Académico de Número da Academia Portuguesa da História, Académico Efetivo da Academia de Marinha, Sócio Correspondente Estrangeiro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Correspondente do IHGMT, Correspondente do IHGMG, Correspondente de IHGGO.
Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)ÍNDICE |Abertura 07Batendo o campo para levantar a caça 09Religiosos – Missionários, professores, reitores, expedições missionárias, um Bispo 111- Agostinianos 112- Franciscanos 123- Jesuítas 124- D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães, Bispo de Macau 13Tripulantes e passageiros: Viagens avulsas 15Os estaleiros da Bahia e a Carreira da Índia 17Militares 19Expedições de Mar e Guerra – Socorro a Mombaça 19Maria Úrsula, o mais famoso soldado do Brasil na Índia 20O Batalhão de Artilharia Príncipe Regente, de Macau 21Transferências para as partes orientais 22Governadores 251- Antonio de Albuquerque Coelho, Governador de Macau 252- Antonio de Albuquerque Coelho, Governador de Timor e Solor 263- Antonio de Albuquerque Coelho, Governador de Pate, na África Oriental 264- João Baptista Vieira Godinho, Governador de Timor e Solor 275- D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães, Governador de Macau 286- Thomé de Sousa Correa, Castelão de Moçambique 287- Pedro Saldanha de Albuquerque, Governador-Geral de Moçambique 298- Francisco José de Lacerda e Almeida, Governador dos Rios de Sena (África Oriental) 299- Lucas José de Alvarenga, Governador de Macau 30Desembargadores e Ouvidores 31Degredados na Índia e em Moçambique 35Escritores e poetas, livros e manuscritos 37José de Aquino Guimarães e Freitas 37Lucas José de Alvarenga 37Tomás Antônio Gonzaga 38Manuel Xavier de Burgos 38João Baptista Vieira Godinho 38Francisco José de Lacerda e Almeida 39Pe. Francisco de Sousa 40Relação das ilustrações e créditos 43Bibliografia 77
7Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)ABERTURA |Carlos Francisco Moura é incansável nas pesquisas que faz há muitos anossobre o passado luso-brasileiro. Dezenas de trabalhos de sua autoria já forampublicados – e todos eles, como considerado pelos especialistas, são de uma importância enorme para o conhecimento e a divulgação de fatos históricos e depersonagens que ou permaneciam esquecidos em documentos, códices e arquivos,ou, então, raras vezes, foram nomeados e referidos pelos investigadores d’aquém e d’além-mar.Um quadrante preferido de Carlos Francisco Moura é o Oriente. Estudou tudosobre a presença portuguesa na China e no Japão, na Índia (Goa, Damão e Diu) eaté na Indonésia, onde o Emb. António Pinto da França desenvolveu há poucos anos,uma extensa investigação inventariando os legados portuguesas que persistem emmuitas das ilhas mais importantes que constituem o país. E Carlos Francisco Mouranão ficou por aí.Um dos aspectos que maior interesse tem despertado para as suas investigaçõese trabalhos é o que diz respeito à participação de brasileiros – como governadores emissionários, como tripulantes e militares, como bispos e sacerdotes, como marinheirose funcionários públicos, como religiosos e expedicionários nas “carreiras do Oriente”.De António Albuquerque Coelho, um paraense filho de mestiça que foi governadorde Macau (e não só), aos oito desembargadores nascidos no Brasil que exerceram ocargo na magistratura nos extremos orientais do Império português; ou do escritorLucas José de Alvarenga ao matemático e astrônomo Francisco José de Lacerda eAlmeida ou ao Padre Francisco de Sousa, nascido na Bahia e que lecionou Letras e Teologia no Colégio de São Paulo em Goa, foram muitos – milhares – os brasileirosque estiveram envolvidos e participaram ativamente da administração portuguesado Oriente, tanto em altos cargos do governo e militares, como na hierarquiacatólica, em postos burocráticos e em registros e observações geográficas, ou nareitoria de colégios como professores.
É desses “Brasileiros nos extremos orientais do Império – Séculos XVI a XIX”,que trata o presente trabalho de Carlos Francisco Moura. A sua leitura suscita-nos,de imediato, duas reações: a primeira, de admiração e de reconhecimento por esteesmiuçar do passado, sábio e diligente, e pelo empenho do autor em assentar emfontes várias e seguras e em documentação certa e dispersa todo o seu trabalho –o que nem sempre foi fácil; a segunda, a partilha com brasileiros de muitos dosfeitos e das realizações de que os portugueses foram responsáveis em terras doOriente, desde o início do século XVI. Afinal, éramos todos súditos do mesmo Reinoe condôminos do mesmo destino.Parabéns Carlos Francisco Moura.A. Gomes da Costa8CARLOS FRANCISCO MOURA
BATENDO O CAMPO PARA LEVANTAR A CAÇA |Ao iniciar a preparação do Seminário Brasil-Portugal, que seria realizado de2 a 4 de abril de 2013, o Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro,Prof. Dr. Arno Wehling, convocou-me a apresentar uma comunicação sobre Brasileiros no Oriente nos séculos XVI, XVII, XVIII e início do XIX, tema sobre o qualera escassa a nossa bibliografia: nenhum outro participante abordaria a matéria, eeu seria a pessoa indicada por vir estudando há anos a presença portuguesa na Ásia.Apesar do tempo exíguo, fizemos a pesquisa e elaboramos uma comunicaçãoque teve boa acolhida no seminário.O Dr. José Lobo do Amaral, Vice-Presidente do Instituto Internacional deMacau, ao tomar conhecimento do fato, escreveu-nos, solicitando que aprofundassea pesquisa e elaborasse um livro, pois o tema se enquadrava perfeitamente noprograma editorial do IIM.Na época das Capitanias Hereditárias era comum a transferência, para oBrasil, de portugueses que militavam no Oriente. Em sentido contrário, do Brasil parao Oriente, poucas notícias, mesmo em épocas posteriores, e como os que nasciamno Brasil também eram considerados portugueses, súditos do mesmo rei, nossoempenho foi identificar os naturais do Brasil, individualizando-os com nome e sobrenome, e destacando o papel que desempenharam.Mergulhamos, portanto, na documentação referente aos estabelecimentosportugueses da África Oriental, Índia, Macau (China), Solor e Timor (Oceania), e fomosidentificando: missionários, professores, reitores de colégios, militares, governadores,marinheiros, funcionários, degredados. A destacar os desembargadores e os Governadores (3 de Macau, 2 de Solor e Timor, e 4 de áreas da África Oriental), eum Bispo. Não faltaram também escritores e poetas e um Matemático e Astrônomo.Trata-se, portanto, de uma pesquisa global pioneira, que a alguns personagensjá conhecidos e estudados, junta grande número de outros recuperados do esquecimento historiográfico. E abre caminho a estudos mais aprofundados.9Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
RELIGIOSOS – MISSIONÁRIOS, PROFESSORES, REITORES,EXPEDIÇÕES MISSIONÁRIAS, UM BISPO |Missionários Brasileiros precederam os militares nas idas para o Oriente Português.1_ AGOSTINIANOSO “Cathalogo dos religiosos que tomarão o habito e professarão nesta congregação dos Eremitas de N. P. Santo Agostinho da India Oriental, desde a suafundação athe o prezente” inclui os seguintes brasileiros:– Fr. Paulo de S. Cruz, que se chamava Francisco do Amaral, natural do Brasil,entrou em 1584, com 30 anos, sacerdote e deputado do convento de Goa;faleceu em 1597. (XI, 349).– Fr. Lourenço de Sacramento que se chamava Lourenço Fernandes de Siqueira,natural da Bahia, freguesia de Vera Cruz, entrou em 18 de outubro de 1694:“foy despedido e faleceo”.– Antonio da Encarnação, que se chamava Antonio da Silva Esplanger, naturalde Pernambuco, freguesia de Santo Antônio, entrou em 20 de setembro de1708, com 18 para 19 anos.– Fr. Antonio de Jesus Maria, natural da Bahia de Todos os Santos, freguesiada Sé, entrou em outubro de 1701. Foi sacerdote, pregador e confessor. Vice-Reitor do Colégio, Prior do Convento de Macau, Vigário da Penha de Macau,Comissário Provincial. Foi para Portugal onde faleceu (posteriormente a 1748).– Fr. Antõnio de S. José, que se chamava Antonio José Alves de Pina, naturalda Bahia de Todos os Santos, “freguesia de Senhora da Conceiçam da Praia”.Entrou em 20 de setembro de 1749, com 24 anos; “foy-se embora”.– Fr. José da Conceição, que se chamava José Gomes de Andrade, “natural doRio de Janeiro, freguesia de Nossa Senhora das Candeias”, de 19 anos, entrou11Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
