• MISSIONÁRIOSpara o Século XXILeonor Diaz de Seabra Padre Lancelote RodriguesVIDA E OBRA
  • Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRATítuloPadre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRAAutor Leonor SeabraEditor Instituto Internacional de MacauColecção“Missionários para o Século XXI”Volume ICoordenação editorialLuís Sá CunhaDirecção gráficaVictor hugo designRevisãoLuís Sá CunhaImpressão e encadernaçãoTipografia WelfareTiragem 500 exemplaresEdição integrada no programa do jantarde homenagem da comunidade portuguesaao Pe. Lancelote Rodrigues, organizado pelo IIM(Macau, Clube Militar, 3 de Abril de 2008) ISBN 978-99937-45-15-0
  • 04Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de Seabra05 MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraPadre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA
  • 06Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de Seabra07 MIssIonáRIos para o Século XXIEsta ColecçãoMissionários para o século XXINão podem cabalmente explicar-se a identidade de Macau e o factor cultural que foi sua moção no decurso da História sem considerar a Diocese de Macau, os seus obreiros e legiões de servidores. Considerar, isto é, em adunação ao sidério, ou com o céu (cum + siderio), que foi o que desde os primórdios do porto macaense atraiu os inacianos encandescidos de fervores apostólicos e “acomodados” ao Outro – o que para sempre eternizou Macau como anfiteatro da compenetração cultural Europa/China, uma das grandes vias de realização da unidade ou arquitectação da ecúmena fraterna dos homens.Padres, missionários, mártires, letrados: servidores do Outro, tornado próximo, pelas obras de misericórdia, e no seu carácter e espírito compreendido pela cultura. De 1557 (Bula do Papa Paulo IV que missionava Macau como sede da expansão religiosa no Extremo Oriente) até hoje, em dádiva total aos mais necessitados (desamparados, pobres, doentes, abandonados, a todas as criaturas assombradas pelo espírito do mal), ou na docência, na investigação e no estudo da Língua, da História, dos arcanos civilizacionais.Foi o Século passado constelado por uma geração de ouro, de tantas figuras excepcionais em Macau radicadas, grandes nas obras, como no quase anonimato de uma humildade que é expressão de um verdadeiro sentido ancilar da vida e do destino.Não podemos deixá-los no desconhecimento e no esquecimento das gerações actuais e vindouras. É este imperativo que nos motivou à concepção de mais uma colecção no nosso acervo editorial – “Missionários para o Século XXI”.Os editores
  • 08Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de Seabra09 MIssIonáRIos para o Século XXIMacau foi, ao longo dos tempos, um “porto de abrigo” de refugiados. Desde a Revolta dos Boxers, em 1890, em que muitos europeus que viviam na China procuraram refúgio em Macau, aos anos de 1922 a 1927, em que os sentimentos antiestrangeiros recrudesceram na China, marcando a ascensão do Kuomitang ao poder. Em 1931, a China foi invadida pelos Japoneses, o que provocou uma avalancha de refugiados chineses ao pequeno enclave macaense. E, com o desencadear da Guerra Anti-Japonesa, muitas escolas do Sul da China transferiram-se para Macau; e a Igreja Católica também criou novas escolas para ministrar o ensino aos jovens chineses refugiados em Macau. Mais tarde, durante a II Guerra Mundial, com a ocupação de Hong Kong pelos Japoneses, nos finais de 1941, muitos refugiados da colónia britânica se estabeleceram em Macau. Com o decorrer da Guerra do Pacífico e os sucessivos ataques japoneses a vários territórios asiáticos, mais e mais refugiados procuraram refúgio neste pequeno território, aproveitando a sua neutralidade. É de notar que Portugal foi um país neutral durante a II Guerra Mundial (1939--1945) e Macau terá beneficiado desta situação. Praia Grande, Macau,1927.
