• 1ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS
  • 2ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS3ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS
  • 4ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS5ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSDELTADORIO DAS PÉROLASZhongshan, uma cidade de empresários
  • 6ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS7ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSAdministração de ProjectoMércia Maria GonçalvesCoordenaçãoGonçalo César de SáLouise do RosárioPesquisa e TextosThomas ChanLouise do RosárioMark O'NeillTraduçãoFernando CorreiaEdição e RevisãoMaria João JaneiroFotografiaEric TamDesenho gráficoSoluções Criativas, Lda.ImpressãoWelfare Printing CompanyProduçãoAssociação de Macau de Investigação do Delta do Rio das PérolasAvenida Infante D. Henrique, The Macau Square, Nos 43 - 53A, 10.o andar I, Macau PublicaçõesMacauLinkmacaulink@macaulink.com.moDezembro 2014ISBN 978-99965-955-0-9DELTADORIO DAS PÉROLASZhongshan, uma cidade de empresáriosThomas Chan e Louise do RosárioApoios
  • 8ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS9ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSZHONGSHANXiangshan, a designação tradicional de Zhongshan até 1925, era originalmente um grupo de ilhas na região ocidental do delta do rio das Pérolas. Em termos de prosperidade não se podia comparar a outras cidades industriais como Foshan, que beneficiavam da procura adicional de produção industrial e de abastecimento externo de matérias-primas da grande metrópole de Cantão, cidade que era um dos grandes portos da China desde a Dinastia Tang, há mais de mil anos. Beneficiava, no entanto, de uma localização estratégica junto à entrada do percurso marítimo e fluvial até Cantão. Quando os portugueses chegaram à China durante a Dinastia Ming, estabeleceram-se em Macau e em Xiangshan; durante alguns séculos e até ao final do século XIX, Macau dependia do governo do município de Xiangshan e, à semelhança de Macau, beneficiava do comércio transcontinental na rota Macau – Nagasaki – Manila – Lisboa.Desde a Dinastia Song, há cerca de mil anos e muito em particular nas dinastias Ming e Qing, no decurso dos últimos 600 anos, o assoreamento natural e a construção de aterros para a actividade agrícola no delta do Xijiang acabou por fazer nascer uma planície; fez com que as ilhas se juntassem e fundiu os três deltas dos afluentes do rio das Pérolas – Xijinag, Beijiang e Dongjiang – num único. Xiangshan tornou-se numa planície fértil para produzir arroz, fruta e flores, criar bichos-da-seda e peixe em cativeiro.Esta produção local, associada à sua localização estratégica na rota marítima e fluvial entre Cantão e Macau, proporcionou grande prosperidade e consequente aumento populacional; algumas dessas pessoas mudaram-se de aldeias no delta do rio das Pérolas, incluindo Dongguan, outras pertenciam ao povo Hakka da região oriental de Guangdong e outras chegaram por via marítima da província de Fujian. À semelhança do resto do delta do rio das Pérolas, Xiangshan passou a ser um cadinho onde se misturaram diferentes levas de migrantes de outras regiões da China, que teve como resultado a ocorrência de uma grande variedade de dialectos e usos e costumes. Um município em transformaçãoXiangshan (1815)
  • 10ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS11ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSAs vilas no município de Zhongshan desenvolveram-se rapidamente desde meados da Dinastia Qing e passaram a fazer parte da rede alargada de cidades industriais e comerciais da região do delta do rio das Pérolas; estas cidades rodeavam e alimentavam a metrópole de Cantão e os seus postos avançados de Macau e Hong Kong.No final do século XIX e princípio do século XX assistiu-se à grande expansão da indústria e da agricultura na região do delta do rio das Pérolas, com Hong Kong a expandir-se e a apoiar Cantão como um dos motores de crescimento da região. Não foi apenas o comércio, tanto interno como externo, que se desenvolveu. Assistiu-se então a grandes correntes migratórias, em particular para a América do Norte e Austrália, com Hong Kong a servir de placa giratória para os emigrantes e para as remessas que essas pessoas enviavam para as suas aldeias e vilas natais.O delta do rio das Pérolas acabou por se integrar num sistema económico transfronteiriço, não obstante Hong Kong e Macau estarem na altura sob a administração estrangeira. Mas, dado que as duas concessões eram portos francos, não havia restrições ou barreiras ao fluxo de pessoas e mercadorias. Na realidade, os níveis de fiscalidade existentes em Hong Kong e Macau, quando comparados com o resto do delta do rio das Pérolas, estimulavam o contrabando para esses portos controlados por estrangeiros. Xiangshan e Macau podem ser entendidos como pertencendo ao mesmo sistema económico, tanto em termos geográficos como económicos; dado que as fronteiras podiam ser transpostas facilmente, Macau servia como local de trabalho enquanto as aldeias e as vilas em Xiangshan serviam como local de residência. O mesmo se pode dizer da relação entre Hong Kong e algumas aldeias e vilas do delta do rio das Pérolas para muitos dos trabalhadores e mercadores do porto franco britânico.As relações económicas e sociais próximas entre Xiangshan e outras aldeias e vilas do delta do rio das Pérolas e Hong Kong e Macau fizeram com que a região tivesse uma orientação económica para o exterior até 1949.Xiangshan, cujo nome foi alterado para Zhongshan, retirou muitas vantagens dos seus recursos agrícolas altamente produtivos e da sua localização geoestratégica para o comércio, a indústria e o comércio externo e tornou-se numa das regiões mais prósperas da China e um município modelo durante a primeira fase da república.De facto, no início do século XX, Zhongshan era a terra natal não apenas de Sun Yat-sen, fundador da República da China, mas também da maior parte dos compradores que trabalhavam para os conglomerados (“Hong”) em Hong Kong, Xangai e outros portos de tratado. Os mais famosos eram Tang Ting—shu, Xu Run e Zheng Guan-yin; alguns tornaram-se funcionários públicos que promoviam a modernização e uma política de abertura ao exterior para a China. Zhongshan era o município com maior relacionamento externo tanto na província de Guangdong como na China. A criação dos municípios de Zhuhai e Doumen reduziu a área de Zhongshan em praticamente metade mas não afectou a sua competitividade e crescimento económico, uma vez que continuava a deter as terras mais férteis e produtivas da região.A revolução comunista unificou a China e permitiu que a nação conseguisse a estabilidade política e social. Não obstante os movimentos políticos nas cidades e a colectivização no campo, o delta do rio das Pérolas não sofreu muito. Pelo contrário, a estabilidade forneceu a Zhongshan o melhor ambiente possível para a consolidação e para o crescimento ainda maior da agricultura, que tinha Hong Kong e Macau como mercados lucrativos.O município beneficiava ainda das remessas dos emigrantes que residiam em Hong Kong e no estrangeiro, caso dos Estados Unidos. Enquanto há dois milhões de pessoas a residir em Zhongshan, há cerca de 1 milhão dos seus naturais em Hong Kong, Macau e Taiwan que nunca se esqueceram das suas aldeias e vilas natais.Pode-se mesmo dizer que desde os meados da Dinastia Qing, no século XVII, Xiangshan/Zhongshan registou um período muito longo de crescimento e desenvolvimento com muita pouca interrupção, se se exceptuar o período da ocupação japonesa. A política de reformas económicas e de abertura ao exterior do final dos anos 70 fez com que a cidade registasse um período ainda mais próspero.A política de abertura e de reformas económicas reconstruiu as ligações económicas de Zhongshan a Hong Kong e em muito menor escala a Macau, uma vez que o enclave português tinha estagnado nas décadas anteriores. Hong Kong tinha entretanto avançado e passado a integrar a liga dos 10 maiores exportadores mundiais com uma industrialização intensa desde os anos 50 até aos anos 70 do século XX.
  • 12ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS13ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSNesta altura Hong Kong estava a sofrer do aumento dos custos de produção e procurou diversificar a sua indústria e economia. A constituição das zonas económicas especiais ocorreu numa altura extremamente oportuna para Hong Kong, dado que permitiu a deslocação das indústrias exportadoras para locais com baixos custos de produção nas vilas e aldeias do delta do rio das Pérolas.Esta deslocação concentrou-se inicialmente em Shenzhen e Dongguan, dado que ficavam mais próximos de Hong Kong e por que a rede de transportes e de comunicações com o resto do delta era muito fraca. Além disso, Shenzhen, enquanto zona económica especial beneficiava de um conjunto de incentivos.A diferença na distância relativamente a Hong Kong resultou em dois padrões distintos de investimento industrial nas regiões ocidental e oriental do delta do rio das Pérolas. Shenzhen e Dongguan têm sido o destino do investimento em processamento industrial para exportação. Shenzhen foi igualmente utilizada por empresas com capital estrangeiro para investimentos na indústria de substituição de importações e desde os anos 90 por empresas locais dos sectores da electrónica e telecomunicações. O processamento industrial orientado para a exportação acabou por sobressair, atendendo a que funciona segundo as encomendas dos compradores tanto de Hong Kong como do estrangeiro. Trata-se de produção em massa utilizando mão-de-obra e terrenos baratos e equipamento importado. Devido à flexibilidade das instituições e das políticas para a região, a produção cresceu a um ritmo muito rápido. No entanto, a maior parte das receitas e dos lucros acabou nas mãos das empresas de Hong Kong e de Taiwan.Zhongshan e as cidades industriais de Foshan e Jiangmen percorreram um caminho de substituição de importações através da produção de pequenas e médias empresas, a maior parte local e não de capital estrangeiro, para o mercado da China. Houve investimento estrangeiro mas não à escala de processamento industrial de Shenzhen e Dongguan. A maior parte da produção com capitais estrangeiros também se destinava ao consumidor doméstico. A primeira vaga de investimento para a substituição de importações tanto por parte de empresas locais como estrangeiras ocorreu nos aparelhos eléctricos e na electrónica de consumo. Na década de 80 e no início da de 90, a China defrontou-se com uma escassez deste tipo de produtos modernos provenientes do estrangeiro. A procura interna era imensa; Zhongshan aproveitou ao máximo a sua proximidade a Hong Kong, importando peças e componentes e procedendo à sua montagem. Além disso importava conhecimento, tecnologia, equipamento produtivo e capacidade de gestão, tendo-se tornado no maior produtor de bens duradouros para consumidores na China. As marcas locais acabaram por ultrapassar muitas outras marcas de fama nacional devido à importação de tecnologia, modas e designs do estrangeiro, especialmente do Japão e de Itália, através de Hong Kong. Uma sinergia muito particular acabou por surgir entre Hong Kong e Zhongshan. Devido ao seu êxito inicial na electrónica de consumo e nos aparelhos electrónicos, Zhongshan atingiu tal prosperidade que em 1989 era uma das seis cidades na China que tinha atingido um nível de desenvolvimento próspero. O sucesso inicial de Zhongshan esteve na origem da frase “Os quatro pequenos tigres de Guangdong” copiando os Quatro Novos Países Industrializados de Hong Kong, Coreia do Sul, Taiwan e Singapura. Zhongshan fazia parte daquela lista juntamente com Dongguan, Nanhai e Shunde.A industrialização baseada na substituição de importações ocorrida na região ocidental do delta do rio das Pérolas é perfeitamente capaz de se equiparar ao chamado crescimento miraculoso do processamento industrial voltado para a exportação de Dongguan. Quando comparado com Nanhai e Shunde, que fazem parte de Foshan e ficam mais próximos de Cantão, Zhongshan destaca-se nos esforços de industrialização, dado que teve pouca ajuda da metrópole Cantão em recursos humanos e infra-estruturas bem como em apoio directo.As alterações graduais nas preferências dos consumidores domésticos e a procura global levaram Zhongshan a desenvolver novas indústrias: pequenos aparelhos domésticos, os mais importantes dos quais são as arrozeiras eléctricas e as ventoinhas. Zhongshan rapidamente passou a ser o maior produtor mundial e não apenas para os consumidores chineses. Os bens produzidos localmente incluem aparelhos eléctricos, nomeadamente aparelhos de ar condicionado para residências, escritórios e fábricas, e OEM (“original equipment manufacturer”) ou equipamento produzido de acordo com especificações de terceiros, incluindo écrans LCD para televisores produzidos pelas mais importantes marcas chinesas,
  • 14ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS15ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSbens de consumo, equipamento de som, lâmpadas e candeeiros, fechaduras e aparelhos de segurança, incluindo os utilizados nos automóveis, fogões e aquecedores, mobiliário, muito particularmente de mogno e seguindo padrões norte-americanos, elevadores com recurso a tecnologias e investimento japonês e alemão, vestuário, nomeadamente em ganga e roupa interior, papel e produtos alimentares. Muitas das indústrias locais tornaram-se líderes nacionais; a produção de artigos em ganga representa 40% da produção nacional e a de equipamento de iluminação 60%. Em conjunto com os centros industriais de alguns dos municípios vizinhos, Zhongshan alcançou o primeiro lugar no que se refere à produção de aparelhos eléctricos e pequenos utilitários domésticos tanto na China como no mundo, com especificações e padrões em consonância com os dos países avançados, casos do Japão e de Itália.Quando comparada com a capacidade industrial de Dongguan e Shenzhen, a produção é relativamente pequena. Mas, ao invés de produzir modelos de inspiração estrangeira, as fábricas de Zhongshan dispõem de centros de pesquisa e desenvolvimento próprios e marcas próprias com redes de distribuição nacional e estrangeira. As empresas de processamento industrial são apenas OEM, o que as torna vulneráveis a alterações do mercado ou quando os compradores entregam encomendas a quem possa oferecer custos de produção mais baixos.As empresas de Zhongshan são ODM (“original design manufacturers” ou fabricantes de desenhos originais) e OBM (“original brand manufacturers” ou fabricantes de marcas originais), com capacidade para concorrer de uma forma independente nos mercados doméstico e internacional e puseram de pé uma estrutura que lhes permite evoluir e modernizar-se.Dado que a maior parte das empresas de Zhongshan, bem como nos centros industriais vizinhos de Nanhai, Shunde e Xinhui, em Foshan e Jiangmen, são “start-ups”, continuam a ter uma dimensão pequena ou média; empresas do mesmo sector de actividade acabam por agrupar-se no mesmo centro a fim de partilharem conhecimento, recursos e infra-estruturas.Trata-se de empresas em muitos aspectos semelhantes às existentes em centros industriais da Terceira Itália1. Esses centros transformaram-se em regiões especializadas num único sector industrial – por exemplo, equipamento de iluminação em Guzhen, elevadores no bairro Sul, equipamento eléctrico em Nantou e Dongsheng, electrodomésticos em Dongfeng, equipamento de som e fechaduras em Xialan, mobiliário em mogno e vestuário em ganga em Dachong, mobiliário ao estilo norte-americano em Bangfu e carne processada ao estilo de Guangdong e Huangpu. Para cada indústria existe uma vila, onde há um conjunto de pelo menos uma centena de empresas e, por vezes, mais de mil que fazem parte da cadeia de produção local. São o exemplo clássico dos agrupamentos industriais do pós-fordismo ou de produção flexível do período dos anos 70, que foi pouco estudado por académicos ocidentais interessados em agrupamentos, centros industriais ou economias de aglomeração.No início do século XXI, as indústrias de Zhongshan sofreram com as alterações verificadas nos mercados, tendo tido de enfrentar novos desafios quando muitas delas, particularmente as controladas por governos locais, tinham crescido em excesso para o sistema de gestão e de práticas existente.Entre os quatro pequenos tigres de Guangdong, Zhongshan tem a maior percentagem de empresas controladas pelo governo local. Algumas destas empresas que cresceram desmesuradamente acabaram por falir precisamente por essa razão. Mas, a economia do município conseguiu recuperar através de uma alteração estrutural com a venda a privados de algumas delas e com a atracção de investidores tanto de Hong Kong como do delta do rio das Pérolas e de outros locais da China.Em 2005, a economia local era dominada em mais de 90% por empresas privadas com capitais de proveniência local ou do exterior. O anterior domínio por parte de empresas industriais estatais não tinha limitado a dimensão do desenvolvimento industrial aos objectivos definidos pelo governo. Mesmo as empresas estatais tinham sido forçadas a entrar em concorrência nos mercado doméstico e internacional, pelo que não tiveram grande controlo sobre o sentido do desenvolvimento das indústrias locais. 1 A Terceira Itália, região semelhante ao Silicon Valley na Califórnia e ao corredor M4 no Reino Unido, caracteriza-se por uma mudança do modelo económico anteriormente baseado na agricultura e na indústria pesada para a indústria ligeira – com pequenas unidades industriais - e serviços.
