INTRODUÇÃO
1. Algumas questões que a História de Macau coloca à comunidade científica
As relações da China com os países seus vizinhos remontam à alta antiguidade. No entanto, as relações sino-estrangeiras, nos seus primórdios, desenvolviam-se num limitado raio, devido ao baixo nível do desenvolvimento da produtividade. Até ao período entre a Dinastia Qin (221-206 A.C) e a Dinastia Han (206 A.C-220), na medida do surgimento do feudalismo e dum unificado regime político centralizado, a produtividade conheceu um maior desenvolvimento, que fornecia à diplomacia garantias seguras em termos da política e do poderio militar. A missão que Zhang Qian1 levou a cabo, durante o Reinado de Wudi (156 A.C-87 A.C0) da Dinastia Han de Oeste (206 A.C-23), à Ásia Central, representa um importante marco nas relações chinesas com o estrangeiro. A mesma Dinastia conseguiu estabelecer relações indirectas com Daqin2. A Rota da Seda3, que surgiu mais tarde, foi uma das vias comerciais mais movimentadas do Mundo dessa época.
As comunicações por via marítima entre a China e o estrangeiro remontam aos tempos anteriores à Dinastia Qin (221-206 A.C). Os registos oficiais de tais contactos datam do Reinado de Wudi. Nessa altura, barcos chineses já saíam do porto da Cidade de Cantão para a Península Malaia4, Birmânia5, o Subcontinente Indiano6 e Ceilão7, entre outros lugares. A partir dos meados da Dinastia Tang (618-907), devido aos reveses militares sofridos na Ásia Central, a tradicional Rota da Seda ia perdendo a sua importância, cedendo lugar a um comércio marítimo em crescente expansão, que deu origem a uma Rota da Seda Marítima8 e que deu lugar à Inspecção do Comércio Marítimo9, que passou a controlar todo o comércio com o exterior. Ao mesmo tempo,os intercâmbios culturais também conheceram um período áureo. Nos tempos da Dinastia Song (960-1279), Dinastia Liao (907-1125) e Dinastia Jin (1115-1234), em que cada um dos príncipes ocupava o seu território, desafiando o poder central, a Rota da Seda ficava ora aberta ora fechada. Só com a expedição mongólica da Dinastia Yuan (12791368) ao continente euro-asiático, o normal funcionamento da Rota da Seda foi garantido, o que deu lugar a um período de grande esplendor nos intercâmbios entre a China e o resto do Mundo. Neste período, o famoso viajante Marco Polo10 e o marroquino Ibn Batuta11 percorreram a China e cada um deles legou-nos um maravilhoso livro de viagens, sobretudo o Livro de Marco Polo, que despertou uma verdadeira febre pela China na Europa medieval, dando a conhecer ao público europeu um Império Chinês, pacífico, estável e rico.12
Certo que a função da Rota da Seda na história dos intercâmbios sino-estrangeiros não era inestimável, também é certo que os intercâmbios comerciais e culturais, efectuados com o principal meio de transporte da época -- os camelos --, conhecidos como "barcos dos desertos", não podiam ser comparados com os meios de transporte marítimo, seja a nível de extensão, seja em relação à velocidade ou quanto à frequência. A primitiva Rota da Seda Marítima, que foi abertaainda nos tempos da Dinastia Sui (518-618) e da Dinastia Tang (618907), conheceu um considerável desenvolvimento. Apesar das interdições marítimas dos primeiros tempos da Dinastia Ming (13681644), as sete viagens marítimas do Reinado de Yongle (1403-1424), realizadas por Zheng He, que duraram de 1405 a 1433, guindaram a Rota da Seda Marítima ao seu apogeu. As frotas chinesas navegaram pelo Sudeste Asiático, sul da Ásia, e países da Arábia, até atingirem a costa oriental da África13. Sobretudo, o uso generalizado da bússola e as significativas melhorias da técnica náutica14 levaram as viagens marítimas a uma expansão nunca dantes atingida. Sem embargo, as frotas do Celeste Império, que "mostram o nosso poderio militar em terras estrangeiras em sinal dos poderes e da riqueza da China "15, não avançaram para a frente seguindo esta rota para dobrar o Cabo das Tormentas, a fim de mostrar o poderio chinês ao Mundo ocidental. A partir dos meados da Dinastia Ming (1368-1644), os governantes feudais chineses começaram a retroceder e passaram a substituir a antiga política de abertura por uma posição conservadora em relação ao Mundo exterior, arrastando-se para uma situação de auto-isolamento, que deu origem a uma paulatina decadência do Império do Meio. E as nações europeias, que haviam acabado de sair da obscuridade medieval, lançaram-se ao trabalho da primitiva capitalização para desenvolver o capitalismo com enormes esforços, que se traduziam em expansões coloniais no resto do Mundo, à procura de ouro, especiarias e matérias primas. Sobretudo com a queda de Constantinopla na mão dos Turcos em 1453, ficou cortada a via por onde a Europa ligava com o Oriente. A Europa viu-se obrigada a procurar uma via marítima para o Oriente.
Portugal, situado no extremo ocidental do continente europeu, viu esta grande oportunidade a acenar-lhe com a mão. E não perdeu tempo em aproveitar ao máximo as avançadas tecnologias e técnica náutica dos italianos e árabes para chamar a si a função de pioneiro dos Descobrimentos Marítimos. Após quase um século de árduas labutas colectivas, a frota portuguesa, liderada por Vasco da Gama, conseguiu dobrar o Cabo da Boa Esperança em 1497, inaugurando a nova rotamarítima para o Oriente. Em 1510 e 1511, ocuparam respectivamente Goa na Índia e Malaca, uma passagem estratégica entre o Índico e o Pacífico. A partir daí, os portugueses continuaram com a sua marcha em direcção ao Extremo Oriente. Começaram a movimentar-se pelo estuário do Rio das Pérolas e pelo litoral de Zhejiang e Fujian numa tentativa de estabelecer relações comerciais com a China. Em 1557, acabaram por conseguir fixar-se em Macau.
