TÍTULO Macau – A preservação do centro histórico, património da humanidade AUTOR Jorge A. H. Rangel EDITOR Instituto Internacional de Macau CAPA E FOTOGRAFIA António R. J. Monteiro ILUSTRAÇÕES Instituto Cultural de Macau IMPRESSÃO Foshan Nanhai Baosheng Packing Factory (Baosheng Printing) TIRAGEM 500 exemplares APOIO ISBN: 978-99965-59-42-6 Macau, Janeiro de 2020 INSTITUTO INTERNACIONAL DE MACAURua de Berlim, Edifício Magnificent Court, 240, 2°(NAPE), Macau Tel: (+853)2875 1727 / 2875 1767 ‧Fax: (+853)2875 1797 E-mail: iim@iimacau.org.mo‧www.iimacau.org.mo
766 CHINA E PAÍSES LUSÓFONOS – PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO Novos Caminhos N.o 3MACAUA PRESERVAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO DE MACAU, PATRIMÓNIO DA HUMANIDADEResumo:Texto de Jorge A. H. Rangel Ruínas de S.Paulo.Todas as fotografias deste capítulo foram gentilmente cedidas pelo Instituto Cultural de Macau. O centro histórico da cidade de Macau foi classicado pela UNESCO como património da humanidade em Julho de 2005. Este trabalho procura sucintamente explicar o alto signicado desta decisão, apoiada pela República Popular da China e por Portugal, e lembra o percurso seguido até à aprovação desta importante proposta e as responsabilidades assumidas, desta feita, pelo Governo da Região Administrativa Especial de Macau, na preservação e valorização do legado histórico, cultural e arquitectónico, num tempo de espectacular crescimento físico e nanceiro do território que exige das autoridades e da comunidade, em geral, um enorme sentido de equilíbrio entre a promoção de desenvolvimento e a conservação do património herdado.
9 68 CHINA E PAÍSES LUSÓFONOS – PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO Novos Caminhos N.o 3MacauA decisão da UNESCODepois de várias tentativas inconsequentes iniciadas na década de 80 do século passado, a UNESCO aprovou formalmente, no dia 15 de Julho de 2005, a designação do Centro Histórico de Macau como património mundial, permitindo a concretização justa de uma velha aspiração de muita gente ligada à cidade da costa da China que Portugal administrou até Dezembro de 1999. Culminou-se, desta feita, um longo processo conduzido desde o mandato do Governador Vasco de Almeida e Costa (1981-86), que mandou preparar uma bem fundamentada proposta1 para submeter à apreciação daquele organismo internacional. Não tendo merecido a concordância da República Popular da China, ela foi sucessivas vezes reformulada, durante os mandatos dos Governadores Joaquim Pinto Machado (1986-87) e Vasco Rocha Vieira (1991-99), até que, após a transferência de poderes em Macau, quiseram as próprias autoridades chinesas patrocinar uma versão reformulada da proposta e fazer saber do seu grande interesse em que ela fosse aceite, considerando-a mesmo prioritária no conjunto de outras propostas por si formuladas.Apesar do muito que se perdeu, por incúria dos homens ou por inclemência do tempo, sentiu-se, nas décadas de 70 a 80, a urgência na definição de uma política consistente, que permitisse proteger o património arquitectónico e cultural numa altura em que a expansão imobiliária conhecia um rápido desenvolvimento e aumentava a pressão sobre as zonas mais velhas e nobres da cidade. Os Governadores Nobre Carvalho e Garcia Leandro dedicaram ao assunto a maior atenção e, em 1982, foi criado um novo organismo público – o Instituto Cultural de Macau2, onde se integrou a Comissão para a Defesa do Património3, com competências reforçadas e apoiado por um departamento próprio, ao qual foram facultados recursos muito mais alargados.1 A proposta foi precedida de um estudo realizado por uma equipa pluridisciplinar coordenada pelo Arq.º Tomás Taveira. Não obstante os apoios de Portugal, através da sua representação permanente junto da UNESCO, ela não chegou a ser apreciada no seio daquela Organização Internacional. 2 O Instituto Cultural de Macau foi criado pelo Dec.-Lei n.º 43/82/M, de 4 de Setembro, com a natureza de Instituto Público, dotado de autonomia administrativa e financeira, competindo-lhe apoiar o Governo do Território na formulação e execução da política de cultura e investigação científica, promover a preservação dos valores da cultura portuguesa no Território e a sua difusão nas vizinhas áreas geográficas, promover a difusão da língua portuguesa e as relações culturais com povos do Extremo Oriente, incentivar e apoiar manifestações artísticas e culturais ligadas à vivência intercultural luso-chinesa, contribuir de forma activa para a preservação do património cultural do Território, fomentar acções de formação e reciclagem dos investigadores e dos vários agentes culturais, e promover e apoiar acções de intercâmbio cultural.3 A Comissão foi reformulada pelo Dec.-Lei n.º 56/84/M, de 30 de Junho, passando a designar-se Comissão de Defesa do Património Arquitectónico, Paisagístico e Cultural e ficando com competências mais alargadas.Templo de A-Má.
