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  • A Professora BatalhaGracieteMOSAICOVOLUME XVMacau, Agosto de 2010AntónIO ArEStA
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAtítulo A Professora Graciete BatalhaAutor António ArestaEdição Instituto Internacional de Macau (IIM)Colecção Mosaico (Edição em Português)Volume XVCoordenação editorial José TeixeiraDesign Victor Hugo DesignImpressão Tipografia Welfaretiragem 500 exemplaresApoio Fundação MacauMacau, Agosto de 2010ISBN 978-99937-45-36-5
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAA PrOFESSOrA GrACIEtE BAtALHAGraciete Batalha insere-se na linhagem dos grandes professores que serviram no Liceu de Macau [1], (gente de cultura, de educação, com intervenção cívica, obra publicada e uma enorme profissionalidade), uma tradição que remonta a Manuel da Silva Mendes, ele próprio professor no Liceu, pensador e intelectual com múltiplos interesses e grande coleccionador de arte chinesa. Foram professores como esses que ajudaram a forjar uma poderosa identidade portuguesa em Macau, no contexto de um cadinho étnico multicultural, identidade essa cimentada numa velha amizade luso-chinesa, com cumplicidades, respeito, entendimento e tolerância que a sabedoria dos anos manteve e manterá como energia vital.Graciete Batalha aporta a Macau [2] em Agosto de 1949. Desfia a sua memória, «lembro-me de termos chegado meio mor-tos, meu marido e eu, ao aeroporto de Hong Kong, depois duma viagem de vários dias em aviões a hélice, com muitas avarias nos motores e paragens forçadas, além das previstas, e duma descida temerosa por entre as montanhas da cidade (…) Embarcamos finalmente no velho vapor Tai Loy e, encostados à amurada, contemplamos o casario e as montanhas, que pareciam afastar-se de nós. (…) O vaporzinho contornava lentamente a cidade, tão atraente vista do rio (aqui chamado mar pela largueza do estuário)
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAe dirigia-se ao Porto Interior. Pela marginal, com suas bonitas vivendas ajardinadas, passava a espaços um automovelzinho vagaroso, em ar de passeio. (…) Acabados os cumprimentos, a família inteira meteu-se nos seus carros e veio para a casa de meus Sogros tomar o infalível chá. Aí, comecei a ver as coisas à roda. As conversas eram principalmente em português, a língua da família, mas intercaladas de palavras chinesas, que eu não entendia, e inglesas idem, porque o meu pobre inglês era o do liceu, dos tempos em que as aulas de línguas estrangeiras eram dadas em português [3]».Foi, assim, nestes termos, consumado o contacto inespe-rado com o multiculturalismo [4], uma realidade de difícil gestão cognitiva e de planeamento organizacional. De resto, eram tem-pos difíceis esses, varridos pelo vento da história, onde avultam dois factos absolutamente essenciais, o ocaso da segunda guerra mundial, a guerra do Pacífico, e a fundação da República Popular da China. E Macau, como é sabido, viveu a um ritmo frenético esse turbilhão de acontecimentos, acolhendo e dando guarida a centenas de milhar de refugiados, fazendo das fraquezas forças em nome de um humanismo e de um humanitarismo que nunca é de mais recordar e realçar [5].
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStACoimbra, Maio de 1946. Pela Queima das Fitas.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStACoimbra, 18 de Julho de 1949. O casamento, na Igreja de Stº António dos Olivais, de Graciete com José Batalha, seu colega na Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Medicina.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAUma jovem portuguesa recém-casada, também recém-formada em Filologia Clássica, que imagens culturais e históricas teria do extremo oriente, da China e de Macau?Para além das desventuras de Camões e Bocage, do trajecto existencial de Wenceslau de Moraes, da sensibilidade poética de Camilo Pessanha, da melancolia de António Feijó, e provavel-mente notícias da morte inesperada, a caminho de Pequim, em 1930, do diplomata, poeta e dramaturgo António Patrício, para não falar de umas vagas e imprecisas noções de história, convenhamos que Macau estaria muito arredada dos interesses nucleares de toda a problemática ultramarina, escasseando a informação e as notícias.Sobre a China, tinha sido publicado, em 1948, um importante livro, “China de Ontem, China de Sempre” [6], da autoria de Luís Esteves Fernandes, antigo Encarregado de Negócios em Pequim, com um prefácio de Hsien-Tseng Yang, Encarregado de Negócios da China em Lisboa. Esta notável obra da sinologia portuguesa passou despercebida, ontem como hoje. É um sinal, mais um, da nossa proverbial desfocagem cultural sobre o Oriente, em particular sobre a China.A China, bom, a «China, esse país lendário onde me trouxe o amor. Só ele, na verdade, poderia trazer para tão longe uma
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAportuguesinha como eu, sem espírito e sem fome de patacas. (…) Se tivesse, por exemplo, feito cópias das muitas cartas que escrevi para a família e amigas nesses primeiros anos de Macau, teria hoje um bom documento de como uma moça que só conhecia do Oriente os romances de Pearl Buck e Pierre Loti, se viu subitamente confrontada com uma realidade bem diferente [7]».Uns anos antes, uma Professora [8], com rara sensibilidade, desvendava um estado de alma já possuído por uma alquimia oriental: Ah! Se eu pudesse, como outrora, ao luar,Por esses lagos nos jardins dispersos,Ir as folhas de lótus apanharPara sobre elas escrever meus versos, Essas folhas de estranha singelezaDariam à poesia outro valor,E eu realizava um sonho de beleza:Um livro cheio de perfume e cor. O orientalismo de cunho essencialmente literário cedeu o lugar à estranheza de algumas manifestações culturais tidas por
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAexóticas, «quando cheguei a Macau, e por largos anos, tudo quanto se ouvia aqui eram as canções das pipa-tchai que abrilhantavam os jantares chineses de circunstância com suas vozes fanhosas e guturais e às quais eu pagaria para se manterem silenciosas ... Ou o chamado em Macau tchá-pom tchá-pom, música das bandas chinesas ou música de fundo do auto-china (ópera chinesa) em que predomina o estrondo dos instrumentos de percussão [9]».A organização escolar chinesa merece-lhe igualmente um registo cuidadoso porque os contrastes eram por demais evidentes: «o número de escolas chinesas é elevadíssimo em Macau, desde as infantis às secundárias e de ensino médio, e a população escolar é imensa. Às oito da manhã e pelas onze e trinta, hora do almoço (o horário das escolas chinesas não coincide geralmente com o das nossas), é por todas as ruas um formigar de estudantes chineses, com o seu característico trajo de calça ou saia de ganga azul e camisa ou blusa branca, suas malas ou cestinhos de rota na mão. Dir-se-ia que, para estas crianças, deve ser mais difícil aprender os complicados e numerosos caracteres da sua escrita do que, para as ocidentais, o alfabeto, comparativamente tão simples. Mas não nos consta que tal aconteça. E quem passa, à tarde, pelos bairros pobres, vê crianças bem pequeninas fazendo a sua caligrafia na rua, sentadas em banquinhos junto de cadeiras
