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  • O meu interesse por Francisco Hermenegildo Fernandes remonta ao período em que trabalhava na Universidade de Macau (UM), há cerca de uma década. Eu estava a colaborar com o Prof. Zhang Lei, um afamado e reconhecido investigador de Sun Yat-sen, e compilar para a UM: Macau: Portal e palco por onde Sun Yat Sen ganhou acesso ao mundo, o primeiro livro a ser publicado em três línguas, Português, Chinês e Inglês. No decurso deste projecto, tive a fortuna bastante de obter alguns raros e preciosos materiais de informação sobre Francisco H.Fernandes. Ao mesmo tempo, através das obras de João Guedes, foram-me dados a conhecer alguns registos portugueses sobre o relacionamento entre Sun Yat Sen e Fernandes. Apesar de, ao tempo, não ter de facto conhecido o suficiente sobre Fernandes, eu já fiquei profundamente impressionado pelos actos de cavalheirismo e de bravura desse lendário camarada de Sun. Entretanto, decidi vasculhar mais o Arquivo Histórico de Macau, os arquivos do Leal Senado, da Igreja de S. Lourenço, bem como os do Cemitério de S. Miguel Arcanjo e mesmo os da Santa Casa da Misericórdia, onde esperava desenterrar IP r e f á c i o
  • algumas informações adicionais sobre a vida e os antecedentes de Fernandes. Os meus esforços foram recompensados porque encontrei alguns importantes documentos sobre o pouco que se conhece de Fernandes. Na verdade, não desperdicei tempo ao fazer uso de parte desse material para escrever em 1996 o livro sobre Sun. Quando penso sobre este período a investigar Francisco Fernandes, não deixo de me sentir endividado para com alguns dos meus amigos macaenses que me deram generosa e valiosa ajuda para que o meu esforço tivesse sucesso. Queria, antes de mais, agradecer ao Rufino Ramos que, como Administrador da UM, se empenhou genuinamente em realizar a produção da nossa publicação sobre Sun Yat Sen. Mais do que isso, ele pessoalmente fazia contactos com os directores de vários organismos e instituições do governo de Macau para que nos fossem franqueados os arquivos para os meus trabalhos de investigação. Em segundo lugar, os meus agradecimentos vão também para o Dr. Rodolfo Azedo, então Bibliotecário da UM. II
  • Foi Rodolfo quem me chamou a atenção para o facto de alguns números do Echo Macaense, jornal publicado por Fernandes, estarem disponíveis em Macau assim como outros periódicos portugueses pu-blicados em Macau, durante o mesmo período revolucionário. Essas fontes de informação provaram ser-me extremamente úteis porquanto consegui econtrar sólidas evidências do relacionamento entre Sun e Fernandes. Finalmente, queria também prestar os meus sinceros agradecimentos à D. Merlinde Assumpção Brown que reside no Estado da California, EUA, e é um parente afastado da família Fernandes. Durante vários anos, Merlinde ajudou-me graciosamente a localizar o paradeiro de familiares de Fernandes e facultou-me com uma descrição tão minuciosa quanto possível da figura de Francisco H. Fernandes, na ausência de qualquer registo fotográfico sobre a sua pessoa. Por um lado, o meu interesse em pesquisar a vida de Francisco tornou-se, em certo modo, num passatempo pessoal mais do que III
  • um empenho académico. Por essa razão, não fui capaz de compilar sistematicamente num ficheiro completo e práctico os achados recolhidos nos meus tempos livres, especialmente quando, na última década, tive de mudar de casa e de local de trabalho. Daí resultou que os meus escritos sobre Francisco H. Fernandes têm sido, no melhor, esporádicos e inconsistentes. Durante uma conversa informal com o Rufino, alguns tempos atrás, ainda este ano, informei-o de que me tinha comprometido a fazer publicar um livro para o Commercial Press (HK) sobre a Revolução (Chinesa) de 1911 e as suas conexões com Hong Kong e Macau, para comemorar o Centenário dessa efeméride. Ele perguntou-me se eu não poderia escrever também um livrinho sobre Francisco H. Fernandes, o camarada revolucionário de Sun Yat Sen no intuito de homenagear Fernandes nesta tão importante ocasião histórica. Não tardei a perceber que era certamente um trabalho muito digno para mim no sentido de prestar tributo a quem salvou a vida de Sun e era o herói preferido. Portanto, prometi ao Rufino tentar o possível.IV
  • Para iniciar, tive que localizar imediatamente os meus ficheiros que tinha coligido durante esses anos e guardado em minha casa, algures. Felizmente, depois de três noites consecutivas de procura exaustiva entre as prateleiras de livros, arcas e armários, encontrei a maior parte do material de que precisava para escrever o livrinho. Rapidamente lancei-me numa maratona literária e escrevi tudo em minuta, dentro do espaço de um mês. Olhando em retrospectiva, estava na verdade a viver uns dias diabólicos. Tenho muito que agradecer ao Norman Chan que se voluntarizou a editar o meu manuscrito (em chinês) e também a Tse Tak Wah que fez a supervisão dos trabalhos tipográficos. Sem esse apoio genuíno, o manuscrito não teria conseguido ir ao prelo ainda dentro dos prazos. Quero ainda aproveitar esta oportunidade para agradecer a duas colegas minhas, D. May Huen que dactilografou o manuscrito e D. Nana Vong que ajudou a traduzir alguns documentos em português.V
  • 9 Finalmente, desejo ainda reiterar o facto, que é óbvio, porque tentei tudo para produzir este livrinho antes do dia 10 de Outubro deste ano. É porque durante tão memorável ocasião da Revolução (Chinesa) de 1911, em representação de todos esses meus colegas que me ajudaram no trabalho da pesquisa e da publicação, desejo prestar a mais elevada homenagem a Francisco Hermenegildo Fernandes que, de alma e coração, verdadeiramente ajudou Sun Yat Sen no iniciar das suas actividades revolucionárias em Macau.K.C. FokAgosto de 2011.
  • 10O Dr. Sun Yat Sen já contava com alguns camaradas íntimos de Macau quando decidiu ensaiar as primeiras tentativas de um movimento revolucionário na China. Neles se incluíam os irmãos Lou, ou seja, Lou Lim Iok e Lou I Iok, Yang Heling e Francisco Hermenegildo Fernandes. Os irmãos Lou eram conhecidos comerciantes de Macau, nos finais da dinastia Qing e inicio do período republicano. O pai desses irmãos chamava-se Lou Kau (também conhecido por Cheuk-Ji), que é muitas vezes referido como um dos magnatas do jogo, da primeira geração, na história dos casinos de Macau. Yang Heling foi colega do Dr. Sun quando estudavam no Hong Kong College of Medicine. Yang era melhor conhecido como membro do grupo de os “Quatro bandidos”, alcunha que os seus amigos lhes davam a ele, a Sun e a outros companheiros mais íntimos da Faculdade, que passavam todo o tempo a discutir como poderiam iniciar uma revolução na China. Dado que a maioria dos especialistas sobre o Dr. Sun e as suas relações com Macau estão bastante familiarizados com os irmãos Lou e com Yang, o presente trabalho irá incidir principalmente sobre Francisco Hermenegildo Fernandes, uma figura relativamente pouco conhecida dos historiadores1.Os primeiros escritos de natureza académica sobre Francisco H. Fernandes, com fotos e documentados, devem ter sido no “Macau: Portal e palco por onde Sun Yat-sen ganhou acesso ao Mundo”, co-editado por Zhang Lei, Fok Kai Cheong e Sheng Yunghua, publicado pela Universidade de Macau e Livros do Oriente (澳門東方文萃) em 1996. No entanto, o artigo que fez uma análise detalhada sobre os documentos para provar que de facto Fernandes teve uma relação estreita com Sun e que Ching-Hai Tsung-Pao de facto relatou a primeira revolta armada em 1895, foi escrito por Fok Kai Cheong, em “A Brief Analysis on Archives 1. Prefácio1.
  • 11in Hong Kong and Macau on the Relationship between Sun and Macau”, publicado pela editora Academic Research, Guangzhou, 1997 , 2a. edição , pp.60-65. Depois Jiang Yihua menciona este tópico no prefácio e Fei Chengkang escreveu um artigo sobre o mesmo na re-edição do Ching-Hai Tsung-Pao, co-impressa pela Fundação Macau e Academia de Ciências Sociais de Xangai. O texto mais antigo não-académico sobre este tema deve ser o artigo escrito por Mei Shimin, intitulado “Sun fundou o Ching-Hai Tsung-Pao e estabeleceu amizade com Francisco Fernandes” no Diário de Macau, de 11 de Novembro de 1986.
