COLEC媯0 DE FONTES DOCUMENTAIS PARA A HISTORIA DAS RELA的ESENTRE PORTUGAL EA CHINA 葡中關係史資料彙緝s,,;c E .s /rnciu l VOLUME I 111 幽系 ,Ylj第 一 卷
COLEC尊0 DE FONTES DOCUMENTAIS PARA A HISTORIA DAS RELA~OES ENTRE PORTUGAL EA CHINA 葡中闢係史資料彙編Serie Especial VOLUME I 專暉系列第一卷DOCUMENTOS RELATIVOS A NEUTRALIDADE PORTUGUESA DURANTE A I GUERRA DO OPIO 第一次鴉片戰爭期間葡萄牙中立問題文件1839-1842 Apresentas;ao e Coordenas;ao par ANTONIO VASCONCELOS DE SALDANHA Professor do lnstituto Superior de Ciencias Sociais e Politicas da Universidade Tecnica de Lisboa 里斯本技稍大學社會暨政治科學系蒨安柬主縞並作序Leitura, Organizafao da Documentafao e Introdufao de ALFREDO GOMES DIAS 文件識讀、偏輯暨引言:日諄T radufao Chines a par JIN GUOPING 漢語翻譯 :全國平FUNDA<;:AO MACAU 澳門基金會CENTRO DE ESTUDOS DAS RELA<;OES LUSO-CHINESAS 葡中瀾係研究中心UNIVERSIDADE DE MACAU 澳門大學1998
Titulo original• -it.' 名COLEC<;:AO DE FONTES DOCUMENTAIS PARA A HISTORIA DAS RELA<;:OES ENTRE PORTUGAL EA CHINA • 葡中關係史資料朶編Alltor • 作者ANTONIO VASCONCELOS DE SALDANHA • 薩安束Edi~ao • 出版FUNDA~AO MACAU • 澳門基金會CENTRO DE ESTUDOS DAS RELA<;:OES WSO-CHINESAS • 葡中關係研究中心UNIVERSIDADE DE MACAU • 澳門大學Leitt
INDICE APRESENTA媯0·· · ········• · ···· · ······················ · ·········································· · ··············· · ·· · ························· · ··21INTRODU媯0 ............ ... ....... .... ............. ...................... ............ .... ... .......... ... .......... ...... ....... .................. 29 ABREVIATURAS .. ........ .............. ...... ........ .... .. ... ................................ ....... ... ........ ... .... ................ ... ... ..... 45 - Offcio do Juiz de Direito de Macau, Jose Maria Rodrigues de Bastos, para o Ministro e Secreta「iode Estado dos Neg6cios da Marinha e Ultramar, a remeter um relat6rio circunstanciado sobre a crise aberta com a repressao imperial ao trafico do 6pio (26 de Setembro de 1839). Em anexo relat6rio sobre a crise no comercio do 6pio em consequencia das medidas assumidas pelas autoridades imperiais e sobre a conduta dos portugueses em Macau .. .... .. ... …...... …….... …...... 55 2 - Circular dirigida aos subditos britanicos com as medidas a adoptar pela comunidade britanica res1dente na China no seguimento das atitudes tomadas pelas autoridades imperiais contra o trafico do 6pio e assinada por Charles Elliot, Superintendente do Comercio Britamco na China (1839) ...... ...... ... ...... ....... ........... ... ............................................................................. ........ . 88 3 - Carta do Superintendence do Comercio Britanico na China para o Visconde Palmerston sobre a 1mportancia de Macau como ponto de apoio a proteci;:ao dos interesses britanicos, colocando a poss由山dade da sua ocupai;:ao (6 de Maio de 1839). Em anexo: carta de Charles Ell iot para o Govemador de Macau, Adriao Acacio da Silveira Pinto, oferecendo a sua cooperai;:ao para a defesa de Macau; resposta do Govemador de Macau a carta anterior, recusando o apoio do Superintendente do Comercio Britanico na China ....................................................................... 91 4 - Relato da entrevista que o Procurador de Macau manteve com o daotai Yi Zhongfu, sobre a preseni;:a dos subditos britanicos em Macau (31 de Janeiro de 1840) ........................................... 97 5 - Proclamai;:ao de Yi Zhongfu, daotai de Gaolien, aos habitantes de Macau, informando que as suas instrui;:6es apenas se referiam a expulsao de Charles Elliot e de todos os subditos britanicos (1 de Fevereiro de 1840) ... .. ........................................................................................................... 101 6 - Edita! das autoridades imperiais de Cantao declarando suspenso o comercio em Macau devido a preseni;:a dos ingleses na Cidade (Janeiro-Fevereiro de 1840) ......... .... .. ... .. .. ...... .. .... .. ...... ... ...... .. .. 103 7 - Carta de Joao Jose de Sousa que testemunha os embarai;:os colocados pelas autoridades 1mpena1s ao comercio de Macau devido a preseni;:a brit鈿ca na Cidade (2 de Fevereiro de 1840) .............. 105 8 - Edita! do daotai Yi Zhongfu declarando ter intercedido a favor da reabertura do comercto em Macau (3 de Mari;:o de 1840) .. .. .. .. .. .. . .. . .. .. .. . .. .. .. .. . .. .. . .. .. .. . .. .. . .. .. . .. . .. .. .. .. .. .. . .. .. . .. .. . .. . .. .. . .. .. . .. .. .. .. . 106 9 - Nota do Barao da Torre de Moncorvo para o Ministerio dos Neg6cios Estrangeiros dando conta do modo comoa G函Bretanha preparava a exped唁o militar na China (14 de Mari;:o de 1840) .. .. ... . 107 IND/CE. 5
10 - Nata do Secretario da Legac;ao de lnglaterra em Lisboa, Howard de Walden, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, remetendo o processo enviado por Charles Elliot sobre a entrada do navio Hyacinth no porto de Macau (7 de Julho de 1840). Em anexo proclamac;ao das autoridades chinesas contra a presenc;a britanica em Macau datada de 30 de Janeiro de 1840; protesto do Govemador de Macau e do Leal Senado contra a presenc;a do navio britanico Hyacinth no porto de Macau, de 4 de Fevereiro de 1840; extracto de uma nota de Charles Elliot para o Visconde Palmerston a denunciar a falta de apoio que tern tido da parte da govemac;ao de Macau, datada de 19 de Fevereiro de 1840; of缸ode 1 de Janeiro de 1840, do Superintendente Britanico Charles Elliot para o Govemador Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, a pedir autorizac;ao para depositar as suas mercadorias nos armazens de Macau devido 郤 med這astomadas pelas autoridades imperiais chinesas; offcio de 16 de Janeiro de 1840 do Govemador Ad頃o Acacio da Silveira Pinto para o Charles Elliot, respondendo ao offcio anterior e recusando o pedido do Superintendente Britanico; breve sfntese de todo o processo …· ….. …...…………. 