João Palla Martins licenciou-se pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa tendo passado pelo Instituto Universitário de Arquitectura de Veneza. Colaborou com o Arquitecto Manuel Vicente em Macau e Lisboa entre 1990 e 1997. Como bolseiro da Fundação Oriente completou uma tese de investigação intitulada ‘Arquitectura de Bambu em Macau’. Em 2000, é um dos membros fundadores da Associação dos Arquitectos Sem Fronteiras Portugal. Completou o Mestrado em Design e Cultura Visual no IADE e o Doutoramento em Ciências da Arte na Faculdade de Belas Artes de Lisboa (2012). Ensina no IADE desde 1999 e dedica-se à prática profissional enquanto arquiteto em Macau expondo ocasionalmente artes plásticas.馬丁斯(João Pal la Mart ins)從里斯本建築學院獲 得 學 士 學 位 , 2 0 0 6 年 獲 創 意 大 學 ( I A D E ) 的設計及視覺碩士學位,2012年獲里斯本美術學院(FBAUL)繪圖科學博士學位。於1990年至1997年期間與Manuel Vicente建築師在澳門與里斯本合作。在東方基金會獎學金資助下,於1999年完成了「竹子作為澳門建築材料」論文。2000年為葡 萄 牙 無 國 界 建 築 師 ( A S F ) 的 創 會 成 員 之 一 。從 1 9 9 9 年 起 馬 丁 斯 在 創 意 大 學 ( I A D E ) 任 教 並主 力 從 事 建 築 師 工 作 。 他 在 澳 門 及 里 斯 本 均 曾 舉行展覽。João Palla Martins graduated from the Faculty of Architecture of the Universidade Técnica in Lisbon and passed through the University Institute of Architecture in Venice. He worked in collaboration with Architect Manuel Vicente in Macau and Lisbon between 1990 and 1997. As a scholarship holder of Fundação Oriente, he completed a research thesis entitled “Bamboo Architecture in Macau”. In 2000, he is one of the founding members of the Association of Architects “Sem Fronteiras” in Portugal. He also has completed a Master in Design and Visual Culture at IADE (Lisbon) and a PhD in Art Sciences at the Faculty of Fine Arts in Lisbon (2012). He teaches at IADE since 1999 and dedicates himself to professional practice as an architect in Macau, occasionally exhibiting fine arts.Retratos de Luso-Asiáticos de Macau 澳門葡亞後裔的肖像 Portraits of Luso-Asians of MacauJoão Palla Martins 馬丁斯 Retratos de Luso-Asiáticos de Macau澳門葡亞後裔的肖像Portraits of Luso-Asians of MacauJoão Palla Martins 馬丁斯
João Palla Martins 馬丁斯Retratos de Luso-Asiáticos de Macau澳門葡亞後裔的肖像Portraits of Luso-Asian of MacauConcepção e Coordenação Científica / 概念設計及製作統籌 / Scientific Coordination and Conception João Palla Martins e Instituto Internacional de Macau 馬丁斯,澳門國際研究所 João Palla Martins and International Institute of MacauPublicação e Edição / 編輯及出版 / Publisher and Edition Instituto Internacional de Macau 澳門國際研究所 International Institute of MacauFotografias / 攝影圖像 / PicturesJoão Palla Martins 馬丁斯Texto / 文字 / TextSheyla Zandonai 莎雪 娜Tradução e Revisão / 翻譯及校對 / Translation and RevisionInstituto Internacional de Macau 澳門國際研究所 International Institute of MacauImagem da guarda de livro / 環襯圖片提供 / Image on inners front and back coverAntónio Mil-Homens 安千民Concepção Gráfica / 版面設計 / Graphic DesignABM Design & ComunicaçãoImpressão / 印刷 / PrintingCastle-Productions Ltd - Decor, Events & Marketing Productions國圖製作有限公司·裝飾項目·廣告製作Tiragem / 發行量 / Copies500ISBN: 978-99965-59-44-0Apoio / 贊助 / SupportMacau, Março de 2020澳門,二〇二〇年三月Macao, March 2020Instituto Internacional de MacauRua de Berlim, 204, Edifício Magnificent Court, 2º (NAPE), Macau澳門國際研究所澳門新口岸柏林街2 0 4號星海豪庭 金星閣二樓International Institute of MacauRua de Berlim, 204, Edifício Magnificent Court, 2º (NAPE), MacauTelefone / 電 話 / Telephone: +853 2875 1727 / +853 2875 1767Fax / 傳 真 : +853 2875 1797E-mail / 電郵: iim@iimacau.org.mowww.iimacau.org.mo
Retratos de Luso-Asiáticos de Macau澳 門 葡 亞 後 裔 的肖 像Portraits of Luso-Asians of MacauGoaMyanmarMacauJacartaTimor-lesteFloresMalásiaHong KongTailândiaSri LankaJoão Palla Martins 馬丁斯Singapura
