• 1FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL
  • 2FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL3FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL
  • 4FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL5FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALDELTADORIO DAS PÉROLASFoshan, da Montanha de Buda a centro de produção mundial
  • 6FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL7FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALAdministração de ProjectoMércia Maria GonçalvesCoordenaçãoGonçalo César de SáLouise do RosárioPesquisa e TextosThomas ChanLouise do RosárioMark O'NeillTraduçãoFernando CorreiaEdição e RevisãoMaria João JaneiroFotografiaEric TamDesenho gráficoSoluções Criativas, Lda.ImpressãoWelfare Printing CompanyProduçãoAssociação de Macau de Investigação do Delta do Rio das PérolasAvenida Infante D. Henrique, The Macau Square, Nos 43 - 53A, 10.o andar I, Macau PublicaçõesMacauLinkmacaulink@macaulink.com.moSetembro 2015ISBN 978-99965-955-0-9DELTADORIO DAS PÉROLASFoshan, da Montanha de Buda a centro de produção mundialThomas Chan e Louise do RosárioApoios
  • 8FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL9FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALFOSHANFoshan situa-se próximo de Cantão, que tem sido ao longo do último milénio a grande cidade comercial da China. O centro tradicional do agregado populacional de Foshan dista 20 quilómetros de Cantão, uma distância que é percorrida rapidamente através das numerosas ligações fluviais que ligam as duas cidades e, por isso, nunca se afastou muito dos êxitos e dos infortúnios de Cantão. Esta realidade é tão verdadeira actualmente como o era no final do último milénio.Foshan significa na língua chinesa “montanha do Buda” e ganhou essa designação com a descoberta de três estátuas budistas em bronze em 628, durante a Dinastia Tang (618-907), e a partir dessa altura passou a ser um centro religioso budista em Guangdong. No decurso da Dinastia Qing (1644-1912) existiam em Foshan mais de 160 templos e mosteiros, dos quais sobram ainda hoje alguns deles. É precisamente devido a esta tradição budista que Foshan também é conhecida como a cidade Zen.Existem em Foshan outros templos, mas estes estão mais relacionados com práticas religiosas populares do que propriamente com religiões ou ordens religiosas organizadas. A natureza secular destes templos é bem visível no facto de muitas feiras que se realizam periodicamente no exterior dos templos combinarem as funções religiosas, comerciais com as de entretenimento, estando na base de muitas tradições socioculturais locais, como é o caso da ópera cantonense.Estas feiras incluem actividades económicas relacionadas com a produção e o consumo e que, em muitos casos, evoluíram para um sistema elaborado de mercados locais.Foshan não é um centro de governo administrativo nem um centro político, não obstante ser evidente a sua prosperidade derivada da produção agrícola, actividades de comércio e artesanato e desenvolvimento industrial. O local ganhou uma guarnição militar apenas em 1647 e gradualmente evoluiu com base nos mercados locais. Foi só em meados do século XVIII que Foshan foi separada do município de Nanhai, ou seja, até então estava na dependência administrativa do governo do município de Nanhai, que funcionava na cidade de Cantão. Devido ao seu nível inferior no sistema de governo administrativo, Foshan nunca teve muralhas, pois era um centro mais urbano do que rural, devido à concentração da produção de artesanato e comércio. Até esta altura, tinha estado mais ligada ao espaço urbano de Cantão e sujeita ao seu controlo directo em termos sociais, económicos e políticos. I - Uma pequena aldeia budista cresce até se tornar num centro industrial mundial
  • 10FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL11FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Transporte fluvial de qualidade superiorA cidade de Foshan fica localizada numa planície de aluvião na confluência dos rios Xijiang (rio Oci-dente) e Beijiang (rio Norte), está rodeada e é atravessada por afluentes dos dois rios principais. Fica próxima de Cantão mas distante da zona urbanizada da cidade. O sistema de transportes fluviais até Cantão, prático e de baixo custo, fez de Foshan a melhor zona para receber os excedentes das ac-tividades económicas de Cantão. Antigamente, os navios que partiam de Cantão podiam rumar a sul, directamente para o estuário do delta do rio das Pérolas e para o mar.Mas, desde os finais da Dinastia Ming, o assoreamento dos canais de navegação tradicionais obrigou ao desvio da navegação para ocidente, através do rio Fen e do canal aquático de Foshan, ao longo da costa da cidade, a fim de prosseguir até ao rio Xijiang, na altura já reunido com o rio Beijiang. A partir deste local os navios utilizavam o canal aquático de Dongping rumo ao mar.Devido a este desvio, Foshan passou a ser o principal porto de Cantão, estabelecendo a ligação entre os rios Xijiang e Beijiang. Tem sido, além disso, o melhor percurso para o comércio externo de Cantão bem como para a exportação de mercadorias para comercialização que seguem para sul, rumo aos merca-dos externos, e para norte, com destino aos mercados domésticos, sempre através dos dois rios.Foshan e Cantão situam-se na mesma zona da planície, e estão rodeadas pelos três principais cursos de água associados ao rio das Pérolas; as duas cidades são confinadas a sul pelo mar, que tem estado em retrocesso desde a Dinastia Ming, reunindo as pequenas ilhas numa extensa planície das actuais Jiangmen e Zhuhai. Nunca houve barreiras físicas entre Foshan e Cantão – antes beneficiaram dos cur-sos de água que permitiram reduzir os custos com deslocações entre os dois lugares. Foshan tem sido fundamentalmente uma cidade satélite de Cantão, e ambas se têm desenvolvido com o aproveitamento das respectivas sinergias.Provavelmente, desde a Dinastia Ming, devido a esta proximidade e ao desenvolvimento simultâneo das duas cidades, verifica-se que ambas têm sido mencionadas sempre de forma não isolada, não só devido à sua proximidade como ao facto de o controlo administrativo estar em Cantão. Contudo, não obstante Foshan reunir um maior grupo populacional, só no século XX passou a fazer parte da estrutura administrativa, enquanto governo municipal de Nanhai, depois de ter sido separada de Cantão. Período de prosperidade na Dinastia Ming (1368-1644)No século XVIII, os europeus que visitaram Foshan depararam-se com um burgo, sem muralhas, mas com uma população maior em número do que a de Cantão1. Dela se afirmava ter mais de 300 mil pessoas trabalhando em mais de 240 negócios distintos2. Foshan era, na realidade, uma grande cidade comercial e industrial, embora totalmente subordinada a Cantão e dependente da rede comercial global desta cidade. Em dinastias anteriores, Foshan tinha sido uma pequena vila comercial sem grande reputação. Foi apenas durante a Dinastia Ming que Foshan começou a ganhar notoriedade devido à dimensão da sua popula-ção e à rede comercial alargada; a cidade passou igualmente a ser uma base nacional para a produção industrial e artesanal, tanto para venda no mercado doméstico – fora da província de Guangdong – como nos mercados externos. A cidade era conhecida como um dos quatro centros comerciais nacionais, jun-tamente com Suzhou (na província de Jiangsu), Hankow (Hubei) e Pequim, bem como um dos quatro centros nacionais de artesanato, juntamente com Hankow (Hubei), Zhuxian (Henan) e Jingde (Jiangxi).1 Abbe Grosier, A General Description of China (traduzido do francês), London, G.G and J. Robinson, Paternoster Row, 1788, p.102.2 Fredrikke Skinsnes Scollard, A Study of Shiwan Pottery, Tese de doutoramento, Faculdade de Belas Artes, Universidade de Hong Kong, 1981, pp.64-65.
  • 12FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL13FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALCantão sempre foi uma cidade cosmopolita, com uma comunidade significativa de residentes estrangeiros, enquanto Foshan era, a nível nacional, uma vila industrial e comercial de mercadores e artesãos provenientes de todo o país. Nas dinastias Ming e Qing havia muitas guildas em Foshan, incluindo as das províncias de Fujian, Shanxi e Shaanxi, Hunan, Hubei e Jiangxi.A Casa das Guildas de Fujian era bem conhecida, tendo sido mandada erguer por mercadores que comercializavam papel3. A presença de tantas guildas provinciais demonstra o forte relacionamento de Foshan com essas províncias situadas ao longo das rotas comerciais interprovinciais. As indústrias emergentes na Dinastia Song (960-1279)A disponibilidade de matérias-primas locais foi o grande factor que esteve na base do aparecimento em Foshan da produção em grande escala de cerâmica e produtos em ferro. Estas duas indústrias prosperaram em simultâneo com as fábricas têxteis de algodão e foram apoiadas pelo crescente comércio interprovincial e internacional de Foshan e de Cantão. Tanto a produção de cerâmica/barros como a de produtos em ferro tiveram início muito cedo e já eram uma realidade durante a Dinastia Song. A produção destas indústrias consistia na sua maior parte em objectos de uso diário, tais como pratos e potes em ferro.Os problemas surgidos na China com a invasão mongol, o subsequente colapso da Dinastia Yuan (1279-1368) e o início dos levantamentos e confrontos militares antes do estabelecimento da Dinastia Ming (1368-1644) tiveram como resultado profundas alterações sociais e económicas nas principais cidades e regiões da China. Esta situação conduziu à migração em massa de artesãos e outros operários qualificados das grandes cidades na região norte para a região de Cantão; muitos destes artesãos estabeleceram-se em Foshan, nos arredores de Cantão, a fim de aproveitarem o comércio próspero e a procura que existia por artigos domésticos. Uma vez que eram recém-chegados e não disponham de registo local, só lhes era apenas permitido estabelecerem-se nos arredores da cidade e trabalhar como artesãos. Contudo, eles trouxeram técnicas de produção avançadas e ajudaram a elevar a qualidade da produção local a um nível mais elaborado e com maior grau de sofisticação.A chegada destas pessoas, provindas do norte com conhecimentos técnicos mais avançados e uma vontade imensa de trabalhar em actividades que as elites locais não dominavam, ajudou a expandir as indústrias locais. Esta sociedade migrante adaptou-se também muito bem ao mercantilismo e ao comércio interprovincial e internacional já existente na região. 3 David Faure, What made Foshan a town? The evolution of rural-urban identities in Ming-Qing China, late Imperial China, 11:2 (Dezembro de 1990), pp.1-31. (17).
  • 14FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL15FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Produção de artigos em ferroA produção de artigos em ferro de Foshan concentrou-se de forma gradual no fabrico de potes em ferro, tendo-se tornado famosa pela sua elevada qualidade. A expansão da procura conduziu à necessidade de obter matérias-primas para lá da região do delta do rio das Pérolas, como Luoding, Yunfu, Nanxiong, Shaozhou, Lianzhou e Huaiji na província de Guangdong. As matérias-primas e os produtos acabados eram pesados e tinham grandes dimensões, pelo que a disponibilidade existente de transporte fluvial em Foshan foi o factor principal para a concentração da produção na cidade. A superior qualidade dos produtos também fez com que Foshan ganhasse novos mercados, tanto no país como no estrangeiro.Em determinada ocasião, o governo imperial proibiu a exportação de artigos em ferro mas Foshan dispunha de ligações fluviais a Macau e a partir de Macau os produtos seguiam para o Sudeste Asiático e para o Japão nos navios portugueses. Assim, a produção local de artigos em ferro floresceu sempre, tendo-se iniciado em meados da Dinastia Ming, na segunda metade do século XV.Muitos agricultores cedo abandonaram a actividade e envolveram-se na produção de artigos em ferro sendo que, em certo momento, havia 3 mil agregados familiares em Foshan envolvidos nesta indústria. Juntamente com outras localidades em Guangdong e Guangxi, pelo menos quase metade do país na região sul – sete províncias incluindo Hunan, Hubei, Zhejiang e Jiangsu – dependiam de Foshan para o fornecimento de artigos em ferro. Durante a Dinastia Ming foram criadas sete guildas para a produção de artigos em ferro numa clara divisão do trabalho; havia guildas para potes, fornos, arame, fundição, fechaduras, pregos e artigos para a agricultura. Na Dinastia Qing muitas mais guildas foram criadas. No auge, nos séculos XVII e XVIII, havia entre 20 mil a 30 mil pessoas a trabalhar na indústria do ferro em Foshan.Já no século XIX muitos dos cursos de água que ligavam Foshan aos centros de fornecimento de matérias-primas tinham ficado assoreados e as minas de ferro locais estavam esgotadas. Esta situação causou muitas dificuldades aos produtores de Foshan. Muito mais preocupante foi a importação de pregos, arame e outros artigos em ferro a preços muito mais reduzidos; esta realidade devastou a produção local. No início do século XX, a produção artesanal que tinha beneficiado da procura, tanto doméstica como internacional, durante centenas de anos, tinha desaparecido completamente. Indústria cerâmicaFoshan tem uma história muito interessante no que respeita à evolução da indústria cerâmica local. Durante a Dinastia Song havia um forno governamental que produzia cerâmica. Mas o aparecimento da produção de cerâmica ficou a dever-se aos fornos particulares, que tinham capacidade para se expandir rapidamente com o aumento da procura tanto doméstica como internacional. Nessa dinastia, devido ao aumento das exportações centradas em Cantão, havia muitos fornos particulares na província de Guangdong; os mais famosos ficavam em Chaozhou e Meizhou na zona oriental, Huizhou e Hai Kang junto à costa, Xicun em Cantão e Nanhai, Xinhui e Shiwan em Foshan.Shiwan era, de entre todos os locais onde se produzia cerâmica, o mais especializado. Os seus produtos eram muito populares no estrangeiro dado serem mais baratos do que os de Zhejiang, Jiangxi e Fujian devido à proximidade dos portos e centros comerciais de Cantão, sendo muitas vezes exportados em conjunto com objectos de porcelana. Com a divulgação da cultura chinesa no Sudeste Asiático e subsequente emigração de cidadãos chineses começou a surgiu uma procura crescente não apenas dos artigos de utilização diária de Shiwan mas igualmente de materiais de construção, como telhas e beirais de telhado e artigos de decoração. Diz-se que em determinada altura os residentes das Índias Orientais Holandesas apreciavam particularmente as peças que reproduziam o dragão e a fénix e que eram feitas em Shiwan.A produção de cerâmica em Shiwan tinha por base matérias-primas obtidos nos montes locais. Com a expansão da produção, o calcário começou a ser adquirido em Panyu, Dongguan e Qingyuan, localidades nas proximidades de Cantão e Foshan; a madeira para queima nos fornos era transportada através dos rios Xijiang e Beijiang. A produção concentrava-se em Shiwan e, em menor escala, em Shiqi. Shiwan, na região ocidental de Foshan, estava ligada ao centro da cidade e a Cantão por diversos cursos de água que desaguavam no canal Dongping no período imperial.
