• Título:  Comendador Arnaldo de Oliveira Sales (1920 ‑ 2020)Editor:  Instituto Internacional de MacauAutores:    Pedro  Catarino,  José  Eduardo  Garcia  Leandro,  José  Luı́s  de  Sales Marques, Clube Lusitano de Hong Kong Coordenação da edição: Jorge A. H. Rangel e António R. J. MonteiroCapa:  António R. J. MonteiroComposição grá ica:  Chou Wai InColecção:  Mosaico, Volume LXVIITiragem:  500Impressão:  Vui Fong Printing Company LimitedISBN  978‑99965‑59‑69‑3Patrocínio:  Macau, Dezembro de 2021Todos os direitos reservados.  Instituto Internacional de Macau (IIM)Rua de Berlim, 240, Ed ifı́cio Magni icent Court, 2.º (NAPE), MacauTelefone:  (853)2875 1727 / (853)2875 1767Fax:  (853)2875 1797www.iimacau.org.mo  ⃓   iim@iimacau.org.mo
  • Prefácio ─ "Notabilíssimo Português do Oriente e Cidadão Exemplar"── Jorge A. H. RangelUm português de qualidade Arnaldo de Oliveira Sales── Pedro CatarinoOliveira Sales, Um Grande Português do Oriente Esquecido em Portugal── José Eduardo Garcia LeandroUma homenagem a Arnaldo de Oliveira Sales── José Luís de Sales MarquesComendador Arnaldo de Oliveira Sales, GBM, CBE, JP, GCIH, 1920 to 2020── Clube Lusitano de Hong KongÍNDICE♦ 05♦ 15♦ 27♦ 41♦ 53
  • Prefácio NOTABILÍSSIMO PORTUGUÊS DO ORIENTE E CIDADÃO EXEMPLAR“A Vida, como a quis, singela, forte,abriu-me as portas de um futuro vivido.Houve, em todo o caminho, asas de sorte,no rasgar de horizontes, conseguido.Não me posso queixar, missão cumprida.Viver era servir, tarefa ingente.O gosto que me deu doar-lhe a vida,como a sonhara, sempre, sempre em frente.”Eugénio Ribeiro Rosa, “Cantei a vida”, 2014Quatro importantes testemunhos foram reunidos neste volume, cujo propósito é recordar e homenagear uma das mais marcantes e notáveis personalidades das comunidades portuguesas do Extremo Oriente no século XX, o Comendador Arnaldo de Oliveira Sales, que nos deixou definitivamente em Colecção Mosaico ♦ 05
  • Março de 2020, com cem anos de idade (13 de Janeiro de 1920 – 6 de Março de 2020), após uma vida intensa e exemplarmente vivida ao serviço do bem comum e na defesa de nobres causas.Esses testemunhos são do General José Eduardo Garcia Leandro, que foi Governador de Macau (1974-1979) numa conjuntura política assaz difícil, na sequência imediata da revolução portuguesa de Abril de 1974 e quando a chamada revolução cultural chinesa foi chegando ao fim, com todas as incertezas, tergiversações e conflitos que caracterizaram aquele período, sabendo segurar com sageza e determinação o leme na travessia de águas tumultuosas, agitadas por tufões naturais e políticos e assegurando ao território estabilidade e desenvolvimento; do Embaixador Pedro Catarino, provavelmente o diplomata que mais de perto acompanhou e melhor conheceu e entendeu Macau e Hong Kong antes e durante o período de transição, que conduziu ao estabelecimento das duas regiões administrativas especiais da República Popular da China; do Dr. José Luís de Sales Marques, ilustre macaense, que foi o último presidente do Leal Senado de Macau e preside, agora, ao Instituto de Estudos Europeus de Macau e ao órgão executivo do Conselho das Comunidades Macaenses, sendo também familiar muito próximo do homenageado; e do Clube Lusitano de Hong Kong, agremiação emblemática dos portugueses de Hong Kong, que teve em Arnaldo de Oliveira Sales um dos seus mais empenhados e 06 ♦ Colecção Mosaico
  • esclarecidos responsáveis, ao mesmo tempo que presidia a outras instituições lusas, de natureza cultural, recreativa e social, e a organismos cívicos, municipais e desportivos da então colónia britânica. A todos expresso, em nome pessoal e no do Instituto Internacional de Macau, o nosso sentido agradecimento pela pronta resposta dada ao nosso convite. Tive o privilégio de falar e conviver com Arnaldo de Oliveira Sales em inúmeros ocasiões, nas suas deslocações a Macau, nas minhas muitas idas a Hong Kong, em cerimónias oficiais ou de âmbito associativo nos dois territórios, em grandes competições desportivas locais e internacionais, em eventos promovidos pelos Jaycees (Junior Chamber), organização internacional de jovens empresários e gestores, de que ele foi presidente mundial em 1955, nos Encontros das Comunidades Macaenses e no I Congresso das Comunidades Portuguesas, levado a efeito em Lisboa, em Junho de 1981, onde integrámos a delegação de dez representantes do Extremo Oriente, eleita na sessão final do Encontro de Macau, um fórum aberto que tive a honra de coordenar e que contou com a participação de portugueses de Macau, Hong Kong, Timor, Japão, Austrália e Malásia. Nessas quase três décadas de contactos e conversas, quer em situações que requeriam a obediência a protocolos oficiais mais rígidos, quer em momentos de agradável e descontraído convívio, à mesa Colecção Mosaico ♦ 07
  • do restaurante do Clube Lusitano, nos amplos relvados do Clube de Recreio em Kowloon, no seu escritório no Urban Council ou em outros lugares, às vezes acompanhado da sua dedicadíssima Esposa, D. Edith Maria Celeste Nolasco da Silva, membro de uma das mais antigas famílias portuguesas de Macau, pude apreciar nele a lhaneza no trato, o porte impecavelmente elegante, o sentido de missão, a capacidade de realização e a sua coerência com os princípios e valores com que se identificava e que eram, conforme declarou em discursos bem articulados, proferidos em português ou em inglês, os da “civilização latino-cristã”. E, claro, o seu acrisolado portuguesismo, sofrendo com as agruras da Pátria distante, regozijando-se com os seus sucessos, preocupado com os desaires e, apesar de tudo, sempre orgulhoso da história e do legado dos egrégios avós. Esta foi, de resto, a postura comum à de quase todos os portugueses do Oriente, de sucessivas gerações. A enorme diferença de idade (ele era apenas três anos mais novo do que o meu também já falecido Pai, português nascido em Xangai, e ele em Cantão, em áreas de concessão francesa na China), nunca dificultou – antes incentivou – o nosso diálogo, que foi, para mim imensamente enriquecedor. A leitura dos textos aqui coligidos facultam ao leitor elementos bastantes para um melhor conhecimento deste cidadão exemplar, que desempenhou altos cargos públicos em Hong Kong e deixou obra reconhecidamente relevante nas múltiplas 08 ♦ Colecção Mosaico
