O CORREIO DE MACAU SEMANÁRIO POLITICO, LITTERARIO E DE NOTICIAS. Prkç-o de Asrihxatura. Por mez, §0,25. Por anno, 2.50. Numero avulso, gO 10. Para o estrangeiro aecresce o porte do correio. O Proprietário, Editor e Redactor responsável, Manuel J. dos Santos.—Redacção, Largo do Senado no. 2. Vol. I] MACAU, DOMINGO 7 DE JANEIRO DE 1883. rNo. 13 EXPEDIENTE S~to nossos correspondentes no estrangeiro os seg u in tis catta/hei ros: Km Hong-Kong, o Kr mo. Snr. Thcotonio da Cruz. " Shang/uie " K. F. d'Almeida. " 'l imor " Luiz X. Lobo. " Yokohama " Polydoio F. da Silva. A estes senhores poderão os nossos assiguantes entregar a importância das suas assignaturas. X'este 'ornai adinittem-se gratis cominunicados c correspondências de quaesquer dos nossos assi- nantes, tratando elles de assumptos de interesse publico, e sendo escriptos em linguagem moderada o decente. Macao, 7 iie jameiko de 1883 O TELEGfiAMMA u 11iui miente rece- bido sobre a reabertura de P.,mural Km-i* »m» mb. par.. lhe confiarem a missão mais espinhosa da diplomacia portugue- za, c a julgar pelo mysterioso silen- cio (|ue se guarda sobre essas nego- ciações, ao vêr fraccionada a em- i | p . ortug envie u a is-são diplomática a Peking para ne- gociar um tratado coin a China, não p idemos resistir á tentação de transcrever, coin a devida vénia, do A ilha dn Timor é na maior parle cheia de oi o mas montanha» e tanto n'estas como na» pla- nícies de nina vegetação incrível. Não ha alli estradas, os caminho» são apenas trilhos por entre o inatlo, ribeiras e despenhadei- ros, e assim proprios para emboscadas. Os naturae» eão povos essencialmente helllcosos pelo (pie andam constantemente armados; quasi sempre estão em luta, dando motivo a elhi qual- quer questiúncula ou o roubo de um búfalo. Nas guerras do governo portuguez quando se pe- de gente como auxiliares a algum regulo, dão-nu, mas se para o governo dão 100 homens, pura .1 inimigo 81M), isto quando sejam alliados. lia ainda assim muita demora para o governo reunir esta gpute, toriiando-se necessário official- coiistaiitouieiite uos commandaiites dos concolhos e mandar amiudadameute delegados para a fazer panno fabricado por elles mesmos, que enrolam á reunir com brevidade. cintura e que lhes cobre parte das pernas. A tudo respondem s.m, mas muitas vezos faltam, Vem armados de espingardas uns á silex outros allegando depois que tiveram de fazer os seus a, minlé coin as muniçiies em cartucle-irus presas agouros, a que chamam estyllos. „ nm cinturão, cingindo uma espada com o punho "lisistem aos estyllos em degolarem de um s.% guarnecido de crinas de eavallo pintadas de oncar- gnlpe de espada algum animal como um cao, car- nado c munidos de um escudo de coiro d.- búfalo a muro etc., verem para que lado eae a cabeça no so- que lhes chain lo rodella com um molho de lanças lo observarem as entranhas da vietima crendo su- a que lhes chainâo zagaias, preso ás costas persticiosamente assim predizer serem bem ou mal Ao chegarem proximo da praça fazem grande succcdidos. alarido começando um d'ellesagritarestas palavras; | ramb™ fa,zem ,lnias ceremomas para lavarem raclali! raclali e seguem-no os mais também gri- ninas raiy.es de arvore que Ines serve para curar tundo. as feridas; a estas raizes e uma porção de betel e ChamAo os naturaes a este grande alarido - eo- nreca a que chamam-o coe; levando coin o fazerem guiada - tal vozeria é para elles indispensável. OS estyllos troz e mais inezc» de demora. , Pergunta,ido-se a um dos Vígulos para que fa- Antes de chegarem á praça, nomei que se dá á ziam tal hulha, foi-nos dito que era um costume cap.tal de Timor que c a cidade de Dilly, rcune-se antigo, que ti.ilia por Htn mo-trar ao inimigo quo n um ponto estabelecido pelo governo hoje 100 I eráo muitos, não receavam d'ella e estavam nrolu- liomeu» tie um remo, amanha -200 d'outro até ner- ntn, nus. ... k„.„, ■ |' - " — . v. ..u J > V/\/ u ii in ã pfazerem o numero pedido. (guando em fim se dirigem para a praça, apre - sentam-se com immensos pennachos de pennas de diversas aves atados aos eahellog o alguns sobre lite, gorros encarnados, trajando coletes de uma fa- zenda da mesma cor e servindo-lhos de calça um ptos para se baterem. Ha alguns indígenas que pela pratica de ouvi- rem a coquiatla, conhecem o numero d'homeus. Estas forças todas retinidas são denominada* arraial com um comraandunte que tem o noine do cabo dos arraiaes, o divide-so em columnas e estas ein mangas, eada uma destas unidades com a força
50 O CORREIO I.)E .M ACAU baixada regressando a Mucau o se- cretario e o ajudante d'ordens, que logo pediu a exoneração quando que d'essa aureola brilhante chama prestigio ? Nao vedes que o único meio ef- o program ma era vir toda a embai- ficaz de dar prestigio á auctorida- xada mostrar-se em Shanghai, do- de, é o de substituir ou castigar vida alguma pode restar, de que aquelle que por qualquer circum- uma tempestade açoutou o diplo- ma a e a diplomacia aventureira do aventuroso Portugal. Mas a monarchia não precisava considerações â pessoa do snr. saber qual o resultado da embai- Graça, refiro-me a todos os gover- xada ao Japão, nem da habilidade! nadores presentes, pretéritos e fu- diplomatica do seu ministro; a''Ver- turos que se encontrarem mestas dade " (no. 103) tivera a còragem eircumstancias, e a qualquer go- stancia se mostrou indigno ercer a auctoridade? Nao me retiro n'estas de ex- breves de expòr francamente as dificulda- des da embaixada e a iusiguilican- cia do embaixador, e isso bastava para que os ministros corressem pressurosos a dar prestigio á au- ctoridade Não ha di late, injustiça ou ar- bitrariedade auctoritaria, que a monarchia não absolva para dar prestigio íl auctoridade. Rara virtude a da monarchia, que não duvida desprestigiar-se para dar prestigio ! Um governador civil dislata, pelo fatal estado pulhologico do -g'^rre logo o ministé- rio a sanccionar osseiTvii^'os' Paraj dar prestigio á auctoridade.- Um govern tr>viFiaf e COlf < louvando o exímio funccionario, ou concedendo-lhe alguma merce. vernoque proceda como os gover- nos constitueionaes teem procedido. Continua. NOTICIAS DIVERSAS Companhia d'opeka.—A companhia d'o]iera italiaua chegou uo dia lo. de Ja- neiro a Hongkong- vindo de Shanghai pelo vapor '-Peking" e representaria 110 theatro Real "City Hall" a celebrada opera de Verdi, a Ernâni. * * * Anedocta.—Urna solteirona sentindo- se indisposta mandou chamar o doutor: este veio, e depois de lhe exatpinar a lin- gua e tomar o pulso, disse-Uie: — Minha senhora eu ... >)<£, prevenil-a ... sim devo avisal a ...... ou por outra ... a hprajirecisii cu^tí.se. do se I bro, topázio, fidelidade; e Dezembro é re- presentado pela turqueza. Estas diversas pedras siio encastoadas em anneis e outras jóias e enviadas como presentes aos seus afieiçoados. # # # Gambetta.—Por tclegramma de Lon- dres sube-se que a França acaba de perder um dos homens mais eminentes do século moderno. Leon Gambetta nasceu em Cahors a JO d'outnbro de 1348. Aos 21 anno8d'idade, tendo completado o curso de direito, começou a advogar em Pariz e bem depressa adquiriu a faina de bom orador. Em 1809 foi eleito deputado por Mar- seilles e em Janeiro de 70 atacou violen- tamente o ministério Ollivier, declarando que não estava longe o dia em que a von- tade soberana do povo havia de estabele- cer novamente a republica 110 seu paiz. No cerco de Pariz passou n'um balão por cima das linhas prussianas e foi descer ein Rouen são e salvo a fim de cumprir a ordem da conitnissão de dcfezu nacional que o escolhera para ir participar ã pri- meira cidade o estado das cousas na capi- tal. De Rouen dirigiu-se a Tours e ahi assu- miu a direcção e por alguns mezes foi dic- tador em todas as províncias da França não oceupadas pelos prussianos. Em f vereiro de 1871 Al. M. Arago, Granier- Pages, e Eugene Pelletan, mem- bros do governo de Paris, chegaram a Bordeaux, pura onde Gambetta tinha sido obrigado a retirar e apr - ram-lhe um decreto assignado por todos os na uibros do fOvoruo mio anulava o de Ghiíi oUa. pnb( jeuiunu aos doentes, r, safou-se corn receio de mais perguntas. T' rT . - I Crença—Ha entre os polacos de que Um governador commette as toai- caja mez ann0 est:i debaixo da influen- ores vilanias para obter a no nea- cia d'uma pedra preciosa, çao de um deputado, rouba a urna. Assim Janeiro é representado por uma cometteas maiores baixeza», e lá granada, emblema de constância e «deli- , . • • 1 dade; Fevereiro pela ametkista, sincen la- esta a maioria constitucional para (je. j{arç0i carbuuculo 'Oragem e presen- sauccionar todas estas iniqnida- ?a',lo espirito; Abrd, dianiaute, innoced- des, para dar prestigio á auctori-1 cia; Maio, esmeralda, successo n . 1 y n . T . —«1».. o.m.l.. r> IrMirrnvwl- no amor; dade. Mas, oh demencia! nao vedes que1 só a just iça e a equidade revestem o principio auct»ritario »fiiieo numero de homens de que se compuser o arraial e sendo todas .commandadas pelos seus chefes. Junho, agatba, saúde c longevidade; Ju- lho, cofnilina, satisfação; Agosto, sardo- uix, felicidade conjugal: Setembro, chry- solite, antídoto contra a tristeza; Novcui- Quando succede alguma decapitação, annancio de victoria, lãzein grande alarido a que cliamao lourifá, cântico de corte de cabeça de um inimigo; E' A» ponto principal para o guerreiro timor a i mostrando contentamento como se já alcançassem . t «11 • . ..... ............. ... • . - ... 1 ... ■ Ott Iililn vvotul ak.% emboscada, é n'clla que muitas vezes, aicauçam Victoria. Conhecedores dos bosques por onde penetram e i_.iro.a-oe para iiespanha onde viveu por alguns mezes. A sua conducts politica foi sempre cara- cterisnda pela moderação e reserva, ecomtu- do dirigiu sempre os seus esforços para um uuico fim—o estabelecimento definitivo da Republica. Pela prematura morte de Gambetta, a França perdeu o seu mais eminente esta- dista moderno, e o partido republicauo, o seu chefe. * * * Canal df. Suez.-A maioria da coinniis- são encarregada de propor os trabalhos necessários para o aperfeiçoamento do canal de Suez, prupoz que se abrisse um outro canal parallelo ao primeiro. victoria, muitas vezes tendo soflVido perdas enormes. E' nas decapitações em que consiste a maior as montanhas por onde trepam com toda a liicili- ostos guerreiros, por isso andando em dadee ligelresa incrível, é a sua cúr bronzeada com ^uerras veem-se muitos d'estes barbaros, que são os pennachos 11a cabeça concorrem muito para as uj„s untre o» seus como bravos e a quem alcu- nossas forças disciplinadas os não distinguirem a ni,,,,,, ,ie valentões couheccndo-se por usarem pen- distancia entre o matto. K' tal a sua perspicácia nas emboscadas que são capazes dejestarem,por alguns dias 110 matto á es|)éra de que o inimigo passe para então o aggre- dlr de sobresalto, logo que o vejam ou ouçam de alguma sentinella perdida o signal convencionado, «pie é muitas vezes o arremedo do gorgeio de um passara para o que são insignes. dentes do pescoço uns círculos de ouro ou prata a que chumiiin luas. Também existem alguns d'estes bravos que teem lei vontade espalhados cada um para |„ j rejno de Cuylaco, chamado Berloe. seu lado sempre a abrigo, de arvores, mudando 1 Disseram-nos .pio este bravo era casado e sua logo que fazem fogo para outro logar, fazendo ; ,n„iher o acoiupaiihava sempre nas guerras, oecu- grande alarido o avançando 011 retirando para o ])a,1(j0 -se em carregar as armas e em exhortar os ponto em que se ache a sua bandeira. Quando algum dos seus cuia lei ido ou morto, outro» dirigem o logo para esse logar, aiiiu de evitarem que o inimigo o va decapitar. seus a que tivessem coragem, dizendo aos desani- mados que era melhor vestirem siirão, umaesiiecie de saco com que as timoras se uniu em, eu. logar de puno, vestuário dos rimores. Também teem os seus campos militares. Proximo ao logar ondo tencionam acampar to- dos munidos de uma faca que nunca iargão, cor- tam uma estaca de qualqer arvore, aguçando-a 11a ponta, bem como cortam alguns ramos e chegados ao acampamento construem as barracas precisas o nomeiam uma guarda encarregada da segurança do campo e que fornece sentinella» em volta do mesmo. Para o soldado eut-opeo, dSo-se n'estas guerras ein Timor, muitas variadas dificuldades; taes co- mo a de falta de agua que é de todas a de maior importância, não porque influa mais na sande do que o ar e o clima, mas sim por fazermos grande uso d'ella; a da conducçilo de viveres, munições de- guerra e da artilheria. Também alli influe extraordinariamente na saúde do nosso soldado as longas marchas sobre uni sol ardentíssimo trepando c descendo montanha». Macau 26 dezembro de 1882. D. A.