  • 12 Francisco Hermenegildo Fernandes e seus familiares são tradicionalmente conhecidos por Macaenses ou “naturais de Macau de ascendência Portuguesa”. Francisco nasceu a 13 de Fevereiro de 1863 em Macau. O seu pai era de uma família portuguesa aí estabelecida há várias gerações e a sua mãe chinesa. Francisco era católico, tendo residido na Rua da Praia do Manduco na freguesia de São Lourenço. Por este motivo, os registos de alguns eventos importantes da sua vida relacionados com a sua crença religiosa, do baptismo ao casamento ou até mesmo do seu óbito, podem ser encontrados nos arquivos da igreja paroquial. Alguns desses registos contêm informações bastante precisas sobre a sua pessoa. Por exemplo, é possível saber o passado da família de Francisco a partir do seu registo de baptismo e os antecedentes da sua esposa no respectivo registo de casamento. Esses relatos paroquiais são parte integrante da documentação que, em primeira mão, ilustram melhor a família de Francisco. Acredita-se em geral que Francisco se tenha familiarizado com o Dr. Sun, quando este esteve em Hong Kong a estudar. Naquela época, Francisco tinha trabalhado primeiro como escriturário, e depois ajudante e, mais tarde, intérprete no Tribunal de 2ª. Instância de Hong Kong. Cedo ambos se tornaram bons amigos. Depois de se formar no Hong Kong College of Medicine, o Dr. Sun veio a Macau para praticar medicina e aí reencontrou Francisco. Sun decidira vir a Macau para promover actividades revolucionárias através da práctica médica, podendo ter a ver com a família de Lou. Esta conjectura 2. O Encontro de Hong Kong
  • 13baseia-se nas recordações recolhidas de Lou I Iok, em 1964. Por ocasião do 100 º Aniversário do Nascimento do Dr. Sun Yat-sen, Lou, então já com 84 anos de idade, fez uma viagem especial de Macau a Taiwan para participar na cerimónia e revelou este detalhe numa entrevista dada ao Xin Sheng Daily News, em Taiwan , quando lhe perguntaram sobre as relações entre o Dr. Sun e a família Lou2. Há setenta anos, a mãe de Zhang Xinhu, um comerciante conhecido em Macau, tinha ficado gravemente doente. Ela foi tratada por muitos médicos mas sem resultado. O pai Lou Cheuk Ji trouxe então o “Pai da Nação” – Dr. Sun - a Macau. Após ter sido tratada de forma atenciosa pelo Dr. Sun, ela recuperou rapidamente a saúde. As pessoas (em Macau) ficaram muito impressionadas com as soberbas habilidades médicas do “Pai da Nação” e insistiram em convidá-lo a praticar medicina em Macau . Pode ser que por um lado Dr.Sun tivesse sentido que era difícil rejeitar tal gesto hospitaleiro e por outro lado acreditado que, no fundo, Macau poderia ser um bom lugar para organizar as suas forças revolucionárias. No final, com a ajuda de Lou Cheuk Ji, Sun juntou-se ao Hospital Kiang Wu e tornou-se no primeiro médico chinês a praticar medicina ocidental naquele local3. Li Ao: Sun Yat-sen he Zhongguo Xi Hua Yixue (Sun Yat-sen e a medicina ocidental da China), pp 99-100. Ren Zhilin: Lugong Yiruo Chuan (Biografia de Lou I Iok, inédito) também mencionou isso de forma breve.Ibid.2.3.
  • 14 Se Sun acreditava realmente que Macau podia não ser um mau lugar para desenvolver as suas actividades revolucionárias como Lou I Iok afirmou à imprensa, então é provável que confiava que poderia contar com o apoio e a assistência de Francisco Fernandes. Os eventos seguintes corroboram essa conjectura que parece ainda mais convincente. Francisco Fernandes era cavalheiro bem-educado, dotado de talentos e dominava muitas línguas. Isso vai bem explícito nas cartas de recomendação escritas por alguns altos funcionários do então governo de Hong Kong e por documentos que atestam a qualidade do seu trabalho como intérprete no Tribunal de 2ª. Instância de Hong Kong. Um desses altos quadros foi James Dyer Ball, chefe do departamento de tradução do governo de Hong Kong, que foi considerado pela comunidade de linguistas como um dos estrangeiros que tinham um excelente domínio da língua chinesa. Um comentário publicado na revista China Review a propósito do livro Cantonese Made Easy, da autoria de Ball, dizia que: “Nós cordialmente recomendamo-lo... Ele (o livro) é digno da reputação do Sr. Ball como mestre do cantonense coloquial.4“ Entretanto o jornal China Mail comentava sobre o mesmo livro que “o Sr. Ball tem talvez melhor domínio do dialecto cantonense do que qualquer estrangeiro... Nós não temos nenhuma hesitação em dizer que as duas obras do Sr. Ball, Cantonese Made Easy e How to Speak Cantonese constituem manuais tão concisos e completos daquele dialeto que não é possível esperar mais. Realmente não existem outras obras sobre o tema dignas de serem comparadas.5“J.D. Ball, How to Write Chinese, Segunda edição, 1905, Secção de Publicidade.Ibid.5.4.
  • 15 James Dyer Ball, o aclamado “mestre do cantonense coloquial” tinha muito a dizer de Fernandes sobre a sua competência no domínio da língua chinesa: “Eu creio que ele tem um profundo conhecimento dos dialectos cantonense e mandarim para ocupar, em qualquer lado, o lugar de intérprete que a fluência com que ele fala não pode ser facilmente alcançada por qualquer um.6“ O outro alto funcionário do governo foi o Rev. E.J. Eitel, um padre internacionalmente conhecido e sinólogo. Eitel recomendou fortemente Fernandes para trabalhar como intérprete no Tribunal de 2ª. Instância de Hong Kong7 pois acreditava que Fernandes tinha um bom domínio da língua portuguesa e do cantonense, mandarim e de outros dialectos chineses que Fernandes era capaz de assumir aquelas funções importantes. O chefe de gabinete naquele Tribunal também elogiou Fernandes pelo seu bom Inglês, boa educação e dotes de talento8. Um certificado emitido pelo Tribunal de 2ª. Instância de Hong Kong a favor de Francisco Fernandes e datado de Janeiro de 1886 mostrou que ele já vinha trabalhando naquele Tribunal havia 30 meses, significando simplesmente que ele tinha começado a trabalhar cerca de Junho 18839. Fernandes tinha então apenas 20 anos de idade. Administração Civil, no. P-7324, CXJ47, 20.Ibid. pág. 19Ibid.Ibid.6.7.8.9.
  • 16 Sun estudara no Diocesan Boys School de 1883 a 1885 e mais tarde prosseguiu estudos superiores no Colegio de Medicina para chineses em Hong Kong, no período de 1887-1892. Uma vez que não foi encontrada nenhuma evidência para provar que Fernandes tivesse residido em Hong Kong antes de prestar serviço no Tribunal, é lógico supor que o primeiro encontro entre Sun e Fernandes deva ter ocorrido não antes de Junho de 1883. É verdade que Fernandes, durante a sua estada em Hong Kong, ao contrário de Sun, não foi sujeito à influência, à atmosfera nem aos ambientes culturais únicos das escolas inglesas de Hong Kong e do Colegio de Medicina de Hong Kong para chineses, administrados pelo governo. No entanto, ele deve ter aprendido durante o seu trabalho no Tribunal que Hong Kong, apesar de ser uma colónia britânica, há muito tempo, estava sob o sistema legal britânico e para o efeito todos os residentes de Hong Kong podiam gozar de direitos humanos individuais básicos. Em contraste, na história moderna, as pessoas em Hong Kong poderiam, de facto, viver com uma sensação de segurança maior do que os seus contemporâneos da então politicamente conturbada China Continental e de outras nações asiáticas. Fernandes também deve ter percebido que, em Hong Kong, alguém poderia defender reformas pela democracia e por maior liberdade e contra a tirania de outros governos, desde que cada um respeite as leis de Hong Kong e não se envolva em actividade de subversão para derrubar o Governo britânico em Hong Kong. As circunstâncias peculiares de Hong Kong desta forma permitia o público em geral defender mudanças revolucionárias no sistema político da China e denunciar abertamente os funcionários Qing nos jornais ingleses, ou mesmo em alguns dos
  • 17jornais chineses10. Visto que Fernandes tinha um bom domínio da língua inglesa não seria muito difícil para ele seguir os relatos da imprensa sobre as aflições da China no cenário internacional . Os editores desses jornais estavam todos ansiosos por acompanharem as últimas tendências do desenvolvimento dos grandes acontecimentos no interior da China e faziam sem reservas comentários e análises de tais eventos, de acordo com suas opiniões políticas. Fok Kai Cheong, Gangao Dangan Zhong de Xinhai Geming (The Revolution of 1911 in Hong Kong and Macau Archives), The Commercial Press, 2011, pp. 88-89.10.
  • 18 É importante salientar que era chinesa a mãe de Francisco Fernandes. Baseado no facto de que Francisco era bem versado em vários dialectos chineses, é razoável supor que ele deva ter sentido profunda empatia em relação à China, local de nascimento da sua querida mãe. Enquanto em Hong Kong, era relativamente fácil a Francisco aprender com os jornais locais sobre a aflição política da China. No meio de reveses diplomáticos, um após o outro, ele poderia tirar rapidamente conclusões bastante precisas
  • 19sobre a posição vulnerável da China na situação mundial. Dadas essas circunstâncias, era natural que Francisco se tenha tornado mais receptivo às ideias de reformas e inclinado a ajudar os revolucionários chineses a mudarem a China. Seria, portanto, não muito despropositado aceitar-se a ideia de que Sun e Fernandes se tenham tornado rapidamente amigos íntimos em Hong Kong em 1883-1885 ou em 1887-1892. De acordo com algumas fontes portuguesas, Sun e Fernandes tornaram-se amigos depois de aquele ter comparecido no tribunal por algum caso e foi libertado com a ajuda de Fernandes. No entanto, não existem relatos semelhantes em quaisquer outras fontes documentais relacionadas com Sun, nem em publicações sobre a revolucão, que confirmem a credibilidade de tal versão portuguesa. Seria necessário examinar a história de Hong Kong durante o período de estadia de Sun lá para verificar se é uma história possível11. Durante o período de Junho de 1883 até finais de 1892, duas greves foram registadas na história de Hong Kong. Uma delas foi a greve dos trabalhadores portuários no cais em protesto contra a invasão francesa da China em 1884. Outra foi a greve dos cerca de 4.000 pessoas dos juncos de pesca, em 1888. O Dr. Sun Yat-sen disse uma vez que “Tomei decisão de derrubar a dinastia Qing e estabelecer a República da China em 1885, ano em que a China foi derrotada pela França.12“ De acordo com um historiador, a greve que João Guedes, “Sun Iat Sen Macau e a Revolução”, Revista de Cultura, 1991, pp. 71-72Sun Yat-sen Quanji (Sun Yat-sen Collections), Volume 1, Prefácio de Lundun Binan Ji (“Sequestrado em Londres”).12.11.