  • instituições que chefiou, sendo de destacar o Urban Council, entidade correspondente a uma grande Câmara Municipal, o Comité Olímpico de Hong Kong, de que foi presidente e, em reconhecimento dos seus elevadíssimos méritos, guindado a presidente honorário vitalício, o Comité Olímpico da Ásia, a Federação de Jogos da Commonwealth e o Clube Lusitano, em cujas excelentes instalações se respira a alma lusa nos quadros das paredes, nos livros, nas fotografias, bandeiras e condecorações expostas e até na culinária. Muito exigente, sobretudo com ele próprio, querendo e acreditando que podia ir mais longe e fazer melhor, conseguiu resultados positivos em todas as iniciativas e projectos que beneficiaram largamente da sua respeitada e consequente liderança. Imediatamente após o seu passamento em Março de 2020, após longo período de hospitalização, quis o Instituto Internacional de Macau (IIM), que lhe concedeu o Prémio Identidade em 2005, prestar-lhe esta singela homenagem, na certeza de que recordar esta figura singular significa também saudar a memória de tantos portugueses que, em terras do Oriente, quiseram e souberam, ao longo de séculos, afirmar e honrar Portugal, tantas vezes sem o reconhecimento – ou mesmo só o conhecimento – de quem exerceu as mais altas responsabilidades de Estado. O Prémio Identidade, instituído em 2003, corporizando o mais nuclear espírito do IIM, consagrado nas suas vocação e finalidades estatutárias, destina-se a distinguir Colecção Mosaico ♦ 09
  • personalidades e instituições que, “pela sua acção, obra e exemplo, contribuam activa e significativamente para a identidade de Macau”. Em 2012, o Clube Lusitano foi, igualmente, contemplado com esse Prémio, por decisão unânime do júri. No livro “Valorizar a Identidade – Entidades distinguidas com o Prémio Identidade” (IIM, Novembro de 2016), a investigadora académica Alexandra Sofia Rangel refere que o Comendador recebeu altas condecorações nacionais e estrangeiras, entre as quais a Ordem do Império Britânico, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e a Grand Bauhinia Medal, além de elevadas distinções de organismos da sociedade civil e que “a saúde e a idade afastaram-no progressivamente da vida activa, tendo cessado qualquer intervenção cívica há mais de uma década”. “Apesar de ter passado praticamente a vida toda em Hong Kong, manteve a nacionalidade portuguesa e sempre manifestou o seu orgulho em ser português”. No mesmo livro, é, igualmente, mencionado um documentário produzido pela jornalista da TDM, Ana Isabel Dias, intitulado “A Voz de Sales”, “onde o comendador Arnaldo de Oliveira Sales fala sobre a sua vida e os momentos mais marcantes da sua carreira, entre os quais o seu esforço para que Hong Kong fizesse parte do Comité Olímpico Internacional e o seu papel no salvamento da delegação olímpica de Hong Kong, alojada ao lado da delegação de Israel, durante o ataque terrorista nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972”. Esse documentário, “baseado 10 ♦ Colecção Mosaico
  • numa entrevista efectuada pelo Arquivo de História Oral da Universidade de Hong Kong, junta também depoimentos de familiares, amigos e colaboradores, que enaltecem os valiosos serviços que prestou, bem como os traços mais relevantes da sua personalidade, destacando o patriotismo, a eficiência, a determinação e a exigência como qualidades que sempre revelou.” “Também a Federação do Desporto e o Comité Olímpico de Hong Kong publicaram uma biografia comemorativa como agradecimento e homenagem a todo o seu trabalho em prol do desporto”. Com o título “A de O. Sales – Trailblazer for Hong Kong’s Road to the Olympics”, é ali realçada a contribuição do seu presidente honorário vitalício em diferentes áreas da sociedade civil. O livro que sai agora do prelo é uma edição do IIM, integrada na sua colecção “Mosaico”, que já tem 67 volumes publicados. Ele permitirá a organização de sessões evocativas em Macau, em Hong Kong (no salão principal do Clube Lusitano certamente), em Lisboa (provavelmente no auditório do Centro Científico e Cultural de Macau ou no salão nobre da Casa da História e da Memória que é a SHIP – Sociedade Histórica da Independência de Portugal) e nas Casas de Macau espalhadas pelo mundo. Recordar aqueles que sentiram e afirmaram com orgulho as raízes – e foram eles próprios viçosas flores de robustos ramos emanados de velhos troncos por onde correu seiva de múltiplos matizes – é missão que o IIM abraçou. Colecção Mosaico ♦ 11
  • Para ilustrar este prefácio, escolhi duas das seis quadras do poema “Cantei a Vida”, escrito em Janeiro de 2014 por Eugénio Ribeiro Rosa e incluído no seu livro “Da Vida Nasceu Poesia” (edição do autor, 2015). Médico cirurgião, humanista, poeta, grande Português e muito saudoso Amigo, que me antecedeu na presidência do Conselho Supremo da SHIP e da Assembleia Geral do Guião – Centro de Estudos Portugueses e foi meu confrade na Academia Portuguesa de História, a que ficámos ligados como académicos honorários, Eugénio Ribeiro Rosa era da geração de Oliveira Sales e também partiu há poucos anos para a eternidade, entrando nos caminhos da luz em que a sua inabalável Fé fez acreditar. Creio que aqueles versos traduzem muito bem o percurso que Arnaldo de Oliveira Sales escolheu. Na verdade, a sua vida, como ele a quis, foi singela e forte e abriu-lhe as portas de um futuro bem vivido. Em todo o seu caminhar, houve asas da sorte, no rasgar de horizontes. Para ele, viver foi servir, sendo a tarefa ingente. Por isso, doou-lhe com gosto a vida e a missão foi muito bem cumprida! Jorge A. H. RangelPresidente do Instituto Internacional de Macau12 ♦ Colecção Mosaico