  • 16ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS17ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSAs empresas privadas locais surgiram como cogumelos e muitas de capitais estrangeiros foram atraídas, na sua maior parte de pequena e ou de média dimensão, atendendo a que Zhongshan não era nem popular nem conveniente para as empresas de maior dimensão, quando comparado com Cantão, Shenzhen, Dongguan ou mesmo Foshan e Zhuhai. A proliferação de empresas também representou a proliferação das indústrias e dos produtos a serem colocados no mercado. Existem algumas similitudes em termos de estrutura industrial entre Zhongshan e Dongguan, por exemplo, mas Zhongshan dispõe de uma maior variedade de indústrias, incluindo a de produtos alimentares; a economia local conta com uma percentagem mais elevada de culturas agrícolas de rendimento. Tanto a estrutura económica como a industrial de Zhongshan são muito mais diversificadas do que as centradas no investimento estrangeiro de Dongguan e Shenzhen. Ao ter como alvo tanto o mercado doméstico como o internacional e dispondo de uma estrutura económica diversificada, Zhongshan conseguiu ultrapassar as crises económicas exógenas.Nos primeiros 13 anos do século XXI, Zhongshan e as suas vilas especializadas conseguiram ultrapassar a crescente concorrência nos mercados doméstico e internacional, o aumento dos custos de produção devido a salários mais elevados, falta de mão-de-obra especializada e a necessidade crescente de respeitar exigências e regulamentos ambientais.O crescimento económico manteve-se a taxas com dois dígitos; em 2013, o PIB per capita era de 13 473 dólares, fazendo com que a cidade fosse incluída na lista mundial das economias no segmento médio/alto.O maremoto financeiro de 2008/9 atingiu a cidade e fez com que a economia crescesse apenas 10% e que as exportações caíssem de forma drástica para um nível de quase estagnação. No entanto, com a sua estrutura industrial diversificada e de forte substituição de importações, Zhongshan conseguiu um desempenho muito melhor do que Dongguan, que é dominada pelo processamento industrial. Além disso, devido a uma rede melhorada de transportes, as vantagens decorrentes da sua proximidade com Hong Kong e Macau foram muito ampliadas; as três cidades chave passaram a ficar à distância de uma hora de viagem, criando procura residencial e empresarial por parte dos moradores e das empresas nessas cidades, permitindo que a expansão do sector dos serviços constituísse um suplemento a um menor crescimento industrial. Em particular, o desenvolvimento imobiliário, especialmente de habitação para não-residentes, passou a ser um dos principais motores de crescimento no novo século, por ser muito atractivo para os residentes de Hong Kong; estes podem não ter amigos ou conhecidos em Zhongshan mas todos sofrem dos valores cada vez mais elevados das rendas de casa em Hong Kong.Desde o início do século XXI que Zhongshan é um dos locais mais populares para segunda habitação ou destino para reformados de Hong Kong. Tal situação decorre da existência de laços sociais, incluindo a variante cantonesa da língua chinesa e a gastronomia de Guangdong; isto faz com que Zhongshan seja muito diferente de Shenzhen, onde se fala mandarim.A cidade tem melhores condições de vida por ser menos poluída e ter menos comércio e caos urbano do que em Shenzhen ou Cantão. Os residentes mais antigos de Hong Kong e de Macau podem encontrar em Zhongshan muitas das características das suas velhas cidades e da vida social dos anos 50 e mesmo mais atrás e, além disso, o custo de vida é muito menor. É também fácil viajar para Hong Kong, Macau e Cantão, atendendo a que os transportes foram muito melhorados e passaram a ser mais convenientes.Nos próximos anos a rede provincial de comboios de alta velocidade, de comboios intercidades e de metropolitano vai ficar quase completa no delta do rio das Pérolas. Embora Cantão seja o centro, a permutabilidade dos três tipos de caminhos-de-ferro com velocidades e frequências distintas vai criar uma rede que servirá os principais pontos da região de forma semelhante.
  • 18ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS19ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSA densidade ferroviária da região será comparável à da Grande Tóquio mas a um custo de viagem muito menor e cobrindo um território muito maior. A rede criará uma zona com percursos de uma hora para a maior parte dos residentes; em consequência, algumas cidades e vilas próximas acabarão por se fundir numa única zona urbana, pelo que a rede ferroviária servirá como fundações para a urbanização da região no seu todo.A linha entre Shenzhen e Zhongshan, cuja construção foi já aprovada, bem como uma linha costeira que foi proposta, serão muito importantes em termos estratégicos pois permitirão reduzir a distância entre as zonas ocidental e oriental do delta do rio das Pérolas.A sua importância será ainda maior do que a ponte Zhuhai-Macau-Hong Kong, com conclusão prevista para 2015/16; esta ponte não terá ligação ferroviária e os seus utilizadores terão de passar por três postos de fronteira.A inclusão de Zhongshan e das suas vilas na rede de caminhos-de-ferro fez com que passassem a ser um nó da rede, com ligações facilitadas a todos os outros nós e mesmo mais além através da rede interprovincial de comboios de alta velocidade.Este impacto deverá ser de maior dimensão do que o registado no advento dos caminhos-de-ferro no início do século XX na China ou do século XIX na Europa e na América. A diminuição dos tempos de viagem faz com que Zhongshan passe a ser uma base virtual, à semelhança de outras cidades do delta do rio das Pérolas.No passado recente, Foshan fundiu-se com Cantão, expandindo para ocidente o alcance desta metrópole. No decurso deste processo, Zhongshan passou a ficar na fronteira de Cantão com maior proximidade e acesso ao mercado de consumo e serviços públicos da metrópole. Conseguiu, no entanto, manter mais baixos o preço dos terrenos e o custo de vida relativamente a Cantão. Por outras palavras, as vantagens decorrentes da proximidade à metrópole Cantão aumentaram ao mesmo tempo que diminuíram as desvantagens de estar longe do centro. Mais capital humano e serviços bem como a procura residencial têm estado e continuarão a fluir para Zhongshan a partir de Cantão/Foshan bem como de Hong Kong e Macau. Esta é a razão pela qual as actividades imobiliárias em Zhongshan permaneceram fortes, enquanto ocorreram reajustes em outras cidades da região.
  • 20ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS21ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSA grande prosperidade que poderá chegar a Zhongshan na nova era de caminhos-de-ferro de alta velocidade e de urbanização rápida a ocorrer nas próximas décadas não será a de se transformar num zona residencial para pessoas que trabalham nos centros da região – Cantão/Foshan, Hong Kong e Macau. O seu papel deverá ser mesmo maior do que o representado pela zona ocidental da Grande Tóquio. A região do delta do rio das Pérolas é maior em termos demográficos, de espaço e dentro de pouco tempo em termos económicos do que a Grande Tóquio.Nela continuará a haver espaço para a produção industrial à semelhança de Itália, onde as grandes cidades como Milão, Florença, Veneza, Roma e Nápoles ficam ligadas numa base de complementaridade a zonas industriais.O tipo de produtos fabricado em Zhongshan é semelhante ao produzido em Itália, com artigos pessoais, para casa e de moda. O único senão de Zhongshan é o mais baixo nível de qualidade e de design e a falta de apoio decorrente da existência de uma indústria capaz de fornecer a maquinaria necessária para a actualização de produtos.Muitas empresas italianas e japonesas investiram em Zhongshan e a qualidade da mão-de-obra especializada e dos empresários da cidade tem estado a evoluir muito rapidamente. Mais importante é o facto de dispor de um grande mercado consumidor directo de 40 milhões a 50 milhões de pessoas e indirecto de mais 100 milhões, além do tradicional mercado exportador. Esta realidade faz com que os factores económicos de avanço/recuo sejam muito mais fortes do que na Itália dos dias de hoje. Com os investimentos inteligentes em conhecimento e capital humano a fim de obter melhorias na qualidade, design e estilos, Zhongshan e as suas zonas industriais – e com os possíveis efeitos nas vilas vizinhas – poderão ser efectivamente a Terceira Itália da China. Zhongshan, um dos quatro pequenos tigresZhongshan é a terra natal de Sun Yat-sen, fundador da república chinesa, bem como um dos “quatro pequenos tigres” da província de Guangdong. Ao longo dos últimos trinta anos, a cidade cresceu a uma média anual superior a 8%. Zhongshang partilha o cognome de “pequeno tigre” com Dongguan, Nanhai e Shunde, três outras cidades que sofreram uma profunda transformação desde 1978. A cidade beneficiou da sua proximidade a Macau e a Zhuhai, uma das quatro Zonas Económicas Especiais, bem como do facto de ser o lugar de nascimento de milhões de chineses espalhados pelo mundo. A cidade transformou-se num centro de fabrico de produtos industriais ligeiros para exportação.Com uma área terrestre de 1784 quilómetros quadrados e uma população de 3,17 milhões de pessoas, Zhongshan não tem, de acordo com padrões chineses, grande densidade populacional. É uma cidade com ruas largas, avenidas arborizadas e parques. Milhares de pessoas de Hong Kong e de Macau e chineses a residir no estrangeiro adquiriram residências na cidade, que funcionam como um lugar para onde ir durante feriados e fins-de-semana. Aqueles que a visitam apreciam o seu clima ameno, boa comida, campos de golfe e outros serviços. A verba que é necessária para se comprar um pequeno apartamento em Macau ou Hong Kong permite adquirir uma propriedade de maiores dimensões em Zhongshan. A cidade tem estado a ser promovida pelos seus dirigentes como um destino para os reformados tanto das zonas vizinhas como do norte da China.No decurso dos últimos três anos, Zhongshan passou a estar ligada à rede nacional de caminhos-de-ferro com a conclusão das primeiras linhas de passageiros e de carga na margem ocidental do Delta do Rio das Pérolas. Esta ligação vai permitir acelerar o desenvolvimento económico e social, fazendo com que os residentes e os produtos aí fabricados fiquem mais próximos de cidades como Cantão, Shenzhen, Macau e Hong Kong. Em 2016 uma nova ponte vai permitir a ligação directa entre as duas Regiões Administrativas Especiais, adicionando mais uma ligação de transporte a Zhongshan.
  • 22ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS23ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSA cidade registou um Produto Interno Bruto de 263,9 mil milhões de yuans em 2013, um acréscimo de 10% relativamente a 2012, o que permitiu ficar em quinto lugar a nível da província de Guangdong. Num índice competitivo de 287 cidades da China publicado em Maio de 2013, a Academia de Ciências Sociais da China colocou Zhongshan no 31º lugar a nível nacional e no 5º lugar na província de Guangdong, depois de Shenzhen, Cantão, Foshan e Dongguan.Seis dos agregados populacionais que compõem a cidade especializaram-se num produto específico, como Dachong com mobiliário em mogno, Dongfeng em equipamento eléctrico doméstico e Guzhen com produtos de iluminação. A economia da cidade inclui tanto empresas nacionais como estrangeiras. Os principais produtos nela fabricados são têxteis, tecnologias de informação, maquinaria eléctrica, químicos e produtos metálicos. A cidade funciona como sede de grandes empresas privadas como Zhongshun Group, Vatti, Seaport Food Group e China Chant. O Zhongshan Group é um dos principais produtores de papel da China e a Vatti é um grande fabricante de equipamentos de cozinha.Cerca de metade dos 3,17 milhões de habitantes veio de fora, tendo chegado à cidade vindos de toda a China atraídos pelas oportunidades de emprego, um clima e uma vida melhor do que aquela que poderiam ter nas suas terras natais.A região de Zhongshan é igualmente conhecida pela sua desenvolvida agricultura, com a produção de arroz, lichias, bananas e cana-de-açúcar. O agregado populacional de Xiaolan é famoso em todo o do sul da China pelos seus crisântemos. A região atrai milhares de turistas que pretendem aproveitar as suas estâncias termais, o museu de Sun Yat-sen na sua antiga residência, o Pagode Fufeng, a culinária cantonesa, além do que se deslocam a Xiaolan para ver os crisântemos.A cidade tem estado a ser promovida como um local para reformados tanto de Macau como de Hong Kong e, igualmente, de chineses a residirem no estrangeiro para viverem o resto de suas vidas na região onde nasceram. A cidade de Zhongshan forneceu mais emigrantes do que qualquer outra da China e conseguiu promover-se como um local de segundas residências para o mesmo tipo de pessoas – de Macau, de Hong Kong e chineses residentes no estrangeiro. Aquilo que oferece são preços várias vezes inferiores aos praticados naquelas duas cidades e espaço e jardins que nos locais de residência não podem pagar. No primeiro semestre de 2014, o preço médio por metro quadrado era de 6147 yuans, um aumento de 2,88% relativamente ao período homólogo de 2013.As suas vantagens são um clima do sul da China com um Inverno moderado nas margens do Rio das Pérolas, um ambiente agradável com muitos espaços verdes e uma boa rede de transportes. Algumas famílias ou grupos de amigos de Hong Kong adquiriram conjuntos de habitações nos mesmos empreendimentos imobiliários, o que lhes permite manter o espírito de comunidade num espaço maior e mais barato.