108 11 - Offcio do Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, para o Ministro da Marinha e Ultramar a remeter o processo que !he foi entregue pelo Secretario da Legac;ao B這nica em Lisboa, Howard de Walden, ea pedir para ser esclarecido sobre o que se passou (18 deJulhode 1840) .. ..... .. .. ..... .. .. ........... ..... ....... ........... ......... .. ................ ........ .. .. ........ ..... .. ............ ... 117 12 - Nota do Secretario da Legac;ao Portuguesa em Londres, Barao da Torre de Moncorvo, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, dando conta da entrevista que teve com o Visconde Palmerston e onde se discutiu a posic;ao de Macau quanto ao conflito sino-britanico (25 de Julho de 1840) ............................. ............................................................... .. 118 13 - Offcio do Ministro da Marinha e Ultramar, Conde do Bonfim, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, respondendo ao ped這o que este lhe havia formulado em 18 de Julho de 1840 (29 de Julho de 1840) .. ... .. ..... ...... ................................................................... ....................................... 120 14 - N ota do Secretario da Legac;ao Portuguesa em Londres, Barao da Torre de Moncorvo, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, informando-o de uma con versa que teve com Mr. Stevenson, Enviado dos Estados Unidos da America, onde se abordou a questao do conflito sino-britanico (8 de Agosto de 1840) .............................................. ... ........ . 123 15 - Acta do Conselho Geral onde se analisaram as possfveis repercussoes em Macau dos confrontos entre chineses e britanicos ocorridos no dia anterior, perto das Porras do Cereo (20 de Agosto de 1840)·············· ·················· ···· ·························· ················ ····· ····················· ························· ······ ·· ·· ····125 16 - Resposta do Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, a nota do Secretario da Legac;ao Britanica em Lisboa, Howard de Walden, datada de 7 de Julho de 1840 e onde se explicam as razoes que levaram o Govemador de Macau, Silveira Pinto, a protestar contra a presenc;a do navio Hyacinth no porto de Macau (1 de Setembro de 1840) ..... ... ... .......... 132 17 - Offcio do Ministro da Marinha e Ultramar, Conde do Bonfim, para o Ministro dos Neg6cios 氐rangeiros, informando ter enviado instruc;oes ao Govemador de Macau atraves de uma portaria datada de 10 de Setembro de 1840 (11 de Setembro de 1840) ............... ...................... ........ ........ 134 6• COLEC<;:AO DE FONTES OOCUMENTAIS PARA A HISTORIA DAS RELA<;:OES ENTRE PORTUGAL EA CHINA • SERIE ESPECIAL • VOLUME I
18 - Nota do Secret知o da Legai;:ao Portuguesa em Landres, Barao da Torre de Moncorvo, para o Ministro dos Neg6cios Escrangeiros, Rodrigo da"Fonseca Magalhaes, com observai;:oes sobre o papel de Macau no confli to sino-bri tanico (12 de Setembro de 1840) ................................. .... ... 135 19 - Nota do Secret知o da Legai;:ao Portuguesa em Londres, Barao da Torre de Moncorvo, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, dando conta da encrevista que manteve com o Visconde Palmerston onde foi abordada a polftica de neutralidade segu ida pela governai;:ao de Macau no conflito que opunha a G函Brecanha ao lmperio da China (19 de Setembro de 1840) ............................................. ........ ........... ...... ................... .. ..... ......................... 136 20 - Offcio do Ministro da Marinha e Ultramar, Conde do Bonfim, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros a solicitar que !he seja comunicada as info rmai;:oes que eventua lmente cheguem da Legai;:ao Porcuguesa de Londres sobre a polfcica britanica na China (29 de Setembro de 1840) ............................................... .......... ..... ............ ... ............... ................... ..... ....................... .. . 139 21 - Offcio do Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pineo, para o Ministro da Marinha e Ultramar dando conta das d由culdades levantadas a polftica de neutralidade seguida pelo Escabelecimento com a nova tentativa britanica de entrar no porto da Cidade com dois navios de guerra e informando sobre os ultimos acontecimentos do conflico sino-bricanico (2 de Outubro de 1840) ........................... ... ............................................................................................................ 140 22 - Offcio do Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar dando informai;:oes complemencares ao offcio anterior (8 de Oucubro de 1840) ....... 143 23 - Noca do Secret知o da Legai;:ao Portuguesa em Londres, Barao da Torre de Moncorvo, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, mostrando-se confiante em relai;:ao ao respeito bric訕co pela neutralidade de Macau (10 de Outubro de 1840) ................... 144 24 - Noca do Secre函rio da Legai;:ao Britanica em Lisboa, Howard de Walden, para o Ministro dos Neg6cios Escrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, contestando a polftica de neutralidade segu ida pela govemai;:ao de Macau (19 de Outubro de 1840). Em anexo: offcio do Superintendence do Comercio Britanico na China, Charles Elliot, para o Governador de Macau, Adriao Ac缸oda Silveira Pinto, anunciando o bloqueio do rio e do porto de Cancao, com data de 23 de Junho de 1840; resposta do Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto ao offcio anterior, datada de 24 de Junho de 1840 ................... .. ........................... ...... .. ............ ................................... 145 25 - Nota do Secre t缸o da Legai;:ao Porcuguesa em Londres, Barao da Torre de Moncorvo, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magat區es, dando coma da conversa que manteve com o Visconde Palmerston sobre a neutralidade de Macau durance o conflito s ino-br涸nico (24 de Outubro de 1840) .... ............. ................... ................... .... .... ....... ........ .......... 151 26 - Offcio do Miniscro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, para o Miniscro da Marinha e Ultramar colocando-o ao corrente dos argumentos britanicos utilizados para rotula1 de parcial a posii;:ao de Macau durante o conflito sino-britanico e pedindo informai;:oes sobre o proced imento do Governador Adriao Acacio da Silveira Pinto (4 de Novembro de 1840) ........ 153 IND/CE . 7