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA10que servem de mesa, desenhando letras a pincel com mão que nos parece espantosamente hábil [10]».O conhecimento do Oriente em geral e de Macau em particular foi sendo construído, paulatinamente, pela via afectiva que mais tarde cederia lugar a um conhecimento edificado com a vivência, a leitura, as viagens, a reflexão e a investigação. Este orientalismo peculiarmente português é excêntrico em si mesmo, porquanto o centro resulta de uma vertigem de interesses que o tempo consolida e amplifica.A procura do primeiro emprego levou-a a conhecer os meandros da velha Administração Pública de Macau. Não existia vaga no seu grupo de docência no Liceu, facto desanimador para quem acabava de chegar. O próprio sistema de ensino português de Macau tinha sido alvo de alguns reajustamentos [11] para dar resposta às exigências da sociedade desse tempo. E de um modo inesperado surgiu-lhe uma alternativa, justamente num grau de ensino para o qual não estava minimamente preparada, o Ensino Primário.Cumpridas as formalidades administrativas e o juramento da praxe do funcionalismo, o Intendente confere-lhe a posse como Professora do Ensino Primário dos quadros do Ministério do Ultramar. Faltava, então, conhecer a Escola e a turma que lhe
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA11Macau, Junho de 1965. Graciete Batalha na sua biblioteca particular.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1Macau, Junho de 1968. Professores e finalistas da Escola do Magistério Primário. Da esquerda para a direita, na 1ª fila, podemos observar os professores Ruby Senna Fernandes, Padre Manuel Teixeira, Graciete Batalha, Padre Ramiro Galhispo, Nazaré Felício, Maria da Palma Baptista; Na 2ª fila da esquerda para a direita, os alunos José Ricardo das Neves, Maria de Fátima Monteiro, Maria de Fátima Osório Bastos e Rosa Ranhada, e a professora Norma Tavares Borges.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1estava destinada. Sigamos as memórias [12]: «Desembocamos na Av. Almeida Ribeiro, mesmo em frente da paragem do autocarro, viramos à direita, metemos pela atravancada Rua do Campo, mais uma vez à direita para a Sidónio Pais, e entramos com carro e tudo pelo vasto pátio das Escolas Primárias Oficiais Pedro Nolasco da Silva. O edifício, uma construção única dividida em duas secções distintas, masculina e feminina, impressionou-me agradavelmente. Era amplo, ainda novo, com grandes janelas. Habituada ao triste aspecto da velha Escola Primária de Coimbra, à Estação Nova, onde minha irmã fez o seu estágio de Professora (essa irmã que tanto me orientou, mesmo longe, antes de ir formar-se em Matemáticas) parecia-me esta de um luxo insólito! E foi de coração leve que cruzei a porta da Secção Masculina, onde ia começar as minhas actividades. (…) O Director era filho da terra, licenciado em Românicas, mas leccionando também no ensino primário por falta de vaga no secundário, como eu. Era o que se chamava azar. Com tanta falta de professores em Macau, só nos nossos grupos havia excesso. Viemos a ficar bons amigos e assim continuamos, quando passamos ambos para o Liceu [13]».E o primeiro impacto com a turma? «Do que foi esse meu primeiro dia de aulas, depois que o colega me deixou sozinha com os garotos, já não me lembro bem. Creio que comecei por fazê-los
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1ler, fazer um ditadinho, umas contas. Fui para casa aterrada. Eu não conhecia ainda a fala das crianças de Macau. A leitura péssima, a minha pronúncia de ngau sôk (metropolitana) mal a entendiam, habituados que estavam a professoras macaenses com seu sotaque próprio. Os erros no ditado, talvez por causa disso mesmo, eram aos vinte e trinta. Nas contas é que eram barras, talvez mais barras do que a professora letrada [14]». Esse primeiro ano [15] «foi difícil. Era uma segunda classe apenas, mas os garotos eram matulões, quase todos repetentes, bi-repetentes e tri-repetentes, cheios de manhas. Eu não tinha experiência e, como todos os professores inexperientes, tinha medo, medo de não conseguir manter a disciplina. Era rígida e autoritária e, por isso mesmo, tinha constantemente conflitos com os mais velhos e malandrotes. Depois comecei a ser mais indulgente, a disciplina veio por si mesma, mantendo-os em actividade constante - que recursos de imaginação um professor primário precisa de ter! - e deixei de ter problemas nas aulas».Em 1950 [16], «um ano depois de começar a ensinar, publiquei na imprensa local meu primeiro artigo. lntitulava-se a Linguagem das Crianças de Macau, era um apelo aos pais de língua portuguesa para que falassem português com seus filhos desde a primeira infância, sem embargo de que a mãe chinesa,
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1quando o era, falasse com eles na sua língua. É bem sabido que as crianças podem começar a falar em duas ou mais línguas ao mesmo tempo».Nasceu, assim, a investigadora e a pedagoga em função dos problemas inesperadamente reais com os quais conviveu no decurso da sua carreira docente. Procurou não só superar as adversidades educacionais (recorde-se que estava preparada para leccionar Latim e Língua e Literatura Portuguesas a adolescentes) emergentes de um multiculturalismo, mas também consolidar a problematização de uma visão de educação e a respectiva ensinabilidade.Foi uma perspectiva assumida com clareza e com coragem, comportando os riscos inerentes a todas as transgressões. Ao tempo, a organização educacional de Macau [17] era virtualmente inexistente. Um intendente que chefiava a administração civil zelava pelas normas e directivas burocráticas emanadas do Ministério do Ultramar, com aplicação generalista a todos os territórios ultramarinos. Vê-se com nitidez quão secundária era a questão educativa no edifício da Administração Pública.Graciete Batalha fugiu da apatia normativa para buscar a razão proposicional da sua acção educativa, procurando o seu caminho. Apostando na valência de uma pedagogia do
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1interesse activo, de sabor pestaloziano [18], tentou mobilizar os seus alunos para uma aprendizagem sustentada na motivação cultural e pessoal, fazendo convergir no acto educativo a afectividade, a sensibilidade, a psicologia e todos os outros aspectos lúdicos. Atente-se nesta observação: «O Albertino, na aula de redacção individual, fez resistência passiva, não escrevia, alinhavou à pressa meia dúzia de linhas já no fim da hora, quando lhe chamei à atenção. Hoje foi ao quadro e reagiu bem, esteve interessado. Já antes eu tinha notado que no quadro trabalhava bem, acordava. Será que gosta de se exibir, ou que, sendo um tanto abandonado em casa, ao que parece, necessita da atenção do professor? Eu dar-lha-ia toda, se pudesse, ele é a ovelha tresmalhada que precisa ser encontrada pelo bom pastor. Mas, os outros? Posso eu dar a perceber aos outros que me preocupo mais com este? Quanta sabedoria deve ter um Professor![19]»; ou, ainda, nesta outra, «prémios para os melhores alunos de Português? Nada. Aulas itinerantes em que os alunos possam ter mais assunto de conversa com o professor? Proibidas. Visitas de estudo para alargar ideias e vocabulário? Problema: não há horas, as tardes estão ocupadas em ginástica, formação moral, coisas da Mocidade Portuguesa; de manhã, no tempo da aula, não é permitido nem o tempo é suficiente… Ora valha-nos Deus [20]».