  • 24ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS25ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSEm Julho de 2014, o governo de Macau assinou um acordo-quadro com Zhongshan a fim de estabelecer uma zona de cooperação entre as duas cidades no bairro de Cuiheng, na zona sul da cidade. A zona situa-se a norte de Macau e cobre uma área de 5 quilómetros quadrados e dispõe de espaço para o estabelecimento de pequenas e médias empresas: de saúde, entretenimento, educativas, turísticas e culturais. Trata-se do primeiro acordo assinado entre Zhongshan e Macau.O rápido desenvolvimento de Macau nos últimos 12 anos fez com que a cidade ficasse rapidamente sem espaço. A alternativa mais prática é Hengqin, uma ilha da Zona Económica Especial de Zhuhai. Nela a Universidade de Macau criou um novo “campus” num terreno com cerca de 1 quilómetro quadrado. Mas os terrenos em Hengqin são altamente procurados e o seu preço subiu acentuadamente.O governo da Região Administrativa Especial de Macau pretende arrendar mais 10 quilómetros quadrados em Hengqin; mas este espaço é terreno que tem de ser reclamado ao mar com a construção de um aterro. O terreno em Zhongshan, por seu turno, está disponível de imediato. Cuiheng é um dos bairros mais pobres da cidade, tendo-se esforçado o mais possível por atrair investimento externo. A nova zona fornecerá terreno para as pequenas e médias empresas de Macau que não têm capacidade financeira para o fazer na sede. O bairro dispõe de terreno para construir casas para reformados, sendo que a sua construção em Macau seria inviável quando considerados o custo dos terrenos e da mão-de-obra. Os cidadãos de Macau que vão viver para Zhongshan depois de reformados continuam a poder receber os generosos benefícios e pensões pagas pelo governo e, uma vez que os terrenos e a mão-de-obra têm custos mais baixos, a construção de habitações para estas pessoas é um negócio rentável.Nos primeiros anos do período de reformas e de abertura ao exterior, Zhongshan e outras cidades da margem ocidental do Delta do Rio das Pérolas deixaram-se atrasar relativamente a Shenzhen, Dongguan, Huizhou e outras cidades da margem oriental do rio. Esta situação ficou a dever-se ao facto de não disporem de ligações à rede ferroviária nacional, terem uma rede de estradas de baixa qualidade e de estarem ligados a Macau e não a Hong Kong. Macau é um centro de jogo e de turismo, não dispondo de uma indústria desenvolvida. Hong Kong, por outro lado, tem um dos maiores portos do mundo bem como um centro financeiro e comercial; o corredor entre Hong Kong e Cantão passou a ser “uma das fábricas do mundo”, com milhares de unidades industriais e uma densa rede de estradas e caminhos-de-ferro para transportar matérias-primas e, mais tarde, os produtos acabados para exportação para a Ásia, América do Norte e para o resto do mundo.Mas Zhongshan e as outras cidades da margem ocidental do Delta estão a aproximar-se, estão a reduzir esse afastamento. Em 2011, ficaram concluídas linhas de caminhos-de-ferro para passageiros e carga entre Zhongshan e Jiangmen. A linha para passageiros permite que os residentes nas duas cidades possam chegar a Cantão em 30 minutos e, aqui, apanhar comboios de alta velocidade para o resto da China. A linha para carga permite que os fabricantes enviem os seus produtos para os clientes a nível nacional e para os portos para posterior envio para o estrangeiro. Outro desenvolvimento importante será a conclusão, em 2016, da primeira ponte ligando Zhuhai e Macau com Hong Kong. Esta ponte permitirá que os fabricantes de Zhongshan e de Jiangmen transportem as suas mercadorias por estrada para o aeroporto e para o porto de contentores de Hong Kong em apenas duas horas; esta nova realidade será particularmente importante para os fabricantes de produtos electrónicos e informáticos que precisam de enviar rapidamente os seus produtos para clientes no Japão, América do Norte e Europa.Outra ligação importante para Zhongshan é uma ponte no Rio das Pérolas permitindo a ligação a Shenzhen, com conclusão prevista para 2021 e um custo estimado em 4,83 mil milhões de dólares.
  • 26ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS27ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS HistóriaEm termos históricos, a área que actualmente é conhecida por Zhongshan era denominada Xiangshan, o que significa Colina Perfumada, numa referência às muitas flores que crescem na região. Há milhares de anos a área ficava na sua maior parte no estuário do Rio das Pérolas, com apenas algumas pequenas ilhas a emergirem das águas. A pouco e pouco a área foi ficando aterrada com os depósitos de aluvião e acabou por se tornar em terra sólida. A região mais a norte de Zhongshan só ficou aterrada durante a Dinastia Ming (1368-1644).Em 1082, durante a Dinastia Song do Norte, foi construído um agregado populacional fortificado que recebeu o nome de Xiangshan; esta foi a primeira designação oficial que foi usada durante a maior parte da sua história. O agregado populacional ganhou prosperidade e passou a município em 1152. Após o colapso da Dinastia Song do Sul, muitos descendentes de funcionários da corte, incluindo alguns membros da família imperial, decidiram estabelecer-se em Xiangshan – um testemunho do seu clima ameno e excelentes especialidades gastronómicas. Durante a Dinastia Qing foram construídos diques para prevenir cheias nas novas terras de aluvião e a área cultivada expandiu-se.Os principais acontecimentos da 1ª Guerra do Ópio tiveram lugar em e à volta de Zhongshan: em 1839, Lin Zexu, o funcionário encarregado pelo imperador com a tarefa de erradicar o ópio, chegou a Xiangshan e ordenou a expulsão de Sir Charles Elliott e de outros comerciantes britânicos da região. Em 1840 os soldados da Dinastia Qing procuraram resistir aos ataques lançados pelos britânicos mas acabaram por ser derrotados.Depois da Guerra do Ópio ter aberto a região à influência estrangeira, muitos residentes de Xiangshan, incluindo Sun Zhongshan (Sun Yat-sen), foram estudar para o estrangeiro tendo acabado por ser alguns dos criadores da China contemporânea. Xiangshan foi um dos primeiros municípios conquistados à influência imperial no decurso da revolução Xinhai de 1911. Após a morte de Sun Zhongshan em 1925, o comandante-em-chefe das forças armadas da República da China decidiu homenagear Sun com a mudança do nome do município de Xiangshan para Zhongshan. Trata-se da única cidade na China a quem foi atribuído o nome de uma pessoa.Durante a 2ª Guerra Sino-Japonesa, em Julho de 1937, o exército imperial japonês apoderou-se de diversas ilhas pertencentes a Zhongshan e, em Março de 1940, ocupou a maior parte da região. Em 15 de Agosto de 1945 o Japão rendeu-se incondicionalmente e Zhongshan foi libertada.Zhongshan foi palco de combates durante a guerra civil chinesa e manteve-se sob controlo dos nacionalistas durante a maior parte desse conflito. A 30 de Outubro de 1949 o Exército de Libertação Popular derrotou as forças nacionalistas em Zhongshan e o município foi integrado na República Popular da China.O clima de Zhongshan é quente e húmido, com uma temperatura média de 22 graus centígrados e 175 centímetros de precipitação por ano, a maior parte entre Abril e Setembro. A cidade é frequentemente assolada por tufões e trovoadas. Fica a duas horas de distancia dos aeroportos de Cantão, Shenzhen e Zhuhai. O seu porto é um dos mais importantes da província de Guangdong dispondo de ligações marítimas diárias com Hong Kong. No final de 2013, a cidade tinha uma população de 3,17 milhões de pessoas. EconomiaEm 2013, o Produto Interno Bruto de Zhongshan atingiu 263,89 mil milhões de yuans, um acréscimo anual de 10%. A agricultura representou 2,5%, a indústria e construção 55,5% e o sector dos serviços 42%. Do PIB, o sector privado foi responsável por 131,2 mil milhões de yuans, 49,7% do total e um aumento homólogo de 7,1%.À semelhança de muitas outras cidades na China, Zhongshan está a perder terrenos agrícolas para o desenvolvimento comercial e residencial. A produção agrícola em 2013 cresceu apenas 2,2% para 11,18 mil milhões de yuans. A área para a produção de cereais reduziu-se 0,96% para cerca de 15 mil hectares e a produção de cereais caiu 6,2% para 727 mil toneladas. A área para a produção de fruta reduziu-se 1,35% para 6580 hectares. O número de porcos criados na cidade caiu 10,51% para 387,6 mil e o pescado caiu 0,1% para 354,2 mil toneladas. Todos estes indicadores são sinais de que a margem de lucro na agricultura não consegue atingir a dos restantes sectores económicos. Desta forma, à semelhança do que ocorre em outras cidades da China, os terrenos agrícolas estão a ser vendidos para a construção de habitações, prédios de escritórios, hotéis e centros comerciais. O governo central tem feito todo o possível por manter os terrenos agrícolas necessários para fazer com que a China seja auto-suficiente em cereais mas é uma tarefa difícil de impor nas cidades, onde os lucros obtidos com a venda de terrenos para desenvolvimento imobiliário são tão grandes.
  • 28ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS29ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSEm 2013, a produção industrial de Zhongshan foi de 140,4 mil milhões de yuans, um aumento homólogo de 11,6%. A produção da indústria ligeira foi de 68,7 mil milhões de yuans, um acréscimo de 10,1% e um valor que representa 49% do total. As empresas com investimento externo, incluindo as de Macau, Hong Kong e Taiwan, produziram bens no valor de 72,2 mil milhões de yuans, mais 9,9% do que em 2012 e 51% da produção total. A estas empresas seguiram-se empresas privadas chinesas com 51,45 mil milhões de yuans, sociedades anónimas com 41,4 mil milhões de yuans e as empresas estatais com 9,6 mil milhões de yuans. Estes números revelam que, à semelhança de muitas outras cidades da província de Guangdong, o crescimento é liderado por empresas privadas ou com investimento externo e não pelas empresas estatais que dominaram a economia da China durante os primeiros 30 anos de regime comunista.Em termos de produtos, os sectores mais importantes são os de alta tecnologia, incluindo equipamento médico, electrónico e de telecomunicações, calculadoras, de escritório e petroquímicos; artesanato tradicional, bebidas e produtos alimentares, aparelhos eléctricos, materiais de construção, mobiliário e têxteis.Em 2013, a produção do sector de construção civil de Zhongshan foi de 5954 milhões de yuans, uma queda de 5,3% em termos anuais. A formação bruta de capital fixo ou investimento ascendeu a 96,3 mil milhões de yuans, um aumento homólogo de 15,2%. Deste montante 39,9 mil milhões de yuans foram canalizados para o sector imobiliário, que cresceu no ano 15,2%. O investimento externo, bem como de Hong Kong, Macau e Taiwan, caiu 16,5% para 18 mil milhões de yuans.As exportações em 2013 cresceram 7,5% para 26 478 milhões de dólares e as importações 3,1% para 9,15 mil milhões de dólares. O principal produto de exportação foi maquinaria eléctrica, 18,4 mil milhões de dólares, mais 8,92%, a que se seguiram artigos de alta tecnologia com 5,9 mil milhões de dólares, mais 2,9% e têxteis com 2,34 mil milhões de dólares, mais 6,9%. O principal mercado de exportação foi Hong Kong, 6794 milhões de dólares ou mais 1,6%, seguido dos Estados Unidos com 6084 milhões de dólares, mais 10,3% e da União Europeia com 4356 milhões de dólares, mais 10,3%. As empresas com investimento externo chamaram a si a fatia de leão das exportações, 17,56 mil milhões de dólares, em quebra de 5,9% face a 2012. Surgem depois as sociedades por quotas com 5546 milhões de dólares e, em terceiro lugar, as empresas estatais com 1456 milhões de dólares, com um crescimento de 26%.Em 2013 a cidade atraiu 646 milhões de dólares em investimento externo, uma queda de 19,6%, tendo o investimento externo contratado crescido 0,2% para 1,32 mil milhões de dólares. Do investimento externo realizado, a indústria representou 67%. Os maiores investidores eram originários de Hong Kong e Macau, Japão e Ilhas Virgens Britânicas; as empresas destes países e regiões foram responsáveis por 80,3% do investimento total.Em 2013 a cidade recebeu 8,61 milhões de visitantes, um aumento anual de 7,6%; destes, 8,08 milhões eram do continente chinês e o resto de Hong Kong, Macau e do estrangeiro. As receitas turísticas cifraram-se em 19,8 mil milhões de yuans, um acréscimo de 8,7%, que incluíram 239 milhões de dólares em moeda estrangeira, mais 9,57%. No final do ano, a cidade contava com 30 hotéis com uma estrela ou mais, com 3632 quartos e uma taxa de ocupação média de 48,8%. O número de veículos motorizados era de 554 800, um aumento anual de 14,9%, dos quais 492 600 eram privados.Nesse ano as vendas a retalho foram de 89,1 mil milhões de yuans, um aumento de 10,4%. A 31 de Dezembro os depósitos bancários, tanto em yuans como em moeda estrangeira, cifravam-se em 402,8 mil milhões de yuans, um aumento homólogo de 15,9%. A banca concedeu crédito no valor de 88,96 mil milhões de yuans, um acréscimo de 26,9%, sendo que daquele montante 58,9 mil milhões de yuans foram aplicados na compra de imobiliário, um aumento de 15,3%. No final do ano a cidade tinha 23 empresas de corretagem e 49 companhias de seguros.