  • Arnaldo de Oliveira Sales com Jorge A. H. Rangel, no Encontro das Comunidades Macaenses de 1999.Colecção Mosaico ♦ 13
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  • 1. Quando em 1979 fui ocupar o cargo de Cônsul Geral de Portugal em Hong Kong, Arnaldo de Oliveira Sales era já uma figura grada na sociedade local, reconhecida e respeitada nos meios locais, quer fossem os britânicos que lhe propuseram mais de uma vez que se tornasse súbdito de Sua Majestade a Rainha, (como sucedeu com outros membros da Comunidade Portuguesa que vieram a ser feitos Sir, como Sir Albert Rodrigues e Sir Roger Lobo) quer fossem os chineses, que admiravam a sua integridade e independência e a sua capacidade organizativa para um trabalho de grupo.2. Desempenhava então as funções de Presidente do “Urban Council”, (que manteve durante 4 mandatos, UM PORTUGUÊS DE QUALIDADE ARNALDO DE OLIVEIRA SALES(Nascido em 13 de Janeiro de 1920, falecido em 6 de Março de 2020)Colecção Mosaico ♦ 15
  • de 1973 a 1981), correspondente à posição de Mayor, com responsabilidades nos sectores da cultura e do desporto. Era igualmente Presidente da Federação do Desporto Amador e Presidente do Comité Olímpico de Hong Kong.3. Nascido em 1920 em Cantão na então concessão francesa, veio para Hong Kong com 8 anos de idade, frequentando diversas escolas católicas, nomeadamente a St. Joseph’s School e o La Salle College e passando mais tarde pelo Seminário de São José em Macau, que lhe incutiu o sentido da disciplina e do rigor. Mais tarde passaria os anos da ocupação japonesa em Macau, território neutro durante a guerra. Formou-se mais tarde em “business”, dedicando a sua atividade profissional ao comércio.4. Mas a sua paixão era a vida comunitária, quer fossem os negócios, quer fosse o desporto ou a cultura, destacando-se em todas as atividades em que se envolvia. Era um verdadeiro “gentleman”, sempre impecável na sua apresentação e nas suas maneiras. Impôs-se sempre perante os seus pares que o respeitavam e admiravam. Afirmou-se sempre como um líder capaz de dirigir pessoas e trabalhos, propôr caminhos e executar planos. Um homem excepcional de 16 ♦ Colecção Mosaico
  • uma grande integridade e desinteresse material, cuja maior ambição era ser útil à comunidade.5. Foi presidente da Câmara de Comércio Júnior de Hong Kong, chegando a ser presidente mundial em 1955.6. Em 1972, aquando dos jogos olímpicos de Munique, participou corajosamente nos esforços de mediação com os atacantes palestinianos aos atletas israelitas, instalados no mesmo edifício que os atletas de Hong Kong, onde ele se encontrava como Presidente do Comitê Olímpico daquela colónia britânica.7. Foi ainda Secretário-Geral dos Jogos da Commonwealth e membro do Comité Consultivo para a Lei Básica da Região Administrativa Especial de Hong Kong.8. Para além de todas as suas funções comunitárias, Sonny Sales, como era carinhosamente conhecido e tratado, foi durante largos anos o “leader” incontestado da comunidade portuguesa em Hong Kong. Leal às suas origens conservou sempre a Colecção Mosaico ♦ 17
  • nacionalidade portuguesa de que tinha muito orgulho, resistindo sempre aos convites para adquirir a nacionalidade britânica e mantendo sempre a sua arreigada independência.9. Foi Presidente durante um largo período dos dois clubes portugueses existentes na colónia britânica, o Club Lusitano e o Club de Recreio, clubes com belíssimas instalações e longas tradições. O Club Lusitano é hoje o proprietário de um edifício de cerca de 20 andares (as instalações do clube são nos 4 andares superiores) na ilha de Hong Kong, no Central District, zona nobre da cidade.10. Foi ainda durante largos anos Vice-Cônsul Honorário de Espanha11. Muito beneficiei com a amizade de Sonny Sales. Não houve evento cultural ou desportivo para que eu e a minha mulher não fossemos convidados para o camarote do presidente do Urban Council e para os “drinks” que sempre tiveram lugar nos intervalos de tais eventos, para os quais eram convidadas as personalidades mais destacadas da colónia britânica. 12. Os dois clubes portugueses, dos quais eu fui 18 ♦ Colecção Mosaico
  • feito sócio honorário, por sua intercessão, estiveram sempre à minha disposição para ali celebrar o dia nacional ou receber visitantes.13. Sempre foram ali recebidos com pompa e circunstância os governadores de Macau. 14. Não resisto a contar um episódio, anedótico mas verdadeiro, passado com Arnaldo de Oliveira Sales. No tempo de um dos meus antecessores, foi convidado para se deslocar a Portugal. O tempo foi passando e não havia meio de o Cônsul lhe transmitir o programa da visita, não obstante as suas insistências. Na véspera da partida, o Cônsul teve que lhe dizer, com grande embaraço, que ainda não recebera o programa. Sales lá se meteu no avião, muito preocupado. Chegado a Lisboa, tinha um funcionário do Protocolo de Estado à sua espera, a quem ele, logo que desembarcado, perguntou com ansiedade: - Então o programa? Resposta do funcionário do Protocolo: - Senhor Comendador, esteja descansado, aqui só planeia quem não sabe improvisar. O que é certo, é que a visita correu extremamente bem e foi um grande sucesso, tendo sido recebido ao mais alto nível.15. As histórias não terminam aqui. Apesar da sua Colecção Mosaico ♦ 19