  • 1110Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraMas com o desenrolar da História mais refugiados iriam chegar a Macau, mais tarde. E será a partir desta altura que o Padre Lancelote terá um papel fulcral neste Território, desempenhando importantes funções de protecção aos refugiados, entre outras. Quem é, pois, o Padre Lancelote? É isso que passa- remos a explicar, fazendo uma breve resenha biográfica do mesmo, baseada na sua “memória viva” dos aconte- cimentos do passado — seu e desta Cidade, que se inter- ligam. E a quem agrade-cemos as horas que nos dispensou em longas con- versas de “memórias” e que nos permitiram elaborar este texto. Uma foto histórica da família, um quadro que nos reconcilia com o género humano: os pais de Lancelote Rodrigues, com os 12 filhos, no apogeu. (O Pe. Lancelote, sentado na primeira fila, é o 2º da direita para a esquerda)
  • 1312Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraO Padre Lancelote Miguel Rodrigues nasceu em Malaca, na Malásia, a 21 de Dezembro de 1923, descendente de Portugueses que se fixaram nesse antigo território português. O pai era português e a mãe descendente de malaios e holandeses. Tem doze irmãos, espalhados por vários países e continentes, da Malásia à Austrália, de Singapura aos Estados Unidos, de Portugal a Inglaterra. De nacionalidade britânica, naturalizou-se português, possuindo assim passaporte inglês e português. Fez a instrução primária em Malaca, em inglês, e veio para Macau em Novembro de 1935, ingressando no Seminário Diocesano de São José, onde fez os seus estudos preparatórios e eclesiásticos. Aqui aprendeu a Língua Portuguesa, não só através do ensino formal, como na convivência com os Portugueses que aqui estudavam, oriundos de várias partes (Timor, Macau, Hong Kong, etc.). No Seminário teve, como professor, Monsenhor Manuel Teixeira, entre outros. Tudo bons professores, nomeadamente os Jesuítas, segundo diz. Considera ter tido uma educação esmerada e muito boa.Havia a Missão Portuguesa de S. José, em Singapura, e a Missão portuguesa de S. Pedro, em Malaca, ambas sob a jurisdição de Macau. Depois, havia os Franceses, padres das Missões Estrangeiras de Paris. Mas os malaqueiros só queriam padres portugueses! Agora, já não há missionários portugueses, desde 1982, lamenta o Padre Lancelote. Seminário, na Malásia, só havia em Seminário de S. José, 1927. Seminário de S. José, (corredor),1927.
  • 1514Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraPenang, dos padres franceses, mas quem para lá fosse tinha de acabar primeiro o ensino secundário inglês. Em Macau era diferente, pois tiravam o curso liceal no próprio Seminário, em chinês ou em português. Os Chineses, no entanto, falavam muito bem português, segundo diz. O Bispo de Macau tinha jurisdição sobre Malaca e, um dia, quando o Padre Lancelote tinha somente 9 anos, o Bispo pediu a seu pai para lhe dar um filho para o seu Seminário (ele tinha 12 filhos!). O pai recusou por ele ser muito novo, era novo demais, dizia. Mais tarde, passados uns anos, foi um padre português, de Malaca, para secretário do Bispo de Macau, D. José da Costa Nunes, e procurou trazer algumas vocações para o Seminário de S. José, em Macau. Não nos esqueçamos de que formar missionários era o grande objectivo das Missões Portuguesas!Os padres portugueses falaram novamente com o Sr. Ernesto Rodrigues (pai do Padre Lancelote) e, quando lhe perguntaram se queria, o então pequeno Lancelote respondeu: “Para mim é uma aventura!”. Como ele próprio afirma, nem sequer sabia o que estava a dizer, só sabia que queria ser padre, pois era “uma coisa muito importante”. E o pai lá o deixou vir para Macau, para o Seminário, em 1935 — embora “a mãe não estivesse lá muito pelos ajustes” — tinha então 12 anos. Despediu--se dos amigos, dos colegas de escola, dos irmãos e restante família, prometendo que havia de voltar, e lá O jovem Lancelote Rodrigues, com 13 anos. Tinha chegado há um anoao Seminário de S. José, em Macau.
  • 1716Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraAlegre e extrovertido, a sua maneira de ser facili-tou-lhe a adaptação à vida do seminário, embora lhe causasse também alguns dissabores.Demorou 13 anos a fazer o curso, pois ele teve de aprender o Português, primeiro, e ia aprendendo o Chinês também, com os colegas. Pensavam, no Seminário, que ele, se s…e ordenasse, iria novamente para Malaca, tanto mais que eles, ali, queriam padres malaqueiros para continuar aquela obra. O que não aconteceu!partiu para Macau, com o Padre Lourenço, no dia 28 de Novembro de 1935. Veio com mais dois rapazes, dois irmãos, que vieram para o Seminário de Macau. Aqui chegados subiram a escadaria do Seminário e viram aquele edifício sombrio, o que lhe fez muita impressão, confessa. No entanto, quando chegaram ao cais tinham vindo os seminaristas esperá-los, mas, naquele tempo, ninguém sabia o que era Malaca, da Malásia só sabiam que era “terra de macacos “. Uma semana ou duas depois, envergaram-lhes a batina, que não podiam tirar, só quando iam para a cama. De resto, tinham de fazer tudo com a batina, até jogar futebol (embora para o guarda-redes fosse muito bom, defendia tudo, conforme comenta com humor). Mas diz ter tido uns dias muito felizes no Seminário, com os seminaristas chineses, portugueses, timorenses, de Hong Kong, etc., considerando que era uma família muito grande. Havia rixas, pancadaria, havia tudo, como era próprio dos rapazes, aliás.Mas tinham de estudar muito, coisa a que ele próprio não estava habituado: estar numa carteira a fazer os trabalhos, estudar, ler, ter de consultar o dicionário, etc, confessa que “era uma tortura”. Mas... “tinham de aprender”, comenta. Quanto ao comportamento, confessa que, ao princípio, era “muito bonzinho”, depois teve sempre negativa, nunca conseguiu um dez. Dois símbolos do ensino musical em Macau.Lancelote Rodrigues (25 anos) com o Pe. Áureo de Castro no Seminário de S. José.