  • 30ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS31ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSO rendimento médio anual de um residente rural de Zhongshan era de 21 727 yuans em 2013, um acréscimo de 12,3% e dos residentes urbanos era de 34 274 yuans, mais 10,1%.O governo tem encorajado o crescimento de novas indústrias bem como a consolidação das já existentes. Identificou a construção naval, fabrico de equipamentos, electrónica e tecnologias de informação e de ecrãs de cristais líquidos como sectores com potencial de crescimento, a adicionar aos já existentes, tais como electrónicos, produtos metálicos, iluminação e mobiliário.“A região ocidental de Guangdong não está tão desenvolvida como a região oriental”, disse Sio Chi Wai, presidente do Centro de Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento Sustentável. “A indústria ligeira de Zhongshan tem tido um crescimento económico estável ao longo dos últimos 30 anos, a uma taxa média de 10%. No futuro terá de haver alterações, com o modelo económico a concentrar-se no mercado interno.” Sio disse ainda que entre os sectores com potencial de crescimento futuro estarão o turismo, produtos alimentares de elevada qualidade e reformados. “A cidade tem um bom clima, cuidados médicos e ordem pública e os preços do imobiliário são um terço dos praticados em Pequim.”Macau e Zhongshan têm conjuntamente promovido a actividade turística em feiras internacionais, incluindo as de Lisboa e Taipé. Joey Lao Chi Ngai, presidente da Associação das Ciências Económicas de Macau, disse que a ponte entre a região ocidental de Guangdong e Hong Kong será muito benéfica para Zhongshan, uma vez que servirá para atrair pessoas, mercadorias e investimento de Hong Kong, Taiwan e de muitos outros locais.Uma empresa de Taiwan, Winstron Corporation, é um dos maiores investidores na cidade, especificamente na Zona de Desenvolvimento Industrial de Alta Tecnologia “Farol”. Fabrica placas-mãe, placas gráficas, computadores de mesa, servidores, caixas de descodificação e leitores de DVD e de CD-ROM para diversas empresas internacionais. A fábrica começou a funcionar em Março de 1998 num terreno com 11 hectares, empregando actualmente 18 mil pessoas. Uma pequena parte da produção é vendida no mercado interno mas a maior parte segue para os Estados Unidos, Europa, Próximo Oriente e Sudeste Asiático. Em 2010, surgia na 38ª posição na lista dos principais 200 exportadores da China e conta entre os seus clientes com oito das 10 principais empresas de tecnologias de informação do mundo.A empresa é uma das principais fabricantes de produtos originais em Taiwan, empregando 60 mil pessoas em todo o mundo. Em 2013, obteve uma facturação de 20,8 mil milhões de dólares e está cotada na Bolsa de Valores de Taiwan desde Agosto de 2003. A empresa era a unidade industrial do grupo Acer Inc, de que se separou em 2000. Comercializa um conjunto de serviços tecnológicos, com o desenho, fabrico e apoio após vendas preparado de acordo com as especificações dos clientes. Esta é precisamente o tipo de empresa que Zhongshan pretende atrair.Uma das características do desenvolvimento de Zhongshan tem sido o crescimento de uma indústria numa vila. Seguem-se alguns exemplos.Guzhen é a maior base de produção de artigos para iluminação na China e um dos quatro maiores centros em termos mundiais. O desenvolvimento desta indústria tem a sua origem nos anos 70 do século XX quando os produtos como candeeiros de mesa e lâmpadas de emergência fabricados em empresas localizadas em pequenas vilas ou aldeias começaram a ser vendidos na região ocidental da China. Com o apoio do governo local em capital e terrenos a primeira vaga de desenvolvimento ocorreu de meados dos anos 80 aos primeiros anos da década de 90. Na sequência do sucesso da primeira Feira Internacional de Produtos de Iluminação da China (Guzhen) em 1999, a indústria registou um crescimento rápido desde então.Em Guzhen é produzida uma grande variedade de artigos, incluindo candeeiros em cristal, de mesa, de parede, de tecto, pendentes e de jardim até focos para a iluminação de salas de espectáculos. Estes produtos são vendidos não só no mercado doméstico mas também no estrangeiro, nomeadamente nos Estados Unidos, Próximo Oriente, África do Sul e Europa. Estes produtos receberam a certificação ISSO 9902 e outros certificados de qualidade emitidos pela China, Comissão Europeia e Canadá, o que significa que têm grande qualidade. O próximo passo desta indústria está dependente da capacidade em fabricar novos produtos com design mais inovador e criativo.Dachong cobre uma área de 46 quilómetros quadrados na região sudoeste de Zhongshan. Durante séculos a sua economia esteve baseada na produção de vegetais, frutos e cana-de-açúcar. No final dos anos 70 do século XX, alguns marceneiros abriram uma marcenaria para produzir mobiliário em mogno. No decurso dos 20 anos seguintes estas marcenarias familiares assumiram-se como o pilar industrial da vila. Em 2002, a vila estava a produzir cerca de 60% de toda a produção chinesa de mobiliário em mogno, para a venda no mercado doméstico e para a exportação para os Estados Unidos, Japão e América do Norte. A vila tem actualmente quase 300 destas empresas que, em conjunto, têm uma produção com um valor superior a 10 mil milhões de yuans.Em Março de 2014 decorreu em Zhongshan a 12ª Exposição de Mobiliário em Mogno da China, com uma área de 16 500 metros quadrados em que participaram mais de 160 empresas chinesas. Zhu Wei-ling, presidente da Associação de Mobiliário da China, disse que Zhongshan tinha-se tornado num importante centro de produção nacional de mobiliário em mogno, muito em particular nas vilas de Dachong, Sanxiang e Shaxi. “A chave para o seu desenvolvimento tem sido a tecnologia, criatividade e a criação de marcas próprias”, disse. As marcas mais famosas de Dachong são Hexing, Hongguxuan e Hongfa.Gangkou é o centro da indústria de jogos e de entretenimento. Nela têm sede a Base de Produção de Jogos e Divertimentos de Zhongshan e o Centro de Comercialização de Jogos e Divertimentos Dragão
  • 32ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS33ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSMundial de Zhongshan, que em conjunto representam um terço das empresas do sector existentes em Zhongshan. Gangkou produz mais de metade dos produtos utilizados no mercado doméstico. Passou a ser uma das mais importantes bases produtivas da China de jogos e divertimentos através da combinação de pesquisa e desenvolvimento e de uma base industrial local e da comercialização dos produtos nos centros comerciais existentes.Xiaolan era conhecida, no período pré-reformas económicas, pela produção de bens alimentares, incluindo arroz, cana-de-açúcar, peixe e bichos-da-seda. No decurso dos últimos 30 anos desenvolveu dois sectores – fechaduras e electrónica de som. São estes os dois pilares industriais da vila. Em 2010, tinha 9072 empresas industriais, 1500 das quais de grande dimensão e 72 com vendas anuais de mais de 100 milhões de yuans.Em Xiaolan encontram-se ainda outras marcas bem conhecidas como Vantage para fogões a gás, Guli para fechaduras e St. Allen para corta-unhas. Um terço das empresas existentes produz fechaduras e material do género. O crescimento da indústria de electrónica de som é bem mais recente, sendo Xiaolan actualmente um dos maiores produtores da China deste tipo de equipamento.Empresas locais e estrangeiras especializaram-se na produção de aparelhos de estereofonia, leitores de DVD, cabeças de leitura “laser”, equipamento digital de som de alta qualidade, altifalantes, circuitos integrados e painéis de alumínio. Marcas como ADS e Boston, Philips, Toshiba, JBL, Onkyo e Jamo têm aqui as suas bases de produção.A cidade é sede de uma zona de desenvolvimento de nível nacional, cuja abertura ocorreu em Março de 1990. Cobrindo uma área de 17,1 quilómetros quadrados, a Zona de Desenvolvimento de Alta Tecnologia “Farol” de Zhongshan é uma das mais antigas zonas de alta tecnologia da região sul da China, nela existindo muitas empresas do sector automóvel e de peças sobressalentes para automóveis, biofarmacêutica, embalagem, tecnologias de informação e indústrias químicas.Em 2008, a zona registou uma produção industrial no valor de 80,5 mil milhões de yuans, ou 21,8% da economia de Zhongshan. Em 2013 a sua população já tinha crescido para 230 mil pessoas, com mais de mil empresas de mais de 20 países e territórios, incluindo 20 constantes da lista Fortune 500.Neste último ano a produção industrial da zona ascendeu a 158,8 mil milhões de yuans, um aumento de 12,1% relativamente a 2012. As exportações atingiram 8,72 mil milhões de dólares, mais 11,6%. Nos primeiros oito meses de 2014 a produção industrial atingiu 112,8 mil milhões de yuans, um aumento homólogo de 8,8%, com exportações que cresceram 9,81% para 5117 milhões de dólares. O investimento externo realizado aumentou 5,41% para 147 milhões de dólares. Entre os principais investidores no Parque de Zhongshan encontram-se a Canon, Wistron, Sumitomo Electric e China Shipbuilding Industry Corp. TransportesEm Janeiro de 2011 entrou ao serviço a primeira linha de caminhos-de-ferro de Zhongshan. A linha liga Cantão a Zhuhai, uma distância de 187 quilómetros, com paragens em Zhongshan, Zhongshan Norte e Xiaolan. Trata-se da primeira linha férrea de passageiros na região sul do rio das Pérolas e permitiu reduzir o tempo de viagem entre Cantão e Zhuhai para apenas 46 minutos. A estação terminal fica localizada em Gongbei, junto à fronteira com Macau, facilitando as deslocações a milhões de residentes no continente chinês. A estação de Gongbei entrou ao serviço em 31 de Dezembro de 2012.A linha é a realização de parte do sonho de Sun Yat-sen vertido há mais de 90 anos no seu “Desenvolvimento internacional da China”, documento onde propõe a construção de 160 mil quilómetros de linhas de caminhos-de-ferro em todo o país. A sua terra natal em Zhongshan fica próximo do traçado da nova linha. Conflitos militares, guerras civis e campanhas políticas impediram a realização do seu sonho. Esta linha transporta passageiros e, no final de 2012, foi inaugurada uma outra para carga entre Cantão e o porto Gaolan, em Zhuhai, com passagem por Jiangmen e Gujing.
  • 34ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS35ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSEstas linhas férreas significam que, pela primeira vez, as cidades da região ocidental do delta estão ligadas por caminhos-de-ferro à rede nacional e têm um papel importante a desempenhar no desenvolvimento da economia e do mercado imobiliário da região.Fazem, além disso, parte de um plano do governo provincial de Guangdong de construir uma rede ferroviária que coloque as principais cidades do delta a uma hora de distância por caminho-de-ferro da capital Cantão. A ideia subjacente é a de disseminar a riqueza da província, permitindo ainda que as pessoas possam residir nas diversas cidades servidas pela linha e que viajem todos os dias para Cantão para aí trabalharem. Em consequência, os preços do imobiliário nestas cidades terão tendência a aumentar.Alguns dos principais beneficiários são os casinos, hotéis e a indústria turística de Macau. A nova linha permite que os visitantes de toda a China apanhem um comboio na estação Cantão Sul e cheguem à fronteira com Macau em menos de uma hora. A partir da estação podem seguir a pé até à fronteira.A extensão total desta nova linha de passageiros é de 187 quilómetros, dos quais 116 quilómetros são a distância entre a estação Cantão Sul e Zhuhai. Existe, além disso, um ramal entre a estação de Xiaolan e Xinhui, uma distância de 26 quilómetros. A linha permite uma velocidade máxima de 200 quilómetros à hora.A linha passa pelas principais cidades da região sul do delta do rio das Pérolas, incluindo Foshan, Shunde, Jiangmen e Zhongshan e tem 27 estações. Os passageiros têm a opção de escolher entre um comboio expresso que leva 46 minutos de Cantão a Zhuhai ou o regular que leva 76 minutos e pára em todas as estações. Uma viagem semelhante em autocarro demora cerca de 90 minutos entre Gongbei, em Zhuhai, e Panyu, em Cantão, onde se situa o terminal ferroviário.A linha entre Cantão Sul e Zhuhai Norte foi inaugurada a 7 de Janeiro de 2011, com uma viagem que demorou 41 minutos. A estação Cantão Sul situa-se em Panyu, nos arredores da cidade. Nesta estação as pessoas podem apanhar comboios de alta velocidade para Shenzhen, Hong Kong, Wuhan e Guizhou e para outras zonas de Cantão existe o metropolitano.Cantão Sul é uma das três estações de caminhos-de-ferro existentes na cidade.O primeiro estudo de viabilidade foi concluído na Primavera de 2004 e a linha foi incluída na lista dos grandes projectos para a cidade de Zhuhai em 2005. Em 14 de Julho de 2004 o Ministério dos Caminhos-de-Ferro e o governo provincial de Guangdong acordaram na constituição da “Empresa de Transportes Ferroviários Ligeiros Urbanos de Guangdong Rio das Pérolas”, numa parceria em partes iguais. Esta empresa ficou responsável pela construção e operação da linha.O Conselho de Estado aprovou o projecto a 16 de Março de 2005. As partes chegaram a acordo sobre o traçado da linha e os trabalhos de construção iniciaram-se a 18 de Dezembro de 2005. Cerca de 92% da linha corre numa plataforma elevada.A média diária de passageiros é de 60 mil. A linha é percorrida por comboios CRH 1, construídos na fábrica da Bombardier Sifang Power Transportation, em Qingdao, uma parceria entre a Bombardier do Canadá e a chinesa Sifang. Trata-se de comboios que têm o mesmo desenho dos de alta velocidade que existem na China, sendo confortáveis, bem iluminados, espaçosos e com um serviço de qualidade.Os principais beneficiários são os residentes de Foshan, Jiangmen, Zhongshan e Zhuhai, que podem deslocar-se a Cantão muito mais depressa e em melhores condições do que antigamente.A construção da estação de Gongbei iniciou-se em 2009 mas sofreu atrasos devido a problemas relacionados com a aquisição dos terrenos e com o realojamento das pessoas que ali viviam. Mais tarde, a construtora, uma empresa dependente do Ministério dos Caminhos-de-Ferro teve problemas financeiros quando não recebeu um crédito de 90 milhões de yuans, situação que causou ainda mais atrasos.Outro factor foi uma colisão em Julho de 2011 entre dois comboios num viaduto em Wenzhou, na província de Zhejiang, que causou a morte de 40 pessoas e ferimentos em mais 192, 12 dos quais com gravidade. Este foi o primeiro acidente fatal na China envolvendo comboios de alta velocidade e motivou uma revisão das medidas de segurança em toda a rede, que levou dois meses.A estação de caminhos-de-ferro de Gongbei foi inaugurada em 31 de Dezembro de 2012. Algumas pessoas continuam a não utilizar esta linha e a preferir os autocarros que partem do centro da cidade cada 15 minutos. “A vantagem do autocarro é que deixa os passageiros no centro de Cantão”, disse Yang Shuling, um homem de negócios que se desloca amiúde a Cantão. “O comboio vai até Panyu, nos arredores e não no centro da cidade, sendo ainda necessário apanhar o metro, um autocarro ou um táxi.”No início do período de reformas e abertura ao exterior, a China decidiu criar quatro zonas económicas especiais, duas das quais foram Shenzhen junto a Hong Kong e Zhuhai ao lado de Macau.Nos 30 anos passados desde essa data, Shenzhen transformou-se na quarta cidade mais rica da China, com uma população de 10 milhões de pessoas e um produto interno bruto de 1,1 biliões de yuans em 2013. Zhuhai, por seu turno, tem uma população de 1,5 milhões de pessoas e registou um PIB de 140 mil milhões de yuans, igualmente no ano passado.
  • 36ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS37ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSUma das razões para esta disparidade é o facto de Shenzhen ser atravessado pela linha de caminho-de-ferro entre Hong Kong e Cantão, ao passo que Zhuhai não tinha caminhos-de-ferro. Os investidores afluíram a Shenzhen e outras cidades ao longo daquela linha que, juntamente com uma boa rede de estradas, permitia-lhes importar matérias-primas e exportar os produtos acabados.Com a construção das linhas de passageiros e de carga até Zhuhai, o governo de Guangdong pretendia anular essa diferença e fazer com que a região ocidental do delta do rio das Pérolas conseguisse mais prosperidade. As duas linhas farão com que as cidades ao longo do percurso fiquem mais atractivas para o investimento externo e para os turistas e que os seus residentes tenham um acesso mais fácil à rede nacional de caminhos-de-ferro.A linha de caminhos-de-ferro convencional destina-se a carga e entrou ao serviço em 30 de Dezembro de 2012. Percorre 186 quilómetros desde Jiangcun em Cantão até ao porto Gaolan, em Zhuhai, com passagem por Foshan e Jiangmen. Tem 11 estações, os comboios rolam a uma velocidade máxima de 120 quilómetros por hora e tem uma capacidade máxima de 60 milhões de toneladas por ano. A sua construção envolveu a perfuração de um túnel com 9185 metros de comprimento em Jiangmen. Custou 4,58 mil milhões de yuans e demorou quatro anos a ficar concluída. O custo foi repartido pelo Ministério dos Caminhos-de-Ferro, 40%, governo de Zhuhai, 30%, 25% do governo provincial de Guangdong e os restantes 5% foram obtidos com recurso a empréstimos bancários.A Comissão Estatal de Desenvolvimento e Planeamento aprovou este projecto em 1993 e a sua construção iniciou-se em 1997, com um orçamento de 13,16 mil milhões de yuans e um prazo de quatro anos. Mas 18 meses mais tarde as obras pararam devido à falta de dinheiro. Em Setembro de 2007 aquela Comissão aprovou o reinício da construção, que recomeçou em 28 de Abril de 2008. Desenhada para transporte de carga, esta linha tem capacidade para transportar passageiros.“O caminho-de-ferro resolve o problema dos engarrafamentos em direcção ao porto de Zhuhai e representa o início do transporte ferroviário de carga na margem ocidental do delta do rio das Pérolas”, afirma o governo de Zhuhai na sua página electrónica. “Permite ligar os principais parques industriais e o porto de Gaolan e permite o acesso à linha Cantão-Pequim e à rede nacional de caminhos-de-ferro. Por isso, tem um grande significado para Zhuhai, permitindo que a cidade seja uma plataforma na margem ocidental (do delta do rio das Pérolas) e facilitando o desenvolvimento de parques industriais e do porto Gaolan ao longo da linha.”Devido à linha, algumas grandes empresas estatais tais como a China National Petroleum Corp (CNPC), Yuchai Marine Power e China Northern Locomotive & Rolling Stock Industry (Group) abriram operações no porto Gaolan devendo outras empresas seguir o exemplo.Os caminhos-de-ferro permitem uma redução dos custos logísticos em cerca de 20% e dão mais garantias do que o transporte rodoviário. Um comboio pode transportar 4 mil toneladas de carga e percorrer ininterruptamente mais quilómetros do que um camião, tornando mais fácil o comércio externo e as empresas industriais situadas ao longo da linha. Ponte através do rio das PérolasOutro marco na história dos transportes de Zhongshan é a construção da primeira ponte através do rio das Pérolas entre Hong Kong, Macau e Zhuhai. Actualmente, milhares de pessoas apanham diariamente barcos para se deslocarem de Hong Kong a Macau. À medida que se aproximam do cais, começam a ver as estacas da nova ponte a saírem da água do mar, à semelhança de uma criatura marinha gigante.Esta estrutura notável, com 42 quilómetros de comprimento, será a maior ponte sobre água do mundo. Permitirá ligar Hong Kong a Macau e Zhuhai, com uma ilha artificial de grandes dimensões em cada um dos lados. Os trabalhos iniciaram-se em Dezembro de 2009 e deverá ficar concluída dentro do prazo em 2016, a um custo de 83 mil milhões de yuans.Esta ponte permitirá reduzir o tempo de um percurso por estrada entre Hong Kong e as duas cidades de 3 a 4 horas para 30 minutos e estabelecer a ligação entre as margens ocidental e oriental do rio das Pérolas. A ponte permitirá ainda que as cidades da região ocidental do delta fiquem a menos de três horas de Hong Kong.