O CORREIO DE MACAU Horrível tragedia.—No dia 26 do niez passado, As 5,45 p. m. foram sobresal- tados os habitantes da cidade de Shan- ghai por um signal de incêndio. O inspector de Policia Mr. Wilsan foi o primeiro que o dcscubrio, porque passan- do casualmente pela rua Quangse, viu sa- liir d'umas casas grande quantidade de fu- mo. e immediatamente correu a chamar auxilio. Os socorros não se fizeram espor r e em poucas horas conseguiram dominar o fogo que se teria propagado ás casas próximas e causado perdas consideráveis, se se demo- rassem utn pouco inais. Arderam apenas trez casas d'habitação chinas avaliadas em 750 taeis, e por isso não se deu importância ao facto, e todos se retiraram satifeitos «le não terein a la- mentar maiores perdas, pois não era de presumir (pie A quel la hora houvesse des- graças pessoaes a lamentar. No dia seguinte, porém, quando se co- meçaram as investigações, foram encontra- dos dois cadáveres meio carbonisados n'uma das casas incendiadas e um d'elles sem cabeça. Começaram as desconfianças de que um crime horrivel se tinha alli praticado e re- dobraram-se as buscas e pesquizas, até que afinal se chegou ao convencimento de que o fogo não fora accidental, mas sim o epi- logo d'uui tenebroso drama. Pelo depoimento da ama da casa, pelo exame dos cadáveres, e mais minuciosida- des encontradas descubriu-se o seguinte: As trez casas onde o fogo começou, na- turalmente ao mesmo tempoe por ditferen- tes pontos, com qeon'o apparentassem ■ ' -/. casas , formavam uma rmio trhiirrs i (n e -ulber depois da morte ua mal. Os ladrões entrarain-lhe em casa, na ausência dos creados ou de combinação com elles, e estrangula ram-aos. Não contentes com isto cortaram a ca- beça ao mandarim; no chão onde jazia o corpo mutilado foi encontrado um taifó. A mulher foi estrangulada dentro da cama. Em seguida saquearam a casa, no que tinha de jóias e dinheiro, que se suppõe ser em valor importante, e ince idiarain- na com petróleo. A cabeça do mandarim ainda não foi encontrada. Os criados, excepto a aina, desapparece- rnili. * * * Premio iie Manila.—Os nossos patri" cios em Siianghae srs Joaquim F. do Sen" na Jr., >delino Diniz e Antonio Diniz em sociedade ganharam o 3o. premio da lote- ria que ultimamente se extrahiu em Ma- nila. Muitos parabéns. * Eleição.—No dia 28 de Dezembro, fui eleito presidente do Circulo Catholico em Shanghai o sr. Lino A. Tavares, e vice- presiileut.es, os srs. Francisco V. Sanches e Hermenegildo A. Pereira. * * * Assassino.—O filho de Manila que ul- timainqjite degolou uma creança japoneza em Shanghae, embarcou no dia 29 com destino a Hongkong para d'alli seguir pa- ra Manila afim de ser julgado. Pelos depoimentos do capitão e marinhei- ros do navio mercante a que pertencia, pre- jgme-se que o homem estava alienado quando commetteu o barbaro crime que noticiamos n'um dos números passados. Dizem que o homem não queria comer havia 3 dias. * Grande tempestade electric a.— Os jornaes americanos dão a noticia de se ter dado recentemente alli um phenomeno ao mesmo tempo magestoso e surprehendente. De repente a noute tornou-se tão clara que parecia ter nascido o sol. Uma aurora bo- real brilhantíssima, foi vista em toda a largura do continente, desde Bostou a S. Francisco. Em S. Paulo o firmamento apresentava- se vermelho como sangue: o espectáculo era surprehendente e medonho. As communicações telegraphieas estive- ram interrompidas. # # # Concerto.--No dia 4 deu-se no City Hall em Hong-Kong uma recita e um concerto musical a beneficio dos pobres de^Matiilia, sob a protecção de suas ,exas. o^admiuis- trador da Colonia, o General Sargent, os almirantes Willes, Kopitott* Meyer e sua exa. o consul de Hespanha, D. Mencarini. Em Macao estão ja em ensaios varias comedias qu9 uma sociedade d',amadores tenciona levar A scena nos fins do corrente mez, e o producto da recita será também em beneficio dos nossos visinlios. Esperamos que seja muito concorrida es- sa noite de feita, porque alem de supprir- nos uma grande falta- a de divertimentos em Macau- concorre para alliviar da mi- séria algumas das famílias que ainda a estas horas andarão soffrendo prix * ♦ * Funiírat. DE GAMBBTTA— O d ' este illustre orador vac ser feito u sas do Estado. * # # Masoneria.— O jornal francez dá a es- tatística d' esta poderosíssima associação e diz em cifras os elementos de que dispõe. Ha no mumlo]137.065 lojas masonicas que rendem a avultada quantia do 800 milhões de patacas annualmcnte. Desta receita, gasta a sociedade em manu- tenção de famílias necessitadas 0 157 mi- lhões por anno; em pensões u viuvas e orfaõs dos associados, 119 milhões; em mczadas temporárias nos desempregados, 49 milhões; em escolas publicas, 84 mi- lhões. Em sum ma, a estatística apresenta uma relação de despezas milito importantes e que seria de mais enumerar aqui. As lojas mais importantes do mundo, são duas, a de Londres que conta 101 mil associados, e a de New York que tem 80 mil. • • Condemnado.— Foi ultimamente con- deinnado a 10 annos de trabalhos públicos um homem por nome William Brookshaw por ter escripto uma carta ao Principe de Galles em .(ue lhe pedia sob ameaça de morte a quantia de 10 libras. Por cada libra apanhou um anno. • • • Scena sanguinolenta.—Do Diário Popular extrahiinos o seguinte: Um caso singular se deu ha dias no for- te de Alexandria (Italia), onde estava alo- jado o regimento 21 de infanteria. Um sargento tinha urna discussão com o furriel de uma companhia, discussão que não tardou em degenerar se n'um con- flicto. Os soldados intervieram e conse- guiram levar os dois adversários para os seus respectivos aposentos. O sargento que se deitára, e parecia es- tar tranquillo, levantou-se passado tempo, e pegando na sua espingarda e alguns cartuchos começou a fazer fogo sobre os soldados adormecidos. Um cabo então pegou n'uma espingarda e respondeu ao tiroteio; todo o quartel se pôz cm sobre- salto, acudiu o official de inspecção com um pelotão de sol Ja los, e o sargeuto ven- do-o aproximar-se dispar ou um tiro debai- xo de barba e caiu morto. K* fácil compreliender a posição d'aquelles pobres soldados que se vêem alia noite atacados a tiro de espingarda- Quando d'algum modo se restabeleceu o sncego, viu-se que estavam mortos dois soldados, ejnuitos outros tttais ou meuos feridos. * * * Grande barba—Em Montalsçon(Bel- gica) ha um operário que não corta a barba ha 7 annos a qual lhe chega quazi até aos pés, medindo l,m60 de comprimento. Para não a calcar divide -a em duas partos e prende-a atraz das costas quando trabalha. e,só a deixa solta nos dias de festa. * * * Engraçadíssimo.—Fallando da r -presen- tação da opera a"Africana" recordaum pe- riódico francez urua aneedota occorrida a Maria Sass. Estava a artista em Enghien, encantava no theatro da Opera. A interpretação da "Africana" era por tal modo esplendida, que o publico não ces- sava de làz.6r bis os mais brilhantes nu- mero» da opera e de ia. ua;' os ca--tores j #6 prosceuio. Assim, em vez de terminar o sarai meia noite menos uni quarto., findou á meia noite e um quarto. O comboio para Enghien sabia á meia hora. A Sass, exposta a perder o comboio se mudava o seu trajo de Selikã, euvolveu- se nuina capa; lançou um véo á cabeça e partiu a toda a pressa para a estação. O comboiojii a abalar,quando ella che- gava. Que fazer n'um waggon de linha ferreade noite, e quando não ha companhei- ros de viagem que o impeção, senão dor- mir? Não levou muito que Maria Sass adormecesse. Na estação immediatn entrou um passa- geiro, que ao ver a Sass tal qual ia vestida, começou a gritar; "Uma mulher selvagem ! -Uma mulher selvagem! " e fez soar a coifrpainha de alarma. V —*" Acudiu o conductor do comboioTacudi- ram muitos passgeiros, e despertou-se a mulher selvagem... Tudo então sc expli- cou. O assustado passageiro pôde continuar a viagem no mesmo compartimento, onde se julgou exposto a ser devorado por uma selvagem. ( Do Primeiro de Janeiro ) # * * Vacatura.—Está annunciado no Gov- ernment Gazette d'Hongkong que no dia 9 do corrente haverá utn concurso por pro- vas publicas, para o preenchimento d'um logar vago na repartição do correio. As habilitações requeridas são as seguintes: Boa caligrapbia e poder copiar corren- temente inglez e industão. Arithmetics elementar, geographia, lingua chineza, e leitura de caracteres. O vencimento é de $10 por niez.