  • 1918Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de Seabradá-se a 1 de Outubro de 1949 — e eram descendentes de Portugueses, uns, religiosos (padres e madres), outros. A Santa Casa da Misericórdia é que tomava conta deles, mas foi tudo pago pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, segundo testemunha. Para entreter e animar aquela gente (refugiados), todos os sábados passavam filmes de longa metragem, havendo refugiados que tocavam, outros cantavam, dançavam, etc.. Utilizavam as bancadas do Canídromo, o que facilitava o espectáculo, conta o Padre Lancelote, pois era preciso fazer qualquer coisa “senão davam em malucos”. Era também preciso distrair as crianças, tirá--las dali para fora, de vez em quando, por isso o Padre Lancelote chegou a levar 13 crianças no seu carro, um Austin, pequeno, para darem um passeio!Simultaneamente, foi encarregado da regência da Capela de Santa Cecília, do Seminário de S. José, de 1950 a 1951. Já era, desde 1949, Vigário Cooperador da Paróquia de Santo António. Foi pároco (interino) da Igreja de Santo António desde Outubro de 1958 até Outubro de 1959 e, ainda, foi vigário ecónomo desde 7 de Setembro de 1966 até 26 de Novembro de 1966. Em 1951/52, o Bispo permitiu que o Padre Lancelote pudesse aderir ao Catholic Relief Services, cuja sede era nos estados Unidos da América, mas tinha uma sucursal em Hong Kong (o Catholic Relief Services é uma organização dos bispos americanos, voltada para o exterior e que tem Quando acabou os estudos, em 1948, teve de “marcar passo” um ano, pois o Bispo não estava muito certo da sua vocação sacerdotal e achou que era melhor o jovem Lancelote esperar mais um ano, antes de ser ordenado sacerdote. Para verem o que é que iria acontecer! Entretanto, ainda em 1948, começaram a chegar as primeiras vagas de refugiados portugueses de Xangai e, mesmo antes de ser ordenado padre, foi destacado pelo Bispo de Macau para cuidar destes refugiados, que só falavam a língua inglesa, pois esta é a primeira língua do Padre Lancelote e, naqueles tempos, era o único que falava inglês. Foram alojados no Canídromo, para onde o Padre Lancelote foi também viver. De um lado, estavam os refugiados de Xangai, de outro, rapazes órfãos de quem as madres chinesas cuidavam. Finalmente, em 1949, o Bispo decidiu ordená-lo sacerdote. Foi ordenado a 6 de Outubro de 1949, tal como D. Arquimínio da Costa (que, mais tarde, viria a ser Bispo de Macau). Celebrou a sua primeira missa na capela do Canídromo, junto dos refugiados de Xangai. Nesta altura, havia refugiados no Canídromo e refugiados na Rua do Gamboa (ao pé de Santo Agostinho); aqui era um padre jesuíta, o Padre Ruiz - que estava mais perto deles — que lhes prestava assistência. Estes refugiados vieram, para Macau, aquando das lutas entre nacionalistas e comunistas na China — a implantação da República Popular da China
  • 2120Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de Seabrarepresentações em cerca de 100 países). E, em 1954, foi nomeado Delegado Diocesano da Catholic Relief Services, dos Estados Unidos da América. Em 1953, o Presidente Kennedy abriu as portas aos refugiados, com parentes nos Estados Unidos (reunião de famílias). Chamaram-lhe “Refugee Relief Program”. Foi extensivo a Hong Kong e Macau. O Catholic Relief Service de Hong Kong alertou o padre Lancelote para o assunto, e este começou ime- diatamente a tratar de ver quem tinha lá familiares, pois era preciso pedir às famílias que os recebessem, pelo menos durante algum tempo, até eles poderem singrar sozinhos. Em 1956, foi o segundo: Kennedy reabriu outra vez o “Program”. O Consulado de Hong Kong trabalhou muito, nesta ocasião, para colocar os refugiados e arranjar “sponsors” lá, e foram uns dois mil. Para além dos Estados Unidos da América também foram outros para o Brasil, principalmente, mas alguns para a Suécia (tinham lá família) e, até mesmo, para Moçambique. Ficaram velhos e crianças, principalmente, no Campo. Que fazer? O Padre Lancelote achava que já era altura de fechar o Centro de Refugiados de Xangai, tanto mais que, neste tipo de instituições, não há privacidade, as crianças não tinham uma vida familiar privada, não tinham modo de vida sequer. Havia, pois, que arranjar uma solução para os 116 que aqui tinham ficado. Falou com os responsáveis pela Santa Casa da Misericórdia, a Assistência Pública (da qual era vogal, em representação da Diocese), com o Governo local (português), nesse sentido. Apelou ao Governo