5Na sua obra On Photography, publicada em 1977, Susan Sontag argumenta que “photographed images do not seem to be statements about the world so much as pieces of it, miniatures of reality that anyone can make or acquire”.1 A autora e ensaísta fazia referência a um momento de fascínio sobre a fotografia no início do século XX, então novo código visual, quando a câmara começava a instruir o gosto popular e tornava possível fixar, imortalizando o momento, a memória, enfim, o mundo observado.Com o lançamento da agora afamada câmara Kodak em 1888, o acto fotográfico passa a estar ao alcance da mão do fotógrafo amador. As imagens de família, de celebra-ções e viagens, da vida extravagante das grandes cidades à pacata existência do subúrbio, todas passam a constituir um imenso e crescente acervo, cujas peças da vida privada, íntima, atravessam e se transformam pela lente que filtra e educa o olhar citadino. Enquanto produto, a fotografia é, ainda na percepção de Sontag, “a neat slice of time.” O retrato captura a experiência, a passagem de um pensamento no rosto, o reflexo de um instante de interacção com o autor da imagem: “To photograph is to appropriate the thing photographed.”Em Retratos de Luso-Asiáticos de Macau, João Palla Martins reúne imagens de crian-ças, mulheres e homens de idades distintas que têm em Macau o lugar de seu nascimen-to ou dos seus antepassados e, por vezes, de residência – para aqueles que não deixa-ram a cidade – ainda que muitos tenham antes vivido em outras localidades, na Europa, América ou Austrália. Em comum, partilham também a experiência da miscigenação 1 As imagens não parecem ser declarações sobre o mundo, mas antes peças do mesmo, miniaturas da realidade que qualquer um pode fazer ou adquirir (tradução livre).Retratos de uma história rica em latitudesSheyla S. Zandonai*
6 que os define geralmente como “eurasiáticos,” e que constitui ainda, para aqueles que se identificam como “macaenses,” um dos elementos estruturantes da etnicidade. Logo, através do retrato, o autor assenta o registo da realidade cultural complexa de um povo que remonta à formação de Macau no século XVI como entreposto comercial português no Oriente, e cuja continuidade desafia uma categorização fácil. Abraçando um rol específico, mas amplo de etnias que ora se agregam, ora se subtraem ao factor da “mistura de sangue,” o eurasiático de ascendência lusa dispõe em Macau de um elemento de identificação e de pertença colectiva que o define geralmente enquanto macaense. Per-manece, entretanto, livre para se identificar com outras bandeiras, mormente a portuguesa.A meu ver, ao sintetizar as fotografias reunidas neste volume como os “rostos portu-gueses deixados na Ásia,” o fotógrafo assinala três elementos principais na identidade das imagens publicadas: a individualidade do retrato, a herança portuguesa comum aos indivíduos representados e a pluralidade que caracteriza o elemento asiático ine-rente aos processos de miscigenação que têm lugar em Macau. Não é, porém, a primeira vez que indivíduos de origem luso-asiática se fazem retra-tar. A representação fotográfica de personalidades e famílias proeminentes macaenses, por exemplo, consta de um número de relatos históricos, genealogias e livros publica-dos, além do acervo dos arquivos municipais de Macau. Outras imagens antigas da co-munidade, como fotos de família ou de eventos sociais e festivos, muitas vezes católicos, aos quais sempre estiveram usualmente associados, terão viajado, bem guardadas na mala daqueles que deixaram a cidade em busca de oportunidades ou de refúgio em país distante. A colectânea de portraits aqui reunida, ao se prestar ao registo de rostos que um dia serão parte do passado para as gerações futuras, vem somar-se ao legado visual da história macaense e, por conseguinte, da história de Macau.Logo, o retrato singular resulta na obra de João Palla Martins tanto numa forma de expressão individual como numa espécie de certidão pública, colectiva: ao mesmo tempo que se empenha em captar a personalidade ou a natureza íntima e pessoal do sujeito fotografado, expõe o objecto visualizado a uma plateia desconhecida. Em tem-pos de nova revolução dos códigos visuais, na origem da atrofia da forma impressa que outrora alimentara a mística da fotografia, e que cede agora à imagem virtual e online, rápida e facilmente descartável, o valor documental do testemunho fotográfico que pode ser guardado e revisitado é indiscutível.Nenhuma imagem é, contudo, neutra. O fotógrafo actua quando escolhe qual ima-gem deve ser exibida ou que expressão do sujeito fotografado deseja tornar pública. “A photograph is not an opinion. Or is it?” indagou Sontag na mesma obra a que há pouco fiz referência. Assim, o autor projecta invariavelmente a sua percepção do objecto retra-tado. Ao fazê-lo, direcciona o olhar do observador externo.