  • 16FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL17FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Exportação de cerâmica na Dinastia Qing (1644-1912)A partir da Dinastia Ming, dois outros factores importantes ajudaram ao desenvolvimento de Shiwan: primeiro foi a actualização dos meios de produção com a introdução de fornos muito mais eficientes e o segundo foi a chegada de muitos artesãos, em particular da famosa empresa estatal Jun em Henan, no período inicial da Dinastia Ming, na sequência de guerras no norte, e que trouxeram com eles técnicas de produção avançadas. Com a procura crescente pela porcelana chinesa, os artesãos de Shiwan começaram a fazer imitações dos produtos saídos dos fornos famosos do norte do país, muito em particular do Jun; Shiwan ganhou nome, tendo ficado conhecido como o forno Jun da província de Guangdong. A imitação dos produtos ajudou a elevar a tecnologia e a perícia dos artesãos de Shiwan, que produziam os artigos em porcelana com camadas elaboradas de esmalte que tinham já mais qualidade do que os produzidos em Jingdezhen, na província de Jiangxi.Com a esta capacidade de imitação de qualidade superior, Shiwan foi capaz de beneficiar igualmente do crescente comércio externo de porcelana de Cantão. No período áureo, durante os últimos anos da Dinastia Qing (1796-1908), as porcelanas de Shiwan, tanto as originais como as de imitação, passaram a chegar ao Japão, Sudeste Asiático e mesmo à Europa. O bairro albergava 107 fornos com mais de 60 mil trabalhadores. O número de guildas na indústria aumentou de 8, no século XVII, para 28, mais oito relacionadas, no século XIX. Mais de metade da população de Shiwan – entre 6 mil a 7 mil agregados familiares – estava envolvida nesta indústria.Shiwan tinha-se transformado num burgo especializado no sector da indústria de cerâmica e porcelana. No entanto, no século XX, devido às numerosas guerras e perturbações políticas, o comércio externo de Cantão enfrentou inúmeros problemas e, em consequência disso, a procura por cerâmica produzida em Shiwan diminuiu. Uma indústria da seda desenvolvidaO crescimento do comércio externo de Cantão foi também responsável pelo desenvolvimento da indústria da seda em Foshan. Esta indústria iniciou-se muito mais tarde do que as indústrias de artigos em ferro e de cerâmica, tendo-se desenvolvido principalmente no século XIX devido à realidade económica em fase de mutação.Tanto a seda crua como os produtos em seda eram há muito tempo um dos principais artigos de exportação de Cantão e há séculos que a plantação de amoreiras e a produção de seda se praticavam em Foshan. No entanto, a qualidade da seda crua produzida em Foshan e em outros locais da área geográfica de Cantão era de qualidade inferior à produzida no delta do rio Yangtsé. A seda produzida localmente era utilizada para fazer artigos de seda de baixa qualidade mas para os artigos de maior qualidade de consumo local ou de exportação, a seda crua era adquirida a produtores do delta do rio Yangtsé.Desde o século XVI, quando Manila passou a ser um entreposto comercial espanhol para as Américas, a seda do delta do rio Yangtsé era exportada directamente a partir de Cantão ou através de Macau para Manila, de onde seguia para o México para alimentar a indústria local. A grande procura por seda e artigos em seda teve como resultado o aparecimento de um sector sólido de produção de seda crua em Foshan, centrada em Shunde e Nanhai, apoiada pelo desenvolvimento da indústria de tecelagem no centro de Foshan. No início da Dinastia Qing havia em Foshan 18 guildas relacionadas com a produção de seda; nos anos 20 e 30 do século XVIII foram contratados especialistas em tecelagem em Suzhou a fim de melhorarem a tecnologia utilizada e a qualidade da produção de Cantão e Foshan.O principal impulso para a indústria de seda local teve lugar em meados do século XIX. Em primeiro lugar, na década de 40 deste século, os portos de tratado foram abertos na China ao abrigo da política da canhoneira, levada a cabo pelas potências europeias. Cantão tinha deixado de ser o principal porto de exportação da China; produtos para exportação, em particular chá e seda do delta do rio Yangtsé e da China central, como Anhui, começaram a ser enviados em navios a partir do porto de Xangai. Cantão e Foshan deixaram de ter por base a seda produzida no delta do rio Yangtsé para o comércio trans-Pacífico.Em segundo lugar, o canal do Suez abriu à navegação em finais de 1869. Este canal permitiu reduzir o tempo de viagem das mercadorias da China para a Europa e, assim sendo, abriu aquele mercado para a seda crua da província de Guangdong. Este aumento da procura estimulou o rápido crescimento da área de produção de seda em Shunde e Nanhai, em Foshan, e permitiu o estabelecimento de fábricas de produção de seda crua em locais que tinham o conhecimento e os contactos no estrangeiro.
  • 18FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL19FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Ascensão e queda das exportações de sedaAs técnicas de produção modernas permitiram melhorar a qualidade da seda produzida localmente e assim ganhar mercados externos, nomeadamente, na Europa. No final da década de 80 do século XIX, a seda crua produzida em Foshan tinha destronado a que era produzida em Itália. Esta expansão prosseguiu até aos anos 20 do século XX. No virar do século XIX para o século XX havia 140 fábricas de seda em Shunde que garantiam 80% da produção da província. O grande êxito obtido nesta indústria é particularmente visível na transformação dos arrozais de Shunde e Nanhai e muitos dos outros lugares do Grande Cantão foram convertidos em lagos com diques para a produção de peixe e plantação de amoreiras.O crescimento da produção de seda e da indústria associada em Foshan ficou a dever-se a causas exógenas, pois a excessiva dependência acabou por causar a sua queda, isto é, o ambiente comercial envolvente acabou mais tarde por ser prejudicial. Com o início da Grande Depressão nos Estados Unidos da América e na Europa, a procura externa pela seda de Foshan desapareceu. Apesar da industrialização da China para substituir importações, a procura interna era demasiado pequena para aguentar a indústria de Foshan. Por outro lado, a invasão japonesa e a guerra civil na China acabaram também por destruir por completo esta indústria; a guerra culminou com a tomada do poder pelos comunistas em 1949 e a restauração de uma economia local tal como a iniciada nos anos 50 do século passado. Declínio sob uma economia socialistaA unificação da China sob o regime comunista em 1949 trouxe estabilidade social e económica a Cantão e a Foshan. Devido às sanções económicas impostas pelos Estados Unidos da América e os Aliados, a China viu-se incapaz de retomar o seu papel comercial no mercado mundial, tendo Cantão permanecido o principal, senão mesmo o único, centro de comércio externo. Contudo, ao abrigo do sistema de planeamento central e até ao período de reformas económicas e de abertura ao exterior no início dos anos 80 do século XX, Foshan perdeu as funções comerciais de que tinha gozado durante quase mil anos, durante o poder imperial. O sistema de planeamento de economia redistributiva negou igualmente a Foshan o renascer das indústrias que existiam antes de 1949, tendo-se virado a região para o sector agrícola, somente com um pequeno investimento na indústria realizado pelo governo. Nos 30 anos da “construção socialista”, Foshan atrasou-se relativamente a outras cidades de Guangdong, nomeadamente em termos do número de população: durante este período, era a mais pequena de todas as unidades administrativas da província, com uma população que era metade da de Cantão. Em 1988, até Zhongshan tinha deixado de estar sob a sua jurisdição. Naqueles anos, Foshan foi capaz de sobreviver a depender da acumulação local de capital e da herança industrial e conseguiu desenvolver uma forte indústria rural colectiva que era tão competitiva como a de Cantão. Assim, Foshan continuava a ser a segunda maior economia industrial da província de Guangdong. Antes das reformas económicas Foshan já tinha construído as fundações da moderna indústria de têxteis, cerâmica, aparelhos eléctricos e electrónicos e plástico.Contudo, tanto Cantão como Foshan não eram zonas alvo em termos industriais da política de investimento do governo central, pois situavam-se muito atrás de outras novas regiões industriais que emergiram a norte da China. Mesmo as indústrias rurais colectivas das duas cidades, baseadas no capital social do seu passado industrial, eram diminutas quando comparadas com o processo de industrialização rural dos anos 60 e 70 na região sul de Jiangsu. A província de Guangdong e a região do delta do rio das Pérolas eram zonas muito pouco desenvolvidas quanto à política de industrialização do governo socialista que se verificou durante as três décadas após a tomada do poder comunista. Renascimento industrial dos anos 80No início da década de 80, Foshan foi incluída na região do delta do rio das Pérolas, tendo passado a beneficiar das vantagens políticas associadas às Zonas Económicas Especiais (Shenzhen, Zhuhai, Shantou e Xiamen) muito antes do resto das outras províncias e do país. À semelhança de muitos municípios em Guangdong, Foshan tinha uma grande comunidade de residentes no estrangeiro devido aos fenómenos migratórios dos últimos 100 anos. A política de abertura económica atraiu muito investimento directo
  • 20FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL21FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALdesta comunidade, um pouco à semelhança do que tinha ocorrido nos 100 anos anteriores a 1949. O investimento directo estrangeiro combinou-se com o empreendedorismo local e com a indústria rural colectiva tendo dado lugar à industrialização maciça da cidade no período pós-1978.O processo de industrialização ocorreu tanto ao nível da vila como mesmo da aldeia. Com intenção ou por mera casualidade o padrão de concentração industrial desenvolveu-se nas zonas mais desenvolvidas de Foshan – Nanhai, Shunde e Zhongshan, que até 1988 faziam parte do município. Nestas áreas de Foshan, à semelhança de Cantão, a história de um passado industrial e o capital social acumulado contribuíram para o renascimento da indústria das últimas décadas, dado que as condições, tanto internas como externas, foram favoráveis.O renovado desenvolvimento industrial de Foshan espalhou-se a outras localidades, como Shiwan e Xiqiao, onde a produção de cerâmica e de seda tinha florescido durante o período imperial. Fábricas de cerâmica em ShiwanEm 1983, Shiwan importou de Itália novas linhas de produção de cerâmica e, desde então, depende da importação desta tecnologia para desenvolver uma base de produção de cerâmica muito sólida, nomeadamente louça sanitária para construção civil. Em 2003, um agrupamento de várias centenas de empresas de produção de cerâmica surgiram na vila. Em 2006, os mosaicos eram produzidos na sua maior parte no município de Foshan, e a China tinha pela primeira vez ultrapassado a Itália e a Espanha em termos de exportação. Em 2007, os materiais de cerâmica para a construção civil produzidos em Foshan representavam 40% da produção nacional e 25% da produção mundial. A louça sanitária representava 16% da produção nacional e 5% da produção mundial, tendo-se tornado este município na maior base de produção a nível mundial.O agrupamento industrial centrou-se inicialmente em Shiwan e Nanzuang, no centro do bairro de Chancheng, e alargou-se a Nanhai, Shunde e às zonas menos urbanizadas e industrializadas. Devido à poluição resultante da produção de cerâmica, o governo do município de Foshan apertou os controlos ambientais e encorajou os donos das fábricas a deslocarem-nas para fora da cidade. Perto do final da década, o agrupamento industrial de cerâmica de Foshan tinha-se expandido para os burgos vizinhos de Qingyuan, Heyuan e Zhaoqing, criando a chamada região pan-Foshan que representava 50% da produção nacional de cerâmica para construção civil.