americano outra vez, e à Inglaterra, através da OXFAM (instituição de ajuda internacional). Esta contribuiu com 26.000 dólares para o apoio aos cegos, pois na altura havia muitos cegos em Macau, num total de 102, segundo nos diz o Padre Lancelote. Também era preciso pensar nos outros pobres, apoiados pela Assistência Pública de Macau. Com os apoios concedidos construíram-se 70 moradias e foram todos aí colocados, pela Assistência Pública, a quem o Padre entregara tudo. O Governo tratou das escolas para as crianças (escolas inglesas), onde estudaram e, mais tarde, alguns ingressaram na Polícia Marítima, Fiscal, etc. Algumas raparigas casaram com gente de Macau e organizaram as suas vidas. Foram, pois, integrados na sociedade local.De 1949 até 1965 foi Capelão dos Refugiados Portugueses de Xangai, então já alojados na Ilha Verde. Durante este período prestou-lhes não só assistência espiritual, como também material, esforçando-se por melhorar a sua situação e realojá-los noutros países, tendo estabelecido laços de amizade indestrutíveis com muitos dos refugiados.Com todos os contactos estabelecidos, o Padre Lancelote estabeleceu uma teia de relações internacionais, que foram extremamente úteis para os refugiados de
  • 2322Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de Seabradiversos países que, desde os anos 60, oram chegando a Macau. A partir de 1963 e até Julho de 1991 passaram por Macau milhares de refugiados da China, Indonésia, Birmânia (Myanmar), Malásia, Laos, Camboja, e, principalmente, do Vietname. Ainda hoje existem, radicados em Ma-cau, gente da Birmânia, da Indonésia, da Malásia, etc. Contou, para isso, com o apoio das autoridades locais, da Igreja, e dinheiro do Governo e dos bispos america-nos (Catholic Relief Services).“Deixai vir a mim os pequeninos” ...
  • 2524Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraNas sampanas transformadas em campo de acolhimento de refugiados
  • 2726Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraSempre, os cuidados com a educação
  • 2928Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de Seabrar i z rMIssIonáRIos para o Século XXILancelote, sempre, um pai para todos...O pão, a educação — com auxílio do Governo Português.Macau era um oásis para refugiados e oprimidos.O ensino do primeiro ofício — confecção de panchões.
  • 3130Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraSocial (cargo que exerce desde 1962), vogal do Instituto de Assistência Social de Macau, representante dos Serviços de Assistência dos Bispos da América do Norte e representante da Diocese de Macau junto da “Caritas Internationalis”.Mas, em Novembro de 1977, chegou a primeira leva de refugiados Vietnamitas a Macau. Hong Kong também estava a receber refugiados vietnamitas. Nessa época, eles iam para todo o mundo. A guerra do Vietname começara. O Padre Lancelote falou com as autoridades locais, o Comandante da Polícia, Lobo d’Àvila, e o Governador, Garcia Leandro, a fim de autorizarem que os refugiados fossem recebidos em Macau. E assim aconteceu. Dessa primeira vez, vieram 23, ou melhor, 24, porque este último veio nascer a Macau, conforme explica. Depois, é que começaram a chegar mais e mais refugiados. As Nações Unidas pediram ao Governo de Macau para nomear o Padre Lancelote Rodrigues seu representante, em nome do Catholic Relief Services, junto dos refugiados do Vietname. Conta que sempre recebeu ajuda do Governo português de Macau, que nunca lha negaram: as “portas estavam sempre abertas”, afirma. Medicamentos gratuitos, assistência médica, educação, etc. O “Rotary Club” (Rotários) também ajudava, assim como a Cruz Vermelha Portuguesa, em Macau. Também teve ajudas exteriores, através das Em 1962 foi nomeado Director da Catholic Relief Services dos Estados Unidos da América, quando esta instituição saíu de Hong Kong, cargo que exerceu até Maio de 1994 (quando também deixaram Macau). Através deste organismo obteve somas avultadas para as obras de beneficência e assistência social a cargo da Diocese de Macau e, ainda, para obras não diocesanas. Conseguiu obter apoios no valor de muitos milhões de dólares, ao longo dos anos, que utilizou na construção de casas, creches, clínicas (postos médicos onde prestavam serviço as madres enfermeiras, assim como médicos, que lá iam uma ou duas vezes por semana, gratuitamente) e centros comunitários, assim como comida (latas de leite, azeite, etc.) que distribuíam pelos pobres, através da Cruz Vermelha e Obra das Mães (que chegaram a ter a seu cargo 95.000 pessoas) e pelas escolas (eram 26.000 pães por dia mais um copo de leite para cada criança, conta). A determinada altura, pediram ao Consulado americano de Hong Kong para mandar para Timor, que não tinha nada, 15% ou 20% das “comedorias” que recebiam, o que foi feito pelo navio de Timor, o “Arbiru”. Em 1973, deixaram de receber este tipo de apoio, pois Macau “já estava melhor”, portanto, já não precisava. Teve, então, “alguns anos de descanso”, conforme comenta. No entanto, em 1973, era director do Secretariado dos Serviços Diocesanos de Assistência