7O meu olhar sobre as fotografias apresentadas no livro é o de antropóloga, pro-fessora, jornalista, observadora e estudiosa das coisas e das gentes de Macau. O do terceiro observador poderá ser distinto ou coincidente. A carga da contextualização e da experiência vivida revigoram-se no carácter interpretativo da imagem. É nessa confluên-cia de sentidos que se edifica o interesse sociológico do trabalho fotográfico.A realidade que o autor captura em “miniatura” é, portanto, no meu entender, não só a da existência cultural ímpar do povo eurasiático e macaense; é também a do micro-cosmo humano que representa a cidade global em que se formou e prosperou Macau, nascida do cruzamento mais prolífico que hostil, no que aparenta, de correntes ideoló-gicas, comerciais e culturais diversas.O mito fundador da miscigenaçãoA prática dos casamentos interétnicos na origem da constituição de um povo luso-a-siático em Macau, e elemento definidor da etnicidade macaense, tal como apresentado pelos membros desta que ora chamaremos comunidade, estão descritos em inúmeros relatos históricos, que vão dos textos do historiador Charles Boxer aos ensaios do Padre Manuel Teixeira, grande conhecedor das coisas e das gentes de Macau. Desde a chegada e instalação dos portugueses em Macau, nos princípios e meados do século XVI, respectivamente, foram lançadas as bases do que tornaria possível a pro-dução de uma nova etnicidade, assente em características étnicas, linguísticas e culturais próprias, nomeadamente em virtude da prática portuguesa de emprego de populações distintas nas localidades em que se estabeleciam.Na extensão do seu domínio de possessões ultramarinas, do extremo ocidental no Brasil ao extremo oriental no Japão, os portugueses fincaram bandeira em vários pontos geográficos dos litorais navegáveis e rotas de comércio que davam cor e sabor à, até então, monótona cozinha europeia e revestiam de interesse pouco banal o vestuário, as ferramentas e os ornamentos domésticos. Não seria, portanto, em demasia celebrar a coragem e a determinação dos portugueses em expandir as fronteiras do mundo que conheciam a despeito de limitações demográficas, técnicas ou financeiras, embora os resultados nem sempre tenham gerado bem-estar geral. Das muitas feitorias, cidades portuárias, costas inabitadas, ou, mais tarde, grandes extensões de terra, que se desenvolveram de maneira mais ou menos permanente sob o domínio português, Macau é o sítio onde se fez sentir de modo algo subtil, embora perene, a presença portuguesa, atravessando cerca de 450 anos de história. Não é possível aqui discorrer sobre as tantas particularidades que desde o início fizeram de
8 Macau um empório invulgar. Todavia, é relevante considerar que, nascida de um acordo privado de comércio entre mercadores portugueses e autoridades chinesas, como nú-cleo de capitalismo laissez-faire e de ânimo desprendido, a diversidade étnica e cultural, rapidamente, se fez em casa.Neste contexto, são várias as teses que se conjecturam sobre a formação étnica da população luso-asiática de Macau e a parcela, maior ou menor, que representa a par-ticipação de mulheres de origem malaia, indiana (goesa), timorense, japonesa ou chi-nesa, mais cedo ou mais tarde, na união com o homem português na sua composição. Por um lado, documentos históricos que constituem, por exemplo, os registos de ca-samento na Diocese de Macau atestam a união de homens portugueses com mulheres de origem chinesa, via de regra convertidas. Ana Maria Amaro defende ainda que os primeiros luso-descendentes de Macau são fruto da união de portugueses com mulhe-res de etnias distintas vindas de outras possessões do império português no Oriente, aquando dos primórdios do estabelecimento português na península, a partir de mea-dos do século XVI.Mais especificamente no que toca à etnicidade macaense, enquanto o envolvimento da mulher chinesa foi durante longo tempo rebatido, o discurso identitário das gerações actuantes durante a transição de poderes (pré-1999), tal como o defendeu João de Pina-Cabral, redefiniu o papel da interculturalidade na identificação desta população, abrindo portas para a introdução e o reconhecimento do “sangue chinês” no discurso das gerações subsequentes.Assim, e apesar de o discurso identitário de algumas gerações sob o domínio co-lonial português, estabelecido a partir da segunda metade do século XIX, contestar o envolvimento chinês na produção da etnicidade macaense, há episódios conscientes de reavaliação de tal posicionamento, nomeadamente com a aproximação da era de governação chinesa.Com a transferência de poderes em 1999, Macau recobra, enfim, um momento de serenidade que arremata o desassossego e a incerteza que marcaram durante anos a vivência da cidade. Dentre aqueles que buscaram refúgio fora, muitos retornam quan-do a tempestade cede à calmaria – antes que se anuncie a vertiginosa transformação sócio-urbana imposta pela liberalização da indústria do jogo a partir de 2001. Nesse momento de retrospecção, a continuidade da prática dos casamentos interétnicos e a reinvenção da identidade macaense num contexto mais sinizado, continuam, todavia, a estar ligadas à portugalidade.Contudo, também é este pilar luso múltiplo, produto da soma de outras partes. A “costela” portuguesa, predominante, revela-se, em alguns casos, já mestiça, com mistura indiana ou africana, ou outra que não portuguesa, moura ou espanhola.