O TORREIO-DE MACAU PriWka Eugenia—Contn-se d'es- tii virtuosa princeza, irmã do rei da Suécia aseguiote historia. Recentemente tinha mandado vender os diamantes a fim de obter os fundos ne- cessários para completar um hospital em (pie se interessava muito. Pouco depois de concluídas as obras e de começar a funcionar, foi esta priuceza visitar a sua obra, e a todos os doentes dirigia palavras de consolação; um porém mais sensível não pôde resistir a tanta bondade da parte d'uma princeza que se dignava sentar a seu lado e commovido rebentavam-lhe dos olhos as lagrimas de gratidão que já não podia conter. Ali! —disse a virtuosa senhora—Torno a ver mvuiiente os meus diamantes. # * - * Df.skmnaiíque.—Em Amoy desembar- co ram ultimamente :!0 marinheiros arma- dos das 'regatas allemãs Slosh e Elisabeth junto ás estações aduaneiras chinczas, en- traram, e levaram os objectos que tinham sido apprelieudidos injustamente á fiima Messrs. Co. Gerard & Co. que alii teem uma fabrica de fundição. Em seguida entregaram-nos ao dono e dei.xarain-íhe uma guarda de 20 homens e recolheram a bordo Km Swataw ja houve ha perto dc um mez um desembarque semelhante ao da fragata Elisabeth por causa d'um terreno que as authoridades chinczas queriam apr >pri- ar-se, depois dos seus antecessores o terem "endido legalmente a um súbdito alle- mâo para a.ii estabelecer a sua industria. Aos chinas é preciso assim, cortnr-lhes as unhas logo ao despontar pura não crescerem nunca. ^Discernimento Juvenil.—N'uma es- cola o professor chamou uma criança á palmatória por ter feito uma travessura qualquer perturbando a ordem: como era muito consciencioso, costumnvi sempre an- tes do castigo, dizer as razões, porque o applicava; desta vez perguntou: .Sabe o menino para que o chamei(" Sei, sim senhor, é para me bater. Bém: e sabe porque lhe vou dar palma- toadas '{ Sei, sim senhor:, é ... é ... porque o mes- tre é maior do que eu. * t. * AcçaO Meritória.—Das galés de Tou- louse fugiu ultimamente um mancebo que alli se achav a cumprindo sentença. < 'orno era forte e corajoso, em breve abriu caminiio atravez do paiz e conseguiu esca- par a perseguição. IS'a manhã seguinte encontrou-se n'um campo aberto, e vendo a distancia uma choupana para alli encaminhou os passos afim de arranjar alguma cousa de comer e descançar um pouco. Ao entrar, porcui.olfereceu-sc a seus olhos um quadro lastimoso e triste; quatro crian- ças a um eanto da cus-i sentadas, tremulas, a mãe a outro debulhada em lagrimas e o chefe da família andando d'um a outro extremo da casa, raivoso, louco de dôr. e a tristeza e agonia pintadas no -semblante. Depressa esqueceu os seus próprios ma- les e inquiria do homem a causa de tanta tristeza. N'uquellu mesma manhã elle e os seus, sem pão e abrigo, haviam de começar a implorar a caridade, porque o senhorio ia pól-os fora por falta do pagamento da renda. Enlouqueço.—disse o pae—minha mu- lher e filhos seyi pão e eu sem meios de o obter. Oh!—e arrancava punhados de cabellos louco dc desespero! O galé escutou com lagrimas de sympa- thia a narração d'aquelle pequeno drama e no fim respondeu. Eu darei a v. os meios, eu sou um for- çado das galés, fugi hontcui mesmo, quem me puder apresentar novamente em Tou- louse recebe uma recompensa de 50 fran- cos cm acto continuo. (Quanto é a renda' 41) francos respondeu o pobre homem. Bem, u'esse caso, você vae arranjar uma Corda, aniarra-me os braços e o corpo, eu sigo-o; alli hão do reconhecer logo, e o meu amigo recebe em seguida os :>U fran- cos, paga a renda, salva a támilia. e aca- bou-se o choro, vá, vamos depressa... a corda. ISunca! exclamou o rendeiro ntemoris i do. Morrerão meus fiJios mil vezes antes que eu conietta o crime de abusar da hos- pitalidade. Já mais violaria um dever sa- grado. Pena só tenho que viesse em tão má hora que nem um pão temos para lhe offerecer. O generoso forçado porém não era ho- mem de voltar atraz com as suas ideas depois de concebidas, e tendo exgotado to- dos os meios persuasivos, declarou for- malmente que iria elle proprio apresentar- se, se o não quizessem evar. Insistiu tanto, que afinal depois de mui- ta e muita reluctancia o pobre homem, pal- lido e tremulo, lançou um olhar de espe- rança aos queridos filhos, e lá foi caminho da cidade com o seu generoso salvador. Todos se admiravam de ver um tão corpulento o forte inoço deixur-sc Oouduzir por um homem fraeo e anemico; mas a pro- va estava diante d'elles. Apresentaram-se ai perfeito e imme- diatameute o homem recebeu osõO francos e o forçado voltou ás galés. Mas depois de o ver sahir, o rendeiro pediu uma audiência particular e contou a generosa acção que o havia salvado e a sua famillia das medonhas fauces da miséria e da foine. O perfeito ficou tão profundamente commovido com a narração, que não só augmentou mais a recompensa de 5i> fran- cos, mas i mined intamente escreveu ao mi- nistro da justiça relatando o facto e pe- dindo o indulto,puru o nobre moço con- i demnado. O ministro examinou a sentença con- demnaioria, e vendo n'ella uma falta com- parativamente pequena para tão grande castigo, immediatameute ordenou a soltu- ra. Uma boa acção tarde ou cedo encontra a recompensa; sigamos sempre o nosso an- tigo ditado " Faze bum não olhes a quem. " * * * Vaccinaçao contra a mordedura da serpente.—Appareceu ultimamente em 1'aris um americano, que diz ser medico e se intitula Dr. Cléta, que apregoa possuir um meio infallivel de tornar o organismo do homem insensível ao veuono das ser- pentes. Eis o processo (pie emprega o tal patus- co para nos livrar de morrer da mordedu- ra d'estes reptis: Apresenta-se-lhe qualquer pessoa para ser vaccinado c ficar livre de morrer pe- lo envenenamento 'lo mordedura de Me'- pentes. Pouco ha a fazer, responde-lhe o doutor. Vamos começar por tomar um copo de cerveja. Tenha a amabilidade de tirar de dentro d'aquella barrica uma das garrafas que ali estão para se conservarem frescas. O cliente appressa-se a fazer-lhe a von- tade. Vae á barrica, inctte-lho a mão... mas de repente solta um grito e retira apressadamente o braço volt ando com a mão manchada por uma estria de sainme. A barrica está cheia do serpentes. Iminediatainente o doutor Cleta pega na mão do paciente e lhe applica sobre"a picada uma pomada de sua invenção. Com c-te simples, mas não agradável processo, fica o paciente vaccinado, e pode correr todas as florestas do mundo a agar- rar serpentes, pois tem a certesa de poder zombar dos seus venenos. Vai pelo mesmo preço que veio. Assim o conta um jornal do reino que diz tel-o transcripto d'um outro francez. « e o '3 c o a r- H — 5 71 2 -f " ! SIs t- x h e- 1 B 2^ * = ,3-O » S „ C 2. B * - * - o ~ E- ~ _ ; Z ?. ê-S 8. /. -x < AVISO A REDACÇÃO e ADMINIS- TRAÇÃO d'este jornal passaram outra vez a estar a cargo do edi- tor responsável Manuel Joaquim dos Santos. Todas as reclamações, commu- nicados ou correspondências con- cernentes a este jornal, devem ser dirigidas ao editor responsável, no escriptorio da redacção, Largo do Senado No. 2, ou no da admini- stração, Largo de S. .Domingos No. õ. DR- MAGA LIIA ES. nu A CES Til AL No. !). Consultas ( gratis para os pobres ) das 11 ás 12 da manhã. Macau, 2 de dezembro de 1S82 lypoglBpllltt do " Cohkeiode aIacal. '
DE "W ) • I VI l.ltiui Preço df. Assiqnatura. Por me», $0,20. Por anno, 2.00. Numero avulso, $0.10. Para o estrangeiro aecresce o porte do correio. O Proprietário, Editor e Redactor responsável, Manuel J. dos Santos.—Redacçiio, Largo