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1Aos constrangimentos institucionais que secavam as raízes desta pedagogia do interesse activo adicionavam-se as debilidades de uma formação pedagógica inicial e a inexistência de actualizações, em ordem a reciclar os saberes de ontem na modernidade. Nos confins ultramarinos era escassa ou nula a actualização científica e pedagógica dos professores.Desde logo, a adopção da prática de modelos observados e interiorizados, à revelia de qualquer doutrinação pedagógica, «Bom, mas porquê tanta animação em aulas que deveriam ser fúnebres? Porque a minha grande professora Virgínia Gersão me ensinou, quando eu era ainda sua aluna, a torná-las alegres. Ela tinha um saquinho de pano com uma série de números - 1 a 30, por exemplo - em rodinhas de madeira. E quando fazia chamadas tirava os números à sorte. De modo que, se uma aluna era chamada num dia, nunca podia confiar em que não voltaria a sê-lo no próximo, se tivesse azar… Introduzi o método há muitos anos e o meu famoso saquinho tem sido conhecido por várias gerações de estudantes. (…) Tive, pois, de explicar ao Reitor o motivo por que estavam tão divertidos. Riu-se. Pode ser que o sistema seja anti-pedagógico, mas, enquanto eu ensinar, vou ser anti-pedagógica de vez em quando, que não vem daí mal ao mundo. Certo que a classificação destas chamadas nem sempre corresponde à ciência
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1revelada no dia a dia. Não é, porém, a classificação o que aqui mais me interessa, é sempre fácil corrigi-la. O que me interessa é que estudem alguma coisa [21]».Os antigos alunos conservam na memória as quali-dades da Professora Graciete Batalha. O arquitecto Carlos Marreiros[22] recorda que «era a Dra. Graciete Batalha famosa por ser ríspida - que não era - e famosa por ser boa professora. (…) Ela era realmente uma excelente professora e uma boa investigadora»; Fátima Santos Ferreira [23], caracteriza-a com mais precisão, «muito rigorosa, mas digo-lhe que era, de facto, uma óptima professora e muito amiga dos alunos. Parecia, à primeira impressão, muito rígida e com um aspecto muito duro, mas ao mesmo tempo era muito acessível a cada um de nós e convivia connosco. Dentro das aulas, parecia distante, um pouco assusta-dora, mas depois, fora, mudava por completo. Eu acho que todos os alunos gostavam dela e era realmente uma professora que se envolvia connosco nas actividades extra-curriculares. Ela tinha de facto aquele dom de saber lidar com os alunos»; o Dr. José Manuel Rodrigues[24] menciona outro aspecto, «Outra excelente professora que me marcou pelo gosto pela leitura e pela Literatura Portuguesa foi a Dra. Graciete Batalha. Estou mesmo em crer que foi ela quem mais contribuiu para a minha
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1 Macau, Janeiro de 1972. Passeio a Coloane com os alunos de Literatura do 7º ano do Liceu de Macau Da esquerda para a direita, encontram-se José Manuel Rodrigues “Chai Chai”, Dra. Graciete Batalha, Isabel Madeira, José Cavalheiro e Carlos Conceição.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA0Macau, Junho de 1977. Jantar oferecido à professora de português pelos alunos do 2º ano do Curso Complementar do Liceu de Macau. Da esquerda para a direita, ao alto, encontram-se Luís Dias, Arnaldo Santos, António Jonet, Anabela Nantes, Paula L. de Carvalho, Brenda Cunha, Paulo Remédios; sentados, Anabela Ritchie, Celina Silva, Anabela Jorge, Isabel Santos, Odete Jacinto, Luísa Almeida, Odete Lai Pereira, Dra. Graciete Batalha, Rita M. de Carvalho, Arlete Sequeira, Beatriz F. de Almeida.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1formação na juventude, antes de ingressar no ensino superior»; o Dr. Luiz Vizeu [25], antigo Director dos Serviços de Educação e Juventude de Macau, assinala que «foi a Dra. Graciete Batalha quem mais me marcou, por ser exigente, metódica e com muita paciência. Devido à sua grande experiência ela detectava facilmente as dificuldades daqueles que não tinham o português como sua língua materna». E os exemplos poderiam repetir--se, que os há e escritos. Os alunos, contudo, demonstram saber separar, com nitidez, as valências emotivas e empáticas da sua personalidade, do desempenho das suas funções de Professora e investigadora.A necessidade de se actualizar também foi uma das suas preocupações, postulando conceitos inovadores, tendo em consi-deração a especificidade do meio onde actuava: «Quando vou a Portugal, procuro conversar com professoras actualizadas, competentes, mas… excepto para as aulas já de Literatura, não me têm adiantado muito essas conversas. Ensinar Português em Portugal é uma coisa, ensinar Português em Macau é outra muito diferente. Em todo o caso, turmas com o mesmo género de deficiências não me seriam muito difíceis de manejar conhecendo eu, como conheço há tantos anos, os campos em que é preciso trabalhá-las mais: a flexão verbal, as concordâncias,