Os portugueses “abriram o Porto de Macau, o que constitui o início do comércio entre a China e a Europa”.16 Mais tarde, Macau chegou rapidamente a ser o centro do comércio estrangeiro do Sul da China, aonde acudiram missionários ocidentais, tornando esta nesga de terra na base da divulgação da doutrina cristã para a China e todo o ExtremoOriente. A partir dos meados do século XVI, Macau, sendo a primeira cidade portuária aberta ao estrangeiro, viveu todas as suas vicissitudes, acompanhou as sucessões dinásticas tanto de Portugal como da China e as mudanças verificadas por este Mundo fora. É espantoso que tenha encontrado sempre o seu próprio espaço de sobrevivência em muitos momentos críticos que surgiram ao longo da História sobrevivendo a todas as vicissitudes.
Seja do ponto de vista político e jurídico, seja do ponto de vista social e humano, Macau terá parecido uma realidade fictícia, cuja singular evolução histórica constitui um exemplo único da História da China, até da História Universal. Como é que os portugueses conseguiram sobreviver milagrosamente neste território da China, onde “toda a terra sobre a face do Globo pertence ao Imperador”, sem um acordo? Como é que os governos da Dinastia Ming (1368-1644) e da Dinastia Qing (1644-1911) os teriam deixado “construir casas e levantar muralhas a formar quase um país à beira-mar”, com uma autonomia que duraria quase 300 anos, pois só passou a ter o seu estatuto político e jurídico definido, em 1887, pelo Tratado de Amizade e Comércio entre a China e Portugal? Quais teriam sido as diferenças entre as medidas políticas, económicas e culturais que, em diferentes períodos os governos da China e Portugal adoptaram para esta zona especial? Quais teriam sido as funções que Macau desempenhou na História dos Intercâmbios Sino-Ocidentais, na História do Relacionamento Sino-Português e no curso damodernização da China? Como é que as nações chinesa e portuguesa, ao superarem as diferenças no campo ideológico e cultural, puderam conviver pacificamente num sistema de jurisdições separadas? O que mais nos leva a reflectir é o facto de que neste longo curso histórico de 400 anos, sempre confrontado com pressões e ameaças vindas de fora, Macau, com a sua inesgotável força interior, terá conseguido sobreviver a todas as crises até hoje, tornando-se numa moderna cidade em franco e vigoroso desenvolvimento. Estas são questões que muito interessam à comunidade científica.
2. A situação actual da historiografia de Macau
Fontes documentais relativas aos primeiros tempos de Macau, tanto em chinês como em línguas estrangeiras, mormente em português, têmo-las esparsas em arquivos e livros. O início da historiografia de Macau podemos situá-lo nos meados do séc. XVIII. A Monografia de Macau, que foi concluída em 1751, é a única crónica local sobre Macau, devida a autores que ocuparam sucessivamente o cargo de Mandarim da Casa Branca. Sendo uma miscelânea bastante completa da geografia, história, política e sociedade de Macau, bem merece ser considerada como o marco inicial da historiografia de Macau. Em 1832, o sueco Andrew Ljungstedt17, deu à estampa em Macau a sua obra Contribution to an Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China, que conheceu uma edição aumentada e melhorada com o título de.An Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China, publicada em 1836 em Boston. Esta obra despertou muito interesse junto dos países ocidentais, ansiosos por obter informações sobre a China a fim de levar a cabo a sua expansão no território chinês. Esta investigação, baseando-se em arquivos portugueses e factos históricos, chegou a pôr em causa a soberania portuguesa sobre Macau, versão que se veiculava entre os missionários, funcionários e militares ocidentais, arrastando o Governo Português para uma situação embaraçosa, que o levou a organizar uma busca quase exaustiva de documentos históricos sobre Macau, a favor da posição portuguesa sobre a soberania de Macau, perante a comunidadeinternacional18. Isto promoveu indirectamente os estudos historiográficos de Macau.
Desde os meados do séc. XIX, os portugueses dispensaram mais esforços nos estudos da história de Macau. Desde esse período até hoje, foram dados à estampa muitos trabalhos, dos quais citamos os que têm merecido maior atenção no meio académico: Subsídios para a História de Macau19, de Bento da França; Historic Macao20, de Montalto de Jesus; Resumo da História de Macau21, de Eudore de Colomban; Macau e a sua Diocese22, do Pe. Manuel Teixeira; The Westem Pionners and Their Discovery of Macao23, de J.M.Braga, etc. O historiador inglês C.R. Boxer também é muito fértil em trabalhos, com destaque para a investigação e a publicação de fontes históricas, e a elaboração de monografias sobre Macau. No entanto, o seu contributo para a historiografia de Macau não é menos importante em relação a outros consagrados estudiosos desta área. O que merece especial menção é a sua síntese sobre a essência do relacionamento luso-chinês -- Dares-e-Tomares24--, que convida qualquer estudioso a reflectir sobre a história dos contactos luso-chineses. Ultimamente, não pode ser esquecido L.G.Gomes, um eminente historiador macaense, que tanto contribuiu para a historiografia de Macau, seja com as suas monografias, seja com as suas actividades editoriais de periódicos, tais como o Renascimento, Mosaico, Boletim do Instituto Luís de Camões, e Arquivos de Macau.
Nas últimas décadas, a historiografia de Macau tem conhecido um panorama animador, ao aparecerem estudos portugueses mais desenvolvidos sobre quase todos os sectores da vida macaense. Macauno séc. XVI25, Macau no séc. XVII26, Macau no séc. XVIII27, Os Militares em Macau28, do Pe. Manuel Teixeira; A Viagem de Comércio Macau-Manila nos Séculos XVI a XIX29, Os Extremos Conciliam-se30, do Pe. Benjamim Videira Pires; Cronologia da História de Macau31, de Beatriz Basto da Silva, são obras que contribuíram para enriquecer a historiografia de Macau. Os Extremos Conciliam-se, da autoria do consagrado historiador Pe. Benjamim Videira Pires,é uma monografia sobre a interculturação entre a China e Portugal, verificada em e através de Macau, tal como A História e os Homens da Primeira República Democrática do Oriente32, de Almerindo Lessa. João de Pina Cabral e Nelson Lourenço dedicaram-se, no âmbito da sociologia e antropologia, ao estudo do passado e presente da comunidade macaense, de que resultou a publicação de Em Terra de Tufões-Dinâmicas da Etnicidade Macaense33.