em 1750, sacerdote, pregador e confessor. Foi para o Convento de Macau,“aonde de um panchão que lhe arrebentou na mão” faleceu no dia de SãoJoão, em junho de 1763.– Fr. Antonio da Luz, que se chamava Antonio de Araújo e Silva, natural daBahia de Todos os Santos, freguesia e Nossa Senhora da Conceição da Praia.Entrou em 15 de outubro de 1760. Trabalhou em Bengala e Ugolim.– Fr. Ignacio de Santo Agostinho, natural da Bahia, freguesia de Nossa Senhorada Conceição da Praia. Entrou com 23 anos.2_ FRANCISCANOSFranciscanos do Brasil também foram para o Oriente. Podemos citar circuns-tancialmente ao menos um.Na Notícia do que obraram os frades de S. Francisco [...] na India Oriental,no trecho referente a Bombaim e Terras Vizinhas, figura frei Antonio da Conceição,“nascido no Brasil”. Numa batalha naval travada em 1692, ele evitou que todos fossem pelos ares, matando um mouro que, com mecha acesa, ia explodir o paiolde pólvora.3_ JESUÍTASO Pe. Serafim Leite informa, na História da Companhia de Jesus no Brasil, quepartiram do Brasil para a Índia duas expedições missionárias de jesuítas.A primeira, organizada entre 1725 e 1732, era formada por irmãos estudantes,ao todo dez, dos quais cinco brasileiros. Três da Bahia: Alexandre Correia, Eusébio deMatos e Luís Vieira; um do Rio de Janeiro: Antonio Ferraz; e um do Espírito Santo:Manuel Monteiro.De todos destacou-se Eusébio de Matos, nascido em 16 de junho de 1703,em Cachoeira, que entrou para a Companhia em 16 de junho de 1717. Faleceu naprisão de São Julião da Barra em 11/2/1772, em virtude da perseguição do Marquêsde Pombal à Companhia de Jesus (Leite, VIII, p.361). A segunda expedição, formada por noviços, “partiu da Bahia para a Índia por1747-1748” (Leite, VIII, pp.280-281). Ele não fornece na obra citada os nomes dosque foram, mas os dos “filhos do Brasil” que ainda constavam em 1760, data daextinção da Companhia: Antonio Francisco da Rocha (nascido em 15/2/1721, emMariana); Inácio Francisco (do Rio de Janeiro); José Duarte (da Bahia); José Xavier(do Recife); Luís G. da Silva (de Goiana, Pernambuco); e Manuel Xavier de Burgos,12CARLOS FRANCISCO MOURA
que foi um dos redatores da Historia Persecutionis Societatis Iesu in Lusitania, noque se refere a Goa (ainda vivia em Pesaro em 1797).Além dessas duas expedições missionárias, Serafim Leite cita idas avulsas dejesuítas para a Índia.Um deles foi Antonio de Guisenrode, que ocupou os altos cargos de Reitordo Colégio de Goa e de Procurador da Índia em Roma. Ele nasceu na Bahia em 1672e entrou para a Companhia em 1686. Posteriormente, voltou para a Bahia e foi Reitordo Colégio de Salvador. Faleceu em 9/4/1737 (Leite, VII, p.279, VIII, p.289).Laureano de Brito nasceu no Recife em 1670 e entrou para a Companhia naBahia em 1696. Saiu em 1700, mas foi readmitido três anos depois. Em 1705, pediua Missão da Índia. “Deixou fama de grande missionário e confessor da fé, com cárceres e afrontas” (Leite, VIII, p.124).Outro que se destinava à Índia foi João da Rocha, nascido em 1654, emSergipe de El-Rei, Superior da Aldeia do Espírito Santo (Abrantes), Reitor do Colégiode Santos, Procurador da Província do Brasil, em Lisboa. Morreu na viagem para aÍndia, no mar de Moçambique em 5/5/1702.Um missionário jesuíta famoso, natural do Brasil, mas que, por não ser daProvíncia do Brasil, só é citado de passagem por Serafim Leite, é o Pe. Francisco deSousa, que será referido adiante.4_ D. ALEXANDRE DA SILVA PEDROSA GUIMARÃES, BISPO DEMACAUAlexandre da Silva Pedrosa Guimarães nasceu na Bahia em 21/7/1727. Sendoclérigo secular “e não tendo mais que ordens menores, e sendo juiz de Legacia”, foinomeado Bispo de Macau. Sua eleição foi apresentada em Roma em 14/7/1772, econfirmado Bispo em 18/3/1773 (Teixeira, 1940, p.251).Chegou a Macau em agosto de 1774 para substituir seu predecessor, D. Bartolomeu Manuel Mendes dos Reis, que havia sido transferido para o Bispadode Mariana, Minas Gerais (Teixeira, 1940, p.255).Tendo Pombal expulsado a Companhia de Jesus de Portugal e seus domínios,D. Alexandre, cumprindo as ordens que recebera da Coroa, “revelou um caráter maispombalino que episcopal” (Teixeira, 1940, p.257).Atitudes severas que tomou causaram protestos e reclamações.Por uma provisão de 21/11/1775, D. Alexandre nomeou dois padresportugueses para as funções de Provisor e de Vigário Geral do Bispado de Pequim,criando um conflito de jurisdição, pois ele era administrado pelo Bispo de Nanquim,D. Godofredo Laimbeckhoven, que recorreu e teve ganho de causa.13Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
Esse episódio ocasionou uma reclamação da Congregação da Propaganda àRainha D. Maria I, e um Breve de censura do Papa a D. Alexandre.E, em 7/4/1778, a Rainha convocou D. Alexandre a se apresentar na Corte.Em 10/1/1780, D. Alexandre embarcou para Lisboa, onde chegou em21/6/1781. Em 28/7/1782, ele ofereceu sua renúncia, que entretanto só foi aceiteem 9/7/1789.Perguntando que juízo fazer de D. Alexandre, o historiador Pe. ManuelTeixeira conclui que era “de patriotismo extremo e intransigente que o levava a reclamar direitos que não lhe pertenciam” (1940, p.265).Ele realizou muitas coisas positivas em Macau. Em longa representação eleas enumera, e também as obras de benemerência que praticou.Faleceu em Lisboa em 17/2/1799.A Gazeta de Lisboa publicou em 1799 notícia de 2 de março:“O Excellentissimo D. Alexandre da Silva Guimarães, Bispo que foi de Macáo,do Conselho de S. M., faleceo nesta Cidade a 17 do mez passado”.14CARLOS FRANCISCO MOURA
TRIPULANTES E PASSAGEIROS: VIAGENS AVULSAS |Desde o século XVI não era raro naus em demanda da Índia serem obrigadasa aportar no Brasil para consertos de estragos causados por temporais ou por faltade alimentos e água em decorrência dos atrasos causados pelas calmarias da Guiné.Exemplo disso é o que ocorreu com a nau S. Pedro, que partiu de Lisboa paraa Índia em 23 de abril de 1560 e arribou, pelos citados motivos, à Bahia em 15 deagosto, e só em 2 de outubro pôde prosseguir viagem (v. Moura, 2000).Embarcavam nessas naus, quando prosseguiam para a Índia, trabalhadorescontratados para complementar as tripulações desfalcadas e outros que desejavammudar de ares, ou por simples aventura.15Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
OS ESTALEIROS DA BAHIA E A CARREIRA DA ÍNDIA |Das três dezenas de navios de alto bordo – galeões, naus e fragatas – construídos nos grandes estaleiros da Bahia de 1666 a 1823, a metade serviu naCarreira da Índia, segundo Amaral Lapa: cinco no século XVII e dez no século XVIIIe início do XIX.Parte das tripulações desses navios era preenchida por moradores da Capitaniae, em consequência de vicissitudes da navegação ou por outros, muitos teriam se fixado em terras da África Oriental e da Ásia.17Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
MILITARES |EXPEDIÇÕES DE MAR E GUERRA – SOCORRO A MOMBAÇAEm várias ocasiões, tropas do Brasil foram enviadas em auxílio a outras partesdo Império português. No caso, nos interessam as destinadas à Índia e à África Oriental.Em 1672, seguiu para a Índia, no galeão São Pedro de Rates, uma companhiade infantaria levantada pelo Governador da Bahia, com oficiais dos terços de Salvador(Lapa, 1968, p.204).Em 1700, partiu da Bahia a nau Nossa Senhora de Bitencourt, acabada deconstruir no Arsenal, para reforço da expedição destinada à reconquista da Fortalezade Jesus, em Mombaça, na África Oriental, ocupada pelos árabes. Deveria seguircom ela outra nau, vinda do Reino, que, entretanto, incendiou-se dentro da Baía deTodos os Santos. Foi substituída por um patacho que não teve melhor sorte: naufragouà saída da barra.A nau Nossa Senhora de Bitencourt seguiu viagem e chegou a salvamento àÍndia, onde deveria juntar-se a outras naus portuguesas destinadas à reconquista deMombaça.Entretanto, a expedição não chegou a se realizar e a Nossa Senhora de Bitencourt acabou naufragando ingloriamente no porto de Goa: os tripulanteshaviam esquecido de fechar as portinholas e, durante violenta tempestade noturna,a água invadiu os porões e a pôs ao fundo.D. José de Miralles, Tenente-Coronel da guarnição de Salvador, que, em 1761,teve autorização de acesso à documentação, revela detalhes sobre a expedição. OCapitão de Mar e Guerra da N. Senhora de Bitencourt era Antonio de Saldanha, e oCapitão-Tenente, Rodrigues de Lencastre, filho do Governador D. João de Lencastre.Cita, além de “luzida Infantaria” dos dois terços de Salvador, muitos moradores quevoluntariamente se apresentaram, especialmente vários “de conhecida nobreza”. 19Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
