resistir ettiosa torrente da civilisaçâo, que as nriasta e confunde, avançariumphante para a progressiva perfec- libilidade da familia huma ortanto não são os frades os culpados dos erros da humanidade, tn, são também os seus salvadores. Disse o orador que, quan' pela primeira vezaquellas Senhoras estrangeiras com as suas coim toucas, e acompanhadas por aquei- les honiems do roupeta, ciijs^rdnções ná» eram sympathicas ao paiz, lhe occorrera uma idéa «game, sim, mas assaz verosímil :— que a França, entendendo quditu'o de S. Vicente de Paulo estava corrompido, e constando lhe q Portugal havia umas pobres mulhe¬ res irregularmente constituída cumprindo com virtude a regra do seu instituto, mandara aqui a irmãs da caridade, a pretexto de as melhorar a ellas com o exerçs portuguezas. (Enthusiasticos e prolongados applausos) / j Impresso e publicado por N M. D. Pegado, na Typography “ ARMENIA,” i>n Street, Hongkong.