COfaPRA ., ^1«.í0í)62 para o outro taltar-lhe o equilíbrio, Ciiliir em pedaços, evaporar-Se- e o thesourp da colouia ipie não soube, que nà,o*pòdecapitalisal-0 em tem- pos bonançosos, irá pelos ares ao rugir da'tempestade. O systema governativo de Ma- cau, como de todas as colónias por- tugiu zas, parece creado para os in- teresses dos gorvemantes e não das eolonias e da nação. Por falta de homens enérgicos e competentes, por falta de diplomatas a toda a prova que estejam a reger os desti- nos das eolonias, hoje ellas estão atrazadissiinas, apezar dos immen- sos recursos agrícolas e commer- ciaes que possuem. No Zaire è no Congo, em Lourenço Marques e em Angola, d'aquem ed'alem mar em Africa, os estandartes civili- sadores e commerciaes d'outras nações estão avançando rapidamen- te sobre as nossas possessões. Ma- cau continua 110 seu estado fossil; os governos militares não a desen- terram; a iludiria, a falia de inicia- tiva, a incompetência administrati- va de muitos governadores que aqui teem vindo, sem outro distin- ctive que os qualificasse para po- sição tão melindrosa, que o favo- ritismo ministerial, tem sido ou- tras tantas causas concomitantes da paralysia em que se acha a co- louia. O que será d'ella se essa dynastia agaloada e d'espada á cinta continuar a reinar n'esta co- lónia. sem a governar, é fácil de eoiijecturar-se. "I/isciate ogni Spe- ranza" ! E as relações com a China ? Se- rá a tolerância confuciana uma vir- tude de tão longa dura que á sua sombra exista e vegete esta colonia quinhentista destituída de todo8 diamante». Foi pena que sua mulher o enfeiti. çasse e o levasse eomsigo para o baile. Xeste ponto Béricniirt approximon-se da ja- nella, e vendo liaptista, que deitava a cabeça Bira tio portuo entreaberto, taes e tão tentadores siguacs lhe lez coin as mãos e os olhos, que este não re- sistiu a vir a sua casa. escutando primeiro com ut- lençào se apercebia algum rodar a distancia. Faço isto, porque quero estar no meu posto quan- do meu amo entrar, disse elle distribuindo apertos tie mão |K'lo calielleireiro e seus freguezes; vi's item sabeis que ganho 000 francos por atino, e contpre- itendeis que me convém conservar o lugar. Ver- dade ó que me não pagam lia já quinze mezes, mas estou certo que me pagarão, e no entanto posso lazer tnorrer de inveja todos os criados da cidade, failando-llies dos meus 0OO francos .... —Vistes Berthaud? Interrompeu o caltelleireiro. --Vi,disse Baptiste ; chegou alguns minutos depois tia pai ti«.a do coupí, e ficou desesperado por não encontrar o senhor porque, segundo me disse, ne- cessitava muito tios seus 3,000 francos; deixou-me a sua conta pedimio-tne tiara a por no quarto tio senhor, de maneira que elle a podesse ver quando entrasse. Neste momento ouvm-se o rodar surdo o regular de tttiiH carruagem elegante; Baptista correu para o portão e todos os Iregitezes de B ricourt encos- taram precipitadamente ú vidraça os seus rostos v ulgares. 0 GORREfO DE MACAU os recursos tia civilização moderna, contradizendo mesmo, com algu- mas de suas instituições, os prin- cipios d essa civilisaçiio? Tétrico, fúnebre .é o futuro que se descortina atravéz do estado presente de Macau. E a sua propria historia, commemorando o passado, é pregoeira do seu futuro. Rias além d'essas negras sombras que nos ro- deiam, além d'esa miragem de morte que vagueia plangente no lugubre horizonle, não fulgura al- guma estrella propicia, não se ou- ve alguma voz consoladora, algu- ma promessa de vida e de gloria? Sim. Mas só depois que a larva deponha o seu invólucro rasteiro, e a chrysálida assuma airosa for- ma. Sim: "mutatis mutandis". CARIDADE BEM ORDENADA. Causou-nos profunda surpresa e ao mesmo tempo sensação a noticia dada pelo nosso illustrado collega "0 Macaense," de ter a junta da fazenda abonado durante um anuo cerca de 4 :OOOSOOO de reis para des- pezas extraordinários do palacio tio gover- no. Dcsculpe-nos o nosso bom collega por termos a principio duvidado da sua decla- ração ; mas ella versava sobre tão grande escândalo, e envolvia tão grave responsa- bilidade, que julgámos do nosso dever con- servarmo-uos em silencio, emquanto não colhêssemos informações a tal respeito. Infelizmente essas informações trouxe- ram-nos a dolorosa convicção de que é ver- dadeiro o facto, o acompanhado de circutn- stancias muito notáveis. Nunca considerámos o governo do sr. Joaquim José da Graça como proveitoso para a província; mas vivíamos na doce persuasão de que elle podia servir de exem- plo nas suas contas coin a fazenda. Sabíamos, é verdade, que s. exa. fecha- va conscientemente os olhos a algumas habilidades praticadas por subalternos seus e que hoje são do domínio publico; mas attribuiamos este facto a uma fraqueza do Graças a alguns catidictros ainda accesos pode- rá m distinguir ao fundo do elegante coupíestofado do setiin branco a linda senhora de Thérouan en- volvitiaetti uma nuvem branca, e todaconstelladade diamantes e flores. Seu marido sentado junto d'ella coin os braços crusados e a cabeça inclinada mostrava um rosto preoeeitpado c descontente. A carruagem entrou rapidamente a porta, que em seguida se fecitou. Davam neste instante sete iteras, e o tocar doce e truiiquillo de um sino convidava paru o santo sacrifício os christana diligentes, Outro os quaes havia unta mulher de cahello» prateados, estatura 1 'vemente curvada e vestidos escuros, que encurtou o passo ao approximar-se do palacio de Thérouan, lançando na passagem uni olhar demorado e tris- te para os brasões doirados do portão. His ali a tia tio senhor de Thérouan. disse Béri- court; visto deque maneira singular ella olhou pai a o palacio ! Aquilio tlcve significar algiiina coisa. iilgues ! Perguntou Augusto. —A mentis, replicou o cabcileireiro, que não seja a necessidade de se inciter em tudo;o que, como sa- lteis, é a litania das solteironas. —Sobretudo tias velhas devotas, tlisse Augusto. —B u senhora Faultier pertence a essa dupla calhe- goria; passa os tlias a correr as c< ntas d'ttitt t osa- rio c a virar as folhas il'tini liv ro tPoraçncs. sr. governador o jamais a impedimento moral de reprimir abusos alheios. Hoje porém temos a evidencia a demon- strarmos que 8.*Sxa. não*podia ser rigoroso com os outros, porque não o tem sido . comsigo mesmo. Mas "em que se gastaram aquclles quatro contos ? Em despezas de representação ? Não podia ser, porque a verba votada no orçamento para este fim é muito infe- rior a metade e, demais, está esgotada em dois terços aproximadamente. Foi em soldadas de creados e culis; foi eui tres ou quatro jantares ; foi em varias • - cousas, sem esquecerem as torcidas para candieiros, pois que até para isso se fazem requisições! E o dictado a sustentar que quem quer creados paga-lhes! Será uma verdade para todos, desde o mendigo até ao rei, ntas vê-se que não oomprehende o governador de Macau. Até as torcidas! Mas, senhores, se se trata de illumina- ção publica, incumbe a despeza ao municí- pio, se de illurainação particular, pngue-a o sr. governador, que não deve ser mais favo- recido n'este ponto do, que os outros .fun- ccionarios. Vae-sc descobrindo a razão por que a junta da fazeuda trabalha ás occultas, co- mo a toupeira, e se recusa pertinaz e sus- peitosamente a publicar as contas, quo o " Macaense " lhe tem exigido com in- sistência no pleno uso. d'uin direito, ao tjual corresponde um dever moral. Para uns funecionarios, mãos rotas; para outros, o systema das economias, levado até ao exagero e até á defraudação. Quem está no fastígio do poder não en- contra difficuldndcs á boca dos cofres; quem se aproveita da sua elevada posição para especular com a remessa d'algumas plantas e productos de Timor para a metrópole, recebe do thesouro quanto lhe apraz, e liquida as contas com a propria consciên- cia ; quem é amigo recebe excessivos vencimentos, que o governo da metrópole obriga a restituir, mas que por cá se recobram pela 6a. parte, para que os juros do capital rbstituendo tenham tempo de formar uma boa soinma; quem é confrade, finalmente, tem missas e responsos e emen- tas. sem o encargo de pagar os alphabetos e jóias. Coitados dos desprotegidos! —Ouvi dizer que ella dava muitas esmolas, disse um ingénuo, que percebendo, pela frieza que o acollieti, que a sua coitiiniiiiieação não havia agra- dado, accresccntou logo: —Mas parece que desde ulgitttt tempo as tem cott. sideravelmcnte diminuído, e ignora-se porquê. ■ — Por egeismo, meu caro, respondeu Bericourt. sendo o egoísmo defeito de todas as solteironas, por que razão estaria isempta d'eile a senhora Paul- tier? —Entretanto disse ainda o imprudente Au- gusto. —Está bom! senhor, acabemos... por favor; o assunn.to não é dos mais divertidos. E' melhor quo deixemos a tia para nos occuparmos do sobrinho; isso será menos enfadonho. Todos concordaram, c no fim de tres quartos de hora de supposições, observações e trabalhosas investigações estava resolvido, que se desse aos ha- bitantes de B a noticia da proxitna banca-ro- ta do senhor de Thérouan. Continua.