  • 22FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL23FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALEm resultado do processo de deslocação, Foshan deixou de ser o centro de produção para se concentrar nas funções de sede das empresas e de comércio por grosso. A maior parte das empresas em Foshan cresceu de forma orgânica. Algumas empresas têm na sua origem capitais de Taiwan mas a maioria é constituída por investidores locais que surgiram tanto em Foshan como no delta do rio das Pérolas. Este é um exemplo típico de um bairro industrial; mas a dinâmica do seu crescimento ultrapassou tanto Itália como Espanha, que eram os países líderes mundiais antes do desenvolvimento de Foshan. Esta nova realidade foi possível devido à capacidade empresarial local, ao modelo económico de um sistema produtivo flexível, ao acesso fácil à tecnologia e equipamento italiano e à conquista de novos mercados tanto domésticos como estrangeiros através de Cantão e de Hong Kong.Dado que os materiais de construção e louças sanitárias são produtos de utilização diária, Foshan manteve a sua tradição anterior a 1949, só que, desta vez, conseguiu através da deslocação e diversificação da base industrial das empresas; o município passou a ser o motor do crescimento da indústria nacional com a produção que, entretanto, se alastrou de Foshan para outras cidades da província de Guangdong, para Shandong, Sichuan e Jiangxi. A qualidade actualmente alcançada pela indústria cerâmica de Foshan é ainda maior do que durante o período histórico. Contudo, ainda existe uma diferença na qualidade dos produtos fabricados em Itália e aqueles que são fabricados em Foshan ou em outros locais da China por empresas de Foshan; tal significa que ainda há espaço para uma melhoria da qualidade dos produtos fabricados pelas empresas de Foshan e para a indústria no seu conjunto. A modernização dos teares de seda em XiqiaoXiqiao é um agregado populacional de Nanhai, situada no município de Foshan, onde o primeiro tear de seda moderno foi montado no século XIX; foi igualmente centro de um grande agrupamento de fábricas de produtos de seda até aos anos 30 do século XX. A sua fama internacional – a capacidade para derrotar os fornecedores italianos no mercado europeu de seda crua – e a grande produção registada no passado recente têm permitido recordar aos residentes as grandes oportunidades que a seda e a indústria têxtil continuam a oferecer. Os artesãos do passado eram tão inovadores que até conseguiram desenvolver um processo de tingimento dos produtos de seda que tinha sido descoberto em Panyu.Os artesãos de Xiqiao foram, por isso, empreendedores e inovadores. Com as reformas económicas introduzidas no início da década de 80 do século XX, o encerramento de muitas fábricas estatais permitiu libertar muitos operários especializados; muitos aproveitaram a oportunidade para montar pequenas empresas com o capital da família nas suas aldeias. Entretanto, a liberalização do mercado criou grande procura de tecidos por parte das indústrias de vestuário, tanto domésticas como com capitais estrangeiros, e na sua maior parte orientadas para a exportação. A indústria de Xiqiao e de outras zonas de Foshan acabou por desenvolver uma divisão do trabalho que era complementar ao processo industrial do vestuário de Dongguan e Shenzhen.Também em Foshan havia grande procura de tecidos, que ajudaram a estimular o grande crescimento da indústria local. A maior parte das empresas de Xiqiao é de pequena dimensão: em 2007, entre as mais de 700 empresas de têxteis, apenas um punhado delas tinha investimentos de Hong Kong ou de Taiwan. Mais de 90% dessas empresas eram privadas e mais de metade eram geridas por residentes.À medida que o processo industrial orientado para a exportação de Dongguan e Shenzhen crescia e bem, isso permitiu à China ganhar o título de “fábrica do mundo”; também as indústrias de tecidos e têxteis de Foshan conseguiram aumentar rapidamente a produção, na sua maior parte para apoiar as indústrias de vestuário para o mercado doméstico e para a exportação. Em 2007, a produção da indústria de tecidos de Xiqiao chamou a si uma quota de mais de 30% do mercado provincial, 11% do mercado nacional e 6% do mercado mundial. Xiqiao tem sido igualmente uma base mundial de produção de tecidos com uma escala e importância tanto a nível nacional como internacional, à semelhança da indústria cerâmica em Shiwan. De novo, à semelhança da indústria cerâmica de Shiwan, também a indústria de tecidos de Xiqiao, que tem uma cadeia de produção local com maquinaria têxtil para tecer, imprimir, tingir e efectuar acabamentos, é uma indústria de escala e de grande importância para a economia da região.Nos anos recentes, as empresas locais começaram a fornecer serviços de design, venda por grosso e outros produtos pós-fabrico. Esta mudança tem tido tanto sucesso que atraiu apoio nacional. Foshan concluiu a evolução da indústria local, passou de uma produção artesanal para uma produção industrial moderna. Tanto as indústrias de cerâmica como de tecidos existem há várias centenas de anos mas foi nas últimas décadas que experimentaram um crescimento e transformação drásticos.Contrariamente a Shiwan e Xiqiao, existem muitos outros agrupamentos industriais em Foshan que não têm uma base histórica. Estes agrupamentos recentes têm sabido aproveitar as novas tecnologias e mercados que se têm revelado como oportunidades únicas no que se refere ao desenvolvimento industrial mundial, desde a segunda metade do século XX até ao presente.A grande concentração de fábricas é representativa da natureza da industrialização de substituição das importações que se localiza na margem oriental do delta do rio das Pérolas – quer dizer, elas dependem da importação de tecnologias, equipamentos, conhecimentos e peças para, numa primeira fase, substituir as importações e, posteriormente, e de forma gradual, igualmente exportarem para os mercados estrangeiros passando de OEM (fabricante de equipamento original) para ODM (fabricante de produtos com design original) e OBM (fabricante de produtos originais).
  • 24FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL25FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL A indústria de electrodomésticos de ShundeA indústria de electrodomésticos de Shunde teve início nos anos 80 do século passado tendo por base empresas com investimento público. Era a época da importação maciça de produtos eléctricos tanto do Japão como de outros países. As autoridades locais estavam interessadas nas elevadas margens de lucro e na aparente procura insaciável do mercado doméstico. Assim, começaram a encorajar as fábricas locais a procederem à montagem de peças importadas a fim de substituir a importação do produto acabado. O êxito obtido por este novo modelo ajudou as empresas locais a crescer e a aumentar a qualidade da sua produção. Algumas delas chegaram mesmo a ser contratadas para fabricar em OEM para empresas já bem conhecidas do Japão, Hong Kong e Coreia do Sul. O investimento directo dessas empresas estrangeiras, o acesso a mão-de-obra barata, tanto de residentes locais como de outras províncias da China, ajudou a fazer crescer os agrupamentos e a transformá-los numa base de produção de dimensão mundial.Um pormenor único justificativo do crescimento deste agrupamento de empresas de artigos eléctricos de Shunde é o facto de que novas empresas foram constituídas por antigos trabalhadores das primeiras e este foi o elemento fundamental na expansão, tanto em termos de escala como do objectivo da indústria local. As empresas saídas das mais antigas mantiveram uma boa relação de trabalho e, em conjunto, formaram uma rede alargada de conhecimentos e transferência de tecnologia que foi responsável pela rápida actualização das mais novas, não obstante a ausência de investimento substancial em pesquisa e desenvolvimento.Actualmente existem mais de 3000 empresas de artigos eléctricos em Shunde, metade das quais têm investimento estrangeiro. Em conjunto fabricam cerca de 20% da produção da indústria nacional de artigos eléctricos, que é já a maior do mundo.Shunde é hoje em dia a maior base nacional para a produção de aparelhos de ar condicionado, frigoríficos e aquecedores a gás e a maior a nível mundial para a produção de panelas eléctricas para cozer arroz e fornos de micro-ondas. Mais de metade dos aparelhos de ar condicionado e frigoríficos são produzidos nas fábricas de Shunde, e a China já ultrapassou o Japão, a Coreia do Sul, a Itália e a Alemanha como o maior produtor mundial de electrodomésticos. Shunde é apenas um bairro de Foshan mas o impacto da sua produção é enorme em termos do mercado mundial.Com as rápidas alterações tecnológicas decorrentes do aparecimento da internet e da telefonia móvel, o agrupamento de Shunde está, igualmente, a transformar-se num espaço cibernético. O governo central da China está igualmente a preparar uma estratégia nacional denominada “China Industrial 2025”, sendo uma das prioridades os electrodomésticos e a electrónica de consumo de massas. Muitas oportunidades irão surgir para Shunde – e num âmbito mais lato para Foshan – para irem mais além do que conseguiram até à data.No presente século XXI, Foshan tem o maior número e o crescimento mais rápido de agrupamentos/vilas industriais na região do delta do rio das Pérolas4. Alguns evoluíram, tendo-se tornado em centros para a inovação e tecnologia, devido ao empenho do governo provincial de Guangdong em toda a província. Apenas em Guangdong existe uma área densa com semelhante capacidade industrial – situação que tem a sua base na profunda herança cultural e no capital social acumulado em Foshan durante séculos.Hoje em dia existem mais de 30 zonas industriais especializadas em Foshan, que se concentram no mobiliário, maquinaria, metalurgia e bebidas além da cerâmica, têxteis e equipamento electrodoméstico. O município é basicamente uma economia de indústrias tradicionais e o processo de industrialização não tem desacelerado nos últimos anos. Por exemplo, o peso do sector secundário ou industrial no seu todo no Produto Interno Bruto passou de 56,7% no ano 2000 para 64% actualmente, e desde a mesma altura verifica-se que o sector terciário ou de serviços está em rápido crescimento em Cantão. Integração difícil com CantãoNão obstante os esforços persistentes do governo de Foshan para promover a indústria nos últimos anos, a transformação estrutural de Cantão acabou por criar pressões sobre a trajectória de urbanização de Foshan. Em 2000, o governo municipal de Cantão introduziu uma nova estratégia de desenvolvimento espacial para a expansão em todas as direcções.Dado que Foshan fica muito próximo de Cantão, a expansão ocidental da capital vai diminuir ainda mais a distância entre as duas cidades. Em 2002, o conceito de círculo urbano de Cantão e Foshan foi mencionado em Cantão; esta ocorrência foi seguida de uma nova estratégia espacial de Foshan a fim de receber os efeitos económicos da expansão de Cantão.Foshan tem-se mostrado bastante receptivo à expansão de Cantão e em 2007, com a aprovação das autoridades provinciais, Cantão e Foshan iniciaram a construção de uma linha de metropolitano intercidades que entrou em funcionamento em 2012.Mais importante foi a elaboração pelo governo provincial de Guangdong e subsequente aprovação pela Comissão Nacional para a Reforma e Desenvolvimento do projecto para a reforma e desenvolvimento da região do delta do rio das Pérolas para o período 2008/2020, o qual foi anunciado nos finais de 2008. Este projecto reproduzia basicamente o modelo de desenvolvimento espacial de Cantão em todas as direcções.4 Elisa Barbieri, Marco R. Di Tomaso e Stefano Bonnini, Políticas e desempenhos do desenvolvimento industrial no sul da China: para lá do programa de agrupamentos industriais especializados, China Economic Review, 23 (2912) pp.613-625, (p.615, Quadro 1). Uma vila/agrupamento industrial é definida pelas autoridades da província de Guangdong como vilas com um mínimo de 30% da sua produção/emprego concentrado num único sector industrial e em que a produção industrial anual supera 2 mil milhões de yuan ou cerca de 300 milhões de dólares.
  • 26FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL27FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALUm acordo-quadro foi alcançado entre os governos das duas cidades para a integração em 2009; mas o texto era demasiado amplo e vago, sem um impacto concreto, tendo sido decidido ser necessário mais estudos e um novo processo de negociação.A conclusão do metropolitano intercidades e da via rápida acabaram por juntar as duas cidades numa única grande área metropolitana. Esta realidade teve como resultado um aumento da procura de serviços de Foshan por Cantão mas não no sentido inverso.Contudo não tem havido progressos significativos no desmantelamento das fronteiras e barreiras administrativas e os residentes das duas cidades continuam dependentes do registo efectuado numa delas para acederem aos respectivos serviços públicos.A cooperação mais significativa ocorre provavelmente na limpeza conjunta dos cursos de água que ligam as duas cidades. Estabelecendo-se um juízo a partir da fraca integração intercidades e da ausência de um plano director pode-se dizer que o processo de integração não deverá acelerar na próxima década.Enquanto economia de agrupamentos industriais e produção agrícola, Foshan é bastante complementar da cidade de Cantão; A sua integração dando origem uma única entidade permitirá recordar o período imperial, quando funcionava como base industrial e agrícola da grande metrópole comercial de Cantão. Contudo, a cidade de Foshan viverá sempre à sombra da sua vizinha Cantão. II - Crescimento contínuo O Produto Interno Bruto de Foshan de 2014 cifrou-se em 760,33 mil milhões de yuans, um aumento homólogo de 8,6%. A produção industrial atingiu 456,1 mil milhões de yuans, um aumento de 9,6% em termos anuais. A formação bruta de capital fixo foi de 261,2 mil milhões de yuans, um acréscimo de 15%. As vendas a retalho foram de 256,06 mil milhões de yuans, mais 13,1% em termos anuais.Neste mesmo ano, as exportações atingiram 46,72 mil milhões de dólares, um aumento de 9,9%, ao passo que as importações aumentaram 3,2% para 22,09 mil milhões de dólares. Ao longo do ano, o investimento directo estrangeiro contratado atingiu 3,73 mil milhões de dólares, um acréscimo anual de 5,6% e o investimento directo estrangeiro realizado atingiu 2,65 mil milhões de dólares, mais 5,4%. Do investimento realizado 55,5% teve como destino a indústria, 30,6% o sector imobiliário e 5,4% o comércio por grosso e o retalho.Ainda em 2014 a receita do governo foi de 50,07 mil milhões de yuans, mais 14,36% e as despesas atingiram 52,49 mil milhões de yuans, um aumento de 7,41%. No final do ano os bancos da cidade tinham depósitos em moeda nacional e estrangeira no montante de 1,12 biliões de yuans, uma contracção anual de 0,9%; deste montante os depósitos de particulares eram de 580,7 mil milhões de yuans, um aumento de 3,65%. No final do ano as instituições financeiras da cidade tinham concedido crédito no valor de 759,6 mil milhões de yuans, um aumento anual de 6,81%.
