1ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS
2ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS3ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS
4ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS5ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASDELTADORIO DAS PÉROLASZhuhaiA cidade-jardim do Delta do Rio das Pérolas
6ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS7ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASAdministração de ProjectoMércia Maria GonçalvesCoordenaçãoGonçalo César de SáLouise do RosárioPesquisa e TextosThomas ChanLouise do RosárioMark O'NeillTraduçãoFernando CorreiaEdição e RevisãoMaria João JaneiroFotografiaEric TamDesenho gráficoSoluções Criativas, Lda.ImpressãoWelfare Printing CompanyProduçãoAssociação de Macau de Investigação do Delta do Rio das PérolasAvenida Infante D. Henrique, The Macau Square, Nos 43 - 53A, 10.o andar I, Macau PublicaçõesMacauLinkmacaulink@macaulink.com.moJulho 2014ISBN 978-99965-955-0-9DELTADORIO DAS PÉROLASZhuhaiA cidade-jardim do Delta do Rio das PérolasThomas Chan e Louise do RosárioApoios
8ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS9ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASZHUHAIA CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS Apreciação globalZhuhai é a mais pequena zona económica especial criada pelo governo da China no início da aplicação da política de abertura e de reformas económicas. Zhuhai é de pequena dimensão mas, como se encontra estrategicamente localizada, tem desempenhado para o governo funções geopolíticas e geoeconómicas indispensáveis; tal decorre do facto de ter sido seleccionada para servir de apoio e tampão a uma economia mais pequena e mais fraca, Macau, que se encontrava sob administração colonial portuguesa e devia regressar à chinesa em 1999.O apogeu de Macau enquanto cidade portuária e centro comercial internacional tinha há muito passado, na sequência do declínio do poderio naval de Portugal no século XVII e da fundação de Hong Kong por volta de 1840. Não obstante os altos e baixos registados desde essa época, nos anos 80 e 90 do século XX Macau tinha-se transformado num pequeno território difícil de controlar quando comparado com grandes cidades como Hong Kong e Cantão.Em contraste, quando Pequim decidiu retomar a soberania de Hong Kong, a colónia britânica era um centro financeiro e comercial global bem como um dos maiores fabricantes de produtos para exportação mundial, sendo a sua economia maior do que a da província de Guangdong. A fim de garantir uma transição suave, a maior zona económica especial da época foi criada para servir como tampão tanto político como económico e institucional entre Hong Kong com uma economia de mercado e a China continental, então sujeita ao planeamento central. No caso de Macau não houve uma necessidade semelhante, atendendo a que o governo de Portugal era muito mais cooperante do que o seu congénere britânico.
10ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS11ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS História resumidaA zona económica especial (ZEE) de Zhuhai foi criada a partir do município de Zhuhai, uma divisão administrativa recente no estuário do rio das Pérolas com algumas centenas de anos apenas. Enquanto entidade administrativa foi constituída como município em 1953, após separação do município de Zhongshan, conhecido durante quase um milénio como o município Xiangshan. Durante a maior parte da sua existência, o município de Xiangshan era um conjunto de ilhéus no exterior da zona do delta. Durante a dinastia Qing, há cerca de 200 anos, o assoreamento dos canais tinha transformado muitos pequenos ilhéus numa área terrestre associada à área continental que se tinha expandido para sul. A área do município de Zhuhai, nos anos 50, incluía parte desta massa terrestre resultante do assoreamento e um número considerável de ilhéus tanto dentro como fora do estuário do rio das Pérolas. Tratava-se de um novo distrito e de uma geografia em crescimento de zonas terrestres e de ilhas; a ZEE criada no seu interior, no início dos anos 80, deu igualmente corpo às recentes alterações estratégicas do governo – uma nova entidade económica.Esta foi a principal ideia que esteve na base da criação das zonas económicas especiais – reduzir riscos e permitir a realização de experiências e inovações institucionais; as ZEE teriam início em regiões periféricas e marginais relativamente aos principais centros socioeconómicos do país. Por isso Cantão não foi escolhido nem as áreas de maior densidade populacional como Dongguan ou Zhongshan. As ZEE na região do Delta do Rio das Pérolas foram constituídas em zonas desabitadas ou de baixa densidade populacional próximas de Hong Kong e de Macau.A população do município de Baoan tinha, na sua maior parte, seguido para Hong Kong como emigrantes ilegais, antes da constituição da ZEE de Shenzhen e o município de Zhuhai era uma zona de aterros na margem ocidental do Delta. A sua realidade periférica garantia espaço para desenvolvimento com custos diminutos no que se refere ao realojamento da população. Assim, as ZEE de Shenzhen e de Zhuhai acabaram por vir a ser novas cidades criadas pelo governo com objectivos políticos específicos. Em simultâneo, a ausência de recursos ou de apoio institucional bem como de capital social e cultural e mesmo de uma população substancial obrigou as autoridades a começarem praticamente do zero, pelo que a capacidade política e de gestão seria fundamental para o êxito das ZEE. Zhuhai, a mais pequena ZEEZhuhai é, em dimensão, a mais pequena cidade da província de Guangdong com 1724 quilómetros quadrados, próximo de Zhongshan (1784 km2) e Shenzhen (1997 km2). Quando a ZEE foi criada em 1980, a cidade tinha uma população de apenas 365 mil pessoas e um PIB de 261 milhões de yuans; este valor representava um PIB per capita de 715 yuans, superior à média provincial de 481 yuans mas inferior à média do Delta do Rio das Pérolas. De início, Zhuhai e Shenzhen tinham praticamente a mesma dimensão e escala. No início do processo de reformas era fácil perceber que tanto Guangdong, que nas décadas subsequentes se transformaria na fábrica do mundo, como Zhuhai estavam incluídas na lista das economias menos desenvolvidas em termos mundiais. Trinta anos mais tarde o PIB per capita da cidade cresceu para 96 725 yuans, em 2012, ou mais de 15 mil dólares; este valor coloca a economia da cidade no escalão médio-alto das economias mundiais e no primeiro lugar tanto no Delta do Rio das Pérolas como no resto da China.Não obstante um ligeiro arrefecimento no crescimento económico nos anos mais recentes, o crescimento anual de 19% ao longo de 30 anos é impressionante, qualquer que seja o prisma por onde se olha. Juntamente com outras cidades de maior dimensão do Delta do Rio das Pérolas, Zhuhai ajudou a criar um milagre económico na China e para a China no mundo.
12ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS13ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASQuadro 1: Crescimento médio anual dos principais indicadores da cidade de Zhuhai em diversos períodos desde 1981 (em percentagem)PIB PIB“per capita”Produção industrialFormação bruta de capital fixoVendas a retalhoExportações IDE Salário urbano médio1981 - 19851986 - 19901991 - 19951996 - 20002001 - 20052006 - 20102011 e 20121981 - 201232.023.229.610.913.812.39.119.329.213.121.43.810.310.08.313.928.449.341.220.119.612.88.126.675.64.649.60.918.117.925.925.338.915.831.37.412.717.214.319.720.671.134.111.524.214.11.826.137.65.650.88.624.812.98.721.518.716.024.37.18.19.318.414.0Reduzida à sua dimensão por ShenzhenNo entanto, o crescimento impressionante de Zhuhai é pálido em comparação com o de Shenzhen. O Quadro 2 mostra de forma bem clara a divergência no ritmo de desenvolvimento das duas zonas económicas especiais desde meados da década de 80. Actualmente, Shenzhen tem uma população cerca de sete vezes maior do que a de Zhuhai, o PIB é oito vezes maior e as exportações 10 vezes.Shenzhen assumiu-se como uma grande cidade, desafiando directamente a centralidade e a proeminência tanto de Cantão como de Hong Kong no Delta do Rio das Pérolas. A cidade dispõe do terceiro maior terminal de contentores no mundo, tendo ultrapassado Hong Kong; de acordo com o Índice dos Centros Financeiros Mundiais da “City” de Londres, Shenzhen é actualmente o 14º mais importante centro financeiro global, tendo ultrapassado Xangai, Pequim e Taipé e estando-se a aproximar de Hong Kong.Em comparação, Zhuhai continua a ser, segundo padrões chineses, uma pequena cidade, a menos populosa e a segunda mais pequena em termos de PIB no Delta do Rio das Pérolas. O Quadro 2 permite mostrar que o processo de divergência iniciou-se antes de 1990.Fonte: Anuário Estatístico de Zhuhai, 2013Zhuhai Shenzhen Shenzhan/ZhuhaiZhuhaiShenzhenShenzhan/ZhuhaiZhuhaiShenzhenShenzhan/ZhuhaiZhuhaiShenzhenShenzhan/ZhuhaiQuadro 2: Comparação entre Zhuhai e Shenzhen 1981-2011PIB (10^9 yuans)PIB “per capita”(yuan)População residente (10^6)Formação bruta de capital fixo (10^6 yuans)Vendas a retalho (10^9 yuans)Exportações(10^9 USD)19811991200120110.320.501.566.2423.673.7936.95248.256.72140.491150.558.1985714171.659116119971.3228767348221.21887721104211.240.370.370.990.682.273.311.287.255.641.5710.476.680.120.302.571.709.125.3710.4968.646.5563.74206.093.230.250.341.352.968.282.8013.5183.206.1656.78352.096.200.020.020.930.709.8614.113.7937.489.8923.98245.5210.24Fonte: Anuário Estatístico de Shenzhen e de Zhuhai, 2013
14ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS15ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASA principal razão para esta divergência foi o facto de Shenzhen ter atraído mais investimento tanto doméstico como estrangeiro do que Zhuhai. Na base deste facto está a localização geoeconómica de Shenzhen, sendo vizinha de Hong Kong, um centro global mundial financeiro, industrial e de serviços ao produtor.Quando a China iniciou o processo de liberalização económica, Hong Kong tinha uma dimensão económica superior à da província de Guangdong no seu todo; o rápido desenvolvimento da economia do Delta do Rio das Pérolas e de Shenzhen, em particular, surgiu com a deslocação e a expansão das indústrias orientadas para a exportação de Hong Kong para o outro lado da fronteira do rio Shenzhen.O sistema de processamento industrial transfronteiriço para exportação foi criado por empresas de e através de Hong Kong e centrou-se em Shenzhen e Dongguan e, numa escala mais diminuta, em Huizhou e Zhongshan. Em determinada altura, o sistema contava com mais de 10 milhões de trabalhadores e, ao longo de um período de 30 anos, superou as economias exportadoras do Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Singapura nos mercados dos Estados Unidos e da União Europeia.Nas vésperas do processo de reforma económica da China, Macau era um pequeno enclave com uma indústria diminuta e um crescimento económico estagnado. Macau e Zhuhai bem tentaram copiar o exemplo bem-sucedido de desenvolvimento baseado na indústria mas o resultado foi meramente medíocre. Um dos problemas foi a tentativa de Macau de importar trabalhadores de Zhuhai para trabalhar nas fábricas da colónia portuguesa mas com regresso a casa no final dos turnos de trabalho. Uma vez que a área de Macau era menor e o custo dos terrenos maior, gerando custos operacionais mais elevados, a redução no custo da mão-de-obra não era suficiente para permitir a concorrência com o processamento industrial mais eficiente e com menores custos – em terrenos, mão-de-obra e impostos – em Shenzhen e Dongguan.Esta situação desencorajou, em simultâneo, a deslocação das unidades industriais de Macau para Zhuhai, cidade que, sem uma grande dimensão industrial desde o início, não podia crescer ao mesmo ritmo de Shenzhen e de Dongguan. Sem um crescimento rápido, Zhuhai não conseguiria atrair investimento directo estrangeiro e a mão-de-obra necessária para criar uma aglomeração industrial de maior dimensão a fim de beneficiar da economia de escala.O governo local também não dispunha dos recursos financeiros para modernizar e melhorar as infra-estruturas para facilitar o desenvolvimento económico. A deslocação maciça de capacidade industrial de Hong Kong para Shenzhen e Dongguan originou um círculo virtuoso para a expansão extremamente rápida do processamento industrial transfronteiriço e para os serviços ao produtor em Hong Kong; as sinergias decorrentes extravasaram para os serviços e para projectos locais de desenvolvimento, incluindo serviços públicos e melhorias infra-estruturais.A essência do êxito da política de ZEE na China no caso de Shenzhen assentou numa economia que rápida e facilmente atingiu economias de escala através deste círculo virtuoso. Zhuhai, pelo contrário, começou muito lentamente e, não obstante um crescimento impressionante, ficou a grande distância em termos de economias de escala de Shenzhen, Dongguan e mesmo de Zhongshan.Projectos industriais falhadosZhuhai decidiu, igualmente, construir grandes projectos de infra-estruturas, como o aeroporto, que tem uma pista mais comprida do que o de Hong Kong e um porto de águas profundas. Mas, sem suficiente procura global e sem boas acessibilidades, os dois projectos têm sido incapazes de concorrer com o aeroporto de Macau, que chega mesmo a ser utilizado por passageiros de Hong Kong e o porto de mar de Zhongshan, que carrega mercadorias a montante do rio das Pérolas e as transporta também para o terminal de contentores de Hong Kong. O aeroporto e o porto de Zhuhai podem ser qualificados como o resultado de planeamento e estudos de viabilidade de fraca qualidade mas, igualmente, das ambições pouco realistas das autoridades locais. Como consequência, o governo de Zhuhai contraiu uma dívida pública de grande dimensão. Recentemente, a gestão do aeroporto foi entregue ao Aeroporto de Hong Kong numa tentativa de utilizar melhor a infra-estrutura e reduzir o peso da dívida contraída.
16ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS17ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASBenefícios derivados de MacauO êxito obtido por Macau na modernização da sua indústria do jogo e na liberalização do acesso aos visitantes do continente deram à pequena Região Administrativa Especial um PIB per capita superior ao de Hong Kong. Em 2013 situou-se em 87 347 dólares, o terceiro mais elevado do mundo, tanto em termos nominais como em paridades do poder de compra. Este êxito assenta no influxo maciço de mais de 18 milhões de turistas “gastadores” do continente apenas em 2013. Os principais pontos de entrada em Macau são as fronteiras terrestres de Gongbei e Hengqin em Zhuhai. O número médio de pessoas que diariamente passa pela fronteira de Gongbei ultrapassou 320 mil em 2013, tendo superado Lo Wu, entre Hong Kong e a China continental, como o posto fronteiriço mais movimentado do mundo.Atendendo a que Macau é uma península ligada a Zhuhai, a maior parte das pessoas que entra e sai de Macau fá-lo através de Zhuhai. Gongbei transformou-se na zona de passagem de e para Macau beneficiando dos fluxos de pessoas nos dois sentidos, tendo-se tornado numa zona comercial e turística e um centro modal de transportes para Macau e Zhuhai, muito em particular após a entrada em funcionamento, em 2011, do caminho-de-ferro intercidades Cantão-Zhuhai. O terminal desta linha fica localizado em Gongbei a alguns minutos da fronteira com Macau.O impacto em Zhuhai da prosperidade de Macau não se tem limitado às actividades comerciais e turísticas derivadas do fluxo de pessoas de e para Macau através de Zhuhai, tendo-se registado efeitos por simpatia. Entre estes efeitos contam-se o aumento dos preços de arrendamento de habitação e de bens de consumo diário, caso de produtos alimentares, em ambos os casos motivado pela procura criada por habitantes de Macau em busca de preços mais baixos. Alguns bairros de Zhuhai passaram a ser áreas de residência e de compras para Macau, situação que permitiu à população da Região Administrativa Especial o alargamento do espaço disponível para viver.Este modelo é semelhante à experiência efectuada no município de Xiangshan no auge da actividade comercial de Macau durante a Dinastia Ming; as actividades comerciais e de negócio em Macau motivaram a constituição de indústrias e serviços de apoio em Xiangshan, que dispunha de uma população mais numerosa do que a de Macau. Actualmente, pode-se dizer que a cidade de Macau, com uma população de 600 mil pessoas, é apoiada pela actividade realizada em Zhuhai, que tem uma população quase três vezes superior à de Macau. Os benefícios para Zhuhai da sua contiguidade a Macau explicam de que forma foi aquela cidade capaz de, nas últimas três décadas, reduzir o fosso relativamente a Shenzhen em termos de Produto Interno Bruto não obstante um desempenho económico globalmente fraco.
18ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS19ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASCidade “verde”O crescimento e desenvolvimento de Zhuhai, embora digno de nota mas pouco dinâmico, proporcionaram algumas vantagens a esta cidade quando comparada com outras do Delta do Rio das Pérolas. A principal foi a manutenção de um ambiente mais confortável para os residentes. Tal ficou a dever-se à ocorrência de uma menor densidade populacional, com uma população migrante de menor dimensão atraída por emprego industrial, associada a um menor número de unidades industriais de mão-de-obra intensiva, que habitualmente causam poluição e a expansão da malha urbana, como em Dongguan e Shenzhen, estragando a paisagem urbana e rural. Isso significa que a densidade habitacional de Zhuhai, uma das mais “verdes” da região, é uma das menores do Delta do Rio das Pérolas.A densidade populacional de Zhuhai é a mais baixa do Delta do Rio das Pérolas, com 918 pessoas por quilómetro quadrado, que compara com 5282 em Shenzhen, 3371 em Dongguan e 18 516 em Macau; esta situação faz com que a cidade possa ser qualificada de “coração verde” da região. A baixa densidade populacional da cidade permitiu que a inflação se mantivesse a níveis reduzidos, particularmente no que diz respeito à habitação.Os proprietários de automóveis privados excedem 30% da população. Assim sendo, mesmo que o salário médio na cidade não seja muito elevado, de 36 375 yuans em 2013, a qualidade de vida em Zhuhai é elevada de acordo com padrões chineses; de referir que o valor do salário médio é muitas vezes superior ao declarado. A vantagem competitiva de Zhuhai em termos de consumo de bens e serviços é revelada pelo elevado indicador de vendas a retalho per capita. O valor deste indicador relativo a Zhuhai é o mais elevado na região do Delta do Rio das Pérolas e maior do que o de cidades como Cantão, Xangai e Pequim, as três metrópoles mais desenvolvidas da China, bem como de Shenzhen. O maior nível de consumo representa tanto o consumo transfronteiriço de residentes de Macau e de turistas mas, mais importante, o mais elevado poder de compra e de consumo dos residentes, dos quais uma grande percentagem é urbanizada e com elevado nível académico.Uma pessoa não ficará esmagada pela altura dos arranha-céus existentes no centro de Zhuhai como acontece em Hong Kong, Macau, Shenzhen e Cantão mas apreciará, decerto, o facto de Zhuhai ser um exemplo de uma cidade-jardim na China. O relativamente lento desenvolvimento económico e industrial da cidade deu-lhe uma habitabilidade urbana única na região. Continua, no entanto, a ser muito urbana em termos de ligações e de acessos – ligações marítimas com Hong Kong e acesso por estrada e por comboios intercidades com Cantão e outras cidades na região costeira ocidental do Delta do Rio das Pérolas e contígua a Macau. A prazo existirão outras ligações transfronteiriças como a ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai com abertura marcada para 2015/2016 e duas outras ligações actualmente em construção. Com o comboio intercidades Cantão-Zhuhai, esta cidade fica a menos de uma hora de distância do Terminal de Caminhos-de-Ferro do Sul de Cantão, que funciona como o principal centro da rede de comboios de alta velocidade do sul da China. Esta rede de transportes permite que a partir de Zhuhai seja possível chegar à maior parte das cidades a sul do rio Iangtsé em quatro ou cinco horas.Graças à densa rede de caminhos-de-ferro do Delta do Rio das Pérolas com centro em Cantão e a extensa rede de comboios de alta velocidade do país, Zhuhai situa-se no interior da zona de deslocações até 8 horas, que se está a expandir em cada ano que passa.Zhuhai não é um subúrbio como Zhaoqing, Zhengchen e Conghua o são relativamente a Cantão nem é apenas uma cidade dormitório de Macau como Panyu é de Cantão. Os “centros” de Zhuhai – Xiangzhou e Gongbei – estão tão bem apetrechados em termos de serviços quanto a chamada “baixa” de grande parte das outras cidades. A cidade é pequena mas bem arranjada e sem os inconvenientes dos engarrafamentos de trânsito, poluição e crime que se encontram, por exemplo, em Dongguan. Esta é provavelmente a razão pela qual a cidade tem sido diversas vezes pensada para se desenvolver como uma zona recreativa e de entretenimento para a grande região metropolitana do Delta do Rio das Pérolas para a classe média superior e para aqueles que dispõem de mais posses.
20ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS21ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASDesejo de grandes projectosMesmo assim, as autoridades locais continuam interessadas no desenvolvimento de grandes projectos. Por isso, constam do 12º Plano Quinquenal (2011-2015) programas de desenvolvimento e objectivos industriais muito ambiciosos. O plano propõe sete zonas industriais espalhadas pela cidade, que incluem um parque industrial aeronáutico nacional, um outro parque de alta tecnologia, uma zona de grandes dimensões de construção de barcos de recreio e a zona industrial transfronteiriça Zhuhai-Macau.É verdade que as indústrias e serviços pretendidos são de natureza avançada com maior valor acrescentado e de capital intensivo, se não mesmo de conhecimento intensivo. Esses novos projectos poderiam beneficiar do porto de águas profundas e do aeroporto bem como da nova e melhorada ligação ferroviária Cantão-Zhuhai bem como a nova ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai.No entanto, entram em conflito com o pequeno e belo ambiente urbano de Zhuhai. Mesmo a recém-criada zona universitária não se encaixa muito bem, não funcionando como as cidades universitárias de Oxford ou Heidelberg na Europa mas sim como uma base de ensino massificado para as universidades chinesas já existentes. A universidade tem poucas instalações para investigação, pouco professores residentes e não cria sinergias com os centros urbanos de Zhuhai.A cidade seria talvez mais bem servida se recursos adicionais fossem concentrados no desenvolvimento de uma zona universitária convencional que se conseguisse fundir com as actividades urbanas e proporcionasse uma maior dimensão cultural. Por outro lado, as autoridades da província opuseram-se no Plano de Desenvolvimento e Reforma do Delta do Rio das Pérolas, de 2008, a uma estratégia de desenvolvimento sub-regional, com Zhuhai a servir de motor do crescimento da região costeira ocidental do Delta do Rio das Pérolas, que inclui Zhongshan e Jiangmen.Esta estratégia de desenvolvimento representa uma melhoria relativamente aos anteriores esforços de cooperação entre cidades, mas é duvidoso que Zhuhai pudesse assumir a liderança de duas economias citadinas mais desenvolvidas. Tem havido pouca cooperação industrial e divisão funcional do trabalho entre as três cidades, ao contrário do que tem acontecido com as duas outras estratégias sub-regionais dominadas por Cantão e Shenzhen. O sector dos serviços é também de menor dimensão do que os de Zhongshan e Jiangmen e relativamente subdesenvolvido, exceptuando no que se refere às funções comerciais e de transportes para Macau.As restantes linhas de caminho-de-ferro projectadas para a região ocidental do Delta do Rio das Pérolas estão menos concentradas do que na região oriental entre Cantão e Shenzhen/Hong Kong, devendo a sua construção ser adiada. É possível antecipar que a rede regional de caminhos-de-ferro tenha impacto em Zhuhai e nas cidades vizinhas apenas nos anos 20, não antes disso. Pequena e belaEsta realidade pode ser frustrante para as autoridades de Zhuhai mas para os residentes significa que a cidade não será estragada por um processo de industrialização rápida. No passado recente o processamento industrial e o investimento directo estrangeiro abrandaram de forma significativa na China em geral e no Delta do Rio das Pérolas em particular. Por isso, não é expectável que o investimento directo estrangeiro encha rapidamente as zonas e parques industriais em Zhuhai. Muito provavelmente permanecerão no papel durante mais anos do que os inicialmente previstos. Zhuhai devia permanecer pequena e bela durante muitos mais anos até que as autoridades municipais entendessem que a presente situação representa mais um activo único no grande Delta do Rio das Pérolas do que um indício de subdesenvolvimento.
22ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS23ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASO valor de HengqinO desenvolvimento de Hengqin vai aumentar ainda mais as actuais vantagens comparativas de Zhuhai. A instalação do campus da Universidade de Macau na ilha poderá representar um grande impulso para a vida cultural e a indústria do conhecimento, caso os seus utilizadores sejam autorizados a interagir com a sociedade local. A construção de grandes parques temáticos também ajudará a partilhar a capacidade de atracção da indústria de entretenimento de Macau e o seu imenso fluxo de turistas e reforçará a imagem e os serviços da indústria de entretenimento de Hengqin e de Zhuhai. O primeiro parque temático, o Parque Oceânico Internacional Chimelong, que tem uma dimensão várias vezes superior à da Disneylândia de Hong Kong, tem atraído multidões desde que abriu as portas em 2014. À medida que este parque se expande é de prever que mais turistas sejam atraídos tanto de Macau como de outras regiões do Delta do Rio das Pérolas. O “aburguesamento” – em poder de compra e em estilo de vida – da população das cidades do Delta do Rio das Pérolas criou uma enorme procura por actividades de lazer de elevada qualidade. A bela cidade-jardim com um parque temático deverá ser um destino agradável para deslocações de fim-de-semana, muito em particular quando se encontra a menos de uma hora de distância tanto de automóvel como de comboio de Cantão e das restantes cidades vizinhas.Recentemente, com a abertura do novo campus da Universidade de Macau, o governo de Macau solicitou a Zhuhai o arrendamento de mais terreno, o que poderá ser uma boa oportunidade para Zhuhai, uma vez que a cidade beneficia de imediato de alguma da prosperidade de Macau. Em comparação, Zhuhai necessitaria de anos para pôr de pé uma estratégia de cooperação económica com Zhongshan e Jiangmen e muitos mais anos para recolher os respectivos benefícios. Não obstante o seu elevado PIB per capita, Macau padece de excesso de automóveis bem como de população e não dispõe de mais espaço para se expandir. As autoridades de Zhuhai podiam entregar a ilha de Hengqin na sua totalidade para ser desenvolvida e gerida pelo governo de Macau.Mesmo que não arrende Hengqin, Zhuhai devia facilitar as ligações transfronteiriças a fim de permitir um fluxo livre de pessoas e bens, ao abrigo do CEPA e dos acordos suplementares. Gongbei, enquanto plataforma de trânsito e de transportes decorrente da linha de caminho-de-ferro Cantão-Zhuhai e da fronteira com Macau tem potencial para vir a ser um grande centro comercial do Delta do Rio das Pérolas. Os benefícios daí decorrentes tanto para Zhuhai como para Macau seriam maiores do que os da planeada zona industrial transfronteiriça Zhuhai-Macau. A partir de Hengqin e de Gongbei, as áreas que servem Macau poderiam expandir-se até ao centro urbano de Xiangzhou e mesmo até Tangjiawan. Toda a região ocidental da cidade de Zhuhai (a ocidente do canal Modaomen) devia ser integrada numa área urbana alargada de Macau, com uma divisão de funções com bairros de Macau; devia proporcionar espaço para habitação e comércio aos residentes e empresas de Macau. Esta área devia assumir-se como uma segunda Macau, servida pela ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai e pelos terminais de “ferries” de Nansha e de Hong Kong; podia mesmo alargar-se aos bairros mais a sul, caso dos existentes nas ilhas de Coloane e Taipa e aliviar a pressão na fronteira de Gongbei.A sorte e o futuro de Zhuhai, cidade que é uma Zona Económica Especial, estão associados a Macau, região administrativa especial que tem o PIB per capita mais elevado da China e o terceiro em termos mundiais.
24ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS25ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS Dados de base A Zhuhai actual passou a cidade em 1979, um ano após o início da política de abertura e de reformas. Em 1980 foi designada como uma das quatro Zonas Económicas Especiais então criadas, juntamente com Shenzhen, Shantou e Xiamen. Na sua escolha esteve o facto de ser adjacente a Macau, à semelhança de Shenzhen e Hong Kong.Um conjunto de grandes projectos de infra-estruturas já concluídos em ou em execução está a transformar a cidade. Para começar surgiu a primeira linha de caminho-de-ferro a ligar a cidade à rede nacional de transporte de passageiros, a que se seguiu uma linha de transporte de mercadorias que também faz ligação com a rede nacional, permitindo atrair mais investidores que pretendem transportar os seus produtos para o mercado interno ou através do porto de Gaolan. Em terceiro lugar há a ponte no rio das Pérolas até Hong Kong que permitirá diminuir a distância por estrada das actuais 3 a 4 horas para 45 minutos e que deverá abrir ao tráfego automóvel em 2016. Esta ponte destina-se a encorajar os residentes em Hong Kong na aquisição de bens imobiliários em Zhuhai, tanto como segunda habitação, para passar os anos da reforma ou mesmo para residir.Em 2013, Zhuhai obteve um Produto Interno Bruto de 165,1 mil milhões de yuans, um acréscimo homólogo de 10,3%, Para 2014 prevê-se que o PIB cresça 10%. O rendimento per capita dos residentes urbanos ascendeu a 36 375 yuans em 2013, um aumento de 10.3% e o dos residentes rurais cresceu 13% para 15 140 yuans.O comércio externo atingiu 54,17 mil milhões de dólares, um aumento de 18,6% relativamente ao registado em 2012. As importações e exportações de empresas com capital estrangeiro cifraram-se em 28,6 mil milhões de dólares, mais 2,8% e mais de 50% do total da cidade. O comércio a retalho foi de 71,7 mil milhões de yuans, mais 13%.Em Zhuhai encontra-se a sede da Gree Electronics, o maior produtor mundial de aparelhos de ar condicionado. A actividade industrial concentra-se em seis pilares – biotecnologia, electrodomésticos, maquinaria de precisão, electrónica, produtos farmacêuticos e programas informáticos – que, em conjunto, representam mais de 70% da produção industrial. Em 2013, o porto de águas profundas de Gaolan processou mais de 100 milhões de toneladas de carga.Zhuhai tem uma área continental de 1653 quilómetros quadrados, 146 ilhas e 690 quilómetros de linha de costa, uma das mais extensas de qualquer cidade da China. Tem uma população residente de 1,6 milhões de pessoas, a maior parte das quais não é nativa da província de Guangdong mas que ali arribaram em busca de uma vida melhor. Por isso, o mandarim, a língua oficial do país e o cantonês, a variante falada na província de Guangdong são utilizados diariamente.A principal área urbana é Xiangzhou, que congrega metade da população, sendo os dois principais bairros Doumen e Jinwan. Uma das ilhas com maior dimensão é a de Hengqin, com 106 quilómetros quadrados, no sul da cidade e separado de Macau por uma estreita faixa de água. O Conselho de Estado atribuiu à Nova Área de Hengqin um estatuto semelhante ao de Binhai, em Tianjin, e de Pudong, em Xangai. Desde então, tem sido objecto de rápido desenvolvimento. Em primeiro lugar de ruas, de drenos e de outras infra-estruturas e em segundo de grandes projectos de construção, caso do novo campus da Universidade de Macau e do maior parque oceânico da Ásia.Uma ponte com 42 quilómetros de comprimento está a ser construída no rio das Pérolas e permitirá ligar Zhuhai e Macau na zona ocidental do delta a Hong Kong, na zona oriental. Este ambicioso projecto tem um custo estimado em 10 mil milhões de dólares e terá seis faixas de rodagem e um túnel submarino com 6,7 quilómetros. Com conclusão prevista para 2016, esta ponte permitirá reduzir a distância por estrada das actuais 4 horas para 45 minutos.
26ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS27ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASEconomiaAs seis indústrias pilares representam mais de 70% da produção industrial da cidade e as que apresentam um crescimento mais acelerado são a biotecnologia e os produtos farmacêuticos, electrodomésticos e equipamento eléctrico, maquinaria de precisão e petroquímicos.O número de turistas ascendeu a 15,96 milhões em 2012, sendo 12,99 milhões turistas domésticos, mais 6,9% em termos homólogos, tendo desempenhado um papel muito importante no crescimento do comércio a retalho.Quando comparado com Shenzhen, que fica do outro lado do delta, Zhuhai tem tido um êxito limitado na atracção de investidores estrangeiros, nomeadamente devido à sua população diminuta e, até 2013, à inexistência de caminhos-de-ferro. Nesse ano, o IDE na cidade atingiu 1,69 mil milhões de dólares, um acréscimo de 16,6% relativamente ao registado em 2012.Zonas industriaisA cidade centrou o seu desenvolvimento industrial nas indústrias de alta tecnologia e pesada, incluindo electrónica, programas informáticos, biotecnologia e produtos farmacêuticos e maquinaria diversa. A fim de melhorar a base industrial e proporcionar um ambiente melhor para o desenvolvimento de indústrias de alta tecnologia, estabeleceu zonas económicas.Uma delas é a Zona de Desenvolvimento Industrial de Alta Tecnologia de Zhuhai, que fica localizada a norte da cidade e próxima do seu centro e que é dedicada a programas informáticos e a tecnologias de informação.Uma outra é a Zona de Comércio Livre de Zhuhai, constituída em 1999 com a aprovação do Conselho de Estado e ocupando 3 quilómetros quadrados. Em 2012, o seu PIB atingiu 8,4 mil milhões de yuans, um acréscimo homólogo de 9,09% e atraiu 29,01 milhões de dólares em investimento estrangeiro. As suas principais actividades são o armazenamento, logística e processamento de exportações.Zhuhai é um centro global de produção dos materiais utilizados na impressão não-industrial. A cidade tem mais de 600 fabricantes de consumíveis para impressoras que produzem cartuchos para impressoras de jacto de tinta e a laser e fitas, bem como matérias-primas para impressoras como tintas, circuitos integrados e outros componentes. Desde 2006, as fábricas existentes na cidade produziram e comercializaram 70% das fitas, 60% dos cartuchos para impressoras de jacto de tinta e 20% dos cartuchos para impressoras a laser em termos mundiais. As vendas combinadas deste tipo de produtos valem mais de 1,3 mil milhões de dólares ou cerca de 10% à escala global.Marca globalA empresa mais famosa de Zhuhai é a Gree Electronics Appliances, o maior fabricante mundial de aparelhos de ar condicionado. Há cerca de 20 anos não passava de uma pequena empresa fabricando menos de 20 mil aparelhos por ano. Hoje em dia é um grupo internacional, empregando mais de 80 mil pessoas em todo o mundo, dispondo de fábricas no Brasil, Paquistão e Vietname bem como na China.Em Janeiro de 2014, o grupo anunciou vendas em 2013 de 120 mil milhões de yuans, um acréscimo anual de 19,9% relativamente a 2012. O grupo representa cerca de 40% do mercado de aparelhos de ar condicionado na China, que em 2014 ascenderá a 38,2 milhões de unidades. A Gree é o maior fabricante mundial de aparelhos de ar condicionado desde 2005 e o maior da China desde 1995, vende os seus produtos em mais de 100 países e gaba-se de ter 150 milhões de clientes.A empresa produziu sistemas de ar condicionado para sete dos estádios construídos na África do Sul para o Campeonato do Mundo em 2010 e para um grande centro comercial em Sochi, Rússia, onde se realizaram os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014.Em Junho de 2010 abriu uma sucursal nos Estados Unidos da América, nos arredores de Los Angeles e está a ponderar a abertura de uma fábrica no país. Anualmente vende mais de 1,5 milhões de unidades no mercado americano e pretende expandir a facturação através da Wal-Mart, Home Depot, Target e outras grandes redes retalhistas. “A nossa missão histórica foi passar do ‘Fabricado na China’ para ‘Criado na China’”, disse a presidente da empresa Dong Mingzhu.A Gree Electronics Appliances é apenas uma de um crescente número de empresas chinesas transnacionais que tiveram os seus primeiros sucessos na China e estão a tentar reproduzi-los no mercado global. No entanto, ainda tem um longo caminho a percorrer. Das suas exportações apenas 25% têm a marca Gree, apresentando os restantes 75% os nomes de empresas muito famosas neste segmento, como General Electric, Electrolux, Daikin e Sanyo. “Pretendemos expandir o nosso estatuto OBM (fabricante de equipamentos originais), disse Peng Hong, vice-supervisor de comercialização nas vendas para o estrangeiro. Para atingir este objectivo, o grupo montou três centros de pesquisa e desenvolvimento, onde trabalham mais de 5 mil pessoas, para neles serem criados novos componentes e produtos que sejam unicamente Gree.
28ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS29ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASOrigens humildesA empresa foi constituída em Zhuhai em 1991, em resultado da fusão de duas empresas mais pequenas, a Haili e a Guangxiong. A nova empresa começou a produzir aparelhos de ar condicionado para combater o calor e a humidade que se fazem sentir na China durante os meses de Verão. O nome da empresa em chinês é “Ge-li” e em inglês “Gree”, palavra próxima de “Green” ou verde. As vendas cresceram rapidamente, tendo passado de 103 milhões de yuans em 1991 para 2,84 mil milhões de yuans em 1996, ano em que passou a estar cotada na Bolsa de Valores de Shenzhen. Actualmente, o Estado chinês controla uma participação de 20%.Em 2000, as vendas atingiram 6,34 mil milhões de yuans. A empresa alargou a sua gama de produtos, desde unidades para casa ou para escritórios até sistemas para centros comerciais, comboios, metropolitanos, barcos de recreio e navios de transporte de contentores. A empresa orgulha-se actualmente de fabricar aparelhos de ar condicionado para praticamente qualquer estrutura com a excepção de aviões.Em 2000, abriu a sua primeira fábrica no estrangeiro, em Manaus, no norte do Brasil, a que seguiram fábricas no Paquistão, no ano seguinte, e no Vietname em 2008. O grupo dispõe de cinco fábricas na China, em Hefei, Chongqing, Zhengzhou e Wuhan além da principal em Zhuhai. Em 2005, as vendas ultrapassaram 10 milhões de unidades, ascendendo a Gree ao 1º lugar mundial. A empresa orgulha-se de investir em modelos que poupam energia e que são amigos do ambiente.O grupo Gree também fabrica ventoinhas eléctricas, fontes de água, arrozeiras e outros aparelhos electrodomésticos e controla uma subsidiária para a promoção imobiliária. Mas, os aparelhos de ar condicionado continuam a constituir a sua principal produção e a origem da maior parte das vendas.Dos 200 milhões de aparelhos de ar condicionado existentes no mundo, 110 milhões estão instalados na China, argumentando alguns economistas ser esse um factor importante na base do chamado milagre económico chinês. A produtividade de trabalhadores em escritórios ou fábricas aumenta à medida que não são afectadas pelo calor ou pela humidade. Os aparelhos de ar condicionado são igualmente inseparáveis do crescimento da classe média e da rápida urbanização do país.Deslocando-se para o estrangeiro Ao seleccionar a sua primeira fábrica no estrangeiro, a Gree escolheu o Brasil. O país representa o maior mercado da América Latina para sistemas de arrefecimento, depois do governo ter imposto uma taxa de 60% nos aparelhos de ar condicionado importados. Para uma empresa que nunca tinha saído das fronteiras da China, esta decisão representou um grande desafio, tanto mais que o ambiente de investimento do Brasil é muito diferente do da China. O Brasil dispõe de sindicatos fortes e legislação habitualmente favorável ao trabalhador, bem como impostos elevados, além da ocorrência de greves e de uma cultura que privilegia a qualidade de vida em detrimento do trabalho.A Gree decidiu construir a fábrica não numa cidade da região sudeste do Brasil, onde vive a maior parte da população, mas sim Manaus, capital do estado do Amazonas, no extremo norte. Escolheu a Zona Económica Livre da cidade, onde conseguiu benefícios fiscais sem comparação com o resto do país. A Zona é, além disso, o local onde estão instalados todos os fabricantes de aparelhos de ar condicionado no Brasil. Mas Manaus dista 3900 quilómetros da capital Brasília e ainda mais dos principais centros populacionais no sul. Problemas iniciais incluíam um fornecimento de energia eléctrica instável e um regime fiscal complexo, que envolvia impostos a nível de cidade, estado e federal. O primeiro director-geral da fábrica de Manaus foi Zhang Yuechao, que lá permaneceu durante nove anos em duas comissões. “Quando começámos não tínhamos qualquer experiência do Brasil, tendo sido obrigados a aprender os costumes e a lei locais”, disse. Zhang disse também que enquanto os chineses gostam de fazer horas extras, os brasileiros não estão muito interessados, mesmo que pagos. “Quando dizemos a um trabalhador que o trabalho dele é tão bom que o vamos promover, caso ele seja chinês agradecerá e dirá que está muito feliz mas, no caso dos brasileiros, a pergunta que se segue é – “quanto mais é que vou ganhar?”Após um início modesto, a fábrica de Manaus tem actualmente 300 trabalhadores e uma produção anual de 300 mil unidades. A Gree dispõe de uma rede de vendas com 130 pessoas em São Paulo, a maior cidade da região sudeste do país e uma rede de distribuição em 24 províncias do Brasil. A empresa controla a totalidade do capital da subsidiária brasileira, cuja força de trabalho é constituída em 95% por brasileiros, tendo os trabalhadores chineses presentes apenas funções de supervisão.A empresa transporta os produtos acabados através do rio Amazonas até Belém, a cerca de 100 quilómetros do Oceano Atlântico. A maior parte da produção é vendida no Brasil e o resto exportado para outros países da América do Sul. A Gree, tendo conseguido adquirir a maior parte das matérias-primas no Brasil, conseguiu evitar as alterações da taxa de câmbio da moeda brasileira.
30ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS31ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASA fábrica brasileira é uma das três que existem no estrangeiro, sendo as outras no Vietname e no Paquistão. Em 2009, a empresa estabeleceu duas parcerias com a Daikin Industries, envolvendo um investimento global de 133 milhões de dólares, para aumentar as vendas no mercado japonês. Fundada em 1924, a Daikin é uma das principais marcas mundiais na indústria de ar condicionado.Rumo aos Estados UnidosOs Estados Unidos são um dos principais mercados da Gree com vendas anuais de 1,5 milhões de aparelhos. Em 18 de Junho de 2011 a Gree abriu a sua representação nos Estados Unidos em Industry, um bairro de Los Angeles onde se estabeleceram cerca de 900 empresas chinesas e de Taiwan, produtoras na sua maior parte de sapatos, vestuário e tecnologias de informação.A Gree constituiu uma parceria com uma empresa americana, tendo mantido uma participação de controlo de 51%. “Pretendemos começar a vender na Wal-Mart, Home Depot, Lowe’s, Sears e outras grandes lojas americanas”, disse a presidente Dong Mingzhu na cerimónia de abertura. “Os nossos produtos são mais amigos do ambiente do que os da concorrência e estou em crer que a prazo serão os preferidos dos consumidores americanos.”Dong disse ainda que a Gree está a estudar a constituição de uma outra parceria na Indonésia, que tem uma população de 240 milhões de pessoas mas apenas 1,2 milhões de aparelhos de ar condicionado. Outras possibilidades em estudo são a Índia, Turquia e países do Médio Oriente. “Muitos lugares na Índia não dispõem de energia eléctrica pelo que, quando for introduzida, o primeiro produto a ser escolhido será uma ventoinha, seguida de um aparelho de televisão, depois um frigorífico e uma máquina de lavar roupa, sendo os aparelhos de ar condicionado a última escolha”, disse ainda Dong.A elevação da Gree a marca mundial deve muito a Dong Mingzhu, a presidente executiva do grupo desde 2001, início da década em que registou o crescimento mais acelerado.Da pobreza à riquezaNascida numa família de Nanjing em 1954, Dong licenciou-se em Estatística numa escola para funcionários em Wuhu, Anhui, em 1975. Em 1984, seu marido faleceu, deixando-a com um filho de dois anos de idade. Em 1990, demitiu-se do emprego que tinha em Nanjing, deixou o rapaz então com 8 anos com a avó e partiu para Guangdong em busca de um futuro melhor. Foi nesta cidade que ela conheceu a Gree, que então se chamava Haili.Ela não tinha qualquer experiência em vendas mas mergulhou nessa actividade. Em 1992 conseguiu vendas de 16 milhões de yuans em Anhui, a província que estava à sua responsabilidade, montante que representava 12% das vendas nacionais da empresa. Dong foi transferida para Nanjing onde, em apenas um ano, obteve vendas de 36,5 milhões de yuans. Em 1996 já era responsável da divisão de vendas da empresa e no ano seguinte chegou a vice-directora-geral.Até 2001 manteve-se nesse lugar, a partir de 2001 assumiu a presidência executiva da empresa e a presidência não-executiva (“chairman”) desde 2006. A revista americana Fortune nomeou-a em 2004, 2005 e 2008 como uma das 50 mais influentes mulheres de negócios.O mundo empresarial chinês é dominado por homens, sendo raro que uma mulher atinja uma posição tão elevada. Ao consegui-lo, ela é actualmente um modelo para milhares de mulheres que também pretendem chegar ao topo. “A nossa estratégia não passa por grandes aquisições que custam muito dinheiro mas sim por um modelo de crescimento contínuo”, disse Dong, que acrescentou pretender transformar a Gree numa “marca mundial muito famosa.”
32ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS33ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASCentro de barcos de recreioZhuhai é um dos maiores centros da China de construção de barcos de recreio e de iates. Em Junho de 2013, um dos mais famosos construtores de iates de luxo assinou um acordo para investir mais de 3 mil milhões de yuans na construção da sucursal para a Ásia/Pacífico na ilha de Hengqin. Este projecto incluirá um centro de apoio e de vendas, uma marina, uma escola de navegação e uma exposição anual de iates.A decisão pelo grupo Ferretti de Itália foi um momento alto nos esforços das autoridades de Zhuhai para conseguirem ser o primeiro centro de iates da China, desde o desenho até à construção e conseguir fazer com que os proprietários pensem de imediato em Zhuhai para eventuais provas e para atracarem as suas embarcações quando no Delta do Rio das Pérolas.Na cidade encontram-se já alguns dos principais fabricantes de iates da China. A Zona Industrial de Iates Pingsha, estabelecida em 2002, conta actualmente com 18 fabricantes, seis empresas que prestam apoio à actividade e 30 empresas de comercialização, num investimento global de 300 milhões de dólares.Em 2012, a sua produção atingiu 1,39 mil milhões de yuans, com exportações a excederem 74,5 milhões de dólares, valores que representam aumentos de 19% e 16%, respectivamente face a 2011. A meta estabelecida para 2015 duplica a produção para 3 mil milhões de yuans, com embarcações medindo na sua dimensão máxima entre 17 e 300 pés.Numa fase inicial, os fabricantes pretendiam focar-se no mercado estrangeiro mas, desde então, têm estado a dedicar uma atenção crescente ao mercado doméstico. No final de 2014, cerca de 960 mil chineses terão activos superiores a 10 milhões de yuans e de entre estes 60 mil terão activos que excederão 100 milhões de yuans. São estas pessoas o mercado potencial para os fabricantes de iates. Em Abril de 2013 a China tinha 46 marinas com 6404 ancoradouros, não dando actualmente resposta à procura.“O objectivo é passar a ser o maior centro de produção de iates na China e de renome mundial, atraindo o turismo de barcos de recreio na China e organizando uma feira internacional”, de acordo com o Departamento de Promoção do Investimento do bairro de Jinwan, de que Pingsha faz parte.Mercado competitivoEste mercado é extremamente competitivo, tendo outras cidades costeiras definido a construção de iates como um sector prioritário, casos de Dalian, Qingdao, Xiamen, Guangzhou e Haikou e Sanya na ilha de Ainão. Mais de 20 cidades organizam anualmente uma exposição de iates, além do que muitos fabricantes estrangeiros também pretendem vender na China, considerado como um dos mercados mais promissores do mundo. Alguns destes fabricantes vendem directamente dos estaleiros que têm nos seus respectivos países enquanto outros estão a investir na construção de estaleiros na China. São eles os grandes concorrentes dos fabricantes de iates de Zhuhai.Zhuhai tem condições ideais para a prática de actividades náuticas. Tem uma temperatura média de 23º centígrados, o que permite a utilização dos iates durante todo o ano. Dispõe, além disso, de 146 ilhas e uma linha de costa de 690 quilómetros. Fica próximo de Macau e de Hong Kong, que tem mais de 10 mil iates registados e localiza-se no Delta do Rio das Pérolas, uma das zonas mais ricas da China.Assim sendo, não constitui surpresa o facto de o governo da cidade ter, em 2002, designado o sector como uma indústria prioritária. Para isso estabeleceu a Zona de Iates e Embarcações de Recreio Pingsha, que foi pensada de raiz para acomodar 21 fabricantes.A empresa mais bem conhecida da zona é a Sunbird Yacht Company, constituída a 3 de Janeiro de 2003. Numa fase inicial centrava-se no mercado doméstico tendo iniciado as exportações em 2008. Este ano, 2014, produziu o seu primeiro iate de luxo com 80 pés de comprimento. Em 2013, foi admitida à cotação na Bolsa de Valores de Shenzhen e, em 2012, anunciou uma facturação de 582 milhões de yuans, um acréscimo de 46,9% relativamente a 2011.Outras das empresas presentes na zona incluem a Zhuhai Jianglong Shipbuilding Co, Tricon Marine e Zhuhai McConaghy, uma subsidiária da McConaghy Boats da Austrália. Em 2006, foi a zona alargada em 2500 metros quadrados e desde então cresceu mais 10 mil metros quadrados, a fim de permitir o fabrico de iates da classe olímpica Elliott 6m e Volvo Open 70 até embarcações para a Taça da América.Uma das embarcações aí construídas foi o trimaran Adastra de 140 pés, embarcação oceânica construída para um cliente de Hong Kong. Tratou-se de uma encomenda, com uma estrutura em fibra de carbono e interiores em carvalho claro e escotilhas, escadas e dobradiças em fibra de carbono, a fim de reduzir o peso da embarcação. O Adastra tem uma tripulação de seis pessoas e permite receber nove convidados, com uma sala de estar, uma mesa para as refeições e uma cabina de comando.Numa fase inicial, as empresas chinesas construíam embarcações seguindo planos desenhados no estrangeiro mas de forma gradual foram criando os seus próprios modelos de desenvolvimento e de produção própria.Igualmente em construção em Pingsha está o Southland Yacht Club. O grupo Zhuhai Southland está a investir 600 milhões de yuans neste projecto, que tem uma área terrestre de 80 mil metros quadrados e marítima de 200 mil metros quadrados. Terá ancoradouros para 600 iates, um centro de actividades desportivas náuticas, um hotel de cinco estrelas e uma estância turística, uma marina e zona de exposições e uma doca para manutenção e reparações. O grupo pretende fazer do Southland Yacht Club a maior marina em toda a China e um pólo de atracção para encontros e conferências internacionais.
34ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS35ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASA empresa com a marca mais famosa em Pingsha, Sunbird, tem três estaleiros – em Zhuhai, Yuanjiang em Hunan e Foshan em Guangdong – e capacidade para construir mil barcos por ano. Desde a sua constituição já vendeu mais de 10 mil barcos na China e em 18 países estrangeiros, surgindo no primeiro lugar do sector na China. No Relatório e Contas relativo ao primeiro semestre de 2013, a empresa declarou uma facturação de 255,8 milhões de yuans, um acréscimo homólogo de 32% e lucros depois de impostos de 29,96 milhões de yuans, mais 12%. Das vendas registadas no período 40% foram iates comerciais e 60% embarcações especiais. Estas embarcações especiais são habitualmente encomendadas pelas Forças Armadas ou outros departamentos governamentais, caso de navios de combate a incêndios, navios-patrulha, etc. A Sunbird tem uma quota de mercado de 47,5% na China para estas embarcações especiais, tendo ao seu serviço 1800 trabalhadores, incluindo 300 engenheiros e outros técnicos do departamento de pesquisa e desenvolvimento.Centro de iatesO acordo anunciado pelo grupo Ferretti, em Junho, assinala o próximo passo no sentido de fazer de Zhuhai um centro de iates. As autoridades locais pretendem que Zhuhai seja não só um local de desenho e fabrico mas também de desportos náuticos. Este tipo de actividade é um dos passatempos mais populares entre os ricos de Hong Kong e Macau e, de forma crescente, da China. O grupo assinou um acordo com a Hengqin New Area e Shizimen Holdings para investir 3 mil milhões de yuans na construção das instalações da Ferretti Yacht Asia-Pacific na ilha de Hengqin. Incluirá um complexo comercial e recreativo à beira-mar, incluindo um centro de serviços e de comercialização para expor os novos produtos, uma área para testes e pilotagem, uma marina para proprietários de embarcações, uma escola marítima e uma outra marina aberta a todos. Além disso, o grupo patrocinará uma exposição de iates em Hengqin em cooperação com o Clube Italiano de Iates.A empresa foi fundada em 1968 por dois irmãos italianos que fabricam iates de luxo e são um nome bem conhecido no sector. Em Janeiro de 2012, o Weichai Holding Group, uma subsidiária do Shandong Heavy Industry Group, pagou 178 milhões de euros por 75% da Ferretti. Nos termos do acordo, a empresa italiana mantém a administração bem como a sede e o estaleiro naval em Forli, na Itália.Zhuhai concorre com Shenzhen e outras cidades do Delta do Rio das Pérolas na tentativa de atrair os iates – que excedem 10 mil – de Hong Kong e de Macau e desde 1 Janeiro de 2011 que os proprietários de embarcações podem solicitar uma licença em Zhuhai sem que sejam obrigados a devolver a anterior. Anteriormente, os proprietários eram forçados a devolver a licença que tinham e levar o barco para Zhuhai para que as autoridades locais o pudessem avaliar e fotografar. Devido a estas regras, apenas dois proprietários de iates tinham solicitado uma licença em Zhuhai.A Ferretti e a Southland não são as únicas empresas interessadas em construir marinas. A Gree Real Estate, a divisão de imobiliário do grupo Gree, uma empresa de Zhuhai que é um dos maiores fabricantes de aparelhos de ar condicionado no mundo, também pretende construir uma marina e respectivo clube no âmbito de um grande projecto imobiliário.A Gree Coast, com 6800 apartamentos, está na fase final de construção no bairro Tangjia, nas margens do rio das Pérolas. A unidade mais barata custa 18 mil yuans por metro quadrado, sendo o preço médio de 24 mil yuans por metro quadrado.“Vamos começar a construir a marina em 2014, que disporá de 220 ancoradouros e um clube na margem fronteira ao edifício”, disse Yan Yan, uma das vendedoras. “O nosso alvo são pessoas de fora do continente, particularmente de Macau e de Hong Kong, locais onde é muito difícil encontrar ancoradouros disponíveis, uma vez que os locais não são, na sua esmagadora maioria, proprietários de iates.”Yan Yan disse também que Zhuhai tem mais de 100 ilhas e que em duas delas a Gree Real Estate construiu hotéis onde os proprietários de iates podem ancorar as embarcações. Os responsáveis da empresa encaram como tendo grande potencial o desenvolvimento de Zhuhai e do seu espaço marítimo como um centro de iates. A empresa está actualmente a investir 2 mil milhões de yuans na ilha Donggao, que fica localizada a cerca de 30 quilómetros a sudeste da cidade e que é considerada como uma das mais belas de entre as 146 que estão na dependência administrativa de Zhuhai. A ilha tem três praias de excelência, com instalações para “surf”, mergulho e navegação à vela. Tem uma superfície de 4,7 quilómetros quadrados, uma população de 400 pessoas e quatro estradas transitáveis. A Gree Electrical tem utilizado parte dos lucros na diversificação da actividade, sendo actualmente um dos principais promotores imobiliários em Zhuhai.
36ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS37ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASCentro de aviação civilO aeroporto da cidade foi inaugurado em Junho de 1995. Dista 35 quilómetros de Macau e do centro urbano de Zhuhai. Foi construído no local onde existia uma base aérea, construída pelos japoneses para atacarem Hong Kong em Dezembro de 1941. Tem uma capacidade de 12 milhões de passageiros e 600 mil toneladas de carga por ano e um terminal de passageiros com 91 600 metros quadrados.A Administração da Aviação Civil da China aprovou-o inicialmente como um pequeno aeroporto regional, uma vez que considerava a província de Guangdong bem servida com aeroportos em Cantão, Shenzhen, Hong Kong e Macau. Mas a administração da cidade decidiu ignorar esta recomendação e construir um aeroporto capaz de receber voos internacionais. O aeroporto começou rapidamente a perder dinheiro e apenas atingirá a capacidade instalada em 2020, de acordo com a página electrónica da sociedade gestora.A cidade está a transformar uma extensa área nas proximidades do aeroporto num centro aeronáutico, que incluirá o fabrico, manutenção e logística de aviões e uma empresa estatal cujo objectivo será o de concorrer com a Boeing e a Airbus no domínio do mercado mundial da aviação civil.Na zona de Jinwan, o Parque Industrial de Aviação (PIA) terá uma área total de 99,02 quilómetros quadrados, dos quais 33,83 quilómetros quadrados são montanhosos e 65,19 quilómetros quadrados para desenvolvimento. Foi concebido para alojar o fabrico de aviões e peças sobressalentes, reparação e manutenção, formação e instrução, serviços relacionados com a indústria da aviação civil e produção em regime de terminal alfandegário, em que há isenção fiscal até ao envio dos produtos para o seu destino final. “O parque ajudará a dar corpo à estratégia nacional de desenvolvimento a indústria aeronáutica”, de acordo com a página electrónica do parque.O aeroporto fica localizado numa zona com pouca densidade populacional, a sudoeste da cidade, tendo sido inaugurado em 1995. A partir de 1996 recebe um festival aéreo internacional, que atrai empresas e fabricantes de todo o mundo.O Parque Industrial de Aviação deriva do desejo de aproveitar as vantagens do aeroporto e da imagem de marca do festival aéreo. O aeroporto, que é gerido por uma empresa em consórcio com a Autoridade do Aeroporto de Hong Kong, opera a uma capacidade inferior à instalada, destinando-se o parque a utilizar a capacidade disponível.
38ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS39ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASCrescimento sem precedentesA aviação civil na China vive um período de crescimento sem precedentes e sem paralelo no mundo. A Administração da Aviação Civil da China (CCAC, na sigla em inglês) prevê um crescimento anual do mercado de 12%, com 700 milhões de passageiros em 2020 e 1500 milhões em 2030.A oferta de aviões, pilotos e outros serviços tem tido dificuldade em acompanhar o crescimento imenso do sector, sendo precisamente esta diferença entre oferta e procura que o Parque Industrial de Aviação pretende preencher. Um outro nicho em que se pretende envolver é o de aviões para executivos e de pequenas dimensões, um segmento do mercado em que a oferta não consegue acompanhar a procura.O parque faz parte dos planos do governo da cidade para diversificar a sua economia, através da adição da aviação e de um grande porto ao seu papel actual de centro turístico, de promoção imobiliária e de fabrico de aparelhos electrodomésticos e de produtos de alta tecnologia.O aeroporto de Zhuhai foi inaugurado em Junho de 1995, dispondo de uma área de 4 quilómetros quadrados e um terminal de passageiros com 93 mil metros quadrados; foi pensado para ter um movimento aéreo de 100 mil aterragens e descolagens por ano, permitindo a ligação aérea a mais de 30 cidades na China, incluindo Pequim, Xangai, Chengdu e Wuhan.Em 2013, recebeu 2,9 milhões de passageiros, um acréscimo homólogo de 38,7%, processou 22 160 toneladas de carga, mais 36,2% e registou 25 920 aterragens e descolagens. Estes três indicadores representaram números recorde para o aeroporto.Desde 1996 recebe de dois em dois anos a Exposição Internacional Aeronáutica e Aeroespacial da China, o maior certame do sector no país. A nona edição ocorreu em Novembro de 2012, com demonstrações aéreas efectuadas por equipas das forças aéreas da China e de outros países e a exposição de aviões civis e militares.O mais importante projecto estabelecido no parque é uma fábrica da Aviation Industry Corp of China (AVIC), que representa um investimento de 7,6 mil milhões de yuans para a construção de aviões ligeiros. Estes aparelhos destinam-se a ser utilizados na agricultura, actividades recreativas, formação de pilotos e operações de salvamento. A fábrica deverá entrar em funcionamento em Agosto de 2014. Devido à localização deste projecto, a AVIC pretende transferir a sua sede de Pequim para Zhuhai. Esta decisão representa um trunfo para o governo da cidade, atendendo a que conseguiu atrair uma das mais importantes empresas chinesas do sector aeronáutico.A estatal AVIC é um dos maiores fabricantes chineses de aviões civis e militares. Tem activos de quase 300 mil milhões de yuans e mais de 400 mil trabalhadores; o seu objectivo de longo prazo é concorrer em pé de igualdade com a Boeing e Airbus no segmento da aviação civil. A empresa está a estudar a aquisição de um fabricante de aviões europeu ou norte-americano a fim de acelerar o processo. A aquisição de uma empresa estrangeira dar-lhe-ia o reconhecimento da marca nos mercados ocidentais, uma rede de distribuição e de apoio pós-vendas, tecnologia e mão-de-obra experimentada.O primeiro produto a sair da fábrica será o Haiou (gaivota), um avião de 4 a 6 lugares com asa fixa que foi apresentado pela primeira vez na exposição aérea de Zhuhai. O avião é o primeiro avião ligeiro anfíbio a ser totalmente desenhado e construído na China. O aparelho foi pensado para ser utilizado tanto em terra como em lagos, rios, albufeiras e linhas de costa e transportar pessoas e carga, formar pilotos, realizar operações de salvamento, vigilância e turismo, aceitando uma carga máxima de 1680 quilogramas.A AVIC aproveitará a estrutura montada em Zhuhai para efectuar parte da produção do “Jiaolong-600”, que pretende ser o maior avião anfíbio do mundo. Um avião de casco único com quatro motores a hélice terá dimensões semelhantes às do Airbus 320. A carga máxima à descolagem será de 60 toneladas e será capaz de aterrar tanto em terra como na água. Foi concebido para operações de socorro de emergência, combate a incêndios florestais e vigilância marítima. Em Zhuhai, a AVIC vai igualmente montar um centro de desenvolvimento para este novo aparelho.Outro projecto a ser negociado com as autoridades de Zhuhai é a criação de uma academia para formar pilotos e ajudar a reduzir a falta de profissionais no sector. A China tem um único centro de instrução civil, em Guanghan, Sichuan, que forma cerca de 800 pilotos por ano; um número semelhante é formado em escolas na Austrália, Estados Unidos e Canadá aprovadas pela Administração da Aviação Civil da China.A Academia de Voo Pegasus representará um investimento de 80 milhões de dólares e começará com 120 estudantes, número que será aumentado para 400 no decurso dos próximos cinco anos. Disporá de 28 aviões e 14 simuladores de voo e a prazo empregará 140 professores e pessoal de apoio.Outra parte do plano concebido para o Parque Industrial de Aviação é a manutenção de aviões. A cidade é sede da MTU Maintenance, uma parceria 50/50 entre a China Southern Airlines e a MTU Aero Engines, o principal fabricante de motores da Alemanha e o principal fornecedor independente mundial de serviços de manutenção para motores automóveis comerciais. A empresa dispõe de instalações em três pontos da Alemanha e uma força de trabalho de 7500 pessoas.
40ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS41ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASAmbições grandiosasÉ desta forma que o governo de Jinwan descreve os seus objectivos para o Parque Industrial da Aviação: “uma base industrial para a aviação civil em Guangdong, uma base de fabrico de qualidade mundial, uma base integrada de manutenção de aviões pata a região Ásia-Pacífico e uma base importante para a aviação civil doméstica. O Parque será competitivo, será capaz de inovar de forma autónoma e, finalmente, chegará a ser uma cidade de aviação moderna.”O documento adianta que o Parque pretende, durante o período de 2010 a 2015, atrair empresas do sector competitivas e de alta tecnologia, expandir e melhorar o negócio de manutenção de aviões e iniciar a produção de peças e sobressalentes. “Pretendemos ser uma das principais bases mundiais para pesquisa e fabrico de aviões”, pode ler-se.Du Zhuo, responsável do governo do bairro Jinwan, disse que a zona pretende atrair tanto fabricantes como empresas de prestação de serviços à indústria da aviação, chamando-as à cidade.“Pretendemos igualmente fomentar serviços auxiliares ao sector da aviação civil e promover o mercado de aquisição de aviões civis, atraindo exposições internacionais, formação, transporte e entretenimento. Pretendemos aproveitar as condições vantajosas do tráfego crescente no aeroporto de Zhuhai para atrair empresas nacionais e estrangeiras do sector, sendo a nossa prioridade a prestação de serviços ao sector da aviação.”Um dos segmentos do mercado que o Parque pretende explorar é dos jactos executivos, utilizados por homens de negócios e pessoas de posses que pretendem a velocidade e flexibilidade de um avião a jacto particular.Este segmento está na sua infância na China, não obstante o elevado número de pessoas e de empresas com posses para adquirir um desses aparelhos. Estimativas da indústria estimam o número deste tipo de aviões em menos de mil na China, que compara com mais de 200 mil nos Estados Unidos.A razão principal para o fraco desenvolvimento deste segmento deriva das restrições impostas pelos militares na utilização do espaço aéreo e o longo período de tempo necessário para que um pedido seja processado. Enquanto os homens de negócios pretendem poder voar para onde querem se necessário em cima da hora, alguns analistas opinam que, por pressão da comunidade empresarial, as autoridades chinesas vão acabar por abrandar os controlos rígidos actualmente existentes.Ligações ferroviáriasNo final de 2012 foi inaugurada a primeira linha de caminho-de-ferro ao longo da costa sul do rio das Pérolas, reduzindo o tempo de viagem de Cantão até Zhuhai para apenas 46 minutos. A estação central fica em Gongbei, junto à fronteira com Macau. A linha, com uma extensão de 177 quilómetros, é uma parte do sonho antigo de 90 anos de Sun Yat-sen, fundador e primeiro presidente da República da China, quando propunha a construção de uma rede de caminhos-de-ferro com 160 mil quilómetros. A sua terra natal, Zhongshan, fica nas proximidades da nova linha.A linha de caminho-de-ferro, incluindo uma para carga até ao porto de Zhuhai, que entrou em funcionamento em Dezembro de 2012, significa que pela primeira vez na história as cidades da região sul do delta estão ligadas por caminho-de-ferro à rede nacional. As duas linhas terão uma importância imensa no desenvolvimento da economia e do mercado imobiliário da região.O governo provincial de Guangdong tem planos para construir uma rede ferroviária que faça com que cada cidade do delta fique a uma hora de distância de Cantão. O objectivo é distribuir a riqueza pela província; as pessoas podem passar a viver nas cidades ao longo da linha e apanhar o comboio diariamente para irem trabalhar em Cantão. Em resultado, os preços da habitação nestas cidades terá tendência a aumentar.Entre os principais beneficiados estarão os casinos, hotéis e a indústria turística de Macau. As novas linhas significam que visitantes de toda a China podem apanhar o comboio na estação Cantão Sul e chegar à fronteira com Macau em menos uma hora. A partir da estação em Gongbei podem deslocar-se a pé até à fronteira.
42ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS43ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASAlargamento a HengqinEm construção está um ramal com 38,5 quilómetros ligando Gongbei ao aeroporto da cidade com passagem pela ilha de Hengqin. Será construída uma estação próximo da ilha da Taipa onde os maiores casinos de Macau estão ou construídos ou em construção. Uma ligação ao metro ligeiro de superfície de Macau está a ser considerada.A extensão total da nova linha é de 177 quilómetros, dos quais 116 entre a estação Cantão Sul e Zhuhao. Existem ainda ramais da estação Xiaolan para Xinhui, 26 quilómetros, e de Zhuhai para o aeroporto da cidade. O comboio tem uma velocidade máxima de 200 quilómetros por hora. Atravessa a maior parte das cidades da zona sul do Delta do Rio das Pérolas, incluindo Foshan, Shunde, Jiangmen e Zhongshan. Tem um total de 27 estações e os passageiros podem optar por um comboio expresso que leva 46 minutos entre as duas estações terminais ou um comboio que pára em todas as estações e demora 76 minutos a efectuar a viagem. De Gondgbei a Panyu demora-se actualmente 90 minutos em autocarro.A linha entre Cantão Sul e Zhuhai Norte foi inaugurada a 7 de Janeiro de 2011, demorando 41 minutos a efectuar o percurso. A estação Cantão Sul fica em Panyu, nos arredores da cidade. Nesta estação os passageiros podem apanhar comboios para Shenzhen, Hong Kong, Wuhan e Guizhou e para outros destinos em Cantão podem apanhar o metropolitano. Cantão Sul é uma das três estações de caminhos-de-ferro existentes na cidade. A construção da linha iniciou-se em 18 de Dezembro de 2005, tendo sido necessário construir pontes que representam 7,75% da sua extensão. Em Outubro de 2011, o governo de Guangdong e o Ministério dos Caminhos-de-Ferro aprovaram a construção da extensão de 38,5 quilómetros desde a estação terminal de Gongbei até ao aeroporto da cidade, a um custo de 13,15 mil milhões de yuans. Este ramal tem sete estações, incluindo uma que poderá vir a estabelecer a ligação ao sistema de metropolitano ligeiro de superfície de Macau, que poderá vir a ser construída em túnel.A distância entre as estações de Hengqin e Sanzao é de 15,7 quilómetros, dos quais 7 quilómetros são a ponte Jinqiao. O comboio rola a uma velocidade de 160 quilómetros por hora, com uma capacidade de 24 mil passageiros por hora, demorando até ao aeroporto 25 minutos. Actualmente entre o centro de Zhuhai e o aeroporto leva-se cerca de uma hora.Nos primeiros 18 meses de funcionamento, a linha transportou 27 milhões de passageiros. A média diária de passageiros é de 60 mil. Os principais beneficiários são os residentes em Foshan, Jiangmen e Zhongshan, que podem deslocar-se a Cantão mais depressa agora do que anteriormente.“A vantagem do autocarro é que deixa os passageiros na zona central de Cantão”, disse Yang Shuling, um homem de negócios que se desloca amiúde a Cantão por dever profissional. “O comboio deixa os passageiros em Cantão Sul, que fica em Panyu, um subúrbio e não o centro da cidade. A partir daí é necessário apanhar o metropolitano, um autocarro ou um táxi.”O caminho-de-ferro destina-se a aproximar Zhuhai e Shenzhen, duas das originais quatro Zonas Económicas Especiais. Nos 30 anos desde a sua criação, Shenzhen passou a ser a quarta cidade mais rica da China, com uma população de 10 milhões de pessoas e um PIB em 2013 que atingiu 1,1 biliões de yuans. Zhuhai, por seu turno, tem uma população de 1,5 milhões de pessoas e um PIB que igualmente em 2013 ascendeu a 165 mil milhões de yuans.Uma das razões para esta disparidade é o facto de Shenzhen ser atravessado pela linha de caminho-de-ferro que liga Cantão a Hong Kong, ao passo que Zhuhai não tinha qualquer ligação ferroviária. Os investidores acorreram a Shenzhen e a outras cidades ao longo da linha que, em conjunto com uma rede de estradas excelente, lhes permitiu transportar matérias-primas e exportar o produto acabado.Com a construção de linhas de caminhos-de-ferro para passageiros e mercadorias até Zhuhai, o governo de Guangdong pretende reduzir o afastamento entre as duas ZEE e induzir maior prosperidade à região sul do Delta do Rio das Pérolas. As duas linhas farão com que as cidades ao longo da linha fiquem mais atractivas para investidores e turistas e permitam dar aos seus residentes uma acesso facilitado à rede nacional de caminhos-de-ferro.Linha férrea para mercadoriasA ligação ferroviária entre Cantão e Zhuhai para mercadorias tem uma extensão de 186 quilómetros entre Jiangcun em Cantão e o porto de Gaolan em Zhuhai, passando por Foshan e Jiangmen. Tem 11 estações, os comboios deslocam-se a 120 quilómetros por hora e para a construir foi necessário perfurar um túnel com 9185 metros em Jiangmen.O projecto foi aprovado em 1993 pela Comissão de Planeamento e Desenvolvimento do Estado e a construção iniciou-se em 1997, com um orçamento de 13,16 mil milhões de yuans e conclusão em quatro anos. Mas depois os trabalhos estiveram parados durante 18 meses devido à falta de fundos. A construção foi retomada em Setembro de 2007, com um orçamento aumentado para 14,8 mil milhões de yuans. Fundamentalmente para carga, esta linha também pode ser utilizada para o transporte de passageiros.
44ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS45ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASPorto de águas profundasGaolan é o porto de águas profundas de Zhuhai, processando anualmente mais de 7 milhões de toneladas de carga. Em Dezembro de 2011, a administração do porto e a Hutchinson Whampoa (HW) iniciaram a construção de dois ancoradouros para navios de contentores com 50 mil toneladas. “Pretendemos acelerar o desenvolvimento do porto de Gaolan através da introdução de mais ligações marítimas internacionais”, disse Canning Fok, director-geral da HW.Os ancoradouros fazem parte da Zona de Desenvolvimento Económico do Porto de Gaolan, que em 2011 facturou 20,6 mil milhões de yuans. Um dos maiores investidores na zona é o grupo BP, que aí está a construir a última de um conjunto de três fábricas de produção de ácido tereftálico purificado (composto orgânico conhecido como para-dicarboxil benzeno). O grupo tem uma quota de mercado mundial de 15% para este produto. A fábrica em construção será a maior do mundo, ascendendo a produção das três unidades a um valor de 23 mil milhões de yuans.O governo provincial espera que a nova linha de caminho-de-ferro consiga atrair muitos investidores para a região sul do rio das Pérolas e estimular o crescimento do porto de Gaolan.Em 2013, a Zona Económica do Porto de Gaolan processou 100 milhões de toneladas pela primeira vez na sua história.Zhuhai tem ainda o porto de Jiuzhou, de onde partem os “ferries” que estabelecem a ligação a Hong Kong, ao aeroporto de Hong Kong e a Shenzhen. Reino OceânicoHengqin é o local da China com o maior projecto turístico – o Reino Oceânico, que representa um investimento de 20 mil milhões de yuans do Chimelong Group, uma empresa privada com sede em Cantão. O projecto cobre uma área de 132 hectares, tendo o primeiro parque temático sido aberto ao público a 28 de Janeiro de 2014, dia em que recebeu a visita de 28 mil pessoas.O complexo inclui uma cidade circense, uma das mais modernas do mundo. No dia 20 de Novembro de 2013, três mil espectadores encheram o novo auditório em Hengqin para assistirem ao primeiro festival internacional de circo da China, com a participação de 60 animais e 120 artistas de 18 países.No local existe o maior aquário do mundo, que faz parte do Reino Oceânico, que abriu oficialmente ao público a 4 de Abril de 2014, depois de mais de dois meses de testes e uma abertura experimental a 18 de Janeiro. Desenhado pela empresa PGAV Destinations, este Reino pretende imitar a cidade de Orlando, no estado da Florida, Estados Unidos. O projecto inclui um hotel com 1888 quartos, o maior da China com temática aquática. A empresa designa-o como “o maior hotel ambiental da China”, em que os quartos, restaurantes e lojas estão rodeados por água. A Chimelong afirma que o Reino, que cobre uma área de 132 hectares, é o maior parque temático marinho do mundo.O Reino Oceânico contém sete áreas temáticas, com cada uma a representar um aspecto particular dos oceanos. Uma é a Rua Principal dos Oceanos, com comércio e uma cobertura com efeitos digitais procurando representar os oceanos. A Gruta dos Golfinhos faz justiça ao nome, uma vez que tem um aquário com golfinhos e um anfiteatro para espectáculos com os animais.
46ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS47ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASO “Amazonas Fantástico” inclui um aquário de água doce e um percurso sobranceiro a uma floresta tropical. O “Aquário de Tubarões Baleias” é o maior do mundo, nele existindo além dos animais que lhe deram o nome, raias, corais e polvos. Existe ainda a Odisseia do Mar Profundo, um percurso submarino que conduz ao aquário.Há também o Mundo da Água, que inclui uma zona com raias e a Zona das Ondas, uma piscina com pequenos peixes e outras criaturas marinhas. O Monte Morsa contém morsas, leões-marinhos e um anfiteatro para espectáculos com estes últimos animais.OrcasO aquário contém uma grande colecção de baleias, tubarões e peixes raros, tendo cinco recordes mundiais – o maior aquário com 48,75 milhões de litros de água, a maior piscina com uma capacidade de 22,7 milhões de litros, a maior placa em acrílico, com 39,6 metros por 8,3 metros, as maiores janelas de aquários com a mesma dimensão das placas em acrílico e a maior cúpula de observação com um diâmetro de 12 metros.Contém um conjunto de baleias, tubarões e animais raramente vistos, se alguma vez, em cativeiro na China. O parque poderá ainda vir a receber duas orcas capturadas em Agosto de 2013 no Mar Okhostok, na costa russa do Pacífico. Cada um destes animais tem um preço de venda de mais de 1 milhão de dólares. Com as distintas marcas brancas e pretas, as orcas são a espécie de golfinhos com maiores dimensões e os mamíferos em maior número existentes nos oceanos do planeta.Existem actualmente em cativeiro 54 orcas, nos Estados Unidos, Japão, Rússia e em parques temáticos em França e em Tenerife, Espanha.Com esta compra futura, os proprietários do Reino Oceânico pretendem proporcionar aos visitantes a possibilidade de ver de perto semelhantes animais bem como uma melhor compreensão do seu habitat.A ideia subjacente à construção do Reino Oceânico é a de atrair 20 milhões de visitantes por ano e ultrapassar o parque que a Walt Disney Co está a construir num terreno com 390 hectares no bairro Pudong de Xangai, num investimento total de 29 mil milhões de yuans. Este parque da Disney tem abertura prevista para Dezembro de 2015.“Será o Orlando da China e passará a ser o padrão de comparação para a indústria dos parques temáticos”, disse Su Zhigang, presidente da Chimelong.Este é o mais ambicioso projecto turístico alguma vez desenvolvido por uma empresa chinesa. À semelhança da Disney em Xangai, pretende atrair milhões de visitantes não apenas da China mas também da Coreia do Sul, Japão, Índia, outros países asiáticos e países mesmo mais longínquos. Da mesma forma que estrangeiros vão ao Disney World, em Orlando, Florida, também irão ao Reino Oceânico, sendo pelo menos essa a expectativa de Su e da sua equipa na Chimelong.Será algo de inédito na Ásia – dez parques temáticos, 12 hotéis de luxo temáticos, 3 campos de golfe com 18 buracos, duas marinas, um centro de ciência, centros comerciais e um centro internacional de convenções.“O Reino Oceânico pretende servir não apenas de entretenimento e de aventura mas também de fonte de conhecimentos dos animais. Os ambientes temáticos construídos com recurso a altas tecnologias pretendem ajudar a reduzir o fosso existente entre os humanos e os seus vizinhos marinhos, proporcionando um conhecimento mais profundo dessas criaturas e pretendendo ser um apelo para que mais esforços de conservação tanto dos animais como dos seus habitats sejam desenvolvidos”, pode ler-se num comunicado da PGAV Destinations, a empresa com sede em St Louis, Missouri, que concebeu e desenvolveu o projecto.O plano inclui a Grande Roda mais alta do mundo, com 120 metros, um percurso dentro de água concebido pela empresa alemã MACK e um outro percurso através de uma floresta tropical. Diversos anfiteatros proporcionarão espectáculos com baleias, golfinhos, leões-marinhos e morsas. Haverá ainda um teleférico que dará a volta completa ao recinto. “Este teleférico permitirá que os visitantes se sentem e se descontraiam ao mesmo tempo que podem apreciar uma vista geral do recinto”, de acordo com a Chimelong.
48ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS49ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASTransportes são fundamentaisEste investimento de grande dimensão representa uma grande aposta para a Chimelong. Os dois riscos principais associados ao projecto são os acessos e se as pessoas regressarão depois de uma primeira visita. Hengqin é uma ilha pouco desenvolvida, com uma população de cerca de 10 mil pessoas. Em Agosto de 1999, o Conselho de Estado definiu a ilha como um bairro económico especial, o terceiro na China depois de Pudong, em Xangai, e de Binhai, em Tianjin.Tem uma área de 106 quilómetros quadrados, mais de três vezes do que o vizinho Macau. A ilha tem sido palco desde 2009 de um crescimento sem precedentes da construção civil, com trabalhadores a construírem estradas, colocarem tubos de esgoto e linhas telefónicas para concluírem as infra-estruturas necessárias para uma cidade moderna. A ilha está a ser pensada para ter uma população de 280 mil pessoas em 2020.O Reino Oceânico fica localizado no ponto mais a sul da ilha. A questão fundamental é saber se a infra-estrutura a ser construída permitirá dar resposta aos 20 milhões de visitantes por ano ou, por outras palavras, 150 mil por dia.O Disney Resort de Xangai não enfrentará este problema uma vez que a cidade, embora tenha 24 milhões de pessoas, tem uma rede de transportes de elevada qualidade e já construída – aeroportos, estradas e caminhos-de-ferro e metropolitano.A Chimelong está a apostar em que os turistas de Macau, Hong Kong e Guangdong decidam despender mais um ou dois dias em Hengqin. Em 2013 Macau recebeu 29,3 milhões de visitantes, na sua maior parte do continente chinês. A própria Cantão é um grande destino turístico. É uma das províncias mais ricas da China e, em 2012, mais de 4 milhões dos seus habitantes deslocou-se em férias ao estrangeiro.Os visitantes do continente chinês que visitam Macau passam, na sua maioria, por Zhuhai, onde chegam de avião, autocarro ou automóvel ou pelo novo comboio de alta velocidade que, desde o final de 2012, liga a estação Cantão Sul a Zhuhai. Muitos entram em Macau para jogar nos casinos mas preferem hotéis em Zhuhai, que são substancialmente mais baratos do que os existentes do outro lado da fronteira. A Chimelong pretende convencer estes visitantes a permanecerem mais dias na cidade para que possam visitar o Reino Oceânico.Outro dos elementos que entrou no planeamento foi a ponte entre Hong Kong, Macau e Zhuhai actualmente em construção com conclusão prevista para 2016. Para que o Reino Oceânico consiga atingir as metas previstas, tem de haver um sistema de transportes capaz de colocar diariamente dezenas de milhares de pessoas de Hong Kong, Macau e de Guangdong no parque e de permitir um regresso sem confusões. Mas a principal estrada circular de Hengqin foi concluída apenas em 2012, não estando ainda construída a totalidade das infra-estruturas projectadas. Os jornalistas que cobriram a inauguração informaram não haver autocarros directos entre o terminal de “ferries” de Hong Kong e o parque, tendo o percurso demorado 2 horas e 40 minutos.A outra aposta é a de que as pessoas efectuarão mais do que uma visita. A maior parte dos parques temáticos na China fechou portas dado não ter sido possível convencer os visitantes a regressarem. Os responsáveis da Chimelong afirmam que os espectáculos e as exposições serão mudados regularmente, a fim de conseguir que as pessoas regressem uma segunda e uma terceira vezes.Espectáculos de circo diáriosA Chimelong iniciou este seu novo projecto com o circo. Gastou 300 milhões de yuans na construção da cidade circense em Hengqin, com uma área total construída de 50 mil metros quadrados. Deste total, 8 mil metros quadrados são o pavilhão do circo, com 3 mil lugares. O tecto foi concluído e o equipamento instalado para um festival de circo que decorreu de 20 de Novembro a 1 de Dezembro. O presidente honorário do festival circense, He Ningka, presidente da câmara de Zhuhai, disse terem sido escolhidos 30 números de 18 países, incluindo China, Canadá, Rússia, França, Estados Unidos e Alemanha, com 120 artistas e 60 animais, incluindo cavalos e elefantes.Depois deste festival, o recinto tem sido palco de espectáculos de circo diários. O circo tem sido um dos segredos do sucesso do outro principal projecto da Chimelong – uma estância turística em Panyu, um bairro nos arredores de Cantão. Este projecto inclui o “Paraíso Chimelong”, um circo internacional, um safari, parques aquático e de crocodilos, hotéis e restaurantes.A estância de Panyu pretendia atrair 15 milhões de visitantes em 2013, contra 10 milhões em 2008, o que a colocaria a par da Grécia, que é o 17º destino turístico ao nível mundial e à frente da Coreia do Sul, que no ano passado recebeu 11,1 milhões de visitantes estrangeiros. Foi precisamente o êxito obtido com a estância de Panyu que permitiu à Chimelong ganhar o contrato para Hengqin.Para este último projecto, a Chimelong contratou as empresas norte-americanas PGAV Destinations e WATG (Wimberly Allison Tong & Goo) para as duas componentes principais, o Mundo Oceânico e o Hotel Oceânico. Desde a sua constituição em Honolulu, Hawaii, em 1945, a WATG tem sido uma das principais empresas mundiais em serviços de design para as indústrias hoteleira, de lazer e de entretenimento. A empresa já esteve envolvida em projectos em mais de 160 países e territórios em seis continentes, concebendo hotéis e estâncias turísticas, muitos dos quais na China. As propostas apresentadas pela empresa combinam uma integração correcta no local em que irão ser construídas e o sucesso comercial.A PGAV esteve envolvida na concepção do Grande Aquário de Hong Kong e no Museu dos Guerreiros de Terracota em Xian, tendo criado atracções de parques temáticos para a Universal Studios, Six Flags, Sea World e Busch Gardens.As autoridades de Hengqin têm planos ambiciosos para o futuro, que passam pelo desenvolvimento de serviços financeiros, culturais, de saúde, de alta tecnologia e de medicina chinesa, além do turismo. De momento estão em curso 56 projectos que representam um investimento de 226,3 mil milhões de yuans.Muitos especialistas são da opinião que, de todos estes sectores, o turismo é o mais viável e que Hengqin pode servir de complemento a Macau. Embora os jogos de fortuna e azar sejam proibidos, tem terreno de sobra para construir complexos hoteleiros, campos de golfe, piscinas, centros de lazer e outras instalações para as quais não há espaço em Macau. “Jogue em Macau e descanse em Hengqin”, pode ser o “slogan”.Em Julho de 2013, a Shun Tak Holdings, a empresa do antigo magnata dos casinos Stanley Ho Hung-san, pagou 721 milhões de yuans por um terreno com 24 mil metros quadrados em Hengqin; a apenas alguns minutos da “Cotai Strip”, o projecto incluirá escritórios, hotéis, zona comercial e apartamentos de serviço.
50ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS51ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS Parque Industrial de MacauA parceria Parque Industrial de Cooperação Guangdong-Macau ocupa um terreno com 5 quilómetros quadrados, em que meio quilómetro quadrado representa o espaço ocupado pelo Parque Industrial de Medicina Chinesa.A 9 de Abril de 2014 o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Francis Tam Pak Yuen, anunciou que o governo iria recomendar 30 projectos às autoridades de Hengqin que, caso fossem aprovados, seriam autorizados a estabelecer-se no Parque Industrial de Cooperação Guangdong-Macau.O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) de Macau iniciou em Agosto de 2013 um período de três meses de recepção de propostas locais para a criação de negócios naquele parque. De acordo com um comunicado divulgado mais tarde foram recebidas 89 propostas.“Após avaliação por uma comissão de selecção composta por nove pessoas, 30 propostas foram aceites, envolvendo actividades diversas incluindo turismo, indústrias culturais e criativas e tecnologia”, disse o secretário Tam. Ponte até Hong KongA ponte de Zhuhai e Macau até Hong Kong vai ter um efeito profundo na cidade. Trata-se da primeira ponte entre Hong Kong e a margem ocidental do Delta do Rio das Pérolas. Com um custo excedendo 10 mil milhões de dólares, a ponte em “Y” será um dos mais complexos projectos de engenharia alguma vez realizados na China.Terá uma extensão de 50 quilómetros desde Hong Kong até Macau e Zhuhai e um túnel submarino com 6,7 quilómetros, que visa permitir a passagem dos muitos navios que percorrem o rio das Pérolas, um dos mais movimentados da China. O projecto exige a construção de quatro ilhas artificiais, para estabelecer a ligação entre as duas pontas do túnel e para servir de postos fronteiriços em Hong Kong e Zhuhai.Este projecto foi apresentado pela primeira vez em 1983 por Gordon Wu, o presidente da Hopewell Holdings, uma empresa de promoção imobiliária cotada na Bolsa de Valores de Hong Kong. Na altura recebeu uma resposta pouco entusiástica das autoridades devido à sua complexidade – técnica, financeira e política. A ideia permaneceu na prancha de desenho durante duas décadas até que o governo central da China decidiu avançar com o projecto, enquadrado num plano de construção de uma rede rodoviária nacional. A sua intervenção foi decisiva para ultrapassar as dificuldades, tanto em termos de financiamento como de percurso.Numa fase inicial, as três partes envolvidas pensaram num modelo “Construir-Operar-Transferir”, com financiamento substancial do sector privado em troca da receita das futuras portagens. Mas o investimento necessário era demasiado grande e o período de amortização demasiado longo; por isso, os 3 governos decidiram serem eles próprios a garantir o financiamento.
52ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS53ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASEm Agosto de 2008 foi anunciado que o custo tinha sido calculado em 38,5 mil milhões de yuans. Deste montante, os governos central e provincial de Guangdong contribuiriam com 7 mil milhões de yuans, o de Hong Kong com 6,75 mil milhões e o de Macau com 1,98 mil milhões de yuans. O montante em falta, quase 23 mil milhões de yuans, seria obtido com um empréstimo de um sindicato bancário liderado pelo Banco da China.A construção iniciou-se em 15 de Dezembro de 2009 e a ponte deverá entrar em funcionamento de 2016.Desafio de engenhariaEsta ponte representa, antes de tudo, um imenso desafio de engenharia. Meng Fanchao, presidente do China Transport Construction Group, a quem foi adjudicada a construção da ponte, disse que o projecto inclui a ponte, um túnel e ilhas artificiais.“Trata-se de um projecto muito grande, com uma dimensão nunca vista na história dos transportes na China. A localização geográfica é complicada, as exigências de protecção ambiental são severas e os padrões técnicos muito exigentes”, disse ainda Meng. A ponte foi concebida para durar 120 anos e tolerar ventos com uma velocidade de 51 metros por segundo ou 183 quilómetros por hora. Será capaz de aguentar tremores de terra até ao nível 8 na escala de Richter e uma colisão com um navio de 300 mil toneladas. Terá seis faixas em cada sentido e uma velocidade máxima autorizada de 100 quilómetros por hora, mas não terá ligação ferroviária e permitirá reduzir o tempo de viagem entre Zhuhai/Macau e Hong Kong para meia hora. O percurso demora actualmente entre 60 a 70 minutos em “ferry” e mais de três horas caso seja efectuado por estrada através de Shenzhen.Zhang Xiaoqiang, vice-presidente da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional, o principal órgão de planeamento da China, disse que a ponte era o projecto que iria captar a atenção do mundo depois da barragem das Três Gargantas e da linha de caminho-de-ferro Qinghai-Tibete. “A ponte vai permitir completar a rede nacional de vias rápidas e desempenhar um papel importante ao permitir a ligação entre as duas margens do rio das Pérolas, acelerando o desenvolvimento económico e social da margem ocidental do rio e promover o aparecimento de uma entidade económica única entre Guangdong, Hong Kong e Macau e melhorar a competitividade do Delta do Rio das Pérolas.”Os desafios deste projecto em termos de engenharia são formidáveis. O rio das Pérolas é extremamente movimentado, com navios a transportar mercadorias das fábricas do delta para Hong Kong e para o resto do mundo. A zona é sujeita a tufões, chuvas torrenciais e tempestades durante os meses de Verão. A fim de respeitar o calendário constante do contrato de adjudicação, a maior parte da estrutura tem de ser prefabricada noutro local, a fim de que as secções em betão da ponte possam ser construídas em simultâneo com a colocação das fundações. O custo de construção do túnel é três vezes mais elevado do que o da ponte, tendo de ser construído a uma profundidade de 30 metros abaixo do leito do rio, com uma largura de 44 metros e uma altura de 10 metros. Haverá postos de emergência, localizados de tal forma que em caso de acidente no túnel a ajuda chegará ao local em 3 minutos e em 5 a 7 minutos no caso de acidentes na ponte.Uma das ilhas artificiais terá duas ligações por estrada, uma a Zhuhai e outra a Macau, dispondo de posto de fronteira e de controlo de bagagens bem como portagens. A portagem deverá exceder 100 dólares de Hong Kong para os automóveis particulares e 200 dólares de Hong Kong para os camiões. A ilha terá uma altura de 4,5/5 metros e será construída de forma a aguentar as maiores enchentes registadas no rio nos últimos 300 anos.As cidades industriais da margem ocidental do rio das Pérolas, incluindo Zhuhai, Zhongshan e Jiangmen, irão beneficiar da melhoria da rede de transportes, muito particularmente as que têm grande número de empresas exportadoras.“Guangdong ocidental tem muitas empresas exportadoras, sendo alguns dos produtos de pequena dimensão e grande valor acrescentado necessitando de ser expedidos por via aérea. Com a ponte, podem estar no aeroporto de Hong Kong em 30 minutos e ser exportados rapidamente”, disse Sio Chi Wai, presidente do Centro de Pesquisa de Estratégia de Desenvolvimento de Macau.Joey Lao Chi Ngai, presidente da Associação de Ciências Sociais de Macau, disse que as cidades da região ocidental da província de Guangdong irão ser as que mais beneficiarão com a ponte. “A facilidade no acesso a Hong Kong irá fazer com que os custos de produção na região tenham de ser calculados de novo. A existência da ponte permitirá atrair investimento estrangeiro, atendendo a que Shenzhen registou um crescimento muito rápido devido à sua excelente rede de ligações com Hong Kong.”O sector imobiliário em Guangdong ocidental será igualmente um dos grandes beneficiários, uma vez que a ponte permitirá que os potenciais compradores de Hong Kong fiquem mais próximos.
54ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS55ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASImobiliário em ZhuhaiDo capital que é aplicado no mercado imobiliário de Zhuhai, menos de metade é local tendo o remanescente origem no exterior, incluindo Zhejiang, Pequim, Shenzhen e Hong Kong. De acordo com Joey Lao Chi Ngai, a ponte será origem tanto de benefícios como de desvantagens. “Será um desafio muito grande para o aeroporto de Macau, atendendo a que o de Hong Kong ficará a 20 minutos. Algumas pessoas argumentam que o aeroporto de Macau devia ser encerrado e o terreno utilizado para outros projectos. No entanto, isto não irá acontecer dado que um grande destino turístico, como é Macau, precisa de um aeroporto. Será igualmente um grande desafio para as empresas que prestam serviços de logística em Macau, na sua maior parte pequenas e médias empresas, uma vez que a ponte irá alargar o raio de acção da concorrência.”Embora a ponte permita aproximar Macau de Hong Kong, a antiga colónia portuguesa não dispõe de espaço para muitos mais automóveis.“Macau não tem condições para receber muitos mais automóveis uma vez que as ruas da cidade já estão congestionadas”, disse Wong Wan, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego. Na cidade existem mais de 80 mil carros e 80 mil motociclos para 400 quilómetros de estradas ou 400 automóveis em cada dois quilómetros. “Não vamos permitir que muitos veículos de Hong Kong ou de Zhuhai entrem em Macau. Os condutores terão de estacionar os automóveis e utilizar os transportes públicos”, disse ainda Wong.Tal facto exigirá a construção de grandes parques de estacionamento na ilha artificial fronteira a Zhuhai e ligações à cidade. Uma excepção poderá ser aberta para os autocarros com turistas.Um dos pontos fracos desta ponte é a ausência de uma linha de caminho-de-ferro, que permitiria ligar Hong Kong e Macau à rede ferroviária nacional, permitindo o fluxo de passageiros e de carga. O tráfego de automóveis será limitado através do sistema de placas de matrícula diferenciadas, necessitando os proprietários de ter placas diferentes para Hong Kong, Macau e Guangdong. Actualmente apenas 60 mil automóveis de Hong Kong dispõem de licença para circular em Guangdong. Por isso, as deslocações em autocarro serão muito mais convenientes. Projectos culturaisNova ÓperaZhuhai está a construir uma sala para espectáculos de ópera, tendo o edifício a forma de duas conchas. Esta sala é um dos quatro projectos culturais em construção, envolvendo uma despesa que ultrapassa dois mil milhões de yuans. Representam, além disso, o maior investimento no sector desde que Zhuhai passou a cidade, sendo os outros três o Museu de Zhuhai, a Sala de Exposição de Planeamento Urbano e o Centro Cultural.A abertura da ponte ligando Hong Kong a Macau e Zhuhai em 2016 conduzirá ao aumento da população da cidade e à melhoria do fluxo de pessoas de e para as duas regiões administrativas especiais. Para dar resposta a este desafio, a cidade pretende melhorar os pontos de interesse turístico e a vida cultural.O turismo representa para Zhuhai uma das mais importantes fontes de receita. Em 2011 recebeu 45,2 milhões de visitantes, um acréscimo anual de 0,7%, dos quais 709,3 mil eram estrangeiros, 3,8 milhões de Macau, Hong Kong e Taiwan e o resto do continente chinês. A ocupação média dos estabelecimentos hoteleiros nesse ano foi de 60,2%.Dos visitantes do continente chinês 56% ficaram de um dia para o outro, percentagem que aumenta para 84% no que se refere aos outros visitantes. Os visitantes do continente gastam o dinheiro nos casinos, restaurantes e lojas de Macau durante o dia e vão dormir a Zhuhai.
56ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS57ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASPermanecer mais tempoUm dos objectivos dos quatro projectos culturais é o de persuadir os visitantes a permanecerem mais tempo e apreciarem os museus. Visam igualmente atrair um novo tipo de clientela, mais interessada nos espectáculos e na arquitectura dos edifícios. O governo da cidade é da opinião que, após três décadas como Zona Económica Especial, é chegado o momento de fazer com que Zhuhai passe para um nível superior.Dos quatro projectos, a Ópera é o de maior dimensão e mais ambicioso. Envolve um investimento de 1718 milhões de yuans num aterro com 50 mil metros quadrados na ilha Yeli, situada em frente da marginal da cidade. O projecto de arquitectura parece-se com duas conchas, a maior das quais tem 90 metros de altura e a menor 60 metros.A Ópera terá uma sala de concertos com 1550 lugares, um salão de entrada, um auditório e uma sala mais pequena e nela terão lugares espectáculos de música sinfónica e de câmara, ópera, bailado, musicais e peças de teatro. Haverá uma pequena sala com 500 lugares para acontecimentos artísticos de menores dimensões e ainda para passagens de modelos, actividades de promoção artística e encontros empresariais.O edifício é já algo digno de ser visto, com a concha maior a elevar-se do mar na ilha fronteira à marginal. Quando concluído, será um local e atracção turística à semelhança da Ópera de Sidney, um lugar para ser visitado e fotografado pelos turistas bem como para a realização de espectáculos.Um total de 33 empresas estrangeiras concorreu ao concurso internacional para a concepção e construção da Ópera, incluindo as que desenharam o Ninho do Pássaro, o Cubo de Água e o Grande Teatro Nacional em Pequim. Após a primeira escolha a lista ficou resumida a nove empresas, tendo três passado à fase final, após uma segunda escolha.Vencedor localO vencedor foi o consórcio constituído pelo Instituto de Arquitectura e Desenho Urbano de Hong Kong, pelo Centro de Pesquisa e Design Urbano da China (CUDRC), da Universidade de Pequim, e pela sucursal de Shenzhen do Instituto de Pequim de Design Arquitectónico.O professor Chen Keshi, director do CUDRC e responsável da equipa de 30 pessoas que elaborou a proposta, disse que o consórcio ganhou por três ordens de razões – criatividade, contribuição artística e a ligação ao local.“A inspiração para o projecto partiu de um estudante que se encontra agora a residir no Reino Unido. Um dia ele estava a observar uma vieira Asia Moon, que se pode encontrar no Delta do Rio das Pérolas, com pérolas no seu interior. Ele observou a vieira e pensou que se tratava de um estrutura muito bonita, com uma concha maior e uma menor; a concha maior envolve a sala de espectáculos de maior dimensão e a outra concha a sala mais pequena”, disse o professor.Chen Keshi disse ainda que a Ópera será um marco na paisagem, sendo apenas um de diversos edifícios a erguer no local, que incluem uma biblioteca e um centro de exposições. “A comissão do Partido Comunista em Zhuhai é da opinião que, após três décadas de reformas, é necessário começar a melhorar a oferta cultural”, salientou Chen. “A nova ponte vai melhorar as ligações a Hong Kong e a Macau, o que terá como consequência um aumento da população. Além da Ópera haverá uma marina bem perto bem como o centro de exposições, que ajudarão a melhorar o ambiente turístico da cidade.”Os trabalhos de construção decorrem de acordo com o calendário estabelecido, devendo a Ópera ser inaugurada em 2015. A concha de maiores dimensões, elevando-se quase 100 metros no ar, é já uma atracção turística.A Ópera muito dificilmente terá contas equilibradas. Zhuhai tem uma população de 1,6 milhões de pessoas, de que apenas um reduzida percentagem terá recursos suficientes para assistir aos espectáculos lá realizados. Os próprios cinemas estão a ter grande dificuldade em atrair clientes, devido à imensa variedade de entretenimento disponível nos computadores pessoas, iPads e outros equipamentos electrónicos, que são passíveis de personalização.A Ópera pretende atrair visitantes de Hong Kong, Macau, Cantão e outras cidades da província de Guangdong bem como de entre os milhões de pessoas que anualmente visitam Zhuhai.A província já está bem servida de Óperas, nomeadamente em Cantão, Shenzhen e Dongguan, bem como muitas salas de espectáculo em Hong Kong. De acordo com o professor Chen todas as Óperas na China perdem dinheiro, sobrevivendo com recurso a subsídios governamentais, sendo óptimo quando mesmo assim conseguem ter contas equilibradas.
58ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS59ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASMuseu da cidadeEm frente à Ópera, num canto de um parque com vista para o rio das Pérolas, estão a ser construídos os outros dois edifícios – o Museu de Zhuhai e o Salão de Exposição de Planeamento Urbano. Estes dois edifícios ficarão ligados através de um salão de entrada comum.Os visitantes que derem um salto ao telhado poderão apreciar uma vista magnífica do rio das Pérolas de um dos lados e de um parque do outro. O museu terá uma área construída de 20 mil metros quadrados, estando o processo de construção a decorrer rapidamente.O museu vai substituir o actualmente existente, que foi construído em 1984 no bairro Jida, na zona central de Zhuhai, com uma área construída de 8 mil metros quadrados em dois andares, num terreno com 15 mil metros quadrados. Trata-se de um dos poucos jardins museus da China.O Centro Cultural de Zhuhai ficará a oriente da escola primária de Gongbei, na Rua Lianan, e terá a forma de uma harpa. Terá uma área coberta superior a 16 mil metros, que incluirá uma praça cultural, uma zona para as chamadas artes “performativas”, uma sala com 780 lugares, salas para coros e danças, salas para prática instrumental, um estúdio de som e um cinema. Os espaços poderão ser cedidos a instituições, empresas, associações e escolas e permitirão a realização de exposições, palestras e projecções de vídeo.O novo Palácio Yuan MingUma das mais antigas atracções turísticas de Zhuhai é uma reconstrução parcial do antigo Palácio de Verão em Pequim. Tratava-se de uma maravilha arquitectónica mundial e nele estava contida uma das melhores colecções de arte do planeta. Mas, em Outubro de 1860, no decurso da 2ª Guerra do Ópio, o palácio foi incendiado por tropas inglesas, não tendo sido nunca reconstruído.Na década de 90 do século XX, a cidade de Zhuhai decidiu erguer a primeira reconstrução do Palácio, num terreno com 140 hectares, completo com edifícios das dinastias Ming, Qing e alguns ocidentais e um grande lago. Era o único jardim imperial no sul da China e pretendia atrair visitantes que pretendessem uma mistura de história e de divertimento.Negócio ruinosoEm 2010 e 2011 o número de visitantes sofreu uma quebra devido à abertura de outras atracções na cidade e em outros locais da província, tendo o Novo Palácio de Verão começado a registar prejuízos. Numa tentativa ambiciosa para dar a volta à situação, em Outubro de 2012 os proprietários deixaram de cobrar bilhetes de entrada, que representavam 75% da facturação. Com esta decisão esperavam mais do que triplicar o número de visitantes para 3 milhões por ano e conseguir receitas com os espectáculos, a restauração e as vendas de bens e serviços no interior do recinto.O novo modelo de negócio era o mesmo anteriormente adoptado pelo Parque Ocidental de Huangzhou, que em 2002 havia decidido acabar com os bilhetes de ingresso. Para facilitar a transição para um novo modelo de negócio, o governo da cidade de Zhuhai atribuiu um subsídio de 53 milhões de yuans a serem desembolsados em dois anos.A partir de 17 de Outubro de 2012, o Novo Palácio de Verão deixou de cobrar bilhetes, tendo estabelecido um limite diário de ingressos de 15 mil pessoas. Os seus proprietários pretendem aumentar o número anual de visitantes de 700 mil para 3 milhões e, a fim de acomodar este número, foi decidido construir um novo parque de estacionamento com 2 mil lugares.O número de espectáculos vai ser aumentado, incluindo uma produção em grande escala intitulada “O incêndio do Palácio de Verão”, que pretende apresentar a glória do palácio destruído, seguida de declínio e destruição. No Parque Ocidental de Huangzhou o espectáculo mais popular, com 8 representações diárias por uma centena de actores, rende anualmente 200 milhões de yuans.Os proprietários vão transformar um espaço aberto em frente do Novo Palácio de Verão, com 80 mil metros quadrados, na maior praça cultural e local de realização de “performances” de Zhuhai. Têm igualmente planos para aplicar 20 milhões de yuans numa “cidade aquática de sonho”, a fim de fazer com que o Novo Palácio seja mais competitivo e consiga concorrer com os rivais. Para a concepção do projecto, estão a ponderar endereçar convites a designers e arquitectos estrangeiros.
60ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS61ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASHe Jingtang, um arquitecto de renome e membro da Academia de Engenheiros da China, chefia uma equipa que elaborou um plano para a renovação da área de Gongbei onde fica localizado o Novo Palácio. “Zhuhai é uma bela cidade costeira e se efectivamente pretendemos transformar essa beleza numa atracção temos de elevar o seu perfil cultural”, disse.O arquitecto acrescentou que Zhuhai tem muitos pequenos parques mas carece de uma grande praça central, praça essa que deverá preservar o carácter cultural tradicional do palácio e ter um sabor mais moderno e mais romântico.O Novo Palácio de Verão custou 600 milhões de yuans e demorou quatro anos a ser construído. Abriu ao público a 2 de Fevereiro de 1997, sendo uma das maiores atracções turísticas de Zhuhai. O parque é propriedade da Jiuzhou Development Company, uma empresa estatal cotada na Bolsa de Valores de Hong Kong desde Maio de 1998.A empresa é a mais importante do sector do turismo de Zhuhai que opera, além do Novo Palácio de Verão, hotéis, uma agência de viagens e 13 “ferries” de alta velocidade que transportam anualmente 1,8 milhões de pessoas de Zhuhai para Hong Kong e Shenzhen.O Novo Palácio de Verão cobre um sexto da área do original, que foi construído na dinastia Ming, nele tendo sido construídos 18 dos 40 edifícios existentes no de Pequim. Os edifícios construídos são réplicas tão exactas quanto possível dos originais. Tem três áreas principais – o jardim imperial das dinastias Ming e Qing, o jardim clássico do sul da China e edifícios ao estilo ocidental construídos pelos jesuítas que residiam em Pequim durante a dinastia Qing.O palácio contém um lago com 80 mil metros quadrados e uma cidade aquática com muitas atracções, incluindo quedas de água, fontanários, rápidos, uma piscina para crianças e escorregas aquáticos de diversos tipos. Nele existe ainda uma rua comercial com lojas, restaurantes, hotéis e casas de chá.Existem ainda outras atracções, bem como espectáculos em grande escala de canto e de dança, muitos dos quais com temas históricos. Desde a sua abertura já recebeu mais de 10 milhões de visitantes e foi designado como um espaço de “educação patriótica.”Circuito de Fórmula UmUm dos projectos mais ambiciosos de Liang Guangda, o presidente da câmara desde os anos 80 do século XX, foi a construção de um circuito para corridas de automóveis com capacidade para receber provas de Fórmula Um. Este circuito foi construído no bairro Jinding, em 1996, tendo sido desenhado pela empresa australiana Kinhill Engineers Pty Ltd, a mesma que concebeu o circuito para Fórmula Um de Adelaide. O gestor do projecto foi Michael McDonough. Infelizmente para Zhuhai, as autoridades de Xangai decidiram que também queriam um circuito para receber a prova na China do campeonato de Fórmula Um, assim tendo feito.Em consequência, o circuito de Zhuhai nunca recebeu uma prova de Fórmula Um, sendo utilizado para provas domésticas ou asiáticas.Centro educativoUma das ideias mais ousadas de Liang Guangda foi desenvolver Zhuhai como um centro educativo. A câmara ofereceu terreno às universidades chinesas para que construíssem campus na cidade. Uma dúzia delas aceitou a oferta, incluindo Jinan e Sun Yat-sen em Cantão, Harbin Industrial, de Ciência e Tecnologia de Pequim e a Normal de Pequim. Esta última montou a Escola Internacional Unida, em parceria com a Universidade Baptista de Hong Kong.
62ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS63ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASNovo “campus” da Universidade de MacauA mais recente universidade em Zhuhai é o novo campus da Universidade de Macau, a mais antiga instituição de educação superior do antigo enclave português. Em Julho de 2013 iniciou a transferência para um terreno com 20 vezes o tamanho do original. O novo “campus” fica localizado na ilha de Hengqin, a curta distância da ilha da Taipa.“O nosso objectivo é construir uma universidade que dure 100 anos”, disse o reitor Zhao Wei, que acrescentou “teremos o melhor equipamento possível e vamos abrir centros de pesquisa médica, de tecnologias de informação e outros, onde iremos investigar materiais pioneiros para responder às necessidades da sociedade, atrair uma classe docente de grande qualidade e dar formação a pessoas igualmente de topo.”O novo “campus” na ilha de Hengqin funciona com as leis de Macau, pelo que as regras de acesso à Internet são as mesmas que em Macau. Os serviços de telecomunicações e de acesso à Internet continuarão a ser garantidos pelas empresas de Macau, o que significará que as classes docente e discente terão acesso ao YouTube e Facebook. Caso um crime seja cometido aplicam-se as leis de Macau.
64ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS65ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASO novo “campus” é um marco na história da Universidade de Macau que, desde a sua fundação em 1981, tem funcionado num espaço exíguo na ilha da Taipa, sem possibilidade de expansão. Agora dispõe um terreno com 1,09 quilómetros quadrados, onde existem 80 edifícios e uma área construída de 800 mil metros quadrados, mais oito faculdades e 10 lares residenciais, cada um com espaço para receber 450 pessoas. Estes lares têm por modelo os de universidades famosas como Oxford e Harvard, em que os professores e os estudantes coabitam, o que permite uma melhor interacção e ensina os mais jovens a serem auto-disciplinados e independentes.“Campus” à beira do rioO novo campus da Universidade de Macau foi concebido à semelhança dos que existem em cidades ribeirinhas, como na região de Lingnan, com jardins, corredores que se interligam e canais com água. Favorece as deslocações a pé mas tem 1085 lugares de estacionamento de bicicletas bem como de “vaivéns”, sendo a utilização de viaturas particulares limitada ao mínimo. Tem 25 mil árvores, 110 mil metros quadrados de lagos e canais com água e 430 mil metros quadrados de espaços verdes. Os estudantes serão em número de 10 mil, 80% dos quais de Macau. Zhao disse ter sido estabelecida uma proporção de oito estudantes de Macau para cada dois do continente. “A universidade deve servir os estudantes de Macau, uma vez que a maior parte dos alunos reside em Macau.”Foi em Janeiro de 2007 que a universidade começou a delinear uma estratégia a 10 anos, com a construção de um novo campus com capacidade para acomodar 10 mil estudantes. Em Maio desse ano, a assembleia e o conselho da universidade analisaram com o chefe do executivo Edmund Ho Hau Wah a possibilidade de um novo campus ser construído em Hengqin. Em 27 de Junho de 2009, a Comissão Permanente do Congresso Nacional Popular aprovou em Pequim uma proposta autorizando Macau a exercer jurisdição sobre o novo campus, com um arrendamento até 19 de Dezembro de 2049, o dia em que o conceito “um país, dois sistemas” termina para a Região Administrativa Especial de Macau, passados 50 anos após a transferência de administração.No dia 20 de Dezembro de 2009, o então Presidente Hu Jintao presidiu à cerimónia de lançamento da primeira pedra do novo campus. O arquitecto do projecto foi He Jingtang, que desenhou o pavilhão da China para a Exposição Xangai, em 2010; as novas instalações da universidade custaram 9,8 mil milhões de patacas, montante garantido pelo governo de Macau. O mesmo governo está ainda a pagar anualmente ao governo de Zhuhai 1,2 mil milhões de patacas pelo arrendamento do terreno até 2049.Às 24 horas do dia 20 de Julho de 2013, soldados da guarda fronteiriça de Guangdong entregaram o controlo da zona à polícia de Macau, que passou a ter uma esquadra no novo campus, à semelhança de instalações para os bombeiros e para os serviços de alfândega. A água, energia eléctrica e gás canalizado serão fornecidos por empresas de Macau, bem como os produtos alimentares.O único ponto de acesso é um túnel que parte do Cotai, um aterro entre as ilhas de Coloane e Taipa, com 1570 metros de comprimento e quatro faixas, duas para veículos e duas para peões e um gasoduto. O túnel está aberto em permanência não precisando os estudantes e os visitantes de passarem por qualquer posto de migração.Num dos lados do campus fica o canal que flui entre as ilhas de Hengqin e da Taipa e os outros três lados estão fechados, com vedações e um rio artificial, sendo patrulhados por elementos do exército. O novo campus não pode ser acedido a partir de Hengqin.O campus será a zona mais “verde” de Macau, dispondo de sistemas de reciclagem e de aquecimento de água por energia solar. Ao invés de utilizar aparelhos de ar condicionado para cada edifício, utiliza um sistema subterrâneo de arrefecimento. A transferência para o novo local será gradual. “A transferência tem sido um projecto imenso e complexo, disse Zhao, envolvendo o transporte de mais de 600 mil livros, além de todos os outros equipamentos necessário ao funcionamento da universidade”.O novo campus tem oito faculdades – direito, educação, design, gestão, ciência e tecnologia, ciências sociais, artes e humanidades e ciências da saúde.
66ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS67ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASResidência universitáriaA nova biblioteca Wu Yee Sun foi construída com uma doação de 150 mil dólares de Hong Kong pela Fundação de Caridade Wu Yee Sun, um destacado homem de negócios de Macau. O campus dispõe igualmente de um edifício com salas de aula, centro de actividade estudantil, centro comercial universitário e alojamento para estudantes pós-graduação e pessoal discente.O salão principal da universidade tem mil lugares e equipamentos topo de gama. Há ainda um espaço comercial com um banco, restaurante, café, supermercado, farmácia, livraria, agência de viagens e loja de produtos informáticos.A universidade tem dois laboratórios, um para integração em grande escala tanto analógica como digital e um de medicina chinesa, bem como um centro de pesquisa.A universidade pretende recriar as condições académicas e as relações interpessoais das grandes residências universitárias do mundo; os estudantes residem no campus durante o ano lectivo ao invés de regressarem a casa todos dias como fazem actualmente.“Pretendemos educar a pessoa na sua totalidade e não apenas nas matérias referentes ao curso escolhido”, disse Zhao. “Utilizaremos as 24 horas do dia para educarmos através do desporto, interacção social e actividades no exterior. Os estudantes terão aulas de música, artes e humanidades esperando nós que, ao viverem e interagirem com os seus pares e com os professores, os estudantes poderão aprender a viver de uma forma independente, desenvolver a vontade própria e um conjunto de valores morais e alargarem as suas perspectivas globais.”A língua utilizada na universidade é o inglês, com excepção dos cursos de línguas. O número de estudantes vai aumentar gradualmente até 10 mil, depois da mudança para o novo campus. Aproximadamente 70% dos estudantes ainda não concluíram as licenciaturas sendo os restantes 30% já pós-licenciados.As pessoas de Macau podem deslocar-se ao campus a fim de gozarem o espaço aberto, os jardins, lagos e zonas verdes – uma lufada de ar fresco numa cidade sobrepovoada.HengqinPlano de DesenvolvimentoÁREA CENTRAL DE NEGÓCIOSÁREA DE SERVIÇOS GERAISCIÊNCIA E INVESTIGAÇÃOPARQUE MARSHLAND CULTURA E CRIATIVIDADEEDUCAÇÃOÁREA DE LAZERAMARELO - ÁREA RESIDENCIALÁREA DE LAZERZHUHAI MACAU
68ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS69ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLASApreciação global 7História resumida 8Zhuhai, a mais pequena Zee 9Dados de base 22Reino oceânico 43Parque industrial de Macau 49Ponte até Hong Kong 49Projectos culturais 53ÍndiceZhuhai: A cidade-jardim do Delta do Rio das Pérolas
70ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS71ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS
72ZHUHAI - A CIDADE-JARDIM DO DELTA DO RIO DAS PÉROLAS