10 11Mais importante ainda foi a identificação, pela via legislativa4, dos monumentos, sítios e conjuntos a preservar, a que se seguiram acções de sensibilização junto da população em geral, mas especialmente dirigidas à juventude, para a consciencialização de toda a comunidade para o esforço colectivo de valorização do precioso legado de muitas gerações que, naquele espaço único, protagonizaram o mais fecundo e duradouro encontro entre o Oriente e o Ocidente.O legado é, basicamente, português e chinês, complementado com elementos de muitas outras origens, constituindo um testemunho visível de pluralismo cultural. O Centro Histórico de Macau reflecte bem este intercâmbio de formas, estéticas e valores, numa coexistência continuada e com uma dinâmica que se prolongou até aos nossos dias, a ponto de as praças, as ruas e os edifícios manterem, em larga medida, as suas funções e vocações tradicionais.A inscrição do Centro Histórico de Macau na Lista do Património Mundial foi a 31.ª da República Popular da China, que, com pragmatismo, tem sabido reconhecer aquela que é a verdadeira mais-valia de Macau: a sua ligação ao vasto mundo lusófono, com o qual aquele país quer manter relações 4 Em anexo do Dec.-Lei n.º 56/84/M, de 30 de Junho foi publicada a relação dos monumentos, edifícios, conjuntos e sítios classificados. 5 Estes Jogos foram da responsabilidade da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Portuguesa (ACOLOP).privilegiadas. Vem a propósito lembrar que foi sediado na cidade de Macau o secretariado permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, tendo sido também ali realizados, em Outubro de 2006, os I Jogos da Lusofonia5, congregando atletas seleccionados pelos Comités Olímpicos daqueles Países para competirem em dez modalidades desportivas, tirando proveito dos recintos construídos para os IV Jogos da Ásia Oriental, disputados em Macau em 2005, com reconhecido sucesso.Macau é, desde 20 de Dezembro de 1999, uma Região Administrativa Especial da República Popular da China e a sua população pode orgulhar-se do papel desempenhado por este velho entreposto comercial e cultural na História da China e do mundo. A presença de Portugal deu-lhe características singulares, físicas e humanas, e possibilitou-lhe um relacionamento especial com a Europa e com os territórios onde chegou o abraço armilar luso. Por isso, a cidade continua a acolher grandes reuniões internacionais, algumas das quais ligadas a organismos portugueses, como o Congresso da Associação Portuguesa de Imprensa, em Dezembro de 2005, e vários Encontros da Associação das Universidades de Língua Portuguesa, sendo até apropriado salientar que a presidência desta Associação foi confiada à Universidade de Macau em 2014. Instituições locais, académicas, culturais, sociais e económicas mantêm, por outro lado, uma presença activa em acontecimentos relevantes do mundo lusófono, compreendendo o contexto útil que permitiu o seu desenvolvimento, com uma ambição e uma capacidade que tiveram sempre uma dimensão muito superior à sua limitada geografia.Templo de A-Má.Macau
72 13 CHINA E PAÍSES LUSÓFONOS – PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO Novos Caminhos N.o 3MacauO Centro Histórico da CidadeO Centro Histórico de Macau abrange todo o tecido urbano que vem dos primórdios da cidade, englobando praças e largos, como os da Barra, do Lilau, de Santo Agostinho, do Senado, da Sé, de S. Domingos, da Companhia de Jesus e de Camões, as ruas adjacentes e uma sucessão de monumentos integrados neste espaço, como o Tempo de A-Má, anterior ao estabelecimento dos portugueses, dispondo de vários pavilhões dedicados a diferentes divindades e representando exemplarmente a diversidade da cultura chinesa nas suas vertentes confucionista, budista e tauista; o Quartel dos Mouros, edificado em 1874 na Colina da Barra com elementos arquitectónicos de influência mourisca; o Lilau, que foi um dos primeiros bairros