Os estudos da história política, institucional e diplomática também conheceram novos avanços. Das obras recentemente dadas à estampa, pode-se citar Macau 199934, de Jorge Morbey; Subsídios para a História do Direito Constitucional de Macau (1820-1974)35, de Jorge Noronha e Silveira; Preliminares do Estudo de Ciência Política36, de Vitalino Canas; Panorama Institucional e Jurídico de Macau37, de António Manuel Hespanha. Além disso, temos a colecção Memória do Oriente, editada pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), que inclui os seguintes títulos:Macau e a China no Após Guerra38, de José Calvet de Magalh~æs; Macau e a I Guerra do Ópio39, de Alfredo Gomes Dias; Laboratório Constitucional40, de João Guedes; Portugal, a China e a Questão de Macau41, de Francisco Gonçalves Pereira; A Memória sobre o Estabelecimento dos Portugueses em Macau do Visconde de Santarém (1845)42, de António Vasconcelos de Saldanha; Estudos de História do Relacionamento Luso-Chinês (séculos XVIXIX)43, direcção de António Vasconcelos de Saldanha e Jorge Manuel dos Santos Alves; O Manuscrito de Lisboa da “Suma Oriental” de Tomé Pires (Contribuição para uma edição crítica)44, de Rui Manuel Loureiro; O Comércio Sino-Português entre 1514 e 1644: Uma Síntese de Fontes Portuguesas e Chinesas45, de Tien-Tsê Chang e Os Portugueses em Macau (1750-1800)46, de A. M. Martins do Vale. A Colecção de Fontes Documentais para a História das Relações entre Portugal e a China47, sob a direcção de António Vasconcelos de Saldanha, que chefia uma equipa de estudiosos chineses e paleógrafos, está a ser sucessivamente editada em série pela Fundação Macau e Universidade de Macau. Esta colecção bilingue, em português e chinês, a única ao longo da História de Macau, conta com uma série especial para temas vários48.
Do lado chinês, estudos modernos mais aprofundados sobre Macau, começaram a surgir com a polémica da delimitação das fronteiras de Macau, uma questão legada pelo Tratado de 1887, sobretudo com a assinatura do Tratado de 1928. Das obras publicadas neste período podemos citar: Contribuição para o Contencioso Fronteiriço de Macau49, de Huang Peikun; Sino-Portuguese Trade from 1514-1644: A Synthesis of Portuguese and Chinese Source50, de Tien-Tsê Chang; Comentários das Crónicas de Folangji, Luçao, Holanda e Itália da História Oficial dos Ming51, de Zhang Weihua; A História da Diplomacia Sino-Portuguesa52, de Zhou Jinglian. A partir dos anos 50, os estudos chineses de Macau, embora não suspensos, tiveram trabalhos muito escassos e dispersos. Das poucas monografias podemos citar: Sobre Combates a Piratas na História de Macau53, de Dai Yixuan; O Comércio Externo de Macau, a partir dos meados da Dinastia Ming (1368-1644)54, de Quan Hansheng; Fontes Históricas da Ocupação de Macau por Portugal55, de Jie Zi; Crónica dos Chineses do Ultramar em Macau56, direcção de Ding Zhongjiang. A Study of Macao as a Portuguese Settlement in Chinese Territory from 16th to 18th centuries,57 tese de doutoramento, apresentada, em 1970, por Lam Chee Shing, discípulo do Prof. Lo Hsiang-lin, na University of Hong Kong, é uma obra bastante completa sobre os primeiros tempos da História de Macau. Em 1978, K.C. Fok defendeu na University of Hawaii uma tese dedoutoramento sob o título The Macao formula: A Study of Chinese Management of Westemers from the mid-sixteenth century to the Opium War Period58.
A partir dos anos 80, os estudos chineses da história de Macau, conheceram um desenvolvimento sustentado, que se traduz na publicação de obras de maior fôlego sobre Macau. Temos assim: As Apuradas Investigações da História de Macau59, de Huang Wenkuan; História de Macau60, de Huang Hongzhao; História Concisa de Macau61, de Yuan Bangjian e Yuan Guixiu; Os 400 anos de Macau62, de Fei Chengkan; História de Macau, Desde a Antiguidade até 184063, de Huang Qicheng; e História de Macau, Desde 1840 a 194964, de Deng Kaisong. Temos ainda um grande número de monografias e colecções de fontes documentais sobre Macau, mas subsiste alguma insuficiência ou lacuna de estudos sobre a política ou a história institucional e constitucional de Macau. A tese de doutoramento defendida por Camões C.K. Tam65 na Universidade Política de Taiwan, é um novo estudo da história política de Macau, equacionada do ponto de vista do direito internacional. O Sistema Político de Macau66, do autor deste estudo, é uma tentativa duma abordagem preliminar da evolução do sistema político de Macau.