  • 28FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL29FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALAinda neste ano o Índice de Preços no Consumidor para os residentes cresceu 2,3% comparativamente com o ano anterior.No final do ano a cidade tinha uma população permanente de 7,35 milhões, um aumento anual de 0,75%. O rendimento disponível per capita dos residentes urbanos era de 36 555 yuans, um aumento de 9,0% enquanto o dos residentes rurais era de 20 094 yuans, mais 9,6% em termos anuais. O PIB da cidade era superior ao de vários cidades de países-membros da União Europeia.De acordo com um índice de competitividade citadina publicado pela Academia de Ciências Sociais da China em Maio de 2013 Foshan estava em 8º lugar a nível nacional, à frente de Tianjin, Macau, Dongguan, Zhongshan e Zhuhai. As três cidades mais competitivas eram Hong Kong, Shenzhen e Xangai.A taxa de crescimento da economia de Foshan foi de 8,6% em 2014. Esta taxa, que seria uma taxa excelente para a maior parte das economias mundiais, foi um desapontamento para Foshan, pois foi a segunda taxa mais baixa num período de seis anos. As taxas de crescimento, desde o ano 2009 até ao ano de 2013 foram respectivamente:13,3%, 14,3%, 11,4%, 8,2% e 10%.O decréscimo registado na taxa de crescimento da cidade de Foshan em 2014 ficou a dever-se, principalmente, ao arrefecimento das economias dos principais mercados de exportação como era o caso do Japão, da maior parte dos países da União Europeia e dos Estados Unidos – tendo em conta a diminuição da procura do mercado interno da própria China. A economia da cidade no período pós-1978Na época imperial, Foshan foi um centro de distribuição e comercial importante. Começou, também nessa altura, a ser um grande produtor de cerâmicas, indústria esta que se manteve até aos nossos dias.A cidade é famosa e conhecida pela ópera cantonense, artes marciais, qualidade dos têxteis e medicina tradicional, sendo além disso a terra natal de milhões de chineses que residem hoje em dia em Hong Kong, Macau, Taiwan, Sudeste Asiático, América do Norte e Austrália.Foi durante o período de reformas e de abertura ao exterior, em 1979, que Foshan passou a ser um centro industrial importante tanto a nível nacional como internacional.Foshan não era uma Zona Económica Especial (que beneficiava de políticas económicas mais favoráveis) nem dispunha de recursos naturais como petróleo ou carvão; não era, sequer, capital de uma província. Mas aproveitou as oportunidades com que se deparou no decurso do período de reformas e de abertura ao exterior como muito poucas cidades da China. Procurou atrair o investimento directo estrangeiro de uma forma agressiva, muito em particular de Hong Kong, Macau, Taiwan e da diáspora chinesa no estrangeiro. Muitas destas pessoas mantinham ligações a Foshan e estavam dispostas e com vontade de investir na cidade, apesar dos riscos. As empresas europeias, japonesas e americanas hesitavam mais, uma vez que não sabiam se as novas políticas iam ser mantidas e se os investimentos que efectuassem estavam seguros.Pessoas de ascendência chinesa construíram fábricas em Foshan, introduzindo na economia da cidade tecnologias e matérias-primas, enquanto esta lhes fornecia mão-de-obra barata e terrenos a baixo preço. Levaram com elas, igualmente, no início do período de reformas, o conhecimento dos mercados estrangeiros que eram os principais destinos das mercadorias que se produziam em Foshan. O governo da cidade apresentava melhores condições fiscais e de concessão de terrenos do que aquelas que eram oferecidas pelo governo central. No final de 1992, a cidade dispunha de 210 mil unidades de equipamento avançado e 700 linhas de produção, tendo atraído 18,8 mil milhões de dólares em investimento directo estrangeiro.A cidade foi igualmente pioneira em outros aspectos. Um deles foi a utilização de capital estrangeiro, obtido através de empréstimos ou da emissão de obrigações ou acções, para financiar a construção de infra-estruturas, como estradas e pontes, reduzindo assim a dependência dos fundos estatais, concedidos directamente ou através dos bancos públicos. Foshan foi a primeira cidade na China a construir uma ponte utilizando financiamento privado que foi amortizado através do pagamento de portagens. Foi igualmente precursora na alienação de empresas públicas, vendendo-as a gestores, investidores individuais e empresas estrangeiras, reduzindo assim o número de trabalhadores públicos. No final de 1996 tinham sido vendidas 1001 empresas públicas. Em Fevereiro de 1999, uma empresa de cerâmica de Foshan foi admitida à cotação na Bolsa de Valores de Singapura, a primeira empresa chinesa cujas acções foram admitidas à cotação numa bolsa estrangeira. Estas medidas foram posteriormente adoptadas por outras cidades, um pouco por todo o país, tendo-se tornado uma prática; contudo, Foshan foi a primeira de entre todas a adoptá-las e a utilizá-las para angariar capital e fortalecer a economia, tendo beneficiado da vantagem de ter sido a primeira.Negócios privadosFoshan foi igualmente uma das primeiras cidades a reconhecer a importância do sector privado e a promovê-lo activamente. Oferecia benefícios de diversa ordem a empresas privadas, numa altura em que outras cidades não estavam dispostas a fazê-lo; estas últimas receavam a evolução política, não se sabendo que direcção iria seguir. Mas Foshan não teve dúvidas, uma vez que possuía memória histórica da sua indústria privada e sabia do êxito que os “filhos da terra” tinham conseguido fora do país.O governo central reconheceu a legalidade dos negócios privados em 1982 mas três anos antes já o governo de Foshan tinha começado a reconhecer empresas privadas. Desde o início dos anos 90 teve lugar na cidade a venda de empresas estatais aos respectivos gerentes, trabalhadores e investidores particulares. Em 2011 a cidade tinha 340 mil empresas privadas, uma por cada 20 residentes. Desde aquela época, o sector privado tem sido um dos motores da economia. Em 2014, a produção industrial das empresas privadas com capitais locais cresceu 11,1%, superior à taxa de 7,7% das empresas com capitais externos, incluindo as de Hong Kong e Taiwan, e à taxa de 4,4% das empresas estatais.
  • 30FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL31FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALAs empresas privadas foram responsáveis por 65% do Produto Interno Bruto da cidade e por 75% da produção industrial. A política adoptada permitiu alguns êxitos espectaculares, casos da Midea e Galanz. Mas também ocorreram alguns falhanços de igual dimensão, tal como a Kelong, igualmente um grande produtor de electrodomésticos que faliu.O plenário do Partido Comunista realizado em Novembro de 2013 lançou um apelo para que o capital privado desempenhasse um papel mais importante na construção de infra-estruturas públicas. Ao longo dos últimos nove anos, o governo de Foshan permitiu que empresas privadas concorressem a mais de 500 projectos, incluindo centrais eléctricas, redes de abastecimento de água e centrais de incineração. Entre 1983 e 1991 a cidade construiu uma linha de caminho-de-ferro com 357 quilómetros de extensão até Maoming, na zona sul da província de Guangdong; este projecto foi o primeiro em que o capital privado foi utilizado na construção de uma linha de tais dimensões embora, em conjunto, com verbas dos governos central e local.A cidade tem actualmente mais de 370 mil empresas privadas que são responsáveis por mais de 60% do PIB; tal significa que em cada 20 residentes 1 é proprietário da sua própria empresa. A explosão registada no sector privado fez com que Foshan tivesse uma economia mais equilibrada do que muitas das outras cidades, tanto na província de Guangdong como em outras da China. As suas empresas vendem fundamentalmente para o mercado doméstico não dependendo muito dos mercados de exportação.A crise financeira de 2008 que se registou em muitos dos países do mundo ocidental devastou Dongguan e outras cidades que dependiam dos mercados externos; muitas fábricas tiveram de fechar e os trabalhadores de regressar a casa. Mas Foshan aguentou bem esta tempestade, uma vez que a sua economia era mais diversificada e dependia menos dos investidores estrangeiros que produziam para os mercados externos. No final de 2011 apenas 2% das empresas privadas eram estrangeiras. Em 2012, as exportações representaram apenas 18% do PIB da cidade, contra 30% em 2006. Esta variação percentual compara com 37% em Shenzhen, 32% em Dongguan e 25% em Wenzhou.Outra razão para o êxito de Foshan tem sido o tratamento dado aos trabalhadores migrantes, que representam uma proporção substancial da mão-de-obra. O seu rendimento médio mantém-se inferior ao dos residentes mas a sua produtividade e condições de vida melhoraram substancialmente desde que começaram a afluir à cidade. Foshan tem sido mais generosa do que outras cidades ao dar-lhes acesso a formação técnica, serviços médicos e sociais.Arrendamento de terrenos ruraisFoshan foi igualmente pioneira na utilização dos terrenos rurais, permitindo o seu arrendamento em condições semelhantes às dos lotes detidos pelo Estado nas cidades. Nos anos 80, Foshan criou um mercado paralelo para as terras comunais, que eram arrendadas pelos aldeões a empresários industriais; esta actuação era contrária ao disposto na legislação nacional que reservava tais terrenos para fins agrícolas. Uma vez que tais negócios eram ilegais, muitas das grandes empresas não ousaram adquirir esses terrenos. Tais vendas necessitavam de autorização do departamento de terras do governo central.Mas este mercado paralelo fez que os terrenos fossem mais baratos para pequenas empresas familiares que estavam dispostas a assumir os riscos legais e montar os seus negócios. Este mercado permitiu que os agrupamentos industriais de Foshan crescessem de forma orgânica e permitiu ainda que os aldeões obtivessem uma parte da riqueza industrial da cidade. Este modelo teve como resultado uma distribuição mais justa da riqueza do que em muitas outras cidades e a criação de uma classe média com um inegável poder de compra elevado.
  • 32FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL33FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALDescentralizaçãoOutra das razões para o êxito de Foshan foi a sua descentralização. A cidade está dividida em cinco bairros - Chancheng, Sanshui, Gaoming, Shunde e Nanhai. As autoridades encorajaram os empresários a especializarem-se num determinado produto ou sector, incluindo a produção de peças e componentes, a fim de obter economias de escala e respectivas vantagens competitivas. Esta realidade fez com que a promoção fosse muito mais simples e barata para os clientes estrangeiros que pretendiam abastecer-se na China, uma vez que conseguiam encontrar uma gama alargada de produtos num único lugar.Em 1985, um deles, Shunde, tinha 14 fábricas que produziam 8,81 milhões de ventoinhas por ano, ascendendo ao primeiro lugar na China. Até 2002, dois dos bairros, Shunde e Nanhai, podiam qualificar-se como cidades, uma vez que desde 1998 tinham uma colecta fiscal superior à da própria cidade. Esta situação facilitou a tomada de decisões a nível local e conduziu a uma cooperação estreita entre o governo do bairro, as empresas locais e os residentes. Este tipo de relacionamento é pouco usual na China.O bairro Shunde, por exemplo, construiu um instituto politécnico que conta com 11 mil estudantes. Embora o Ministério da Educação não reconheça os cursos aí ministrados, aqueles que concluem os estudos são muito procurados pelos empregadores locais. Esta situação deriva do facto de os cursos ministrados irem ao encontro das necessidades locais. Um resultado desta descentralização tem sido o facto de que a percentagem das receitas governamentais que pertencem a Foshan tenham caído de 34% em 1980 para 14% em 2012.O governo da cidade manteve o controlo da polícia, da polícia de trânsito, da educação e segurança social mas transferiu outras funções para outras estruturas administrativas de menor dimensão. A cidade conta com mais de mil associações empresariais e não-governamentais, o maior número na China.Dívida pública elevadaO lado negativo destas políticas ousadas da cidade tem sido um montante elevado de dívida pública. No final de 2012 tinha já atingido 14,5 mil milhões de dólares, sendo os juros anuais de 2,9 mil milhões de dólares. No caso de as taxas de juro subirem as finanças da cidade poderão ficar de imediato em risco. Os empréstimos bancários têm sido a principal fonte de financiamento, a que se seguem os empréstimos estrangeiros, colocação de dívida nos mercados de capitais e no mercado paralelo, onde as taxas de juro são de 20% ou mais.O sector industrial tem estado no centro do crescimento do PIB local, que tem atingido uma taxa de crescimento de 16% ao ano no decurso das últimas três décadas. As principais indústrias são o fabrico de equipamento, electrodomésticos, cerâmicas e materiais de construção, alimentação e bebidas, mobiliário e têxteis. Foshan passou a ser um dos maiores produtores da China de mobiliário, têxteis, electrodomésticos, cerâmicas para a construção, produtos em alumínio e aço inoxidável e tem ainda os maiores mercados do país de mobiliário, de vasos e de molho de soja. A cidade produz 60% de toda a cerâmica para construção, 85% da maquinaria para processar cerâmica, 50% dos produtos em alumínio e 25% dos discos compactos.A cidade funciona como sede de alguns grupos empresariais bem sucedidos, incluindo o Midea, Haitian e Country Garden.Destruição ambientalEste êxito assinalável teve um custo associado, à semelhança do ocorrido em outras cidades da China. Foshan padece de uma destruição ambiental séria. Quatro dos seus rios estão altamente poluídos, em grande parte devido às históricas indústrias cerâmicas. Em 2003, o governo da cidade anunciou regras mais rígidas para esta indústria, com o objectivo de as fazer mudar para os arredores. Em 2005, havia na cidade mais de 350 empresas em grande escala produtoras de cerâmica, com cerca de mil linhas de produção. O governo da cidade detectou cinco grandes problemas – desperdício de energia e emissões de poluentes elevadas, fraca inovação, produção em pequena escala, gestão de baixa qualidade e exportações diminutas. Só um número limitado de empresas que respeitava as novas exigências em termos de poluição e de produção é que lhes foi autorizado a permanecer enquanto as outras fábricas foram intimadas a encerrar ou sair da cidade.As empresas do sector investiram milhares de milhões de yuans em novas instalações de produção em Jiangxi, Hunan e Hubei, onde os custos da mão-de-obra eram mais baixos e as exigências ambientais mais ligeiras. Em 2013, menos de 60 das mais de 600 empresas que havia na cidade nela permaneceram; as outras tinham-se mudado para outras cidades na província de Guangdong ou mesmo noutras províncias. No período áureo, mais de 100 mil pessoas trabalhavam nas fábricas de cerâmica mas com a saída das fábricas milhares de pessoas perderam os seus postos de trabalho. Os empresários queixaram-se de que os prazos associados às novas regras eram demasiado curtos, não lhes dando praticamente tempo nenhum para procederem às alterações. Muitas empresas familiares foram à falência.Sendo uma consequência derivada do desenvolvimento de Foshan, a poluição transformou-se num obstáculo.Custos de produção a aumentarOs custos de produção crescentes são outro factor que está a provocar uma alteração na estrutura industrial da cidade. Este aumento deriva da mão-de-obra e dos terrenos serem mais caros, de políticas governamentais menos favoráveis e do arrefecimento dos principais mercados de exportação. Cankun,