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAo uso dos artigos, as formas de tratamento, tudo aquilo que é inteiramente diferente na Língua Chinesa que praticam desde a primeira infância. Porém, turmas com alunos Metropolitanos ou Macaenses que têm como língua materna o Português e portanto com dificuldades outras que não as apontadas (para os que vêm de lá o grande bico de obra são os erros de ortografia verdadeiramente de espantar) juntos com aqueles para quem o Português é Língua Estrangeira, essas é que me dão dores de cabeça. E ninguém tem, nem cá nem lá receita para essas dores... E no entanto, o mesmo deve acontecer em todas as Províncias Ultramarinas, com alunos de língua materna nativa. Quem alguma vez se lembrou de dar preparação especial aos professores de Português do Ultramar? [26]».A investigação, para Graciete Batalha, foi sempre assu-mida como uma componente natural das suas tarefas docentes, porquanto teria um carácter regulador da pedagogia do interesse activo. O ensino e a investigação estavam irmanados, o que é natural. Aos estudos linguísticos e à dialectologia dedicou muito do seu esforço problematizador e, também, muito do seu ócio. «Tinha lido amostras do crioulo de Macau em Leite de Vasconcelos e outros, mas este já era diferente. Mais diferente ainda era a fala das pessoas de meia idade, como minha Sogra.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAMacau, 25 de Maio de 1979. No Liceu de Macau, confraternizando com os seus alunos do 9º ano, turma A. Podem ver-se também Olívia Nogueira, Deolinda Pereira, Elsa Remédios, Ivone Santos, Maria Helena Ribeiro, Maria Leonor do Rosário, Isaías do Rosário, Judite Correira, Vasco Clemente, Joana Nunes, Domingos Dias, Armando Rosário, Maria Antonieta Jorge, Maria do Céu Sousa, Custódio Mourão, Ana Maria Rosa.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStACoimbra, Outubro de 1984. Em casa do seu antigo professor e amigo, Professor Paiva Boléo, sua esposa e cunhada.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAFicava literalmente com dores de cabeça para me concentrar a ouvi-la, com os adjectivos e determinantes antes do substantivo, os géneros e plurais caóticos (Armando aquele camisa por aquela camisa do Armando), etc., mas lá a ia percebendo sem dar parte fraca. Depois vinha a linguagem das crianças e jovens, outra dor de cabeça. Meu Sogro não, o seu português era perfeitamente normal, apenas com ligeiro sotaque; mas a mulher, o filho casado e a nora nada lucravam com a convivência, neste aspecto. Comecei então a recolher material para futuros estudos, pois vi que a informação que em Portugal havia sobre o dialecto de Macau estava quase com cem anos de atraso. E foram as tais primas velhotas, com espantosa compreensão do meu interesse, ou talvez porque me achavam, diziam elas, muito agradada (simpática), que se prestaram desde logo a pequenos inquéritos linguísticos, embora afirmassem que já não sabiam falar língua língu makista, suas mães e avós é que falavam. Contudo, tendo vivido sempre em Xangai, longe da evolução que já se processara em Macau, o seu macaísta era ainda muito típico (…) [27]».Surgiu deste modo um trabalho de investigação [28] de ex-cepcional qualidade que começou a ser publicado a partir de 1971 na Revista Portuguesa de Filologia da Universidade de Coimbra, ao tempo dirigida pelo Professor Manuel de Paiva Boléo.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAA investigação conduziu-a a Malaca [29] , em demanda da genealogia de algum vocabulário macaense, “quando, em Agosto de 1974, passei uma semana em Malaca, subsidiada pelo Governo de Macau, não tinha propriamente em vista estudar o ‘cristão’ ou ‘papiá cristão’, aliás já estudado por doutos Autores portugueses e estrangeiros (…) o meu fim era pesquisar a proveniência de uma boa centena de vocábulos macaenses que não podia relacionar com o português nem com o chinês, e para os quais suspeitava origem malaia”.Como tudo na vida, não há bela sem senão: «Mas quanta inimizade esses trabalhos me grangearam! Que falasse sobre o dialecto antigo, já quase morto, com o qual tanto humorismo se tem feito na terra, muito bem; agora que pusesse, preto no branco, o falar actual do povo menos instruído, e sobretudo que dissesse das crianças e jovens a pura verdade, isto é, que pouco falam português, isso já não era estudo científico, isso era intento deliberado de achincalhar os macaenses. Contudo, como não desisti e os trabalhos obtiveram alguma aceitação lá fora, as pessoas acabaram por compreender-me e hoje sou, pois então, a ilustre  filóloga  que  tanto  tem  feito  para  o  conhecimento  de Macau... Até para aqueles que mais me atacaram, em cartas e artigos nos jornais [30]».
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStANo mesmo contexto de preocupações compreensivas, a sobrevivência e o estatuto da língua portuguesa em Macau e no Oriente mereceram-lhe demorados estudos.Em jeito de confidência [31], anotou no seu diário: «Como ninguém mais tem estudado o crioulo macaense nos tempos modernos e como o faço de modo cauteloso, cingindo-me aos meus limites, parece que os meus trabalhos, publicados na Revista Portuguesa de Filologia, têm sido bem aceites no estrangeiro. Em Portugal não sei, ninguém se pronuncia. Santos de casa... Aqui tenho, pois, uma carta do Hancock e dum outro Prof., Edgar C. Polomé, ambos da Universidade de Texas nos Estados Unidos, convidando-me para participar numa publicação que vão lançar, Journal of Creole Studies, como ‘consulting editor’ e membro do corpo editorial. (...) Antes disso já tinha recebido uma carta mais informal sobre o assunto, indicando outros convidados para ‘consulting editor’, alguns dos quais nomes consagrados que conheço de leituras ou correspondência: Keith Whinnom, Marius Walkhoff, a quem escrevi uma vez em inglês e me respondeu em perfeito português, John Reinecke, etc.. O meu é o único nome português, certamente porque muito poucos linguistas portugueses se dedicam ao estudo dos nossos crioulos, especialmente crioulos do Oriente».