27 - Nota do Secretario da Legac;:ao Portuguesa em Londres, Barao da Torre de Moncorvo, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, dando conta da conversa que manteve com o Visconde Palmerston sobre a neutralidade de Macau durance o conflito sino-britanico (20 de Novembro de 1840) .. ...................... ............ .. ...... ......................................... 154 28 - Nota sobre o bloqueio do rio e do porto de Cantao (21 de Novembro de 1840) .... ...................... 155 29 - Of如o do Governador de Macau, Adriao Ac知o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, anunciando que estavam a ser dados os primeiros passos no sentido do d頃logosmo-britanico com o fim de por termo ao conflito (21 de Novembro de 1840). Em anexo memorando do comandante britanico George Elliot, de 6 de Novembro de 1840, sobre este assunto ........................................................................................................................................ .... 156 30 - Oficio do Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Guimaraes, para o Ministro da Marinha e Ultramar onde se da conta das boas relac;:oes existences entre o Superintendence do Comercio Britanico na China, Charles Elliot e o Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto (7 de Dezembro de 1840) ..... ... .. ........ ... ..... ...... ............. ..... ..... ............ .. ... .. .... .... … 158 31 - Nora do Secre函rio da Legac;:ao Portuguesa em Londres, Barao da Torre de Moncorvo, para o Ministro dos Neg6cios Estrangei「os, Rodrigo da Fonseca Magalhaes, dando informac;:oes baseadas em notfcias chegadas a lnglaterra sobre o conflito sino-britanico (9 de Janeiro de 1841) ............ 159 32 - Offcio do Governador de Macau, Ad禕oAc缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, dando conta das mudanc;:as verificadas no comando das forc;:as britanicas na China e avanc;:ando algumas informac;:oes sobre o conflito sino-britanico (13 de Janeiro de 1841) ........... 160 33 - Offcio do Governador de Macau, Ad呻o Acacia da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, dando noticias sobre o conflito sino-britanico e informando da cedencia da ilha de Hong-Kong a Gra-Bretanha (18 de Janeiro de 1841) .. ............ ............... …...….......................... 162 34 - Oficio do Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, remetendo uma circular do Plenipotenci知o britanico Charles Elliot e reflectindo sobre a cedencia de Hong-Kong e suas repercussoes no futuro de Macau (21 de Janeiro de 1841). Em anexo: circular do plenipotenc頃rio britanico Charles Elliot, de 20 de Janeiro de 1841, onde se apresentam os pontos tratados nas negociac;:oes preliminares com as autoridades imper囹 IS ............. . ............................................... . .. . ... ........ ... ........ . ........... ....... .............. .................. 164 35 - Offcio do Governador de Macau, Adriao Ac如o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, a informar que as hostilidades entre a Gra-Bretanha e o lmperio da China se reacenderam e remetendo uma circular e uma proclamac;:ao assinadas pelo Plenipotencia 「 ioBritanico, Charles Elliot (26 de Fevereiro de 1841). Em anexo: duas proclamac;:oes impressas, datadas de 1 de Fevereiro de 1841, de Charles Elliot e do Comandante Bremer, sobre a cedencia de Hong-Kong a Gra-Bretanha; circular de 24 de Fevereiro de 1841, assinada pelo Plenipotenc頃rio Charles Elliot, a anunciar o fim das negociac;:oes com a China e o reacender das hostilidades .. ..... ................................................. .................................................. .......... .. .... ... . 168 8• COLEC,AO DE FONTES DOCUMENTAIS PARA A HISTORIA DAS RELA,6ES ENTRE PORTUGAL EA CHINA• SERIE ESPECIAL • VOLUME I
36 - Of如o do Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, dando not如as sobre as hostilidades sino-britanicas (27 de Fevereiro de 1841). Em anexo: nota do Comandante Bremer a anunciar a queda da fortaleza da Boca Tigre; nota de Charles Ell iot sobre o numero de prisioneiros ea retiradas das tropas chinesas ......... ................ .... 173 3 7 - Offcio do Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, dando not如as sobre as hostilidades sino-brit鈿cas (23 de Marc;o de 1841). Em anexo: pagina do Canton Press Extra, de 22 de Marc;o de 1841, com a circular assinada pelo Plenipotenci知o Charles Ell iot onde se anuncia a reabertura do comercio de Cantao .. ..... .. ........ 175 38 - Offcio do Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, informando que o comercio foi restabelecido e os ingleses fixam-se em Hong-Kong (24 de Abril de 1841) ..................... .. ........... .. .................................. .. ..... .. .. .. ..... .. ........ .. ................ .. 180 39 - Offcio do Govemador de Macau, Adriao Acacio da Si lveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, dando conhecimento do fim da tregua que se vi via entre as forc;as britanicas e chinesas (26 de Maio de 1841). Em anexo: pagina impressa do Canton Register Extra, de 25 de Maio de 1841, dando a notfcia do reacender o conflito sino-britanico ..................................... …................ 181 40 - Offcio do Govemador de Macau, Adriao Ac知o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, dando not如as sobre o conflito sino-britanico (14 de Junho de 1841) ...................... 