residenciais típicos dos portugueses de Macau; a Casa do Mandarim, complexo residencial tradicional construído no século XIX para alojar uma importante personalidade chinesa; o Seminário e Igreja de S. José, base histórica da acção missionária na China e no Japão; as Igrejas de S. Lourenço, Santo Agostinho e S. Domingos e a Sé Catedral, recordando a pujança da acção missionária no Oriente; o Teatro D. Pedro V, o primeiro teatro de estilo ocidental na China, construído em 1860; a Biblioteca Sir Robert Ho Tung; o edifício do Leal Senado, com o Salão Nobre e a sua linda biblioteca; a Casa de Lou Kau, velha residência de um abastado mercador chinês; o Templo de Sam Kai Vui Kun, situado no antigo bazar chinês; a Santa Casa da Misericórdia, fundada pelo primeiro Bispo de Macau, em 1569; o pequeno templo de Na Tcha, mesmo ao lado das Ruínas de S. Paulo, o ex-libris de Macau; a chamada Casa Garden e o seu jardim envolvente; o Cemitério Protestante, onde estão sepultadas muitas figuras ligadas à Companhia Inglesa das Índias Orientais e um exemplo do cosmopolitismo da cidade; a Fortaleza da Guia com a Capela e o Farol, o primeiro edificado na costa da China; um troço das Antigas Muralhas de Defesa da cidade, construídas a partir de 1569; e a Fortaleza do Monte, que foi a principal estrutura defensiva da cidade, levantada pelos jesuítas entre 1617 e 1626.Nesses monumentos está espelhada uma História multissecular que caberá às novas gerações respeitar e assumir. A inclusão de Macau na Lista do Património Mundial constituiu também uma homenagem a essa História e representou para as autoridades locais a assunção duma responsabilidade perante o mundo, de conservação do património deixado aos jovens de hoje, naturalmente apostados na edificação da sociedade do futuro, mas sabendo que não haverá porvir estável sem memória e sem reconhecimento.MACAU - PATRIMÓNIO MUNDIALCentro Histórico de Macau1
14 15Critérios para a classificaçãoO Comité do Património Mundial da UNESCO toma as suas decisões com base em rigorosos critérios de avaliação. De acordo com as suas regras, para que um monumento, conjunto ou sítio possa merecer a classificação de “património mundial”, deve ele representar uma obra-prima do génio criador humano, ser exemplo de um importante intercâmbio de valores humanos num período de tempo definido ou dentro de uma determinada área cultural, fornecer um testemunho único ou de carácter excepcional sobre uma tradição cultural ou sobre uma civilização que ainda exista ou que tenha desaparecido, oferecer um exemplo excepcional de um tipo de construção, conjunto arquitectónico, tecnologia ou paisagem, que seja representativo de uma ou mais etapas significativas da História da Humanidade, constituir um exemplo excepcional de conglomerado humano ou de utilização territorial que seja representativo de determinada cultura ou culturas, ou estar directa ou tangivelmente associado a acontecimentos ou a tradições vivas, a ideias, a crenças, a obras artísticas e literárias que tenham significado universal excepcional. Após a aprovação, os bens classificados podem usar o emblema do Património Mundial da UNESCO. A Convenção para a Protecção do Património Mundial Cultural e Natural foi adoptada em Novembro de 1972, na 17.ª Assembleia Geral da UNESCO, realizada em Paris, tendo já sido ratificada por 180 países6. Coube à República Popular da China fazê-lo em Dezembro de 1985, após o que, logo em 1986, apresentou as propostas respeitantes à Grande Muralha, ao Palácio Imperial das dinastias Ming e Qing em Pequim, ao sítio do Homem de Pequim em Zhoukoudian, às Grutas de Mogao em Dunhuang, ao Mausoléu do Primeiro Imperador Qin e ao Monte de Taishan, para inclusão na lista da UNESCO. A aprovação foi obtida em 1987.Após a inscrição do Centro Histórico de Macau, na 29.