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStANa realidade, o legado da História possibilitou a sobrevi-vência localizada da língua portuguesa nas mais desencontradas áreas geo-políticas, de Goa, Damão e Diu até ao Japão, passando por Hong Kong, Malaca, Singapura, Indonésia ou China. Circunscrita a pequenas comunidades e seus descendentes a língua portuguesa, estruturalmente antiga e posteriormente dialectizada, teve a arte de sobreviver ao tempo porque se transformou numa língua de segurança que proporcionava uma política de sigilo e de elitismo a uma comunidade diferente em relação à homogeneidade do país de acolhimento. Aí reside, a nosso ver, a motivação profunda de tal longevidade. Graciete Batalha adiciona, ainda, o factor humano, as pessoas [32], «o que verificamos, e disso é justo que nos orgulhemos, é que, mesmo onde toda a presença material portuguesa cessou, a marca que deixamos no espírito dos povos com os quais convivemos, mesmo sem os colonizarmos, parece ter em si qualquer coisa de eterno. Ficou com eles algo difícil de definir, um apego, uma lembrança, um sentimento que poderá talvez ser traduzido pela palavra que para isso usou há tempo um português de Malaca. Ficou uma saudadi… ».Ficaram projectos por finalizar porque as solicitações eram bem superiores ao tempo humanamente disponível [33],
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA«já nem quero falar do que eu desejaria escrever em Macau ou sobre Macau, sonhos sempre adiados por causa de trabalhos que os outros consideram mais urgentes. Agora, por exemplo, gostaria de me empenhar na organização duma antologia de literatura macaense, um antigo desejo meu trazido ao de cima por um pedido expresso do Governador. Mas os dias passam sem que possa dedicar-me a esse assunto. Vou lendo umas coisas que tenho à mão, tomando umas notas; para pesquisas nas bibliotecas, onde sei que há coisas de interesse, não tenho tempo. Não, não me vou deixar convencer. Logo que possa, tratarei de me libertar de Conselhos e Assembleias, deixando-os para quem possa e queira desempenhar esses cargos tão bem como eu, ou muito melhor». Na verdade essa antologia jamais passou da fase de projecto e, dada a sua evidente importância cultural, estranha--se que ninguém se tenha abalançado a concretizar essa antologia de literatura macaense que englobaria a componente portuguesa e a componente chinesa.A nostalgia do último dia de aulas ficou assim emocional-mente registada no seu Diário [34] : “Julho, 1985. O dia 15 deste mês foi o meu último dia de serviço no Liceu. Despejei a minha gaveta da Sala dos Professores, retirei o cartão indicativo de ser eu a ‘locatária’, cartão já amarelado de tantos anos,
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA0deitei fora a papelada daqui por diante inútil, e fui à Reitoria e à Secretaria despedir-me. Todos gentis, mas sem qualquer emoção, pois são pessoas que ali estão há pouco tempo e não ganhamos amizade. Já se retiraram também as antigas, de quem, em tão longo convívio, fiquei amiga. Dei depois uma volta pelo Liceu, com o coração apertado, a dizer um último adeus aos corredores silenciosos, à Biblioteca deserta, aos empregados que encontrasse. Professores, agora que os exames acabaram, já não estava nenhum. Pois enfim, abraços, apertos de mão, votos mútuos de felicidades, mas só a Etelvina, ajudante na Biblioteca, me abraçou com lágrimas nos olhos, dizendo--me: ‘senhora doutora, eu ouço muito os alunos a conversar na Biblioteca, olhe que vão sentir muito a sua falta!’. Boa Etelvina, trabalhou comigo um ano ou dois na Biblioteca, cheia de boa vontade, mas sem preparação alguma. Nem os dois anos do Ciclo tem completos. Bem se precisa ali dum funcionário com mais alguma cultura e dum Director competente, a tempo inteiro. Não um remedeio, como era eu e outros professores. Mas eu vou deixar a velha casa, a minha segunda casa, e nada do que lá acontece deve mais preocupar-me. Tenho idade e anos de serviço que me permitem por lei declarar simplesmente que desejo aposentar-me, e é isso que vou fazer dentro de dias”.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1Na história da educação em Macau, a Professora Graciete Batalha ocupa, naturalmente, um lugar de destaque. A sua pedagogia do interesse activo e os seus trabalhos de investigação constituem uma referência incontornável para a compreensão da matriz portuguesa que, em Macau, coexiste há séculos com a matriz chinesa. Pelos seus escritos podemos, na actualidade, revisitar a história da educação portuguesa em Macau, por vezes com uma espantosa minúcia e rigor factual, bem como a própria história do Território, cujos lances assomam aqui ou além, com o pitoresco de quem protagonizou ou presenciou alguns episódios. A Escola Portuguesa de Macau, de algum modo herdeira espiritual do Liceu de Macau e da Escola Comercial Pedro Nolasco da Silva, onde leccionam e trabalham colegas e antigos alunos de Graciete Batalha, bem poderia chamar a si a responsabilidade de organizar uma Antologia da Obra da Professora Graciete Batalha, homenageando a investigadora e divulgando as áreas essenciais do seu labor científico.Julgo que vale a pena recordar as comovidas palavras de Celina Veiga de Oliveira [35]: “ Graciete Batalha, no panorama de Macau, constitui uma referência inultrapassável, pela verti-calidade com que assumiu as suas ideias políticas no Conselho
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStALegislativo, pelo pioneirismo na investigação linguística e literá-ria e pelas qualidades excepcionais como Professora que formou gerações sucessivas que ainda a recordam, com aqueles senti-mentos indefectíveis de ternura e gratidão que se dedicam aos verdadeiros Mestres. São pessoas como Graciete Batalha, com o seu carácter e a sua integridade, que contribuem para que a ética e o desenvolvimento social e pessoal não sejam atropelados pelo mercantilismo hoje dominante na vida e nos valores”.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAMacau, 19 de Maio de 1991. Trabalhando na sua biblioteca particular.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAAnEXO I Estão estes dois poemas separados por quase meio século.No primeiro, A Última Lição, assiste-se a um diálogo entre a Neta (estudante finalista) e o Avô (Liceu), na melhor tradição das récitas escolares; no segundo, Onde Que Tu Vai, Macau?, escrito no português antigo de Macau, é uma angustiada reflexão sobre o futuro.Balizam ambos o seu itinerário de vida académica, o seu modo de estar e de sentir, pelo que também constituem um aspecto a ter em conta no delineamento do seu pensamento. Poema lido, na despedida do 7.° Ano do Liceu Infanta D. Maria, em Coimbra, no ano lectivo de 1942/1943 I A Última Lição Quem não conhece um doutorJá nos anos bem entrado,