185 41 - Of鉭o do Govemador de Macau, Adriao Ac知o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, sobre a presenc;a britanica em Hong-Kong e as repercussoes no comercio de Cantao (14 de J unho de 1841). Em anexo: circular de 10 de J unho de 1841, assinada por Charles Elliot, recomendando aos subditos brit鈿cos que nao entrassem no porto de Cantao por quest5es de seguranc;a .................................. ...... ..... ............... ....... ........... ............. ... ....... ....... ...... .. ... ...... .. ..... ... .. 187 42 - Offcio do Governador de Macau, Adriao Ac知o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, informando da chegada do Coronel Henry Pottinger e do Contra-Almirante Wilham Parker e dos preparativos da exped玲ao militar britanico para o norte (23 de Agosto de 1841) Em anexo: lista dos navios de guerra britanicos; nota assinada por Henry Pottinger, de 12 de Agosto de 1841, onde manifesta o desejo de manter a paz na provfncia de Cantao e a ilha de Hong-Kong na posse britanica .................................... .............................. ....... ...... .. .. .... ....... .......... 189 43 - Offcio do Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, dando noticias da expedic;ao britanica para o norte (6 de Outubro de 1841). Em anexo: circular de 31 de Agosto de 1841, do Plenipotenci知o Henry Pottinger, a anunciar as conqu1stas das forc;as militares br喊nicas ..... ..... ........... ... ..... ........ ..................................... ............. 194 44 - Offcio do Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, dando noticias da expedic;ao britanica para o norte e informando de uma nova tentativa britanica para entrarem no porto de Macau, em 19 de J ulho de 1841 (6 de Novembro de 1841) .................................. ... ..... ............................................... .... ... ........................ ... ... ...... ...... 197 IND/CE: . 9
45 - Relat6rio do Procurador do Leal Senado sabre a conferencia de L疏fang onde autoridades 叩periais chinesas e de Macau discutiram a cedencia de Hong- Kong a G虛Bretanha e que contou com a presenc;a do Mandarim de Macau, Zhang Yu, do Mandarim da Casa Branca, Xie Muzhi, do daotai de Gaolien, Yi Zhongfu, do Procurador do Senado de Macau, Bernardo Est瞬oCarneiro, dos dois interpretes oficiais, Jose Martinho Marques e Jose Rodrigues Gonc;alves e, ainda, do ex-Procurador Jose Vicente Jorge (10 de Novembro de 1841) ... ................................ 199 46 - Offcio do Govemador de Macau, Adriao Acacio da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, a informar que terminou da melhor maneira a questao que manteve com o Superintendence Charles Elliot por causa do subdito britanico Charles Henry Hart (24 de Janeiro de 1842) ... ... .... ............. ......... ...... ............. ... .............................. ....... ..... ... ..... ..... ... ... ..... ...... .. ..... ... .. 204 47 - Of缸o do Govemador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, sobre o pedido do Superintendence Britanico de serem admitidas a despacho as mercadorias inglesas (25 de Janeiro de 1842) ...................... , .. , ....................................................... 205 48 - Offcio do Govemador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, dando resposta a um pedido de esclarecimento na sequencia dos protestos apresentados em Lisboa pelo Secretario da Legac;ao Brit細ca, Howard de Walden (25 de Janeiro de 1842) .. .. .. 207 49 - Offcio do Govemador de Macau, Adriao Ac知o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, agradecendo o apoio expresso pe lo Ministro da Marinha em relac;ao a sua conduta durance o conflito sino-britanico (27 de Janeiro de 1842) ..................................... .... .................... 209 50 - Of如o do Governador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, remetendo um caderno com a c6pia das actas das sessoes do Leal Senado e da Comissao Consultiva de modo a que o governo possa melhor avaliar o trabalho da governac;ao de Macau (3 de Fevereiro de 1842) . Em anexo: actas das sessoes do Leal Senado e da Comissao Consultiva, entre 8 de Janeiro de 1840 e 31 de Ju lho de 1841 ........................................... .. ....... 210 51 - Offcio do Governador de Macau, Adriao Ac知o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, relatando a chegada de navios pertencentes a diferentes potencias ocidentais ea tentativa de uma embarcac;ao britanica entrar no porto de Macau (14 de Fevereiro de 1842) Em anexo: offcio de 19 de Julho de 1841 do Comandante Gordon Bremer para o Governador de Macau, descrevendo a sua versao sobre os acontecimento de 18 de Julho em torno do navio br喊nico Hebe; resposta do Governador Adriao Acacio da Silveira Pinto ao offcio anterior, datada 26 de Julho de 1841; nota de 5 de Janeiro, do Superintendence Britanico, denunciando a entrada de armamento na China atraves de Macau; ac ta da 1 Q reuniao da Comissao Consultiva, de 8 de Janeiro de 1842 onde foi analisada a nota do Superintendence Britanico; pa頃grafo da Sessao de 8 de Janeiro de 1842; resposta a nota do Superintendence Britanico, datada de 8 de Janeiro de 1842; offcio de 14 de Jane iro de 1842, do Superintendence Britanico, acusando a recepc;ao e manifestando o seu agrado pela resposta da governac;ao de Macau a sua nota de 5 de Janeiro ....................... .. .. .. ....... .. .............. ...... ...................................................... 345 IO • COLEC,AO DE FONTES DOCUMENTAIS PARA A HIST6RIA DAS RELA,6ES ENTRE PORTUGAL EA CHINA • SERIE ESPECIAL • VOLUME I