  • 34FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL35FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALuma fábrica fundada em 1999 que produz equipamentos de cozinha em Foshan empregava mais de 22 mil pessoas em 2005, de acordo com o seu relatório anual. O número de trabalhadores decresceu e actualmente são 3 mil. Stanley Lau, presidente da Federação das Indústrias de Hong Kong, um grupo de pressão, disse que as fábricas detidas por empresários de Hong Kong no sul da China procederam a reduções de pessoal na ordem dos 50% a 60%.À semelhança de outras cidades em Guangdong, Foshan já não consegue atrair um número ilimitado de trabalhadores migrantes de baixo custo dispostos a trabalharem durante muitas horas, que foi o factor fundamental que fez da província “a fábrica do mundo.” Nos últimos 10 anos o crescimento económico registado nas províncias interiores teve como resultado o aumento dos salários pagos nas fábricas; por isso, os residentes de Hubei, Sichuan, Hunan e outras províncias similares conseguem ganhar na sua cidade um salário que representa entre 60% e 70% daquele que poderiam auferir em Guangdong. Para além de continuarem a residir com as respectivas famílias, cada vez mais, estes trabalhadores só de pensarem em que têm de morar num dormitório apinhado de pessoas durante 11 meses do ano, torna esta solução, muito pouco atractiva. Alguns empresários decidiram deslocar as suas fábricas para estas províncias do interior a fim de aproveitarem os custos laborais e os preços terrenos mais reduzidos e onde as exigências ambientais são menores.Foshan pretende agora deixar de ser uma cidade com fábricas poluentes de mão-de-obra intensiva para se transformar numa cidade com sectores de maior valor acrescentado, tais como o turismo, banca e outros serviços. Por outro lado, a cidade já conseguiu atrair empresas que fabricam ecrãs foto-electrónicos, díodos emissores de luz (LED) e painéis fotovoltaicos. “Indústria Foshan 2025”No dia 28 de Março de 2015, Liu Yue, secretário-geral do Partido Comunista em Foshan, disse que “a cidade iria despender nos próximos três anos cerca de 7,2 mil milhões de yuans a fim de melhorar a capacidade tecnológica e a criatividade das suas empresas”. Liu lançava, nessa ocasião, o programa “Indústria Foshan 2025”, que faz parte de uma iniciativa a nível nacional anunciada pelo primeiro-ministro Li Keqiang. Liu Yue afirmou que “a competitividade no sector industrial vai aumentar a nível global nos próximos 10 anos, sendo por isso necessário que a China acompanhe essa tendência”.O secretário-geral do PCC salientou que um dos objectivos para 2025 é o “fabrico inteligente” e a utilização generalizada de robôs e afirmou que “pretendemos cooperar com as empresas internacionais no desenvolvimento de robots e fazer com que as nossas empresas atinjam um patamar mais elevado. No futuro, Foshan passará a ser um mercado bilionário de máquinas inteligentes. Encorajamos as empresas privadas a porem em prática o ‘duplo casamento’ – industrialização e informatização – utilizando a zona industrial sino-alemã como plataforma”. A zona mencionada foi montada a fim de prestar serviços às empresas industriais de alta tecnologia.Disse, ainda “trabalharemos em conjunto com as empresas alemãs no sector dos serviços e na introdução do modelo alemão a fim de elevar a capacidade das nossas indústrias tradicionais.” Foshan despende actualmente 2,6% do seu PIB em Pesquisa e Desenvolvimento.Algumas das empresas existentes na cidade estão a seguir o conselho do governo. Uma delas é a Winone, fabricante de elevadores. O empresário montou um centro de pesquisa e desenvolvimento na Alemanha, o país europeu com o sector industrial mais desenvolvido. Aí contratou três especialistas alemães que estavam aposentados e que todos os anos se deslocam a Foshan a fim de dar formação aos engenheiros da empresa. O seu presidente, Liang Yongbiao, anunciou que “a empresa vai começar a introduzir robots de forma gradual e a expandir a utilização da internet. Por exemplo, tal decisão permitirá que a empresa acompanhe o funcionamento de cada elevador que é vendido a um cliente e que responda rapidamente a eventuais reparações ou introdução de melhorias”.Outro caso semelhante é da Shiwan Rice Liquor Company que em 2014 registou um aumento de 30% na facturação, variação percentual anormalmente elevada num ano que foi difícil para o sector.O seu director-geral, Fan Shaohui, disse que o aumento das vendas foi conseguido na sua maior parte devido à utilização da internet em todas as áreas da empresa. “Permite-nos saber exactamente as necessidades dos nossos clientes e fez com que tivéssemos alterado todos os passos do negócio, desde a pesquisa ao desenvolvimento de produtos e vendas”, disse Fan.O mesmo se passou com a Weishang Furniture. A utilização da internet faz com que os clientes se envolvam no desenho e no planeamento das peças que encomendaram; este facto faz com que tenham
  • 36FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL37FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALum relacionamento mais aprofundado com a produção dos produtos que encomendam e acabam, muito provavelmente, a fazer a promoção dos produtos da Weishang. A empresa Pearl River Electric Switch Company é uma recém-chegada à era da internet. “Utilizámos a internet para alterar o nosso método tradicional de fabrico”, disse o presidente Zhang Bocheng. “Estamos cada vez mais a utilizar robots para substituir trabalhadores mas estamos ainda na fase de descobrir até onde podemos ir.” O problema da sucessãoO governo de Nanhai, um dos bairros de Foshan, constituiu um “fundo empresarial” com uma dotação de 3 mil milhões de yuans para melhorar a qualidade da gestão e do pessoal nas empresas na sua zona de influência. Nos últimos dois anos organizou sessões de formação para mais de 3 mil gestores, bem como para outros níveis de trabalhadores. Em 2014, seleccionou 48 jovens empresários e contratou-os para darem formação em 36 empresas estatais. O governo de Nanhai preocupa-se muito particularmente com o que se designa na China por “segunda geração rica”. Esta geração é composta pelos filhos dos empresários que fundaram as empresas que fizeram de Foshan uma cidade desenvolvida mas são completamente diferentes da geração anterior. Os pais dedicaram-se a trabalhar e deram as suas vidas às respectivas empresas e pretendem agora participar em estruturas políticas como o Congresso Nacional Popular ou o Congresso Consultivo Político do Povo Chinês. Tal não acontece com os seus filhos.Um inquérito realizado por uma delegação de Foshan do Partido Comunista junto de 812 indivíduos da segunda geração concluiu que 21,6% residiam no estrangeiro e que 77,4% não tinham qualquer filiação política. “O governo receia que estas pessoas não tenham autoconfiança suficiente, tenham um sentido difuso de missão e uma forte tendência para emigrar”, lê-se no relatório produzido. “Caso não se melhore a educação, tanto o capital como as pessoas com capacidade irão para o estrangeiro, o que torna quase impossível que possam vir a ter um papel importante na sociedade.”Esta segunda geração cresceu num mundo completamente diferente do dos seus pais. Os pais sobreviveram à miséria e à falta de tudo, facto que lhes deu uma vontade imensa de trabalharem e serem bem sucedidos. Os seus filhos, pelo contrário, cresceram rodeados de conforto, com criados para os servir e com dinheiro para gastos pessoais. Os chineses ricos gostam de enviar os seus filhos para o estrangeiro para estudar, alguns mesmo ao nível do ensino secundário. Após anos na Califórnia, Londres ou Paris estes jovens não querem ou não podem regressar à China para trabalhar num mercado altamente concorrencial; além disso, não dispõem de uma rede de contactos pessoais necessária para vingarem nos negócios na sua cidade natal.
  • 38FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL39FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Comércio externo e investimentoO investimento directo estrangeiro tem sido um elemento fundamental no sucesso económico da cidade. Em 2014 as exportações atingiram 46,72 mil milhões de dólares, um aumento anual de 9,9%. Deste total, as empresas com capital estrangeiro foram responsáveis por 21,79 mil milhões de dólares, um aumento de 2,7%, o que representa 47% do total. Foshan conseguiu atrair 59 das 500 maiores empresas mundiais que investiram em 110 projectos da cidade. Foshan estabeleceu três grandes zonas para atrair capital estrangeiro – a Zona de Alta Tecnologia Nacional de Foshan, a Zona de Serviços de Alta Tecnologia de Guangdong para as Instituições Financeiras e a Zona de Serviços Industriais Sino-Alemã de Foshan.Um dos sectores mais importantes para o investimento estrangeiro é o fabrico de equipamento, que teve uma produção no valor de 41,8 mil milhões de yuans em 2013. A cidade tem 192 instalações de produção em larga escala onde foram aplicados 88,5 mil milhões de yuans, de acordo com o presidente da câmara, Lu Yi. O investimento estrangeiro é um componente importante – 932 projectos com capital estrangeiro no montante de 11,54 mil milhões de dólares. Lu disse que a “produção do sector industrial deverá atingir 550 mil milhões de yuans em 2016. As empresas industriais são encorajadas a montarem centros tecnológicos, de pesquisa e desenvolvimento e de vendas em Foshan”, acrescentou.Um dos maiores investidores estrangeiros em Foshan é o fabricante alemão de automóveis Volkswagen AG (VW). Numa parceria com a First AutoWorks (FAW), a fábrica iniciou a produção em Setembro de 2013, com uma capacidade inicial de 360 mil veículos. A empresa pretende duplicar essa capacidade com a conclusão da segunda fase do projecto, que envolve um investimento de 1,6 mil milhões de euros. De acordo com a VW a fábrica de Foshan é uma das mais modernas do sector na China. Em Junho de 2014 a fábrica tinha 4300 trabalhadores, 9% dos quais com funções de gestão. A idade média dos trabalhadores é de 24,8 anos e 93% deles têm menos de 30 anos. Do número total, 97% têm uma qualificação profissional escolar ou curso superior. Esta fábrica é a quarta da VW na China, tendo surgido depois das duas de Changchun e de uma em Chengdu, dando ao grupo uma base de produção localizada em três diferentes regiões da China. A fábrica de Foshan começou a produzir veículos do modelo Golf em Agosto de 2013, o Audi A3 desportivo em Fevereiro de 2014 e o Audi A3 em Junho de 2014. A assinatura dos documentos relacionados com este projecto teve lugar em Junho de 2010 e a colocação da primeira pedra em Dezembro de 2011.Chen Dapeng, director-geral da parceria, disse que a produção de veículos ajudaria a fomentar o desenvolvimento de outras unidades industriais, tais como as que produzem máquinas-ferramentas. “Foshan, enquanto uma das principais bases industriais na região ocidental do rio das Pérolas, vai tornar-se num grande centro industrial de máquinas-ferramentas no futuro próximo, atendendo ao número de grandes projectos já lançados”, disse.Os dois parceiros estão já a analisar uma futura expansão, atendendo ao facto de a procura estar a crescer muito depressa. A China pode vir a ser o principal mercado mundial de automóveis de luxo, de acordo com a empresa de consultoria McKinsey & Co. Cerca de 70% do mercado é dominado pelos três grandes da Alemanha – BMW AG, Audi e Daimler AG – com a Audi a ter a maior quota de mercado. No entanto, nos últimos anos houve uma série de concorrentes a entrar no mercado.Zona Sino-AlemãA Zona de Serviços Industriais Sino-Alemã está dividida numa área central com 5,76 quilómetros quadrados e numa outra reservada a desenvolvimento. Em Agosto de 2012, foi indicado no comunicado conjunto emitido pelo Ministério do Comércio da China e pelo Ministério Federal da Economia e Tecnologia da Alemanha como sendo uma plataforma que merece todo o apoio ao mais alto nível dos dois governos. A Zona alberga a sede para a Ásia-Pacífico da Osram, a sede para o sul da China da companhia de seguros Allianz, a Fundação Steinbeis e a sede no sul da China da TUV Rheinland. A Zona vai albergar de futuro um instituto politécnico sino-alemão.O jornal oficial diário China Daily afirmou que a Zona pretende ser “uma cidade inteligente amiga do ambiente com serviços bem desenvolvidos de transportes, comunicações, comerciais, financeiros e de apoio a negócios”. Nela ficarão reunidos serviços ligados à indústria de elevada qualidade de pesquisa e desenvolvimento, de realização de testes e certificação, novas tecnologias de informação, energias renováveis, convenções e exposições e formação profissional. A Zona pretende dar resposta à transformação industrial em curso em Foshan e na região do delta do rio das Pérolas.