3. O objectivo, o enquadramento teórico e a metodologia deste trabalho
Após a abertura do porto de Macau, todas as suas actividades político-económicas, que duraram mais de 300 anos, desenvolveram-se principalmente numa extensão de apenas três quilómetros quadrados e com uma população que oscilava entre milhares e dezenas de milhares de habitantes, residentes na Península de Macau. Actividades estas que, embora de não muito ampla envergadura, teriam sido muito influenciadas pelas situações políticas da China e de Portugal, sobretudo pelas circunstâncias verificadas ao longo da História da China. Para qualquer estudo que se queira realizar no âmbito da História de Macau, estes factores devem indispensavelmente ser levados em conta, por terem sido decisivos para o desenvolvimento políticosocial de Macau. De facto, desde que surgiu a polémica da soberania de Macau, a partir dos meados do século XIX, a maioria dos estudos até hoje realizados desenvolveram-se em torno desta temática, de modo que, em certo sentido, a História de Macau tornou-se na História da Diplomacia Sino-Portuguesa ou na História dos Intercâmbios SinoPortugueses. As posições e pontos de vista destes estudos revestem-se de uma forte tonalidade nacionalista. Pode mesmo afirmar-se que, à excepção de alguns estudos de investigação histórico-geográfica, a tradicional historiografia de Macau pertence ao âmbito da História Política. Só nos últimos anos, a história do desenvolvimento interno da sociedade macaense começou a despertar a atenção da historiografia. À medida que os estudiosos chineses e portugueses começaram a dar a devida importância às fontes de ambas as línguas, e à procura de novas teorias de investigação e metodologia, os pontos de vista das duas comunidades científicas aproximam-se uns dos outros, em pontos bastante polémicos da História de Macau, com base numa posição racional da procura da verdade histórica. No entanto, o que não se pode negar é que, até agora, está por fazer uma História de Macau, aceite pelas partes chinesa e portuguesa e pela população macaense, uma história minimamente consensual, chancelada pela comunidade científica. É neste contexto que tentamos proceder a uma análise e investigação da história da evolução política de Macau, com base na bibliografia já existente.
De há muito tempo para cá, a historiografia de Macau, como a sua própria evolução histórica, têm conhecido um evidente dualismo -- acomunidade científica chinesa por um lado e a portuguesa por outro. Apesar de confluências ocasionais, o dito dualismo, devido às enormes diferenças político-culturais, grosso modo, tem-se desenvolvido paralelamente67. Por outros termos, historiadores chineses e portugueses têm uma leitura diferente da “História de Macau”. Para os primeiros, esta história faz parte da história local e regional do território chinês, embora com certa especificidade, mas para os segundos, esta história tem sido sempre enquadrada na historiografia ultramarina. Mas se se admitir que Macau é parte inalienável do território chinês, e que apesar das alterações havidas no domínio útil, nunca chegou a ser uma entidade política independente, teremos que admitir também que a inserção da sua historiografia na história local e regional chinesa parece justificada.
Esta nesga da terra, nos seus 400 anos de sobrevivência, tem conhecido uma singular situação em que as comunidades chinesa e estrangeira têm vivido lado a lado numa boa vizinhança e não sem confluências. Embora com diferenças, bem marcantes, a coexistência pacífica e uma evolução conjunta, baseada em jurisdições separadas, têm sido uma constante na história de Macau, que se caracteriza pela sua singularidade em termos da História Mundial. Por isso, apesar de se tornar indispensável, para qualquer estudo da história de Macau, tomar em conta as respectivas evoluções históricas da China e de Portugal -- com especial ênfase nas relações políticas, económicas e diplomáticas dos dois países, desenvolvidos em volta de Macau -- para historiar bem uma realidade multifacetada em que as comunidades chinesa e portuguesa (incluídas outras nações) têm convivido num desenvolvimento sócio-económico conjunto, é preciso criar pontos de referência e confluência no supracitado dualismo académico. Aliás, “A História não representa apenas um registo de alguns acontecimentos passados, nem significa meramente uma obtenção de experiências de vida e conhecimentos. A História é a própria maneira de ser da nossa existência.”68 Por outras palavras, uma equaçâo-histórica de Macau, mediante a teoria do desenvolvimento político, seria uma abordagem essencial da sua existência e sobrevivência.
Nos últimos anos, a teoria do desenvolvimento político, que evoluíu sobremaneira nos anos 60 do presente século, perdeu um pouco a sua “febre”. Tal teoria não poderia ser decalcada totalmente para um caso específico que é Macau, mas poderia servir-nos de referência o enquadramento teórico e os respectivos instrumentos metodológicos, que os seus mentores criaram para analisar situações diferentes, nos seus variados graus de mudanças políticas, e para encontrar as suas soluções quando procedemos a uma macro-abordagem da História. De facto, o desenvolvimento político representa um processo histórico e evolutivo. James S.Coleman afirma:
“The Process of political development has tended to be viewed from three main perspectives -- the historical, the typological, and the evolutionary. From the historical perspective political development refers to the totality of changes in political culture and structure associated with the major transformative processes of social and economic modemization first unleashed in Westem Europe in the sixteenth century and which subsequently have spread, unevenly and incompletely, throughout the world [...] From the evolutionary perspective one views the political development process as that openended increase in the capacity of political man to initiate and institutionalize new structures, and supporting cultures, to cope with or resolve problems, to absorb and adapt to continuous change, and to strive purposively and creatively for the attainment of new societal goals.”69
Ele acrescenta ainda que “our conception of the political development process is a continuous interaction among the processes of structural differentiation, the imperatives of equality, and the integrative, responsive, and adaptive capacity of a political system. The interaction of these three dimensions constitutes what we have termed the ‘development syndrome'.”70
Fazendo o ponto da situação das mais variadas teorias do desenvolvimento político, “o conceito do desenvolvimento político poderia ser definido corno um sistema político integrado no processo histórico evolutivo, cuja estrutura se toma cada vez mais desintegrante e cuja organização mais institucionalizada, o que reforça a motivação, participação e apoio do povo e ajustiça social, aumenta a capacidade executiva do sistema político, desintensifica qualquer crise transitória, tornando assim o processo da evolução política numa sequência.”71
Como foi anteriormente referido, a historiografia de Macau pertence ao âmbito da historiografia local e regional da China, no entanto, reveste-se de uma singular especificidade, em relação à historiografia local e regional de outras localidades da China. Desde a presença portuguesa em Macau, os governos da Dinastia Ming (13681644) e da Dinastia Qing (1644-1911), sempre têm considerado Macau como um especial “bairro estrangeiro”, onde os portugueses se organizaram numa autonomia interna, regulada pelos seus próprios usos e costumes e a sua própria lei, até imporem uma administração colonial propriamente dita, após a Guerra do Ópio72. Por isso, apesar do facto de Macau nunca ter chegado a ser uma entidade política independente e ter sempre vivido numa forte dependência da China, é uma variante dentro da própria estrutura político-administrativa no território chinês, constituindo um peculiar “sistema político” ou “subsistema político”. Estudar o desenvolvimento político de Macau é investigar o processo evolutivo do sistema político de Macau e a interacção dos seus mais variados factores internos e externos e a sua capacidade de auto-adaptação que lhe permitiu sobreviver ao longo dos séculos.