  • 20eclodiu em 1884, tinha uma carga inconfundível de patriotismo e anti-colonialismo. A julgar pela observação acima mencionada de Sun, a greve deve ter tido um enorme impacto sobre o jovem estudante inflamado de forte sentimento de consciência nacional. Se fôssemos recordar que tipo de adolescente Sun costumava ser pouco antes de vir estudar a Hong Kong e o que ele fez em desafio do autoritarismo, estariamos em melhor posição para julgar como Sun poderia ter reagido à greve. Ora no início de 1883, Sun foi mandado regressar a casa pelo seu irmão mais velho, Sun Mei, que estava preocupado que Sun viesse abraçar o cristianismo. Na verdade, Sun tinha enviado uma carta ao seu irmão do Hawaii para lhe pedir permissão para se baptizar. Uma vez de volta a casa, Sun foi açoitado pelo pai como castigo por ter tais intenções impróprias. Sun foi mesmo arrastado pelo seu pai para o templo de Bei-ti e obrigado a ajoelhar-se perante a estátua da divindade em sinal de arrependimento. Sun estava tão furioso com o incidente que ele voltou depois ao templo e quebrou a estátua de Bei-Ti em pedaços, desabafando a sua raiva. Este escandaloso acto de Sun provocou a ira dos anciãos da aldeia que foram à casa de Sun para o repreender, para vergonha e grande consternação dos seus pais. É por isso que Sun teve que deixar a família para ir a Hong Kong 13. Este incidente serve para demonstrar, sem quaisquer dúvidas, a personalidade forte e rebelde de Sun contra o regime tirânico. Sob uma atmosfera e ambiente de liberdade em Hong Kong e grandemente inspirado Li Ao, pp.13-14.13.
  • 21pela consciência nacional dos grevistas, é muito possível que Sun os tivesse apoiado em alguma forma ou mesmo participado na greve de 1884, consequentemente, sido detido pelas autoridades e libertado mais tarde sob a intervenção de Francisco Fernandes.
  • 22 A altura exacta do regresso de Fernandes a Macau é no entanto desconhecida. Mas isso deve ter ocorrido antes de Sun começar a praticar medicina no Hospital Kiang Wu. Isso acontece porque algumas fontes portuguesas indicam que Sun pediu a Fernandes para ajudá-lo a pedir uma licença para ser médico em Macau14. De acordo com a narrativa de Lou I Iok, foi o seu pai, Lou Kau, quem convidou Sun para praticar medicina em Macau e também foi Lou Kau quem ajudou Sun para trabalhar no Hospital Kiang Wu como o primeiro médico chinês de medicina ocidental15. Um historiador internacionalmente conhecido em Macau, uma vez notou que durante o século XVI e seguintes, poucos portugueses, de facto, puderam obter licença de médico para trabalhar em Macau porquanto eles teriam de ser graduados pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em Portugal. Os graduados em medicina de países estrangeiros eram obrigados a solicitar uma autorização do Fisico-Mor, em Lisboa , para poderem operar em Macau16 . Na verdade Sun também aludiu a isso no seu livro Lundun Binan Ji (Sequestrado em Londres) : “ Existe uma norma portuguesa, que exige que todos os praticantes de medicina nos territórios de domínio Português sejam portadores de um diploma português. Com base neste regulamento, os médicos portugueses tentaram fazer-me a vida difícil. Ao princípio, eles apenas tentaram impedir-me de tratar pacientes portugueses. Mas mais tarde, eles até proibiram todas as farmácias de aceitar 3. Um Revolucionário no exercício da profissão médicaJoão Guedes, pp.72-73.Li Ao, pp. 99-100.Charles Boxer, A Note on the Interaction of Portuguese and Chinese Medicine at Macao and15.16.14.
  • 23prescrição de médicos não-portugueses17.“ De acordo com o que Lou I Iok afirmou, quando Sun conseguiu curar a mãe de Zhang Xinhu , “ a maioria das pessoas (em Macau) ficaram impressionados com as soberbas habilidades médicas do “Pai da Nação” e insistiu em convidá-lo a praticar em Macau18. “ Por “a maioria das pessoas” aqui Lou poderia estar a referir-se a um grupo maior de pessoas ao invés de apenas os Lous .Li Ao, pp.99-100.Ibid.17.18.
  • 24 De acordo com Uma Breve História para comemorar o cinquentenário do início dos estudos médicos do Presidente e do Movimento Revolucionário, publicado em 1935 pela Comissão Preparatória do Hospital Memorial do Dr. Sun Yat-sen da Universidade de Lingnan em Guangdong, “quando o Dr. Sun estava estudando em Hong Kong, ele voltou numa ocasião à sua aldeia natal via Macau. Cao Ziji e Ho Huitian, dois ricos comerciantes de Macau, tinham ambos parentes que estavam doentes durante bastante tempo. O Dr. Sun receitou-lhes uma prescrição apenas e eles ficaram curados. Ambos Cao e Ho ficaram maravilhados com as habilidades médicas do Dr. Sun. Quando o Dr. Sun se formou na Faculdade de Medicina Ocidental para chineses em Hong Kong, Cao e Ho, juntamente com outros comerciantes ricos de Macau deram
  • 25ao Dr. Sun fundos necessários para ele abrir a Farmácia Zhongsi e começar a sua profissão em Macau19. “No entanto, de acordo com o recibo do empréstimo emitido pelo Hospital Kiang Wu ao Dr. Sun, está claramente escrito que o fiador do pagamento era Wu Jiewe, cunhado de Yang Heling, tendo Song Ziheng como uma das testemunhas da transação. A edição em Português do Ching-Hai Tsung-Pao, o Echo Macaense, publicou um anúncio intitulado “A Primavera chega ao Kiang Wu”, pelo menos, duas vezes. No anúncio os leitores são apresentados para o facto de o Dr. Sun oferecer serviços médicos gratuitos no Hospital Kiang Wu, mas cobrando os seus pacientes pelos serviços médicos prestados em clínicas de Macau. As pessoas que colocam este anúncio estavam listadas respectivamente por ordem Lou Kau, Xiru Chen, Wu Jiewei, Song Ziheng, He Huitian e Cao Ziji20. Os dois factos acima mencionados, na verdade, não estão em conflito um com o outro. Eles só aconteceram para colocar ênfase na importância relativa de diferentes pessoas numa lista. Aqueles que estão familiarizados com Macau desse momento facilmente percebem que o referido grupo de pessoas era de facto o grupo responsável pela gestão do Hospital Kiang Wu e foi esse grupo que convidou o Dr. Sun para vir ao Hospital Kiang Wu praticar medicina. Existe um artigo intitulado “Hospital Chinês de Macau” (em Inglês, “Chinese Hospital in Macau” ) no Echo Macaense. Ao mesmo tempo, houve um outro artigo intitulado “Zhao Yi Xi Lun” (em português, “tradução directa do editorial europeu” ). Depois de Ibid.Echo Macaense, 26 Set. 1893, pag. 4; 4 Out, 1893, pag. 4.19.20.
  • 26uma análise crítica do conteúdo desses dois artigos, verifica-se sem dúvida que o artigo em chinês é uma versão traduzida do “Hospital Chinês de Macau”. No artigo, o autor discute algumas más práticas predominantes no Hospital Kiang Wu e critica o Hospital de “pretender fazer o bem para a comunidade apenas de nome, mas na verdade não tem feito nada de bom para os doentes e para os pobres.” O artigo também menciona, no entanto, que, depois de se juntar ao Hospital, Sun começou a praticar medicina ocidental lá. O que realmente aconteceu foi que o Dr. Sun teve que montar a sua clínica ambulatória de medicina ocidental com os seus próprios meios financeiros. O artigo também menciona que o Dr. Sun curou muitos pacientes para o Hospital como resultado. Como o financiamento disponível é muito restricto, desde o primeiro dia, apenas 50 pacientes de cada vez poderiam obter medicamentos gratuitos. Contudo, os pacientes pobres em condições críticas conseguem ser hospitalizados durante algum tempo. No entanto, os administradores, os chefes dos vários departamentos e outros médicos do Hospital Kiang Wu em breve ficaram com inveja do Dr. Sun. Eles decidiram fechar o departamento de internamento com a desculpa de que o hospital estava funcionando com prejuízos financeiros e recusaram-se a permitir que o Dr. Sun se envolvesse em actividades de angariação de fundos. Portanto, no final do artigo, o autor propõe quatro medidas para corrigirem as operações no Hospital Kiang Wu: a primeira que os médicos que queiram trabalhar para Kiang Wu devem fazer e submeter-se a exames; em segundo lugar, todos os chefes de departamento precisam de ser substituídos por pessoas que devem possuir competência profissional, bem como genuína compaixão
  • 27pelos pacientes; em terceiro lugar, metade do financiamento total do hospital deve ser consignado à medicina ocidental; e em quarto lugar, os pacientes devem ser hospitalizados se os seus sintomas revelarem necessidade e não por causa das suas boas ligações com a administração hospitalar21. A biografia de Lou I Iok menciona-o por Bastos. Para mais informações sobre A.J. Bastos, queira consultar Nomes e Vultos Ilustres de Macau, pag. 12.21.
  • 28 O artigo referido não só teve a coragem de divulgar as práticas ilícitas do KiangWu, como também desabafar sobre o tratamento injusto dado a Sun. O artigo original deve ter sido escrito em Português que a versão chinesa era apenas um trecho traduzido da versão Portuguesa.