  • posição, do seu prestígio, do seu portuguesismo, da sua resistência às tentativas dos britânicos de o fazerem Sir, houve um Cônsul que, por razões ligadas a um qualquer desentendimento pessoal, não se lembrou de mais nada do que sugerir ao seu Ministério que fosse determinada a perda da nacionalidade portuguesa de Arnaldo de Oliveira Sales, por este ter aceite o lugar (honorífico) de vice-cônsul honorário de Espanha, sem ter pedido a devida autorização para o fazer. É claro que o Cônsul nunca teve resposta.16. Sonny Sales foi para a comunidade portuguesa de Hong Kong um fator de prestígio, de inspiração e de unidade e deu-me sempre, a mim pessoalmente, uma força acrescida e uma capacidade de atuação em defesa dos interesses do país, que nunca deixei de aproveitar. 17. Sonny Sales foi distinguido pelo Estado português com diversas condecorações, nomeadamente com a Grã-Cruz da Ordem do Infante. Recebeu também a Ordem do Império Britânico, grau honorário (OBE e CBE) e a Medalha Grand Bauhinia pela Região Administrativa Especial de Hong Kong.18. Recordo-o com a maior admiração e respeito. Foi para mim um bom amigo e, sem qualquer dúvida, um 20 ♦ Colecção Mosaico
  • cidadão de grande classe a quem temos o dever de prestar a devida homenagem e reconhecimento. Uma palavra de saudosa lembrança para a sua mulher, Edith, portuguesa como ele, cujo falecimento precedeu o seu de alguns anos. Arnaldo de Oliveira Sales não deixou descendentes.19. Foi um grande Português. Honra lhe seja prestada.Pedro Catarino(Embaixador Jubilado)Nota do Autor: Este testemunho foi inicialmente escrito numa versão mais reduzida e enviado ao Semanário Expresso, que decidiu não o publicar, presumivelmente por entender não ter suficiente interesse para os leitores!Colecção Mosaico ♦ 21
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  • Arnaldo de Oliveira Sales ou A. de O. Sales como era conhecido faleceu em Hong Kong em 6 de março de 2020 com 100 anos.Foi das personalidades mais marcantes que conheci e lidei com ele mais de quatro anos. Enquanto fui Governador de Macau muito me ajudou e mantivemos a nossa ligação ao longo do tempo. Tinha uma personalidade muito complexa, desempenhou todo o tipo de atividades, económicas, desportivas, associativas, culturais, políticas sempre com elevada qualidade e exigência honrando sempre a função e o nome de Portugal.Leader natural e por experiências acumuladas deixou uma marca muito forte em todas as funções que desempenhou com grande sucesso.OLIVEIRA SALES, UM GRANDE PORTUGUÊS DO ORIENTE ESQUECIDO EM PORTUGALColecção Mosaico ♦ 27
  • Quando do seu passamento não houve uma notícia em Portugal sobre o ocorrido; depois de ter honrado Portugal no oriente durante várias décadas, a Pátria desconheceu a sua morte. Foi mais um comportamento do que com ironia se pode chamar “Portugal no seu melhor”.Esta publicação do Instituto Internacional de Macau vem tentar, com depoimentos de quem o conheceu bem, preencher essa injusta lacuna. E será já de lembrar que o Comité Olímpico de Hong Kong publicou atempadamente um livro em sua memória,No livro que escrevi sobre os meus anos de Macau “Macau nos Anos da Revolução Portuguesa, 1974/1979” foi das raras personalidades que considerei de distinguir individualmente e começarei por transcrever esse texto antes de avançar para pequenas histórias vividas.Do meu livro:“Para além da importância das relações de Macau com o Governo de Hong Kong, a região integrava uma influente comunidade lusa, incluindo membros de diferentes origens familiares (Macau, Cantão, Xangai e Goa). Entre 28 ♦ Colecção Mosaico
  • outros portugueses com papel relevante na vida local, distinguia-se o comendador Arnaldo de Oliveira Sales, presidente do Urban Council. (……)"A comunidade Portuguesa reunia-se em dois clubes – o Clube Lusitano e o Clube de Recreio – com um historial assinalável e uma situação económica desafogada. O Clube Lusitano era mesmo considerado o mais rico de Hong Kong.Visitei-os com alguma frequência (uma das vezes para as comemorações do 110º aniversário do Clube Lusitano) e recebi delegações dos dois clubes que vieram a Macau.Entre as figuras proeminentes destacavam-se, para além do Comendador Oliveira Sales, Sir Albert Rodrigues (diretor do St. Paul’s Hospital e membro do Conselho Legislativo), Sir Roger Lobo (também membro do Conselho Legislativo e oriundo de uma importante família de Macau, o Coronel Botelho (oficial das forças voluntárias que se opuseram à invasão dos japoneses) e o Dr. Barros Lopes (cirurgião e obstetra reputado).Com todos, mas principalmente com os três Colecção Mosaico ♦ 29
  • primeiros, mantivemos, o Governo e eu pessoalmente, a melhor ligação que creio ter beneficiado ambas as comunidades e criado um ambiente de amizade e compreensão recíproca.Merece, no entanto, particular realce a figura do comendador Oliveira Sales – um personagem fascinante e carismático –, um excelente elo de ligação com Hong Kong. Foi das pessoas que mais me impressionaram em toda a vida, e inestimável todo o apoio que prestou a Macau e a mim próprio.De família portuguesa de Cantão, Oliveira Sales dispunha de fortuna pessoal (tal como sua mulher D. Edith, macaense oriunda da família Nolasco) e, já na altura, contava com um currículo notável:-Presidente, durante três mandatos (e veio a fazer um quarto; 1973/1981) do Urban Council de Hong Kong, a única instituição local que elegia os seus dirigentes;-Presidente do Comité Olímpico de Hong Kong e da Federação dos Desportos Amadores, e membro vitalício do Comité Olímpico Internacional;-Vice-presidente vitalício da Federação dos Jogos 30 ♦ Colecção Mosaico