  • 38ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS39ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS“Esta ponte fomentará a cooperação entre Guangdong e Hong Kong e Macau em termos logísticos, financeiros, de alta tecnologia e de serviços”, disse a senhora Zhao Yufang, vice-governadora de Guangdong. “A província vai juntar-se às duas regiões administrativas especiais na construção de uma rede de metropolitano de classe mundial”, disse ainda Zhao para acrescentar que as três regiões vão ficar ligadas de uma forma jamais vista.A ponte é uma obra de engenharia notável. Está a ser construída através de um percurso marítimo dos mais movimentados do mundo e num rio com correntes fortes, ficando localizada numa região que é assolada anualmente com tufões e chuvas torrenciais. Estes factores colocam os mais complicados desafios técnicos aos arquitectos e engenheiros. Uma das empresas é a britânica de engenharia Ove Arup, que está envolvida no desenho da ponte e do túnel, bem como no desenho das fundações das ilhas artificiais.Da extensão total, 35,6 quilómetros são ponte e túnel. O corpo principal da ponte tem 30 quilómetros de comprimento, com 23 quilómetros de viadutos com alturas entre 20 e 110 metros. O túnel tem uma extensão de quase 7 quilómetros, a uma profundidade de 27 metros, um dos mais compridos e a maior profundidade do mundo. A ponte terá seis faixas de rodagem, três em cada sentido, mas não terá linha de caminho-de-ferro.O túnel é necessário dado que a ponte atravessa o rio das Pérolas; todos os dias dezenas de navios de contentores e de carga geral atravessam-no desde Cantão e outros portos do delta rumo ao Oceano Pacífico e diversos destinos no planeta. O túnel exigiu 220 mil toneladas de cimento, ao passo que as duas ilhas artificiais precisaram de 100 mil toneladas.A ponte inclui três secções suspensas por cabos, com tabuleiros variando entre 280 e 460 metros; cada uma das secções tem uma ou mais torres, a partir das quais saem cabos que sustentam os tabuleiros. O desenho de duas das secções procura representar as duas velas de um junco chinês e a outra um arco tradicional chinês.Em cada uma das ilhas artificiais serão construídos grandes parques de estacionamento, serviços de retalho básicos e instalações de migração e de alfândega, a fim de processar as pessoas e os veículos que rumam aos três destinos.A ilha situada a nordeste do aeroporto internacional de Hong Kong tem uma área de 130 hectares. O governo da região está a analisar a futura construção de hotéis e espaços comerciais naquele local. Devido à sua proximidade do aeroporto, os edifícios a serem construídos não podem exceder 50 metros em altura e não mais de 10 andares. Está igualmente prevista a construção de um centro comercial subterrâneo.A ilha junto a Macau e Zhuhai ficou pronta em Dezembro de 2013 e tem uma altura de 4,8 metros. Para a sua criação foi necessário despejar no local 20 milhões de metros cúbicos de areia, o que custou 2386 milhões de yuans. A ilha foi desenhada de forma a aguentar marés-altas e tufões e dispõe de uma pista de aterragem.A ponte foi pensada para durar 120 anos. Trata-se de um projecto complicado que tem de respeitar as normas de desenho, de construção e ambientais de três jurisdições. As restrições em altura devido à sua localização próximo dos aeroportos de Hong Kong e de Macau também levantaram alguns desafios.
  • 40ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS41ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSO custo total do projecto é de 70 mil milhões de yuans, dividido entre os governos da província de Guangdong, de Macau e de Hong Kong; um sindicato liderado pelo Banco da China montou o empréstimo bancário.O objectivo económico para esta obra faraónica é a redução do percurso por estrada entre Hong Kong e a região ocidental do delta do rio das Pérolas de entre 3 a 4 horas para 30 a 45 minutos.Os grandes beneficiados serão as empresas e as fábricas de Zhuhai, Zhongshan, Jiangmen e outras cidades na região ocidental. Essas empresas poderão passar a enviar os seus produtos por via aérea e através do porto de Hong Kong mais rápido do que actualmente. Esta alteração será particularmente importante para os fabricantes de produtos perecíveis ou carga de elevado valor, como máquinas fotográficas e outros produtos de consumo electrónicos e peças que têm de ser enviadas o mais depressa possível para os compradores.A ponte terá igualmente como resultado fazer com que as cidades da região ocidental do delta fiquem mais atractivas para investidores externos, tanto nacionais como estrangeiros. Empresas em Cantão, Shenzhen e noutras cidades da zona oriental do delta poderão investir na zona ocidental a fim de beneficiarem dos salários e dos preços dos terrenos mais baixos. Hong Kong representa cerca de 75% do investimento externo realizado na província de Guangdong e é, além disso, o seu principal parceiro comercial.A ponte irá ter um grande impacto nos mercados imobiliários das três cidades, muito particularmente Zhuhai e Zhongshan, as cidades mais próximas de Macau e de Hong Kong. Milhares de residentes nestes dois territórios adquiriram apartamentos e casas nas duas cidades mas o seu nível de utilização é diminuto devido ao tempo necessário para lá chegar e ao facto de ser preciso passar por uma fronteira.As cidades de Zhuhai, Zhongshan e Jiangmen esperam que a ponte proporcione uma alteração radical, fazendo que o imobiliário fique de tal forma acessível que os residentes de Hong Kong e de Macau ponderem a hipótese de mudar de local de residência, permitindo-lhes viver num local e trabalhar num outro.A ponte facilitará a movimentação de turistas em ambos os sentidos. Actualmente, os visitantes têm de efectuar uma viagem de barco para atravessar o delta do rio das Pérolas, um percurso que demora entre 60 a 70 minutos. Futuramente, a maior parte destas pessoas apanhará autocarros para turistas.Os apostadores podem chegar de avião ao aeroporto de Hong Kong e aqui apanhar um autocarro ou um automóvel rumo aos casinos de Macau.Ainda não é bem claro qual dos três locais beneficiará mais da construção da ponte. Tanto em Macau como em Hengqin estão a ser feitos grandes investimentos em capacidade hoteleira e outras instalações para turistas, na expectativa de que a ponte, uma vez concluída, permitirá maior número de turistas. A curta duração da viagem poderá persuadir viajantes a permanecerem em Zhuhai, onde os hotéis são mais baratos do que nas duas outras cidades, que podem então ser vistas durante o dia.Zhongshan vai também beneficiar de uma segunda ponte sobre o rio das Pérolas que estabelecerá a ligação à zona económica especial de Shenzhen e à região oriental do delta; esta nova ponte deverá ficar concluída em 2021 com um custo estimado em 4,83 mil milhões de dólares.A ponte será um conjunto de pontes de menores dimensões ligadas por túneis com início no Aeroporto Internacional Baoan, em Shenzhen. A ponte terá uma extensão de 51 quilómetros e oito faixas de rodagem. Ficará localizada a 27 quilómetros a jusante da ponte Humen, actualmente a única ponte que liga as duas margens do delta e a 32 quilómetros a norte da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.No início do século XXI Shenzhen tentou que o projecto para a ponte actualmente em construção contemplasse um desenho em duplo Y com uma das extensões a ligar a ZEE à ponte, mas em 2004 o governo decidiu-se por um desenho em Y simples, deixando Shenzhen fora do projecto.A ideia de uma ligação separada, ligando Shenzhen a Zhongshan, foi inicialmente proposta em 2008, mas foi congelada durante alguns anos devido aos receios de que pudesse pôr em perigo a construção da ponte ligando Hong Kong a Zhuhai e Macau. Acabou por ser incluída no 12º plano quinquenal da província de Guangdong e anunciada pelo governador provincial Huang Huahua a 9 de Janeiro de 2011.O projecto consistirá num túnel com 6,7 quilómetros com início do lado de Shenzhen e 19 pontes com um comprimento conjunto de 43 quilómetros. A construção está programada para ter início em 2015 e a conclusão prevista para 2021. A ponte terá quatro faixas de rodagem em cada sentido e uma velocidade máxima autorizada de 100 quilómetros à hora. A ponte ligará a via rápida costeira Guangshen a sul do aeroporto de Shenzhen e a via rápida Jihe a oriente do aeroporto no lado leste do delta com a via rápida Zhongjiang no lado ocidental e reduzirá o tempo de viagem entre Shenzhen e Zhongshan para menos de 30 minutos. Especialistas em transportes prevêem que este projecto poderá absorver até 40% do tráfego potencial da ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai e reduzir a importância regional do aeroporto e do porto de Hong Kong.Zhongshan beneficiará bastante com a construção das duas linhas de caminhos-de-ferro e das duas pontes. A sua fraca rede de transportes tem sido a principal razão para o atraso registado no desenvolvimento económico das cidades do lado ocidental do rio das Pérolas. Actualmente tem modernas linhas de caminhos-de-ferro para passageiros e para carga ligadas à rede nacional e em breve terá duas pontes ligando-a a Hong Kong e a Shenzhen. As empresas de fomento imobiliário já começaram a promover propriedades em Zhongshan junto dos seus clientes, propondo-lhes
  • 42ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS43ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSapartamentos e residências. A cidade fica demasiado longe de Hong Kong para ser um destino interessante mas uma pessoa que resida em Shenzhen pode mudar-se com a família para Zhongshan e ir trabalhar apanhando o comboio ou deslocando-se em automóvel. Sun Yat-senO natural de Zhongshan mais conhecido e aquele que deu o seu nome à cidade é o médico Sun Yat-sen, também conhecido por Sun Zhong-shan. Questione qualquer chinês sobre a cidade e ele mencionará de imediato o nome de Sun. Ele foi o mentor da revolução de 1911 na China, que pôs termo a 2000 anos de poder imperial e que estabeleceu a primeira república democrática da Ásia.A principal atracção turística da cidade é o museu construído ao lado da casa onde Sun nasceu, na aldeia Cuiheng. O museu atrai todos os anos visitantes do continente, de Macau, Hong Kong e Taiwan e do estrangeiro. Fica localizado a 20 quilómetros do centro urbano de Zhongshan, a 30 quilómetros de Macau e a 90 quilómetros de Cantão. Foi inaugurado em 1956 e cobre actualmente uma área de 200 mil metros quadrados, dando emprego permanente a 135 pessoas.Foi naquela casa que Sun nasceu a 12 de Novembro de 1866 e onde passou a sua meninice. Os visitantes podem ver a cama onde dormiu, a cozinha onde a comida que ingeriu foi preparada e a biblioteca onde estudou. Após ter concluído os estudos, ali voltou para viver de 1892 a 1895 e exercer a profissão de médico. Sun desenhou e mandou construir um novo edifício de dois andares, com interiores ao estilo chinês e a fachada ao estilo ocidental. Foi nesta casa que permaneceu algum tempo depois de se ter demitido da presidência da república em 1912. Adjacente a estes dois edifícios existe uma sala de exposições que custou ao governo da cidade 40 milhões de yuans. Nela podem ser observados fotografias históricas e objectos relacionados com a vida de Sun com legendas em chinês e inglês.No local existem ainda casas que procuram reproduzir o modo de vida das diferentes classes sociais existentes na aldeia Cuiheng no final da Dinastia Qing e nos primeiros anos do período republicano. Existe igualmente uma exposição agrícola cobrindo cerca de 40 mil metros quadrados, incluindo um lote de terreno com 1650 metros quadrados que foi lavrado pelo pai de Sun. Nele se podem observar diferentes actividades agrícolas – o plantio do arroz, a criação de aves de capoeira e de peixe e respectivas alfaias.Foi em Hong Kong que Sun efectuou os estudos secundários e se licenciou em medicina, tendo servido ainda como uma das suas mais importantes bases revolucionárias.Macau foi a cidade onde o seu pai trabalhou durante muitos anos, onde iniciou a prática médica e onde a sua família viveu durante muito tempo após a revolução. A sua antiga casa é actualmente um edifício em memória de Sun Yat-sen.“A vivência em Hong Kong e Macau foi fundamental para o modo de pensar de Sun”, disse Ye Chun, um historiador de Hong Kong. “Um indivíduo da China rural viu-se confrontado com duas sociedades ordeiras e bem geridas e fê-lo pensar por que razões não conseguiam os chineses tratar dos seus próprios assuntos.” Num discurso proferido em Fevereiro de 1923 na associação de estudantes da Universidade de Hong Kong, Sun disse ter sido a corrupção existente na China e a ordem e o bom governo existentes em Hong Kong que o transformaram em revolucionário.Memorial de Sun Yat-sen
  • 44ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS45ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSAmbas as cidades, Macau e Hong Kong, têm parques em sua memória e em Hong Kong existe um museu – a Sala Kom Tong – que foi inaugurado em 1914. Em 2011, ambas as cidades organizaram diversas actividades para comemorar o 100º aniversário da revolução Xinhai, que derrubou a Dinastia Qing e conduziu à fundação da República da China.Em 1849, o pai de Sun, Sun Dacheng, chegou a Macau e aí trabalhou como sapateiro durante 16 anos numa sapataria. No final desse período regressou à sua terra natal, a aldeia Cuiheng, a fim de trabalhar um pedaço de terra e casar com a senhora Yang. Seu filho, Sun Yat-sen, nasceu a 12 de Novembro de 1866. A aldeia ficava no município Xiangshan, redenominado Zhongshan em 1925, em honra de Sun Yat-sen, que também era conhecido como Sun Zhongshan.Em 1879, mãe e filho passaram por Macau a caminho de Hong Kong onde apanhou um vapor britânico que os levou ao Hawai. Foi aqui que ele viveu com seu irmão, 15 anos mais velho, que ali tinha chegado como um trabalhador braçal e tinha conseguido passar a ser um mercador bem-sucedido.No Hawaii, Sun aprendeu inglês a partir do zero e fez estudos secundários. Em 1885, regressou à sua terra natal e casou-se com Lu Muzhen, a filha de um mercador chinês no Hawaii, um casamento arranjado entre as duas famílias, como era habitual na época.Mais tarde seguiu para Hong Kong para estudar naquela que é actualmente a Escola Diocesana Masculina, uma das mais famosas na antiga colónia, à época chamada a Escola da Rainha (Queen’s College). Os resultados excelentes que obteve permitiram-lhe estudar medicina naquela que veio a ser a faculdade de medicina da Universidade de Hong Kong; Sun foi um dos primeiros licenciados chineses, em 1892.Foi numa igreja evangélica em Hong Kong que, não obstante as reticências de seu irmão, recebeu o baptismo. Sun passou a fazer as suas orações na igreja da Rua Caine, ainda em actividade.Depois de Hong Kong mudou-se para Macau onde foi o primeiro chinês a praticar medicina ocidental. Trabalhou no Hospital Kiang Wu, constituído em 1871 como o primeiro hospital sem fins lucrativos estabelecido por e para chineses.Enquanto estudante em Hong Kong, Sun iniciou as suas actividades revolucionárias, realizando reuniões e escrevendo panfletos contra a decadência e corrupção do governo Qing. Um desses panfletos foi publicado num jornal de Macau em 1890.Em Macau, Sun montou uma clínica médica e prosseguiu a sua actividade revolucionária e fez amizade com um tipógrafo português, Francisco Hermenegildo Fernandes, que partilhava das suas ideias. Em Julho de 1893 Fernandes imprimiu o primeiro semanário em língua chinesa, no qual eram publicadas notícias sobre a prática médica de Sun bem como sobre a sua actividade revolucionária.O jovem médico provocou a ira do governo Qing, que pressionou o governo colonial português a expulsá-lo. Em 1894, Sun recebeu ordem para encerrar a clínica e assim viu-se forçado a deixar Macau.Sun passou os 17 anos seguintes no exílio, no Japão, Europa, Estados Unidos, Vietname e Tailândia. Nesses países espalhou as suas ideias junto das comunidades e dos estudantes chineses, organizando insurreições na China e angariando fundos para as financiar.Durante este período, Hong Kong foi a sua base mais importante em território chinês, com a maior parte das actividades a decorrerem nos bairros central e ocidental.Em 1894, estabeleceu a Xing Zhong Hui (Sociedade para fazer reviver a China) no número 13 da Rua Staunton, em Central. No ano seguinte, os seus correligionários organizaram o primeiro levantamento no continente, em Cantão, mas falharam. Foi o primeiro de dez falhanços semelhantes que custou a vida a centenas dos seus seguidores.Em 1899, Sun enviou um companheiro para fundar o jornal “Diário da China” em Hong Kong. O jornal começou a ser publicado em Janeiro de 1900, o primeiro jornal revolucionário da colónia. O levantamento de Huizhou, em 1900, foi organizado no terceiro andar do edifício do jornal.O editor do jornal é um dos principais personagens do filme de artes marciais “Guarda-costas e assassinos”, estreado em Hong Kong em 2009. O filme procura apresentar uma deslocação de um dia feita por Sun à colónia em 1905 a fim de discutir planos revolucionários com os seus correligionários. A maior parte dos personagens é imaginária mas tem por base uma história verídica – Sun conseguiu realizar o encontro e deixar a colónia ileso, não obstante os esforços dos agentes Qing para o assassinar.Sun era um residente permanente de Hong Kong. Mas após o levantamento de 1900, o governo Qing colocou-o na lista dos mais procurados e ele foi expulso da colónia.Em Maio de 1912, Sun regressou a Macau a convite de alguns homens de negócios chineses. Era a sua primeira visita desde que tinha sido expulso e seria igualmente a sua última visita à cidade. Morreu de cancro de fígado em Pequim em 12 de Março de 1925, com 59 anos.No dia 29 de Março desse ano, 20 mil pessoas em Macau – um quinto da população – participaram num serviço religioso em sua memória no Hospital Kiang Wu. Nessa altura, alguns membros da sua família estavam a viver em Macau.Em 1913, a sua mulher, Lu Muzhen, mudou-se para Macau com o filho e duas filhas e com o cunhado Sun Mei, que organizou uma associação de pescadores e que morreu em 1915, aos 60 anos.