ª sessão do Comité do Património Mundial, a China viu aumentada para 31 a totalidade dos seus monumentos e sítios classificados pela UNESCO.O emblema do património mundialTodos os monumentos e lugares que fazem parte da lista do património mundial podem usar um emblema próprio. Consiste num círculo, representando o mundo e simbolizando a protecção global do património pertencente a toda a Humanidade e os dons da natureza. Dentro dele está um quadrado, representando o produto da capacidade técnica e da inspiração humanas. O círculo não é completamente fechado, abrindo-se na parte inferior em duas linhas que se ligam ao quadrado, para simbolizar a interdependência entre a diversidade natural e cultural. Envolvendo exteriormente o círculo está, em várias línguas, a designação “património mundial”.Macau6 A Convenção para a Protecção do Património Mundial Cultural e Natural foi adoptada em Novembro de 1976, mas o Comité do Património Mundial só foi fundado quatro anos depois, em Novembro de 1976. O primeiro grupo de doze sítios foi inscrito na Lista do Património Mundial em 1978.Acções complementares necessáriasÉ louvável o esforço feito pelas autoridades da Região Administrativa Especial de Macau no sentido de preservar e valorizar o legado histórico e cultural. Em fases de impressionante desenvolvimento, em que a cupidez impera, sendo a obtenção do lucro fácil e rápido um objectivo imediato e generalizado, não é fácil manter os equilíbrios necessários com vista a garantir a protecção do património, ameaçado pela abundância de novas construções, pelo reaproveitamento de todos os espaços disponíveis e pelo sobredimensionamento de novas estruturas, comerciais, turísticas e recreativas, que podem contribuir para uma acelerada descaracterização dos sítios e conjuntos. Macau atravessou um desses períodos ao longo das duas últimas décadas. O sentido de equilíbrio nas decisões políticas nestas áreas e na elaboração dos planos urbanísticos é, pois, absolutamente indispensável.Importa, por outro lado, que haja um esforço conjugado de todos os organismos públicos, cada um no seu âmbito, fazendo o que estiver ao seu alcance para corresponder à expectativa que a decisão da UNESCO legitimamente veio suscitar, aumentando os níveis de exigência na limpeza da cidade, procedendo à regular conservação dos monumentos e áreas adjacentes, cuidando das zonas verdes envolventes, disciplinando um trânsito por vezes caótico, tomando medidas cada vez menos adiáveis neste domínio, ampliando e cuidando adequadamente das zonas pedonais, proibindo o uso incorrecto dos largos e vias integrados no Centro Histórico, tantas vezes invadidos por tendinhas e outras construções temporárias que agridem a estética e prejudicam a circulação de pessoas, prestando mais atenção às vendas ambulantes e à mendicidade e regulando o uso de cartazes e letreiros publicitários nos mesmos. É também indispensável o desenvolvimento de programas de animação compatíveis, a fiscalização rigorosa de restaurantes e lojas, um urbanismo menos ganancioso e um controle mais eficaz da poluição sonora, visual e atmosférica. Há, pois, mesmo muito que fazer. Estes não são, contudo, problemas específicos de Macau. Todos os países com monumentos e sítios classificados também os confrontaram e, com maior ou menor sucesso, procuraram para eles as melhores soluções ao seu alcance. E, sem mais demora, também é preciso encontrar um equilíbrio correcto entre o turismo de massas, porventura excessivo para a exiguidade7 do espaço territorial de Macau, e um turismo de qualidade, que estará mais ao seu alcance se nele se investirem prioritariamente e se a obsessão com os números puder ser atenuada. É que já nem há espaço para os imensos autocarros de turismo estacionarem, nem as estruturas de acolhimento têm condições para receber as multidões que vão chegando, dia e noite, ao terminal marítimo ou que atravessam a fronteira terrestre, que é uma das mais concorridas do mundo.7 A área total de Macau, já incluindo as ilhas e os novos aterros e outros em preparação, é cerca de 30 Km² apenas.