52 - Offcio do Govemador de Macau, Adriao Ac如o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, relatando a visita de Henry Pottinger a Macau no dia 16 de Fevereiro de 1842 ea conversa que mantiveram no dia seguinte (18 de Fevereiro de 1842) ......... .................................. 357 53 - Offcio do Govemador de Macau, Adriao Acacio da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, dando notfcias sobre o conflito sino-britanico, informando da chegada de novos nav10s de outras potencias ocidentais e referindo-se ao desenvolvimento de Hong-Kong (12 de Abril de 1842). Em anexo: circular de 1 de Abril de 1842, de Henry Pottinger, anunciando que as for~as britanicas repeliram um ataque do exercito chines no dia 10 de Mar~o e com outras notfcias sobre o confronto militar entre a Gra-Bretanha ea China ....... ......... .. .. …· … ···············358 54 - Offcio do Govemador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, comentando a paragem no desenvolvimento de Hong-Kong em virtude de a Rainha de lnglaterta nao ter achado pr6prio declarar como possessao britanica a ilha de Hong-Kong e avan~ando as ultimas notfcias sobre a expedi~ao britanica contra o lmperio da China (31 de Maio de 1842). Em anexo: quadro das for~as brit訕cas na China ... ... ... ... ... ... ...... ... ......... ..... .. ..... 362 55 - Offcio do Govemador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, com notfcias sobre a expedi~ao britanica (12 de Junho de 1842). Em anexo: circular de 4 de Junho de 1842, de Henry Pottinger, informando sobre o avan~o das tropas britamcas para none .. .............................................................. ......................... .... ............... ... ................ .......... 367 56 - Offcio do Govemador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, com notfcias sobre a expedi~ao britanica e avan~ando a ideia de ser nomeado um comissario regio para negociar com o lmperador da China (26 de Julho de 1842). Em anexo circular de 24 de Junho de 1842, de Henry Pottinger, dando notfcias sobre o avan~o das for~as br這nicas na China .... ................ ....... ............... .. ............................................................. .............. 369 57 - Offcio do Governador de Macau, Adr函o Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, anunciando a chegada das for~as brit細cas a Nanjing (5 de Setembro de 1842) .. ............ .. .......... .. ... ... .... ...... .. ..... ....... ... ....... ......... .... ... .... ... ...... .. ....... ... ........... .. ... .. .... ... ... . 372 58 - Of鉭o do Govemador de Macau, Adriao Ac缸o da Silveira Pinto, para o Ministro da Marinha e Ultramar, confirmando a paz entre a Gra-Bretanha ea China e sublinhando a necessidade de Portugal nomear um comissario regio para negociar com a China (10 de Setembro de 1842). Em anexo: circular de 29 de Agosto de 1842, do Plenipotenciario Britanico a anunciar o acordo de paz celebrado com a China .. ....... ........ .... ......... ... ................. ... ..... ...... ...... .... .. ... ..... ... .... ... ... ..... ... ... 374 59 - Offcio do Ministro da Marinha e Ultramar, Joaquim Jose Falcao, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, referindo o aumento da presen~a ocidental na China e pedindo que seja nomeado um comissario portugues para negociar com o lmperio da China (21 de Novembro de 1842) ............................................... ..... ................................................................. 377 fNDICE. / /
APRESENTAQAO par Antonio Vasconcelos de Saldanha Professor do lnstituto Superior de Ciencias Sociais e Polft1cas da Universidade Tecnica de Lisboa
APRESENTA尊OI nsere-se este volume numa serie aut6noma que o Centro de Estudos das Rela~6es Luso-Chinesas da Funda~ao Macau dee心u criar a par da ColecfdO de Fontes Documentais para a Hist6ria das Relafoes entre Portugal e a China Serie essa que se destinara a recolher alguns corpos documentais que, pela sua unidade ou natureza, nao tenham a poss枷lidade de inser~ao directa naquela co lec悼o, sem que por isso deixem de constituir referencias fundamentais para a compreensao de determinadas quest6es das rela~6es luso-chinesas. Abre, assim, a mesma serie com este volume dedicado aos Documentos relativos a neutralidade portuguesa durante a I Guerra do 邙o. Materia que antecede directamente as quest6es abordadas na documenta哼o publicada no 1 Q tomo da ColecfdO de Fontes, e que nao poderia ser ilustrada de melhor forma do que por via dos documentos ora trazidos a luz pela primeira vez. De facto, estamos perante o que poderfamos considerar o "Processo portugues da I Guerra do 煽o", 頂 que grande parte do material aqui publicado e constitufdo pela documenta亞o remetida ao Governo de Lisboa pelo real condutor da neutralidade portuguesa na China nessa epoca, o Govemador de Macau, Adriao Ac知o da Silveira Pinto. Precisamente devido a concep~ao e implementa~ao dessa polftica, Silveira Pinto foi alvo de duras crfticas por parte das autoridades inglesas na China, crfticas essas transmitidas pelo Foreign 0隹ce ao Governo Portugues, e, a solicita~ao deste, rebatidas por Silveira Pinto. E esta a documenta~ao que, no ambito de uma pesquisa mais vasta sobre a polf tica extema portuguesa na China, pudemos localizar no Fundo Minist如o dos Estrangeiros do Arquivo Nacional da Torre do Tombo1, e que e aqui devidamente 1 0 "Processo da Guerra do 鉫o" foi por n6s registado e referenciado in "Um Estabelecimento a Refund1r e Criar de Novo. Macau ea Polftica Extema Portuguesa na China (1842-1853)", in Estudos sabre as Relafcies Luso-Cliinesas, Lisboa, lnstituto Superior de Ciencias Sociais e Polfticas - Instituto Cultural de Macau, 1996, pp. 49-404, publicado autonomamente em chines com o tftulo Putaoya Zaihua Waijiaozhengce, Centro de Escudos das Rela~oes Luso-Chinesas, Funda~ao Macau, 1997 APRESENTA(:AO • 21