  • 46ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS47ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSApós a morte de Sun, Lu continuou a viver em Macau com os três filhos e netos. A 11 de Agosto de 1931 a explosão do paiol do Jardim da Flora destruiu a casa mandada construir, em 1918, por Sun Yat-Sen para a sua mulher e filhos. Com a indemnização atribuída pelo governo, reforçada com recursos próprios, o filho, Sun Fó, construiu a actual mansão. Esta funciona, actualmente, como Casa Memorial de Sun Yat-Sen, que foi aberta aos visitantes em 1958.Lu morreu a 7 de Setembro de 1952, aos 85 anos.Macau também tem um parque em memória de Sun, um dos 43 que existem em todo o mundo, e que cobre uma área de 7 hectares. Museu dos empreendedoresEmbora Sun seja o mais famoso dos seus filhos, Zhongshan gerou muitas outras pessoas que deixaram a sua marca na história da China. Cinco delas são recordadas num museu localizado num edifício cor-de-rosa que fica no centro histórico da cidade; essas cinco pessoas fazem parte da história empresarial da China.O Museu da Cultura Comercial de Xiangshan celebra o período no final da Dinastia Qing e do período republicano inicial quando muitas pessoas deram um grande contributo ao país. Os cinco em questão deram a sua contribuição nos negócios e dois deles, Ma Yingbiu e Kwok Lok, criaram empresas que foram pioneiras nos sectores do comércio a retalho e da indústria que continuam a prosperar um século mais tarde.Ma e Kwok tinham muito em comum. Filhos de agricultores sem nada de seu, abandonaram a pobreza da sua aldeia natal na esperança de fazerem fortuna na Austrália. Após anos de trabalho duro e poupança cuidadosa juntaram dinheiro suficiente para montarem um negócio próprio e decidiram regressar à China.Tendo-se iniciado com um espaço comercial em Hong Kong, acabaram por se expandir para algumas cidades na China e diversificaram a actividade que passou a incluir o comércio a retalho, actividade industrial, seguros e promoção imobiliária. Estes dois homens fundaram um sector de comércio a retalho moderno.Ma nasceu numa família de um pobre camponês na aldeia de Shachong em 1868. Frequentou a escola durante apenas três anos antes de começar a trabalhar. Seu pai tinha deixado a família em casa a fim de ir trabalhar numa mina de ouro na Nova Gales do Sul. Em 1881, o jovem Ma foi reunir-se-lhe e seis meses mais tarde foram para Sidney. O jovem decidiu que a aprendizagem da língua inglesa era uma prioridade. Encontrou uma irlandesa que precisava de ajuda na quinta de produtos hortícolas e que falasse cantonês. Ma fez um acordo com a mulher – ele trabalhava na quinta em troca de três refeições por dia e uma hora diária de aprendizagem do inglês. Com os novos conhecimentos, montou uma loja de venda de fruta e vegetais em Sidney, onde vendia a produção local, bananas importadas de Fiji e outros produtos importados da China. A sua reputação começou a crescer entre a população chinesa na cidade e ele iniciou um serviço de transferências, enviando dinheiro em nome dos interessados para as respectivas famílias na China.Ma Yingbiu Kwok Lok
  • 48ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS49ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSVivia-se um período turbulento para os chineses a residir no estrangeiro; estavam particularmente atentos aos esforços dos revolucionários para derrubar a Dinastia Qing e perceber de que forma esta luta poderia afectar as suas vidas bem como das suas famílias.Em 1910, Ma decidiu abandonar a sua vida presente em Sidney e regressar à China. Ele entreviu a oportunidade de aproveitar os conhecimentos e a experiência que tinha obtido na Austrália. Quando regressou conseguiu angariar 25 mil dólares de Hong Kong e abriu o armazém retalhista Sincere na zona central, um espaço com 800 pés quadrados e 40 trabalhadores; foi o primeiro espaço comercial moderno propriedade de chineses a abrir na cidade. A loja adquiria os produtos que vendia directamente do fabricante, apresentava preços mais baixos do que as outras lojas e entregava sempre um recibo. O negócio era tão bom que abriu uma nova loja, com cinco andares e mais de 300 trabalhadores, também na Central. Caso um cliente comprasse um artigo de grandes dimensões, que não conseguisse transportar, a loja procedia à sua entrega no espaço de 24 horas.Em 1912, a empresa decidiu abrir uma sucursal em Cantão e na década seguinte expandiu-se para Xangai, Nanning, Singapura, Banguecoque e Londres. Na altura, a loja de Xangai, com cinco pisos, era a maior de toda a China. A loja abriu na Rua Nanjing em 1917 após três anos de construção e um investimento de dois milhões de dólares; milhares de pessoas acorreram para presenciar a inauguração.A loja incluía um restaurante topo de gama e um complexo de entretenimento com prestidigitadores e espectáculos de ópera. Tinha muitas novidades – um jardim no telhado com plantas envasadas, uma casa de chá, espaços para exposições, preços fixos, uma grande variedade de artigos tanto chineses como estrangeiros e um corpo de vendas feminino. Quando a tradição impediu as jovens de pretenderem ali trabalhar, a mulher de Ma começou a atender ao balcão – e as raparigas acabaram por lhe seguir o exemplo. No segundo ano de actividade, a facturação da loja era de 4 milhões de dólares, o dobro do investimento inicial.Em Hong Kong, a Sincere expandiu-se para o sector dos seguros, ramos vida e reais, e para o fabrico de produtos tais como cosméticos, sabonete, pasta de dentes, refrigerantes, doces e biscoitos, artigos em vidro e caixas em madeira. Alguns destes produtos eram comercializados nas lojas da empresa.O início da guerra no Extremo Oriente representou um rude golpe. Limitou o transporte de produtos estrangeiros, em particular da Europa e dos Estados Unidos, pelo que Ma passou a fazer as aquisições no Japão, onde encomendava produtos com as mesmas especificações. Uma vez que os produtos japoneses da época não gozavam de grande reputação, Ma ocultava o lugar de fabrico dos produtos que vendia.Um protestante devoto, Ma viveu modestamente; não tinha viatura particular e dava emprego a poucos dos seus familiares, o que era pouco habitual para uma empresa familiar chinesa.
  • 50ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS51ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS JiangmenJiangmen é uma cidade que fica a ocidente de Zhongshan e Zhuhai e a sul de Foshan. Cobre uma área terrestre de 9541 quilómetros quadrados e, no final de 2013, tinha uma população de 3,93 milhões de pessoas. Existe um número semelhante de naturais de Jiangmen a residir no estrangeiro; este facto deu à cidade uma rede importante de contactos no estrangeiro, em particular no Sudeste Asiático, América do Norte e Austrália, que tem sido particularmente importante na era pós-1978. Estes emigrantes levaram investimento para a cidade, capital, conhecimento e tecnologia que permitiu estimular grandemente a sua economia.A cidade tem muitas semelhanças com Zhongshan – uma economia baseada na indústria ligeira e dominada por investimento privado nacional e estrangeiro e um lugar que é a terra natal de milhões de emigrantes. A sua economia começou a crescer rapidamente no período pós-1978, quando conseguiu atrair investimento de Macau, Hong Kong, Taiwan e do estrangeiro; milhares de novos residentes afluíram à cidade para trabalhar nas fábricas, escritórios, estaleiros de construção, hotéis e restaurantes. A cidade é um grande produtor de têxteis e vestuário, açúcar e outros produtos alimentares, maquinaria, electrónica e petroquímica. Dispõe do segundo maior porto fluvial de Guangdong, que facilita o comércio com outras cidades no interior da China e ainda com Hong Kong e Macau.“A ideia central que me levou a constituir a Sincere era a de alterar os velhos métodos de fazer negócio na China”, disse. “A minha vivência na Austrália abriu-me os olhos para a gestão e estratégia empresarial em grande escala. A China voltará a ser forte se os homens de negócios do país modernizarem as suas práticas a fim de poderem concorrer nos mercados internacionais.”A vida de Kwok Lok seguiu um percurso notavelmente semelhante. Nascido numa família pobre em 1874, um de entre nove filhos, ele acompanhou o seu irmão mais velho para a Austrália quando tinha 18 anos. Durante dois anos trabalhou numa quinta de produção de vegetais e depois foi trabalhar na loja de venda de fruta e de vegetais de Ma Yingbiu. Tendo poupado algum dinheiro, ele e um sócio montaram um negócio de importação de bananas de Fiji e de produtos diversos da China. Chamou quatro dos seus irmãos que tinham ficado em Zhongshan para ajudarem no negócio e comprou uma quinta de produção de bananas em Fiji, onde também montou uma loja de venda a retalho.Em 1907 a família abriu a empresa Wing On em Hong Kong e dois anos mais tarde Kwok mudou-se para Hong Kong para presidir à empresa. Em Setembro de 1918, a Wing On abriu um armazém retalhista com seis pisos na Rua Nanjing, em Xangai, mesmo em frente ao Sincere. A empresa expandiu a sua actividade para os seguros, armazéns, hotelaria e têxteis, tendo neste último sector passado a ser um dos grandes produtores. Em 1931 já operava 240 mil fusos em Xangai e fabricava produtos de duas marcas famosas, Golden City e Great Eagle.O ataque japonês a Xangai foi um desastre para a empresa. Em 1932 os bombardeamentos destruíram duas das cinco fábricas têxteis; Kwok e os irmãos ficaram devastados; puseram termo aos planos de expansão e as vendas entraram em declínio. Em 1937 os japoneses ocuparam as restantes três fábricas e a unidade de tingimento. Numa tentativa de protegerem os seus activos constituíram uma empresa norte-americana. Kwok seguiu para Hong Kong e em 1939 para os Estados Unidos, levando parte do pessoal. Pouco depois entregou os negócios no continente chinês a um dos irmãos.Nos Estados Unidos, onde faleceu em 1956, montou dois armazéns Wing On em São Francisco e Nova Iorque. Tanto ele como Ma Ying-biu foram pioneiros, introduzindo na China um negócio a retalho moderno, que tinham aprendido no Ocidente, e estabeleceram as bases para o seu crescimento desde então.Tanto a Sincere como a Wing On viram os seus negócios na China continental nacionalizados quando os comunistas tomaram o poder em 1949. Em 2005, a loja de Xangai voltou a funcionar sob a designação Wing On mas já propriedade de uma empresa estatal. A fachada foi restaurada para ficar com a aparência de antes da guerra mas o interior foi totalmente remodelado. O armazém Sincere regressou à Rua Nanjing em 1993. Ambos estão a prosperar encontrando-se cotados na Bolsa de Valores de Hong Kong.