16 17Quando Macau apresentou a sua proposta à UNESCO, devia saber que estava a assumir responsabilidades agora irrecusáveis perante aquela organização internacional e perante o mundo. Importa, pois, que saiba merecer a distinção, sendo interessante registar a pressão positiva que algumas organizações não governamentais e grupos de cidadãos vão exercendo na defesa de um património cujo valor é cada vez mais reconhecido. E é uma satisfação registar o interesse da juventude de Macau na defesa exigente de um património que é, hoje, cada vez mais sentido e assumido como sendo seu, porque sabe que ele é um elemento caracterizador da sua própria identidade. Monumentos e lugares classificados, integrados no Centro Histórico de Macau• Templo de A-Má – Localizado no Largo da Barra, este é o templo mais antigo de Macau, sendo anterior à chegada dos portugueses. É um dos locais mais visitados da cidade. O topónimo Macau deriva do nome deste templo. A-Má é a deusa protectora dos pescadores e das gentes ligadas ao mar, sendo muito venerada pela população de Macau e pelas comunidades chinesas espalhadas pelo mundo. • Largo da Barra – Zona pedonal vistosamente pavimentada com calçada portuguesa, as suas pedras estão dispostas num padrão ondulante simulando a corrente do rio. Tem como principais atractivos o Templo de A-Má e o Museu Marítimo de Macau e confina com a marginal do Porto Interior.Macau• Quartel dos Mouros – Construção de influência mourisca, de meados do século XIX, é a sede da Capitania dos Portos de Macau, depois de ter funcionado como quartel. Está implantado entre os Largos da Barra e do Lilau. • Largo do Lilau – Centro de um velho bairro macaense de traça portuguesa, as edificações têm merecido constante preservação. Ali funcionou a lendária Fonte do Lilau ou do Nilau. Rezava a tradição que quem bebesse a água que dela brotava ficaria eternamente ligado a Macau.• Casa do Mandarim – Casarão edificado no início da segunda metade do século XIX, foi a residência de uma importante figura literária chinesa, de nome Zheng Guangying. O estilo é chinês tradicional, mas estão nele incorporados elementos ocidentais e indianos. Situa-se a dois passos do Largo do Lilau.• Igreja de S. Lourenço – É uma das três igrejas mais antigas de Macau. Edificada originalmente em meados do século XVI, a sua configuração actual data de 1846. A sua imponente fachada apresenta um estilo neo-clássico, com alusões ao barroco, e o edifício é circundado por um aprazível jardim.• Seminário e Igreja de S. José – Principal escola de formação missionária na costa da China, o seminário foi construído em 1728 e a igreja, de estilo barroco, trinta anos depois. Uma longa escadaria liga a igreja à velha Rua do Seminário e as suas traseiras confinam com o Largo de Santo Agostinho.• Largo de Santo Agostinho – Este largo, situado num ponto alto da cidade, é pavimentado com calçada portuguesa e concentra vários edifícios classificados, como a Igreja de Santo Agostinho, o Teatro D. Pedro V, o Seminário de S. José e a Biblioteca de Sir Robert Ho Tung. Ali está também um nicho com uma bonita imagem de Nossa Senhora do Imaculado Coração. • Igreja de Santo Agostinho – Foi construída primeiramente em madeira por padres agostinhos em 1586, mas a sua estrutura presente é de 1874. A entrada é flanqueada por colunas de granito e outras colunas suportam no interior o tecto em abóboda. A igreja guarda uma das mais belas imagens de Nosso Senhor dos Passos, cuja procissão anual é uma das mais participadas.