  • Asiáticos;-Presidente dos dois clubes portugueses já mencionados;-Presidente (durante a juventude) da Câmara (de Comércio) Júnior de Hong Kong e seu representante nos encontros da Commonwealth;-Presidente das escolas da comunidade portuguesa;-Membro da Comissão Organizadora do Festival de Artes de Hong Kong e da Administração do Hong Kong Arts Center;-Ex-Cônsul Honorário da Espanha.É fácil de perceber a sua capacidade de intervenção em quase todos os sectores da vida local. Foi o caso da entrada da República Popular da China, pela primeira vez, nos Jogos da Ásia em 1973 em Teerão (no tempo do Xá da Pérsia), pela mão de Oliveira Sales, o que lhe garantiu a permanente amizade de Pequim.Homem complexo, orgulhoso, hábil e eficiente, Colecção Mosaico ♦ 31
  • excelente gestor, muito honrou Portugal, tendo recusado todos os convites para aceitar a cidadania britânica. Era leitor assíduo (e assinante) de jornais portugueses.Portugal, em contrapartida, pouca importância lhe deu e não soube recorrer ao seu prestígio e à sua rede privilegiada de contactos e influência.Em função do seu cargo no Urban Council, as relações de Hong Kong com Macau foram muito reforçadas (embora as atribuições do Urban Council não correspondam exatamente às de uma Câmara Municipal, é institucionalmente a entidade mais próxima do nosso conceito autárquico. Este organismo superentendia em tudo quanto dissesse respeito a limpeza, espaços verdes, desporto, cultura e mercados, sendo, na altura, independente do governo da colónia.)Tendo sido recuperadas as ligações com a comunidade lusa de Hong Kong e com o Consulado Geral, passou a ser possível estarem presentes as três entidades portuguesas mais representativas nas múltiplas atividades desenvolvidas pelo Urban Council, o que reforçou o nosso prestígio e a nossa capacidade de intervenção naquela colónia”.32 ♦ Colecção Mosaico
  • Este meu texto que está no livro já citado não cobre toda importância atuação da sua figura.Como se criou esta relação pessoal e institucional? No ano de 1974 em que muitos meses passei no oriente e sabendo da existência desta figura não percebi o afastamento existente com o nosso Consulado Geral e mesmo com o governador de Macau.Assim, verifiquei que quando o Ministro Almeida Santos visitou Macau e Hong Kong em outubro ele não apareceu, bem como quando do regresso a Portugal do meu antecessor, General Nobre de Carvalho. Porquê? Não me interessou, nem agora interessa, mas quis corrigir tal situação logo que possível.Assim, quando ele foi distinguido em 1 de janeiro de 1975 como Membro Honorário da Ordem do Império Britânico pela Rainha Isabel II escrevi-lhe uma afetuosa carta de felicitações e convidei-o para visitar Macau, o que o deixou sensibilizado e aceitou de imediato; também a relação com o nosso Consulado Geral se foi reconstruindo permitindo a situação futura já indicada. E tal relação foi-se sempre reforçando, em que o seu conselho e abertura para os interesses de Portugal e dos portugueses foram sempre de grande utilidade.Colecção Mosaico ♦ 33
  • A sua gestão do Clube Lusitano foi brilhante; o Clube tinha um edifício de dois andares na baixa de Hong Kong, zona muito privilegiada e cara. Tal edifício foi destruído e em seu lugar surgiu um grande imóvel de muitos andares que ele vendeu ou alugou, reservando para o Clube os dois andares mais elevados; e atendendo às receitas certas recebidas os sócios do Clube Lusitano deixaram de pagar quotas.Foi um facilitador de contactos para empresários e comerciantes portugueses que com Hong Kong queriam trabalhar; através do grande produtor de cinema Run Run Shaw (Shaw Brothers) conseguiu-se que algumas cenas do filme “A ilha dos Amores” de Paulo Rocha (então Adido Cultural na nossa Embaixada em Tóquio) feitas em Macau com o nosso apoio material, também recebessem facilidades técnicas daquela produtora de Hong Kong com despesas muito reduzidas. São apenas exemplos que a memória permitiu guardar.Também esteve presente na Abertura Solene da I Assembleia Legislativa de Macau (com dois terços dos Deputados eleitos) em 9 de agosto de 1976 e noutras situações oficiais.Mas não pode ser esquecido que em 1972 quando dos Jogos Olímpicos de Munique em que 34 ♦ Colecção Mosaico
  • ocorreram ataques de terroristas contra os atletas de Israel, ele foi um dos representantes do Comité Olímpico Internacional que integrou as negociações para a sua libertação. Ninguém se pode esquecer desses momentos difíceis e de sucesso que estão gravados.Será também de registar que face à independência político-administrativa que o Urban Council tinha relativamente ao Governo da colónia britânica foi-se transformando progressivamente no ponto focal de todos os grupos étnicos não ingleses, nem chineses que ali viviam, tendo em vista a defesa dos seus interesses.A sua formação educativa e comportamental era muito britânica e era senhor de um humor muito cáustico. Um dia havia uma senhora muito conhecida, considerada muito democrata e também conflituosa (cujo nome já esqueci) que fazia parte da Assembleia do Urban Council declarou publicamente que ele “era um ditador”. Quando os OCS o contactaram para saber da sua reação, ele apenas disse: “Sim, talvez ela tenha razão”. Ponto final!Foi também Membro do Conselho Consultivo para a redação da Lei Básica de Hong Kong quando da Colecção Mosaico ♦ 35
  • transferência de Hong Kong para a China como Região Administrativa Especial (RAEHK) em 1 de julho de 1997.No final do meu Governo foi feito Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e em 1999 recebeu a Grã-Cruz da mesma Ordem,A última vez que Minha Mulher e eu estivemos com ele foi em 2011 quando visitámos Macau e Hong Kong com o casal Carlos Melancia e tivemos um jantar inesquecível com ele, Sir Roger Lobo e Lady Margareth, sendo Cônsul Geral em Hong Kong e Macau o Dr. Manuel Cansado de Carvalho.Agora estas figuras da nossa História no oriente que muito nos honraram já desapareceram, mas não podem ser esquecidas como pessoas e também porque ajudaram a fazer História de Hong Kong.Com amizade merecida e boas lembranças ficam estas nossas justas palavras de homenagem!Lisboa, 11 de Setembro de 2021José Eduardo Garcia LeandroEx-Governador de Macau (1974/1979)36 ♦ Colecção Mosaico