  • 52ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS53ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSO seu nome significa “portão do rio”, dado ficar situada na confluência dos rios Xihe e Peng. Tem um clima marítimo de monções, quente e húmido ao longo do ano, com tufões entre Julho e Setembro. Tem boas reservas de água doce, que representam 6,7% do total da província de Guangdong. EconomiaEm 2013, a cidade registou um produto de 200 mil milhões de yuans, um acréscimo anual de 9,8%. À semelhança de Zhongshan, a agricultura representa uma percentagem cada vez menor da produção da cidade – 15,9 mil milhões de yuans, um crescimento anual de 3% mas menor do que os 8% registados pela cidade no seu todo. Em 2013 a área cultivada com cereais e produtos agrícolas de elevado rendimento caiu 1,9% e a produção de cereais reduziu-se em 4,4% para 927,7 mil toneladas.A produção industrial e da construção atingiram 101,3 mil milhões de yuans e 50,6% do total; o sector dos serviços contribuiu para o produto com 82,8 mil milhões de yuans, um aumento anual de 6,8% e 41,5% do total. O índice de preços no consumidor foi nesse ano de 1,8%.As exportações em 2013 cifraram-se em 14 mil milhões de dólares, mais 7,9% e as importações 5,73 mil milhões de dólares, ou menos 1,2%. As empresas com capitais externos produziram 8,49 mil milhões de dólares das exportações e as sociedades por quotas 5,39 mil milhões de dólares; as empresas estatais exportaram apenas 120 milhões de dólares, menos 4,1%.Nesse ano o investimento estrangeiro contratado caiu 10,8% para 1218 milhões de dólares e o investimento realizado cresceu 6,1% para 923 milhões de dólares. Os três maiores investidores foram Hong Kong, França e Ilhas Virgens Britânicas e os principais sectores para onde o investimento foi canalizado foram indústria, electricidade, gás natural e água; o investimento no comércio a retalho e por grosso cresceu 16,8% e no fomento imobiliário caiu 38,3%.O rendimento médio de um cidadão rural aumentou 11,8% para 12 684 yuans e do urbano cresceu 10,2% para 29 772 yuans. Um total de 64 400 pessoas recebeu o subsídio de rendimento mínimo que custou aos cofres da cidade 154,7 milhões de yuans.As principais indústrias de Jiangmen são os motores e peças sobressalentes para veículos automóveis, electrodomésticos, cerâmica e mobiliário. A cidade é um dos maiores centros de fabrico de motores da China. Os principais fabricantes incluem as empresas Grand River Group, Guangdong Tayo Motorcycle Technology, Heshan Guoji Nanlian Motorcycle e Jiangmen Dihao Motorcycle.A Grand River Group, constituída em 1992 em Jiangmen, é o mais importante centro de exportação da japonesa Suzuki Motor Corp. Nela são fundamentalmente produzidos motociclos das marcas Haojue e Suzuki. Há dez anos consecutivos que esta empresa lidera a lista dos maiores produtores de motociclos da China.As principais empresas nos outros ramos industriais incluem a Guangdong Xinhui Meida Nylon, Kaiping Chunhui e Jiangmen Sugarcane Chemical Factory (Group), todas cotadas em bolsa de valores.A Guangdong Xinhui Meida Nylon, fundada em 1984, é um dos principais fabricantes chineses do polímero poliamida-6, com uma capacidade de produção anual de 180 mil quilogramas. Os outros grandes sectores industriais são electrodomésticos, electrónica, papel, processamento de alimentos, fibras sintéticas bem como têxteis e produtos em aço inoxidável. Grandes marcas com fábricas em Jiangmen incluem a Jingling, ventoinhas e máquinas de lavar, papel higiénico Vinda, grupo ABB e Lee Lum Kee Foods.A maquinaria eléctrica é uma das principais indústrias de Jiangmen, cidade que atraiu algumas das 500 maiores empresas mundiais como a Mitsubishi Heavy Industries, Panasonic, ABB Paper e Emerson Electric. Outros grandes grupos, como JEE, Sapa e Hyundai fizeram investimentos na cidade.O porto da cidade é o segundo maior fluvial da província de Guangdong. O governo local tem planos para desenvolver uma zona industrial próximo do porto com a indústria pesada como petroquímica e de maquinaria e uma economia baseada no mar.A cidade alberga uma das maiores empresas mundiais de fabricantes de díodos emissores de luz (LED), a Neo-Neon Holdings. Mais de 100 empresas existentes na cidade estão envolvidas na produção de aparelhos de iluminação por semicondutores, tendo obtido em 2011 uma produção combinada de 16,3 mil milhões de yuans.
  • 54ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS55ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSEm Jiangmen existe igualmente um centro de produção de material circulante para caminhos-de-ferro, com o projecto de reparação e construção de material circulante da China South Locomotive e Rolling Stock Corp de Guangdong. Quando a primeira fase desde projecto ficar concluída, a empresa terá capacidade para produzir 400 unidades múltiplas intercidades e fazer a manutenção de mais 100. A produção será vendida tanto no mercado doméstico como no estrangeiro.Em Jiangmen existe ainda o maior centro de produção de fibras têxteis da província de Guangdong. Nela laboram mais de 1500 empresas em têxteis e vestuário, incluindo Guangdong Xinhui Meida Nylon, Kaiping PET, Heshan Meiya e Guangdong Charming Co., Ltd. Os produtos que fabricam incluem cobertores em acrílico, calças de ganga, tecidos não fiados, poliamida e fio de poliéster.Em Jiangmen existe uma das maiores centrais de energia nuclear do mundo. A central nuclear Taishan é a terceira geração de centrais nucleares desenvolvidas em conjunto entre a China e a França. A sua primeira fase inclui duas unidades, cada um com uma capacidade de produção de 1,75 milhões de kilowatts.As duas unidades deverão entrar em funcionamento em 2015, sendo este o terceiro local onde existem os reactores de 1750 megawatts da Areva. O projecto é detido pela Guangdong Taishan Nuclear Power Joint-Venture Company Limited (TNPC), uma parceria controlada em 70% pela China Guangdong Nuclear Power e nos restantes 30% pela Electricidade de França. O custo deste projecto está estimado em 7,5 mil milhões de dólares. Os trabalhos de construção iniciaram-se em 26 de Agosto de 2008 e o primeiro cimento foi despejado em Outubro de 2009, estando previsto que cada unidade demore 46 meses a construir. Este prazo de construção é significativamente menor do que nas duas primeiras centrais da Areva, construídas na Finlândia e em França.Em Jiangmen existem cinco grupos de energia eólica com 303 turbinas e uma capacidade total de 257,6 megawatts. Os grupos instalados nas ilhas Xiachuan e Shangchuan já entraram em funcionamento.O Parque Industrial de Energia Nuclear de Taishan, com uma área de 550 hectares, está a desenvolver peças e equipamentos para a indústria nuclear, incluindo periféricos para as centrais nucleares, pesquisa e serviços de apoio ao equipamento auxiliar de centrais nucleares. HistóriaA cidade tem uma história de mais de 600 anos. No início da Dinastia Ming (1368-1644) era famosa pelos seus mercados. No início do século XVII, a economia da cidade tinha por base o comércio e passou a ser um grande centro comercial no delta do rio das Pérolas.Em 1904, Jiangmen foi forçada a comerciar com o exterior e a alfândega de Beijie entrou em funcionamento. Um dos legados deste período é o histórico bairro portuário com edifícios representativos dessa época. A cidade está a levar a cabo um projecto de renovação que contempla a reabilitação desses edifícios.O filho mais famoso de JiangmenJiangmen é a terra natal de Liang Qichao, um conhecido letrado e reformista chinês da Dinastia Qing (1644-1911), sendo a pessoa mais famosa a ter tido lá origem.Liang nasceu numa pequena aldeia de Xinhui, um bairro de Jiangmen, a 23 de Fevereiro de 1873. Seu pai era um camponês mas o conhecimento dos clássicos permitiu-lhe iniciar Liang em diversas obras literárias quando este tinha seis anos de idade.
  • 56ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS57ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSQuando fez nove anos, começou a escrever ensaios com 1000 caracteres e pouco depois iniciou os estudos numa escola local. Estudante excelente, começou a envolver-se nos debates políticos que assolavam a China no final da Dinastia Qing. Ele defendia não uma revolução mas uma monarquia constitucional, à semelhança da Grã-Bretanha e do Japão. Liang não estava feliz com o governo dos Qing e pretendia uma mudança. Juntamente com o reformador Kang Youwei verteu as suas ideias para o papel e enviou-as ao imperador Guangxu (1875-1908); este momento ficou conhecido na história da China como a Reforma dos 100 Dias. Os dois defendiam que a China necessitava de muitas reformas institucionais e ideológicas, tais como pôr termo à corrupção e remodelar o sistema de exames para ingresso no funcionalismo público.Estas propostas deram origem a uma controvérsia feroz; Liang passou a integrar a lista dos mais procurados por ordem da imperatriz viúva Cixi, que mais tarde tomou conta do governo na qualidade de regente. Ela manifestou a sua oposição às reformas propostas e condenou-as como demasiado radicais. Em 1898 um grupo conservador pôs termo a todas as reformas e Liang fugiu para o Japão, onde permaneceu os 14 anos seguintes. Neste país continuou a defender a causa democrática utilizando os seus escritos para obter apoio para a causa reformista entre chineses residentes no estrangeiro e governos estrangeiros. Liang continuou a acentuar a importância do individualismo e a defender uma monarquia constitucional em oposição a um republicanismo radical.Em 1899, Liang deslocou-se ao Canadá onde conheceu Sun Yat-sen. Enquanto Sun advogava a revolução, Liang defendia a reforma. Em 1900-1901 visitou a Austrália numa digressão de seis meses destinada a ganhar apoios para reformar o império chinês a fim de modernizar o país através da adopção das melhores tecnologias, indústrias e sistemas de governo do Ocidente. Na Austrália proferiu igualmente palestras para audiências tanto chinesas como ocidentais. Esta visita coincidiu com a fusão numa federação das seis colónias britânicas na nova nação da Austrália, em 1901. Ele sentiu que este modelo de integração podia ser copiado em diversas regiões da China. Em 1903 iniciou um conjunto de palestras nos Estados Unidos, no decurso do qual foi recebido em audiência pelo Presidente Theodore Roosevelt em Washington.Embora nunca tenha aprendido a ler uma única língua ocidental, Liang assumiu o papel de intermediário intelectual, lendo textos em chinês e em japonês relacionados com temas ocidentais e escrevendo posteriormente sobre o que tinha lido para uma audiência mais vasta na China.Antes de 1900, a China estava muito isolada relativamente às ideias ocidentais. De acordo com o académico André Nathan “para os chineses nos primeiros anos do século XX os escritos de Liang eram a única janela para tudo o que era moderno e estrangeiro e que podia ser utilizado para salvar a China. Liang introduziu novas formas de pensar sobre literatura, história, relações internacionais, ciência, religião, línguas, raças humanas e o sentido da vida.” Liang escrevia tanto que há quem tenha a sua produção em 14 milhões de caracteres.Durante a primeira guerra mundial, foi um dos maiores defensores da entrada da China na guerra ao lado dos Aliados, por acreditar que esse facto permitiria que a China ganhasse um novo estatuto internacional e reduzisse a sua grande dívida externa.A sua maior contribuição foi feita na qualidade de intelectual e jornalista. Li Yutang apelidou-o de “a maior personalidade na história do jornalismo chinês;” Joseph Levension, autor de Liang Ch’i-ch’ao and
  • 58ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS59ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSthe Mind of Modern China, descreveu Liang como “um letrado, jornalista e figura política brilhante.” Liang fundou um jornal e dirigiu dois outros e utilizou-os para disseminar as suas ideias políticas e disseminar as suas opiniões sobre o republicanismo na China e no resto do mundo. O seu exílio no Japão permitiu-lhe continuar a falar livremente e a manter-se autónomo em termos intelectuais - algo que não poderia ter feito na China.No final da década de 20 do século XX, Liang retirou-se da política e trabalhou na Universidade Tung-nan em Nanjing e no Instituto de Pesquisa Tsinghua em Pequim na qualidade de tutor. Fundou a Associação de Leitura da China e levou muitas figuras intelectuais à China. Durante os últimos 10 anos da sua vida, escreveu muitos livros documentando a historia cultural da China, história literária chinesa e sobre historiografia. Desenvolveu nessa altura um interesse grande no Budismo e escreveu numerosos artigos históricos e políticos sobre a sua influência na China. Faleceu a 19 de Janeiro de 1929 em Pequim. TurismoJiangmen tem muitos locais históricos, culturais e turísticos. Os locais históricos com maior significado são as torres com vários pisos fortificadas, conhecidas por Diao Lou ou Torres da Montanha Dourada. Estas torres podem ser apreciadas em Kaiping, um município sob a jurisdição de Jiangmen. Outros locais de interesse que merecem ser vistos são o Jardim Liyun, a ilha Chuan e montanha Guifeng. O jardim Liyun, mandado construir por um chinês a residir no estrangeiro na vila de Tangkou, em 1936, inclui uma zona de habitação e um Grande Jardim e um Pequeno Jardim. O turismo é um sector prioritário para o governo da cidade que tem estado, entre outras acções, a organizar estâncias termais, tais como a de Gudou.As torres de Kaiping – Património Mundial da HumanidadeA atracção turística mais famosa de Jiangmen é as Torres de Kaiping.Uma imagem de Fang Yun-wen, envergando um fato ocidental de três peças, saúda os visitantes à entrada da casa de seis pisos em Kaiping, na região ocidental de Guangdong. Junto a esta imagem encontram-se fotografias das suas três mulheres – uma senhora da terra, uma chinesa de Nova Iorque e a terceira de Hong Kong.A partir do telhado podem observar-se os pomares e os campos de arroz brilhando ao sol quente do Verão. A casa de Fang é uma das 1833 diao lou (torres) de Kaiping que a UNESCO declarou Património da Humanidade em Junho de 2007.A sua primeira mulher e os filhos viveram na torre, onde cada filho tinha direito a um andar com a sua cozinha autónoma. Fang visitava-os mas nunca ali residiu. Após a sua morte em Nova Iorque, em 1935, os restos mortais foram levados para enterro na sua terra natal.O seu perfil é típico dos que mandaram construir estas estruturas imponentes. Nascido em 1878, deixou a China aos 11 anos de idade rumo a Nova Iorque, onde trabalhou no negócio da restauração. Naquela cidade ganhava o suficiente para mandar construir a torre e prover a três famílias que levavam uma vida confortável.