acompanhada e enquadrada pela documenta\'.ao pertinente emanada do Senado de Macau, da Lega\'.ao de Portugal em Landres, da Lega\'.ao da lnglaterra em Lisboa e dos Ministerios dos Neg6cios Estrangeiros e da Marinha e Ultramar. A oportunidade desta ed玲ao e tambem real\'.ada pelo facto de serem muito escassos os estudos sobre este perfodo crftico das rela\'.6es luso-chinesas2, razao pela qual temos gosto em que o Sr. Dr. Alfredo Gomes 趴as, autor de alguns dos estudos mais profundos sobre a questao, se tenha associado a esta iniciativa, nao apenas com a tarefa da leitura e da organiza\'.ao documental, mas tambem com a autoria da introdu\'.ao hist6rica que antecede os documentos. Lisboa, Novembro de 1997 Antonio Vasconcelos de Saldanha 2 Para 瑀o falar das espantosas omissoes da historiografia classica (v.g. as de J.K.FAIRBANK), ea pane as notas pioneiras de MONT ALTO DE JESUS, em Historic Macao, fonte consabida de outros autores, e as oportunas referencias de do P. MANUEL TEIXEIRA (Os Militares em Macau, Macau, 1975), cemos a regiscar as paginas —decepcionances e muito pobres no que a Macau e Portugal respe ita nesta epoca - de AUSTIN COATES, (Macao and the British 1632-1842. Prelude to Hong Kong, Londres, 1966), as breves referencias de ANGELA GUIMARAES, (Uma Relafao Especial. Macau e as RelafBes Luso-Chinesas 1780-1844, Lisboa, 1996) e o recente mas desfocado, superficial e pouco original escudo de ANTONIO VENTURA ("Macau ea Guerra do Opio" in Revista Macau, z• Serie, 63, Julho 97, pp.40-51); neste panorama de algum modo irregular, as analises mais complecas da quescao continuam, em nosso entender, a ser as de ALFREDO GOMES DIAS, in Macau ea I Guerra do Opio, Macau, lnstituto Porcugues do Oriente, 1992, e Sob o Signo da Transifao. Macau no Seculo XIX, Macau, lnstituto Portugues do Oriente, 1998 (no prelo) 22• COLEC(:AO DE FONTES DOCUMENTAIS PARA A HIST6R!A DAS RELA(:OES ENTRE PORTUGAL EA CHINA• StRIE ESPECIAL• VOLUME I
o ,., INTRODUÇAO MACAU E AI GUERRA DO ÓPIO trabalho que agora se apresenta reúne os documentos que consideramos mais significativos para se compreender o modo como Macau viveu o quotidiano do primeiro conflito sino-britânico. Tem como núcleo central os fundos documentais do Ministério dos Negócios Estrangeiros - que se encontram depositados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo- aos quais juntámos outros documentos dispersos que nos parecem fundamentais para termos uma visão de conjunto sobre os acontecimentos que ocorreram entre 1839 e 1842. É para nós por demais evidente a importância desta colecção de documentos, uma vez que consideramos que, com a I Guerra do Ópio, se inicia o período de transição para contemporaneidade de Macau, período que se prolonga até 1862, ano da assinatura do tratado não ratificado de Tianjin. A posição de Macau perante a I Guerra do Ópio pode ser resumida numa simples palavra: neutralidade. Esta é sem dúvida a grande opção assumida pelo Estabelecimento e é, por isso, a questão que importa analisar com mais cuidado. Os contornos desta neutralidade encerram dentro de si o percurso das relações luso-chinesas até 1839/42 e vão transformar-se numa constante no futuro que então se iniciou. * Podemos considerar que o primeiro conflito sino-britânico começou quando o Celeste Império optou pela repressão como forma de resolver o problema do tráfico do ópio, nomeando Lin Zexu comissário imperial com a missão de terminar definitivamente com aquele comércio. A expulsão da comunidade britânica de Cantão vai envolver definitivamente o Estabelecimento de Macau num turbilhão de acontecimentos que irão culminar com o início dos confrontos entre forças chinesas e britânicas no final do ano de 1839. Macau viu-se assim confrontado com a necessidade de definir uma política face ao conflito que garantisse, em primeiro lugar, a continuidade da presença portuguesa naquele ponto do Mundo e, em segundo lugar, o relançamento da sua actividade comercial e portuária que se encontrava numa profunda crise. O primeiro objectivo de carácter político INTRODUÇÃO • 2 9
il implicava desenvolver uma diplomacia equilibrada entre os dois países em confronto. O segundo, de cariz económico, funcionou mais como um desejo e uma utopia de regresso ao passado, quando Macau beneficiava do facto de ser a ponte exclusiva entre o Império e o Ocidente. Dois objectivos que não deixam de estar interligados no modo como Macau foi erguendo a sua política de neutralidade. * A análise da opção política do Estabelecimento durante o conflito deve iniciar-se pela sua contextualização histórico-regional. Macau estava integrado numa zona onde Cantão assumia um papel comercial cada vez mais importante, não obstante as limitações que as autoridades imperiais impunham ao seu funcionamento enquanto praça internacional. O tráfico do ópio era a actividade económica que permitia a Macau auferir de rendimentos que viabilizavam, do ponto de vista económico, a continuidade da presença portuguesa na China. Tráfico que, por seu lado, deve ser também enquadrado num contexto regional mais vasto onde os interesses comerciais e financeiros radicados na Índia Britânica assumem particular relevo. Se bem que em escala mais reduzida, o tráfico do ópio praticado em Macau era suficientemente elevado para permitir os rendimentos necessários à Cidade e para manter vivos os laços existentes entre a sua elite e as autoridades imperiais. Assim, importa caracterizar as relações que Macau mantinha com o Celeste Império até 1839 e que vão condicionar o tipo de neutralidade seguida pela governação do Estabelecimento. Em primeiro lugar, encontramos as relações que se foram cimentando ao longo de três séculos, particularmente a nível regional. Em segundo lugar os laços estreitos que existiam entre as autoridades imperiais e os comerciantes chineses (anistas) e a elite socio-política da Cidade. Em terceiro lugar, a dependência política e económica em que Macau se encontrava, facto sobejamente testemunhado nos documentos que chegaram até nós. Durante todo o ano de 1839 e nos anos de guerra que se seguiram, podemos encontrar muitos exemplos que nos permitem comprovar esta conivência regional. Lembremo-nos do modo como as autoridades chinesas, ao longo daquele ano, foram alertando a Cidade para o que se estava a passar em Cantão, permitindo deste modo que o Estabelecimento se preparasse para a visita do comissário imperial. As conversações mantidas a nível oficial, 30 • COLECÇÃO DE FONTES DOCUMENTAIS PARA A HISTÓRIA DAS RELAÇÕES ENTRE PORTUGAL E A CHINA • SÉRIE ESPECIAL • VOLUME/