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  • Agradeço ao Instituto Internacional de Macau e ao presidente e amigo, Doutor Jorge Rangel, este convite, que muito me honra, para fazer um depoimento sobre Arnaldo de Oliveira Sales (Sonny), que foi, para mim, antes de tudo o mais, um primo e amigo, com quem convivi de perto em muitos momentos, nestes últimos vinte anos. Tive a alegria de celebrar com ele os seus cem anos, na companhia a sua irmã Amélia e fiéis amigos, a maior parte dos quais do seu tempo do movimento Olímpico e do Colégio La Salle, e admirar o seu estado de lucidez. Recordo-me, com saudade, como se emocionou ao procurar acompanhar o hino do Colégio La Salle, a sua alma mater, quando os amigos o presentearam com o mesmo. Estávamos a 12 de Janeiro de 2019, e cerca de um ano depois, Sonny deixa-nos, já em plena crise de COVID-19. Com as restrições impostas para as viagens entre Hong-Kong e UMA HOMENAGEM A ARNALDO DE OLIVEIRA SALESColecção Mosaico ♦ 41
  • Macau, a última homenagem pessoal que quero fazer ao meu primo e amigo não foi ainda feita, pelo que, neste contexto, este texto assume um particular significado e relevância. Arnaldo de Oliveira Sales será para sempre recordado pela obra que realizou enquanto Homem público de brilhante estatura intelectual e dedicação inabalável às causas que abraçava, tanto na qualidade de Presidente do Urban Council de HK e Presidente da sua Federação para o Desporto e do Comité Olímpico. Sonny sempre trabalhou pelo reforço do movimento olímpico, pela separação clara entre a política e o desporto, e pela afirmação de Hong Kong enquanto membro de pleno direito dessa Família, cuja adesão também a ele se deve. Era um diplomata nato. O seu maior feito, talvez, foi ter conseguido a libertação de atletas de Hong Kong alojados no mesmo andar na aldeia Olímpica de Munique onde atletas de Israel foram sequestrados por terroristas, que actuavam em nome da causa Palestina, e mais tarde mortos, naquele que é, ainda hoje, conhecido pelo Massacre de Munique. Arnaldo Sales negociou directamente com o líder desse grupo, assegurando passagem segura para os membros da sua equipa poderem deixar esse pólo de tensão e perigo extremo, num acto que foi vastamente 42 ♦ Colecção Mosaico
  • acompanhado e elogiado na imprensa internacional pela determinação, habilidade negocial e coragem, que ele demonstrou possuir. No plano interno, a sua acção como promotor do desporto, entre os quais a natação, enquanto disciplina de elite e desporto para todos, foi reconhecida pela imprensa de Hong Kong quando a nadadora Siobhan Haughey da RAEHK ganhou duas medalhas de prata nessa modalidade, nos últimos Jogos Olímpicos e Tóquio, de 2021. Na liderança do Urban Council criou diversos parque e jardins, garantindo aos seus cidadãos a maior proximidade possível a estas zonas verde de lazer. Promoveu a música clássica e foi patrono das artes, entre os quais a Orquestra Filarmónica de Hong Kong, da qual se manteve como membro do seu Conselho de Patronos, até perto do fim da sua vida; fundou o Planetário de Hong Kong, um dos mais bem equipados do mundo, inspirado no Royal Observatory de Greenwich e contribui decisivamente para a afirmação de Hong Kong como um das referências culturais no Extremo Oriente.Acumulava esses cargos com a participação activa em diversos e importantíssimas funções a nível internacional. Destes, destaco a presidência Mundial da Colecção Mosaico ♦ 43
  • organização internacional de jovens “Jaycees” em 1955, então só com 35 anos de idade, que o levou a visitar mais de 80 países nessa qualidade e o tornou conhecido entre a nata de líderes empresariais e políticos mundiais. Recordava-se desses encontros e viagens com muito carinho e saudade, porque viajava sempre acompanhado de sua esposa Edith, que partiu cedo, em 2006, deixando-o profundamente desconsolado. Como dirigente máximo dos clubes Lusitano e Recreio de Hong Kong e do Clube Recreio da mesma cidade, foi o presidente natural dos Encontros das Comunidades Macaenses e procurou exercer uma” magistratura de influência” junto dos seus conterrâneos, promovendo o diálogo e acção concertada, quando pequenas questiúnculas ameaçavam a unidade da causa macaenses.O seu contributo foi reconhecido com condecorações e honrarias atribuídas for vários governos entre os quais o de Portugal, da Grã-Bretanha, de Espanha, da França, entre outros, e também de Macau e da RAEHK. este caso, foi-lhe atribuída a distinção mais alta que é a medalha da Grande Bauhinia, sendo o único estrangeiro, até hoje, a merecer esta distinção do Governo da Região Administrativa 44 ♦ Colecção Mosaico
  • Especial de Hong Kong.Foi já longe dos holofotes e depois de terminada a sua presidência do Comité Olímpico de Hong Kong, que comecei a conhecer melhor o Sonny e reconhecer as suas excelentes qualidades humanas. Nos anos pré-transição de Hong-Kong e Macau, estávamos ambos demasiado ocupados para podermos ter um convívio privado mais próximo, como seria desejável. Todavia, foi a ele que me socorri, quando em 1993, ainda com 37 anos, fui nomeado Presidente do Leal Senado, pelo Governador general Vasco Rocha Vieira, num período bastante desafiante, que foi o da transição de Macau. Dele, partiram os primeiros conselhos do político e “mayor” sábio e experiente, que me orientaram nos anos que se seguiram. Depois, as nossas conversas tomaram outras tonalidades, de observação dos desenvolvimentos que a comunidade macaense estava a ter em HK e Macau, questões gerais da política e economia, as relações familiares e a educação dos meus filhos. Ele tinha um interesse especial pela astronomia e ficava muito feliz por saber do sucesso que a minha filha Tânia vem alcançando nesse domínio, tornando-se astrónoma profissional no Royal Observatory de Greenwich. Fiquei também a saber que tinha um carinho especial pelos gatinhos que tinha em sua casa, e apercebi-me, pelas Colecção Mosaico ♦ 45