9Até certo ponto, a portugalidade que caracteriza, em particular, os ascendentes da co-munidade que hoje chamamos macaense, outrora dita “mestiça,” era definida ainda pela religião, sobretudo, na conversão de homens e mulheres chinesas, malaias e japonesas, ao catolicismo – o credo definia então fortemente a identificação ao “ser português.”É importante assinalar que, durante séculos de coexistência, em Macau não houve partilha plena do espaço geográfico, mas antes separação física. Rapidamente, a cida-de se fez em duas moradas, a cristã e a chinesa, cuja divisão original pode ainda hoje ser identificada nos destroços da muralha que durante quase três séculos as separou. Se o muro separava chineses e portugueses, o comércio, a religião e o afecto reunia--os. De facto, o contacto interétnico era uma realidade da vida quotidiana – elementos que Henrique de Senna Fernandes tão vivazmente relatou em obras como Nam Van e A Trança Feiticeira. O comércio e os negócios geravam oportunidades de convívio, a con-versão abria as portas da cidade cristã aos chineses, o trato, enfim, dava azo a alianças.O “mestiço,” com as suas múltiplas origens e afinidades culturais, revela-se em diferentes identidades: português do Oriente, chinês, português ou macaense, este que só se distingue tal como hoje o entendemos com o passar dos anos. Antes, ele era maquista, como eram assim chamados ou se autodenominavam os membros desta população na expressão linguística de preferência, o patuá, que perde progressiva-mente importância com a imposição do governo colonial a partir de 1846, momento em que o português metropolitano se firma como língua da administração – e passa a ser almejado como instrumento de ascensão socioeconómica.Etni-cidadeNão resta dúvida. Na sua heterogeneidade, a população luso-asiática que tem ori-gem em Macau existe em diferentes combinações genealógicas, raramente repetidas à exaustão. Esta questão da (múltipla) geografia das origens – da qual o patuá faz uso com graça com o termo champurado, “misturado” – revelando uma relação íntima com a identidade cultural de Macau.Por um lado, a origem étnica permite-nos identificar processos históricos globais que incluem circuitos de comércio e fluxos migratórios diversos, criados e reinventados ao sabor das eras e dos apetites do consumo – porcelana e seda, prata, especiarias, chá, ópio, etc. – participando activamente na formação de Macau, ao longo dos anos, como entreposto mercantil e religioso no sul da China. Por outro lado, os luso-asiáticos carregam os elementos desta história complexa das origens, enfatizando, porventura, o legado português, e figuram como um dos produtos
10 mais eminentes da materialização destes processos, por assim dizer, ora harmoniosos, ora confli-tuosos, do comércio, da política, e da fé.Em particular, os macaenses incorporam esta história global e reivindicam ser a sua encarna-ção, como uma qualidade daquilo ou daquele que é local, ligado a Macau e às suas memórias. A culinária macaense, o patuá e a arquitectura religiosa e secular da cidade são também prova cabal destes desenvolvimentos e das composições a que se emprestam.São, afinal, os “filhos da terra,” na designação portuguesa assente do termo chinês 土生葡人, que sugere, em última análise, uma reivindicação de pertença à cidade como horizonte derradeiro da identificação. Logo, o elemento aglutinador do ser macaense, mais do que es-tritamente a miscigenação que caracteriza globalmente o eurasiático, é a “intimidade cultural” – tomando de empréstimo o termo do antropólogo Michael Herzfeld – que cultiva com a cidade, com a terra e com as suas gentes, com a maneira de ser e de estar próprias de Macau. Onde há identificação a uma ou outra localidade, a face estampa, porém, uma história mais complexa, rica em latitudes. Logo, na obra aqui apresentada, o projecto colectivo do retrato fotográfico surge como um tributo à diferença e à diversidade. É um acto de consagração da especificidade de Macau e das suas gentes.* Sheyla S. Zandonai é doutora em antropologia, investigadora e jornalista baseada em Ma-cau, com trabalhos académicos publicados em livros e periódicos internacionais sobre diversos aspectos da sociedade de Macau, incluindo património, etnicidade macaense, pertença e identi-dade, e o impacto do turismo e do urbanismo do jogo na cidade. Sheyla é investigadora associa-da ao Laboratoire Architecture Anthropologie (LAA) da École Nationale Supérieure d’Architecture de Paris La Villette (França) desde 2014, e contributing editor do Macau Daily Times desde 2019, função que assumiu depois de ter chefiado a redação da Macau News Agency (MNA).