O CORREIO HE MACAU 59 E parecia que iamos atravessando uma «poca de moralidade financeira ! Nega-ae á fprocuratura] o pagamento de umas quinze patacas, (pie se gastaram em forrar e pintar um cartorio c que teem na repartição o documento material, jus- tificativo da despesa, dosconsiderando-se assim o sr. presidente da junta de fazen- da, que tinha visto e auctorisado a obra. Nega-se aos facultativos, que pelo mes- mo tribunal são requisitados para corpos de delicto, o magro honorário que costu- mavam receber de longa data, por se julgar que só lhes competem os salarius estabele- cidos na tabella judicial, quando luija pa- gamento de custas. E todavia o regimento da procuratura tem uma tabella especial que não coinpre- hende os peritas nem permitte a applica- Çâo da tabella geral, senão para os empre- gados da repartição. E to ínvia p mesmo regimento anctorisa as despeziis com os corpos de delicto. Vé-se que a fazenda de Macau obedece a dois preceitos : economias para com os estranhos e caridade bem ordenada A'vante, que os cofres estão ricos ! NOTICIAS DIVERSAS. Explosão.—No dia 2 do corrente pelas 6 horas da manhã foram despertados os habitantes de Manila por um estampido medonho e um abalo violento. Habituados aos flagellos que ultima- mente os tem acoinmettido, julgaram ser um novo tremor de terra, prenuncio de gran- des calamidades, mas averiguado o caso soube-se ser a caldeira do vapor Lipa que tin lia rebentado. O vapor Lipa que faz carreira de Ma- nila a Raguna estava cheio de passagei- ros, prestes a partir, quando se deu aquella horrível catastrophe. J mmediatamente ao sinistro, foram en- contrados 10 cadáveres e conduzidos ao hospital 27 feridos; ha porém mais des- graças pessoues a lamentar a julgar pelos membros e vísceras encontrados disperses ao longo da praia. Procede-se a um inquérito sobre a cau- sa da explosão. Cautela pois com as machinns a vapor das fabricas ultimamente estabelecidas '■Quem vê^as barbas do vizinhoja arder... ♦ * Ankdocta — Um padre explicando ]a doutrina no domingo aos seus discípulos, fullou na maneira de se portarem na egre- ja e nas instrueçoes que S. Paulo ordenou para a conducta do homem e da mulher nes- se lugar sagrado: em seguida perguntou a um: —Sabe a rasiio por que as mulheres não tiram o chapco quando entram na egreja'! — Sei, sim senhor, respondeu um rapaz pe- queno— é porque alli não ha espelhos pa- ra o poderem tornar a pôr á sabida. * * * Castigo.—Uma correspondência de Loauda diz o seguintc:Ein Ponta Negra, ao norte do rio Zaire,os pretos atacaram as feitorias portuguezas alli estabelecidas cansando muitos estragos. Eui consequência disso, no dia 17 do setembro dirigiu-se para alli a corveta Duque da Terceira e desembarcando 40 ma- jinheiro8 sob o commando dos tenentes Medeiros e Brion em pouco tempo resta- beleceram a ordem pondo em debandada e com perdas consideráveis o gentio. Envenenadoras.— Instaurou-se em Gross-Bceskerd (Hungria,) um processo crimiual em que figuram cerca de 100 cri- minosos. N'uinn povoação dos arredores de Ma- leneza havia uma feiticeira chamada Tekla Porow que possuía um verdadeiro labora- tório de envenenamentos. Tinha o segredo de certas drogas e plantas com as quaes manipulava um veneno subtilissimo com a propriedade de matar lentamente e sem indícios, c vendia- o de preferencia As esposas descontentes dos maridos ou ás mulheres desgostosas dos amantes. Tinha declarado guerra de morte1 ao sexo feio e calcula-se em mais de 100 os pobres diabos que marcharam para o outro inundo antes de tempo, impellidos pela diabólica beberagem preparada no labora- tório da senhora Tekla. 35 mulheres se acham já prezas como criminosas, e 40 outras como suspe'tas de serem freguezas da snra. Tekla e terem abreviado os dias dos seus amantes ou maridos. A filha desta diabólica creatura é que denunciou a mãe á policia por causa d'umu questão que teve, em que ella a ameaçou de a mandar dormir o somno eterno antes de tempo. * * * Tremor de terra —Km Foohau liou- ve ultimamente no curto espaço de 4 bo- as, 4 tremores de terra, que aterrorisaram os seus habitantes por differirem muito dos abalos, a que estão habituados com espe- cialidade na presente estação. Um velho de 80annos diz que nunca pre- senceou em Fochau os tremores do terra tão violentos como uquellcs últimos, nsm se succederam em tão curtíssimo espaço de tem po. * * * Pes amarrados.—Consta-nos que em Á- moi se reuniram alguns centos de mulhe- res cbinasj que se ajuramentaram afim de não ligarem os pés a suas filhas e não ca- zarem os filhos senão com raparigas de pés soltos. »f- A ser verdade, era um grande beneficio para o sexo frágil, porque se via livre das torturas que o barbaro costume antigo lhes infligia. * * * Dr. Tax,ver.—O celebre apologista dos jejuns demonstrou ultimamente no Cana- j dá, os relativos valores da cerveja, e da agua empregados como nutrição, desafian- do 6 homens a jejuarem com elle. O doutor bebendo só agua, resistiu muito mais e melhor aos rigores da fome que os seus companheiros bebendo cerveja. Que lhes preste ! o dr. já ficou sem mu- lher por causa das experiências e alguma vez ficará sem vida com os taes alimentos aquosos. Obrigou a mulher um mez a comer só nabos e no fim quiz mudal-a para feijão verde; ella porem não esteve para o aturar, creio que lhe subiu a mostarda ao nariz foi queixar-se pedindo divorcio e mandou-o bugiar. * f * I Assassino.—Foi prezo n'uma herdade um hespanhol que lia pouco assassinara sua mulher em Badajoz esquartejando-a e depois guardando os pedaços n'uma cai- xa. O barbaro está guardado na cadeia d'El- vas a fim de s- r entregue ás authoridades hespanholas. Produção de petróleo.—Nos periodi" cos de Londres, vem uma noticia dada pelo snr. Peacock, vice-consul da Inglaterra em Bateum com referencia á producçSo de petroleo nas immediaçoes de Baken. Diz elle: "A região do petroleo nas cer- canias de Baken occupa uma superfície de 1:200 milhas quadradas .Os terrenos mais produotivos na Pensilvânia pagam-se a razão de 3:500 libras por cada geira. A exportação cm 1881 foi de 4.244.000 bar- ris de petroleo." * * * Porco monstro.—Foi morto na fregue- zia de Arão, concelho de VaLnçu do Mi- nho um porco que pezava 22 arrobas e of- fereciam por elle 15 libras. # # # Cavallo.—Segundo es investigações dos sábios, o;cavallo appareceu na Europa depois do boi O cavallo é originário da Asia,[foi apro- priado e utilizado primeiro pelos patriar- chas pastores. Das esculpturas de Ninive se vê que o cavallo era empregado na caça e na guerra pelos Assyrios. Scmiramis no soculo XXII antes da era cliristã depois de perder uma batalha con- tra os indios, deveu a salvação á veloci- dade do seu cavallo. Eram ainda assim rarissimos oscavallos na Persia, no tempo de Cyro. No Egvpto, havia pouquíssimos até á invasão do Kyrksos pastores, 17 séculos antes da era christã. Na Europa haiva pouco6 cavallos antes da invasão dos bárbaros. Mabouiet tinha apenas dois no seu exer- cito, quando marchou contra Meca na lista dos [seus animaes, figuram ovelhas, ramellos, mas não cavallos. Mais.tarde quando os arabes se toma- ram uma nação montada, foi dVlles que por ultimo os negros e os cafres obtive- ram os cavallos que se encontram nas enor- mes e riquíssimas pastagens dos plainos d'Africa. * # * Transporte.—No dia 22 de novembro saliiu de Lisboa com destino a Goo, e Mo- çambique o transporte índia, levando a bordo o 2o. batalhão do Regimento de In- fantaria do Ultramar, sob o commando do seu major Fragas para render o lo. que se acha no Estado da índia. Dissemos que foi o batalhão, mas antes devíamos ter dito, a.força, porque incluin do sargentos, cabos e cornetas, não passa va de 1(10 praças e 12 otticiaes. * * * Destruição d'uma cidade.— O coura- çado francez D'Estrees acaba de bombai de- ar uma cidade indígena das ilhas de San- to ( Oceania ) a fim de vingar o assassinato d'uns súbditos francezes, que ultimamente pereceram traiçoeiramente, ao ferro dos naturaes do paiz. O D'Estrees ao aproximar-se da costa lançou sobre a cidade 200 projecteis entre bailas e granadas. A mortandade foi enorme. * * * Cobjugicida.—Está preza em Lis- bo a uma mulher de appellido Marreiros á es pera de na\io que a conduza á africa, afim de cumprir a sentença de 0 annos de degredo que lhe toi imposta no tribu nal da comarca das Caldas da Rainha co- mo cúmplice no assassínio de seu marido"
O CORREIO DE MACAU SEMANÁRIO POLITICO, LITTERARIO E DE NOTICIAS. Preço de Assiusatuka. J Por raez, $0.25. Por anno, 2.50. Numero avulso, $0.10. Para o estrangeiro accresce o porte do correio. O Proprietário, Editor e Redactor responsável, Manuel J. dos Santos.—Redacção, Largo do Senado no. 2 Vol. I] MACAU, DOMINGO 18 DE FEVEREIRO DE 1883. 'No. 19 EXPEDIENTE São nossos correspondentes no estrangeiro os seyu int es ca oalh ei ros: Em Hong-Kong, o Fe mo. Silr. Theotonio da Cruz. " Shanghae " E. F. d'Almeida. " Fochuow " Daniel da Hoza. " Timor " Luiz X. Jxibo. " Yokohama " Polydoiv F. da Silva. A estes senhores poderão os nossos assigiuintes entregar a importância das suas assiynaturas. Macau, 18 de Fevereiro de 1883. A noticia qtie nos consta ter che- gailu pela passada malla franceza e confirmada pela ultima malla in- gleza de que o Capitão Roza fora de- finitivamente nomeado governador de Mac ai e o sr. Graça exonerado, será provavelmente agradavel aos partidários desgovernos militares, mas nao vemos n'essa nomeação garantia alguma dada pelo Estado em beneficio da prosperidade d'es- ta colonia. Mesmo como chefe militar, não cremos que um capi- tão com accesso a major seja o funcoionario digno de commandar em chefe a força armada da colo- nia, pois esta conta, no cominando de seus diversos corpos, officiaes FOLHETIM. de graduação superior á de ma- jores. O chefe militar devia ser um general, ao menos um briga- deiro, a querer que a escala visível dos postos seja a que constitua o predomínio do mando e o presti- gio da authoridade. Mas não ha que admirar. A politica da Grã-Duqueza de Ge- rolstein é a que rege hoje os nos- sos ministérios. As nomeações dos inversus, icm «u^utue um uiuu generaes Bums fazem-se e desfa- nal especial, cujo chefe, apezar di zem-se pela electricidade ; os pena- possuir a alçada de juiz, é subordi lhos atarmcham-se pela magia ; nado ao governador da colonia seguem-se depois as celebres co- subordinação essencialmente anó medias administrativas de que o mala de que tem sabido graving' pobre povo é espectador gratuito, mos conflictos entre os dojv,- A única solução oue dá.o. ininiste- res. conflictos em que o *Vj*era • - ,u "nmiiu,— uuiiruiuia maio sesruru a at£„.o\ rio aos graves problemas adminis- vernador lhe suppram a importan- te lacuna de inexperiência. Mas receiamos muito o contrario. Es- tes receios fundam-se nas serias diffi- culdades que se apresentam na ad- ministração interna d'esta colo- nia, difliculdades que affectam o corpo civil e não o militar. O go- verno dos chinas e o dos portugue- zes regem-se por princípios muito di o . Te aquell trilm- USIA PAGINA 1)A VIDA DE UMA SOLTEIRONA. f Traducção do franecz.) ( Conclusão.) Pela vigésima vez repetia a si mesmo o que aca- bava ile ler, quando uma alegro vózinha se tez ou- vir á porta. "Posso entrar, papá ? " O senhor de Théronan passou rapidamente o lenço pelos olhos o respondeu: "Sim, uieu amiguinho. " E Edmundo autrou, vestido com simplicidade e sem os ricos bordados com que as criadas costu- mavam onlèital-o, mas ligeiro o gi acioso coin o seu bibe branco e os cabeilog deitados para traz ! Esta fresca e risonha appariçào acabou de dilatar o co- raçAo do infeliz pai; foi a folha de rosa quo fez tras- bordar o vaso. O senhor do Thérouan abraçou e lieijou seu fillio clioruudo tauto, que a criança exclamou c msterna- da: Ah! O papá faz como a mamã ! Mas porque choram ambos, quaudo eu estou tão contente ? — K o que é que te torna contente, meu querido ? E amam»; ella estima-me agora tanto! é tão boa! veste-me quando vem da missa, ensina-mo