  • 40FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL41FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALA Zona virá um dia a ocupar 88 quilómetros quadrados e acolher não só projectos industriais da Europa, muito em particular da Alemanha, como pessoal com elevado nível de formação e conhecedores das regras e práticas internacionais. Stefan Gallon, cônsul-geral da Alemanha em Cantão, disse há algum tempo que, “graças à nova Zona, as empresas alemãs podem aprofundar a cooperação económica com a China, permitindo-lhes, além disso, ter acesso a um mercado em crescimento”.A página electrónica da Zona descreve este lugar como sendo muito apetecível para instalar sedes de empresas que desejam operar na China, nomeadamente nesta região. O grupo Steinberger Hotel está a construir no local um hospital internacional e um hotel de cinco estrelas, pretendendo os responsáveis da Zona criar uma atmosfera atractiva não apenas para os negócios mas também para as pessoas que lá residem, tanto chineses como estrangeiros. A Zona dispõe de um parque, árvores de cerejeiras, um ringue de patinagem e uma zona húmida destinada a atrair pássaros. No parque existe uma praia artificial e um lago, ambos abertos ao público, onde cerca de 2 mil pessoas podem banhar-se. A informação constante da página electrónica promete que irá haver uma zona cultural, um museu de arte, uma biblioteca, uma zona cultural e de desportos internacionais e um centro desportivo.Outra Zona, que a cidade entende como sendo importante para assegurar o futuro, fica localizada na zona oriental, estando ligada a Cantão por metropolitano. Trata-se da Zona de Serviços de Alta Tecnologia para as Instituições Financeiras de Guangdong, estabelecida em Julho de 2007. Esta Zona fornece serviços de arquivo de segurança à semelhança daqueles que New Jersey e Dublin fornecem a Nova Iorque e a Londres, respectivamente. A Zona cobre uma área de 18 quilómetros quadrados no bairro Nanhai, apresentando como vantagens o custo dos terrenos e da mão-de-obra mais baixos do que em Cantão.A Zona atraiu inúmeras empresas financeiras, que nela instalaram as suas operações, casos da American International Assurance (AIA), a base no sul do país da Companhia Popular de Seguros da China e o grupo Sun Kung Fai Financial de Hong Kong. Igualmente presentes na Zona estão a Fujitsu Technology Group, o centro subcontratado de processamento de negócios do grupo francês Capgemini, bem como um centro similar da IBM e o centro financeiro do Banco de Desenvolvimento de Guangdong. O HSBC também está presente na Zona, com o centro global de processamento de operações, garantindo serviços bancários e financeiros, incluindo cartões de crédito, empréstimos, seguros e gestão de recursos humanos.A AIA está a despender entre 70 a 80 milhões de dólares num edifício para albergar as vendas por telefone, o centro de formação e os serviços de apoio para as operações no sul da China. O banco Standard Chartered assinou já um acordo para abrir uma agência no parque, a primeira de uma instituição financeira estrangeira na cidade.A Zona dá corpo à visão que o governo da cidade tem para o futuro – não mais um agrupamento de chaminés de fábricas mas sim um parque espaçoso e verde que obtém os seus proveitos através do trabalho de pessoas altamente qualificadas em centros de pesquisa e desenvolvimento e de empresas de serviços. Marcas conhecidasA empresa de Foshan mais conhecida é a Midea, um dos maiores produtores de electrodomésticos da China. A empresa foi fundada em 1968 quando He Xiangjian despendeu 5 mil yuans para montar um pequeno negócio para fabricar tampas para garrafas, num dos bairros da cidade. A partir deste início humilde surgiu o grupo Midea, uma das empresas privadas mais bem sucedidas da China. De acordo com a informação disponibilizada na página electrónica, o grupo tem vendas anuais que excedem 140 mil milhões de yuans e tem 3 subsidiárias com acções admitidas à cotação, duas em Shenzhen e uma em Hong Kong.A Midea é um dos maiores exportadores da China de produtos da chamada “linha branca”, nomeadamente fornos de micro-ondas, panelas eléctricas para cozer arroz, ventoinhas eléctricas e aparelhos de ar condicionado.
  • 42FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL43FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALO grupo começou a produzir electrodomésticos em 1980, 14 anos após a sua constituição, tendo começado a utilizar a marca Midea no ano seguinte. Em 1977 a administração procedeu a uma reestruturação profunda, reorganizando a empresa com uma separação de poderes entre accionistas, o conselho de administração e comissão executiva. Em 1999 começou a oferecer acções aos trabalhadores, fazendo com que cada um deles tivesse uma participação na empresa. O grupo abriu a sua primeira fábrica no estrangeiro na cidade de Ho Chi Minh, no Vietname, em 2007, e desde então abriu fábricas na Bielorússia, Egipto, Brasil, Argentina e Índia. Tem igualmente estado muito activo na aquisição de empresas chinesas, tais como a Jiangsu Chunhua Electric, um dos principais fabricantes de aspiradores, e a Litte Swan, que produz máquinas de lavar e frigoríficos; estas aquisições permitiram ao grupo alargar a gama de marcas e de produtos que comercializa. Estabeleceu ainda parcerias com a Carrier dos Estados Unidos e Toshiba do Japão. O grupo aplica 3% da facturação anual em pesquisa e desenvolvimento.O presidente executivo He Xiangjian disse numa certa ocasião que “o grupo pretende ser uma empresa global, à semelhança da Philips e da Matsushita (conhecida globalmente como Panasonic). Pretende, além disso, vir a ser o maior fabricante mundial de electrodomésticos, assumindo na China o papel da japonesa Matsuhsita, que controla mais de 50% do mercado do Japão”.Em 2012, o grupo investiu mais de 200 milhões de yuans na duplicação do número de postos de venda na China para 6 mil, e pretende vir a ter 15 mil postos até ao final de 2015.Por enquanto, mais de metade da produção do grupo é feita para terceiros e a prazo, He Xiangjian pretende fazer com que o nome Midea venha a ser uma marca conhecida mundialmente.He é actualmente um multi-milionário, tendo fundado a empresa em 1968 com 23 residentes da aldeia Beijiao, na província de Guangdong. Em Outubro de 2013, a revista norte-americana Forbes estimava a sua fortuna em 6,8 mil milhões de dólares. Sendo um jogador de golfe inveterado, a sede do grupo em Shunde tem a forma de um jogador de golfe a torcer o corpo para dar a tacada. Em Agosto de 2012, reformou-se da presidência do grupo e entregou a gestão não ao seu filho mas a Fang Hongbo, um gestor profissional. Mantém-se, no entanto, como presidente da Midea Holdings, a sociedade de controlo do grupo e continua a liderar o departamento de desenvolvimento de estratégias.Outra marca global em Shunde, bairro de Foshan, é a Galanz, o maior produtor mundial de fornos de micro-ondas. Uma empresa privada fundada por sete pessoas em 1978, iniciou a actividade produzindo artigos à base de penas de pato. Em 2013, registou uma facturação mundial de 45 mil milhões de yuans, dos quais 12 mil milhões de yuans relativos à exportação. O produto mais importante da empresa, fornos de micro-ondas, representa mais de 50% das vendas. Os seus produtos são exportados para 179 países e regiões, incluindo Europa, Estados Unidos e Sudeste Asiático. O objectivo da administração é atingir vendas de 100 mil milhões de yuans em 2018. A empresa dispõe de centros de pesquisa e desenvolvimento em Shunde, Zhongshan, Hong Kong, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, empregando mais de 40 mil trabalhadores. Além dos fornos de micro-ondas, a empresa produz aparelhos de ar condicionado e electrodomésticos. A empresa tem 52 pontos de venda na China e sucursais em Hong Kong, Seul e América do Norte.À semelhança do ocorrido com a Midea, começou a produzir artigos como Fabricante de Equipamento Original (OEM, na sigla em inglês) mas está progressivamente a produzir bens que ostentam a sua marca. A administração pretende vir a ser a prazo uma marca mundial – mas ainda não o é.
  • 44FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL45FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Propriedades de luxoNum terreno no centro de Foshan, um promotor de Hong Kong está a construir o maior projecto imobiliário da cidade e a vender os apartamentos a compradores chineses e estrangeiros. Kinkey Zhang, um dos promotores da venda dos apartamentos, disse que Foshan está a atravessar uma fase de transição – “dantes fabricava porcelana e banheiras mas actualmente está a alcançar um outro nível.”Lingnan Tiandi (“O céu e a terra no sul da China”) é uma obra da empresa Shui On Land, que já construiu projectos semelhantes em seis outras cidades chinesas. O mais famoso fica na zona central de Xangai, onde construiu um complexo de restaurantes, bares, lojas e boutiques num terreno com 57 mil metros quadrados e num estilo que imita a arquitectura tradicional da cidade. Este projecto tem tido um êxito comercial espantoso, sendo um local de entretenimento mas relacionado com negócios, turismo e compras. O projecto Lingnan é uma demonstração da forma como Foshan pretende redefinir-se, ou seja, pretende copiar o bom exemplo de Xangai.Foshan pretende abandonar as indústrias poluentes com produtos de baixo custo para se abrir a novos sectores com maior valor acrescentado,tal como o imobiliário de luxo. Está a reduzir a centenária indústria cerâmica, em defesa de um ambiente mais limpo, e está a caminhar na direcção do desenvolvimento dos sectores de alta tecnologia, turismo, banca e outros serviços. A Shui On Land descreve desta forma o projecto de Foshan- “Situado numa rua central da cidade, o projecto Lingnan Tiandi ocupa uma área de 650 mil metros quadrados, irá ter uma área construída de 1,5 milhões de metros quadrados, a SOM Co. (Skidmore, Ownings and Merrill, LLP) é a empresa de consultoria principal e Benjamim Wood, da empresa de arquitectura Shanghai Studio, é o arquitecto principal”.Este projecto, que inclui habitação, escritórios, um hotel, lojas, restaurantes, zonas de entretenimento e instalações turísticas e culturais, fica localizado próximo do Foshan Zumiao, um templo com 900 anos da Dinastia Song, que se situa no coração da cidade antiga de Taipingqiao. À semelhança de muitos outros centros históricos da China, a zona tem estado sob ameaça do desenvolvimento imobiliário.No entanto, os seus promotores, de acordo com declarações públicas, pretendem conservar a cidade antiga e criar em simultâneo um bairro central mais moderno e capaz de fomentar o crescimento da zona.O governo da cidade, ao convidar a Shui On Land para construir no centro de Foshan, pretende melhorar a qualidade residencial e encorajar um nível mais elevado de consumo.Outros projectos imobiliáriosFoshan despertou o interesse de muitos promotores imobiliários, tanto nacionais como de Hong Kong. Esta realidade demonstra que estão optimistas quanto ao futuro da cidade, pois irão vender propriedades a pessoas das classe média e alta, tanto de Foshan como da vizinha cidade de Cantão, bem como a compradores de Macau, Hong Kong, Taiwan e da diáspora chinesa.Um dos promotores é a empresa Yuexiu Property, cujas acções estão cotadas na Bolsa de Valores de Hong Kong. A empresa construiu o projecto Lingnan Junting no cruzamento da Avenida Tongji e da Rua Lingnan, no bairro de Chancheng. O projecto fica situado no centro da cidade, próximo de duas estações da linha de metropolitano Cantão-Foshan. De acordo com a empresa, este projecto imobiliário virá a ser um complexo em grande escala, que incluirá uma zona comercial separada, escritórios, zona residencial, “aparthotel” e ainda blocos comerciais.
  • 46FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL47FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALPara o seu novo projecto em Foshan, a Yuexiu Property anunciou em Fevereiro de 2015 que tinha adquirido em leilão um lote de terreno no mesmo bairro de Chancheng por 633 milhões de yuans. Este terreno tem uma área de 33 973 metros quadrados e uma área de andares de 221 334 metros quadrados. O custo médio do terreno, considerando a área em andares, é de 2900 yuans o metro quadrado. A aquisição do lote tem uma validade de 70 anos no que se refere à habitação e de 40 anos para utilização comercial.Em Março de 2015, a Times Property, outra empresa de Hong Kong, anunciou ter adquirido em leilão um lote de terreno em Foshan por 1856 milhões de yuans. A área total do lote é de 64 697 metros quadrados, destinando-se à construção de habitação e comércio, igualmente com um prazo de validade de 70 e 40 anos, respectivamente.A Liu Chong Hing Investment é outro promotor imobiliário de Hong Kong que está presente em Foshan. Em Março de 2015 anunciou ter vendido 776 unidades, ou seja, cerca de metade das 1542 da segunda fase do Grand Jardin em Foshan por 446 milhões de yuans. Este projecto destina-se a famílias da classe média. A segunda fase consiste em 12 blocos de 14 andares cada para habitação com 60, 90 e 120 metros quadrados de área. Situa-se na Rua Guilong, no bairro de Nanhai, a 30 minutos de distância motorizada do centro financeiro.A New World China Land, outro promotor de Hong Kong, está a construir o Canton First Estate num lote de terreno com 2,6 milhões de metros quadrados; este projecto inclui residências e villas de baixa densidade, o Hotel New World Foshan, um campo de golfe, o clube Canton First, um centro de exposições Heart of Guangzhou-Foshan e outras instalações comerciais. O campo de golfe tem 18 buracos e é já um dos mais populares do sul da China.O mercado imobiliário recebeu um forte impulso quando o Departamento de Desenvolvimento de Habitação Urbana e Rural anunciou que, a partir de 1 de Maio de 2015, tinha decidido acabar com o teste de elegibilidade para compradores de propriedades locais e não-locais. Esta decisão assinalou o levantamento de todas as restrições à compra de casas em Foshan, sendo a primeira cidade de todas da província de Guandgong a tomar semelhante decisão. Os limites à compra tinham sido introduzidos em toda a China a fim de pôr um travão ao aumento em espiral dos preços do imobiliário; o resultado foi que milhares de apartamentos ficaram por vender porque ninguém os queria comprar. Com o arrefecimento da economia, Pequim informou as autoridades das restantes cidades do país que deviam reduzir as restrições a fim de estimular o crescimento das vendas; a colecta derivada da venda de propriedades e dos impostos sobre o imobiliário é vital para o orçamento do governo de qualquer cidade.A 7 de Agosto de 2014 o governo da cidade de Foshan reduziu as restrições e passou a permitir que um indivíduo pudesse adquirir uma propriedade, não sendo necessário ter uma família constituída. Assim sendo, os residentes em Foshan passaram a poder comprar até 2 propriedades numa base individual, enquanto os não-residentes podiam comprar uma propriedade com a apresentação dos documentos de identificação; neste último caso não era necessário apresentar prova de inscrição na segurança social ou de pagarem impostos em Foshan.Em 2014, as vendas de casas recém-construídas aumentaram 20%, em termos de área, comparativamente com 2013. Nesse ano o preço médio manteve-se estável, tendo aumentado apenas 0,5%; este facto reflectiu um desenvolvimento equilibrado do mercado imobiliário com um aumento das transacções mas com a manutenção do preço médio.De acordo com o departamento estatístico da cidade, o investimento no mercado imobiliário cifrou-se em 83,27 mil milhões de yuans em 2014, um aumento anual de 12,9%. Deste total, o investimento em habitação atingiu 58,38 mil milhões de yuans, um aumento de 16,6%. A área para actividades comerciais a ser construída em 2014 era de 57,35 milhões de metros quadrados, mais 13,2%. Mas a área comercial concluída em 2014 atingiu 54,1 milhões de metros quadrados, uma quebra homóloga de 10,5%. Estes números revelam de que forma as restrições à aquisição de propriedades prejudicou o sector mas revelam igualmente que os promotores imobiliários antecipavam um crescimento moderado.