11蘇珊.桑塔格(Susan Sontag)在她的作品《論攝影》一書中寫道:「攝影影像並不是對世界形象的描述,而是世界的本質,是現實的縮影,任何人都能創造或獲取 2。」在這一著作中,桑塔格提及了二十世紀初期大眾對於攝影的狂熱,照相機成為膾炙一時的娛樂。攝影影像能保留一刻的永恆、記憶,甚至是世界現實,被視為一種新的視覺享受。隨著一八八八年柯達相機推出至今,攝影便不再是仿如登天的難事。每一位攝影愛好者人手一台照相機,從大城市的奢華生活再到郊區的舒適愜意,家庭、慶典和旅行等生活的瑣碎片段都能夠利用鏡頭一一盡錄收藏。對於攝影影像的理解,引用桑塔格的話來說,是「一段被切得整整齊齊的時間」。而肖像攝影似乎就是時間的定格,攝影師捕捉人物臉容上瞬息即逝的一縷思緒,以及與攝影者互動時的霎時反應──「拍攝即是占用被拍攝的東西」。在這本《澳門葡亞後裔的肖像》攝影集中,馬丁斯(João Pal la Mar -t i n s ) 匯 集 了 他 的 攝 影 作 品 , 主 題 環 繞 著 各 個 年 齡 階 層 的 男 性 及 女 性 , 以 及小孩的肖像照片,這些人物都有一個共同點──擁有澳門背景的葡亞後裔群體,有些是在澳門出生或現居於澳門,或是曾居於歐洲、美洲及澳大利亞等人物肖像於歷史的深度與緯度莎雪娜(Sheyla S . Zandonai)*2 《論攝影》是蘇珊.桑塔格於一九七七年的一部作品。上述原文為「Photographed images do not seem to be statements about the world so much as pieces of it, miniatures of reality that anyone can make or acquire」。
17In her 1977 essay collection, On Photography, celebrated American writer Susan Sontag argued that “photographed images do not seem to be statements about the world so much as pieces of it, miniatures of reality that anyone can make or acquire”. The author was referring to a moment of fascination with photography in the early 20th century, shortly after the Kodak camera made its debut in 1888 and democra-tised the medium. As a “new visual code”, Sontag observed that photography made it possible for ev-eryday people to immortalise daily events and moments with the “click of a button”. From extravagant lives in big cities to the quiet existence of suburbs, amateur photographers were able to safeguard family images, celebrations and travels. “A neat slice of time,” as the American writer put it, photographs also have the power to capture precious mem-ories of people. Like an extension of the subject, the portrait illustrates the passage of time, a fleeting thought, vulnerability and concealment. It is an unspoken reflection of an interaction with the author of the image: “To photograph is to appropriate the thing photographed,” wrote Sontag in her essay.In Portraits of Luso-Asians of Macau, João Palla Martins harnesses his craft to tell the story of men, women and children of mixed descent who were born or raised in Macau – individuals who call the city home, even if they live or have lived abroad. By featuring subjects who traverse ages and geographies, Palla Martins depicts the diversity within this group, whose origins can be traced to the 16th century when Macau was formed as a Portuguese trading outpost in the East.As the Portuguese expanded their network of trade ports in the region, their rela-tionships with different cultures gave way to this “mixed blood” population, genera-Portraits of a multicultural historySheyla S. Zandonai*
18 tions of Eurasians of Portuguese descent, also known as Luso-Asians. Encompassing a specific yet extensive family of ethnic groups, Eurasians who find in Macau an element of identification and collective belonging generally define themselves as Macanese, with the freedom to self-identify with other nationalities, especially Portuguese. Mixed ancestry is, nevertheless, commonly accepted to be one of the structuring elements of Macanese ethnicity.From my point of view, as an anthropologist and scholar who has studied Macau society and heritage for many years, Palla Martins’ portraiture explores three main ele-ments of identity: each subject’s individuality, a shared sense of Portuguese heritage, and a multifaceted Asian genealogy. Accordingly, this collection of portraits serves as both a form of individual expression and a type of public, collective exploration of what it means to be Luso-Asian. While striving to capture the personality of each individual portrayed, Palla Martins generates a visual understanding of this group as a whole. It is not the first time that individuals of Luso-Asian origin have been portrayed, how-ever. Photos of prominent Macanese personalities and families, for instance, appear in a number of historical reports, genealogies, and publications, in addition to Macau’s municipal archives. Earlier images, from family photos to the Catholic processions and festivals that have long been associated with the existence of the Macanese in the city, may have been carefully packed in the suitcases of those who left Macau in search of opportunities or refuge in a distant country. Offering another perspective on the Lu-so-Asian story, the documentary value of this photographic testimony is indisputable. The collection of portraits in this book will enhance the visual legacy of the city and the Macanese people. No image, however, is neutral. The photographer selects the final print to be displayed, the expression on an individual’s face. “A photograph is not an opinion. Or is it?” Sontag asked in her essay. Hence, the author invariably projects his perception of the depicted object and, in so doing, impacts the gaze of the observer. As an observer myself, I review Palla Mar-tins’ work also from the perspective of a journalist and Macau resident. Others might see the photos differently. The value of context and a person’s lived experience inform the interpre-tation of each individual image, as well as the collection as a whole. The work’s sociological interest is built in this confluence of meanings.In my opinion, the reality the author captures in “miniature” not only encapsulates the unique cultural existence of Eurasian and Macanese people, but also the human micro-cosm that represents Macau, which was formed as a global city, born from an amalgam of ideological, commercial and cultural currents.