ou a título particular, como foi o caso de Francisco António Pereira da Silveira. Em plena guerra, assumem particular significado as conversações de Lingfong, onde é visível a preocupação face à cedência de Hong-Kong, preocupação que Macau tentou partilhar com o próprio Império, ao tentar convencer as autoridades chinesas presentes da irreversibilidade daquela cessão territorial e dos perigos que ela acarretava, quer do ponto de vista comercial, quer político. Um precedente que outras potências haveriam de querer explorar. As limitações que as autoridades imperiais chinesas impunham à presença ocidental, particularmente a proibição do porto de Macau ser utilizado por outros países que não os portugueses ( em número restrito) e os espanhóis de Manila e, por outro lado, a incapacidade política de Portugal definir ou apoiar uma estratégia para o Estabelecimento de Macau, deixando-o entregue à corrente dos acontecimentos, determinaram o modo como o Estabelecimento se posicionou face ao Celeste Império. Entendia-se que, em última análise, a presença portuguesa em Macau dependia da sua capacidade de conservar aberto o diálogo com as autoridades chinesas, mantendo simultaneamente uma distância razoável da política seguida pela Grã-Bretanha, de modo a não comprometer as relações com a comunidade deste país. O personagem que melhor vai definir esta linha de pensamento é o juiz de direito, José Maria Rodrigues de Bastos, através da sua tese de "um Estado dentro de outro Estado" e defendendo clara e categoricamente, que "a boa razão pede que a principal aliança seja com o dono do Solo", isto é, a China. São palavras que não deixam dúvidas sobre qual era o sentir da elite sacio-política da Cidade, corroborada por factos que os documentos, oficiais e da imprensa, nos testemunham. Por seu lado, o Celeste Império, ao mesmo tempo que tudo fazia para hostilizar e expulsar a comunidade britânica, não deixou de dar sinais, mais ou menos claros, no sentido de desejar manter-se próximo de Macau como forma de isolar a Grã-Bretanha ou, no mesmo sentido, impedir que o Estabelecimento se aproximasse daquela potência ocidental e servisse de ponta de lança às intenções britânicas na China: vejam-se as garantias que iam sendo dadas à continuidade da presença portuguesa e que, não obstante as ameaças, não era intenção das autoridades imperiais invadir militarmente a Cidade. Finalmente, a passagem de Lin Zexu por Macau, sem deixar notícia de confrontos, antes considerada INTRODUÇÃO • 31
pelo Leal Senado de muito amistosa, confirma a ideia de que Macau se preparou para essa visita, preparação essa só possível graças à conivência entre as autoridades imperiais chinesas e a elite sacio-política da Cidade. * No reverso desta ligação ao Celeste Império, as autoridades de Macau tiveram de gerir a relação com a Grã-Bretanha, desejosa de fazer estender a secular aliança luso-britânica ao extremo-oriente. Contudo, é uma constante o clima de desconfiança que pairava sobre Macau quanto às verdadeiras intenções da Grã-Bretanha em relação ao Estabelecimento. Desconfiança que, por vezes, se transforma num forte sentimento anti-britânico, o que se pode justificar por dois motivos fundamentais. Por um lado, a rivalidade comercial que a presença britânica impôs, relegando Macau para segundo plano. A crescente presença ocidental era apontada como uma das causas da decadência do Estabelecimento o que conduziu ao desejo de dificultar a fixação de entidades oficiais de outros países ocidentais em Macau. Por outro lado, as tentativas de invasão britânica no princípio do século e a inveja de Portugal ser o único país a possuir o domínio útil de um pedaço de terra da China, eram motivo de sobra para se manter a desconfiança sobre os objectivos britânicos em relação a Macau. É sobre este pano de fundo que as autoridades do Estabelecimento, com especial destaque para o governador Adrião Acácio da Silveira Pinto, vão nortear a sua conduta no sentido da neutralidade durante o conflito sino-britânico, conseguindo simultaneamente manter distante o perigo das forças britânicas se instalarem em Macau e dar uma imagem de afastamento em relação à Grã-Bretanha junto do Celeste Império. Sabemos hoje que a possibilidade de ocupação de Macau pelas forças britânicas não esteve completamente fora de questão. As diferentes tentativas de estacionar navios e desembarcar tropas, cujo exemplo mais evidente foi o do navio Hyacinth, testemunhadas ao longo da documentação oficial, são indiciadoras de um desejo de ocupar a Cidade. A correspondência de Charles Elliot para o Visconde Palmerston não deixa muita margem para dúvidas. A reforçar esta ideia encontramos uma outra constante no discurso oficial do governo britânico, a dúvida quanto ao facto de Macau ser português ou chinês, dúvida que permitia construir argumentos para contestar a política seguida por Silveira Pinto em Macau e para 32 • COLECÇÃO DE FONTES DOCUMENTAIS PARA A HISTÓRIA DAS RELAÇÕES ENTRE PORTUGAL E A CHINA • SÉRIE ESPECIAL • VOLUME I