Evidentemente, o sistema político não é mais do que uma parte do sistema social. Com as alterações da função social dum determinado sistema político, tais como aumento, redução ou reestruturação, o próprio sistema político está a ser alterado ou mudado73. Analisando as proveniências dos seus factores dinâmicos, as mudanças políticas podem dividir-se em três grupos:
1. De origem superior, isto é, ocasionadas em consequência da vontade dos governantes, alterações na estrutura dos dirigentes ou na mudança da ideologia;
2. De origem inferior, que se traduz em mudanças políticas surgidas da vontade popular;
3. De origem internacional, o que quer dizer mudanças políticas resultantes de alguma intervenção internacional.
Falando do ritmo e do âmbito da mudança política, temos duas divisões: 1) Revolução, que muda de maneira violenta e drástica toda a estrutura social; 2) Reformas, que introduzem alterações moderadas e diferidas na política, nos seus dirigentes, no regime político, reduzindo privilégios e elevando o estatuto económico e social do povo.74
No caso concreto de Macau, ao analisarmos os diferentes períodos da sua evolução, podemos ver que as mudanças de origem superior, teriam vindo principalmente da China e de Portugal. Antes de 1849, apesar de um consentimento tácito chinês em relação à presença autónoma lusa em Macau, a China detinha tanto a soberania como a administração de Macau. A partir dessa data, Portugal obteve a administração de facto de Macau, que se prolongou até 1887, data em que a situação foi oficialmente reconhecida pelo governo da Dinastia Qing (1644-1911), com o Tratado de Amizade e Comércio entre a China e Portugal. Este reconhecimento, poderá, de certo modo, ser considerado como uma concessão da administração de Macau dada pela China aos portugueses. Macau, através dos séculos da sua existência, nunca experimentou nenhuma revolução radical. A sua evolução política tem sido, no seu conjunto, um processo de moderadas reformas de adaptação às circunstâncias históricas que se lhe depararam. As reformas constitucionais dos portugueses em Macau, verificadas em 1822, foram passageiras, sem poder introduzir mudanças no conjunto da estrutura social macaense. A expulsão portuguesa dos funcionários chineses residentes em Macau e o encerramento do Hopu resultaram do desequilíbrio do exercício de poderes no Território entre a China e Portugal, provocado pelas drásticas mudanças verificadas na conjuntura internacional após a Guerra do Ópio, o que se reflectiu num impacto destruidor para o relacionamento Sino-Português. Analisando este acontecimento como um factor externo, podemos considerá-lo uma revolução, que não trouxe, porém, alterações essenciais à estrutura interna da sociedade macaense. A China ainda não perdera toda a sua influência sobre Macau. As mudanças radicais do desenvolvimento político de Macau, teriam começado com a aplicação da política portuguesa de descolonização, levada a efeito nos anos 70 deste século,com a promulgação, em 1976, do Estatuto Orgânico de Macau. Com a assinatura da Declaração Conjunta Luso-Chinesa, em 1987, e a publicação da Lei Básica de Macau, em 1993, o desenvolvimento político de Macau entrou no seu período de modernização.
A fim de facilitar as análises a realizar neste trabalho, levando em consideração a China e Portugal como as principais referências, propomos periodizar o desenvolvimento político de Macau em sete etapas, que serão equacionadas em cinco capítulos. As últimas três etapas, como abrangem um período bastante curto, incluímo-las no Capítulo V e na Conclusão. Elaborámos os seguintes diagramas para as periodizações propostas:
1. Período dos primórdios do relacionamento Sino-Português (1514-1583)

2. Período Áureo do Senado (1583-1783)

3. Período Decadente do Senado (1783-1849)

4. Período da Administração Colonial (1849-1976)

5. Período de Território Chinês sob Administração Portuguesa (1976-1988)

6. Período de Transição (1988-1999)

7. Período da Cooperação Sino-Portuguesa no séc. XXI (A partir de 20 de Dezembro de 1999)

Na realidade, qualquer sociedade, na sua evolução ou no seu processo da modernização, há-de sofrer uma série de crises, "tais como as de identidade, legitimidade, participação, distribuição ou penetração."75 Desde os primeiros contactos Sino-Portugueses, formalmente começados em 1514 com a bem sucedida viagem de Jorge Álvares76, até Tamão, até à fixação portuguesa em Macau em 155777 e a fundação do Senado em 1583, este período poderia ser considerado como o período de resolução da crise de identidade. Após uns 40 anos de contactos Sino-Portugueses, as autoridades de Cantão, face a considerações de ordem política e económica, encontraram uma série de medidas para o comércio externo de maneira a deixar, sob um consentimento tácito, os portugueses fazer os seus tratos em Macau. Os portugueses que vieram ao Oriente passaram a ter uma visão mais realística e correcta da China, que se traduzia na adopção duma estratégia de "água mole em pedra dura[...]" Com a sua subordinação à Dinastia Ming (1368-1644) e cumprimento dos deveres fiscais78, foram autorizados tacitamente a viver em Macau, onde se dedicavam ao comércio. Mas não podiam deixar de manter a sua identidade lusa, sobretudo nos momentos em que foram confrontados com a concorrência e as ameaças espanholas. O seu vínculo com a tradição e as autoridades portuguesas tornou-se numa necessidade preeminente, que os levou a criar o Senado, de acordo com a tradição municipal medieval portuguesa.O Senado funcionava na base de uma autonomia interna e sobrevivia com uma dupla lealdade. Vencida a crise de identidade, a comunidade portuguesa local conheceu um acelerado desenvolvimento.