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStASempre de livros cercado,E carrancudo, o senhor?Tem uma neta que ensinaE lhe faz vida mofina,Pois é travessa e garotaE o doutor disso não gosta.Mas vem dar hoje a última lição(E não sem uma certa comoção)A neta vai seguir uma outra vida. Atrasada, esbaforida,Ei-la que entrou,De cara levemente esborratada,A fingir que não tem nada,Risonha diz: «Muito bom dia, Avô!»Que lindo dia Avôzinho,Uma manhã tão dourada!Podias hoje dar me um f’riadinhoMas o doutor nem diz nada,Entretido a procurarQualquer coisa que é urgente.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAE eis que saca duma lente:Ao rosto da neta a assesta,E põe-se a pesquisar atentamentePonto por ponto, desde o queixo à testa.E diz por fim, com assombrado tom:Aqui há pós de «rouge» e traço de «batôn»!Não cuides enganar-me nem um dia!E logo a rapariga, atrapalhada,Limpou, de lenço em punho, a frontariaTão cuidadosamente retocada.Mas no fim da limpeza, pareciaOh céus! Morta, ou melhor, desenterrada!Ora bem, minha menina!Vamos lá a trabalhar.Mas dize-me: dignaste-te estudar?Murmura a neta à parte: Ai vida minha!Eu ... eu … a bem dizer ...Já sei, um filmezinho p’a ver,Um vestidinho novo p’ra estrear,E disseste também que qu’rias tomar ar!Mas, Avôzinho, quem te foi contar?Eu já sabia
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAque o Avô tem mil olhos, mil ouvidos,Mas assim pormenores tão bem sabidos…E quem te disse a tiQue eu fui a um museu?Eu…Na Baixa, vi-o…E então?Fiz uma dedução:Pelo cheiro ao bafio ...Menina! diz o Avô com azedumeMelhor te foraCheirar mais ao bafio e menos ao perfume.! Mas que velho rabugento !Exclama a neta para um lado,Muito pouco reverente.Que garota impertinente!Diz o doutor saturado.Tu não tens tineta algumaNão estudas coisa nenhumaE no exame queres passar!?Pois digo-te mesmo a ti:
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAEu corto o meu pescoço por aquiSe tu não vais chumbar!Por cima verifico ‘inda o seguinte:Fazes aqui as vezes só de ouvinte,Estás sempre noutras coisas a pensarE se o teu sonho vou interromper,Não és nunca capaz de responder,Sabendo tu que o Avôzinho gostaDe ouvir: Pergunta, Resposta!Pergunta, resposta! E agora que de vez me vais deixarVou-te conselhos dar para o futuro.lnda bem que amanhã já não o aturoMurmura a rapariga,A fingir de desprendida.Vais ascender a novos ideais,Subir cada vez mais ...Mas, repentinamente,Tocou para a saída.Avô e neta vão dizer-se adeusPor toda a vida.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA0Porém, subitamente,A neta começou a soluçar.Choras? Eu ...Com pena de ti choro, Avô Liceu! E um abraço os prendeu, de todo o coração,A sorrir e a chorar de pura comoção!E séria, uma vez na vida,Ao Avô diz a neta, comovida: A despeito de tudo, em meu olharHá uma névoa triste de saudade,E uma pequena chama de ansiedadeNo fundo da minha alma a cintilar ... O que terá a vida para me dar?Dias de sol, esplendores de PrimaveraCom perfumes de flor, aromas de quimera,Ou dias tristes, noites sem luar? ... Não poderei seguir o meu caminho,Sem te deixar aqui um poucochinho
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1De tanto sonhar meu, tanta ilusão ...Não te lembres das minhas diabrurasQue eu esquecerei passadas amargurasp’ra só levar saudade e gratidão! II Poema lido no dia 24 de Maio de 1986, por ocasião de uma festa de homenagem organizada pelos Professores do Liceu de Macau, evocativa da sua vida e obra e, também, do fim da sua carreira docente. Onde Que Tu Vai, Macau? Onde que tu vai, Macau?Qui de amanhã ocê tê?Já nã é de PortugauNã é de China tambê ... Ou-Mun, sim, é de China,Macau foi de português.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAMas agora, tera minha,Onde que vou pôr meus pés? Filho di Macau làrgado,Órfão de mãe viva, assim ...Meu povo chora càlado,Que nã sabe ele-sa fim ... Filho di Macau làrgado ...Qui de amanhã para mim?
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAAnEXO II O dom dom de Macau não é macaísta ? [36]  Quando se pede a alguém de Macau , geralmente pessoa de idade , que cante ou recite velhos cantares ou versos de Macau, é quase certo ouvir-se a seguinte quadra no crioulo macaísta : Dom dom dom domSium capitam,Cô espada na cintaCô rota na mám Foi das primeiras que ouvi quando cheguei a Macau, cantada com a música dum antigo naná ou canção de embalar, no qual se incluem outras quadras ainda bem conhecidas, como: Ade pidi chua (pato pede chuva)Sapo pidi ventoNhonhonha bunita (menina bonita)Pidi casamento. Uma coisa que, no entanto, sempre estranhei, desde que comecei a fazer estudos sobre o crioulo de Macau, foi que a
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAprimeira destas quadras, aparentemente popular e bem macaísta, com a alusão aos senhores capitães (sium capitam) que anda-riam pela cidade exibindo perante as meninas casadoiras a sua elegância, de espada à cinta e rota (chibatinha) na mão, não fosse incluída num Cancioneiro Musical Crioulo – Cantilenas macaístas – publicado por J.F.Marques Pereira em Ta-Ssy-Yang-Kuo (II, 703).Desse Cancioneiro consta uma longa série de quadras, entre as quais a acima citada, que Marques Pereira obteve, conforme as suas próprias palavras, “directamente da boca de pessoa sem educação literária”, o que lhes confere genuinidade, pelos fins do século passado ou princípios deste. Mas o certo é que não inclui o conhecido e popular dom dom .Recentemente, tive o prazer de falar em Lisboa com o Sr. Dr. Leopoldo Danilo Barreiros que muito se interessa pelos assuntos de Macau e, de modo especial, pelo português do Oriente, tendo coligido e publicado na revista “Renascimento” (Macau, 1943-45), pois que ao tempo aqui vivia, um bom número de textos em crioulo. Entre eles o referido naná, que já não coincidia exactamente com o de Marques Pereira, e que incluía desta vez a quadra em questão. Mas, compreensivelmente , numa versão mais moderna :
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA Dom, dom, dom, domSinhô capitãoEspada na cintaRota na mão Dessa conversa em Lisboa resultou este artigo, pois que o Dr. Danilo Barreiros me deu, a respeito da quadra “de Macau”, uma informação muito curiosa e que me parece merecer divulgação: segundo um brasileiro que foi há anos professor de música de seu filho, o senhor capitão cantava-se também no Brasil, apenas com ligeiras diferenças. Até a música era semelhante !A confirmar esta informação, facultou-me gentilmente a fotocópia dum documento que possui – a primeira página do jornal infantil brasileiro “PERNALONGA” (Nº 8, Novembro de 1961), que apresenta o desenho do famoso coelho de Walt Disney com a sua cenoura numa bolsa à cinta, cavalgando um cavalo de pau, e tendo ao lado uma quadra: Bão, balalão !Senhor capitão !Cenoura na cinta !E rédeas na mão !