a rezai-, passeia comigo e conta-me historias lindas. Oh! eu sou bem feliz, mas quereria que vós o fos- seis também, c para isso vou rezar ao bom Deus; a tia Tliereza diz qui crianças. '' trativos que cercam o governo superior d'esta colonia é tornal-os mais insolúveis confiaiido-os a indi- viduos que não teci D a presuin- pção de competência administra- tiva. " Sit pro ratione voluntas ! " Fazemos votos ardentes para que a fama de intelligencia, as quali- dades e os dotes pessoaes, e a in- fluencia ministerial do novo go- Kdmundo foi ajoelliar-se a um canto, e emquan- to ella resava, seu pai saliiu do quarto e foi ao da senhora de Thérouan, onde entrou depois de ter batido. Sabina, curvada sobre a mala, que acabava de encher, levantou vivamente a cabeça, eo seu olhar cobortode lagrimas encontrou o do seu marido, que exprimia uma profunda alegria. O sr. de Thérou- au abriu então os braços em que sua esposa se precipitou, reconquistando para sempre o seu lugar naquelle nobre coração. Neste momento Edmundo, que tinha ncabado a sua oração, apresentou o rosto alegre e rosado na porta entre aberta e disse : " Sois felizes ? Estil decidido ? —Oli! liem felizes! murmurou Rend, que era o unico que podia coinprehender aquella estranha apostrophe. Mas quasi no mesmo instante ctibriu-so d'um veu o alegre rosto de Sabina, que perguntou ein voz baixa a seu marido: R o ourives ? E o teu cliente ? —Pude pagar-llie. Arnim, querida Sabina, tam- bém um anjo me visitou ..." E com a voz cominovida contou então quanto julgara dever escomier-lhe, não tendo a senhora de Thérouan durante muito tempo se nao la- grimas para traduzir o que sentia no ^coração. Oh ! nobre e santa mulher! exclamou por liin; ..... „dicial sempre foi esmagado pari prestar homenagem á prepotenci autocrática dos que governam sen conhecerem os princípios mais ru diinentares da politica administrate va. As reliições auctoritarias con os chinas não param em Macau vão até Cantão- Recebem-se aqu officios enérgicos das authorida des cantonenses, pedindo explica ções de certas prisões de chinas t . v..v>uiIIUu |»VI lllllj . , —,
O CORREIO HF': MACAU «té ( xigitulo a soltura dos presos. O governador, mais ou menos fra- co. si ji'ita-se, e arrasta o juiz pro- curador a revogar as sentenças e a lazer o papel tristíssimo de histrião. colonia a uma completa ruina, ou o propria governo superior assentou cornsigo mesmo encaminhai a á des- graça final. Quanto a nos, continuaremos A proximidade dos cruzeiros da aI- inabaláveis na nossa tarefa de ex. fandega chiueza, as insolências que por os males que corroem a vitali. estão commettendo á boca da nos- dade d'esla possessão, e como os sa artilheiia, quasi cozidos com os inales se aggravant, maior campo no sos fortes, é uma circumstancia se nos abre para a exposição im- pejada de conllictos. Os rendi- parcial e a critica desassombrada, mentos da colonia estão assentes Entre "as graças" que,se vão, e as em bases falsas; a immoralidade " rozas" que chegam, ficaremos invo- d'algumas fontes principaes de re- c.ando as musas e cantando a ruina ceita puhlija oITcnde não só as leis das nossas possessões asialicas. A's da semi-barbara China, mas a civi- graças que se vão rencommendare- lisuçao avançada em que se acham mos que visitem os arehivos do as colon ias estrangeiras que flores- cem em volta d'esta decrépita ci- dade. O jornalismo que fi z abrir os olhos a muita gente, que protes- tou energicamente contra as prepo- tências do actual governador, que se fez ouvir na metrópole eno ga- binete do ministro da marinha, es- ministerio da marinha e os dos ne- gócios extrangeiros, para verem quão gracejanle papel representa- E' expresso n'este decreto que, cm taes circumstancias, os secretários não são go- vernadores, mas apenas transinittem or- dens em nome d'clles, providenciando para os casos occorrentes. Não o entendeu porém assim o sr. Corto Real, que d'ha muito nutre esperanças do administrar esta província, e que sem se prouder com as simples exigências dos casos occorrontes, começou a enfiar destemperos de toda a ordem, como amostra d'uui go- verno civil, sendo louvado profusamente por meia dúzia de imbecis, que alii se atrellaram ã carroça da opinião, sem con- seguirem movel-a, embora o proprio sr. Corte Real fosse sempre puxando á sota nas correspondências para os jornaes do reino. Atropellamentos houve em abundancia e uma das victiinas foi o sr. Demétrio Ci- natti, digno capitão do porto, com quem não temos outras relações, alem.dos d'um profundo respeito pelo seu nobre caracter e reconhecido merecimento. Este funcoionario, que é dos mais úteis ram 110 governo desta colonia, e so- •' colonia, que é incansável no cumprimento hretudo na embaixada á Ilha dos -lo se. dever, one recebe os seus exíguos Amores. Ninguém hoje ignora, e as graças verão que o ministério dos negocios extrangeiros também se jornalismo que veio ultiinumen- o não ignora, que, se a embaixada te preencher uma lacuna assustado- foi ao Japão, foi porque a Inglater- ra na opinião e illustração do povo ra queria mais uui voto para o seu macaense não deixará de causar ministro nas conferencias para a certo terror a um governador inex- revisão dos tratados: e Portugal nte, embora illustrado. annuiti a esse desejo mandando algumas das diflieulda- um ministro que logo que pizou 'hUTAE'l'M ill.flfiefer iter-iu ii 'sr. Corte "Real, ftvmti !les que el icon irara o sr.-ix.»/.a i,..s — .TTaponczi, j«s v^, k ^ ^ a esperitr) (.uando as regiões administrativas d'esta eolo- temente anglopho )o a~ i. «■ victimas são dotados do brios e dignidade. nia. Mas se encararmos a nossa proprio ministro que ellc ia apoi- melindrosa situação politica e in- ar. Em pre uno d isso, leva as suas i a r- 1 - ternacional, veremos que se "as gra- bujigangas do Japão e a sna graj ças" foram poéticas e graci jantes dc eruz, como tropheos de victoria dl- rozas" não ficarão com plomatica eglorias immorredouras do seu dever, que recebe os seus vencimentos com a justiça e consiencia, que poucos teem, este funccionario foi censu- rado publicamente pelo sr. secretario geral do governo, a quem é incomparavelmente superior em qualidades de empregado, mas a quem a imprevidência da lei o sub- ordinou por alguns mezes. Sio bem conhecidos os motivos ou pre- textos da censura, e para não mexermos em coisas pouco decentes, apenas pronun- ciaremos as palavras—cartuchame, emolu- mentos. Os resultados de tão revoltante injusii- "al, ftvarfi mais, "as espinhos dc menos. Por falta dc tratado com a China, estamos até O sr. Cinatti pediu a exoneração do seu cargo e, se ella fôr aceita pelo governo da metrópole, jamais poderá esta colonia per- doar no sr. Corte Real o erro de a privar d'um dos seus servidores mais prestantes e conscienciosos. Estando n'estas circumstancias as rela- ções officiaes dos dois funecionarios, só- lio seu talento administrativo. E ás rozas que ahi vem, diremos ^ hoje feitos uma quantiiíadeincognita simplesmente que uuo ha rosas sem os juntar'em umacom- missão de serviço publico. E'por isso que todas as pessoas sensatas, depois de lerem a portaria provincial de 10 do corento, re 110 grave problema da nossa auto- espinhos, noniiu. A'astúcia diplomática chi- ueza, Portugal oppõe o seu capi- MAIS DESTEMPEROS. t ão do exercito, feito ministro pie- >ío ui.timo numero do Boletim lé-se urna lliootenciario á pressa, sem uma só portaria provincial, em que o sr. Joaquim ' , ti . José da Graça mais uma vez mostra 11 ao prova de competência diplomática. £ Ja (.0'mpr,:lie„N1„, 8eriedade e pm- se poderá esperai ,}encia> esseuciaesa um governador e a um d'essa questão pendente entre Por- ministro plenpiotenciario junto do tres tugãl e a China, quando o minis- córtes estrangeiras. 1 1 - 1 1 /. Lamentamos terdeaccusar um iuiiccio- troque vem deshndal-a e «1 uma „ue Viie em breve retirar-se d'esta * II 1" ') . IllH 'th ,|l,c ^ competência a mais problemática . j)rov;ucia, mus não podemos deixar íleo fa- Accresce O facto da reabertura zer a proposito da citada portaria, em que da emigração livre por Macau Por falta dc convenção com a (Jlii- o sr. Graça pareço que teve em vista diver- t.irse á custa d'um dos caracteres mais si- sudos, honestos e apreciados d'esta colonia. , MUUwa " "1 na, em quaes bases se ertectuara fundamentarmos estas palavras e essa emigração ? sol) qual pretexto justificarmos a nossa accusacão ao governo .* 1 . .. . « ;.......... 1.. i. »<-» mui 1 a defenderá e protegerá o novo go- vernador, se a China insistir em guerreal-a ? Ao contemplarmos a gravidade da situação d'esta colonia e a pue- rilidade das medidas que toma o ministério, forçoso é confessar que nua íat didude está arrastando a provocada por um acto imprudente, pedi- mos licença aos nossos leitores para lhes lembrarmos alguns factos, que ahi se de- ram ha meio anno. Quando no dia 1 de maio de 1882 par- pelliam o Boletim, como um objecto pou- co digno de ser lido. Se é preciso formular um regulamento para se estabelecer a emigração livro polo porto de Macau, se este serviço demanda os conhecimentos do sr. capitão do porto, devia ter-se prescindido do sr. secretario geral. Se este funccionario se julgou con- veniente á commiesão para fornecer-llie os dados jurídicos de que deve carecer, creia o sr. Graça que não fez escolha acertada e d'isso o podiam ter advertido os incessan- tes erros jurídicos, a que o sr. Corte Real o tem arrastado. Nós cremos que não é injurioso para qualquer iudividuo negar-lhe conhecimen- tos de uma sciencia, e que portanto não pode o sr. secretario offeuder-se com a con- vicção geral da sua nullidade em assumptos jurídicos. Não seria sufficiantc o sr. delegado do escla- tin para o Japão a decantada missão diplo- procurador da coroa e iazeuda para esela- maticn portugueza, ficaram as redeus do recer a commissão com os seus conheci- governo de Macau entregues ao sr. secre- mentos especiaes? Nao seria preferível ao "ario geral, como determina o decreto de . tr. secretario o mentissimo juiz de direito 1 de dezembro do 1861). | da comarca, cuja alta posição social o a
O CORREIO DE MACAU mais segura garantia de habilitações em matérias de jurisprudência ! Nós não estamos em terra de cegos, on- de haste ter um olho para ser rei. Se o sr. Cinatti era insubstituível, não pode dizer-se outro tanto do sr. Corte Re- al, '■ * colonias, especialmente esta, conjjr^ 1 4 d feitoria da mão patria o fonte inex m. uuiasutunt initio setrufilJj_arf/,veV_ *** Aposta cituiosa.—Ultimamente dois chi micos de Pariz apostaram com o minis- tro dos correios e telegraphos o snr. Co- chery que, por espaço de um mez, haviam de cartear-se quotidianamente, empre >-ando sempre as mesmos estampilhas com* que houvessem franqueado as duas primeiras cartas, sem que os empregados do oorreio dessem por tal. O sr. Cocherv ordenou immediatamente que fosse exercida uma grande vigilância mas não obstante ella, perdeu a aposta por' que os chimicos no fim do prazo, apresen- taram as estampilhas intactas e em dis- posição de servir novamente. Eis o processo a que recorreram . Depois de collado o sêllo no sobseripto, davam-lhe uma pincellada ligeira de collo! dio, resultando d'ella^uma capa translúci- da, finíssima, imperceptível, que deixava ainda ver os mais delicados traços da es- tampilha. Sobre este collodio protector o emprega- do do correio inutilizava a estampilha com o competente carimbo, e a carta se- guia o seu destino. A' chegada, o destinatário levantava como se fora uma pellicula de cebola a- capade collodio protectora, e, por conse- guinte, desapparecia o carimbo impresso subsistindo intacta a estampilha. # * * Exposição.—Em dezembro do corren- te anno, inaugnrar-se-ha em Calcutá uma exposição internacional, que se dividirá em 9 grupos on secções principaes, a saber : Bellas-artes, apparelhos e applieações das artes domesticas, vestuário, product os d industria florestal mineira-, e trabalhos do crianças, alimentação e hygiene, ma- il uiuc tuias diversas.