E dá o nome dos que mais se distinguiram: Francisco Teles de Meneses, José da SilvaCerqueira, José Barbosa Leal, Antonio da Silva Pimentel, Antonio da Silva Caldeira,Antonio Monis Barreto, Antonio de Aguiar, Francisco de Araújo, Gomes de Araujode Aragão, Francisco de Araujo e Azevedo, João de Andrade, Luís da Silva Leitão,Manuel de Moura, Luís Peixoto, Antonio de Morais e Francisco Pereira da Silva (Miralles, 1900, p.159).Na carta que, em 14/01/1701, João de Lencastre escreveu ao Rei sobre essaexpedição, ele afirma que na Nossa Senhora de Bitencourt seguiu uma força desocorro que, entre soldados e mais tripulação, comportava 513 praças (Rau, 1958,p.18).Seria interessante apurar o destino dos soldados que certamente estariamaquartelados em terra quando ocorreu o naufrágio. E dos tripulantes que teriam escapado.Em 1725, na fragatinha Santo Antonio de Pádua, partiram de Salvadorreforços para o Oriente, aos quais foram agregados 42 praças da Bahia (Lapa, 1968,p.204).Em 1748, um edital enviado ao Governador da Bahia ordenava a convocaçãode pelo menos 1.500 voluntários destinados ao Estado da Índia “para consolidaçãodas vitórias alcançadas” (Lapa, 1968, p.205).Não sabemos se a historiografia baiana já contemplou essas expedições comestudos detalhados. Elas, sem dúvida, representaram pesados encargos para a Capitania. Entretanto vale lembrar que a Bahia se beneficiou de auxílios bem maisvultosos para ser reconquistada aos holandeses em 1625. Bartolomeu Guerreiro, nolivro Jornada dos Vassalos da Coroa de Portugal, publicado nesse mesmo ano emLisboa, descreve e quantifica minuciosamente essa expedição: 26 navios, “quatromil homens de mar e guerra”, enorme quantidade de armas (peças de artilharia, arcabuzes, mosquetes, etc.), variados petrechos, alimentos, etc.Além dos vassalos da Coroa de Portugal, os da Coroa de Espanha tambémcontribuíram com navios e soldados.MARIA ÚRSULA, O MAIS FAMOSO SOLDADO DO BRASIL NA ÍNDIAO mais famoso soldado do Brasil na Índia foi Da. Maria Úrsula de Abreu eLencastro, nascida no Rio de Janeiro, em 1682. Tanto que mereceu um romancehistórico de Gustavo Barroso, intitulado A Senhora de Pangim.Com 18 anos, Maria Úrsula embarcou para o Reino e lá passou a vestir-se dehomem, e adotou o nome de Baltasar do Couto Cardoso. Sentou praça de soldadoe embarcou para a Índia onde militou com bravura e distinção de 1700 a 1714. Em20CARLOS FRANCISCO MOURA
satisfação de seus serviços, o Rei D. João V fez-lhe mercê do Paço de Pangim porseis anos.Além do romance histórico de Gustavo Barroso, há vários outros estudossobre sua vida. Aqui nos restringimos ao que oficialmente publicou em notícia de24 de março de 1718 a Gazeta de Lisboa.“LISBOA – 24. de Março: Dona Maria Ursula de Abreu, & Lancastro,natural do Rio de Janeyro, filha de João de Abreu de Oliveyra, havendodeyxado a casa de seus pays em idade de 18. annos, veyo a este Reyno,& sentando praça de Soldado, com o nome de Balthazar do Couto Cardozo, passou ao Estado da India, onde servio por espaço de 12. annos,8. mezes, & 13. dias, desde o primeyro de Septembro de 1700. até 12.de Mayo de 1714. primeyro na praça de Soldado em varias Fortalezas, & na Cidade de Goa, achando-se na tomada de Ambona, que se levou àescala com muyta mortandade, sendo das primeyras pessoas q entrárãonaquella Fortaleza com evidente risco de vida, & depois em varias campanhas, & baterias. Sendo nomeada Cabo do Baluarte da Madre deDeos na Fortaleza de Chaul, se houve com assinalado valor em todas asoccasioens que o inimigo intentou acometello; & em todas as outras emque se achou no discurso dos ditos annos, procedeo como bom Soldado,fazendo-se attender sempre pelo seu esforço. S. Mag. que Deos guarde,em satisfação destes serviços, por sua Real resolução de 8. do corrente,lhe fez merce do Passo de Pangim por tempo de seis annos, na vagantede antes de 17. de Dezembro de 1714. em que na India se viraõ os seuspapeis, dandolhe faculdade para a testar a seus filhos, & na falta delles arenunciar em quem lhe parecer, & mandandolhe logo dar hum xerafimpor dia para sua mantença, pago na Alfandega de Goa, em quanto naõentrar na referida merce.” (Notícias Hist., I, p.18)O BATALHÃO DE ARTILHARIA PRÍNCIPE REGENTE, DE MACAUO Batalhão de Artilharia Príncipe Regente, de Macau, foi criado por decretode 13 de maio de 1810, portanto, quando a Corte estava sediada no Rio de Janeiro(Rodrigues, 1999, p.93).Dele fizeram parte pelo menos dois oficiais de artilharia brasileiros.Ludgero Joaquim de Faria Neves, “casado, do Rio de Janeiro, tenente de artilharia do Batalhão”. Notícia de 1821 informa que ele “viera do Rio de Janeiropor Goa, onde fora socorrido com 1.400 xerafins” (Teixeira, 1984, pp.392 e 421).21Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
Outro foi o Tenente-Coronel de Artilharia José de Aquino Guimarães e Freitas,natural de Minas Gerais. Ele chegou a Macau por volta do ano de 1815. Em 1822,sabendo-se em Macau do regresso de D. João VI a Portugal, Guimarães e Freitas foienviado à Corte pelo Governador e pelo Senado, para cumprimentar o Soberano.Guimarães e Freitas permaneceu em Portugal e foi Governador Militar deCoimbra. Publicou uma Memória sobre Macau e um elogio ao Ouvidor Miguel deArriaga Brum da Silveira.TRANSFERÊNCIAS PARA AS PARTES ORIENTAISO Arquivo Histórico Ultramarino conserva muitos documentos de militaresbrasileiros referentes a pedidos de transferência para o Oriente.Em 1761, Domingos Pereira Seabra da Gama, Tenente da Cavalaria Auxiliar,em Minas Gerais, requereu transferência para a Índia (Boschi, 1998, I, p.321).Manuel da Costa Moreira, que havia servido no Regimento de Cavalaria deLinha de Vila Rica, requereu provisão para o posto de Tenente na Índia (1805). No ano seguinte, renovou o pedido de passagem ao posto de Tenente para a Cidadede Goa, apresentando-se como furriel da Cavalaria de Milícias de Vila Rica (Boschi,1998, II, pp.305, 327).Em sentido contrário, da Índia para o Brasil, também eram solicitadas transferências. Em 1761, Manuel da Guerra de Sousa e Castro Godinho [natural deMariana], Capitão de Infantaria da Legião Real de Pondá, requereu transferênciacomo Capitão do Regimento de Dragões da Cidade de Mariana (Boschi, 1998, II,pp.205, 263).Feliciano Henriques Franco, Primeiro Tenente e Comandante da SegundaCompanhia de Artilharia do “Estado de Goa”, requereu à Rainha a patente de comandante do Corpo de Artilharia da Capitania do Espírito Santo [1799] – (Leal,1998, p.94). Outro oficial de Regimento de Artilharia de Goa, Manuel Dias da Silva, requereu transferência para o Regimento de Artilharia da Bahia, como Capitãoagregado (documento apenso a outro, de 29/12/1799) – (Castro e Almeida, 1914,p.185).Em 1807, o Capitão Vicente José de Azevedo, “que veio do Estado da Índiacom passagem pelo Regimento de Cavalaria de Minas Gerais”, solicitava passaportepara se recolher ao seu Regimento (Boschi, 1998, II, p.366).Teve grande atuação nas lutas políticas em Macau o Major Paulino Barbosa“brasileiro, solteiro, influente nas anteriores perturbações”. Formaram-se na cidadedois partidos, o conservador, chefiado pelo Ouvidor José de Arriaga Brum da Silveira,22CARLOS FRANCISCO MOURA