O período áureo do Senado foi o mais comprido de todos, perdurando até à publicação, em 1783, das Providências Régias, que reforçaram os poderes do Governador, representante do poder central português. Findo este período, iniciou-se o período decadente do Senado ou período da administração pré-colonial, período este que subsistiu até à retirada forçada dos mandarins de Macau em 1849. A partir daí, foi inaugurado um período de mais de um século da administração colonial, um facto consumado que foi reconhecido peloTratado de 1887. O Senado foi uma organização espontânea dos portugueses de Macau, cujo papel e cujas funções foram geralmente aceites na comunidade lusa. Para os governos da Dinastia Ming (1368-1644) e da Dinastia Qing (1644-1911), foi uma espécie de "bairro estrangeiro", com o seu próprio organismo de gestão interna, tolerada pela China. Para além de alguns conflitos de jurisdição, a sua legitimidade política nunca foi posta em causa. A intervenção do Governador, representante do poder régio-central, na política portuguesa de Macau, deu lugar a lutas pelo poder entre este e o Senado79, o que criou uma crise em relação à legitimidade da gestão interna da comunidade portuguesa de Macau. Nos meados do séc. XIX, com o predomínio do Governador na condução política e na administração de Macau, surgiram conflitos sino-portugueses em torno da legitimidade da administração de Macau. Apesar de que, Portugal, com a celebração do Tratado de 1887, conseguiu o direito de "ocupação e govemo de Macau", o vexata questio da delimitação das fronteiras do Território de Macau foi o foco duma latente e duradoira crise de legitimidade da presença portuguesa em Macau perante a China, objecto de muitos contactos e conflitos entre ambas as partes, sem resultados e soluções felizes. Esta é a característica mais relevante do período da administração colonial.
O Estatuto Orgânico de Macau, que Portugal promulgou em 1976 e que outorgou a autonomia territorial de Macau, reconhece que Macau é território chinês sob administração portuguesa, estatuto este que foi oficialmente reconhecido aquando do restabelecimento das relações diplomáticas entre a China e Portugal, três anos mais tarde. Com este facto, iniciou-se o período de território chinês sob administração portuguesa. Este é o período em que a modernização da política e da economia de Macau passou do seu início para um crescimento sustentado. Muitos incipientes grupos cívicos que resultaram de mudanças políticas e do desenvolvimento económico, sobretudo da comunidade chinesa, participaram politicamente, após a clarificação do estatuto político-jurídico de Macau. O surgimento e o crescimento da inteligentzia chinesa local fazem com que a cena política,tradicionalmente monopolizada pela inteligentzia portuguesa, tenha sofrido impactos sem precedentes, o que provocou mudanças rápidas e radicais na estrutura político-social de Macau. Esta tendência, com a assinatura da Declaração Conjunta Luso-Chinesa, que deu uma solução definitiva à Questão de Macau, legada pela História, tornou-se, mais evidente. A partir de 20 de Dezembro de 1999, momento em que a China recuperará o exercício da soberania sobre Macau, e com a criação da Região Administrativa Especial de Macau, assumindo a promessa da manutenção dos regimes económico, social e jurídico, o desenvolvimento político de Macau será mais aprofundado80. Espera-se que a partir daí Macau entre numa fase de modernização mais generalizada e equilibrada, conhecendo saltos qualitativos nas relações de cooperação entre a China e Portugal, e com reflexos no território.
Pelo anteriormente exposto, pode-se ver que a história de Macau tem estado estreitamente ligada aos intercâmbios entre os dois países -- a China e Portugal -- e os dois povos. O desenvolvimento político de Macau, tem sido fortemente influenciado pelos altos e baixos do relacionamento Sino-Português. Os factores externos e as interinfluências das circunstâncias foram omnipresentes na vida de Macau. No entanto, Macau, como variante do sistema político-administrativo dentro do território chinês, é o objecto das nossas análises, assim como as mudanças internas de Macau serão o foco da nossa atenção. Procuramos aproveitar as fontes chinesas e portuguesas, bem como as de outros idiomas para estruturar um esboço bem claro da complexa e complicada evolução política de Macau, recorrendo também à metodologia da sociologia política e da economia, entre outras ciências sociais, a fim de dar a conhecer os contornos básicos do mito da sobrevivência de Macau.
1 Concise Encydopaedia Britannica (versão em chinês), Beijing, Shanghai, 1986, Vol. 9, p. 375.
2 O Império Romano. cf. Chen Jiaorong, Xie Fang e Lu Junling, Glossário da Toponímia Antiga do Mar Meridional, Beijing, Livraria China, 1986, p. 137.
3 Cf. Du Yu e Zhu Lingling, Catálogo de Estudos da Geografia Histórica da China (19001980), Beijing, Editora de Catálogos Bibliográficos da China, 1986, pp. 362-363.
4 Zhang Yishan, Relações entre a China e a Península Malaia na Época dos Ming, Taipei, Jinhua Publishing Ltd., 1964 e Cf. Du Yu e Zhu Lingling, ob.cit., p. 403.
5 Cf. Du Yu e Zhu Lingling, ob.cit., pp. 394-395.
6 Idem,pp. 397-399.
7 Idem,pp. 403-404.
8 Cf. Rui D'Ávila de Fontes Alferes Lourido, A Rota Marítima da Seda e da Prata: MacauManila, das Origens a 1640, dissertação de mestrado inédita, Universidade Nova de Lisboa, 1995.
9 Zhang Tingyu, Mingshi (História Oficial dos Ming), Beijing, Livraria China, 1974, p. 1980.
10 Cf.Yu Shixiong, Estudos de Marco Polo, Beijing, Editora de Catálogos Bibliográficos da China, 1983.
11 Du Yu e Zhu Lingling, ob.cit., p. 409.
12 Cf. Zhang Weihua, História das Relações da China com o Estrangeiro na Antiguidade, Beijing, Editora do Ensino Superior, 1993, “Introdução”, pp. 3-4.
13 Cf. Zhang Junyang Comunicações Marítimas da China Antiga com a Ásia de Oeste e a África, Beijing, Editora Oceanos, 1986.
14 Cf. Actas do Seminário Ciências Naúticas e Técnicas de Navegação nos Séculos XV e XVI, ICM e Centro de Estudos Marítimos de Macau, 1988.