  • (in)confidências amigas da sua secretária Cindy, que tratava muito bem dos seus empregados quase centenários, que continuavam a ir trabalhar fielmente, todos os dias, no seu escritório situado no Prince Building, em pleno Central, um dos edifícios de maior prestígio em Hong Kong.Os nossos almoços no Clube Lusitano faziam-se sempre na mesma mesa de esquina, à direita de quem entra, com vista privilegiada sobre o “Government House”de H.K, que ele tão bem conhecia, a residência oficial do Chefe de Executivo de Hong Kong. Foi do alto desse vigésimo terceiro andar, a Sala Camões, se não estou em erro, do Clube Lusitano, que Sonny, me disse uma vez, olhando com contida emoção a “City"de HK: esta cidade, nada tem, senão a confiança que os homens de negócio depositam nela e no seu sistema.Que se mantenha viva a sua memória, porque ele merece que o recordemos, todos os dias e para sempre!Saudades!José Luís de Sales Marques(Presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macaue ex-Presidente do Leal Senado da Câmara de Macau)46 ♦ Colecção Mosaico
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  • A de O. “Sonny” Sales was born in the French Concession of Shamain Island, Canton (now Guangzhou) on 13 January 1920. The eldest of seven children, four boys and three girls, from a family with deep roots in Shamain. His great grandfather had been chief military officer of the French Embassy in the Shamain French concession, and his grandfather was in the river shipping business based in Shamain. Although he enjoyed an idyllic childhood in that environment, by the 1930s China was immersed in civil unrest, prompting his family to move to Hong Kong when he was 9 years of age with his father who worked for Shell.Sonny was one of the first batch of students to attend La Salle College in 1931, graduating in 1936. Afterwards he attended St Joseph’s seminary Macau where he studied anthropology and deepened his lifelong Catholic faith, under the guidance of Portuguese COMENDADOR ARNALDO DE OLIVEIRA SALES, GBM, CBE, JP, GCIH, 1920 TO 2020Colecção Mosaico ♦ 53
  • Jesuits. The famous Portuguese historian priest Padre Manuel Teixeira was his Portuguese teacher.Like many Portuguese during the Japanese occupation of Hong Kong in World War II, the Sales family sought refuge in neutral Macau where he worked for a time in the British Consulate as well as furthering his tertiary studies at St Joseph’s seminary. After the war, he returned to Hong Kong with his family to rebuild his life. He initially worked with his father at Arnold Trading.He married Edith Nolasco da Silva on 17 November 1946 at St Teresa’s Church, Kowloon. The two had met during the war and in Macau their relationship blossomed. They moved to 105 Kadoorie Avenue in 1953 where he lived until his death 67 years later. This earned Sonny and Edith the distinction of the longest continuous tenants at the Kadoorie Estates.He founded his own trading business in 1955, establishing an office in Prince’s Building, Central that he also retained until his passing. He became the President of the Hong Kong Amateur Swimming Association and joined the Victoria Recreation Club (VRC), later becoming its Chairman from 1962 to 2013. 54 ♦ Colecção Mosaico
  • VRC played a key role in Hong Kong for post war sports, as the home for swimming and the meeting place for early efforts to establish an Olympic movement.In 1951 he assisted in the establishment of the Amateur Sports Federation & Olympic Committee of Hong Kong (ASF & OC), elected as Honorary Secretary and in 1958 he inaugurated the Festival of Sport (FOS), promoting “Sport for All” to Hong Kong citizens that continues to this day.From 1967 to 1998 he served as President of the ASF & OC, now known as the Sports Federation & Olympic Committee of Hong Kong, China (SF&OC). During his service in the ASF & OC, he frequently led Hong Kong delegations to participate in international sports events. He was a member of Hong Kong’s first ever Olympic team as a delegate in the 1952 Helsinki Olympic Games. He served in the 1956 Melbourne Olympic Games as Chef de Mission for the Hong Kong team and reprised this role for 6 more Olympic Games.In 1972, Sonny took up his role again as Chef de Mission of the Hong Kong delegation at the Munich Olympic Games. Showing great bravery, he successfully negotiated with guerrillas for the release of Hong Kong Colecção Mosaico ♦ 55
  • delegation members in what became known as the “Munich Massacre” incident.In early July 1997 with his close friend Mr. Juan Antonio Samaranch Torelló, President of the International Olympic Committee (IOC), Sonny Sales secured for the ASF & OC, the right for Hong Kong athletes to continue taking part in the Olympic Games and in all international competitions as a separate entity, under the name of “Hong Kong China”. This he considered one of his greatest achievements for Hong Kong sports.His long-standing contribution to international sports extended well beyond Hong Kong shores. A de O Sales held key posts in the Asian Games Federation (AGF) as Vice-President from 1962 to 1970 and Hon. Life Vice-President of the AGF and the Olympic Council of Asia from 1970. His lifelong sports love was for swimming and he served as Vice President of the Federation Internationale de Natation Amateur (FINA) from 1964 to 1972. Remarkably for someone from the then British colony of Hong Kong he served as Chairman of the Commonwealth Games Federation from 1990 to 1994.56 ♦ Colecção Mosaico