  • 29 Este artigo deve ter sido escrito por um amigo português próximo de Sun. É opinião do autor de que é altamente provável que foi Francisco Fernandes ou António Joaquim Bastos22 que também era um amigo próximo de Sun. Bastos era um advogado bem qualificado. Seu português era com certeza melhor do que o de Fernandes. Bastos gozava de grande estatuto social e político em Macau. Foi condecorado com a Comenda da Ordem Militar de Cristo pelo rei de Portugal e com outras condecorações do governo japonês, do Rei do Sião (hoje Tailândia), do Papa e do Governo francês, respectivamente. Bastos era conhecido pelo seu estilo acutilante de escrita. Ele foi o editor-chefe do jornal O Macaense e muitas vezes publicava artigos em outros jornais portugueses para apoiar aqueles que eram oprimidos pelas autoridades, por funcionários corruptos e rufiões locais23. Ele é do tipo de pessoa que se atreve a desafiar os poderosos a fim de se fazer justiça. Bastos também escreveu um artigo em 1894 no Echo Macaense para apoiar Sun. Portanto, é razoável acreditar que o artigo acima também tenha sido escrito por Bastos. É digno de nota que, nesse artigo, tanto nas versões em português como em chinês, se ter mencionado que, naquela época, o Kiang Wu empregava médicos com base nas recomendações dos directores ao invés de ser por qualificação profissional do médico. Em tais casos, embora Sun não tenha qualquer licença médica de Macau ou de Portugal, era A biografia de Lou I Iok menciona-o por Bastos. Para mais informações sobre A.J. Bastos, queira consultar Nomes e Vultos Ilustres de Macau, pag. 12.Ibid.22.23.
  • 30possível que ele pode exercer medicina em Kiang Wu através das recomendações de comerciantes influentes, como Lou Kau e com a ajuda de Bastos e Fernandes. No entanto, Kiang Wu era um hospital de medicina chinesa e, tradicionalmente, apenas os médicos chineses eram autorizados a trabalhar lá. Mas Sun montou uma clínica de medicina ocidental dentro do hospital. De acordo com as normas existentes, os médicos que praticam a medicina ocidental, sem licença oficial não poderia prescrever medicamentos. Assim Sun teve de recorrer a Wu Jiewei, um dos administradores do Kiang Wu, para financiar a abertura da Farmácia Zhongsi para obter medicamentos. O referido artigo, sem dúvida, denota que Sun não estava feliz com o Hospital Kiang Wu. Ele sempre teve diferentes opiniões dos outros médicos da equipa administrativa do hospital, o que redundava em conflitos entre as duas partes. Por isso, era necessário que um bom amigo de Sun escrevesse o artigo acima para desabafar as mágoas dele. Aqueles empresários que ajudaram a trazer Sun de Macau estavam mais preocupados em ter um bom médico profissional ao seu redor em caso de doença, sem serem eles também revolucionários. Além disso, os empresários eram todos apoiantes de constitucionalistas como Kang Youwei e Liang Qi-chao. De acordo com o registo de Feng Ziyou, durante a estadia de Sun em Macau , “Sun estava procurando companheiros simpatizantes como Zheng Shiliang e Chen Shaobai, mas
  • 31camaradas desses não existiam aí24. Se por camaradas Sun queria aqui significar camaradas chineses, então ele estaria provavelmente correcto. Isso acontece porque embora Lou I Iok alega ser um longo apoiante do movimento revolucionário, na verdade, ele apenas se juntou ao Tung Meng Hui (Liga Revolucionária da China) em Yokohama em 1895, quando estudava no Japão, após a primeira revolta armada liderada por Sun contra a dinastia Qing ter falhado. Portanto, durante a estadia de Sun em Macau quando ele praticava medicina, apenas Francisco Fernandes, um Macaense, poderia ser de ajuda às suas actividades revolucionárias.Ching-Hai-Tsung-Pao, edição re-impressa, pag. 5.24.
  • 324 . Publicação de jornais para promover o curso revolucionário do seu amigo íntimo Fernandes era de uma família que tinha estado no negócio de tipografia durante gerações. A família Fernandes estabeleceu uma tipografia comercial por volta em 1855 e a empresa fazia trabalhos de impressão para o Governo de Macau. Portanto quando Fernandes regressou a Macau, ele pôde começar imediatamente a publicar dois jornais semanais ( Echo Macaense e Ching-Hai Tsung-Pao), porquanto possuía recursos propícios para o fazer na hora certa e no lugar certo. Interessa notar que a República Portuguesa foi fundada em 1910, um ano mais cedo do que a bem sucedida revolução de 1911 da China. O movimento revolucionário em Portugal tinha começado nos finais do século XIX e havia uns poucos dignitários portugueses residentes em Macau que eram apoiantes de um governo republicano. Francisco Fernandes que criou e usou os seus jornais para ajudar o movimento revolucionário de Sun, foi um dos tais intelectuais da vanguarda. Os editoriais do Echo Macaense muitas vezes consistiam em opiniões revolucionárias. Por exemplo, o editorial de primeiro de Agosto de 1893 declarava que: “Podem-se ouvir as mesmas queixas persistentes sobre a péssima situação política aqui em Macau ... é hora de mudar o regime ... temos que conseguir isso através dos nossos esforços, todos nós, residentes de Macau, sejam portugueses sejam chineses, temos de nos unir juntos25.“ Echo Macaense, 1 de Agosto de 1893, pag. 125.
  • 33 Fernandes, como responsável por esses jornais, teve a coragem de desafiar a autoridade. Ele atreveu-se a divulgar e a criticar nos seus jornais as fraquezas e a má administração na China Continental e em Macau, bem como as irregularidades dos funcionários corruptos e dos comerciantes ricos. Transcrevem-se em baixo uma série de excerptos do Ching-Hai Tsung-Pao fundada em 18 de Julho de 1893, declarando os objectivos e os princípios do jornal. Para começar, um editorial verbalmente apresentado por Francisco Fernandes, mas no final escrito com modificações por Wei Weisheng (pseudónimo do editor-chefe, Wang Qinnan): “ O objectivo do nosso jornal é publicar artigos sobre os acontecimentos quer das áreas vizinhas quer de locais remotos. Nós tratamos tanto dos governantes e ministros ocidentais como dos orientais. Vamos mostrar que não tememos os poderosos nem os dignitários. Nós iremos muitas vezes lançar ao ar diferentes pontos de vista. Não temos medo de ameaças de vida. Soubemos recentemente que há pessoas maldosas lá fora que detestam as duras críticas que fazemos obre elas e que divulgamos os seus segredos. Alguns ameaçaram queimar e matar .. ou chantagear .. Isso é como os minúsculos seres mortais que tentam lutar uma batalha perdida contra a saudável força imanente que brota na natureza26.“ Na edição nº. 38 do Ching-Hai-Tsung-Pao, 1895, Pag. 126.
  • 34 Noutro editorial em 27 de Março de 1895, escrevia: “Nós ainda respeitamos o nosso próprio princípio da equidade e da justiça e ousamos repreender o mal e os maldosos ... como estamos no início .. para expressar tudo o que sabemos, sem qualquer reserva ... é nosso desejo consistente apoiar as pessoas justas e francas. Desde que começámos a publicar o jornal, sempre que houver quaisquer irregularidades na administração portuguesa, o nosso jornal não hesita em divulgá-las e criticá-las, no sentido de fazer uma advertência para que eles possam corrigir os seus erros27.” De novo outro editorial dizia assim: “Dois anos se passaram desde que se publicou a primeira edição e muita coisa aconteceu entretanto. Nós deliberadamente fizémos o que outros não ousaram e lutámos por justiça para aqueles tratados injustamente. Sejam eles provenientes da China sejam de países ocidentais, ricos e ímpios de Macau ou de diferentes denominações religiosas, ameaçaram todos jogar-nos para a cadeia ou até mesmo matar-nos, mas nós não cederemos nem uma polegada28”. Há ainda um outro editorial de 21 de Agosto de 1895 que reitera que : “Depois de o nosso jornal ter sido fundado, há muitas pessoas que apreciam muito as nossas qualidades, mas também existem Ibid. nº. 28 Pag. 1Ibid. nº. 35, Pag. 227.28.
  • 35muitos que ficaram irritados conosco. Não importa se são altos funcionários ou ricos comerciantes, do Ocidente ou da China, se astutos, tirânicos ou do tipo desumano, o nosso jornal vai sem dúvida servir-se das nossas canetas como armas para cair sobre eles ... O nosso jornal não pertence a nenhum partido nem facção política e deseja apenas fazer comentários justos e equilibrados de acordo com a nossa consciência29.” Dos editoriais transcritos, pode-se ver que Fernandes detesta as pessoas más como seus inimigos mortais e esforça-se totalmente e da melhor forma por divulgar e criticar os funcionários corruptos e os comerciantes, tanto na China Continental e em Macau. O editor-chefe do Ching-Hai Tsung-Pao já foi atacado com ácido nitro-clorídrico na rua, e Francisco Fernandes imediatamente publicou um comunicado no seu jornal para oferecer prémio a quem pudesse informar e fornecer pistas para prender o malfeitor. Francisco Fernandes declarou claramente que tais actos vis o não impedirão de fazer o que ele queria30. Fernandes também se atreveu a criticar abertamente os dignitários portugueses no Echo Macaense. Ele até atacou duramente o então governador de Macau em numerosas ocasiões Ibid. nº. 5, Pag. 4Ibid. nº. 23 1894, pag. 129.30.