u e CORREIO IE MACAU SEMANÁRIO POLITICO, LITTERARIO E UE NOTICIAS. Preço de Amsionatura. Por mes, $0,25. Por anno, 2.50. Numero avulso, $0.10. Para o estrangeiro nccrescp o porte do correio. O Proprietário, Editor r Redactor responsável, Manuel J. dos Santos.—Redacção, Largo do Senado no. 2 Vol. I] MACAU, DOMINGO 25 DE FEVEREIRO DE 1883. TNo. 20 EXPEDIENTE She nono* corres)mndente» no estrangeiro os seguintes cavalheiros: Em Hong-Kong, o Exmo. Snr. Tlieotonio da Cruz. " Shanghae " E. E. d'Almeida. " Fochaow " Daniel dei Soza. " Timor " Luiz X. Lobo. " Yoholuima " 1'olgdoro F. da Silra. A estes senhores poderho os nossos assignnntes entregar u importância das siuts assignaturas. possessões ultramarinas. O pro- formado em Direito; foi secretario gresso das colonias portuguezas do governo das Ilhas Junius de Macau, 25 de Fkvkkeiko de 1883. Nada concorre mais a produzir uma apreciação justa da situação interna (Testa colonia, do que a comparação imparcial e desapaixo- nada com a visinha colonia de Hongkong;. Fundada ainda ha poueo, Hongkong; elevou-se a uma ••Rura inportjuitissima como çoJn: nia, desenvolveu-se por um pro- gresso gigantesco, e pelas suas instituições, seu governo, seu coin- mercio, sua civilisação, pode servir de lição inestra quando a contras- tamos com esta decadente colonia quinhentista do Santo Nome. Por- tugal foi nação colonial antes de a attingiu nos tempos passados um certo ponto de perfeição; depois estacou, e hoje retrograda. Mui- tos são as causas que produzem este retrocesso, e a primeira é a im- moralidade politica do altofuncci- onalismo da màe-patria, immora- lidade, egoísmo e incompetência notorias em toda a Europa. Pon- do porém de parte as causas, exa- minemos os effeitos nos seus pon- tos mais salientes. O primeiro contraste que nos apresenta a colonia de Hongkong com esta nossa de Macau, é o seu sys- tenia de governo civil comparado com os nossos governos militares. Desde 1843, data da fundação d'aquella colonia, tem-na quasi sempre governado administradores ' ' soem tres casos, em 1852, civis 1855, e 1859 os governadores fo- ram militares, mas de graduações superiores. O seu ultimo governa- dor foi um einirrenteytdvogado, di- Inglaterra o ser ; mas hoje como plomata, deputado, e-. gover- nação colonial esta muito áquem na(ior de varias outra'f^lonias eífr do progresso e da civilisação que : Inglaterra está liberulisando ás suas FOL II ET 1 M UMA PROMESSA. Africa, em Labuan, Bahamas, etc. O seu actual successor é também 1854 a 59 ; governador de Queens- landia de 1859 a (?8, de Nova Ze- lândia, de 1868 a 73; de Victoria, de 1873 a 79 e da Maurícia de 1879 a 83. Por similhantes tiro- cínios passaram quasi todos os ou- tros governadores de Hongkong, e é por isso que a colonia tem si- do exemplarmente administrada. Em Macau porém, segue-se o sys- tema de governos exclusivamente militares ; e a historia dos seus ac- tos administrativos é tão conhecida e ludibriada como o é a de nomeações. Perguntamos: torna se porventura mais segura a au^p- nomia d'esta colonia sendo ell regida por governadores inTlitares», em vez de civis ? Como é que a» visinha colonia se faz tanto respei- tar pelo governo chinez apezar de ser civilmente governada ? A res- posta é obvia. E' porque o go- verno civil confiado a pessoas emi- nentes e experientes, e apoiado pe- la influencia e pelos recursos da ÍRRynação, exerce muito maior presti- Tenho pena do que te afflijas por minha causa, e peço-te que estejas soccguda neste momento, em que estamos sós, a fim de ouvires o meu ultimo pedido, o de te não esqueceres do roeu ultimo desejo Tu, Margarida, cuja triste creaneice e cuja infeliz mocidade tem decorrido debaixo do tecto paterno, «abes que tenho sido pouco feliz neste mundo; sabes que, quando teu pai pediu a minha mão, era eu ainda muito nova e ja orpliã, e ( Traducçho do Francez ) 1. Entro as elegantes villas e as alegres vivendas, quo cercam o I.oire nus regiões de Saint-Cyr c do Naint-Syraphoricu, distinguia-se em Tours uma casa grande de aspecto tão sombrio, que os olhares do viandante se desviavam d'ella ínstinctivamente. „ „Nessa casa e num quarto de cama do primeiro que o acompanhei ao altar sem compreheúder andar chorava e rosava em nina melancólica tardo que só a minha fortuna o tentava sem que o cora- d'outubro uma menina de dezeseis ânuos, perce- çáo o guiasse de algum modo ; sabes em flin que beudo-se pelos medicamentos espalhados sobre as o i:.. u caracter ilie desagradou sempre, que a mi- inezus, pela chaimna que brilhava no fogão, ape- nha resignação provocava as suas violências e que zardo ter ujiciias começado o outomno, pela pallida o attractive, que para mim tinham as orações e as luz do uniu lamparina e einfim pelos gemidos que esmolas, o faziam aborrecer a Deus e aos pobres. de quaudo em quando se ouviam, que a infeliz cri- Mas, minlia filha, apezar de tudo, atnei ança chorava e rezava peia mãe que ia morrer, scinpre meu marido, e desejaria amal-o aluda ua quaudo uma eminagreeidu mão abriu o cortinado do leito, e uma voz quasi extineta chamou-, " Mar- garida! " A menina correu para a doente reprimindo os so- luços, levaiitou-lbe os travesseiros, chegon-lhe ntnu laranja aos lábios seccos e esbranquiçados e depois de a ter meigamente abraçado, disso-ilie: —Dormiu uiu pouco, miulia mãe. Está melhor —Não ha melhoras pura mim, tninha querida filhu; o muito desejaria que to pudesses costumar a essa deia pura mim tão lá miliar e tão cara... eternidade e tornar a vcl-o no céu, , e é a ti. Margarida, a ti, que és a única que tem influ- encia mi coração de teu pai que quero dever essa alegria infinita; és tu que lias de reunir teus pais no seio de Deus com u tua ternura filial e a tua dedicação, e será o teu amor que, como forte alavanca, elevará a alma do meu pobre Eduardo ácima dos vis Interesses da terra, conduzinilo-o á fé Coinprehcndes-me, Margarida ? Comprehendcs que nesta hora supremo tu lego a alma de teu pui gin, do qSC H!" g'^erno puramente militar, presum7*''vt,ment« e de 'llutCT1 A infeliz meinne levantou o qual se via brilhar atravez das' lagrimas uin sauta energia, e disse: .) —Compreliendo-a, minha muito querida mái, e ac eito essa nobre missão de que as suas orações ine tornarão digna, juranilo-lhe não deixar meu pai sem a ter cumprido ! A doente lançou eutão sobre sua filha um olhar demorado e ineflavol, c contemplando iiela ultima vez aquella cabeça encantadora, aqueiles olhos meigos e brilhantes e aquellas lindas tranças loiras pousou que os anjos, que ia ver nos ecus', não po- diam ser mais bellos que Margaiida, c o sou cora- ção ile mac, tão «mio até então, confraugcu-se com a lembrança du próxima separa ão Mas Deus, que, periuittindo as tentações' e as fra- quezas, concede ao mesmo tem)» a graça que as faz vencer, mm quiz que esta lula suprema se pro- longasse e approximaudo a sua divina graça d'es- te leito do dor, elevou a caridade ebristã ácima das angustias maternas, e a fé da moribunda, le- vautaiido-se como dique, veio oppor-se ás amar- gas oudas das ultimas saudades. --Margarida, disse ella eutão com vez socegada, João ainda nao veio hoje ? —Nao, mãi; apcuas mandou suber como estava 3a'": 1"« die receia encontrar meu pai. - - Pobre rapaz Coinpreheudo-o e cotntudo custai-mi-hia morrer sem toriidVa vel-o. Conti u tio.