  • 3332Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de Seabraorganizações internacionais, tais como os americanos, alemães, suecos, dinamarqueses, franceses, etc. Tinha contactos com todos os Consulados estrangeiros, em Hong Kong. E muito apoio do Governo português — reitera essa afirmação. Chegaram a estar 15.000 refugiados vietnamitas, em Macau, de “empréstimo”, como diz o Padre Lancelote, por uns anos, pois, inicialmente, em Hong Kong, não estavam preparados para receber os refugiados, pelo que pediram para vir para Macau, temporariamente. Os refugiados do Vietname estiveram alojados em três campos: Ilha Verde, Casa da Beneficência e Ká-Hó, cujo custo de manutenção foi de cerca de dez milhões de dólares ka HO scan 3Entrada do campo de Ká-Hó:“Eis aqui a esperança, ó vós que entrais...!”Momentos do encerramento do campo de Ká-Hó, com o bispo americano D. José Quinn.
  • 3534Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraLeonor Diaz de SeabraMIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXIGente dos “boat-people” (vietnamitas): depois de Macau, encontraram um destino.
  • 3736Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraCônsules acreditados em Hong Kong e dirigentes da Cruz Vermelha Internacional.Mas, ainda ficaram 150 refugiados vietnamitas, em Macau. A França levou 49, a Suécia mais alguns, etc, e restaram 30 refugiados. O IASM (Instituto de Acção Social de Macau) deu-lhes casas, onde ficaram a morar. Mas foram saindo e, finalmente, ficaram dois, explica, pois um não quis ir para França e, outro, era cadastrado, pelo que ninguém o quis receber. Foram, no entanto, integrados na sociedade local, com emprego e casados, para o que o Padre Lancelote obteve o acordo prévio do Governo português de Macau. Este campo de refugiados de Ká-Hó é um caso paradigmático, pois o Padre Lancelote conseguiu organizar os vietnamitas em liberdade mas com responsabilidade, mantendo o campo sempre aberto e sem policiamento — mas tinha um regulamento, explica, pelo que tinham de pedir licença se queriam ficar fora do Campo, por exemplo. Arranjou-lhes trabalho, quer dentro quer fora do campo, convencendo vários Cônsules a abrirem as portas dos seus países a numerosos destes refugiados e a todos criou condições mínimas para um futuro digno.Mas a sua obra social, de apoio e ajuda aos mais desfavorecidos, não acabou com os refugiados.norte-americanos, a maior parte provenientes da ONU, Cruz Vermelha, do Governo americano, do Catholic Relief Service e de organizações religiosas do Norte da Europa. O Governo e a Diocese de Macau colaboraram também, em especial, na prestação de cuidados de saúde, educação e na manutenção e cedência de instalações. E vinham os Cônsules de vários países, acreditados em Hong Kong e Macau (americanos, noruegueses, canadianos, etc.), assim como membros das Nações Unidas, a Macau, fazer a triagem, isto é, verificar se seriam mesmo refugiados. A Polícia Marítima organizou uma Tuna e, ao jantar, entretinham os Cônsules estrangeiros, que muito apreciavam esses momentos. Ainda hoje mantém ligações de amizade e convida-os duas ou três vezes por ano, em agradecimento, para um jantar, onde não falta a boa comida, o bom vinho e o fado. Ingredientes necessários nestas ocasiões, assegura.De 1977 a 1991 foi encarregado da manutenção e realojamento de 8.664 refugiados vietnamitas (boat--people) em várias partes do Mundo, especialmente para os Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, França, Holanda, Suécia, entre outros países. O campo dos refugiados vietnamitas (boat-people), em Ká-Hó, encerrou em Julho de 1991, com uma cerimónia que contou com a presença de dois bispos americanos, um representante da ONU para os refugiados, alguns Deve o leitor estar avisado de que as declarações contidas nas páginas seguintes sobre a acção no interior da China se reportam ao ano de 2001.