19The collection in contextThe arrival and the settlement of Portuguese in Macau in the beginning and middle of the 16th century, respectively, laid the foundations for the creation of a new Eurasian pop-ulation, built on its own ethnic, linguistic and cultural features. The Portuguese commonly transported people to work with them across their various settlements – a practice which brought populations from Malacca, Goa, and Japan to Macau, and greatly contributed to the development of the Macanese ethnicity.Across their domain of overseas possessions, stretching from the far west in Brazil to the far east in Japan, the Portuguese set foot in many geographically strategic locations. Lured by a fascination with Asian culture, they traded on spices that en-hanced the then monotonous European cuisine and turned clothing, tools and or-naments into more appealing objects. Therefore, it wouldn’t be an overstatement to highlight the determination of the Portuguese to expand the borders of the world they knew despite demographic, technical and financial limitations, although the results, as we all know, did not always lead to general well-being.Of all of the trading posts, port cities and uninhabited coasts developed under Por-tuguese rule, Macau saw the longest Portuguese presence, spanning roughly 450 years. It is not possible to examine the various particularities that made Macau an exceptional outpost to begin with here, however, it is important to understand that Portuguese mer-chants and Chinese authorities established a private trade agreement that would estab-lish Macau as a centre of laissez-faire capitalism in Asia. And in this free-spirited enclave, ethnic and cultural diversity rapidly found themselves at home. In this context, several theses speculate on the formation of the Luso-Asian population of Macau, particularly when it comes to the union of Portuguese men with women of Malaysian, Indian (Goan), Timorese, Japanese or Chinese descent. A large number of historical accounts, ranging from historian Charles Boxer’s manuscripts to the essays of Father Manuel Teixeira, an authority on matters of Macau, describe the practice of inter-ethnic marriage in the creation the city’s mixed population. Historical documents, such as marriage records in the Diocese of Macau, also testify to the unions between Portuguese men and women of Chinese origin. Late author Ana Maria Amaro, who wrote prolifically about Macau’s customs and traditions, also stated that the first Luso-descendants of Ma-cau were the children of Portuguese men and women hailing from other possessions of the Portuguese Empire of the East.At the same time, the Portuguese shared very little geographical space with the indigenous Chinese people in Macau. On the contrary, the city quickly formed two distinct dwellings, one for Christians and the other for Chinese, divided by a wall. The boundary, traces of which
20 can still be seen today, would separate them for three centuries. While the wall physically segregated the Chinese and Portuguese, trade, religion and affection brought them together. Interaction was a reality of everyday life, which late Macanese writer Henrique de Senna Fer-nandes so vividly described in works such as Nam Van or A Trança Feiticeira (The Bewitching Braid). Trade and businesses required collaboration, the Catholic church invited residents to worship and convert, and intimate relationships led to alliances and, in many cases, offspring.While some generations under Portuguese colonial rule rejected the involvement of Chi-nese women in Macanese ethnicity for a long time due to perceived notions of lower status, the identification discourse began to shift by the second half of the 20th century, as the admin-istration approached the 1999 handover of sovereignty to China. As João de Pina-Cabral, a Portuguese anthropologist who has written several publications on Macau, has argued, the identity discourse of the generations active during the handover period (before 1999) has redefined the role of interculturality, or multiethnicity, in the construction of this population’s collective identity. This shift paved the way for acknowledgement of “Chinese blood” in the discourse of forthcoming generations.Rooted in MacauAfter the handover, Macau saw a short period of calm that put an end to the disquiet and uncertainty that had affected life in the city for many years. In that time of retrospection, before the liberalisation of the gambling industry in 2001 produced overwhelming social and urban transformation, the Macanese identity was reinvented in a more sinicized con-text, while maintaining its links with portugueseness. This “sense of being Portuguese”, which characterizes Macanese ancestors (once known as “mestizos”) in particular, has often been tied to cultural practices, language and religion. Catholicism played an important role, pri-marily through the conversion of Chinese, Malaysian and Japanese men and women. Of course, the Luso component has its own pluralities: after all, the predominant Portuguese ‘bit’ is already mixed, drawing from Indian, African, Moorish or Spanish stock.In Macau, the ‘mestizos’, formed by multiple origins and cultural affinities, have many different identities: Portuguese of the East, Chinese, Portuguese, or simply Macanese, the latter being a more contemporary definition. Previously, this group self-identified as Maquistas in their preferred linguistic expression, Patuá, a Portuguese-based creole lan-guage influenced by Malay, Cantonese and Sinhalese. However, Patuá gradually fell out of use as standard Portuguese became a means of socio-economic promotion. In their diversity, the Luso-Asian population that originated in Macau exists in nearly infinite genealogical combinations, seldom repeated to exhaustion. This tapestry of origins
21– to which patois gracefully refers to as champurado, or “mixed” – is closely connected to global developments across history, from migratory flows to trade circuits which were continuously recreated according to society’s appetites and consumption: over the years, goods like porcelain, silk, silver, spices, tea, and opium have actively contributed to the formation of Macau as a mercantile and religious outpost in southern China.Luso-Asians embody elements of these complex developments, as one of the most conspicuous products to have emerged from these processes of trade, politics, and faith. The Macanese, in particular, incorporate the city’s global history. Their cuisine, the patois, and the city’s religious and secular architecture also stand as sheer proof of the complex, hybrid forms these developments assume. Intrinsically linked to Macau and its memories, the Macanese are, after all, the filhos da terra (meaning, “children of the land”), evoking the Chinese expression 土生葡人.In essence, these terms suggest a sense of belonging to the city as the ultimate form of identification. The Macanese are not narrowly defined by the miscegenation that gen-erally characterizes the Eurasian, but rather a deep connection with the city, Macau, as a place. To borrow from noted British anthropologist Michael Herzfeld, one of the most powerful forms of identity is that of “cultural intimacy”, which people cultivate in relation to the city, the land and its people. The binding element of Macanese ethnicity, therefore, is not solely a matter of physical traits or geographic origins, but also a feeling of famil-iarity and profound connection with the distinct rituals, language and daily rhythms that are unique to Macau.This brings us back to Palla Martins’ photography collection of the Luso-Asian of Macau. In the pages that follow, his collective project of photographic portraits, each of which is intimate and powerful on its own, appears as a tribute to difference and diversity. An artistic work that consecrates the specificity of Macau and its people.* Sheyla S. Zandonai, Ph.D., is an anthropologist, researcher and journalist based in Macau. Her academic works have been published in books and international journals on different aspects of Macau society, including heritage, Macanese ethnicity, belonging and identity, and the impact of tourism and gambling urbanism on the city. Sheyla is associate researcher at the Laboratoire Architecture Anthropologie (LAA) of the École Nationale Supérieure d’Architecture Paris La Villette (France) since 2014, and contrib-uting editor of Macau Daily Times since 2019, a role she took on after her term as Edi-tor-in-Chief of the Macau News Agency (MNA).