  • 36pelos seus actos e portanto foi judicialmente processado pelo governador. Foi um processo bem conhecido e relatado com todos os detalhes por um jornal português contemporâneo de Hong Kong. Durante a sua defesa, Francisco Fernandes impressionou as pessoas ao demonstrar o seu carácter correcto. Estes relatos de jornais são materiais valiosos para o estudo de Fernandes31. As observações anteriores servem também para demonstrar a orientação política de Fernandes. A coluna de comentários do Ching-Hai Tsung-Pao, semelhante ao principal artigo de opinião ou editorial de hoje, frequentemente discutia as questões políticas chinesas da época e fazia acutilantes observações contra a dinastia Qing. Apelava a uma economia forte para salvar a nação e para transformar a China num país modernizado. A julgar por isto, Francisco Fernandes pode ter desempenhado um papel influente durante a primeira parte das actividades revolucionárias de Sun Yat-sen na China. Fernandes esteve por muito tempo a seguir e a informar sobre as actividades de Sun e do movimento revolucionário através do Echo Macenese e de Ching-Hai Tsung-Pao desde que fundou os jornais. Durante a estada de Sun em Macau para exercer clinica O Porvir, edições Nºs. 98, 99, 100, 101 e 103..31.
  • 37no período final de 1892 e inícios de 1894, Ching-Hai Tsung-Pao relatou a prática médica de Sun na sua primeira edição em 18 de Julho de 1893. O artigo intitulado “A glória de Kiang Wu” relatou como Sun curou seis pacientes com as suas excelentes habilidades médicas: “Chen Yu que veio de Xiangshan, de 61 anos, tinha estado doente durante oito anos de torpor, de que sofria muito. Sun tratou-o no hospital tendo ele recuperado em apenas um par de dias, com o dobro de energia do que antes. Uma senhora portuguesa tinha um parto difícil e pediu a Sun para a ajudar. Mãe e filho foram salvos. Um vendedor ambulante de sopa de fitas tinha um rim inchado. Sun perfurou o rim com uma agulha para deixar sair o líquido e o paciente pôde logo andar como do costume. Dois trabalhadores da Papelaria Dalong tiveram um acidente com um líquido venenoso que se lhes derramou sobre o rosto e o peito e estavam em estado grave. Sun tratou-os com uma máscara médica, recuperando-os num dia. Um hóspede de um hotel brigou com a esposa e, em seguida, à meia-noite, ela engoliu ópio para se suicidar. Aconselhada apenas a ir ver Sun às 8 horas do dia seguinte, ela conseguiu ser salva por ele. E ela foi feliz por renascer. You Qidong, um funcionário do registo de um dos departamentos do governo de Hong Kong, vinha sofrendo de hematêmese durante anos. Os médicos chineses não foram capazes de o curar. Ele foi ter com Sun e ficou curado em um mês32.” Ching-Hai-Tsung-Pao, 18 de Julho de 1893, pag. 1.32.
  • 38 De facto, houve uma série de anúncios publicados na respectiva página do Echo Macaense durante Julho a Outubro de 1898 em que a Sun foi muito elogiado pelas suas excelentes habilidades médicas e especialmente pelas suas grandes qualidades morais. Eles deram boa conta das praticas médicas de Sun. Por exemplo, um anúncio em 25 de Julho de 1893, com o nome “mágicas habilidades médicas “, foi colocado por Yemen de Qianshan para expressar a gratidão formal a Sun. “Na vida
  • 39de uma pessoa que tipo de doença lhe pode fazer sentir-se doente, sem estar realmente doente? Ela não lhe vai custar a própria vida, mas vai causar uma dor sofrida ao longo da vida? A resposta é hemorróides. Os médicos ocidentais pretendem curá-las através de diagnóstico detalhado mas nenhum paciente fica completamente curado. Eu tinha hemorróides ha mais de 20 anos, mas quanto mais eu as tratava mais sofria. Todas as primaveras, as hemorróides tornam-se tão sérias que eu tinha que me deitar por várias horas antes de poder levantar-me depois de cada evacuação. São muito dolorosas e causam muito sofrimento. Um dos meus amigos, He Ruitian, ouviu falar disso e veio-me visitar um dia. Ele recomendou-me o Dr. Sun, uma pessoa generosa, altamente inteligente e de excelente habilidade médica ocidental. Ele pediu-me para convidar o Sun para o tratar. Tinha ouvido falar de Sun e sabia que ele poderia curar doenças complicadas, casos internos e externos, num espaço de tempo curto e, além disso, sem interesses lucrativos. Portanto, sob a recomendação de He Ruitian, eu depositei plena confiança no Sun e convidei-o a vir em Fevereiro último. Sun disse-me que havia muitas maneiras de tratar as hemorróides, incluindo o seu corte, à tesoura, a sua queima e amarrá-las com fios ou por estimulação com líquido medicinal. Ele pediu-me para fazer a opção. Eu decidi pela estimulação com líquido medicinal. Sun disse-me que as minhas hemorróides se tornaram tão envelhecidas que apenas um tratamento não iria curá-las completamente, mas que iria tentar. Então usou o método de estimulação. Eu senti como tendo sido alfinetado mas não com muita dor. A estimulação durou cerca de 5-6 segundos. Após o tratamento, eu pude ter movimentos intestinais regulares. Sun tentou usar o
  • 40mesmo tratamento de estimulação no dia seguinte. Desta vez, eu tive que tomar algumas pílulas, além do tratamento de estimulação. As hemorróides começaram a diminuir após cada evacuação. Em seguida, elas ficaram reduzidas a metade do seu tamanho original depois de várias evacuações. Após sete dias de tratamento, as hemorróides desapareceram completamente sem causar quaisquer efeitos secundários. Depois de ver com seus próprios olhos que as minhas velhas hemorróides desapareceram por completo, os membros da minha família, homens e mulheres, velhos e jovens, mestres e servos, todos acreditaram na perícia médica de Sun e foram em busca do tratamento dele. Eles ficaram todos curados, seja ele um paciente com uma doença de fígado com 10 anos de história ou encefalite ou uma hemorragia de 60 longos anos de história. Eu beneficiei do tratamento de Sun e não ouso mantê-lo só para mim. Por este efeito, estou publicando esta nota para informar os pacientes que sofrem de outras causa33.“ He Ruitian que recomendou Sun, no anúncio anterior, foi um dos doze directores do Hospital Kiang Wu. Fernandes também informou de forma continuada no Echo Macaense as práticas médicas de Sun em Macau34. Houve um outro edital intitulado “A Primavera Chega a Kiang Wu “, que foi publicado duas vezes no Echo Macaense em 26 de Setembro e 7 de Outubro de 1893, respectivamente, dando A pontuação foi feita pelo autor.Echo Macaense, 12 de Dezembro de 1893, pag. 4.33.34.
  • 41boa conta das práticas médicas da Sun em Macau na altura35: “O Grão-Mestre Dr. Sun Yat-sen, um chinês praticando medicina ocidental, tem uma personalidade afável com perspicácia profissional. Estudou com professores de medicina bem conhecidos na Grã-Bretanha e dos Estados Unidos e desenvolveu grandes conhecimentos sobre métodos de cura. Ele vem praticando medicina gratuitamente no Hospital Kiang Wu durante meses com importantes resultados positivos. No entanto, além de oferecer serviços médicos gratuitos, ele ainda tem algum tempo livre para servir o público nas próprias clínicas.”“De facto o Dr. não se preocupa de cobrar taxas. Mas é nossa opinião de que seria correcto e natural pagar por serviços médicos. É por isso que os abaixo-assinados colaboraram na feitura do seguinte calendário de serviço de Sun, juntamente com as seguintes tarifas a cobrar ao público: Todas as manhãs das 10:00 às 12:00 ele vai prestar serviço médico gratuito no Hospital Kiang Wu para os pobres, das 13:00 às 15:00 ele irá fornecer serviço pago na sua clínica; a partir de 15:00, ele vai fazer consultas externas. Para serviços não listados abaixo, a tarifa será decidida no local em função das condições e dos sintomas do paciente. A taxa será moderada desde que ambas as partes possam beneficiar-se da transacção. O pagamento apenas tem como objectivo apoiar a prossecução pelo Dr. Sun dos seus ideais. Por favor, respeitem os seguintes princípios:Ibid, 26 de Setembro de 1893, pag. 4; Outubro de 1893, pag. 4.35.
  • 42 Para aqueles que venham à Farmácia Zhongsi para consulta, das sete às nove horas, seja homem seja mulher, pagará 20 centavos.Para aqueles que venham ao consultório de Sun no lado direito da Santa Casa da Misericórdia, cada um deverá pagar uma pataca.Para aqueles que precisem de visitas domiciliares e a sua casa esteja localizada no centro de Macau, ser-lhes-ão cobradas 2 patacas, mas se a sua casa estiver nas imediações de Macau, a taxa será de acordo com a distância.Para aqueles em labor de parto difícil ou que tenham ingerido veneno, as taxas a cobrar variarão, dependendo se o paciente é rico ou pobre .Para o serviço anual, é de 50 patacas por pessoa. Se uma família é composta por menos de 5 membros, a taxa anual para toda a família é de 100 patacas.Para aqueles que queiram tomar vacina contra a varíola das 10:00-12:00 aos domingos, no consultório do Dr. Sun, a taxa é de 1 pataca por pessoa, enquanto que para o serviço feito durante visitas domiciliares a taxa é de 3 patacas.Para qualquer tratamento de boca partida, orelhas quebradas, retícula de olhos danificada, paralisia, úlcera, tuberculose da glandula linfática, nó linfático, a taxa a cobrar será variavel caso a caso.Para o tratamento de doenças estranhas, o valor das taxas cobradas será decidido após consulta.Para o tratamento de pacientes fora de Macau, a taxa diária é de 30 patacas a partir do dia de saída de Macau.Vossos colegas: Lu Zhuozhi, Chen Xiru, Wu Jiewei, Song Ziheng, He Suitian, Cao Ziji.
  • 43 O texto acima é uma valiosa peça de evidência de que o Dr. Sun efectivamente praticou medicina em Macau. Visto que aquele era um jornal contemporâneo, o que aí então afirma é de alta credibilidade. O aviso anterior também mostra as actividades diárias de Sun em Macau, com o horário, localização e âmbito dos seus serviços médicos. Mais importante, a partir do conteúdo acima, podemos perceber que Sun foi bem apoiado e respeitado pelos chineses locais pela sua excelsa habilidade médica e elevada ética profissional. Isto porque todos os abaixo-assinados daquele anúncio eram comerciantes ricos e personalidades da época em Macau.