e o liberal, pelo Major Paulino da Silva Barbosa. Os liberais venceram a eleição de13/08/1822, e o Major Paulino, que também era vereador, assumiu a liderança dogoverno da Cidade. Houve depois uma revolta “contra a ditadura” de Paulino, e elefoi preso em 23/9/1823 (Teixeira).Manuel de Araújo e Azevedo Abreu Bacelar, cadete e porta-bandeira doRegimento de Infantaria de Belém do Pará, requereu ao Príncipe Regente provimentono posto de Tenente dos Regimentos dos Estados da Índia [anterior a 1805] – (Pará,vol. 2, p.762).Às vezes, o militar pleiteava a transferência apresentando mais de uma opção.Em 1807, Miguel Francisco de Magalhães, Alferes agregado da Primeira Companhiado Primeiro Regimento da Cavalaria de Milícias do Serro do Frio, Minas Gerais, requereu o posto de Capitão agregado ou efetivo, com o soldo correspondente, noRegimento de Linha ou no Esquadrão de Cavalaria de Angola, Goa ou Rio de Janeiro(Boschi, 1998, II, p.343).Antônio José Alves, tenente do 3º Regimento de Infantaria da 1ª Linha daProvíncia do Pará, requereu à Regente D. Isabel Maria o seu provimento no postode Capitão “de um dos Domínios Ultramarinos de Goa, Moçambique, Angola ouIlhas de Cabo Verde” [anterior a 1827] – (catálogo Pará, II, p.762).Por decreto assinado em Mafra em 25/02/1807, o Príncipe Regente D. Joãonomeou o Tenente de Infantaria das tropas de Goa, Joaquim Doutel de Almeida parao posto de Ajudante de Ordens do Governador e Capitão-General da Capitania deSão Pedro, D. Diogo de Souza, com a patente de Capitão de Infantaria (Berwager,2001, p.161).Essas idas e vindas entre o Brasil e as partes Orientais, às vezes produziamfrutos. O Mestre de Campo Custódio Barbosa Martins, “solteiro, natural e moradordo Pará”, requereu a D. José I certidão de legitimação das quatro filhas que tevecom Ana Teresa, solteira, natural da Índia: Germana, Vitória, Maria e Inácia, todascom os sobrenomes do pai: Barbosa Martins (p.418).23Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
GOVERNADORES |1_ ANTONIO DE ALBUQUERQUE COELHO, GOVERNADOR DE MACAUAntonio de Albuquerque Coelho nasceu cerca de 1682 em Cametá, no Pará,filho de Antonio Albuquerque Coelho de Carvalho, que posteriormente foi Gover-nador de Olivença, do Maranhão, de Minas Gerais e de Angola. Sua mãe era umamestiça de Gurupá.Foi em criança para Portugal e, em 1700, partiu para a Índia “para servir empraça de soldado”.Em 1706, foi pela primeira vez a Macau, onde se apaixonou por uma ricaherdeira muito criança. Outro pretendente tramou contra ele um atentado, que resultou na amputação de seu braço direito, atingido por um tiro de arcabuz.Mesmo assim casou com sua eleita.Em 1717, o Governador da Índia o nomeou Governador de Macau, e ele empreendeu uma viagem até então não tentada, através do subcontinente indianoe, depois, por mar, até Macau. Essa Odisseia é descrita por João Tavares de VellesGuerreyro no livro Jornada de Antonio de Albuquerque Coelho, de Goa a Macau –1ª edição: xilográfica chinesa, Macau, 1718; 2ª edição: Oficina da Música, Lisboa,1732 (v. Moura, 2009).1Albuquerque Coelho governou Macau com grande habilidade de 30/5/1718a 8/9/1719, curto período que coincidiu com vasto progresso econômico. Deixousaudade na população.25Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)1 Um exemplar da Jornada de Antonio de Albuquerque Coelho, certamente da edição de 1732, é documentado em 1776 num inventário no outro extremo do Império: Cuiabá, Mato Grosso(Moura, 2013).
26CARLOS FRANCISCO MOURA2_ ANTONIO DE ALBUQUERQUE COELHO, GOVERNADOR DE TIMORE SOLOREm 1721, foi nomeado Governador e Capitão-General de Solor e Timor etomou posse no ano seguinte.Foi muito conturbado o governo de Albuquerque Coelho em Timor.Para combater rebeldes ele reuniu enorme multidão de guerreiros nativos,mas foi derrotado, e os distúrbios e motins continuavam. Apesar de tudo, ele conseguiu manter-se em Linfau até à chegada do sucessor. Governou Timor e Solorde 1722 a 1725.23_ ANTONIO DE ALBUQUERQUE COELHO, GOVERNADOR DE PATE,NA ÁFRICA ORIENTALEm dezembro de 1728, Albuquerque Coelho foi nomeado Governador e Capitão-General de Pate, dependência de Mombaça, na África Oriental.Com a missão de construir um forte para proteger o sultão local contra osárabes, ele desembarcou na pequena ilha, em fevereiro de 1729, com 150 soldados.Não chegou a iniciar a construção e, falto de apoio, retirou-se para Goa, onde chegouem setembro desse ano.Por não ter cumprido a ordem de construir o forte, Albuquerque Coelho foiprocessado e preso, mas recorreu da sentença e foi absolvido.Continuou a viver em Goa, exercendo cargos públicos e militares. Faleceupouco depois de 1746. A vida de Antônio de Albuquerque é o objeto do livro Antonio de AlbuquerqueCoelho, Mestiço de Camutá no Grão-Pará: Governador de Macau, do Timor e dePate; e Jornada de Goa a Macau em 1717-1718, descrita por Velles Guerreyro(Moura, 2009).2 Existe ainda hoje, quase três séculos depois de fabricado, na pequena Ilha de Adonara, próximode Timor, um presente levado por Albuquerque Coelho quando governava a região: o famosoSino de Vure, que contém, gravada, a seguinte inscrição: “Antonio de Albuquerque Coelho Fidalgoda Casa de Sua Magestade mandou fazer este sino em o 1º de Dezembro de 1714” (Moura,2009, pp.2-3).
4_ JOÃO BAPTISTA VIEIRA GODINHO, GOVERNADOR DE TIMOR ESOLORJoão Baptista Vieira Godinho nasceu em Mariana, Minas Gerais, em 1742.Em 1760, entrou para a Academia Militar de Lisboa e concluiu o curso com distinção.Em 1764, foi promovido a 2º Tenente do Regimento do Porto.Foi nomeado lente de um regimento de artilharia criado em Goa e para lá seguiu com a condição de ser promovido a Sargento-Mor e manter o título delente. Quis regressar depois a Lisboa, mas sua permanência na Índia não podia serdispensada.Em 1784, foi nomeado Governador de Timor e Solor, cargo que exerceu até1789.Segundo o historiador Gonçalo Pimenta de Castro, Vieira Godinho foi “hábilno manejo dos negócios públicos e foi-o ainda na sua política indígena” (1944,p.41).Conseguiu atrair o Rei de Luca, D. Tomás do Amaral, concedendo-lhe a patente de Tenente-General e Governador ou Conservador da Província de Belos.No seu governo, terminou a chamada “Guerra dos Doidos”.“Godinho prestou grandes serviços à Colônia, para a qual elaborou umprojeto de organização militar que não chegou a ser executado. Criouuma espécie de banco, o cofre de giro, destinado a suprir a falta de numerário nas operações comerciais” (Castro, 1944, p.42).Godinho solicitou a Goa que autorizasse Macau a emprestar a quantia necessária para o cofre, assumindo pessoalmente a responsabilidade por tudo. Comoo pagamento era feito em Macau com sândalo do Timor, que na China tinha umpreço muito elevado, em pouco tempo o empréstimo era saldado e constituído umfundo próprio (Castro, 1944, p.42).No seu governo foi implantado o Regimento da Alfândega de Díli e oRegimento da Intendência Geral da Marinha e Fazenda Real (ambos de 1785).Findo o mandato, Godinho voltou para Goa, onde exerceu o cargo deInspetor do Trem de Artilharia.Quando houve a invasão de Junot, ele já se encontrava em Portugal.Em 1808, voltou para o Brasil e, no ano seguinte, foi promovido a Tenente-General. Faleceu em 12/2/1811.Deixou várias obras manuscritas sobre temas militares, questões econômicasno Oriente, e outras.27Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