22 Bibliografia / 參考資料 / References Abu-Lughod, Janet L. 1989. Before European Hegemony: The World System A.D. 1250--1350. New York, Oxford: Oxford University Press.Amaro, Ana Maria. 1998. Das cabanas de palha às torres de betão – assim cresceu Macau. Lisboa: Livros do Oriente.Amaro, Ana Maria. 1988. Filhos da terra. Macau: Instituto Cultural de Macau.Boxer, Charles Ralph. 1974. “Macao as a Religious and Commercial Entrepôt in the 16th and 17th Centuries”, in Acta Asiatica: Bulletin of the Institute of Eastern Culture. Tokyo: the Toho Gakkai, no. 26, p. 64-90. Boxer, Charles Ralph. 1963. Race Relations in the Portuguese Empire: 1415-1825. Oxford: Clarendon Press.Boxer, Charles Ralph. 1948. Fidalgos in the Far East, 1550-1770 – Fact and Fancy in the History of Macao. The Hague: Martinus Nijhoff.Brubaker, Rogers. 2004. Ethnicity without Groups. Cambridge, Massachusetts, and London, England: Harvard University Press.Chun, Allen. 1996. “Fuck Chineseness: On the Ambiguities of Ethnicity as Culture as Identity”, in Boundary 2, vol. 2, no. 23, Summer, p. 111-138.Flores, Jorge Manuel. 2005. “Macau e o Comércio da Baía de Cantão (séculos XVI e XVII), in Matos, Artur Teodoro de e Thomaz, Luís Filipe F. Reis (eds.), As Relações entre a Índia Portuguesa, a Ásia do Sueste e o Extremo Oriente. Actas do VI Seminário de História Indo-Portuguesa. Macau/Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, p. 21-48.Frank, Andre Gunder. 1998. Reorient: global economy in the Asian Age. Berkley, Los Angeles, London: University of California Press, Ltd. Friedman, Jonathan. 1994. Cultural Identity and Global Process. London, Thousand Oaks, New Delhi: Sage Publications.Herzfeld, Michael. 2016. Cultural Intimacy. Social poetics and the real life of the states, societies, and institutions. London and New York: Routledge. Montalto de Jesus, C. A. 1984. Historic Macao. Hong Kong: Oxford University Press. Pina-Cabral, João de. 2002. Between China and Europe: Person, Culture and Emotion in Macao. London and New York: Continuum. Pina-Cabral, João de e Lourenço, Nelson. 1993. Em terra de tufões: dinâmicas da etnicidade macaense. Macau: Instituto Cultural de Macau.Porter, Jonathan. 2000. Macau: The Imaginary City. Boulder: Westview Press.Ptak, Roderich. 1991. “China and Portugal at Sea: The Early Ming System and the Estado da Índia Compared”, Revista de Cultura, no. 13-14, p. 21-38.
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24 Maria Isabel Gomes dos Santos Marreiros