  • In December 2012, A de O Sales was awarded the IOC Trophy for “Sport and Sustainable Development” in recognition of his six decades of accomplishment in local and international sports development.In 1955, he became a member of the Urban Council of Hong Kong and the Hong Kong Housing Authority. He was already heavily involved in the sports movement and in a densely populated metropolis advocated for areas where Hong Kong citizens could relax in a cleaner and greener environment. He immediately targeted, then transformed many well-located sites, some originally designated as military bases into public parks, developed pedestrian zones and established green zones throughout the city.In 1973, he was appointed Chairman of the Urban Council by Governor Murray MacLehose with whom he established a close personal relationship. In 1973-74 the first year of his Chairmanship, 19 cultural and recreational facilities were completed costing HK$2.5m. It was abundantly clear to him that not enough resources were being allocated by the colonial authorities to the benefit of Hong Kong and he decided to take matters into his own hands.Colecção Mosaico ♦ 57
  • He decided to put the hard-earned Hong Kong reserves to good use and during the era of his chairmanship of the Urban Council, Hong Kong’s recreational and cultural facilities witnessed a rapid growth. His approach was uncompromising and he tread on the toes of many a colonial bureaucrat as he pushed through his projects. By the last year of his tenure, 1980-81, 57 projects were completed costing HK$418m including HK$180m for two large indoor sports stadia and 2,276 items of recreational and cultural capital expenditure. This represented a 167-fold increase in financial resources dedicated to the benefit of Hong Kong people.His drive and resourcefulness as Urban Council Chairman pioneered many new civic venues. The Queen Elizabeth Stadium opened in 1980, the Space Museum, 1980, the Hong Kong Coliseum, 1983, the Ko Shan Theatre, 1983 and the Hong Kong Cultural Centre, 1989, all bore his imprint. The Jubilee Sports Centre in Sha Tin dedicated to elite sports training was a signature project that broke ground in 1977 during his tenure and was completed in 1982.He initiated the first Festival of Asian Arts in 1976 and the first Hong Kong International Film 58 ♦ Colecção Mosaico
  • Festival in 1977. Under his aegis, the Urban Council set up three professional performing groups, namely the Hong Kong Chinese Orchestra and the Hong Kong Repertory Theatre in 1977, and then the Hong Kong Dance Company in 1981. This cultural legacy continues to this day.He pioneered the construction of public swimming pools throughout Hong Kong in prime locations that were easily accessible to residents. His contribution to Hong Kong’s aquatic development was so great that FINA awarded the “Highest Merit” in 1978 in honour of his achievement in constructing the greatest number of swimming pools in any world city in 1977.Sonny Sales not only served the sports community and the Hong Kong government, but also held key positions in many local and international organisations. He was the President of the Hong Kong Junior Chamber in 1952 and 1953, and was elected as World President of Junior Chamber International in 1956. From the late 1950s to 1960s, he served as President of La Salle College Old Boys’ Association leading him to receive the highest honour of “UMAEL Outstanding Global Lasallian Award” in 2011. Other Colecção Mosaico ♦ 59
  • titles included President of Rotary Club of Hong Kong and President of the Club de Recreio.Sonny Sales’ achievements have been widely recognized by governments and social organisations. He was awarded the GrandBauhinia Medal (GBM) by the HKSAR Government in 1998; a Comendador, Orden del Merito Civil of Spain in 1972 and a Commander of the Most Excellent Order of the British Empire (CBE) in 1975.He was offered a British knighthood on several occasions but declined every time, remaining steadfastly loyal to his Portuguese roots.A signal honour was granted to A de O Sales in 2010 when he was made an affiliated member of the Institute of the Brothers of the Christian Schools. Affiliated members are those who, in recognition of their long-standing and exemplary association with the De La Salle Brothers and their mission, are welcomed as honorary members of the Institute. It is the highest honour of the Institute and carries the title AFSC.He was a daily fixture at Club Lusitano, taking the short walk from his Prince’s Building office and 60 ♦ Colecção Mosaico
  • lunching in the dining room whenever he was in Hong Kong. His table was reserved for his sole usage and he hosted many guests, friends and dignitaries there. Regardless of whether they were Governors, captains of industry, sports stars, royalty or Presidents, Sonny Sales held court at Club Lusitano with his signature panache and grace. He served as President of Club Lusitano for 34 uninterrupted years from 1968 to 2002.He retained his Portuguese nationality his entire life and was extremely proud of his Lusitanian heritage. In 1999 for his services to Portugal he was awarded the honor of Grã Cruz da Ordem do Infante dom Henrique that carried with it the title Comendador. He was fluent in Portuguese and took every opportunity to demonstrate his language ability especially during the annual Portuguese National Day celebrations at Club Lusitano.Mr. Sales passed away in Hong Kong on 6 March 2020. Clube Lusitano de Hong KongColecção Mosaico ♦ 61
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