subalternizar a posição de Portugal no novo quadro regional que se desenhava com a afirmação de várias potências ocidentais. Dúvida que, em 1844, acaba por levar Pottinger e o Conselho Legislativo de Hong-Kong a considerar Macau como parte integrante dos domínios do Celeste Império, para efeito da jurisdição extraterritorial dos tribunais ingleses sobre os súbditos britânicos na China. Neste capítulo, as conversas que o Barão da Torre de Moncorvo entreteve com o Visconde Palmerston são bastante elucidativas. Coube ao governador Adrião Acácio da Silveira Pinto protagonizar esta linha política de neutralidade face ao conflito e de distância em relação às forças britânicas. O pedido para a saída da comunidade britânica de Macau, a recusa do auxílio colocado à disposição do governador por Charles Elliot, o protesto contra a presença do navio Hyacinth, foram oportunidades que Silveira Pinto aproveitou para vincar, aos olhos do Celeste Império, o seu afastamento em relação à política agressiva britânica, defendendo simultaneamente o Estabelecimento de uma eventual presença militar britânica dentro das muralhas da Cidade. * Para Adrião Acácio da Silveira Pinto, o que acabou por arrastar o Estabelecimento para a crise que viveu durante a I Guerra do Ópio foi a presença britânica na Cidade e os confrontos militares que surgiram à sua volta. Deste modo, a neutralidade assumida pela governação de Macau baseava-se nos seguintes pontos: (a) oposição à presença de forças britânicas dentro da Cidade, fosse a que pretexto fosse; (b) respeito pelas regras estabelecidas pela China, impedindo a presença de navios de outras nações ocidentais que não os portugueses ou espanhóis de Manila; ( c) aliança preferencial com o Celeste Império de quem o Estabelecimento dependia. A protecção a pessoas e bens britânicos, ainda que pontual, acabou por servir de escudo às eventuais hostilidades da "velha aliada". No nosso entender, Macau, ao longo de 1839, e face ao agudizar do conflito sino-britânico, optou pela "aliança possível" com o Império da China. Esta aliança foi substantivada na definição de uma política oficial de neutralidade mas cujos contornos nos levam a considerar que se tratava de uma neutralidade não equidistante pois preconizava a manutenção dos laços e das relações políticas e económicas há muito estabelecidas com a elite dirigente regional chinesa. Assim, a rigorosa neutralidade de Macau não passa de um equívoco provocado pelo jogo de sombras chinesas em que INTRODUÇÃO • 33
Macau se viu envolvido e que alguns têm hoje dificuldade em entender. O episódio que se levanta em torno da introdução de armas na China através de Macau e os constantes protestos de Charles Elliot junto do seu governo contra as atitudes das autoridades de Macau, consideradas pelo Superintendente britânico de atentatórias dos interesses da Grã-Bretanha, são mais dois exemplos que ilustram a pouca equidade em que governador e Leal Senado mantiveram a neutralidade de Macau. Na documentação oficial que é possível consultar nesta colectânea, podemos ainda verificar o modo como Silveira Pinto justificava as suas opções políticas, de modo a dar argumentos passíveis de serem esgrimidos pelo governo de Lisboa quando este fosse interpelado pelo governo britânico. Não era possível a Macau pôr em causa a sua continuidade enquanto espaço português na China, sabendo que a sua sobrevivência dependia, antes do mais, da manutenção das boas relações políticas e diplomáticas com o Celeste Império. Sabendo o quanto as relações luso-chinesas eram delicadas, Adrião Acácio da Silveira Pinto teve como tarefa procurar o equilíbrio possível que não abalasse esta relação, o alicerce em que assentava o Estabelecimento de Macau. Sem se poder colocar abertamente ao lado da China, pois não podia provocar o poder marítimo britânico, nem ao lado da Grã-Bretanha, pelos perigos que tal opção acarretava, Macau constrói uma neutralidade de duas faces: numa, registava-se a já referida aproximação preferencial com a China e, na outra, afirmava-se a distância face à Grã-Bretanha. * A neutralidade seguida por Macau durante a I Guerra do Ópio vai acabar por se transformar numa constante das relações luso-chinesas durante o período de transição de 1839-1862. Durante a revolta Taiping e na II e III Guerras do Ópio, Macau vai assumir sempre a mesma opção de neutralidade, continuando a entender que a grande aposta continuava a ser junto do Celeste Império. Mas se, durante o período do primeiro confronto sino-britânico, a neutralidade foi uma opção política que se esgotou no próprio conflito, durante o governo de Isidoro Francisco Guimarães (1851-1863) a neutralidade passou a ser também uma estratégia para facilitar a afirmação (pela diferença) de Portugal junto do Celeste Império. Adrião Acácio da Silveira Pinto, observando as transformações que iam ocorrendo 34 • COLECÇÃO DE FONTES DOCUMENTAIS PARA A HISTÓRIA DAS RELAÇÕES ENTRE PORTUGAL E A CHINA • SÉRIE ESPECIAL • VOLUMEI
à sua volta, acaba por perceber que Macau não poderia continuar a depender de um diálogo circunscrito às conivências locais. A partir do tratado de Nanjing (1842) passou a reclamar a nomeação de um comissário régio para negociar a presença portuguesa na China em novos moldes. Reclamação que o ministro Joaquim José Falcão acaba por aceitar, transformando-a numa proposta ao Ministro dos Negócios Estrangeiros. A escolha acabou por cair no próprio Silveira Pinto. Abriu-se então a era dos tratados. Depois da I Guerra do Ópio nada voltou a ser como dantes e o futuro de Macau passou a decidir-se, em grande parte, fora das muralhas da Cidade. Alfredo Gomes Dias INTRODUÇÃO • 3 5
ABREVIATURAS AHU — Arquivo Hist6rico Ultramarino, Lisboa. ANTT-MNE —Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, Fundo Ministerio dos Negocios Estrangeiros ANTT-MNE-LONDRES —Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, Fundo Minis(erio dos Negocios Estrangeiros, Correspondencia Recebida da Lega~ao de Portugal em Londres. ANTT-MNE-MMU - Arquivo N acional da Torre do T ombo, Lisboa, Fundo Ministeno dos Negocios Estrangeiros, Correspondencia Recebida do Ministerio da Marinha e Ultramar- Caixa 385 - 1844 (anexos ao offcio de 23 de Agosto de 1844 do Ministro da Marinha e Ultramar, Joaquim Jose Falcao, para o Ministro dos Neg6cios Estrangeiros, Jose Joaquim Gomes de Castro, a remeter os documentos solicitados por este Ministro em 26 de J ulho de 1844 sobre a posi~ao de Macau durante a guerra sino-britanica) ABERVIA TU RAS • 4 5