O CORREIO DF. AIÀOAU facto incompetente para deslindar questões diplomáticas e iuteniaci oones. Accresce o facto de serem os governadores de Macau ministros plenipotenciários para as tres cortes mais importanteseos (pie de- cide da nomeaçá > «J'am deputado **^yôrtes, que só representa unia fracção, ás vezes bem pequena, do ~ ■pv'o ( iino é que se nomeia um >i:ii rador civil d'uma colonia e c importante, como e que j pia um ministro plenip >ten- f representa, toda a nação em pezo, sem se consultar a opi- nião sensata da maioria d'essa na- ção, sem se procurar ao menos a approvação das cortes ? Dir-se-ha que é em virtude do voto de con- fiança que as cortes depositam no governo, que este nomeia gover- nadores coloniaese mjg,ií£ros Não ança A chronica o em que era jier- . aiittid i a emigração pelo porto d- Macau, I entravam nos cofres !• 'secretaria do go- verno milhares e milhares de patacas do ' emóloniòntôs annuaes'! Digam nos que a ninguém é estrauha- vel promover os seus interessos, mas não exijam á imprensa <|ue proclame benemé- ritos da patriu aquelles que procuram as conveniências pessoaes. Nós não temos a ingenuidade de acre- ditar que a cidade de Macau volto ao seu UMA VISITA DE HONG KONG. O jornal -'The Catholic Register" de Hongkong, estranhando que nenhum dos semanários de Macau se tenha lembrado de indicar o sr. secretario geral, como o principal influçofcri,afã o restabelecimento • fncial '. i ali uuu u m in da emigr,-^.}- este porto averba-nos a anti 1 lendor e recobl.t, uma pirle c01l. ' juós de parciaes em lavor d alguém, cujo „jderavei da vitalidade, que teve na época nome não menciona. da emigração; mas ainda assim entendemos A luva toi ja 'evantadn pelo nosso pre- ; 0 |eci.et0 de ,() de Dezembro de 1882 sado coliega o Independente com as mane.- ^0Qxe beueficio a esta colonia. ras mais distinctas e por torma a convencer . , i uns» i- .. jg p0r entendermos que se pena um lie- o illustrado jornal ingl z deque melhor fôra ter imitado o silencio da imprensa de Macau, do que provocai-a a declarações pouco lisongeiras para o seu protegido, o sr. Côrte Real. O venerável coliega da visinha colonia devia attender a que i em só o " Indepen- dente " e o nosso jornal se abstiveram de cantar louvores no secretario do governo, cujos actos teem por vezes censurado me- recidamente ; também o Macaense, que cos- tuma ser benevolo com o sr Côrte Ileal, teve a prudência de não o mencionar como restaurador da emigração. Não foi portanto a parcialidade que in- fluiu na imprensa em promover os interesses desta coionia. neficio, quando a cidade representava con- tra as portarias do sr. Andrade Corvo, nós sentimos profunda magua, vendo o sr. se- cretario a oomprometter, sem intenção, os interesses de Macau. Aproveitnndo-se da ausência do sr. governador para pedir ao ministro unia importante medida, era de reoemr que o ministro a não decretasse, caso tivesse em grande consideração o chefe superior da província, para que O nome d'este não fi- casse estranho a um acto vantajoso para a colonia. Felizmente o sr. Mello Gouvôa estava bem disposto em favor da nossa pretensão e não se prendeu com atteuções pessoaes, nem se indispoz com a forma inconvenien- te, pela qual o sr. secretario se lhe dirigiu. Terminaremos dizendo ao. "Catholic Re- gister" que o.sr. Côrte Real está presidindo a uma commissiio encarregada de elaborar o regulamento da emigração, o ello pro- prio se convencerá em breve de que nada influiu para cora o ministro, e que entre o
O CORREIO DE MACAU 76 que um decretou e o outro deseja ha grn-n de divergência. Nós veremos o regulamento do sr. Cor- te Real em opposiçâo com as leis do reino, que o decreto manda observar. Nada mais, porque tudo disse o pendente" ao qual uos associamos. 'Inde- -:o: - READMISSÕES. Se os aetnaes sargentos não erão bem com- portados, para que lhes deram boas infor- mações 110 ultimo anuo ? Se acabam de reconbecer-lhes bom comportamento, para que lhes negam as vantagens corresponden- tes 1 Não sabe o sr. governador que as dispo- sições favoráveis devem interpertar-se am- pliativãmente .' Nilo sabe, mas temos esperança de que o saberá o novo go"ernador e o novo mi- nistro da marinha e ultramar, de queui esperamos qne farão a justiça devida man- dando abonar u readmissão aos actuaes officiaes inferiores. A o arta de lei de '27 de julho de 1882 regula o mudo como devem sor rcaduiit- tidos no serviço os efficiaes inferiores das guarnições das províncias ultramarinas e do regimento de infantaria do ultramar, contendo as seguintes disposições : Art. lo. Os officiaes inferiores euro- peus e indígenas das guarnições das provín- cias ultramarinas e do regimento de iufuii- teriadoultr.im.ii activo serviço, po . jecto do serviço official e desejando asse- OOMMU VIÇADO. Sr. Kedacdor, Tendo de retirar-me para Dilly por ob- derão ser readniittdos por períodos succes sivos de três annos, a contar do termo do serviço a (pie cada um estiver obrigado jieln natureza do seu alistamento. 1'. lo. Estas readmissões só serão con- cedidas quando os indivíduos que as reque- rerem reunam á robustez necessária, in- formação de bom comportamento civil e militar. Art. 10o. Aos actuaes officiaes inferio- res serão ab >nadas as gratificações deque verar d uiu tuodo explicito a imnicusagra- tidão de que me sinto possuído a favor dos habitantes de Macau, pelas multíplices e significativas provas de sympathia e de- ferência (pie d'elles acabo de receber, peço a v. se digne inserir nas columuas do seu illustrudo semanário a expressão modesta do meu profundo reconhecimento. As manifestações de que fui objecto vie- ram mais uma vez demonstrar-me que para • j i ganhar sympatliias não é preciso merecel- trata o nrtigo do. conforme o período de i ™ , J .r . f . ,, , ; . .. fr .• .... 1 . . as; basta simplesmente a boa estrella do readmissão em uue nstiverem, e a princi- • >• • , - 1 - " individuo que as inspira. piar da data da publicação d'esta lei no boletim official da respectiva província, ou no boletim militar do ultramar, quan- do taes officiaes inferiores pertençam ao regimento d i it" nt via d« ultramar. Querendo prevulecer-sò das vantagens feridas pela lei, requereu um sargento e preto&díàm requerer outros ainda, que lhe fosaeill dados u que tinham di- "1Ww,'por serem boas as dias informações aniiuaes. (1 governo dft província porém no seu alto saber, entendeu que uma pri- são dicipliuur sotirida lia annos c nodoa indelevel, e que uma falta insignificante não pode ser sanada pelo procedimento pos- terior. A lei exige informação de bom com- portamento militar " e o sr. governador entende que quem obteve boas infomaçõos durante alguns annos podo ser classificado de mal comportado. Nós é que não conipreliendeinos estas subtilezas, que o sr. delegado do procura- dor dil corôa levantou, dando logar n que um official inferior uma vez castigado Swatow.—Diz-se que a questão levan- tada ha pouco sobre o direito de proprie- dade d'ura terreno em Swatow vae ser di- cidida pelo Taotai a favor dos alemães. Teem havido varias confereucias entre os magistrados cbinezes e o consul alemão e diz-se que o Taotai coucederá tudo que qilizerem attenta* as sabias rasões apre- sentadas, e priucipalmonte, attouta a pre- sença da canhoneira Uris que está proni- pta também a fazer-se ouvir pela voz retumbante dos seus cauliões d aço. Creio que é esta a rasão mais convin- cente apresentada pelos alemães. * * * Não espccialiso aqui os nomes d'aquel- les a quem fico reconhecido, porque os sentimentos profundos como o du minha gratidão não podem graduar-se ; e eu n. citaria em primeiro logar o nouie de um I dVs-es indivíduos, sem ferir no meu âspi- 1 rito o direito dos outros. A v. sr. redactor, os meus sinceros agra - j deciinentos pela beuevoleucia das phrases que uma ou outra vez se dignou dispen- sar-me no seu digno sVunnnario. Macau 21 de fevereiro de 1883. Ci uioso.—No Osaka Shi nip o vem um novo meio para a formação de companhias inventado no Japão mas que infelizmente não deu bons resultados por cmquaiito : Consisto elle ein mandar chamar os ma- gistrados da cidade, dar lhe parte de que o governo tenciona, deseja, ou quer que se forme uma companhia pura este ou aquelle fim commercial, e por isso devem induzir os cidaduõs endinheirados a subscreverem, aliás elles magistrados serão demittidos por negligencia no cumprimeuto das ordens superiores. Ultiuiameute deu-se este facto. M. Shi- ungawa, 2o. ministro da agricultura e cotn- inercio, tendo mostrado desejos de que o povo comprasse acções da nova companhia de vapores, mandou chamar os magistra- dos e reprehonduu-os severamente por ne- gligencia. Os pobies homens lá andam em busca de accionistas, mas creio bem sucoedi José Go.uks da Silva. NOTICIAS DIV12RSAS Moxiimento.—No mesmo dia em que foi aberta em (imoiarãee a suberipção pu- blica pura o monumento ao fundador da monarchiu portugueza subiu logo a l:ô00$000, sendo os suberiptores uin limi- tado numero de indivíduos e faltando ain- da as stibscripções dos mais abastados durante o seu alistamento, não pense mnia! capitalistas da cidade, cm ser praça exemplar, visto que nada te'n a lucrar. Isto é contrario aos bons princípios e ao fim que a lei teve em vista. Ha primeiro sargento qne não tevo no- ta no seu actual posto, neui nos dois pre- cedentes, e só porque foi uma vez castiga- do, como cubo, deixa de receber os abonos legaes! Teve sempre bom comportamento como official inferior, mus são-1 lio recusadas as vantagens quo a lei confere aos officiaes no momento em o que desgraçado foi hui- Horrivf.l.—Na prisão de Wandsworth deu-so uma sccua horrível. O carrasco enforcava um individuo de nome Taylor, condemnado a morte por ter assassinado a mulher. Taylor depois do crime tentara suici- dar-se, cortando o pescoço, e o ferimento que fizera reabriu-se com a pressão da cor- da a ponto que a cabeça do suppliciado quasi ficou totalmente separada do tronco inferiores dc bom comportamento ! Note-se que o artigo 10, acima trans- cripto, mandando abonar gratificações aos r.ctuaes officiaes inferiores, conforme as suas circunstancias, não permitte que se vá vasculhar no seu procedimento de an- nus atraz. O p. lo. do Art. lo. diz que as readmis- sões serão concedidas aos que tiverem informação de bom comportamento. çado no vazio. * * * Reforma i»a carta constitucio.val. Diz-se que o governo vae apresentar unia proposta para a reforma d'alguns artigos da Carta e por isso serão couvucadas as cór- tes constituintes. Se tal succeder só se reunirão estas ein 2 de janeiro de 1886 porque a actual le- gislatura finda em dezembro do 183Õ MHHjl Um iieuoe.—Na indo em viagem de IViucipe, praticou-se uí de supremo heroísmo. Foi o heroe e a victims o infeliz ajudan- te machiuista José Maria de Campos que se deixou queimar e cozer pelo vapor da machina e a agua da caldeira, para assim^ salvar o navio, e toda a guarnição. As informações recebidas põem bem em relevo este rasgo de sublime dedicação. Eram 10£ da manha: estava de quarto á machina o infeliz Campos: de repente viu-se saliir com ruido du casa da machi- na grande quantidade de vapor deixando a todos assustados. O engenheiroTiRearHii^otentoiu]gj^eiç mas não o conseguiu, porqutTíípós o vupõr"" subia a aguaeoi cachão. Estavam perdidos: esperavam rebentasse a caldeira. N'esta occasião surgia José Maria de Campos da sua furna gritando : as valvulas! as válvulas! Trazia na mão o hocim do macho da caldeira: estava esplicado tudo, e immedintamonte o en- genheiro dirigiu os trabalhos para salvar o navio. 0 estado do infeliz Campos, era o d'ura martyr: tinha as mãos e pernas cozidas, o corpo om carne viva, os olhos queimados e pela bocca salna-llic uma espuma brauca raiada de sangue O desgraçado Campos não pudera mais. Cumprira o seu dever até A ultima, para salvar o navio e coin elle a vida dos seus companheiros de trabalhos. Quando sangrava a caldeira de estibordo, partiram-se os parafusos que ajustavam o bociin, o macho saltou fora, e a ugua a fer- ver jorrou : Campos ficou logo muito queimado, valvulas. Gritou pura que abrissem us