5_ D. ALEXANDRE DA SILVA PEDROSA GUIMARÃES GOVERNADORDE MACAUAlém de Bispo, D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães exerceu interina-mente o cargo de Governador de Macau de 25/6/1777 a 1/8/1778. Isso porque o Governador nomeado, D. João de Castro, faleceu durante a viagem, ao sair de Malaca.Quando o navio chegou a Macau, foram abertas as vias de sucessão, nasquais eram indicados os governadores interinos que substituiriam os nomeados e,na primeira, vinha indicado o Bispo D. Alexandre.Ele teve bom desempenho na função: governou “com geral aceitação dopovo daquela cidade, o que bem se demonstrou porque, nas monções antecedentes,sendo muitas e muitas queixas contra o Governador Diogo Ferreira Salema de Saldanha, não houve nesta monção queixa alguma contra o bispo” (Mitras II, p.317,apud Teixeira, 1940, p.260).Quando, em 8/8/1778, o Bispo entregou o cargo ao novo Governador, JoãoVicente da Silveira Meneses, o Senado escreveu-lhe manifestando gratidão pelos obséquios recebidos.Houve mesmo uma representação do Senado à Rainha, pedindo a continuaçãode D. Alexandre como Governador da cidade.Mas foi mantida a ordem anterior de se apresentar na Corte, não pelo desempenho como Governador, mas pelo problema diplomático criado com o Bispode Nanquim.6_ THOMÉ DE SOUSA CORREA, CASTELÃO DE MOÇAMBIQUERocha Pitta, na Historia da America Portugueza 1500-1724 (Lisboa, 1730),publica lista de Pessoas naturais do Brasil que exerceram Dignidades e Governos Eclesiasticos e Seculares na Patria e fora della, na qual aparece Thomé de Sousa Correa, “castellão de Moçambique” (Pitta, 1878, p.459). O termo designava, anti-gamente, “governador, guarda do castello” (Moraes e Silva).Informa Alexandre Lobato que a antiga capitania de Sofala, depois chamadade Sofala e Moçambique, e, a seguir, de Moçambique e Rios de Sena, “era governadapor capitão, governador ou castelão, por vezes também chamado capitão-general,com assento na localidade principal – Moçambique –, que tinha a designação depraça: a ele estava subordinado o Governador dos Rios de Sena, que usava o títulode tenente-general dos Rios” (Lobato, 1957, 29). Na época, a região era submetidaao vice-reinado da Índia.28CARLOS FRANCISCO MOURA
7_ PEDRO SALDANHA DE ALBUQUERQUE, GOVERNADOR-GERAL DEMOÇAMBIQUEPedro Saldanha de Albuquerque foi nomeado Governador de Moçambiqueem 5 de Agosto de 1758. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 1725, filho natural deAyres de Saldanha de Albuquerque e de Joana Maria de Morais. Era meio-irmão doVice-Rei da Índia, D. Manuel Saldanha de Albuquerque, conde da Ega. Pedro Saldanhafoi com o irmão, como voluntário, para Índia. Ao chegar à Ilha de Moçambique“apesar da desanexação da Capitania relativa ao Estado da Índia o Vice-Rei destituiuo governador em exercício, o brigadeiro David Marques Pereira, e nomeou o seuirmão, Pedro Saldanha de Albuquerque” (Rodrigues, 2003, pp.345-346).8_ FRANCISCO JOSÉ DE LACERDA E ALMEIDA, GOVERNADOR DOSRIOS DE SENA (ÁFRICA ORIENTAL)Francisco José de Lacerda e Almeida nasceu em São Paulo, em 1753, e com17 anos foi para Portugal.Formou-se em Matemática pela Universidade de Coimbra e fez parte da comissão encarregada da demarcação dos limites do Brasil estabelecidos pelo Tratado de Santo Ildefonso. Viajou pelos sertões da Amazônia, de Mato Grosso e de São Paulo, de 1778 até 1790, quando embarcou de volta para Portugal.Sócio da Academia de Ciências de Lisboa, lente da Real Academia dos Guardas-Marinhas, foi nomeado Primeiro-Tenente do Mar e promovido a Capitãode Fragata em outubro de 1795.Desejando a Coroa enviar uma expedição à África para realizar a travessia,até então não conseguida, de Moçambique à contracosta em Angola, nomeou Lacerda e Almeida Governador dos Rios de Sena e encarregou-o da missão.A nomeação foi em 13/2/1797, e sua jurisdição abrangia vasta área da Zambézia,com a capital em Tete e as vilas de Sena, Quelimane e Zumbo, na África Oriental.Lacerda e Almeida empreendeu a expedição, que foi uma verdadeira via crucis:clima inóspito, doenças, fome, sede, deserções de carregadores e de guias, e muitosoutros obstáculos, que ele descreve no Diário da Viagem da Vila de Tete, Capital dosRios de Sena para o Interior as África (1797-1798).Apesar das doenças e problemas, Lacerda foi determinando astronomica-mente as coordenadas geográficas do caminho percorrido.Atacado durante toda a viagem por febres violentas, Lacerda e Almeida nãoconsegue completar a travessia e sucumbe em 17/10/1798, no local denominado Chungoou Chungu, na época capital dos domínios do Cazembe, próximo ao Lago Moero.“Escravo do dever, mártir da ciência”, diz dele seu biógrafo Almeida de Eça.29Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
9_ LUCAS JOSÉ DE ALVARENGA, GOVERNADOR DE MACAULucas José de Alvarenga nasceu em Sabará, Minas Gerais, em 12/9/1768.Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e, depois de exercer emGoa o cargo de Ajudante de Ordens do Vice-Rei Conde de Sarzedas, foi nomeadoGovernador de Macau.Ocupou o cargo de 26/12/1808 a 19/7/1810. Segundo o Pe. Manuel Teixeira,voltou a Macau em 18/7/1814 para reassumir o cargo, mas não chegou a tomarposse. As razões de tão curto período de governo, a volta para reassumir o cargo, ea impossibilidade de fazê-lo, ainda restam para esclarecer totalmente (Teixeira,p.294).A sua gestão ocorreu num período extremamente conturbado de Macau, quese deparou com dois perigos iminentes: a tentativa dos ingleses de se apoderaremda cidade e o crescente poderio dos piratas chineses que infestavam os mares e costasda região.Coincidiu também com a época do Ouvidor Miguel de Arriaga Brum da Silveira,que, com amplos poderes, ficava sempre à frente das principais iniciativas governa-mentais da cidade.3Depois de regressar ao Brasil, Lucas de Alvarenga publicou três trabalhos defendendo sua atuação em Macau e respondendo aos que a minimizavam: – Memória sobre a expedição do Governo de Macao em 1809, e 1810 emsocorro ao Imperio da China contra os insurgentes piratas chinezes, principiada, e concluida em seis mezes pelo Governador e Capitão Geraldaquella cidade Lucas José d’Alvarenga Autenticada com documentosjustificativos / Escripta pelo mesmo L.J.A. em Dezembro de 1827. Rio deJaneiro: Typographia Imperial e Nacional, no principio de 1828.– Artigo Addicional à Memoria. Rio de Janeiro: Typographia do Diario, 1828.– Observações à Memoria de Lucas José d’Alvarenga com suas notas e humresumo da sua vida. Rio de Janeiro: Typographia do Diario, 1830.Lucas de Alvarenga publicou também uma novela e um volume de Poezias.A Profª Anita Correia Lima de Almeida, da UNIRIO, está realizando pesquisasobre Lucas José de Alvarenga, da qual já publicou na Internet uma parte, intituladaUm Ilustrado Mineiro no Governo de Macau.30CARLOS FRANCISCO MOURA3 O estudo Chineses e Chá no Brasil no início do século XIX (Moura, 2012) resume os principaisproblemas de Macau na época.
DESEMBARGADORES E OUVIDORES |A atuação de magistrados brasileiros no Oriente Português também é docu-mentada.Na justiça antiga portuguesa, desembargador era magistrado de tribunal superior, especialmente do Tribunal da Relação.4Pelo menos oito desembargadores nascidos no Brasil exerceram o cargonos extremos orientais do Império. Todos na Relação de Goa, na Índia: três dePernambuco, dois da Bahia, dois de Minas Gerais e um do Rio de Janeiro. Um delesexerceu a função também em Macau, China.Comecemos pelos do século XVII. O Bacharel Pedro de Anveres, nascido em1628, em Pernambuco, filho de Jerônimo Domingues de Anveres e de Isabel de Gusmão, por carta de 3/3/1672 foi nomeado Desembargador da Relação de Goa(Subtil, 2009, p.486).O Bacharel D. Antonio de Sousa, nascido em 1666, em Pernambuco, filhode João de Sousa e de Isabel Lopes, foi nomeado Desembargador da Relação deGoa em 1695. Antes, exercia o cargo de Procurador dos Cativos do Porto (1692).Em 1695, foi habilitado pela Ordem de Cristo (Subtil, 2009, p.112).Domingos Dias de Matos, nascido em 1658, na Bahia, filho de DomingosDias e de Filipa de Matos, foi nomeado Desembargador da Relação de Goa em 1690.Era Bacharel (Subtil, 2009, p.156).José Luís França, Bacharel em Cânones, nasceu no Rio de Janeiro, filho de AntônioLuís França (ou João Luís França) e de Florência da Silva. “Carta de Desembargador31Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)4 “Os magistrados que alcançavam uma nomeação para desembargador atingiram um patamaralmejado por todos os que seguiam a carreira da justiça da coroa. Ao lograr esse estatuto, recebiamuma nomeação a título definitivo que era, ao mesmo tempo, um reconhecimento, por parteda coroa, da qualidade demonstrada e da experiência adquirida ao longo da carreira.” (NunoCamarinhas, Os Desembargadores no Antigo Regime (1640-1820), in José Subtil, Dicionário dosDesembargadores (1640-1834), (p.95).