  • 3938Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de Seabrano Nepal e no Japão, foi o consultor, neste projecto. Continuam ainda com esse apoio, nomeadamente em ajuda pecuniária a um Centro de Deficientes Mentais, explica.Depois, começaram com os surdos-mudos, também, com as Irmãs Canossianas, de Hong Kong e de Singapura, e, chegaram a ir à Mongólia Interior, com este programa. Diz que aqui é perto, é fácil ir à China e têm a ajuda de organizações internacionais católicas, tais como: a dos “Três Reis Magos”, leigos, da Áustria (espalhados por todo o Mundo: Europa, África, América Latina, etc.); a “Misereor”, dos Bispos da Alemanha; da “Caritas”, da Dinamarca, Suécia e Noruega; da “Anesvad”, de Bilbao (Espanha); “Manos Unidas” (Espanha); “Cor Unum”, de Roma (Itália); têm, pois, “muita ajuda”, faz questão de frisar. Já em 1985 começara a dar os primeiros passos, com muito cuidado, na China, dando apoio a jovens deficientes mentais, para o que pediu às autoridades de Zhuhai autorização para lá ir, com uma equipa que incluía também organizações internacionais. Refere que o Governo chinês só “despertou” para este problema, e a necessidade da educação especial para deficientes, em 1982.Começou por ser um curso de seis dias, com apoio audiovisual, para ensinar os pais, professores, enfermeiros como tratar dos paraplégicos mentais. As autoridades ficaram entusiasmadas e o chefe da Assistência Social, em Zhuhai, queria difundir esse curso para outras localidades, na China. Em conjunto com as autoridades chinesas, foram até à Manchúria, começando com um padre americano, Adam Gudalefsky, que conce-beu o programa a seguir durante seis dias e deu o curso, ficando lá o padre Edward Whelam, ambos da Congregação americana “Maryknoll”, e, depois, passou às madres sul--coreanas, pois ali a língua franca é o Coreano. Recebeu convites de várias partes da China, com o apoio das autoridades locais chinesas, e foram a algumas províncias chinesas onde fez cursos e workshops (para pais, professores e enfermeiros sobre o modo de tratar os deficientes).O Padre Adam Gudalefsky, americano de origem polaca, radicado em Hong Kong, com grande experiência Em Zhuhai, em pleno treino para professores de recuperação de crianças deficientes mentais.
  • 4140Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraTambém constroem pontes (sobre os rios), creches, escolas, postos médicos, etc., assim como subsidiam a educação das madres chinesas para actividades como a enfermagem e assistência social. Considera que “madres, além da formação religiosa, e sem outra função, a não ser limpar as igrejas e as sacristias, já acabou”. Por isso, é preciso prepará-las para outras actividades úteis à sociedade.Refere que no interior da China há muita miséria, muita pobreza, agravadas com as calamidades naturais, tais como inundações, terramotos, etc.. Por exemplo, o terramoto que houve na província de Yunnan, em 1996, em que colaboraram, na ajuda às populações, a Administração Portuguesa de Macau, mais os Rotários, Lyons, Associações Chinesas, Escolas Cristãs, na reconstrução de escolas, postos médicos, etc.. Também deram dinheiro, para essa reconstrução, os bispos alemães (da “Misereor”) e a organização espanhola ANESVAD (A Nuestros Enfermos Servimos Viendo a Dios), de Bilbao (em Espanha), leigos, antigos alunos dos Jesuítas, bem como as “Cáritas” da Escandinávia.Em Yunnan, Abril de 1989 — a fazer o reconhecimento depois de um terramoto.