15 Zhang Tingyu, Mingshi (História Oficial dos Ming), Vol. 304, Crónica de Zheng He, p.7766.
16 Wang Zhicun, Relações da China Imperial com o Exterior, Vol. 1, Descrição Geral do Mundo, Edição xilografada da Casa Guangya, 1891, p. 8.
17 Sobre as obras deste historiador, cf. L.G.Gomes, Bibliografia Macaense, ICM, 1987, p. 68. A última reedição da versão de 1836 foi realizada em Hong Kong, em 1992, por Viking Hong Kong Publications. Existe uma tradução chinesa, publicada em 1997, em Beijing.
18 O trabalho mais actualizado e mais completo sobre esta questão, devêmo-lo a António Vasconcelos de Saldanha. Cf. A Memória sobre o Estabelecimento dos Portugueses em Macau do Visconde de Santarém (1845): Os Primórdios da Discussão da Legalidade da Presença dos Portugueses em Macau, IPOR, 1996. Em chinês, pode-se consultar A Justificação Portuguesa da Soberania de Macau, Antes e Depois das Guerras do Ópio, in Wu Zhiliang, O Encontro Luso-Chinês em Macau, Fundação Macau, 1996, pp. 78-91.
19 Bento da França, Subsídios para a História de Macau, Lisboa, Imprensa Nacional, 1888.
20 Montalto de Jesus, Historia Macau, 1a edição inglesa de Kelly & Walsh, Hong Kong, 1902, 2aedição inglesa de Salesian Printing, Macau, 1926. A 1a edição portuguesa, Lisboa, Livros do Oriente, 1990.
21 Eudore de Colomban, Resumo da História de Macau, Macau, 1927, reeditado em 1980.
22 Manuel Teixeira, Macau e a sua Diocese, 16 vols., Macau, 1940-1979.
23 J.M.Braga, The Westem Pionners and Their Discovery of Macau, Macau, Imprensa Nacional, 1949.
24 C.R. Boxer, Dares-e-Tomares nas Relações Luso-Chinesas durante os Séculos XVI a XVII através de Macau, Macau, Imprensa Nacional, 1981.
25 Manuel Teixeira, Macau no séc. XVI, Macau, Direcção de Serviço de Educação e Cultura (DSEC), 1981.
26 Manuel Teixeira, Macau no séc. XVII, Macau, DSEC, 1982.
27 Manuel Teixeira, Macau no séc. XVIII, Macau, Imprensa Nacional, 1984.
28 Manuel Teixeira, Os Militares em Macau, Macau, Imprensa Nacional, 1976.
29 Benjamim Videira Pires, A Viagem de Comércio Macau-Manila nos Séculos XVI a XIX, Macau, Centro de Estudos Marítimos de Macau, 1987.
30 Benjamim Videira Pires, Os Extremos Conciliam-se, Instituto Cultural de Macau (ICM), 1988.
31 Beatriz Basto da Silva, Cronologia da História de Macau, 5 vols., Macau, Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), 1992-1998.
32 Almerindo Lessa, A História e os Homens da Primeira República Democrática do Oriente, Imprensa Nacional, Macau, 1974. Esta obra conheceu uma edição melhorada e aumentada em 1996, sob o título de Macau-Ensaios de Antropologia Portuguesa nos Trópicos, pela Editora Internacional Lda.
33 João de Pina Cabral, Nelson Lourenço, Em Terra de Tufões-Dinâmicas da Etnicidade Macaense, Macau, ICM, 1993.
34 Jorge Morbey, Macau 1999, edição do autor, Lisboa, 1990.
35 Jorge Noronha e Silveira, Subsídios para a História do Direito Constitucional de Macau (1820-1974), Macau, Publicações O Direito, 1991.
36 Vitalino Canas, Preliminares do Estudo de Ciência Política, Macau, Publicações O Direito, 1991.
37 António Manuel Hespanha, Panorama Institucional e Jurídico de Macau, Macau, Fundação Macau, 1995.
38 José Calvet de Magalh~æs, Macau e a China no Após Guerra, Macau, IPOR, 1992.
39 Alfredo Gomes Dias, Macau e a I Guerra do Ópio, Macau, IPOR, 1993.
40 João Guedes, Laboratório Constitucional, Macau, IPOR, 1995.
41 Francisco Gonçalves Pereira, Portugal, a China e a Questão de Macau, Macau, IPOR, 1995.
42 António Vasconcelos de Saldanha, A Memória sobre o Estabelecimento dos Portugueses em Macau do Visconde de Santarém (1845), Macau, IPOR, 1995.
43 António Vasconcelos de Saldanha e Jorge Manuel dos Santos Alves, Estudos de História do Relacionamento Luso-Chinês (séculos XVI-XIX), Macau, IPOR, 1996.
44 Rui Manuel Loureiro, O Manuscrito de Lisboa da “Suma Oriental” de Tomé Pires (Contribuição para uma edição crítica), Macau, IPOR, 1997.
45 Tien-Tsê Chang, O Comércio Sino-Português entre 1514 e 1644: Uma Síntese de Fontes Portuguesas e Chinesas, Macau, IPOR, 1997.
46 A. M. Martins do Vale, Os Portugueses em Macau (1750-1800), Macau, IPOR, 1997.
47 António Vasconcelos de Saldanha, Colecção de Fontes Documentais para a História das Relações entre Portugal e a China, 4 vols., Fundação Macau/Centro de Estudos de Relações LusoChinesas e Universidade de Macau, 1996-1998.
48 António Vasconcelos de Saldanha, Colecção de Fontes Documentais para a História das Relações entre Portugal e a China, Série Especial, 3 vols., Fundação Macau/Centro de Estudos de Relações LusoChinesas e Universidade de Macau, 1998-1999.
Vo1. I, Documentos relativos à Neutralidade Portuguesa durante a I Guerra do Ópio (1839-1842), coordenação e apresentação de António Vasconcelos de Saldanha, leitura, organização da documentação e introdução de Alfredo Gomes Dias e tradução chinesa por Jin Guo Ping, 1998.