  • 48FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL49FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Moda estrangeira de grande rotaçãoA Agencia de Promoção do Investimento de Foshan (FIPA, na sigla em inglês) afirma que a cidade é ideal para as empresas de moda estrangeiras de grande rotação de stocks, tais como a espanhola Zara e a sueca H&M. “Em 2010, 16,9% da população da província de Guangdong tinha menos de 14 anos”, afirmava a agência num folheto para distribuição. “Em 2014, o alvo principal para produtos de moda de grande rotação era o grupo etário constituído por jovens profissionais e consumidores na casa dos 20 anos. Desde o ano 2000, que o rendimento disponível per capita em Guangdong tem estado a crescer de forma sustentada. Foshan surge na oitava posição no conjunto das cidades chinesas e os seus consumidores são em número elevado e estão predispostos a consumir”. No mesmo folheto afirmava-se que a indústria do vestuário de grande rotação tinha um futuro brilhante em Foshan, uma vez que havia muitas propostas para a construção de centros comerciais nos cinco bairros da cidade. Dos 46 projectos de construção existentes nessa altura, 28 destinavam-se à instalação de complexos e de centros comerciais. Cada complexo comercial compreendia pelo menos três centros comerciais. Todos os projectos que havia para os bairros de Sanshui e Gaoming tinham como finalidade a construção de centros comerciais. Sistema de transportesUma das razões pelas quais os promotores de Hong Kong estão a construir em Foshan é a existência de uma rede de metropolitano que liga a cidade à vizinha Cantão. A rede de metro abriu ao público em Novembro de 2010 e permite que as pessoas residam em Foshan possam trabalhar em Cantão e vice-versa, embora este último caso não seja tão realista, uma vez que os preços, nomeadamente, da habitação são mais elevados em Cantão.Esta linha, que é a primeira na China a ligar duas cidades, tem uma extensão de 32 quilómetros e permite viajar entre os bairros de Haizhu e Liwan de Cantão e os de Chancheng e Nanhai de Foshan. O projecto da Shui On Land fica a uma curta distância a pé da estação de metro do templo Zu Miao.Além disso, há uma linha de alta velocidade que atravessa Foshan e liga a cidade de um lado a Cantão e do outro a Zhuhai. Esta linha entrou em funcionamento em Janeiro de 2011, tem uma extensão de 117 quilómetros, 17 estações e os comboios podem percorrê-la a uma velocidade máxima de 200 quilómetros à hora. Em Foshan existem quatro estações – Beijiao, Shunde, Shunde College e Ronggui. Esta linha faz parte de um plano do governo de Guangdong para ligar todas as principais cidades da província a uma hora de viagem a Cantão, a capital provincial.Mas, embora, os residentes em Foshan possam escolher para as suas deslocações diárias o metropolitano ou o comboio de alta velocidade, contudo, verifica-se que eles preferem comprar o seu automóvel particular e, assim, a procura só pode crescer, aliás um pouco à semelhança do que acontece no resto da China. Os dados do departamento estatístico da cidade revelam que o número de veículos em circulação era de 1,54 milhões no final de 2014, um acréscimo de 13,3% comparativamente ao ano transacto e, deste total, cerca de 1,4 milhões estavam registados como automóveis particulares, com um aumento de 14,5%.A cidade dispõe também de um aeroporto que iniciou a sua actividade comercial em Novembro de 2009. O aeroporto Shadi era originalmente uma base aérea do Exército Popular de Libertação que, em 1987, começou a receber voos civis. Estes voos acabaram em 2002, na sequência de uma decisão governamental, mas foram retomados em Novembro de 2009. Actualmente, o aeroporto tem entre três a cinco voos diários Pequim, Xangai, Hangzhou, Changzhou e outras cidades. A província já está muito bem servida de aeroportos – Cantão, Shenzhen, Zhuhai e Shantou bem como os de Hong Kong e Macau – havendo um outro projectado para Huizhou. O governo da cidade afirma que não há excesso de oferta, argumentando com o rápido crescimento anual da procura, que deverá continuar a verificar-se, e com o facto de muitas cidades no estrangeiro terem mais de um aeroporto. Para as cidades chinesas, bem como para as estrangeiras, ter um aeroporto é uma questão de estatuto e prestígio e sinal de grande desenvolvimento.Este aeroporto sofre, no entanto, da proximidade do aeroporto Nuvem Branca de Cantão, a uma distância de menos de uma hora de Foshan. O aeroporto de Cantão é um dos três maiores da China e a maior parte das pessoas que visita Foshan chega à cidade através do aeroporto Nuvem Branca e não do Shadi. Não obstante esta realidade, o governo da cidade continua a querer mandar construir um aeroporto civil; pretende que esse aeroporto tenha uma melhor localização do que o actual e não quer partilhar a infra-estrutura com os militares. A obra está a ser apresentada ao governo da província como o “segundo aeroporto” de Cantão. Os técnicos do governo da cidade examinaram diversos locais e concluíram que um aeroporto em Gaoming é o mais apropriado, uma vez que tem uma densidade populacional baixa, é uma zona plana e nela existem poucos projectos imobiliários de grande dimensão. Este aeroporto poderia servir as cidades vizinhas de Jiangmen, Zhongshan, Yunfo e Zhaoqing e apoiar o seu desenvolvimento. A cidade já apresentou um estudo de viabilidade do aeroporto ao Departamento
  • 50FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL51FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALde Planeamento e Desenvolvimento da província de Guandgon e está a aguardar uma decisão.O transporte por água, tanto fluvial como marítimo, tem permanecido importante ao longo da história da Foshan. Números oficiais revelam que em 2014 o porto da cidade processou 59,07 milhões de toneladas de carga, um aumento anual de 7,9%. Nesse ano o porto processou 2,89 milhões de contentores de 20 pés, mais 5,4% do que um ano antes. As mercadorias transportadas pelos canais e cursos de água da cidade atingiram 40,44 milhões de toneladas nesse mesmo ano, um aumento de 5,1%. 2015 e o 13º plano quinquenalO ano 2016 marcará o início do 13º plano quinquenal da China e o governo da cidade está a preparar-se activamente para realizar com êxito o papel que lhe está destinado.Em Agosto de 2014 o governo provincial de Guangdong tomou a decisão estratégica de construir uma Cintura Industrial para equipamento avançado na região ocidental do rio das Pérolas, a fim de conseguir atingir uma produção de 2 biliões de yuans até 2020. Miao Wei, ministro da Indústria e das Tecnologias de Informação da China, manifestou mais tarde o seu apoio a este projecto e propôs a sua inclusão no 13º plano quinquenal nacional. O projecto cobre Foshan, Zhongshan, Jiangmen, Yangjiang e Zhuhai. Zhou Zhitong, Chefe do Departamento de Comércio de Foshan, argumentou que “a cidade, enquanto centro industrial da região, deveria ter um papel de liderança na constituição da Cintura”.Zhou afirmou ainda que “a cidade tem uma base sólida em termos industriais e dispõe igualmente de um ambiente de negócios internacional capaz de atrair parceiros internacionais, como o provam projectos como a Zona de Serviços Industriais Sino-Alemã. O fabrico de equipamentos já faz parte da principal actividade industrial da cidade, com produção no valor de 418,3 mil milhões de yuans em 2013. Este número deverá atingir 1 bilião de yuans em 2020”.Foshan não divulgou quais são os planos da cidade para o período 2016/2020. No entanto, discursos proferidos pelos seus principais dirigentes têm dado uma indicação clara do seu pensamento e ambições. Num discurso proferido a 4 de Fevereiro de 2015, o Presidente da Câmara em exercício, Lu Yi, fez algumas reflexões sobre o ano que se tinha iniciado há pouco. Para este ano, Lu prevê um crescimento de 8,5% do Produto Interno Bruto, com um crescimento de 15% da formação bruta de capital fixo e de 12% das vendas a retalho. A cidade deve acelerar a construção da segunda fase da fábrica da Volkswagen e das fábricas da empresa automóvel Futian bem como da empresa Ludi Fangzhou que produz veículos movidos a energias renováveis. A actualização técnica é vital para aumentar a competitividade das industrias de Foshan. Lu Yi disse que “nos próximos três anos a cidade irá despender 130 mil milhões de yuans nesse processo, e com essa despesa a aumentar 25% em cada ano. Este processo de actualização técnica incluirá o uso cada vez maior de robots, tecnologias centradas na utilização da internet, computação em nuvem e outras funções “inteligentes.”Lu disse igualmente que “o sector dos serviços será também um dos motores do desenvolvimento da economia da cidade, incluindo serviços financeiros, logística, exposições, design industrial e outros serviços relacionados com a actividade industrial”. A cidade dispõe de 145 projectos no sector dos serviços, incluindo a sede do grupo de medicina chinesa Guo Yao, no sul do país, a base operacional da Suning E-Commerce e o Projecto Citadino de Turismo Cultural dos Chineses Ultramarinos. A cultura é outro sector prioritário, incluindo o design criativo, cartoons e filmes de animação e a Zona Modelo de Indústria Cultural de Nível Nacional em Shiwan”.Lu disse que “outra das prioridades será procurar atrair mais investimento em maquinaria avançada, novas indústrias estratégicas e serviços modernos”. A cidade pretende projectos e de alta tecnologia, com maquinaria de última geração e pessoal altamente especializado. Para isso, Foshan vai utilizar o potencial das empresas locais para aumentar a sua produtividade, promover a cooperação das principais empresas da cidade com grandes grupos internacionais produtores de maquinaria pesada e aumentar a produção de robots. Lu disse, ainda, que “a cidade irá promover a Nova Área Nacional de Alta Tecnologia de Foshan, a zona industrial sino-alemã, a Zona Financeira de Guangdong e outros projectos-chave”.O Presidente em exercício disse também que “o conhecimento e a inovação são fundamentais para o futuro da cidade; por isso está a construir novos centros técnicos e a promover os já existentes”. Estes últimos incluem o Instituto de Pesquisa Inovadora de Robots Inteligentes do Sul da China, a Base de Testes de Maquinaria e Equipamento Electrodoméstico do Sul da China e o Centro Unido de Inovação em Iluminação e Semicondutores de Guangdong. O governo da cidade vai ainda acelerar a construção do Centro de Intercâmbio de Propriedade Intelectual de Foshan e os centros para proteger a propriedade intelectual em porcelana e equipamento eléctrico.