  • 4342Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraConsidera que é preciso ter uma boa formação religiosa, para ajudar “aquela gente”. Não vão pregar o Evangelho, não podem, até porque eles têm os seus próprios padres, bispos, etc., nem nada de política. “Caladamente vêem tudo e tentam ajudar”, é o que nos diz.As autoridades chinesas vão com eles nos seus veículos, levando-os até às populações, no interior, para verem das suas necessidades, para poderem ajudar e subsidiar projectos de escolas, com o seu campo de jogos, para as crianças; construção de instalações sanitárias, que não existem, nas aldeias, e para o que é preciso água, que têm que trazer das montanhas ou construir poços, quando acham água na própria localidade, pelo que precisam dos estudos de geólogos; construir postos médicos ou hospitais, ajudar com medicamentos, etc..Não vão para as cidades, que não precisam, mas sim para o interior, onde não há nada. Estão em três províncias, neste momento: Shaanxi, Sichuan, Yunnan. “Há lá muito trabalho a fazer”, exclama.Explica que gostariam de envolver, nestes projectos, as Associações das Mulheres, pois elas têm “mais jeito do que os homens para estas coisas”. Vão tentar, pois era melhor, para lidar com crianças, velhos, doentes, tudo!Também a ANESVAD, quer ajudar os leprosos, por isso as suas equipas têm visitado leprosarias, na China. A lepra, aqui, é considerada um tabu terrível. É preciso um bom projecto e há muita ajuda da Europa, mas se não há médicos e enfermeiros para cuidar destes doentes “não se pode fazer nada”. Estiveram lá as Madres de Santa Ana, a Madre Pia, os Padres Ruiz e Nicosia, mas tem de ser uma “coisa contínua”, insiste. Estão lá as madres indianas e a Madre Marina, uma espanhola, de Sant`Ana, mas a gente local “não se adapta muito bem”, infelizmente. Centro de cuidados cardíacos de Kao Chao Town, Yunnan.
  • 4544Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraCurso de Verão de Língua Inglesa para professores do ensino secundário (Jiangsu, 2000) Escola Primária Li Bridge (Kaijiang, Sichuan)
  • 4746Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraEscola Primária de Fengjia (Yingxi, Sichuan) Escola Primária de Zhong Li (Fung An, Sichuan)
  • 4948Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraPrograma de treino oral para professores de crianças deficien-tes auditivas (Santou, Guangdong) Leonor Diaz de SeabraMIssIonáRIos para o Século XXI
  • 5150Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraCurso na Mongólia Interior para professores de crianças deficientes auditivas.Jardim de Infância Yu-Hong — (Zhonzhi, Shaanxi), na página seguinte.
  • 5352Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraOutro campo em que pretendem entrar é o da SIDA, mas é mais difícil, pois o Governo chinês, ao princípio, não aceitava que esse problema existisse na China, dizendo que “é uma doença dos estrangeiros”. Vão, a pouco e pouco, reconhecendo que a doença está a alastrar por toda a China, tal como o podem confirmar os médicos chineses. Há muita na província de Yunnan, especialmente, por estar próxima da Birmânia, Laos, Vietname, e, mesmo, da Tailândia e da Índia, proximidade que origina muita permissividade entre as populações.Continuam a contar com muita ajuda internacional, repete. Por exemplo, a Cáritas da Dinamarca construiu uma casa para os padres já idosos “acabarem os seus dias”, em paz e com dignidade, depois dos trabalhos por que passaram, pois todos estiveram na prisão e com trabalhos forçados. Diz que a Igreja Católica, na China, “é uma Igreja perseguida”, mas que está a “singrar bem”.Continuam a ajudar as organizações humanitárias de Macau, quando precisam, ressalva. Afirma, no entanto, que, agora, o projecto principal é o que está a ser efectuado na China. Trabalho muito interessante, é “um desafio”, conclui.Na ponte San-Xi, Kan Yu Wan, Zhonzhi, Shaanxi.Jardim de Infância Yu-Hong
  • 55 MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraÉ, desde 1 de Fevereiro de 1993, Director da Academia de Música S. Pio, cargo para o qual foi nomeado após o falecimento do seu fundador, Padre Áureo de Castro. A Academia foi fundada há trinta e oito (38) anos, para a aprendizagem de piano, com o apoio do Governo de Macau, tendo a Diocese cedido o edifício onde a mesma se encontra a funcionar. Com a mudança de Administração — da portuguesa para a chinesa — não deixaram de ter o apoio das novas autoridades, sendo este um projecto que pretende continuar, juntamente com os professores que aí ensinam.Ainda hoje mantém ligações privilegiadas com as Nações Unidas, vários Cônsules (americanos, canadianos, australianos, ingleses, etc.), em Hong Kong.Em Hong Kong, na cerimónia de entrega da condecoração de MBI, Membro do Império Britânico, atribuída pela Raínha de Inglaterra (1985)Diploma da ordem da AustráliaPadre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA
  • 5756Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraRecebeu várias condecorações, em reconhe- cimento dos trabalhos prestados, entre elas, a Ordem de S. João de Jerusalém, dada pelo príncipe André da Jugoslávia, em 1986, a Medalha de Mérito Cruz Vermelha Portuguesa (Medal of Merit), em Novembro de 1990, a insígnia da Ordem do Império Britânico, atribuída pela Rainha Isabel II de Inglaterra, em Junho de 1992, a Medalha de Valor atribuída pelo então Governador de Macau, General Rocha Vieira, e a de Grande Oficial da Ordem Infante D. Henrique, concedida pelo então Presidente da República Portuguesa, Dr. Mário Soares, em 8 de Maio de 1995. foto almeida e costaCom a Comenda da ordem de Benemerência, que lhe é entregue pelo Governador Vasco de Almeida e Costa (1985)
  • 5958Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraCom a cantora lírica austríaca Rita streik, no final da sua actuação no “Cineteatro”.O Padre Lancelote Rodrigues fala Português, Inglês, Francês, Malaio e Chinês. Amigo dos prazeres da vida, é um apaixonado da música e da boa mesa, tocando viola, rabecão, piano e órgão, também canta, fuma e bebe, estabelecendo sempre à sua volta um clima de boa disposição. Por natureza alegre e extrovertido, é extremamente humano e tolerante, convivendo com toda a gente e fazendo amizades sem olhar ao credo de cada um.