  • 44 Existe um artigo no Echo Macaense, em 1893, relatando um acontecimento importante relacionado com Sun, mas este artigo raramente foi objecto de atenção36. O artigo relata que Sun uma vez escreveu uma carta ao seu conterrâneo e residente de Xiangshan, Zheng Zaoru. Zheng costumava trabalhar como Cônsul da China para os Estados Unidos. Na sua carta, Sun propôs a Zheng adoptar três medidas para reformar o distrito de Xiangshan, aproveitando as influências públicas de Zheng. Em primeiro lugar, sugeria plantar amoreiras na área para se criarem bichos de seda; em segundo lugar, a criação de um conselho municipal para fazer cumprir com rigor a proibição de fumar ópio; em terceiro lugar, Sun pensava que era necessário estabelecer associações de aprendizagem e escolas para tornar a educação mais acessível ao público, com o objectivo final de ter uma escola para cada 100 fogos. Sun também sugeria que, se vingasse, o modelo de Xiangshan poderia ser aplicado a outras partes da China. Esta carta de Sun para Zheng é amplamente considerado pelos peritos que estudaram Sun como o primeiro artigo dele escrito em chinês, sobre as reformas políticas em 1890. É o mesmo artigo que mais tarde foi publicado pelo Jornal Mensal Haotou, em 1947, e intitulado “Uma carta a Zheng Zaoru”. De acordo com o referido Jornal, este artigo “foi baseado num artigo de um jornal de Macau em 1892.”37 Fei Chengkang, historiador de Xangai, uma vez deu uma Ching-Hai-Tsung-Pao, 1 de Agosto de 1893, pag. 2Zhang Lei, Fok Kai Cheong, Sheng Yunghua, co-editaram: Macau: Portal e palco por onde Sun Yat-sen ganhou acesso ao Mundo, 1996, pag. 149.36.37.
  • 45explicação esclarecedora sobre esta questão: “Até agora, o escrito mais antigo de Sun que está disponível é “Uma carta a Zheng Zaoru”, escrito em 1890. Diz-se que este escrito foi primeiro publicado por um jornal de Macau em 1892. No entanto, como muitos artigos de Ching-Hai Tsung-Pao indicam, este é o primeiro jornal chinês de Macau dos últimos séculos... Ching-Hai Tsung-Pao foi dirigido por Fernandes, um macaense, cuja família tinha estado em Macau no negócio de tipografia durante gerações. Não existe nenhuma razão para que Fernandes não deva saber da existência de outros jornais chineses de Macau, em 1892, apenas um ano antes da fundação do Ching-Hai Tsung-Pao. Além disso, o editor-chefe de Ching-Hai Tsung-Pao, Wang Zhenqing ofendeu muitas pessoas. Se Wang erroneamente afirmasse como sendo o primeiro a gerir um jornal local chinês, daria argumentos para os seus inimigos o atacarem e zombarem-se dele. Portanto, era crível que Ching-Hai Tsung-Pao seja o primeiro jornal local chinês em Macau. Em 1892, não havia nenhum jornal local chinês ainda. Assim, “Uma carta a Zheng Zaoru “ por Sun não podia ter sido publicado num jornal de Macau em 1892. Havia várias cartas publicadas em Ching-Hai Tsung-Pao que foram escritas como propostas de reforma aos funcionários e dignitários da época e essas questões ainda estão disponíveis hoje. E Sun sem dúvida teve uma relação estreita com este jornal. Se de facto “ Uma carta a Zheng Zaoru” foi publicada pela primeira vez por volta de 1892 em Macau, ela deve ter sido feita numa das dezenas de edições de Ching-Hai Tsung-Pao que estão em falta hoje em dia.” 38Ching-Hai-Tsung-Pao, re-edição, pag. 4.38.
  • 46 Parece que na altura em que escreveu a análise anterior, o Sr. Fei não teve a oportunidade de ler o mencionado artigo do Echo Macaense, pelo que ele não tinha cem por cento de certeza sobre as suas conclusoes. Para aqueles que leram tanto o Ching-Hai Tsung-Pao como o Echo Macaense, certamente sabem que Francisco Fernandes costumava publicar o mesmo artigo em ambos os jornais, de que era proprietário e responsável, algumas vezes na mesma data, mas outras em datas diferentes. Além disso, se o artigo for originalmente escrito em Português, seria resumido e traduzido para chinês para ser publicado no Ching-Hai Tsung-Pao, mas se o artigo tiver sido escrito em chinês, seria resumido e traduzido em Português para ser publicado no Echo Macaense. Portanto, o artigo sobre “Uma Carta a Zheng Zaoru “ em Português na edição de 1 de Agosto de 1893 do Echo Macaense deve ser um excerpto do original escrito em chinês publicado no Ching-Hai Tsung-Pao do mesmo dia. É uma pena que esta edição do Ching-Hai
  • 47Tsung-Pao não pôde ser encontrada hoje em dia, pelo que não poderemos devidamente verificar se a conclusão do Sr. Fei está correta. No entanto, as evidências mencionadas são suficientes para demonstrar que a versão do Sr. Fei é bastante fiável. O jornal em Macau que trouxe pela primeira vez “Uma Carta a Zheng Zaoru” nas suas colunas deve ser o Ching-Hai Tsung-Pao. Talvez o Jornal Mensal Haotou tenha cometido um erro sessenta anos mais tarde, antecipando erroneamente a data da publicação de “Uma Carta a Zheng Zaoru” por um ano. Quanto à primeira insurreição armada de 1895, apenas relatos muito curtos podem ser encontrados na chamada literatura revolucionária que se encontra disponível. A documentação mais relevante e importante são os dois documentos actualmente encontrados pelo autor alguns anos antes nos arquivos de Hong Kong e Macau. Um dos documentos foi encontrado no Gabinete da Colónia sob o registo nº. CO129/271. É um relatório de mais de 1.000 palavras escritas por Sir William Robinson, então governador de Hong Kong, para o Secretário de Estado das Colónias sobre os resultados da investigação por parte do Governo de Hong Kong na primeira revolta armada de 1895. O relatório foi actualmente baseado num memorando preparado por F.J. Badeley, então Secretário Colonial Adjunto, substituto39.O segundo documento Fok Kai Cheong, Gangao Dangan Zhong de Xinhai Geming (A Revolução de 1911 nos arquivos de Hong Kong e Macau), The Commercial Press, pp. 15-19.39.
  • 48foi encontrado nos Serviços de Administração Civil de Macau com o número de ficheiro AC/CX3011544. Era uma carta oficial escrita por Crespo, então Cônsul Português em Guangzhou, para o governador de Macau em 28 de Outubro de 1895. Na carta, Crespo mencionou a primeira insurreição de 1895.40 Houve uma reportagem sobre a revolta na edição n º 16 de Ching-Hai Tsung-Pao, de 6 de Novembro de 1895. A reportagem figurava na coluna “Grandes Eventos em telegrama” e consistia de 702 caracteres chineses no total. Claro que não era tão longa e detalhada como o relatório do Governo de Hong Kong sobre o mesmo levantamento. No entanto, o relatório do Governo de Hong Kong centrava apenas em Zhu Cuiquan ter recrutado as forças revolucionárias em Hong Kong e como ele as organizou para embarcar no Pao On e navegar de Hong Kong para Guangzhou. O relatório do Governo de Hong Kong nada mencionou sobre como Sun Yat-sen e Lu Haodong engendraram toda a revolta em Guangzhou. Pelo contrário, apesar de ser um pouco curtas, as notícias no Ching-Hai Tsung-Pao informava sobre a parte que faltava: “Verificou-se que Sun Wen (Sun Yat-sen) e ... escondido na aldeia Yungang no templo de Wang Jiaci em Guangzhou... Então (nós) liderámos uma equipa para os prender no nono dia ... mas eles já tinham fugido . No entanto, Ibid. pag. 27.40.
  • 49mesmo assim, prendemos dois rebeldes no local, Chen Zhun e Lu Haodong. Então prendemos mais três rebeldes na residência de Li em Xin Xialan em Nan Guan. Foram encontrados duas grandes panelas e quinze machados afiados de cabos longos. Fomos informados de que dezenas de pessoas se tinham reunido na sala um par de dias antes. Porque houve fuga de informação, souberam do nosso plano para acabar com eles e o grupo fugiu. De modo que prendemos cinco rebeldes e trouxemo-los de volta para serem interrogados.”41Ching-Hai-Tsung-Pao, edição nº. 16 de 1895, Pag. 541.
  • 50 Embora o artigo anterior seja bastante breve, é de facto uma informação mais detalhada em primeira mão sobre as actividades de Sun Yat-sen para subverter o governo Qing em Cantão durante a primeira insurreição. Por isso, é digno de ser tomado a sério. A maior parte do remanescente do noticiário está em conformidade com o relatório do Governo de Hong Kong. No entanto, deve-se notar que as considerações finais do noticiário do Governo de Guangzhou são semelhantes às observações feitas pelo Cônsul-Geral de Portugal sobre a revolta: “Primeiro, houve alguns bandidos que vieram a Guangzhou alugar cerca de 20 apartamentos residenciais com a finalidade de realizarem uma reunião ... mais tarde, o número de bandidos cresceu aproximadamente para cerca de 40.000. O plano original era juntarem-se primeiro em frente do prédio do governo depois da reunião em Guangzhou. Se conseguissem suceder, o grupo deslocar-se-ia a Qingyuan, distrito de Hua Xian, prosseguindo para o norte. Este perverso plano dos bandidos foi descoberto pelo ilustre Li Zhixiang, e foi logo reprimido. Caso contrário, depois de os rebeldes sucederem em Guangzhou, isso espalhar-se-ia tão rápido como o trovão e não deixaria tempo para nós nos prepararmos para o ataque, pelo que, nesse caso, estaríamos numa situação precária.”42 Ching-Hai Tsung-Pao foi fundado por Francisco Fernandes. Embora o próprio Fernandes seja um defensor do movimento revolucionário de Sun Yat-sen, ele também era um jornalista Ibid. pag. 642.