da Relação de Goa com posse na Casa da Suplicação de 25 de Março de 1758”.Além disso, exerceu vários outros cargos importantes em Portugal e no Rio de Janeiro.“Era o principal autor de quanto obrava contra os padres da Congregação o Marquêsde Pombal. Na madrugada de 26 de Dezembro de 1759, foram presos os padres daCongregação do Estado da Índia e foi o mais exacto executor das ordens régias noColégio Novo de S. Paulo de Goa [...]”. Faleceu em 1793 (Subtil, 2009, p.361).Antônio Pereira da Silva, natural do Rio das Mortes, Minas Gerais, nasceu em1707, filho de Faustino Pereira da Silva e de Maria da Silva Magalhães. Tinha o títulode Doutor. Nomeado Desembargador da Relação de Goa em 1738, exerceu o cargopor dez anos, e faleceu na viagem de regresso ao Reino (Subtil, 2009, p.105).José Dias do Vale nasceu na Bahia, em 1724, filho de António Luis do Vale e deFrancisca Dias Ferreira. Por carta de 16/5/1760, Desembargador da Relação de Goa.Antes, exerceu o cargo de Juiz de Fora de Amarante (Subtil, 2009, pp.342-343).O Bacharel José da Rocha Dantas e Mendonça nasceu em 1735, em Pernambuco, filho de Antonio da Rocha Dantas e de Maria Dias de Mendonça. Foi Desembargador da Relação da Bahia (carta de 27/10/1773) e, depois, Chancelerda Relação de Goa (carta de 28/2/1787), e Conselheiro do Conselho Ultramarino(1787). Antes de ser Desembargador, foi Juiz de Fora de Faro (Algarve) e Juiz de Forado Faial (Açores). (Subtil, 2009, pp.377/378).Antonio Pereira Santos, Bacharel em Leis, nasceu em Guarapiranga, MinasGerais, filho de Antonio Martins da Silva e de Luísa Álvares da Encarnação. Foi enviado para dois extremos do Império: Macau, China, e Goa, Índia. Por alvará de14/12/1793, foi designado Provedor das fazendas e capelas da cidade de Macau e,depois, Provedor das fazendas dos defuntos e ausentes da mesma cidade(14/12/1795). Por carta de 9/10/1795, foi nomeado Desembargador da Relação deGoa, com exercício de Ouvidor do Marão. Posteriormente, foi Desembargador daCasa da Suplicação (1803), Ajudante do Provedor da Fazenda (1806), e Provedor da Real Fazenda (1815). Antes de ser nomeado para Macau, ele havia sido Juiz deFora do Maranhão (1784) e Provedor dos defuntos e ausentes do Maranhão (1784).(Subtil, 2009, p.105).O Desembargador João Carlos Leal, natural da Bahia, Juiz dos Feitos da Coroa,tomou parte, em setembro de 1821, na conjuração contra D. Diogo de Sousa, Condedo Rio Pardo, Governador da Índia. Fez parte, como Secretário Civil, da Junta eleitapara substituir o Governador. Depois da Independência, ele pediu autorização pararetirar-se de Goa, “por ser brasileiro”. (Gracias, 1965, p.14).Um Magistrado brasileiro enviado para Macau foi o Bacharel em Direito JoãoBaptista dos Guimarães, natural de Pernambuco. Ele chegou de Goa a Macau emdezembro de 1809, e tomou posse da Ouvidoria na Câmara “com as cerimôniascostumadas” a 2 de dezembro de 1810. Entretanto, meses depois, foi substituído32CARLOS FRANCISCO MOURA
pelo seu antecessor, Ouvidor Miguel de Arriaga Brum da Silveira, reconduzido aocargo por decreto régio de 13/5/1810 (Teixeira, 1976, pp.332, 342, 343).Ele havia sido Ouvidor de Paranaguá, no Paraná. Documentos de Macau referem que já se sabia de seu procedimento “em Pernaguá”. Foi nomeado OuvidorGeral e Corregedor da Comarca de Paranaguá por provisão régia de 19/12/1798(Leão, 1994, p.955). Por sua rigidez na fiscalização e medidas prepotentes e impo-pulares, tornou-se malquisto à população. Queixavam-se os membros da Câmarade Antonina que, tendo comparecido com o estandarte real à casa de sua aposen-tadoria, para acompanhá-lo na correição, ele nem sequer mandou-os entrar, apesarda chuva que caía.Por diversos motivos, atendendo aos reclamos da população, o GovernadorMello e Castro, por portaria de 7/1/1802, suspendeu-o do cargo, e deu ordem deque fosse conduzido preso para São Paulo, mas ele conseguiu evadir-se para o Riode Janeiro.Isso leva a crer que, no caso, a transferência para região tão remota equivaliaa uma punição.33Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
DEGREDADOS NA ÍNDIA E EM MOÇAMBIQUE |Também degredados foram enviados para as partes orientais do Império. Documento datado da Bahia em 31/5/1787, referente à partida da nau N. Sra. da Conceição e Santo Antônio para Goa e Moçambique, capeia três relações,duas de degredados, e uma de transferência de militares.– Lista dos réus condenados a degredo para a cidade de Goa, por acórdãosda Relação da Bahia.– Lista dos réus condenados a degredo na ilha de Moçambique, por acórdãosda Relação da Bahia.– Relação dos soldados da guarnição da Bahia que, por seu mau compor-tamento, foram transferidos para a guarnição da Índia (Castro e Almeida,1912, p.47).Documento datado da Bahia em 14/5/1792 contém anexa a lista dos presosque foram remetidos para o Estado da Índia e Presídio de Moçambique pela nauN. Sra. de Belém, do comando do Capitão-Tenente José Francisco Perné (Castro eAlmeida, 1912, p.255).Sete implicados na Conjuração Mineira, condenados a vários presídios, foramentregues em 20/5/1792 a Francisco Bernardo Abreu, Capitão do navio da Índia.A lista dos presos enviados para a Índia e Presídio de Moçambique pelo navioSanto Antonio Polifemo está anexada a documento datado da Bahia em 31/10/1795.O mais célebre degredado foi Tomás Antonio Gonzaga, português, mas filhode pai brasileiro. Com apenas 7 anos veio para o Brasil com o pai. Foi para Coimbraformar-se em Direito, e voltou para o Brasil. Exercia o cargo de Ouvidor de Ouro Pretoquando foi implicado na Inconfidência Mineira. Condenado a degredo perpétuo emAngola, a pena foi comutada em dez anos de degredo na Ilha de Moçambique,África Oriental Portuguesa.O Capitão Luís Prates de Almeida e Albuquerque, que participou da Revoluçãode 1817 em Pernambuco, foi deportado para Goa. Por sua inteligência e capacidade35Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
de ação, reuniu uma legião de admiradores. Mas suas posições extremadas e gênioirascível criaram muitos inimigos e ocasionaram sua morte trágica.Há também o caso de João Martins, soldado do Regimento de Minas da 7ª Companhia, degredado por seis anos para a Índia, cuja mulher pediu para acompanhá-lo e, ao mesmo tempo, que o degredo fosse mudado para qualquerparte da América (1777) – (Boschi, 1998, II, p.361).Documentos que vão de 1680 a 1735, da Capitania do Maranhão, referem-sea “dois dos nove filhos de José de Oliveira Pantoja serem enviados para a Índia, pordistúrbios na capitania do Pará” (p.128). José de Oliveira Pantoja, “natural do Pará”,requereu a D. João V que sua ida para Índia fosse como voluntário, e não comocriminoso, “uma vez que não há culpa formada e nem provada” contra ele [1736]– (Pará, v. I, p.126).36CARLOS FRANCISCO MOURA
ESCRITORES E POETAS, LIVROS E MANUSCRITOS |Alguns brasileiros que foram para o Oriente eram também escritores e poetas.JOSÉ DE AQUINO GUIMARÃES E FREITASJosé de Aquino Guimarães e Freitas escreveu dois livros que interessam àhistória de Macau. A Memória sobre Macau, “por José de Aquino Guimarães e Freitas, Naturalda Província de Minas Gerais, Coronel de Artilheria, Ex-Procurador da mesma Cidadee actualmente Governador de Coimbra”. Foi publicada em Coimbra pela Real Imprensa da Universidade, em 1828. Possui 84 páginas, e é importante repositóriode informações sobre Macau colhidas in loco.O outro trabalho é o Ellogio do Senhor Miguel de Arriaga Brum da Silveira,“escripta por José de Aquino Guimarães e Freitas”, que ele também faz questão deressaltar em caixa alta “NATURAL DA PROVÍNCIA DE MINAS GERAIS”. Foi publicadoem Lisboa, na Typografia de Antonio Rodrigues Galhardo, em 1826: tem 24 páginas,e é o elogio do famoso Ouvidor de Macau que havia falecido dois anos antes, em13 de dezembro de 1824.5LUCAS JOSÉ DE ALVARENGAOutro que escreveu livros que interessam à história de Macau foi o tambémmineiro Governador Lucas José de Alvarenga: os já citados Memória, Artigo Addicional37Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)5 Sobre projetos que o Ouvidor Brum da Silveira tinha para o Brasil, v. Moura, Chineses e Chá noBrasil no início do século XIX (2012).