Vo1. II, Documentos relativos à Neutralidade Portuguesa durante a Revolta Taiping e as Novas Guerras do Ópio (1850-1860), coordenação e apresentação de António Vasconcelos de Saldanha, leitura, organização da documentação e introdução de Alfredo Gomes Dias e tradução chinesa por Jin Guo Ping, 1998.
49 Huang Peikun, Contributos para os conflitos fronteiriços de Macau, Biblioteca de Cantão, 1931.
50 Tien-Tsê Chang, Sino-Portuguese Trade from 1514-1644: A Synthesis of Portuguese and Chinese Source, Leyden, E.J.Brill Ltd. 1934.A versão chinesa desta obra foi publicada em Hong Kong em 1988.
51 Zhang Weihua, Comentários das Crónicas de Folangji, Luçao, Holanda e Itália da História Oficial dos Ming, 1934, reeditada com o título de Comentários das Quatro Crónicas da História Oficial dos Ming, Shanghai, Editora dos Clássicos, 1982. Em Taiwan também foi feita uma reedição desta monografia em 1985.
52 Zhou Jinglian, A História da Diplomacia Sino-Portuguesa, Editora Comercial, 1937, reeditada em 1991.
53 Dai Yixuan, Sobre Combates a Piratas na História de Macau in Boletim Académico da Universidade de Zhongshan, No. 3 de 1957, pp. 143-166. Reeditado em separata pela Starlight Publishing House, Macau, 1987.
54 Quan Hansheng, O Comércio Externo de Macau, a partir dos meados da Dinastia Ming, in Joumal of Institute of Chinese Studies of the Chinese University of Hong Kong, Vol. 5, No. 1, 1972, pp.245-272.
55 Jie Zi, Fontes Históricas da Ocupação de Macau por Portugal, Editora do Povo de Shanghai, 1961. Sabemos que este livro foi traduzido para português pelo Prof. Jin Guo Ping nos anos 80.
56 Ding Zhongjiang, Crónica dos Chineses do Ultramar em Macau, Taipei, Comissão das Crónicas dos Chineses do Ultramar, 1964.
57 Publicada pela Fundação Macau em 1998, sob o título: Relações entre Macau e a China nos Séculos X VI-XVIII.
58 Esta dissertação continua inédita, porém, o seu resumo foi publicado na Revista de Cultura, n.° 16, 1991 e mais tarde num fascículo titulado Estudos sobre a instalação dos Portugueses em Macau, Lisboa, Gradiva, 1997.
59 Huang Wenkuan, As Apuradas Investigações da História de Macau, Macau, Starlight Publishing House, 1987.
60 Huang Hongzhao, História de Macau, Editora Comercial, Hong Kong, 1987. Mais tarde foi aumentada e editada pela Editora do Povo de Fujian com o título de Resumo da História de Macau, em 1991.
61 Yuan Bangjian e Yuan Guixiu, História Concisa de Macau, Hong Kong, Editora Zhongliu, 1988.
62 Fei Chengkan, Os 400 anos de Macau, Editora do Povo de Shanghai, 1988. A edição inglesa desta obra Macao 400 Years, foi publicada em 1996 em Shanghai, pela Editora da Academia de Ciências Sociais.
63 Huang Qicheng, História de Macau, Desde a Antiguidade até 1840, Macau, Sociedade de História de Macau, 1995.
64 Deng Kaisong, História de Macau, Desde 1840 a 1949, Macau, Sociedade de História de Macau, 1995.
65 Camões C.K. Tam, Disputes Conceming Macau's Sovereignty between China and Portugal (1553-1993), Taipei, Lifework Press, 1994.
66 Wu Zhiliang, O Sistema Político de Macau, Macau, Fundação Macau, 1995.
67 Cf. Wu Zhiliang, O Encontro Luso-Chinês em Macau, Fundação Macau, 1996, pp. 65-67.
68 Han Zheng, A História é a própria maneira de ser da sociedade humana, in Estudos da Historiografia, n.° 4 de 1995, p. 7.
69 James S. Coleman, The Development Syndrome: Differentiation-Equality-Capacity, in Leonard Binder. et al., (eds.), Crises and Sequences in Political Development, Princeton University Press, 1971, p. 73.
70 Idem, p. 74.
71 Cheng Hongyu, Teorias do Desenvolvimento Político, Taipei, Crown Books Inc., 1985, p. 30.
72 Cf. António Vasconcelos de Saldanha “Um Estabelecimento a Refundir e Criar de Novo”. Macau e a Política Externa Portuguesa na China (1842-1853), in Estudos sobre as Relações LusoChinesas, Lisboa, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e ICM, 1996, pp. 51-404.
73 Nicholas Berry, Political Configuration, An Analysis of the Political System in Society, Goodyear Publishing Company, Inc., 1972, p. 49.
74 Cheng Hongyu, ob.cit., pp. 57-59.
75 Lu Yali, Ciências Políticas, Taipei, Livraria Sanmin, 1993, p. 397.
76 Cf. Luís Keil, Jorge Álvares -- O Primeiro Português que foi à China (1513), versão trilingue, ICM, 1990.
77 Éa data oficial portuguesa. Discutiremos esta questão no respectivo capítulo.
78 Cf. Jordão de Freitas, Macau -- Materiais para a Sua História no Século XVI, ICM, 1988, p. 9.
79 Esta disputa de poderes entre o Governador e o Senado começou logo com o primeiro Capitão Geral de Macau Francisco de Mascarenhas. Na Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Évora existe um importante núcleo documental sobre esta questão. Cf. a Códice CXVI/2-5.
80 Em boa verdade, pode-se considerar que a criação da Região Administrativa Especial de Macau é o início do seu desenvolvimento político, uma vez que este último corresponde ao "concept in political science used to describe the processes of NA TION BUILDING and state building,especially in the newly independent countries of Africa and Asia which emerged from colonial rule after the second world war. Political development is closely associated with the concepts of modernization and economic devdopment, and it is now applied to processes of political development implies that societies can consciously direct the course of their own nation building rather than submit to the blind forces of social and political evolution or revolution." (The Blackwell Encyclopaedia of Political Science, Cambridge, Massachusetts,Blackwell Publishers, 1991, p. 450.)