  • 51profissional que seguia o princípio de jornalismo independente e imparcial. É preciso especificamente salientar que o relatório anterior que dá as notícias sobre o primeiro levantamento é uma cópia do comunicado oficial de imprensa de Guangzhou. Isto está de acordo com as directrizes estabelecidas por Francisco Fernandes para os editores do Ching-Hai Tsung-Pao: “A primeira página é destinada a comentários. A segunda trata de notícias da China e do exterior. As notícias devem primeiro dar cobertura aos principais acontecimentos de Pequim e, em seguida, as notícias sobre outras províncias e países. A terceira página é recorte de notícias de Guangdong e de Hong Kong. Nós selectivamente publicamos recortes de notícias diárias dos jornais de Guangdong e de Hong Kong, que sejam verdadeiros acontecimentos .... “43 Os dizeres do noticiário anterior do Governo de Guangzhou sobre a primeira insurreição eram anti-revolucionários. Por isso, seria um erro usar este noticiário como evidência para provar que Fernandes não apoiou Sun e o seu movimento revolucionário. Em contraste, no mesmo dia, a principal história na primeira página de Ching-Hai Tsung-Pao era um artigo escrito por Sun intitulado “Prefácio para Nong Xue Hui (Sociedade de Ciências Agrárias ), com uma breve introdução sobre o escritor no início do artigo: “Sun Wen, ou Sun Yat-sen, nasceu em Xiangshan, Guangdong. Ele foi para os Estados Unidos estudar quando era jovem Ibid. Primeira edição de 1893, Pag. 1.43.
  • 52e tornou-se familiarizado com os assuntos e idiomas estrangeiros. Sun também é um especialista em medicina ocidental e um cristão sério. Quando Sun tinha vinte anos. voltou à sua cidade natal, sabendo muito pouco chinês. Então, depois de vários anos de estudo a sério, Sun já pôde ler a história chinesa, tais como os escritos de Si Maqian e Ban Gu que são antigos historiadores chineses famosos. Sun é muito inteligente por ser capaz de elaborar sobre o que aprendeu. Semelhante a um antigo e famoso chinês, Xiang Yu do Estado de Chu, que fingia aprender seriamente esgrima e literatura, mas na verdade, entretinha ambições além do mero domínio dos livros e da espada, Sun também tem grandes visões. No entanto, às vezes, ele só se concentra em ideais elevados, mas deixa passar os detalhes que muitos de seus esforços se tornaram vãos. Sun uma vez enviou uma proposta sobre como reformar a Dinastia Qing para Zhang Xiangshuai (Zhang Zhidong ) e Li Hongzhang, os dois estadistas mais poderosos da época. Algumas das suas sugestões foram adoptadas. Sun depois visitou a Europa e América para fazer amizade com muitas pessoas talentosas e capazes. Regressado a Hong Kong esta primavera, fez viagens de inspecção ao rio Yangtze, subindo as cinco montanhas mais altas da China. Ele observou e aprendeu sobre a situação social local e os meios de subsistência das pessoas ao longo da sua viagem. Sun fundou então o Nong Xue Hui. Ele publicou um livro para chamar mais pessoas para participarem com o objetivo de beneficiar a sociedade. Agora estamos numa era falha de pessoas talentosas, em que particularmente devemos evitar que essas pessoas se tornem ociosas e cuidar de dar espaço para elas desempenharem o seu papel. Tendo em mente que ela tem fortes vizinhos, a China deve preocupar-se mais sobre tal situação
  • 53desvantajosa. Durante a Dinastia Tang quando a imperatriz Wu leu o memorando enviado por Luo Bin Wang indicando os erros por ela cometidos, ela virou-se para o primeiro-ministro e censurou-o por não apreciar os talentos deste seu crítico. Esperamos poder hoje ter líderes de tal profundidade como a Imperatriz. Nós sempre expressámos verbalmente a nossa sede por talentos. Talentos existem e devemos fazer mais por aproveitá-los.44“ Não há nenhuma indicação de quem seja o escritor da introdução anterior. Se foi verbalmente apresentado por Fernandes e, em seguida, escrito por Wei Wei Sheng como costuma frequentemente ser o caso de alguns editoriais, existe sempre uma nota. Por isso, algumas pessoas são levadas a crer que pode ter sido o próprio Sun quem escreveu esta introdução. De qualquer forma, quem quer que seja o escritor, o mais importante é que Fernandes, como proprietário e editor-chefe do Ching-Hai Tsung-Pao, foi suficientemente corajoso para elogiar abertamente Sun, a figura política mais procurada tanto pelo governo Qing como pelo de Hong Kong. Isso demonstra, sem qualquer dúvida, que Fernandes está decidido a apoiar Sun no seu movimento revolucionário. O autor concorda plenamente com o artigo de Ting Lilan em Tuan Jie Pao que argumenta que o facto de o referido artigo sobre Sun aparecer no próprio jornal de Fernandes, revela que Francisco Fernandes e Sun não eram apenas amigos comuns, mas íntimos de verdade. 45 Ibid. edição nº.16 de 1895, pag. 1.Zhang Lei, Fok Kai Cheong, Sheng Yunghua, pag. 212.44.45.
  • 54 Existe um outro artigo intitulado “Outro levantamento deverá ocorrer novamente”, na secção sobre “Notícias de Macau” de 27 de Novembro de 1895, no Ching-Hai Tsung-Pao, que
  • 55mostra claramente que era favorável à revolução de Sun. No artigo, afirma-se que: “Sun e Yang fugiram para o estrangeiro. O resto dos revolucionários espalharam-se por toda a China Continental trabalhando clandestinos para prepararem outra revolta. Sun tem talentos que poderiam derrubar a dinastia e alguns dos seus amigos são pessoas muito capazes.” Além disso, o Echo Macaense também noticiou a primeira revolta armada em 30 de Outubro, mas apenas com menos detalhes em comparação com o Ching-Hai Tsung-Pao. É digno de menção especial que, a partir da análise anterior, se pode compreender que dois dos poucos escritos políticos de Sun dos primeiros dias, como tais reconhecidos pelos especialistas que estudam o pensamento de Sun, foram publicados nos jornais dirigidos por Fernandes. Fernandes também usou esses dois jornais para divulgar as habilidades médicas de Sun. Ching-Hai Tsung-Pao e Echo Macaense foram os dois primeiros jornais que relataram a primeira insurreição armada de 1895. Além disso, estes dois jornais atreveram a elogiar a forte liderança de Sun. Embora ambos sejam publicados em Macau, a sua influência vai muito além por terem distribução em Hong Kong, Guangzhou, Pequim, Xangai, Xiamen, Hangzhou, Japão, São Francisco, Singapura, Filipinas, Timor e Lisboa.
  • 565. Salvando a Vida de Sun Há algo ainda mais digno de menção. Quando Sun tentava desenvolver a sua carreira revolucionária em Macau, Fernandes não só deu a Sun o seu total apoio, como também lhe salvou a vida. Quando o primeiro levantamento armado falhou, Sun foi colocado na lista de procurados pelo governo Qing. Mas Sun conseguiu fugir para Macau. De acordo com algumas fontes portuguesas, Francisco Fernandes foi corajoso suficiente em esconder Sun no seu próprio apartamento, que também era o endereço oficial do Ching-Hai Tsung-Pao. Poucos dias depois, Fernandes organizou a fuga de Sun para Hong Kong, donde ele conseguiu embarcar num navio para o Japão. De acordo com a autobiografia de Lou I Iok: “O Pai da Nação (Sun) gostava de aumentar a sua reputação em Macau o que atraiu a atenção e a inveja do Governo Qing que decidiu livrar-se de Sun. Felizmente Lou Cheuk Ji dispunha de uma ampla rede social. Quando Lou ouviu falar sobre o caso, ele contratou um barco de madeira e confiou a tarefa de resgatar Sun a Francisco Fernandes que acompanhou Sun a Hong Kong, donde ele embarcou num navio com destino ao estrangeiro. Assim a semente da revolução foi preservada.46 Existe, no entanto, outro relato sobre o mesmo evento, mas escrito sob um ângulo ligeiramente diferente na biografia de Lou I Iok : “ O Dr. Sun permaneceu em Macau e abriu a Farmácia Zhongsi para encobrir as suas actividades revolucionárias. O Governo Qing Li Ao, pp.99-100.46.
  • 57cedo soube do caso e emitiu um mandado para capturá-lo. Como isso aconteceu de repente, Lou Cheuk Ji após falar com Fei-I47, um amigo Macaense, arranjou para que Fernandes escoltasse Sun a Hong Kong, donde ele conseguiu embarcar para Kobe.48 O autor não tem dúvidas de que ambos, o pai e filho da família Lou, estiveram envolvidos no resgate de Sun para sair desta Francisco era o segundo filho da família, pelo que era conhecido também por “Fernandes-segundo” (N. T. ).Ren Zhilin, Biografia de Lou I Iok..47.48.
  • 58situação de perigo. Não seria de estranhar se os Lous ajudaram a arranjar os barcos e prestaram assistência financeira para barqueiros e para outras despesas para a fuga. Mais importante ainda, os Lous foram também pessoas muito influentes junto do Governo de Macau.