e Observações à Memória, os três justificando e defendendo sua atuação no governoda cidade:Depois de voltar para o Brasil, Lucas Alvarenga publicou mais dois: Statira eZoroastes “Novella dedicada à S.M. A Imperatriz do Brasil” (Rio de Janeiro, 1826).Foi considerada por Hélio Viana “A primeira novela à clef publicada no Brasil”. Alvarenga era poeta repentista, e em 1830 publicou, também no Rio de Janeiro,“Poezias”, Tomo Primeiro. E único, pois faleceu pouco depois.TOMÁS ANTÔNIO GONZAGATomás Antônio Gonzaga (Porto, 1744 – Moçambique 1807) foi o maior poetaenviado do Brasil para a África Oriental. Implicado na Inconfidência Mineira, em1791, foi degredado para Moçambique, onde se casou e exerceu advocacia. Suaobra Marília de Dirceu foi publicada em 1792, em Lisboa, e teve um grande sucessoeditorial.MANUEL XAVIER DE BURGOSHá a lembrar também o jesuíta Manuel Xavier de Burgos, um dos redatoresda Historia Persecutionis Societatis Iesu in Lusitania, na parte referente a Goa.JOÃO BAPTISTA VIEIRA GODINHOO Coronel Vieira Godinho também era dado às artes da pena. Em carta escritada Bahia em 29/12/1799, dirigida a D. Rodrigo de Sousa Coutinho, entre outras coisas, “diz estar compilando as poesias de seu falecido amigo José Anastácio daCunha”, e remete várias memórias sobre assuntos relativos à Índia (Castro e Almeida,1914, p.185).6As memórias encaminhadas a Sousa Coutinho foram ao todo 12.Cinco referentes à Índia: 1. Memória sobre a extração de ferro das ricas minas deGoa; (em Sanguem “é que se veem as mais ricas, mesmo à flor da terra”). 2. Memória38CARLOS FRANCISCO MOURA6 José Anastácio da Cunha (1744-1787) foi célebre matemático e poeta português. Sua Obra Poéticafoi publicada em 1839, e, em 1930, Hernani Cidade apresentou em Coimbra a dissertação “A Obra Poética de José Anastácio da Cunha”.
sobre a fábrica de pólvora de Goa. 3. Memória sobre a entrada franca, que se permitiu,em Goa, aos cocos estrangeiros, com prejuízo manifesto e irreparável dos afazendadosdaquele Estado, e abatimento dos dízimos e dos direitos reais. 4. Memória sobre aprática de se guarnecerem as pequenas embarcações de guerra do Estado da Índia,com carpinteiros, calafates, cordoeiros, etc., que vencem diariamente de 150 até450 réis, em lugar de marinheiros que têm apenas 65 até 70 réis de jornal. 5. Memóriasobre o estabelecimento de se sustentarem à sua custa os cabos, tambores e soldadosdo Regimento de Artilharia de Goa, a bordo de fragatas daquele Estado, quando asmais praças delas se sustentam à custa da Real Fazenda.As referentes a Macau são quatro: 1. Memória sobre a necessidade de estabe-lecer em Macau um adjunto da Fazenda Real. 2. Memória sobre a necessidade de sepagar na Alfândega de Macau 1 até 1 ½ por cento de direitos de saúde. 3. Memóriasobre a autoridade régia que em grande parte se acha aniquilada em Macau. 4. Memóriasobre o anfião, que sendo o comércio livre em Macau, e de contrabando na China,tem sido a causa da ruína de alguns Governadores e de muitos moradores daquelacidade por intriga destes.As referentes ao Brasil são três: 1. Memória sobre a compra de madeiras quea Fazenda Real fez ao gentio a quem arrendou as suas matas, podendo mandarfazer-lhas a eles com muito mais vantagem e menos despesa. 2. Memória sobre a extração de salitre da Serra dos Montes Altos, que João Baptista Vieira Godinhopropusera em 1772 ao Governador da Bahia, Martinho de Melo e Castro, chegandoa elaborar o plano para seu estabelecimento em toda a América. 3. Memória sobrea possível introdução do nosso tabaco de pó na China e grande comércio que comele se pode fazer naquele vastíssimo Império e vir a dar muitos milhões por ano à Fazenda Real.FRANCISCO JOSÉ DE LACERDA E ALMEIDAFrancisco José de Lacerda e Almeida, era matemático e astrônomo, e antesde ser enviado à África Oriental, fizera parte, no Brasil, da Comissão de Demarcaçãode Fronteiras do Tratado de Santo Ildefonso, e, entre outros textos, escreveu o Diárioda viagem pelas capitanias do Pará, Rio Negro, Mato Grosso, Cuyabá e S. Paulo nos anos de 1780 a 1790. Em África, Governador dos Rios de Sena, ele efetuou observações astronômicas e escreveu o Diário da viagem de Moçambique para os Rios Senna.Esse Diário foi publicado em 1873 pela Royal Geographical Society: The Landsof Cazembe – Lacerda’s journey to Cazembe in 1798 translated and annotate by R.F. Burton, o célebre Sir Richard Francis Burton.39Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
PE. FRANCISCO DE SOUSADe todos os escritores brasileiros no Oriente, o que mais se destacou foi semdúvida o Pe. Francisco de Sousa.A data e o local de nascimento de Francisco de Sousa são às vezes citadosequivocadamente, mas informações contidas em sua obra não deixam dúvidas. Nasceuem Salvador, em 1649, foi para Portugal com 14 anos, entrou para a Companhia em1665 e, nesse mesmo ano, embarcou no galeão São Pedro de Alcântara, chegandono ano seguinte à Índia, onde viveu o resto da vida.Apesar de ter saído do Brasil com apenas 14 anos e ir para terra tão distante,faz várias referências à Terra Natal. Lembra a “Cidade da Bahia, minha Pátria”, “osbeyjus do Brasil”, “as abundancias do açúcar do Brasil” (Almeida, 1978, VII). E dámesmo ideias para o desenvolvimento do Brasil, como experiências de plantio detrigo, “particularmente de Porto Seguro para o Sul”, e a ida de tecelões portuguesespara a Índia para aprender a tecer panos finos, e retornar para o Brasil (Almeida,1978, p.VIII).Em Goa, Francisco de Sousa estudou Letras, Filosofia e Teologia no Colégiode São Paulo. Nele lecionou Humanidades, Retórica, Filosofia e Teologia.Exerceu os altos cargos de Reitor do Colégio de Rachol e de Prepósito da CasaProfessa. Foi também deputado da Inquisição.Oriente Conquistado a Jesu Christo pelos Padres da Companhia de Jesus daProvíncia de Goa teve a primeira parte, que abrange os primeiros 22 anos, publicadaem Lisboa na Officina de Valentim da Costa Deslandes em 1710.A segunda parte, que abrange de 1564 até 1585, saiu no mesmo ano e pelomesmo impressor.Dessa obra foi publicada uma segunda edição em Bombaim, Índia, “por umreligioso da mesma Companhia”, na Typographia “Examiner”, a Primeira Parte em1881, e a Segunda em 1886. O editor foi identificado como Pe. Nicolau Clarke.A terceira parte Francisco de Sousa concluiu em 1710 e enviou no anoseguinte a Portugal, mas não chegou a ser publicada. O manuscrito encontrava-seno Colégio de Santo Antão, antes da expulsão da Ordem por Pombal.40CARLOS FRANCISCO MOURA
Sobre o Oriente Conquistado diz Barbosa Machado na Bibliotheca Lusitana:“Nesta obra se admirão felizmente unidas a clareza do methodo, a elegancia do estilo, e a sciencia da Geografia, e Chronologia, partes constitutivas de huma perfeita Historia merecendo seu Aucthor pelaexacta observancia com que practicou os seus preceitos, ser collocadoentre a classe dos seus mais insignes Professores” (t. II, p.266).Segundo Innocencio, a obra “em pontos de linguagem não cede em purezae elegância às que temos de maior estima”.741Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)7 M. Lopes de Almeida relata uma curiosidade sobre a obra do Pe. Francisco de Sousa. Em 1861,Camilo Castelo Branco, recluso na Relação do Porto, passava por grande privação, abandonadopor todos. Entretanto, um amigo, Francisco Xavier Botelho, levou-lhe a obra Oriente Conquistado.Camilo “leu e aproveitou-a, não só como inspiradora de tema novelesco, também como fontehistórica” (Almeida, 1978, p.XXII). Camilo cita a obra nas Memórias do Cárcere. Ele se baseouem episódio do Oriente Conquistado para um dos relatos do livro Doze Casamentos Felizes.A história de uma Princesa da Cambaia, exilada em Goa, batizada com o nome de Maria deAlém-Mar.