  • 60ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS61ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSAs torres tinham três funções – como residência, como defesa contra bandidos e como protecção contra cheias.A partir da década de 60 do século XIX, milhares de pessoas abandonaram Kaiping para irem em busca de uma vida melhor no estrangeiro – construindo estradas e caminhos-de-ferro e pesquisando ouro nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Também foram para Hong Kong, Macau, Filipinas, Malásia e Reino Unido. Habitualmente iam trabalhar nos negócios da restauração, barbearias e lavandarias.No final do século XIX tinham começado a amealhar poupanças. No entanto, nos países de acolhimento não tinham conseguido alcançar o reconhecimento social que esperavam. Os Estados Unidos e o Canadá aprovaram legislação restringindo ou mesmo proibindo a emigração chinesa.Em 1882, os Estados Unidos aprovaram a Lei de Exclusão dos Chineses, que proibia a entrada no país de trabalhadores chineses e impedia os que já lá se encontravam de ascenderem à cidadania. Esta lei foi revogada apenas em 1943. Estas leis faziam com que os chineses tivessem muita dificuldade em arranjar uma mulher nos Estados Unidos, onde havia uma mulher para cada 26 homens.Face às dificuldades muitos decidiram regressar às terras natais; regressaram para aí viver, casar com mulheres locais e construir as torres que representavam um sinal externo do seu sucesso. As torres foram construídas no meio de aldeias a fim de servir de local onde guardar objectos valiosos e de refúgio em caso de ataques de bandidos. Eram construídas em betão e aço, com paredes espessas e grades nas janelas, mais fortes e mais seguras do que as restantes casas no povoado.A casa que Fang mandou construir tinha uma porta feita de duas placas de aço alemão – a qualidade mais elevada existente à época. No telhado havia postos de vigia para ver a paisagem, com buracos para atirar pedras ou outros objectos contra os intrusos. A casa possuía igualmente uma passagem secreta através de uma parede nas traseiras; outras casas dispunham de túneis a partir das caves.Os arquitectos destas torres fundiram os estilos tradicionais chineses com os trazidos pelos retornados dos respectivos países de acolhimento. Estes estilos incluíam o grego, romano, barroco e bizantino. As pessoas diziam que Kaiping era um “museu da arquitectura moderna” e nela havia tijolos de Itália, retretes da Alemanha e cinzeiros da Grã-Bretanha.A construção mais alta é a torre Ruishi, com nove andares, construída em 1923 com aço reforçado. O seu proprietário era Huang Bi-xiu, que fez fortuna na banca e no comércio de medicamentos chineses em Hong Kong. Huang construiu a torre para proteger a vida e os activos da família em Kaiping.Na altura, Huang despendeu 30 mil dólares de Hong Kong na aquisição de cimento, barras em aço, vidro e madeira, tudo importado da colónia. O primeiro andar tinha seis salas para recepções; do segundo ao sexto andares havia quartos de dormir e de jantar, casas de banho e uma cozinha. O mobiliário era chinês tradicional. Para a inauguração, Huang despendeu 10 mil dólares de Hong Kong em cinco dias de festas e convidou todas as pessoas das aldeias próximas e muitas pessoas de fora.A torre Fangshideng foi construída em 1920 com doações dos camponeses da região. Com cinco andares era conhecida como a “torre leve”; dispunha de um holofote de grandes dimensões, como os dos faróis, e uma sirene importada da Alemanha que podia ser ouvida a mais de cinco quilómetros de distância.Estas torres provaram ser lugares seguros para guardar armas, munições, lanternas, holofotes e sirenes. No entanto, não eram baratas. Uma delas, construída em 1925, custou 12 mil dólares de prata, o equivalente a 480 mil yuans em dinheiro actual. Tornaram-se num símbolo de prestígio e de riqueza dos proprietários e as pessoas com posses entravam em competição para construir torres maiores e melhores.Entre 1900 e 1931 foram construídas 1648 torres. No mesmo período de tempo a maior parte das aldeias foi reconstruída e em apenas 30 anos dinheiro enviado do estrangeiro permitiu transformar a paisagem rural desta região da província de Guangdong.Este influxo de pessoas de posses atraiu a atenção dos bandidos que assaltavam, roubavam e raptavam pessoas. Entre 1912 e 1930 há o registo de 71 actos de banditismo.Um dos assaltos mais famosos ocorreu uma noite em Dezembro de 1922. Um bando de mais de 100 bandidos atacou uma escola secundária de Kaiping, onde estudavam muitos dos filhos dos retornados com posses. A ideia era raptar o director e mais de 20 alunos e exigir um resgate em troca da sua libertação. Mas quando passavam próximo de uma torre da aldeia de Chikan foram avistados; esta torre
  • 62ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS63ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOStinha sido construída por um retornado que tinha trazido dos Estados Unidos uma sirene, holofotes e armas de fogo. O alarme foi dado, foi aberto fogo sobre os assaltantes e alertados os residentes. Os populares conseguiram salvar o director da escola e os estudantes, capturaram mais de 10 bandidos e puseram os restantes em fuga.Mas nem sempre as torres conseguiam pôr termo a estas actividades. Às 3 da manhã de 19 de Janeiro de 1949, um bando de 80 homens armado com pistolas e armas brancas atacou a torre de três andares Cong Jian Lou, que tinha sido mandada construir por um emigrante regressado dos Estados Unidos que ali pretendia levar uma vida pacífica. As duas portas da torre tinham sido construídas em aço, tendo os bandidos demorado mais de meia hora para as abrirem com recurso a marretas, facas e fogo. Cinco mulheres, uma das quais grávida, e uma criança pereceram nesse incêndio.Kaiping faz fronteira com três municípios – Enping, Taishan e Xinhui. Em conjunto são conhecidos como os “quatro municípios”, de onde saiu a maior parte dos emigrantes que rumou à América do Norte, Austrália e Sudeste Asiático. Kaiping tem, actualmente, uma população de 700 mil pessoas, enquanto existem 750 mil naturais espalhados por 69 países.A construção das torres atingiu o seu pico nos anos 20 e 30 do século XX, quando ali existiam mais de 3 mil. À medida que a segurança foi melhorando, este tipo de construção deixou de ser necessário.A depressão económica da década de 30 travou o envio de remessas, a que se seguiu a guerra com o Japão de 1937 a 1945. De 1943 a 1947 as restrições à imigração nos Estados Unidos e no Canadá foram abolidas e, como resultado, muitos chineses foram para os Estados Unidos. A última torre foi construída em 1948.O estabelecimento da República Popular da China em 1949 pôs termo ao banditismo e o controlo de cheias foi melhorado. Estes dois factos representaram o fim do papel até aí desempenhado pelas torres.Durante a Revolução Cultural (1966-76), em que os Guardas Vermelhos foram encorajados a destruir tudo o que fosse antigo e tradicional, cerca de mil torres foram destruídas. Outras caíram em desuso, com os proprietários a residir no estrangeiro e os familiares sem capacidade ou interesse em manterem-nas. No período de reformas iniciado em 1978, a maior parte dos jovens mudou-se para outras cidades da província em busca de trabalho ou mesmo para a costa oriental do país. Os que permaneceram preferem morar numa casa nova com todas as comodidades modernas.Foi em Junho de 2007 que a UNESCO nomeou as torres – Diao Lou - e as aldeias de Kaiping como Património Mundial da Humanidade.Na declaração da UNESCO pode ler-se que a região apresenta uma fusão complexa de estruturas e artes decorativas chinesas e ocidentais, reflectindo o papel significativo desempenhado pelos emigrantes de Kaiping no desenvolvimento de diversos países na Ásia Pacífico, Austrália e América do Norte, durante o final do século XIX e princípio do século XX e os laços profundos existentes entre os naturais de Kaiping e a terra natal.
  • 64ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS65ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSA região de Kaiping foi o primeiro local da província de Guangdong a ser classificado como Património Mundial da Humanidade.Esta classificação da UNESCO funcionou como uma faca de dois gumes. Fez com que Kaiping ficasse famoso em todo o mundo e atraiu muitos turistas; em 2012, cerca de 4 milhões de turistas chineses e 670 mil estrangeiros visitaram o local. Tornou-se popular como um local para rodar filmes e séries de televisão. A vila de Chikan em Kaiping dispõe já de um estúdio de cinema, onde diversas cenas foram filmadas para uma película realizada por Wong Kar-wai, o mais famoso realizador de Hong Kong.Chikan tem cerca de 600 residências construídas nas primeiras duas décadas ao século XX com dinheiro amealhado pelos que foram trabalhar para o estrangeiro, sendo um local ideal para rodar filmes dessa época.O lado negativo da classificação é que as torres não podem ser destruídas ou alteradas. Tal facto faz com que seja muito difícil transformá-las em lojas, restaurantes ou hotéis “boutique”, dado que a alteração exigiria cabos eléctricos modernos, sistemas informáticos e outras mudanças.Em resultado algumas serão preservadas para apreciação pelos turistas mas a maior parte será deixada ao abandono, sem ninguém que tome conta delas.Museu dos Chineses UltramarinosOutro local de importância em Jiangmen é o Museu dos Chineses Ultramarinos Wuyi, que regista a memória dos milhares de naturais que emigraram e que se espalharam pelo mundo.O museu foi inaugurado em Novembro de 2010, após anos de planeamento e preparação. O governo da cidade afirma tratar-se do melhor museu existente na China dedicado à diáspora.O distrito de Jiangmen, que inclui cinco municípios (o significado de Wuyi), gerou mais emigrantes do que qualquer outra região da China. A sua população actual é de cerca de 4 milhões de pessoas e existe um número semelhante de naturais – e descendentes – a viver em 107 países e regiões do mundo.A maior parte dos emigrantes foi para o Sudeste Asiático e América do Norte e alguns para a Europa e para África. Existe uma grande comunidade de pessoas de Jiangmen em Hong Kong e Macau.A ideia para a construção de um museu foi inicialmente apresentada em 1992, mas as condições não estavam reunidas e não havia fundos disponíveis. Em Janeiro de 2002, o governo da cidade decidiu avançar e dois anos mais tarde lançou um apelo para doações por parte do público e enviou pessoal para o estrangeiro para contactar com os emigrantes.A resposta foi impressionante – foram recebidas mais de 30 mil artigos, incluindo fotografias, mapas, cartas, árvores genealógicas e registos, passaportes, transferências bancárias e outros documentos. A maior parte foi doada e são estes artigos que compõem o acervo do museu.A diáspora de Jiangmen começou a ganhar corpo na segunda metade do século XIX. A população estava a crescer mais rapidamente do que a terra disponível para alimentá-la e a economia tinha sido devastada com a revolta Taiping de 1850 a 1864. Aqueles que se encontravam na base da pirâmide social – os sem terra e os desempregados – necessitavam desesperadamente de uma solução.A Austrália e a América do Norte precisavam de trabalhadores para as minas de ouro, de minério de ferro e de outros metais, a Malásia precisava de gente para as minas de estanho e para as plantações de árvores-da-borracha e banana.Os pobres de Jiangmen venderam as poucas posses que tinham e pediram dinheiro emprestado a familiares e amigos a fim de comprarem o bilhete de passagem; alguns deixaram o país já com contratos de trabalho e outros nem isso. Na sua maior parte dos casos eram contratados por agentes e intermediários e assinavam documentos sem saber o que estavam a assinar, uma vez que eram analfabetos. Exprimiam-se nos dialectos locais, não em mandarim e quando chegavam ao país de destino tinham de aprender uma nova língua.Os emigrantes seguiam viagem em barcos à vela sem condições de higiene. A viagem até ao Sudeste Asiático levada até 3 meses e até 6 para os que seguiam para os Estados Unidos. Muitos não sobrevieram e foram sepultados no mar alto.
  • 66ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS67ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSA vida que os esperava era pouco melhor do que escravatura, chegando a haver jornadas de trabalho entre 14 e 20 horas, fazendo com que a esperança de vida destes homens não excedesse os 40 anos de idade.Emigrantes de Jiangmen desempenharam um papel fundamental na construção das linhas de caminhos-de-ferro nos Estados Unidos e no Canadá. As empresas de construção apreciavam-nos, dado que trabalhavam duro por pouco dinheiro e não se queixavam. Não eram, no entanto, apreciados pelos outros trabalhadores que os viam como mão-de-obra barata que ameaçava os seus postos de trabalho.Entre 1851 e 1860 mais de 40 mil emigrantes chineses chegaram à Califórnia atraídos pela febre do ouro. Nas três décadas seguintes as chegadas atingiram 64,3 mil, 123,2 mil e 61,7 mil, respectivamente. Os emigrantes trabalharam nos caminhos-de-ferro, nas quintas e na pesca na Califórnia. Noventa por cento eram homens, que pretendiam regressar a fim de se casarem e iniciarem uma família. Havia muito poucas chinesas nos Estados Unidos.O museu contém uma reconstrução bem como fotografias da Ilha Angel em São Francisco, onde os funcionários dos serviços de migração examinavam os jovens chineses entretanto chegados. Contém igualmente réplicas dos restaurantes, barbearias e alfaiatarias que os emigrantes construíram no país de acolhimento.A vida melhorou para as gerações posteriores de emigrantes. Receberam educação no seu novo país e juntaram-se aos restantes cidadãos nos negócios, nas profissões, no governo e nas Forças Armadas e os preconceitos e exclusão social diminuíram.O museu regista o sucesso alcançado por alguns destes emigrantes. O soldado Chin G. Ngew foi o primeiro sino-americano a receber um Coração Púrpura por bravura, quando estava estacionado na Europa em 1944. Chin era um dos 20 mil sino-americanos que foram incorporados no exército americano durante a 2ª Guerra Mundial.A grande maioria dos Tigres Voadores era constituída por emigrantes de Jiangmen. A Tigres Voadores era uma unidade da Força Aérea da China, dirigida pelo general americano Claire Lee Chennault, que ajudou na luta contra as forças japonesas durante a 2ª Guerra Mundial.Houve também Edward C. Loo, um médico que teve como pacientes os Presidentes Lyndon Johnson e Richard Nixon.O museu regista igualmente os esforços desenvolvidos pelos emigrantes para ajudarem o seu país durante aquela conflagração mundial. Tem em exposição cheques e outros documentos registando o dinheiro enviado para ajudar no esforço de guerra e uma carta de estima pela senhora Song Mei-ling, a mulher do Presidente Chiang Kai-shek.O vendedor ambulante Zheng foi o emigrante mais conhecido, com a sua história fora do normal. Ao mesmo tempo que angariou 180 mil yuans para uma associação de chineses ultramarinos, a sua família vivia na miséria.Na mesma sala existe uma réplica do primeiro avião construído por um chinês. Feng Ru, nascido em Jiangmen em 1882, emigrou para a Califórnia aos 12 anos de idade. Em 1908 fundou uma empresa de fabrico de aviões e em Setembro do ano seguinte tornou-se no primeiro chinês a voar nos Estados Unidos.Feng regressou à China, onde construiu um novo avião. Em 1912 num voo de teste sobre Jiangmen o avião despenhou-se e ele morreu; tinha apenas 30 anos.Os emigrantes deram um grande contributo às terras natais. Fundaram escolas, bibliotecas, pontes e outras instalações públicas. Quando regressaram não queriam viver nas aldeias que tinham abandonado; assim, construíram novas aldeias, bem planeadas, com estradas e abastecimento de água potável. Aí combinaram a arquitectura ocidental e a cultura chinesa tradicional, sendo que muitos desses edifícios ainda hoje estão de pé.Outro projecto igualmente notável mandado construir por um emigrante foi a primeira linha de caminho-de-ferro da China financiada com recurso a fundos privados. Chin Gee Hee deixou Jiangmen em 1860, quando tinha 16 anos, rumo aos Estados Unidos, onde trabalhou para os caminhos-de-ferro durante 40 anos.Em 1905 regressou à China, vendeu a sua casa por 70 mil dólares e angariou mais dinheiro junto de outros chineses ultramarinos para financiar a construção da linha Sunning; esta linha tinha uma extensão de 133 quilómetros ao longo do município de Jiangmen e contribuiu para promover a prosperidade da região. O museu tem uma réplica de uma estação, uma locomotiva a vapor e uma carruagem.O primeiro troço da linha entrou em funcionamento em 1909 mas o que se seguiu não teve um final feliz. Senhores da guerra de Guangdong obrigaram Chin a passar-lhes o controlo da linha; os novos gerentes roubavam o dinheiro que entrava em caixa e a linha deixou de funcionar. Chin morreu a 18 de Maio de 1930, aos 86 anos, um homem destroçado.Desde que em 1986 se iniciou a era das reformas e da abertura ao exterior que os emigrantes de Jiangmen têm desempenhado um papel fundamental.Têm sido investidores, aplicando milhões de dólares em fábricas, lojas, hotéis e bens imobiliários e ajudando a fazer da cidade um grande centro comercial e industrial.
  • 68ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOS69ZHONGSHAN, UMA CIDADE DE EMPRESÁRIOSÍndiceZhongshan e JiangmenZhongshan 7Um município em transformação 7Zhongshan, um dos quatro pequenos tigres 19História 24Economia 25Transportes 31Ponte através do rio das Pérolas 35Sun Yat-sen 40Museu dos empreendedores 44Jiangmen 49Economia 50História 52 O filho mais famoso de Jiangmen 53Turismo 56As torres de Kaiping – Património Mundial da Humanidade 57Museu dos Chineses Ultramarinos 62Colecção DELTA DO RIO DAS PÉROLAS Livros publicadosA história notável do DeltaDongguan: uma nova fase de crescimentoCantão: O renascer de uma metrópoleZhuhai - A cidade-jardim do Delta do Rio das PérolasShenzhen: Uma cidade para todas as estaçõesZhongshan: Uma cidade de empresários
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