25Carlos Alberto Anok Cabral
26 João Miguel Andrés Xavier
27Sandra Manhão Basilio
28 Eliana da Silva Pedruco
29José Celestino da Silva Maneiras
30 Ivan de Carvalho Nunes
31Jorge Basto Nunes
32 Sandra Niza Barros
33Anabela Niza Barros Silvério
34 Eunice da Silva Pedruco
35Manuel Sousa Pinto Variz
36 Roberto Artur da Luz Carneiro
37Marina de Senna Fernandes
38 António Maria da Conceição Costa Madureira
39Alice Corte-Real
40 Beatriz Seabra da Conceição Madureira
41António da Conceição Júnior
42 Olivia Pereira
43Daniel Delgado de Souza
44 Nuno de Senna Fernandes Jr.
45Filomena Maria Paes D’Assumpção Marques Noronha
46 Raul Sebastião Ribeiro Corujo
47Filomeno António Manhão Jorge
48 Aiden Valentino de Matos Jorge
49Paula Cristina Pereira Carion
50 Isabela Madeira da Silva Pedruco
51Jorge Manuel Joaquim Neto Valente
52 Sónia Terezinha de Jesus Palmer
53Aida Rosa de Jesus
54 Nuno Miguel Ribeiro Ché da Paz
55Vanessa Estorninho
56 Cristina Gomes McKay
57André Duarte Xavier Sales Ritchie
58 Gabriel Sales Marques
59Guilhermina Madeira da Silva Pedruco Dias
60 Miguel da Costa
61Alexandra Paula Costa Mendes
62 Herculano Henriques Sequeira
63Mariana Pinto Leitão Pereira
64 José Filipe Lam Nogueira
65Alexandre Leong Pedrosa dos Santos Marreiros
66 Miguel Marcos Mendes Khan
67Maria Susana Inácio Guedes Pinto
68 Margarida Maria Ferreira da Luz
69Eduardo Vitor de Melo Jorge de Magalhães e Malena Nunes Jorge Freire de Magalhães
70 Cecília Jorge
71José António Carion Júnior
72 Natalie de Jesus Leong
73Joana da Canhota de Almeida Bucho
74 Jorge Alberto Hagedorn Rangel
75Cristina Senna Fernandes Malheiro
76 Rafael Sales Marques
77Elisa Meira de Jesus Pereira
78 Ana Andreia Ribeiro Corujo
79Marina Gomes Ribeiro
80 José Gonçalo Basto da Silva
81Carla Alexandra do Rego Lopes
82 Filipe Senna Fernandes
83Tatiana Marques Cheong
84 Carolina Mello e Silva da Fonseca Castanheira
85Lídia Maria dos Santos
86 Tertuliano de Senna Fernandes
87Ana Cardoso
88 Esmeralda Manhão
89Liliana Vizeu Bento da Silva eMadalena Bento da Silva
90 Carlos de Sousa Pinto Variz
91Ana Vanessa das Neves Saraiva
92 António Monteiro
Adriana Andrade
94 Aleixo Siqueira
95Manuela de Jesus Palmer Carlsson eMaya de Jesus Palmer Carlsson
Nota do autorEstes rostos, espelho de vários séculos de miscigenações, são resultado, num primei-ro momento, da chegada a Macau de portugueses e luso-descendentes oriundos de Malaca, da Índia Portuguesa e de outros lugares do sudeste asiático. Foram-no também, mais tarde, do cruzamento entre portugueses e chineses, criando uma diáspora que vai do Canadá à Austrália, Hong Kong, Brasil e Portugal. Esta recolha, inteiramente concebida em Macau, constitui parte de um trabalho mais alargado junto das actuais comunidades luso-descendentes do sudeste asiático, au-tênticos bastiões de resistência que ao longo dos séculos preservaram, em maior ou menor grau a cultura portuguesa - língua, gastronomia, música, religião. Contudo, a misticidade permanece visível na fisionomia das pessoas; fotografar os traços distintivos e particulares do seu rosto é o nosso objectivo.Notórios contrastes sociais levaram-nos a procurar idênticas soluções de captação para todos os retratados, sempre com a luz do dia, fundos de arvoredos, menor profun-didade de campo possível e enquadramentos semelhantes, como de uma colecção se tratasse. Igualmente se pediu aos fotografados que removessem óculos e adereços ou maquilhagem o que nem sempre foi praticável. Isto para lhes retirar aspectos artificiais fazendo observar e apreciar apenas as características naturais do rosto, feições, feitio da boca e nariz, cor dos olhos e da pele e a relação entre estes. Por último, tratando-se de semblantes cuja tez é de tonalidade muito variável, optou-se por um retrato a cores.Depois deste primeiro volume, pretendemos continuar por outras paragens: Sri Lanka, Índia, Indonésia, Tailândia, Myanmar, Malásia, Hong Kong, Singapura e Timor-Leste.Levantámos a ponta do véu deste trabalho onde Macau é não só o ponto de partida para esta descoberta mas também para onde voltamos a cada momento para a confir-mação da beleza humana destas comunidades.Por último, um agradecimento a todas as personalidades fotografadas, tanto as aqui expostas e seleccionadas nesta edição, como as que se deixaram fotografar para o efei-to, fazendo igualmente parte deste projecto.João Palla Martins 97
99Note from the authorThese portraits, mirror of several centuries of miscegenations, are the result, at a first sight, of the Portuguese who arrived in Macau and their Luso descendants from Malacca, the Portuguese India and other places in Southeast Asia. Later, they were also the result of crossing between Portuguese and Chinese, creating a diaspora that goes from Canada to Australia, Hong Kong, Brazil and Portugal.This collection, entirely conceived in Macau, is part of an extensive work with the cur-rent Luso-descendant communities of Southeast Asia, authentic bastions of resistance that have preserved over the centuries, to a greater or lesser extent, the Portuguese culture - language, gastronomy, music, religion. However, mysticism remains visible in people’s faces; photographing the distinctive and particular features of their face is our goal.Notorious social contrasts led us to seek identical capture solutions for all those por-trayed, always with daylight, background of trees, as little depth of field as possible and similar frameworks, as if they were part of a collection. The portrayed were also asked to remove their glasses and props or make-up, which was not always feasible. This is to remove their artificial aspects by making them observe and appreciate only the natural characteristics of the face, features of the mouth and nose, the color or the eyes and skin and the relationship between them. Finally, in this case of countenances whose complex-ion is very variable, it was chosen a color portrait.After this first volume, we intend to continue on to other places: Sri Lanka, India, Indo-nesia, Thailand, Myanmar, Malaysia, Hong Kong, Singapore and Timor-Leste.We begin this work where Macau is not only the starting point for this discovery, but also where we return every moment to confirm the human beauty of these communities.Lastly, my sincere gratitude to all the photographed personalities, both the ones por-trayed and selected here in this edition, as well as those who allowed themselves to be photographed for the purpose of also being part of this project.João Palla Martins