RELAÇÃO DAS ILUSTRAÇÕES E CRÉDITOS |1| Albuquerque Coelho, do Grão-Pará aos extremos orientais do Império: 1 - Camutá; 2 - Lisboa; 3 - Goa (Índia); 4 - Macau (China); 5 - Timor (Indochina); 6 - Pate (África Oriental) | p.452| “Prospecto da Villa de Camuta”, José Joaquim Freire, 1784 (Acervo da Fundação daBiblioteca Nacional, Brasil) | pp.46-473| Goa, finais do século XVII (Philipus Baldeus, Amsterdam). Gravura in “Revista de Cultura”, ICM, ns. 13/14, reprodução de foto do Arquivo Histórico Ultramarino,Lisboa | pp.48-494| Jornada, edição xerográfica chinesa de 1718 (Acervo da Biblioteca Nacional dePortugal) | p.505| Jornada, 2ª edição. Edição da Officina da Musica, Lisboa Occidental, 1732 (Acervo daBiblioteca Nacional de Portugal) | p.516| Mapa esquemático da Localização de Pate, ilha do pequeno arquipélago Lamo, ou Ilhas Bajum, na costa oriental da África. Na administração portuguesa, Pate era considerada uma dependência de Mombaça (Moura, 2009) | p.527| D. Alexandre Bispo de Macau (Pe. M. Teixeira, Bispos e Governadores do Bispado deMacau, vol. II, Macau: Imprensa Nacional, 1940 pp.250-251) | p.538| Planta da Fortaleza de Mombaça, por Godinho de Eredia (Acervo da Biblioteca Nacional,Brasil) | pp.54-559| “Vista de Macau” (O Panorama, Lisboa, 1845, p.185) | pp.56-5710| “Vista do porto e cidade de Macáo” (O Archivo Popular, nº 2, vol. 5, p.9, Lisboa,9 de Janeiro de 1841) | pp.58-5911| “Uma vista da Cidade de Macau” (O Universo Ilustrado, Lisboa, 1878, p.73) | pp.60-6143Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)
12| “Macau – Pagode chinês” (O Panorama, vol. XI, p. 65, Lisboa, 1854) | pp.62-6313| Fortaleza de Solor. In “Livro das plantas das fortalezas, cidades e povoações do Estadoda Índia Oriental” (Prefácio de Luís Silveira). (Códice nº 1471 da Biblioteca do PaçoDucal). Edição do Ministério do Planejamento, Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia, Instituto de Investigação Científica Tropical | pp.64-6514| Página de rosto do livro Lacerda’s Journey to Cazembe in 1798, tradução, por RichardBurton, do Diário de Viagem de Francisco José de Lacerda e Almeida (London, 1873)| p.6615| Página de rosto do Elogio do Senhor Miguel de Ariaga Brum da Silveira, por José deAquino Guimarães e Freitas, Lisboa 1826. (Acervo da Biblioteca Nacional de Portugal)| p.6716| Página de rosto da Memória sobre Macao, de José de Aquino Guimarães e Freitas,Coimbra, 1828. (Acervo da Biblioteca Nacional de Portugal) | p.6817| Página de rosto da Memória, de Lucas José de Alvarenga (Rio de Janeiro, 1828).(Acervo da Fundação Biblioteca Nacional, Brasil) | p.6918| Página de rosto do Artigo Addicional à Memória, de Lucas José de Alvarenga (Rio deJaneiro, 1828). (Acervo da Fundação Biblioteca Nacional, Brasil) | p.7019| Página de rosto das Observaçoens à Memoria, de Lucas José de Alvarenga (Rio de Janeiro, 1830). (Acervo da Fundação Biblioteca Nacional, Brasil) | p.7120| Página de rosto da novela Statira e Zoroastes, de Lucas José de Alvarenga (Rio de Janeiro, 1826). (Acervo da Fundação Biblioteca Nacional, Brasil) | p.7221| Página de rosto do Tomo Primeiro do livro Poezias, de Lucas José de Alvarenga (Rio deJaneiro, 1830). (Acervo da Fundação Biblioteca Nacional, Brasil) | p.7322| Página de rosto do livro Oriente Conquistado a Jesu Christo pelos Padres da Companhiade Jesus da Província de Goa, Primeira Parte, pelo P. Francisco de Sousa (Lisboa, 1710).(Acervo do Real Gabinete Português de Leitura) | p.7423| Página de rosto do livro Oriente Conquistado a Jesu Christo pelos Padres da Companhiade Jesus da Província de Goa, Segunda Parte, pelo P. Francisco de Sousa, Lisboa, 1710.(Acervo do Real Gabinete Português de Leitura) | p.7524| Página de rosto do livro Oriente Conquistado a Jesu Christo pelos Padres da Companhiade Jesus da Província de Goa, Primeira Parte, pelo P. Francisco de Sousa, segunda ediçãopor um Presbitero da Companhia de Jesus. Bombain, na Typographia “Examiner”, 1881(Sousa, 1978) | p.7644CARLOS FRANCISCO MOURA
45Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)1| Albuquerque Coelho, do Grão-Pará aos extremos orientais do Império: 1 - Camutá; 2 - Lisboa; 3 - Goa (Índia); 4 - Macau (China); 5 - Timor (Indochina); 6 - Pate (ÁfricaOriental).
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47Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)2| “Prospecto da Villa de Camuta”, José Joaquim Freire, 1784 (Acervo da Fundação daBiblioteca Nacional, Brasil).
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49Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)3| Goa, finais do século XVII (Philipus Baldeus, Amsterdam). Gravura in “Revista de Cultura”,ICM, ns. 13/14, reprodução de foto do Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa.
50CARLOS FRANCISCO MOURA4| Jornada, edição xerográfica chinesa de 1718 (Acervo da Biblioteca Nacional de Portugal).
51Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)5| Jornada, 2ª edição. Edição da Officina da Musica, Lisboa Occidental, 1732(Acervo da Biblioteca Nacional de Portugal).
52CARLOS FRANCISCO MOURA6| Mapa esquemático da Localização de Pate, ilha do pequeno arquipélago Lamo, ouIlhas Bajum, na costa oriental da África. Na administração portuguesa, Pate eraconsiderada uma dependência do Mombaça (Moura, 2009).
53Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)7| D. Alexandre Bispo de Macau (Pe. M. Teixeira, Bispos e Governadores do Bispado deMacau, vol. II, Macau: Imprensa Nacional, 1940 pp.250-251).
54CARLOS FRANCISCO MOURA
55Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)8| Planta da Fortaleza de Mombaça, por Godinho de Eredia (Acervo da Biblioteca Nacional, Brasil).
56CARLOS FRANCISCO MOURA
57Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)9| “Vista de Macau” (O Panorama, Lisboa, 1845, p.185).
58CARLOS FRANCISCO MOURA
59Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)10| “Vista do porto e cidade de Macáo” (O Archivo Popular, nº 2, vol. 5, p.9, Lisboa,9 de Janeiro de 1841).
60CARLOS FRANCISCO MOURA
61Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)11| “Uma vista da Cidade de Macau” (O Universo Ilustrado, Lisboa, 1878, p.73).
62CARLOS FRANCISCO MOURA
63Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)12| “Macau – Pagode chinês” (O Panorama, vol. XI, p.65, Lisboa, 1854).
64CARLOS FRANCISCO MOURA
65Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)13| Fortaleza de Solor. In “Livro das plantas das fortalezas, cidades e povoações do Estadoda Índia Oriental” (Prefácio de Luís Silveira). (Códice nº 1471 da Biblioteca do PaçoDucal). Edição do Ministério do Planejamento, Secretaria de Estado da Ciência eTecnologia, Instituto de Investigação Científica Tropical.
66CARLOS FRANCISCO MOURA14| Página de rosto do livro Lacerda’s Journey to Cazembe in 1798, tradução, por RichardBurton, do Diário de Viagem de Francisco José de Lacerda e Almeida (London, 1873).
67Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)15| Página de rosto do Elogio do Senhor Miguel de Ariaga Brum da Silveira, por José deAquino Guimarães e Freitas (Lisboa, 1826).
68CARLOS FRANCISCO MOURA16| Página de rosto da Memória sobre Macao, de José de Aquino Guimarães e Freitas(Coimbra, 1828).
69Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)17| Página de rosto da Memória, de Lucas José de Alvarenga (Rio de Janeiro, 1828).
70CARLOS FRANCISCO MOURA18| Página de rosto do Artigo Addicional à Memória, de Lucas José de Alvarenga (Rio deJaneiro, 1828).
71Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)19| Página de rosto das Observaçoens à Memoria, de Lucas José de Alvarenga (Rio deJaneiro, 1830).
72CARLOS FRANCISCO MOURA20| Página de rosto da novela Statira e Zoroastes, de Lucas José de Alvarenga (Rio de Janeiro, 1826).
73Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)21| Página de rosto do Tomo Primeiro do livro Poezias, de Lucas José de Alvarenga (Rio deJaneiro, 1830).
74CARLOS FRANCISCO MOURA22| Página de rosto do livro Oriente Conquistado a Jesu Christo pelos Padres da Companhiade Jesus da Província de Goa, Primeira Parte, pelo P. Francisco de Sousa (Lisboa, 1710).Acervo do Real Gabinete Português de Leitura.
75Brasileiros nos Extremos Orientais do Império(SÉCULOS XVI A XIX)23| Página de rosto do livro Oriente Conquistado a Jesu Christo pelos Padres da Companhiade Jesus da Província de Goa, Segunda Parte, pelo P. Francisco de Sousa (Lisboa, 1710).Acervo do Real Gabinete Português de Leitura.
76CARLOS FRANCISCO MOURA24| Página de rosto do livro Oriente Conquistado a Jesu Christo pelos Padres da Companhiade Jesus da Província de Goa, Primeira Parte, pelo P. Francisco de Sousa, segunda ediçãopor um Presbitero da Companhia de Jesus, Bombain, na Typographia “Examiner”, 1881(Sousa, 1978).
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