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAÉ evidente que os termos cenoura e rédeas são adap-tações ao desenho e talvez a uma correspondente história para crianças. Todavia a quadra de Macau é imediatamente reconhe-cível.Tentando investigar um pouco mais a curiosa coincidência (e digo um pouco mais porque não tenho, de momento, dados para ir muito além), perguntei em carta a pessoa de minha família, há muitos anos radicada no Rio de Janeiro, se acaso ouvira cantar no Brasil algo de semelhante.Respondeu-me imediatamente a pessoa solicitada que se canta aí popularmente a quadra em questão em duas cantigas diferentes, cuja pronúncia não será a da escrita, mas a brasileira: 1Bão balalão,Senhor capitão !Espada na cinta,Ginete na mão. Em terras distantesMorreu seu irmãoCozido e assadoNo seu caldeirão.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA2Bão balalãoSenhor capitão !Espada na cinta,Ginete na mão. Aí vai a senhora abadessaSentada na sua cadeira,Capitão não estava em casa,Atiremos com ela no chão! [37] Reparando nestas duas cantigas, vemos que a primeira, ao interesse da quadra semelhante à de Macau apenas acrescenta o que parece ser uma reminiscência da história da carochinha: Co-zido e assado/No seu caldeirão. A segunda, com os versos Aí vai a senhora abadessa/Sentada na sua cadeira , dá ideia de que remonta à época em que as pessoas abastadas se faziam transportar de “cadeirinha”. Esta referência, conjugada com o ginete do Senhor capitão, sendo ginete o nome antigo do “bastão dos capitães”, segundo o Dicionário de Morais e Silva, leva-nos à quadra uma relativa antiguidade. A aceitar-se esta suposição,
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStApoderá inferir-se que a cantiga terá sido criada ou importada pelo Brasil por alturas do século passado.Quanto à quadra “de Macau”, tudo são também hipóteses, mas parece que não devia ser cantada ainda na data da publicação do referido Cancioneiro Musical Crioulo, pois que não foi citada por Marques Pereira, o que situa a sua criação ou importação na primeira década do século actual.Como explicar a coincidência de duas quadras em terras tão distantes como o Brasil e Macau ?Não sendo provável que a canção transitasse do Brasil a Macau nem vice-versa, só poderíamos supor, creio, que irradiou de Portugal nas duas direcções opostas. Seria interessante sa-ber se teria sido ou é cantada ainda noutros territórios de língua portuguesa.De qualquer modo, julgo poder afirmar-se com segurança que a quadra de Macau não é criação do povo macaense. Mas, como tantas vezes tem acontecido, este povo ao “adoptá-la”, deu-lhe um cunho de paternidade local, não só pela pronúncia do crioulo em que passou a cantá-la (sium, senhor, capitam, mám), como pelos termos aqui introduzidos, dom dom e rota.Dom-dom, no papiá cristão de Malaca, significa “levar ao colo” (um bebé, por exemplo) e em Macau foi usado no naná em
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAvez do bão balalão do Brasil, certamente no sentido de “embalar”. A rota, espécie de cana fina ou junco, chamada em Portugal junco da Índia, mas sendo a palavra de origem malaia (rotan) e muito divulgada no português do Oriente, seria em Macau o pingalim ou chibatinha dos oficiais portugueses [38], substituindo o ter-mo ginete menos compreensível da quadra original.Esta parece ser uma prova de como, apesar do conhecido espírito criativo brasileiro, o de Macau foi neste ponto mais longe, adaptando e macaízando, aliás como em tantos outros casos, um elemento folclórico vindo do exterior.
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  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA1nOtA BIOBIBLIOGrÁFICA Graciete Agostinho Nogueira nasceu na cidade de Leiria, a 30 de Janeiro de 1925, sendo filha de Maria Guilhermina Nogueira e de José Nogueira Júnior.Efectuou os estudos liceais em Leiria (Liceu de Rodrigues Lobo) e em Coimbra (Liceu Infanta D. Maria), frequentando de seguida a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, licenciando-se em Filologia Clássica em 1949. Neste mesmo ano consorcia-se com um jovem macaense, José Marcos Batalha, médico recém-formado, rumando os dois a Macau. Adopta, doravante, o apelido do marido.Em Macau, foi Professora na Escola Primária Oficial, por não haver vaga no seu grupo de docência no Liceu, desde 1949 até 1957. Na Universidade de Hong Kong regeu a disciplina de Língua Portuguesa, em 1958-1959. No Liceu Nacional Infante D. Henrique fez a maioria do seu trajecto docente, aí terminando a sua carreira no dia 15 de Julho de 1985. Leccionou igualmente na Escola do Magistério Primário de Macau, da qual foi directora de 1967 a 1969.Professora e pedagoga, conferencista, linguista, ensaísta e publicista, Graciete Batalha é uma das personalidades portugue-sas mais marcantes no panorama da cultura contemporânea de Macau.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAFoi membro do Conselho Legislativo de Macau, da As-sembleia Legislativa de Macau e do Conselho Consultivo do Governador de Macau.Agraciada com o grau de Oficial da Ordem do Império (1973) e com a Medalha de Mérito Cultural (1984). Recebeu o Prémio Camilo Pessanha em 1991, atribuído pelo Instituto Português do Oriente. Foi membro da Sociedade de Geografia de Lisboa.Faleceu em 1992.Deixou abundante colaboração assinada em publicações de Macau (Notícias de Macau; O Clarim; Revista Mosaico; Bo-letim do Instituto Luís de Camões; Comércio de Macau; Revista da Educação; Revista de Cultura; Confluência; Revista Macau; Jornal de Macau; Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau) e de Portugal (Biblos; Revista Portuguesa de Filologia; Diário de Notícias; Diário Popular; O Mensageiro).Prefaciou e promoveu a edição de obras várias. Interveio em diversos programas radiofónicos e televisivos. Organizou e animou inúmeras actividades escolares: récitas, concursos, visitas de estudo, representações teatrais, entre outras.Foi membro fundador do Cenáculo Luís Gonzaga Gomes, em 1991.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAA sua obra é extensa (existem escritos inéditos que mereceriam ser reunidos em volume) e por ela se verifica que a investigação acompanhou a sua vida de Professora e de Cidadã:Relembrando Velhas Trovas Medievais (1950)Homenagem a Teixeira de Pascoaes (1951)Aspectos do Vocabulário Macaense (1953)Aspectos da Sintaxe Macaense (1953)As Inspiradoras da Lírica Camoniana à Luz da Crítica Moderna (1954)A Mulher na Obra de Júlio Dinis (1956)Para uma Interpretação do Topónimo Macau (1958)Língua de Macau: O que Foi e o que É (1958)Estado Actual do Dialecto Macaense (1959)A Escritora Han Suyin e o Euroasiático Intelectual (1961)Coincidência com o Dialecto de Macau em Dialectos Espanhóis das Ilhas Filipinas (1961)Instantâneos do Japão (1963)A Contribuição Malaia para o Dialecto Macaense (1965)Aspectos do Folclore de Macau (1968)A Instrução Literária, e a Experiência Humana em Gil Vicente (1969)Camões Satírico (1972)
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStAGlossário do Dialecto Macaense (1977)Instantâneos de Manila (1978)Presença Actual de Camões em Goa (1980)O Inquérito Linguístico Boléo em Malaca: (1980)O Chão de Padre e seus Moradores Portugueses (1981)Língua e Cultura Portuguesa em Goa: estado actual (1982)Situação e Perspectivas do Português e dos Crioulos de Origem Portuguesa na Ásia Oriental: Macau, Hong Kong, Ma-laca, Singapura, Indonésia (1985)Malaca: O Chão de Padre e seus Moradores Portugueses (1986)Sabedoria dos Jovens (1986)O Futuro da Língua Portuguesa no Extremo Oriente (1986)Este Nome de Macau (1987)Poesia Tradicional de Macau (1987)Suplemento ao Glossário do Dialecto Macaense (1988)Presença Portuguesa no ‘Mandó’ de Goa (1988)Bom Dia S’tora! Diário de uma Professora em Macau (1991)A Viragem do Século e o Escritor de Macau (1991)Culinária Macaense: Um Retorno às Origens (1992) Alguns destes estudos encontram-se vertidos nas línguas inglesa e chinesa.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStASobre a sua obra existe um catálogo bibliográfico, «Gra-ciete Batalha», editado pelo Instituto Cultural de Macau/Biblio-teca Central de Macau, em 1995.Em 1997 foi publicado o volume antológico, O Ensino da Língua Portuguesa em Hongkong (com organização, prefácio e notas de António Aresta, Aureliano Barata e Albina Silva, edição da DSEJ), contendo um importante estudo de Graciete Batalha (pp. 87-94)Referências abundantes à sua actividade como Professora encontram-se na obra Memórias e Testemunhos, organizada por Fernando Costa Andrade e editada pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1999.A primeira versão deste estudo, A Professora Graciete Batalha, foi publicada por António Aresta na “Revista Adminis-tração”, Nº 51, Vol. XIV, 2001, pp. 277-294 (a versão chinesa, pp. 59-78 ).