  • 6160Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraO “show Man” e inultrapassável “entertainer” de milhentas assistências.Uma encarnação da virtude da alegria.Leonor iaz de SeabraMIssIonáRIos para o Século XXI
  • 6362Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraLancelote, uma encarnação da alegria. Leonor Diaz de SeabraMIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXI
  • 6564Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraCom o Papa João Paulo II, no Vaticano (1978), na romagem dos membros da Organização Mundial para os Refugiados.Foto que tirou a Madre Tereza, que acompanhou na visita a Macau.É o único sobrevivente de uma geração de sacer- dotes, que muito honraram e contribuíram para engran-decer Macau — em especial, nesta sua faceta de solida- riedade humana — e a Igreja Católica, no Território.
  • 6766Padre Lancelote Rodrigues VIDA E OBRA MIssIonáRIos para o Século XXI MIssIonáRIos para o Século XXILeonor Diaz de SeabraDada a ausência de bibliografia, em relação à vida e obra do Padre Lancelote Rodrigues, usámos a trans-crição de longas conversas que tivemos ao longo de alguns meses, como já foi referido no início do texto.Para uma maior informação do contexto histórico da época, podem-se consultar, entre tantos outros títulos, os seguintes:António de Andrade e Silva, Eu estive em Macau durante a Guerra. Macau: Instituto Cultural de Macau--Museu e Centro de Estudos Marítimos de Macau, 1991;Austin Coates, Macau: Calçadas da História, Lis-boa, Gradiva-ICM, 1991;Geoffrey C. Gunn, Ao Encontro de Macau: Uma Cidade-Estado Portuguesa na Periferia da China, 1557-1999. Macau: Comissão Territorial de Macau para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses--Fundação Macau, 1998;Wu Zhiliang, Segredos da Sobrevivência: História Política de Macau. Macau: Associação de Educação de Adultos de Macau, 1999.notaLeonor Diaz de Seabra, PhDAssistant Professor – Universidade de Macau
  • MIssIonáRIos para o Século XXINão podem cabalmente explicar-se a identidade de Macau e o factor cultural que foi sua moção no decurso da História sem considerar a Diocese de Macau, os seus obreiros e legiões de servidores. Considerar, isto é, em adunação ao sidério, ou com o céu (cum + siderio), que foi o que desde os primórdios do porto macaense atraiu os inacianos encandescidos de fervores apostólicos e “acomodados” ao Outro – o que para sempre eternizou Macau como anfiteatro da compenetração cultural Europa/China, uma das grandes vias de realização da unidade ou arquitectação da ecúmena fraterna dos homens.Padres, missionários, mártires, letrados: servidores do Outro, tornado próximo, pelas obras de misericórdia, e no seu carácter e espírito compreendi-do pela cultura. De 1557 (Bula do Papa Paulo IV que missionava Macau como sede da expansão religiosa no Extremo Oriente) até hoje, em dádiva total aos mais necessitados (desamparados, pobres, doentes, abandonados, a todas as criaturas assombradas pelo espírito do mal), ou na docência, na investigação e no estudo da Língua, da História, dos arcanos civilizacionais.Foi o Século passado constelado por uma geração de ouro, de tantas figuras excepcionais em Macau radicadas, grandes nas obras, como no quase anonimato de uma humildade que é expressão de um verdadeiro sentido ancilar da vida e do destino.Não podemos deixá-los no desconhecimento e no esquecimento das ge-rações actuais e vindouras. É este imperativo que nos motivou à concepção de mais uma colecção no nosso acervo editorial – “Missionários para o Século XXI”.
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