  • 59É possível que eles tenham pressionado as respectivas autoridades oficiais para não tomarem medida contra Sun antes de ele embarcar no barco para sair de Macau. Além disso, os Lous tinham também uma relação muito próxima de alguns altos funcionários de Guangdong. Lou I Iok revelou na sua autobiografia que ele mantinha uma ligação muito estreita com o almirante Li Zhun, de Guangdong49. Li foi um dos altos funcionários de Guangdong que estava empenhado em prender os revolucionários. Portanto, não seria uma tarefa muito difícil se os Lous quiserem proteger Sun de cair nas mãos de Li e dos seus subordinados. Por todas estas razões, o autor acredita que o que Lou I Iok disse dez anos mais tarde ao público sobre esse episódio é verdadeiro, isto é, eles participaram na trama para retirarem Sun dos problemas. O autor acredita que Francisco Fernandes e António Bastos que eram ambos amigos chegados quer a Sun quer aos irmãos Lous, talvez estejam também envolvidos na operação. Visto que Bastos era muito próximo do então governador José Horta e Costa, não lhe seria dificil convencer o governo de Macau a não interferir. Este foi também uma das chaves do sucesso da operação. Contudo, um facto que ninguém pode disputar é que Fernandes tomou pessoalmente parte nesta missão de salvar Sun, ao arriscar a sua própria reputação e vida.Ibid.49.
  • 606. Amizade Eterna Em 1895, Sun foi exilado de Hong Kong pelo respectivo Governo por pressão do governo Qing. Desde então, ele teve que viajar por muitos sítios, em todo o mundo para continuar a organizar as suas actividades revolucionárias. Fernandes consistentemente seguiu as actividades da Sun nos seus jornais. Por exemplo, em 25 de Outubro de 1896, o Echo Macaense noticiou que Sun fundou uma organização revolucionária, Revive China Society, nos Estados Unidos.50 Nos dias 15 e 29 de Novembro de 1896, o Echo Macaense publicou uma série de reportagens sobre como Sun foi sequestrado em Londres e mais tarde resgatado.51 Após o sucesso da Revolução de 1911, Francisco Fernandes escreveu imediatamente para Sun duas cartas em inglês, em Janeiro de 1912, para congratulá-lo por ter sido eleito Presidente Provisório da China. O seu ardor e sentimento fortes para com Sun revelam-se em toda a correspondência, especialmente nas linhas que abrem a primeira: “Passaram-se mais de 18 anos desde que apertámos as mãos quando tu partiste desta terra, cheio de coragem e optimismo para a grande luta de libertar o jugo Manchu e durante esse tempo tive vezes muita vontade de escrever para ti, mas eu era incapaz de o fazer, como o seu endereço não pôde ser inquirido. Agora tenho o maior prazer de apresentar os meus parabéns pelo seu sucesso e pela sua elevação Echo Macaense, 25 de Out de 1896.Ibid, 15 de Nov, pag. 2; 29 Nov, pag. 250.51.
  • 61à Presidência da República Chinesa52“. Continuou ainda: “Estou confiante de que vais continuar a empurrar com incansável vigor para o derradeiro término desejado para a emancipação da Grande Nação Han”. Ele informou Sun de que ele estava trabalhando como um vogal sénior do Leal Senado de Macau (Conselho Municipal, hoje) : “Eu imploro para me oferecer para qualquer serviço ou informação que possa ser de utilidade para o seu grande empreendimento.53“ No final, Fernandes disse que ele estava mais preocupado e ansioso para ter infomações de contacto de Sun para que as suas cartas lhe possam com certeza chegar-lhe às mãos.54 As cartas mostram que Fernandes estava realmente muito contente do fundo do seu coração. Isso acontece porque, desde que conheceu Sun, Fernandes viu o ouro na areia e deu a Sun o seu total apoio crendo que Sun certamente se tornaria um dia num grande homem. Quando a República Popular da China foi fundada, o Leal Senado de Macau aceitou a proposta de Francisco Fernandes para hastear a bandeira da República Chinesa e convocar uma cerimónia em frente do Edifício da Câmara para celebrar o nascimento da República da China e a inauguração de Sun como Presidente Provisório55. Quando Sun se demitiu do cargo de Presidente Zhang Lei, Sheng Yonghua, Fok Kai Cheong, pag. 20. O original da carta está em inglês.Ibid. pag.209.Ibid. pag. 210.P. Manuel Teixeira, “A Medicina em Macau”, Vol. III, 1976, page 36152.53.54.55.
  • 62Provisório em Maio de 1912, ele regressou de Hong Kong via Macau para a aldeia de Cui Heng, no distrito de Xiangshan. Em Macau, Sun alojou-se no Jardim Lou Lim Iok dos irmãos Lou e teve um encontro com os vários melhores amigos, incluindo Francisco Fernandes, em Cheng Chou Tong (literalmente Pavilhão da Grama Primaveril) naquele Jardim. Nem Sun se esqueceu do seu grande amigo. Quando Sun se tornou presidente em 1921, ele convidou Francisco Fernandes para trabalhar como seu consultor, mas o convite foi recusado por motivos de saúde.56 Fernandes de facto morreu dois anos depois, em Macau. A narração infra é de Uma Breve História para comemorar o cinquentenário de como o Presidente iniciou os seus estudos médicos e do Movimento Revolucionário, publicado em 1935 pela Comissão Preparatória do Hospital Memorial do Dr. Sun Yat-sen da Universidade de Lingnan em Guangdong: “Havia um filtro de água que Sun costumava ter quando ele estava a exercer a clínica médica em Macau. Foi guardado por Yang Heling nos primeiros anos e agora está no Museu da Cidade de Guangzhou. Quando Sun ficou em Macau, ele era muito chegado a Fernandes, um Macaense. Sun deixou algumas coisas ao cuidado de Fernandes, incluindo a tabuleta da Farmácia Zhongsi, uma mesa redonda com porcelana talhada, uma lâmpada com quatro lamparinas, um pendurilho com tampa em flor, dois vasos de porcelana verde, duas xícaras de porcelana dourada, oito frascos Ibid.56.
  • 63de açúcar de porcelana branca, uma estatueta de papagaio de barro, um bisturi e catorze facas e agulhas. Sun também deu uma colecção completa da Enciclopédia Britânica de 12 volumes a Fernandes como presente. Quando Fernandes morreu, a sua esposa, uma senhora chamada Yang, cuidou de todos os itens acima deixados por Sun.57 Pelo que precede, sabemos que a amizade entre Sun e Fernandes é profunda e eterna.Li Ao, pag. 42.57.
  • 64 Embora Sun só tivesse permanecido em Macau por pouco mais de um ano, antes do sucesso da Revolução de 1911, ele reconheceu a importância de Macau para o curso revolucionário nos seus dois importantes livros: Jianguo Fanglue (Estratégia para a Construção da Nação) e Lundun Binan Ji (Sequestrado em Londres). Sun menciona no seu primeiro livro que: “Após a minha formatura, eu praticava medicina em Macau e Guangzhou. Isto foi o verdadeiro início do meu movimento revolucionário”. No segundo livro, Sun afirmou: “Em 1892, eu estava hospedado em Macau, que fica perto do delta do Rio das Pérolas ... Minha vida política começou naquele ano, e a minha busca de assuntos do Estado também começou naquele lugar”. Isso mostra que Sun acredita que toda a sua carreira revolucionária começou quando ele trabalhou no Hospital Kiang Wu e no Tong Sin Tong . Este texto citou materiais relevantes altamente fiáveis tanto em Chinês como em Português, e após uma análise cuidadosa das fontes do autor, é razoável concluir que durante a permanência de Sun em Macau, apenas Fernandes era a alma gémea que apoiou abertamente Sun nos seus esforços revolucionários. Quando Fernandes soube que Sun tinha aceite o convite para exercer medicina no Hospital Kiang Wu, ele voltou a Macau imediatamente e fundou dois jornais num período muito curto de tempo. Desde a sua primeira edição, os dois jornais, Echo 7. Conclusões
  • 65Macaense e Ching-Hai Tsung-Pao, acompanhando de perto e por muito tempo, informaram sobre as principais actividades da Sun, incluindo a sua clínica, as suas excelentes habilidades médicas, seus talentos na liderança e actividades revolucionárias. Esta foi a razão pela qual Sun publicou seus dois importantes artigos sobre a reforma política nos primórdios, nestes dois jornais. Além disso, foram ainda estes dois jornais que primeiro relataram a incipiente revolta armada de 1895 planeada por Sun. Mais importante ainda, quando o levantamento de 1895 fracassou e Sun foi procurado pelo governo Qing, ele fugiu para Macau. Foi um grupo de pessoas de Macau, com Francisco Fernandes à testa, que regateou a Sun genuinos esforços, caso contrário ele já teria sido morto como outros primeiros mártires tais como Lu Haodong. Não se pode dizer se alguém teria o mesmo espírito perseverante e revolucionário, paixão e energia persistentes, que são pré-requisitos fundamentais para liderar uma revolução através de sérios reveses, momentos traumáticos de desespero para se suceder no final. Portanto, a conclusão é de que, nos primeiros dias do movimento revolucionário, não se pode negar que as pessoas de Macau como Fernandes fizeram contribuições significativas para o seu sucesso. Esta é a razão pela qual as pessoas devem homenagear Fernandes, um camarada revolucionário próximo de Sun, quando se comemora o sucesso da Revolução Chinesa de 1911.
  • Título : Francisco Hermenegildo Fernandes - O camarada de Sun Yat SenAutor : Fok Kai CheongEditor : Instituto Internacional de MacauTradução e Coordenação : Rufino RamosCapa: Nick Ng (853design@gmail.com)Layout : BING DESIGNTipografia : Tipografia Welfare LimitadaTiragem : 500 cópiasISBN : ISBN:978-99937-45-73-0 Macau, Novembro, 2013
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