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  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA[1] Nomeadamente José Gomes da Silva, António Nascimento Leitão, Carlos Borges Delgado, José da Costa Nunes, Fernando Lara Reis, Túlio Lopes Tomás, Beatriz Basto da Silva, Ana Maria Amaro, Celina Veiga de Oliveira, Fernando Lima, Emília Costa, Fernando Costa Andrade ou Luís Gonçalves. Numa perspectiva integrada das histórias de vida dos Professores, consulte-se, por exemplo, A. Nóvoa (org.), «Vidas de Professores», Porto Editora, 1992 ou Ivor Goodson and Andy Hargreaves (edts.), «Teacher’s Professional Lives», Falmer Press, London, 1996.[2] O Governador era Albano Rodrigues de Oliveira, o Bispo D. João de Deus Ramalho e o Leal Senado era presidido por Jorge Grave Leite. O Reitor do Liceu era o Dr. Alberto Garcia da Silva.[3] Graciete Batalha, Bom Dia, S’Tora!, Ed. Instituto Cultural de Macau, 1991, pp. 129-132[4] OECD\OCDE, «The Education of Minority Groups. An Enquiry into Problems and Practices of Fifteen Countries», Gower, 1983.[5] Numa perspectiva complementar, vejam-se «Eu Estive em Macau Durante a Guerra», de António Andrade e Silva, co-edição do Ins-tituto Cultural de Macau e Museu\Centro de Estudos Marítimos de Macau, 1991 e, também, Ferreira de Castro, «Macau e a China», edição bilingue (português-chinês) da Câmara Municipal das Ilhas, 1998.[6] Editado em Lisboa pela Empresa Nacional de Publicidade, 194 pp..[7] Graciete Batalha, Bom Dia, S’Tora!, Ed. Instituto Cultural de Ma-cau, 1991, p. 142nOtAS
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA[8] Maria Anna Acciaioli Tamagnini (1900-1933), esposa do Governador de Macau Artur Tamagnini Barbosa, autora de Lin Tchi Fá/Flor de Lótus (1925), 2.ª edição, Instituto Cultural de Macau, 1991, pp. 15-16.[9] Idem, op. cit., p. 289.[10] Idem, op. cit., p. 302.[11] O novo Estatuto do Ensino Liceal (Boletim Oficial de Macau, nº. 13, de 31.03.1949) e a Reforma do Ensino Primário, Infantil e Luso-Chinês (Boletim Oficial de Macau n.º 38, de 17.09.1949)[12] Bom Dia, S’Tora!, pp. 71-73.[13] Idem, op. cit., p. 72.[14] Idem, op. cit., p 73.[15] Idem, op. cit., p. 74.[16] Problemas da Transmissão da Língua Portuguesa, in 1.º Encontro Sobre o Ensino do Português em Macau, Edição da Direcção dos Serviços de Educação, Macau, 1987, p.72.[17] Padre Manuel Teixeira, A Educação em Macau, Ed. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, 1982; Aureliano Barata, O Ensino em Macau, 1572-1979, Ed.Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 1999.[18] Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), pedagogo suíço.[19] Bom Dia, S’Tora!, idem, p. 62.[20] Idem, op. cit., p. 157.[21] Idem, op. cit., pp. 180-181.[22] Fernando Costa Andrade (org.), Memórias e Testemunhos, Ed. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, p. 66, 1999.
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA[23] Idem, op. cit., p. 159.[24] Idem, op. cit., p. 286.[25] Idem, op. cit., p. 365.[26] Bom Dia S’tora!, p. 153.[27] Idem, op. cit., pp. 134-135.[28] Glossário do Dialecto Macaense. Notas Linguísticas, Etnográficas e Folclóricas, Ed. Instituto Cultural de Macau, 2.a edição, 1988, 338 pp.; Suplemento ao Glossário do Dialecto Macaense, Ed. Instituto Cultural de Macau, 1988,85 pp..[29] “Malaca – o Chão de Padre e seus moradores ‘portugueses’”, Imprensa Oficial, Macau , 1986 (2ª edição), p. 23.[30] Bom Dia S’Tora!, pp. 112-113.[31] Idem, pp. 234-235.[32] O Futuro da Língua Portuguesa no Extremo Oriente, in, «Presença Portuguesa no Extremo Oriente», Instituto Cultural de Macau, 1986, p. 70.[33] Bom Dia, S’tora!, p.241.[34] Idem, Op. Cit., p. 409.[35] Depoimento, in, “Graciete Batalha: Catálogo da Exposição Fotobi-bliográfica e Documental”, Ed. Biblioteca Central de Macau, 1995 , p. 21.[36] Artigo de Graciete Batalha publicado na Revista de Cultura – Edi-ção do Instituto Cultural de Macau, Nº 7/8, Ano II, 2º Volume , Outubro 1988/Março 1989 , pp. 153-154.[37] As cantigas brasileiras apresentam também pequenas variantes,
  • Colecção MOSAICO, Volume XVAntónIO ArEStA0mas não são significativas, como Bom balalão e Bam balalão, si-nete por ginete, senhora madeira por senhora abadessa e atirar-mos com ela no chão em vez de atiremos.[38] A espada e a chibata ou pequeno bastão terão sido usados em tempos mais antigos por todos os cavalheiros portugueses de Macau, “tanto reinóis como seus descendentes”, “como emblema de pres-tígio que não podiam dispensar” (Ana Maria Amaro, “Filhos da Terra”, 1988, p. 80). Isso mesmo se confirma no desenho de Um Estrangeiro (português) do século XVIII, em Ou-Mun Kei Lèok, tradução de Luís Gonzaga Gomes, Macau, 1950, p.133. Contudo, na data da introdução da quadra em Macau, já a referência à espada, à cinta e à rota na mão seria aplicável, suponho, apenas aos oficiais do exército português.
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