• Teatro D. Pedro V – Construído em 1860, em homenagem ao Rei D. Pedro V de Portugal, a sua fachada neo-clássica só foi adicionada em 1873. Foi o primeiro teatro de estilo ocidental na China. O escritor inglês Austin Coates classificou-o como um dos mais belos pequenos teatros do mundo. Ali foram levados a efeito importantes eventos cívicos e culturais.• Biblioteca de Sir Robert Ho Tung – Edifício de finais do século XIX, foi residência de personalidades abastadas, entre as quais Sir Robert Ho Tung, influente magnata de Hong Kong, que o ofereceu em testamento ao Governo de Macau, em 1955, para nele funcionar uma biblioteca pública, a qual foi oficialmente inaugurada em 1958. • Edifício do Leal Senado – De estilo arquitectónico distintamente luso, ali funcionaram o velho Senado de Macau e a Câmara Municipal, sendo agora sede do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. Construído em 1784, foi profundamente remodelado em 1874. Ali está instalada, desde 1929, uma vistosa biblioteca com um valioso acervo de obras publicadas do século XVII a meados do século XX, muitas das quais relacionadas com a presença de Portugal no Oriente. O Salão Nobre e o pequeno jardim interior, bem como as suas galerias de exposições, são muito visitadas.• Largo do Senado – É o centro urbano de Macau. Zona pedonal por excelência, por ali transitam, diariamente, muitos milhares de pessoas, incluindo multidões de turistas. Circundam-no velhos edifícios de estilo colonial e a praça está pavimentada com calçada portuguesa, sobre a qual foi instalado um repuxo ostentando uma esfera armilar.• Santa Casa da Misericórdia – Fundada em 1569, à semelhança das velhas Misericórdias Portuguesas, ainda hoje funciona como instituição de solidariedade social. O edifício foi construído em meados do século XVIII, mas a sua estrutura neo-clássica actual data de 1905. Nele está instalado um museu com um rico acervo que permite entender a missão da Misericórdia. • Igreja da Sé – É a catedral de Macau, sendo ali realizadas as principais cerimónias religiosas católicas. Construída em 1622, é dedicada à
18 19Virgem Maria. A fachada ostenta janelas com vitrais. Sob o altar estão sepultadas as exéquias de bispos dos séculos XVI e XVII.• Largo da Sé – Circundam-no vários edifícios pertencentes à Diocese, incluindo o Paço Episcopal, além da Sé Catedral. • Casa de Lou Kau – Edifício de dois pisos, com características tradicionais chinesas de finais do século XIX, foi residência do abastado comerciante Lou Kau. No interior encontramos uma mistura de estilos, sendo notório o contraste entre as janelas de estilo manchú e gelosias portuguesas. Fica numa velha travessa que liga os Largos da Sé e de S. Domingos. • Largo de S. Domingos – É um prolongamento do Largo do Senado, zona pedonal e comercial por excelência. A Igreja do mesmo nome confere-lhe uma dimensão que surpreende os milhares de turistas que por ali circulam.• Igreja de S. Domingos – Foi originalmente construída em 1587 por padres dominicanos. Tem merecido das autoridades locais um esforço de conservação notável. É por muitos considerada a igreja barroca mais bonita do Extremo Oriente. Alberga um pequeno museu com uma colecção de mais de 300 artefactos católicos.• Ruínas de S. Paulo – “Ex-libris” de Macau, este monumento figura amplamente em cartazes, folhetos e documentários de promoção turística. A antiga igreja da Madre de Deus, construída entre 1602 e 1640, fez parte do histórico Colégio de S. Paulo, que foi a primeira universidade de modelo ocidental do Extremo Oriente. Foi destruída num incêndio ocorrido em 1835, restando-lhe apenas a imponente fachada, a escadaria monumental e a maior parte das fundações. Essa fachada, que exibe uma mistura de estilos orientais e ocidentais, é um verdadeiro “sermão em pedra”.