  • 52FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL53FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALMelhorar o sistema financeiro consta igualmente dos planos da cidade, a ser realizado através da atracção de capital privado para aplicação em empresas de ciência e tecnologia baseadas no conhecimento. Das cidades chinesas, Foshan é uma das que tem um sector privado robusto e muito desenvolvido. Contudo as reformas no sistema bancário estão atrasadas relativamente às efectuadas em outros sectores; bancos estatais de grande dimensão e alguns pequenos privados de criação recente dominam o sector. O que Foshan está a tentar fazer é utilizar os milhões de yuans de que dispõe em benefício da economia da cidade, respeitando sempre os limites impostos pelo banco central.Foshan tem, por outro lado, uma agenda bem preenchida no que respeita à construção de infra-estruturas. Os projectos incluem novas linhas na rede de metropolitano Foshan-Cantão, uma linha entre a estação ocidental e o aeroporto internacional de Cantão Nuvem Branca e linhas de caminho-de-ferro até Zhuhai e Zhaoqing. Melhorias na rede de vias rápidas da cidade constam igualmente dos planos que incluem estradas até Cantão, Jiangmen e Zhongshan. A cidade pretende ainda aumentar a proporção de energias renováveis na produção total de energia.A cidade precisa igualmente, de acordo com Lu, de melhorar a qualidade do ambiente. Foshan é uma de muitas cidades da China que nos últimos 35 anos se industrializou a uma velocidade raramente vista na história mundial. O crescimento económico e um PIB cada vez maior eram a prioridade; as cidades concorriam entre si para conseguir os dados estatísticos mais elevados. Mas, os responsáveis da cidade perceberam ser necessário dar mais atenção ao ambiente, “medir com exactidão os recursos que são consumidos e avançar no sentido de um modelo de desenvolvimento que seja mais verde, com menos emissões de carbono para a atmosfera e criando um ambiente mais sustentável”. Esta visão exigirá o estabelecimento de novas normas e um sistema de responsabilização a todos os níveis. À espera de um segundo filhoFoshan, à semelhança de muitas cidades do delta do rio das Pérolas, tem uma grande proporção de trabalhadores migrantes. Estes deixaram as suas terras em Sichuan, Hunan, Hubei e outras províncias no interior do país e partiram rumo à costa em busca de um futuro melhor. De início foram sozinhos uma vez que passavam a dormir nos dormitórios antes de regressar a casa, um ano ou dois mais tarde. Mas a economia de Foshan, bem como das outras cidades, cresceu tão rapidamente que milhares desses trabalhadores acabaram por chegar à cidade acompanhados pelas respectivas famílias. A cidade garantia um salário e um nível de vida que não podiam sonhar ter nas suas terras de origem; queriam ainda que seus filhos frequentassem escolas numa cidade próspera do sul da China e não numa zona rural remota, onde as instalações são de baixa qualidade, um pouco à semelhança dos professores. No final dos anos 70 todos os residentes em Foshan eram naturais da terra.Na época de Mao Tse-Tung era extremamente difícil sair do local onde se residia, uma vez que o sistema de registo e de racionamento obrigava a que a vasta maioria da população passasse a sua vida inteira na mesma cidade, vila ou aldeia. Actualmente cerca de metade da população de Foshan é composta por migrantes. No final de 2013 a cidade tinha 7,35 milhões de pessoas, um aumento anual de 0,75%. Deste total 3,86 milhões de pessoas estavam registados localmente, isto é, eram naturais de Foshan. Para recebê-los o governo da cidade acabou por ter de aprovar um conjunto de medidas, nomeadamente cuidados de saúde, formação, segurança social e protecção dos direitos civis.A qualidade de vida existente em Foshan e em outras cidades de Guangdong é revelada pelos dados oficiais divulgados pelo Gabinete de Planeamento Familiar do Departamento de Saúde provincial publicados em Abril de 2014. Esses números revelam, por exemplo, que o número de casais autorizados a ter um segundo filho, e que o desejem efectivamente, é um dos mais elevados no conjunto das províncias – testemunho da qualidade de vida e do pensamento tradicional dos cantoneses.Um exemplo significativo é que, entre 27 de Março e 31 de Dezembro desse ano, 105 527 casais da Província de Guangdong solicitaram autorização para ter um segundo filho, tendo 96 197 desses pedidos sido aprovados.Ambos estes números - de pedidos e de aprovações - representaram 10% do total nacional, o valor mais elevado registado em qualquer uma das províncias da China.A cidade de Cantão surge destacada em primeiro lugar com 24 374 pedidos apresentados, a que se seguem as zonas económicas especiais de Shenzhen com 13 627 e de Foshan com 12 248 pedidos.Recentemente, o governo central abrandou as condições rígidas relativas à “política de filho único” e com isso levou a cabo a permissão de que um casal constituído por filhos únicos possa vir a ter um segundo filho, caso assim o deseje, mas para tal o pedido terá sempre de ser previamente autorizado.
  • 54FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL55FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Artes marciaisUma grande atracção para os turistas em Foshan são as artes marciais, sendo a cidade conhecida em toda a diáspora chinesa por esta modalidade de luta. Um residente da cidade de nome Ip Man criou a Wing Chun, a forma mais popular de artes marciais praticada por mais de 2 milhões de pessoas em mais de 60 países, incluindo Brasil e Argentina, Austrália e Nova Zelândia, Turquia, Irão, Índia e Sri Lanka, África do Sul, Tunísia, Estados Unidos da América e vários países na Europa. Os praticantes desta modalidade publicam revistas em muitas línguas e a Escola de Artes Marciais da Universidade de Manchester atribuiu a Ip Man um doutoramento a título póstumo. No centro histórico de Foshan, próximo do templo Zu Miao, existe um edifício de dois andares em tijolo cinzento com um museu dedicado a Ip Man. Todos os anos, este museu atrai milhares de pessoas tanto da China como do estrangeiro. Nascido em 1893, Ip Man foi responsável por fazer com que esta modalidade de luta marcial se tornasse popular. Ip tinha centenas de estudantes que espalharam as técnicas em todo o mundo. O mais famoso é o norte-americano de ascendência chinesa Bruce Lee, que tornou o Wing Chun popular através de filmes que tiveram muito êxito.Embora os actores que participaram em filmes do chamado “kung fu” tenham auferido salários principescos, Ip não ficou rico. Enquanto vivo presenciou a guerra contra os japoneses, teve de fugir para Hong Kong, ganhou o hábito de consumir ópio, esteve separado da sua família durante 13 anos e acabou por morrer em 1972 de cancro da garganta na sua casa modesta em Hong Kong, aos 79 anos.O museu de Foshan contém muitos objectos representativos da vida de Ip. Um desses objectos é uma vara de madeira que utilizava para aperfeiçoar a sua técnica, de onde saiam pedaços de madeira em ângulos diversos. Também se podem ver imagens da casa de Ip na cidade, onde actualmente existe um grande centro comercial. Outras imagens reproduzem a escola onde estudou em Hong Kong, além de livros sobre artes marciais. O museu tem ainda livros de notas e cartas de Bruce Lee, em inglês e em chinês. Em exposição estão também a caneta de tinta permanente, a cigarreira em marfim e uma bengala e a única fotografia existente de Ip em que aparece vestido à ocidental. Dada a sua qualidade de mestre de artes marciais, Ip preferia o vestuário chinês.
  • 56FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL57FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Templo ancestralUma cidade com centenas de anos de história, Foshan tem muito para oferecer a quem a visita. Um dos pontos mais importantes é o Templo Ancestral, próximo do Museu das Artes Marciais. O edifício do templo é considerado um dos exemplos mais representativos e mais bem desenhado do estilo arquitectónico Lingnan (sul da China) na província de Guangdong.A estrutura principal do templo é o Átrio Pak Tai. O Átrio tem uma parede com dois dragões em cerâmica, um no céu e outro na terra, e uma entrada de reduzidas dimensões que conduz à zona central do templo. Em frente ao pequeno lago Jinxiang, que segue as regras da geomancia, fica a entrada para um conjunto de três salas, onde na última existe uma estátua em bronze de Pak Tai. Os beirais do telhado são decorados com miniaturas talhadas em madeira com revestimento a folha de ouro. No topo do edifício existe um grande conjunto de imagens pintadas. Crentes transportando paus de incenso e turistas armados com máquinas fotográficas percorrem o espaço que vai da sala frontal até ao Palácio da Celebração da Verdade. Os crentes ajoelham-se em frente ao Imperador do Norte, com o mesmo significado de Pak Tai em cantonês. Este deus é considerado o guardião da sociedade, que desce da sua morada nos céus a fim de restaurar a ordem na terra em períodos de caos.Em frente ao templo principal, existe uma área pública que é utilizada pelos mais velhos para se sentarem em bancos de pedra e jogarem às cartas ou ao xadrez chinês. Os locais também utilizam o espaço para os exercícios físicos matinais – Tai Chi em roupas largas e mulheres praticando a dança do leque.Nas proximidades deste templo fica uma zona onde aos fins-de-semana há espectáculos de ópera cantonense. Trata-se do palco da Décima Milésima Felicidade, outro exemplo excelente do estilo arquitectónico Lingnan. Este palco fica localizado mesmo em frente ao templo, dando a impressão de que os actores estão a representar não apenas para a audiência mas igualmente para os deuses que residem no templo e que vêm assistir aos espectáculos.A cidade tem outros templos que merecem ser visitados. Um deles é o templo das Montanhas Ocidentais, construído em 1541 durante a Dinastia Ming num terreno com 6 mil metros quadrados. O templo está rodeado de relvados e de muitas árvores. Existe igualmente o templo Bao Lin, em Daliang, nos arredores do bairro Shunde, e o templo Renshou, que está actualmente no interior da área urbana de Foshan.
  • 58FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL59FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Antiga residência de um grande reformadorNa aldeia Su, em Danzao, no bairro de Nanhai, encontra-se a antiga residência de Kang You-wei, um letrado da Dinastia Qing e um dos principais reformadores dessa dinastia e do período inicial da república. A sua residência faz parte da herança cultural do país, fazendo parte da lista de edifícios a proteger. Kang é famoso tanto na China como na diáspora chinesa.O local inclui a residência, o santuário da família Kang, o edifício Zhanru, a Casa Song e um lago com flor de lótus; em conjunto ocupam uma área de mais de 20 mil metros quadrados. A residência tem dois andares de exposição onde é possível apreciar a vida de Kang – os estudos que fez enquanto jovem, as petições que apresentou, na sua meia idade, ao governo para a reforma constitucional e modernização, o seu exílio após o falhanço do programa de reformas, a constituição da Sociedade para o Fortalecimento da China e os livros nos quais explica as suas teorias.Nascido em 1858, obteve em 1895 o grau Jinshi, um dos níveis mais elevados do sistema imperial de exames. Kang observou o seu país a ser derrotado pela França, pelo Japão e por outras potências imperiais e decidiu que a única forma de salvar a China seria através de reformas profundas. Defendeu a monarquia constitucional, à semelhança da Grã-Bretanha e do Japão, e não uma república. Apresentou diversas petições ao Imperador, explanando as suas propostas, e escreveu livros e artigos. Iniciou o Movimento Reformista em 1898 e a 16 de Junho desse ano o Imperador recebeu-o pela primeira vez.Teve então início o período conhecido como “Os 100 Dias de Reforma”, a melhor e a última oportunidade para salvar a Dinastia Qing. Mas 100 dias mais tarde a Imperatriz Viúva, persuadida por conselheiros conservadores, pôs termo às reformas iniciadas. Com a cabeça a prémio, Kang fugiu para Xangai, Hong Kong e finalmente para o Canadá, onde passou a residir. Após a revolução Xinhai de 1911, regressou à China em 1913. Mas ficou muito desapontado com o caminho que a revolução estava a seguir e morreu como um homem amargurado em 1927.
  • 60FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL61FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL Rota Marítima da SedaFoshan está muito bem situado para ter um papel a desempenhar na iniciativa chinesa da Rota Marítima da Seda.Zhou Zhitong, director do Departamento de Comércio de Foshan, disse recentemente que “a cidade, em termos históricos desempenhou um papel activo na antiga rota comercial como produtor e exportador de porcelana e de seda e, por outro lado, situa-se próximo de Cantão”.A antiga Rota da Seda marítima era um percurso que levava mercadorias da China até ao Sudeste Asiático, Ásia do Sul, África Oriental bem como ao Golfo Pérsico e Mar Vermelho. Cantão era o principal centro exportador da China nesta rota marítima e Foshan era igualmente um fornecedor de produtos importante. A nova versão da Rota Marítima da Seda é uma iniciativa anunciada pelo Presidente Xi Jinping em 2013.Zhou disse que “actualmente a cidade pode vir a desempenhar um papel ainda mais importante, atendendo ao facto de ser um centro industrial-chave na província de Guangdong”. Acrescentou que “a cidade procurará fortalecer os laços comerciais e industriais com as regiões ao longo desta rota e irá apoiar empresas locais a investirem nessas regiões.” Zhou recordou as dezenas de milhares de chineses ultramarinos com origem em Foshan que vivem nessas regiões; além disso, as zonas industriais que a cidade criou para atrair investidores e o fácil acesso aos recursos de Cantão serão algumas das vantagens de Foshan para um envolvimento mais acentuado da cidade na iniciativa nacional.Estatísticas oficiais indicam que a cidade conta com 79 projectos financiados por empresas locais ao longo daquela rota entre 2012 e 2014. O investimento acordado para esses projectos atingiu 763,3 milhões de dólares, que representa 7,2% do total da cidade. O investimento realizado foi de 447,35 milhões de dólares naquele período de três anos, ou seja, 5,9% do total. Em 2014, o comércio externo de Foshan com o Sudeste Asiático, Índia, Médio Oriente e África atingiu 22,35 mil milhões de dólares. As exportações para essas regiões naquele ano foram de 12,52 mil milhões de dólares e as importações 9,83 mil milhões de dólares. Ainda em 2014, os empresários da cidade investiram 269 milhões de dólares em projectos ao longo da rota marítima da seda. O grupo Midea, uma das grandes empresas da cidade, aplicou 124,9 milhões de dólares em projectos no Vietname, Tailândia, Índia e Egipto.
  • 62FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL63FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL
  • 64FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL65FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIALÍndiceFoshanColecção DELTA DO RIO DAS PÉROLAS Livros publicadosA história notável do Delta Dongguan: uma nova fase de crescimentoCantão: O renascer de uma metrópoleZhuhai - A cidade-jardim do Delta do Rio das PérolasShenzhen: Uma cidade para todas as estaçõesZhongshan: Uma cidade de empresáriosI - Uma pequena aldeia budista cresce até se tornar num centro industrial mundial 7 Transporte fluvial de qualidade superior 8 Período de prosperidade na Dinastia Ming (1368-1644) 9 As indústrias emergentes na Dinastia Song (960-1279) 11 Produção de artigos em ferro 12 Indústria cerâmica 12 Exportação de cerâmica na Dinastia Qing (1644-1912) 14 Uma indústria da seda forte 15 Ascensão e queda das exportações de seda 16 Declínio sob uma economia socialista 17 Renascimento industrial nos anos 80 17 Fábricas de cerâmica em Shiwan 19 A modernização dos teares de seda em Xiqiao 20 A indústria de electrodomésticos de Shunde 22 Integração difícil com Cantão 23II - Crescimento contínuo 25 A economia da cidade no período pós-1978 26 “Indústria Foshan 2025” 33 O problema da sucessão 34 Comércio externo e investimento 36 Marcas conhecidas 39 Propriedades de luxo 42 Moda estrangeira de grande rotação 46 Sistema de transportes 46 2015 e o 13º plano quinquenal 48 À espera de um segundo filho 50 Artes marciais 52 Templo ancestral 54 Antiga residência de um grande reformador 56 Rota marítima da seda 58Foshan, da Montanha de Buda a centro de produção mundial
  • 66FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL67FOSHAN, DA MONTANHA DE BUDA A CENTRO DE PRODUÇÃO MUNDIAL
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