• Largo da Companhia de Jesus – É o patamar de acesso pedonal à escadaria monumental fronteira às Ruínas de S. Paulo. Alguns edifícios ali implantados são de finais do século XIX e primeiro quartel do século XX.• Troço das Antigas Muralhas de Defesa da Cidade – Mapas antigos revelam que toda a cidade esteve rodeada por uma muralha e por fortalezas, cuja construção data de meados do século XVI. Este troço classificado fica junto das Ruínas de S. Paulo e do templo de Na Tcha. • Templo de Na Tcha – Construído em 1888, é consagrado a Na Tcha, divindade muito venerada pela população chinesa. Faz um contraste arquitectónico muito interessante com outras edificações desse local, exaltando o multiculturalismo que caracterizou a cidade ao longo de séculos. • Fortaleza do Monte – A maior fortaleza de Macau, com uma área de cerca de dez mil metros quadrados, teve um papel decisivo na defesa da cidade, repelindo as invasões holandesas. Foi construída entre 1617 e 1626. Nela funciona presentemente o Museu de Macau, de visita obrigatória, sendo aquele amplo recinto um local privilegiado pelas suas vistas panorâmicas. • Largo de Camões – Tem à sua volta o Jardim de Camões, onde se encontram a célebre gruta e o busto do imortal vate, a Igreja de Santo António, o Cemitério Protestante e a Casa Garden.• Casa Garden – Velho casarão do século XVIII, que foi residência de verão de comerciantes e filantropos, é uma das mais belas casas de Macau. Funcionou ali o Museu Luís de Camões, cujo espólio integra hoje o Museu de Arte de Macau, sendo agora o escritório da delegação da Fundação Oriente.• Cemitério Protestante – Ligado à Companhia das Índias Orientais, foi o primeiro cemitério protestante de Macau. A capela foi construída em 1821. Ali estão sepultados militares, sacerdotes, comerciantes e artistas ingleses, americanos, alemães e holandeses, sendo o seu mais célebre morador o famoso pintor George Chinnery.• Igreja de Santo António – É uma das mais antigas igrejas de Macau, tendo sido construída entre 1558 e 1560. O edifício actual é uma reconstrução feita na década de 1930, efectuada após um incêndio que a devastou em 1874. A procissão de Santo António junta todos os anos muitos éis. • Fortaleza e Farol da Guia – Construída em 1622, a fortaleza integra a bonita Capela de Nossa Senhora da Guia e o famoso Farol da Guia, ainda em funcionamento. É o ponto mais alto da cidade, com vista ampla sobre as ilhas adjacentes e a foz do Rio das Pérolas. Macau
20 21Templo de A-Má.Macau
22 23 MacauQuartel dos Mouros.
2524Largo do Lilau.
26 27Casa do Mandarim.Macau
2928Igreja de S. Lourenço.Seminário de S. José.Macau
3130Largo de Santo Agostinho.Teatro D.Pedro V.Macau
3332Biblioteca Sir Robert Ho Tung.Macau
34 35Igreja de S. Agostinho.Macau
37CHINA E PAÍSES LUSÓFONOS – PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO Novos Caminhos N.o 3Edifício do Leal Senado.Macau
38 39Largo do Leal Senado.Macau
40 41CHINA E PAÍSES LUSÓFONOS – PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO Novos Caminhos N.o 3Templo Sam Kai Vui Kun.Santa Casa da Misericórdia.
CHINA E PAÍSES LUSÓFONOS – PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO Novos Caminhos N.o 342Igreja da Sé.
4544Casa Lou Kau.
46 47Igreja S. Domingos.
48Templo Na Tcha.Ruínas de S. Paulo.
5150MacauTroço das Antigas Muralhas de Defesase Templo Na Tcha.Fortaleza do Monte.